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2 3 Sumário Introdução ........................................................................................................................ 3 1. Entendendo a avaliação como sistema ........................................................................ 4 1.1 Um exemplo de sucesso ........................................................................................... 6 2. Como vai a escola como um todo? .............................................................................. 9 2.1 Os diferentes níveis de avaliação do sistema de ensino ............................................ 9 2.2. Avaliação institucional ............................................................................................. 10 2.3. A avaliação institucional interna e externa .............................................................. 13 2.4. Alguns princípios a serem pensados na avaliação institucional ............................... 15 2.5. A importância da autoavaliação .............................................................................. 18 3. Alguns exemplos de avaliações nos sistemas de ensino ........................................... 20 3.1. Abrindo diálogo sobre os diferentes enfoques avaliativos. ..................................... 20 3.2. Programas que envolvem a avaliação do sistema .................................................. 22 3.3..Vamos conhecer um pouco mais sobre como se processa a avaliação da através da Prova Brasil? ................................................................................................................. 25 3.4. Uma avaliação a nível internacional ........................................................................ 27 3.5. A Unesco e os indicadores da educação ................................................................ 29 4. Pensando na avaliação da aprendizagem.................................................................. 32 4.1. Avaliar para quê? .................................................................................................... 32 4.1.1. Função diagnóstica da avaliação .............................................................. 33 4.1.2. A avaliação com função formativa ............................................................ 35 4.1.3. A avaliação com função somativa ............................................................. 37 5. Os diversos tipos de instrumentos e estratégias relativos à avaliação e seus usos .... 39 5.1. Avaliação informal ................................................................................................... 39 5.2. Avaliação formal ..................................................................................................... 42 5.3. Organizando provas com questões discursivas e objetivas ..................................... 44 5.3.1. As provas discursivas, dissertativas ou subjetivas .................................... 45 5.3.2. Provas objetivas ....................................................................................... 46 6. Instrumentos importantes para complementar a avaliação ......................................... 52 6.1. O conselho de classe como auxiliar ........................................................................ 52 6.2. Tendo a observação como aliada na avaliação ....................................................... 55 6.3. Determinando escalas de avaliação ........................................................................ 59 6.4. Quando perguntar se torna parte da avaliação ....................................................... 61 6.5. Como relatar os resultados? ................................................................................... 61 6.6 Avaliando e registrando no portfólio ........................................................................ 61 7. Como e para que fazer o registro dos resultados? ..................................................... 64 7.1. Entre medir e avaliar ................................................................................................ 66 7.2. Diretrizes de avaliação escolar na SME da Cidade do Rio de Janeiro .................... 68 7.2.1. Ampliando a visão sobre a avaliação na SME .......................................... 69 7.2.2. Componentes de área utilizados nas provas da SME ............................... 70 7.2.3. Falando de recuperação de acordo com a SME ....................................... 71 Referências Bibliográficas.............................................................................................. 72 Bibliografia ..................................................................................................................... 75 Anexos .......................................................................................................................... 76 4 INTRODUÇÃO Olá aluno e aluna do IECS Nosso material tem como tema a questão relativa ao Sistema de Avaliação. Quando nos referimos à avaliação na escola a primeira ideia que temos tem ligação com prova, aprovação e reprovação.Trazemos uma proposta mais abrangente. Chegar ao quesito de avaliação da aprendizagem escolar, como o produto mais importante do que se faz na escola, nos remeterá a caminhos desde a dimensão macro, enfocando a avaliação no sistema, até a avaliação da aprendizagem na escola, que não se limita a avaliar o aluno, mas sim a examinar todo o processo avaliativo e isso inclui o professor, a escola e o sistema como um todo. Gostaríamos também de desconstruir um pouco a chamada Pedagogia do exame, indo além e mostrando uma avaliação que deve deixar de ser seletiva excludente e classificatória. Ao longo dos sete capítulos do nosso material é possível você verificar que isso pode ser feito. Para dar aval a nossa ação queremos tê-lo como parceiro. A fim de que você consiga dimensionar a nossa proposta, fechamos essas palavras iniciais com um pensamento de Esteban: Construir uma avaliação capaz de dialogar com a complexidade do real, com a multiplicidade de conhecimentos com as particularidades dos sujeitos, com a dinâmica do individual /coletivo, com a diversidade de lógicas, dentro de um processo costurado pelos múltiplos papéis, valores e vozes sociais, perpassado elo confronto de interesses individuais e coletivos não é tarefa simples. (ESTEBAN, 2001, p.25) 5 • Após a leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes competências e habilidades • Conceituar sistema • Identificar os componentes de um sistema como conjunto • Avaliar as possibilidades de ação no sistema para melhoria das partes componentes do mesmo. 1. ENTENDENDO A AVALIAÇÃO COMO SISTEMA O que buscamos quando projetamos avaliar um sistema ? De forma bem simples desejamos obter e organizar informações sobre os diferentes aspectos de funcionamento desse sistema. O mesmo se pode dizer quando tratamos do sistema educacional. Iniciamos pedindo a você que coloque nos espaços exemplos de sistemas e suas funções.: É possível que você tenha lembrado alguns desses sistemas : Sistema Econômico para manter os recursos da economia em circulação Sistema Métrico sistema comum de unidades de medida utilizado por grande parte do mundo. Sistema Computacional para atender a uma determinada necessidade de processamento de informações dos usuários Sistema Solar para manter os planetas girando em torno do sol Sistema Digestivo para incorporar ao corpo de um animal, a energia e matéria contidas em alimentos Biosfera que é o sistema que mantém a vida sobre a terra http://pt.wikipedia.org/wiki/Unidades_de_medida 6 • Um sistema (do grego systema) é um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado. • Um sistema pode ser definido como um conjunto de elementos inter- relacionados que interagem no desempenho de uma função. • Sistemano processo de avaliação, pois fornece as informações referentes à área cognitiva, afetiva e psicomotora do aluno. Sobre a importância da observação já expusemos alguns pontos de vista.. Neste tópico temos o objetivo de apresentar aspectos mais formais sobre este, que é um instrumento essencial no processo de avaliação,especialmente nos segmentos de ensino para os quais você está se formando. 57 De acordo com Sant'Anna (2000, p.99)a observação pode ser técnica e processo. As técnicas de observação são instrumentos usados pelo professor no momento da observação ou depois para medir e interpretar ou dados. São usadas também para documentar os fatos observados. As técnicas de coleta de dados mais usadas são: ❖ Registro ❖ Fichas de observação. ❖ Anedotário. ❖ Listas de verificação-“check list” ❖ Sistemas de categorias ❖ Escalas de avaliação. O registro corresponde à anotação de fatos observados, em que se deve ter uma objetividade buscando não levar em conta as interpretações pessoais. Nesse aspecto o registro através de fotografias parece ser indicado. As fichas de observação constituem um roteiro para dirigir a atividade. O modelo que apresentamos foi adaptado de Sant'Anna (2000,p.115) A observação é uma técnica por ser um meio ou modo organizado de ação, que se desenvolve para atingir fins específicos e é um processo pelo fato de constituir-se num ato de apreender coisas e acontecimentos, comportamentos e atributos pessoais e concretas inter-relações. 58 Disciplina observada: ------------------------. Observador: Data: Horário: - Início: ------------ Término: ----------- Exemplo de ficha de observação Aspecto intelectual Participa do trabalho com interesse Realiza as tarefas em tempo hábil. Resolve os exercícios sem auxílio Mantém atenção ao trabalho Luiza José Aspecto emocional É reservado É apático Apresenta desembaraço. É responsável Aspecto social É pontual É assíduo É amistoso É líder 59 O anedotário corresponde a uma rápida descrição de fatos significativos Não é bom contar apenas com lembranças, pois esquecemos de detalhes. Assim é recomendável ter sempre em mãos, um caderno que funcionará como "anedotário ", Exemplo de anedotário (Fonte: http://pt.slideshare.net/SimoneHelenDrumond/modelos-de-anedotrios-de-simone-helen-drumond A lista de verificação – check list – é adequada para avaliar e registrar comportamentos específicos, evidências pré determinadas, por exemplo, observar se o aluno colabora com o grupo, se ouve o colega, se é cuidadoso com o material e registrar num documento previamente elaborado. http://pt.slideshare.net/SimoneHelenDrumond/modelos-de-anedotrios-de-simone-helen-drumond 60 No sistema de categorias, a observação se dirige para áreas específicas que podemos criar tais como: • Área sócio emocional. (positiva) • Ex: Observar se o aluno mostra solidariedade. • Área sócio emocional (negativa) Ex: Observar se o aluno demonstra tensão, antagonismo ou rejeição. • Área das tarefas. Ex: Observar se o aluno dá ou pede orientação, opinião, informação. 6.3. Determinando escalas de avaliação As escalas de avaliação ou classificação são constituídas por um conjunto de características ou atributos a serem julgadas e por algum tipo de escala para indicar o grau em que a característica ou atributo é avaliado. As funções da escala de avaliação são: Observar aspectos definidos do comportamento; Oferecer um quadro de referência comparativo do aluno a um mesmo conjunto de características; Julgar adequadamente os fatos e Permitir avaliação do processo e produto da aprendizagem. Os principais tipos de escalas de avaliação são: Escalas de avaliação numérica.e Escala de avaliação gráfica. Observação e registro pelo professor – a educação do olhar Não há observação possível senão para quem sabe aquilo que deseja ver; ou seja, para observar é preciso direcionar o olhar, registrar aquilo que é percebido e fazer uma análise dos dados obtidos e registrados. A questão é o quê registrar, quando e como fazê-lo. (SMOLKE, 2004, p.2) 61 Assinale o grau que o aluno contribui para as atividades de aprendizagem em grupo: 1- Insatisfatório. 2. Médio.3. Acima da média. a) Comportamento do aluno quanto à participação: ( )1 ( )2 ( )3. b) Comportamento do aluno quanto á liderança: ( )1 ( )2 ( )3. c) Comportamento do aluno quanto à comunicação: Nas escalas numéricas são atribuídos números, assinalando uma categoria, com uma base referencial. Na escala gráfica há uma linha horizontal ou vertical com uma série de categorias ao longo da mesma. Deverá ser assinalado o ponto que melhor identifica o comportamento observado. Quanto ao nível de organização do material o aluno é: Pouco Nada Muito Na escala gráfica do tipo descritiva ocorre maior clareza na detalhamento dos pontos principais. Aparecem perguntas sobre o aluno direcionando o registro,como no exemplo a seguir. . 62 6.4. Quando perguntar se torna parte da avaliação A inquirição é também um recurso de avaliação. São perguntas feitas em busca de fatos relevantes. Essas perguntas podem ser feitas através de: ➢ Questionários. podem ser respondidos na ausência do professor, podem ser respondidos por e-mail, dão mais liberdade de respostas, mais pessoas podem responder num espaço de tempo menor. ➢ Entrevistas: permitem avaliar as reações da pessoa, propiciam esclarecimento de dúvidas, possibilitam a obtenção de dados de natureza complexa e afetiva. 6.5. Como relatar os resultados? A observação exige ainda as técnicas de documentação. O relatório é a principal técnica de documentação, tendo por finalidade informar, relatar, fornecer resultados, dados, experiências que permitam tomada de decisões para melhorar um processo, que no nosso caso é o processo ensino-aprendizagem. O relatório expõe os resultados de determinado estudo ou pesquisa que foram realizados com fim específico. 6.6 Avaliando e registrando no portfólio Consideramos importante ainda citar o portfólio que é um dos processos de avaliação condizente com uma avaliação formativa. •É seguro? • É calmo • É líder? •É apático? 63 A definição de portfólio na área educacional é de uma coleção de produções do aluno, que apresentam evidências de sua aprendizagem. O termo “portfólio” significa que a avaliação pode se basear num conjuntos variados de produtos e não apenas o resultado de uma prova ou teste. Com o portfólio, o aluno participa da formulação dos objetivos de sua aprendizagem e também avalia o próprio progresso. O portfólio apresenta três características básicas: Avaliação como um processo de desenvolvimento. Os alunos como participantes ativos desse processo. O aluno refletindo sobre aprendizagem; O portfólio oferece ao aluno a oportunidade de registrar experiências significativas que enfatizam aspectos sociais e pessoais; beneficia todo tipo de aluno, pois eles se apresentam integralmente. O portfólio costuma ser usado para apresentação de trabalhos ao final de uma unidade ou projeto, mas apresenta também algumas desvantagens, porque algumas vezes torna-se difícil assegurar que os trabalhos dos alunos sejam evidência do que eles realmente sabem e, também quanto à correção, porque não é fácil especificar critérios deverão ser aplicados para serem justos e confiáveis. Para aprofundar conhecimentos 64 Neste capítulo analisamos variados instrumentos de avaliação, compreendemos suas funções, e refletimos sobre as possibilidades de uso dos mesmos sempre visando melhorar o processo de ensino aprendizagem. O capítulo que se segue traz a abordagem sobre o registro de resultados da avaliação.Manual de portifólio - Um guia passo a passo para o professor . De autoria de Elizabeth Shores e Cathy Grace, Tradução Ronaldo Cataldo Costa, numa publicação da Artmed Editora. De acordo com a descrição da editora o "Manual de Portfólio" proporciona técnicas de avaliação com portfólio em passos que são fáceis de conduzir e suficientemente simples para fazerem parte do processo cotidiano de ensino, tornando a avaliação com portfólio uma estimulante exploração do aprendizado de cada criança. As autoras utilizam o Processo de Montagem de Portfólio em Dez Passos, no qual cada passo do processo prepara os professores para o passo seguinte. http://www.livrariaresposta.com.br/v2/listagem.php?autor=5175 http://www.livrariaresposta.com.br/v2/listagem.php?autor=5176 65 • Ao final deste capítulo você poderá ter construído as seguintes competências e habilidades: • Identificar diferentes possibilidades de registros de resultados da avaliação. • aluno. • Relacionar a autonomia da escola na determinação da promoção do Conhecer os limites fixados pela lei e a dimensão da autonomia da escola, na definição dos critérios para esses registros. 7. COMO E PARA QUE FAZER O REGISTRO DOS RESULTADOS? Você se lembra do critério de avaliação e promoção no seu Ensino Médio? E no Fundamental? Chegou a ser avaliado com os conceitos A, B, C. D, ou E? O registro dos resultados da avaliação pode variar de acordo com a época, o local ou a instituição. Cada escola tem suas características próprias, sua filosofia, seus objetivos e consequentemente seu sistema de avaliação. Algumas vezes um aluno é reprovado numa determinada escola e poderá ser aprovado em outro estabelecimento, dependendo da maneira como foi estabelecida a avaliação nessa outra escola.. Ainda que a Lei 9394/ 96- tenha deixado a para a escola a determinação dos seus critérios específicos de avaliação, ela estabelece alguns princípios básicos. 66 Art.24 V- A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; b) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação da aprendizagem; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos. VI- O controle da frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de 75% do total das horas letivas, para a aprovação; O artigo 24, em seus capítulos V, VI e VII faz referência direta ao assunto, que apresentaremos no quadro seguinte: 67 A Lei 9394/96, ao estabelecer as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, buscou criar condições legais para que cada escola pudesse se organizar para o alcance dos objetivos propostos na Constituição de 1988, em relação à educação, substituindo uma concepção de avaliação escolar punitiva e excludente por uma concepção de avaliação comprometida com o progresso e o desenvolvimento da aprendizagem. Como você verifica a lei não prioriza o sistema rigoroso de notas parciais e médias finais no processo de avaliação escolar. Considera que mais importante é a aprendizagem de atitudes e valores e que os registros de acompanhamento do caminhar do aluno são essenciais na avaliação. Num bom sistema de avaliação as notas e conceitos são uma forma eficiente de comunicar ao aluno e à família o resultado final, diminuindo a subjetividade dos critérios Isso não impede que notas e conceitos sejam acompanhados de comentários e explicações. 7.1. Entre medir e avaliar Ao longo do nosso material sobre avaliação discutimos conceitos da avaliação como sistema, desde o nível da Avaliação Educacional, até chegarmos ao nível da sala de aula, onde o processo ensino aprendizagem ganha forma. Ao testar o aluno através de uma prova atribuindo valor a cada questão e ao somatório do que ele obteve das partes da prova vamos estar medindo através do instrumento prova e atribuindo valor ao desempenho do aluno , nesse instrumento de medida. Mas se pensamos em avaliar devemos ir além. Nós medimos as coisas porque queremos entendê-las melhor. Na maioria das vezes, ao tratarmos da medida, o resultado é o que se destaca. No entanto para estabelecermos a diferença entre medir e avaliar podemos dizer que: http://www.moodle.ufba.br/mod/glossary/showentry.php?courseid=1857&concept=Avalia%C3%A7%C3%A3o http://www.moodle.ufba.br/mod/glossary/showentry.php?courseid=1857&concept=Avalia%C3%A7%C3%A3o 68 Medir é comparar uma grandeza com outra tomada como unidade, é colher e ordenar informações, considerando o aspecto quantitativo, numérico. Avaliar é atribuir valor a algo, para determinada finalidade ou para uma tomada de decisão, é dar significado a uma medida, é ação e reflexão sobre resultados da medida. Quando constatamos que determinada pessoa faz uma atividade qualquer com muita velocidade, estamos realizando uma medida. Se dissermos que o produto desta atividade é ruim ou bom, estamos fazendo uma avaliação sobre o mesmo. A primeira retrata a quantificação e a segunda uma qualificação (julgamento, tomada de posição, juízo de valor). Medida e avaliação são, pois, dois processos distintos e estão presentes a cada momento da construção do conhecimento e da avaliação de desempenho. Lembrete Quando avaliamos com o uso de medidas, o que ocorre geralmente é seguirmos determinados passos ou etapas, tais como: ❖ 1- Indicar e definir o que vamos medir ou avaliar ❖ 2- Determinar um conjunto de operações ou critérios que mostrem como medir ou avaliar ❖ 3- Estabelecer um conjunto de procedimentos que permitam traduzir o resultado seja por números ou conceitos. Sobre o primeiro item devem ser traçados objetivos em torno do que se quer efetivamente avaliar com as questões propostas. Eis alguns exemplos: ser capaz de ler e interpretar um texto; construir uma crítica a respeito de algo; propor solução para dada situação. Por isso é preciso que o professor indique claramente o objetivo do questionamento. 69 Se você está estagiando procure saber como os critérios para aprovação ou reprovação dos alunos se efetivam, compare as informações com as ponderações sobre o processo de ensino aprendizagem que apresentamos até aqui. Sobre o segundo item estamos fazendo referência aos critérios e às condições para a avaliação. Ou seja, uma vez formulado o objetivo e definido o conteúdo a ser avaliado, é necessário estabelecer critérios e condições que tornem claras as suas intenções. Exemplo: O professor só levará em conta o que está apresentado na prova ou então à nota de prova serão somadas outras notas de outras atividades de aprendizagem que envolverão situações de pesquisa, leitura, trabalhos. Sobre o terceiro item diz respeito à aferição de resultados. Toda escola ou instituição deve ter um parâmetro básico onde está definido o mínimo necessário a ser alcançado para a aprovação ao ano escolar subsequente. 7.2. Diretrizes de avaliação escolar na SME da Cidade do Rio de Janeiro Tomamos como exemplo a Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro.. Através da RESOLUÇÃO SME N.º 1123, DE 24 DE JANEIRO DE 2011.foram estabelecidas as diretrizes para a avaliação escolar na Rede Pública do Sistema Municipal de Ensino da Cidade do Rio de Janeiro . A avaliação do processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos do 1.º ao 9.º ano do Ensino Fundamental e doPrograma de Educação de Jovens e Adultos - PEJA - deverá também ser expressa, de acordo com a Resolução 1123/2011, a cada Conselho de Classe, por meio de um conceito global, definido pela Secretaria Municipal de Educação (SME), o qual determinará, ao final do ano letivo, a aprovação ou reprovação do aluno. 70 Esse conselho global instituído considerará as avaliações dos professores, os resultados nas provas bimestrais e o aspecto formativo do desenvolvimento do aluno. No Ensino Fundamental, após alfabetização, ficará retido o aluno que obtiver conceito global I (Insuficiente) ao término de cada ano escolar. Também serão registradas no Boletim Escolar, as notas obtidas nas provas bimestrais de Português, Matemática e Ciências. São documentos considerados documentos relativos à avaliação escolar: O Diário de Classe; a Ficha de Avaliação; o Boletim Escolar e o Relatório de Transferência, para alunos do Ensino Fundamental e do PEJA; além daquela documentação de acompanhamento da vida escolar do aluno. 7.2.1 Ampliando a visão sobre a Avaliação na SME Os alunos são avaliados por intermédio de provas bimestrais, criadas pela SME e aplicadas nas escolas pelas professoras. Concomitantemente a esse instrumento as professoras têm autonomia para proceder à avaliação através dos instrumentos que decidirem utilizar tais como: provas, testes, trabalhos, observação dos alunos etc. O aluno chega ao final de um bimestre com o desempenho apresentado por uma nota resultante da média entre a nota da prova elaborada pela secretaria e da avaliação da professora. As notas podem variar de 0 a 10 e após a pontuação as mesmas são transformadas em conceitos globais como a tabela que se segue. Resultados numéricos Resultados conceituais globais Entre 8 e 10 Muito Bom Entre 7 e 7,9 Bom Entre 6,9 e 5,0 Regular De 4,9 para baixo Insuficiente 71 O rendimento Muito Bom (MB) é atribuído ao aluno que atingiu os objetivos propostos para o período, não tendo necessitado de atividades específicas de recuperação paralela. O conceito Bom (B) é atribuído ao aluno que atingiu os objetivos propostos para o período, com participação eventual em atividades específicas de recuperação paralela. É considerado como tendo um rendimento Regular (R) o aluno que atingiu parcialmente os objetivos propostos para o período, necessitando, constantemente, de recuperação paralela, com novas e diferenciadas atividades. Ao aluno que, por ventura, após a recuperação paralela, não atingiu os objetivos mínimos propostos para o período é atribuído o Insuficiente (I). Quando da realização de atividades de avaliação, serão feitas, na ficha do aluno - que deverá sempre estar à disposição do professor - anotações que, de acordo com as suas especificidades, deverão ser discutidas individualmente ou no coletivo do grupamento. 7.2.2 Componentes de área utilizados nas provas da SME Os alunos são avaliados pela SME nas atividades relativas à Produção de texto com tema determinado, Matemática, Língua Portuguesa e Ciências. Para os que estão na fase inicial do Ensino Fundamental, no ciclo de alfabetização, o foco é a Língua Portuguesa , a leitura e escrita. Quer saber mais sobre as provas da SME? Acesse exemplos das provas elaboradas pela SME 1- Prova de Matemática para o 5º ano http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4414525/4109928/PROVA5ano4BIMMAT. 2013aluno.pdf Acesso em dez 2014 2- Prova de Língua Portuguesa para o 4º ano http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/825379/DLFE-196416.pdf/1.0 Acesso em dez de 2014 http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4414525/4109928/PROVA5ano4BIMMAT http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/825379/DLFE-196416.pdf/1.0 72 Neste capítulo analisamos as formas usadas para o registro de resultados da avaliação, os princípios estabelecidos pela lei e os direitos da escola na elaboração dos critérios de avaliação. Tratamos ainda de estabelecer a diferença entre o medir e o avaliar. Esperamos que este material tenha ajudado a você, abrindo portas para a aquisição de novos conhecimentos relativos à avaliação. Sempre que necessário, consulte as referências bibliográficas e outras fontes confiáveis que você encontrar, buscando sempre saber mais .. 7.2.3 Falando de recuperação de acordo com a SME Durante o ano letivo, a cada bimestre, deverão ser asseguradas atividades diversificadas de recuperação paralela aos alunos que apresentarem conceito global I ou média inferior a 5 (cinco) em qualquer das disciplinas. Além disso no período de recesso escolar, em julho, os alunos que apresentarem conceito global I ou média inferior a 5 (cinco) em qualquer das disciplinas receberão de seus professores, atividades de recuperação interperíodo, para serem reavaliados na primeira semana de agosto,de acordo com a Resolução SME 1123/2011. "O ato de avaliar, por sua constituição mesma, não se destina a um julgamento definitivo sobre alguma coisa, pessoa ou situação, pois não é um ato seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico e, por isso mesmo,à inclusão, destina-se à melhoria do ciclo da vida."(LUCKESI,2001,p.180) 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Celso. Glossário para educadores. Petrópolis: Vozes, 2002. BRASIL. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394- Brasília : MEC, 1996. ESTEBAN, Maria Teresa. A avaliação no Cotidiano Escolar. In Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A,2001 FERNANDES, Maria Estela Araujo. Avaliação Institucional: significado, princípios e ações metodológicas. Revista de Educação AEC. Brasília: Editora Salesiana, 2001 N 119. GRISPUN, Mírian Paura S. Avaliação Institucional. Ensaio: avaliação de políticas públicas. Rio de Janeiro: Cesgranrio, 2001. Volume 9, n 31 HOFFMANN, Jussara. Avaliação, mito e desafio - Uma perspectiva construtivista. Porto Alegre, RS: Mediação, 1996. INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O que é o Ideb. Disponível em Acesso em Dez de 2014 O que é SAEB, ANEB e ANRESC. Disponível em Acesso em Dez de 2014 PORTAL DO MEC. PDE/SAEB. Plano de desenvolvimento da Educação.2011. Disponível em aCESSO EM DEZ 2014 http://portal.inep.gov.br/web/portal- http://portal.inep.gov.br/web/saeb/aneb-e-anresc http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb_matriz2.pdf 74 LUCKESI, Cipriano, C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 1997 Série Ideias nº 15. São Paulo: FDE, 1992. MEDEIROS, Ethel. Bauzer. As provas objetivas. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,1972. MURAD, Elisabeth. Uma questão de prova não se constrói no vazio. Revista eletrônica do Vestibular. Ano 7, n. 21, 2014. Disponível em Acesso em dez 2014 OLIVEIRA, João Batista Araujo e CHADWICK, Clifton. Aprender e ensinar. São Paulo: Editora Global, 2001. ONU. Brasil: PNUD e UNESCO. Disponível em e Acesso em 23 jun 2011 PDE. Plano de Desenvolvimento da Educação: Prova Brasil: Ensino Fundamental: matrizes de referência, tópicos e descritores. Brasília: MEC, SEB; Inep, 2008. SANTANNA, Ilza Martins. Por que avaliar? Como avaliar?Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2000. SALAZAR, Albertina Maria Rocha. Lei de Diretrizes e Bases no Cotidiano Escolar. In A Gestão da Escola. ACÚRCIO, Marina Rodrigues Borges (coord.) Coleção a Escola em ação n4. Porto Alegre: Artmed,2004. http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=13 http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_2/ http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/75 SEBRAE. Escola de Passo Fundo é exemplo de inovação. Disponível em Acesso em dez 2014 SMOLKE, Kátia Cristina S.. Avaliação escolar. Rede Salesiana de ensino Disponível em. Acesso em jul 2011 VIANNA, Heraldo Marelim. Avaliação educacional. São Paulo: Ibrasa, 2000. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. . 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Da excelência à regulação das aprendizagens. Entre duas lógicas. Porto Alegre. Artmed, 1998. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre, RS: Artmed, 1998. 77 ANEXOS 1. Ficha de autoavaliação do professor Peça a um professor para responder: Quando Estou Ensinando Eu: 1. Discuto outros pontos de vista diferentes do meu 2. Destaco as implicações contrastantes das várias teorias 3. Discuto desenvolvimentos mais recentes do assunto 4. Cito referências a respeito dos pontos mais interessantes 5. Enfatizo a compreensão dos conceitos 6. Explico o mais claramente possível 7. Estou bem preparado 8. Apresento aulas que são fáceis de acompanhar 9. Sumarizo os pontos principais 10. Defino os objetivos em cada aula 11. Identifico o que acho ser importante 12. Encorajo a troca de opiniões entre alunos 13. Incentivo os alunos a compartilhar suas experiências e conhecime 14. Encorajo os alunos a criticar meus pontos de vista 15. Sei quando os alunos estão me compreendendo ou não 16. Sei quando os alunos estão confusos ou entediados 17. Tenho um interesse genuíno em relação aos alunos 18. Presto auxílio pessoal aos alunos com dificuldade no curso 19. Relaciono-me com os alunos como seres humanos 20. Mostro-me acessível aos alunos fora da sala de aula 78 21. Tenho um estilo interessante de apresentar as aulas 22. Sou entusiasmado pelo assunto que ensino 23. Procuro variar o tom e a velocidade de voz 24. Tenho interesse e preocupação pela qualidade do meu ensino 25. Motivo os alunos a fazer tudo com a melhor qualidade possível 26. Dou exercícios e tarefas que sejam interessantes e estimulantes 27. Dou os testes e exames que representam sínteses de parte do cur 28. Dou testes e exames que permitam aos alunos demonstrar seus c 29. Mantenho os alunos informados de seu progresso 79 Responda às questões a seguir da maneira mais sincera possível. 2. Ficha de auto avaliação do aluno 1.Deixei de cumprir com alguma tarefa de casa? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 2- Esqueci de trazer material necessário a alguma aula? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 3- Fiquei sem terminar as atividades em sala de aula? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 4- A professora me mandou para a coordenação? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 5- Tenho dificuldades em aceitar minhas atitudes como erradas? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 6- Na hora da aula costumo me distrair com outras coisas? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 7- Esqueço meus objetos em classe ou na escola? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 8- Sou chamado pela professora para prestar atenção na explicação? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 9- Deixo de entregar os trabalhos solicitados pelo professor na data marcada? ( ) Sim ( ) às vezes( ) Não 10- Nas questões anteriores qual opção você marcou mais? ( ) Sim ( ) às vezes ( ) Nãoé um conjunto de elementos interconectados harmonicamente, de modo a formar um todo organizado. O que há de comum entre eles? Acertou quem disse um conjunto de elementos. Sistema de som Eis algumas definições sobre sistema. Um sistema de ensino é constituído por escolas, seus departamentos, Secretarias de estado e seus órgãos e os Conselhos de educação nas esferas local,municipal, estadual e federal.(ANTUNES, 2002, p.179) A representação clássica para um sistema se caracteriza pelo conjunto: Entrada INPUT Processo Saída OUTPUT 7 É muito comum ouvirmos a afirmação que a Educação é um processo. No gráfico anterior você pôde perceber que todo o sistema lida com 3 componentes que são : a entrada – o processo – a saída. E o Sistema Educacional? A escola precisa pensar a Educação não só como processo, mas também como sistema, Isso significa levar em conta esses 3 componentes: entrada, processo e saída. Assim vamos ressaltar a importância da avaliação que possibilite manter o sistema informado, de forma a se detectar acertos e erros e assim dar o retorno necessário à correção dos impasses que se apresentarem. Nesse caso, como cita Gonzaga (2007) a avaliação fornece subsídios para o processo de tomada de decisões, ou para a retroalimentação contínua dos sistemas organizacionais, com vistas a futuras correções de rumo. Será que você entendeu direitinho a ideia de avaliação como diagnóstico, processo e retroalimentação do sistema? Quando se constata alguma distorção busca-se a definição de ações voltadas para a correção das mesmas e o aperfeiçoamento das práticas com melhoras nos resultados apresentados. 1.1 Um exemplo de sucesso Vamos tornar práticas as noções que estamos desenvolvendo? O exemplo que exporemos vai esclarecer algumas ideias interessantes ao entendimento da avaliação como sistema. Fizemos uma adaptação de um caso verídico . 8 Escola de Passo Fundo é exemplo de inovação1 Em 2012, uma gestora fundou a Escola de Educação Infantil Colinho de Mãe, em Passo Fundo(RS), para atender a crianças de 0 a 4 anos de idade. Tinha como primeiro objetivo da escola: promover o desenvolvimento das potencialidades das crianças ; proporcionando um ambiente acolhedor, afetivo e lúdico. Para atender a esse quesito a gestora buscou profissionais com formação em Pedagogia. Mesmo assim os investimentos em qualidade não impediam a insegurança sobre os rumos do empreendimento cada vez que um aluno que saía da escola. A situação mudou quando a gestora foi convidada a participar do Programa ALI – Agentes Locais da Inovação/SEBRAE. Em 2012, a escola tinha 30 alunos matriculados. A partir das decisões tomadas em abril de 2014, já havia fila de espera para as crianças se matricularem .Neste ano, são 84 alunos, e fila de espera por vagas. O programa do SEBRAE tem duração de dois anos e é gratuito. O objetivo é levar a inovação às pequenas empresas com uma metodologia de realização de diagnósticos que auxiliam na identificação dos principais pontos fortes e oportunidades de melhoria. Um agente vai até a empresa que precisa de sugestão para a melhora, faz um diagnóstico e a partir do que foi identificado elabora um plano para aumentar o seu grau de inovação. A gestora seguiu as proposições do programa e implantou uma série de melhorias e inovações em sua escola. Na área administrativa, um controle financeiro com separação dos custos fixos e custos variáveis, das despesas particulares e comerciais da empresária e o controle de recebimento das mensalidades auxiliaram na gestão financeira do negócio. inovacao 1 http://www.sebrae-rs.com.br/index.php/casos-de-sucesso/2313-escola-de-passo-fundo-e-exemplo-de- http://www.sebrae-rs.com.br/index.php/casos-de-sucesso/2313-escola-de-passo-fundo-e-exemplo-de- 9 A partir de uma pesquisa de satisfação e enquete para análise de agregação de novos serviços, foi possível confirmar a receptividade dos pais para agregar novos serviços. A escola também criou uma página na rede social Facebook para mostrar as atividades desenvolvidas, ilustrando-as com fotos, e implantou melhorias salariais para os professores bonificação por trabalhos em datas especiais. Ao final da aplicação do projeto, a Escola de Educação Infantil Colinho de Mãe alcançou uma evolução de 63,15% . Além disso, das 13 dimensões que a metodologia do SEBRAE aborda, a escola melhorou em nove delas. A gestora esteve disposta a analisar e implementar as sugestões apresentadas, incorporando a inovação em sua rotina do planejamento, através de pequenas ações que geraram um bom resultado. Entender o funcionamento da Educação a partir da ideia de sistema foi o nosso intento nesse capítulo. Também tentamos ressaltar a importância de estabelecer um contínuo entre diagnóstico-processo-feedback. Esperamos que esse aprendizado o auxilie e o prepare para a próxima atração: Avaliação da escola como um todo. 10 Avaliação Educacional Avaliação Institucional Avaliação da Aprendizagem 2. COMO VAI A ESCOLA COMO UM TODO? A prática da avaliação da escola na dimensão institucional não era algo muito comum em Educação. O foco ficava sempre voltado para o desempenho dos alunos. Mas isso vem mudando. A avaliação institucional já é uma realidade. Em termos temporais a chamada avaliação institucional se tornou marcante a partir dos anos 90. 2.1 Os diferentes níveis de avaliação do Sistema de Ensino Observe o esquema : Ao final do capítulo você poderá ter desenvolvido as seguinte competências e habilidades • Conceituar a avaliação institucional • Comparar avaliação externa e interna • Apontar órgãos e instrumentos envolvidos na avaliação institucional 11 Para Trigueiro citado por Gonzaga (2007, p.29) A avaliação Institucional é o processo sistemático e permanente que permite captar informações sobre o objeto avaliado para constatá-lo como um marco de referência e a partir desta comparação, emitir juízos de valor e propor alternativas para tomar decisões com vistas à melhoria desse objeto. A avaliação em Educação atravessa a fronteira da escola ,perpassando desde o nível macro ao micro. Para melhor entender o esquema verificamos que: A avaliação educacional se relaciona com as políticas públicas em educação. A avaliação institucional diz respeito à avaliação da instituição em si, tanto no tocante ao relacionamento externo quanto no tocante à aprendizagem A avaliação da aprendizagem envolve os aspectos relativos ao processo ensino e aprendizagem e no sentido micro chega até a avaliação de uma disciplina. Nesse capítulo vamos tratar do nível intermediário apresentado nesse esquema. . 2.2. Avaliação Institucional Mas como podemos entender o que é a Avaliação Institucional? Vamos apreciar algumas colocações a esse respeito, na voz de diferentes autores: 12 Completando as conceituações, Gonzaga (2007) acrescenta que as informações colhidas, os juízos que fazemos a partir dessas informações, acabam determinando a qualidade do que se avalia e alimenta os processos de tomada de decisão, propõe alternativas de ação, oferece indicativos para o aperfeiçoamento do que se avalia, e ajuda a planejar ações para a transformação do avaliado buscando a parceria com todos os envolvidos. Como você está verificando a avaliação institucional que busca a investigação para a intervenção na realidade, não é atributo específico da escola, sendo considerada como um poderoso instrumento de transformação das organizações e da sociedade, podendo no mundo contemporâneo ser considerada como uma ferramenta de gestão que ajuda a organização a compreender-se de forma global, identificando as suas múltiplas interfaces. Grispun (2001, p 224) assim se expressa a respeito da avaliação institucional:A avaliação institucional ainda não é uma prática muito utilizada nas nossas escolas como um momento do seu Para Grinspun (2001, p. 223) A Avaliação institucional fundamenta-se em critérios e valores pelos quais vão ser observados a instituição e o projeto que se pretende desenvolver. 13 processo pedagógico e possui escasso material teórico e metodológico de sua finalidade. E a utilização de seus resultados traz pesos muito distintos: premiar e ou punir. Como você interpreta as ideias da autora? Verificamos que, segundo ela, olhar a instituição como parte do processo pedagógico, ainda não é muito comum. E mesmo quando ocorre a utilização dos resultados da avaliação não é feita de forma adequada. Já Gonzaga (2007) lembra que mesmo tomando emprestado o referencial relativo à avaliação institucional para qualquer organização é preciso estabelecer distinção entre as organizações escolares e as não escolares. Há diferenças ao tratarmos da questão de eficiência e produtividade, quanto à tarefa de cada profissional, quanto aos objetivos que são múltiplos e nem sempre mensuráveis na escola, enquanto que muitos desses aspectos são hierarquizados, mensuráveis e precisos em outras instituições. Existem ainda significativas diferenças nas condições de trabalho, bem como na experiência administrativa de suas lideranças, no tipo de produto e nas peculiaridades do cliente. Na escola o aluno é ao mesmo tempo cliente e um de seus produtos. 14 Fonte: Mafalda de Quino Explique a afirmativa . Porém, para Gonzaga (2007), a diferença maior se refere ao pedagógico e, portanto, à formação do aluno. Na Universidade e na escola é o pedagógico a essência, o que deve determinar as ações e princípios organizacionais e não o administrativo, como nas outras organizações. Dessa forma o administrativo deve atuar para dar condições do pedagógico se viabilizar. 2.3.A avaliação institucional interna e externa Uma escola pode ser avaliada tanto de forma externa quanto interna, de acordo com seus objetivos e da ação de quem a produz. Tomando Gonzaga (2007, p.33) como referência, podemos afirmar que: 15 Logo ao ser submetida à avaliação externa o que conta é a apreciação do desenvolvimento da instituição avaliada, a partir de políticas, diretrizes, princípios amplos, que extrapolam o nível da organização, mas aos quais, ao mesmo tempo, espera-se que a organização atenda. Já a avaliação interna ou autoavaliação se refere à tomada de posição da própria instituição tendo em vista seu projeto institucional, suas metas e princípios. Em algumas organizações há até uma comissão de avaliação encarregada de preparar, envolver os participantes e ainda e proceder à análise dos resultados, chamada de meta avaliação, que serve para o estabelecimento de novos marcos de ação, na busca do aperfeiçoamento. Vamos interpretar uma imagem? Se você se deparasse com a figura a seguir e levando em conta os tipos de avaliação que acabamos de estudar você consideraria a que a escola está passando por Uma avaliação interna? ( ) ou uma avaliação externa a ela?( ) Fonte : Clipart A avaliação externa é aquela em que a instituição é avaliada por órgãos centrais, pelo sistema, por financiadores, por organizações externas de certificação de qualidade. 16 Para concluir esse assunto sobre as avaliações externas e internas é necessário ressaltar que é muito importante que os dois tipos de avaliação institucional se façam em complementação porque isso permite o diálogo externo – interno. 2.4. Alguns princípios a serem pensados na avaliação institucional Para proceder a uma avaliação institucional há princípios, ações metodológicas e etapas a serem respeitadas. (FERNANDES, 2001) Dentre os princípios que devemos levar em conta estão: o chamado princípio da adesão voluntária , em que toda a comunidade se envolve; outro princípio é o de avaliação total e coletiva da escola não deixando nenhum setor a margem do processo avaliativo; o terceiro se refere à questão da identidade da escola, ou seja avaliação deve levar em conta a história desse estabelecimento, o contexto de criação e funcionamento ; como quarto princípio está a questão da necessária linguagem comum a todos e por fim a competência técnica para a elaboração , aplicação, interpretação de resultados e divulgação das diretrizes para melhora. 17 • Deve ser desejado por toda unidade escolar Adesão voluntária Avaliação total e coletiva da escola • A escola deve ser avaliada em todos os seus setores e por todos os que fazem a comunidade escolar Respeito à identidadeda escola • Deve-se levar em conta que a escola é situada historicamente Unidade de linguagem • Entendimento comum dos conceitos, princípios e finalidades Competência técnico metodológica • Trabalho com base científica, para que os dados coletados e análise dos mesmos sejam adequados à realidade Aprecie o quadro resumo sobre esses princípios que apresentamos. Além do conhecimento dos princípios para a avaliação institucional algumas ações metodológicas são importantes. É preciso ter visão da totalidade da escola , em todos os setores tais como serviços, os desempenhos, e suas inter-relações. O referencial maior é o Projeto pedagógico da Escola e é avaliando que se constrói o Projeto. Também é recomendável a participação coletiva tanto do ponto de vista individual,quando pedimos a opinião através de questionário, quanto coletivamente em reuniões e assembleias. Já na fase de planejamento e acompanhamento é essencial analisar as causas dos problemas e apresentar as soluções para os mesmos, com possibilidade de envolvimento de grupo da própria escola. 18 Em cada escola foi construído um grupo de trabalho (GT da escola) formado por um pai, dois servidores(administrativo e de serviço geral) um aluno por turno, o diretor e um diretor adjunto, um especialista em educação e um representante das entidades organizadas do bairro. O número de participantes desse grupo de trabalho dependeu da realidade de cada escola. Vamos ler sobre a atuação de um grupo de trabalho em Escolas Públicas do Ceará, citado por Fernandes (2001, p.73) Se temos como objetivo operacionalizar o processo avaliativo, devemos considerar as fases de : 1.preparação, 2. implementação e 3. síntese.. Apresentaremos alguns exemplos e você irá relacioná-los a fase de aplicação da avaliação na instituição: ( ) Discussão dos dados coletados nos grupos dos vários segmentos ( ) Discussão da proposta com grupos de vários segmentos ( ) Discussão sobre o uso de resultados, com encaminhamento de ações. Muito bem ! você encontrou 2-1-3 19 2.5.A importância da autoavaliação Temos levado em conta neste capítulo a questão da avaliação institucional. A estratégia de autoavaliação deveria ser priorizada, por se constituir em uma oportunidade de reflexão, aprendizado e crescimento para a comunidade escolar. Dessa forma é preciso enfatizar a avaliação individual daqueles que atuam na escola de forma mais direta no processo ensino aprendizagem- Professor e aluno.(Exemplo nos anexos 1 e 2 no final da apostila) É importante destacar que o valor pedagógico desse processo, é proporcional ao empenho da escola e à participação de todos os segmentos da comunidade escolar, tornando-o mais democrático, representativo e comprometido com a melhoria da gestão e qualidade do ensino. Segundo Smolke (2011) a autoavaliação é essencial ao aluno porque assim ele fará uma leitura pessoal de suas conquistas, avanços e necessidades, observando seus limites e verificando os pontos necessários para a superação. Assim essa autoavaliação pode conferir ao aluno uma posição diferenteda que ele normalmente ocupa quanto à avaliação da aprendizagem, fazendo dele não um simples executor de ordens, mas alguém que passa a ter visão crítica do seu processo de aprendizagem, das críticas possíveis ao seu trabalho e do que ele precisa caminhar ainda. 20 Concluindo o estudo do capítulo A avaliação de uma instituição envolve agentes internos e externos a esse processo. Assim se queremos ter um retrato mais próximo da realidade precisamos envolver a todos no processo, uma vez que como já acentuamos, de uma boa investigação sobre a realidade decorre uma boa intervenção na busca de melhoria para a instituição como um todo. Quantos aspectos relativos à avaliação institucional você estudou nesse capítulo? Nele você teve chance de conceituar a avaliação institucional e avaliação interna e externa..Também estudou sobre princípios, ações e etapas da avaliação Institucional. Seu capítulo ficou completo quando abordamos a questão da auto avaliação docente e discente. A partir daqui vamos aprofundar nossa visão a respeito das avaliações abrangentes que vem sendo promovidas pelo Ministério de Educação, em parte como exigência da internacionalização da avaliação do aprendizado na Educação Básica, além de outras determinantes. 21 • Ao final do capítulo você poderá ter desenvolvido as seguintes competências e habilidades • Relacionar os novos enfoques avaliativos com o contexto da avaliação educacional no Brasil e no mundo. • Elaborar uma lista com as variadas estratégias de avaliação relativas ao sistema educativo a nível macro. • Refletir sobre o impacto desses programas na escola. 3. ALGUNS EXEMPLOS DE AVALIAÇÕES NOS SISTEMAS DE ENSINO Temos conversado a respeito da importância da avaliação institucional. O Ministério de Educação tornou a prática usual também para no sistema educacional. Assim vamos conhecer um pouco sobre as avaliações advindas da estrutura maior de organização do ensino. 3.1. Abrindo diálogo sobre os diferentes enfoques avaliativos. Vianna(2000) apresenta a sua visão sobre o momento avaliativo no Brasil: A avaliação educacional, no atual contexto brasileiro, vive momento de grande euforia e afeta diferentes segmentos da comunidade educacional em diversos níveis administrativos. A avaliação não se limita apenas à verificação do rendimento escolar, atividade rotineira( e burocrática) no âmbito institucional da escola. A avaliação atual concentra-se em um nível maior segundo uma perspectiva integrada a programas de qualidade.(2000,p.21) Assim o autor assinala que a avaliação do Ensino Básico virou moda e assunto frequente entre os professores. Da mesma forma os estados avaliam 22 seus sistemas, conferem nota por escola e há aqueles que até dão gratificação ou tiram de acordo com a avaliação de cada unidade escolar de sua rede. No plano do Ensino Superior também vem acontecendo, em paralelo, propostas de diferentes formas de acesso à universidade que fogem à tradição de acesso por vestibular.. Duas notícias recentes relativas a esses aspectos foram veiculadas nos jornais em 2014. Precisamos rever o ensino médio', diz ministro da Educação sobre Ideb O ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou nesta sexta-feira (5) que o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013 para o Ensino Médio reflete o fato de que as políticas voltadas a esse nível de ensino são mais recentes do que as relativas aos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. (Data 5 de set de 2014.) Resultado preliminar do Enem 2013 por escola está disponível para instituições de ensino. Os dados podem ser acessado exclusivamente pelas instituições, na internet. O resultado preliminar foi divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Notícia de 2 de dez de 2014 Hoje constatamos que a avaliação não está circunscrita ao aluno e seu rendimento. Tornam-se evidentes as ocorrências de mudanças. A avaliação passou a se interessar por diferentes grupos de indivíduos: alunos, professores, gestores, técnicos além de abrigar projetos, produtos e materiais, instituições e sistemas educacionais em diferentes níveis e competências administrativas que podem ser considerados como campo da macro avaliação. Junte a esse cenário outras circunstâncias novas tais como a educação de crianças de zero a seis anos, a extensão da educação a populações excluídas, marginalizadas e carentes que exigem novas metodologias de ensino, http://www.inep.gov.br/enem/enemporescola/%23/ 23 a questão ainda grave das reprovações e exclusões e a necessidade de preparar professores capazes para sistemas educacionais de massa nos coloca como educadores em posição de alerta. É nesse momento de complexidade da sociedade e da escola que você está buscando a sua formação para o magistério. A partir dessa exposição introdutória às questões de macro avaliação vamos trazer a você, aluno ou aluna do IECS, uma série de informações sobre a avaliação nacional, através dos programas que estão sendo desenvolvidos. Sem a pretensão de esgotar o assunto vamos fazer a apresentação de alguns desses programas. 3.2. Programas que envolvem a avaliação do sistema IDEB O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2007 e reúne em um só indicador dois conceitos importantes para detectar a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações. Ele agrega ao enfoque pedagógico dos resultados das avaliações em larga escala de resultados sintéticos, facilmente assimiláveis, e que permitem traçar metas de qualidade educacional para os sistemas. O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e nas médias de desempenho nas avaliações do Inep, através do Saeb.2 2 http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb http://portal.inep.gov.br/web/guest/basica-censo http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb 24 SAEB De acordo com a página do Inep, no portal do MEC, com acesso em dezembro de 2014, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem como principal objetivo avaliar a Educação Básica brasileira e contribuir para a melhoria de sua qualidade e para a universalização do acesso à escola, oferecendo subsídios concretos para a formulação, reformulação e o monitoramento das políticas públicas voltadas para a Educação Básica. Além disso, procura também oferecer dados e indicadores que possibilitem maior compreensão dos fatores que influenciam o desempenho dos alunos nas áreas e anos avaliados.3 O Saeb é composto por três avaliações externas em larga escala: Para saber um pouco mais sobre a Avaliação Nacional da Educação Básica – Aneb vamos registrar os seguintes dados : a Aneb é uma avaliação de caráter amostral, aplicada a alunos das redes públicas e privadas 3 http://portal.inep.gov.br/web/saeb/aneb-e-anresc http://portal.inep.gov.br/web/saeb/aneb-e-anresc 25 do país, em áreas urbanas e rurais, matriculados na 4ª série/5º ano e 8ª série/ 9º ano do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio, tendo como principal objetivo avaliar a qualidade, a equidade e a eficiência da educação brasileira. Após a aplicação e chegados aos resultados do país como um todo, das regiões geográficas e das unidades da federação, os mesmos são publicados. O que é preciso saber sobre a Anresc? Já sobre a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar - Anresc (também denominada "Prova Brasil") é preciso saber que se trata de uma avaliação censitária envolvendo os alunos da 4ª série/5ºano e 8ªsérie/9ºano do Ensino Fundamental das escolas públicas das redesmunicipais, estaduais e federal, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas. Participam desta avaliação as escolas que possuem, no mínimo, 20 alunos matriculados nas séries/anos avaliados, sendo os resultados disponibilizados por escola e pelas redes municipais,estaduais e federais. Como você já se apercebeu a Prova Brasil é avaliação do sistema público de ensino em todos os níveis. Por fim vamos conhecer um pouco mais sobre a ANA A Avaliação Nacional da Alfabetização – ANA , que já foi chamada por alguns de Provinha Brasil é uma avaliação censitária envolvendo os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas, com o objetivo principal de avaliar os níveis de alfabetização e letramento em Língua Portuguesa, alfabetização Matemática e condições de oferta do Ciclo de Alfabetização das redes públicas. A ANA foi incorporada ao Saeb pela Portaria nº 482, de 7 de junho de 2013. A Aneb e a Anresc/Prova Brasil são realizadas bianualmente, enquanto a ANA é de realização anual. http://download.inep.gov.br/educacao_basica/prova_brasil_saeb/legislacao/2013/portaria_n_482_07062013_mec_inep_saeb.pdf http://download.inep.gov.br/educacao_basica/prova_brasil_saeb/legislacao/2013/portaria_n_482_07062013_mec_inep_saeb.pdf 26 ENEM O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da Educação Básica, buscando contribuir para a melhoria da qualidade desse nível de escolaridade. A partir de 2009 passou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para o ingresso no ensino superior. Foram implementadas mudanças no Exame que contribuem para a democratização das oportunidades de acesso às vagas oferecidas por Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), para a mobilidade acadêmica e para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. Respeitando a autonomia das universidades, a utilização dos resultados do Enem para acesso ao ensino superior pode ocorrer como fase única de seleção ou combinado com seus processos seletivos próprios. O Enem também é utilizado para o acesso a programas oferecidos pelo Governo Federal, tais como o Programa Universidade para Todos o chamado ProUni. 3.3..Vamos conhecer um pouco mais sobre como se processa a avaliação da através da Prova Brasil? Você não acha importante conhecer a forma como o aluno das escolas públicas é avaliado na prova Brasil? Não estamos incluindo nessas avaliações aquela relativas ao Ensino Superior e Pós-graduações , mas se você quiser saber mais procure informações sobre: ENADE, SINAES,CAPES . http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=205&Itemid=298 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=205&Itemid=298 27 A prova Brasil é elaborada a partir dos currículos propostos pelas redes estaduais e municipais . A partir delas é feita uma análise dos aspectos comuns aos currículos e depois de observados os pontos convergentes foi criada uma matriz de referência Essa matriz não lista conteúdos, mas sim competências e habilidades. Elas se apresentam sob forma de descritores que indicam o que se espera que o aluno tenha adquirido em termos de competências e habilidades. Por exemplo, vamos citar dois descritores de Língua Portuguesa: ▪ Identificar o tema de um texto ▪ Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros O MEC não costumava dar acesso às questões o que desagradava aos professores, mas isso vem sendo superado e algumas questões que mostram a forma como os descritores são cobrado já estão sendo divulgadas. Ficou comprovada que o foco de Língua Portuguesa está relacionado à leitura no texto, nada sendo cobrado fora do entendimento dele. A questão apresenta o texto e quatro alternativas de resposta que necessariamente está ligada a uma informação contida no texto. Verifique no anexo 3, ao final da apostila, algumas sugestões para o desenvolvimento das habilidades que são avaliadas pela Prova Brasil em Língua Portuguesa. Na prova de Matemática, são avaliadas as habilidades de resolver problemas em quatro temas: espaço e forma, números e operações, grandezas e medidas e tratamento da informação. Para Matemática também há descritores como esses.: ▪ Identificar a localização e movimentação de objeto em mapas, croquis e outras representações gráficas e ▪ Identificar a localização de números naturais na reta numérica. 28 3.4. Uma avaliação a nível internacional PISA- Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) De acordo com as informações do documento do Saeb 4 ,na página 6,o Pisa é um programa de avaliação internacional padronizada, desenvolvido conjuntamente pelos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aplicada a alunos de 15 anos. Além dos países da OCDE, alguns outros são convidados a participar da avaliação, como é o caso do Brasil. 4 http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb_matriz2.pdf Para você saber mais acesse: 1- você encontrará exemplos de questões,a matriz de referência e informações sobre a prova 2- www.ne.org.br/políticas – coletânea de textos sobre a prova Brasil 3- www.ne.org.br/l.portuguesa - planos de aula sobre leitura 4- http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb_matriz2.pdf http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb_matriz2.pdf http://www.ne.org.br/políticas http://www.ne.org.br/l.portuguesa http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb_matriz2.pdf 29 O Pisa, cujas avaliações são realizadas a cada três anos, abrange as áreas de Linguagem, Matemática e Ciências, não somente quanto ao domínio curricular, mas também quanto aos conhecimentos relevantes e às habilidades necessárias e às habilidades necessárias à vida adulta. A OCDE é uma organização internacional, composta por 34 países e com sede em Paris, França. A OCDE tem por objetivo promover políticas que visem o desenvolvimento econômico e o bem-estar social de pessoas por todo o mundo. Fonte : http://www.oecd.org/pisa/aboutpisa/ O Brasil, além da avaliação do PISA, participa do programa de Indicadores dos Sistemas Educacionais Nacionais ou INES (do inglês, Indicators of National Education Systems), da OCDE, que é responsável pela construção de indicadores educacionais comparáveis internacionalmente. http://www.oecd.org/pisa/aboutpisa/ 30 3.5. A UNESCO e os indicadores da Educação O órgão da ONU responsável pelas pesquisas em educação é a Unesco, As coletas de dados da Unesco, são conduzidas pelo Instituto de Estatísticas da Unesco – UIS. Entre as coletas de dados conduzidas pelo UIS, de que o Brasil participa, encontram-se as coletas do questionário sobre a população por nível de escolaridade e outro sobre a população alfabetizada e não alfabetizada. Em 1997 foi criado o Programa de Indicadores Mundiais da Educação – WEI (do inglês,World Education Indicators). Trata-se de uma iniciativa voltada para a produção de dados estatísticos e indicadores educacionais com vistas à formulação de políticas públicas para o desenvolvimento dos países membros na área da educação e à realização periódica e atualizada de estudos comparativos internacionais. Inicialmente, o programa estava sob a coordenação conjunta da Unesco e da OCDE. A partir de 2006, o WEI passou a ser coordenado apenas pela Unesco e o Brasil permaneceu no programa não mais como convidado. Nesse mesmo ano, o Brasil ingressa, também, no Programa de Indicadores dos Sistemas Educacionais Nacionais da OCDE – INES. Uma série de dados que eram coletados pela Unesco são agora coletados pela OCDE e repassados ao WEI para composição dos indicadores desse programa. 31 Atividade globalizante Pronto parauma tarefa de reconhecimento? A partir das informações você identifica a avaliação. 1. tem como objetivo aplicar instrumentos em uma amostra representativa de estudantes de 5º e 9º anos (4ª e 8ª) séries do Ensino Fundamental regular e de 3ª série do Ensino Médio de redes públicas e privadas. 2. se trata de uma avaliação censitária envolvendo os alunos da 4ª série/5º ano e 8ª série / 9º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas das redes municipais, estaduais e federais, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas. 3. é uma avaliação diagnóstica do nível de alfabetização das crianças matriculadas no terceiro ano de escolarização das escolas públicas brasileiras. 4. é uma avaliação a nível internacional envolvendo provas de Ciências,Linguagem e Matemática.aplicadas a alunos de 15 anos de idade.. 5. . é um registro de situações a nível internacional cujo maior objetivo é fazer recomendações de políticas públicas aos países membros , trabalhando 32 Nesse capítulo você conheceu alguns programas de avaliação a nível do Governo Federal do Brasil e também a nível internacional. Atualmente também os sistemas municipais e estaduais procedem à avaliação dos seus sistemas de ensino. É provável que você se defronte com outros programas de avaliação e suas siglas.. Nosso próximo capítulo e os seguintes vão nos remeter à sala de aula. Vamos começar a tratar da avaliação do processo ensino e aprendizagem. com dados relativos ao nível de escolaridade e estatísticas de alfabetização da população. Você respondeu: 1-Aneb 2- Anresc 3-ANA 4-Pisa 5- Wei -Unesco 33 Ao final do estudo do capítulo esperamos que você tenha desenvolvido as seguintes competências e habilidades: • Reconhecer a avaliação como via de mão dupla : ensino e aprendizagem • Refletir sobre os reais objetivos da realização da avaliação do processo ensino aprendizagem. • Identificar as características da avaliação formativa, da avaliação diagnóstica e da avaliação somativa 4- PENSANDO NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM. Ao tratarmos da avaliação durante os três primeiros capítulos já apresentamos seus diversos níveis de execução: no sistema, na instituição e agora vamos à sala de aula com foco no ensino e aprendizagem. Para essa análise precisaremos utilizar variadas perspectivas e consultar diversos autores. que se pronunciam sobre esse processo de ensino e aprendizagem. 4.1. Avaliar para quê? Muitas são as razões que nos envolvem no tocante à avaliação da aprendizagem. A respeito da avaliação Cury, citado por Salazar (2004) afirma que os termos avaliar e avaliação estão citados em nove artigos dos noventa e dois artigos contidos na LDB 9394/96 e repetidos 23 vezes assumindo funções diferentes. Não avaliamos só para detectar possíveis erros e falhas como também para verificar se os objetivos estão sendo atingidos, possibilitando um replanejamento, sempre que necessário. 34 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA AVALIAÇÃO FORMATIVA AVALIAÇÃO SOMATIVA Tomemos, como exemplo, as sugestões de Bloom(1971) quanto as funções da avaliação. Processo de avaliação da aprendizagem5 O critério que permite distinguir uma da outra é o lugar que a avaliação ocupa em relação à ação docente. Cada uma dessas modalidades tomaria como base um aspecto da avaliação. 4.1.1. Função diagnóstica da avaliação A função diagnóstica tem por finalidade realizar uma sondagem de conhecimentos e experiências já disponíveis no aluno, bem como a existência de falhas e erros anteriores na aprendizagem. Podemos considerar que a mesma tem um caráter analítico. 5 http://arquivos.unama.br/nead/pos_graduacao/direito_processual/met_ens_sup/Aula10 /modalidade_avaliacao.htm http://arquivos.unama.br/nead/pos_graduacao/direito_processual/met_ens_sup/Aula10 35 A avaliação diagnóstica dá ao professor o conhecimento inicial do aluno: O que ele já sabe? Do que ele gosta? Que informações ele está apto a receber? Em alguns casos, quando não ocorreu anteriormente um processo de avaliação com critérios bem conhecidos, a avaliação diagnóstica mostra ao professor se o aluno foi classificado adequadamente em um ano escolar ou numa turma. Nos primeiros dias de aula é comum usarmos esse tipo de avaliação, como ponto de partida para a introdução de novos conteúdos. A avaliação diagnóstica nos indica se será necessária uma revisão de conteúdos que constituem pré-requisitos para o que pretendemos ensinar ou se os alunos estão prontos para as novas atividades. Esse tipo de avaliação pode ser repetido a qualquer momento em que o professor perceba problema grave de aprendizagem. Se na medicina o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura, na aprendizagem também a avaliação diagnóstica frequente pode prevenir falhas na aprendizagem, alunos desmotivados ou resultados ruins. Observe na tabela a seguir, uma sugestão de Oliveira e Chadwick (2001,p.334) para a utilização da avaliação da aprendizagem com a função diagnóstica. Momentos (quando aplicar) Usos (as decisões do professor) Antes do início do ano letivo Triagem e enturmação, No primeiro dia de aula Identificar conhecimentos e características de cada aluno para: ➢ Reenturmar ➢ Nivelar conhecimentos dos alunos. 36 ➢ Decidir sobre recuperação paralela. ➢ Alterar programa do curso Durante as primeiras semanas Para observar e conhecer outras características relevantes do aluno Quando chega um aluno novo Para saber onde enturmá-lo e como recuperar falta de base ou de pré-requisitos. No início de cada unidade Para saber se os alunos possuem os pré-requisitos, despertar interesse e identificar o que sabem. 4.1.2. A avaliação com função formativa A função formativa da avaliação tem por finalidade proporcionar o feedback (retroalimentação) para o professor e para o aluno, durante o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, tendo um caráter que permite permanente acompanhamento, especialmente para o professor. Dessa maneira, permite aos envolvidos nesse processo, alunos e professores, a correção de falhas, esclarecimentos de dúvidas e estímulo à continuação do trabalho para alcance do objetivo. Proporciona também ao docente, informações sobre o desenvolvimento do trabalho, adequação de métodos e materiais, sua forma de comunicação com o aluno e adequabilidade das estratégias utilizadas. A avaliação formativa pode ser feita pelo professor: Diariamente, ao rever os cadernos, o dever de casa ou ao observar o desempenho do aluno em atividades diversas; 37 Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/ano-novo-professores-762785.shtml#8 ocasionalmente, por meio de provas e outros instrumentos para aferir a aprendizagem e outros desempenhos dos alunos e também . ao final de cada unidade, subunidade, projeto, bimestre ou semestre. A avaliação formativa visa corrigir rumos, replanejar, reformular, adequar o ensino para que o aluno atinja objetivos de aprendizagem. Do ponto de vista do professor há uma série de cuidados a serem levados em conta se pretende fazer uma avaliação formativa adequada. Começamos com a seleção dos objetivos e conteúdos distribuídos em pequenas unidades de ensino. Seria bem interessante que o aluno conhecesse sobre os objetivos de modo a se sentir engajado no processo ensino aprendizagem. O professor precisa também ter clareza na formulação de objetivos visando a avaliação em termos de comportamentos observáveis, estabelecendo critérios de tempo, qualidade e quantidade. http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/ano-novo-professores-762785.shtml#8 38 É essencial que o professor processe e analise os dados obtidos para tomar decisões, com reforço das atividades bemsucedidas e eliminação dos descaminhos, selecionando alternativas para ajudar o aluno a se recuperar das dificuldades no processo ensino aprendizagem. diante dos resultados da avaliação O professor deve, por exemplo,elaborar um quadro ou esquema que permita a identificação de pontos com maior dificuldade para neles trabalhar. 4.1.3. A avaliação com função somativa A função somativa tem o propósito de oferecer subsídios para o registro das informações relativas ao desempenho do aluno. A palavra somativa vem de soma, indica algo cumulativo. Assim a avaliação somativa leva em conta a soma de resultados. Os dados se acumulam, ao longo de um período ou do ano letivo e ela permite que o professor tome decisões. Normalmente a avaliação somativa refere-se a um resultado final, ao término do ano, para deliberar sobre a promoção dos alunos. Existem três formas mais comuns de avaliação somativa: ❖ Uma prova ou trabalho final. ❖ Uma avaliação baseada nos resultados cumulativos obtidos ao longo do ano letivo. ❖ Uma mistura de resultados como o das tarefas anteriores. Considerando que a função somativa da avaliação visa proporcionar uma medida que poderá ser expressa em uma nota ou conceito sobre o desempenho do aluno, normalmente ela acontecerá ao final de cada unidade de ensino, ao final de cada bimestre ou ainda no final do ano letivo, por ocasião do Conselho de Classe, visto que esta avaliação é que proporcionará um diálogo mais objetivo entre os professores. A avaliação somativa abrangerá também tudo o que foi visto nas funções diagnóstica e formativa. É importante notar que provas, testes, trabalhos e 39 Neste capítulo estudamos as diferentes funções da avaliação e procuramos mostrar a importância e a aplicação das avaliações diagnóstica, formativa e somativa, apresentando as características de cada uma delas. Nos próximos capítulos analisaremos aspectos relativos ao como fazer acontecer a avaliação da aprendizagem. pesquisas são usados como instrumentos na avaliação para colher informações e estabelecer medidas, mas não podem ser identificados como processo de avaliação. O professor deve sempre usar diferentes instrumentos para atender a dificuldades diversas dos alunos. Numa avaliação somativa que envolve reprovação, geralmente não se consideram apenas os resultados de provas, mas outras atividades que evidenciam esforço, progresso e desempenho do aluno. O importante é saber se o aluno alcançou satisfatoriamente os objetivos, se possui condições para acesso ao próximo ano escolar. Uma avaliação somativa deve sempre avaliar resultados globais e mais amplos. Deve, portanto incluir os principais objetivos curriculares do ano letivo, tanto do ponto de vista cognitivo (do conhecimento) como do desenvolvimento de habilidades e atitudes. 40 • Ao final deste capítulo esperamos que você tenha adquirido competências e habilidades tais como • Estabelecer a diferença entre a avaliação formal e a informal, caracterizando cada uma delas e compreendendo quando devem ser usadas. • Caracterizar provas objetivas e subjetivas, citando as vantagens e desvantagens de cada uma delas e os critérios para sua elaboração; • Especificar os diferentes tipos de questões objetivas, explicando como devem ser preparadas. 5. OS DIVERSOS TIPOS DE INSTRUMENTOS E ESTRATÉGIAS RELATIVOS À AVALIAÇÃO E SEUS USOS Esse capítulo trata das situações com as quais mais rotineiramente nos envolvemos quando estamos trabalhando no ensino e na aprendizagem com nosso aluno. Assim, para realizarmos bem a nossa tarefa como educadores, precisamos estar sempre atentos a esse processo de ensino e aos resultados da aprendizagem. Essa atenção se dá em avaliações informais e formais. 5.1.A avaliação informal Como o professor precisa ser sempre um observador, ele estará informalmente avaliando seus alunos .Podemos mesmo considerar que essa avaliação é permanente, porque para o aluno caminhar na aprendizagem e para o professor prosseguir no ensino, ambos precisam saber o que e o quanto foi aprendido. Dessa forma ao fazer a avaliação informal o professore estará cuidando de múltiplos aspectos. 41 Quando o professor trata de informar ao aluno sobre seus acertos e sobre o que precisa ser melhorado, constrói um processo de retroalimentação contínua. A palavra feedback será bem empregada nesse caso. Esse feedback permite ainda uma motivação que pode ser intrínseca ao saber que acertou uma tarefa ou extrínseca quando decorre de incentivo do professor com elogios ou estímulos . A troca entre professor e aluno vai permitir reforçar aquilo que foi bem feito e sugerir o que pode ser aprimorado. Um bom recurso de que costuma-se valer também o professor, é a sugestão da autoavaliação. A autoavaliação propicia ao aluno adquirir uma condição cada vez maior de analisar suas próprias aptidões, sua capacidade, seu comportamento, suas atitudes. Com a autoavaliação se desenvolve o senso de responsabilidade, aprende também a valorizar o seu progresso e o dos demais. Cabe ao professor proporcionar condições para auxiliar o aluno a pensar sobre si mesmo e o que tem realizado, preparando-o para uma aprendizagem mais significativa. O professor deve confiar no aluno e dar-lhe segurança para ele se autoavaliar. A autoavaliação pode ser expressa livremente, constituindo uma avaliação informal, ou pode obedecer a modelos, sendo registrada em fichas e nesse caso corresponde a uma avaliação do tipo formal. Há variados procedimentos simples que podem representar instrumentos de avaliação: A chamada permite que o professor avalie a capacidade de atenção do aluno e reforce hábitos e comportamentos importantes como frequência, pontualidade e assiduidade . O dever de casa deve estar sempre ligado aos objetivos da aula anterior ou servir de preparação para a aula seguinte. Deve ser refeito na sala de aula 42 por um ou mais alunos e assim o professor poderá avaliar a precisão, o ritmo de aprendizagem e a capacidade de comunicação de seus alunos. Quanto ao vocabulário, o professor poderá ler um texto e em seguida, escrever no quadro algumas palavras novas que serão usadas na aula. Os alunos deverão dizer o significado das mesmas, procurando no dicionário quando for necessário. Durante as aulas, na maioria das vezes, há muitas oportunidades do professor fazer perguntas, dando oportunidades para os alunos responderem, dialogarem, interagirem. Teremos assim instrumentos de aprendizagem e de avaliação. Pelas respostas o professor ficará sabendo se o aluno compreendeu um conceito, regra, princípio e pode avaliar também o nível de vocabulário, facilidade de expressão e autodomínio. A leitura é essencial em qualquer nível escolar. Nos primeiros anos avaliar a competência individual de leitura é essencial, porém, ela deve ser feita sempre e providências serão tomadas para corrigir as possíveis falhas. Ao final de cada etapa da aula ou ao final da aula os alunos podem fazer resumos que ajudam o professor a perceber se houve compreensão e o nível dessa compreensão. Durante uma aula os alunos deverão participar de atividades individuais, em duplas ou de grupo, nas quais pode estar lendo, fazendo exercícios estruturados pelo professor, consultando fontes de referência. Enquanto o aluno trabalha o professor observa e registra suas reações ao processo de aprendizagem. Chamada, dever de casa, criação de vocabulário, perguntas e respostas, leitura, resumos e revisões, exercícios estruturados são boas oportunidades de observação. 43 5.2. Avaliação formal A avaliação formal pode ser feita com frequência, dependendo do objetivo, tipo e nível do ensino. As formas mais comuns são as que utilizam perguntas, baseadas em textos ou não, exercícios, cálculos, redações. Outros instrumentos de avaliaçãoformal podem incluir jogos, competições, apresentação de relatórios de laboratórios, projetos, promoção de eventos e exposição de trabalhos concluídos. O instrumento mais usado quando se trata de avaliação formal é a prova. Mesmo que não seja a melhor forma as provas acabam se tornando mais práticas. Quando bem elaboradas as provas podem dar uma imagem bastante real do desempenho para os alunos e para os professores conseguindo avaliar de forma mais objetiva e abrangente. Também os pais costumam se envolver bastante nesse momento da caminhada escolar dos filhos. A prova pode incluir vários tipos de questões e abranger uma pequena parte ou a totalidade do conteúdo do ano escolar. Os diversos tipos de questões para prova serão analisados em outro tópico, mas agora vamos apresentar os principais fatores que devem ser levados em conta na elaboração de qualquer tipo de prova ou outro instrumento de avaliação: Observe o esquema que se segue. Nele há lembretes indispensáveis ao professor. Apesar de parecer conselho corriqueiro, ainda vemos acontecer o descumprimento dessas recomendações. 44 As questões devem corresponder aos objetivos estabelecidos, sejam informações, conceitos, habilidades intelectuais ou estratégias para a solução de problemas. A prova deve cobrir tudo que interessa que o aluno tenha aprendido , tanto no que diz respeito à quantidade de temas, como à profundidade dos assuntos e deve estar de acordo com o nível dos alunos. Se a prova for muito difícil, não atendendo o que foi proposto nos objetivos, não será uma boa fonte de informação para o professor. A prova deve ser elaborada para facilitar a correção e interpretação dos resultados. É importante que haja critérios objetivos na correção e que sejam feitos comentários úteis para que os alunos aprendam a partir da prova e não apenas aguardem a nota. O professor deverá cruzar todas as informações obtidas na avaliação informal com aquelas advindas da avaliação formal e assim formar a sua compreensão sobre o desenvolvimento do aluno. Adequada aos objetivos Com o c o onteúd do pro ma gra Cobrindo todo o assunto Elaboração da prova Compatível com o n s ível do alunos Prática para corrigir 45 5.3. Organizando provas com questões discursivas e objetivas Você se lembra qual o tipo de prova que gostava mais no Ensino Médio? E no Fundamental? Você preferia as de escrever muito? Ou as de marcar cruzinha escolhendo a resposta correta? Como professor ou professora, antes de escolher o tipo de questão a ser utilizada há alguns passos muito importantes a serem considerados: ❖ Características da turma nos aspectos psicossociais e cognitivos. ❖ Seleção dos conteúdos e objetivos desejados para cada questão ❖ Seleção dos tipos de questões, procurando a variedade. ❖ Montagem da prova. ❖ Chaves da correção, contendo as respostas que se espera obter. No tocante a variedade de questões de prova ou teste consideramos que há basicamente dois tipos: as objetivas e as dissertativas, esta também conhecida como de resposta aberta, discursiva ou subjetiva.(SANT'ANNA, 2000, p.43 e MURAD, 2010)6 A prova discursiva e questão discursiva se fundem, pois têm a mesma caracterização, ou seja, o aluno apresenta uma resposta própria, escolhendo a 6 http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?pag=1&seq_artigo=13 ISSN 1984-1604 Ano 7, n. 21, 2014 Rio de Janeiro, 12/12/2014 http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?pag=1&seq_artigo=13 46 maneira de abordar o problema proposto; já a prova objetiva possui tipos de questões variados. Esses dois tipos básicos serão descritos a seguir. 5.3.1. As provas discursivas, dissertativas ou subjetivas Nas provas dissertativas geralmente o número de questões é menor e as respostas redigidas pelo aluno. A prova subjetiva ou dissertativa exige menos tempo para a sua elaboração. Em algumas situações, em que não há possibilidade de imprimir as provas ou testes, o professor pode até escrever as questões no quadro, pois como já citamos, costumam ser em número menor. Nesse tipo de prova o aluno redige suas respostas e se expressa de forma livre e pessoal, tornando mais difícil o acerto casual. Por essa razão muitos consideram que a prova discursiva proporciona uma medida mais exata do conhecimento do aluno. Mesmo tendo em conta que algumas vezes, as respostas podem não estar completamente certas nem completamente erradas. As principais desvantagens advêm da correção das questões discursivas Elas podem propiciar diferentes interpretações. Muitas vezes professores diferentes avaliando a mesma prova conferem notas diferentes a ela. Outro aspecto negativo é que como o número de questões é pequeno, até pelo tempo disponível para a prova, a avaliação abrange uma parte pequena do conteúdo. Entretanto, se o professor analisar todas as condições e optar pela prova discursiva deve tomar alguns cuidados ❖ Expressar-se de forma clara no enunciado das questões, com linguagem simples e acessível. 47 ❖ Relacionar a prova com os objetivos da unidade ou período que estão sendo avaliados. Um quadro ou esquema com a relação de conteúdos e objetivos são úteis na construção de provas. ❖ Preferir palavras como: cite, explique, compare, descreva porque demonstram como o professor espera que o aluno responda às questões. É preciso evitar expressões do tipo: Que pensa você? ou Diga o que sabe sobre... ❖ Adequar o número de questões ao tempo disponível para a prova, evitando que o aluno fique sem tempo para pensar ou rever as questões. 5.3.2 - Provas objetivas Há um comentário sobre a prova objetiva , que merece a nossa atenção: “Dizemos que uma prova é objetiva quando a opinião do examinador e a sua interpretação dos fatos não influem no seu julgamento.” (MEDEIROS,1972, p.21) A elaboração de provas objetivas exige também cuidados especiais. ➢ É preciso elaborar questões claras e isentas de ambiguidade: A habilidade da leitura não deve influir nas respostas do aluno, a menos que se trate de uma medida específica das habilidades de linguagem. ➢ Também não se deve fazer reprodução exata de textos de livros, pois fora do contexto de criação os textos podem perder o sentido. ➢ Outro cuidado é o de evitar que um item tenha indícios para a resposta para outro item. Observe exemplo e você concluirá a respeito do que estamos expondo. 48 Neste caso, o segundo item fornece o indício da resposta do primeiro. ➢ É necessário evitar também a interdependência entre itens. Não se pode permitir que o aluno só responda corretamente uma questão, se acertar a questão anterior. Após as ponderações que fizemos , passamos a especificar os tipos de questões objetivas de acordo com Sant'Anna(2000,p.57) Passemos a análise das questões objetivas Reconhecimento Verdadeiro e falso ou de resposta alternativa Múltipla escolha Ordenação por associação ou combinação Recordação ou evocação Simples lembrança ou resposta certa Complementação O período colonial no Brasil durou mais de três séculos. ( ) Certo ( ) Errado; O longo período colonial deixou marcas na economia brasileira. ( ) Certo ( ) Errado. 49 As vantagens das questões de simples lembrança são a simplicidade para construir e responder. Não permitem adivinhação, porém, não propiciam uma avaliação satisfatória, pois as respostas são informativas, de memória e não sabemos o quanto o aluno conhece a respeito do assunto. São mais usadas em Matemática e Ciências, em forma de problemas. As questões de simples lembrança devem: ter: • Perguntas diretas, preferencialmente. • Respostas curtas. • Espaço à direita da pergunta para colocação de respostas. • Cada pergunta com uma só resposta.Nas questões de complementação ou lacunas, devemos: • Deixar um ou mais espaços iguais para as respostas, de acordo com a necessidade O Rio de Janeiro tem várias cidades serranas como , e . • É preciso evitar frases indefinidas que dão margem a várias respostas: A maior ------------------- do Brasil é ; • Também é importante não sugerir as respostas indicando com o artigo gênero ou número: A parte da planta que procura o alimento no solo é a . 50 • Os espaços deixados em branco devem ser do mesmo tamanho. Quanto às questões de reconhecimento devemos ter em conta os tipos : respostas alternativas, múltipla escolha e ordenação. Nas respostas alternativas é preciso ter em mente que : As questões onde o aluno assinala com x a palavra verdadeiro ou certo ou então a palavra falso ou errado podem ser apresentadas do seguinte modo: A capital do Brasil é a cidade d o Rio de Janeiro. ( ) Verdadeiro ( ) Falso Essas questões são fáceis de corrigir e interpretar e de rápida execução permitindo abranger grande parte do conteúdo. Entretanto apresentam desvantagens, pois podem ser respondidas ao acaso, sem conhecimento do assunto e apelam mais à memória do que ao raciocínio. Na elaboração das mesmas devemos evitar palavras que levem à resposta como tudo, nada, nenhum, nunca, pois sugerem a resposta falso. Ex: No interior do Nordeste nunca chove no verão. Devemos também evitar frases negativas que confundem o raciocínio e frases iguais ao livro que favorecem a memorização. 51 A questão do tipo múltipla escolha consiste em escolher uma resposta correta entre várias alternativas. Nesse caso, as respostas devem pertencer à mesma família de ideias, as frases devem estar formuladas de modo que qualquer uma sirva para completar a frase, do ponto de vista gramatical. Todas as respostas são relacionadas com a pergunta, não havendo nenhuma absurda, pode ser marcada a resposta mais certa ou a mais errada. Essas questões são de fácil correção, porém, levam mais tempo para elaborar e para responder. e são utilizadas em todas as disciplinas. Ex: Na cidade do Rio de Janeiro, um bairro situado à beira-mar é: ( ) Tijuca. ( ) Bangu ( )Copacabana ( ) Vila Isabel ( ) Gávea As questões de ordenação ou associação consistem numa lista de palavras, datas ou frases que devem ser combinadas de acordo com outra lista. Ex: Relacione o nome dos estados do Brasil com a região na qual estão situados: ( ) Alagoas 1-Sudeste. ( )Paraná 2-Nordeste. ( ) Goiás. 3-Sul ( ) Pará 4-Centro-Oeste. 5- Norte 52 Neste capítulo você aprendeu que a avaliação pode ser feita formal ou informalmente e que, comparando os resultados obtidos, o professor pode ter uma visão melhor do progresso do aluno e replanejar sempre que necessário para atingir os objetivos estabelecidos inicialmente. Também aprendeu melhor a elaborar diversos tipos de questões, conhecendo as vantagens e desvantagens de cada um deles e analisando suas características. No capítulo 6 vamos estudar a adoção de diferentes instrumentos que auxiliam a transformação da avaliação numa prática verdadeiramente democrática. Essas questões reduzem as “adivinhações”, são fáceis de construir e responder, mas não avaliam um grau mais profundo de compreensão. São adequadas para questões em que é preciso associar nomes a datas, pessoas a fatos, estados ou países a capitais ou a regiões. Ao serem elaboradas não se deve misturar assuntos, fatos, acontecimentos, para não confundir o raciocínio. A coluna das respostas que serão ordenadas deve ser maior que a outra para evitar o acerto por eliminação. 53 • Ao final deste capítulo você poderá ter desenvolvido as seguintes competências e habilidades de • Citar e explicar as características de variados instrumentos de avaliação, entendendo assim como podem ser aplicados. • Avaliar a importância dos Conselhos de classe como fórum privilegiado nas atividades da escola Amanhã não haverá aula para vocês! É dia do Conselho de Classe! 6. INSTRUMENTOS IMPORTANTES PARA COMPLEMENTAR A AVALIAÇÃO Alguns instrumentos complementam o processo de avaliação e são importantes para a elaboração de conclusões a respeito do processo ensino aprendizagem. Precisamos ampliar a visão que temos sobre os mesmos. Vamos tratar de : Conselhos de classe,da observação,da escala de classificação, da inquirição , do relatório e do portfólio, 6.1. O Conselho de classe como auxiliar O Conselho de Classe é um instrumento que visa traçar o perfil de cada aluno e do grupo. Para isso reúne um colegiado de professores do mesmo ano escolar, para que consigam, em conjunto, não só chegar a um conhecimento maior da turma como também avaliar e acompanhar cada aluno individualmente. Para que o Conselho de Classe atinja esses objetivos, são necessários alguns cuidados. 54 Supervisão pedagó gica Direção e Secretário escolar Orientação Educacio- nal Professores de turma ou área Conselho de Classe Professor Conselheiro Alunos Represen- tantes tes Pais Represen- tantes Em muitas escolas, os alunos não têm aula nesse dia .Um conselho de classe preparado com antecedência evita que os professores passem tempo excessivo citando nomes, notas ou conceitos e registrando-os num diário de classe ou lista de resultados. Do Conselho de Classe devem participar pessoas de todos os segmentos envolvidos no processo ensino-aprendizagem e que possam dar alguma contribuição para a avaliação da turma como um todo ou do aluno, em particular: Apresentamos um esquema que designa quem normalmente tem participação nos Conselhos de Classe. É preciso ressaltar que a participação desse grupo é convencionada pela Instituição escolar. Nem todas as Instituições tem pessoal exercendo todas essas funções ou atribuições. 55 Durante o Conselho de Classe algumas ações são essenciais: ❖ Debater o aproveitamento de cada aluno e da turma como um todo. ❖ Estabelecer um acompanhamento especial para o aluno que não apresentou rendimento favorável. ❖ Conscientizar o professor de que a avaliação constante do seu trabalho permite o replanejamento e a melhora dos resultados. ❖ Ao final o registro de resultados deverá permitir à família e ao aluno uma visão clara sobre seu desempenho. Geralmente o conselho ocorre ao final de cada bimestre (ou trimestre), mas vai depender das necessidades e da disponibilidade de tempo previstas no calendário escolar. No quadro abaixo, uma visão geral da época e objetivos dos Conselhos, que podem variar de acordo com as diferentes situações escolares e do que o plano da escola prevê. Época Para que? Reunião inicial no inicio do ano letivo Diagnosticar, esclarecer, planejar. 1º bimestre (final de abril) Diagnóstico da turma, e de alguns alunos em particular. 2º bimestre (final de junho) Análise do crescimento dos alunos e da turma. 3º bimestre (final de setembro) Prognósticos e previsão de recuperação preventiva. 4º bimestre (final de novembro) Avaliação final e recuperação 56 Para saber mais: O livro de Ilza Martins Sant'Anna cujo título é Por que avaliar? Como avaliar?- critérios e instrumentos da Editora Vozes(2014) é um referencial quando tratamos de instrumentos e critérios de Avaliação.O livro já está na 17ª edição. O Conselho de Classe favorece a integração entre os professores, aluno e família e torna a avaliação mais dinâmica e eficiente. Atividade: Professor.1- Hoje é o primeiro Conselho bimestral Vamos passar a tarde lendo as notas dos alunos! Imagine que você é o Prof.2 e vai rebater essa afirmação, explicando ao colega como deve ser o Conselho. Apresente seus argumentos 6.2. Tendo a observação como aliada na avaliação A observação é um elemento fundamental