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Hemoterapia Indicações: ● Restaurar a capacidade de transporte de oxigênio; ● Restaurar o volume sanguíneo; ● Restaurar a hemostasia. As condições clínicas do paciente, além de exames laboratoriais, são importantes para determinar a necessidade de transfusão. Solicitação: Conforme Resolução da Diretoria Colegiada n° 153/04, deve conter: ● Identificação do paciente: nome e sobrenome, sexo, idade, peso, número do prontuário ou registro do paciente, número do leito (no caso de paciente internado) ● Diagnóstico médico; ● Antecedentes transfusionais; ● Hemocomponente solicitado: volume ou quantidade; ● Dados laboratoriais: justificativa da hemotransfusão ● Identificação do solicitante: nome, assinatura e CRM ● Data da solicitação Coleta de amostra sanguínea do receptor ● Obrigatória para estabelecimento do tipo sanguineo ABO e do fator Rh; ● Pesquisa de presença de anticorpos irregulares, a fim de prevenir reações transfusionais hemolíticas CUIDADOS: ● Colher 5 ml de sangue periférico em Tubo seco e 2 ml em tubo roxo com EDTA; ● Identificação dos tubos previamente, contendo: Nome completo do paciente, clínica e n° de registro, data e nome de quem colheu; ● Validade 72h. Tipos de hemotransfusão Programada: Para determinado dia e hora. Não urgente:em até 24h Urgente: em até 3hs. De extrema urgência: Quando o retardo do início da transfusão coloca a vida do paciente em risco. Transfusão autóloga: Aquela onde o binômio doador/receptor é constituído pelo mesmo indivíduo. Compatibilidade ABO/Rh Receptor Doador O O A A ou O B B ou O AB AB,A,B, ou O Rh positivo Rh positivo ou negativo Rg negativo Rg negativo ou em caso de urgência Rg positivo com Prova Cruzada compatível Legislação: O ato transfusional é de responsabilidade médica e o processo transfusional contempla uma assistência multidisciplinar em que cada um responde individualmente por suas ações. Recomenda-se a presença de um médico no local, no momento da infusão. A resolução RDC 153/2004 da ANVISA, determina o regulamento técnico para os procedimentos hemoterápicos, incluindo: ● Coleta; ● Processamento; ● Testagem; ● Armazenamento; ● Transporte; ● Controle de qualidade do sangue e seus componentes, obtidos do sangue venoso, cordão umbilical, placenta e medula óssea. Resolução do COFEN - 200/97 Dispõe sobre a atuação dos profissionais de enfermagem em hemoterapia e transplante de medula óssea. HEMOTRANSFUSÃO Administração intravenosa de sangue total, hemocomponentes ou hemoderivados de um doador para um receptor. Sangue Total: Atualmente a sua utilização se restringe à obtenção dos componentes. Hemocomponentes: obtidos a partir do Sangue Total por meio de Processos Físicos (centrifugação, congelamento). Hemoderivados: obtidos a partir do Plasma por meio de Processos Físicos-Químicos. Tipos Hemocomponentes: ● Concentrado de Hemácias (CH); ● Concentrado de Plaquetas (CP); ● Plasma Fresco Congelado (PFC); ● Crioprecipitado (CRIO); ● Concentrado de Granulócitos. Hemoderivados: ● Albumina Humana; ● Imunoglobulina endovenosa sérica; ● Fatores II, VII, VIII IX, X liofilizados Concentrado de Hemácias Obtido através da separação de uma unidade de Sangue Total por centrifugação e deve ser totalmente congelado até 8 horas apos a coleta. Validade: De 21 a 42 dias. Indicação: Hemorragias e Anemias. Volume: De 270 a 320 ml. Aumento sérico: 1g-dl por unidade. Objetiva tratar a inadequada liberação de oxigênio aos tecidos, em de Hb● Interromper a transfusão; ● Verificar os SSVV; ● Elevar o decúbito; ● Instalar cateter O2; ● Comunicar médico responsável; ● Medicação: diurético (furosemida); ● Rx tórax; ● Considerar entubação Reação Hemolítica não imune Hemólise causada por fenômenos químicos ou físicos (Congelamento acidental das hemácias; contato com soluções incompatíveis; infusão sob pressão ou por meio de dispositivos de pequeno diâmetro; CEC (Circulação extracorpórea) em cirurgias cardíacas) Sinais e sintomas: ● Hemoglobinúria; ● Icterícia. Conduta: ● Interromper a transfusão; ● Infusão de cristalóide; ● Monitorar função renal Classificação quanto à gravidade Grau 1 ou Leve Ausência de risco à vida, sem comprometimento de órgão ou função. Grau 2 ou Moderada Quando há necessidade de hospitalização; deficiência ou incapacidade persistente ou necessidade de intervenção médica. Grau 3 ou Grave Ameaça à vida e intervenção médica obrigatória. Grau 4 ou Óbito Óbito atribuído a transfusão. Imediatas ou Agudas Ocorrem durante o ato transfusional ou até 24h após o início da transfusão Tardias Ocorrem 24h após o início da transfusão IMUNES Imediatas ou Agudas Reação hemolítica Aguda Imune É a reação transfusional imediata mais temida, com alto índice de mortalidade, sendo a maior frequência por incompatibilidade ABO. Caracteriza-se pela reação antígeno/anticorpo, envolvendo anticorpos presentes no paciente, e antígenos presentes na unidade transfundida. Sinais e sintomas: ● Febre, calafrios; ● Dor torácica, dispneia; ● Hipotensão; ● Náuseas; ● CIVD, sangramento; ● oliguria/anuria, hemoglobinúria, ● Dor local da infusão, ● Dor lombar OBSERVAR ATENTAMENTE OS PACIENTES SOB EFEITO ANESTÉSICO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA E INCONSCIENTES. Conduta: ● Interromper a transfusão; ● Manter o acesso venoso com SF 0,9%; ● Verificar os SSVV; ● Elevar o decúbito; ● Instalar cateter O2; ● Controlar volume e coloração de diurese; ● Registrar em prontuário; ● Comunicar médico responsável; ● Comunicar ao Banco de sangue. Reação Febril não Hemolítica Imediatas ou Agudas Reação Febril que ocorre geralmente durante ou após o término da transfusão. Sinais e Sintomas: • Elevação da temperatura maior que 1° C quando comparada com a temperatura inicial do paciente; • Calafrios com menor frequência; • Sintomas associados à transfusão e sem qualquer outra explicação. Conduta: ● Interromper a transfusão; ● Manter o acesso venoso com SF 0,9%; ● Verificar os SSVV; ● Uma amostra pós - transfusional deve ser coletada e enviada ao laboratório, assim como a bolsa e os equipos. ● Registrar em prontuário; ● Comunicar médico responsável; ● Comunicar ao Banco de sangue. Reação Alérgica Leve (Urticariforme) Imediatas ou Agudas Comum (1 a 2% das reações transfusionais ) e está relacionada à hipersensibilidade às proteínas plasmáticas. A reação leve permite reiniciar a transfusão após a melhora da sintomatologia. Pode ser identificada como localizada ou sistêmica, nos quadros leve, moderado e severo. São raros os casos que evoluem para a anafilaxia. Sinais e Sintomas: • Eritema; • Pápulas; • Prurido; • Tosse Conduta: ● Interromper a transfusão; ● Manter o acesso venoso com SF 0,9%; ● Verificar os SSVV; ● Registrar em prontuário; ● Comunicar médico responsável; ● Comunicar ao Banco de sangue. Reação Alérgica Grave(Anafilática) Imediatas ou Agudas É rara (de 1/100.000 unidades transfundidas), com alto índice de mortalidade, tendo início rápido com a infusão de pequeno volume. Sinais e Sintomas: • Afebril; • Diarreia; • Hipotensão; • Dor torácica; • Náuseas/emese, dor abdominal; • Tremores e dificuldade respiratória. Conduta: ● Interromper a transfusão; ● Manter o acesso venoso com SF 0,9%; ● Verificar os SSVV; ● Instalar cateter de oxigênio ● Medicar conforme prescrição médica: Difenidramina; Solumedroln 60mg EV; Sol.Decimal Adrenalina (1:10), 3 ml SC. Se hipotensão severa (PAS