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Histórico e Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental Aula UNIP – Conceitos Básicos Cognitivo-comportamental Psicóloga Prof.ª Claudia Oliveira CRP 06/49345 Estudos da Psicologia Por que as pessoas e os animais se comportam de determinada maneira? Por que uns agem de uma forma diferente de outros? Por que alguns indivíduos têm comportamentos socialmente mais aceitos, enquanto outros se comportam de forma alheia à sociedade? O que faz com que as pessoas mantenham, aumentem ou mudem suas formas de atuar numa determinada situação (resiliência)? O que determina as formas de se comportar de um sujeito? 2 Foi utilizado inicialmente em 1913 em um artigo denominado “Psicologia: como os behavioristas a vêem” por John B. Watson (1878-1958). "Behavior" = comportamento "Um ramo experimental e puramente objetivo da ciência natural. A sua meta é a previsão e controle do comportamento...". O comportamento passou a ser objeto de estudo da Psicologia. BEHAVIORISMO 3 BEHAVIORISMO Filosofia Estudar o comportamento em si Opor-se à introspecção das teorias psicodinâmicas que tentava lidar com o funcionamento interior e não observável da mente. Aderir ao evolucionismo biológico e estudar tanto o comportamento humano quanto o animal Adotar o determinismo materialístico 4 BEHAVIORISMO Metodologia Usar procedimentos objetivos na coleta de dados, rejeitando a introspecção. Realizar experimentação controlada. Realizar testes de hipóteses, de preferência com grupos controle. Observar consensualmente. Estudar além do sistema nervoso, a ação dos órgãos periféricos, dos sensoriais, dos músculos e das glândulas. 5 Watson foi influenciado pelos estudos experimentais sobre o comportamento reflexo efetuados por Ivan Pavlov. A Psicologia da época buscava um objeto mensurável e observável para estudar. Os experimentos de Pavlov podiam ser reproduzidos em diferentes sujeitos e condições. Tais possibilidades foram importantes para que a Psicologia alcançasse o status de Ciência. 6 Pavlov descobriu por acaso que poderia condicionar o cão a salivar diante de um estímulo neutro 7 S = > R ESTÍMULO referia-se tanto a ação de uma fonte de energia sobre o organismo, quanto a operação realizada pelo experimentador em seu laboratório. Esses conceitos acabaram produzindo a sequência experimental que marcou o BEHAVIORISMO METODOLÓGICO S = o que operacionaliza o ambiente - Estímulo R = o comportamento - Resposta => a ação desencadeante ou a causa 8 Estudo do Comportamento Behaviorismo (Watson – 1913) Comportamento como ciência E. L. Thorndike (1874-1949)-Lei do Efeito Ivan Pavlov - (1849-1936)-Reflexo Condicionado Teoria da Evolução – Charles Robert Darwin – 1838 BEHAVIORISMO METODOLÓGICO Nega status científico às emoções, às sensações, ao pensamento e aos demais eventos privados 9 Behaviorismo Radical Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) Em oposição ao “behaviorismo metodológico”, cuja principal preocupação eram os métodos das ciências naturais. Skinner se preocupava com a explicação científica do comportamento. O desenvolvimento de termos e conceitos que permitissem explicações verdadeiramente científicas. A expressão utilizada pelo próprio Skinner em 1945 tem como linha de estudo a formulação do “Comportamento Operante". 10 Behaviorismo Radical Aceita estudar eventos internos Skinner não separa mundo interno de mundo externo Comportamentos não são movimentos do corpo, e sim interações entre o organismo e o ambiente. 11 Conceitos Skinnerianos Comportamento Respondente Comportamento Operante Reforçamento Positivo e Negativo Punição Contingências Condicionamento Operante 12 Terapia comportamental CETCC 13 Foram nos anos 50 e 60 que motivados por uma crescente insatisfação com a corrente psicodinâmica formou-se o núcleo de um novo enfoque terapêutico: psicologia experimental; condicionamento clássico ou respondente; condicionamento operante; princípios teóricos da aprendizagem; disciplinas da Psicologia clínica. 14 Terapia Comportamental Joseph Wolpe (1915-1998) – psiquiatra II Guerra – Trabalhou num hospital psiquiátrico militar “Neurose de Guerra” (hoje TEPT) “Pioneiro da Terapia Comportamental” DESSENSIBILIZAÇÃO SISTEMÁTICA TREINO DE ASSERTIVIDADE INIBIÇÃO RECÍPROCA exposição gradual Psicoterapia por Inibição Recíproca (1958) A Prática da Terapia Comportamental (1969) - (1958), percebia variáveis cognitivas em sua técnica comportamental da Dessensibilização sistemática. WOLPE 15 15 BANDURA Albert Bandura (1925) – psicólogo canadense APRENDIZAGEM OBSERVACIONAL (MODELAÇÃO) foi importante por chamar a atenção para os fatores cognitivos na terapia comportamental = o indivíduo aprende ao observar o comportamento de outra pessoa - o comportamento é aprendido com mais eficácia se o observador o praticar posteriormente (embora isso não constitua uma condição necessária) MODELO AUTO-REGULAÇÃO (AUTO-EFICÁCIA) ideia de que toda a mudança de comportamento voluntária era medida pelas percepções que os indivíduos tinham de sua capacidade de adotar o comportamento em questão. “Princípios de Modificação do Comportamento” (1969) “Teoria da Aprendizagem Social” (1971) processos cognitivos cruciais na aquisição e regulação do comportamento (Teoria Social Cognitiva). 16 16 Donald Meichenbaum Psicólogo emérito da Universidade de Waterloo (Canadá) Diretor do Instituto Melissa (Miami-Flórida) – Prevenção de violência e tratamento de vítimas de violência. Modificação Comportamental Cognitiva (CBM), que se concentra na identificação disfuncional self-talk, a fim de alterar comportamentos indesejados. Ele vê comportamentos como sendo resultados de nossas próprias auto-verbalizações. Meichenbaum 17 “Um dos 10 psicoterapeutas mais influentes do século XX” 17 Como mudar seus pensamentos 3 fases Fase 1: AUTO-OBSERVAÇÃO Esta fase envolve escutar com atenção o diálogo interno ou self-talk e observar seus próprios comportamentos. Você se esforça para estar especialmente ciente de quaisquer auto- afirmações negativas que estão realmente contribuindo para seus processos sintomáticos Por exemplo, você diz a si mesmo mensagens negativas, como "Eu não sou inteligente o suficiente", "As pessoas não gostam de mim", ou "Todos podem ver como sou inadequado.“ Anotar (escrever) estes pensamentos negativos pode ser útil para ao final de um tempo você perceber quão frequentemente você está se negativando. (automonitoramento) 18 Como mudar seus pensamentos 3 fases Fase 2: COMECE UM NOVO SELF-TALK Depois de reconhecer o seu diálogo interno negativo, você pode começar a mudar isso. Quando você "pegar"-se em constantes padrões de pensamentos negativos, você recria um novo e positivo diálogo interno: "Eu não posso" se torna "Pode ser difícil, mas eu posso." Apague as declarações negativas que você escreveu e anote as novas no lugar. Pratique repetindo-as até que você comece a acreditar nelas. Estas novas auto-declarações ou afirmações passam agora a orientar novos comportamentos. 19 Como mudar seus pensamentos 3 fases Fase 3: APRENDA NOVAS HABILIDADES Toda vez que você for capaz de identificar e reestruturar seus pensamentos negativos e mudar a sua resposta aos sintomas, você está aprendendo novas habilidades. Estando consciente de seus pensamentos, você é mais capaz de avaliá-los e reagir de uma forma mais adequada. Quando seus pensamentos mudam de negativo para positivo, você começa a se comportar de maneira diferente em muitas situações e passa a ver que as outras pessoas também reagem de forma diferente ao positivo. 20 TERAPIA MULTIMODAL (ARNOLD LAZARUS) SUPOSIÇÃO BÁSICA: “Somos seres que se movimentam, sentem, percebem, imaginam, pensam e se relacionam. Quando ocorrem distúrbios psicológicos,cada uma destas funções é afetada”. Definição É uma avaliação meticulosa do ser humano em vários aspectos agrupados sob a denominação “BASIC ID” B ------------------ BEHAVIOR I ------------- INTERPESONAL A ----------------- AFFECT D ------------ DRUGS S ----------------- SENSATION I ------------------ IMAGERY C ---------------- COGNITION 21 Lazarus propõe que o “BASIC ID” constitui a personalidade OBJETIVOS Corrigir crenças irracionais, comportamentos disfuncionais, sentimentos desagradáveis, imagens intrusivas, relacionamentos tensos, sensações negativas e desequilíbrio químico. PROCEDIMENTO Identificar o problema e objetivos Especificar as técnicas de tratamento para atingir os objetivos Remediar os problemas Mensuração sistemática do êxito relativo as técnicas utilizadas 22 23 RESUMINDO... Anos 60 e 70 afastamento da psicanálise e do behaviorismo radical de alguns adeptos, entre eles: Albert Ellis – Visão mais cognitiva. Influenciou os primeiros trabalho de Beck com depressão. Albert Bandura – Princípios de Modificação do Comportamento (1969) e Teoria da Aprendizagem Social (1971); processos cognitivos cruciais na aquisição e regulação do comportamento. Michael Mahoney: Cognition and Behavior Modification (1974), cognição como construto mediacional. Modelo do Desamparo Aprendido de Seligman (1967/79) e revisões (Teoria dos Estilos de Atribuição); relevante para processos psicológicos na depressão. Fatores Históricos Relevantes 24 Insatisfação com os modelos de depressão na convergência entre a psicanálise e o behaviorismo; validade questionável como modelos de depressão clínica. Wolpe (1958), percebia variáveis cognitivas em sua técnica comportamental da dessensibilização sistemática. Transição generalizada para a perspectiva cognitiva de processamento de informação, com clínicos defendendo uma abordagem mais cognitiva nos transtornos emocionais. Fatores Históricos Relevantes 25 COGNITIVISMO O R I G E N S COGNITIVISMO O termo cognição inclui ideias, construtos pessoais, imagens, crenças, expectativas, atribuições, etc. Não é apenas um processo intelectual mas sim padrões complexos de significado em que participam emoções, pensamentos e comportamentos 27 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO A Terapia Cognitiva tem origem em correntes filosóficas e religiões antigas (estoicismo grego, taoísmo e budismo) que postulavam a influência das idéias sobre as emoções . 28 B u d a “Nem teus piores inimigos podem fazer tanto dano como teus próprios pensamentos.” 29 “Se pudermos reorientar nossos pensamentos e emoções e reorganizar nosso comportamento, então poderemos não só aprender a lidar com o sofrimento mais facilmente, mas, sobretudo e em primeiro lugar, evitar que muito dele surja” Livro: Uma ética para o novo milênio (p.xii) Dalai Lama 30 Filósofo persa da Antiguidade Baseou seus ensinamentos em: Pensar bem Agir bem Falar bem Zoroastro 31 “Os processos cognitivos conscientes tem um papel fundamental na existência humana” Kant, Heidegger, Jaspers e Frankl 32 “Encontrar uma sensação de sentido da vida ajuda a servir como um antídoto para o desespero e a desilusão” Wright et al. (2003); Frankl (1992) 33 “Não são as coisas que nos perturbam, mas a visão que temos dessas coisas” ( Epictetos I d.C) 34 Beck defendeu a inclusão de métodos comportamentais desde o início de seu trabalho. Reconhecia essas ferramentas como eficazes para reduzir sintomas. Conceitualizou um relacionamento estreito entre cognição e comportamento. Alguns puristas argumentam os méritos de se utilizar uma abordagem cognitiva ou comportamental isolada. Terapeutas mais pragmáticos consideram os métodos cognitivos e comportamentais como parceiros eficientes tanto na teoria como na prática. Ex. literatura: tratamento do Pânico 1960 - Unificação das formulações cognitivas e comportamentais na Psicoterapia 35 Albert Ellis (1913-2007) TERAPIA RACIONAL EMOTIVA COMPORTAMENTAL (TREC) A 1ª psicoterapia contemporânea com clara ênfase cognitiva, tomando os construtos cognitivos como base dos transtornos psicológicos. MODELO ABC os acontecimentos ativadores (A) passam pelo sistema de crenças (B) do sujeito antes de despertarem as consequências (C) emocionais ou a conduta. ELLIS 36 CRENÇAS IRRACIONAIS baseadas em conclusões errôneas, ilógicas e sem base em evidências objetivas = modelo simples e pragmático. DIÁLOGO SOCRÁTICO o terapeuta questiona o paciente por meio de perguntas engenhosas que estimula a pessoa a perceber mais claramente suas distorções = sobre a real validade das crenças e sobre as evidências de que o sujeito dispõe para acreditar nelas. CRENÇAS BÁSICAS EXIGÊNCIAS ABSOLUTISTAS (“tenho que”) e DEVERES IRRACIONAIS (“devo”) SUPOSIÇÕES ILÓGICAS ou DISTORÇÕES COGNITIVAS. 36 Tratamento psicodinâmico dos seus pacientes com depressão análise de sonhos, verbalizações e associações livres. Psicanálise depressão = raiva inconsciente e inaceitável contra pessoas próximas que, reprimida, era redirecionada ao self = hostilidade retrofletida (que não era confirmado nos relatos dos sonhos dos pacientes). 37 BECK Anomalias nos sonhos, os pacientes eram rejeitados, abandonados ou frustrados = nas experiências do cotidiano, idem. Identificação de tipos específicos de pensamentos, que os pacientes não percebiam claramente e não relatavam na associação livre. Visão negativista identificada na auto avaliação do paciente = autocríticas, baixa autoestima, culpas, previsões e interpretações negativistas e memórias desagradáveis. Temas negativistas presentes em todos os tipos de depressão = reativa, endógena, orgânica ou bipolar. Temas negativistas idiossincráticos questões sociais vitais paciente: fracasso sucesso, aceitação rejeição, respeito desdém. 37 TC – TERAPIA COGNITIVA (Cognitive Therapy) ESQUEMAS (significado) DISTORÇÃO COGNITIVA (Erros de Pensamento) TRÍADE COGNITIVA MODELO COGNITIVO BECK 38 Depressão Transtornos de ansiedade Transtornos alimentares Esquizofrenia Transtorno bipolar Dor crônica Transtornos de personalidade Abuso de substâncias. Mais de 300 estudos controlados da TCC para uma série de transtornos psiquiátricos (Butler e Beck, 2000). 38 39 “As ideias não só podiam controlar os sentimentos mais intensos de uma pessoa, como também eram capazes de modificá-los” Beck e cols (1982) TCC: Psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, para depressão, direcionada a resolver problemas atuais e a modificar os pensamentos/comportamentos disfuncionais. Modelo Cognitivo propõe que o pensamento distorcido ou disfuncional (que influencia o humor e o comportamento) seja comum a todos os distúrbios psicológicos. Avaliação “realista” + modificação no pensamento melhora no humor e no comportamento. A melhora duradoura modificação de crenças disfuncionais. 39 Processamento esquemático (de significado) ESQUEMAS Interpretação Ativação de sistemas (Cognitivos, Motivacionais, Afetivos,...) Organização Cognitiva (componentes estruturais) História de Aprendizagem (componentes experienciais) Comportamento SITUAÇÃO ATUAL 40 PROCESSAMENTO ESQUEMÁTICO DA INFORMAÇÃO CRENÇAS CENTRAIS 40 TEORIA COGNITIVA DA DEPRESSÃO Tríade cognitiva negativada 41 VISÃO DE SI (self) VISÃO DO FUTURO (objetivos) VISÃO DO OUTRO (contexto ambiental) Crença Central Pensamentos Automáticos Reações Crenças Intermediárias Corporal Emocional Comportamental Situação Agora 42 TCC – MODELO COGNITIVO 42 Crença Central Pensamentos Automáticos Reações Crenças Intermediárias Corporal Emocional ComportamentalSituação Agora “Eu sou incompetente” “Se eu não entendo algo, então eu sou burro” “Isso é difícil demais... Eu jamais vou aprender...” Aula TCC Sudorese Sai da sala Tristeza Situação Antes Estratégias Repetiu 7ª série Não termina o que começa. DESVALIA 43 TCC – MODELO COGNITIVO “É horrível ser sempre o pior” 43 Crença Central Pensamentos Automáticos Reações Crenças Intermediárias Corporal Emocional Comportamental Situação Agora “Eu sou incapaz de ser amado” “Se eu interagir com as pessoas elas não vão me aceitar como sou” “Não vou ter assunto para conversar na festa Festa de um colega Taquicardia Fica isolado Medo,Tristeza Situação Antes Estratégias Bullying na escola Não interage com colegas. DESAMOR 44 TCC – MODELO COGNITIVO “Devo me isolar” 44 Eu sou desamparado. Eu sou impotente. Eu estou fora de controle. Eu sou fraco. Eu sou vulnerável. Eu sou carente. Eu não sou capaz de ser amado. Eu sou indesejável. Eu não sou atraente. Eu não tenho valor. Eu não sou capaz de ser querido. Eu não sou bom o suficiente. Eu sou imperfeito. Eu sou diferente. Ninguém me quer. Ninguém liga para mim. Eu sou mau. 45 Crenças Centrais de DESAMOR 45 Eu sou desamparado. Eu sou impotente. Eu estou fora de controle. Eu sou fraco. Eu sou vulnerável. Eu sou carente. Eu sou desamparado. Eu sou impotente. Eu estou fora de controle. Eu sou fraco. Eu sou vulnerável. Eu sou carente. Eu estou sem saída. Eu sou inadequado. Eu sou ineficiente. Eu sou incompetente. Eu sou um fracasso. Eu sou desrespeitado. 46 Crenças Centrais de DESAMPARO 46 Eu sou desamparado. Eu sou impotente. Eu estou fora de controle. Eu sou fraco. Eu sou vulnerável. Eu sou carente. Eu sou um fracasso. Eu sou incompetente. Eu não tenho valor. Eu não sou bom o suficiente. Eu sou inadequado. Eu sou ineficiente. Eu sou desrespeitado. 47 Crenças Centrais de DESVALIA 47 Princípio nº 1: Formulação do problema em termos cognitivos A TCC se baseia em uma formulação em contínuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos. 1º) Desde o início, identifica o pensamento atual do paciente e seus comportamentos problemáticos. 2º) Identifica fatores precipitantes que influenciaram as percepções do paciente no início de seu problema. 3º) Levanta hipóteses sobre eventos desenvolvimentais chaves e padrões duradouros de interpretação desses eventos. 48 TCC – Os 10 Princípios 48 Princípio nº 2: Aliança terapêutica segura A TCC requer uma aliança terapêutica segura: cordialidade, empatia, atenção, respeito genuíno e competência. Boa aliança de trabalho = colaborativa. 49 TCC – Os 10 Princípios 49 Princípio nº 3: Colaboração e Participação Ativa A TCC enfatiza a colaboração e participação ativa. Na TCC há um trabalho em equipe: terapeuta + paciente. A princípio, o terapeuta é mais ativo em sugerir uma direção para as sessões de terapia. A medida que a pessoa torna-se menos problemática e mais socializada na terapia = fica mais ativa. 50 TCC – Os 10 Princípios 50 Princípio nº 4: Orientada em meta e focalizada em problemas A TCC é orientada em meta e focalizada em problemas = enumerar problemas e estabelecer metas específicas. O terapeuta presta atenção particular aos obstáculos que impedem o paciente de resolver problemas e atingir metas por si mesmo. O terapeuta precisa conceituar as dificuldades do paciente e avaliar o nível apropriado de intervenção. 51 TCC – Os 10 Princípios 51 Princípio nº 5: Enfatiza o presente A TCC inicialmente enfatiza o presente (os problemas do aqui-e-agora). O tratamento da maioria dos pacientes envolve um forte foco sobre problemas atuais e sobre situações específicas que são aflitivas para o paciente. Passado: entender as origens das ideias disfuncionais e como afetam o paciente hoje. 52 TCC – Os 10 Princípios 52 Princípio nº 6: É educativa A TCC é educativa, visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída. O terapeuta educa sobre a natureza e trajetória do seu transtorno, sobre o processo da TCC e sobre o modelo cognitivo (como os pensamentos influenciam as emoções e comportamentos). Ensina a estabelecer metas, identificar e avaliar pensamentos/crenças, e assim, mudar comportamentos. 53 TCC – Os 10 Princípios 53 Princípio nº 7: Tempo limitado A TCC visa ter um tempo limitado. O terapeuta busca promover alívio dos sintomas do paciente, facilitar uma remissão do transtorno, ajudá-lo a resolver seus problemas mais prementes e ensinar-lhe o uso de ferramentas para que ele esteja mais propenso a evitar a recaída. A modificação de crenças disfuncionais muito rígidas/padrões de comportamento = leva mais tempo. 54 TCC – Os 10 Princípios 54 Princípio nº 8: Sessões estruturadas A TCC tem as suas sessões estruturadas (há uma estrutura estabelecida em cada sessão). O terapeuta: 1) verifica o humor; 2) solicita breve revisão da semana; 3) agenda da sessão; 4) resumo da sessão; 5) compromisso da semana; 6) feedback da sessão. Foco no que é mais importante para o paciente, maximiza o uso do tempo da terapia. Promove = autoterapia. 55 TCC – Os 10 Princípios 55 Princípio nº 9: Identificar, Avaliar e Responder A TCC ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais. focalizar um problema específico; identificar o pensamento disfuncional; avaliar a validade do pensamento; projetar um plano de ação. 56 TCC – Os 10 Princípios 56 Princípio nº 10: Várias técnicas A TCC utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento. Estratégias cognitivas: questionamento socrático, descoberta orientada, teste de realidade... Outras técnicas: comportamental, gestalt... O terapeuta seleciona técnicas com base na formulação de caso e seus objetivos, em sessões específicas. 57 TCC – Os 10 Princípios 57 Formulação do problema em termos cognitivos Aliança terapêutica segura Colaboração e Participação Ativa Orientada em meta e focalizada em problemas Enfatiza o presente É educativa Tempo limitado Sessões estruturadas Identificar, avaliar e responder Utiliza várias técnicas 58 TCC – Os 10 Princípios 58 TCC Terapia Cognitivo- Comportamental Bases teóricas Esquemas Crenças Distorções Cognitivas Pensamentos Automáticos FORMAÇÃO DE UM ESQUEMA 60 Fatores Hereditários e Temperamento Experiências e Percepções ao longo da vida Esquema Esquema ou Estrutura Cognitiva Crença Central ou Nuclear Erros ou Crenças Distorções Intermediárias Cognitivas Pensamentos Automáticos 61 CONCEITO DE ESQUEMAS Tem sua história relativamente ligada aos teóricos Piaget e Bartlett, primeiros a definir e descrever um esquema como: “Estruturas que integram e atribuem significados aos eventos”. Beck & Freeman (1993) 62 ESQUEMAS Aaron Beck sugere que os ESQUEMAS são estruturas cognitivas cujo conteúdo específico são as CRENÇAS CENTRAIS. 63 Dá à experiência sua forma e significado, provendo, dessa forma, a estabilidade (estrutura) dos sistemas cognitivo, afetivo e comportamental ao longo do tempo e dos eventos. São padrões ordenadores da experiência que ajudam os indivíduos a explicá-la, mediar sua percepção e guiar suas respostas (cognitivas, emocionais e comportamentais). (Clark, Beck, Alford, 1999) ESQUEMAS - DEFINIÇÕES 64 A “arquitetura” dos esquemas faz o indivíduo ser como é. 65 PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO DE INFORMAÇÃO “Os esquemas, depois de desenvolvidos, servem como modelos para o processamento das experiências ulteriores e acabam desembocando em confirmações automáticas e circulares dos próprios esquemas” MarcoCallegaro, em O NOVO INCONSCIENTE, Artmed 2011, pag. 243 66 VIÉS CONFIRMATÓRIO Paciente com autoimagem Incapaz de ser amada Processa a experiência de uma rejeição amorosa como evidência da veracidade de suas crenças, reconfirmando-as a cada experiência negativa Cada vez mais, parecem certas e reais suas crenças sobre si mesma. Circuito de retroalimentação estabiliza a ideia de ser indigna de amor. 67 PROFECIA CATASTRÓFICA O comportamento é influenciado de modo negativo por esse conjunto de crenças (esquema), fazendo a pessoa agir de modo a confirmar sua profecia catastrófica (previsão sem fundamento de que algo catastrófico acontecerá) Evidência confirmatória dos esquemas ou Viés Confirmatório 68 AUTOPERPETUAÇÃO Aquele que se considera indigno de amor agirá de forma acabrunhada e tímida, não olhará nos olhos e falará baixo em uma situação social, conduta que certamente aumenta sua chance de REJEIÇÃO As rejeições que ocorrem, por sua vez, CONFIRMAM os esquemas em um círculo vicioso AUTOPERPETUADOR (viés confirmatório). 69 CRENÇAS (Beliefs) FILOSOFIA em EPISTEMOLOGIA CRENÇA é uma condição psicológica que se define pela SENSAÇÃO DE VERACIDADE relativa a uma determinada ideia a despeito de sua procedência ou possibilidade de verificação objetiva. CRENÇA pode representar o ELEMENTO SUBJETIVO DO CONHECIMENTO afeta tudo em nossa vida como criamos os filhos, onde decidimos morar, com quais pessoas nos relacionamos, nosso estado de saúde, o trabalho que fazemos, o dinheiro que ganhamos ou temos e nosso equilíbrio mental e emocional. NOSSAS CRENÇAS CONSTROEM O NOSSO MUNDO. DEFINIÇÃO - CRENÇAS 71 Mas... crenças não são "A VERDADE“ são apenas uma percepção que foi aceita como verdade. Podemos mudá-las! Podemos escolher acreditar em ideias que apoiam nossos sonhos e visões do que desejamos. PODEMOS MUDAR AS CRENÇAS NEGATIVAS e instalar novas e poderosas ideias é essencial para criar uma vida em alinhamento com nossos desejos. DEFINIÇÃO - CRENÇAS 72 CRENÇAS CENTRAIS, BÁSICAS OU NUCLEARES Core Beliefs 73 São o nível mais fundamental de pensamento. São globais, rígidas e supergeneralizadas. Fazem parte da personalidade dos indivíduos Ideias e conceitos fundamentais sobre o “self”, os outros e o mundo São Incondicionais Formadas desde a infância e se fortalecem com o tempo As pessoas frequentemente não as articulam, sequer para si mesmas. Consideradas como verdades absolutas. CRENÇAS CENTRAIS (Beck, 1970) 74 Formação de nosso caráter fatores psicossociais, fatores aprendidos que influem na personalidade. Boa parte do caráter é formado ao longo da experiência e do processo de socialização. As CRENÇAS CENTRAIS inseridas dentro dos ESQUEMAS, que orientam o comportamento manifestam os traços de personalidade do indivíduo regem o processamento da informação e do comportamento. CRENÇAS CENTRAIS (Beck, 1970) 75 Crenças Centrais ou Crenças Básicas ou Crenças Nucleares Disfuncionais Predispõem a transtornos emocionais Impedem a realização de metas Associadas a emoções fortes Tornam-se ativas em situações relacionadas às vulnerabilidades específicas do indivíduo Idiossincráticas (cada pessoa tem o seu conjunto) 76 Muitas são culturalmente reforçadas: “sofrer é virtuoso” “só podia ser mulher” “professor tem que saber tudo” “psicólogo não tem problema” “é esforçada e não inteligente” “não se pode elogiar, senão se fracassa” Crenças Centrais ou Crenças Básicas ou Crenças Nucleares Disfuncionais 77 Constituem-se um nível de pensamento mais profundo ativam-se durante os TRANSTORNOS EMOCIONAIS O processo de informação torna-se tendencioso, extraindo da realidade os aspectos que confirmam a crença disfuncional viés confirmatório. Passado o problema emocional ela volta a ser latente. Nos traços e TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE os indivíduos tem suas crenças disfuncionais ativadas na maior parte do tempo. Crenças Centrais ou Crenças Básicas ou Crenças Nucleares Disfuncionais 78 Crenças sobre si mesmo Crenças sobre os outros Crenças sobre o mundo Crenças Centrais ou Crenças Básicas ou Crenças Nucleares Disfuncionais 79 CRENÇAS CENTRAIS SOBRE SI MESMO DESAMPARO: impotente, frágil, vulnerável, carente, desamparado, necessitado DESAMOR: indesejável, incapaz de ser gostado, de ser amado, sem atrativos, imperfeito, rejeitado, abandonado, sozinho DESVALOR: incapaz, incompetente, inadequado, ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado, sem valor Judith Beck (1995) 80 CRENÇAS CENTRAIS SOBRE OS OUTROS Os pacientes percebem os outros de maneira rígida, supergeneralizada e dicotômica. Crenças disfuncionais ou negativas sobre os outros levam os pacientes a terem percepções muito negativas. As pessoas são vistas como desprezíveis, frias, prejudiciais, ameaçadoras e manipuladoras. As pessoas são más, desleais, traiçoeiras, só querem se aproveitar, tirar vantagens, etc. 81 CRENÇAS DISFUNCIONAIS SOBRE OS OUTROS Às vezes, os pacientes podem ter uma visão positiva, mas irreal (disfuncional), como se as pessoas fossem superiores, muito eficientes, amáveis e úteis (diferente da visão que eles tem de si próprios) Judith Beck, Terapia Cognitiva para Desafios Clínicos, 2007, Artmed, pg 37. 82 CRENÇAS DISFUNCIONAIS SOBRE O MUNDO Pacientes percebem o mundo de maneira rígida, supergeneralizada e dicotômica. Criam crenças negativas sobre este mundo. Os pacientes acreditam que não conseguem o que querem em razão dos obstáculos encontrados no mundo. “O mundo é injusto, hostil, imprevisível, incontrolável, ameaçador, perigoso, etc.” Judith Beck, Terapia Cognitiva para Desafios Clínicos, 2007, Artmed, pg. 38. 83 IMPORTANTÍSSIMO Conceituar corretamente a categoria, ou categorias, das CRENÇAS CENTRAIS dos pacientes é essencial para conduzir eficientemente a terapia. Judith Beck, em “Terapia Cognitiva para Desafios Clínicos, pag. 36, Artmed, 2007 84 CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS OU SUBJACENTES PRESSUPOSTOS CONDICIONAIS CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS (Judith Beck,1995) As crenças centrais influenciam o desenvolvimento das crenças intermediárias. São construções cognitivas disfuncionais. São regras, padrões, normas, premissas e atitudes que adotamos e que guiam a nossa conduta. Pressupostos Subjacentes ou Pressupostos Condicionais ou Crenças Subjacentes ou Crenças Intermediárias 86 REGRAS (eu devo...) “Tenho que ser perfeito em tudo o que faço” “Não devo me mostrar como sou, pois verão que sou incompetente” ATITUDES (é preciso que todos sejam competentes...) “É horrível ser incompetente” “É terrível desperdiçar seu potencial” SUPOSIÇÕES (se eu...) “Se eu me mantiver nesta posição eu ficarei bem. Mas, se eu tentar mudar eu não conseguirei ficar bem.” “Se eu cometo erros é porque sou má” “Se eu fizer o que os outros esperam, então irão gostar de mim.” EXPECTATIVAS – (espero atingir.....conseguir) CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS (Judith Beck,1995) 87 As crenças intermediárias pressupõem que, desde que determinadas REGRAS, NORMAS e ATITUDES sejam cumpridas “se eu fizer o que os outros esperam, então irão gostar de mim” então não haverá problemas e o indivíduo se mantém relativamente estável e produtivo. (Fennel, 1997) CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS 88 Se, por alguma circunstância, os pressupostos por exemplo: “devo sempre sacrificar-me pelo bem-estar dos outros” não estão sendo cumpridos, o indivíduo torna-se vulnerável ao transtorno emocional quando as crenças centrais negativas “sou um fracassado, incapaz de ser amado” são ativadas. CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS 89 São mais maleáveis do que as crenças centrais. Embora o indivíduo construa e mantenha os pressupostos e as regras como tentativa de lidar com a CRENÇA CENTRAL DISFUNCIONAL, ele as acaba confirmando e reforçando. Determinam“ESTILOS DE ENFRENTAMENTO” ou “ESTRATÉGIAS COMPENSATÓRIAS” (Judith Beck, 1995) CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS 90 ESTILOS DE ENFRENTAMENTO Comportamentos que a pessoa usa na tentativa de lidar com as crenças (esquemas). Tem correlação direta com as REGRAS e os PRESSUPOSTOS DISFUNCIONAIS que acabam por reforçar ainda mais as crenças. Os pressupostos condicionais modelam a relação entre as estratégias comportamentais e as crenças nucleares. 91 Manutenção da crença Evitação da crença Compensação da crença ESTILOS DE ENFRENTAMENTO 92 MANUTENÇÃO DA CRENÇA Refere-se a como o pensar e agir acabam perpetuando as crenças nucleares. A literatura chama de capitular, render-se a ela. Por exemplo, uma pessoa que pensa e se “sente” inferior aos outros sempre se coloca, literalmente ou na imaginação, atrás dos outros, porque tem a crença: “Eu não mereço nada melhor”. 93 EVITAÇÃO DA CRENÇA Refere-se às estratégias COGNITIVAS, EMOCIONAIS e COMPORTAMENTAIS usadas para evitar o acionamento das crenças nucleares e dos sentimentos dolorosos associados a elas. Exemplo de uma pessoa tímida que deprime e se isola, evitando dessa forma enfrentar sua crença de desamparo ou desamor. 94 COMPENSAÇÃO DA CRENÇA Parecem contradizer as crenças nucleares. Por ex. o indivíduo com crença de desamor, engaja-se em uma frenética vida social e amorosa (sem, no entanto, aprofundar nenhuma das relações), tudo para compensar sua crença de não ser desejado. tentativas parcialmente bem-sucedidas de desafio e superação envolvem uma falha em reconhecer a vulnerabilidade subjacente, a pessoa fica despreparada quando a compensação falha e a crença é acionada. 95 EXEMPLO: Indivíduo com Ansiedade Social CRENÇA CENTRAL Sou incapaz de ser amado ATITUDE É perigoso interagir com as pessoas, pois elas não vão gostar de mim. REGRA Para não ter problemas, não devo interagir com as pessoas SUPOSIÇÃO Se eu interagir com as pessoas elas não vão me aceitar como sou. Devo me afastar, caso contrário me machucarão. PENSAMENTO AUTOMÁTICO Não vou ter assunto pra conversar na festa. 96 PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS DISFUNCIONAIS 97 PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS DISFUNCIONAIS - PAD Fluxo de pensamentos que coexistem com um fluxo de pensamentos mais manifestos Surgem espontaneamente e não são embasados em reflexão ou deliberação. Aceitos como verdadeiros, sem avaliação crítica Parecem surgir espontaneamente, mas estão ligados ao nosso sistema de crenças centrais e subjacentes. Quase sempre negativos, a menos que o paciente seja maníaco ou hipomaníaco, tenha um transtorno de personalidade narcisístico ou seja um dependente de drogas. Breves e o paciente com frequência está mais ciente da emoção que sente em decorrência do pensamento do que do pensamento em si. 98 Influenciam o comportamento: o que escolhemos ou não fazer e a qualidade do nosso desempenho. Podem ocorrer em forma verbal ou como imagens. Pensamentos e Crenças afetam respostas biológicas. PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS (disfuncionais) 99 Ajudam a definir os estados de humor que experimentamos “Pessoas com raiva pensam a respeito de como foram prejudicadas; pessoas deprimidas pensam sobre quão infelizes suas vidas se tornaram; pessoas ansiosas veem perigo em toda parte.” (D.Greenberger e C. Padesky, em A Mente Vencendo o Humor, pg. 24, Artmed, 1999) PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS (disfuncionais) 100 Cognição alicerçada em auto-avaliações e auto-direcionamentos, fora do alcance consciente que opera automaticamente, de forma particular e produzida pelos esquemas. (Aaron Beck) PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS (PA) 101 DESENCADEANTES ESTIMULANTES PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS Uma gama de situações pode gerar PAD (Pensamentos Automáticos Disfuncionais) Sequência entre a geração da situação desencadeante e o comportamento final “Pensamento Quente” Pequenos acontecimentos Pensamentos estressantes Lembranças Imagens Emoções Comportamentos Sensações físicas Sensações mentais SITUAÇÕES DESENCADEANTES 103 Pensamentos automáticos tornam-se situações ESTIMULANTES quando os pacientes os avaliam, tomam conhecimento deles e TEM PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS ADICIONAIS SITUAÇÕES ESTIMULANTES 104 REAÇÕES DO PACIENTE Emocional Comportamental Física É importante descobrir se a natureza dessas reações perturba o paciente Normalmente eles se sentem perturbados com suas emoções negativas 105 O paciente estava na farmácia e pensou: “Por que este remédio não me ajuda?” (Ansioso) Percebeu a ansiedade e pensou: “Nunca vou sarar” (Desanimado) REAÇÕES DO PACIENTE REAÇÃO EMOCIONAL 106 A paciente viu um prato de biscoitos e pensou: “Não tem problema se eu pegar apenas um” (pegou o biscoito e comeu) Quando terminou de comer percebeu o que tinha feito e pensou: “Oh! Eu não devia ter comido. Realmente quebrei minha dieta hoje. Talvez eu possa comer mais um e recomeçar minha dieta amanhã”. REAÇÕES DO PACIENTE REAÇÃO COMPORTAMENTAL 107 O paciente estava dirigindo quando passou pela sua cabeça as imagens de um acidente, sentiu-se ansioso e percebeu que seu coração estava batendo mais forte. Pensou: “Isso pode acontecer comigo” REAÇÕES DO PACIENTE REAÇÃO FÍSICA 108 SITUAÇÕES E REAÇÕES “Na verdade, pode ser mais importante trabalhar a avaliação do paciente quanto às suas reações do que a situação desencadeante” Judith Beck em TERAPIA COGNITIVA PARA DESAFIOS CLÍNICOS, O que fazer quando o básico não funciona, página 47, Artmed 109 USO DE SUBSTÂNCIAS Situações desencadeantes e estimulantes SITUAÇÃO 1 Em casa PA “Estou sem dinheiro, quebrado” “ Eu nunca sairei desse buraco” EMOÇÃO Tristeza, desânimo 110 SITUAÇÃO 2 Percebe o sentimento de tristeza PA “Eu odeio este sentimento” “Se eu pudesse cheirar só uma carreira (usar cocaína)” EMOÇÃO Ansiedade PA Lembrança do sentimento maravilhoso da 1ª vez que usou cocaína EMOÇÃO Excitação REAÇÃO FÍSICA Fissura USO DE SUBSTÂNCIAS Situações desencadeantes e estimulantes 111 SITUAÇÃO 3 Reconhece o desconforto da fissura PA “Preciso conseguir um pouco (de cocaína)” “Não vai me fazer mal desta vez” EMOÇÃO Alívio COMPORTAMENTO Evita pensamentos que possam detê-lo, consegue a cocaína e a consome. USO DE SUBSTÂNCIAS Situações desencadeantes e estimulantes 112 Situação 4 Mais tarde percebe o que faz PA “Não acredito que eu fiz isso. Sou um fraco” “Eu nunca vou me livrar disto”(da dependência) REFORÇO DA CRENÇA DE SER UM FRACASSO E SEM CONTROLE USO DE SUBSTÂNCIAS Situações desencadeantes e estimulantes 113 114 RPD - 3 COLUNAS IDENTIFICANDO PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS 115 PENSAMENTO AUTOMÁTICO DISFUNCIONAIS (PAD) Base do tratamento na TCC Promove a flexibilidade Cognitiva Fases sobrepostas: 1) Identificação Pensamentos Automáticos Disfuncionais (PAD) 2) Modificação Pensamentos Automáticos Disfuncionais (PAD) 116 Técnicas para identificar o PAD: Reconhecimento das mudanças de humor Psicoeducação Descoberta Guiada Registro de Pensamentos Exercícios de Imagem Mental Exercícios de “Role Play” Uso de Inventários 117 RECONHECIMENTO DAS MUDANÇAS DE HUMOR “A emoção é a estrada real para a cognição” (Beck, 1989) Padrões de pensamentos ligados à expressão emocional intensa, carregada oportunidades ricas para trazer à tona alguns PA e ESQUEMAS importantesa serem trabalhados em terapia. Impacto significativo na memória. A carga emocional propicia maior lembrança dos eventos a serem trabalhados. Video 4 – TCC para Doenças Graves 118 IMPORTANTE IDENTIFICAR OS ESTADOS DE HUMOR As emoções = importância primária = TCC. Meta importante TC alívio de sintomas (redução no nível de aflição = quando ele modifica PA disfuncional). A emoção negativa intensa é dolorosa e disfuncional, interfere na capacidade do paciente de -pensar claramente, -resolver problemas, -agir efetivamente ou obter satisfação. 119 Nos transtorno psicológico, as pessoas experimentam uma intensidade de emoção que é excessiva ou inapropriada à situação. Sentem-se cansados (não reconhecem a depressão) Sentem-se nervosos (não reconhecem a ansiedade). Raiva, tristeza e culpa são estados de humor problemáticos comuns a muitas pessoas 120 PSICOEDUCAÇÃO Ensinar ao paciente, se possível com exemplos do próprio paciente, a origem dos PADs. Explicar como o pensamento influencia a emoção e o comportamento Vídeo 5 Livro : Aprendendo a TCC, Wright 121 DESCOBERTA GUIADA Utilize suas habilidades de empatia. Coloque-se no lugar do paciente e pense como ele pode estar pensando. Essa prática leva a uma maior competência do terapeuta. 122 DESCOBERTA GUIADA Faça questionamentos que estimulem a EMOÇÃO = Elas balizam seu caminho. Seja específico = Situações específicas (discussão de tópicos gerais leva a relato de cognições difusas). Focalize em eventos recentes. Mantenha-se em uma linha de perguntas e um único tópico. 123 Vá fundo e questione: ”Quais outros pensamentos você teve na situação?” ”Vamos tentar nos manter nisso um pouco mais?” ”Você se lembra de mais algum pensamento que pudesse estar passando por sua cabeça?” Conte com a formulação de caso para saber que caminho tomar. Pode dirigir o questionamento mesmo no início. O conhecimento dos diagnósticos diferenciais ajudam na formulação de perguntas para dirigir os pacientes aos seus focos problemáticos. Vídeo 13 – Livro: Doenças Graves 124 DESCOBERTA GUIADA IMAGENS MENTAIS Paciente com dificuldade de identificar pensamentos automáticos. Utilização de perguntas que estimulem imagens vívidas de uma situação ocorrida. Necessita de preparação para ser eficaz. Vídeo 8 –Livro: Aprendendo a TCC, Wright 125 COMO AJUDAR OS PACIENTES NESTA TÉCNICA Explique Use um tom de voz incentivador e que mostre acolhimento, demonstrando a utilidade e segurança do método. Peça que tente lembrar o que se passava em sua cabeça antes do incidente: “O que o levou pra essa situação?” ”O que se passava em sua mente enquanto estava na situação?” ”Como estava se sentindo antes da interação começar?” IMAGENS MENTAIS IMAGENS MENTAIS COMO AJUDAR OS PACIENTES NESTA TÉCNICA Faça perguntas do tipo: “Quem estava lá?” “Como era o lugar?” “Como a outra pessoa apareceu?” “Você se lembra de algum som ou cheiro naquele momento?” “O que você estava vestindo?” “O que mais você consegue lembrar da cena antes que tenha sido dito qualquer coisa?” Conforme a cena for sendo descrita, utilize perguntas estimulantes que intensifiquem a imagem e ajudem o paciente a ir mais fundo e lembrar dos pensamentos automáticos. IMAGENS MENTAIS “ROLE PLAY” (Dramatização) O terapeuta encena o papel de uma figura significativa do paciente e dramatiza uma cena = que está relacionada com a causa problema. Num segundo momento eles trocam de papel. O objetivo é trazer à tona PADs. 128 IMPLICAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO ROLE PLAY NA RELAÇÃO TERAPÊUTICA 129 Como o “role-play”, nesta situação específica, com essa figura importante da vida do paciente, afetaria a relação terapêutica? O teste de realidade do paciente é forte o suficiente para ver essa experiência como uma dramatização e retornar ao trabalho depois do “role-play”? “ROLE PLAY” (Dramatização) INVENTÁRIOS PARA PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS 130 BDI - Escala de Depressão (Beck Depression Inventory) (Mede a intensidade da depressão) BAI - Escala de Ansiedade (Beck Anxiety Inventory) (Mede a intensidade da ansiedade) BHS - Escala de Desesperança (Beck Hopelessness Scale) (Medida de pessimismo – indícios sugestivos risco de suicídio) BSI - Escala de Ideação Suicida (Beck’s Suicidal Ideation Scale) (Detecta a presença de ideação suicida – mede extensão da motivação e planejamento) 131 Exercício RPD - DIAGRAMA 5 PARTES Erros cognitivos DISTORÇÕES cognitivAS Erros cognitivos Processamento defeituoso da informação. São vieses sistemáticos na forma como indivíduos interpretam suas experiências. Se a situação é avaliada erroneamente, essas distorções podem levar o indivíduo a conclusões equivocadas. 133 PENSAMENTOS DISTORCIDOS Erros cognitivos = Pensamentos distorcidos Deslizes de pensamento Impedem que se faça uma avaliação exata das experiências Estimulam a se tomar o caminho menos adequado, tirar conclusões e supor o pior. Desviam do caminho adequado ou induzem à distorção dos fatos. 134 Visão chave da Terapia Cognitiva “Depressão, Ansiedade e Raiva são resultados de padrões recorrentes de Distorções Cognitivas” 135 135 FLEXIBILIDADE COGNITIVA O objetivo da Terapia Cognitiva é corrigir as distorções do pensamento, ou seja, modificar os erros cognitivos Maior flexibilidade cognitiva Pensamentos alternativos mais funcionais, capazes de gerar uma melhora no estado de humor no paciente. 136 As distorções cognitivas tem intersecções e sobreposições, por isso o paciente provavelmente irá apresentar, concomitantemente, mais de uma distorção numa mesma situação. Por exemplo.: “Se eu chegar atrasado minha mulher vai se separar de mim. Ela não consegue me compreender” (catastrofização e vitimização) DISTORÇÕES COGNITIVAS 137 Sumário dos erros cognitivos 1 - Catastrofização 2 - Abstração seletiva 3 - Inferência arbitrária 4 – Supergeneralização 5 - Maximização e minimização 6 - Personalização 7 - Pensamento absolutista 8 - Raciocínio emocional 9 - Adivinhação 10 - Leitura mental 11 - Rotulação 12 - Desqualificação do positivo 13 - Imperativos 14 - Vitimização 15 - Questionalização 16 - Baixa tolerância à frustração 17 – Incapacidade de Refutar 18 – Foco no Julgamento 138 CATASTROFIZAÇÃO O pior vai acontecer. O que acontecerá será intolerável, arrasador, insuportável. “Perder o emprego será o fim da minha carreira” “Não suportarei a separação da minha mulher” “Se eu perder o controle será o meu fim” 139 ABSTRAÇÃO SELETIVA Foco voltado somente ao problema, ignorando outros aspectos relevantes. Um dos amigos não ligou no aniversário (filtro mental, filtro negativo ou visão em túnel) "Estou perdendo todos os meus amigos; ninguém se importa mais comigo“ 140 INFERÊNCIA ARBITRÁRIA Conclusão a partir de evidências contraditórias ou na ausência de evidências. “As chances do avião cair? Uns 60%. Lembra o da Chapecoense?” 141 SUPERGENERALIZAÇÃO Conclusão sobre um acontecimento isolado é estendida de maneira ilógica a outras áreas do funcionamento. Se é verdade uma vez, é verdade sempre. "Estou com problemas nessa aula; estou ficando para trás em todas as áreas da minha vida; não consigo fazer nada direito" 142 MAXIMIZAÇÃO E MINIMIZAÇÃO “Meu coração está acelerado; posso ter um ataque cardíaco ou um derrame" Máximizar experiênciasnegativas e minimizar positivas. Se algo puder dar errado, vai acontecer. “Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem” “Obter notas boas não quer dizer que sou inteligente, os outros obtêm notas melhores do que as minhas” 143 PERSONALIZAÇÃO Assumir responsabilidade excessiva ou culpa por eventos negativos Considerar-se responsável por eventos que não dão certo, mesmo estando além do seu controle. “O chefe está de cara fechada. Devo ter feito algo errado” “Não consegui manter meu casamento, ele acabou por minha causa.” 144 "Tudo vai bem para o Roberto; comigo nada vai bem". Pensamento absolutista (dicotômico ou do tipo tudo-ou-nada) Perceber as experiências apenas como boa ou ruim / preto ou branco / oito ou oitenta / fracasso ou sucesso / perfeito ou defeituoso “ Deu tudo errado” – “Ninguém gosta de mim” “Se errei é porque não tenho futuro” 145 RACIOCÍNIO EMOCIONAL Presumir que sentimentos são fatos “Sinto, logo existo” Presumir que somente por algo ser emocionalmente forte, é verdade. Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da realidade (emocionalização) “Eu sinto que minha mulher não gosta mais de mim.” “Sinto que meus colegas riem às minhas costas”. “Sinto-me desesperado, então a situação deve ser desesperadora.” 146 ADIVINHAÇÃO Prever o futuro Antecipar problemas que talvez não venham a ocorrer. Expectativas negativas = como fatos. “Não irei gostar da viagem.” “Ela não aprovará meu trabalho.” “Dará tudo errado.” 147 LEITURA MENTAL Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando desconsiderando outras hipóteses possíveis. “Ela não está gostando da minha conversa” “Ele está me achando inoportuna” “Ele não gostou do meu projeto” 148 ROTULAÇÃO Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo (ou no outro), um estereótipo, ao invés de analisar a situação. “Sou incompetente.” “Ele é uma pessoa má.” “Ela é burra.” “Sou um caso perdido” 149 DESQUALIFICAÇÃO do POSITIVO Rejeita informações positivas que conflitam com sua visão. “O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi fácil.” “Isso é o que esposas devem fazer, portanto, ela ser legal comigo não conta.” “Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com pena.” 150 IMPERATIVOS Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser. Demandas feitas a si mesmo, aos outros e ao mundo. “deveria” e “tenho que” “Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas.” “Eu devo ser perfeito em tudo que faço.” “Eu não deveria ter ficado incomodado com meu amigo.” 151 VITIMIZAÇÃO Considerar-se injustiçado ou incompreendido fonte dos sentimentos negativos é algo ou alguém, havendo recusa ou dificuldade de se responsabilizar pelos próprios sentimentos e comportamentos. “Minha esposa não entende meus sentimentos” “Faço tudo pelos meus filhos e eles não me agradecem. 152 QUESTIONALIZAÇÃO Focar naquilo que poderia ter sido e não foi. Culpar-se pelas escolhas do passado e questionar-se por escolhas futuras. (E se?) “Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhor agora.” “E se o novo emprego não der certo?” “Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido.” 153 BAIXA TOLERÂNCIA À FRUSTRAÇÃO Supor que quando uma coisa parece difícil de ser tolerada, ela é intolerável. Acaba por aumentar o sofrimento, o desconforto “Vai dar muito trabalho fazer o TCC. Vou fazer quando estiver com vontade” 154 INCAPACIDADE DE REFUTAR Rejeição de quaisquer evidências ou argumentos que possa, contradizer os pensamentos negativos “Não sou digno de amor” Essa não é a questão real, existem outros problemas mais profundos e outros fatores. … Consequentemente seu pensamento não pode ser refutado 155 FOCO NO JULGAMENTO Vê a si mesmo, aos outros e aos acontecimentos em termos de avaliações. “Se for jogar tênis, não vou me sair bem” 156 RPD Registro de Pensamento Disfuncional e debate socrático Coordenadora: Psicóloga Ms. Eliana Melcher Martins 157 Principal instrumento da tcc O R P D foi recomendado como um procedimento de alto impacto por Beck e colaboradores (1979) em seu clássico livro TERAPIA COGNITIVA DA DEPRESSÃO. 158 REGISTRO DE PENSAMENTO DISFUNCIONAL Base do tratamento na TCC Flexibilidade Cognitiva 159 Registro de Pensamento Disfuncional RPD Fases sobrepostas: Identificação PA’s Identificação Emoções Avaliando PA’s Respondendo aos PA’s Identificando e Modificando Crenças (Distorções Cognitivas, Crenças Intermediárias e Crenças Centrais) 160 Registro de Pensamento Disfuncional RPD 161 RPD - 5 COLUNAS (com Resultado) VÁRIOS MODELOS DE RPD MODELO A-B-C RPD de 3 colunas RPD de 4 colunas RPD de 5 colunas (tradicional) RPD de 7 colunas Diagrama de 5 partes RPD específico (transtornos alimentares, por exemplo) RPD da Terapia Processual (para mudar crenças) 162 Crie o seu...... 163 RPD - 3 COLUNAS Coluna 1: Situação “Qual a situação que você gostaria de relatar?” “Algum evento desagradável que aconteceu na semana?” Coluna 2: Pensamento Automático Disfuncional “O que passou pela sua cabeça?” “Você se lembrou de algo”? Coluna 3: Emoção “O que você sentiu?” “Você se recorda de alguma emoção?” 164 RPD - 3 COLUNAS Como você está elegante hoje!!! ALEGRIA 165 Exercício : RPD-3-colunas Situação 1: Alguém diz que você está elegante Emoção: Alegria Situação 2: Alguém diz que você está elegante Emoção: Tristeza Situação 3: Alguém diz que você está elegante Emoção: Raiva * Para uma mesma situação, reações diferentes dependendo do PA que passou pela cabeça RPD - 3 COLUNAS 166 RPD - 4 COLUNAS (Distorção Cognitiva) Coluna 1: Situação “Algo te desagradou na semana que vc quer trabalhar ?” “O que mais te incomodou na semana?” Coluna 2: Pensamento Automático “O que te ocorreu no momento?” “Houve alguma situação parecida no passado”? Coluna 3: Emoção “Qual foi a sua reação emocional?” “Você já vivenciou uma emoção parecida?” Coluna 4: Distorção Cognitiva “Você acha que fez alguma suposição ilógica?” “Será que você cometeu alguma distorção cognitiva” 167 RPD - 4 COLUNAS (Distorção Cognitiva) 168 DIAGRAMA 5 PARTES 169 RPD - 5 COLUNAS (com Resultado) 170 RPD - 5 COLUNAS (com Resultado) Coluna 1: Situação Coluna 2: Pensamento Automático Coluna 3: Emoção Coluna 4: Distorção Cognitiva / Resposta Adaptativa Coluna 5: Resultado (10 perguntas Diálogo Socrático /Descoberta Guiada) 171 RPD - 5 COLUNAS Coluna 1: SITUAÇÃO Usar a primeira coluna para escrever uma SITUAÇÃO ou a LEMBRANÇA de uma situação que estimulou o(s) pensamento(s) automático(s). Todo PA deve estar ligado a uma SITUAÇÃO, um acontecimento, uma vivência do paciente. Obs. – A data é importante e deve anteceder a coluna 1 172 RPD - 5 COLUNAS Coluna 2: PENSAMENTO AUTOMÁTICO Registrar os PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS DISFUNCIONAIS (pensamento quente) Registrar o grau de crença nesses pensamentos no momento em que ocorreram (escala de 0 a 100 do quanto os pacientes acreditam que seus pensamentos automáticos são verdadeiros) 173 RPD - 5 COLUNAS Coluna 3: EMOÇÃO Registrar a EMOÇÃO ou EMOÇÕES associadas aos Pensamentos Automáticos Registrar o grau de intensidade das emoções no momento em que ocorreram (escala de 0 a 100) Importância da classificação A Classificação do quanto (de 0 a 100) os pacientes acreditam que seus pensamentos são verdadeiros, assim como o grau de emoção associada a eles, são uma parte vital do processo de modificação de pensamento. 174 175 RPD - 5 COLUNAS Coluna 4: DISTORÇÃO COGNITIVA RESPOSTA ADAPTATIVA OU RESPOSTA RACIONAL (preenchida após o “Debate Socrático”) - Registrar alternativas racionais para pensamentos automáticos desadaptativose para classificar os pensamentos modificados quanto ao grau de crença. 176 RPD - 5 COLUNAS Coluna 5: RESULTADO Usada para documentar o resultado do trabalho do paciente para mudar os pensamentos automáticos. Pedir ao paciente para anotar novamente a Emoção registrada na coluna 3 e avaliar novamente a intensidade de seus sentimentos em uma escala de 0 a 100. Registrar mudanças no comportamento ou registrar planos que foram desenvolvidos para enfrentar a situação. Na maioria dos casos haverá mudanças positivas anotadas nesta coluna. 177 DEBATE SOCRÁTICO - Quais são as evidências que apóiam essa idéia? - Quais são as evidências contra essa idéia? - Existe uma explicação alternativa? - Qual é o pior que poderia acontecer? Eu poderia superar isso? - O que é o melhor que poderia acontecer? - Qual é o resultado mais realista? - Qual é o efeito da minha crença no pensamento automático? - O que eu deveria fazer em relação a isso? - O que eu diria (a um amigo) se ele ou ela estivesse na mesma situação? sugestão e roteiro de debate socrático ATENÇÃO O Debate Socrático apresentado é apenas um Roteiro, uma sugestão para ser seguida ou adotada pelo psicoterapeuta cognitivo-comportamental. A situação, o cliente, o terapeuta, com sua experiência e criatividade podem modificá-lo, introduzindo novas questões e propostas que contribuirão para a mudança de crença no pensamento disfuncional em questão. Técnicas de Terapia Cognitiva Manual do terapeuta Robert Leahy Artmed 178 Crie o seu..... 179 DIÁLOGO SOCRÁTICO Conhecer o problema trazido pelo cliente; Obter visão geral acerca do seu estilo de vida atual; Avaliar estratégias de enfrentamento; Avaliar os estressores e funcionamento global; Traduzir queixas vagas em problemas concretos; Decidir sobre tipo de enfoque a ser utilizado; Auxiliar o cliente a avaliar as consequências de seus comportamentos disfuncionais e possíveis mudanças; Identificar cognições associadas aos problemas; Avaliar os significados atribuídos aos eventos; Auto verbalizações, auto avaliações, auto conceito; Explorar áreas de difícil acesso. 180 Ao invés de fornecer respostas, confrontar, debater ou interpretar o terapeuta TCC formula questões que visam dirigir a atenção do cliente a uma área específica e: avaliar as suas respostas em relação ao tema, esclarecer ou definir o problema, auxiliar a identificar pensamentos, imagens e crenças, examinar o significado atribuído pelo cliente aos eventos e avaliar as consequências de seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. DIÁLOGO SOCRÁTICO DIÁLOGO SOCRÁTICO Diálogo Socrático Questionamento Socrático Método Socrático Debate Socrático O Diálogo Socrático contem três componentes básicos: Questionamento Sistemático Raciocínio Indutivo Definições universais 181 182 RPD - 7 COLUNAS 183 Coluna 1: Situação Coluna 2: Pensamento Automático Coluna 3: Emoção (na situação) Coluna 4: Evidências/Fatos que apoiam (A favor) Coluna 5: Evidências/Fatos que não apoiam (Contra) Coluna 6: PA alternativos / PA compensatórios Coluna 7: Emoção (agora) RPD - 7 COLUNAS RPD – 7 colunas Situação Emoção PAD Fatos que apoiam Fatos que não apoiam Resposta Alternativa Resultado Lembrar da morte do pai. Ansiedade 60% Sou um incompetente, nunca fui bom como meu pai. 100% Esqueço de fazer alguns detalhes do trabalho Me sinto um fracasso Não faço as coisas direito Fui elogiado pelo meu chefe. Trabalho há 5 anos na mesma empresa. Sou procurado às vezes para fazer outros trabalhos. Se eu for demitido, posso encontrar outro trabalho. Apesar de me sentir um burro, não fui demitido até agora, isto significa que meu trabalho não é ruim Sou um incompetente, nunca fui bom como meu pai. 30% Ansiedade 10% 184 EXEMPLOS DE RPD 185 RPD – 7 colunas Situação Emoção PAD Fatos que apoiam Fatos que não apoiam Resposta Alternativa Resultado Rompimento com o Namorado Tristeza 60% Ninguém nunca mais vai gostar de mim 100% Levei um fora de meu namorado Me sinto um fracasso Não faço as coisas direito Já tive outros 5 namorados Levei o fora de 3 e dei o fora em 2 Tem um colega de trabalho interessado em mim Meu namorado não gosta mais de mim, mas já tive outros ex e não deixei de ter relacionamentos depois Ninguém nunca mais vai gostar de mim 30% Tristeza 10% 186 RPD – 5 colunas Situação PAD EMOÇÃo RESPOSTA ALTERNATIVA RESULTADO Apresentação de seminário para colegas de faculdade e professores Eles sabem mais do que eu Não vou conseguir explicar o que estudei Eles vão notar que não sei tudo 100% Ansiedade 100% Estou ansiosa mas posso controlar essa ansiedade respirando. Me preparei o suficiente para fazer essa apresentação Nem todos conhecem o assunto que abordarei Não preciso saber tudo Eles vão notar que não sei tudo 40% Ansiedade 15% 187 Técnicas Avançadas em Terapia Cognitivo-Comportamental Modificando Crenças Centrais e Subjacentes Importante saber: As crenças são ideias e não verdades absolutas. Embora se acredite fortemente nelas e ainda a “sintamos” como verdadeiras, elas são parcial ou totalmente não verdadeiras. Por ser uma ideia, podem ser testadas. Essas ideias são enraizadas a partir de eventos na infância e podem não ter sido verdadeiras na ocasião em que foram construídas. Modificando Crenças Centrais e Subjacentes Elas continuam se mantendo por meio de esquemas cognitivos, os quais retiram da experiência de vida os dados que confirmam as crenças, ao mesmo tempo em que não levam em conta dados que as desconfirmem. Tais ideias, que foram aprendidas, podem ser “desaprendidas”, ao mesmo tempo em que novas crenças mais realistas e funcionais, podem ser aprendidas A exploração e modificação dos pressupostos e das crenças centrais devem ser trabalhadas após razoável confiança do paciente em sua capacidade de identificar e modificar pensamentos automáticos disfuncionais. A maioria das técnicas usadas na identificação e modificação de pensamentos automáticos disfuncionais também se aplica na identificação e modificação de crenças subjacentes e centrais Crenças intermediárias - nível existente entre os PA e as crenças centrais. As crenças centrais e intermediárias surgem a partir da interação social do indivíduo com o meio. Esse processo começa nos primeiros estágios do desenvolvimento e fornece ao indivíduo uma “teoria” sobre a realidade. Problemas como depressão, ansiedade frequentemente resultam de regras e pressupostos disfuncionais e rígidos, afirmações do tipo “deveria”, “eu tenho que” e crenças do tipo “se-então”. Uma pesquisa sobre vulnerabilidade à depressão indica a ativação de pressupostos de necessidade de aprovação e perfeccionismo. Durante períodos relativamente estáveis, esses pressupostos podem não ser aparentes, mas são ativados quando algo acontece. Por exemplo Um homem acredita ser digno de amor quando está em um relacionamento amoroso. Entretanto, a ameaça de término ou término real pode precipitar episódio depressivo, pois o pressuposto subjacente “não posso ser feliz se estiver sozinho” e o esquema pessoal negativo “não mereço ser amado” são ativados. Técnica: Seta Descendente Tenta-se chegar até a crença central ou intermediária. O terapeuta escreve o pensamento do paciente na parte superior do formulário específico e faz perguntas sobre o significado do pensamento disfuncional: Se seu pensamento fosse verdadeiro, por que isso o incomoda? O que você pensaria? O que aconteceria a seguir? O que significa pra você esse pensamento? O que esse pensamento diz de você? Vídeo 17/18 –Livro: Aprendendo a TCC Wright Eventos e Pensamentos Implicação Evento: Estou pensando se vou a festa. Pensamento: “ Ficarei ansioso se me aproximar da garota na festa.” O que você acha que vai acontecer? Serei rejeitado Se isso acontecer, então significa que... Eu sou um fracasso Se for um fracasso, isso significa que... Jamais encontrareialguém para me relacionar. Se jamais encontrar alguém, então... Estarei sempre sozinho. Se estiver sempre sozinho, isso o incomoda porque... Não serei feliz- serei sempre muito infeliz. Qual é o pressuposto subjacente? Preciso de outras pessoas pra me sentir feliz. Técnica: Identificação do pressuposto ou regra subjacente Por exemplo: Se fico sozinho devo ser indesejável. As pessoas que não têm companheiros são perdedoras. Tenho que ter um companheiro para ser feliz. Preciso me sair bem em tudo o que fizer. Se não me sair bem em alguma coisa, devo ser um fracasso. Técnica Custo e Benefício ‘’ Devo ter sucesso sempre’’ ou ‘’ Preciso que todo mundo me aprove’’ Novo pressuposto: ‘’ Tenho valor independente do que os outros pensem de mim’’ Custos: Ficar presunçoso e afastar pessoas Benefícios: Autoconfiança, poder assumir riscos, não ficar envergonhado, não depender dos outros, ser mais assertivo Custos: 5% Benefícios: 95% Custo - Benefício = 90% Conclusão: Esse pressuposto é melhor do que aquele de que preciso fazer com que todo mundo goste de mim para que eu também goste. Experimentos Comportamentais Um paciente com a distorção cognitiva “eu serei rejeitado” pode durante a semana, fazer contato com 10 pessoas e verificar o resultado. Evidentemente, a dupla paciente e terapeuta, na sessão anterior, treinará para que o paciente na sua profecia auto-confirmatória, não aborde as pessoas de forma a ser rejeitado. E, possivelmente, já terá treinado habilidades sociais em sessões anteriores. 123 Data Hora SITUAÇÃO PENSAMENTO AUTOMÁTICO PA EMOÇÃO 1- Que evento(s) real (is) ou recordação (ões) levaram à emoção desagradável? 2- Qual ( se houver) sensação aflitiva você teve? 1-Que pensamento (s) e/ou imagem (ns) passou pela sua cabeça? 2-Quanto você acreditou em cada um no momento? 1-Que emoção (ões) (tristeza, ansiedade, raiva, medo, dor, etc.) você sentiu no momento? 2-Quão intensa (0 a 100%) foi a emoção ? Adaptado de: Beck, Judith S. Terapia Cognitiva: teoria e prática, ARTMED:1997. RPD - 3 colunas Nome __________________________________________________________________ Data ____ / _____ / ____ Quando você percebe que seu humor está piorando, pergunte a si mesmo: "O que está passando pela minha cabeça agora?" e preencha as colunas abaixo. Nome: ________________________________________________ Data ____ / ____ / ____ SITUAÇÃO: Adaptado de: Conceitualização de Casos Colaborativa (Padesky & Cols) ARTMED:2010 DIAGRAMA 5 PARTES 12345 Data Hora SITUAÇÃO PA PENSAMENTO AUTOMÁTICO EMOÇÃORESPOSTA ADAPTATIVA RESULTADO 1- Que evento(s) real (is) ou recordação (ões) levaram à emoção desagradável? 2- Qual ( se houver) sensação aflitiva você teve? 1-Que pensamento (s) e/ou imagem (ns) passou pela sua cabeça? 2-Quanto você acreditou em cada um no momento? 1-Que emoção (ões) (tristeza, ansiedade, raiva etc.) você sentiu no momento? 2-Quão intensa (0 a 100%) foi a emoção ? 1-Que distorção cognitiva você realizou? 2-Use as perguntas abaixo para compor uma resposta adaptativa ao(s) PA(s)? 3-Quanto você acredita em cada resposta? 1-Quanto você acredita agora em cada PA? 2- Que emoção você sente agora? 3-Quão intensa é esta emoção, de 0-100%? 4-O que você fará agora (ou fez)? Faça a si mesmo estas perguntas (DEBATE SOCRÁTICO) e encontre uma resposta adaptativa (DESCOBERTA GUIADA): 1. Quais são as evidências de que o PA é verdadeiro? (Não é verdadeiro?)6. Qual é o resultado mais realista? 2. Há uma explicação alternativa?7. Qual é o efeito da minha crença no PA? 3. Qual é o pior que poderia acontecer?8. Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento? 4. Eu poderia superar isso?9. O que eu deveria fazer em relação a isso? 5. Qual é o melhor que poderia acontecer?10. O que eu diria a um amigo, se ele estivesse na mesma situação? Adaptado de: Beck, Judith S. Terapia Cognitiva: teoria e prática, ARTMED:1997. RPD - 5 colunas Nome __________________________________________________________________ Data ____ / _____ / ____ Quando você percebe que seu humor está piorando, pergunte a si mesmo: "O que está passando pela minha cabeça agora?" e preencha as colunas abaixo. 1234 Data Hora SITUAÇÃO PENSAMENTO AUTOMÁTICO PA EMOÇÃODISTORÇÃO COGNITIVA 1- Que evento(s) real (is) ou recordação (ões) levaram à emoção desagradável? 2- Qual ( se houver) sensação aflitiva você teve? 1-Que pensamento (s) e/ou imagem (ns) passou pela sua cabeça? 2-Quanto você acreditou em cada um no momento? 1-Que emoção (ões) (tristeza, ansiedade, raiva, medo, dor, etc.) você sentiu no momento? 2-Quão intensa (0 a 100%) foi a emoção ? 1-Qual distorção cognitiva você cometeu? 2-Há mais alguma distorção cognitiva? Adaptado de: Beck, Judith S. Terapia Cognitiva: teoria e prática, ARTMED:1997. RPD - 4 colunas Nome __________________________________________________________________ Data ____ / _____ / ____ Quando você percebe que seu humor está piorando, pergunte a si mesmo: "O que está passando pela minha cabeça agora?" e preencha as colunas abaixo. Nome: ________________________________________________ Data ____ / ____ / ____ SITUAÇÃO: Adaptado de: Conceitualização de Casos Colaborativa (Padesky & Cols) ARTMED:2010 DIAGRAMA 5 PARTES Nome __________________________________________________________________ Data ____ / _____ / ____ Quando você percebe que seu humor está piorando, pergunte a si mesmo: "O que está passando pela minha cabeça agora?" e preencha as colunas abaixo. 1234567 Situação PA Pensamentos Automáticos EMOÇÃO Estado de Humor (na situação) Evidências ou fatos que APOIAM Evidências ou fatos que NÃO APOIAMPensamentos Alternativos (ou Compénsatórios ) EMOÇÃO Estado de Humor (agora) O quê aconteceu?O que estava passando pela sua cabeça instantes antes de vc começar a se sentir deste modo? O que vc sentiu? Meça 0 - 100%. Quais as evidências A FAVOR?Quais as evidências CONTRA?Qual o pensamento alternativo? Meça 0 - 100%. O que vc sente? Meça 0 - 100%. Quando foi? Onde vc estava?Algum outro pensamento? Com quem ?Alguma imagem? Circule o "Pensamento Quente" Adaptado de: A mente vencendo o humor (Padesky & Greenberger), ARTMED:2008 RPD - 7 colunas