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CURSO DE NUTRIÇÃO COMPARATIVO DA COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DE CARDAPIOS SERVIDOS NA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR EM ESCOLA PÚBLICA E PRIVADA DO MUNÍCIPIO DE SANTO ANASTÁCIO - SP Mariana Inez Gregório da Silva Sara Maria Dias de Araujo Anna Laura Luchesi Ramsdorf Orientador: Patricia Bernardi Mizuno Presidente Prudente - SP 2019 CURSO DE NUTRIÇÃO COMPARATIVO DA COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DE CARDAPIOS SERVIDOS NA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR EM ESCOLA PÚBLICA E PRIVADA DO MUNÍCIPIO DE SANTO ANASTÁCIO - SP Mariana Inez Gregório da Silva Sara Maria Dias de Araujo Anna Laura Luchesi Ramsdorf Orientador: Patricia Bernardi Mizuno Projeto de pesquisa, apresentado ao Curso de Nutrição, Universidade do Oeste Paulista, como parte dos requisitos para a disciplina de métodos e técnicas de pesquisa. Presidente Prudente - SP 2019 RESUMO Comparativo Nutricional na merenda de Escolas Públicas em relação ao SESI da cidade de Santo Anastácio O propósito desta pesquisa visa comparar o cardápio oferecido em Escolas Públicas da cidade de Santo Anastácio com uma Escola Particular do mesmo município, levando em consideração seu valor nutricional e o investimento feito. Avaliando assim, a quantidade de nutrientes ofertado por cardápio, a variedade de hortaliças e frutas, a oferta de açucares, a frequência de alimentos processados, averiguando os parâmetros indicados pelo FNDE e coletando dados referentes ao investimento das duas escolas em questão. O projeto em pauta, será exercido através do método de Avaliação Qualitativa das Preparações do Cardápio Escolar (AQPC Escola), que tem como finalidade qualificar de um modo específico a natureza do cardápio disponibilizado por estas escolas. Tal método é procedente do AQPC alimentar geral, que por sua vez já se encontrava em diversificadas unidades alimentícias, dentre elas: bufês, restaurantes industriais e também comerciais. Deste modo, será efetuado na Cozinha Piloto de ambas as escolas de Santo Anastácio, onde se produzirá uma tabela comparativa que distingue dois grupos de alimentos, os aconselhados e os controlados, assim, calculando o percentual de cada grupo alimentar existente no cardápio, analisando juntamente os nutrientes presentes nos alimentos de cada refeição. Palavras-chave: Cardápio. Instituições de Ensino. Método AQPC. Cozinha Piloto e Escola Pública. Escola Privada. Escola Particular. Tabela Comparativa. 1.INTRODUÇÃO Através de estudos realizados nos últimos anos, há um crescente índice de sobrepeso e desnutrição entre crianças e adolescentes que leva ao questionamento da alimentação escolar ofertada nas escolas. Essa evidência faz com que os alimentos oferecidos precisem ser revistos, já que ultra processados e alimentos ricos em sódio possuem grande influência no aumento das doenças citadas acima, além disso ambos dificultam o aprendizado dos estudantes, levando ao baixo rendimento escolar. É preciso também estar atento ao hábito alimentar que será criado dentro da instituição, pois a refeição que será proposta no ambiente escolar irá influenciar diretamente a formação de uma rotina saudável e balanceada fora da escola (SOARES, et al. 2017; SOUZA, et al. 2017). Além disso, as escolas públicas possuem propagandas de alimentos ricos em sódio, carboidrato e lipídeos o que leva a um ambiente obesogênico já que pizza, lanches, doces e refrigerantes criam uma má rotina que acaba sendo levada para a casa e para a vida, criando hábitos que não são benéficos a saúde e que podem levar a doenças crônicas não transmissíveis no futuro (CARMO, et al. 2018; LOURENÇO, et al. 2018). Tem sido amplamente discutido o fato de que muitas crianças, principalmente pré-escolares, não possuem um bom aceitamento de alimentos in natura, como por exemplo frutas, legumes, verduras, entre outros. Isso evidência a importância de inserir hortifrútis em geral no cardápio escolar desde os primeiros anos, pois ao criar esse hábito é possível acostumar o paladar dessas crianças a alimentos mais saudáveis, fazendo com que isso se perpetue durante os anos na vida deste indivíduo, modificando possíveis fatores que levariam à alguma doença crônica adquirida através de uma má alimentação (KRANSZ, FINDEIS e SHRESTHA, 2007). Atualmente o quadro epidemiológico das crianças tem demonstrado alta carência de ferro mesmo com o excesso de peso dos mesmos, isso se da por conta dos alimentos ultra processados e de baixa qualidade nutricional ingeridos pelas crianças regularmente, ou seja, é necessário que haja a adoção de uma dieta equilibrada e limitante para que mais alimentos in natura sejam oferecidos aos estudantes, diminuindo no cardápio alimentos industrializados. Estudos apontam que a prática de ser ofertado o desjejum aos alunos tem um resultado benéfico para a saúde, principalmente em relação a obesidade, além de regular o metabolismo preparando-o para as próximas refeições do dia, ele também auxilia no aumento da concentração nas aulas deixando os alunos mais atentos e oferecendo maior energia aos mesmos. O desjejum é considerado a primeira e a principal refeição do dia, uma criança ao tomar seu café da manhã de forma adequada, mostrará maior energia para realizar suas tarefas escolares. O ideal nesta fase (infância), e em qualquer outra fase da vida de uma pessoa, é um desjejum que possua todos os grupos essenciais de alimentos, que abasteçam o organismo humano, como os carboidratos complexos, calorias, as vitaminas e proteínas, sais minerais e gorduras boas (VALENTIM, et al. 2017; DIAS, et al. 2019). Graças a esses dados de obesidade, carência de ferro e de outros nutrientes no organismo de crianças e adolescentes, a alimentação escolar e o papel do nutricionista destas instituições se tornam primordial e de suma importância, que assume um caráter pedagógico já que as crianças aprendem a se alimentar bem desde pequenos. É por esta razão que as refeições ofertadas nas escolas públicas e privadas devem ser nutritivas afim de levar boas maneiras e desenvolver um hábito considerado bom, tanto para os alunos quanto para os familiares diminuindo assim os quadros epidemiológicos demonstrados acima, já que as crianças levam o que aprenderam para a casa, seja hábitos bons ou ruins (SILVA, et al. 2016). Entre os problemas que serão apresentados, temos as seguintes questões, o repasse financeiro para as escolas públicas influencia diretamente o mal estado nutricional de crianças e adolescentes? O que o governo federal distribui é um total de 0,36 centavos por pessoa entre crianças do ensino fundamental e médio. Já a escola particular avaliada é distribuída um total de 3,11 reais por criança do ensino fundamental e médio. Levando em consideração a falta de padronização no cardápio oferecido e a condição socioeconômica do indivíduo muitas vezes a refeição feita na escola é a única na qual ele terá acesso durante o dia, fazendo com que possa haver falta de nutrientes que uma criança necessitaria. A segunda questão apresentada nessa pesquisa trata da colaboração de uma refeição completa com o desempenho dos alunos. Esse tipo de refeição colabora para que o aluno esteja mais ativo nas atividades escolares? Numa refeição completa há maior desempenho dos alunos em atividades escolares já que, um aluno bem alimentado, sem fome, tende a ter mais concentração e ficar mais disposto durante as aulas. Por exemplo, na escola particular avaliada são oferecidos café da manhã, disponibilizando aos alunos os alimentos necessários àquele horário, como pães com proteína, frutas, sucos, leites ou chás, visando que após estarem alimentados os alunos desenvolvam as atividades em sala mais bem-dispostos e com mais energia É preciso ressaltar também a grande diferença entre as duas instituições, onde uma é gerida pelo governo e a outra possui iniciativa privada, além disso, apesar de também ser feito acompanhamento nutricional no órgão estadual não há um equilíbrio em relação a refeição, já que, geralmente, os estudantes de período parcial da manhã recebem em horário matutinoalimentos caracterizados como uma refeição calórica, se formos analisar de forma a comparar os estudos citados essas crianças perdem um dos hábitos mais importantes a serem criados dentro do ambiente escolar, que é implantar em sua rotina o desjejum, uma das refeições mais importantes do dia. Esse fato apresentado pode, de alguma forma, influenciar o estado nutricional e a saúde de crianças e adolescentes que não recebem um acompanhamento contínuo de profissionais capazes de oferecer uma alimentação balanceada e regrada. Esse trabalho visa demonstrar a diferença entre as refeições de escolas públicas e privadas de Santo Anastácio que será o município usado para a pesquisa, com o objetivo de avaliar e alertar com dados a deficiência nutricional, diferença de cardápio entre ambas as instituições e o repasse financeiro das refeições que são oferecidas pelo governo federal e pela instituição privada. Este trabalho também tem como objetivo levar ao público a diferença da importância com que a instituição de ensino particular e o governo federal trata a alimentação oferecida aos alunos, tendo em vista que uma dieta balanceada com os nutrientes necessários também influência diretamente no desempenho dos estudantes que ali estão matriculados. 2. OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Comparar o cardápio oferecido em Escolas Públicas e Privadas da cidade de Santo Anastácio, levando em consideração seu valor nutricional e o investimento feito. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS · Avaliar a quantidade de nutrientes ofertado por cardápio. · Avaliar a variedade de hortaliças e frutas ofertadas. · Avaliar a oferta de açúcar. · Averiguar a frequência de alimentos processados. · Coletar dados referente ao investimento das escolas. 3. METODOLOGIA O projeto em questão será executado através do método de Avaliação Qualitativa das Preparações do Cardápio Escolar (AQPC Escola), que tem como objetivo avaliar de forma especifica a qualidade do cardápio ofertado pelas escolas avaliadas. O método AQPC Escola é derivado do AQPC alimentar geral, que já estava presente em diversas unidades alimentares, como bufê, restaurantes industriais e comerciais. Este método se baseia nas recomendações de alimentação, atividade física e saúde (OMS). (VEIROS e MARTINELLI, 2012) Para desenvolver a adaptação escolar do método foi utilizada referências como o cardápio referência da PNAE (Portaria Interministerial 1.010/2006 (BRASIL, 2006), Lei nº 11.947/2009 (BRASIL, 2009a) e Resolução nº 26/2013 (BRASIL, 2009b) e o Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB) (BRASIL, 2008). A metodologia será aplicada em duas instituições, sendo elas a Cozinha Piloto da cidade de Santo Anastácio, onde toda a alimentação escolar das Escolas Públicas e Municipais são preparadas e distribuídas, e a Escola Particular de Santo Anastácio, que possui sua própria cozinha e refeitório, onde realiza a preparação da refeição de 350 alunos, sendo 160 alunos em período integral. Para aplicar o método no projeto descrito, será elaborada uma tabela comparativa que discrimina dois grupos de alimentos, os recomendados e os controlados. É possível realizar essa comparação antes mesmo de elaborar o cardápio, porém nesse caso será feito com o cardápio semanal pronto das instituições avaliadas. Através dessa tabela comparativa será calculado o percentual de cada grupo de alimento presente no cardápio. Espera-se que os alimentos recomendados atinjam maior quantidade e o grupo de alimentos controlados seja o menor percentual possível. Após essa avaliação será feita a análise nutricional dos nutrientes presentes em cada alimento de cada refeição utilizando como auxilio a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO, 2011) e a Tabela de Composição de Alimentos (Profª Dra. Sonia Tucunduva, 2012), levando em consideração também a quantidade de refeições feitas e o tempo de permanência dos alunos nas escolas. REFERÊNCIAS SOARES, Panmela et al . Programa Nacional de Alimentação Escolar como promotor de Sistemas Alimentares Locais, Saudáveis e Sustentáveis: uma avaliação da execução financeira. 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