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A CONSTRUÇÃO IMAGINÁRIO-TEOLÓGICA DO PENSAMENTO 
REFORMADO BRASILEIRO E SEU CONTATO COM O “OUTRO” 
Arthur de Souza Cunha
1
 
Introdução 
 Pesquisar sobre os diferentes matizes da fé reformada não é tarefa fácil e nem 
deveria sê-lo. A presente época nos apresenta uma multifacetada experiência religiosa. 
Com o advento da internet, a comunicação em massa popular nos possibilita identificar, 
analisar e dialogar com as mais diversas experiências religiosas, ainda que essas, em seu 
núcleo duro, não estejam abertas para o diálogo. 
 A reflexão acerca da construção histórica da fé reformada no Brasil nos 
possibilita o diálogo com os mais diferentes desdobramentos do cristianismo reformado, 
assim buscando entender seu lugar de fala e sua implicação com o “outro” – o outro 
nesse caso é todo aquele que está fora do núcleo conceitual da fé reformada. O trabalho 
ainda que apresente polêmicas entres os atores que estabelecem os debates sobre 
narrativas, não tem por interesse causar celeuma sobre o tema debatido, mas atestar que 
eles ocorrem. Esse tipo de entendimento facilitará a leitura do texto, pois é perceptível a 
existência de uma linha tênue entre atestar o fato que ocorre e o proselitismo sobre o 
mesmo, que por vezes pode ser imperceptível. 
 Com objetivo de demonstrar a experiência histórica e teológica da fé reformada 
não como algo homogêneo e sim como algo heterogêneo, avaliamos a experiência 
reformada como elemento social, que surge das demandas sociais de grupos específicos 
sem o objetivo de arbitrar sobre os mesmos, antes demonstrar como esses ocorrem. 
 A pesquisa é de cunho explicativo, apresentando um pano de fundo para as 
experiências religiosas no campo reformado e sua atuação. Elaborada a partir de fontes 
primárias, análise de estatísticas e produções que não apenas testifiquem o conceito de 
fé reformada, mas também produções que levantem debates sobre o tema. 
 
 
1
 Especialista em História e Cultura no Brasil (ESTÁCIO DE SÁ) Licenciado em História (UFRN) 
Psicanalista Clínico (IBPC) Cientista religioso em formação (UNIFCV) Teólogo em formação (STBP) 
Membro do Grupo de Pesquisa Teologia Cristã e Religião Contemporânea (LABÔ-PUC) Membro do 
Laboratório de estudos de religiões e religiosidades (LERR-UNIFCV) 
1. O imaginário em ação 
 
Afirmar que tradição “reformada” é uma construção imaginária em alguns 
momentos pode gerar certo desconforto a grupos específicos. Quando ressaltamos que 
tal tradição é “inventada”, não estamos arbitrando sobre sua sacralidade e nem tão 
pouco sobre as experiências de hierofania
2
. A constatação do fato não a torna profana
3
, 
antes, por sua vez, a torna um movimento histórico que pode ser observado. O 
historiador Inglês Eric Hobsbawn (1917-2012) em sua produção historiográfica, 
descreveu como tradições surgem ao longo do tempo e denominou de “tradição 
inventada” as tradições formalizadas ao longo do tempo e formalmente 
institucionalizadas. Tais tradições possuem um caráter formal ou simbólico para os 
grupos nos quais são praticadas e perpetuadas. É a repetição que marca a perpetuação de 
uma tradição e/ou sua adaptabilidade frente ao seu tempo. Aliás, sempre é possível 
tentar estabelecer continuidade com um passo histórico apropriado (HOBSBAWN, 
2008. p. 9). 
Nesse quesito de formação da tradição e/ou imaginário, devemos perceber como a 
memória pode ser entendida. Ela é popularmente conhecida como a capacidade que o 
ser humano tem de conservar e relembrar experiências e informações relacionadas ao 
passado, sendo estas, parte de processos de interação de cada indivíduo com o seu meio. 
A partir do início do século XX, sobretudo nas Ciências Humanas, o conceito de 
memória passou a ser definido como um fenômeno social, na medida em que as 
relações entre os indivíduos são estabelecidas pelas formas em que os mesmos 
interagem entre si através dos aspectos socioculturais, como por exemplo, nos 
ambientes: familiar, profissional, político, religioso, dentre outros. Tais elementos são 
fundamentais na construção das memórias e, consequentemente, da história destes 
indivíduos. Jacques Le Goff (2013) aponta a relação entre memória e história quando 
salienta: “Tal como o passado não é a história, mas o seu objeto, também a memória 
não é a história, mas um dos seus objetos e, simultaneamente, um nível elementar de 
elaboração histórica.” (LE GOFF, 2013, p. 51). 
 
2
 Aparecimento ou manifestação reveladora do sagrado. 
3
 O conceito de profano se refere a experiência que não pertence ao campo sagrado. 
A tradição “Reformada” não escapa desse conceito e análise. Nos últimos vinte 
anos, países como Brasil e Estados Unidos apresentaram um crescente número de 
pessoas que tenderam a “voltar” para um viés denominado de “evangélico-reformado”. 
A fé reformada apresenta-se de forma imaginativa como o retorno ao seu passado ou ao 
“cristianismo-primitivo” 
4
 como sendo a essência verdadeira da sua fé. O aspecto 
reformado por sua vez busca estabelecer sua reflexão teológica sobre a autoridade das 
escrituras. Se analisarmos o caso do teólogo Jonathan Edwards, que não se via como um 
“Calvinista”, mas como um cristão bíblico
5
, perceberá justamente esse conceito de volta 
aos princípios bíblicos. A fé reformada busca em sua gênese não apenas ser mais uma 
proposta interpretativa sobre a fé cristã, mas antes de tudo ser a proposta hermenêutica 
da fé cristã. “Calvino não foi o autor desse sistema, mas Deus” (KUYPER, 2002. p. 22). 
A frase atribuída a Kuyper revela o caráter de não apenas uma proposta 
hermenêutica sobre o cristianismo frente aos diversos matizes que esse possui, mas 
antes ser a resposta objetiva para o cristianismo. Não apenas os óculos da fé cristã, mas 
antes seus olhos. Para que tal projeto possa ocorrer de interpretação da fé cristã foi e é 
necessário um arcabouço literário; Nesse campo a principal fonte é o texto bíblico. 
Logo, aqueles que compartilham a fé reformada apelam, com frequência, às Escrituras 
como a fonte última de sua teologia. (SANTOS, 2006). 
Para entendermos como esse imaginário se constituiu, temos que observar o 
caráter histórico e o caráter teológico. Frente ao caráter histórico precisamos 
desmistificar o fato de que João Calvino não foi o inventor do termo predestinação, 
tema recorrente ao falarmos sobre reformados. A fé reformada é uma produção 
teológica, enquanto a reforma protestante é sendo um movimento histórico. Ambas 
estão entrelaçadas de forma conceitual. Se o primeiro é um produto metafísico para seus 
seguidores, o segundo é um processo que ocorreu na idade média na Europa do século 
XV-XVI e movimentos antecedentes que culminaram em uma nova ou “volta” à 
interpretação do cristianismo. Seja a estrutura teológica ou as estruturas históricas, 
ambas devem ser analisadas como um produto do seu tempo. Roger Chartier afirma: 
 
4
 Lê-se cristianismo primitivo como período histórico em que a fé cristã crescia e se estabelecia em 
certa unidade, trabalhos recentes têm mostrado que o termo ideal para períodos como esse é na 
verdade cristianismos, no plural em virtude da variedade subjetiva dos grupos cristãos. 
5
 LEITH, John. Reformed theology. Em: McKIM, Donald K. (org.). Encyclopedia of the Reformed 
faith. Louisville: Westminster/John Knox Press, 1992, p. 367. Cf. HANSEN, Young, restless, 
Reformed. 
As estruturas do mundo social não são um dado objectivo, tal como o não são 
as categorias intelectuais e psicológicas: todas elas são historicamente 
produzidas pelas práticas articuladas (políticas, sociais, discursivas) que 
constroem suas figuras. São essas demarcações, e os esquemas que as 
modelam, que constituem o corpo de uma história cultural levada a repensar 
completamente a relação tradicionalmentepostulada entre o social, 
identificado com um real bem real, existindo por si próprio, e as 
representações, supostas como o refletindo ou dele se desviando. 
(CHARTIER, 1990, p. 272) 
 
Observando que as estruturas conceituais já estipuladas são produções de um 
determinado movimento que planeja e deseja apontar para uma oficialização de 
conceitos, é perceptível que o conceito reformado está inserido nesse significado e para 
isso observamos o quesito teológico. Alguns dos conceitos para o desdobramento da fé 
reformada são: a majestade de Deus; autoridades das Escrituras; a condição espiritual do 
ser humano; a suficiência da obra de Cristo; a soberania de Deus na salvação; a 
centralidade da pregação. Apesar desses termos estarem ligados ao campo conceitual 
teológico, eles não servem apenas para conceituar a fé reformada, mas dizer o que a 
mesma não é. Nesse quesito a fé reformada se constitui não apenas como um 
movimento do que é, mas se caracteriza pelo que não é e seu contato com o outro. Um 
exemplo disso acontece quando esboçamos o conceito de Majestade de Deus - Ele 
possui um significado não apenas de classificação da divindade como também esboça a 
forma que outros grupos entendem Deus como majestoso. Como afirmou Jonh 
Hesselink: 
Em contraste com o pelagianismo e o arminianismo, o calvinista afirma que a 
vontade humana não é livre e, portanto, o homem não toma a iniciativa em 
responder à redenção oferecida em Jesus Cristo. Além do mais, em contraste 
com certos tipos de evangelicalismo, o cristão reformado se concentra em 
Deus, e não em sua própria experiência. Não é minha conversão, minha fé, 
nem minha vida correta que contam em última análise. (HESSELINK, 2018, 
p. 94) 
 A classificação de um entendimento teológico gera um desdobramento do que a 
fé reformada não é, do que não faz parte do seu arcabouço teórico. O psicanalista, 
professor e teólogo Rubem Alves em seu livro Protestantismo e Repressão (1979) 
formula o termo de protestantismo da reta doutrina que não só englobaria o 
protestantismo reformado, mas uma série de matizes protestantes que tem por 
característica “privilegiar a concordância com uma série de formulações doutrinárias, 
tidas como expressões da verdade, e que devem ser afirmadas sem nenhuma sombra de 
dúvida, como condição para a participação na comunidade eclesial” (ALVES, 2005, p. 
44) O conceito apresentado por Rubem Alves nos oferece um entendimento de como 
determinados grupos reformados percebem-se e percebem o “outro”. 
 
2. Entre o “eu” e o “outro” 
 Com o crescimento do protestantismo brasileiro nas primeiras décadas do século 
XX, foi necessária a elaboração de conferências, seminários e produções biográficas 
que pudessem atender o novo mercado religioso em expansão. O nicho de mercado do 
evangelicalismo brasileiro passou a sistematizar suas crenças e ideias. Editoras de cunho 
reformado abrem suas produções editoriais para atender a demanda do mercado 
emergente, exemplo claro é o caso da Editora Cultura Cristã que por sua vez é a Editora 
oficial da Igreja Presbiteriana no Brasil (IPB), que atual desde 1948. A Cultura Cristã é 
uma autarquia da IPB, representada por um Conselho. Com o objetivo de produzir e 
distribuir material literário necessário para a educação e crescimento da Igreja 
Presbiteriana do Brasil.
6
 
 Outro exemplo de expansão do mercado editorial reformado é a Editora Fiel, por 
sua vez, não ligada a uma denominação específica, pois possui uma proposta teológica 
bem delimitada. “Na década de 60 fundaram a Editora Fiel, com o objetivo de oferecer 
uma base teológica através da boa literatura ao ministério, não só de líderes brasileiros, 
como de pastores em outros países que falam português ao redor do mundo”. 
(DENHAM, 2022) O site da própria editora ainda define seu objetivo como a missão de 
publicar livros comprometidos com a sã doutrina bíblica, visando à edificação da igreja 
de fala portuguesa ao redor do mundo.
7
 A editora fiel não apenas buscou a elaboração 
de materiais bibliográficos como também conferências e seminários, além de um blog 
conhecido como Voltemos ao Evangelho. Em 1990 a Editora Fiel já estava em sua sexta 
edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes com o tema: o Reavivamento e as 
doutrinas da graça. Em 1992 durante a oitava conferência Fiel o tema abordado foi 
Música e os Puritanos. 
 Assim como a Editora Fiel, Edições Vida Nova (EVN), é um modelo de editora 
que surge a partir dos anos de 1950, dessa vez com origem em Portugal. Segundo Shedd 
 
6
 https://editoraculturacrista.com.br/a-editora/ 
7
 https://www.editorafiel.com.br/conteudo/4-quem-somos 
http://www.editorafiel.com.br/
(2013), o missionário Arthur Brown ficou chocado com a falta de livros, comentários e 
recursos teológicos em português que auxiliassem os pastores desejosos de preparar 
mensagens que alimentassem seus rebanhos com foco na teologia, que é o estudo de 
Deus e da relação entre Deus e o mundo. A (EVN) procura publicar e promover as 
verdades de Deus e de seu relacionamento com os homens.
8
 
 Em ambos os casos as produções de suas conferências não apenas reforçam seu 
ideal indenitário, mas identifica o “Outro”. Em 2021 ocorreu o 12° Congresso Vida 
Nova com o tema O resgate da eclesiologia: preparando a igreja para os desafios 
contemporâneos. A justificativa para o tema segundo os organizadores foi a seguinte: 
Diante das transformações culturais que vêm acontecendo mundialmente nos 
últimos anos, muitos desafios têm se apresentado à igreja evangélica. 
Protestantes estão se convertendo ao catolicismo. Igrejas progressistas estão 
celebrando casamentos entre pessoas do mesmo sexo, admitindo militantes 
LGBTQ ao ministério pastoral e defendendo o aborto. Cristãos enfrentam 
oposições ideológicas tanto no âmbito universitário como no ensino médio. 
Igrejas evangélicas, buscando relevância e crescimento, estão produzindo 
uma liturgia despida de significado, transformando o culto em um espetáculo. 
Pastores sofrem cada vez mais em silêncio a noite escura da depressão e, por 
vezes, tiram suas próprias vidas. Inúmeros são os desafios contemporâneos 
para o povo de Deus, e acreditamos que eles devem ser enfrentados mediante 
a recuperação de uma eclesiologia verdadeiramente bíblica.
9
 
 
É observado que a edição desse congresso não se caracterizou apenas para 
ratificar o que foi denominado de eclesiologia verdadeiramente bíblica, mas para 
caracterizar os “desafios” que têm surgido em relação a igreja evangélica, tal como 
Igrejas progressistas, casamento entre pessoas do mesmo sexo, movimento LGBTQ+ e 
a defesa do abordo. O teor do congresso mostra justamente o que Djmila Ribeiro 
classifica como lugar de fala: O lugar que ocupamos socialmente nos faz ter 
experiências distintas e outras perspectivas (RIBEIRO, 2022) 
A partir dessa perceptiva teológica e política, juntamente com a caracterização 
do “outro”, que diversas produções literárias das editoras aqui analisadas afirmam suas 
crenças e valores. Observemos a produção de livros com os temas como “Por que a 
Justiça Social não É a Justiça Bíblica. - Um Apelo Urgente aos Cristãos em Tempos de 
Crise Social” (EVN) que afirma: 
 
8
 https://www.vidanova.com.br/sobre-a-empresa Acesso em: 29 abr. 2022 
9
 https://institucional.vidanova.com.br/editora/eventos/congresso12/ Acesso em: 29 abr. 2022 
“De alguns anos para cá, uma ideologia poderosa tem feito incursões 
significativas no âmago da igreja evangélica. Seus principais defensores a 
chamam de ‘justiça social’, e ela está quase sempre associada a um 
compromisso de igualdade, diversidade e inclusão.” (ALLEN, 2022, p. 19). 
Não se trata apenas do estudo do conceito teológico de quem é Deus, mas do 
modo que a teologia reformada dialoga com a cultura de sua época. Isso ficabem claro 
nos objetivos das Edições Vida Nova, afinal buscam compreender quem é Deus e a 
maneira que ele se relaciona com o mundo. 
Os movimentos reformados que caracterizam o outro buscam se afirmar como 
um movimento de “contracultura”
10
, um exemplo disso é o livro publicado pela Edições 
Vida Nova em 2016 do autor americano David Platt, intitulado Contracultura, que 
assegura: “Contudo, em questões polêmicas, como a homossexualidade e o aborto, 
pelas quais nós, cristãos, costumamos ser criticados, contentamo-nos em ficar mudos e 
de braços cruzados. E como se estivéssemos decidido quais questões sociais confrontar 
e quais tolerar” (PLATT, 2016, p. 6). Em ambos os cenários a definição do outro é 
importante para a fé reformada, pois traça barreiras e mostra como o mundo atual é, 
segundo sua ótica, em relação ao que poderia ser ou será o reino de Deus. 
 Os livros no campo de teologia sistemática são os carros chefe de editoras 
reformadas, pois a partir de uma definição racional de quem Deus é e como se revela é 
possível caracterizar o mundo criado. As Institutas da Religião Cristã de João Calvino é 
a obra mais significativa para o movimento reformado brasileiro, possui um caráter 
teológico e político. Em 1536 ele dedica essa obra ao rei da França, Francisco I: 
Quando inicialmente, lancei mão da pena para escrever esta obra, meu 
principal objetivo, ó Mui Preclaro rei, era o de escrever algo que, depois, 
pudesse ser apresentado diante de tua majestade. Meu objetivo era o de 
apenas ensinar certos rudimentos em função dos quais fossem instruídos, na 
verdadeira piedade, todos quantos são tocados por algum zelo de religião. 
Resolvi fazer este trabalho principalmente, por amor aos nossos compatriotas 
franceses, muito dos quais eu via famintos e sedentos de Cristo, e a muito 
poucos, porém, eu via imbuídos devidamente de conhecimento sequer 
modesto a respeito dele. O próprio livro, composto de forma de ensinar 
simples e até chã, mostra que foi esta a intenção proposta (CALVINO, 2018, 
p. 6). 
 
10
 A contracultura pode ser definida como um ideário altercador que questiona valores centrais 
vigentes e instituídos na cultura ocidental. Justamente por causa disso, são pessoas que costumam se 
excluir socialmente e algumas que se negam a se adaptarem às visões aceitas pelo mundo. 
 A influência das obras literárias de João Calvino e de sua vida é um exemplo de 
como o conceito de Deus e seu diálogo com a cultura de sua época influencia o diálogo 
com o outro. Se no século XVI a fé reformada surgi delimitando o que acredita, como 
rituais de ceia, conversão, batismo e etc., na presente época ela se estabelece dizendo o 
que é, e reafirmando o que não é. Um exemplo disso é o conceito de Igrejas 
Progressistas como classificado pela 12° Edição do congresso Vida Nova. 
3. A Teologia Reformada “À Brasileira” – Paulo Júnior 
 O movimento de “retorno”, que muitos consideram uma volta à teologia 
reformada, possui seus líderes e influenciadores. Em uma época em que as mídias 
sociais geram visibilidade e dinamismo no campo teológico, não é difícil de imaginar 
que produções teológicas tenham ganhando projeções das mais diversas em nosso país. 
 Entre os líderes reformados brasileiros que podemos citar com ampla 
visibilidade, temos o Pastor Paulo Júnior. Paulo Júnior é pastor da Igreja Aliança do 
Calvário, sediada em Franca, interior de São Paulo. Além de escritor, o pastor é 
conferencista e fundador da sociedade missionária “Defesa do Evangelho”, cujo 
objetivo, segundo o site oficial é “dar suporte a missões no Brasil, África e Europa, 
editar e publicar livros, cursos e material online”. 
 Paulo Júnior ganhou destaque nos últimos 10 anos nas plataformas digitais como 
Youtuber, cujo canal Paulo Júnior Oficial soma mais de 112 mil inscritos (Acessado 
em 05/06/2022). Sempre incisivo em temas ligado a cultura, teologia e puritanismo, 
com uma abordagem um tanto enfática e expressões corporais que podem levar o 
ouvinte a entender que demostra ira em diferentes momentos de sua abordagem, O canal 
do Youtube CincoSolas apresenta um trecho da pregação de Paulo Júnior em que o 
mesmo chega a responder uma indagação acerca do seu modelo de pregação: 
Tem gente que pergunta assim “Pastor Paulo porque o senhor grita tanto, soa 
tanto, faz essas caras”? “- irmão, eu vou falar agora sério, esse é meu dom, é 
meu estilo”. Deus me levantou assim. Deus levantou homem de Deus como 
João, “filinhos” e como João Batista, “raça de víboras”. Adivinhem com qual 
deles eu me pareço? 
11
 
 Amigo de Paul Washer – pastor de uma igreja batista no EUA – É comum vê-los 
juntos em conferências, cultos, prefácios de livros e etc. A figura de Paul Washer é 
 
11
 Disponível em: https://www.youtube.com/shorts/He890LiIlUk. Acesso em: 24 abr. 2022 
fundamental para entendermos essa camada reformada “À brasileira” que por sua vez é 
tido como “inspirador” para cristãos em nosso país. Muito mais que apenas nomes em 
comum, Paulo Júnior e Paul Washer possuem um método de exposição teológico 
bastante parecido. O teólogo e Youtuber Yago Martins em seu canal denominado dois 
dedos de teologia analisa o sermão mais “chocante”
12
 de Paul Washer, sermão esse de 
2002 pregado nos Estados Unidos, porém legendado e publicado no Brasil apenas em 
2009. Yago Martins deixa clara a importância de Paul Washer para a fé reformada no 
Brasil e como esse referido sermão foi um divisor de águas para o evangelicalismo 
brasileiro. Porém, a relação de Paulo Júnior e Paul Washer já sofreu duras críticas, a 
mais conhecida está em um vídeo do pastor Silas Malafaia, o qual profere palavras 
contra Paul Washer, o chamando de “Bosal”
13
. Em 2021 em decorrência de uma fala de 
Paulo Júnior acerca dos dons espirituais 
14
, Silas Malafaia afirma: 
Abençoado povo do Brasil. Isso aqui é um vídeo exclusivo para meus irmãos 
evangélicos. É que eu vou desmascarar um fariseu hipócrita que falou 
asneiras nesse tempo de coronavírus chamado Paulo Júnior. Esse cara muito 
tempo vem perturbando a igreja brasileira. Ele se julga superior todo mundo, 
ele que define o que é correto e que pensa que tá acima de tudo de todos, tipo 
de fariseu (...) eu sei como você tomou a igreja do pastor, o grupo que você 
tem. Você nunca mostrou a sua história porque você deu uma rasteira em um 
pastor simples e tomou a igreja dele. Tenho pena é quem dá ouvido a você, 
porque você e um fariseu hipócrita. (Malafaia, 2020) 
 
 A fala de Silas Malafaia não deve ser entendida apenas como “mais uma 
polêmica” ou “ato sensacionalista”. Se analisarmos a crítica de Silas Malafaia no 
entendimento das manifestações dos dons espirituais de Paulo Júnior encontremos um 
debate teológico interno dentro do evangelicalismo brasileiro. Um debate sobre 
“narrativas”. Segundo Foucault (1996), em sua obra A ordem do discurso demonstra as 
principais ideias de como as diversas formas de discursos encontradas em uma 
sociedade ou em grupos sociais específicos, possuem características de validação e 
aceitação. O desejo da elaboração de um discurso oficial e a elaboração de uma 
narrativa reformada ou pentecostal se faz a partir de um lugar e uma intenção. Neste 
entendimento é importante que se observe a historicidade do discurso, sua produção 
 
12
 https://www.youtube.com/watch?v=aVmF9gnZ0ZI acessado 22/04/2022 
13
 https://www.youtube.com/watch?v=3X-wfBm3_Mk&t=72s acessado 19/03/2022 
14
 Continuísmo é uma visão cristã acerca da continuidade dons do Espírito Santo, sendo mais 
comum entre pentecostais, carismáticos e neopentecostais. Por sua vez Cessacionismo é a visão 
cristã na qual se formula os dons do Espírito Santo, apesar de terem sido de fundamental utilidade e 
importância nos primórdios da igrejacristã, cessaram de existir nos primeiros séculos da era cristã. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=aVmF9gnZ0ZI
https://www.youtube.com/watch?v=3X-wfBm3_Mk&t=72s
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dons_do_Esp%C3%ADrito_Santo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pentecostalismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Carism%C3%A1tico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dons_do_Esp%C3%ADrito_Santo
teológica e sua acomodação às diversas situações para se estabelecer, através dele, como 
ato impositivo, ato de verdade e de, quase sempre, ato de força. Dissidências, críticas e 
busca por uma hermenêutica “oficial” revelam mais que uma elaboração subjetiva, um 
desejo de “engarrafar” Deus. Rubem Alves em seu texto Sobre Deus declara que 
algumas pessoas têm a ilusão que é possível engarrafar Deus. Quem tem Deus 
engarrafado tem o poder. (ALVES, 2008) 
 
4. Entre a Teologia Pública e o Palácio do Planalto – Guilherme de Carvalho 
 
 Parte daqueles que chamamos de teólogos reformados, estão cada vez mais 
dialogando com o cenário cultural a sua volta. Além da redoma do seu núcleo duro, 
estão integrando e influenciando o governo e sua agenda teológica. Pode ser citado 
como exemplo, Guilherme de Carvalho, que é um teólogo brasileiro, mestre em ciências 
da religião e pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte/MG, além de coordenador 
do L’Abri Fellowship Brasil e diretor de conteúdo do projeto Cristãos na Ciência
15
. 
 A descrição da formação e área de atuação de Guilherme de Carvalho se torna 
necessário para entendermos a dinâmica de uma ala reformada que dialoga com a 
cultura de sua época. Como o próprio Guilherme afirmou: 
Meus interesses especiais encontram-se na filosofia da religião, na teologia 
natural e na teologia da cultura. Em anos recentes, tenho me debruçado sobre 
os problemas do diálogo histórico entre a religião e a ciência, e sobre 
questões de ética, justiça complexa e direitos humanos, particularmente 
considerando sua reconfiguração a partir da “revolução afetiva”. 
(CARVALHO, 2015) 
 
 Apesar do interesse na cultura de nossa época e o diálogo com a teologia, 
Guilherme de Carvalho não deixa de fazer críticas ao que ele denomina como 
“progressismo evangélico”. Em uma postagem em seu blog intitulado Sobre a minha 
crítica ao Progressismo Evangélico: Perguntas, Balanço Preliminar e Roteiro 
de Leituras 
16
, ele afirma que o conceito de neocalvinismo não é um teologia importada 
e nem tão pouco descontextualizada. Ele assevera que o movimento da “onda” 
neocalvinista na política e na economia está longe de ser uma potência. O autor deixa 
claro que não existe uma sacralidade que não mereça crítica dentro do neocalvinismo. 
 
15
 https://guilhermedecarvalho.com.br/sobre/ Acesso em: 24 abr. 2022 
16
https://guilhermedecarvalho.com.br/2020/07/06/9-sobre-a-minha-critica-ao-progressismo-
evangelico-perguntas-balanco-preliminar-e-roteiro-de-leituras/ Acesso em: 24 abr. 2022 
 
https://guilhermedecarvalho.com.br/2020/07/06/9-sobre-a-minha-critica-ao-progressismo-evangelico-perguntas-balanco-preliminar-e-roteiro-de-leituras/
https://guilhermedecarvalho.com.br/2020/07/06/9-sobre-a-minha-critica-ao-progressismo-evangelico-perguntas-balanco-preliminar-e-roteiro-de-leituras/
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Ele reforça essa ideia no seguinte trecho: “Mas outra qualificação se faz necessária, 
aqui: estou desenvolvendo uma crítica fundacional ao neocalvinismo, já há dois anos. 
Os amigos logo descobrirão que para nós não existe vaca sagrada – nem se ela for 
‘holandesa’.” (CARVALHO, 2015). 
 Seu interesse por uma teologia que crie diálogos com a política e o contexto 
social rendeu a ele uma cadeira no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos 
Humanos, [Sobre gestão do Presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja Ministra da pasta 
era Damares Alves] precisamente na pasta de posto de diretor de Promoção de 
Educação em Direitos Humanos. A presença de Guilherme de Carvalho e outros 
calvinistas dentro do Governo Bolsonaro foi motivo de artigos jornalísticos no The 
Intercept Brasil intitulado Quem são os evangélicos calvinistas que avançam 
silenciosamente no governo Bolsonaro
17
. A presença de pastores e teólogos 
evangélicos no governo Bolsonaro se tornou uma marca registrada de sua gestão, ao 
ponto de salientar que o STF necessitava de um ministro “terrivelmente evangélico” 
(FURONI, 2021)
18
. Mas a presença de Guilherme de Carvalho como agente do Governo 
Federal no posto que ocupasse não demorou muito, pois o mesmo afirmou em uma 
conta no Twitter que o governo necessitava de arrependimento 
19
. Não apenas isso: em 
um artigo publicado em sua página com o título O nome de Deus no governo 
Bolsonaro: Uma crítica teológico-política 
20
, o mesmo alega que durante a gestão do 
presidente, diante da COVID-19 lhe faltou “vergonha e falta de liderança”. Mesmo 
assim, Carvalho chega a mencionar que dentro da gestão Bolsonaro não encontrou grau 
algum de fascismo. 
Avaliaria o grau de fascismo de um governo em três níveis: em seu páthos, 
em sua política, e em sua política pública. O governo Bolsonaro não 
apresenta nenhum dos três de forma consolidada. Em primeiro lugar, não há 
fascismo na política pública deste governo, e desafio o leitor a provar que 
exista. Nesse momento de pandemia, como ilustração, não se vê nenhuma 
ação agressiva de cerceamento de informações ou violação de liberdades 
civis por iniciativa do executivo. E inúmeras situações-teste já ocorreram sem 
resultado positivo. A esquerda insiste em gritar isso, mas ninguém liga. 
Porque todo mundo sabe que é mentira. (CARVALHO, 2020) 
 
17
 https://theintercept.com/2020/02/04/evangelicos-calvinistas-bolsonaro/ Acesso em: 24 abr. 2022 
18
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/bolsonaro-cita-terrivelmente-evangelico-e-parabeniza-
mendonca-no-stf/ Acesso em: 24 abr. 2022 
19
 https://twitter.com/guilhermevrc/status/1240265489462550529 Acesso em: 24 abr. 2022 
20
https://guilhermedecarvalho.com.br/2020/03/20/o-nome-de-deus-no-governo-bolsonaro-uma-
critica-teologico-politica/ Acesso em: 24 abr. 2022 
 
 A reflexão de Guilherme de Carvalho sobre o conceito de fascismo dentro do 
governo difere do que ele mesmo chama de esquerda identitária, de outras instâncias 
dentro do próprio governo e de como outros núcleos do cristianismo reformado 
enxergam o mesmo dilema e a crise de empatia do governo frente a gestão do COVID-
19. O próprio Guilherme de Carvalho esclarece o que viu, “enquanto o Presidente dava 
a ressonância mais pueril à narrativa negacionista do núcleo ideológico.” 
(CARVALHO, 2020) Aqui reside um elemento para percebemos o caráter 
multifacetado do movimento conservador reformado: ele não é unanime. Enquanto 
núcleos da fé reformada se organizavam para que não tomassem vacinas e acreditavam 
em uma perseguição à fé cristã, outros núcleos se organizavam na luta contra o avanço 
da Pandemia. 
 A atuação de Guilherme de Carvalho e sua participação, saída e crítica ao 
governo demonstra como identificar a fé reformada é complexa e de que maneira ela 
interagiu com a política de sua época. Em algum grau surge o questionamento: a 
política é óculos da teologia ou a teologia é óculos da política? (CARVALHO, 2020). 
 
5. A chancelaria da Fé Reformada – Augustus Nicodemus 
 
 Recentemente em suas redes sociais o pastor e teólogo Augusto Nicodemos 
publicou uma foto com um grupo de pastores da Igreja Universal do Reino de Deus que 
segundo o próprio Nicodemos estão “descobrindo a fé reformada”. Ele mesmo ainda 
acentua que tais grupos de pastores possuem em sua trajetória eclesiástica uma história 
de sofrimento. Muito além do emblemático dilema entre Igrejas Neopentecostais e 
Igrejas Reformadas,a foto em si carrega um teor de “autoafirmação” do “abandono” de 
uma trajetória de sofrimento para um novo caminho, nesse caso a descoberta da fé 
reformada. 
 Sempre ativo em redes sociais, mas por vezes conhecido por ser contido em 
palavras mesmo expressando o que pensa sobre a fé reformada, pentecostalismo, 
neopentecostalismo e etc., Nicodemos já esteve no centro do debate público em 2020 
sobre o direito constitucional das igrejas permanecerem abertas durante a pandemia da 
COVID-19. Eleitor do então presidente Bolsonaro, o qual classificou como “é o voto 
útil, menos ruim, infelizmente”, e por uma agenda de “costumes”, ele concedeu 
entrevista à Folha de São Paulo que gerou repercussões das mais variadas dentro da 
política brasileira, no ceio do protestantismo e até mesmo dentro dos círculos da Igreja 
Presbiteriana. Em caixa alta, a reportagem mostra de cara a percepção do cenário 
brasileiro naquele momento: “Templo aberto é direito constitucional, mas tem igreja 
que só liga para dízimo”.
21
 Nessa entrevista ele é questionado sobre apoio de Edir 
Macêdo e Silas Malafaia ao ex-presidente Lula em eleições anteriores que agora se 
tornaram apoiadores ferrenhos de Jair Bolsonaro. Nicodemos admite: Nunca votei no 
Lula, Infelizmente tem igrejas penduradas com o fisco e que tem interesses em ficar ao 
lado do poder. Estão devendo até a alma. (BALLOUSIER, 2021) 
 Nessa mesma entrevista Nicodemos fez crítica a alguns setores dos movimentos 
pentecostais e neopentecostais por desejarem que as igrejas permanecessem abertas 
durante a pandemia da COVID-19 muito mais por uma questão financeira que até 
mesmo por liberdade religiosa. Esse posicionamento de Nicodemos rendeu críticas do 
então Ministro da Educação Milton Ribeiro que também é pastor presbiteriano. Em uma 
serie de postagens no Twitter, Milton Ribeiro chega a dizer que, “Como pastor 
presbiteriano e ministro de Estado, embora respeite o direito de cada um expressar sua 
opinião, não posso concordar e fiquei entristecido pela forma com que um pastor 
presbiteriano se referiu aos meus irmãos pentecostais” 
22
 (RIBEIRO, 2021). 
 Pois bem, é necessário não somente identificar falas de Augusto Nicodemos, 
como situar sua trajetória a fim de entendermos sua projeção teológica. Ele é sem 
dúvida, figura presente no seio do protestantismo brasileiro. Sempre emblemático com 
sua barba branca e volumosa, nos últimos anos no Brasil, um aparato estético para 
aqueles que admiram a fé reformada. A trajetória de Nicodemos e o crescimento do que 
chamamos de conservadores históricos, nos últimos cinquenta anos no Brasil caminham 
lado a lado. Em seu site oficial, ele é descrito da seguinte forma: 
Augustus Nicodemus Lopes é bacharel em teologia pelo Seminário 
Presbiteriano do Norte, em Recife, mestre em Novo Testamento pela 
Universidade Cristã de Potchefstroom, na África do Sul, e doutor em 
Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Seminário Teológico de Westminster, 
na Filadélfia (EUA), com estudos adicionais na Universidade Reformada de 
Kampen, na Holanda. Conselheiro do TGC Brasil (NICODEMUS, 2019). 
23
 
 
 Assim como Franklin Ferreira, Nicodemus é membro do grupo Coalização Pelo 
Evangelho, além de ser vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana no 
 
21
 https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/templo-aberto-e-direito-constitucional-
mas-tem-igreja-que-so-liga-para-dizimo-diz-pastor.shtml Acesso em: 24 abr. 2022 
22
 https://twitter.com/mribeiromec/status/1379757814718009345 Acesso em: 24 abr. 2022 
23
https://augustusnicodemus.com/#:~:text=Augustus%20Nicodemus%20Lopes%20%C3%A9%20ba
charel,EUA)%2C%20com%20estudos%20adicionais%20na Acesso em: 24 abr. 2022 
 
Brasil. Não é incomum encontrar cursos, livros e seminários no qual ele esboça o 
conceito de reformado, calvinismo, arminianismo e outros da teologia cristã. Em 31 de 
outubro de 2019, ele publicou um texto em seu Facebook que comenta o crescimento e 
a busca pelas igrejas reformadas no mundo, além de contextualizar em suas palavras o 
que é entendido como reformado: 
Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” 
entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas 
produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco 
grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola 
Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do 
Calvinismo” , resumidos no acrônimo TULIP - Depravação total, Eleição 
incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança 
final.
24
(NICODEMUS, 2020) 
 
 O conceito mais abrangente que Nicodemus propõe sobre “reformado” não é 
uma unanimidade conceitual, o que fica notório é que o termo reformado em dados 
momentos da história não significa apenas um conceito teológico, mas abrange 
categorias políticas. 
 
6. Contra a idolatria ao Estado – Franklin Ferreira 
 Dentro do cenário teológico reformado encontramos espectros dos mais 
diversos, desde o núcleo ortodoxo até o que é chamado de progressista
25
, mesmo que 
estes não sejam classificados como reformados por grupos ortodoxos. O pastor Batista 
Franklin Ferreira, recentemente vem tornando-se cada vez mais enfático sobre o cenário 
político e teológico, fazendo diversas críticas ao espectro progressista da fé cristã. Em 
seu perfil no Facebook
26
, publicou um post direcionado aos ‘cristãos progressistas’ que, 
de acordo com ele, “desvirtuam a missão cristã”. O pastor não citou de forma explícita 
uma ‘teologia da libertação evangélica’, mas afirmou que no meio dos protestantes dos 
mais diversos matizes existem cristãos para os quais “a missão principal é o serviço aos 
pobres” e “então passam a julgar todos os cristãos com base nas pautas esquerdistas”. 
 
24
https://www.facebook.com/search/posts/?q=O%20que%20%C3%A9%20um%20%22reformado%
3F%22%20-%20por%20Augustus%20Nicodemus Acesso em: 24 abr. 2022 
25
 Grupo de líderes evangélicos que defendem uma pluralidade de ideias, em defesa de um Estado 
Acesso em: 24 abr. 2022. 
democrático. Envolvido em causas sociais na luta contra o racismo, homofobia, intolerância 
religiosa. Alguns exemplos desses líderes evangélicos são: Caio Fábio, Ed René Kivitz, Henrique 
Vieira, Estevam Hernandes e outros. 
26
https://www.facebook.com/ProfFranklinFerreira/photos/a.806657566074660/2226284174111985/
?type=3 Acesso em: 24 abr. 2022 
 
Nesse mesmo post ele chega a afirmar que “cristãos progressistas” desprezam as igrejas 
tradicionais e/ou reformadas. Afirma também que tais cristãos progressistas são apenas 
“Agentes de partidos de esquerda e extrema-esquerda.” (FERREIRA, 2018). 
Franklin Ferreira é pastor da Igreja da Trindade, diretor-geral do Seminário 
Martin Bucer (São José dos Campos/SP) e presidente do Conselho da Coalizão pelo 
Evangelho. É bacharel em teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São 
Paulo/SP) e mestre em teologia (ThM) pelo Seminário Batista do Sul (Rio de 
Janeiro/RJ).
27
 Salientamos que como presidente do conselho da Coalização pelo 
Evangelho, que é uma entidade interdenominacional com objetivos claros sobre a fé 
reformada, Franklin Ferreira não apenas ratifica as ideias da entidade como também os 
endossa. A coalização pelo Evangelho surgiu com objetivo bem definido segundo o site 
oficial do grupo. 
A Coalizão pelo evangelho é uma organização cristã que surgiu como fruto 
da comunhão de pastores evangélicos de tradição reformada (...) a fim de que 
sejam plenamente conformadas as Escritura Sagradas. Preocupamo-nos 
profundamente com movimentos dentro do evangelicalismo tradicional que 
parecem diminuir a vida da igreja e nos desviar de nossas práticas e crenças 
históricas. Se por um lado nos incomodamos com a idolatria do consumismo 
individualista e com a politizaçãoda fé, também estamos aflitos com a 
aceitação incontestada do relativismo moral e teológico. Esses movimentos 
têm levado diretamente ao abandono da verdade bíblica e do modo de vida 
transformado que é ordenado por nossa fé histórica.
28
 
 Elementos como tradição reformada, evangelicalismo, politização da fé, 
relativismo moral e verdade bíblica são sempre assuntos recorrentes não apenas na 
própria organização, como dentro das pregações, seminários, livros e cursos 
apresentado por Franklin Ferreira. Ferreira em 2016 lança o livro intitulado Contra a 
idolatria do Estado – o papel do cristão na política publicado pelas Edições Vida Nova. 
Ano melhor não poderia existir para lançamento do livro, o Brasil naquele período 
fervilhava sobre o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Não 
podemos esquecer que as atenções nesse ano pairavam sobre a classe evangélica e qual 
deveria ser a atuação dos cristãos evangélicos em momentos cruciais. 
 
27
 https://coalizaopeloevangelho.org/profile/franklin-ferreira/ Acesso em: 24 abr. 2022 
28
 https://coalizaopeloevangelho.org/sobre/documentos-fundacionais/ Acesso em: 24 abr. 2022 
 
http://igrejadatrindade.com/
http://martinbucer.com/
http://martinbucer.com/
Na Câmara dos Deputados em Brasília/DF, o então deputado federal, na época 
pelo Rio de Janeiro e atual presidente, Jair Messias Bolsonaro, publicou em suas redes 
sociais uma foto segurando o livro do Franklin Ferreira, além de fazer divulgação sobre 
o livro e recomendação sobre Contra a idolatria do Estado. Em 2018, sendo 
entrevistado pela revista Teologia Brasileira
29
, em um questionamento sobre a bancada 
evangélica e atuação dos cristãos na política, Ferreira chega a assegura: 
 Ainda que desprezada por cristãos esquerdistas, permanece o fato de que a 
chamada “bancada evangélica” representa a diversidade presente no imenso 
segmento evangélico no país, cerca de 22,2% da população brasileira – sendo 
70% destes pentecostais ou neopentecostais (segundo os dados do IBGE em 
2010). Enquanto as lideranças cristãs conectadas com a esquerda são 
minoritárias e conectadas a igrejas históricas com forte influência da teologia 
liberal europeia, a “bancada evangélica” representa igrejas pentecostais ou 
neopentecostais, que são o segmento majoritário da igreja evangélica 
brasileira, e que são fortemente conservadoras em fé e moral. (FERREIRA, 
2018) 
A reflexão proposta por ele reflete o conceito de fé reformada, e do mesmo 
modo, o conceito do que ele classifica como teologia liberal: “progressismo cristão”. 
 
7. Entre a filosofia e indumentária reformada – Jonas Madureira 
A teologia e a filosofia sempre andaram juntas, claro que, cada uma em seu 
campo de atuação, mesmo que esse campo em virtude dos seus agentes, teólogos e 
filósofos, por vezes divergirem. Apesar da celebre frase de Tertuliano, “O que Atenas 
tem a ver com Jerusalém?” em uma reflexão sobre a relação entre a filosofia greco-
romana e a atuação do cristianismo, obviamente, se Atenas representa o berço da 
filosofia, Jerusalém representaria o berço do Cristianismo, pois é lá que Jesus Cristo é 
condenado a morte. Em uma entrevista ao canal Resenha Teológica
30
, Jonas Madureira 
reflete entre a atuação do cristianismo com a filosofia e suas implicações para um 
diálogo sobre o tema. Obviamente para setores ligados ao fundamentalismo cristãos, 
não abertos ao debate, tal diálogo é tido por desnecessário. 
Jonas Madureira parece criar uma ponte sobre o tema, além de uma produção 
intelectual chamada de Inteligência humilhada, título de um dos seus livros, publicada 
pelas Edições Vida Nova em 2017. Nesse livro, o autor reflete entre os limites 
existentes na razão humana e evoca um “resgate” à uma tradição reformada/evangélica 
 
29
 https://teologiabrasileira.com.br/o-cristao-e-a-politica/ Acesso em: 24 abr. 2022 
30
 https://www.youtube.com/watch?v=XVABRw6BMeQ Acesso em: 24 abr. 2022 
 
que não reduziu a teologia ao fideísmo
31
 ou racionalismo
32
. Jonas Madureira é 
conhecido não apenas como importante teólogo brasileiro, mas como um filósofo para o 
evangelicalismo. Nas apresentações de seus redatores da Editora Vida Nova e Editora 
Fiel ele é denominado como abaixo. 
Jonas Madureira (PhD) é pastor da Igreja Batista da Palavra em São Paulo e 
Editor Chefe da Edições Vida Nova. É bacharel em Teologia pelo Betel 
brasileiro e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; bacharel e mestre em 
Filosofia pela PUC-SP e doutor em Filosofia pela USP e pela Universidade 
de Colônia, na Alemanha. É professor de Teologia no Seminário Martin 
Bucer e de Filosofia na Universidade Mackenzie 
33
 
 Assim como Augusto Nicodemus, Jonas Madureira tornou-se referência não 
apenas por sua teologia, mas também por sua indumentária e estética. Adepto de uma 
barba proeminente e uma vestimenta que envolve colete, paletó e gravata, a 
comunicação não verbal da indumentária reformada é importante para a construção de 
elementos como seriedade eclesiástica, intelectualidade e respeitabilidade. Segundo 
Maria Rúbia Sant’Anna, “o vestuário proporciona o exercício da moda e essa atua no 
campo do imaginário, dos significantes, é parte integrante da cultura.” (SANT’ANNA, 
2007, p. 74). Mas não é apenas o vestuário, a teologia e a filosofia que exemplificam o 
caráter reformado do pensamento brasileiro. A questão política é delimitadora para a fé 
reformada, tanto quanto para um conceito global do cristianismo. Madureira em um 
vídeo que trata desse tema responde que não é possível um cristão ser de esquerda e/ou 
marxista: 
Muitos até perguntam se é possível um cristão, por exemplo, for de 
‘esquerda’, se é possível ser cristão e ‘marxista’. Eu tenho uma opinião de 
que esse tipo de pergunta é como se a gente tivesse perguntando o seguinte 
‘se o cristão pode ser ateu?’ uma cosmovisão socialista é no sentido puro, no 
seu sentido é fundamental, é a anticristã, ela é idolatria, então ela é ela é 
antagônica ao a cosmovisão cristã
34
 (MADUREIRA, 2018). 
 
O tema da política na fé reformada não é novidade. Não é à toa que os catálogos 
editoriais de cunho teológico/reformado possuem um vasto acervo sobre política. 
Exemplo desse tipo de material é o livro publicado pela editora Monergismo, de cunho 
 
31
 Doutrina teológica que, desprezando a razão, preconiza a existência de verdades absolutas 
fundamentadas na revelação e na fé. 
32
 O Racionalismo é uma corrente filosófica que traz como argumento a noção de que a razão é a 
única forma que o ser humano tem de alcançar o verdadeiro conhecimento por completo. 
33
 https://ministeriofiel.com.br/cursos/teacher/jonas-madureira/ Acesso em: 24 abr. 2022 
34
 https://www.youtube.com/watch?v=btBG3mbWTXw Acesso em: 24 abr. 2022 
 
reformada, que publicou em 2020 a obra intitulada Marx e Satã, do escritor romeno 
Richard Wumbrand (1909-2001), onde o mesmo afirma que Karl Marx não apenas 
deixou a fé cristã, como se tornou um adorador de Satanás. Esse tipo de literatura não 
somente reforma ou endossa as trincheiras teológicas, como exemplifica o limite 
imaginário entre fé reformada e política. 
 O entendimento de Jonas Madureira sobre a relação entre cristianismo e uma 
opção política ideológica como o espectro de esquerda, possui um peso teológico e 
igualmente filosófico para seus leitores em virtude de sua formação acadêmica. 
Evidentemente que tal entendimento não é unânime dentro do meio reformado, apesar 
de ser maioria. Teólogos Brasileiros como Antônio Carlos Costa, que é Pastor 
Presbiteriano, já foi alvo de críticas frente ao seu entendimento político. Ele é um 
exemplo de pluralidade dentro do pensamento reformado brasileiro. 
 
Conclusão 
 A Reflexão sobre Fé reformada; progressismo e imaginárionão teve e nem terá 
um “tom” de arbitrar sobre a fé alheia. Entendendo perfeitamente que tratar desse tema 
e dessa maneira, a análise buscou constar fatos. Conflitos aqui abordados mostram 
como a experiência cristã é multifacetada. Personagens como Silas Malafaia e Paulo 
Júnior por vezes demonstram que uma análise homogênea do que é ‘cristianismo 
brasileira’ pode se tornar simplória. 
 O conceito sobre ser ‘reformado’ é extremamente amplo e em alguns momentos 
necessita não apenas de uma definição teológica, por vezes é necessário conceitos 
políticos. Para entendermos o conceito de reformado necessitamos de uma análise 
histórica, sociológica e religiosa dos movimentos ditos ‘reformados’ na Europa do 
século XVI, ainda que para os reformados a ideia de uma tradição reformada não remeta 
ao século de Lutero, Calvino e outros, porém antes, ao período do próprio “cristianismo 
primitivo”. Os personagens aqui apresentados versam sobre suas diferentes 
interpretações dos diversos modelos da tradição reformada, não existe uma coesão, mas 
uma pluralidade, de modo que, pode tornar-se mais evidente em termos conceituais no 
entendimento teológico de cada um. 
 As análises de momentos “polêmicos” não tiveram o objetivo de endossar o 
tema, contudo, de atestar que ele ocorre. É comum que se leia e busque um lado na 
versão, quando na verdade muito mais que lados, podemos contextualizar os motivos 
que levaram as narrativas a existir e quem são os personagens envolvidos nelas. A 
reflexão proposta não é sobre Silas Malafaia e Paulo Júnior e/ou Augusto Nicodemus e 
Milton Ribeiro, mas justamente o porquê elas ocorrem e como os seus personagens 
dialogam sobre a fé reformada. Não se trata de pentecostais contra reformados, todavia, 
de que maneira o pensamento reformado se originou e como ele se comunica com o 
outro em várias esferas, inclusive as mais delicadas. 
 Segundo Rubem Alves em seu livro Dogmatismo e tolerância, ele diz que “se o 
protestantismo se lembrasse de suas origens ele poderia descobrir ali o homem livre da 
lei, de Lutero e de Nietzsche, ao lado do funcionário civil servil" (ALVES, 2004, p. 99). 
É dentro desse campo conceitual e aberto que a fé reformada é percebida, unânime 
dentro do seu núcleo, multifacetada para além deles. 
REFEREÊNCIAS 
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identity. Califórnia: Palgrave Pivot, 2018. 
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ESPIRITUALIDADE CONTEMPORÂNEA: 
https://guilhermedecarvalho.com.br/sobre/ 
FURONI, E. (01 de DEZEMBRO de 2021). Acesso em 02 de 04 de 2022, disponível 
em CNN BRASIL: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/bolsonaro-cita-terrivelmente-
evangelico-e-parabeniza-mendonca-no-stf/ 
Malafaia, S. (29 de Março de 2020). 1 Vídeo (7 min).UMA RESPOSTA ÀS 
ASNEIRAS DO FARISEU PAULO JUNIOR. Acesso em 22 de Maio de 2022, 
disponível em Publicado no canal Silas Malafaia oficial: 
https://www.youtube.com/watch?v=Z09cRpqDv0g 
RIBEIRO, M. (07 de abril de 2021). Acesso em 07 de Abril de 2022, disponível em 
Twitter:https://twitter.com/mribeiroMEC/status/1379757814718009345?ref_src=twsrc
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