Prévia do material em texto
1 Prof. Marcos Antonio Nunes Gestão de Projetos Aula 1 Conversa Inicial Nesta primeira aula, iremos abordar sobre os elementos que fundamentam a gestão de projetos Principais conceitos Introdução ao gerenciamento de projetos Ambientes de projetos O gerente de projeto Ciclo de vida do projeto Temas a serem desenvolvidos Principais conceitos de gestão de projetos Linha do tempo O homem sempre precisou de gestão Planejar, direcionar, controlar (recursos) Desenvolvimento tecnológico e mudanças Desenvolvimento humano e mudanças Projeto versus Processo Características Produto único Temporário Definição É um trabalho temporário, realizado por um grupo de pessoas que possuem um objetivo único O que é um projeto? 1 2 3 4 5 6 2 Conhecimentos Habilidades Ferramentas Gerenciamento de projeto Macon / Shutterstock PMBOK – ISO – PRINCE2 – IPMA – SCRUM PMI®-Project Management Institute 1969 – Auxiliar profissionais no gerenciamento de projetos 2019 – 1.000.000 membros em mais de 200 países Padrão de gerenciamento PMBOK® – Project Management Body of Knowledge Padrão referência para ISO, ANSI, IEEE, entre outros 1ª Edição: 1996 6ª Edição: 2017 Padrão de gerenciamento Introdução ao gerenciamento de projetos Oportunidade Necessidade Como os projetos são criados? Produto Serviço Melhoria Mudança Adequação Caso – Tomada de padrão brasileiro ABNT NBR14136 - 2002 Oportunidades (2011) Novos negócios Novos produtos/serviços Necessidades (2011) Adequação VizRad / Shutterstock 7 8 9 10 11 12 3 Atender Às expectativas do cliente (valor) Aos objetivos do projeto Dentro das restrições Escopo Tempo Custo Qualidade Fatores de sucesso de projetos Portfólio (área de negócio) Programa (projetos de mesmo interesse) Projeto A Projeto B ... Portfólios, programas e projetos Portfólios, programas e projetos Gerência geral Portfólio B Portfólio C Programa A Projeto AProjeto AProjeto AProjeto A Projeto B Programa BPrograma A Portfólio A Ambiente dos projetos Contexto local Cultura Estrutura organizacional Maturidade em projetos Influência dos ambientes organizacionais ACESSO A RECURSOS E FERRAMENTAS Estrutura funcional Tipos de estruturas organizacionais Fonte: elaborado com base em PMBOK®, 2013 p. 21. Executivo Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Coordenação do Projeto 13 14 15 16 17 18 4 Estrutura matricial fraca Tipos de estruturas organizacionais Executivo Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Coordenação do Projeto Fonte: elaborado com base em PMBOK®, 2013 p. 23. Estrutura matricial balanceada Tipos de estruturas organizacionais Executivo Gerente Funcional Equipe Equipe Gerente de Projeto Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Coordenação do Projeto Fonte: elaborado com base em PMBOK®, 2013 p. 24. Estrutura matricial forte Tipos de estruturas organizacionais Executivo Chefe dos Gerentes de Projetos Gerente de Projeto Gerente de Projeto Gerente de Projeto Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Gerente Funcional Equipe Equipe Equipe Coordenação do Projeto Fonte: elaborado com base em PMBOK®, 2013 p. 4. Estrutura projetizada Tipos de estruturas organizacionais Fonte: elaborado com base em PMBOK®, 2013 p. 25. Executivo Gerente de Projeto Equipe Equipe Equipe Gerente de Projeto Equipe Equipe Equipe Gerente de Projeto Equipe Equipe Equipe Coordenação do Projeto Organizações ou indivíduos Influenciam ou são influenciados Causam impacto positivo ou negativo Internos ou externos Ativos ou passivos Características - poder, influência, interesse, outras Partes interessadas O gerente de projeto 19 20 21 22 23 24 5 Ator principal Responsável pelo sucesso/fracasso Integra atividades e pessoas Oráculo Quem é o gerente de projeto? Aha-Soft / Shutterstock Gestão técnica Gestão estratégica Liderança Habilidades interpessoais (soft skills) Habilidades e competências do gerente de projetos Gestor Poder da posição Administra Sistema e estrutura Controle Metas e curto prazo Resultados Operações e soluções Gerenciamento versus liderança Líder Poder relacional Inova Relacionamentos Confiança Visão de longo alcance Horizonte Alinhamento, motivação Ciclo de vida do projeto Conceito: período de vida Divisão por fases (momentos) Grupos atividades correlatas Sequenciais ou sobrepostas O que é o ciclo de vida do projeto? Representa uma sequência de fases (grupos de atividades) presentes em grande parte dos projetos Fases Início Organização ou preparação Execução ou implementação Término ou encerramento Ciclo genérico Inicio Organização Execução Encerramento 25 26 27 28 29 30 6 Custos dos projetos Características do ciclo de vida do projeto Custos Início Fim Tempo Máximo 0 Risco dos projetos Características do ciclo de vida de projeto Riscos Início Fim Baixo Tempo Alto G ra u d e R is co Risco dos projetos x Custo das mudanças Características do ciclo de vida de projeto Riscos Início Fim Baixo Tempo Alto G ra u d e R is co Custo Mudanças Preditivos Seguem um plano bem definido Uma iteração Iterativos Escopo definido com variação de custo e tempo Varias iterações Tipos de ciclo de vida do projeto Incrementais Iterações sucessivas Entregas incrementais Adaptativos (ágeis) Iterativos Incrementais Tipos de ciclo de vida do projeto Híbridos: Previsto – no início (preditivo) Não previsto – de forma adaptativa (ágil) Tipo de ciclo de vida do projeto 31 32 33 34 35 36 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/25 GESTÃO DE PROJETOS AULA 1 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/25 CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo(a)! Nesta aula, vamos abordar temas introdutórios e que fundamentam o estudo sobre gerenciamento de projetos. No início, vamos apresentar e conceituar um projeto, conhecer os principais atributos e diferenciá-lo de operações sistêmicas. Em seguida, explanaremos sobre os principais fatores influenciadores dos projetos e uma introdução sobre conceitos de programas, portfólios e suas relações. Ainda dentro do conceito de fatores influenciadores, vamos abordar sobre as estruturas organizacionais mais comuns e em como elas podem influenciam o gerenciamento dos projetos. Como o gerente de projetos exerce o papel principal nesses empreendimentos, faremos uma abordagem mais detalhada das suas características, habilidades e competências. E finalizamos esta aula com a apresentação e análise do ciclo de vida dos projetos, abordando suas características mais comuns. Esperamos que todos possam assimilar e aproveitar este material, lembrando que os conceitos vistos aqui devem ser adaptados para cada realidade. Bons Estudos! TEMA 1 – CONCEITOS EM GESTÃO DE PROJETO Desde os tempos das pirâmides, o homem sente a necessidade de planejar, direcionar e controlar atividades para realizá-las de modo eficaz e eficiente, ou seja, fornecendo aquilo que é solicitado, dentro das restrições estabelecidas. Após os milhares de anos que seguiram, observamos uma completa mudança da visão do mundo. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/25 Os desenvolvimentos técnico e cultural nos fizeram conhecer mais sobre o universo e seus recursos, e por outro lado, nos permitiu reconhecer mais sobre os padrões de comportamentos dos serem humanos. Neste tempo, também aprendemos a criar novas tecnologias e ferramentas para facilitar a ação do homem nas tarefas que exigem recursos e esforços. E mesmo com todas as mudançase no atual nível de conhecimento e tecnologia existente, os projetos ainda necessitam de análise, direcionamento e controle. Ou seja, até os dias atuais, os projetos sempre estiveram atrelados a um sistema de gerenciamento, seja lá qual for. Mas para entender como podemos prover o gerenciamento de um projeto, primeiro vamos conceituar projeto e gerenciamento. 1.1 MAS O QUE É UM PROJETO? Numa primeira análise, observamos que qualquer projeto contém recursos (máquinas, ferramentas, pessoas e insumos) e atividades (trabalho, esforço, processamento etc.), e que esses elementos devem interagir para a obtenção de um objetivo, um produto ou um serviço. Porém, essa análise também pode ser colocada para qualquer tipo de transformação de bens, que podemos chamar de produção, operação ou processo contínuo. Os projetos são diferenciados em relação a uma produção ou operação por apresentarem algumas características próprias. As duas principais são a unicidade e a temporariedade, ou seja, os projetos são únicos e temporários. Tomemos como exemplo o projeto de um automóvel. Desde sua ideia conceitual até se chegar a um produto testado e acabado, esse projeto foi único e temporário. A partir da colocação desse projeto na linha de montagem, este passa a ser uma produção ou operação, pois serão fabricados muitos automóveis similares e sem um tempo determinado para a extinção dessa produção. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/25 Para fecharmos este tópico, citamos o conceito de projeto dado pelo Guia PMBOK, na sua sexta edição: “projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único.” (PMI, 2017 p. 4). 1.2 GERENCIAMENTO DE PROJETO Como comentamos anteriormente, todo projeto necessita de algum planejamento, direcionamento e controle de atividades. Mas esse conceito simplista de gestão esconde os reais atributos necessários para o bom gerenciamento. Conforme a definição do Guia PMBOK, “gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de cumprir os seus requisitos” (PMI, 2017 p. 10). Por esse prisma, a gestão de projetos está fortemente relacionada à competência das pessoas envolvidas no projeto e ao uso de ferramentas e técnicas para se chegar aos objetivos estabelecidos. Tomemos como um exemplo, nos dias atuais, uma grande empresa que pode ter nas mãos a mais alta tecnologia em termos de ferramenta de gestão, com aplicativos que fornecem dados do projeto em tempo real, com inteligência artificial, com gráficos e projeções de realidade aumentada etc. Mas para que essa ferramenta possa ser utilizada, em quase todo seu potencial, as pessoas envolvidas nos projetos devem ter conhecimentos e habilidades, não somente nas ferramentas, mas principalmente em projetos. Devemos lembrar sempre que projetos são essencialmente realizados por PESSOAS. 1.3 O PMI®: PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE O PMI é uma instituição não governamental que foi criada com o intuito de auxiliar os profissionais da área no gerenciamento de projetos. Segundo Sheiddmandel et al. (2018, p. 13), o PMI foi criado em 1969 por uma rede de profissionais com intuído de se compreender melhor o gerenciamento de projetos, destacando que “o PMI se tornou a principal referência mundial na área nos anos subsequentes, oferecendo treinamentos e certificações sobre a gestão de projetos e suas subáreas para profissionais” (Sheiddmandel et al., 2018, p. 13). 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/25 De acordo com as demonstrações financeiras de 2019, a instituição contava, ao final 2019, com mais 590 mil membros e mais de 1 milhão de membros credenciados em mais de 200 países (PMI, 2019, p. 1). O PMI desenvolve e promove o profissionalismo em projetos, fomenta eventos, cursos, além de premiar os melhores projetos desenvolvidos por todo o mundo. Em 2019, o Pmnetwork (2019, p. 18) destaca que o projeto que ganhou o prêmio como “Projeto do ano de 2019 do PMI” foi o desenvolvimento do avião E190, da Embraer). 1.4 GUIA PMBOK® PROJECT MANAGEMENT BODY OF KNOWLEDGE Segundo o PMI (2017 p. 1), foi em meados do século XX que profissionais que já trabalhavam com projetos buscaram um reconhecimento sobre essa profissão. O PMI auxiliou na consolidação de uma base de conhecimento em gerenciamento de projetos e publicou com o nome de Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK). Para o PMI, (2017, p. 1), o termo PMBOK estabelece o conhecimento para o profissional em gerenciamento de projetos e diz ainda que: “O conhecimento em gerenciamento de projetos inclui práticas tradicionais comprovadas amplamente aplicadas, bem como práticas inovadoras que estão surgindo na profissão” (PMI, 2017, p. 1). Para Ramos Junior et al. (2019, p. 3) o PMI consolida ferramentas e práticas de gerenciamento no Guia PMBOK (Project Management Body of Knowledge), e que: “graças à relevância e influência do instituto, se tornou a fonte de referência padrão em gerenciamento de projetos no Brasil”. Para Paes (2014, p. 1), O PMBOK possui um reconhecimento como padrão em gerenciamento em nível global, e “a evolução deste guia se dá através de revisões periódicas incorporadas que o deixam mais refinado e sólido como referência no Mercado. Pelas referências citadas é que tomaremos o Guia PMBOK como referência principal de nosso curso, pois entendemos que são as mais consolidadas e respeitadas na atualidade. O PMI procura sempre se renovar e revisar a sua base de conhecimento, e por isso realiza revisões periódicas no Guia PMBOK. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/25 Como exemplo desta renovação, o PMI há tempos já reconhece novas técnicas no gerenciamento de projetos, como as metodologias ágeis (SCRUM, XP e outros). Algumas dessas novas metodologias iremos ter a oportunidade de conhecer mais adiante. TEMA 2 – INTRODUÇÃO AO GERENCIAMENTO DE PROJETOS Constatamos por meio das conceituações anteriores que um projeto trata de atividades gerenciadas e com objetivos distintos. Eles podem ser aplicados em todas as áreas e servem como ferramentas para a promoção, mudança, melhoria, aperfeiçoamento e outros objetivos estratégicos em uma organização. Neste contexto, devemos procurar entender essa função estratégica dos projetos dentro das organizações, pois o sucesso de um projeto pode estar na correta definição de seu objetivo. 2.1 COMO SÃO CRIADOS OS PROJETOS? Para Sheiddmandel et al. (2018, p. 32), um projeto pode ter início de várias formas: “pode ser uma percepção de demanda futura, uma necessidade de mercado, um produto diferenciado, ou seja, a identificação de uma oportunidade de negócio e/ou produto em que as partes interessadas fomentem e sejam convergentes aos mesmos objetivos”. Para o PMI (2017, p. 7), os motivos de iniciação dos projetos podem ser classificados em quatro categorias: “cumprir requisitos regulatórios, legais ou sociais; atender a pedidos ou necessidades das partes interessadas; implementar ou alterar estratégias de negócio ou tecnológicas, criar, melhorar ou corrigir produtos, processos ou serviços”. Um belo exemplo que podemos citar sobre fatores para iniciar um projeto foi quando ocorreu a mudança, ou melhor, a definição do novo padrão de tomadas de três pinos, conforme ABNT NBR14136. Por mais que a ABNT tenha informado antecipadamente sobre a mudança, muitas empresas deixaram para promover as mudanças na “última hora” e assim tiveram que definir novos projetos, às pressas, para adequar seus produtos. Neste caso, a probabilidade da ocorrência de perdas para a empresas é muito maior. 2.2 FATORES DE SUCESSO DOS PROJETOS 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/25 VIANA VARGAS, (2009, p. 762) nos alerta que “um projeto bem-sucedido é aquele que é realizado conforme o planejado. O sucesso é colher o que se plantou. Nem mais nemmenos”. Para o PMI (2017, p. 34), os fatores mais importantes para definição do sucesso do projeto são tradicionalmente; prazo, custo, escopo e qualidade, e que “mais recentemente, os profissionais e estudiosos determinaram que o sucesso do projeto também deve ser medido considerando-se a realização dos seus objetivos”. Kerzner e Saladis (2011, p. 65) comentam que a evolução da definição de sucesso dos projetos acompanha o amadurecimento do gerenciamento. Conforme a análise dos pesquisadores, tanto o fornecedor como cliente devem definir qual será a definição de sucesso para eles. “Conforme a definição de sucesso muda, o mesmo deve acontecer com a definição de valor”. Podemos perceber que houve uma evolução na definição de sucesso de um projeto e que o cliente deve participar mais ativamente nesta definição. Outro ponto importante que devemos observar é que o critério pode mudar conforme o andamento do projeto. Para ilustrar esta reflexão, tomemos o exemplo do projeto de um site que deve ser utilizado como uma plataforma de vendas online. Neste tipo de projeto no qual existem poucas definições no seu início, este normalmente sofre várias mudanças de escopo por solicitação do cliente. Tais mudanças consequentemente mudam os critérios de sucesso do projeto e devem ser constantemente acordados entre fornecedor e cliente. 2.3 GERENCIAMENTO DE PORTFÓLIOS, PROGRAMAS E PROJETOS Estamos cientes que existe uma infinidade de tipos de organizações, e cada qual busca tratar de maneira própria sua estratégia de negócios. Dependendo do tamanho da empresa, esta pode acomodar muitas áreas e divisões de negócios. Normalmente, a gestão de projetos está estrategicamente alinhada às divisões da organização. Assim, os projetos podem ser concebidos para proporcionar um resultado ou valor para um determinado produto ou serviço, ou mesmo para um grupo de produtos ou de negócios. O PMI (2017, p. 11) define portfólio como sendo “projetos, programas, portfólios subsidiários e operações gerenciados de forma coordenada para alcançar objetivos estratégicos”. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/25 De acordo com o PMI (2017, p. 543), um programa é um grupo de projetos que possuem alguma relação, e que se pode obter maiores benefícios quando se gerencia o todo em relação ao gerenciamento separado de cada projeto. Viana Vargas (2009, p. 599) comenta que “esses componentes (projetos, programas e outros esforços) são mensuráveis, ordenáveis e priorizáveis. O interesse na estruturação do portfólio é estratégico”. A Figura a seguir nos mostra quais as estratégias de divisões possíveis para o portfólio. Significa que o portfólio pode ter subportfólios A, B, C etc., assim como programas, projetos e operações. Os subportfólios são considerados portfólios e podem ser divididos da mesma maneira. Figura 1 – Portfólio, programas e projetos Fonte: Adaptado de PMI, 2013, p. 5. As figuras 2 e 3 nos mostram, respectivamente, as relações e divisões possíveis com base em programa e projeto. Figura 2 – Programa e Projetos Fonte: Adaptado de PMI, 2013, p. 5. Figura 3 – Projeto e operações 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/25 Fonte: Adaptado de PMI, 2013, p. 5. Vale lembrar que se tratando de divisões de negócios, os recursos normalmente são compartilhados nos níveis abaixo de cada estrutura. Para ilustrar, vamos tomar como exemplo a estratégia de uma grande empresa de energia, e que possui quatro grandes áreas de negócio: geração, transmissão, distribuição e telecom. Neste caso, podemos considerar que cada área de negócio possui seu próprio portfólio, com programas, projetos e operações. Digamos hipoteticamente que a área de telecom esteja com um programa de levar cabos óticos para as cidades com mais de 20 mil habitantes do estado. Esse programa terá vários projetos de infraestrutura de cabeamento para cada cidade, ou mesmo um subprograma de cabeamento para a região norte do estado. Notemos que os projetos e programas, neste caso, estão na mesma estrutura, abaixo do portfólio de telecom. TEMA 3 – AMBIENTE DOS PROJETOS Veremos neste tema como as estruturas das organizações podem influenciar um projeto, o seu gerenciamento e consequentemente as pessoas envolvidas. 3.1 INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL Nenhum projeto, empresa ou organização pode ser considerado um elemento fechado ao mundo externo, todos somos influenciados pelo ambiente em que estamos inseridos. Carvalho Júnior (2012, p. 119) comenta que um projeto necessita de métodos e recursos para poderem ser desenvolvidos, e deste modo estão inseridos em um contexto além dos objetivos estabelecidos. Ele alega que o projeto “vai receber uma carga considerável de influências que podem comprometer diretamente o desempenho dele”. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/25 Para o PMI (2017, p. 11), quando um projeto é inserido em um sistema organizacional, cria-se um sistema único resultante, causado pela interação de fatores do sistema. Ele cita como sendo alguns destes fatores; “os elementos de gerenciamento, as estruturas de governança e os tipos de estrutura organizacional”. Podemos observar que existem empresas que operam diretamente com projetos, são empresas ditas com boa maturidade, pois adotam uma estrutura e uma governança voltada aos projetos. Devemos considerar que, nesse caso, a influência provavelmente será positiva, pois ela dará maior apoio e poder aos gestores dos projetos. Por outro lado, empresas que normalmente não operam com projetos não devem ter uma estrutura, nem uma governança para trabalhar com projetos. Neste caso, a autoridade dos gestores é mais limitada, com uma provável influência negativa sobre os projetos. 3.2 TIPOS DE ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Vimos nos parágrafos acima que um dos principais fatores de influência nos projetos estava na sua estrutura organizacional. Conforme a maturidade da empresa em lidar com os projetos, notamos que já existe uma estrutura que reconhece a importância dos projetos para a organização. Para Viana Vargas (2009, p. 3727-3728), os projetos refletem a estrutura organizacional da empresa pois esta mostra a importância dada pelo assunto, disponibilidade dos envolvidos e o interesse da organização. Viana Vargas (2009, p. 3727-3728) comenta ainda que “o estilo organizacional apropriado para um projeto específico depende quase que totalmente de sua natureza e do estilo organizacional da empresa”. De um modo geral, a empresa deve adotar uma estrutura organizacional conforme o quanto está envolvida com projetos, porém, existem inúmeros fatores que devem ser analisados ao se escolher uma estrutura. O PMI (2017, p. 47), conforme veremos a seguir, nos mostra um quadro comparativo, contendo uma série de estruturas e estilos organizacionais. Podemos observar neste quadro que as estruturas organizacionais são diferenciadas pelas características em relação ao tratamento nos projetos. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/25 Quadro 1 – Reprodução completa da Tabela 2-1 Fonte: PMI, 2017 p. 47. Para buscarmos compreender esta tabela, vamos observar selecionar algumas das estruturas mais importantes e que se diferenciam de acordo com o nível e maturidade da organização em projetos. 3.4 ESTRUTURA FUNCIONAL Para Viana Vargas (2009, p. 3834), este é um modelo organizacional que utiliza a mesma linha de controle para projetos, apresentando hierarquia funcional. Quem gerencia os projetos neste modelo são funcionários do departamento. Os projetos apresentam pequena importância na organização. Para o autor, as principais desvantagens deste modelo para o gerenciamento de projetos são: limitação de recursos, elevada burocracia, perda de foco pela divisão de tarefas e prioridade departamental. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/25 Podemos ilustrar e analisar este tipode modelo quando em uma grande empresa departamental surge a necessidade de se implantar uma nova máquina na produção. Para essa implantação, vários setores deverão executar serviços de suas respectivas especialidades, sem se criar uma equipe multifuncional. Neste caso, cada setor ou departamento deve realizar, estritamente, a tarefa de sua responsabilidade funcional, e sem olhar o todo. 3.5 ESTRUTURA ORIENTADA A PROJETOS Para o PMI (2013, p. 25), neste modelo de estrutura os membros da equipe trabalham juntos, grande parte dos recursos pertencem ao projeto e os gerentes de projeto possuem autoridade e independência. Para Viana Vargas (2009, p. 3852), as principais desvantagens deste modelo são: a duplicação dos esforços em projetos de mesma prioridade, perda de equipe no final do projeto, competição interna por poder e recursos, reintegração nos departamentos ao final dos projetos. Neste modelo, não existem departamentos ou os departamentos que existem são apenas de suporte aos projetos. Podemos hipoteticamente ter uma empresa de projetos de sistemas de energia solar, na qual há uma gerência geral e cada projeto ou agrupamento de projetos é liderado por um gerente de projetos. Os departamentos como recursos humanos, manutenção, contabilidade etc. são setores de suporte aos gerentes de projeto. 3.6 ESTRUTURAS MATRICIAIS Para o PMI (2013, p. 23), esses tipos de estruturas misturam os modelos funcionais e orientados a projetos, em três formas diferentes: fracas, balanceadas e fortes. As principais características que diferenciam os três modelos são a autonomia e o poder do gerente de projetos. 3.6.1 MATRIZ FRACA De acordo com a tabela vista no Quadro 1, na matriz fraca o gerente de projeto possui uma baixa autoridade e baixo poder pois o orçamento é controlado pelo gerente funcional. Neste modelo, o gerente de projeto fica apenas parte de seu tempo trabalhando no projeto, e a disponibilidade de recurso é baixa. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/25 3.6.2 MATRIZ BALANCEADA Neste modelo, o gerente de projeto apresenta uma autoridade de baixa a moderada e divide a responsabilidade do orçamento com o gerente funcional. O Gerente de projeto trabalha ainda em tempo parcial, porém a coordenação pode ser adicionada à sua função, e a disponibilidade de recursos é moderada. 3.6.3 MATRIZ FORTE Este tipo de estrutura apresenta um grupo de trabalho coordenado pelo gerente de projetos, que agora possui forte autoridade e detém o controle total do orçamento. Na matriz forte, o gerente de projeto trabalha cem porcento de seu tempo para o projeto. Viana Vargas (2009, p. 3954-3955) comenta que em uma matriz forte, “gerentes de projeto se agrupam em um departamento ou área da empresa que se destina ao gerenciamento dos projetos da empresa, que por sua vez passam a ser importantes e estratégicos para o negócio” (Viana Vargas, 2009, p. 3954-3955). 3.7 ESCRITÓRIOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS (EGP) Segundo o PMI (2017, p. 48), o EGP “é uma estrutura organizacional que padroniza os processos de governança relacionados a projetos e facilita o compartilhamento de recursos, metodologias, ferramentas e técnicas”. Para Carvalho Júnior (2012, p. 119), o EGP “cuida do planejamento e da integração dos diversos projetos e subprojetos relacionados com os objetivos gerais da organização, ou do cliente do projeto”. Viana Vargas (2008, p. 3993-3996) comenta que varia muito o nível de assessoria e de função do EGP, podendo exercer uma simples recomendação até definir e gerir a governança completa da instituição sobre os empreendimentos. É mais conhecido no Brasil na versão da língua inglesa Project Management Office (PMO). Esse tipo de estrutura vem sendo cada vez mais adotada nas empresas pois ele visa estabelecer um padrão de gerenciamento dos projetos além de, em muitos casos, realizar estudos de alinhamento estratégico dos projetos em relação aos objetivos das organizações. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/25 Na prática, o EGP sugere ou até mesmo estabelece todo o fluxo de gestão dos projetos por meio de padrões de documentos, consultas (coaching) e treinamentos. Num nível mais elevado, ele pode centralizar as operações e a gestão dos projetos ou programas, gerar relatório, definir e até direcionar a estratégia da organização nas escolhas dos empreendimentos. 3.8 PARTES INTERESSADAS Kerzner (2009, p. 6) comenta que as partes interessadas são organizações ou indivíduos que que podem causar impacto positivo ou negativo ao projeto. Por isso, é importante que o gerente de projeto seja uma interface com as partes interessadas, pois muitos deles podem direcionar o projeto. O PMI (2018, p. 550) comenta que as partes interessadas podem estar internas ou externas ao projeto e estarem envolvidas de forma passiva ou ativa. Alguns exemplos de parte interessadas são: Equipe do Projeto; Patrocinadores; Gerentes Funcionais; Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP); Gerentes de outros projetos; Fornecedores; Clientes; Governos (municipal, estadual e federal); Concorrentes; Acionistas; Vizinhança (Sociedade); Órgãos reguladores; Concessionárias; Usuários; Funcionários. Entendemos que o gerente de projetos se torna uma peça-chave no processo de convivência entre projeto e partes interessadas. Dentro de suas competências e habilidades, o gerente de projetos deve estabelecer um bom relacionamento com as partes interessadas, em todos os níveis, e assim promover a integração do 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/25 projeto no ambiente que for estabelecido. Dada a importância no tratamento das partes interessada, o PMI estabeleceu um processo dedicado exclusivamente ao gerenciamento das partes interessadas, como veremos nos próximos conteúdos. Um recente e trágico episódio retrata a importância do gerenciamento das partes interessadas e demonstra em como o ambiente externo tem influência nos empreendimentos. Em janeiro de 2019, rompeu uma barragem no município de Brumadinho matando 270 pessoas e deixando uma devastação social e ecológica por onde o rio de lama passou. O impacto negativo sobre a empresa mineradora foi enorme, foram gastos dezenas de bilhões de dólares para buscar reparar os danos, fora o desgaste da imagem da empresa no cenário mundial. TEMA 4 – O GERENTE DE PROJETO Agora nós vamos conhecer a pessoa a qual deve possuir toda a competência, ou boa parte dela, para o gerenciamento de um projeto, tendo o fardo da responsabilidade pelo seu resultado. Segundo Viana Vargas (2018, p. 4088-4089), “muito do sucesso ou fracasso de um projeto está no gerente do projeto”. 4.1 QUEM É O GERENTE DE PROJETOS? Para o PMI (2017, p. 52), “o gerente de projeto é a pessoa designada pela organização executora para liderar a equipe responsável por alcançar os objetivos do projeto”. Para Kerzner (2009, p. 4), o gerente de projetos é o responsável pela coordenação e integração de atividades, com objetivo de desenvolver, executar e promover as mudanças no plano de projeto. Assim, observamos que o gerente de projeto é o principal ator ou agente de uma empreitada e deve liderar a equipe para cumprir todos os objetivos requeridos. 4.2 HABILIDADES E COMPETÊNCIAS Para Pedrosa et al. (2018), o gerente de projetos deve possuir a habilidade de navegar em diferentes níveis das organizações, com o objetivo de levar o seu projeto ao sucesso. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/25 Paes (2014, p.176) comenta que “a competência é resultado da união de conhecimentos (formação, treinamento, experiência e autodesenvolvimento) com comportamentos (habilidades, interesse e vontade)”. Viana Vargas (2018, p. 4127-4149) destaca ainda que além das competências técnicas, outras habilidades específicas podem ser o diferencial para sucesso de um projeto. Dentre as muitas habilidades que ele relaciona, destacamos:“habilidades nas Comunicações, Habilidade de escutar, Habilidade de persuadir, Habilidades organizacionais, [...] Empatia, Motivação, Espírito de corpo”. O PMI (2017, p. 60) tem aplicado a Estrutura de Desenvolvimento da Competência em Gerenciamento de Projetos, ou do inglês, Project Management Competency Development (PMCD) e desenvolveu um Triângulo de Talentos para direcionar as habilidades necessárias para os gerentes de projeto. Conforme o PMI (2017, p. 56), o Triângulo de Talentos define três conjuntos de habilidades em que o gerente de projetos deve se desenvolver. 4.2.1 GERENCIAMENTO DE PROJETO TÉCNICO São conhecimentos técnicos específicos para gerenciar projetos e grupos de projetos. Essas habilidades demonstram conhecimentos em cronogramas, contabilidade, custos, financeiro e outros. 4.2.2 GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO E DE NEGÓCIOS Estas são habilidades de nível mais amplo no gerenciamento de negócios. Ter uma visão sistêmica da organização e da funcionalidade do negócio como um todo. Essas habilidades auxiliam muito nas decisões de investimentos, análise de riscos, na comunicação entre os vários níveis da organização e na percepção de valor para os clientes. 4.2.3 LIDERANÇA Estas são as habilidades que têm uma grande influência para a construção de equipes coesas, produtivas e motivadas. Neste caso, as habilidades interpessoais importantes são: empatia, saber ouvir, comunicação, mentalidade servidora e outras. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/25 4.2.4 GERENCIAMENTO E LIDERANÇA Figura 4 – Gerenciamento Créditos: Ilyafs/Shutterstock. Para viana vargas (2018, p. 4135-4142), a habilidade de liderança tem a ver com “ser exemplo constante, energia, visão, delegação, e atuação otimista”. Esses termos não condizem muito com a orientação do termo gerenciamento que nos remete a termos como controle, direcionamento, medição etc. O PMI (2017) comenta que gerenciamento nos remete à orientação para alguém ir de um ponto a outro, por um comportamento esperado. Já liderança envolve uma discussão e entendimento para guiar alguém de um ponto a outro. Essa distinção para o correto emprego do gerenciamento e da liderança os gerentes também devem adquirir. O PMI (2017) criou um quadro comparativo entre esses dois estilos e que demonstra claramente suas diferenças. Quadro 2 – Reprodução completa da Tabela 3-1 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/25 Fonte: PMI, 2017, p. 64. Podemos perceber que o gerente de projetos tem um posicionamento único e centralizador frente aos empreendimentos. Suas múltiplas funções e responsabilidades sugerem uma ampla gama de habilidades e competências necessárias para gerenciar as estratégias, os fluxos de informações, recursos, as políticas e governanças, e ainda motivar sua equipe. Porém, na contramão dessas sistemáticas, observamos cada vez mais a adoção de uma abordagem descentralizadora, que empodera a equipe para as tomadas de decisão. Isso porque o mundo dos negócios está exigindo respostas cada vez mais rápidas e a centralização de poder gera algum tipo de gargalo. TEMA 5 – CICLO DE VIDA DO PROJETO Quase tudo o que conhecemos no universo apresenta um ciclo de vida, e com projetos não poderia ser diferente. O ciclo de vida dos projetos é dividido em fases que servem para melhor nos orientar sobre eventos e controle das atividades. Para Viana Vargas (2018), os projetos podem ser divididos em grupos de processos. Ele cita ainda que o ciclo de vida é conjunto de fases de um projeto e afirma que “o ciclo de vida possibilita avaliar uma série de similaridades que podem ser encontradas em todos os projetos, 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/25 independentemente de seu contexto, aplicabilidade ou área de atuação” (Viana Vargas, 2018, p. 996- 997). Deste modo, podemos entender que o ciclo de vida nos fornece um padrão de desenvolvimento e uma previsão dos eventos de um projeto. Carvalho Júnior (2010) afirma que a divisão do ciclo de vida dos projetos pode ser entendida como fases, momentos ou desdobramentos. Para ele, a transição entre as fases de um projeto pode ocorrer sem a necessidade de término da fase anterior, para o início da fase posterior. O PMI (2017, p. 547) comenta que as fases de um projeto são compostas de atividades sequenciais e lógicas em que termina com alguma entrega. Para o PMI, as fases podem ser sequenciais, sobrepostas ou iterativas. E quanto à quantidade de fases, nomes e duração, estes “são determinados pelas necessidades de gerenciamento e controle das organizações envolvidas no projeto, pela natureza do projeto em si e sua área de aplicação” (PMI, 2017, p. 547). Quando pensamos em projetos, temos que refletir um pouco sobre a enorme variedade de tipos, tamanhos e objetivos diferentes. Pensar em um modelo de ciclo de vida que represente tanto o desenvolvimento de um pequeno aplicativo para celulares quanto o de um projeto de um shopping center seria muito absurdo, porém, mesmo nesses extremos podemos encontrar certos padrões. 5.1 CICLO GENÉRICO Figura 5 – Ciclo genérico 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/25 Créditos: lucadp/Adobe Stock Fotos. O ciclo genérico é adotado por várias referências e apresenta quatro fases: Início; Organização e Preparação; Execução ou Implantação; Término ou Encerramento. 5.2 INÍCIO Carvalho Júnior (2012) chama esta fase também de conceito, e comenta que neste ponto somente temos o desejo de intervir em algo e que este desejo está associado a uma percepção, uma oportunidade ou necessidade. 5.3 ORGANIZAÇÃO E PREPARAÇÃO Para Carvalho Júnior (2012), esta fase tem início após a decisão de prosseguir com a empreitada. Ele ainda afirma que é neste período que se deve estabelecer metas e objetivos, assim como criar a estrutura de administração, gerente de projeto e equipe. 5.4 EXECUÇÃO OU IMPLEMENTAÇÃO Nesta fase, comenta Carvalho Júnior (2012), é onde se concentra o maior esforço no projeto, pois é o momento em que o projeto se efetiva, se transforma em produto. 5.5 TÉRMINO OU ENCERRAMENTO Normalmente, o encerramento é uma fase em que todos nós estamos com certa ansiedade em fechar a porta e apagar a luz, ou passamos por um momento de euforia provocada pela conclusão do projeto ou pela entrega de mais uma etapa. Pois é justamente nesta fase em que os gestores e a equipe deveriam se concentrar muito e realizar a análise crítica sobre o projeto ou sobre a entrega. E como resultado desta análise, elaborar um plano de ação para promover as melhorias para o próximo projeto. Carvalho Júnior (2012) comenta que “podemos traçar um quadro geral das 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/25 atividades, identificando potencialidades e fragilidades das equipes envolvidas para que os resultados sirvam, em projetos futuros, como subsídios no aprendizado das equipes interessadas na organização, principalmente da alta administração” (Carvalho Júnior, 2012 p. 108). Figura 6 –– Ciclo de vida genérico A Figura 6 retrata todos as fases de um ciclo genérico, porém ele é diferente ao ciclo concebido por outras fontes, em que as fases ficam dispostas linearmente e não fecham o ciclo. Consideramos que ambas as concepções podem ser aplicadas sobre o que foi apresentado, porém, vale ressaltar que o ciclo fechado pode representar que, após o encerramento, retornam às lições aprendidas e às melhorias para o próximo projeto ou entrega. 5.6 CARACTERÍSTICAS DO CICLO DE VIDA Quando analisamos alguns elementos que fazem parte de qualquer projeto como custo, risco, valor entregue em relação a um ciclo de vida genérico, percebemos que na maioria das vezes esses componentes apresentam um mesmo padrão. Esse padrão de comportamento é que podemos chamar de características do ciclo de vida. 5.6.1 CUSTOS DO PROJETO O PMI (2017) explica que os custos iniciais do projetosão baixos, mas no decorrer das fases o custo aumenta devido à mobilização de recursos. Porém, tem uma abrupta descida na fase de término do projeto. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/25 5.6.2 RISCOS O risco é normalmente associado à incerteza, pois quando do início do projeto, muitas dúvidas pairam sobre as coisas e as decisões são tomadas sob a condição de alto risco. No decorrer do projeto, muitas dúvidas e elementos relativos ao projeto ficam melhor definidos e o risco tende a diminuir conforme as fases avançam. Figura 7 – Curva de Risco 5.6.3 CUSTOS DAS MUDANÇAS O PMI (2017) comenta que esses custos de mudanças podem representar “a capacidade das partes interessadas para influenciar as características finais do produto do projeto”. Podemos, logicamente, fazer a analogia de que mudanças solicitadas no início não devem afetar o projeto em termos de custos, pois as decisões e atividades de implantação, aquisição e mobilização ainda não iniciaram. Mas na medida em que as mudanças são solicitadas no decorrer dos projetos, aumenta a probabilidade de se afetar cronograma e recursos. E ao final do projeto, esses custos estarão no patamar mais alto. 5.6.4 ADIÇÃO DE VALOR AO PROJETO Viana Vargas (2018) nos explica que este potencial é elevado no início do projeto pois todas as definições são incipientes e são tomadas neste período. Neste caso entende-se que ao término do projeto o valor adicionado é mínimo pois todas as definições sobre o projeto já foram tomadas. 5.6.5 ESFORÇO 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/25 Para Viana Vargas (2018), o esforço de um projeto está diretamente relacionado com a quantidade de pessoas envolvidas. Para ele, esse esforço inicia-se no zero e, ao decorrer do projeto, vai em um aclive até o ponto máximo, e após esse ponto, há uma queda mais brusca. Podemos observar, na figura a seguir, um gráfico representativo do esforço de um projeto. Figura 8 – Curva de Esforço do projeto Fonte: Adaptado de Viana Vargas, 2018, p. 1029. 5.7 TIPOS DE CICLO DE VIDA Para o PMI (2017, p. 19), os ciclos de vida associados ao desenvolvimento de um produto ou serviço podem ser preditivos ou adaptativos. O PMI (2017) relaciona cinco tipos de ciclos de desenvolvimento: Preditivos: também chamados de cascata pois são preparados nas fases iniciais do projeto com um escopo e plano bem definidos. Iterativos: normalmente têm o escopo definido no início do projeto, variando o tempo e custo conforme as iterações vão acontecendo durante o desenvolvimento. As iterações são pequenos ciclos repetitivos dentro do projeto. Incremental: durante o projeto, há iterações sucessivas com entregas incrementais do produto, que estará completo após a última iteração. Adaptativos: são os conhecidos como ágeis, pois contêm características de serem iterativos e incrementais. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/25 Híbridos: combinam os métodos preditivos e adaptativos. Busca-se estabelecer o que pode ser previsto para o início do projeto e o que não for preditivo será realizado por método adaptativo. FINALIZANDO Nesta aula, pudemos ter uma base conceitual de projetos e os principais elementos que permeiam o gerenciamento de projeto. No primeiro tema, abordamos os conceitos de projeto e gerenciamento, e apresentamos o PMI, assim como o Guia PMBOK, explicando sua importância para o mercado de gestão de projeto. No segundo tema, nos aprofundamos no gerenciamento projetos e mostramos os fatores que podem levar um empreendimento ao sucesso, e também apresentamos os conceitos de grupos de projetos e programas. No terceiro tema, estudamos a influência do ambiente organizacional sobre os projetos. Apresentamos as principais estruturas organizacionais e como elas podem definir a maturidade da empresa em lidar com gerenciamento de projetos. No quarto tema, abordamos a figura do gerente de projetos, suas habilidades e competências. Pudemos refletir também sobre a questão dos novos perfis do líder em relação ao do gestor. E finalizamos esta aula com o tema importantíssimo que é o ciclo de vida do projeto. Procuramos, neste tema, apresentar o ciclo de vida como uma ferramenta de estratégia para os gestores, analisando várias características comuns aos projetos de forma temporal. REFERÊNCIAS CARVALHO JÚNIOR, M. R. de. Gestão de projetos: da academia à sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. KERZNER, H. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 10. ed. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, 2009. PAES, L. A. B. A Utilização da Metodologia PMBOK no gerenciamento de Projetos: Uma proposta das novas práticas da 5ª Edição Revista Eletrônica de Graduação do UNIVEM [REGRAD]. Marília-SP, n. 1, p. 170-191, 2014. 01/05/2023, 16:44 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/25 PEDROSA, N. et al. Relevância dos soft skills em gerenciamento de projetos globais. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 18, n. 3, p. 245-260, set./dez. 2018. PMI. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK), 5. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2013. _____. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®), 6. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2017. PM NETWORK, The Professional Magazine of the Project Management Institute (PMI®). Imagination, Chicago, v. 33, n. 11, nov. 2019. RAMOS JUNIOR, M. A. C.; DA SILVA, M.; CASTRO JUNIOR, J. de L. P. A Abordagem do Conflito pelo Guia PMBOK® e Suas Implicações na formação Profissional do Gerente de Projetos Brasileiro. Iberoamerican Journal of Project Management (IJoPM), v. 10, n. 1, p. 1-29, 2019. VIANA VARGAS, R. Gerenciamento de Projetos: Estabelecendo Diferenciais Competitivos. 9. ed. Brasport. Edição do Kindle, 2018. 1 Prof. Marcos Antônio Nunes Gestão de Projetos Aula 2 Conversa Inicial Na segunda aula, apresentaremos o ciclo de vida dos projetos conforme padrão PMBOK®. São destaques desta aula Fases de um projeto Grupo de processo da integração Grupo de processo do escopo Estrutura analítica de projeto (EAP) Ferramentas e técnicas Temas a serem desenvolvidos Fases de um projeto Definição: sequencia lógica de atividades para alcançar um resultado Podem ser sobrepostas ou não Mudam as características das atividades O que são as fases de um projeto? Iniciação Planejamento Execução Monitoramento e controle Encerramento Grupos de processo de gerenciamento 1 2 3 4 5 6 2 Grupos de processo de gerenciamento Iniciação Início Fim Baixo Tempo Alto N ív el d e Es fo rç o Planejamento Execução Monitoramento Encerramento Fonte: adaptado pelo autor do GUIA PMBOK® 6. ed., 2017, p. 555. A sexta edição do PMBOK® define dez áreas de conhecimento no gerenciamento de projetos Áreas de conhecimento Integração Escopo Cronograma Custos Qualidade Recursos Comunicação Riscos Aquisições Partes interessadas Grupos de processos e áreas de conhecimento se combinam formando um mapa com 49 processos básicos Cada processo básico é responsável por uma parte da sequência lógica de atividades nos projetos O PMBOK® é uma reunião de melhores práticas, porém devemos considerar a realidade e a necessidade de cada projeto Grupos de processos versus áreas de conhecimento PMBOK® 6ª ed. Processos da integração Termo de abertura (saída) Documento oficial de abertura Base para análise do negócio Cria uma justificativa Objetivos, critérios, gerente, partes interessadas, entregas etc. Integração x iniciação: desenvolver o termo de abertura Fine Art/shutterstock Plano de gerenciamento (saída) Plano geral (todas as áreas) Serve de (entrada) Deve ser atualizado Complexidade x tamanho Integração x planejamento: desenvolver o plano de gerenciamento Fine Art/shutterstock 7 8 9 10 11 12 3 Gerenciar execução (equipe/gerente) Acompanhar, supervisionar,orientar Registros de atividades Acompanhamento dos requisitos Gerar relatórios (conforme metodologia) Atualizar planos Integração x execução: orientar e gerenciar o trabalho do projeto Bearsky23/Shutterstock Conhecimento Análise dos registros Acompanhamento de problemas e soluções Registro de mudanças e inovação Análise de métodos e materiais Registro e compartilhamento Sucessos e fracassos Integração x execução: gerenciar o conhecimento do projeto Rashad Ashur/Shutterstock Como o projeto está indo? Análise planejado x executado Fluxo de caixa Atendimento aos objetivos Controle dos riscos Status às partes interessadas Integração x monitoramento: monitorar e controlar o trabalho do projeto Vladvm/Shutterstock Gestão de mudanças no projeto Verificar impacto Riscos associados Alinhamento do planejado Acompanhamento das restrições Documentação e registros necessários Atualização de planos Integração x monitoramento: controle integrado de mudanças Mykyta/Adobestock Encerramento das fases Análise crítica Objetivos garantidos (pendências) Desmonte da equipe e estrutura Lições aprendidas (conhecimento) Registros e guarda de documentos Integração x monitoramento: encerrar o projeto ou fase Aiconsmith/Shutterstock Processos do escopo 13 14 15 16 17 18 4 Saídas Gestão do escopo Gestão dos requisitos (aprovação) Estabelecer métodos e ferramentas Definir, dimensionar e controlar e reportar Escopo x planejamento: planejar o gerenciamento do escopo Fine Art/shutterstock Definir com cliente Conhecimento e anuência das partes interessadas Processo de reuniões e acordos Definição de “produto acabado” Registro e compartilhamento Escopo x planejamento: coletar os requisitos D Line/Shutterstock Especificação do escopo (saída) Detalhamento técnico Detalhamento estrutural Outros atributos Tolerâncias e variações Escopo x planejamento: definir o escopo Fine Art/shutterstock Estruturar o projeto (escopo) Visão de blocos ou grupos Estratificar e decompor sistemas Definir nível de detalhamento Incluir a gestão do projeto Escopo x planejamento: criar a estrutura analítica de projeto (EAP) Entradas Escopo e Requisitos Objetivo: garantir o aceite Verificar os requisitos do projeto Registro dos aceites Escopo x monitoramento e controle: validar o escopo Bearsky23/Shutterstock Acompanhamento por todo projeto Verificação das tolerâncias e variações Verificar mudanças Atualizar a linha de base do escopo Escopo x monitoramento e controle: controlar o escopo Bearsky23/Shutterstock 19 20 21 22 23 24 5 Estrutura analítica do projeto (EAP) Divisão de produto ou atividades Do todo para agrupamentos (sistemas) Subdividir até estrutura dimensionável + divisões levam a + atividades que levam a + trabalho e + controles Ponderar: nível de estimativa aceitável Ferramenta de decomposição Produto de Software v.5 Gerenciamento do Projeto Planejamento Reuniões Administração Requisitos do Produto Software Documentação de usuário Materiais do programa de treinamento Design de Detalhes Software Documentação de usuário Materiais do programa de treinamento Construção Software Documentação de usuário Materiais do programa de treinamento Integração e teste Software Documentação de usuário Materiais do programa de treinamento Elaboração da EAP Fonte: elaborado com base no GUIA PMBOK® 6ª Edição 2017 p.159 Mostra definições e especificações dos pacotes ou grupos ou atividades Informações relevantes ao projeto de cada grupo ou atividade como custos, materiais, conta contábil, responsável, datas, prazo, critérios de aceitação, outras restrições Dicionário da EAP Ferramentas técnicas Ingredientes mínimos de uma reunião Pessoas Comunicação Objetivo(s) claro(s) Um facilitador Uma agenda Um resultado Reuniões 25 26 27 28 29 30 6 Dicas para reuniões mais eficazes Prepare e distribua a pauta e os objetivos Controle início e término (e cumpra-os) Convidados- chave devem comparecer Guie debates para dentro do tema Controle expectativas, conflitos e outros problemas da reunião Registre um plano de ação (5Ws) Reuniões Tipo de reunião Coleta de dados Vários objetivos Brainstorming Postura dos participantes Criativo (saia da casinha) Honesto Sem medo Receptivo Não critique Brainstorming Exemplo de um método Exposição da dúvida ou problema Todos escrevem em papéis suas ideias (5’ a 10’) Voluntário ou facilitador insere-os misturados em um quadro Brainstorming Todos buscam agrupar palavras ou termos com ligação ou de mesmo significado Debate e entendimento sobre os três principais itens identificados Definição ou plano de ação Brainstorming Adquirir opinião de uma área específica Tipos de consultas Individuais Discussões em grupos Pesquisa de opinião Utilizada em todas as áreas Opinião especializada 31 32 33 34 35 36 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/29 GESTÃO DE PROJETOS AULA 2 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/29 CONVERSA INICIAL Olá, seja bem-vindo(a)! Nesta aula, iremos abordar como primeiro tema as fases, grupos de processos e áreas de conhecimento dos projetos adotados pelo PMI. Mostraremos aqui como as áreas de conhecimento são desenvolvidas pelas fases do projeto. A seguir, apresentaremos a área de integração e todos os processos básicos que dele fazem parte. Destacaremos a importância do Termo de Abertura do Projeto e seus principais elementos. No terceiro tema, vamos mostrar a área de conhecimento do escopo, sua grande importância para a definição dos produtos e das entregas. A seguir, no quarto tema, apresentaremos uma das principais ferramentas utilizadas para realizar as estimativas no planejamento do projeto, a Estrutura Analítica de Projetos. E finalizando com o quinto tema, vamos apresentar algumas das ferramentas e técnicas utilizadas nas áreas de conhecimento vistas nesta aula, com reuniões e brainstorming. Bons estudos a todos! TEMA 1 – FASES DE UM PROJETO Como já foi vimos anteriormente, os projetos são realizados de acordo com uma ordem de atividades até certo ponto padronizadas. Essas sequências de atividades são chamadas de fases do projeto. É fundamental entendermos que a divisão em fases está ligada a uma ação estratégica que visa obter melhor controle sobre um planejamento inicial, seja a que nível for. Conforme comenta Carvalho Junior (2012, p. 57), “Maior controle sobre as fases do projeto nos permite conduzi-lo na direção que julgarmos mais acertada, seja para corrigirmos eventuais “desvios”, seja apenas para buscarmos novos rumos que não estavam previstos no início das atividades.” 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/29 Para Viana Vargas (2018, p. 1089), cada fase se caracteriza por algum tipo de entrega que deve ser tangível e identificável. Carvalho Junior (2012, p. 117) também afirma que cada fase é considerada completada quando o resultado ou produto dela for aprovado. Temos que perceber que, mesmo numa fase inicial, o produto desta fase pode ser um artefato ou documento como um relatório de análise de viabilidade, um documento de início do projeto, um planejamento prévio do produto ou serviço a ser desenvolvido ou produzido, ou algo substancial relativo a essa etapa. 1.1 DEFINIÇÃO DE FASE O PMI (2017) define a fase de um projeto como “um conjunto de atividades relacionadas de maneira lógica que culmina na conclusão de uma ou mais entregas”, e explica que as fases podem apresentar diversos atributos como: nome, número, requisitos, critérios de entrada e critérios de saída. Para o PMI (2017), cada fase deve ser avaliada pois ela fornece uma visão do projeto, e assim, possibilita tomarmos ações para corrigirmos a rota para a fase subsequente. Essa avaliação échamada Revisão de Fase. Viana Vargas (2018, p. 1015-1017) comenta que: “as características do projeto tendem a mudar com a conclusão de cada fase do projeto” e “a incerteza relativa aos prazos e custos tende a diminuir com o término de cada fase”. 1.2 GRUPOS DE PROCESSOS DE GERENCIAMENTO Nós vimos que dentro do ciclo de vida do projeto existem fases e que cada fase é composta de atividades. Para realizar a gestão das atividades ou grupo de atividades, existem processos de gerenciamento de projeto. O PMI (2017, p. 22) comenta que os processos de gerenciamento estão interconectados em uma forma lógica. Essas atividades podem ter sobreposição ou não, e geralmente resultam em uma entrada para outro processo ou uma entrega de projeto ou de fase. Seguindo o padrão estabelecido pelo PMI (2017, p. 23), eles são grupos de processos logicamente agrupados e independentes das fases do projeto. O PMI (2017, p. 23) estabelece cinco 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/29 Grupos de Processos de Gerenciamento: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. 1.3 INICIAÇÃO Todos os projetos surgem de alguma necessidade ou oportunidade, e no período inicial é que ele deve ser selecionado tendo como base os benefícios a serem obtidos. Aqui, também devem ser feitas análises de viabilidade e gerada a documentação para sua devida aprovação como a gerência da organização. Para Kerzner (2009, p. 3), nesta fase, o gerente de projetos deve ser escolhido. Para Viana Vargas (2018, p. 1107-1109), a reunião de início de projeto se faz geralmente nesta fase. 1.4 PLANEJAMENTO Geralmente, este grupo de processos inicia após a aprovação do projeto pela gerência. O trabalho neste período é definir como o projeto será realizado, e como os recursos devem ser obtidos e gerenciados. Viana Vargas (2018, p. 1107-1109) comenta que aqui devem ser realizados os detalhamentos de estratégia, cronograma, custos etc., resultando num plano suficiente para ser executado. Kerzner (2009, p. 3) relaciona a necessidade de elementos como qualidade e análise de riscos. 1.5 EXECUÇÃO Esta é a fase que normalmente exige maior quantidade de esforços e recursos, pois nela serão executadas a maior parte das atividades definidas no planejamento. Kerzner (2009, p. 3) cita que esta fase envolve gestão e direcionamento da equipe e trabalho junto à equipe para promover a melhoria. O PMI (2017, p. 23) comenta que o objetivo desta fase é “concluir ou fechar formalmente um projeto, fase ou contrato”. 1.6 MONITORAMENTO E CONTROLE Viana Vargas (2018, p. 1107-1109) comenta que este grupo de processo é realizado paralelamente às outras fases por todo o projeto. Para ele, o objetivo deste grupo é acompanhar tudo o que foi planejado e o que é realizado para promover ações preventivas e corretivas prontamente. Para o PMI (2017, p. 23), este grupo de processos gerencia o progresso e o 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/29 desempenho do projeto, além de “identificar quaisquer áreas nas quais serão necessárias mudanças no plano, e iniciar as mudanças correspondentes”. 1.7 ENCERRAMENTO O encerramento do projeto não necessariamente deve iniciar somente depois dos outros grupos terminarem, ele normalmente já pode iniciar quando as primeiras atividades terminam. Para Kerzner (2009, p. 3), o encerramento de um projeto envolve: a verificação de todo trabalho realizado, fazer o fechamento de todos os contratos do projeto, realizar o fechamento financeiro e encerramento administrativo da documentação. Essas atividades e temas abordados acima não esgotam nem limitam a responsabilidade de cada grupo de processos. Cada organização deve adaptar este padrão orientativo para sua realidade e necessidade. Por exemplo, hipoteticamente podemos ter, em uma organização, um sistema da qualidade que solicite uma reunião ou um relatório de análise crítica do projeto. E assim, gerar um plano de ação para a promoção de melhorias para outras fases ou projetos. 1.8 ÁREAS DE CONHECIMENTO O PMI (2017, p. 23) define uma área de conhecimento em gerenciamento de projetos como “requisitos de conhecimento e descrita em termos dos processos que a compõem: práticas, entradas, saídas, ferramentas e técnicas”. O PMI estabelece, na sexta edição do Guia PMBOK, dez áreas de conhecimento para a grande maioria dos projetos. Isso significa que, essa mundialmente respeitada organização, por meio de seus profissionais voluntários, acordou em estabelecer as dez áreas como sendo as de maior importância e mais usuais nos projetos. Nem todas as organizações e projetos devem possuir todas as áreas aqui descritas, orem, torna- se fundamental para o profissional da área de projetos conhecê-las. 1.8.1 GERENCIAMENTO DA INTEGRAÇÃO Para Viana Vargas (2018, p. 1326-1328), esta é uma área responsável pela coordenação e integração dos elementos do projeto. Para Carvalho Junior (2012, p. 230), a integração “revela uma 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/29 ação de administrar algo de modo a atender e consolidar um todo, e não produzir uma relação fragmentada e desconexa às partes vinculadas ao ato de administrar”. 1.8.2 GERENCIAMENTO DO ESCOPO Este processo trata de todas as atividades necessárias para se completar os objetivos do projeto. É importante salientar que apenas as atividades necessárias devem ser executadas para que o projeto tenha sucesso. 1.8.3 GERENCIAMENTO DO CRONOGRAMA Este processo aborda as atividades que devem ser executadas para o produto ou a entrega esteja dentro da data acordada. 1.8.4 GERENCIAMENTO DOS CUSTOS Todo projeto tem um orçamento previsto, e as atividades que constam aqui têm o objetivo de realizar o controle para que o valor gasto com o projeto não exceda o limite orçamentário. 1.8.5 GERENCIAMENTO DA QUALIDADE As atividades desta área devem assegurar que o produto ou serviço entregue esteja em conformidade com os requisitos de qualidade solicitados pelo cliente e pelas partes interessadas. 1.8.6 GERENCIAMENTO DOS RECURSOS Conforme comenta o PMI (2017, p. 24), aqui devem estar as atividades necessárias para a identificação, aquisição e gestão de todos os recursos a serem utilizados no projeto. 1.8.7 GERENCIAMENTO DA COMUNICAÇÃO Área que contempla as atividades de gestão das informações relativas ao projeto. O PMI (2017, p. 24) engloba as atividades de coleta, criação, distribuição, armazenamento, recuperação, controle, monitoramento e disseminação oportuna e apropriada das informações do projeto. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/29 1.8.8 GERENCIAMENTO DOS RISCOS Esta área contém as atividades que envolvem a identificação, avaliação, gestão, monitoramento e controle dos riscos associados ao projeto. 1.8.9 GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES Esta área de conhecimento contempla as atividades e processos que envolvem a compra de produtos e serviços externos ao projeto. Lembrando que o gerenciamento também se estende às empresas fornecedoras e contratos. 1.8.10 GERENCIAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Nesta área, estão presentes atividades relativas à identificação, análise, cadastro e controle das pessoas e organizações que podem influenciar nos resultados do projeto. 1.9 GRUPOS DE PROCESSOS VERSUS ÁREAS DE CONHECIMENTO O PMI (2017, p. 25) realiza um mapeamento de todos os processos básicos pelo cruzamento entre os Grupos de Processos e as Áreas de conhecimento. A Figura 1 mostra este mapa que adaptamos e nos dá uma visão geral dos 49 processos básicos constantes no Guia PMBOK. As colunas representam os grupos de processos e as linhas são as áreas de conhecimento. A numeração dos processos básicos segue o número das sessões apresentadas no PMBOK, de 4 a 13. Vamos pegar, por exemplo, a primeira linha, da área de conhecimento 4, que é da Integração. Percebemos que esta área apresenta sete processos divididos entre os 5 grupos; 1na iniciação, 1 no planejamento, 2 na execução, 2 no monitoramento e 1 no encerramento. Outra forma de analisar é conhecer a quantidade de processos básicos que devem ser realizados em cada grupo de processos. Na Figura 1, este valor já está representado na última linha, destacado em blocos vermelhos. Nesta linha temos: 2 processos no grupo de iniciação, 24 processos no grupo de planejamento, 10 no grupo da execução, 12 no monitoramento e controle, e 1 no encerramento. Com essa figura, podemos realizar uma análise quantitativa superficial, pois a concentração de processos indica a importância dos assuntos na gerência. Não é à toa que notamos que as maiores concentrações estão nas áreas de risco, cronograma e escopo, dentro do grupo de planejamento, e de recursos no grupo de execução. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/29 Cada processo será explorado mais detalhadamente dentro da apresentação das áreas de conhecimento. Figura 1 – Mapeamento dos grupos de processos x áreas de conhecimento Fonte: com base em PMI, 2017, p. 25. É importante salientar que a quantidade de itens de processos, conforme estabelecido pelo PMI, caracteriza um sistema básico para o gerenciamento, podendo, conforme o caso, adicionar novos 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/29 processos a estes. TEMA 2 – PROCESSOS DA INTEGRAÇÃO A Integração tem como objetivos manter interligação, a harmonização e a comunicação entre os vários elementos e processos de um projeto. Para Viana Vargas (2018, p. 1364-1365), esse processo tem que garantir que todas as áreas se integrem como um todo, tendo como objetivo “estruturar todo o projeto de modo a garantir que as necessidades dos envolvidos sejam atendidas pelo projeto”. Para Carvalho Junior (2012, p. 230), a integração está associada à ação de administrar e consolidar o todo, sem provocar desconexões. Por isso, ele comenta que a gestão correta é aquela que integra elementos relacionados para direcioná-los para a construção do produto ou serviço final. 2.1 PROCESSOS DE GESTÃO DA INTEGRAÇÃO Figura 2 – Processos da integração Fonte: com base em PMI, 2017, p. 70. 2.2 DESENVOLVER O TERMO DE ABERTURA 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/29 O termo de abertura do projeto é o documento que oficializa a aprovação do projeto, autorizando sua realização. O PMI (2017, p. 75) comenta que este documento reconhece o gerente como autoridade do projeto e fornece vínculo dos projetos com os objetivos da empresa. Figura 3 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.1 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. São todas as documentações necessárias para embasar uma análise do negócio. O Business Case ou Plano de negócios é o principal documento que normalmente é utilizado. O PMI (2017, p. 77) comenta que ele descreve as informações na perspectiva do negócio e se o resultado irá justificar o investimento proposto. 2.3 FERRAMENTAS E TÉCNICAS Essas ferramentas visam reunir dados e informações que cercam o projeto para auxiliar na elaboração do Termo de abertura. Podemos destacar as reuniões, o brainstorming, a opinião especializada e grupos de discussão. Para Carvalho Junior (2012, p. 12), a opinião especializada permite que várias áreas da empresa possam expressar os diversos pontos de vista. De acordo com o PMI (2017, p. 75), são estas as ferramentas sugeridas no processo de desenvolvimento do termo de abertura: 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/29 2.3.1 COMPONENTES DO TERMO DE ABERTURA DO PROJETO Viana Vargas (2018) comenta que o termo de abertura deve servir como uma linha de base para o gerente de projeto e deve conter informações importantes como estimativas iniciais dos principais recursos do projeto. Conforme o PMI (2017, p. 81), ele deve fornecer informações sobre o projeto e sobre resultados esperados. O PMI (2017, p. 81) também indica várias informações que podem constar no documento, mas não se limita a estas; finalidade, objetivos, critérios de sucesso, entregas, cronograma com marcos, recursos financeiros, partes interessadas, gerente de projeto, patrocinador. 2.3.2 DESENVOLVER PLANO DE GERENCIAMENTO DO PROJETO Este documento encabeça o planejamento de todas as áreas de conhecimento. Ele é um plano global e deve servir de entrada de vários processos da estrutura de gerenciamento. Conforme Scheidmandel et al. (2018, p. 19), ele é um documento central que coordena planos auxiliares como das comunicações, custos, recursos humanos, aquisições, qualidade, riscos, cronograma e escopo. 2.3.3 PROCESSO Figura 4 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.2 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/29 2.4 COMPONENTES DO PLANO DE GERENCIAMENTO DO PROJETO Para Viana Vargas (2018, p. 1612 -1638), o plano de gerenciamento do projeto é o alicerce da etapa de execução do projeto, pois nele é que estão descritos todos os procedimentos. Viana Vargas (2018, p. 1612-1638) ainda cita que vários elementos devem fazer parte deste plano, como: visão geral dos objetivos, objetivo detalhado do projeto, a matriz de responsabilidades, organograma, estudos técnicos, aspectos contratuais de elementos externos, estrutura analítica do projeto (EAP), cronograma, marcos, orçamentos, fluxo de caixa, treinamentos, índices de qualidade, obstáculos e todos os planos das áreas de conhecimento. O PMI (2017, p. 87) relaciona, além dos planos das áreas de conhecimento, as linhas de base do projeto. Há a linha de base do escopo que é formada pelo EAP, pela declaração do escopo e o dicionário EAP. E há ainda as linhas de base do cronograma e dos custos. Todas essas linhas de base devem ser aprovadas pela gerência e servirão de referência para todo o projeto. 2.5 ORIENTAR E GERENCIAR O TRABALHO DO PROJETO Scheidmandel et al. (2018, p. 16) citam que “trata-se da execução do que foi planejado no projeto, e cabe à área de integração do projeto fazer a orientação das áreas, para que a linha-base seja seguida, mesmo que no processo ocorram algumas mudanças”. Para o PMI (2017, p. 92), esse processo envolve executar as atividades do projeto conforme foi planejado, e cumprir com todos os objetivos estabelecidos. O gerente de projetos juntamente com sua equipe é que deve conduzir todas as atividades planejadas e realizar a gerência de interfaces técnicas e organizacionais existentes no projeto. Podemos perceber que nesta etapa toda a equipe do projeto fica responsável por executar todas as atividades planejadas. Logicamente, dependendo do tamanho do projeto, a equipe está mais ou menos próxima à atividade. Se for um pequeno projeto, as atividades podem estar sendo executadas diretamente pela equipe. Porém, grandes projetos normalmente envolvem muitas empresas fornecedoras, seja pela técnica ou pelo esforço necessário. Neste caso, existe o gerenciamento de atividades de terceiros. Outro ponto de atenção nesta fase são registros das mudanças necessárias e solicitadas pelas partes interessadas no projeto. Cada mudança deve ser avaliada e atualizada nas linhas de base do 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/29 projeto. Figura 5 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.3 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 2.6 GERENCIAR O CONHECIMENTO DO PROJETO O nosso conhecimento normalmente obedece a uma função acumulativa, ou seja, o que nós aprendemos hoje, pode estar relacionado com o que adquirimos de conhecimento no passado. Para os projetos, esta relação também é aplicada, pois muito do que acontece nos projetos de hoje já aconteceram no passado. Por isso, é de suma importância nós sabermos gerenciar o conhecimento dos projetos. As informações organizadas e disponíveis no momento certo podem apoiar nas decisões, poupar tempo e outros recursos. Podemos registrar, por exemplo, qual foi a soluçãoencontrada para um problema na obra, qual a produção ou a produtividade alcançada na utilização de uma nova metodologia de trabalho, ou 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/29 pela utilização de um material diferente. Esses dados, muito bem apurados e registrados, irão gerar um conhecimento para a equipe e para a empresa. Figura 6 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.4 Fonte: com base em de PMI, 2017, p. 71. 2.7 GERENCIAMENTO DO CONHECIMENTO O PMI (2017, p. 102) relaciona uma série de ferramentas que auxiliam na conexão e compartilhamento do conhecimento. A utilização dessas ferramentas irá depender de cada situação de aplicação, tecnologia envolvida, inovação e complexidade do projeto. Dentre as citadas pelo PMI (2017, p. 102), podemos relacionar: rede de relacionamentos, comunidades, reuniões, observação, eventos, oficinas, feiras, cafés de conhecimentos, treinamentos. Independentemente do tipo de projeto que estejamos envolvidos, temos que sempre acender uma chama de atenção para o resultado do conhecimento adquirido. Na prática, pouco contabilizamos ou talvez não estejamos muito atentos a este tipo de Valor. Seja num telefonema, num atendimento sobre uma reclamação e até mesmo no bate-papo do cafezinho, temos que nos 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/29 atentar quando recebemos e compartilhamos informações. Vamos adquirir o vício de perceber e contabilizar o conhecimento que passa e que vivemos, pois este, ninguém nos tira. 2.8 MONITORAR E CONTROLAR O TRABALHO DO PROJETO Scheidmandel et al. (2018, p. 24) comentam que faz parte deste processo realizar os serviços de análise registro e acompanhamento de todos os trabalhos envolvidos no projeto. Isso possibilita fornecer às partes interessadas a situação real em que o projeto se encontra. Para o PMI (2017, p. 105), esse processo tem como benefício principal de informar as partes interessadas do projeto sobre ações tomadas e a situação atual do projeto. Figura 7 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.5 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 2.9 REALIZAR O CONTROLE INTEGRADO DE MUDANÇAS Viana Vargas (2018, p. 7211-7218) considera este processo com o centro de controle, tendo como objetivo principal garantir que o projeto esteja sendo realizado de acordo com o planejado. E mesmo sob mudanças, garantir que estas sejam benéficas ao projeto. Para Viana Vargas (2018, p. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/29 7211-7218), este é o momento em que toda a equipe principal deve ter uma postura diferenciada, pois os esforços do projeto estão no máximo. Um descuido aqui pode desencadear um rápido descontrole. As mudanças nos projetos ditos tradicionais, planejados inteiramente no início, e que seguem um plano “mais rígido” em todo ciclo de vida, possuem uma maior dificuldade em lidar com mudanças. Neste caso, exigirão um gerenciamento mais detalhado, documentado e consequentemente mais oneroso. Porém, devemos compreender que hoje vivemos em um mundo de transformações e ações cada vez mais rápidas. As novas tecnologias nos fornecem ferramentas para trabalharmos de forma mais rápida e com menos recursos. Nestes novos tempos, as metodologias de gestão e até mesmo a cultura sobre os projetos vêm evoluindo. Veremos, mais adiante, um pouco dessas novas filosofias, com abordagem sobre projetos ágeis. Figura 8 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.6 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. Figura 9 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 4.7 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/29 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 2.10 CONSIDERAÇÕES DO PROCESSO DE ENCERRAMENTO Para Scheidmandel et al. (2018, p. 29), este processo também leva ao término de todos as outras etapas do projeto e consequentemente uma verificação para garantir o alcance dos objetivos. Aqui também há a distribuição da equipe para outros desafios e a documentação das experiências obtidas no projeto. Viana Vargas (2018, p. 7279-7282) comenta que nesta etapa se procede a avaliação os resultados junto ao cliente ou patrocinador. Uma auditoria também pode ser realizada visando verificar se os resultados obtidos estão conforme o previsto. Essa auditoria pode ser um subsídio técnico para o aceite do projeto. Devemos encarar o encerramento como a etapa de avaliação e análise crítica de todas as etapas desenvolvidas no empreendimento. Aqui é que devemos organizar pastas e documentos, fazer os relatórios e fechar os contratos e acordos, eliminar qualquer pendência técnica que possa ter ficado. Com já comentado anteriormente, é de suma importância fazer registros dos eventos no formato de lições aprendidas para que esse conhecimento possa ser disseminado em futuras oportunidades ou necessidades. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/29 TEMA 3 – PROCESSOS DO ESCOPO Para Viana Vargas (2018, p. 1670-1672), o principal objetivo da gestão do escopo é “definir e controlar os trabalhos a serem realizados pelo projeto de modo a garantir que o produto, ou serviço, desejado seja obtido por meio da menor quantidade de trabalho possível, sem abandonar nenhuma premissa estabelecida no objetivo do projeto”. Carvalho Junior (2012, p. 240) afirma que este processo consiste em manter o projeto dentro de limites que foram estabelecidos e de acordo com a qualidade esperada nos produtos e serviços gerados. A Figura 10 nos mostra que os processos da gestão do escopo têm relacionamento com os grupos de processos do planejamento e do controle. Isso demonstra que é no planejamento que se define o escopo e no controle que mantemos um monitoramento sobre o que deve ser produzido e entregue. Figura 10 – Processos da gestão do escopo Fonte: com base em PMI, 2017, p. 25. Figura 11 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.1 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/29 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 3.1 PLANO DE GERENCIAMENTO DO ESCOPO Viana Vargas (2018, p. 1957-1976) relaciona uma série de informações sobre o projeto que devem constar neste documento, como: título, elaboração, regras gerais, priorização das mudanças, alocação financeira das mudanças, frequência de atualização, configuração, registros e aprovações. Trata-se de um documento que faz parte do plano de gerenciamento do projeto. Este documento tem a função de estabelecer as ferramentas e metodologias que serão empregadas para a gestão do escopo, desde a definição até a entrega. Podemos entender que neste ponto devem ser definidos a forma que o escopo, ou seja, os produtos ou entregas, serão definidos e realizados. Como exemplo, podemos imaginar como seria o plano para o desenvolvimento de um site. Neste caso, perguntas semelhantes a: quem define a estrutura, como serão definidas as cores e de que forma será entregue o produto devem ser respondidas nesta etapa. Logicamente, a complexidade deste documento irá depender do cenário (ambiente), do produto e suas características. Figura 12 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.2 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/29 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 3.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A COLETA DOS REQUISITOS Conforme o PMI (2017, p. 138), este processo tem objetivo de definir e documentar as necessidades das partes interessadas quanto aos objetivos a serem cumpridos. Deste modo, ele fornece uma definição do escopo do produto ou entrega. Neste processo, devemos definir as características e atributos do produto ou serviços a ser entregue pelo projeto. Devemos salientar o quanto é importante realizar, aqui, a leitura do que cada cliente define como produto acabado ou resultado esperado. Devemos nos lembrar que cada pessoa tem uma visão e uma percepção das coisas e, em muitos casos, a aprovação de um projeto irá depender de um checklist sobretais requisitos. Sendo assim, é muito prudente estabelecer um entendimento com o cliente e as partes interessadas sobre todos os itens que serão necessários para a aprovação da entrega ou do produto. Figura 13 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.3 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/29 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 3.3 DECLARAÇÃO DO ESCOPO DO PROJETO Para Scheidmandel et al. (2018, p. 37), este documento deve descrever o que será e o que não será feito para o resultado do produto. Nele, o projeto é mostrado detalhado, acompanhado de estrutura e gráficos por meio da decomposição do produto. Devemos entender que a declaração do escopo é o que temos para dirimir divergências entre as partes. Deste modo, devemos ter uma tradução da coleta dos requisitos, estipularmos limites e definirmos possíveis mudanças. Para os projetos com ciclos de vida iterativos, em que a entrega do produto é realizada de modo incremental, devemos adicionar a priorização das entregas, pois normalmente damos prioridade às entregas de maior valor para o cliente. Figura 14 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.4 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/29 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 3.4 ESTRUTURA ANALÍTICA DE PROJETO (EAP) Esta é uma ferramenta que busca dividir ou decompor o projeto, produto ou entrega, de acordo com uma divisão lógica de sua estrutura, atividades ou resultados. Scheidmandel et al. (2012, p. 39) comentam sobre a EAP que, “em seu nível mais baixo, permite estabelecer e provisionar os custos e o tempo, contribuindo, assim, para o gerenciamento do escopo do projeto”. Detalhes sobre o EAP serão fornecidos em um tema específico adiante. Figura 15 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.5 Fonte: Adaptado de PMI, 2017, p. 71. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/29 3.5 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A VALIDAÇÃO DO ESCOPO Este é o processo no qual estabelecemos um aceite oficial do cliente sobre os resultados do projeto. O seu objetivo principal é garantir a aceitação por parte do cliente por meio de um crítico acompanhamento e verificação dos requisitos necessários do produto ou entrega. Temos aqui, que tirar proveito da ocasião para analisarmos o desempenho e a qualidade da equipe, fornecedores e métodos que podem nos auxiliar aos próximos projetos. Figura 16 – Entradas, ferramentas e saídas do processo 5.6 Fonte: com base em PMI, 2017, p. 71. 3.6 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTROLE DO ESCOPO Para Scheidmandel et al. (2012, p. 41), esse controle supervisiona os avanços em relação à linha de base, preservando essa linha. Carvalho Junior (2012, p. 246) comenta sobre o controle de escopo que: “uma vez devidamente controlado pelos indicadores produzidos, integrados a um planejamento estratégico organizacional maior, é possível corrigir eventuais desvios de curso sem grandes impactos nefastos nas atividades”. Creio que devamos entender que controle não significa rigidez ou inflexibilidade. O gerenciamento deve antes de tudo ser estratégico, para que possibilite termos o controle sobre o planejado e ao mesmo tempo podermos atender às necessidades das partes interessadas do projeto. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/29 Se entendermos que solicitações de mudanças são oportunidades de negócios, temos o dever de repensar em como apresentar seu projeto, seu produto, seu serviço ou sua entrega. TEMA 4 – FERRAMENTA – ESTRUTURA ANALÍTICA DE PROJETO A principal técnica para elaboração do EAP é a decomposição, deste modo, devemos primeiro entender como fazer a decomposição. Conforme o PMI (2017, p. 158), a decomposição é uma ferramenta ou uma técnica que nos permite realizar divisões e subdivisões de um projeto ou entrega. Deste modo, as estimativas relativas aos recursos de custo e tempo tornam-se mais precisos e gerenciáveis. Scheidmandel et al. (2018, p. 39) explicam que a decomposição detalha o projeto em partes com o uso de softwares, organogramas, gráficos etc.: “o organograma, tabela ou árvore de decomposição divide e subdivide o produto para entregar suas partes menores até os elementos indivisíveis e, assim, gerenciar o escopo do projeto”. Para realizarmos a decomposição, devemos entender analiticamente o projeto ou produto em questão. Normalmente, uma parte desse produto representa um grupo de atividades ou representa outros agrupamentos que talvez possam ser decompostos novamente em outras atividades que possam ser mensuradas e controladas de forma eficiente. Vamos utilizar como exemplo uma bicicleta com marchas, com o objetivo de descobrir o custo de seus componentes e de sua montagem. Podemos decompô-la em alguns grupos como: estrutura, rodas, freios, marchas, pedais, assento e acessórios. Muitas dessas partes que foram citadas formam grupos de peças e esforços para uma montagem. Em muitos casos, esses agrupamentos são chamados de sistemas, como por exemplo, sistema de freios e sistema de marchas. Nesses casos, poderemos dar continuidade na decomposição para que possamos identificar com maior precisão os custos e esforços de montagem desses sistemas. Porém, vale lembrar que cada projeto possui restrições próprias e cabe ao gerente de projetos, junto com a equipe, identificar o nível de precisão exigido em determinado ponto do projeto. O nível de detalhamento vai estar diretamente relacionado com a complexidade do projeto. Viana Vargas (2018, p. 1841-1843) comenta que um alto nível de detalhamento do escopo deve 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/29 possuir uma complexidade alta também. “É importante trabalhar com um escopo que garanta o produto, ou serviço, do projeto, sem ser demasiadamente detalhado, para que seu gerenciamento não se torne excessivamente complexo”. 4.1 ESTRUTURA ANALÍTICA DE PROJETO – EAP A EAP é a estrutura lógica resultante da decomposição, formando pacotes de trabalho. Segundo o PMI (2017, p. 161), “a EAP representa todos os produtos e trabalhos do projeto, inclusive o trabalho de gerenciamento do projeto. Todo o trabalho nos níveis mais baixos deve ser associado aos níveis mais altos, para que nada seja omitido e nenhum trabalho extra seja executado”. 4.2 EXEMPLOS DE EAP No exemplo da Figura 17, podemos observar que a EAP apresenta a estrutura do desenvolvimento de um software em função das etapas de desenvolvimento. As atividades estão descritas em alto nível e lógica de estruturação para esse exemplo se baseia no fluxo de esforços para o desenvolvimento. Na primeira coluna, podemos notar que estão sendo consideradas todas as atividades relativas ao gerenciamento do projeto. Segundo o PMI (2017, p. 160), esse tipo de estrutura também pode atender às metodologias ágeis em que os épicos devem ser decompostos em estórias e tarefas. Figura 17 – Exemplo Básico de uma Decomposição Fonte: Adaptado de PMI, 2017, p. 160. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 26/29 4.3 DICIONÁRIO EAP Como a EAP será uma estrutura para o planejamento de outras áreas de conhecimento, como custos e comunicação, todas as codificações e informações que nela constam devem ser bem identificadas. A função do dicionário da EAP é justamente fazer a identificação de cada elemento. Para o PMI (2017, p. 162), o dicionário da EAP “é um documento que fornece informações detalhadas sobre entregas, atividades e agendamento de cada componente da EAP”. TEMA 5 – FERRAMENTAS TÉCNICAS 5.1 REUNIÕES Uma reunião é um encontro reservado ou à parte, para cumprir um ou mais objetivos. A reunião pode ou não fazer parte de um processo ou um fluxo de trabalho. Dois elementos são fundamentais em uma reunião, pessoas e comunicação, porém, dentro de um ambiente de negócios, existem outros aspectos importantes para que a reunião seja realizada com sucesso: Ter objetivo (s); Ter um facilitador;Ter uma agenda; Ter um resultado. O papel do facilitador é o do gerenciamento e planejamento desta reunião, e em grande parte delas, o maior interessado. O PMI (2017, p. 386) destaca os passos para um planejamento de reuniões: Preparo e distribuição da pauta, incluído objetivos; Controle de início e término, conforme planejado; Certificar-se que os “convidados-chave” comparecerão; Ser o guia dos debates para não fugir do tema; Gerenciar as expectativas, conflitos e outros problemas da reunião; Registrar por meio de plano de ação todas as decisões. 5.2 BRAINSTORMING 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 27/29 O Brainstorming é uma técnica de coleta de dados, dentro de uma reunião. Sendo uma reunião, esta deve seguir o planejamento já discutido no item anterior. O que difere é a metodologia aplicada para a coleta de dados. É fundamental que os participantes sejam totalmente francos para darem suas opiniões. Neste quesito, Kezner (2009, p. 419) sugere até mesmo que nenhuma autoridade formal esteja na reunião, para que não ocorra algum tipo de intimidação sobre os participantes. O facilitador deve abordar o assunto que normalmente é a busca de uma solução ou a causa de um problema. Em seguida, os participantes devem escrever em um pequeno papel sua opinião sobre o exposto. As respostas devem estar descritas em uma palavra ou um termo. Todos os papeis recolhidos devem ser dispostos em uma mesa ou, preferencialmente em um quadro, de modo aleatório. A seguir, os participantes devem buscar realizar um agrupamento das ideias para se chegar a uma causa ou solução do problema. A metodologia pode variar conforme o facilitador ou o grupo ache melhor, o importante é envolver a todos na atividade e na solução. Nenhuma opinião deve ser criticada ou deixada de lado. O método e os resultados devem ser devidamente registrados e com plano de ação. Sugere-se que o tempo deixado para as opiniões nos papeis seja entre 5 a 10 minutos e a reunião toda não passe de 60 minutos. 5.3 OPINIÃO ESPECIALIZADA Como o nome da ferramenta já diz, ela serve para obtermos uma opinião ou um conhecimento de um especialista, em determinado assunto. Para isso, devemos buscar as pessoas que detêm o conhecimento ou experiência com o assunto em questão. Muitas vezes, torna-se necessário a busca em uma consultoria externa para assuntos muito específicos e que são sensíveis ao projeto. Essa opinião pode ser efetivada por meio de reunião, videoconferência, entrevista, mensagem, ou até mesmo um simples telefonema. O PMI (2017, p. 79) define como “uma opinião fornecida baseada em expertise numa área de aplicação, área de Conhecimento, disciplina, setor econômico, etc. adequada para a atividade que está sendo realizada.”. Com base nessas informações, devemos perceber que a opinião especializada pode ser utilizada em todas as fases do projeto e por todas as áreas de conhecimento. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 28/29 FINALIZANDO Pudemos mostrar, nesta aula, como primeiro tema, os princípios de divisão por fases e ciclo de vida de um projeto. Apresentamos o padrão de divisão por fases, que é mais reconhecido pelo mercado, e consideramos a adaptação de novas metodologias, de entregas iterativas. Ainda no primeiro tema, mostramos a correlação entre fases e áreas de conhecimento nos projetos, conforme o PMI. No segundo tema, conhecemos os processos básicos da área de conhecimento da Integração e pudemos comentar sobre a importância desses processos para se manter o alinhamento estratégico da organização com os objetivos do projeto. No terceiro tema, exploramos a área de conhecimento da gestão do escopo do projeto. Comentamos sobre a importância de se estabelecer um bom escopo, fazer a leitura adequada das necessidades das partes interessadas e definir os critérios para o aceite do projeto ou da entrega. No quarto tema, explicamos sobre a elaboração de uma EAP como uma das técnicas mais utilizadas para se definir e estimar atividades e recursos de um projeto. E finalizamos com o quinto tema, no qual abordamos as técnicas de resolução de problemas e coletas de dados mais conhecidas e usuais. Faça uma boa leitura deste material e aguardamos você no próximo encontro. Bons estudos! REFERÊNCIAS CARVALHO JUNIOR, M. R. de. Gestão de projetos: da academia à sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. KERZNER, H. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 10. ed. New Jersey – USA: John Wiley & Sons, 2009. PAES, L. A. B. A Utilização da Metodologia PMBOK no gerenciamento de Projetos: Uma proposta das novas práticas da 5ª Edição Revista Eletrônica de Graduação do UNIVEM [REGRAD]. Marília-SP, 2014, n. 1, p. 170-191. PEDROSA, N.; FEITOSA, D.; DAI, C. P. M.; DA SILVA, L. F. Relevância Dos Soft Skills Em Gerenciamento De Projetos Globais. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 18, n. 3, p. 245-260, set./dez. 2018. 01/05/2023, 16:46 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 29/29 PMI. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®), Portuguese. 5. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2013. _____. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®), Portuguese. 6. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2017. PM NETWORK, The Professional Magazine of the Project Management Institute (PMI®). Imagination, Chicago, v. 33, n. 11, Nov. 2019. RAMOS JUNIOR, M. A. C.; DA SILVA, M.; CASTRO JUNIOR, J. de L. P. A Abordagem do Conflito pelo Guia PMBOK® e Suas Implicações na formação Profissional do Gerente de Projetos Brasileiro. Iberoamerican Journal of Project Management (IJoPM), v.10, n.1, A.E.C., p. 1-29, 2019. VIANA VARGAS, R. Gerenciamento de Projetos – Estabelecendo Diferenciais Competitivos. 9. ed. Brasport, 2018. 1 Prof. Marcos Antonio Nunes Gestão de Projetos Aula 3 Conversa Inicial Vamos tratar de duas das principais restrições em projetos, cronograma e custos, além de explorarmos as ferramentas dessas áreas, conforme os tópicos a seguir Grupo de processo do cronograma Grupo de processo dos custos Ferramentas de cronograma Método do caminho crítico Ferramentas de estimativas Temas a serem desenvolvidos Gerenciamento do cronograma Plano de gerenciamento (saída) Estabelece políticas e procedimentos Documentos (parâmetros) Elaborar Executar Controlar Corrigir Comunicar Cronograma x planejamento: planejar o gerenciamento do cronograma Linha-base do escopo (EAP) (entrada) Decomposição Define atributos Recursos Pré-requisitos Dependência de outras atividades Sequenciamento Cronograma x planejamento: definir atividades 1 2 3 4 5 6 2 Definição da sequência lógica de atividades Verificar procedências Simplificar Montar diagrama Atualizar documentos Cronograma x planejamento: sequenciar as atividades Processo progressivo Depende da qualidade e disponibilidade de dados Fatores que influenciam (GUIA PMBOK® 2017) Lei dos esforços decrescentes Número de recursos x tempo Tecnologia x produtividade Nível de motivação Cronograma x planejamento: estimar a duração das atividades O que o cronograma nos fornece A sequência lógica de atividades As dependências entre atividades Análise de compressão Otimização de recursos Atividades de atenção (críticas) Datas (marcos, entregas, fim) Cronograma x planejamento: desenvolver o cronograma Acompanhamento do desempenho Datas de início e conclusão Utilização de recursos Compressão (antecipação e paralelismo) Fluxo financeiro Caminho crítico Atualização Cronograma x monitoramento: controlar o cronograma Processos de custos Objetivo da área: garantir que o projeto seja executado dentro do orçamento Gerenciamento (define procedimentos) Orçamentos Controles e monitoramentos financeiros Custos x planejamento: planejar o gerenciamento dos custos 7 8 9 10 11 12 3 Critérios de medida FinanciamentosRelatórios Importante: “cada parte interessada tem uma visão” Ligado às atividades (EAP é entrada) (escopo x tempo x recursos) Custos de suporte Custos de operação/manutenção Cenário local: inflação/dólar/taxas Análise de riscos Provisões/contingências Custos x planejamento: estimar os custos Linha-base GUIA PMBOK® (2017) Composição de custos de todo o projeto Contingência de atividades individuais Contingência do pacote de trabalho Reserva gerencial “Aprovações” Custos x planejamento: determinar o orçamento Custos x planejamento: determinar o orçamento Orçamento do projeto ($$$) Reserva gerencial Linha-base dos custos/contas de controle ($$) Reserva de contingência Estimativa de custo do pacote de trabalho ($) Reserva de contingência das atividades Estimativa de custo das atividades Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 255. Acompanhar Fluxo de gastos Desempenho Riscos e ocorrências Gerenciar mudanças Gerar relatório de desempenho Atualizar a linha-base Custos x monitoramento: controlar os custos Ferramentas do cronograma 13 14 15 16 17 18 4 Utilizado em ciclos de vida adaptativos; iterativos e incrementais (ágeis) Planejamento inicial: iterações Planejado em curto prazo com entrega Em cada entrega tem um retorno do cliente Cada entrega tem um ciclo de planejamento e execução monitorado Ondas sucessivas Sistema Kanban Contém lista de atividades Quadro de controle com etapas Sistema de puxamento Trabalho limitado e equilibrado Desenvolvimento de produto ou operações Cronograma sob demanda A fazer Atividade Atividade Fazendo Atividade Atividade Acabado Atividade Atividade Cronogramas de relacionamentos Atividades e atributos (prazos estimados) Relacionamentos de atividades TI – término início II – início início TT – término término IT – início término Método do diagrama de procedência Relacionamento término para início Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 190. Relacionamento término para término Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 190. Relacionamento início para início Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 190. 19 20 21 22 23 24 5 Relacionamento início para término Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 190. Obrigatórias ou arbitrárias Externas ou internas Atributos de dependência Defasagem: tempo de espera entre o fim de uma atividade predecessora e o início uma atividade sucessora Defasagem e adiantamentos Fonte: Elaborado por Nunes com base em Viana Vargas, 2018, 6080. Adiantamento: tempo relativo ao adiantamento do início de uma atividade sucessora em relação ao término de uma atividade predecessora Fonte: Elaborado por Nunes com base em Viana Vargas, 2018, 6092. Método do caminho crítico Representação gráfica de atividades Mostra a ordem lógica Mostra relações de precedências Representa tudo ou detalhes Mostra tempos Diagrama de redes 25 26 27 28 29 30 6 Mostra atividades sobre as setas. Os nós representam os pontos de ligação Diagrama de redes – tipo AOA Fonte: Elaborado por Nunes com base em Viana Vargas, 2018, 6116. Mostra atividades nos nós. As setas representam as dependências Diagrama de redes – tipo AON Fonte: Elaborado pelo autor. Definir o prazo do projeto Estabelecer o caminho crítico (folga 0) Indica atividades críticas ao prazo Fornece informações para flexibilizar a gestão de recursos Método do caminho crítico Fonte: Elaborado por Nunes com base em GUIA PMBOK®, 2017, p. 211. Ferramentas de estimativas Duração ou custo Base de históricos de projetos Parâmetros similares Baixo nível de precisão Método rápido Informações de alto nível Estimativa análoga 31 32 33 34 35 36 7 Custo ou duração Utiliza dados consolidados; produtividade, mercados, fornecedores etc. Bom nível de exatidão Uso de ferramentas estatísticas Estimativa paramétrica Considera riscos e incertezas Estabelece três expectativas Tempo Otimista – tO Tempo Pessimista – tP Tempo Mais provável (recursos) – tM Tempo Esperado (calculado) – tE Utiliza duas formas de cálculo Distribuição triangular Fórmula PERT Estimativa de três pontos Distribuição triangular Distribuição PERT 𝒕𝑬 𝒕𝑷 𝒕𝑴 𝒕𝑶 3 𝒕𝑬 𝒕𝑷 𝟒𝒕𝑴 𝒕𝑶 6 Custo ou duração Utiliza dados das atividades (EAP) Método mais demorado De alta precisão Utilizada quando outras alternativas não conseguem bom nível de precisão Estimativa bottom up 37 38 39 40 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/28 GESTÃO DE PROJETOS AULA 3 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/28 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos iniciar com um dos principais assuntos sobre projetos, que é a gestão de cronograma. Em seguida, abordaremos outra importante restrição para os projetos, os custos. Iremos explanar sobre todos os processos básicos que envolvem esses dois primeiros temas, com grande concentração na fase do planejamento de projetos. O terceiro tema a ser apresentado é sobre ferramentas utilizadas nos processos de cronograma e que são fundamentais para planejamento e estruturação de qualquer empreendimento. No quarto tema, seguiremos apresentando outras ferramentas muito utilizadas para o sequenciamento e dimensionamento do cronograma que é o método do caminho crítico. E finalizaremos esta aula mostrando algumas técnicas e ferramentas utilizadas nas estimativas de custos e de prazos das atividades. Esperamos que tire um bom proveito deste material. Bons estudos! TEMA 1 – PROCESSOS DA GESTÃO DO CRONOGRAMA Esta área aborda o gerenciamento do tempo dentro do projeto, conforme inclusive era chamado no PMI (2013). Tempo é uma das três principais restrições do projeto e tem grande influência na medida de desempenho na sua execução. Viana Vargas (2018, p. 1331-1332) conceitua o gerenciamento do cronograma como: “área que engloba os processos necessários para assegurar a conclusão do projeto no prazo previsto”. O autor também afirma que esta é uma das áreas mais visíveis do projeto. Para o PMI (2017, p. 175), o cronograma estabelece um plano de quando e como o produto, serviço ou resultado será entregue. Além disso, o cronograma pode funcionar como ferramenta de comunicação com as partes interessadas, servindo de base para avaliação de desempenho. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/28 Podemos dizer, então, que o cronograma trata do prazo estimado em uma linha de tempo, em que todas as atividades necessárias para a conclusão do projeto devem ser desenvolvidas neste período de tempo. Se considerarmos outros ciclos de vida como iterativo e incremental, também haverá a necessidade de planejarmos o cronograma por todo o projeto, porém, com diferentes formas metodológicas de estimativa e sequenciamento. 1.1 PROCESSOS DO GERENCIAMENTO DO CRONOGRAMA Gerenciar um cronograma, então, nos remete a reconhecer as atividades a serem desenvolvidas, estimar o tempo de cada atividade e colocá-las numa sequência lógica. Na figura a seguir, temos a sequência de processos adotada pelo padrão do PMI, e que pode ser utilizada para a grande maioria dos projetos. Como podemos verificar, no planejamento, há um sequenciamento lógico de definir, estimar e sequenciar as atividades, antes de desenvolver o cronograma propriamente dito. Essa sequência de processos torna-se necessária, pois, na montagem do cronograma, devemos ter todas as informações disponíveis sobre cada atividade. Existem inúmeras ferramentas e métodos para o sequenciamento e estruturação do cronograma. Mais adiante explanaremos detalhes das mais usuais. Figura 1 – Processos do gerenciamento do cronograma 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/28 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25.1.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DO CRONOGRAMA Figura 2 – Processo 6.1. Planejar o gerenciamento do cronograma Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. Conforme mostra a Figura 2, este processo visa elaborar um plano de gerenciamento do cronograma, ou seja, ele deve estabelecer os parâmetros para elaborar, controlar, corrigir e 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/28 comunicar as informações do cronograma. Para Viana Vargas (2018, p. 2180-2205), o Plano de Gerenciamento do Cronograma é um documento que deve dar apoio à gestão do projeto. Ele ainda relaciona vários elementos importantes que devem estar presentes, dentre eles podemos destacar: descritivo dos processos, priorização de mudanças de prazos, sistema de mudanças de prazos, frequência de avaliação de prazos, alocação financeira para o gerenciamento do cronograma, o responsável pelo plano, frequência de atualização do plano, registro de alterações e aprovações. 1.3 DEFINIR AS ATIVIDADES Figura 3 – Processo 6.2. Definir as atividades Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. A esta altura do projeto, as atividades específicas normalmente não estão bem definidas. Devemos utilizar as entregas ou produtos definidos no escopo para, a partir daí, nos utilizarmos de ferramentas de decomposição ou divisão de tarefas para chegarmos às atividades controladas. De acordo com Scheidmandel et al. (2018, p. 50), devemos fazer uso de atividades macro para com uso de ferramentas chegar às atividades a serem realizadas. Scheidmandel et al. (2018, p. 50) ainda comentam que o resultado deste processo é a lista de atividades com suas características e 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/28 requisitos, e a lista de marcos que “sintetizando, organiza as datas importantes, isto é, os acontecimentos relevantes para o projeto”. 1.4 SEQUENCIAR AS ATIVIDADES Figura 4 – Processo 6.3. Sequenciar as atividades Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. A atividade de sequenciamento representa a ordenação de atividades de acordo com um fluxo lógico de trabalho, para chegarmos aos objetivos do projeto. Para o PMI (2017, p. 186), o sequenciamento de atividades “é o processo de identificação e documentação dos relacionamentos entre as atividades do projeto”, e seu grande benefício é estabelecer a sequência lógica do trabalho, com eficiência, frente às restrições impostas. De acordo com a Figura 4, observamos algumas ferramentas que auxiliam na ordenação das atividades. A mais conhecida é o método do diagrama de procedência (MDP). Essas ferramentas terão uma abordagem especial nos temas adiante. A saída deste processo é um diagrama em rede que contempla todas atividades, ordenadas de acordo com uma lógica do fluxo de trabalho, levando em conta características como dependência e paralelismo das atividades. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/28 1.5 ESTIMAR AS DURAÇÕES DAS ATIVIDADES Figura 5 – Processo 6.4. Estimar as durações das atividades Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. Conforme Scheidmandel et al. (2012, p. 53), “as atividades não podem ser apenas executadas, ou seja, elas não devem ser feitas de forma a não se ter noção de quando devem terminar”. Os autores também destacam como benefício da estimativa das atividades a melhora do planejamento e a assertividade na distribuição dos recursos. Para o PMI (2017, p. 196), a estimativa é um processo progressivo em que a qualidade do valor será maior de acordo com a quantidade de informações que são conhecidas no decorrer do projeto. Esse processo torna-se fundamental para nós, pois temos que visualizar que a maior parte dos recursos serão definidos com base no tempo estimado nesta fase. Deste modo, o tempo fica atrelado à disponibilidade de recursos, porém existem limites onde esta relação é verdadeira. Outro fator importante que devemos considerar é que, na grande maioria dos projetos, não temos disponíveis informações exatas sobre todas as atividades, em sua fase inicial. Lembrem-se que uma das principais características dos projetos é que são únicos, deste modo, gastar esforço em excesso para aumentar a exatidão no início do projeto pode ser perda de tempo. Faz parte dos atributos do gerente de projetos saber ponderar com sua equipe sobre esses esforços de estimativa. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/28 1.6 DESENVOLVER O CRONOGRAMA Figura 6 – Processo 6.5. Desenvolver o cronograma Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. De acordo com o PMI (2017, p. 205), neste processo se deve analisar a sequência e os atributos das atividades para então se elaborar o cronograma executivo do projeto. Ele deve ser elaborado ao longo do projeto e seu principal benefício é estabelecer datas para as conclusões das atividades. A Figura 6 mostra todas a entradas, ferramentas e saídas deste processo, em que estabelecemos um cronograma para o projeto. Dentre as ferramentas, podemos destacar algumas como: analise de redes, método do caminho crítico e antecipação e espera. Essas ferramentas nos permitem, além de conhecer a provável data de entrega, fornecer informações estratégicas para gerenciamento de recursos entre as atividades. Cabe mais uma vez ao gerente de projeto e sua equipe conhecer a rede de atividades, assim como todos os atributos para dar flexibilidade aos processos e garantir a otimização de recursos. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/28 1.7 CONTROLAR O CRONOGRAMA Figura 7 – Processo 6.6. Controlar o cronograma Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 174. Scheidmandel et al. (2012, p. 57) afirmam que neste processo tudo o que está sendo executado é comparado com o planejado e, “durante esse acompanhamento, realizam-se análises sobre o andamento do projeto de modo que, ao ocorrerem desvios, dependendo de seus impactos para o cronograma, definem-se ações para reparar e também coibir a sua ocorrência”. Podemos observar, na Figura 7, que este processo utiliza muitas ferramentas do processo anterior. A razão para isso é que, ao estarmos realizando um controle das atividades, certamente devemos nos deparar com situações adversas como: baixo desempenho, falta de recursos, atrasos de materiais, e problemas diversos que podem ou não fazer parte do caminho crítico (sem folga de tempo). Desta forma, tais ferramentas irão também nos ajudar a reavaliar o cronograma, fazendo ajustes de prioridades, antecipações, empréstimos de recursos e outras soluções, visando preservar a data acordada para a entrega do produto ou serviço. TEMA 2 – GERENCIAMENTO DOS CUSTOS 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/28 Viana Vargas (2018, p. 2223-2229) comenta que “o gerenciamento dos custos tem como objetivo garantir que o capital disponível será suficiente para obter todos os recursos para se realizarem os trabalhos do projeto”. Viana Vargas ainda nos chama atenção para o fato de que, na gestão de custos envolvendo produtos ou serviços de interesse comercial, os resultados dessas vendas podem recompensar financeiramente a empresa e devem ser um fator a ser considerado na concepção do projeto. Scheidmandel et al. (2012, p. 60) argumentam que “o gerenciamento dos custos tem o propósito de englobar todas as atividades necessárias, para que se tenha o sucesso financeiro esperado ao final de qualquer projeto”. O fator financeiro talvez não seja o fator mais relevante para o bom andamento do projeto e para que ele atinja todos os objetivos. Porém, ele torna-se muito sensível na sua concepção, onde diversas análises de custos, investimentos e retorno esperado vão ser os itens de maior peso na definição e na aprovação do termo de abertura. Isso nos remete aos exemplos dos novos empreendimentos imobiliários, em que construtoras realizam pesadas ações de marketing antes da fase executiva. Pois, dependendo daaceitação (nível de vendas) ainda em planta, o projeto pode ser abortado para se mitigar as perdas com os recursos da execução do imóvel. 2.1 PROCESSOS DO GERENCIAMENTO DE CUSTOS Os processos da gestão de custos estão muito centralizados no período de planejamento, assim como os das principais restrições de projetos como o cronograma e o escopo. De acordo com a Figura 8, os custos devem ser planejados e estimados para depois ser elaborado o orçamento do projeto. Poderíamos até mesmo chamar esta área de conhecimento de gestão de orçamento. Por fim, dentro da fase de Monitoramento e Controle, devemos controlar os custos do projeto. Figura 8 – Processos do gerenciamento de custos 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/28 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 2.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DOS CUSTOS Figura 9 – Processo 7.1. Planejar o gerenciamento dos custos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 232. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/28 A Figura 9 nos mostra que o resultado esperado neste processo é a elaboração do plano de gerenciamento dos custos e que ele é produzido por meio de análises e decisões da equipe de projeto. Ele possui como documentos-base o plano de gerenciamento do projeto e o termo de abertura. Para Carvalho Junior (2012, p. 251) existe uma forte relação entre o custo e o cronograma proposto, e o uso desse documento gráfico torna-se fundamental para a definição e previsão de recursos de cada fase. Scheidmandel et al (2018, p. 61-62) listam uma série de pontos de devem ser considerados para elaborar o planejamento dos custos, como situações de risco, condições de mercado (fornecedores e matéria-prima), controles financeiros e informações comerciais. Na prática, temos que realizar o planejamento dos custos para definir um orçamento para o projeto. Esse orçamento deve caber dentro das possibilidades do caixa do financiador do projeto. Em muitas situações, o desenvolvimento do projeto sofre alterações e adaptações pelas restrições de caixa, e isso deve estar muito bem estabelecido no plano para ser monitorado, controlado e devidamente comunicado às partes interessadas. 2.3 ESTIMAR OS CUSTOS Figura 10 – Processo 7.2. Estimar os custos 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/28 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 232. Para o processo de estimativa, devemos utilizar várias técnicas para estimar o tempo. Conforme a Figura 10, devemos extrair os dados contidos no planejamento do projeto como atividades e EAP para estimar os custos, seja por atividade, grupo de atividades ou fases do projeto. Como resultado deste processo, temos que documentar as estimativas e atualizar os planos. Scheidmandel et al. (2018, p. 64) comentam que, “na estimativa de custos, devem ser considerados não apenas tópicos relacionados aos custos, mas também o que se relaciona ao gerenciamento de tempo, ou seja, os custos do tempo de produção e do tempo de trabalho”. Para o PMI (2017, p. 241), devemos considerar, além dos custos diretos das atividades e produção, os custos financeiros do mercado como inflação, variação de dólar e custos contingenciais. Carvalho Junior (2012, p. 251) comenta que “é necessário recorrer à estruturação da EAP para não apenas identificar os custos, mas previamente estabelecer a quantidade e a especificação exata necessária dos recursos físicos disponíveis”. Como podemos observar, a estimativa dos custos está diretamente ligada às atividades e ao processo produtivo. Isso nos remete aos custos diretos do projeto. No entanto, devemos observar que existem outros custos que não aparecem na estrutura do projeto, que são custos de suporte à estrutura e ao gerenciamento. Além destes, temos também custos financeiros e custos contingenciais muito ligados aos riscos conhecidos e desconhecidos. 2.4 DETERMINAR O ORÇAMENTO O orçamento trata da consolidação de todos os custos envolvidos no projeto, incluindo os valores contingenciais. A Figura 11 nos mostra que o processo de definir o orçamento necessita, além das informações do plano do projeto, de outros documentos de análise do negócio em si. Essas informações e outras técnicas irão ajudar a definir os custos de contingência. Scheidmandel et al. (2018, p. 68) entendem “que o orçamento é a etapa na qual se realiza a linha de base dos custos do projeto e tem o propósito de unir todos os custos planejados e estimados”. Para Viana Vargas (2018, p. 2366-2368), o orçamento não deve ser interpretado como um simples plano, e destaca: “ele é um mecanismo poderoso de controle. O orçamento serve como 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/28 parâmetro de comparação, uma linha de base da qual se extraem informações sobre o desempenho financeiro do projeto”. Figura 11 – Processo 7.3. Determinar o orçamento Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 232. Como saída desse processo, nós temos a Linha de Base dos Custos, que é a somatória dos custos envolvidos nas atividades de todas as fases do projeto e das reservas para contingências. O PMI (2017, p. 254) defende que as Reservas Gerenciais devem ser adicionadas à linha de base para formação do Orçamento do Projeto. Muitos profissionais da área admitem que não existe projeto que não tenha mudanças e imprevistos, por melhor que estejamos com todas as previsões de gastos inseridas no plano ou na linha de base. Tais mudanças imprevistas sempre trazem novos esforços e gastos que não foram definidos no planejamento. Quando não possuímos conhecimento na definição desses provisionamentos, é muito prudente solicitarmos ajuda para profissionais com maior experiência, ou mesmo realizarmos algumas pesquisas nas documentações de projetos similares anteriores. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/28 2.5 CONTROLAR OS CUSTOS Conforme nos mostra a Figura 12, o processo envolvendo o controle de custos exige conhecimento do plano de gerenciamento das áreas, linha de base dos custos além de informações sobre o desempenho do projeto. Com as ferramentas descritas no processo, a função de quem controla os custos é atualizar de forma sistemática todo plano de gerenciamento, e fornecer os relatórios de desempenho, conforme acordado no plano. Para o PMI (2017, p. 256), grande parte do esforço para o controle do orçamento é despendido na análise entre o que foi consumido financeiramente e o que foi realizado pelo gasto. “A chave para o controle eficaz de custos é o gerenciamento da linha de base aprovada e das mudanças na mesma”. Figura 12 – Processo 7.4. Controlar os custos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 232. De acordo com Scheidmandel et al. (2018, p. 71), “é de suma importância que o orçamento esteja sempre atualizado, deve-se ter conhecimento de todos os custos reais que foram gastos e também dos que ainda serão necessários até a última atualização da documentação”. Devemos entender que realizar o controle do orçamento é estar atento ao real desempenho do projeto, em termos de suas principais restrições (escopo, custo e cronograma). De nada adianta 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/28 entregar o projeto no prazo se ele extrapolou o orçamento, ou deu um resultado negativo. O mesmo ocorre se, no final de um projeto, tivermos capital sobrando em caixa, mas não termos conseguido atender à expectativa de prazo para o cliente. TEMA 3 – FERRAMENTAS DO CRONOGRAMA Com a velocidade das mudanças atuais, a prática dos projetos vem mudando, ou melhor, se adaptando às novas metodologias de gestão. O PMI (2017, p. 177) comenta que “o planejamento adaptativo define um plano, mas reconhece que, uma vez iniciado o trabalho, as prioridades podem mudar e o plano precisa refletir esse novo conhecimento”. 3.1 ONDAS SUCESSIVAS Para o PMI (2017, p. 177), esse tipo de planejamento realiza a elaboraçãoiterativa do cronograma, com base em ciclos de vida adaptativos. Deste modo, temos que considerar que o cronograma terá entregas iterativas e incrementais, se adaptando às solicitações de mudanças realizadas pelo cliente. Scheidmandel et al. (2018, p. 49) explicam que o planejamento em ondas sucessivas tem início com a definição de algumas atividades que são detalhadas e priorizadas para serem executadas em curto prazo. Ao mesmo tempo, outras atividades são definidas, porém sem que sejam detalhadas. Na medida que o projeto é desenvolvido, elas estarão sendo melhor definidas, detalhadas e estimadas. 3.2 CRONOGRAMA SOB DEMANDA O PMI (2017, p. 177) entende que esse tipo de abordagem é similar ao sistema Kanban, com base nas teorias das restrições. Essa abordagem busca o equilíbrio da demanda pelo fluxo produtivo no qual se constitui uma produção enxuta. Neste caso, o cronograma não é elaborado previamente, ele é realizado por meio de uma lista de atividades pendentes (chamadas Backlogs). Cronograma sob demanda é usado frequentemente para projetos que desenvolvam o produto em incrementos em ambientes de operação ou de manutenção, e nos quais as tarefas possam ser realizadas e agrupadas por tamanho e escopo. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/28 Com o uso do Kanban na indústria, foi possível implementar a produção enxuta, pois o fluxo de trabalho é puxado e tende a equilibrar as demandas de cada fase, sem que haja acúmulo ou espera de materiais ou serviços, o que constitui em perdas para as operações. 3.3 MÉTODO DO DIAGRAMA DE PROCEDÊNCIA (MDP) De acordo com o PMI (2017, p. 189), este é um método para se construir um cronograma em que as atividades são representadas por nós e interligadas por meio de um ou mais relacionamentos lógicos. O objetivo dessa ferramenta é mostrar de modo gráfico a sequência e o relacionamento entre as atividades. Viana Vargas (2018, p. 6029-6038) cita quatro principais formas de inter-relacionamento entre atividades: término para início (TI), início para início (II), término para término (TT) e início para término (IT). 3.3.1 RELACIONAMENTO TI – TÉRMINO PARA INÍCIO Nesta lógica de relacionamento, a atividade B (sucessora) não pode iniciar sem que a atividade A (predecessora) já tenha sido concluída. Como exemplo, podemos citar a instalação de uma porta sem antes terminar a instalação do seu caixilho. Outro exemplo seria a instalação de aplicativos para celular sem ter um sistema operacional instalado antes. Figura 13 – Inter-relacionamento de atividades tipo TI Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 190. 3.3.2 RELACIONAMENTO TT – TÉRMINO PARA TÉRMINO 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/28 No relacionamento TT, a atividade B (sucessora) somente poderá terminar se a atividade A (predecessora) já estiver terminada. Como exemplo, temos a remessa de um produto sem que o processo de pagamento tenha sido concluído. Figura 14 – Inter-relacionamento de atividade tipo TT Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 190. 3.3.3 RELACIONAMENTO TIPO II Conforme nos mostra a Figura 15, a atividade A (predecessora) deve iniciar para que a atividade B (sucessora) possa iniciar também. Como exemplo, temos as obras sequenciais em que uma fase vai sendo realizada quase que ao mesmo tempo que a outra. Como por exemplo as rodovias, nas quais temos a base e o asfalto sendo executados quase que juntos. Figura 15 – Inter-relacionamento de atividades tipo II Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 190. 3.3.4 RELACIONAMENTO TIPO IT Neste relacionamento, representado pela Figura 16, a atividade B (sucessora) não pode terminar sem que se tenha iniciado a atividade A (predecessora). Podemos aplicar essa lógica na substituição de processos ou produtos, como por exemplo, softwares de suporte ou atendimento a clientes. Figura 16 – Inter-relacionamento de atividades tipo IT 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/28 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 190. Em muitas situações, percebemos que pode haver mais de uma relação lógica, e isso deve ser compreendido pelos responsáveis pelo controle do cronograma. O PMI (2017, p. 190) não recomenda muitas relações com as mesmas atividades, nem os ciclos fechados. Neste caso, deve haver escolhas das relações que tenham maior impacto. 3.4 DEPENDÊNCIAS DAS ATIVIDADES O PMI® (2017, p. 191) relaciona quatro atributos de dependência, divididos em dois grupos: Obrigatórias e arbitrárias Obrigatórias: são de cunho obrigatórias como legais, normalizadas, inerentes à natureza do trabalho, acordadas etc. Arbitrárias: são as atividades escolhidas por se tratarem de melhor opção, melhor prática ou outra decisão. Por exemplo, a equipe de instalação realiza soldagens no solo antes de qualquer intervenção com máquinas. Externas ou internas Externas: quando na sequência dos processos nos deparamos com uma atividade antecessora ou sucessora externa ao projeto, que não está no controle interno da equipe de projetos. Por exemplo, a entrega do protótipo de um bastidor por um fornecedor externo. Internas: são atividades com necessidades de precedência, mas que estão sob controle interno ao projeto. Por exemplo, a montagem de uma giga de testes, por parte da equipe, para os testes de algum hardware em desenvolvimento. 3.5 DEFASAGENS E ADIANTAMENTOS 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/28 Estas são duas situações que podem ocorrer nos fluxos de trabalho entre as atividades, devido aos tipos de inter-relacionamento entre elas. 3.5.1 DEFASAGENS Para Viana Vargas (2018, p. 6075-6079), algumas atividades sucessoras necessitam passar por um período de espera após a conclusão de sua predecessora. Como exemplos, podemos citar a cura da laje de concreto, o secar de uma pintura etc. Figura 17 – Representação da defasagem entre atividades Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2018, p. 6080. 3.5.2 ADIANTAMENTOS São antecipações do início de atividades em relação às atividades predecessoras. De acordo com Viana Vargas (2018, p. 6082-6084), “seu objetivo é adiantar o cronograma do projeto, favorecendo a realização de atividades em paralelo. A técnica de reduzir a duração do projeto através dos adiantamentos é denominada paralelismo ou fast tracking”. Figura 18 – Representação do adiantamento entre atividades Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2018, p. 6092. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/28 Como exemplo de adiantamento, podemos citar as instalações elétricas e instalações de cabeamento estruturado da rede de dados. Como são instalações distintas pela proximidade das infraestruturas de dutos, é prudente fazer em períodos distintos. No entanto, em algumas situações, as equipes podem compartilhar o mesmo espaço para antecipar a entrega. TEMA 4 – MÉTODO DO CAMINHO CRÍTICO DO PROJETO 4.1 DIAGRAMA DE REDE Viana Vargas (2018, p. 6094-6095) comenta que o inter-relacionamento entre as atividades do projeto compõe um todo organizado, denominado diagrama de rede. O diagrama de rede evidencia os inter-relacionamentos entre as atividades no projeto global. O PMI (2017, p. 194) define o diagrama de rede como “uma representação gráfica das relações lógicas, também chamadas de dependências, entre as atividades do cronograma do projeto”. Na Figura 19, podemos observar um diagrama de rede contendo a identificação e a interdependência entre as atividades. Observamos que a atividade F deverá ser iniciada somente depois que as atividades C, D, e F forem concluídas. Da mesma forma, a atividade D somente terá início após o término de A e B. Figura 19 – Diagrama de rede Viana Vargas (2018, p. 6110-6120) apresenta dois tipos de diagramas de rede comumente utilizados: AOA e AON. 4.1.1 AOA – ACTIVITY ON ARROW 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/28 Este tipo de diagramade rede é mostrado na Figura 20. Nele, as setas representam as atividades e os nós (caixas) representam pontos de ligação entre atividades. Figura 20 – Diagrama de rede AOA Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2018, p. 6116. 4.1.2 AON – ACTIVITY ON NODE A Figura 19 ilustra este tipo diagrama no qual os nós (caixas) estão representando as atividades, e as setas representam as interdependências entre os processos. Nesta configuração, as caixas podem fornecer várias informações das atividades. Algumas ferramentas gráficas de elaboração e controle podem registrar vários atributos e até mesmo realizar análises de prazos para o cronograma. 4.2 MÉTODO DO CAMINHO CRÍTICO O Método do caminho crítico também é conhecido na língua inglesa como CPM (Critical Path Method). Ele possui inúmeras finalidades no universo de projetos, mas o seu principal objetivo é identificar todas as atividades críticas, e que podem afetar o cronograma. Viana Vargas (2018, p. 6246-6248) diz que “o caminho crítico é composto pela sequência de atividades com a menor folga de tempo possível (usualmente zero) e determina a duração do projeto”. Isso significa que, ocorrendo algum atraso nas atividades integrantes do caminho crítico, este também irá afetar o cronograma do projeto. Para Scheidmandel et al. (2018, p. 55), o caminho crítico “é a sequência formada pelas atividades críticas, ou seja, aquelas que apresentam o menor espaçamento de tempo e, se atrasadas, vão impactar diretamente a entrega do projeto na data acordada”. A folga entre o prazo final e o cronograma do caminho crítico é definida como a flexibilidade do projeto. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/28 4.3 INFORMAÇÕES DAS ATIVIDADES Para auxiliar na interpretação e no cálculo dos tempos e folgas das atividades, é usual a utilização de um desenho com as informações completas. A Figura 21 nos mostra como é composta a representação de uma atividade no CPM. Figura 21 – Representação da atividade do CPM no diagrama de rede Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 211. 4.4 CÁLCULO DO CAMINHO CRÍTICO Com um diagrama de rede completo com as informações das atividades, é possível visualizar o caminho crítico e também as folgas de cada atividade. O cálculo é realizado a partir do início no qual devem ser tomados todos os caminhos possíveis até chegar ao fim. Durante cada caminho, devemos somar as células com as informações dos prazos estimados de cada atividade. No exemplo da Figura 22, temos dois caminhos possíveis, ABD e ACD. O prazo para o caminho ABD ficou em 25 unidades e o ACD ficou em 30 unidade. Sendo assim, o caminho crítico passa pelas atividades A, C, e D. A folga na atividade B é de 5 unidades, justamente a diferença entre os caminhos escolhidos. Essas informações auxiliam na gestão do tempo e dos recursos, pois nos permitem manobrar recursos ociosos para melhora do desempenho de atividades críticas. Figura 22 – Exemplo diagrama de rede com o caminho crítico 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/28 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 211. TEMA 5 – FERRAMENTAS DE ESTIMATIVAS Scheidmandel et al. (2018, p. 53-54) comentam que as atividades devem ser previamente estimadas antes de serem executadas, pois se os responsáveis não conhecerem tais restrições, corre- se o risco de entregas atrasadas. Para eles, a estimativa também melhora na distribuição de recursos. Seja qual for a metodologia de abordagem ou tipo de ciclo de vida do projeto, as estimativas sempre serão necessárias. Cada abordagem segue uma linha de estimativas devido a fatores como complexidade e incertezas do produto ou serviço. Seguindo o método padrão adotado pelo PMI (2017, p. 200-202), este nos fornece quatro métodos para realizar as estimativas: estimativa análoga, estimativa paramétrica, estimativa dos três pontos e estimativa Bottom-up. 5.1 ESTIMATIVA ANÁLOGA Esta é uma técnica em que devemos nos utilizar de dados históricos de projetos anteriores e que tenham similaridade nas atividades e/ou recursos. A lógica é definirmos os valores de tempo ou custo de alguma atividade ou projeto, com base no gasto real bruto que outro projeto teve para desenvolver uma atividade similar. Normalmente, haverá necessidade de adaptar e aproximar valores devido a diferenças de cada cenário. O PMI (2017, p. 170) comenta que esta técnica é menos dispendiosa, além de consumir menos tempo, porém sua precisão é menor. “A estimativa análoga é mais confiável quando as atividades 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/28 anteriores são semelhantes de fato e não apenas aparentemente, e a equipe do projeto que prepara as estimativas possui a habilidade técnica necessária” (PMI, 2017, p. 170). 5.2 ESTIMATIVA PARAMÉTRICA Esta técnica se utiliza de ferramentas estatísticas e dados consolidados de produção para estimar os recursos de atividades e projetos. Os dados consolidados podem ser considerados como dados do mercado, valores históricos e de fornecedores. Normalmente, assumem a forma de produtividade do recurso como valor por metro quadrado, ou metro cúbico, tempo de trabalho por metro quadrado, ou metros quadros produzidos por homem x hora. Conforme o PMI (2017, p. 201), “esta técnica pode produzir altos níveis de exatidão, dependendo da sofisticação e dos dados básicos colocados no modelo”. Vamos tomar como exemplo o cálculo estimado de tempo para a pintura de 2.000 m² de um piso. Como dado, você obteve um valor histórico recente que um pintor produziu 20 m quadrado por hora desse mesmo tipo de pintura. Deste modo, o valor estimado será de 100 horas. 5.3 ESTIMATIVA DE TRÊS PONTOS Esta estimativa também é conhecida como PERT, um anagrama que representa a nomenclatura em língua inglesa Program Evaluation and Review Technique. Ela leva em consideração os parâmetros de riscos e incertezas envolvidos na atividade. Por meio de três expectativas diferentes de tempos, é realizada uma análise matemática para se estabelecer o valor estimado, conforme PMI (2017, p. 201): Tempo mais provável – tM: baseado nos valores prováveis de recursos a serem utilizados e conforme as expectativas de produção; Tempo Otimista – tO: na expectativa de melhor cenário; Tempo Pessimista – tP: na expectativa do pior cenário; Tempo Esperado – tE: tempo calculado conforme as fórmulas. Fórmula da Distribuição Triangular: Fórmula do PERT tradicional: 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 26/28 5.4 ESTIMATIVA BOTTOM-UP De acordo com o PMI (2017, p. 202), este método de estimativa é utilizado “quando a duração de uma atividade não pode ser estimada com um grau razoável de confiança”, deste modo, as atividades do EAP devem ser decompostas até atingirem um nível de detalhamento que possibilite calcular os recursos das atividades. Devemos utilizar esse método quando não conseguimos, por métodos mais rápidos, chegar a níveis aceitáveis de precisão. Isso normalmente acontece quando uma atividade é muito específica e necessita de uma tecnologia ou especialidade incomum. Por exemplo, se precisarmos especificar um sistema de ar condicionado para uma “sala limpa” de laboratório de equipamentos ópticos. Como se trata de um componente muito específico, dificilmente encontraremos históricos de um sistema similar, a não ser que seja recorrente de outro projeto. Nesta tratativa, haverá necessidade de estratificarmos e pesquisarmos sobre o item “sala limpa” e, a partir disso, buscar componentes, fornecedores e mão de obra para estimar custos e cronograma. Pelo exemplo, percebemos também que, para realizar essas análises, a equipe deve possuir um bom nível técnico, experiência ou especialização. FINALIZANDO Vimos, nesta aula, dois dos mais importantes grupos de processos para o gerenciamento de projetos. No Tema 1, expusemos os processos básicos ligados ao cronograma, e a gestão do tempo para um empreendimento. Pudemosperceber que o entendimento da estrutura do projeto, em suas atividades, é fundamental para a definição gestão do cronograma. No segundo tema, abordamos sobre a área de custos e orçamento. Nesta área, mostramos que a estruturação de atividades também é base para uma melhor gestão de custos. No Tema 3, foram apresentadas ferramentas de cronograma, técnicas de precedência de atividades. No quarto tema, demos continuidade aos estudos de ferramentas de cronograma, mostrando o método do caminho crítico. Finalizamos a aula com ferramentas de estimativas de custos e prazos. Bons estudos! REFERÊNCIAS 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 27/28 CARVALHO JUNIOR, M. R. de. Gestão de projetos: da academia à sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. KERZNER, H. Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 10. ed. New Jersey – USA: John Wiley & Sons, 2009. PAES, L. A. B. A Utilização da Metodologia PMBOK no gerenciamento de Projetos: Uma proposta das novas práticas da 5ª Edição Revista Eletrônica de Graduação do UNIVEM [REGRAD]. Marília-SP, 2014, n. 1, p. 170-191. PEDROSA, N.; FEITOSA, D.; DAI, C. P. M.; DA SILVA, L. F. Relevância Dos Soft Skills Em Gerenciamento De Projetos Globais. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 18, n. 3, p. 245-260, set./dez. 2018. PMI. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®), Portuguese. 5. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2013. _____. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®), Portuguese. 6. ed. Pensilvânia, USA: Project Management Institute, 2017. PM NETWORK, The Professional Magazine of the Project Management Institute (PMI®). Imagination, Chicago, v. 33, n. 11, Nov. 2019. RAMOS JUNIOR, M. A. C.; DA SILVA, M.; CASTRO JUNIOR, J. de L. P. A Abordagem do Conflito pelo Guia PMBOK® e Suas Implicações na formação Profissional do Gerente de Projetos Brasileiro. Iberoamerican Journal of Project Management (IJoPM), v.10, n.1, A.E.C., p. 1-29, 2019. VIANA VARGAS, R. Gerenciamento de Projetos – Estabelecendo Diferenciais Competitivos. 9. ed. Brasport, 2018. 01/05/2023, 16:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 28/28 1 Prof. Marcos Antonio Nunes Gestão de Projetos Aula 4 Conversa Inicial Esta aula nos mostra mais três áreas do gerenciamento de projetos, suas principais técnicas e ferramentas, conforme descritos a seguir Gerenciamento da qualidade Gerenciamento dos recursos Gerenciamento das comunicações Técnicas e ferramentas da área de qualidade Técnicas e ferramentas das áreas de recursos e comunicação Temas a serem desenvolvidos Gerenciamento da qualidade Ações intrínsecas às atividades desenvolvidas, visando: Atender os requisitos do projeto Não causar efeitos colaterais Melhorar continuamente Conceito de qualidade okart/Shutterstock Avalia os requisitos Estabelece procedimentos com base em padrões e normas Define as ferramentas Define os parâmetros de avaliação Qualidade versus planejamento – planejar o gerenciamento da qualidade 2 Executa o plano da qualidade Identifica os processos causadores da má qualidade Identifica os requisitos não atendidos Promove a melhoria dos processos Qualidade versus execução – gerenciar a qualidade Monitora os registros Avalia o desempenho da equipe Promove análise crítica nos processos Comunica resultados Inicia alertas Qualidade versus monitoramento e controle – controlar a qualidade Gerenciamento de recursos Recursos físicos Ambiente Materiais Equipamentos Acessórios Recursos humanos Equipe do projeto Partes interessadas Recursos – conceitos AZVector/Shutterstock Recursos físicos e humanos Estimar Adquirir Gerenciar Recursos versus planejamento – planejar o gerenciamento dos recursos EAP como entrada Estimar conforme requisitos do projeto Montar uma estrutura analítica de recursos (EAR) Tipo Quantidade Período Outras características relevantes Estimar os recursos das atividades 3 Garantir os recursos físicos e humanos para a conclusão do projeto Fatores Influência do gestor dos projetos Falta de recursos tem impacto direto nos resultados Análise de risco de escassez e plano de contingência Recursos versus execução – adquirir os recursos Motivar a equipe no desenvolvimento das atividades Desenvolvimento individual e de equipe Desenvolver novas habilidades e competências Melhorar o relacionamento interpessoal Desenvolver a equipe Acompanhamento de atividades Verificar o desempenho da equipe Fornecer um feedback para melhoria contínua Monitorar conflitos internos e com as partes interessadas Gerenciar a equipe Objetivo Designa o recurso necessário no local e no momento certo para não ocorrer atraso na atividade Realizado durante todo o projeto Monitoramento de riscos Recursos versus monitorar e controlar – controlar os recursos Gerenciamento das comunicações Arte de transmitir e receber Pensamentos Sentimentos Valores Comunicação efetiva Informação desejada Momento certo Maneira viável Comunicações Alice-vector/Shutterstock 4 Informações relevantes às partes interessadas Desenvolver um plano de gerenciamento Meio ou canal Tipo de informação Frequência Ferramenta ou método Alocação de recursos Comunicação versus planejamento – planejar o gerenciamento das comunicações Coloca em prática todo o plano Base de informações Relatórios de desempenho Sistema de informações gerenciais Reuniões Geração de relatórios e distribuição Atualização de informações e mudanças Comunicação versus execução – gerenciar as comunicações Verificar se a estratégia de comunicação está sendo efetiva junto às partes interessadas Receber e analisar o feedback para promover melhorias Monitorar: Ferramentas de comunicação e armazenamento Efetividade de filtros e segurança da informação Comunicação versus monitoramento e controle – monitorar as comunicações Técnicas e ferramentas da qualidade Defeito zero O cliente como elemento do processo Faça certo da primeira vez Promova a melhoria contínua Qualidade: dimensões Prevenção Erros longe do processo Controle e monitoramento do processo Promover melhorias Inspeção Erros longe do cliente Inspecionar tudo no final do processo Custos elevados da não qualidade Conceitos 5 CUSTO DE CONFORMIDADE CUSTO DE NÃO CONFORMIDADE Planejamento Refugos Treinamentos Retrabalho Controle de processos Reparos na garantia Testes Ações corretivas Auditorias de qualidade Atrasos Inspeções Perda de negócio Manutenção Qualidade: custos da qualidade Fonte: Elaborado por Nunes com base no Viana Vargas, 2018, p. 2.580 Diagrama de afinidade Fonte: Nunes, 2021 Elemento Elemento Elemento Elemento Elemento Elemento Elemento Elemento Elemento GRUPO AZUL GRUPO VERDE GRUPO AMARELO Diagrama de causa e efeito Fonte: Elaborado por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 294 Máquina ou equipamento Método ou processo Mão de obra ou pessoas A qualidade do produto não corresponde aos requisitos Gerenciamento Material Meio ambiente Baixa manutenção Tecnologia ultrapassada Pesquisa insuficiente Método inadequado Treinamento Fadiga Baixo compromisso com a qualidade Baixa qualidade Atraso na chegada Condição ruim de trabalhar Fa se 1 Fa se 3 Fa se 1 Fluxograma Fonte: Nunes, 2021 Recebimento Conferência Montagem Execução Testes Verificação Entrega Aceite Fa se 1 Início Fim Histograma Fonte: Nunes, 2021 0 – 10 11 – 20 21 – 30 31 – 40 41 – 50 51 – 60 Idade dos frequentadores Diagramas matriciais Fonte: Nunes, 2021 It em 1 It em 2 It em 3 It em 4 It em 5 It em 6 Variável A Variável B Variável C Variável D Variável E Variável F 6 Diagrama de dispersão Fonte: Elaborado por Nunes com base no Kerzner, 2009, p. 901 y x a) Correlação positiva c) Correlação curvilínea b) Correlação negativa d) Sem correlação y x y x y x Gráficos decontrole Fonte: Nunes, 2021 Limite máximo superior Limite de controle superior Limite de controle inferior Limite máximo inferior 𝑿 Técnicas e ferramentas – recursos e comunicação Organograma RACI Pessoa Atividade Ana Bene Carlos Dina Edu Criar termos de abertura A R I I I Coletar requisitos I A R C C Enviar solicitação de mudança I A R R C Desenvolver plano de teste A C I I R R = Responsável pela execução; A = Responsável; C = Aquele que é consultado; I = Aquele que é informado Recursos: matriz de responsabilidade Fonte: Elaborada por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 317 Retirar/evitar Suavizar/acomodar Ceder/conciliar Forçar/direcionar Colaborar/resolver Técnicas de gerenciamento de conflitos Handman Studio/Shutterstock Interna/externa Formal/informal Vertical/horizontal Oficial/não oficial Escrita/oral/verbal/outras Comunicação: dimensões 7 Modelo Fonte: Elaborada por Nunes com base no Cleland; Kerzner, apud Kerzner, 2009, p. 235 Fonte Codificador Mensagem Decodificador Recepção Retorno Barreira da emissão Barreira da recepção Meio ou canal Número de canais Fonte: Nunes, 2021 𝑵 𝑿 𝑿 𝟏 𝟐 X = 3 N = 3 X = 4 N = 6 X = 5 N = 10 X = 6 N = 15 X = 7 N = 21 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/34 GESTÃO DE PROJETOS AULA 4 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/34 CONVERSA INICIAL Olá, pessoal! Nesta aula, abordaremos os processos básicos de três áreas do conhecimento. Iniciaremos com a área de qualidade, com o estudo de diferentes modos e métodos de tratar o assunto. No segundo tema, vamos trabalhar com os processos da área de recursos, abordando recursos humanos e físicos. No terceiro, vamos falar sobre os processos da área de comunicação. Veremos por que esta área tem grande influência em todo o projeto. No quarto tema, trataremos de técnicas e ferramentas utilizadas na área da qualidade. No quinto tema, veremos as técnicas e ferramentas mais utilizadas para as áreas de recursos e comunicação. Vamos explorar alguns conceitos importantes dessas duas áreas para um melhor entendimento das ferramentas. Bons estudos! TEMA 1 – PROCESSOS DA GESTÃO DA QUALIDADE Vamos abordar, neste primeiro tema, os processos que fazem parte da área da gestão da qualidade de projetos. Como podemos observar na Figura 1, os processos da qualidade estão divididos, considerando as fases de planejamento, execução e monitoramento e controle. Kerzner (2009, p. 875) comenta que a qualidade não é facilmente definida pelas empresas, pois quem a define é o cliente. Viana Vargas (2018, p. 1336-1337) define a gestão da qualidade como “área que engloba os processos requeridos para assegurar que os produtos ou serviços do projeto estarão em conformidade com o solicitado pelo cliente ou contratante.” Scheidmandel et al. (2018 p. 77) comentam que a realização de planejamento não garante a qualidade do empreendimento. Porém, planejar aumenta as chances de que todos os requisitos do 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/34 projeto sejam atendidos com a qualidade esperada pelo cliente. “A qualidade se refere não apenas ao produto desenvolvido: envolve também os processos executados, o fluxo de trabalho, a produção, a satisfação do cliente, uma maior concorrência e um diferencial no mercado” (Scheidmandel et al., 2018, p. 77). Figura 1 – Processos do gerenciamento da qualidade Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. Desse modo, podemos entender que a qualidade busca garantir, em essência, que os requisitos do projeto (produto ou serviço) sejam atingidos. 1.1 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DA QUALIDADE A Figura 2 nos mostra o processo básico do planejamento do gerenciamento da qualidade, com entradas, ferramentas e saídas. Como saída principal desse processo, temos o documento, conhecido como Plano de Gerenciamento da Qualidade, que deve conter todos os requisitos e parâmetros necessários para se avaliar e validar entregas, produtos ou serviços ao cliente. Ele tambem deve descrever as metodologias a serem adotadas na avaliação dos requisitos. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/34 Scheidmandel et al. (2018, p. 79) comentam que esse processo identifica os padrões mais importantes de qualidade do projeto, além de determinar a melhor forma de alcançá-los. Conforme o PMI (2017, p. 277), o processo fornece todas as orientações para o gerenciamento da qualidade do projeto durante todas as suas fases. Figura 2 – Processo 8.1: planejar o gerenciamento da qualidade Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 277. 1.2 GERENCIAR A QUALIDADE A Figura 3 nos mostra os principais componentes do processo de gerência da qualidade, que deve colocar em prática todo o plano, com métodos e ferramentas já estabelecidos. Conforme o PMI (2017, p. 288), esse processo elenca as ações necessárias para a qualidade do projeto. Por meio dele, também são identificados processos sem eficácia, que podem causar má qualidade. “Gerenciar a Qualidade inclui todas as atividades de garantia da qualidade e também se refere aos aspectos de design do produto e melhorias de processos” (PMI, 2017, p. 288). Scheidmandel et al. (2018 p. 79) afirmam que a garantia da qualidade representa todo o processo de avaliação de requisitos de resultados em relação à qualidade, incluindo uso de padrões, além de medidas e operações apropriadas. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/34 Figura 3 – Processo 8.2: gerenciar a qualidade Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 288. Temos que entender que esse processo implica executar e medir o plano estabelecido, garantindo que os requisitos do produto apresentam parâmetros e atributos estabelecidos, para que sejam aprovados pelo cliente. 1.3 CONTROLAR A QUALIDADE Para Scheidmandel et al. (2018 p. 79), este “é o processo de monitoramento e registro dos resultados, para avaliar o desempenho de acordo com os padrões relevantes de qualidade e sugerir mudanças necessárias para desempenho insatisfatório”. Conforme comenta o PMI (2017 p. 298), esse processo implica registrar e monitorar a execução de atividades, além de intervir no processo, para garantir que as expectativas do cliente sejam alcançadas. Esse processo faz parte do grupo de monitoramento e controle, cujo objetivo é promover o controle da qualidade que está sendo desenvolvida no projeto, emitindo comunicados de alerta sobre não conformidades. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/34 Devemos sempre trabalhar de forma que a qualidade seja incorporada ao processo produtivo, evitando que se torne apenas um controle de qualidade ao final do projeto, o que geraria enormes inconvenientes, como atrasos e retrabalhos. Em ciclos de vida iterativos, o controle deve ser realizado em todas as entregas. Ao final de cada ciclo, é fundamental realizar uma análise crítica do processo que passou pela promoção de melhorias. Figura 4 – Processo 8.3. controlar a qualidade Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 298. TEMA 2 – GERENCIAMENTO DOS RECURSOS Esse processo passou a ser chamado somente de recursos na última edição do Guia PMBOK. Abrange não somente os recursos humanos, mas também os físicos, como materiais e equipamentos. Apesar de estarem dentro de mesma área de conhecimento, os esforços para a gestão de elementos físicos e humanos são distintos. Conforme a Figura 5, os esforços desse grupo se concentram em planejamento, execução e controle e monitoramento. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/34 Viana Vargas (2018, p. 2810-2814) comenta que a preocupação dos empreendimentos estava centrada principalmente na área técnica de projetos; por essa razão, a área foi altamente desenvolvida no passado. Quanto aos recursos humanos,somente agora estão sendo foco de estudos da área. “O sucesso ou o fracasso do projeto dependem diretamente do gerenciamento dos recursos humanos” (Viana Vargas, 2018, p. 2810-2814). 2.1 PROCESSOS DO GERENCIAMENTO DE RECURSOS A Figura 5 nos mostra todos os processos envolvidos no gerenciamento de recursos. Observamos uma concentração de processos durante a execução dos projetos, o que se justifica pela maior demanda por recursos no período. Figura 5 – Processos de gerenciamento de recursos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 2.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DOS RECURSOS O PMI (2017 p. 312) define esse processo como “estimar, adquirir, gerenciar e utilizar recursos físicos e de equipe”. Além disso, o processo é responsável por definir o tipo de abordagem e o esforço para gerir os recursos do projeto. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/34 Segundo Viana Vargas (2018, p. 2810-2820), são necessários vários níveis de recursos humanos no decorrer do projeto. Existem, ainda, outras variáveis importantes, como natureza do projeto e maturidade da organização. Os recursos representam a segurança do empreendimento, a garantia de execução e de entrega. Isso vale tanto para os recursos físicos como para os humanos. Os recursos físicos, como máquinas, ferramentas e equipamentos, recebem um tratamento mais objetivo quanto à escassez, pois podem ser trocados, alterados, atualizados, alugados, comprados, terceirizados etc. Afinal, não apresentam vida própria, sentimentos ou necessidades. Assim, a gestão desse tipo de recurso parte de uma abordagem técnica e objetiva. Quando o recurso a ser gerenciado é o humano, muitos outros fatores devem ser considerados, como governança, políticas, regimentos, leis, contratações etc. Vamos pensar em um recurso que deverá participar em determinado projeto, em fase intermediária. Porém, trata-se de um empréstimo de um departamento funcional, cujo gestor recentemente teve uma forte discussão com o gestor do projeto em uma reunião. Logicamente, espera-se que a ética e o bom senso estejam acima de qualquer ressentimento, porém há um certo risco no contexto, que deve ser avaliado, considerando- se a importância do recurso para o projeto. Figura 6 – Processo 9.1: planejar o gerenciamento dos recursos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/34 2.3 ESTIMAR OS RECURSOS DAS ATIVIDADES Este processo trata de realizar as estimativas de recursos de todas as atividades, com base na EAP. Se observarmos a estrutura do processo, conforme a Figura 7, podemos perceber que há o uso das ferramentas de estimativa, já estudadas nas aulas anteriores. Após os cálculos das estimativas de cada atividade, é criada uma Estrutura Analítica de Recursos, em que são descritas informações pertinentes à quantidade, ao modo e ao tempo dos recursos. Para o PMI (2017, p. 320), o principal objetivo do processo de estimativas é “identificar o tipo, a quantidade e as características dos recursos exigidos para concluir o projeto.” Figura 7 – Processo 9.2: estimar os recursos das atividades Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. 2.4 ADQUIRIR OS RECURSOS Este processo objetiva garantir todos os recursos físicos e humanos necessários para a conclusão e a entrega do projeto. Conforme podemos observar na Figura 8, o processo tem, como saídas, as designações de recursos físicos e humanos, as anotações do cronograma de recursos e as atualizações dos planos e registros 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/34 O PMI (2017, p. 329-30) define que o processo de aquisição pode ser executado internamente ou externamente ao projeto, citando alguns fatores importantes a serem considerados: A negociação realizada pelo gerente de projetos, influenciando pessoas que podem fornecer os recursos necessários. A falta de recursos tem impacto direto nos resultados (cronograma, orçamento e satisfação do cliente) do projeto. A análise do risco de falta de recursos deve ser registrada no planejamento do projeto. Um plano de contingência (financeiro) para suprir algum recurso emergencial tambem deve ser previsto no orçamento. Figura 8 – Processo 9.3: adquirir recursos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. 2.5 DESENVOLVER A EQUIPE Scheidmandel et al. (2018, p. 105) afirmam que o desenvolvimento da equipe envolve a realização de ações para estimular todos os participantes da execução do projeto, com desenvolvimento individual e do grupo. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/34 Para o PMI (2017 p. 336), este processo é “de melhoria de competências, da interação da equipe e do ambiente geral da equipe para aprimorar o desempenho do projeto”. O desenvolvimento da equipe acontece ao longo do projeto, e tem como principal benefício o aperfeiçoamento de várias habilidades e competências profissionais e interpessoais. O gerente de projeto é o elemento mais importante do processo, com maior influência no resultado da equipe. Seu papel é estimular e integrar a equipe para garantir o melhor desempenho possível, objetivando concluir o projeto e atender todas as expectativas acordadas. Figura 9 – Processo 9.4: desenvolver a equipe Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. 2.6 GERENCIAR A EQUIPE De acordo com o PMI (2017, p. 345), esse processo trata de realizar um acompanhamento nas atividades da equipe, verificar o desempenho, assim como fornecer feedback, visando uma melhoria contínua nos trabalhos. Durante o desenvolvimento do empreendimento, podem surgir conflitos e problemas de relacionamento dentro da equipe, ou mesmo entre a equipe e partes interessadas do projeto. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/34 Entendemos que o papel do gerente de projeto é desempenhar mediação, garantindo apoio e suporte para a resolução de conflitos internos. Ele deve agir como intermediador nos conflitos entre a equipe e o mundo externo ao projeto. Para que o gerente de projetos esteja sempre informado de sua equipe, de modo que possa realizar um acompanhamento efetivo, é importante que a comunicação também seja efetiva. Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 108), é “fundamental que o gerente de projetos esteja alinhado com o setor de comunicação, pois esse setor que vai ‘alimentá-lo’ com as informações necessárias para a tomada de decisões”. Figura 10 – Processo 9.5: gerenciar a equipe Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. 2.7 CONTROLAR OS RECURSOS Este processo trata do acompanhamento da disponibilidade dos recursos físicos necessários para a execução de todas as atividades do projeto. Para o PMI (2017 p. 353), o controle dos recursos físicos, como máquinas, ferramentas e instalações, deve ser realizado durante todo o projeto. Os recursos “devem ser designados e 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/34 liberados na hora certa, no lugar certo e na quantidade certa para que o projeto continue sem atrasos”. Dessa forma, podemos perceber que o processo de controle de recursos cuida para que toda infraestrutura necessária ao projeto esteja à disposição quando houver necessidade. Assim, é importante que tudo aquilo que possa causar falta de recurso seja monitorado. O risco de falta de um equipamento, em virtude de quebra ou defeito, deve ser constantemente monitorado e avaliado. Figura 11 – Processo 9.6: desenvolver a equipe Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 308. TEMA 3 – GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES DO PROJETO Para Scheidmandel et al. (2018 p. 110), a "comunicação é a arte de transmitir aquilo que pensamos, uma forma de expressar nossos sentimentos e mostrar quem somos”. Os autores comentam ainda que essa ferramenta é essencial para tudo o que fazemos, e que os resultados e objetivos que buscamos estão relacionados com a sua ou má utilização. VianaVargas (2018, p. 2882-2885) aponta que é necessário contar com um processo efetivo de comunicação, para “garantir que todas as informações desejadas cheguem às pessoas corretas no tempo certo e de uma maneira economicamente viável”. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/34 A importância da comunicação dentro de uma organização tem início nas suas ações estratégicas, e no modo como tais informações são devidamente selecionadas e encaminhadas. Tais informações muitas vezes ajudam a direcionar e a estabelecer critérios para o desenvolvimento de novos projetos e negócios. Carvalho Junior (2012, p. 67) aponta que “é fundamental que haja comunicação entre a alta administração e todos os indivíduos envolvidos naquele ambiente organizacional”, e que há necessidade de informar amplamente as diretrizes estratégicas (missão, visão, valores e políticas) da empresa aos envolvidos no projeto. 3.1 PROCESSOS DO GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES Conforme podemos observar na Figura 12, o PMI estabelece três processos básicos para realizar o gerenciamento das comunicações em um projeto: planejar, gerenciar e controlar. Tais processos estão relacionados com três fases, respectivamente: planejamento, execução e monitoramento. É importante salientar que, apesar das fases estarem bem definidas e divididas na figura, tais atividades podem e devem estar presentes em todo o projeto, pois a comunicação é onipresente em toda e qualquer atividade. Figura 12 – Processos do gerenciamento das comunicações 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/34 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 3.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DAS COMUNICAÇÕES O PMI (2017, p. 359) descreve este processo da seguinte forma: “desenvolver uma abordagem e um plano adequado para atividades de comunicação do projeto com base nas necessidades de informação de cada parte interessada ou grupo, nos ativos organizacionais disponíveis e nas necessidades do projeto”. Scheidmandel et al. (2018, p. 112) apontam que a comunicação deve ser planejada, para que tenhamos êxito nas informações, nos requisitos e nas documentações do projeto. Desse modo, poderemos alcançar todos os envolvidos de forma clara. Como resultado desse processo, temos o plano de gerenciamento das comunicações, que engloba informações relevantes sobre a organização e o projeto, definindo a forma, os meios e as pessoas envolvidas. Viana Vargas (2018, p. 3028-3057) explica que “o Plano de Gerenciamento das Comunicações descreve os procedimentos que serão utilizados para gerenciar todo o processo de comunicação no projeto”, relacionando ainda uma série de elementos que devem estar presentes no documento: descritivo do processo, cronograma de eventos, alocação financeira, e estrutura. Figura 13 – Processos do gerenciamento das comunicações 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/34 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 360. 3.3 GERENCIAR AS COMUNICAÇÕES Scheidmandel et al. (2018, p. 117) apontam que o gerenciamento “coloca em prática e administra tudo aquilo que é estabelecido no plano de gerenciamento das comunicações”. Para isso, são usados relatórios de desempenho, métodos, tecnologias e sistemas de informações. Segundo o PMI (2017, p. 359), gerenciar as comunicações “é o processo de assegurar a coleta, criação, distribuição, armazenamento, recuperação, gerenciamento, monitoramento e disposição final e adequada das informações do projeto”. Esse processo proporciona um fluxo de informações eficiente e eficaz entre a equipe do projeto e as partes interessadas. Os projetos funcionam essencialmente devido aos esforços das pessoas e ao fluxo de informações sobre o projeto. Desse modo, o objetivo do gerenciamento é garantir que as informações fluam como foi definido no plano. O responsável pela gerência deve analisar dados de desempenho, gerar e distribuir as informações relevantes sobre o projeto, além promover as atualizações e mudanças que sejam necessárias. Figura 14 – Processo 10.2: gerenciar as comunicações 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/34 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 360. 3.4 MONITORAR AS COMUNICAÇÕES De acordo com o PMI (2017, p. 389), o monitoramento define se as atividades e os artefatos planejados realmente tiveram seu efeito, com relação às partes interessadas. A verificação desse item pode ser feita em conjunto com as partes interessadas, por meio de pesquisa de satisfação, lições aprendidas e outros meios. “Questões ou principais indicadores de desempenho, riscos ou conflitos podem acionar uma revisão imediata” PMI (2017, p. 389). Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 119), é essencial, para obter dados de desempenho, “analisar se as formas de comunicação estabelecidas estão sendo efetivas e se estão chegando na forma correta para as partes envolvidas”. Apesar de a comunicação nos parecer um processo um pouco secundário em comparação aos processos que envolvem as principais restrições, este é um item muito associado aos riscos dos projetos. Muitos desastres, acidentes e danos estão ligados a (ou se originam de) uma falha na comunicação. Na área de energia elétrica, por exemplo, trata-se certamente de uma fonte de casos reais. Apesar de haver equipamentos, ferramentas e metodologias sobre cuidados com a religação de sistemas, ou com a reenergização de linhas, qualquer mal-entendido pode se transformar em tragédia. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/34 Outro ponto importante para a área de comunicação atual é o armazenamento de informações. Devido a novas tecnologias e sistemas de informações gerenciais em uso, muitas ou todas as informações sobre os projetos permanecem guardadas em um banco dados, local ou em nuvem. Independentemente do local e da forma de armazenagem, quando necessário, tais informações devem ser acessíveis a qualquer tempo. Além disso, não devem ser alteradas, desordenadas ou danificadas. Figura 15 – Processo 10.3: monitorar as comunicações Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 360. TEMA 4 – TÉCNICAS E FERRAMENTAS DA QUALIDADE 4.1 CONCEITOS 4.1.1 DIMENSÕES DA QUALIDADE Para Viana Vargas (2018, p. 2538-2550), a qualidade pode ser representada por várias dimensões, dentre as quais: Defeito zero: o objetivo é criar um ambiente sem falhas e sem tolerância para erros. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/34 O cliente é o próximo elemento no processo: este conceito realça a ideia de que o cliente ainda faz parte da cadeia produtiva, mas nenhum problema deve ser passado para ele. Faça correto da primeira vez: nesta dimensão, qualquer esforço de retrabalho ou correção é considerado custo adicional desnecessário, não devendo ser tolerado. Melhoria contínua: este conceito aborda a qualidade em passos contínuos para a melhoria de processos, produtos e serviços. 4.1.2 PREVENÇÃO E INSPEÇÃO O PMI (2017, p. 274) estabelece diferenciais interessantes sobre a prevenção e a inspeção: Prevenção: manter erros longe do processo Inspeção: manter erros longe de cliente Na prática, há uma grande diferença entre as duas abordagens, pois a prevenção busca implementar a qualidade no processo produtivo, ou durante todo o ciclo de vida do projeto, enquanto o conceito de inspeção aborda a qualidade como um controle do final do processo, ou seja, anterior à entrega ao cliente. A prevenção é uma abordagem mais adequada, por conta do aspecto de custo, pois há menos retrabalho e menos correções no processo. Também há disseminação dos conceitos de qualidade por todo o processo, para uma quantidade maior de pessoas. 4.1.3 NÍVEIS DE GERENCIAMENTO DA QUALIDADE Conforme o PMI, (2017, p. 275), existem cinco níveis de gestão da qualidade: Deixar que o cliente encontre os defeitos: maior custo por retrabalhos, mais reprocesso, mais reclamações, causando perdade reputação. Detectar antes de entregar ao cliente: apresenta maior custo de retrabalhos, mais reprocesso, além de custos internos mais altos. Usar a garantia da qualidade: corrige processos e defeitos não usuais. Incorpora a qualidade no produto ou projeto: setores de suporte, ou de fora do processo produtivo, podem não absorver os conceitos da qualidade. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/34 Criar uma cultura organizacional comprometida com a qualidade: toda a organização recebe treinamento para compreender os fundamentos da qualidade. 4.2 CUSTO DA QUALIDADE Para Viana Vargas (2018, p. 2551-2552), o custo da qualidade é definido como “o investimento total para atingir a qualidade desejada do produto ou serviço”. Faz parte desse custo o trabalho para se produzir o produto ou o serviço que está em conformidade, além do custo de não conformidade. A Tabela 1 nos apresenta alguns exemplos de custos de conformidade e não conformidade. Tabela 1 – Custos da qualidade Custo de Conformidade Custo de Não Conformidade Planejamento Refugos Treinamentos Retrabalho Controle de Processos Reparos na Garantia Testes Ações Corretivas Auditorias de Qualidade Atrasos Inspeções Perda de negócio Manutenção Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2018, p. 2551-2580. 4.3 FERRAMENTAS DA QUALIDADE Para Scheidmandel et al. (2018, p. 87), o uso de certas ferramentas é essencial para a análise dos fatos, auxiliando também nas tomadas de decisão. Os autores ainda comentam que tais ferramentas podem auxiliar na identificação de problemas e na análise de processos. Kerzner (2009, p. 893) aborda sete ferramentas estatísticas de controle de qualidade, que podem auxiliar principalmente nas tomadas de decisão das organizações. O autor comenta ainda que o uso dessas ferramentas promoveu mudanças em relação às decisões autocráticas usuais. Afinal, decisões 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/34 baseadas em fatos quantificáveis trazem benefícios na comunicação, nas discussões, nas ações e nos processos de mudança. O PMI (2017, p. 293) apresenta tais ferramentas como técnicas de representação de dados. Porém, em outras partes do documento, tais ferramentas se apresentam com outras funções. As ferramentas da qualidade podem ser consideradas como ferramentas estatísticas, pois manipulam dados de forma a mostrar tendências, evidenciar fatos e demonstrar relações. 4.3.1 DIAGRAMA DE AFINIDADE Scheidmandel et al. (2018, p. 87) comentam que essa ferramenta auxilia no agrupamento de ideias e opiniões, conforme a afinidade de cada um. Os autores recomendam o uso dessa ferramenta para problemas com alto nível de complexidade. O PMI® (2017, p. 144 e 293) aponta que tais diagramas podem agrupar uma grande quantidade de elementos, com vistas a mostrar áreas que devem ser focadas ou priorizadas. A Figura 16 mostra um exemplo de diagrama de afinidade, com elementos (opiniões, ideias, sugestões) que são agrupados conforme alguma afinidade. Figura 16 – Exemplo de diagrama de afinidade 4.3.2 Diagrama de causa e efeito O PMI® (2017, p. 144 e 293) descreve que tais diagramas “também são conhecidos como diagramas de espinha de peixe, diagramas por que por que, ou diagramas de Ishikawa”. Esta 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/34 ferramenta busca desdobrar as causas do problema, ajudando a identificar a causa-raiz ou o problema principal. Kerzner (2009, p. 895) comenta que, entre os passos para desenvolver essa técnica, está a realização de brainstorming com a equipe interdisciplinar que conhece o processo tecnicamente. A Figura 17 nos mostra um exemplo de diagrama de causa e efeito, contendo uma linha principal (seta) direcionada ao problema. A seta principal se divide em vários ramos, chamados de categorias. As categorias normalmente são grupos de elementos que influenciam um processo. Muitos profissionais chamam tais categorias de 5 Ms, aspectos normalmente analisados nesta ferramenta: máquina, mão de obra, método, material, meio ambiente. Porém, cada problema exige uma análise diferenciada, de modo que podemos adicionar ou mudar as categoriais. Figura 17 – Exemplo de diagrama de causa e efeito Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 294. 4.3.3 FLUXOGRAMAS O PMI (2017, p. 294) aponta que tais ferramentas também são chamadas de mapas de processos, pois trazem uma sequência de processos que possibilita a representação de ramificações, entradas, decisões, retorno ou repetição de ramificação. Quando os fluxogramas são utilizados para mostrar as etapas de processo, “podem ser usados para melhoria de processos, bem como para identificar onde defeitos da qualidade podem ocorrer ou onde inserir verificações da qualidade” (PMI, 2017, p. 284). O fluxograma é uma ferramenta simples de se usar, apresentando uma infinidade de aplicações – pode representar a movimentação de objetos, pessoas, trabalho, produtos, dados etc. de forma 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/34 sequencial, lógica e de fácil entendimento. Na Figura 18, observamos o exemplo da aplicação do fluxograma dentro de um processo produtivo. Neste caso, cada símbolo representa uma atividade, e a sequência lógica estabelece o fluxo de produção de forma inteligível. Outros atributos podem compor o fluxograma gerando informações mais completas sobre as atividades e o processo como um todo. Figura 18 – Exemplo de fluxograma aplicado a um processo 4.3.4 HISTOGRAMAS Kerzner (2009, p. 897) define que o histograma representa uma distribuição de frequência dos dados. Ele mostra uma situação dos dados acumulados em determinado instante no tempo. O PMI (2017, p. 238) explica que “histogramas são gráficos de barras usados para descrever a tendência central, o grau de dispersão e o formato de uma distribuição estatística”. O histograma desconsidera a influência do tempo na variação existente na distribuição dos dados. Figura 19 – Exemplo de histograma 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/34 O histograma é uma ferramenta essencialmente estatística, pois mostra o comportamento de determinados dados por um período de tempo. A distribuição normal, também conhecida pela forma de um sino, descreve o comportamento esperado para qualquer variável. Assim, qualquer variável que gere dados com frequência deve tender ao mesmo comportamento de uma curva normal. 4.3.5 DIAGRAMAS MATRICIAIS Scheidmandel et al. (2018, p. 89) definem os diagramas matriciais como “representações gráficas das relações existentes entre diferentes tipos de fatores e a intensidade dessas relações em termos qualitativos”. Para os autores, trata-se de uma ferramenta indispensável para a organização do processo e para tomadas de decisão com vistas à melhoria da qualidade. O PMI (2017, p. 284) comenta que diagramas matriciais auxiliam na identificação “da força dos relacionamentos entre diferentes fatores, causas e objetivos que existem entre as linhas e colunas que formam a matriz”. Na Figura 20, há o exemplo de um diagrama matricial: as colunas representam os itens em teste, enquanto as linhas representam as variáveis. Os símbolos coloridos podem representar o efeito de cada variável sobre os itens. A combinação de formas e cores confere uma diversidade de relações, podendo facilitar o entendimento de um processo. Figura 20 – Exemplo de diagramas matriciais 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/34 4.3.6 DIAGRAMAS DE DISPERSÃO O PMI (2017, p. 238) define que os diagramas de dispersão também são chamados de gráficos de correlação, pois “pretendem explicar uma mudança na variável dependente, Y, em relação a uma mudança observada na variável independente correspondente, X”. Dependendo da correlação existente, uma linha de regressão pode ser estabelecida, e a partir daí a variável dependente poderá ser estimada paraqualquer mudança da variável independente. Kerzner (2009, p. 901) nos mostra quatro exemplos de diagramas de dispersão, conforme a Figura 21. Observamos, no diagrama A, que os pontos apresentam uma correlação positiva, que pode se aproximar de uma reta, representada pela linha tracejada. No diagrama B, os pontos apresentam uma correlação negativa, de modo que a reta apresenta a tendência de diminuir o valor de Y, se aumentamos o valor de X. No diagrama C, os pontos se concentram, apresentando correlação curvilínea, que também pode ser aproximada por uma equação curvilínea. No diagrama D, os pontos estão muito dispersos, sem haver qualquer tendência, e por conta disso ele não pode ser equacionado. Figura 21 – Exemplos de diagramas de dispersão 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 26/34 Fonte: Elaborado com base em Kerzner, 2009, p. 901. 4.3.7 FOLHAS OU LISTAS DE VERIFICAÇÃO Scheidmandel et al. (2018, p. 82) definem folhas de verificação como “uma lista de itens pré- estabelecidos que serão marcados a partir do momento que forem realizados ou avaliados”. São utilizadas para controle de atividades ou itens que já foram cumpridos. O PMI (2017 p.302) comenta que “as folhas de verificação também são conhecidas como folhas de resultados, e são usadas para organizar os fatos de uma maneira que facilite a coleta eficaz de dados úteis sobre um possível problema de qualidade”. Explica ainda que são muito úteis nas inspeções e na identificação de problemas e defeitos, incluindo outros atributos, como a frequência das ocorrências. Tais ferramentas são muito úteis para coleta de dados e controle. As listas de verificação também são conhecidas com lista de checagem ou checklist. Sua utilização é bem conhecida por pilotos comerciais. Como parte do procedimento operacional, é preciso verificar as condições de vários itens de uma aeronave, antes de se solicitar a autorização de decolagem. A folha de verificação busca coletar dados mais completos sobre uma atividade ou processo. Nela, são descritas informações importantes sobre o nível de qualidade, buscando às vezes identificar um problema crônico no processo. Em muitos casos, os registros das folhas passam a ser analisados estatisticamente, para verificação e acompanhamento da qualidade. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 27/34 4.3.8 GRÁFICOS DE CONTROLE Para o PMI (2017, p. 304), tais gráficos “são usados para determinar se um processo é estável ou não, ou se tem um desempenho previsível”. Eles apresentam limites inferior e superior, indicando valores máximos permitidos. Existem ainda os limites de controle, que estabelecem valores para indicar a capacidade natural, de modo a garantir a estabilidade do processo. Na Figura 22, mostramos um exemplo de gráfico de controle, em que a linha central representa o valor médio a ser seguido pelo processo. As linhas em laranja são os limites para controle do processo. As variações nas medidas, representadas pelos pontos pretos, por estarem dentro dos limites, são aceitas como dentro do controle. As linhas vermelhas representam valores limites que o processo não pode ultrapassar – caso isso ocorra, o processo deve ser parado para avaliação do problema. Figura 22 – Exemplos de gráfico de controle TEMA 5 – TÉCNICAS E FERRAMENTAS DE RECURSOS E COMUNICAÇÃO 5.1 FERRAMENTAS DE RECURSOS 5.1.1 MATRIZ DE RESPONSABILIDADE Segundo o PMI (2017, p. 317), essa matriz nos mostra como os recursos estão alocados em relação a cada parte ou pacote do projeto. Um exemplo desse tipo de matriz é a tabela Raci (Tabela 2). Ela designa a responsabilidade e a forma de comunicação de atividades. A divisão é realizada pela atribuição das letras R, A, C, I (R= execução, A=aprovação, C=consultado, e I=informado). 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 28/34 Tabela 2 – Exemplo de matriz Raci Organograma RACI Pessoa Atividade Ana Bene Carlos Dina Edu Criar Termos de Abertura A R I I I Coletar Requisitos I A R C C Enviar solicitação de mudança I A R R C Desenvolver plano de teste A C I I R R = Responsável pela execução - A = Responsável C = Aquele que é consultado - I = Aquele que é informado Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 317. 5.1.2 SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS (SIGP) São softwares especializados, ou não, para trabalhar com projetos. Há tabelas simples, preparadas e formatadas para projetos, e também grandes, estruturadas como bancos de dados e plataformas que podem auxiliar toda a equipe na manipulação de dados e informações. Atualmente, as plataformas podem ser acessadas via internet, o que possibilita comunicação e integração entre equipes distribuídas. A maioria das plataformas especializadas fornecem ferramentas de cronograma, EAP, relatório e até análises estatísticas. É fundamental que seja implantado um eficiente sistema de informações, não apenas destinado a arquivar dados, mas também para divulgar esses dados aos interessados e envolvidos no projeto. 5.1.3 TOMADA DE DECISÃO Adquirir recursos humanos nem sempre é uma tarefa fácil. Assim, muitas vezes o sucesso do projeto fica na dependência de boas escolhas na hora da contratação. Como são muitas informações a serem analisadas em um processo de aquisição, é importante conhecer a técnica de tomada de decisão. O PMI (2017, p. 119) aborda três técnicas nesse processo: Votação: define-se o critério de escolha: se maioria, unanimidade ou outros. Decisão autocrática: aqui, um membro tem responsabilidade de decisão. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 29/34 Análise com critérios múltiplos: nesta análise, vários itens são colocados em uma lista ou uma matriz, para serem avaliadas segundo uma nota ou um nível de importância. 5.1.4 HABILIDADE INTERPESSOAIS E DE EQUIPE O PMI (2017, p. 341) relaciona algumas habilidades interpessoais que são relevantes no processo de gerenciamento de recursos humanos. 5.1.4.1 INFLUÊNCIA PMI (2017, p. 350) cita como habilidades de influência: persuasão, articulação, escuta ativa, visão de várias perspectivas, manter confiança nas relações. 5.1.4.2 MOTIVAÇÃO “É fornecer um motivo para alguém agir” (PMI, 2017, p. 341). 5.1.4.3 INTELIGÊNCIA EMOCIONAL “É a capacidade para identificar, avaliar e gerenciar suas próprias emoções e as de outras pessoas, assim como as emoções coletivas de grupos de pessoas” (PMI, 2017, p. 341). 5.1.4.4 CONSTRUÇÃO DE EQUIPES O PMI (2017, p. 341) define que “construção de equipes é realizar atividades que aprimorem as relações sociais na equipe, e desenvolvam um ambiente de trabalho colaborativo e cooperativo.” É fundamental entender que gerenciar pessoas exige atenção e dedicação. O PMI (2017, p. 341) comenta que o objetivo principal da construção de equipe é criar uma equipe coesa e unida para cumprir tarefas. Mudanças são inevitáveis e esperadas, e assim o gestor deve estar atento a qualquer desgaste que possa desmotivar ou prejudicar as atividades. Desenvolver atividades informais pode ajudar na construção de um bom relacionamento no trabalho. 5.1.4.5 GERENCIAMENTO DE CONFLITOS 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 30/34 Scheidmandel et al. (2018, p. 109) descrevem a estratégia de se colocar “panos quentes” como resolução de conflitos, com o objetivo de reduzir as diferenças que geram o desgaste e conscientizar os envolvidos de que a união do grupo é mais importante do que os conflitos individuais. Porém, os autores ressaltam que esse método não resolve os problemas com efetividade – apenas posterga o problema. Segundo o PMI (2017, p. 348), conflitos são inevitáveis, porém algumas ações de planejamento das comunicações, com uma definição clara dos papéis de cada um, podem reduzir o nível de conflito durante o projeto. “O êxito dos gerentes de projetos no gerenciamento das suas equipes de projetos geralmente depende de suas capacidadespara solucionar conflitos” (PMI, 2017, p. 348). O PMI (2017, p. 349) cita cinco técnicas de resolução de conflitos: Retirar/evitar: se retirar por um tempo da questão, até que se esteja mais preparado. Suavizar/acomodar: enfatizar as áreas de acordo e não as diferenças, buscando manter a harmonia nos relacionamentos. Ceder/conciliar: buscar, temporariamente, a satisfação das partes. Forçar/direcionar: solução ganha, por conta da posição privilegiada de uma das partes. Colaborar/resolver: solução ganha-ganha, que exige diálogo, cooperação e comprometimento das partes. 5.2 FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO 5.2.1 DIMENSÕES DA COMUNICAÇÃO Segundo o PMI (2017, p. 287), estas são as dimensões normalmente consideradas em relação ao projeto: Interna e externa; Formal e informal; Vertical e horizontal; Oficial e não oficial; Escrita, oral, verbal, e não verbal (do corpo). 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 31/34 5.2.2 MÉTODOS DE COMUNICAÇÃO: CLASSIFICAÇÃO Existem vários métodos de comunicação para o compartilhamento de informações com as partes interessadas. Tais métodos podem ser agrupados em três classes (PMI, 2017 p. 374): Interativa: quando as pessoas interagem (por exemplo: reunião telefonema, mensagem instantânea, videoconferência etc.), a informação é compartilhada entre participantes. Ativa: quando a informação deve ser compartilhada a uma pessoa ou público específico, por exemplo: carta, ofício, memorando, relatório, e-mail, fax, correio de voz, blog, comunicado de imprensa. Passiva: quando o público e o volume são grandes, mas não muito específico, por exemplo: site, e-learning, repositório de conhecimentos, armazenamento na nuvem. 5.2.3 MODELO DE COMUNICAÇÃO Kerzner (2009, p. 235) nos apresenta um modelo completo de comunicação, conforme mostramos na Figura 23. Nele, podemos identificar os principais elementos de um processo de comunicação: Emissor: é o responsável por gerar as informações, devendo aguardar por uma confirmação de recebimento. Receptor: é responsável por interpretar a informação e confirmar o seu entendimento. Codificador: é o responsável por transformar a informação em códigos ou símbolos, em um formato que possibilite transmissão, pelo meio, até o receptor. Decodificador: é o responsável por transformar os códigos ou símbolos recebidos em informação, de modo a encaminhá-las ao receptor. Barreiras: de acordo com Kerzner (2009, p. 234) as barreiras existem tanto do ponto de vista do emissor quanto do receptor. Elas englobam a percepção de cada parte, com base em atributos como: personalidade, cultura, interesses, atitudes, emoções e preconceitos. Meio ou canal: simboliza o ambiente em que a mensagem codificada é transmitida. O PMI (2017, p. 292) destaca que “a transmissão dessa mensagem pode ser comprometida por vários fatores (por exemplo, distância, tecnologia desconhecida, infraestrutura inadequada, diferença cultural e falta de informações prévias)”. Explica ainda que a somatória desses fatores é conhecida como ruído do canal. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 32/34 Retorno: é a mensagem que deve ser enviada pelo receptor ao emissor, com posterior confirmação do recebimento e entendimento da mensagem. Logicamente, a mensagem de retorno irá passar pelo mesmo processo de codificação e decodificação. Normalmente, a mensagem de retorno traz uma cópia da mensagem que foi recebida pelo receptor. Figura 23 – Modelo do processo de comunicação Fonte: Elaborado com base em Cleland; Kerzner, 1986, p. 46, citados por Kerzner, 2009, p. 235. 5.2.4 NÚMERO DE CANAIS Este quesito define o número de canais de um projeto, tendo como base o número de componentes da equipe e as partes interessadas que interagem com o a equipe. De acordo como o Kerzner (2009, p. 233), o número de canais N pode ser calculado pela seguinte fórmula: X representa o número de pessoas que se comunicam no projeto. Por exemplo, se temos 5 pessoas em comunicação com a equipe, teremos: = 10 Dessa forma, quando temos 5 pessoas com a possibilidade de se comunicarem entre si, de modo que é preciso gerenciar 10 canais de comunicação. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 33/34 FINALIZANDO Nesta aula, apresentamos os processos básicos de três áreas de conhecimento, com suas principais ferramentas. No primeiro tema, abordamos os processos da qualidade, com a importância de inserir a qualidade em toda cadeia de produção ou ao longo de todo ciclo de vida. No segundo tema, mostramos os processos da área de recursos, tanto humanos quanto físicos. Buscamos mostrar os diferentes tratamentos necessários para diferentes tipos de recursos. No terceiro tema, evidenciamos os processos de comunicação e sua importância para integrar a equipe com as partes interessadas no projeto. No quarto tema, estudamos as principais ferramentas usadas para a gestão da qualidade. Apresentamos e ilustramos várias técnicas para aquisição, análise e apresentação de dados. Finalizando a aula, no quinto tema reunimos várias ferramenta e técnicas das áreas de recursos e comunicação. Bons estudos! REFERÊNCIAS CARVALHO JUNIOR, M. R. de. Gestão de projetos: da academia à sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. KERZNER, H. Project management: a system approach to planning, scheduling, and controlling. 10, ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2009. PMI – Project Management Institute. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos: Guia PMBOK. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017. SCHEIDMANDEL, N. A. et al. Gestão de projetos na engenharia de produção: uma visão acadêmica. Passo Fundo: Editora UPF, 2018. VIANA VARGAS, R. Gerenciamento de Projetos. 9 ed. São Paulo: Brasport, 2018. 01/05/2023, 16:48 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 34/34 1 Prof. Marcos Antonio Nunes Gestão de Projetos Aula 5 Conversa Inicial Nesta aula apresentaremos os últimos tópicos das áreas de conhecimento, conforme descritos a seguir Gerenciamento de riscos Gerenciamento das aquisições Gerenciamento das partes interessadas Técnicas e ferramentas da área de riscos Técnicas e ferramentas das áreas de aquisição e partes interessadas Temas a serem desenvolvidos Gerenciamento de riscos Dimensões Consequência; positivo ou negativo Probabilidade de ocorrência Conceito de riscos R = Consequência x Probabilidade Define o Plano de Gerenciamento dos Riscos (saída) Descrição do processo, do fluxo e das pessoas envolvidas Procedimentos e documentos relevantes EAR – Estrutura Analítica dos Riscos Monitoramento e controle – alertas Respostas e planos de contingência Plano financeiro Riscos versus planejamento – planejar o gerenciamento dos riscos 2 Análise de oportunidades e ameaças Mapear locais, pessoas, partes do projeto Outros recursos Participação das partes interessadas Perspectivas Individual – cada membro da equipe Geral – amplo ao projeto ou cenário em que se encontra Identificar os riscos Busca estabelecer uma escala de importância e prioridade Analisa parâmetros para análise quantitativa Ajuda na justificativa de acompanhamento Realizar a análise qualitativa dos riscos Ajuda na definição de probabilidade e frequência de ocorrência Usa modelos estatísticos Usada em grandes projetos Realizar a análise quantitativa dos riscos Objetivo Maximizar as oportunidades Minimizar as ameaças Pesquisar riscos similares passados Adequar ao contexto Ganhar concordância das partes interessadas Ter um responsável em cada resposta Planejar as respostas aos riscos Garante que o plano será executado Os responsáveis: Alertam as partes envolvidas Solicitam as mudanças necessárias Controlam a execução Riscos versus execução – implementar as respostas aos riscos Monitorar e verificar a efetividade ou não das respostas aos riscos Monitorar o surgimento de novos riscos Procedimentos estão sendo seguidos? As estratégias seguidas estão sendo positivas? As reservasde contingência devem ser alteradas? Riscos versus monitoramento e controle – monitorar os riscos 3 Gerenciamento das aquisições Procedimentos a serem adotados Valores Verificações e autorizações Responsáveis pelo controle Modelo de contratação Gestão das aquisições Plano de gerenciamento das aquisições (saída) Definições iniciais e escolha sobre fazer ou comprar Análise de custos de materiais e serviços Análise de riscos Documentos e modelos (análise jurídica) Aquisições versus planejamento – planejar o gerenciamento das aquisições Realiza a qualificação e seleção de fornecedores Tratamento jurídico do processo de contratação Atualização de documentos Aquisições versus execução – conduzir as aquisições Análise de relatórios de desempenho Solicitações de mudanças Atualizações de documentos Registros Aquisições versus monitoramento e controle – controlar as aquisições Gerenciamento das partes interessadas 4 Objetivos Identificação Avaliar influência – positiva/negativa Interesses Controlar Partes interessadas Análise inicial Identificação Interesses Poder Avaliação de impactos (riscos) Possível agrupamento Promover atualização por todo o projeto Partes interessadas versus iniciação – identificar as partes interessadas Plano de engajamento Definição da comunicação Seleção de informações Iteratividade e interatividade Atualização periódica Partes interessadas versus planejamento – planejar o engajamento das partes interessadas Interagir e receber feedback Comunicação ativa Usar habilidades interpessoais Gerenciar solicitações de mudanças Partes interessadas e execução – gerenciar o engajamento das partes interessadas Verificar o cumprimento das estratégias Medir o nível de engajamento Comunicar mudanças e outras solicitações Partes interessadas versus monitoramento – monitorar o engajamento das partes interessadas Ferramentas da área de riscos 5 Grau Individual Afeta uma ou mais partes do projeto Geral Afeta o resultado geral do projeto Riscos: conceitos Ferramentas – categorias – EAR Fonte: Elaborado por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 406 EAR NÍVEL 0 EAR NÍVEL 1 EAR NÍVEL 2 Todas as fontes de risco do projeto 1. Risco técnico 1.1 Definição do escopo 1.2 Definição dos requisitos 1.3 Estimativas, premissas e restrições 1.4 Processos técnicos Etc. 2.Risco de gerenciamento 2.1 Gerenciamento de projeto 2.2 Gerenciamento de portfólio, programa 2.3 Gerenciamentos das operações 2.4 Organizações Etc. 3. Risco comercial 3.1 Termos de contrato 3.2 Aquisição interna 3.3 Fornecedores produtos/serviços 3.4 Subcontratados Etc. Nível de risco – probabilidade e impacto Fonte: Elaborado por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 407 Escala Probabilidade +/- impacto sobre objetivos do projeto Tempo Custo Qualidade Muito alto > 70% > 6 meses > R$ 5M Muito significativo sobre a funcionalidade geral Alto 51 – 70% 3 a 6 meses R$ 1 a 5M Significativo sobre a funcionalidade geral Médio 31 – 50% 1 a 3 meses R$ 0,5 a 1M Algum, em áreas funcionais essenciais Baixo 11 – 30% 1 a 4 semanas R$ 0,1 a 0,5M Secundário sobre funcionalidade geral Muito baixo 1 – 10% 1 semana < R$ 0,1M Secundário sobre funções secundárias Nulo > 1% Sem mudança Sem mudança Nenhuma mudança em funcionalidade Matriz de risco – probabilidade e impacto Fonte: Elaborada por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 408 0,9 0,7 0,5 0,3 0,1 0,9 0,7 0,5 0,3 0,1 P rob ab ilid ad e P ro b ab ili d ad e 0,05 0,1 0,2 0,4 0,8 0,8 0,4 0,2 0,1 0,05 Impacto Negativo Impacto Positivo Nível de probabilidade: muito alta: 0,9 – Alta: 0,7 – Média: 0,5 – Baixa: 0,3 – Muito baixa: 0,1 Nível de impacto: Muito alto: 0,8 – Alto: 0,4 – Moderado: 0,2 – Baixo: 0,1 – Muito baixo: 0,05 AMEAÇAS OPORTUNIDADES Simulação 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 R$ 2,0 R$ 2,1 R$ 2,2 R$ 2,3 R$ 2,4 R$ 2,5 R$ 2,6 R$ 2,7 R$ 2,8 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Fonte: Elaborada por Nunes com base no PMI®, 2017, p. 433 P ro b ab ili d ad e cu m u la ti va ( % ) Previsão do custo total do projeto (em milhões) P rob ab ilid ad e cu m u lativa (% ) Análise de árvore de decisão Fonte: Elaborada por Nunes com base no Kerzner, 2009, p. 752. R$ 34.500 Valor esperado: R$ 65.000 Valor esperado: R$ 39.500 R$ 56.000 R$ 9.000 R$ 35.000 R$ 4.500 6 Prevenir/evitar Negativos gerais Explorar Positivos Transferir/compartilhar Mitigar/melhorar Aceitar Resposta aos riscos KOLONKO/SHUTTERSTOCK Técnicas e ferramentas – aquisições e partes interessadas Preço fixo Preço fixo garantido (PFG) Preço fixo com remuneração de incentivos (PFRI) Preço fixo com ajuste econômico Custo reembolsável Custo mais remuneração fixa (CMRF) Custo mais remuneração de incentivos (CMRI) Tempo e material (T&M) Tipos de contratos Riscos em contratos Fonte: Elaborada por Nunes com base no Viana Vargas, 2018, p. 3.473 CMRC CMRF CMRI PFRI PFG RISCO DO COMPRADOR RISCO DO VENDEDOR GRAU DE RISCO EM CONTRATOS + - - + RISCO DO COMPRADOR Análise das partes interessadas Fonte: Elaborada por Nunes com base no Viana Vargas, 2018, p. 5.872 Critérios Poder Interesse Poder no Produto Conhecimento Acessibilidade Influência sobre outros Controle direto dos recursos Técnico Não Técnico Matriz de engajamento Fonte: Elaborada por Nunes com base no de PMI®, 2017, p. 522 Parte interessada Desinformada Resistente Neutra Apoiadora Líder Parte interessada 1 C D Parte interessada 2 C D Parte interessada 3 CD 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/33 GESTÃO DE PROJETOS AULA 5 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/33 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos concluir todas as áreas de processos estabelecidas no Guia PMBOK. No primeiro tema, vamos estudar a área de riscos e todos os processos correlatos, para que possamos gerenciá-los efetivamente. No segundo tema, veremos os processos da área de aquisição, com a contratação de produtos e serviços. No terceiro tema, iremos explorar os processos da área que trabalha com as partes interessadas, entendendo a importância de um bom gerenciamento, no intuito de engajá-las com o projeto. No quarto tema, faremos um estudo das técnicas e ferramentas mais usuais da área de riscos, com métodos de identificação e análise de riscos, além da melhor forma de tratá-los. Finalizando, no quinto tema vamos descrever as técnicas e ferramentas das áreas de aquisição pertinentes às partes interessadas. Bons estudos! TEMA 1 – PROCESSOS DO GERENCIAMENTO DOS RISCOS Segundo Kerzner (2009, p. 743), o risco é uma medida de probabilidade capaz de impedir o projeto de atingir seus objetivos. Para autor, o risco é uma função que depende de dois componentes: a probabilidade de ocorrência e o impacto ou a consequência do evento. Scheidmandel et al. (2018 p. 121) apontam que “o êxito de um empreendimento está muito ligado a quão bem gerenciado e organizado os riscos estão”. Os autores comentam que é importante contar com a participação de todos os envolvidos com o projeto ao fazer a programação de riscos. O gerente de projeto, por sua visão mais ampla dos negócios, deve se responsabilizar pela tarefa de supervisão dos riscos, ou ainda delegá-la da melhor forma. Dessa forma, se admitimos o risco, também estamos admitindo a incerteza, o inesperado, a possibilidade de mudanças e suas consequências. Afinal, em tudo o que fazemos, existe uma 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/33 incerteza e um risco, sendo necessário saber conviver com ele e saber tirar proveito dele. 1.1 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE RISCOS Viana Vargas (2018, p. 3074-3076) comenta que “o gerenciamento dos riscos possibilita a chance de melhor compreender a natureza do projeto,envolvendo os membros do time de modo a identificar as potenciais ameaças e oportunidades do projeto e responder a eles, geralmente associados a tempo, qualidade e custos”. Segundo o PMI (2017, p. 397), é preciso correr o risco do projeto de modo controlado, a fim de criar valor, equilibrando riscos e recompensas. Desse modo, a gestão de riscos tem o objetivo de “identificar e gerenciar os riscos que não são considerados pelos outros processos de gerenciamento de projetos”. Se esses riscos forem negligenciados, o projeto pode sofrer desvios e não alcançar os objetivos do planejamento (PMI, 2017, p. 397). Na Figura 1, representamos os processos envolvidos no gerenciamento de riscos. Podemos notar que há um maior esforço de contenção dos riscos na etapa de planejamento, onde encontramos cinco dos sete processos. No entanto, as etapas de gerência e monitoramento também são fundamentais para que o risco seja uma oportunidade para o projeto. Para ciclos de vida iterativos ou adaptativos, há um esforço inicial para identificar a maior parte dos riscos, mas parte do trabalho de planejamento se dilui entre os ciclos de entrega. Figura 1 – Processo 8.1: processos do gerenciamento do risco 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 1.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DOS RISCOS Scheidmandel et al. (2018, p. 124) apontam que o planejamento busca delinear como o gerenciamento dos riscos será conduzido, e quais documentos serão definidos no projeto. “O planejamento dos riscos é uma importante ferramenta para a gestão de um projeto, pois com ele é possível identificar todas as variáveis de risco que poderão fazer parte da iniciativa” (Scheidmandel et al., 2018, p. 124). Segundo o PMI (2017, p. 401), a etapa de planejamento define o método de condução das atividades de gestão dos riscos. “O principal benefício deste processo é garantir que o grau, o tipo e a visibilidade do gerenciamento dos riscos sejam proporcionais tanto aos riscos como à importância do projeto para a organização e para as outras partes interessadas” (PMI, 2017, p. 401). Viana Vargas (2018, p. 3291-3320) descreve que o plano de gerenciamento descreve procedimentos para a gestão do risco por meio do projeto. O autor ainda lista uma série de documentos que devem aparecer no plano, dentre os quais destacamos: descritivo dos processos, RBS (Risk Breakdown Structure), mecanismo de qualificação, mecanismos de quantificação, controle de mudanças, respostas planejadas, contingência, frequência de avaliação, alocação financeira, entre outros. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/33 Figura 2 – Processo 11.1: planejar o gerenciamento dos riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.3 IDENTIFICAR OS RISCOS Segundo Viana Vargas (2018, p. 6721-6724), normalmente os riscos são registrados ao final do planejamento, apesar de o processo de identificação ser realizado em paralelo ao planejamento. “Esta etapa busca identificar os eventos que podem acontecer que impactam positivamente (oportunidades) ou negativamente (ameaças) o projeto” (Viana Vargas, 2018, p. 6721-6724). Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 125), na identificação dos riscos realiza-se o mapeamento e o registro de todas as ameaças do projeto. Nesse registro, devem constar as características dos riscos, além dos locais, ou partes do projeto, que vão sentir os seus efeitos. “A fase de identificação de riscos é uma forma de garantir alta eficácia nas análises dos riscos.” O PMI (2017, p. 411) nos afirma que, apesar de a equipe ligada ao projeto contribuir mais amplamente com a identificação dos riscos, é muito importante que as partes interessadas possam participar, indicando os riscos individuais. O guia informa ainda que este processo é iterativo e que os riscos podem surgir no decorrer do projeto. Com isso, percebemos que os riscos devem ser identificados de modo individual, pois cada membro ou parte interessada identifica-os dentro de sua perspectiva. De modo geral, há uma visão mais ampla do projeto e do cenário contextual. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/33 Figura 3 – Processo 11.2: identificar os riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.4 REALIZAR A ANÁLISE QUALITATIVA DOS RISCOS Na análise qualitativa do risco, há a adição do componente de parcialidade, e assim todo risco deve estar em constante monitoramento e avaliação. A análise qualitativa estabelece uma escala relativa dos riscos, para que se possa priorizá-los. Este processo também estabelece parâmetros de base para a análise quantitativa (PMI, 2017, p. 421). Scheidmandel et al. (2018 p. 126) comentam que a análise qualitativa define a significância dos riscos; deste modo, elabora-se uma forma de medir seu potencial em termos de consequências. Para os autores, esse processo é um dos mais importantes, pois propicia correções, com o estabelecimento de pontos de atenção no projeto. “Essa análise se justifica e necessita de constante acompanhamento devido ao fato de que, conforme as mudanças vão ocorrendo no projeto, os riscos também se alteram”. Notamos, com esses comentários, que a análise qualitativa não estabelece valores ou escalas, mas define um grau de importância dos riscos, tendo como base a percepção do avaliador. Isso faz com que a análise tenha de ser compartilhada, verificada e criticada pelos membros da equipe. É importante também lembrar que os riscos podem trazer consequências negativas e positivas par ao 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/33 projeto, o que também é capaz de alterar a percepção do grupo sobre o evento e o seu grau de impacto dentro do processo. A Figura 4 nos mostra que o processo utiliza ferramentas como categorizações e reuniões para estabelecer a priorização dos riscos. Como saída, temos a atualização dos registros de riscos que fazem parte dos documentos do projeto. Figura 4 – Processo 11.3: realizar a análise qualitativa dos riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.5 REALIZAR A ANÁLISE QUANTITATIVA DOS RISCOS Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 126), este processo é de suma importância para a definição da probabilidade de ocorrência de riscos, com sua decorrente influência no projeto. Mesmo que um risco não tenha grande impacto, se ele apresentar alta probabilidade ou alta frequência, pode vir a influenciar o projeto. Viana Vargas (2018, p. 6758-6759) aponta que, nessa análise, são utilizados modelos estatísticos para a definição de valores de probabilidade e impacto dos riscos. A análise quantitativa “é usualmente muito mais trabalhosa, mas produz resultados muito mais relevantes para a análise de riscos”. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/33 Nem todos os projetos necessitam de análise quantitativa. Normalmente, elas são realizadas em projetos mais complexos, maiores ou mais estratégicos (PMI, 2017, p. 429). Neste processo, devemos transformar as características registradas na análise qualitativa em números que representem a probabilidade e o valor em risco. O resultado é a quantificação de todos os riscos envolvidos, para que seja possível priorizá-los e gerenciá-los de forma mais efetiva. Quando se trata de projetos grandes e complexos, plataformas computacionais são utilizadas para fazer a análise. Na Figura 5, observamos o processo de análise quantitativa, com a utilização de ferramentas que calculam a probabilidade de ocorrência dos riscos. Os resultados são atualizados nos registros de riscos. Figura 5 – Processo 11.4: realizar a análise quantitativa dos riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.6 PLANEJAR AS RESPOSTAS AOS RISCOS Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 127), as respostas aos riscos devem ser divididas e registradas, pois em muitos casos a resposta ao risco é mais rápida, por apresentar umabase de um evento já controlado. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/33 O PMI (2017, p. 438) afirma que as respostas efetivas aos riscos são aquelas que minimizam as ameaças e maximizam as oportunidades do projeto. Em contrapartida, respostas mal definidas podem ter efeito contrário. “As respostas planejadas devem ser adequadas à relevância do risco, ter eficácia de custos para atender ao desafio, serem realistas dentro do contexto do projeto, acordados por todas as partes envolvidas e ter um responsável designado” (PMI, 2017, p. 438). Deste modo, observamos que este processo visa controlar ou gerenciar os riscos, promovendo ações no sentido de provocar sua ocorrência no caso de uma oportunidade, ou evitá-la, se o efeito do risco for uma ameaça ao projeto. Na Figura 6, podemos observar o uso de várias ferramentas para a definição de respostas aos riscos. Como saída deste processo, temos as atualizações dos planos e das ações para a mudança. Figura 6 – Processo 11.5: planejar as respostas aos riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.7 IMPLEMENTAR RESPOSTAS AOS RISCOS Segundo o PMI (2017, p. 450), este processo nos traz como principal benefício a garantia de que o plano de respostas aos riscos será executado. Segundo o guia, muitos empreendimentos realizam o 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/33 planejamento e a análise, com o desenvolvimento do plano, mas ninguém o gerencia. Este processo visa garantir a execução do plano de respostas, de modo que cada risco tenha um responsável por sua implementação. A Figura 7 nos mostra que o processo visa realizar o acompanhamento das atividades do projeto e executar as ações de resposta aos riscos. Os responsáveis pelos riscos também devem fazer suas solicitações de mudanças, em caso de necessidade. Figura 7 – Processo 11.6: implementar respostas aos riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. 1.8 MONITORAR OS RISCOS De acordo com Kerzner (2009, p. 788), o processo de monitoramento nos fornece informações sistemáticas da efetividade do plano de resposta aos riscos. Segundo o autor, este processo pode estabelecer uma nova estratégia de resposta aos riscos, atualizar o plano atual, e ainda descobrir novos riscos. O PMI (2017, p. 454) aponta que o processo de monitoramento se utiliza das informações de desempenho da execução para determinar se: as respostas são efetivas; o nível de risco foi alterado; o status dos riscos individuais foi alterado; 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/33 surgiram novos riscos; a abordagem dos riscos é apropriada; as premissas ainda são válidas; políticas e procedimentos estão sendo seguidos; as reservas de contingência devem ser modificadas; a estratégia do projeto ainda é válida. No processo mostrado na Figura 8, há o monitoramento do projeto por meio de relatórios de desempenho, que produzem alertas e solicitações de mudanças. Neste processo, há informações sobre indicadores, que mostram se o que foi planejado está sendo executado ou se estamos na eminência de algum risco. Com base nisso, ele gera alertas e solicitações de mudanças sobre o desempenho das respostas e sobre novos riscos. Figura 8 – Processo 11.7: monitorar os riscos Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 396. TEMA 2 – GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES Scheidmandel et al. (2018, p. 134) afirmam que as decisões de compras, contratos e demais documentos ligados às aquisições são baseadas no escopo do projeto. “Toda e qualquer aquisição tem ligação direta com os custos do projeto e com a definição do tempo (prazos) e dos possíveis riscos enfrentados”. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/33 Kerzner (2009, p. 840) aponta que aquisição ou contratação é um processo que envolve duas partes com objetivos distintos. Sabemos, de todo modo, que as boas práticas de contratação podem aumentar o lucro do negócio. O PMI (2017, p. 459) aponta que o gerenciamento das aquisições do projeto “inclui os processos necessários para comprar ou adquirir produtos, serviços ou resultados externos à equipe do projeto”. Desse modo, os processos de gestão das aquisições estabelecem todos os parâmetros para que o time do projeto possa realizar uma aquisição, sendo essencial definir como será a realização e o controle das aquisições referentes ao projeto. Em grande parte dos projetos, as aquisições são regidas por acordos contratuais. 2.1 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES A Figura 9 nos mostra que os três processos que fazem parte da área de aquisições estão distribuídos entre as fases de planejamento, execução e controle. Figura 9 – Processos do gerenciamento de aquisição Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 2.2 PLANEJAR O GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/33 Segundo o PMI® (2017 p. 466), o gerenciamento das aquisições “é o processo de documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando vendedores em potencial”. Seu principal objetivo é determinar a necessidade de aquisição de produtos ou serviços por um fornecedor externo ao projeto. Scheidmandel et al. (2018, p.135) comentam que o processo de aquisições pode ser orientado pela opção de fazer ou comprar, realizada por especialistas. Os autores comentam também que “esse processo objetiva criar o plano de gerenciamento das aquisições, que fará parte do plano de gerenciamento do projeto”. Outros documentos ainda são definidos, relacionados a especificações e a critérios de escolha de fornecedores. De acordo com o tipo de projeto, esse processo pode envolver contratações em vários níveis de complexidade de materiais, serviços e valores, de acordo com os devidos riscos associados. Desse modo, pode haver a necessidade de que tudo seja bem documentado e registrado. O plano de aquisições para projetos mais complexos deve conter documentos e análises relacionados à contratação e às especificações de materiais, produtos e serviços. De acordo com as saídas do processo, há outros documentos e ações que devem complementar o plano, caso necessário, como: análise da escolha de fazer ou compra; registro de cálculos e critérios levantados; dados de custos de materiais e serviços; atualizações de documentos (plano geral, cronograma etc.); análise de riscos. Figura 10 – Processo 12.1: planejar o gerenciamento das aquisições 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 460. 2.3 CONDUZIR AS AQUISIÇÕES Segundo o PMI (2017, p. 482), esse processo implica receber e selecionar fornecedores com os devidos acordos contratuais. O guia informa que “o principal benefício deste processo é que seleciona um vendedor qualificado e implementa um acordo legal para entrega”, tendo como resultado toda documentação contratual formalizada. Neste processo, temos que executar a seleção de fornecedores conforme estabelecido no plano. De acordo com o tamanho do projeto e da organização envolvida, esse trabalho poderá exigir vários procedimentos até que esteja adequado às normas internas. Além disso, o envolvimento da área jurídica na parte contratual normalmente é necessário, por mais experiente que seja a equipe ou o gestor. A área de contratos exige conhecimento profundo de normas e regulamentos locais, que sofrem atualizações frequentes. Após a definição do vencedor, são acertados os pormenores de escopo, cronograma e outros quesitos, capazes de interferir na lista de restrições do projeto e provocar várias mudanças e atualizações. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/33 Conforme nos mostra a Figura 11, a saída deste processo pode resultar em uma série de atualizações, em quase todas as áreas. Figura 11 – Processo 12.2: conduzir as aquisições Fonte: Elaboradocom base em PMI, 2017, p. 460. 2.4 CONTROLAR AS AQUISIÇÕES Segundo Scheidmandel et al. (2018, p. 136), são vários os documentos que servem de fonte para a realização deste processo. Os autores destacam que “as técnicas empregadas para o controle das aquisições também corroboram as atualizações, os ativos, a documentação e o plano de gerenciamento do projeto”. O PMI (2017, p. 492) aponta que este processo tem a função de gerenciar e monitorar o desempenho das contratações. O principal benefício desta etapa é a garantia de que as partes envolvidas atendem aos requisitos do projeto. A Figura 12 representa o processo de controle das aquisições. Após as análises dos dados de desempenho do projeto, muitas ações de mudanças ou atualizações podem ser necessárias. Figura 12 – Processo 12.3: controlar as aquisições 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 460. TEMA 3 – GERENCIAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Segundo Viana Vargas (2018, p. 3539-3543), o objetivo do gerenciamento das partes interessadas é “dar garantia ao projeto de que o gerente e a equipe do projeto sabem quais são os principais interessados no projeto e são capazes de formalizar e gerenciar estratégias de comunicação e abordagem para atender a esses interessados”. Carvalho Junior (2012, p. 119) comenta que as equipes de gestão são responsáveis por manter um bom diálogo com os stakeholders (partes interessadas), na intenção de atender suas necessidades e expectativas. Assim, “é necessário que a equipe identifique tais interessados e, conforme a exigência de cada fase, medeie a influência, sem jamais perder de vista o êxito esperado do projeto”. O PMI (2017, p. 503) destaca que esse grupo de processos visa “identificar todas as pessoas, grupos ou organizações que podem impactar ou serem impactados pelo projeto”, e ainda analisar suas expectativas e como afetam e são afetados pelo projeto. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/33 Podemos considerar que essa área de conhecimento deve estabelecer uma relação com todos os que podem influenciar o projeto, ou que são por ele influenciados. Essa relação deve ser feita de modo estratégico, com vistas a eliminar qualquer risco de impacto negativo aos resultados e objetivos do projeto. Como exemplo, podemos citar o que ocorreu recentemente em um empreendimento novo, em um bairro nobre de Curitiba. Com os trabalhos na execução das fundações, sentia-se na pele, pulmões, e principalmente ouvidos, a rotina de início e fim dos trabalhos das imensas máquinas de escavação e perfuração de solo. O local das obras estava cercado por condomínios de alto padrão; em meio à pandemia da época, muitos trabalhavam em casa. Com o decorrer dos dias, passou a existir um clima de insatisfação geral da vizinhança, devido aos transtornos físicos e já emocionais causados pelas máquinas. Certa semana, por uma necessidade técnica, os trabalhos avançaram por mais uma hora na obra. No mesmo dia, houve uma torrente de reclamações nas sacadas e janelas, com palavrões, xingamentos, panelaços e até ameaças para as não bem quistas máquinas. Como resultado dessa insatisfação, no segundo dia em que os trabalhos avançaram por mais tempo, a obra foi interrompida por dois carros da polícia, e o engenheiro responsável recebeu uma notificação. O empreendimento não estendeu mais seus horários. 3.1 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Na Figura 13, vemos que os processos de gerenciamento seguem uma ordem lógica, em fases. Temos que identificar todas as partes interessadas logo no início dos trabalhos, planejando o engajamento de todos, de modo a gerenciá-los do melhor modo durante a execução e monitorá-los por todo o projeto. Figura 13 – Processos de gerenciamento das partes interessadas 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 25. 3.2 IDENTIFICAR AS PARTES INTERESSADAS O PMI (2017, p. 508) aponta que este processo acontece pela primeira vez quando desenvolvemos o Termo de Abertura do projeto. Ainda assim, devemos fazer uma nova análise a cada fase ou mudança significativa no projeto. Segundo o guia, o processo tem como benefício permitir um direcionamento adequado para cada grupo ou pessoa identificada (PMI, 2017, p. 507). Podemos ver, na Figura 14, a estrutura do processo, de modo que possamos identificar as partes interessadas. Na entrada, temos uma série de documentos e planos do projeto. Lembramos que a primeira análise é feita logo no início, junto com o Termo de Abertura, momento em que talvez ainda faltem muitas das informações listadas. Dessa forma, a pesquisa e as reuniões do projeto são importantes fontes de informação sobre as partes interessadas. Figura 14 – Processo 13.1: identificar as partes interessadas 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 504. 3.3 Planejar o engajamento das partes interessadas Este plano busca estabelecer uma comunicação eficaz com as partes interessadas, mantendo todos engajados com o projeto, sempre com objetivos bem definidos. Para os projetos com ciclo de vida mais iterativos, o engajamento é rotineiro, pois a cada entrega as partes interessadas devem criticar, sugerir mudanças e expor problemas. Na Figura 15, é mostrado o processo de planejamento, com o uso de várias ferramentas de análise e mapeamento. Na saída, temos apenas o plano de engajamento. Segundo o PMI (2017, p. 518), o plano de engajamento das partes interessadas “é atualizado periodicamente para refletir suas respectivas mudanças”. O documento ainda relaciona três situações em que é preciso realizar a atualização do plano: início de nova fase, mudanças na estrutura e trocas de membros. Figura 15 – Processo 13.2: planejar o engajamento das partes interessadas 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 504. 3.4 GERENCIAR O ENGAJAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Segundo o PMI (2017, p. 523), neste processo devemos realizar uma interatividade constante com as partes interessadas, a fim de atender suas necessidades e expectativas. “O principal benefício deste processo é permitir que o gerente de projetos aumente o nível de apoio das partes interessadas e minimize a sua resistência”. Deste modo, os membros da equipe e o gerente de projeto devem demonstrar suas habilidades interpessoais de comunicação, empatia e negociação, com o objetivo de engajar as partes interessadas no projeto. Na maioria das vezes, as mudanças realizadas nos projetos surgem das partes interessadas. Saber gerenciar as solicitações e negociar o escopo, ajustando valores, requer muitas habilidades, conforme mostra o processo da Figura 16. Figura 16 – Processo 13.3: gerenciar o engajamento das partes interessadas 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 504. 3.5 MONITORAR O ENGAJAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Segundo o PMI (2017, p. 530), este processo é responsável por fazer o monitoramento e o controle da relação entre as partes interessadas com as estratégias do projeto, buscando mantê-las engajadas. “O principal benefício desse processo é que mantém ou incrementa a eficiência e eficácia das atividades de engajamento das partes interessadas à medida que o projeto se desenvolve e o seu ambiente muda”. Podemos entender, então, que este processo visa conferir se as estratégias ou as ações para engajamento das partes interessadas estão sendo eficazes. Como respostas desse monitoramento, os responsáveis devem proceder com comunicados, abrindo solicitações de mudanças, considerando ainda todas as atualizações pertinentes. Podemos citar como exemplo a ação de clubes de futebol, que preferem afastar um jogador, técnico ou membro da diretoriado clube que se envolve em escândalos com drogas, violência ou outros atos repudiados pela sociedade. Afinal, os gestores sabem que muitos patrocinadores (partes interessadas) não gostam de ter suas marcas associadas a escândalos. A Figura 17 nos mostra o processo de monitorar o engajamento das partes interessadas, as entradas, as ferramentas mais usuais e as saídas. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/33 Figura 17 – Processo 13.4: monitorar o engajamento das partes interessadas Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 504. TEMA 4 – TÉCNICAS E FERRAMENTAS DA ÁREA DE RISCOS 4.1 CONCEITOS 4.1.1 GRAU DE RISCO O PMI (2017, p. 397) cita dois graus de riscos considerados no gerenciamento: Risco individual: qualquer evento, ou condição, ligado a uma incerteza. Tal evento pode trazer efeitos positivos ou negativos para uma ou mais partes do projeto. Risco geral: soma de todos os riscos do projeto, incertezas e riscos individuais que afetam o resultado geral do projeto. 4.1.2 CATEGORIAS DE RISCOS O PMI (2017, p. 406) apresenta a estrutura analítica de riscos (EAR), cuja função é agrupar o risco para que seja melhor identificado, categorizado e analisado. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/33 Uma EAR pode ter diversas formas de estabelecer categorias ou agrupamentos. A equipe deve definir os agrupamentos de modo que todos sejam capazes de identificar o risco dentro da estrutura do projeto. A Tabela 1 nos mostra um exemplo de EAR em que o risco geral do projeto está no nível 0, na primeira coluna. Em seguida, na segunda coluna, o risco apresenta nível 1, sendo estratificado em três categorias, de acordo com a escolha da equipe. Na terceira coluna, o risco apresenta nível 2, podendo ser identificado dentro de cada categoria, de acordo com uma área, um processo, uma atividade etc. Tabela 1 – Exemplo de Estrutura Analítica de Riscos (EAR) Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 406. 4.2 NÍVEL DE RISCO COM PROBABILIDADE E IMPACTO Segundo o PMI (2017, p. 407), o impacto e a probabilidade da ocorrência de risco podem ser pensados de forma a se obter níveis graduais. Esses níveis refletem os limites a serem aceitos no projeto pelas partes interessadas. Com eles, também é possível realizar análises sobre as ameaças e oportunidades para o projeto. A Tabela 2 nos apresenta um exemplo de classificação de níveis de risco, conforme o impacto e a probabilidade de ocorrência, e seus efeitos sobre três áreas do projeto: tempo, custo e qualidade. Notamos, neste caso, que existem cinco níveis de riscos, e que cada um adota um valor percentual de probabilidade de ocorrência, com os respectivos impactos anotados nas colunas de tempo, custo e qualidade. Tabela 2 – Exemplo de níveis de probabilidade e impacto de risco 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/33 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 407. 4.3 MATRIZ DE RISCO: PROBABILIDADE VERSUS IMPACTO De acordo com o PMI (2017 p. 408), esta ferramenta mapeia a probabilidade e o nível de impacto dos riscos. Como resultado, temos uma matriz que nos auxilia na priorização dos riscos. A Tabela 3 nos apresenta um exemplo de matriz de risco em que os níveis de probabilidade e de impacto são combinados e multiplicados. Mostra-nos ainda que a análise é a mesma, considerando ameaças e oportunidades para o risco. Tabela 3 – Exemplo de mapa de risco, probabilidade versus impacto Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 408. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/33 4.4 SIMULAÇÃO Conforme o PMI (2017, p. 433), a simulação realiza uma análise quantitativa dos efeitos dos riscos individuais, incluindo outras fontes de incerteza. Com o resultado desta análise, é possível estimar o impacto dos riscos para o alcance dos objetivos do projeto. O guia ainda comenta que normalmente se utiliza a análise Monte Carlo. Kerzner (2009, p. 775) nos explica que o processo da análise de Monte Carlo envolve a criação de uma série de distribuição de probabilidades para potenciais riscos. As amostras de distribuição de probabilidades são geradas aleatoriamente, formando um conjunto de valores associados a custos, cronograma e desempenho técnico do projeto. A Figura 18 representa um exemplo de resultado da análise quantitativa, com probabilidade cumulativa para o custo total do projeto. Há indicação clara das probabilidades de ocorrência dos custos do projeto. Este tipo de análise pode ser feito para outras restrições, como cronograma ou desempenho técnico. Figura 18 – Exemplo Curva S da análise de Monte Carlo Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 433. 4.5 ANÁLISE DE ÁRVORE DE DECISÃO 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 26/33 Segundo Kerzner (2009, p. 751), essa ferramenta deve ser utilizada para analisar uma sequência combinada de decisões, com os critérios de peso e probabilidade. A Figura 19 nos apresenta o exemplo de uma aplicação do diagrama de árvore. A questão aqui é fazer a opção entre subcontratar uma máquina ou comprar a máquina para a produção de um determinado produto. Para a aquisição da máquina, temos que investir 35 mil reais; para subcontratar, temos que gastar 5 mil reais com a gestão de recursos. Após a escolha de comprar ou contratar, temos a análise de mercado e a probabilidade de sua ocorrência. Há duas opções de mercado: o bom e o ruim, cada um deles associado a uma probabilidade. Após o desenho, temos representados os lucros “L” obtidos nas vendas dos produtos para cada mercado. O resultado da multiplicação entre a probabilidade do mercado pelo lucro de cada ambiente está registrado nos retângulos brancos. Os retângulos laranja nos mostram o valor obtido pela soma dos resultados de cada mercado. Para analisar o resultado, temos que pegar o valor esperado e diminuir dos valores gastos em cada opção. Neste caso, a melhor escolha dará um retorno de 34.500 na opção de subcontratar, enquanto que na opção de aquisição o retorno será de 30.000. Figura 19 – Exemplo de diagrama de árvore Fonte: Elaborado com base em Kerzner, 2009, p. 752. 4.6 RESPOSTAS AOS RISCOS Na área de riscos, reconhecemos que a identificação e a medida de seus efeitos são os maiores desafios. Devemos também saber definir como tratar os riscos encontrados do projeto. Existem algumas estratégias para o tratamento de riscos que podem auxiliar no encaminhamento estratégico 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 27/33 do assunto. O PMI (2017, p. 445) lista as principais estratégias para o tratamento de risco, que também são consideradas resposta aos riscos: Prevenir: a prevenção seria o mesmo que evitar o risco realizando, por exemplo, a substituição ou a eliminação de um escopo. Normalmente, esta estratégia trata de riscos gerais que podem afetar negativamente o projeto. Explorar: esta estratégia trata dos riscos com efeito positivo para os projetos. São oportunidades que podem trazer benefícios, nem sempre na forma monetária de curto prazo. Para provocar a ocorrência do risco, certas ações devem ser tomadas, como a troca ou a inclusão de um escopo. Transferir/compartilhar: em algumas situações, não é possível solucionar um problema que pode gerar um efeito negativo ou positivo para o projeto. A transferência é quando há a contratação de uma empresa, que passa a assumir o risco ou realizar uma parceria com alguma empresa para compartilhar o risco. O seguro é um exemplo de transferência de risco, pois você paga para a empresa assumir o prejuízo. Mitigar/melhorar: devemos tomar ações para mitigar ou diminuir o efeito de um risco negativo, de modo que seus efeitos não afetem de modo significativo os resultados do projeto. As ações para melhoria são oportunas quando o efeito do risco é positivo. Um exemplo de risco positivo é a aquisição de uma empresa, em disputa pelo mesmo mercado, que está emcrise financeira. Aceitar: se for possível resolver o problema antecipadamente, podemos optar por aceitar o risco, de forma ativa, quando providenciamos uma reserva para cobrir seus efeitos. Podemos ainda não tomar ação alguma e agir de forma passiva, apenas monitorando a sua ocorrência. TEMA 5 – TÉCNICAS E FERRAMENTAS DE AQUISIÇÕES E PARTES INTERESSADAS 5.1 TIPOS DE CONTRATO O PMI (2017, p. 471) define que “todas as relações contratuais legais geralmente se encaixam em um de dois tipos genéricos: de preço fixo ou de custos reembolsáveis”. O guia comenta ainda que existe um tipo híbrido de contrato, por tempo e materiais. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 28/33 5.1.1 POR PREÇO FIXO É uma categoria de contratos que apresentam um preço fixo no fornecimento de um produto ou serviço. São usados quando os requisitos dos bens ou serviços conseguem ser bem estabelecidos, não sofrendo alteração. Contrato de Preço Fixo Garantido (PFG): os compradores preferem este tipo, por terem o preço inalterado durante o contrato, a não ser que se altere o escopo. Contrato de Preço Fixo com Remuneração de Incentivo (PFRI): dá certa flexibilidade às partes. Há pagamentos de incentivos relacionados às restrições mais usuais, como custo, cronograma e desempenho técnico. Porém, há um teto de valor estabelecido; caso este valor seja ultrapassado, a responsabilidade será do vendedor (contratado). Contrato de preço Fixo com Ajuste Econômico do Preço (PFAEP): utilizado quanto o contrato se estende por muito tempo, ou quando envolve pagamento em outras moedas. São contratos de preço fixo com cláusula especial de reajuste devido a cenário econômico, variações de índices ou taxas etc. 5.1.2 CONTRATOS DE CUSTOS REEMBOLSÁVEIS Esta categoria de contratos envolve o reembolso dos custos reais declarados, mais uma parcela relativa ao lucro do vendedor. Normalmente, esta categoria é utilizada quando há previsão de variação no escopo dos trabalhos. Contrato de Custo mais Remuneração Fixa (CMRF): aqui, o vendedor tem seus custos permitidos todos reembolsados, com uma remuneração fixa, com base em um percentual do projeto, estimado no início dos trabalhos. Não há alteração da remuneração se não houver variação do escopo. Contrato de Custo Mais Remuneração de Incentivo (CMRI): neste tipo, o vendedor é reembolsado de seus custos, e recebe uma remuneração de incentivo com base no desempenho. No caso da incorrência de custos acima daqueles estimados para o projeto, os valores que ultrapassarem os estabelecidos serão divididos entre as partes, conforme proporção estabelecida em contrato – por exemplo 50/50, 80/20 etc. Contrato de Custo mais Remuneração Concedida (CMRC): neste modelo, o vendedor será remunerado dos custos autorizados. Receberá também uma remuneração ao cumprimento de 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 29/33 critérios preestabelecidos. A remuneração baseia-se em critérios subjetivos, definidos pelo comprador. 5.1.3 CONTRATOS POR TEMPO E MATERIAL (T&M) Categoria híbrida de contratos, em que aparecem elementos relacionados ao reembolso de custos e elementos de preço fixo. Utilizada mais frequentemente quando se exige contratação de recursos de especialistas ou apoio externo para alguma especificidade do projeto. 5.2 RISCOS EM CONTRATOS Segundo Viana Vargas (2012, p. 3445-3450), “um dos principais pontos do processo de aquisições está na relação entre o fornecedor e o projeto e a quantidade de riscos incorridos pelas partes”. O autor ainda destaca que os custos não são os únicos elementos a serem analisados nas aquisições, pois em qualquer recurso existe um risco associado. Deste modo, o autor pondera que o contrato se torna um elemento fundamental nas aquisições, entendendo que, em cada tipo de contrato, existe um grau de risco a ser analisado pelo gerente de projeto. A Figura 20 nos apresenta um modelo de comparação entre os tipos de contratos mostrados nos itens anteriores em relação ao grau de exposição aos riscos das partes (comprador e vendedor). Nele, podemos observar que, para o comprador, os contratos de preço fixo têm menor grau de risco, pois a responsabilidade pela gerência dos custos será do vendedor. Para o vendedor, há menos risco nos contratos de custo mais remuneração sobre os custos do projeto. Figura 20 – Risco de tipos de contratos para comprador e vendedor Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2012, p. 3470-3473. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 30/33 5.3 ANÁLISE DAS PARTES INTERESSADAS Viana Vargas (2012, p. 5866-5869) afirma que é necessário realizar a análise das partes identificadas no início dos trabalhos. O autor aponta que “o principal objetivo desta etapa é compreender o comportamento das partes interessadas a fim de definir abordagens específicas”. Segundo o PMI (2017, p. 512), esta ferramenta traz como resultado uma lista das partes interessadas, com informações relevantes para o projeto. O guia relaciona exemplos de tipos de informações que podem constar nesta análise: Interesse; direitos (legais ou morais); propriedade; conhecimento; contribuição. A Figura 21 nos mostra um exemplo de análise de partes interessadas em forma de mapa mental. Observamos que alguns itens podem ser estratificados para o melhor entendimento de todas as possibilidades. Na prática, essas informações são muito úteis para um entendimento completo da equipe, pois a abordagem e as iterações entre as partes interessadas e o projeto devem se manter em um mesmo nível. A comunicação, em termos de formato e conteúdo, também pode ser influenciada pelas informações desta análise, garantindo que somente as informações necessárias cheguem às partes interessadas. Figura 21 – Risco de tipos de contratos para comprador e vendedor 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 31/33 Fonte: Elaborado com base em Viana Vargas, 2012, p. 5871-5872. 5.4 MATRIZ DE ENGAJAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Conforme o PMI (2017, p. 521), esta matriz permite avaliar o engajamento das partes interessadas entre o nível do estágio atual e o desejado, requerido para o sucesso do projeto. O guia classifica o engajamento das partes interessada da seguinte forma: Desinformado: sem conhecimento do projeto; Resistente: resistentes às mudanças causadas pelo projeto; Neutro: nem apoiam nem resistem; Apoiadora: cientes apoiadores dos resultados do projeto; Líderes: engajados ativamente para o sucesso do projeto. A Tabela 4 nos apresenta um exemplo de matriz de engajamento de partes interessadas. A letra C corresponde ao nível atual de engajamento e a letra D representa o nível desejado. Tabela 4 – Exemplo de matriz de engajamento de partes interessadas Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017, p. 522. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 32/33 FINALIZANDO Nesta aula, estudamos mais três áreas de conhecimento de projetos: riscos, aquisições e partes interessadas. No primeiro tema, exploramos os processos para gerenciamento dos riscos, desde a identificação até o controle dos riscos, sendo fundamental conhecer as etapas desta área, pois todos os projetos enfrentam riscos. No segundo tema, abordamos a gestão das aquisições e principalmente as questões relativas a contratos. Percebemos neste processo que há uma grande parcela de risco em contratações, sendo importante conhecer de tipos de contrato. No terceiro tema, apresentamos os processos relativos à gestão das partes interessadas. Conforme vimos, as partes interessadas podem provocar efeitos positivos ou negativos, e por isso seu gerenciamento é uma peça-chave para o sucesso do projeto. No quarto tema, apresentamos as técnicas e as ferramentas para a gestão do risco. Vimos que análises qualitativas e quantitativas se complementam para o bom entendimento dos riscos. Finalizamos com o quinto tema, quando estudamos algumas ferramentas dasáreas de aquisição, mais ligadas a contratos e às partes interessadas. Até a próxima e bons estudos! REFERÊNCIAS KERZNER, H. Project management: a system approach to planning, scheduling, and controlling. 10. ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2009. PMI – Project Management Institute. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos: Guia PMBOK. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017. SCHEIDMANDEL, N. A. et al. Gestão de projetos na engenharia de produção: uma visão acadêmica. Passo Fundo: Editora UPF, 2018. VIANA VARGAS, R. Gerenciamento de Projetos. 9 ed. São Paulo: Brasport, 2018. 01/05/2023, 16:49 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 33/33 1 Prof. Marcos Antonio Nunes Gestão de Projetos Aula 6 Conversa Inicial Vamos abordar nesta aula novas metodologias de gerenciamento de projetos, conforme os tópicos a seguir Introdução às metodologias ágeis Ciclos de vida iterativos e incrementais Métodos ágeis Artefatos do Scrum Ferramentas para projetos Temas a serem desenvolvidos Introdução às metodologias ágeis Determináveis Escopo bem definido Procedimentos claros Poucas mudanças Baixo risco Baixa complexidade Pouca exploração Trabalhos determináveis e trabalhos de alta incerteza Alta incerteza Escopo desconhecido Pouca documentação Muitas mudanças Alto risco Alta complexidade Muita exploração Histórico Data: fevereiro/2001 17 profissionais (desenvolvedores de software) Criticar gerenciamentos tradicionais Discutir sobre métodos leves de gestão Criação do “Manifesto Ágil” Manifesto ágil 2 Quatro valores fundamentais Indivíduos e interações acima de procedimentos e ferramentas Software funcionando acima de documentação abrangente Colaboração com cliente acima de negociação de contratos Responder às mudanças acima de seguir um plano 12 princípios 1. Satisfazer o cliente – valor agregado 2. Mudanças são bem-vindas – vantagem competitiva 3. Entregas frequentes – incremental 4. Pessoas devem trabalhar em conjunto 5. Construir projetos com indivíduos motivados 6. Transmitir informações face a face 7. Software funcionando – medida de progresso 8. Desenvolvimento sustentável – ritmo positivo 9. Excelência técnica – aumenta a agilidade 10.Simplicidade – maximizar trabalho não realizado 11.Melhores arquiteturas – equipes auto- organizáveis 12.Intervalos regulares – promover melhorias Métodos ágeis Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Ágil PMI®, 2017, p. 11 Lean Kanban Ágil ScrumBan Crystal Scrum XP FDD DSDM AUP Incerteza Complexidade Risco Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Ágil PMI®, 2017, p. 14 In ce rt ez a d e R eq u is it os Alta Baixa Grau Técnico de Incerteza Baixa Alta As abordagens adaptativas Funcionam bem aqui As abordagens lineares funcionam bem aqui Fundamental- mente Arriscado Incerteza – complexidade – risco Ciclos de feedback Adaptação frequente do processo Repriorização Planos atualizados regularmente Entregas frequentes 3 Ciclos de vida iterativos e incrementais Preditivo Iterativo Incremental Ágil ou adaptativo Tipos de ciclo de vida Características dos ciclos de vida Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Ágil PMI®, 2017, p. 17 CARACTERÍSTICAS Abordagem Requisitos Atividades Entrega Objetivo Preditivo Fixo Uma vez para todo o o Projeto Única Gerenciar o Custo Iterativo Dinâmico Repetido até estar correto Única Correção da Solução Incremental Dinâmico Uma vez para determinado incremento Menores frequentes Velocidade Ágil Dinâmico Repetido até estar correto Menores frequentes Valor, por meio de entregas e flashbacks frequentes Ciclo de vida preditivo Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Sbok™, 2017, p. 39 Análise Design Build Teste Entrega Va lo r a en tr eg ar Ciclo de Vida Preditivo tempo Ciclo de vida ágil Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Sbok™, 2017, p. 39 t ou WIP Va lo r a en tr eg ar tempo Ciclo de Vida Ágil Requisitos Análise Design Build Teste Repetir conforme necessário... Requisitos Análise Design Build Teste Requisitos Análise Design Build Teste Requisitos Análise Design Build Teste Métodos ágeis 4 Kanban Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Ágil PMI®, 2017, p. 105 6 A FAZER 4 ANÁLISE 5 DESENVOLVIMENTO 3 TESTE 4 IMPLANTAR Em andamento Pronto Em andamento Pronto Três pilares fundamentais Transparência Inspeção Adaptação Scrum LightField Studios/Shutterstock wavebreakmedia/Shutterstock Seis princípios Controle de processos empíricos Auto-organização Colaboração Priorização baseada em valor Time-boxing Desenvolvimento iterativo LightField Studios/Shutterstock Visão geral – framework Fonte: Elaborado por Nunes com base no Guia Sbok™,2017, p. 2 Modelo de Negócio do Projeto/ Produto Termo de Abertura Entrega da Sprint Backlog priorizado do Produto Backlog da Sprint Reunião Diária Ciclo da Sprint Cronograma de Planejamento da Release Dono do produto – product owner Voz do cliente no projeto Mantém a justificativa (rentabilidade) do projeto Dá suporte à equipe Responsável pela entrega de valor Define os itens do backlog do produto Ordena e prioriza o backlog do produto Time Scrum OksanaAlex/Shutterstock Time de desenvolvimento São multifuncionais Auto-organizados Cooperativos Habilidades, competências e comprometimento para realizar as tarefas Senso de responsabilidade e respeito mútuo Bakhtiar Zein/Shutterstock 5 Scrum master Facilitador Líder servidor Suporte ao método Treina, ensina e monitora xymbolino/Shutterstock Sprint – iteração Período de execução do backlog da sprint Uma a seis semanas (máximo) Time-boxed Time de desenvolvimento é responsável Resulta em alguma entrega Eventos Scrum SurfsUp/Shutterstock Reunião diária Time-boxed, 15 minutos (máximo) Normalmente em pé Mesmo local Mesmo horário Todos respondem a três questões O que foi realizado desde ontem? O que será realizado até amanhã? Existe algum problema ou impedimento? Molotoka/Shutterstock Reunião de planejamento da Sprint Time-boxed, oito horas (máximo) Definição do objetivo Escolha das tarefas e estória Estimativa de trabalho Como será executado Reunião de revisão da Sprint Time-boxed, quatro horas (máximo) Inspeção do incremento Feedback das partes interessadas Estimativa de trabalho 6 Reunião de retrospectiva Time-boxed, quatro horas (máximo) Análise dos pontos fortes e fracos no processo Investigação de problemas Plano de ações para melhorias Artefatos do Scrum Representação gráfica de atividades Mostra a ordem lógica Mostra relações de precedências Representa tudo ou detalhes Mostra tempos Backlog priorizado do produto Lista de atividades para um incremento Escolhidas pelo time de desenvolvimento É inserido e controlado pelo Kanban É de responsabilidade do time de desenvolvimento Backlog da Sprint É o resultado do trabalho executado na Sprint Deve estar com todos os requisitos para a definição de “pronto”, em funcionamento É avaliado e aprovado pelo Dono do Produto Recebe um feedback das partes interessadas Incremento Técnicas e ferramentas 7 Esquema simples – baixa, média, alta MoSCoW – Must, Should, Could, Would Monopólio – distribui dinheiro Método dos 100 pontos – pontua itens Análise Kano – excitante, satisfatório, insatisfatório, indiferente Priorização baseada em valor Gráficos burndown e burnup de Sprint Análise de dados Fonte: Elaborado por Nunes com base no GUIA PMBOK® PMI®, 2017 p. 226 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1211 0 50 100 150 200 250 300 Tr ab al h o re st an te Dias de iteração Trabalho restante ideal Trabalho restante real Previsão de trabalho restante VP – valor planejado VA – valor agregado CR – custo real ONT – orçamento no término Análise de valor agregado (AVA) Variações de cronograma VPR = VA – VP Variações de custo VC = VA – CR Índice de desempenho para término IDPT = VA / VP Índice dedesempenho de custo IDC = VA / CR + = 0 = - = >1 = 1 = <1 = Porcentagem concluída % = VA / ONT (%) Estimativa no término ENT = CR + ONT – VA = (ONT – VC) Estimativa para terminar EPT = ENT – CR Variação no término VNT = ONT – ENT 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/26 GESTÃO DE PROJETOS AULA 6 Prof. Marcos Antonio Nunes 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/26 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos abordar as metodologias ágeis, que representam uma nova tendência para a gestão de projetos. No primeiro tema, vamos mostrar como surgiu essa nova filosofia de gestão, além de estudar seus conceitos mais pertinentes. No segundo tema, vamos apresentar os diferentes ciclos de vida de projetos, com a introdução de ciclos ágeis. No terceiro tema, veremos o método Kanban para controle de atividades, usualmente utilizado nas metodologias ágeis. Também neste tema vamos discutir o Scrum, a mais conhecida metodologia ágil do momento. No quarto tema, vamos analisar os elementos e artefatos do Scrum, e o modo como caracterizam o método. No quinto e último tema, vamos apresentar algumas importantes ferramentas de priorização de valor de projeto. Veremos a Análise de Valor Agregado (AVA) para projetos. Bons estudos! TEMA 1 – INTRODUÇÃO ÀS METODOLOGIAS ÁGEIS 1.1 TRABALHO DETERMINÁVEL E TRABALHO DE ALTA INCERTEZA Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 7) comenta que os projetos determináveis se caracterizam por apresentarem trabalho e escopo bem definidos. Neste caso, os processos para o desenvolvimento do projeto ou produto são de fácil entendimento, com poucas incertezas. Quando se trata de um novo design, um novo produto, uma nova solução, os projetistas ou profissionais que devem desenvolver a ideia se deparam com poucas definições iniciais e com alto nível de incertezas – consequentemente, há alto risco e grande complexidade. Nesse cenário, é mais difícil, por meio dos métodos preditivos, com abordagem tradicional, controlar as mudanças durante o projeto. Projetos que demandam novas ideias e novos conceitos são chamados de complexos, por apresentarem alta incerteza de escopo, com poucas definições, no início, quanto aos requerimentos. Conforme vimos com o estudo da metodologia tradicional, que envolve um grande esforço no 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/26 planejamento das áreas de conhecimento, esse modelo pode não ser eficaz para efetivar as mudanças necessárias no projeto, acarretando perdas de tempo e recursos. Esses fatores impulsionam o uso de novas metodologias, capazes de lidar com projetos inovadores, de modo mais rápido e sem perder o controle do empreendimento. 1.2 MANIFESTO ÁGIL Essa nova cultura de desenvolvimento de projetos surgiu no setor de desenvolvimento de softwares, cujos profissionais sentiam grande dificuldade para trabalhar com metodologias tradicionais. De acordo com o Guia SBOK (PMI, 2017b, p. 291), em fevereiro de 2001, um grupo de 17 profissionais (engenheiros e gestores) se reuniram para discutir novas metodologias “leves” para o desenvolvimento de softwares. Foi então que surgiu o Manifesto Ágil. Esse documento enfatiza quatro valores principais e doze princípios (PMI, 2017b, p. 292): Indivíduos e suas interações acerca de procedimentos e ferramentas: “são os indivíduos que se comprometem, participam, implementam um projeto, e determinam quais processos e ferramentas serão usados”. Funcionamento de software acima de documentação abrangente: documentar é útil, mas é menos importante que software em funcionamento. O foco do ágil é fornecer um software que funciona. Colaboração com clientes acima da negociação de contratos: o ágil enfatiza o compartilhamento de valor e de informações com o cliente. “O time de desenvolvimento e o cliente trabalham em conjunto para evoluir e desenvolver o produto”. Capacidade de resposta à mudança acima de um plano pré-estabelecido: é fundamental abordar os projetos de forma adaptativa, o que permite a incorporação das mudanças solicitadas. Figura 1 – 12 princípios do Manifesto Ágil 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/26 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017a, p. 9. 1.3 MÉTODO ÁGEIS Segundo o Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 7), os métodos e abordagens ágeis formam um “guarda- chuva” sobre vários formatos e métodos de aplicação dos valores e princípios do Manifesto Ágil. A Figura 2 nos mostra os vários formatos e metodologias que compõem os métodos ágeis. Temos como precursor das metodologias ágeis a filosofia Lean, de lean-manufacturing, aplicada em linhas de produção, e o Kanban, que também faz parte da produção lean. O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 7) destaca que o Kanban é descendente do Lean, sendo extensamente aplicado em métodos ágeis. Essa herança vem dos princípios de “entregar valor, respeitar as pessoas, minimizar o desperdício, ser transparente, adaptar-se às mudanças e melhorar continuamente”. Figura 2 – Métodos e abordagens ágeis 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/26 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017a, p. 11. Todos esses métodos apresentam formatos e características que obedecem aos fundamentos de metodologias ágeis, seja com aplicações mais dedicadas a softwares ou não, ou seja, com a popularização das metodologias ágeis, sua aplicação começou a ser adaptada ou ajustada, não somente para softwares. Atualmente, grande parte de empresas ligadas ao desenvolvimento de novos produtos ou serviços aplica métodos ágeis em seus processos. Vamos abordar duas das metodologias mais usuais: Kanban e Scrum, que são utilizadas normalmente de modo complementar. 1.4 INCERTEZA, COMPLEXIDADE E RISCO O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 13) comenta que alguns empreendimentos apresentam, no estágio inicial dos trabalhos, incertezas com relação a seu escopo e a seus requisitos. Essas incertezas levam à necessidade de mudanças durante o desenvolvimento do projeto. Também aumentam o grau de risco de retrabalhos e perdas associadas, em busca de novas formas de entregas, mais eficientes, capazes de limitar as incertezas. Essas entregas incrementais podem trazer novas respostas para as próximas entregas, reduzindo o risco de erros futuros. O Guia PMBOK (PMI, 2017c, p. 68) define a complexidade de um projeto conforme as seguintes características: número de partes; 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/26 número de conexões entre as partes; iterações dinâmicas entre as partes; resultado das iterações, que não pode ser explicado de forma simples. A Figura 3 nos apresenta o modelo de classificação de complexidade de projetos de Stacey, com níveis de complexidade conforme duas dimensões: grau técnico de incerteza (eixo X) e incerteza sobre os requisitos (eixo Y). Na área delimitada como “simples”, temos os projetos com baixas incertezas, de tecnologia e de requisitos, ou seja, são projetos que podem ser, em grande parte, definidos e planejados no início dos trabalhos, com expectativa de poucas mudanças durante o desenvolvimento. Na outra extremidade, temos os projetos de alta incerteza em termos de técnicas e requisitos, que são delimitados como “caos”. Aqui estão os projetos que mergulham em um campo muito desconhecido, o que acarreta incertezas e riscos. No meio dos extremos, temos uma região que engloba projetos que apresentam níveis intermediários de incertezas nos quesitos de técnicas e/ou requisitos. Nessa região, é possível reduzir os riscos das incertezas dos projetos com a abordagem de métodos adaptativos, com a promoção de mudanças no decorrer do projeto. Figura 3 – Modelo de incerteza e complexidade de Stacey Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017a, p. 14. O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 15) aponta que os profissionais de projetos criam ciclos de vida para dar mais iteratividade ao trabalho,garantindo assim entregas incrementais. “Muitas equipes descobrem que, quando exploram os requisitos de forma iterativa e fazem entregas incrementais 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/26 com mais frequência, adaptam-se às mudanças com mais facilidade”. As principais características destas abordagens são (PMI, 2017a, p. 15): ciclos de feedback; adaptação frequente do processo; repriorização; planos atualizados regularmente; entregas frequentes. Desse modo, o ciclo de vida dos projetos passa a ser menor e mais iterativo, para que se tenha um retorno (feedback) sobre o que está sendo entregue. Para que o retorno venha sem grandes frustações e constrangimentos, é necessário que clientes, usuários e partes interessadas participem do trabalho, desde o início do projeto, fornecendo informações pertinentes aos requisitos das entregas. TEMA 2 – CICLOS DE VIDA ITERATIVOS E INCREMENTAIS 2.1 TIPOS O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 17) apresenta quatro tipos distintos de ciclo de vida de projetos: Preditivo: é uma abordagem tradicional, quando é feito um planejamento inicial, que deverá ser seguido durante a fase de execução. Iterativo: é um ciclo que permite a iteração com o cliente, a fim de melhorar as entregas futuras. Incremental: permite realizar entregas parciais, e assim o cliente já poderá usá-lo. Ágil ou adaptativo: utiliza a abordagem iterativa e incremental, buscando melhoria do produto com entregas frequentes. 2.2 CARACTERÍSTICAS DOS CICLOS DE VIDA A Tabela 1 mostra as características que diferenciam cada tipo de ciclo de vida. Podemos observar duas características marcantes da abordagem preditiva em relação às outras: a definição dos requisitos, que aqui são fixos; e as atividades de execução, que são realizadas uma vez durante todo o projeto. A abordagem ágil apresenta um grande diferencial em seu objetivo principal, 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/26 fortemente relacionado à entrega de valor para o cliente. Com esse objetivo, é possível concatenar características das abordagens iterativa e incremental. Tabela 1 – Características dos ciclos de vida Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017a, p. 17. Segundo o Guia Ágil PMI (2017a, p. 17), os ciclos de vida iterativos e incrementais são escolhidos por uma organização quando se deseja realizar mudanças de escopo, reduzindo a complexidade do projeto. Permite fazer entregas parciais e incrementais, sem que isso influencie o conjunto geral das entregas do projeto. 2.3 CICLO DE VIDA PREDITIVO Este ciclo é também conhecido como tradicional, ou em cascata, quando todo projeto passa somente por uma iteração. Desse modo, o projeto deve ser planejado inicialmente, com escopo e requisitos bem estabelecidos, evitando a necessidade de mudanças significativas nos custos e cronograma do plano. A Figura 4 mostra o formato sequencial das fases do projeto preditivo. O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 20) comenta que, para essa metodologia, os planos são detalhados no início dos trabalhos, para que seja possível articular suas restrições. Desse modo, a equipe dispensa grande esforço para monitorar e controlar qualquer mudança imprevista, de modo que não afete o escopo, o custo e o cronograma do projeto. O gráfico representa a entrega de valor. Notamos aqui que o ciclo preditivo irá entregar valor ao cliente somente ao final do projeto. Figura 4 – Ciclo de vida preditivo (tradicional) 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/26 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017b, p. 39. 2.4 CICLO DE VIDA ÁGIL De acordo com o Guia PMBOK (PMI, 2017c, p. 533), o ciclo de vida adaptativo, ou de métodos ágeis, é orientado a mudanças, necessitando de um envolvimento profundo das partes interessadas com o projeto. Segundo o Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 24), a equipe que trabalha dentro de um ambiente ágil já espera mudanças nos requisitos. “As abordagens iterativas e incrementais fornecem feedback para planejar a próxima parte do projeto. No entanto, em projetos ágeis, a entrega incremental revela requisitos ocultos ou incompreendidos”. Por isso, em cada etapa (iteração), há a necessidade de replanejar e adaptar o escopo e os requisitos do projeto. A Figura 5 nos mostra como a metodologia ágil pratica as entregas incrementais em suas iterações. Observamos que cada iteração pode levar determinado tempo “t”, ou uma quantidade de trabalho “WIP”, do inglês Work in Progress. Em cada iteração, há processos de planejamento, execução ou construção, testes e revisão. As revisões são feitas com a participação das partes interessadas, que devem dar o devido aceite sobre o trabalho pronto. Um dos grandes princípios dessa metodologia é a rápida entrega de valor ao cliente. Na Figura 5, podemos notar que, a cada iteração, há uma entrega de valor incremental. O Guia SBOK (2017b, p. 39) aponta que o principal benefício do desenvolvimento iterativo é a correção da direção (ou curso) do projeto, e que a cada iteração a equipe adquire um conhecimento 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/26 mais vasto das entregas. Com isso, os esforços para se chegar ao resultado final são reduzidos, o que alavanca a produtividade da equipe. Figura 5 – Ciclo de vida ágil Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017b, p. 39. 2.5 CICLO HÍBRIDO São ciclos que utilizam uma combinação de métodos tradicionais com metodologias ágeis (PMI, 2017a, p. 26). Em muitos casos, as empresas querem implementar metodologias ágeis em seu processo produtivo, porém enfrentam muitas dificuldades nessa migração. Nesses casos, os modelos híbridos podem funcionar como uma espécie de etapa intermediária ou de transição, com a finalidade de adaptar a equipe, de forma gradativa, aos novos conceitos. Como exemplo, podemos imaginar o desenvolvimento de uma atualização de equipamento para que seja controlado pelo celular. Nesse caso, a parte física do equipamento (hardware) já está bem definida para a realização de ajustes. Já o software deve ser totalmente desenvolvido, e ainda não se sabe exatamente como deve funcionar. Nesse exemplo, fica bem clara a divisão que pode ser estabelecida em um ciclo híbrido de desenvolvimento. O hardware pode ser pensado de forma preditiva, pois seu escopo e requisitos já são bem conhecidos, porém, o software deve ser desenvolvido com metodologia adaptativa, etapa em que deve haver maior contato com as partes interessadas pelo produto. 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/26 TEMA 3 – MÉTODOS ÁGEIS 3.1 KANBAN O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 103) apresenta o Kanban como um sistema de agendamento e controle de estoque pertencente ao Lean Manufacturing. O conceito foi desenvolvido por Taiichi Ohno, inspirado em sistemas just-in-time, e aplicado em unidades fabris da Toyota desde 1953. Conforme o Guia SBOK (2017b, p. 295), a palavra kanban quer dizer placa ou outdoor, e refere-se à utilização de recursos visuais para o acompanhamento do fluxo de produção. O guia ainda comenta que a utilização de recursos visuais se provou muito eficaz, ao ponto de ter levado a Toyota à posição de liderança na área de gerenciamento de processos. O Kanban é um controle visual muito fácil de implementar, podendo ser utilizado em muitas situações. Trata-se de um quadro instalado de forma bem visível, onde são desenhadas colunas que representam as fases ou o status de um processo. Por exemplo, “a fazer”, “fazendo” e “feito”. Nessas colunas, são colocadas as atividades que fazem parte do processo, de acordo com o status atual. Segundo o Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 103), o Kanban tem aplicação mais efetiva quando a equipe ou a organização necessitam das seguintes condições: flexibilidade; foco na entrega contínua; maior produtividade e qualidade; maior eficiência; foco no integrante da equipe; variabilidade da carga de trabalho; redução do desperdício. A Figura 6 nos mostraum exemplo de um quadro Kanban com divisões e subdivisões, provavelmente aplicado ao desenvolvimento de software. Podemos observar que o processo apresenta cinco fases, e que cada fase apresenta um limite de tarefas, indicado na numeração superior à descrição das fases. O limite de tarefas, chamado WIP, visa estabelecer a velocidade do fluxo de trabalho, evitando acúmulo de tarefas entre as fases. Desse modo, os recursos são mais bem distribuídos, evitando desperdícios, espera e acúmulo de recursos. As tarefas são representadas pelas 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/26 figurinhas amarelas, onde são descritas as informações mais relevantes da tarefa, como nome, responsável, tempo ou quantidade de trabalho estimado. Figura 6 – Exemplo de quadro Kanban Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017a, p. 105. 3.2 SCRUM O Scrum surgiu em meados da década de 1990, quando Jeff Sutherland buscava uma nova forma de trabalhar em equipe para desenvolver um novo software. Ele se inspirou em um artigo dos professores Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka, de 1986, que comparavam as equipes de desenvolvimento com a jogada scrum do rúgbi (Sutherland; Sutherland, 2016, p. 39). 3.2.1 FUNDAMENTOS DO SCRUM Sutherland e Schwaber (2017, p. 4) afirmam que o Scrum tem seus fundamentos no empirismo, ou seja, na ideia de que o conhecimento é consequência da experiência, de modo que as decisões são tomadas com base no que é conhecido. “O Scrum emprega uma abordagem iterativa e incremental para aperfeiçoar a previsibilidade e o controle de riscos”. Três pilares fundamentam a implementação de controle do processo no Scrum (Sutherland; Schwaber, 2017, p. 4): 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/26 Transparência: o processo deve estar à vista de todos os interessados, de modo que haja um entendimento comum quanto a definições e decisões. Inspeção: os participantes do projeto devem realizar inspeções e verificações nos artefatos de controle e transparência, com vistas a detectar variações que possam afetar os objetivos das iterações. Adaptação: ao verificar um desvio do projeto além dos limites aceitáveis, cabe à equipe promover ações de ajuste, o mais rapidamente possível. 3.2.2 PRINCÍPIOS DO SCRUM De acordo com o Guia SBOK (2017b, p. 9-10), os seis princípios do Scrum funcionam como diretrizes da aplicação de sua estrutura. Esses princípios devem ser seguidos e aplicados em qualquer organização e em qualquer projeto. São eles: Controle de processos empíricos: tem como base os três fundamentos do Scrum (inspeção, transparência e adaptação); Auto-organização: equipes auto-organizadas entregam maior valor, pois seus membros ficam mais satisfeitos, por trabalharem em uma dinâmica de responsabilidade compartilhada em um ambiente mais criativo; Colaboração: este princípio contém três dimensões (consciência, articulação e apropriação); Priorização baseada em valor: representa o objetivo maior nos projetos formatados pelo Scrum, que é entregar o máximo de valor do negócio; Time-boxing: estabelece que o tempo é sempre limitado e controlado, assim, vários elementos e processos da estrutura apresentam tempo pré-estabelecido; Desenvolvimento iterativo: define a característica de trabalho iterativo, com retorno das partes interessadas para a realização de correções, ajustes e adaptações pertinentes. 3.2.3 VISÃO GERAL O Guia SBOK (2017b, p. 2) destaca que o Scrum é um dos métodos ágeis mais conhecidos e aplicados da atualidade. Foi desenvolvido para fornecer valor de forma rápida, com iteratividade, eficiência e flexibilidade. O guia ainda afirma que “o Scrum garante a transparência na comunicação e cria um ambiente de responsabilidade coletiva e progresso contínuo”. Além disso, sua estruturação 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/26 permite o apoio para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, em qualquer indústria ou setor, seja lá qual for a complexidade envolvida. O formato de desenvolvimento do Scrum segue um fluxo, conforme apresentado na Figura 7. O formato apresentado pela figura pode sofrer algumas alterações de designação, pois os termos podem ser adicionados e adaptados por cada fonte de consulta. No entanto, os principais elementos, os eventos mais importantes e os timing-boxes (limites de tempo) devem ser mantidos, de modo a assegurar a eficiência da estrutura. O Guia SBOK (2017b, p. 2) esclarece que o ciclo se inicia com a análise do negócio, em reunião com as partes interessadas (stakeholders), quando se cria o Termo de Abertura ou a Visão do Projeto. Após o Termo de Abertura, o dono do produto, junto com a equipe de desenvolvimento, monta o backlog do produto priorizado. O backlog é uma lista de requisitos do produto, serviço ou entrega. Os requisitos são definidos com base em estórias de usuários, fornecidas pelos clientes ou pelas partes interessadas. A execução do backlog do produto é feita por meio de sprints, também chamadas de iterações. Os sprints são grupos menores de requisitos, escolhidos por prioridade de valor a ser gerado. Cada sprint leva normalmente de uma a seis semanas para ser concluído. Durante a execução do sprint, são feitas reuniões diárias, com o intuito de verificar o progresso dos trabalhos e possíveis impedimentos. Ao final de cada sprint, é feita uma reunião entre o time de Scrum e as partes interessadas, para a aceitação dos itens da iteração. Após o aceite, é realizada uma reunião de retrospectiva, que busca avaliar o processo da última entrega. Um novo ciclo de iteração inicia com a reunião de planejamento do próximo sprint, em que são escolhidos novos itens do backlog do produto a serem desenvolvidos. Figura 7 – Fluxo do Scrum para um sprint 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/26 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017b, p. 2. 3.2.4 O TIME SCRUM Sutherland e Schwaber (2017, p. 6) afirmam que os times Scrum devem ser multifuncionais e auto-organizados. Desse modo, seus membros escolhem a melhor forma de desenvolver suas atividades, reunindo todas as competências para completar os trabalhos. Segundo os autores, “o modelo de time no Scrum é projetado para aperfeiçoar a flexibilidade, criatividade e produtividade”. Conforme o Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 39), as equipes ágeis estão focadas no desenvolvimento rápido do produto, com vistas a obter um retorno do trabalho. As equipes mais efetivas dividem o mesmo espaço para um projeto, e em geral variam de três a nove membros. O guia afirma que “o ágil incentiva as equipes autogerenciáveis, onde os membros da equipe decidem quem realizará o trabalho dentro do escopo definido do próximo período”. O time Scrum é formado por três elementos principais: o dono do produto, o scrum master e o time de desenvolvimento. 3.2.4.1 DONO DO PRODUTO OU PRODUCT OWNER Conforme o Guia SBOK (2017, p.11), o dono do produto é o grande responsável por gerar valor de negócio para o projeto. Ele representa a voz do cliente no empreendimento, com a função de manter a justificativa do negócio para o projeto. Sutherland e Schwaber (2017, p.6) comentam que o dono do produto deve gerenciar seu backlog, o que implica atividades como: 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/26 definir com clareza os itens do backlog; fazer a ordenação dos itens; otimizar o valor no desenvolvimento dos trabalhos; dar visibilidade e transparência às decisões e ordenações das tarefas; dar suporte à equipe de desenvolvimento, no entendimento dos itens do backlog. O relacionamento entre todos os elementos centrais do projeto é de respeito e entendimento com relação às suas funções no empreendimento. Desse modo, o dono do produto sempre deve ser consultado em relação a qualquer mudança sugerida ou solicitada no backlog. No entanto, isso não quer dizer que o dono do produto gerencie ou coordene qualquer atividadedos outros elementos. 3.2.4.2 TIME DE DESENVOLVIMENTO Segundo o Guia SBOK (2017b, p. 41), as equipes de desenvolvimento são multifuncionais, com todas as habilidades necessárias para a produção de um produto funcional. Os profissionais da área entregam produtos em uma cadência regular, dentro das restrições solicitadas e sem depender de ajuda externa. Sutherland e Schwaber (2017, p. 7) afirmam que os times de desenvolvimento apresentam estrutura e autorização para a gestão de seu próprio trabalho. “A sinergia resultante aperfeiçoa a eficiência e a eficácia do Time de Desenvolvimento como um todo”. Conforme os autores, esta equipe apresenta as seguintes características (Sutherland; Schwaber, 2017, p. 7): Eles são auto-organizados, e não há uma hierarquia diferenciada entre o time de desenvolvimento e outros membros. Entretanto, existe cooperação e respeito sobre as funções de cada um. Apresentam habilidades e competências para incrementar o produto; O time de desenvolvimento não tem subdivisões nem títulos que os diferenciem mutuamente; Um membro pode ser especializado para determinada tarefa, porém, a responsabilidade por qualquer atividade dentro do projeto é de todos. 3.2.4.3 SCRUM MASTER Sutherland e Schwaber (2017, p. 7) definem o scrum master como o responsável por dar todo o suporte sobre a metodologia Scrum, por meio de teoria e prática, disseminando as regras e os 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/26 valores da metodologia. Ele deve apresentar liderança de perfil servidor com todo o time, ajudando as partes externos do time a entenderem o Scrum. Segundo o Guia SBOK (PMI, 2017b, p. 11), ele é um facilitador, contribuindo para manter um clima organizacional propício para o desenvolvimento e a conclusão dos trabalhos. Apresenta também as funções de treinar, ensinar e monitorar as práticas e os procedimentos do método. O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 41) chama esse cargo de facilitador da equipe, mas ele também pode ser chamado de gerente do projeto – no entanto, sem a função de gestor, mas sim de líder servidor e coach de equipe. 3.2.5 EVENTOS SCRUM Segundo Sutherland e Schwaber (2017, p. 9), os eventos Scrum são utilizados para garantir regularidade no trabalho da equipe, minimizando a quantidade de reuniões não definidas e desnecessárias. Todos os eventos apresentam um tempo máximo para sua duração, chamado de time-boxed. Os autores ainda comentam que um sprint não pode ser reduzido ou aumentado, enquanto outros eventos podem ser encerrados caso o objetivo tenha sido alcançado. 3.2.5.1 SPRINT Conforme o Guia SBOK (PMI, 2017b, p. 35), neste processo há a criação dos entregáveis. Ele deve durar entre 1 a 6 semanas. No tempo de duração de um sprint os backlogs, que foram selecionados são convertidos em produtos, conforme os requisitos especificados em cada backlog. Sutherland e Schwaber (2017, p. 9) sugerem que um sprint não deve durar mais que um mês, ou quatro semanas. Eles apontam que, em iterações mais extensas, a definição do que será construído pode mudar, aumentando assim a complexidade e o risco para o projeto. Durante o período do Sprint: não são realizadas mudanças que afetem o objetivo da iteração; a qualidade deve ser mantida; o escopo pode sofrer ajustes, conforme o entendimento entre o time de desenvolvimento e o dono do produto. 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/26 3.2.5.2 REUNIÃO DIÁRIA Sutherland e Schwaber (2017, p. 12) apontam que a reunião é um evento time-boxed de 15 minutos, devendo ser realizada diariamente durante o sprint. O intuito da reunião é fazer a inspeção das últimas 24h de trabalho e planejar as próximas 24h. Ela deve ser realizada no mesmo local e no mesmo horário sempre, para que se torne uma rotina, tornando-se menos complexa. “Reuniões diárias melhoram as comunicações, eliminam outras reuniões, identificam e removem impedimentos para o desenvolvimento, destacam e promovem rápidas tomadas de decisão, e melhoram o nível de conhecimento do time de desenvolvimento” (Sutherland; Schwaber, 2017, p.12). Observamos na prática que as reuniões diárias são os eventos mais característicos do scrum e dos demais métodos ágeis. Elas são muito importantes para manter o foco da equipe de desenvolvimento nas metas, e também para levantar qualquer problema ou impedimento enfrentado por membros da equipe. Ela é realizada em pé e, preferivelmente, em frente ao quadro de controle de atividade. Normalmente, um membro da equipe, ou mesmo o scrum master, realiza três perguntas para cada membro: O que foi realizado desde a última reunião? O que está planejado para ser realizado até a próxima reunião? Quais os impedimentos ou problemas para realizar as suas tarefas? 3.2.5.3 REUNIÃO DE PLANEJAMENTO DO SPRINT O Guia SBOK (PMI, 2017c, p. 36) explica que esta reunião antecede cada sprint, visando criar o próximo backlog do sprint. Ela é limitada em até oito horas para um sprint de quatro semanas, e está dividida em duas partes: Definição do objetivo: aqui, o dono do produto tem a função de explicar para o time de desenvolvimento, com maior prioridade, quais são as tarefas e as estórias dos usuários. Em contrapartida, a equipe de desenvolvimento ajuda a definir qual será o objetivo do sprint. Estimativa de trabalho: nesta etapa, o time Scrum define como irá compor o sprint para o alcance do objetivo estabelecido. 3.2.5.4 REUNIÃO DE REVISÃO DO SPRINT 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/26 Segundo Sutherland e Schwaber (2017, p. 13), trata-se de uma reunião informal entre o time Scrum e as partes interessadas. Ela é time-boxed, com duração máxima de quatro horas para um sprint de um mês. Seu objetivo é realizar uma inspeção do incremento desenvolvido durante a iteração. As partes interessadas colaboram com o time, dando retorno sobre o que foi realizado e apresentado. “O resultado da Revisão da Sprint é um Backlog do Produto revisado que define os prováveis Itens de Backlog do Produto para a próxima Sprint” (Sutherland; Schwaber, 2017, p. 13). Esta é muitas vezes a reunião responsável pela efetividade da metodologia, pois serve como um leme de navegação para o time Scrum. A necessidade de desenvolver um produto ou uma entrega sem muitas definições iniciais traz incertezas quanto aos feedbacks. Com base nas reuniões de revisão, temos a oportunidade de escutar a opinião dos clientes sobre o que está sendo feito, sem que haja uma perda efetiva. Os pontos negativos, as dúvidas geradas, e também o que está correto, podem servir de base para pensar o que deve ser cortado, alterado, ajustado ou efetivado. 3.2.5.5 REUNIÃO DE RETROSPECTIVA DO SPRINT O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 50) destaca que nas reuniões de retrospectivas o time Scrum tem a oportunidade de aprender, melhorar e adaptar seu processo. O guia ainda sugere que os times provoquem iterações de apenas duas semanas, para que tenham um retorno rápido, e para que possam realizar uma retrospectiva. Porém, não há a necessidade de concluir a iteração para realizar uma retrospectiva. O guia ainda sugere momentos-chave do processo, em que essas reuniões podem ser feitas (PMI, 2017a, p. 51): quando se completa um release ou uma entrega; após algumas semanas da última retrospectiva; quando a equipe parece estagnada; em qualquer marco do projeto. A reunião de retrospectiva é peça fundamental do método, pois possibilita a definição de ações de melhoria, de correção e de adaptação, sempre pensando em alcançar os objetivos do projeto. Nessa reunião, são levantadas e analisadas as informações obtidas durante o sprint, principalmente durante a reunião de revisão. A saída da reunião deve ser um plano de ações para promover a melhoria do processo, com ajustes do backlog e outras melhorias. 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 20/26 TEMA 4 – ARTEFATOS DO SCRUM Para Sutherland e Schwaber (2017, p. 14),“os artefatos do Scrum representam o trabalho ou o valor para o fornecimento de transparência e oportunidades para inspeção e adaptação”. Buscam maximizar a transparência, com informações necessárias para que os interessados tenham a mesma percepção. Os artefatos têm múltiplas funções, são disseminadores de informação, buscam uma linguagem acessível para entendimento de todos, e devem sempre estar atualizados. 4.1 BACKLOG PRIORIZADO DO PRODUTO O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 52) define o backlog como uma “lista ordenada de todo o trabalho, apresentado em forma de estória, para a equipe”. Segundo o Guia SBOK (2017b, p. 88), “o Backlog Priorizado do Produto é um documento de requisitos individuais que definem o escopo do projeto, fornecendo uma lista de prioridades das características do produto ou serviço a serem entregues pelo projeto”. Os requisitos são definidos pelas partes interessadas por meio de estórias de usuários. As estórias descritas também devem apresentar critérios de aceitação, que têm a função de julgar a funcionalidade dos requisitos. A lista de requisitos contém todos os atributos e funções necessários para que o produto, serviço ou entrega seja considerado como concluído. A lista deve ser priorizada pelo valor que o produto terá para o cliente ou a parte interessada. O dono do produto é o responsável por estabelecer as prioridades, pois é ele quem realiza, primordialmente, o contato com o cliente e com as partes interessadas no projeto. Conforme apontamos anteriormente, o dono do produto também é responsável pela revisão e pela atualização do artefato. 4.2 BACKLOG DA SPRINT Sutherland e Schwaber (2017, p. 16) definem como “um conjunto de itens do Backlog do Produto selecionados para a Sprint, juntamente com o plano para entregar o incremento do produto e atingir o objetivo da Sprint”. Esses itens representam a escolha do time de desenvolvimento sobre a funcionalidade que será entregue no próximo incremento. 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 21/26 O Guia SBOK (2017, p. 196) aponta que é uma prática comum “que o Backlog do Sprint seja representado em um Scrumboard (por exemplo: quadro kanban) ou quadro de tarefas, o que proporciona uma representação constantemente visível do status das Estórias de Usuário no backlog”. O guia também comenta que estão incluídos, ao backlog da sprint, os riscos associados a cada tarefa, assim com as ações para o tratamento dos riscos. A lista de tarefas ou requisitos do backlog da sprint é definida na reunião de planejamento da sprint. Dessa lista, o time Scrum escolhe as estórias prioritárias para serem desenvolvidas no próximo sprint. O time de desenvolvimento define quais tarefas vão ser realizadas e como. Portanto, eles têm total responsabilidade pelas tarefas do sprint. Normalmente, as tarefas a serem executadas no sprint são monitoradas e controladas por meio de um quadro Kanban. As reuniões diárias devem ser feitas, preferivelmente, nas proximidades do quadro, para que o time Scrum possa acompanhar, monitorar e controlar o desempenho dos trabalhos. 4.3 INCREMENTO O Guia SBOK (2017, p. 207) considera que um incremento é o mesmo que um entregável do projeto executado em cada Sprint. Deve apresentar as características e funcionalidades definidas pelas estórias de usuários e testadas com sucesso. Sutherland e Schwaber (2017, p. 16) definem incrementos como “a soma de todos os itens do Backlog do Produto completados durante a Sprint e o valor dos incrementos de todas as Sprints anteriores”. Os autores apontam ainda que, ao final do sprint, o incremento deve estar na condição de funcionalidade e atender a definição de “pronto” do time Scrum. Podemos entender que cada incremento seja uma parte do escopo a ser entregue a cada sprint. Devemos lembrar que o backlog do produto é priorizado em valor para o cliente; assim, os primeiros incrementos terão sempre maior valor adicionado ao produto final. Desse modo, a metodologia faz com que o time realize entregas de maior valor já nos primeiros sprints, evitando o risco de que uma funcionalidade importante, ou mesmo essencial, seja deixada para o final, e não possa ser atendida. TEMA 5 – TÉCNICAS E FERRAMENTAS 5.1 PRIORIZAÇÃO BASEADA EM VALOR 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 22/26 Segundo o Guia SBOK (PMI, 2017b, p. 76), a priorização com base no valor tem foco na entrega do maior valor ao negócio do projeto, prioritariamente. Assim, a lista das estórias é ordenada de forma decrescente em relação ao valor para o cliente. O guia nos apresenta uma variedade de técnicas que ajudam o time a priorizar as estórias (PMI, 2017b, p. 76): Esquema simples: é feita a rotulagem de cada item conforme um grau relacional. Por exemplo: 1, 2, 3; “Alta”, “Média”, “Baixa”. Devemos tomar cuidado para que não haja a tendência de tudo em “Alta”. MoSCoW: termos do inglês que descrevem o processo; Must have (deve ter), Should have (deveria ter), Could have (poderia ter) e Won’t have (não vai ter). Monopólio: distribuímos o mesmo valor monetário, em notas falsas, para todos os participantes. Pede-se então que os participantes façam a distribuição do dinheiro conforme o valor de cada estória. Método dos 100 pontos: são dados 100 pontos a cada cliente, que deve distribuir os pontos conforme o grau de importância de cada característica. Análise Kano: classificação conforme quatro características (excitantes/prazerosos; satisfatórios; insatisfatórios; indiferentes). 5.2 ANÁLISE DE DADOS 5.2.1 GRÁFICO BURNDOWN DE SPRINT De acordo com o Guia PMBOK (PMI, 2017c, p. 226), este gráfico compara a evolução das entregas dos trabalhos em relação a uma linha base de planejamento. A Figura 8 nos mostra o exemplo de um gráfico burndown, que representa a quantidade de trabalhos restantes para a conclusão do sprint. A linha de previsão, em azul, é traçada de acordo com a produtividade planejada pela equipe. A linha em verde representa o acompanhamento real de término das tarefas. Essa linha deve ser atualizada diariamente, nas reuniões realizadas, em pé. A linha tracejada em laranja é resultado computacional da tendência das marcações reais. Sua função é prever a data de término, considerando o trabalho real. Ela não precisa ser atualizada diariamente no gráfico; no entanto, ainda é preciso atualizar a data prevista de término. Figura 8 – Exemplo de gráfico burndown 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 23/26 Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017c, p. 226. 5.2.2 GRÁFICO BURNUP O Guia Ágil (PMI, 2017a, p. 64) descreve que o gráfico burnup representa os mesmos valores vistos anteriormente, com linha planejada, real e tendência. No entanto, a forma como os valores são vistos por algumas equipes é um diferencial, pois o gráfico burnup mostra para a equipe o que já foi realizado. 5.2.3 ANÁLISE DE VALOR AGREGADO (AVA) O Guia PMBOK (PMI, 2017c, p. 261) define que “a análise de valor agregado compara a linha de base da medição do desempenho com o cronograma real e o desempenho dos custos”. Conforme o Guia SBOK (2017b, p. 79), a AVA pode medir as variações atuais de cronograma, custo de desempenho, previsão de término e custos finais. “A AVA é normalmente feita no final de cada Sprint após a conclusão das Estórias de Usuário no Backlog do Sprint”. Trata-se da principal ferramenta para análise de desempenho de projetos. Há a realização de uma série de análises das condições do projeto, com base no valor agregado (VA), que representa o trabalho já autorizado do orçamento do projeto. Vale lembrar que os valores são acumulados, mostrando a situação momentânea. A Tabela 2 nos mostra um resumo das relações que podem ser utilizadas nessa análise. A sigla (VP) representa o valor total do orçamento, sem considerar a reserva gerencial. O Valor de Custo Real 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 24/26 (CR) representa o valor gastopara a execução de (VA). O valor (ONT) representa o valor total orçado no término do projeto. Com base nesses valores reais e planejados, podemos obter várias relações e índices de desempenho do projeto, conforme mostra a Tabela 2. Por exemplo, as variações de custo (VC) e de cronograma (VPR) representam variações numéricas do planejado e realizado. Nesses casos, o valor realizado será subtraído do planejado. Desse modo, se os índices indicarem um valor positivo, o projeto atende o esperado; se negativo, não atende; se zero, o projeto está seguindo exatamente o valor planejado. Os índices (IDPT) e (IDC) representam a razão entre o valor executado (agregado) e o planejado, de cronograma e custo, respectivamente. Assim, os valores podem ser: maior que um (melhor que o planejado); igual a um (igual ao planejado); ou menor que um (pior que o planejado). Outra análise que pode ser obtida é a estimativa no término (ENT), quando são avaliadas as condições de gasto no término do projeto a partir do valor agregado. Por meio dessa análise, é possível obter previsões e demonstrações gráficas para facilitar o entendimento do status do projeto. Tabela 2 – Fórmulas da Análise de Valor Agregado Definição do Termo Sigla Fórmula Valor Planejado VP Valor Agregado VA Custo Real CR Orçamento No Término ONT Variação do Cronograma VPR VA - VP Variação de Custo VC VA - CR Índice de Desempenho Para Término IDPT VA / VP Índice de Desempenho de Custo IDC VA / CR Porcentagem Concluída % Concluída (VA / ONT) (%) Estimativa No Término 1. Estimativa de suposições inválidas 2. As variações atuais são atípicas ENT 1. CR + EPT 2. CR + ONT -VA 3. ONT / IDC 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 25/26 3. As variações atuais são típicas Estimativa Para Terminar EPT ENT - CR Variação No Término VNT ONT - ENT Fonte: Elaborado com base em PMI, 2017b, p. 79. FINALIZANDO Nesta aula, apresentamos as novas tendências em gerenciamento de projetos. Vimos, no primeiro tema, conceitos sobre os métodos ágeis, assim como alguns outros métodos que estão dentro da filosofia. No segundo tema, mostramos os diferentes ciclos de vida, e como eles podem caracterizar e beneficiar os métodos ágeis. No terceiro tema, apresentamos dois métodos ágeis, que podem trabalhar de modo complementar no Scrum: o Kanban e o Scrum. Estudamos conceitos e elementos que fazem parte das duas metodologias. No quarto tema, apresentamos os artefatos que fazem parte do método Scrum. No quinto tema, mostramos ferramentas utilizadas para se trabalhar com projetos – uma auxilia na priorização de valor para estórias de usuários e tarefas do Scrum, e outra é utilizada para qualquer tipo de metodologia de gestão de projetos. Esperamos que todos vocês tenham apreciado o conteúdo do material, de modo que possam desenvolver novas técnicas e habilidades para a gestão de projetos. Até a próxima e bons estudos! REFERÊNCIAS PMI – Project Management Institute. Guia Ágil. Pensilvânia: PMI, 2017a. _____. Guia para o Conhecimento em Scrum: Guia SBOK. 3. ed. Arizona: Indian School Road, 2017b. _____. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos: Guia PMBOK. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017c. SUTHERLAND, J.; SUTHERLAND, J.J. Scrum a arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo. 2. ed. Rio de Janeiro: LeYa, 2016. 01/05/2023, 16:50 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 26/26 SUTHERLAND, J.; SCHWABER, K. Guia do Scrum: um guia definitivo para o scrum – as regras do jogo. Creative Commons, 2017. Disponível em: <http://creativecommons.org/licenses/by- sa/4.0/legalcode>. Acesso em: 14 fev. 2021.