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RESUMO INDICATIVO DO TEXTO: SOARES, MAGDA. O fracasso da/na escola. In: Linguagem e escola: uma perspectiva social. Ática, 1996. O fracasso da/na escola coloca em perspectiva o debate histórico do campo da educação a respeito da democratização do ensino e da educação popular. A partir disso, Magda Soares apresenta um conjunto de dados relacionando-os com a problemática do fracasso escolar, corporificado nos recorrentes problemas de “reprovação, evasão, fluxo irregular, baixo nível de proficiência em alfabetização, em língua portuguesa e em matemática, baixa taxa de conclusão na idade prevista, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio”. Esse cenário, encontrado particularmente na escola pública que temos, demonstra que a mesma tem atendido precariamente as camadas populares. Em outros termos, o ensino público, que objetiva a igualdade social através da democratização do ensino, reproduz e perpetua desigualdades que possuem relação direta com o debate do fracasso na escola e da escola. Parafraseando a autora, “a escola que seria para o povo é, na verdade, contra o povo”. Soares apresenta a literatura teórica que debate a questão do fracasso escolar para entender como foi explicada essa contradição. A ideologia do dom, primeira perspectiva apresentada, sustenta que a escola oferece igualdade de oportunidades e que, ao contrário, existem desigualdades naturais entre indivíduos, materializada na existência ou não de aptidões intelectuais, deste modo, o fracasso ou sucesso se explica nas características dos indivíduos. O papel da escola nesta perspectiva é oferecer “atendimento às diferenças individuais” hierarquizando os alunos de acordo com as suas “capacidades” de aprendizagem. Com a universalização do ensino público percebeu-se que as “diferenças naturais” não ocorriam somente entre indivíduos, mas, sobretudo, entre grupos de indivíduos, incorporando, por assim dizer, as relações de classe da sociedade capitalista. Das revisões científicas dessa perspectiva derivou a ideologia da deficiência cultural e posteriormente a das diferenças culturais. Ambas tentam explicar a relação do fracasso escolar com as diferenças socioeconômicas entre as classes sociais. A primeira explica que as condições de vida e as formas de socialização da criança, no contexto dessas condições, permitem ou não o desenvolvimento desde a primeira infância de características que lhes dão a possibilidade de ter sucesso na escola. Mesmo partindo de uma perspectiva materialista, essa abordagem não considera a estrutura social como a causa final da reprodução dessas disparidades. De igual maneira, não rompe com uma abordagem hierarquizada do conhecimento classificando as classes privilegiadas com uma superioridade cultural e as mais pobres com déficits culturais. A crítica antropológica apontou essa perspectiva como etnocêntrica, ao classificar os padrões culturais das classes desfavorecidas como “subcultura” em relação com a classe dominante. A abordagem das diferenças culturais aponta a causa do fracasso escolar na escola, quando esta, ao estar inserida em sociedades capitalistas assume e valoriza a cultura da classe dominante, condenando os padrões culturais das classes populares como errados. Desta forma, o aluno sofre um processo de marginalização cultural e fracassa. A autora destaca como fonte de análise de ambas as perspectivas a dimensão da linguagem, explicado por sua fundamental importância no contexto cultural, sendo ela o principal produto da cultura e instrumento de sua reprodução. Nesse sentido, o confronto ou comparação entre culturas se cristalizam nos usos da língua numa ou noutra cultura.