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Acidentes com tubarões: o que saber e o que fazer
Book · October 2023
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5 authors, including:
Otto Bismarck Fazzano Gadig
São Paulo State University
254 PUBLICATIONS   1,969 CITATIONS   
SEE PROFILE
Jones Santander Neto
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)
43 PUBLICATIONS   402 CITATIONS   
SEE PROFILE
Rodrigo Barreto
Centro de Educação Superior da Região Sul (CERES) - UDESC
103 PUBLICATIONS   1,132 CITATIONS   
SEE PROFILE
Francisco Marcante Santana
Universidade Federal Rural de Pernambuco
90 PUBLICATIONS   1,115 CITATIONS   
SEE PROFILE
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Associação dos
Amigos do
Museu Nacional
apresenta
ACIDENTES
com TUBARÕES
O que saber e o que fazer
ubarões são animais incríveis e 
antigos, com mais de 400 Tmilhões de anos de evolução. 
Hoje existem quase 600 espécies em 
todo o mundo, das quais aproximada-
mente 100 no Brasil.
Muitas delas vivem afastadas da costa e 
em grande profundidade, raramente 
vistas pelo homem. Outras tantas, 
porém, vivem próximas da costa e usam 
a área costeira frequentada pelos seres 
humanos para cumprir suas funções 
biológicas, como reproduzir e alimentar.
Palavras Iniciais
2
os últimos 70 anos a 
população humana Ncresceu assustadora-
mente e o mar foi cada vez 
mais invadido pelo homem. 
Esse fato gerou o aumento na 
atividade pesqueira e na 
ocupação da orla marinha de 
forma desordenada, causando 
sérios problemas para estes 
animais, que por esses moti-
vos se encontram hoje em 
risco de extinção. 
3
s tubarões sempre despertaram 
medo nas pessoas. Isso porque Oalgumas espécies podem às 
vezes atacar seres humanos, principal-
mente em praias pelo mundo afora.
Esses raros acidentes com tubarões são 
responsáveis pela péssima (e errada) 
fama que eles carregam. Os grandes 
meios de comunicação em massa (im-
prensa, cinema, redes sociais, etc) mui-
tas vezes noticiam esses ataques contra 
as pessoas de forma intensa e sensacio-
nalista - e muitas vezes mentirosa, até. 
4
uito antes de criado o termo 
“fake news”, como empregado Mhoje em dia, os tubarões já 
eram vítimas dessas notícias caluniosas, 
provocando reações exageradas de medo e 
até de ódio nas pessoas, que acabam não 
desenvolvendo nenhuma simpatia por 
estes animais. O resultado é a percepção 
do público de animais assassinos, comedo-
res de homens e agressivos.
Nada mais errado e injusto. Tubarões 
estão cada vez mais pressionados pelo 
aumento demográfico humano, pela ocu-
pação e destruição de seu habitat. Como 
consequência, encontros entre humanos e 
tubarões estão aumentando e, na maioria 
das vezes, o prejuízo maior é dos tubarões.
5
este livro são esclareci-
das as principais dúvidas Nque todos têm quando se 
trata de ataques de tubarões. Por 
que atacam? Quantos e onde os 
ataques acontecem? Quais espéci-
es mais atacam? Qual o risco de 
ser atacado? Como diminuir esse 
risco? Por fim, e principalmente, o 
leitor poderá refletir sobre quem é, 
afinal, o vilão e o culpado nessa 
história toda.
Boa leitura! 
6
empre que acontece um ataque de 
tubarão contra um ser humano, Sem qualquer praia do mundo, há 
pelo menos duas explicações. A primeira 
tem a ver com sua alta capacidadesen-
sorial, típica do grande predador que é. 
Tubarões estão entre os animais mais 
capacitados a perceber estímulos produ-
zidos por suas presas. Vivem nadando 
em busca de alimento, usando essa sua 
capacidade sensorial para caçar. Quando 
ele está nesse comportamento e há huma-
nos por perto, normalmente em áreas 
costeiras, acidentes podem acontecer.
1Por que os tubarões
atacam pessoas?
7
segunda explicação tem a ver 
com o aumento da população Ahumana. Tubarões em busca de 
alimento muitas vezes se encontram em 
áreas sob forte impacto ambiental, que 
são as zonas costeiras próximas às 
regiões de grande densidade populacio-
nal humana. Isso pode dificultar não só 
o seu sucesso em encontrar alimentos 
naturais (suas presas), como também 
não ter à sua disposição áreas para ter 
seus filhotes (chamadas áreas de berçá-
rio e crescimento). Eles podem ainda se 
sentir ameaçados em seu território, 
invadido cada vez mais por pessoas. É 
sempre muito difícil entender o que 
levou o animal a morder alguém em 
cada caso particular. 
8
sclarecendo melhor: a popula-
ção humana aumentou muito Enos últimos 70 anos e com isso 
há muito mais gente morando nas 
regiões litorâneas e, portanto, mais 
gente entrando no mar (moradores loca-
is e turistas), o que aumenta a probabi-
lidade de encontro com esses animais. 
Vamos lembrar que muitas espécies de 
tubarões de grande tamanho habitam 
naturalmente as áreas costeiras próxi-
mas da praia. Para piorar, esse aumen-
to na ocupação humana também fez com 
que aumentassem as construções na 
orla e a descarga de poluentes no ecos-
sistema marinho, diminuindo a disponi-
bilidade de alimento e as áreas para 
reprodução de tubarões.
9
O tubarão-martelo
importante lembrar que 
essa situação não cau-Esou apenas o aumento 
no número de ataques de tuba-
rões, mas também queimaduras 
por águas-vivas, ferroadas de 
bagres mortos pelas pescarias e 
jogados à praia, ferroadas de 
raias e mordidas de alguns 
outros peixes, fenômenos que só 
aumentaram com as pessoas em 
maior número no mar. 
10
untando as duas razões: grandes 
predadores com dificuldade de Jencontrar alimento em áreas 
costeiras degradadas cada vez mais 
cheias de pessoas.
Enfim, esquecemos que o mar é a casa e 
o ambiente natural deles, mesmo perto 
da faixa de areia em que frequentamos. 
Acidentes com tubarões em praias 
aumentaram nos últimos 70 anos na 
mesma proporção que aumentou a popu-
lação humana. Essa relação é direta e 
não deve ser esquecida. 
11
enhuma área costeira do 
mundo está livre de acidentes Nentre humanos e tubarões. 
Algumas um pouco mais, outras nem 
tanto. No Brasil, com seus quase 8000 
quilômetros de costa, acidentes com 
tubarões são registrados e acontecem 
desde antes do Descobrimento. Por aqui 
temos muitas espécies de tubarões de 
grande tamanho que vivem próximos da 
faixa de areia e também muitas praias 
com grande concentração de pessoas. 
Ainda assim, acidentes são raros e, 
exceto pela Região Metropolitana de 
Recife (PE), onde acidentes se tornaram 
um problema a partir da década de 
1990, não há motivo para preocupação 
exagerada com os tubarões nas praias 
brasileiras. É certo que os acidentes 
continuarão acontecendo, mas numa 
proporção muito baixa, não justificando 
uma histeria coletiva.
2Onde acontecem
os ataques?
12
omo vimos, acidentes com tuba-
rões são raros. Segundo o CArquivo Internacional de 
Ataques de Tubarões, sediado na 
Flórida (EUA), foram registrados, entre 
1900 e 2022, mais de 3000 casos de 
ataques de tubarões. Os Estados Unidos 
são os recordistas, com mais de 1600 
casos, mas Austrália, África do Sul e 
Brasil também estão entre os países 
com mais acidentes. A taxa de mortali-
dade média durante todo esse período é 
de quase 30%. A média de ataques por 
ano no mundo foi de 74 casos nos últi-
mos 10 anos. O número decaiu conside-
ravelmente em 2020 por conta da 
Pandemia de COVID 19, que fez com 
que milhões de pessoas deixassem de 
frequentar as praias. 
13
o caso do Brasil, temos 
mais de 8000 quilôme-Ntros de costa e mais de 
4000 praias, muitas delas popula-
res e bastante frequentadas. 
Oficialmente, são 111 casos regis-
trados desde o século 19, mas 
esse número é possivelmente 
maior, já que as notificações sobre 
acidentes com tubarões no Brasil 
só começaram a ser contabiliza-
das na década de 1990 e temos 
muitas praias de difícil acesso.
Quase todo ano recebemos notíci-
as de que houve algum acidente 
no Brasil. A maioria, felizmente, 
não é tão grave e a pessoa leva 
alguns pontos e tudo não passa de 
um grande susto. Na grande 
maioria das vezes, a situação não 
justifica pânico ou mudança de 
hábitos no uso da praia.
14
 partir da década de 1990, uma 
área no Brasil se tornou mais Aconhecida e preocupante por 
causa dos acidentes. No estado de 
Pernambuco, principalmente na Região 
Metropolitana de Recife, os acidentes 
graves passaram a ser muito frequentes 
desde então. Compare no gráfico abaixo.
15
té hoje a área registra 
acidentes esporádicos. AOs pesquisadores de lá 
conhecem bem o problema e 
com o tempo entenderam quais 
razões explicam o fenômeno.
16
O cabeça-chata
asicamente alguns tubarões 
grandes, como o cabeça-chata B(Carcharhinus leucas) e o tuba-
rão-tigre (Galeocerdo cuvier), que vivem 
próximos da costa, tiveram suas necessi-
dades naturais por alimento e reprodu-
ção prejudicadas pela grande alteração 
no ambiente ali ocorrida, entre outros 
fatores causada pela construção de um 
grande complexo portuário ao Sul. Isso 
afetou a oferta de alimento e de área 
para reprodução, ao mesmo tempo em 
que cresceu o número de pessoas na 
orla, principalmente surfistas. 
17
om o trabalho de educação reali-
zado junto à população, hoje as Cpessoas sabem conviver com o 
risco sem causar importantes impactos 
socioeconômicos na região.
É importante, pois, lembrar que aciden-
tes com tubarões são consequência da 
invasão e da degradação do ambiente 
marinho causadas pelos seres humanos 
através da pesca e da destruição do 
ecossistema, como obras, agentes polu-
entes etc. Os locais onde mais aconte-
cem acidentes são justamente praias de 
áreas urbanas e com muita gente. 
O tubarão-tigre
18
por isso que a 
maioria das Evítimas de tuba-
rões são banhistas e 
surfistas que usam a 
área costeira para lazer 
ou esporte, como mostra 
a figura abaixo.
19
ormalmente, são considerados 
mais perigosos os tubarões de Ngrande tamanho, hábitos car-
nívoros e que podem se aproximar da 
costa. Na verdade, existem muitas espé-
cies dentro dessa categoria, porém a 
grande maioria poucas vezes se envol-
veu em acidentes com humanos. Para se 
ter uma ideia, os números oficiais mos-
tram que das quase 600 espécies de 
tubarões, cerca de 40, apenas, já morde-
ram alguém ao menos uma vez. Na 
maioria das vezes, é bem difícil identifi-
car qual espécie de tubarão atacou. Isso 
porque os machucados são bem irregu-
lares e o animal quase nunca é visto. 
Dos mais de 3000 ataques registrados 
em 120 anos de estatística mundial, em 
apenas 950 deles houve uma tentativa 
de identificação, nem sempre precisa. 
Nos outros mais de 2000 casos, essa 
informação é desconhecida. 
3Quais são os
tubarões mais perigosos?
20
história mostra que são três os 
tubarões mais envolvidos em Aataques: o tubarão branco, (Car-
charodon carcharias), com 351 casos e 59 
óbitos, o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvi-
er), com 142 casos e 39 óbitos, e o cabeça-
chata (Carcharhinus leucas), com 119 
ataques, entre os quais 19 óbitos. O tuba-
rão-tigre e o cabeça-chata são os mais 
envolvidos nos acidentes de Pernambuco. 
Estas três espécies sozinhas respondem 
por 612 casos de ataques (a maioria dos 
casos nos quais houve alguma identifica-
ção) e 124 mortes.
21
utras espécies que 
podem eventualmente Oatacar são os tubarõesda galha-preta (duas espécies, 
Carcharhinus brevipinna e 
Carcharhinus limbatus), os 
tubarões-martelo (três espéci-
es de grande tamanho, 
Sphyrna spp.) e a mangona 
(Carcharias taurus). Todas 
essas espécies mencionadas 
ocorrem no litoral brasileiro, 
embora o tubarão-branco seja 
relativamente mais raro.
22
s estatísticas não men-
tem. A chance de ser Aatacado por um tubarão é 
muito pequena, mesmo em locais 
onde esses acidentes acontecem 
com mais frequência. As probabi-
lidades de um ataque são baixas 
e as de morrer menores ainda. 
Existem centenas de situações 
vividas por nós em nosso dia a 
dia muito mais perigosas e de 
maior probabilidade de acontecer 
do que ser atacado por um tuba-
rão. Acidentes de trânsito, de 
trabalho, acidentes domésticos, 
choque elétrico, raios, afogamen-
tos, doenças, violência urbana 
são, infelizmente, causadores de 
milhares de mortes todos os dias.
Confira a figura a seguir: 
Qual o risco de
sofrer um ataque de tubarão?
23
24
esmo outros animais 
podem causar muito Mmais acidentes e mortes 
do que tubarões. Muitos dos leitores 
já foram mordidos por cães ou 
conhecem quem foi. Mas quantos já 
foram mordidos por tubarão ou 
conhecem quem tenha sido? Leões, 
tigres, leopardos, ursos, crocodilos, 
cobras, aranhas, hipopótamos, ele-
fantes, escorpiões e uma infinidade 
de outros animais causam mais 
acidentes e mortes do que tubarões.
25
5O que fazer para
evitar um ataque de tubarão?
omo foi dito antes, nenhuma 
região costeira do mundo está Ccompletamente livre de um aci-
dente com tubarões e na grande maioria 
o risco é insignificante. Para evitar um 
encontro ou, pior ainda, um ataque de 
tubarão, não existe uma receita pronta. 
Existem, sim, algumas recomendações 
que podem ajudar a diminuir ainda mais 
o risco. Essas recomendações valem para 
situações diferentes: para evitar um 
encontro, para o caso de avistar um 
tubarão nas proximidades e para o caso 
extremo de um tubarão resolver atacar.
IMPORTANTE
Nunca se esqueça que
o mar é a casa deles
e o invasor é você.
26
Ÿ Evite entrar no mar sozinho;
Ÿ Evite horários com pouca luz, 
como o amanhecer, o entardecer e 
o período noturno;
Ÿ Procure ficar em águas mais rasas 
e nunca sozinho;
Ÿ Se tiver ferimento que possa san-
grar, saia da água ou nem entre;
Ÿ Não urine na água;
Ÿ Evite objetos brilhantes;
Ÿ Saia da água se perceber atividade 
de vida marinha nas proximidades;
Ÿ Informe-se com os salva-vidas 
locais sobre histórico de tubarões;
Ÿ Caso aviste um tubarão nas proxi-
midades, saia o mais rápida e 
calmamente possível, evitando 
movimentos espalhafatosos, que só 
servirão para chamar mais ainda 
a atenção do animal.
Para evitar um encontro
27
nfelizmente, o que mais se diz sobre 
os tubarões são histórias de ata-Iques. O que nem sempre é noticiado 
ou divulgado ao público são as ameaças 
que os tubarões e as raias sofrem por 
conta da ação humana, que coloca mui-
tas espécies em risco de desaparecimen-
to. Muitas das quase 600 espécies de 
tubarões estão em extinção - isso porque 
os tubarões são pescados em grandes 
quantidades em todo o mundo. Estima-
se entre 80 e 100 milhões de tubarões 
mortos anualmente por redes e anzóis 
mundo afora - um a cada três segundos!
6Mas afinal,
quem ataca quem?
28
maior ameaça para as espécies 
marinhas é a pesca e a destrui-Ação do ambiente. Tubarões são 
animais muito ameaçados de extinção 
porque a quantidade de animais que 
morrem é maior do que a quantidade de 
animais que nascem. Isso acontece por 
eles terem características biológicas 
parecidas com muitos animais terres-
tres (como a onça, por exemplo). Eles 
demoram a crescer e com isso só se 
reproduzem depois de muito tempo. 
Produzem poucos filhotes. Quase 40% 
das espécies de tubarões e raias no 
mundo está ameaçada. Esses números 
são similares para as cerca de 200 espé-
cies que temos no Brasil.
29
ções públicas urgentes devem 
ajudar na educação das pessoas Ae também oferecer alternativas 
econômicas para quem pesca esses ani-
mais, caso contrário em poucos anos 
várias espécies irão desaparecer. O 
crescimento desordenado das cidades e 
todo o seu efeito negativo no meio ambi-
ente tem aumentado assustadoramente, 
causando a destruição física do ambien-
te - obras costeiras como portos, especu-
lação imobiliária, lixo não-orgânico, 
fazendas de criação de crustáceos em 
áreas de manguezais - e também a 
degradação química através de poluen-
tes tóxicos incorporados ao organismo 
dos tubarões.
30
sso pode causar um proble-
ma de saúde pública para Iquem consome esses ani-
mais, mas também trazer sérios 
problemas de saúde ao próprio 
animal, cujo desenvolvimento 
fica comprometido, o que tam-
bém vem a ser um fator de 
mortalidade. Os ataques contra 
seres humanos nada mais são 
do que uma resposta de sobrevi-
vência desses predadores cada 
vez mais ameaçados. Ao se 
alimentarem e se reproduzirem, 
eles estão tentando sobreviver 
num ecossistema muito degra-
dado e sem qualidade.
31
extinção de muitas espécies vai 
causar desequilíbrio na cadeia Aalimentar do ambiente mari-
nho, fazendo diminuir as populações dos 
animais de que se alimentam até che-
gar no que os pesquisadores chamam de 
efeito “cascata”, que atinge desde o alto 
da cadeia alimentar até a base onde 
estão as algas marinhas. Sem as algas 
marinhas o mundo perderia 55% do 
oxigênio que respiramos. Portanto, os 
efeitos da extinção dos tubarões são 
trágicos para o ambiente marinho e, por 
tabela, para os seres humanos, que 
dependem do mar para sobreviver e do 
oxigênio produzido pelos oceanos.
32
lém das autoridades 
governamentais, dos Apolíticos, das ONGS 
e dos pesquisadores, nós 
como cidadãos podemos tam-
bém dar nossa contribuição. 
Como? Comece se interes-
sando pelo meio ambiente e 
toda a vida que nele existe, 
entendendo sua importância 
para a sobrevivência de 
nossa própria espécie.
7Finalmente, o que
você pode fazer para ajudar?
33
rocure entender que os tubarões 
não são assassinos, e sim magní-Pficos predadores cumprindo seu 
papel biológico num ambiente invadido e 
destruído, e que são elas - a invasão e a 
destruição de seu ambiente – que fazem 
aumentar a probabilidade de acidentes. 
Também é importante que esse interesse 
seja compartilhado entre você, seus ami-
gos e sua família, seja em casa, no traba-
lho ou nas escolas. Os oceanos sem tuba-
rões morrerão e junto com ele nossa 
própria sobrevivência estará ameaçada. 
Há um sério risco de que as futuras 
gerações sofram as terríveis consequênci-
as dessa destruição causada pelos huma-
nos. Essa é uma herança que não pode-
mos deixar para os nossos filhos e netos.
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Elaboração e texto:
Jones Santander Neto (IFES, Piuma/ES) 
Rodrigo Risi Pereira Barreto (UDESC, Laguna/SC) 
Francisco Marcante Santana (UFRPE, Serra Talhada/PE) 
Marcelo Vianna (UFRJ, Rio de Janeiro/RJ) 
Agradecemos aos seguintes fotógrafos, pesquisadores, entidades e 
instituições pela cessão das imagens: A. Duarte, Daniel Kwok, Guy 
Marcovaldi, Iggy, Marcelo Vianna, Marion Kraschi, Mikael Krister, 
Nicholas Bittencourt, Otto Bismarck Fazzano Gadig, Panoramio, 
Shark Spotters, Statista, Sue Walters, Rodrigo Thomé (Euceano), 
University of Florida, Wikimedia Commons e Willy Volk.
Otto Bismarck Fazzano Gadig (UNESP, São Vicente/SP)
Projeto Gráfico
 
Apoio
A realização do projeto Pesquisa Pesqueira e Marinha é uma medida compensatória 
estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta, de responsabilidade da empresa 
PRio e conduzido pelo Ministério Público Federal - MPF/RJ.
23-177501 CDD-596
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Acidentes com tubarões [livro eletrônico] : o que 
 saber e o que fazer / [apresentação] Associação 
 dos Amigos do Museu Nacional. -- Santos, SP : 
 Otto BismarckFazzano Gadig, 2023.
 PDF 
 ISBN 978-65-00-83813-8
 1. Acidentes - Prevenção 2. Animais (Zoologia) 
3. Vertebrados I. Associação dos Amigos do Museu
Nacional.
Índices para catálogo sistemático:
1. Vertebrados : Zoologia 596
Tábata Alves da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9253
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