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Mariana Santos 1 PALESTRA 12 - ACIDENTE VASCULAR ISQUÊMICO E HEMORRÁGICO Definição: de acordo com a OMS, o AVC refere-se ao desenvolvimento rápido de sinais clínicos de distúrbios focais (hemiplegia, hemiparesia) e/ou globais (rebaixamento do nível de consciência) da função cerebral, com sintomas de duração igual ou superior a 24 horas, de origem vascular, provocando alterações nos planos cognitivo e sensório-motor, de acordo com a área e a extensão da lesão. Manifestações clinicas O sinal mais comum de um AVC, o qual ocorre com maior frequência na fase adulta, é a fraqueza repentina ou dormência (parestesia) da face, braço e/ou perna, geralmente em um lado do corpo. Outros sinais frequentes incluem: confusão mental, alteração cognitiva, dificuldade para falar ou compreender, engolir, enxergar com um ou ambos os olhos e caminhar; distúrbios auditivos; tontura, perda de equilíbrio e/ou coordenação; dor de cabeça intensa, sem causa conhecida; diminuição ou perda de consciência. Uma lesão muito grave pode causar morte súbita. A apresentação clínica do paciente com AVC pode ser muito variável, já que os sintomas dependem da região acometida. Porém, sempre devemos suspeitar de AVC em: déficit neurológico súbito ou com rápida progressão. NÃO CONFUNDIR – HEMIPLEGIA VS. HEMIPARESIAS – hemi – compreende alterações no hemicorpo. Hemiparesia – fraqueza de um lado do corpo; hemiplegia – paralisia de um lado do corpo. Lembrando que nós temos a decussação das pirâmides, então, o eixo piramidal que é o responsável pela motricidade voluntária cruza de forma que o hemisfério direito é responsável pela motricidade do lado esquerdo e o hemisfério esquerdo pela do lado direito. Manifestações clinicas em crianças: em crianças, quando ocorre, principalmente nos estágios intrauterino e neonatal, cursa com sequelas mais difusas e menos focais – a famosa paralisia cerebral. NÃO CONFUNDIR!!! Mariana Santos 2 Manifestações no AVC isquêmico: ocorre quando há obstrução de um vaso sanguíneo, bloqueando o seu fluxo para as células cerebrais. No caso de um Acidente Isquêmico Transitório (AIT), este pode ser preditor de um novo evento. Manifestações no AVC hemorrágico: é o resultado de ruptura de um vaso, com consequente sangramento intraparenquimatoso (dentro do parênquima cerebral) ou subaracnóideo. Normalmente a fisiopatologia do AVC isquêmico é cardioembólico ou aterotrombótico. É um quadro agudo, então, é uma evolução em horas, cursando com déficit neurológico focal, perda de força/sensibilidade e déficit visual e fala. Já no AVC hemorrágico, é de evolução subaguda (que demora pra acontecer), cursa com uma cefaleia intensa, déficit neurológico focal, rebaixamento de nível de consciência, podendo ser intraparenquimatoso ou subaracnóideo. O Ataque Isquêmico transitório é uma área de obstrução temporária do fluxo sanguíneo; pode ser um trombo que interrompe o fluxo em determinada região cerebral, e depois rompe num prazo anterior a um infarto tecidual. Ou seja, se o fluxo sanguíneo é restaurado antes da morte celular é considerado um AIT. Epidemiologia Mariana Santos 3 No Brasil, apesar do declínio nas taxas de mortalidade, o AVC representa a primeira causa de morte e incapacidade no País, o que cria grande impacto econômico e social. Dados provenientes de estudo prospectivo nacional indicaram incidência anual de 108 casos por 100 mil habitantes. Taxa de fatalidade aos 30 dias de 18,5% e aos 12 meses de 30,9%. Índice de recorrência após 1 ano é de 15,9%. O AVC isquêmico corresponde a 80% dos casos e o hemorrágico a 20% dos casos. Fatores de risco Fisiopatologia – AVC isquêmico É o infarto de um território encefálico nutrido por uma artéria que sofre oclusão aguda. Na região com isquemia o dano estrutural é irreversível, mas existe uma região chamada zona de penumbra isquêmica, que está funcionalmente comprometida, mas estruturalmente viável e pode ser recuperada se houver uma revascularização daquela área. Mariana Santos 4 Fisiopatologia – AVC hemorrágico (hemorragia intraparenquimatosa) A HAS leva a alterações patológicas crônicas nas paredes das pequenas artérias e arteríolas, levando a formação de aneurismas, que quando se rompem levam a uma hemorragia intraparenquimatosa (HIP). Após a hemorragia ocorre edema, organização do coagulo e compressão de tecidos adjacentes. Regiões mais frequentes de hemorragia intraparenquimatosa: o Lobar o Núcleos da base o Tálamo o Ponte o Cerebelo Fisiopatologia – AVC hemorrágico (hemorragia subaracnóidea) A principal causa é a ruptura de aneurismas saculares intracranianos. É extremamente grave, levando a morte entre 32% a 67% dos casos. Ocorre principal na artéria comunicante anterior, artéria comunicante posterior e artéria cerebral media. Mariana Santos 5 Azul – AVC da artéria cerebral anterior; Amarela – AVC da arterial cerebral posterior; Verde – AVC da artéria cerebral média; Vermelha – AVC da artéria coroide anterior; Preto – AVC das artérias lenticulostriadas. Testes: Imagem 1: Área de hipodensidade frontotempoparietal na distribuição da artéria cerebral media direita compatível com infarto subagudo. Imagem 2: área de infarto cerebral da artéria cerebral media com compressão ventricular, desvio de linha media. Imagem 3: área de infarto da artéria cerebral media, evoluindo. Imagem 1: Hemorragia intraparenquimatosa – há uma área de hiperdensidade no lado esquerdo do cérebro, observada nesta TC sem contraste – é consistente com hemorragia intracerebral = AVC hemorrágico do tipo intraparenquimatoso. Imagem 2: lesão de hiperdensidade – AVC hemorrágico do tipo intraparenquimatoso. Mariana Santos 6 Imagem 1: Artéria cerebral anterior; A) TC sem contraste 24 horas após a embolização do aneurisma. Hipodensidade cortiço- subcortical em território ACA esquerdo em consequência da complicação da embolia. B) TC sem contraste pré-angioplastia para tratamento de vasoespasmo cerebral no dia 12 de Hemorragia Subaracnóidea. Desaparecimento de hipodensidade no território tributário esquerdo da ACA. Imagem 2: região de artéria cerebral anterior direita e esquerda comprometida. Imagem 1: arterial cerebral posterior; TRM. FLAIR-T2 –Área hiperdensa no território da artéria cerebral posterior esquerda. Imagem 2: artéria cerebral posterior esquerda. Mariana Santos 7 Imagem 1: hemorragia subaracnóidea. Para classificar a hemorragia subaracnóidea podemos utilizar a escala de Fisher!! Imagem: artéria cerebral posterior; TRM. FLAIR-T2: o mesmo caso - área hiperintensa no território da artéria cerebral posterior esquerda. Mariana Santos 8 Diagnóstico Clinico radiológico O diagnóstico é baseado no exame físico, história clínica direcionada e exame de imagem, sendo a tomografia de crânio o mais utilizado. O exame de neuroimagem é fundamental para estabelecer o diagnóstico e a partir daí incluir condutas terapêuticas desses pacientes. AVC isquêmico é geralmente agudo – o exame de imagem é usado para descartar o AVC hemorrágico, pq as alterações referentes aparecem somente após 24h. AVC hemorrágico é geralmente subagudo – o exame de imagem revela a área de hiperdensidade e pode haver desvio de linha media. Então, o AVC hemorrágico tem evolução subaguda, mas a alteração de imagem é precoce. Já o AVC isquêmico tem alteração clinica aguda, mas alteração de imagem é tardia. Exames laboratoriais: glicemia, hemograma, íons (distúrbios hidroeletrolíticos), creatinia (função renal), coagulograma, enzimas cardíacas, ECG. Mariana Santos 9 Abordagem na emergência: Tratamento: é variável de acordo com o tipo e gravidade; medidas suportivas devem ser sempre acionadas (temperatura,glicemia, PA); trombólise pode ser opção em AVC isquêmico com menos de 4 horas de evolução e sem contraindicação; controle da PIC no AVC hemorrágico intraparenquimatoso; avaliar neurocirurgia (AVC hemorrágico intraparenquimatoso); repouso e redução da PA no AVC hemorrágico subaracnóideo.