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Raiva Doença infecciosa viral aguda causada pelo Virus da raiva (Lyssavirus rabies), gênero Lyssavirus, família Rabhdoviridae, acomete mamíferos, inclusive os humanos, causadora da encefalomielite progressiva. Transmissão · Ocorre pela inoculação do vírus presente na saliva de animais infectados, mas também ocorre por: · Mordeduras · Arranhaduras · Lambeduras em mucosas ou feridas Em herbívoros (bovinos, bubalinos, equídeos, ovinos, caprinos e suínos), o principal transmissor é o morcego hematófago Desmodus rotundus. Epidemiologia Muito associada a: · Clima quente · Abundância de alimento · Presença de abrigos naturais e artificiais para morcegos · Alterações ambientais (desmatamento, monoculturas, barragens) favorecem a migração de morcegos. · Ocorre com frequência em surtos, atingindo propriedades vizinhas. · Animais não vacinados são os mais acometidos. Existem quatro ciclos da raiva: 1. Aéreo 2. Urbano 3. Rural 4. Silvestre Para herbívoros, os ciclos aéreo e rural são os mais importantes. Nas propriedades rurais, seu principal foco são os herbívoros, destacando-se os bovinos. Mas em situações de escassez, outros mamíferos podem se tonar fonte de alimento, incluídos os humanos. O período de incubação é de duas a 12 semanas, podendo ser mais longo. Esse período depende de alguns fatores, como: · quantidade de vírus inoculada (carga viral); · distância do ferimento até o sistema nervoso central (quanto mais próximo, mais rápido); · imunocompetência do animal;( é a capacidade do organismo de reagir e se defender contra agentes infecciosos.) · extensão e profundidade da mordedura; · idade do animal, entre outros. A variabilidade do período de incubação dificulta a identificação da mordedura, todos os animais são suscetíveis principalmente os não vacinados, e surtos simultâneos são frequentes. Patogenia È semelhantes em todas as espécies. 1. O vírus entra no organismo pela mordida. 2. Replica-se inicialmente no tecido muscular. 3. Atinge terminações nervosas e segue por via centrípeta até o SNC. 4. No SNC, multiplica-se e depois se espalha por via centrífuga. 5. Alcança glândulas salivares → eliminação do vírus pela saliva. 📌 O vírus é neurotrópico (tem afinidade por neurônios). bovinos As partes do sistema nervoso central onde o vírus da raiva aparece com mais frequência são: · Tronco encefálico — principalmente o bulbo, na região do óbex (é a parte mais importante para diagnóstico). · Cerebelo · Tálamo · Hipocampo · Porção frontal do telencéfalo (menos comum) · Medula espinhal 📌 Resumo: Bovinos → tronco encefálico é o principal; também cerebelo, tálamo, hipocampo e medula. EQUINOS Medula espinhal, principalmente os segmentos: · Torácico · Lombar · Sacral · Tronco encefálico (em segundo lugar) 📌 Resumo: Equinos → medula é a região mais importante, depois o tronco encefálico. SINAIS CLINICOS Os sinais clínicos estão relacionados à localização das lesões no sistema nervoso central. A doença apresenta duas formas clínicas: 1. Paralítica (mais comum em herbívoros) 2. Furiosa (menos comum) Forma paralítica: · Isolamento do rebanho · Apatia · Dificuldade de deglutição · Salivação excessiva · Incoordenação → paresia → paralisia · Paralisia de cauda e esfíncter anal · Tremores, cegueira, nistagmo, opistótono · Evolui para decúbito lateral e morte Forma furiosa: · Agressividade · Hiperexcitabilidade · Mugidos frequentes · Prurido intenso no local da mordida Tratamento, profilaxia e controle · “Não existe tratamento da raiva em animais e recomenda-se a eutanásia daqueles suspeitos”. a prevenção e o controle da raiva em herbívoros consistem em: 1. vacinação dos animais 2. Monitoramento de abrigos e controle da população de morcegos hematófagos. A vacinação é obrigatória, a partir dos 3 meses de idade e o reforço vacinal após 30 dias e depois anual são as formas mais eficientes de evitar a doença em animais. · O controle da população de morcegos hematófagos é uma ação importante no controle e/ou prevenção da doença em uma determinada região. 1. Captura dos morcegos e aplicação de pastas anticoagulantes; os morcegos ingerem essa substância, que causa hemorragia generalizada e leva ao óbito. 2. Como medida adicional, também é usada a aplicação do anticoagulante ao redor das áreas de espoliação nos animais herbívoros, ajudando a reduzir a população de morcegos transmissores da raiva.