107:51 Progresso:7/10 2 horas Avaliação de Aprendizagem Profop – Planejamento, Gestão Educacional e Currículo 1 Uma rede municipal de ensino iniciou um processo de reforma curricular pautado pela ênfase em competências e habilidades alinhadas ao mercado de trabalho, retirando conteúdos considerados “desnecessários” para a empregabilidade. Essa escolha foi justificada pela necessidade de tornar a educação mais “eficiente e pragmática”. Considerando essa mudança, qual das alternativas apresenta uma análise crítica consistente com os debates sobre currículo, cultura e exclusão social? A adoção de um currículo voltado à empregabilidade promove a equidade educacional ao garantir que todos os estudantes adquiram habilidades essenciais para o mundo do trabalho. A ênfase em competências mercadológicas reduz o currículo a uma função instrumental, obscurecendo seu papel como espaço de construção crítica da identidade cultural e cidadania. A retirada de conteúdos pouco práticos contribui para a otimização do tempo escolar e melhora os índices de aprovação, sem prejuízo à formação integral dos estudantes. A reforma curricular, ao priorizar a lógica do mercado, assegura a atualização do ensino frente às demandas do século XXI, superando modelos educacionais obsoletos e ideologicamente enviesados. 1 Uma instituição escolar está em processo de reestruturação do seu Projeto Político-Pedagógico (PPP), com o objetivo de torná-lo mais coerente com os princípios de participação coletiva e de inclusão social. Durante os encontros formativos promovidos pela gestão, foram ouvidas diversas vozes da comunidade escolar: pais, estudantes, professores, funcionários e representantes da comunidade local. Porém, a equipe gestora identificou dificuldades para conciliar diferentes visões sobre a missão da escola: alguns professores defendem uma abordagem centrada em resultados mensuráveis, vinculada a metas de desempenho; outros, especialmente os que atuam em projetos de extensão com a comunidade, argumentam que a escola deve assumir um papel social mais ativo, contribuindo para a transformação das condições de vida dos alunos. Nesse cenário, é possível identificar tensões entre diferentes concepções de currículo e de gestão escolar. Considerando essas tensões, qual das opções abaixo representa uma estratégia compatível com os princípios de uma gestão democrática e participativa? Definir previamente as diretrizes do PPP com base em modelos de eficiência técnico-administrativa, garantindo celeridade e padronização na sua implementação. Priorizar as opiniões dos profissionais com maior tempo de casa e formação acadêmica, valorizando a expertise técnica em detrimento das demais vozes. Estabelecer espaços permanentes de escuta, deliberação e negociação coletiva, de modo a articular os diferentes interesses em torno de objetivos comuns e construídos coletivamente. Manter a estrutura organizacional atual, orientando o PPP segundo os interesses da equipe gestora para evitar conflitos e preservar a autoridade institucional. 1 Em uma escola pública situada em uma comunidade periférica urbana, o corpo docente se depara com um currículo prescrito que prioriza conteúdos eurocentrados e pouco contextualizados com a realidade sociocultural dos estudantes. Apesar das tentativas de alguns professores em adaptar as atividades à vivência dos alunos, a gestão escolar insiste na adoção estrita dos livros didáticos adotados pela rede, em nome da “efetividade” das avaliações externas. Com base nesse cenário, analise as implicações dessa postura para o processo de construção identitária dos estudantes e a função social da escola, à luz das discussões contemporâneas sobre currículo. A adesão ao currículo prescrito garante a igualdade de oportunidades ao padronizar o ensino, eliminando possíveis vieses culturais que comprometeriam o desempenho dos alunos em avaliações nacionais. A manutenção de um currículo descontextualizado representa uma neutralidade pedagógica que preserva a universalidade do conhecimento escolar e evita o relativismo cultural. A imposição de um currículo centrado em referências externas à realidade dos estudantes contribui para a desvalorização de suas experiências culturais e reproduz hierarquias simbólicas no espaço escolar. A tentativa de adaptar o currículo à realidade dos alunos compromete a qualidade do ensino ao enfraquecer os fundamentos epistemológicos clássicos, promovendo uma visão utilitarista da educação. 1 A escola tem sido tradicionalmente compreendida como o espaço legítimo para a transmissão de saberes, sendo o currículo concebido como um instrumento normativo de organização dos conhecimentos socialmente reconhecidos. No entanto, na contemporaneidade, tal visão vem sendo amplamente questionada, sobretudo diante das transformações nas formas de circulação e apropriação da informação, nas quais os sujeitos passam a construir suas referências culturais e cognitivas em múltiplos espaços – não apenas físicos, mas também simbólicos e digitais. Essa nova realidade exige um deslocamento do olhar sobre o currículo: ele não pode mais ser pensado como uma simples sequência de conteúdos a serem ensinados, mas como um território de disputas onde múltiplas racionalidades, afetos, saberes e forças atuam simultaneamente. Nesse cenário, a escola é convocada a promover experiências educativas que acolham essa complexidade e que permitam aos sujeitos a invenção de si e do mundo, em uma pedagogia que se orienta mais pela experimentação do que pela previsibilidade. Considerando esse contexto, assinale a alternativa que melhor representa uma concepção crítica e contemporânea de currículo. O currículo deve funcionar como instrumento de racionalização da experiência escolar, permitindo que os conteúdos sejam organizados de forma sequencial e cumulativa, garantindo o desenvolvimento progressivo das competências cognitivas. O currículo deve ser concebido como espaço de multiplicidade, experimentação e produção de subjetividades, incorporando os saberes emergentes do cotidiano e rompendo com as lógicas hierárquicas e totalizantes de organização do conhecimento. O currículo deve priorizar conteúdos que preparem os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, com ênfase em áreas estratégicas como ciência, tecnologia e inovação, garantindo a produtividade e a competitividade da educação nacional. O currículo deve garantir a transmissão das tradições culturais e dos valores fundantes da sociedade, assegurando a preservação da identidade nacional frente às ameaças da globalização.