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Prévia do material em texto

G R A D U A Ç Ã O
ME. DANIELE ALMEIDA LOPES
Cinesiologia e 
Biomecânica dos Pés
Híbrido
GRADUAÇÃO
Cinesiologia e 
Biomecânica dos Pés
ACESSE AQUI O SEU LIVRO 
NA VERSÃO DIGITAL!
Me. Daniele Almeida Lopes
http://
FICHA CATALOGRÁFICA
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. 
Núcleo de Educação a Distância. LOPES, Daniele Almeida.
Cinesiologia e Biomecânica dos Pés. 
Daniele Almeida Lopes.
Impressão - 2020 
Maringá - PR.: UniCesumar, 2020. 
128 p.
“Graduação - EaD”. 
1. Cinesiologia 2. Biomecânica 3. Pés. 
CDD - 22 ed. 612.76 
CIP - NBR 12899 - AACR/2 
ISBN 978-65-5615-152-6
Impresso por: 
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Fotos: Shutterstock
Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar
Diretoria de Design Educacional
Equipe Produção de Materiais
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional
Débora Leite Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo 
Spaine Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de 
Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de 
EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi
DIREÇÃO UNICESUMAR
EXPEDIENTE
BOAS-VINDAS
Reitor 
Wilson de Matos Silva
Neste mundo globalizado e dinâmico, 
nós trabalhamos com princípios éticos 
e profissionalismo, não somente para 
oferecer educação de qualidade, mas 
também, acima de tudo, gerar a conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. 
Baseamo-nos em quatro pilares: 
intelectual, profissional, emocional e 
espiritual.
Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, 
com dois cursos de graduação e 180 
alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil, 
nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em 
mais de 500 polos de educação a distância 
espalhados por todos os estados do Brasil 
e, também, no exterior, com dezenas de 
cursos de graduação e pós-graduação. Por 
ano, produzimos e revisamos 500 livros e 
distribuímos mais de 500 mil exemplares. 
Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 por 
sete anos consecutivos e estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos 
educadores soluções inteligentes para as 
necessidades de todos. Para continuar 
relevante, a instituição de educação 
precisa ter, pelo menos, três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a 
qualidade. Por isso, desenvolvemos para 
os cursos híbridos, metodologias ativas, 
as quais visam reunir o melhor do ensino 
presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão,
que é promover a educação de qualidade
nas diferentes áreas do conhecimento,
formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Olá! Meu nome é Daniele, mas todos me 
chamam de Dani! Bom, vou contar um 
pouquinho sobre minha história e quan-
do decidi me tornar professora. Sempre 
gostei muito de ir para sítios, por isso, 
meu primeiro vestibular foi para agrono-
mia, mas acabei optando por não seguir 
em frente, pois a família não me apoiava. 
A partir daí, comecei a frequentar uma 
academia que tinha um grande número 
de idosos que, durante as aulas, necessi-
tavam de auxílio para realizar as ativida-
des e, como havia apenas um professor, 
sempre me disponibilizava a ajudar. Esse 
contato com os idosos me despertou uma 
vontade de escolher um curso da área da 
saúde, então optei pela Fisioterapia, pois 
meu desejo era trabalhar com a reabilita-
ção de idosos. No decorrer da faculdade, 
senti vontade de me tornar professora, 
sendo que jamais imaginei ter essa profis-
são! Me formei em 2010 e, a partir daí, fiz 
mestrado e especializações. Atualmente, 
sou professora tanto em cursos de nível 
técnico como superior e pós-graduação. 
Ministro aulas presenciais e na modalida-
de a distância para turmas de Podologia, 
Estética, Fisioterapia e Enfermagem. En-
contrei-me nessa área, pois amo minha 
profissão!
Currículo Lattes disponível em: http://
lattes.cnpq.br/6549827349549634
Aqui você pode 
conhecer um 
pouco mais sobre 
mim, além das 
informações do 
meu currículo.
MEU CURRÍCULO
MINHA HISTÓRIA
Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o apli-
cativo Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página 
indicada e veja os recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas 
do App para saber das possibilidades de interação de cada objeto.
PODCAST: professores especialistas e convidados, ampliando as discussões 
sobre os temas.
PÍLULA DE APRENDIZAGEM: uma dose extra de conhecimento é sempre bem-
vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o código, você terá acesso 
aos vídeos que complementam o assunto discutido.
PENSANDO JUNTOS: ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar 
e transformar. Aproveite este momento!
EXPLORANDO IDEIAS: com este elemento, você terá a oportunidade de explorar 
termos e palavras-chave do assunto discutido, de forma mais objetiva.
EU INDICO: enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliarão a 
discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor.
Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar 
Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do 
aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store
IMERSÃO
RECURSOS DE 
APRENDIZAGEM
CAMINHOS DE
9
67
37
95
7
Cinesiologia e 
Biomecânica dos 
Membros Inferiores
CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS
Aspectos Biomecânicos 
e Cinesiológicos da 
Marcha Humana
Sistema Locomotor 
de Tornozelo e Pé
Postura Humana 
e Alterações 
Biomecânicas
1
3
2
4
PROVOCAÇÕES INICIAIS
INICIAIS
PROVOCAÇÕES
Como profissional da área de saúde e bem-estar, você deverá compreender que a podologia é uma área 
que se baseia em conhecimentos científicos e técnicos voltados não apenas para o cuidado dos pés, mas 
que se preocupa e promove ações que proporcionam saúde, conforto, e que melhoram a qualidade de 
vida e bem-estar geral de seus pacientes.
Suponha que você já seja um podólogo(a) formado(a) e atuante. Imagine uma situação: você recebe um 
paciente e, durante a avaliação, ele relata ter diabetes tipo 2, no entanto, não faz o controle adequa-
damente. Durante o exame físico, você observa que o seu paciente apresenta uma ferida pequena no 
calcanhar esquerdo, impossibilitando-o de fazer os movimentos necessários para que possa andar, ou 
seja, ele está com restrição de movimentos, e essa limitação dificulta, principalmente, o início da marcha. 
Além disso, você também verifica a presença de calos no dorso dos dedos dos pés e que o paciente se 
locomove pisando “para dentro”.
CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS
INICIAIS
PROVOCAÇÕES
Diante dessa situação, quais seriam as condutas que você tomaria como profissional? Bom, primei-
ramente, deve orientar seu paciente com relação aos riscos e complicações de uma diabetes tipo 2 
descompensada. Ainda assim, como podólogo(a), deverá dispensar atenção no cuidado com a ferida, já 
que essa condição está alterando toda a biomecânica do seu paciente até o ponto de impossibilitá-lo de 
andar, lembrando que são indispensáveis as orientações com relação ao tipo de calçado adequado. Você, 
como podólogo(a), também deverá avaliar a possibilidade de prescrever uma palmilha para a correçãoe/ou melhora da pisada. 
A disciplina de cinesiologia e biomecânica abordará questões importantes, como os conceitos básicos 
de cinesiologia e biomecânica aplicados a tornozelo e pé; os aspectos da amputação de membro infe-
rior; particularidades da marcha humana; e as alterações biomecânicas de membro inferior; isso para 
que você, como futuro(a) podólogo(a), possa determinar, com excelência, ações voltadas à prevenção, 
ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação dos inúmeros distúrbios que possam acometer os pés, 
respaldado sempre em conhecimento técnico-científico.
Ficou entusiasmado(a)? Convido você para mergulhar e se aprofundar nesse universo de conhecimento. 
Vamos lá? 
CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA DOS PÉS
1
OPORTUNIDADES
DE APRENDIZAGEM
Cinesiologia e 
Biomecânica dos 
Membros Inferiores
Me. Daniele Almeida Lopes
Oportunidades de Aprendizagem: Na Unidade 1, você terá a oportunidade 
de aprofundar a problematização sobre o tema Cinesiologia, além de ajustar 
os conceitos sobre Goniometria Clínica com a prática durante o exame físico 
podológico. Também iremos discutir sobre o tema da Biomecânica Básica 
de Tornozelo e Pé, interpretando os conceitos e identificando os fatores 
que interferem na temática. Você ainda terá a possibilidade de relacionar 
os principais aspectos que envolvem a Amputação de Membros Inferiores, 
identificando as causas (fatores etiológicos), os níveis de amputação, as 
complicações e analisar a atuação do profissional podólogo na prevenção 
dessa conduta.
10
UNICESUMAR
Olá, aluno(a)! Bom, primeiramente, quero saber: você já ouviu falar sobre Cinesiologia e Biomecâni-
ca? Já parou para pensar como e onde esses termos se aplicam na Podologia? Qual a importância da 
compreensão desses conceitos na prática podológica? Irei dar uma dica! Imagine-se em uma situação 
de atendimento, em que você, como podólogo(a), depara-se com um paciente e, no exame físico po-
dológico, observa uma significativa restrição de movimento na articulação do tornozelo esquerdo, 
a qual está prejudicando a marcha do seu paciente. Como você quantificaria essa restrição? Qual a 
importância dessa informação para o(a) podólogo(a)?
É fundamental que você, como futuro(a) profissional da área, saiba que a quantificação das limita-
ções articulares irá favorecer um melhor planejamento do tratamento podológico, possibilitando que 
determine um protocolo de atendimento adequado e adaptado às necessidades do seu cliente. 
A Cinesiologia nada mais é do que o estudo dos princípios de anatomia, fisiologia e mecânica que 
envolvem todos os movimentos do corpo. Lembrando que os movimentos de tornozelo e pé são essen-
ciais para uma efetiva locomoção e para a realização de diversas atividades do dia a dia, sendo por isso 
o conhecimento desse processo extremamente importante para a sua futura atuação como podólogo(a). 
O objetivo de estudar as questões que envolvem a cinesiologia no cuidado em saúde é compreen-
der o movimento e as forças que agem sobre o corpo e aprender como a manipulação dessas forças 
contribuem para evitar o surgimento de lesões e para restabelecer a função, promovendo um melhor 
desempenho corporal. Além disso, a quantificação das limitações articulares do seu cliente favorece 
um melhor planejamento do tratamento podológico, considerando a mobilidade do paciente. 
Os fundamentos da Cinesiologia e da Biomecânica com ênfase na aplicação clínica para o pro-
fissional da saúde é um conhecimento fundamental para você, já que lhe proporcionará uma valiosa 
habilidade de diagnóstico e planejamento da conduta podológica, melhorando, consequentemente, o 
desempenho físico do seu paciente.
Agora que você já está um pouco mais ambientado com o tema, proponho um exercício: vá até uma 
Academia da Terceira Idade (ATI) ou locais voltados para a prática de atividade física de sua cidade 
e verifique como grande parte dos idosos apresenta restrições articulares durante a execução dos 
movimentos. Quais os possíveis fatores que contribuem para essas restrições articulares e as possíveis 
consequências dessa redução das amplitudes de movimentos na população idosa? 
Como se saiu no exercício? Conseguiu visualizar a diminuição da amplitude de movimento?
As restrições articulares nos idosos resultam na diminuição da amplitude de diversos movimentos. 
Tal fato pode ser decorrente de uma série de fatores associados ao próprio envelhecimento, como as 
disfunções articulares e musculoesqueléticas inerentes ao aumento da idade.
Essas restrições resultam numa locomoção mais lenta, além de uma menor mobilidade para executar 
diversas tarefas diárias. Dessa maneira, a amplitude de movimento deve ser considerada durante o 
exame físico podológico, independentemente da idade do seu paciente, lembrando que uma amplitude 
de movimento normal de tornozelo e pé é essencial para uma caminhada rápida e eficaz.
Sabemos que a cinesiologia e a biomecânica estão relacionadas com os movimentos que ocorrem 
no nosso corpo e, por meio do seu estudo, podemos compreender e melhorar possíveis disfunções 
que possam acometer os pés. O movimento articular significa vida, sendo de extrema importância 
para a manutenção da saúde e do bem-estar de todas as pessoas. Sendo assim, reflita comigo sobre os 
pontos-chave dessa situação:
11
UNIDADE 1
• A cinesiologia e a biomecânica são ciências que descrevem, estudam e avaliam todos os fatores 
que envolvem os movimentos do corpo.
• O entendimento da cinesiologia e da biomecânica dos pés favorece um melhor desempenho 
físico para os seus pacientes.
• A compreensão dos movimentos de tornozelo e pé são essenciais para a caminhada, inclusive 
para a prática podológica.
• As restrições de movimentos dificultam a execução de várias tarefas do dia a dia, inclusive a 
locomoção, por isso devem ser avaliadas e consideradas.
É importante que, no decorrer de todos nossos estudos, você faça um diário de bordo, que nada mais é 
do que o registro das experiências vivenciadas, bem como de tudo que você compreendeu. Essa prática 
facilitará seu processo de aprendizagem, além de auxiliar na organização dos seus estudos.
D
IÁ
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 D
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B
O
R
D
O
Bom, anteriormente já tivemos um contato inicial com o termo Cinesiologia, no entanto, neste 
momento, aprofundaremos as questões que envolvem esse conceito. 
A cinesiologia pode ser definida como o estudo dos princípios de anatomia, fisiologia e mecânica em 
relação aos movimentos do corpo humano (FLOYD, 2016). É importante falarmos que não se trata de 
um estudo unidimensional que exige o aprendizado de listas de fatos sobre a estrutura anatômica; em 
12
UNICESUMAR
vez disso, trata-se do estudo do movimento. Grande parte das avaliações cinesiológicas é classificada 
como qualitativa, uma vez que abrange a análise de um movimento e apresenta, de maneira detalhada, 
as habilidades, bem como o reconhecimento das ações musculares para a execução do movimento 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014). 
Por exemplo, numa avaliação cinesiológica, considerando-se a ação de levantar-se de uma cadeira, 
os movimentos executados para a conclusão dessa ação seriam: extensão da articulação do quadril e 
joelhos e a flexão plantar por meio dos conjuntos musculares dos isquiotibiais, quadríceps femoral e 
tríceps sural, na devida ordem. Dessa forma, o objetivo de estudar cinesiologia no cuidado em saúde 
é compreender o movimento e as forças que agem sobre o corpo humano e aprender como a mani-
pulação dessas forças contribuem para evitar o surgimento de lesões, bem como para restabelecer a 
função e promover o melhor desempenho corporal do seu paciente.
É imprescindível que você, futuro (a) profissional, que está iniciando seu processo de formação 
à cinesiologia, inicie esse exercício com um ponto de referência para entender melhor o sistema 
musculoesquelético; os seus planos de movimento; a classificação das articulações; a terminolo-
gia do movimento articular; entre outros; e para isso temos que retomar. Existe uma posição de 
referência(específica), estudada na disciplina de Anatomia Humana, que serve de base para a 
descrição dos movimentos articulares, conhecida também como posição anatômica.
Nessa disposição, você pode observar que o sujeito se encontra ereto, em posição ortostática (em 
pé), com a face voltada para frente, com os membros superiores estendidos paralelos ao tronco e 
com as palmas das mãos voltadas para frente. Os membros inferiores devem estar unidos e com 
os dedos dos pés também direcionados para frente (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014). 
Figura 1 - 
Posição anatômica
13
UNIDADE 1
É importante termos em mente que toda descrição anatômica é feita considerando o indivíduo em 
posição anatômica; além disso, a partir desse ponto de referência, serão definidos todos os movimentos 
do corpo, os planos que ocorrem os movimentos e, até mesmo, a identificação das inúmeras patologias 
e alterações biomecânicas e cinesiológicas. 
A partir de agora, iremos rever alguns conceitos estudados em Anatomia Humana, para fundamen-
tar os estudos na biomecânica dos segmentos distais, sendo eles: de normalidade, variação anatômica, 
anomalia e monstruosidade. O entendimento desses conceitos é essencial para você, futuro podólogo, 
pois irá ajudá-lo, durante sua prática profissional a identificar e diagnosticar os mais diversos distúrbios 
biomecânicos e cinesiológicos que possam acometer todo o corpo, inclusive os pés.
• Normalidade: esse conceito é entendido como uma faixa ampla de indivíduos que apre-
sentam condições ideais de saúde. Em outras palavras, o conceito normalidade indica lo-
calização, forma e função mais frequentes em uma determinada estrutura no ser humano. 
Dessa maneira, normalidade anatômica se refere às estruturas que são estatisticamente mais 
frequentes numa população, por exemplo, o indivíduo apresentar características como dois 
olhos, um nariz, uma boca, dois ouvidos, duas pernas, cinco dedos em cada uma das mãos 
e pés. (MIRANDA NETO, 2006; DANGELO; FATTINI, 2011).
Figura 2 - Normalidade anatômica
14
UNICESUMAR
• Variação anatômica: 
esse conceito está re-
lacionado à existência 
de pequenas diferenças 
(variações) morfológi-
cas; no entanto, essas di-
ferenças não interferem 
na função do indivíduo. 
Um exemplo é a varia-
ção anatômica dos pés, 
pois existem pés que 
apresentam formatos 
diferentes (tamanho dos 
dedos, por exemplo), 
contudo, normalmente, 
essa variação não inter-
fere no funcionamento 
do próprio pé (MIRAN-
DA NETO, 2006; DAN-
GELO; FATTINI, 2011). 
Tipo Egípcio
Tipo Grego
Tipo Romano
• Anomalia: o conceito 
refere uma variação no 
formato ou na forma da 
estrutura anatômica, as 
quais resultam em pre-
juízo na função, entre-
tanto, o indivíduo pode 
viver normalmente. 
Por exemplo, tem-se a 
polidactalia, que está 
relacionada ao maior 
número de dedos (MI-
RANDA NETO, 2006).
Figura 3 - Variação anatômica de pés
Figura 4 - Polidactalia podal
15
UNIDADE 1
• Monstruosidade: esse 
outro conceito anatô-
mico apresenta uma 
anomalia acentuada 
(exorbitante), que gera 
grandes mudanças na 
conformação corporal 
e, até mesmo, podem 
ser incompatíveis com 
a vida. Um exemplo 
é a anencefalia, isto 
é, quando não há o 
desenvolvimento do 
encéfalo (MIRANDA 
NETO, 2006; DANGE-
LO; FATTINI, 2011). Figura 5 - Anencefalia
É importante que sejamos capazes de nos orientar no corpo humano. De certa forma, podemos ima-
ginar algo como dar e receber indicações de como ir de uma localidade geográfica a outra e, para isso, 
usamos termos como direita, esquerda, sul, oeste etc. No entanto, existem termos que utilizamos para 
indicar direções anatômicas, sendo assim, você, como futuro profissional de saúde, deve entender 
esses termos, já que, muitas vezes, eles são utilizados como pontos de referência para descrever uma 
situação, uma posição e, até mesmo, a direção de órgãos ou segmentos do nosso corpo. Ainda assim, 
esses termos permitem que você localize um ponto específico na superfície ou mesmo no interior do 
corpo (FLOYD, 2016; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DANGELO; FATTINI, 2011).
A seguir, veremos os principais termos anatômicos e suas respectivas definições, os quais, muitas 
vezes, são empregados durante a prática podológica:
• Anterior: na frente ou na parte da frente.
• Anteroinferior: na frente e abaixo.
• Anterolateral: na frente e voltado para o lado de fora (para a lateral).
• Anteromedial: na frente e em direção à linha mediana (ao meio).
• Anteroposterior: relacionado às partes da frente e trás.
• Anterosuperior: na frente e acima.
• Bilateral: relacionados aos lados direito e esquerdo do corpo ou de uma estrutura do corpo, 
como os membros direito e esquerdo.
• Caudal: abaixo em relação à outra estrutura; inferior.
• Cefálico: acima em relação à outra estrutura; mais elevado; superior.
• Contralateral: pertencente ou relacionado ao lado oposto.
• Distal: estrutura afastada do seu ponto de origem, ou seja, da raiz do membro (superior ou 
inferior). Por exemplo, a mão é considerada uma estrutura distal, quando comparada ao braço, 
já que se encontra mais distante do seu ponto de origem.
16
UNICESUMAR
• Dorsal (dorso): relacionado às costas; localizado próximo, sobre ou em direção à parte de trás; 
relacionado também à parte superior do pé.
• Inferior: abaixo em relação à outra estrutura; caudal.
• Inferolateral: abaixo e voltado para o lado de fora (lateral).
• Inferomedial: abaixo e em direção à linha mediana (meio).
• Homolateral ou ipsilateral: referente ao que se encontra do mesmo lado do corpo ou de outra estrutura.
• Medial: mais próximo do plano ou linha mediana (meio).
• Mediano: situado exatamente no meio.
• Plantar: relacionado à superfície inferior do pé.
• Podálico: para baixo, em direção aos pés.
• Posterior: por trás, atrás ou nas costas.
• Posteroinferior: atrás e abaixo.
• Posterolateral: atrás e voltado para a lateral (lado de fora).
• Posteromedial: atrás e medial (voltado para o lado de dentro).
• Posterosuperior: atrás e acima.
• Proximal: estrutura mais próxima do seu ponto de origem, ou seja, da raiz do membro (superior 
ou inferior). Por exemplo, o braço é considerado um componente proximal, quando comparado 
a mão, já que se encontra mais próximo do seu ponto de origem.
• Superior: acima em relação à outra estrutura; mais elevado; cefálico.
• Superolateral: acima e voltado para a lateral (lado de fora).
• Superomedial: acima e em direção à linha mediana (meio).
Inferior
Superior
Direita Esquerda
Anterior Posterior
Visão Lateral Visão Frontal
Proximal
Distal
Medial
Lateral
Caudal
(Ventral) (Dorsal)
Cranial
Proximal
Distal
Figura 6 - Termos anatômicos mais utilizados na prática clínica
Conhecer e saber sobre os pla-
nos de movimento proporciona 
um melhor entendimento en-
tre os profissionais da área da 
saúde, já que a nomenclatura 
cinesiológica é universal. Além 
disso, é importante que você 
compreenda esses planos, pois 
durante a sua atuação clínica, 
esse conhecimento te dará su-
porte no momento de realizar 
uma análise cinesiológica, ou 
seja, uma avaliação dos movi-
mentos de pé, por exemplo, de 
maneira adequada, já que os re-
sultados dessa análise podem 
interferir diretamente no diag-
nóstico e no tratamento podo-
lógico. Dessa maneira, diversos 
17
UNIDADE 1
autores classificam os planos de movimento em: frontal (coronal), sagital e horizontal (transversal), 
e seus eixos correspondentes incluem os eixos de movimento anteroposterior, medial-lateral e supe-
rior-inferior, respectivamente (VAN DE GRAAFF, 2003; FLOYD, 2016).
Plano Sagital Plano Coronal
Plano
Transversal
A seguir, aprofundaremos os 
conhecimentos acerca desses 
três planos de movimento. 
O plano de movimento 
sagital se estende vertical-
mente ao longo do corpo, 
fragmentando-o em direita e 
esquerda. Fotograficamente, 
trata-se de uma visão lateral. 
Os exemplos mais claros de 
movimentos que acontecem 
no plano sagital são os de fle-
xão e extensão (por exemplo, 
de pescoço, tronco, cotovelo 
e muitos outros), além dos 
movimentosde dorsiflexão 
e flexão plantar (VAN DE 
GRAAFF, 2003; HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014).Figura 7 - Planos de movimentos vistos na posição anatômica
Flexão plantar
Dorsi�exão
Figura 8 - Movimentos de dorsiflexão e flexão plantar do tornozelo
O plano frontal, também conhe-
cido como coronal, estende-se 
longitudinalmente ao corpo e o 
separa em duas partes: anterior 
(frente) e posterior (trás). Os 
movimentos acontecem ao re-
dor de um eixo anteroposterior, 
perpendicular ao plano frontal. 
Os movimentos que ocorrem 
no plano frontal são: abdução e 
adução (por exemplo, de quadril, 
ombro e dedos); desvio ulnar e 
radial (um tipo de adução e ab-
dução do punho) e flexão lateral 
ou inclinação de pescoço e tron-
co (VAN DE GRAAFF, 2003; 
HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
18
UNICESUMAR
Você já se deparou com o termo deambular ou deambulação? A deambulação é a ação de 
deambular ou marchar, que significa andar (locomover). Uma deformidade no pé, por exem-
plo o dedo em garra, em malho ou em martelo ou, até mesmo, uma calosidade plantar, pode 
comprometer a deambulação do paciente.
O plano horizontal, também denominado plano transversal, estende-se no sentido transversal do 
corpo, dividindo-o em partes superior (cefálica) e inferior (caudal ou podálica). Os movimentos que 
ocorrem neste plano são: rotação medial e lateral (ombro e quadril); pronação e supinação de antebraço; 
eversão e inversão do pé (VAN DE GRAAFF, 2003; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; McGINNIS, 2015).
Abdução
horizontal
Adução
horizontal
Figura 9 - Adução e 
abdução de ombro
Inversão Eversão
Figura 10 - Movimentos de inversão e eversão do pé ocorrem no plano horizontal
Fonte: Tortora e Derrickson (2017, p. 173).
Os movimentos corporais são 
essenciais, pois permitem a rea-
lização da maioria das atividades 
do nosso dia a dia, como deambu-
lar, correr, sentar, levantar, agachar, 
alcançar um objeto, entre outros. 
O conhecimento a respeito dos 
movimentos, especificamente do 
complexo tornozelo-pé, irá te aju-
dar a conhecer de forma muito 
melhor o corpo humano, além de 
possibilitar a identificação de restrições ou excessos de movimentos, os quais podem contribuir para o apa-
recimento de diversas podopatias e vice-versa. Os movimentos do tornozelo e pé acontecem nos três planos, 
sendo eles, frontal, transversal e sagital, conforme falamos anteriormente (HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
19
UNIDADE 1
A seguir, abordaremos os movimentos que ocorrem no complexo tornozelo-pé, cujo conhecimento é 
de extrema importância para você, aluno(a), futuro(a) podólogo(a) (FLOYD, 2016).
A adução de tornozelo e pé refere-se ao movimento medial do pé sentido linha mediana (meio), 
ou seja, os dedos apontam para dentro. A abdução de tornozelo e pé é o movimento lateral do pé, 
ou seja, de distanciamento da linha mediana (meio). Nesse movimento, os dedos se direcionam 
para fora, em direção à lateral do corpo (FLOYD, 2016). 
Adução Abdução
A flexão dos dedos dos pés está relacionada ao 
movimento de curvatura dos dedos, que resul-
ta na redução do ângulo das articulações dos 
dedos (interfalangeanas e metatarsofalangea-
nas) com a aproximação dos ossos, ou seja, é o 
movimento dos dedos do pé sentido planta do 
pé (dedos se aproximam da planta do pé). E a 
extensão dos dedos dos pés é o movimento de 
estiramento dos dedos, que resulta no aumento 
do ângulo das articulações dos dedos (interfa-
langeanas e metatarsofalangeanas) com o afas-
tamento dos ossos, isto é, eles vão em direção 
ao dorso do pé (FLOYD, 2016). 
A circundação do tornozelo é o movimento 
circular do tornozelo, que retrata um arco ou 
um cone. Esse movimento pode ser também 
conhecido como circunflexão. 
O movimento de eversão do pé consiste em 
girar a planta do pé para fora, ou seja, sentido 
lateral. Um exemplo é colocar-se em pé com o 
peso apoiado sobre a borda interna do pé. O 
movimento de inversão do pé consiste em girar 
a planta do pé para dentro, isto é, sentido linha 
mediana (meio). Um exemplo é colocar-se em 
pé com o peso apoiado sobre a borda externa 
do pé (FLOYD, 2016). 
Figura 11 - Adução e abdução do tornozelo e pé
Fonte: Hamill e Knutzen (2012, p. 14).
Figura 12 - Extensão e flexão dos dedos dos pés, respectivamente
Fonte: Bontrager e Lampignano (2014).
20
UNICESUMAR
Você já se deparou com o termo artelho? São termos anatômicos utilizados para se referir 
aos dedos dos pés e das mãos. Portanto, se você se deparar com a terminologia “artelhos” 
saiba que é sinônimo de dedos. No caso dos dedos dos pés, apenas o 1º dedo, vulgarmente 
chamado de dedão do pé, apresenta denominação específica, sendo chamado de hálux, os 
outros dedos podem ser denominados 2º, 3º, 4º e 5º artelhos.
O movimento flexão dorsal também é conhecido como dorsiflexão e se refere ao movimento de fle-
xão do tornozelo, em que o dorso do pé se movimenta em direção à região anterior da tíbia no plano 
sagital. A flexão plantar é o movimento de extensão do tornozelo, em que o pé e os artelhos se afastam 
do corpo no plano sagital (FLOYD, 2016; MARIEB; HOEHN, 2009). 
Inversão do tornozelo Eversão do tornozelo
Figura 13 - Movimentos de inversão e eversão do tornozelo e pé
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 8).
Dorsi�exão
Flexão Plantar
Figura 14 - Movimentos de dorsiflexão e flexão plantar
Seguindo com nossas definições, a pronação é o movimento do pé e do tornozelo resultante de uma 
combinação dos movimentos de dorsiflexão, eversão subtalar (entre tálus e calcâneo) e abdução da 
parte anterior do pé (movimento em que a ponta do pé vira para fora, sentido lateral). 
A supinação consiste num movimento de pé e do tornozelo resultante de uma combinação dos 
movimentos de flexão plantar, inversão subtalar e adução da parte anterior do pé (movimento em que a 
ponta do pé está virada para dentro, sentido linha mediana) (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014). 
A área pela qual uma articulação pode se movimentar de forma livre e sem dor se denomina am-
plitude de movimento (ADM). É importante ressaltarmos que a medida da ADM é um item essencial 
no exame físico podológico, já que, a partir dessas mensurações, o podólogo é capaz de reconhecer 
e caracterizar as restrições e/ou excessos de movimentos. A palavra goniometria tem origem grega, 
em que “gonia” significa ângulo e “metria” quer dizer medida – é uma medida clínica muito relevante, 
aplicada para definir a quantidade de movimento articular tanto ativo como passivo (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014; HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
21
UNIDADE 1
REALIDADE
AUMENTADA
para dentro,
supinação.
para fora,
pronação.
Figura 15 - Supinação e pronação do pé
Fonte: Calais-Germain e Lamotte (2010, p. 237).
Movimentos articulares do complexo 
tornozelo e pé.
A goniometria mede a posição relativa de dois segmentos ósseos. Essa prática é um modo de medida e 
registro do movimento osteocinemático disponível na articulação. Apesar de equipamentos sofisticados 
de análise do movimento articular estarem disponíveis em laboratórios aprimorados, o goniômetro 
manual é a ferramenta usada com maior frequência. Confira as Figuras 16 e 17.
Figura 16 - Aplicação 
de goniômetro manual
22
UNICESUMAR
Sugiro que você faça a leitura do manual Política Nacional de Promoção 
da Saúde (PNPS), publicado pelo Ministério da Saúde.
A PNPS tem como base um conceito ampliado de saúde e dispõe 
sobre a promoção da saúde como um conjunto de ferramentas e me-
canismos para promovê-la. A compreensão do manual irá favorecer o 
conhecimento a respeito do seu papel na sociedade, como profissional 
da saúde, no âmbito da promoção e do cuidado em saúde. Confira!
O goniômetro quantifica a 
ADM da articulação em cada 
plano de movimento. A medida 
goniométrica é uma ferramenta 
útil para o profissional de saú-
de, como o podólogo, principal-
mente na avaliação e no registro 
do progresso ou da alteração no 
movimento durante o tratamen-
to de condições patológicos que 
acometem os pés (FLOYD, 2016).
O conhecimento a respei-
to das medidas goniométricas 
especificamente do complexotornozelo e pé são essenciais 
para os podólogos, já que é uma 
Figura 17 - Utilização do goniômetro para medir a amplitude da dorsiflexão
profissão baseada no estudo aprofundado das questões que envolvem esse complexo. Essas informa-
ções permitem que o podólogo esteja apto para promover, prevenir, identificar e, até mesmo, tratar 
dos mais variados distúrbios que acometem os pés, inclusive dos articulares. Dessa maneira, foram 
determinados valores goniométricos (médias) que podem ser utilizados como referência para a ADM 
articular normal aproximada em adultos saudáveis, uma vez que ainda não foram determinadas tabelas 
normativas padronizadas, comparando todas as variáveis envolvidas, como sexo, idade, forma física, 
tipo de movimento (ativo ou passivo), entre outros (HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
No entanto, em virtude das variações individuais na forma e no tipo físico das pessoas, é útil empregar 
valores padronizados como referência, mas o mais importante é utilizar o “normal” do próprio indivíduo 
para uma comparação confiável, medindo o segmento do membro não envolvido ou contralateral, desde 
que este esteja presente e não esteja enfraquecido ou lesado (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). Sendo 
assim, o Quadro 1 evidencia as médias das amplitudes de movimento das articulações do tornozelo e 
pé, as quais são de interesse e determinam o atendimento podológico.
23
UNIDADE 1
SEGMENTOS MOVIMENTO ADM
Tornozelo Flexão plantar
Dorsiflexão
50 graus
15 a 20 graus
Articulação Transversa do Tarso e Arti-
culação Talocalcânea
Inversão
Eversão
20 a 30 graus
5 a 15 graus
Articulação Metatarsofalangeana do 
Hálux
Flexão
Extensão
Abdução
Adução
45 graus
70 graus
Varia entre 5 a 25 graus
Varia entre 5 a 25 graus
Articulação Interfalangeana do Hálux Flexão
Extensão
90 graus
0 grau
2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Metatarsofa-
langeanas
Flexão
Extensão
Abdução
Adução
40 graus
40 graus
Varia entre 5 a 25 graus
Varia entre 5 a 25 graus
2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Interfalangea-
nas Proximais
Flexão
Extensão
35 graus
0 grau
2ª, 3ª, 4ª e 5ª Articulações Interfalangea-
nas Distais
Flexão
Extensão
60 graus
30 graus
Quadro 1 – Médias de amplitudes de movimento das articulações do tornozelo e pé
Fonte: adaptado de Floyd (2016).
É importante enfatizarmos que as amplitudes de movimentos consideradas normais podem se modificar 
de acordo com estrutura óssea; a hipertrofia muscular; os níveis de gordura corporal; a integridade de 
estruturas anatômicas, como os ligamentos; bem como o sexo e a faixa etária. Portanto, essas questões 
devem ser levadas em consideração ao se realizar a goniometria. Por exemplo, indivíduos magros e 
com lassidão articular normal podem ter maior ADM comparado a indivíduos obesos ou com desen-
volvimento muscular maior (músculos hipertrofiados) (FLOYD, 2016; NORDIN; FRANKEL, 2014).
Dessa forma, a prática da goniometria é de extrema importância no campo da podologia, visto que 
auxilia o podólogo a quantificar as limitações ou excessos articulares do cliente, contribuindo para um 
melhor planejamento da conduta terapêutica podológica. Além disso, os valores provenientes das medi-
ções goniométricas servem também para acompanhar e avaliar a efetividade das intervenções podológicas 
propostas; sendo assim, no exame físico podológico, o profissional deve executar a goniometria, uma vez 
que limitações de ADMs podem contribuir diretamente para o aparecimento de diversas podopatias, 
por exemplo, úlceras plantares, esporão de calcâneo, metatarsalgia, fascite plantar, entre outras.
A biomecânica está relacionada com o estudo e a avaliação das forças criadas pelo corpo e o efeito 
dessas forças sobre esse organismo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014). É importante ressaltarmos que 
o entendimento dessas forças é essencial na área da saúde, para que o profissional esteja apto para 
compreender e detectar condições estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja esse movimento 
fisiológico ou anormal, uma vez que essas questões facilitam o diagnóstico e as intervenções podoló-
gicas. Além disso, esse conhecimento permite que o profissional podólogo também atue na prevenção 
de lesões e disfunções do movimento dos membros inferiores. Dessa maneira, a biomecânica é cola-
boradora para compreender a saúde do movimento.
24
UNICESUMAR
Por exemplo, ao avaliarmos o movimento requerido para levantar-se de uma cadeira, no entanto, 
com uma visão biomecânica, seria identificado e quantificado as forças articulares que atuam no qua-
dril, joelho, tornozelo e pé, além da força entre o pé e o solo, para que ocorra a execução do movimento 
de elevação do corpo e consequente recuo da cadeira (HALL, 2016). Como você sabe, a disciplina é 
de interesse de futuros podólogos, portanto, enfatizaremos o estudo dos fatores que envolvem a bio-
mecânica dos pés. Esse conhecimento é de extrema importância para o podólogo, já que proporciona 
uma valiosa habilidade de diagnóstico, além de proporcionar bases para melhorar o desempenho 
físico do paciente.
Como sabemos, utilizamos os músculos para aplicar força nos ossos aos quais eles estão conectados 
e gerar, controlar ou impedir o movimento das articulações que eles cruzam. Em geral, utilizamos os 
ossos, como os das mãos para segurar, empurrar ou puxar um objeto; e usamos uma série de ossos e 
articulações para aplicar força por meio dos músculos e afetar a posição do objeto. Ao fazer isso, esta-
mos utilizando uma série de máquinas simples para realizar as tarefas. As máquinas são usadas para 
elevar ou intensificar a força empregada na execução de uma tarefa ou para oferecer uma vantagem 
mecânica (FLOYD, 2016; HALL, 2016).
A vantagem mecânica proporcionada pelas máquinas nos permite empregar uma força ou um 
esforço relativamente pequeno, para mover uma resistência muito maior. As máquinas funcionam de 
quatro maneiras: 1- para equilibrar múltiplas forças; 2- para aumentar a quantidade de força na ten-
tativa de diminuir a força total necessária para suprir uma resistência; 3- para aumentar a amplitude 
e a velocidade de movimento de modo a deslocar a resistência por uma distância maior ou de forma 
mais rápida do que as forças usadas; e 4- para modificar o sentido da força aplicada (HALL, 2016; 
HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016).
As máquinas simples são a alavanca; a roda e o eixo; a polia; o plano inclinado; o parafuso e a cunha. 
A organização do sistema musculoesquelético oferece três tipos de máquinas geradoras de movimento, 
sendo elas: alavancas, roda/eixos e polias, as quais abordaremos a seguir.
A alavanca é a forma mais comum de máquina simples encontrada no corpo humano. Pode ser 
difícil visualizar o próprio corpo como um sistema de alavancas, mas, na verdade, é exatamente isso 
que acontece, já que os movimentos ocorrem mediante o uso organizado de um sistema de alavancas. 
Embora não se possam mudar as alavancas anatômicas, ao se conhecer bem o sistema, é plausível 
utilizá-las de maneira mais eficiente para potencializar os esforços musculares e também no intuito 
de evitar lesões (DUFOUR; PILLU, 2016).
Uma alavanca é definida como uma barra rígida que roda em volta de um eixo de rotação (fulcro). 
O eixo é o ponto de rotação em torno do qual a alavanca se move. Esta gira em torno do eixo como 
resultado da força (esforço) que é empregada para provocar o seu movimento contra uma resistência 
(carga ou peso). No nosso corpo, os ossos representam as barras, as articulações são os eixos e os mús-
culos se contraem para aplicar a força. A resistência pode variar de máximo a mínimo. Sendo assim, 
para que possamos ter o movimento da alavanca, a força precisa ser maior que a resistência (DUFOUR; 
PILLU, 2016; HAMILL; KNUTZEN; DERRICK, 2016):
As alavancas podem ser classificadas de três formas: alavanca de primeira, segunda e terceira classe, 
conforme veremos a seguir. Na alavanca de primeira classe, o eixo está posicionado em algum ponto 
entre a força e a resistência. A resistência e a força são exercidas no mesmo sentido. Veja:
25
UNIDADE1
Na alavanca de segunda classe, a resistência está posicionada entre o eixo e a força. Nesse caso, a resistência e 
a força são aplicadas em sentidos contrários. Um exemplo são os músculos gastrocnêmio e sóleo (músculos 
da panturrilha) no movimento de flexão plantar para elevar o corpo sobre a ponta dos pés (FLOYD, 2016).
Equilíbrio
Amplitude
de movimento
F = Força
E = Eixo
R = Resistência
F
E
R
R
EF
F
E
R
R
EF
F
Figura 18 - Alavancas de primeira classe
Fonte: Floyd (2016, p. 73). 
Segunda classe
Força
Resistência
Apoio
R F
Figura 19 - Alavancas de segunda classe
Fonte: a autora.
Na alavanca de terceira classe, a força se encontra entre o eixo e a resistência. Nesse caso, a resistência 
e a força são aplicadas em direções opostas (FLOYD, 2016).
F
E
R
Figura 20 - Alavancas de terceira classe
Fonte: Floyd (2016, p. 74).
26
UNICESUMAR
Sendo assim, podemos utilizar nosso sistema de 
alavancas anatômicas para obter uma vantagem 
mecânica que melhore a realização de movimen-
tos simples ou complexos.
As polias simples possuem um eixo fixo e fun-
cionam para mudar o sentido efetivo da aplicação 
de força. Diversos aparelhos de levantamento de 
força utilizam polias para modificar a direção da 
força resistiva, ou seja, para alterar a direção de uma 
força. No corpo humano, um excelente exemplo é o 
maléolo lateral, que age como uma polia em torno 
da qual corre o tendão do músculo fibular longo. 
Ao se contrair, o músculo fibular longo faz tração 
sentido ao seu ventre muscular. Como o tendão 
do músculo fibular longo utiliza o maléolo late-
ral como polia, a força se transmite à face plantar, 
ocasionando os movimentos de eversão ou flexão 
plantar (FLOYD, 2016; DUFOUR; PILLU, 2016).
Um corpo é estável quando a linha de gravi-
dade passa pelo centro de sua base de sustentação 
(base de apoio para o corpo). A base de susten-
tação consiste na área sobre a qual os pontos de 
contato do corpo e qualquer objeto permanecem 
em busca de sustentação. Por exemplo, se você 
fica em pé, com os pés separados, na largura dos 
ombros, sua base de sustentação é a área sob seus 
pés e área do solo entre eles. Se o paciente com 
um gesso na perna utilizar muletas para se lo-
comover, ele estará mais estável, pois sua base de 
sustentação inclui a área entre os pés e se estende 
até os pontos de contato entre as muletas e o solo 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HALL, 2016).
Quanto maior é a base de sustentação, mais es-
tável está o sujeito. Sendo assim, quanto menor é a 
base de sustentação, menos estável se torna o indi-
víduo. Essa é uma das razões porque é mais difícil 
permanecer sobre uma perna do que sobre as duas. 
Dessa forma, a estabilidade aumenta com uma base 
de sustentação maior, a qual reduz as chances de 
perder o equilíbrio ou ser derrubado por forças ex-
ternas (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HALL, 2016).
Músculo �bular
longo
Maléolo
lateral
Figura 21 - Maléolo lateral: atua como uma polia para o 
tendão do músculo fibular longo
Fonte: Floyd (2016, p. 81).
Apoio
normal
Base de
sustentação
maior
Aplicação de força
Aplicação
de força
lateral
A base de
sustentação
aumenta 
com muletas
Apoio para 
aumentar a 
estabilidade
contra força
anterior
Apoio para
aumentar a
estabilidade
contra força 
lateral
Figura 22 - Variações na base de sustentação
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 57).
27
UNIDADE 1
No entanto, uma base de sustentação grande, às vezes, pode ser vantajosa e, outras vezes, não. Por 
exemplo, um levantador de peso, que ergue uma grande barra olímpica acima da cabeça, deve ter uma 
ampla base de sustentação para lhe oferecer a estabilidade necessária no intuito de permanecer com o 
peso acima da cabeça e manter seu próprio peso e o da barra dentro da base de sustentação. 
Porém, um jogador de vôlei, que deve se mover de maneira rápida para fora de sua base de sustenta-
ção, não quer uma base ampla, pois o movimento deve ocorrer repentinamente e em qualquer direção, 
portanto, o jogador deve estar pronto. Uma grande base de sustentação para esse jogador prolonga seu 
tempo sobre a base e atrasa sua resposta para atingir a bola (HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Independentemente do tamanho da base de sustentação ou da atividade que o indivíduo executa, a 
presença dos dois pés, para o apoio de nosso corpo, durante a posição ortostática ou na execução dos 
movimentos é, sem dúvida, muito importante, conforme já citado, trazendo dificuldades para aqueles 
que, por algum motivo, perdem alguma parte do membro inferior.
O termo para estes casos é amputação, sendo descrito como a retirada parcial ou total de um membro 
do corpo. As amputações de membros inferiores são muito mais rotineiras, dessa forma, abordaremos 
as principais questões de interesse da podologia. Um dos principais fatores que contribuem para 
a amputação de membro inferior é uma condição denominada doença vascular periférica (DVP), 
especialmente nos casos em que essa condição está relacionada ao hábito de fumar e a diabetes des-
compensada (MAGEE, 2010).
Grandes melhorias no diagnóstico não invasivo, revascularização e técnicas de cicatrização de feridas, 
como as que cabem à podologia, têm reduzido a incidência geral das amputações por doença vascular. 
No entanto, em países desenvolvidos, 7 de cada 10 amputações que são executadas, decorrem de diabetes 
descontrolada. Diversas pesquisas demonstram que entre 49 a 85% de problemas nos pés poderiam 
ser evitados se fossem tomadas medidas apropriadas de prevenção (O’SULLIVAN; SCHMITZ, 2010).
É importante enfatizarmos que existe uma área da podologia que se concentra no estudo, prevenção 
e tratamento de condições que podem resultar em amputações, como o pé diabético e outras condições 
vasculares. A integração dos podólogos nos cuidados em saúde primários é extremamente importante 
para diminuir o aparecimento das úlceras diabéticas e, consequentemente, as taxas de amputação e 
internações hospitalares (BEGA; LAROSA, 2010).
Figura 23 - Úlcera diabética em pé direito
28
UNICESUMAR
Dessa forma, o desempenho das funções inerentes ao podólogo é primordial para impedir o surgimento 
de complicações em pés com alterações vasculares e sistêmicas, uma vez que, quando não tratadas, essas 
lesões podem resultar em sérias consequências, como gangrena e consequente amputação. A amputação 
é um fator que altera toda a biomecânica e cinesiologia do aparelho locomotor, levando a uma série de 
alterações, como de marcha; de movimento; de equilíbrio; de posicionamento e funcionamento do membro 
inferior residual, entre outros. A podologia contribui de maneira significativa tanto na prevenção, como 
no tratamento de úlceras de pés diabéticos, evitando a evolução para uma amputação (BEGA, 2014).
Conforme vimos anteriormente, os estudos retratam uma elevação significativa de amputação em su-
jeitos portadores de diabetes, o que determina aos podólogos um papel essencial se estiverem em contato 
com esses pacientes. O podólogo apresenta atribuições imprescindíveis no que se refere 
à análise clínica, por meio da verificação física para constatar as condições dos pés; 
investigação da circulação sanguínea, da biomecânica, da cinesiologia e da função 
sensitiva dos pés; prevenção e tratamento das complicações; e orientações a 
respeito dos cuidados com o pé de risco (BEGA; LAROSA, 2010; BEGA, 2014).
Após uma amputação de membro inferior, o profissional pode se depa-
rar com uma complicação denominada dor fantasma, a qual é descrita 
como uma sensação dolorosa percebida na área ausente do corpo, no 
caso de uma amputação. Essa condição é um tanto frequente, entre-
tanto, é incerta no que se refere às razões que a predispõe; intensida-
de; periodicidade; período e duração; aspecto da dor; exacerbação 
por fatores internos ou externos; ou o tipo da sensação dolorosa 
percebida (MAGEE, 2010).
Nos casos em que a amputação de membro inferior é neces-
sária, se indicado, o paciente deve ser orientado a fazer o uso de 
recursos auxiliares de deambulação, como muletas, 
prótesesou cadeiras de rodas, 
no intuito de preservar o má-
ximo de locomobilidade. A 
maioria das pessoas com 
amputações de membro 
inferior pode ser auxiliada 
a retornar para uma vida 
plena e útil após a perda do 
membro. Um programa de 
atendimento pós-operatório 
que leve em conta as neces-
sidades físicas e emocionais 
facilitará a adaptação e o re-
torno às atividades diárias 
(O’SULLIVAN; SCHMITZ, 
2010; MAGEE, 2010).
Compressão causada
pela faixa apertada
Dor em facada
Cãimbra muscular
Dor penetrante/choque
Queimação
Posição não natural
Membro faltante
29
UNIDADE 1
Você provavelmente já ouviu falar ou conhece algum caso de amputação 
de membro por causa da Diabetes tipo 2, mas o que é esta doença e 
como ela evolui a ponto de ser necessária uma amputação? Qual o seu 
papel como profissional da Podologia na prevenção? Você vai descobrir 
tudo isso neste podcast, confira!
Estimado(a) aluno(a)! Nesta unidade, você pôde entender a diferen-
ça básica dos conceitos de cinesiologia e biomecânica, e os itens impor-
tantes que envolvem a compreensão desses conceitos. É importante que 
você tenha em mente que o entendimento desses termos é de extrema 
importância para que possamos dar continuidade na disciplina. Além 
disso, as alterações cinesiológicas e biomecânicas que possam acometer 
os pés interferem diretamente no aparecimento de diversas podopatias, 
e o entendimento desses conceitos é imprescindível para determinar 
um tratamento podológico adequado ao seu paciente.
Além disso, você pôde compreender a goniometria clínica direcio-
nada a tornozelo e pé e pôde entender que a prática da goniometria é 
essencial no campo da podologia, visto que ajuda o podólogo a quan-
tificar as limitações articulares, contribuindo para um melhor planeja-
mento da conduta terapêutica podológica. Ainda, foi possível entender 
que limitações e/ou alterações das amplitudes de movimentos podem 
contribuir diretamente para o desenvolvimento de grande parte das 
podopatias. Por fim, foi possível aprender sobre os principais aspectos 
relacionados à amputação de membro inferior, como sua definição, 
causas e complicações, bem como a atuação do podólogo para evitar 
possíveis amputações.
Agora, chegou a sua vez de colocar todo o seu conhecimento em 
prática! Imagine que você já seja um podólogo formado e, durante 
sua atuação profissional, ao atender um paciente, inicialmente você 
percebe que ele está com dificuldades para andar. Durante a anamnese, 
o paciente relata ter uma calosidade muito grande na região plantar, 
e isso é o que está prejudicando sua deambulação. O paciente diz que 
não está conseguindo apoiar a ponta do pé no chão. Sendo assim, você, 
como profissional da saúde, ao solicitar que o paciente ande, consegue 
identificar qual movimento está sendo restringido pela calosidade? 
Você pensou em alguma ferramenta para quantificar essa restrição?
Conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que você, como 
futuro(a) podólogo(a), durante o atendimento podológico, especial-
mente no decorrer do exame físico, considere os aspectos cinesiológicos 
e biomecânicos de todo o corpo, especialmente dos membros inferiores. 
Nessa situação, você pode solici-
tar para que o seu paciente execu-
te os movimentos que precisam 
ser analisados, já que a queixa 
apresentada pode estar contri-
buindo significativamente para 
as restrições de movimentos. Para 
isso, você tem à disposição uma 
ferramenta muito útil, de baixo 
custo e de fácil manipulação, que 
é a goniometria manual. A partir 
dela, você conseguirá quantificar 
essas restrições articulares.
A partir daí, você irá determi-
nar um protocolo de atendimen-
to para tratar a calosidade e, no 
decorrer do tratamento, a gonio-
metria não deve ser descartada, 
aliás, as mensurações deverão ser 
feitas novamente, com uma deter-
minada periodicidade, pois essa 
prática lhe dará base para avaliar 
a progressão das amplitudes de 
movimentos. Sendo assim, essa 
ferramenta respalda você, como 
profissional, com relação à efetivi-
dade do protocolo de atendimen-
to que você escolheu para o seu 
paciente.
30
UNICESUMAR
Agora, imagine-se atuando em uma situação em que: um paciente, do sexo feminino, 70 anos e com 
queixa de micose no hálux. A paciente não relata sinais e sintomas, no entanto, o que mais a incomoda 
é o aspecto amarelado da unha. No decorrer da anamnese, ela relata que é diabética dependente de 
insulina há mais de 20 anos, mas que nos últimos tempos não vem tomando a medicação de maneira 
adequada, pois se cansou das agulhadas. Você, ao realizar o exame físico, além da micose severa, observa 
também um machucado no dedo mínimo do pé.
Quando você questiona a paciente, ela lhe fala que não sente a lesão. A partir daí, você, como pro-
fissional de saúde, tomaria quais condutas iniciais? Com base no histórico da paciente, você pensou 
nas possíveis complicações? 
Neste caso, além do tratamento podológico convencional para a micose, você deve esclarecer a 
importância de a paciente procurar um médico para retomar suas medicações e controlar a diabetes. 
Você também deve orientá-la que, se caso sua diabetes não for controlada, a ferida no dedinho do pé 
pode aumentar e piorar, em decorrência, muitas vezes, do atrito com o calçado, podendo evoluir para 
uma infecção, aumentando o risco de amputação. Você também deve apresentar e explicar os recur-
sos podológicos que atuam na cicatrização da ferida, que será muito benéfico para evitar infecções e 
possíveis amputações.
Você sabe que a podologia é uma área auxiliar da medicina voltada ao estudo aprofundado, pre-
venção, diagnóstico e tratamento das mais diversas doenças que acometem os pés. Para isso, para que 
você seja um profissional de destaque e renome, sua formação deve ser baseada nos conhecimentos de 
anatomia, fisiologia, cinesiologia, biomecânica, bem como da fisiopatologia das mais variadas afecções 
que acometem e/ou interferem na estrutura anatômica e consequente funcionamento dos pés. Isso 
contribuirá significativamente para que você esteja preparado para o atendimento eficaz dos mais 
variados casos que possam aparecer durante sua carreira como podólogo.
31
M
A
P
A
 M
EN
TA
L
Cinesiologia e Biomecânica
dos Membros Inferiores
Biomecânica
Alavancas
Polias
Base de sustentação
Amputação de membro inferior
Atuação podológica
Goniometria clínica
Goiometria de tornozelo e pé
Cinesiologia
Posição anatômica
Conceitos anatômicos
Movimentos de tornozelo e pé
Planos de movimento
Terminologia anatômica
A construção de um mapa mental torna mais fácil a organização e a compreensão dos 
conteúdos que foram abordados nesta unidade. Dessa forma, iniciei o nosso mapa men-
tal com os conceitos centrais desta unidade, a partir daí, é essencial que você preencha 
o mapa com informações, como frases de ligação, que se associem a esses conceitos. É 
importante que você dê continuidade ao mapa mental, pois essa prática irá lhe ajudar 
a memorizar os principais pontos estudados.
A
G
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R
A
 É
 C
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M
 V
O
C
Ê
32
1. A partir da goniometria, podemos ter uma medida clínica muito importante, utilizada para definir 
a quantidade de movimento articular tanto ativo como passivo, já que mede a posição relativa 
de dois segmentos ósseos. Dessa forma, qual a importância da goniometria clínica no exame 
físico podológico?
2. A compreensão dos movimentos articulares, principalmente no que se refere ao tornozelo e pé, 
é muito importante no âmbito da podologia, uma vez que restrições nos movimentos podem 
estar associadas a inúmeras podopatias. Dessa maneira, no que se refere aos movimentos que 
ocorrem no complexo tornozelo-pé, assinale a alternativa correta.
a) A dorsiflexão é o movimento de extensão do tornozelo, em que o dorso do pé se afasta da região 
anterior da tíbia.
b) A flexão plantar é o movimento de extensão do tornozelo, em que o pé e os dedos se afastam 
do corpo no plano sagital.
c) Tornozelo e pé não realizam o movimento de supinação.
d) O movimento de eversãoconsiste em girar a planta do pé para dentro, isto é, sentido linha 
mediana.
e) A extensão dos dedos dos pés resulta na redução do ângulo articular, já que o movimento dos 
dedos do pé ocorre em direção à planta do pé.
3. Geralmente, os movimentos produzidos pelo nosso corpo são extremamente complexos e 
heterogêneos, já que podem ser executados nas mais distintas direções. Os movimentos cor-
porais podem ser executados em três diferentes planos imaginários. Dessa maneira, assinale a 
alternativa correspondente.
a) Plano sagital, plano frontal (coronal) e plano transversal (horizontal).
b) Plano sagital, plano mediano e plano superior.
c) Plano frontal (coronal), plano proximal e plano distal.
d) Plano transversal (horizontal), plano sagital e plano lateral.
e) Plano dorsal, plano ventral e plano anterolateral.
C
O
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A
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R
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ST
A
S
33
1. A prática da goniometria é essencial no exame físico podológico, pois auxilia o podólogo a quantificar as 
limitações ou excessos articulares do cliente, contribuindo para um melhor planejamento da conduta 
terapêutica podológica, no intuito de proporcionar maior mobilidade para o paciente. Além disso, os valo-
res provenientes das medições goniométricas servem, também, para acompanhar e avaliar a efetividade 
das intervenções podológicas propostas. Dessa maneira, no exame físico podológico, o profissional deve 
realizar a goniometria, já que as alterações nas amplitudes de movimentos podem favorecer diretamente 
para o surgimento de inúmeras podopatias.
2. B. O movimento de flexão plantar é caracterizado pela extensão do tornozelo, sendo assim, durante o 
movimento o pé se afasta do corpo no plano sagital, movendo-se em direção ao solo.
3. A. Na posição anatômica, os movimentos corporais ocorrem em três planos referenciais, sendo eles: plano 
sagital; plano frontal ou coronal; e o plano transversal ou horizontal.
R
EF
ER
ÊN
C
IA
S
34
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35
M
EU
 E
SP
A
Ç
O
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M
EU
 E
SP
A
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O
2
OPORTUNIDADES
DE APRENDIZAGEM
Sistema Locomotor 
de Tornozelo e Pé
Me. Daniele Almeida Lopes
Nesta unidade, você terá a oportunidade de aprofundar o seu conhecimento so-
bre a importância e o mecanismo de funcionamento dos pés, além de explorar os 
componentes anatômicos que contribuem para a atuação dos pés no que se refere 
à dinâmica corporal. Você conhecerá e será capaz de identificar as principais carac-
terísticas anatômicas e funcionais do tecido ósseo, bem como os ossos que cons-
tituem o tornozelo e pé e suas especificidades anatômicas e, também, explorar a 
importância e a formação dos arcos plantares e a divisão clínica dos pés. Terá, ainda, 
a oportunidade de investigar, conhecer e identificar as principais articulações que 
formam o tornozelo e pé, além de suas particularidades anatômicas, sendo capaz 
de visualizar e analisar os principais músculos que formam o complexo tornozelo 
e pé e suas principais características, tais como origem, inserção e ação muscular, 
e explorar o entendimento sobre determinadas propriedades musculares. Além 
disso, aprofundará o conhecimento sobre a formação, a função e a importância de 
um notável componente anatômico do pé, denominado fáscia plantar.
38
UNICESUMAR
Imagine que você, já na condição de podólogo, está realizando um atendimento de uma paciente obesa 
e, durante a anamnese, ela relata que na maior parte do tempo trabalha em pé, queixando-se de dor 
intensa, do tipo “facada” debaixo do pé, e diz que a dor é perto do calcanhar, mas que se estende até 
próximo aos dedos. No exame físico podológico, quando você realiza a palpação da planta do pé, a 
paciente sente ainda mais dor e você observa que ela está andando com dificuldades. Durante o exame 
clínico, é possível ver que a paciente também apresenta o pé desabado, ou seja, que toca por inteiro o 
chão. Inicialmente, você consegue identificar quais estruturas estão comprometidas? Será que uma 
condição pode estar influenciando diretamente no aparecimento da outra?
Diante desse exemplo, já pensou sobre sua importância, como futuro profissional da saúde, ao 
compreender de maneira aprofundada os componentes ósseos, articulares e musculares do sistema 
locomotor de tornozelo e pé, bem como a relação entre eles? De que forma esse conhecimento irá 
contribuir para sua formação e conduta podológica?
Como você sabe, os pés constituem os pilares de sustentação do nosso corpo, pois são eles que 
suportam todo o peso corporal, além de atuarem na locomoção e proporcionar ao ser humano a 
possibilidade de ficar na posição em pé. Por esses e outros motivos, os pés estão sujeitos a lesões e 
desgastes, já que sofrem elevadas tensões. 
O aprofundamento do estudo sobre os constituintes anatômicos 
de tornozelo e pé, especialmente os ósseos, articulares e musculares, 
é de extrema relevância, já que qualifica e respalda você, futuro(a) 
podólogo(a), para atuar no cuidado dos pés.
Além disso, esse estudo te dará total suporte para identificar, de 
maneira precisa, as inúmeras lesões que possam acometer o sistema 
locomotor de tornozelo e pé, tanto por meio da observação como 
da anatomia palpatória. A palpação das estruturas anatômicas vai te 
auxiliar não só a identificar as estruturas desse complexo, mas também 
a detectar possíveis podopatias. Por isso, o exame físico podológico 
é uma ferramenta essencial para auxiliar um bom podólogo a traçar 
um diagnóstico podológico mais eficaz.
O entendimento do mecanismo de funcionamento dos pés, bem 
como dos elementos anatômicos do sistema locomotor aplicado 
a tornozelo e pé, incluindo as relações entre os componentes ós-
seos, articulares e musculares, é fundamental para que você possa 
entender a complexidade cinesiológica e biomecânica dos pés. 
Você estará apto para promover medidas orientativas com 
relação ao complexo tornozelo e pé, a fim de detectar e, 
quando couber à podologia, traçar protocolos de 
atendimento adequados para as inúmeras 
podopatias que possam acometer 
esse complexo.
39
UNIDADE 2
Agora que você já está um pouco mais familiarizado com o tema, peça a algum amigo ou familiar para 
que você possa realizar a palpação, ou seja, o toque dos pés. A partir daí, observe e busque sentir, pormeio 
dessa palpação, as diferentes texturas, consistências e formatos das estruturas anatômicas que formam 
os pés. Aproveite também para notar, realizar e sentir os mais diversos movimentos articulares dos pés.
Como se saiu no exercício? Conseguiu visualizar e ter a percepção tátil dos distintos elementos 
anatômicos que constituem os pés?
O conhecimento dos elementos que compõem o aparelho locomotor de tornozelo e pé, bem como 
suas relações, é essencial para sua atuação como futuro(a) podólogo(a), já que irá ajudar na análise e 
na interpretação de achados referentes à consistência, textura, formato e movimentação das estrutu-
ras corporais investigadas a partir do aparelho locomotor de pé. Sendo assim, reflita comigo sobre os 
pontos-chave dessa situação:
• Os pés integram o pilar de sustentação do corpo; são eles que suportam todo nosso peso, por 
isso são extremamente suscetíveis à ocorrência de danos.
• A partir da palpação e da observação dos pés, é possível identificar os mais diversos componentes 
anatômicos do sistema locomotor. Essa prática irá te auxiliar a encontrar a causa e estabelecer 
o diagnóstico para um possível problema.
• Para adquirir essa compreensão, é fundamental que você domine as características ósseas, 
articulares e musculares do complexo tornozelo e pé. Esse conhecimento permite localizar as 
estruturas anatômicas e ter uma atuação podológica precisa e objetiva.
• O cuidado para manter o funcionamento adequado dos componentes ósseos, articulares e 
musculares do pé permite não apenas a movimentação efetiva, mas, claramente, evita o apare-
cimento de diversas podopatias.
Neste momento, registre, em seu Diário de Bordo, a experiência vivenciada até aqui, e acrescente tudo o que 
você compreendeu. Qual a importância para você, futuro(a) profissional podólogo(a), estudar e entender 
as particularidades ósseas, articulares e musculares do complexo tornozelo-pé? Além disso, de que forma 
esses conhecimentos contribuem para a compreensão da complexidade cinesiológica e biomecânica que 
envolvem os pés? Sendo assim, o registro das ideias e dos conceitos, por meio do Diário de Bordo, facili-
tará seu processo de aprendizagem, além de favorecer a organização e a memorização dos seus estudos.
A partir de agora, dedicaremo-nos a compreender as particularidades que envolvem o fun-
cionamento dos pés. Este tema te capacitará profissionalmente para identificar e diagnosticar, de 
maneira precisa, as diferentes disfunções que possam acometer a estrutura anatômica e a funcio-
nalidade dos pés. Sendo assim, é importante que você sempre tenha em mente que a podologia 
é uma área da saúde que estuda e atua nos mais variados cuidados aos pés. Erroneamente, como 
muitos pensam, sua atuação não é voltada somente para fins estéticos, trata-se, na verdade, de uma 
ciência dirigida para a prevenção, investigação, diagnóstico e tratamento das inúmeras podopatias.
É importante que você saiba que os pés compõem o único ponto básico do sistema locomotor, 
que possibilita, a nós, seres humanos, permanecermos na postura bípede, ou seja, na posição em pé 
(erguida), claro que, conjuntamente com os músculos que exercem função na cabeça, tronco, quadril 
e membros inferiores. Dessa maneira, qualquer modificação no posicionamento bípede implica um 
prejuízo em todos os componentes que colaboram para a dinâmica corporal (DORNELES et al., 2011).
40
UNICESUMAR
Os pés integram o pilar de sustentação do 
corpo, são eles que apoiam toda carga corporal, 
por isso são extremamente suscetíveis a profun-
das tensões e consequentes lesões. Existe uma 
rede de músculos, fáscias, tendões e ligamentos 
que trabalham de forma integrada, proporcio-
nando a movimentação, o suporte e a manuten-
ção dos ossos do pé na posição correta. Ainda 
assim, auxiliam na manutenção do equilíbrio, 
nas situações em que somos expostos a superfí-
cies irregulares, provendo a propulsão, elastici-
dade e flexibilidade essenciais para andar, saltar 
e correr (DORNELES et al., 2011).
Com base na estrutura anatômica, o pé 
apresenta movimentos independentes nas re-
giões anterior e posterior, o que confere uma 
extraordinária capacidade de torção. Na planta 
do pé, o tecido adiposo subcutâneo age como 
um minicoxim, o qual atua promovendo o 
amortecimento de forças externas, a distri-
buição da tensão de forma uniforme em toda 
a superfície de apoio e a adaptação dos pés nas 
mais variadas condições ambientais. Apesar 
do esqueleto do pé apresentar uma firmeza 
significativa – o que dá a resistência para uma 
série de impactos – ele também tem condições 
de se adaptar de acordo às necessidades, por 
meio do auxílio de suas estruturas conjuntivas 
associadas (WEINECK, 2013).
Como falamos anteriormente, o pé é o prin-
cipal suporte do peso do corpo. Ainda assim, 
os pés apresentam diferentes atribuições: uma 
em estática, quando o sujeito está imóvel e na 
posição em pé; e outra em dinâmica, quando o 
sujeito está se movimentando. A função estática 
corresponde à disseminação de forças que o 
peso corporal faz incorrer sobre os pés. A fun-
ção dinâmica é altamente complexa, visto que 
abrange o conhecimento dos aspectos biomecâ-
nicos e cinesiológicos dos pés e do corpo como 
um todo (MIRANDA, 2001).
De maneira simplificada, o pé pode ser re-
portado como um “motor ativo”, pois propi-
cia a propulsão (impulsão) para a caminhada, 
corridas, saltos etc., isto é, opera como uma 
alavanca. A função dinâmica também exerce 
uma participação importante, pois suaviza as 
pressões impostas aos pés durante o ciclo da 
marcha, corrida, salto, entre outros. O pé pode 
ser designado como um “técnico especializa-
do”, pois viabiliza o ajustamento a movimentos 
complexos e específicos (MIRANDA, 2001).
O pé humano se configura numa fonte inces-
sante de estímulos sensitivos, que resultam do to-
que do pé com o meio ambiente e que, por meio 
do sistema nervoso, elaboram dados primordiais 
para que o indivíduo conserve o equilíbrio ao 
longo do ciclo da marcha e durante as ativida-
des diárias. Como se pode concluir, o pé é uma 
estrutura de elevada relevância para o corpo, 
pois propicia uma relação e/ou interação entre 
o corpo e o meio externo que o cerca, viabili-
zando a realização de movimentos e a percepção 
de estímulos que são emitidos pelo meio afora 
(MOORE; DALLEY, 2007; MANFIO, 2001).
Sendo assim, para que você possa entender a 
complexidade cinesiológica e biomecânica que 
envolvem os pés, a seguir, iremos abordar os 
aspectos ósseos, articulares e musculares, enfati-
zando as principais particularidades do comple-
xo tornozelo-pé, sobre o qual o entendimento 
é de extrema importância para sua profissão. 
Com relação às particularidades ósseas, a 
partir de agora, faremos uma breve revisão de 
determinadas questões relacionadas ao siste-
ma esquelético, e daquelas características dos 
pés, uma vez que seu estudo é de fundamental 
importância para um profissional da Podolo-
gia, já que dará base para atuar por meio da 
observação e, até mesmo, da anatomia palpa-
tória, permitindo uma localização precisa das 
estruturas anatômicas ósseas que compõem os 
41
UNIDADE 2
pés, facilitando, posteriormente, um diagnóstico podológico preciso. Com isso, você realizará 
um atendimento podológico de qualidade, favorecendo a saúde do seu paciente, além de ser um 
diferencial para você mesmo, no âmbito profissional.
É importante recapitularmos que o sistema esquelético é composto por um conjunto de ossos 
e cartilagens, os quais se conectam para formar a estrutura de um indivíduo. O esqueleto huma-
no é composto por, aproximadamente, 206 ossos. O número exato de ossos e suas características 
específicas variam eventualmente de uma pessoa para outra. Além disso, apresentam uma série 
de funções, entre as quais podemos destacar, segundo Tomita (2016) e Miranda Neto (2006):
• Proteger os tecidos e órgãos internos, como coração, pulmões, encéfalo, medula espinal etc.
• Sustentar e dar conformação ao corpo.
• Proporcionar superfície parafixação de músculos, ligamentos e tendões.
• Permitir a movimentação ao corpo, juntamente com o sistema articular e muscular.
• Produzir células sanguíneas por meio da medula óssea vermelha, pois o osso é considerado um 
órgão hematopoiético.
• Armazenar íons, principalmente o cálcio e o fósforo, e gordura por meio da medula óssea amarela.
Embora os ossos sejam muito variáveis em forma e tamanho, podem ser classificados em cinco 
categorias principais: longos, curtos, achatados (chatos), irregulares e sesamoides. Nesta unidade, 
falaremos a respeito dos ossos curtos, longos e dos ossos sesamoides, já que suas particularidades 
são importantes para o estudo do sistema esquelético dos pés.
Os ossos curtos são semelhantes a um cubo. O comprimento e a largura de um osso curto são 
praticamente iguais. Esses ossos favorecem a absorção de choques, por exemplo a ação dos ossos 
do tarso, durante a marcha, corrida, atividade física etc. Os ossos do tipo longo apresentam com-
primento maior comparado a sua largura e espessura. As falanges e os metatarsos são exemplos 
de ossos longos (MIRANDA NETO, 2006).
Figura 1 - Exemplo de ossos curtos: ossos do tarso. Exemplo de ossos longos: falanges e metatarsos
Os ossos do tipo sesamoides são aqueles localizados no interior de tendões, áreas em que há atrito e 
tensão, como na palma da mão e planta dos pés. Por exemplo, existem pequenos ossos sesamoides 
no interior dos tendões flexores do hálux. Ocasionalmente, eles são denominados ossos acessórios 
e podem estar presentes em números que variam de pessoa para pessoa, e encontram-se com maior 
frequência nas articulações menores das extremidades distais dos pés (MIRANDA NETO, 2006).
42
UNICESUMAR
A partir de agora, vamos nos aprofundar a res-
peito das características anatômicas dos ossos 
que compõem o complexo tornozelo e pé, ou 
seja, o Sistema Esquelético de Tornozelo e Pé.
O esqueleto humano pode ser distinguido 
em apendicular e axial. O esqueleto apendicular 
é constituído pelos apêndices: membros supe-
rior e inferior. O esqueleto axial é composto pelo 
crânio, coluna vertebral, costelas e osso esterno. 
O Quadro 1 desmembra, detalhada e especifi-
camente, o esqueleto apendicular, referente ao 
membro inferior, relatando a região e os nomes 
comuns e específicos de pé, os quais são de in-
teresse para você, futuro(a) podólogo(a).
Osso sesamóide
Figura 2 - Osso sesamoide do hálux
Esqueleto Nome da região
Nome 
comum Sub-região
Nome da 
região 
específica
Nome comum 
da região 
específica
Apendicular Membros in-feriores Podal Pé
Tálus Tornozelo
Calcânea Calcanhar
Dorso Peito do pé
Tarsal Curva ou arco do pé
Plantar Planta do pé
Digital Dedo do pé
Quadro 1 - Partes e regiões do pé
Fonte: adaptado de Floyd (2016).
O pé é composto por 26 ossos e outros ossos considerados acessórios, já que podem não estar presentes 
em todos os pés, entretanto, quando expostos a situações estressantes e de atrito, podem resultar no 
aparecimento de disfunções que dificultam a deambulação. Possuímos três grupos de ossos que for-
mam os pés: tarso, metatarso e falanges; embora semelhantes aos ossos das mãos, os ossos do pé têm 
diferenças estruturais que servem para suportar o peso do corpo e proporcionar força de alavanca e 
mobilidade durante a marcha (VAN DE GRAAFF, 2003).
O tarso é constituído por 7 ossos distribuídos em 2 fileiras: 1- proximal (sendo os ossos: tálus e 
calcâneo) e 2- distal (sendo os ossos: navicular; cuboide; e cuneiformes medial, intermédio e lateral). O 
metatarso é formado por 5 ossos metatarsianos que são elencados na direção medial para lateral em I, 
II, III, IV e V e correspondem aos dedos dos pés (MIRANDA NETO, 2006; VAN DE GRAAFF, 2003).
Com relação aos dedos dos pés, o primeiro dedo, vulgarmente chamado de dedão, anatomicamente 
é denominado hálux. Os dedos dos pés são compostos por 14 falanges, sendo que o hálux apresenta 
apenas 2 (a falange proximal e a distal) e os outros dedos, II, III, IV e V (mínimo/dedinho) são forma-
dos por 3 falanges cada um com: falange distal, falange média e falange proximal (TOMITA, 2016).
43
UNIDADE 2
Calcâneo
Calcâneo
Cuboide
Cubóide
Cuneiforme Lateral
MetatarsosMetatarsos
Falanges
Falanges
Navicular
Navicular
Tálus
Tálus
Proximal
Média
Distal
Cuneiforme Lateral
Cuneiforme Medial
Cuneiforme Intermédio
Cuneiforme
Intermédio
Figura 3 - Ossos do pé (visão superior e lateral)
O tálus é um osso superior e posterior do pé; na região denominada tróclea do tálus, articula-se com 
a tíbia medialmente e com a fíbula lateralmente. O tálus se articula com a tíbia e a fíbula para formar 
a articulação do tornozelo. Inferiormente, ele está articulado ao osso calcâneo e anteriormente ao 
osso navicular. O calcâneo, osso mais volumoso dos ossos do tarso, está localizado na região posterior 
e inferior do pé, proporcionando o apoio do pé ao solo. Sendo assim, o calcâneo favorece o suporte 
esquelético para o calcanhar e tem um grande prolongamento posterior, denominado tuberosidade 
do calcâneo, para fixação dos músculos da panturrilha. É um osso que superiormente se articula com 
o tálus por meio de uma projeção medial chamada sustentáculo do tálus. Anteriormente, o calcâneo 
se articula com o osso cuboide (VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010).
Segundo os mesmos autores, o navicular é um osso medial e ocupa a segunda fileira dos ossos do 
tarso e seu formato se assemelha a um chapéu. O navicular se articula posteriormente ao tálus e ante-
riormente com os ossos cuneiformes medial, intermédio e lateral. A região lateral do osso navicular se 
articula com o osso cuboide. Este também ocupa a segunda fileira dos ossos do tarso, formando sua 
parte lateral. Articula-se posteriormente com o osso calcâneo, medialmente com o osso navicular e o 
cuneiforme lateral e anteriormente com o 4º e 5º metatarsos. 
No que podemos considerar como uma terceira fileira dos ossos do tarso localizada anteroinfe-
riormente, encontramos os ossos cuneiforme medial, cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral. O 
cuneiforme medial é o maior comparado aos outros dois e articula-se posteriormente ao osso navi-
cular, anteriormente ao 1º metatarso e lateralmente ao cuneiforme intermédio. O osso cuneiforme 
intermédio, por sua vez, está articulado posteriormente com o osso navicular, medialmente com o 
cuneiforme medial, anteriormente com o 2º metatarso e lateralmente com o osso cuneiforme lateral 
(VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010).
O osso cuneiforme lateral está articulado posteriormente com o navicular, anteriormente com o 3º 
metatarso, medialmente com o cuneiforme intermédio e lateralmente com o osso cuboide. Os ossos do 
metatarso e as falanges são similares em nome e em quantidade aos metacarpos e falanges das mãos. 
No entanto, eles diferem na forma, em decorrência da sua função de suportar peso. Os cinco ossos que 
formam o metatarso se articulam distalmente com as falanges proximais, correspondentes do 1º ao 5º 
44
UNICESUMAR
dedo. O 1º metatarso é maior comparado aos outros metatarsos, já que apresenta importante papel na 
sustentação do peso corporal (VAN DE GRAAFF, 2003; BEGA; LAROSA, 2010).
Cada metatarso é dividido em base, corpo e cabeça. As bases proximais do 1º, 2º e 3º metatarsos se 
articulam proximalmente com os ossos cuneiformes. As cabeças dos metatarsos se articulam distal-
mente com as falanges proximais do 1º ao 5º dedo. As articulações proximais são chamadas articula-
ções tarsometatarsais (entre os ossos do tarso e os metatarsos); e as articulações distais são designadas 
articulações metatarsofalangeanas (entre os ossos do metatarso e as falanges proximais), conforme 
veremos posteriormente (VAN DE GRAAFF, 2003; TOMITA, 2016).
Ossos da FalangeOssos do MetatarsoOssos do Tarso
Cabeça do
5º Metatarso
Tuberosidade
do 5º Metatarso
Osso
Cuboide
Tuberosidade
do Osso Cuboide
Tróclea
Fibular
Sulco do Tendão do
Músculo Fibular Longo
Seio do Tarso
(Sulco Talocalcâneo)
Tuberosidade
do Calcâneo
Corpo do
Calcâneo
ProcessoLateral do Tálus
Processo
Posterior do Tálus
Tróclea
do Tálus Colo
do Tálus
Cabeça
do Tálus
Articulação Transversa
do Tarso
Osso
Navicular
Osso Cuneiforme
Intermédio
Osso Cuneiforme Lateral
Articulação Tarsometatarsal
Figura 4 - Principais acidentes ósseos dos pés
O quanto você sabe sobre os ossículos acessórios ou supernumerários dos pés? 
Os ossos acessórios ou supernumerários constituem componentes extranumerários e não 
originários de quebraduras ósseas ou outras patologias. Os ossos acessórios dos pés podem ser 
detectados de maneira isolada ou em grande variedade em um só indivíduo. Os ossos acessórios 
encontrados com mais frequência são Uncinatum (plantar); osso de Vesálio; calcâneo secundário; 
cuboide acessório; subcalcâneo; troclear do calcâneo; supracalcâneo; tálus acessório; tálus tibial; 
supratálus; supranavicular; subnavicular; intercuneiforme; intermetatarsiano; subfibular; navicu-
locuneano; espinha subcalcânea; espinha retrocalcânea; etc. (BEGA, 2014; VAZ; TRIPPIA, 2018).
45
UNIDADE 2
Existem outros ossos acessó-
rios além dos citados, como 
os sesamoides submetatar-
sais distais e os sesamoides 
subfalângicos, por exemplo, o 
subhálux. Os ossos acessórios 
mais comuns são os sesamoi-
des dispostos na parte inferior 
da epífise distal do I metatar-
so. Acredita-se que tais ossos 
servem para auxiliar na ma-
nutenção do equilíbrio, entre-
tanto, uma pessoa pode viver 
normalmente sem apresentar 
os referidos ossos. 
Figura 5 - Osso de Vesalio, localizado na base do V metatarso
Fonte: Vaz e Trippia (2018, p. 248). 
Uma podopatia muito frequente relacionada aos ossos sesamoides é a sesamoidite subhálux, que 
se refere ao aparecimento de ossos sesamoides sob uma das falanges do hálux, mais comumente na 
falange proximal, resultando no surgimento de hiperqueratose local (espessamento da camada córnea), 
o que determina endurecimento e secura da pele (BEGA, 2014).
Figura 6 - Hiperqueratose em hálux
46
UNICESUMAR
O não tratamento dessa condição pode resultar em inflamação local e, até mesmo, na infecção desse calo, 
com elevadas chances de evoluir para uma osteomielite caso não seja tratada o quanto antes. Você pode 
constatar essa condição por meio de palpação local, além dos sinais e sintomas referidos pelo seu paciente, 
que normalmente são característicos de calos ou calosidades. 
Esses tipos de sesamoides não são adquiridos durante a vida, isto é, o sujeito já nasce com eles. O 
problema é que o aparecimento desses ossos pode contribuir para o aparecimento de diversas patolo-
gias, como síndromes dolorosas associadas a esses ossos extras, além de contribuir para o surgimento 
de condições dolorosas conforme os tipos de calçados, peso, postura e/ou outras patologias que este 
indivíduo já apresente (BEGA, 2014).
A presença de ossos extras não constitui uma podopatia, a não ser que eles originem doenças, dores 
ou déficit na deambulação. É essencial enfatizarmos que os ossos acessórios podem ser detectados 
por meio de um exame de raio-x ou tomografia óssea. Lembrando que o profissional deve ter cautela 
para diferenciar a existência de ossos acessórios de outras condições, como fraturas, artrites, esporão 
de calcâneo, hálux valgo, entre outras e, para isso, o estudo dos aspectos e características esqueléticas 
dos pés são de extrema importância (BEGA, 2014; VAZ; TRIPPIA, 2018).
Embora não constituam termos anatômicos, clinicamente o pé é fracionado em três áreas: retropé, 
mediopé e antepé. O retropé, região de calcanhar, é composto pelos ossos tálus e calcâneo. A zona 
referente ao mediopé é formado pelos ossos: navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e 
lateral. O antepé, também conhecido como a região da ponta dos pés, é constituído pelos metatarsos 
(I ao V) e pelas falanges do I ao V dedo (SIMON; SHERMAN, 2013). Por constituírem terminologia 
clínica, muitas vezes são utilizados na prática profissional, inclusive no campo da podologia, o que justifica 
a importância de sua compreensão.
Bom, agora que você já estudou sobre a divisão clínica dos pés (retropé, mediopé e antepé), a seguir fala-
remos a respeito de constituintes anatômicos localizados na planta do pé, extremamente importantes para 
a funcionalidade dos pés, os quais se denominam arcos plantares, formados pelos pontos de apoio do pé.
Os ossos dos pés em conjunto compõem significativos arcos que ajudam no suporte e na distribuição 
do peso corpóreo de forma apropriada na planta do pé, além de agir como alavanca nas caminhadas. Os 
arcos dos pés apresentam mobilidade de acordo com o peso e a pressão que recebem, 
voltando sempre ao posicionamento normal quando em repouso, ou seja, sem carga. 
Existem três tipos de arcos plantares (BEGA, 2014):
• Arco longitudinal medial: constituído pelos ossos calcâneo, tálus, 
navicular, I e II metatarsos.
• Arco longitudinal lateral: composto pelos ossos: calcâneo, cuboide 
e III, IV e V metatarsos.
• Arco longitudinal transversal ou transverso: 
formado pelos ossos cuneiforme 
medial, cuneiforme in-
termédio, cuneiforme la-
teral, cuboide e pela base 
dos cinco metatarsos.
47
UNIDADE 2
Pé
(visão inferior)
Arco Transverso
(corte transversal)
Arco Transverso
Arco Transverso
A
rco Longitudinal M
edial
A
rco Longitudinal M
edial
Ar
co
 L
on
gi
tu
di
na
l L
at
er
al
Ar
co
 L
on
gi
tu
di
na
l L
at
er
al
Cabeça dos
Metatarsos
Ossos
Cuneiformes:
Medial
Intermédio
Lateral
Cuboide
Visão Medial do Pé Visão Lateral do Pé
Arco Longitudinal Medial Arco Longitudinal Lateral
Figura 8 - Arcos plantares
O conhecimento a respeito da constituição e da função desses arcos plantares é essencial para você, 
visto que existem patologias bem conhecidas que ocorrem, frequentemente, em decorrência do enfra-
quecimento dos ligamentos e dos tendões dos pés, resultando no achatamento desses arcos. Provavel-
mente você já ouviu falar do famoso pé chato – essa condição nada mais é do que o pé plano, condição 
decorrente do desabamento, frequentemente, do arco longitudinal medial (BEGA; LAROSA, 2010).
Diante do que vimos até o momento, você adquiriu subsídios para aprofundar-se no próximo 
tema, que abordará os aspectos macroscópicos referentes às características dos tecidos que formam 
o esqueleto.
Em decorrência de sua organização celular, o osso pode ser considerado esponjoso, quando apresenta 
espaços entre suas lamelas internas, ou compacto, quando essas lamelas se encontram justapostas, ou 
seja, sem espaços entre elas. O osso compacto dispõe de elevada resistência mecânica, já que sua den-
sidade óssea é bem maior. Os ossos esponjosos atuam no amortecimento de impactos (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014; TORTORA; DERRICKSON, 2017).
48
UNICESUMAR
Os pés são compostos basica-
mente por ossos esponjosos, o 
que lhes concede uma notável 
função na minimização de cho-
ques e impactos ocasionados 
pela posição bípede (em pé) e 
maior resistência à compressão. 
De acordo com Bega (2014), os 
ossos do pé se ossificam à me-
dida que a pessoa vai se desen-
volvendo, tornando-se completa, 
em torno dos 18 anos de idade. 
Dessa forma, o pé de um 
recém-nascido apresenta uma 
pequena ossificação, tornan-
do-se mais suscetível a defor-
mações ocasionadas pela uti-
lização de roupas e calçados 
inapropriados, por exemplo o 
uso de calçados apertados e os 
famosos “mijãozinhos” em bebês. 
Sendo assim, é de extrema relevância que o podólogo promova orien-
tações com relação ao uso de roupas e calçados adequados, especial-
mente nos casos de bebês, no intuito de evitar o aparecimento de 
futuras podopatias.
O mesmo ocorre com crianças e adolescentes, ocasionando de-
formidades que irão contribuir para o aparecimento das inúmeras 
modificações podológicas ortopédicas, tendo como agravante desses 
possíveis quadros o desenvolvimento de hiperqueratoses, calos duros 
e moles, hálux valgo, bunionette (joanete do quinto dedo), onico-
criptoses, além de outras podopatias que prejudicam a deambulação 
e resultam em comprometimentos em outras áreas do corpo,como 
coluna, quadril e joelhos. Os ossos vivos são estruturas maleáveis, ou 
seja, flexíveis, o que justifica o cuidado com relação à postura, calçados 
e manejo (BEGA, 2014).
Diferentemente das mãos, que servem para movimentos amplos 
e delicados, os pés suportam todo o peso do corpo e, frequente-
mente, percorrem superfícies acidentadas e adaptam-se a elas, 
atuando também como força propulsora para transportar o corpo. 
Faremos aqui uma breve revisão sobre as principais articulações 
constituintes do pé. É fundamental que, como futuro profissional 
de saúde, saiba que a manutenção de uma articulação saudável é 
um dos quesitos essenciais para a boa execução dos movimentos 
corporais, além de evitar o aparecimento de diversas alterações 
articulares. As disfunções articulares mais frequentes no campo 
da podologia são a joanete (hálux valgo), bunionette (joanete de 
5º dedo) e as deformidades articulares de dedos, como dedo em 
garra, dedo em martelo, dedo em malho, entre outros.
Qual a relação que os nossos pés têm com a nossa postura cor-
poral? Você acha que é possível atribuir certos distúrbios posturais 
a algum tipo de podopatologia? Imagino que você já esteja no ca-
minho certo em suas deduções! Vem confirmar aqui neste podcast!
Figura 9 - Osso compacto tem tex-
tura lisa (externo) e o osso espon-
joso apresenta emaranhados que 
lembram uma “esponja” (interno)
49
UNIDADE 2
Dessa maneira, o conheci-
mento da constituição e do fun-
cionamento das articulações 
dos pés são de fundamental 
importância para a podologia, 
para que o profissional possa 
entender a fisiopatologia des-
sas condições e traçar, quando 
possível, medidas orientativas e 
de tratamento podológico. 
Os 26 ossos dos pés for-
mam 34 articulações divididas 
em dois grupos consideráveis: 
diartroses (articulações mó-
veis, de movimento ou sino-
viais) e anfiartroses (articu-
lações semimóveis, limitadas 
por um ligamento interósseo 
ou cartilaginosas) (MIRAN-
DA, 2001; BEGA, 2014; HOU-
GLUM; BERTOTI, 2014).
Em nossos estudos, ressal-
taremos as articulações que 
produzem movimento global 
no pé. No entanto, é impor-
tante que você tenha em mente 
que existem articulações en-
tre ossos adjacentes que não 
serão discutidas, já que pos-
suem pouco ou mesmo ne-
nhum movimento durante o 
movimento funcional do pé; 
então, não tomaremos tempo 
discutindo, embora se deva 
ter a consciência de que elas 
existem. De um ponto de vista 
cinesiológico, elas não interfe-
rem no movimento funcional 
a não ser que estejam em es-
tado patológico (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014). 
A seguir, relataremos a respeito das principais articulações que 
constituem o pé. Iniciaremos pelas articulações interfalangeanas, 
que são nove e se localizam entre as falanges dos dedos e são 
diartroses (sinoviais). Estas são do tipo dobradiça e favorecem 
especialmente os movimentos de extensão e flexão dos dedos. 
São segmentadas em duas categorias: 
• Articulações interfalangeanas proximais (entre as falanges 
proximais e as falanges médias). 
• Articulações interfalangeanas distais (entre as falanges mé-
dias e a falange distal) (PALASTANGA; FIELD; SOAMES, 
2000; BEGA; LAROSA, 2010).
É essencial lembrarmos que o hálux apresenta somente uma ar-
ticulação interfalangeana, especificamente entre a falange distal e 
a falange proximal. As articulações interfalangeanas são reforça-
das pelos seguintes ligamentos: colateral medial, colateral lateral 
e plantares, que além de protegerem a articulação dão suporte a 
cápsula articular (PALASTANGA; FIELD; SOAMES, 2000; BEGA; 
LAROSA, 2010).
Articulação
Interfalangeana
Proximal
Articulação
Interfalangeana
Distal
Figura 10 - Articulações interfalangeanas proximal e distal
Fonte: adaptada de Zoboli (on-line)1.
Existem cinco articulações metatarsofalangeanas, as quais se 
dispõem entre os ossos metatarsais e as falanges proximais. Espe-
cificamente, cada cabeça do metatarso, que é convexa, faz par com 
a base equivalente da falange proximal, que é côncava, formando 
tais articulações. São articulações biaxiais e se movem nos planos 
sagital e transverso. Essas articulações são reforçadas pelos seguintes 
ligamentos: colateral medial, colateral lateral e plantares, os quais 
dão suporte à cápsula articular e limitam o movimento lateral da 
respectiva articulação (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 
2016; BONTRAGER; LAMPIGNANO, 2005).
50
UNICESUMAR
Articulação Metatarsofalangeana
Figura 11 - Articulação metatarsofalangeana
Fonte: adaptada de Mello (on-line)2. 
Portanto, são articulações do tipo sinovial e favorecem os movi-
mentos de extensão, flexão, abdução limitada, adução, rotação e 
circundação. É importante relatar que nas articulações metatarso-
falangeanas ocorre também a hiperextensão, em torno de 90º, e a 
flexão é de apenas 30 a 45º. A elevada amplitude de hiperextensão 
é necessária quando ficamos na ponta dos pés e no decorrer da 
caminhada, especificamente, na fase final de apoio, depois que o 
calcanhar deixa o chão (KAPANDJI, 2000; BEGA; LAROSA, 2010; 
BONTRAGER; LAMPIGNANO, 2005).
As articulações tarsometatarsais se localizam entre os os-
sos do tarso, especificamente entre os três cuneiformes e o osso 
cuboide, os quais articulam-se com as bases dos cinco metatarsos. 
Ainda assim, essas articulações constituem o ponto de união entre 
o retropé e o antepé. São articulações do tipo sinoviais planas e 
concedem movimentos restritos de deslizamento entre esses ossos. 
Entretanto, as articulações tarsometatarsais existentes entre o me-
tatarso correspondente ao hálux e o cuneiforme medial favorecem 
maior amplitude de movimento comparado as outras articulações 
tarsometatarsais (BEGA; LAROSA, 2010).
Essas articulações contribuem para a formação do arco transver-
so do pé e favorecem também, de maneira pequena, a constituição 
do arco longitudinal. São denominados ligamentos plantares aqueles 
que equilibram e harmonizam as articulações tarsometatarsais, os 
quais atuam protegendo e suportando tais articulações, além de 
permitir o deslizamento entre os ossos que compõe tais articulações 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016).
Há também a articulação 
calcaneocuboidea, que ocor-
re entre o osso calcâneo e o 
cuboide e é estabilizada pelos li-
gamentos: ligamento bifurcado, 
ligamento plantar longo e liga-
mento plantar curto (ligamento 
calcaneocuboideo plantar). Este 
último é amplo e muito forte e 
faz a conexão do tubérculo cal-
câneo anterior à superfície infe-
rior do osso cuboide. 
Essa articulação é do tipo 
sinovial e em sela modificado. 
Proporciona os movimentos 
de deslizamento e rotação, os 
quais favorecem a eversão e a 
inversão do pé, além da supi-
nação e pronação (BEGA; LA-
ROSA, 2010; DRAKE; VOGL; 
MITCHELL, 2010).
A articulação subtalar 
(articulação abaixo do tálus) é 
composta por outras duas arti-
culações do tipo sinovial, deno-
minadas talocalcânea e articu-
lação talocalcâneonavicular, as 
quais veremos a seguir (BEGA; 
LAROSA, 2010).
A articulação talocalcâ-
nea (entre o tálus e o calcâneo) 
é estabilizada pelos seguintes li-
gamentos: talocalcâneos lateral, 
medial, posterior e interósseo 
tarsais. Essa articulação propi-
cia os movimentos de desliza-
mento e rotação, os quais são 
essenciais para os movimentos 
de inversão e eversão do pé. A 
51
UNIDADE 2
superfície superior do calcâneo apresenta três facetas (posterior, média e anterior) que se articulam 
com as respectivas facetas da região inferior do tálus. A faceta articular do tálus posterior é convexa. 
Em contrapartida, as facetas articulares média e anterior do tálus se apresentam côncavas. Essa con-
formação estrutural impossibilita o desvio nas direções anterior ou posterior do tálus sobre o osso 
calcâneo (BEGA; LAROSA, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; NETTER, 2013).
A articulação talocalcaneonavicular ocorre entre os ossos tálus, calcâneo e navicular. Nessa arti-
culação, a cabeça do osso tálus se articula com o osso calcâneo, o ligamento calcâneonavicular plantar 
abaixo e com o osso navicularà frente. Ela é estabilizada superiormente pelo ligamento talonavicular; 
posteriormente pelo ligamento interósseo do tarso; e inferiormente pelo ligamento calcaneonavicu-
lar plantar. É complexa e propicia os movimentos de deslizamento e rotação que, juntamente com 
movimentos semelhantes realizados pela articulação talocalcânea, estão implicados com a eversão e 
inversão do pé. Ainda assim, a articulação talocalcaneonavicular participa na supinação e pronação 
do pé (BEGA; LAROSA, 2010; NETTER, 2013).
Anteriormente, relatamos de maneira mais detalhada as principais articulações intertarsais nas quais 
movimentos são observados, como as articulações talocalcânea, calcaneocuboidea e talocalcaneona-
vicular. No entanto, existem outras articulações intertarsais dentre as quais mencionaremos adiante, 
conforme Houglum e Bertoti (2014) e Bega e Larosa (2010):
1. Entre cuneiforme medial e cuneiforme intermédio.
2. Entre cuneiforme medial e navicular.
3. Entre cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral. 
4. Entre cuneiforme intermédio e navicular. 
5. Entre cuneiforme lateral e cuboide. 
6. Entre cuneiforme lateral e navicular.
7. Entre cuboide e navicular (essa articulação geralmente é do tipo fibrosa).
8. Entre navicular e tálus.
Segundo os mesmos autores, as articulações intertarsais existentes entre os cuneiformes e o navicular 
possibilitam movimento delimitado, e a articulação entre os ossos cuboide e o navicular geralmente 
é do tipo fibrosa e não sinovial. As articulações intertarsais são do tipo sinoviais planas e propiciam 
especialmente os movimentos de inversão, eversão, supinação e pronação do pé.
A partir de agora, estudaremos a articulação do tornozelo, também conhecida como articulação 
talocrural, a qual apresenta expressiva importância, já que além de absorver impactos, propicia grande 
mobilidade para os pés. A articulação talocrural é do tipo sinovial e abrange os ossos tíbia e fíbula da 
perna e o osso tálus do pé (tarso). Ela é constituída de três articulações: 
1. Entre tíbia e fíbula. 
2. Entre tíbia e tálus. 
3. Entre fíbula e tálus (BEGA; LAROSA, 2010).
52
UNICESUMAR
Tíbia
Fíbula
Tálus
Vista anterior (frontal)
Figura 12 - Articulação talocrural (visão anterior)
Os principais movimentos permitidos pela articula-
ção do tornozelo são a dorsiflexão e a flexão plantar. 
A articulação talocrural é em gínglimo (sinovial) 
uniaxial. Essa articulação é estabilizada pelos liga-
mentos colateral medial (deltoide) e colateral late-
ral. A disposição exclusiva dos ossos do pé, aliada 
à maneira como estão conectadas as articulações e 
suas estruturas conjuntivas deslocáveis e deformá-
veis, conferem ao pé a mobilidade funcional máxima 
(MIRANDA NETO, 2006; BEGA; LAROSA, 2010; 
HOUGLUM; BERTOTI, 2014; WEINECK, 2013).
É importante que você, caro(a) aluno(a), com-
preenda a estrutura muscular dos pés e onde cada 
músculo está inserido. Tal conhecimento permite 
melhor entendimento da biomecânica e cinesio-
logia dos membros inferiores, além de saber dife-
renciar os movimentos e localizar perfeitamente os 
músculos por meio da anatomia descritiva e pal-
patória. Com relação às funções da musculatura 
dos pés, pode-se destacar o mover e estabilizar os 
dedos no chão, suportar os arcos dos pés, levantar 
os dedos e controlar os movimentos do tornozelo. 
Cada músculo, nesse caso estriado esquelético, co-
necta-se aos ossos, especificamente no periósteo, 
por meio de um tendão (BEGA, 2014).
Quando se trata dos movimentos do corpo, 
inclusive do tornozelo e pé, é necessário também 
conhecer determinados termos anatômicos. Os 
músculos podem ser classificados como extrín-
secos ou intrínsecos. Os intrínsecos são aqueles 
que iniciam e finalizam em um mesmo mem-
bro, ou seja, são os músculos que fazem parte ou 
pertencem a região do corpo em que atuam. Por 
exemplo, os músculos intrínsecos do pé se encon-
tram no próprio pé e produzem os movimentos 
específicos de pé (FLOYD, 2016).
Os músculos extrínsecos são aqueles que come-
çam em um membro e terminam em outro, ou seja, 
se originam fora do local do corpo em que atuam. 
Tomando-se como exemplo, os músculos extrínse-
cos do pé podem emanar das regiões anterior, pos-
terior e lateral da perna e estabelecem os movimen-
tos de tornozelo e pé, por exemplo, flexão plantar, 
dorsiflexão, eversão, inversão etc. (FLOYD, 2016).
Segundo o autor, com relação às fixações dos 
músculos, estes apresentam origem e inserção. A 
origem muscular, do ponto de vista estrutural, re-
fere-se ao local de fixação do músculo (ponto fixo 
do músculo – por exemplo, no osso), ou seja, é a 
extremidade proximal do músculo. Na visão fun-
cional, a parte ou a conexão do músculo com menor 
mobilidade geralmente é considerada a origem. A 
inserção muscular, estruturalmente, a conexão distal, 
ou a parte cujo ponto de conexão está mais afastado 
da linha mediana, é considerada a inserção. Dessa 
forma, a inserção muscular refere-se ao ponto de fi-
xação do músculo numa estrutura que se movimen-
ta. Do ponto de vista funcional, a região com maior 
mobilidade, em geral, é apontada como a inserção.
53
UNIDADE 2
A seguir, serão destacados os músculos que atuam no complexo tornozelo e pé, ressaltando suas respec-
tivas origens, inserções e ações musculares:
MÚSCULO ORIGEM E INSERÇÃO AÇÃO
Tibial anterior Da tuberosidade externa da tíbia e 
membrana interóssea até a face dor-
somedial do osso cuneiforme medial 
e dorso da epífise proximal do 1º me-
tatarso.
Dorsiflexão e inversão do pé.
Extensor longo dos dedos Dos ¾ proximais da fíbula, do côndilo 
lateral da tíbia e membrana interóssea 
até a falange média e distal do 2º ao 
5º dedo.
Extensão dos 2º, 3º, 4º e 5º de-
dos e dorsiflexão.
Extensor longo do hálux Da diáfise superior da fíbula, face ante-
rior, até a face dorsal na base da falange 
distal do hálux.
Extensão do hálux e dorsiflexão.
Fibular terceiro Do 1/3 distal da face anterior da fíbula 
até a base do 5º metatarso.
Dorsiflexão e eversão do pé.
Fibular longo Dos 2/3 proximais da face lateral da 
fíbula e côndilo lateral da tíbia até a re-
gião plantar do 1º metatarso e cunei-
forme medial.
Flexão plantar e eversão do pé.
Fibular curto Dos 2/3 distais da face lateral e borda 
anterior da fíbula até a base do 5º me-
tatarso.
Eversão do pé.
Gastrocnêmio medial Do côndilo interno do fêmur até a face 
posterior do calcâneo, por meio do ten-
dão do calcâneo.
Flexão plantar.
Gastrocnêmio lateral Do côndilo externo do fêmur até a face 
posterior do calcâneo, por meio do ten-
dão do calcâneo.
Flexão plantar.
Sóleo Da face posterior da epífise proximal da 
fíbula e parte da borda interna proximal 
da tíbia até a face posterior do calcâneo, 
por meio do tendão do calcâneo.
Flexão plantar.
Plantar Da crista supracondilar lateral do fêmur 
até o tendão do calcâneo.
Flexão plantar e flexão do joelho.
Flexor longo do hálux Da diáfise da fíbula, face posterior até a 
base da falange distal do hálux.
Flexão do hálux e flexão plantar.
Flexor longo dos dedos Da diáfise tibial, face posterior, até a 
base das falanges distais dos quatro 
últimos dedos.
Flexão dos 2º, 3º, 4º e 5º dedos 
e flexão plantar.
Tibial posterior Dos 2/3 proximais da face posterior me-
dial da fíbula e região lateral da face 
posterior da tíbia até a tuberosidade 
inferior do osso navicular, do cuneifor-
me medial e prolongamentos para 2º, 
3º e 4º metatarsos.
Flexão plantar e inversão do pé.
Quadro 2 – Músculos que atuam no tornozelo e pé e respectivas origens, inserções e ações musculares
Fonte: adaptado de Miranda Neto (2006) e Bega (2014).
54
UNICESUMAR
Como você já estudou os músculos que atuam no complexo tornozelo e pé, a partir de agora ressal-
taremos os músculos intrínsecos do pé, com suas respectivas origens, inserções e ações musculares, 
conforme se pode verificar no quadro a seguir. 
MÚSCULO ORIGEM E INSERÇÃO AÇÃO
Extensor curto dos dedos Da face anterior e superior do calcâneo, 
terminando em quatro tendões: 1ª base 
dorsal da falange proximaldo hálux. 
Os demais se inserem nos tendões do 
extensor comum dos dedos.
Extensão do 1º ao 4º dedo do pé.
Abdutor do hálux Do calcâneo até a base da falange pro-
ximal do hálux.
Abdução do hálux.
Flexor curto dos dedos Da apófise interna da tuberosidade do 
calcâneo e da fáscia plantar até a falan-
ge média do 2º ao 5º dedo.
Flexão do 2º ao 5º dedo.
Abdutor do dedo mínimo Do tubérculo medial e lateral do calcâ-
neo até a face lateral da falange proxi-
mal do dedo mínimo.
Abdução do dedo mínimo.
Quadrado plantar Do calcâneo até os tendões do flexor 
longo dos dedos.
Auxilia na flexão do 2º ao 5º dedo.
Lumbricais Do ângulo de separação dos tendões 
do flexor longo dos dedos, indo adiante 
pela borda tibial dos quatro últimos me-
tatarsos até a face dorsal das falanges 
proximais dos quatro últimos dedos.
Flexão da falange proximal, ex-
tensão das falanges medial e dis-
tal do 2º ao 5º dedo.
Flexor curto do hálux Da parte interna da superfície inferior 
do cuboide até o tendão se dividir em 
duas partes, cada qual de um lado da 
falange proximal do hálux.
Flexão da articulação metatarso-
falangeana do hálux.
Adutor do hálux Dos 2º, 3º e 4º metatarsos até a falange 
proximal do hálux.
Adução do hálux.
Flexor curto do dedo mí-
nimo
Do osso cuboide até a falange proximal 
do dedo mínimo.
Flexão da articulação metatarso-
falangeana do dedo mínimo.
Interósseos plantares Da borda medial do 3º ao 5º metatarso 
até a borda medial das falanges proxi-
mais do 3ª ao 5º dedo.
Adução dos dedos a partir do 2º 
dedo.
Interósseos dorsais Dos metatarsos até a base das falanges 
proximais do 2º ao 4º dedo e tendões 
dos extensores longos dos dedos.
Abdução dos dedos a partir do 
2º dedo.
Quadro 3 – Músculos intrínsecos do pé e suas respectivas origens, inserções e ações musculares
Fonte: adaptado de Miranda Neto (2006) e Bega (2014).
Como você também viu, os músculos intrínsecos são aqueles que iniciam e finalizam em um mesmo 
membro. Dessa forma, os músculos intrínsecos do pé se encontram no próprio pé e produzem os 
movimentos desse membro. Para facilitar o entendimento a respeito desse tema, as figuras a 
seguir evidenciam, por camadas, os principais músculos intrínsecos constituintes do pé.
Abdutor
do dedo
mínimo
Abdutor
do hálux
Flexor curto
do dedo
mínimo
Quadrado
plantar
Lumbricais
Adutor
do háluxFlexor
curto do
hálux Flexor
curto
do dedo
mínimo
Interósseo
plantar
Interósseo
dorsal
Figura 13 - Superfície plantar, a primeira camada 
dos músculos intrínsecos do pé
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 516).
Figura 14 - Superfície plantar, a segunda 
camada dos músculos intrínsecos do pé
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 516).
Figura 15 - Superfície plantar, a terceira ca-
mada dos músculos intrínsecos do pé
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 517).
Figura 16 - Superfície plantar, a quarta cama-
da dos músculos intrínsecos do pé
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 517).
56
UNICESUMAR
Quando os tendões são largos e planos, eles passam a ser chamados de aponeurose, ou seja, 
as aponeuroses se diferem dos tendões, apenas pela diferença de formato. Sendo assim, a 
função e a constituição de ambas são as mesmas (DANGELO; FATTINI, 2016).
Como você pôde ver, a musculatura da panturrilha, o tendão do calcâneo e o calcâneo formam 
um sistema funcional parcial que, por meio da flexão plantar, é decisivo para a capacidade de ficar em 
pé, correr e saltar, visto que a transmissão da força muscular do músculo tríceps sural (gastrocnêmio 
medial e lateral e sóleo) sobre a alavanca do pé é feita pelo tendão do calcâneo (WEINECK, 2013).
Bom, a partir de agora, nós abordaremos um componente anatômico, denominado fáscia plantar, a 
qual é muito importante para o funcionamento dos pés, já que ajuda a manter a curvatura do pé firme, 
pois atua amortecendo e distribuindo as forças impactantes. 
A fáscia plantar, anatomicamente também denominada aponeurose plantar, é um componente 
fibroso e inelástico, situado na região plantar, encontrada especificamente entre os músculos flexores 
e a pele do pé. É uma estrutura que se estende do calcâneo e se ramifica até os dedos dos pés, inserin-
do-se na falange proximal. Faz a conexão do calcâneo aos dedos, contribui para a formação dos arcos 
plantares e tem função de promover estabilidade de tais arcos, evitando que o pé desabe no decorrer 
da deambulação, além de resistir a grandes forças e tensões (MOORE; DALLEY, 2007).
Como você já sabe, a podologia é uma área cuja atuação se baseia 
no conhecimento de anatomia, fisiologia e das disfunções podais. 
Portanto, fica clara a importância de compreender os aspectos do 
complexo muscular do tornozelo e pé, para que você se torne apto 
para detectar, de maneira mais ampla, as possíveis disfunções que 
possam acometer os pés e traçar um plano de tratamento apropria-
do que caiba à podologia ou, até mesmo, encaminhar esse paciente 
para o segmento profissional especializado. Essas ações desenvol-
vem a confiabilidade do seu futuro cliente em você, como profis-
sional de saúde, o qual é capacitado para promover qualidade de 
vida e bem-estar.
Figura 17 - Fáscia plantar
57
UNIDADE 2
Título: Cinesiologia Clínica de Brunnstom
Ano: 2014 
Sugiro que você faça a leitura do livro intitulado “Cinesiologia clínica de 
Brunnstrom”, dos autores Peggy A. Houglum e Dolores B. Bertoti, 6ª edição, 
editora Manole, ano 2014. O livro faz uma abordagem completa sobre as 
estruturas, características e funções dos ossos, articulações e músculos de 
todo o corpo. Enfatiza também questões voltadas ao tornozelo e pé, favore-
cendo o entendimento clínico dos componentes que envolvem o complexo 
tornozelo-pé a partir de uma concepção cinesiológica. Portanto, trata-se de 
uma leitura indispensável para seu estudo como futuro podólogo.
Agora chegou o momento de colocar todo o seu 
conhecimento em prática! Imagine que você já seja 
um(a) podólogo(a) formado(a) e, durante sua atua-
ção profissional, atende uma paciente do sexo femi-
nino que, no decorrer da anamnese, relata ter notado 
inicialmente a presença de joanete no pé esquerdo há 
cerca de três anos. No entanto, o que mais a incomoda 
é a existência de micose na unha do hálux esquerdo. 
A paciente não relata sinais e sintomas da mico-
se, mas o que mais a aborrece é o aspecto amarela-
do da unha. Ainda na anamnese, ela relata muitas 
dores musculares, especialmente no pé esquerdo, 
ao realizar caminhadas.
No momento do exame físico, além constatar 
a joanete e a micose na unha, você observa que a 
paciente apresenta o pé esquerdo totalmente desa-
bado, ou seja, o pé toca por inteiro a superfície do 
chão. Ao questioná-la a respeito, ela conta que desde 
criança apresenta o pé daquele jeito, mas que nun-
ca usou palmilhas corretivas. Sendo assim, como 
profissional da saúde, você consegue identificar 
quais estruturas do sistema locomotor de pé estão 
comprometidas? Será que o arco desabado pode ter 
influenciado no aparecimento do joanete?
Diante desse caso, conforme vimos no decorrer 
da unidade, é importante que, profissionalmen-
te, você compreenda de maneira aprofundada os 
componentes ósseos, articulares e musculares do 
sistema locomotor de tornozelo e pé, bem como a 
relação entre eles. Esse conhecimento te dará supor-
te para identificar, de maneira precisa, as inúmeras 
lesões que possam acometer o pé, tanto por meio 
da observação como da palpação. Nessa situação, 
fica claro que a paciente apresenta um compro-
metimento da articulação metatarsofalangeana do 
hálux, característica do joanete, clinicamente cha-
mado de hálux valgo. A condição é identificada por 
um desvio do hálux em direção aos outros dedos 
do pé e um desvio medial do primeiro metatarso.
Além do comprometimento articular, a paciente 
também apresenta um prejuízo especificamente no 
arco longitudinal medial, ou seja, o arco está total-
mente desabado, fazendo com que a planta do pé 
toque por inteiro o chão. Essa condição é chamada 
pé plano. Como você já sabe, os arcos plantares têma função de amortecer choques e impactos nos pés, e 
como a paciente apresenta o arco desabado, essa fun-
ção consequentemente está prejudicada, o que pode 
contribuir para as dores no pé, quando ela relata fazer 
caminhadas. Ainda assim, você, como profissional da 
saúde, deve considerar o fato do pé plano ter favo-
recido o aparecimento do joanete, já que as pessoas 
com pé desabado tendem a pisar para “dentro” e esse 
tipo de pisada gera um grande estresse na articulação 
metatarsofalangeana do hálux, influenciando dire-
tamente no aparecimento do joanete.
58
M
A
P
A
 M
EN
TA
L
A elaboração de um mapa mental torna mais fácil a organização e o entendimento a 
respeito dos temas que foram desenvolvidos nesta unidade. Dessa maneira, dei início 
ao nosso mapa mental com os conceitos centrais estudados; a partir disso, é de extrema 
importância que você dê continuidade, preenchendo o mapa mental com elementos, 
como frases de ligação, que apresentem relação com os conceitos centrais. Lembrando 
que essa prática irá contribuir para aprendizagem das principais temáticas discutidas.
SISTEMA LOCOMOTOR DE TORNOZELO E PÉ
SISTEMA MUSCULAR APLICADO A TORNOZELO E PÉ
SISTEMA ESQUELÉTICO: PARTICULARIDADES DOS PÉSFUNCIONALIDADE DOS PÉS
CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS DOS PÉS
EQUILÍBRIO
ARCOS PLANTARES
PILAR DE SUSTENTAÇÃO
POSTURA BÍPIDE
DIVISÃO CLÍNICA DO PÉ
OSSOS DO PÉ
OSSÍCULOS ACESSÓRIOS
CARACTERÍSTICAS DO TECIDO ÓSSEO
SISTEMA ARTICULAR DE TORNOZELO E PÉ
ORIGEM, INSERÇÃO E AÇÃOINTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOSARTICULAÇÕES DO PÉ
FÁSCIA PLANTARARTICULAÇÃO DO TORNOZELO
A
G
O
R
A
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 C
O
M
 V
O
C
Ê
59
1. Os ossos dos pés em conjunto formam importantes arcos que ajudam no suporte e na distri-
buição do peso corpóreo de forma adequada em todo o pé, além de atuarem como alavanca 
nas caminhadas, proporcionando estabilidade para o ser humano. Com base nisso, quais são 
os três arcos plantares?
2. Com relação aos componentes anatômicos específicos dos pés, existe uma estrutura formada 
por tecido fibroso localizada na região plantar, situada entre os músculos flexores e o tecido 
cutâneo. É uma estrutura que se estende do calcâneo e se ramifica até as falanges proximais de 
todos os dedos. Diante disso, assinale a alternativa correspondente.
a) Fáscia plantar.
b) Arco plantar.
c) Antepé.
d) Metatarso.
e) Ossículo acessório.
3. O esqueleto do pé é dividido clinicamente em três áreas, sendo elas o retropé, o mediopé e o 
antepé. Pelo fato de constituírem a terminologia clínica, é essencial que o profissional de saúde 
compreenda um pouco de cada região.
Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
 ) ( O retropé, região de calcanhar, é constituído pelos ossos tálus e cuboide. 
 ) ( O antepé é composto pelos metatarsos e pelas falanges. 
 ) ( O mediopé é formado pelos ossos navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e lateral. 
Com base nas suas respostas, qual a alternativa correta?
a) V-V-V.
b) V-F-F.
c) F-F-F.
d) F-V-V.
e) V-F-V.
C
O
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P
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ST
A
S
60
1. Os pés humanos são formados por três arcos plantares, os quais são o arco longitudinal medial, o arco 
longitudinal lateral e o arco longitudinal transversal (ou arco transverso).
2. A. A fáscia plantar é um tendão, chamado de aponeurose plantar, pois apresenta formato largo e plano. Está 
situada na planta do pé, especificamente na tuberosidade do osso calcâneo e se estende até as falanges 
proximais de todos os dedos do pé. É uma estrutura que recobre a musculatura da planta do pé, além de 
contribuir para formação dos arcos plantares.
3. D. A primeira alternativa é falsa, pois o retropé, região de calcanhar, é constituído pelos ossos calcâneo e 
tálus. A segunda alternativa é verdadeira, pois o antepé é composto pelos metatarsos e pelas falanges dos 
pés. A terceira alternativa também é verdadeira, pois o mediopé é formado pelos ossos navicular, cuboide 
e cuneiformes medial, intermédio e lateral.
R
EF
ER
ÊN
C
IA
S
61
BEGA, A. Tratado de podologia. 2. ed. São Paulo: Yendis, 2014.
BEGA, A.; LAROSA, P. R. R. Podologia. Bases clínicas e anatômicas. São Paulo: Martinari, 2010.
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62
UNICESUMAR
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1Em: https://www.alejandrozoboli.com.br/deformidade-dedos/. Acesso em: 05 jun. 2020.
2Em: https://podologoronaldmello-com-br.webnode.com/. Acesso em: 05 jun. 2020.
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3
OPORTUNIDADES
DE APRENDIZAGEM
Aspectos Biomecânicos 
e Cinesiológicos da 
Marcha Humana
Me. Daniele Almeida Lopes
Nesta Unidade 3, você terá a oportunidade de compreender as definições, 
as funções e as características da marcha humana, bem como identificar 
as fases do ciclo da marcha e suas respectivas subfases. Verá também as 
principais tarefas associadas a cada fase do ciclo da marcha. Além disso, 
no decorrer dos nossos estudos, você será capaz de analisar e evidenciar a 
importância e os aspectos relacionados à análise do ciclo da marcha, além de 
identificar e aplicar os parâmetros mensuráveis que devem ser considerados 
na avaliação da marcha do seu paciente. Por fim, você terá a oportunidade 
de se aprofundar no conhecimento das principais alterações biomecânicas 
e cinesiológicas inerentes às marchas patológicas mais frequentes.
68
UNICESUMAR
Imagine-se numa situação de atendimento, em que você, como podólogo(a), depara-se com uma 
paciente, e assim que ela entra na sala de atendimento, você percebe que ela está mancando e com 
semblante de tristeza e dor. Durante a anamnese, ela relata que há 3 dias não consegue colocartotal-
mente o pé direito no chão, pois sente muita dor, principalmente no calcanhar, e disse não saber o 
motivo. Além disso, ela se queixa de onicocriptose no hálux direito, que também está ocasionando 
muita dor. Durante a avaliação física, além de perceber que a unha está inflamada, você também pede 
para que a paciente caminhe e, a partir daí, você observa que ela não consegue colocar o calcanhar 
direito no chão. Inicialmente, você consegue identificar qual fase do ciclo da marcha, inclusive qual 
subfase desse ciclo, estão comprometidas? Você consegue também detectar o tipo de marcha que a 
paciente está apresentando?
Primeiramente, você já se questionou sobre a importância de você, como futuro(a) profissional da 
saúde, compreender de maneira aprofundada as fases e as respectivas subfases do ciclo da marcha? 
Além disso, já parou para pensar na importância de avaliar a marcha dos seus pacientes durante o 
atendimento podológico? E de que forma esse conhecimento irá contribuir para sua formação e con-
duta podológica?
Basicamente, a marcha humana, também chamada de locomoção bípede, é um processo pelo 
qual, nós, seres humanos, nos deslocamos, ou seja, nos movimentamos de um lugar para outro. Dessa 
maneira, entender e investigar a funcionalidade e eficiência da marcha humana, bem como conhecer 
suas definições, funções, fases e subfases, além dos seus parâmetros mensuráveis, é essencial para sua 
futura atuação profissional, pois, como você sabe, a podologia é uma área que estuda e cuida dos mais 
variados distúrbios que acometem os pés, inclusive das questões biomecânicas e cinesiológicas dos 
membros inferiores.
69
UNIDADE 3
Você sabia que as mais diversas podopatias, por 
exemplo verrugas plantares, hálux valgo, onico-
criptose , esporão de calcâneo, calosidades, fascite 
plantar, rachaduras, alterações congênitas, como 
pé cavo e pé plano, além de outros distúrbios que 
acometem os pés podem dificultar o desenvolvi-
mento adequado e a eficiência da marcha de uma 
pessoa? E o contrário também pode ocorrer, já 
que anormalidades no padrão da marcha também 
pode contribuir diretamente para o aparecimento 
das mais variadas doenças que acometem os pés. 
Frequentemente, calçados inapropriados também 
interferem na marcha normal.
Em vista disso, os conteúdos relacionados à 
marcha humana devem ser compreendidos por 
você, já que, no exame físico podológico, os pa-
râmetros da marcha humana devem ser consi-
derados e analisados. Dessa maneira, fica clara 
a importância de compreender não só a marcha 
humana, mas também os possíveis fatores que a 
impedem ou a dificultam.
Ainda assim, conhecer algumas das anorma-
lidades mais frequentes da marcha é fundamen-
tal, pois esse conhecimento te dará suporte para 
identificar e diagnosticar as mais distintas marchas 
patológicas. A partir daí, você estará apto(a) para 
recomendar e executar medidas que irão melhorar, 
potencializar ou corrigir o desempenho do seu 
paciente. Além disso, você, como futuro(a) podó-
logo(a), estará preparado para desenvolver estra-
tégias terapêuticas apropriadas às necessidades e 
as particularidades do seu cliente, já que as modi-
ficações no padrão da marcha influenciam direta-
mente na efetividade do tratamento podológico.
Agora que você já está um pouco mais am-
bientado(a) com o tema, proponho uma nova 
experiência: você já parou para pensar que as 
pessoas adotam padrões diferentes de marcha, 
isto é, andam de maneira diferente? Quando você 
estiver em algum local que tenha um grande fluxo 
de pessoas, por exemplo no terminal rodoviário, 
no metrô, nas ruas centrais da sua cidade, observe 
como as pessoas andam. Além disso, fique atento 
para perceber pessoas que tenham alguma difi-
culdade na marcha e tente identificar os possíveis 
fatores que possam estar contribuindo para essas 
restrições.
Como se saiu nesta proposta de exercício? 
Conseguiu visualizar como as pessoas andam 
de forma diferente uma das outras? Conseguiu 
identificar alguma marcha anormal?
O entendimento a respeito dos mecanismos 
que envolvem a marcha humana normal e pato-
lógica é essencial para este estudo, já que permite 
a análise e interpretação dos achados que possam 
estar prejudicando o desempenho da marcha de 
um paciente ou, até mesmo, contribuindo para o 
aparecimento de disfunções podais. Dessa for-
ma, reflita comigo sobre os pontos-chave dessa 
situação. O que, de fato, é a marcha e qual sua re-
levância? Qual a importância de avaliar o padrão 
da marcha no decorrer da avaliação podológica? 
Quais os critérios para se identificar e definir o 
que é uma marcha patológica? É possível que 
marchas anormais influenciem na ocorrência de 
distúrbios que comprometem os pés? Que tipos 
de procedimentos terapêuticos seriam mais ade-
quados às peculiaridades de um paciente acome-
tido por um distúrbio nos pés, por causa de uma 
marcha anormal? É possível que as alterações no 
padrão da marcha interfiram na eficácia do proto-
colo podológico traçado? De que forma podemos 
traçar um protocolo de atendimento podológico, 
considerando as alterações no padrão da marcha? 
De que forma esse protocolo pode ser eficaz?
É de grande importância que, neste momento, 
você registre, no seu Diário de Bordo, suas im-
pressões a respeito desses questionamentos, bem 
como de tudo que você compreendeu. Essa prática 
facilitará seu processo de aprendizagem, além de 
favorecer a organização e a memorização dos seus 
estudos.
70
UNICESUMAR
Caro(a) aluno(a), até aqui, já tivemos um contato inicial com questões referentes à marcha humana, 
mas precisamos nos aprofundar mais!
Conhecer os mecanismos envolvidos na marcha humana normal constitui uma importante 
tarefa para o podólogo profissional, contribuindo diretamente para a detecção e o diagnóstico 
dos problemas que dificultam a marcha, que também influenciam diretamente no aparecimento 
das inúmeras podopatias. Para isso, há definições e parâmetros que envolvem a marcha normal.
Na maioria das vezes, atingimos independência para ficar em pé em torno do primeiro ano 
de vida. O movimento de um lugar ao outro é estabelecido, em termos gerais, como locomoção 
e abrange muitas formas de movimento, como rolar, engatinhar, rastejar, caminhar, correr, pular 
e saltar. A locomoção na postura bípede ereta decorre ao longo de uma sucessão gradativa de 
ações, que tem início com a postura em pé, podendo progredir para a marcha e, logo, mudar para 
a corrida. Essas tarefas demandam habilidades específicas, como tomar impulso, parar, mudar de 
direção e alterar a velocidade. É importante que você saiba que o termo bípede se refere ao que se 
apoia ou se locomove sobre dois pés, portanto, nós, humanos, somos seres bípedes (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014; PERRY, 2004).
D
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 D
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B
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D
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71
UNIDADE 3
Segundo os mesmos autores, a marcha huma-
na é a locomoção ereta decorrente de uma forma 
particular de movimentarmos nossos pés, a qual 
pode ser por meio de caminhada ou corrida. 
Caminhar é uma forma particular de marcha e é 
o padrão mais frequente de locomoção. O termo 
utilizado como sinônimo de marcha é a deambu-
lação. Esta é estabelecida de maneira geral como 
um tipo de locomoção, porém, é um termo mais 
utilizado no sentido clínico para descrever se 
um indivíduo consegue ou não caminhar sem 
empecilhos ou com o auxílio de algum acessório 
dispositivo.
Sendo assim, a marcha é o método pelo qual 
nós, mamíferos terrestres, nos movimentamos 
de um lugar a outro. Embora cada um de nós 
desenvolva um estilo próprio de marcha, existem 
parâmetros normais dentro dos quais todos nos 
movemos para nos prover de um método eficien-
te de transporte. É interessante perceber que as 
pessoas, muitas vezes, são reconhecidas por sua 
marcha, ou seja, pela maneira como andam, ain-
da que a marcha normal apresente semelhanças 
surpreendentes entre os sujeitos. É importante 
que você saiba que o padrão de locomoção tende 
a ser variável e irregular até em torno dos 7 anos 
de idade (HOUGLUM; BERTOTI,2014; OATIS, 
2014; MAGEE, 2010).
De acordo com Magee (2010), a marcha de-
sempenha cinco funções principais, dentre as 
quais podemos destacar: auxilia na sustentação 
da cabeça, dos membros superiores e do tronco, 
preservando um membro inferior semirrígido; 
contribui para a conservação do equilíbrio e 
de uma postura ereta; controla o pé no intuito 
de que ele supere obstáculos e permite que o 
calcanhar toque o solo de maneira cuidadosa 
por meio da ação muscular excêntrica; e produz 
energia mecânica pela contração muscular con-
cêntrica para iniciar, manter e, caso almejado, 
potencializar e/ou reduzir a velocidade dianteira 
do corpo.
Podemos discutir e analisar a marcha hu-
mana por meio de sua unidade mais elementar, 
chamada ciclo da marcha. Um ciclo da marcha 
é o período de quando o calcanhar de um pé 
toca o chão até o instante que esse mesmo cal-
canhar torna a tocar o chão outra vez. O ciclo 
da marcha também é conhecido como passada. 
Esse ciclo é dividido em 2 fases, conforme ve-
remos a seguir (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; 
HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010; MORAIS 
FILHO; REIS; KAWAMURA, 2010).
A fase de apoio se refere ao momento da mar-
cha em que o pé está em contato direto com a 
superfície do chão e suporta todo o peso cor-
poral. Essa fase propicia ao membro inferior 
suportar o peso do corpo e, assim, atuar como 
um amortecedor de impacto ao mesmo tempo 
que favorece o avanço do corpo sobre o membro 
que está sustentando-o. A fase de balanço é o 
período da marcha em que o pé não está em 
contato com o solo, isto é, não está mais car-
regando o peso do corpo, e o corpo se desloca 
anteriormente. Essa fase também permite que 
os dedos deixem o chão e que aconteçam ajustes 
no tamanho do membro inferior.
As fases de apoio e balanço do ciclo da mar-
cha são subdivididas e descritas de várias for-
mas. Você vai encontrar algumas diferenças ao 
ler textos de autores distintos e perceber que 
eles utilizam pequenas variações com relação 
às terminologias. Nesta unidade, aplicaremos o 
sistema de terminologia de Rancho Los Amigos 
(RLA), desenvolvida por Jacquelin Perry, uma 
pesquisadora de marcha de renome (HOU-
GLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016; PER-
RY, 2004):
72
UNICESUMAR
O sistema RLA divide a fase de apoio da marcha em 5 subfases, dentre as quais podemos destacar: 
1. Contato inicial. 
2. Resposta à carga. 
3. Apoio médio. 
4. Apoio final. 
5. Pré-balanço. 
O sistema RLA também divide a fase de balanço da marcha em 3 subfases: 
1. Balanço inicial. 
2. Balanço médio. 
3. Balanço final. 
É importante destacar que a fase de apoio representa 60% do ciclo normal da marcha e a fase de balanço 
equivale a 40% deste ciclo (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; FLOYD, 2016; HOPPENFELD, 2016; PERRY, 2004).
APOIO
A B
A1 A2 A3 B1 B2 B3A4 A5
Fase de
apoio
Fase de
balanço
Contato
inicial
Balanço
inicial
BALANÇO
Resposta
à carga
Apoio
médio
Balanço
médio
Balanço
final
Apoio
final
Pré-
balanço
Figura 1 - Fases, subfases e sequência do ciclo da marcha
Fonte: adaptada de Houglum e Bertoti (2014). 
Como a caminhada pode ser efetuada em diferentes velocidades, um ciclo completo de marcha é 
identificado como 100%, enquanto as fases e as subfases são indicadas pela porcentagem do ciclo 
completo. No momento em que o pé desempenha o primeiro contato com a superfície do chão, tem-se, 
portanto, o início do ciclo da marcha; dessa maneira, o ciclo inicia-se em 0% e avança até completar 
um ciclo inteiro de 100%, no período em que o mesmo pé realiza contato com o solo novamente. Em 
velocidades normais da caminhada adulta, um ciclo de marcha dura 1 segundo e apresenta 1,4 m de 
extensão (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010).
É importante atentar-se em dois pontos do ciclo da marcha, os dois pés estão em contato com a 
superfície do chão, concluindo em torno de 20% do ciclo da marcha: 10% no início e 10% no término 
da fase de apoio. Esse período em que parte dos dois pés estão apoiados no chão é denominado apoio 
duplo. Durante os 40% no meio dessa fase, os membros inferiores estão em apoio simples, ou seja, quan-
do somente um membro está em contato com o chão (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; MAGEE, 2010).
73
UNIDADE 3
REALIDADE
AUMENTADA
Movimentos articulares do complexo 
tornozelo e pé
A seguir, no Quadro 1, descreveremos as definições das subfases do ciclo da marcha. Confira:
Fase e subfases Definição e descrição Membro contralateral
Fase de apoio: 60% do ciclo da marcha (0 a 60%)
1- Contato inicial (0 a 2%) Primeiro contato do pé com o solo, ge-
ralmente contato inicial do calcanhar. É 
o período inicial do apoio duplo.
Fim do apoio final
2- Resposta à carga (2 a 
10%)
O peso do corpo é transferido à perna, e 
o pé desce em direção ao solo; contato 
da superfície plantar com o solo.
Pré-balanço
3- Apoio médio (10 a 30%) Centro de gravidade se move diretamen-
te sobre o pé. Apoio sobre apenas um 
membro inferior.
Balanço médio
4- Apoio final (30 a 50%) O calcanhar sobe, eleva-se do solo, as 
pernas avançam sobre o antepé e o 
tronco se move sobre o membro de sus-
tentação, que agora está em extensão.
Balanço final
5- Pré-balanço (50 a 60%) O contato com o solo é em direção à ca-
beça dos metatarsos, terminando com 
o levantamento dos dedos, ou seja, os 
dedos são retirados do solo.
Contato inicial – resposta à car-
ga
FASE DE APOIO FASE DE BALANÇO
Primeiro apoio
duplo
Segundo apoio
duplo
Apoio simples
Contato
inicial
Balanço
inicial
Resposta
à carga
Apoio
médio
Balanço
médio
Balanço
final
Postura
final
Pré-balanço
Figura 2 - Fases e subfases do ciclo da marcha e períodos de apoio simples e duplo
Fonte: adaptada de Vaughan, Davis e O'Connor (1999).
https://i.pinimg.com/originals/6f/f4/50/6ff450e20387cc05d38a6abc14be701a.png
74
UNICESUMAR
Fase e subfases Definição e descrição Membro contralateral
Fase de balanço: 40% do ciclo da marcha (60 a 100%)
1- Balanço inicial Com o pé levantado, os joelhos se flexio-
nam para encurtar a perna e atender a 
necessidade de aceleração (pé não está 
mais em contato com o solo).
Início do apoio médio
2- Balanço médio Flexão máxima de joelho e a tíbia está 
perpendicularmente ao solo. O membro 
inferior avança na frente do corpo.
Fim do apoio médio
3- Balanço final A tíbia está perpendicular ao solo du-
rante todo o avanço da perna à frente, 
à medida que o membro se desacelera 
para o contato inicial, isto é, a perna se 
prepara para fazer o contato com o solo 
novamente.
Apoio final
Quadro 1 - Definições e sequências das subfases do ciclo da marcha
Fonte: adaptado de Houglum e Bertoti (2014) e Magee (2010).
De um ponto de vista funcional, existem três atividades essenciais associadas à marcha humana 
(ou tarefas funcionais da marcha), sendo elas: aceitação do peso corporal, apoio simples e avanço 
do membro inferior. 
A fase de apoio descreve uma função importante em todas essas três tarefas básicas e cada uma de 
suas subfases contribui em graus variados. O contato inicial e a resposta à carga são as duas subfases da 
fase de apoio, encarregadas, principalmente, da aceitação do peso. O apoio simples ocorre na subfase 
apoio médio, da fase de apoio, e é nesse momento da deambulação que o equilíbrio é mais precário, 
pois o centro de gravidade do corpo muda lateralmente e, nesse momento, centra-se sobre somente 
um membro de suporte (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS; 2014).
O avanço de um membro inferior cria um movimento para frente do corpo e inclui as subfases 
apoio final e pré-balanço; essas subfases, da fase de apoio, produzem forças propulsoras para o membro 
inferior avançar e, com isso, movem o corpo para frente. As subfases da fase de apoio utilizam a ab-
sorção de força efetiva e um gasto energético eficiente para executar essas tarefas. A fase de balanço se 
foca em apenas uma das três tarefas funcionais da marcha: o avanço do membro inferior. Este avanço, 
no decorrer da fase de balanço, demanda espaço suficiente entre o pé e o solo. O membro realiza essa 
atividade durante a primeira metade da fasede balanço e se organiza para o contato inicial durante a 
última metade (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; PERRY, 2004).
Durante as duas primeiras subfases da fase de balanço, ou seja, o balanço inicial e o balanço médio, 
o membro inferior flexiona o quadril, o joelho e o tornozelo para encurtar funcionalmente o membro 
no intuito de que o pé se afaste do solo. O joelho, então, inicia uma rápida extensão na subfase balanço 
terminal para alongar (ampliar) o membro inferior; esse movimento aumenta o tamanho do passo e 
proporciona um membro inferior rígido na preparação para a estabilidade no contato inicial, primeira 
subfase da fase de apoio (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS, 2014).
O Quadro 2 resume os requisitos da marcha; o propósito de cada subfase do ciclo da marcha; as 
amplitudes de movimento durante as subfases do ciclo da marcha; e as principais demandas musculares 
em cada subfase da marcha. Veja:
75
UNIDADE 3
Fase Tarefa Funcional
Requisito de 
Amplitude de Movi-
mento
Principal Força 
Muscular
Contato inicial Contato com o solo
Aceitação do peso
Tornozelo: 0º
Joelho: 3 a 5º de flexão
Quadril: 25 a 30º de flexão
Tibial anterior
Quadríceps
Glúteo máximo
Glúteo médio
Resposta à carga Aceitação do peso
Absorção de choque
Tornozelo: 15º de flexão 
plantar
Joelho: até 15º de flexão
Quadril: 25 a 30º de flexão
Tibial anterior
Quadríceps
Glúteo máximo
Apoio médio Apoio simples Tornozelo: de 15º de flexão 
plantar a 15º de dorsiflexão
Joelho: 5º de flexão
Quadril: extensão total
Gastrocnêmio e sóleo
Glúteos máximo, médio e 
mínimo
Tensor da fáscia lata
Apoio final Apoio simples
Propulsão
Tornozelo: de 15º de dorsi-
flexão a 20º de flexão plantar
Joelho: move-se em exten-
são total
Quadril: 10º de extensão
Gastrocnêmio
Pré-balanço Propulsão Tornozelo: 20º de flexão 
plantar
Joelho: 40º de flexão
Quadril: 10º de extensão
Gastrocnêmio
Adutores de quadril
Reto femoral
Balanço inicial Encurtamento da per-
na para o levantamen-
to do pé
Tornozelo: à dorsiflexão 
neutra
Joelho: 40 a 60º de flexão
Quadril: de extensão a 25 a 
30º de flexão
Tibial anterior
Isquiotibiais
Iliopsoas
Balanço médio Encurtamento da perna 
para o levantamento do 
pé
Geração de movimento
Tornozelo: neutro
Joelho: 60º de flexão
Quadril: 25 a 30º de flexão
Tibial anterior
Iliopsoas
Balanço final Avanço da perna
Preparação para o con-
tato inicial
Desaceleração
Tornozelo: neutro
Joelho: extensão total
Quadril: 25 a 30º de flexão
Tibial anterior
Glúteo máximo
Isquiotibiais
Quadro 2 – Exigências funcionais das subfases do ciclo da marcha
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 546).
Agora que já vimos essas questões fundamentais, vamos às características espaciais e temporais 
da marcha.
76
UNICESUMAR
As características espaciais são as variáveis que mais facilmente conseguimos visualizar, seja por 
meio da observação do padrão de caminhada de um indivíduo, seja ao constatar, por exemplo, as 
pegadas produzidas durante uma caminhada na areia da praia. Essas características compreendem: 
o comprimento do passo, o comprimento da passada, a largura do passo e o ângulo de progressão 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014; HOPPENFELD, 2016). A seguir, confira a descrição de cada um:
Comprimento do passo
Comprimento da passada
Largura do passo
Direito
Esquerdo
Direito
Figura 3 - Características espaciais da marcha
Fonte: Houglum e Bertoti (2014, p. 547).
A variável espacial da marcha, comprimento do passo, refere-se à distância entre o contato inicial 
(medido no ponto médio do calcanhar) de um pé comparado com o contato inicial do outro pé (con-
tralateral); ou seja, corresponde à distância entre dois pontos de contato consecutivos de pés contrários. 
O comprimento da passada refere-se à distância entre o contato inicial de um pé e o contato inicial 
desse mesmo pé, ou seja, o comprimento da passada corresponde à adição do comprimento de um 
passo direito e de um passo esquerdo. Sendo assim, uma passada representa dois passos. Em geral, o 
comprimento da passada é em torno de 144 centímetros e, na realidade, expressa um ciclo da marcha 
completo (MAGEE, 2010; OATIS, 2014).
Uma outra variável espacial da marcha é a largura do passo ou da base, e essa variável descreve o 
distanciamento, no sentido transversal, entre dois pés, ou seja, a medida do ponto médio do contato 
de um calcanhar até o ponto médio do outro calcanhar. Normalmente, a largura do passo mede entre 
5 a 10 centímetros em adultos. O ângulo de progressão está relacionado ao ângulo estabelecido entre a 
linha de progressão em uma linha reta e uma linha que transpassa o pé no ponto médio do calcanhar 
e segue entre o segundo e o terceiro dedo do pé (OATIS, 2014).
Com relação às propriedades temporais da marcha, essas constituem variáveis que retratam as pe-
culiaridades que apresentam associação com o tempo, como velocidade, duração do passo e cadência. 
A velocidade da marcha é a distância executada numa determinada unidade de tempo, podendo ser 
metros por segundo ou quilômetros por hora. O número de passos por unidade de tempo, usualmente 
expresso em passos por minuto, é chamado de cadência. Um indivíduo adulto sadio, caminha a dis-
tância de cerca de 50 a 130 passos/min. Calculada de maneira diferente, a velocidade média normal da 
caminhada é em torno de 80 m/min. É interessante relatar que a velocidade ideal para uma caminhada 
efetiva em sujeitos com estaturas mais altas também é essa (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; OATIS, 
2014; VIEL, 2001).
77
UNIDADE 3
A velocidade da caminhada é fundamental na análise da marcha já que mudanças na velocidade 
influenciam outros fatores, como medidas de tempo e distância, gasto energético e atividade mus-
cular. Cada pessoa apresenta uma velocidade de caminhada livre ou confortável em uma superfície 
plana nivelada que é mais eficiente em termos de energia para ela. Parte dessa variabilidade entre os 
indivíduos, identificada na velocidade da caminhada, baseia-se no comprimento da passada, que é 
consequente ao comprimento da perna. A velocidade livre de caminhada costuma ser utilizada em 
estudos sobre a marcha, já que representa a eficiência ideal de cada sujeito, e um sujeito fisicamente 
capaz reproduz os mesmos valores se a superfície da caminhada e o calçado se mantiveram os mesmos 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Jacquelin Perry (1992) realizou um estudo cujo objetivo foi analisar os valores médios de passadas 
em adultos saudáveis de 20 a 80 anos de idade, na caminhada livre, ou em velocidade de caminhada 
habitual, em superfície regular. A pesquisa evidenciou que o comprimento médio da passada foi de 
1,4 m e a cadência média de 113 passos/min. A velocidade média de um adulto caminhando em ritmo 
livre foi de 82 m/min, ou cerca de 4,8 km/h. Os homens caminharam mais rápido e apresentaram um 
maior comprimento de passada e cadência mais lenta comparado às mulheres, conforme observa-se 
no Quadro 3. A velocidade típica de caminhada dos homens é de 100 a 120 passos/min; a das mulhe-
res é de 105 a 125 passos. Taxas acima ou abaixo desses valores são classificadas como velocidades de 
caminhada rápidas ou lentas.
HOMENS MULHERES TOTAL (médias)
Número de indivíduos 135 158 293
Velocidade (metros por minuto) 86 77 82
Comprimento da passada (metros) 1,46 1,28 1,41
Cadência (passos por minuto) 111 117 113
Quadro 3 - Valores médios de passadas em sujeitos saudáveis de 20 a 80 anos
Fonte: adaptado de Houglum e Bertoti (2014).
As alterações na velocidade da caminhada são desempenhadas modificando-se o comprimento da 
passada ou a cadência. Sujeitos saudáveis normalmente alteram ambos os parâmetros. O aumento da 
velocidade da marcha resulta na redução da duração de todas as fases do ciclo da marcha. De acordo 
com Magee (2010), alguns fatores podem alterar a velocidade da marcha, dentre os quais destaca-se 
o aumento da idade. 
Portanto, evidencia-se facilmente que a velocidade da marcha diminui com a idade, e esse fato pode 
justificar o decréscimo da mobilidade em indivíduos mais velhos. Com tais entendimentos, aforma como o 
ciclo da marcha é modificado em situações anormais pode ser assimilada satisfatoriamente (MAGEE, 2010).
É essencial que você, como futuro(a) podólogo(a), saiba que a análise observacional da marcha 
é muito utilizada por profissionais da saúde, inclusive por podólogos, já que essa prática constitui 
um aspecto muito importante na avaliação geral do seu paciente, contribuindo para que, profissio-
nalmente, você possa traçar um protocolo de tratamento podológico adequado às necessidades 
e as particularidades do seu paciente. Além disso, a avaliação da marcha o auxiliará a identificar 
com maior precisão as causas de possíveis podopatias, aumentando as chances de sucesso nos 
tratamentos podológicos.
78
UNICESUMAR
A maioria dos problemas de marcha se torna aparente na fase de apoio, já que nessa fase o pé 
sofre um estresse maior por suportar o peso do corpo, além dessa fase constituir a principal e a 
maior parte da marcha. A avaliação da marcha deve ser inserida em qualquer avaliação dos mem-
bros inferiores. Essa análise deve iniciar logo que o paciente entra na sala de atendimento. Além 
disso, o examinador tem que ter em mente que as posturas da cabeça, do pescoço, do tórax e da 
coluna lombar podem afetar diretamente o padrão da marcha, mesmo quando não existe qualquer 
patologia evidente nos membros inferiores (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
O examinador deve ser capaz de identificar a ação de cada segmento do corpo e de observar 
qualquer anormalidade no decorrer do ciclo da marcha. Por esse motivo, é essencial compreender 
e discernir os parâmetros normais da marcha e seu mecanismo. Sendo assim, o profissional deve 
se atentar para a presença de claudicação (mancar) ou deformidades evidentes no membro, que 
podem estar prejudicando a marcha normal e tentar identificar os possíveis fatores que possam 
estar influenciando no aparecimento dessas condições (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
Primeiramente, o examinador deve realizar uma avaliação geral da postura do indivíduo, buscando 
qualquer assimetria. Após a avaliação geral, o profissional pode observar partes específicas da marcha, 
em relação às fases e subfases da marcha, e analisar o que acontece em cada articulação no decorrer 
dessas fases. Enquanto o profissional examina a marcha, alguns parâmetros mensuráveis podem 
ser considerados, dentre os quais destacaremos a seguir (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
A largura da base é um dos parâmetros que devem ser con-
siderados na análise da marcha. Esse parâmetro, conforme você 
viu, refere-se à distância entre os dois pés e não deve ultrapassar 
5 a 10 cm de um calcanhar ao outro. Ao visualizar que o paciente 
está andando com uma base mais larga, deve-se suspeitar da 
presença de alguma alteração, uma vez que, normalmente, os 
pacientes aumentam a base quando sentem tontura ou instabi-
lidade, como resultado, possivelmente, de problemas cerebelares, 
de alterações no labirinto, de déficit de sensibilidade plantar 
(neuropatia periférica) ou de alterações musculoesqueléticas 
(HOPPENFELD, 2016).
O centro de gravidade também é uma variável que deve ser 
considerada na análise da marcha. É importante ressaltar que o 
centro de gravidade do corpo está 5 cm a frente da face anterior 
da segunda vértebra sacral. Na marcha normal, o centro de gra-
vidade oscila até 5 cm no sentido vertical. A oscilação vertical da 
pelve controlada mantém o padrão suave da marcha à medida 
que o corpo avança. A elevação do movimento vertical poderá 
indicar presença de alguma patologia (HOPPENFELD, 2016; 
OATIS, 2014; DUTTON, 2010). 
Figura 4 - Largura normal da base
Fonte: Magee (2010, p. 945).
5–10 cm
79
UNIDADE 3
Na avaliação do ciclo da 
marcha, a flexão de joelho na 
fase de apoio da marcha deve 
ser analisada. Dessa maneira, 
o joelho deve permanecer fle-
xionado no decorrer de todas as 
subfases da fase apoio da mar-
cha, exceto na subfase “contato 
inicial”, para impedir o desloca-
mento vertical excessivo do cen-
tro de gravidade. Por exemplo, 
durante a impulsão para frente, 
quando o tornozelo, com 20º 
de flexão plantar tende a sus-
pender o centro de gravidade, 
o joelho flexiona até em torno 
de 40º para contrabalancear. 
+2,5 cm
–2,5 cm
5 cm
0
Figura 5 - O centro de gravidade do corpo oscila verticalmente no decorrer do 
ciclo da marcha
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 131).
Os pacientes com alterações de joelhos em extensão poderão ser incapazes de contrabalancear o movi-
mento excessivo do tornozelo, resultando na perda do padrão suave da marcha (HOPPENFELD, 2016).
Os movimentos de pelve e tronco também devem ser considerados na análise da marcha. Sendo 
assim, no decorrer da marcha, a pelve e o tronco movem-se lateralmente (movimento de lado a lado) 
cerca de 2,5 a 5 cm para o lado que suporta o peso do corpo, no intuito de centralizar esse peso sobre 
a pelve. Se o músculo glúteo médio se apresentar enfraquecido, por exemplo, esse desvio lateral do 
tronco e da pelve será muito acentuado, característico de uma marcha atípica, chamada de marcha de 
Trendelenburg, conforme veremos adiante.
Um outro parâmetro que deve ser mensurado no exame de marcha é o comprimento do passo. O 
comprimento médio de um passo, em indivíduos adultos, pode oscilar de 38 a 72 cm. O comprimento 
do passo varia de acordo com a idade e o gênero, por isso os passos das crianças são menores comparado 
aos dos adultos; e os passos das mulheres são menores comparado aos dos homens. Além disso, com o 
aumento da idade, o comprimento dos passos é reduzido, além de que essa condição é percebida nos 
quadros de fadiga extrema, dores e/ou disfunções nos membros inferiores. A altura também interfere, 
pois um sujeito mais alto apresenta passos maiores (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
O comprimento da passada e a cadência (número de passos/min) também devem ser avaliados no 
exame de marcha. O comprimento da passada é em torno de 144 cm, mas esse parâmetro diminui com 
a idade, presença de dor, doenças e fadiga. Com relação à cadência normal, o adulto médio anda em 
um ritmo de cerca de 90 a 120 passos/min e apresenta gasto energético médio de apenas 100 calorias 
a cada 1,5 km, aproximadamente. Nos idosos ou naqueles com fadiga ou quadros dolorosos, o núme-
ro de passos por minuto é reduzido. Nos casos em que a superfície sobre o qual o indivíduo estiver 
andando for escorregadia e ele se sentir inseguro, o número de passos por minuto também diminui 
(HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
80
UNICESUMAR
A rotação da pelve constitui também um parâme-
tro que deve ser considerado na análise de marcha. 
Durante a fase de balanço da marcha, a pelve gira em 
torno de 40º para frente, enquanto a articulação do 
quadril do membro contralateral (que está na fase de 
apoio) atua como um ponto de apoio para a rotação. 
Para manter o equilíbrio, o tórax roda na direção 
oposta. Nos casos em que a articulação do quadril 
estiver rígida ou com quadros dolorosos, essa rotação 
não ocorrerá normalmente (HOPPENFELD, 2016; 
MAGEE, 2010; NEUMANN, 2011).
É importante salientar que a marcha deve ser 
avaliada com base na marcha normal de alguém da 
mesma faixa etária. Além disso, o examinador deve 
solicitar ao paciente que ande de modo habitual, uti-
lizando, se necessário, qualquer dispositivo de apoio, 
por exemplo, muletas, andador ou bengalas. Enquan-
to o paciente anda, o profissional deve identificar a 
presença de qualquer claudicação ou deformidade 
evidente ou qualquer outro fator que esteja prejudi-
cando a deambulação do paciente (MAGEE, 2010).
40°
Figura 6 - Rotação da pelve durante o ciclo da marcha
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 132).
No decorrer da avaliação da marcha, o profissional deve solicitar ao paciente que ande com 
calçados que ele utiliza habitualmente, mas também descalço, já que calçados diferentes, 
como os de salto alto, bico fino ou calçados novos modificam a marcha e a quantidade de 
energia necessária para a sua execução é maior. O examinador também deve avaliar o calçado 
do pacientee verificar a presença de desgastes do salto e/ou meias, e as condições internas 
e externas do calçado. Também deve avaliar o pé do paciente, buscando presença de hiper-
queratoses, bolhas, calos, calosidades, hálux valgo etc. (MAGEE, 2010).
A fase de apoio do ciclo da marcha é afetada com maior frequência por falhas no calçado, que podem pro-
vocar dores nos pés durante todo o apoio. A dor poderá ser ocasionada por pregos que ultrapassam o salto 
do sapato; por um forro duro e/ou áspero; por algum objeto solto dentro do calçado; pelo tamanho do cal-
çado, pois calçado muito apertado ou largo demais favorece o atrito do sapato com o pé; e/ou pela ponta do 
calçado que pode ser muito estreita e apertada, notáveis em calçados de “bico fino” (HOPPENFELD, 2016).
Dores nos pés, especialmente na fase de apoio de marcha, também podem ser resultantes de 
uma condição denominada esporão de calcâneo, que se refere a uma espícula de osso que se 
forma no processo medial da tuberosidade do calcâneo na sua região plantar. É muito comum 
81
UNIDADE 3
esses esporões ocasionarem dor aguda e intensa 
especialmente quando o indivíduo toca o calca-
nhar numa superfície. Com o passar do tempo, 
forma-se uma bolsa protetora sobre a espícula 
óssea, como consequência poderá surgir uma 
bursite que agrava ainda mais o quadro álgico. 
Para amenizar essa dor, o sujeito anda tocando 
no solo apenas o antepé do pé acometido, no 
intuito de evitar ao máximo o contato do cal-
canhar ao solo (HOPPENFELD, 2016).
Normalmente, o peso do corpo é distribuído 
de forma igual em todo o pé. Os indivíduos que 
apresentam pé plano rígidos, artrose subtalar, en-
tre outros, poderão sentir dor durante a marcha 
em solo irregular. Já aqueles com queda do arco 
Figura 7 - Calos dolorosos no dorso dos dedos prejudicam 
a marcha
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 134).
transversal poderão desenvolver calos dolorosos na cabeça dos metatarsos. Condições que desenca-
deiam calos no dorso dos dedos, como deformidades em dedo em garra, poderão se tornar dolorosos 
durante a subfase apoio médio da fase de apoio da marcha, já que poderão raspar ou atritar no calçado 
no momento em que os dedos começarem a “agarrar” o solo (HOPPENFELD, 2016).
O surgimento de problemas é menor no decorrer da fase de balanço do ciclo da marcha, comparado 
com a fase de apoio, já que na fase de balanço o pé já não está mais em contato com chão, portanto não 
está sujeito ao estresse consequente do peso e do suporte corpóreo (HOPPENFELD, 2016).
Diversas patologias musculoesqueléticas tendem a modificar a marcha em decorrência de 
fraqueza muscular, dores e/ou de alterações da amplitude de movimento, de modo que o exami-
nador deve estar atento a esses fatores ao analisar a marcha. Muitos sujeitos conseguem ajustar-se 
automaticamente a essas modificações, contanto que possuam sensibilidade normal e consigam 
desenvolver um controle seletivo. Os indivíduos com dano em neurônio motor superior, por 
exemplo, apresentam alterações maiores e são incapazes de adaptar-se com facilidade porque, 
além dos problemas musculoesqueléticos, eles também apresentam espasticidade, problemas de 
controle e distúrbios sensitivos. Dessa forma, é importante que o profissional realize uma anam-
nese detalhada, investigando a existência de qualquer doença ou lesão (atual ou pregressa), que 
possam estar prejudicando a marcha (MAGEE, 2010).
A maior da parte da avaliação da marcha envolve a observação, no entanto, o profissional deve 
despender tempo, especialmente quando identificar uma marcha alterada, para mensurar a força 
muscular e a amplitude de movimento de cada articulação envolvida no ciclo da marcha, por meio 
da goniometria (MAGEE, 2010). Sendo assim, a avaliação da marcha permite ao profissional de 
saúde estabelecer objetivos apropriados e planejar uma abordagem racional de tratamento, já que 
as modificações de marcha influenciam diretamente no aparecimento de diversas podopatias, bem 
como nos cuidados podológicos.
Como sabemos, a sustentação e a propulsão do corpo são as duas mais significativas funções dos 
pés. O funcionamento e o desenvolvimento adequado dos músculos do pé, bem como a prática da 
82
UNICESUMAR
mecânica apropriada, são essenciais para todo mundo. Na socie-
dade moderna, os problemas com os pés são uma das causas mais 
comuns de dores. É frequente as pessoas desenvolverem uma 
mecânica insatisfatória dos pés ou anomalias no padrão da mar-
cha consequentes do uso de calçados inapropriados ou de outros 
problemas relativamente insignificantes. A mecânica incorreta 
no início da vida leva inevitavelmente a sintomas de desconforto 
nos pés posteriormente (FLOYD, 2016; HALL, 2016).
Na presença de anormalidades anatômicas ou disfunções 
funcionais, devem ocorrer modificações na marcha para que 
haja a deambulação. Na presença de patologias, as fases do ciclo 
da marcha e suas respectivas subfases podem não ocorrer ou 
ocorrer em um tempo diferente. Bom, como você sabe, é extre-
mamente importante que, durante a avaliação física do seu futuro 
paciente, você realize a análise de marcha, de maneira minuciosa, 
já que a identificação das alterações de marcha, bem como dos 
seus possíveis fatores determinantes, é essencial para traçar um 
protocolo de atendimento podológico adequado e, até mesmo, 
se necessário, encaminhar esse paciente para tratamento com 
profissional especializado.
Portanto, conhecer as anormalidades mais frequentes da mar-
cha é fundamental, pois esse conhecimento te dará suporte para 
identificar e diagnosticar marchas patológicas (ou atípicas). Sendo 
assim, a seguir, evidenciaremos as principais características das 
marchas anormais mais frequentes.
Durante a caminhada, em condições normais, enquanto o 
peso do corpo está suspenso sobre um membro inferior, os mús-
culos glúteo médio e mínimo impossibilitam a inclinação, ou seja, 
a queda do lado contrário da pelve. A fraqueza ou paralisia da 
musculatura do glúteo médio e mínimo (músculos abdutores de 
quadril) pode resultar em um modo de andar típico da marcha 
de Trendelenburg, caracterizado pela inclinação do tronco para o 
lado da fraqueza muscular quando o lado contralateral da pelve 
cai, ou seja, quando o indivíduo está em pé sustentado apenas 
por uma perna, a pelve contralateral cai (HOPPENFELD, 2016; 
HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010).
Em outras palavras, se o músculo glúteo médio direito estiver 
comprometido, quando o sujeito estiver na fase de apoio da mar-
cha à direita, o quadril e a pelve esquerda cairão (HOPPENFELD, 
2016; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010).
Figura 8 - Marcha de Trendelenburg 
ou do glúteo médio
Fonte: Marrero e Rull (2007, p. 68).
Figura 9 - Marcha do glúteo máximo
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 135).
83
UNIDADE 3
Portanto, o enfraquecimento da musculatura glútea, especifica-
mente dos glúteos mínimo e médio, força o indivíduo a se inclinar 
para o lado afetado, no intuito de colocar o centro de gravidade 
sobre o quadril. Dessa forma, com a fraqueza desses músculos, 
seu efeito estabilizador no decorrer da fase de apoio da marcha é 
perdido (FLOYD, 2016; MAGEE, 2010; DUTTON, 2010).
A marcha do glúteo máximo se refere a um padrão de marcha 
decorrente do enfraquecimento do músculo glúteo máximo; 
com isso, o indivíduo projeta o tórax para trás, no momento 
do contato inicial do calcanhar ao chão. Isso ocorre no intuito 
de manter a extensão do quadril do membro inferior de apoio 
(HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010; DUTTON, 2010).
Falando, agora, sobre a marcha antálgica, ela é considerada 
uma marcha autoprotetora, decorrente de algum tipo de dano ou 
agravo relacionado ao quadril, joelho, tornozelo ou pé, já que o 
paciente permanece sobre o membro inferior afetado pelo menor 
tempo possível e tenta evitar ao máximo o segmento doloroso. 
Sendo assim, a fase de apoio sobre o membro inferior prejudica-
do é mais curta comparado ao membro sadio, pois o indivíduo 
procura remover o peso que incide sobre o membro inferior 
afetado. A fasede balanço do membro inferior comprometido 
não é alterada (HOPPENFELD, 2016; MAGEE, 2010).
Esse padrão de marcha resulta num menor comprimento do 
passo no lado não prejudicado e na redução da velocidade da 
marcha e da cadência (MAGEE, 2010).
Uma outra modalidade de marcha é a do tipo equina, em que 
o suporte do peso corporal acontece, basicamente, acima da 
região dorsolateral ou lateral do pé, podendo variar conforme a 
gravidade da deformidade. A fase de sustentação de peso sobre 
o membro inferior prejudicado é reduzida e o indivíduo mani-
festa claudicação (andar mancando). É possível observar que a 
pelve e o fêmur ficam dispostos em rotação lateral no intuito 
de neutralizar, relativamente, a rotação medial da tíbia e do pé. 
Nesse padrão de marcha, os dedos ficam direcionados para baixo, 
resultando no toque dos dedos ao solo no decorrer da caminhada 
(MAGEE, 2010).
Figura 10 - Ao tentar evitar um com-
ponente doloroso da marcha, o sujeito 
assume uma marcha antálgica
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 132).
Figura 11 - Marcha equina
Fonte: Hoppenfeld (2016, p. 136).
84
UNICESUMAR
Quando os músculos dorsiflexores do tornozelo 
são fracos ou estão paralisados, o pé se apresen-
ta caído, e o indivíduo dispõem de uma marcha 
denominada escarvante. Neste padrão de mar-
cha, o quadril e o joelho se flexionam dema-
siadamente para que os dedos dos pés possam 
se elevar do solo. Na subfase contato inicial, 
da fase de apoio da marcha, o pé bate contra o 
chão em decorrência da falta de controle dos 
músculos dorsiflexores (MAGEE, 2010; NEU-
MANN, 2011).
Figura 12 - Marcha escarvante ou do pé caído
Fonte: Magee (2010, p. 969).
A marcha atáxica é característica de indivíduos 
com má sensibilidade ou prejuízo na coordena-
ção muscular, resultando num déficit de equi-
líbrio. Sendo assim, o paciente tende a aumen-
tar a largura da base, no intuito de ampliar o 
equilíbrio. Geralmente, o paciente visualiza os 
pés no decorrer da marcha. A marcha é incons-
tante, com espasmos e oscilante. Dessa forma, 
na marcha atáxica, o comprimento do passo é 
distinto, a largura é irregular e não há ritmo 
no caminhar. A relação normal entre as fases 
de apoio e de balanço da marcha está alterada 
e, normalmente, não há balanço dos membros 
superiores (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BER-
TOTI, 2014).
Figura 13 - Marcha atáxica
Fonte: Magee (2010, p. 965).
85
UNIDADE 3
Danos no cerebelo podem resultar em ataxia cerebelar, sendo 
uma das principais causas da marcha atáxica, estabelecendo uma 
marcha com movimentos incoordenados, aleatórios e instáveis 
(MAGEE, 2010).
Em uma nova modalidade de marcha, o indivíduo com mar-
cha hemiplégica (ou hemiparética) movimenta o membro infe-
rior acometido para fora (sentido lateral) e para a frente num 
movimento circular, movimento de circundação; ou o empurra 
anteriormente. Além disso, o membro superior prejudicado é 
levado por meio do tronco para melhorar o equilíbrio. Com re-
lação ao posicionamento do membro, normalmente, o membro 
inferior lesado se apresenta estirado sobre a superfície do chão; 
o pé posicionado em leve equino e frequentemente os dedos 
flexionados. O membro superior comprometido normalmente 
está em flexão e adução e a mão fechada suavemente em prona-
ção (ZONTA et al., 2010; MAGEE, 2010; MAZZEI et al., 2016).
A marcha das pessoas com hemiplegia é assimétrica entre o 
membro envolvido e o não acometido. A principal causa da marcha 
hemiplégica é o Acidente Vascular Encefálico (AVE). Pacientes que 
sofreram paralisia hemiplégica caminham 50% mais lentamente que 
suas contrapartes saudáveis. Embora o gasto energético em qualquer 
período específico não seja maior, a necessidade energética geral é 
maior porque demora mais tempo para executar a mesma distância 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010).
Antes de caracterizar a marcha parkinsoniana, vamos relatar as 
principais alterações motoras associadas ao mal de Parkinson, as 
quais são: rigidez muscular; tremor mesmo em repouso; bradicine-
sia (movimentos voluntários lentificados) e acinesia. A acinesia é a 
dificuldade de dar início ao movimento, o que prejudica a iniciação 
do deslocamento do peso para que o indivíduo comece a caminhar. 
A bradicinesia se refere à lentidão ou à dificuldade para preservar 
o movimento depois de iniciado. A incapacidade gerada pela rigi-
dez e pela fraqueza dos músculos voluntários também prejudica 
a utilização funcional dos membros inferiores e as habilidades de 
locomoção (HOUGLUM; BERTOTI, 2014; DUTTON, 2010).
Figura 14 - Marcha hemiplégica
Fonte: Magee (2010, p. 967).
86
UNICESUMAR
A característica da marcha parkinsoniana é a fle-
xão de tronco, e pescoço e joelhos para frente. 
Esse padrão de marcha é lento, determinado pelo 
arrastar dos pés no chão, ou ocasionalmente, por 
passos velozes e curtos, dessa forma, o compri-
mento da passada é bem menor. Os membros 
superiores não têm mobilidade normal. A postura 
patologicamente encurvada (flexionada) propi-
cia o desenvolvimento de uma marcha em bloco 
(rígida). Geralmente, no decorrer da marcha, o 
indivíduo pode se inclinar para frente e andar 
com maior velocidade involuntariamente, ten-
do uma aceleração da marcha, como se estivesse 
impossibilitado de parar. Esse quadro é chamado 
de festinação (MONTEIRO et al., 2017; MAGEE, 
2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014; SIMON; 
EVERITT; DORP, 2013).
Frequentemente, no decorrer da marcha, o pa-
ciente com Parkinson, se passar por uma situação 
estressante, espontaneamente para, ou seja, “trava” 
e fica impossibilitado de andar, dando início a 
uma série de passos curtos até conseguir voltar 
deambular novamente. Além disso, indivíduos 
com mal de Parkinson também apresentam gran-
des dificuldades para se virar e mudar de direção 
no decorrer da deambulação (MAGEE, 2010; 
HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
A marcha claudicante (ou claudicação do psoas) 
se refere ao músculo psoas e é visualizada em in-
divíduos com alterações de quadril. O paciente 
nessas condições apresenta uma dificuldade na 
fase de balanço da marcha e a claudicação pode ser 
seguida por movimentos exorbitantes do tronco 
e da pelve. A claudicação pode ser ocasionada 
pelo enfraquecimento ou pelo bloqueio reflexo 
do músculo psoas maior. As evidências de claudi-
cação incluem: rotação lateral, flexão e adução do 
quadril. O paciente apresenta tendência aos vícios 
de execução desse tipo de marcha, especialmente 
quando o ciclo da marcha se tornou automático 
(MAGEE, 2010; DUTTON, 2010).
Figura 15 - Marcha parkinsoniana
Fonte: Magee (2010, p. 967).
Figura 16 - Claudicação do músculo psoas
Fonte: Magee (2010, p. 968).
87
UNIDADE 3
A marcha em tesoura é de-
corrente da paralisia espásti-
ca dos músculos adutores do 
quadril, gerando a adução das 
coxas, determinando, assim, 
que os joelhos se movimen-
tem juntos, o que resulta num 
acentuado esforço para mover 
os membros inferiores para 
frente. Os membros inferio-
res estão em semiflexão e para 
andar o indivíduo rasteja os 
pés, cruzando-os um na frente 
do outro, o que caracteriza um 
movimento parecido com o de 
uma tesoura (MAGEE, 2010).
Esse padrão de marcha tam-
bém é conhecido como marcha 
neurogênica ou espástica.
Figura 17 - Marcha em tesoura
Fonte: Magee (2010, p. 968).
Figura 18 – Marcha do membro inferior curto
Fonte: Magee (2010, p. 968).
Prosseguindo, a última marcha que veremos é a do membro inferior 
curto. Nos casos em que um membro inferior é mais curto, compa-
rado ao membro contralateral, condição denominada dismetria de 
membros inferiores ou nos casos em que há alguma deformidade 
em um dos ossos que compõe o membro inferior, o sujeito exibe um 
desvio lateral do membro inferior acometido e a pelve comprome-
tida também se inclina para baixo, ocasionando uma obliquidade 
do corpo. O indivíduo também pode exibir um posicionamento 
em supinação do pé do lado afetado, num esforço de “alongar” o 
membro (PEREIRA; SACCO, 2008; MAGEE, 2010). A Figura 18 
evidencia a marcha do membro inferior curto.
As articulações do membrosaudável podem evidenciar uma 
flexão exagerada ou pode ocorrer elevação do quadril no decorrer 
da fase de balanço, para permitir que o pé se eleve do solo. A forma 
com que o indivíduo se adapta à diferença do comprimento do 
membro inferior apresenta elevada variabilidade. Com calçados 
adequados, a marcha pode parecer normal (MAGEE, 2010).
O que você já sabe sobre a Assistência Podológica? De quantas 
etapas é constituída? Ouça este podcast e descubra o que é ne-
cessário para realizar um atendimento de sucesso e atingir bons 
resultados no acompanhamento de seus pacientes!
88
UNICESUMAR
Título: Avaliação Musculoesquelética
Ano: 2010
Para aprofundar os seus conhecimentos sobre a marcha humana, sugiro 
que você faça a leitura do livro “Avaliação musculoesquelética”, do autor 
David J. Magee. Este livro aborda, de maneira mais minuciosa, as ques-
tões que envolvem a marcha, como o padrão normal da marcha, seus 
parâmetros avaliativos e as variadas marchas atípicas. Também discorre 
sobre os princípios e conceitos da avaliação musculoesquelética dos 
principais segmentos corporais, incluindo perna, tornozelo e pé. Além 
disso, você poderá recapitular a anatomia aplicada ao complexo tornozelo e pé. 
Sabemos que os membros inferiores são especializados nas tarefas vitais de sustentação do peso cor-
poral e locomoção, portanto, sua integridade é essencial para que atividades diárias ocorram de modo 
normal e eficiente. As doenças que afetam os membros inferiores, muitas vezes, manifestam-se com mais 
clareza na marcha, por isso é preciso considerar os parâmetros normais e anormais da marcha para que se 
possa reconhecer e tratar as alterações patológicas características quando elas aparecem ou, se necessário, 
encaminhar o paciente para o profissional especializado. 
Isso tudo justifica a importância desses conhecimentos para você, como futuro(a) podólogo(a), que 
será um(a) profissional de saúde especializado(a) na prevenção, diagnóstico e tratamento das mais 
variadas condições que afetam os pés e suas respectivas funções.
Conforme vimos no decorrer da unidade, é importante que você, como futuro(a) podólogo(a), com-
preenda os principais aspectos que envolvem a marcha humana, como suas definições, funções, fases e 
subfases, além dos seus parâmetros mensuráveis, já que esse conhecimento irá lhe ajudar a entender não 
só a marcha humana, mas também os possíveis fatores que a impedem ou a dificultam. Além disso, as 
alterações no padrão da marcha influenciam diretamente no aparecimento de várias doenças que aco-
metem os pés, e o contrário também acontece. Ainda assim, existem inúmeras podopatias, por exemplo, 
as calosidades, que podem prejudicar a funcionalidade e a eficiência da marcha.
Agora, portanto, você já é capaz de identificar as fases e as subfases do ciclo da marcha, além disso, você 
já entendeu a importância de incluir a análise da marcha em qualquer avaliação dos membros inferiores, 
sendo assim, você está apto para atender pacientes que apresentem problemas podais, como calosidades, 
rachaduras calcâneas, entre outras alterações, que possam estar comprometendo a eficiência da marcha. 
Além disso, você já está qualificado para fornecer orientações, para o seu paciente, com relação aos fato-
res que contribuem para o aparecimento dessas alterações podais, bem como medidas orientativas para 
evitar o aparecimento e/ou a evolução de condições que comprometam o desenvolvimento da marcha.
Dessa forma, é essencial, que você tenha em mente a importância de considerar e avaliar, em todo aten-
dimento podológico, os aspectos da marcha. Essa prática permite a você, como profissional, determinar, 
com precisão, um protocolo de tratamento podológico adaptado às necessidades e às particularidades 
do seu cliente. 
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LASPECTOS BIOMECÂNICOS
E CINESIOLÓGICOS
DA MARCHA HUMANA
Marchas Patológicas
Marcha Humana Avaliação da Marcha
Marcha do membro inferior curto
Marcha antálgica
Marcha equina
Marcha em tesoura
Marcha do glúteo máximo
Marcha do glúteo médio
Marcha parkinsoniana
Marcha hemiplégica
Marcha atáxica
Marcha escarvante
Características temporais e espaciais
Tarefas funcionais da marcha
Ciclo da marcha
Marcha claudicante
Largura da base
Rotação da pelve
Centro de gravidade
Passo e passada
Pelve e tronco
Parâmetros mensuráveis da marcha
A elaboração de um mapa mental torna mais fácil a organização, o entendimento e a 
fixação dos temas que foram desenvolvidos no decorrer desta unidade, além de ser 
visualmente atrativo e agradável. Dessa forma, iniciei o nosso mapa mental com os 
conceitos centrais estudados até o momento. A partir disso, você pode dar continuidade 
no desenvolvimento do mapa, preenchendo-o com informações, como frases de ligação, 
que se associem a esses conceitos. Bons estudos!
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1. Um ciclo da marcha refere o período desde o toque do calcanhar de um pé no solo até o momento 
que esse mesmo calcanhar volta a tocar o chão novamente. Sabendo que o ciclo da marcha é 
composto por duas fases, sendo elas a de apoio e a de balanço, assinale a alternativa que repre-
senta, em porcentagem do ciclo total, respectivamente as fases de apoio e balanço da marcha.
a) 60% e 40%.
b) 80% e 20%.
c) 20% e 80%.
d) 40% e 60%.
e) 30% e 70%.
2. A fase de balanço do ciclo da marcha se refere ao período em que o pé não está em contato 
com o chão. Esta fase permite que os dedos saiam do solo e que o membro inferior avance para 
frente. No que se refere às etapas da fase de balanço, assinale verdadeiro (V) ou falso (F):
 ) ( A fase de balanço apresenta três subfases: balanço inicial, balanço médio e balanço final. 
 ) ( A fase de balanço é dividida em 2 subfases: contato inicial e fase de pré-balanço.
 ) ( Na subfase balanço final, o membro inferior se prepara para fazer o contato com o solo nova-
mente. 
Assinale a alternativa correta.
a) V-V-V.
b) V-F-F.
c) F-F-F.
d) F-V-V.
e) V-F-V.
3. Com relação às marchas atípicas, sabemos que a presença de patologias interfere nas fases do 
ciclo da marcha. Existe um tipo de marcha caracterizada pela flexão de tronco, de pescoço e de 
joelhos, além disso, a marcha é determinada pelo arrastar dos pés no chão. A postura patologi-
camente encurvada favorece o desenvolvimento de uma marcha em bloco. Dentre as variadas 
marchas patológicas existentes, relate a marcha que apresenta as características mencionadas.
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1. A. De 100% do ciclo normal da marcha, a fase de apoio representa 60% e a fase de balanço equivale a 40% 
do ciclo.
2. E. A primeira afirmativa é verdadeira, pois a fase de balanço do ciclo da marcha apresenta três subfases: 
balanço inicial, balanço médio e balanço final. A segunda afirmativa é falsa, pois a fase de balanço do ciclo 
da marcha é dividida em 3 subfases: balanço inicial, balanço médio e balanço final. A última afirmativa é 
verdadeira, pois, na subfase balanço final, o membro inferior se prepara para fazer o contato com o chão 
novamente.
3. O padrão de marcha que se encaixa nas especificidades mencionadas é o da marcha parkinsoniana, ca-
racterística de pacientes portadores da doença de Parkinson.
R
EF
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C
IA
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DUTTON, M. Fisioterapia ortopédica. Exame, avaliação e intervenção. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
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OPORTUNIDADES
DE APRENDIZAGEM
Postura Humana 
e Alterações 
Biomecânicas
Me. Daniele Almeida Lopes
Nesta unidade, você terá a oportunidade de definir os parâmetros da pos-
tura humana correta e os possíveis fatores que influenciam na sua ma-
nutenção. A partir disso, será capaz de realizar a avaliação postural geral 
e compreender sua importância e influência no exame físico podológico. 
Você também terá a oportunidade de identificar e compreender as alte-
rações posturais mais comuns que acometem a coluna vertebral, além 
dos principais desvios posturais dos membros inferiores, bem como suas 
interferências no posicionamento dos pés e corpo em geral.
96
UNICESUMAR
Olá, aluno(a)! Imagine você, 
como podólogo(a) forma-
do(a) e atuante, e durante uma 
consulta podológica atende 
um paciente, do sexo masculi-
no, de 42 anos, que trabalha no 
horário comercial como segu-
rança, portanto, permanece a 
maior parte do dia em pé e 
com calçado fechado. O pa-
ciente se queixa de muita dor 
decorrente de uma unha, que 
apresenta uma onicocriptose, 
além disso, relata que, fre-
quentemente, faz uso de me-
dicação para reduzir intensas 
dores na coluna lombar. Ao 
proceder o exame físico, você 
nota que o paciente apresenta 
onicocriptose, especificamen-
te na borda medial do hálux direito, no entanto, assim que o paciente retira o calçado, você nota 
também um desgaste exacerbado na parte de medial do solado do sapato. 
Inicialmente, você consegue identificar se existe relação entre o surgimento da onicocriptose com o 
desgaste na parte medial do solado do calçado? Será que uma condição pode estar influenciando no apa-
recimento da outra? Seria possível que essas dores lombares tenham relação com o desgaste do calçado? Já 
parou para pensar na importância de, em sua atuação profissional, você não se concentrar apenas na queixa 
do seu paciente, mas executar uma avaliação postural geral no decorrer de todo atendimento podológico?
É fundamental, como futuro(a) profissional da área da saúde, que você saiba a importância de executar 
uma avaliação postural geral do seu paciente/cliente, em todo atendimento podológico, independentemente 
de sua queixa. As questões que envolvem a postura humana devem ser, obrigatoriamente, consideradas 
no exame físico podológico, já que existem diversas queixas podológicas que podem ser decorrentes de 
desvios posturais em outros segmentos corporais, como coluna e joelhos, por exemplo. 
Como os pés são os pilares de sustentação de todo o nosso corpo, quaisquer alterações que eles tenham 
no posicionamento podem influenciar diretamente no aparecimento de inúmeras modificações postu-
rais gerais. Uma análise postural geral irá favorecer um melhor planejamento do tratamento podológico, 
possibilitando que você determine um protocolo de atendimento adequado e adaptado às necessidades 
do seu cliente. Dessa maneira, uma avaliação postural global pode fornecer informações clínicas valiosas 
que devem ser correlacionadas com o histórico do seu paciente e com as queixas referidas.
97
UNIDADE 4
Além disso, é essencial que você compreenda e esteja habilitado(a) para detectar os principais desvios 
posturais que acometem não só a coluna vertebral, mas também os membros inferiores e, em alguns 
casos, todo o segmento corpóreo, uma vez que, essas alterações contribuem diretamente para prejuízos 
biomecânicos e cinesiológicos dos pés, favorecendo o aparecimento de inúmeras podopatias, além de 
influenciar diretamente no diagnóstico, tratamento e evolução podológica.
Agora que já comentei um pouco sobre o tema, proponho uma nova prática inicial: de forma discreta, 
quando você estiver em algum lugar que tenha um grande fluxo de pessoas, por exemplo, no aeroporto, 
no metrô, no terminal rodoviário, no centro de sua cidade, numa indústria ou em qualquer outro local, 
note como as pessoas apresentam posturas corporais diferentes, seja andando, parado ou sentado. Fique 
atento(a) para identificar os possíveis fatores que possam estar determinando essas posturas distintas.
Você consegue visualizar essas diversas posturas? O que vê? Já é capaz de associar essas características 
a algum fator determinante para uma postura diferente?
Diversas características pessoais, bem como os inúmeros fatores intrínsecos e extrínsecos interferem, 
de maneira expressiva na postura corporal. Podemos destacar alguns desses fatores que determinam as 
variadas posturas corporais, como personalidade, sexo, faixa etária, etnia, atividades de vida diária, am-
biente, temperatura e, até mesmo, a saúde mental. 
Além disso, a forma como as pessoas mantêm sua postura corporal é um processo complexo, já que 
também é influenciada pelo funcionamento dos sistemas vestibular, visual, do sistema nervoso central e 
periférico, bem como dos comandos apropriados do sistema musculoesquelético aos impulsos sensitivos. 
O conhecimento a respeito dos aspectos que envolvem a postura humana correta, além dos fatores que 
a prejudicam, bem como a importância da análise postural geral, é extremamente importante na área da 
podologia, já que um mau posicionamento dos pés interfere negativamente na postura geral do paciente 
e vice e versa, o que interfere diretamente na assistência podológica. Sendo assim, reflita comigo sobre 
os pontos-chave importantes: o que é, de fato, uma postura humana adequada e qual sua importância? 
Quais os fatores que podem influenciar na postura humana? É possível que a postura corporal influencie 
no funcionamento dos pés? De que forma as alterações biomecânicas de pés podem interferir na postura 
ideal? É possível que alterações posturais, sejam de pés, joelhos ou coluna, interfiram diretamente na 
avaliação, no diagnóstico, no tratamento, na evolução e, consequentemente, na eficiência da assistência 
podológica? Qual a importância do profissional podólogo considerar a avaliação postural global no 
decorrer da avaliação podológica?
É de grande importância que, no decorrerde todos nossos estudos, você faça novas anotações em seu 
Diário de Bordo, que nada mais é do que o registro das experiências vivenciadas, bem como de tudo que 
você compreendeu. Essa prática facilitará seu processo de aprendizagem, além de favorecer a organização 
e desenvolvimento dos seus estudos.
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UNICESUMAR
Anteriormente, já tivemos um contato inicial com algumas questões 
que envolvem a postura corporal, no entanto, a partir de agora, 
aprofundaremos as definições que envolvem a postura humana, 
bem como as particularidades de uma postura correta, já que um 
posicionamento harmonioso das estruturas corporais é essencial 
para o adequado funcionamento de todo o corpo, inclusive dos pés. 
Além disso, uma postura correta geral impede o aparecimento de 
diversas patologias, que podem comprometer o funcionamento 
dos membros inferiores e, até mesmo, prejudicar a eficiência de um 
tratamento podológico.
Ao longo da evolução, os seres humanos desenvolveram uma 
postura ereta, também denominada postura bípede. O alinhamen-
to da postura bípede perfeita, numa visão lateral, é descrita como 
uma linha reta (linha da força de gravidade) que percorre o lobo da 
orelha, os corpos das vértebras cervicais, a extremidade do ombro, a 
linha mediana da caixa torácica, os corpos das vértebras lombares, 
passando levemente atrás da articulação do quadril, discretamente à 
frente do eixo da articulação do joelho e instantaneamente à frente 
do maléolo lateral da fíbula (MAGEE, 2010).
Postura Correta
Figura 1 - Alinhamento da postura 
ideal
D
IÁ
R
IO
 D
E 
B
O
R
D
O
99
UNIDADE 4
A postura ideal é utilizada como ponto de referência, mas dificilmente os sujeitos manifestam uma 
“postura perfeita”. A postura mais apropriada é aquela que dissemina a força de gravidade de modo 
a alcançar um funcionamento muscular, articular e ósseo estabilizado, equilibrado e harmonioso. As 
articulações devem se movimentar na sua amplitude média, para minimizar a tensão inadequada 
sobre os ligamentos na amplitude final de movimento e compartilhar, de maneira uniforme, a tensão 
nas superfícies articulares (CIPRIANO, 2005; CHAITOW, 2008).
Dessa forma, uma postura adequada é aquela que impõem uma mínima tensão sobre cada articu-
lação. No que se refere à biomecânica, uma postura eficiente propicia absoluta eficácia e competência 
para o desenvolvimento das tarefas do dia a dia, bem como impede o desenvolvimento de danos 
corporais (CIPRIANO, 2005; CHAITOW, 2008).
Para o ser humano, a postura ereta é a postura em pé normal. Embora a postura ereta permita uma 
visão mais distante e proporcione liberdade para mover os membros superiores, ela também apresen-
ta desvantagens, uma vez, que impõe maior estresse sobre os membros inferiores, a pelve e a coluna, 
reduz a estabilidade e aumenta o trabalho cardíaco. Entretanto, quando a postura ereta é correta, o 
desempenho muscular exigido para conservar a posição é mínima (MAGEE, 2010).
NEONATO
Joelho varo
moderado
6 MESES
Joelho varo
mínimo
1 ANO A 7 MESES
Membros inferiores
retos
2 ANOS A 6 MESES
Joelho valgo
�siológico
Desvio medial
protetor dos
pododáctilos
4 A 6 ANOS
Membros inferiores
com desvio lateral
normal dos
pododáctilos
Figura 2 - Evolução fisiológica do alinhamento dos membros inferiores
Fonte: Magee (2010, p. 977).
Com relação ao desenvolvi-
mento da postura, na criança, o 
centro de gravidade está situado 
na altura da 12ª vértebra torá-
cica. À medida que a criança 
cresce, o centro de gravidade 
desce, acabando por se locali-
zar no nível da segunda vértebra 
sacral nos adultos (um pouco 
mais alto nos homens). A crian-
ça fica em pé com uma base 
larga para manter o equilíbrio 
e com os joelhos flexionados. 
Os joelhos se apresentam mo-
deradamente encurvados para 
fora (joelho varo), sentido late-
ral, até por volta do 1 ano e meio 
de idade. A seguir, os joelhos se 
tornam valgos até, aproximada-
mente, os 3 anos de idade. Por 
volta dos 6 anos, os membros 
inferiores devem tornar-se retos 
naturalmente (MAGEE, 2010). 
100
UNICESUMAR
Inicialmente, uma criança apresenta pés planos em consequência do desenvolvimento mínimo do 
arco longitudinal medial e do coxim adiposo localizado no arco. Ao passo que a criança se desen-
volve, ocorre uma redução do tamanho do coxim adiposo, o que resulta num arco longitudinal 
medial mais perceptível. À medida que o pé se desenvolve e os músculos se tornam mais fortes, 
os arcos dos pés desenvolvem-se normalmente e tornam-se mais evidentes. O início da marcha é 
um dos fatores que estimulam o desenvolvimento dos arcos plantares. Tal desenvolvimento pode 
ocorrer até em torno dos 5 anos de idade (MAGEE, 2010; MINGHELLI et al., 2011). 
Sabemos que as pessoas possuem formas e estaturas variadas e têm estilos de vida diferentes. Por-
tanto, suas posturas também variam. Os hábitos da infância afetam diretamente a postura corporal. 
Práticas corretas estabelecem uma postura equilibrada e estável. Maus hábitos acarretam em más pos-
turas e instabilidade. Ficar muito tempo sentado, carregar peso, andar encurvado e dormir em posição 
errada causam postura inclinada para frente. O hábito de realizar atividades de um único lado, como 
carregar uma bolsa pesada, sentar sobre a carteira que está no bolso ou sentar-se de lado para poder 
enxergar o monitor mal posicionado de um computador, treina o corpo para que os seus dois lados 
sejam assimétricos. Qualquer posicionamento corporal que resulta numa elevação de tensão sobre as 
articulações pode ser intitulado como uma postura ruim (CIPRIANO, 2005; MAGEE, 2010).
Sabemos, também, que uma boa postura corporal é fundamental para o correto funcionamento 
de todos os segmentos corporais, inclusive dos pés. A compreensão dos principais fatores que pos-
sam comprometer a postura é importante para que você possa orientar o seu paciente a respeito dos 
hábitos posturais que prejudicam a postura correta, no intuito de evitar o aparecimento de inúmeras 
disfunções e complicações, como dores, lesões, fadiga, entre outros.
Diversas especificidades anatômicas podem impactar na postura adequada, tais como fraqueza 
ligamentar e muscular, alteração de tônus muscular, falta de flexibilidade articular etc. Algumas das 
causas podem ser posturais (posicionais) e/ou estruturais, conforme veremos a seguir (MAGEE, 2010).
As disfunções posturais mais frequentes são decorrentes de hábitos posturais precários, ou seja, de 
fatores posicionais, dessa forma, o indivíduo não tem habilidade para sustentar uma postura adequada. 
As más posturas são frequentemente observadas em indivíduos que permanecem em pé ou sentados 
por períodos extensos, o que, frequentemente, resulta num encurvamento de cabeça, coluna e ombros 
para frente. A capacidade de sustentar uma postura adequada demanda um sistema articular e muscu-
loesquelético resistente, íntegro, flexível e prontamente ajustáveis a variações do ambiente. Tais sistemas 
devem atuar de maneira contínua em oposição à força de gravidade, mas em equilíbrio e concordância 
entre si, para conservar uma postura erguida e estabilizada (MAGEE, 2010).
Figura 3 - Pé plano na infância (fisiológico)
101
UNIDADE 4
Uma outra causa de mau 
hábito postural, especialmen-
te em crianças e adolescentes, 
é quando estes não querem se 
apresentar mais altos compara-
dos aos amigos da mesma ida-
de. Nos casos em que a criança 
ou adolescente, rapidamente e 
antecipadamente, passa pelo 
estirão de crescimento, essa 
condição pode predispor os 
sujeitos a se arquearem para a 
frente para não “ficar em desta-
que” e apresentar discrepantes. 
Figura 4 - Mau hábito postural
Essa fase de estirão também pode provocar um desenvolvimento, ou seja, um crescimento despro-
porcional de diversos componentes anatômicos, favorecendo os prejuízos posturais. A dor também 
pode causar má postura. A pressão sobre uma raiz nervosa da coluna lombar pode acarretar lombalgia 
e causar uma escoliose, uma vez que o corpo inconscientemente adota uma postura que diminui ador (MAGEE, 2010).
A obesidade também é um fator que contribui para as modificações posturais, já que a acu-
mulação de gordura abdominal resulta num abdômen protuso (anteriorizado), tendo como con-
sequência o deslocamento anterior do centro de gravidade, com acentuamento da curvatura da 
lordose lombar e encurvamento anterior de pelve. Além disso, o aumento do peso corporal pode 
resultar num aumento da cifose torácica (podendo interferir na função respiratória), tendo um 
aumento da lordose cervical e, consequentemente, anteriorização da cabeça e pescoço. Dessa ma-
neira, o aumento excessivo de peso estabelece uma elevação das atribuições biomecânicas para o 
ajustamento corporal (MOURA; SILVA, 2012; SIQUEIRA et al., 2015).
Grande parte dos déficits posturais posicionais podem ser facilmente reparados e/ou compensados logo 
após o distúrbio ser constatado. O tratamento envolve o fortalecimento da musculatura enfraquecida, o 
alongamento dos componentes anatômicos encurtados, e uma das etapas mais importantes é que o indi-
víduo adquira a consciência do seu comprometimento e não meça esforços para preservar uma postura 
apropriada, seja na posição em pé, sentada ou durante a execução das tarefas do dia a dia (MAGEE, 2010).
As deformidades estruturais podem ser decorrentes de anomalias congênitas, problemas de desen-
volvimento, traumas ou doenças (ósseas, articulares, musculares, neurológicas etc.), os quais constituem 
exemplos de fatores estruturais, podendo acarretar em modificações da postura. Por exemplo, uma 
diferença significativa no comprimento dos membros inferiores ou uma anomalia da coluna verte-
bral pode prejudicar a postura correta. As deformidades estruturais compreendem particularmente 
perturbações ósseas, musculares e articulares e, geralmente, não são recuperadas com facilidade sem 
o indivíduo passar por um processo cirúrgico. No entanto, os sujeitos frequentemente conseguem 
amenizar as manifestações clínicas por meio de orientações ou recursos destinados à melhora da 
postura (MAGEE, 2010).
102
UNICESUMAR
A paralisia cerebral é uma encefalopatia, a qual resulta num prejuízo do controle e da manutenção da pos-
tura corporal, determinando posturas viciosas. Essa alteração neurológica também dificulta a execução e o 
controle dos movimentos. Portanto, essa condição constitui-se num fator estrutural de má postura.
Com relação à análise postural, é essencial que o profissional, durante o exame físico podológico, proceda 
à avaliação postural geral, para que assim possa traçar o diagnóstico e o tratamento podológico adequado 
ou, se necessário, encaminhar o paciente para um profissional especializado, já que diversas desordens que 
acometem os pés podem ser resultantes de mau posicionamento dos membros inferiores, bem como da 
coluna vertebral e vice-versa. O ideal é que, primeiramente, o paciente resolva a “causa” do problema, para que 
possa prosseguir com o tratamento podológico. A análise da postura fornece informações clínicas valiosas 
que devem ser correlacionadas com o histórico do paciente e com os sintomas relatados.
Dessa forma, para analisar a postura, é preciso considerar a maneira como o corpo está se equilibrando. 
As observações posturais são orgânicas, isto é, elas lidam com o organismo como um todo. Ao contrário da 
maioria dos testes ortopédicos e neurológicos, que focalizam na identificação da natureza específica de uma 
lesão, enfermidade ou outro problema clínico, a avaliação postural considera a pessoa por inteiro, ou seja, como 
um todo, já que, a postura compreende um acúmulo de adaptações e compensações decorrentes de hábitos 
e, até mesmo, de lesões, para permitir que o corpo se equilibre e funcione com eficácia (CIPRIANO, 2005).
Figura 5 - Modificações posturais deter-
minadas pela paralisia cerebral (encefa-
lopatia crônica não progressiva)
103
UNIDADE 4
Clinicamente, a meta da avaliação postural é identificar a falha mais importante na cadeia cinética. 
Posturas desalinhadas resultam em respostas compensatórias. Ao observar a postura, o avaliador deve 
permanecer concentrado para detectar quaisquer discrepâncias ou instabilidades. O importante é as-
similar mentalmente os sintomas referidos, os sinais observáveis e os antecedentes do indivíduo com 
a biomecânica do equilíbrio corporal. Antes da avaliação postural, o profissional deve obter todo o 
histórico do paciente, focando no detalhamento de sintomas, fraturas, lesões, anomalias congênitas etc., 
já que essas condições interferem diretamente na postura geral do indivíduo, inclusive dos membros 
inferiores (CIPRIANO, 2005).
No decorrer da análise postural, o profissional deve solicitar ao paciente que fique em pé com a cabeça 
ereta. O paciente que adota a postura rígida deve ser solicitado a relaxar e ficar em posição confortável 
(normal). Em geral, os indivíduos se esforçam para posicionarem-se na postura “correta”, entretanto, para 
constatar o legítimo posicionamento de repouso, é essencial não instruir os indivíduos, pedindo-lhes 
para endireitar o que está desordenado. Se os pés e o dorso estiverem desalinhados, ou os dois pés não 
estiverem virados para o mesmo ângulo, oriente o paciente a dar cinco passos no local. Se ainda assim 
os pés e o dorso continuarem desalinhados, é sinal de desvio postural (CIPRIANO, 2005).
Com relação à análise dos membros inferiores, numa visão anterior, o profissional deve se atentar 
para a abdução das pernas que deve ter o mesmo grau em relação à linha mediana; e a parte posterior do 
joelho deve ter a mesma aparência em ambos os lados. Tornozelos e pés devem demonstrar alinhamento 
simétrico bilateral e os pés devem estar voltados discretamente para a lateral. Já numa visão lateral, os 
membros inferiores devem estar verticalmente alinhados com as articulações do joelho em posição 
neutra. Os membros inferiores devem estar posicionados uniformemente na posição vertical e constituir 
um ângulo reto com a região plantar (CIPRIANO, 2005).
Sabemos que o pé e o tornozelo formam a base de sustentação, ou seja, são os alicerces do corpo todo, 
permitindo-nos permanecer na posição bípede. Sendo assim, obrigatoriamente, devem ser considerados 
na análise postural, já que o posicionamento dos pés interfere diretamente na postura dos sujeitos de 
praticamente todas as faixas etárias; entretanto, a faixa etária em que se nota o maior surgimento de pro-
blemas é entre os 45 e 65 anos de idade. Ainda assim, se algum problema acometer os pés, como lesões, 
fraturas, disfunções genéticas ou posturais, podopatias, isso pode gerar uma série de compensações e 
desvios no corpo todo, resultando em quadros dolorosos, enrijecimentos, contraturas musculares, res-
trições de movimentos, complicações ortopédicas, entre outras.
Ao longo da vida, diversos fatores moldam a nossa postura, como histórico de lesões, atividades da vida 
diária e hábitos posicionais. Entretanto, do ponto de vista clínico, as alterações posturais podem originar 
uma cascata de causas e efeitos corporais. Subjetivamente, o paciente, em geral, acredita que está ereto 
e equilibrado, mesmo quando a inspeção visual mostra o contrário. Se o cérebro “acredita” que o corpo 
está equilibrado, mesmo quando não está, adaptações posturais exercem tensão irregular e predispõe a 
lesões no futuro (SEDREZ et al., 2015).
104
UNICESUMAR
Com relação às características da coluna verte-
bral, numa visão anterior, a coluna parece ser reta, 
no entanto, numa visão lateral, a coluna apresenta 
formato de “S”. Tal fato é decorrente da presença da 
cifose e da lordose, as quais constituem curvaturas 
naturais, ou seja, fisiológicas da coluna no plano sa-
gital e se desenvolvem conforme o desenvolvimen-
to da criança. A coluna vertebral apresenta quatro 
curvaturas, sendo elas: lordose cervical; cifose to-
rácica; lordose lombar e cifose sacrococcígea. Essas 
curvaturas atuam amenizando o impacto e o cho-
que sobre a coluna vertebral, inclusive da própria 
ação da gravidade e das posições em pé e sentado(GIANINI et al., 2016; FLOYD, 2016).
Dessa forma, qualquer alteração no grau des-
sas curvaturas (cifoses e lordoses), prejudica o 
alinhamento da postura, resultando em desvios 
posturais, dentre os quais podemos destacar a 
hipercifose torácica, a hiperlordose lombar e/ou 
cervical. Uma outra modificação postural muito 
comum é a escoliose, que é definida como uma 
alteração da coluna vertebral no plano coronal, 
conforme veremos adiante. A seguir, abordaremos 
os principais desalinhamentos posturais da coluna 
vertebral, uma vez que esses desvios influenciam 
diretamente no posicionamento e funcionamento 
dos pés e vice-versa.
Iniciaremos pela hipercifose torácica, que é 
uma deformidade no plano sagital que aumenta a 
angulação convexa posterior da coluna. Na região 
torácica, a curvatura exibe concavidade para o 
lado posterior. Quando a curvatura torácica está 
exagerada, tem-se essa condição denominada hi-
percifose torácica. Na maioria das vezes, ela se 
desenvolve na coluna torácica. Popularmente, essa 
condição é conhecida como “corcunda” (CIPRIA-
NO, 2005; HAMILL; KNUTZEN, 2012).
Pacientes com hipercifose torácica apresentam 
pescoço mais anteriorizado, a região dorsal arredon-
dada, os ombros caídos e protusos, ou seja, deslocados 
para frente, conforme você pode notar na Figura 8.
LORDOSE
CERVICAL
CIFOSE
TORÁCICA
LORDOSE
LOMBAR
CIFOSE
SACRAL
Figura 6 - Curvaturas fisiológicas da coluna vertebral
Figura 7 - Hipercifose torácica
Fonte: Cipriano (2005, p. 240).
105
UNIDADE 4
A hipercifose torácica apresenta diversas causas, dentre as quais podemos destacar: deformidade 
genética, osteoporose, traumas, má postura, principalmente sentada (costureiras, manicures, digitadores, 
secretárias, dentistas etc.), postura errada ao utilizar o computador e celular, fraqueza muscular, envelhe-
cimento (comum nos idosos), espondilite anquilosante, distrofias musculares, poliomielite, espinha bífida, 
idiopática etc. Trata-se de uma condição bastante comum entre os adolescentes, principalmente naqueles 
que crescem muito e se destacam perante aos seus colegas da mesma idade e, muitas vezes, por vergonha, 
adotam a postura “corcunda” no intuito de tentar parecer com a altura dos outros (KENDALL et al., 2007).
Ainda assim, esse quadro também é frequente no sexo feminino, principalmente no período do 
desenvolvimento das mamas, já que, por vergonha, as meninas podem adotar a posição de hipercifose 
torácica ou pelo peso das próprias mamas. Muitas vezes, essa condição é assintomática, ou seja, o paciente 
não refere queixas, entretanto, alguns podem relatar dores, fadiga muscular, desequilíbrios e dificuldades 
para deambular. Em casos mais severos, a hipercifose torácica pode comprometer a função respiratória, 
uma vez que prejudica a capacidade de expansão do tecido pulmonar, em decorrência da insuficiência 
da mobilidade torácica (KENDALL et al., 2007; SEDREZ et al., 2015).
Figura 8 - Protusão de ombros e dorso arredondado carac-
terísticos da hipercifose torácica
Alterações nas lordoses, como o aumento ex-
cessivo (acentuado) das curvaturas, resulta em 
condições conhecidas como hiperlordose cer-
vical e/ou hiperlordose lombar. Na região cer-
vical, a curvatura apresenta concavidade para o 
lado anterior. Essa curvatura deve ser pequena e 
se situar acima do cíngulo do membro superior 
(clavícula e escápula) e, obviamente, em condi-
ções normais, a cabeça também deve se encontrar 
acima do cíngulo do membro superior. Quando 
a curvatura cervical, ou seja, a lordose cervical 
está acentuada para o lado anterior, tem-se uma 
hiperlordose cervical (HAMILL; KNUTZEN, 
2012; NEUMANN, 2018).
A hiperlordose cervical pode ser decorrente de 
vários fatores, dentre os quais podemos destacar: 
genético, histórico familiar, fraqueza muscular, má 
postura, perturbações da articulação temporoman-
dibular (ATM), cifose torácica excessiva, movimen-
tos repetitivos, idiopática (desconhecida) etc. Na 
maioria das vezes, essa condição não gera sinto-
mas, no entanto, dependendo da gravidade, alguns 
pacientes podem relatar dores e desconfortos na 
região do pescoço. Além disso, o indivíduo pode 
apresentar o pescoço mais estendido anteriormente, 
podendo ter nariz arrebitado, ou seja, “empinado” 
(MOURA; SILVA, 2012).
106
UNICESUMAR
A hiperlordose lombar é carac-
terizada pelo acentuamento an-
terior da coluna lombar, ou seja, 
a lordose lombar se encontra 
aumentada. Esse acentuamento 
lombar frequentemente é gerado 
pelo posicionamento anterior da 
pelve (anteversão pélvica) e/ou 
pela fragilidade da musculatu-
ra abdominal, a qual mantém a 
lordose lombar estabilizada. Tais 
condições resultam numa ante-
riorização, ou seja, numa protu-
são abdominal, dessa maneira, 
a barriga se projeta para frente, 
e o paciente, muitas vezes, exibe 
uma “barriga saliente” (HAMILL; 
KNUTZEN, 2012). 
Frequentemente, indivíduos 
com hiperlordose lombar podem 
apresentar o bumbum mais empi-
nado, já que os glúteos ficam mais 
evidentes, e o abdômen globoso 
(saliente). Na maioria das vezes, os 
pacientes se queixam de dores na 
região lombar, o que é denomina-
do lombalgia, e podem apresentar 
restrições na mobilidade lombar. 
Existem várias causas que con-
tribuem para o surgimento desse 
quadro, dentre os quais podemos 
ressaltar: má postura, fraqueza da 
musculatura abdominal, obesida-
de, histórico familiar, alterações 
genéticas, distrofias musculares, 
traumas, gravidez (temporaria-
mente), idiopática, doenças con-
gênitas ou adquiridas entre outras 
(BARBOSA et al., 2011; MOU-
RA; SILVA, 2012; ALMEIDA; 
KRAYCHETE, 2017).
Figura 9 - Hiperlordose cervical
Figura 10 - Hiperlordose lombar acompanhada de hipercifose torácica
107
UNIDADE 4
A frequente utilização de calçados de salto alto pode resultar em contratura dos músculos 
da panturrilha, bem como processos álgicos no joelho e na coluna lombar, uma vez que a 
lordose lombar aumenta com o objetivo de preservar o centro de gravidade no seu posicio-
namento correto. Além do mais, essa prática, eleva a possibilidade da ocorrência de entorses 
e fraturas de tornozelo e pé, já que um centro de gravidade mais alto favorece o desequilíbrio 
corporal (MAGEE, 2010).
O mais grave dos distúrbios posturais que afetam a coluna é a escoliose, a qual constitui uma defor-
midade lateral da coluna vertebral no plano coronal, associada a uma rotação dos corpos vertebrais. 
A curvatura pode ter forma de “C” ou “S”, dependendo da direção e dos segmentos inicial e final. A 
escoliose em forma de “C” é designada quando o desvio ocorre apenas em uma região. Por exemplo, 
uma curva convexa à esquerda na região cervical seria denominada curva em “C” cervical esquerda 
(uma só curvatura). Numa curva em forma de “S”, o desvio lateral ocorre em regiões diferentes e em 
direções opostas, como é o caso de uma convexidade torácica direita e lombar esquerda (mais de uma 
curvatura) (CIPRIANO, 2005; HAMILL; KNUTZEN, 2012).
COLUNA RETA
(NORMAL)
DESVIO POSTURAL
(ESCOLIOSE)
Figura 11 - Escoliose em “C”
Com relação às evidências 
físicas, os indivíduos com es-
coliose exibem ombros, cos-
telas, mamilos, cristas ilíacas e 
pernas com alturas distintas, 
ou seja, assimétricas, e o corpo 
parece estar inclinado para um 
lado. Eventualmente, o pacien-
te pode relatar algum descon-
forto muscular, como a fadiga; 
entretanto, a maioria não relata 
queixas. Em casos mais notó-
rios, alguns pacientes podem 
apresentar sintomas psicológi-
cos, como a vergonha pela sua 
postura (HOUGLUM; BERTO-
TI, 2014; MAGEE, 2010).
108
UNICESUMAR
A escoliose constitui um tipo de desvio postural 
muito frequente, que prossegue até a maturidade do 
esqueleto, sendo mais comum nas mulheres. As cau-
sas conhecidas da escoliose incluem: desequilíbrio 
estrutural congênito; assimetria de crescimento; le-
sões neoplásicas, traumáticas ou infecciosas; displasia 
óssea; controle neuromuscular assimétrico; discre-
pância no comprimento dos membros inferiores; e 
imobilização reflexiva causada por dor ou irritaçãonervosa. No entanto, aproximadamente 85 a 90% dos 
casos de escolioses são idiopáticos, ou seja, sem causa 
aparente. Considera-se que a escoliose idiopática tem 
base genética (CHEW, 2014; CIPRIANO, 2005).Figura 12 - Sinais físicos da escoliose
As diversas complicações que podem acometer os pés, como calos, calosidades, fissuras plantares, 
onicocriptose, onicofose entre outras, podem influenciar na postura dos membros inferiores, inclusive 
da coluna vertebral, podendo comprometer também a funcionalidade da marcha. Alterações posturais 
de pernas e pés interferem diretamente na postura geral do indivíduo. Dessa forma, se as pernas e os pés 
estiverem mal alinhados, essa condição resulta em sobrecarrega de diversos componentes anatômicos, 
como articulações, músculos e tendões.
Nos casos em que especificamente os pés estiverem desarmoniosos, consequentemente a pisada ficará 
prejudicada, o que resulta em diversas compensações e desvios posturais, favorecendo o aparecimento de 
várias condições, como dores, enrijecimentos musculares, restrição de movimentos, entre outros. Além 
disso, frequentemente, dores nas costas e nos membros inferiores também podem ser atribuídas ao ali-
nhamento anormal de quadris, joelhos e pés (OATIS, 2014).
Dessa maneira, a seguir, relataremos os desvios posturais mais frequentes que acometem os membros 
inferiores, dos quais o conhecimento a respeito é de extrema importância para você, como futuro(a) 
podólogo(a).
O alinhamento do joelho pode ser afetado pelo alinhamento do quadril, do tornozelo e do pé. Essa 
interação é o resultado da localização do joelho entre o solo sobre o qual o indivíduo está, e o peso so-
breposto da cabeça, dos braços, do tronco e do membro inferior oposto. O desalinhamento do joelho 
pode resultar de uma série de fatores: desalinhamento das articulações do quadril, do tornozelo ou do 
pé; desequilíbrios musculares; e sobrecargas anormais sobre a articulação do joelho. A identificação 
precisa dos desalinhamentos do joelho e das deformações associadas às articulações adjacentes é parte 
essencial de uma avaliação podológica, uma vez que essas alterações comprometem o posicionamento e 
o funcionamento dos pés e vice-versa (OATIS, 2014).
Quando ocorrem alterações osteomioarticulares dos membros inferiores, estas podem resultar no 
aparecimento de deformidades ou desalinhamentos dos joelhos, denominados: joelho valgo e joelho 
varo. Quando o paciente apresenta uma flexão dos dois joelhos com as patelas aproximando-se, o joelho 
é dito valgo, vulgarmente conhecido como joelhos em “x”. Esse desalinhamento é caracterizado por uma 
aproximação medial dos joelhos, e os pés se distanciam lateralmente. O joelho valgo está diretamente 
relacionado a uma pisada pronada, uma vez que sobrecarrega a região medial do pé, o que pode com-
109
UNIDADE 4
prometer a funcionalidade dos pés durante a marcha. Esse quadro acomete com maior frequência o sexo 
feminino, pelo fato de as mulheres apresentarem quadril mais largo (BEGA; LAROSA, 2010).
Quando o paciente tem os joelhos abertos, ou seja, as pernas arqueadas, essa condição é denominada 
joelho varo. Nesse caso, os joelhos se afastam no sentido lateral, para fora da linha média do corpo, e os 
pés se aproximam medialmente. No entanto, é uma condição mais rara. O joelho varo tem relação direta 
com a pisada supinada, já que sobrecarrega a região lateral do pé, o que também pode comprometer toda 
a biomecânica dos pés (BEGA; LAROSA, 2010). 
Normal Joelho varo Joelho valgo
Figura 13 - Diferença entre joelho valgo e varo
Recém-nascidos e crianças pequenas normalmente apresentam joelho varo. Esse alinhamento em varo 
desaparece e é substituído por um alinhamento em valgo que atinge um pico em torno do primeiro ano aos 
três anos de idade. Há uma redução gradual do valgismo, que finalmente chega aos valores adultos quando 
a criança atinge seis ou sete anos de idade (OATIS, 2014).
Existem uma série de condições que podem desestabilizar a articulação do joelho, como problemas 
ósseos, musculares, articulares e ligamentares, os quais contribuem para o aparecimento dos desvios 
posturais, dentre os quais podemos destacar o joelho flexo e o joelho hiperestendido. O joelho hiperesten-
dido, conhecido também como geno recurvato, é caracterizado pela projeção posterior do joelho, ou seja, 
ocorre uma hiperextensão dos joelhos, de forma que a linha da gravidade se situe anteriormente aos joelhos. 
Frequentemente, essa condição é decorrente da hipertrofia e/ou encurtamento dos músculos que realizam 
a extensão dos joelhos (NEVES; CAMPAGNOLO, 2009; SANTOS, 2001).
O joelho flexo, também denominado geno flexo, é determinado pela projeção anterior dos joelhos, de 
maneira que a linha da gravidade passe superiormente ou posteriormente aos joelhos. Geralmente, esse 
quadro é ocasionado pela hipertrofia e/ou encurtamento da musculatura que exerce a flexão dos joelhos 
ou dos músculos da panturrilha. Ambos desvios posturais de joelhos são evidentemente visualizados numa 
visão lateral (NEVES; CAMPAGNOLO, 2009; SANTOS, 2001).
110
UNICESUMAR
As deformidades nos pés po-
dem ocorrer por várias causas. É 
possível que haja má formação 
congênita dos ossos; paralisia ou 
espasticidade muscular; tensões 
e distensões crônicas na susten-
tação do peso corporal; sapatos 
mal ajustados; ou uma combi-
nação de alguns desses fatores. 
Em outras palavras, essas defor-
midades podem ser congênitas 
ou adquiridas. Como as forças 
são transmitidas dos pés para 
os membros inferiores durante 
a deambulação, algumas dessas 
deformidades podem influen-
ciar outros segmentos corporais 
a se alterarem no intuito de se 
adaptar a essas deformidades ao 
longo do tempo (HOUGLUM; 
BERTOTI, 2014).
Figura 14 - Diferença entre joelho hiperestendido e joelho flexo
Fonte: a autora.
Desalinhamentos na altura do arco longitudinal medial do pé podem resultar em condições co-
nhecidas como pé cavo e pé plano. O pé plano, vulgarmente denominado pé chato, é caracterizado 
por uma redução ou desabamento do arco longitudinal medial. Na posição ortostática, os ligamentos 
plantares e a fáscia plantar alongam-se sob o peso corpóreo e o ligamento calcaneonavicular plantar 
não suporta a cabeça do tálus. Como resultado, a cabeça do tálus e o navicular se desviam na direção 
inferomedial, apresentando-se proeminentes, desabando o arco longitudinal medial. Sendo assim, o pé 
toca o chão, quase que por inteiro, tendo uma grande área de apoio da planta do pé com o solo, além 
de apresentar um formato plano (BEGA; LAROSA, 2010; HAMILL; KNUTZEN, 2012).
O pé cavo é caracterizado por um aumento na altura do arco longitudinal medial, resultando em 
pouca área de contato do pé com o chão. Indivíduos com pé cavo relatam com maior frequência dor 
no pé, pois apresentam pressões plantares acentuadas sobre o retropé e uma duração acentuada de 
altas pressões sobre o retropé e o antepé. Essas alterações são decorrentes da diminuição na área de 
contato sobre o pé, em virtude do arco elevado. Sendo assim, essa condição pode ser acompanhada 
de hiperqueratose sob as cabeças dos metatarsos; retração das articulações interfalangeanas; e dedos 
em “garra”, decorrentes do estresse nas regiões de antepé e retropé (BEGA; LAROSA, 2010; HAMILL; 
KNUTZEN, 2012).
111
UNIDADE 4
Indivíduos com pé cavo apresentam mobilidade reduzida no pé e, por isso, o pé trabalha como uma 
alavanca rígida em todo o ciclo da marcha. Assim, ele é incapaz de absorver as forças de impacto da 
caminhada ou de uma corrida. Ambas as anormalidades do arco predispõem os sujeitos a lesões, como 
alterações ligamentares; desequilíbrios musculares e tendinosos; alterações de equilíbrio; desalinha-
mentos ósseos; comprometimento da marcha etc. Além disso, as duas condições afetam a funcionali-
dade dos pés, resultando na redução da capacidade de absorção de choques e impactos, e prejuízo na 
distribuição apropriada de peso corporal por todo o pé (OATIS, 2014; HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Figura 15 - Hiperqueratoseplantar 
PÉ PLANO
(ARCO DESABADO)
PÉ NORMAL
PÉ CAVO
(ARCO ELEVADO)
Figura 16 - Diferenças entre pé plano e pé cavo
112
UNICESUMAR
Existem outros desvios posturais de membros inferiores, que também podem ocorrer nos pés, os 
quais são conhecidos como pé aduto e pé abduto. A alteração denominada pé aduto ocorre quando o 
indivíduo caminha com os pés direcionados no sentido linha mediana (meio) do corpo, com relação 
ao plano sagital. Nesse caso, ocorre uma rotação medial (interna) do tornozelo, resultando na aproxi-
mação do hálux na linha mediana. O pé aduto é comum quando a criança nasce e é frequentemente 
ocasionado pelo posicionamento do bebê no interior do útero, no entanto, com o passar do tempo, 
esse quadro é corrigido naturalmente (MATTOS; NEIRA, 2013).
O pé abduto é contrário ao aduto, nesse caso, o sujeito deambula com os pés no sentido lateral, ou 
seja, distante da linha mediana do corpo, considerando o plano sagital. Essa condição é caracterizada 
por uma rotação lateral (externa) da articulação do tornozelo, fazendo com que o hálux fique mais 
perto da linha lateral (MATTOS; NEIRA, 2013). A diferença no posicionamento do pé aduto e do pé 
abduto podem ser visualizadas na Figura 18.
Existem outras deformidades que também podem ocorrer nos pés, as quais são conhecidas como pé 
equino e pé calcâneo. No pé do tipo equino, o apoio do pé é feito apenas com a extremidade anterior 
(antepé), sem a utilização do calcanhar, já que o movimento de dorsiflexão da articulação do tornozelo 
é restrito. Esse quadro resulta numa maior sobrecarga na ponta do pé. Quando essa condição acomete 
apenas um pé, consequentemente, ocorre uma sobrecarga no pé e no membro inferior contralateral, 
além da possibilidade de disfunções na coluna vertebral. O pé equino pode ser decorrente de vários 
fatores, dentre os quais podemos destacar: anomalias congênitas, paralisia cerebral, encurtamento do 
Você sabia que existe um equipamento, muito utilizado durante a prática podológica, para 
analisar a impressão da planta dos pés? Esse instrumento é chamado de podoscópio (Figura 
17). Com relação ao seu funcionamento, o equipamento apresenta uma base elevada, em que o 
paciente fica em pé sobre essa base e, abaixo, tem-se um espelho para refletir os pontos de maior 
pressão nos pés, sendo, portanto, possível analisar o tipo de pé e, consequentemente, o tipo de 
pisada. A partir daí, o podólogo poderá traçar o diagnóstico e proceder a conduta podológica. 
Figura 17 - Podoscópio
Figura 18 - Pé Aduto (esquerda) e Pé abduto (direita)
Fonte: a autora.
113
UNIDADE 4
tendão do calcâneo e/ou dos músculos da pan-
turrilha, uso frequente de sapato de salto alto, pé 
imobilizado por muito tempo na posição equina 
etc. (VOLPON, 2014; VOLPON; NATALE, 2019).
O pé equino altera toda a biomecânica dos 
membros inferiores e, até mesmo, da coluna 
vertebral, dessa forma, além de afetar a locomo-
ção, na maioria das vezes, resulta numa série de 
complicações, como: esporão de calcâneo, fas-
cite plantar, inflamação do tendão do calcâneo, 
neuroma de Morton, metatarsalgia, hálux valgo, 
calosidades, dedos em garra, dores nos membros 
Figura 19 - Pé equino
Fonte: Volpon (2014, p. 39).
inferiores e coluna entre outros (VOLPON; NATALE, 2019).
Neste podcast você vai ouvir e se aprofundar mais sobre uma das 
podopatias mais frequentes na população: o Esporão de Calcâneo, 
que pode alterar significativamente a cinesiologia e biomecânica 
dos membros inferiores, causando diversos problemas ao paciente. 
Mas, você, como profissional da Podologia, poderá atuar na pre-
venção, diagnóstico e tratamento dessa doença. Quer saber como? 
Vem cá que eu te conto!
No pé do tipo calcâneo, o apoio do pé ocorre apenas no calca-
nhar (retropé), sem a utilização do antepé. Isso decorre de um pre-
juízo no movimento de flexão plantar. Esse quadro é caracterizado 
pela proximidade do dorso do pé com a região anterior da perna. As causas do pé calcâneo ainda não 
são totalmente esclarecidas, no entanto, os estudos demonstram que 1 a cada 1000 crianças 
manifesta essa alteração ao nascer, no entanto, no decorrer do desenvolvimento, a maioria 
das deformidades são corrigidas espontaneamente. A Figura 20 evidencia a deformidade 
pé calcâneo (VOLPON, 2014; SANT’ANNA; NEVES, 2009). 
A partir de agora, abordaremos os tipos de pisada; entretanto, antes de descrevermos 
cada um, é importante conceituarmos o termo pisada. Sendo assim, a pisada refere o período 
da fase de apoio da marcha, ou seja, representa o instante em que o 
pé está em contato com o chão, suportando o peso corporal. O jeito 
como as pessoas pisam depende diretamente das particularidades 
anatômicas de cada um, por exemplo, o tipo de pé (cavo, plano ou 
normal), a força muscular, o alinhamento dos joelhos e a mobilidade 
articular. Cada sujeito pisa de uma forma, mas comumente são estabelecidos 
três tipos de pisadas, sendo elas, a neutra, a pronada e a supinada.
Figura 20 - Pé calcâneo
Fonte: a autora.
114
UNICESUMAR
A pisada neutra é considerada a normal. Nesse tipo de pisada, o peso do corpo é compartilhado 
de maneira igual em todo o pé, isto é, não existem áreas de maior pressão (sobrecarga). Em torno de 
45% da população mundial apresentam essa pisada e são os que manifestam o mínimo de limitações 
no momento de decidir sobre o calçado a utilizar. A pisada neutra é a pisada ideal, já que proporciona 
a absorção de choques e impactos pelos pés ao longo da marcha ou de uma corrida, restringindo as 
chances de danos (BEGA; LAROSA, 2010).
A pisada pronada, vulgarmente, é conhecida como “pisar para dentro”. Essa pisada é iniciada na 
região medial do calcanhar e finaliza nas regiões próximas ao hálux. Nesta maneira de pisar, o pé 
executa uma rotação medial demasiada, ou seja, acontece uma rotação intensa do pé para dentro (pé 
permanece por mais tempo numa pronação excessiva); como consequência, a descarga do peso do 
corpo é intensificada na parte interna do pé. Quase metade, ou seja, em torno de 50% da população 
mundial apresenta esse tipo de pisada, a qual ocorre com maior frequência o sexo feminino. Indiví-
duos com pé plano frequentemente apresentam pisada pronada, já que esse tipo de pé pode resultar 
em hiperpronação em decorrência do desabamento do arco durante a pisada (GUIMARÃES et al., 
2000; BEGA; LAROSA, 2010).
A pisada supinada é conhecida popularmente como “pisar para fora”. Nesse tipo de pisada, o indivíduo 
utiliza a região lateral do pé e, especialmente, a área do dedo mínimo para se impulsionar. Nessa pisada, o 
contato do pé com o solo é mantido pela região lateral (externa) do pé; e o pé permanece por mais tempo 
em supinação excessiva. Dessa forma, o peso corporal sobrecarrega a região lateral do pé. Frequentemente, 
indivíduos com pé cavo apresentam esse tipo de pisada. A pisada supinada é menos frequente a nível da 
população mundial, pois acomete em torno de 5%, sendo mais comum em indivíduos com pé cavo (pé 
rígido que prejudica o movimento de pronação) (GUIMARÃES et al., 2000; BEGA; LAROSA, 2010).
PISADA PRONADA
PARA DENTRO/MEDIAL
PISADA SUPINADA
PARA FORA/LATERAL
Figura 21 - Pisada supinada e pronada
Uma pisada pronada ou su-
pinada pode levar a uma série de 
complicações, se não corrigidas, 
como o aparecimento de bolhas; 
calos e calosidades; fraturas ós-
seas por estresse; joanete; bunio-
nette (joanete de 5º dedo); dedo 
em garra e em martelo; fascite 
plantar; entorse; canelite (infla-
mação da tíbia); dores lombares 
e no quadril; edema e forte can-
saço nos pés; fissuras plantares 
etc. Além disso, a pisada prona-
da ou supinada, se não forem 
corrigidas, com o decorrer do 
tempo, podem resultar em inú-
meras compensações posturais 
e lesões osteomioarticulares 
(BEGA; LAROSA, 2010).
115
UNIDADE 4
O tipo de pisada deve ser determinado por profissionais que compreendam a biomecânica da 
marcha. A investigação do tipo de pisada pode ser executada por meio da baropodometria, que realiza 
a análise da marcha. O baropodômetroé um dispositivo computadorizado que, com o apoio de uma 
plataforma, identifica os pontos de maior pressão nos pés no decorrer da pisada (PEREIRA; GON-
ÇALVES; SILVA, 2010).
Entretanto, o podólogo também pode avaliar o tipo de pisada de uma maneira mais informal, por 
meio da observação do solado do calçado, observando a localização dos desgastes. Lembrando que 
deve ser um calçado que o paciente utiliza com maior frequência no dia a dia. Ao visualizar o calçado, 
e este apresentar um desgaste uniforme, sugere-se uma pisada neutra; se o gasto for maior na parte 
interna, indica-se uma pisada pronada; e se a deterioração for mais intensa na região externa do calçado, 
aponta-se uma pisada supinada (BEGA; LAROSA, 2010; MAGEE, 2010).
É importante fazermos uma ressalva com relação a esse método de observação do calçado para 
determinar o tipo de pisada, uma vez que é uma técnica de avaliação que nem sempre é muito confiável, 
já que existem pessoas que, para realizar a marcha, arrastam os pés, portanto, essas questões devem ser 
consideradas durante o exame físico (BEGA; LAROSA, 2010). 
No que se refere às deformações que acometem com maior frequência os dedos dos pés, podemos 
destacar o dedo em garra, o dedo em martelo e o dedo em malho. As denominações dessas deformações 
apresentam ligação com o posicionamento dos ossos e articulações comprometidas. Essas deformida-
des modificam o formato e o comprimento dos dedos e podem acentuar-se quando o indivíduo faz 
o uso de calçados inapropriados, especialmente calçados apertados. Frequentemente, essas deformi-
dades podem ser ocasionadas por inúmeros fatores, dentre os quais podemos salientar: uso contínuo 
de calçados inadequados, artrite reumatoide, fraturas, luxações, lesões neurológicas, malformações 
congênitas, entre outras.
As deformações dos dedos dos pés em garra são caracterizadas pela hiperextensão das articulações 
metatarsofalangeanas acompanhadas de flexão dos dedos dos pés, especificamente das articulações 
Figura 22 - Desgaste do sapato, na borda medial, decorrente de pisada pronada
Fonte: Magee (2010, p. 872).
interfalangeanas proximais e 
distais. A hiperextensão das ar-
ticulações metatarsofalangea-
nas traciona a placa plantar dis-
talmente, deixando a cabeça de 
sustentação do peso corporal do 
osso metatarso desprotegida e 
causando dor quando o pacien-
te sustenta o peso sobre as cabe-
ças dos metatarsos expostos. Os 
dedos em garra, geralmente, são 
decorrentes de ações ineficazes 
dos músculos lumbricais e inte-
rósseos que fazem com que os 
dedos percam a função (OATIS, 
2014; MAGEE, 2010).
116
UNICESUMAR
Esta deformidade pode acarretar sensações 
dolorosas na face plantar na região frontal do pé, 
como também no aparecimento de calosidades do-
lorosas no dorso dos dedos comprometidos, o que 
pode impossibilitar a utilização de calçados fecha-
dos. Essa condição pode ser unilateral ou bilateral 
e pode estar relacionada ao pé cavo, queda do arco 
metatarsal, espinha bífida ou a outros problemas 
neurológicos (MAGEE, 2010; VOLPON, 2014). 
O dedo em martelo consiste em uma deformi-
dade em extensão da articulação metatarsofalan-
geana e em flexão da articulação interfalangeana 
proximal. A articulação interfalangeana distal pode 
Figura 23 - Dedos em garra
Fonte: Oatis (2014, p. 830).
estar flexionada, reta ou hiperestendida. Os músculos interósseos são incapazes de manter a falange 
proximal na posição neutra e, consequentemente, perdem o seu efeito de flexão. As causas do dedo em 
martelo incluem o desequilíbrio dos músculos sinérgicos, fatores hereditários e fatores mecânicos, por 
exemplo, calçados inadequados ou hálux valgo (joanete) (MAGEE, 2010).
Habitualmente, a deformidade dedo em martelo é observada apenas em um dedo, normalmente o 
segundo dedo. Frequentemente, existe uma hiperqueratose ou um calo sobre o dorso da articulação fle-
xionada, decorrente, na maioria das vezes, do atrito com o calçado. Em geral, a condição é assintomática, 
sobretudo quando o dedo em martelo é flexível ou semiflexível. O dedo em martelo do tipo rígido tende 
a causar os maiores problemas (MAGEE, 2010).
O dedo em malho está associado a uma deformidade em flexão da articulação interfalangeana distal. 
Ele pode ocorrer em qualquer um dos quatro dedos laterais (2 a 5). Geralmente, existe um calo ou uma 
hiperqueratose sobre o dorso da articulação comprometida, em decorrência do atrito/fricção com o 
local acometido. A condição é comumente assintomática e é frequentemente observada com o uso de 
calçados inadequados (MAGEE, 2010). 
DEDO DO PÉ EM MARTELO DEDO DO PÉ EM GARRA DEDO DO PÉ EM MALHO
Figura 24 - Deformidades ósseas nos dedos dos pés (dedo em martelo, em garra e em malho, respectivamente)
117
UNIDADE 4
Dentre as várias deformidades 
que acometem os pés, existe 
uma, relativamente comum, 
que prejudica especificamente 
o primeiro dedo do pé, a qual é 
denominada hálux valgo, po-
pularmente conhecida como 
joanete. Tal condição é carac-
terizada por uma proeminên-
cia óssea medial na primeira 
articulação metatarsofalan-
geana. O hálux valgo é carac-
terizado por um desvio lateral 
do hálux e desvio medial do 
primeiro metatarso. Dessa 
forma, essa proeminência ca-
racterística do hálux valgo não 
decorre de crescimento de um 
novo componente ósseo, mas 
pelo desalinhamento entre os 
ossos que compõem a articu-
lação metatarsofalangeana do 
hálux (MAGEE, 2010). 
NORMAL HÁLUX VALGO
Figura 25 - Diferença entre um pé normal e um pé com hálux valgo
Com a progressão da deformidade hálux valgo, pode ocorrer dor progressiva e desenvol-
vimento de calosidades locais. É importante relatarmos que o hálux valgo apresenta várias 
causas. Pode ser decorrente de fator hereditário e, frequentemente, tem caráter familiar. Ain-
da assim, sua ocorrência pode estar ligada à presença de doenças reumáticas, como artrite 
reumatoide, gota; problemas neurológicos, como paralisia cerebral, sequelas de AVE, trauma 
medular; e alterações anatômicas, como pé plano (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 
2014; GIANINI et al., 2016).
As mulheres frequentemente são mais acometidas, já que um dos fatores contribuintes para o 
hálux valgo é o uso de calçados apertados ou de bico fino, bem como meias apertadas e calçados 
de salto alto. Os calçados de bico fino comprimem o hálux, que contribui para o surgimento do 
joanete. Além disso, uma causa comum desta condição é o pé plano ou excessivamente pronado. 
Como o pé impulsiona a partir da parte medial do pé, e não a partir dos dedos distais, o pé é 
mais abduzido que o normal. Como o hálux está sempre em contato com o chão, ele recebe forças 
repetidas aplicadas à sua borda medial, e a articulação metatarsofalangeana é a que mais sofre os 
resultados dessa tensão (MAGEE, 2010; HOUGLUM; BERTOTI, 2014).
Com o tempo, o hálux assume um ângulo em direção aos dedos laterais, isto é, ocorre um desvio 
lateral do hálux sobre as cabeças dos metatarsos dos dedos restantes, resultando em superposição 
(HOUGLUM; BERTOTI, 2014; VOLPON, 2014; OATIS, 2014).
118
UNICESUMAR
Figura 26 - Calçado apertado favorece 
o desenvolvimento do hálux valgo Figura 27 - Hálux valgo e deformidade em garra nos outros dedos
No decorrer da avaliação postural, você, como 
futuro(a) podólogo(a), deve analisar a mobilida-
de articular do hálux, observando se ainda existe 
ou até que ponto está diminuída, analisar o grau 
de deformação postural dos dedos, investigar 
os calçados que o paciente utiliza, constatar se 
existem outros problemas ortopédicos, atentar-se 
para a idade do paciente; avaliar os costumes 
posturais no trabalho, quais esportes pratica e 
se existem outros casos na família. A partir da 
coleta dessas informações, você consegue visua-
lizar todo o quadro que o seu paciente apresenta, 
no intuito de conseguir o melhor diagnóstico 
e traçar o tratamento podológico apropriado e 
efetivo (BEGA, 2014).
O conhecimento a respeito dos aspectos que en-
volvem a postura humana correta, além dos fatores 
que a prejudicam,bem como a importância da aná-
lise postural geral, é extremamente importante para 
você, futuro(a) podólogo(a), já que, como profissio-
nal da área da saúde, deverá estar apto a proceder 
uma avaliação global do seu paciente, inclusive da 
posição de pisada, já que um mau posicionamento 
dos pés pode interferir negativamente na postura 
geral do paciente e vice-versa. Além do que, os pés, 
quando estão desalinhados, ficam suscetíveis ao 
desenvolvimento de diversas podopatias, as quais 
são de interesse para a podologia.
Os desvios posturais, sejam dos pés, joelhos, 
quadris ou coluna, podem alterar diretamen-
te a avaliação, o diagnóstico, o tratamento e a 
evolução podológica, sendo assim, essas con-
dições devem ser consideradas no exame físico 
realizado no decorrer da assistência podológica. 
Ainda assim, você, como futuro(a) podólogo(a), 
deve estar qualificado e apto para diagnosticar os 
desvios posturais que acometem os pés e enca-
minhar para o setor especializado ou, até mesmo, 
prescrever e/ou confeccionar palmilhas posturais 
e órteses podais, que vão compensar essas alte-
rações biomecânicas, melhorando o funciona-
mento do corpo em geral e, consequentemente, 
a qualidade de vida de seu paciente.
Conforme vimos no decorrer da unidade, é 
importante que você, como futuro(a) podólo-
go(a), compreenda os aspectos que envolvam a 
postura humana correta, além dos fatores que a 
prejudicam, bem como a importância de executar 
uma avaliação postural global do seu paciente, in-
clusive do tipo pisada, já que um desalinhamento 
dos pés ou joelhos, por exemplo, pode interferir 
negativamente na postura geral do paciente. 
119
UNIDADE 4
Além disso, os pés, quando estão desalinhados, ficam suscetíveis ao aparecimento de inúmeras 
podopatias, como calosidades, hálux valgo, rachaduras, bunionette, fascite plantar, esporão de calcâneo, 
entre outros, o que justifica a importância do profissional estar apto para detectar os possíveis fatores 
que estejam desencadeando tais podopatias.
Ainda assim, como você já sabe, as deformidades de coluna vertebral também podem influenciar 
negativamente na biomecânica e cinesiologia dos pés. Dessa forma, é essencial, que você, como futuro(a) 
podólogo(a), tenha em mente a importância de considerar e avaliar, em todo atendimento podológico, 
os aspectos que envolvem a postura humana geral. Essa prática permitirá a você, como profissional, 
determinar, com precisão, um protocolo de tratamento podológico adaptado às necessidades e às 
particularidades do seu cliente. 
Título: Cinesiologia - a Mecânica e a Patomecânica do Movimento Hu-
mano
Ano: 2014
Para aprofundar os seus conhecimentos a respeito da postura huma-
na, sugiro que você faça a leitura do livro “Cinesiologia – a mecânica e 
patomecânica do movimento humano”, da autora Carol A. Oatis. O livro 
apresenta um capítulo que abrange as definições e as características 
da postura normal, bem como os aspectos envolvidos na avaliação da 
postura humana e também aborda as anormalidades posturais mais co-
muns, inclusive dos membros inferiores, cujo conhecimento é essencial para que você possa 
desempenhar suas atividades podológicas com excelência.
120
M
A
P
A
 M
EN
TA
L
É essencial que você saiba que o desenvolvimento de um mapa mental facilita, e muito, 
a organização e a compreensão dos conteúdos que foram abordados no decorrer desta 
quarta unidade. Sendo assim, dei início ao nosso mapa mental com os pontos-chave 
de nosso estudo até aqui, a partir do qual é fundamental que você dê continuidade, 
preenchendo-o com elementos, como frases de ligação, que se associem aos conceitos 
centrais. Lembrando que a construção do mapa mental irá te auxiliar no desenvolvimento 
e aprendizagem dos temas estudados. Bons estudos!
Postura Humana e 
Alterações Biomecânicas
Modi�cações posturais
da coluna vertebral
Alterações posturais
de membros inferiores
Postura Humana Análise Postural
Detectar desalinhamentosFatores que afetam a postura
Fatores posturais
Hipercifose torácica
Hiperlordose cervical e lombar
Escoliose
Dedo em malho
Pé equino e calcâneo
Joelho �exo e hiperestendido
Dedo em garra
Dedo em martelo
Joelho valgo e varo
Pisada pronada e supinada
Pé plano e pé cavo
Pé plano aduto e abduto
Hálux valgo
Fatores estruturais
A
G
O
R
A
 É
 C
O
M
 V
O
C
Ê
121
1. Existem deformidades que acometem os dedos dos pés, as quais resultam em alteração no 
formato e no comprimento dos dedos, podendo se acentuar quando o sujeito utiliza calçados 
inadequados. Dentre as várias deformidades, existe uma caracterizada pela hiperextensão das 
articulações metatarsofalangeanas e flexão das articulações interfalangeanas proximais e distais. 
Sendo assim, assinale a alternativa correspondente.
a) Dedo em garra. 
b) Hálux valgo.
c) Bunionette.
d) Dedo em malho.
e) Dedo em martelo.
2. O hálux valgo, vulgarmente conhecido como joanete, constitui um desvio que acomete as arti-
culações que envolvem o hálux. É uma condição que afeta muitas pessoas, sendo, na maioria 
das vezes, decorrente do uso de calçados apertados, tensões e fricções constantes, artrites e 
também apresenta componente genético.
I) A condição é descrita como um desvio lateral do 1º metatarso e desvio medial do hálux.
II) O quadro é caracterizado pelo desalinhamento entre os ossos que compõem a articulação 
metatarsofalangeana do hálux.
III) Na maioria dos casos, o ângulo intermetatarsal aumenta mais de 15%. 
IV) É uma condição que pode resultar no aparecimento de calosidades locais.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
A
G
O
R
A
 É
 C
O
M
 V
O
C
Ê
122
3. Desvios posturais dos pés, como o pé plano e o pé cavo, são decorrentes de desalinhamentos na 
altura do arco longitudinal medial, os quais, dependendo da gravidade, podem ser identificados 
por meio de inspeção ou testes específicos. Esses desvios posturais podais sobrecarregam regiões 
diferentes dos pés, deixando-os mais suscetíveis ao desenvolvimento de inúmeras podopatias. 
Dessa maneira, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
 ) ( O pé plano é caracterizado por uma redução ou desabamento do arco longitudinal medial.
 ) ( Nos casos de pé cavo, durante a pisada, o pé toca o chão, quase que por inteiro.
 ) ( Em pés cavos, ocorrem acentuadas e altas pressões sobre o retropé e o antepé.
Assinale a alternativa correta.
a) V-V-V.
b) V-F-F.
c) F-F-F.
d) F-V-V.
e) V-F-V.
C
O
N
FI
R
A
 S
U
A
S 
R
ES
P
O
ST
A
S
123
1. A. A deformidade dedo em garra é caracterizada pela hiperextensão da articulação metatarsofalangeana, 
acompanhada de flexão do dedo do pé, especificamente das articulações interfalangeanas proximais e 
distais.
2. D. Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. A afirmativa I é incorreta, pois o hálux valgo é caracteri-
zado por um desvio medial do 1º metatarso e desvio lateral do hálux.
3. E. A primeira e a terceira afirmativas são verdadeiras. A segunda afirmativa é falsa, pois nos casos de pé 
cavo, durante a caminhada, há uma diminuição da área de contato do pé no chão. Normalmente, as áreas 
de maior contato são antepé e retropé.
R
EF
ER
ÊN
C
IA
S
124
ALMEIDA, D. C.; KRAYCHETE, D. C. Dor lombar – uma abordagem diagnóstica. Revista Dor, v. 18, n. 2, p. 
173-177, 2017.
BARBOSA, J. et al. Hiperlordose lombar. Revista da sociedade portuguesa de medicina física e de reabi-
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