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exame de urina (EAS) Natália Domann Biomédica - Mestranda Ciências Aplicadas à Saúde EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia O exame de urina ou EAS é um exame não invasivo de grande importância no diagnóstico de doenças renais e não renais (pré e pós-renais). EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia Rins Excreção de várias substâncias Manutenção da pressão osmótica do plasma Produto final Formação da urina Água Compostos inorgânicos (sódio, potássio, fosfatos, amônia) Compostos orgânicos (ureia, ácido úrico, creatinina) EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia O volume urinário médio diário de um adulto, em condições normais varia entre1.200 a 1500 mL. Poliúria: Aumento do volume urinário médio diário, geralmente acima de 2500 mL. Oligúria: Redução do volume urinário abaixo de 500 mL. Anúria: Redução do volume urinário; geralmente abaixo de 100 mL ou sua completa supressão. EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia COLETA DA AMOSTRA Frascos descartáveis apropriados, devidamente identificados. Crianças, utilizam-se sacos coletores que devem ser trocados a cada meia hora de uso. Deve-se coletar, preferencialmente, o jato médio da primeira urina da manhã após higienização da região genital com água e sabão; Deve-se coletar, em média, 40 a 50 mL de urina EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia O ideal é que a amostra seja coletada no laboratório. Se a coleta seja realizada em casa, manter o frasco sob refrigeração e levá-lo o mais rápido possível para o laboratório. O exame de urina rotina deve ser realizado o mais rapidamente possível (duas horas no máximo). Caso seja impossível de realizar rapidamente o exame, a refrigeração é recomendada. EAS- Elementos Anormais e Sedimentoscopia Análise Física Análise Química Sedimentoscopia EAS- EXAME FÍSICO da urina VOLUME COR ASPECTO ODOR DENSIDADE EAS- EXAME FÍSICO da urina VOLUME O frasco coletor: 50 ml (urina de rotina) Varia de paciente para paciente EAS- EXAME FÍSICO COR A urina normal é amarela devido à produção e excreção constante de urocromo. Bom índice de [ ] urinária e hidratação. A cor varia de acordo com: Alimentação Uso de medicamentos Grau de hidratação Metabolismo orgânico Patologias EAS- EXAME FÍSICO Amarelo Claro: Urina diluída (Diabetes, consumo excessivo de água) Amarelo Citrino: Normal Amarelo Escuro: Desidratação Âmbar: Urina concentrada/presença de pigmentos biliares/ problemas no fígado Alaranjada: Medicações Vermelha: Hemoglobina/mioglobina/medicações/ alimentos/ problemas renais Marrom Ou Preta: Pigmentos biliares/ Verde Ou Azul: Medicamentos/infecção por bactérias EAS- EXAME FÍSICO ASPECTO Urina Límpida: Normal Urina Turva: pode ser causada pela precipitação de cristais, muco, bactérias, piócitos e outros elementos. EAS- EXAME FÍSICO ODOR O odor da urina é “sui generis” (característico) devido à presença de ácidos voláteis. Odores de frutas (presença de corpos cetônicos). Fétidos: Fístula na bexiga/Insuficiência hepática/Cetoacidúria/Doença da urina em xarope de bordo (muito rara)/Fenilcetonúria (rara)/Infecção urinária. Não se avalia mais odor por questões de biossegurança. EAS- EXAME FÍSICO DENSIDADE Consiste na medida dos solutos dissolvidos na urina. Depende da integridade renal e do grau de hidratação do paciente. A densidade normal é de 1,010 a 1,030. EAS- EXAME químico Corresponde à pesquisa na urina de substâncias que, em condições normais, não são excretadas ou são encontradas em concentrações muito baixas consideradas normais. PROTEÍNAS GLICOSE CORPOS CETÔNICOS BILIRRUBINA UROBILINOGÊNIO NITRITO pH SANGUE EAS- EXAME químico Para a realização deste exame utilizam-se tiras reativas apropriadas podendo-se detectar alguns distúrbios metabólicos, processos infecciosos, hemolíticos e outros. A urina deve ser homogeneizada e, em seguida deve-se introduzir a tira reativa na urina por aproximadamente um segundo. A leitura é feita visualmente, por comparação com um padrão presente no frasco da tira reativa. EAS- EXAME QUÍMICO PROTEÍNAS Na urina normal contém pequena quantidade de proteínas normalmente não detectada pela tira reativa. A albumina, por apresentar baixo peso molecular, pode estar presente na urina com maior frequência que as globulinas. A presença de proteína na urina é denominada de proteinúria. Causas: Pré-renais, renais e pós-renais. O resultado das proteínas na urina: em cruzes ou através de uma estimativa em mg/dL. EAS- EXAME químico GLICOSE É detectada na urina quando sua concentração sérica ultrapassa o limiar renal de 170-180 mg/dL. A presença de glicose na urina é denominada glicosúria; Causa: Diabetes mellitus, doenças renais que afetem a reabsorção tubular. EAS- EXAME químico CETONAS Denomina-se cetonúria a presença de corpos cetônicos (cetonas) na urina. Causa: Podem ser encontradas no diabetes mellitus, jejum prolongado, inanição, febres, após exercícios intensos. EAS- EXAME químico BILIRRUBINA Produto final do metabolismo da hemoglobina. Na urina encontramos apenas a bilirrubina direta, quando sua concentração sérica ultrapassa o limiar renal; a bilirrubina indireta não é encontrada. A bilirrubina, quando presente na urina, altera sua cor para âmbar. A determinação da bilirrubina na urina é importante para detecção da causa da icterícia. EAS- EXAME químico UROBILINOGÊNIO: É um pigmento biliar formado no intestino pela redução da bilirrubina direta por ação das bactérias da flora intestinal; Causa: aparece na urina nas anemias hemolíticas e nas doenças hepáticas. EAS- EXAME químico SANGUE A urina de um paciente normal não contém sangue (exceto a mulher no período menstrual – recomenda-se a realização do EAS uma semana após o término da menstruação ou a critério médico). Causa: Presença de hemácias íntegras (hematúria – a urina fica vermelha e turva), Presença de hemoglobina (hemoglobinúria – a urina fica vermelha e transparente) Presença de mioglobina (mioglobinúria). EAS- EXAME químico pH Reflete o equilíbrio ácido-base do organismo. A primeira urina da manhã é ácida com pH entre 5,0 e 6,0; Em amostras coletadas a qualquer hora do dia, o pH pode variar de 4,5 a 8,0. EAS- EXAME químico NITRITO O nitrito é formado na urina a partir da redução do nitrato pelas bactérias Gram negativas encontradas na urina. O trato urinário é normalmente estéril, um resultado de nitrito positivo indica a presença de infecção nas vias urinárias. EAS-SEDIMENTOSCOPIA Consiste na análise microscópica dos elementos celulares e não celulares presentes no sedimento urinário. IDENTIFICAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO 25 CÉLULAS EPITELIAIS PIÓCITOS HEMÁCIAS CRISTAIS CILINDROS MUCO BACTÉRIAS EAS-SEDIMENTOSCOPIA CÉLULAS EPITELIAIS A principal causa de maior quantidade de células epiteliais na urina é a contaminação que pode acontecer no momento da coleta, sendo mais comum nas mulheres. Muito comum em infecções urinárias EAS-SEDIMENTOSCOPIA CÉLULAS EPITELIAIS Células epiteliais escamosas: facilmente encontradas, aparecem comumente por contaminação no momento da coleta Células epiteliais de transição: Quando encontrada em grande quantidade pode ser indicativo de infecção urinária, principalmente se além de células epiteliais for observado grande número de leucócitos. Células epiteliais tubulares: Raramente observadas, podem indicar problemas renais EAS-SEDIMENTOSCOPIA PIÓCITOS Valores normais estão abaixo dos 10.000 células por mL ou 5 células por campo Pode indicar que há alguma inflamação nas vias urinárias. Sugere infecção urinária, mas pode estar presente em várias outras situações, como traumas/uso de substâncias irritantes/inflamação não causada por um agente infeccioso. EAS-SEDIMENTOSCOPIA HEMÁCIAS O normal é haver ausência de hemácias (hemoglobina). Menos que 3 a 5 hemácias por campo ou menos que 10.000 células por mL Os resultados costumam ser fornecidos em cruzes. EAS- SEDIMENTOSCOPIA CRISTAIS Os cristaiscorrespondem à precipitação de substâncias que podem estar presentes no organismo, como medicamentos e compostos orgânicos, como fosfato, cálcio e magnésio... Essa precipitação pode ocorrer devido à diversas situações, sendo principalmente devido à mudança na temperatura corporal, infecções urinárias, alteração do pH e grande concentração de certas substâncias. A presença de cristais na urina normalmente é uma situação normal ou patológica. EAS-SEDIMENTOSCOPIA CRISTAIS A presença de cristais na urina, principalmente de oxalato de cálcio, fosfato de cálcio ou uratos amorfos, não tem nenhuma importância clínica EAS-SEDIMENTOSCOPIA Maior relevância clínica são: Cristais de cistina: Indicam uma doença chamada cistinúria. Cristais de fosfato triplo: Podem ser normais, mas também podem estar presentes em casos de urina muito alcalina provocada por infecção urinária pelas bactérias Proteus ou Klebsiella. Cristais de tirosina: Presentes em uma doença chamada tirosinemia. Cristais de bilirrubina: Costumam indicar doença do fígado. Cristais de colesterol: Costuma ser um sinal de perdas maciças de proteína na urina. EAS-SEDIMENTOSCOPIA CRISTAIS Cristais de Ácido úrico Grande quantidade: podem surgir em pacientes com gota ou neoplasias, como linfoma ou leucemia. Pequena quantidade: são comuns e não indicam nenhum problema. EAS-SEDIMENTOSCOPIA CILINDROS Como os túbulos renais são cilíndricos, toda vez que temos alguma substância (proteínas, células, sangue…) em grande quantidade na urina, elas se agrupam em forma de um cilindro. A presença de cilindros indica que esta substância veio dos túbulos renais e não de outros pontos do trato urinário como a bexiga, ureter, próstata, etc. EAS-SEDIMENTOSCOPIA CILINDROS Cilindros hemáticos (sangue): Indicam glomerulonefrite. Cilindros leucocitários: Indicam inflamação dos rins. Cilindros epiteliais: indicam lesão dos túbulos. Cilindros gordurosos: indicam proteinúria. Cilindros hialinos não indicam doença, mas podem ser um sinal de desidratação. EAS-SEDIMENTOSCOPIA MUCO A presença de muco na urina é inespecífica e normalmente ocorre pelo acúmulo de células epiteliais com cristais e leucócitos. Tem pouquíssima utilidade clínica, e é relatada como observação. EAS-SEDIMENTOSCOPIA BACTÉRIAS Comum em infecções urinárias Geralmente observa-se leucócitos Mais comum: E. coli PARASITOS Aparecem em infeções do trato genital Trichomonas vaginalis FUNGOS Aparecem em infeções do trato genital Leveduras: Candida sp image3.png image4.jpeg image5.gif image6.jpeg image7.png image8.jpeg image9.png image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.png image20.jpeg image21.png image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg