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Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Avaliação e interpretação laboratorial do: Sistema Urinario Pequena introdução: A insuficiência renal é uma das principais razões para avaliar o sistema urinário, mas as alterações laboratoriais só aparecem quando muitos néfrons estão danificados e os remanescentes não conseguem mais compensar. Quando a insuficiência renal é identificada, ela é classificada como aguda ou crônica, ajudando a diagnosticar doenças específicas ou a reconhecer qual parte dos rins está afetada, como glomérulos, túbulos, interstício, pelve renal ou sistema excretor. Cães e gatos têm diferenças na composição da urina, como o pH. A urina dos gatos tende a ser mais ácida, enquanto a dos cães pode variar mais amplamente. Essas diferenças são cruciais ao interpretar os resultados, pois podem indicar condições específicas, como a predisposição de gatos a formar cristais urinários em ambientes mais ácidos. Além disso, os gatos têm uma tendência maior para a concentração de urina, o que também é importante ao avaliar a função renal e a hidratação. Para avaliar a função renal, utilizamos análises do perfil bioquímico do sangue e a urinálise. O método mais preciso para detectar a insuficiência renal é a mensuração direta da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), mas isso raramente é feito na medicina veterinária. Em vez disso, métodos indiretos são utilizados para estimar a redução da TFG e identificar doenças renais. Existem várias formas de avaliar a insuficiência renal, levando em consideração o histórico do animal, o perfil bioquímico e a análise da urina. Entre esses, podemos incluir a identificação da: Anúria (ausência da urina), Poliúria (aumento anormal da urina), Azotemia (aumento de substâncias nitrogenadas), Uremia (acúmulo excessivo de ureia e outros resíduos nitrogenados), Anormalidades eletrolíticas (desequilíbrio nos níveis de eletrólitos), Hipoalbuminemia (níveis baixos de albumina na urina), Densidade urinária inadequada (hipostenúria hiperstenúria Isostenúria), Presença de cilindros (detecção de estruturas cilíndricas formadas dentro dos túbulos renais), Cistite (inflamação da bexiga urinária) Hematúria (presença de sangue na urina). Oque é Urina? A urina foi o primeiro fluido corporal a ser estudado (Hipócrates). É resultado da filtração glomerular e da reabsorção tubular. Ultrafiltrado do plasma: reabsorção de água, glicose, aminoácidos e outras substâncias. São excretados ureia, creatinina, ácido úrico, eletrólitos, hormônios, vitaminas e medicamentos. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves O que é a urinálise? É um grupo de análises físicas, químicas e microscópicas que detectam produtos anormais e normais do metabolismo da urina. Para que serve? Exame físico: Coloração, turbidez e odor da urina. Densidade Exame químico: semiquantitativa do pH, proteínas, sangue oculto, bilirrubina e glicose Avaliação microscópica: células, cristais e bactérias Quando solicitar? Acompanhamento de doenças infecciosas. Diagnóstico e acompanhamento de nefropatias Suspeita de poliúria/polidipsia Pré-operatórios Suspeita de shunt portassistêmico Tratamento com medicamentos nefrotóxicos Sinais clínicos de disúria/ polaciúria. Histórico compatível com de IRA e/ou DRC. Métodos de coleta de urina em animais domésticos. Cistocentese Amostra estéril ideal para urocultura, melhor tolerada, treino para coleta e volume ideal, guiada por ultrassom e as cegas, suspeita de ITU, eficácia do tratamento de ITU, quando há afecções genitais. Em algumas situações e espécies a cistocentese é impossível de ser realizada Cateterização da uretra Contenção e assistência durante a coleta Fácil realizar cães (machos e fêmeas). Higienização: clorexidina 2%, SH 0,9% Luvas estéreis. Micção espontânea Próprio tutor (bem orientado) Desprezar o primeiro jato (uretra) Jato médio “Primeira urina do dia” → concentrada . Aspecto: (se turvo ou límpido): Urina límpida a ligeiramente turva é normal. Maior turbidez geralmente está associada à presença de maior quantidade de sedimento (células, cristais, cilindros, microrganismos e muco). Ex.: De equinos e coelhos são mais turvas. Cor: varia de acordo com a densidade e com a presença de compostos ou substâncias. Incolor – Muito diluída Amarelo ou amarelo-claro – Normal Amarelo escuro – Muito concentrada, bilirrubinúria Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Vermelho a vermelho-amarronzada – hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria Marrom-avermelhada a marrom - mioglobinúria, hemoglobinúria, meta-hemoglobina Esverdeada - bilirubinúria Odor: classificado em: Suis generis - normal Inodoro - em urinas muito diluídas Amoniacal - por ação de bactérias urease positivas Cetônico - sugere cetose Fétido - pela decomposição proteica possivelmente pela presença bacteriana Densidade Resultado da concentração de solutos diluídos na urina A espécie felina concentra mais a urina em comparação aos cães A ingestão hídrica (MAIOR ingestão → MENOR densidade) As perdas de fluidos (vômitos, diarreias → MAIOR densidade) Tempo de retenção da urina na bexiga (MAIOR tempo → MAIOR densidade) Densidade elevada: desidratação, proteinúria, lipidúria, bilirrubinúria, aumento da quantidade de sedimento (células, cristais), glicosúria. Densidade urinária diminuída: doença renal crônica (DRC), distúrbios endócrinos (ex: hipotireodismo, hiperadrenocorticismo, diabetes insipidus e mellitus), fluidoterapia, polidipsia, hipercalcemia, doença hepática, piometra, uso de medicamentos (anticonvulsivantes, diuréticos, glicocorticoides, suplementação excessiva com tiroxina) Análise Química PH URINARIO Estado Acidobásico • Acidose Metabólica: Em animais, assim como em humanos, a acidose metabólica causa excreção aumentada de íons H⁺, resultando em urina mais ácida. • Alcalose Metabólica: Pode resultar em urina mais alcalina, pois há aumento na excreção de bicarbonato para compensar o excesso de base. Uso de Medicamentos Certos medicamentos veterinários influenciam o pH urinário: Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves o Diuréticos e corticosteróides: Podem causar um aumento no pH urinário em alguns animais. o Inibidores da anidrase carbônica (como acetazolamida): Utilizados para acidificar a urina, especialmente em casos de cálculos urinários. o Antibióticos específicos para ITUs: Podem liberar compostos que funcionam melhor em pH específico (ex.: metilamina requer pH ácido para ser eficaz em gatos e cães). Causas de Urina Ácida Acidúria a baixo de 5 • Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Base: Acidose metabólica e respiratória. • Desidratação: Reduz o volume da urina, deixando-a mais ácida. • Cetoacidose Diabética: Condição comum em diabetes, onde há acúmulo de ácidos graxos no sangue. • Diarreia: A perda de bicarbonato nas fezes acidifica a urina. • Aumento do Catabolismo de Proteínas: Situações como febre, inanição, convulsões (status epilético) e exercício intenso aumentam a quebra de proteínas, acidificando a urina. • Dietas Ricas em Proteínas: Carnes e rações com alto teor de proteína para animais carnívoros. • Medicamentos: Alguns, como vitamina C (ácido ascórbico), cloreto de sódio e citrato de potássio, acidificam a urina. Causas da Urina Alcalina Alcalúria a cima de 8 • Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Base: Alcalose metabólica e respiratória. • Dietas com Mais Carboidratos: Dietas com mais carboidratos e carboidratos carboidratos o pH urinário. • Após as Refeições (Período Pós-Prandial): O pH urinário pode subir temporariamente após as refeições. • Vômito e Lavagem Gástrica: A perda de ácido estomacal pode tornar a urina mais alcalina. • Tratamentoscom Bicarbonato: Medicamentos à base de bicarbonato aumentam o pH urinário. • Retenção Urinária: Uma urina armazenada por muito tempo pode se tornar alcalina. • Infecção Urinária por Bactérias Urease-Positivas: Certas bactérias, como Proteus spp. , produz urease, aumentando o pH da urina. Atenção: Uma urina muito alcalina pode causar a manipulação mais rápida de células e cilindros (estruturas importantes para a análise da urina), ou que pode dificultar o diagnóstico correto. Jejum Alimentar e Alcalose Pós-prandial • Após uma refeição, ocorre uma característica semelhante aos animais humanos, onde o corpo pode compensar o pH com alcalose pós-prandial, elevando temporariamente o pH urinário. • Carnívoros de jejum intermitente: Cães e gatos podem apresentar flutuações de pH urinário ao longo do dia, especialmente se o jejum de longo prazo seguido por uma refeição rica em proteínas. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Tipo de Dieta • Dietas Altas em Proteínas (rações ricas em carne): Têm efeito acidificante e são comuns para carnívoros, como cães e gatos, que naturalmente apresentam urina mais ácida. • Dietas Vegetarianas ou com Rações Alcalinizantes: Podem aumentar o pH urinário, sendo mais comum em animais herbívoros, como coelhos e alguns animais de fazenda, cuja urina é naturalmente mais alcalina. • Suplementos: Alguns suplementos minerais podem alterar o pH urinário, o que é relevante para rações formuladas para evitar a formação de cálculos urinários, especialmente em gatos. Presença de Infecção do Trato Urinário (ITU) • Algumas bactérias, como Proteus mirabilis e outras que produzem urease, causam alcalinização da urina em cães e gatos, aumentando o pH urinário. • Esse aumento no pH urinário pode predispor à formação de cálculos urinários, especialmente de estruvita, que é uma condição comum em gatos com UIT recorrentes. Animais carnívoros e onívoros: pH urinário entre 5,5 e 7,0 (fosfatos de sódio e cálcio) Animais herbívoros: pH urinário fisiológico entre 7,0 e 8,5 (bicarbonato de cálcio solúvel Causas de Urina Ácida (Acidúria) acidúria significa urina com pH mais baixo (mais ácido) • Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Base: Acidose metabólica e respiratória. • Desidratação: Reduz o volume da urina, deixando mais ácida. • Cetoacidose Diabética: Condição comum em diabetes, onde há acúmulo de ácidos graxos no sangue. • Diarreia: A perda de bicarbonato nas fezes acidifica a urina. • Aumento do Catabolismo de Proteínas: Situações como febre, inanição, convulsões (status epilético) e exercício intenso aumentam a quebra de proteínas, acidificando a urina. • Dietas Ricas em Proteínas: Carnes e rações com alto teor de proteína para animais carnívoros. • Medicamentos: Alguns, como vitamina C (ácido ascórbico), cloreto de sódio e citrato de potássio, acidificam a urina. Causas da Urina Alcalina alcalina refere-se a uma urina com pH mais alto (mais alcalino). • Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Base: Alcalose metabólica e respiratória. • Dietas com Mais Carboidratos: Dietas com mais carboidratos e carboidratos carboidratos o pH urinário. • Após as Refeições (Período Pós-Prandial): O pH urinário pode subir temporariamente após as refeições. • Vômito e Lavagem Gástrica: A perda de ácido estomacal pode tornar a urina mais alcalina. • Tratamentos com Bicarbonato: Medicamentos à base de bicarbonato aumentam o pH urinário. • Retenção Urinária: Uma urina armazenada por muito tempo pode se tornar alcalina. • Infecção Urinária por Bactérias Urease-Positivas: Certas bactérias, como Proteus spp, produz urease, aumentando o pH da urina. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Atenção: Uma urina muito alcalina pode causar a manipulação mais rápida de células e cilindros (estruturas importantes para a análise da urina), ou que pode dificultar o diagnóstico correto. Urolitíase: O pH pode sugerir o tipo de urólito. Acidúria → urólitos de oxalato de cálcio. Alcalúria → urólitos de estruvita. Atenção: cistites bacterianas crônicas → urease positivas → alcalúria →estruvita (recidiva). Proteína O que é Proteinúria? Proteinúria é a presença de proteínas na urina, o que pode indicar que algo não está funcionando corretamente nos rins ou em outras partes do corpo. Causas de Proteinúria 1. Glomerulopatia: Doenças que afetam os glomérulos, as pequenas estruturas nos rins responsáveis pela filtração do sangue. Se os glomérulos estiverem danificados, proteínas podem vazar para a urina. 2. Hipertensão Glomerular e Sistêmica: Pressão alta nos rins ou no corpo em geral pode prejudicar os glomérulos e causar a perda de proteínas na urina. Tipos de Proteinúria Proteinúria Fisiológica: É normal e temporária. Pode ocorrer em situações como: o Estresse: Como quando o animal está ansioso ou agitado. o Febre: Aumento da temperatura do corpo. o Convulsões: Episódios que afetam o corpo. o Temperaturas Extremas: Muito quente ou muito frio. Essa proteinúria é geralmente de baixa quantidade e desaparece rapidamente, não sendo uma preocupação. Proteinúria Não Fisiológica (Albuminuria): Indica um problema de saúde mais sério. Nesse caso, a albumina consegue passar pela barreira de filtração dos rins por causa de: o Danos nos Glomérulos: Que impedem a filtração normal. o Problemas nos Túbulos Renais: Que não conseguem reabsorver a albumina corretamente. Resumo • Proteinúria Fisiológica: Normal, temporária e geralmente inofensiva. • Proteinúria Não Fisiológica: Indica problemas nos rins e requer investigação. Proteinúria Pós-Renal O que é? A proteinúria pós-renal ocorre quando há uma grande quantidade de sedimento na urina devido a problemas no trato geniturinário, como inflamação, infecção ou sangramento. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves • Causas: Isso pode ser causado por: o Infecções: Presença de bactérias. o Inflamações: Resposta do corpo a uma irritação. o Hemorragias: Sangramento no trato urinário. Componentes do Sedimento: O sedimento pode incluir: o Bactérias: Indicam infecção. o Leucócitos (células brancas do sangue): Sinal de inflamação. o Hemácias (células vermelhas do sangue): Indicam sangramento. o Piócitos: Células de pus, indicativas de infecção. o Cilindros: Estruturas que podem se formar na urina em condições de doença renal. Falso Positivo: sedimento ativo, podendo gerar reação falso positiva para proteína na tira reagente. Proteinúria Pré-Renal O que é? A proteinúria pré-renal ocorre quando proteínas de baixo peso molecular estão presentes no sangue em quantidades anormais e conseguem passar pelos glomérulos saudáveis, aparecendo na urina. • Causas: Exemplos de proteínas que podem estar presentes incluem: o Hemoglobina o Mioglobina o Proteínas de Bence Jones Resumo • Proteinúria Pós-Renal: Causada por inflamação, infecção ou sangramento no trato urinário, resultando em sedimento ativo que pode dar falso positivo para proteínas. • Proteinúria Pré-Renal: Causada por proteínas anormais no sangue (como hemoglobina ou mioglobina) que passam pelo glomérulo saudável e aparecem na urina. Dicas Importantes sobre Proteinúria 1. Teste com Tira Reagente: • O teste com tira reagente para proteína é mais sensível à albumina. • Para que outras proteínas (pré-renais e pós-renais) provoquem um resultado positivo no teste, elas precisam estar presentes em concentrações muito altas. • Por exemplo, se houver sangue na urina (hematúria), isso só vai causar um resultado positivo para proteína se houver uma forte presença de sangue (como uma reação de 3 cruzes). Isso significa que, se a urina estiver com uma coloração avermelhada e houver um resultado positivo para proteína, é preciso avaliar a gravidade da hemorragia. 2. Monitoramento em Pacientes com Proteinúria Renal: • Se um animalapresenta proteinúria renal (Albuminuria) com níveis elevados e persistentes, é muito importante monitorar regularmente a albumina sérica (a quantidade de albumina no sangue). Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves • A proteinúria renal pode levar à hipoalbuminemia, que é a diminuição da albumina no sangue. Isso ocorre porque as proteínas estão sendo perdidas pela urina. • A hipoalbuminemia, se não tratada, pode resultar em uma condição grave chamada síndrome nefrótica. Essa síndrome é caracterizada por: • Edema (inchaço) em várias partes do corpo. • Baixa quantidade de proteínas no sangue, o que pode levar a problemas mais sérios de saúde. • É uma condição difícil de reverter, exigindo cuidados e tratamento específicos. Resumo • O teste com tira reagente é eficaz para detectar albumina, mas outras proteínas só aparecem em altas concentrações. • Pacientes com proteinúria renal precisam de acompanhamento regular da albumina no sangue para evitar complicações graves como a síndrome nefrótica. Proteinúria e Densidade Urinária: Se a urina está concentrada (densidade acima de 1,035) e tem um pouco de proteína (traço ou 1+), isso pode ser normal. Reações falso-positivas parecem ser mais comuns em gatos do que em cães. Falso Positivo: Resultados que indicam proteína sem realmente ter podem acontecer mais em gatos do que em cães. Repetir o Teste: Se a urina mostra albumina, mas não tem sedimentos, faça o teste de novo em duas semanas para verificar se ainda está presente. Razão Proteína-Creatinina Urinária (RPC): A RPC ajuda a entender a quantidade de proteína na urina: o RPC > 2: Pode indicar dano nos rins (glomérulos). o RPC 7,5) ou concentradas (> 1,035) podem causar destruição de eritrócitos, levando à hemoglobinúria. Bilirrubina na Urina • Origem: Derivada de eritrócitos velhos (eritrócitos senescentes), excretada principalmente pela bile e, em menor quantidade, pela urina. • Bilirrubinúria precede a bilirrubinemia: A bilirrubina aparece primeiro na urina antes de causar a coloração amarelada nas mucosas. • Causas: Doenças hemolíticas, problemas no fígado e vesícula biliar, anorexia e febre prolongada podem causar bilirrubinúria leve. • Em Gatos: Qualquer bilirrubinúria é significativa. • Em Cães: Machos não castrados podem ter pequena quantidade de bilirrubina na urina (normal em urina concentrada). • Cuidado com Falso-Negativos: Bilirrubina pode ser degradada pela luz; use frascos opacos e bem fechados para evitar erro. Sedimentoscopia: Análise Microscópica de Sedimento de Urina Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Análise do Sedimento A concentração dos sedimentos e a morfologia celular está diretamente relacionada aos aspectos físico-químicos da urina: Densidade > 1,035 pode provocar retração e crenação de eritrócitos e retração de leucócitos. Hipostenúria: Pode provocar lise de células (leucócitos e eritrócitos) e diluição dos componentes do sedimento. Glicosúria/Cetonuria: Diluição do sedimento por efeito osmótico Alcalinúria: Lise celular, degradação de cilindros, formação de cristais de estruvita e fosfatos amofos. Acidúria: preserva os cilindros e predispõe a formação de cristais variados (oxalato de cálcio, cistina, uratos amorfos, ácido úrico, bilirrubina, biurato de amônio e metabólitos da sulfonamida.) Pacientes poliúricos: achados da sedimentoscopia subestimados devido a redução da densidade urinária. Cilindros Onde se formam: Nos túbulos renais. Cilindros Hialinos: Compostos apenas por mucoproteínastúbulo-intersticial renal ativa Hipertensão Glomerular (DRC e HAS): Forma cilindros grossos devido à hipertrofia dos néfrons hipernéfrons. Com tratamento, podem afinar ou desaparecer. Atenção: cilindros degeneram fácil em urinas alcalinas Cristais Os cristais urinários podem se formar devido a diversos fatores, como temperatura, pH e armazenamento da amostra. A presença de cristais na urina não indica necessariamente a formação de cálculos renais (urólitos) ou predisposição a eles. No entanto, é importante considerar algumas situações específicas: Cristais Anormais: Cristais como oxalato de cálcio, cistina e biurato de amônio são anormais e podem indicar problemas de saúde. Grandes Agregados: A presença de grandes agregados de estruvita ou oxalato de cálcio pode ser preocupante, indicando risco de cálculos. Histórico de Urolitíase: Em animais com histórico de cálculos renais, a cristalúria deve ser avaliada com atenção. Cristais Iatrogênicos: Medicamentos como alopurinol podem causar cristais de xantina. Cristais de Fosfato Amorfo: Comuns em urinas alcalinas, geralmente têm pouco significado clínico. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Cristais de Urato: Raros, podem indicar predisposição a cálculos de urato. Cristais de Estruvita: animais hígidos, frequentes em infecções do trato urinário, são comuns em ITU por bactérias urease positivas e em urinas alcalinas. Cristais de Oxalato de Cálcio: Podem indicar hipercalciúria e na urolitíase por oxalato de cálcio e se formam em urinas ácidas. Armazenagem da urina por mais de 1 hora. Células Epiteliais na Urina: • Quantidade: Menos de 5 células epiteliais por campo é considerada normal. Um aumento pode ocorrer devido à coleta por cateter ou a condições como inflamação, hiperplasia ou neoplasia mucosa do trato urinário. • Tipos: o Células Escamosas: O terço distal uretra, vagina e prepúcio. o Células de Transição: dois terços proximais da uretra, bexiga, ureteres e pelve. o Células Tubulares Renais: Grande quantidade na forma de cilindros epiteliais. Outras células na urina: • Eritrócitos: Normalmente menos de 5 por campo. A presença aumentada pode indicar hematúria microscópica iatrogênica, Hematúria não fisiológica que pode ser causada por infecções, traumas ou intoxicações. • Leucócitos: Até 3 leucócitos são normais em cistocentese e até 8 em coleta por cateterização ou micção espontânea. A ausência de leucócitos não exclui a inflamação, especialmente em estados imunossupressores, podem inibir o aparecimento de leucocitúria (piúria). • Bactérias: A presença de bactérias pode indicar infecção do trato urinário (ITU). O método de coleta impacta na interpretação dos resultados. Avaliação da função renal por meio de amostras de sangue. Ureia - Creatinina - SDMA Outros analitos que devemos dar atenção Albumina - Colesterol e triglicerídeos - Amilase - Globulinas Avaliação morfológica renal Exame ultrassonográfico abdominal Ureia: Sintetizada pelo fígado a partir ciclo da ornitina a amônia e eliminada pelos rins na filtração glomerular. (catabolismo de aminoácidos) A excreção da ureia ocorre pelos rins através da filtração glomerular. Uma parte é reabsorvida lenta nos túbulos renais. Quando a taxa de filtração (TFG) diminui, os níveis de ureia no sangue aumentam. Ureia não é uma estimativa confiável de TFG (dieta, fatores pré-renais). A ureia pode diminuir em casos de insuficiência hepática grave ou desvios porta-sistêmicos. Recomenda-se jejum de 8-12 horas para avaliação. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Creatinina: Derivada da fosfocreatina muscular, sua produção depende da massa muscular e é constante. A creatinina reflete bem a TFG, pois não é afetada pela dieta e é excretada exclusivamente pela filtração glomerular. (fornece um indicativo da TFG). Pequenos aumentos têm grande importância. Ureia e creatinina normais não indicam um percentual adequado de néfrons funcionais. Aumentos de ureia e creatinina: 75 % função renal não funcional. Avaliem proporções: Ureia/creatinina: aumentado (pré e pós renais) Ureia/creatinina: diminuída (fluidoterapia). Avaliação da função renal por meio de amostras de sangue. SDMA (dimetil arginina simétrica) Aminoácido originado da degradação proteíca Eliminado quase que exclusivamente pelos rins. Resumo: O SDMA é um aminoácido liberado pela degradação de proteínas e é eliminado quase exclusivamente pelos rins. Ele serve como um indicador da função renal, sendo útil para detectar problemas nos rins, às vezes antes mesmo do aumento da creatinina. Resumo Bioquímica clínica dos animais domésticos Bruna Gonçalves Estado Acidobásico Uso de Medicamentos Causas de Urina Ácida Acidúria a baixo de 5 Causas da Urina Alcalina Alcalúria a cima de 8 Jejum Alimentar e Alcalose Pós-prandial Tipo de Dieta Presença de Infecção do Trato Urinário (ITU) Causas de Urina Ácida (Acidúria) Causas da Urina Alcalina Proteína O que é Proteinúria? Causas de Proteinúria Tipos de Proteinúria Proteinúria Pós-Renal Proteinúria Pré-Renal Dicas Importantes sobre Proteinúria Resumo Mensuração de Proteínas na Urina Dosagem de GGT Urinária Glicose na Urina Cetonas na Urina Hemoglobina na Urina (Reação Heme) Bilirrubina na Urina