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Processo Penal I 
30/07/2024 - Fundamentos da Existência do 
Processo Penal (part. I) 
 
Nos primórdios, havia outras maneiras de resolver os litígios e obviamente 
havia outros problemas e questões discutidas, diferentemente das que vemos 
hoje. 
 
Este modelo da vingança privada foi totalmente desproporcional, não 
resolvendo os problemas, mas trazendo ainda mais, fazendo com que as 
relações não fossem sociavelmente aceitáveis. 
 Através da mediação, buscava-se evitar uma retribuição direta, ou seja, 
um líder ou uma outra pessoa, podendo ser religiosa, política ou afins, 
representavam um grupo de pessoas, ou até mesmo a sociedade, para que 
buscasse sanar estas questões. 
Processo Penal I 
 
Tivemos o surgimento do Estado com a finalidade de regularização da 
sociedade, para que findasse com a violência excessiva. 
 O Estado significa a transferência do poder individual do cidadão a um 
ente abstrato, sendo o Estado. Antes da existência desta conformação do 
Estado, tivemos soluções não estatais, a vingança-privada/autotutela e a 
autocomposição das pessoas 
 As normas são regras de comportamento que o Estado impõe, pois estas 
normas são dotadas de coerção, e esta força decorre deste poder que 
transferimos ao ente, que é o Estado. 
 
Processo Penal I 
O processo, como forma para as pessoas serem punidas, surge para punir 
aqueles que praticaram condutas violadoras das normas penais incriminadoras. 
 
Processo é um caminho para se chegar até uma finalidade, como 
sentença, mas o devido é o entendimento de como se chegar até esta finalidade, 
como os ritos processuais. 
 Acontece que, mesmo com o Estado e com o Devido Processo Legal, 
ainda estão incorporadas no sistema jurídico algumas soluções de vingança 
privada e autocomposição. 
EXEMPLOS: 
 
Processo Penal I 
 
Juiz arbitral não entra no âmbito penal. 
 
Processo Penal I 
 
A sanção vem do Direito Penal, e é através do Processo Penal que a pena 
é aplicada. 
 
Processo Penal I 
 
Ação Civil Ex Delicto – quando alguém comete um crime, e deste decorre um 
dano material ou moral, o réu será condenado a pagar uma quantia. A sentença 
penal condenatória torna certa a obrigação de indenizar. 
Durante o processo penal, pode-se buscar pelo ajuizamento desta ação civil ex 
delicto, isso para que a vítima tenha mais celeridade na aquisição de seu direito 
indenizatório. 
 
 
 
Processo Penal I 
06/08/2024 - Fundamentos da Existência do 
Processo Penal (part. II) 
 
 
Processo Penal I 
RELAÇÕES COM AS CIÊNCIAS AUXILIARES 
 
É uma ciência que contribui, muito para a elucidação de crimes periciais, 
exemplo o exame de corpo de delito. A pericia de drogas não decorre da 
medicina legal, mas pericias psiquiátricas e físicos sim, podendo ter erros 
técnicos também. 
 
Este ramo é fundamental, pois é nele que se vê a inimputabilidade do réu. 
Durante a ação penal, ou na fase investigatória, é mais comum de o réu se tornar 
inimputável, mas nada impede de ele vir a se tornar durante a execução penal. 
Processo Penal I 
 
 
Dentro dela há especialidades que são utilizadas no processo penal. Os 
exemplos descritos no anexo acima, elucidam a utilização. 
 
Processo Penal I 
Direito Penal x Direito Processual Penal 
Quem pune é o direito penal e quem aplica esta penalidade é o processo penal. 
Sistemas Processuais Penais 
Sistema é um conjunto que oferece um modelo jurídico para obter o resultado 
desejado. Sistema não tem como objetivo condenar e nem absolver, mas sim 
promover um processo justo e legal. 
a) Sistema Inquisitivo ou Inquisitorial 
b) Acusatória 
c) Misto 
No Brasil, o sistema utilizado é o acusatório, conforme previsto no artigo 3-A, do 
CPP: 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, 
vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a 
substituição da atuação probatória do órgão de acusação. 
 
Sistema Inquisitório ou Inquisitivo 
O juiz não pode ter o poder de investigar, acusar e tampouco defender. 
No entanto, há o artigo 209, do CPP, que consta a faculdade do juiz ouvir outras 
testemunhas que não foram indicas pelas partes, mas pode trazer para ouvir a 
testemunha referida. 
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá 
ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes. 
 
 
Processo Penal I 
Modelo inquisitivo ou Inquisitorial teria as funções de acusar, defender e julgar. 
O grande problema deste sistema é a falta de imparcialidade. O réu é o objeto 
do processo, não podendo ter autonomia processual, apenas submetendo-se ao 
ordenamento do juiz. 
A investigação no Brasil é pré-processual, e por isso ela pode ser inquisitiva. 
Pois, o delegado ou parlamentares políticos, tem pleno poder para investigar, 
averiguar e verificar o que for pertinente a esta investigação. No entanto, 
investigação não faz parte do processo. 
 
A imagem retrata o sistema inquisitivo, mostrando o magistrado radiando seus 
poderes jurídicos em face das pessoas. 
Sistema Acusatório 
 
 
Processo Penal I 
Dentre as funções do magistrado, dentro do sistema acusatório, é vedada a 
juntada de provas, investigar, acusar e defender. As características do sistema 
acusatório estão explicitadas no código, porém os limites não estão pré-
definidos. 
Há processos penais sigilosos, o que contradiz o princípio deste sistema, porém, 
serve para preservar a identidade das partes. 
Na constituição não diz expressamente que o sistema processual brasileiro é 
acusatório explicitamente, mas prevê a titularidade do Ministério Público, que 
está atribuída a legitimidade para a ação pública ao ministério público, conforme 
segue abaixo: 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério 
Público: 
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na 
forma da lei; 
Sistema Misto 
 
O sistema misto teria duas fases dentro do processo, ou seja, teria a primeira 
fase presidida por um juiz que investigaria e faria um juízo de admissibilidade da 
prova juntada, para levar o réu para a segunda fase; na segunda fase, um outro 
juiz faria a instrução e julgaria. 
Este sistema foi utilizado na França, na era napoleônica, que só findou após a 
desconfiança e a falta de credibilidade destes juízes. 
Processo Penal I 
Lei Processual no Espaço 
 
No brasil se aplica o código de processo penal brasileiro e outras leis processuais 
específicas, não aceitando a legislação de outro lugar. 
O princípio da Lex Fori (a lei do foro) ou Locus Regit Actun (onde rege o foro). 
 
O ato processual praticado no exterior não é nulo, ele somente será avaliado 
pela luz do código processual do Brasil, aplicando-se o princípio da 
territorialidade. 
Cuidar as imunidades das duas convenções, que tratam de partes distintas, 
sendo relações diplomáticas e cônsules. 
 
Processo Penal I 
13/08/2024 
APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO 
TEMPO 
Prescrição não é um tipo penal, mas uma figura extintiva de uma punibilidade, 
decorrente da conduta atípica. 
A lei processual penal não se discute sobre o beneficio ou não do réu, ela se 
aplica desde a sua homologação, valendo contar a partir de então para 
processos e fatos que ainda não aconteceram. Isso pois, a lei processual penal 
não é punitiva (somente a lei penal), mas uma garantia à sociedade de que 
haverá um processo justo e legal. 
Tempus Regis Actum – o tempo da lei rege o ato que acontecerá dali para 
frente. 
 
Os prazos são contínuos no processo penal, pois lida-se com a liberdade do 
indivíduo. 
Processo Penal I 
 
Existem leis que tem natureza dúplice, sendo tanto de Direito Processual Penal, 
como de Direito Material Penal. Por isso que a doutrina chama e identifica de 
heterotópicas (mais de um tópico). 
Por lógica, seguindo o preceito do In Dubio Pro Reo e o In Bonan Partem, a lei 
heterotópica homologada após um ato-fato, somente retroagirá em benefício do 
réu. 
Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação 
extensiva1 e aplicaçãoanalógica2, bem como o suplemento 
dos princípios gerais de direito. 
 
 
Sujeitos Processuais Penais 
a) Autoridade Policial 
b) Promotor de Justiça - Ministério Publico 
c) Juiz 
d) Vitima (Ofendido) 
e) Acusado 
 
1 Interpretar quando uma norma não ficar muito clara/entendível; 
2 Quando se aplica um entendimento em algo que não há. Acaba suprindo com os princípios 
gerais de disposição legal, para que não haja uma lacuna dentro da norma e do ordenamento 
jurídico. 
Processo Penal I 
f) Defensor 
g) Assistente à acusação 
 
Autoridade Policial 
A única pessoa identificada no código como autoridade policial é o Delegado, 
seja federal ou estadual. De regra, a investigação se inicia pelo delegado. 
 
Art. 107. Não se poderá opor suspeição às 
autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas 
declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. 
O artigo 107, DO CPP, diz que não poderá alegar suspeição da autoridade 
policial investigativa, mas que ela mesma deverá se declarar. Caso ela, de fato, 
seja suspeita, mas não se declara, ela terá legalidade para continuar a 
investigação. 
No entanto, se o MP verificar alguma irregularidade na valoração das provas, 
poderá o MP requerer uma nova investigação com um outro delegado. Pois o 
delegado não tem o princípio da inamovibilidade, podendo ser retirado da 
investigação a qualquer tempo. 
Processo Penal I 
Juiz de Direito 
 
O juiz somente perderá o cargo com ação judicial com coisa julgada, ou então 
através do estágio probatório. 
Impedimento 
 
Isso serve tanto ao juiz, quanto aos membros do MP, os peritos que atuam no 
processo e os jurados. 
Impedimento: é radical, é algo objetivo. É o que há de mais grave. Quando um 
juiz é impedido, significa que ele JAMAIS poderia ter atuado no processo, de 
forma que seus atos não são nulos ou anuláveis, mas inexistentes. São 
circunstâncias dentro do processo, estão ligadas ao tramite do processo, então 
impedido é grave, não existe o ato. 
Processo Penal I 
Diferente da suspeição, que esta, se dá por algo subjetivo, externa ao processo. 
Assim, quando um juiz se declara suspeito ou é declarado como tal, seus atos 
se tornam nulos e/ou anuláveis. 
 
 
Processo Penal I 
20/08/2024 
Suspeição 
A suspeição sempre decorre de um motivo subjetivo fora do processo. Suspeição 
que poderá discorrer de N motivos, conforme diz a luz do artigo 254, e incisos, 
do CPP: 
 
Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não 
o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: 
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de 
qualquer deles; 
II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou 
descendente, estiver respondendo a processo por 
fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja 
controvérsia; 
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, 
consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, 
sustentar demanda ou responder a processo que 
tenha de ser julgado por qualquer das partes; 
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; 
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de 
qualquer das partes; 
Processo Penal I 
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de 
sociedade interessada no processo. 
A violação do juiz suspeito acarreta a nulidade absoluta de seus atos. 
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes 
casos: 
I - por incompetência, suspeição ou suborno do 
juiz; 
 
Juiz das Garantias 
É um juiz de direito, que terá competência para, somente, atuar na investigação, 
não necessariamente sendo apenas inquérito policial, mas qualquer 
investigação em sentido lato. Nasceu para esterilizar e tornar o outro juiz, dentro 
do processo, imparcial. 
Processo Penal I 
 
III a qualquer tempo DENTRO da investigação 
 
Processo Penal I 
 
 
O juízo das garantias não se aplica nas seguintes competências: 
a) Aos processos de competência originaria dos tribunais, regidos pela lei 
8.038/90; 
b) Aos processos de competência do tribunal do júri; 
c) Aos casos de violência doméstica e familiar; e 
d) Às infrações penais de menor potencial ofensivo (JECrim). 
https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15363757286&ext=.pdf 
https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15363757286&ext=.pdf
Processo Penal I 
 
 
 
Processo Penal I 
27/08/2024 
Ministério Público 
 
Dos Princípios e Garantias do Ministério Público 
 
Indivisibilidade, pois nenhum promotor age por nome próprio, mas sim pela 
instituição. 
Independência funcional, ou seja, os membros do MP não podem ser obrigados 
a agir, devendo agir em conformidade e com obrigação a lei e a constituição, e 
por consequência, com sua consciência. 
 
Processo Penal I 
A vitaliciedade não se dá em estágios probatórios, se perde em ações 
administrativas, e após este estágio, a vitaliciedade só pode perder seu efeito 
em ações transitadas julgadas. 
Ministério público da União – Procurador-Geral da República (MPF – MPT – 
MPM – MP Público do DF e Territórios). 
OBS.: O Ministério Público do DF e Territórios é equivalente ao MP Estadual, 
pois a matéria é residual. Ou seja, são PROMOTORES DE JUSTIÇA vinculados 
ao MP da União 
Ministério Público dos Estados – Procuradores-Gerais de Justiça (promotores e 
procuradores de justiça) 
 
 
Processo Penal I 
Ofendido (vítima) 
 
O promotor precisa chamar a vítima para que ela seja arrolada, mas ela não 
pode arrolar-se automaticamente. 
 
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o 
arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do 
recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância 
competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei 
orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art3
Processo Penal I 
Acusado 
 
O acusado precisa ser maior de 18 anos (contados do dia do aniversário), caso 
contrário, é considerado como adolescente ou criança, que daí parte-se para o 
ECA. 
O indivíduo, em regra, precisa ter sua identificação (carteira de identidade, 
certidão de nasc. Etc) para que esta seja julgada. No entanto, se ela não tiver 
uma identificação consigo, ainda assim poderá ser julgado e indiciado. 
 
O Réu tem direito de ser cientificado do direito ao silêncio, tendo como o nome 
AVISO DE MIRANDA (caso Miranda x Arizona 1966) – “antes de qualquer 
questionamento, uma pessoa deve ser informada que ela tem o direito de 
Processo Penal I 
permanecer calada, e que qualquer depoimento que fizer poderá ser usado como 
prova contra si mesma.” 
No art. 9-A, da lei 7.210 (Lei de execução Penal), prevê o seguinte: 
Art. 9º-A. O condenado por crime doloso praticado com violência 
grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a 
liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será 
submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, 
mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica 
adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento 
prisional. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 
2019) (Vigência) 
Este artigo está no STF por ser considerado inconstitucional, no entanto, ainda 
não houve voto acolhendo ou não. 
Defensor 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art4
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20
Processo Penal I 
Advogado 
 
Precisa-se de poderes especiais na procuração nos seguintes casos: 
a) Aceitação do perdão do ofendido nas ações privadas (art. 59 do CPP); 
b) Arguir exceção de suspeição do juiz (art. 98 do CPP); 
c) Arguir falsidade documental (art. 146 do CPP); 
d) Desistir de recurso quando realizada apenas pelo defensor; e 
e) Assim como o que prevê no art. 44, do CPP: A queixa poderá ser dada 
por procurador com poderesespeciais, devendo constar do instrumento 
do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo 
quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser 
previamente requeridas no juízo criminal. 
A diferença de queixa-crime e notícia-crime se dá na seguinte forma: 
Notícia-crime: Notícia que se dá às autoridades policiais de um crime (boletim de 
ocorrência). 
Queixa-crime: Denúncia que se dá para a iniciação de um processo criminal. 
 
Comentado [PP1]: Este é um erro de redação, pois o 
certo seria QUERELADO. 
Processo Penal I 
03/09/2024 
Investigação Criminal 
 
No Brasil, existe a investigação criminal, que é inquisitorial, por não conter 
partes, direito de ampla defesa e contraditório e demais garantias processuais, 
que significa coletar elementos de convicção que se dão antes da ação penal, 
para que depois possa se instruir a denúncia oferecida, pelo MP, ou então da 
queixa-crime. 
Estes elementos de convicção são obrigatórios para que se dê início a uma ação 
penal. 
Para cassar ou extinguir o tramite do processo, se utiliza o Habeas Corpus. 
 
Processo Penal I 
Se a ação penal é publica, o legislador não precisara estabelecer, pois é a regra 
(MP faz a denuncia), caso contrário, se for uma queixa-crime/ação privada, 
precisará estar expresso na lei, pois é uma exceção. 
O MP só poderá oferecer a denúncia se esta estiver com elementos 
suficientemente convincentes. 
Se não tiver elementos para um melhor esclarecimento e convencimento, este 
deve requerer um requisito de diligências, para que dê causa de oferecimento 
da denúncia, ou não. Esta é uma faculdade do membro do MP, onde ele poderá 
ou não requisitar diligências, não sendo necessário para o remetimento do 
arquivamento. 
No caso do não esclarecimento e/ou do não convencimento, o promotor de 
justiça demandará a denúncia a um magistrado para decidir pelo arquivamento. 
Se o juiz homologar o arquivamento, nada se faz. No caso da não aceitação do 
arquivamento, será remetido ao procurador-geral e este poderá manter o 
arquivamento ou destituir outro membro do MP. 
Crime de ação privada 
 
Este artigo 19 traz um seguinte problema, pois quando o termo circunstanciado 
ou até a notícia-crime chega ao juízo competente, os autos ficarão aguardando 
em cartório a iniciativa do ofendido ou do seu representante legal, mas sem estes 
serem intimados. 
 
Processo Penal I 
Espécies de Investigação 
 
 
Na esfera eleitoral se dá a ação de investigação eleitoral, que não se dá um 
inquérito, mas sim uma ação investigatória, mas que não decorrerá na esfera 
penal, ou seja, não pune, mas poderá apurar crimes e remeter ao MP. 
No que tange a súmula 397 do STF, diz que: “O poder de polícia da Câmara dos 
Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas 
dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do 
acusado e a realização do inquérito.” 
Processo Penal I 
 
Princípios do Inquérito Policial 
 
Processo Penal I 
 
Formas de Instauração do Inquérito 
 
Se o crime é de ação pública, o delegado tem o dever de instaurar a investigação 
de policia, conforme visto no art. 5º do CPP: 
Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: 
I - de ofício; 
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério 
Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade 
para representá-lo. 
§ 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que 
possível: 
Processo Penal I 
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; 
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e 
as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da 
infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; 
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e 
residência. 
§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de 
inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. 
§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência 
de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente 
ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada 
a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. 
Ação pública incondicionada: ilustra que o MP não depende de 
nenhuma autorização para investigar, tendo poder pleno. 
Na ação penal pública condicionada à representação, se vê o mesmo artigo, mas 
no parágrafo 4º: 
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de 
representação, não poderá sem ela ser iniciado. 
Ação Pública Condicionada à Representação: Na ação 
pública condicionada à representação, a autoridade policial somente poderá 
investigar mediante autorização da vítima ou de quem tiver qualidade para 
representá-la. Já o MP, somente poderá denunciar se houver uma autorização 
da vítima, ou, representante legal/tutor/curador. Para ser condicionada à 
representação precisa estar expresso no dispositivo. 
Há casos em que a ação pública poderá ser condicionada à requisição do 
Ministro da Justiça, é um caso excepcional, onde só ocorrerá mediante 
autorização deste. Somente em crimes contra honra, contra o presidente da 
república ou a chefes de Estado. 
Ação Privada: Já na ação privada, ainda segue no mesmo artigo 
supramencionado, no entanto, seguindo o dispositivo do parágrafo 5º: 
§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente 
poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha 
qualidade para intentá-la. 
Na ação privada, para que se instaure uma investigação, necessitará da queixa-
crime da vítima, ou de quem tiver a qualidade para representá-la. Se esta queixa-
Processo Penal I 
crime for indeferida e não prosseguir com a investigação, caberá recurso ao 
chefe de polícia. 
 
 
Processo Penal I 
10/09/2024 
Na investigação, os defeitos que acarretam ela não contaminam o processo por 
si só, mas a depender do caso, poderá em juízo ser anulada ou requisitar 
diligências. 
 
Na investigação com coisa julgada formal, em tese dá para reabrir. No entanto, 
se algo fez algo julgado material, significa que se exauriu a discussão e que não 
há como reabrir o inquérito. 
 
Se faz coisa julgada quando o arquivamento for por atipicidade material, onde o 
promotor reconhece que não há crime e nem contravenção (exemplo de 
bagatela), e acaba não atingindo o bem jurídico pela insignificância. 
 
Extinção da punibilidade (prescrição) se faz coisa julgada materialmente. 
Observa-se a súmula vinculante de nº 14, do STF: 
Súmula Vinculante 14 
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso 
amplo aos elementos de prova que, já documentados em 
procedimento investigatório realizado por órgão com competência 
de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de 
defesa. 
Observando também o estatuto da OAB: 
XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por 
conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de 
flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos 
ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, 
podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio 
físico ou digital; 
Arquivamento da Investigação Explícita 
A investigação deve ser encaminhada ao Judiciário. Se a ação for pública, 
remete-se ao MP; se for privada, aguarda a iniciativa da parte. 
Processo Penal I 
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de 
quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do 
Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à 
autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de 
revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei. 
Nesse caso do artigo 28, o ministério público demandará o relatório de 
arquivamento para o juiz, e se este não concordar/homologar, remete-se ao 
Procurador Geral do Estado. 
No caso de recurso da vítima, observe-se o parágrafo 1º: 
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar como 
arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) 
dias do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão 
da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a 
respectiva lei orgânica. 
Arquivamento da Investigação Implícita 
Ocorre quando o Ministério Público oferece a denúncia omitindo o autor ou fato. 
O entendimento não é pacífico, tendo duas vertentes, sendo que uma reconhece 
o arquivamento implícito, e outra que não reconhece, trazendo como tese de que 
tem de ser explícito. 
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela 
autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a 
autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras 
provas tiver notícia. 
Súmula 524 – STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do 
juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal 
ser iniciada, sem novas provas. 
A jurisprudência entende de que não há arquivamento implícito, com base no 
art. 18, do CPP. 
Prazo do Inquérito Policial 
O inquérito policial tem um prazo para ser concluído, esse prazo depende do fato 
de o suspeito estar preso ou não e dependendo da matéria também: 
Processo Penal I 
 
Crimes eleitorais o prazo equivaler-se-á na regra (10+15 se estiver preso e 30 
dias se estiver solto) 
Investigação Defensiva 
 
 
Processo Penal I 
17/09/2024 
Ação Penal 
Ação penal é o “movimento” para penalizar uma pessoa que infringiu 
determinada lei. Ou seja, é o meio que o Estado utiliza para exercer seu poder 
de exercer sanções penais. 
Condições da ação 
São condições e requisitos para que a ação penal possa ser deduzida perante o 
judiciário. 
São elas: 
1. Possibilidade jurídica do pedido: é a viabilidade de que a pretensão 
penal deduzida em juízo possa ser procedente. Por isso, é imprescindível 
que o fato descrito na denúncia/queixa seja uma infração penal, crime ou 
contravenção. 
2. Legitimidade para agir: 
2.1. é necessário que quem promova a ação penal tenha legitimidade 
“ad causam”, isto é, titular do direito de ação. Nesta legitimidade, 
se for ação pública, o titular do direito será o Ministério Público; se 
for ação privada, o ofendido será o titular, podendo ser cônjuges, 
descendentes, ascendentes ou irmãos. 
2.2. legitimidade “ad processum”. Esta, é a capacidade de estar em 
juízo sem representação (ex.: o ofendido maior, que não necessita 
de representante. O menor, quando quiser ajuizar queixa-crime, 
deverá ser representado por seus representantes. Não se 
confunde com capacidade postulatória (É a necessidade de um 
advogado para estar em juízo nas ações privadas, e para defender 
o réu). 
2.3. Na ação penal, há necessidade também de haver legitimidade 
passiva, isto é, ser sujeito ativo de alguma infração penal (pessoa 
física capaz ou jurídica nos crimes em que ela pode figurar). 
Processo Penal I 
3. Interesse de agir: necessário que o fato cometido seja relevante 
juridicamente. Pois, há fatos que não são necessariamente importantes e 
que faltará interesse do Estado em punir determinado indivíduo. Há 
necessidade de ser demonstrada a necessidade de se invocar o Poder 
Judiciário (mover a máquina judiciária) para o processo penal (ex.: crimes de 
bagatela não há interesse de agir). Discute-se quanto à tese da prescrição 
pela pena projetada (em perspectiva) (súmula 438 STJ) Alguns autores 
dividem em NECESSIDADE, ADEQUAÇÃO e UTILIDADE. 
4. Justa Causa: é a presença de elementos mínimos de prova que permitam o 
desenvolvimento da ação penal, a partir do seu recebimento pelo juiz, 
notadamente quanto à autoria e materialidade. 
Observa-se o artigo 395, do CPP: 
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
I - for manifestamente inepta; 
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da 
ação penal; ou 
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. 
Justa causa não é condição da ação, mas a existência de uma condição 
especifica que traz provas mínimas para ação. 
Condições de Procedibilidade da Ação 
Além das condições genéricas da ação penal, em que a sua presença é 
obrigatória em todas as ações penais, há determinadas condições em algumas 
ações penais específicas. Sua presença, assim como as condições gerais, deve 
ser verificada no momento em que analisa se recebe ou rejeita a 
denúncia/queixa. 
a) Representação do ofendido nos crimes de ação penal pública 
condicionada; 
b) Requisição do Ministro da Justiça nas ações penais públicas 
condicionadas; 
c) Provas novas, quando o inquérito policial foi arquivado, para a 
propositura da ação penal (súmula 524 STF). 
Processo Penal I 
Condições Objetivas de Punibilidade 
Alguns crimes necessitam de requisitos específicos para se poder punir, além do 
tipo penal. Neste caso, a punibilidade do autor de determinada infração penal 
(crime ou contravenção) depende de alguma condição, sem a qual não se pode 
punir. Não se confundem com as condições da ação, pois são questões de 
política criminal que condicionam a punição a determinado elemento. 
Condições de Prosseguibilidade 
São condições para que o processo possa prosseguir, uma vez iniciada a ação 
penal. Não se confundem com as condições da ação (que devem estar presentes 
para o processo penal iniciar) nem com as condições objetivas de punibilidade 
(são condições externas aos tipos penais). 
Nelas, o processo está em andamento, e é necessária a implementação de 
uma condição para que prossiga. 
 
Ex: réu que se torna inimputável durante o processo ou mesmo após a infração 
penal, o processo deverá ficar suspenso, e somente prosseguirá quando cessar 
a doença mental (art. 152, “caput”, CPP). 
Outro exemplo: O art. 366 do CPP determina que o processo e a prescrição 
devam ficar suspensas se o acusado, citado por edital, não comparecer nem 
nomear defensor. Por isso, o processo somente prosseguirá se o acusado for 
encontrado, ou se nomear defensor após a suspensão. 
 
Classificação das Ações Penais 
1. Ação penal pública incondicionada 
2. Ação penal pública condicionada à representação 
3. Ação penal pública condicionada à requisição do ministro da justiça 
4. Ação penal privada exclusivamente privada 
5. Ação penal privada personalíssima 
6. Ação penal privada subsidiária da pública (ação penal acidentalmente 
privada). 
Processo Penal I 
Princípios da Ação Penal Pública 
1. Ne procedat iudex ex officio - O Juiz não pode dar início à ação penal. 
Sistema acusatório. 
2. Ne bis in idem - ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo 
fato. 
3. Intranscendência - a ação penal não pode ser proposta além do autor do 
fato. Art. 5o, incl XLV, da constituição “nenhuma pena passará da pessoa 
do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do 
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e 
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;” 
4. Obrigatoriedade - Presentes os requisitos necessários, o Ministério 
Público deve promover a ação penal (art. 24 CP). Trata-se de princípio 
mitigado/relativizado (discricionariedade regrada), pois abriram-se 
exceções. Ex.: transação penal no JECrim, suspensão condicional do 
processo, acordo de não persecução penal, acordos de colaboração 
premiada, parcelamento do débito tributário, acordo de leniência. 
5. Indisponibilidade - O Ministério Público não pode desistir da ação que 
haja proposto. Art. 42 do CPP “O Ministério Público não poderá desistir da 
ação penal.” Poderá requerer a absolvição do réu, entretanto. Entende-se 
que a suspensão condicional do processo é exceção. 
6. (in)divisibilidade - Há divergência. A ação deve ser proposta contra todos 
os autores da infração penal. Entretanto, há quem entenda que o 
Ministério Público pode entender que não há elementos contra algum dos 
supostos autores, e denunciar apenas os demais, diligenciando mais 
contra os demais. 
7. Oficialidade -o Ministério Público é órgão oficial de Estado. 
8. Oficiosidade - as autoridades devem agir de ofício, mesmo quando não 
provocadas. 
 
Processo Penal I 
24/09/2024 
Ação Penal Pública Incondicionada 
 
Para depender de representação ou requisição do ministro da justiça, ou para 
ser ação penal privada, deverá estar expresso no tipo penal, ou no capítulo, ou 
na lei. 
O dia em que o MP receber o inquérito, será o início do prazo para que ele 
proceda com a denúncia. 
Quando o MP se manter inerte, existe a possibilidade da ação ser revertida 
em privada subsidiária da pública. 
O prazo do MP não é peremptório, mas sim dilatório. Podendo oferecer a 
denúncia enquanto não converter em ação privada subsidiária da pública. 
 
Processo Penal I 
Ação Penal Pública Condicionada a 
Representação – Part 1 
 
Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, 
pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante 
declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério 
Público, ou à autoridade policial. 
§ 1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura 
devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal 
ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade 
policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este 
houver sido dirigida. 
§ 2o A representação conterá todas as informações que possam 
servir à apuração do fato e da autoria. 
§ 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade 
policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê-
lo-á à autoridade que o for. 
§ 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida 
a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda 
a inquérito. 
§ 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a 
representação forem oferecidos elementos que o habilitem a 
promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no 
prazo de quinze dias. 
Processo Penal I 
1º/10/2024 
Ação Penal Pública Condicionada a 
Representação – Part 2 
A extensão de representação se dá em relação ao fato, autorizando o Ministério 
Público em agir contra todos. 
Retratação da representação: Pode haver retratação até antes do 
oferecimento da denúncia (art. 25 CPP). Exceção: Lei Maria da Penha: não 
se fala em retratação, mas em renúncia até antes do recebimento da denúncia, 
em audiência especialmente designada perante juiz, Art. 16 da Lei nº 11.340/063. 
Ministério Público não se vincula à representação. Poderá arquivar a 
investigação, determinar mais diligências ou mesmo oferecer a denúncia. 
É possível retratação da retratação? Há duas correntes, sendo a primeira 
dizendo que é possível dentro do prazo decadencial, e a segunda proibindo, por 
haver a possibilidade de gerar uma insegurança jurídica. 
Titulares do direito de representar: O ofendido, quando maior e capaz 
(revogado o art. 34 do CPP). Seu representante legal quando incapaz (art. 24 
CPP). Se não tiver representante, o Juiz deverá nomear (art. 33 CPP). Se o 
ofendido for morto ou declarado judicialmente ausente, poderá representar seu 
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI), art. 24, § 1o, CP), com 
preferência nesta ordem. Se pessoa jurídica, quem tiver legitimidade por lei, 
estatuto ou contrato (art. 37 CPP). 
Prazo para representar: 6 meses contados do dia em que o ofendido ou quem 
por ele puder, tiver conhecimento de quem foi o autor do crime. É prazo 
DECADENCIAL. Artigo 38 do CPP e 103 do CP. Ver também Súmula 594 do 
STF.4 
 
 
3 Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata 
esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente 
designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. 
4 Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo 
ofendido ou por seu representante legal. 
Processo Penal I 
 
Ação Penal Pública Condicionada à Requisição 
do Ministro da Justiça 
O oferecimento da denúncia depende da requisição do Ministro da justiça. Ou 
seja, não existe prazo para a requisição, ao contrário da representação. 
Requisição não é ordem. Equivale a uma representação. Não vincula o 
Ministério Público, mas o destinatário da requisição é o Ministério Público. 
São poucas as hipóteses: Artigo 145, § único, do CP - crimes contra a honra. 
 
Princípios da Ação Privada 
1. Ne procedat judex ex officio - O juiz não pode iniciar a ação penal por 
conta própria. 
2. Ne bis in idem - Ninguém pode ser processado ou punido duas vezes 
pelo mesmo fato. 
3. Intranscendência - A responsabilidade penal é pessoal e não pode ser 
estendida a terceiros. 
4. Oportunidade ou conveniência – em suma, diz que o querelante não é 
obrigado a processar, devendo que ele analisar a conveniência oportuna 
ou não. 
5. Disponibilidade – quem ajuizou a queixa pode desistir da ação que 
propôs. 
6. Indivisibilidade – a queixa deve ser oferecida contra todos. A pessoa 
pode ingressar ou não, mas caso ingresse, deve ser oferecida contra 
todos os acusados. 
 
Processo Penal I 
Diferença de Princípios entre ação privada x 
ação pública 
 
 
Processo Penal I 
 
 
 
 
Processo Penal I 
15/10/24 
AÇÃO PENAL PERSONALÍSSIMA 
 
Decadência 
 
Conforme observa-se súmula 594, do STF: 
Os direitos de queixa e de representação podem ser 
exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu 
representante legal. 
 
Processo Penal I 
Renúncia ao direito de queixa 
 
A renuncia é antes da ação penal (oferecimento da queixa), pois se já estiver 
tramitando a ação, não há no que se falar em renúncia, mas em perdão. 
A renúncia pode ser expressa ou tácita: 
Renúncia expressa: é a prática de um ato que demonstre a intenção de não 
processar. Conforme observa-se no art. 50, do CPP: 
Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo 
ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes 
especiais. 
Renúncia tácita: é a prática de um ato que demonstre a inequívoca 
intenção/vontade de não processar/oferecer a queixa. Conforme observa-se no 
art. 104, § ún., do CP: 
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando 
renunciado expressa ou tacitamente. (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a 
prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a 
implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano 
causado pelo crime. 
A renúncia é segue o princípio da Indivisibilidade, mostrando que não pode 
renunciar em face de um e processar os demais, se houver concurso de 
pessoas. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art104
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art104
Processo Penal I 
Perdão do Ofendido 
 
O perdão ocorre quando já existe a queixa/processo e é indivisível, pois a partir 
do momento em que o ofendido perdoa um, ele perdoa os demais. 
No entanto, o perdão tem que ser aceito pelo réu/acusado, e não produzirá efeito 
se não for aceito. O perdão abarca a todos: 
Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a 
todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o 
recusar. 
Perdão expresso: é a prática de um ato que demonstre a intenção/vontade de 
perdoar. Conforme passa a se observar no art. 58, do CPP: 
58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, 
o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, 
devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio 
importará aceitação. 
Perdão tácito: é a prática de um ato que demonstre inequívoca a 
intenção/vontade de perdoar. Conforme passa a se observar no art. 106, do CP: 
 Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: 
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita;II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito 
dos outros; 
III - se o querelado o recusa, não produz efeito. 
§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível 
com a vontade de prosseguir na ação. 
Processo Penal I 
§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a 
sentença condenatória. 
Perempção 
Falta de interesse em prosseguir com a ação já oferecida, sendo um abandono 
durante o andamento do processo: 
 
 Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, 
considerar-se-á perempta a ação penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua 
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no 
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das 
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; 
 III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo 
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, 
ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; 
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir 
sem deixar sucessor. 
A jurisprudência entende que, quando o querelante deixar de comparecer, sem 
motivo justificado, a qualquer ato do processo, mas o advogado dele 
comparecer, não haverá perempção. – primeira parte do inciso III 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art36
Processo Penal I 
Caso o querelante não peça pela condenação do acusado nas alegações finais, 
o juiz decretará perempção, Não é requerer justiça, mas sim condenação. – 
segunda parte do inciso III 
O prazo do inciso IV é o mesmo do II, sendo 60 dias. 
Decadência Renúncia Perdão Perempção 
Antes da ação Antes da Ação Durante o processo Durante o Processo 
Ato omissivo Ato comissivo Ato comissivo Ato omissivo 
Unilateral Unilateral Bilateral Unilateral 
 
Os institutos de renúncia, perdão e perempção não se aplicam na ação privada 
subsidiária da pública 
Ação Penal Secundária 
 
A súmula 714 elucida a alternação de escolha entre as opções de ações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Processo Penal I 
 
 
 
 
 
Ação Penal Popular 
 
O entendimento é majoritário onde entende que não existe ação penal popular. 
 
Processo Penal I 
22/10/2024 
Ação Civil Ex Delicto 
Arts. 64 a 68 do CPC – da ação civil. 
 
Ação Civil Ex Delicto – quando alguém comete um crime, e deste decorre um 
dano material ou moral, o réu será condenado a pagar uma quantia. A sentença 
penal condenatória torna certa a obrigação de indenizar. 
Pode-se buscar pelo ajuizamento desta ação civil ex delicto durante, após ou até 
antes da ação penal, isso para que a vítima tenha mais celeridade na aquisição 
de seu direito indenizatório. 
Entende-se que, quando se trata de vítimas indeterminadas, não há ação civil ex 
delicto. 
O ajuizamento desta ação serve para garantir e reservar bens do acusado, para 
que a vítima tenha garantia. 
 
Processo Penal I 
 
 
Nessa imagem acima, mostra que mesmo antes do trânsito em julgado, poderá 
ser proposta a ação pelo ressarcimento do dano causado. 
 
Processo Penal I 
No art. 935, do Código Civil, demonstra a independência de responsabilidade 
criminal e, além disso, demonstrando a impossibilidade jurídica do pedido de 
discutir algo que já foi sanado no juízo criminal. 
Quando reconhecida a inexistência do fato, fica a vítima daquela ação penal, 
impossibilitada de ingressar com ação civil. 
Agora, também, está dito no CC que também não cabe ação ex delicto civil, se 
no processo penal tiver sido reconhecido que o réu não foi autor e nem partícipe. 
Quando o réu for absolvido pela dúvida do juiz, indo pelo princípio In Dubio Pro 
Reo, caberá ação civil ex delicto. 
Quando cabe ou não ação civil ex delicto? 
 
No inciso I, visto acima, mostra a certeza e comprovação do reconhecimento 
categórico da inexistência do fato. Considera-se o art. 66 do CPC. 
No entanto, no inciso II, não poderá considerar como antítese de forma literal, 
consideraria à luz do art. 935, do CC. 
No inciso III não se diz em crime, mas em atipicidade. 
Excludente da culpabilidade não afasta a ação civil ex delicto. Como os exemplos 
dos casos típicos, antijurídicos, mas minorando a pena por conta da 
culpabilidade (inimputabilidade, coação irresistível e obediência hierárquica). 
Absolvição no júri: não afasta ação civil ex delicto, pois os jurados não 
justificam os votos. Sendo a única decisão sem justificação. 
 
Processo Penal I 
Há situações em que poderá propor a ação civil ex delicto, sendo elas previstas 
no art. 67. CPC: 
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil: 
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de 
informação; 
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade; 
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não 
constitui crime. 
Na hipótese de o fato não ser típico (gato net) e o juiz absolve dizendo que não 
é crime, não impede a ação civil ex delicto. Ou seja, atipicidade. 
 
O perdão judicial não afasta a propositura da ação civil ex delicto. 
 
Processo Penal I 
29/10/2024 
Jurisdição e Competência 
Jurisdição é a capacidade dos membros do Poder Judiciário, de dizerem o 
direito, de exercerem o poder definido pelo Estado. Jurisdição é um poder 
abstrato, por abranger toda a parcela que lhe é proposta pelo Estado, e ao 
mesmo tempo, é subjetiva, pois é inerente a todos os membros do Poder 
Judiciário. 
Competência é a delimitação/divisão deste poder, a partir de alguns critérios, 
existentes na constituição, leis e regimentos. Deve-se ter esta divisão por conta 
do tamanho territorial que há no país. A competência, diferentemente da 
jurisdição, é concreta e objetiva, sendo antítese da jurisdição. 
 
Processo Penal I 
Princípios da Jurisdição 
 
A exceção deste princípio da indeclinabilidade é o art. 217, §1º, da Constituição. 
 
Processo Penal I 
Jurisdição Comum x Especial 
 
Competência 
 
A natureza da infração é para determinar a espécie do crime, para que se possa 
delimitar o órgão responsável para julgar. 
Processo Penal I 
Principais critérios para fixação da Competência 
 
 
Foro de prerrogativa de função elucida a função da pessoa que cometeu o crime 
ou contravenção. 
 
Processo Penal I 
05/10/2024 
FORO DE PRERROGATIVA EM RAZÃO DA FUNÇÃO 
Os deputados estaduais não foram investidos do foro de prerrogativa de função, 
assim como os delegados de polícia, vereadores e defensoria pública, isso no 
nascimento da constituição. Neste caso, são as autoridades investidas deste 
foro, no STF: 
 
Este foro de prerrogativa de função somente vale para matéria penal. 
Agora, mostra-se os cargos investidos de foro de prerrogativa de função, no STJ: 
 
Os membros de tribunais de contas do município têm prerrogativa de função na 
esfera do STJ, por mais que não seja comum de se ver. 
Processo Penal I 
Já os TRF, são os seguintes: 
 
A hipótese ressalvada dos membros do MPF, serão julgados no TRE. 
Os prefeitos somente serão processados no TRF nos casos de matéria, como 
por exemplo desvio de pecúnia federal. 
Agora, são cargos com foro de prerrogativa de função, no TJ: 
 
E até quando dura este foro de prerrogativa de função? Para quais crimes? 
Processo Penal I 
 
O supremo entendeu, em 2018, que os crimes cometidos serão apenas aos 
cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções 
desempenhadas. 
O concurso de pessoas, onde um tem o foro e outra não tem, funciona da 
seguinte forma: 
 
Pela súmula, quem não tem foro acaba sendo atraído pela quem tem foro, sendo 
julgada, ambas, na respectiva jurisdição competente ao foro de prerrogativa da 
função. No entanto, o STF, para variar, entende o contrário da própria súmula, 
dizendo que pode apartar as partes em casos de grande complexidade, fazendo 
com que a pessoaque não tem foro, seja julgada no juízo de primeiro grau, 
enquanto a que tem foro, seja julgada em sua respectiva jurisdição. 
Processo Penal I 
 
A constituição federal prevê normas para o foro de prerrogativa de função. No 
entanto, há previsão expressa dos tribunais estaduais, conforme art. 125. 
Neste caso, o STF adimpliu o foro de prerrogativa de função em tão somente 
aos deputados estaduais. 
A investigação das pessoas investidas de foro de prerrogativa de função: 
 
O supremo entende que toda a investigação que será proposta em face da 
pessoa que tem foro de prerrogativa de função, necessita de autorização formal 
dos respectivos tribunais. 
Processo Penal I 
 
A súmula vinculante de nº. 45, mostra que somente os deputados estaduais 
serão condenados perante júri popular, conforme constituição estadual. No 
entanto, em contrarium sensu, quando se trata da constituição federal, se tem a 
prevalência do foro de prerrogativa da função. 
 
Processo Penal I 
12/11/2024 
FORO DE PRERROGATIVA EM RAZÃO DA MATÉRIA 
 
Na justiça militar, em razão da matéria, dependera se é federal ou estadual. 
No código penal militar somente tem crimes, não havendo contravenção penal. 
 
Dos crimes militares podem ser próprios (crimes previstos no código penal 
militar) e/ou impróprios (crimes previstos em lei ordinária). 
No entanto, há as seguintes ressalvas: 
§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a 
vida e cometidos por militares contra civil, serão da competência do 
Tribunal do Júri. 
Neste parágrafo, refere-se aos militares estaduais. 
Processo Penal I 
§ 2º Os crimes militares de que trata este artigo, incluídos os 
previstos na legislação penal, nos termos do inciso II 
do caput deste artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos 
por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência 
da Justiça Militar da União. 
Já neste, refere-se aos militares federais, onde não vão a júri. 
E civil que pratica crime contra militar, onde será julgado? 
Se for contra militar estadual, será julgado na justiça estadual comum. No 
entanto, se for contra militar federal, será processado e julgado na justiça militar 
federal. 
Se for crime cometido de civil contra polícia federal, será processado e julgado 
na justiça comum federal. 
 
NA JUSTIÇA ELEITORAL: 
Processo Penal I 
 
NA JUSTIÇA DO TRABALHO: 
 
Na justiça do trabalho, evidente que nela não haverá competência e tampouco 
jurisdição para julgar ações penais. 
 
Processo Penal I 
19/11/2024 
NA JUSTIÇA FEDERAL: 
 
A justiça federal é competente para julgar e processar todas as infrações penais, 
salvo as contravenções penais, conforme se observa abaixo: 
 
Processo Penal I 
 
Mostrando as seguintes situações: 
 
Assim como outras situações abaixo: 
Processo Penal I 
 
Como foi falado anteriormente, a justiça do trabalho jamais vai processar e julgar 
ações penais, no entanto, compete à Justiça Federal processar e julgar, 
conforme se observa abaixo: 
 
Os juízes estaduais e do Distrito Federal e territórios, assim como os membros 
do Ministério Público, serão julgados pelo tribunal de justiça, conforme se mostra: 
 
A justiça federal será necessária quando: 
Processo Penal I 
 
 
A pedofilia infantil por rede internacional de computadores é crime federal 
também. 
Processo Penal I 
 
Como mostrado no inciso VI, a questão da ordem econômico-financeira 
dependerá do caso concreto, para que se possa averiguar a natureza do tributo. 
 
Essa questão do navio é uma confusão e precisa se ter compreensão nas 
hipóteses demonstradas, assim como os conceitos, dentro da lâmina. 
Evidente que habeas corpus será de competência federal. 
Processo Penal I 
 
 
Dos indígenas é só relativo aos direitos destes. 
CONCURSO DE COMPETENCIAS DA JF E JE: 
 
DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL: 
Processo Penal I 
 
Terá de interpor, no prazo de 15 dias, recurso para STJ e STF, não podendo ser 
somente um e depois o outro, pois se trata de matéria diferente. 
 
 
Processo Penal I 
A competência será, em regra, determinada pelo lugar em que se consumar a 
infração, ou no caso da tentativa onde se dá pela última tentativa. 
No caso do parágrafo terceiro, o juízo será prevento no momento da investigação 
ou processual. Na investigação serve para modular o juiz das garantias. 
 
 
Processo Penal I 
26/11/2024 
Ver súmula 42 STJ, onde mostra que sociedades de economia-mistas serão 
processadas e julgadas na esfera estadual. 
 
 
 
Processo Penal I 
 
 
 
 
 
Processo Penal I 
CONEXÃO 
 
 
 
Processo Penal I 
 
 
CONTINÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
Processo Penal I 
Efeito da determinação de competência: 
 
SOBRE A OBRIGATORIEDADE DA CONEXÃO E CONTINÊNCIA 
 
É raro de ver na prática o art. 80, pois, em muitas vezes, há reunião dos 
processos.

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