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Resumo de Patologia Especial
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Patologia Veterinária

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Resumo de Patologia Especial: Sistema Digestório Glândulas Salivares As glândulas salivares desempenham um papel crucial na digestão, e entre elas, destacam-se a parótida, submandibular, sublingual e zigomática (no caso dos cães). A hipersalivação pode ser atribuída a três causas principais: lesões no sistema nervoso central, intoxicações por substâncias exógenas e lesões orais específicas. Por outro lado, a dificuldade na produção de saliva pode ocorrer devido a doenças sistêmicas que causam febre e desidratação, levando ao que se denomina aptialismo, que é a redução da produção salivar. O prefixo "sialo" é utilizado para se referir a glândulas salivares, enquanto "adenopatias" indica doenças ou lesões nessas glândulas. A sialoadenite, por exemplo, refere-se à inflamação das glândulas salivares. O ptialismo, que é o excesso de produção de saliva, pode ocorrer em casos de intoxicações e encefalites, onde há uma ligação direta entre o sistema nervoso central e as glândulas salivares. A produção de saliva é estimulada, e se esse estímulo for inadequado, como nas inflamações, pode resultar em um aumento na produção salivar. Lesões na boca, conhecidas como estomatites, podem ser classificadas em ulcerais e granulomatosas. A sialolitíase, que se refere à formação de cálculos nas glândulas salivares, pode ocorrer após inflamações e é observada em várias espécies, incluindo bovinos, equinos, cães e primatas. Os sialólitos são depósitos de cálcio que se formam em torno de um núcleo, que pode ser um corpo estranho ou exsudato, e sua presença pode causar dor e dificuldade na liberação de saliva. A obstrução causada por sialolitíases, neoplasias, corpos estranhos ou inflamações pode levar à formação de cistos, conhecidos como mucoceles, que se desenvolvem quando a saliva extravasa para o tecido circundante. A ruptura desses cistos pode resultar em granulomas, e a remoção cirúrgica da lesão e da causa é necessária. A sialoadenite pode ser catarral ou purulenta, dependendo da presença de pus, e a metaplasia córnea, que é a má formação do revestimento dos acinos, pode ocorrer em bovinos com deficiência de vitamina A. As neoplasias nas glândulas salivares, como adenomas e adenocarcinomas, são mais comuns em cães. Pâncreas Exócrino O pâncreas, uma glândula mista localizada ao lado do duodeno, possui funções exócrinas e endócrinas. Na necropsia, sua coloração normal é creme ou rósea, mas pode se tornar avermelhada em casos de pancreatite aguda ou acinzentada em pancreatite crônica. As pancreatites são condições graves que podem levar à morte rápida do animal. O pâncreas secreta um suco pancreático que é alcalino e rico em enzimas, essenciais para a digestão de gorduras e proteínas. A falta de secreção desse líquido pode resultar em diarreia gordurosa, conhecida como esteatorreia. A liberação do suco pancreático é controlada por estímulos neurais e hormonais, com a secretina e colecistoquinina desempenhando papéis importantes nesse processo. As alterações cadavéricas no pâncreas ocorrem rapidamente devido à autólise, onde as enzimas digestivas começam a degradar o próprio órgão após a morte. Defeitos congênitos do pâncreas, embora raros, incluem condições como pâncreas divisum, pâncreas anular e hipoplasia pancreática. A atrofia pancreática juvenil é uma condição que afeta raças predispostas, como o pastor alemão e o beagle, levando a uma insuficiência pancreática exócrina. Os sinais incluem má digestão e perda de peso, com o animal apresentando apetite voraz e esteatorreia. A hiperplasia nodular é uma condição rara que não interfere na função do pâncreas, enquanto os traumatismos são menos comuns devido à localização do órgão. A litíase pancreática, que se refere à formação de cálculos no sistema ductal, é uma condição incomum, mas pode ocorrer em bovinos. A lipomatose, que é a infiltração de tecido adiposo no pâncreas, pode ocorrer em animais obesos, mas não afeta a função do órgão. As pancreatites podem ser classificadas como necrosantes agudas ou fibrosantes crônicas, com a primeira sendo mais comum em cães e associada a dietas ricas em gordura. Os sinais clínicos incluem dor abdominal intensa, anorexia, vômitos e esteatorreia. Fígado O fígado é uma glândula mista com funções endócrinas e exócrinas, sendo responsável pela produção de bile e pela metabolização de nutrientes. A icterícia é um sintoma importante que pode ocorrer devido a obstruções biliares ou doenças hemolíticas. O fígado também é responsável pela produção de fatores de coagulação, e lesões hepáticas graves podem levar a hemorragias. A posição anatômica do fígado varia entre espécies, e sua coloração normal é castanho-avermelhada, com uma superfície lisa e sem nódulos. O fígado tem uma alta capacidade regenerativa e é responsável pela filtração do sangue, eliminando substâncias tóxicas. A degeneração hepática pode ocorrer devido a acúmulos de gordura, glicogênio ou água, e as causas incluem anóxia, hipoxias e exposição a toxinas. As pigmentações acumuladas no fígado, como hemossiderina e bilirrubina, podem indicar hemólise ou hemorragias. As hepatites, que são inflamações do fígado, podem ser causadas por infecções virais ou bacterianas, e a colangite refere-se à inflamação dos ductos biliares. A cirrose é uma alteração irreversível que afeta o fígado, caracterizada por necrose de hepatócitos e substituição por tecido conjuntivo fibroso. As principais causas de cirrose em animais incluem a ingestão de substâncias tóxicas e a exposição a toxinas fúngicas. A morfologia da cirrose é marcada pela presença de nódulos de regeneração hepática, e as consequências incluem ascite, icterícia e encefalopatia hepática. As neoplasias hepáticas, como adenomas e adenocarcinomas, podem ser benignas ou malignas, e os parasitas, como a Fasciola hepática, podem causar obstruções e inflamações no fígado. Destaques As glândulas salivares são essenciais para a digestão e podem sofrer de hipersalivação ou aptialismo. O pâncreas tem funções exócrinas e endócrinas, e as pancreatites podem ser agudas ou crônicas, levando a sérias complicações. O fígado é uma glândula mista com alta capacidade regenerativa, responsável pela produção de bile e fatores de coagulação, e pode sofrer de diversas patologias, incluindo cirrose e neoplasias. A autólise e as alterações cadavéricas são importantes para o diagnóstico post-mortem de doenças hepáticas e pancreáticas. Defeitos congênitos e degenerações podem afetar a função do pâncreas e do fígado, levando a complicações clínicas significativas.