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G R A D U A Ç Ã O ME. DANIELE ALMEIDA LOPES Cinesiologia e Biomecânica dos Pés Híbrido GRADUAÇÃO Cinesiologia e Biomecânica dos Pés ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! Me. Daniele Almeida Lopes http:// FICHA CATALOGRÁFICA C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. LOPES, Daniele Almeida. Cinesiologia e Biomecânica dos Pés. Daniele Almeida Lopes. Impressão - 2020 Maringá - PR.: UniCesumar, 2020. 128 p. “Graduação - EaD”. 1. Cinesiologia 2. Biomecânica 3. Pés. CDD - 22 ed. 612.76 CIP - NBR 12899 - AACR/2 ISBN 978-65-5615-152-6 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Fotos: Shutterstock Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar Diretoria de Design Educacional Equipe Produção de Materiais NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. 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Baseamo-nos em quatro pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais (Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em mais de 500 polos de educação a distância espalhados por todos os estados do Brasil e, também, no exterior, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Por ano, produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 por sete anos consecutivos e estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter, pelo menos, três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos para os cursos híbridos, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão, que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Olá! Meu nome é Daniele, mas todos me chamam de Dani! Bom, vou contar um pouquinho sobre minha história e quan- do decidi me tornar professora. Sempre gostei muito de ir para sítios, por isso, meu primeiro vestibular foi para agrono- mia, mas acabei optando por não seguir em frente, pois a família não me apoiava. A partir daí, comecei a frequentar uma academia que tinha um grande número de idosos que, durante as aulas, necessi- tavam de auxílio para realizar as ativida- des e, como havia apenas um professor, sempre me disponibilizava a ajudar. Esse contato com os idosos me despertou uma vontade de escolher um curso da área da saúde, então optei pela Fisioterapia, pois meu desejo era trabalhar com a reabilita- ção de idosos. No decorrer da faculdade, senti vontade de me tornar professora, sendo que jamais imaginei ter essa profis- são! Me formei em 2010 e, a partir daí, fiz mestrado e especializações. Atualmente, sou professora tanto em cursos de nível técnico como superior e pós-graduação. Ministro aulas presenciais e na modalida- de a distância para turmas de Podologia, Estética, Fisioterapia e Enfermagem. En- contrei-me nessa área, pois amo minha profissão! Currículo Lattes disponível em: http:// lattes.cnpq.br/6549827349549634 Aqui você pode conhecer um pouco mais sobre mim, além das informações do meu currículo. MEU CURRÍCULO MINHA HISTÓRIA Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o apli- cativo Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das possibilidades de interação de cada objeto. PODCAST: professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas. PÍLULA DE APRENDIZAGEM: uma dose extra de conhecimento é sempre bem- vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido. PENSANDO JUNTOS: ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! EXPLORANDO IDEIAS: com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discutido, de forma mais objetiva. EU INDICO: enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliarão a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor. Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store IMERSÃO RECURSOS DE APRENDIZAGEM CAMINHOS DE 9 67 37 95 7 Cinesiologia e Biomecânica dos Membros Inferiores CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS Aspectos Biomecânicos e Cinesiológicos da Marcha Humana Sistema Locomotor de Tornozelo e Pé Postura Humana e Alterações Biomecânicas 1 3 2 4 PROVOCAÇÕES INICIAIS INICIAIS PROVOCAÇÕES Como profissional da área de saúde e bem-estar, você deverá compreender que a podologia é uma área que se baseia em conhecimentos científicos e técnicos voltados não apenas para o cuidado dos pés, mas que se preocupa e promove ações que proporcionam saúde, conforto, e que melhoram a qualidade de vida e bem-estar geral de seus pacientes. Suponha que você já seja um podólogo(a) formado(a) e atuante. Imagine uma situação: você recebe um paciente e, durante a avaliação, ele relata ter diabetes tipo 2, no entanto, não faz o controle adequa- damente. Durante o exame físico, você observa que o seu paciente apresenta uma ferida pequena no calcanhar esquerdo, impossibilitando-o de fazer os movimentos necessários para que possa andar, ou seja, ele está com restrição de movimentos, e essa limitação dificulta, principalmente, o início da marcha. Além disso, você também verifica a presença de calos no dorso dos dedos dos pés e que o paciente se locomove pisando “para dentro”. CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS INICIAIS PROVOCAÇÕES Diante dessa situação, quais seriam as condutas que você tomaria como profissional? Bom, primei- ramente, deve orientar seu paciente com relação aos riscos e complicações de uma diabetes tipo 2 descompensada. Ainda assim, como podólogo(a), deverá dispensar atenção no cuidado com a ferida, já que essa condição está alterando toda a biomecânica do seu paciente até o ponto de impossibilitá-lo de andar, lembrando que são indispensáveis as orientações com relação ao tipo de calçado adequado. Você, como podólogo(a), também deverá avaliar a possibilidade de prescrever uma palmilha para a correçãoe/ou melhora da pisada. A disciplina de cinesiologia e biomecânica abordará questões importantes, como os conceitos básicos de cinesiologia e biomecânica aplicados a tornozelo e pé; os aspectos da amputação de membro infe- rior; particularidades da marcha humana; e as alterações biomecânicas de membro inferior; isso para que você, como futuro(a) podólogo(a), possa determinar, com excelência, ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação dos inúmeros distúrbios que possam acometer os pés, respaldado sempre em conhecimento técnico-científico. Ficou entusiasmado(a)? Convido você para mergulhar e se aprofundar nesse universo de conhecimento. Vamos lá? CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS 1 OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM Cinesiologia e Biomecânica dos Membros Inferiores Me. Daniele Almeida Lopes Oportunidades de Aprendizagem: Na Unidade 1, você terá a oportunidade de aprofundar a problematização sobre o tema Cinesiologia, além de ajustar os conceitos sobre Goniometria Clínica com a prática durante o exame físico podológico. Também iremos discutir sobre o tema da Biomecânica Básica de Tornozelo e Pé, interpretando os conceitos e identificando os fatores que interferem na temática. Você ainda terá a possibilidade de relacionar os principais aspectos que envolvem a Amputação de Membros Inferiores, identificando as causas (fatores etiológicos), os níveis de amputação, as complicações e analisar a atuação do profissional podólogo na prevenção dessa conduta. 10 UNICESUMAR Olá, aluno(a)! Bom, primeiramente, quero saber: você já ouviu falar sobre Cinesiologia e Biomecâni- ca? Já parou para pensar como e onde esses termos se aplicam na Podologia? Qual a importância da compreensão desses conceitos na prática podológica? Irei dar uma dica! Imagine-se em uma situação de atendimento, em que você, como podólogo(a), depara-se com um paciente e, no exame físico po- dológico, observa uma significativa restrição de movimento na articulação do tornozelo esquerdo, a qual está prejudicando a marcha do seu paciente. Como você quantificaria essa restrição? Qual a importância dessa informação para o(a) podólogo(a)? É fundamental que você, como futuro(a) profissional da área, saiba que a quantificação das limita- ções articulares irá favorecer um melhor planejamento do tratamento podológico, possibilitando que determine um protocolo de atendimento adequado e adaptado às necessidades do seu cliente. A Cinesiologia nada mais é do que o estudo dos princípios de anatomia, fisiologia e mecânica que envolvem todos os movimentos do corpo. Lembrando que os movimentos de tornozelo e pé são essen- ciais para uma efetiva locomoção e para a realização de diversas atividades do dia a dia, sendo por isso o conhecimento desse processo extremamente importante para a sua futura atuação como podólogo(a). O objetivo de estudar as questões que envolvem a cinesiologia no cuidado em saúde é compreen- der o movimento e as forças que agem sobre o corpo e aprender como a manipulação dessas forças contribuem para evitar o surgimento de lesões e para restabelecer a função, promovendo um melhor desempenho corporal. Além disso, a quantificação das limitações articulares do seu cliente favorece um melhor planejamento do tratamento podológico, considerando a mobilidade do paciente. Os fundamentos da Cinesiologia e da Biomecânica com ênfase na aplicação clínica para o pro- fissional da saúde é um conhecimento fundamental para você, já que lhe proporcionará uma valiosa habilidade de diagnóstico e planejamento da conduta podológica, melhorando, consequentemente, o desempenho físico do seu paciente. Agora que você já está um pouco mais ambientado com o tema, proponho um exercício: vá até uma Academia da Terceira Idade (ATI) ou locais voltados para a prática de atividade física de sua cidade e verifique como grande parte dos idosos apresenta restrições articulares durante a execução dos movimentos. Quais os possíveis fatores que contribuem para essas restrições articulares e as possíveis consequências dessa redução das amplitudes de movimentos na população idosa? Como se saiu no exercício? Conseguiu visualizar a diminuição da amplitude de movimento? As restrições articulares nos idosos resultam na diminuição da amplitude de diversos movimentos. Tal fato pode ser decorrente de uma série de fatores associados ao próprio envelhecimento, como as disfunções articulares e musculoesqueléticas inerentes ao aumento da idade. Essas restrições resultam numa locomoção mais lenta, além de uma menor mobilidade para executar diversas tarefas diárias. Dessa maneira, a amplitude de movimento deve ser considerada durante o exame físico podológico, independentemente da idade do seu paciente, lembrando que uma amplitude de movimento normal de tornozelo e pé é essencial para uma caminhada rápida e eficaz. Sabemos que a cinesiologia e a biomecânica estão relacionadas com os movimentos que ocorrem no nosso corpo e, por meio do seu estudo, podemos compreender e melhorar possíveis disfunções que possam acometer os pés. O movimento articular significa vida, sendo de extrema importância para a manutenção da saúde e do bem-estar de todas as pessoas. Sendo assim, reflita comigo sobre os pontos-chave dessa situação: 11 UNIDADE 1 • A cinesiologia e a biomecânica são ciências que descrevem, estudam e avaliam todos os fatores que envolvem os movimentos do corpo. • O entendimento da cinesiologia e da biomecânica dos pés favorece um melhor desempenho físico para os seus pacientes. • A compreensão dos movimentos de tornozelo e pé são essenciais para a caminhada, inclusive para a prática podológica. • As restrições de movimentos dificultam a execução de várias tarefas do dia a dia, inclusive a locomoção, por isso devem ser avaliadas e consideradas. É importante que, no decorrer de todos nossos estudos, você faça um diário de bordo, que nada mais é do que o registro das experiências vivenciadas, bem como de tudo que você compreendeu. Essa prática facilitará seu processo de aprendizagem, além de auxiliar na organização dos seus estudos. D IÁ R IO D E B O R D O Bom, anteriormente já tivemos um contato inicial com o termo Cinesiologia, no entanto, neste momento, aprofundaremos as questões que envolvem esse conceito. A cinesiologia pode ser definida como o estudo dos princípios de anatomia, fisiologia e mecânica em relação aos movimentos do corpo humano (FLOYD, 2016). É importante falarmos que não se trata de um estudo unidimensional que exige o aprendizado de listas de fatos sobre a estrutura anatômica; em 12 UNICESUMAR vez disso, trata-se do estudo do movimento. Grande parte das avaliações cinesiológicas é classificada como qualitativa, uma vez que abrange a análise de um movimento e apresenta, de maneira detalhada, as habilidades, bem como o reconhecimento das ações musculares para a execução do movimento (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Por exemplo, numa avaliação cinesiológica, considerando-se a ação de levantar-se de uma cadeira, os movimentos executados para a conclusão dessa ação seriam: extensão da articulação do quadril e joelhos e a flexão plantar por meio dos conjuntos musculares dos isquiotibiais, quadríceps femoral e tríceps sural, na devida ordem. Dessa forma, o objetivo de estudar cinesiologia no cuidado em saúde é compreender o movimento e as forças que agem sobre o corpo humano e aprender como a mani- pulação dessas forças contribuem para evitar o surgimento de lesões, bem como para restabelecer a função e promover o melhor desempenho corporal do seu paciente. É imprescindível que você, futuro (a) profissional, que está iniciando seu processo de formação à cinesiologia, inicie esse exercício com um ponto de referência para entender melhor o sistema musculoesquelético; os seus planos de movimento; a classificação das articulações; a terminolo- gia do movimento articular; entre outros; e para isso temos que retomar. Existe uma posição de referência(específica), estudada na disciplina de Anatomia Humana, que serve de base para a descrição dos movimentos articulares, conhecida também como posição anatômica. Nessa disposição, você pode observar que o sujeito se encontra ereto, em posição ortostática (em pé), com a face voltada para frente, com os membros superiores estendidos paralelos ao tronco e com as palmas das mãos voltadas para frente. Os membros inferiores devem estar unidos e com os dedos dos pés também direcionados para frente (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014). Figura 1 - Posição anatômica 13 UNIDADE 1 É importante termos em mente que toda descrição anatômica é feita considerando o indivíduo em posição anatômica; além disso, a partir desse ponto de referência, serão definidos todos os movimentos do corpo, os planos que ocorrem os movimentos e, até mesmo, a identificação das inúmeras patologias e alterações biomecânicas e cinesiológicas. A partir de agora, iremos rever alguns conceitos estudados em Anatomia Humana, para fundamen- tar os estudos na biomecânica dos segmentos distais, sendo eles: de normalidade, variação anatômica, anomalia e monstruosidade. O entendimento desses conceitos é essencial para você, futuro podólogo, pois irá ajudá-lo, durante sua prática profissional a identificar e diagnosticar os mais diversos distúrbios biomecânicos e cinesiológicos que possam acometer todo o corpo, inclusive os pés. • Normalidade: esse conceito é entendido como uma faixa ampla de indivíduos que apre- sentam condições ideais de saúde. Em outras palavras, o conceito normalidade indica lo- calização, forma e função mais frequentes em uma determinada estrutura no ser humano. Dessa maneira, normalidade anatômica se refere às estruturas que são estatisticamente mais frequentes numa população, por exemplo, o indivíduo apresentar características como dois olhos, um nariz, uma boca, dois ouvidos, duas pernas, cinco dedos em cada uma das mãos e pés. (MIRANDA NETO, 2006; DANGELO; FATTINI, 2011). Figura 2 - Normalidade anatômica 14 UNICESUMAR • Variação anatômica: esse conceito está re- lacionado à existência de pequenas diferenças (variações) morfológi- cas; no entanto, essas di- ferenças não interferem na função do indivíduo. Um exemplo é a varia- ção anatômica dos pés, pois existem pés que apresentam formatos diferentes (tamanho dos dedos, por exemplo), contudo, normalmente, essa variação não inter- fere no funcionamento do próprio pé (MIRAN- DA NETO, 2006; DAN- GELO; FATTINI, 2011). Tipo Egípcio Tipo Grego Tipo Romano • Anomalia: o conceito refere uma variação no formato ou na forma da estrutura anatômica, as quais resultam em pre- juízo na função, entre- tanto, o indivíduo pode viver normalmente. Por exemplo, tem-se a polidactalia, que está relacionada ao maior número de dedos (MI- RANDA NETO, 2006). Figura 3 - Variação anatômica de pés Figura 4 - Polidactalia podal 15 UNIDADE 1 • Monstruosidade: esse outro conceito anatô- mico apresenta uma anomalia acentuada (exorbitante), que gera grandes mudanças na conformação corporal e, até mesmo, podem ser incompatíveis com a vida. Um exemplo é a anencefalia, isto é, quando não há o desenvolvimento do encéfalo (MIRANDA NETO, 2006; DANGE- LO; FATTINI, 2011). Figura 5 - Anencefalia É importante que sejamos capazes de nos orientar no corpo humano. De certa forma, podemos ima- ginar algo como dar e receber indicações de como ir de uma localidade geográfica a outra e, para isso, usamos termos como direita, esquerda, sul, oeste etc. No entanto, existem termos que utilizamos para indicar direções anatômicas, sendo assim, você, como futuro profissional de saúde, deve entender esses termos, já que, muitas vezes, eles são utilizados como pontos de referência para descrever uma situação, uma posição e, até mesmo, a direção de órgãos ou segmentos do nosso corpo. Ainda assim, esses termos permitem que você localize um ponto específico na superfície ou mesmo no interior do corpo (FLOYD, 2016; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DANGELO; FATTINI, 2011). A seguir, veremos os principais termos anatômicos e suas respectivas definições, os quais, muitas vezes, são empregados durante a prática podológica: • Anterior: na frente ou na parte da frente. • Anteroinferior: na frente e abaixo. • Anterolateral: na frente e voltado para o lado de fora (para a lateral). • Anteromedial: na frente e em direção à linha mediana (ao meio). • Anteroposterior: relacionado às partes da frente e trás. • Anterosuperior: na frente e acima. • Bilateral: relacionados aos lados direito e esquerdo do corpo ou de uma estrutura do corpo, como os membros direito e esquerdo. • Caudal: abaixo em relação à outra estrutura; inferior. • Cefálico: acima em relação à outra estrutura; mais elevado; superior. • Contralateral: pertencente ou relacionado ao lado oposto. • Distal: estrutura afastada do seu ponto de origem, ou seja, da raiz do membro (superior ou inferior). Por exemplo, a mão é considerada uma estrutura distal, quando comparada ao braço, já que se encontra mais distante do seu ponto de origem. 16 UNICESUMAR • Dorsal (dorso): relacionado às costas; localizado próximo, sobre ou em direção à parte de trás; relacionado também à parte superior do pé. • Inferior: abaixo em relação à outra estrutura; caudal. • Inferolateral: abaixo e voltado para o lado de fora (lateral). • Inferomedial: abaixo e em direção à linha mediana (meio). • Homolateral ou ipsilateral: referente ao que se encontra do mesmo lado do corpo ou de outra estrutura. • Medial: mais próximo do plano ou linha mediana (meio). • Mediano: situado exatamente no meio. • Plantar: relacionado à superfície inferior do pé. • Podálico: para baixo, em direção aos pés. • Posterior: por trás, atrás ou nas costas. • Posteroinferior: atrás e abaixo. • Posterolateral: atrás e voltado para a lateral (lado de fora). • Posteromedial: atrás e medial (voltado para o lado de dentro). • Posterosuperior: atrás e acima. • Proximal: estrutura mais próxima do seu ponto de origem, ou seja, da raiz do membro (superior ou inferior). Por exemplo, o braço é considerado um componente proximal, quando comparado a mão, já que se encontra mais próximo do seu ponto de origem. • Superior: acima em relação à outra estrutura; mais elevado; cefálico. • Superolateral: acima e voltado para a lateral (lado de fora). • Superomedial: acima e em direção à linha mediana (meio). Inferior Superior Direita Esquerda Anterior Posterior Visão Lateral Visão Frontal Proximal Distal Medial Lateral Caudal (Ventral) (Dorsal) Cranial Proximal Distal Figura 6 - Termos anatômicos mais utilizados na prática clínica Conhecer e saber sobre os pla- nos de movimento proporciona um melhor entendimento en- tre os profissionais da área da saúde, já que a nomenclatura cinesiológica é universal. Além disso, é importante que você compreenda esses planos, pois durante a sua atuação clínica, esse conhecimento te dará su- porte no momento de realizar uma análise cinesiológica, ou seja, uma avaliação dos movi- mentos de pé, por exemplo, de maneira adequada, já que os re- sultados dessa análise podem interferir diretamente no diag- nóstico e no tratamento podo- lógico. Dessa maneira, diversos 17 UNIDADE 1 autores classificam os planos de movimento em: frontal (coronal), sagital e horizontal (transversal), e seus eixos correspondentes incluem os eixos de movimento anteroposterior, medial-lateral e supe- rior-inferior, respectivamente (VAN DE GRAAFF, 2003; FLOYD, 2016). Plano Sagital Plano Coronal Plano Transversal A seguir, aprofundaremos os conhecimentos acerca desses três planos de movimento. O plano de movimento sagital se estende vertical- mente ao longo do corpo, fragmentando-o em direita e esquerda. Fotograficamente, trata-se de uma visão lateral. Os exemplos mais claros de movimentos que acontecem no plano sagital são os de fle- xão e extensão (por exemplo, de pescoço, tronco, cotovelo e muitos outros), além dos movimentosde dorsiflexão e flexão plantar (VAN DE GRAAFF, 2003; HOUGLUM; BERTOTI, 2014).Figura 7 - Planos de movimentos vistos na posição anatômica Flexão plantar Dorsi�exão Figura 8 - Movimentos de dorsiflexão e flexão plantar do tornozelo O plano frontal, também conhe- cido como coronal, estende-se longitudinalmente ao corpo e o separa em duas partes: anterior (frente) e posterior (trás). Os movimentos acontecem ao re- dor de um eixo anteroposterior, perpendicular ao plano frontal. Os movimentos que ocorrem no plano frontal são: abdução e adução (por exemplo, de quadril, ombro e dedos); desvio ulnar e radial (um tipo de adução e ab- dução do punho) e flexão lateral ou inclinação de pescoço e tron- co (VAN DE GRAAFF, 2003; HOUGLUM; BERTOTI, 2014). 18 UNICESUMAR Você já se deparou com o termo deambular ou deambulação? A deambulação é a ação de deambular ou marchar, que significa andar (locomover). Uma deformidade no pé, por exem- plo o dedo em garra, em malho ou em martelo ou, até mesmo, uma calosidade plantar, pode comprometer a deambulação do paciente. O plano horizontal, também denominado plano transversal, estende-se no sentido transversal do corpo, dividindo-o em partes superior (cefálica) e inferior (caudal ou podálica). Os movimentos que ocorrem neste plano são: rotação medial e lateral (ombro e quadril); pronação e supinação de antebraço; eversão e inversão do pé (VAN DE GRAAFF, 2003; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; McGINNIS, 2015). Abdução horizontal Adução horizontal Figura 9 - Adução e abdução de ombro Inversão Eversão Figura 10 - Movimentos de inversão e eversão do pé ocorrem no plano horizontal Fonte: Tortora e Derrickson (2017, p. 173). Os movimentos corporais são essenciais, pois permitem a rea- lização da maioria das atividades do nosso dia a dia, como deambu- lar, correr, sentar, levantar, agachar, alcançar um objeto, entre outros. O conhecimento a respeito dos movimentos, especificamente do complexo tornozelo-pé, irá te aju- dar a conhecer de forma muito melhor o corpo humano, além de possibilitar a identificação de restrições ou excessos de movimentos, os quais podem contribuir para o apa- recimento de diversas podopatias e vice-versa. Os movimentos do tornozelo e pé acontecem nos três planos, sendo eles, frontal, transversal e sagital, conforme falamos anteriormente (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). 19 UNIDADE 1 A seguir, abordaremos os movimentos que ocorrem no complexo tornozelo-pé, cujo conhecimento é de extrema importância para você, aluno(a), futuro(a) podólogo(a) (FLOYD, 2016). A adução de tornozelo e pé refere-se ao movimento medial do pé sentido linha mediana (meio), ou seja, os dedos apontam para dentro. A abdução de tornozelo e pé é o movimento lateral do pé, ou seja, de distanciamento da linha mediana (meio). Nesse movimento, os dedos se direcionam para fora, em direção à lateral do corpo (FLOYD, 2016). Adução Abdução A flexão dos dedos dos pés está relacionada ao movimento de curvatura dos dedos, que resul- ta na redução do ângulo das articulações dos dedos (interfalangeanas e metatarsofalangea- nas) com a aproximação dos ossos, ou seja, é o movimento dos dedos do pé sentido planta do pé (dedos se aproximam da planta do pé). E a extensão dos dedos dos pés é o movimento de estiramento dos dedos, que resulta no aumento do ângulo das articulações dos dedos (interfa- langeanas e metatarsofalangeanas) com o afas- tamento dos ossos, isto é, eles vão em direção ao dorso do pé (FLOYD, 2016). A circundação do tornozelo é o movimento circular do tornozelo, que retrata um arco ou um cone. Esse movimento pode ser também conhecido como circunflexão. O movimento de eversão do pé consiste em girar a planta do pé para fora, ou seja, sentido lateral. Um exemplo é colocar-se em pé com o peso apoiado sobre a borda interna do pé. O movimento de inversão do pé consiste em girar a planta do pé para dentro, isto é, sentido linha mediana (meio). Um exemplo é colocar-se em pé com o peso apoiado sobre a borda externa do pé (FLOYD, 2016). Figura 11 - Adução e abdução do tornozelo e pé Fonte: Hamill e Knutzen (2012, p. 14). Figura 12 - Extensão e flexão dos dedos dos pés, respectivamente Fonte: Bontrager e Lampignano (2014). 20 UNICESUMAR Você já se deparou com o termo artelho? São termos anatômicos utilizados para se referir aos dedos dos pés e das mãos. Portanto, se você se deparar com a terminologia “artelhos” saiba que é sinônimo de dedos. No caso dos dedos dos pés, apenas o 1º dedo, vulgarmente chamado de dedão do pé, apresenta denominação específica, sendo chamado de hálux, os outros dedos podem ser denominados 2º, 3º, 4º e 5º artelhos. O movimento flexão dorsal também é conhecido como dorsiflexão e se refere ao movimento de fle- xão do tornozelo, em que o dorso do pé se movimenta em direção à região anterior da tíbia no plano sagital. A flexão plantar é o movimento de extensão do tornozelo, em que o pé e os artelhos se afastam do corpo no plano sagital (FLOYD, 2016; MARIEB; HOEHN, 2009). Inversão do tornozelo Eversão do tornozelo Figura 13 - Movimentos de inversão e eversão do tornozelo e pé Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 8). Dorsi�exão Flexão Plantar Figura 14 - Movimentos de dorsiflexão e flexão plantar Seguindo com nossas definições, a pronação é o movimento do pé e do tornozelo resultante de uma combinação dos movimentos de dorsiflexão, eversão subtalar (entre tálus e calcâneo) e abdução da parte anterior do pé (movimento em que a ponta do pé vira para fora, sentido lateral). A supinação consiste num movimento de pé e do tornozelo resultante de uma combinação dos movimentos de flexão plantar, inversão subtalar e adução da parte anterior do pé (movimento em que a ponta do pé está virada para dentro, sentido linha mediana) (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014). A área pela qual uma articulação pode se movimentar de forma livre e sem dor se denomina am- plitude de movimento (ADM). É importante ressaltarmos que a medida da ADM é um item essencial no exame físico podológico, já que, a partir dessas mensurações, o podólogo é capaz de reconhecer e caracterizar as restrições e/ou excessos de movimentos. A palavra goniometria tem origem grega, em que “gonia” significa ângulo e “metria” quer dizer medida – é uma medida clínica muito relevante, aplicada para definir a quantidade de movimento articular tanto ativo como passivo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). 21 UNIDADE 1 REALIDADE AUMENTADA para dentro, supinação. para fora, pronação. Figura 15 - Supinação e pronação do pé Fonte: Calais-Germain e Lamotte (2010, p. 237). Movimentos articulares do complexo tornozelo e pé. A goniometria mede a posição relativa de dois segmentos ósseos. Essa prática é um modo de medida e registro do movimento osteocinemático disponível na articulação. Apesar de equipamentos sofisticados de análise do movimento articular estarem disponíveis em laboratórios aprimorados, o goniômetro manual é a ferramenta usada com maior frequência. Confira as Figuras 16 e 17. Figura 16 - Aplicação de goniômetro manual 22 UNICESUMAR Sugiro que você faça a leitura do manual Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), publicado pelo Ministério da Saúde. A PNPS tem como base um conceito ampliado de saúde e dispõe sobre a promoção da saúde como um conjunto de ferramentas e me- canismos para promovê-la. A compreensão do manual irá favorecer o conhecimento a respeito do seu papel na sociedade, como profissional da saúde, no âmbito da promoção e do cuidado em saúde. Confira! O goniômetro quantifica a ADM da articulação em cada plano de movimento. A medida goniométrica é uma ferramenta útil para o profissional de saú- de, como o podólogo, principal- mente na avaliação e no registro do progresso ou da alteração no movimento durante o tratamen- to de condições patológicos que acometem os pés (FLOYD, 2016). O conhecimento a respei- to das medidas goniométricas especificamente do complexotornozelo e pé são essenciais para os podólogos, já que é uma Figura 17 - Utilização do goniômetro para medir a amplitude da dorsiflexão profissão baseada no estudo aprofundado das questões que envolvem esse complexo. Essas informa- ções permitem que o podólogo esteja apto para promover, prevenir, identificar e, até mesmo, tratar dos mais variados distúrbios que acometem os pés, inclusive dos articulares. Dessa maneira, foram determinados valores goniométricos (médias) que podem ser utilizados como referência para a ADM articular normal aproximada em adultos saudáveis, uma vez que ainda não foram determinadas tabelas normativas padronizadas, comparando todas as variáveis envolvidas, como sexo, idade, forma física, tipo de movimento (ativo ou passivo), entre outros (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). No entanto, em virtude das variações individuais na forma e no tipo físico das pessoas, é útil empregar valores padronizados como referência, mas o mais importante é utilizar o “normal” do próprio indivíduo para uma comparação confiável, medindo o segmento do membro não envolvido ou contralateral, desde que este esteja presente e não esteja enfraquecido ou lesado (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Sendo assim, o Quadro 1 evidencia as médias das amplitudes de movimento das articulações do tornozelo e pé, as quais são de interesse e determinam o atendimento podológico. 23 UNIDADE 1 SEGMENTOS MOVIMENTO ADM Tornozelo Flexão plantar Dorsiflexão 50 graus 15 a 20 graus Articulação Transversa do Tarso e Arti- culação Talocalcânea Inversão Eversão 20 a 30 graus 5 a 15 graus Articulação Metatarsofalangeana do Hálux Flexão Extensão Abdução Adução 45 graus 70 graus Varia entre 5 a 25 graus Varia entre 5 a 25 graus Articulação Interfalangeana do Hálux Flexão Extensão 90 graus 0 grau 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Metatarsofa- langeanas Flexão Extensão Abdução Adução 40 graus 40 graus Varia entre 5 a 25 graus Varia entre 5 a 25 graus 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Interfalangea- nas Proximais Flexão Extensão 35 graus 0 grau 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Interfalangea- nas Distais Flexão Extensão 60 graus 30 graus Quadro 1 – Médias de amplitudes de movimento das articulações do tornozelo e pé Fonte: adaptado de Floyd (2016). É importante enfatizarmos que as amplitudes de movimentos consideradas normais podem se modificar de acordo com estrutura óssea; a hipertrofia muscular; os níveis de gordura corporal; a integridade de estruturas anatômicas, como os ligamentos; bem como o sexo e a faixa etária. Portanto, essas questões devem ser levadas em consideração ao se realizar a goniometria. Por exemplo, indivíduos magros e com lassidão articular normal podem ter maior ADM comparado a indivíduos obesos ou com desen- volvimento muscular maior (músculos hipertrofiados) (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014). Dessa forma, a prática da goniometria é de extrema importância no campo da podologia, visto que auxilia o podólogo a quantificar as limitações ou excessos articulares do cliente, contribuindo para um melhor planejamento da conduta terapêutica podológica. Além disso, os valores provenientes das medi- ções goniométricas servem também para acompanhar e avaliar a efetividade das intervenções podológicas propostas; sendo assim, no exame físico podológico, o profissional deve executar a goniometria, uma vez que limitações de ADMs podem contribuir diretamente para o aparecimento de diversas podopatias, por exemplo, úlceras plantares, esporão de calcâneo, metatarsalgia, fascite plantar, entre outras. A biomecânica está relacionada com o estudo e a avaliação das forças criadas pelo corpo e o efeito dessas forças sobre esse organismo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). É importante ressaltarmos que o entendimento dessas forças é essencial na área da saúde, para que o profissional esteja apto para compreender e detectar condições estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja esse movimento fisiológico ou anormal, uma vez que essas questões facilitam o diagnóstico e as intervenções podoló- gicas. Além disso, esse conhecimento permite que o profissional podólogo também atue na prevenção de lesões e disfunções do movimento dos membros inferiores. Dessa maneira, a biomecânica é cola- boradora para compreender a saúde do movimento. 24 UNICESUMAR Por exemplo, ao avaliarmos o movimento requerido para levantar-se de uma cadeira, no entanto, com uma visão biomecânica, seria identificado e quantificado as forças articulares que atuam no qua- dril, joelho, tornozelo e pé, além da força entre o pé e o solo, para que ocorra a execução do movimento de elevação do corpo e consequente recuo da cadeira (HALL, 2016). Como você sabe, a disciplina é de interesse de futuros podólogos, portanto, enfatizaremos o estudo dos fatores que envolvem a bio- mecânica dos pés. Esse conhecimento é de extrema importância para o podólogo, já que proporciona uma valiosa habilidade de diagnóstico, além de proporcionar bases para melhorar o desempenho físico do paciente. Como sabemos, utilizamos os músculos para aplicar força nos ossos aos quais eles estão conectados e gerar, controlar ou impedir o movimento das articulações que eles cruzam. Em geral, utilizamos os ossos, como os das mãos para segurar, empurrar ou puxar um objeto; e usamos uma série de ossos e articulações para aplicar força por meio dos músculos e afetar a posição do objeto. Ao fazer isso, esta- mos utilizando uma série de máquinas simples para realizar as tarefas. As máquinas são usadas para elevar ou intensificar a força empregada na execução de uma tarefa ou para oferecer uma vantagem mecânica (FLOYD, 2016; HALL, 2016). A vantagem mecânica proporcionada pelas máquinas nos permite empregar uma força ou um esforço relativamente pequeno, para mover uma resistência muito maior. As máquinas funcionam de quatro maneiras: 1- para equilibrar múltiplas forças; 2- para aumentar a quantidade de força na ten- tativa de diminuir a força total necessária para suprir uma resistência; 3- para aumentar a amplitude e a velocidade de movimento de modo a deslocar a resistência por uma distância maior ou de forma mais rápida do que as forças usadas; e 4- para modificar o sentido da força aplicada (HALL, 2016; HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016). As máquinas simples são a alavanca; a roda e o eixo; a polia; o plano inclinado; o parafuso e a cunha. A organização do sistema musculoesquelético oferece três tipos de máquinas geradoras de movimento, sendo elas: alavancas, roda/eixos e polias, as quais abordaremos a seguir. A alavanca é a forma mais comum de máquina simples encontrada no corpo humano. Pode ser difícil visualizar o próprio corpo como um sistema de alavancas, mas, na verdade, é exatamente isso que acontece, já que os movimentos ocorrem mediante o uso organizado de um sistema de alavancas. Embora não se possam mudar as alavancas anatômicas, ao se conhecer bem o sistema, é plausível utilizá-las de maneira mais eficiente para potencializar os esforços musculares e também no intuito de evitar lesões (DUFOUR; PILLU, 2016). Uma alavanca é definida como uma barra rígida que roda em volta de um eixo de rotação (fulcro). O eixo é o ponto de rotação em torno do qual a alavanca se move. Esta gira em torno do eixo como resultado da força (esforço) que é empregada para provocar o seu movimento contra uma resistência (carga ou peso). No nosso corpo, os ossos representam as barras, as articulações são os eixos e os mús- culos se contraem para aplicar a força. A resistência pode variar de máximo a mínimo. Sendo assim, para que possamos ter o movimento da alavanca, a força precisa ser maior que a resistência (DUFOUR; PILLU, 2016; HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016): As alavancas podem ser classificadas de três formas: alavanca de primeira, segunda e terceira classe, conforme veremos a seguir. Na alavanca de primeira classe, o eixo está posicionado em algum ponto entre a força e a resistência. A resistência e a força são exercidas no mesmo sentido. Veja: 25 UNIDADE1 Na alavanca de segunda classe, a resistência está posicionada entre o eixo e a força. Nesse caso, a resistência e a força são aplicadas em sentidos contrários. Um exemplo são os músculos gastrocnêmio e sóleo (músculos da panturrilha) no movimento de flexão plantar para elevar o corpo sobre a ponta dos pés (FLOYD, 2016). Equilíbrio Amplitude de movimento F = Força E = Eixo R = Resistência F E R R EF F E R R EF F Figura 18 - Alavancas de primeira classe Fonte: Floyd (2016, p. 73). Segunda classe Força Resistência Apoio R F Figura 19 - Alavancas de segunda classe Fonte: a autora. Na alavanca de terceira classe, a força se encontra entre o eixo e a resistência. Nesse caso, a resistência e a força são aplicadas em direções opostas (FLOYD, 2016). F E R Figura 20 - Alavancas de terceira classe Fonte: Floyd (2016, p. 74). 26 UNICESUMAR Sendo assim, podemos utilizar nosso sistema de alavancas anatômicas para obter uma vantagem mecânica que melhore a realização de movimen- tos simples ou complexos. As polias simples possuem um eixo fixo e fun- cionam para mudar o sentido efetivo da aplicação de força. Diversos aparelhos de levantamento de força utilizam polias para modificar a direção da força resistiva, ou seja, para alterar a direção de uma força. No corpo humano, um excelente exemplo é o maléolo lateral, que age como uma polia em torno da qual corre o tendão do músculo fibular longo. Ao se contrair, o músculo fibular longo faz tração sentido ao seu ventre muscular. Como o tendão do músculo fibular longo utiliza o maléolo late- ral como polia, a força se transmite à face plantar, ocasionando os movimentos de eversão ou flexão plantar (FLOYD, 2016; DUFOUR; PILLU, 2016). Um corpo é estável quando a linha de gravi- dade passa pelo centro de sua base de sustentação (base de apoio para o corpo). A base de susten- tação consiste na área sobre a qual os pontos de contato do corpo e qualquer objeto permanecem em busca de sustentação. Por exemplo, se você fica em pé, com os pés separados, na largura dos ombros, sua base de sustentação é a área sob seus pés e área do solo entre eles. Se o paciente com um gesso na perna utilizar muletas para se lo- comover, ele estará mais estável, pois sua base de sustentação inclui a área entre os pés e se estende até os pontos de contato entre as muletas e o solo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HALL, 2016). Quanto maior é a base de sustentação, mais es- tável está o sujeito. Sendo assim, quanto menor é a base de sustentação, menos estável se torna o indi- víduo. Essa é uma das razões porque é mais difícil permanecer sobre uma perna do que sobre as duas. Dessa forma, a estabilidade aumenta com uma base de sustentação maior, a qual reduz as chances de perder o equilíbrio ou ser derrubado por forças ex- ternas (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HALL, 2016). Músculo �bular longo Maléolo lateral Figura 21 - Maléolo lateral: atua como uma polia para o tendão do músculo fibular longo Fonte: Floyd (2016, p. 81). Apoio normal Base de sustentação maior Aplicação de força Aplicação de força lateral A base de sustentação aumenta com muletas Apoio para aumentar a estabilidade contra força anterior Apoio para aumentar a estabilidade contra força lateral Figura 22 - Variações na base de sustentação Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 57). 27 UNIDADE 1 No entanto, uma base de sustentação grande, às vezes, pode ser vantajosa e, outras vezes, não. Por exemplo, um levantador de peso, que ergue uma grande barra olímpica acima da cabeça, deve ter uma ampla base de sustentação para lhe oferecer a estabilidade necessária no intuito de permanecer com o peso acima da cabeça e manter seu próprio peso e o da barra dentro da base de sustentação. Porém, um jogador de vôlei, que deve se mover de maneira rápida para fora de sua base de sustenta- ção, não quer uma base ampla, pois o movimento deve ocorrer repentinamente e em qualquer direção, portanto, o jogador deve estar pronto. Uma grande base de sustentação para esse jogador prolonga seu tempo sobre a base e atrasa sua resposta para atingir a bola (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Independentemente do tamanho da base de sustentação ou da atividade que o indivíduo executa, a presença dos dois pés, para o apoio de nosso corpo, durante a posição ortostática ou na execução dos movimentos é, sem dúvida, muito importante, conforme já citado, trazendo dificuldades para aqueles que, por algum motivo, perdem alguma parte do membro inferior. O termo para estes casos é amputação, sendo descrito como a retirada parcial ou total de um membro do corpo. As amputações de membros inferiores são muito mais rotineiras, dessa forma, abordaremos as principais questões de interesse da podologia. Um dos principais fatores que contribuem para a amputação de membro inferior é uma condição denominada doença vascular periférica (DVP), especialmente nos casos em que essa condição está relacionada ao hábito de fumar e a diabetes des- compensada (MAGEE, 2010). Grandes melhorias no diagnóstico não invasivo, revascularização e técnicas de cicatrização de feridas, como as que cabem à podologia, têm reduzido a incidência geral das amputações por doença vascular. No entanto, em países desenvolvidos, 7 de cada 10 amputações que são executadas, decorrem de diabetes descontrolada. Diversas pesquisas demonstram que entre 49 a 85% de problemas nos pés poderiam ser evitados se fossem tomadas medidas apropriadas de prevenção (O’SULLIVAN; SCHMITZ, 2010). É importante enfatizarmos que existe uma área da podologia que se concentra no estudo, prevenção e tratamento de condições que podem resultar em amputações, como o pé diabético e outras condições vasculares. A integração dos podólogos nos cuidados em saúde primários é extremamente importante para diminuir o aparecimento das úlceras diabéticas e, consequentemente, as taxas de amputação e internações hospitalares (BEGA; LAROSA, 2010). Figura 23 - Úlcera diabética em pé direito 28 UNICESUMAR Dessa forma, o desempenho das funções inerentes ao podólogo é primordial para impedir o surgimento de complicações em pés com alterações vasculares e sistêmicas, uma vez que, quando não tratadas, essas lesões podem resultar em sérias consequências, como gangrena e consequente amputação. A amputação é um fator que altera toda a biomecânica e cinesiologia do aparelho locomotor, levando a uma série de alterações, como de marcha; de movimento; de equilíbrio; de posicionamento e funcionamento do membro inferior residual, entre outros. A podologia contribui de maneira significativa tanto na prevenção, como no tratamento de úlceras de pés diabéticos, evitando a evolução para uma amputação (BEGA, 2014). Conforme vimos anteriormente, os estudos retratam uma elevação significativa de amputação em su- jeitos portadores de diabetes, o que determina aos podólogos um papel essencial se estiverem em contato com esses pacientes. O podólogo apresenta atribuições imprescindíveis no que se refere à análise clínica, por meio da verificação física para constatar as condições dos pés; investigação da circulação sanguínea, da biomecânica, da cinesiologia e da função sensitiva dos pés; prevenção e tratamento das complicações; e orientações a respeito dos cuidados com o pé de risco (BEGA; LAROSA, 2010; BEGA, 2014). Após uma amputação de membro inferior, o profissional pode se depa- rar com uma complicação denominada dor fantasma, a qual é descrita como uma sensação dolorosa percebida na área ausente do corpo, no caso de uma amputação. Essa condição é um tanto frequente, entre- tanto, é incerta no que se refere às razões que a predispõe; intensida- de; periodicidade; período e duração; aspecto da dor; exacerbação por fatores internos ou externos; ou o tipo da sensação dolorosa percebida (MAGEE, 2010). Nos casos em que a amputação de membro inferior é neces- sária, se indicado, o paciente deve ser orientado a fazer o uso de recursos auxiliares de deambulação, como muletas, prótesesou cadeiras de rodas, no intuito de preservar o má- ximo de locomobilidade. A maioria das pessoas com amputações de membro inferior pode ser auxiliada a retornar para uma vida plena e útil após a perda do membro. Um programa de atendimento pós-operatório que leve em conta as neces- sidades físicas e emocionais facilitará a adaptação e o re- torno às atividades diárias (O’SULLIVAN; SCHMITZ, 2010; MAGEE, 2010). Compressão causada pela faixa apertada Dor em facada Cãimbra muscular Dor penetrante/choque Queimação Posição não natural Membro faltante 29 UNIDADE 1 Você provavelmente já ouviu falar ou conhece algum caso de amputação de membro por causa da Diabetes tipo 2, mas o que é esta doença e como ela evolui a ponto de ser necessária uma amputação? Qual o seu papel como profissional da Podologia na prevenção? Você vai descobrir tudo isso neste podcast, confira! Estimado(a) aluno(a)! Nesta unidade, você pôde entender a diferen- ça básica dos conceitos de cinesiologia e biomecânica, e os itens impor- tantes que envolvem a compreensão desses conceitos. É importante que você tenha em mente que o entendimento desses termos é de extrema importância para que possamos dar continuidade na disciplina. Além disso, as alterações cinesiológicas e biomecânicas que possam acometer os pés interferem diretamente no aparecimento de diversas podopatias, e o entendimento desses conceitos é imprescindível para determinar um tratamento podológico adequado ao seu paciente. Além disso, você pôde compreender a goniometria clínica direcio- nada a tornozelo e pé e pôde entender que a prática da goniometria é essencial no campo da podologia, visto que ajuda o podólogo a quan- tificar as limitações articulares, contribuindo para um melhor planeja- mento da conduta terapêutica podológica. Ainda, foi possível entender que limitações e/ou alterações das amplitudes de movimentos podem contribuir diretamente para o desenvolvimento de grande parte das podopatias. Por fim, foi possível aprender sobre os principais aspectos relacionados à amputação de membro inferior, como sua definição, causas e complicações, bem como a atuação do podólogo para evitar possíveis amputações. Agora, chegou a sua vez de colocar todo o seu conhecimento em prática! Imagine que você já seja um podólogo formado e, durante sua atuação profissional, ao atender um paciente, inicialmente você percebe que ele está com dificuldades para andar. Durante a anamnese, o paciente relata ter uma calosidade muito grande na região plantar, e isso é o que está prejudicando sua deambulação. O paciente diz que não está conseguindo apoiar a ponta do pé no chão. Sendo assim, você, como profissional da saúde, ao solicitar que o paciente ande, consegue identificar qual movimento está sendo restringido pela calosidade? Você pensou em alguma ferramenta para quantificar essa restrição? Conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que você, como futuro(a) podólogo(a), durante o atendimento podológico, especial- mente no decorrer do exame físico, considere os aspectos cinesiológicos e biomecânicos de todo o corpo, especialmente dos membros inferiores. Nessa situação, você pode solici- tar para que o seu paciente execu- te os movimentos que precisam ser analisados, já que a queixa apresentada pode estar contri- buindo significativamente para as restrições de movimentos. Para isso, você tem à disposição uma ferramenta muito útil, de baixo custo e de fácil manipulação, que é a goniometria manual. A partir dela, você conseguirá quantificar essas restrições articulares. A partir daí, você irá determi- nar um protocolo de atendimen- to para tratar a calosidade e, no decorrer do tratamento, a gonio- metria não deve ser descartada, aliás, as mensurações deverão ser feitas novamente, com uma deter- minada periodicidade, pois essa prática lhe dará base para avaliar a progressão das amplitudes de movimentos. Sendo assim, essa ferramenta respalda você, como profissional, com relação à efetivi- dade do protocolo de atendimen- to que você escolheu para o seu paciente. 30 UNICESUMAR Agora, imagine-se atuando em uma situação em que: um paciente, do sexo feminino, 70 anos e com queixa de micose no hálux. A paciente não relata sinais e sintomas, no entanto, o que mais a incomoda é o aspecto amarelado da unha. No decorrer da anamnese, ela relata que é diabética dependente de insulina há mais de 20 anos, mas que nos últimos tempos não vem tomando a medicação de maneira adequada, pois se cansou das agulhadas. Você, ao realizar o exame físico, além da micose severa, observa também um machucado no dedo mínimo do pé. Quando você questiona a paciente, ela lhe fala que não sente a lesão. A partir daí, você, como pro- fissional de saúde, tomaria quais condutas iniciais? Com base no histórico da paciente, você pensou nas possíveis complicações? Neste caso, além do tratamento podológico convencional para a micose, você deve esclarecer a importância de a paciente procurar um médico para retomar suas medicações e controlar a diabetes. Você também deve orientá-la que, se caso sua diabetes não for controlada, a ferida no dedinho do pé pode aumentar e piorar, em decorrência, muitas vezes, do atrito com o calçado, podendo evoluir para uma infecção, aumentando o risco de amputação. Você também deve apresentar e explicar os recur- sos podológicos que atuam na cicatrização da ferida, que será muito benéfico para evitar infecções e possíveis amputações. Você sabe que a podologia é uma área auxiliar da medicina voltada ao estudo aprofundado, pre- venção, diagnóstico e tratamento das mais diversas doenças que acometem os pés. Para isso, para que você seja um profissional de destaque e renome, sua formação deve ser baseada nos conhecimentos de anatomia, fisiologia, cinesiologia, biomecânica, bem como da fisiopatologia das mais variadas afecções que acometem e/ou interferem na estrutura anatômica e consequente funcionamento dos pés. Isso contribuirá significativamente para que você esteja preparado para o atendimento eficaz dos mais variados casos que possam aparecer durante sua carreira como podólogo. 31 M A P A M EN TA L Cinesiologia e Biomecânica dos Membros Inferiores Biomecânica Alavancas Polias Base de sustentação Amputação de membro inferior Atuação podológica Goniometria clínica Goiometria de tornozelo e pé Cinesiologia Posição anatômica Conceitos anatômicos Movimentos de tornozelo e pé Planos de movimento Terminologia anatômica A construção de um mapa mental torna mais fácil a organização e a compreensão dos conteúdos que foram abordados nesta unidade. Dessa forma, iniciei o nosso mapa men- tal com os conceitos centrais desta unidade, a partir daí, é essencial que você preencha o mapa com informações, como frases de ligação, que se associem a esses conceitos. É importante que você dê continuidade ao mapa mental, pois essa prática irá lhe ajudar a memorizar os principais pontos estudados. A G O R A É C O M V O C Ê 32 1. A partir da goniometria, podemos ter uma medida clínica muito importante, utilizada para definir a quantidade de movimento articular tanto ativo como passivo, já que mede a posição relativa de dois segmentos ósseos. Dessa forma, qual a importância da goniometria clínica no exame físico podológico? 2. A compreensão dos movimentos articulares, principalmente no que se refere ao tornozelo e pé, é muito importante no âmbito da podologia, uma vez que restrições nos movimentos podem estar associadas a inúmeras podopatias. Dessa maneira, no que se refere aos movimentos que ocorrem no complexo tornozelo-pé, assinale a alternativa correta. a) A dorsiflexão é o movimento de extensão do tornozelo, em que o dorso do pé se afasta da região anterior da tíbia. b) A flexão plantar é o movimento de extensão do tornozelo, em que o pé e os dedos se afastam do corpo no plano sagital. c) Tornozelo e pé não realizam o movimento de supinação. d) O movimento de eversãoconsiste em girar a planta do pé para dentro, isto é, sentido linha mediana. e) A extensão dos dedos dos pés resulta na redução do ângulo articular, já que o movimento dos dedos do pé ocorre em direção à planta do pé. 3. Geralmente, os movimentos produzidos pelo nosso corpo são extremamente complexos e heterogêneos, já que podem ser executados nas mais distintas direções. Os movimentos cor- porais podem ser executados em três diferentes planos imaginários. Dessa maneira, assinale a alternativa correspondente. a) Plano sagital, plano frontal (coronal) e plano transversal (horizontal). b) Plano sagital, plano mediano e plano superior. c) Plano frontal (coronal), plano proximal e plano distal. d) Plano transversal (horizontal), plano sagital e plano lateral. e) Plano dorsal, plano ventral e plano anterolateral. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 33 1. A prática da goniometria é essencial no exame físico podológico, pois auxilia o podólogo a quantificar as limitações ou excessos articulares do cliente, contribuindo para um melhor planejamento da conduta terapêutica podológica, no intuito de proporcionar maior mobilidade para o paciente. Além disso, os valo- res provenientes das medições goniométricas servem, também, para acompanhar e avaliar a efetividade das intervenções podológicas propostas. Dessa maneira, no exame físico podológico, o profissional deve realizar a goniometria, já que as alterações nas amplitudes de movimentos podem favorecer diretamente para o surgimento de inúmeras podopatias. 2. B. O movimento de flexão plantar é caracterizado pela extensão do tornozelo, sendo assim, durante o movimento o pé se afasta do corpo no plano sagital, movendo-se em direção ao solo. 3. A. Na posição anatômica, os movimentos corporais ocorrem em três planos referenciais, sendo eles: plano sagital; plano frontal ou coronal; e o plano transversal ou horizontal. R EF ER ÊN C IA S 34 BEGA, A. Tratado de podologia. 2. ed. São Paulo: Yendis, 2014. BEGA, A.; LAROSA, P. R. R. Podologia. Bases clínicas e anatômicas. São Paulo: Martinari, 2010. BONTRAGER, K. L.; LAMPIGNANO, J. P. Manual prático de técnicas e posicionamento radiográfico. 8. ed. São Paulo: Elsevier, 2014. CALAIS-GERMAIN, B.; LAMOTTE, A. Anatomia para o movimento. São Paulo: Manole, 2010. Volume 2. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana. Sistêmica e segmentar. 3. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2011. DUFOUR, M.; PILLU, M. Biomecânica funcional. São Paulo: Manole, 2016. FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. São Paulo: Manole, 2016. HALL, S. J. Biomecânica básica. 7. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2016. HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M. Bases biomecânicas do movimento humano. 3. ed. São Paulo: Manole, 2012. HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M.; DERRICK, T. R. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. São Paulo: Manole, 2016. HOUGLUM, P. A.; BERTOTI, D. B. Cinesiologia clínica de Brunnstrom. 6. ed. São Paulo: Manole, 2014. MAGEE, D. J. Avaliação musculoesquelética. 5. ed. São Paulo: Manole, 2010. MARIEB, E. N.; HOEHN, K. Anatomia e fisiologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. McGINNIS, P. M. Biomecânica do esporte e do exercício. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. MIRANDA NETO, M. H. Anatomia humana. Aprendizagem dinâmica. Maringá: Clichetec, 2006. NORDIN, M.; FRANKEL, V. H. 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Você conhecerá e será capaz de identificar as principais carac- terísticas anatômicas e funcionais do tecido ósseo, bem como os ossos que cons- tituem o tornozelo e pé e suas especificidades anatômicas e, também, explorar a importância e a formação dos arcos plantares e a divisão clínica dos pés. Terá, ainda, a oportunidade de investigar, conhecer e identificar as principais articulações que formam o tornozelo e pé, além de suas particularidades anatômicas, sendo capaz de visualizar e analisar os principais músculos que formam o complexo tornozelo e pé e suas principais características, tais como origem, inserção e ação muscular, e explorar o entendimento sobre determinadas propriedades musculares. Além disso, aprofundará o conhecimento sobre a formação, a função e a importância de um notável componente anatômico do pé, denominado fáscia plantar. 38 UNICESUMAR Imagine que você, já na condição de podólogo, está realizando um atendimento de uma paciente obesa e, durante a anamnese, ela relata que na maior parte do tempo trabalha em pé, queixando-se de dor intensa, do tipo “facada” debaixo do pé, e diz que a dor é perto do calcanhar, mas que se estende até próximo aos dedos. No exame físico podológico, quando você realiza a palpação da planta do pé, a paciente sente ainda mais dor e você observa que ela está andando com dificuldades. Durante o exame clínico, é possível ver que a paciente também apresenta o pé desabado, ou seja, que toca por inteiro o chão. Inicialmente, você consegue identificar quais estruturas estão comprometidas? Será que uma condição pode estar influenciando diretamente no aparecimento da outra? Diante desse exemplo, já pensou sobre sua importância, como futuro profissional da saúde, ao compreender de maneira aprofundada os componentes ósseos, articulares e musculares do sistema locomotor de tornozelo e pé, bem como a relação entre eles? De que forma esse conhecimento irá contribuir para sua formação e conduta podológica? Como você sabe, os pés constituem os pilares de sustentação do nosso corpo, pois são eles que suportam todo o peso corporal, além de atuarem na locomoção e proporcionar ao ser humano a possibilidade de ficar na posição em pé. Por esses e outros motivos, os pés estão sujeitos a lesões e desgastes, já que sofrem elevadas tensões. O aprofundamento do estudo sobre os constituintes anatômicos de tornozelo e pé, especialmente os ósseos, articulares e musculares, é de extrema relevância, já que qualifica e respalda você, futuro(a) podólogo(a), para atuar no cuidado dos pés. Além disso, esse estudo te dará total suporte para identificar, de maneira precisa, as inúmeras lesões que possam acometer o sistema locomotor de tornozelo e pé, tanto por meio da observação como da anatomia palpatória. A palpação das estruturas anatômicas vai te auxiliar não só a identificar as estruturas desse complexo, mas também a detectar possíveis podopatias. Por isso, o exame físico podológico é uma ferramenta essencial para auxiliar um bom podólogo a traçar um diagnóstico podológico mais eficaz. O entendimento do mecanismo de funcionamento dos pés, bem como dos elementos anatômicos do sistema locomotor aplicado a tornozelo e pé, incluindo as relações entre os componentes ós- seos, articulares e musculares, é fundamental para que você possa entender a complexidade cinesiológica e biomecânica dos pés. Você estará apto para promover medidas orientativas com relação ao complexo tornozelo e pé, a fim de detectar e, quando couber à podologia, traçar protocolos de atendimento adequados para as inúmeras podopatias que possam acometer esse complexo. 39 UNIDADE 2 Agora que você já está um pouco mais familiarizado com o tema, peça a algum amigo ou familiar para que você possa realizar a palpação, ou seja, o toque dos pés. A partir daí, observe e busque sentir, pormeio dessa palpação, as diferentes texturas, consistências e formatos das estruturas anatômicas que formam os pés. Aproveite também para notar, realizar e sentir os mais diversos movimentos articulares dos pés. Como se saiu no exercício? Conseguiu visualizar e ter a percepção tátil dos distintos elementos anatômicos que constituem os pés? O conhecimento dos elementos que compõem o aparelho locomotor de tornozelo e pé, bem como suas relações, é essencial para sua atuação como futuro(a) podólogo(a), já que irá ajudar na análise e na interpretação de achados referentes à consistência, textura, formato e movimentação das estrutu- ras corporais investigadas a partir do aparelho locomotor de pé. Sendo assim, reflita comigo sobre os pontos-chave dessa situação: • Os pés integram o pilar de sustentação do corpo; são eles que suportam todo nosso peso, por isso são extremamente suscetíveis à ocorrência de danos. • A partir da palpação e da observação dos pés, é possível identificar os mais diversos componentes anatômicos do sistema locomotor. Essa prática irá te auxiliar a encontrar a causa e estabelecer o diagnóstico para um possível problema. • Para adquirir essa compreensão, é fundamental que você domine as características ósseas, articulares e musculares do complexo tornozelo e pé. Esse conhecimento permite localizar as estruturas anatômicas e ter uma atuação podológica precisa e objetiva. • O cuidado para manter o funcionamento adequado dos componentes ósseos, articulares e musculares do pé permite não apenas a movimentação efetiva, mas, claramente, evita o apare- cimento de diversas podopatias. Neste momento, registre, em seu Diário de Bordo, a experiência vivenciada até aqui, e acrescente tudo o que você compreendeu. Qual a importância para você, futuro(a) profissional podólogo(a), estudar e entender as particularidades ósseas, articulares e musculares do complexo tornozelo-pé? Além disso, de que forma esses conhecimentos contribuem para a compreensão da complexidade cinesiológica e biomecânica que envolvem os pés? Sendo assim, o registro das ideias e dos conceitos, por meio do Diário de Bordo, facili- tará seu processo de aprendizagem, além de favorecer a organização e a memorização dos seus estudos. A partir de agora, dedicaremo-nos a compreender as particularidades que envolvem o fun- cionamento dos pés. Este tema te capacitará profissionalmente para identificar e diagnosticar, de maneira precisa, as diferentes disfunções que possam acometer a estrutura anatômica e a funcio- nalidade dos pés. Sendo assim, é importante que você sempre tenha em mente que a podologia é uma área da saúde que estuda e atua nos mais variados cuidados aos pés. Erroneamente, como muitos pensam, sua atuação não é voltada somente para fins estéticos, trata-se, na verdade, de uma ciência dirigida para a prevenção, investigação, diagnóstico e tratamento das inúmeras podopatias. É importante que você saiba que os pés compõem o único ponto básico do sistema locomotor, que possibilita, a nós, seres humanos, permanecermos na postura bípede, ou seja, na posição em pé (erguida), claro que, conjuntamente com os músculos que exercem função na cabeça, tronco, quadril e membros inferiores. Dessa maneira, qualquer modificação no posicionamento bípede implica um prejuízo em todos os componentes que colaboram para a dinâmica corporal (DORNELES et al., 2011). 40 UNICESUMAR Os pés integram o pilar de sustentação do corpo, são eles que apoiam toda carga corporal, por isso são extremamente suscetíveis a profun- das tensões e consequentes lesões. Existe uma rede de músculos, fáscias, tendões e ligamentos que trabalham de forma integrada, proporcio- nando a movimentação, o suporte e a manuten- ção dos ossos do pé na posição correta. Ainda assim, auxiliam na manutenção do equilíbrio, nas situações em que somos expostos a superfí- cies irregulares, provendo a propulsão, elastici- dade e flexibilidade essenciais para andar, saltar e correr (DORNELES et al., 2011). Com base na estrutura anatômica, o pé apresenta movimentos independentes nas re- giões anterior e posterior, o que confere uma extraordinária capacidade de torção. Na planta do pé, o tecido adiposo subcutâneo age como um minicoxim, o qual atua promovendo o amortecimento de forças externas, a distri- buição da tensão de forma uniforme em toda a superfície de apoio e a adaptação dos pés nas mais variadas condições ambientais. Apesar do esqueleto do pé apresentar uma firmeza significativa – o que dá a resistência para uma série de impactos – ele também tem condições de se adaptar de acordo às necessidades, por meio do auxílio de suas estruturas conjuntivas associadas (WEINECK, 2013). Como falamos anteriormente, o pé é o prin- cipal suporte do peso do corpo. Ainda assim, os pés apresentam diferentes atribuições: uma em estática, quando o sujeito está imóvel e na posição em pé; e outra em dinâmica, quando o sujeito está se movimentando. A função estática corresponde à disseminação de forças que o peso corporal faz incorrer sobre os pés. A fun- ção dinâmica é altamente complexa, visto que abrange o conhecimento dos aspectos biomecâ- nicos e cinesiológicos dos pés e do corpo como um todo (MIRANDA, 2001). De maneira simplificada, o pé pode ser re- portado como um “motor ativo”, pois propi- cia a propulsão (impulsão) para a caminhada, corridas, saltos etc., isto é, opera como uma alavanca. A função dinâmica também exerce uma participação importante, pois suaviza as pressões impostas aos pés durante o ciclo da marcha, corrida, salto, entre outros. O pé pode ser designado como um “técnico especializa- do”, pois viabiliza o ajustamento a movimentos complexos e específicos (MIRANDA, 2001). O pé humano se configura numa fonte inces- sante de estímulos sensitivos, que resultam do to- que do pé com o meio ambiente e que, por meio do sistema nervoso, elaboram dados primordiais para que o indivíduo conserve o equilíbrio ao longo do ciclo da marcha e durante as ativida- des diárias. Como se pode concluir, o pé é uma estrutura de elevada relevância para o corpo, pois propicia uma relação e/ou interação entre o corpo e o meio externo que o cerca, viabili- zando a realização de movimentos e a percepção de estímulos que são emitidos pelo meio afora (MOORE; DALLEY, 2007; MANFIO, 2001). Sendo assim, para que você possa entender a complexidade cinesiológica e biomecânica que envolvem os pés, a seguir, iremos abordar os aspectos ósseos, articulares e musculares, enfati- zando as principais particularidades do comple- xo tornozelo-pé, sobre o qual o entendimento é de extrema importância para sua profissão. Com relação às particularidades ósseas, a partir de agora, faremos uma breve revisão de determinadas questões relacionadas ao siste- ma esquelético, e daquelas características dos pés, uma vez que seu estudo é de fundamental importância para um profissional da Podolo- gia, já que dará base para atuar por meio da observação e, até mesmo, da anatomia palpa- tória, permitindo uma localização precisa das estruturas anatômicas ósseas que compõem os 41 UNIDADE 2 pés, facilitando, posteriormente, um diagnóstico podológico preciso. Com isso, você realizará um atendimento podológico de qualidade, favorecendo a saúde do seu paciente, além de ser um diferencial para você mesmo, no âmbito profissional. É importante recapitularmos que o sistema esquelético é composto por um conjunto de ossos e cartilagens, os quais se conectam para formar a estrutura de um indivíduo. O esqueleto huma- no é composto por, aproximadamente, 206 ossos. O número exato de ossos e suas características específicas variam eventualmente de uma pessoa para outra. Além disso, apresentam uma série de funções, entre as quais podemos destacar, segundo Tomita (2016) e Miranda Neto (2006): • Proteger os tecidos e órgãos internos, como coração, pulmões, encéfalo, medula espinal etc. • Sustentar e dar conformação ao corpo. • Proporcionar superfície parafixação de músculos, ligamentos e tendões. • Permitir a movimentação ao corpo, juntamente com o sistema articular e muscular. • Produzir células sanguíneas por meio da medula óssea vermelha, pois o osso é considerado um órgão hematopoiético. • Armazenar íons, principalmente o cálcio e o fósforo, e gordura por meio da medula óssea amarela. Embora os ossos sejam muito variáveis em forma e tamanho, podem ser classificados em cinco categorias principais: longos, curtos, achatados (chatos), irregulares e sesamoides. Nesta unidade, falaremos a respeito dos ossos curtos, longos e dos ossos sesamoides, já que suas particularidades são importantes para o estudo do sistema esquelético dos pés. Os ossos curtos são semelhantes a um cubo. O comprimento e a largura de um osso curto são praticamente iguais. Esses ossos favorecem a absorção de choques, por exemplo a ação dos ossos do tarso, durante a marcha, corrida, atividade física etc. Os ossos do tipo longo apresentam com- primento maior comparado a sua largura e espessura. As falanges e os metatarsos são exemplos de ossos longos (MIRANDA NETO, 2006). Figura 1 - Exemplo de ossos curtos: ossos do tarso. Exemplo de ossos longos: falanges e metatarsos Os ossos do tipo sesamoides são aqueles localizados no interior de tendões, áreas em que há atrito e tensão, como na palma da mão e planta dos pés. Por exemplo, existem pequenos ossos sesamoides no interior dos tendões flexores do hálux. Ocasionalmente, eles são denominados ossos acessórios e podem estar presentes em números que variam de pessoa para pessoa, e encontram-se com maior frequência nas articulações menores das extremidades distais dos pés (MIRANDA NETO, 2006). 42 UNICESUMAR A partir de agora, vamos nos aprofundar a res- peito das características anatômicas dos ossos que compõem o complexo tornozelo e pé, ou seja, o Sistema Esquelético de Tornozelo e Pé. O esqueleto humano pode ser distinguido em apendicular e axial. O esqueleto apendicular é constituído pelos apêndices: membros supe- rior e inferior. O esqueleto axial é composto pelo crânio, coluna vertebral, costelas e osso esterno. O Quadro 1 desmembra, detalhada e especifi- camente, o esqueleto apendicular, referente ao membro inferior, relatando a região e os nomes comuns e específicos de pé, os quais são de in- teresse para você, futuro(a) podólogo(a). Osso sesamóide Figura 2 - Osso sesamoide do hálux Esqueleto Nome da região Nome comum Sub-região Nome da região específica Nome comum da região específica Apendicular Membros in-feriores Podal Pé Tálus Tornozelo Calcânea Calcanhar Dorso Peito do pé Tarsal Curva ou arco do pé Plantar Planta do pé Digital Dedo do pé Quadro 1 - Partes e regiões do pé Fonte: adaptado de Floyd (2016). O pé é composto por 26 ossos e outros ossos considerados acessórios, já que podem não estar presentes em todos os pés, entretanto, quando expostos a situações estressantes e de atrito, podem resultar no aparecimento de disfunções que dificultam a deambulação. Possuímos três grupos de ossos que for- mam os pés: tarso, metatarso e falanges; embora semelhantes aos ossos das mãos, os ossos do pé têm diferenças estruturais que servem para suportar o peso do corpo e proporcionar força de alavanca e mobilidade durante a marcha (VAN DE GRAAFF, 2003). O tarso é constituído por 7 ossos distribuídos em 2 fileiras: 1- proximal (sendo os ossos: tálus e calcâneo) e 2- distal (sendo os ossos: navicular; cuboide; e cuneiformes medial, intermédio e lateral). O metatarso é formado por 5 ossos metatarsianos que são elencados na direção medial para lateral em I, II, III, IV e V e correspondem aos dedos dos pés (MIRANDA NETO, 2006; VAN DE GRAAFF, 2003). Com relação aos dedos dos pés, o primeiro dedo, vulgarmente chamado de dedão, anatomicamente é denominado hálux. Os dedos dos pés são compostos por 14 falanges, sendo que o hálux apresenta apenas 2 (a falange proximal e a distal) e os outros dedos, II, III, IV e V (mínimo/dedinho) são forma- dos por 3 falanges cada um com: falange distal, falange média e falange proximal (TOMITA, 2016). 43 UNIDADE 2 Calcâneo Calcâneo Cuboide Cubóide Cuneiforme Lateral MetatarsosMetatarsos Falanges Falanges Navicular Navicular Tálus Tálus Proximal Média Distal Cuneiforme Lateral Cuneiforme Medial Cuneiforme Intermédio Cuneiforme Intermédio Figura 3 - Ossos do pé (visão superior e lateral) O tálus é um osso superior e posterior do pé; na região denominada tróclea do tálus, articula-se com a tíbia medialmente e com a fíbula lateralmente. O tálus se articula com a tíbia e a fíbula para formar a articulação do tornozelo. Inferiormente, ele está articulado ao osso calcâneo e anteriormente ao osso navicular. O calcâneo, osso mais volumoso dos ossos do tarso, está localizado na região posterior e inferior do pé, proporcionando o apoio do pé ao solo. Sendo assim, o calcâneo favorece o suporte esquelético para o calcanhar e tem um grande prolongamento posterior, denominado tuberosidade do calcâneo, para fixação dos músculos da panturrilha. É um osso que superiormente se articula com o tálus por meio de uma projeção medial chamada sustentáculo do tálus. Anteriormente, o calcâneo se articula com o osso cuboide (VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010). Segundo os mesmos autores, o navicular é um osso medial e ocupa a segunda fileira dos ossos do tarso e seu formato se assemelha a um chapéu. O navicular se articula posteriormente ao tálus e ante- riormente com os ossos cuneiformes medial, intermédio e lateral. A região lateral do osso navicular se articula com o osso cuboide. Este também ocupa a segunda fileira dos ossos do tarso, formando sua parte lateral. Articula-se posteriormente com o osso calcâneo, medialmente com o osso navicular e o cuneiforme lateral e anteriormente com o 4º e 5º metatarsos. No que podemos considerar como uma terceira fileira dos ossos do tarso localizada anteroinfe- riormente, encontramos os ossos cuneiforme medial, cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral. O cuneiforme medial é o maior comparado aos outros dois e articula-se posteriormente ao osso navi- cular, anteriormente ao 1º metatarso e lateralmente ao cuneiforme intermédio. O osso cuneiforme intermédio, por sua vez, está articulado posteriormente com o osso navicular, medialmente com o cuneiforme medial, anteriormente com o 2º metatarso e lateralmente com o osso cuneiforme lateral (VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010). O osso cuneiforme lateral está articulado posteriormente com o navicular, anteriormente com o 3º metatarso, medialmente com o cuneiforme intermédio e lateralmente com o osso cuboide. Os ossos do metatarso e as falanges são similares em nome e em quantidade aos metacarpos e falanges das mãos. No entanto, eles diferem na forma, em decorrência da sua função de suportar peso. Os cinco ossos que formam o metatarso se articulam distalmente com as falanges proximais, correspondentes do 1º ao 5º 44 UNICESUMAR dedo. O 1º metatarso é maior comparado aos outros metatarsos, já que apresenta importante papel na sustentação do peso corporal (VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010). Cada metatarso é dividido em base, corpo e cabeça. As bases proximais do 1º, 2º e 3º metatarsos se articulam proximalmente com os ossos cuneiformes. As cabeças dos metatarsos se articulam distal- mente com as falanges proximais do 1º ao 5º dedo. As articulações proximais são chamadas articula- ções tarsometatarsais (entre os ossos do tarso e os metatarsos); e as articulações distais são designadas articulações metatarsofalangeanas (entre os ossos do metatarso e as falanges proximais), conforme veremos posteriormente (VAN DE GRAAFF, 2003; TOMITA, 2016). Ossos da FalangeOssos do MetatarsoOssos do Tarso Cabeça do 5º Metatarso Tuberosidade do 5º Metatarso Osso Cuboide Tuberosidade do Osso Cuboide Tróclea Fibular Sulco do Tendão do Músculo Fibular Longo Seio do Tarso (Sulco Talocalcâneo) Tuberosidade do Calcâneo Corpo do Calcâneo ProcessoLateral do Tálus Processo Posterior do Tálus Tróclea do Tálus Colo do Tálus Cabeça do Tálus Articulação Transversa do Tarso Osso Navicular Osso Cuneiforme Intermédio Osso Cuneiforme Lateral Articulação Tarsometatarsal Figura 4 - Principais acidentes ósseos dos pés O quanto você sabe sobre os ossículos acessórios ou supernumerários dos pés? Os ossos acessórios ou supernumerários constituem componentes extranumerários e não originários de quebraduras ósseas ou outras patologias. Os ossos acessórios dos pés podem ser detectados de maneira isolada ou em grande variedade em um só indivíduo. Os ossos acessórios encontrados com mais frequência são Uncinatum (plantar); osso de Vesálio; calcâneo secundário; cuboide acessório; subcalcâneo; troclear do calcâneo; supracalcâneo; tálus acessório; tálus tibial; supratálus; supranavicular; subnavicular; intercuneiforme; intermetatarsiano; subfibular; navicu- locuneano; espinha subcalcânea; espinha retrocalcânea; etc. (BEGA, 2014; VAZ; TRIPPIA, 2018). 45 UNIDADE 2 Existem outros ossos acessó- rios além dos citados, como os sesamoides submetatar- sais distais e os sesamoides subfalângicos, por exemplo, o subhálux. Os ossos acessórios mais comuns são os sesamoi- des dispostos na parte inferior da epífise distal do I metatar- so. Acredita-se que tais ossos servem para auxiliar na ma- nutenção do equilíbrio, entre- tanto, uma pessoa pode viver normalmente sem apresentar os referidos ossos. Figura 5 - Osso de Vesalio, localizado na base do V metatarso Fonte: Vaz e Trippia (2018, p. 248). Uma podopatia muito frequente relacionada aos ossos sesamoides é a sesamoidite subhálux, que se refere ao aparecimento de ossos sesamoides sob uma das falanges do hálux, mais comumente na falange proximal, resultando no surgimento de hiperqueratose local (espessamento da camada córnea), o que determina endurecimento e secura da pele (BEGA, 2014). Figura 6 - Hiperqueratose em hálux 46 UNICESUMAR O não tratamento dessa condição pode resultar em inflamação local e, até mesmo, na infecção desse calo, com elevadas chances de evoluir para uma osteomielite caso não seja tratada o quanto antes. Você pode constatar essa condição por meio de palpação local, além dos sinais e sintomas referidos pelo seu paciente, que normalmente são característicos de calos ou calosidades. Esses tipos de sesamoides não são adquiridos durante a vida, isto é, o sujeito já nasce com eles. O problema é que o aparecimento desses ossos pode contribuir para o aparecimento de diversas patolo- gias, como síndromes dolorosas associadas a esses ossos extras, além de contribuir para o surgimento de condições dolorosas conforme os tipos de calçados, peso, postura e/ou outras patologias que este indivíduo já apresente (BEGA, 2014). A presença de ossos extras não constitui uma podopatia, a não ser que eles originem doenças, dores ou déficit na deambulação. É essencial enfatizarmos que os ossos acessórios podem ser detectados por meio de um exame de raio-x ou tomografia óssea. Lembrando que o profissional deve ter cautela para diferenciar a existência de ossos acessórios de outras condições, como fraturas, artrites, esporão de calcâneo, hálux valgo, entre outras e, para isso, o estudo dos aspectos e características esqueléticas dos pés são de extrema importância (BEGA, 2014; VAZ; TRIPPIA, 2018). Embora não constituam termos anatômicos, clinicamente o pé é fracionado em três áreas: retropé, mediopé e antepé. O retropé, região de calcanhar, é composto pelos ossos tálus e calcâneo. A zona referente ao mediopé é formado pelos ossos: navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e lateral. O antepé, também conhecido como a região da ponta dos pés, é constituído pelos metatarsos (I ao V) e pelas falanges do I ao V dedo (SIMON; SHERMAN, 2013). Por constituírem terminologia clínica, muitas vezes são utilizados na prática profissional, inclusive no campo da podologia, o que justifica a importância de sua compreensão. Bom, agora que você já estudou sobre a divisão clínica dos pés (retropé, mediopé e antepé), a seguir fala- remos a respeito de constituintes anatômicos localizados na planta do pé, extremamente importantes para a funcionalidade dos pés, os quais se denominam arcos plantares, formados pelos pontos de apoio do pé. Os ossos dos pés em conjunto compõem significativos arcos que ajudam no suporte e na distribuição do peso corpóreo de forma apropriada na planta do pé, além de agir como alavanca nas caminhadas. Os arcos dos pés apresentam mobilidade de acordo com o peso e a pressão que recebem, voltando sempre ao posicionamento normal quando em repouso, ou seja, sem carga. Existem três tipos de arcos plantares (BEGA, 2014): • Arco longitudinal medial: constituído pelos ossos calcâneo, tálus, navicular, I e II metatarsos. • Arco longitudinal lateral: composto pelos ossos: calcâneo, cuboide e III, IV e V metatarsos. • Arco longitudinal transversal ou transverso: formado pelos ossos cuneiforme medial, cuneiforme in- termédio, cuneiforme la- teral, cuboide e pela base dos cinco metatarsos. 47 UNIDADE 2 Pé (visão inferior) Arco Transverso (corte transversal) Arco Transverso Arco Transverso A rco Longitudinal M edial A rco Longitudinal M edial Ar co L on gi tu di na l L at er al Ar co L on gi tu di na l L at er al Cabeça dos Metatarsos Ossos Cuneiformes: Medial Intermédio Lateral Cuboide Visão Medial do Pé Visão Lateral do Pé Arco Longitudinal Medial Arco Longitudinal Lateral Figura 8 - Arcos plantares O conhecimento a respeito da constituição e da função desses arcos plantares é essencial para você, visto que existem patologias bem conhecidas que ocorrem, frequentemente, em decorrência do enfra- quecimento dos ligamentos e dos tendões dos pés, resultando no achatamento desses arcos. Provavel- mente você já ouviu falar do famoso pé chato – essa condição nada mais é do que o pé plano, condição decorrente do desabamento, frequentemente, do arco longitudinal medial (BEGA; LAROSA, 2010). Diante do que vimos até o momento, você adquiriu subsídios para aprofundar-se no próximo tema, que abordará os aspectos macroscópicos referentes às características dos tecidos que formam o esqueleto. Em decorrência de sua organização celular, o osso pode ser considerado esponjoso, quando apresenta espaços entre suas lamelas internas, ou compacto, quando essas lamelas se encontram justapostas, ou seja, sem espaços entre elas. O osso compacto dispõe de elevada resistência mecânica, já que sua den- sidade óssea é bem maior. Os ossos esponjosos atuam no amortecimento de impactos (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; TORTORA; DERRICKSON, 2017). 48 UNICESUMAR Os pés são compostos basica- mente por ossos esponjosos, o que lhes concede uma notável função na minimização de cho- ques e impactos ocasionados pela posição bípede (em pé) e maior resistência à compressão. De acordo com Bega (2014), os ossos do pé se ossificam à me- dida que a pessoa vai se desen- volvendo, tornando-se completa, em torno dos 18 anos de idade. Dessa forma, o pé de um recém-nascido apresenta uma pequena ossificação, tornan- do-se mais suscetível a defor- mações ocasionadas pela uti- lização de roupas e calçados inapropriados, por exemplo o uso de calçados apertados e os famosos “mijãozinhos” em bebês. Sendo assim, é de extrema relevância que o podólogo promova orien- tações com relação ao uso de roupas e calçados adequados, especial- mente nos casos de bebês, no intuito de evitar o aparecimento de futuras podopatias. O mesmo ocorre com crianças e adolescentes, ocasionando de- formidades que irão contribuir para o aparecimento das inúmeras modificações podológicas ortopédicas, tendo como agravante desses possíveis quadros o desenvolvimento de hiperqueratoses, calos duros e moles, hálux valgo, bunionette (joanete do quinto dedo), onico- criptoses, além de outras podopatias que prejudicam a deambulação e resultam em comprometimentos em outras áreas do corpo,como coluna, quadril e joelhos. Os ossos vivos são estruturas maleáveis, ou seja, flexíveis, o que justifica o cuidado com relação à postura, calçados e manejo (BEGA, 2014). Diferentemente das mãos, que servem para movimentos amplos e delicados, os pés suportam todo o peso do corpo e, frequente- mente, percorrem superfícies acidentadas e adaptam-se a elas, atuando também como força propulsora para transportar o corpo. Faremos aqui uma breve revisão sobre as principais articulações constituintes do pé. É fundamental que, como futuro profissional de saúde, saiba que a manutenção de uma articulação saudável é um dos quesitos essenciais para a boa execução dos movimentos corporais, além de evitar o aparecimento de diversas alterações articulares. As disfunções articulares mais frequentes no campo da podologia são a joanete (hálux valgo), bunionette (joanete de 5º dedo) e as deformidades articulares de dedos, como dedo em garra, dedo em martelo, dedo em malho, entre outros. Qual a relação que os nossos pés têm com a nossa postura cor- poral? Você acha que é possível atribuir certos distúrbios posturais a algum tipo de podopatologia? Imagino que você já esteja no ca- minho certo em suas deduções! Vem confirmar aqui neste podcast! Figura 9 - Osso compacto tem tex- tura lisa (externo) e o osso espon- joso apresenta emaranhados que lembram uma “esponja” (interno) 49 UNIDADE 2 Dessa maneira, o conheci- mento da constituição e do fun- cionamento das articulações dos pés são de fundamental importância para a podologia, para que o profissional possa entender a fisiopatologia des- sas condições e traçar, quando possível, medidas orientativas e de tratamento podológico. Os 26 ossos dos pés for- mam 34 articulações divididas em dois grupos consideráveis: diartroses (articulações mó- veis, de movimento ou sino- viais) e anfiartroses (articu- lações semimóveis, limitadas por um ligamento interósseo ou cartilaginosas) (MIRAN- DA, 2001; BEGA, 2014; HOU- GLUM; BERTOTI, 2014). Em nossos estudos, ressal- taremos as articulações que produzem movimento global no pé. No entanto, é impor- tante que você tenha em mente que existem articulações en- tre ossos adjacentes que não serão discutidas, já que pos- suem pouco ou mesmo ne- nhum movimento durante o movimento funcional do pé; então, não tomaremos tempo discutindo, embora se deva ter a consciência de que elas existem. De um ponto de vista cinesiológico, elas não interfe- rem no movimento funcional a não ser que estejam em es- tado patológico (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). A seguir, relataremos a respeito das principais articulações que constituem o pé. Iniciaremos pelas articulações interfalangeanas, que são nove e se localizam entre as falanges dos dedos e são diartroses (sinoviais). Estas são do tipo dobradiça e favorecem especialmente os movimentos de extensão e flexão dos dedos. São segmentadas em duas categorias: • Articulações interfalangeanas proximais (entre as falanges proximais e as falanges médias). • Articulações interfalangeanas distais (entre as falanges mé- dias e a falange distal) (PALASTANGA; FIELD; SOAMES, 2000; BEGA; LAROSA, 2010). É essencial lembrarmos que o hálux apresenta somente uma ar- ticulação interfalangeana, especificamente entre a falange distal e a falange proximal. As articulações interfalangeanas são reforça- das pelos seguintes ligamentos: colateral medial, colateral lateral e plantares, que além de protegerem a articulação dão suporte a cápsula articular (PALASTANGA; FIELD; SOAMES, 2000; BEGA; LAROSA, 2010). Articulação Interfalangeana Proximal Articulação Interfalangeana Distal Figura 10 - Articulações interfalangeanas proximal e distal Fonte: adaptada de Zoboli (on-line)1. Existem cinco articulações metatarsofalangeanas, as quais se dispõem entre os ossos metatarsais e as falanges proximais. Espe- cificamente, cada cabeça do metatarso, que é convexa, faz par com a base equivalente da falange proximal, que é côncava, formando tais articulações. São articulações biaxiais e se movem nos planos sagital e transverso. Essas articulações são reforçadas pelos seguintes ligamentos: colateral medial, colateral lateral e plantares, os quais dão suporte à cápsula articular e limitam o movimento lateral da respectiva articulação (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016; BONTRAGER; LAMPIGNANO, 2005). 50 UNICESUMAR Articulação Metatarsofalangeana Figura 11 - Articulação metatarsofalangeana Fonte: adaptada de Mello (on-line)2. Portanto, são articulações do tipo sinovial e favorecem os movi- mentos de extensão, flexão, abdução limitada, adução, rotação e circundação. É importante relatar que nas articulações metatarso- falangeanas ocorre também a hiperextensão, em torno de 90º, e a flexão é de apenas 30 a 45º. A elevada amplitude de hiperextensão é necessária quando ficamos na ponta dos pés e no decorrer da caminhada, especificamente, na fase final de apoio, depois que o calcanhar deixa o chão (KAPANDJI, 2000; BEGA; LAROSA, 2010; BONTRAGER; LAMPIGNANO, 2005). As articulações tarsometatarsais se localizam entre os os- sos do tarso, especificamente entre os três cuneiformes e o osso cuboide, os quais articulam-se com as bases dos cinco metatarsos. Ainda assim, essas articulações constituem o ponto de união entre o retropé e o antepé. São articulações do tipo sinoviais planas e concedem movimentos restritos de deslizamento entre esses ossos. Entretanto, as articulações tarsometatarsais existentes entre o me- tatarso correspondente ao hálux e o cuneiforme medial favorecem maior amplitude de movimento comparado as outras articulações tarsometatarsais (BEGA; LAROSA, 2010). Essas articulações contribuem para a formação do arco transver- so do pé e favorecem também, de maneira pequena, a constituição do arco longitudinal. São denominados ligamentos plantares aqueles que equilibram e harmonizam as articulações tarsometatarsais, os quais atuam protegendo e suportando tais articulações, além de permitir o deslizamento entre os ossos que compõe tais articulações (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016). Há também a articulação calcaneocuboidea, que ocor- re entre o osso calcâneo e o cuboide e é estabilizada pelos li- gamentos: ligamento bifurcado, ligamento plantar longo e liga- mento plantar curto (ligamento calcaneocuboideo plantar). Este último é amplo e muito forte e faz a conexão do tubérculo cal- câneo anterior à superfície infe- rior do osso cuboide. Essa articulação é do tipo sinovial e em sela modificado. Proporciona os movimentos de deslizamento e rotação, os quais favorecem a eversão e a inversão do pé, além da supi- nação e pronação (BEGA; LA- ROSA, 2010; DRAKE; VOGL; MITCHELL, 2010). A articulação subtalar (articulação abaixo do tálus) é composta por outras duas arti- culações do tipo sinovial, deno- minadas talocalcânea e articu- lação talocalcâneonavicular, as quais veremos a seguir (BEGA; LAROSA, 2010). A articulação talocalcâ- nea (entre o tálus e o calcâneo) é estabilizada pelos seguintes li- gamentos: talocalcâneos lateral, medial, posterior e interósseo tarsais. Essa articulação propi- cia os movimentos de desliza- mento e rotação, os quais são essenciais para os movimentos de inversão e eversão do pé. A 51 UNIDADE 2 superfície superior do calcâneo apresenta três facetas (posterior, média e anterior) que se articulam com as respectivas facetas da região inferior do tálus. A faceta articular do tálus posterior é convexa. Em contrapartida, as facetas articulares média e anterior do tálus se apresentam côncavas. Essa con- formação estrutural impossibilita o desvio nas direções anterior ou posterior do tálus sobre o osso calcâneo (BEGA; LAROSA, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; NETTER, 2013). A articulação talocalcaneonavicular ocorre entre os ossos tálus, calcâneo e navicular. Nessa arti- culação, a cabeça do osso tálus se articula com o osso calcâneo, o ligamento calcâneonavicular plantar abaixo e com o osso navicularà frente. Ela é estabilizada superiormente pelo ligamento talonavicular; posteriormente pelo ligamento interósseo do tarso; e inferiormente pelo ligamento calcaneonavicu- lar plantar. É complexa e propicia os movimentos de deslizamento e rotação que, juntamente com movimentos semelhantes realizados pela articulação talocalcânea, estão implicados com a eversão e inversão do pé. Ainda assim, a articulação talocalcaneonavicular participa na supinação e pronação do pé (BEGA; LAROSA, 2010; NETTER, 2013). Anteriormente, relatamos de maneira mais detalhada as principais articulações intertarsais nas quais movimentos são observados, como as articulações talocalcânea, calcaneocuboidea e talocalcaneona- vicular. No entanto, existem outras articulações intertarsais dentre as quais mencionaremos adiante, conforme Houglum e Bertoti (2014) e Bega e Larosa (2010): 1. Entre cuneiforme medial e cuneiforme intermédio. 2. Entre cuneiforme medial e navicular. 3. Entre cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral. 4. Entre cuneiforme intermédio e navicular. 5. Entre cuneiforme lateral e cuboide. 6. Entre cuneiforme lateral e navicular. 7. Entre cuboide e navicular (essa articulação geralmente é do tipo fibrosa). 8. Entre navicular e tálus. Segundo os mesmos autores, as articulações intertarsais existentes entre os cuneiformes e o navicular possibilitam movimento delimitado, e a articulação entre os ossos cuboide e o navicular geralmente é do tipo fibrosa e não sinovial. As articulações intertarsais são do tipo sinoviais planas e propiciam especialmente os movimentos de inversão, eversão, supinação e pronação do pé. A partir de agora, estudaremos a articulação do tornozelo, também conhecida como articulação talocrural, a qual apresenta expressiva importância, já que além de absorver impactos, propicia grande mobilidade para os pés. A articulação talocrural é do tipo sinovial e abrange os ossos tíbia e fíbula da perna e o osso tálus do pé (tarso). Ela é constituída de três articulações: 1. Entre tíbia e fíbula. 2. Entre tíbia e tálus. 3. Entre fíbula e tálus (BEGA; LAROSA, 2010). 52 UNICESUMAR Tíbia Fíbula Tálus Vista anterior (frontal) Figura 12 - Articulação talocrural (visão anterior) Os principais movimentos permitidos pela articula- ção do tornozelo são a dorsiflexão e a flexão plantar. A articulação talocrural é em gínglimo (sinovial) uniaxial. Essa articulação é estabilizada pelos liga- mentos colateral medial (deltoide) e colateral late- ral. A disposição exclusiva dos ossos do pé, aliada à maneira como estão conectadas as articulações e suas estruturas conjuntivas deslocáveis e deformá- veis, conferem ao pé a mobilidade funcional máxima (MIRANDA NETO, 2006; BEGA; LAROSA, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; WEINECK, 2013). É importante que você, caro(a) aluno(a), com- preenda a estrutura muscular dos pés e onde cada músculo está inserido. Tal conhecimento permite melhor entendimento da biomecânica e cinesio- logia dos membros inferiores, além de saber dife- renciar os movimentos e localizar perfeitamente os músculos por meio da anatomia descritiva e pal- patória. Com relação às funções da musculatura dos pés, pode-se destacar o mover e estabilizar os dedos no chão, suportar os arcos dos pés, levantar os dedos e controlar os movimentos do tornozelo. Cada músculo, nesse caso estriado esquelético, co- necta-se aos ossos, especificamente no periósteo, por meio de um tendão (BEGA, 2014). Quando se trata dos movimentos do corpo, inclusive do tornozelo e pé, é necessário também conhecer determinados termos anatômicos. Os músculos podem ser classificados como extrín- secos ou intrínsecos. Os intrínsecos são aqueles que iniciam e finalizam em um mesmo mem- bro, ou seja, são os músculos que fazem parte ou pertencem a região do corpo em que atuam. Por exemplo, os músculos intrínsecos do pé se encon- tram no próprio pé e produzem os movimentos específicos de pé (FLOYD, 2016). Os músculos extrínsecos são aqueles que come- çam em um membro e terminam em outro, ou seja, se originam fora do local do corpo em que atuam. Tomando-se como exemplo, os músculos extrínse- cos do pé podem emanar das regiões anterior, pos- terior e lateral da perna e estabelecem os movimen- tos de tornozelo e pé, por exemplo, flexão plantar, dorsiflexão, eversão, inversão etc. (FLOYD, 2016). Segundo o autor, com relação às fixações dos músculos, estes apresentam origem e inserção. A origem muscular, do ponto de vista estrutural, re- fere-se ao local de fixação do músculo (ponto fixo do músculo – por exemplo, no osso), ou seja, é a extremidade proximal do músculo. Na visão fun- cional, a parte ou a conexão do músculo com menor mobilidade geralmente é considerada a origem. A inserção muscular, estruturalmente, a conexão distal, ou a parte cujo ponto de conexão está mais afastado da linha mediana, é considerada a inserção. Dessa forma, a inserção muscular refere-se ao ponto de fi- xação do músculo numa estrutura que se movimen- ta. Do ponto de vista funcional, a região com maior mobilidade, em geral, é apontada como a inserção. 53 UNIDADE 2 A seguir, serão destacados os músculos que atuam no complexo tornozelo e pé, ressaltando suas respec- tivas origens, inserções e ações musculares: MÚSCULO ORIGEM E INSERÇÃO AÇÃO Tibial anterior Da tuberosidade externa da tíbia e membrana interóssea até a face dor- somedial do osso cuneiforme medial e dorso da epífise proximal do 1º me- tatarso. Dorsiflexão e inversão do pé. Extensor longo dos dedos Dos ¾ proximais da fíbula, do côndilo lateral da tíbia e membrana interóssea até a falange média e distal do 2º ao 5º dedo. Extensão dos 2º, 3º, 4º e 5º de- dos e dorsiflexão. Extensor longo do hálux Da diáfise superior da fíbula, face ante- rior, até a face dorsal na base da falange distal do hálux. Extensão do hálux e dorsiflexão. Fibular terceiro Do 1/3 distal da face anterior da fíbula até a base do 5º metatarso. Dorsiflexão e eversão do pé. Fibular longo Dos 2/3 proximais da face lateral da fíbula e côndilo lateral da tíbia até a re- gião plantar do 1º metatarso e cunei- forme medial. Flexão plantar e eversão do pé. Fibular curto Dos 2/3 distais da face lateral e borda anterior da fíbula até a base do 5º me- tatarso. Eversão do pé. Gastrocnêmio medial Do côndilo interno do fêmur até a face posterior do calcâneo, por meio do ten- dão do calcâneo. Flexão plantar. Gastrocnêmio lateral Do côndilo externo do fêmur até a face posterior do calcâneo, por meio do ten- dão do calcâneo. Flexão plantar. Sóleo Da face posterior da epífise proximal da fíbula e parte da borda interna proximal da tíbia até a face posterior do calcâneo, por meio do tendão do calcâneo. Flexão plantar. Plantar Da crista supracondilar lateral do fêmur até o tendão do calcâneo. Flexão plantar e flexão do joelho. Flexor longo do hálux Da diáfise da fíbula, face posterior até a base da falange distal do hálux. Flexão do hálux e flexão plantar. Flexor longo dos dedos Da diáfise tibial, face posterior, até a base das falanges distais dos quatro últimos dedos. Flexão dos 2º, 3º, 4º e 5º dedos e flexão plantar. Tibial posterior Dos 2/3 proximais da face posterior me- dial da fíbula e região lateral da face posterior da tíbia até a tuberosidade inferior do osso navicular, do cuneifor- me medial e prolongamentos para 2º, 3º e 4º metatarsos. Flexão plantar e inversão do pé. Quadro 2 – Músculos que atuam no tornozelo e pé e respectivas origens, inserções e ações musculares Fonte: adaptado de Miranda Neto (2006) e Bega (2014). 54 UNICESUMAR Como você já estudou os músculos que atuam no complexo tornozelo e pé, a partir de agora ressal- taremos os músculos intrínsecos do pé, com suas respectivas origens, inserções e ações musculares, conforme se pode verificar no quadro a seguir. MÚSCULO ORIGEM E INSERÇÃO AÇÃO Extensor curto dos dedos Da face anterior e superior do calcâneo, terminando em quatro tendões: 1ª base dorsal da falange proximaldo hálux. Os demais se inserem nos tendões do extensor comum dos dedos. Extensão do 1º ao 4º dedo do pé. Abdutor do hálux Do calcâneo até a base da falange pro- ximal do hálux. Abdução do hálux. Flexor curto dos dedos Da apófise interna da tuberosidade do calcâneo e da fáscia plantar até a falan- ge média do 2º ao 5º dedo. Flexão do 2º ao 5º dedo. Abdutor do dedo mínimo Do tubérculo medial e lateral do calcâ- neo até a face lateral da falange proxi- mal do dedo mínimo. Abdução do dedo mínimo. Quadrado plantar Do calcâneo até os tendões do flexor longo dos dedos. Auxilia na flexão do 2º ao 5º dedo. Lumbricais Do ângulo de separação dos tendões do flexor longo dos dedos, indo adiante pela borda tibial dos quatro últimos me- tatarsos até a face dorsal das falanges proximais dos quatro últimos dedos. Flexão da falange proximal, ex- tensão das falanges medial e dis- tal do 2º ao 5º dedo. Flexor curto do hálux Da parte interna da superfície inferior do cuboide até o tendão se dividir em duas partes, cada qual de um lado da falange proximal do hálux. Flexão da articulação metatarso- falangeana do hálux. Adutor do hálux Dos 2º, 3º e 4º metatarsos até a falange proximal do hálux. Adução do hálux. Flexor curto do dedo mí- nimo Do osso cuboide até a falange proximal do dedo mínimo. Flexão da articulação metatarso- falangeana do dedo mínimo. Interósseos plantares Da borda medial do 3º ao 5º metatarso até a borda medial das falanges proxi- mais do 3ª ao 5º dedo. Adução dos dedos a partir do 2º dedo. Interósseos dorsais Dos metatarsos até a base das falanges proximais do 2º ao 4º dedo e tendões dos extensores longos dos dedos. Abdução dos dedos a partir do 2º dedo. Quadro 3 – Músculos intrínsecos do pé e suas respectivas origens, inserções e ações musculares Fonte: adaptado de Miranda Neto (2006) e Bega (2014). Como você também viu, os músculos intrínsecos são aqueles que iniciam e finalizam em um mesmo membro. Dessa forma, os músculos intrínsecos do pé se encontram no próprio pé e produzem os movimentos desse membro. Para facilitar o entendimento a respeito desse tema, as figuras a seguir evidenciam, por camadas, os principais músculos intrínsecos constituintes do pé. Abdutor do dedo mínimo Abdutor do hálux Flexor curto do dedo mínimo Quadrado plantar Lumbricais Adutor do háluxFlexor curto do hálux Flexor curto do dedo mínimo Interósseo plantar Interósseo dorsal Figura 13 - Superfície plantar, a primeira camada dos músculos intrínsecos do pé Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 516). Figura 14 - Superfície plantar, a segunda camada dos músculos intrínsecos do pé Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 516). Figura 15 - Superfície plantar, a terceira ca- mada dos músculos intrínsecos do pé Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 517). Figura 16 - Superfície plantar, a quarta cama- da dos músculos intrínsecos do pé Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 517). 56 UNICESUMAR Quando os tendões são largos e planos, eles passam a ser chamados de aponeurose, ou seja, as aponeuroses se diferem dos tendões, apenas pela diferença de formato. Sendo assim, a função e a constituição de ambas são as mesmas (DANGELO; FATTINI, 2016). Como você pôde ver, a musculatura da panturrilha, o tendão do calcâneo e o calcâneo formam um sistema funcional parcial que, por meio da flexão plantar, é decisivo para a capacidade de ficar em pé, correr e saltar, visto que a transmissão da força muscular do músculo tríceps sural (gastrocnêmio medial e lateral e sóleo) sobre a alavanca do pé é feita pelo tendão do calcâneo (WEINECK, 2013). Bom, a partir de agora, nós abordaremos um componente anatômico, denominado fáscia plantar, a qual é muito importante para o funcionamento dos pés, já que ajuda a manter a curvatura do pé firme, pois atua amortecendo e distribuindo as forças impactantes. A fáscia plantar, anatomicamente também denominada aponeurose plantar, é um componente fibroso e inelástico, situado na região plantar, encontrada especificamente entre os músculos flexores e a pele do pé. É uma estrutura que se estende do calcâneo e se ramifica até os dedos dos pés, inserin- do-se na falange proximal. Faz a conexão do calcâneo aos dedos, contribui para a formação dos arcos plantares e tem função de promover estabilidade de tais arcos, evitando que o pé desabe no decorrer da deambulação, além de resistir a grandes forças e tensões (MOORE; DALLEY, 2007). Como você já sabe, a podologia é uma área cuja atuação se baseia no conhecimento de anatomia, fisiologia e das disfunções podais. Portanto, fica clara a importância de compreender os aspectos do complexo muscular do tornozelo e pé, para que você se torne apto para detectar, de maneira mais ampla, as possíveis disfunções que possam acometer os pés e traçar um plano de tratamento apropria- do que caiba à podologia ou, até mesmo, encaminhar esse paciente para o segmento profissional especializado. Essas ações desenvol- vem a confiabilidade do seu futuro cliente em você, como profis- sional de saúde, o qual é capacitado para promover qualidade de vida e bem-estar. Figura 17 - Fáscia plantar 57 UNIDADE 2 Título: Cinesiologia Clínica de Brunnstom Ano: 2014 Sugiro que você faça a leitura do livro intitulado “Cinesiologia clínica de Brunnstrom”, dos autores Peggy A. Houglum e Dolores B. Bertoti, 6ª edição, editora Manole, ano 2014. O livro faz uma abordagem completa sobre as estruturas, características e funções dos ossos, articulações e músculos de todo o corpo. Enfatiza também questões voltadas ao tornozelo e pé, favore- cendo o entendimento clínico dos componentes que envolvem o complexo tornozelo-pé a partir de uma concepção cinesiológica. Portanto, trata-se de uma leitura indispensável para seu estudo como futuro podólogo. Agora chegou o momento de colocar todo o seu conhecimento em prática! Imagine que você já seja um(a) podólogo(a) formado(a) e, durante sua atua- ção profissional, atende uma paciente do sexo femi- nino que, no decorrer da anamnese, relata ter notado inicialmente a presença de joanete no pé esquerdo há cerca de três anos. No entanto, o que mais a incomoda é a existência de micose na unha do hálux esquerdo. A paciente não relata sinais e sintomas da mico- se, mas o que mais a aborrece é o aspecto amarela- do da unha. Ainda na anamnese, ela relata muitas dores musculares, especialmente no pé esquerdo, ao realizar caminhadas. No momento do exame físico, além constatar a joanete e a micose na unha, você observa que a paciente apresenta o pé esquerdo totalmente desa- bado, ou seja, o pé toca por inteiro a superfície do chão. Ao questioná-la a respeito, ela conta que desde criança apresenta o pé daquele jeito, mas que nun- ca usou palmilhas corretivas. Sendo assim, como profissional da saúde, você consegue identificar quais estruturas do sistema locomotor de pé estão comprometidas? Será que o arco desabado pode ter influenciado no aparecimento do joanete? Diante desse caso, conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que, profissionalmen- te, você compreenda de maneira aprofundada os componentes ósseos, articulares e musculares do sistema locomotor de tornozelo e pé, bem como a relação entre eles. Esse conhecimento te dará supor- te para identificar, de maneira precisa, as inúmeras lesões que possam acometer o pé, tanto por meio da observação como da palpação. Nessa situação, fica claro que a paciente apresenta um compro- metimento da articulação metatarsofalangeana do hálux, característica do joanete, clinicamente cha- mado de hálux valgo. A condição é identificada por um desvio do hálux em direção aos outros dedos do pé e um desvio medial do primeiro metatarso. Além do comprometimento articular, a paciente também apresenta um prejuízo especificamente no arco longitudinal medial, ou seja, o arco está total- mente desabado, fazendo com que a planta do pé toque por inteiro o chão. Essa condição é chamada pé plano. Como você já sabe, os arcos plantares têma função de amortecer choques e impactos nos pés, e como a paciente apresenta o arco desabado, essa fun- ção consequentemente está prejudicada, o que pode contribuir para as dores no pé, quando ela relata fazer caminhadas. Ainda assim, você, como profissional da saúde, deve considerar o fato do pé plano ter favo- recido o aparecimento do joanete, já que as pessoas com pé desabado tendem a pisar para “dentro” e esse tipo de pisada gera um grande estresse na articulação metatarsofalangeana do hálux, influenciando dire- tamente no aparecimento do joanete. 58 M A P A M EN TA L A elaboração de um mapa mental torna mais fácil a organização e o entendimento a respeito dos temas que foram desenvolvidos nesta unidade. Dessa maneira, dei início ao nosso mapa mental com os conceitos centrais estudados; a partir disso, é de extrema importância que você dê continuidade, preenchendo o mapa mental com elementos, como frases de ligação, que apresentem relação com os conceitos centrais. Lembrando que essa prática irá contribuir para aprendizagem das principais temáticas discutidas. SISTEMA LOCOMOTOR DE TORNOZELO E PÉ SISTEMA MUSCULAR APLICADO A TORNOZELO E PÉ SISTEMA ESQUELÉTICO: PARTICULARIDADES DOS PÉSFUNCIONALIDADE DOS PÉS CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS DOS PÉS EQUILÍBRIO ARCOS PLANTARES PILAR DE SUSTENTAÇÃO POSTURA BÍPIDE DIVISÃO CLÍNICA DO PÉ OSSOS DO PÉ OSSÍCULOS ACESSÓRIOS CARACTERÍSTICAS DO TECIDO ÓSSEO SISTEMA ARTICULAR DE TORNOZELO E PÉ ORIGEM, INSERÇÃO E AÇÃOINTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOSARTICULAÇÕES DO PÉ FÁSCIA PLANTARARTICULAÇÃO DO TORNOZELO A G O R A É C O M V O C Ê 59 1. Os ossos dos pés em conjunto formam importantes arcos que ajudam no suporte e na distri- buição do peso corpóreo de forma adequada em todo o pé, além de atuarem como alavanca nas caminhadas, proporcionando estabilidade para o ser humano. Com base nisso, quais são os três arcos plantares? 2. Com relação aos componentes anatômicos específicos dos pés, existe uma estrutura formada por tecido fibroso localizada na região plantar, situada entre os músculos flexores e o tecido cutâneo. É uma estrutura que se estende do calcâneo e se ramifica até as falanges proximais de todos os dedos. Diante disso, assinale a alternativa correspondente. a) Fáscia plantar. b) Arco plantar. c) Antepé. d) Metatarso. e) Ossículo acessório. 3. O esqueleto do pé é dividido clinicamente em três áreas, sendo elas o retropé, o mediopé e o antepé. Pelo fato de constituírem a terminologia clínica, é essencial que o profissional de saúde compreenda um pouco de cada região. Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ) ( O retropé, região de calcanhar, é constituído pelos ossos tálus e cuboide. ) ( O antepé é composto pelos metatarsos e pelas falanges. ) ( O mediopé é formado pelos ossos navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e lateral. Com base nas suas respostas, qual a alternativa correta? a) V-V-V. b) V-F-F. c) F-F-F. d) F-V-V. e) V-F-V. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 60 1. Os pés humanos são formados por três arcos plantares, os quais são o arco longitudinal medial, o arco longitudinal lateral e o arco longitudinal transversal (ou arco transverso). 2. A. A fáscia plantar é um tendão, chamado de aponeurose plantar, pois apresenta formato largo e plano. Está situada na planta do pé, especificamente na tuberosidade do osso calcâneo e se estende até as falanges proximais de todos os dedos do pé. É uma estrutura que recobre a musculatura da planta do pé, além de contribuir para formação dos arcos plantares. 3. D. A primeira alternativa é falsa, pois o retropé, região de calcanhar, é constituído pelos ossos calcâneo e tálus. A segunda alternativa é verdadeira, pois o antepé é composto pelos metatarsos e pelas falanges dos pés. A terceira alternativa também é verdadeira, pois o mediopé é formado pelos ossos navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e lateral. R EF ER ÊN C IA S 61 BEGA, A. Tratado de podologia. 2. ed. São Paulo: Yendis, 2014. BEGA, A.; LAROSA, P. R. R. Podologia. Bases clínicas e anatômicas. São Paulo: Martinari, 2010. BONTRAGER, K. L.; LAMPIGNANO, J. P. Tratado de posicionamento radiográfico e anatomia asso- ciada. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2016. DORNELES, P. P.; PRANKE, G. I.; MEEREIS, E. C. W.; SILVEIRA, M. C.; MOTA, C. B. Estrutura, função e classificação dos pés: uma revisão. Revista Digital, n. 161, p. 1-1, 2011. 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Além disso, no decorrer dos nossos estudos, você será capaz de analisar e evidenciar a importância e os aspectos relacionados à análise do ciclo da marcha, além de identificar e aplicar os parâmetros mensuráveis que devem ser considerados na avaliação da marcha do seu paciente. Por fim, você terá a oportunidade de se aprofundar no conhecimento das principais alterações biomecânicas e cinesiológicas inerentes às marchas patológicas mais frequentes. 68 UNICESUMAR Imagine-se numa situação de atendimento, em que você, como podólogo(a), depara-se com uma paciente, e assim que ela entra na sala de atendimento, você percebe que ela está mancando e com semblante de tristeza e dor. Durante a anamnese, ela relata que há 3 dias não consegue colocartotal- mente o pé direito no chão, pois sente muita dor, principalmente no calcanhar, e disse não saber o motivo. Além disso, ela se queixa de onicocriptose no hálux direito, que também está ocasionando muita dor. Durante a avaliação física, além de perceber que a unha está inflamada, você também pede para que a paciente caminhe e, a partir daí, você observa que ela não consegue colocar o calcanhar direito no chão. Inicialmente, você consegue identificar qual fase do ciclo da marcha, inclusive qual subfase desse ciclo, estão comprometidas? Você consegue também detectar o tipo de marcha que a paciente está apresentando? Primeiramente, você já se questionou sobre a importância de você, como futuro(a) profissional da saúde, compreender de maneira aprofundada as fases e as respectivas subfases do ciclo da marcha? Além disso, já parou para pensar na importância de avaliar a marcha dos seus pacientes durante o atendimento podológico? E de que forma esse conhecimento irá contribuir para sua formação e con- duta podológica? Basicamente, a marcha humana, também chamada de locomoção bípede, é um processo pelo qual, nós, seres humanos, nos deslocamos, ou seja, nos movimentamos de um lugar para outro. Dessa maneira, entender e investigar a funcionalidade e eficiência da marcha humana, bem como conhecer suas definições, funções, fases e subfases, além dos seus parâmetros mensuráveis, é essencial para sua futura atuação profissional, pois, como você sabe, a podologia é uma área que estuda e cuida dos mais variados distúrbios que acometem os pés, inclusive das questões biomecânicas e cinesiológicas dos membros inferiores. 69 UNIDADE 3 Você sabia que as mais diversas podopatias, por exemplo verrugas plantares, hálux valgo, onico- criptose , esporão de calcâneo, calosidades, fascite plantar, rachaduras, alterações congênitas, como pé cavo e pé plano, além de outros distúrbios que acometem os pés podem dificultar o desenvolvi- mento adequado e a eficiência da marcha de uma pessoa? E o contrário também pode ocorrer, já que anormalidades no padrão da marcha também pode contribuir diretamente para o aparecimento das mais variadas doenças que acometem os pés. Frequentemente, calçados inapropriados também interferem na marcha normal. Em vista disso, os conteúdos relacionados à marcha humana devem ser compreendidos por você, já que, no exame físico podológico, os pa- râmetros da marcha humana devem ser consi- derados e analisados. Dessa maneira, fica clara a importância de compreender não só a marcha humana, mas também os possíveis fatores que a impedem ou a dificultam. Ainda assim, conhecer algumas das anorma- lidades mais frequentes da marcha é fundamen- tal, pois esse conhecimento te dará suporte para identificar e diagnosticar as mais distintas marchas patológicas. A partir daí, você estará apto(a) para recomendar e executar medidas que irão melhorar, potencializar ou corrigir o desempenho do seu paciente. Além disso, você, como futuro(a) podó- logo(a), estará preparado para desenvolver estra- tégias terapêuticas apropriadas às necessidades e as particularidades do seu cliente, já que as modi- ficações no padrão da marcha influenciam direta- mente na efetividade do tratamento podológico. Agora que você já está um pouco mais am- bientado(a) com o tema, proponho uma nova experiência: você já parou para pensar que as pessoas adotam padrões diferentes de marcha, isto é, andam de maneira diferente? Quando você estiver em algum local que tenha um grande fluxo de pessoas, por exemplo no terminal rodoviário, no metrô, nas ruas centrais da sua cidade, observe como as pessoas andam. Além disso, fique atento para perceber pessoas que tenham alguma difi- culdade na marcha e tente identificar os possíveis fatores que possam estar contribuindo para essas restrições. Como se saiu nesta proposta de exercício? Conseguiu visualizar como as pessoas andam de forma diferente uma das outras? Conseguiu identificar alguma marcha anormal? O entendimento a respeito dos mecanismos que envolvem a marcha humana normal e pato- lógica é essencial para este estudo, já que permite a análise e interpretação dos achados que possam estar prejudicando o desempenho da marcha de um paciente ou, até mesmo, contribuindo para o aparecimento de disfunções podais. Dessa for- ma, reflita comigo sobre os pontos-chave dessa situação. O que, de fato, é a marcha e qual sua re- levância? Qual a importância de avaliar o padrão da marcha no decorrer da avaliação podológica? Quais os critérios para se identificar e definir o que é uma marcha patológica? É possível que marchas anormais influenciem na ocorrência de distúrbios que comprometem os pés? Que tipos de procedimentos terapêuticos seriam mais ade- quados às peculiaridades de um paciente acome- tido por um distúrbio nos pés, por causa de uma marcha anormal? É possível que as alterações no padrão da marcha interfiram na eficácia do proto- colo podológico traçado? De que forma podemos traçar um protocolo de atendimento podológico, considerando as alterações no padrão da marcha? De que forma esse protocolo pode ser eficaz? É de grande importância que, neste momento, você registre, no seu Diário de Bordo, suas im- pressões a respeito desses questionamentos, bem como de tudo que você compreendeu. Essa prática facilitará seu processo de aprendizagem, além de favorecer a organização e a memorização dos seus estudos. 70 UNICESUMAR Caro(a) aluno(a), até aqui, já tivemos um contato inicial com questões referentes à marcha humana, mas precisamos nos aprofundar mais! Conhecer os mecanismos envolvidos na marcha humana normal constitui uma importante tarefa para o podólogo profissional, contribuindo diretamente para a detecção e o diagnóstico dos problemas que dificultam a marcha, que também influenciam diretamente no aparecimento das inúmeras podopatias. Para isso, há definições e parâmetros que envolvem a marcha normal. Na maioria das vezes, atingimos independência para ficar em pé em torno do primeiro ano de vida. O movimento de um lugar ao outro é estabelecido, em termos gerais, como locomoção e abrange muitas formas de movimento, como rolar, engatinhar, rastejar, caminhar, correr, pular e saltar. A locomoção na postura bípede ereta decorre ao longo de uma sucessão gradativa de ações, que tem início com a postura em pé, podendo progredir para a marcha e, logo, mudar para a corrida. Essas tarefas demandam habilidades específicas, como tomar impulso, parar, mudar de direção e alterar a velocidade. É importante que você saiba que o termo bípede se refere ao que se apoia ou se locomove sobre dois pés, portanto, nós, humanos, somos seres bípedes (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; PERRY, 2004). D IÁ R IO D E B O R D O 71 UNIDADE 3 Segundo os mesmos autores, a marcha huma- na é a locomoção ereta decorrente de uma forma particular de movimentarmos nossos pés, a qual pode ser por meio de caminhada ou corrida. Caminhar é uma forma particular de marcha e é o padrão mais frequente de locomoção. O termo utilizado como sinônimo de marcha é a deambu- lação. Esta é estabelecida de maneira geral como um tipo de locomoção, porém, é um termo mais utilizado no sentido clínico para descrever se um indivíduo consegue ou não caminhar sem empecilhos ou com o auxílio de algum acessório dispositivo. Sendo assim, a marcha é o método pelo qual nós, mamíferos terrestres, nos movimentamos de um lugar a outro. Embora cada um de nós desenvolva um estilo próprio de marcha, existem parâmetros normais dentro dos quais todos nos movemos para nos prover de um método eficien- te de transporte. É interessante perceber que as pessoas, muitas vezes, são reconhecidas por sua marcha, ou seja, pela maneira como andam, ain- da que a marcha normal apresente semelhanças surpreendentes entre os sujeitos. É importante que você saiba que o padrão de locomoção tende a ser variável e irregular até em torno dos 7 anos de idade (HOUGLUM; BERTOTI,2014; OATIS, 2014; MAGEE, 2010). De acordo com Magee (2010), a marcha de- sempenha cinco funções principais, dentre as quais podemos destacar: auxilia na sustentação da cabeça, dos membros superiores e do tronco, preservando um membro inferior semirrígido; contribui para a conservação do equilíbrio e de uma postura ereta; controla o pé no intuito de que ele supere obstáculos e permite que o calcanhar toque o solo de maneira cuidadosa por meio da ação muscular excêntrica; e produz energia mecânica pela contração muscular con- cêntrica para iniciar, manter e, caso almejado, potencializar e/ou reduzir a velocidade dianteira do corpo. Podemos discutir e analisar a marcha hu- mana por meio de sua unidade mais elementar, chamada ciclo da marcha. Um ciclo da marcha é o período de quando o calcanhar de um pé toca o chão até o instante que esse mesmo cal- canhar torna a tocar o chão outra vez. O ciclo da marcha também é conhecido como passada. Esse ciclo é dividido em 2 fases, conforme ve- remos a seguir (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010; MORAIS FILHO; REIS; KAWAMURA, 2010). A fase de apoio se refere ao momento da mar- cha em que o pé está em contato direto com a superfície do chão e suporta todo o peso cor- poral. Essa fase propicia ao membro inferior suportar o peso do corpo e, assim, atuar como um amortecedor de impacto ao mesmo tempo que favorece o avanço do corpo sobre o membro que está sustentando-o. A fase de balanço é o período da marcha em que o pé não está em contato com o solo, isto é, não está mais car- regando o peso do corpo, e o corpo se desloca anteriormente. Essa fase também permite que os dedos deixem o chão e que aconteçam ajustes no tamanho do membro inferior. As fases de apoio e balanço do ciclo da mar- cha são subdivididas e descritas de várias for- mas. Você vai encontrar algumas diferenças ao ler textos de autores distintos e perceber que eles utilizam pequenas variações com relação às terminologias. Nesta unidade, aplicaremos o sistema de terminologia de Rancho Los Amigos (RLA), desenvolvida por Jacquelin Perry, uma pesquisadora de marcha de renome (HOU- GLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016; PER- RY, 2004): 72 UNICESUMAR O sistema RLA divide a fase de apoio da marcha em 5 subfases, dentre as quais podemos destacar: 1. Contato inicial. 2. Resposta à carga. 3. Apoio médio. 4. Apoio final. 5. Pré-balanço. O sistema RLA também divide a fase de balanço da marcha em 3 subfases: 1. Balanço inicial. 2. Balanço médio. 3. Balanço final. É importante destacar que a fase de apoio representa 60% do ciclo normal da marcha e a fase de balanço equivale a 40% deste ciclo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016; HOPPENFELD, 2016; PERRY, 2004). APOIO A B A1 A2 A3 B1 B2 B3A4 A5 Fase de apoio Fase de balanço Contato inicial Balanço inicial BALANÇO Resposta à carga Apoio médio Balanço médio Balanço final Apoio final Pré- balanço Figura 1 - Fases, subfases e sequência do ciclo da marcha Fonte: adaptada de Houglum e Bertoti (2014). Como a caminhada pode ser efetuada em diferentes velocidades, um ciclo completo de marcha é identificado como 100%, enquanto as fases e as subfases são indicadas pela porcentagem do ciclo completo. No momento em que o pé desempenha o primeiro contato com a superfície do chão, tem-se, portanto, o início do ciclo da marcha; dessa maneira, o ciclo inicia-se em 0% e avança até completar um ciclo inteiro de 100%, no período em que o mesmo pé realiza contato com o solo novamente. Em velocidades normais da caminhada adulta, um ciclo de marcha dura 1 segundo e apresenta 1,4 m de extensão (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010). É importante atentar-se em dois pontos do ciclo da marcha, os dois pés estão em contato com a superfície do chão, concluindo em torno de 20% do ciclo da marcha: 10% no início e 10% no término da fase de apoio. Esse período em que parte dos dois pés estão apoiados no chão é denominado apoio duplo. Durante os 40% no meio dessa fase, os membros inferiores estão em apoio simples, ou seja, quan- do somente um membro está em contato com o chão (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; MAGEE, 2010). 73 UNIDADE 3 REALIDADE AUMENTADA Movimentos articulares do complexo tornozelo e pé A seguir, no Quadro 1, descreveremos as definições das subfases do ciclo da marcha. Confira: Fase e subfases Definição e descrição Membro contralateral Fase de apoio: 60% do ciclo da marcha (0 a 60%) 1- Contato inicial (0 a 2%) Primeiro contato do pé com o solo, ge- ralmente contato inicial do calcanhar. É o período inicial do apoio duplo. Fim do apoio final 2- Resposta à carga (2 a 10%) O peso do corpo é transferido à perna, e o pé desce em direção ao solo; contato da superfície plantar com o solo. Pré-balanço 3- Apoio médio (10 a 30%) Centro de gravidade se move diretamen- te sobre o pé. Apoio sobre apenas um membro inferior. Balanço médio 4- Apoio final (30 a 50%) O calcanhar sobe, eleva-se do solo, as pernas avançam sobre o antepé e o tronco se move sobre o membro de sus- tentação, que agora está em extensão. Balanço final 5- Pré-balanço (50 a 60%) O contato com o solo é em direção à ca- beça dos metatarsos, terminando com o levantamento dos dedos, ou seja, os dedos são retirados do solo. Contato inicial – resposta à car- ga FASE DE APOIO FASE DE BALANÇO Primeiro apoio duplo Segundo apoio duplo Apoio simples Contato inicial Balanço inicial Resposta à carga Apoio médio Balanço médio Balanço final Postura final Pré-balanço Figura 2 - Fases e subfases do ciclo da marcha e períodos de apoio simples e duplo Fonte: adaptada de Vaughan, Davis e O'Connor (1999). https://i.pinimg.com/originals/6f/f4/50/6ff450e20387cc05d38a6abc14be701a.png 74 UNICESUMAR Fase e subfases Definição e descrição Membro contralateral Fase de balanço: 40% do ciclo da marcha (60 a 100%) 1- Balanço inicial Com o pé levantado, os joelhos se flexio- nam para encurtar a perna e atender a necessidade de aceleração (pé não está mais em contato com o solo). Início do apoio médio 2- Balanço médio Flexão máxima de joelho e a tíbia está perpendicularmente ao solo. O membro inferior avança na frente do corpo. Fim do apoio médio 3- Balanço final A tíbia está perpendicular ao solo du- rante todo o avanço da perna à frente, à medida que o membro se desacelera para o contato inicial, isto é, a perna se prepara para fazer o contato com o solo novamente. Apoio final Quadro 1 - Definições e sequências das subfases do ciclo da marcha Fonte: adaptado de Houglum e Bertoti (2014) e Magee (2010). De um ponto de vista funcional, existem três atividades essenciais associadas à marcha humana (ou tarefas funcionais da marcha), sendo elas: aceitação do peso corporal, apoio simples e avanço do membro inferior. A fase de apoio descreve uma função importante em todas essas três tarefas básicas e cada uma de suas subfases contribui em graus variados. O contato inicial e a resposta à carga são as duas subfases da fase de apoio, encarregadas, principalmente, da aceitação do peso. O apoio simples ocorre na subfase apoio médio, da fase de apoio, e é nesse momento da deambulação que o equilíbrio é mais precário, pois o centro de gravidade do corpo muda lateralmente e, nesse momento, centra-se sobre somente um membro de suporte (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS; 2014). O avanço de um membro inferior cria um movimento para frente do corpo e inclui as subfases apoio final e pré-balanço; essas subfases, da fase de apoio, produzem forças propulsoras para o membro inferior avançar e, com isso, movem o corpo para frente. As subfases da fase de apoio utilizam a ab- sorção de força efetiva e um gasto energético eficiente para executar essas tarefas. A fase de balanço se foca em apenas uma das três tarefas funcionais da marcha: o avanço do membro inferior. Este avanço, no decorrer da fase de balanço, demanda espaço suficiente entre o pé e o solo. O membro realiza essa atividade durante a primeira metade da fasede balanço e se organiza para o contato inicial durante a última metade (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; PERRY, 2004). Durante as duas primeiras subfases da fase de balanço, ou seja, o balanço inicial e o balanço médio, o membro inferior flexiona o quadril, o joelho e o tornozelo para encurtar funcionalmente o membro no intuito de que o pé se afaste do solo. O joelho, então, inicia uma rápida extensão na subfase balanço terminal para alongar (ampliar) o membro inferior; esse movimento aumenta o tamanho do passo e proporciona um membro inferior rígido na preparação para a estabilidade no contato inicial, primeira subfase da fase de apoio (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS, 2014). O Quadro 2 resume os requisitos da marcha; o propósito de cada subfase do ciclo da marcha; as amplitudes de movimento durante as subfases do ciclo da marcha; e as principais demandas musculares em cada subfase da marcha. Veja: 75 UNIDADE 3 Fase Tarefa Funcional Requisito de Amplitude de Movi- mento Principal Força Muscular Contato inicial Contato com o solo Aceitação do peso Tornozelo: 0º Joelho: 3 a 5º de flexão Quadril: 25 a 30º de flexão Tibial anterior Quadríceps Glúteo máximo Glúteo médio Resposta à carga Aceitação do peso Absorção de choque Tornozelo: 15º de flexão plantar Joelho: até 15º de flexão Quadril: 25 a 30º de flexão Tibial anterior Quadríceps Glúteo máximo Apoio médio Apoio simples Tornozelo: de 15º de flexão plantar a 15º de dorsiflexão Joelho: 5º de flexão Quadril: extensão total Gastrocnêmio e sóleo Glúteos máximo, médio e mínimo Tensor da fáscia lata Apoio final Apoio simples Propulsão Tornozelo: de 15º de dorsi- flexão a 20º de flexão plantar Joelho: move-se em exten- são total Quadril: 10º de extensão Gastrocnêmio Pré-balanço Propulsão Tornozelo: 20º de flexão plantar Joelho: 40º de flexão Quadril: 10º de extensão Gastrocnêmio Adutores de quadril Reto femoral Balanço inicial Encurtamento da per- na para o levantamen- to do pé Tornozelo: à dorsiflexão neutra Joelho: 40 a 60º de flexão Quadril: de extensão a 25 a 30º de flexão Tibial anterior Isquiotibiais Iliopsoas Balanço médio Encurtamento da perna para o levantamento do pé Geração de movimento Tornozelo: neutro Joelho: 60º de flexão Quadril: 25 a 30º de flexão Tibial anterior Iliopsoas Balanço final Avanço da perna Preparação para o con- tato inicial Desaceleração Tornozelo: neutro Joelho: extensão total Quadril: 25 a 30º de flexão Tibial anterior Glúteo máximo Isquiotibiais Quadro 2 – Exigências funcionais das subfases do ciclo da marcha Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 546). Agora que já vimos essas questões fundamentais, vamos às características espaciais e temporais da marcha. 76 UNICESUMAR As características espaciais são as variáveis que mais facilmente conseguimos visualizar, seja por meio da observação do padrão de caminhada de um indivíduo, seja ao constatar, por exemplo, as pegadas produzidas durante uma caminhada na areia da praia. Essas características compreendem: o comprimento do passo, o comprimento da passada, a largura do passo e o ângulo de progressão (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HOPPENFELD, 2016). A seguir, confira a descrição de cada um: Comprimento do passo Comprimento da passada Largura do passo Direito Esquerdo Direito Figura 3 - Características espaciais da marcha Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 547). A variável espacial da marcha, comprimento do passo, refere-se à distância entre o contato inicial (medido no ponto médio do calcanhar) de um pé comparado com o contato inicial do outro pé (con- tralateral); ou seja, corresponde à distância entre dois pontos de contato consecutivos de pés contrários. O comprimento da passada refere-se à distância entre o contato inicial de um pé e o contato inicial desse mesmo pé, ou seja, o comprimento da passada corresponde à adição do comprimento de um passo direito e de um passo esquerdo. Sendo assim, uma passada representa dois passos. Em geral, o comprimento da passada é em torno de 144 centímetros e, na realidade, expressa um ciclo da marcha completo (MAGEE, 2010; OATIS, 2014). Uma outra variável espacial da marcha é a largura do passo ou da base, e essa variável descreve o distanciamento, no sentido transversal, entre dois pés, ou seja, a medida do ponto médio do contato de um calcanhar até o ponto médio do outro calcanhar. Normalmente, a largura do passo mede entre 5 a 10 centímetros em adultos. O ângulo de progressão está relacionado ao ângulo estabelecido entre a linha de progressão em uma linha reta e uma linha que transpassa o pé no ponto médio do calcanhar e segue entre o segundo e o terceiro dedo do pé (OATIS, 2014). Com relação às propriedades temporais da marcha, essas constituem variáveis que retratam as pe- culiaridades que apresentam associação com o tempo, como velocidade, duração do passo e cadência. A velocidade da marcha é a distância executada numa determinada unidade de tempo, podendo ser metros por segundo ou quilômetros por hora. O número de passos por unidade de tempo, usualmente expresso em passos por minuto, é chamado de cadência. Um indivíduo adulto sadio, caminha a dis- tância de cerca de 50 a 130 passos/min. Calculada de maneira diferente, a velocidade média normal da caminhada é em torno de 80 m/min. É interessante relatar que a velocidade ideal para uma caminhada efetiva em sujeitos com estaturas mais altas também é essa (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS, 2014; VIEL, 2001). 77 UNIDADE 3 A velocidade da caminhada é fundamental na análise da marcha já que mudanças na velocidade influenciam outros fatores, como medidas de tempo e distância, gasto energético e atividade mus- cular. Cada pessoa apresenta uma velocidade de caminhada livre ou confortável em uma superfície plana nivelada que é mais eficiente em termos de energia para ela. Parte dessa variabilidade entre os indivíduos, identificada na velocidade da caminhada, baseia-se no comprimento da passada, que é consequente ao comprimento da perna. A velocidade livre de caminhada costuma ser utilizada em estudos sobre a marcha, já que representa a eficiência ideal de cada sujeito, e um sujeito fisicamente capaz reproduz os mesmos valores se a superfície da caminhada e o calçado se mantiveram os mesmos (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Jacquelin Perry (1992) realizou um estudo cujo objetivo foi analisar os valores médios de passadas em adultos saudáveis de 20 a 80 anos de idade, na caminhada livre, ou em velocidade de caminhada habitual, em superfície regular. A pesquisa evidenciou que o comprimento médio da passada foi de 1,4 m e a cadência média de 113 passos/min. A velocidade média de um adulto caminhando em ritmo livre foi de 82 m/min, ou cerca de 4,8 km/h. Os homens caminharam mais rápido e apresentaram um maior comprimento de passada e cadência mais lenta comparado às mulheres, conforme observa-se no Quadro 3. A velocidade típica de caminhada dos homens é de 100 a 120 passos/min; a das mulhe- res é de 105 a 125 passos. Taxas acima ou abaixo desses valores são classificadas como velocidades de caminhada rápidas ou lentas. HOMENS MULHERES TOTAL (médias) Número de indivíduos 135 158 293 Velocidade (metros por minuto) 86 77 82 Comprimento da passada (metros) 1,46 1,28 1,41 Cadência (passos por minuto) 111 117 113 Quadro 3 - Valores médios de passadas em sujeitos saudáveis de 20 a 80 anos Fonte: adaptado de Houglum e Bertoti (2014). As alterações na velocidade da caminhada são desempenhadas modificando-se o comprimento da passada ou a cadência. Sujeitos saudáveis normalmente alteram ambos os parâmetros. O aumento da velocidade da marcha resulta na redução da duração de todas as fases do ciclo da marcha. De acordo com Magee (2010), alguns fatores podem alterar a velocidade da marcha, dentre os quais destaca-se o aumento da idade. Portanto, evidencia-se facilmente que a velocidade da marcha diminui com a idade, e esse fato pode justificar o decréscimo da mobilidade em indivíduos mais velhos. Com tais entendimentos, aforma como o ciclo da marcha é modificado em situações anormais pode ser assimilada satisfatoriamente (MAGEE, 2010). É essencial que você, como futuro(a) podólogo(a), saiba que a análise observacional da marcha é muito utilizada por profissionais da saúde, inclusive por podólogos, já que essa prática constitui um aspecto muito importante na avaliação geral do seu paciente, contribuindo para que, profissio- nalmente, você possa traçar um protocolo de tratamento podológico adequado às necessidades e as particularidades do seu paciente. Além disso, a avaliação da marcha o auxiliará a identificar com maior precisão as causas de possíveis podopatias, aumentando as chances de sucesso nos tratamentos podológicos. 78 UNICESUMAR A maioria dos problemas de marcha se torna aparente na fase de apoio, já que nessa fase o pé sofre um estresse maior por suportar o peso do corpo, além dessa fase constituir a principal e a maior parte da marcha. A avaliação da marcha deve ser inserida em qualquer avaliação dos mem- bros inferiores. Essa análise deve iniciar logo que o paciente entra na sala de atendimento. Além disso, o examinador tem que ter em mente que as posturas da cabeça, do pescoço, do tórax e da coluna lombar podem afetar diretamente o padrão da marcha, mesmo quando não existe qualquer patologia evidente nos membros inferiores (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). O examinador deve ser capaz de identificar a ação de cada segmento do corpo e de observar qualquer anormalidade no decorrer do ciclo da marcha. Por esse motivo, é essencial compreender e discernir os parâmetros normais da marcha e seu mecanismo. Sendo assim, o profissional deve se atentar para a presença de claudicação (mancar) ou deformidades evidentes no membro, que podem estar prejudicando a marcha normal e tentar identificar os possíveis fatores que possam estar influenciando no aparecimento dessas condições (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). Primeiramente, o examinador deve realizar uma avaliação geral da postura do indivíduo, buscando qualquer assimetria. Após a avaliação geral, o profissional pode observar partes específicas da marcha, em relação às fases e subfases da marcha, e analisar o que acontece em cada articulação no decorrer dessas fases. Enquanto o profissional examina a marcha, alguns parâmetros mensuráveis podem ser considerados, dentre os quais destacaremos a seguir (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). A largura da base é um dos parâmetros que devem ser con- siderados na análise da marcha. Esse parâmetro, conforme você viu, refere-se à distância entre os dois pés e não deve ultrapassar 5 a 10 cm de um calcanhar ao outro. Ao visualizar que o paciente está andando com uma base mais larga, deve-se suspeitar da presença de alguma alteração, uma vez que, normalmente, os pacientes aumentam a base quando sentem tontura ou instabi- lidade, como resultado, possivelmente, de problemas cerebelares, de alterações no labirinto, de déficit de sensibilidade plantar (neuropatia periférica) ou de alterações musculoesqueléticas (HOPPENFELD, 2016). O centro de gravidade também é uma variável que deve ser considerada na análise da marcha. É importante ressaltar que o centro de gravidade do corpo está 5 cm a frente da face anterior da segunda vértebra sacral. Na marcha normal, o centro de gra- vidade oscila até 5 cm no sentido vertical. A oscilação vertical da pelve controlada mantém o padrão suave da marcha à medida que o corpo avança. A elevação do movimento vertical poderá indicar presença de alguma patologia (HOPPENFELD, 2016; OATIS, 2014; DUTTON, 2010). Figura 4 - Largura normal da base Fonte: Magee (2010, p. 945). 5–10 cm 79 UNIDADE 3 Na avaliação do ciclo da marcha, a flexão de joelho na fase de apoio da marcha deve ser analisada. Dessa maneira, o joelho deve permanecer fle- xionado no decorrer de todas as subfases da fase apoio da mar- cha, exceto na subfase “contato inicial”, para impedir o desloca- mento vertical excessivo do cen- tro de gravidade. Por exemplo, durante a impulsão para frente, quando o tornozelo, com 20º de flexão plantar tende a sus- pender o centro de gravidade, o joelho flexiona até em torno de 40º para contrabalancear. +2,5 cm –2,5 cm 5 cm 0 Figura 5 - O centro de gravidade do corpo oscila verticalmente no decorrer do ciclo da marcha Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 131). Os pacientes com alterações de joelhos em extensão poderão ser incapazes de contrabalancear o movi- mento excessivo do tornozelo, resultando na perda do padrão suave da marcha (HOPPENFELD, 2016). Os movimentos de pelve e tronco também devem ser considerados na análise da marcha. Sendo assim, no decorrer da marcha, a pelve e o tronco movem-se lateralmente (movimento de lado a lado) cerca de 2,5 a 5 cm para o lado que suporta o peso do corpo, no intuito de centralizar esse peso sobre a pelve. Se o músculo glúteo médio se apresentar enfraquecido, por exemplo, esse desvio lateral do tronco e da pelve será muito acentuado, característico de uma marcha atípica, chamada de marcha de Trendelenburg, conforme veremos adiante. Um outro parâmetro que deve ser mensurado no exame de marcha é o comprimento do passo. O comprimento médio de um passo, em indivíduos adultos, pode oscilar de 38 a 72 cm. O comprimento do passo varia de acordo com a idade e o gênero, por isso os passos das crianças são menores comparado aos dos adultos; e os passos das mulheres são menores comparado aos dos homens. Além disso, com o aumento da idade, o comprimento dos passos é reduzido, além de que essa condição é percebida nos quadros de fadiga extrema, dores e/ou disfunções nos membros inferiores. A altura também interfere, pois um sujeito mais alto apresenta passos maiores (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). O comprimento da passada e a cadência (número de passos/min) também devem ser avaliados no exame de marcha. O comprimento da passada é em torno de 144 cm, mas esse parâmetro diminui com a idade, presença de dor, doenças e fadiga. Com relação à cadência normal, o adulto médio anda em um ritmo de cerca de 90 a 120 passos/min e apresenta gasto energético médio de apenas 100 calorias a cada 1,5 km, aproximadamente. Nos idosos ou naqueles com fadiga ou quadros dolorosos, o núme- ro de passos por minuto é reduzido. Nos casos em que a superfície sobre o qual o indivíduo estiver andando for escorregadia e ele se sentir inseguro, o número de passos por minuto também diminui (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). 80 UNICESUMAR A rotação da pelve constitui também um parâme- tro que deve ser considerado na análise de marcha. Durante a fase de balanço da marcha, a pelve gira em torno de 40º para frente, enquanto a articulação do quadril do membro contralateral (que está na fase de apoio) atua como um ponto de apoio para a rotação. Para manter o equilíbrio, o tórax roda na direção oposta. Nos casos em que a articulação do quadril estiver rígida ou com quadros dolorosos, essa rotação não ocorrerá normalmente (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010; NEUMANN, 2011). É importante salientar que a marcha deve ser avaliada com base na marcha normal de alguém da mesma faixa etária. Além disso, o examinador deve solicitar ao paciente que ande de modo habitual, uti- lizando, se necessário, qualquer dispositivo de apoio, por exemplo, muletas, andador ou bengalas. Enquan- to o paciente anda, o profissional deve identificar a presença de qualquer claudicação ou deformidade evidente ou qualquer outro fator que esteja prejudi- cando a deambulação do paciente (MAGEE, 2010). 40° Figura 6 - Rotação da pelve durante o ciclo da marcha Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 132). No decorrer da avaliação da marcha, o profissional deve solicitar ao paciente que ande com calçados que ele utiliza habitualmente, mas também descalço, já que calçados diferentes, como os de salto alto, bico fino ou calçados novos modificam a marcha e a quantidade de energia necessária para a sua execução é maior. O examinador também deve avaliar o calçado do pacientee verificar a presença de desgastes do salto e/ou meias, e as condições internas e externas do calçado. Também deve avaliar o pé do paciente, buscando presença de hiper- queratoses, bolhas, calos, calosidades, hálux valgo etc. (MAGEE, 2010). A fase de apoio do ciclo da marcha é afetada com maior frequência por falhas no calçado, que podem pro- vocar dores nos pés durante todo o apoio. A dor poderá ser ocasionada por pregos que ultrapassam o salto do sapato; por um forro duro e/ou áspero; por algum objeto solto dentro do calçado; pelo tamanho do cal- çado, pois calçado muito apertado ou largo demais favorece o atrito do sapato com o pé; e/ou pela ponta do calçado que pode ser muito estreita e apertada, notáveis em calçados de “bico fino” (HOPPENFELD, 2016). Dores nos pés, especialmente na fase de apoio de marcha, também podem ser resultantes de uma condição denominada esporão de calcâneo, que se refere a uma espícula de osso que se forma no processo medial da tuberosidade do calcâneo na sua região plantar. É muito comum 81 UNIDADE 3 esses esporões ocasionarem dor aguda e intensa especialmente quando o indivíduo toca o calca- nhar numa superfície. Com o passar do tempo, forma-se uma bolsa protetora sobre a espícula óssea, como consequência poderá surgir uma bursite que agrava ainda mais o quadro álgico. Para amenizar essa dor, o sujeito anda tocando no solo apenas o antepé do pé acometido, no intuito de evitar ao máximo o contato do cal- canhar ao solo (HOPPENFELD, 2016). Normalmente, o peso do corpo é distribuído de forma igual em todo o pé. Os indivíduos que apresentam pé plano rígidos, artrose subtalar, en- tre outros, poderão sentir dor durante a marcha em solo irregular. Já aqueles com queda do arco Figura 7 - Calos dolorosos no dorso dos dedos prejudicam a marcha Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 134). transversal poderão desenvolver calos dolorosos na cabeça dos metatarsos. Condições que desenca- deiam calos no dorso dos dedos, como deformidades em dedo em garra, poderão se tornar dolorosos durante a subfase apoio médio da fase de apoio da marcha, já que poderão raspar ou atritar no calçado no momento em que os dedos começarem a “agarrar” o solo (HOPPENFELD, 2016). O surgimento de problemas é menor no decorrer da fase de balanço do ciclo da marcha, comparado com a fase de apoio, já que na fase de balanço o pé já não está mais em contato com chão, portanto não está sujeito ao estresse consequente do peso e do suporte corpóreo (HOPPENFELD, 2016). Diversas patologias musculoesqueléticas tendem a modificar a marcha em decorrência de fraqueza muscular, dores e/ou de alterações da amplitude de movimento, de modo que o exami- nador deve estar atento a esses fatores ao analisar a marcha. Muitos sujeitos conseguem ajustar-se automaticamente a essas modificações, contanto que possuam sensibilidade normal e consigam desenvolver um controle seletivo. Os indivíduos com dano em neurônio motor superior, por exemplo, apresentam alterações maiores e são incapazes de adaptar-se com facilidade porque, além dos problemas musculoesqueléticos, eles também apresentam espasticidade, problemas de controle e distúrbios sensitivos. Dessa forma, é importante que o profissional realize uma anam- nese detalhada, investigando a existência de qualquer doença ou lesão (atual ou pregressa), que possam estar prejudicando a marcha (MAGEE, 2010). A maior da parte da avaliação da marcha envolve a observação, no entanto, o profissional deve despender tempo, especialmente quando identificar uma marcha alterada, para mensurar a força muscular e a amplitude de movimento de cada articulação envolvida no ciclo da marcha, por meio da goniometria (MAGEE, 2010). Sendo assim, a avaliação da marcha permite ao profissional de saúde estabelecer objetivos apropriados e planejar uma abordagem racional de tratamento, já que as modificações de marcha influenciam diretamente no aparecimento de diversas podopatias, bem como nos cuidados podológicos. Como sabemos, a sustentação e a propulsão do corpo são as duas mais significativas funções dos pés. O funcionamento e o desenvolvimento adequado dos músculos do pé, bem como a prática da 82 UNICESUMAR mecânica apropriada, são essenciais para todo mundo. Na socie- dade moderna, os problemas com os pés são uma das causas mais comuns de dores. É frequente as pessoas desenvolverem uma mecânica insatisfatória dos pés ou anomalias no padrão da mar- cha consequentes do uso de calçados inapropriados ou de outros problemas relativamente insignificantes. A mecânica incorreta no início da vida leva inevitavelmente a sintomas de desconforto nos pés posteriormente (FLOYD, 2016; HALL, 2016). Na presença de anormalidades anatômicas ou disfunções funcionais, devem ocorrer modificações na marcha para que haja a deambulação. Na presença de patologias, as fases do ciclo da marcha e suas respectivas subfases podem não ocorrer ou ocorrer em um tempo diferente. Bom, como você sabe, é extre- mamente importante que, durante a avaliação física do seu futuro paciente, você realize a análise de marcha, de maneira minuciosa, já que a identificação das alterações de marcha, bem como dos seus possíveis fatores determinantes, é essencial para traçar um protocolo de atendimento podológico adequado e, até mesmo, se necessário, encaminhar esse paciente para tratamento com profissional especializado. Portanto, conhecer as anormalidades mais frequentes da mar- cha é fundamental, pois esse conhecimento te dará suporte para identificar e diagnosticar marchas patológicas (ou atípicas). Sendo assim, a seguir, evidenciaremos as principais características das marchas anormais mais frequentes. Durante a caminhada, em condições normais, enquanto o peso do corpo está suspenso sobre um membro inferior, os mús- culos glúteo médio e mínimo impossibilitam a inclinação, ou seja, a queda do lado contrário da pelve. A fraqueza ou paralisia da musculatura do glúteo médio e mínimo (músculos abdutores de quadril) pode resultar em um modo de andar típico da marcha de Trendelenburg, caracterizado pela inclinação do tronco para o lado da fraqueza muscular quando o lado contralateral da pelve cai, ou seja, quando o indivíduo está em pé sustentado apenas por uma perna, a pelve contralateral cai (HOPPENFELD, 2016; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010). Em outras palavras, se o músculo glúteo médio direito estiver comprometido, quando o sujeito estiver na fase de apoio da mar- cha à direita, o quadril e a pelve esquerda cairão (HOPPENFELD, 2016; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010). Figura 8 - Marcha de Trendelenburg ou do glúteo médio Fonte: Marrero e Rull (2007, p. 68). Figura 9 - Marcha do glúteo máximo Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 135). 83 UNIDADE 3 Portanto, o enfraquecimento da musculatura glútea, especifica- mente dos glúteos mínimo e médio, força o indivíduo a se inclinar para o lado afetado, no intuito de colocar o centro de gravidade sobre o quadril. Dessa forma, com a fraqueza desses músculos, seu efeito estabilizador no decorrer da fase de apoio da marcha é perdido (FLOYD, 2016; MAGEE, 2010; DUTTON, 2010). A marcha do glúteo máximo se refere a um padrão de marcha decorrente do enfraquecimento do músculo glúteo máximo; com isso, o indivíduo projeta o tórax para trás, no momento do contato inicial do calcanhar ao chão. Isso ocorre no intuito de manter a extensão do quadril do membro inferior de apoio (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010; DUTTON, 2010). Falando, agora, sobre a marcha antálgica, ela é considerada uma marcha autoprotetora, decorrente de algum tipo de dano ou agravo relacionado ao quadril, joelho, tornozelo ou pé, já que o paciente permanece sobre o membro inferior afetado pelo menor tempo possível e tenta evitar ao máximo o segmento doloroso. Sendo assim, a fase de apoio sobre o membro inferior prejudica- do é mais curta comparado ao membro sadio, pois o indivíduo procura remover o peso que incide sobre o membro inferior afetado. A fasede balanço do membro inferior comprometido não é alterada (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010). Esse padrão de marcha resulta num menor comprimento do passo no lado não prejudicado e na redução da velocidade da marcha e da cadência (MAGEE, 2010). Uma outra modalidade de marcha é a do tipo equina, em que o suporte do peso corporal acontece, basicamente, acima da região dorsolateral ou lateral do pé, podendo variar conforme a gravidade da deformidade. A fase de sustentação de peso sobre o membro inferior prejudicado é reduzida e o indivíduo mani- festa claudicação (andar mancando). É possível observar que a pelve e o fêmur ficam dispostos em rotação lateral no intuito de neutralizar, relativamente, a rotação medial da tíbia e do pé. Nesse padrão de marcha, os dedos ficam direcionados para baixo, resultando no toque dos dedos ao solo no decorrer da caminhada (MAGEE, 2010). Figura 10 - Ao tentar evitar um com- ponente doloroso da marcha, o sujeito assume uma marcha antálgica Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 132). Figura 11 - Marcha equina Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 136). 84 UNICESUMAR Quando os músculos dorsiflexores do tornozelo são fracos ou estão paralisados, o pé se apresen- ta caído, e o indivíduo dispõem de uma marcha denominada escarvante. Neste padrão de mar- cha, o quadril e o joelho se flexionam dema- siadamente para que os dedos dos pés possam se elevar do solo. Na subfase contato inicial, da fase de apoio da marcha, o pé bate contra o chão em decorrência da falta de controle dos músculos dorsiflexores (MAGEE, 2010; NEU- MANN, 2011). Figura 12 - Marcha escarvante ou do pé caído Fonte: Magee (2010, p. 969). A marcha atáxica é característica de indivíduos com má sensibilidade ou prejuízo na coordena- ção muscular, resultando num déficit de equi- líbrio. Sendo assim, o paciente tende a aumen- tar a largura da base, no intuito de ampliar o equilíbrio. Geralmente, o paciente visualiza os pés no decorrer da marcha. A marcha é incons- tante, com espasmos e oscilante. Dessa forma, na marcha atáxica, o comprimento do passo é distinto, a largura é irregular e não há ritmo no caminhar. A relação normal entre as fases de apoio e de balanço da marcha está alterada e, normalmente, não há balanço dos membros superiores (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BER- TOTI, 2014). Figura 13 - Marcha atáxica Fonte: Magee (2010, p. 965). 85 UNIDADE 3 Danos no cerebelo podem resultar em ataxia cerebelar, sendo uma das principais causas da marcha atáxica, estabelecendo uma marcha com movimentos incoordenados, aleatórios e instáveis (MAGEE, 2010). Em uma nova modalidade de marcha, o indivíduo com mar- cha hemiplégica (ou hemiparética) movimenta o membro infe- rior acometido para fora (sentido lateral) e para a frente num movimento circular, movimento de circundação; ou o empurra anteriormente. Além disso, o membro superior prejudicado é levado por meio do tronco para melhorar o equilíbrio. Com re- lação ao posicionamento do membro, normalmente, o membro inferior lesado se apresenta estirado sobre a superfície do chão; o pé posicionado em leve equino e frequentemente os dedos flexionados. O membro superior comprometido normalmente está em flexão e adução e a mão fechada suavemente em prona- ção (ZONTA et al., 2010; MAGEE, 2010; MAZZEI et al., 2016). A marcha das pessoas com hemiplegia é assimétrica entre o membro envolvido e o não acometido. A principal causa da marcha hemiplégica é o Acidente Vascular Encefálico (AVE). Pacientes que sofreram paralisia hemiplégica caminham 50% mais lentamente que suas contrapartes saudáveis. Embora o gasto energético em qualquer período específico não seja maior, a necessidade energética geral é maior porque demora mais tempo para executar a mesma distância (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010). Antes de caracterizar a marcha parkinsoniana, vamos relatar as principais alterações motoras associadas ao mal de Parkinson, as quais são: rigidez muscular; tremor mesmo em repouso; bradicine- sia (movimentos voluntários lentificados) e acinesia. A acinesia é a dificuldade de dar início ao movimento, o que prejudica a iniciação do deslocamento do peso para que o indivíduo comece a caminhar. A bradicinesia se refere à lentidão ou à dificuldade para preservar o movimento depois de iniciado. A incapacidade gerada pela rigi- dez e pela fraqueza dos músculos voluntários também prejudica a utilização funcional dos membros inferiores e as habilidades de locomoção (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010). Figura 14 - Marcha hemiplégica Fonte: Magee (2010, p. 967). 86 UNICESUMAR A característica da marcha parkinsoniana é a fle- xão de tronco, e pescoço e joelhos para frente. Esse padrão de marcha é lento, determinado pelo arrastar dos pés no chão, ou ocasionalmente, por passos velozes e curtos, dessa forma, o compri- mento da passada é bem menor. Os membros superiores não têm mobilidade normal. A postura patologicamente encurvada (flexionada) propi- cia o desenvolvimento de uma marcha em bloco (rígida). Geralmente, no decorrer da marcha, o indivíduo pode se inclinar para frente e andar com maior velocidade involuntariamente, ten- do uma aceleração da marcha, como se estivesse impossibilitado de parar. Esse quadro é chamado de festinação (MONTEIRO et al., 2017; MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; SIMON; EVERITT; DORP, 2013). Frequentemente, no decorrer da marcha, o pa- ciente com Parkinson, se passar por uma situação estressante, espontaneamente para, ou seja, “trava” e fica impossibilitado de andar, dando início a uma série de passos curtos até conseguir voltar deambular novamente. Além disso, indivíduos com mal de Parkinson também apresentam gran- des dificuldades para se virar e mudar de direção no decorrer da deambulação (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014). A marcha claudicante (ou claudicação do psoas) se refere ao músculo psoas e é visualizada em in- divíduos com alterações de quadril. O paciente nessas condições apresenta uma dificuldade na fase de balanço da marcha e a claudicação pode ser seguida por movimentos exorbitantes do tronco e da pelve. A claudicação pode ser ocasionada pelo enfraquecimento ou pelo bloqueio reflexo do músculo psoas maior. As evidências de claudi- cação incluem: rotação lateral, flexão e adução do quadril. O paciente apresenta tendência aos vícios de execução desse tipo de marcha, especialmente quando o ciclo da marcha se tornou automático (MAGEE, 2010; DUTTON, 2010). Figura 15 - Marcha parkinsoniana Fonte: Magee (2010, p. 967). Figura 16 - Claudicação do músculo psoas Fonte: Magee (2010, p. 968). 87 UNIDADE 3 A marcha em tesoura é de- corrente da paralisia espásti- ca dos músculos adutores do quadril, gerando a adução das coxas, determinando, assim, que os joelhos se movimen- tem juntos, o que resulta num acentuado esforço para mover os membros inferiores para frente. Os membros inferio- res estão em semiflexão e para andar o indivíduo rasteja os pés, cruzando-os um na frente do outro, o que caracteriza um movimento parecido com o de uma tesoura (MAGEE, 2010). Esse padrão de marcha tam- bém é conhecido como marcha neurogênica ou espástica. Figura 17 - Marcha em tesoura Fonte: Magee (2010, p. 968). Figura 18 – Marcha do membro inferior curto Fonte: Magee (2010, p. 968). Prosseguindo, a última marcha que veremos é a do membro inferior curto. Nos casos em que um membro inferior é mais curto, compa- rado ao membro contralateral, condição denominada dismetria de membros inferiores ou nos casos em que há alguma deformidade em um dos ossos que compõe o membro inferior, o sujeito exibe um desvio lateral do membro inferior acometido e a pelve comprome- tida também se inclina para baixo, ocasionando uma obliquidade do corpo. O indivíduo também pode exibir um posicionamento em supinação do pé do lado afetado, num esforço de “alongar” o membro (PEREIRA; SACCO, 2008; MAGEE, 2010). A Figura 18 evidencia a marcha do membro inferior curto. As articulações do membrosaudável podem evidenciar uma flexão exagerada ou pode ocorrer elevação do quadril no decorrer da fase de balanço, para permitir que o pé se eleve do solo. A forma com que o indivíduo se adapta à diferença do comprimento do membro inferior apresenta elevada variabilidade. Com calçados adequados, a marcha pode parecer normal (MAGEE, 2010). O que você já sabe sobre a Assistência Podológica? De quantas etapas é constituída? Ouça este podcast e descubra o que é ne- cessário para realizar um atendimento de sucesso e atingir bons resultados no acompanhamento de seus pacientes! 88 UNICESUMAR Título: Avaliação Musculoesquelética Ano: 2010 Para aprofundar os seus conhecimentos sobre a marcha humana, sugiro que você faça a leitura do livro “Avaliação musculoesquelética”, do autor David J. Magee. Este livro aborda, de maneira mais minuciosa, as ques- tões que envolvem a marcha, como o padrão normal da marcha, seus parâmetros avaliativos e as variadas marchas atípicas. Também discorre sobre os princípios e conceitos da avaliação musculoesquelética dos principais segmentos corporais, incluindo perna, tornozelo e pé. Além disso, você poderá recapitular a anatomia aplicada ao complexo tornozelo e pé. Sabemos que os membros inferiores são especializados nas tarefas vitais de sustentação do peso cor- poral e locomoção, portanto, sua integridade é essencial para que atividades diárias ocorram de modo normal e eficiente. As doenças que afetam os membros inferiores, muitas vezes, manifestam-se com mais clareza na marcha, por isso é preciso considerar os parâmetros normais e anormais da marcha para que se possa reconhecer e tratar as alterações patológicas características quando elas aparecem ou, se necessário, encaminhar o paciente para o profissional especializado. Isso tudo justifica a importância desses conhecimentos para você, como futuro(a) podólogo(a), que será um(a) profissional de saúde especializado(a) na prevenção, diagnóstico e tratamento das mais variadas condições que afetam os pés e suas respectivas funções. Conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que você, como futuro(a) podólogo(a), com- preenda os principais aspectos que envolvem a marcha humana, como suas definições, funções, fases e subfases, além dos seus parâmetros mensuráveis, já que esse conhecimento irá lhe ajudar a entender não só a marcha humana, mas também os possíveis fatores que a impedem ou a dificultam. Além disso, as alterações no padrão da marcha influenciam diretamente no aparecimento de várias doenças que aco- metem os pés, e o contrário também acontece. Ainda assim, existem inúmeras podopatias, por exemplo, as calosidades, que podem prejudicar a funcionalidade e a eficiência da marcha. Agora, portanto, você já é capaz de identificar as fases e as subfases do ciclo da marcha, além disso, você já entendeu a importância de incluir a análise da marcha em qualquer avaliação dos membros inferiores, sendo assim, você está apto para atender pacientes que apresentem problemas podais, como calosidades, rachaduras calcâneas, entre outras alterações, que possam estar comprometendo a eficiência da marcha. Além disso, você já está qualificado para fornecer orientações, para o seu paciente, com relação aos fato- res que contribuem para o aparecimento dessas alterações podais, bem como medidas orientativas para evitar o aparecimento e/ou a evolução de condições que comprometam o desenvolvimento da marcha. Dessa forma, é essencial, que você tenha em mente a importância de considerar e avaliar, em todo aten- dimento podológico, os aspectos da marcha. Essa prática permite a você, como profissional, determinar, com precisão, um protocolo de tratamento podológico adaptado às necessidades e às particularidades do seu cliente. 89 M A P A M EN TA LASPECTOS BIOMECÂNICOS E CINESIOLÓGICOS DA MARCHA HUMANA Marchas Patológicas Marcha Humana Avaliação da Marcha Marcha do membro inferior curto Marcha antálgica Marcha equina Marcha em tesoura Marcha do glúteo máximo Marcha do glúteo médio Marcha parkinsoniana Marcha hemiplégica Marcha atáxica Marcha escarvante Características temporais e espaciais Tarefas funcionais da marcha Ciclo da marcha Marcha claudicante Largura da base Rotação da pelve Centro de gravidade Passo e passada Pelve e tronco Parâmetros mensuráveis da marcha A elaboração de um mapa mental torna mais fácil a organização, o entendimento e a fixação dos temas que foram desenvolvidos no decorrer desta unidade, além de ser visualmente atrativo e agradável. Dessa forma, iniciei o nosso mapa mental com os conceitos centrais estudados até o momento. A partir disso, você pode dar continuidade no desenvolvimento do mapa, preenchendo-o com informações, como frases de ligação, que se associem a esses conceitos. Bons estudos! A G O R A É C O M V O C Ê 90 1. Um ciclo da marcha refere o período desde o toque do calcanhar de um pé no solo até o momento que esse mesmo calcanhar volta a tocar o chão novamente. Sabendo que o ciclo da marcha é composto por duas fases, sendo elas a de apoio e a de balanço, assinale a alternativa que repre- senta, em porcentagem do ciclo total, respectivamente as fases de apoio e balanço da marcha. a) 60% e 40%. b) 80% e 20%. c) 20% e 80%. d) 40% e 60%. e) 30% e 70%. 2. A fase de balanço do ciclo da marcha se refere ao período em que o pé não está em contato com o chão. Esta fase permite que os dedos saiam do solo e que o membro inferior avance para frente. No que se refere às etapas da fase de balanço, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ) ( A fase de balanço apresenta três subfases: balanço inicial, balanço médio e balanço final. ) ( A fase de balanço é dividida em 2 subfases: contato inicial e fase de pré-balanço. ) ( Na subfase balanço final, o membro inferior se prepara para fazer o contato com o solo nova- mente. Assinale a alternativa correta. a) V-V-V. b) V-F-F. c) F-F-F. d) F-V-V. e) V-F-V. 3. Com relação às marchas atípicas, sabemos que a presença de patologias interfere nas fases do ciclo da marcha. Existe um tipo de marcha caracterizada pela flexão de tronco, de pescoço e de joelhos, além disso, a marcha é determinada pelo arrastar dos pés no chão. A postura patologi- camente encurvada favorece o desenvolvimento de uma marcha em bloco. Dentre as variadas marchas patológicas existentes, relate a marcha que apresenta as características mencionadas. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 91 1. A. De 100% do ciclo normal da marcha, a fase de apoio representa 60% e a fase de balanço equivale a 40% do ciclo. 2. E. A primeira afirmativa é verdadeira, pois a fase de balanço do ciclo da marcha apresenta três subfases: balanço inicial, balanço médio e balanço final. A segunda afirmativa é falsa, pois a fase de balanço do ciclo da marcha é dividida em 3 subfases: balanço inicial, balanço médio e balanço final. A última afirmativa é verdadeira, pois, na subfase balanço final, o membro inferior se prepara para fazer o contato com o chão novamente. 3. O padrão de marcha que se encaixa nas especificidades mencionadas é o da marcha parkinsoniana, ca- racterística de pacientes portadores da doença de Parkinson. R EF ER ÊN C IA S 92 DUTTON, M. Fisioterapia ortopédica. Exame, avaliação e intervenção. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. São Paulo: Manole, 2016. HALL, S. J. Biomecânica básica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. 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Você também terá a oportunidade de identificar e compreender as alte- rações posturais mais comuns que acometem a coluna vertebral, além dos principais desvios posturais dos membros inferiores, bem como suas interferências no posicionamento dos pés e corpo em geral. 96 UNICESUMAR Olá, aluno(a)! Imagine você, como podólogo(a) forma- do(a) e atuante, e durante uma consulta podológica atende um paciente, do sexo masculi- no, de 42 anos, que trabalha no horário comercial como segu- rança, portanto, permanece a maior parte do dia em pé e com calçado fechado. O pa- ciente se queixa de muita dor decorrente de uma unha, que apresenta uma onicocriptose, além disso, relata que, fre- quentemente, faz uso de me- dicação para reduzir intensas dores na coluna lombar. Ao proceder o exame físico, você nota que o paciente apresenta onicocriptose, especificamen- te na borda medial do hálux direito, no entanto, assim que o paciente retira o calçado, você nota também um desgaste exacerbado na parte de medial do solado do sapato. Inicialmente, você consegue identificar se existe relação entre o surgimento da onicocriptose com o desgaste na parte medial do solado do calçado? Será que uma condição pode estar influenciando no apa- recimento da outra? Seria possível que essas dores lombares tenham relação com o desgaste do calçado? Já parou para pensar na importância de, em sua atuação profissional, você não se concentrar apenas na queixa do seu paciente, mas executar uma avaliação postural geral no decorrer de todo atendimento podológico? É fundamental, como futuro(a) profissional da área da saúde, que você saiba a importância de executar uma avaliação postural geral do seu paciente/cliente, em todo atendimento podológico, independentemente de sua queixa. As questões que envolvem a postura humana devem ser, obrigatoriamente, consideradas no exame físico podológico, já que existem diversas queixas podológicas que podem ser decorrentes de desvios posturais em outros segmentos corporais, como coluna e joelhos, por exemplo. Como os pés são os pilares de sustentação de todo o nosso corpo, quaisquer alterações que eles tenham no posicionamento podem influenciar diretamente no aparecimento de inúmeras modificações postu- rais gerais. Uma análise postural geral irá favorecer um melhor planejamento do tratamento podológico, possibilitando que você determine um protocolo de atendimento adequado e adaptado às necessidades do seu cliente. Dessa maneira, uma avaliação postural global pode fornecer informações clínicas valiosas que devem ser correlacionadas com o histórico do seu paciente e com as queixas referidas. 97 UNIDADE 4 Além disso, é essencial que você compreenda e esteja habilitado(a) para detectar os principais desvios posturais que acometem não só a coluna vertebral, mas também os membros inferiores e, em alguns casos, todo o segmento corpóreo, uma vez que, essas alterações contribuem diretamente para prejuízos biomecânicos e cinesiológicos dos pés, favorecendo o aparecimento de inúmeras podopatias, além de influenciar diretamente no diagnóstico, tratamento e evolução podológica. Agora que já comentei um pouco sobre o tema, proponho uma nova prática inicial: de forma discreta, quando você estiver em algum lugar que tenha um grande fluxo de pessoas, por exemplo, no aeroporto, no metrô, no terminal rodoviário, no centro de sua cidade, numa indústria ou em qualquer outro local, note como as pessoas apresentam posturas corporais diferentes, seja andando, parado ou sentado. Fique atento(a) para identificar os possíveis fatores que possam estar determinando essas posturas distintas. Você consegue visualizar essas diversas posturas? O que vê? Já é capaz de associar essas características a algum fator determinante para uma postura diferente? Diversas características pessoais, bem como os inúmeros fatores intrínsecos e extrínsecos interferem, de maneira expressiva na postura corporal. Podemos destacar alguns desses fatores que determinam as variadas posturas corporais, como personalidade, sexo, faixa etária, etnia, atividades de vida diária, am- biente, temperatura e, até mesmo, a saúde mental. Além disso, a forma como as pessoas mantêm sua postura corporal é um processo complexo, já que também é influenciada pelo funcionamento dos sistemas vestibular, visual, do sistema nervoso central e periférico, bem como dos comandos apropriados do sistema musculoesquelético aos impulsos sensitivos. O conhecimento a respeito dos aspectos que envolvem a postura humana correta, além dos fatores que a prejudicam, bem como a importância da análise postural geral, é extremamente importante na área da podologia, já que um mau posicionamento dos pés interfere negativamente na postura geral do paciente e vice e versa, o que interfere diretamente na assistência podológica. Sendo assim, reflita comigo sobre os pontos-chave importantes: o que é, de fato, uma postura humana adequada e qual sua importância? Quais os fatores que podem influenciar na postura humana? É possível que a postura corporal influencie no funcionamento dos pés? De que forma as alterações biomecânicas de pés podem interferir na postura ideal? É possível que alterações posturais, sejam de pés, joelhos ou coluna, interfiram diretamente na avaliação, no diagnóstico, no tratamento, na evolução e, consequentemente, na eficiência da assistência podológica? Qual a importância do profissional podólogo considerar a avaliação postural global no decorrer da avaliação podológica? É de grande importância que, no decorrerde todos nossos estudos, você faça novas anotações em seu Diário de Bordo, que nada mais é do que o registro das experiências vivenciadas, bem como de tudo que você compreendeu. Essa prática facilitará seu processo de aprendizagem, além de favorecer a organização e desenvolvimento dos seus estudos. 98 UNICESUMAR Anteriormente, já tivemos um contato inicial com algumas questões que envolvem a postura corporal, no entanto, a partir de agora, aprofundaremos as definições que envolvem a postura humana, bem como as particularidades de uma postura correta, já que um posicionamento harmonioso das estruturas corporais é essencial para o adequado funcionamento de todo o corpo, inclusive dos pés. Além disso, uma postura correta geral impede o aparecimento de diversas patologias, que podem comprometer o funcionamento dos membros inferiores e, até mesmo, prejudicar a eficiência de um tratamento podológico. Ao longo da evolução, os seres humanos desenvolveram uma postura ereta, também denominada postura bípede. O alinhamen- to da postura bípede perfeita, numa visão lateral, é descrita como uma linha reta (linha da força de gravidade) que percorre o lobo da orelha, os corpos das vértebras cervicais, a extremidade do ombro, a linha mediana da caixa torácica, os corpos das vértebras lombares, passando levemente atrás da articulação do quadril, discretamente à frente do eixo da articulação do joelho e instantaneamente à frente do maléolo lateral da fíbula (MAGEE, 2010). Postura Correta Figura 1 - Alinhamento da postura ideal D IÁ R IO D E B O R D O 99 UNIDADE 4 A postura ideal é utilizada como ponto de referência, mas dificilmente os sujeitos manifestam uma “postura perfeita”. A postura mais apropriada é aquela que dissemina a força de gravidade de modo a alcançar um funcionamento muscular, articular e ósseo estabilizado, equilibrado e harmonioso. As articulações devem se movimentar na sua amplitude média, para minimizar a tensão inadequada sobre os ligamentos na amplitude final de movimento e compartilhar, de maneira uniforme, a tensão nas superfícies articulares (CIPRIANO, 2005; CHAITOW, 2008). Dessa forma, uma postura adequada é aquela que impõem uma mínima tensão sobre cada articu- lação. No que se refere à biomecânica, uma postura eficiente propicia absoluta eficácia e competência para o desenvolvimento das tarefas do dia a dia, bem como impede o desenvolvimento de danos corporais (CIPRIANO, 2005; CHAITOW, 2008). Para o ser humano, a postura ereta é a postura em pé normal. Embora a postura ereta permita uma visão mais distante e proporcione liberdade para mover os membros superiores, ela também apresen- ta desvantagens, uma vez, que impõe maior estresse sobre os membros inferiores, a pelve e a coluna, reduz a estabilidade e aumenta o trabalho cardíaco. Entretanto, quando a postura ereta é correta, o desempenho muscular exigido para conservar a posição é mínima (MAGEE, 2010). NEONATO Joelho varo moderado 6 MESES Joelho varo mínimo 1 ANO A 7 MESES Membros inferiores retos 2 ANOS A 6 MESES Joelho valgo �siológico Desvio medial protetor dos pododáctilos 4 A 6 ANOS Membros inferiores com desvio lateral normal dos pododáctilos Figura 2 - Evolução fisiológica do alinhamento dos membros inferiores Fonte: Magee (2010, p. 977). Com relação ao desenvolvi- mento da postura, na criança, o centro de gravidade está situado na altura da 12ª vértebra torá- cica. À medida que a criança cresce, o centro de gravidade desce, acabando por se locali- zar no nível da segunda vértebra sacral nos adultos (um pouco mais alto nos homens). A crian- ça fica em pé com uma base larga para manter o equilíbrio e com os joelhos flexionados. Os joelhos se apresentam mo- deradamente encurvados para fora (joelho varo), sentido late- ral, até por volta do 1 ano e meio de idade. A seguir, os joelhos se tornam valgos até, aproximada- mente, os 3 anos de idade. Por volta dos 6 anos, os membros inferiores devem tornar-se retos naturalmente (MAGEE, 2010). 100 UNICESUMAR Inicialmente, uma criança apresenta pés planos em consequência do desenvolvimento mínimo do arco longitudinal medial e do coxim adiposo localizado no arco. Ao passo que a criança se desen- volve, ocorre uma redução do tamanho do coxim adiposo, o que resulta num arco longitudinal medial mais perceptível. À medida que o pé se desenvolve e os músculos se tornam mais fortes, os arcos dos pés desenvolvem-se normalmente e tornam-se mais evidentes. O início da marcha é um dos fatores que estimulam o desenvolvimento dos arcos plantares. Tal desenvolvimento pode ocorrer até em torno dos 5 anos de idade (MAGEE, 2010; MINGHELLI et al., 2011). Sabemos que as pessoas possuem formas e estaturas variadas e têm estilos de vida diferentes. Por- tanto, suas posturas também variam. Os hábitos da infância afetam diretamente a postura corporal. Práticas corretas estabelecem uma postura equilibrada e estável. Maus hábitos acarretam em más pos- turas e instabilidade. Ficar muito tempo sentado, carregar peso, andar encurvado e dormir em posição errada causam postura inclinada para frente. O hábito de realizar atividades de um único lado, como carregar uma bolsa pesada, sentar sobre a carteira que está no bolso ou sentar-se de lado para poder enxergar o monitor mal posicionado de um computador, treina o corpo para que os seus dois lados sejam assimétricos. Qualquer posicionamento corporal que resulta numa elevação de tensão sobre as articulações pode ser intitulado como uma postura ruim (CIPRIANO, 2005; MAGEE, 2010). Sabemos, também, que uma boa postura corporal é fundamental para o correto funcionamento de todos os segmentos corporais, inclusive dos pés. A compreensão dos principais fatores que pos- sam comprometer a postura é importante para que você possa orientar o seu paciente a respeito dos hábitos posturais que prejudicam a postura correta, no intuito de evitar o aparecimento de inúmeras disfunções e complicações, como dores, lesões, fadiga, entre outros. Diversas especificidades anatômicas podem impactar na postura adequada, tais como fraqueza ligamentar e muscular, alteração de tônus muscular, falta de flexibilidade articular etc. Algumas das causas podem ser posturais (posicionais) e/ou estruturais, conforme veremos a seguir (MAGEE, 2010). As disfunções posturais mais frequentes são decorrentes de hábitos posturais precários, ou seja, de fatores posicionais, dessa forma, o indivíduo não tem habilidade para sustentar uma postura adequada. As más posturas são frequentemente observadas em indivíduos que permanecem em pé ou sentados por períodos extensos, o que, frequentemente, resulta num encurvamento de cabeça, coluna e ombros para frente. A capacidade de sustentar uma postura adequada demanda um sistema articular e muscu- loesquelético resistente, íntegro, flexível e prontamente ajustáveis a variações do ambiente. Tais sistemas devem atuar de maneira contínua em oposição à força de gravidade, mas em equilíbrio e concordância entre si, para conservar uma postura erguida e estabilizada (MAGEE, 2010). Figura 3 - Pé plano na infância (fisiológico) 101 UNIDADE 4 Uma outra causa de mau hábito postural, especialmen- te em crianças e adolescentes, é quando estes não querem se apresentar mais altos compara- dos aos amigos da mesma ida- de. Nos casos em que a criança ou adolescente, rapidamente e antecipadamente, passa pelo estirão de crescimento, essa condição pode predispor os sujeitos a se arquearem para a frente para não “ficar em desta- que” e apresentar discrepantes. Figura 4 - Mau hábito postural Essa fase de estirão também pode provocar um desenvolvimento, ou seja, um crescimento despro- porcional de diversos componentes anatômicos, favorecendo os prejuízos posturais. A dor também pode causar má postura. A pressão sobre uma raiz nervosa da coluna lombar pode acarretar lombalgia e causar uma escoliose, uma vez que o corpo inconscientemente adota uma postura que diminui ador (MAGEE, 2010). A obesidade também é um fator que contribui para as modificações posturais, já que a acu- mulação de gordura abdominal resulta num abdômen protuso (anteriorizado), tendo como con- sequência o deslocamento anterior do centro de gravidade, com acentuamento da curvatura da lordose lombar e encurvamento anterior de pelve. Além disso, o aumento do peso corporal pode resultar num aumento da cifose torácica (podendo interferir na função respiratória), tendo um aumento da lordose cervical e, consequentemente, anteriorização da cabeça e pescoço. Dessa ma- neira, o aumento excessivo de peso estabelece uma elevação das atribuições biomecânicas para o ajustamento corporal (MOURA; SILVA, 2012; SIQUEIRA et al., 2015). Grande parte dos déficits posturais posicionais podem ser facilmente reparados e/ou compensados logo após o distúrbio ser constatado. O tratamento envolve o fortalecimento da musculatura enfraquecida, o alongamento dos componentes anatômicos encurtados, e uma das etapas mais importantes é que o indi- víduo adquira a consciência do seu comprometimento e não meça esforços para preservar uma postura apropriada, seja na posição em pé, sentada ou durante a execução das tarefas do dia a dia (MAGEE, 2010). As deformidades estruturais podem ser decorrentes de anomalias congênitas, problemas de desen- volvimento, traumas ou doenças (ósseas, articulares, musculares, neurológicas etc.), os quais constituem exemplos de fatores estruturais, podendo acarretar em modificações da postura. Por exemplo, uma diferença significativa no comprimento dos membros inferiores ou uma anomalia da coluna verte- bral pode prejudicar a postura correta. As deformidades estruturais compreendem particularmente perturbações ósseas, musculares e articulares e, geralmente, não são recuperadas com facilidade sem o indivíduo passar por um processo cirúrgico. No entanto, os sujeitos frequentemente conseguem amenizar as manifestações clínicas por meio de orientações ou recursos destinados à melhora da postura (MAGEE, 2010). 102 UNICESUMAR A paralisia cerebral é uma encefalopatia, a qual resulta num prejuízo do controle e da manutenção da pos- tura corporal, determinando posturas viciosas. Essa alteração neurológica também dificulta a execução e o controle dos movimentos. Portanto, essa condição constitui-se num fator estrutural de má postura. Com relação à análise postural, é essencial que o profissional, durante o exame físico podológico, proceda à avaliação postural geral, para que assim possa traçar o diagnóstico e o tratamento podológico adequado ou, se necessário, encaminhar o paciente para um profissional especializado, já que diversas desordens que acometem os pés podem ser resultantes de mau posicionamento dos membros inferiores, bem como da coluna vertebral e vice-versa. O ideal é que, primeiramente, o paciente resolva a “causa” do problema, para que possa prosseguir com o tratamento podológico. A análise da postura fornece informações clínicas valiosas que devem ser correlacionadas com o histórico do paciente e com os sintomas relatados. Dessa forma, para analisar a postura, é preciso considerar a maneira como o corpo está se equilibrando. As observações posturais são orgânicas, isto é, elas lidam com o organismo como um todo. Ao contrário da maioria dos testes ortopédicos e neurológicos, que focalizam na identificação da natureza específica de uma lesão, enfermidade ou outro problema clínico, a avaliação postural considera a pessoa por inteiro, ou seja, como um todo, já que, a postura compreende um acúmulo de adaptações e compensações decorrentes de hábitos e, até mesmo, de lesões, para permitir que o corpo se equilibre e funcione com eficácia (CIPRIANO, 2005). Figura 5 - Modificações posturais deter- minadas pela paralisia cerebral (encefa- lopatia crônica não progressiva) 103 UNIDADE 4 Clinicamente, a meta da avaliação postural é identificar a falha mais importante na cadeia cinética. Posturas desalinhadas resultam em respostas compensatórias. Ao observar a postura, o avaliador deve permanecer concentrado para detectar quaisquer discrepâncias ou instabilidades. O importante é as- similar mentalmente os sintomas referidos, os sinais observáveis e os antecedentes do indivíduo com a biomecânica do equilíbrio corporal. Antes da avaliação postural, o profissional deve obter todo o histórico do paciente, focando no detalhamento de sintomas, fraturas, lesões, anomalias congênitas etc., já que essas condições interferem diretamente na postura geral do indivíduo, inclusive dos membros inferiores (CIPRIANO, 2005). No decorrer da análise postural, o profissional deve solicitar ao paciente que fique em pé com a cabeça ereta. O paciente que adota a postura rígida deve ser solicitado a relaxar e ficar em posição confortável (normal). Em geral, os indivíduos se esforçam para posicionarem-se na postura “correta”, entretanto, para constatar o legítimo posicionamento de repouso, é essencial não instruir os indivíduos, pedindo-lhes para endireitar o que está desordenado. Se os pés e o dorso estiverem desalinhados, ou os dois pés não estiverem virados para o mesmo ângulo, oriente o paciente a dar cinco passos no local. Se ainda assim os pés e o dorso continuarem desalinhados, é sinal de desvio postural (CIPRIANO, 2005). Com relação à análise dos membros inferiores, numa visão anterior, o profissional deve se atentar para a abdução das pernas que deve ter o mesmo grau em relação à linha mediana; e a parte posterior do joelho deve ter a mesma aparência em ambos os lados. Tornozelos e pés devem demonstrar alinhamento simétrico bilateral e os pés devem estar voltados discretamente para a lateral. Já numa visão lateral, os membros inferiores devem estar verticalmente alinhados com as articulações do joelho em posição neutra. Os membros inferiores devem estar posicionados uniformemente na posição vertical e constituir um ângulo reto com a região plantar (CIPRIANO, 2005). Sabemos que o pé e o tornozelo formam a base de sustentação, ou seja, são os alicerces do corpo todo, permitindo-nos permanecer na posição bípede. Sendo assim, obrigatoriamente, devem ser considerados na análise postural, já que o posicionamento dos pés interfere diretamente na postura dos sujeitos de praticamente todas as faixas etárias; entretanto, a faixa etária em que se nota o maior surgimento de pro- blemas é entre os 45 e 65 anos de idade. Ainda assim, se algum problema acometer os pés, como lesões, fraturas, disfunções genéticas ou posturais, podopatias, isso pode gerar uma série de compensações e desvios no corpo todo, resultando em quadros dolorosos, enrijecimentos, contraturas musculares, res- trições de movimentos, complicações ortopédicas, entre outras. Ao longo da vida, diversos fatores moldam a nossa postura, como histórico de lesões, atividades da vida diária e hábitos posicionais. Entretanto, do ponto de vista clínico, as alterações posturais podem originar uma cascata de causas e efeitos corporais. Subjetivamente, o paciente, em geral, acredita que está ereto e equilibrado, mesmo quando a inspeção visual mostra o contrário. Se o cérebro “acredita” que o corpo está equilibrado, mesmo quando não está, adaptações posturais exercem tensão irregular e predispõe a lesões no futuro (SEDREZ et al., 2015). 104 UNICESUMAR Com relação às características da coluna verte- bral, numa visão anterior, a coluna parece ser reta, no entanto, numa visão lateral, a coluna apresenta formato de “S”. Tal fato é decorrente da presença da cifose e da lordose, as quais constituem curvaturas naturais, ou seja, fisiológicas da coluna no plano sa- gital e se desenvolvem conforme o desenvolvimen- to da criança. A coluna vertebral apresenta quatro curvaturas, sendo elas: lordose cervical; cifose to- rácica; lordose lombar e cifose sacrococcígea. Essas curvaturas atuam amenizando o impacto e o cho- que sobre a coluna vertebral, inclusive da própria ação da gravidade e das posições em pé e sentado(GIANINI et al., 2016; FLOYD, 2016). Dessa forma, qualquer alteração no grau des- sas curvaturas (cifoses e lordoses), prejudica o alinhamento da postura, resultando em desvios posturais, dentre os quais podemos destacar a hipercifose torácica, a hiperlordose lombar e/ou cervical. Uma outra modificação postural muito comum é a escoliose, que é definida como uma alteração da coluna vertebral no plano coronal, conforme veremos adiante. A seguir, abordaremos os principais desalinhamentos posturais da coluna vertebral, uma vez que esses desvios influenciam diretamente no posicionamento e funcionamento dos pés e vice-versa. Iniciaremos pela hipercifose torácica, que é uma deformidade no plano sagital que aumenta a angulação convexa posterior da coluna. Na região torácica, a curvatura exibe concavidade para o lado posterior. Quando a curvatura torácica está exagerada, tem-se essa condição denominada hi- percifose torácica. Na maioria das vezes, ela se desenvolve na coluna torácica. Popularmente, essa condição é conhecida como “corcunda” (CIPRIA- NO, 2005; HAMILL; KNUTZEN, 2012). Pacientes com hipercifose torácica apresentam pescoço mais anteriorizado, a região dorsal arredon- dada, os ombros caídos e protusos, ou seja, deslocados para frente, conforme você pode notar na Figura 8. LORDOSE CERVICAL CIFOSE TORÁCICA LORDOSE LOMBAR CIFOSE SACRAL Figura 6 - Curvaturas fisiológicas da coluna vertebral Figura 7 - Hipercifose torácica Fonte: Cipriano (2005, p. 240). 105 UNIDADE 4 A hipercifose torácica apresenta diversas causas, dentre as quais podemos destacar: deformidade genética, osteoporose, traumas, má postura, principalmente sentada (costureiras, manicures, digitadores, secretárias, dentistas etc.), postura errada ao utilizar o computador e celular, fraqueza muscular, envelhe- cimento (comum nos idosos), espondilite anquilosante, distrofias musculares, poliomielite, espinha bífida, idiopática etc. Trata-se de uma condição bastante comum entre os adolescentes, principalmente naqueles que crescem muito e se destacam perante aos seus colegas da mesma idade e, muitas vezes, por vergonha, adotam a postura “corcunda” no intuito de tentar parecer com a altura dos outros (KENDALL et al., 2007). Ainda assim, esse quadro também é frequente no sexo feminino, principalmente no período do desenvolvimento das mamas, já que, por vergonha, as meninas podem adotar a posição de hipercifose torácica ou pelo peso das próprias mamas. Muitas vezes, essa condição é assintomática, ou seja, o paciente não refere queixas, entretanto, alguns podem relatar dores, fadiga muscular, desequilíbrios e dificuldades para deambular. Em casos mais severos, a hipercifose torácica pode comprometer a função respiratória, uma vez que prejudica a capacidade de expansão do tecido pulmonar, em decorrência da insuficiência da mobilidade torácica (KENDALL et al., 2007; SEDREZ et al., 2015). Figura 8 - Protusão de ombros e dorso arredondado carac- terísticos da hipercifose torácica Alterações nas lordoses, como o aumento ex- cessivo (acentuado) das curvaturas, resulta em condições conhecidas como hiperlordose cer- vical e/ou hiperlordose lombar. Na região cer- vical, a curvatura apresenta concavidade para o lado anterior. Essa curvatura deve ser pequena e se situar acima do cíngulo do membro superior (clavícula e escápula) e, obviamente, em condi- ções normais, a cabeça também deve se encontrar acima do cíngulo do membro superior. Quando a curvatura cervical, ou seja, a lordose cervical está acentuada para o lado anterior, tem-se uma hiperlordose cervical (HAMILL; KNUTZEN, 2012; NEUMANN, 2018). A hiperlordose cervical pode ser decorrente de vários fatores, dentre os quais podemos destacar: genético, histórico familiar, fraqueza muscular, má postura, perturbações da articulação temporoman- dibular (ATM), cifose torácica excessiva, movimen- tos repetitivos, idiopática (desconhecida) etc. Na maioria das vezes, essa condição não gera sinto- mas, no entanto, dependendo da gravidade, alguns pacientes podem relatar dores e desconfortos na região do pescoço. Além disso, o indivíduo pode apresentar o pescoço mais estendido anteriormente, podendo ter nariz arrebitado, ou seja, “empinado” (MOURA; SILVA, 2012). 106 UNICESUMAR A hiperlordose lombar é carac- terizada pelo acentuamento an- terior da coluna lombar, ou seja, a lordose lombar se encontra aumentada. Esse acentuamento lombar frequentemente é gerado pelo posicionamento anterior da pelve (anteversão pélvica) e/ou pela fragilidade da musculatu- ra abdominal, a qual mantém a lordose lombar estabilizada. Tais condições resultam numa ante- riorização, ou seja, numa protu- são abdominal, dessa maneira, a barriga se projeta para frente, e o paciente, muitas vezes, exibe uma “barriga saliente” (HAMILL; KNUTZEN, 2012). Frequentemente, indivíduos com hiperlordose lombar podem apresentar o bumbum mais empi- nado, já que os glúteos ficam mais evidentes, e o abdômen globoso (saliente). Na maioria das vezes, os pacientes se queixam de dores na região lombar, o que é denomina- do lombalgia, e podem apresentar restrições na mobilidade lombar. Existem várias causas que con- tribuem para o surgimento desse quadro, dentre os quais podemos ressaltar: má postura, fraqueza da musculatura abdominal, obesida- de, histórico familiar, alterações genéticas, distrofias musculares, traumas, gravidez (temporaria- mente), idiopática, doenças con- gênitas ou adquiridas entre outras (BARBOSA et al., 2011; MOU- RA; SILVA, 2012; ALMEIDA; KRAYCHETE, 2017). Figura 9 - Hiperlordose cervical Figura 10 - Hiperlordose lombar acompanhada de hipercifose torácica 107 UNIDADE 4 A frequente utilização de calçados de salto alto pode resultar em contratura dos músculos da panturrilha, bem como processos álgicos no joelho e na coluna lombar, uma vez que a lordose lombar aumenta com o objetivo de preservar o centro de gravidade no seu posicio- namento correto. Além do mais, essa prática, eleva a possibilidade da ocorrência de entorses e fraturas de tornozelo e pé, já que um centro de gravidade mais alto favorece o desequilíbrio corporal (MAGEE, 2010). O mais grave dos distúrbios posturais que afetam a coluna é a escoliose, a qual constitui uma defor- midade lateral da coluna vertebral no plano coronal, associada a uma rotação dos corpos vertebrais. A curvatura pode ter forma de “C” ou “S”, dependendo da direção e dos segmentos inicial e final. A escoliose em forma de “C” é designada quando o desvio ocorre apenas em uma região. Por exemplo, uma curva convexa à esquerda na região cervical seria denominada curva em “C” cervical esquerda (uma só curvatura). Numa curva em forma de “S”, o desvio lateral ocorre em regiões diferentes e em direções opostas, como é o caso de uma convexidade torácica direita e lombar esquerda (mais de uma curvatura) (CIPRIANO, 2005; HAMILL; KNUTZEN, 2012). COLUNA RETA (NORMAL) DESVIO POSTURAL (ESCOLIOSE) Figura 11 - Escoliose em “C” Com relação às evidências físicas, os indivíduos com es- coliose exibem ombros, cos- telas, mamilos, cristas ilíacas e pernas com alturas distintas, ou seja, assimétricas, e o corpo parece estar inclinado para um lado. Eventualmente, o pacien- te pode relatar algum descon- forto muscular, como a fadiga; entretanto, a maioria não relata queixas. Em casos mais notó- rios, alguns pacientes podem apresentar sintomas psicológi- cos, como a vergonha pela sua postura (HOUGLUM; BERTO- TI, 2014; MAGEE, 2010). 108 UNICESUMAR A escoliose constitui um tipo de desvio postural muito frequente, que prossegue até a maturidade do esqueleto, sendo mais comum nas mulheres. As cau- sas conhecidas da escoliose incluem: desequilíbrio estrutural congênito; assimetria de crescimento; le- sões neoplásicas, traumáticas ou infecciosas; displasia óssea; controle neuromuscular assimétrico; discre- pância no comprimento dos membros inferiores; e imobilização reflexiva causada por dor ou irritaçãonervosa. No entanto, aproximadamente 85 a 90% dos casos de escolioses são idiopáticos, ou seja, sem causa aparente. Considera-se que a escoliose idiopática tem base genética (CHEW, 2014; CIPRIANO, 2005).Figura 12 - Sinais físicos da escoliose As diversas complicações que podem acometer os pés, como calos, calosidades, fissuras plantares, onicocriptose, onicofose entre outras, podem influenciar na postura dos membros inferiores, inclusive da coluna vertebral, podendo comprometer também a funcionalidade da marcha. Alterações posturais de pernas e pés interferem diretamente na postura geral do indivíduo. Dessa forma, se as pernas e os pés estiverem mal alinhados, essa condição resulta em sobrecarrega de diversos componentes anatômicos, como articulações, músculos e tendões. Nos casos em que especificamente os pés estiverem desarmoniosos, consequentemente a pisada ficará prejudicada, o que resulta em diversas compensações e desvios posturais, favorecendo o aparecimento de várias condições, como dores, enrijecimentos musculares, restrição de movimentos, entre outros. Além disso, frequentemente, dores nas costas e nos membros inferiores também podem ser atribuídas ao ali- nhamento anormal de quadris, joelhos e pés (OATIS, 2014). Dessa maneira, a seguir, relataremos os desvios posturais mais frequentes que acometem os membros inferiores, dos quais o conhecimento a respeito é de extrema importância para você, como futuro(a) podólogo(a). O alinhamento do joelho pode ser afetado pelo alinhamento do quadril, do tornozelo e do pé. Essa interação é o resultado da localização do joelho entre o solo sobre o qual o indivíduo está, e o peso so- breposto da cabeça, dos braços, do tronco e do membro inferior oposto. O desalinhamento do joelho pode resultar de uma série de fatores: desalinhamento das articulações do quadril, do tornozelo ou do pé; desequilíbrios musculares; e sobrecargas anormais sobre a articulação do joelho. A identificação precisa dos desalinhamentos do joelho e das deformações associadas às articulações adjacentes é parte essencial de uma avaliação podológica, uma vez que essas alterações comprometem o posicionamento e o funcionamento dos pés e vice-versa (OATIS, 2014). Quando ocorrem alterações osteomioarticulares dos membros inferiores, estas podem resultar no aparecimento de deformidades ou desalinhamentos dos joelhos, denominados: joelho valgo e joelho varo. Quando o paciente apresenta uma flexão dos dois joelhos com as patelas aproximando-se, o joelho é dito valgo, vulgarmente conhecido como joelhos em “x”. Esse desalinhamento é caracterizado por uma aproximação medial dos joelhos, e os pés se distanciam lateralmente. O joelho valgo está diretamente relacionado a uma pisada pronada, uma vez que sobrecarrega a região medial do pé, o que pode com- 109 UNIDADE 4 prometer a funcionalidade dos pés durante a marcha. Esse quadro acomete com maior frequência o sexo feminino, pelo fato de as mulheres apresentarem quadril mais largo (BEGA; LAROSA, 2010). Quando o paciente tem os joelhos abertos, ou seja, as pernas arqueadas, essa condição é denominada joelho varo. Nesse caso, os joelhos se afastam no sentido lateral, para fora da linha média do corpo, e os pés se aproximam medialmente. No entanto, é uma condição mais rara. O joelho varo tem relação direta com a pisada supinada, já que sobrecarrega a região lateral do pé, o que também pode comprometer toda a biomecânica dos pés (BEGA; LAROSA, 2010). Normal Joelho varo Joelho valgo Figura 13 - Diferença entre joelho valgo e varo Recém-nascidos e crianças pequenas normalmente apresentam joelho varo. Esse alinhamento em varo desaparece e é substituído por um alinhamento em valgo que atinge um pico em torno do primeiro ano aos três anos de idade. Há uma redução gradual do valgismo, que finalmente chega aos valores adultos quando a criança atinge seis ou sete anos de idade (OATIS, 2014). Existem uma série de condições que podem desestabilizar a articulação do joelho, como problemas ósseos, musculares, articulares e ligamentares, os quais contribuem para o aparecimento dos desvios posturais, dentre os quais podemos destacar o joelho flexo e o joelho hiperestendido. O joelho hiperesten- dido, conhecido também como geno recurvato, é caracterizado pela projeção posterior do joelho, ou seja, ocorre uma hiperextensão dos joelhos, de forma que a linha da gravidade se situe anteriormente aos joelhos. Frequentemente, essa condição é decorrente da hipertrofia e/ou encurtamento dos músculos que realizam a extensão dos joelhos (NEVES; CAMPAGNOLO, 2009; SANTOS, 2001). O joelho flexo, também denominado geno flexo, é determinado pela projeção anterior dos joelhos, de maneira que a linha da gravidade passe superiormente ou posteriormente aos joelhos. Geralmente, esse quadro é ocasionado pela hipertrofia e/ou encurtamento da musculatura que exerce a flexão dos joelhos ou dos músculos da panturrilha. Ambos desvios posturais de joelhos são evidentemente visualizados numa visão lateral (NEVES; CAMPAGNOLO, 2009; SANTOS, 2001). 110 UNICESUMAR As deformidades nos pés po- dem ocorrer por várias causas. É possível que haja má formação congênita dos ossos; paralisia ou espasticidade muscular; tensões e distensões crônicas na susten- tação do peso corporal; sapatos mal ajustados; ou uma combi- nação de alguns desses fatores. Em outras palavras, essas defor- midades podem ser congênitas ou adquiridas. Como as forças são transmitidas dos pés para os membros inferiores durante a deambulação, algumas dessas deformidades podem influen- ciar outros segmentos corporais a se alterarem no intuito de se adaptar a essas deformidades ao longo do tempo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Figura 14 - Diferença entre joelho hiperestendido e joelho flexo Fonte: a autora. Desalinhamentos na altura do arco longitudinal medial do pé podem resultar em condições co- nhecidas como pé cavo e pé plano. O pé plano, vulgarmente denominado pé chato, é caracterizado por uma redução ou desabamento do arco longitudinal medial. Na posição ortostática, os ligamentos plantares e a fáscia plantar alongam-se sob o peso corpóreo e o ligamento calcaneonavicular plantar não suporta a cabeça do tálus. Como resultado, a cabeça do tálus e o navicular se desviam na direção inferomedial, apresentando-se proeminentes, desabando o arco longitudinal medial. Sendo assim, o pé toca o chão, quase que por inteiro, tendo uma grande área de apoio da planta do pé com o solo, além de apresentar um formato plano (BEGA; LAROSA, 2010; HAMILL; KNUTZEN, 2012). O pé cavo é caracterizado por um aumento na altura do arco longitudinal medial, resultando em pouca área de contato do pé com o chão. Indivíduos com pé cavo relatam com maior frequência dor no pé, pois apresentam pressões plantares acentuadas sobre o retropé e uma duração acentuada de altas pressões sobre o retropé e o antepé. Essas alterações são decorrentes da diminuição na área de contato sobre o pé, em virtude do arco elevado. Sendo assim, essa condição pode ser acompanhada de hiperqueratose sob as cabeças dos metatarsos; retração das articulações interfalangeanas; e dedos em “garra”, decorrentes do estresse nas regiões de antepé e retropé (BEGA; LAROSA, 2010; HAMILL; KNUTZEN, 2012). 111 UNIDADE 4 Indivíduos com pé cavo apresentam mobilidade reduzida no pé e, por isso, o pé trabalha como uma alavanca rígida em todo o ciclo da marcha. Assim, ele é incapaz de absorver as forças de impacto da caminhada ou de uma corrida. Ambas as anormalidades do arco predispõem os sujeitos a lesões, como alterações ligamentares; desequilíbrios musculares e tendinosos; alterações de equilíbrio; desalinha- mentos ósseos; comprometimento da marcha etc. Além disso, as duas condições afetam a funcionali- dade dos pés, resultando na redução da capacidade de absorção de choques e impactos, e prejuízo na distribuição apropriada de peso corporal por todo o pé (OATIS, 2014; HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Figura 15 - Hiperqueratoseplantar PÉ PLANO (ARCO DESABADO) PÉ NORMAL PÉ CAVO (ARCO ELEVADO) Figura 16 - Diferenças entre pé plano e pé cavo 112 UNICESUMAR Existem outros desvios posturais de membros inferiores, que também podem ocorrer nos pés, os quais são conhecidos como pé aduto e pé abduto. A alteração denominada pé aduto ocorre quando o indivíduo caminha com os pés direcionados no sentido linha mediana (meio) do corpo, com relação ao plano sagital. Nesse caso, ocorre uma rotação medial (interna) do tornozelo, resultando na aproxi- mação do hálux na linha mediana. O pé aduto é comum quando a criança nasce e é frequentemente ocasionado pelo posicionamento do bebê no interior do útero, no entanto, com o passar do tempo, esse quadro é corrigido naturalmente (MATTOS; NEIRA, 2013). O pé abduto é contrário ao aduto, nesse caso, o sujeito deambula com os pés no sentido lateral, ou seja, distante da linha mediana do corpo, considerando o plano sagital. Essa condição é caracterizada por uma rotação lateral (externa) da articulação do tornozelo, fazendo com que o hálux fique mais perto da linha lateral (MATTOS; NEIRA, 2013). A diferença no posicionamento do pé aduto e do pé abduto podem ser visualizadas na Figura 18. Existem outras deformidades que também podem ocorrer nos pés, as quais são conhecidas como pé equino e pé calcâneo. No pé do tipo equino, o apoio do pé é feito apenas com a extremidade anterior (antepé), sem a utilização do calcanhar, já que o movimento de dorsiflexão da articulação do tornozelo é restrito. Esse quadro resulta numa maior sobrecarga na ponta do pé. Quando essa condição acomete apenas um pé, consequentemente, ocorre uma sobrecarga no pé e no membro inferior contralateral, além da possibilidade de disfunções na coluna vertebral. O pé equino pode ser decorrente de vários fatores, dentre os quais podemos destacar: anomalias congênitas, paralisia cerebral, encurtamento do Você sabia que existe um equipamento, muito utilizado durante a prática podológica, para analisar a impressão da planta dos pés? Esse instrumento é chamado de podoscópio (Figura 17). Com relação ao seu funcionamento, o equipamento apresenta uma base elevada, em que o paciente fica em pé sobre essa base e, abaixo, tem-se um espelho para refletir os pontos de maior pressão nos pés, sendo, portanto, possível analisar o tipo de pé e, consequentemente, o tipo de pisada. A partir daí, o podólogo poderá traçar o diagnóstico e proceder a conduta podológica. Figura 17 - Podoscópio Figura 18 - Pé Aduto (esquerda) e Pé abduto (direita) Fonte: a autora. 113 UNIDADE 4 tendão do calcâneo e/ou dos músculos da pan- turrilha, uso frequente de sapato de salto alto, pé imobilizado por muito tempo na posição equina etc. (VOLPON, 2014; VOLPON; NATALE, 2019). O pé equino altera toda a biomecânica dos membros inferiores e, até mesmo, da coluna vertebral, dessa forma, além de afetar a locomo- ção, na maioria das vezes, resulta numa série de complicações, como: esporão de calcâneo, fas- cite plantar, inflamação do tendão do calcâneo, neuroma de Morton, metatarsalgia, hálux valgo, calosidades, dedos em garra, dores nos membros Figura 19 - Pé equino Fonte: Volpon (2014, p. 39). inferiores e coluna entre outros (VOLPON; NATALE, 2019). Neste podcast você vai ouvir e se aprofundar mais sobre uma das podopatias mais frequentes na população: o Esporão de Calcâneo, que pode alterar significativamente a cinesiologia e biomecânica dos membros inferiores, causando diversos problemas ao paciente. Mas, você, como profissional da Podologia, poderá atuar na pre- venção, diagnóstico e tratamento dessa doença. Quer saber como? Vem cá que eu te conto! No pé do tipo calcâneo, o apoio do pé ocorre apenas no calca- nhar (retropé), sem a utilização do antepé. Isso decorre de um pre- juízo no movimento de flexão plantar. Esse quadro é caracterizado pela proximidade do dorso do pé com a região anterior da perna. As causas do pé calcâneo ainda não são totalmente esclarecidas, no entanto, os estudos demonstram que 1 a cada 1000 crianças manifesta essa alteração ao nascer, no entanto, no decorrer do desenvolvimento, a maioria das deformidades são corrigidas espontaneamente. A Figura 20 evidencia a deformidade pé calcâneo (VOLPON, 2014; SANT’ANNA; NEVES, 2009). A partir de agora, abordaremos os tipos de pisada; entretanto, antes de descrevermos cada um, é importante conceituarmos o termo pisada. Sendo assim, a pisada refere o período da fase de apoio da marcha, ou seja, representa o instante em que o pé está em contato com o chão, suportando o peso corporal. O jeito como as pessoas pisam depende diretamente das particularidades anatômicas de cada um, por exemplo, o tipo de pé (cavo, plano ou normal), a força muscular, o alinhamento dos joelhos e a mobilidade articular. Cada sujeito pisa de uma forma, mas comumente são estabelecidos três tipos de pisadas, sendo elas, a neutra, a pronada e a supinada. Figura 20 - Pé calcâneo Fonte: a autora. 114 UNICESUMAR A pisada neutra é considerada a normal. Nesse tipo de pisada, o peso do corpo é compartilhado de maneira igual em todo o pé, isto é, não existem áreas de maior pressão (sobrecarga). Em torno de 45% da população mundial apresentam essa pisada e são os que manifestam o mínimo de limitações no momento de decidir sobre o calçado a utilizar. A pisada neutra é a pisada ideal, já que proporciona a absorção de choques e impactos pelos pés ao longo da marcha ou de uma corrida, restringindo as chances de danos (BEGA; LAROSA, 2010). A pisada pronada, vulgarmente, é conhecida como “pisar para dentro”. Essa pisada é iniciada na região medial do calcanhar e finaliza nas regiões próximas ao hálux. Nesta maneira de pisar, o pé executa uma rotação medial demasiada, ou seja, acontece uma rotação intensa do pé para dentro (pé permanece por mais tempo numa pronação excessiva); como consequência, a descarga do peso do corpo é intensificada na parte interna do pé. Quase metade, ou seja, em torno de 50% da população mundial apresenta esse tipo de pisada, a qual ocorre com maior frequência o sexo feminino. Indiví- duos com pé plano frequentemente apresentam pisada pronada, já que esse tipo de pé pode resultar em hiperpronação em decorrência do desabamento do arco durante a pisada (GUIMARÃES et al., 2000; BEGA; LAROSA, 2010). A pisada supinada é conhecida popularmente como “pisar para fora”. Nesse tipo de pisada, o indivíduo utiliza a região lateral do pé e, especialmente, a área do dedo mínimo para se impulsionar. Nessa pisada, o contato do pé com o solo é mantido pela região lateral (externa) do pé; e o pé permanece por mais tempo em supinação excessiva. Dessa forma, o peso corporal sobrecarrega a região lateral do pé. Frequentemente, indivíduos com pé cavo apresentam esse tipo de pisada. A pisada supinada é menos frequente a nível da população mundial, pois acomete em torno de 5%, sendo mais comum em indivíduos com pé cavo (pé rígido que prejudica o movimento de pronação) (GUIMARÃES et al., 2000; BEGA; LAROSA, 2010). PISADA PRONADA PARA DENTRO/MEDIAL PISADA SUPINADA PARA FORA/LATERAL Figura 21 - Pisada supinada e pronada Uma pisada pronada ou su- pinada pode levar a uma série de complicações, se não corrigidas, como o aparecimento de bolhas; calos e calosidades; fraturas ós- seas por estresse; joanete; bunio- nette (joanete de 5º dedo); dedo em garra e em martelo; fascite plantar; entorse; canelite (infla- mação da tíbia); dores lombares e no quadril; edema e forte can- saço nos pés; fissuras plantares etc. Além disso, a pisada prona- da ou supinada, se não forem corrigidas, com o decorrer do tempo, podem resultar em inú- meras compensações posturais e lesões osteomioarticulares (BEGA; LAROSA, 2010). 115 UNIDADE 4 O tipo de pisada deve ser determinado por profissionais que compreendam a biomecânica da marcha. A investigação do tipo de pisada pode ser executada por meio da baropodometria, que realiza a análise da marcha. O baropodômetroé um dispositivo computadorizado que, com o apoio de uma plataforma, identifica os pontos de maior pressão nos pés no decorrer da pisada (PEREIRA; GON- ÇALVES; SILVA, 2010). Entretanto, o podólogo também pode avaliar o tipo de pisada de uma maneira mais informal, por meio da observação do solado do calçado, observando a localização dos desgastes. Lembrando que deve ser um calçado que o paciente utiliza com maior frequência no dia a dia. Ao visualizar o calçado, e este apresentar um desgaste uniforme, sugere-se uma pisada neutra; se o gasto for maior na parte interna, indica-se uma pisada pronada; e se a deterioração for mais intensa na região externa do calçado, aponta-se uma pisada supinada (BEGA; LAROSA, 2010; MAGEE, 2010). É importante fazermos uma ressalva com relação a esse método de observação do calçado para determinar o tipo de pisada, uma vez que é uma técnica de avaliação que nem sempre é muito confiável, já que existem pessoas que, para realizar a marcha, arrastam os pés, portanto, essas questões devem ser consideradas durante o exame físico (BEGA; LAROSA, 2010). No que se refere às deformações que acometem com maior frequência os dedos dos pés, podemos destacar o dedo em garra, o dedo em martelo e o dedo em malho. As denominações dessas deformações apresentam ligação com o posicionamento dos ossos e articulações comprometidas. Essas deformida- des modificam o formato e o comprimento dos dedos e podem acentuar-se quando o indivíduo faz o uso de calçados inapropriados, especialmente calçados apertados. Frequentemente, essas deformi- dades podem ser ocasionadas por inúmeros fatores, dentre os quais podemos salientar: uso contínuo de calçados inadequados, artrite reumatoide, fraturas, luxações, lesões neurológicas, malformações congênitas, entre outras. As deformações dos dedos dos pés em garra são caracterizadas pela hiperextensão das articulações metatarsofalangeanas acompanhadas de flexão dos dedos dos pés, especificamente das articulações Figura 22 - Desgaste do sapato, na borda medial, decorrente de pisada pronada Fonte: Magee (2010, p. 872). interfalangeanas proximais e distais. A hiperextensão das ar- ticulações metatarsofalangea- nas traciona a placa plantar dis- talmente, deixando a cabeça de sustentação do peso corporal do osso metatarso desprotegida e causando dor quando o pacien- te sustenta o peso sobre as cabe- ças dos metatarsos expostos. Os dedos em garra, geralmente, são decorrentes de ações ineficazes dos músculos lumbricais e inte- rósseos que fazem com que os dedos percam a função (OATIS, 2014; MAGEE, 2010). 116 UNICESUMAR Esta deformidade pode acarretar sensações dolorosas na face plantar na região frontal do pé, como também no aparecimento de calosidades do- lorosas no dorso dos dedos comprometidos, o que pode impossibilitar a utilização de calçados fecha- dos. Essa condição pode ser unilateral ou bilateral e pode estar relacionada ao pé cavo, queda do arco metatarsal, espinha bífida ou a outros problemas neurológicos (MAGEE, 2010; VOLPON, 2014). O dedo em martelo consiste em uma deformi- dade em extensão da articulação metatarsofalan- geana e em flexão da articulação interfalangeana proximal. A articulação interfalangeana distal pode Figura 23 - Dedos em garra Fonte: Oatis (2014, p. 830). estar flexionada, reta ou hiperestendida. Os músculos interósseos são incapazes de manter a falange proximal na posição neutra e, consequentemente, perdem o seu efeito de flexão. As causas do dedo em martelo incluem o desequilíbrio dos músculos sinérgicos, fatores hereditários e fatores mecânicos, por exemplo, calçados inadequados ou hálux valgo (joanete) (MAGEE, 2010). Habitualmente, a deformidade dedo em martelo é observada apenas em um dedo, normalmente o segundo dedo. Frequentemente, existe uma hiperqueratose ou um calo sobre o dorso da articulação fle- xionada, decorrente, na maioria das vezes, do atrito com o calçado. Em geral, a condição é assintomática, sobretudo quando o dedo em martelo é flexível ou semiflexível. O dedo em martelo do tipo rígido tende a causar os maiores problemas (MAGEE, 2010). O dedo em malho está associado a uma deformidade em flexão da articulação interfalangeana distal. Ele pode ocorrer em qualquer um dos quatro dedos laterais (2 a 5). Geralmente, existe um calo ou uma hiperqueratose sobre o dorso da articulação comprometida, em decorrência do atrito/fricção com o local acometido. A condição é comumente assintomática e é frequentemente observada com o uso de calçados inadequados (MAGEE, 2010). DEDO DO PÉ EM MARTELO DEDO DO PÉ EM GARRA DEDO DO PÉ EM MALHO Figura 24 - Deformidades ósseas nos dedos dos pés (dedo em martelo, em garra e em malho, respectivamente) 117 UNIDADE 4 Dentre as várias deformidades que acometem os pés, existe uma, relativamente comum, que prejudica especificamente o primeiro dedo do pé, a qual é denominada hálux valgo, po- pularmente conhecida como joanete. Tal condição é carac- terizada por uma proeminên- cia óssea medial na primeira articulação metatarsofalan- geana. O hálux valgo é carac- terizado por um desvio lateral do hálux e desvio medial do primeiro metatarso. Dessa forma, essa proeminência ca- racterística do hálux valgo não decorre de crescimento de um novo componente ósseo, mas pelo desalinhamento entre os ossos que compõem a articu- lação metatarsofalangeana do hálux (MAGEE, 2010). NORMAL HÁLUX VALGO Figura 25 - Diferença entre um pé normal e um pé com hálux valgo Com a progressão da deformidade hálux valgo, pode ocorrer dor progressiva e desenvol- vimento de calosidades locais. É importante relatarmos que o hálux valgo apresenta várias causas. Pode ser decorrente de fator hereditário e, frequentemente, tem caráter familiar. Ain- da assim, sua ocorrência pode estar ligada à presença de doenças reumáticas, como artrite reumatoide, gota; problemas neurológicos, como paralisia cerebral, sequelas de AVE, trauma medular; e alterações anatômicas, como pé plano (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; GIANINI et al., 2016). As mulheres frequentemente são mais acometidas, já que um dos fatores contribuintes para o hálux valgo é o uso de calçados apertados ou de bico fino, bem como meias apertadas e calçados de salto alto. Os calçados de bico fino comprimem o hálux, que contribui para o surgimento do joanete. Além disso, uma causa comum desta condição é o pé plano ou excessivamente pronado. Como o pé impulsiona a partir da parte medial do pé, e não a partir dos dedos distais, o pé é mais abduzido que o normal. Como o hálux está sempre em contato com o chão, ele recebe forças repetidas aplicadas à sua borda medial, e a articulação metatarsofalangeana é a que mais sofre os resultados dessa tensão (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Com o tempo, o hálux assume um ângulo em direção aos dedos laterais, isto é, ocorre um desvio lateral do hálux sobre as cabeças dos metatarsos dos dedos restantes, resultando em superposição (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; VOLPON, 2014; OATIS, 2014). 118 UNICESUMAR Figura 26 - Calçado apertado favorece o desenvolvimento do hálux valgo Figura 27 - Hálux valgo e deformidade em garra nos outros dedos No decorrer da avaliação postural, você, como futuro(a) podólogo(a), deve analisar a mobilida- de articular do hálux, observando se ainda existe ou até que ponto está diminuída, analisar o grau de deformação postural dos dedos, investigar os calçados que o paciente utiliza, constatar se existem outros problemas ortopédicos, atentar-se para a idade do paciente; avaliar os costumes posturais no trabalho, quais esportes pratica e se existem outros casos na família. A partir da coleta dessas informações, você consegue visua- lizar todo o quadro que o seu paciente apresenta, no intuito de conseguir o melhor diagnóstico e traçar o tratamento podológico apropriado e efetivo (BEGA, 2014). O conhecimento a respeito dos aspectos que en- volvem a postura humana correta, além dos fatores que a prejudicam,bem como a importância da aná- lise postural geral, é extremamente importante para você, futuro(a) podólogo(a), já que, como profissio- nal da área da saúde, deverá estar apto a proceder uma avaliação global do seu paciente, inclusive da posição de pisada, já que um mau posicionamento dos pés pode interferir negativamente na postura geral do paciente e vice-versa. Além do que, os pés, quando estão desalinhados, ficam suscetíveis ao desenvolvimento de diversas podopatias, as quais são de interesse para a podologia. Os desvios posturais, sejam dos pés, joelhos, quadris ou coluna, podem alterar diretamen- te a avaliação, o diagnóstico, o tratamento e a evolução podológica, sendo assim, essas con- dições devem ser consideradas no exame físico realizado no decorrer da assistência podológica. Ainda assim, você, como futuro(a) podólogo(a), deve estar qualificado e apto para diagnosticar os desvios posturais que acometem os pés e enca- minhar para o setor especializado ou, até mesmo, prescrever e/ou confeccionar palmilhas posturais e órteses podais, que vão compensar essas alte- rações biomecânicas, melhorando o funciona- mento do corpo em geral e, consequentemente, a qualidade de vida de seu paciente. Conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que você, como futuro(a) podólo- go(a), compreenda os aspectos que envolvam a postura humana correta, além dos fatores que a prejudicam, bem como a importância de executar uma avaliação postural global do seu paciente, in- clusive do tipo pisada, já que um desalinhamento dos pés ou joelhos, por exemplo, pode interferir negativamente na postura geral do paciente. 119 UNIDADE 4 Além disso, os pés, quando estão desalinhados, ficam suscetíveis ao aparecimento de inúmeras podopatias, como calosidades, hálux valgo, rachaduras, bunionette, fascite plantar, esporão de calcâneo, entre outros, o que justifica a importância do profissional estar apto para detectar os possíveis fatores que estejam desencadeando tais podopatias. Ainda assim, como você já sabe, as deformidades de coluna vertebral também podem influenciar negativamente na biomecânica e cinesiologia dos pés. Dessa forma, é essencial, que você, como futuro(a) podólogo(a), tenha em mente a importância de considerar e avaliar, em todo atendimento podológico, os aspectos que envolvem a postura humana geral. Essa prática permitirá a você, como profissional, determinar, com precisão, um protocolo de tratamento podológico adaptado às necessidades e às particularidades do seu cliente. Título: Cinesiologia - a Mecânica e a Patomecânica do Movimento Hu- mano Ano: 2014 Para aprofundar os seus conhecimentos a respeito da postura huma- na, sugiro que você faça a leitura do livro “Cinesiologia – a mecânica e patomecânica do movimento humano”, da autora Carol A. Oatis. O livro apresenta um capítulo que abrange as definições e as características da postura normal, bem como os aspectos envolvidos na avaliação da postura humana e também aborda as anormalidades posturais mais co- muns, inclusive dos membros inferiores, cujo conhecimento é essencial para que você possa desempenhar suas atividades podológicas com excelência. 120 M A P A M EN TA L É essencial que você saiba que o desenvolvimento de um mapa mental facilita, e muito, a organização e a compreensão dos conteúdos que foram abordados no decorrer desta quarta unidade. Sendo assim, dei início ao nosso mapa mental com os pontos-chave de nosso estudo até aqui, a partir do qual é fundamental que você dê continuidade, preenchendo-o com elementos, como frases de ligação, que se associem aos conceitos centrais. Lembrando que a construção do mapa mental irá te auxiliar no desenvolvimento e aprendizagem dos temas estudados. Bons estudos! Postura Humana e Alterações Biomecânicas Modi�cações posturais da coluna vertebral Alterações posturais de membros inferiores Postura Humana Análise Postural Detectar desalinhamentosFatores que afetam a postura Fatores posturais Hipercifose torácica Hiperlordose cervical e lombar Escoliose Dedo em malho Pé equino e calcâneo Joelho �exo e hiperestendido Dedo em garra Dedo em martelo Joelho valgo e varo Pisada pronada e supinada Pé plano e pé cavo Pé plano aduto e abduto Hálux valgo Fatores estruturais A G O R A É C O M V O C Ê 121 1. Existem deformidades que acometem os dedos dos pés, as quais resultam em alteração no formato e no comprimento dos dedos, podendo se acentuar quando o sujeito utiliza calçados inadequados. Dentre as várias deformidades, existe uma caracterizada pela hiperextensão das articulações metatarsofalangeanas e flexão das articulações interfalangeanas proximais e distais. Sendo assim, assinale a alternativa correspondente. a) Dedo em garra. b) Hálux valgo. c) Bunionette. d) Dedo em malho. e) Dedo em martelo. 2. O hálux valgo, vulgarmente conhecido como joanete, constitui um desvio que acomete as arti- culações que envolvem o hálux. É uma condição que afeta muitas pessoas, sendo, na maioria das vezes, decorrente do uso de calçados apertados, tensões e fricções constantes, artrites e também apresenta componente genético. I) A condição é descrita como um desvio lateral do 1º metatarso e desvio medial do hálux. II) O quadro é caracterizado pelo desalinhamento entre os ossos que compõem a articulação metatarsofalangeana do hálux. III) Na maioria dos casos, o ângulo intermetatarsal aumenta mais de 15%. IV) É uma condição que pode resultar no aparecimento de calosidades locais. Assinale a alternativa correta. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta. A G O R A É C O M V O C Ê 122 3. Desvios posturais dos pés, como o pé plano e o pé cavo, são decorrentes de desalinhamentos na altura do arco longitudinal medial, os quais, dependendo da gravidade, podem ser identificados por meio de inspeção ou testes específicos. Esses desvios posturais podais sobrecarregam regiões diferentes dos pés, deixando-os mais suscetíveis ao desenvolvimento de inúmeras podopatias. Dessa maneira, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ) ( O pé plano é caracterizado por uma redução ou desabamento do arco longitudinal medial. ) ( Nos casos de pé cavo, durante a pisada, o pé toca o chão, quase que por inteiro. ) ( Em pés cavos, ocorrem acentuadas e altas pressões sobre o retropé e o antepé. Assinale a alternativa correta. a) V-V-V. b) V-F-F. c) F-F-F. d) F-V-V. e) V-F-V. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 123 1. A. A deformidade dedo em garra é caracterizada pela hiperextensão da articulação metatarsofalangeana, acompanhada de flexão do dedo do pé, especificamente das articulações interfalangeanas proximais e distais. 2. D. Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. A afirmativa I é incorreta, pois o hálux valgo é caracteri- zado por um desvio medial do 1º metatarso e desvio lateral do hálux. 3. E. A primeira e a terceira afirmativas são verdadeiras. A segunda afirmativa é falsa, pois nos casos de pé cavo, durante a caminhada, há uma diminuição da área de contato do pé no chão. Normalmente, as áreas de maior contato são antepé e retropé. R EF ER ÊN C IA S 124 ALMEIDA, D. C.; KRAYCHETE, D. C. Dor lombar – uma abordagem diagnóstica. Revista Dor, v. 18, n. 2, p. 173-177, 2017. BARBOSA, J. et al. Hiperlordose lombar. 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