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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/376678629
Raias-viola: rumo à extinção?
Book · December 2023
CITATIONS
0
READS
70
6 authors, including:
Francisco Marcante Santana
Universidade Federal Rural de Pernambuco
90 PUBLICATIONS   1,115 CITATIONS   
SEE PROFILE
Jones Santander Neto
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES)
43 PUBLICATIONS   402 CITATIONS   
SEE PROFILE
Rodrigo Barreto
Centro de Educação Superior da Região Sul (CERES) - UDESC
103 PUBLICATIONS   1,132 CITATIONS   
SEE PROFILE
All content following this page was uploaded by Jones Santander Neto on 20 December 2023.
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https://www.researchgate.net/publication/376678629_Raias-viola_rumo_a_extincao?enrichId=rgreq-818365172a174224753b4e1f703dbfcc-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzM3NjY3ODYyOTtBUzoxMTQzMTI4MTIxMzYyMjIwMkAxNzAzMDgwMzEzOTcy&el=1_x_2&_esc=publicationCoverPdf
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Associação dos
Amigos do
Museu Nacional
apresenta
rumo à extinção?
raias-viola
2
s raias, juntamente com os 
tubarões, formam o grupo Ados Elasmobrânquios, 
animais vertebrados cujo esqueleto 
é constituído de uma cartilagem 
bem calcificada, diferentemente 
dos outros peixes - a sardinha, o 
atum, o salmão, entre tantos 
outros -, de esqueleto ósseo.
s raias, de modo geral, 
apresentam suas guel-Aras localizadas na parte 
ventral do corpo, abaixo da 
cabeça, e suas nadadeiras peito-
rais estão unidas à cabeça, for-
mando um contorno contínuo. 
Guelras
Nadadeiras peitorais
3
daptadas para viver 
no fundo do oceano, Ana zona dita bentôni-
ca, elas são comumente 
encontradas em substratos 
arenosos ou lamosos. 
4
raia-viola recebeu esse 
nome devido ao seu forma-Ato, que lembra o instrumen-
to musical. Por esse mesmo motivo, 
também pode ser chamada de raia-
banjo. Na língua inglesa, são geral-
mente chamadas de guitarfishes 
(guitar, do inglês violão, guitarra).
5
s muitas espécies de 
raias-viola que existem Apelo mundo atingem 
comprimentos variados, desde 
aquelas pequenas, com menos 
de 40 cm, até algumas com 
quase 2 metros. As espécies 
brasileiras variam de 45 cm até 
1,4 m de comprimento.
6
s raias, assim como todos os pei-
xes cartilaginosos, possuem um Apar de órgãos sexuais denomina-
dos cláspers, localizados entre as nadadei-
ras pélvicas e encontrados apenas nos 
machos. Diferente dos humanos, os elas-
mobrânquios não possuem ânus (para a 
saída de fezes) e sim cloaca (por onde saem 
as fezes, urina, ovos e embriões, tudo pela 
mesma abertura). Todas as raias-viola se 
reproduzem com bolsa de vitelo, ou seja, o 
embrião fica dentro da mãe durante a ges-
tação e se alimenta por uma bolsa rica em 
vitelo até o momento de ser parido.
Cloaca
Cláspers
MACHO FÊMEA
7
alimentação varia dependendo 
da espécie, mas de modo geral Aas raias-viola possuem hábitos 
carnívoros, a dieta baseada principalmen-
te em pequenos crustáceos (camarões, 
caranguejos e afins), anelídeos marinhos 
(parentes das minhocas) e peixes. Elas 
são importantes no controle populacional 
de suas presas, ajudando a manter o 
equilíbrio do ambiente onde vivem.
Caranguejo-azul
Manjubinha
Camarão-rosa
Tatuí
Poliqueta
8
o litoral brasileiro 
podemos encontrar Ntrês espécies diferen-
tes de raias-viola: duas de foci-
nho mais longo e com tamanho 
maior (Pseudobatos) e uma de 
focinho mais curto e de tama-
nho menor (Zapteryx).
Uma raia-viola da espécie Pseudobatos horkelii.
9
viola Pseudobatos horkelii é muito 
parecida com a próxima por ter o Ajeitão do corpo igual, o focinho 
comprido e as nadadeiras peitorais menos 
largas, mas se diferencia daquela em deta-
lhes, como a cor uniforme em tons amare-
lados ou castanho-oliváceos. 
Sem manchas
Tonalidade uniforme
verde-oliva acinzentada
Nadadeiras dorsais
10
s fêmeas de Pseudobatos horkelii 
podem atingir até 1,4 m de com-Aprimento e se tornam maduras 
sexualmente com 91 cm. Já os machos são 
maduros a partir dos 75 cm.
Fossa nasal
Fendas
branquiais
91 cm
11
s fêmeas adultas conse-
guem interromper ou Aretardar temporariamente 
o desenvolvimento do seu embrião 
no útero (o nome técnico disso é 
diapausa embrionária). É uma 
especialização no modo de repro-
dução que nem todos os tubarões e 
raias possuem. A cada gestação ela 
gera de 3 a 12 filhotes. 
Embriões de Pseudobatos horkelii
coletados de fêmeas grávidas capturadas
pela pesca de arrasto no Sul do Brasil.
12
las habitam fundos moles 
na região da costa, desde Eáguas rasas no verão até 
150 metros de profundidade. No 
Brasil, essa espécie é conhecida 
principalmentedo Rio de Janeiro 
ao Rio Grande do Sul, mas houve 
um curioso caso em que foi encon-
trada em Sergipe, no Nordeste.
Área de distribuição de
Pseudobatos horkelii
13
outra espécie de viola de foci-
nho comprido é Pseudobatos Apercellens, que se diferencia da 
anterior por ter uma coloração também 
castanha mas que pode ter pintas claras 
(muitas ou poucas) e algumas faixas 
escuras, bem marcadas ou não, mas 
sempre presentes. Ela é um pouco 
menor, atingindo 1 m de comprimento.
Uma raia-viola da espécie Pseudobatos percellens.
14
a parte de cima do corpo, 
correndo pelo meio das costas Ndesde a parte de trás da cabe-
ça até as nadadeiras dorsais, ela tem 
mais de 70 pequenas protuberâncias (o 
nome técnico é tubérculo), todas de 
tamanho similar. A espécie anterior 
também apresenta esses tubérculos, 
mas eles são de tamanhos diferentes 
entre si, de modo que as costas parecem 
ser mais ásperas em sua linha central.
Nadadeira caudal
Coloração marrom
Tubérculos
Nadadeira peitoral
15
s indivíduos de 
Pseudobatos Opercellens se 
tornam adultos a partir dos 
50 cm, podendo chegar até 
1 metro de comprimento 
total (CT).
100 cm
16
êmeas maduras de 
Pseudobatos percellens Fpodem dar à luz no máximo 
até 5 filhotes por gestação.
Embrião em desenvolvimento inicial
de Pseudobatos percellens com presença de saco vitelino. 
Fêmea grávida de Pseudobatos percellens,
medindo 71 cm de comprimento total
(do focinho à cauda). 
17
ode preferir águas 
costeiras até um limi-Pte de 110 metros de 
profundidade, com distribui-
ção geográfica do México até 
o sul do Brasil.
Área de distribuição de
Pseudobatos percellens
18
omo o próprio nome já 
diz, a raia-viola-do-Cfocinho-curto, Zapteryx 
brevirostris, diferentemente 
das outras, apresenta a extre-
midade do focinho curto, arre-
dondado, e o corpo em forma 
de pá ou de banjo, que é outro 
tipo de instrumento musical.
Raia-viola-do-focinho-curto, também
chamada de banjo (Zapteryx brevirostris).
19
eu corpo lembra 
uma “pá” doméstica, Sapresentando nada-
deiras peitorais mais largas 
quando comparado às 
outras raias-viola.
Coloração marrom
acinzentada Manchas escuras
e translúcidas
Olhos
Focinho
curto
20
uando atingem a fase 
adulta, as fêmeas de QZapteryx brevirostris 
apresentam comprimento total 
entre 42 cm e 44 cm. A espécie 
fica madura sexualmente a 
partir de 35 cm, mais ou menos.
42 - 44 cm
21
s raias são animais que apresen-
tam seu desenvolvimento desa-Acelerado. Fêmeas grávidas, por 
exemplo, de Zapteryx brevirostris, demo-
ram cerca de um ano para gestar seus 
filhotes, gerando poucos indivíduos por 
gestação. Nascem, geralmente, de 3 a 6 
filhotes por gestação.
Embriões de Zapteryx
brevirostris, medindo 10,5 cm
de comprimento total
(do focinho à cauda).
1
2
3
1 - Saco vitelínico;
2 - Ovário;
3 - Útero. 
22
ão encontradas até 50 
metros de profundidade Sno Brasil (do Espírito 
Santo até a Região Sul), no 
Uruguai e na Argentina.
Área de distribuição de
Zapteryx brevirostris
23
 grande ameaça que esse 
grupo enfrenta é a pressão Aintensa da pesca de arrasto 
de fundo. Esta modalidade de pesca 
acaba sendo extremamente impac-
tante para esses animais, retirando 
da água desde indivíduos imaturos, 
como recém-nascidos e jovens, até 
adultos, o que os impede de se 
reproduzir e “repor” a quantidade 
retirada pela pesca.
Barco de pesca de arrasto de camarão.
24
Fêmeas 
de ,
popularmente conhecidas
como “reloginho”, mortas
pelo arrasto de camarão e
descartadas no mar.
ovígeras (grávidas)
Persephona punctata
Embriões de
Zapteryx brevirostris 
retirados do útero de
fêmeas grávidas mortas
pelo arrasto de camarão
no Sudeste do Brasil.
Diversidade de espécies
mortas e frequentemente
descartadas pela pesca
de arrasto de camarão
no Sudeste do Brasil. 
25
captura frequente desses animais 
gera danos rotineiros em sua Aestrutura física, chegando até a 
morte, mesmo quando devolvidos ao mar.
Pseudobatos horkelii
capturada por arrasto de camarão
em uma área de proteção
ambiental, onde não é permitido
qualquer tipo de pesca. Obs: O
material foi apreendido pela
policia ambiental. 
Corte profundo na
nadadeira peitoral
ocasionado por
rede de pesca. 
Pseudobatos percellens
morta em decorrência da
pesca de arrasto. Note a
presença de cortes em sua
coluna vertebral.
26
 destruição das zonas costeiras, 
impulsionada pela ação humana, é Aum problema ambiental significati-
vo para as raias-viola, pois degrada os habi-
tats essenciais destas espécies, que vivem 
junto ao continente.
Poluição.
Erosão.
27
m vista disso, este grupo 
de raias foi recentemente Econsiderado como um dos 
grupos mais ameaçados de 
Elasmobrânquios, atrás apenas 
das raias-serra (Pristis), conside-
radas o grupo de elasmobrânqui-
os mais ameaçado do mundo!
28
tualmente, as três espécies de raias-
viola ocorrentes no litoral brasileiro Afazem parte da lista vermelha de 
espécies mundialmente categorizadas em 
risco de extinção. Da esquerda para a direita: 
Pseudobatos horkelii (criticamente em peri-
go), Zapteryx brevirostris (em perigo) e 
Pseudobatos percellens (em perigo).
29
stes animais exercem papéis 
importantíssimos para o funcio-Enamento dos oceanos, sendo 
cruciais para o equilíbrio populacional 
de suas presas e predadores; portanto, 
qualquer mudança na cadeia alimentar 
influencia também na sobrevivência dos 
outros seres vivos.
Por que preservá-las? 
Denominados predadores de topo,
os tubarões ocupam o nível mais
alto da cadeia alimentar. 
As raias-viola exercem a função de
predadoras intermediárias, consumindo
geralmente os consumidores primários
(camarões, p. ex.) e sendo consumidas
por uma diversidade de peixes marinhos
acima do seu nível trófico.
Presentes no Bentos (fundo do mar),
seres como os poliquetas (1) e os
crustáceos (2) fazem parte da dieta
das raias-viola.
1
2
30
lém disso, as raias-viola surgi-
ram no início do Período AJurássico, sendo um dos poucos 
indivíduos sobreviventes a intensos 
períodos geológicos e às mudanças drás-
ticas ocorridas no Planeta Terra.
Por que preservá-las? 
31
las podem auxili-
ar nas economi-Eas locais como 
atrativo para o turismo 
de mergulho.
Por que preservá-las? 
32
- Ainda carecemos de propostas 
para a delimitação de áreas de 
proteção utilizadas por estas
espécies como habitats essenciais.
- Nenhum regime de controle
é aplicado para um manejo
sustentável destas espécies.
Cenário Atual
Pseudobatos percellens recém-nascido
capturado acidentalmente e devolvido ao mar. 
33
xistem exemplares de 
Zapteryx brevirostris manti-Edos em cativeiro que rece-
bem atenção especial no sentido de 
desenvolver estudos de preservação 
da espécie. No Aquário de Ubatuba 
(SP), por exemplo, os pesquisadores 
vêm tentando desenvolver a repro-
dução em cativeiro.
Conservação
34
tualmente, algumas iniciativas 
conduzidas por grupos de pesquisa Atêm buscado realizar solturas com-
pensatórias de várias espécies de raias que 
sobrevivem à captura, no intuito de diminuir 
o impacto da redução de suas populações e 
sensibilizar os pescadores quanto à impo.r-
tância dessas espécies.
Soltura de indivíduos
de Zapteryx brevirostris.
Soltura realizada
na Praia de Píuma, ES.
Conservação
35
Elaboração e texto:
Francisco Marcante Santana (UFRPE, Serra Talhada/PE)
Jones Santander Neto (IFES, Piuma/ES)
Rodrigo Risi Pereira Barreto (UDESC, Laguna/SC) 
Otto Bismarck Fazzano Gadig (UNESP, São Vicente/SP)
Marcelo Vianna (UFRJ, Rio de Janeiro/RJ)
Agradecemos aos seguintes fotógrafos, pesquisadores, entidades e instituições 
pela cessão das imagens de domínio público, cedidas por autores ou sob 
Licenças CC by 2.0. 3.0. 4.0: Annie Sprat, Arquivo Polícia Ambiental Marítima, C. 
Avalos, Carlos Eduardo de Oliveira, Carolus Maria Vooren, D. Derrick, E. 
Espinoza, F. Marcante, F. Motta, G. E. Chiaramonte, G. Rincon, Igor Silva 
Gonçalvesda Cruz, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 
Isabel Martins Pedroso, J. M. Cuevas, J. Nunes, K. Herman, L. Paesch, Laborató-
rio de Dinâmica de Populações Marinhas (IFES, Piúma/ES), Laboratório de 
Invertebrados Marinhos (UFES, Alegre/ES), M. F. Martins, M. P. Blanco-Parra, N. 
K. Dulvy, P. A. Mejía-Falla, P. Charvet, R. Barreto, R. Pollom, S. Montealegre-
Quijano, Thaíza Maria Rezende da Rocha Barreto, V. Faria. 
Isabel Martins Pedroso (IFES, Piuma/ES)
Projeto Gráfico
 
Apoio
A realização do projeto Pesquisa Marinha e Pesqueira é uma medida compensatória 
estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta, de responsabilidade da empresa 
PRio e conduzido pelo Ministério Público Federal - MPF/RJ.
 Raias-Viola: rumo à extinção? / Pedroso, I. M.; Santana, F. M; 
 Santander Neto, J.; Barreto, R. R. P.; Gadig, O. B. F.; Vianna, M. Rio 
 de Janeiro: Associação dos Amigos do Museu Nacional/ FUNBIO, 2023.
 35p. ilus.
 ISBN 978-65-00-89569-8
1.Elasmobrânquios - conservação. 2. Raias - conservação. I. Pedroso, I. M 
II. Santana, F. M. III. Santander Neto, J. IV. Gadig, O. B. F. V. Barreto, 
R. R. P. VI. Vianna, M. VII. Título.
Ficha Catalográfica: Dione Seripierri, Museu de Zoologia, USP. CRB-8/ 3805
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, Brasil
CDU 597.31:574.1
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