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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NOS PERÍODOS CLÍNICOS DO PARTO Professoras: Dra. Eveline Franco da Silva Dra. Camila Neumaier Alves OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer os períodos clínicos do parto (dilatação, expulsão, dequitação e puerpério imediato). • Compreender os cuidados de enfermagem durante os períodos clínicos do parto. • Discutir a humanização do cuidado em saúde durante trabalho de parto, parto e nascimento. O SIGNIFICADO DO PARTO IRREVERSÍVEL IMPREVISÍVEL DESCONHECIDO ÚNICO MUDANÇAS FÍSCAS MUDANÇAS EMOCIONAIS CURTO PERÍODO DE TEMPO O PARTO É considerado normal e sem riscos quando transcorre sem complicações, a gestação está a termo (37 a 42 semanas), o feto é único, sua apresentação é cefálica. TRABALHO DE PARTO Sequência de contrações uterinas involuntárias, regulares e rítmicas apagamento e dilatação do colo uterino em associação como esforço voluntário da parede abdominal expulsão dos produtos da concepção. TP em primíparas: ±8 horas e é pouco provável que dure mais que 18 horas. TP em multíparas: ±5 horas e é pouco provável que dure mais que 12 horas. “SINAIS E SINTOMAS DE TRABALHO DE PARTO” • Relembrando a aula de fisiologia gestacional... • Perda do tampão mucoso • Perda de líquido • “Queda do ventre” e melhora da respiração • Dor em baixo ventre As contrações de Braxton Hicks acontecem durante a gestação e são indolores não ocasionam trabalho de parto. FASE PREMONITÓRIA DO PARTO • É o período pelo qual ocorre a sensação ou advertência antecipada de que o trabalho de parto vai começar. • Costuma acontecer 10 a 15 dias antes do parto. • Ocorre: – Descida da apresentação; – Lombalgia; – Dor em baixo ventre; – Aumento do muco cervical; – Perda do tampão mucoso, às vezes com raias de sangue; – Transtornos circulatórios (aumento de edema). TAMPÃO MUCOSO LÍQUIDO AMNIÓTICO • O feto é envolto por líquido amniótico • Esse líquido fica dentro das membranas (bolsa) • A bolsa pode se romper (rotura ou amniorexe) de duas maneiras: • Espontaneamente (perda de líquido amniótico) • Artificialmente (por meio da amniotomia - rotura artificial das membranas amnióticas) • Aspecto do líquido amniótico: • Líquido claro com grumos • Líquido meconial (fluido ou espesso) • material estéril, proveniente de conteúdo intestinal, muco, lanugo, vérnix, líquido amniótico e secreção gástrica. LÍQUIDO AMNIÓTICO • Avaliação da dinâmica uterina (contração) • Exame de toque vaginal (dilatação) DIAGNÓSTICO DE TRABALHO DE PARTO • Dinâmica uterina • Avaliação manual • Realizada em 20 minutos • Presença ou ausência de contração • Quantidade (n°) de contrações em 10 minutos • Intensidade: fraca, moderada, forte • Percepção dos movimentos fetais: presentes ou ausentes Avaliação das contrações Avaliação das contrações • Dinâmica uterina + Cardiotocografia • Cardiotocografia (CTG/CTB) – intermitente quando baixo risco • Monitoramento Ante Parto (MAP) • Método eletrônico não invasivo de avaliação do bem- estar fetal • Registro gráfico (interpretado por enfermeiros e medicos) • Detecta contrações uterinas, frequência cardíaca fetal e movimentação fetal • Parâmetros: • Tônus: pressão mínima do útero entre as contrações 8-12mmHg • Intensidade → Gravidez: 2-4mmHg; Braxton Hicks: 10-20mmHg; Parto: >25mmHg chega a 50mmHg • Duração: 40-60 segundos (fase de contração seguida pelo relaxamento) • Frequência → Início do trabalho de parto: Frequência de 2 a 3 contrações em 10 min e duração de 40seg; Final primeiro período: 4-5 em 10 min e duração de 60-70 seg Avaliação das contrações GRAVIDEZ PRÉ-PARTO PARTO NASCIMENTO SEMANAS DE GRAVIDEZ PUERPÉRIO • Desacelerações bruscas, coincidem com o ápice da contração. • Compressão do pólo cefálico, frequente no início do TP. • NÃO significa hipóxia. • Desacelerações graduais. • Iniciam após o ápice da contração. • Diminuição do fluxo placentário durante a contração em fetos com baixa reserva de oxigênio. • Insuficiência placentária. ❑ Contrações uterinas com: ❑ FREQUÊNCIA: 2 ou mais em 10min ❑ DURAÇÃO: de pelo menos 30seg ❑ Características rítmicas, perceptíveis à palpação que provocam alterações progressivas no colo uterino: •DILATAÇÃO •ESVAECIMENTO (apagamento) •CENTRALIZAÇÃO DIAGNÓSTICO DE TRABALHO DE PARTO https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/csCgj7XmPSJpVC3Zmfcw4rd/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/csCgj7XmPSJpVC3Zmfcw4rd/?format=pdf&lang=pt Formação de bolsa das águas. Eliminação do tampão mucoso, às vezes, com raias de sangue. Associado às contrações uterinas podem ser encontradas: DIAGNÓSTICO DE TRABALHO DE PARTO CARACTERÍSTICA TP VERDADEIRO FALSO TP Muco róseo Geralmente presente; aumenta à medida que a cérvice se modifica Não aparece Contrações Regulares; aumento da intensidade Irregulares; frequência e intensidade não se modificam Desconforto Frequentemente inicia na região lombar, irradiando-se para o abdome Muitas vezes localiza-se no abdome Atividade Deambulação pode intensificar as contrações Contrações diminuem com a deambulação Modificações cervicais Cérvice torna-se apagada e dilata-se progressivamente Não ocorrem modificações cervicais Passagem ou trajeto (pelve) Passageiro ou objeto (feto) Força ou motor (contrações) Aspectos emocionais Um evento que depende de quatro variáveis... MECANISMOS DO PARTO É a sequência de movimentos passivos do feto, que permitem sua passagem através do canal do parto. Características: • Encaixamento/Insinuação • Descida (avaliação Plano de Lee) • Flexão • Rotação interna • Extensão • Rotação externa • Expulsão PERÍODOS CLÍNICOS DO PARTO • Começa com o início das contrações uterinas regulares e termina com a dilatação completa do colo (10cm). • As contrações uterinas provocam alterações na posição e forma do útero. • Características das contrações uterinas: • Intermitentes; Involuntárias; Regulares (3 fases); Aumento gradativo da frequência; Desconforto. DILATAÇÃO • Apagamento do colo: o canal cervical é encurtado. • Dilatação: o orifício externo do colo dilatado, aumento de milímetros para 10cm. DILATAÇÃO DILATAÇÃO Fase latente – Dilatação: 0-3cm – Fase lenta no princípio – Afinamento e apagamento do colo – Duração: 8-10h primigesta/3-5h multípara – Contrações: duração 15-20seg; intensidade fraca-moderada; frequência 10- 15min DILATAÇÃO Fase ativa – Dilatação: 4-7cm – Fase rápida – Contração: duração 30-45seg; intensidade média-forte; frequência 2- 3min • Dilatação: 1,2cm/h primípara e 1,5cm/h multípara DILATAÇÃO Fase de transição – Dilatação: 8-10cm – Descida da apresentação – Desaceleração/retomada das contrações em intensidade e frequência – Contração: duração 60-90seg; intensidade forte; frequência 1-2min • Admissão; Recepção/Fluxograma; Solicitar exames e caderneta pré-natal; Histórico de enfermagem. • Orientar sobre o pré-parto. Permanência do familiar de escolha da parturiente (LEI 11.108/2005). Preparo físico emocional. • Controlar: SV; BCF; Dinâmica uterina (h/h). • Avaliar: perdas vaginais, fecais e urinárias. • Proporcionar ambiente calmo e tranquilo, proporcionar privacidade. • Permitir a escolha da posição/deambulação • Proteger contra infecção (assepsia, precaução universal). • Promover higiene e conforto (compressas, troca de roupa, alívio da dor, técnicas respiratórias); toque afetivo. • Manter paciente informada. DILATAÇÃO: Cuidados de enfermagem EXPULSÃO Vai da dilatação completa até a expulsão do feto. Dura de poucos minutos a horas, dependendo: – Paridade: primíparas +/- 50min; multípara, 20min. – Apresentação; – Variedade de posição; – Proporção fetais e pélvicas; – Frequência, duração e intensidade das contrações uterinas; – Eficiência dos esforços expulsivos voluntários maternos. Fonte: www.pt.slideshare.net Fonte: Arquivo pessoal. Autorizado por Joice Schmalfuss.• Preparar sala de parto (montagem, limpeza, aquecimento). • Orientar sobre o período expulsivo. • Acompanhar na sala de parto; Posicionamento confortável; Orientar sobre os procedimentos realizados. • Avaliar presença de circular de cordão, contrações e perdas vaginais. • Controlar de BCF. • Proporcionar conforto físico e emocional da mãe-RN-acompanhante. • Estimular a participação ativa no parto (mulher, acompanhante). • Proporcionar interação mãe-RN-família. • Promover contato pele à pele e incentivar aleitamento materno. • Avaliar as condições maternas e neonatais. • Registrar condições da parturiente, do parto, do nascimento e do recém-nascido no prontuário. EXPULSÃO: cuidados de enfermagem Começa imediatamente após o nascimento da criança e termina quando a placenta é liberada. DEQUITAÇÃO Descolamento da placenta Descida da placenta Expulsão da placenta sangramento vaginal, elevação do fundo uterino; decida do cordão; útero globoso e sólido. esforço expulsivo materno; globo de segurança de Pinard. EXPULSÃO DA PLACENTA • Até 30min (parto hospitalar) • Até 1 hora: placenta retida 2 horas 4 dias 2 dias A altura do fundo uterino de acordo com os dias de puerpério. GLOBO DE SEGURANÇA DE PINARD • Obstrução dos vasos uterinos que se encontram abertos devido ao descolamento da placenta. DEQUITAÇÃO: cuidados de enfermagem • Obter informações sobre o descolamento da placenta. • Auxiliar no relaxamento para o delivramento da placenta e reparo perineal (SN). • Acompanhar na revisão da placenta. • Proporcionar higiene e conforto. • Avaliar as perdas sanguíneas. • Avaliar tônus uterino (Globo de segurança de Pinard). • Verificar da PA e FC materna. • Estabelecer laços familiares. GREENBERG Inicia-se imediatamente após a saída da placenta e estende-se até 1-2 horas após. • Modificações no organismo materno • Perda sanguínea de 250-500ml • Queda da pressão arterial • Aumento da frequência cardíaca • Musculatura uterina contrai e relaxa • Calafrios • Sede e fome • Providenciar o transporte para a sala de recuperação. • Manter o RN junto à mãe; estimular e auxiliar na amamentação. • Avaliar frequentemente os sinais vitais (a cada 15min na 1h). • Massagear fundo uterino (liberação de coágulos e estimula a contratilidade). • Avaliar: a contratilidade uterina; períneo; sangramento; distensão da bexiga. • Avaliar nível de consciência e movimentação de MsIs (SN). • Avaliar o comportamento (fadiga, excitabilidade, negação). • Satisfazer necessidades de fome e sede. • Promover repouso e orientar os primeiros cuidados de higiene e deambulação no puerpério. • Manter cuidados com acesso venoso, soroterapia e administração de medicamentos. • Favorecer a presença do acompanhante (lei). GREENBERG: cuidados de enfermagem • Ocitocina • Melatonina • Prostaglandinas • Relaxina • Progesterona • Estrógeno • Adrenalina • Cortisol • Endorfina • Prolactina Ação de muitos hormônios Durante o grande evento... • E a administração medicamentosa pode ser necessária… OCITOCINA “HORMÔNIO DO AMOR” produzido pelo hipotálamo e liberado pela neurohipófise (contrações uterinas e aleitamento). Principal uterotônico utilizado nas HEMORRAGIAS PÓS-PARTO. < OCITOCINA INDICAÇÃO INDUÇÃO TRABALHO DE PARTO AÇÃO No miométrio – gera contração (usar até 15h) EFEITOS Cefaleia; Taquicardia; Náusea, vômito. ATENTAR Quando ocorrer taquissistolia, hipertonia uterina e sofrimento fetal, diminuir ou suspender a perfusão de ocitocina, administrar oxigênio sob cateter nasal, hidratação venosa e mudança de decúbito da paciente. Monitorização eletrônica fetal intraparto. PARA INDUÇÃO DO TRABALHO DE PARTO: 1- Diluir: 5UI de ocitocina em 500ml SG5% (10 mUI/ml) 2- Velocidade de infusão: 12 ml/h em BI; ou gotejar em equipo 4 gotas/minuto; ou 12 microgotas/min. Deve ter indicações precisas!!! • Conhecida hipersensibilidade à ocitocina ou a qualquer excipiente da formulação; • Hipertonia uterina, sofrimento fetal quando a expulsão não é iminente. • Qualquer estado em que, por razões fetais ou maternas, se desaconselha o parto espontâneo e/ou o parto vaginal seja contraindicado, por exemplo: • Desproporção céfalo-pélvica (DCP) significativa; Má apresentação fetal; Placenta prévia; Prolapso do cordão umbilical; Distensão uterina excessiva; DPP; Presença de cicatriz uterina resultante de intervenções cirúrgicas, inclusive da operação cesárea clássica... OCITOCINA Contraindicações: • Análogo sintético de prostaglandinas • Ação útero-tônica e de amolecimento de colo uterino • Indução de trabalho de parto (maturação de colo) • 1cp de 25mcg a cada 6h Contraindicações: • Cesárea anterior • Cirurgia uterina prévia • Paciente asmática • Uso concomitante com ocitocina • Placenta prévia MISOPROSTOL • Pessário vaginal de dose única com liberação controlada com 10 mg de dinoprostona (Contínuo, 24h). • É indicado para o início e/ou continuação da maturação do colo uterino em pacientes a termo (a partir de 38 semanas de gestação) com colo favorável. • Após a inserção, a atividade uterina e a condição fetal devem ser monitoradas regularmente. https://consultaremedios.com.br/propess/bula PROPESS https://amara.org/videos/nlKzFSfy0IS9/en/1781740/ https://consultaremedios.com.br/propess/bula https://amara.org/videos/nlKzFSfy0IS9/en/1781740/ Então... A atuação dx enfermeirx no Parto/Nascimento Cuidado à mulher, ao bebê e à família Identificar Orientar Executar Avaliar PRIVACIDADE? SEGURANÇA!!! Evitar práticas inadequadas: • Prescrição rotineira de NPO. • Toques vaginais frequentes e por mais de um examinador. • Uso rotineiro de ocitocina exógena. • Exame retal. • Uso rotineiro de enema, tricotomia, episiotomia. • Manobra de Kristeller ou similar. • Prática liberal de cesarianas. Ministério da Saúde. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada a mulher. Brasília; DF, 2001. • Posição supina durante o segundo estágio do trabalho de parto. •Manutenção de ar frio na sala de parto durante o nascimento (OMS recomenda temperatura da sala de parto entre 25 e 28ºC). •Clampeamento precoce do cordão umbilical. • Aspiração gástrica de rotina em todos os recém-nascidos. Sucção nasal e faríngea deve ser realizada em bebês que liberaram mecônio no útero. Evitar práticas inadequadas: Ministério da Saúde. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada a mulher. Brasília; DF, 2001. • A imensa maioria de bebês necessita apenas de um profissional cuidadoso, calor, vias aéreas liberadas e uma acolhida carinhosa. Ekin M, et al. Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. • Mantém-se a grande maioria dos cuidados, à mulher, ao RN e à família, que um parto normal exige. “É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar.” Isadora Canto REFERÊNCIAS Ministério da Saúde (BR). Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília, DF, 2003. 199p Ministério da Saúde (BR). Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Branden PS. Enfermagem materno-infantil. 4ª ed. Rio de Janeiro: Reichman e Afonso, 2002. Ricci SS. Enfermagem materno-neonatal e saúde da mulher. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. Oliveira DLL. Enfermagem na gravidez, parto e puerpério: notas de aula. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2005. ORSHAN, S.A. Enfermagem na saúde das mulheres, das mães e dos recém nascidos: o cuidado ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2010. Lowdermilk DL, Perry SE, Bobak IM. O cuidado em enfermagem materna. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2002. Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5: O SIGNIFICADO DO PARTO Slide 6 Slide 7: TRABALHO DE PARTO Slide 8 Slide 9: FASE PREMONITÓRIA DO PARTO Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28: MECANISMOS DO PARTO Slide 29 Slide 30 Slide 31: PERÍODOS CLÍNICOS DO PARTO Slide 32: DILATAÇÃO Slide 33 Slide 34: DILATAÇÃO Slide 35: DILATAÇÃO Slide 36: DILATAÇÃO Slide 37: DILATAÇÃO: Cuidados de enfermagem Slide 38: EXPULSÃO Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42: DEQUITAÇÃO Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47: GREENBERG Slide 48 Slide 49 Slide 50: OCITOCINA Slide 51: OCITOCINA Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66