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Obstetrícia – Amanda Longo Louzada 
1 INTRODUÇÃO AO PARTO: ESTUDO DO MOTOR 
INTRODUÇÃO: 
 A contratilidade uterina é um fenômeno mais 
importante do trabalho de parto, indispensável 
para fazer dilatar o colo e expulsar o feto. 
 As ultimas horas são caracterizadas por fontes 
contrações uterinas que produzem dilatação do 
colo uterino e forçam a passagem do feto pelo 
canal do parto. 
TOCOMETRIA: 
 Mensuração da contração uterina e seu registro 
gráfico é chamado de topografia, serve para 
diagnosticar e tratar os distúrbios que possam 
aparecer durante o parto. 
 Registro da pressão intramiometrial: transdutores 
de pressão são inseridos,via abdominal, no 
miométrio e permitem registrar a contratilidade 
uterina nos diversos segmentos uterinos. 
 Registro da pressão amniótica: um transdutor de 
pressão é colocado no espaço extraovular, entre 
a bolsa amniótica e o útero. 
 Registro da Pressão placentária: adapta-se um 
cateter ligado a um manômetro no cordão 
umbilical durante o secundamento. 
 Registro da pressão do útero vazio: Contratilidade 
uterina no puerpério 
 Tocometria externa: transdutor abdominal de 
pressão acoplado ao aparelho de 
cardiotocografia, método de eleição para 
monitorização da contratilidade uterina durante o 
trabalho do parto, por ser isento de risco e fácil 
manuseio. 
CARACTERÍSTICAS DAS METROSSÍSTOLES 
 
 Tônus Uterino: O menor valor registrado entre 
duas contrações. Corresponde à pressão 
miometral em repouso, geralmente é de 10mmHg 
 Frequência: Número de contrações em 10min. 
 Intensidade: Elevação da pressão amniótica 
acima do tono. É a pressão máxima uterina 
durante uma contração acima do tônus uterino. 
Ex: 50mmHg, na verdade possui intensidade de 
40mmHg, já que o tônus uterino normal é de 
10mmHg. 
 Duração: É o tempo entre o início e o final da 
contração uterina, medindo em segundos. 
 Normal é que dure entre 40 – 60 segundos 
durante o trabalho de parto 
 Atividade Uterina: Produto da intensidade pela 
frequência, expresso em mmHg/10min. Ex: 
intensidade de 40mmHg e frequência de 3 em 10 
min apresenta atividade uterina de 120 unidades 
montevidéu. 
 Trabalho uterino: Soma das intensidades de todas 
as contrações durante o parto. Só pode ser 
medido se houver tocometria interna durante todo 
o trabalho de parto. 
 Triplice Gradiente Descendente: Característica 
mais importantes das contrações durante o 
trabalho de parto, as contrações começam e são 
mais duradouras no fundo uterino, são mais 
intensas no fundo e se propagam do fundo para o 
colo uterino: propagação, intensidade e duração 
do fundo para o colo. 
 Dura mais tempo na parte alta do útero 
EVOLUÇÃO DA CONTRATILIDADE UTERINA: 
 Durante a gravidez, as contrações uterinas são 
incoodernadas, frequentes, focais, de baixa 
intensidade e não possuem o tríplice gradiente 
descendente: as contrações de Braxton-Hicks, 
descoordenadas, indolores, incapazes de resultar 
em dilatação cervical 
 2 – 3 contrações por hora 
 Ao se aproximar o momento do parto, vão se 
tornando mais coordenadas e frequentes. 
 Entre 28-32 semanas possuem uma frequência 
de aproximadamente duas a cada hora e, entre 
33-36 semanas, até três contrações por hora. 
 O trabalho de parto desencadeia-se quando 
gradualmente, as contrações atingem a 
frequência de 2 a 3 em 10min, com intensidades 
de 30 a 40 mmHg (80 a 120 unidades 
montevidéu) e duração entre 30 a 40 segundos. 
 No período de dilatação, as contrações têm 
intensidade de 30mmHg e frequência de 2 a 3 cm 
em 10 min, alcançando, no final desde período, a 
frequência de 4 em 10 min, intensidade de 
40mmHg e duração de 50 segundos (90 UM). 
 No período expulsivo, temos 5 a 6 contrações em 
10 min, com intensidade de 50 a 60mmHg e 
duração de 60 a 80 segundos (250 UM). A essas 
contrações expulsivas associam-se as 
contrações voluntárias da gestante, efetuando os 
“puxos” (contração da musculatura abdominal 
coma glote fechada), que promovem acréscimos 
de cerca de 50mmHg na pressão intrauterina. 
Obstetrícia – Amanda Longo Louzada 
2 INTRODUÇÃO AO PARTO: ESTUDO DO MOTOR 
 A posição do paciente tem influencia na 
contratilidade uterina. Decúbito dorsal comprimi a 
VCI e diminui DC, levando hipotensão arterial. 
 No período de secundamento, após o 
nascimento, o útero continua a contrair de forma 
intensa e ritmada, embora as contrações 
geralmente sejam indolores. Chamado de 
Período de Repouso Fisiológico. 
 No puerpério, as contrações vão diminuindo de 
frequência e intensidade. Quando o RN é 
amamentado, a liberação da ocitocina promove 
uma contração uterina mais intensa. 
 
FUNÇÕES DE CONTRATILIDADE UTERINA: 
 Manutenção da Gravidez: Durante a gravidez o 
útero não esta inativo. Se contrai durante toda 
gestação em resposta a distensão constante. As 
contrações uterinas mantenham a gravidez, as 
características incoordenadas e irregulares não 
permitem o desencadeamento do trabalho do 
parto. A placenta produz progesterona que 
diminui a sensibilidade da fibra uterina e a 
propagação do estímulo contrátil, criando o 
chamado Bloqueio Progesterônico 
Subplacentário 
 Dilatação e apagamento do colo uterino, 
formação do segmento uterino inferior (dilatação 
do istmo): Na fase pré-parto, a contração encurta 
o corpo uterino e exerce tração longitudinal no 
segmento uterino inferior e no colo uterino. Esse 
segmente se expande progressivamente e o colo 
reduz sua espessura e se dilata. O progresso de 
dilatação depende da coordenação das 
contrações. Além das metrossístoles, a pressão 
exercida pela apresentação fetal e bolsa 
amniótica contribui para o amadurecimento do 
colo. 
 Descida e Expulsão Fetal: A tração dos 
ligamentos redondos e uterossacros que 
acompanha as metrossístoles projeta o fundo 
uterino para frente e direciona seu eixo, o que 
auxilia a descida fetal. O desejo de “fazer força” 
ocorre pela compressão do períneo, da ampola 
retal e de todo assoalho pélvico. 
 Deslocamento da placenta: Após a saída do bebê, 
o útero continua a se contrair e reduz bastante de 
tamanho. Essa diminuindo é responsável pelo 
deslocamento da placenta. 
 Hemostasia Puerperal: A atividade uterina após a 
saída da placenta, além de eliminar coágulos, 
comprime os vasos sanguíneos que atravessam 
o miométrio, reduzindo a perda sanguínea. 
Fenomeno chamado de miotamponagem, e o 
globo uterino que se forma é chamado de globo 
de segurança de Pinard 
REPERCUSSÕES HEMODINÂMICAS DAS 
CONTRAÇÕES UTERINAS: 
 No organismo materno, cada contração 
impulsiona 300ml de sangue, com considerável 
aumento do retorno venoso, DC e PA. 
 Durante o relaxamento uterino, se a gestante 
estiver em decúbito dorsal, a compressão da VCI 
pelo útero pode causar hipotensão supina. 
CORRELAÇÃO CLÍNICA DO REGISTRO DA 
PRESSÃO AMNIÓTICA: 
 As contrações só são percebidas à palpação 
abdominal quando sua intensidade ultrapassa o 
valor de 10mmHg e é dolorosa a partir de 15 
mmHg 
 Com o início e o fim da contração não são 
percebidos a contração na palpação, a duração 
clínica da metrossístoles é mais curta (70 
segundos) que a duração real obtida pelo registro 
da pressão amniótica (200 segundos). 
 Se o tono uterino estiver acima de 30mmHg não 
consegue palpar. 
 
INDUÇÃO DO PARTO: 
 O parto é induzido quando iniciado artificialmente 
por meios farmacológicos ou mecânicos que 
produzem metrossístoles eficientes para 
desencadear o trabalho de parto. 
 A indução do parto é considerada terapêutica 
quando for necessária a interrupção da gravidez, 
Obstetrícia – Amanda Longo Louzada 
3 INTRODUÇÃO AO PARTO: ESTUDO DO MOTOR 
e eletiva quando não houver indicação para 
beneficio fetal. 
 Estimular o útero a contrair antes do 
estabelecimento do 
 As principais indicações para indução do parto 
são: 
 Gravidez Prolongada 
 Amniorrexe prematura com sinaisde infecção 
ovular 
 Malformação fetal incompatível coma vida 
extrauterina. 
 Morte fetal 
 Gestação com 41 semanas ou mais (aumento 
da morbimortalidade perinatal nas gestações 
com 42 semanas ou mais) 
 Geralmente são contraindicações para indução 
de parto: 
 Gestação múltipla 
 Desproporção cefalopélvica absoluta 
 Apresentação fetal anômala 
 Útero com histerectomia prévia longitudinal, 
corporal ou múltiplas (cesariana ou 
miomectomia) 
 Placenta prévia 
 Obstrução do canal do parto 
 Macrossomia fetal 
 Sofrimento fetal 
 Prolapso do cordão 
 Infecção ativa pelo herpes genital 
 Carcinoma cervical invasivo 
 Malformações uterinas 
 Sorologia para HIV + 
 Pode ser também: multiparidade, apresentação 
cefálica defletida. Presença de cesariana 
anterior não é uma contraindicação absoluta. 
 O índice de Bishop é o sistema utilizado para 
avaliar a maturação do colo uterino. Considera-se 
um colo maduro quando for maior igual a 9 (é 
ocitocina), intermediário entre 5 e 8 e 
desfavorável quando menor que 5 (sempre com 
método de krause ou misoprostol) 
 
 O sucesso na indução depende da obtenção da 
contratilidade uterina e dilatação progressiva do 
colo. 
 A contração uterina adequada para dilatação 
cervical esta diretamente relacionada ao estado 
inicial do colo e à idade gestacional. 
 Na presença de colo uterino desfavorável, 
considera-se fundamental a realização do 
preparo cervical prévio à indução do parto. 
 O Misoprostol é uma prostaglandina sintética e 
sua administração é o método de escolha para o 
preparo cervical, através da via vaginal é 
contraindicada após 28 semanas e cesariana 
anterior 
 Outros métodos para o preparo do colo uterino 
são: PgE2, hialuronidase, método de Krause. 
 Os métodos atualmente utilizados para indução 
do parto são: 
 Descolamento digital das membranas 
amnióticas, promove liberação de 
prostaglandinas 
 Infusão de ocitocina: método mais difundido, 
capaz de iniciar ou aumentar as contrações 
rítmicas podendo produzir efeitos adversos 
como taquissistolia, hipertonia uterina, 
sofrimento fetal agudo. 
 Utilização de prostaglandinas 
 Amnioterapia: provoca aumento na produção 
local de prostaglandinas, e seus principais 
efeitos adversos são o aumento de riscos de 
infecção amnióticae de prolapso de cordão 
umbilical 
INIBIÇÃO DA CONTRAÇÃO UTERINA: 
 A tocólise é a intervenção farmacológica mais 
empregada para prevenção do parto prematuro. 
 Esses medicamentos são utilizados para inibição 
do trabalho do parto prematuro: 
 Beta-adrenérgico: Salbutamol – devem ser 
evitados em PCNT com cardiopatas, diabéticas 
não controladas 
 Inibidores de síntese prostaglandinas: 
Indometacina – apenas antes das 32 semanas 
 Sulfato de Magnésio 
 Bloqueadores de canal de cálcio 
 Antagonista de ocitocina 
DISCINESIA UTERINA: 
 As principais causas dos distúrbios da 
contratilidade são: 
 Idiopática 
 Administração inadequada de Ocitocina 
 Sobredistensão uterina 
 Descolamento prematuro da placenta 
 Obstrução do canal de parto 
 Analgesia peridural 
 Corioamnionite 
 Pré-eclâmpsia 
Obstetrícia – Amanda Longo Louzada 
4 INTRODUÇÃO AO PARTO: ESTUDO DO MOTOR 
QUANTITATIVAS: 
 Hipoatividade: Intensidade ou frequência 
menores que o normal. O tônus geralmente é 
normal, o trabalho do parto geralmente progride 
lentalmente ou se interrompe, e geralmente não 
ocorre prejuízo. O tratamento é a infusão de 
ocitocina (atingir contrações regulares), 
amniotomia e descolamento das membranas 
(quando a paciente quer parto normal, e o feto já 
é pós-termo 
 Hipossistolia: intensidade inferior a 25mmHg 
 Bradissistolia: frequência inferior a 2 contrações 
em 10 min. 
 Hiperatividade: Consequência da força de 
contração das fibras uterinas, aparecendo sem 
causa evidente, pode levar a um sofrimento fetal. 
 Taquissistolia (frequência elevada) 
 Hipersistolia (intensidade elevada) 
 Aumento do risco de sofrimento fetal agudo 
 Tratamento: 
 Retirar uterotônicos 
 Decúbito lateral esquerdo (para melhorar a 
drenagem) + Hidratação venosa 
 Tocolíticos 
 Hipotonia: Rara, associada à hipoatividade. O 
tono uterino é inferior a 8mmHg. 
 Hipertonia: 
 Leve: entre 12 a 20mmHg 
 Moderada: entre 20 a 30mmHg 
 Grave: Superior a 30 mmHg. 
 Causas: 
 Principal causa de descolamento prematuro 
de placenta 
 Taquissistolia: útero não completa o 
relaxamento 
 Incoordenação: diferentes partes do útero 
relaxam em momento diferentes 
QUALITATIVA: 
 Incoordenação do 1º grau: Existência de 2 marca-
passos agudos, descoordenadamente. Uma 
contração forte seguida de uma fraca. 
 Contrações irregulares 
 Incoordenação do 2º grau: Fibrilação uterina. 
Vários marca-passos ectópicos agindo de forma 
descoordenada. Não ocorrem contrações 
eficientes e há hipertonia. 
 Inversão do tríplice gradiente descendente: A 
contração inicia-se nas partes inferiores do útero, 
propaga-se para cima e dura mais nas partes 
inferiores que nas superiores. 
 Tratamento de Discinesias Uterinas: 
 Decúbito lateral esquerdo 
 Infusão de ocitocina em doses fisiológicas 
 Amniotomia 
 Analgesia e sedação; 
 Se houver falha no tratamento faz cesariana

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