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Processo Penal I 30/07/2024 - Fundamentos da Existência do Processo Penal (part. I) Nos primórdios, havia outras maneiras de resolver os litígios e obviamente havia outros problemas e questões discutidas, diferentemente das que vemos hoje. Este modelo da vingança privada foi totalmente desproporcional, não resolvendo os problemas, mas trazendo ainda mais, fazendo com que as relações não fossem sociavelmente aceitáveis. Através da mediação, buscava-se evitar uma retribuição direta, ou seja, um líder ou uma outra pessoa, podendo ser religiosa, política ou afins, representavam um grupo de pessoas, ou até mesmo a sociedade, para que buscasse sanar estas questões. Processo Penal I Tivemos o surgimento do Estado com a finalidade de regularização da sociedade, para que findasse com a violência excessiva. O Estado significa a transferência do poder individual do cidadão a um ente abstrato, sendo o Estado. Antes da existência desta conformação do Estado, tivemos soluções não estatais, a vingança-privada/autotutela e a autocomposição das pessoas As normas são regras de comportamento que o Estado impõe, pois estas normas são dotadas de coerção, e esta força decorre deste poder que transferimos ao ente, que é o Estado. Processo Penal I O processo, como forma para as pessoas serem punidas, surge para punir aqueles que praticaram condutas violadoras das normas penais incriminadoras. Processo é um caminho para se chegar até uma finalidade, como sentença, mas o devido é o entendimento de como se chegar até esta finalidade, como os ritos processuais. Acontece que, mesmo com o Estado e com o Devido Processo Legal, ainda estão incorporadas no sistema jurídico algumas soluções de vingança privada e autocomposição. EXEMPLOS: Processo Penal I Juiz arbitral não entra no âmbito penal. Processo Penal I A sanção vem do Direito Penal, e é através do Processo Penal que a pena é aplicada. Processo Penal I Ação Civil Ex Delicto – quando alguém comete um crime, e deste decorre um dano material ou moral, o réu será condenado a pagar uma quantia. A sentença penal condenatória torna certa a obrigação de indenizar. Durante o processo penal, pode-se buscar pelo ajuizamento desta ação civil ex delicto, isso para que a vítima tenha mais celeridade na aquisição de seu direito indenizatório. Processo Penal I 06/08/2024 - Fundamentos da Existência do Processo Penal (part. II) Processo Penal I RELAÇÕES COM AS CIÊNCIAS AUXILIARES É uma ciência que contribui, muito para a elucidação de crimes periciais, exemplo o exame de corpo de delito. A pericia de drogas não decorre da medicina legal, mas pericias psiquiátricas e físicos sim, podendo ter erros técnicos também. Este ramo é fundamental, pois é nele que se vê a inimputabilidade do réu. Durante a ação penal, ou na fase investigatória, é mais comum de o réu se tornar inimputável, mas nada impede de ele vir a se tornar durante a execução penal. Processo Penal I Dentro dela há especialidades que são utilizadas no processo penal. Os exemplos descritos no anexo acima, elucidam a utilização. Processo Penal I Direito Penal x Direito Processual Penal Quem pune é o direito penal e quem aplica esta penalidade é o processo penal. Sistemas Processuais Penais Sistema é um conjunto que oferece um modelo jurídico para obter o resultado desejado. Sistema não tem como objetivo condenar e nem absolver, mas sim promover um processo justo e legal. a) Sistema Inquisitivo ou Inquisitorial b) Acusatória c) Misto No Brasil, o sistema utilizado é o acusatório, conforme previsto no artigo 3-A, do CPP: Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. Sistema Inquisitório ou Inquisitivo O juiz não pode ter o poder de investigar, acusar e tampouco defender. No entanto, há o artigo 209, do CPP, que consta a faculdade do juiz ouvir outras testemunhas que não foram indicas pelas partes, mas pode trazer para ouvir a testemunha referida. Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes. Processo Penal I Modelo inquisitivo ou Inquisitorial teria as funções de acusar, defender e julgar. O grande problema deste sistema é a falta de imparcialidade. O réu é o objeto do processo, não podendo ter autonomia processual, apenas submetendo-se ao ordenamento do juiz. A investigação no Brasil é pré-processual, e por isso ela pode ser inquisitiva. Pois, o delegado ou parlamentares políticos, tem pleno poder para investigar, averiguar e verificar o que for pertinente a esta investigação. No entanto, investigação não faz parte do processo. A imagem retrata o sistema inquisitivo, mostrando o magistrado radiando seus poderes jurídicos em face das pessoas. Sistema Acusatório Processo Penal I Dentre as funções do magistrado, dentro do sistema acusatório, é vedada a juntada de provas, investigar, acusar e defender. As características do sistema acusatório estão explicitadas no código, porém os limites não estão pré- definidos. Há processos penais sigilosos, o que contradiz o princípio deste sistema, porém, serve para preservar a identidade das partes. Na constituição não diz expressamente que o sistema processual brasileiro é acusatório explicitamente, mas prevê a titularidade do Ministério Público, que está atribuída a legitimidade para a ação pública ao ministério público, conforme segue abaixo: Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; Sistema Misto O sistema misto teria duas fases dentro do processo, ou seja, teria a primeira fase presidida por um juiz que investigaria e faria um juízo de admissibilidade da prova juntada, para levar o réu para a segunda fase; na segunda fase, um outro juiz faria a instrução e julgaria. Este sistema foi utilizado na França, na era napoleônica, que só findou após a desconfiança e a falta de credibilidade destes juízes. Processo Penal I Lei Processual no Espaço No brasil se aplica o código de processo penal brasileiro e outras leis processuais específicas, não aceitando a legislação de outro lugar. O princípio da Lex Fori (a lei do foro) ou Locus Regit Actun (onde rege o foro). O ato processual praticado no exterior não é nulo, ele somente será avaliado pela luz do código processual do Brasil, aplicando-se o princípio da territorialidade. Cuidar as imunidades das duas convenções, que tratam de partes distintas, sendo relações diplomáticas e cônsules. Processo Penal I 13/08/2024 APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO Prescrição não é um tipo penal, mas uma figura extintiva de uma punibilidade, decorrente da conduta atípica. A lei processual penal não se discute sobre o beneficio ou não do réu, ela se aplica desde a sua homologação, valendo contar a partir de então para processos e fatos que ainda não aconteceram. Isso pois, a lei processual penal não é punitiva (somente a lei penal), mas uma garantia à sociedade de que haverá um processo justo e legal. Tempus Regis Actum – o tempo da lei rege o ato que acontecerá dali para frente. Os prazos são contínuos no processo penal, pois lida-se com a liberdade do indivíduo. Processo Penal I Existem leis que tem natureza dúplice, sendo tanto de Direito Processual Penal, como de Direito Material Penal. Por isso que a doutrina chama e identifica de heterotópicas (mais de um tópico). Por lógica, seguindo o preceito do In Dubio Pro Reo e o In Bonan Partem, a lei heterotópica homologada após um ato-fato, somente retroagirá em benefício do réu. Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva1 e aplicaçãoanalógica2, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. Sujeitos Processuais Penais a) Autoridade Policial b) Promotor de Justiça - Ministério Publico c) Juiz d) Vitima (Ofendido) e) Acusado 1 Interpretar quando uma norma não ficar muito clara/entendível; 2 Quando se aplica um entendimento em algo que não há. Acaba suprindo com os princípios gerais de disposição legal, para que não haja uma lacuna dentro da norma e do ordenamento jurídico. Processo Penal I f) Defensor g) Assistente à acusação Autoridade Policial A única pessoa identificada no código como autoridade policial é o Delegado, seja federal ou estadual. De regra, a investigação se inicia pelo delegado. Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. O artigo 107, DO CPP, diz que não poderá alegar suspeição da autoridade policial investigativa, mas que ela mesma deverá se declarar. Caso ela, de fato, seja suspeita, mas não se declara, ela terá legalidade para continuar a investigação. No entanto, se o MP verificar alguma irregularidade na valoração das provas, poderá o MP requerer uma nova investigação com um outro delegado. Pois o delegado não tem o princípio da inamovibilidade, podendo ser retirado da investigação a qualquer tempo. Processo Penal I Juiz de Direito O juiz somente perderá o cargo com ação judicial com coisa julgada, ou então através do estágio probatório. Impedimento Isso serve tanto ao juiz, quanto aos membros do MP, os peritos que atuam no processo e os jurados. Impedimento: é radical, é algo objetivo. É o que há de mais grave. Quando um juiz é impedido, significa que ele JAMAIS poderia ter atuado no processo, de forma que seus atos não são nulos ou anuláveis, mas inexistentes. São circunstâncias dentro do processo, estão ligadas ao tramite do processo, então impedido é grave, não existe o ato. Processo Penal I Diferente da suspeição, que esta, se dá por algo subjetivo, externa ao processo. Assim, quando um juiz se declara suspeito ou é declarado como tal, seus atos se tornam nulos e/ou anuláveis. Processo Penal I 20/08/2024 Suspeição A suspeição sempre decorre de um motivo subjetivo fora do processo. Suspeição que poderá discorrer de N motivos, conforme diz a luz do artigo 254, e incisos, do CPP: Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Processo Penal I Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. A violação do juiz suspeito acarreta a nulidade absoluta de seus atos. Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: I - por incompetência, suspeição ou suborno do juiz; Juiz das Garantias É um juiz de direito, que terá competência para, somente, atuar na investigação, não necessariamente sendo apenas inquérito policial, mas qualquer investigação em sentido lato. Nasceu para esterilizar e tornar o outro juiz, dentro do processo, imparcial. Processo Penal I III a qualquer tempo DENTRO da investigação Processo Penal I O juízo das garantias não se aplica nas seguintes competências: a) Aos processos de competência originaria dos tribunais, regidos pela lei 8.038/90; b) Aos processos de competência do tribunal do júri; c) Aos casos de violência doméstica e familiar; e d) Às infrações penais de menor potencial ofensivo (JECrim). https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15363757286&ext=.pdf https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15363757286&ext=.pdf Processo Penal I Processo Penal I 27/08/2024 Ministério Público Dos Princípios e Garantias do Ministério Público Indivisibilidade, pois nenhum promotor age por nome próprio, mas sim pela instituição. Independência funcional, ou seja, os membros do MP não podem ser obrigados a agir, devendo agir em conformidade e com obrigação a lei e a constituição, e por consequência, com sua consciência. Processo Penal I A vitaliciedade não se dá em estágios probatórios, se perde em ações administrativas, e após este estágio, a vitaliciedade só pode perder seu efeito em ações transitadas julgadas. Ministério público da União – Procurador-Geral da República (MPF – MPT – MPM – MP Público do DF e Territórios). OBS.: O Ministério Público do DF e Territórios é equivalente ao MP Estadual, pois a matéria é residual. Ou seja, são PROMOTORES DE JUSTIÇA vinculados ao MP da União Ministério Público dos Estados – Procuradores-Gerais de Justiça (promotores e procuradores de justiça) Processo Penal I Ofendido (vítima) O promotor precisa chamar a vítima para que ela seja arrolada, mas ela não pode arrolar-se automaticamente. § 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3 Processo Penal I Acusado O acusado precisa ser maior de 18 anos (contados do dia do aniversário), caso contrário, é considerado como adolescente ou criança, que daí parte-se para o ECA. O indivíduo, em regra, precisa ter sua identificação (carteira de identidade, certidão de nasc. Etc) para que esta seja julgada. No entanto, se ela não tiver uma identificação consigo, ainda assim poderá ser julgado e indiciado. O Réu tem direito de ser cientificado do direito ao silêncio, tendo como o nome AVISO DE MIRANDA (caso Miranda x Arizona 1966) – “antes de qualquer questionamento, uma pessoa deve ser informada que ela tem o direito de Processo Penal I permanecer calada, e que qualquer depoimento que fizer poderá ser usado como prova contra si mesma.” No art. 9-A, da lei 7.210 (Lei de execução Penal), prevê o seguinte: Art. 9º-A. O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) Este artigo está no STF por ser considerado inconstitucional, no entanto, ainda não houve voto acolhendo ou não. Defensor https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20 Processo Penal I Advogado Precisa-se de poderes especiais na procuração nos seguintes casos: a) Aceitação do perdão do ofendido nas ações privadas (art. 59 do CPP); b) Arguir exceção de suspeição do juiz (art. 98 do CPP); c) Arguir falsidade documental (art. 146 do CPP); d) Desistir de recurso quando realizada apenas pelo defensor; e e) Assim como o que prevê no art. 44, do CPP: A queixa poderá ser dada por procurador com poderesespeciais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal. A diferença de queixa-crime e notícia-crime se dá na seguinte forma: Notícia-crime: Notícia que se dá às autoridades policiais de um crime (boletim de ocorrência). Queixa-crime: Denúncia que se dá para a iniciação de um processo criminal. Comentado [PP1]: Este é um erro de redação, pois o certo seria QUERELADO. Processo Penal I 03/09/2024 Investigação Criminal No Brasil, existe a investigação criminal, que é inquisitorial, por não conter partes, direito de ampla defesa e contraditório e demais garantias processuais, que significa coletar elementos de convicção que se dão antes da ação penal, para que depois possa se instruir a denúncia oferecida, pelo MP, ou então da queixa-crime. Estes elementos de convicção são obrigatórios para que se dê início a uma ação penal. Para cassar ou extinguir o tramite do processo, se utiliza o Habeas Corpus. Processo Penal I Se a ação penal é publica, o legislador não precisara estabelecer, pois é a regra (MP faz a denuncia), caso contrário, se for uma queixa-crime/ação privada, precisará estar expresso na lei, pois é uma exceção. O MP só poderá oferecer a denúncia se esta estiver com elementos suficientemente convincentes. Se não tiver elementos para um melhor esclarecimento e convencimento, este deve requerer um requisito de diligências, para que dê causa de oferecimento da denúncia, ou não. Esta é uma faculdade do membro do MP, onde ele poderá ou não requisitar diligências, não sendo necessário para o remetimento do arquivamento. No caso do não esclarecimento e/ou do não convencimento, o promotor de justiça demandará a denúncia a um magistrado para decidir pelo arquivamento. Se o juiz homologar o arquivamento, nada se faz. No caso da não aceitação do arquivamento, será remetido ao procurador-geral e este poderá manter o arquivamento ou destituir outro membro do MP. Crime de ação privada Este artigo 19 traz um seguinte problema, pois quando o termo circunstanciado ou até a notícia-crime chega ao juízo competente, os autos ficarão aguardando em cartório a iniciativa do ofendido ou do seu representante legal, mas sem estes serem intimados. Processo Penal I Espécies de Investigação Na esfera eleitoral se dá a ação de investigação eleitoral, que não se dá um inquérito, mas sim uma ação investigatória, mas que não decorrerá na esfera penal, ou seja, não pune, mas poderá apurar crimes e remeter ao MP. No que tange a súmula 397 do STF, diz que: “O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.” Processo Penal I Princípios do Inquérito Policial Processo Penal I Formas de Instauração do Inquérito Se o crime é de ação pública, o delegado tem o dever de instaurar a investigação de policia, conforme visto no art. 5º do CPP: Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício; II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. § 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível: Processo Penal I a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. § 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. § 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. Ação pública incondicionada: ilustra que o MP não depende de nenhuma autorização para investigar, tendo poder pleno. Na ação penal pública condicionada à representação, se vê o mesmo artigo, mas no parágrafo 4º: § 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. Ação Pública Condicionada à Representação: Na ação pública condicionada à representação, a autoridade policial somente poderá investigar mediante autorização da vítima ou de quem tiver qualidade para representá-la. Já o MP, somente poderá denunciar se houver uma autorização da vítima, ou, representante legal/tutor/curador. Para ser condicionada à representação precisa estar expresso no dispositivo. Há casos em que a ação pública poderá ser condicionada à requisição do Ministro da Justiça, é um caso excepcional, onde só ocorrerá mediante autorização deste. Somente em crimes contra honra, contra o presidente da república ou a chefes de Estado. Ação Privada: Já na ação privada, ainda segue no mesmo artigo supramencionado, no entanto, seguindo o dispositivo do parágrafo 5º: § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. Na ação privada, para que se instaure uma investigação, necessitará da queixa- crime da vítima, ou de quem tiver a qualidade para representá-la. Se esta queixa- Processo Penal I crime for indeferida e não prosseguir com a investigação, caberá recurso ao chefe de polícia. Processo Penal I 10/09/2024 Na investigação, os defeitos que acarretam ela não contaminam o processo por si só, mas a depender do caso, poderá em juízo ser anulada ou requisitar diligências. Na investigação com coisa julgada formal, em tese dá para reabrir. No entanto, se algo fez algo julgado material, significa que se exauriu a discussão e que não há como reabrir o inquérito. Se faz coisa julgada quando o arquivamento for por atipicidade material, onde o promotor reconhece que não há crime e nem contravenção (exemplo de bagatela), e acaba não atingindo o bem jurídico pela insignificância. Extinção da punibilidade (prescrição) se faz coisa julgada materialmente. Observa-se a súmula vinculante de nº 14, do STF: Súmula Vinculante 14 É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Observando também o estatuto da OAB: XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital; Arquivamento da Investigação Explícita A investigação deve ser encaminhada ao Judiciário. Se a ação for pública, remete-se ao MP; se for privada, aguarda a iniciativa da parte. Processo Penal I Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. Nesse caso do artigo 28, o ministério público demandará o relatório de arquivamento para o juiz, e se este não concordar/homologar, remete-se ao Procurador Geral do Estado. No caso de recurso da vítima, observe-se o parágrafo 1º: § 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar como arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. Arquivamento da Investigação Implícita Ocorre quando o Ministério Público oferece a denúncia omitindo o autor ou fato. O entendimento não é pacífico, tendo duas vertentes, sendo que uma reconhece o arquivamento implícito, e outra que não reconhece, trazendo como tese de que tem de ser explícito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Súmula 524 – STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. A jurisprudência entende de que não há arquivamento implícito, com base no art. 18, do CPP. Prazo do Inquérito Policial O inquérito policial tem um prazo para ser concluído, esse prazo depende do fato de o suspeito estar preso ou não e dependendo da matéria também: Processo Penal I Crimes eleitorais o prazo equivaler-se-á na regra (10+15 se estiver preso e 30 dias se estiver solto) Investigação Defensiva Processo Penal I 17/09/2024 Ação Penal Ação penal é o “movimento” para penalizar uma pessoa que infringiu determinada lei. Ou seja, é o meio que o Estado utiliza para exercer seu poder de exercer sanções penais. Condições da ação São condições e requisitos para que a ação penal possa ser deduzida perante o judiciário. São elas: 1. Possibilidade jurídica do pedido: é a viabilidade de que a pretensão penal deduzida em juízo possa ser procedente. Por isso, é imprescindível que o fato descrito na denúncia/queixa seja uma infração penal, crime ou contravenção. 2. Legitimidade para agir: 2.1. é necessário que quem promova a ação penal tenha legitimidade “ad causam”, isto é, titular do direito de ação. Nesta legitimidade, se for ação pública, o titular do direito será o Ministério Público; se for ação privada, o ofendido será o titular, podendo ser cônjuges, descendentes, ascendentes ou irmãos. 2.2. legitimidade “ad processum”. Esta, é a capacidade de estar em juízo sem representação (ex.: o ofendido maior, que não necessita de representante. O menor, quando quiser ajuizar queixa-crime, deverá ser representado por seus representantes. Não se confunde com capacidade postulatória (É a necessidade de um advogado para estar em juízo nas ações privadas, e para defender o réu). 2.3. Na ação penal, há necessidade também de haver legitimidade passiva, isto é, ser sujeito ativo de alguma infração penal (pessoa física capaz ou jurídica nos crimes em que ela pode figurar). Processo Penal I 3. Interesse de agir: necessário que o fato cometido seja relevante juridicamente. Pois, há fatos que não são necessariamente importantes e que faltará interesse do Estado em punir determinado indivíduo. Há necessidade de ser demonstrada a necessidade de se invocar o Poder Judiciário (mover a máquina judiciária) para o processo penal (ex.: crimes de bagatela não há interesse de agir). Discute-se quanto à tese da prescrição pela pena projetada (em perspectiva) (súmula 438 STJ) Alguns autores dividem em NECESSIDADE, ADEQUAÇÃO e UTILIDADE. 4. Justa Causa: é a presença de elementos mínimos de prova que permitam o desenvolvimento da ação penal, a partir do seu recebimento pelo juiz, notadamente quanto à autoria e materialidade. Observa-se o artigo 395, do CPP: Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: I - for manifestamente inepta; II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. Justa causa não é condição da ação, mas a existência de uma condição especifica que traz provas mínimas para ação. Condições de Procedibilidade da Ação Além das condições genéricas da ação penal, em que a sua presença é obrigatória em todas as ações penais, há determinadas condições em algumas ações penais específicas. Sua presença, assim como as condições gerais, deve ser verificada no momento em que analisa se recebe ou rejeita a denúncia/queixa. a) Representação do ofendido nos crimes de ação penal pública condicionada; b) Requisição do Ministro da Justiça nas ações penais públicas condicionadas; c) Provas novas, quando o inquérito policial foi arquivado, para a propositura da ação penal (súmula 524 STF). Processo Penal I Condições Objetivas de Punibilidade Alguns crimes necessitam de requisitos específicos para se poder punir, além do tipo penal. Neste caso, a punibilidade do autor de determinada infração penal (crime ou contravenção) depende de alguma condição, sem a qual não se pode punir. Não se confundem com as condições da ação, pois são questões de política criminal que condicionam a punição a determinado elemento. Condições de Prosseguibilidade São condições para que o processo possa prosseguir, uma vez iniciada a ação penal. Não se confundem com as condições da ação (que devem estar presentes para o processo penal iniciar) nem com as condições objetivas de punibilidade (são condições externas aos tipos penais). Nelas, o processo está em andamento, e é necessária a implementação de uma condição para que prossiga. Ex: réu que se torna inimputável durante o processo ou mesmo após a infração penal, o processo deverá ficar suspenso, e somente prosseguirá quando cessar a doença mental (art. 152, “caput”, CPP). Outro exemplo: O art. 366 do CPP determina que o processo e a prescrição devam ficar suspensas se o acusado, citado por edital, não comparecer nem nomear defensor. Por isso, o processo somente prosseguirá se o acusado for encontrado, ou se nomear defensor após a suspensão. Classificação das Ações Penais 1. Ação penal pública incondicionada 2. Ação penal pública condicionada à representação 3. Ação penal pública condicionada à requisição do ministro da justiça 4. Ação penal privada exclusivamente privada 5. Ação penal privada personalíssima 6. Ação penal privada subsidiária da pública (ação penal acidentalmente privada). Processo Penal I Princípios da Ação Penal Pública 1. Ne procedat iudex ex officio - O Juiz não pode dar início à ação penal. Sistema acusatório. 2. Ne bis in idem - ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato. 3. Intranscendência - a ação penal não pode ser proposta além do autor do fato. Art. 5o, incl XLV, da constituição “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;” 4. Obrigatoriedade - Presentes os requisitos necessários, o Ministério Público deve promover a ação penal (art. 24 CP). Trata-se de princípio mitigado/relativizado (discricionariedade regrada), pois abriram-se exceções. Ex.: transação penal no JECrim, suspensão condicional do processo, acordo de não persecução penal, acordos de colaboração premiada, parcelamento do débito tributário, acordo de leniência. 5. Indisponibilidade - O Ministério Público não pode desistir da ação que haja proposto. Art. 42 do CPP “O Ministério Público não poderá desistir da ação penal.” Poderá requerer a absolvição do réu, entretanto. Entende-se que a suspensão condicional do processo é exceção. 6. (in)divisibilidade - Há divergência. A ação deve ser proposta contra todos os autores da infração penal. Entretanto, há quem entenda que o Ministério Público pode entender que não há elementos contra algum dos supostos autores, e denunciar apenas os demais, diligenciando mais contra os demais. 7. Oficialidade -o Ministério Público é órgão oficial de Estado. 8. Oficiosidade - as autoridades devem agir de ofício, mesmo quando não provocadas. Processo Penal I 24/09/2024 Ação Penal Pública Incondicionada Para depender de representação ou requisição do ministro da justiça, ou para ser ação penal privada, deverá estar expresso no tipo penal, ou no capítulo, ou na lei. O dia em que o MP receber o inquérito, será o início do prazo para que ele proceda com a denúncia. Quando o MP se manter inerte, existe a possibilidade da ação ser revertida em privada subsidiária da pública. O prazo do MP não é peremptório, mas sim dilatório. Podendo oferecer a denúncia enquanto não converter em ação privada subsidiária da pública. Processo Penal I Ação Penal Pública Condicionada a Representação – Part 1 Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. § 1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida. § 2o A representação conterá todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria. § 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê- lo-á à autoridade que o for. § 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito. § 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias. Processo Penal I 1º/10/2024 Ação Penal Pública Condicionada a Representação – Part 2 A extensão de representação se dá em relação ao fato, autorizando o Ministério Público em agir contra todos. Retratação da representação: Pode haver retratação até antes do oferecimento da denúncia (art. 25 CPP). Exceção: Lei Maria da Penha: não se fala em retratação, mas em renúncia até antes do recebimento da denúncia, em audiência especialmente designada perante juiz, Art. 16 da Lei nº 11.340/063. Ministério Público não se vincula à representação. Poderá arquivar a investigação, determinar mais diligências ou mesmo oferecer a denúncia. É possível retratação da retratação? Há duas correntes, sendo a primeira dizendo que é possível dentro do prazo decadencial, e a segunda proibindo, por haver a possibilidade de gerar uma insegurança jurídica. Titulares do direito de representar: O ofendido, quando maior e capaz (revogado o art. 34 do CPP). Seu representante legal quando incapaz (art. 24 CPP). Se não tiver representante, o Juiz deverá nomear (art. 33 CPP). Se o ofendido for morto ou declarado judicialmente ausente, poderá representar seu cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI), art. 24, § 1o, CP), com preferência nesta ordem. Se pessoa jurídica, quem tiver legitimidade por lei, estatuto ou contrato (art. 37 CPP). Prazo para representar: 6 meses contados do dia em que o ofendido ou quem por ele puder, tiver conhecimento de quem foi o autor do crime. É prazo DECADENCIAL. Artigo 38 do CPP e 103 do CP. Ver também Súmula 594 do STF.4 3 Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. 4 Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal. Processo Penal I Ação Penal Pública Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça O oferecimento da denúncia depende da requisição do Ministro da justiça. Ou seja, não existe prazo para a requisição, ao contrário da representação. Requisição não é ordem. Equivale a uma representação. Não vincula o Ministério Público, mas o destinatário da requisição é o Ministério Público. São poucas as hipóteses: Artigo 145, § único, do CP - crimes contra a honra. Princípios da Ação Privada 1. Ne procedat judex ex officio - O juiz não pode iniciar a ação penal por conta própria. 2. Ne bis in idem - Ninguém pode ser processado ou punido duas vezes pelo mesmo fato. 3. Intranscendência - A responsabilidade penal é pessoal e não pode ser estendida a terceiros. 4. Oportunidade ou conveniência – em suma, diz que o querelante não é obrigado a processar, devendo que ele analisar a conveniência oportuna ou não. 5. Disponibilidade – quem ajuizou a queixa pode desistir da ação que propôs. 6. Indivisibilidade – a queixa deve ser oferecida contra todos. A pessoa pode ingressar ou não, mas caso ingresse, deve ser oferecida contra todos os acusados. Processo Penal I Diferença de Princípios entre ação privada x ação pública Processo Penal I Processo Penal I 15/10/24 AÇÃO PENAL PERSONALÍSSIMA Decadência Conforme observa-se súmula 594, do STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal. Processo Penal I Renúncia ao direito de queixa A renuncia é antes da ação penal (oferecimento da queixa), pois se já estiver tramitando a ação, não há no que se falar em renúncia, mas em perdão. A renúncia pode ser expressa ou tácita: Renúncia expressa: é a prática de um ato que demonstre a intenção de não processar. Conforme observa-se no art. 50, do CPP: Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. Renúncia tácita: é a prática de um ato que demonstre a inequívoca intenção/vontade de não processar/oferecer a queixa. Conforme observa-se no art. 104, § ún., do CP: Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime. A renúncia é segue o princípio da Indivisibilidade, mostrando que não pode renunciar em face de um e processar os demais, se houver concurso de pessoas. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art104 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art104 Processo Penal I Perdão do Ofendido O perdão ocorre quando já existe a queixa/processo e é indivisível, pois a partir do momento em que o ofendido perdoa um, ele perdoa os demais. No entanto, o perdão tem que ser aceito pelo réu/acusado, e não produzirá efeito se não for aceito. O perdão abarca a todos: Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar. Perdão expresso: é a prática de um ato que demonstre a intenção/vontade de perdoar. Conforme passa a se observar no art. 58, do CPP: 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação. Perdão tácito: é a prática de um ato que demonstre inequívoca a intenção/vontade de perdoar. Conforme passa a se observar no art. 106, do CP: Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita;II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; III - se o querelado o recusa, não produz efeito. § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação. Processo Penal I § 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória. Perempção Falta de interesse em prosseguir com a ação já oferecida, sendo um abandono durante o andamento do processo: Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. A jurisprudência entende que, quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo, mas o advogado dele comparecer, não haverá perempção. – primeira parte do inciso III https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art36 Processo Penal I Caso o querelante não peça pela condenação do acusado nas alegações finais, o juiz decretará perempção, Não é requerer justiça, mas sim condenação. – segunda parte do inciso III O prazo do inciso IV é o mesmo do II, sendo 60 dias. Decadência Renúncia Perdão Perempção Antes da ação Antes da Ação Durante o processo Durante o Processo Ato omissivo Ato comissivo Ato comissivo Ato omissivo Unilateral Unilateral Bilateral Unilateral Os institutos de renúncia, perdão e perempção não se aplicam na ação privada subsidiária da pública Ação Penal Secundária A súmula 714 elucida a alternação de escolha entre as opções de ações. Processo Penal I Ação Penal Popular O entendimento é majoritário onde entende que não existe ação penal popular. Processo Penal I 22/10/2024 Ação Civil Ex Delicto Arts. 64 a 68 do CPC – da ação civil. Ação Civil Ex Delicto – quando alguém comete um crime, e deste decorre um dano material ou moral, o réu será condenado a pagar uma quantia. A sentença penal condenatória torna certa a obrigação de indenizar. Pode-se buscar pelo ajuizamento desta ação civil ex delicto durante, após ou até antes da ação penal, isso para que a vítima tenha mais celeridade na aquisição de seu direito indenizatório. Entende-se que, quando se trata de vítimas indeterminadas, não há ação civil ex delicto. O ajuizamento desta ação serve para garantir e reservar bens do acusado, para que a vítima tenha garantia. Processo Penal I Nessa imagem acima, mostra que mesmo antes do trânsito em julgado, poderá ser proposta a ação pelo ressarcimento do dano causado. Processo Penal I No art. 935, do Código Civil, demonstra a independência de responsabilidade criminal e, além disso, demonstrando a impossibilidade jurídica do pedido de discutir algo que já foi sanado no juízo criminal. Quando reconhecida a inexistência do fato, fica a vítima daquela ação penal, impossibilitada de ingressar com ação civil. Agora, também, está dito no CC que também não cabe ação ex delicto civil, se no processo penal tiver sido reconhecido que o réu não foi autor e nem partícipe. Quando o réu for absolvido pela dúvida do juiz, indo pelo princípio In Dubio Pro Reo, caberá ação civil ex delicto. Quando cabe ou não ação civil ex delicto? No inciso I, visto acima, mostra a certeza e comprovação do reconhecimento categórico da inexistência do fato. Considera-se o art. 66 do CPC. No entanto, no inciso II, não poderá considerar como antítese de forma literal, consideraria à luz do art. 935, do CC. No inciso III não se diz em crime, mas em atipicidade. Excludente da culpabilidade não afasta a ação civil ex delicto. Como os exemplos dos casos típicos, antijurídicos, mas minorando a pena por conta da culpabilidade (inimputabilidade, coação irresistível e obediência hierárquica). Absolvição no júri: não afasta ação civil ex delicto, pois os jurados não justificam os votos. Sendo a única decisão sem justificação. Processo Penal I Há situações em que poderá propor a ação civil ex delicto, sendo elas previstas no art. 67. CPC: Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil: I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; II - a decisão que julgar extinta a punibilidade; III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime. Na hipótese de o fato não ser típico (gato net) e o juiz absolve dizendo que não é crime, não impede a ação civil ex delicto. Ou seja, atipicidade. O perdão judicial não afasta a propositura da ação civil ex delicto. Processo Penal I 29/10/2024 Jurisdição e Competência Jurisdição é a capacidade dos membros do Poder Judiciário, de dizerem o direito, de exercerem o poder definido pelo Estado. Jurisdição é um poder abstrato, por abranger toda a parcela que lhe é proposta pelo Estado, e ao mesmo tempo, é subjetiva, pois é inerente a todos os membros do Poder Judiciário. Competência é a delimitação/divisão deste poder, a partir de alguns critérios, existentes na constituição, leis e regimentos. Deve-se ter esta divisão por conta do tamanho territorial que há no país. A competência, diferentemente da jurisdição, é concreta e objetiva, sendo antítese da jurisdição. Processo Penal I Princípios da Jurisdição A exceção deste princípio da indeclinabilidade é o art. 217, §1º, da Constituição. Processo Penal I Jurisdição Comum x Especial Competência A natureza da infração é para determinar a espécie do crime, para que se possa delimitar o órgão responsável para julgar. Processo Penal I Principais critérios para fixação da Competência Foro de prerrogativa de função elucida a função da pessoa que cometeu o crime ou contravenção. Processo Penal I 05/10/2024 FORO DE PRERROGATIVA EM RAZÃO DA FUNÇÃO Os deputados estaduais não foram investidos do foro de prerrogativa de função, assim como os delegados de polícia, vereadores e defensoria pública, isso no nascimento da constituição. Neste caso, são as autoridades investidas deste foro, no STF: Este foro de prerrogativa de função somente vale para matéria penal. Agora, mostra-se os cargos investidos de foro de prerrogativa de função, no STJ: Os membros de tribunais de contas do município têm prerrogativa de função na esfera do STJ, por mais que não seja comum de se ver. Processo Penal I Já os TRF, são os seguintes: A hipótese ressalvada dos membros do MPF, serão julgados no TRE. Os prefeitos somente serão processados no TRF nos casos de matéria, como por exemplo desvio de pecúnia federal. Agora, são cargos com foro de prerrogativa de função, no TJ: E até quando dura este foro de prerrogativa de função? Para quais crimes? Processo Penal I O supremo entendeu, em 2018, que os crimes cometidos serão apenas aos cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. O concurso de pessoas, onde um tem o foro e outra não tem, funciona da seguinte forma: Pela súmula, quem não tem foro acaba sendo atraído pela quem tem foro, sendo julgada, ambas, na respectiva jurisdição competente ao foro de prerrogativa da função. No entanto, o STF, para variar, entende o contrário da própria súmula, dizendo que pode apartar as partes em casos de grande complexidade, fazendo com que a pessoaque não tem foro, seja julgada no juízo de primeiro grau, enquanto a que tem foro, seja julgada em sua respectiva jurisdição. Processo Penal I A constituição federal prevê normas para o foro de prerrogativa de função. No entanto, há previsão expressa dos tribunais estaduais, conforme art. 125. Neste caso, o STF adimpliu o foro de prerrogativa de função em tão somente aos deputados estaduais. A investigação das pessoas investidas de foro de prerrogativa de função: O supremo entende que toda a investigação que será proposta em face da pessoa que tem foro de prerrogativa de função, necessita de autorização formal dos respectivos tribunais. Processo Penal I A súmula vinculante de nº. 45, mostra que somente os deputados estaduais serão condenados perante júri popular, conforme constituição estadual. No entanto, em contrarium sensu, quando se trata da constituição federal, se tem a prevalência do foro de prerrogativa da função. Processo Penal I 12/11/2024 FORO DE PRERROGATIVA EM RAZÃO DA MATÉRIA Na justiça militar, em razão da matéria, dependera se é federal ou estadual. No código penal militar somente tem crimes, não havendo contravenção penal. Dos crimes militares podem ser próprios (crimes previstos no código penal militar) e/ou impróprios (crimes previstos em lei ordinária). No entanto, há as seguintes ressalvas: § 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri. Neste parágrafo, refere-se aos militares estaduais. Processo Penal I § 2º Os crimes militares de que trata este artigo, incluídos os previstos na legislação penal, nos termos do inciso II do caput deste artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar da União. Já neste, refere-se aos militares federais, onde não vão a júri. E civil que pratica crime contra militar, onde será julgado? Se for contra militar estadual, será julgado na justiça estadual comum. No entanto, se for contra militar federal, será processado e julgado na justiça militar federal. Se for crime cometido de civil contra polícia federal, será processado e julgado na justiça comum federal. NA JUSTIÇA ELEITORAL: Processo Penal I NA JUSTIÇA DO TRABALHO: Na justiça do trabalho, evidente que nela não haverá competência e tampouco jurisdição para julgar ações penais. Processo Penal I 19/11/2024 NA JUSTIÇA FEDERAL: A justiça federal é competente para julgar e processar todas as infrações penais, salvo as contravenções penais, conforme se observa abaixo: Processo Penal I Mostrando as seguintes situações: Assim como outras situações abaixo: Processo Penal I Como foi falado anteriormente, a justiça do trabalho jamais vai processar e julgar ações penais, no entanto, compete à Justiça Federal processar e julgar, conforme se observa abaixo: Os juízes estaduais e do Distrito Federal e territórios, assim como os membros do Ministério Público, serão julgados pelo tribunal de justiça, conforme se mostra: A justiça federal será necessária quando: Processo Penal I A pedofilia infantil por rede internacional de computadores é crime federal também. Processo Penal I Como mostrado no inciso VI, a questão da ordem econômico-financeira dependerá do caso concreto, para que se possa averiguar a natureza do tributo. Essa questão do navio é uma confusão e precisa se ter compreensão nas hipóteses demonstradas, assim como os conceitos, dentro da lâmina. Evidente que habeas corpus será de competência federal. Processo Penal I Dos indígenas é só relativo aos direitos destes. CONCURSO DE COMPETENCIAS DA JF E JE: DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL: Processo Penal I Terá de interpor, no prazo de 15 dias, recurso para STJ e STF, não podendo ser somente um e depois o outro, pois se trata de matéria diferente. Processo Penal I A competência será, em regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou no caso da tentativa onde se dá pela última tentativa. No caso do parágrafo terceiro, o juízo será prevento no momento da investigação ou processual. Na investigação serve para modular o juiz das garantias. Processo Penal I 26/11/2024 Ver súmula 42 STJ, onde mostra que sociedades de economia-mistas serão processadas e julgadas na esfera estadual. Processo Penal I Processo Penal I CONEXÃO Processo Penal I CONTINÊNCIA Processo Penal I Efeito da determinação de competência: SOBRE A OBRIGATORIEDADE DA CONEXÃO E CONTINÊNCIA É raro de ver na prática o art. 80, pois, em muitas vezes, há reunião dos processos.