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Ludismo e Enfoque Comportamental 1. Ludismo: · Movimento de trabalhadores contra a automação e demissões na Revolução Industrial. · Protestos alertaram sobre o poder de mobilização dos trabalhadores e sindicatos. 2. Insatisfação com Taylorismo/Fordismo: Métodos rígidos e desumanizantes causavam alienação e passividade nos trabalhadores. 3. Pesquisa de Hawthorne: · Revelou a importância dos grupos informais e dos estímulos psicossociais no trabalho. 4. Enfoque Comportamental: · Surge como alternativa ao enfoque técnico, priorizando o comportamento humano, relações sociais e aspectos psicológicos. A Descoberta do Sistema Social O texto aborda a distinção entre a estrutura formal e a estrutura informal nas organizações, destacando a importância do sistema social no ambiente de trabalho. 1. Estrutura Formal: · É planejada e definida no organograma da empresa. · Envolve uma hierarquia rígida, com responsabilidades, tarefas, normas, métodos, operações, instalações e tecnologia bem definidos. · Privilegia os aspectos técnicos e funcionais, como equipamentos, sistemas de trabalho e regulamentos. 2. Estrutura Informal: · Surge da interação social entre as pessoas, baseada em necessidades pessoais ou grupais. · Não é planejada, mas desenvolve-se naturalmente, criando canais próprios de comunicação. · Foca nas relações sociais, atitudes, sentimentos, valores e comportamentos dos indivíduos dentro da organização. 3. Enfoque Comportamental: · O enfoque comportamental desloca a ênfase da organização formal (sistema técnico) para a organização informal (sistema social). · Passa a considerar como objeto de análise as dinâmicas sociais, como a formação de grupos informais, as atitudes e os comportamentos dos indivíduos. Os Precursores do Pensamento Humanista 1. Robert Owen: · Pioneiro do pensamento humanista, implementou melhorias nas condições de trabalho na fiação de New Lanark (Escócia, 1810). · Valorizou o bem-estar dos trabalhadores, oferecendo lazer remunerado, ambiente limpo e moradia. 2. Mary Parker Follett: · Defendeu que as necessidades humanas no trabalho são as mesmas que em outras áreas da vida. 3. Chester Barnard: · Destacou que as pessoas cooperam para alcançar os objetivos da organização. 4. James Watt: · Na Fundição Soho (1800), otimizou espaços e reduziu o esforço físico dos trabalhadores. · Introduziu salários proporcionais à produção e benefícios como lazer remunerado. 5. Hugo Münsterberg: · Criou as bases da Psicologia Industrial, associando eficiência industrial ao ajuste entre homem e trabalho. 6. Henry Gantt: · Desenvolveu o Gráfico de Gantt (1903) para acompanhamento da produção. · Defendeu a cooperação entre patrões e empregados, priorizando o bem-estar dos trabalhadores. 7. Frank e Lilian Gilbreth: · Propuseram melhorias no ambiente de trabalho, redução da jornada e pagamento de dias de descanso. · Publicaram o livro Estudo da Fadiga (1916), focando na eficiência e no conforto do trabalhador. 8. Oliver Sheldon: · Autor de Filosofia da Administração, destacou a importância da ética e da responsabilidade na gestão. · Enfatizou o equilíbrio entre produção e humanidade na indústria. OBS: Alguns seguiam Ford e Taylor. Escola Behaviorista e Comportamento Organizacional A escola behaviorista (ou comportamentalista) foca no estudo do comportamento humano nas organizações, priorizando os seguintes conceitos: 1. Percepção: · As ações das pessoas são baseadas na forma como percebem a realidade organizacional. · A percepção seletiva pode distorcer a interpretação de estímulos, levando a conflitos e mal-entendidos. · Erros comuns na percepção: · Contraste: Comparar pessoas de forma injusta. · Esteriótipos e preconceitos: Generalizações negativas. · Efeito halo: Julgar alguém com base em uma única característica. · Generalização negativa: Associar comportamentos a características isoladas. 2. Atitudes: · Refletem a predisposição dos funcionários em relação ao trabalho, carreira e organização. · Podem ser positivas ou negativas, influenciando diretamente o comportamento. 3. Crenças e Valores: · As crenças e valores moldam os julgamentos e decisões das pessoas. · A dissonância cognitiva (Festinger) ocorre quando há incoerência entre crenças e ações, gerando tensão e levando a ajustes para restaurar a consonância. 4. Aptidões: · Referem-se ao potencial dos funcionários para realizar tarefas, considerando conhecimento e experiência. Comportamento Organizacional: · A escola behaviorista utiliza esses elementos (percepção, atitudes, crenças, valores e aptidões) para formular teorias sobre o comportamento organizacional. · O objetivo é entender como as pessoas se comportam e interagem no ambiente de trabalho, visando melhorar a eficiência e o bem-estar organizacional. As Origens do Behaviorismo 1. Fundadores do Behaviorismo: · O behaviorismo surgiu como uma teoria em Psicologia e Filosofia, com base nos estudos de Ivan Pavlov e John Watson, que investigaram o comportamento humano em laboratórios. 2. Burrhus Frederic Skinner: · Skinner desenvolveu o conceito de condicionamento operante, que se baseia na ideia de que o comportamento é influenciado por consequências (reforços ou punições). · Condicionamento operante: Comportamentos são repetidos ou evitados dependendo das consequências que produzem (reforço positivo ou negativo). · Exemplo: Um chefe que oferece aumentos salariais (reforço positivo) para melhorar o desempenho da equipe. Com o tempo, os funcionários podem exigir mais recompensas para manter o bom desempenho. 3. Aplicação na Administração: · Inicialmente, as ideias behavioristas foram aplicadas nas fábricas do início do século XX, com foco em estímulos econômico-financeiros para maximizar o desempenho dos trabalhadores (abordagem taylorista). · Posteriormente, os experimentos de Hawthorne revelaram a importância dos estímulos sociais e psicológicos no comportamento dos trabalhadores. 4. Conceitos-Chave: · Condicionamento Operante: Comportamentos são moldados por reforços (positivos ou negativos). · Reforço de Estímulos: · Reforço positivo: Recompensas que aumentam a probabilidade de um comportamento se repetir. · Reforço negativo: Remoção de estímulos desagradáveis para fortalecer um comportamento. Os Estudos Pioneiros de Kurt Lewin 1. Kurt Lewin e a Dinâmica de Grupos: · Considerado o pai da dinâmica de grupos, Lewin foi um dos primeiros psicólogos a estudar o comportamento humano em grupos e organizações. · Desenvolveu a Teoria do Campo de Forças, que analisa as forças que influenciam o comportamento (forças pró e contra uma situação). · Para Lewin, as mudanças de comportamento são resultado da tensão entre as percepções do indivíduo e o ambiente psicológico. 2. Conceitos-Chave: · Campo Psicológico: Espaço de vida que inclui todos os fatores que influenciam o comportamento de uma pessoa em um dado momento. Composto por: · Pessoa: Percepções, medos, sonhos, objetivos (conscientes e inconscientes). · Meio: Ambiente social, cultural, físico e psicológico. · Dinâmica de Grupos: Lewin estudou como os grupos funcionam e como influenciam o comportamento individual. · Distinguiu entre sociogrupo (focado nos membros) e psicogrupo (focado em si mesmo). · Concluiu que a força de um grupo não depende apenas da personalidade de seus membros, mas da interação entre eles. · Definiu que o número ideal para grupos experimentais é de 5 a 7 participantes. 3. Relação Grupo-Indivíduo: · O grupo é essencial para o indivíduo, pois: · Serve como base de sustentação. · Ajuda a satisfazer necessidades físicas e sociais. · É parte do espaço de vida do indivíduo. · Lewin consolidou os conceitos de campo psicológico (indivíduo + ambiente) e campo social (grupo + ambiente). 4. Fatores-Chave na Análise de Grupos: · Natureza da tarefa. · Posição social dos participantes. · Personalidade dos integrantes. · Fonte de autoridade no grupo. · Relação do grupo com a sociedade. · Competência e nível de socialização dos membros. 5. Pesquisa-Ação: · Lewin criou a pesquisa-ação, um método que envolve ciclos de planejamento, açãoe avaliação para resolver problemas sociais e organizacionais. 6. Grupos Minoritários: · Estudou grupos minoritários, dividindo-os em: · Minoria discriminada: Isolada pela rejeição da maioria. · Minoria privilegiada: Detentora de privilégios. Os Elementos do Comportamento de George Homans 1. Elementos-Chave do Comportamento Grupal: · George Homans identificou os seguintes elementos como fundamentais para a formação e desempenho de um grupo: · Comportamento dos membros. · Sistemas interno e externo do grupo. · Posição do líder. · Relações interpessoais. · Controle social. · Relações do indivíduo com o grupo. · Conflito social. 2. Tipologia de Análise de Grupo: · Homans baseou sua análise em três elementos do comportamento: · Ações: O que os membros do grupo fazem. · Interações: Como os membros se relacionam entre si. · Sentimentos: As emoções e atitudes dos membros em relação ao grupo e às atividades. 3. Conclusões sobre Grupos: · Grupos não são passivos: Eles reagem ao ambiente e o moldam de acordo com suas necessidades. · Interdependência entre atividades e sentimentos: As atividades realizadas e os sentimentos dos membros estão interligados e definem a cultura grupal. · Cultura grupal: É a cultura do grupo que estabelece as normas a serem seguidas por todos os membros. Características da Teoria Comportamental (Behaviorista) A Teoria Comportamental (ou Behaviorista) trouxe uma nova perspectiva para a administração, focando no comportamento humano dentro das organizações. Abaixo estão suas principais características: 1. Ênfase nas Ciências do Comportamento: · Integra conhecimentos da Psicologia Organizacional, Sociologia e Antropologia para entender o comportamento humano. 2. Foco no Comportamento Individual e Organizacional: · Estuda o comportamento das pessoas dentro do contexto organizacional, considerando fatores individuais e grupais. 3. Valorização do Trabalhador: · Defende a importância da cooperação e da valorização do trabalhador como parte essencial do sucesso organizacional. 4. Variedade de Estilos de Administração: · Reconhece a existência de diferentes estilos de liderança e motivação, adaptáveis às necessidades da organização e dos indivíduos. 5. Organização como Sistema de Decisões: · Vê a organização como um sistema complexo de decisões, onde os indivíduos tomam decisões baseadas na avaliação de alternativas. 6. Organização como Sistema Cooperativo Racional: · Define a organização como um sistema cooperativo, onde todos colaboram para alcançar objetivos comuns. 7. Relações Indivíduo-Organização: · Foca nas relações de intercâmbio entre indivíduos e organização, incluindo a administração de conflitos e formas de interação. 8. Desempenho dos Grupos: · Dá grande importância ao estudo do desempenho dos grupos e à dinâmica das relações dentro deles. 9. Conflito como Fenômeno Natural: · Considera o conflito como algo natural e até recomendável no ambiente organizacional, desde que bem administrado. 10. Visão do Homem como Ser Complexo: · Enxerga o ser humano como um indivíduo complexo, com necessidades diferenciadas e múltiplas motivações. 11. Ênfase na Motivação Humana: · Dá grande importância ao estudo da motivação humana, entendendo-a como fator crucial para o desempenho e satisfação no trabalho. A Hierarquia das Necessidades Humanas de Maslow Abraham Maslow (1908-1970) propôs a Teoria da Hierarquia das Necessidades, que organiza as necessidades humanas em uma pirâmide com cinco níveis, em ordem de prioridade. A motivação humana é impulsionada pela busca da satisfação dessas necessidades. Pirâmide de Maslow: 1. Necessidades Fisiológicas (base da pirâmide): · São as necessidades básicas para a sobrevivência, como alimentação, abrigo, sono e reprodução. · Exemplo: Um trabalhador que recebe um salário mínimo busca primeiro satisfazer essas necessidades. 2. Necessidades de Segurança: · Envolvem a busca por proteção, estabilidade e segurança física e emocional. · Exemplo: Ter um emprego estável ou um ambiente de trabalho seguro. 3. Necessidades Sociais: · Relacionam-se ao pertencimento e à interação social, como amizades, relacionamentos e participação em grupos. · Exemplo: Sentir-se parte de uma equipe no trabalho. 4. Necessidades de Estima: · Envolvem o reconhecimento, a autoestima e o respeito dos outros. · Exemplo: Ser valorizado pelo bom desempenho no trabalho. 5. Necessidades de Auto-realização (topo da pirâmide): · São as necessidades mais elevadas, relacionadas ao crescimento pessoal, realização de potencial e desenvolvimento profissional. · Exemplo: Buscar desafios que permitam desenvolver habilidades e alcançar objetivos pessoais. Princípios da Teoria: · Hierarquia: As necessidades são satisfeitas em ordem, começando pelas primárias (fisiológicas e de segurança) e avançando para as secundárias (sociais, estima e auto-realização). · Progressão: Só se busca satisfazer uma necessidade de nível superior após as necessidades do nível inferior estarem atendidas. · Críticas: Alguns estudiosos questionam a rigidez da hierarquia, argumentando que as necessidades variam entre indivíduos e contextos. Aplicação na Motivação no Trabalho: · Trabalhadores com necessidades básicas não atendidas (ex.: salário mínimo) são motivados principalmente por estímulos econômico-financeiros (salário, benefícios). · Profissionais com necessidades básicas satisfeitas buscam reconhecimento, desenvolvimento e auto-realização (ex.: desafios, oportunidades de crescimento). As Três Bases Motivacionais de McClelland David McClelland (1917-1998), professor da Universidade de Harvard, identificou três necessidades secundárias adquiridas socialmente que motivam o comportamento humano: realização, afiliação e poder. Essas necessidades são aprendidas ao longo da vida e influenciam a forma como as pessoas agem no trabalho e em outras áreas. As Três Necessidades Motivacionais: 1. Necessidade de Realização: · Características: Pessoas com alta necessidade de realização buscam vencer desafios, cumprir metas e alcançar objetivos. Elas são focadas em excelência e desempenho. · Motivação: Para motivá-las, é preciso oferecer novos desafios, oportunidades de crescimento profissional e feedback constante sobre seu progresso. · Exemplo: Um funcionário que busca constantemente superar suas metas de vendas. 2. Necessidade de Afiliação: · Características: Pessoas com alta necessidade de afiliação valorizam relacionamentos, trabalho em equipe e harmonia no ambiente de trabalho. Elas buscam aceitação e conexão com os outros. · Motivação: São motivadas ao serem incluídas em grupos colaborativos e ao receberem reconhecimento por suas contribuições sociais. · Exemplo: Um colaborador que se destaca por sua capacidade de unir a equipe e resolver conflitos. 3. Necessidade de Poder: · Características: Pessoas com alta necessidade de poder buscam influência, controle e prestígio. Elas são competitivas, ambiciosas e gostam de liderar e tomar decisões. · Motivação: São motivadas ao receberem oportunidades de liderança, cargos de chefia e desenvolvimento de habilidades gerenciais. · Exemplo: Um gerente que busca constantemente subir na hierarquia da empresa e exercer autoridade. OS GRUPOS PRINCIPAIS DE NECESSIDADES: A TEORIA ERC Clayton Alderfer identificou três grupos de necessidades principais: E – existência (existence): são as necessidades fisiológicas e de segurança; R – relacionamento (relatedness): são as necessidades sociais e do ego (estima); C – crescimento (growth): são as necessidades de auto-realização. A pessoa pode ter várias necessidades ao mesmo tempo e a insatisfação de uma necessidade pode conduzir à busca da satisfação de outra necessidade A teoria da motivação-higiene: a Teoria dos Dois Fatores Herzberg criou a teoria dos dois fatores: • os fatores extrínsecos (higiênicos): criam o clima psicológico e material saudável e influenciam o nível de insatisfação no trabalho (insatisfação ou ausência de insatisfação) ou o grau de satisfação com as condições dentro das quais o trabalho é realizado. • os fatores intrínsecos(motivadores): referentes ao trabalho em si e seu conteúdo Enriquecimento e Alargamento do Trabalho (Herzberg) Frederick Herzberg propôs duas estratégias para motivar os funcionários, focando no conteúdo do trabalho: enriquecimento do trabalho (job enrichment) e alargamento do trabalho (job enlargement). 1. Enriquecimento do Trabalho (Job Enrichment): · Consiste em adicionar tarefas mais desafiadoras, novas responsabilidades e oportunidades de desenvolvimento ao cargo do funcionário. · Objetivo: Aumentar os fatores motivadores intrínsecos, como realização, reconhecimento e crescimento profissional. · Exemplo: Um funcionário do setor de compras, além de realizar compras, passa a avaliar fornecedores e decidir sobre especificações de materiais. 2. Alargamento do Trabalho (Job Enlargement): · Consiste em ampliar o número de tarefas realizadas pelo funcionário, sem necessariamente adicionar desafios ou responsabilidades. · Objetivo: Reduzir a monotonia ao diversificar as atividades, mas não aumenta a complexidade do trabalho. · Exemplo: Um funcionário da limpeza, que já limpava escritórios, passa a limpar também o estacionamento. · Limitações: · Pode ser visto como uma sobrecarga de tarefas sem aumento de salário ou reconhecimento. · Não motiva verdadeiramente, pois não envolve desafios ou crescimento. · Pode aumentar a insatisfação se o funcionário sentir que está fazendo mais trabalho sem benefícios correspondentes. A Teoria da Equidade A Teoria da Equidade, desenvolvida por J. Stacy Adams, baseia-se na ideia de que as pessoas buscam justiça e equilíbrio entre seus esforços (contribuições) e recompensas (benefícios recebidos). Quando percebem desigualdade, isso gera tensão e pode levar a mudanças de comportamento. Princípios da Teoria da Equidade: 1. Comparações: · As pessoas comparam seus esforços e recompensas com os de outras pessoas, tanto dentro quanto fora da organização. · A equidade é percebida quando a relação entre esforço e recompensa é proporcional e justa em comparação com os outros. 2. Tipos de Referentes (objetos de comparação): · Igual-interno: Comparação com alguém de posição similar dentro da mesma organização. · Igual-externo: Comparação com alguém de posição similar em outra organização. · Outro-interno: Comparação com grupos ou indivíduos dentro da mesma organização. · Outro-externo: Comparação com grupos ou indivíduos em outras organizações. Reações à Falta de Equidade: Quando uma pessoa percebe injustiça (falta de equidade), ela pode reagir de várias formas: 1. Alterar suas contribuições: · Reduzir o esforço no trabalho (ex.: trabalhar menos). 2. Alterar seus resultados: · Diminuir a qualidade do trabalho ou priorizar quantidade em detrimento da qualidade. 3. Distorcer as percepções de si: · Questionar sua própria competência (ex.: “Será que sou mesmo bom?”). 4. Distorcer as percepções sobre os outros: · Justificar a desigualdade (ex.: “O trabalho dele é mais difícil que o meu”). 5. Escolher um novo referente: · Mudar o objeto de comparação para alguém que considere mais justo. 6. Abandonar o emprego: · Decidir sair da organização por sentir-se injustiçado. A Teoria da Expectativa A Teoria da Expectativa, desenvolvida por Victor Vroom, explica que a motivação no trabalho depende da expectativa de que o esforço levará a um bom desempenho, que, por sua vez, resultará em uma recompensa desejada. A motivação é, portanto, baseada em três relações interligadas: As Três Relações da Teoria da Expectativa: 1. Relação Esforço-Desempenho: · Refere-se à crença do indivíduo de que seu esforço levará a um bom desempenho. · Exemplo: Um funcionário acredita que, ao estudar e desenvolver novas habilidades, conseguirá melhorar seu desempenho no trabalho. 2. Relação Desempenho-Recompensa: · Refere-se à expectativa de que um bom desempenho será recompensado. · Exemplo: O funcionário acredita que, ao melhorar seu desempenho, será promovido a gerente. 3. Relação Recompensa-Metas Pessoais: · Refere-se ao valor que o indivíduo atribui à recompensa em relação às suas metas pessoais. · Exemplo: O funcionário avalia se a promoção a gerente é algo que realmente deseja e se alinha com seus objetivos pessoais e profissionais. Como Funciona a Motivação: · A motivação é alta quando o funcionário acredita que: 1. Seu esforço levará a um bom desempenho. 2. O bom desempenho será recompensado. 3. A recompensa é valiosa e alinhada com suas metas pessoais. · Se qualquer uma dessas relações for fraca, a motivação diminui. O Efeito Pigmalião O Efeito Pigmalião, também conhecido como Profecia Auto-Realizadora, refere-se ao fenômeno em que as expectativas de uma pessoa (especialmente um líder ou chefe) influenciam o desempenho e o comportamento de outra. Quando um chefe tem expectativas negativas sobre um subordinado, isso pode levar a um círculo vicioso de baixo desempenho, enquanto expectativas positivas podem impulsionar o sucesso. Como Funciona o Efeito Pigmalião: · O chefe forma uma expectativa (positiva ou negativa) sobre o desempenho de um subordinado. · O chefe age de acordo com essa expectativa, muitas vezes de forma inconsciente. · Se a expectativa for negativa, o chefe pode: · Controlar excessivamente o subordinado. · Microgerenciar suas tarefas. · Duvidar de sua competência e sufocar sua autonomia. · O subordinado, ao perceber a desconfiança do chefe, perde autoconfiança e motivação. · Ele começa a corresponder às expectativas negativas, apresentando um desempenho abaixo do esperado. · Se a expectativa for positiva, o chefe pode: · Oferecer mais autonomia, apoio e oportunidades. · Isso aumenta a confiança e o desempenho do subordinado. 2. Círculo Vicioso: · O baixo desempenho do subordinado confirma as expectativas negativas do chefe, reforçando o ciclo. · Isso é chamado de síndrome do fracasso programado. Estudo da Personalidade no Ambiente de Trabalho (Chris Argyris) Chris Argyris (1923) criticou o estilo tradicional de administração, que é centralizador, autoritário e focado em tarefas, argumentando que ele cria uma incongruência entre as necessidades de uma personalidade madura e as exigências da organização formal. Segundo ele, as estruturas organizacionais rígidas e hierárquicas promovem comportamentos infantis, passivos e dependentes, prejudicando o desenvolvimento e a motivação dos funcionários. Principais Ideias de Argyris: 1. Incongruência entre Personalidade Madura e Organização Formal: · As organizações formais, com suas normas rígidas, hierarquias e controle excessivo, exigem que os funcionários sejam passivos, dependentes e submissos. · Isso entra em conflito com as características de uma personalidade madura, que busca autonomia, responsabilidade e desenvolvimento. 2. Efeitos da Organização Formal sobre os Funcionários: · Os funcionários, ao se submeterem a estruturas organizacionais rígidas, tendem a: · Perder o controle sobre seu trabalho. · Tornar-se passivos e dependentes. · Desenvolver uma perspectiva temporal limitada (foco no curto prazo). · Ter poucas habilidades desenvolvidas. · Essas características são típicas de uma personalidade imatura. 3. Consequências para os Funcionários: · Funcionários maduros e saudáveis, ao enfrentarem essas restrições, podem experimentar: · Frustração e sentimentos de fracasso. · Conflitos internos e ansiedade. · Mecanismos de defesa, como apatia, desinteresse ou foco excessivo em recompensas materiais. 4. Opções dos Funcionários: · Diante dessa situação, os funcionários podem: · Abandonar a organização (rotatividade). · Buscar promoções para escapar das restrições dos níveis hierárquicos mais baixos. · Adaptar-se reduzindo seus padrões de trabalho e tornando-se apáticos. · Focar em recompensas materiais (salários) em vez de satisfação no trabalho. · Desacreditar do valor do trabalho, vendo-o apenas como um meio de subsistência. Mecanismos de Defesa: · Surgem quando os funcionários enfrentam: · Ansiedade: Medo de não atender às expectativas. · Conflito: Dificuldade de agir em situações contraditórias. · Frustração: Incapacidade de superarobstáculos. · Malogro: Falha em alcançar objetivos pessoais ou profissionais. Contribuição de Argyris: · Argyris introduziu na administração a ideia de que as estruturas organizacionais e os estilos de gestão têm um impacto profundo na personalidade e no comportamento dos funcionários. · Ele destacou a importância de criar ambientes de trabalho que promovam a maturidade, a autonomia e o desenvolvimento pessoal, em vez de reforçar comportamentos infantis e dependentes. As Teorias X e Y de McGregor Douglas McGregor propôs as Teorias X e Y para descrever dois estilos contrastantes de administração, baseados nas crenças e atitudes dos gerentes em relação aos seus subordinados. Essas teorias destacam como as convicções dos líderes influenciam seu estilo de gestão e, consequentemente, o comportamento e o desempenho dos funcionários. Teoria X: 1. Premissas: · Os gerentes acreditam que os funcionários são preguiçosos, indolentes, irresponsáveis e dependentes. · Acham que os funcionários não gostam de trabalhar e precisam ser controlados, fiscalizados e pressionados para produzir. · Acreditam que as pessoas evitam responsabilidades e preferem ser dirigidas. 2. Estilo de Gestão: · Autoritário, centralizador e controlador. · Foco em normas rígidas, supervisão constante e métodos punitivos. · Exemplo: Um chefe que microgerencia e ameaça os funcionários com punições para garantir produtividade. 3. Impacto nos Funcionários: · Promove um ambiente de trabalho rígido e desmotivador. · Os funcionários podem se tornar apáticos, desinteressados e pouco produtivos. Teoria Y: 1. Premissas: · Os gerentes acreditam que os funcionários são motivados, responsáveis e capazes de se autodirigir. · Acham que as pessoas gostam de trabalhar, buscam desafios e querem se desenvolver. · Acreditam que os funcionários são criativos, colaborativos e comprometidos com os objetivos da organização. 2. Estilo de Gestão: · Democrático, participativo e flexível. · Foco em autonomia, confiança e desenvolvimento dos funcionários. · Exemplo: Um líder que incentiva a participação, oferece feedback construtivo e cria oportunidades de crescimento. 3. Impacto nos Funcionários: · Promove um ambiente de trabalho motivador e engajador. · Os funcionários tendem a ser proativos, criativos e comprometidos. A Teoria dos Elos de Ligação de Rensis Likert Rensis Likert propôs a Teoria dos Elos de Ligação (Linking Pins), que descreve como os gerentes atuam como conectores entre diferentes níveis hierárquicos dentro de uma organização. Essa teoria destaca a importância dos gerentes como mediadores e facilitadores da comunicação e da coordenação entre grupos. Conceito de Elos de Ligação: 1. Papel Duplo dos Gerentes: · Os gerentes participam de dois grupos: · Como líderes: No grupo que eles chefiam (ex.: um diretor que lidera uma equipe de gerentes). · Como subordinados: No grupo de nível hierárquico superior (ex.: o mesmo diretor que responde ao presidente da empresa). 2. Função de Conexão: · Os gerentes atuam como elos de ligação (linking pins) entre os níveis hierárquicos. · Eles filtram e traduzem as informações que fluem de cima para baixo (da alta direção para os subordinados) e de baixo para cima (dos subordinados para a alta direção). Importância dos Elos de Ligação: 1. Coordenação e Alinhamento: · Os elos de ligação garantem que as decisões da alta direção sejam comunicadas e implementadas de forma eficaz nos níveis inferiores. · Também permitem que as preocupações e sugestões dos subordinados cheguem à alta direção. 2. Influência e Negociação: · Para ser eficaz, o gerente precisa influenciar tanto seus subordinados quanto seus superiores. · Exemplo: Um diretor deve convencer o presidente a atender às necessidades de sua equipe e, ao mesmo tempo, motivar sua equipe a adotar as diretrizes da alta direção. 3. Facilitação da Comunicação: · Os elos de ligação ajudam a simplificar e clarificar as mensagens, evitando mal-entendidos e garantindo que todos estejam alinhados com os objetivos organizacionais. image1.png image2.png