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Livro do ProfessorLivro do Professor Livro de Revisão 1 Sociologia Ensino Médio Oldimar Pontes Cardoso ©Editora Positivo Ltda., 2017 Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora. Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) (Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil) C268 Cardoso, Oldimar Pontes. Sociologia : livro de revisão / Oldimar Pontes Cardoso. – Curitiba : Positivo, 2017. v. 1 : il. ISBN 978-85-467-1685-2 (aluno) ISBN 978-85-467-1674-6 (professor) 1. Ensino médio. 2. Sociologia – Estudo e ensino. I. Título. CDD 373.33 2 Livro de Revisão 1 1. Sociologia: a ciência da sociedade Conceito de Sociologia DK O E st úd io . 2 01 4. D ig ita l. A Sociologia oferece novas possibilidades interpretativas da vida em sociedade. Dessa forma, ao propor um novo olhar sobre determinado contexto, é possível estranharmos o que antes enxergávamos como familiar. Pode-se dizer que a Sociologia “retira o véu” que reveste as nossas relações sociais. Senso comum e conhecimento científico O conhecimento tácito é um tipo de saber inerente a um indivíduo em particular; é adquirido por meio da expe- riência cotidiana. O senso comum está relacionado a um conjunto de ideias que permeia nossas ações em sociedade. Trata-se de um conhecimento necessário para que todo indivíduo se integre na vida em sociedade. • Senso comum versus conhecimento científico: o senso comum se dá por meio de uma assimilação espontânea de informações, ou seja, por meio de nossas experiências cotidianas e não se baseia em métodos ou objetivos cien- tíficos. No entanto, é importante para a Sociologia, pois constitui a realidade social por ela analisada. Em suma: a Sociologia analisa o senso comum e faz dele um objeto de estudo. Muitas atitudes rotineiras têm fundamentos científicos. O uso de plantas medicinais, prática habitual em tradições populares, favoreceu o estudo e a manipulação de medicamentos com base em substâncias naturais. • Sociologia é a ciência que estuda a sociedade e a relação entre seus membros. Ela possibilita a refle- xão sobre os referenciais que orientam a maneira como lidamos com relações preestabelecidas de vivência em sociedade, muito embora nem sempre estejamos atentos a elas. • Não apresenta pretensões intervencionistas (de revolução social), mas científicas e analíticas. © Sh ut te rs to ck /S eb as tia n Du da 3Sociologia Atividades Problema de pesquisa Exemplo: a inserção das mulheres no mercado de trabalho causou modificações na dinâmica e na configuração familiar? Revisão de literatura • Levantamento das principais pesquisas relacionadas à inserção da mulher no mercado de trabalho • Levantamento de pesquisas sobre a dinâmica e a configuração familiar Formulação de hipóteses A inserção das mulheres no mercado de trabalho teria propiciado novas dinâmicas familiares em virtude da redefinição dos papéis sociais do homem e da mulher no âmbito familiar Aplicação de métodos de pesquisa • Quantitativos: questionários e comparações estatísticas • Qualitativos: entrevistas abertas e pesquisa histórica Interpretação e análise de dados • Análise e comparação dos dados levantados (quantitativos e qualitativos) • Confirmar ou confrontar as hipóteses iniciais com base na análise dos dados coletados Procedimento 1 Procedimento 2 Procedimento 3 Procedimento 4 Procedimento 5 DK O E st úd io . 2 01 4. D ig ita l. Imaginação sociológica Segundo Wright Mills, é a nossa capacidade de reflexão e de análise do cenário histórico mais amplo da sociedade e a de relacioná-lo à nossa vivência cotidiana. É o primeiro passo a fim de superar o senso comum e iniciar o caminho para o conhecimento sociológico. 1. A Sociologia como ciência é uma maneira de estabelecer uma nova visão de mundo, das relações sociais e dos modos de vida. Dessa forma, ela nos auxilia a diferenciar as tradições e a desnaturalizar práticas que poderíamos considerar “eter- nas” sem o auxílio das “lentes” de visão oferecidas por essa ciência. Sobre a especificidade do conhecimento sociológico, assinale a alternativa correta: a) A Sociologia não enxerga a diferença entre o senso comum e o conhecimento científico, dotando ambos da mesma qualidade de aprofundamento da análise das questões do real. b) O conhecimento científico é sempre considerado superior ao conhecimento advindo do senso comum. c) Analisar o real por meio dos métodos, das técnicas e das teorias da Sociologia é a única maneira de alcançar um tipo específico de conhecimento: o científico. X d) Em se tratando de conhecimento científico e daquele resultante do senso comum, é necessário destacar que ambos têm suas especificidades e suas funções na sociedade. Logo, um não deve ser pensando isoladamente em relação ao outro. Método das ciências sociais: o que lhe confere especificidade em relação ao método das ciências naturais é o fato de os seres humanos atribuírem sentido às suas ações e, por isso, elas não podem ser isoladas em laboratório. 4 Livro de Revisão 1 2. (UFPR) A Sociologia é uma forma objetiva de interpreta- ção dos processos sociais e da vida social. A objetividade da Sociologia requer do sociólogo a utilização – entre outros – de dois instrumentos fundamentais: uma teoria consistente e um método adequado. O que se entende por teoria e o que se entende por método nas Ciências Sociais? Como nas outras ciências, as teorias são conjuntos de conceitos e categorias analíticas originadas de generalizações de fenômenos sociais e de hipóteses. Os métodos são os procedimentos efetivos de investigação científica, isto é, as formas de obter e relacionar entre si os fatos observados. 2. Surgimento da Sociologia Contexto histórico A Sociologia surgiu em meados do século XIX na Europa, em um contexto de transformações sociais que caracteriza- ram a origem do mundo moderno. Manifestou-se como um instrumento de apreensão do real. Fatores histórico-sociais que influenciaram o surgimento da Sociologia: • Revolução Científica – iniciada no século XVI, demonstrou a possibilidade de rompimento com representações e conhecimento de caráter religioso. Valorizou o conhecimento adquirido pela observação empírica dos fatos. • Iluminismo – corrente de pensamento que surgiu no século XVIII e que, em linhas gerais, colocou a razão como base promotora do progresso social. • Revolução Francesa (1789-1799) – movimento decisivo na constituição da Sociologia e do seu alvo de análise: a contradição entre tradição e modernidade. Vale ressaltar que a ideia de liberdade e os valores iluministas – indivi- dualismo e anticlericalismo – estão presentes na Declaração dos direitos do homem e do cidadão, que surgiu nesse contexto. • Revolução Industrial – iniciada em meados do século XVIII, promoveu uma transformação inédita das formas tradicionais de organização da vida social: o modo com que os vários sujeitos se entendiam em sociedade, esta- belecendo, sobretudo, a possibilidade de mobilidade social. Sociologia de Auguste Comte A Sociologia positiva de Auguste Comte (1798-1857) surgiu na França na primeira metade do século XIX, com o obje- tivo de ordenar a sociedade que parecia estar cada vez mais desorganizada em virtude das transformações sociais pelas quais passava. 3. (UFPR) Durante muitos anos a Sociologia teve um certo desprezo pelo estudo da subjetividade, recusando-se a tomá-la como objeto de análise. Hoje, muitos sociólogos incorporam a subjetividade em suas análises. É correto afirmar que o estudo da subjetividade conquistou seu lugar na Sociologia porque: a) os sociólogos começaram a estudar mais antropolo- gia e psicologia. b) o socialismo e a teoria das classes provaram sua ine- ficácia histórica. c) a sociedade contemporânea é mais individualista. d) a sociedade contemporânea considera o indivíduo acima de tudo. X e) a sociologia contemporânea introduziu emseu corpus teórico-metodológico a importância do sujeito e suas diversas formas de manifestação. 5Sociologia A filosofia positivista veicula a ideia de que o reconhecimento da ordem e da sua manutenção poderia reorganizar a sociedade em caso de desestruturação. Conforme o pensamento de Comte, a estática social se fundamenta na ordem e investiga as forças que mantêm a coesão social, e a dinâmica social se fundamenta no progresso e estuda as transformações sociais e suas causas. Teoria dos Três Estados de Auguste Comte Lei fundamental: toda forma de conhecimento da humanidade, em suas diversas fases, passaria necessariamente por três estados históricos. Cada um desses estados é considerado um “estágio evolutivo”. ESTADO TEOLÓGICO OU FICTÍCIO ESTADO METAFÍSICO OU ABSTRATO ESTADO POSITIVO OU CIENTÍFICO Recorre aos mitos e às histórias sagradas para explicar os fenômenos naturais. O estado teológico se preocupa em encontrar respostas absolutas para os problemas da sociedade. Estágio de transição entre o teológico e o positivo. Os fenômenos são explicados por meio de forças ocultas ou entidades abstratas. No estado metafísico, há a preocupação em encontrar respostas por meio de especulação e argumentação entre as pessoas. As afirmações devem ser empiricamente confirmáveis. Corresponde ao caminho que toda a ciência deve percorrer na busca de relações de causa e efeito e de regularidades; tem como objetivo a descoberta de leis científicas que podem, inclusive, determinar regras de ação no futuro. Influência do positivismo no Brasil O positivismo de Comte chegou ao Brasil no século XIX. Influenciou o movimento republicano como um todo, bem como a conformação das leis e a organização do Estado brasileiro em torno do ideal de laicidade. Essa influência pode ser observada, principalmente, no lema estampado na bandeira nacional: “Ordem e Progresso”. © Sh ut te rs to ck /U fu k ZI VA NA 1. A Sociologia surgiu como ciência especializada no decorrer do século XIX. Um de seus principais pensa- dores desse período, Auguste Comte, foi o propagador de uma teoria que ficou conhecida como “positivismo”. Essas ideias não ficaram, contudo, limitadas somente à Europa, ou ao círculo intelectual europeu. Acerca disso, assinale a alternativa correta: a) As ideias positivistas não tiveram tanta relevância assim no Brasil, sendo conhecidas, mas logo deixadas de lado. b) As ideias positivistas chegaram tardiamente ao Brasil, após a Proclamação da República. Atividades c) Os dizeres na bandeira brasileira “Ordem e Progresso” fazem referência indireta ao pensamento positivista. X d) Tanto os dizeres da bandeira quanto o movimento repu- blicano e o círculo de militares que, em grande medida, proclamou a República no Brasil, sofreram influência direta da sociologia positivista de Auguste Comte. 2. (UEL – PR) Leia o texto a seguir: Até o século XVIII, a maioria dos campos de conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo de ciências, era ainda, como na Antiguidade Clássica, parte integral dos grandes sistemas filosóficos. A constituição de saberes autônomos, organizados 6 Livro de Revisão 1 em disciplinas específicas, como a Biologia ou a própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou de outra, a progressiva reflexão filosófica, como a liberdade e a razão. (Adaptado de: QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: UFMG, 2002. p. 12.) Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa que apresenta, corre- tamente, a relação entre conhecimento sociológico de Auguste Comte e as ideias iluministas. a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que influenciou o Positivismo. X b) A crença na razão como promotora do progresso da sociedade foi compartilhada pelo Iluminismo e pelo Positivismo. c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases teóricas da luta de classes para a formulação do Positivismo. d) O reconhecimento da validade do conhecimento teo- lógico para explicar a realidade social é um ponto comum entre o Iluminismo e o Positivismo. e) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. 3. (UEG – GO) A sociologia nasce no séc. XIX após as revo- luções burguesas sob o signo do positivismo elaborado por Augusto Comte. As características do pensamento comtiano são: X a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natu- reza é regida por leis naturais; as ciências humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências natu- rais e a ciência deve ser neutra. b) a sociedade humana atravessa três estágios suces- sivos de evolução: o metafísico, o empírico e o teoló- gico, no qual predomina a religião positivista. c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrá- rio das ciências naturais, não pode ser neutra porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente. d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o que necessaria- mente levaria a uma sociedade comunista. 4. (UNIOESTE – PR) A filosofia da História – o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo próprio Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha o objetivo de mostrar porque o pensamento positivista deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei dos Três Estados” formulada por Comte, é correto afirmar que a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito humano se desenvolvem na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da história: a positiva, a teológica e a metafísica. b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempe- nha um papel de primeiro plano no estado teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma etapa posterior ao estado positivo. c) o estado teológico, segundo está formulado na “Lei dos Três Estados”, não tem o poder de tornar a socie- dade mais coesa e nenhum papel na fundamentação da vida moral. X d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três Estados” como o momento em que a observação pre- valece sobre a imaginação e a argumentação, e na busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis. e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois somente o estado metafísico procura soluções absolutas e universais para os pro- blemas do homem. 5. (UNIMONTES – MG) A confiança na razão e na capacidade de o conhecimento levar a humanidade a um patamar mais alto de progresso, regenerando o mundo através da conquista da natureza e promovendo a felicidade aqui na terra, tornou-se bandeira e símbolo do movimento de crítica cultural que é conhecido como Iluminismo. É esse movimento de ideias – que alcança seu ponto culminante com a Revolução Francesa e o novo quadro sociopolítico por ela configurado – que terá um impacto decisivo na formação da Sociologia e na definição de seu principal foco: o conflito entre o legado da tradição e as forças da modernidade. São aspectos desse debate, EXCETO a) A ideia de liberdade passou a conotar emancipação do indivíduo da autoridade social e religiosa, a con- quista de direitos e a autonomia frente às instituições. b) A burguesia europeia ilustrada acreditava que a ação tradicional traria ordem ao mundo, sendo a desordem um mero resultado da ignorância. Educados, os seres humanos seriam bons e iguais, salvaguardados pela tradição. 7Sociologia c) A ideia de que o progresso era uma lei inevitável que governava as sociedades se consolida e vem a manifestar toda a sua força no pensamento social do século 19, atuando diretamente sobre os primeiros teóricos da Sociologia. X d) Na busca de explicações sobre a origem, a natureza e os possíveis rumos que tomariam as sociedades em vias de transformação emergiram vários temas que vieram a fazer parte também do elenco de questõesque a Sociologia passou a discutir. 6. (UEM – PR) Sobre os fatores relacionados ao surgimento da Sociologia, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). X 01) A Revolução Científica, iniciada no século XVI, ao propor a substituição da razão teológica pelo conhe- cimento derivado de evidências empiricamente observáveis, contribuiu para que a organização social deixasse de ser entendida como um dado natural ou desígnio divino e passasse a ser objeto de questionamentos. 02) A Sociologia surge no contexto das Revoluções Democráticas do século XVIII como um instrumento de recomposição da ordem monárquica abalada pela crítica à legitimidade teológica das lideranças políticas. X 04) A Revolução Industrial acarretou uma série de pro- blemas sociais, sendo a maioria decorrente da sig- nificativa concentração da população nas cidades ao redor das nascentes indústrias. A necessidade de compreensão dessa nova experiência urbana impul- sionou decisivamente o surgimento da Sociologia. 08) A Reforma Protestante, com a crítica ao dogma cató- lico e a defesa da razão técnica, favoreceu a proposi- ção de uma ciência objetiva da sociedade. X 16) As Revoluções Democráticas do século XVIII, ao questionarem as monarquias baseadas em princí- pios teocráticos, atribuíram aos homens a tarefa de construir sua própria ordem social, segundo seus anseios e necessidades. Com isso, favoreceram o surgimento de uma ciência da sociedade que teria a função de apontar caminhos para a resolução dos problemas sociais. Somatório: 21 (01 + 04 + 16) 7. (UNICENTRO – PR) Para Augusto Comte, uma das fun- ções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis sociais que conduzissem o progresso da humanidade. Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo autor, é correto afirmar: a) O estágio teológico nega a existência de apenas uma explicação divina para os fenômenos naturais e sociais. X b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, porque se sustenta nos métodos científicos. c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teoló- gico e pelo científico, que é o mais elaborado. d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, em que conceitos abstratos explicam o mundo. e) A Europa exemplificava uma sociedade em estado de desenvolvimento teológico. 8. (UEL – PR) A Sociologia é uma ciência moderna que surge e se desenvolve juntamente com o avanço do ca- pitalismo. Nesse sentido, reflete suas principais transfor- mações e procura desvendar os dilemas sociais por ele produzidos. Sobre a emergência da Sociologia, considere as afirmativas a seguir. I. A Sociologia tem como principal referência a explica- ção teológica sobre os problemas sociais decorrentes da industrialização, tais como a pobreza, a desigual- dade social e a concentração populacional nos cen- tros urbanos. II. A Sociologia é produto da Revolução Industrial, sen- do chamada de “ciência da crise”, por refletir sobre a transformação de formas tradicionais de existência social e as mudanças decorrentes da urbanização e da industrialização. III. A emergência da Sociologia só pode ser compreendi- da se for observada sua correspondência com o cien- tificismo europeu e com a crença no poder da razão e da observação, enquanto recursos de produção do conhecimento. IV. A Sociologia surge como uma tentativa de romper com as técnicas e métodos das ciências naturais, na análise dos problemas sociais decorrentes das remi- niscências do modo de produção feudal. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e III. X b) II e III. c) II e IV. d) I, II e IV. e) I, III e IV. 8 Livro de Revisão 1 3. Socialização: o indivíduo em sociedade Processo de socialização No processo de socialização e na constituição da identidade dos indivíduos, os aspectos biológico e social atuam mutuamente. No entanto, o indivíduo só é capaz de desenvolver suas capacidades predispostas quando entra em contato com outros indivíduos mais experientes. A capacidade de viver em sociedade pode até ser inata ao ser humano, mas ela só emerge e se desenvolve a partir do momento em que este ser humano efetivamente vive em sociedade. Instituições sociais • A sociedade é composta de várias instituições. Elas são responsáveis pela organização das regras e dos valores que possibilitam a convivência dos indivíduos em sociedade e estabelecem os papéis sociais. • É por meio da socialização que o indivíduo passa de “ser individual” para “ser social”. A socialização ocorre em duas etapas: socialização primária e socialização secundária. Socialização primária • A socialização primária ocorre, notadamente, na família, sendo esta a primeira instituição social com a qual o sujeito tem contato. Corresponde, assim, ao primeiro mundo, no qual o indivíduo é adaptado ao contexto social. • A família representa a principal instituição social com base na qual a criança tem contato com as tradições pre- viamente estabelecidas e consolidadas. © Sh ut te rs to ck /b ike rid er lo nd on Para o indivíduo, a socialização primária tem valor mais relevante, pois corresponde à estrutura básica de formação do ser social. A família facilita o ingresso do indivíduo nas práticas sociais por meio da reprodução de hábitos e costumes legitimados pela sociedade. Socialização secundária Pode ocorrer paralelamente ou não à socialização primária. A socialização secundária se caracteriza por um contato maior com as demais instituições sociais, grupos e tradições, para além da família. Os novos mundos e as novas influências dessas instituições e grupos podem induzir o indivíduo a trilhar caminhos diferentes daqueles estabelecidos pela institui- ção familiar. • Instituição escolar na formação dos indivíduos – a escola é a principal instituição responsável pela socialização secundária dos indivíduos, pois atua em dois aspectos fundamentais do processo de socialização e da construção da identidade: na transmissão dos valores e das normas previamente legitimadas pela estrutura social vigente e na formação profissional dos indivíduos. 9Sociologia • Trabalho e socialização – o trabalho assume uma dimen- são socializadora relevante na vida do indivíduo, uma vez que engloba diferentes aspectos da vida humana: remu- neração, satisfação social e constituição de identidade. • Papel das mídias na formação dos indivíduos – as mídias são todo o conjunto de suportes criados pela sociedade para estabelecer a comunicação. Além de encetarem uma relação entre os indivíduos, também se relacionam com bens de consumo e valores instituídos socialmente. • Instituição religiosa na socialização – as religiões formam e são formadas por um sistema de crenças que estabelecem valores importantes para a vivência em sociedade. A Campus Party, evento criado em 2008 em São Paulo, é voltada para a comunidade geek, ou seja, àqueles aficcionados em tecnologia e interatividade na internet. Imagem da 7ª edição da Campus Party Brasil, realizada no Parque Anhembi, 2016. Atividades 1. (UEM – PR) Considerando as análises sociológicas sobre a construção social dos gostos e dos estilos de vida, as- sinale o que for correto: 01) O gosto e o estilo de vida refletem determinadas capacidades inatas de cada indivíduo, o que sig- nifica que a escola e a família não têm um papel significativo em seu desenvolvimento. 02) As diferenças biológicas entre homens e mulheres se manifestam no gosto e na sensibilidade, por isso as mulheres teriam maior facilidade em aprender conteúdos estéticos. X 04) O gosto e as práticas culturais são o resultado de condições de socialização que as pessoas aprendem e incorporam ao longo de suas vidas. 08) O gosto não se discute na Sociologia, pois se trata de uma questão subjetiva ou pessoal que a ciência não consegue estudar objetivamente. X 16) Gostos e estilos de vida não apenas diferenciam as pessoas, como também indicam suas diferen- tes posições sociais nahierarquia das relações de poder. Somatório: 20 (04 + 16) 2. (UEM – PR) Sobre as instituições responsáveis pelos processos de socialização dos indivíduos, assinale o que for correto. 01) A família deixou de ser uma instituição de socia- lização primária relevante, pois no século XXI não transmite mais as habilidades necessárias para o agir em sociedade. X 02) A escola é responsável pela socialização secun- dária dos indivíduos, atuando tanto na formação profissional dos estudantes quanto na transmissão de valores e normas compatíveis com a estrutura social vigente. X 04) Os grupos de colegas e amigos formados na ado- lescência e na juventude podem ser definidos como instituições de socialização importantes, pois desempenham papel cada vez mais relevante no processo de formação das identidades sociais. 08) Os meios de comunicação, apesar de cada vez mais presentes na vida moderna, não interferem no processo de socialização primária e secundá- ria, pois a exposição aos seus conteúdos sempre é mediada e controlada pela família e pela escola. 16) O processo de socialização se encerra no final da juventude, não se estendendo pela vida adulta. Nessa etapa da vida individual adulta, as habili- dades e valores necessários para viver em socie- dade já estão de tal forma cristalizados que não podem mais ser alterados. Somatório: 06 (02 + 04) Ag ên ci a Br as il/ Ro ve na R os a 10 Livro de Revisão 1 3. (UFPA) Pode-se dizer que as diferenças culturais exis- tentes na humanidade são explicadas e compreendidas, entre outros fatores, por meio de seus processos de so- cialização. A escola é um importante espaço desse pro- cesso porque: a) proporciona a educação formal, que é um instrumen- tal relevante na manutenção das realidades sociocul- turais, uma vez que apenas os membros mais velhos de uma dada sociedade determinam o modo de ser, agir e pensar das novas gerações. X b) é possível perceber, no universo da sala de aula, o cará- ter formal e informal da educação, pois alunos e pro- fessores trazem consigo uma bagagem cultural que se manifesta espontaneamente e em situações diversas. c) transmite modelos sociais de comportamento homo- gêneo, uma vez que as diferenças sociais e culturais entre as pessoas garantem o dinamismo neste pro- cesso educativo. d) busca ampliar ações afirmativas por meio do diálogo com outras identidades, ou seja, o interculturalismo, baseando-se na eliminação das diferenças sociocul- turais e reforçando conflitos e disputas pela manuten- ção ou ampliação de poder. e) aprender e ensinar aspectos culturais são processos que se manifestam em momentos e lugares especí- ficos da educação formal, como é o caso do que se processa nas escolas e universidades. 4. (UEM – PR) Considerando seus conhecimentos sobre os processos de socialização, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) As redes de amizade não podem ser consideradas agentes de socialização, uma vez que, para ter ami- gos, é necessário aos seres humanos já estarem plenamente integrados à vida social. X 02) A comunicação humana é um dos elementos de socialização. Ela é o produto e também um meio de interação social. Ela depende, em grande parte, da capacidade de imaginar e de se colocar no lugar do outro para entender o ato comunicativo. 04) A socialização é um processo restrito à infância. Os papéis sociais aprendidos nos primeiros anos de vida são os que permanecem e se reproduzem nas instituições sociais. X 08) É possível dizer que a socialização começa logo após o nascimento. Ao chorarem, por exemplo, as crianças interagem com os pais, que lhes provi- denciam alimento, consolo ou afeição. Tanto para a Sociologia quanto para a Psicologia, esses são os primeiros movimentos em direção à construção do self, um conjunto de atitudes e de ideias sobre a própria existência e sobre a relação com os outros. 16) Apenas relações face a face podem ser considera- das relevantes nos processos de socialização. Os meios de comunicação de massa ou as recentes tecnologias digitais, embora muitas vezes chama- dos de interativos, não caracterizam formas signifi- cativas de socialização. Somatório: 10 (02 + 08) 4. Educação e sociedade: a instituição escolar Origens da escola tradicional • O contexto do surgimento da escola semelhante ao modelo atual data dos séculos XVIII e XIX, período marcado pelo movimento iluminista e pela ascensão da burguesia. Seus representantes foram os primeiros defensores da educação estatal e laica. • Na sua origem, a escola representa um microcosmo do mundo do trabalho e da vida na indústria que caracteriza a sociedade industrial em ascensão nos séculos XVII e XVIII. • Émile Durkheim (1858-1917) foi o primeiro sociólogo a refletir sobre os deveres da educação na conformação social. Sua definição de “realidade positiva dos fatos sociais” nos ajuda a entender sua reflexão sobre o papel da educação. Os fatos sociais consistem em maneiras de agir, pensar e sentir, mas que são exteriores aos indivíduos, exercendo sobre eles uma ação coercitiva. Segundo Durkheim, cabe à escola formar o indivíduo, transmitindo-lhe as regras sociais por meio da reprodução de hábitos e valores. 11Sociologia Transformações sociais e tecnológicas na cultura escolar Com o passar do tempo – e com o desenvolvimento de teorias que criticavam o modelo industrial escolar –, a escola passou a funcionar em uma lógica de formação do cidadão autônomo. Na atualidade, a escola perdeu a centralidade em prol do surgimento e da expansão das tecnologias da comunicação e das novas mídias e da atuação de outras instituições no processo de socialização do indivíduo. A escola na formação dos indivíduos Pierre Bourdieu (1930-2002), sociólogo francês, define a escola como um mecanismo de reprodução das desigualda- des sociais. Bourdieu concebe a sociedade como um sistema hierarquizado de poder e privilégios resultantes das relações materiais e simbólicas. Os indivíduos ocupam diferentes lugares na sociedade, o que acarreta uma distribuição desigual de recursos e/ou poderes a esses indivíduos, que correspondem a diferentes tipos de capital: • capital econômico – renda, salários, imóveis; • capital cultural – saberes e conhecimentos transmitidos no âmbito familiar e reconhecidos e legitimados no âmbito escolar formal; • capital social – relações sociais que auxiliam o indivíduo a ter ligações estáveis e úteis; • capital simbólico – prestígio ou honra adquiridos por um indivíduo. Arbitrário cultural da instituição escolar: Bourdieu verifica a existência de uma relação intrínseca entre a cultura escolar e a cultura dos grupos sociais dominantes, o que provoca um descompasso entre o que é exigido pelas escolas e o capital cultural acumulado pelos grupos populares. Para ele, o sistema de ensino tende a perpetuar a desigualdade de acesso ao capital cultural. Escola: espaço de reprodução ou de emancipação social? • A escola também pode atuar como um espaço de convivência com a diversidade. • Na medida em que trabalha para a formação do cidadão, a escola forma sujeitos que podem auxiliar na diminuição das desigualdades sociais por conseguirem desenvolver uma visão mais ampla e crítica da sociedade do que pos- sivelmente teriam caso nunca tivessem frequentado uma escola. O surgimento da escola tradicional estava relacionado aos interesses da burguesia em ascensão. Essa instituição se caracterizava pelo desenvolvimento do ensino massificado com a imposição do poder disciplinar sobre os alunos, padronizando os modos de agir dos indivíduos e introduzindo o tempo cronológico em sua rotina. D KO E st úd io . 2 01 4. D ig ita l. 12 Livro de Revisão 1 1. (UEM – PR) Leia o texto a seguir: O lado dramático e cruel da situação educacio- nal brasileira está exatamente aí. O homem da camada social dominante tira proveito das defor- mações de sua concepção de mundo. Ao manter a ignorância, preserva sua posiçãode mando, com os privilégios correspondentes. O mesmo não su- cede com o homem do Povo. As deformações de sua concepção de mundo atrelam-no, indefinida- mente, a um estado de incapacidade, miséria e subserviência. Transformar essa condição huma- na, tão negativa para a sociedade brasileira, não poderia ser uma tarefa exclusiva das escolas. Todo o nosso mundo precisaria reorganizar-se, para atingir-se esse fim. No entanto, é sabido que as escolas teriam uma contribuição específica a dar, como agências de formação do horizonte intelec- tual dos homens. (Adaptado de: FERNANDES, Florestan. Educação e Sociedade no Brasil. In: TOMAZI, Nelson. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2007. p. 155-156.) Considerando o que diz o trecho acima e as característi- cas da “instituição escolar”, assinale o que for correto. 01) A escola é a instituição social responsável por pro- mover, por meio da reorganização intelectual das classes dominantes, a transformação social. X 02) As diferenças culturais existentes na sociedade de classes favorecem as camadas dominantes que encontram, na escola, o reforço e a valorização de conhecimentos já compartilhados no espaço familiar. 04) O homem do povo encontra, na escola, um espaço de valorização dos seus saberes, os quais se transfor- mam em um componente fundamental de ingresso no mercado de trabalho na sociedade capitalista. 08) Em uma sociedade de classes, os filhos das clas- ses dominantes e populares desenvolvem, por meio da educação escolar, as mesmas competências e habilidades. X 16) Quando assumem a responsabilidade de agir sobre a formação intelectual humana, as escolas têm um alto potencial transformador. Somatório: 18 (02 + 16) 2. Segundo Pierre Bourdieu, haveria, na sociedade, uma série de elementos de sentido e significados, dos quais os sujeitos poderiam lançar mão para desenvolver algo que ele chama de capital cultural. Acerca da categoria de capital cultural, assinale a alternativa correta: a) Indivíduos que têm uma bagagem cultural mais ampla, acumulada por gerações, contariam com menos vantagens no processo competitivo de inser- ção na sociedade. b) O capital cultural não funciona diretamente como elemento facilitador da inserção do sujeito na lógica do mercado de trabalho. X c) Capital cultural e instituição escolar estão intrin- secamente ligados, levando o sujeito portador de maior capital cultural a se sair melhor nas tarefas escolares e, de certa forma, a alcançar o sucesso na sua carreira profissional e na corrida pela ascensão social. d) A instituição escolar ofereceria condições igualitárias para todos os sujeitos envolvidos em sua prática cul- tural e social, não havendo diferenciação nenhuma entre eles, concernente à maior detenção de capital cultural. 3. Émile Durkheim, importante sociólogo francês, destaca o papel fundamental da instituição social “escola” no desenvolvimento e na legitimação da sociedade indus- trial, em plena ampliação no decorrer do século XIX. Sobre tal instituição e a compreensão de Durkheim a respeito dela, assinale a alternativa correta: a) Para Durkheim, a instituição escolar representava possibilidade de emancipação do sujeito social. X b) A escola funcionaria como um “microcosmo” da sociedade, sendo nela reproduzidas as lógicas exis- tentes no trabalho na indústria. c) A sociedade industrial não influenciava no modo como a escola funcionava. d) Escola e educação, para Durkheim, eram bas- tante relevantes na confirmação e na legitimação das tradições e normas sociais, mas não gozavam de centralidade em suas preocupações enquanto sociólogo. 13Sociologia 4. (UPE) Instituição social é definida pela Sociologia como um conjunto de relações sociais relativamente permanentes, que absorve valores e procedimentos comuns e atende às necessidades básicas da sociedade. A Educação é um exemplo de instituição social, cujo papel é o de socializar os indivíduos no grupo comunitário. Nesse contexto, NÃO é função da educação a) transmitir a herança cultural. b) promover mudanças por meio do engajamento na pesquisa. c) familiarizar os indivíduos com os vários papéis da sociedade. d) prover a preparação para os papéis ocupacionais e profissionais. X e) preparar os indivíduos para os papéis sociais exigidos exclusivamente pela família. 5. Modernidade e trabalho: Émile Durkheim e Karl Marx Sociologia de Émile Durkheim: dos fatos sociais à coesão social Durkheim, assim como Auguste Comte, estabelece que a Sociologia deve ser capaz de elaborar as leis gerais que regem a sociedade por meio da análise de relações de causa e efeito. Sociologia: a ciência que estuda os fatos sociais Para Durkheim, a sociedade se sobrepõe ao indivíduo. Dessa forma, seríamos uma conformação dos vários elementos que estão além de nossa individualidade ou da nossa “consciência individual”. A sociedade, portanto, influencia total- mente a constituição dos indivíduos. Logo, Durkheim define como objeto de estudo da Sociologia o fato social. Principais características do fato social: generalidade, exterioridade e coercitividade. Os fatos sociais consistem em maneiras de agir, de pensar, de sentir exteriores aos indivíduos e são dotados de um poder de coerção sobre a ação destes. O sociólogo, antes de iniciar sua pesquisa, deve abrir mão das suas pré-noções (senso comum). Ele deve assumir uma atitude de neutralidade em relação ao seu objeto de pesquisa. Divisão do trabalho social: solidariedades orgânica e mecânica Segundo Durkheim, o que garante a unidade entre os indivíduos de uma sociedade é a solidariedade social, que se dá por meio da consciência coletiva. Esta se sobrepõe à consciência individual, pois forma os valores, as maneiras de agir, os sentimentos comuns dos indivíduos, consagrando-os como parte integrante da coletividade. 14 Livro de Revisão 1 Solidariedade mecânica Caracteriza as sociedades mais simples (tribos, clãs) que não apresentam uma complexa divisão social do trabalho. Seus membros compartilham das mesmas noções e valores sociais (crenças religiosas e interesses materiais). Essas sociedades têm uma consciência coletiva mais acentuada. Solidariedade orgânica Caracteriza as sociedades mais complexas, que apresentam uma divisão do trabalho mais elaborada (diferentes profissões e atividades industriais diversificadas). Nessas sociedades, a consciência individual é mais pronunciada do que a cons- ciência coletiva. O crescimento da divisão do trabalho social corresponde a um aumento no grau de interdependência dos indivíduos. Nesse sentido, a divisão do trabalho social é responsável pela coesão da sociedade. Divisão do trabalho social Consciência coletiva Consciência coletiva Divisão do trabalho social Contribuições de Karl Marx: uma análise da sociedade capitalista O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) desenvolveu a teoria do materialismo histórico. De acordo com essa teoria, as relações sociais se baseiam nas relações materiais estabelecidas pelos seres humanos e pelo modo como produzem seus meios de subsistência. Segundo Marx, a riqueza nas sociedades capitalistas aparece como uma imensa coleção de mercadorias, sendo a mer- cadoria individual sua forma mais simples. Ao analisar a mercadoria, Marx identifica sua dupla forma de existência: • Valor de uso – por meio das propriedades da mercadoria, tem a função de satisfazer as necessidades gerais dos indivíduos e só se realiza no consumo. • Valor de troca – aparece como uma proporção, como uma relação entre quantidades. Essa quantidade comum a todas as mercadorias corresponde ao tempo de trabalho necessário que foi empregado na sua produção. O dinheiro é a forma equivalente com o qual os trabalhos intrínsecos à mercadoria podem ser trocados. Marx também considera a força de trabalho uma mercadoria. Aqueles que não detêm os meios para produzir suas próprias mercadorias necessitam vender sua força de trabalho em troca deum salário. Durante o processo de trabalho, o operário produz um excedente, não remunerado, que é apropriado pelo empregador na forma de mais-valia (trabalho não pago). Sua análise sobre a esfera da produção desmitifica a ideia de igualdade veiculada pela sociedade capitalista. Se a com- pra e a venda de trabalho aparecem como uma mera relação de troca de equivalentes, é na esfera da produção que se verifica a mais-valia que fundamenta a desigualdade entre as classes sociais. Marx defende a transitoriedade da sociedade capitalista por meio do desenvolvimento das forças produtivas, da trans- formação das relações de produção, da intensificação da luta de classes e dos conflitos que conduziriam à revolução social. Ele considera que a ação política dos trabalhadores originará uma nova sociedade. Com o controle do Estado, os trabalha- dores iniciariam a socialização dos meios de produção, extinguindo a propriedade privada. Essa etapa seria caracterizada como socialista. A etapa subsequente, a comunista, representaria o fim das desigualdades sociais e econômicas, bem como a dissolução do Estado. 15Sociologia 1. (UNICENTRO – PR) Durkheim presenciou algumas das mais im- portantes criações da sociedade moderna, como a invenção da eletricidade, do cinema, dos car- ros de passeio, entre outros. No seu tempo, havia um certo otimismo causado por essas inven- ções, mas Durkheim também percebia entraves nessa sociedade moderna: eram os problemas de ordem social. (Sociologia/vários autores. Curitiba: SEED-PR, 2006. p. 33.) Considerando a teoria sociológica elaborada por esse autor e seu estudo sobre a divisão do trabalho social, assinale qual alternativa está correta. a) Para Durkheim, a divisão do trabalho é antes de tudo um conceito que explica as desigualdades na moderna sociedade capitalista. b) A divisão do trabalho social para Durkheim expressa a contradição existente entre as diferentes funções da sociedade como um todo. X c) Para Durkheim, a divisão do trabalho social resulta das relações de cooperação entre as diferentes ativi- dades sociais que integram a sociedade. d) Para Durkheim, a divisão do trabalho permite perce- ber como cada função social só se realiza na sua rela- ção de conflito com uma outra função social. e) Para Durkheim, só podemos entender a divisão do trabalho social se buscamos entender como são regu- lamentadas as classes produtivas. 2. (UEL – PR) A cidade desempenha papel fundamental no pensamento de Émile Durkheim, tanto por exprimir o desenvolvimento das formas de integração quanto por intensificar a divisão do trabalho social a ela liga- da. Com base nos conhecimentos acerca da divisão do trabalho social nesse autor, assinale a alternativa correta. a) A crescente divisão do trabalho com o intercâmbio livre de funções no espaço urbano torna obsoleta a presença de instituições. X b) A solidariedade orgânica é compatível com a socie- dade de classes, pois a vida social necessita de tra- balhos diferenciados. Atividades c) Ao criar seres indiferenciados socialmente, o “homem massa”, as cidades recriam a solidariedade mecânica em detrimento da solidariedade orgânica. d) O efeito principal da divisão do trabalho é o aumento da desintegração social em razão de trabalhos parce- lares e independentes. e) O equilíbrio e a coesão social produzidos pela cres- cente divisão do trabalho decorrem das vontades e das consciências individuais. 3. (UEM – PR) O devoto, ao nascer, encontra as crenças e as práticas da vida religiosa; existindo antes dele, é porque existem fora dele. O sistema de sinais de que me sirvo para exprimir meus pensamentos, o sistema de moedas que emprego para pagar as dí- vidas, os instrumentos de crédito que utilizo nas minhas relações comerciais, as práticas seguidas na profissão etc. funcionam independentemente do uso que delas faço. (DURKHEIM, E. As regras do método. São Paulo: Editora Nacional, 1974. p. 2.) Considerando a citação e a teoria sociológica de Durkheim, assinale o que for correto. X 01) Conforme Durkheim, a Sociologia pode ser definida como uma ciência que estuda a gênese, a duração e o funcionamento dos comportamentos coletivos instituídos pela sociedade. X 02) Segundo Durkheim, os “fatos sociais” são fenôme- nos coletivos que exercem sobre o indivíduo uma coerção exterior que influencia suas maneiras de agir, de pensar e de sentir. 04) Da perspectiva durkheimiana, os “fatos sociais” são fenômenos subjetivos ou psicológicos que depen- dem da vontade e do desejo individual das pessoas para que possam aparecer na sociedade. X 08) De acordo com Durkheim, as “representações cole- tivas” constituem uma das expressões dos fatos sociais, pois compreendem os modos como a socie- dade vê a si mesma e ao mundo que a envolve. X 16) Para Durkheim, a educação escolar é um momento importante de socialização, no qual as novas 16 Livro de Revisão 1 gerações são levadas a internalizar regras, valores e maneiras de ser que são exigidas pela sociedade. Somatório: 27 (01 + 02 + 08 + 16) 4. (UFPA) Uma das importantes preocupações sociológicas é a questão a respeito dos fatores que tornam possí- vel a existência e a evolução das sociedades. A ideia de “conflito” assume uma posição contraditória por ser considerado ora como “motor das transformações”, ora como fator que “deixa a sociedade estagnada” e impe- de a evolução. Em relação às consequências do conflito para sociedade, é CORRETO afirmar: a) Para Karl Marx, o regime capitalista é capaz de pro- duzir cada vez mais. A despeito desse aumento das riquezas, a miséria continua sendo a sorte da maioria. Essa contradição irá gerar conflitos que, mais cedo ou mais tarde, desencadearão um processo de reforma da sociedade que a reorganizará com critérios científicos. X b) Para Karl Marx, a supressão das contradições de classe deve levar logicamente ao desaparecimento do Estado, pois este é um dos subprodutos ou a expres- são dos conflitos sociais. c) O marxismo exclui a possibilidade de haver um para- lelismo entre o desenvolvimento das forças produ- tivas, a transformação das relações de produção, a intensificação da luta de classes e dos conflitos que marcam a marcha para a revolução. d) Durkheim diz que os conflitos entre trabalhadores e empresários demonstram a falta de organização ou a anomia parcial da sociedade moderna, que deve ser corrigida com uma revolução do proletariado, que res- taure o consenso social. e) Durkheim acredita que a forma como os indivíduos se organizam socialmente para produzir determina a sua visão de mundo. Ou seja, ele acredita que não é a cons- ciência dos homens que determina a realidade, mas, ao contrário, é a realidade social e principalmente seus conflitos que determinam a consciência coletiva. 5. (UFPA) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx identi- ficam imperfeições na sociedade industrial capitalista, embora cheguem a conclusões bem diferentes: para o positivismo de Comte, os conflitos entre trabalhadores e empresários são fenômenos secundários, deficiên- cias, cuja correção é relativamente fácil, enquanto, para Karl Marx, os conflitos entre proletários e burgueses são o fato mais importante das sociedades modernas. A respeito das concepções teóricas desses autores, é CORRETO afirmar: X a) Comte pensava que a organização científica da socie- dade industrial levaria a atribuir a cada indivíduo um lugar proporcional à sua capacidade, realizando-se assim a justiça social. b) Comte considera que, a partir do momento em que os homens pensam cientificamente, a atividade prin- cipal das coletividades passa a ser a luta de classes que leva necessariamente à resolução de todos os conflitos. c) Marx acredita que a história humana é feita de con- sensos e implica, por um lado, o antagonismo entre opressores e oprimidos; por outro lado, tende a uma polarização em dois blocos: burgueses e proletários. d) Para Karl Marx, o caráter contraditóriodo capitalismo se manifesta no fato de que o crescimento dos meios de produção se traduz na elevação do nível de vida da maioria dos trabalhadores, embora não elimine as desigualdades sociais. e) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx concordam que a sociedade capitalista industrial expressa a pre- dominância de um tipo de solidariedade, que classifi- cam como orgânica, cujas características se refletirão diretamente em suas instituições. 6. (UEL – PR) O dinheiro alterou enormemente as relações sociais e, no desenvolvimento da história econômica da sociedade, atingiu o seu ápice com o modo de produção capitalista. Com base nos conhecimentos sobre os estu- dos de Karl Marx, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, as explicações sobre a produção da rique- za na sociedade capitalista. a) A mercantilização das relações de produção e de reprodução, por intermédio do dinheiro, possibilita a desmistificação do fetichismo da mercadoria. b) Enquanto mediação da relação social, o dinheiro demonstra as particularidades das relações entre indivíduos, como as políticas e as familiares. c) O dinheiro tem a função de revelar o valor de uso das mercadorias, ao destacar a valorização diferenciada entre os diversos trabalhos. d) O dinheiro é um instrumento técnico que facilita as relações de troca e evidencia a exploração contida no trabalho assalariado. X e) O dinheiro caracteriza-se por sua capacidade de expressar um valor genérico equivalente, intercam- biável por qualquer outro valor. 17Sociologia 6. Indivíduo e Modernidade: Max Weber e Georg Simmel A sociologia compreensiva de Max Weber Max Weber (1864-1920) também é considerado um dos fundadores da Sociologia. Para Weber, a sociedade resulta da interação entre os indivíduos. Para ele, a realidade social é infinita e o objeto da Sociologia constitui apenas um fragmento dessa realidade. Diante da impossibilidade de compreensão da totalidade social, Weber elabora um conceito para ajudar o sociólogo a “recortar” essa realidade. Esse conceito é chamado de tipo ideal e ele permite que o sociólogo escolha os elementos mais relevantes a serem analisados. A ideia central da Sociologia de Weber é a ação social, ou seja, todo comportamento cuja origem depende da reação de outros indivíduos envolvidos nessa ação. Por meio dos valores sociais e da sua motivação, o indivíduo dá sentido à ação social. Os tipos ideais, que funcio- nam como modelos, foram empregados por Weber nas definições: • Ação social racional com relação a fins – a con- duta é motivada por um objetivo previamente definido (o engenheiro que constrói uma estrada). • Ação social racional com relação a valores – a conduta é motivada pelos valores (ir à missa aos domingos, torcer para um time de futebol). • Ação social afetiva – a conduta é motivada por sen- timentos (paixão, vingança, medo, revolta). • Ação social tradicional – a conduta é motivada por costumes e hábitos (viajar nas férias, utilizar talheres para comer). As pessoas que adotam hábitos de vida veganos, vinculados à defesa ética dos direitos dos animais, manifestam uma ação social racional com relação a valores. © So ci ed ad e Ve ge ta ria na B ra sil ei ra Weber também analisa o Estado moderno, que é a instância social que reivindica o monopólio e o uso legítimo da força e da violência. Está caracterizado pela racionalização do mundo, que substituiu os dogmas e as tradições religiosas pela lógica capitalista (ação com relação a fins). Assim, a burocratização também está presente no Estado (na adminis- tração pública, nas empresas privadas, na política e nas instituições religiosas). A burocracia é caracterizada por funções e tarefas que são estabelecidas de maneira rígida e hierárquica. Os membros da burocracia (o corpo burocrático) são selecionados por seu mérito. Na obra A Ética protestante e o espírito do capitalismo, Weber analisa a relação de afinidade eletiva entre o protestan- tismo, por meio do comportamento dos seus adeptos, e o capitalismo. Nesse sentido, os valores protestantes (propensão ao trabalho, poupança, ação voltada ao lucro) são valores que correspondem ao espírito (modo de ser) capitalista. 18 Livro de Revisão 1 Modernidade e vida nas metrópoles: analisando Georg Simmel Georg Simmel (1858-1918) empregou modelos e/ou categorias analíticas para o estudo da realidade social, tal como Weber utilizou o conceito de tipo ideal para analisar a realidade social infinita e complexa. Simmel também se preocupou com as mudanças do ritmo das cidades ocasionadas pelas transformações na produção, elaborando, assim, o conceito de intensificação da vida nervosa: A cidade expõe os indivíduos a muitos estímulos. Ela é marcada por uma pluralidade de experiências. Para lidar com esses novos estímulos, ou seja, com a intensificação da vida nervosa, Simmel constata que os indivíduos desenvolvem a atitude blasé, isto é, aparentam uma postura insensível, e um comportamento que ele define como atitude de reserva. Esta se caracteriza por uma indiferença dos indivíduos em relação àquilo que não lhes diz res- peito. Os indivíduos se fecham e se protegem dos estímulos exteriores e se distanciam das emoções cotidianas. 1. (UEM – PR) Considerando as contribuições de Max Weber ao pensamento sociológico, assinale o que for correto: 01) Ao estudar o protestantismo nos Estados Unidos, Weber observou o desenvolvimento de uma forma ideal de sociedade que soube valorizar o trabalho e criar um país perfeito para se viver. 02) Segundo Weber, o papel da Sociologia não é o de compreender e explicar a ação social, mas o de interferir politicamente na sociedade para reduzir a violência e a pobreza. X 04) A Sociologia de Weber procura incluir o papel do indivíduo e a importância da ação social na com- preensão da sociedade. X 08) Conforme Weber, as sociedades modernas vivencia- ram processos de desencantamento e processos de racionalização do mundo, que modificaram a organi- zação das relações de poder. 16) Para Weber, o fim da religiosidade nas sociedades modernas é o resultado da degeneração moral das pessoas, que só pensam no lucro e deixam de se preocupar com causas sociais. Somatório: 12 (04 + 08) 2. Georg Simmel pode ser entendido como um dos primeiros sociólogos a se preocupar com a situação da vida huma- na em uma grande metrópole. Em sua empreitada, ele desenvolveu as categorias de atitude blasé e atitude de reserva. Sobre elas, é correto afirmar que: X a) O sujeito humano, bombardeado com tantos estímu- los em sua convivência em uma metrópole, termina por desenvolver uma atitude de indiferença frente a muitas coisas em seu cotidiano. Simmel chama isso de atitude blasé. b) Toda vez em que saímos de casa, somos interpelados por necessidades, nossas e de outros, as quais, caso demonstremo-nos sensíveis a todas elas, podem nos causar desconforto e muito desestímulo. Mesmo assim, não é possível afirmar que isso cause qualquer altera- ção em nosso modo de nos relacionar com o ambiente. c) Uma atitude de reserva se caracteriza por uma ati- tude de resguardo, quase não sendo observável em cidades grandes ou metrópoles, uma vez que é mais comum em cidades pequenas. d) Georg Simmel viveu em uma Alemanha que não pas- sou por grandes transformações. Logo, não é possível associar sua interpretação da sociedade com aquela em que ele mesmo viveu. 3. (UEL – PR) Leia o texto a seguir: Lembra-te de que tempo é dinheiro; aquele que pode ganhar dez xelins por dia por seu trabalho e vai passear, ou fica vadiando metade do dia, em- bora não despenda mais do que seis pence duran- te seu divertimento ou vadiação, não deve com- putar apenas essa despesa; gastou, na realidade, ou melhor, jogou fora, cinco xelins a mais. (WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira; Brasília: UnB, 1981. p. 29.) O conselho de Benjamin Franklin é analisado por Max Weber (1864-1920) naobra A ética protestante e o 19Sociologia espírito do capitalismo. Com base nessa obra, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a compreensão weberiana sobre o sentido da conduta do indivíduo na formação do capitalismo moderno ocidental. a) Tradicionalidade. X b) Racionalidade. c) Funcionalidade. d) Utilitariedade. e) Organicidade. 4. Entre as teorias de Max Weber e Karl Marx, é possível encontrar aproximações e distanciamentos, conforme o contexto de cada um. Motivadas por questões muitas ve- zes distintas, as ideias de Weber e Marx são considera- das, mesmo assim, a base de uma sociologia que pensa a função da ação social do sujeito em sociedade. Sobre isso, é correto afirmar: X a) Enquanto, para Marx, o sujeito seria fruto da ação de uma série de forças que estão para além dele (opri- mindo-o), para Weber é a ação desse sujeito que con- forma e dá sentido à sociedade. b) Para Weber, a realidade já está completamente cheia de sentido e significado, o que torna a ação do sujeito meramente acessória, podendo ser dispensada. c) A ação social do sujeito, tanto para Marx quanto para Weber, é importante apenas até certo ponto. Ambos concordam que existem forças superestruturais que, irremediavelmente, governarão as ações do sujeito em sociedade. d) Para Marx, o capitalismo era um “mal necessário” e, por isso, não valeria a pena lutar contra ele, muito menos exigir mais igualdade entre as classes sociais. 7. Interpretações do Brasil: a construção da identidade nacional Construindo a identidade nacional A identidade nacional, como qualquer outro fator social, é historicamente construída. Pode-se, portanto, investigar em que momento histórico as identidades brasileiras foram formuladas e quais são suas características. O Brasil de todas as raças: democracia racial, de Gilberto Freyre Gilberto Freyre (1900-1987) é considerado o primeiro soció- logo a propor uma leitura positiva da miscigenação na história do Brasil. Sua interpretação tem consequências diretas no tratamento político conferido à mestiçagem. Essa mestiçagem e a interpene- tração de culturas garantem um “equilíbrio de antagonismos” por meio da harmonização dos conflitos. Esse equilíbrio origina a tese da “democracia racial”. Sua obra Casa-grande & senzala (1933) é um marco na aná- lise da cultura brasileira. Neste ensaio, Freyre refuta a tese até então vigente que atribuía o atraso da sociedade brasileira à mis- cigenação. A mestiçagem, resultante da miscigenação entre indí- genas, africanos e portugueses, é para Freyre a marca distintiva da civilização brasileira. SÁ, Eduardo. Fundação da pátria brasileira. [ca. 1890]. 1 óleo sobre tela, color. Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Gilberto Freyre considerava a mistura racial entre africanos, europeus e ameríndios um dos traços mais marcantes da formação cultural e social brasileira. Câ m ar a M un ic ip al d o Ri o de Ja ne iro /F ot óg ra fo d es co nh ec id o 20 Livro de Revisão 1 De acordo com Gilberto Freyre, a organização social brasileira foi construída em torno da família patriarcal e da inter- penetração de culturas. A família patriarcal está centrada na figura masculina, do “pai”. Freyre caracteriza a família patriarcal como a célula da sociedade escravista colonial. Ela reúne nas suas dependências o trabalho, a economia e a sociabilização entre raças e culturas diferentes (o negro da senzala trabalha na casa do senhor). Passado e futuro do Brasil: o homem cordial, de Sérgio Buarque de Holanda Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é considerado, ao lado de Gilberto Freyre, um importante intérprete da socie- dade e da cultura brasileiras. Ele oferece uma leitura dual entre a ética do aventureiro e a ética do trabalhador, conformando assim a diferença entre os tipos de colonização, a ibérica e a anglo-saxônica. Em sua obra, Raízes do Brasil, publicada em 1936, o autor elabora o conceito de homem cordial, um resultado da família patriarcal brasileira. O homem cordial é caracterizado como aquele indivíduo que não enxerga a separação entre público e privado, que considera o Estado como uma extensão da vida privada. Com isso, Sérgio Buarque faz uma análise crítica da formação social brasileira que se deu em torno da família patriarcal. Segundo essa análise, o desenvolvimento de uma sociedade industrializada e moderna no Brasil dependeria muito mais do rompimento com os aspectos culturais (cordialidade, personalismo e patrimonialismo) do que com os aspectos econômicos e/ou políticos. 1. (UEL – PR) No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasi- leiro aprovou o Estatuto da Igualdade Racial. Os senadores [...] suprimiram do texto o termo “for- talecer a identidade negra”, sob o argumento de que não existe no país uma identidade negra [...]. “O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação não serviram para impedir a formação de uma socie- dade plural, diversa e miscigenada”, defende o relatório de Demóstenes Torres. (Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: <http://www1. folha.uol.com.br/cotidiano/751897-sem-cotas-estatuto-da-igualdade- racial-e-aprovado-na-ccj-do-senado.shtml>. Acesso em: 16 jun. 2010.) Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a questão da identidade, é correto afirmar: a) A identidade nacional brasileira é fruto de um pro- cesso histórico de realização da harmonia das rela- ções sociais entre diferentes raças/etnias, por meio da miscigenação. b) A ideia de identidade nacional é um recurso discur- sivo desenraizado do terreno da cultura e da política, sendo sua base de preocupação a realização de inte- resses individuais e privados. c) Lutas identitárias são problemas típicos de países colo- niais e de tradição escravista, motivo da sua ausência em países desenvolvidos como Alemanha e França. d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, a exemplo dos partidos políticos, colocam em segundo plano o indivíduo e suas demandas imediatas. X e) As identidades nacionais são construídas socialmente, com base nas relações de força desenvolvidas entre os grupos, com a tendência comum de eleger, como universais, as características dos dominantes. 2. (UEL – PR) Na verdade, a ideologia impessoal do liberalis- mo democrático jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a negação pura e simples de uma autoridade incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tra- tar com familiaridade os governantes. (HOLANDA, S. B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 160.) 21Sociologia O trecho de Raízes do Brasil ilustra a interpretação de Sérgio Buarque de Holanda sobre a tradição política brasileira. A esse respeito, considere as afirmativas a seguir. I. As mudanças políticas no Brasil ocorreram conser- vando elementos patrimonialistas e paternalistas que dificultam a consolidação democrática. II. A política brasileira é tradicionalmente voltada para a recusa das relações hierárquicas, as quais são incom- patíveis com regimes democráticos. III. As relações pessoais entre governantes e governados inviabilizaram a instauração do fenômeno democráti- co no país com a mesma solidez verificada nas na- ções que adotaram o liberalismo clássico. IV. A cordialidade, princípio da democracia, possibilitou que se enraizassem, no país, práticas sociais opostas aos princípios do clientelismo político. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. X b) Somente as afirmativas I e III são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 3. (UNIOESTE – PR) Observando o parágrafo [...] e as afir- mações que se seguem, seria correto dizer [...] Em Casa-grande & senzala, Gilberto Freyre refuta aste- ses que atribuem o “atraso” da sociedade brasileira à miscigenação, o que é por muitos considerado um ponto de vista inovador. I. Suas concepções podem assim mesmo ser consi- deradas conservadoras por enfatizar a harmonia das relações entre as etnias constitutivas da sociedade brasileira, sobretudo entre brancos e negros. II. Freyre faz, no livro citado acima, um elogio à coloni- zação portuguesa no Brasil. Decorrem desse fato as críticas que recebe por parte daqueles que vêm jus- tamente no tipo de colonização que tivemos a origem do atraso nacional. III. Adotando pontos de vista e procedimentos muito dis- tintos em relação aos de Freyre, Florestan Fernandes foi um dos autores que, na busca de explicações para aspectos da sociedade brasileira, enfatizou muito mais as mudanças sociais do que equilíbrio. IV. O principal ponto de convergência entre Freyre e Flo- restan é que, com a progressiva industrialização da sociedade brasileira, os negros não ocupam, neces- sariamente, um lugar marginal. X a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. d) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas. e) Apenas a afirmativa I está correta. 8. Modernização da sociedade brasileira Desenvolvimento do capitalismo na formação do Brasil: contribuições de Caio Prado Júnior O historiador Caio Prado Júnior (1907-1990) analisa, em suas obras, o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, caracterizado por uma dependência estrutural dos países europeus. Esse desenvolvimento foi marcado mais pela explo- ração do trabalho do que pelo trabalho assalariado, pois se baseou, sobretudo, no latifúndio, na monocultura e no tra- balho escravo. Caio Prado Júnior ressalta que o estabelecimento de um mercado interno e de uma classe industrial seria essencial para o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. No livro Formação do Brasil contemporâneo, de 1942, o autor relaciona as características da sociedade brasileira com as demandas econômicas dos colonizadores europeus. 22 Livro de Revisão 1 Revolução burguesa no Brasil: uma análise sociológica de Florestan Fernandes O sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) escreveu em um contexto de legitimação das Ciências Sociais no Brasil. Ele critica a tradição sociológica anterior e sugere que as teorias europeias e estadunidenses sejam adaptadas à realidade brasileira. É considerado o principal representante da “teoria social brasileira”. Em sua obra A revolução burguesa no Brasil (1975), ele defende que a revolução burguesa não estabeleceu uma ruptura radical com a ordem colonial, mas, sim, uma mudança conservadora das instituições e dos modos de organização econômica. A burguesia no Brasil nasceu dos antigos senhores de engenho e, por isso, não se configurou como uma classe que de fato rompeu com as estruturas políticas e sociais previamente estabelecidas. Repensando a democracia racial no Brasil Nos anos de 1950, Florestan Fernandes e o sociólogo francês Roger Bastide iniciaram uma série de estudos patroci- nados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). De acordo com Florestan, os resultados desses estudos ressaltaram as fragilidades da tese da democracia racial, que passou a ser alvo de crítica de sociólogos brasileiros. A pesquisa revela que, no Brasil, os grupos raciais ocupam lugares distintos na sociedade e que esses lugares são determinados pelo preconceito e pela discriminação racial praticados contra os negros. Florestan estabelece uma relação de interdependência envolvendo a consolidação da democracia no Brasil e o fim do preconceito racial aos negros. Em A integração do negro na sociedade de classes (1964), Florestan Fernandes revela, por meio de uma pesquisa sociológica, como a integração do negro na sociedade de classes no período pós-abolição se deu de forma desigual, confirmando a existência de uma estratificação social entre brancos e negros no Brasil. Caio Prado Júnior afirma que, de modo geral, os sujeitos da história brasileira continuaram os mesmos, sob novas estruturas econômicas, as quais foram basicamente impostas pelos países europeus, e não articuladas internamente. Ele denomina essa prática como modernização conservadora. AMARAL, Tarsila do. Operários. 1933. 1 óleo sobre tela, 150 cm × 230 cm. Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Palácio Boa Vista. Ac er vo A rtí st ic o- Cu ltu ra l d os P al ác io s d o Go ve rn o do E st ad o de S ão P au lo , P al ác io B oa V ist a 23Sociologia Atividades 1. (UEL – PR) Em relação ao processo de formação social no Brasil, o sociólogo Florestan Fernandes escreveu: Lembremo-nos de que da vinda da Família Real, em 1808, da abertura dos portos e da Independência, à Abolição em 1888, à Proclamação da República e à “revolução liberal”, em 1930, decorrem 122 anos, um processo de longa duração, que atesta claramente como as coisas se passaram. Esse quadro sugere, desde logo, a resposta à pergunta: a quem beneficia a mudança social? (FERNANDES, F. As Mudanças Sociais no Brasil. In: IANNI, Octavio (Org). Florestan Fernandes: coleção grandes cientistas sociais. São Paulo: Ática, 1986. p. 155-156.) De acordo com o texto e os conhecimentos sobre o tema, em relação à indagação feita pelo autor, é correto afirmar que a mudança social beneficiou: a) Fundamentalmente os trabalhadores, uma vez que as liberdades políticas e as novas formas de trabalho aumentaram a renda. X b) Os grupos sociais que dispunham de capacidade econômica e poder político para absorver os efeitos construtivos das alterações ocorridas na estrutura social. c) A elite monárquica, pois ao monopolizar o poder político impediu que outros grupos sociais pudessem surgir e ter acesso aos efeitos construtivos das alterações na estrutura social. d) Os grupos sociais marginalizados ou excluídos, pois, em decorrência deste processo, passaram a fazer parte do pro- cesso produtivo. e) A população negra, uma vez que a alteração na estrutura da sociedade criou novas oportunidades de inserção social. 2. Circula, no senso comum, a ideia de que o Brasil é um país no qual negros e brancos vivem com o mínimo de paz e cordialidade. Essa ideia circulou com maior efetividade após os estudos de Gilberto Freyre, publicados no decorrer dos anos 1930, e ficou conhecida como “democracia racial”. Sobre o tema, assinale a alternativa correta: a) O Brasil é um país no qual negros e brancos efetivamente estão dotados das mesmas condições sociais para ascenderem. b) O passado escravista deixou marcas profundas na sociedade brasileira, tornando a ideia de democracia racial uma mera lenda, agradável de ser ouvida aos ouvidos da classe dominante, notadamente brancos descendentes dos senhores de engenho. X c) A democracia racial é fruto da ideia de uma escravidão branda e da existência de uma integração do negro que não ocorreu, seja pela marginalização no mercado de trabalho, seja pelo preconceito de cor. d) O negro foi, no decorrer dos anos pós-abolição, completamente reintegrado à sociedade brasileira, o que torna a expressão “democracia racial” perfeitamente aplicável à realidade de nosso país. 3. Segundo pensadores como Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Holanda, um dos principais entraves para o desenvolvimento da sociedade industrial e do capitalismo no Brasil foi: a) O fato de não haver indústrias o suficiente no país, tornando-o inóspito para o desenvolvimento de uma economia voltada para a produção industrial. b) O fato de as camadas sociais dominantes, explicitadas na figura dos senhores de terra, não terem se associado dire- tamente à produção e à sociedade industrial, como estava se aplicando em países da Europa. c) O fato de não ter havido indústrias interessadas em desenvolverem seus comércios no país. X d) O fato de que, basicamente, oque ocorreu no Brasil foi uma mudança de nome nas elites dominantes. De senhores de terra, passaram a ser chamados de “burguesia”. A mentalidade da elite econômica, entretanto, continuava basica- mente inalterada. 24 Livro de Revisão 1 4. (UEMA) Leia o fragmento abaixo. Se a supressão do nexo colonial não se refletiu na condição de escravo nem afetou a natureza da escra- vidão mercantil, ela alterou a situação econômica do senhor que deixou de sofrer o peso da “espoliação colonial” e passou a contar, por conseguinte, com todas as vantagens da “espoliação escravista” que não fossem absorvidas diretamente pelos mecanismos secularizados do comércio internacional. (FERNANDES, Florestan. Circuito fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional”. São Paulo: Globo, 2010.) Baseando-se no fragmento de Florestan Fernandes, pode-se afirmar que a independência do Brasil: a) dificultou o fortalecimento da economia nacional. X b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional. c) extinguiu o tráfico de pessoas escravizadas ao país. d) rompeu com a estrutura econômica baseada na escravidão. e) aumentou a dependência brasileira aos interesses portugueses. 5. (UNICENTRO – PR) Autor brasileiro que entendia a construção do Brasil como a fusão de raças, religiões, culturas e gru- pos sociais decorrentes da formação colonial, em que os negros e mestiços teriam papel fundamental na formação da identidade cultural do povo. Essa referência identifica: X a) Gilberto Freyre. b) Caio Prado Júnior. c) Florestan Fernandes. d) Fernando de Azevedo. e) Sérgio Buarque de Holanda. 6. (UEL – PR) A falta de coesão em nossa vida social não representa, assim, um fenômeno moderno. E é por isso que erram profundamente aqueles que imaginam na volta à tradição, à certa tradição, a única defesa possível contra nossa desordem. Os mandamentos e as ordenações que elaboraram esses eruditos são, em verdade, criações engenhosas de espírito, destacadas do mundo e contrárias a ele. Nossa anarquia, nossa incapaci- dade de organização sólida não representam, a seu ver, mais do que uma ausência da única ordem que lhes parece necessária e eficaz. Se a considerarmos bem, a hierarquia que exaltam é que precisa de tal anarquia para se justificar e ganhar prestígio. (HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 33.) Caio Prado Junior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda são intelectuais da chamada “Geração de 30”, primeiro momento da Sociologia no Brasil como atividade autônoma, voltada para o conhecimento sistemático e metódico da sociedade. Sobre as preocupações características dessa geração, considere as afirmativas a seguir. I. Critica o processo de modernização e defende a preservação das raízes rurais como o caminho mais desejável para a ordem e o progresso da sociedade brasileira. II. Promove a desmistificação da retórica liberal vigente e a denúncia da visão hierárquica e autoritária das elites brasilei- ras. III. Exalta a produção intelectual erudita e escolástica dos bacharéis como instrumento de transformação social. IV. Faz a defesa do cientificismo como instrumento de compreensão e explicação da sociedade brasileira. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e III. b) I e IV. X c) II e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV. Livro de Revisão 1 Sociologia Ensino Médio Gabaritos e comentários 2 Gabaritos e comentários – Sociologia 1. Sociologia: a ciência da sociedade 1. A alternativa d é a correta, já que estabelece a relação de interdependência envolvendo o conhecimento científico e o senso comum. A alternativa c está incorreta, pois não considera que a Sociologia também parte do senso comum para a análise da realidade social. A alternativa b é incorreta, por afirmar que o conhecimento científico independe do conhe- cimento do senso comum. A alternativa a está incorreta, ao alegar que a Sociologia não estabelece nenhuma diferença entre esses dois tipos de conhecimento. 3. A alternativa e é a correta. Questão fácil de ser respondida, pois o próprio enunciado sugere a resposta correta ao afirmar “Hoje, muitos sociólogos incorporam a subjetividade em suas análises.”. 2. Surgimento da Sociologia 1. A alternativa correta é a d, pois apresenta os setores e as instituições sociais que foram influenciados diretamente pelo positivismo de Auguste Comte. A alternativa c é incorreta, visto que a influência do pensamento positivista nos dizeres da bandeira foi direta. A alternativa b não pode ser a correta, pois afirma que o positivismo chegou tardiamente ao Brasil, quando, na verdade, se pode dizer que foi a ideologia fundadora do movimento republicano. Assim, a alternativa a tam- bém está incorreta. 2. A alternativa b está correta porque apresenta o Iluminismo e o Positivismo relacionados a uma ideia em comum: a razão como promotora do progresso da sociedade. A alternativa a está incorreta, pois afirma que o Iluminismo defende que o desenvolvimento ocorre por meio da revolução social e não em virtude da razão. A alternativa c está incorreta por esta- belecer a relação entre Positivismo e Iluminismo com base na luta de classes, temática formulada mais tarde por Karl Marx. A alternativa d está incorreta ao alegar que a relação entre ambos se dá por meio do conhecimento teológico, que é justamente o que o Iluminismo combate. A alternativa e cria uma relação dicotômica entre progresso e liberdade humana, o que não é compartilhado pelo Iluminismo nem pelo Positivismo. 3. A alternativa a apresenta os parâmetros corretos do pensamento comtiano. Já a alternativa b está incorreta, pois o ter- ceiro estágio não é o teológico, e sim o científico. A alternativa c está incorreta, pois a base do pensamento de Comte é a defesa da neutralidade da ciência. A alternativa d está incorreta por estabelecer relação entre ordem e progresso e o comunismo, ideia que nunca foi aventada por Augusto Comte. 4. D é a alternativa correta e apresenta o pensamento de Comte quanto à relação entre a Lei dos Três Estados e a evolução da sociedade. As demais alternativas estão incorretas, pois em a a ordem dos três estados está errada. A ordem correta é: teológico, metafísico e positivo. A alternativa b apresenta o estado teológico como posterior ao estado positivo, mas o estado positivo é posterior e superior ao teológico. A alternativa c afirma que o estado teológico não tem nenhum papel na fundamentação da vida moral, o que é incorreto. Por fim, a alternativa e desconsidera que o estado teológico também busca soluções absolutas e universais. 5. A alternativa d está incorreta, porque o Iluminismo, tendo a razão como fundamento de sua teoria, questionou as bases da tradição. Em muitos casos, a ação tradicional foi considerada oposta à ação racional. As demais alternativas estão corretas. A alternativa a afirma que a ideia base do Iluminismo é, de fato, a liberdade dos indivíduos (alcançável mediante a racionalização do mundo). Em b, consta a afirmação de que a racionalidade iluminista trouxe uma série de questões à tona, anteriormente negligenciadas pela tradição do pensamento cristão. Na alternativa c, há a afirmação de que, ao lado da ideia de liberdade e racionalidade, o progresso funcionava como terceira categoria-chave do Iluminismo, uma vez que a busca racional pelo conhecimento levaria, inevitavelmente, ao progresso. 6. A alternativa 01 está correta, pois o movimento em torno da racionalidade científica de fato questionou os padrões de comportamento estabelecidos pela tradição cristã. A alternativa 04 está correta, visto que as transformações ocasionadas pela Revolução Industrial originaram uma série de novas questões concernentes, em grande medida, ao aumento do êxodo populacional para as cidades e ao subsequente crescimento da concentração populacional urbana. A alternativa 16 está correta, uma vez que, com a nova vida nas cidades, novos modelos políticos foram concebidos e, com eles, surgiu tambéma necessidade de se refletir sobre a resolução desses problemas. As alternativas 02 e 08 estão incorretas, pois 3Livro de Revisão 1 em 02 a Sociologia não surge para legitimar a ordem monárquica, justamente porque ela se desenvolve em um contexto de crítica social a essa ordem. Na 08, apesar de a Reforma Protestante ter representado uma crítica contundente aos dogmas católicos, não se deve considerar que ela tenha proporcionado o desenvolvimento de uma razão técnica, tendo em vista que suas explicações de mundo “bebiam” da fonte teológica. 7. A alternativa b está correta, uma vez que Augusto Comte atesta que o positivismo é o estágio mais elevado de organização social. A alternativa a está incorreta, pois o estado teológico se baseia em explicações divinas para os fenômenos. Já a c está incorreta, pelo fato de não existir um “estado mítico” na “Teoria dos Três Estados” elaborada por Comte. A alternativa d está incorreta, dado que o primeiro estado é o teológico, e não o metafísico. E está incorreta, pois a Europa exempli- ficava um estado superior ao teológico, justamente porque é nela onde surgem as primeiras tentativas de aplicação de leituras científicas da realidade, da sociedade e do progresso da humanidade. 8. Apenas as afirmativas II e III estão corretas, porque a Sociologia de fato surge em um momento de crise que resulta das transformações causadas pela Revolução Industrial, como aponta a afirmativa II. Assim como a Sociologia surge no con- texto de questionamento da tradição do pensamento cristão e, em consequência, pela adoção da racionalidade científica como guia para a explicação do mundo e das suas transformações, indicada na afirmativa III. As afirmativas I e IV estão incorretas, visto que, em I, a Sociologia parte, justamente, de uma crítica científica à explicação teológica. Já a IV está incorreta, pois a Sociologia, nos primórdios da sua constituição científica, buscou se assemelhar às ciências naturais e não se distanciar delas. 3. Socialização: o indivíduo em sociedade 1. As alternativas 04 e 16 estão corretas, por considerarem que os gostos e os estilos de vida são determinados, em grande medida, pelas trajetórias educativas e socializadoras dos indivíduos. Resultam, assim, do processo educativo que ocorre nos âmbitos familiar e escolar e não de uma sensibilidade inata dos indivíduos. As alternativas 01, 02 e 08 estão incor- retas, pois: 01 exclui completamente o papel da família e da escola na formação cultural do indivíduo; 02 afirma que a diferença entre sexos (biológica) determina uma diferença que é, na verdade, social e que se fundamenta em uma relação de poder; 08 considera os gostos e os estilos como algo subjetivo, e não como objetos de estudos da Sociologia. 2. As alternativas 02 e 04 estão corretas, por considerarem o papel da escola na socialização secundária dos indivíduos e apresentarem a importância dos colegas e amigos no processo de socialização do indivíduo e de formação de sua identi- dade. A alternativa 01 está incorreta, pois desconsidera o papel central que a família assume na socialização do indivíduo. A alternativa 08 está incorreta, por negar a importância dos meios de comunicação na socialização do sujeito. Já a 16 decreta o fim do processo de socialização na fase adulta do indivíduo, o que também é incorreto. 3. A alternativa b leva em consideração todos os aspectos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem escolar, o que é correto. Já as demais alternativas estão incorretas. Não são apenas as pessoas mais velhas que ensinam; o processo de aprendizagem é inter-relacional, por isso a alternativa a está incorreta. A alternativa c afirma, erroneamente, que a escola é também o reflexo da dinâmica e das contradições sociais. Na verdade, a diversidade cultural está presente na educação formal e informal. A alternativa d está incorreta, pois o interculturalismo visa justamente à superação dos conflitos e dis- putas pela manutenção ou ampliação do poder. A alternativa e está incorreta, pois os aspectos culturais são aprendidos em lugares e situações diversas. A escola é um dos lugares que também contribui nesse aprendizado, tanto em seus contextos formais como informais. 4. A comunicação humana é um importante elemento de socialização, o que não ocorre de maneira unilateral, mas por meio de um processo de empatia mútua e de reconhecimento entre os indivíduos, como afirma a alternativa 02. A alternativa 08 também está correta, uma vez que apresenta de maneira adequada os primeiros momentos do processo de socializa- ção dos indivíduos desde o nascimento. A alternativa 01 está incorreta, pois desconsidera que as redes de amizade são fatores importantes do processo de socialização. A alternativa 04 está incorreta por restringir o processo de socialização à infância, o que não acontece, já que esse processo se estende por toda a vida do indivíduo. A alternativa 16 está incorreta, visto que as tecnologias e os meios de comunicação digitais são considerados, pela Sociologia, importantes agentes no processo de socialização dos indivíduos. 4 Gabaritos e comentários – Sociologia 4. Educação e sociedade: a instituição escolar 1. A alternativa 16 está correta, pois a escola de fato é responsável por colocar em prática o potencial transformador do indivíduo. A alternativa 02 também está correta, já que a escola muitas vezes funciona como reprodutora do status quo da cultura dominante em uma determinada sociedade. A alternativa 01 está incorreta, porque a escola não tem a função de transformar a sociedade. Ela pode tão somente contribuir para essa transformação. A alternativa 04 está incorreta, visto que os saberes do homem do povo muitas vezes são marginalizados no ambiente escolar. A alternativa 08 está incorreta, pois o ensino escolar não ocorre de forma igualitária, uma vez que é a cultura dos grupos dominantes a que consegue se impor. 2. Há uma relação intrínseca entre capital cultural e instituição escolar, ideia presente, corretamente, na alternativa c. A alternativa a está incorreta, pois quem tem mais acesso ao capital cultural apresenta mais vantagens para se inserir de maneira bem-sucedida na sociedade. A alternativa b está incorreta por negar a relevância do capital cultural como facilitador da inserção do indivíduo no mercado de trabalho. A alternativa d está incorreta por afirmar que a instituição escolar oferece condições igualitárias para todos os indivíduos, o que é questionado por Bourdieu, já que os indivíduos são dotados de diferentes níveis de capital cultural, o que torna o processo de educação escolar essencialmente desigual. 3. A importância da instituição escolar na teoria de Durkheim está presente corretamente na alternativa b. As demais estão incorretas porque não está presente no pensamento de Durkheim a ideia de emancipação do sujeito por meio da educa- ção escolar, como afirmado na alternativa a. Ao contrário do que apresenta a alternativa c, a escola, efetivamente, repro- duzia a vida que o indivíduo levaria quando trabalhasse na indústria: disciplina e horários rígidos. Por fim, a alternativa d está incorreta, pois a escola e a educação foram temas centrais na sociologia de Durkheim, o que lhe converteu em um importante pensador para a área da Educação, além da Sociologia. 4. A alternativa e é a única que traz uma função que não corresponde à educação enquanto instituição social, e sim à ins- tituição familiar. Todas as demais alternativas apresentam características do papel da educação na sociedade. Transmitir a herança cultural de um povo, promover mudanças por meio do engajamento na pesquisa, familiarizar o indivíduo com os vários papéis da sociedade e prepará-lo para os papéis ocupacionais e profissionais que deverá desempenhar são funções da educação formal no processo de socialização secundária dos indivíduos. 5. Modernidade e trabalho: Émile Durkheim e Karl Marx 1. A alternativa correta é a c. A alternativa a está incorreta, pois Durkheim não refleteacerca da divisão do trabalho sob a ótica da desigualdade na sociedade capitalista. B está incorreta, uma vez que a divisão social do trabalho não expressa as contradições entre as funções sociais na sociedade. Ela expressa a necessidade de adequação dos indivíduos às dife- rentes tarefas que devem ser realizadas. D está incorreta, porque Durkheim não discute a divisão social do trabalho sob a ótica da disputa e do conflito entre as diferentes funções na sociedade. E está incorreta, pois Durkheim não estabelece relação entre a divisão do trabalho social e a regulamentação das classes produtivas. 2. Para Durkheim, a existência de diferentes classes é uma característica das sociedades complexas. A coesão social é garantida pela complexa divisão do trabalho social. Esse tipo de coesão é chamado de solidariedade orgânica. Assim, a alternativa b está correta. A está incorreta, pois a crescente divisão do trabalho social confere um papel importante às diversas instituições (família, corporação, Igreja) que, com o Estado, garantem a existência e a reprodução de normas e de regras a serem seguidas e que atendam aos imperativos da vida coletiva. C está incorreta, visto que é nas cidades onde se verifica o crescimento da solidariedade orgânica. A crescente diferenciação das funções sociais caracteriza uma nova forma de organização social diferente daquela em que predominava a solidariedade mecânica. Esta pertence a um estágio mais simples do desenvolvimento das sociedades. D está incorreta, uma vez que a principal função da divisão do trabalho social é garantir a coesão de uma sociedade complexa por meio do estreitamento dos laços sociais entre os indivíduos, reforçando a cooperação e a solidariedade. E está incorreta, pois, embora reconheça a necessidade de as sociedades se desenvolverem de modo equilibrado e harmônico, essa condição não decorre, para Durkheim, das vonta- des individuais, e sim de um efeito moral produzido pela divisão do trabalho social que se traduz na existência de uma 5Livro de Revisão 1 consciência coletiva. O indivíduo continua existindo como base do fato moral, mas não é ele quem funda as instituições. Elas resultam do intercâmbio das múltiplas consciências individuais que produzem um substrato comum – a consciência coletiva. 3. A alternativa 01 está correta, pois traz a definição de Sociologia de Durkheim. A 02 está correta, uma vez que mostra os fatos sociais como fenômenos externos aos indivíduos e que exercem uma coerção sobre eles. A 08 está correta, pois uma prática individual não pode ser analisada como um fato social. A 16 apresenta corretamente o papel da educação na Sociologia de Durkheim. A 04 está incorreta, visto que os fatos sociais representam fenômenos coletivos que estão acima das consciências individuais. 4. O acirramento das contradições entre as classes conduzirá a sociedade ao comunismo e à supressão do Estado. As- sim, a alternativa b está correta. A está incorreta, pois Marx não afirma que o capitalismo tem uma capacidade infinita de produzir riquezas; ao contrário, Marx ressalta a possibilidade de esse sistema ser assolado por crises de produção. C está incorreta, visto que o marxismo estabelece justamente o contrário: o paralelismo entre o desenvolvimento das for- ças produtivas, da transformação das relações de produção, da intensificação da luta de classes e dos conflitos conduziria à crise do capitalismo. D está incorreta, pois Durkheim não defende a revolução do proletariado. Por fim, e está incorreta, porque essa é uma definição de Marx e não de Durkheim. 5. A alternativa a expressa corretamente o entendimento de Augusto Comte da justiça social e de como ela seria alcançada. B está incorreta, visto que Comte não analisa a luta de classes, e sim Marx. C está incorreta, pois para Marx a história da humanidade é caracterizada pela luta de classes, e não pelo consenso. D está incorreta, porque o crescimento das forças produtivas (e não dos meios de produção) provocará a crise do capitalismo, e não uma melhora na qualidade de vida dos trabalhadores. Por fim, e também está incorreta, já que é Durkheim quem reflete sobre a solidariedade orgânica, e não Comte ou Marx. 6. O dinheiro assume a forma de equivalente geral que possibilita a troca das mercadorias, como aponta corretamente a al- ternativa e. A alternativa a está incorreta, pois a mercantilização universal das relações econômicas, políticas e sociais no sistema capitalista, por intermédio de um equivalente geral de troca, o dinheiro, oculta relações desiguais que aparecem como equivalentes no momento da troca. B está incorreta, porque o dinheiro “apaga” as desigualdades sociais descober- tas por Marx na esfera da produção de mercadorias. C está incorreta, uma vez que o dinheiro não revela o valor de uso das mercadorias nem destaca a valorização diferenciada entre os diversos trabalhos. Por meio do dinheiro, a mercadoria aparece como “coisa”, como valor de troca e não como valor de uso. O dinheiro oculta o processo de produção da merca- doria, as relações de trabalho desiguais. D está incorreta, pois o dinheiro não é um mero instrumento técnico que facilita as relações de troca. No capitalismo, o dinheiro, ao se transformar em um valor genérico equivalente, intercambiável por qualquer outro valor, oculta as relações de trabalho desiguais entre capitalistas e assalariados. 6. Indivíduo e Modernidade: Max Weber e Georg Simmel 1. A alternativa 04 está correta, pois uma das principais preocupações da Sociologia de Weber é entender quais ações in- dividuais podem ser definidas como ação social. A 08 também está correta, porque a religião predomina nas sociedades primitivas. Os processos de racionalização e o desencantamento do mundo que caracterizam as sociedades modernas estão relacionados à perda da centralidade da religião nessas sociedades. A alternativa 01 está incorreta, pois Weber não afirma que a ética protestante estabeleceu um “modelo ideal de sociedade”. A 02 está incorreta, porque o papel da Sociologia, para Weber, é justamente compreender e explicar a ação social, e não o de interferir na realidade social. A 16 está incorreta, pois Weber não declara o fim da religião, e sim sua adequação à lógica racional da sociedade moderna capitalista. 2. A alternativa a apresenta corretamente o que Simmel entende por atitude blasé. B está incorreta ao afirmar que a inter- pelação cotidiana das questões e sensibilidades alheias não afetam o modo como nos relacionamos com o ambiente. C está incorreta, porque a atitude de reserva é comum às grandes cidades. D está incorreta por afirmar que a Alemanha de Simmel não passou por grandes transformações, o que é justamente o oposto do que ocorreu. Simmel estava preocu- pado em compreender o contexto de transformações da Alemanha do seu tempo. 6 Gabaritos e comentários – Sociologia 3. A racionalidade é a categoria explicativa empregada por Max Weber para explanar o sentido da conduta do indivíduo na sociedade capitalista, como aponta a alternativa b. As alternativas a e c estão incorretas, pois, segundo Weber, a formação do capitalismo moderno no Ocidente tem sua singularidade histórica no uso da racionalidade para a orientação da con- duta individual, o que difere da ação social orientada pela tradição. É a noção de racionalidade que lhe permite explicar a formação das condições que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno. Por outro lado, a sociologia weberiana rejeita as noções de função ou funcionalidade para a explicação dos fenômenos sociais. A d está incorreta, pois a tese weberiana sobre as condições que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno ocidental rejeita direta e explicitamente a tese do utilitarismo, como é possível verificar no início de A ética protestante. Weber, ao analisar a máxima de Benjamin Franklin, considera que “o que é aqui pregado não é uma simples técnica de vida, mas sim uma ética peculiar, cuja infração não é tratada como umatolice, mas como um esquecimento do dever. Não é mero bom senso comercial, mas sim um ethos” (WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. p. 31, apud QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. p. 142). Desse modo, a tese do utilitarismo não se sustenta. Para Weber, a formação desse capitalismo tem sua singularidade histórica no uso da racionalidade para a orientação da conduta individual, o que se exemplifica pelas má- ximas de Benjamin Franklin. Portanto, é a noção de racionalidade que lhe permite explicar a formação das condições que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno. Conforme Gabriel Cohn, reconhecido analista de Max Weber, “Weber procurava demonstrar a existência de uma íntima afinidade entre a ideia protestante de ‘vocação’ e a contenção do impulso racional para o lucro através da atividade metódica irracional, em busca do êxito econômico re- presentado pela empresa. Por essa via, apresentava-se a ideia de que um determinado tipo de orientação da conduta na esfera religiosa – a ética protestante – poderia ser encarado como uma causa do desenvolvimento da conduta racional em moldes capitalistas na esfera econômica. Weber estaria preocupado com o estudo de ‘aspectos da moderna conduta da vida e seu significado prático para a economia’, especialmente no que dizia respeito ao desenvolvimento de uma ‘regu- lação prático-racionalista da conduta da vida’” (COHN, G. (Org.). Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1979. p. 23-24). A alternativa e está incorreta, pois a tradição teórico-metodológica presente na obra de Weber rejeita o organicismo como paradigma explicativo, uma vez que a sociologia compreensiva trata de problemáticas relativas aos conflitos. 4. A alternativa a apresenta corretamente o entendimento de Marx e de Weber sobre a ação do sujeito na sociedade. B está incorreta, visto que Weber defende que o que confere sentido e significado à realidade é a ação do sujeito. C está incorreta, pois tanto para Marx quanto para Weber as ações dos sujeitos podem alterar a estrutura social. D está incorreta, uma vez que Marx defende a transitoriedade do modo de produção capitalista por meio da luta de classes e da revolução proletária. 7. Interpretações do Brasil: a construção da identidade nacional 1. A alternativa e está correta, pois apresenta a relação entre identidade nacional e seu caráter constituído historicamente. A alternativa a está incorreta, por afirmar que a identidade nacional brasileira foi fruto de um processo histórico “harmônico” de miscigenação. Na verdade, o processo de conformação da identidade nacional brasileira foi bastante problemático e envolveu violência, guerra e negociação por parte dos envolvidos, sendo os negros e os indígenas os grupos que mais sofreram com tal processo. C está incorreta, visto que destaca as lutas identitárias como um fator existente apenas nos “países coloniais”; as lutas identitárias também ocorreram nas antigas metrópoles. D está incorreta, pois são justamente as demandas imediatas dos sujeitos envolvidos nas lutas identitárias que definem as pautas dessas lutas. 2. A alternativa correta é a b, que engloba as afirmativas I e III. A afirmativa I leva em consideração um elemento basilar na constituição da democracia brasileira: a conservação das tradições coloniais. A III destaca o caráter personalista das relações de poder no Brasil, o que em grande medida inviabiliza a consolidação da democracia no país (mais uma vez, volta-se à questão da conservação dos elementos tradicionais coloniais). A afirmativa II está incorreta, pois a política brasileira se constitui justamente sobre bases hierárquicas de poder, e não o contrário. A IV está incorreta, visto que a cordialidade do povo brasileiro é um dos fatores que propiciam práticas políticas clientelistas. 7Livro de Revisão 1 3. A alternativa correta é a a, pois todas as afirmativas estão certas. A I reproduz a crítica à Freyre, que o considera um autor tradicionalista em virtude da sua concepção de miscigenação que privilegia a harmonia em detrimento do conflito. A II apresenta de modo correto a visão de Freyre sobre a colonização portuguesa; essa visão origina grande parte das críticas a seu trabalho. A III afirma corretamente que Florestan parte da ideia de que a relação entre os grupos raciais na constituição identitária do Brasil não foi um processo pacífico, muito menos equilibrado. Ele demonstra, portanto, como foi problemática a constituição da identidade nacional brasileira, que muitas vezes relegou o negro à marginalidade e o indígena ao esquecimento. A IV está correta, pois, apesar de muitas vezes esse ter sido o lugar reservado ao negro, nem sempre as consequências da industrialização no Brasil o confinaram à marginalidade. 8. Modernização da sociedade brasileira 1. A mudança social no Brasil alterou apenas a forma como as antigas forças se mantinham no poder, como indica corre- tamente a alternativa b. A alternativa a está incorreta, pois alega que a mudança social beneficiou fundamentalmente os trabalhadores, o que não se confirma na realidade. A alternativa c está incorreta, visto que se refere à elite monárquica que deixou de existir com a transição da monarquia para a república. A alternativa d está incorreta, porque afirma que a mudança social beneficiou os grupos sociais marginalizados; no entanto, esses grupos não foram inseridos no processo produtivo. A alternativa e está incorreta, pois declara que a mudança beneficiou a população negra quando, na verdade, ela foi em grande medida retirada das senzalas e lançada nos mucambos e, posteriormente, nas favelas. 2. A alternativa c expõe corretamente a concepção de um escravismo mais brando, formulado por Gilberto Freyre, e o duplo dilema ao qual os negros foram submetidos após a escravidão, segundo Florestan Fernandes. A alternativa a está incor- reta, pois afirma que no Brasil negros e brancos são dotados das mesmas condições, o que não se confirma na realidade, uma vez que a herança escravagista prejudicou a inserção do negro no âmbito educacional e do mercado de trabalho. Estatisticamente, os negros ocupam os postos de trabalho de menor remuneração. A alternativa b está incorreta, por negar qualquer tipo de relação minimamente harmoniosa entre negros e brancos no Brasil. A alternativa d está incorreta, pois afirma que o negro foi reinserido na sociedade no contexto pós-abolicionista. 3. A alternativa d está correta, pois considera que, no Brasil, muitas vezes as mudanças ocorreram para reorganizar as mes- mas camadas sociais no poder sob uma nova nomenclatura. A alternativa a está incorreta, porque atribui o baixo desen- volvimento industrial no país ao baixo número de indústrias aqui instaladas. Ainda que comparativamente esse número possa ser menor do que em outros países, este não pode ser um fator preponderante, uma vez que representa apenas um dos aspectos do entrave ao desenvolvimento do setor industrial brasileiro. A alternativa b está incorreta, pois não leva em consideração justamente o fato de os senhores de terra terem sido capazes de se readaptar ao contexto industrial, ainda incipiente no Brasil, realocando-se na lógica de poder. A alternativa c está incorreta, por atrelar o não desenvolvimento de um setor industrial no Brasil a um fator que não se comprova na realidade: a não instalação de qualquer indústria no país. 4. A alternativa b estabelece a relação correta com as teses de Florestan Fernandes. A alternativa a está incorreta, pois afirma que a Independência do Brasil dificultou o fortalecimento da economia nacional, tendo ocorrido, de fato, o contrário. Os setores coloniais se adaptaram à situação econômica estabelecida no período pós-independência e se mantiveram no poder como classes dominantes. E isso se deu, entre outros fatores, por meio da manutenção do tráfico de escravos até 1850, quando houve aproibição total dessa atividade; por isso, a alternativa c também está incorreta. Nesse sentido, a estrutura econômica baseada na escravidão se manteve, em vez de ter sido extinta. Por isso, a alternativa d também está incorreta. A alternativa e está incorreta, pois a dependência brasileira aumentou com relação à Inglaterra, e não com relação a Portugal. 5. Alternativa a, pois Gilberto Freyre, sobretudo em seu livro Casa-grande & senzala, apresentou sua visão acerca da fusão das raças, religiões e culturas no Brasil. A alternativa b não pode ser a correta, pois Caio Prado Júnior se preocupou com as condições do desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A alternativa c não pode ser a correta, uma vez que Florestan Fernandes abordou, entre outros temas, o problema da inserção do negro no mercado de trabalho brasileiro divergindo, inclusive, da perspectiva oferecida pela interpretação de Freyre. A alternativa d não pode ser a correta, visto que Fernando de Azevedo se dedicou ao estudo da educação no Brasil e ao seu aspecto sociológico. A alternativa e não está correta, pois Sérgio Buarque de Holanda propôs uma explicação sobre as “raízes” do comportamento do brasileiro. 8 Gabaritos e comentários – Sociologia 6. Alternativa c, pois as afirmativas II e IV estão corretas. A II está correta, uma vez que apresenta um ponto em comum entre os autores pertencentes à geração de 30. A IV afirma corretamente que tais pensadores lançaram mão do método científico para analisar a sociedade brasileira. A I está incorreta, visto que atesta justamente o ponto que tais autores criticam: as tradições hierárquicas brasileiras. A III está incorreta, porque afirma algo oposto ao que foi preconizado por esses autores, que se basearam em métodos e técnicas de pesquisa científicos que predominavam no período em que desenvolveram suas investigações.