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LIDERANÇA CRISTÃ 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cicero Bezerra 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
É inegável o fato de que a religião historicamente tem sido um ambiente 
de opressão e manipulação. Nesta aula serão abordados aspectos importantes 
que conduzem o indivíduo para a liberdade e a realização pessoal. 
No trabalho pastoral uma das principais funções daqueles que se 
propõem a essa fascinante tarefa é o de resgatar aqueles que estão cansados e 
oprimidos e, por sua vez, apoiar as pessoas no seu cotidiano, ajudar a superar 
as contrariedades da vida e os desafios que a sociedade apresenta para todos 
os cidadãos. 
A verdadeira religião liberta, os pastores de acordo com as escrituras 
estão capacitados para ajudar as pessoas nas suas dores e nos seus dilemas. 
A volta ao sagrado como processo libertador 
Nesse contexto, o poder deve ser exercido em função do fraco e do 
oprimido, e não praticado ou exercido em função de si mesmo, tampouco deve 
aproveitar a ignorância ou os valores distorcidos para manipular ou estimular o 
fascínio dos que não conseguem desenvolver uma concepção crítica ou analítica 
do poder religioso. 
A religião na sua essência é libertadora; logo, o ambiente religioso e 
aqueles que frequentam esses ambientes devem incentivar a liberdade do ser, 
como disse Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 
TEMA 1 – DILEMAS A RESPEITO DA RELIGIÃO NA SOCIEDADE 
É preciso não confundir o efeito de consagração que todo o sistema de 
práticas e de representações religiosas tende a exercer na vida dos cidadãos e 
na sociedade de maneira geral, de forma direta ou imediata no caso da 
religiosidade das classes dominantes, de maneira indireta no caso da 
religiosidade das classes dominadas, com o efeito de 
conhecimento/desconhecimento que todo sistema de práticas e de 
representações religiosas exerce necessariamente e que constitui, de fato, 
enquanto imposição de problemática. 
 A mediação mais dissimulada pela qual se exerce o efeito de 
consagração. Os esquemas de pensamentos e de percepção constitutivos da 
problemática religiosa podem produzir a objetividade que produzem somente ao 
 
 
3 
produzirem ao desconhecimento dos limites do conhecimento que tornam 
possível (isto é, a adesão imediata sob a modalidade da crença, ao mundo da 
tradição vivido como “mundo natural”) e do arbitrário da problemática, um 
verdadeiro sistema de questão que não é questionado (Bourdieu, 1987, p. 47). 
Se não admitirmos e praticarmos a ética cristã, cederemos espaço para a 
ética secular por conta da cultura política de nossos países. Sem essa 
conscientização, poderemos partir para a militância política apenas para levar 
vantagens e em busca de status, poder, prestígio ou materialismo. Para 
Cavalcanti (1997), essa é a parte mais indecorosa da religião, se conformar com 
a sociedade e seguir suas pautas renegando os valores da fé cristã. 
TEMA 2 – UMA TEOLOGIA QUE LIBERTA 
Numa tentativa de abordar essas questões na América Latina, surgiu a 
Teologia da Libertação, abordada por Catão (1986) da seguinte maneira: a 
Teologia da Libertação efervesceu nos anos 1960 por todo o mundo católico 
latino-americano. Diante da miséria, do sistema semifeudal da economia e do 
profundo distanciamento do clero das bases, teólogos católicos formularam uma 
concepção de igreja que nascesse a partir das aspirações de sua base “Usando 
o socialismo como alvo e o marxismo com ferramenta de análise da sociedade” 
(p. 140), essa teologia tornou-se a principal corrente de pensamento teológico, 
influenciando a grande maioria dos centros de reflexão crítica religiosa da 
América Latina. 
Essa seria uma pequena nuvem de reflexão teológica, construída no 
contexto do povo e para o povo, como alguns dizem; que poderia ser chamada 
de Teologia de pé no chão, uma reflexão construída com base na realidade 
experimentada no cotidiano, tentando mostrar caminhos ou opções libertadoras, 
propondo para o ser humano um encontro com sua humanidade, apresentando 
Cristo como paradigma para uma vida cristã autêntica e promulgando pautas 
libertadoras ao que diz respeito à religião oficial, ou às estruturas religiosas 
predominantes. 
TEMA 3 – ORIGEM DA TEOLOGIA LIBERTADORA 
De onde vem a fórmula Teologia da Libertação? A palavra libertação 
pertence ao léxico político da época (1968) – movimento de libertação nacional 
 
 
4 
–, quando a expressão Teologia da Libertação aparece. Tanto o Brasil como 
vários países da América Latina. 
Reuniões de teólogos latino-americanos foram realizadas na Europa e 
também na América Latina. A reunião de Petrópolis (Brasil), de março de 1964, 
organizada por Ivan Illich, é a primeira em data do lado católico. 
Do lado protestante, a fundação em 1961 da Iglesia y Sociedad en 
América Latina (ISAL), em que se fala de teologia da revolução, já marca o papel 
de vanguarda de certos teólogos protestantes latino-americanos. Mais 
importante do que a história dos acontecimentos ou dos textos, são as maneiras 
como se viu, como se falou, como se contou o fenômeno. Dessas reuniões, 
somente algumas pessoas estavam a par. Os textos escritos foram lidos 
somente por alguns milhares de leitores. 
Mas da Teologia da Libertação falar-se-ia muito. O que era exatamente? 
O fundamento da “opção preferencial pelos pobres” adotada pela igreja latino-
americana em Medellín? Uma estratégia dos comunistas, como pretendia o 
Relatório Rockfeller1 de 1969 ou, ao contrário, um dispositivo da Igreja para 
captar uma nova clientela? Uma estratégia de diferenciação de intelectuais, 
frente aos leigos, frente aos outros teólogos. 
Mais geralmente, produto do movimento estudantil dos anos 1960. Uma 
expansão ideológica da posição da igreja diante do estado. Uma expressão das 
comunidades eclesiais de base ou uma prática pastoral? Uma ameaça de cisma 
e/ou uma luta de poder no interior da igreja? Uma ideologia de ruptura com o 
iluminismo e com a romanização ou, ao contrário, uma versão renovada da 
doutrina social da Igreja? (Corten, 1996, p. 19). 
TEMA 4 – O PONTO DE PARTIDA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO 
Em junho de 1968, Gustavo Gutiérrez2 pronuncia uma conferência em 
Chimbote (Peru) com o título Teologia de Libertação. Contexto imediato: a morte 
 
1 Nelson Rockefeller, o membro do clã bilionário da Standard Oil, e o vice-presidente dos EUA, 
Richard Nixon, em 1968, emitiu relatório assegurando que a Igreja não era mais um “aliado 
confiável para os Estados Unidos” no continente americano, acrescentando que o catolicismo se 
tornou “um centro perigoso de revolução potencial” sob o pretexto de Teologia da Libertação. 
2 Considerado o pai da Teologia da Libertação. Em maio de 1969, Gutiérrez veio para o Brasil, 
país que vivia, então, as horas mais escuras da ditadura militar. Ali encontrou estudantes, 
militantes da Ação Católica, padres, cujo testemunho enriqueceria a sua reflexão que 
desembocou na sua obra fundamental: Teologia da Libertação. “Antes do Concílio”, especifica, 
“João XXIII havia anunciado: a Igreja é e quer ser a Igreja de todos, e particularmente a Igreja 
dos pobres”. 
 
 
5 
de Camilo Torres3 na guerrilha colombiana em fevereiro de 1966. Gutiérrez 
conheceu bem Camilo em Louvain, ele estava longe de compartilhar de seu 
radicalismo. 
Há também a preparação da conferência de Medellín (24 de agosto-6 de 
setembro de 1968). O documento preparatório, “Estrutura social da Igreja”, é 
redigido por Gustavo Gutiérrez. Este é considerado o pai da Teologia da 
Libertação, é um padre diocesano peruano. Ele fez seus estudos em Louvain e 
Lyon. Em Louvain, desenvolveu-se, nesta época, uma corrente na qual Francois 
Houtart insistiu no “uso da sociologia no processo de reflexão teológica”. 
Essa versão estendeu-se por toda a América Latina, onde se abriram 
centros de sociologia religiosa. A meditação sociocríticacara da Teologia da 
Libertação inscreve-se nessa linha, despojando-se ao mesmo tempo de seu 
positivismo ingênuo (Corten, 1996, p. 19). 
Um pouco mais tarde, em 1968, o teólogo protestante brasileiro Rubem 
Alves apresentou na Universidade de Princeton (EUA) sua tese de doutorado, 
intitulada Teologia da Libertação. A tese foi publicada no ano seguinte, mas o 
editor decidiu mudar o título. A Teologia da Esperança Humana, posteriormente 
foi traduzida pela Cerf, em 1972, com o título Teologia da Esperança. 
É forte a influência dos teólogos reformados Jürgen e Karl Barth4. Ela vai 
marcar toda a Teologia da Libertação, mas de forma subterrânea, pois, apesar 
do ecumenismo, esta se mostra habitualmente como católica e de órbita 
neoliberal (Corten, 1996, p. 22). 
TEMA 5 – A INFLUÊNCIA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NO 
PROTESTANTISMO 
Nesse período, “o Protestantismo sofreu imensa influência de escritores 
como Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff e Hugo Assman”5 (Corten, 1996, p. 68). 
Esses autores são considerados pelos centros intelectuais como os pais da 
 
3 Colombiano, chamado de padre guerrilheiro, morreu em 1966 em seu primeiro combate no 
Exército de Libertação Nacional (ELN). 
4 Karl Barth (1886-1968) nasceu em Basileia, Suíça, em 10 de maio de 1886. Foi um teólogo 
cristão-protestante, pastor da Igreja Reformada e um dos líderes da teologia dialética e da neo-
ortodoxia protestante. 
5 Teólogo católico brasileiro que desenvolveu importante obra após o Concílio Vaticano II. É 
considerado um dos pioneiros da Teologia da Libertação no Brasil. 
 
 
6 
Teologia da Libertação, escreveram vários livros e ensaios que têm sido usados 
por muitas escolas e intelectuais no decorrer dos anos. 
A Teologia da Libertação perdeu, entretanto, seu ímpeto devido ao rápido 
processo de secularização de sua reflexão. Na busca de uma práxis saudável, 
perderam-se os referenciais transcendentes. “Nessa caminhada teológica, o ser 
humano passou a ser o centro da reflexão. Do homem para o homem foi feita 
uma leitura com ênfase no campo sociológico sem levar em conta o sagrado” 
(Corten 1996, p. 69). Segundo Libânio (citado por Corten 1996, p. 72), “o pobre 
é o centro da reflexão, a preocupação principal e aquilo em que afinal se move 
toda a teologia [da libertação]”. 
Mesmo se a Teologia da Libertação não chegar a atingir o pobre, em todo 
caso o mais pobre é o destinatário do seu discurso. O pobre é aquele cujo clamor 
se ouve, o lamento, a voz do “inumano”. Aquele que não se pode ouvir. 
Somente sentindo a sua dor é que se pode conceber a libertação. 
Somente passando pela sua desolação é possível nascer a esperança. Vemos 
o quanto a liberação do seu genérico passa por um longo percurso, não 
parecendo em nada com o percurso linear do progresso. Em termos religiosos: 
a cruz, a ressurreição (Corten, 1996, p. 37). 
Os teólogos da libertação criaram uma sede religiosa, mas não 
conseguiram saciá-la. E assim o movimento pentecostal cresceu no rastro desse 
vácuo espiritual que as comunidades eclesiais deixaram. 
Tanto o discurso como a militância da Teologia da Libertação tornaram-
se tão horizontalizados que geraram na grande massa uma expectativa de 
recuperar o sagrado no seu estado mais “selvagem”. Foi ela uma das 
responsáveis pelo surgimento dos grupos neopentecostais (Catão, 1986, p. 
140). 
Nessa caminhada voltada para o “pensar” e “construir teologia”, após um 
desvio sociológico, caiu-se numa postura religiosa ultrassagrada em que tudo 
passa a ser controlado por ações de Deus ou do demônio, deixa-se a reflexão e 
até mesmo os pressupostos bíblicos e passa-se a agir pelo mistério e pelo 
mágico, a superstição que está entranhada nas raízes do povo latino. 
NA PRÁTICA 
Evangelho é boa-nova e não lei. É anúncio e não prescrição. Jesus é 
profeta e não um constituinte. Ora, o discurso profético parte do alto: ele se faz 
 
 
7 
a partir da instância crítico-utópico. Contudo, é preciso dizer também que, ao 
mesmo tempo em que a anuncia um espírito, o Evangelho do poder-serviço 
exige encarnação desse espírito em código éticos e jurídicos e em instituições 
sociais. Importa, pois, dialetizar os dois termos; isto é, as inspirações evangélicas 
e as determinações concretas em que elas tomam corpo: quem exerce o poder, 
como e por quê. É no seio dessa dialética que se põe hoje a importante questão 
de democracia e de sua compatibilidade com a inspiração evangélica. 
Nós, brasileiros, surgimos de um empreendimento colonial que não tinha 
nenhum propósito de fundar um povo. Queria tão somente gerar lucros 
empresariais exportáveis, com pródigo desgaste de gentes. Nossas raízes são 
de exploração do mais fraco em detrimento do mais forte, alguém tem interesse 
de tomar vantagem, mesmo que isso ocorra por meio da desgraça do outro. Esse 
campo está preparado para uma religião mercantilista, reproduz-se o modelo 
sociológico, ético e cultural, dentro da “igreja”. 
Propomos que você desenvolva uma ação na sua localidade e tentar 
identificar atos de injustiça (por exemplo, crianças sem escola, exploração dos 
mais pobres, desvio de alimentos escolares, falta de creche para as crianças 
etc.). Por meio dessa conscientização, o que você pode fazer para ajudar as 
pessoas? Essa é uma pergunta que precisa ser respondida. 
Aqui esbarramos uma vez mais com a questão política e educativa. De 
fato, a introdução do sagrado na política tem efeitos perversos. Sobre a 
determinação religiosa da opção pelos pobres pode chegar a diversas formas 
políticas nada libertadoras. É preciso encontrar modos de regulação e de 
comunicação entre os sujeitos populares e as pequenas elites (intelectuais) que 
pretendem trabalhar para a libertação de tais sujeitos. 
FINALIZANDO 
Como disse Kant: “o poder é chamado para o serviço, mas inclinado à 
dominação. Ampliando a ideia, quando o poder subverte a religião, ele passa a 
ser nocivo e pernicioso. O povo sofre as consequências”. 
A pastoral deve ser exercida a favor do mais fraco e daqueles que sofrem, 
cabendo àqueles que a exercem terem essa consciência. É fundamental para 
aquele que exerce a pastoral no ambiente da religião não se deixar contaminar 
pelos escambos muitas vezes praticados em função do poder. 
 
 
8 
 Por meio da ética cristã, bem como de seus valores cristãos, 
principalmente em um país ou continente cristão, podem-se atender àqueles que 
necessitam de justiça. 
A teologia, por sua vez, tem a tarefa de articular ações para que elas 
sejam legítimas e se transformem em serviço genuíno e autêntico. A 
fundamentação da teologia está relacionada com a igualdade e a libertação dos 
povos. 
Nessa vertente, os saberes teológicos conduzirão as ações de serviço e 
justiça para os diversos segmentos da sociedade. 
As ações pastorais devem ser baseadas nas fundamentações teológicas, 
pois ação sem conceituação pode se transformar em elucubrações e devaneios 
sem causa. 
Para que os procedimentos sejam legítimos e com objetividade, é 
necessário conhecer a história e todas as implicações relacionadas aos 
fundamentos. Assim, teremos a pregação do evangelho de forma 
transformadora e impactante. 
 
 
 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 
1987. 
CATÃO, F. O que é teologia da libertação. São Paulo: Nova Cultural; 
Brasiliense, 1986. 
CAVALCANTI, R. A utopia possível. 2. ed. Viçosa: Ultimato, 1997. 
CORTEN, A. Os pobres e o Espírito Santo: Pentecostalismo no Brasil. 
Petrópolis: Vozes, 1996. 
 
 
	CONVERSA INICIAL
	A volta ao sagrado como processo libertador
	TEMA 1 – DILEMAS A RESPEITO DA RELIGIÃO NA SOCIEDADE
	TEMA 2 – UMA TEOLOGIA QUE LIBERTA
	TEMA 3 – ORIGEM DA TEOLOGIA LIBERTADORA
	TEMA 4 – O PONTO DE PARTIDA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
	TEMA 5 – A INFLUÊNCIA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NO PROTESTANTISMO
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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