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Disciplina: Líquidos Corporais Professora: Bethina Trevisol Steiner Aluno: Beatriz Crippa Casagrande – 106131 Data: 19/09/2022 Estudo Dirigido: Urinálise – Líquidos Corporais 1. Quais as principais formas de coleta de urina estudadas em aula? Descreva o passo a passo da principal amostra utilizada para exames de rotina. R: Coleta de toda a amostra secretada, jato médio, coletas em 3 frascos, cateterização da bexiga, aspiração suprapúbica, bolsas de coleta de urina pediátricas, urina de 24 horas. O método mais utilizado para exames de rotina é o jato médio, seguindo alguns passos: Deve ser coletada a primeira urina da manhã ou cerca de 5 horas após a última micção. A genitália externa deve ser higienizada com solução antisséptica suave. Começar a urinar para desprezar o primeiro jato, e, sem interromper a micção, coletar o jato médio diretamente no pote estéril, o restante da urina deve ser desprezado também. Fechar o frasco corretamente e levar ao laboratório, podendo aguardar cerca de 1 hora em temperatura ambiente ou 2 horas na geladeira. 2. Descreva o passo a passo da coleta de urina de 24 horas e cite suas utilidades. R: Antes de iniciar a coleta no recipiente, o paciente realiza a primeira micção e descarta a urina, normalmente às 8 horas da manhã. Toda a urina é coletada nas 24 horas seguintes, até a amostra das 8 horas da manhã do dia seguinte. O recipiente deve ser mantido sempre em refrigeração até levar a amostra ao laboratório. É principalmente utilizada para avaliar a função renal (taxa de filtração dos rins) e detectar cálculos renais. Este exame também detecta melhor a quantidade de proteínas totais ou albumina na urina, bem como outros analitos como sódio, potássio, magnésio, etc. 3. Quais cores podem ser encontradas em uma amostra de urina? Cite causas para cada cor. R: Urinas normais possuem uma variação de cor entre amarelo citrino a âmbar escuro, dependendo da sua concentração. Algumas cores podem significar patologias: ● Amarelo-escuro ou castanho: Presença anormal de bilirrubina, hepatites, presença de urobilina. ● Alaranjada ou avermelhada: Presença de sangue na urina, pode ser contaminação menstrual ou sangramento glomerular. Uso de medicamentos como trional, vitamina A, nitrofurantuína e fenindiona, ou corantes para teste de função renal. Alimentos como antocianinas conferem essa cor também. Hemoglobina e mioglobina deixam a urina vermelha e translúcida. ● Marrom-escura ou enegrecida: Carcinoma de bexiga, glomerulonefrite aguda, meta-hemoglobinúria, melanoma maligno, alguns medicamentos como metildopa, levodopa, metronidazol e salicinatos. ● Azulada ou esverdeada: Infecção por pseudomonas, icterícias antigas, cólera, alguns medicamentos como riboflavina e metocarbonol. ● Amarelo-claro ou incolor: Poliúricos, diabetes melito, insuficiência renal avançada, muita ingestão de líquidos, medicação diurética. ● Esbranquiçada ou branco-leitosa: Lipidúria maciça, hiperoxalúria primária, fosfatúria, doenças purulentas do trato urinário. ● Roxa: Bolsa coletora de urina, infecção por Klebisiella ou Providencia. 4. Como podemos diferenciar hematúria e hemoglobinúria, de mioglobinúria? Explique. R: Hematúria: presença de hemácias na urina, na fita podemos identificar grânulos. Também é possível identificar pela sedimentação, pois é a única das 3 que aparece. Hemoglobinúria: presença de hemoglobina na urina, quando as hemácias se rompem. A urina apresenta coloração vermelha translúcida. Mioglobinúria: presença de mioglobina na urina, apresenta coloração vermelha translúcida. 5. Qual a metodologia mais utilizada atualmente para determinar densidade urinária? Explique o princípio da técnica. R: O método mais utilizado é o Urodensímetro, o qual consiste em uma escala graduada de 1,000 a 1,040 g/L. O princípio do urodensímetro é o empuxo. Primeiro ele é mergulhado na amostra de urina até que afunde por completo, o que irá deslocar um volume de urina, igualando o peso do líquido com o densímetro. Após, uma parte do líquido será posicionada na superfície do instrumento, revelando a densidade. Este processo deve ser feito sempre com a urina a uma temperatura de 20ºC, caso contrário, correções deverão ser feitas a partir de uma tabela pré-definida. 6. Disserte sobre alguns dos principais parâmetros analisados no exame químico de urina: a) pH: reflete a capacidade do rim em manter a concentração normal dos íons hidrogênio no líquido extracelular. Na urina, deve estar entre 4,6 a 8,0. Valores extremos podem indicar acidose ou alcalose. A urina varia seu pH para efeitos compensatórios. pH urinário elevado pode ser um indicador de alcalinidade urinária, acidose tubular renal , alcalose metabólica ou respiratória e deficiência de potássio, enquanto um pH baixo pode estar indicando acidez urinária, acidose metabólica ou respiratória, dieta proteica, fenilcetonúria, tuberculose renal,etc. É medido através do pHmetro. b) proteínas: quantidades aumentadas podem indicar doença renal, porém nem sempre podem ser condições patológicas. Quando realizamos muito exercício físico ou temos febre, o maior aparecimento de proteínas na urina pode ocorrer fisiologicamente. É medida por alteração de cor na fita com colorações de azul de tetrabromofenol. c) glicose: depende da concentração de glicose no sangue, da taxa de filtração glomerular (TFG) e do grau de reabsorção tubular. A glicose não será excretada na urina até que seu nível sérico ultrapasse 160 a 180 mg/dL. Quando isso acontece, os rins não dão conta de reabsorver toda essa glicose, que acaba saindo junto com a urina, o que chamamos de Glicosúria. Para leituras colorimétricas é necessário avaliar no tempo exato prescrito, pois por ser uma reação cinética, quanto mais o tempo passar mais irá reagir, levando a falsos resultados caso lida incorretamente. A presença de glicose na urina pode ser um sinal de diabetes ou de patologias no túbulo proximal. d) esterase leucocitária: podem estar presentes em qualquer local do organismo, porém sua presença elevada na urina pode estar indicando uma infecção do trato urinário, visto que é uma célula de defesa. As esterases são denominações para as enzimas que são encontradas nos neutrófilos. e) corpos cetônicos: os níveis normais de cetona no sangue variam de 2 a 4 mg/dL. Como a acetona evapora quando a amostra é deixada em temperatura ambiente, a amostra deve ser testada imediatamente ou refrigerada em recipiente fechado até sua avaliação. Uma alteração nos níveis séricos (cetonemia) ou úricos (cetonúria) pode indicar um distúrbio no metabolismo dos carboidratos e dos lipídios. 7. Qual a correlação da presença de nitrito na fita reagente, com a presença de bacteriúria na sedimentoscopia? R: A presença de nitrito na urina indica presença de bactérias que convertem nitrato em nitrito através de reação enzimática (ex: Escherichia coli, Enterobacter, Citrobacter, Klebsiella e Proteus), podendo auxiliar no diagnóstico da infecção urinária. Para este teste deve ser utilizada a primeira urina da manhã. 8. Diferencie as causas da presença aumentada de células tubulares, de transição e escamosas no exame microscópico. R: Células tubulares: Aumentadas em dano tubular, como pielonefrite, necrose tubular aguda, intoxicação por salicilato, rejeição de transplante renal, aparecem na forma de cilindros. Células de transição: Podem indicar danos no revestimento do trato urinário, mais especificamente na pelve renal, e infecção urinária se junto forem achados leucócitos. Células escamosas: Normalmente aparecem por contaminação da vagina ou vulva, não indicando nada grave. 9. Cite os principais cristais encontrados em urina ácida e alcalina. R: Ácida: cristais de ácido úrico (Diamante, prisma, roseta), cristais de oxalato de cálcio, uratos amorfos. Alcalina: Cristais de fosfato triplo, fosfatos amorfos, carbonatos de cálcio, fosfatos de cálcio, biuratos de amônio. 10. Por que os cilindros estão geralmente associadosa doenças renais? Cite os principais e suas causas específicas. R: São formados no lúmen dos túbulos renais, então sua saída para a urina indica patologias. Principais: ● Hialinos: Aumentados após exercícios físicos e desidratação. ● Hemáticos: Hematúria Renal. Glomerulonefrite aguda, nefrite lúpica, síndrome de Goodpasture, trauma renal, pielonefrite grave. ● Leucocitários: Infecções e inflamações. Pielonefrite aguda, nefrite intersticial e nefrite lúpica. ● Granulosos: Doença renal significativa. ● Epiteliais: Estase, descamação de células epiteliais dos túbulos renais, necrose tubular. ● Céreos: Provenientes da degeneração de cilindros granulosos. Insuficiência renal crônica grave, inflamação aguda e degeneração tubular. ● Graxos: Doença tubular degenerativa.