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MANUAL DA AVALIAÇÃO POSTURAL "Avaliar, diagnosticar é entender o funcionamento do sistema musculoesquelético e olhar para o corpo em sua totalidade" PROFª ALINE CASSARO CAPACITAÇÃO EM AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO POSTURAL APLICADA A CORREÇÃO e-book SUMÁRIO A importância da avaliação postural..............1 A Educação Física.................................................3 Por que avaliar?....................................................4 Análise Postural...................................................5 Elaboração do treino.........................................9 A musculação.......................................................10 Exercício corretivo...............................................11 Qual a postura correta?......................................12 Identificação dos desvios posturais..............13 O simetrógrafo.....................................................15 Análise local - Os pés.........................................18 Análise local - Joelhos.......................................20 Análise local - Quadril........................................23 Análise local - Coluna........................................26 Análise local - Escápulas...................................31 SUMÁRIO Análise local - Ombro........................................34 Análise local - Cabeça........................................36 Diagnóstico clinico postural.............................38 Já foi o tempo em que o treino era elaborado simplesmente através de dados que traçavam a situação atual do praticante em termos de composição corporal. A musculação sempre tem como finalidade a manutenção da funcionalidade corporal, porém faltavam conceitos que nos “provavam” que através de exercícios resistidos conseguiríamos reabilitar a perda de função do sistema musculoesquelético. Shirley Sahrmann, no livro Diagnóstico e Tratamento de Disfunção dos movimentos cita, “O exame é a base para a prescrição dos exercícios corretivos”. INTRODUÇÃO 1 A importância da avaliação postural 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 V IS Ã O A N T E R IO R V IS Ã O A N T E R IO R O método de avaliação utilizado para analisar qual exercício utilizar para recuperação deve ser criterioso e de acordo com a limitação de cada indivíduo, iniciando com exercícios básicos, suas modificações e progressão levando em consideração a individualidade e o tempo de recuperação de cada um. A intervenção torna-se mais eficaz quando o paciente é orientado a manter-se em uma posição correta durante seu dia e a utilizar movimentos corretivos para suas atividades cotidianas. INTRODUÇÃO 2 A importância da avaliação postural INTRODUÇÃO 3 A Educação Física Com a evolução da ciência, profissionais da Educação Física, se tornaram totalmente responsáveis por educar e reeducar movimentos, através da reabilitação de gestos funcionais. E para que isso ocorra dentro de uma sala de musculação, é fundamental a realização da ANÁLISE POSTURAL, seja através de um ponto de referência, palmatória, estática, dinâmica, testes que nos mostram quais músculos estão em desvantagem perante outros. Ter essa percepção de como essas falhas estão afetando o movimento é o que permitirá ao Treinador prescrever com segurança, promovendo resultados positivos ao praticante. Podemos concluir que para prescrever com responsabilidade, atingindo a finalidade que o exercício resistido pode nos proporcionar é preciso analisar e identificar possíveis falhas no sistema musculoesquelético, o que leva a padrões alterados no movimento. POR QUE AVALIAR? 4 Avaliar para prescrever, permite ao profissional criar estratégias que colocam a segurança do praticante em primeiro lugar, além de tornar o treinamento INDIVIDUALIZADO E ESPECÍFICO, agindo diretamente na situação atual visando o aperfeiçoamento do gesto motor através de exercícios funcionais, que facilitarão as atividades diárias do indivíduo. Hoje em dia TUDO É MOVIMENTO, andar, sentar, agachar, varrer, correr, trabalhar, quando mais treinado o corpo humano, com mais facilidade ele irá reproduzir estes movimentos, sem causar desconforto ou qualquer tipo de dor sobre as estruturas proprioceptivas. ANÁLISE POSTURAL 5 Durante a análise postural, precisamos ir em busca NÃO apenas das estruturas que se apresentam fora do seu alinhamento ideal, precisamos buscar qual foi o AGENTE INICIAL, por onde começou a surgir as falhas nas estruturas. Por isso, ter o conhecimento sobre o alinhamento ideal e quais são os músculos responsáveis por manter tal alinhamento, é fundamental para facilitar a descoberta do ponto inicial. As alterações posturais podem ser ASCENDENTES (de baixo para cima) ou DESCENDENTES (de cima para baixo), isto não afeta de maneira relevante, o que temos que ter sabedoria é que uma estrutura pode ter o seu alinhamento prejudicado por alterações vindas de cima, como também debaixo, dificilmente a falha está apenas no LOCAL, pode situar-se um pouco mais distante, pois o corpo funciona como UM TODO ANÁLISE POSTURAL 6 Nosso corpo apresenta o sistema locomotor passivo e ativo, movimentos imprecisos no sistema locomotor ativo dá inicio a movimentos compensatórios, onde começa a formar uma cascata de desequilíbrios entre força, flexibilidade, encurtamento e até mesmo o alongamento excessivo. Os músculos precisam serem mantidos sob um nível de tensão, para que não fiquem “pendurados” no esqueleto, qualquer redução ou aumento no nível de tensão muscular, pode causar frouxidão ou rigidez, afetando o posicionamento da estrutura esquelética. Um olhar minucioso é necessário, pois indivíduos podem apresentar a mesma alteração postural, com agentes causais diferentes e só conseguiremos solucionar totalmente realizando a intervenção no agente causal. A intervenção deve ocorrer de maneira GLOBAL – LOCAL – GLOBAL, ressaltando que o problema pode estar bem distante do local afetado. Por isso, descartamos a hipótese de agir somente no local. No local isoladamente agimos apenas em casos de dores crônicas, fazemos as primeiras medidas terapêuticas até amenizar a dor, para agirmos no global, em casos de agir apenas no local há probabilidade de a alteração retornar é grande. O grande erro é realizar a análise no “automático”, não buscando aprofundar se no caso de estudo, deixando para trás a chance de descobrir algo diferente que possa contabilizar as suas experiências na prática. Cada individuo que chega até nós precisa de uma solução diferente, para isso é preciso estudar todos os dias sempre em busca de novas soluções. ANÁLISE POSTURAL 7 IMPORTANTE: no momento da análise postural deve olhar e IDENTIFICAR AS ALTERAÇÕES LOCAIS, após concluir as alterações locais, cruzar os dados e identificar como estas afetam o corpo em movimento. Vale ressaltar que uma alteração PODE ou NÃO estar “associada” a outra alteração, mas em uma análise postural nada é regra, tudo pode acontecer. ANÁLISE POSTURAL 8 As alterações podem ser: CONGÊNITAS (má formação óssea, desde o nascimento, não é 100% reversível, mas pode ser amenizada e mantida em um nível que não acarretará dores e desconfortos) ADQUIRIDAS (alterações adquiridas ao longo da vida), alguns gatilhos podem acelerar a aparição destas alterações como: • Sedentarismo • Atividade Ocupacional • Gestos esportivos repetitivos • Exercícios resistidos com uso de cargas e sobrecargas NÃO REVERSÍVEIS 100% REVERSÍVEIS ELABORAÇÃO DO TREINO 9 Os exercícios prescritos no treinamento devem estar totalmente de acordo com o resultado da análise postural, pois uma falha na postura estática compromete também a postura em movimento. O movimento repetitivo em cima de uma alteração gera uma série de falhas que ao longo do tempo podem piorar e não ter mais volta. Os músculos esqueléticos constituem praticamente 40% de todo o peso do nosso corpo, sendo, portanto, a maior parte da musculatura do nosso organismo. O tecido muscular esquelético permite que façamos movimentos simples,como mover os olhos, e complexos, como os saltos, corrida, levantamento de peso, etc. Com o desenvolvimento do corpo humano, temos músculos responsáveis por uma sustentação postural e músculos responsáveis por movimentos de grandes amplitudes, por isso o sedentarismo contribui para que os músculos responsáveis por geração de movimento entrem em desuso sobrecarregando os músculos posturais. A atividade ocupacional, demanda muito tempo em determinada postura que nem sempre acaba sendo a melhor, principalmente para profissionais que passam grande parte do tempo sentados, onde há uma desconexão entre membros inferiores e tronco dificultando o posicionamento correto do corpo, colocando alguns músculos em desvantagem perante outros. A musculação é uma aplicação de sobrecarga, através de movimentos repetitivos, com isso aumenta a possibilidade de gerar padrões alterados, podendo desencadear quadro de dores e até mesmo lesões. Por isso, o objetivo é TREINAR AS FRAQUEZAS e não O EGO do praticante. O profissional de educação física precisa encarar a realidade e dominar o que precisa ser feito para reabilitar a funcionalidade do corpo humano, muitas vezes isso vai contra o desejo momentâneo do indivíduo, saber o que faz e fazer com precisão aumenta a segurança do profissional e também como este passará as informações ao indivíduo, apenas reconhecendo suas necessidades e limitações é que o praticante fará com mais determinação. NADA É TÃO SIMPLES QUANTO PARECE! Não podemos resumir o treinamento em simplesmente, fortalecer aqueles que estão fracos e alongar aqueles que estão hiperativos, mas este é o INÍCIO, sem dúvidas, o melhor caminho para começar a “quebrar” toda compensação formada por falhas estruturais, pois devolvendo ao músculo a sua tensão, comprimento e força este é capaz de alinhar as estruturas ósseas. ELABORAÇÃO DO TREINO 10 A MUSCULAÇÃO “A execução correta leva a correção de um padrão alterado, a execução incorreta leva a um padrão alterado de movimento”. Leve engano é pensar que existe um exercício milagroso para cada alteração postural, RECUPERAR É REABILITAR, e para isso é preciso ir um pouco além do exercício, atuar na conexão corpo e mente, onde a MENTE CONTROLA O ALINHAMENTO GLOBAL, PARA O CORPO REALIZAR O MOVIMENTO LOCAL, o músculo só terá sua ação efetiva caso a estrutura esteja no seu posicionamento ideal. Por exemplo: Realizar a cadeira abdutora com leve retroversão de quadril. Por mais que seja leve, a estrutura não se encontra na sua posição neutra, isso representa que alguns músculos estão sobressaindo sobre outros e o músculo alvo pode estar trabalhando sob esforço mínimo e não máximo. A cintura escapular e a cintura pélvica, são consideradas rotundas no corpo humano, onde existem muitos vetores concorrentes, que no caso são conexões que seriam para trabalhar de modo conjunto, porém com o mal posicionamento destas articulações estes vetores (músculos) começam concorrer entre si. Durante a execução importantíssimo manter olhares nos detalhes preservando e dando ênfase a correção do posicionamento destas estruturas. Não se apegue a alteração local, busque sempre encontrar globalmente a melhor solução para harmonizar o corpo e devolver todas as capacidades ampliando a saúde do sistema musculoesquelético. ELABORAÇÃO DO TREINO 11 EXERCÍCIO CORRETIVO POSTURA CORRETA 12 Nós seres humanos pagamos um preço muito alto ao aderir a postura bípede, pois com isso temos uma estrutura alta sobre uma base muito pequena os nossos pés, precisando mantê-los em equilíbrio para não gerar compensações ascendentes. A postura correta é aquela que oferece menos impacto sobre nossas estruturas proprioceptivas. Ainda de acordo com ÁVILA, 2004 “É aquela que se apresenta associada com a ação gravitacional, isto é, interage com esta de forma positiva, gerando menor stress mecânico as articulações, menor nível tensional à musculatura, em função disto gera menor gasto calórico e também obtém um ótimo controle do centro de gravidade” QUAL A POSTURA CORRETA? TUDO QUE SE APRESENTA FORA DO ALINHAMENTO É CONSIDERADO UM PADRÃO ALTERADO DE MOVIMENTO, OU SEJA, CAUSA UMA “DISFUNÇÃO” NA FUNCIONALIDADE DO CORPO HUMANO. Biofotogrametria: considerada uma análise objetiva e quantitativa, pois os desvios posturais são transformados em números e não depende do olhar do avaliador, todo avaliador segue o mesmo protocolo para quantificar essas alterações, não sofrendo variações de avaliador para avaliador. Simetrografia: considerada uma análise subjetiva e qualitativa, realizada através do simetógrafo, considerada qualitativa porque classifica os desvios de leve a severo como ponto referencial o fio de prumo. E subjetiva, pois a classificação é feita visualmente pelo avaliador, sendo assim seu resultado pode variar de avaliador para avaliador. Existem duas maneiras mais conhecidas e confiáveis para realização da análise postural. 13 IDENTIFICAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS AGC Prof Aline Cassaro Por ser uma análise objetiva e quantitativa o uso da biofotogrametria é mais indicada para aplicar em stúdios e academias, pelo fato de existir um protocolo a ser seguido, transformando as alterações em números, dando a possibilidade de nem sempre ter que realizar com mesmo avaliador. A simetografia por ser uma análise subjetiva e qualitativa, pode apresentar particularidades de profissionais para profissionais, não representando necessariamente erros, mas sim uma classificação diferente que se encaixe melhor a metodologia de cada profissional. Por exemplo: Em uma classificação através do ponto de referência podemos utilizar sinais (+) para representar um desvio leve até severo. + (leve) ++ (leve/moderado) +++ (moderado/severo) ++++ (severo) 14 IDENTIFICAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ESTE TIPO DE AVALIAÇÃO PERMITE MOSTRAR A EVOLUÇÃO AOS POUCOS AO INDIVÍDUO FUNCIONANDO TAMBÉM COMO FORMA DE MOTIVAÇÃO, NEM SEMPRE CONSEGUIMOS ELIMINAR OU RECUPERAR UMA AÇÃO MUSCULAR A CURTO PRAZO, MAS MOSTRAR QUE TUDO ESTÁ SE REORGANIZANDO E AOS POUCOS VOLTANDO PARA O LUGAR AUMENTA A MOTIVAÇÃO E A CREDIBILIDADE NO TRABALHO QUE ESTÁ SENDO REALIZADO. AGC Prof Aline Cassaro Neste curso vamos aprender a manusear o simetógrafo. Então o primeiro passo será a construção do simetógrafo que de uma maneira mais simples podemos construí-lo em nosso próprio computador, o que nos garante um trabalho presencial e também a distância. 15 O SIMETRÓGRAFO NO MÓDULO DO SIMETRÓGRAFO VOCÊ TEM DISPONÍVEL UM MODELO JÁ PRONTO NO CANVA, PARA JÁ ENQUADRAR AS FOTOS POSTURAIS E UM TUTORIAL DE COMO UTILIZAR AGC Prof Aline Cassaro SIMETRÓGRAFO 16 O fio de prumo é o ponto de referência que utilizamos para enquadrar as fotos nas diferentes visões, é aconselhável que solicite as seguintes fotos para o praticante: V IS Ã O A N TE R IO R V IS Ã O P O ST E R IO R V IS Ã O L A TE R A L LIGEIRAMENTE ANTERIOR AO MALÉOLO LATERAL INCISURA JUGULAR MÉDIA DOS DOIS PÉS AGC Prof Aline Cassaro SIMETRÓGRAFO 17 Após o enquadramento, conseguimos identificar todas as estruturas que estão fora do alinhamento ideal, dos pés a cabeça, passamos LOCAL por LOCAL, classificando todas as alterações nas diferentes visões e também o grau destas alterações. AGC Prof Aline Cassaro Maléolo lateral e medial se encontram na mesma horizontal (visão posterior) Pés apontados para frente (visão anterior) São alterações identificadas através da articulação SUBTALAR A articulação subtalar é responsável pelos movimentos de eversão e inversão dos pés Formada pelo tálus e calcâneo Sua função é absorver a rotação da tíbia e fêmur em cadeia fechada causada pela supinação ou pronação ALINHAMENTO IDEAL: ALTERAÇÕES: PRONAÇÃO E SUPINAÇÃO 18 ANÁLISE LOCAL OS PÉS PÉS (A BASE DE TUDO); MANTER O EQUILÍBRIO ENTRE O ARCO LONGITUDINAL É FUNDAMENTAL PARA EVITAR AÇÕES INADEQUADAS DE BAIXO PARA CIMA. AGC Prof Aline Cassaro A. PRONAÇÃO (eversão excessiva): queda do arco medial dos pés, maléolo medial seaproxima do solo. Encurtamentos: fibular longo/ fibular curto (eversores e flexores plantares) e extensor longo dos dedos. Fraqueza: tibial anterior/ tibial posterior e flexor longo dos dedos. B. SUPINAÇÃO (inversão excessiva): queda do arco lateral dos pés, maléolo lateral se aproxima do solo. Encurtamentos: tibial anterior/ tibial posterior/ tríceps sural Fraqueza: fibular longo/ fibular curto e extensor longo dos dedos. 19 ANÁLISE LOCAL OS PÉS AGC Prof Aline Cassaro Côndilo medial encontra se na mesma vertical do maléolo medial (visão anterior) Côndilo lateral encontra se na mesma vertical do maléolo lateral (visão posterior) ALINHAMENTO IDEAL 20 ANÁLISE LOCAL JOELHOS AGC Prof Aline Cassaro Encurtamentos: tensor da fáscia lata, semitendinoso, semimembranoso, grácil, adutores (todas as porções). Fraquezas: Glúteo máximo, glúteo médio, bíceps femoral, sartório, inversores dos pés, vasto medial. ALTERAÇÕES: VALGO, VARO, HIPEREXTENSÃO A. VALGO: caracteriza por uma aproximação dos côndilos femorais, desvio interno da patela, podendo ser observado na visão frontal e posterior. O valgo se caracteriza como estrutural quando os pés se mantêm em supinação e adquirido quando os pés se mantém em pronação. 1. 2. 21 ANÁLISE LOCAL JOELHOS AGC Prof Aline Cassaro Encurtamentos: Bíceps femoral, tibial posterior, sartório e inversores dos pés. Fraquezas: Adutores, Semitendinoso, semimembranoso, grácil, gastrocnêmios. B. VARO: caracteriza por um afastamento dos côndilos femorais, causando uma percepção arqueada nas pernas. 1. 2. C. GENO RECURVADO: a articulação dos joelhos se desvia posteriormente ao eixo postural, geralmente associada ao geno valgo. 1- Encurtamentos: glúteo máximo, sóleo e eversores dos pés. 2- Fraquezas: Biceps femoral, semitendinoso, semimembranoso, gastrocnêmios, inversores dos pés, iliopsoas. 22 ANÁLISE LOCAL JOELHOS AGC Prof Aline Cassaro Espinhas ilíacas ântero-posterior alinhadas (visão anterior) Espinhas ilíacas póstero-superiores alinhadas (visão posterior) Espinha ilíaca ântero-posterior se encontra na mesma vertical da sínfise pubiana (visão lateral) Obs: uma maneira simples de confirmar esse posicionamento é observando a acentuação ou diminuição da curvatura lombar, através de uma análise subjetiva. ALTERAÇÕES: ANTEROVERSÃO, RETROVERSÃO, INCLINAÇÃO INFERIOR, ELEVAÇÃO SUPERIOR, ROTAÇÃO INTERNA (COXA VALGA), ROTAÇÃO EXTERNA (COXA VARA), DEPRESSÃO TROCANTÉRICA, ROTAÇÃO LATERAL, TORÇÃO PÉLVICA. Articulação considerada “rotunda” pela EIAS (Espinha Iliaca ântero superior) apresentar vetores concorrentes, onde muitos músculos se conectam e exercem forças em direções opostas. Podendo sofrer alterações pelo mal alinhamentos dos joelhos e também da coluna vertebral. Algumas de suas alterações podem estar “associadas” as alterações da coluna vertebral. ALINHAMENTO IDEAL: 23 ANÁLISE LOCAL QUADRIL AGC Prof Aline Cassaro 1- Anteroversão: vide informações hiperlordose lombar 2- Retroversão: vide informações retificação lombar 3-Torção pélvica: quando um dos lados se fixa em Anteroversão e o outro lado em retroversão. 4-Inclinação lateral: as espinhas ilíacas ântero superiores se encontram fora de alinhamento no plano transverso, quando associada a uma pronação temos uma INCLINAÇÃO INFERIOR, quando associada a uma supinação temos uma ELEVAÇÃO SUPERIOR. 24 ANÁLISE LOCAL QUADRIL AGC Prof Aline Cassaro 5-Rotação interna e externa: caracteriza pelo aumento ou redução do ângulo de inclinação do fêmur, este formado pelo colo femoral e o corpo do fêmur, quando abaixo de 125º temos uma rotação externa e quando acima de 125º temos uma rotação interna. 6-Rotação lateral ou giro pélvico: quando um dos lados se fixam em rotação interna e o outro em rotação interna, isso provocará um desvio do eixo gravitacional. 7- Depressão trocantérica: inibição neural de glúteo médios, confirmadas através de teste de encurtamentos e posições dinâmicas. 25 ANÁLISE LOCAL QUADRIL AGC Prof Aline Cassaro Classificamos as curvaturas da coluna como primárias e secundárias. 26 ANÁLISE LOCAL COLUNA VERTEBRAL LOMBAR: ATRAVÉS DOS CORPOS VERTEBRAIS (VISÃO LATERAL) O FIO DE PRUMO DEVE PASSAR SOBRE TODOS OS PROCESSOS ESPINHOSOS (VISÃO POSTERIOR) ALINHAMENTO IDEAL: • CERVICAL: ATRAVÉS DOS CORPOS VERTEBRAIS (VISÃO LATERAL) • TORÁCICA: ANTERIOR AOS CORPOS VERTEBRAIS (VISÃO LATERAL) AGC Prof Aline Cassaro 27 ANÁLISE LOCAL COLUNA VERTEBRAL COLUNA LOMBAR (curvatura secundária) 1. A- Hiperlordose lombar: acentuação da lordose lombar, em uma visão lateral o fio de prumo passa atrás dos corpos vertebrais. Encurtamentos: iliopsoas, reto femoral, tensor da fáscia lata, sartório, eretores da espinha, grande dorsal Fraqueza: glúteo máximo, Isquiossurais, reto abdominal e oblíquo interno e externo. B- Retificação lombar: apagamento da lordose lombar, em uma visão lateral o fio de prumo passa a frente dos corpos vertebrais Encurtamentos: glúteo máximo, Isquiossurais, reto abdominal e oblíquo interno e externo. Fraquezas: iliopsoas, reto femoral, tensor da fáscia lata, sartório, eretores da espinha, grande dorsal. AGC Prof Aline Cassaro 28 ANÁLISE LOCAL COLUNA VERTEBRAL COLUNA TORÁCICA (curvatura primária) A-Hipercifose torácica: em uma visão lateral é possível identificar uma acentuação da curvatura torácica, o fio de prumo passa a frente dos corpos vertebrais. Encurtamentos e/ou hiperatividade: peitoral maior, menor e serrátil anterior Fraqueza: eretores da espinha torácica, rombóides maior e menor, trapézio (todas as porções) B- Retificação torácica: em uma visão lateral o fio de prumo passa por cima dos corpos vertebrais, causando o apagamento da curvatura fisiológica da coluna torácica. COLUNA CERVICAL (curvatura secundária) HIPERLORDOSE E RETIFICAÇÃO CERVICAL: Por ser uma curvatura secundária sofre com mal alinhamento da torácica e da cabeça, a reorganização muscular entre os músculos Esternocleiomastódeo, escalenos, esplênio, levantador da escápula através da manobra de bracing é fundamental para melhorar o alinhamento desta curvatura, pois ela precisa de uma harmonização entre os músculos citados acima. AGC Prof Aline Cassaro ESCOLIOSE: podemos observar em uma visão anterior e posterior uma curva lateral na coluna vertebral. Podendo esta ser congênita (má formação óssea), adquirida (má postura) ou idiopática (causa desconhecida comum em adolescentes). Caso a escoliose seja congênita irá apresentar a formação de uma saliência chamada de gibosidade, para isso é indicado realizar o TESTE DO MINUTO (ADAMS), caso a saliência não desapareça em um minuto com a coluna flexionada podemos classifica-la como CONGÊNITA. Saliência na região torácica: vértebras apresentam rotação para o sentido oposto ao gradil costal. Saliência na região lombar: vértebras apresentam uma posteriorização elevando assim os eretores da coluna. 29 ANÁLISE LOCAL COLUNA VERTEBRAL AGC Prof Aline Cassaro A escoliose ainda pode ser classificada como uma curva simples em “C”, ou dupla em “S”, quanto a sua localização pode ser: cervical, torácica, lombar, cervicotorácicas, toracolombares, lombossacrais e cervico-toracolombares. 30 ANÁLISE LOCAL COLUNA VERTEBRAL A NOMENCLATURA SEMPRE SERÁ PELO LADO DA CONVEXIDADE. A CONCAVIDADE DA ESCOLIOSE, PODE CAUSAR INSUFICIÊNCIA DE MANGUITO ROTADOR, TRAPÉZIO E ROMBÓIDES, DEIXANDO O INDÍVIDUO PROPÍCIO A DESENVOLVER A SÍNDROME DO IMPACTO. Triângulo de Talles: Linha imaginária entre tronco e membros superiores, quando há diminuição ou aproximação deste espaço, temos a convexidade da escoliose. AGC Prof Aline Cassaro Também considerada uma rotunda no corpo humano, sendo esta com uma fixação menor do que a fixação da articulação do quadril, estando mais sujeita a alterações posturais. Sendo a articulação responsável pela boa movimentação da articulação do ombro, alinhar as escápulas é fundamental para manter o grau de liberdade da movimentação e segurança nosmovimentos que envolvem os ombros. Ângulo superior da escápula e borda posterior do acrômio, alinhados entre T1 e T2 (visão posterior) As bordas mediais paralelas equidistantes entre 7 – 7,5 cm da linha média corporal (visão posterior) O fio de prumo deve bissectar o acrômio (visão lateral) Clavículas angulando-se em aproximadamente 15 graus de inclinação ALINHAMENTO IDEAL: 31 ANÁLISE LOCAL ESCÁPULAS AGC Prof Aline Cassaro 1- Abdução escapular: afastamentos dos bordos mediais da coluna vertebral. Encurtamentos: peitoral maior e menor, serrátil anterior. Fraqueza: Rombóides maior e menor, trapézio médio. 2- Adução escapular: aproximação dos bordos mediais da coluna vertebral. Encurtamentos: Trapézios, rombóides maior e menor Fraqueza: Peitoral maior e serrátil anterior 3-Depressão escapular: as clavículas se apresentam horizontalizadas, a linha entre o ângulo superior da escápula e o acrômio se encontram abaixo de T2. Encurtamentos: grande dorsal, peitoral maior e menor, trapézio inferior. Fraquezas: trapézio superior, elevador da escápula e rombóides maior e menor. 32 ALTERAÇÕES: abdução escapular, adução escapular, depressão escapular, tilt escapular, alamento escapular, rotação interna e rotação externa. ANÁLISE LOCAL ESCÁPULAS AGC Prof Aline Cassaro 4-Tilt escapular: inclinação anterior das escápulas, observa-se um descolamento do bordo inferior do gradil costal Encurtamentos: Peitoral menor Fraquezas: Trapézio inferior 5-Alamento escapular: observa-se estática e/ou dinamicamente um descolamento dos bordos mediais das escápulas do gradil costal, pode se manifestar na concêntrica ou excêntrica Encurtamentos: deltoide posterior, infraespinhal, redondo maior e menor, esternocleidomastodeo e elevador da escápula Fraquezas: Serrátil anterior (inibido pela hiperatividade de trapézio superior) - raramente isso irá acontecer devido a associação com outras alterações 6- Rotação interna: o ângulo inferior das escápulas se aproxima da coluna vertebral. Encurtamentos: elevador da escápula, peitoral menor e maior, grande dorsal. Fraqueza: trapézio superior, serrátil anterior. 7- Rotação externa: o ângulo inferior das escápulas se afasta da coluna vertebral. Encurtamentos: trapézio superior, deltoide posterior, infraespinhal, redondo maior e menor. Fraquezas: Trapézio médio, rombóide maior e menor, elevador da escápula. 33 ANÁLISE LOCAL ESCÁPULAS AGC Prof Aline Cassaro Fossa cubital deve estar apontada para frente (visão anterior) O fio de prumo deve passar em cima do acrômio (visão lateral) O olecrano deve estar apontado para trás (visão posterior) Uma articulação totalmente dependente do posicionamento da escápula para manter seu bom alinhamento na postura estática e para qualidade dos seus movimentos dinamicamente. ALINHAMENTO IDEAL: ALTERAÇÕES: PROTUSÃO, RETRAÇÃO, ROTAÇÃO INTERNA, ROTAÇÃO EXTERNA, SLIDE ANTERIOR PROTUSÃO: a cabeça umeral se encontra a frente do fio de prumo, consequencia de uma abdução escapular RETRAÇÃO: a cabeça umeral se encontra atrás do fio de prumo (raramente isso irá acontecer, consequencia de uma adução escapular) ROTAÇÃO INTERNA: fossa cubital rotacionada para dentro em uma visão anterior e olecrano rotacionado para fora em uma visão posterior. 34 ANÁLISE LOCAL OMBROS AGC Prof Aline Cassaro ROTAÇÃO EXTERNA: fossa cubital rotacionada para fora em uma visão anterior e olecrano rotacionado para dentro em uma visão posterior. SLIDE UMERAL: a cabeça umeral se encontra a mais de 2/3 a frente da linha média acromial, podendo observar uma linha diagonal entre o acrômio e o olecrano. 35 ANÁLISE LOCAL OMBROS Considerações: através do ajuste e da recuperação das ações dos estabilizadores das escápulas, conseguimos ajustar também o alinhamento da articulação do ombro. AGC Prof Aline Cassaro O fio de prumo deve passar em cima do nariz (visão anterior) O fio de prumo deve passar em cima da orelha (visão lateral) A cabeça é o leme do corpo, responsável por causar alterações descendentes pelo mal posicionamento, muitas vezes adquirido por posturas viciosas, cabeça anteriorizada para mexer ao celular, dirigir e até mesmo em casos de estressa onde cria uma zona de rigidez nos músculos do pescoço. ALINHAMENTO IDEAL: 36 ANÁLISE LOCAL CABEÇA ALTERAÇÕES: A- PROTUSÃO: em uma visão lateral é possível observar o lobo da orelha a frente do fio de prumo B- RETRAÇÃO: em uma visão lateral é possível observar o lobo da orelha atrás do fio de prumo (raramente isso irá acontecer) C- Inclinação lateral: em uma visão anterior e posterior é possível observar o centro do rosto (nariz) inclinando-se para direita ou esquerda. AGC Prof Aline Cassaro 37 ANÁLISE LOCAL CABEÇA Considerações: a melhor maneira e mais eficiente de reorganizar os músculos envolvidos é através do treinamento diário da manobra de bracing feita ao solo, onde temos uma zona de contato maior para quebrar todas as tensões e ativar os músculos inibidos. O ECMO é um músculo tônico, forte atuante na protusão de cabeça, inibe diretamente escalenos e flexores profundo do pescoço. Podemos ter diferentes cenários que serão entendidos e demonstrados na AULA DO X DA CABEÇA! AGC Prof Aline Cassaro DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL 38 Neste manual você teve acesso as possíveis alterações LOCAIS, importante ressaltar que UMA ALTERAÇÃO NUNCA ESTARÁ SOZINHA, portanto para ter uma atitude assertiva é preciso SOMATIZAR AS ALTERAÇÕES PRESENTES NA ARTICULAÇÃO. Ao longo do conteúdo da capacitação você aprenderá 3 técnicas: 1º Identificação local 2º Cruzamento de dados 3º Somatório de alterações Após aplicar as 3 técnicas no processo avaliativo, conseguimos definir o DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL, que é a compreensão do avaliador sobre o funcionamento do sistema musculoesquelético do caso avaliado. O DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL deve ser composto pelos agentes causais, o problema central e as consequências desta falha local. Avaliar não é apenas identificar o que está fora do alinhamento ideal... AVALIAR É DIAGNOSTICAR! AGC Prof Aline Cassaro CONCLUSÃO "CONHECIMENTO NUNCA É DEMAIS, ESTE É O INÍCIO, PODEMOS MERGULHAR MUITO MAIS PROFUNDAMENTE PARA ENTENDER O FUNCIONAMENTO DA MÁQUINA HUMANA, MAS É NECESSÁRIO CONHECER MUITO BEM O QUE ESTÁ NA SUPERFÍCIE PARA ALCANÇARMOS AS PROFUNDEZAS" Aline G. Cassaro A TRANSFORMAÇÃO Tudo muda quando o seu olhar muda, quando os detalhes ganham valor e você vai em busca de mais conhecimento. Simultâneo ao processo de aprendizado precisa estar a aplicação na prática, pois ela que trará situações diferentes agregando ao profissional um maior número de possíveis estratégias na intervenção. AGC Prof Aline Cassaro