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DIREITO PROCESSUAL PENAL I – 1º BIMESTRE Direito penal = ultima ratio do direito, ou seja, só é aplicável quando nada mais for capaz de proteger o bem jurídico. Processo penal = determinações sobre o processo a ser aplicado quando já houve a violação ao bem jurídico. A ideia é que o Direito Penal é feito para não ser utilizado, para ficar apenas como recomendações do que não fazer. No entanto, aplica-se a partir do momento em que alguém pratica o núcleo do tipo penal. Fontes do Direito Processual Penal 1. Vontade do povo/lei: tudo nasce a partir da vontade coletiva que incita o legislador a agir. 2. Doutrina 3. Jurisprudência 4. Costumes (princípio da adequação social) Conflitos Colisão entre lei e princípio: quando houver colisão entre lei e princípio, o princípio irá afastar a lei, já que ele orienta todo o ordenamento jurídico Colisão entre princípios: nesse caso, analisa-se o que mais se aproxima do princípio da dignidade da pessoa humana. P. ex.: transfusão de sangue em testemunha de Jeová – o princípio da vida prevalece. Princípios processuais penais Princípio da verdade real Esse princípio apresenta que é necessário reconstruir o caso criminoso o mais próximo possível da forma que ocorreu, porque assim se saberá se a denúncia/queixa merece ou não procedência. Para que isso seja apontado, é preciso que o juiz tenha mais relevância, mais protagonismo, pois ele irá conduzir o processo de forma que esse objetivo seja alcançado. No processo penal, por exemplo, se o réu não se manifesta, não se considera revelia (como no CPC), mas suspende-se o processo até que ele possa ser encontrado. O direito ao contraditório aqui é essencial! Não se admitem os fatos incontroversos, tudo requer investigação e contraditório para analisar se as provas corroboram entre si para comprovar a verdade. Também não são admitidas as provas ilícitas, apenas quando (EXCEPCIONALMENTE) favorecerem o réu. Isso pois, para produzir a prova, a pessoa cometeu um crime – p. ex. confissão por meio de tortura. Princípio do contraditório Esse princípio defende a possibilidade de se contraditar os atos de uma parte do processo, para proteger tanto a acusação quanto a defesa. Contraditório para a prova: a defesa participa da produção da prova – representa um verdadeiro contraditório. P. ex. a presença do advogado na hora de produzir a prova testemunhal. Contraditório sobre a prova: a parte que não participou da prova pode contestá-la – é o contraditório postergado. Algumas provas são produzidas no decorrer da investigação, então essas são contraditas dentro do processo, pois não há contraditório no inquérito. Princípio da ampla defesa A ampla defesa se apresenta quando ocorre o interrogatório (do réu). No dia do julgamento perante o júri, o que existe é a PLENITUDE de defesa, que é ainda mais ampla do que a própria ampla defesa. Nesse dia, a parte pode avançar e ir além do que se diz no direito, ainda que não tenha nada a ver com o processo. Princípio da presunção de inocência Princípio constitucional (art. 5º, LVII) que leciona que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Esse tema foi muito discutido pelo STF, mas hoje se fala que o princípio vai até o trânsito em julgado, não podendo existir execução provisória da pena. O entendimento vem do HC 126292 de 2019, quando discutiam-se os recursos especiais, já que estes não tratam de exame de mérito. Entendeu-se que esses recursos podem provocar reviravoltas no início do processo, como a suspeição do Sérgio Moro. Exceção: art. 492, §4º, CPP → incluído pelo pacote anticrime (L. 13.964/2019) – pode-se executar uma sentença provisoriamente que tenha sido feita pelo tribunal do júri. ➔ Art. 492, §4º: a apelação interposta contra decisão condenatória do Tribunal do Júri a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão não terá efeito suspensivo. • Lembrando que a apelação, em geral, suspende os efeitos da sentença condenatória em primeiro grau, pois tem a intenção de modificar o mérito por meio de reanálise do fato e do direito. Princípio nemo tenetur se detergere Princípio de ficar calado, de não produzir prova contra si mesmo. Art. 5º, LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado. P. ex.: o goleiro bruno raspou todos os pelos do seu corpo e se recusou a produzir o material para a perícia grafotécnica. Art. 186, CPP. Princípio da oficiosidade e da obrigatoriedade da ação p. p. incondicionada O delegado, assim como o representante do MP, precisam agir de ofício. O conhecimento da ocorrência de delito que tenha essa ação os obriga a agir, sob pena de cometer o crime de prevaricação. Princípio da indisponibilidade + independência funcional A ação penal pública é indisponível, ou seja, uma vez proposta, não se pode voltar atrás. O mesmo acontece em recurso: o promotor não é obrigado a recorrer, mas se recorer não pode desistir. Como existe o princípio da independência funcional do promotor, no entanto, os promotores principal e substituto podem ter tese diversa. Princípio da oficialidade O Estado é o único com o direito de administrar a justiça. Princípio do duplo grau de jurisdição O réu e o MP têm direito de recorrer. Prefeito, governador e presidente não têm o duplo grau, pois são julgados diretamente por tribunal colegiado. O JECrim também tem segundo grau, que são as Turmas Recursais (não vai para o Tribunal de Justiça!). Princípio da imparcialidade É preciso seguir a vontade da lei. Vale lembrar, no entanto, que imparcialidade e neutralidade são coisas distintas. O juiz pode ter suas convicções, mas não pode deixá-las dominar sua decisão. Princípio da iniciativa das partes A jurisdição é inerte, então precisa ser provocada. É preciso que a parte dê um impulso, seja o MP ou o querelante (ação p. privada). Princípio da igualdade Tudo que for dado a uma parte tem que ser dada a outra, porque as partes precisam estar em iguais condições. As únicas exceções são o HC (que só pode ser usado a favor do réu em forma preventiva) e a revisão criminal (que só pode ser feita quando beneficiar o réu). Princípio do ne bis in idem Art. 7º, I, CP. Ninguém pode ser processado e/ou condenado duas vezes pelo mesmo crime. Art. 8º → um crime julgado fora do país precisa ser julgado no Brasil também, mas a segunda pena atenua a primeira, para que o bis in idem já existente seja tolhido. Princípio da persuasão racional do julgador O juiz é livre para apreciar as provas dos autos e decidir, mas precisa ser fundamentado. Princípio do juiz natural O juiz que julga cada crime é previamente determinado. P. ex, se cometer um crime contra a vida, é julgado pela 1ª V. Criminal de Maringá. Princípio da publicidade Salvo os processos que precisam correr em segredo de justiça, os atos do poder judiciário são públicos.