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DIREITO PROCESSUAL PENAL *** O que é o direito processual penal? É um ramo de direito publico, e consiste num principio de normas e princípios jurídicos que regulam o modo como, perante as autoridades judiciárias é conduzido o conjunto dos atos processuais com o objetivo de averiguar a verdade, bem como condenar ou absolver o arguido. No entanto, essa verdade não pode ser obtida sem restrições. Existem certos limites que têm, que respeitar a CRP, o CPP e legislação processual penal extravagante. Temos o artigo 27º, no qual postula que ninguém pode ser privado da sua liberdade, a não em casos extremos, nomeadamente na consequência de uma decisão judicial condenatória pela prática de um facto ilícito típico, que seja punido com pena de prisão. E o artigo 4, determina que toda a pessoa privada da sua liberdade deve por sua vez ser informada imediatamente das respetivas razões da sua prisão ou de detenção, bem como dos seus direitos. E na eventualidade da privação da liberdade ser contra o disposto da CRP, o Estado tem o dever de indemnizar o lesado. Artigo 28, a detenção será num prazo máximo de 48 horas, e o juiz deve conhecer as causas que determinam tal detenção, e comunicá-las ao detido, interrogando-lhe e cedendo-lhe a oportunidade de defesa. Artigo 29: a aplicação da lei criminal determina que ninguém pode ser julgado mais do que uma vez pela prática do mesmo crime. Artigo 30: limites das penas e das medidas de segurança, não pode haver penas nem medidas de segurança privativas ou restritivas da liberdade com caracter perpetuo. Artigo 31 – vai haver habeas corpus contra o abuso de poder, em virtude de prisão ilegal ou de detenção ilegal, a requerer perante o tribunal pelo próprio ou qualquer cidadão no exercício dos seus direitos. Artigo 32 – o processo criminal assegura todas as garantias de defesa, incluindo o recurso. Todo o arguido é considerado inocente até trânsito em julgado da sentença da condenação. Artigo 34 – o domicilio bem como o sigilo de correspondência e outros meios de comunicação privada são invioláveis. A entrada no domicilio de um cidadão contra a sua vontade, só pode ser requerida por ela autoridade judicial competente. Ninguém pode entrar durante a noite no domicilio de qualquer pessoa sem haver o seu consentimento, no entanto aplicam-se certas exceções nomeadamente se houver autorização judicial em casos de violência extrema, nomeadamente em situações de tráfico de droga, pessoas, estupefacientes ou de armas, ou em casos de flagrante delito. *** CONSTITUIÇÃO PROCESSUAL PENAL Temos determinados princípios que constituem a nossa constituição processual penal. Estes são: 1. Principio da legalidade “ nullum crimen, nulla poena sine lege” – não pode ser aplicada uma pena que não esteja tipificada na lei. Ninguém pode ser punido por um crime, ou ser aplicada uma pena, que não esteja tipificado em lei vigente no momento da prática do facto. Nem podem ser aplicadas penas ou medidas de segurança mais graves do que aquelas que estão previstas na lei à data da prática do facto. Art 7 CRP 2. Principio da judicialidade: art 202º da CRP: os tribunais são os órgãos de soberania que têm competência para administrar justiça em nome do povo. Na prática da justiça é da competência exclusiva dos tribunais assegurar a defesa dos direitos e dos interesses dos cidadãos, e reprimir a violação da legalidade democrático 3. Principio da intransmissibilidade das penas e das medidas de segurança: no sentido em que não passa para os sucessores do delinquente 4. Principio da limitação temporal das reações criminais 5. Recusa da pena de morte, prisão perpétua, das medidas de segurança de duração indeterminada ou ilimitada 6. Recusa de penas desumanas, cruéis, de maus tratos físicos ou psíquicos. 7. Principio da não automaticidade – as penas não podem ser aplicadas de forma automática, tem que haver uma sentença que julgue o arguido 8. Modelo processual de base acusatória, excluindo o de base inquisitória 9. Temos a existência de certas proibições de provas, no sentido em que a verdade tem que ser válida 10. Limitação temporal de detenção do suspeito ao ser presente a juiz num prazo máximo de 48 horas, uma vez que passado esse prazo ele pode invocar o habeas corpus, que acaba por ser uma medida de reação face a prisões ou detenções ilegais 11. A defesa do arguido é composta pelos meios mais justos, nomeadamente o recurso, igualdade de armas, contraditório, proibição de decisões surpresa 12. A decisão deve ser proferida no menor curto espaço tempo possível – art 20 CRP 13. Principio do juiz natural e a proibição de desaforamento. Juiz natural determina proíbe a designação arbitrária de um juiz para decidir um caso concreto, dessa forma protegemos a imparcialidade do juiz e a independência do tribunal 14. Publicidade das audiências 15. Garantias de imparcialidade das autoridades judiciárias (impedimento, escusa e recusa) 16. Presunção de inocência vinculada ao principio in dúbio pro reu *** FINALIDADES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL Em primeira instância, temos de determinar se houve ou não a prática de um facto ilícito típico, e de seguida temos de condenar ou absolver o arguido, visando o respeito de todos os sujeitos processuais. O processo penal tem as garantias constitucionalmente protegidas para realizar a justiça e chegar ao apuramento da verdade. Outra garantia é a pacificação social, que está vinculada nas teorias da prevenção positivas. Art 40 CP. Teoria da prevenção geral determina que os cidadãos ao ver o agente do crime a ser punido, não cometam crimes, esta doutrina vai atuar psicologicamente sobre a generalidade dos membros da sociedade, afastando-os da prática de um crime. Temos como destinatários todos os cidadãos. Enquanto instrumento de prevenção especial, tem como destinatário da norma o próprio agente do crime, que ao ser punido não volte a delinquir. *** MODELOS PROCESSUAIS PENAIS Temos 3 tipos: 1. Modelo inquisitório puro a. é um modelo típico de um Estado absolutista, em que se dá primazia ao interesse do estado. A principal característica deste modelo consiste na concentração do poder de investigar, acusar e julgar concentrado numa única entidade. O que põe em causa a questão da imparcialidade uma vez que a pessoa que investiga, acusa e julga, já formou a sua opinião no momento da investigação. No tribunal do santo oficio o réu não sabia quem o tinha denunciado, nem o que constava na denuncia, uma vez que a denuncia podia ser mantida privada, ou somente no conhecimento privado do magistrado b. Este modelo defende a primazia da descoberta material a qualquer custo, logo, havia situações para a obtenção da verdade desumanas, nomeadamente o uso da tortura, no entanto mesmo o uso da tortura não levava essencialmente à pura das verdades uma vez que a pessoa sob tortura acaba por confessar tudo o que quiser. Usava-se também meios enganosos de prova. c. A prévia tarifação dos meios de prova d. O processo era secreto escrito e não contraditório e. A sentença não fazia caso julgado, apenas uma simples absolvição, pelo que o processo podia ser novamente aberto f. A autoridade judiciária é o verdadeiro dominus deste processo. 2. Modelo acusatório puro a. Ex EUA. b. Típico de um Estado liberal onde o sujeito ocupa o centro das suas preocupações c. Arguido essencialmente como sujeito de direitos d. A entidade que investiga é diferente da que julga, para garantir a imparcialidade e. Os meios de defesa do arguido são mais amplos, nomeadamente face à defesa, uma vez que a verdade só releva quando os meios de prova forem obtidos de forma legitima, daí haver uma proibição de certos métodos de prova f. Processo de partes, ou seja, modo adversarial – advogado de defesa e de acusação, o juiz é um terceiro imparcial 3. Modelo de estrutura mista a. Instrução preparatória a cargo de um juiz que determinava, no fim do inquérito se o MP acusava ou não b. Tinha forma acusatória, mas não um verdadeiro sistema c. Havia a desigualdade de armas e tentativade funcionalização dos magistrados d. Desigualdade de armas e era bastante comum nos estados totalitários e. Cpp de 1929 O modelo processual penal vigente ( cpp de 1988) art 32, n5 da CRP é tendencialmente acusatório, integrado por um principio de investigação processual. Não é um processo de partes, mas de sujeitos processuais. EX: de um principio de investigação processual: oficialidade quanto aos meios de prova e de obtenção de prova. A atribuição da primeira fase processual, ou seja, a fase de inquérito, que compete ao ministério publico e vai coordenar a investigação. A fase intercalar é a fase de instrução que compete ao JIC juiz de instrução criminal, que tem como objetivo o controlo da decisão que encerra o inquérito, e tem como único ato obrigatório a realização do debate instrutório. A fase de julgamento que é a fase mais importante, uma vez que é nesta, em que se vai determinar se o arguido vai ser condenado ou absolvido, vai ser condenado ou absolvido, face às provas apresentadas, e nesta fase o JIC não pode intervir. *** ESTÁTICA E DINÂMICA PROCESSUAIS Modelos processuais penais • Princípios fundamentais do CPP • Pressupostos processuais • Teoria dos sujeitos processuais • Teoria dos actos processuais Dinâmica: é a análise das formas processuais, das suas fases e dos atos processuais que as compõem *** Formas de Processo Penal As formas de processo especial prevalecem sobre as formas comuns, em que se invoca a nulidade sanável em detrimento de se usar a forma de processo comum em primeira instância do que a forma especial · Processo comum: que é feito nos tribunais singulares, nos casos em que a pena não exceda os 5 anos de prisão, ou quando o MP recorra ao artigo 16. E nos casos em que tenha que ser feito nos tribunais coletivos, os crimes têm uma moldura penal superior, e nos casos de tribunal perante júri, aplica-se em casos em que o limite máximo de pena de prisão são 8 anos. · E temos os processos especial, que se dá em situações de oportunidade e consenso, razões de economia. · Processo sumário art 381 – os crimes em flagrante delito que não excedam um limite máximo de 5 anos- ex. condução em estado de embriaguez. Quando a prova é simples de se fazer porque se baseia nas situações de flagrante delito, deve-se saltar fases para chegar o mais rapidamente ao julgamento · Abreviado art 391 · Sumaríssimo – tentativa de mediação com o ministério publico e o arguido *** INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL, INTEGRAÇÃO DE LACUNAS E APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Quanto à interpretação, existem certos elementos nomeadamente: literal/ gramatical, sistemático, teleológico ou racional e histórico. Integração de lacunas, art 4 CPP: quando as disposições neste código não se puderem aplicar por analogia, observam-se as formas do processo civil, e na falta delas aplica-se o processo penal. Chega-se à conclusão que as normas e os princípios do CPP, exceto se forem in malam partem não comporta aplicação analógica. Ou seja, é proibido o recurso à analogia para qualificar um facto como crime. No fundo o que é que se vai fazer? Vai-se proibir a aplicação de uma norma jurídica a um caso concreto não regulado por essa norma, mas se for benéfico para o agente do crime já posso. Uso uma norma e aplico num caso em concreto e não o posso fazer porque cada caso é um caso. 2- Normas do CPC que se adequam ao processo penal, uma vez que o artigo 11º refere que as normas excecionais não comportam aplicação analógica, mas admitem interpretação extensiva. Ex: marcação de datas de debate instrutório E os princípios gerais do processo penal APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO De acordo com o artigo 5 do CPP, a lei processual penal não se aplica aos processos iniciados anteriormente à sua vigência, quando haja algum agravamento sensível da situação processual do arguido. Regra geral: aplicação imediata da lei nova ( tempus regit actum) mesmo nos processos já pendentes, exceções: quando a lei nova implique um prejuízo para a posição processual do arguido No entanto quando se dá a alteração da natureza: ou seja, quando os crimes semipúblicos e particulares passam a ser públicos não oferece qualquer dificuldade uma vez que se torna mais favorável para o agente do crime, no entanto se forem crimes públicos que passam a particulares, a lei nova não afeta a validade da instância. *** A TEORIA DOS SUJEITOS PROCESSUAIS O que é um sujeito processual? De acordo com Figueiredo Dias os sujeitos processuais são aqueles participantes a quem pertencem direitos autónomos de conformação da tramitação do processo como um todo, com vista na sua decisão final, têm uma prossecução mais ativa dos fins do processo penal. E por quem é que é composto? Para além do tribunal, do MP e do arguido, o defensor e o assistente e a vitima. E temos também os intervenientes processuais: que não contribuem para a conformação do objeto processual: OPC (órgãos de policia criminal), funcionários judiciais, partes civis, testemunhas, publico, etc. TRIBUNAL Os tribunais são os órgãos do Estado que exercem a função de soberania na administração da justiça – função jurisdicional. Art 110n1 202, n1 CRP. E que administram a justiça em nome do povo Princípios de administração da justiça: estes princípios visam garantir a imparcialidade dos julgamentos, e sé garantida através do principio da independência judicial e do juiz natural. 1. Principio da independência judicial Significa que o tribunal só está submetido à lei, que os juízes devem aplicar dentro dos limites da sua própria consciência, essa independência é garantida através da independência pessoal, uma vez que os magistrados não estão sujeitos a nenhuma supervisão administrativa, pese embora, podem estar sujeitos a responsabilidade disciplinar. Também sele são indestituiveis e inamovíveis contra a sua vontade 2. Principio do juiz natural e proibição do desaforamento Tem como finalidade proibir a designação arbitrária de um juiz para decidir um caso concreto, e a proibição do desaforamento determina que se o caso está a ser julgado num determinado tribunal não pode ir para outro. O tribunal pode ser composto por: 1. Tribunal singular: 1 juiz 2. Tribunal coletivo: 3 juízes 3. Tribunal do júri: 3 juízes e 4 jurados a. O júri intervém nas questões de atribuição de culpa e da determinação da sanção b. Pode ser jurado, quem tiver idade inferior a 65 anos, escolaridade obrigatória, ausência de doença ou anomalia física ou psíquica que torne impossível o desempenho do cargo, pleno gozo dos direitos políticos e civis, nem estarem presos ou detidos, e não terem sido condenados em pena de prisão efetiva 4. Juízos locais criminais 5. Juízos centrais criminais Legislação dos tribunais LOSJ – Lei da Organização do Sistema Judiciário (Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto; última alteração pela Lei Orgânica n.º 4/2017, de 25 de Agosto) • Regulamentação da LOSJ e regime aplicável à Organização e Funcionamento dos Tribunais Judicias (Decreto-Lei n.º 49/2014, de 27 de março) O art 39, determina que nenhuma causa pode ser deslocada do tribunal ou juiz competente para outro, a não ser nos casos previstos na lei – fazendo uma breve referência à proibição do desaforamento Os tribunais de comarca, desdobram-se em 4 juízos, que podem ser de competência especializada. Os juízos designam-se pela competência e pelo nome do município que estão instalados 1. Central criminal 2. Local criminal 3. Local de pequena criminalidade 4. Instrução criminal REGRAS DE COMPETÊNCIA Apenas os tribunais comuns ou judiciais, têm competência em matéria penal, art 211 CRP. A jurisdição penal é posteriormente repartida por diversos tribunais judiciais com base em diversos critérios que determinam a competência: a) Competência funcional – competência em razão da fase do processo, que determina que tem que intervir pelo menos 2 juízes, um para a fase de investigação e outro para a fase do julgamento para garantir a independência b) Competência material – desdobra-se em duas vertentes: em função da hierarquia do tribunal e a competência em razão da estruturado tribunal. Em função da hierarquia determina que há a necessidade de entregar aos tribunais superiores, logo em primeira instância a competência para o julgamento de crimes praticados por pessoas que ocupam altos cargos políticos, ou magistrados no exercício de funções. c) Competência territorial – em função do lugar, o critério geral aponta para o local do delito, que depende de se tratar de um crime de local consumado (art. 19º, nº1), crime de sangue – morte de uma pessoa (art. 19, nº2), crime consumado habitual, duradouro ou permanente ( art 19, n3) , crime tentado ou ato preparatório como tal (art 19º, nº4), ou crime cometido a bordo de aeronave, As regras supletivas aplicam-se a delitos de localização duvidosa ou desconhecida, em que se dá prevalência ao tribunal da área em que primeiro se deu a noticia do crime. Art 21, n1. Ou se o crime foi cometido no estrangeiro dá-se prevalência ao local da localização do agente ou do seu domicilio. Art 22 n1 COMPETÊNCIA POR CONEXÃO (art. 24º) Um crime praticado por um único agente, dá lugar a um processo crime. Seguindo a mesma lógica, vários crimes (concurso de crimes), ou vários agentes (comparticipação criminosa), dariam lugar a vários processos crime. No entanto, nesses casos justificar-se-ia o processamento conjunto, dessa forma consegue-se obter alguma economia na obtenção de prova, previne-se a contradição de julgados, facilita-se a atribuição de uma pena única ao agente no concurso de crimes. Neste caso, vai-se organizar um só processo para uma pluralidade de crimes. (art. 29º, nº1). Temos também a parte objetiva que determina o cometimento de vários crimes por vários agentes em comparticipação, e parte subjetiva que faz referência ao mesmo agente do crime ter cometido vários crimes. De acordo com o artigo 25 do CPP á ainda conexão de processos quando o mesmo agente tiver cometido vários crimes cujo conhecimento seja da competência de tribunais com sede na mesma comarca, nos termos dos artigos 19.º e seguintes. No entanto há certos limites: 1. De acordo com o art.º24 do CPP só opera nas situações em que o processo esteja na fase de inquérito, de instrução ou julgamento 2. Não opera nos processos que não sejam da competência do tribunal de menores art 26 3. Art 27 4. A competência determinada por conexão mantém-se o tribunal profira uma absolvição Pode haver a separação dos processos (art.30º), a requerimento do MP, lesado, assistente ou do arguido, sempre que haja na separação algum interesse favorável ao arguido nomeadamente no não prolongamento da prisão preventiva, a conexão demostrar ser um risco para o interesse do lesado, a conexão poder retardar o julgamento DECLARAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA A incompetência material, determina que o tribunal deve decidir a questão da competência material durante todo o processo, no entanto, o MP, tal como o assistente e o arguido, pode suscitar essa questão, até ao trânsito em julgado da decisão final (artº32). Quando for declarada a incompetência do tribunal, o processo vai ser remetido para o tribunal competente, e que vai determinar os atos que possam ser considerados inválidos, e pode pedir a repetição dos atos para conhecer a causa (art.33º, nº1e2). O art 33, n1 obriga o envio do processo para o tribunal competente, e anula os atos que se não teriam praticado se peranto o tribunal a quem foi submetido o processo tivesse avaliado primeiro, De acordo com o art.34, vai haver conflito positivo ou negativo de competência, quando em qualquer estado do processo, dois ou mais tribunais se julgarem competentes ou incompetentes para julgarem o crime que foi imputado ao arguido. IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÕES Um dos focos principais é garantir a imparcialidade do juiz. E em virtude disso, o juiz é impedido de julgar se tiver uma relação de parentesco ou outro tipo de proximidade com algum dos participantes processuais. Art 39 e 40. Os impedimentos devem ser declarados oficiosamente art 41, n1, embora a declaração também pode ser requerida pelo MP, pelo arguido, pelo assistente ou pela parte civil art 41º,nº2. Para além do impedimento, o juiz pode ser recusado por suspeição, a lei não determina um conceito de suspeição, no entanto pode ser considerado como um motivo, sério e grave que possa gerar desconfiança sobre a sua imparcialidade. Art 43º, nº1. Essa declaração de suspeição pode ser requerida pelo MP, arguido, assistente ou partes civis. (art.43º, nº2). O juiz não se pode declarar voluntariamente suspeito, mas pode pedir escusa (art.43º, nº4) * MINISTÉRIO-PUBLICO Qual é a principal função do MP? É o órgão de Estado que fica encarregue de exercer a ação penal (art.219º, nº1 CRP). No desempenho dessa função, o MP desempenha as seguintes características: a) Enquanto órgão do Estado, é um órgão judiciário, n a medida em que colabora com os tribunais na administração da justiça b) Constitui uma magistratura autónoma (art.219º, nº2 da CRP), em que goza de autonomia funcional. c) É integrado por magistrados responsáveis e que são subordinados hierarquicamente art 219, 4 CRP, na medida em que têm que observar instruções e ordens, mas devem recusá-las se forem ilegais com fundamento na violação da consciência jurídica. E estes não podem ser transferidos, substituídos ou demitidos a não ser nos casos previstos na lei d) Existe o concelho superior do MP que fiscaliza a atuação do MP e) Tem uma relação com o ministério da justiça f) Ligado ao principio da legalidade, objetividade e imparcialidade g) Semelhança ao modelo napoleónico h) Não é uma parte mas sim um sujeito processual, logo não temos um processo de partes mas sim de sujeitos i) Inexistência de um verdadeiro ónus processual – é um defensor da elglaidad na seuqncida prova que xitre, tem qus er objetio da ponderaçºao dessa prova e nºçaod efefnsar alg qye seja idnefencsiapvel j) O MP investiga à charge et à decharge De acordo com o Estatuto do MP, este órgão goza de autonomia em relação aos demais órgãos de poder central O MP como parte acusadora? O MP, é essencial no contraditório, mas não é parte no processo, uma vez que só tem interesse na justiça. Quanto muito, o MP é parte em sentido formal enquanto titular do direito processual de ação, mas não parte em sentido material, no sentido em que não é titular de um interesse jurídico próprio. No nosso sistema processual penal, o MP pode, em qualquer processo tomar a posição ou a defesa do arguido, mesmo nas fases de recurso o MP pode tomar partido quanto à defesa do arguido, uma vez que se vai mudando matéria de facto, e ele não é uma parte interessada na acusação sendo que só está determinado na apuração da verdade e exercer a ação penal. Nos crimes públicos o MP exerce a ação penal com toda a autonomia, nos crimes semipúblicos a intervenção do mesmo só se sucede quando existe alguma queixa ou participação do ofendido, tal como nos crimes particulares. COMO SE OPERA? Tem que haver a entrega no próprio ato, de documento que se conste a identificação do processo e do defensor. Art 61, 58, n4 Ao MP, enquanto detentor da ação penal, cabe a direção do inquérito, que é assistida pelos OPC, que são auxiliares das autoridades judiciárias, em que estes atuam sob direção do MP. (art.53º, nº2, alínea b, e 263º,nº1). A constituição de arguido feita por OPC é comunicada por autoridade judiciária no prazo de 10 dias e esta tem que validar também em 10 dias. (art.58º, nº3, 5 e 6) - as declarações prestadas não podem ser utilizadas como prova. O arguido é um sujeito de direitos, uma vez que lhe é conferido o direito ao recurso, art 32 cp, e como tem certos direitos também ele está vinculado ao cumprimento de deveres nomeadamente como refere o artigo 61º, nº3 do CPP, tem que comparecer perante o juiz, MP ou OPC sempre que a lei o exigir, deve responder à verdade face às perguntas que lhe são proferidas e prestar termo de identidade e residência sempre que assuma a qualidade de arguido. ARGUIDO O CPP distingue as figuras entre suspeito e arguido, uma vez que o suspeito não é um sujeito processual, uma vez que lhe faltam poderesque são conferidos aos próprios sujeitos processuais, isto é, não pode intervir diretamente no inquérito, nem pode requerer a abertura de instrução. No entanto ele goza de um certo estatuto que lhe confere determinados direitos: saber qual foi a origem e a consistência da imputação, não pode ser obrigado a fornecer provas ou a prestar declarações autoincriminatórias, este ultimo está vinculado ao princípio segundo o qual ninguém deve ser obrigado a contribuir para a sua própria incriminação, que engloba o direito ao silêncio. Um sujeito não é mais do que uma pessoa que existe indicio que cometeu ou que se prepara para cometer um facto ilícito típico. Um arguido, de acordo com o artigo 57º, é a pessoa contra quem foi deduzida a acusação. É obrigatória a constituição de arguido, sempre que surgir suspeita fundada de crime por ela cometido. Art 59º, nº1. Estes casos apenas acontecem durante a inquirição, e que deve ser interrompida para se proceder à constituição formal de arguido. Para evitar a desproteção do suspeito nas situações em que ele não vê respeitadas as suas garantias de defesa, ele mesmo tem o direito a se constituir arguido, se estiverem a ser efetuadas diligências que o afetem, uma vez que assim tem o direito ao silêncio (art 59,º, nº1). O suspeito seja qual for a fonte e a consistência da imputação e ainda que não se justifique constitui-lo como arguido, acaba por ter uma posição processual própria uma vez que não pode intervir no processo como testemunha. A testemunha tem o direito a ser acompanhada por um advogado, sempre que deva prestar depoimento. A falta de constituição de arguido nos casos em que já deveria ter acontecido é uma simples irregularidade (art.118º, nº2), que pode ser reparada a todo o tempo (art.123º, nº2), isto é: nunca é tarde de mais para constituir o suspeito como arguido. CONSTITUIÇÃO DO ARGUIDO O arguido é uma pessoa formalmente constituída. como sujeito processuais e contra quem ocorre um processo-crime. Têm capacidade judiciária passiva as pessoas físicas maiores de 16 anos (art 19º CP), e as pessoas jurídicas, neste caso quanto aos crimes que possam ter que responder. A capacidade para ser arguido não se define exatamente pela imputabilidade, pois o juízo sobre a inimputabilidade pode ser uma conclusão a aferir no próprio processo penal. O arguido assume essa qualidade com a acusação ou o requerimento (art.57º, nº1), quando haja uma suspeita fundada (art.58º, nº1, al A), ou quando se tem que se aplicar uma medida de coação (art. 58º, nº1). Ou nos casos previstos na lei nos artigos 254º a 261º do CPP DIREITOS E DEVERES DO ARGUIDO O arguido não goza apenas de direitos avulsos, mas tem uma posição global no processo, por isso é que ele é considerado como um sujeito processual. E por isso ele goza de certos direitos previstos nos termos do artigo (art.61º, nº1) a) Direito de presença em todos os atos processuais b) Direito de audiência pelo juiz quando este tomar a decisão c) Direito de informação sobre os factos que lhe são imputados d) Direito ao silêncio sem ser prejudicado por isso e) Direito a defensor, que pode ser oficioso f) Direito de intervenção nas fases preliminares do processo g) Direito de informação dos direitos que lhe assistem h) Direito de recurso nas decisões que lhe forem desfacoráveis E este também goza de certos deveres: a) Dever de comparência sempre que tenha sido convocado b) Dever de responder com verdade sobre sua identidade c) Dever de sujeitar a diligências TRAMITAÇÃO DO PROCESSO COMUM O processo comum obedece a três grandes fases: inquérito (art.262º do CPP), instrução (art.268º do CPP) e o julgamento (art.º. º311º CPP). O inquérito e o julgamento são fases obrigatórias do processo comum, e o julgamento só é obrigatório se houver acusação ou despacho de pronúncia. A fase de instrução é meramente facultativa. No entanto a doutrina prefere indicar 5 fases do processo comum: a aquisição da noticia do crime (art.º 241º), o inquérito, instrução, o julgamento e os recursos (art.399). I. Aquisição da noticia do crime O processo começa com a aquisição da noticia do crime. Fase preliminar que determina a abertura do inquérito O MP adquire a noticia do crime, por uma das seguintes formas: conhecimento próprio, por intermédio dos OPC, ou mediante denúncia. A denuncia distingue-se dos casos de denuncia obrigatória, que impende sobre as autoridades judiciais. E é possível a denuncia contra desconhecidos uma vez que cabe nas finalidades do inquérito determinar os agentes da infração. A denuncia é obrigatória para todos os crimes sem exceção. O legislador àqueles que invocam a denuncia relativamente aos crimes semipúblicos e particulares. Nos crimes particulares só há procedimento se o ofendido for prestar queixa porque só ele tem legitimidade? II. Auto de noticia O artigo 243, n1º do CPP determina que sempre que uma autoridade judiciária, um OPC ou outra entidade policial presenciarem qualquer crime de denuncia obrigatória, levantam ou mandam levantar o auto de noticia, descrevendo os factos que constituem o crime. O auto de noticia não prova o crime, mas prova os factos materiais presentes que serve enquanto prova. III. Medidas cautelares e de policia Os artigos 248 a 254º tratam das medidas cautelares e de policia, que podem ser necessárias anteriormente ao processo como durante. Os OPC devem praticar todos os atos cautelares necessários e urgentes para preservar os meios de prova, mesmo antes de receberem ordem da autoridade judiciária competente – art. 249º. Os atos de policia só vão ser integrados no processo se forem validados pela autoridade judiciária competente. Os OPC podem ter a necessidade de identificar pessoas – artigo 250, bem como fazer buscas e revistas em caso de urgência (art.251º), e também buscas domiciliárias por sua iniciativa quando haja detenção em flagrante delito que corresponda a pena de prisão. IV. Inquérito O inquérito é uma fase de instrução obrigatória na forma de processo comum DECISÃO DE ABERTURA DO INQUÉRITO A lei dispõe que tendo em conta certas exceções previstas no CPP, a noticia de um crime dá sempre lugar à abertura de inquérito art. 262º nº2 – consagração do principio da legalidade, no sentido em que a atividade do MP se deve reger somente à lei e não através de outros fatores como a política. O fundamento do principio da legalidade é a igualdade na aplicação do direito. Quer dizer que o MP tem de abrir inquérito a qualquer denuncia mesmo a mais inconsistente? Não. O MP tem de averiguar se essa denuncia pode ser constituída, como noticia de crime, depois aí decide de abre ou não. Artigo 58º, nº1 al A e 246º, nº5, al A. ATO DE ABERTURA DO INQUÉRITO O processo inicia-se com o despacho do MP a determinar a sua abertura, este despacho é o primeiro ato do procedimento e sem ele o processo é nulo, art 119 al b, por falta de promoção do MP que é quem tem legitimidade para promover o processo penal. Art 48º FINALIDADE DO INQUÉRITO – art.262º,nº1 Investigar a existência do crime, descobrir quem foram os seus agentes e recolher as provas, para proferir uma acusação. O inquérito é a fase do processo comum que adquire mais dramatismo uma vez que pode envolver a perseguição aos agentes do crime, a aplicação das medidas de coação, inclusive a mais gravosa que é a prisão preventiva, e implica também a descoberta das provas, as provas podem não ser relativas ao facto, mas também à personalidade do agente. Art 160. DIREÇÃO DO INQUÉRITO Cabe exclusivamente ao MP, uma vez que ele é o dominus do inquérito –art.48º e 261º n1). E tem de contar na sua ação com a colaboração dos OPC (art.263º nº2). O MP pratica todos os atos do inquérito salvo naqueles que são da competência do juiz de instrução, e nos casos em que a PJ é recetora do pedido. Os atos que cabem ao MP e não podem ser delegados nos OPC resultam da conjugação dos artigos 267º e 270, nº2, por exemplo: assistir a exame suscetível de ofender o pudor da pessoa. O inquérito serve também para a salvaguarda dos direitos dos cidadãos que estão a ser investigados.E isso implica que em certos atos do inquérito tenha de haver intervenção do juiz de instrução, por exemplo na aplicação das medidas de coação, estas podem ser requeridas pelo MP na fase do inquérito, mas somente podem ser aplicadas pelo juiz de instrução. Art 194º fora outros atos previstos nos artigos 268º e 269º. PUBLICIDADE E SEGREDO DE JUSTIÇA O inquérito é de natureza inquisitória, e em principio deveria estar coberto pelo segredo de justiça, mas com as revisões constitucionais acabou por se substituir pelo principio da publicidade do inquérito, art.º86, nº1, no entanto, o juiz pode por requerimento do arguido, do assiste ou do ofendido e ouvido o MP, determinar por despacho irrecorrível, a sujeição do processo em fase de inquérito a segredo de justiça, art. 86º, nº2. OS PRAZOS DO INQUÉRITO – art. 276º Regra geral são de 6 meses, se houver arguidos presos ou sob obrigação de permanência na habitação. No caso o MP não der por encerrado o inquérito nos prazos legais, esta ultrapassagem dos prazos não constitui uma irregularidade, uma vez que são meramente ordenadores, no entanto, para evitar a ultrapassagem dos prazos criou-se uma obrigação que vincula ao magistrado no sentido em que este tem que comunicar ao seu superior hierárquico a violação de qualquer prazo, art. 276ºnº6. O CPP ainda mantém a previsão do incidente de aceleração processual para o caso de terem sido excedidos os prazos (art. 108º, 109º e 276º, nº8) NULIDADES DO INQUÉRITO – art.120º, nº2 O facto de não terem sido praticados atos legalmente obrigatório, é uma situação que é cominada com a nulidade por remissão ao artigo 120.º nº2, por exemplo o interrogatório é um ato obrigatório cuja realização implica esta nulidade. CONCLUSÃO DO INQUÉRITO O inquérito pode terminar de várias formas: a. Um despacho de arquivamento do inquérito (art.277º) – o MP deve decidir-se na falta de indícios suficientes e após realizar as diligências que auxiliassem a descoberta da verdade, e chegarem à conclusão que não deu em nada, deve-se proceder ao arquivamento do inquérito. Deste processo de arquivamento, pode haver uma intervenção hierárquica (art.278º nº1). b. Um despacho de acusação (art 283º ou 285º) – quando o MP tiver recolhido indícios suficientes de que foi cometido um crime e tiver identificado os seus agentes, deduz acusação (art. 281º, nº2). O MP tem de ficar convencido da culpa do arguido com um grau muito próximo da certeza, uma vez que esse elevado grau de probabilidade é um critério essencial para afirmação da suficiência dos indícios e é uma exigência do principio da presunção de inocência. Caso o MP não tiver essa convicção, deve então arquivar o inquérito a. Bagatelas penais: não têm dignidade que se justifique para a aplicação de uma pena, apresentam um dilema de falta de proporção da pena relativamente à infração quando a lei é aplicada c. Um arquivamento em caso de dispensa de pena (art.280º) – é um mecanismo alternativo ao da acusação que permite a conclusão do processo penal nos casos em que poderia ter lugar a dispensa da pena. a. São pressupostos do arquivamento em caso de dispensa de pena, a determinar pelo MP: i. Haver indícios suficientes da prática de um crime público ou semipúblico ii. Haver possibilidade legal da dispensa de pena se o procedimento chegar à fase de julgamento. b. E é requisito também em caso de dispensa de pena haverá concordância do juiz de instrução c. O artigo 280º, nº1 não se aplica aos crimes particulares, uma vez que o titular do direito de acusação é o assistente e a lei não lhe reconhece a faculdade de determinar o arquivamento. d. Dá-se em casos de culpa diminuta e falta de necessidade de prevenção e. Coisa tão irrisória que não se justifica a aplicação da pena. Existe o que é chamado de admoestação que é a pena mais leve que existe, uma vez o juiz vai dar um “ralhete” ao agente do crime, a titulo de exemplo: Crime de ofensa à integridade física, nas situações em que os 2 se envolvem em conflitos e não se sabe quem começou primeiro. d. Uma suspensão provisória do processo (art.281) –o crime tem de ser de pequena ou média gravidade. De acordo com o artigo 281º, nº1 é preciso que o crime seja punível com pena de prisão máxima não superior a cinco anos. E tem como requisitos a concordância do juiz de instrução, a concordância do arguido e do assistente, que não tenha havido condenação anterior por crime da mesma natureza. a. O ofendido tem que se constituir como assistente, e dispensa a concordância do ofendido quando ainda se tiver constituído como assistente. b. Suspensão provisória do processo mediante a imposição de injunções ou regras de conduta e. O envio do processo para a forma sumaríssima. – tem lugar quando não for possível suspender provisoriamente o processo. V. INSTRUÇÃO O recurso é substituído pela passagem à fase de instrução – art.286º. As funções que cabiam a um recurso são cumpridas com um requerimento de abertura de instrução, por parte do arguido ou do assistente, conforme os casos. Daí esta fase ser facultativa. A instrução serve para apreciar a bondade da decisão do MP de acusar ou de arquivar o processo, ou nos crimes particulares, a bondade da acusação particular. A instrução pode servir para reformular o objeto de processo. O principio da acusação estipula não só que deve haver separação da entidade que acusa da entidade que julga, mas que deve ser fixada a matéria que é submetida a julgamento por uma entidade diferente da que julga. Uma vez que a entidade que julga pudesse adicionar novos factos ao objeto do processo, estaria assim a assumir funções de acusação. No processo penal tem de haver a fixação do objeto do processo, assim quando se chega à fase do julgamento o objeto é esse e não outro. E também cumpre uma função de garantia dos direitos de defesa do arguido, uma vez que só assim ele sabe de que factos é que terá de se defender. O objeto do processo fixa-se no final do inquérito com a acusação 1. REQUERIMENTO PARA A ABERTURA DE INSTRUÇÃO DO ARGUIDO O arguido pode requerer a abertura de instrução, nos termos do artigo 287º, nº1 alínea a), ou seja, ele pode suscitar o controlo jurisdicional da acusação do MP, ou do assistente se for crime particular. E não se deve impor limites a esta abertura da instrução sob pena de violar um direito constitucional vinculado às garantias do direito de defesa. Há argumentos importantes para justificar que o arguido possa requerer a abertura de instrução só para discutir questões de direito: se pensarmos na igualdade de armas entre o arguido e o assistente, verificamos que o assistente tem sempre a oportunidade de discutir se quiser só questões de direito, na medida em que se aderir à acusação do MP, pode relativamente aos factos constantes na mesma poderia pronunciar-se sobre isso, o que não acontecia no caso do arguido se lhe visse negado o direito a requerer a abertura de instrução só para discutir questões de direito. O artigo 287º não veda a possibilidade do arguido somente discutir as razões de direito, apesar de na alínea A do nº1 mencionar a possibilidade de abertura da instrução relativamente a factos, não é só a questão probatória (provas) mas também a qualificação jurídica. O arguido mediante RAI pode indicar quais são as diligências do tipo probatório que o juiz de instrução deverá levar a cabo. O arguido pode limitar-se a atacar os factos ou atacar as qualificações jurídicas da acusação. 2. REQUERIMENTO DA ABERTURA DE INSTRUÇÃO DO ASSISTENTE – art.287º o assistente pode requerer a abertura de instrução, se o procedimento criminal não depender de acusação particular. Se tiver havido o arquivamento do inquérito o assistente pode requerer a abertura de instrução, mas ainda há outras formas, nomeadamente quando houver o despacho de acusação o assistente pode requerer a abertura da instrução por entender que havia factos pelos quais o MP não acusou e devia ter acusado. Daí que a instrução serve para reformular o objeto do processo. Se o assistente requerer a abertura da instrução relativamente a factos que não constamda acusação do MP, embora tenha havido acusação, o juiz de instrução tem que olhar sobre os 2 factos e pode no final da instrução proferir um despacho de pronuncia que incida sobre todos estes factos. Uma outra questão é saber se o assistente pode então requerer a abertura de instrução somente para discutir matéria de facto ou também de direito. O que se pergunta é: se o assistente pode requerer a abertura da instrução só com base numa discordância acerca da qualificação jurídica dos factos feitas pelo MP na acusação. A generalidade da doutrina determina que não, isto porque se os factos forem os mesmos o assistente tem a faculdade de acusar também, art.284º. o facto de existir uma acusação publica não impede também a acusação por parte do assistente. Estamos a falar de crimes públicos e semipúblicos e não de particulares. Se os factos forem uns e o assistente não concordar com a qualificação jurídica do MP, então tem de o dizer na acusação. Ex o MP determina que o homicídio é privilegiado, e o assistente diz que é qualificado. Dai ele só poder requer o RAI com base em factos. 3. INSTRUÇÃO EM GERAL Na fase de instrução só podem intervir os sujeitos processuais: o tribunal, o MP, o arguido, o seu defensor e o assistente. A intervenção das partes civis que são os lesados tem direito a uma indemnização, está excluída pelo artigo 289.º nº1.. A instrução ao contrário do inquérito obedece ao principio do contraditório, vai haver sempre a realização de um debate oral e contraditório. Agora a instrução é publica sob pena de nulidade, tal como o processo penal, salvo exceções em contrário. Os prazos de duração máxima da instrução constam do artigo 306º, nº1 – tem o prazo máximo de 2 meses se houver arguidos presos e 4 meses se não houver 4. Encerramento da instrução No fim da instrução, a decisão instrutória pode ser em principio uma de duas. O juiz de instrução termina a instrução com um despacho de pronuncia ou de não pronuncia. Art.307º, nº1. Havendo despacho de pronuncia nem sempre cabe recurso do mesmo. Um despacho de pronúncia pode ser válido ou nulo. Quando o juiz de instrução faz um despacho de pronuncia em que inclui factos que constituem uma alteração substancial do objeto do processo é nulo, esta nulidade é sanável. –art.307º. o despacho de pronuncia não é recorrível mas sim reclamável, em que a reclamação é para a própria entidade que proferiu o despacho. E o juiz de instrução pode deferir ou indeferir, se houver um indeferimento é recorrível. Art.310º, nº3. E é válido o despacho que pronunciar o arguido que contem do objeto do processo, ou seja em que não há uma alteração substancial do processo, 1. JULGAMENTO a fase de julgamento divide-se em três momentos essenciais: 1. Atos preliminares – o primeiro ato preliminar é o saneamento do processo, art.311º, em que o juiz presidente vai verificar todas as nulidades e outras questões prévias ou incidentais, quer tenha havido ou não instrução, independentemente dessas questões já terem sido conhecidas pelo juiz de instrução, mas podem passado despercebias. a. Caso não tenha havido instrução o presidente pode rejeitar a acusação só se a considerar manifestamente infundada, nos termos da alínea A do nº2 do art.311º. o problema aqui é arguir a determinação exata dos poderes do presidente no que concerte à rejeição de uma acusação. O presidente deve receber a acusação por muito fracos que sejam os indícios, isto se houver duvidas, pois se tiver a certeza da improcedência da acusação tem mesmo de recusá-la, o que levaria o juiz de instrução a um despacho de não pronúncia. b. Ver o artigo todo c. O presidente vai ter que fazer uma triagem dos casos em que há uma certa insuficiência da acusação. d. Data de audiência – resolvidas todas as questões a presidente marca dia, hora e local para a audiência, nos termos do artigo 312, n1 e. A partir da notificação do despacho que designa dia para a audiência começa a contar o prazo de 20 dias (art.315º) para ao arguido apresentar a contestação bem como juntar o rol de testemunhas. A contestação não é obrigatória, e além de que nada impede o arguido de não apresentar a contestação e juntar o rol de testemunhas. Art 315, nº2, e não pode passar as 20 testemunhas. Art.384, nº3, alínea d 2. Audiência de julgamento – art 321º que obedece ao principio da publicidade bem como ao princípio do contraditório, art.327º nº2. Está também vinculado ao principio da concentração da imediação, da oralidade e da identidade do juiz 3. Sentença é um texto que obedece aos requisitos dp artigo 374. Para haver a produção de sentença tem que haver um procedimento que avalie toda a questão da culpabilidade, nos termos do art. 368º. o crime é na sua definição uma ação típica, ilícita, culposa e punível. Tem de se sabor os elementos constitutivos do crime - tipicidade, a questão de saber se o arguido participou no crime ou praticou - comparticipação e autoria, se ele atuou com culpa- imputabilidade a. Após a sentença entramos na fase de recurso. 2. As medidas de coação As medidas de coação obedecem a: a. Princípios – art.191º a 195º) que são uma extensão das medidas de garantia patrimonial, art.227 a 228º. a. Vinculam ao principio da legalidade das medidas de coação –art.191ºnº1 a liberdade dos sujeitos só pode ser limitada se lhe for aplicada uma medida de coação, As medidas de coação são meios de limitação da liberdade pessoal ou patrimonial dos arguidos. b. A proporcionalidade em sentido amplo: necessidade, adequação e proporcionalidade, art.193º c. Judicialidade - 194º, nº1 e 2 d. Subsidiariedade da obrigação de permanência na habitação e da prisão preventiva- art.193º, nº2 e. Direito de audiência e defesa – 194º, nº3 b. Condições gerais a. A taxatividade das medidas de coação – art.191º b. A prévia constituição do arguido nos termos do art. 192º, nº1 e 58º, nº1, alínea B c. Pressupostos gerais – tem que se formular um juízo de indiciação de um certo crime doloso pelo agente, e é necessário que se verifique algum dos pericula libertatis, referidos nos artigo 204º a saber: evitar a fuga do arguido ou anular o perigo dessa fuga, prevenir a perturbação do decurso do inquérito , ou risco da continuação da atividade criminosa por parte do arguido. d. Requisitos específicos Critérios de escolha – os critérios de escolha das medidas de coação, são: a necessidade, a adequação e a proporcionalidade. As medidas escolhidas devem ser necessárias e adequadas face ao caso concreto e devem ser proporcionais à gravidade do facto punível. Medidas de coação em particular: a. Termo de identidade e residência (art.196º) – é o único que pode ser aplicado no âmbito de qualquer processo, independentemente da pena aplicável, e deve ser sempre aplicada sempre que se verifique a constituição de arguido, e é sempre cumulável com outra medida de coação b. Caução de justiça (art.197º.) – nunca pode ser aplicada pelo MP, mas só por despacho do juiz c. Obrigação de apresentação periódica (art.198º.) – constitui uma mais intensa restrição de direitos fundamentais, que também só pode ser aplicada por decisão judicial d. Suspensão do exercício de profissão, de função, de atividades e de direitos (art.199º.) nalguns casos a continuação do exercício da profissão, função ou atividades, e até mesmo direitos pode colidir com a investigação do crime e. Proibição e imposição de condutas (art.200º.) – tem como requisito especifico a prática de crime doloso f. Obrigação de permanência na obrigação (art.201º.)- é uma alterativa à prisão preventiva, não deve ser vista como prisão domiciliária, pois o arguido fica no seu ambiente familiar, podendo-lhe ser conferida a autorização de saída para o cumprimento de obrigações de várias ordens. Laborais, religiosas. a. Pode ser aplicada pelos meios de controlo à distância – pulseira eletrónica, mas neste os restantes familiares têm de dar autorização para a vigilância eletrónica de domicilio. No entanto a obrigação de permanência na habitação, não pode ser sempre aplicada em vez da prisão preventiva, pois há situações emque a sua aplicação não impede a continuação da atividade criminosa – venda de droga a partir de casa g. Prisão preventiva (art.202º.) – é a medida de coação mais gravosa do sistema e só pode ser aplicada subsidiariamente nos termos do art.202º nº2 Impugnação das medidas de coação 1. Pedido de revogação ou substituição das medidas (art.212º ,nº4) – é uma espécie de reclamação para a entidade que aplicou a medida 2. Recurso ordinário (art.219º) – pode ser interposto pelo MP ou pelo arguido para impugnar a decisão proferida em 1º instância. É o meio normal de impugnação de decisões judiciais e pode-se cumular com a providência de habeas corpus 3. Providência de habeas corpus ( art.222º) – só é admitida nos casos de prisão ilegal e que constitui uma garantia para os cidadãos 3. PROVA A prova enquanto uma atividade probatória, são os métodos utilizados para demonstrar os factos relevantes para a existência do crime, a punibilidade do arguido e a determinação da pena ou medida de segurança A prova enquanto meio de prova- são os elementos que integram os factos relevantes e que têm de ser demonstrados. A prova enquanto resultado da atividade probatória é a convicção da entidade decisora acerca da ocorrência dos factos relevantes, com base nos elementos adquiridos relativos ao Processo e que respeitem a regra da experiência, leis cientificas e princípios da logica. São admissíveis as provas que não forem proibidas por lei, como alude o art.125º. Meios de prova típicos: depoimento de testemunha (art.128º), declarações do arguido, do assistente e das partes civis (art.140.º), o confronto entre as pessoas que prestaram declarações obrigatórias (art.146º.), reconhecimento de pessoas e objetos (art.147º), reconstituição do facto (art.150º.), documentos (art.164º). O regime legal dos meios de provas típicos visa garantir a máxima credibilidade desses meios para a demonstração dos factos provados, dessa forma estão excluídos por exemplo o testemunho do ouvi dizer (art. 129º, nº1), reprodução de vozes ou rumores públicos (art.130º, nº1), uma testemunha que não esteja esclarecida sobre a faculdade de recusa de depoimento (art.134º, nº2), ou leitura dos autos e declarações fora dos casos expressamente permitidos (art.356º). A lei estabelece os casos em que as provas não podem ser produzidas nem valoradas. O legislador utiliza diversas expressões para se referir a esses casos, a titulo de exemplo, veja-se o artigo 129º, nº1 que refere que o depoimento indireto não pode servir como meio de prova. A violação destas disposições gera nulidade dependente de arguição, embora a lei não o determine expressamente a nulidade (art.120º, nº2), mas a nulidade não tem que ser somente a palavra, pode ter o mesmo significado de expressões como “não pode”, não é admissível” As proibições de prova A doutrina penal abrange: 1. As proibições de produção de prova 2. Proibições de valoração de prova As proibições de produção de prova estão interligadas com 3 tipos: a. Os temas de provas proibidos – existem temas que não devem ser investigados uma vez que constituem factos abrangidos pelo segredo de estado, art.137º e art.182º). neste caso trata-se da proibição de utilizar a testemunha para obter depoimento sobre fatos que constituem segredo de estado, bem como a proibição de obter documentos que estejam cobertos pelo segredo de estado. O interesse publico sobre a salvaguarda do segredo de estado prevalece sobre o interesse publico para a descoberta da verdade material b. Os meios de provas proibidos: como os suportes técnicos e transcrições quando tiverem sido gravadas conversações que intervenham o PR, PAR ou o PM (art. 11º, nº2, alínea b), ainda que a intercetação tinha sido autorizada por despacho do juiz de instrução, mesmo que as conversas não constituam segredo de estado c. Métodos de prova proibidos: são procedimentos utilizados pelas autoridades judiciárias e pelas policia criminais, pelos advogados, e pelos particulares - ofendido, para obter um meio de prova e com o objetivo de ser utilizado no processo. Os meios de prova não devem ser obtidos mediante procedimentos contrários aos direitos de liberdade, salvo nos casos expressos na CRP art.126º, nº1 e 2 a. Surge a distinção entre os meios de prova relativamente proibidos e absolutamente proibidos, conforme a produção de prova for absolutamente proibida ou possa ser ordenada ou autorizada por uma autoridade judiciária ou pelo próprio visado b. Métodos contrários aos direitos de liberdade – a velha máxima de que o processo penal é direito constitucional tem toda a sua razão quanto à obtenção dos meios de prova. São nulas as provas obtidas mediante tortura, coação, ofensa da integridade física … art 32º, nº8 da CRP – são métodos absolutamente proibidos para a obtenção de prova, já a intromissão na vida privada, no domicilio, na correspondência ou nas tele comunicações são relativamente proibidos, em que a proibição é afastada pelo acordo do titular do direito em causa ou por autorização de uma entidade judiciária. c. Logo, a busca domiciliária (art.177º) a apreensão de documentos em escritório de advogado ou consultório médico (art.180º) e as escutas telefónicas (art.187º) são permitidas se forem respeitadas as condições expressamente previstas na lei. d. Muitas diligências para a obtenção dos meios de prova que são necessárias pelo MP só podem ser levadas a cabo se forem autorizadas pelo juiz de instrução, na sua veste de juiz das liberdades e. Na fase de instrução o juiz de instrução pode requerer que se façam mais diligências para obtenção de prova, e vai ordenar aos OPC (art.288º, nº1 e 290º, nº2), uma vez que essa atuação lhe é conferida pelo principio da investigação art. 340º f. O regime legal dos métodos de obtenção de prova tem de respeitar algumas formalidades, e cuja a sua inobservância torna o ato ilegal. Ex: a entidade competente para receber depoimento deve advertir os parentes e afins do arguido sobre a faculdade de recusarem prestar depoimento (art.134º, nº2). E os investigadores policiais devem entregar ao visado, cópia do despacho que determinou a revista (art.175º) Proibições de valoração de prova É uma maneira do legislador prevenir a tentação da obtenção de provas a qualquer preço, o que vai levar a uma inutilização absoluta dos meios de prova ilicitamente recolhidos. Serve a titulo de exemplo: se invadir o domicilio do suspeito, sem a devida autorização judicial, e nesse local encontrei a arma do crime então é como se tivesse destruído a essa prova material As proibições de prova geram normalmente proibições de valoração de prova, nem sempre é assim, há algumas proibições de produção de prova cuja violação não traz quaisquer consequências, ou seja, os exames ao corpo de uma pessoa devem respeitar o pudor de quem a eles se submeter (art,172º, nº1), assim como uma revista deve respeitar o pudor do visado, um homem se não for um médico a examinar o corpo de uma mulher são situações que atentam contra o pudor da pessoa visada, no entanto não implicam a subtração das provas obtidas, mas pode indiciar uma lesão ao direito fundamental à dignidade sexual da pessoa. Não implica quaisquer consequências processuais bem como a proibição de valoração de prova estranhas à existência de qualquer vicio na anterior produção de prova. I. Invalidade do ato processual – livro V Qualquer proibição de prova pode ser violada pelo aplicador de direito. A violação determina a invalidade do ato II. O sistema das nulidades e irregularidades As infrações mais graves dão lugar a nulidades insanáveis, que devem ser declaradas em qualquer estado do procedimento, as infrações de gravidade média, originam nulidades dependentes de arguição, que devem ser arguidas pelos interessados dentro do prazo, logo são sanáveis, e as infrações mais leves que são sanáveis. O art. 126º, nº1 proíbe implicitamente a produção de provas mediante a ofensa da integridade física ou moral das pessoas, por isso mesmo que comina a nulidade das provas obtidas dessa maneira - nulidade insanável. O preceitoproíbe a valoração dessas provas, dizendo que essas não podem ser utilizadas em qualquer fase do processo, dai que o nº3 diz que são igualmente nulas as provas obtidas mediante intromissão na vida privada, no domicilio, porque são atentados contra direitos de liberdade, dai que o legislador tenha cominado a nulidade e também não devem ser utilizadas. E a CRP inclui os direitos à reserva da intimidade da vida privada e a inviolabilidade do domicilio, CRP art.32º, nº8, no entanto o art.126º nº3 admite a restrição desses direitos. No art.126, determina que são nulidades de conhecimento oficioso a todo o tempo e podem ser atacadas excecionalmente após o trânsito em julgado da decisão final caso só tenham sido descobertas aí. E há outras nulidades que dependem de arguição art.120º, nº1 é o caso dos atos cuja invalidade resulta da violação das meras formalidades da prova, ex a falta de aviso aos parentes acerca da faculdade de recusarem prestar depoimento art.134º, nº2 O conceito de nulidades processuais faz referência às falhas que comprometem a validade dos atos processuais. De modo a garantir que os processos sejam conduzidos da maneira mais eficaz respeitando as normas legais e os direitos fundamentais. Existem 2 tipos de nulidades: 1. Nulidade absoluta – quando há violação de normas fundamentais, e é de conhecimento oficioso mesmo após a sentença a. Ausência do MP – uma vez que a realização de um julgamento sem a presença deste sujeito processual comina uma nulidade insanável b. E vai comprometer a validade do julgamento, pois o MP tem de estar presente para proferir a acusação c. Casos em que o arguido não tem defensor em que se faz a realização de um interrogatório, vai violar o principio de defesa do arguido e leva à nulidade dos atos seguintes d. Bem como casos em que um juiz singular, julga um crime de homicídio, em vez de ser um tribunal do Júri, trata-se então de uma nulidade absoluta, art.119º, alínea A e. Coleta ilegal de provas – nomeadamente a realização de uma busca domiciliária sem mandato judicial, viola o artigo 32, nº8 da CRP e as provas obtidas são consideradas nulas, como se se tivesse destruído a prova material e compromete a validade do processo 2. Nulidade relativa – não afetam normas fundamentais, precisa de ser alegada no próprio momento a. Erro na notificação de uma audiência é uma nulidade relativa, e parte deve alegar a nulidade no momento próprio, e se não for alegada a tempo vai-se perder um direito processual. IMPACTOS DA NULIDADE Vai levar à repetição dos atos processuais como a reabertura do julgamento, que acaba por impactar a celeridade e a eficiência processual de modo a garantir o respeito pelas partes envolvidas Pode-se fazer um recurso em caso de nulidade em que as partes interessadas podem impugnar sentenças que contenham vícios processuais relevantes, bem como fazendo referência ao instituto do Habeas Corpus quando a irregularidade põe em causa a liberdade do arguido. É importante arguir as nulidades de modo a preservar a legalidade do processo penal, para garantir a imparcialidade da condução dos processos penais e contribuir para sanar os vícios que podem por em causa a tramitação do processo, e para se invocar as nulidades deve-se ter por base o CPP. Em contrapartida, se não se arguir as nulidades os atos processuais podem ser considerados inválidos, os direitos fundamentais das partes podem ser violados e em virtude disso, o processo podem chegar à fase de recurso e vai demorar um tempo supeiror ao necessário