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Planejamento, Programação e Controle de Produção Professora Mestre Lilian Gonçalves AUTORA Professora Mestre Lilian Gonçalves ● Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar (2018) ● Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (1998) ● Curso Superior de Tecnologia em Logística pela Unicesumar (2017) ● Licenciatura em Pedagogia (2020) ● Licenciatura em Formação de Docente para à Educação Básica – Matemática (2019) ● Especialista em Consultoria Organizacional (2005) ● Especialista em Educação a Distância e Tecnologias Educacionais (2014) ● Projeto de Pesquisa voltado à Iniciação Científica – PIBIC (2016). ● Atuante em organizações industriais no cargo de Gerente Industrial e Logística e Instituições de Ensino Superior como docente desde 2011. Link do Currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/0235956165366786 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Caro(a) estudante, É com grande satisfação que iniciamos a disciplina de Planejamento, Programação, Controle da Produção doravante denominada com a sigla PPCP. Essa é uma disciplina de suma importância para compreender de que maneira a organização pode aumentar a sua produtividade com qualidade, no tempo, na quantidade e custo certo. O PPCP, apesar de trabalhar com a produção, é considerado pelos autores como um departamento administra- tivo e ao longo do material você saberá o porquê. Realizei uma longa pesquisa de fundamentação teórica sólida que irá proporcionar a compreensão clara dos temas que serão abordados. Na Unidade I iniciaremos a construção do conhecimento com os conceitos básico de PPCP, sua importância para o Planejamento Estratégico e Estrutura Organizacional do Planejamento Industrial. Essa noção é necessária para a compreensão da segunda unidade da apostila. Na Unidade II vamos abordar as inter-relações do PPCP com as demais áreas da empresa, a visão holística da organização é essencial para o planejamento da produção de Planos de longo, médio e curto prazo. Você sabia que planejamento da produção começa no departamento comercial com a previsão de vendas e vendas realizadas? Prosseguindo, na Unidade III abordaremos a importância do layout da fábrica para o PPCP e sua influência para a programação de célula de produção e principalmente para a logística integrada ao PPCP. Lembrando que a logística na produção se refere a movimen- tação da matéria prima, produto semiacabado e produto acabado, entre os mais diversos processos de fabricação. Concluiremos com a Unidade IV os modelos de sistema de produção empurrada e puxada e métodos para controle da produção, bem como o conceito e importância do gerenciamento de gargalos/restrições na produção. Assim será a nossa desafiadora jornada na construção do conhecimento sobre o Planejamento, Programação, Controle da Produção. Estarei ao seu lado para, junto,s promovermos o aprimoramento profissional e pessoal. Conte comigo! Muito obrigada e bom estudo! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 5 Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP UNIDADE II ................................................................................................... 23 MRP / MRPII, JIT e OPT UNIDADE III .................................................................................................. 47 A influência dos tipos de produção e layout no PPCP UNIDADE IV .................................................................................................. 71 Teoria das Restrições e Controle de Estoque 5 Plano de Estudo: ● Introdução ao PPCP – Planejamento, Programação e Controle da Produção. ● Missão e as Funções do PPCP. ● Conceitos de Planejamento, Tempos e Métodos, Hierarquia de Planejamento. ● Planejamento Estratégico ao PPCP, S&OP / PMP (Planejamento Mestre de Produção). ● Estrutura Organizacional do Planejamento Industrial. Objetivos de Aprendizagem: ● Conceituar Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP). ● Abordar sobre a Missão e as Funções do PCP. ● Compreender os tipos de Conceitos de Planejamento, Tempos e Métodos, Hierarquia de Planejamento. ● Contextualizar Planejamento Estratégico ao PCP, S&OP / PMP (Planejamento Mestre de Produção). ● Discorrer sobre a Estrutura Organizacional do Planejamento Industrial. UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP Professora Mestre Lilian Gonçalves 6UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP INTRODUÇÃO Olá, estudante, seja bem-vindo(a) à Unidade I do livro da disciplina de Planejamen- to, Programação e Controle da Produção! Atualmente, as organizações buscam cada vez mais qualidade e menor custo de processos e produtos, elas estão investindo em medidas mais eficazes para obter vanta- gens competitivas (ANSOFF, H. I. et al, 1981). O Planejamento, Programação e Controle da Produção é considerado uma função administrativa estratégica na empresa, agregando valor e competitividade. Desta forma, foram reunidos conceitos, definições de grandes autores que abordam o tema Gestão da Produção, que servirão de base para sua construção do conhecimento em PPCP. Nesta unidade explanarei sobre os conceitos e Definições de Introdução ao Planejamento, Pro- gramação e Controle da Produção (PPCP), a Missão e as Funções do PPCP, os campos de estudo do Conceitos de Planejamento, Tempos e Métodos, Hierarquia de Planejamento, tipos de Planejamento Estratégico ao PPCP, S&OP/PMP (Planejamento Mestre de Produ- ção). Finalizarei a unidade com a estrutura Organizacional do Planejamento Industrial. Esta apostila foi organizada de maneira a contribuir para sua formação acadêmica e profissional! Bons estudos! 7UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 1 INTRODUÇÃO AO PPCP – PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO Os sistemas de Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP) tive- ram suas evoluções a partir do avanço da ciência da administração criada por Frederick W. Taylor e Henri Fayol. De acordo com Lustosa et al. (2008, p. 1), [...] “Taylor elaborou os princípios da administração científica, que tratava a administração como ciência baseada na observação, análise, medição e aprimoramento dos métodos de trabalho”. Foi Henry Gantt, segundo Montana e Charnov (2010), um dos primeiros a desen- volver um sistema de PPCP, baseado em gráficos e cálculos que eram feitos manualmen- te para programação da produção, Henry Ford aplicava os conceitos da administração científica na linha de produção de automóveis, começando, então, uma nova fase na era industrial. Ford inicia a fabricação do automóvel conhecido como modelo T, em 1908, que inicialmente possuía partes de madeira e metal e uma única cor preta. Para Maximiano (2006), o empreendedor norte americano Henry Ford (1863-1947) está associado à linha de montagem móvel, sendo responsável em elevar ao mais alto grau dos dois princípios da produção em massa, que é fabricação de produtos não diferenciados em grande quantida- de: peças padronizadas e trabalhador especializado. 8UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP Figura 1 - Linha de Produção do Ford T Fonte: Tubino (2007). O Planejamento, Programação e Controle da Produção é um departamento es- tratégico da empresa. De acordo com Slack, Chambers e Johnston (2002), o propósito do planejamento e controle é garantir que os processos da produção ocorram eficaz e eficien- temente e que produzam produtos e serviços conforme requeridos pelos consumidores. Para Vollmann et at. (2006), o sistema de PPCP se ocupa do planejamento, pro- gramação e controle de todos os aspectos da produção, inclusive do gerenciamento demateriais, da programação das máquinas e pessoas e da coordenação de fornecedores e clientes-chave, garantindo, assim, um bom relacionamento com todos os setores da empresa. Lustosa (2008) afirma que o planejamento e controle da produção envolvem a organização e planejamento dos processos de fabricação. Especificamente se constituem do planejamento, do sequenciamento de operações, da programação, da movimentação, da coordenação, da inspeção, do controle de materiais, métodos e tempos operacionais. Com o propósito de atender às demandas cada vez mais exigentes do cliente. De forma complexa, quando se envolve desde o local, maquinários, pessoal qualificado e produtos que sejam demanda do mercado. Sendo assim, para Tubino (2007), em uma organização, para atingir os objetivos pré-determinados, é preciso que os sistemas produtivos exerçam uma série de funções operacionais, que vão desde o projeto de produtos, até o controle dos estoques, recru- tamento, treinamento e capacitação de funcionários, aplicação de recursos financeiros, distribuição dos produtos. Na Figura 2, segue a visão geral das atividades exercidas no PPCP. 9UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP Figura 2 – Visão geral das atividades do PPCP Fonte: Tubino (2007). O planejamento e controle da capacidade objetiva é assegurar a compatibilidade entre a capacidade de produção disponível em centros de trabalhos específicos e a capa- cidade necessária para atender a produção planejada (SOUZA, 2004). Você deve estar se perguntando, mas quais são as atribuições do PPCP? Sampaio (2002) ressaltam uma série de competências ou decisões com o objetivo de definir o que, quanto e quando produzir, comprar e entregar, além de quem e/ou onde e/ou como produzir, constituem o processo do PCP. De acordo com esses autores, o Pla- nejamento da Produção (PP) se ocupa com decisões agregadas em um universo de médio prazo, em geral entre 03 e 18 meses. O Controle da Produção (CP) é responsável por regular (planejar, coordenar, dirigir e controlar), no curto prazo, até três meses, o fluxo de materiais em um sistema de produção por meio de informações e decisões para execução. Na prática, o PPCP em uma organização reúne informações de vários departa- mentos, que serão a base para a elaboração do planejamento e programação da produção. Conforme relatam os autores Oliveira (2005), o sistema de Planejamento, Programação e Controle da Produção também é um sistema de transformação de informações, pois recebe informações sobre estoques existentes, vendas previstas, vendas realizadas, linha de produtos, modelo de produzir e capacidade produtiva. O PPCP tem a responsabilidade de gerar ordens de produção a partir destas informações. Desta forma, o PPCP tem função administrativa, que se inicia no planejamento da quantidade e produtos a serem produzidos, controle do suprimentos de matérias primas, gerar, quando necessário, ordem de compra de materiais, tudo isso a fim de atender as vendas preestabelecidas. 10UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 2 MISSÃO E AS FUNÇÕES DO PPCP A missão do PCP é apoiar a estratégia de produção a partir da estratégia organi- zacional. Vamos analisar esta situação? “[...]Se um fabricante microcomputadores decidiu ser o primeiro no mercado com novos produtos inovadores, sua produção precisa ser capaz de enfrentar as mudanças de inovação contínua exigidas [...]” (SLACK, 1997, p. 78 ), está correto? Sim, está correto. Para tanto, o fabricante deve desenvolver processos flexíveis para a fabricação dos novos produtos ou serviços, com mão de obra especializada, par- cerias com fornecedores capazes de responder a demanda por novos componentes. “[...] quanto melhor a produção fizer essas coisas, mais apoio estará dando para a estratégia competitiva da empresa” (HARRISON, 1997, p. 55). Agora leia com bastante atenção! Em termos simples, o planejamento e controle da produção determina o que vai ser produzido, quando vai ser produzido, como vai ser produzido, onde vai ser produzido e quem vai produzir (VEGGIAN, SILVA, 2015). Assim sendo, no Quadro 1 apresentam-se as funções que o PPCP define sobre as formas de produção. 11UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP Quadro 1 – Funções do PPCP Fonte: Tubino (2000, p. 23). Assim, fica claro que as funções do PCP estão encarregadas de administrar com competência o fluxo material, a utilização de máquinas, mão de obra, fornecedores e mé- todos que serão utilizados para a fabricação dos produtos ou serviços (WALLACE, 2004). Segundo Tubino (2007), os sistemas de PCP devem ajustar-se constantemente a fim de conciliar as várias as mudanças que ocorrem no cenário da organização, devido à estratégia adotada em relação às exigências do mercado. 12UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 3 CONCEITOS DE PLANEJAMENTO, TEMPOS E MÉTODOS, HIERARQUIA DE PLANE- JAMENTO Vamos refletir! O que é planejar? Seria se organizar, pensar no futuro, se preparar? Planejar significa criar um esquema para agir (CUNHA, 1996). Segundo Rosa (2001), o planejamento estratégico é uma metodologia de pensamento participativo, utilizada para determinar a direção que a organização irá seguir, por meio da descoberta de objetivos válidos e não subjetivos. O planejamento cria compromisso de execução e dá o instru- mental para cobrança. Assim, com o planejamento estratégico também pretende-se não adivinhar o futuro, mas construí-lo, evitando-se, ao máximo, as surpresas, racionalizando o processo de tomada de decisão, garantindo o sucesso da empresa em seu ambiente futuro (SAMPAIO, 2002). De que forma podemos planejar ou criar um esquema, um plano para agir no PPCP? De acordo com Barnes (1977), o estudo de tempos e métodos tem como objetivo desenvolver e padronizar o sistema e o método escolhido, determinar o tempo gasto por uma pessoa qualificada e devidamente treinada, trabalhando num ritmo normal, para exe- cutar uma tarefa ou operação específica e orientar o treinamento de trabalho no método perfeito. Barnes (1977) afirma que o objetivo de melhorar os métodos de trabalho é aumen- tar a produtividade (aumentando a capacidade de produção de uma operação ou grupo de operações), reduzir os custos das operações e melhorar a qualidade do produto. Souto (2004) complementa que analisa o trabalho de forma sistemática, objetivando desenvolver 13UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP métodos práticos e eficientes, buscando a padronização dos processos, que são essenciais para uma produção eficaz. Nesse sentido, segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), o estudo de tempos, ou medição do trabalho, trata-se da aplicação de técnicas estabelecidas para determinar o tempo necessário em que um trabalhador qualificado e especificado venha realizar a tarefa em um nível definido de desempenho. Assim, esse tempo é deno- minado tempo padrão para operação. De acordo com Souto (2004), a engenharia de métodos estuda e analisa o trabalho de forma sistemática, objetivando desenvolver métodos práticos e eficientes na busca pela padronização do processo. Logo, a engenharia de métodos tem como finalidade garantir a utilização dos recursos efetiva. Nessa perspectiva, a hierarquia de planejamento nas organizações busca cada vez mais qualidade e menor custo de processos e produtos e estão investindo em medidas mais eficazes para obter vantagens competitivas (CUNHA,1996). Segundo Tubino (2007, p. 2), “as atividades do PPCP estão classificadas em três níveis hierárquicos de um sistema de produção”: ● Nível estratégico: são estabelecidas as políticas estratégicas em longo prazo; o PCP é essencial para formulação do planejamentoestratégico, gerando um plano de produção; ● Nível tático: exerce os planos de médio prazo para a produção; o PCP desen- volve o planejamento mestre; ● Nível operacional: é preparado o programa de curto prazo de produção e, observando-o, o PCP prepara a programação da produção. 14UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 4 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO AO PPCP, PLANEJAMENTO DE VENDAS E OPE- RAÇÕES (S&OP) E PLANEJAMENTO MESTRE DE PRODUÇÃO (PMP) Toda empresa que produz bens para a armazenagem deve ter acima de tudo um bom planejamento de produção, fundamentado em uma avaliação crítica da previsão de demanda futura. Assim, será possível estabelecer com mais confiabilidade o que produzir, as quantidades, como, quem e quando produzir. A oferta e a procura sofrem com as incons- tâncias do mercado, tornando o grau de gerenciamento da demanda muito mais complexo e variável de negócio para negócio (ROSA, 2001). Planejar estrategicamente gera uma condição muito melhor para a empresa, pois permite tomar decisões rapidamente perante oportunidades e ameaças, aumentando sua vantagem competitiva em relação ao ambiente concorrencial. O planejamento visa buscar a maximização das operações e minimizar os riscos da tomada de decisões (TUBINO, 2008). De acordo com Tubino (2008, p. 35), “o foco do planejamento será centralizar a estratégia de produção com a montagem de um plano de produção que relacione as áreas de decisão do sistema produtivo”. Para Tubino (2007), após a elaboração da previsão de demanda, realizada pelo setor de vendas, cabe ao PCP apurar os estoques de insumos, comprar o que estiver em carência, colocar em prática os planos de produção e controlar a fabricação de produtos em elaboração e acabados. 15UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP Para Slack et al. (2002), a harmonia entre a oferta e a procura é promovida quando as ações de planejamento e controle propiciam os sistemas, procedimentos e decisões, conformando meios capazes de fornecer bens e serviços para a demanda que foram pro- jetados para satisfazer. O PPCP dá suporte às linhas de produção, empregando e acompanhando os recur- sos a fim de atingir os objetivos traçados. Assim, fica claro que o PPCP está encarregado de administrar com competência o fluxo material, a utilização de máquinas, mão de obra, fornecedores e métodos que serão utilizados para a fabricação dos produtos ou serviços (PECI, 2008). Segundo Ivert (2012), os sistemas de PPCP devem ajustar-se constantemente a fim de conciliar as várias mudanças que ocorrem no cenário da organização, devido à estratégia adotada em relação às exigências do mercado. Conforme Oliveira (2005), na fabricação de produtos, após o planejamento do número, tipo e sequência a serem produzidos, é vital que ocorra o controle em todas as partes que compõem o processo, para um eficiente aproveitamento dos recursos humanos e tecnológicos, em relação às matérias-primas e componentes que serão consumidos. Segundo esses autores, as fases de planejamento, controle e correção dos erros, que possivelmente ocorrerão, é tarefa do PPCP. O que é Plano Mestre de Produção? Ghani (2002, p. 8) definem Plano Mestre (ou Planejamento Mestre) como sendo “um processo de negócios concebido para balancear a demanda e a oferta a nível detalha- do de variedade.” E complementam que o Planejamento Mestre é principalmente um processo de tomada de decisões [...]. O resultado deste processo é o Planejamento Mestre da Produção - PMP, que é o plano de produção antecipado dos produtos (ou peças dos produtos) específicos e dos pedidos dos clientes. Planejamento da produção: com base no PMP e nos registros de controle de estoques, “[...] a Programação da produção estabelece a curto prazo quando e quanto comprar, fabricar ou montar de cada item necessário à composição dos produtos finais [...]” (TUBINO, 2007, p. 66 ). Agora veremos o Sales and Operations Planning (S&OP) ou Planejamento de Vendas e Operações, que pode ser conceituado como um processo de planejamento inte- grado, liderado pela alta gerência da empresa, que tem como objetivo principal equilibrar as necessidades de demanda e suprimentos, através da coordenação de informações e processos entre diferentes áreas (PEDROSO; SILVA, 2015; TUOMIKANGAS; KAIPIA, 16UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 2014). A questão de alinhamento entre as áreas funcionais e os objetivos da empresa (do plano tático ao estratégico) é uma das finalidades de S&OP (IVERT; JONSSON, 2012), comumente implementado em organizações que têm possibilidade de previsibilidade de demanda em médio e longo prazo. Então qual é o nível de importância do S&OP para o planejamento estratégico? E por quê? É de total importância, pois processo de Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) objetiva interligar o planejamento estratégico e execução horizontal com a demanda e oferta, passando também pelos departamentos da empresa. Simultaneamente o S&OP desdobra o planejamento estratégico para a execução e nivela oferta e demanda – conec- tando vendas e marketing a setores como produção, suprimentos etc. (WALLACE, 2004). De acordo com Cunha (1996), esse processo tem por função gerenciar os riscos das incertezas da relação entre expectativas de clientes e operações internas. 17UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP 5 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO PLANEJAMENTO INDUSTRIAL O posicionamento do PPCP na estrutura organizacional varia de uma organização para a outra, podendo integrá-la como uma área de apoio (em inglês, staff) à área industrial (TUBINO, 2000) ou como um setor de linha desta área (BARNES, 1977) Segundo Oliveira (2005), estrutura organizacional é definida pelo resultado da distribuição de autoridade, pela especificação das atividades e pelo delineamento de um sistema de comunicação que permita à empresa atingir seus objetivos. A Estrutura Organizacional (doravante denominada pela sigla - EO) de uma empresa indica o modo como as atividades são ordenadas para possibilitar o alcance dos objetivos, essa estrutura específica, os papéis, as relações e os procedimentos organizacionais que possibilitam uma ação coordenada de seus membros (PECI, SOBRAL, 2008). Para Shrivastava (1994), a Estrutura Organizacional refere-se ao padrão de au- toridade e às relações de responsabilidade que existem em uma organização. Uma EO nasce para resolver ou para estabelecer um padrão de coordenação das atividades de uma organização (MONTANA, 2010). Para Chiavenato (2007), há três tipos básicos de Estrutura Organizacional, confor- me segue: ● Organização linear: cada superior tem autoridade única e absoluta sobre seus subordinados e não a reparte com ninguém; ● Organização funcional: aplica o princípio da especialização das funções, em que cada superior tem autoridade parcial, relativa e decorrente de sua especialidade; ● Organização linha-staff: é a combinação dos tipos linear e funcional, em que as unidades de linha se concentram no alcance dos objetivos principais da empresa e delegam autoridade sobre serviços especializados e atribuições marginais a outras unidades e posições da empresa, estas se denominam assessoria (staff). O que é departamentalização? Para Peci e Sobral (2008), a departamentalização é a forma de se estruturar as diferentes atividades, a fim de alcançar os objetivos da empresa da forma mais eficiente possível, permitindo aumentar a eficiência e a eficácia da administração, contribuindo para um aproveitamento mais racional dos recursos disponíveis nas organizações, em que os critérios usados para departamentalizar devem refletir o agrupamento que melhor contribui18UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP para o alcance dos objetivos organizacionais, consistindo em agrupar e integrar tarefas, atividades e funcionários em departamentos, a fim de melhorar a coordenação. Segundo Chiavenato (2007), os principais tipos de departamentalização no Plane- jamento Industrial são: ● Por produtos e serviços: todos os principais deveres e tarefas relacionados com um produto ou serviço são reunidos e atribuídos a um específico departamento, no sentido de coordenar as atividades requeridas para cada tipo de saída ou resultado; ● Por processo: a diferenciação e o agrupamento se fazem pela sequência do processo produtivo ou operacional ou pelo arranjo físico e disposição racional do equipamento utilizado; ● Por projeto: adapta a estrutura da empresa aos projetos que ela se propõe a construir, em que grupos de empregados são destacados e concentrados em projetos específicos. SAIBA MAIS O Sebrae disponibiliza informações de forma acessível e didática sobre a Gestão de Produção com foco em auxiliar o empreendedor, alcançar o crescimento do seu negócio com base no planejamento estratégico. Fonte: GONÇALVES, M. A gestão de produção é essencial para sua empresa crescer. Sebrae. 2010 https://m.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/artigosOrganizacao/a-gestao-de-producao-e-essen- cial-para-a-sua-empresa-crescer,4b73438af1c92410VgnVCM100000b272010aRCRD REFLITA “Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas quem vence. De certa forma, termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!” (Ayrton Senna). Esse deve ser o espírito de trabalho no PPCP de uma empresa! Trabalho em equipe sempre! 19UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá, estudante! Chegamos ao fim da Unidade I! Segundo Rosa (2001), na fabricação de produtos, após o planejamento do número, tipo e sequência a serem produzidos, é vital que ocorra o controle em todas as partes que compõem o processo, para um eficiente aproveitamento dos recursos humanos e tecno- lógicos, em relação às matérias-primas e componentes que serão consumidos. Segundo esses autores, as fases de planejamento, controle e correção dos erros, que possivelmente ocorrerão, é tarefa exclusiva do PPCP. A partir dessa análise é possível compreender a importância do PPCP no Estrutura Organizacional do Planejamento Industrial. Na próxima unidade serão abordados os sistemas utilizados pelo PPCP e a lógica do MRP/MRPII, JIT e OPT. 20UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP LEITURA COMPLEMENTAR A automação da produção e a indústria 4.0 A automação da produção industrial pode gerar muitos benefícios para o setor operacional de uma empresa, contribuindo também para a sua gestão. Isso porque, atual- mente, passamos pela chamada quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0, que junta avanços tecnológicos em atividades manuais e analíticas. Além disso, há o advento de In- ternet of Things (IoT), ou Internet das Coisas, que abrange a possibilidade de máquinas e outros dispositivos, que não só de informática ou eletrônica, se conectarem à Internet. Graças a isso, equipamentos industriais conseguem “conversar” entre si, trocando dados que podem ser usados para coordenar operações e melhorar a produção. Aliás, até 2022, conforme previsões da Cisco, as conexões M2M (Máquina a Máquina) corresponderão a mais da metade dos equipamentos e das conexões globais conectadas. Basicamente, a participação delas chegará a 51% — em torno de 14,6 bilhões de conexões M2M. Em 2017, elas correspondiam a 34%. A Indústria 4.0 permite o aprimoramento de processos que envolvem automação industrial, como veremos adiante. Acompanhe! A Indústria 4.0 envolve automação total, controle e monitoramento direcionados à manufatura — inclusive, à distância — e Tecnologia da Informação (TI). Além disso, sis- temas cyber-físicos, a já mencionada IoT e a Internet dos Serviços têm grande impacto nesses itens, permitindo que possam ser aplicados com eficiência. Na Indústria 4.0, há foco em processos cada vez mais efetivos, personalizáveis e autônomos, o que demanda profissionais multidisciplinares que consigam lidar com isso. Também temos o surgimento das chamadas “fábricas inteligentes”, cujos fluxos de trabalho são estruturados, efetuados e geridos pelos próprios instrumentos tecnológicos empregados. Tal fato é possível graças a uma série de soluções, como: ● TI otimizada, com sistemas operacionais e gerenciais integrados; ● automação total de processos não só repetitivos e “braçais”, como acontece desde a 3° revolução industrial. É possível automatizar também atividades analíticas e estratégicas por causa das evoluções no campo da computação cognitiva e da Inteligência Artificial (IA); https://www.totvs.com/blog/impactos-da-industria-40/ https://www.cisco.com/c/en/us/solutions/collateral/service-provider/visual-networking-index-vni/white-paper-c11-741490.html https://www.totvs.com/blog/automacao-industrial/ https://www.totvs.com/blog/automacao-industrial/ https://www.totvs.com/blog/capacitacao-de-funcionarios/ https://www.totvs.com/blog/capacitacao-de-funcionarios/ https://www.totvs.com/blog/inteligencia-artificial-na-industria-2/ 21UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP ● aumento na descentralização de processos devido à automação de operações tanto repetitivas quanto analíticas. Isso possibilita que, na indústria inteligente, módulos consigam atuar de maneira independente uns dos outros, com chance de agilizarem e aprimorarem as suas próprias funções/atividades. Benefícios da automação da produção A automação da produção gera uma série de benefícios para a indústria. Confira alguns dos principais a seguir! 1. Aumento de produtividade A automação é capaz de realizar tarefas repetitivas e manuais rapidamente e com menos erros, o que permite ampliar a produção. Além disso, o uso de sistemas de gestão para administrar as máquinas favorece a busca contínua de processos cada vez mais efi- cientes, contribuindo para melhorar ainda mais a produtividade. 2. Redução dos custos Com o ganho de escala na produção e a diminuição de erros que podem gerar descartes e perdas de produtos, ocorre a redução nos custos unitários de produção. Há, ainda, uma aplicação mais eficiente dos insumos com base em históricos e análises que buscam a melhoria nos processos fabris. Muitos sistemas também operam de forma a otimizar o consumo energético, isto é, desligam quando não se encontram em uso ou tentam consumir energia de maneira aprimorada quando estão em funcionamento. Isso também contribui para diminuir custos. 3. Ganho de vantagem competitiva O aumento da produtividade e a redução de custos contribuem para a empresa obter vantagem competitiva perante a concorrência. Afinal, poderá praticar preços mais atrativos, sem que haja perda de qualidade em seus produtos, pois a automação busca mantê-la mesmo que a quantidade de itens fabricados aumente significativamente. Fonte: TOTVS (2019). 22UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Planejamento e Controle da Produção Teoria e prática Autor: Dalvio Ferrari Tubino Editora: Atlas Sinopse: O autor Tubino apresenta o modelo de PPCP com as funções revistas e atualizadas de planejamento estratégico da produção (longo prazo), planejamento-mestre da produção (médio prazo) e programação e acompanhamento da produção (curto prazo), esta obra demonstra a estratégia da manufatura enxuta (lean) e une os atuais conceitos dessa estratégia com os de PPCP. FILME/VÍDEO Título: Tempos Modernos Ano: 1936 Sinopse: Tempos Modernos é um filme que retrata a vida urbana nos EstadosUnidos no ano de 1930, demonstrando os modos de produção industrial baseados na divisão e especialização do trabalho na linha de montagem. 23 Plano de Estudo: • Inter-relações do PPCP com as demais áreas da empresa. • Sistemas de Produção e modelos. • Previsão da Demanda – Planos de longo, médio e curto prazo. • A lógica do MRP / MRPII, JIT e OPT. • Abordagem sobre os Sistemas utilizados no PPCP. Objetivos de Aprendizagem: • Compreender Inter-relações do PPCP com as demais áreas da empresa. • Aprender os tipos de Sistemas de Produção e modelos. • Estabelecer a importância da Previsão da Demanda – Planos de longo, médio e curto prazo. • Discorrer sobre a lógica do MRP / MRPII, JIT e OPT. • Apresentar os Sistemas utilizados no PPCP. UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Professora Mestre Lilian Gonçalves 24UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT INTRODUÇÃO Olá estudante! Vamos à Unidade II! Aqui você irá compreender a importância da inter-relação do PPCP com os demais departamento da empresa, uma vez que o Planejamento da produ- ção envolve os departamentos: comercial, estoque, compras, financeiro, RH entre outras. Você sabia que cada tipo de empresa e produto há um modelo de produção? Vere- mos os principais modelos de Sistema de Produção. A seguir a Previsão de Demanda com Planos de longo, médio e curto prazo, pois dificilmente a quantidade de itens demandados será igual à quantidade produzida e vice versa. Vamos descobrir o porquê? No dia a dia, o analista de programação da produção precisa tomar decisões que serão determinantes na formação dos custos de produção, sendo necessário a utilização de um sistema que dê suporte às inúmeras variáveis. Sendo assim, chegamos ao tema central desta unidade: Planejamento de Necessidades de Materiais - MRP I, Planejamento de Recursos de Manufatura - MRPII, Just in time (JIT) e Tecnologia da Produção Otimizada (OPT). Para encerrar a unidade abordaremos os Sistemas utilizados no PPCP. Bons Estudos! 25UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 1 INTER RELAÇÕES DO PPCP E DEMAIS ÁREAS DA EMPRESA Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP) é responsável por decidir sobre o melhor emprego dos recursos de produção, assegurando a execução do que foi previsto no tempo e quantidade certa e a utilização dos recursos adequados. Res- ponsável por administrar informações que chegam até ele vindas de diversas áreas, com o propósito de aumentar a eficiência e eficácia. O PPCP deve responder às seguintes perguntas-chave (ERDMANN, 2000): ● O que Produzir? – Que está diretamente ligado ao custo de produção da peça ou à uma determinação da administração, da área estratégica ou até mesmo do marketing. ● Como Produzir? – Aqui o setor de PCP precisa ter a descrição do processo de produção do produto, para que saiba a sequência de etapas necessárias, bem como as matérias-primas a serem utilizadas e quais máquinas serão necessá- rias. ● Quando Produzir? – Para saber quando produzir, deve-se levar em conta a capacidade da organização (quantidade de máquinas, seu pessoal e sua capa- cidade financeira) e também quando o mercado (consumidor) está disposto a comprar. 26UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Mas, para responder essas questões, o PPCP precisa manter inter-relações di- retas e indiretas com praticamente todos os setores da empresa, recebendo informações e transmitindo de várias áreas e utilizando-as para que a elaboração do planejamento e programação saia o mais correto possível. As principais inter-relações do PPCP com os demais setores são as seguintes (CHIAVENATO, 1990): ● Área de Engenharia Industrial: o PPCP obtém informações sobre o funcio- namento de máquinas e equipamentos e, por sua vez, a engenharia agenda a paralisação das máquinas para consertos e reparos. ● Área de Suprimentos e Compras: o PPCP informa a utilização dos materiais necessários. Caso não se tenha em estoque, o departamento de compras deve efetuar a compra para que, posteriormente, seja estocado pela área de supri- mentos. Sendo assim, a área de suprimento e compras baseia-se naquilo que é planejado pelo PPCP. ● Área de Recursos Humanos: o PPCP faz a programação da atividade de mão de obra, visando à quantidade de pessoas que serão necessárias para trabalhar no processo de produção. Os treinamentos, recrutamento e seleção são atividades desenvolvidas em função do PPCP. ● Área Financeira: o PPCP baseia-se nos cálculos repassados pela área finan- ceira para estabelecer os níveis desejáveis de estoque, tanto de matéria prima como de produtos acabados. ● Área de Vendas: o PPCP, analisando a previsão de vendas fornecidas pela área de vendas, elabora o plano de produção da organização, bem como a quantidade que será produzida de cada produto. ● Área de Produção: o PPCP controla e planeja todo o processo de atividade da produção, sendo assim, a área de produção é um setor que trabalha de acordo com o que foi planejado e programado pelo PPCP. 27UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Figura 1 - As inter-relações do PCP com as demais áreas da empresa Fonte: Chiavenato (1990, p. 26). É importante que as informações que são compartilhadas estejam consolidadas, ou seja, só será possível colocar esta estratégia em funcionamento se estiverem compatíveis uma com as outras, caso contrário de nada adiantará, pois o processo não conseguirá atender a sua função (TUBINO, 2007). Logo, para Rentes (2008), da mesma forma que um setor bem estruturado traz benefícios, pode se tornar um grande problema. Se não realizar as atividades corretamente o PCP pode levar a um mau atendimento ao cliente, sobrecarregar o estoque ou mesmo levar à falta de matérias-primas e mão-de-obra, má utilização dos equipamentos, atrasos na entrega dos produtos, além de ter um alto nível de problemas dentro da produção da organização. 28UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 2 SISTEMAS DE PRODUÇÃO E MODELOS Durante o século XX, deu-se origem aos sistemas de produção, em que define- -se por “sistema de produção” o conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens (no caso das indústrias) e serviços, a classificação dos sistemas de produção, principalmente em função do fluxo do produto, reveste-se na grande variedade de técnicas de planejamento e gestão da produção (MOREIRA, 1998). As empresas são definidas como um sistema que transforma, através de processos, entradas (insumos) em saídas (produtos). Esse sistema é chamado de sistema produtivo. Portanto, para que esse sistema transforme insumos em produtos, é necessário estabe- lecer planos e prazos, com aplicação de ações para que, após esses prazos, os eventos planejados se tornem realidade (TUBINO,2007). Diferenciam-se no sistema de produção alguns elementos constituintes fundamen- tais, como os insumos, o processo de criação ou conversão, os produtos ou serviços e o subsistema de controle (MOREIRA, 1998). Cada tipo de processo de manufatura implica uma forma diferente de organizar as atividades das operações com diferentes caracterís- ticas de volume e variedade (SLACK et al., 1997). O objetivo dos sistemas de produção é de organizar a forma com que as empresas geram bens físicos e serviços, analisando a melhor utilização dos recursos necessários e disponíveis, abrangendo diversas áreas de produção, não apenas indústrias. Os bens e serviços são gerados pela transformação dos recursos pelas atividade produtivas em processo na empresa (ALMEIDA JUNIOR, 2012). Zacarelli (1979) fala sobre classificação de indústrias e estabelece duas grandes classes, cada uma com subclasses: 29UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 1. Indústrias do tipo contínuo: os equipamentos executam as mesmas operações de maneira contínua e o material se move com pequenas interrupções entre eles até chegar a produto acabado. Como exemplo: as indústrias de celulose. Figura2 – Fábrica de Celulose Fonte: Tubino ( 2007) Pode se subdividir em: 1.1 Contínuo puro: uma só linha de produção, os produtos finais são exatamente iguais e toda a matéria-prima é processada da mesma forma e na mesma sequência; 1.2 Contínuo com montagem ou desmontagem: várias linhas de produção contínua que convergem nos locais de montagem ou desmontagem; 1.3 Contínuo com diferenciação final: características de fluxo igual a um ou outro dos subtipos anteriores, mas o produto final pode apresentar variações. 2. Indústrias do tipo intermitente: diversidade de produtos fabricados e tamanho reduzido do lote de fabricação determinam que os equipamentos apresentem variações frequentes no trabalho. Figura 3 - Indústria de máquinas e ferramentas Fonte: Tubino (2007) 30UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Subdividem-se em: 2.1 Fabricação por encomenda de produtos diferentes: produto de acordo com as especificações do cliente e a fabricação se inicia após a venda do produto; 2.1 Fabricação repetitiva dos mesmos lotes de produtos: produtos padronizados pelo fabricante, repetitividade dos lotes de fabricação, pode-se ter as mesmas característi- cas de fluxo existente na fabricação sob encomenda. Moreira (1998) define o que é um sistema de produção e descreve brevemente seus elementos e suas interações. Apresenta, então, duas classificações mais usuais de sistemas de produção, à primeira denomina Classificação Tradicional e à segunda, Classi- ficação Cruzada de Schroeder. O modelo de Classificação Tradicional, em função do tipo de processo de fabrica- ção, agrupa os sistemas de produção em três grandes categorias, segundo Moreira (1998): 1. Sistemas de produção contínua ou de fluxo em linha: apresentam sequência linear de fluxo e trabalham com produtos padronizados. Esse tipo de produção tende a ter um alto grau de automatização e com produtos altamente padronizados. i) produção contínua propriamente dita: é o caso das indústrias de processo, esse tipo de produção tende a ter um alto grau de automatização e a produzir produtos altamente padronizados. Na Figura 4 temos a indústria refinaria de petróleo como exemplo da produ- ção contínua Figura 4 - Refinaria de Petróleo Fonte: Moura (1994) ii) produção em massa: linhas de montagem em larga escala de poucos produtos com grau de diferenciação relativamente pequeno. Como exemplo são as indústrias de montadoras de carros. 31UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Figura 5 - Indústria montadora de carros Fonte: Moura (1994) 2. Sistemas de produção intermitente (fluxo intermitente) i) por lotes: ao término da fabricação de um produto, outros produtos tomam seu lugar nas máquinas, de maneira que o primeiro produto só voltará a ser fabricado depois de algum tempo. A produção em lotes é realizada antes de acontecer a venda ou a encomenda de algum cliente. Esse sistema de produção é utilizado em um grande número de indús- trias, incluindo a maioria das indústrias de produtos de consumo, como roupas, móveis, eletrodomésticos etc. Figura 6 - Indústria de confecção Fonte: Tubino (2007) ii) por encomenda: o cliente apresenta seu próprio projeto do produto, devendo ser seguidas essas especificações na fabricação. Exemplo: iates de luxo, jatos particulares 3. Sistemas de produção de grandes projetos sem repetição: produto único, não há rigorosamente um fluxo do produto, existe uma sequência predeterminada de atividades que deve ser seguida, com pouca ou nenhuma repetitividade. Exemplo: navios de grande porte, seja de carga ou passageiros. 32UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Figura 7 - Construção de navio de grande porte Fonte: Tubino (2007) Segundo Lopes (2002), o modelo de Classificação Cruzada de Schroeder é deri- vado da tipologia clássica ou tradicional, leva em conta duas ou mais dimensões associadas aos sistemas do processo de fabricação. Essa dimensão geralmente é suficiente para os sistemas industriais, mas incompleta se aplicada aos serviços. Por isso, a classificação cruzada é mais completa e ajuda a entender um maior número de casos práticos em que existem duas classes: 1. Sistemas orientados para estoque: produto é fabricado e estocado antes da demanda efetiva do consumidor. Esse tipo de sistema oferece atendimento rápido e baixo custo, mas a flexibilidade de escolha do consumidor é reduzida. São exemplo as indústrias alimentícias e autopeças. Figura 8 - Indústria de bolachas Fonte: Moura (1994) 33UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 2. Sistemas orientados para a encomenda: neste sistema as operações são ligadas a um cliente em particular com o qual se discute o preço e o prazo de entrega da mercadoria. A medida do desempenho nos sistemas por encomenda é mensurada pelo prazo de entrega, que o cliente deseja saber de antemão (MEDEIROS, 2002). Como exem- plos: grandes motores, edifícios, máquinas e equipamentos feitos sob encomenda. Figura 9 - Construção de edifício Fonte: Tubino (2007) Logo, cada segmento de produção deve ser analisado e adotado em específico, ou seja, as características do produto e processo. 34UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 3 PREVISÃO DA DEMANDA – PLANO DE LONGO, MÉDIO E CURTO PRAZO De acordo com Favaretto (2001), a gestão da demanda é a integração entre cliente e empresa, sendo responsável pelo planejamento adequado de todas demandas geradas, externa ou internamente, a fim de se obter um equilíbrio entre o que o mercado requer e o que a produção pode fornecer. A previsão da demanda refere-se a um processo metodológico com o objetivo de determinar dados futuros utilizando meios estatísticos, matemáticos, econométricos e até mesmo a subjetividade. Essa previsão nada mais é, como o próprio nome sugere, que uma atividade em que se deseja prever o futuro, tentando minimizar as incertezas relaciona- das ao processo empresarial como um todo, com o objetivo final de melhorias financeiras (GARCIA, 2011). Segundo Côrrea et al. (1997), algumas informações devem ser consideradas pelo sistema de previsão: dados históricos de vendas, variáveis que podem afetar o comporta- mento das vendas no futuro; situação econômica atual, informações sobre comportamentos atípicos de vendas passadas, atuação de concorrentes e decisões da área comercial. Os métodos de previsão da demanda são classificados em duas grandes classes: métodos qualitativos e quantitativos. Os qualitativos subdividem-se em métodos de avalia- ção subjetiva e exploratórios; já os quantitativos subdividem-se em métodos de projeção histórica e causais (MAKRIDAKIS; WHEELWRIGHT; HYNDMAN, 1998): 35UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 1. Métodos qualitativos: são subjetivos e contam com o julgamento humano. Apropriados quando poucos dados históricos estão disponíveis ou quando especialistas possuem inteligência de mercado que possa afetar a previsão (CHOPRA; MEINDL, 2011). O uso desse método é muito observado quando há o desenvolvimento de estratégias de longo e médio prazo e de novos produtos, em que a demanda é incerta (MAKRIDAKIS; WHEELWRIGHT; HYNDMAN, 1998). 2. Métodos quantitativos: definem explicitamente como a previsão é determinada. A lógica é claramente diagnosticada e as operações são matemáticas. Os processos en- volvem verificação de dados históricos para identificar o processo (CAVALHEIRO, 2003). Desta forma, para a elaboração da previsão da demanda em Planos de longo, médio e curto prazo é necessário que as necessidades dos clientes e a capacidade da empresa devem estar equilibradas, para obter como consequência a minimização das incertezas de oferta e demanda, além de melhorias no nível de serviço prestado ao cliente, redução dos níveis de estoque, melhorias na utilização dos ativos e na disponibilidade de produto (MELO; ALCÂNTARA, 2011). A seguir você verá de que maneira é a rotina do PPCP em relação ao planejamento e a previsão da demanda. É necessárioesclarecer que os aspectos do planejamento e controle da produção mudam ao longo do tempo. Slack et al. (2008) ilustram a natureza do planejamento e controle e como seus aspectos variam de importância ao longo do tempo, no longo prazo, os gerentes de produção fazem planos relativos ao que eles pretendem fazer, que recursos eles precisam e quais objetivos eles esperam atingir. A ênfase está mais no planejamento do que no controle, porque existe ainda pouco a ser controlado. Eles vão usar previsões da demanda provável, descritas em termos agre- gados. O planejamento e o controle de médio prazo estão preocupados com planejar em mais detalhes (e replanejar, se necessário). Eles olham para frente para avaliar a demanda global que a operação deve atingir de forma parcialmente desagregada. No planejamento e no controle a curto prazo, muitos dos recursos terão sido definidos e será difícil fazer mu- danças de grande escala nos recursos. Todavia, intervenções a curto prazo são possíveis se as coisas não correm conforme os planos. Nesse estágio, a demanda será avaliada de forma totalmente desagregada. 36UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 4 LÓGICA DO MRP I / MRP II, JIT E OPT O Planejamento da Necessidade de Materiais (MRP) I e II é uma forma de adminis- trar a produção. Está entre um dos três principais sistemas de Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP), juntamente com Just in Time (JIT) e Optimized Production Technology (OPT). Um sistema de Planejamento e Controle da Produção é uma “função de apoio de coordenação das várias atividades de acordo com os planos de produção, de modo que os programas preestabelecidos possam ser atendidos nos prazos e quantidades” (RENTES, 2002, p. 49). 4.1 Planejamento da Necessidade de Materiais - MRP Segundo Esteves (2001), o MRP surgiu na década de 60, com o objetivo de auxiliar as empresas com o cálculo das necessidades de determinados produtos. O MRP “[...] é uma técnica para converter a previsão de demanda de um item de demanda independente em uma programação das necessidades de suas partes (estrutura)” (ALBERTIN; PONTES, 2016, p. 132). “Uma indústria que adota sistema do tipo MRP necessita, invariavelmente, de uma estrutura computacional (hardware e software) que possa manter todos os registros de produção (lista de materiais, lead times, estoques, entre outros) atualizados” (BEZERRA, 2014, p. 86). Conforme Davis, Aquilano e Chase (2003 apud BEZERRA, 2014), os objetivos de um sistema MRP estão relacionados a: 37UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT ● Estoque – encomendar o material correto, na quantidade necessária e no mo- mento adequado; ● Prioridades – encomendar na data correta e manter válida essa data; ● Capacidade de produção – planejar adequadamente o lote completo de pro- dução e os próximos lotes. A principal informação que irá alimentar o cálculo das necessidades de materiais (MRP) é o plano mestre de produção, o qual se refere a um plano de produção estabelecido em horizonte de médio prazo para as demandas independentes (FENERICH, 2016, p. 104) Para Vollmann et. al. (2006, p. 224) é importante salientar que: Além das entradas do programa mestre de produção, o MRP requer duas entradas básicas. Uma lista de materiais, para cada número de peça, quais outros número de peças são necessários como componentes diretos. A se- gunda entrada básica para o MRP é o status do estoque. É importante salientar que os principais aspectos de funcionamento do MRP segundo Corrêa e Gianesi (1999, p. 106) são: Parte-se das necessidades de entrega dos produtos finais (quantidades e datas); Calculam-se, para trás, no tempo, as datas em que as etapas do pro- cesso de produção devem começar e acabar; e Determinam-se os recursos, e respectivas quantidades, necessários para que se execute cada etapa. Lopes et. al. (2012) comentam que o sistema MRP auxiliou os gerentes a determi- nar a quantidade e o momento das compras de materiais, preocupando-se também com a lista dos materiais comprados e com o controle de estoque. Figura 10 - Entradas e saídas no MRP Fonte: Gaither e Frazier (2001, p. 314 apud ESTEVES 2007). 38UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Então, qual é a informação principal que alimenta o sistema MRP I? A principal informação que irá alimentar o cálculo das necessidades de materiais (MRP I) é o plano mestre de produção, que se refere a um plano de produção estabelecido em horizonte de médio prazo para as demandas independentes (FENERICH, 2016). Qual a característica principal do MRP I? De acordo com Fenerich (2016), é “empurrar” os estoques e responder rapidamente às alterações da demanda para produção do produto final. Vamos conhecer o MRP I no cotidiano do PPCP? O MRP I utiliza como dados de entrada os pedidos em carteira, bem como a previ- são de vendas que é passada pela área comercial da empresa. Exemplo: imagine que você vai fazer uma festa para 40 pessoas daqui a duas semanas; se você vai oferecer churrasco, salgados, cerveja e refrigerantes, antes de ir às compras, você deverá fazer uma estimativa do consumo do que cada pessoa deve consumir. Se você já tem em casa alguns itens (estoque), você pode descontar esse estoque dos itens a adquirir, chegando a quantidade necessária de cada item. Talvez você queira que alguns itens fiquem em estoque ou se constituam em uma reserva, caso os convidados consumam mais do que o esperado ou mesmo que venham mais pessoas do que o esperado (SLACK, 2008). Pode-se destacar como vantagens dos sistemas MRP I (ELIACY, 2016): manuten- ção dos níveis de estoque de segurança e redução de inventário; identificação de falhas de processo; programação da produção baseada em demanda real; adequação da produção por lotes ou processos de produção. Já como desvantagens podem-se destacar (ELIACY, 2016): sistemas de informáti- ca pesados; falta de avaliação dos custos de colocação de ordens e de transporte; sistema pouco sensível à influência de curto prazo de demanda; complexidade do sistema em algumas situações, sem o fornecimento dos resultados esperados. 4.2 Planejamento dos Recursos da Manufatura - MRP II Na década de 70, Oliver Wight introduziu o MRP II (Manufacturing Resources Planning - Planejamento dos Recursos da Manufatura), que incorporou ao MRPI outras funções necessárias para a meta de produção (ALBERTIN, 2016). Lopes et. al. (2012, p. 5) afirmam que “enquanto que o MRP tratava, principalmente, com os materiais, o MRP II completa a integração de todos os aspectos do processo de fabricação, incluindo a relação entre materiais, finanças e recursos humanos.” O sistema MRP II é a evolução natural da lógica do sistema MRP I? 39UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT Sim, “a extensão do conceito de cálculo das necessidades ao planejamento dos demais recursos de manufatura e não mais apenas dos recursos materiais” (DE MELO; DE MELLO VILLAR; SEVERIANO FILHO, 2006). Qual a diferença em o MRP I e MRP II? Basicamente, a grande diferença entre esses dois módulos é que o MRP considera “O QUE” será produzido, “QUANDO” e “QUANTO”, como é apresentado na Figura 10. O MRP II, além dessas mesmas decisões, inclui “COMO”. Figura 11- Diferença entre MRP I e MRP II Fonte: Fenerich (2016, p. 81). Corrêa e Gianesi (1993) listam cinco módulos principais do MRP II: Módulo de Planejamento da Produção (Production Planning); Módulo de Planejamento Mestre da Pro- dução (Master Production Schedule - MPS); Módulo do Planejamento das Necessidades de Materiais (Material Requirement Planning - MRP); Módulo do Planejamento das Neces- sidades de Capacidade (Capacity Requirement Planning - CRP); e Módulo do Controle do Chão de Fábrica (Shop Floor Control - SFC). Uma das principais vantagens do MRPII é a sua natureza dinâmica. Ele permite reduzir custos com capacidade ociosa e estoques em excesso, mantendo os níveis deconfiabilidade de entrega (CORRÊA; GIANESI; CAON, 1999). No ponto de vista de Melo et al. (2011), as desvantagens do sistema MRP II são: a sua complexidade e dificuldade de adaptá-lo às necessidades das empresas; ao nível de acuracidade exigida dos dados; o fato do sistema assumir capacidade infinita em todos os centros produtivos; não enfatizar o envolvimento da mão-de-obra no processo. 4.3 Just In Time – JIT Conforme Ohno (1988), o Just in time (JIT) surgiu no Japão para o mundo no século XIX, com Taiichi Ohno e o Sistema Toyota de Produção. Em japonês, as palavras para just in time significam “no momento certo”, “oportuno”. Uma melhor tradução para o inglês seria em tempo, exatamente no momento estabelecido. In time, em inglês, significa “a tempo”, 40UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT ou seja, “não exatamente no momento estabelecido, mas um pouco antes, com uma certa folga” (MOURA; BANZATO, 1994). Para Lubben (1989), o Just in time é uma filosofia de manufatura, ou seja, uma forma de abordar, entender e conduzir as atividades manufatureiras de uma organização. A base dessa filosofia é a eliminação planejada e sistemática do desperdício, levando a um melhoramento contínuo da produtividade. Segundo Ohno (1998), posteriormente o conceito de JIT se expandiu, e hoje é uma filosofia gerencial que procura não apenas eliminar os desperdícios, mas também colocar o componente certo, no lugar certo e na hora certa. As partes são produzidas em tempo de atenderem às necessidades de produção, ao contrário da abordagem tradicional de produzir para caso as partes sejam necessárias. O JIT leva a estoques bem menores, custos mais baixos e melhor qualidade do que os sistemas convencionais. Qual a meta a ser alcançada no JIT? E como consegui-la? Segundo Lubben (1989), a meta do JIT é desenvolver um sistema que permita a um fabricante ter somente os materiais, equipamentos e pessoas necessários para cada tarefa. Para se conseguir essa meta, é preciso, na maioria dos casos, seis objetivos básicos: a) integrar e otimizar cada etapa do processo de manufatura, com o auxílio da ferramenta; b) produzir produtos de qualidade; c) reduzir os custos de produção, com maior valor agrega- do ao produto; d) produzir somente em função de demanda; e) desenvolver flexibilidade de produção e estar pronto para todas as situações; f) manter os compromissos assumidos com clientes e fornecedores, evitando constrangimento em ambas as partes. Na visão de Corrêa (1993), as metas para tal ferramenta têm relação aos vários problemas que aconte- ce na área de produção, cujo objetivo é otimizar os processos e procedimentos através da redução contínua de desperdícios, que são: a) estoque zero; b) tempo zero de preparação; c) zero defeito; d) movimentação zero; e) quebra zero. Qual o ponto positivo e ao mesmo tempo negativo do JIT? É a redução do estoque do sistema que pode aumentar o risco de interrupção da produção em função de problemas na administração de mão de obra, por exemplo: greves nos transportes, tudo pode ficar parado, com isso há perda de tempo, que resulta em des- 41UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT perdícios e custos para a empresa, do mesmo modo o risco de paralisação por quebras de maquinas (CORRÊA, 1993). 4.4 Tecnologia de Produção Otimizada – OPT Conforme Tubino (2007), Optimized Production Technology (OPT) é uma técnica de gestão desenvolvida por um grupo de pesquisadores israelenses, do qual fazia parte o físico Eliyahu Goldratt, que acabou por ser o principal divulgador de seus princípios. O OPT foi concebido como uma técnica de planejamento da produção com ênfase na administra- ção de gargalos e sincronização da manufatura (VILLAR; SILVA; NÓBREGA, 2008). Logo, para a empresa aumentar a sua lucratividade, é preciso que, no nível da fábrica, se aumente o fluxo e ao mesmo tempo se reduzam os estoques e as despesas operacionais. Os princípios da ferramenta OPT, enunciados por Garcia (2011, p. 146-155), são os seguintes: 1 - Balancear o fluxo e não a capacidade. 2 - O nível de utilização de um não-gargalo não é determinado pelo seu próprio potencial, mas por outras imposições do sistema. 3 - Utilização e ativação de um recurso não são sinônimos. 4 - Uma hora ganha num recurso-gargalo é uma hora ganha para o sistema global. 5 - Uma hora ganha num recurso não-gargalo é um engano. 6 - O lote de transferência não pode ser e, frequentemente não deveria ser, igual ao lote de processamento. 7 - O lote de processamento deve ser variável e não fixo. 8 - Os recursos-gargalo além de definirem o fluxo do sistema, definem também o seu estoque. 9 - A programação de atividades e a capacidade produtiva devem ser consideradas simultaneamente e não sequencialmente. Os lead-times (tempos de espera ou preparação) são um resultado da programação e não podem ser assumidos à priori. 42UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT 5 ABORDAGEM SOBRE OS SISTEMAS UTILIZADOS NO PPCP A Tecnologia da Informação (TI) possibilita novas alternativas de estratégias de operações e de negócios para o Planejamento e Controle da Produção, a exemplo disso, estão os sistemas MRP, MRP II e ERP (LAURINDO et. al., 2002). Já Junior (2012) con- sideram a área de PCP chave para empresas industriais e as classificações dos tipos de manufatura devem estar relacionadas à escolha dos sistemas de informação para PCP a serem adotados. A próxima evolução consiste na TI integrando as diversas etapas da cadeia de suprimentos, inicialmente pelo EDI – sigla de Electronic Data Interchange –, que significa Troca Eletrônica de Dados, e atualmente via e-commerce B2B – business to business (ME- DEIROS JUNIOR, 2002). Lopes (2012) trazem que o EDI é uma ferramenta estratégica uti- lizada pelas empresas, podendo ser definido como o movimento eletrônico de informações entre o comprador e o vendedor, sendo um facilitador nas relações comerciais. Uma linha que liga os clientes do provedor, proporcionando uma ligação entre os sistemas eletrônicos de informação entre empresas, não levando em consideração os sistemas e procedimentos utilizados no interior de cada uma delas (ELIACY, 2016). Uma alternativa recente para a integração de sistemas é a estratégia chamada best of breed (BoB) ou Melhor da Raça, na qual as melhores soluções são adquiridas (de diferentes fornecedores) para cada parte da empresa e posteriormente integradas (LIGHT; HOLLAND; WILLS, 2001). Um exemplo e BoB é a integração de aplicações APS (Advanced Planning and Scheduling) com sistemas ERP (Enterprise Resource Planning – Planejamen- to de Recursos Corporativos em português), no intuito de buscar soluções mais elaboradas para o PCP (WIERS, 2002). 43UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT SAIBA MAIS FERRAMENTAS QUE FACILITAM A ROTINA DO PPCP Com a indústria 4.0 se tornando cada vez mais real, é comum que os colaboradores tenham medo de serem substituídos caso suas atividades sejam automatizadas. No en- tanto, para a área de PCP as ferramentas de automatização não excluem a necessidade da análise crítica de um profissional. Pelo contrário, ela elimina atividades de alto risco que demoram horas para serem realizadas. Um dos pontos principais da automatização da produção é justamente economizar tem- po eliminando atividades manuais. Por exemplo preenchimento de planilhas que de- manda muito tempo, precisam ser constantemente atualizadas com dados corretos e ainda sim, possuem alto risco de falha. Fonte: QS Consultoria (2019). REFLITA “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá” (Ayrton Senna). 44UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade aprendemos como a inter-relação do PPCP com as demais áreas daorganização é fundamental para o objetivo principal da empresa, ou seja, atender de forma eficiente e eficaz seus clientes. Estruturar o PPCP com sistemas de informação de forma adequada é primordial, sendo essencial conhecer lógica do MRP I / MRP II, JIT e OPT, suas contribuições e limitações como fonte geradora de informação para o PPCP. O conhecimento que abordamos na Unidade II é importante, porém há muito mais a aprender! Na próxima unidade iremos integrar o conteúdo das unidades já estudadas, pro- movendo, assim, a união de conhecimentos sobre o complexo, mas maravilhoso, mundo da produção de produtos e serviços. Sucesso! 45UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT LEITURA COMPLEMENTAR ERP, o que é e para que serve? ERP (Sistema Integrado de Gestão Empresarial) é um software corporativo que tem como principal função apoiar as empresas no controle total de suas informações, integrando e gerenciando dados, recursos e processos para que as companhias tenham maior assertividade na tomada de decisão e sucesso nos negócios. Num mercado cada vez mais competitivo, um dos principais desafios das empresas têm sido manter o controle de todos os seus processos e informações, que permitam que essas organizações identifiquem a melhores estratégias que possam destacá-las de seus concorrentes, com custos reduzidos e rentabilidade elevada. Essa é a proposta dos softwa- res de ERP, capazes de mensurar cada detalhe do negócio de forma automatizada e em tempo real, garantindo agilidade e eficiência às rotinas organizacionais. Para que serve um ERP? ● simplificar os processos operacionais da empresa; ● agregar inteligência, segurança e qualidade para as informações; ● integração dos departamentos, informações completas e consistentes; ● automatização das atividades; ● controle de estoque; ● controle de custos; ● controle de prazos; ● controle de pessoal; ● gestão integrada e especializada; ● eficiência e produtividade. Com o respaldo de um software de ERP todas as informações da empresa ficam concentradas em um único lugar, integrando dessa forma departamentos e dados com mais segurança e assertividade. Os experts consideram que o valor investido na contratação de um bom ERP retor- na rapidamente para os bolsos da empresa, justamente por conta do controle, economia e informação estratégica que o software proporciona, tornando a empresa mais competitiva. Fonte: Augelli (2017). 46UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO •Título: Planejamento, Programação e Controle da Produção • Autor: Irineu G. N. Gianesi, Mauro Caon e Henrique Luiz Corrêa • Editora: Atlas • Sinopse: Os sistemas integrados de gestão do empreendi- mento MRP II/ERP são hoje os mais largamente utilizados pelas empresas ao redor do mundo para o suporte integrado à tomada de decisão. A adoção de aplicativos de software que se utilizam da lógica MRP II/ERP, como o SAP, o BAAN4, o ORACLE ou várias dezenas de outros comercialmente disponíveis, está hoje no topo da lista de prioridades de grande parte dos gestores dos processos empresariais modernos. Entretanto, se a compra de um aplicativo de software robusto é condição necessária para o sucesso no uso do MRP II/ERP, está longe de ser condição suficiente. Antes de tudo, as empresas devem compreender perfeitamente os seus conceitos para uma implantação de sucesso. Este livro traz de for- ma simples e clara os conceitos essenciais para que os gestores gerenciem e participem de processos de implantação e gestão de sistemas MRP II/ERP. FILME/VÍDEO • Título: Apollo 13 • Ano: 1995 • Sinopse: O filme que narra a história verídica da missão Apollo 13, da NASA, traz, segundo Dario Rais Lopes, professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessor especial do Grupo Ecorodovias, a essência da engenharia, com aplicação dos conceitos da física, o trabalho em equipe, a criativi- dade a construção do novo e a sua reconstrução em circunstâncias emergenciais. “Foi o filme que mais me tocou como engenheiro. A cena da construção do filtro de ar adaptado do módulo de coman- do para o módulo lunar, feito pelos engenheiros na NASA, mas só com os materiais que havia na nave, para que os astronautas pudessem reproduzir, é um dos exemplos mais bonitos da prática da engenharia”. A habilidade inovar, adaptar, trabalhar sob pressão são habilidades essenciais para o programador de produção. 47 Plano de Estudo: • A influência dos tipos de produção e arranjos da fábrica (layout) no PPCP. • Fluxo de informações através das unidades do PPCP. • A visão da logística integrada no PPCP. • Programação de uma célula de produção. • Programação e controle da produção com Kanban. Objetivos de Aprendizagem: • Estabelecer a importância da interferência dos modos de produção versus o layout da fábrica. • Apresentar a influência da trajetória da informação nas unidades do PPCP. • Entender os conceitos da logística integrada aplicada nas ações do PPCP • Conhecer os fatores que compõem a programação de uma célula de produção. • Verificar de que maneira é realizada a programação e controle da produção com o Kanban. UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Professora Mestre Lilian Gonçalves 48UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP INTRODUÇÃO Olá, estudante! Chegamos à terceira unidade da apostila! Iniciaremos com o estudo dos modelos de layout de fábrica e como eles influenciam nos vários tipos de produção. A seguir você será apresentado(a) à importância do fluxo de informações dos diver- sos departamentos da empresa com o departamento de PPCP. Esses fatores são essen- ciais para o bom andamento da programação da produção. Você já imaginou uma fábrica com máquinas espalhadas por todo o prédio, sem nenhuma lógica de fluxo, obrigando os funcionários a andar em diferentes sentidos e várias vezes, ou que o programador do PPCP libere ordens de produção de produtos que não foram vendidos ou com as especificações erradas. Como exemplo: o departamento comercial vendeu 100 blusas femininas azuis e o programador emitiu ordem de fabricação de 200 blusas masculinas vermelhas e o chão de fábrica produzir 300 blusas femininas laranjas? Sabia que esse erro poderia ser evitado com a logística integrada ao PPCP? Sim, pois a logística integrada garante que o serviço, produto ou informação seja entregue na hora correta, no departamento correto, com o custo correto ao cliente certo. Por conseguinte, será estudado de que maneira é realizada a programação de uma célula de produção e finalizamos com o conceito de Kanban aplicado à programação e controle da produção Bons Estudos! 49UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP 1 A INFLUÊNCIA DOS TIPOS DE PRODUÇÃO E ARRANJOS DA FÁBRICA (LAYOUT) NO PPCP Sabia que o arranjo físico ou layout possui grande influência na programação e controle da produção? A escolha do arranjo físico deve estar de acordo com as caracterís- ticas do produto a ser fabricado. Existem fábricas que conseguem aumentar até 25% da produção, reduzir custos e melhorar o aproveitamento do espaço somente através de um novo arranjo físico da fábrica (SLACK et al., 2009). O layout pode ser definido como a disposição física de máquinas, postos de traba- lho, equipamentos, pessoas, áreas de circulação, entre outros fatores que ocupam espaço na fábrica, distribuindo-os de forma a maximizar a funcionalidade do processo produtivo e otimizar o ambiente de trabalho (ROCHA, 1995). Na concepção de Slack et al. (2009), o layout de uma operação produtiva leva em conta a localização física dos recursos de transformação. A estruturação do layout, conforme Ferreira (2013), representa uma atividade com- plexa, apresentando uma longa duração e um elevado custo devido às grandes dimensões dos equipamentos a serem transferidos.Erros no projeto de layout podem gerar interrup- ções no fornecimento, levando à insatisfação do consumidor interno e externo, atrasos na produção, propiciando filas e estoques confusos e desnecessários, além de altos custos relacionados à ineficiência da criação de sinergia entre o conjunto do arranjo físico (KAN- NAN, 2010). 50UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Shingo (1996), por sua vez, destaca que as melhorias no layout trazem os seguintes benefícios: eliminação de horas-homem de transporte; feedback de informação referente à qualidade mais rápido, para ajudar a reduzir os defeitos; redução de horas-homem ao diminuir ou eliminar esperas de lote ou de processo; e redução do ciclo de produção. Já o autor Rocha (1995) aponta algumas vantagens que a melhoria de layout pode trazer: utilizar racionalmente o espaço disponível; reduzir ao mínimo as movimentações de ma- teriais, produtos e pessoas; e possibilitar supervisão e obtenção da qualidade. Segundo Gomes (2004) há alguns dos fatores qualitativos que afetam na definição do arranjo físico: (i) segurança; (ii) estética; (iii) mix de produtos. A decisão do tipo de layout a ser utilizado, não é uma definição isolada. Devem-se levar em conta os tipos de processos de produção que serão utilizados e a natureza dos materiais utilizados. Dessa forma, Gonçalves (2007) propõe a definição do tipo de arranjo físico, em relação ao tipo de produto e os sistemas de manufatura. Quais são os tipos de arranjos físicos ou layout em uma manufatura? Moreira (1993) identificou os seguintes tipos de layout nos sistemas de manufatura: Layout posicional ou posição fixa (project shop): o material permanece fixo em uma determinada posição e as máquinas se deslocam até o local, executando as opera- ções necessárias. Peinado e Graeml (2007) citam as vantagens desse arranjo físico: não movimentação do produto e existência da possibilidade de terceirização de todo o projeto ou parte dele com prazos previamente fixados. Também as desvantagens, os mesmos autores citam a complexidade na supervisão e controle de mão-de-obra, matéria-prima etc. e a necessidade de áreas externas próximas à produção para submontagem, guarda de matérias etc. Aplica-se a projetos e a grandes projetos com alto valor agregado e baixa quantidade de produção. Os exemplos de uso desse arranjo citados por Olivério (1985) são as montagens de navios e de grandes alternadores; Groover (1987) cita aviões de grande porte e Black (1991) acrescenta locomotivas, prédios, pontes e represas. A Figura 1 demonstra o layout de arranjo posicional. 51UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Figura 1 - Layout Posicional Fonte: Black (1991). Layout funcional ou por processo (job shop): todas as operações, montagens e equipamentos de modelos similares são desenvolvidos na mesma área. O material se desloca buscando por diferentes recursos. Sua característica fundamental é o agrupamen- to de operações de um mesmo tipo (OLIVÉRIO, 1985). Black (1991) destaca que, devido a sua alta flexibilidade, esse arranjo físico trabalha na produção de uma grande variedade de produtos em pequenos lotes, normalmente atendendo a pedidos específicos de clientes (produção sob encomenda), conforme demonstra a Figura 2. Figura 2 - Layout Funcional Fonte: Black (1991). Layout linear ou por produto (flow shop): no layout linear os equipamentos são dispostos de acordo com uma determinada sequência de operações, ficando fixos enquanto os materiais se movem pelos vários equipamentos (OLIVÉRIO, 1985). É utilizado na produção de grandes volumes, como exemplo as indústrias de celulose, siderúrgicas, 52UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP frigoríficos, automobilística e confecções. Na Figura 3 é possível visualizar a disposição das máquinas em linha reta neste tipo de arranjo físico. Figura 3 - Layout Linear Fonte: Black (1991). Layout celular: também é denominado arranjo físico linear, product flow layout, product layout e flow shop. Black (1991, p. 36) acrescenta que, “quando o volume de produção se torna muito grande, especialmente na linha de montagem, esse arranjo físico é chamado de produção em massa”. A disposição dos locais de trabalho obedece à sequência de processamento do produto, buscando otimizar a movimentação de material (OLIVÉRIO, 1985). As máquinas e equipamentos são distribuídos normalmente em uma configuração no formato de “U”. Os materiais entram na célula, passam pelos processos necessários e saem produtos acabados (MOREIRA, 1993). O formato de “U” pode ser visualizado na Figura 4. Esse arranjo físico é um híbrido dos layout linear e funcional, sendo utilizados em empresas moveleiras. Figura 4 - Layout Celular Fonte: Black (1991). 53UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Prata (2002) lista as seguintes vantagens do arranjo tipo celular: ● Redução de matéria-prima, de estoque em processo e inventário de produtos acabados; ● Tempo de setup reduzido; ● Os produtos são movidos de forma mais eficiente; ● Maior produtividade; ● Maior aproveitamento da mão-de-obra e satisfação dos operadores; ● Flexibilidade dos produtos e do tamanho dos lotes a serem fabricados. Porém não existem somente vantagens neste tipo de layout. O mesmo autor iden- tifica algumas desvantagens: ● As máquinas geralmente possuem baixa utilização; ● As células podem requerer investimentos adicionais pela duplicação de equipa- mentos; ● Há um alto custo inicial pela realocação das máquinas; ● É exigida mais disciplina para evitar peças fora da família; ● Possibilidade de problemas ergonômicos. Layout Combinado, Misto ou Híbrido: para Slack et al. (2009), o layout misto se deve a um elevado número de operações, combinando elementos básicos de cada layout ou o processo se utiliza de layout na sua forma pura em diferentes partes da operação. O layout misto é utilizado para aproveitar as vantagens de diversos tipos de layout de uma só vez, em que é utilizado uma combinação geralmente do layout por produto, por processo e celular (PEINADO; GRAEML, 2007). Um exemplo desse tipo de arranjo físico pode ser visto em um restaurante em que o salão de festa possui o layout posicional, os aparadores estão no formato celular (cada buffet é divido em entrada, prato principal e sobremesas) e, por fim, a cozinha tem o arranjo físico de processo (freezer, forno, pia, geladeira e outros). Na Figura 5 é possível ver a disposição dos diferentes arranjos físicos em um restaurante. Na próxima vez que você for a um restaurante, observe a disposição das mesas, buffet, cozinha e a movimentação dos garçons. 54UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Figura 5 - Layout Combinado, Misto ou Híbrido Fonte: Prata (2002). Um layout correto proporciona um fluxo de comunicação entre as atividades de ma- neira mais eficiente e eficaz, melhorando a utilização das áreas produtivas, obtendo maior facilidade na administração das tarefas, diminuindo, assim, os problemas ergonômicos e flexibilizando os processos em casos de mudanças e ou adequações (BLACK, 1991). Dessa forma, depois de conhecer os vários tipos de layout, suas vantagens e desvantagens, é possível perceber a influência do layout no PPCP que para realizar suas atividades de planejamento, programação e controle da produção necessita ter informações sobre o fluxo de materiais, capacidade produtiva de cada máquina, disposição das máqui- nas, quantidade de funcionários. Além de que o layout correto para o tipo de produto a ser manufaturado está intimamente ligado à eficácia e eficiência do cumprimento de prazos de entrega do produto acabado. Logo, o planejamento do arranjo físico é bastante eficaz e suas características são evidentes no meio produtivo – organização, estruturaçãodas máquinas, equipamentos e pessoas –; ou seja, o arranjo físico é a primeira coisa que as pessoas notam ao entrarem em uma fábrica (SLACK et al., 2009). 55UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP 2 FLUXO DE INFORMAÇÕES ATRAVÉS DAS UNIDADES DO PPCP Davenport e Prusak (1998) destacam que muitas empresas se preocupam em pos- suírem sistemas sofisticados para a gestão de suas informações, mas não se preocupam em assegurar que as informações disponibilizadas sejam relevantes e atendam às neces- sidades dos processos. Informações de baixa qualidade podem comprometer os resultados de uma empresa, uma vez que as decisões tomadas são baseadas nessas informações (FAVARETTO, 2007). Para que a empresa consiga atingir os seus objetivos, é imprescindível que os elementos da cadeia de processos da empresa estejam em sintonia, minimizando,, assim as perdas pela transferência de informações discordantes e incoerentes durante o proces- so, principalmente nas interfaces críticas, como as interfuncionais (CORREIA; ALMEIDA, 2002). Antes de mais nada, a gestão da informação é um ativo estratégico vital e primor- dial. Ela agregar valor ao cliente pela melhoria contínua do desempenho e ao transferir a informação correta a fim de atender uma necessidade específica dele, mas é inútil se não for compartilhada (HÉKIS, 2011). De certo, o Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP) tem como função a coordenação e o apoio do sistema produtivo, estando este diretamente envolvi- do com as diversas áreas, ligadas direta ou indiretamente com a produção, para buscar 56UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP informações e outros recursos necessários para a elaboração e execução dos planos de produção (RODRIGUES; INÁCIO, 2010). Para Ching (2002), o PPCP é um sistema de informações estruturado para obter dados, processá-los e avaliá-los e, com base nas informações obtidas e nos dados gerados, decidir sobre objetivos, metas e ações em longo, médio e curto prazo, monitorando e rea- gindo de acordo com os dados obtidos. Além disso, o PPCP auxilia o bom funcionamento da produção, sendo por meio dele que o sistema produtivo é ajustado para atender as necessidades dos clientes; devendo estar alinhado com os demais setores da empresa, para que a mesma seja capaz de alcançar suas metas e objetivos (LINKE et al., 2013). Na Figura 6 é possível visualizar o fluxo de informação que alimentam a engrenagem do PPCP, sendo necessário informação dos seguintes departamentos: Marketing, Engenharia de Produto e Processo, Qualidade, Manutenção e Suprimentos (compras). Para a geração de ordens de produção de produtos (quantidade, produto e prazo de entrega) e ordens de compra de matéria prima e demais componentes da cadeia produtiva. Figura 6 - Fluxo de Informação do PPCP Fonte: Favaretto e Vieira (2007). O PPCP é um dos processos mais complexos nas empresas, devido ao grande número de variáveis que influenciam no sistema e da interdependência entre elas e fatores externos (BOWERSOX, 2001). Você deve estar pensando, e o departamento comercial? Tem ou não influência no PPCP? 57UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Sim, tem grande influência e também há conflitos existentes entre os departamentos de produção e de vendas, que são, geralmente, oriundos do não atendimento das necessidades, ora de um, ora de outro. No PPCP são recebidas informações sobre estoques existentes, vendas previstas, linha de produtos, modo de produzir, capacidade produtiva etc. A transformação dessas informações em ordens de produção ou fabricação é o objetivo desse processo (DUTRA; ERDMANN, 2006). Consequentemente, para poder programar a produção, o planejamento e controle da produção (PCP) necessitam de informações do departamento de vendas, que nem sempre estão disponíveis. O atendimento dos clientes depende da disponibilidade dos produtos a lhes serem entregues, mas estes nem sempre estão à disposição na hora certa (DAVENPORT; PRUSAK. 1998). Mula et al. (2006) define quatro funções típicas de planejamento da produção: gerenciamento da demanda, planejamento das necessidades de material, planeja- mento da capacidade e programação e sequenciamento de tarefas. Essas funções são frequentemente gerenciadas por meio de um Sistema de Informação (SI). Nesse sentido, os sistemas mais abrangentes são os ERP (Enterprise Resource Planning – Planejamento de Recursos Empresariais). Assim sendo, o ERP realiza a conexão de processos e sistemas das diferentes áreas das organizações, formando um sistema altamente integrado que possibilita o com- partilhamento de informações por toda a empresa (XU et al., 2006). 58UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP 3 A VISÃO DA LOGÍSTICA INTEGRADA NO PPCP Vamos refletir? Qual a contribuição da logística para a produção industrial? Para responder, precisamos primeiro analisar o conceito de logística, que, segundo Rogers e Tibben-Lembke (1999), é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processamento e produtos acabados, como também de seu fluxo de informação, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um destino final adequado. Na visão de Gomes (2004), a logística é a área organizacional responsável pelo flu- xo de operações nos sistemas produtivos, que atua se comunicando com diversos setores da organização, a fim de gerenciar os conflitos existentes no processo. Para Mula (2006), a logística pode ser entendida como o gerenciamento estratégico do fluxo de materiais e informações de uma origem até certo destino. Outro ponto interessante, segundo Pinto (2006), é que existem alguns conceitos relevantes para a realização de estudos na área de logística, são eles: Logística integrada: segundo Bowersox (2001, p. 43), “a logística integrada é vista como a competência que vincula a empresa a seus clientes e fornecedores. O processo tem duas ações inter-relacionadas: fluxo de materiais e fluxo de informações” Administração de materiais: diz respeito ao agrupamento de funções gerenciais que apoiam o fluxo de produtos, desde a aquisição dos materiais ao planejamento e con- trole daqueles em estado de processamento, expedição e distribuição do produto acabado para os clientes (REIS, 2000). 59UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP Distribuição física: conceito que engloba as atividades que objetivam assegurar a eficiência da movimentação de produtos acabados até o consumidor final (CHING, 2002). Produto: uma vez produzido pelo sistema de produção, é fundamental para o projeto do sistema logístico, o qual influencia toda a cadeia logística (REIS, 2000). Vamos entender agora de que maneira a logística integrada tem participação no PPCP? Para Severo Filho (2006), a logística envolve diretamente as funções de compras, planejamento e controle de produção (PCP). Ela deve ser a interface entre áreas envolvidas nesses processos, é desta integração que surge a supply chain (cadeia de suprimentos) (CHING, 2010). Na Figura 7 veremos que a logística integrada é formada por três grupos: Figura 7 - Função logística integrada Fonte: Bowersox (1999). Conforme Severo (2006), a logística integrada é essencial para o sucesso de em- presas na economia de mercado global, que hoje existe, uma vez que se preocupa com o aperfeiçoamento de tarefas fabris, quer pela adição de processos mais eficazes, quer pela eliminação de outros desnecessários. Em suma a logística é responsável pelo fluxo de materiais da produção desde a entrada de matéria prima, passando pela movimentação entre processos produtivos, esto- cagem de produto acabado ou semi acabado e entrega ao cliente final. 60UNIDADE III A influência dos tiposde produção e layout no PPCP 3.1 Programação de uma Célula de Produção O que você entende por célula de produção? Bem, para Rother e Harris (2002, p. 96), de acordo com a teoria do pensamento enxuto, apresentam o seu conceito de célula: “Uma célula é um arranjo de pessoas, máqui- nas, materiais e métodos, onde as etapas do processo estão próximas e ocorrem em ordem sequencial, através das quais as partes são processadas em fluxo contínuo”. Existem diferentes métodos para se estabelecerem as células de manufatura de uma organização, dentre os quais a classificação e codificação, análise de fluxo de produ- ção, técnicas de cluster, procedimentos heurísticos e modelos matemáticos (TOMPKINS; WHITE; BOZER, 2010). Conforme Burbidge (1992), a manufatura celular pode ser caracterizada pelo agrupamento de uma ou mais máquinas interligadas pela movimentação de materiais. Entretanto caso o agrupamento das peças ou produto seja classificado como sem famílias de peças, o agrupamento será analisado de acordo com suas características, similaridade da geometria ou dos processos de fabricação, para realizar a programação da célula de manufatura (WEMMERLOV, 1997). Hyer e Brown (1999) determinam que uma célula de manufatura possui duas cate- gorias gerais de características ou elementos de definição. ● Característica 1: a dedicação de equipamentos a uma família, de partes ou produtos que possuem especificações de processamento similares; ● Característica 2: a criação de um fluxo de trabalho em que as tarefas e os execu- tores estão firmemente conectados em termos de tempo, espaço e informação 61UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP De acordo com Pinto (2006), a implementação de uma célula de produção segue as seguintes etapas: ● Identificar famílias de produtos com fluxos de produção e características simi- lares; ● Agrupar máquinas em células e de acordo com as famílias de produtos; ● Criar e dispor as células de forma a minimizar o movimento e transporte de materiais; ● Localizar as máquinas partilhadas em pontos centrais de forma a servir as várias células e minimizar transportes e stocks. De acordo com Pinto (2006), as vantagens de uma célula de produção é que traz grandes benefícios para a produção, como: ● Flexibilidade; ● Possibilidade de ajuste a vários volumes de produção; ● Simplicidade de gestão; ● Redução de espaço comparado com o layout funcional; ● Redução tempos não-produtivos; ● Menores erros de qualidade; ● Menores quantidades de stocks; ● Autonomia, as células são unidades autónomas de trabalho. Conforme Moreira (1993), a programação de produção é baseada na necessidade do cliente, sendo necessário estabelecer o ambiente apropriado. Os ambientes de manu- fatura são: make to stock (produção para o estoque), assembly to order (montagem sob encomenda), make to order (fabricação sob encomenda) e engineering to order (projeto sob encomenda). Vamos aprender como se programa uma célula de produção? Bem, após identificada a necessidade de produção de produto (quantidade, pro- duto e prazo de entrega), a disponibilidade de estoque no estoque e eventual solicitação de compra de materiais. O estabelecimento da sequência visa à otimização dos recursos e à maximização do atendimento aos clientes no prazo de entrega (RUSSOMANO, 2000). Segundo Peinado (2007), a manufatura sincronizada é uma maneira de movimentação dos materiais dentro de um processo produtivo, de forma rápida e ordenada dos recursos disponíveis, para atender às demandas de mercado. 62UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP De certo, o Gráfico de Gantt, que, para Peinado (2007), é o método de programação mais comumente utilizado, no qual o tempo é representado por uma barra no gráfico, pode ser demarcado os momentos de início e fim de atividades como também o seu progresso real e o grau de acabamento. Para Moreira (1993), se trata de um gráfico ao qual se fará a distribuição de trabalhos programados com a intenção de elucidar as operações, facilitando a programação e o controle da carga de trabalho. Mas também, para Kannan (2010), o Gráfico de Gantt colaborou na obtenção de várias melhorias, tais como: diminuição do tempo de programação, simulação de novos cenários, lead time mais confiável e preciso, melhor análise da capacidade e dos recursos e redução dos custos de horas extras e estoques. Na Figura 8, as barras azuis representam os prazos de fabricação de cada produção, o gráfico de Gantt também é conhecido por Gráfico de Barras. Figura 8 - Gráfico de Gantt Fonte: Copatto (2003). Copatto (2003) comenta que o gráfico de Gantt é uma das ferramentas que melhor propicia a visualização e o andamento da programação da produção individualizada de produto por célula e representa o tempo com uma barra num gráfico, relacionando as ativi- dades a serem desenvolvidas e desempenhadas. Em resumo, o monitoramento do sequenciamento das ordens de produção é ge- renciado pelo Gráfico de Gantt, que necessita de constante atualização para que, assim, possa representar de maneira fidedigna o que está acontecendo no chão de fábrica. Assim, é possível gerenciar as células de produção e possíveis ajustes na programação, devido à quebra de máquina, falta de energia elétrica, falta de matéria prima, mão de obra entre outros fatores. 63UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP 4 PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO COM KANBAN Primeiramente, vamos aprender o conceito de Kanban! O Kanban, é uma técnica de gestão de materiais e de produção que controla, no momento exato, a necessidade de material, através do movimento de cartão (Kanban). Com o fim de ser um sistema de controle de processo de reabastecimento em nível de piso de fábrica que transmite informações da produção aos postos de trabalhos interligados, re- duzindo o tempo de espera, diminuindo o estoque, melhorando a produtividade e tornando o fluxo do processo contínuo e ininterrupto (MOURA,1989). Como surgiu o Kanban? Surpreendentemente, relata Ghinato (1995), Taiichi Ohno – proprietário da Toyota – observou em um supermercado nos Estados Unidos que as mercadorias eram organizadas e distribuídas em uma prateleira, em que havia um pequeno cartão com as informações necessárias, de maneira que o próprio consumidor retirava a mercadoria, e a reposição da mesma na prateleira era realizada conforme a demanda do produto. A esse sistema de cartões foi dado o nome de Kanban, que em japonês quer dizer “Cartão de Reposição”. A gestão visual desse sistema utiliza as seguintes cores para determinar as quantidades de estoque: Verde, Amarelo e Vermelho, representando os níveis de estoque, que serão expostos em um quadro de Gestão à vista, sendo: a) Cartão Verde para Estoque máximo, não precisa mais de reposição ou compra, pois já ultrapassou a margem de segurança. 64UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP b) Cartão Amarelo para Estoque de Segurança, é a margem de segurança para que o processo suporte possíveis variações de produção. c) Cartão Vermelho para Estoque mínimo, refere-se ao número mínimo que mantém o processo funcionando. A saber, conforme Tubino (2000), existem basicamente três tipos de cartões kanbans, que são: ● Cartão Kanban de produção: serve para autorizar a fabricação ou montagem de determinado lote de itens, tendo sua are de atuação restrita ao centro de trabalho que executa a atividade produtiva nos itens. ● Cartão Kanban de requisição interna: serve para transportar, retirar e movi- mentar materiais, autorizando o fluxo de itens entre o centro de trabalho produtor e o centro consumidor de itens. ● Cartão Kanban de fornecedor: executa as funções de uma ordem de compra convencional, ou seja, autoriza o fornecedor externo da empresaa fazer entrega de um lote de itens, especificado no cartão, diretamente a seu usuário interno, desde que tenha consumido o lote de itens correspondente ao cartão. Na figura 9 é possível visualizar os componentes básicos de um cartão de Kanban: identificador único de número da atividade, resumo da atividade, tempo estimado para a re- solução da atividade, pessoa responsável pela atividade e flag com a cor do cartão (verde, amarelo ou vermelho). Figura 9 - Cartão Kanban de produção Fonte: Moura (1989). Ao mesmo tempo, pela sua característica de puxar a produção, o Kanban apresenta algumas funções especiais: 65UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP ● O processo de fabricação é acionado apenas quando necessário, não permitin- do a produção com estoque para previsão futura; ● Permite o controle visual e o andamento do processo, podendo ser acionado pelo operador; ● Garante a distribuição programada das ordens de produção, evitando o excesso ou falta de material para a produção, controlando, dessa forma, o inventário; ● Possibilita a entrega de material de acordo com o consumo (MOURA, 1989). Viana (2008) caracteriza o Kanban: trata-se de uma técnica de gestão de materiais e de produção controladas visual e/ou auditivamente e acrescenta um sistema de “puxar”, no qual ocorre a sinalização por meio de cartão, pelo centro de trabalho. Conforme afirma Gonçalves (2007, p. 55), o kanban é um sistema de sinalização entre os diversos setores da empresa para indicar o que fornecer ou produzir, ou seja, “sinalizar a necessidade de um movimento para suprir a linha de produção, seja transportando produtos, seja produzindo ou fornecendo-o a um determinado estágio do processo produtivo”. A seguir, na Figura 10, pode-se ver o controle de estoque por cores, sendo: Ver- melho - perigo, Amarelo - atenção e Verde - bom. Os cartões que estão na faixa vermelha representam produtos com baixo estoque e necessitam de reposição urgente. Figura 10 - Quadro Gestão à vista – Kanban de estoque Fonte: Moura (1989). Neste sentido, conforme aponta Tubino (2000), a programação da produção usa as informações do Plano Mestre de Produção para emitir ordens apenas para o último estágio do processo produtivo, normalmente a montagem final, assim como para dimensionar as quantidades de Kanbans dos estoques em processo para os demais setores. À medida que 66UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP o cliente de um processo necessita de itens, ele recorre aos Kanbans em estoque nesse processo, acionando diretamente o processo para que os Kanbans dos itens consumidores sejam fabricados e repostos aos estoques. Há um certo consenso entre os autores no que se refere às vantagens relativas à utilização do Sistema Kanban, de modo que estão elencadas as principais vantagens na visão de Severiano Filho (1999): 1. Redução dos desperdícios, fora e dentro do chão-de-fábrica; 2. Melhoria dos níveis de controle da fábrica, pela descentralização e simplificação dos processos operacionais; 3. Redução do tempo de duração do processo (lead-time); 4. Aumento da capacidade reativa da empresa (resposta aos clientes); 5. Elevação do nível de participação e engajamento das pessoas através da des- centralização do processo decisório; 6. Ajustamento dos estoques à flutuação regular da demanda; 7. Redução dos estoques de produtos em processo; 8. Diminuição dos lotes em produção; 9. Eliminação dos estoques intermediários e de segurança; 10. Sistematização e aperfeiçoamento do fluxo de informações, assim como dos mecanismos de comunicação entre o pessoal de produção; 11. Integração do controle de produção nos demais mecanismos de flexibilidade da empresa; 12. Maior facilidade na programação da produção. Em síntese, o objetivo do kanban é de controlar a produção, acionar um sistema de reposição de estoque e evitar desperdícios (GONÇALVES, 2007). 67UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP SAIBA MAIS 4 dicas para um bom planejamento e controle de produção industrial Conheça bem a empresa, o primeiro passo para garantir o controle de produção é co- nhecer muito bem a sua empresa e os produtos que você tem para oferecer ao seu cliente. Elabore um roteiro Depois de conhecer a fundo a empresa e os processos que envol- vem a fabricação dos produtos, o gestor pode investir na elaboração de um roteiro de produção e planejamento. Controle seu estoque uma vez que ter um bom controle de acervo ajuda muito a não cometer erros que podem gerar sérios prejuízos. Monitore os resultados é primordial para um bom planejamento e controle de produção industrial. É imprescindível que o gestor faça um acompanhamento constante para ava- liar se tudo está indo como o previsto ou se é necessário realinhar as estratégias ado- tadas. Fonte: SulPrint (2017). REFLITA “Não há sucesso no que não se gerencia e não se gerencia o que não se mede” (Edward Deming). http://blog.sulprint.com.br/afinal-o-que-e-planejamento-operacional/?utm_source=blog&utm_campaign=rc_blogpost&utm_source=blog&utm_campaign=rc_blogpost 68UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado estudante! Ao finalizar esta unidade você será capaz de analisar se o layout de uma fábrica está de acordo com o produto fabricado e até sugerir alterações. Realizar crítica construtiva sobre o fluxo de informação e apontar de que maneira a logística integrada ao PPCP pode evitar retrabalho, custos extras e atrasos de entrega de fabricação. Também devemos destacar que vimos o conceito de Kanban aplicado a produção, em que simples cartões coloridos contribuem para a Gestão a Vista. E concluímos a unida- de com o aprendizado de como realizar a programação de uma célula. Na próxima unidade terão destaque os temas: controle da produção, sistemas de produção e simulação de programação de produção. Sucesso sempre! 69UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP LEITURA COMPLEMENTAR Pequenas e Médias Empresas Apostam no ERP Companhias de pequeno e médio porte precisam de sistemas práticos para otimizar processos do dia a dia, como estoque, venda de produtos, emissão de nota fiscal e outras tarefas mais burocráticas. Por este motivo, investem em softwares de ERP (Enterprise Resource Planning) para administrar e centralizar todas essas atividades complexas e por vezes tediosas. O mercado de ERP para empresas é tão promissor que, de acordo com a MarketWatch – empresa de análises financeiras –, até 2022, a venda desses softwares chegará a um montante de US$ 47 bilhões. Como as pequenas e médias empresas nem sempre possuem uma estrutura físi- ca robusta, uma alternativa é apostar em sistemas de ERP na nuvem (online). Eles são rentáveis à medida em que não se faz necessária uma infraestrutura de tecnologia da informação (TI), com computadores e demais dispositivos físicos para o armazenamento de arquivos. Tudo é feito online – do cadastro de informações ao gerenciamento e orga- nização de dados. Essas ferramentas possibilitam maior controle financeiro e liberam os profissionais para a execução de outras tarefas. O resultado é maximizado por meio de um bom atendimento ao cliente e um controle minucioso do estoque e da venda de produtos. O fato de armazenar, gerenciar e processar dados por meio da internet, e não com a ajuda de um computador local, também libera espaço físico para outras tarefas, além de tornar a operação mais segura, resguardando a privacidade dos clientes. Nos últimos anos, essa tecnologia de computação em nuvem (cloud computing) tem ganhado cada vez mais investimento por empresas brasileiras. De acordo com o estudo “Desempenho Global sobre Computação em Nuvem”, feito pela BSA com 24 países que lideram o mercado de Tecnologia da Informação (TI) mundial, o Brasil saiu da 22ª posição, em 2016, para a 18ª, em 2018,nesse mercado. Segundo pesquisa do IDC, líder em inteli- gência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, o Brasil é o país da América Latina que mais aposta em tecnologia na nuvem. Só em 2018, 57% das empresas do país já direcionaram seus investimentos em TI para essa área. Durante 2019, o setor de TI crescerá a uma taxa de 8,2% em dólares constantes. O investimento em tecnologia da informação reflete o anseio das companhias em otimizar os processos e aumentar a produtividade por meio de ferramentas como o ERP online. De acordo com a IDC, os gastos com os pilares da Terceira Plataforma (mobilidade, nuvem, big data e mídias sociais) captarão aproximadamente metade do orçamento e cres- cerão, em média, 5% neste ano. Fonte: Folha Web (2019). https://www.bling.com.br/home https://www.bling.com.br/home 70UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Projeto de Fábrica e layout • Autor: Clóvis Neumann e Regis Kovacs Sacalice • Editora Campus • Sinopse: Toda organização necessita de uma planta industrial que contemple as necessidades de espaço para operacionalização de suas atividades fabris e esta instalação deverá permitir implementar de forma otimizada seus processos produtivos internos. Este livro proporciona uma visão integrada de conceitos, modelos e técnicas apresentadas e suas aplicações no Projeto de Fábrica e do Projeto de Layout sob a abordagem da Engenharia de Produção. São apresentadas metodologias estruturadas para auxiliar na gestão do projeto de layout fabril visando definir a localização dos depar- tamentos operacionais e a posição de cada recurso produtivo, que por sua vez determinam os fluxos de materiais e informações que, se forem bem feitos, podem proporcionar grandes melhorias na produtividade e lucratividade da empresa. FILME/VÍDEO • Título: O jogo da imitação • Ano: 2015 • Sinopse: O jogo da imitação pode proporcionar boas lições a quem pretende se tornar um engenheiro. Ele vai mostrar a im- portância do trabalho em equipe e como esse profissional deve buscar sempre ter um pensamento lógico e estratégico. Baseado em uma história real, o filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Após muitas tentativas de decodificar o “Enigma”, modo de comunicação dos alemães, em que mensagens eram enviadas aos submarinos, o governo britânico decidiu criar uma equipe que ficaria responsável por decifrá-lo o quanto antes. Esse grupo de pessoas passou a ser liderado pelo matemático Alan Turing, que apesar de ser muito inteligente, tinha bastante dificuldade em lidar com as pessoas. Foi preciso, portanto, que ele abrisse mão do seu jeito intolerante para dar início ao projeto de construir uma máquina que, finalmente, conseguiria solucionar o código alemão. 71 Plano de Estudo: • Sistemas de empurrar e puxar na produção. • Inventários e tipos de controle de estoques. • Métodos de controle da produção. • Gerenciamento dos gargalos, restrições na produção e simulação de programação da produção. • Trade off da logística. Objetivos de Aprendizagem: • Aprender o conceito e a identificar sistema de empurrar e puxar na produção. • Refletir sobre os tipos de controle de estoque e inventários. • Estabelecer a importância dos métodos de controle da produção. • Dimensionar a necessidade do gerenciamento dos gargalos, restrições na produção, bem como visualizar uma simulação de programação da produção. • Conhecer a definição e abrangência do trade off da logística. UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Professora Mestre Lilian Gonçalves 72UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque INTRODUÇÃO Olá, caro(a) estudante, Chegamos a última unidade da Apostila de PPCP! Estudaremos o conceito de sistemas de produção empurrada e puxada na produção. E sua relação com o inventário e controle de estoque. Por que uma empresa deve ter controle de estoque e fazer inventários? Será somente uma questão contábil ou a produção necessita que o controle de estoque seja eficaz para garantir o fluxo da produção? O terceiro tema da apostila será a análise dos Métodos de Controle da Produção. De acordo com Dias (2011), o PPCP é o responsável pela programação e pelo controle do processo produtivo. É um setor bastante específico e muito técnico, dependendo prin- cipalmente do tipo de processo. Em conformidade Chiavenato (2008), o PPCP trabalha monitorando o processo produtivo e divide-se em quatro fases: projeto de produção, coleta de informações, planejamento e controle da produção. A seguir conheceremos a Teoria das Restrições do autor Goldratt, que escreveu o best seller A Meta. Essa teoria trata dos gargalos e restrições na linha de produção e como devem ser gerenciadas pelo sistema Tambor – Pulmão – Corda. Para a simulação de programação da produção será apresentado estudo de caso de uma empresa fictícia. E, por último, o Trade off da Logística sua definição e importância para o PPCP. Bons Estudos! 73UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 1 SISTEMA DE PRODUÇÃO: EMPURRADA X PUXADA Um sistema de controle da produção eficaz e eficiente deve ser capaz de produzir a quantidade certa, no tempo certo e a um custo competitivo. Esses sistemas são, geralmen- te, divididos em sistemas empurrado e puxado apesar de não haver um consenso sobre a definição desses termos na literatura (SPEARMAN, 1990). 1.1 Sistema de Produção Empurrada Segundo Tubino (2000), nos sistemas convencionais de empurrar a produção, ela- bora-se periodicamente um programa de produção completo da compra da matéria-prima à montagem do produto acabado, transmitindo por meio físico ou digital as ordens de compra, fabricação e montagem para cada um desses setores responsáveis. Em uma produção empurrada, a informação dos modelos de produtos a serem produzidos é gerada a partir da Programação da Produção, que é orientada pela previsão da demanda. Vale destacar que na programação da produção empurrada a previsão de deman- da, após a ordem de pedido do cliente, dispara uma ordem de compra de matéria-prima. Quando a matéria prima está disponível para gerar o produto acabado, uma ordem de produção dispara as atividades de transformação, que é finalmente expedido e distribuído até chegar ao cliente final (PINHEIRO, 2016). Atenção! No sistema kanban de puxar a produção não se produz nada até que o cliente (interno ou externo) de seu processo solicite a produção de determinado item. Em 74UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque outras palavras, afirma Tubino (2000), o pessoal de certo processo vai ao processo prece- dente retirar as unidades necessárias na quantidade necessária e no tempo necessário. Segundo Fernandes e Godinho Filho (2010), sistemas produtivos tem suas vanta- gens e desvantagens e no caso do sistema de produção empurrada não é diferente. Dentre as vantagens deste sistema destacam-se: ● Maior controle das operações de manufatura: através da centralização das informações no PCP; ● Definição dos prazos de entrega: por ter controlado os tempos de produção e pela formação de estoques; ● Maior aceitação à variabilidade da demanda: por se gerar estoques durantes todo o processo; ● Facilidade de lidar com estruturas complexas, pelo trabalho informatizado e pela utilização de uma Lista de Materiais em níveis. Dentre as desvantagens do sistema empurrado podem ser destacados: ● Inventários maiores de matéria-prima: para atender o processo empurrado é necessário garantir que há matéria-prima disponível para atender à produ- ção; ● Estoques em processo maiores: pois o posto não produz somente o que seu sucessor necessita, mas sim tudo que esse posto pode ou deve produzir; ● Necessidade de maior controle do PCP na produção: uma vez que todosos dados estão sendo gerados pelo PCP, o controle destes também deve ser responsabilidade do PCP; ● Custos operacionais maiores: quando existe produção além do que é neces- sário há desperdício de recursos de mão-de-obra, dos estoques, de produ- ção; ● Dificuldade de identificar falhas no processo: por se gerar estoques muitas vezes produtos defeituosos não causam paradas na produção, não chaman- do atenção dos gestores e operadores. 1.2 Sistema de Produção Puxada Antes de tudo, a produção puxada é iniciada a começar da confirmação do pedido pelo cliente, deste modo, é feita uma previsão de demanda, de forma que quem autoriza a produção é o cliente, tendo em vista que, ao recolher suas necessidades imediatas do supermercado, estará gerando a necessidade de um novo lote do fornecedor (TUBINO, 2000). Assim, é evidenciado que os sistemas de controle de produção puxada ao invés de programar antecipadamente, permitem que seja produzido um item estabelecido em 75UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque um preciso instante. São sistemas que buscam acertar a demanda à produção, ou melhor, algo irá ser comprado, produzido ou transportado apenas no momento certo em que for indispensável e exclusivamente na quantia que for preciso (BARCO; VILLELA, 2008). Veremos a seguir as vantagens do Sistema de Produção Puxada: a) Rápida parada e partida de máquinas. Dado que os sistemas puxados autori- zam a produção exatamente na medida em que os produtos são demandados (SPEARMAN, 1990), e que em qualquer tipo de indústria pode haver intensa flutuação no nível da demanda, os sistemas puxados requerem que as máqui- nas sejam paradas e reiniciadas em curto ou curtíssimo período de tempo; b) Produção em pequenos lotes. Segundo Tubino (2000), para os sistemas puxa- dos é historicamente recomendado a adoção da produção de lotes repetitivos. Lotes pequenos e nivelados contribuem com a suavização do fluxo produtivo e para a diminuição dos estoques em processo; c) Rápida troca de ferramentas (SMED – Single Minute Exchange of Die). Con- forme Spearman (1990), os sistemas puxados requerem tempos de troca de ferramentas curtos, pois as paradas das máquinas são consideradas tempos mortos que reduzem a produtividade do sistema; d) Flexibilidade com máquinas pequenas e reorganização do layout. Para Mould e King (1995), a implantação da produção puxada requer uma preparação da fábrica para o incremento do fluxo produtivo com flexibilidade de máquinas. Entretanto Lemos (1999) apresenta algumas deficiências da programação empur- rada da produção, as quais podem ser solucionadas através da programação puxada. São elas: a) Os sistemas de produção empurrada são inflexíveis quanto as variações rápidas de demanda, promovendo resposta lenta devido à dificuldade em reprograma- ção da produção. É possível ainda que essa dificuldade promova excesso de estoque e inventário morto. b) A inspeção dos índices de produção e níveis de estoque é dificultada, fazen- do com que o plano de produção considere níveis altos de estoque para se resguardar quanto a quebras na produção que comprometam o atendimento à demanda. c) Os planos ótimos de produção são difíceis de executar, inviabilizando melhorias em tamanhos de lote e tempo de processamento. 76UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque A Figura 1 representa o Sistema de produção empurrado e puxada, bem como suas diferenças. Figura 1 - Sistema de Produção Empurrado versus Puxado Fonte: Lemos (1999). Em conclusão, a produção puxada, diferente da empurrada, deve-se atentar a pro- duzir os recursos disponíveis de maneira coerente, maximizando o fluxo produtivo e não as capacidades individuais. Portanto, a produção de cada lote de produtos só deve ser iniciada a partir do efetivo consumo dos mesmos (LEMOS, 1999). 77UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 2 CONTROLE DE ESTOQUE E INVENTÁRIO Chiavenato (2008) conceitua estoque como guardar algo para utilização futura. Se a utilização for muito remota no tempo, seu armazenamento irá se tornar prolongado: ocupa espaço alugado ou comprado, requer pessoal para guardar, significa capital empatado, pre- cisa ser segurado contra incêndio ou roubo. Um dos principais motivos para se ter um bom planejamento e controle de estoques é o grande impacto financeiro que é possível alcançar através do aumento da eficácia e eficiência das operações da Organização (BORGES, 2010). Conforme Lélis (2016), o estoque pode ser definido como um recurso da cadeia produtiva que introduz valor para o produto final e que ele pode ser considerado mais um elemento que tem por objetivo obter vantagem competitiva para a empresa, uma vez que pode ser permitida a disponibilidade para o consumidor final no momento que é desejado. Já para Fenerich (2016), os estoques podem ser divididos em algumas categorias de acordo com o tipo de produto (itens a, b e c) e em relação ao modo como eles são criados (itens d, e, f e g), como demonstramos a seguir: A. Matéria-prima: trata-se do estoque representado pelos insumos, ou seja, pela matéria-prima necessária para a produção; B. Produto acabado: é a categoria de estoques de produtos que estão disponíveis para venda, ou seja, produtos acabados que já foram processados e aguardam entrega; 78UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque C. Produto semiacabado: forma-se por componentes ou produtos que serão finalizados geralmente após a venda e de acordo com o pedido; D. Em trânsito: refere-se aquele produto que já foi processado e vendido, mas que ainda não foi entregue, ou seja, está em transporte para ser entregue e ainda é de responsabilidade da empresa; E. Cíclico: funciona como um ciclo, estabelecido quando definidos o tamanho do lote e o tempo entre os pedidos; F. Antecipação: é o estoque que existe para absorver variações irregulares da demanda, como no caso dos produtos sazonais, em que se prevê a neces- sidade de aumento (ou redução) da taxa de produção ao longo do tempo. O estoque vai sendo formado para absorver a necessidade da demanda em um dado momento futuro; G. Segurança: trata-se do estoque que serve para assegurar que na ocasião de algum evento inesperado (falta do fornecedor, quebra de máquina, greve de funcionário) haverá produto ou matéria-prima suficiente para continuar atendendo à demanda. Os estoques de segurança são dimensionados para absorver variações tanto na taxa de demanda quanto no tempo de reposição de estoques. É importante salientar que, os estoques de segurança geram custos, por isso deve-se trabalhar muito mais no modelo de previsão correto do que no dimensionamento do estoque de segurança (DIAS, 1993). Os diversos tipos de estoque são ilustrados na Figura 2. Figura 2 - Tipos de estoque Fonte: Fenerich (2016). 79UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Para Borges (2010), um bom gerenciamento de estoques ajuda na redução dos valores monetários envolvidos, de forma a mantê-los os mais baixos possíveis, mas dentro dos níveis de segurança e dos volumes para o atendimento da demanda. Neste sentido, Slack (2009) completa que os gerentes de produção têm uma atitude ambivalente em relação aos estoques. Por um lado, eles são custosos e algumas vezes empatam considerável quantidade de capital. Mantê-los também representa riscos, porque itens em estoque podem tornar-se obsoletos ou perde-se com o tempo. Além disso, ocupam espaços valiosos. Por outro lado, proporcionam certo nível de segurança em ambientes complexos e incertos. Por consequência, Arnold (1999) expõe que o gerenciamento de estoque e admi- nistração de materiais tem como objetivo coordenar o fluxo de materiais no estoque, neste sentido, sua função é utilizar, ao máximo, todos os recursos disponíveis da empresae também fornecer o produto conforme requerido por seu consumidor. Segundo Dias (1993), para uma boa gestão no setor de estoque, é necessário descrever algumas funções prin- cipais: 1. Determinar o que deve permanecer no estoque; 2. Determinar quando deve ser reabastecido, determinar quanto de estoque será necessário, controlar os estoques em termos de quantidade; 3. Identificar e retirar do estoque os itens danificados e obsoletos. Como resultado, para Martins (2009), existem vários indicadores de produtividade na análise e controle dos estoques, que são: ● Inventário físico: consiste na contagem física dos itens de estoque, pode ser feito em qualquer empresa para auxiliar o fluxo de caixa que é referente aos inventários. O inventário físico pode ser efetuado de dois modos: periódico ou rotativo. Ele é periódico quando em determinados períodos faz a contagem física de todos os itens do estoque, e é chamado de rotativo quando há permanência de contagem dos itens de estoque. Segundo Lemos (1999), o inventário dos estoques deve ser efetuado através de contagem física dos itens para posterior confrontação com os controles disponíveis na empresa. Realizados os levan- tamentos, verificam-se as diferenças entre a contagem física e os controles. Esse procedimento possibilita a identificação de possíveis falhas nos registros contábeis e dos controles internos, além de permitir a identificação de desvios ou outras irregularidades. Lélis (2016) afirma que, se constatando divergências 80UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque entre o controle físico e o inventário, deverão ser realizados os ajustes conforme as normas contábeis e legais. ● Acurácia dos controles: ao terminar o inventário é possível calcular a acurácia dos controles, ela mede a porcentagem de itens que está correto, tanto em quantidade e quanto em valor; ● Nível de serviço ou nível de atendimento: ele indica quão eficaz foi o esto- que para atender às solicitações dos usuários, o nível de serviço será maior quando houver mais requisições atendidas, nas quantidades e especificações solicitadas; ● Giro de estoques: ele mede quantas vezes, por unidade de tempo, o estoque renovou ou girou; ● Cobertura de estoque: indica o número de unidades de tempo, ou seja, dias que o estoque médio será suficiente para cobrir a demanda média; ● Demanda versus Consumo: a demanda representa a vontade do consumidor em comprar ou requisitar, essa vontade ou necessidade pode ser ou não ser atendida plenamente. Se ela for atendida plenamente, pode-se dizer que o con- sumo foi igual à demanda, e se a disponibilidade do produto for insuficiente para atender à vontade ou necessidade do consumidor, pode-se dizer que houve uma demanda reprimida; ● Localização dos estoques: é uma forma de endereçamento dos itens estocados para que eles possam ser facilmente localizados; ● Redução de estoques: para que haja a diminuição máxima do estoque de pro- dutos acabados, a empresa deve contar com um sistema de distribuição eficaz, já os produtos de estoques em processo podem ser reduzidos com a utilização de células de manufatura, produção sincronizada e teoria das restrições; ● Curva abc: para Lélis (2016), é uma das formas mais comuns de controlar e analisar estoques. Essa análise consiste em verificar, dentro de um determina- do espaço de tempo, em valor monetário ou quantidade, os itens em estoque, classificando-os em ordem de importância. Os itens mais importantes são classificados como a, os intermediários como b e os menos importantes como c. Segundo Martins (2009), a curva abc também é conhecida como regra de Pareto ou regra 80-20, pode ser classificada em relação a estoque como 80% dos custos, se refere a 20% dos itens. 81UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Figura 3 - Curva abc Fonte: Lélis (2016). para Tubino (2000), a curva de Pareto fornece, então, subsídios para a escolha de quais itens devem receber maior atenção e quais itens têm pouca representatividade na formação do valor total. ● Sistema de máximo e mínimo: conforme Arnold (1999), o sistema de máximos – mínimos é usado quando existe uma dificuldade de determinação do consumo e pelas variações do tempo de reposição, ele também pode ser chamado de sis- tema de quantidades fixas. Esse método basicamente consiste em determinar o consumo previsto para o item desejado, fixar o período de consumo previsto, calcular o ponto de pedido em função do tempo de reposição do item pelo forne- cedor, calcular o estoque mínimo e máximo e calcular o lote de compra. Assim sendo, de acordo com o Sebrae (2016), a boa gestão do estoque garante a harmonia entre o fornecimento de uma mercadoria e consumo dos clientes, e administrar essa relação de empresa e cliente é uma maneira de evitar o prejuízo. 82UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 3 MÉTODOS DE CONTROLE DA PRODUÇÃO Relembrando conceito e funções do PPCP, segundo Barreto (1997), a importância do PCP está em ser o elo entre os diversos setores ou departamento de uma empresa. Dias (2011) afirma que o PPCP é o responsável pela programação e pelo controle do processo produtivo. É um setor bastante específico e muito técnico, dependendo princi- palmente do tipo de processo. Em conformidade com Chiavenato (2008), o PPCP trabalha monitorando o processo produtivo e divide-se em quatro fases: projeto de produção, coleta de informações, planejamento e controle da produção. O que o controle de PPCP faz? Essa é a última fase do PPCP e é, sem dúvida, uma das mais importantes, pois fiscaliza todo o processo produtivo. Assim, para Tubino (2000), além de acompanhar a produção, o sistema de controle também está encarregado de coletar dados (índices de defeitos, horas/máquina, horas/homem, consumo de materiais etc.) para outros setores do sistema produtivo”. O controle existe para avaliar, corrigir e registrar dados do sistema produtivo, ele se encarrega de manter a produção dentro do que foi planejado e assegurar que os objetivos sejam atingidos (CHIAVENATO, 2008). Para Pozo (2010), a função do controle, como parte integrante do sistema de pla- nejamento, é fazer a avaliação das ações que estão sendo desenvolvidas no processo produtivo e compará-las com o planejado. 83UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Do mesmo modo, Daft (2010) observa que controlar denota monitorar as atividades dos funcionários, determinar se a organização está na direção das suas metas, fazendo correções se necessário. Logo, o controle possui a finalidade de fiscalizar todos os processos e cruzar os dados e informações referentes à produção, verificando se as atividades planejadas estão sendo executadas de maneira satisfatória e se for necessário deve-se fazer ajustes (SLA- CK, 2009). Zaccarelli (1986) afirma que, em nível de programação da produção, os métodos de controles de maior importância são: A. Controle do Plano de Fabricação: esse controle é realizado com base nas comparações entre os trabalhos planejados e os realizados. Em alguns processos, isso pode ser feito somando-se o número de unidades. Porém, processos em que há uma diver- sificação de produtos, esta comparação deve ser feita em termos de medida de eficiência, como o número de horas trabalhadas dividido pelo número de horas previstas para os trabalhos, por exemplo. É necessário, também, verificar se os trabalhos realizados eram os prioritários. A produção pode ter sido altamente eficiente, sem, contudo, ter obedecido às regras de prioridade estabelecidas. B. Controle de Tempo: objetiva garantir que o produto seja entregue na data acordada. Isso pressupõe que a atuação desse controle ocorra em todos os estágios do processo produtivo, para que, havendo distorções de tempo, haja a possibilidade de seremrealizados os ajustes e a data de entrega seja respeitada; C. Controle das Quantidades Produzidas: esse controle efetua a conferência do número de unidades produzidas. Além da necessidade do pedido ser entregue no tempo acordado, é também importante que o quantidade total solicitada seja entregue. Nessas quantidades estão implícitos produtos que estejam dentro dos padrões de qualidade es- tabelecidos. É tarefa do controle de quantidades informar quantas unidades boas foram produzidas e qual o número de rejeitos do processo. Um número alto de rejeitos pode im- plicar na necessidade de produção de um lote suplementar, causando atrasos no processo, custos adicionais e necessidade de reprogramação. 84UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 4 GERENCIAMENTO DOS GARGALOS E RESTRIÇÕES E SIMULAÇÃO DE PROGRA- MAÇÃO DA PRODUÇÃO A Teoria das Restrições criada pelo físico israelense Eliyahu M. Goldratt, e definida como um processo de melhoramento contínuo, começou a ser incubada nos anos 70, quando ele desenvolveu um software para o planejamento de produção de uma fábrica de gaiolas para aves (NOREEN; SMITH; MACKEY, 1996). Já na década de 80, com as experiências acumuladas pela implantação do software desde sua criação, Goldratt desenvolve a Teoria das Restrições (TOC) que, então, passa a ser uma nova filosofia de gerenciamento global, como Just-in-Time e o Total Quality Management (GOLDRATT, 1993). Goldratt define em seu livro “A Meta” como restrição (constraint) de um sistema qualquer coisa que impeça de melhorar o seu desempenho em relação à meta definida, ou seja, é o fator que restringe a atuação do sistema como um todo. Esse conceito também é conhecido como “gargalo” (bottleneck). Como princípio lógico, Corbett Neto (1997, p. 39) enfatiza que “a Teoria das Restri- ções ou TOC é baseada no princípio de que existe uma causa comum para muitos efeitos, de que os fenômenos vistos são consequência de causas mais profundas, encara qualquer empresa como um sistema, isto é, um conjunto de elementos entre os quais há alguma relação de interdependência”. 85UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque O princípio da Teoria das Restrições é de que dentro de um sistema sempre existirá uma restrição que limita a sua capacidade produtiva (WATSON, 2007). A máxima utilização de um recurso restritivo, portanto leva a máxima utilização de um sistema. Restrição é definida como qualquer barreira ou fator limitante que leve a empresa a não obtenção de sua meta (GUPTA; BOYD, 2008). As restrições podem ser consideradas tanto físicas quanto políticas. Dentro dessas duas categorias, existem ainda sete tipos, de acordo com Dettmer (2000). a) Mercado: inexiste demanda ou a demanda é insuficiente; b) Matéria Prima/Produto: falta de material necessário para realização do produto ou serviço; c) Recurso: falta/inexistência de pessoas, equipamentos, fábricas para suprir a demanda; d) Financeiro: caixa insuficiente para manutenção da operação; e) Fornecimento/Vendas: inconsistência para atendimento a uma demanda (in- consistências de previsão) tanto no fornecimento quanto em vendas; f) Conhecimento/Competências: informação ou conhecimento para desenvolver o negócio; g) Política: leis, regulações de mercado, regras que inibem o progresso do sistema A definição, para Roser, Nakano e Tanaka (2002), é que um gargalo pode ser vi- sualizado como qualquer estágio em um sistema que tenha o maior efeito na diminuição do ritmo ou na parada completa de um sistema, mesmo que somente por um instante ou até mesmo a média consumida de tempo por um período mais longo. Goldratt (1993) define gargalo como qualquer recurso cuja capacidade seja igual ou menor que a demanda exigida desse recurso. Cox e Spencer (2002) recomendam a maneira de identificação de um gargalo: vá ao chão de fábrica e pergunte a um de seus empregados mais experientes. 4.1 Sistema Tambor-Pulmão-Corda (TPC) Segundo Pacheco (2010) cita, o TPC visa operacionalizar no chão de fábrica os cinco passos de melhoria dos processos da TOC. Assim sendo, de forma objetiva, os elementos da lógica TPC são: 86UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque a) Tambor: é o gargalo do sistema, o qual determina sua capacidade produtiva total; portanto, define o ritmo da produção e restringe a capacidade, ou seja, é tambor do sistema, uma vez que dita o seu ritmo de produção. b) Pulmão: é a proteção colocada antes do tambor para evitar o impacto da varia- bilidade, como quebra de máquinas, variação no tempo de processo, problemas de qualidade ou falta de matéria prima para produzir. Há três tipos de pulmão que podem ser usados nesse caso: pulmão de tempo, inventário ou de capacidade. c) Corda: tem o objetivo de sinalizar a necessidade de entrada de materiais no sistema, para alimentar o pulmão e o gargalo e de limitar a quantidade de ma- téria-prima liberada para a fábrica. A Figura 4 traz a esquematização do sistema tambor, pulmão e corda. Figura 4 - Sistema Tambor, Pulmão e Corda Fonte: Cox e Spencer (2002). Goldratt e Cox (1993) criaram o processo de otimização contínua da TOC e assim realizar o gerenciamento dos gargalos e restrições, é composto por cinco etapas: 1. Identificar a restrição do sistema: para identificá-lo, cumpre estudar e dese- nhar todo o processo a fim de compreender exatamente onde se encontra o recurso gargalo. Lembrando que o gargalo pode ser físico ou não físico. 2. Decidir como explorar a restrição do problema: nessa fase estudamos como aumentar a restrição, a fim de aumentar a capacidade geral do sistema. Faze- mos isso alterando as variáveis que afetam diretamente a restrição. 3. Subordinar qualquer outra coisa à decisão anterior: todos os elementos envolvidos na transformação devem atender às necessidades dos gargalos. 87UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 4. Elevar a restrição do problema: a elevação da restrição é uma meta da orga- nização, pois à medida que aumentamos as restrições, a empresa consegue produzir mais e melhor, além de aumentar sua flexibilidade e capacidade para atender as necessidades dos seus clientes. 5. Se a restrição for quebrada: voltar ao passo um, mas não deixe que a inércia se transforme na restrição do problema. A busca pela eliminação da restrição deve ser constante, pois quando eliminamos uma restrição surge outra em seu lugar. Na Figura 5 observa-se o movimento cíclico da Teoria das Restrições para o geren- ciamento de gargalos e restrições. Figura 5 - Teoria das Restrições Fonte: Goldratt (1993). Sendo assim, a TOC apresenta-se como alternativa para implementação de melho- rias no sistema, controlar de forma simplificada os custos e direcionar a organização para o seu caminho, a meta, que é o lucro (GOLDRATT, 1993) 4.2 Simulação de Programação da Produção Para realizar essa última etapa da apostila, iremos simular a produção do Produto “A”. Veremos como é realizada a programação para trás (a programação da produção parte da data final de entrega, para saber o dia que se deve iniciar a produção), a importância da logística de informações de vários departamentos. O departamento comercial da Sucesso S/A realizou venda do Produto “A” para um Cliente Especial no dia 20/03/2020, há observação no pedido que não poderá ocorrer 88UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque atraso na entrega do produto, pois o cliente irá realizar um evento em sua loja na data de 02/04/2020. Esse produto é fabricado com apenas três processos, doravante denominados de set up 1, 2 e 3. O prazo de transferência entre set up é de apenas um dia, uma vez que o layout é em linha, que agiliza o transporte entre linhas de produção. O set up inicial é igual a zero. Atenção: a empresa possui todos os componentes do Produto “A” em estoque, não sendonecessário solicitar compra de matéria prima. As máquinas estão todas funcio- nando normalmente e não há funcionários em férias ou com atestado. Sendo assim, há capacidade total de produção para o produto “A”. O Cliente Especial solicitou 120 unidades do produto “A”, ao preço de R$ 20,00 cada, com prazo de pagamento de 30/60/90, com depósito bancário, já pré-aprovado pelo departamento financeiro e contábil. O Cliente Especial irá retirar as 120 unidades do Pro- duto “A” no dia 01/04/2020. Desta forma, o produto deverá estar pronto no dia 31/03/2020. 4.2.1 Primeiro passo Para realizar uma programação de produção, é necessário fazer o checklist dos dados do pedido (quantidade, produto, data de entrega, valor) e matérias primas (estoque, almoxarifado), validação do cadastro do cliente e condições de pagamento pelo departa- mento financeiro, necessárias para a produção. Somente com todas essas informações confirmadas pelos departamentos responsáveis você deverá iniciar a programação da produção. 1. Quantidade vendida do Produto “A” – 120 unidades 2. Preço unitário do Produto “A” – R$ 20,00 3. Estoque de matéria prima do Produto “A” – há estoque para fabricação de 150 unidades. 4. Requisição de compra – nenhuma solicitação de compra 5. Prazo de pagamento – 30/60/90 com depósito bancário 6. Data do evento no Cliente Especial – 02/04/2020 7. Data de retirada do Produto “A” - 01/04/2020 8. Data de entrega - 31/03/2020 4.2.2 Segundo passo Verificar na ficha técnica do produto A a sequência de fabricação e a capacidade de produção diária por set up. 89UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Veja a tabela a seguir que nos diz que a Etapa A de fabricação do Produto “A” é a primeira a ser realizada e a linha de produção faz 30 unidades por dia. As demais etapas produzem somente 20 unidades/dia. Tabela 1 - Capacidade de produção Fonte: a autora. 4.2.3 Terceiro passo Inicialmente, deve-se verificar a quantidade de dias úteis até do dia 31/03/2020. A fábrica não trabalha aos Sábados e Domingos. Como a restrição de capacidade de produção é de 20 unidades/dia, a fábrica terá oito (22 a 31/03/2020) dias úteis para fabricar as 120 unidades do Produto “A”. Observe que as Etapas B e C são o tambor da produção. Quadro 1 - Tabela de Gantt Fonte: a autora. Após a análise, o PPCP irá liberar/emitir a ordem de produção (OP) de 120 uni- dades do Produto “A” que irá empenhar no estoque e almoxarifado o material necessário para a produção total desta ordem de produção. Esse empenho de material é essencial para garantir que outra ordem de produção não “roube” material e, consequentemente, interrompa a linha de produção do produto “A”, que acarretará atraso na entrega, uma vez que será necessário a compra de mais material para a produção. Sendo assim, ao iniciar a produção no dia 22/03, com 20 unidades diárias, ao final do dia 31/03/2020 a empresa Sucesso S/A terá em seu estoque de produto acabado 120 peças do Produto “A”. O Cliente Especial poderá retirar sua compra de 120 unidades no dia 01/04/2020. 90UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque Inegavelmente, no dia a dia de uma indústria os casos são mais complexos, mas, para fins didáticos, o exemplo utilizado propicia a visão holística que o programador de produção deve possuir, a relação entre departamentos a fim de evitar programação de quantidade ou produto errados, acarretando prejuízo para empresa. Atualmente as empre- sas utilizam os programas ERP, MRP I e MRP II na programação da produção, que agiliza o fluxo de informações, mas o fator humano no PPCP é essencial para a tomada de decisão nos trade off logísticos. 91UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque 4.3 Trade off da Logística Entre 1960 e 1970 surgiu a percepção que a integração das atividades poderia melhorar os resultados obtidos com a logística, diminuindo os conflitos entre departamentais, reduzindo os altos custos e aperfeiçoando o serviço ao cliente. Essa percepção propulsionou a emersão do conceito da logística integrada (LAMBERT; LEWIS, 1983). Christopher (1994) define logística como sendo o gerenciamento estratégico da compra, transporte e armazenagem de produtos, sendo matéria-prima, acabados e semia- cabados e suas informações, ao mesmo passo que Bowersox (2001) afirma que a logística se refere ao planejamento e à gestão de sistemas orientados ao controle do transporte e da localização geográfica dos estoques de materiais, visando à minimização dos custos. Além da necessidade de tornar o processo mais eficiente, a logística também é responsável por estudar maneiras de tornar as atividades mais rentáveis, podendo ser através de uma melhoria no nível de serviço, que passa a ser considerada uma vantagem competitiva e/ou uma diminuição do custo (BALLOU, 2010). Faria (2003) denomina como trade-off todas as trocas relacionadas ao custo que acontecem de maneira compensatória em que há a perda de um serviço ou qualidade e o ganho de um serviço ou qualidade distinto. Ou seja, de acordo com Amaral e Guerreiro (2014), trade-off refere-se à troca compensatória entre a perda em algum aspecto e o ganho em outro Os trade-offs são utilizados para identificar o modo como certos custos funcionais 92UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque da logística estão inter-relacionados e, quando bem analisados e mapeados, tais trade-offs geram uma rica informação essencial para a tomada de decisões (WANKE, 2010). Gupta (2008), traz um exemplo de trade off: Uma empresa pode, por exemplo, cogitar investimentos em uma filial para ampliar seus negócios. Isso traz novamente o conflito de escolha. De um lado, a oportunidade de crescimento, mas que exige investimento que pode comprometer o fluxo de caixa de curto prazo. Do outro, a manutenção do caixa fortalecido, porém representa também abrir mão de uma possibilidade de lucro bem mais interessante no futuro. Ou seja, toda tomada de decisão envolve um trade off. Logo, as análises de trade-offs devem ser feitas em todas as esferas da cadeia logística. De acordo com Ching (2010), a cadeia logística pode ser dividida em três áreas: logística de suprimentos, logística de produção e logística de distribuição. SAIBA MAIS Kiichiro Toyoda, filho de Sakichi e fundador do negócio automobilístico da Toyota, de- senvolveu o conceito de Just-in-Time na década de 1930. Ele determinou que as opera- ções da empresa não teriam excesso de estoque e que a Toyota lutaria para trabalhar em parceria com seus fornecedores a fim de nivelar a produção. Sob a liderança de Ohno, o JIT se tornou um sistema singular de fluxos de materiais e informações para evitar o excesso de produção. Fonte: Lean Institute Brasil (2020). REFLITA “As conquistas são fáceis de fazer, porque as fazemos com todas as nossas forças; são difíceis de conservar, porque as defendemos só com uma parte das nossas forças” (Autor desconhecido). https://maisretorno.com/blog/termos/f/fluxo-de-caixa 93UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque LEITURA COMPLEMENTAR Saúde é exemplo da “produção empurrada”? Tem ficado cada vez mais explícito o quanto hospitais, clínicas e mesmo os médicos individualmente “empurram” aos pacientes procedimentos que eles não precisam fazer. Em qualquer tipo de empresa, há basicamente duas maneiras de se produzir um bem ou serviço. Uma é a chamada produção empurrada. A outra é a produção puxada. A primeira significa que num processo produtivo o importante mesmo é produzir e empurrar para frente, independente da demanda real, da necessidade ou do desejo do cliente. O objetivo é aumentar as vendas e ocupar os recursos produtivos. Os vendedores devem, assim, se desdobrar para convencer os clientes a comprar algo que possivelmente eles não comprariam. Outra forma bem diferente de produzirque faz parte do pensamento Lean é a cha- mada “produção puxada”. Nela, procura-se produzir exatamente o que o cliente quer ou necessita. O foco e propósito é a agregação de valor aos clientes. Os resultados financei- ros advêm daí. Só se produz na hora em que ele quer ou necessita. Em outras palavras, a demanda “puxa” ou define a produção. E não o contrário. Mas há um setor em que isso é absolutamente marcante, extremamente grave e pre- judicial à vida: na gestão da saúde. Temos visto uma explosão de evidências tornadas pú- blicas dessas práticas de empurrar. Tem ficado cada vez mais explícito o quanto hospitais, clínicas e mesmo os médicos individualmente “empurram” aos pacientes procedimentos que eles não precisam fazer. É possível que a grande maioria dos médicos tente seguir o juramento de Hipócrates quando prometeram cuidar dos pacientes. Mas certamente você já pode ter passado por aquela consulta em que o médico sequer te ouviu e examinou, mas, caneta em punho, já foi prescrevendo um monte de exames. Ou quando pediu exames que não tinham nada a ver com o objetivo da consulta, possível de ser notado mesmo para quem não tem conhe- cimento médico. É a típica produção empurrada. Podemos ter dificuldades para “desafiar” o médico e dizer que a batelada de exames que deram resultados todos normais não eram necessários. Mas cada vez mais há evidências científicas de que cirurgias são “empurradas” por médi- cos e hospitais, e, tempos depois, pacientes e familiares descobrem que eram realmente desnecessárias e até mesmo contra indicadas. Precisamos pensar acerca dessa mentalidade de “empurrar” mais na gestão da saú- de e nas empresas em geral para simplesmente gerar mais vendas e lucros. A produção empurrada é maléfica para qualquer tipo de empresa. Gera muitos desperdícios. Dá a im- pressão de que traz resultados no curto prazo. Empresas de sucesso no longo prazo são aqueles que praticam a produção puxada. Fonte: Ferro (2016). 94UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: A meta • Autor: Eliyahu M. Goldratt. • Editora Nobel • Sinopse: Best-seller consagrado, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo e traduzido em mais de 20 idiomas, o livro, adquirido pelo grande público e homens de negócios, foi adotado por mais de 200 faculdades. Escrito em forma de roman- ce, o autor trata dos princípios de funcionamento de uma indústria, questionando o porquê de ela funcionar de determinada forma e como seria possível solucionar os problemas de empresas que estão com atrasos na produção e baixa receita. Com resultados alcançados na prática, o processo de melhoria contínua desenvol- vido por Goldratt pode ser aplicado em outras organizações, como bancos, hospitais, seguradoras, e até no ambiente familiar. FILME/VÍDEO • Título: Fome de Poder • Ano: 2017 • Sinopse: A história da ascensão do McDonald’s. Após receber uma demanda na produção de alimentos sem precedentes e notar uma movimentação de consumidores fora do normal, o vendedor de Illinois Ray Kroc adquire uma participação nos negócios da lanchonete dos irmãos Richard e Maurice Mac McDonald no sul da Califórnia e, pouco a pouco, eliminando os dois da rede, trans- forma a marca em um gigantesco império alimentício. 95UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque REFERÊNCIAS ALBERTIN, M. R.; PONTES, H. L. J. Administração da produção e operações. Curitiba: InterSa- beres, 2016. ALMEIDA JUNIOR, A. R. de. Gerenciamento de restrições no planejamento da produção em uma indústria siderúrgica. 2012. 117 f. 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Segundo Lélis (2016), a Tecnologia da Informação (TI) possibilita novas alternativas de estratégias de operações e de negócios para o Planejamento e Controle da Produção ao utilizar os sistemas: MRP/MRPII e OPT. Estudamos a filosofia Just in time, sua contribuição para a diminuição de estoque e fluxo contínuo da produção. Na Unidade III vimos a influência dos tipos de produção no layout da fábrica e seu impacto no fluxo de informações através das unidades do PPCP. Como o Kanban pode auxiliar na programação e controle da produção utilizando cartões coloridos (verde, amarelo e vermelho). Encerramos na Unidade IV com os temas: sistema de produção puxada e empur- rada, métodos de controle da produção, como gerenciar gargalos e restrições a partir da Teoria das Restrições. Na simulação de programação da produção você pode verificar as etapas necessárias para o lançamento/liberação/emissão de uma ordem de produção. A partir de agora acreditamos que você já está mais do que pronto(a) para seguir sua caminhada e encarar novos desafios para que desta forma sua jornada profissional seja repleta de sucessos. Até uma próxima oportunidade. Muito obrigada! UNIDADE I Introdução ao Planejamento, Programação e Controle da Produção - PPCP UNIDADE II MRP / MRPII, JIT e OPT UNIDADE III A influência dos tipos de produção e layout no PPCP UNIDADE IV Teoria das Restrições e Controle de Estoque