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Conteudista Prof.ª Me. Viviane Spadaro Di Gesú Revisão Textual Aline de Fátima Camargo da Silva Recrutando e Selecionando Pessoas 2 Objetivos da Unidade .............................................................................................................................3 Subsistemas de Recursos Humanos..................................................................................................4 O Processo de Recrutar e Selecionar ................................................................................................9 Você Sabe o que São Hard Skills e Soft Skills? ............................................................................10 Recrutamento ..........................................................................................................................................11 Como recrutar as pessoas certas? ...............................................................................................................13 Vantagens x Desvantagens ..............................................................................................................................15 Fontes de Recrutamento ...................................................................................................................................16 Como Selecionar as Pessoas Certas? ....................................................................................................... 18 Entrevista e Seleção .............................................................................................................................................19 Finalmente a Conclusão do Trabalho – Contratar ou Não Contratar, eis a Questão......26 A integração .............................................................................................................................................................27 Avaliação dos Resultados do Processo de Recrutamento e Seleção .....................................27 Em Síntese ...............................................................................................................................................30 Atividades de Fixação ..........................................................................................................................31 Material Complementar ..................................................................................................................... 32 Referências ............................................................................................................................................. 33 Gabarito ...................................................................................................................................................34 Sumário 3 Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Conhecer os principais processos que envolvem a área de Administração de Recursos Humanos; • Compreender os processos que são determinantes para a provisão e, portan- to, captação e seleção de pessoas; • Entender a contribuição desses processos para formar não apenas as Equipes de Trabalho da Organização, mas, principalmente, o Banco de Talentos que produzirá os melhores resultados. Objetivos da Unidade 4 VOCÊ SABE RESPONDER? Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, como as organizações po- dem realizar a busca por candidatos altamente diversificados em seus processos de recrutamento e seleção? Subsistemas de Recursos Humanos Antes de tratarmos acerca da temática principal de nossa Unidade, é primordial conhecer quais são os processos principais que formam o coração da Área de Administração de Recursos Humanos (ARH). Eles reúnem cinco subsistemas. Observe: Subsistema de monitoração de Recursos Humanos: “como saber o que são e o que fazem as pessoas na Organização” — Inclui Banco de Dados, Sistema de Informações de Recursos Humanos (coleta e tratamento de dados, registros e rela- tórios) e Auditoria de Recursos Humanos (Chiavenato, 2011). “Quem irá trabalhar na Organização” — Inclui planejamento de Recursos Humanos, Pesquisa de Mercado, Recrutamento e Seleção; Subsistema de provisão de Recursos Humanos “O que as pessoas farão na organização”, inclui integração de pessoas, desenho de cargos, análise e descrição de cargos, integração, avaliação de desempenho; Subsistema de aplicação de Recursos Humanos “Como manter as pessoas trabalhando na Organização” — Inclui remuneração (administração de salários), planos de benefícios sociais, higiene e segurança do trabalho, registros e relações sindicais; Subsistema de manutenção de Recursos Humanos 5 “Como preparar e desenvolver as pessoas na Organização” — Inclui treinamen- to e desenvolvimento de pessoal; Subsistema de desenvolvimento de Recursos Humanos “Como saber o que são e o que fazem as pessoas na Organização” — Inclui Banco de Dados, Sistema de Informações de Recursos Humanos (coleta e tra- tamento de dados, registros e relatórios) e Auditoria de Recursos Humanos (Chiavenato, 2011). Subsistema de monitoração de Recursos Humanos Figura 1 – Seleção Fonte: Getty Images A Empresa que tem boa gestão de pessoas deve elaborar políticas para cada pro- cesso anteriormente descrito, e elas deverão estar alinhadas à missão, à visão e aos valores base da Organização como um todo, a fim de que a ARH trabalhe em si- nergia, criando, mantendo e desenvolvendo um contingente de Recursos Humanos com habilidade e motivação para realizar os objetivos da Empresa. 6 Dessa forma, a ARH irá contribuir para o alcance do sucesso empresarial. Quando temos o oposto acontecendo, ou seja, quando a ARH trabalha para si mesmo, com foco apenas nos seus processos internos, sem o olhar sistêmico da Empresa, temos uma gestão de pessoas prejudicada, burocratizada e conservadora. Saiba Mais Segundo o criador da Teoria Geral dos Sistemas, o biólogo Bertalanffy, “Um sistema é uma entidade cuja existência se deve às mútuas interações en- tre seus componentes”. Já temos aqui uma pista de que um sistema é formado por componentes e que a interação entre eles é algo extremamente im- portante. Saiba mais acessando o QR Code ao lado. Dessa forma, ter visão sistêmica em uma Organização significa considerar e atuar na direção de seu todo, tendo compromisso em atender todas as Áreas. É perceber que o sucesso vem do trabalho e ocorre quando todos estão alinhados e colaboram entre si. Conhecido isso, agora vamos aprender sobre os seguintes conceitos: Missão Apresenta o propósito da Organização, mostrando o porquê e para que ela existe. A definição mais simples é: “Missão é a razão de ser da Organização”. Sem essa definição, não será possível traçar estratégias; Visão Deve refletir o futuro almejado pela Empresa, ou seja, aonde ela deseja chegar com o seu negócio. A partir dessa definição, será possível traçar adequadamente as estratégias que guiarão a Organização até os resultados esperados; Valores São os princípios ou as crenças que conduzem o comportamento esperado para o cumprimento da missão e da visão organizacional. Eles funcionam como indicadores de conduta nas relações estabelecidas entre o ambiente interno e o externo da Organização. https://bit.ly/31ezfxR 7 Leitura Acesse o QR Code ao lado para saber mais sobre missão, visão e valores organizacionais. Figura 2 – Missão, visão e valores Fonte: Adaptado de Getty Images Você sabia que podemos também criar nossa própria missão, visão e valores associados à nossa carreira? Aliás, isso é fundamental para todo profissional. Saber o que é, em qual lugar se quer chegar e o que é importante para ele! Quer saber como? Vamos lá! O primeiro passo é listar seus valores e, em seguida,escrever de forma clara e ob- jetiva o seu propósito na profissão escolhida, em que lugar se deseja chegar e quais serão os valores que conduzirão à sua caminhada. Aproveite esse novo aprendizado para dar início ao seu planejamento de carreira! Essa prática vai dar a você clareza de seu direcionamento profissional. É exatamente como a Empresa, pois, quando esta tem uma missão, visão e valores bem definidos, ela conhece bem a trajetória que deseja seguir. https://bit.ly/3twEj1Z 8 Figura 3 – Trajetória profissional Fonte: Getty Images Planejando os Recursos Humanos – O início do Recrutamento e Seleção de Pessoas Figura 4 – Recrutamento Fonte: Getty Images 9 Já compreendemos que a Administração de Recursos Humanos se direciona no sentido de alcançar os objetivos traçados pela Organização. Para isso, é necessário ter as pessoas certas nos lugares exatos e, ainda, no momento certo. O ponto de partida é planejar adequadamente sua mão de obra, observando continuamente as necessidades da Empresa, isto é, o que ela precisa de imediato e quais são seus pla- nos futuros de crescimento e desenvolvimento (Chiavenato, 2009). O Planejamento de Recursos Humanos envolve o processo de decisão a respeito dos Recursos Humanos necessários para atingir os objetivos organizacionais, em um determinado período de tempo, ou seja, abarca a provisão de pessoas. Em ou- tras palavras, planejar Recursos Humanos é também antecipar a quantidade e a qua- lidade dos Recursos Humanos. Reflita Mas, cabe aqui uma pergunta: como saber o momento de con- tratar pessoas para a Empresa? Existem algumas maneiras de prever as necessidades de pessoal, conforme vere- mos no tópico “Recrutamento”. Importante Lembre-se de que o Planejamento Estratégico da Organização será sempre determinante para a tomada de decisão quanto a quem, porque e quando contratar. O Processo de Recrutar e Selecionar Para alimentar o Banco de Talentos da Organização, fazemos uso das atividades de Recrutamento e Seleção de pessoas. Elas correspondem a duas fases de um mesmo Processo. • Recrutamento: atividade de divulgação, de chamada, portanto, positiva, convidativa; 10 • Seleção: atividade de escolha, opção e decisão, de filtragem da entrada, classi- ficação; portanto, restritiva. Figura 5 – Banco de talentos Fonte: Getty Images Portanto, temos aí, duas ações que se completam, porém que assumem funções diferentes. Uma aproxima, outra elimina. Esse fluxo ocorre para que o resultado seja a identificação da pessoa mais adequada ao cargo, isto é, que possua as competên- cias requeridas, sejam elas técnicas ou comportamentais. Você Sabe o que São Hard Skills e Soft Skills? As hard skills são as competências técnicas; as soft skills são as competências comportamentais, também conhecidas por transversais. As competências trans- versais são traços de personalidade, objetivos, preferências e motivos de ação (Heckman; Kautz, 2012). Maniscalco (2010, p. 58) escreve: “Frequentemente diz-se que as competências técnicas proporcionam o trabalho, mas depois são necessárias competências trans- versais para mantê-lo”. 11 Dessa forma, deve-se entender que para o profissional não basta apenas dominar a técnica de sua Área. Queremos dizer que a um contador, por exemplo, não somente é necessário o domínio das técnicas de contabilidade (hard skills), como também é preciso ter capacidade de comunicar, de diálogo, de resposta, de cooperação com os outros, de trabalho em equipe/grupo, de capacidade de resolver problemas/con- flitos, de motivar, de estimular, de incentivar, de facilitar, de apoiar, de saber adap- tar-se, de criatividade, de iniciativa, de saber se comportar, de etiqueta etc. Atualmente, os processos de contratação são baseados em competências. As trans- versais são as mais buscadas. Recrutamento O Recrutamento se refere ao processo de atrair candidatos para as vagas existentes. Para Chiavenato (2006), ele é um conjunto de técnicas e procedimentos que visa a atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da Organização. Como exemplo do ato de recrutar, temos a situação em que a Empresa possui uma vaga em aberto de Analista Contábil e, então, precisa encontrar profissionais com formação em Contabilidade para ocupar tal vaga. Figura 6 – Processo de recrutamento Fonte: Getty Images 12 O início do Processo de Recrutamento sempre ocorre a partir de uma necessidade interna da Organização, originada por acontecimentos como: • Rotatividade (turnover): entrada e saída de funcionários na Empresa; • Aumento de quadro planejado: criação de uma nova Área, aumento de produ- ção, abertura de novas filiais, lançamento de um novo produto, reestruturação administrativa, troca de maquinários, [...]; • Aumento de quadro circunstancial: motivos não planejados que devem ser atendidos de forma emergencial como mudanças repentinas de mercado e questões relacionadas à concorrência, entre outros (Marras, 2016, p. 45-8). Reflita Todas as vezes que alguém é demitido, a Empresa deve contratar um novo colaborador? A resposta é sim e não. Sim, caso ela necessite repor o profissio- nal, quando o mesmo é indispensável para o funcionamento da área. Não, caso a Organização suprima tal cargo por entender que devido às mudanças internas, aquela posição não faz mais sentido para ela. Figura 7 – Demissão Fonte: Getty Images 13 O conhecimento exato da demanda de um cargo é fundamental para o processo de re- crutamento. Isso porque são necessárias informações detalhadas do que se faz no cargo e quais são os requisitos pessoais que se devem possuir para o seu bom desempenho. Figura 8 – Requisição de Pessoal Fonte: Getty Images Para iniciar esse processo, certas Empresas utilizam a Requisição de Pessoal (RP), realizando o pedido de um novo funcionário, e nela registram os requisitos necessá- rios para o cargo. Já em outras Organizações, essas informações estão registradas em um instrumento chamado de Descrição de Cargo. O Órgão de Recrutamento, ao receber a RP, verifica se há em seus arquivos algum candidato adequado. Se não encontrar, deverá recrutar por meio das Fontes de Recrutamento mais indicadas para a situação. Como recrutar as pessoas certas? Será que quando divulgamos uma vaga de trabalho, estamos alcançando as pessoas que realmente desejamos? Resolve nosso problema atrair pessoas que não possuem o perfil e os requisitos necessários ao cargo? Para que não exista trabalho desnecessário na triagem de currículos, é importante estar atento aos meios de recrutamento para, então, dar início ao processo de forma assertiva. 14 São meios de Recrutamento possíveis os apresentados no Quadro 1, a seguir, Quadro 1 – Meios de recrutamento Recrutamento interno Busca por candidatos da própria Organização. Recrutamento externo Busca por candidatos fora da Organização (Mercado de Trabalho). Recrutamento misto Busca por candidatos dentro e fora da Organização. Fonte: Adaptado de Marras Os meios de Recrutamento Interno e Externo apresentam vantagens e desvan- tagens, isto é, reúnem aspectos favoráveis e desfavoráveis. Dessa forma, cabe à Empresa decidir qual deles considera mais vantajoso para sua estratégia de capta- ção de pessoas. Observe as vantagens e desvantagens no Quadro a seguir. Quadro 2 – Meios de recrutamento: vantagens e desvantagens Recrutamento interno Vantagens: • Mais rápido, pois já conhece o emprego escolhido; • Mais econômico; • Oferece oportunidade de crescimento para o “pessoal da casa”; • Maior motivação entre os funcionários. Desvantagens: • Pode gerar conflito de interesses entre os funcionários; • Pode gerar atitudes negativas dos funcionários não promovidos; • Não permite a renovação dos Recursos Humanos. 15 Fonte: Adaptado de Marras, 2011; Ribeiro, 2006 Vantagens x Desvantagens Conforme é possível observar no Quadro anterior, o recrutamento interno é mais breve, mas, por outro lado, não oxigena a Empresa, já que irá apenascausar um des- locamento de pessoas na Organização. Para trazer novas perspectivas para a Empresa por meio de pessoas novas, será preciso partir para o recrutamento externo. Esse, embora mais custoso, permite a inserção de profissionais com bagagem nova que, sem dúvidas, tem muito a agregar na Organização. Figura 9 – Recrutamento interno Fonte: Getty Images Recrutamento externo Vantagens: • Traz “sangue novo” para a Empresa; • Renova e enriquece o patrimônio humano da Empresa; • Promove criatividade e inovação, com ideias vindas de fora. Desvantagens: • Mais demorado; • Mais caro; • O conhecimento sobre o candidato é maior; • Pode desmotivar o candidato interno; • Pode afetar a Política Salarial da Empresa quando o novo funcionário é admitido com salário mais elevado. 16 Fontes de Recrutamento Após a definição dos Meios de Recrutamento, é o momento de escolher entre as Fontes de Recrutamento. O profissional de RH deverá avaliar a fonte mais adequada para o momento e as necessidades da Empresa, tendo como opções: • Funcionários da própria Empresa; • Banco de Dados interno; • Indicações; • Cartazes (internos e externos); • Entidades (Sindicatos, Associações etc.); • Escolas, Universidades, [...]; • Outras Empresas (fornecedores, clientes etc.); • Consultorias; • Agências de Emprego; • Mídia (anúncios em Jornais, Rádio, Televisão, sites etc.); • Consultorias de outplacement ou replacement; • Headhunters (Marras, 2016, p. 52). Observe as Fontes de Recrutamento no Quadro a seguir: Quadro 3 – Fontes de recrutamento Consultoria de outplacement A empresa contrata a consultoria de outplacement quando vai desligar um profissional e deseja ajudá-lo no processo de recolocação no mercado. Geralmente, só trabalham com pessoas jurídicas, isto é, têm como clientes as empresas. 17 Fonte: Adaptado de Marras Cada vez mais, as Empresas utilizam as Redes Sociais no Processo de Recrutamento e Seleção. Essa é uma excelente fonte de captação de candidatos e, igualmente, pode revelar informações importantes sobre o perfil do candidato. Pelos meios digitais, o recrutamento acontece, inicialmente, pela triagem de candi- datos. É possível, além de captar currículos via internet, ir além, iniciando a seleção. Hoje, aplicam-se testes on-line, encaminham-se entrevistas. Em tempos de pande- mia, em especial, como os vividos nos últimos tempos, todo o processo de recruta- mento e seleção tem ocorrido à distância. Importante O recrutador, profissional que trabalha no Recrutamento, rece- berá os currículos das fontes que escolheu e fará a Triagem, ou seja, identificará os candidatos mais adequados às característi- cas do cargo. Esse material será enviado para a próxima etapa do processo, a Seleção. Headhunter É o nome que se dá aos profissionais “caçadores de talentos”, que agem somente com cargos do topo da pirâmide organizacional (Presidentes, Vice-Presidente, Diretores) ou com profissionais extremamente difíceis de serem encontrados no mercado. Consultoria de replacement Atende especificamente pessoas físicas, ou seja, o próprio profissional a contrata. É contratada pelos profissionais para auxiliá-los a conseguir um novo emprego. 18 Como Selecionar as Pessoas Certas? A “arte” de uma boa contratação se concretiza com a seleção assertiva do profis- sional que assumirá as atribuições do cargo. Assim, a finalidade dessa etapa é dar continuidade ao processo de captação de pessoas. Após a triagem realizada na primeira etapa (Recrutamento), os candidatos são enca- minhados para realização de testes e entrevistas, os quais definirão os profissionais mais adequados para as vagas requisitadas. Figura 10 – Seleção de pessoas Fonte: Getty Images CARACTERÍSTICAS DA SELEÇÃO DE PESSOAS A seleção é um processo de análise, que compara duas variáveis: • Exigências do cargo – Características que o cargo exige do profis- sional (conhecimentos, habilidades e atitudes) para o bom desem- penho das funções; • Características dos candidatos – Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que cada candidato tem para desempenhar suas tarefas. 19 Trocando Ideias As pessoas usam os termos competências e habilidades como sinônimos. Mas existem diferenças entre seus conceitos. Para Roldão (2003), a competência emerge quando, perante uma situ- ação, o sujeito é capaz de mobilizar adequadamente diversos co- nhecimentos prévios, selecioná-los e integrá-los de forma ajusta- da à situação em questão. Cruz (2001) define competência como um conceito que acolhe saberes, atitudes e valores, abarcando o domínio do self (saber-ser), o domínio cognitivo (saber formaliza- do) e o domínio comportamental (saber-fazer) — a competência consolida-se numa ação ou no conjunto de ações organicamente articuladas. Dessa forma, é importante notar que a competência envolve a habilidade e também a atitude. Somente ter habilidade significa apenas o saber fazer. A competência, por sua vez, abar- ca o saber, o saber fazer e o saber ser. O profissional que desempenha a função de selecionador escolhe, entre os diversos instrumentos disponíveis, os mais apropriados para a definição do candidato ideal. Os principais instrumentos à disposição do selecionador são: • Entrevista de seleção; • Testes diversos de aferição. Entrevista e Seleção É seguro dizer que praticamente 100% das Empresas fazem uma entrevista no Processo Seletivo, junto aos candidatos. O mesmo não se pode dizer para dinâmicas e testes, por exemplo. É, desse modo, o instrumento mais utilizado, tanto por pe- quenas quanto por grandes Organizações. É fundamental notar que uma Entrevista de Seleção pode ser Estruturada ou não Estruturada. Observe as diferenças entre elas a partir do Quadro a seguir: Quadro 4 – Tipos de entrevista Entrevista estruturada Planeja previamente as questões que serão feitas ao candidato. Entrevista não estruturada Não planejada; registra fatos e informações ao longo da entrevista. Fonte: Adaptado de Marras 20 Fazer uma entrevista estruturada significa preparar antecipadamente as perguntas que serão feitas ao candidato. Ela, portanto, exige um trabalho prévio do seleciona- dor. As questões são dispostas segundo uma lógica de obtenção de informações úteis para a decisão acerca da contratação ou dispensa do profissional. O processo de Entrevista Estruturada é dividido em 5 fases, que ocorrem conforme a sequência a seguir: • Apresentação; • Preparo; • Coleta de dados; • Análise comportamental; • Concessão de informações. Figura 11 – Entrevista Fonte: Getty Images Apresentação Iniciando o processo seletivo, tem-se o primeiro contato entre a Empresa e o candidato. Nesse momento é que se tem a “primeira impressão” da Organização, ou seja, é quando começa a ser refletida a imagem da Empresa. Dessa maneira, é crucial que o selecionador seja educado e respeitoso no trato com o candidato. 21 Reflita Somente a Organização tem o direito de fazer perguntas ao can- didato? O profissional que se interessa por uma vaga pode ques- tionar sobre o salário, os benefícios a receber ou seria inconve- niente e até fatal fazer esse tipo de abordagem? A resposta é: ambos, Empresa e candidato tem o direito de fa- zer perguntas em meio a uma entrevista. O bom selecionador se antecipa e informa ao profissional quais são as condições de remuneração relativas à vaga de trabalho. Caso o candidato se antecipe e faça tais questionamentos, ele está exercendo o papel que lhe cabe. Pensando nisso, não tenha medo caso você participe de uma entrevista e tenha questões a fazer. E, ainda, quando estiver no papel de entrevistador, não deixe de cumprir sua tarefa deixando nítido todos os itens de recompen- sa oferecidos pela Empresa ao futuro ocupante do cargo. Preparo Trata-se de uma etapa extremamente delicada, pois a Entrevista dependerá do pre- paro do entrevistador para deixar o candidato mais tranquilo, mais à vontade, dimi- nuindo seus níveis de tensão e expectativae, consequentemente, aumentando a possibilidade de sucesso do selecionador em sua avaliação. Coleta de Dados Na coleta de dados, o selecionador procura obter o maior número possível de infor- mações necessárias para que possa realizar a comparação entre as características do candidato e os requisitos do cargo. Importante Como selecionador, você deverá deixar o candidato à vonta- de, criar um clima acolhedor e receptivo, oferecer café, água e retirar a tensão dizendo que a entrevista será um bate papo para o conhecimento natural de alguém que poderá compor a “família” da Empresa. 22 A atitude humanizada é essencial a fim de evitar que o candidato se sinta sob a ideia do vigiar e punir: qualquer erro seria a dispensa fria e direta do processo. A entrevista feita sob o clima de pressão limita sua eficácia. O candidato perde a desenvoltura e a espontaneidade. O medo domina seu estado emocional e o processo se dificulta para ambas as partes. Figura 12 – Entrevista e clima de pressão Fonte: Getty Images Análise comportamental A análise comportamental está presente em todos os momentos do Processo Seletivo. Ela faz uso da observação. A partir da apresentação, o entrevistador já deve estar sintonizado com todo e qualquer sinal que parta do candidato, interpretando as ações ou reações vindas dele (verbais e não verbais). Nesse momento, o entrevistador dedica-se a checar ou testar certas características que tenha percebido no decorrer da Entrevista e as quais necessitam de avaliação mais detalhada, comparando-as às exigências do cargo. Trata-se de uma espécie de checklist que se faz para considerar se o futuro contra- tado terá ou não bom desempenho no cargo. Isso se nota a partir do perfil do profis- sional. Elementos como postura e habilidade comunicacional podem ser decisivos para a escolha. 23 Concessão de informações Nessa fase, o entrevistador cumpre uma das atribuições que mencionamos. Ele deve passar todas as informações referentes à Empresa e ao cargo a ser preenchido para o candidato. É primordial mencionar questões relacionadas a: • salário; • benefícios; • equipe de trabalho; • ressaltar os pontos fortes da Organização; • apontar eventuais dificuldades a serem superadas. Observe que fazer uma boa entrevista dá trabalho! E deve dar mesmo! Afinal, seu resultado é valioso. Estamos compondo a Empresa em si — importa lembrar que quem faz a Organização são os seus membros. Assim, a preparação de uma Entrevista requer alguns cuidados, como a escolha do local, a leitura prévia do currículo do candidato e a formulação adequada das ques- tões, entre outros fatores. Site Para entender melhor esse processo de en- trevista, sugerimos que acesse o site disponí- vel no QR Code ao lado. Testes de Aferição Por vezes, apenas com a Entrevista não é possível visualizar certos conheci- mentos, habilidades ou atitudes. Caberá ao selecionador a decisão de realizar algum tipo de teste no candidato. E há uma grande variedade de Testes de Seleção, como: https://bit.ly/2PmVuyX 24 Utilizado para avaliar um determinado conhecimento ou prática de trabalho. Por exemplo: elaboração de Planilhas em Excel, registros contábeis, apresenta- ções para palestras, entre outros; Teste prático Usado para avaliar candidatos em determinadas situações práticas do dia a dia de trabalho. Coloca-se o candidato diante de situações problemas para avaliar sua reação. Podem ser observadas questões relacionadas à tomada de decisão, à rapidez e à flexibilidade, entre outras; Teste situacional Instrumento que deve ser utilizado por um psicólogo e que permite conhecer melhor as características específicas do indivíduo, observando suas aptidões, entre outros aspectos; Teste psicológico Análise da escrita individual, na qual podem ser verificados dezenas de traços da personalidade. Só podem ser realizados pelos grafólogos, profissionais es- pecializados nessas análises. Teste grafológico 25 Figura 13 – Teste grafológico Fonte: Getty Images Figura 14 – Teste prático Fonte: Getty Images 26 Técnicas de simulação Trata-se de um importante instrumento que complementa o Processo de Seleção, permitindo visualizar como o candidato se comportaria em uma situação simulada relacionada ao futuro papel que desempenhará na Empresa. A técnica de simulação é muito utilizada para cargos de Direção, Gerência e Supervisão, os quais exigem alto grau de relacionamento interpessoal. Análise do percurso passado do candidato – Checando históricos Após a Entrevista e a aplicação de Teste ou Simulação, é feita uma pesquisa de in- formações históricas do candidato, com o objetivo de confirmar e esclarecer dados recebidos durante a entrevista. Algumas Organizações contratam escritórios especializados para realizar o levan- tamento de informações cadastrais do candidato como, por exemplo, Empresas anteriores nas quais ele já trabalhou, referências pessoais etc. De posse de todas as informações necessárias, o entrevistador poderá fazer a análi- se global do perfil dos candidatos. Finalmente a Conclusão do Trabalho – Contratar ou Não Contratar, eis a Questão Saiba Mais Você sabia que, embora seja o recrutador e o selecionador que mais conhecem o candidato por terem mantido contato com ele e com suas informações, não são esses os profissionais que decidem quem preencherá a vaga? Sim, é isso mesmo. Quem decide é o futuro gestor do profissional. O trabalho do selecionador finda com a recomendação de pessoas aptas ao desempenho da função. 27 Desse modo, apesar de o Órgão de Seleção prestar serviço especializado, aplicando Técnicas de Seleção e recomendando candidatos que julgam ser os mais adequados ao cargo, a decisão final de contratar ou rejeitá-los é sempre do Setor requisitante, isto é, do Setor que solicitou o profissional. O Órgão de Seleção elabora um parecer final sobre o perfil de cada candidato fina- lista, para a área requisitante. O gestor do Setor requisitante realiza a entrevista final (se assim o desejar) e decide quem será contratado. É importante lembrar que, a fim de se fechar o processo, o candidato deverá passar por uma avaliação médica para, só depois, ser encaminhado para o Departamento Pessoal com toda a sua documentação, a fim de efetuar os registros legais. A integração Para receber o novo funcionário, a Empresa deverá encaminhar o Processo de Integração. Essa é, portanto, outra atribuição de responsabilidade da ARH. Nesse momento, ao novo membro da Equipe serão apresentadas as informações sobre o seu trabalho e as normas que regem a Organização (missão, visão e valores), entre outras que a Empresa considere essenciais para a relação trabalhista. Cabe dizer que cada Empresa encaminha seu Processo de Integração conforme en tende ser mais adequado. Não há um Manual único a seguir, mas é fundamental proceder um trabalho atento de recepção do novo colaborador, já que essa será sua primeira experiência no novo emprego. A apresentação dos setores da Organização, bem como dos grupos de trabalho e os trâmites adotados permitem ao profissional uma segurança acerca do espaço em que passará a atuar. Sua percepção será a de, a partir de então, ser mais um parceiro que buscará os objetivos e os resultados os quais possibilitem o sucesso da Empresa. Avaliação dos Resultados do Processo de Recrutamento e Seleção Todo trabalho efetuado por uma Empresa tem seu custo, o qual preferimos conside- rar como investimento financeiro e temporal. Investimento exatamente, porque ele sempre traz um ganho para a Organização. 28 Assim sendo, apesar do investimento despendido para a operacionalização do Processo de Recrutamento e Seleção, é preciso alongar um pouco mais esse traba- lho, compondo-o da avaliação dos resultados da sua execução. Segundo Chiavenato (2009), são resultados do processo de Recrutamento e Seleção, para a Organização: • Adequação das pessoas ao cargo e consequente satisfação do pessoal com o emprego; • Rapidez no ajustamento ena integração do novo empregado às novas funções; • Melhoria gradativa do potencial humano mediante escolha sistemática dos melhores talentos; • Maior estabilidade e permanência das pessoas e decorrente redução da rotatividade; • Maior rendimento e maior produtividade pelo aumento da capacidade do pessoal; • Melhoria do nível das relações humanas pela elevação do moral; • Menores investimentos e esforços em treinamento, pela maior facilidade de aprender as tarefas do cargo e as novas atividades trazidas pela inovação. Figura 15 – Avaliação de resultados Fonte: Getty Images 29 Esses elementos, quando presentes, demonstram que o trabalho do recrutador e do selecionador foi eficaz. O ganho de um processo seletivo se faz quando todos se sentem satisfeitos: • O recrutador, por ter atraído bons candidatos; • O selecionador, por ter recomendado um profissional competente para o cargo; • O gestor, que passa a contar com um novo parceiro; • A equipe, que teve seu time reforçado com um membro engajado; • O próprio profissional, que se sente feliz e comprometido com o trabalho; • O dono da Empresa, que lucra com a contribuição do desempenho desse profissional. Essa é a composição objetiva que demonstra o sucesso do processo de provisão de pessoas. 30 Em resumo, ao longo deste estudo, exploramos os principais processos que per- meiam a área de Administração de Recursos Humanos. Compreendemos a im- portância dos processos envolvidos na provisão de talentos, os quais abrangem a captação e seleção de pessoas. Além disso, ficou nítido como esses processos desempenham um papel fundamental não apenas na formação das equipes de tra- balho de uma organização, mas, sobretudo, na criação e manutenção de um Banco de Talentos robusto, capaz de impulsionar os melhores resultados e contribuir sig- nificativamente para o sucesso organizacional. O conhecimento adquirido aqui, ser- virá como base sólida para abordar desafios e oportunidades futuras na gestão de recursos humanos. Em Síntese 31 1 – Qual é o objetivo principal do processo de recrutamento e seleção de pessoas em uma organização? Assinale a alternativa correta. a. Identificar as competências e habilidades dos candidatos para fornecer treina- mento personalizado. b. Garantir que todos os candidatos sejam contratados imediatamente para preen- cher vagas em aberto. c. Avaliar os candidatos para determinar se eles atendem aos requisitos do cargo e à cultura da empresa. d. Excluir todos os candidatos que não têm experiência prévia na área. e. Estabelecer critérios estritos para eliminar a maioria dos candidatos e simplificar o processo de seleção. 2 – Qual é uma das características fundamentais da entrevista estruturada em um processo de seleção de pessoal? Assinale a alternativa correta. a. A entrevista é conduzida de forma informal e flexível, sem um roteiro predefinido. b. O entrevistador faz perguntas aleatórias aos candidatos para avaliar sua criatividade. c. A entrevista segue um roteiro padronizado com perguntas específicas e critérios de avaliação. d. Não há necessidade de preparação prévia para a entrevista, pois é espontânea. e. O entrevistador tem total liberdade para decidir as perguntas a serem feitas durante a entrevista. Atividades de Fixação Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 32 A Importância do Processo de Recrutamento e Seleção de Pessoal na Organização Empresarial Com um planejamento organizado e objetivo, as empresas são capazes de re- crutar e selecionar melhor seus candidatos com potencial e perfil adequado para ocupar o cargo. https://bit.ly/48SkLW0 Avaliação Psicológica no Contexto de Recrutamento e Seleção Aprenda sobre a significância da avaliação psicológica no contexto de recru- tamento e seleção. https://bit.ly/3S0wCLS Recrutamento e seleção na prática Entenda como funciona a prática do recrutamento. https://bit.ly/3tLa16k Dimensões do uso de tecnologia e Inteligência Artificial (IA) em Recrutamento e Seleção (R&S): benefícios, tendências e resistências Como as dimensões do uso de dispositivos tecnológicos, entre eles, a Inteligên- cia Artificial (IA), podem influenciar os processos de Recrutamento e Seleção. https://bit.ly/3FAGK6F Leituras Material Complementar https://bit.ly/48SkLW0 https://bit.ly/3S0wCLS https://bit.ly/3tLa16k https://bit.ly/3FAGK6F 33 Referências CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: o capital humano das organizações. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. CHIAVENATO, I. Planejamento, Recrutamento e Seleção de Pessoal: como agregar talentos à Empresa. São Paulo: Atlas, 2006. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: o capital humano das organizações. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2011. CRUZ, C. Competências e habilidades: da proposta à prática. São Paulo: Loyola, 2001. HECKMAN, J. J.; KAUTZ, T. Hard evidence on soft skills, Labour Economics, Paphos, v. 19, p. 451-464, 2012. MANISCALCO, R. S. The impact of the European polices on the new skills for the new jobs. Review of European Studies, Finland, v. 2, n. 2, p. 54-66, 2010. MARRAS, J. P. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. MARRAS, J. P. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. OLIVEIRA, A. Manual de Descrição de Cargos e Salários. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013. RIBEIRO, A. de L. Gestão de Pessoas. São Paulo: Saraiva, 2006. ROLDÃO, M. Gestão do currículo e avaliação de competências – As questões dos professores. Lisboa: Presença, 2003. 34 Questão 1 c. Avaliar os candidatos para determinar se eles atendem aos requisitos do cargo e à cultura da empresa. Justificativa: O objetivo principal do processo de recrutamento e seleção de pesso- as é avaliar os candidatos para determinar se eles atendem aos requisitos do cargo e à cultura da empresa. O processo visa identificar os candidatos que melhor se encai- xam nas necessidades da organização e os quais têm as competências e habilidades necessárias para desempenhar com sucesso as funções do cargo. Questão 2 c. A entrevista segue um roteiro padronizado com perguntas específicas e crité- rios de avaliação. Justificativa: A característica fundamental da entrevista estruturada é que ela se- gue um roteiro padronizado com perguntas específicas e critérios de avaliação. Isso garante que todos os candidatos sejam avaliados de maneira consistente e objetiva, com base em critérios predefinidos para o cargo em questão. A entrevista estrutu- rada é uma abordagem mais sistemática e justa para a seleção de pessoal, uma vez que reduz o viés do entrevistador e ajuda a tomar decisões mais informadas com base em critérios consistentes. Gabarito