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SUMÁRIO DE URINA Profª. Paula Regina Bispo Avaliação importante da função renal e de infecções do trato urinário e de condições sistêmicas Urina tipo I Exame normalmente solicitado pelos médicos para identificar alterações no sistema urinário e renal devendo ser feito através da análise da primeira urina do dia, já que encontra-se mais concentrada; Contudo esse exame não é limitado em escopo para doenças que envolvem diretamente o trato urinário. Outras doenças, incluindo doença hepática, diabetes mellitus, e ruptura muscular também são avaliadas utilizando análise de urina útil para identificar infecções urinárias e problemas nos rins, como pedras nos rins e insuficiência renal; serve para analisar alguns aspectos físicos, químicos e a presença de elementos anormais na urina; Coleta Coleta adulto • Coletar a 1ª urina da manhã ou retê-la por no mínimo duas horas antes da coleta para realização do exame; • Realizar higiene prévia da região genital; • Urinar no coletor, desprezando o 1º jato urinário; • Coletar cerca de 30 mL de urina; • Armazenar de 2 - 8°C; • Enviar ao laboratório em até 2 horas em caixas térmicas com gelo. Coleta infantil • O coletor auto-aderente deve ser trocado de 30 em 30 minutos; • Colocar o coletor aderente fechado dentro do coletor universal; • Volume superior a 1 mL • Amostra sem contaminação visível • Preservação adequada • Identificação correta – identificar o coletor auto-aderente e o coletor universal. Análise física e organoléptica ➢ Volume ➢ pH ➢ Aspecto ➢ Densidade ➢ Cor ➢ 5 – 7 ➢ Límpido, ligeiramente turvo ➢ 1,010 – 1,025 ➢ Amarelo claro, citrino Valores de referência 10 mL(analisado) Análise física Volume urinário • No exame de urina Tipo I, o volume urinário total do paciente, não é um dado essencial. • O volume urinário nas 24 horas: individuo normal pode variar entre 500 e 1800 mL, com média de 1000 mL. ✓Poliúria: Volume urinário acima de 1800 mL em 24 Horas; ✓Oligúria: Diurese menor que 400 mL em 24 Horas; ✓Anúria: Diurese menor que 50 mL em 24 Horas; Para exame de urina→10mL VOLUME EM 24H POR IDADE 1°-2° dia de vida...........15 a 30umL 3°-10° dia de vida.....100 a 300mL 2 meses-1 ano...........400 a 500mL 1-3 anos....................500 a 600mL 4-8 anos.................600 a 1000mL 9-15 anos................800 a 1400mL >15 anos...............1000 a 1600mL Aspecto da urina A urina normal geralmente é límpida A urina que apresente turbidez, pode ser devido: ✓ Presença de Leucócitos; ✓ Presença de bactérias (Bacteriúria); ✓ Presença de grande quantidade de células epiteliais; ✓ Presença de Precipitados : Cristais de Urato e Cristais de Fosfatos; Odor • Normal: Odor característico, "sui generis", pelos ácidos voláteis que contêm; • Patológicos: • Infecções urinárias causam cheiro forte e desagradável; • Na presença de corpos cetônicos do Diabetes mellitus: odor adocicado ou de frutas; • Fecalóide: Amoniacal forte (bactérias desdobradoras de uréia) • Fétido: câncer de bexiga • Na má absorção de metionina: cheiro de repolho ou de lúpulo; • Na trimetilaminúria: cheiro de peixe podre; • Na tirosinemia: cheiro rançoso; Densidade Diminuição • No Diabetes insipidus, grandes volumes são excretados com baixa densidade; • Pielonefrite, glomerulonefrite e outras anomalias renais por intenso dano tubular; • Em bacteriúria, se diminui por provável ITU; • Por hidronefrose, progressiva com a idade, por hiper- hidratação; Aumento • Insuficiência da adrenal, doença hepática; • No Diabetes mellitus, grandes volumes são excretados com densidade elevada; • Perda de água por fontes não renais, causada por vômito, diarréia, febre, sudorese, queimaduras graves, hemorragias; • Em casos de oligúria, casos de Síndrome Nefrótica; também na presença anormal de substâncias como glicose, proteína e contraste; Densidade da urina • A densidade da urina está relacionada a concentração de materiais dissolvidos na urina; • Depende do número de partículas, mas também do peso das partículas presentes em solução na amostra; • A capacidade de concentração da urina pelo rim, é uma das primeiras funções que se perde como consequência do dano tubular; • O intervalo normal da densidade na urina varia entre 1.005 a 1.028, mas esse índice pode variar com o estado de hidratação e volume urinário; pH urinário • Uma das funções do rim é manter o equilíbrio ácido-base no organismo; • O pH médio da urina é em torno de 6,0; • O pH também será importante para a formação de cálculos renais; pH urinário pH urinário baixo • Várias condições determinam a acidez urinária (pH baixo), dentre as quais citam-se: acidose metabólica (acidose diabética, diarreias graves, desnutrição). • Acidose respiratória; • Intoxicação pelo salicilato; • Urina matinal; pH urinário elevado • Alcalose metabólica e/ou respiratória; • Dieta vegetariana; • Infecções urinárias provocadas por bactérias que desdobram a uréia em amônia (Proteusmirabilis); • Urina pós-prandial e urina vespertina; • A demora na análise da urina não refrigerada pela ação de bactérias; Cor • A cor da urina normal varia desde o amarelo claro até o amarelo escuro, resultado da eliminação de três pigmentos: • urocromo (amarelo palha); • uroeritrina (amarelo citrino); • urobilina (amarelo âmbar); • Estes pigmentos, provenientes do metabolismo normal orgânico, s ão eliminados em pequenas concentrações e tornam a urina amarela; • O pigmento presente em maior concentração é o urocromo; Alguns exemplos de Cor de Urina Cor da Urina Patológica Não Patológica Branca Presença de Leucócitos Fosfatos : Presença de Partículas em suspensão Alaranjada Bilirrubinas ou Urobilinogênio Urato Amorfo -Suspensão Medicamentos: Fenazopiridina, Polivitamínicos Âmbar – Castanho quase negro Bilirrubinas Uroporfirinas Mioglobiina Medicamentos: Metronidazol Compostos de Ferro Esverdeada Infecção por Pseudomonas Medicamentos:Timol, Fenil e Salicilato Vermelha Sangue, metahemoglobinemia Medicamentos: Rifampicina, Pyridium, Vitamina B, Anticoagulantes como Varfarina e heparina. Urina roxa • Em geral por bactérias que alcalinizam a urina; • É um achado raro; • Ocorre mais em pacientes com cateter vesical; Análise química Proteínas Glicose Cetonas Sangue Urobilinogênio Nitrito Hemoglobina Leucócitos Pigmentos biliares Negativo Negativo Normal Negativo Negativo Negativo Valores de referência Negativo Negativo Negativo Tira reativa que avalia várias provas bioquímicas. Análise química Como realizar a análise química 1. Mergulhe a tira e retire-a dispensando o excesso pela borda do frasco. 2. Seque a parte posterior em um papel absorvente. compare 3. Após 60 segundos, as reação das cores de áreas de de do teste, na direção inserção da fita recipiente. Proteínas e glicose: principalmente em doenças renais e diabetes. Cetonas: comumente presentes em pacientes diabéticos ou após jejum prolongado. Sangue (Hemoglobina): hemorragias do sistema urinário (infecções urinárias e cálculo renal). Pigmentos biliares e urobilinogênio: indicar hemólise ou hepatopatia. Análise química Proteinúria • A presença de concentração elevada de proteínas na urina pode constituir um importante índice de enfermidade renal; • Podem aparecer em estados de não enfermidades renais, como após a realização de exercícios físicos e após um estado febril e principalmente em gestantes; • Algumas Patologias que se associam com proteinúria são: ✓Glomerulonefrite; ✓Lúpus eritematoso sistêmico; ✓Hipertensão; ✓Diabetes; ✓Nefrose; Glicose na Urina (Glicosúria) • A glicose é uma substância que não dever aparecer na urina; • Em geral está ligado a Diabetes mellitus; • O aparecimento pode estar relacionado a danos renais; Corpos Cetônicos (Cetonúria) • Os Corpos Cetônicos se formam durante o catabolismo de ácidos- graxos; • Corpos cetônicos na urina comumenteaparecem: ✓Pacientes em Jejum prolongado ✓Pacientes Diabéticos ✓Pacientes com Diarréia ✓Pacientes com Vômitos Hematúria - Presença de Sangue na Urina • Os métodos utilizados podem detectar a presença de sangue na urina ou hemoglobina livre; • Quando a presença de sangue é muito grande, a cor da urina pode alterar-se e dar indicação facilmente da sua presença; • Porém, em alguns casos, somente podemos ter certeza depois de realizar o exame microscópico; • Entre as patologias que podem apresentar hematúria estão: ✓ Nefrite Lúpica; ✓ Infecção renal aguda; ✓Tumor Renal; ✓Cálculos Renais; ✓ Cistite; Prostatite; ✓Câncer de Próstata; Obs.: O aparecimento de cilindros hemáticos, demonstram que o dano é renal. Hemoglobinúria • É o termo utilizado para designar a presença de Hemoglobina na urina; • A Hemoglobina liberada pela destruição das hemácias, une-se rapidamente a uma proteína plasmática chamada Haptoglobina, cuja função é impedir a excreção glomerular de hemoglobina; • Nos processos Hemolíticos, a haptoglobina é eliminada num ritmo maior do que a produção. Algumas condições clinicas: • Anemias Hemolíticas; • Malária; • transfusões incompatíveis; • Envenenamento por mordedura de serpentes; • toxinas bacterianas; • Hemoglobinúria paroxística noturna; Nitrito • O teste para detecção de nitritos na urina é uma prova indireta para o diagnóstico precoce de bacteriúria significativa e assintomática; • Os microorganismos comumente encontrados nas infecções urinárias, tais como Escherichia coli, Enterobacter, Citrobacter, Klebsiella e espécies de Proteus contêm enzimas que reduzem o nitrato da urina a nitrito; • A prova para detecção do nitrito é útil para o diagnóstico precoce das infecções da bexiga (cistite), da pielonefrite, na avaliação da terapia com antibióticos, na monitoração de pacientes com alto risco de infecção do trato urinário e na seleção de amostras para a cultura de urina. • Resultados negativos não afastam a presença de bacteriúria significativa. Bilirrubinas • A bilirrubina se forma a partir da degradação da hemoglobina e unida a albumina é transportada até o fígado; • No fígado é conjugada com ácido glucorônico e se transforma em bilirrubina conjugada, sendo hidrossolúvel e excretada na urina; Avaliação Microscópica ou Sedimentoscopia ➢ Leucócitos ➢ Hemácias ➢ Células epiteliais ➢ Muco ➢ Cristais ➢ Cilindros ➢ Flora bacteriana Valores de referência ➢ Até 10.000/mL - 3-5 p/c ➢ Até 10.000/mL - 3-5 p/c ➢ Raras ou ausentes ➢ Ausente ou raro ➢ Ausentes, raros uratos e fosfatos ➢ Ausentes ➢ Escassa Urocultura Infecção Urinária Trato urinário inferior diagnóstico de cistite. Trato urinário inferior e o superior pielonefrite. Cistite Geralmente menos grave. Pielonefrite Geralmente mais grave. Associado à cálculos renais. Infecção Urinária Escherichia coli, Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus spp. e de Klebsiella spp. e o Enterococcus faecalis.; Escherichia coli 80% das infecções do trato urinário; Diagnóstico Laboratorial Infecção urinária crescimento bacteriano > 100.000 UFC/mL Urocultura Fornecer o agente etiológico Diagnóstico Laboratorial Antibiograma Traz subsídio para conduta terapêutica. Bactéria resistente. Bactéria sensível. Em relação ao painel de Antibióticos.