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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/376112452
O belo e ameaçado Tubarão-Mangona
Book · December 2023
CITATIONS
0
READS
67
5 authors, including:
Otto Bismarck Fazzano Gadig
São Paulo State University
254 PUBLICATIONS   1,969 CITATIONS   
SEE PROFILE
Francisco Marcante Santana
Universidade Federal Rural de Pernambuco
90 PUBLICATIONS   1,115 CITATIONS   
SEE PROFILE
Jones Santander Neto
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)
43 PUBLICATIONS   402 CITATIONS   
SEE PROFILE
Rodrigo Barreto
Centro de Educação Superior da Região Sul (CERES) - UDESC
103 PUBLICATIONS   1,132 CITATIONS   
SEE PROFILE
All content following this page was uploaded by Jones Santander Neto on 01 December 2023.
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https://www.researchgate.net/publication/376112452_O_belo_e_ameacado_Tubarao-Mangona?enrichId=rgreq-bdae78a56979495089db2910fcde15fb-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzM3NjExMjQ1MjtBUzoxMTQzMTI4MTIwODc3MTcxNEAxNzAxNDQ5ODMwMTEx&el=1_x_2&_esc=publicationCoverPdf
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Associação dos
Amigos do
Museu Nacional
apresenta
O B E L O E A M E A Ç A D O
Tubarão-Mangona
tubarão-mangona, 
também conhecido Ocomo cação-
mangona, é uma espécie de 
tubarão de grande tamanho.
Pode chegar a 3 metros de 
comprimento e 250 kg. Sua 
aparência pode assustar, 
pois sua boca é grande e 
seus dentes longos e pontu-
dos estão sempre à vista, 
mesmo quando a boca está 
quase fechada.
ssa cara de mau, 
porém, nada tem Ea ver com o seu 
comportamento. O cação-
mangona é um bicho lento, 
que nada bem devagar 
(“mangona” significa pre-
guiçoso, lento). Em São 
Paulo pode ser chamado 
de “caçoa”, nome antigo 
dado pelos caiçaras que há 
muito tempo observaram 
que a maioria dos animais 
capturados em suas redes 
eram fêmeas.
eu nome científico é 
Carcharias taurus, da Família SCarchariidae. É a única espécie 
incluída nessa família, ou seja, o tuba-
rão-mangona é único. Encontrado em 
águas costeiras do mundo inteiro 
(raramente desce até quase 200 
metros de profundidade), prefere as 
regiões de águas menos quentes, nor-
malmente em temperaturas abaixo de 
18 graus centígrados. Em vários locais 
do mundo a espécie faz migrações 
reprodutivas para se acasalar e parir. 
Pode ser encontrado solitário ou em 
grupos de até 80 animais, que se jun-
tam para reproduzir e se alimentar.
Distribuição mundial do tubarão-mangona
 um tubarão facilmente reco-
nhecido pela sua forma. Seu Écorpo é robusto, forte, de cor 
castanha e barriga mais clara. Tem 
algumas pequenas pintas e man-
chas mais escuras espalhadas pelo 
corpo, mas não chega a ser coberto 
totalmente de pintas.
Sua boca é grande e seus dentes 
muito longos e pontudos, com dois 
dentículos bem pequenos, um de 
cada lado de sua base. 
sta espécie apresenta duas 
nadadeiras dorsais de tama-Enho parecido. A maioria dos 
tubarões mais conhecidos pelas pesso-
as tem a segunda nadadeira dorsal 
bem menor do que a primeira. Além 
disso, suas fendas branquiais (ou 
guelras) são grandes e bem visíveis 
em cada lado da cabeça. Sua mandíbu-
la poderosa tem alta capacidade de se 
projetar para fora, fazendo com que 
ele fique com um aspecto mais feroz 
ainda. Essa movimentação da boca 
para frente é importante para ajudar 
o tubarão a capturar seu alimento. 
 um tubarão lento, com grande 
capacidade de nadar sem muito Éesforço, graças ao seu corpo 
hidrodinâmico e seu fígado oleoso, que 
funciona como uma boia natural. Ele 
chega a engolir ar para encher seu 
estômago e com isso ajudar na flutua-
ção. Como vimos, é por esse comporta-
mento lento que recebeu o nome de 
mangona. Mas pode de repente dar um 
arranque rápido, para caçarou fugir, 
para logo em seguida voltar ao seu 
jeitão tranquilo de nadar.
elo seu tamanho e 
seus dentes impres-Psionantes, sua ali-
mentação principal é com-
posta por peixes, incluindo 
pequenos tubarões e raias. 
Também pode se alimentar 
de lagostas, caranguejos, 
lulas, polvos e até mesmo 
pequenos mamíferos mari-
nhos. Ele gosta de caçar 
mais próximo do fundo e no 
período noturno. 
Peixe encontrado no estômago de um tubarão-mangona
ua aparência feroz faz com que 
tenha fama de atacar pessoas. SNão é nada disso. Para se ter 
uma ideia, apenas 36 casos de ataques 
desta espécie contra pessoas foram 
registrados no mundo em mais de um 
século. E nenhum resultou em morte. 
Muitos desses acidentes ocorreram 
em situações de estresse do animal 
em aquários, pelo mal manuseio por 
pescadores ou provocados por caça-
dores submarinos. É um animal 
tímido e que normalmente evita se 
aproximar do homem.
ssim como em todos os tuba-
rões e raias, é possível distin-Aguir machos e fêmeas obser-
vando a presença, nos machos, de um 
par de órgãos copuladores nas nadade-
iras ventrais posteriores (chamadas de 
nadadeiras pélvicas). Denominados 
claspers, eles são introduzidos nas 
fêmeas durante o acasalamento, que 
nesta espécie já foi observado algumas 
vezes, principalmente em animais 
mantidos em aquários.
Nadadeiras
pélvicas
Claspers
MACHO
FÊMEA
 acasalamento é meio vio-
lento, porque o macho e a Ofêmea continuam nadando 
enquanto acasalam e, para isso, o 
macho precisa se agarrar à sua 
parceira mordendo suas costas e 
nadadeiras. Ela aguenta bem por-
que fêmeas tem a pele mais grossa 
do que machos justamente para 
aguentar essas “mordidas de amor”.
Flagrante de uma fêmea grávida em cativeiro
alando em acasalamento, 
observou-se nesta espécie Fum tipo de reprodução 
muito intrigante. As fêmeas têm, 
como a maioria dos tubarões e 
raias, dois úteros dentro dos quais 
os filhotes se desenvolvem durante 
a gestação. No tubarão mangona, 
só um filhote vai nascer por 
útero, porque o embrião se ali-
menta de ovos liberados pela mãe 
dentro do útero, mas também ele 
come seus irmãos menores, naquilo 
que se chama de “canibalismo 
intrauterino”.
Esse modo só é conhecido nesta 
espécie até o momento. Chega a ser 
estranho que o útero materno, que 
deveria ser o local mais seguro 
para o bebê, neste caso já é um 
lugar onde se começa a batalha 
pela vida.
epois de uma gestação 
de 9 a 11 meses, os dois Dfilhotes nascem, um de 
cada útero, medindo cerca de 1 
metro de comprimento. Já nasce 
maior do que a maioria dos pei-
xes que ele vai encontrar nos 
primeiros tempos de vida. 
o nascer ele já enfrenta a 
vida sozinho. Sendo gran-Ade e já com dentes de res-
peito, ele consegue se virar bem, 
havendo poucos animais que 
podem ser seus predadores, exceto 
tubarões maiores. Para evitar que 
seus primeiros anos de vida sejam 
por demais perigosos, as fêmeas de 
tubarão-mangona procuram parir 
em áreas costeiras, com bastante 
alimento e poucos predadores. 
 filhote vai demo-
rar a crescer, pois é Ouma característica 
da maioria dos grandes 
tubarões crescer muito 
lentamente até que che-
guem à idade adulta, que 
para as fêmeas se dá com 
cerca de 9 a 10 anos e 
medindo 2,2 a 2,3 m de 
comprimento. E para os 
machos, a idade reproduti-
va se dá entre 6 e 7 anos e 
com 1,9 a 2 metros. As fême-
as crescem mais do que os 
machos. A maior fêmea 
conhecida mediu cerca de 
3,3 metros e o maior macho 
2,6 metros.
sse tubarão é 
bastante procu-Erado para ser 
mantido em aquários 
para visitação do público 
no mundo inteiro. Por 
causa do seu tamanho e 
aparência feroz, além de 
nadar lentamente, há 
muito tempo se percebeu 
que é um tubarão atra-
ente para aquários. 
oje em dia muitos animais 
mantidos em cativeiro de Hforma inadequada desenvol-
vem muitos problemas de saúde. 
Portanto, nem sempre é uma boa ideia 
colocar esses lindos animais em aquá-
rios e apenas alguns grandes aquários 
com boa infraestrutura conseguem 
manter tubarões-mangona em boas 
condições de saúde.
Mangona com desvio na coluna nada em aquário
qui no Brasil, a espécie 
pode ser vista em alguns Aaquários, com destaque 
para o maior deles, o AquaRio, 
na cidade do Rio de Janeiro, onde 
ficam em tanques de grandes 
proporções, portanto mais apro-
priados para o seu tamanho. 
or crescer devagar, ter só 
dois filhotes depois de 9 ou P11 meses e só se reproduzir 
muito tarde e com grande tamanho, 
o tubarão-mangona é uma espécie 
muito ameaçada. As principais 
ameaças que sofre vem das pescari-
as, pois além do grande tamanho, 
sua carne é considerada de boa qua-
lidade quando comparada a outros 
tubarões comercializados. A pesca 
com redes-de-emalhar, mas também 
com anzóis e redes de arrasto são as 
que mais capturam o mangona.
s pesquisadores têm enorme 
dificuldade em estabelecer Omedidas que protejam o tuba-
rão-mangona, já que a espécie ocorre no 
mundo inteiro e em cada lugar a situa-
ção é diferente. Em nível mundial a 
espécie é considerada como Vulnerável 
ao risco de Extinção, mas no Brasil sua 
categoria é de Criticamente 
Ameaçada, segundo a avaliação do 
Instituto Chico Mendes de Conservação 
da Biodiversidade (ICMBio). Por ser 
Criticamente Ameaçada no Brasil, sua 
pesca é proibida, mas infelizmente, 
como foi dito antes, ainda é capturada 
de forma ilegal. 
mangona é estudada no 
mundo inteiro. Existem Amuitas pesquisas sobre 
sua biologia, comportamento, 
anatomia etc. No Brasil não exis-
tem tantos estudos assim, mas os 
poucos que existem são muito 
importantes porque mostram como 
essa espécie já foi muito mais 
comum e abundante anos atrás e 
que hoje é pouco vista, revelando o 
quanto está ameaçada.
Tubarão-mangona capturado para marcação e soltura por pesquisadores
qui no Brasil, por não 
gostar de águas quentes, Aa mangona vive desde o 
Espírito Santo até o Rio 
Grande do Sul. Em toda essa 
área, mas principalmente em São 
Paulo e no Rio de Janeiro, os 
estudos antigos mostram que a 
espécie faz migrações paralelas à 
costa, vindo do Sul para se repro-
duzir no Sudeste. Essas são áreas 
importantes que a espécie utiliza 
para o nascimento de seus des-
cendentes, e a mortalidade por 
pescarias e mesmo pela cada vez 
mais intensa poluição do ambien-
te marinho tem colocado a man-
gona em crítico risco de extinção. 
Os pescadores conhecem bem a 
mangona e sabem que antes ela 
era mais vista e com o tempo foi 
se tornando rara.
s medidas necessárias 
para a conservação Adeste lindo animal 
passam tanto pelo poder públi-
co quanto por toda a socieda-
de. Cabe ao poder público 
criar as leis baseadas na 
Ciência, viabilizar alternativas 
para os que dependem da 
pesca para sua subsistência e 
dar condições para que a fisca-
lização seja eficiente.
tubarão-mangona, que já 
foi mais comum em nosso Olitoral, é um patrimônio 
natural que precisa ser protegido 
para que as futuras gerações ainda 
possam testemunhar a sua existên-
cia em nossos mares. Caso contrá-
rio, assim como pode acontecer com 
muitas outras espécies de tubarões 
e raias, os oceanos em breve estarão 
pobres sem esses incríveis predado-
res tão importantes para a saúde 
dos mares. 
Elaboração e texto:
Francisco Marcante Santana (UFRPE, Serra Talhada/PE)
Jones Santander Neto (IFES, Piuma/ES)
Rodrigo Risi Pereira Barreto (UDESC, Laguna/SC)
Marcelo Vianna (UFRJ, Rio de Janeiro/RJ)
Agradecemos aos seguintes fotógrafos, pesquisadores, entidades e 
instituições pela cessão das imagens: Amaury Laporte, Conservar 
Tiburones en Argentina, Creative Commons, Fotos Virales, Ivan 
Barra, Jeff Cubina, Joe Lenciano, Juan Martin Cuevas, Marcelo 
Vianna, Nasser Halaweh, National Fisheries Marine Service, National 
Oceanic and Atmospheric Administration, Otto Gadig, Ross Robert-
son, Wikimedia Commons.
Otto BismarckFazzano Gadig (UNESP, São Vicente/SP)
Projeto Gráfico
 
Apoio
A realização do projeto Pesquisa Pesqueira e Marinha é uma medida compensatória 
estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta, de responsabilidade da empresa 
PRio e conduzido pelo Ministério Público Federal - MPF/RJ.
23-180082 CDD -597.09811
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
O belo e ameaçado Tubarão-Mangona [livro 
 eletrônico] / Otto Bismarck Fazzano 
 Gadig...[et al.]. -- Santos, SP : Ed. dos Autores,
 2023.
 PDF 
 Outros autores: Francisco Marcante Santana, Jones
Santander Neto, Rodrigo Risi Pereira Barreto, Marcelo
Vianna.
 ISBN 978-65-00-85638-5
 1. Animais (Zoologia) 2. Biodiversidade -
Conservação 3. Biodiversidade marinha - Conservação -
Brasil 4. Tubarões I. Gadig, Otto Bismarck Fazzano.
II. Santana, Francisco Marcante. III. Santander Neto,
Jones. IV. Barreto, Rodrigo Risi Pereira. V. Vianna,
Marcelo. 
Índices para catálogo sistemático:
1. Tubarões : Zoologia 591
Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415
View publication stats
https://www.researchgate.net/publication/376112452
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