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Patologia Mamária benigna Introdução: A importância dos quadrantes mamários, é saber a localização anatômica para descrição de cistos e tumores. A superfície mamária é dividida em quatro quadrantes: A mama é formanda por um sistema de ductos ramificados a partir do mamilo e se estendem radialmente entre o estroma fibrogorduroso. A estrutura glandular: O complexo sistema de ductos, podem ser divididos em dois grupos: 1) A unidade terminal ductolobular (UTDL) 2) Os grandes ductos A UTDL, consiste em um lóbulo mamário e um ductolobular terminal, representando a porção secretória da glândula, conecta- se com um ducto subsegmentar que termina em um ducto segmentar e o conjunto desses ductos reúne-se em um ducto coletor (galactóforo) que emerge no mamilo. Entre o ducto subsegmentar e o coletor, há uma dilatação fusiforme do sistema ductal conhecida como seio lactífero. A UTDL é a unidade funcional da mama e conhecida como lóbulo mamário. Lesões mais frequentes da mama: Tem apresentação clínica: dor, massas palpáveis e descarga papilar. Indicação para procedimento -> microcalcificações, distorções do estroma e nódulos. Procedimento: PAAF, biopsia por agulha grossa, mamotomia, biopsia incisional e excecional e exame de congelação. Lesões benignas da mama: 1) Lesões císticas: Sacos preenchidos por líquido e revestido por epitélio. Presentes mais frequentemente em mulheres na menopausa. Clínica: dor e sensibilidade mamária; Podem ser consequência de uma dilatação ductal, o líquido normalmente é seroso. 2) Desordem Inflamatórias: Mastite: lesões inflamatórias da mama Maioria do caso se manifesta como aumento doloroso e eritamoso. ➢ A forma mais importante da mastite: mastite aguda da lactação; Algumas mastites manifestam-se simulando câncer, abcesso subareolar recorrente. Mastite aguda da lactação: a maioria da infecção aguda ocorre durante a lactação (em especial, nas primeiras semanas da amamentação) A mama fica mais vulnerável, a penetração de bactérias através de fissuras e rachaduras da mama. Essa infecção inicial, causa mastite aguda difusa e dolorosa, com aumento de volume, devido ao edema, congestão e exsudato neutrófilo. Regride com o uso de antibióticos e drenagem do leite. Em casos da lesão, pode evoluir para abscesso, há indicação de drenagem cirúrgica. Abcesso subareolar recorrente/redicivante: Podem ocorrem independentemente de lactação, história reprodutiva ou idade. Ocorre com mais frequência em mulheres adultas, porém pode ocorrer em mulheres na menopausa e em homens, principalmente em fumantes. ➢ Os pacientes apresentam nódulo subareolar doloroso, edematoso com episódios recorrentes de fistulizações e drenagem de material purulento através do mamilo, pele e aréola. Há duas vertentes do mecanismo patogênico: ➢ Muitas mulheres sofrem inversão do mamilo secundário a fibrose cicatricial, predispondo a metaplasia escamosa dos ductos, dilatação, ruptura e processo inflamatório. ➢ O tabagismo pode causar alteração na diferenciação do epitélio ductal por causa de deficiência da vitamina A e de substâncias tóxicas contidas no tabaco. Tratamento: requer cirurgia extensa para remover o ducto e o trato fistuloso em continuidade. Para evitar a permanência de ductos com epitélio ceratinizado, o que pode causara recorrência. A reação inflamatória desenvolve, em torno da ceratina extravasada. Ectasia Ductal: Estase ductal são lesões que envolvem ductos grandes subareolares em mulheres na pré e pós menopausa. Manifestado como descarga papilar serosa, sanguinolenta ou amarelada, associada a massa palpável, às vezes, dolorosa. É caracterizado por dilatação progressiva, dos grandes ductos, com acúmulo de secreção espessada, restos celulares e macrófagos xantomizados. ➢ A ruptura dos ductos provoca inflamação estromal periductal, com infiltrado inflamatório rico em linfócitos, plasmócitos e macrófagos e fibrose progressiva. E a essa fibrose progressiva pode causar retração do mamilo e da pele. ➢ É diferenciado das alterações fibrocisticas por afetar ductos subareolares da região central, enquanto os cistos surgem nos lóbulos, a partir da dilatação dos ácinos e sem componente inflamatório ou acúmulo de secreção. Microcalcificações tubulares ou anulares em duetos dilatados podem produzir um aspecto característico à mamografia. Mastite granulomatosa: são raros e ocorre na tuberculose, micoses e na sífilis. Se manifesta como massa/abcesso recorrente com fistula e pode simular um carcinoma. MICRO: presença de granulomas, as vezes com necrose caseosa e destruição do parênquima mamário. Diagnóstico confirmado por coloração de BAAR, PCR ou cultura. ➢ A sarcoidose, pode acometer a mama e permanecer por vários anos, produzindo granulomas não caseificantes. 3) Alterações fibrocisticas: Clinicamente, tais lesões se caracterizam por massa palpável ou descarga papilar, afetando com maior frequência mulheres entre 30 a 45 anos de idade. ➢ A expressão alteração fibrocistica é usada para designar modificações histopatológicas não proliferativas caracterizadas pela presença, isolada ou associada, de fibrose estromal, cistos, metaplasia apócrina e adenose. Lesões não proliferativas: são os cistos, metaplasia apócrina e fibrose estromal. Cistos: formam-se nas unidades lobulares por dilatação dos acinos. Mais que 1/3 das mulheres entre 20 a 45 anos. Geralmente, bilateral e multifocal. Raramente formam massas nodulares. São pequenos e podem coalescer e formar macrocistos visíveis. Revestidos por epitélio atrófico ou por celulares metaplasicas apócrinas e contém secreção fluida azulada ou translúcida. ➢ Microcalcificações associadas a cistos são comuns e quando presente no interior de cistos maiores, formam imagem semilunar revestindo a base do cisto, com denominação de leite de cálcio. 4) Lesões esclerosantes: Adenose -> consiste em aumento do número de ácinos ou ductulos por unidade lobular, aumentando o tamanho do lóbulo. Adenose, é o fenômeno fisiológico durante a gravidez e amamentação. Em não gravidas, ocorre como alteração focal e a importância clínica é considerável, pois pode estar associada a microcalcificações e ser detectada a mamografia Adenose esclerosante: Lesão benigna proliferativa sem atipia; Os ácinos proliferados são distorcidos por fibrose do estroma intralobular, resultando em dúctulos alongados e comprimidos; Maioria assintomático, solitária ou múltipla; Em qualquer idade; Pode ser confundida com carcinoma por provocar retração do parênquima, por estar frequentemente associada a microcalcificações suspeitas e pela distorção arquitetural que provoca, detectáveis à mamografia. E caso seja biopsiada na core biopsy, não requer mais tratamento cirúrgico. Cicatriz radial/lesão esclerosante complexa: Ambas são lesões benignas e proliferativas. Centro fibroelastótico circundado por ductos e túbulos de aspecto estrelado; Podem mimetizar um carcinoma -. Lesão espiculada na imagem radiológica. Pode ter outras alterações dentro como: cistos, microcalcificações, adenose esclerosante, micropapilomas, hiperplasia ductal, carcinoma in situ e invasor; Cicatriz radial: aplica-se em lesões que medem entre 1 a 9 mm; Lesão complexa: aplica-se em lesões maiores que 10 mm; Ambas são assintomáticas. 5) Lesões de células colunares: Alterações de células colunares sem atipia contendo microcalcificações Lesões mais simples, caracterizado por lóbulos aumentados de tamanho com acinos revestidos por uma ou duas camadas de células colunares altas; 6) Lesões proliferativas epiteliais: Hiperplasia ductal usual (HDU): lesão sem atipia É a forma mais branda. As células proliferam além de três ou quatro camadas e tem tendencia a se distender e preencher os ductosenvolvidos, formando pontes e fendas irregulares de diferentes formas e tamanhos. Diagnóstico como achado incidental; Achado incomum em adolescente e idosos; Ocasionalmente com microcalcificação; Lesão frequente, porém sem risco aumentado de desenvolver câncer de mama. Hiperplasia ductal atípica (HDAT): lesão com atipia ou monotomia Caracterizado por proliferação de células monomórficas com distribuição regular, arredondadas e uniformes; São lesões pequenas, envolvem parcialmente dois ductos ou medem menos que 2 mm. ➢ Trata se de diagnóstico de exclusão quando elementos cito e histologicamente definem um carcinoma in situ de baixo grau – através de critérios; Lesão papilífera/ papiloma intraductal: Podem ser únicos ou múltiplos; Quando únicos, surgem quase sempre nos ductos grandes, subareolar e manifestam-se por derrame papilar seroso ou sanguinolento; Quando o ducto se torna muito dilatado, o papiloma se torna intracistico e pode formar um nódulo palpável e detectável a US e mamografia. Quando múltiplos, surgem em geral na periferia da mama. Devem ser diferenciados de papiloma solitário por estar associado a maior risco de malignização. 7) Ginecomastia: Caracterizado por aumento de volume da mama masculina, resultante de hipertrofia e hiperplasia dos componentes estromal e epitelial. Podem ser uni ou bilateral Clinicamente: área discoide e de consistência endurecida na região subareolar Na maioria, é idiopática e detectada antes dos 25 anos. Quando aparece em idade mais avançada pode ter relação com cirrose hepática, uso de medicamento e tumores. Aumento do tecido fibrose e ductos mamários, que frequentemente mostram hiperplasia epitelial. 8) Tumores fibroepiteliais: Fibroadenoma (FA): lesão fibroepitelial benigna Fibroadenoma é o tumor mamário mais frequente em mulheres com menos de 30 anos; Certos fibroadenomas são policlonais e podem desenvolver-se após uso de substâncias que estimulam o crescimento celular, como ciclosporina; Nódulos bem definido, indolor, móvel, com ou sem microcalcifições; ➢ Geralmente solitário, podem ser múltiplos ou bilateral; Cerca de 0.2% associado com carcinoma lobular in situ ou carcinoma ductal in situ. Tumor filóide (tumor phylodes): O tumor phyllodes tem grande semelhança com o fibroadenoma, já que é constituído, também, por proliferação de elementos epiteliais e do estroma. O tumor phyllodes, no entanto, tem comportamento biológico variado, podendo ser benigno, localmente agressivo ou até francamente maligno. A faixa etária de acometimento é ampla, com pico de incidência na Sª década. Em geral, o tumor é maior do que o fibroadenoma e frequentemente as pacientes têm história de crescimento rápido recente; Difícil de predizer o prognostico ➢ Benigno/Borderline/Maligno – a maioria é benigno ➢ Entre 15 a 20% recidivam dependendo da excisão. Ideal: margem de 1 cm; Metástase rara, embora presente numa minoria de tumores filoides malignos ‘ o Esteatonecrose -> nódulo que é facilmente confundido com câncer. Mamária Maligna Introdução: O carcinoma mamário é a neoplasia maligna visceral mais frequente em mulheres e umas das principais causas de morte por câncer. É diagnosticado cerca de 1 milhão de novos casos de carcinoma de mama no mundo todo e segundo a OMS, a frequência de câncer de mama, vem aumentando em países desenvolvidos e naqueles em desenvolvimentos. No brasil, o câncer da mama é o segundo mais incidente entre a população feminina, estimando-se cerca de 50 mil novos casos por ano. Entretanto, apesar do aumento constante da incidência, vem demonstrando queda na mortalidade isso devido ao uso de métodos de rastreamento como mamografia, que permite a detecção de lesões localizadas, de pequenos tamanhos até de carcinoma in situ. Fatores de risco: Sabe-se que idade tem nítida influência no aparecimento do carcinoma de mama. O tumor é muito raro antes dos 25 anos; A incidência aumenta a partir de 30 anos, com pico entre 50 e 60 anos. E a cada década de vida, o risco aumenta consideravelmente, sobretudo nas áreas de maior incidência. A história familiar de câncer da mama é fator de risco bem estabelecido para a doença. Cerca de 1/3 das mulheres com carcinoma mamário tem história familiar de um ou mais parentes de primeiro grau com a mesma neoplasia, embora somente pequena fração desses casos (5 a 10%) seja de carcinoma de mama hereditário. De maneira geral e apesar da nítida etiologia multifatorial, influências hormonais têm papel preponderante. Etiologia e patogênese: Os principais fatores de risco de câncer da mama são hormonais e genéticos. Em termos etiopatogenéticos, os carcinomas da mama podem ser divididos em dois grandes grupos: A) Carcinomas hereditários: Representam entre 5 a 10% dos carcinomas da mama. Cerca de 90% desses casos, são devidos a mutações nos genes de suscetibilidade BCRA 1 OU BCRA2, ambos são considerados supressores de tumor e tem papel importante na reparação de danos do DNA e controle da proliferação celular. B) Carcinomas não hereditários ou esporádicos: Estão relacionados com estimulação estrogênica prolongada e tem uma via carcinogenética que passa por lesões proliferativas. o É mais incidente o câncer de mama no quadrante superior lateral – 50%; Mamografia: Sinais de malignidades: 1) Alterações na textura da pele, descarga papilar, nódulos e ou ondulações e retração ou deformação do mamilo; 2) Peau d´orange – pele em casca de laranja 3)Eczema 3) Câncer infiltrado na musculatura – estágio avançado: Métodos diagnósticos: Indicação para procedimentos: microcalcificações, distorções do estroma e nódulos Procedimentos -> PAAF, biopsia por agulha grossa, mamotomia a vácuo, biopsia cirúrgica incisional e excisional e exame de congelação. Câncer de mama masculina: Carcinoma da mama masculina representa apenas 1 % de todos os carcinomas mamários. História familiar, alterações hormonais, idade superior a 50 anos, exposição a radiações e obesidade são fatores de risco. o Cerca de 4 a 14% dos casos estão relacionados com mutação no gene BRCA 2, e 3 a 8%, à síndrome de Klinefelter. Em geral, o tumor apresenta-se como nódulo em indivíduos idosos, sendo metástases axilares comuns no momento do diagnóstico. Descarga mamilar e doença de Paget são formas relativamente comuns de apresentação clínica. Histologicamente, predomina o carcinoma ductal invasor, embora todos os tipos descritos para a mama feminina também possam ser encontrados em homens. Com frequência, o carcinoma da mama masculina é positivo para receptores de estrógeno. o Carcinomas da próstata podem metastatizar para a mama masculina e simular tumores primário. Câncer de mama feminina: Principais tipos de carcinomas mamários: Carcinoma ductal in situ (CDIS): o carcinoma ductal in situ constituía somente um pequeno número dos carcinomas mamários diagnosticados (0,8 a 5%), mas graças ao uso da mamografia como método de rastreamento, a frequência do carcinoma in situ hoje chega a 25% de todos os cânceres da mama. Algumas alterações mamográficas têm alta correlação com carcinoma ductal in situ, como microcalcificações agrupadas e pleomórficas, com distribuição segmentar. A classificação histológica do CDIS, baseia-se apenas no padrão arquitetural da neoplasia, dividindo-o nos seguintes tipos: comedocarcinoma, cribriforme, micropapilar, papilar e sólido. O termo comedocarcinoma (ou carcinoma ductal in situ com comedonecrose), refere-se a tumor de alto grau nuclear, associado a área de necrose extensa que ocupa o interior do dueto. Quando extensa, a comedonecrose pode ser visível macroscopicamente como pontos brancos ou amarelados que drenam material necrótico quando se faz a compressão do espécime.Os tipos comedocarcinoma e micropapilar apresentam relevância clínica, o primeiro por se associar mais a focos de invasão e o segundo pela tendência à multicêntrico. Classificar o CDIS em subgrupos levando em conta o grau de malignidade tem sido feitos com o objetivo de se obter reprodutibilidade diagnóstica, simplificação de tipos e correlação prognóstica – Alto, intermediário e baixo. Carcinoma lobular in situ (CLIS): Representa 10 a 30% dos carcinomas in situ, quase sempre se apresenta como lesão não palpável encontrada como achado incidental em mulheres na pré-menopausa. O risco de uma mulher com CLIS removido cirurgicamente desenvolver carcinoma invasor aumenta cerca de 1 % ao ano, chegando ao risco relativo de mais de 1 vezes o da população geral e risco absoluto de 20% depois de 20 anos. O aumento do risco vale para ambas as mamas, podendo o carcinoma que surge ser ductal ou lobular invasor, o que faz com que alguns autores sugiram que o CLIS é mais um marcador do que propriamente um precursor do câncer invasor. Histologicamente, o CLIS é multicêntrico e acomete unidades lobulares, nas quais todos os dúctulos estão distendidos e preenchidos por células pouco coesas e com baixo grau nuclear. As células são pequenas, redondas ou poligonais, com citoplasma bem delimitado, às vezes com aspecto em anel de sinete. Mitoses são raras. O CLIS tem tendência a estender-se de forma pagetoide aos duetos maiores. Raramente, o CLIS pode apresentar células maiores, com nucléolos evidentes e mesmo necrose - são os chamados carcinomas lobulares pleomórficos. Carcinoma Invasor: Todos os carcinomas mamários que se infiltram no estroma, independentemente da coexistência de componente in situ. Os carcinomas invasores são divididos em dois grandes grupos: ductal e lobulares. Divididos em subtipos: carcinomas tubulares, medulares e mucinoso. E subgrupos de formas especiais de apresentação: doença de paget e carcinoma inflamatório. ➢ Carcinoma Ductal: O carcinoma ductal invasor (sem outra especificação, SOE), que é o tipo mais frequente de câncer da mama, representa um grupo heterogêneo de lesões que se caracterizam por ausência de achados morfológicos que permitam enquadrá-las em um dos subtipos especiais. O carcinoma ductal, tem comportamento mais agressivo do que a maioria dos tipos especiais, com sobrevida de 5 anos em 60% das pacientes. ➢ Carcinoma lobular: O carcinoma lobular representa 10% dos carcinomas invasores da mama e tem bom prognóstico, com sobrevida de 10 anos em 80 a 90% das pacientes. Apesar desse aspecto favorável, o carcinoma lobular invasor, tem maior tendência à bilateralidade e taxa elevada de recidiva sistêmica tardia, com metástases em diferentes locais. Macroscopicamente, algumas lesões são firmes e estreladas, outras aparecem como "espessamento" difuso da mama. Ao microscópio, as células são relativamente pequenas, homogêneas, com padrão de crescimento difuso, caracteristicamente infiltrando-se no estroma em forma de fila indiana, em que as células se dispõem entre as fibras colágenas, às vezes com padrão em anel de sinete. Clinicamente, o carcinoma lobular invasor apresenta-se como massa palpável ou lesão difusa que produz pouca alteração na textura da mama, não sendo por isso detectada pela mamografia. ➢ Carcinoma tubular: O carcinoma tubular constitui 5 a 10% dos carcinomas da mama e caracteriza-se pela formação de túbulos arredondados, ovoides ou angulados, imersos em estroma fibroelastótico. Apresenta-se como nódulo palpável, duro, com diâmetro médio de 1 cm, na maioria dos casos detectável à mamografia; É multifocal em 10 a 56% dos casos e bilateral em 9 a 38% das pacientes. Macroscopicamente, mostra a aparência dos demais cânceres, por ter aspecto estrelado e consistência firme. Histologicamente, os túbulos são revestidos por camada única de células uniformes, pequenas e com secreção citoplasmática apical; os túbulos não possuem células mioepiteliais, achado importante no diagnóstico diferencial com adenose e com cicatriz radial; Também vale ressaltar que os carcinomas tubulares podem estar associados a carcinomas lobulares (invasores ou in situ), constituindo os chamados carcinomas tubulolobulares. Esses tumores são mais frequentes em casos familiares, especialmente ligados a mutações no gene BRCA 2. ➢ Carcinoma Medular: O carcinoma medular corresponde a cerca de 7% dos carcinomas da mama e tem prognóstico um pouco melhor do que o dos carcinomas ductais. Apresenta-se em geral como massa palpável móvel, bem delimitada, com tamanho variável (2 a 5 cm). O aspecto macroscópico reflete essa apresentação clínica, pois o tumor é bem delimitado, lobulado, homogêneo e de consistência macia, podendo ser confundido com fibroadenoma. Histologicamente, a lesão é formada por grupos sólidos de células com núcleos pleomórficos, nucléolos evidentes, estroma escasso e intenso infiltrado linfoide. Células gigantes bizarras, focos de metaplasia escamosa e necrose podem estar presentes. As margens são bem circunscritas. O carcinoma medular é mais frequente em mulheres jovens e em casos familiares, estando associado frequentemente a anormalidades no BRCA 1. ➢ Carcinoma Mucinoso: coloide O carcinoma mucinoso representa 2 a 3% dos carcinomas da mama e, em geral, manifesta-se em mulheres após a menopausa; tem bom prognóstico, com sobrevida de 10 anos em 80 a 90% dos casos. Clinicamente, apresenta-se como massa de consistência amolecida, com padrão inespecífico à mamografia. Macroscopicamente, o tumor é bem circunscrito, apresenta aspecto gelatinoso e contém áreas de hemorragia. Histologicamente, é composto por pequenos agrupamentos de células malignas com aspecto em geral homogêneo e de baixo grau de malignidade, em meio a lagos de muco. Alguns estudos mostram maior frequência de carcinoma mucinoso em mulheres com mutações no BRCA 1. ➢ Doença de Paget: Doença de Paget da mama é uma entidade clinicopatológica caracterizada por lesão eczematosa do mamilo causada por disseminação intraepidérmica de células malignas de um carcinoma intraductal ou invasor subjacente. A doença de Paget pode ser sinal tanto de neoplasia localizada e curável como a primeira manifestação de carcinomas de mau prognóstico. Em 50% dos casos, a lesão subjacente é um carcinoma invasor ou intraductal extenso. Em apenas 10% das pacientes, o tumor não é palpável e está confinado aos duetos logo abaixo do mamilo. Histologicamente, a doença de Paget caracteriza-se pelo encontro de células grandes, com núcleos vesiculosos, nucléolo evidente e citoplasma claro e abundante, em meio às células da epiderme. o Erupção eritematosa unilateral com uma crosta escamosa o Células de Paget (neoplásicas) se disseminam pelo sistema ductal para a pele do mamilo, sem infiltrar a membrana basal. ➢ Carcinoma Inflamatório: Refere-se a uma forma de apresentação clínica do carcinoma mamário e não a um subtipo histológico. O tumor tem grande importância clínica por produzir sinais semelhantes a processo inflamatório, como edema, vermelhidão e calor, podendo simular condições benignas (abscessos, necrose gordurosa). Histologicamente, caracteriza-se por embolização maciça de vasos linfáticos da derme por células neoplásicas. Na maioria das vezes, trata-se de carcinoma pouco diferenciado e com péssimo prognóstico. Fatores Prognostico em câncer de mama: Ginecológica I Vulva e vagina Introdução: As infecções do trato genital feminino ocorrem por uma grande variedade de microrganismos. Na vulva, as inflamações vulvares em adultos têm pouca expressão na prática ginecológica. Inflamações da pele são as mais comuns, seja como doença primária da vulva ou como manifestação vulvar de doença sistêmica.As principais inflamações da vulva são de natureza infecciosa causadas, sobretudo, por bactérias ou vírus. Contato com secreções e corrimentos e estados de imunodepressão, sobretudo em mulheres mais idosas e diabéticas, favorecem o surgimento de infecções inespecíficas. A vulva esta sujeita a infecções de pele, porque está constantemente exposta a secreções e a umidade. A vagina é revestida por mucosa escamosa. As infecções como na vulva, são frequentes infecções por bactérias, vírus, protozoários e, sobretudo, fungos. As infecções, principalmente a tricomoníase, são muito mais comuns em pacientes de baixa condição socioeconômica e com vida sexual ativa. Infecções do trato genital: o Candidíase: É uma infecção causada por fungos – proliferação do fungo Candide, principalmente o Candida albicans. Essa condição é tão comum devido ao ambiente quente e úmido da vagina, que contribui para a proliferação do fungo Candida albicans. A genitália fica hiperemiada, apresenta dor ao urinar, pode apresentar coceiras. Sensação de queimação na vulva dor e ardência durante a relação sexual, corrimento vaginal esbranquiçado, com aspecto de leite coalhado. Também pode ser em encontradas em áreas de dobras. Observa- se, histologicamente estruturas fúngicas, pseudo-hifas. A candidíase é comum em imunossuprimidos. É um diagnóstico clínico. o Molusco infeccioso: O molusco contagioso é doença viral contagiosa, em adultos, de transmissão sexual, caracterizada por múltiplas placas elevadas pequenas, macias, umbilicadas, papilomatosas e invertidas, contendo grandes inclusões virais citoplasmáticas, que formam verdadeiras colônias virais; O diagnóstico clínico em geral não necessita biópsia, podendo ser realizado o exame citológico de esfregaços feitos com raspados das lesões, visando a identificação das inclusões intracitoplasmáticas típicas (corpúsculos de Henderson-Paterson). São pequenas pápulas da cor da pele, com umbilicação central (depressão patológica em formato similar ao do umbigo) muitas vezes confundida com verrugas vulgares. É causado pelo poxvírus, um parente da varíola. O contato direto é a forma de contágio mais comum que existe para esse tipo de infecção. Mais comum de ocorrer em pessoas já com o sistema imunológico propício, e muitas vezes enfraquecido, como no caso de soropositivos, e em crianças (idade pré-escolar), especialmente as que têm a pele seca, e alérgicas, como na dermatite atópica. Pode haver auto-contaminação ao se coçar e tocar em outro local. o Infecção herpética: O tipo II ocorre na genitália e pele. Caracteriza-se por uma lesão eritematosa com vesículas dolorosas. O vírus também causa efeito citotóxico nas células que rodeiam a região. Observa-se células do epitélio escamoso multinucleares. Pode coletar o fluido da vesícula que se rompeu. Teste de Tzanck, que é um raspado cutâneo representativo de várias regiões da lesão. Quando positivo revela células epiteliais gigantes multinucleadas com inclusões intranucleares, sugerindo fortemente a infecção por vírus Herpes. Há períodos assintomáticos e que quando cai a imunidade podem aparecer novamente. Pode ser transmissível mesmo quando assintomático via relação sexual. A infecção genital pelo vírus do herpes simples é comum, evolvendo, por ordem de frequência, o colo uterino, a vagina e a vulva. O HSV-1 tipicamente resulta em infecção orofaríngea, enquanto o HSV-2 geralmente envolve a mucosa genital e a pele. Cerca de um terço dos indivíduos infectados é sintomático. As lesões se desenvolvem tipicamente de 3 a 7 dias após a transmissão e são frequentemente associadas a sintomas sistêmicos (febre, mal- estar, linfonodos inguinais sensíveis). O início das lesões geralmente consiste em pápulas vermelhas que evoluem para vesículas e então para úlceras coalescentes dolorosas. As lesões cervicais ou vaginais apresentam secreção purulenta e intensa dor pélvica. As lesões ao redor da uretra podem causar micção dolorosa e retenção urinária. As vesículas e úlceras contém numerosas partículas virais (transmissão elevada durante infecção ativa). Durante a infecção aguda o vírus migra para os gânglios nervosos lombossacrais regionais estabelecendo uma infecção latente, que persistem indefinidamente e podem desencadear reativação do vírus e recorrência das lesões caso houver imunossupressão ou situações de estresse. No momento em que é feita uma biopsia da lesão do HSV ela tipicamente está na fase de úlcera. O epitélio fica descamado e está presente uma inflamação aguda acentuada no leito da úlcera. Os esfregaços do exsudato inflamatório das lesões ativas mostram alterações citopáticas características do HSV, que consistem em células escamosas multinucleadas contendo inclusões virais eosinófilas e basófilas, com um aspecto de “vidro fosco”. A consequência mais grave é a transmissão ao recém-nascido durante o parto (incisão cesariana é justificada nesses casos). Vulva: o Cistos da glândula de Bartholin: As bactérias piogênicas podem acometer as glândulas de Bartholin (adenites), formando abscessos. Obstrução do dueto excretor causada pela inflamação pode resultar em cisto do dueto de glândulas de Bartholin, que aparece em qualquer idade e pode atingir até 5 cm de diâmetro. Tais cistos são dolorosos e causam desconforto local, muitas vezes exigindo tratamento cirúrgico A infecção da glândula de Bartholin produz uma inflamação aguda (adenite) e pode resultar em abscesso. Os cistos do ducto de Bartholin são relativamente comuns, ocorrem em todas as idades, e resultam da obstrução do ducto por um processo inflamatório. Esses cistos são geralmente revestidos por epitélio transicional ou escamoso. Podem produzir dor e desconforto local. Os cistos do ducto de Bartholin são excisados ou abertos permanentemente (marsupialização). o Condiloma acuminado – lesão exofitica: Causado pelos HPV dos tipos 6 e 11, o condiloma acuminado é mais comum em mulheres com atividade sexual intensa e higiene genital precária. Em geral, a lesão envolve a região vulvovaginal e pode estender- se à região perianal. Macroscopicamente, o condiloma é lesão verrucosa, única ou múltipla, de tamanho variado. Histologicamente, caracteriza-se por hiperplasia do epitélio, com papilomatose, hiper e paraqueratose, sendo características as alterações coilocitóticas, vistas especialmente nas células das camadas superficial e intermediária. As células coilocitóticas são volumosas, têm núcleos hipercorados, irregulares e chanfrados, e mostram citoplasma amplo, com grande halo claro perinuclear, muitas vezes excêntrico. A lesão pode sofrer regressão espontânea, mas, em geral, necessita tratamento clínico ou cirúrgico. O diagnóstico definitivo deve ser confirmado pelo exame anatomopatológico. Condiloma em crianças pode ser indício de abuso sexual. Distúrbios epiteliais vulvares não neoplásicos: o Leucoplasia: Leucoplasia é um termo clínico descritivo para espessamento epitelial em placas brancas e opacas, podendo ocasionar prurido e descamação. A leucoplasia (literalmente, placas brancas) pode ser causada por um grande número de distúrbios benignos, pré- malignos ou malignos, incluindo: • Dermatoses inflamatórias (p. ex., psoríase, dermatite crônica). • Líquen escleroso e hiperplasia das células escamosas (principais causas). • Neoplasias, como a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), a doença de Paget e o carcinoma invasor. Líquen Escleroso O líquen escleroso se apresenta como placas ou máculas lisas, que com o tempo podem ficar maiores e coalescer, produzindo uma superfície que lembra porcelana ou papel-pergaminho. Quando toda a vulva é afetada, os lábios e tornam atróficos e aglutinados, e o orifício vaginal contrai-se. Histologicamente, a lesão é caracterizadapelo adelgaçamento acentuado da epiderme, degeneração das células basais; queratinização excessiva (hiperqueratose); mudanças escleróticas da derme superficial e por um infiltrado linfocítico em forma de faixa na derme subjacente. A doença ocorre em todos os grupos etários, mas é mais comum em mulheres após a menopausa. Também pode ser encontrada em qualquer outro ponto da pele. A patogenia é incerta, mas a presença de células T ativadas no infiltrado inflamatório subepitelial e a maior frequência de doenças autoimunes nessas mulheres sugerem que está envolvida uma reação autoimune. Embora o líquen esclerose não seja por si só uma lesão pré- maligna, as mulheres com líquen escleroso sintomático têm possibilidade um pouco maior de desenvolver carcinoma de células escamosas da vulva. Hiperplasia de Células Escamosas Anteriormente chamada de distrofia hiperplásica, ou líquen simples crônico, a hiperplasia de células escamosas é uma condição inespecífica resultante da fricção ou arranhadura da pele para aliviar o prurido. Clinicamente, ela se apresenta como uma leucoplasia, e o exame histológico revela um espessamento da epiderme (acantose) e hiperqueratose. Algumas vezes está presente uma infiltração linfocítica na derme. O epitélio hiperplásico pode exibir atividade mitótica, mas carece de atipia celular. Embora a hiperplasia das células escamosas não seja considerada pré-maligna, ela às vezes se apresenta nas margens dos cânceres vulvares. Neoplasias Benignas da Vulva: É interessante lembrar que certas lesões vulvares podem simular tumores. O cisto do dueto da glândula de Bartholin é a mais importante delas. Os epiteliais são os mais comuns, sendo os adenomas de glândulas sudoríparas, apócrinas ou écrinas os mais frequentes. o Hidroadenoma papilífero: Se apresenta como um nódulo bem circunscrito, mais comumente nos lábios maiores ou nas pregas interlabiais, e pode ser confundido clinicamente com carcinoma devido à sua tendência à ulceração. Sua aparência histológica é idêntica àquela do papiloma intraductal da mama, e consiste em projeções papilares cobertas com duas camadas de células: uma camada superior de células secretoras colunares que cobre uma camada mais profunda de células mioepiteliais aplanadas. Esses elementos mioepiteliais são característicos das glândulas sudoríparas e dos tumores da glândula sudorípara. o Ceratose seborreica: Esses tumores epidérmicos comuns ocorrem com mais frequência em indivíduos de meia-idade ou mais velhos. Surgem espontaneamente. São uniformemente castanhas ou marrom-escuras e geralmente apresentam superfície aveludada a granulosa. O exame com uma lupa geralmente revela a presença de pequenos orifícios, arredondados, em forma de poros e ocupados por queratina, uma característica que ajuda na diferenciação entre essas lesões pigmentadas e os melanomas. o Pólipo fibroepitelial: O pólipo fibroepitelial é uma das lesões cutâneas mais comuns. Ele geralmente chama a atenção em indivíduos de meia-idade e mais velhos. São tumores macios, em forma de bolsas, da cor da pele, muitas vezes ligados à pele ao redor por um delgado pedículo. Os pólipos comumente sofrem necrose isquêmica devido à torção, que pode causar dor e precipitar sua remoção. E em geral, os pólipos fibroepiteliais não apresentam grandes consequências, mas podem, ocasionalmente, estar associados a diabetes, obesidade e polipose intestinal. o Fibradenoma: É a neoplasia benigna mais prevalente nas mamas, que pode eventualmente ser encontrada na vulva em virtude da linha mamária. Ectopias do tecido mamário também podem surgir nesse trajeto. Neoplasias Malignas da Vulva: O carcinoma da vulva é uma neoplasia maligna incomum representando cerca de 3% de todos os cânceres genitais em mulheres. Aproximadamente dois terços ocorrem em mulheres acima de 60 anos. O carcinoma de células escamosas é o tipo histológico mais comum de câncer vulvar. Em termos de etiologia, patogenia e características histológicas, os carcinomas de células escamosas da vulva são divididos em dois grupos: 1) Carcinomas basaloides e verrucosos relacionados à infecção com HPVs de alto risco (30% dos casos), mais comumente o HPV-16. Esses tipos são menos comuns e ocorrem em pacientes mais jovens. 2) Carcinomas queratinizantes de células escamosas sem relação com a infecção por HPV (70% dos casos). Esses tipos são mais comuns e ocorrem em mulheres mais idosas. Os carcinomas basaloides e verrucosos se desenvolvem a partir de uma lesão precursora in situ chamada neoplasia intraepitelial vulvar clássica (NIV). Essa forma de NIV ocorre principalmente em mulheres em idade reprodutiva, e inclui lesões designadas anteriormente como carcinoma in situ ou doença de Bowen. Os fatores de risco para a NIV são os mesmos que os associados às lesões intraepiteliais escamosas cervicais (p. ex., idade jovem na primeira relação sexual, múltiplos parceiros sexuais, parceiro do sexo masculino com múltiplas parceiras sexuais), uma vez que ambas estão relacionadas à infecção por HPV. ANIV frequentemente é multicêntrica, e 10% a 30% das pacientes com NIV também apresentam lesões vaginais ou cervicais relacionadas ao HPV. Tem sido relatada regressão espontânea da NIV clássica, geralmente em mulheres mais jovens. O risco de progressão para carcinoma invasor é mais alto em mulheres com mais de 45 anos de idade ou em mulheres imunossuprimidas. O pico de idade para o câncer vulvar basaloide e verrucoso encontra-se na 6ª década de vida. O carcinoma queratinizante de células escamosas ocorre mais frequentemente em indivíduos com histórico de longa data de líquen escleroso ou hiperplasia das células escamosas, e não está relacionado ao HPV. O pico de ocorrência acontece na 8ª década de vida. Ele surge de uma lesão precursora denominada neoplasia intraepitelial vulvar diferenciada (NIV diferenciada) ou NIV simples. Tem sido postulado que a irritação epitelial crônica no líquen escleroso ou na hiperplasia das células escamosas pode contribuir para uma evolução gradual para o fenótipo maligno, presumivelmente através da aquisição de mutações “condutoras” em oncogenes e em supressores tumorais. A NIV clássica se apresenta ou como uma lesão branca discreta (hiperqueratótica), ou como uma lesão levemente elevada e pigmentada. Microscopicamente, é caracterizada pelo espessamento epidérmico, atipia nuclear, aumento de mitoses e falta de maturação celular, características análogas às vistas em lesões intraepiteliais escamosas do colo. Os carcinomas invasores que surgem a partir da NIV clássica podem ser exofíticos ou endurecidos, com ulceração central. Ao exame histológico, os carcinomas basaloides consistem em ninhos e cordões de células pequenas, agrupadas de modo compacto, que não apresentam maturação e lembram a camada basal do epitélio normal. O tumor pode possuir focos de necrose central. Em contraste, o carcinoma verrucoso é caracterizado por arquitetura exofítica e papilar, e atipia coilocitótica proeminente. A NIV diferenciada é caracterizada pela atipia acentuada da camada basal do epitélio escamoso e uma de aparência normal das camadas mais superficiais. Os carcinomas queratinizantes invasores de células escamosas que surgem na NIV diferenciada contêm ninhos e línguas de epitélio escamoso maligno com proeminentes pérolas de queratina centrais. O risco de desenvolvimento de câncer na NIV depende da duração e extensão da doença, e da condição imunológica do paciente. Os carcinomas invasores associados ao líquen escleroso, à hiperplasia das células escamosas e à NIV diferenciada podem se desenvolver de maneira traiçoeira, podendo ser erroneamente interpretados como dermatite ou leucoplasia por longos períodos. Uma vezque o câncer invasor esteja desenvolvido, o risco do avanço metastático é associado ao tamanho do tumor, profundidade da invasão e envolvimento dos vasos linfáticos. A disseminação inicial ocorre para os linfonodos inguinais, pélvicos, ilíacos e periaórticos. Finalmente, pode ocorrer disseminação linfo-hematogênica para os pulmões, fígado e para outros órgãos internos. Os pacientes com lesões de menos de 2 cm de diâmetro apresentam 90% de sobrevida em 5 anos após o tratamento com vulvectomia e linfadenectomia; contudo, lesões maiores, com envolvimento de linfonodos, apresentam um prognóstico ruim. o Doença de Paget extramamaria: Esta lesão curiosa e rara da vulva é semelhante em suas manifestações à doença de Paget da mama. Na vulva, se apresenta como uma área com traçado geográfico, pruriginosa, vermelha, crostosa, que ocorre geralmente nos lábios maiores. A doença de Paget é uma particular proliferação intraepitelial de células malignas. Em contraste com a doença de Paget do mamilo, na qual 100% dos pacientes têm um carcinoma ductal subjacente, a doença de Paget vulvar não é tipicamente associada ao câncer subjacente e fica confinada à epiderme da pele vulvar. O tratamento consiste na excisão local ampla. As células de Paget se espalham lateralmente dentro da epiderme, e podem estar presentes além dos limites da lesão visível. Como resultado, as células do tumor podem não ser excisadas completamente, e a doença pode recorrer. A doença de Paget intraepidérmica pode persistir por muitos anos, mesmo décadas, sem invasão ou metástases. Nos raros casos em que a invasão se desenvolve, o prognóstico é ruim. Vagina: A microbiota vaginal fisiológica, constituída por lactobacilos (bacilos de Doederlen), mantém o pH local ácido, que atua como barreira protetora contra infecções. As lesões primárias da vagina são raras, das quais a mais grave é o carcinoma de células escamosas vagina. Infecções – Vaginites: Essas infecções podem ser diagnosticadas prontamente por colposcopia e por exame citológico cervicovaginal, complementados por culturas. o Tricomoníase vaginal: É uma infecção genitourinária, transmitida sexualmente, mais comum em mulheres com vida sexual ativa, causada pela Trichomonas vaginalis, um protozoário que cresce bem em um pH vaginal em torno de 5,5 a 6,0. Além da vagina, pode infectar o colo e o corpo uterinos, tubas, bexiga e glândulas de Bartholin e de Skene. O quadro clínico da tricomoníase é variável. Estima-se que 50% das pacientes sejam assintomáticas. Quando sintomática, a infecção manifesta-se por corrimento amarelo-esverdeado, com aspecto espumoso e odor fétido, acompanhado de prurido e disúria. O exame de esfregaços a fresco constitui bom método diagnóstico. o Candidíase: A Candida albicans, convive bem com a microbiota vaginal e o pH baixo. A candidíase vaginal provoca corrimento vaginal leitoso, brancacento, inodoro, semelhante a leite coagulado, acompanhado de prurido e desconforto intensos. A mucosa vaginal apresenta-se hiperêmica e edemaciada, com pontilhado vermelho fino. A candidíase é frequente em qualquer faixa etária e considerada pela OMS uma doença sexualmente transmissível, embora o contágio possa se fazer também através de objetos, mãos e roupas contaminados. A candidíase é mais comum em mulheres diabéticas, grávidas ou em uso de contraceptivos orais. Anomalias o Adenose Vaginal: Representa remanescentes de epitélio colunar do tipo endocervical na porção superior da vagina. Durante o desenvolvimento embrionário, a vagina é inicialmente coberta por um epitélio colunar do tipo endocervical. Ele é normalmente substituído por um epitélio escamoso que sobe a partir do seio urogenital. Pequenas áreas residuais do epitélio glandular podem persistir na vida adulta, e são reconhecidas como adenose vaginal. A adenose se manifesta clinicamente como áreas vermelhas, granulares, contrastando com a mucosa vaginal rosa-clara normal ao redor. Ao exame microscópico, a adenose consiste em epitélio mucinoso colunar indistinguível do epitélio endocervical. A adenose, embora normalmente presente em uma pequena porcentagem de mulheres adultas, tem sido relatada em 35% a 90% das mulheres expostas a DES no útero (efeito do dietilestilbestrol) Casos raros de carcinoma de células claras originados em adenose relacionada a DES foram registrados em adolescentes e mulheres jovens nas décadas de 1970 e 1980, resultando na descontinuação do tratamento com DES. o Pólipo fibroepitelial: Lesão pseudoneoplásica rara, que é formada por estroma fibrovascular e pode mostrar atipias degenerativas e simular neoplasia maligna. Neoplasias Vaginais: o Neoplasia Intraepitelial Vaginal e Carcinoma de Células Escamosas: Quase todos os carcinomas primários da vagina consistem em carcinomas de células escamosas associados a HPVs de alto risco. O carcinoma primário da vagina é um câncer extremamente raro, representando aproximadamente 1% das neoplasias malignas do trato genital feminino. O maior fator de risco é o carcinoma prévio do colo uterino ou da vulva; 1% a 2% das mulheres com um carcinoma cervical invasor eventualmente desenvolvem um carcinoma de células escamosas vaginal. O carcinoma de células escamosas da vagina surge a partir de uma lesão pré-maligna, a neoplasia intraepitelial vaginal, análoga às lesões intraepiteliais escamosas cervicais. Mais frequentemente, o tumor invasor afeta a porção posterior da vagina, particularmente a parede posterior na junção com a ectocérvice. As lesões nos dois terços inferiores da vagina metastatizam para os linfonodos inguinais, enquanto as lesões da parte superior da vagina tendem a envolver os linfonodos ilíacos regionais. o Rabdomiossarcoma embrionário: O rabdomiossarcoma embrionário (sarcoma botrioide), que é o tumor maligno mesenquimal mais comum da vagina, ocorre sobretudo em crianças abaixo de 5 anos. O tumor forma massa polipoide e é constituído por células pequenas que lembram rabdomioblastos. Nas regiões mais profundas da lesão, as células ficam em meio a estroma frouxo e edematoso que contém células inflamatórias; por este aspecto, pode ser erroneamente interpretado como pólipo inflamatório. O sarcoma botrioide invade localmente e e pode disseminar-se para o peritônio e causar obstrução urinária Colo do útero O colo uterino representa a porção inferior do órgão, tem forma cilíndrica. Compreende a porção vaginal externa (ectocérvice) e o canal endocervical. O canal endocervical comunica a cavidade uterina (através do orifício interno) com a luz vaginal (através do orifício externo). Em uma mulher multípara, o orifício externo (OE) é alongado ou em fenda e delimita os chamados lábios cervicais, um anterior e outro posterior; na nulípara, o orifício externo é circular. A ectocérvice é visível no exame vaginal e é coberta por um epitélio escamoso contínuo com a parede vaginal. O epitélio escamoso converge centralmente em uma pequena abertura chamada de orifício externo, que se continua com o canal endocervical. A endocérvice é revestida por um epitélio colunar secretor de muco. O ponto onde o epitélio escamoso e o colunar se encontram é chamado de junção escamocolunar. A posição da junção varia e muda com a idade e a influência hormonal, mas em geral a junção sobe ao longo do canal endocervical com o tempo. A substituição do epitélio glandular pelo avanço do epitélio escamoso é um processo chamado de metaplasia escamosa. A área do colo uterino onde o epitélio toca o epitélio escamoso é chamada de “zona de transformação”. O ambiente epitelial singular do colo uterino o faz altamente suscetível a infecções com HPV, a principal causa de câncer do colo uterino. As células epiteliais metaplásicas escamosas imaturasna zona de transformação são mais suscetíveis à infecção por HPV, e como resultado disso, é onde se desenvolvem as lesões e cânceres precursores cervicais. o Ectópia do colo: No inicio, a JEC localiza-se na região do orifício externo do colo uterina. No período pós-puberal, a mucosa pode sofrer eversão, fenômeno fisiológico em que parte da endocérvice move-se para fora do canal endocervical e adiante do orifício externo, constituindo o chamado ectrópio. Com isso, a JEC localiza-se agora fora do orifício externo. Ectrópio é encontrado em cerca de 45% das mulheres entre 1 e 13 anos e é duas vezes mais comum no lábio anterior do que no posterior ✓ O epitélio evertido, mais delgado, é menos resistente às adversidades existentes na luz vaginal, como pH ácido, microbiota residente e traumatismos aos quais o colo fica exposto durante as relações sexuais. Esses fatores são os responsáveis pela ocorrência de um outro fenômeno fisiológico e adaptativo: nas áreas de epitélio evertido, surge metaplasia escamosa, que é caracterizada pela substituição progressiva do epitélio colunar endocervical por epitélio escamoso, mais resistente. Ao final do processo, a ectopia cervical é totalmente substituída por esse novo epitélio, que é muito semelhante ao epitélio escamoso primitivo. o Cisto de Naboth: Quando grupos de ramificações endocervicais são obliterados pelo epitélio escamoso metaplásico, que prolifera na superfície e bloqueia o fluxo de muco, os produtos de secreção se acumulando provocam dilatação das glândulas e formam os cistos de Naboth. Inflamações do colo uterino: o Pólipos Endocervicais: Os pólipos endocervicais são crescimentos exofíticos benignos que surgem dentro do canal endocervical, aparecem como lesões geralmente pediculadas de forma alongada ou arredondada, com superfície esponjosa ou lisa *e coloração róseo-avermelhada devida à intensa vascularização Eles variam de protuberâncias sésseis pequenas a grandes massas polipóides que podem avançar através do orifício externo cervical. Mais frequente em multíparas, sobretudo entre 40 e 60 anos de idade. Clinicamente, os pólipos podem causar sangramento ou corrimento vagina. Histologicamente, são compostos por um estroma fibromixomatoso frouxo coberto por glândulas endocervicais secretoras de muco, frequentemente acompanhadas por inflamação. O pólipo é caracterizado por hiperplasia Focal da mucosa, sem atipias, acompanhada de proliferação do estroma, que geralmente é bem vascularizado. A maior importância dos pólipos é que eles podem ser fonte de “sangramento de escape” ou sangramentos maiores que levantam a suspeita de uma lesão mais assustadora. A curetagem simples ou a excisão cirúrgica são curativas. o Cervicite: O colo uterino é sede frequente de processos inflamatórios, agudos ou crônicos. Algum grau de inflamação crônica é observado especialmente em mulheres em idade fértil, sem que isso se traduza por alteração clínica relevante. Cervicite praticamente inexiste antes da menarca e é menos frequente após a menopausa. Após a menarca, quando o útero passa a sofrer variações hormonais cíclicas, sob influência particularmente dos estrógenos, cria-se um microambiente vaginal que favorece a colonização por alguns agentes que fazem parte da microbiota normal residente. Lactobacilos, elementos dominantes da microbiota cervical, inibem o crescimento de microrganismos saprófitas e agentes patogênicos pela manutenção do pH ácido. Variações no pH, com alterações da microbiota residente, associadas ou não a fatores mecânicos, como traumatismos durante o ato sexual, resultam em desequilíbrio da proliferação bacteriana e agressão ao epitélio de superfície. Esses mesmos fatores são também responsáveis pelo surgimento de metaplasia escamosa. Nas áreas de metaplasia escamosa, especialmente na imatura, quase sempre existe infiltrado inflamatório de mono e polimorfonucleares, com grau variado de atividade, não necessariamente associado a infecção. As cervicites podem ser infecciosas ou não infecciosas. As não infecciosas são causadas por irritantes de natureza química ou mecânica. As cervicites infecciosas são mais comumente produzidas por agentes bacterianos, seguidas da infecção por Candida e por C. trachomatis. Estas são importantes não só pela frequência, mas também por serem fonte de doença sexualmente transmissível e por causarem infecção ascendente. Cervicite bacteriana é reconhecida como evento inicial da doença inflamatória pélvica e de infecção endometrial, estando ainda diretamente relacionada, durante a gravidez, com abortamento espontâneo, parto prematuro, corioamnionite, pneumonia neonatal e septicemia precoce nos conceptos. Tanto a ectocérvice quanto a endocérvice podem ser acometidas, variando os agentes etiológicos. Agentes aeróbios ou anaeróbios, às vezes em associação, particularmente estafilococos, estreptococos e enterococos (Escherichia coli), são os mais comuns. Infecções por outros microrganismos, como Neisseria gonorrhoeae, G. vagina/is, T. pallidum, herpes-vírus e do papiloma humano (HPV), entre outros, que causam infecções agudas e crônicas às vezes graves, são importantes por representarem doenças sexualmente transmissíveis. Nas cervicites agudas, a mucosa é edemaciada, eritematosa e friavel, podendo haver corrimento purulento. Quando o processo é muito intenso ou prolongado, surgem úlceras e alterações epiteliais degenerativas. Histologicamente, há congestão, edema e infiltrado inflamatório predominantemente neutrofílico. Nas crônicas, o infiltrado é constituído predominantemente por linfócitos, plasmócitos e histiócitos, com formação de tecido de granulação e fibrose no estroma. Clinicamente, há erosões ou ulcerações, além de hiperemia pela proliferação vascular. Folículos linfoides com centros germinativos evidentes podem ser vistos (cervicite folicular). Inflamações agudas prolongadas ou crônicas, infecciosas ou não, às vezes com erosão, podem estar acompanhadas de alterações reacionais do epitélio endocervical ou escamoso, denominadas atipias de reparo, que podem ser confundidas com as lesões precursoras do câncer cervical. Tais atipias são caracterizadas por desorganização do epitélio, que apresenta exocitose leucocitária e atipias nucleares. Neoplasia de colo de útero: Estimativa: Em todo mundo, o carcinoma cervical é o terceiro câncer mais comum em mulheres, com uma estimativa de 530 mil novos casos em 2008, dos quais mais da metade é fatal. Nos Estados Unidos, 12.410 mulheres foram diagnosticadas com câncer cervical e 4 mil mulheres morreram por causa da doença em 2008. Cinquenta anos atrás, o carcinoma do colo uterino era a principal causa de morte por câncer em mulheres nos Estados Unidos, porém a taxa de mortalidade caiu em dois terços até a sua posição atual como 13ª causa de mortalidade por câncer. Nenhum outro tipo de câncer mostra de forma tão marcante os notáveis efeitos da triagem, o diagnóstico precoce e a terapia curativa do que o câncer do colo uterino. Muito do crédito por esses ganhos acentuados pertence à eficiência do exame de Papanicolaou em detectar lesões precursoras, algumas das quais teriam evoluído se não tivessem sido tratadas; além disso, o exame de Papanicolaou também pode detectar cânceres em estágios iniciais, altamente curáveis. A acessibilidade do colo uterino ao exame de Papanicolaou e ao exame visual (colposcopia), além da lenta progressão a partir de lesões precursoras até o carcinoma invasor (tipicamente ao longo dos anos), fornece tempo amplo para triagem, detecção e tratamento preventivo. Patogenia As HPVs de alto risco são de longe o fator mais importante no desenvolvimento do câncer de colo uterino. Os HPVs são vírus DNA cujos tipos são determinadoscom base nas sequências de DNA, e agrupados conforme possuam alto ou baixo risco oncogênico. Há 15 HPVs de alto risco atualmente identificados, mas o HPV-16 sozinho representa quase 60% dos casos de câncer cervical, e o HPV-18, outros 10% dos casos; outros tipos de HPV contribuem individualmente para menos do que 5% dos casos. Os HPVs de alto risco também estão associados nos carcinomas de células escamosas que surgem em muitos outros locais, incluindo a vagina, a vulva, o pênis, ânus, tonsilas palatinas e outros locais da orofaringe. Conforme mostrado anteriormente, as HPVs de baixo riso oncogênico são a causa das verrugas vulvares, perineais e perianais transmitidas sexualmente (condiloma acuminado). As infecções genitais por HPV são extremamente comuns; a maioria é assintomática e não causa qualquer alteração do tecido, não sendo, consequentemente, detectadas no teste de Papanicolaou. A prevalência do HPV nos esfregaços cervicais em mulheres com resultados normais no exame de Papanicolaou tem seu pico entre a idades de 20 e 24 anos, uma relação que tem conexão com o início da atividade sexual, enquanto a subsequente diminuição na prevalência reflete a aquisição de imunidade e a preferência por relações monogâmicas com a idade. A maioria das infecções por HPV é transitória e eliminada pela resposta imunológica no decorrer de meses. Em média, 50% das infecções por HPV são eliminadas dentro de 8 meses e 90% são eliminadas dentro de 2 anos. A duração da infecção é relacionada ao tipo de HPV; em média, as infecções com alto risco de HPV duram mais que as infecções com HPVs de baixo risco oncogênico (13 meses contra 8 meses, respectivamente). A infecção persistente aumenta o risco de desenvolvimento das lesões precursoras do colo uterino e do carcinoma subsequente. Os HPVs infectam as células basais imaturas do epitélio escamoso em áreas de ruptura epitelial ou células escamosas metaplásicas imaturas presentes na junção escamocolunar. Os HPVs não infectam as células superficiais escamosas maduras que recobrem a ectocérvice, a vagina e a vulva. O estabelecimento da infecção por HPV nesses locais requer lesão do epitélio superficial, permitindo o acesso do vírus às células imaturas da camada basal do epitélio. O colo uterino, com suas áreas relativamente grandes de epitélio escamoso metaplásico imaturo, é particularmente vulnerável à infecção por HPV, quando comparado, por exemplo, com a pele e a mucosa da vulva, que são recobertas por células escamosas maduras. Essa diferença na suscetibilidade epitelial à infecção por HPV explica a acentuada diferença na incidência de cânceres relacionados a HPV originados em diferentes locais, e explica a alta frequência de câncer cervical em mulheres ou câncer anal em homens homossexuais, e a frequência relativamente baixa de cânceres vulvar e peniano. A capacidade de o HPV agir como carcinógeno depende das proteínas virais E6 e E7, que interferem na atividade das proteínas supressoras de tumores, que regulam o crescimento e a sobrevivência das células. Outro fator que contribui para a transformação maligna pelo HPV é o estado físico do vírus. O DNA viral está integrado no genoma da célula hospedeira na maioria dos cânceres. Essa configuração aumenta a expressão dos genes E6 e E7, e também pode desregular os oncogenes próximos aos locais de inserção viral, como o MYC. Em contraste, o DNA viral é extracromossômico (epissomal) nas lesões precursoras associadas com os HPVs de alto risco e nos condilomas associados com os HPVs de baixo risco. Ainda que o HPV tenha sido estabelecido firmemente como uma causa habitual de câncer cervical, não é suficiente para causar câncer. Essa conclusão é apoiada pelo fato de que uma alta porcentagem de mulheres jovens é infectada por um ou mais tipos de HPV durante seus anos reprodutivos, mas apenas algumas desenvolvem câncer. Dessa forma, outros fatores como a exposição a cocarcinógenos e o estado imune do hospedeiro influenciam se uma infecção por HPV regride ou persiste, e, enfim, evolui para um câncer. o Neoplasia Intraepitelial Cervical (Lesões Intraepiteliais Escamosas): A classificação de lesões precursoras cervicais evoluiu ao longo do tempo e os termos de diferentes sistemas de classificação atualmente são usados de modo intercambiável. O sistema de classificação mais antigo classificava as lesões como apresentando displasia leve em uma extremidade e displasia/carcinoma grave na outra. Isto foi seguido pela classificação de neoplasia intraepitelial cervical (NIC), com a displasia leve chamada de NIC I, a displasia moderada de NIC II, e a displasia grave chamada de NIC III. Já que a decisão relativa à conduta para a paciente tem dois níveis (observação versus tratamento cirúrgico), o sistema de classificação de três níveis foi simplificado recentemente para um sistema de dois níveis, com NIC I renomeada para lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL, do inglês, low-grade squamous intraepithelial lesion) e NIC II e NIC III combinadas em uma categoria citada como lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL, do inglês, high-grade squamous intraepithelial lesion). A LSIL é associada com a infeção de HPV produtiva. Na LSIL, há um alto nível de replicação viral e apenas pequenas alterações no crescimento das células hospedeiras. A LSIL não progride diretamente para carcinoma invasivo, e, na verdade, em muitos casos, regride espontaneamente; apenas uma pequena porcentagem progride para HSIL. Por esse motivo, a LSIL não é tratada como uma lesão pré-maligna. Na HSIL, por outro lado, ocorre uma desregulação progressiva do ciclo celular pelo HPV, que resulta em aumento da proliferação celular, diminuição ou parada da maturação epitelial e uma menor taxa de replicação viral, em comparação à LSIL. O desarranjo do ciclo celular na HSL pode se tornar irreversível e resultar em um fenótipo maligno totalmente transformado. Dessa forma, considera-se que as HSILs oferecem um alto risco de progredirem para um carcinoma. As LSILs são 10 vezes mais comuns do que as HSILs. Mais de 80% das LSILs e 100% das HSILs são associadas com HPVs de alto risco, dos quais o HPV-16 é o tipo mais comum de HPV em ambas as categorias de lesões. Embora a maioria das HSILs se desenvolva a partir das LSILs, aproximadamente 20% dos casos de HSIL se desenvolvem de novo, independentemente de LSILs preexistentes. As taxas de progressão não são uniformes de maneira alguma, e embora o tipo de HPV — especialmente o HPV 16 — esteja associado com o aumento do risco, é difícil prever o resultado em um paciente individualmente. Esses achados reforçam a ideia de que o risco de desenvolver lesões precursoras e câncer deve-se somente em parte ao tipo de HPV. A progressão para carcinoma invasivo, quando ocorre, pode demorar de poucos meses a mais de 1década. Morfologia: O diagnóstico de SIL, se baseia na identificação de atipia nuclear caracterizada por aumento nuclear, hipercromasia (coloração escura), presença de grânulos grosseiros de cromatina e variação dos tamanhos e formas nucleares. As mudanças nucleares são frequentemente acompanhadas por halos citoplasmáticos. No nível ultraestrutural, esses halos consistem em vacúolos perinucleares, uma mudança citopática criada em parte por uma proteína codificada no HPV chamada E5 que se concentra nas membranas do retículo endoplasmático. As alterações nucleares e o halo perinuclear associado são chamados de atipia coilocitótica. A classificação de SIL em baixo ou alto grau se baseia na expansão da camada de células imaturas a partir de sua localização basal normal. Se as células escamosas imaturas estiverem confinadas ao terço inferior do epitélio, a lesão é classificada como LSIL; se houver expansão para dois terçosda espessura epitelial, é classificada como HSIL. o Carcinoma Cervical A idade média das pacientes com carcinoma cervical invasor é de 45 anos. O carcinoma de células escamosas é o subtipo histológico mais comum, representando aproximadamente 80% dos casos. O segundo tipo tumoral mais comum é o adenocarcinoma, que representa aproximadamente 15% dos casos de câncer cervical e se desenvolve a partir de uma lesão precursora chamada adenocarcinoma in situ. Os carcinomas adenoescamosos e neuroendócrinos são tumores cervicais raros que representam 5% dos casos restantes. Todos os tipos tumorais citados previamente são causados por HPVs de alto risco oncogênico. O tempo de progressão a partir da forma in situ até o carcinoma adenoescamoso e o carcinoma neuroendócrino é mais curto do que no carcinoma das células escamosas, e os pacientes com esses tumores frequentemente se apresentam em estágios avançados das doenças, tendo um prognóstico menos favorável. Morfologia O carcinoma cervical invasor pode se manifestar como massa vegetante (exofítico) ou infiltrativa. O carcinoma de células escamosas é composto por ninhos e projeções de epitélio escamoso maligno, queratinizado ou não queratinizado, invadindo o estroma cervical subjacente. Os adenocarcinomas são caracterizados pela proliferação de epitélio glandular composto por células endocervicais malignas com núcleos grandes, hipercromáticos, e citoplasma com relativa diminuição de mucina, resultando em um aspecto escuro das glândulas, em comparação ao epitélio endocervical normal. Os carcinomas adenoescamosos são tumores compostos por uma mistura de epitélio maligno glandular e escamoso. O carcinoma cervical neuroendócrino tem uma aparência similar à do carcinoma de pequenas células do pulmão, mas a diferença é que ele é positivo para HPVs de alto risco. Aspectos Clínicos Mais da metade dos cânceres cervicais invasores são detectados em mulheres que não participaram de triagem regular. Embora os cânceres invasores precoces do colo uterino (carcinomas microinvasores) possam ser tratados apenas por biópsia em cone, a maioria dos cânceres invasivos é tratada por histerectomia com dissecção de linfonodos, e, para lesões avançadas, irradiação e quimioterapia. O prognóstico e a sobrevida nos carcinomas invasores dependem em grande parte do estádio no qual o câncer é inicialmente descoberto e, em certo grau, do tipo celular, com tumores neuroendócrinos de pequenas células apresentando um prognóstico muito desanimador. Com os tratamentos atuais, a taxa de sobrevida em 5 anos é de 100% para carcinomas microinvasores, e menos do que 50% para tumores que se estendem além da pelve. A maioria dos pacientes com câncer de colo uterino avançado morre das consequências da invasão tumoral local (p. ex., obstrução uretral, uretral, pielonefrite e uremia), e não das complicações da doença metastática. Rastreamento e Prevenção do Câncer do Colo Uterino Como é bem conhecido, o rastreamento citológico tem reduzido significativamente a mortalidade por câncer cervical. Em países onde essa triagem não é largamente praticada, o câncer cervical continua a cobrar um preço alto. O motivo pelo qual o rastreamento citológico é tão eficaz na prevenção do câncer cervical é que a maioria dos casos de câncer surge de lesões precursoras por longo período. Essas lesões descamam células anormais que podem ser detectadas no exame histológico. Usando uma espátula ou escova, a zona de transformação do colo uterino é raspada de modo circunferencial, e as células são vistas em lâminas histológicas sob a forma de esfregaços ou após centrifugação. Após a fixação e coloração usando o método de Papanicolaou, os esfregaços são triados microscopicamente por observação ou (de maneira crescente) com sistemas de análise de imagens automatizados.