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Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 1 Sumário Sistema Genital Feminino -------------------------------------------------------- 2 Patologia do Colo Uterino ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 Patologia do Corpo Uterino -------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 Patologia do Endométrio ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 Patologia Não-Neoplásica dos Ovários ---------------------------------------------------------------------------------- 25 Neoplasias dos Ovários ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 29 Patologia das Mamas --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 37 Patologia da Placenta --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 47 Patologia da Gestação ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 59 Sistema Genital Masculino ----------------------------------------------------- 65 Patologia da Próstata --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 65 Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 2 Sistema Genital Feminino Patologia do Colo Uterino Anatomia: ❖ As medidas normais e o peso do útero da paciente dependem da faixa etária dela. ❖ Mulher em idade fértil: útero pesando entre 50-70g e medidas entre 8x6cm. ❖ Os 2/3 superiores do útero são constituídos pelo corpo e o 1/3 inferior são constituídos pelo colo. ❖ O istmo é uma pequena constrição na porção inferior do útero. Colo do Útero: ❖ O colo do útero é composto por 2 porções principais: a porção voltada para o canal vaginal é chamada de ectocérvice. A porção voltada para o interior do colo é chamada endocérvice. ❖ Na região da ectocervice há um pequeno orifício, chamado de óstio externo, e um pequeno orifício que comunica o colo do útero com a cavidade uterina, chamado de óstio interno. ❖ A porção compreendida entre o óstio externo e o óstio interno é chamada de canal cervical. ❖ Na imagem, temos a visão do exame clínico da paciente. O que conseguimos ver é o ectocérvice, com o pequeno orifício chamado óstio externo. ❖ Esse óstio pode ter formato variado, dependendo se a mulher é nulípara ou multípara. ❖ Se a mulher for nulípara, o orifício é circular e se a mulher for multípara, o óstio possui aspecto em fenda. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 3 ❖ Na imagem inferior esquerda, podemos observar a porção do colo do útero que fica voltada para o canal vaginal, a qual é chamada de ectocérvice. ❖ Na imagem superior esquerda, podemos observar um colo de útero partido ao meio. A linha pontilhada representa a porção do ectocérvice e a linha contínua representa a porção do endocérvice. As duas regiões possuem revestimento epitelial diferente. ❖ Na ectocérvice, temos um epitélio escamoso estratificado e na região da endocérvice, temos um epitélio colunar simples mucossecretor. Logo abaixo dele, observamos glândulas produtoras de muco, que é escoado para a região do canal endocervical. ❖ A região em que esses epitélios se encontram é chamada de junção escamocolunar (JEC). Na figura, a JEC está destacada por um círculo. A JEC encontra-se, normalmente, ao nível do orifício externo, que também está destacado com um circulo nas figuras à esquerda. ❖ Do óstio externo para fora, temos epitélio escamoso estratificado e do óstio externo para dentro, temos epitélio colunar simples mucossecretor. Colo Uterino Ectrópio e Metaplasia Escamosa: ❖ A JEC, normalmente, se situa ao nível do óstio externo. Porém, dependendo dos estímulos hormonais e da idade da paciente, pode ocorrer ume evento fisiológico de eversão da JEC, ou seja, a JEC se exterioriza. Esse evento é chamado de ectrópio. ❖ Isso causa exposição do epitélio colunar simples mucrossecretor, que originalmente ficaria apenas na região do endocérvice. Assim, esse epitélio fica exposto ao canal vaginal, que possui ph e florabacteriana próprios, e também fica sujeito a traumatismos durante as relações sexuais. ❖ Esse epitélio é mais frágil e está em um ambiente mais hostil, logo ocorre uma adaptação, em que ele é substituído por epitélio escamoso. Esse fenômeno é chamado de metaplasia escamosa. ❖ Paciente durante o exame especular, com a visão do colo e da ectocérvice. A paciente provavelmente é multípara, devido ao formato do óstio externo em fenda. O processo de eversão da JEC ocorreu. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 4 ❖ Das setas verdes para a periferia, temos epitélio escamoso estratificado e das setas verdes para o centro, temos epitélio colunar simples mucossecretor. ❖ Esse processo é visualizado melhor no exame clínico chamado de Teste de Schiller. Esse teste consiste na aplicação de uma substância rica em iodo no colo do útero. Essa substância se fixa nas células ricas em glicogênio, que, no colo do útero, são as células escamosas. Assim, a região mais escura na figura à direita fixou iodo, o que significa que essa área é composta por epitélio escamoso estratificado. Na região central, não houve captação de iodo, logo essa região é composta por epitélio colunar simples. ❖ Nesse caso, a JEC da paciente se encontra ao nível da ectocérvice, e não ao nível do óstio externo. ❖ Na imagem da esquerda, a JEC ocorre ao nível do óstio externo. ❖ Na imagem do meio, ocorre o ectrópio, que é a exteriorização do epitélio colunar simples mucossecretor. A JEC ocorre ao nível do ectocérvice. Quando ocorre o ectrópio, as glândulas também se exteriorizam junto ao epitélio colunar simples. ❖ Na figura da direita, a JEC está situada ao nível da ectocérvice. O epitélio colunar simples mucossecretor, que foi exteriorizado, foi substituído por um epitélio escamoso. Assim, a transição ocorre entre o epitélio escamoso estratificado e a metaplasia escamosa. ❖ Para diferenciar o epitélio escamoso estratificado (normal do endocérvice) da metaplasia escamosa, devemos observar a presença de glândulas. Se for possível identificar epitélio escamoso e ele possuir glândulas, quer dizer que esse epitélio um dia já foi epitélio colunar simples mucossecretor, logo podemos dizer que se trata de uma metaplasia escamosa. ❖ A região entre JEC original da paciente, situada ao nível do orifício externo, e a JEC atual da paciente, situada ao nível da ectocérvice, formam a Zona de Transformação. ❖ Cânceres de colo de útero surgem mais comumente na região da JEC ou da zona de transformação. O exame papanicolau retira células da região da JEC. Dá pra saber se a JEC foi amostrada, se no exame tiver células escamosas e células colunares. Pode ocorrer também de haver células escamosas e células de metaplasia escamosa e, nesse caso, a JEC também foi amostrada. Cisto de Naboth: ❖ Frequentemente ocorre em associação com o Ectrópio e com a Metaplasia Escamosa. ❖ É uma estrutura arredondada, cavitada, bem delimitada. ❖ Inicialmente, ocorre a eversão da JEC. O epitélio colunar simples mucossecretor sofre eversão e leva glândulas junto a ele. Depois, ele sofre o processo de metaplasia escamosa. Logo, teremos um epitélio escamoso estratificado em associação com as glândulas, que obstrui a via de saída das glândulas. Porém, as glândulas não param de produzir muco e a retenção desse muco leva à dilatação dessas glândulas, levando à formação da estrutura cística, chamada Cisto de Naboth. ❖ Se o cisto tiver bem aparente na ectocérvice, ele pode ser visto no exame clínico da paciente. O cisto de Naboth é uma condiçãobenigna e não deve ser confundido com um tumor. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 5 Neoplasia Cervical: ❖ Para cada ano do triênio 2020/2022 no Brasil, há estimativa de 16.590 novos casos de neoplasia cervical. Porém, existem estratégias para redução em até 80% da mortalidade: rastreamento, tratamento das lesões precursoras do carcinoma invasor e garantia de organização dos programas que atendem as pacientes. ❖ É o terceiro tumor mais incidente em mulheres. ❖ Tumor passível de diagnóstico precoce e de prevenção. ❖ Grande impacto populacional: mulheres jovens, em idade fértil e profissionalmente produtivas. Isso gera impacto pessoal, social, emocional e econômico. ❖ Essa neoplasia comporta-se como uma infecção sexualmente transmissível. Fatores de Risco: ❖ HPV: a infecção por HPV é necessária para desenvolver cânceres invasores, mas não é a única condição que interfere no desenvolvimento desses tipos de cânceres. O tipo de vírus deve ser levado em consideração, pois existem vírus com baixo ou alto potencial oncogênico. ❖ História sexual: pacientes com múltiplos parceiros possuem chance maior de desenvolver a neoplasia. ❖ História reprodutiva: pacientes multíparas possuem maior chance. ❖ Infecções sexualmente transmissíveis: vírus herpes, clamídia e outras ISTs. ❖ Tabagismo: pode alterar a imunidade local do colo do útero. ❖ Estados de imunodepressão: alteram a imunidade. A capacidade de resposta imune da paciente deve ser levada em consideração, pois ela determina se a paciente terá capacidade de eliminar o vírus. Papilomavírus Humano (HPV): ❖ Vírus DNA da família Papovavírus. ❖ Mais de 30 a 40 tipos infectam a região anogenital e induzem proliferação celular. HPV de baixo grau: tipos 6, 11, 42 e 44. ❖ Baixo potencial oncogênico. ❖ Induzem condilomas (verrugas genitais), NIC I e, raramente, lesão de alto grau. ❖ Permanecem na forma epissomal. ❖ Os subtipos 6 e 11 são mais prevalentes. HPV de alto grau: tipos 16, 18, 31 e 33. ❖ Elevado potencial oncogênico. ❖ Induzem lesões de alto grau e carcinoma invasor. ❖ Integram-se ao DNA celular do hospedeiro, induzindo uma proliferação celular de uma forma mais descontrolada. ❖ Os subtipos 16 e 18 são mais prevalentes. Patogênese: ❖ Existe uma proteína do HPV chamada de E2, que produz uma proteína também chamada de E2, a qual inibe a expressão dos genes E6 e E7. Esses genes produzem oncoproteínas chamadas de E6 e E7, logo é importante inibir esses genes. ❖ Quando ocorre integração do DNA do HPV com o DNA da célula hospedeira, pode ocorrer a interrupção da transcrição ou a deleção da sequência E2. A falta de produção da proteína E2 aumenta as oncoproteínas E6 e E7, pois impede a inibição dos genes E6 e E7. ❖ A proteína E6 do HPV se liga à p53, degradando-a. A p53, normalmente, consegue detectar mutações no DNA da célula, reparando-as. Se ela não conseguir reparar as mutações, ela possui capacidade de induzir morte celular. Com essa inibição da p53, ocorre inibição da apoptose e redução do reparo do DNA. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 6 ❖ A proteína E7 do HPV se liga à proteína pRb das células do hospedeiro, o que gera estímulo à síntese de DNA e à proliferação celular. ❖ Além disso, podem surgir outras mutações, ao acaso, as quais contribuem para transformações celulares. ❖ Nos casos do HPV de baixo grau, as proteínas E6 do HPV não afetam de maneira significativa a estabilidade da p53. As proteínas E7 do HPV de baixo grau se ligam à pRb com menor afinidade. Logo, os efeitos que o HPV de baixo grau podem gerar, é muito menor do que os efeitos causados pelo HPV de alto grau. ❖ O HPV consegue entrar no epitélio do colo do útero, por meio de pequenas lesões, microlesões, que podem ocorrer durante as relações sexuais. O HPV possui tropismo nas células da camada basal do colo do útero. A partir daí, ele pode ficar latente ou causar alterações que levam à proliferação celular e ao aparecimento de células displásicas. ❖ Podem ocorrer atipias nucleares, perdas de diferenciação das células, figuras de mitose ets. As células displásicas podem ocupar diferentes posições do epitélio escamoso estratificado. ❖ NIC 1: Neoplasia Intraepitelial Cervical I, Displasia leve ou Lesão de baixo grau. • Representada na figura 2. • As células displásicas (azuis) ocupam 1/3 basal do epitélio. • A maioria das pacientes regride a lesão. ❖ NIC 2: Neoplasia Intraepitelial Cervical II, Displasia moderada ou Lesão de alto grau. • Representada na figura 3. • As células displásicas estão ocupam 2/3 basais do epitélio. • A minoria das pacientes regride a lesão. ❖ NIC 3: Neoplasia Intraepitelial Cervical III, Carcinoma in situ, Displasia acentuada, Lesão de alto grau. • Representada na figura 4. • As células displásicas ocupam os 3/3 do epitélio. ❖ Carcinoma Microinvasor ou de Carcinoma Invasor (dependendo do nível de invasão). • Representada na figura 5. • As células alteradas ultrapassaram a membrana basal. • Nesse estágio, as células ultrapassam a membrana basal e alcançam o estroma uterino, logo elas podem atingir vasos sanguíneos e linfáticos, causando metástases. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 7 Condiloma Acuminado: ❖ Lesão causada pelo vírus HPV, que se situa em região vulvar, perianal, peniana e perineal. ❖ Do ponto de vista macroscópico, é uma lesão verrucosa, vegetante, conhecida como lesão em couve- flor ou lesão em crista de galo. ❖ É uma lesão causada por HPV de baixo grau, principalmente do tipo 6 e 11. ❖ Microscopicamente, é possível observar alterações celulares causadas pelo vírus HPV, chamadas de efeito citopático do vírus. ❖ O conjunto dessas alterações é chamada de coilocitose: halo claro em volta do núcleo e núcleo atípico. Hipercromasia de núcelo, binucleação, aumento de relação núcleo/citoplasma. O contorno do núcleo é irregular. Neoplasia Epitelial Invasiva do Colo do Útero: ❖ Maior importância epidemiológica: Carcinoma de células escamosas (85 a 90%) e Adenocarcinoma. Carcinoma de Células Escamosas (CCE): ❖ Pode afetar pacientes de qualquer idade, porém com maior frequência entre 40-45 anos. ❖ Etiopatogenia: HPV de alto grau, especialmente subtipos 16 e 18. O 16 costuma ser mais prevalente no CCE. ❖ Sinais e sintomas: corrimento, sangramento genital e dispareunia (desconforto durante as relações). ❖ Algumas pacientes podem ser assintomáticas, logo isso destaca a importância do exame clínico e do exame citopatológico. ❖ Exame clínico: a visão especular do colo do útero permite melhor visualização. No teste de Schiller, o local onde existe a lesão não consegue absorver o iodo. Quando existe uma área iodo-negativa, o teste de Schiller é positivo. ❖ Exame citopatológico: consegue detectar as lesões antes delas se tornarem lesões invasoras. Isso impede a ocorrência de metástases. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 8 Macroscopia: ❖ Nas figuras à esquerda, há lesões de aspecto vegetante e ulcerativo (na figura inferior esquerda), ocupando grande parte da ectocérvice das pacientes. ❖ Nas figuras à direita, a lesão é de aspecto infiltrativo, ulcerado e necrótico, que destrói a anatomia do colo do útero da paciente. A lesão também atinge o corpo do útero da paciente. As setas apontam a parede da bexiga sendo invadida pelo carcinoma invasor. Microscopia: ❖ Encontramos células escamosas atípicas, que se organizam formando ninhos de células. No meio desses ninhos, podemos encontrar produção de ceratina. Essas estruturas arredondadas formadas por ceratina são chamadas de pérolas córneas. ❖ Neoplasias bem diferenciadas possuem melhor prognóstico (se assemelham ao tecido de origem). Neoplasias pouco diferenciadas possuem pior prognóstico (não se assemelham ao tecido de origem e usam sua energia para se multiplicare invadir). ❖ No caso do CCE, as células escamosas possuem capacidade de produzir ceratina, logo, quando encontramos grande quantidade de pérolas córneas, significa que as células neoplásicas ainda estão tentando imitar as células a partir das quais elas se originaram. Assim, CCEs com grande quantidade de pérolas córneas são classificados como neoplasias bem diferenciadas, ou seja, associadas a um prognóstico melhor. Evolução: ❖ Invasão do corpo uterino, da vagina e dos paramétrios; Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 9 ❖ Infiltração do ureter: pode causar hidronefrose. ❖ Invasão da bexiga ou do reto: pode causar aderências com estruturas vizinhas, o que gera a necessidade de cirurgias mutiladoras. ❖ As células neoplásicas podem causar metástases, após atingir linfonodos pélvicos e inguinais, ou metástases hematogênicas, atingindo medula óssea, fígado e pulmões. Adenocarcinoma: ❖ Segunda neoplasia invasora mais comum do útero (15% dos carcinomas do colo do útero). ❖ Neoplasia intra-epitelial glandular – Adenocarcinoma ‘in situ’. ❖ Origem em glândulas endocervicais. ❖ Proliferação de glândulas atípicas que invadem o estroma adjacente. ❖ Muitos fatores epidemiológicos de risco para o CCE são aplicáveis ao adenocarcinoma. ❖ O principal HPV de alto grau que se associa ao desenvolvimento de adenocarcinoma do colo do útero é o tipo 18. Macroscopia: ❖ O colo do útero está apontado com a seta. ❖ Massa de aspecto infiltrativo e esponjoso no colo do útero da paciente. Essa massa possui aspecto esponjoso, pois é um adenocarcinoma. ❖ As pequenas cavitações que existem na neoplasia representam o lúmen das glândulas que formam esse tipo de câncer. Microscopia: ❖ O adenocarcinoma possui células atípicas estratificadas, às vezes com figuras de mitose, revestindo as glândulas que infiltram o estroma do colo uterino da paciente. ❖ As glândulas normais (sem neoplasias) são revestidas por células colunares. Prognóstico do Carcinoma Invasor do Colo do Útero: ❖ Estadiamento: sistema TMN. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 10 ❖ Tamanho tumoral: • Lesões < 2 cm possuem sobrevida de 95%. • Lesões entre 2 e 3 cm possuem sobrevida de 79%. • Lesões > 4cm possuem sobrevida de 47%. ❖ Tipo histopatológico: tumores não epidermoides com pior prognóstico em relação ao CCE. ❖ Invasão do corpo uterino, profundidade de invasão estromal, invasão linfovascular, metástases linfonodais e comprometimento de margens cirúrgicas pioram o prognóstico. ❖ Colposcopia: exame em que é possível analisar o colo do útero da paciente com uma lente de aumento. Patologia do Corpo Uterino Anatomia: ❖ O útero é dividido em corpo e colo. ❖ O corpo possui algumas camadas: • Endométrio: é a camada mais interna, em contato com a cavidade uterina. • Miométrio: camada constituída por músculo liso. ❖ O endométrio normal é constituído por glândulas e, entre essas glândulas, temos o estroma. ❖ O endométrio sofre interferência do estímulo hormonal que acontece durante o ciclo menstrual. Sob o estímulo estrogênico, o endométrio inicia a fase proliferativa, em que as glândulas endometriais se apresentam em um formato tubular. Na segunda fase, sob o estímulo da progesterona, temos a fase secretora, em que as glândulas endometriais se encontram mais tortuosas e as células que a revestem possuem vacúolos. ❖ A ovulação marca a passagem da primeira fase para a segunda fase. Endometriose: ❖ Presença de glândulas e/ou de estroma endometriais fora da cavidade uterina. ❖ A presença desse tecido fora do útero associa-se a uma inflamação crônica, que está associada a uma alteração da imunidade celular e humoral. ❖ Ao longo do tempo, isso acaba gerando dor e infertilidade. ❖ 10% da população feminina global é afetada pela endometriose (prevalência aumenta para 30 a 50% em mulheres com infertilidade e/ou dor). ❖ Predomina nos anos em que a mulher é mais fértil: 20 a 40 anos (as glândulas dependem do estrógeno para se desenvolverem). ❖ Redução na qualidade de vida, atraso no diagnóstico e tratamento insatisfatório, o que causa impacto negativo pessoal e socioeconômico. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 11 Patogênese: ❖ Existem teorias diferentes. ❖ A teoria mais estudada e que melhor consegue explicar a origem da endometriose é: tecido endometrial e refluxo celular. ❖ Todo mês, quando a paciente menstrua, partes do endométrio descamam pelo canal vaginal, mas ocorre também um refluxo tubário, que é a chamada menstruação retrógrada. Pequenos fragmentos do endométrio caminham pela tuba e a tuba uterina faz comunicação com a cavidade peritoneal, logo esse refluxo tubário leva segmentos de endométrio para a cavidade peritoneal da paciente. ❖ Em 90% das mulheres, esse refluxo tubário ocorre, mas existe uma imunidade local que consegue ‘limpar’ esses segmentos. Porém, em 10% das pacientes, ocorre uma resposta inflamatória, mas ela não é adequada para eliminar os segmentos. Ela contribui para a fixação e para o desenvolvimento desses implantes de endométrio em locais onde eles não deveriam estar (parede da bexiga, parede do reto, superfície externa do útero, superfície externa da tuba etc). Esse desenvolvimento é muito dependente de estrógeno. ❖ Acredita-se que o implante endometrial é capaz de produzir estrógeno diante do estímulo inflamatório crônico que existe ali. ❖ Todo mês quando a paciente menstrua, é como se esses implantes endometriais também menstruassem, eles sangram e escamam. O sangramento provoca uma irritação peritoneal a cada mês. Cronicamente, esse sangue precisa ser limpo de alguma forma, logo ocorre um processo inflamatório crônico de macrófagos com pigmentos de hemossiderina (pigmento que surge a partir da digestão do sangue). ❖ Para fazer o diagnóstico histológico de endometriose, devemos encontrar, pelo menos, 2 de 3 elementos: glândulas endometriais, estroma endometrial e macrófagos contendo pigmento de hemossiderina. ❖ Outras teorias: 1) Medula óssea a células-tronco mesenquimais: células-tronco mesenquimais situadas na medula óssea poderiam ter o potencial de se diferenciar em tecido endometrial. 2) Disseminação linfática e hematogênica: pequenos fragmentos de endométrio poderiam ganhar veias sanguíneas e veias pélvicas, o que causa endometriose à distância (pulmões e cérebro). 3) Fatores ambientais, hormonais (estrogênios) e genéticos (histórico familiar): dependendo da forma como a paciente é predisposta geneticamente, o padrão de resposta inflamatório dela pode ou eliminar o implante ou permitir que esse implante se desenvolva. 4) Resquícios Mullerianos: os ductos de Muller são estruturas que, no futuro, dão origem ao próprio endométrio. Se a paciente ficar com esses resquícios em alguma porção da região pélvica, ela pode desenvolver endometriose. 5) Mesotélio e células celômicas: todas as pessoas possuem células celômicas (célula presente na região peritoneal), no desenvolvimento embrionário. Essa célula celômica possui a capacidade de se diferenciar em outros tipos celulares, inclusive no tecido endometrial. Isso explica porque homens podem apresentar endometriose, apesar de não terem útero (homens também possuem células celômicas no desenvolvimento embrionário). Os homens que desenvolvem endometriose são homens que são expostos a elevadas doses de estrógeno, como homens que fazem reposição hormonal devido ao câncer de próstata. ❖ Locais mais comuns: • Ovário, tuba uterina, ligamentos uterinos, peritônio, cicatriz de laparotomia (a paciente pode notar sangramento mensal na região da cicatriz). • Parede da bexiga (isso causa disúria, que é um desconforto ao urinar, especialmente durante o período menstrual). • Parede do cólon e do reto (isso pode gerar um desconforto ao evacuar, principalmente durante o períodomenstrual). • Com o tempo, essa inflamação se torna crônica, gerando o aparecimento de fibrose. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 12 • No caso do cólon, isso pode levar a um espessamento da parede colônica, que causa redução da luz do cólon. Em casos mais graves, a paciente pode apresentar obstrução intestinal. Etiopatogênese: interação de um conjunto de fatores. Manifestações Clínicas: ❖ Dismenorreia (menstruação dolorosa): o sangramento dos implantes endometriais e a resposta inflamatória crônica podem causar dor. ❖ Dispareunia (dor ou desconforto durante as relações sexuais): com o tempo, a inflamação crônica gera aderências entre os órgãos pélvicos, que reduzem a mobilidade entre os órgãos, causando desconforto durante as relações sexuais. ❖ Dor pélvica crônica: caso ela desenvolva aderências entre os órgãos (a aderência é a fibrose formada devido à inflamação crônica). ❖ Sangramento irregular. ❖ Infertilidade: as aderências entre os órgãos poderiam levar a aderências na tuba uterina. A fecundação ocorre na tuba, então, se houver algum obstáculo ao encontro do gameta feminino com o gameta masculino, a fecundação não ocorrerá, logo a paciente pode apresentar dificuldade para engravidar. Às vezes, pode até ocorrer a fecundação, mas à medida que o ovo caminha ao longo da tuba uterina antes de se implantar no útero, ele vai se desenvolvendo e as células vão se multiplicando, logo se ele encontrar alguma aderência na tuba, ele pode se implantar lá, causando uma gravidez ectópica. O ambiente inflamatório que a paciente apresenta pode funcionar como um meio hostil aos gametas masculinos, o que dificulta a fecundação. Fatores de Risco: ❖ Dismenorreia: é fator de risco e consequência da endometriose. Durante o período menstrual, ocorre uma maior atividade inflamatória e sangramento dos implantes, que pode seguir para a cavidade peritoneal, irritando o peritônio. Há também contrações uterinas mais vigorosas durante a menstruação, o que causa a dismenorreia. A dismenorreia também pode funcionar como fator de risco, pois, quanto mais vigorosas forem as contrações uterinas, maior é a probabilidade de ocorrer o refluxo tubário. ❖ Mulheres nulíparas: mulheres que nunca tiveram filhos possuem maior risco. Durante a gravidez, ocorre predomínio do hormônio progesterona, logo não há o estímulo predominante de estrogênio, que é necessário para os implantes se desenvolverem. ❖ Menarca antes dos 11 anos: a paciente terá mais ciclos menstruais ao longo da vida, o que predispõe ao aumento das chances de a paciente ter refluxo tubário. ❖ Ciclos menstruais curtos, com menos de 27 dias: a paciente terá mais ciclos menstruais ao longo do ano, o que predispõe ao aumento das chances de a paciente ter refluxo tubário. ❖ Fluxo com volume aumentado: quanto maior for o volume, maior é a probabilidade do refluxo tubário. ❖ Dieta rica em gorduras: não se sabe o porquê. ❖ História familiar: pacientes com histórico familiar de endometriose possuem de 8 a 11 vezes maior chance de desenvolver endometriose. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 13 ❖ Presença de lesões ovaladas com coloração amarronzada ou enegrecida, que caracterizam as lesões da endometriose. Aspectos macroscópicos que podem ser encontrados na endometriose: ❖ Lesões ativas iniciais: são lesões que se apresentam com uma coloração avermelhada (são mais recentes, logo o sangue está mais vivo). ❖ Lesões ativas avançadas: são caracterizadas por uma coloração amarronzada ou enegrecida, o que indica que o sangramento é mais antigo, já que a hemossiderina já está presente (hemossiderina é produzida a partir da digestão do sangue). É a lesão que vemos na imagem acima. ❖ Lesões inativas: possuem coloração brancacenta. Do ponto de visto histológico, vemos glândulas em estroma de padrão endometrial envoltos por áreas de fibrose. Endometriose Ovariana: ❖ Quando ocorre um implante endometrial no ovário, habitualmente o implante encista, dando origem a um cisto que possui revestimento constituído por tecido fibroso e glândulas de estroma de padrão endometrial. ❖ O conteúdo do sangue é amarronzado, que representa o sangue já digerido. ❖ Esse cisto é chamado de cisto achocolatado. O nome dessa lesão é endometrioma, mas não significa que temos uma neoplasia verdadeira. ❖ Glândulas de padrão endometrial, estroma de padrão endometrial e macrófagos contendo hemossiderina. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 14 ❖ Na figura à esquerda, vemos estruturas com lúmen, que representam as glândulas endometriais e, entre elas, vemos estroma de padrão endometrial. ❖ A parte rósea representa área de fibrose. ❖ A figura à direita nos mostra uma coleção de macrófagos, que contém pigmentos amarronzados, que são a hemossiderina. Adenomiose: ❖ Presença de glândulas endometriais na intimidade do miométrio. ❖ Profundidade das glândulas > 2,5mm. ❖ Causa desconhecida. ❖ Clínica: menstruações irregulares e intensas, dor pélvica e dismenorreia. Macroscopia: ❖ Útero seccionado longitudinalmente. ❖ As setas nos mostram a região do miométrio. A porção superior é o corpo do útero e a área circulada é o colo do útero. ❖ Como existe glândula e estroma de padrão endometrial dentro do miométrio, esperamos que o corpo do útero esteja com um volume globalmente aumentado. O miométrio encontra-se mais espessado e com a trabeculação aumentada do que o miométrio normal. Microscopia: ❖ Na porção superior, temos glândulas e estroma (entre elas). Abaixo dessa área, representada em rosa, temos o miométrio. Entretanto, as setas nos mostram glândulas e estroma de padrão endométrio dentro do miométrio. Leiomioma Uterino: ❖ Tumor benigno mais comum do útero. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 15 ❖ Atinge 20 a 50% das mulheres após 30 anos. ❖ Origem monoclonal: a origem ocorre partir da mutação de uma única célula, que é uma célula muscular lisa (leiomiócito). ❖ Únicos ou múltiplos. ❖ Pequenos ou gigantes: lesões de poucos milímetros até vários centímetros. ❖ Mais comuns na raça negra. Etiopatogenia: ❖ Crescimento hormônio-dependente (aumento do número de receptores de estrogênio e de progesterona nos leiomiócitos). Isso justifica o porquê de na gravidez, a tendência é que essa lesão aumente de tamanho e de, na menopausa, essa lesão reduzir de tamanho. Classificação: ❖ Quanto ao volume (mesmo volumosos, podem ser assintomáticos. ❖ Quanto à localização nas camadas uterinas: • Intramurais: completamente inseridos no miométrio. • Submucosos: contato direto, pelo menos em parte dele, com a região do endométrio (assintomáticos, pois habitualmente sangram, já que estão em contato com o endométrio). • Subserosos: projetam mais de 50% do seu volume para fora do útero, em direção à superfície externa do útero. Alterações Degenerativas: ❖ Geralmente, ocorrem devido ao suprimento sanguíneo inadequado, pois o crescimento ocorre de forma mais rápida do que o suprimento sanguíneo consegue suprir. ❖ Degeneração Hialina: mais comum. Parte dos leiomiócitos da lesão são substituídos por um material amorfo, hialino, sem células. ❖ Degeneração Rubra ou Vermelha ou Carnosa: mais comum na gravidez de uma mulher que possui um leiomioma. Pode provocar dor, hipertermia e ruptura com abdome agudo. ❖ Degeneração Sarcomatosa: transformação maligna e rara. Tumores agressivos, com crescimento rápido. Ocorre, especialmente, na pós-menopausa. A dica de que pode ter ocorrido esse tipo de degeneração é quando um leiomioma pequeno e estável começa a crescer demais, de uma forma agressiva. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 16 ❖ Na figura da esquerda, temos um útero seccionado longitudinalmente. Os leiomiomas se apresentam como nódulos brancacentos ou pardacentos, circunscritos, desuperfície fasciculada (não é completamente lisa). A seta azul aponta um leiomioma submucoso, a seta preta aponta um leiomioma intramural e a seta laranja aponta um leiomioma subseroso. ❖ Na figura da direita, a ponta laranja aponta um leiomioma subseroso e a seta preta aponta um leiomioma intramural. ❖ Na microscopia, vemos células alongadas. As atipias celulares são muito poucas, não encontramos figuras de mitoses. ❖ As células se organizam formando feixes, que se cruzam em diferentes direções. Em alguns locais, vemos o núcleo da célula mais alongado e em outros, o núcleo mais arredondado, devido ao nível do corte. Hiperplasia Endometrial: ❖ Hiperplasia significa aumento o número de células. ❖ Proliferação de glândulas endometriais, de tamanho e de formas variadas, e de estroma endometrial, com aumento da relação glândula/estroma (proliferação maior de glândulas). ❖ Predomina na perimenopausa. A partir do momento que a mulher se aproxima da menopausa, os ciclos se tornam anovulatórios. O evento que marca a passagem da primeira fase (proliferativa) do ciclo para a segunda fase (secretora) é a ovulação. Logo, a anovulação faz com que a paciente permaneça de forma prolongada na primeira fase, sob estímulo estrogênico, sem haver a contraposição da progesterona. ❖ Endométrio mais espesso, pois ele fica mais tempo em proliferação, logo as pacientes se queixam de um sangramento uterino anormal. Etiopatogenia: ❖ Estímulo estrogênico anormal e diminuição de atividade progesterônica (ovário policístico, tumores ovarianos produtores de estrógeno, hormonioterapia por estrógeno, pacientes obesas (é possível que haja conversão estrogênica na gordura periférica das pacientes). ❖ Genética: em cerca de 20% dos casos, ocorre a inativação do gene supressor tumoral PTEN. Esse gene funciona como supressor tumoral, pois ajuda a controlar a proliferação celular e induz a apoptose. Se esse gene for suprimido, ocorrerá maior proliferação celular e redução da apoptose. Macroscopia: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 17 ❖ Endométrio difusamente espessado, às vezes com áreas que espessam mais que outras, o que leva ao aparecimento de lesões polipoides ou de cistos. Microscopia: ❖ Hiperplasia sem atipias: endométrio +- 5mm. Glândulas ramificas e irregulares. Estroma ainda persiste. Pode haver transformação cística. ❖ Hiperplasia com atipias: endométrio mais espesso. Existe uma proliferação de glândulas em uma proporção bem maior que a proliferação de estroma. Logo, ocorre uma justaposição de glândulas. Células atípicas (núcleos volumosos, nucléolo e mitoses). ❖ Isso é importante, pois a Hiperplasia Endometrial pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de Adenocarcinoma de Endométrio. Essa chance varia de 1 a 3% se for uma hiperplasia sem atipias e pode chegar até 40% se for uma hiperplasia com atipias. ❖ Na região do corpo do útero, a seta laranja aponta o endométrio, que está espesso. ❖ Na biópsia, encontramos estruturas que possuem lúmen, que caracterizam as glândulas. Porém, as glândulas possuem uma relativa distância entre elas, pois também ocorre proliferação de estroma. Isso é uma hiperplasia endometrial sem atipias, logo a chance de ela evoluir para um adenocarcinoma de endométrio é muito pequena. ❖ Na biópsia, encontramos glândulas muito próximas umas das outras, justapostas. O estroma ainda está presente, porém é bem mais escasso. A figura da direita nos mostra células revestindo essas glândulas. A seta vermelha aponta células com figuras de mitose. As células são mais atípicas, mais Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 18 alongadas ou redondas, com núcleos hipercorados. Isso é uma hiperplasia com atipias, que possui elevada chance de se tornar um adenocarcinoma do endométrio. Adenocarcinoma do Endométrio: ❖ Afeta mulheres de 55 a 65 anos. É incomum antes dos 40 anos. ❖ Clínica: sangramento, corrimento e dor pélvica. Tipo I: Endometrioide. ❖ Ocorre em 70 a 80% dos casos. ❖ Mulheres com exposição exagerada ao estrógeno, sem a oposição com a progesterona. ❖ As lesões aparecem de forma bem diferenciada, logo esse tipo possui melhor prognóstico. Mutação mais comum: gene PTEN. Tipo II: Seroso. ❖ Sem estimulação estrogênica exagerada do endométrio. ❖ Algumas alterações genéticas, como do gene p53, justificam esse tipo de câncer. ❖ Ocorrem em mulheres cerca de 10 anos mais velhas do que as do tipo endometrioide. ❖ Lesões pouco diferenciadas, logo o prognóstico desse tipo é pior. Fatores de Risco (Subtipo 1): ❖ Nuliparidade: nas pacientes nulíparas, temos maior estímulo de estrógeno ao longo da vida, sem haver o descanso do estrógeno durante a gestação, no qual ocorre a oposição pela progesterona. ❖ Menarca precoce: maior número de ciclos ao longo da vida, que causa maior estímulo de estrógeno. ❖ Menopausa tardia: maior período na perimenopausa, que causa maior quantidade de ciclos anovulatórios, gerando maior estímulo de estrógeno. ❖ Obesidade: conversão periférica de estrógeno, que ocorre no tecido adiposo periférico. ❖ Ovários policísticos: as pacientes possuem mais ciclos anovulatórios, o que causa maior estímulo de estrógeno (período prolongado na fase proliferativa). ❖ Diabetes mellitus: cursa com a obesidade. ❖ Estrogenioterapia sem oposição com progesterona. ❖ Pacientes em uso de Tamoxifeno: o Tamoxifeno é uma droga utilizada para determinados tipos de câncer de mama. Na mama, o Tamoxifeno possui efeito anti-estrogênico, porém, no endométrio, o Tamoxifeno se liga aos receptores, com efeito pró-estrogênico. Assim, ele estimula a proliferação endometrial. ❖ Hiperplasia endometrial atípica: em até 40% dos casos, elas podem evoluir para adenocarcinoma do endométrio. ❖ Tumores ovarianos produtores de estrógeno. ❖ Predisposição genética (Ex: mutação no gene PTEN). Graduação: ❖ De acordo com a arquitetura: as células epiteliais podem se organizar formando uma grande quantidade de glândulas, uma moderada quantidade de glândulas ou uma maior quantidade de arranjos sólidos. Essas áreas sólidas não representam o estroma endometrial. ❖ GI: bem diferenciado. • <5% de áreas sólidas não mórulas ou não escamosas. • Predomina a presença de glândulas (mais de 95% do tumor). ❖ GII: moderadamente diferenciado. • 6 a 50% de áreas sólidas não mórulas ou não escamosas. ❖ GIII: pouco diferenciado. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 19 • >50% de áreas sólidas não mórulas ou não escamosas. ❖ Grau nuclear (alterações citológicas): número de atipias celulares. Macroscopia: ❖ A seta em laranja aponta para uma massa de aspecto vegetante, que preenche a cavidade uterina e infiltra o miométrio. Essa infiltração é vista melhor na metade que não está indicada pelas setas. ❖ A seta preta aponta um leiomioma. Microscopia: ❖ Estruturas com lúmen (glândulas). Basicamente, temos apenas a presença de glândulas. Não vemos muitas áreas sólidas. Adenocarcinoma bem diferenciado (GI). ❖ Presença de algumas estruturas com lúmen, mas vemos mais arranjos sólidos. Adenocarcinoma moderadamente diferenciado (GII). Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 20 ❖ Não vemos nenhuma glândula. Células epiteliais formando, basicamente, apenas áreas sólidas. Adenocarcinoma pouco diferenciado (GIII). Evolução: ❖ Prognóstico depende do estadiamento, do tipo histológico do tumor e de sua diferenciação. ❖ Infiltração do miométrio, do colo uterino, vagina e estruturas regionais. ❖ Infiltração da bexiga ou do reto. ❖ Metástase em linfonodos pélvicos e inguinais. ❖ Metástases hematogênicas à distância (pulmão, fígado). Patologia do Sistema Genital Feminino Pólipo Endocervical: ❖ Surge na região do endocérvice. ❖ Origem provavelmente inflamatória. ❖ Mais comum em mulheres multíparasde 40 a 60 anos. ❖ Quando a paciente atinge a faixa etária dos 40 a 60 anos, provavelmente ela já teve várias inflamações no colo, a maioria inespecíficas, que colocaram esse colo sob exposição de alguns agentes, principalmente citocinas, que podem estimular a proliferação do tecido endocervical, o qual se organiza formando uma estrutura na forma de um pólipo. ❖ Depois dos 40, os ciclos menstruais são mais frequentemente anovulatórios, o que coloca a paciente no quadro de um maior estímulo estrogênico, sem a contraposição da progesterona. Esse estímulo pode levar à formação do pólipo. ❖ A clínica apresentada se justifica pelo fato de o pólipo ser ricamente vascularizado. Logo, a paciente pode se queixar de sangramento ou de corrimento vaginal com aspecto sanguinolento. ❖ As lesões são pediculadas, alongadas e apresentam coloração rósea, avermelhada, apresentando uma superfície esponjosa ou lisa. ❖ Essas lesões, ao exame físico, podem se protundir na região do óstio externo. Logo, não devemos confundir com um tumor. Microscopia: ❖ Proliferação da mucosa que reveste a endocérvice (colunar simples mucossecretor). Em algumas áreas podemos encontrar metaplasia escamosa, sem nenhum significado especial. Macroscopia: ❖ Colo do útero com presença de lesão polipoide ocupando o interior do canal endocervical. Na parte inferior, há uma área de ulceração e uma porção de aspecto amarronzado, que indica que ali ocorreu uma hemorragia. Essa hemorragia é justificada pela grande presença de vascularização no pólipo. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 21 Endometrites: ❖ O endométrio é relativamente resistente às infecções. • O muco na região endocervical funciona como um fator de proteção aos patógenos que poderiam atingir o endométrio. • A resposta inflamatória local que existe ali também não permite que os patógenos consigam se desenvolver. ❖ Entretanto, algumas pacientes que possuem algum fator que pode servir como porta de entrada podem desenvolver inflamações e infecções no endométrio, levando a um quadro de endometrite aguda ou até mesmo crônica. ❖ Porta de entrada: pacientes no pós-parto, pacientes que sofreram aborto e foram submetidas a uma curetagem, pacientes que utilizam DIU. ❖ Endometrite aguda: presença de processo inflamatório predominantemente neutrofílico. ❖ Endometrite crônica: presença de plasmócitos, associados a outras células mononucleares, como linfócitos. ❖ Em um endométrio normal, podemos encontrar neutrófilos, principalmente na fase que antecede a menstruação. Logo, a célula inflamatória que mais nos indica a presença de endometrite, é o plasmócito. Clínica: ❖ Sangramento; ❖ Dor pélvica; ❖ Secreção vaginal; ❖ Infertilidade: o processo inflamatório no endométrio torna o ambiente hostil para a implantação do embrião. Microscopia: ❖ No centro da imagem, podemos ver glândulas e estroma endometrial. Entretanto, no estroma, vemos linfócitos (células com núcleo hipercorado), que não deveriam estar ali. Junto aos linfócitos, temos os plasmócitos, como o apontado pela seta azul. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 22 Doença Inflamatória Pélvica (DIP): ❖ Doença inflamatória que afeta o trato genital feminino superior (qualquer porção que fica acima do orifício interno do colo do útero): endométrio, tubas uterinas, ovários, peritônio etc. ❖ Numa fase crônica da doença, podemos encontrar sequelas que aparecem na forma de aderências, entre a parede abdominal anterior e o fígado (cordas de violino). ❖ Aspectos clínicos variáveis com a extensão da inflamação. ❖ Maior prevalência entre 15 a 39 anos. Nessa faixa etária, o muco cervical é mais pérvio à ascensão de microrganismos. A principal origem dos microrganismos que causam a DIP é na região vaginal e na região do colo do útero. Muitas das pacientes nessa faixa etária também ainda não adquiriram anticorpos contra a Clamidia, tornando-as mais susceptíveis à infecção. ❖ Nos últimos anos, com a introdução de antibioticoterapia, a mortalidade por essa doença tornou-se baixa. A morbidade (sequelas) ainda é presente, mesmo com os tratamentos existentes. ❖ DIP causa 2,5 milhões de visitas ambulatoriais e é a causa mais frequente de atendimento em emergência ginecológica. Microrganismos: ❖ Gonococos, Chlamydia, Estreptococos, E. coli, anaeróbios. ❖ Uma infecção que começa por gonococos e Chlamydia pode se tronar polimicrobiana com a evolução da doença. ❖ Não há consenso entre qual causa mais. Mas se tivermos que escolher um, o principal é a Chlamydia, pois os números de infecções, por esse microrganismo, estão crescendo e por gonococo estão diminuindo. Vias: ❖ Ascendente: entrada pelo canal vaginal (mais comum). ❖ Peritônio. ❖ Vasos linfáticos e vasos sanguíneos. Fatores de Risco: ❖ Início precoce da atividade sexual, devido à característica do muco cervical dessas pacientes. ❖ Tabagismo, alcoolismo e uso de drogas: altera a imunidade local. ❖ Pacientes que possuem múltiplos parceiros: mais chances de adquirir os microrganismos que desenvolvem a doença. ❖ Tipo de método contraceptivo: os métodos de barreira impedem a infecção. • O uso de ACO pode ser considerado como fator protetor, pois ele pode tornar o muco cervical menos permeável à ascensão dos agentes que causam a DIP. Entretanto, se uma paciente, pelo fato de usar ACO, passar a ter mais relações sexuais desprotegidas, o uso do ACO se torna um fator de risco. • Não há um consenso se o uso de DIU funciona como fator de risco para a DIP. ❖ Pacientes com história prévia de ISTs ou de DIP. A DIP prévia pode alterar a anatomia dos órgãos do sistema genital feminino, favorecendo a ascensão dos microrganismos. ❖ Idade. ❖ Estados imunodeficientes. Clínica: ❖ Dor pélvica; ❖ Sensibilidade de anexos (tuba e ovário); ❖ Febre (infecção); ❖ Secreção vaginal (aspecto purulento); ❖ Sangramento. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 23 ❖ A paciente pode ser assintomática. Exames Complementares: ❖ PCR elevada, pois a paciente está em um estado inflamatório. ❖ Leucocitose com desvio à esquerda (aponta processo inflamatório agudo). ❖ Teste laboratorial cervical positivo para gonococo e clamídia. ❖ Biópsia endometrial com evidência de endometrite. ❖ Ultrassom, ressonância e laparoscopia. ❖ Algumas literaturas apontam a laparoscopia como padrão ouro para investigação da DIP, entretanto, na laparoscopia, fazemos 2 furos no umbigo da paciente, o que pode não permitir visualização, se a DIP acometer apenas o endométrio. Logo, a tendência é considerar que não há um padrão ouro, apenas se o acometimento for de tuba e de ovário, em que a laparoscopia seria muito interessante. ❖ Diagnóstico diferencial: apendicite aguda, torção ou ruptura de cistos ovarianos, infecção urinária aguda, gravidez ectópica. ❖ Inflamações são as afecções mais comuns das tubas uterinas e podem ser agudas (piogênicas) ou crônicas (evolução das agudas). ❖ Mesmo tratada da DIP, a paciente ainda pode desenvolver sequelas (morbidades), principalmente se houver demora no tratamento, se a gravidade da DIP for maior ou se a paciente possuir DIP recorrente. ❖ O gonococo tem capacidade de causar DIP por via ascendente, sem causar inflamação no endométrio, mas causando inflamação de tuba e de ovário. Não se sabe o porquê disso. ❖ A inflamação da tuba é o fato que pode causar maior sequela para a paciente: a paciente pode, na forma aguda da doença, desenvolver aderência na região das fímbrias, levando a uma oclusão tubária e ao desenvolvimento de pus dentro da tuba, condição chamada de piossalpinge. Com a evolução do quadro, o pus é absorvido e substituído por um liquido claro. Logo a tuba sofre dilatação e o epitélio que reveste a tuba fica danificado. Isso é chamado de hidrossalpinge. A sequela que ocorre na tuba é o quejustifica a infertilidade das pacientes, já que a fecundação ocorre na tuba. Além disso, a paciente pode desenvolver aderências tubárias, o que predispõe ao desenvolvimento de gravidez ectópica. Estágios da DIP: ❖ I: paciente é tratada a nível ambulatorial. ❖ II, III e IV: tratada a nível hospitalar. • I: salpingite aguda sem peritonite. • II: salpingite aguda com peritonite. • III: salpingite aguda com sinais de oclusão tubária ou de abcesso tubo-ovariano. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 24 • IV: sinais clínicos de ruptura de abcesso tubo-ovariano. Macroscopia: ❖ Tuba uterina aberta, preenchida por um material amarelado purulento. ❖ Tuba e ovário preenchidos por um material pardo- amarelado de aspecto purulento. Presença de abcesso ovariano. ❖ Tubas uterinas com sequelas de DIP, evidenciando hidrossalpinge. Diâmetro muito aumentado. Parede fina. Microscopia: ❖ Presença de células inflamatórias no corte de uma tuba. ❖ Predominantemente polimorfonuclear (tipo de célula inflamatória que marca um processo inflamatório agudo). Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 25 Patologia Não Neoplásica dos Ovários Anatomia dos Ovários: ❖ Medida média de 3 x 1,5 x 1cm em idade fértil. ❖ Ovário seccionado ao meio. ❖ A seta azul aponta o epitélio de revestimento do ovário. ❖ Abaixo, temos a túnica albugínea. ❖ Mais para o interior, temos a região cortical (marcada por uma estrela), que é onde ocorre a maturação dos folículos ovarianos. ❖ A elipse vermelha marca a região medular do ovário, onde encontramos vasos e tecido conjuntivo. Maturação: ❖ Começa como folículo primordial, que vira um folículo primário. ❖ À medida que ele se desenvolve, temos uma camada de células, chamada de células da granulosa. ❖ Em volta da camada de células da granulosa, temos a camada de células da teca, que representa o estroma ovariano modificado. ❖ O estroma ovariano é o tecido que preenche o espaço presente entre os folículos ovarianos no ovário. ❖ As células da camada granulosa começam a ficar mais separadas umas das outras, formando cavidades. Essas cavidades se unem, formando uma única cavidade, chamada de antro, no folículo maduro. ❖ No folículo maduro, temos a célula germinativa (amarela), o antro e duas camadas principais: a mais interna é a camada de células da granulosa e a mais externa é a camada de células da teca. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 26 ❖ O ovário possui uma dupla função: reprodução e hormonal. ❖ Todos os meses ocorre o recrutamento de vários folículos, sob o estímulo do FSH. O ideal é que apenas um deles consiga chegar no estágio de maturação. Os outros folículos sofrem um processo de involução, chamado de atresia. ❖ Nessa primeira fase do ciclo, temos um grande estímulo de estrógeno. Quando ele atinge a concentração ideal, teremos o pico de LH. Após algumas horas do pico de LH, ocorre o processo de ovulação. ❖ Quando ocorre a ovulação, o folículo libera o ovócito, provocando uma pequena ruptura na superfície do ovário. O que restou do folículo se fecha, assim como a superfície do ovário. ❖ O que restou do folículo é chamado de corpo lúteo ou corpo amarelo. O corpo lúteo cicatriza, dando origem ao corpo albicans ou corpo branco. ❖ Para que ocorra a ovulação, é necessário que haja um pico de LH. Não adianta a paciente ter LH basalmente alto, mas não ter um pico. ❖ A ovulação ocorre por meio de uma pequena ruptura na superfície do ovário. Se há corpo lúteo e corpo branco no ovário da paciente, significa que a ovulação ocorreu. ❖ O folículo maduro e o corpo lúteo possuem um tamanho médio de +-20mm. Isso significa que corpo luteo não é virtual, nós podemos observar no ultrassom ou na macroscopia do ovário. Cistos Foliculares: ❖ Surge a partir dos folículos. ❖ Todos os meses, vários folículos são recrutados e o habitual é que apenas um chegue ao estado final de maturação e que os outros sofram atresia. ❖ Alguns cistos levam mais tempo para sofrerem atresia e formam as estruturas císticas chamadas de cistos foliculares. Microscopia: ❖ Esses cistos possuem histologia semelhante aos folículos normais. ❖ Camada de células da granulosa e camada de células da teca. ❖ A parte mais superior da figura representa o conteúdo do cisto. ❖ A seta azul aponta para a camada granulosa. ❖ A seta vermelha aponta para a camada da teca e a elipse define o estroma ovariano. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 27 Macroscopia: ❖ O ovário direito está com um volume aumentado, em relação ao ovário esquerdo. ❖ Ter cistos foliculares no ovário não é sinônimo de ter Síndrome dos Ovários Policísticos. ❖ Esses cistos não possuem repercussões importantes e são relativamente comuns. Cistos Lúteos (Cisto de Corpo Lúteo): ❖ A ruptura do ovário para que ocorra a ovulação pode gerar um pequeno sangramento. ❖ Esse sangramento consegue ser absorvido antes que a estrutura que restou do folículo se feche no ovário. ❖ O cisto do corpo lúteo é o restante do folículo que se fecha rapidamente, o que faz com que ele represe mais sangue dentro dele do que o habitual. ❖ A figura representa o cisto de corpo lúteo. O interior do cisto é preenchido por um material hemorrágico. ❖ Diagnóstico diferencial: endometrioma (cisto achocolatado). ❖ Algumas raras vezes esse cisto pode se romper. ❖ O mais comum é que a paciente sinta dor na época da ovulação. Síndrome dos Ovários Policíst icos (SOP): ❖ Síndrome de Stein-Leventhal. ❖ Frequente em jovens (6 a 10-15%). ❖ Uma das endócrinopatias mais frequentes da mulher. ❖ Ter apenas cistos não caracteriza SOP. Devemos encontrar pelo menos 2 de 3 critérios: • Ovários esclerocísticos (12 ou mais folículos entre 2 e 9mm; ovário > 10cm). • Oligoamenorreia e ciclos anovulatórios. Devido a maior quantidade de ciclos anovulatórios, a paciente possui menos ciclos durante o ano, com um intervalo maior entre eles, o que chamamos de oligoamenorreia. • Sinais de androginismo (clínico e/ou laboratorial). Pelos no rosto, nas costas, acne, alopecia etc. Patogênese: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 28 ❖ A SOP começa devido a uma secreção ovariana aumentada de andrógenos (por algum motivo), criando um ambiente hiperandrogênico nos ovários. Os andrógenos atrapalham o desenvolvimento dos folículos, logo fica mais difícil a paciente ter um folículo dominante. ❖ Além disso, ocorrerá uma dificuldade dos outros folículos sofrerem atresia. Por isso, o ovário possui aspecto policístico. ❖ A hiperandrogenemia pode aparecer do ponto de vista clinico e laboratorial. O excesso de andrógeno pode ser convertido no tecido periférico em estrona, que é uma forma de estrógeno. Assim, a paciente terá um excesso de estrógeno, sema contraposição da progesterona, o que causa um efeito proliferativo no endométrio da paciente, fazendo com que ela possa cursar com hiperplasia ou com câncer de endométrio. ❖ Essa forma de estrógeno aumentada consegue reduzir a produção de FSH, logo, com menos FSH, a paciente passa a recrutar menos folículos, contribuindo para a anovulação e infertilidade. ❖ Essa quantidade de estrógeno basalmente aumentada pode causar um aumento de LH basal (linearmente aumentado), o que leva a um aumento da secreção ovariana de andrógenos, que fecha o ciclo. ❖ Alguns autores defendem o inicio da SOP por uma disfunção na produção de LH, que gera uma produção excessiva de andrógenos. ❖ Outros autores começam a explicação no tecido adiposo (conversão do excesso de andrógenos em estrona), que gera uma maior resistência periférica à insulina. Macroscopia: ❖ Vários pequenos cistos na região cortical do ovário. Na figura inferior, temos a presença de cistos. ❖ Não épossível ver corpo lúteo e corpo branco, temos uma área de esclerose do ovário. ❖ Em uma mulher em idade fértil, que não toma AC ou hormônios, o fato de não ter corpo lúteo nos ovários indica que ela não está ovulando. Alterações Clínicas: ❖ Oligo/amenorreia. ❖ Hirsutismo (presença de muitos pelos), acne e alopecia; ❖ Infertilidade anovulatória; ❖ Aborto recorrente (as disfunções hormonais podem gerar ambiente hostil para a implantação de um embrião). Alterações Endócrinas: ❖ Elevação dos androgênios: produção aumentada de androgênios pelos ovários e pela adrenal (LH, estrogênios e prolactina). Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 29 Alterações Metabólicas: ❖ Resistência periférica e defeito na excreção de insulina. O organismo passa a produzir mais insulina, como forma de compensar a resistência periférica à insulina. ❖ Hiperinsulinemia: • Aumenta a produção de andrógenos e a atividade do LH. • Ela também leva a uma redução da síntese hepática de globulina ligadora de hormônios sexuais. Os hormônios sexuais podem circular livres ou ligados às proteínas. A forma ativa dos hormônios sexuais é a forma livre. Logo, se temos menos globulina, temos mais forma livre do hormônio para agir no organismo da paciente. • Acantose nigricante: estimula as células que produzem pigmento na pele, provocando manchas amarronzadas, principalmente em região cervical e axilar. • Outras alterações metabólicas: obesidade, dislipidemia, DM tipo 2 no futuro. Patologia Neoplásica dos Ovários Tumores Ovarianos: ❖ A maioria dos tumores do ovário são benignos (80%). ❖ A maioria se comporta como neoplasia oculta do abdome: diagnóstico tardio. ❖ Clínica: maioria cresce de forma assintomática. • Pode causar distensão/dor abdominal, massa palpável, desconforto pélvico, alterações urinárias e digestivas, emagrecimento e ascite. ❖ Metástases: linfática, hematogênica e disseminação peritoneal (implantes). Fatores de Risco: ❖ Genéticos (mutação dos genes BRCA1 e BRCA2): pacientes com mutação nesses genes possuem cerca de 80% de chance de desenvolver câncer de mama e 20 a 60% de chance de desenvolver câncer de ovário. ❖ Pacientes nulíparas e que não usam ACO. Espera-se que essa paciente ovule. Todo mês, ao ovular, ocorre ruptura na superfície do ovário, que precisa se fechar, por meio de proliferação celular. Essa proliferação acontecendo todo mês pode predispor ao aparecimento de mutações que podem levar ao desenvolvimento de neoplasias ovarianas. Pacientes que já ficaram gravidas ficam 40 semanas sem ovular durante a gravidez, o que pode ser um fator de proteção. ❖ História familiar. ❖ Pacientes com alteração no desenvolvimento das gônadas (disgenesia gonadal). Ex: Síndrome de Turner. ❖ Laqueadura tubária reduz o risco. Alguns autores defendem que certos tipos de tumores de ovário não são provenientes do epitélio existente no ovário, eles viriam de epitélio atípico da tuba uterina, que acabou se descamando em cima do ovário, levando ao desenvolvimento da neoplasia no ovário. Algumas pacientes que possuem mutação de genes podem optar pela retirada do ovário de uma forma profilática. Hoje em dia, sabe-se que o mais eficaz é retirar o ovário, juntamente à tuba uterina. Diagnóstico: ❖ Avaliação clínica + US + doppler colorido + marcadores tumorais. Podem ser utilizados outros exames de imagem. ❖ Os marcadores tumorais não devem ser utilizados de forma isolada. Eles precisam ser utilizados em conjunto com outros métodos diagnósticos. ❖ Não há um método para fazer triagem de pacientes com câncer de ovário, para que ele seja diagnosticado de forma mais precoce. Classificação: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 30 ❖ Origem histogenética: OMS. Classificação de onde veio a neoplasia. Pode vir do epitélio de revestimento, do estroma ovariano, da célula germinativa, metástase etc. ❖ Aspecto funcional: ovários funcionantes ou não funcionantes. • Funcionante: aquela que produz hormônios. • Não funcionantes: não produz hormônios. • Isso pode nos auxiliar na clinica que a paciente vai apresentar. ❖ Comportamento biológico: benigno, borderline ou maligno. A neoplasia borderline pode se manifestar das duas formas ao longo dos anos. Tumores de Epitélio de Revest imento: ❖ Epitélio do tipo celômico: possui capacidade de se diferenciar em diferentes tipos de epitélio. ❖ Seroso: constituído pela proliferação de células colunares, muitas vezes ciliadas, que possuem capacidade de produzir um material seroso (líquido). ❖ Mucinoso: produz mucina (parece uma gelatina). ❖ Endometrioide: parece o tumor de endométrio. ❖ Os tumores podem ser benignos, borderline ou malignos. ❖ Tumores malignos possuem maior chance de serem bilaterais. • Maligno tipo1: baixo grau. Evolui de forma mais indolente. Se associam a alterações em oncogenes, como KRAS e BRAF. • Maligno tipo 2: alto grau. São neoplasias mais agressivas. Se associam a mutações em genes supressores de tumor, como o p53. ❖ Tumores borderline possuem comportamento incerto. Eles podem evoluir para tumores malignos, sobretudo tumores malignos tipo 1 (baixo grau). ❖ A seta cheia aponta para o epitélio de superfície ou de revestimento, que pode sofrer diferenciação serosa, mucinosa ou endometrioide. ❖ A seta pontilhada aponta para o estroma. ❖ Quando surge o tumor na superfície, ele pode crescer apenas para fora do ovário ou crescer e invadir o estroma do ovário. Se o tumor invadir o estroma ovariano, temos maior chance de metástase, pois há vasos sanguíneos no estroma ovariano. ❖ O critério histológico mais importante para saber se ele é maligno é a invasão do estroma. Tumores Serosos: ❖ Surge a partir do epitélio celômico, que se diferencia em um epitélio colunar ciliado (igual ao da tuba uterina). ❖ A maioria é benigna. ❖ Podem ser completamente císticos ou podem apresentar áreas sólidas. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 31 ❖ À medida que os tumores vão se tornando mais agressivos, começamos a ver mais áreas sólidas na histologia do tumor. ❖ Podem ser bilaterais em 20 a 60% dos casos. ❖ Marcador: Ca 125. Deve ser avaliado sempre em associação a outros critérios. ❖ Produção de substância serosa, fluida, líquida. Macroscopia: ❖ Cistoadenoma Seroso: as duas figuras superiores nos mostram lesões ovarianas. A figura da direita está aberta e é possível observar que é uma lesão cística, de paredes finas. A seta aponta para um líquido amarelo claro (líquido seroso). A lesão cística, com parede fina e sem irregularidades nos faz pensar em um tumor benigno. ❖ Cistoadenocarcinoma Seroso: lesão sólida na esquerda e lesão mista na direita. Isso nos dá a dica de que a lesão, pelos menos, deve ser borderline ou maligna. ❖ A célula serosa é colunar (alta), ciliada, com citoplasma róseo e núcleo posicionado no centro da célula. Onde encontramos as células, é a parte do revestimento da lesão. A parte apontada com a seta pontilhada representa o estroma ovariano. ❖ Camada única de células epiteliais revestindo uma estrutura cística (a parte cística, cavitada da lesão, está acima do revestimento, é a parte branca). ❖ Não temos papilas nem invasão do estroma, logo é um tumor benigno (cistoadenoma seroso). ❖ Os tumores benignos podem até ter papilas, mas são papilas simples (pequenas projeções, igual a um dedo de luva). ❖ Os tumores borderline e malignos possuem papilas complexas, como se formassem árvores para dentro das lesões. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 32 ❖ Existem papilas (projeções que se projetam para dentro da área cística). ❖ A seta pontilhada azul aponta o estroma. ❖ É possível analisar várias projeções, que são papilas complexas, ramificadas, revestidas por várias camadas de células. ❖ Ainda não há invasão do estroma(não há estrutura de revestimento dentro do estroma). Logo, isso é um tumor seroso borderline do ovário. ❖ Na figura direita superior, temos a presença de papilas complexas e de várias camadas de células revestindo as papilas complexas, como apontado pela seta vermelha. ❖ Na figura inferior, temos papilas complexas apontadas em vermelho e estruturas semelhantes a essas papilas dentro do estroma, apontadas pela seta azul pontilhada, o que caracteriza invasão do estroma. ❖ Na figura da esquerda, a seta pontilhada em azul nos mostra células epiteliais que caracterizam as papilas, dentro do estroma. As setas laranjas apontam focos de calcificação, corpos psamomatosos, calcificações mais arredondadas. Tumores serosos malignos frequentemente apresentam esses corpos. Isso é um cistoadenocarcinoma seroso de ovário. Tumores Mucinosos: ❖ São constituídos pelo epitélio celômico, que se diferenciou em epitélio colunar mucossecretor. ❖ Maioria benigna. ❖ Podem ser císticos ou começar a apresentar áreas sólidas. ❖ Podem formar massas que podem ficar muito pesadas. ❖ Podem ser bilaterais em 10 a 15% dos casos. ❖ Câncer com prognóstico melhor que o carcinoma seroso. M de Melhor, M de Mucinoso. ❖ Pseudomixoma peritoneal: esses tumores mucinosos podem romper e espalhar muco na região abdominal da paciente, causando ascite mucinosa, que é chamada de pseudomixoma peritoneal. Outros tumores da região abdominal que produzem esse muco podem causar pseudomixoma peritoneal, como o carcinoma do apêndice. ❖ Marcador: Ca 19-9. Macroscopia: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 33 ❖ A seta laranja aponta uma lesão ovariana. A seta verde aponta o útero, existe uma grande diferença de tamanho entre o ovário e o útero. ❖ Superfície brilhante, pois é preenchida por um material mucinoso. Áreas sólidas (brancacentas). ❖ Quando já começamos a ver áreas sólidas, é uma pista de que a lesão já pode ser borderline ou maligna. Microscopia: ❖ Figura à esquerda: a seta pontilhada azul aponta o estroma ovariano. A seta vermelha aponta as células que revestem a lesão. A parte superior é a parte cavitada da lesão, cheia de muco. Lesão cística. Células colunares, com citoplasma claro, já que são produtoras de muco. Núcleo empurrado para baixo (mais basal). Não há papilas complexas, nem invasão do estroma. Cistoadenoma mucinoso. ❖ Figura à direita: a seta pontilhada azul aponta a região do estroma, evidenciando um vaso sanguíneo. Quando há invasão do estroma, a célula fica muito perto dos vasos, podendo gerar metástases, por isso, se há invasão do estroma, é uma lesão maligna. As setas vermelhas apontam células que estão revestindo papilas. Essas papilas são recobertas por várias camadas de células e em algumas dela podemos perceber citoplasma claro, que nos indica que é uma célula produtora de muco. Presença de papilas complexas, pois elas estão revestidas por várias camadas de células. Não temos invasão de estroma, logo é um tumor mucinoso borderline do ovário. Tumores Endometrioides: ❖ Dá origem a uma lesão com características endometrioides, que lembram as glândulas tubulares características do endométrio. ❖ Histologicamente, os tumores são semelhantes às glândulas do endométrio. ❖ São mais frequentemente malignos. São a exceção em relação aos outros tumores. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 34 ❖ Podem surgir no contexto da endometriose. Pacientes com endometriose no ovário possuem fator de risco para um carcinoma endometrioide do ovário. Tumores Derivados dos Cordões Sexuais ou do Estroma Ovariano: ❖ Geralmente, quase todos são funcionantes (hormonalmente ativos). Isso influencia na clínica esperada para a paciente. ❖ Provocam quadros de alterações sexuais secundárias: • Produção de estrógenos: feminilizantes. • Produção de andrógenos: virilizantes. ❖ São mais frequentes na idade adulta (40% na pós-menopausa). ❖ Marcador: α-inibina. ❖ Podem ocorrer em crianças, mas são mais comuns em adultos. Tumor de Células da Granulosa e Tecoma: ❖ Tumores produtores de estrógeno. Se aparecer na fase adulta, teremos uma paciente com alta produção de estrógeno sem contraposição com progesterona. Isso gera espessamento do endométrio, hiperplasia ou até mesmo carcinoma de endométrio. ❖ Mais comum na perimenopausa. ❖ Se as lesões aparecerem em crianças, elas podem apresentar puberdade precoce. ❖ A maioria das lesões são benignas (75 a 95%). ❖ Pleomorfismos nuclear, mitoses atípicas, necrose, recorrência pelvico-abdominal, metástases: indicam que a lesão pode ser maligna. Macroscopia: ❖ Tumor volumoso, sólido, amarelado, com dimensões variáveis. Esse tumor possui elevada produção de estrógeno, que surge a partir do colesterol, por isso ele fica amarelado. Microscopia: ❖ Proliferação de células com núcleo ovalado, que muitas vezes possui uma fenda no meio, o que gera aspecto de grão de café. Essas células se organizam formando arranjos arredondados que lembram folículos, chamados de corpúsculos de Call- Exner. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 35 ❖ Proliferação de células alongadas, que se dispõem formando feixes. ❖ A imagem negativa no citoplasma representa gotículas lipídicas que se acumulam no citoplasma das células. Isso se justifica pela elevada produção de estrógeno, que é originado do colesterol. Tumor de Células Germinat ivas: ❖ Pode dar origem a uma série de tumores. ❖ Preferem crianças: quanto mais jovem a criança, maior a chance de malignidade do tumor germinativo. ❖ A célula germinativa neoplásica pode seguir qualquer linhagem de diferenciação, originando tumores variados e os mais diversos tecidos. ❖ O mais comum: teratoma. Produz tecidos derivados dos 3 folhetos embrionários. ❖ Marcador tumoral: alfa-fetoproteína (pode estar presente nos tumores malignos, principalmente teratomas). ❖ O critério de malignidade é o grau de diferenciação dos tecidos. Se encontramos apenas tecidos maduros (semelhantes ao que veríamos na fase adulta), a lesão será benigna. Se encontrarmos tecidos imaturos, que seriam encontrados em tecidos embrionários, o tumor será maligno. Macroscopia: ❖ Lesões císticas, que foram abertas. Encontramos pelos e sebo, o que demonstra a diferenciação em diferentes tecidos. ❖ Para termos certeza se é maduro ou imaturo, devemos ver a histologia das lesões. Não adianta ter dentes e cabelos, para saber se é maduro ou imaturo, devemos olhar a microscopia. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 36 Microscopia: ❖ Epitélio escamoso, produção de ceratina, folículos pilosos, glândulas sebáceas, colágeno, glândula do tipo intestinal, tecido nervoso central, cartilagem, tecido adiposo etc. ❖ A seta vermelha aponta para folículos tireoideanos, que podem ser funcionantes. Isso pode gerar um excesso de produção de hormônio tireoideano. Esse tumor pode ser chamado de Struma Ovarii. Tumores Metastát icos: ❖ Minoria dos tumores ovarianos, mas podem afetar até 30% das mulheres com câncer terminal. ❖ Origem mais frequente: mama, estomago, colon, pancres, vias biliares e útero. Linfomas também podem acometer os ovários. ❖ O grupo mais importante que pode gerar metástase é o dos tumores do tubo digestivo, principalmente estomago e cólon. ❖ Aspecto constituído por células em anel de sinete. A metástase de um tumor de tubo digestivo no ovário é chamada de Tumor de Krukenberg. ❖ Comprometimento dos dois ovários por massas tumorais. ❖ O tumor de Krukenberg é frequentemente bilateral. ❖ Ovário com áreas brancacentas, nem todas bem delimitadas. Essas áreas brancacentas são as áreas de metástase. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 37 ❖ Células em anel de sinete. São célulasovaladas, arredondadas, em que o núcleo é empurrado para a periferia. ❖ Resposta correta: D. Ainda não existem métodos de rastreio que sejam benéficos na redução da mortalidade das neoplasias ovarianas. Patologia das Mamas Anatomia: ❖ Sistema de ductos que se ramificam a partir do mamilo. ❖ Na região mais próxima ao mamilo, temos o ducto coletor e na porção mais distante, temos os ductos terminais. ❖ A partir do ducto terminal, surgem alguns dúctulos. O conjunto do ducto terminal com seus dúctulos correspondentes recebe o nome de unidade terminal ductolobular ou lóbulo mamário. ❖ O tecido que preenche o espaço entre esse sistema de ductos é chamado de tecido fibroadiposo da mama. Histologia de um Lóbulo Mamário: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 38 ❖ A seta cheia aponta a região de ducto terminal. ❖ O círculo delimita a região correspondente aos dúctulos. ❖ A seta pontilhada aponta o tecido fibroadiposo. ❖ A área rósea representa a área mais fibrosa e a área de imagem negativa corresponde às áreas com mais tecido adiposo. ❖ As figuras inferiores nos mostram um corte transversal de um ducto ou de um dúctulo mamário. • Presença de duas camadas de células. • As células que ficam em contato com o lúmen do ducto são chamadas de células epiteliais ou luminais. São células cuboidais ou colunares. • As células que ficam na base do ducto são células mais alongadas, chamadas de células mioepiteliais. Elas possuem função de contração da mama dessa paciente. • A linha avermelhada representa a lâmina basal do ducto. • Representado em vermelho, temos as células progenitoras, que dão origem às outras células desse ducto. Porém, elas não conseguem ser diferenciadas das outras células na histologia normal. ❖ A imagem inferior direita representa um ducto ou dúctulo cortado transversalmente. Podemos ver células volumosas em contato com o lúmen, chamadas de células epiteliais. As células que ficam na base são chamadas de células mioepiteliais e possuem núcleo um pouco mais corado. ❖ O nível do corte nos dá a impressão de que é um epitélio estratificado, mas é uma falsa impressão. ❖ Hiperplasia epitelial na mama: aumento do número de células e do número de camadas de células epiteliais. Manifestações Clínicas: Mais Comuns: 1. Dor mamária (mastalgia): ❖ Devemos diferenciar se essa dor é relativa a um processo na mama ou na pele, músculo e costelas. ❖ Devemos saber se ela possui relação com o ciclo menstrual, já que as pacientes podem sentir algum desconforto nos dias que antecedem a menstruação. ❖ Se for uma dor acíclica, essa dor pode indicar mastites (lesões inflamatórias). • Mastite aguda de lactação: ocorre especialmente no inicio do processo de lactação, pois o bebe ainda é muito pequeno e, por isso, mama várias vezes. Esses traumas frequentes provocam fissuras no mamilo da paciente, que podem servir de porta de entrada para bactérias, como Staphylococcus aureus e alguns tipos de Streptococcus. • Abcesso subareolar: não estão ligados à amamentação. O principal fator de risco é o tabagismo. Os produtos tóxicos do tabaco podem ser agressivos ao epitélio mamário, levando a uma metaplasia escamosa no ducto mamário. O epitélio que reveste o ducto mamário normalmente é colunar ou cuboidal. Frente a um agente agressor, ele se transforma em epitélio escamoso (sofre metaplasia escamosa). O epitélio escamoso é distribuído em várias camadas e produz queratina, logo ele obstrui os ductos mamários. Isso impede a drenagem adequada de secreções, que pode se associar ao aparecimento de infecções. Essas infecções podem gerar abcessos subareolares, que podem se fistulizar, abrindo-se na pele da mama da paciente. ❖ A manifestação de câncer com dor mamária não é recorrente (1% ou menos). Isso ocorre porque para ele se manifestar com dor mamária, já tem que estar muito desenvolvido. É mais comum que o diagnóstico seja feito antes da fase de dor. 2. Massa Palpável ou Nodularidade: ❖ Devemos diferenciar nódulos palpáveis e áreas mais densas na região da mama dessa paciente (maior concentração de parênquima). Se for um nódulo, existe a possibilidade de ser câncer em 20% dos casos. ❖ Quanto maior for a idade da paciente, maior é a chance de ser uma lesão maligna. ❖ Devemos avaliar as características do nódulo: é bem delimitado? Aderido a planos profundos? Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 39 3. Descarga Mamilar: ❖ Saída de secreção pelo mamilo. Pode ser de diversas formas. ❖ Ex: secreção láctea (pode ser aleitamento ou manifestação de um tumor de hipófise produtor de prolactina), secreções associadas a cistos (podem ser amareladas, opacas ou amarelo-esverdeadas). ❖ Em cerca de 5% dos casos, a descarga mamilar pode ser câncer. A que mais preocupa é a unilateral, uniductal, espontânea (sem estímulo da mama), com aspecto em água de rocha (secreção cristalina, transparente). Depois, vem a secreção com aspecto de água de carne (sanguinolenta). ❖ A principal causa de descarga mamilar sanguinolenta é o papiloma ductal, que é uma lesão benigna, a qual se desenvolve no interior dos ductos mamários (é muito vascularizada e se desenvolve nos ductos proximais ao mamilo). Quando essa lesão for traumatizada, ela sangra. ❖ A segunda principal causa de descarga mamilar sanguinolenta é o câncer de mama. Propedêutica: ❖ Mamografia: permite a detecção precoce de vários tipos de lesões mamárias. • Porém, ela possui uma limitação: nas pacientes que possuem mamas muitos densas, a mamografia pode não conseguir evidenciar as lesões. Por isso, ela é utilizada em pacientes acima de 40 anos de idade, pois é quando a mama se torna menos densa. ❖ Ultrassonografia: utilizada em mamas densas, como nas pacientes jovens. ❖ Ressonância magnética nuclear: exame de maior custo e não costuma ser utilizado rotineiramente. É utilizado para pesquisa de ruptura de próteses e para a detecção de carcinomas mamários ocultos. Biópsia da Mama: ❖ Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): • Esse exame não nos fornece a histologia da mama, pois o lúmen da agulha é muito pequeno. • A agulha colhe células, logo realiza um exame citológico. • Usada em casos de lesões císticas, para esvaziar a lesão e para estudar o conteúdo da lesão • Pode ser utilizada em pacientes que possuem lesões suspeitas de serem benignas e a paciente não possui acesso a uma core biopsy (agulha grossa). ❖ Core Biopsy (agulha grossa): • Conseguimos pegar fragmentos filiformes da lesão, logo conseguimos ver a histologia. • Ela pode ser realizada em ambiente ambulatorial (não precisa de ir para o bloco cirúrgico). • Quando uma core biopsy é positiva para malignidade, podemos confiar. • Podemos aproveitar o material coletado nesse exame para fazer exame imunohistoquímico. • Limitação: nos casos em que a paciente possui manifestações clínicas indicativas de malignidade e exames de imagem também indicativos de malignidade, mas a core biopsy veio negativa, pode ser que esse seja um caso de falso negativo. ❖ Mamotomia (biópsia a vácuo): • Utiliza-se uma agulha ainda maior que a utilizada para a core biopsy. • Ela é indicada em casos de lesões não palpáveis e é feita guiada por ultrassom. • Fragmentos cilíndricos de tecido. • Temos a possibilidade de retirar completamente a lesão mamária da paciente. • É um exame mais caro. ❖ Biópsia Excisional: retirar completamente a lesão mamária por meio de uma cirurgia aberta. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 40 ❖ As lesões benignas não neoplásicas são as mais comuns. Lesões Epiteliais Benignas Não Neoplásicas e Não Proli ferat ivas: Alterações Fibrocísticas da Mama: ❖ Ocorrem especialmente em pacientes entre 30 a 45 anos de idade. Patogênese: ❖ Desequilíbrio que ocorre na resposta ao estímulo hormonal cíclico (ciclomenstrual). ❖ Algumas diferentes áreas da mama podem responder de maneiras diferentes ao estímulo hormonal que ocorre a cada ciclo menstrual. ❖ Em algumas áreas, pode ocorrer a formação de cistos, que podem se romper e gerar reação inflamatória. ❖ A reação inflamatória crônica pode levar ao aparecimento de fibrose. Clínica: ❖ Massa palpável; ❖ Descarga mamilar (se o cisto tiver alguma ligação com o ducto principal), de aspecto opaco ou com aspecto multicolorido. Importância Prática: ❖ Essas alterações podem levar ao aparecimento de uma massa palpável, mas a lesão não é maligna e não possui risco de evolução para malignidade. Macroscopia: ❖ Presença de estruturas císticas arredondadas. ❖ A área mais amarelada representa o tecido adiposo normal da mama e a área mais brancacenta representa a área de fibrose. Microscopia: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 41 ❖ As estruturas cavitadas são os cistos. ❖ Alguns desses cistos podem ser revestidos por células epiteliais mais globosas e com citoplasma mais róseo. Isso é chamado de metaplasia apócrina. ❖ A área mais rósea que preenche o espaço que existe entre os cistos é a área de fibrose do estroma mamário. Lesões Benignas Não Neoplásicas e Proli ferat ivas: Hiperplasias Epiteliais: ❖ Aumento do número de células. ❖ Em um ducto normal, devemos ter 2 camadas de células (epiteliais e mioepiteliais). Apenas uma camada epitelial. ❖ Logo, em uma hiperplasia de células epiteliais, temos 2 ou mais camadas de células epiteliais. Importância Clínica: ❖ Alguns tipos de hiperplasias epiteliais são fatores de risco para o desenvolvimento de câncer, por exemplo as hiperplasias epiteliais atípicas. ❖ A hiperplasia epitelial atípica possui chance 5 a 11x maior de desenvolver câncer do que a população geral, sobretudo em pacientes que possuem história familiar de câncer de mama. Diagnóstico: histopatológico, ou seja, devemos ter a histologia. ❖ Pacientes com hiperplasia epitelial podem apresentar alterações mamográficas, como microcalcificações. Assim, deve ser feita uma biópsia. Lesões Benignas Neoplásicas da Mama: Fibroadenoma: ❖ Tumor benigno mais comum da mama. ❖ Ocorre, principalmente, entre os 20 e os 35 anos de idade. Patogênese: ❖ Relação hormonal. ❖ Durante a gravidez, ele aumenta de volume. ❖ Na menopausa, ele reduz de volume. ❖ Risco pequeno de evolução para câncer de mama. ❖ A evolução para câncer de mama ocorre, especialmente, em fibroadenomas complexos: possuem cistos com mais de 3mm dentro da lesão. Nesses casos, existe uma chance pequena de evolução para câncer de mama: 1,5x maior que a chance da população geral. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 42 Microscopia: ❖ Área de tecido normal fazendo transição com o fibroadenoma. ❖ A transição é marcada por uma fina capsula fibrosa. O fibroadenoma é uma lesão encapsulada e bem delimitada. ❖ A região de fibroadenoma possui estruturas que possuem lúmen, que são os ductos de diferentes formatos, revestido por células sem atipias. ❖ Entre os ductos, temos uma área de tecido róseo, que representa a área de fibrose da lesão. Macroscopia: ❖ Lesão nodular bem delimitada, sólida. ❖ Presença de pequenas aberturas, que são fendas, as quais representam os ductos (apontada pela seta vermelha). Tumor Phyllodes: ❖ Semelhante ao fibroadenoma, mas pode ser benigno, localmente agressivo (invasão de estruturas locais) ou maligno (em até 20% dos casos). ❖ Indicações que o tumor pode ser maligno: tumor grande (>4cm), com margens irregulares, com atipias celulares no estroma, áreas de necrose e muitas figuras de mitose. ❖ O tumor Phyllodes cresce mais rápido que o fibroadenoma e atinge regiões maiores que o firoadenoma. ❖ Mais comum em pacientes a partir dos 50 anos. Macroscopia: ❖ Lesão sólida, que pode se apresentar com fendas. Microscopia: ❖ Lesão que prolifera ductos e estroma. ❖ O estroma é muito mais celular, mais fibroblástico, do que o estroma do fibroadenoma. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 43 Câncer de Mama: DETECÇÃO: suspeitas de câncer de mama. ❖ Queixas clínicas/alterações no exame físico: • Palpação de um nódulo; • Queixa de descarga mamilar (unilateral, uniductal, espontânea e com aspecto em água de rocha ou aspecto sanguinolento); • Alterações na pele (retrações, abaulamentos, inversão do mamilo). ❖ Anormalidades mamográficas: a mamografia é considerada suspeita, a partir da categoria 4 na escala BI-RADS. • 4: 30% de chance. • 5: 95% ou mais de chance de ser maligna. ❖ Achado incidental: pacientes que retiram fragmentos de mama porque fizeram mamoplastia. ❖ Investigação de derrames mamilares: coleta do líquido e análise citológica. ❖ Metástases: pacientes descobrem o câncer de mama, devido a metástases que aconteceram em outro lugar. FATORES DE RISCO: ❖ Idade: ocorrem principalmente em pacientes com mais de 50 anos. ❖ História familiar: cerca de 1/3 possuem um ou mais parentes de 1° grau com a doença. Isso não quer dizer que o câncer é hereditário. ❖ Fatores genéticos (5 a 10%): para ser considerado hereditário, a paciente deve ter mutação em um dos genes BRCA1 ou BRCA2 (são genes supressores de tumor, que controlam a proliferação celular e a apoptose das células). • Pacientes com mutação no BRCA1 ou BRAC2 possuem 85% de chances de desenvolver câncer de mama durante a vida. • Nesses casos, a paciente pode desenvolver câncer em uma faixa etária mais precoce da vida (<45 anos), o câncer pode ser bilateral e as lesões são mais resistentes aos quimioterápicos. • Minoria dos casos de câncer de mama. ❖ Algumas doenças mamárias prévias: • Hiperplasias epiteliais atípicas (5 a 11x mais chances do que a população geral). Se ela tiver história familiar positiva, a chance é maior. • Pacientes que já tiveram um carcinoma mamário. ❖ Fatores hormonais (estímulo estrogênico prolongado): esse estímulo pode ser endógeno ou exógeno. • Endógenos: pacientes com menarca precoce, menopausa tardia, nulíparas, pacientes obesas (conversão periférica). • Exógenos: pacientes em uso de ACO (controverso), pacientes que realizam terapia de reposição hormonal, principalmente se ocorre há mais de 5 anos e se a reposição for realizada com estrógeno + progesterona (não se sabe o porquê). ❖ Fatores ambientais: uso de álcool e sedentarismo. CLASSIFICAÇÃO HISTOPATOLÓGICA: ❖ Carcinoma ‘in situ’: ainda não ultrapassou a membrana basal. Pode ser ductal ou lobular. ❖ Carcinoma invasor: já ultrapassou a membrana basal. Logo, a chance de causar metástases é maior. Pode ser ductal, lobular ou outros tipos. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 44 Carcinoma in situ: DUCTAL (CARCINOMA INTRADUCTAL): ❖ A frequência dele aumentou nos últimos anos, porque o rastreamento está funcionando de uma maneira melhor. O diagnóstico está sendo feito antes que ela se torne invasora. Graduação Histológica: ❖ A quantidade de atipias nas células e a existência de necrose determinam o grau. ❖ Baixo grau (G1): baixa probabilidade de evoluir para carcinoma invasor. Não enxergamos necrose e há poucas atipias celulares. ❖ Grau intermediário (G2): necrose focal (esparsa) e atipias celulares em pequena quantidade. Probabilidade intermediária de evoluir para carcinoma microinvasor. ❖ Alto grau (G3): Comedocarcinoma. Necrose presente de forma extensa e atipias nucleares acentuadas. Alta probabilidade de evoluir para carcinoma microinvasor. ❖ Na mamografia, eles se apresentam como microcalcificações agrupadas. Essas microcalcificações são alterações suspeitas de carcinoma (não são patognomônicas). ❖ Lesões benignas também podem se associar a microcalcificações agrupadas. Mamografia: ❖ O fio guia aponta para uma área onde encontramosmicrocalcificações agrupadas. ❖ Lesão SUSPEITA de câncer de mama. Biópsia: ❖ Histologia de um único ducto. ❖ Várias camadas de células (deveríamos encontrar apenas 2). ❖ O material róseo apontado pela seta indica necrose extensa dentro do ducto. ❖ Outra alteração que poderia ser vista é a presença das microcalcificações (roxeadas), mas não estão presentes na imagem ao lado. Carcinoma Invasor: DUCTAL: ❖ O ductal é mais frequente: 50 a 75% dos carcinomas invasores. ❖ É mais agressivo que o lobular e que a maioria dos outros subtipos de câncer de mama. ❖ Sobrevida em 5 anos é em torno de 60%. ❖ Pior prognóstico. LOBULAR: ❖ 10% dos carcinomas invasores. ❖ Sobrevida em 10 anos é de 90 a 90%. ❖ Mais frequentemente bilaterais e multifocais e taxa elevada de recidiva sistêmica tardia. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 45 ❖ Perda de expressão da E-caderina: o carcinoma ductal tende a formar túbulos que se assemelham aos dutos mamários, mas o carcinoma lobular não costuma formar esses túbulos. Isso ocorre, pois, no carcinoma lobular, há a perda da expressão de uma proteína responsável pela coesão celular, chamada de E-caderina. Para formar túbulos, é necessário que haja coesão celular. Assim, frequentemente ele se apresenta com aspecto de fila indiana (células enfileiradas). Mamografia: ❖ A área neoplásica está representada pelo círculo. Nódulo com limites mal definidos. ❖ Na macroscopia, podemos ver a lesão apontada pela seta. É uma lesão mal delimitada, espiculada. Microscopia: ❖ Imagem esquerda: o carcinoma ductal invasor se apresenta com células epiteliais que se organizam formando túbulos, os quais estão infiltrando o estroma (área rosa) e são revestidos por células atípicas. ❖ Imagem direita: o carcinoma lobular invasor não forma túbulos. Ele forma fileiras de células, que geralmente são pequenas, com poucas atipias, poucas figuras de mitose, células semelhantes. Arranjo de infiltração em fila indiana. Carcinoma Inflamatório: ❖ Forma rara, porém grave de manifestação clínica de um câncer de mama. ❖ Pode aparecer em qualquer tipo histológico de câncer de mama. ❖ O tumor produz sinais que se assemelham aos sinais de inflamação: a mama se torna mais volumosa, mais avermelhada e a pele adquire um aspecto irregular, que lembra o aspecto de uma casca de laranja. Patogênese: ❖ Os vasos linfáticos estão embolizados de forma maciça por células neoplásicas, impedindo que a drenagem linfática ocorra de forma adequada. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 46 ❖ Se fizermos uma biópsia, pode ser qualquer tipo histológico. Disseminação do Carcinoma Mamário Microinvasor: ❖ Invasão local (músculos e costelas). ❖ Disseminação linfática (disseminação para linfonodos axilares). ❖ Metástase por via hematogênica (pulmão, fígado, osso, adrenais, SNC etc). • Carcinomas lobulares ‘gostam’ de dar metástase para cavidades serosas, como peritônio e pleura. Gostam também de TGI e meninges. Fatores Prognósticos e Preditivos: ❖ Metástases em linfonodos: devemos avaliar se houve metástase para linfonodos e o número de linfonodos acometidos. Fator prognóstico mais importante. ❖ Tamanho do tumor: tumores maiores que 3cm possuem prognóstico pior. ❖ Subtipo histológico: carcinoma ductal costuma ter um prognóstico pior. ❖ Grau histológico do tumor: tumores pouco diferenciados possuem pior prognóstico. Pouco diferenciados, Pior prognóstico. O grau de diferenciação é dado pelo índice prognóstico de Nottingham. ❖ Avaliação imuno-histoquímica: presença de receptores hormonais e presença de HER2/neu. ❖ Índice proliferativo: quanto maior, pior o prognóstico. ❖ Invasão linfática e sanguínea, angiogênese e linfangiogênese. Fatores Preditivos de Resposta Terapêutica: ❖ Alguns marcadores avaliados no tumor da paciente podem se associar a uma boa resposta ou a uma falta de resposta a uma determinada terapia. Dependendo do perfil imunohistoquimico que a paciente expressar, ela pode ser uma melhor ou pior candidata a um tipo de tratamento. • Receptores hormonais (receptor de estrógeno ou de progesterona). • Análise da hiperexpressão de um oncogene chamado de Her2/neu. ❖ Pacientes que apresentam tumores com ampla expressão de receptores hormonais são boas candidatas ao tratamento hormonal, como por exemplo pelo Tamoxifeno. Geralmente, essas pacientes possuem tumores menos agressivos. ❖ Pacientes que possuem hiperexpressão do HER2/neu possuem resistência à hormonioterapia e possuem um tumor mais agressivo, que tende a ter um pior prognóstico. Avaliação da Lâmina Imunohistoquímica: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 47 ❖ A lâmina deve ter um fragmento de tecido, obtido por uma biópsia. O fundo da lâmina aparece azulado. Se o antígeno que estivermos pesquisando estiver positivo, a coloração é amarronzada. ❖ Na segunda imagem, a coloração amarronzada, positiva para a presença de HER2/neu. Isso quer dizer que o tumor possui hiperexpressão do HER2/neu. Esse tumor não responde bem à hormonioterapia, mas ela pode ser tratada com o Trastuzumabe, também conhecido como Hrceptin. ❖ A paciente pode possuir positividade para receptores estrogênicos e negatividade para receptores progesterônicos. Ela ainda é candidata ao uso de Tamoxifeno, mas a resposta é pior do que quem tem os dois positivos. ❖ Paciente com células negativas para os receptores de estrógeno e progesterona e HER2/neu são pacientes com tumor triplo-negativo. Nesse caso, a paciente tende a ter tumores mais agressivos, com pior prognóstico. • Pacientes mais jovens que possuem tumores muito agressivos estão associadas ao perf il imunohistoquimico do tumor. Os triplo-negativos são mais comuns nas pacientes mais jovens e nas pacientes que possuem mutação no BRCA1 e BRCA2. ❖ Resposta correta: A. Pode ser um falso negativo, se a paciente possuir clínica de câncer, exame de imagem de câncer, mas core biopsy negativa. Patologia da Placenta e da Gestação Fertilização: ❖ A fertilização ocorre na porção distal da tuba uterina, na ampola. ❖ A partir do momento que o ovo é formado, a divisão celular se inicia. ❖ Ao mesmo tempo que o ovo caminha pela tuba uterina, as células vão se multiplicando. ❖ Por volta do 5° dia após a fecundação, o ovo chega à cavidade uterina e ocorre o processo de nidação. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 48 ❖ A fase embriológica em que ocorre a nidação é chamada de blastocisto. ❖ Blastocisto: composto por um compacto de células chamado de embrioblasto. O embrioblasto dará origem ao indivíduo no futuro. A blastocele é uma porção cavitada. Em volta do blastocele, temos uma camada de células chamada de trofoblasto, que, no futuro, dará origem à placenta. Aspectos da Normalidade da Placenta: ❖ A placenta é um órgão ovalado ou discoide, que, quando a termo, possui peso entre 430 a 650g. ❖ Em geral, espera-se que fetos pequenos tenham placentas pequenas e fetos grandes ou inchados (hidrópicos) tenham placentas grandes. ❖ A placenta possui um cordão umbilical, que é discretamente excêntrico. ❖ A placenta é composta por duas faces: a face apontada pela seta cheia é chamada de face materna e fica voltada para a mãe. A face apontada com a seta pontilhada é chamada de face fetal. Dependendo do olhar que temos para essa placenta em termos de face, encontramos diferentes aspectos microscópicos. Face materna: • Superfície de aspecto esponjoso, lobulado (lobos placentários, parecem estruturas nodulares), que possui coloração avermelhada e textura esponjosa. • É a face que fica inserida na parede do útero e que fica voltada para a mãe. Face fetal: • Constituída por membranas. • A membrana mais próxima ao feto é chamada de âmnio e a que vem logo abaixo dela é chamada de cório. • Normalmente, essas membranas precisamser lisas, finas, transparentes e brilhantes. • Ainda na face fetal, podemos identificar a presença do cordão umbilical, que é uma estrutura inserida discretamente deslocada do centro da placenta. Possui cerca de 1cm de diâmetro e 50 a 60cm de comprimento. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 49 • O normal é encontrar 3 vasos dentro do cordão: 2 artérias e 1 veia. Podemos ter placentas com cordão umbilical longo, que pode enrolar no pescoço do bebê. Podemos ter também cordão umbilical curto, que pode limitar a movimentação do bebê ou tracionar a placenta no útero, à medida que o bebê se movimenta. • Também pode ocorrer artéria umbilical única: isso não necessariamente significa que haverá alguma anormalidade, porém essa é uma condição que está mais presente em algumas patologias, como anomalias cromossômicas. • Esses vasos estão envoltos por um material brancacento gelatinoso, chamado de geleia de Wharton. ❖ Na face materna, encontramos o endométrio modificado, chamado de decídua. A decídua é importante, porque contém camadas de fibrina, o que permite uma clivagem entre a placenta e o útero da paciente. ❖ Quando o bebê nasce, a placenta se descola sem muita dif iculdade no pós-parto imediato, e isso é chamado de dequitação. ❖ Assim que a placenta sai, o útero contrai. Quando ele contrai, os vasos da parede ficam comprimidos, o que evita que a paciente tenha hemorragia pós-parto. ❖ A decídua permite que a placenta se solte sem muita dificuldade depois que o bebê nasce. ❖ Entre a decídua (camada marrom fina na imagem acima) e as membranas da face fetal, existe o parênquima placentário propriamente dito. Nele, encontramos estruturas chamadas de vilosidades coriônicas, representadas como se fossem galhos de árvore invertidos. ❖ Face fetal: membranas finas, lisas, transparentes e brilhantes (conseguimos ver as vilosidades coriônicas). ❖ Face materna: coloração avermelhada, textura esponjosa, como se tivessem nódulos (chamados lobos placentários). Circulação Placentária: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 50 ❖ A figura superior à esquerda possui uma seta cheia apontando a decídua e uma seta pontilhada apontando a face fetal. ❖ Revestindo a face fetal, temos as duas membranas. Elas não revestem apenas a área da placenta, elas se continuam, formando uma espécie de bolsa, onde fica o líquido amniótico. As membranas se continuam para formar a bolsa que envolve o bebê. ❖ A placenta é um órgão único, que só está presente se houver gestação. Ela serve para que a mãe possa enviar sangue oxigenado e rico em nutrientes para o bebê. A placenta quer que isso ocorra da melhor forma possível. ❖ Na imagem maior, a seta cheia aponta a face materna. A face fetal está apontada pela seta pontilhada. ❖ Todos os vasos que levam sangue em direção à placenta são artérias e todos os vasos que retiram sangue da placenta são veias. ❖ O sangue que sai do bebê e vai para a placenta faz o percurso pelas artérias umbilicais. A artéria é representada em azul, pois o sangue que sai do bebê é pobre em oxigênio e em nutrientes. ❖ As artérias umbilicais levam sangue pobre em oxigênio e nutrientes do bebê para a placenta. Os vasos ganham a região do cório e do parênquima placentário, onde encontramos as vilosidades coriônicas. ❖ Circulado por um círculo branco à esquerda da figura, temos uma estrutura que compõe a vilosidade coriônica. ❖ Vilosidade coriônica: em seu interior, temos vasos (vindo do feto), envolta desses vasos temos tecido conjuntivo (bege) e em volta desse tecido conjuntivo, temos trofoblasto (linha preta). ❖ Entre as vilosidades (espaço vermelho), temos o espaço interviloso. O sangue materno circula nesse espaço. As artérias deciduais, também chamadas de artérias espiraladas, levam sangue da mãe em direção à placenta. Esse sangue vai para o espaço interviloso. É como se as artérias chegassem lá e jorrassem sangue na região, elas banham a região das vilosidades coriônicas, permitindo que ocorra a troca gasosa e de nutrientes entre o sangue fetal e o sangue materno. ❖ Depois que ocorrer as trocas, o sangue volta para o feto por meio da veia umbilical (representado em vermelho, pois está rico em nutrientes e O2). ❖ O sangue que volta pela mãe volta pelas veias deciduais. ❖ Em condições normais, sangue materno e fetal NÃO se misturam, eles estão apenas próximos. Microscopia: ❖ Imagem esquerda: na porção superior, vemos âmnio e cório. Na porção inferior, temos o tecido róseo, constituindo a decídua (face materna). O espaço no meio é o parênquima placentário, que contém as vilosidades coriônicas. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 51 ❖ Na figura superior direita, vemos as vilosidades coriônicas contendo vasos (do feto), células mesenquimais da vilosidade (tecido conjuntivo) e revestindo o tecido conjuntivo, temos o trofoblasto. ❖ O trofoblasto mais interno, constituído por células mais volumosas com núcleo mais claro, é o citotrofobasto. O mais externo é o sinciciotrofoblasto. O principal responsável pela troca de oxigênio e de nutrientes é o sinciciotrofoblasto. ❖ Na figura superior direita, temos também o nó sincicial, estrutura mais hipercorada. É um acúmulo de células do sinciciotrofoblasto. Aparece em placentas normais, mas em algumas situações de hipóxia placentária, podemos ter aumento no número de nós sinciciais. Entre as vilosidades, temos o espaço interviloso, onde circula sangue materno. ❖ A placenta pode nos dar informações muito importantes, quando estudada. Pode dar informações sobre doenças maternas e fetais. O exame da placenta é importante para saber a causa mortis de um feto, para saber porque um bebê teve APGAR baixo, porque teve baixa quantidade de líquido amniótico, porque o feto está hidrópico (inchado) etc. Porém, muitas vezes, não existe estrutura apropriada para que esse exame seja feito. Sangramentos na Gestação: ❖ Devemos saber a idade da paciente e de quanto tempo ela está grávida, pois existem sangramentos que ocorrem na primeira metade da gestação e outros que ocorrem na segunda metade da gestação. ❖ Primeira metade: gravidez ectópica, abortamento e mola hidatiforme. ❖ Segunda metade: placenta prévia e descolamento de placenta. Gravidez Ectópica: ❖ Gravidez que ocorre fora do local habitual, que seria o útero. ❖ Ocorre em 90 a 98% dos casos, na tuba uterina. Outros locais, como ovário, peritônio, região cornual (local onde a tuba se insere na parede uterina), também podem acontecer. ❖ Frequência: 1 a cada 150 gestações. Fatores de risco: ❖ DIP com salpingite crônica: a salpingite pode distorcer a anatomia da tuba uterina, criando áreas de aderências e de semiobstrução da tuba uterina, o que impede que o ovo passe pela tuba. O calibre da tuba não está preparado para o desenvolvimento fetal até que o bebê chegue a termo. A partir da 6ª semana de idade gestacional, a tuba pode se romper, levando a um sangramento volumoso, que em poucas horas pode causar choque na paciente. ❖ Presença de aderências causadas por cicatriz pós-cirurgia ou por endometriose. ❖ Pode ocorrer também em tubas normais. Os autores não sabem explicar muito bem o porquê. Clínica: ❖ Sangramento de primeira metade de gestação. ❖ Dor abdominal, sangue na tuba e choque, se a tuba se romper. Propedêutica: ❖ Dosagem de beta HCG. Em uma gestação normal, é esperado que o beta HCG dobre de valor a cada 48 a 72h. Ou seja, a cada 2 a 3 dias ele dobra. Na gravidez ectópica, o beta HCG também sobe à medida que a gravidez evolui, porém em um ritmo bem menor, então não é esperado que ele dobre a cada 2 a 3 dias. ❖ O ultrassom pode auxiliar, pois consegue ver algumas estruturas alteradas. ❖ Laparoscopia: visão direta dos órgãos pélvicos. ❖ Se a paciente der positivo para beta HCG e tiver feito um ultrassom, em que não foi visto osaco gestacional, isso não quer dizer que é uma gravidez ectópica. O ultrassom pode ter sido feito muito recentemente. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 52 Macroscopia: ❖ O diâmetro normal de uma tuba gira em torno de 0,5cm. Na foto, a tuba está com diâmetro aumentado. A área circulada representa uma área de ruptura da tuba. Mais à direita, vemos dois embriões. Para diagnosticar gravidez ectópica, não é necessário ver o embrião. ❖ Diagnóstico: precisamos ver algo que só existe se houver gestação → placenta → vilosidades coriônicas. Microscopia: ❖ A seta cheia representa sangue. ❖ A seta pontilhada representa epitélio normal da tuba. ❖ O círculo aponta a presença de vilosidades coriônicas na tuba (chave para o diagnóstico de gravidez ectópica). Abortamento: ❖ Perda do concepto antes que ele seja viável. ❖ Inviabilidade: fetos com 500g ou menos e fetos com menos de 20 a 22 semanas de idade gestacional. Esse conceito é um pouco variável. O melhor critério seria a perda do feto antes de 20 a 22 semanas de idade gestacional, pois alguns fetos conseguem ser viáveis abaixo de 500g. ❖ Frequência: 10 a 15% das gestações. Esses dados podem estar subestimados, ocorrendo em 20 a 22% das gestações, por meio de dosagem de beta HCG aleatória da população. Causas: a mais frequente é a causa genética. ❖ Fetais: anomalias cromossômicas, especialmente nos abortos precoces (antes das 12 semanas de idade gestacional). A anomalia cromossômica mais frequente como causa de abortamento é a trissomia do cromossomo 16. ❖ Maternas: presença de leiomiomas volumosos, infecções maternas, síndrome do anticorpo anti- fosfolípide (predispõe à formação de trombos placentários). Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 53 ❖ Figura esquerda: saco gestacional aberto e embrião apontado pela seta. O embrião possui 8 semanas, mas não possui esboço de membros, pavilhão auricular etc (já deveriam estar presentes nessa idade gestacional). ❖ Figura direita: esse feto foi submetido a um exame de cariótipo, que identificou monossomia do X (Síndrome de Turner). Pulmões pequenos para o feto, derrame pleural, estrutura como se fosse uma bolsa (higroma cístico) ao redor do pescoço do feto. Doença Trofoblást ica Gestacional: ❖ Proliferação de vilosidades coriônicas ou de trofoblasto, associada à gravidez. Mola Hidatiforme: ❖ Parcial ou completa. ❖ Pacientes com mola possuem maior risco de evoluir para mola invasiva (localmente agressiva) e, no caso da mola hidatiforme completa, tem maior risco de evoluir para coriocarcinoma (doença maligna). Clínica: ❖ Geralmente, diagnosticada no início da gravidez. ❖ Sangramento vaginal, útero anormalmente grande para idade gestacional (presença de massa de vesículas preenchendo esse útero). Diagnóstico: ❖ Níveis de beta HCG bastante elevados, principalmente na mola hidatiforme composta (mais elevado que em casos de gravidez gemelar), ultrassom. Epidemiologia: ❖ Prevalente nas extremidades de vida reprodutiva: adolescentes e pacientes entre 40 e 50 anos de idade. ❖ Incidência maior no extremo oriente. Patogênese: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 54 Mola Hidatiforme Completa: ❖ Óvulo vazio, desprovido de material genético. ❖ Há duas possibilidades: • Ser fecundado por um único espermatozoide 23X. Por algum motivo, ocorre a duplicação do material genético do espermatozoide, gerando um ovo 46XX. O material genético do ovo é exclusivamente do pai, já que o óvulo estava vazio. • Outra possibilidade é que esse óvulo seja fecundado por 2 espermatozoides, que podem ser X ou Y. Isso formaria um ovo 46XX ou 46XY. O material genético é proveniente, exclusivamente, do pai. Mola Hidatiforme Parcial: ❖ Um óvulo 23X é fecundado ao mesmo tempo por 2 espermatozoides. ❖ No final, isso gera uma estrutura triploide, que pode ser 69XXX, 69XXY ou 69XYY. ❖ Nesse caso, o material genético é proveniente tanto da mãe quanto do pai. O feto terá malformações que não permitem que ele se desenvolva. Outras Possibilidades: ❖ Óvulo haploide, que será fecundado por um espermatozoide diploide. ❖ Óvulo diploide, que será fecundado por um espermatozoide haploide. Mola Completa: ❖ Na mola completa, temos apenas a formação de vesículas, que representam vilosidades coriônicas inchadas, edemaciadas, pois são desprovidas de vasos. ❖ Não encontramos feto, nem membrana, nem cordão. ❖ Qual mola hidatiforme pode evoluir para COriocarcinoma? Mola COmpleta. Mola Parcial: ❖ Na mola parcial, encontramos áreas de placenta normal (esponjosa), associadas a áreas de vesículas. ❖ Pode haver também partes fetais. ❖ Pode haver áreas de vilosidades normais e áreas de vilosidades hidrópicas, logo podemos encontrar beta HCG aumentado. Porém, não tão aumentado quanto no da mola completa. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 55 ❖ Qual mola hidatiforme possui PARtes fetais? Mola PARcial. Macroscopia: ❖ À esquerda, vemos os achados da mola completa e à direita, vemos os achados da mola parcial. ❖ Esquerda: massa de vesículas, lembrando aspecto de cachos de uva. Se fizermos um corte, encontramos vilosidades coriônicas edemaciadas, hidrópicas, por isso ela fica grande e clara. Não vemos vasos (imagem inferior). O trofoblasto é hiperplásico, o que justifica os altos níveis de beta HCG encontrados (produzido pelo trofoblasto). ❖ Direita: a seta pontilhada mostra área de placenta esponjosa (normal). A seta cheia aponta para vesículas, que seriam vilosidades hidrópicas. Presença de feto com malformação (partes fetais). Na imagem inferior direita, temos a histologia. O círculo define uma área com vilosidades coriônicas normais e a seta pontilhada aponta uma vilosidade coriônica hidrópica. ❖ A paciente ‘dona’ das figuras da esquerda possui maior risco de evoluir para um coriocarcinoma (carcinoma derivado das células trofoblásticas). Mola Invasiva: ❖ É uma lesão localmente destrutiva, mas não causa metástase verdadeira. ❖ Invasão do miométrio pelas vilosidades hidrópicas, associada à proliferação trofoblástica. ❖ Vilosidades hidrópicas invadindo o miométrio. ❖ Clínica: sangramento vaginal com aspecto em água de ameixa (costuma ser escuro) e níveis séricos de beta HCG persistentemente elevados. ❖ Boa resposta à quimioterapia. Coriocarcinoma: ❖ Lesão maligna, que dá metástase verdadeira. É muito menos comum do que a mola hidatiforme. ❖ Não há vilosidade coriônica proliferada. ❖ Ocorre proliferação apenas das células trofoblásticas, que aparecem como células atípicas, malignas, que podem atingir a corrente sanguínea. ❖ Na mola, sempre encontramos vilosidades coriônicas (sendo normal ou alterada ou os dois). No coriocarcinoma, não temos vilosidades. ❖ Clínica: sangramento vaginal com aspecto em água de ameixa (costuma ser escuro) e níveis séricos de beta HCG persistentemente elevados. ❖ Boa resposta à quimioterapia. ❖ Pode surgir de uma mola completa ou de gravidezes normais (às vezes meses depois que ocorreu o parto de uma gravidez normal) ou anormais. ❖ Proliferação de trofoblasto, logo espera-se que o beta HCG esteja muito elevado. Porém, o coriocarcinoma é uma lesão que tende a formar massas geralmente sangrantes e muito necróticas. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 56 Pode ocorrer necrose inclusive das células trofoblásticas, que produziriam o beta HCG, logo o beta HCG pode não estar tão elevado. Morfologia: ❖ Mola Invasiva: as setas apontam para o interior da parede uterina. Presença de vilosidades coriônicas infiltrando o miométrio. Na microcscopia, o tecido róseo representa o miométrio. Presença de vilosidades coriônicas hidrópicas invadindo o miométrio. ❖ Coriocarcinoma: massa que infiltra o útero, com aspecto necrohemorrágico. Na microscopia, vemos células atípicas, que representamcélulas trofoblásticas atípicas e a área mais rósea representa a área de necrose do tumor. Placenta Prévia: ❖ Definida como uma placenta de implantação baixa. ❖ O normal é que a placenta fique implantada na região do fundo do útero e na região posterior, pois é o local mais vascularizado do útero. ❖ A placenta de implantação baixa se localiza muito próxima ou recobre o óstio interno do útero. O problema disso é que não será possível ter decídua, às vezes a placenta se implanta de uma forma alterada nessa localização, o que pode predispor a pequenas separações entre a placenta e o colo do útero, levando a alguns sangramentos. ❖ Paciente: estava em casa, não fiz nada diferente e comecei a sangrar. ❖ O sangramento costuma ter uma tonalidade vermelho vivo (rutilante). Ao palpar o abdome da paciente, não existe hipertonia uterina ou contratilidade uterina aumentada, a paciente não se queixa de dor abdominal. ❖ Só é possível falar de placenta prévia depois de 28 a 32 semanas gestacionais, pois no inicio da gravidez, a placenta pode ter uma implantação um pouco mais baixa, mas à medida que a gestação vai se desenvolvendo, a placenta vai migrando pelo útero, até atingir o fundo dele. • Placenta Prévia Marginal: placenta com implantação baixa e sua margem está muito próxima à margem do óstio interno do colo do útero. • Placenta Prévia Parcial: uma borda ou um pedaço da placenta recobre parcialmente o óstio interno do colo do útero. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 57 • Placenta Prévia Total: recobre totalmente o óstio interno do colo do útero. Macroscopia: ❖ Útero partido ao meio. ❖ A seta pontilhada aponta o fundo do útero e a região circulada aponta a região do colo uterino. A seta cheia aponta a placenta. ❖ A placenta está recobrindo completamente o óstio interno do colo do útero da paciente. Nesses casos, se a paciente entrar em trabalho de parto, não devemos fazer exame de toque e não é possível ter parto normal. Descolamento Prematuro de Placenta: ❖ Representa uma separação entre uma parte da placenta e o útero, antes que ocorra o trabalho de parto. Causas: ❖ Essa condição está muito associada à hipertensão ou às causas de hipertensão (pré-eclâmpsia). ❖ Pode ocorrer em pacientes usuárias de drogas. ❖ Traumas abdominais. ❖ Pacientes com cordão umbilical muito curto, o que pode provocar tração da placenta, causando o descolamento precoce. Consequências: ❖ Formação de um hematoma retroplacentário (entre a placenta e o útero), levando a um sangramento vaginal de coloração vermelho escuro. ❖ A paciente se queixa de dor abdominal. Ao exame físico, percebemos hipertonia uterina (contração). ❖ É uma emergência obstétrica, havendo grande chance de sofrimento fetal agudo e também de complicações maternas. ❖ Alta morbimortalidade materna e fetal. ❖ A mãe pode ter um grande volume de sangramento, levando ao choque e ao óbito. ❖ O feto pode sofrer hipóxia, falecer ou, se sobreviver, pode sobreviver com sequelas. ❖ É uma EMERGÊNCIA. Diagnóstico diferencial com a placenta prévia: tipo de sangramento e presença ou não de hipertonia uterina. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 58 Macroscopia: ❖ Placentas observadas na face materna. ❖ A seta pontilhada nos mostra o hematoma retroplacentário. ❖ Pode-se ver uma área de depressão na face materna da placenta, que consegue nos dizer que ali houve a presença de um hematoma. Infecções Placentárias: ❖ Infecções ascendentes (mais comuns): • Microrganismos, quase sempre bactérias (E. coli), saem do canal vaginal e ascendem via colo uterino, chegando à região da placenta. • A porção da placenta que será primeiramente atingida é a face fetal, o que causa corioamnionite (inflamação do amnio e do corio) e funisite (inflamação do cordão umbilical). • Processo inflamatório agudo, que pode gerar ruptura de membranas. • O líquido amniótico que sai possui aspecto turvo, de aspecto purulento e com odor fétido, infiltrado inflamatório de polimorfonucleares. • Vários mediadores inflamatórios são liberados, o que pode causar ruptura das membranas e causar um parto pré-termo ou até mesmo um abortamento. ❖ Infecções Hematogênicas: • A infecção chega à placenta pelo sangue materno. • O sangue materno chega à placenta por meio das artérias deciduais ou espiraladas e banha as vilosidades coriônicas, logo a infecção hematogênica causa vilosite (inflamação das vilosidades coriônicas). • O mais comum é que esse processo ocorra de forma crônica, logo é esperado encontrar infiltrado inflamatório de mononucleares. • Essas infecções são chamadas pela sigla TORCHES (Toxoplasmose, Rubéola, Sífilis, Herpes, Citomegalovírus). • O neonato pode ser afetado pela infecção e, se afetado, pode ser que ele não manifeste, ou que tenha alterações que podem permanecer como sequelas pelo resto da vida. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 59 ❖ Face fetal: o normal seria encontrar membranas finas, lisas, transparentes e brilhantes. Porém na imagem, as membranas estão espessas, amarelo-esverdeadas, opacas, o que se deve ao processo inflamatório que se instalou na placenta (corioamnionite aguda). Microscopia: ❖ Na figura em maior aumento acima, conseguimos enxergar várias células inflamatórias, que se tratam de polimorfonucleares. ❖ Alguns elementos não são observados nas vilosidades coriônicas normais, que representam células inflamatórias predominantemente de mononucleares (vilosite). Se manifesta de forma crônica. Pré-Eclâmpsia: ❖ Doença sistêmica caracterizada por disfunção do endotélio materno, que acontece de uma maneira difusa. ❖ Clinicamente, a doença se manifesta com hipertensão e com proteinúria. Não se considera edema como um dos critérios. ❖ Afeta cerca de 3 a 5% das gestações, especialmente pacientes primíparas (primeira gestação). ❖ É uma doença que ocorre na segunda metade da gestação. ❖ Se houver convulsões, já é Eclâmpsia (menos comum do que a pré-eclâmpsia). ❖ Síndrome HELLP (ocorre em cerca de 10% dos casos de pré-eclâmpsia): hemólise, elevação de enzimas hepáticas e baixa de plaquetas. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 60 Patogênese: ❖ Os autores ainda não sabem todos os fatores envolvidos. ❖ A única forma de curar a pré-eclâmpsia é fazendo o parto e retirando a placenta. Conseguimos tratar as complicações ao longo da estação, mas a única forma de curar a doença é tirando a placenta. ❖ A parte mais inferior da figura representa o miométrio. A região rosa clara representa a região da decídua. A parte mais superior da figura representa a placenta propriamente dita. ❖ Na paciente que não está grávida, as arteríolas espiraladas possuem fluxo mais baixo, porém de alta resistência (arteríolas possuem parede grossa, mas pequeno lúmen). ❖ Na gravidez normal (C), a função da placenta é levar sangue rico em oxigênio e nutrientes para o bebê. Para isso, os vasos deciduais e as artérias espiraladas precisam ser modificados durante a gestação. Assim, ocorre uma invasão do citotrofoblasto na parede das arteríolas espiraladas. Ele produz proteases e integrinas, que destroem a camada muscular da parede dessas arteríolas, fazendo com que elas se modifiquem e se tornem, ao longo da gestação, vasos de baixa resistência e de alto fluxo (otimizar a quantidade de sangue levada para a placenta). Na letra C, as arteríolas estão com diâmetro maior. ❖ Na pré-eclampsia, representada na letra B, o citotrofoblasto não invade a parede dos vasos, logo não ocorre uma modificação eficaz/completa da parede das arteríolas espiraladas, de modo que elas permanecem como vasos de baixo fluxo e de alta resistência. Assim, menos sangue chega à placenta e a placenta fica em situação de hipóxia/isquemia. ❖ Fases de invasão do citotrofoblasto:são chamadas de ondas. A primeira onda ocorre no inicio da gestação e modifica os vasos de maneira parcial e superficial. A segunda onda ocorre entre 16 a 20 semanas de gestação (para dar certo, tem que ocorrer a segunda onda). Por isso, a pré-eclâmpsia ocorre mais na segunda metade da gestação (depois do fato da segunda onda não ter ocorrido). ❖ Anormalidade em artérias deciduais ou artérias espiraladas (o citotrofoblasto não invade a parede de maneira eficaz) → aumento da resistência ao fluxo, gerando hipóxia placentária → liberação de fatores anti-neogênicos, o que reduz a quantidade de neovasos que seriam formados, piorando a hipóxia placentária → redução da produção de óxido nítrico (potente vasodilatador), levando a um quadro de vasoconstrição. ❖ No início, a hipoxia é na placenta. A placenta em hipóxia libera fatores de uma maneira sistêmica e não apenas de uma maneira local. Isso gera vasoconstrição, que repercute de maneira sistêmica. No cérebro, essa vasoconstrição pode levar à edema cerebral, à perda da autorregulação de fluxo sanguíneo, gerando isquemia cerebral e convulsões (quando ocorrem convulsões, é chamado de Eclâmpsia). ❖ A vasoconstrição gera aumento da resistência vascular periférica, logo a paciente tem aumento da pressão arterial. ❖ Nos rins, a vasoconstrição provoca lesão nos glomérulos e nos túbulos, levando à diminuição da filtração glomerular e à proteinúria. A vasoconstrição na placenta pode interferir no suprimento Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 61 sanguíneo que está sendo levado ao feto, podendo contribuir para uma hipóxia fetal e placentária → consequências deletérias para o bebê, como crescimento intrauterino restrito. ❖ No fígado, a vasoconstrição pode gerar necrose hepatocelular, o que causa liberação de enzimas hepáticas no sangue, elevando seus níveis. ❖ Os produtos liberados a partir da hipoxia placentária geram estresse oxidativo, que pode gerar lesão com disfunção do endotélio. Isso contribui para o aumento da permeabilidade vascular, gerando edema e contribuindo ainda mais para a proteinúria. ❖ Quando há lesão endotelial, temos maior tendência à formação de trombos. Quando ocorre a formação dos trombos, o lúmen fica mais estreito. Logo, quando a hemácia passa dentro do vaso de lúmen muito reduzido, ela começa a ficar deformada, gerando hemólise. Assim, a paciente pode desenvolver anemia hemolítica. ❖ Quando a paciente apresenta anemia hemolítica, aumento das enzimas hepáticas e trombocitopenia (baixa de plaquetas), ela possui Síndrome HELLP. Os vasos podem trombosar tanto, que consomem muitos fatores de coagulação. Assim, em um segundo momento, quando ocorre consumo desses fatores de sangramento, ela pode possuir sangramentos, assim ela terá CIVD. Isso pode se caracterizar com a trombocitopenia. ❖ Liberação da Prostaglandina I2, que contribui ainda mais para o estado de vasoconstrição da paciente. ❖ Todo o problema da pré-eclâmpsia se inicia na placenta, devido aos vasos uteroplacentários que não se adaptaram de uma forma adequada durante a gestação. Não se sabe muito bem o porquê disso acontecer. Macroscopia: ❖ Corte ao longo da espessura da placenta. ❖ Apontada pela seta, temos uma área brancacenta bem delimitada, que representa uma área de infarto, que ocorreu devido ao estado de hipóxia/isquemia. Histologicamente, a área infartada é caracterizada por uma área pálida, necrótica, representada pelo material róseo apontado pela seta. ❖ Outra alteração que pode ser observada é a arterose aguda ou arteriopatia decidual. Essa alteração é encontrada nos vasos deciduais (arteríolas espiraladas). Podemos encontrar depósito de macrófagos contendo lipídeos. Eles possuem citoplasma claro. Essa alteração não é patognomômica da pré-eclâmpsia. ❖ Alterações de Tenney-Parker das vilosidades coriônicas: ficam reduzidas em tamanho, aumento do número de nós sinciciais (aglomerado de células trofoblásticas) e pode ocorrer espessamento da membrana basal. Acretismo Placentário: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 62 ❖ Vilosidades coriônicas inseridas diretamente no miométrio. Não existe decídua (endométrio modificado). ❖ Precisamos da decídua porque existem camadas de fibrina que funcionam como clivagem entre a placenta e o útero da paciente. No acretismo placentário, não temos decídua, por isso as vilosidades coriônicas ficam ligadas diretamente ao miométrio. Isso faz com que a placenta fica retida no útero no pós-parto, logo o útero não consegue contrair para gerar vasoconstrição. Assim, a paciente terá um sangramento volumoso. Fatores de Risco: ❖ Cicatriz prévia de cesária (só temos fibrose, não temos endométrio, logo não tem decídua). ❖ Placenta prévia (está em contato com o colo do útero, onde não tem endométrio). ❖ Pacientes que já foram submetidas à curetagem uterina, que pode ter sido feita de uma forma muito profunda, arrancando toda a espessura do endométrio). Tipos: depende da área aderida no útero e da profundidade do acretismo placentário. ❖ Placenta Acreta: as vilosidades estão aderidas superficialmente. ❖ Placenta Increta: as vilosidades estão aderidas profundamente no miométrio. ❖ Placenta Percreta: as vilosidades estão aderidas em toda a espessura do miométrio, podendo provocar ruptura uterina. ❖ Se a placenta fica retida no pós-parto imediato, a paciente tem uma hemorragia puerperal muitas vezes volumosa, que pode motivar uma histerectomia intraparto. As vezes a paciente está sangrando tanto, que precisamos tirar o útero para preservar a vida da paciente. Diagnóstico: é possível detectar no ultrassom, durante o pré-natal. Quando detectamos essa condição, conseguimos preparar melhor esse parto e conseguimos orientar melhor as pacientes, sobre os possíveis procedimentos que podem ser adotados (transfusão de sangue ou histerectomia). Macroscopia: ❖ Placenta increta, que infiltra profundamente a parede do útero. ❖ A porção circulada representa o colo do útero. A seta pontilhada representa a parede do útero e a seta cheia representa a placenta. ❖ A placenta cobre o colo do útero da paciente, logo ela possui placenta prévia e acretismo placentário increta. Nessa área do colo, não há decídua, logo as vilosidades coriônicas ficam aderidas diretamente na parede do útero, predispondo ao quadro de sangramento no pós-parto imediato. Gestação Gemelar: ❖ Frequência de 1 a cada 80 gestações. Tipos: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 63 ❖ Em relação ao ovo: dizigótica ou monozigótica. • Na dizigótica, temos dois ovos diferentes, logo são 2 indivíduos geneticamente diferentes. • Na monozigótica, temos dois indivíduos que surgem a partir da divisão de um ovo, logo eles são geneticamente idênticos. ❖ Em relação à placenta: monocoriônicas ou dicoriônicas. • Monocoriônicas possuem apenas uma placenta. Se é dicoriônica, temos duas placentas na gestação. Fatores predisponentes: predisposição familiar, especialmente para gestação gemelar dizigótica, técnicas de reprodução assistida e uso de medicamentos indutores da ovulação. ❖ Cerca de 30% das gestações gemelares são monozigóticas. Complicações: ❖ Indivíduos que podem ter bebês com baixo peso, mães que apresentam com mais frequência hiperêmese gravídica, pré-eclâmpsia etc. ❖ Dizigótica (direita): dois indivíduos que vieram de 2 ovos diferentes, logo são geneticamente diferentes. Por isso, as placentas também tem que ser separadas. • Gestação dicoriônica e diamniótica. Cada feto terá a sua própria bolsa. • Na imagem inferior direita, as placentas foram implantadas muito perto uma da outra, mas são diferentes. ❖ Monozigótica (esquerda): pode ocorrer divisão de um único ovo em diferentes fases. • Quanto mais precoce for a divisão, mais coisas conseguimos separar. • Se ocorrer até o 4 dia pós-fertilização, esperamosque tudo fique separado (duas placentas e duas bolsas). • Mas pode acontecer dessa separação ocorrer entre 4 e 7 dias. Nesse caso, teremos duas bolsas (diamniótica), porém apenas uma placenta (monocoriônica). • Na última representação da esquerda, temos a divisão ocorrendo entre 8 a 12 dias pós-fertilização. Nesse caso, não conseguimos separar placenta e liquido amniótico, logo teremos gestação monocoriônica e monoamniotica. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 64 ❖ Se a divisão de um único ovo ocorrer de 13 a 15 dias após gestação, teremos gêmeos conjugados, com complexidades mais variadas possíveis. Eles ficam conjugados quando a divisão do ovo acontece mais tardiamente. ❖ A figura direta aparece em casos de gestações monocoriônicas. Os fetos podem desenvolver anastomoses vasculares uns com os outros. Assim, teremos um feto doador e um feto receptor. Isso é chamado de Síndrome da Transfusão Feto-Fetal. O feto da esquerda está mais pálido e mais magro (reparar tórax e coxa) do que o da direita. O feto da esquerda é doador e o da direita é o receptor. O feto da direita pode receber tanto sangue, que o coração não aguenta, gerando insuficiência cardíaca. Assim, podem ocorrer repercussões deletérias nos 2 fetos. ❖ A hemólise ocorre em pequenos vasos, logo ela é chamada de anemia hemolítica microangiopática. H → hemólise (anemia hemolítica). E → elevação das enzimas hepáticas. L → elevação das enzimas hepáticas. L → (Low). Baixa de plaquetas. P → baixa de plaquetas. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 65 Sistema Genital Masculino Patologia da Próstata ❖ A próstata pesa cerca de 20g, em média. ❖ Próstatas > 30g, esperamos que haja um processo patológico. Divisão da Próstata: ❖ Em zonas: 3 zonas principais. • ZT: zona de transição. Por dentro dela, passa a uretra prostática. • ZC: zona central. Por dentro dela, passam os ductos ejaculatórios. • ZP: zona periférica. Por dentro dela, passa um pedaço da uretra distal. ❖ Processos que acometem a ZT podem levar a alterações da uretra. Relações Anatômicas: ❖ Bexiga, apontada pela seta cheia, e reto, apontado pela seta pontilhada. O câncer de próstata pode atingir esses locais, por contiguidade. ❖ Roxo: ZT. ❖ Verde: ZC. ❖ Vermelho: ZP. ❖ A seta cheia aponta a região onde estaria a bexiga e a seta pontilhada aponta a região onde estaria o reto. ❖ O exame de toque nos permite fazer a palpação da próstata e analisar se ela está hiperplásica, com aumento de volume ou presença de nódulos etc. Histologia: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 66 ❖ Dois componentes principais: glândulas (estruturas com lúmen) e estroma (tecido fibromuscular que preenche o espaço entre as glândulas, representado pela área rósea). ❖ Na imagem superior direita, a seta cheia aponta a célula que fica na base da glândula, chamada de célula basal ou mioepitelial. A seta pontilhada aponta a célula que fica em contato com o lúmen da glândula, chamada de célula colunar ou epitelial. Fisiologia Hormonal da Próstata: ❖ A testosterona é um hormônio masculino que não consegue agir de forma direta na próstata, pois não há receptores na próstata para a testosterona agir. ❖ Quando a testosterona chega na próstata, ela é convertida em um hormônio chamado de di- hidrotestosterona. Essa conversão é feita pela enzima 5-alfa-redutase, produzida pelas próprias células da próstata. Para a di-hidrotestosterona, há receptores na próstata, e ela é responsável por modular a proliferação das células que existem na próstata. Hiperplasia Nodular da Próstata: ❖ Condição mais comum que afeta a próstata. ❖ Pode ser chamada de hiperplasia prostática benigna. ❖ Hiperplasia: aumento do número de células. Proliferação de glândula e de estroma, que se organiza formando nódulos. ❖ A histologia normal da próstata está mantida (glândula e estroma). ❖ A hiperplasia gosta de acometer, especialmente, a zona de transição (lobos laterais e médios). ❖ As glândulas que se encontram na zona de transição são chamadas de grupo glandular interno ou glândulas da mucosa e submucosa. Logo, tanto faz falar que a hiperplasia nodular da próstata atinge zona de transição, lobos laterais e médios ou grupo glandular interno (mesma região anatômica). Etiopatogênese: ❖ Ainda não se sabe completamente porque ela ocorre. ❖ Alguns autores acreditam que haja ali, ação de fatores de crescimento locais, que, ao longo do tempo, geram a proliferação dos fatores constituintes da próstata. ❖ Ação de fatores hormonais, com destaque para a di-hidrotestosterona. Ela modula a proliferação dos constituintes da próstata, aumentando a proliferação das células estromais, e reduz ou inibe a apoptose das células epiteliais. Logo, a ação aumentada da di-hidrotestosterona gera aumento do estroma e das células que revestem as glândulas. ❖ À medida que os indivíduos envelhecem, ocorre queda da produção de testosterona. Isso faz com que o estrogênio esteja relativamente aumentado nos idosos. Como a testosterona cai no idoso, relativamente o estrógeno sofre aumento (ele não é produzido em maior quantidade). O estrogênio aumenta a expressão de receptores para di-hidrotestosterona nas células prostáticas, logo, à medida que envelhece, o individuo se torna mais propenso à ação da di-hidrotestosterona na próstata. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 67 ❖ Próstata com medida látero-lateral de 5 cm. Próstatas normais possuem medida látero-lateral de 3cm. ❖ Presença de nódulos de tamanhos variados na superfície de corte da próstata. ❖ A elipse destaca a uretra prostática. Ela deveria ser circular, mas nesse caso está alongada e comprimida, devido a compressão sofrida pelos nódulos. ❖ A uretra adquire aspecto em fenda, o que causa obstrução urinária. ❖ Na figura acima, temos a representação de um nódulo. A seta pontilhada aponta uma estrutura que possui lúmen (glândula) e a seta cheia aponta o estroma prostático proliferado. ❖ Na figura acima, temos um tecido róseo na periferia, que representa o estroma. No centro, temos a representação da glândula (presença de dupla camada de células). ❖ Para interpretar melhor a foto da histologia, temos que saber o peso da próstata, se é uma imagem de um nódulo etc. Evolução e Complicações: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 68 ❖ À medida que os nódulos hiperplásicos crescem, eles causam compressão da uretra prostática, que leva à obstrução e retenção urinária. Isso gera queixas de manifestações do trato urinário inferior. • Polaciúria: o paciente urina varias vezes, mas em quantidade menor. • Noctúria: paciente acorda durante a noite para urinar. • Urgência miccional: o paciente não consegue controlar a urina. • Jato urinário fraco: o que se espera no paciente normal é um jato, no caso da HNP pode pingar. • Miccção em 2 tempos: micção intermitente (o paciente urina um pouco e para). ❖ Esvaziamento incompleto da bexiga: a urina fica retida, o que causa infecções urinárias e o aparecimento de cálculos urinários. Pode haver uma obstrução completa da uretra do paciente, gerando quadro de retenção urinária aguda, que necessita de passagem de sonda de alívio, em pronto atendimento. ❖ Bexiga de esforço: em um paciente sem hiperplasia prostática, durante a micção ocorre a contração da bexiga para vencer uma uretra circular. Porém, com os nódulos hiperplásicos, a uretra fica comprimida, o que leva à necessidade de uma contração cada vez mais forte da bexiga, para vencer o obstáculo da uretra comprimida. Isso gera hipertrofia do musculo detrusor (espessamento da parede da bexiga). Porém, esse processo possui limites, logo, com o tempo, as fibras musculares da parede da bexiga ficam hipotróficas e, às vezes, podem criar áreas de falhas da camada muscular daparede da bexiga, levando ao aparecimento de divertículos. Além disso, o fato de haver hipotrofia de algumas das fibras musculares gera alteração da contratilidade da parede da bexiga, causando refluxo vesicouretreral (volta urina da bexiga em direção ao ureter). Isso causa aumento da pressão urinária no ureter e no rim. Isso leva a uma dilatação do ureter (hidroureter) e, no rim, gera dilatação do sistema pielocalicial, associado à hipotrofia ou atrofia do parenuima renal. Esse quadro é chamado de hidronefrose. Ao longo do tempo, o paciente pode apresentar uma queda da função renal. ❖ A urina que ascende em direção ao rim pode gerar inflamação/infecção do parênquima renal, se estiver contaminada, o que é chamado de pielonefrite. Essa infecção pode causar sepse, de foco urinário. ❖ Bexiga e próstata partidas ao meio. ❖ O círculo pontilhado aponta a porção do lobo médio prostático. ❖ A linha pontilhada aponta um espessamento da parede da bexiga, chamada de bexiga de esforço. Ao longo do tempo, a bexiga precisa fazer uma força cada vez maior para vencer o obstáculo da obstrução da uretra, o que causa hipertrofia. ❖ A seta aponta um cálculo urinário, que ocorre devido à obstrução da uretra causada pelos nódulos, o que causa estase urinária. Essa estase pode favorecer a precipitação dos constituintes que formam o cálculo. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 69 ❖ Resposta correta: B. O crescimento microscópico pode começar a acontecer a partir dos 35 anos, mas o paciente não apresenta sintomas. O aumento da zona de transição da próstata é o principal fator de obstrução urinária no homem idoso. A castração de homens idosos favorece a redução do volume prostático (pode ser uma castração química, realizada por meio de medicamentos). Adenocarcinoma de Próstata: ❖ De acordo com dados do INCA, o câncer de próstata é a neoplasia maligna mais incidente na população masculina brasileira, atrás apenas dos cânceres de pele não melanomas. ❖ Segunda maior causa de óbito por câncer em homens no Brasil. ❖ Tipos: carcinoma clínico x carcinoma latente x carcinoma oculto. ❖ Carcinoma latente: é muito mais frequente do que os outros subtipos. • É o câncer assintomático, que só será detectado do ponto de vista histológico. • Possui evolução lenta, ao longo de anos. • Muitas vezes, o paciente tem a doença, não sabe dela e falece, mas não devido às complicações do câncer de próstata. • Paciente com elevação de PSA, faz uma consulta sem queixas clínicas, sem alterações no exame de toque, mas o médico pede uma biópsia prostática, que indica a presença do câncer. ❖ Carcinoma clínico: • Manifestações clínicas com queixas associadas à infiltração da próstata. • Ao palpar a próstata, é possível identificar nódulos. • Esse câncer tende a ser mais agressivo do que o câncer latente. ❖ Carcinoma oculto: • Causa manifestação clínica, mas o paciente descobre o caso já com manifestações de metástases. • Ex: câncer de próstata gosta de dar metástase para ossos. O paciente chega ao consultório queixando-se de dor na coluna. A primeira alteração não se deveu ao câncer em si, mas à metástase que ele causou. ❖ A zona periférica é preferencialmente afetada pelo adenocarcinoma de próstata. Essa zona possui, como correspondência, o lobo posterior da próstata. Acometimento do grupo glandular externo, também chamado de grupo das glândulas prostáticas propriamente ditas. Manifestações clínicas: a maioria dos pacientes é assintomática. Fatores de Risco: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 70 ❖ Idade: aos 50 anos, 20% dos pacientes terão câncer de próstata. Aos 70/80 anos, cerca de 70% dos pacientes terão câncer de próstata. Porém, esse câncer que o paciente apresenta é o carcinoma latente, logo, muitas vezes o paciente nem sabe da doença e falece de outras causas, não relacionadas a esse câncer. ❖ Estímulo hormonal: grande estímulo androgênico pode estar associado ao desenvolvimento do câncer de próstata, muitas vezes o estímulo ocorreu anos antes do paciente desenvolver o câncer. ❖ Raça: tipo de receptor de androgênio que os pacientes herdam → alguns pacientes possuem receptores mais potentes, logo o androgênio consegue se ligar de uma maneira mais forte e provocar aumento da proliferação de células prostáticas. Isso pode explicar, em parte, porque esse câncer é mais comum em afrodescendentes, caucasianos e asiáticos, nessa ordem. ❖ Fatores ambientais: dieta rica em gorduras e carcinógenos é fator de risco. Dieta rica em vitamina D e licopeno pode funcionar como fator protetor. ❖ História familiar: se o paciente tiver 1 parente de 1° grau com câncer de próstata (pai, irmão, filho), a chance dele aumenta em 2x a chance da população geral. Porém, se ele tiver 2 parentes de 1° grau, a chance dele aumenta em 5 a 9x. ❖ Genética: presente, especialmente, em pacientes com câncer de próstata em uma idade jovem para câncer de próstata, abaixo de 55 anos. Isso ocorre, devido à ativação de proto-oncogenes, como a supressão de genes supressores de tumor. ❖ Lesões precursoras: PIN ou NIP (plasia intraepitelial prostática, vista do ponto de vista histológico em uma biópsia). Isso deixa o clínico mais vigilante em relação a esse paciente. Diagnóstico: ❖ Anamnese: idade, fator de risco, história familiar. Muitas vezes não haverá queixa em relação à próstata. ❖ Exame físico: pode ser que não achemos alterações no exame de toque. Quando existe, é um nódulo endurecido. ❖ Laboratório: análise do PSA (Antígeno Prostático Específico) → ele é específico da próstata, mas não é específico do câncer de próstata (pode estar elevado se o paciente foi submetido a um toque retal recentemente, prostatite, paciente que teve relação sexual recentemente, paciente com hiperplasia nodular prostática etc). ❖ Imagem: ultrassom transrretal. Pode ser que não seja observada nenhuma observação, já que a maioria é assintomática e não se apresenta com nódulos. Se houver nódulos, veremos nódulos hipoecoicos, mais escuros que o tecido adjacente, na zona periférica da próstata. ❖ Biópsia: diagnóstico definitivo. Exames importantes para avaliação posterior: depois que ele já teve o diagnóstico. ❖ Pedir TC ou RM pélvica: analisar extensão do câncer de próstata, invasões. ❖ Cintilografia óssea: analisa se há metástase nos ossos, pois câncer de próstata possui elevado tropismo por metástase nos ossos. ❖ Dosagem periódica de PSA, para acompanhar evolução do paciente. Se o paciente retirou a próstata, espera-se que o PSA do paciente esteja zero, já que ele não possui mais próstata. O paciente vai ao consultório com exame de PSA próximo do zero. Porém, na próxima consulta, percebe-se uma elevação do PSA (não era para ocorrer, pois ele não possui mais próstata e o PSA é específico da próstata). Logo, devemos, obrigatoriamente, pensar na possibilidade da ocorrência de metástases ou na recidiva da doença. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 71 ❖ 99% dos indivíduos sem doença prostática possuem PSA < ou igual à 4. ❖ A maioria dos pacientes com hiperplasia nodular da próstata ainda possuem valor normal de PSA. ❖ 20% dos pacientes com câncer de próstata possuem valor de PSA total normal (<4). Por isso, os autores começaram a pesquisar métodos de refinamento do PSA. Diagnóstico Laboratorial: ❖ Dosagem simples de PSA. ❖ Densidade de PSA: correlacionar o PSA com o volume prostático. O PSA pode estar elevado porque a próstata está grande, mas não porque o paciente possui um câncer de próstata. Porém, se olharmos a densidade de PSA (PSA/volume prostático) e o PSA continuar elevado, isso pode indicar câncer de próstata. ❖ Velocidade de PSA: analisar quanto o PSA está se elevando de um ano para o outro. Se o PSA sobe mais do que 0,75 nanogramas/ml/ano, isso é um sinal de alerta para adenocarcinomaprostático e o paciente pode ser encaminhado para realizar uma biópsia. ❖ PSA ajustado à idade: os laboratórios já informam a tabela. Se considerarmos o valor de PSA total de 3,8, esse valor é considerado normal. Porém, se for de um paciente com 35 anos, que possui história familiar, esse valor está elevado, logo esse valor deve ser investigado. Ou então, se um paciente de 85 anos de idade possuir PSA total de 5, é normal, devido a sua idade elevada. ❖ Relação PSA livre/PSA total: se for <0,15, favorece a hipótese de carcinoma prostático. ❖ Esses métodos servem para conseguirmos selecionar melhor os pacientes que serão mandamos para biópsia e os pacientes que podem continuar fazendo acompanhamento habitual. Macroscopia: ❖ O círculo aponta uma área alterada. Área compacta, sólida, de limites imprecisos, localizado na zona periférica da próstata (lobo posterior). ❖ Lesão altamente sugestiva de adenocarcinoma de próstata. ❖ Quando analisamos próstatas, muitas delas não apresentam lesões à macroscopia, apenas à microscopia, pois a maioria dos cânceres de próstata são do tipo latente. Microscopia: Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 72 ❖ No adenocarcinoma de próstata, não conseguimos encontrar a histologia normal (os dois componentes). Não é possível encontrar o revestimento por células epiteliais e mioepiteliais. ❖ O círculo aponta uma estrutura que corresponde a uma glândula. ❖ Presença de várias estruturas que correspondem apenas a glândulas, sem estroma, pois não ocorre proliferação de estroma. Apenas as células epiteliais revestem à glândula. As glândulas são pequenas e justapostas (back to back), encostadas umas nas outras, já que não há estroma entre elas. ❖ Na figura esquerda superior: notamos a presença de pequenas glândulas, sem estroma entre elas. A seta fina aponta nucléolos evidentes, que são bem comuns no adenocarcinoma de próstata. ❖ Na figura inferior esquerda, a seta aponta para um filete nervoso. Em volta dele, vemos células epiteliais com nucléolo evidente. Essas células se dispõem em volta do filete nervoso, como se quisessem digeri-lo. Essa alteração é chamada de invasão perineural ou infiltração perineural. ❖ Na hiperplasia nodular prostática, vemos glândulas e estroma. As glândulas possuem tamanhos variados e são revestidas por células mioepiteliais e epiteliais. Não encontramos invasão perineural nem nucléolo evidente. ❖ No câncer de próstata, não encontramos proliferação de estroma nem de células mioepiteliais. Apenas as células epiteliais se proliferam no câncer de próstata, que se organizam formando glândulas. Presença de nucléolos evidentes e de infiltração perineural (não é sempre que estão presentes). Sistema Gleason: ❖ Varia de 1 a 5, de acordo com o padrão histológico. A soma varia de 2 a 10. ❖ Para isso, devemos realizar uma biópsia. Essa classificação é feita pelo patologista. ❖ O câncer de próstata é classificado por 2 notas, e no final, devemos soma-las. ❖ Neoplasia bem diferenciada: imita, de certa forma, o tecido original (a partir do qual ela surgiu). ❖ Neoplasia pouco diferenciada: as células não imitam o tecido original. Elas gastam energia para proliferar e causar metástase. Pior prognóstico. ❖ A nota 1 é dada para tumores organizados. A nota 5 é dada para tumores desorganizadas. ❖ Quanto maior for a nota, mais desorganizada e indiferenciada é a lesão. ❖ Ao analisar o tumor, o patologista analisa, por exemplo, que 70% do tumor deve ganhar nota 3 e 30% do tumor deve ganhar nota 4 → 3+4=7. ❖ O número que vem primeiro é o número que representa o que predomina no tumor. O paciente 3 + 4 não é igual ao paciente 4 + 3, pois no paciente 4 + 3, a nota 4 veio antes, logo ele possui mais áreas com menor diferenciação no tumor prostático. Já o primeiro paciente (3 + 4), possui mais áreas bem diferenciadas. ❖ Se a biópsia possuir um único padrão histológico, por exemplo, o patologista achar que 100% do tumor merece nota 3, o Gleason será 3+3=6. ❖ A primeira nota é sempre do padrão que predomina. Marcela de Castro Bastos Rodrigues – Patologia IV 73 ❖ Quando temos mais de dois padrões (ex: 70% 3, 20% 4 e 10% 5), a primeira nota é sempre do padrão que predomina e a segunda nota é do padrão pior (nesse caso, seria 5). ❖ Essa classificação é importante, pois se correlaciona com o estadiamento e com o prognóstico do paciente. Quanto maior for o Gleason, menor é a diferenciação, logo pior é o prognóstico do paciente. Evolução: ❖ Pode estar restrito à próstata ou infiltrar estruturas locais: uretra, bexiga, vesículas seminais e parede retal. ❖ A infiltração da parede retal costuma ser mais tardia, pois existe uma fáscia espessa entre a próstata e o reto. ❖ Metástase linfonodais: obsturadores, hipogástricos, para-aórticos etc. ❖ Metástase hematogênicas à distância: principalmente metástases ósseas. ❖ Coluna vertebral. A seta cheia aponta nódulos nos corpos vertebrais. ❖ Considerando que essa coluna vertebral é de um individuo que retirou a próstata há 6 meses atrás, com Gleason 10, nossa hipótese diagnóstica é metástase óssea decorrente de um câncer prostático. ❖ As metástases ósseas podem ser osteoblásticas ou osteolíticas. ❖ No câncer de próstata, o clássico é que as metástases sejam osteoblásticas. Nesse caso, ao chegar no osso e se instalar ali, as células do câncer de próstata possuem a capacidade de produzir fatores que estimulam a atividade de osteoblastos (produzem matriz óssea). Esses pacientes costumam apresentar fraturas ósseas, pois a matriz óssea produzida não possui qualidade normal, logo podem evoluir com fraturas. Fatores Prognósticos: ❖ Graduação: quanto maior o Gleason, pior o progonóstico. ❖ Existência de invasão capsular, vascular, de margens uretral ou vesical. ❖ Estadiamento TNM. ❖ Resposta correta: B. ❖ O adenocarcinoma de próstata é mais comum em afrodescendentes e depende bastante da história familiar. A escala de Gleason varia de 1 a 5 e, quanto maior o valor, menos diferenciada é a neoplasia. Os principais sítios metastáticos desse câncer são os ossos. Para ocorrer hipercalciúria, a metástase óssea deveria ser osteolítica, pois a degradação do osso aumentaria os níveis de cálcio no sangue, porém, no câncer de próstata, o tipo de metástase mais comum é a metástase óssea osteoblástica.