Referente ao conceito de pessoa idosa é incorreta: a) para a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O mesmo entendimento está presente na Política Nacional do Idoso (instituída pela lei federal 8.842), de 1994, e no Estatuto do Idoso (lei 10.741), de 2003. Mas devemos tomar cuidado ao discutir a pessoa idosa apenas com base em limites etários, pois estes fazem parte de convenções sociais, definindo os grupos sociais que poderão ter acesso a determinados direitos ou políticas sociais, tais como idosos e crianças e adolescentes. b) as convenções estão em permanente disputa, pois algumas legislações abordam os direitos dos idosos com base em idades diferentes. O Estatuto do Idoso, ainda que entenda como pessoa idosa aquela que tem 60 anos ou mais, só garante a gratuidade em transportes públicos a quem tem 65 anos. O mesmo ocorre com o acesso ao Benefício de Prestação Continuado (BPC), que o estatuto afirma que será devido "aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família" (Brasil, 2003). c) o Estatuto do Idoso, menciona determinados benefícios de progressão de penas, mencionando a idade de 70 anos. E há discrepâncias até mesmo dentro do próprio, Código Penal que também apresenta uma prioridade dentro da prioridade a partir de 2017, ou seja, as pessoas com 80 anos ou mais passaram a ser priorizadas em relação às que têm 60 anos (Brasil, 2017). Desse modo, problematiza-se, portanto, os riscos de englobar um público que é heterogêneo em uma denominação conceitual moderna que na prática se refere apenas a um contingente de idosos. d) o envelhecimento da população sempre se encontra em um processo diferencial e heterogêneo. Aos 70 anos, por exemplo, algumas pessoas conservam mais seu vigor físico, sua capacidade intelectual, sua curiosidade científica, outras menos. Tudo irá depender do ambiente, das condições materiais e sociais em que viveram, especialmente na vida laboral, se foram mais ou menos estimulados dentre outras inúmeras variáveis (Duarte, 1999, citado por Bitencourt, 2020).