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Celso Argachoy MECÂNICA GERAL Introdução Durante o estudo da cinemática da partícula, as dimensões do corpo foram desprezadas e não foi considerado um possível movimento de rotação do corpo. Porém, para analisar o mecanismo do limpador de para-brisa ou o movimento do diferencial automotivo da figura, o modelo da partícula não é adequado. 6 – Cinemática do Corpo Rígido 6 – Cinemática do Corpo Rígido Para resolver problemas como estes, há necessidade de desenvolver um novo modelo: o do corpo rígido. Um corpo é denominado rígido quando as distâncias entre dois pontos quaisquer permanecem constantes. Usando um vetor definido por dois pontos quaisquer A e B do corpo (como a barra do mecanismo do limpador de para-brisa ), pode-se dizer que: Elevando ao quadrado os dois membros da equação (6.1) obtém-se: 6 – Cinemática do Corpo Rígido 6 – Cinemática do Corpo Rígido Aplicando a propriedade distributiva do produto escalar da equação (6.9) vem: O primeiro membro da equação (6.13) representa a projeção da velocidade do ponto B na direção da reta definida pelos pontos A e B, e o segundo membro da equação (6.13) representa a projeção da velocidade do ponto A na direção da mesma reta. Conclui-se que, dados dois pontos quaisquer de um sólido, as projeções das velocidades destes pontos na direção da reta que os une possuem o mesmo valor. Esta equação é denominada Equação Característica do Movimento de um Corpo Rígido. 6 – Cinemática do Corpo Rígido Desenvolvendo os produtos escalares da equação (6.11) obtém-se: 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7.1 – Movimento de Translação O movimento de um corpo rígido é de translação quando todo vetor, determinado por dois pontos quaisquer deste corpo, se mantém constante em relação a um referencial em todos os instantes do movimento (lembrar que um vetor se mantém constante quando não variam seu módulo, sua direção e o seu sentido). Em cada instante, todos os pontos de um corpo rígido em movimento de translação possuem a mesma velocidade e a mesma aceleração. Na figura abaixo, o vetor AB, definido pelos pontos A e B da caixa que está sendo transportada pela esteira, se mantém constante, portanto, o movimento da caixa é de translação. Repare que todos os pontos da caixa possuem mesma velocidade e mesma aceleração para cada instante considerado. 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7.2 – Movimento de Rotação O ponto P da figura, que representa um ponto qualquer de uma das pás do gerador eólico, por exemplo, descreve movimento circular com centro no eixo estabelecido entre os pontos fixos A e B, que definem uma reta denominada de EIXO DE ROTAÇÃO. A trajetória de P é uma circunferência com centro no ponto P’ e pertencente a um plano perpendicular à reta AB. 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7 – Movimentos de um Corpo Rígido 7.2.1 – Centro Instantâneo de Rotação (CIR) Considere a situação particular do movimento de uma placa plana no seu próprio plano (movimento plano). Neste caso, o eixo de rotação é perpendicular ao plano da placa e atravessa o plano no ponto C da figura. Este ponto, que está no eixo de rotação, tem velocidade nula, ou se move paralelamente ao eixo subindo ou descendo. Este ponto C será chamado de Centro Instantâneo de Rotação (CIR). Deve-se observar que o Centro de Rotação em geral não é um ponto fixo. Pense no caso das rodas de um veículo em movimento. Em cada instante o pneu gira em torno de um ponto diferente, por isso chamamos de Centro Instantâneo de Rotação. 7 – Movimentos de um Corpo Rígido Regra Prática para Localizar o Centro Instantâneo de Rotação (CIR) Partido-se da equação (7.10) e considerando a figura, podemos escrever: Pv P C Multiplicando-se escalarmente por (P-C) os dois membros da equação, vem: Pv . P C PC.PC O produto do segundo membro é nulo, por se tratar de um produto misto envolvendo dois vetores iguais, logo: Pv . PC 0 7 – Movimentos de um Corpo Rígido O produto escalar nulo indica que os vetores são ortogonais, o que permite afirmar que, no movimento plano de uma placa rígida, o vetor velocidade de cada um de seus pontos é perpendicular ao raio-vetor que liga o ponto ao Centro Instantâneo de rotação. A regra prática estabelece que, se em um determinado instante, tivermos as velocidades vA e vB de um elemento, basta levantar as perpendiculares nos pontos A e B que elas vão se cruzar no CIR (Centro Instantâneo de Rotação). 8 – Movimento Geral de um Sólido A determinação da velocidade e aceleração de um ponto pelo “método da geometria e derivadas” gera um certo trabalho para elaborar tais derivadas. Nesta seção, será desenvolvida uma equação que permitirá determinar a velocidade de um ponto de um corpo rígido de maneira “menos trabalhosa”. 8 – Movimento Geral de um Sólido A determinação da velocidade e aceleração de um ponto pelo “método da geometria e derivadas” gera um certo trabalho para elaborar tais derivadas. Nesta seção, será desenvolvida uma equação que permitirá determinar a velocidade de um ponto de um corpo rígido de maneira “menos trabalhosa”. 8.1 – Velocidade Pretende-se relacionar as velocidades de dois pontos de um sólido. Para exemplificar, será analisado o movimento de uma biela de um motor de combustão interna. Para elaborar essa análise cinemática, foram adotados dois sistemas de referência: sistema fixo ou global Oxyz, e sistema solidário ao corpo rígido (no caso a biela) ou sistema local BXYZ. Quando o mecanismo movimenta-se, os eixos do sistema Oxyz permanecem fixos, enquanto os eixos do sistema BXYZ acompanham o movimento da biela. 8 – Movimento Geral de um Sólido 8 – Movimento Geral de um Sólido 8 – Movimento Geral de um Sólido 8 – Movimento Geral de um Sólido A equação (8.15), denominada Fórmula de Poisson ou Equação Fundamental da Cinemática dos Rígidos, permite relacionar a velocidade entre dois pontos de um corpo rígido. A velocidade do ponto A pode ser interpretada como a resultante de uma velocidade de translação [VB ] e de uma velocidade de rotação em torno de um eixo que contém o ponto B [ (A – B)]. Assim, o Movimento Geral de um Sólido é denominado Roto-translação. Ԧ𝑣𝐴 = Ԧ𝑣𝐵 + 𝜔 ∧ (𝐴 − 𝐵) Exercício 1 Lista de Exercícios 06 Exercício 2 Lista de Exercícios 06 Exercício 2 – Solução gráfica Lista de Exercícios 06 Lista de Exercícios 06 Exercício 4 Lista de Exercícios 06 Exercício 5 Lista de Exercícios 06 Exercício 6 Lista de Exercícios 06 Exercício 7 Lista de Exercícios 06 Exercício 8 Lista de Exercícios 06 8 – Movimento Geral de um Sólido 8.2 –Aceleração 8 – Movimento Geral de um Sólido 8 – Movimento Geral de um Sólido A equação (8.21) pode ser simplificada no caso particular do movimento plano, considerando apenas o movimento de placas planas em seu próprio plano. Desenvolvendo o duplo produto vetorial, temos: a a A B .A B . .A B A B Considerando que, no movimento plano, os vetores e (A – B) são ortogonais, então o produto escalar entre eles é nulo. . A B 0 Substituindo na equação (8.22) teremos: a a A B 0 . .A B A B Ou ainda: a a A B2. A B A B (8.25) (8.22) (8.23) (8.24) Exercício 1 Lista de Exercícios 07 Exercício 2 Lista de Exercícios 07 Exercício 3 Lista de Exercícios 07 Exercício 4 Lista de Exercícios 07 Exercício 5 Lista de Exercícios 07 E (-5R, 0, 0) F (5R, 0, 0) Lista de Exercícios 07 Exercício 6 Lista de Exercícios 07 Exercício 7 Lista de Exercícios 07 Exercício 8 Lista de Exercícios 07 Exercício 9 Lista de Exercícios 07 Exercício 10 Exercício 11 Lista de Exercícios 07 Exercício 12 Lista de Exercícios 07Exercício 13 Lista de Exercícios 07 Exercício 14 Lista de Exercícios 07 9 – Composição de Movimentos (9.1) Vamos analisar o movimento de um ponto em relação a um referencial que não seja fixo. Como exemplo, o ponto A da figura abaixo se movimenta com velocidade v em relação ao disco, que por sua vez gira em relação a um referencial fixo. 9.1 – Velocidade Para elaborar a análise cinemática do sistema da figura, são adotados dois sistemas de referência: o sistema fixo ou global Oxyz e o sistema solidário ao corpo rígido ou sistema local BXYZ (ou referencial móvel). Partindo da equação (8.4), aqui reescrita: (8.4) 9 – Composição de Movimentos (9.2) (8.14) (9.3) 9 – Composição de Movimentos (9.4) (9.5) 9 – Composição de Movimentos (9.6) (9.7) (8.9) (8.10) (8.11) 9 – Composição de Movimentos (9.8) (9.9) (9.10) 9 – Composição de Movimentos (9.11) (8.9) (9.12) 9 – Composição de Movimentos (9.13) (9.14) (9.15) (9.16) 9 – Composição de Movimentos (9.17) (9.18) (9.19) 9 – Composição de Movimentos (9.20) 9 – Composição de Movimentos Gaspard-Gustave de Coriolis (1792 – 1843) Em termos gerais, podemos dizer que a aceleração de Coriolis é um termo de ajuste, que decodifica informações provenientes de eixos sem rotação e de eixos com rotação. A direção é sempre normal ao vetor vrel e o sentido é definido pela regra da mão esquerda para o produto vetorial. Exercício 1 Lista de Exercícios 08 Exercício 3 Lista de Exercícios 08 Exercício 4 Lista de Exercícios 08 Exercício 5 Lista de Exercícios 08 Exercício 6 Lista de Exercícios 08 Exercício 7 Lista de Exercícios 08 Exercício 8 Lista de Exercícios 08 Exercício 9 Lista de Exercícios 08 Exercício 10 Lista de Exercícios 08 Exercício 11 Lista de Exercícios 08 Exercício 12 Lista de Exercícios 08 Exercício 14 Lista de Exercícios 08 Exercício 16 Lista de Exercícios 08