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Livro do ProfessorLivro do Professor
Livro de Revisão 1
Sociologia
Ensino Médio
Oldimar Pontes Cardoso
©Editora Positivo Ltda., 2017 
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora.
Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) 
(Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil)
C268 Cardoso, Oldimar Pontes.
 Sociologia : livro de revisão / Oldimar Pontes Cardoso. – 
Curitiba : Positivo, 2017.
 v. 1 : il.
 ISBN 978-85-467-1685-2 (aluno)
 ISBN 978-85-467-1674-6 (professor)
 1. Ensino médio. 2. Sociologia – Estudo e ensino. I. Título.
CDD 373.33
2 Livro de Revisão 1
1. Sociologia: a ciência da sociedade
Conceito de Sociologia
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 A Sociologia oferece novas possibilidades interpretativas 
da vida em sociedade. Dessa forma, ao propor um 
novo olhar sobre determinado contexto, é possível 
estranharmos o que antes enxergávamos como familiar. 
Pode-se dizer que a Sociologia “retira o véu” que reveste as 
nossas relações sociais. 
Senso comum e conhecimento científico
O conhecimento tácito é um tipo de saber inerente a um indivíduo em particular; é adquirido por meio da expe-
riência cotidiana. O senso comum está relacionado a um conjunto de ideias que permeia nossas ações em sociedade. 
Trata-se de um conhecimento necessário para que todo indivíduo se integre na vida em sociedade. 
 • Senso comum versus conhecimento científico: o senso comum se dá por meio de uma assimilação espontânea de 
informações, ou seja, por meio de nossas experiências cotidianas e não se baseia em métodos ou objetivos cien-
tíficos. No entanto, é importante para a Sociologia, pois constitui a realidade social por ela analisada. Em suma: a 
Sociologia analisa o senso comum e faz dele um objeto de estudo.
 Muitas atitudes rotineiras 
têm fundamentos 
científicos. O uso de 
plantas medicinais, prática 
habitual em tradições 
populares, favoreceu o 
estudo e a manipulação de 
medicamentos com base 
em substâncias naturais.
 • Sociologia é a ciência que estuda a sociedade e a 
relação entre seus membros. Ela possibilita a refle-
xão sobre os referenciais que orientam a maneira 
como lidamos com relações preestabelecidas de 
vivência em sociedade, muito embora nem sempre 
estejamos atentos a elas. 
 • Não apresenta pretensões intervencionistas (de 
revolução social), mas científicas e analíticas. 
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3Sociologia
Atividades
Problema de pesquisa
Exemplo: a inserção das mulheres no mercado de trabalho 
causou modificações na dinâmica e na configuração familiar?
Revisão de literatura
• Levantamento das principais pesquisas relacionadas à inserção 
da mulher no mercado de trabalho
 • Levantamento de pesquisas sobre a dinâmica 
e a configuração familiar
Formulação de hipóteses
A inserção das mulheres no mercado de trabalho teria propiciado 
novas dinâmicas familiares em virtude da redefinição dos papéis 
sociais do homem e da mulher no âmbito familiar 
Aplicação de métodos de pesquisa
• Quantitativos: questionários e comparações estatísticas
• Qualitativos: entrevistas abertas e pesquisa histórica
Interpretação e análise de dados
 • Análise e comparação dos dados levantados 
(quantitativos e qualitativos)
 • Confirmar ou confrontar as hipóteses iniciais com base na 
análise dos dados coletados 
Procedimento
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Procedimento
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Procedimento
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Procedimento
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Procedimento
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Imaginação sociológica 
Segundo Wright Mills, é a nossa capacidade de reflexão e de análise do cenário histórico mais amplo da sociedade e a 
de relacioná-lo à nossa vivência cotidiana. É o primeiro passo a fim de superar o senso comum e iniciar o caminho para o 
conhecimento sociológico. 
1. A Sociologia como ciência é uma maneira de estabelecer uma nova visão de mundo, das relações sociais e dos modos de 
vida. Dessa forma, ela nos auxilia a diferenciar as tradições e a desnaturalizar práticas que poderíamos considerar “eter-
nas” sem o auxílio das “lentes” de visão oferecidas por essa ciência. Sobre a especificidade do conhecimento sociológico, 
assinale a alternativa correta:
a) A Sociologia não enxerga a diferença entre o senso comum e o conhecimento científico, dotando ambos da mesma 
qualidade de aprofundamento da análise das questões do real.
b) O conhecimento científico é sempre considerado superior ao conhecimento advindo do senso comum.
c) Analisar o real por meio dos métodos, das técnicas e das teorias da Sociologia é a única maneira de alcançar um tipo 
específico de conhecimento: o científico. 
X d) Em se tratando de conhecimento científico e daquele resultante do senso comum, é necessário destacar que ambos 
têm suas especificidades e suas funções na sociedade. Logo, um não deve ser pensando isoladamente em relação ao 
outro. 
Método das ciências sociais: o que lhe confere especificidade em relação ao método das ciências naturais é o fato de os 
seres humanos atribuírem sentido às suas ações e, por isso, elas não podem ser isoladas em laboratório.
4 Livro de Revisão 1
2. (UFPR) A Sociologia é uma forma objetiva de interpreta-
ção dos processos sociais e da vida social. A objetividade 
da Sociologia requer do sociólogo a utilização – entre 
outros – de dois instrumentos fundamentais: uma teoria 
consistente e um método adequado. O que se entende 
por teoria e o que se entende por método nas Ciências 
Sociais?
Como nas outras ciências, as teorias são conjuntos de conceitos 
e categorias analíticas originadas de generalizações de 
fenômenos sociais e de hipóteses. Os métodos são os 
procedimentos efetivos de investigação científica, isto é, as 
formas de obter e relacionar entre si os fatos observados.
2. Surgimento da Sociologia
Contexto histórico
A Sociologia surgiu em meados do século XIX na Europa, em um contexto de transformações sociais que caracteriza-
ram a origem do mundo moderno. Manifestou-se como um instrumento de apreensão do real. 
Fatores histórico-sociais que influenciaram o surgimento da Sociologia:
 • Revolução Científica – iniciada no século XVI, demonstrou a possibilidade de rompimento com representações e 
conhecimento de caráter religioso. Valorizou o conhecimento adquirido pela observação empírica dos fatos. 
 • Iluminismo – corrente de pensamento que surgiu no século XVIII e que, em linhas gerais, colocou a razão como 
base promotora do progresso social. 
 • Revolução Francesa (1789-1799) – movimento decisivo na constituição da Sociologia e do seu alvo de análise: a 
contradição entre tradição e modernidade. Vale ressaltar que a ideia de liberdade e os valores iluministas – indivi-
dualismo e anticlericalismo – estão presentes na Declaração dos direitos do homem e do cidadão, que surgiu nesse 
contexto.
 • Revolução Industrial – iniciada em meados do século XVIII, promoveu uma transformação inédita das formas 
tradicionais de organização da vida social: o modo com que os vários sujeitos se entendiam em sociedade, esta-
belecendo, sobretudo, a possibilidade de mobilidade social. 
Sociologia de Auguste Comte
A Sociologia positiva de Auguste Comte (1798-1857) surgiu na França na primeira metade do século XIX, com o obje-
tivo de ordenar a sociedade que parecia estar cada vez mais desorganizada em virtude das transformações sociais pelas 
quais passava.
3. (UFPR) Durante muitos anos a Sociologia teve um certo 
desprezo pelo estudo da subjetividade, recusando-se a 
tomá-la como objeto de análise. Hoje, muitos sociólogos 
incorporam a subjetividade em suas análises. É correto 
afirmar que o estudo da subjetividade conquistou seu 
lugar na Sociologia porque:
a) os sociólogos começaram a estudar mais antropolo-
gia e psicologia.
b) o socialismo e a teoria das classes provaram sua ine-
ficácia histórica.
c) a sociedade contemporânea é mais individualista.
d) a sociedade contemporânea considera o indivíduo 
acima de tudo.
X e) a sociologia contemporânea introduziu emseu corpus 
teórico-metodológico a importância do sujeito e suas 
diversas formas de manifestação.
5Sociologia
A filosofia positivista veicula a ideia de que o reconhecimento da ordem e da sua manutenção poderia reorganizar a 
sociedade em caso de desestruturação. 
Conforme o pensamento de Comte, a estática social se fundamenta na ordem e investiga as forças que mantêm 
a coesão social, e a dinâmica social se fundamenta no progresso e estuda as transformações sociais e suas causas. 
Teoria dos Três Estados de Auguste Comte
Lei fundamental: toda forma de conhecimento da humanidade, em suas diversas fases, passaria necessariamente 
por três estados históricos. Cada um desses estados é considerado um “estágio evolutivo”.
ESTADO TEOLÓGICO 
OU FICTÍCIO
ESTADO METAFÍSICO 
OU ABSTRATO
ESTADO POSITIVO 
OU CIENTÍFICO
Recorre aos mitos e às histórias sagradas 
para explicar os fenômenos naturais. 
O estado teológico se preocupa em 
encontrar respostas absolutas para os 
problemas da sociedade.
Estágio de transição entre o teológico e 
o positivo. Os fenômenos são explicados 
por meio de forças ocultas ou entidades 
abstratas. No estado metafísico, há a 
preocupação em encontrar respostas por 
meio de especulação e argumentação 
entre as pessoas.
As afirmações devem ser empiricamente 
confirmáveis. Corresponde ao caminho 
que toda a ciência deve percorrer na 
busca de relações de causa e efeito e 
de regularidades; tem como objetivo a 
descoberta de leis científicas que podem, 
inclusive, determinar regras de ação no 
futuro. 
Influência do positivismo no Brasil
O positivismo de Comte chegou ao Brasil no século XIX. Influenciou o movimento 
republicano como um todo, bem como a conformação das leis e a organização do 
Estado brasileiro em torno do ideal de laicidade. Essa influência pode ser observada, 
principalmente, no lema estampado na bandeira nacional: “Ordem e Progresso”.
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1. A Sociologia surgiu como ciência especializada no 
decorrer do século XIX. Um de seus principais pensa-
dores desse período, Auguste Comte, foi o propagador 
de uma teoria que ficou conhecida como “positivismo”. 
Essas ideias não ficaram, contudo, limitadas somente à 
Europa, ou ao círculo intelectual europeu. Acerca disso, 
assinale a alternativa correta:
a) As ideias positivistas não tiveram tanta relevância 
assim no Brasil, sendo conhecidas, mas logo deixadas 
de lado.
b) As ideias positivistas chegaram tardiamente ao Brasil, 
após a Proclamação da República. 
Atividades
c) Os dizeres na bandeira brasileira “Ordem e Progresso” 
fazem referência indireta ao pensamento positivista.
X d) Tanto os dizeres da bandeira quanto o movimento repu-
blicano e o círculo de militares que, em grande medida, 
proclamou a República no Brasil, sofreram influência 
direta da sociologia positivista de Auguste Comte.
2. (UEL – PR) Leia o texto a seguir:
Até o século XVIII, a maioria dos campos de 
conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo de 
ciências, era ainda, como na Antiguidade Clássica, 
parte integral dos grandes sistemas filosóficos. A 
constituição de saberes autônomos, organizados 
6 Livro de Revisão 1
em disciplinas específicas, como a Biologia ou a 
própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou 
de outra, a progressiva reflexão filosófica, como a 
liberdade e a razão.
(Adaptado de: QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, 
M. G. M. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo 
Horizonte: UFMG, 2002. p. 12.) 
 Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da 
Sociologia, assinale a alternativa que apresenta, corre-
tamente, a relação entre conhecimento sociológico de 
Auguste Comte e as ideias iluministas.
a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social 
foi defendida pelo Iluminismo, que influenciou o 
Positivismo. 
X b) A crença na razão como promotora do progresso da 
sociedade foi compartilhada pelo Iluminismo e pelo 
Positivismo.
c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases 
teóricas da luta de classes para a formulação do 
Positivismo. 
d) O reconhecimento da validade do conhecimento teo-
lógico para explicar a realidade social é um ponto 
comum entre o Iluminismo e o Positivismo. 
e) Os limites e as contradições do progresso para a 
liberdade humana foram apontados pelo Iluminismo 
e aceitos pelo Positivismo. 
3. (UEG – GO) A sociologia nasce no séc. XIX após as revo-
luções burguesas sob o signo do positivismo elaborado 
por Augusto Comte. As características do pensamento 
comtiano são:
X a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natu-
reza é regida por leis naturais; as ciências humanas 
devem utilizar os mesmos métodos das ciências natu-
rais e a ciência deve ser neutra. 
b) a sociedade humana atravessa três estágios suces-
sivos de evolução: o metafísico, o empírico e o teoló-
gico, no qual predomina a religião positivista. 
c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrá-
rio das ciências naturais, não pode ser neutra porque 
tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão 
envolvidos reciprocamente.
d) o processo de evolução social ocorre por meio da 
unidade entre ordem e progresso, o que necessaria-
mente levaria a uma sociedade comunista.
4. (UNIOESTE – PR) A filosofia da História – o primeiro tema 
da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo 
próprio Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha 
o objetivo de mostrar porque o pensamento positivista 
deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei dos Três 
Estados” formulada por Comte, é correto afirmar que
a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas 
as ciências e o espírito humano se desenvolvem na 
seguinte ordem em três fases distintas ao longo da 
história: a positiva, a teológica e a metafísica. 
b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempe-
nha um papel de primeiro plano no estado teológico. 
O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma 
etapa posterior ao estado positivo. 
c) o estado teológico, segundo está formulado na “Lei 
dos Três Estados”, não tem o poder de tornar a socie-
dade mais coesa e nenhum papel na fundamentação 
da vida moral.
X d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três 
Estados” como o momento em que a observação pre-
valece sobre a imaginação e a argumentação, e na 
busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis.
e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com 
o estado teológico, pois somente o estado metafísico 
procura soluções absolutas e universais para os pro-
blemas do homem.
5. (UNIMONTES – MG) A confiança na razão e na capacidade 
de o conhecimento levar a humanidade a um patamar 
mais alto de progresso, regenerando o mundo através 
da conquista da natureza e promovendo a felicidade aqui 
na terra, tornou-se bandeira e símbolo do movimento de 
crítica cultural que é conhecido como Iluminismo. É esse 
movimento de ideias – que alcança seu ponto culminante 
com a Revolução Francesa e o novo quadro sociopolítico 
por ela configurado – que terá um impacto decisivo na 
formação da Sociologia e na definição de seu principal 
foco: o conflito entre o legado da tradição e as forças da 
modernidade. São aspectos desse debate, EXCETO
a) A ideia de liberdade passou a conotar emancipação 
do indivíduo da autoridade social e religiosa, a con-
quista de direitos e a autonomia frente às instituições.
b) A burguesia europeia ilustrada acreditava que a ação 
tradicional traria ordem ao mundo, sendo a desordem 
um mero resultado da ignorância. Educados, os seres 
humanos seriam bons e iguais, salvaguardados pela 
tradição.
7Sociologia
c) A ideia de que o progresso era uma lei inevitável 
que governava as sociedades se consolida e vem a 
manifestar toda a sua força no pensamento social do 
século 19, atuando diretamente sobre os primeiros 
teóricos da Sociologia.
X d) Na busca de explicações sobre a origem, a natureza e 
os possíveis rumos que tomariam as sociedades em 
vias de transformação emergiram vários temas que 
vieram a fazer parte também do elenco de questõesque a Sociologia passou a discutir.
6. (UEM – PR) Sobre os fatores relacionados ao surgimento 
da Sociologia, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 
X 01) A Revolução Científica, iniciada no século XVI, ao 
propor a substituição da razão teológica pelo conhe-
cimento derivado de evidências empiricamente 
observáveis, contribuiu para que a organização 
social deixasse de ser entendida como um dado 
natural ou desígnio divino e passasse a ser objeto de 
questionamentos.
 02) A Sociologia surge no contexto das Revoluções 
Democráticas do século XVIII como um instrumento 
de recomposição da ordem monárquica abalada 
pela crítica à legitimidade teológica das lideranças 
políticas. 
X 04) A Revolução Industrial acarretou uma série de pro-
blemas sociais, sendo a maioria decorrente da sig-
nificativa concentração da população nas cidades ao 
redor das nascentes indústrias. A necessidade de 
compreensão dessa nova experiência urbana impul-
sionou decisivamente o surgimento da Sociologia. 
 08) A Reforma Protestante, com a crítica ao dogma cató-
lico e a defesa da razão técnica, favoreceu a proposi-
ção de uma ciência objetiva da sociedade. 
X 16) As Revoluções Democráticas do século XVIII, ao 
questionarem as monarquias baseadas em princí-
pios teocráticos, atribuíram aos homens a tarefa de 
construir sua própria ordem social, segundo seus 
anseios e necessidades. Com isso, favoreceram o 
surgimento de uma ciência da sociedade que teria 
a função de apontar caminhos para a resolução dos 
problemas sociais. 
 Somatório: 21 (01 + 04 + 16)
7. (UNICENTRO – PR) Para Augusto Comte, uma das fun-
ções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis 
sociais que conduzissem o progresso da humanidade. 
 Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo 
autor, é correto afirmar: 
a) O estágio teológico nega a existência de apenas uma 
explicação divina para os fenômenos naturais e sociais. 
X b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, 
porque se sustenta nos métodos científicos. 
c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teoló-
gico e pelo científico, que é o mais elaborado. 
d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, 
em que conceitos abstratos explicam o mundo. 
e) A Europa exemplificava uma sociedade em estado de 
desenvolvimento teológico.
8. (UEL – PR) A Sociologia é uma ciência moderna que 
surge e se desenvolve juntamente com o avanço do ca-
pitalismo. Nesse sentido, reflete suas principais transfor-
mações e procura desvendar os dilemas sociais por ele 
produzidos. Sobre a emergência da Sociologia, considere 
as afirmativas a seguir.
 I. A Sociologia tem como principal referência a explica-
ção teológica sobre os problemas sociais decorrentes 
da industrialização, tais como a pobreza, a desigual-
dade social e a concentração populacional nos cen-
tros urbanos. 
 II. A Sociologia é produto da Revolução Industrial, sen-
do chamada de “ciência da crise”, por refletir sobre 
a transformação de formas tradicionais de existência 
social e as mudanças decorrentes da urbanização e 
da industrialização.
 III. A emergência da Sociologia só pode ser compreendi-
da se for observada sua correspondência com o cien-
tificismo europeu e com a crença no poder da razão 
e da observação, enquanto recursos de produção do 
conhecimento. 
 IV. A Sociologia surge como uma tentativa de romper 
com as técnicas e métodos das ciências naturais, na 
análise dos problemas sociais decorrentes das remi-
niscências do modo de produção feudal. 
 Estão corretas apenas as afirmativas: 
a) I e III. 
X b) II e III.
c) II e IV. 
d) I, II e IV. 
e) I, III e IV.
8 Livro de Revisão 1
3. Socialização: o indivíduo em sociedade
Processo de socialização 
No processo de socialização e na constituição da identidade dos indivíduos, os aspectos biológico e social atuam 
mutuamente. No entanto, o indivíduo só é capaz de desenvolver suas capacidades predispostas quando entra em contato 
com outros indivíduos mais experientes.
A capacidade de viver em sociedade pode até ser inata ao ser humano, mas ela só emerge e se desenvolve a partir 
do momento em que este ser humano efetivamente vive em sociedade.
Instituições sociais
 • A sociedade é composta de várias instituições. Elas são responsáveis pela organização das regras e dos valores que 
possibilitam a convivência dos indivíduos em sociedade e estabelecem os papéis sociais. 
 • É por meio da socialização que o indivíduo passa de “ser individual” para “ser social”. A socialização ocorre em duas 
etapas: socialização primária e socialização secundária.
Socialização primária
 • A socialização primária ocorre, notadamente, na família, sendo esta a primeira instituição social com a qual o sujeito 
tem contato. Corresponde, assim, ao primeiro mundo, no qual o indivíduo é adaptado ao contexto social. 
 • A família representa a principal instituição social com 
base na qual a criança tem contato com as tradições pre-
viamente estabelecidas e consolidadas.
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 Para o indivíduo, a socialização primária tem 
valor mais relevante, pois corresponde à 
estrutura básica de formação do ser social. 
A família facilita o ingresso do indivíduo 
nas práticas sociais por meio da reprodução 
de hábitos e costumes legitimados pela 
sociedade. 
Socialização secundária
Pode ocorrer paralelamente ou não à socialização primária. A socialização secundária se caracteriza por um contato 
maior com as demais instituições sociais, grupos e tradições, para além da família. Os novos mundos e as novas influências 
dessas instituições e grupos podem induzir o indivíduo a trilhar caminhos diferentes daqueles estabelecidos pela institui-
ção familiar. 
 • Instituição escolar na formação dos indivíduos – a escola é a principal instituição responsável pela socialização 
secundária dos indivíduos, pois atua em dois aspectos fundamentais do processo de socialização e da construção 
da identidade: na transmissão dos valores e das normas previamente legitimadas pela estrutura social vigente e na 
formação profissional dos indivíduos.
9Sociologia
 • Trabalho e socialização – o trabalho assume uma dimen-
são socializadora relevante na vida do indivíduo, uma vez 
que engloba diferentes aspectos da vida humana: remu-
neração, satisfação social e constituição de identidade.
 • Papel das mídias na formação dos indivíduos – as mídias 
são todo o conjunto de suportes criados pela sociedade 
para estabelecer a comunicação. Além de encetarem uma 
relação entre os indivíduos, também se relacionam com 
bens de consumo e valores instituídos socialmente. 
 • Instituição religiosa na socialização – as religiões formam e 
são formadas por um sistema de crenças que estabelecem 
valores importantes para a vivência em sociedade. 
 A Campus Party, evento criado em 2008 em São Paulo, 
é voltada para a comunidade geek, ou seja, àqueles 
aficcionados em tecnologia e interatividade na internet. 
Imagem da 7ª edição da Campus Party Brasil, realizada no 
Parque Anhembi, 2016.
Atividades
1. (UEM – PR) Considerando as análises sociológicas sobre 
a construção social dos gostos e dos estilos de vida, as-
sinale o que for correto: 
01) O gosto e o estilo de vida refletem determinadas 
capacidades inatas de cada indivíduo, o que sig-
nifica que a escola e a família não têm um papel 
significativo em seu desenvolvimento. 
02) As diferenças biológicas entre homens e mulheres 
se manifestam no gosto e na sensibilidade, por isso 
as mulheres teriam maior facilidade em aprender 
conteúdos estéticos. 
X 04) O gosto e as práticas culturais são o resultado de 
condições de socialização que as pessoas aprendem 
e incorporam ao longo de suas vidas.
08) O gosto não se discute na Sociologia, pois se trata 
de uma questão subjetiva ou pessoal que a ciência 
não consegue estudar objetivamente. 
X 16) Gostos e estilos de vida não apenas diferenciam 
as pessoas, como também indicam suas diferen-
tes posições sociais nahierarquia das relações de 
poder. 
 Somatório: 20 (04 + 16)
2. (UEM – PR) Sobre as instituições responsáveis pelos 
processos de socialização dos indivíduos, assinale o que 
for correto.
01) A família deixou de ser uma instituição de socia-
lização primária relevante, pois no século XXI não 
transmite mais as habilidades necessárias para o 
agir em sociedade.
X 02) A escola é responsável pela socialização secun-
dária dos indivíduos, atuando tanto na formação 
profissional dos estudantes quanto na transmissão 
de valores e normas compatíveis com a estrutura 
social vigente. 
X 04) Os grupos de colegas e amigos formados na ado-
lescência e na juventude podem ser definidos 
como instituições de socialização importantes, 
pois desempenham papel cada vez mais relevante 
no processo de formação das identidades sociais. 
08) Os meios de comunicação, apesar de cada vez 
mais presentes na vida moderna, não interferem 
no processo de socialização primária e secundá-
ria, pois a exposição aos seus conteúdos sempre 
é mediada e controlada pela família e pela escola.
16) O processo de socialização se encerra no final da 
juventude, não se estendendo pela vida adulta. 
Nessa etapa da vida individual adulta, as habili-
dades e valores necessários para viver em socie-
dade já estão de tal forma cristalizados que não 
podem mais ser alterados.
 Somatório: 06 (02 + 04)
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10 Livro de Revisão 1
3. (UFPA) Pode-se dizer que as diferenças culturais exis-
tentes na humanidade são explicadas e compreendidas, 
entre outros fatores, por meio de seus processos de so-
cialização. A escola é um importante espaço desse pro-
cesso porque:
a) proporciona a educação formal, que é um instrumen-
tal relevante na manutenção das realidades sociocul-
turais, uma vez que apenas os membros mais velhos 
de uma dada sociedade determinam o modo de ser, 
agir e pensar das novas gerações. 
X b) é possível perceber, no universo da sala de aula, o cará-
ter formal e informal da educação, pois alunos e pro-
fessores trazem consigo uma bagagem cultural que se 
manifesta espontaneamente e em situações diversas. 
c) transmite modelos sociais de comportamento homo-
gêneo, uma vez que as diferenças sociais e culturais 
entre as pessoas garantem o dinamismo neste pro-
cesso educativo. 
d) busca ampliar ações afirmativas por meio do diálogo 
com outras identidades, ou seja, o interculturalismo, 
baseando-se na eliminação das diferenças sociocul-
turais e reforçando conflitos e disputas pela manuten-
ção ou ampliação de poder.
e) aprender e ensinar aspectos culturais são processos 
que se manifestam em momentos e lugares especí-
ficos da educação formal, como é o caso do que se 
processa nas escolas e universidades. 
4. (UEM – PR) Considerando seus conhecimentos sobre 
os processos de socialização, assinale a(s) alternativa(s) 
correta(s).
01) As redes de amizade não podem ser consideradas 
agentes de socialização, uma vez que, para ter ami-
gos, é necessário aos seres humanos já estarem 
plenamente integrados à vida social. 
X 02) A comunicação humana é um dos elementos de 
socialização. Ela é o produto e também um meio de 
interação social. Ela depende, em grande parte, da 
capacidade de imaginar e de se colocar no lugar do 
outro para entender o ato comunicativo. 
04) A socialização é um processo restrito à infância. Os 
papéis sociais aprendidos nos primeiros anos de 
vida são os que permanecem e se reproduzem nas 
instituições sociais. 
X 08) É possível dizer que a socialização começa logo 
após o nascimento. Ao chorarem, por exemplo, as 
crianças interagem com os pais, que lhes provi-
denciam alimento, consolo ou afeição. Tanto para 
a Sociologia quanto para a Psicologia, esses são os 
primeiros movimentos em direção à construção do 
self, um conjunto de atitudes e de ideias sobre a 
própria existência e sobre a relação com os outros. 
16) Apenas relações face a face podem ser considera-
das relevantes nos processos de socialização. Os 
meios de comunicação de massa ou as recentes 
tecnologias digitais, embora muitas vezes chama-
dos de interativos, não caracterizam formas signifi-
cativas de socialização. 
 Somatório: 10 (02 + 08)
4. Educação e sociedade: a instituição escolar 
Origens da escola tradicional
 • O contexto do surgimento da escola semelhante ao modelo atual data dos séculos XVIII e XIX, período marcado 
pelo movimento iluminista e pela ascensão da burguesia. Seus representantes foram os primeiros defensores da 
educação estatal e laica. 
 • Na sua origem, a escola representa um microcosmo do mundo do trabalho e da vida na indústria que caracteriza a 
sociedade industrial em ascensão nos séculos XVII e XVIII.
 • Émile Durkheim (1858-1917) foi o primeiro sociólogo a refletir sobre os deveres da educação na conformação 
social. Sua definição de “realidade positiva dos fatos sociais” nos ajuda a entender sua reflexão sobre o papel da 
educação. Os fatos sociais consistem em maneiras de agir, pensar e sentir, mas que são exteriores aos indivíduos, 
exercendo sobre eles uma ação coercitiva. Segundo Durkheim, cabe à escola formar o indivíduo, transmitindo-lhe 
as regras sociais por meio da reprodução de hábitos e valores.
11Sociologia
Transformações sociais e tecnológicas na cultura escolar 
Com o passar do tempo – e com o desenvolvimento de teorias que criticavam o modelo industrial escolar –, a escola 
passou a funcionar em uma lógica de formação do cidadão autônomo. Na atualidade, a escola perdeu a centralidade em 
prol do surgimento e da expansão das tecnologias da comunicação e das novas mídias e da atuação de outras instituições 
no processo de socialização do indivíduo.
A escola na formação dos indivíduos
Pierre Bourdieu (1930-2002), sociólogo francês, define a escola como um mecanismo de reprodução das desigualda-
des sociais. Bourdieu concebe a sociedade como um sistema hierarquizado de poder e privilégios resultantes das relações 
materiais e simbólicas. Os indivíduos ocupam diferentes lugares na sociedade, o que acarreta uma distribuição desigual de 
recursos e/ou poderes a esses indivíduos, que correspondem a diferentes tipos de capital:
 • capital econômico – renda, salários, imóveis;
 • capital cultural – saberes e conhecimentos transmitidos no âmbito familiar e reconhecidos e legitimados no 
âmbito escolar formal;
 • capital social – relações sociais que auxiliam o indivíduo a ter ligações estáveis e úteis;
 • capital simbólico – prestígio ou honra adquiridos por um indivíduo. 
Arbitrário cultural da instituição escolar: Bourdieu verifica a existência de uma relação intrínseca entre a cultura 
escolar e a cultura dos grupos sociais dominantes, o que provoca um descompasso entre o que é exigido pelas escolas e 
o capital cultural acumulado pelos grupos populares. Para ele, o sistema de ensino tende a perpetuar a desigualdade de 
acesso ao capital cultural. 
Escola: espaço de reprodução ou de emancipação social? 
 • A escola também pode atuar como um espaço de convivência com a diversidade.
 • Na medida em que trabalha para a formação do cidadão, a escola forma sujeitos que podem auxiliar na diminuição 
das desigualdades sociais por conseguirem desenvolver uma visão mais ampla e crítica da sociedade do que pos-
sivelmente teriam caso nunca tivessem frequentado uma escola.
 O surgimento da escola tradicional estava relacionado aos interesses da burguesia em ascensão. Essa instituição se caracterizava pelo 
desenvolvimento do ensino massificado com a imposição do poder disciplinar sobre os alunos, padronizando os modos de agir dos 
indivíduos e introduzindo o tempo cronológico em sua rotina.
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12 Livro de Revisão 1
1. (UEM – PR) Leia o texto a seguir: 
O lado dramático e cruel da situação educacio-
nal brasileira está exatamente aí. O homem da 
camada social dominante tira proveito das defor-
mações de sua concepção de mundo. Ao manter a 
ignorância, preserva sua posiçãode mando, com 
os privilégios correspondentes. O mesmo não su-
cede com o homem do Povo. As deformações de 
sua concepção de mundo atrelam-no, indefinida-
mente, a um estado de incapacidade, miséria e 
subserviência. Transformar essa condição huma-
na, tão negativa para a sociedade brasileira, não 
poderia ser uma tarefa exclusiva das escolas. Todo 
o nosso mundo precisaria reorganizar-se, para 
atingir-se esse fim. No entanto, é sabido que as 
escolas teriam uma contribuição específica a dar, 
como agências de formação do horizonte intelec-
tual dos homens. 
(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. Educação e Sociedade no 
Brasil. In: TOMAZI, Nelson. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: 
Atual, 2007. p. 155-156.) 
 Considerando o que diz o trecho acima e as característi-
cas da “instituição escolar”, assinale o que for correto. 
01) A escola é a instituição social responsável por pro-
mover, por meio da reorganização intelectual das 
classes dominantes, a transformação social. 
X 02) As diferenças culturais existentes na sociedade de 
classes favorecem as camadas dominantes que 
encontram, na escola, o reforço e a valorização de 
conhecimentos já compartilhados no espaço familiar.
04) O homem do povo encontra, na escola, um espaço de 
valorização dos seus saberes, os quais se transfor-
mam em um componente fundamental de ingresso 
no mercado de trabalho na sociedade capitalista. 
08) Em uma sociedade de classes, os filhos das clas-
ses dominantes e populares desenvolvem, por meio 
da educação escolar, as mesmas competências e 
habilidades. 
X 16) Quando assumem a responsabilidade de agir sobre 
a formação intelectual humana, as escolas têm um 
alto potencial transformador. 
 Somatório: 18 (02 + 16)
2. Segundo Pierre Bourdieu, haveria, na sociedade, uma 
série de elementos de sentido e significados, dos quais 
os sujeitos poderiam lançar mão para desenvolver algo 
que ele chama de capital cultural. Acerca da categoria 
de capital cultural, assinale a alternativa correta:
a) Indivíduos que têm uma bagagem cultural mais 
ampla, acumulada por gerações, contariam com 
menos vantagens no processo competitivo de inser-
ção na sociedade.
b) O capital cultural não funciona diretamente como 
elemento facilitador da inserção do sujeito na lógica 
do mercado de trabalho.
X c) Capital cultural e instituição escolar estão intrin-
secamente ligados, levando o sujeito portador de 
maior capital cultural a se sair melhor nas tarefas 
escolares e, de certa forma, a alcançar o sucesso na 
sua carreira profissional e na corrida pela ascensão 
social.
d) A instituição escolar ofereceria condições igualitárias 
para todos os sujeitos envolvidos em sua prática cul-
tural e social, não havendo diferenciação nenhuma 
entre eles, concernente à maior detenção de capital 
cultural. 
3. Émile Durkheim, importante sociólogo francês, destaca 
o papel fundamental da instituição social “escola” no 
desenvolvimento e na legitimação da sociedade indus-
trial, em plena ampliação no decorrer do século XIX. 
Sobre tal instituição e a compreensão de Durkheim a 
respeito dela, assinale a alternativa correta:
a) Para Durkheim, a instituição escolar representava 
possibilidade de emancipação do sujeito social. 
X b) A escola funcionaria como um “microcosmo” da 
sociedade, sendo nela reproduzidas as lógicas exis-
tentes no trabalho na indústria.
c) A sociedade industrial não influenciava no modo 
como a escola funcionava. 
d) Escola e educação, para Durkheim, eram bas-
tante relevantes na confirmação e na legitimação 
das tradições e normas sociais, mas não gozavam 
de centralidade em suas preocupações enquanto 
sociólogo. 
13Sociologia
4. (UPE) Instituição social é definida pela Sociologia como um conjunto de relações sociais relativamente permanentes, 
que absorve valores e procedimentos comuns e atende às necessidades básicas da sociedade. A Educação é um 
exemplo de instituição social, cujo papel é o de socializar os indivíduos no grupo comunitário. Nesse contexto, NÃO é 
função da educação 
a) transmitir a herança cultural. 
b) promover mudanças por meio do engajamento na pesquisa. 
c) familiarizar os indivíduos com os vários papéis da sociedade. 
d) prover a preparação para os papéis ocupacionais e profissionais. 
X e) preparar os indivíduos para os papéis sociais exigidos exclusivamente pela família. 
5. Modernidade e trabalho: Émile Durkheim e 
Karl Marx 
Sociologia de Émile Durkheim: dos fatos sociais à coesão 
social 
Durkheim, assim como Auguste Comte, estabelece que a Sociologia deve ser capaz de elaborar as leis gerais que 
regem a sociedade por meio da análise de relações de causa e efeito.
Sociologia: a ciência que estuda os fatos sociais
Para Durkheim, a sociedade se sobrepõe ao indivíduo. Dessa forma, seríamos uma conformação dos vários elementos 
que estão além de nossa individualidade ou da nossa “consciência individual”. A sociedade, portanto, influencia total-
mente a constituição dos indivíduos. Logo, Durkheim define como objeto de estudo da Sociologia o fato social. 
Principais características do fato social: generalidade, exterioridade e coercitividade. Os fatos sociais consistem 
em maneiras de agir, de pensar, de sentir exteriores aos indivíduos e são dotados de um poder de coerção sobre a 
ação destes. O sociólogo, antes de iniciar sua pesquisa, deve abrir mão das suas pré-noções (senso comum). Ele 
deve assumir uma atitude de neutralidade em relação ao seu objeto de pesquisa.
Divisão do trabalho social: solidariedades orgânica e mecânica 
Segundo Durkheim, o que garante a unidade entre os indivíduos de uma sociedade é a solidariedade social, que se 
dá por meio da consciência coletiva. Esta se sobrepõe à consciência individual, pois forma os valores, as maneiras de agir, 
os sentimentos comuns dos indivíduos, consagrando-os como parte integrante da coletividade. 
14 Livro de Revisão 1
Solidariedade mecânica
Caracteriza as sociedades mais simples (tribos, clãs) que não 
apresentam uma complexa divisão social do 
trabalho. Seus membros compartilham das mesmas noções e 
valores sociais (crenças religiosas e interesses materiais). Essas 
sociedades têm uma consciência coletiva 
mais acentuada.
Solidariedade orgânica
Caracteriza as sociedades mais complexas, que apresentam 
uma divisão do trabalho mais elaborada (diferentes profissões 
e atividades industriais diversificadas). Nessas sociedades, 
a consciência individual é mais pronunciada do que a cons-
ciência coletiva. O crescimento da divisão do trabalho social 
corresponde a um aumento no grau de interdependência dos 
indivíduos. Nesse sentido, a divisão do trabalho social é 
responsável pela coesão da sociedade.
Divisão do 
trabalho social
Consciência 
coletiva
Consciência 
coletiva
Divisão do 
trabalho social
Contribuições de Karl Marx: uma análise da sociedade 
capitalista
 O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) desenvolveu a teoria do materialismo histórico. De acordo com essa teoria, 
as relações sociais se baseiam nas relações materiais estabelecidas pelos seres humanos e pelo modo como produzem 
seus meios de subsistência.
Segundo Marx, a riqueza nas sociedades capitalistas aparece como uma imensa coleção de mercadorias, sendo a mer-
cadoria individual sua forma mais simples. Ao analisar a mercadoria, Marx identifica sua dupla forma de existência: 
 • Valor de uso – por meio das propriedades da mercadoria, tem a função de satisfazer as necessidades gerais dos 
indivíduos e só se realiza no consumo. 
 • Valor de troca – aparece como uma proporção, como uma relação entre quantidades. Essa quantidade comum 
a todas as mercadorias corresponde ao tempo de trabalho necessário que foi empregado na sua produção. O 
dinheiro é a forma equivalente com o qual os trabalhos intrínsecos à mercadoria podem ser trocados.
Marx também considera a força de trabalho uma mercadoria. Aqueles que não detêm os meios para produzir suas 
próprias mercadorias necessitam vender sua força de trabalho em troca deum salário. Durante o processo de trabalho, 
o operário produz um excedente, não remunerado, que é apropriado pelo empregador na forma de mais-valia (trabalho 
não pago). 
Sua análise sobre a esfera da produção desmitifica a ideia de igualdade veiculada pela sociedade capitalista. Se a com-
pra e a venda de trabalho aparecem como uma mera relação de troca de equivalentes, é na esfera da produção que se 
verifica a mais-valia que fundamenta a desigualdade entre as classes sociais. 
Marx defende a transitoriedade da sociedade capitalista por meio do desenvolvimento das forças produtivas, da trans-
formação das relações de produção, da intensificação da luta de classes e dos conflitos que conduziriam à revolução social. 
Ele considera que a ação política dos trabalhadores originará uma nova sociedade. Com o controle do Estado, os trabalha-
dores iniciariam a socialização dos meios de produção, extinguindo a propriedade privada. Essa etapa seria caracterizada 
como socialista. A etapa subsequente, a comunista, representaria o fim das desigualdades sociais e econômicas, bem 
como a dissolução do Estado.
15Sociologia
1. (UNICENTRO – PR)
Durkheim presenciou algumas das mais im-
portantes criações da sociedade moderna, como 
a invenção da eletricidade, do cinema, dos car-
ros de passeio, entre outros. No seu tempo, havia 
um certo otimismo causado por essas inven-
ções, mas Durkheim também percebia entraves 
nessa sociedade moderna: eram os problemas de 
ordem social.
(Sociologia/vários autores. Curitiba: SEED-PR, 2006. p. 33.) 
 Considerando a teoria sociológica elaborada por esse 
autor e seu estudo sobre a divisão do trabalho social, 
assinale qual alternativa está correta. 
a) Para Durkheim, a divisão do trabalho é antes de 
tudo um conceito que explica as desigualdades na 
moderna sociedade capitalista.
b) A divisão do trabalho social para Durkheim expressa 
a contradição existente entre as diferentes funções da 
sociedade como um todo. 
X c) Para Durkheim, a divisão do trabalho social resulta 
das relações de cooperação entre as diferentes ativi-
dades sociais que integram a sociedade. 
d) Para Durkheim, a divisão do trabalho permite perce-
ber como cada função social só se realiza na sua rela-
ção de conflito com uma outra função social. 
e) Para Durkheim, só podemos entender a divisão do 
trabalho social se buscamos entender como são regu-
lamentadas as classes produtivas.
2. (UEL – PR) A cidade desempenha papel fundamental 
no pensamento de Émile Durkheim, tanto por exprimir 
o desenvolvimento das formas de integração quanto 
por intensificar a divisão do trabalho social a ela liga-
da. Com base nos conhecimentos acerca da divisão 
do trabalho social nesse autor, assinale a alternativa 
correta. 
a) A crescente divisão do trabalho com o intercâmbio 
livre de funções no espaço urbano torna obsoleta a 
presença de instituições. 
X b) A solidariedade orgânica é compatível com a socie-
dade de classes, pois a vida social necessita de tra-
balhos diferenciados. 
Atividades
c) Ao criar seres indiferenciados socialmente, o “homem 
massa”, as cidades recriam a solidariedade mecânica 
em detrimento da solidariedade orgânica. 
d) O efeito principal da divisão do trabalho é o aumento 
da desintegração social em razão de trabalhos parce-
lares e independentes. 
e) O equilíbrio e a coesão social produzidos pela cres-
cente divisão do trabalho decorrem das vontades e 
das consciências individuais.
3. (UEM – PR)
O devoto, ao nascer, encontra as crenças e as 
práticas da vida religiosa; existindo antes dele, é 
porque existem fora dele. O sistema de sinais de 
que me sirvo para exprimir meus pensamentos, o 
sistema de moedas que emprego para pagar as dí-
vidas, os instrumentos de crédito que utilizo nas 
minhas relações comerciais, as práticas seguidas 
na profissão etc. funcionam independentemente 
do uso que delas faço. 
(DURKHEIM, E. As regras do método. São Paulo: Editora Nacional, 
1974. p. 2.) 
 Considerando a citação e a teoria sociológica de 
Durkheim, assinale o que for correto. 
X 01) Conforme Durkheim, a Sociologia pode ser definida 
como uma ciência que estuda a gênese, a duração 
e o funcionamento dos comportamentos coletivos 
instituídos pela sociedade. 
X 02) Segundo Durkheim, os “fatos sociais” são fenôme-
nos coletivos que exercem sobre o indivíduo uma 
coerção exterior que influencia suas maneiras de 
agir, de pensar e de sentir. 
04) Da perspectiva durkheimiana, os “fatos sociais” são 
fenômenos subjetivos ou psicológicos que depen-
dem da vontade e do desejo individual das pessoas 
para que possam aparecer na sociedade. 
X 08) De acordo com Durkheim, as “representações cole-
tivas” constituem uma das expressões dos fatos 
sociais, pois compreendem os modos como a socie-
dade vê a si mesma e ao mundo que a envolve. 
X 16) Para Durkheim, a educação escolar é um momento 
importante de socialização, no qual as novas 
16 Livro de Revisão 1
gerações são levadas a internalizar regras, valores 
e maneiras de ser que são exigidas pela sociedade. 
 Somatório: 27 (01 + 02 + 08 + 16)
4. (UFPA) Uma das importantes preocupações sociológicas 
é a questão a respeito dos fatores que tornam possí-
vel a existência e a evolução das sociedades. A ideia 
de “conflito” assume uma posição contraditória por ser 
considerado ora como “motor das transformações”, ora 
como fator que “deixa a sociedade estagnada” e impe-
de a evolução. Em relação às consequências do conflito 
para sociedade, é CORRETO afirmar: 
a) Para Karl Marx, o regime capitalista é capaz de pro-
duzir cada vez mais. A despeito desse aumento das 
riquezas, a miséria continua sendo a sorte da maioria. 
Essa contradição irá gerar conflitos que, mais cedo ou 
mais tarde, desencadearão um processo de reforma da 
sociedade que a reorganizará com critérios científicos. 
X b) Para Karl Marx, a supressão das contradições de 
classe deve levar logicamente ao desaparecimento do 
Estado, pois este é um dos subprodutos ou a expres-
são dos conflitos sociais. 
c) O marxismo exclui a possibilidade de haver um para-
lelismo entre o desenvolvimento das forças produ-
tivas, a transformação das relações de produção, a 
intensificação da luta de classes e dos conflitos que 
marcam a marcha para a revolução. 
d) Durkheim diz que os conflitos entre trabalhadores e 
empresários demonstram a falta de organização ou a 
anomia parcial da sociedade moderna, que deve ser 
corrigida com uma revolução do proletariado, que res-
taure o consenso social. 
e) Durkheim acredita que a forma como os indivíduos se 
organizam socialmente para produzir determina a sua 
visão de mundo. Ou seja, ele acredita que não é a cons-
ciência dos homens que determina a realidade, mas, 
ao contrário, é a realidade social e principalmente seus 
conflitos que determinam a consciência coletiva. 
5. (UFPA) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx identi-
ficam imperfeições na sociedade industrial capitalista, 
embora cheguem a conclusões bem diferentes: para o 
positivismo de Comte, os conflitos entre trabalhadores 
e empresários são fenômenos secundários, deficiên-
cias, cuja correção é relativamente fácil, enquanto, para 
Karl Marx, os conflitos entre proletários e burgueses 
são o fato mais importante das sociedades modernas. 
A respeito das concepções teóricas desses autores, é 
CORRETO afirmar: 
X a) Comte pensava que a organização científica da socie-
dade industrial levaria a atribuir a cada indivíduo um 
lugar proporcional à sua capacidade, realizando-se 
assim a justiça social.
b) Comte considera que, a partir do momento em que 
os homens pensam cientificamente, a atividade prin-
cipal das coletividades passa a ser a luta de classes 
que leva necessariamente à resolução de todos os 
conflitos. 
c) Marx acredita que a história humana é feita de con-
sensos e implica, por um lado, o antagonismo entre 
opressores e oprimidos; por outro lado, tende a uma 
polarização em dois blocos: burgueses e proletários. 
d) Para Karl Marx, o caráter contraditóriodo capitalismo 
se manifesta no fato de que o crescimento dos meios 
de produção se traduz na elevação do nível de vida 
da maioria dos trabalhadores, embora não elimine as 
desigualdades sociais. 
e) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx concordam 
que a sociedade capitalista industrial expressa a pre-
dominância de um tipo de solidariedade, que classifi-
cam como orgânica, cujas características se refletirão 
diretamente em suas instituições. 
6. (UEL – PR) O dinheiro alterou enormemente as relações 
sociais e, no desenvolvimento da história econômica da 
sociedade, atingiu o seu ápice com o modo de produção 
capitalista. Com base nos conhecimentos sobre os estu-
dos de Karl Marx, assinale a alternativa que apresenta, 
corretamente, as explicações sobre a produção da rique-
za na sociedade capitalista. 
a) A mercantilização das relações de produção e de 
reprodução, por intermédio do dinheiro, possibilita a 
desmistificação do fetichismo da mercadoria. 
b) Enquanto mediação da relação social, o dinheiro 
demonstra as particularidades das relações entre 
indivíduos, como as políticas e as familiares. 
c) O dinheiro tem a função de revelar o valor de uso das 
mercadorias, ao destacar a valorização diferenciada 
entre os diversos trabalhos. 
d) O dinheiro é um instrumento técnico que facilita as 
relações de troca e evidencia a exploração contida no 
trabalho assalariado.
X e) O dinheiro caracteriza-se por sua capacidade de 
expressar um valor genérico equivalente, intercam-
biável por qualquer outro valor. 
17Sociologia
6. Indivíduo e Modernidade: Max Weber e 
Georg Simmel
A sociologia compreensiva de Max Weber
Max Weber (1864-1920) também é considerado um dos fundadores da Sociologia. Para Weber, a sociedade resulta da 
interação entre os indivíduos. Para ele, a realidade social é infinita e o objeto da Sociologia constitui apenas um fragmento 
dessa realidade. Diante da impossibilidade de compreensão da totalidade social, Weber elabora um conceito para ajudar 
o sociólogo a “recortar” essa realidade. Esse conceito é chamado de tipo ideal e ele permite que o sociólogo escolha os 
elementos mais relevantes a serem analisados. 
A ideia central da Sociologia de Weber é a ação social, 
ou seja, todo comportamento cuja origem depende da 
reação de outros indivíduos envolvidos nessa ação. Por 
meio dos valores sociais e da sua motivação, o indivíduo 
dá sentido à ação social. Os tipos ideais, que funcio-
nam como modelos, foram empregados por Weber nas 
definições: 
• Ação social racional com relação a fins – a con-
duta é motivada por um objetivo previamente definido 
(o engenheiro que constrói uma estrada).
• Ação social racional com relação a valores – a 
conduta é motivada pelos valores (ir à missa aos 
domingos, torcer para um time de futebol).
• Ação social afetiva – a conduta é motivada por sen-
timentos (paixão, vingança, medo, revolta).
• Ação social tradicional – a conduta é motivada por 
costumes e hábitos (viajar nas férias, utilizar talheres 
para comer). 
 As pessoas que adotam hábitos de vida 
veganos, vinculados à defesa ética dos direitos 
dos animais, manifestam uma ação social 
racional com relação a valores.
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Weber também analisa o Estado moderno, que é a instância social que reivindica o monopólio e o uso legítimo da 
força e da violência. Está caracterizado pela racionalização do mundo, que substituiu os dogmas e as tradições religiosas 
pela lógica capitalista (ação com relação a fins). Assim, a burocratização também está presente no Estado (na adminis-
tração pública, nas empresas privadas, na política e nas instituições religiosas). A burocracia é caracterizada por funções 
e tarefas que são estabelecidas de maneira rígida e hierárquica. Os membros da burocracia (o corpo burocrático) são 
selecionados por seu mérito.
Na obra A Ética protestante e o espírito do capitalismo, Weber analisa a relação de afinidade eletiva entre o protestan-
tismo, por meio do comportamento dos seus adeptos, e o capitalismo. Nesse sentido, os valores protestantes (propensão 
ao trabalho, poupança, ação voltada ao lucro) são valores que correspondem ao espírito (modo de ser) capitalista.
18 Livro de Revisão 1
Modernidade e vida nas metrópoles: analisando 
Georg Simmel
Georg Simmel (1858-1918) empregou modelos e/ou categorias analíticas para o estudo da realidade social, tal como 
Weber utilizou o conceito de tipo ideal para analisar a realidade social infinita e complexa. Simmel também se preocupou 
com as mudanças do ritmo das cidades ocasionadas pelas transformações na produção, elaborando, assim, o conceito de 
intensificação da vida nervosa: 
A cidade expõe os indivíduos a muitos estímulos. Ela é marcada por uma pluralidade de experiências. Para 
lidar com esses novos estímulos, ou seja, com a intensificação da vida nervosa, Simmel constata que os indivíduos 
desenvolvem a atitude blasé, isto é, aparentam uma postura insensível, e um comportamento que ele define como 
atitude de reserva. Esta se caracteriza por uma indiferença dos indivíduos em relação àquilo que não lhes diz res-
peito. Os indivíduos se fecham e se protegem dos estímulos exteriores e se distanciam das emoções cotidianas. 
1. (UEM – PR) Considerando as contribuições de Max Weber 
ao pensamento sociológico, assinale o que for correto: 
01) Ao estudar o protestantismo nos Estados Unidos, 
Weber observou o desenvolvimento de uma forma 
ideal de sociedade que soube valorizar o trabalho e 
criar um país perfeito para se viver. 
02) Segundo Weber, o papel da Sociologia não é o de 
compreender e explicar a ação social, mas o de 
interferir politicamente na sociedade para reduzir a 
violência e a pobreza. 
X 04) A Sociologia de Weber procura incluir o papel do 
indivíduo e a importância da ação social na com-
preensão da sociedade. 
X 08) Conforme Weber, as sociedades modernas vivencia-
ram processos de desencantamento e processos de 
racionalização do mundo, que modificaram a organi-
zação das relações de poder.
16) Para Weber, o fim da religiosidade nas sociedades 
modernas é o resultado da degeneração moral das 
pessoas, que só pensam no lucro e deixam de se 
preocupar com causas sociais. 
 Somatório: 12 (04 + 08)
2. Georg Simmel pode ser entendido como um dos primeiros 
sociólogos a se preocupar com a situação da vida huma-
na em uma grande metrópole. Em sua empreitada, ele 
desenvolveu as categorias de atitude blasé e atitude de 
reserva. Sobre elas, é correto afirmar que:
X a) O sujeito humano, bombardeado com tantos estímu-
los em sua convivência em uma metrópole, termina 
por desenvolver uma atitude de indiferença frente a 
muitas coisas em seu cotidiano. Simmel chama isso 
de atitude blasé. 
b) Toda vez em que saímos de casa, somos interpelados 
por necessidades, nossas e de outros, as quais, caso 
demonstremo-nos sensíveis a todas elas, podem nos 
causar desconforto e muito desestímulo. Mesmo assim, 
não é possível afirmar que isso cause qualquer altera-
ção em nosso modo de nos relacionar com o ambiente.
c) Uma atitude de reserva se caracteriza por uma ati-
tude de resguardo, quase não sendo observável em 
cidades grandes ou metrópoles, uma vez que é mais 
comum em cidades pequenas.
d) Georg Simmel viveu em uma Alemanha que não pas-
sou por grandes transformações. Logo, não é possível 
associar sua interpretação da sociedade com aquela 
em que ele mesmo viveu.
3. (UEL – PR) Leia o texto a seguir: 
Lembra-te de que tempo é dinheiro; aquele que 
pode ganhar dez xelins por dia por seu trabalho e 
vai passear, ou fica vadiando metade do dia, em-
bora não despenda mais do que seis pence duran-
te seu divertimento ou vadiação, não deve com-
putar apenas essa despesa; gastou, na realidade, 
ou melhor, jogou fora, cinco xelins a mais. 
(WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: 
Pioneira; Brasília: UnB, 1981. p. 29.) 
 O conselho de Benjamin Franklin é analisado por Max 
Weber (1864-1920) naobra A ética protestante e o 
19Sociologia
espírito do capitalismo. Com base nessa obra, assinale a 
alternativa que apresenta, corretamente, a compreensão 
weberiana sobre o sentido da conduta do indivíduo na 
formação do capitalismo moderno ocidental.
a) Tradicionalidade.
X b) Racionalidade. 
c) Funcionalidade. 
d) Utilitariedade. 
e) Organicidade.
4. Entre as teorias de Max Weber e Karl Marx, é possível 
encontrar aproximações e distanciamentos, conforme o 
contexto de cada um. Motivadas por questões muitas ve-
zes distintas, as ideias de Weber e Marx são considera-
das, mesmo assim, a base de uma sociologia que pensa 
a função da ação social do sujeito em sociedade. Sobre 
isso, é correto afirmar:
X a) Enquanto, para Marx, o sujeito seria fruto da ação de 
uma série de forças que estão para além dele (opri-
mindo-o), para Weber é a ação desse sujeito que con-
forma e dá sentido à sociedade.
b) Para Weber, a realidade já está completamente cheia 
de sentido e significado, o que torna a ação do sujeito 
meramente acessória, podendo ser dispensada.
c) A ação social do sujeito, tanto para Marx quanto para 
Weber, é importante apenas até certo ponto. Ambos 
concordam que existem forças superestruturais que, 
irremediavelmente, governarão as ações do sujeito 
em sociedade.
d) Para Marx, o capitalismo era um “mal necessário” e, 
por isso, não valeria a pena lutar contra ele, muito 
menos exigir mais igualdade entre as classes sociais.
7. Interpretações do Brasil: a construção da 
identidade nacional 
Construindo a identidade nacional 
A identidade nacional, como qualquer outro fator social, é historicamente construída. Pode-se, portanto, investigar 
em que momento histórico as identidades brasileiras foram formuladas e quais são suas características.
O Brasil de todas as raças: democracia racial, 
de Gilberto Freyre
Gilberto Freyre (1900-1987) é considerado o primeiro soció-
logo a propor uma leitura positiva da miscigenação na história do 
Brasil. Sua interpretação tem consequências diretas no tratamento 
político conferido à mestiçagem. Essa mestiçagem e a interpene-
tração de culturas garantem um “equilíbrio de antagonismos” por 
meio da harmonização dos conflitos. Esse equilíbrio origina a tese 
da “democracia racial”. 
Sua obra Casa-grande & senzala (1933) é um marco na aná-
lise da cultura brasileira. Neste ensaio, Freyre refuta a tese até 
então vigente que atribuía o atraso da sociedade brasileira à mis-
cigenação. A mestiçagem, resultante da miscigenação entre indí-
genas, africanos e portugueses, é para Freyre a marca distintiva 
da civilização brasileira. 
SÁ, Eduardo. Fundação da pátria brasileira. [ca. 1890]. 1 óleo sobre 
tela, color. Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
 Gilberto Freyre considerava a mistura racial entre africanos, 
europeus e ameríndios um dos traços mais marcantes da 
formação cultural e social brasileira. 
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20 Livro de Revisão 1
De acordo com Gilberto Freyre, a organização social brasileira foi construída em torno da família patriarcal e da inter-
penetração de culturas. A família patriarcal está centrada na figura masculina, do “pai”. Freyre caracteriza a família patriarcal 
como a célula da sociedade escravista colonial. Ela reúne nas suas dependências o trabalho, a economia e a sociabilização 
entre raças e culturas diferentes (o negro da senzala trabalha na casa do senhor).
Passado e futuro do Brasil: o homem cordial, de Sérgio 
Buarque de Holanda
Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é considerado, ao lado de Gilberto Freyre, um importante intérprete da socie-
dade e da cultura brasileiras. Ele oferece uma leitura dual entre a ética do aventureiro e a ética do trabalhador, conformando 
assim a diferença entre os tipos de colonização, a ibérica e a anglo-saxônica. 
Em sua obra, Raízes do Brasil, publicada em 1936, o autor elabora o conceito de homem cordial, um resultado da 
família patriarcal brasileira. O homem cordial é caracterizado como aquele indivíduo que não enxerga a separação entre 
público e privado, que considera o Estado como uma extensão da vida privada. Com isso, Sérgio Buarque faz uma análise 
crítica da formação social brasileira que se deu em torno da família patriarcal. Segundo essa análise, o desenvolvimento 
de uma sociedade industrializada e moderna no Brasil dependeria muito mais do rompimento com os aspectos culturais 
(cordialidade, personalismo e patrimonialismo) do que com os aspectos econômicos e/ou políticos. 
1. (UEL – PR) 
No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasi-
leiro aprovou o Estatuto da Igualdade Racial. Os 
senadores [...] suprimiram do texto o termo “for-
talecer a identidade negra”, sob o argumento de 
que não existe no país uma identidade negra [...]. 
“O que existe é uma identidade brasileira. Apesar 
de existentes, o preconceito e a discriminação não 
serviram para impedir a formação de uma socie-
dade plural, diversa e miscigenada”, defende o 
relatório de Demóstenes Torres. 
(Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: <http://www1.
folha.uol.com.br/cotidiano/751897-sem-cotas-estatuto-da-igualdade-
racial-e-aprovado-na-ccj-do-senado.shtml>. Acesso em: 16 jun. 
2010.)
 Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a 
questão da identidade, é correto afirmar:
a) A identidade nacional brasileira é fruto de um pro-
cesso histórico de realização da harmonia das rela-
ções sociais entre diferentes raças/etnias, por meio 
da miscigenação. 
b) A ideia de identidade nacional é um recurso discur-
sivo desenraizado do terreno da cultura e da política, 
sendo sua base de preocupação a realização de inte-
resses individuais e privados. 
c) Lutas identitárias são problemas típicos de países colo-
niais e de tradição escravista, motivo da sua ausência 
em países desenvolvidos como Alemanha e França. 
d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, 
a exemplo dos partidos políticos, colocam em segundo 
plano o indivíduo e suas demandas imediatas. 
X e) As identidades nacionais são construídas socialmente, 
com base nas relações de força desenvolvidas entre 
os grupos, com a tendência comum de eleger, como 
universais, as características dos dominantes. 
2. (UEL – PR)
Na verdade, a ideologia impessoal do liberalis-
mo democrático jamais se naturalizou entre nós. 
Só assimilamos efetivamente esses princípios até 
onde coincidiram com a negação pura e simples 
de uma autoridade incômoda, confirmando nosso 
instintivo horror às hierarquias e permitindo tra-
tar com familiaridade os governantes. 
(HOLANDA, S. B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das 
Letras, 1995. p. 160.)
21Sociologia
 O trecho de Raízes do Brasil ilustra a interpretação de 
Sérgio Buarque de Holanda sobre a tradição política 
brasileira. A esse respeito, considere as afirmativas a 
seguir. 
 I. As mudanças políticas no Brasil ocorreram conser-
vando elementos patrimonialistas e paternalistas que 
dificultam a consolidação democrática.
 II. A política brasileira é tradicionalmente voltada para a 
recusa das relações hierárquicas, as quais são incom-
patíveis com regimes democráticos. 
 III. As relações pessoais entre governantes e governados 
inviabilizaram a instauração do fenômeno democráti-
co no país com a mesma solidez verificada nas na-
ções que adotaram o liberalismo clássico. 
 IV. A cordialidade, princípio da democracia, possibilitou 
que se enraizassem, no país, práticas sociais opostas 
aos princípios do clientelismo político.
 Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
X b) Somente as afirmativas I e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
3. (UNIOESTE – PR) Observando o parágrafo [...] e as afir-
mações que se seguem, seria correto dizer [...] 
 Em Casa-grande & senzala, Gilberto Freyre refuta aste-
ses que atribuem o “atraso” da sociedade brasileira à 
miscigenação, o que é por muitos considerado um ponto 
de vista inovador.
 I. Suas concepções podem assim mesmo ser consi-
deradas conservadoras por enfatizar a harmonia das 
relações entre as etnias constitutivas da sociedade 
brasileira, sobretudo entre brancos e negros. 
 II. Freyre faz, no livro citado acima, um elogio à coloni-
zação portuguesa no Brasil. Decorrem desse fato as 
críticas que recebe por parte daqueles que vêm jus-
tamente no tipo de colonização que tivemos a origem 
do atraso nacional. 
 III. Adotando pontos de vista e procedimentos muito dis-
tintos em relação aos de Freyre, Florestan Fernandes 
foi um dos autores que, na busca de explicações para 
aspectos da sociedade brasileira, enfatizou muito 
mais as mudanças sociais do que equilíbrio.
 IV. O principal ponto de convergência entre Freyre e Flo-
restan é que, com a progressiva industrialização da 
sociedade brasileira, os negros não ocupam, neces-
sariamente, um lugar marginal. 
X a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. 
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. 
d) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas.
e) Apenas a afirmativa I está correta. 
8. Modernização da sociedade brasileira
Desenvolvimento do capitalismo na formação do Brasil: 
contribuições de Caio Prado Júnior 
O historiador Caio Prado Júnior (1907-1990) analisa, em suas obras, o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, 
caracterizado por uma dependência estrutural dos países europeus. Esse desenvolvimento foi marcado mais pela explo-
ração do trabalho do que pelo trabalho assalariado, pois se baseou, sobretudo, no latifúndio, na monocultura e no tra-
balho escravo. 
Caio Prado Júnior ressalta que o estabelecimento de um mercado interno e de uma classe industrial seria essencial para 
o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. 
No livro Formação do Brasil contemporâneo, de 1942, o autor relaciona as características da sociedade brasileira 
com as demandas econômicas dos colonizadores europeus. 
22 Livro de Revisão 1
Revolução burguesa no Brasil: uma análise sociológica 
de Florestan Fernandes
O sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) escreveu em um contexto de legitimação das Ciências Sociais no Brasil. 
Ele critica a tradição sociológica anterior e sugere que as teorias europeias e estadunidenses sejam adaptadas à realidade 
brasileira. É considerado o principal representante da “teoria social brasileira”.
Em sua obra A revolução burguesa no Brasil (1975), ele defende que a revolução burguesa não estabeleceu 
uma ruptura radical com a ordem colonial, mas, sim, uma mudança conservadora das instituições e dos modos de 
organização econômica.
A burguesia no Brasil nasceu dos antigos senhores de engenho e, por isso, não se configurou como uma classe que 
de fato rompeu com as estruturas políticas e sociais previamente estabelecidas. 
Repensando a democracia racial no Brasil
Nos anos de 1950, Florestan Fernandes e o sociólogo francês Roger Bastide iniciaram uma série de estudos patroci-
nados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). De acordo com Florestan, 
os resultados desses estudos ressaltaram as fragilidades da tese da democracia racial, que passou a ser alvo de crítica de 
sociólogos brasileiros. A pesquisa revela que, no Brasil, os grupos raciais ocupam lugares distintos na sociedade e que esses 
lugares são determinados pelo preconceito e pela discriminação racial praticados contra os negros.
Florestan estabelece uma relação de interdependência envolvendo a consolidação da democracia no Brasil e o fim do 
preconceito racial aos negros.
Em A integração do negro na sociedade de classes (1964), Florestan Fernandes revela, por meio de uma pesquisa 
sociológica, como a integração do negro na sociedade de classes no período pós-abolição se deu de forma desigual, 
confirmando a existência de uma estratificação social entre brancos e negros no Brasil.
 Caio Prado Júnior afirma que, de modo 
geral, os sujeitos da história brasileira 
continuaram os mesmos, sob novas 
estruturas econômicas, as quais foram 
basicamente impostas pelos países 
europeus, e não articuladas internamente. 
Ele denomina essa prática como 
modernização conservadora.
AMARAL, Tarsila do. Operários. 1933. 
1 óleo sobre tela, 150 cm × 230 cm. Acervo 
Artístico-Cultural dos Palácios do Governo 
do Estado de São Paulo. Palácio Boa Vista.
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23Sociologia
Atividades
1. (UEL – PR) Em relação ao processo de formação social no Brasil, o sociólogo Florestan Fernandes escreveu: 
Lembremo-nos de que da vinda da Família Real, em 1808, da abertura dos portos e da Independência, à 
Abolição em 1888, à Proclamação da República e à “revolução liberal”, em 1930, decorrem 122 anos, um 
processo de longa duração, que atesta claramente como as coisas se passaram. Esse quadro sugere, desde 
logo, a resposta à pergunta: a quem beneficia a mudança social?
(FERNANDES, F. As Mudanças Sociais no Brasil. In: IANNI, Octavio (Org). Florestan Fernandes: coleção grandes cientistas sociais. São Paulo: Ática, 
1986. p. 155-156.) 
 De acordo com o texto e os conhecimentos sobre o tema, em relação à indagação feita pelo autor, é correto afirmar que 
a mudança social beneficiou:
a) Fundamentalmente os trabalhadores, uma vez que as liberdades políticas e as novas formas de trabalho aumentaram 
a renda.
X b) Os grupos sociais que dispunham de capacidade econômica e poder político para absorver os efeitos construtivos das 
alterações ocorridas na estrutura social. 
c) A elite monárquica, pois ao monopolizar o poder político impediu que outros grupos sociais pudessem surgir e ter 
acesso aos efeitos construtivos das alterações na estrutura social.
d) Os grupos sociais marginalizados ou excluídos, pois, em decorrência deste processo, passaram a fazer parte do pro-
cesso produtivo. 
e) A população negra, uma vez que a alteração na estrutura da sociedade criou novas oportunidades de inserção social.
2. Circula, no senso comum, a ideia de que o Brasil é um país no qual negros e brancos vivem com o mínimo de paz e 
cordialidade. Essa ideia circulou com maior efetividade após os estudos de Gilberto Freyre, publicados no decorrer dos 
anos 1930, e ficou conhecida como “democracia racial”. Sobre o tema, assinale a alternativa correta:
a) O Brasil é um país no qual negros e brancos efetivamente estão dotados das mesmas condições sociais para 
ascenderem.
b) O passado escravista deixou marcas profundas na sociedade brasileira, tornando a ideia de democracia racial uma 
mera lenda, agradável de ser ouvida aos ouvidos da classe dominante, notadamente brancos descendentes dos 
senhores de engenho.
X c) A democracia racial é fruto da ideia de uma escravidão branda e da existência de uma integração do negro que não 
ocorreu, seja pela marginalização no mercado de trabalho, seja pelo preconceito de cor. 
d) O negro foi, no decorrer dos anos pós-abolição, completamente reintegrado à sociedade brasileira, o que torna a 
expressão “democracia racial” perfeitamente aplicável à realidade de nosso país.
3. Segundo pensadores como Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Holanda, um dos principais 
entraves para o desenvolvimento da sociedade industrial e do capitalismo no Brasil foi:
a) O fato de não haver indústrias o suficiente no país, tornando-o inóspito para o desenvolvimento de uma economia 
voltada para a produção industrial.
b) O fato de as camadas sociais dominantes, explicitadas na figura dos senhores de terra, não terem se associado dire-
tamente à produção e à sociedade industrial, como estava se aplicando em países da Europa.
c) O fato de não ter havido indústrias interessadas em desenvolverem seus comércios no país.
X d) O fato de que, basicamente, oque ocorreu no Brasil foi uma mudança de nome nas elites dominantes. De senhores 
de terra, passaram a ser chamados de “burguesia”. A mentalidade da elite econômica, entretanto, continuava basica-
mente inalterada.
24 Livro de Revisão 1
4. (UEMA) Leia o fragmento abaixo. 
Se a supressão do nexo colonial não se refletiu na condição de escravo nem afetou a natureza da escra-
vidão mercantil, ela alterou a situação econômica do senhor que deixou de sofrer o peso da “espoliação 
colonial” e passou a contar, por conseguinte, com todas as vantagens da “espoliação escravista” que não 
fossem absorvidas diretamente pelos mecanismos secularizados do comércio internacional. 
(FERNANDES, Florestan. Circuito fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional”. São Paulo: Globo, 2010.) 
 Baseando-se no fragmento de Florestan Fernandes, pode-se afirmar que a independência do Brasil:
a) dificultou o fortalecimento da economia nacional. 
X b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional. 
c) extinguiu o tráfico de pessoas escravizadas ao país. 
d) rompeu com a estrutura econômica baseada na escravidão. 
e) aumentou a dependência brasileira aos interesses portugueses. 
5. (UNICENTRO – PR) Autor brasileiro que entendia a construção do Brasil como a fusão de raças, religiões, culturas e gru-
pos sociais decorrentes da formação colonial, em que os negros e mestiços teriam papel fundamental na formação da 
identidade cultural do povo. Essa referência identifica:
X a) Gilberto Freyre. 
b) Caio Prado Júnior. 
c) Florestan Fernandes. 
d) Fernando de Azevedo. 
e) Sérgio Buarque de Holanda.
6. (UEL – PR)
A falta de coesão em nossa vida social não representa, assim, um fenômeno moderno. E é por isso que 
erram profundamente aqueles que imaginam na volta à tradição, à certa tradição, a única defesa possível 
contra nossa desordem. Os mandamentos e as ordenações que elaboraram esses eruditos são, em verdade, 
criações engenhosas de espírito, destacadas do mundo e contrárias a ele. Nossa anarquia, nossa incapaci-
dade de organização sólida não representam, a seu ver, mais do que uma ausência da única ordem que lhes 
parece necessária e eficaz. Se a considerarmos bem, a hierarquia que exaltam é que precisa de tal anarquia 
para se justificar e ganhar prestígio. 
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 33.)
 Caio Prado Junior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda são intelectuais da chamada “Geração de 30”, primeiro 
momento da Sociologia no Brasil como atividade autônoma, voltada para o conhecimento sistemático e metódico da 
sociedade. Sobre as preocupações características dessa geração, considere as afirmativas a seguir.
 I. Critica o processo de modernização e defende a preservação das raízes rurais como o caminho mais desejável para a 
ordem e o progresso da sociedade brasileira. 
 II. Promove a desmistificação da retórica liberal vigente e a denúncia da visão hierárquica e autoritária das elites brasilei-
ras. 
 III. Exalta a produção intelectual erudita e escolástica dos bacharéis como instrumento de transformação social. 
 IV. Faz a defesa do cientificismo como instrumento de compreensão e explicação da sociedade brasileira.
 Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III. 
b) I e IV. 
X c) II e IV. 
d) I, II e III. 
e) II, III e IV. 
Livro de Revisão 1
Sociologia
Ensino Médio
Gabaritos e comentários
2 Gabaritos e comentários – Sociologia
1. Sociologia: a ciência da sociedade
1. A alternativa d é a correta, já que estabelece a relação de interdependência envolvendo o conhecimento científico e o 
senso comum. A alternativa c está incorreta, pois não considera que a Sociologia também parte do senso comum para 
a análise da realidade social. A alternativa b é incorreta, por afirmar que o conhecimento científico independe do conhe-
cimento do senso comum. A alternativa a está incorreta, ao alegar que a Sociologia não estabelece nenhuma diferença 
entre esses dois tipos de conhecimento.
3. A alternativa e é a correta. Questão fácil de ser respondida, pois o próprio enunciado sugere a resposta correta ao afirmar 
“Hoje, muitos sociólogos incorporam a subjetividade em suas análises.”. 
2. Surgimento da Sociologia
1. A alternativa correta é a d, pois apresenta os setores e as instituições sociais que foram influenciados diretamente pelo 
positivismo de Auguste Comte. A alternativa c é incorreta, visto que a influência do pensamento positivista nos dizeres 
da bandeira foi direta. A alternativa b não pode ser a correta, pois afirma que o positivismo chegou tardiamente ao Brasil, 
quando, na verdade, se pode dizer que foi a ideologia fundadora do movimento republicano. Assim, a alternativa a tam-
bém está incorreta.
2. A alternativa b está correta porque apresenta o Iluminismo e o Positivismo relacionados a uma ideia em comum: a razão 
como promotora do progresso da sociedade. A alternativa a está incorreta, pois afirma que o Iluminismo defende que o 
desenvolvimento ocorre por meio da revolução social e não em virtude da razão. A alternativa c está incorreta por esta-
belecer a relação entre Positivismo e Iluminismo com base na luta de classes, temática formulada mais tarde por Karl 
Marx. A alternativa d está incorreta ao alegar que a relação entre ambos se dá por meio do conhecimento teológico, que é 
justamente o que o Iluminismo combate. A alternativa e cria uma relação dicotômica entre progresso e liberdade humana, 
o que não é compartilhado pelo Iluminismo nem pelo Positivismo.
3. A alternativa a apresenta os parâmetros corretos do pensamento comtiano. Já a alternativa b está incorreta, pois o ter-
ceiro estágio não é o teológico, e sim o científico. A alternativa c está incorreta, pois a base do pensamento de Comte é 
a defesa da neutralidade da ciência. A alternativa d está incorreta por estabelecer relação entre ordem e progresso e o 
comunismo, ideia que nunca foi aventada por Augusto Comte.
4. D é a alternativa correta e apresenta o pensamento de Comte quanto à relação entre a Lei dos Três Estados e a evolução 
da sociedade. As demais alternativas estão incorretas, pois em a a ordem dos três estados está errada. A ordem correta 
é: teológico, metafísico e positivo. A alternativa b apresenta o estado teológico como posterior ao estado positivo, mas o 
estado positivo é posterior e superior ao teológico. A alternativa c afirma que o estado teológico não tem nenhum papel 
na fundamentação da vida moral, o que é incorreto. Por fim, a alternativa e desconsidera que o estado teológico também 
busca soluções absolutas e universais. 
5. A alternativa d está incorreta, porque o Iluminismo, tendo a razão como fundamento de sua teoria, questionou as bases 
da tradição. Em muitos casos, a ação tradicional foi considerada oposta à ação racional. As demais alternativas estão 
corretas. A alternativa a afirma que a ideia base do Iluminismo é, de fato, a liberdade dos indivíduos (alcançável mediante 
a racionalização do mundo). Em b, consta a afirmação de que a racionalidade iluminista trouxe uma série de questões à 
tona, anteriormente negligenciadas pela tradição do pensamento cristão. Na alternativa c, há a afirmação de que, ao lado 
da ideia de liberdade e racionalidade, o progresso funcionava como terceira categoria-chave do Iluminismo, uma vez que 
a busca racional pelo conhecimento levaria, inevitavelmente, ao progresso. 
6. A alternativa 01 está correta, pois o movimento em torno da racionalidade científica de fato questionou os padrões de 
comportamento estabelecidos pela tradição cristã. A alternativa 04 está correta, visto que as transformações ocasionadas 
pela Revolução Industrial originaram uma série de novas questões concernentes, em grande medida, ao aumento do 
êxodo populacional para as cidades e ao subsequente crescimento da concentração populacional urbana. A alternativa 
16 está correta, uma vez que, com a nova vida nas cidades, novos modelos políticos foram concebidos e, com eles, surgiu 
tambéma necessidade de se refletir sobre a resolução desses problemas. As alternativas 02 e 08 estão incorretas, pois 
3Livro de Revisão 1
em 02 a Sociologia não surge para legitimar a ordem monárquica, justamente porque ela se desenvolve em um contexto 
de crítica social a essa ordem. Na 08, apesar de a Reforma Protestante ter representado uma crítica contundente aos 
dogmas católicos, não se deve considerar que ela tenha proporcionado o desenvolvimento de uma razão técnica, tendo 
em vista que suas explicações de mundo “bebiam” da fonte teológica. 
7. A alternativa b está correta, uma vez que Augusto Comte atesta que o positivismo é o estágio mais elevado de organização 
social. A alternativa a está incorreta, pois o estado teológico se baseia em explicações divinas para os fenômenos. Já a c 
está incorreta, pelo fato de não existir um “estado mítico” na “Teoria dos Três Estados” elaborada por Comte. A alternativa 
d está incorreta, dado que o primeiro estado é o teológico, e não o metafísico. E está incorreta, pois a Europa exempli-
ficava um estado superior ao teológico, justamente porque é nela onde surgem as primeiras tentativas de aplicação de 
leituras científicas da realidade, da sociedade e do progresso da humanidade.
8. Apenas as afirmativas II e III estão corretas, porque a Sociologia de fato surge em um momento de crise que resulta das 
transformações causadas pela Revolução Industrial, como aponta a afirmativa II. Assim como a Sociologia surge no con-
texto de questionamento da tradição do pensamento cristão e, em consequência, pela adoção da racionalidade científica 
como guia para a explicação do mundo e das suas transformações, indicada na afirmativa III. As afirmativas I e IV estão 
incorretas, visto que, em I, a Sociologia parte, justamente, de uma crítica científica à explicação teológica. Já a IV está 
incorreta, pois a Sociologia, nos primórdios da sua constituição científica, buscou se assemelhar às ciências naturais e 
não se distanciar delas. 
3. Socialização: o indivíduo em sociedade
1. As alternativas 04 e 16 estão corretas, por considerarem que os gostos e os estilos de vida são determinados, em grande 
medida, pelas trajetórias educativas e socializadoras dos indivíduos. Resultam, assim, do processo educativo que ocorre 
nos âmbitos familiar e escolar e não de uma sensibilidade inata dos indivíduos. As alternativas 01, 02 e 08 estão incor-
retas, pois: 01 exclui completamente o papel da família e da escola na formação cultural do indivíduo; 02 afirma que a 
diferença entre sexos (biológica) determina uma diferença que é, na verdade, social e que se fundamenta em uma relação 
de poder; 08 considera os gostos e os estilos como algo subjetivo, e não como objetos de estudos da Sociologia. 
2. As alternativas 02 e 04 estão corretas, por considerarem o papel da escola na socialização secundária dos indivíduos e 
apresentarem a importância dos colegas e amigos no processo de socialização do indivíduo e de formação de sua identi-
dade. A alternativa 01 está incorreta, pois desconsidera o papel central que a família assume na socialização do indivíduo. 
A alternativa 08 está incorreta, por negar a importância dos meios de comunicação na socialização do sujeito. Já a 16 
decreta o fim do processo de socialização na fase adulta do indivíduo, o que também é incorreto. 
3. A alternativa b leva em consideração todos os aspectos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem escolar, o que é 
correto. Já as demais alternativas estão incorretas. Não são apenas as pessoas mais velhas que ensinam; o processo de 
aprendizagem é inter-relacional, por isso a alternativa a está incorreta. A alternativa c afirma, erroneamente, que a escola 
é também o reflexo da dinâmica e das contradições sociais. Na verdade, a diversidade cultural está presente na educação 
formal e informal. A alternativa d está incorreta, pois o interculturalismo visa justamente à superação dos conflitos e dis-
putas pela manutenção ou ampliação do poder. A alternativa e está incorreta, pois os aspectos culturais são aprendidos 
em lugares e situações diversas. A escola é um dos lugares que também contribui nesse aprendizado, tanto em seus 
contextos formais como informais. 
4. A comunicação humana é um importante elemento de socialização, o que não ocorre de maneira unilateral, mas por meio 
de um processo de empatia mútua e de reconhecimento entre os indivíduos, como afirma a alternativa 02. A alternativa 
08 também está correta, uma vez que apresenta de maneira adequada os primeiros momentos do processo de socializa-
ção dos indivíduos desde o nascimento. A alternativa 01 está incorreta, pois desconsidera que as redes de amizade são 
fatores importantes do processo de socialização. A alternativa 04 está incorreta por restringir o processo de socialização à 
infância, o que não acontece, já que esse processo se estende por toda a vida do indivíduo. A alternativa 16 está incorreta, 
visto que as tecnologias e os meios de comunicação digitais são considerados, pela Sociologia, importantes agentes no 
processo de socialização dos indivíduos. 
4 Gabaritos e comentários – Sociologia
4. Educação e sociedade: a instituição escolar
1. A alternativa 16 está correta, pois a escola de fato é responsável por colocar em prática o potencial transformador do 
indivíduo. A alternativa 02 também está correta, já que a escola muitas vezes funciona como reprodutora do status quo da 
cultura dominante em uma determinada sociedade. A alternativa 01 está incorreta, porque a escola não tem a função de 
transformar a sociedade. Ela pode tão somente contribuir para essa transformação. A alternativa 04 está incorreta, visto 
que os saberes do homem do povo muitas vezes são marginalizados no ambiente escolar. A alternativa 08 está incorreta, 
pois o ensino escolar não ocorre de forma igualitária, uma vez que é a cultura dos grupos dominantes a que consegue se 
impor.
2. Há uma relação intrínseca entre capital cultural e instituição escolar, ideia presente, corretamente, na alternativa c. A 
alternativa a está incorreta, pois quem tem mais acesso ao capital cultural apresenta mais vantagens para se inserir 
de maneira bem-sucedida na sociedade. A alternativa b está incorreta por negar a relevância do capital cultural como 
facilitador da inserção do indivíduo no mercado de trabalho. A alternativa d está incorreta por afirmar que a instituição 
escolar oferece condições igualitárias para todos os indivíduos, o que é questionado por Bourdieu, já que os indivíduos 
são dotados de diferentes níveis de capital cultural, o que torna o processo de educação escolar essencialmente desigual. 
3. A importância da instituição escolar na teoria de Durkheim está presente corretamente na alternativa b. As demais estão 
incorretas porque não está presente no pensamento de Durkheim a ideia de emancipação do sujeito por meio da educa-
ção escolar, como afirmado na alternativa a. Ao contrário do que apresenta a alternativa c, a escola, efetivamente, repro-
duzia a vida que o indivíduo levaria quando trabalhasse na indústria: disciplina e horários rígidos. Por fim, a alternativa d 
está incorreta, pois a escola e a educação foram temas centrais na sociologia de Durkheim, o que lhe converteu em um 
importante pensador para a área da Educação, além da Sociologia.
4. A alternativa e é a única que traz uma função que não corresponde à educação enquanto instituição social, e sim à ins-
tituição familiar. Todas as demais alternativas apresentam características do papel da educação na sociedade. Transmitir 
a herança cultural de um povo, promover mudanças por meio do engajamento na pesquisa, familiarizar o indivíduo com 
os vários papéis da sociedade e prepará-lo para os papéis ocupacionais e profissionais que deverá desempenhar são 
funções da educação formal no processo de socialização secundária dos indivíduos. 
5. Modernidade e trabalho: Émile Durkheim e Karl Marx 
1. A alternativa correta é a c. A alternativa a está incorreta, pois Durkheim não refleteacerca da divisão do trabalho sob a 
ótica da desigualdade na sociedade capitalista. B está incorreta, uma vez que a divisão social do trabalho não expressa 
as contradições entre as funções sociais na sociedade. Ela expressa a necessidade de adequação dos indivíduos às dife-
rentes tarefas que devem ser realizadas. D está incorreta, porque Durkheim não discute a divisão social do trabalho sob 
a ótica da disputa e do conflito entre as diferentes funções na sociedade. E está incorreta, pois Durkheim não estabelece 
relação entre a divisão do trabalho social e a regulamentação das classes produtivas. 
2. Para Durkheim, a existência de diferentes classes é uma característica das sociedades complexas. A coesão social é 
garantida pela complexa divisão do trabalho social. Esse tipo de coesão é chamado de solidariedade orgânica. Assim, a 
alternativa b está correta. A está incorreta, pois a crescente divisão do trabalho social confere um papel importante às 
diversas instituições (família, corporação, Igreja) que, com o Estado, garantem a existência e a reprodução de normas e 
de regras a serem seguidas e que atendam aos imperativos da vida coletiva. C está incorreta, visto que é nas cidades 
onde se verifica o crescimento da solidariedade orgânica. A crescente diferenciação das funções sociais caracteriza uma 
nova forma de organização social diferente daquela em que predominava a solidariedade mecânica. Esta pertence a um 
estágio mais simples do desenvolvimento das sociedades. D está incorreta, uma vez que a principal função da divisão 
do trabalho social é garantir a coesão de uma sociedade complexa por meio do estreitamento dos laços sociais entre 
os indivíduos, reforçando a cooperação e a solidariedade. E está incorreta, pois, embora reconheça a necessidade de as 
sociedades se desenvolverem de modo equilibrado e harmônico, essa condição não decorre, para Durkheim, das vonta-
des individuais, e sim de um efeito moral produzido pela divisão do trabalho social que se traduz na existência de uma 
5Livro de Revisão 1
consciência coletiva. O indivíduo continua existindo como base do fato moral, mas não é ele quem funda as instituições. 
Elas resultam do intercâmbio das múltiplas consciências individuais que produzem um substrato comum – a consciência 
coletiva.
3. A alternativa 01 está correta, pois traz a definição de Sociologia de Durkheim. A 02 está correta, uma vez que mostra os 
fatos sociais como fenômenos externos aos indivíduos e que exercem uma coerção sobre eles. A 08 está correta, pois 
uma prática individual não pode ser analisada como um fato social. A 16 apresenta corretamente o papel da educação na 
Sociologia de Durkheim. A 04 está incorreta, visto que os fatos sociais representam fenômenos coletivos que estão acima 
das consciências individuais. 
4. O acirramento das contradições entre as classes conduzirá a sociedade ao comunismo e à supressão do Estado. As-
sim, a alternativa b está correta. A está incorreta, pois Marx não afirma que o capitalismo tem uma capacidade infinita 
de produzir riquezas; ao contrário, Marx ressalta a possibilidade de esse sistema ser assolado por crises de produção. 
C está incorreta, visto que o marxismo estabelece justamente o contrário: o paralelismo entre o desenvolvimento das for-
ças produtivas, da transformação das relações de produção, da intensificação da luta de classes e dos conflitos conduziria 
à crise do capitalismo. D está incorreta, pois Durkheim não defende a revolução do proletariado. Por fim, e está incorreta, 
porque essa é uma definição de Marx e não de Durkheim. 
5. A alternativa a expressa corretamente o entendimento de Augusto Comte da justiça social e de como ela seria alcançada. 
B está incorreta, visto que Comte não analisa a luta de classes, e sim Marx. C está incorreta, pois para Marx a história da 
humanidade é caracterizada pela luta de classes, e não pelo consenso. D está incorreta, porque o crescimento das forças 
produtivas (e não dos meios de produção) provocará a crise do capitalismo, e não uma melhora na qualidade de vida dos 
trabalhadores. Por fim, e também está incorreta, já que é Durkheim quem reflete sobre a solidariedade orgânica, e não 
Comte ou Marx. 
6. O dinheiro assume a forma de equivalente geral que possibilita a troca das mercadorias, como aponta corretamente a al-
ternativa e. A alternativa a está incorreta, pois a mercantilização universal das relações econômicas, políticas e sociais no 
sistema capitalista, por intermédio de um equivalente geral de troca, o dinheiro, oculta relações desiguais que aparecem 
como equivalentes no momento da troca. B está incorreta, porque o dinheiro “apaga” as desigualdades sociais descober-
tas por Marx na esfera da produção de mercadorias. C está incorreta, uma vez que o dinheiro não revela o valor de uso 
das mercadorias nem destaca a valorização diferenciada entre os diversos trabalhos. Por meio do dinheiro, a mercadoria 
aparece como “coisa”, como valor de troca e não como valor de uso. O dinheiro oculta o processo de produção da merca-
doria, as relações de trabalho desiguais. D está incorreta, pois o dinheiro não é um mero instrumento técnico que facilita 
as relações de troca. No capitalismo, o dinheiro, ao se transformar em um valor genérico equivalente, intercambiável por 
qualquer outro valor, oculta as relações de trabalho desiguais entre capitalistas e assalariados.
6. Indivíduo e Modernidade: Max Weber e Georg Simmel
1. A alternativa 04 está correta, pois uma das principais preocupações da Sociologia de Weber é entender quais ações in-
dividuais podem ser definidas como ação social. A 08 também está correta, porque a religião predomina nas sociedades 
primitivas. Os processos de racionalização e o desencantamento do mundo que caracterizam as sociedades modernas 
estão relacionados à perda da centralidade da religião nessas sociedades. A alternativa 01 está incorreta, pois Weber 
não afirma que a ética protestante estabeleceu um “modelo ideal de sociedade”. A 02 está incorreta, porque o papel da 
Sociologia, para Weber, é justamente compreender e explicar a ação social, e não o de interferir na realidade social. A 16 
está incorreta, pois Weber não declara o fim da religião, e sim sua adequação à lógica racional da sociedade moderna 
capitalista.
2. A alternativa a apresenta corretamente o que Simmel entende por atitude blasé. B está incorreta ao afirmar que a inter-
pelação cotidiana das questões e sensibilidades alheias não afetam o modo como nos relacionamos com o ambiente. 
C está incorreta, porque a atitude de reserva é comum às grandes cidades. D está incorreta por afirmar que a Alemanha 
de Simmel não passou por grandes transformações, o que é justamente o oposto do que ocorreu. Simmel estava preocu-
pado em compreender o contexto de transformações da Alemanha do seu tempo. 
6 Gabaritos e comentários – Sociologia
3. A racionalidade é a categoria explicativa empregada por Max Weber para explanar o sentido da conduta do indivíduo na 
sociedade capitalista, como aponta a alternativa b. As alternativas a e c estão incorretas, pois, segundo Weber, a formação 
do capitalismo moderno no Ocidente tem sua singularidade histórica no uso da racionalidade para a orientação da con-
duta individual, o que difere da ação social orientada pela tradição. É a noção de racionalidade que lhe permite explicar a 
formação das condições que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno. Por outro lado, a sociologia 
weberiana rejeita as noções de função ou funcionalidade para a explicação dos fenômenos sociais. A d está incorreta, pois 
a tese weberiana sobre as condições que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno ocidental rejeita 
direta e explicitamente a tese do utilitarismo, como é possível verificar no início de A ética protestante. Weber, ao analisar 
a máxima de Benjamin Franklin, considera que “o que é aqui pregado não é uma simples técnica de vida, mas sim uma 
ética peculiar, cuja infração não é tratada como umatolice, mas como um esquecimento do dever. Não é mero bom senso 
comercial, mas sim um ethos” (WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. p. 31, apud QUINTANEIRO, T.; 
BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 
2003. p. 142). Desse modo, a tese do utilitarismo não se sustenta. Para Weber, a formação desse capitalismo tem sua 
singularidade histórica no uso da racionalidade para a orientação da conduta individual, o que se exemplifica pelas má-
ximas de Benjamin Franklin. Portanto, é a noção de racionalidade que lhe permite explicar a formação das condições 
que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo moderno. Conforme Gabriel Cohn, reconhecido analista de Max 
Weber, “Weber procurava demonstrar a existência de uma íntima afinidade entre a ideia protestante de ‘vocação’ e a 
contenção do impulso racional para o lucro através da atividade metódica irracional, em busca do êxito econômico re-
presentado pela empresa. Por essa via, apresentava-se a ideia de que um determinado tipo de orientação da conduta na 
esfera religiosa – a ética protestante – poderia ser encarado como uma causa do desenvolvimento da conduta racional 
em moldes capitalistas na esfera econômica. Weber estaria preocupado com o estudo de ‘aspectos da moderna conduta 
da vida e seu significado prático para a economia’, especialmente no que dizia respeito ao desenvolvimento de uma ‘regu-
lação prático-racionalista da conduta da vida’” (COHN, G. (Org.). Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1979. p. 23-24). 
A alternativa e está incorreta, pois a tradição teórico-metodológica presente na obra de Weber rejeita o organicismo como 
paradigma explicativo, uma vez que a sociologia compreensiva trata de problemáticas relativas aos conflitos. 
4. A alternativa a apresenta corretamente o entendimento de Marx e de Weber sobre a ação do sujeito na sociedade. 
B está incorreta, visto que Weber defende que o que confere sentido e significado à realidade é a ação do sujeito. 
C está incorreta, pois tanto para Marx quanto para Weber as ações dos sujeitos podem alterar a estrutura social. D está 
incorreta, uma vez que Marx defende a transitoriedade do modo de produção capitalista por meio da luta de classes e 
da revolução proletária. 
7. Interpretações do Brasil: a construção da identidade 
nacional
1. A alternativa e está correta, pois apresenta a relação entre identidade nacional e seu caráter constituído historicamente. A 
alternativa a está incorreta, por afirmar que a identidade nacional brasileira foi fruto de um processo histórico “harmônico” 
de miscigenação. Na verdade, o processo de conformação da identidade nacional brasileira foi bastante problemático e 
envolveu violência, guerra e negociação por parte dos envolvidos, sendo os negros e os indígenas os grupos que mais 
sofreram com tal processo. C está incorreta, visto que destaca as lutas identitárias como um fator existente apenas nos 
“países coloniais”; as lutas identitárias também ocorreram nas antigas metrópoles. D está incorreta, pois são justamente 
as demandas imediatas dos sujeitos envolvidos nas lutas identitárias que definem as pautas dessas lutas.
2. A alternativa correta é a b, que engloba as afirmativas I e III. A afirmativa I leva em consideração um elemento basilar 
na constituição da democracia brasileira: a conservação das tradições coloniais. A III destaca o caráter personalista das 
relações de poder no Brasil, o que em grande medida inviabiliza a consolidação da democracia no país (mais uma vez, 
volta-se à questão da conservação dos elementos tradicionais coloniais). A afirmativa II está incorreta, pois a política 
brasileira se constitui justamente sobre bases hierárquicas de poder, e não o contrário. A IV está incorreta, visto que a 
cordialidade do povo brasileiro é um dos fatores que propiciam práticas políticas clientelistas. 
7Livro de Revisão 1
3. A alternativa correta é a a, pois todas as afirmativas estão certas. A I reproduz a crítica à Freyre, que o considera um 
autor tradicionalista em virtude da sua concepção de miscigenação que privilegia a harmonia em detrimento do conflito. 
A II apresenta de modo correto a visão de Freyre sobre a colonização portuguesa; essa visão origina grande parte das 
críticas a seu trabalho. A III afirma corretamente que Florestan parte da ideia de que a relação entre os grupos raciais na 
constituição identitária do Brasil não foi um processo pacífico, muito menos equilibrado. Ele demonstra, portanto, como 
foi problemática a constituição da identidade nacional brasileira, que muitas vezes relegou o negro à marginalidade e o 
indígena ao esquecimento. A IV está correta, pois, apesar de muitas vezes esse ter sido o lugar reservado ao negro, nem 
sempre as consequências da industrialização no Brasil o confinaram à marginalidade. 
8. Modernização da sociedade brasileira
1. A mudança social no Brasil alterou apenas a forma como as antigas forças se mantinham no poder, como indica corre-
tamente a alternativa b. A alternativa a está incorreta, pois alega que a mudança social beneficiou fundamentalmente os 
trabalhadores, o que não se confirma na realidade. A alternativa c está incorreta, visto que se refere à elite monárquica 
que deixou de existir com a transição da monarquia para a república. A alternativa d está incorreta, porque afirma que a 
mudança social beneficiou os grupos sociais marginalizados; no entanto, esses grupos não foram inseridos no processo 
produtivo. A alternativa e está incorreta, pois declara que a mudança beneficiou a população negra quando, na verdade, 
ela foi em grande medida retirada das senzalas e lançada nos mucambos e, posteriormente, nas favelas. 
2. A alternativa c expõe corretamente a concepção de um escravismo mais brando, formulado por Gilberto Freyre, e o duplo 
dilema ao qual os negros foram submetidos após a escravidão, segundo Florestan Fernandes. A alternativa a está incor-
reta, pois afirma que no Brasil negros e brancos são dotados das mesmas condições, o que não se confirma na realidade, 
uma vez que a herança escravagista prejudicou a inserção do negro no âmbito educacional e do mercado de trabalho. 
Estatisticamente, os negros ocupam os postos de trabalho de menor remuneração. A alternativa b está incorreta, por 
negar qualquer tipo de relação minimamente harmoniosa entre negros e brancos no Brasil. A alternativa d está incorreta, 
pois afirma que o negro foi reinserido na sociedade no contexto pós-abolicionista. 
3. A alternativa d está correta, pois considera que, no Brasil, muitas vezes as mudanças ocorreram para reorganizar as mes-
mas camadas sociais no poder sob uma nova nomenclatura. A alternativa a está incorreta, porque atribui o baixo desen-
volvimento industrial no país ao baixo número de indústrias aqui instaladas. Ainda que comparativamente esse número 
possa ser menor do que em outros países, este não pode ser um fator preponderante, uma vez que representa apenas um 
dos aspectos do entrave ao desenvolvimento do setor industrial brasileiro. A alternativa b está incorreta, pois não leva em 
consideração justamente o fato de os senhores de terra terem sido capazes de se readaptar ao contexto industrial, ainda 
incipiente no Brasil, realocando-se na lógica de poder. A alternativa c está incorreta, por atrelar o não desenvolvimento de 
um setor industrial no Brasil a um fator que não se comprova na realidade: a não instalação de qualquer indústria no país. 
4. A alternativa b estabelece a relação correta com as teses de Florestan Fernandes. A alternativa a está incorreta, pois 
afirma que a Independência do Brasil dificultou o fortalecimento da economia nacional, tendo ocorrido, de fato, o contrário. 
Os setores coloniais se adaptaram à situação econômica estabelecida no período pós-independência e se mantiveram 
no poder como classes dominantes. E isso se deu, entre outros fatores, por meio da manutenção do tráfico de escravos 
até 1850, quando houve aproibição total dessa atividade; por isso, a alternativa c também está incorreta. Nesse sentido, 
a estrutura econômica baseada na escravidão se manteve, em vez de ter sido extinta. Por isso, a alternativa d também 
está incorreta. A alternativa e está incorreta, pois a dependência brasileira aumentou com relação à Inglaterra, e não com 
relação a Portugal.
5. Alternativa a, pois Gilberto Freyre, sobretudo em seu livro Casa-grande & senzala, apresentou sua visão acerca da fusão 
das raças, religiões e culturas no Brasil. A alternativa b não pode ser a correta, pois Caio Prado Júnior se preocupou com 
as condições do desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A alternativa c não pode ser a correta, uma vez que Florestan 
Fernandes abordou, entre outros temas, o problema da inserção do negro no mercado de trabalho brasileiro divergindo, 
inclusive, da perspectiva oferecida pela interpretação de Freyre. A alternativa d não pode ser a correta, visto que Fernando 
de Azevedo se dedicou ao estudo da educação no Brasil e ao seu aspecto sociológico. A alternativa e não está correta, 
pois Sérgio Buarque de Holanda propôs uma explicação sobre as “raízes” do comportamento do brasileiro.
8 Gabaritos e comentários – Sociologia
6. Alternativa c, pois as afirmativas II e IV estão corretas. A II está correta, uma vez que apresenta um ponto em comum 
entre os autores pertencentes à geração de 30. A IV afirma corretamente que tais pensadores lançaram mão do método 
científico para analisar a sociedade brasileira. A I está incorreta, visto que atesta justamente o ponto que tais autores 
criticam: as tradições hierárquicas brasileiras. A III está incorreta, porque afirma algo oposto ao que foi preconizado por 
esses autores, que se basearam em métodos e técnicas de pesquisa científicos que predominavam no período em que 
desenvolveram suas investigações.

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