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Auditoria Interna em Qualidade Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Créditos Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac/SC Departamento Regional em Santa Catarina FECOMÉRCIO Presidente Bruno Breithaupt Diretor Regional Rudney Raulino Diretoria de Educação Profissional Ivan Luiz Ecco Conteudista Paulo Roberto Ramos Desenvolvimento e Editoração Equipe de Produção do Setor de Tecnologias Educacionais – SETED Coordenação Técnica Setor de Tecnologias Educacionais – SETED © Senac | Todos os Direitos Reservados sumário CONTEXTUALIZANDO ���������������������������������������������� 4 1 OBJETIVO E DEFINIÇÕES DA AUDITORIA ���������������������� 5 1.1 OBJETIVO DA AUDITORIA ������������������������������������������������������� 5 1.2 DEFINIÇÕES DA TERMINOLOGIA USADA EM AUDITORIAS DE SGQ ����������������������������������������������������������������������������������� 6 2 PRINCÍPIOS DE AUDITORIA ������������������������������������� 9 3 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADES DO PROGRAMA DE AUDITORIA ���������� 11 3.1 DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS E DA ABRANGÊNCIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA �������������������������������������������� 13 3.2 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADES DO PROGRAMA DE AUDITORIA �������������� 14 3.3 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA ������������������������� 15 3.4 IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA �������������� 16 3.5 MONITORAMENTO DO PROGRAMA DE AUDITORIA ������������ 18 3.6 ANÁLISE CRÍTICA E MELHORIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA ���������������������������������������������������������������������� 19 4 PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA INTERNA ����������������� 20 4.1 INICIANDO A AUDITORIA ������������������������������������������������������ 21 4.2 PREPARANDO ATIVIDADES DA AUDITORIA �������������������������� 23 4.3 CONDUZINDO AS ATIVIDADES DA AUDITORIA �������������������� 28 4.4 PREPARANDO E DISTRIBUINDO O RELATÓRIO DA AUDITORIA ���������������������������������������������������������������������� 35 4.5 CONCLUINDO A AUDITORIA ������������������������������������������������� 37 4.6 CONDUZINDO O ACOMPANHAMENTO DA AUDITORIA ������ 37 CONSIDERAÇÕES ������������������������������������������������� 38 REFERÊNCIAS ����������������������������������������������������� 39 Auditoria Interna em Qualidade 4 CONTEXTUALIZANDO Olá! Seja bem�vindo(a) ao curso Auditoria Interna em Qualidade! Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQs) são importantes para auxiliar na competitividade das empresas, pois auxiliam no controle e melhoria dos seus processos. Esses sistemas precisam ser auditados para controlar o seu funcionamento e corrigir eventuais falhas. Nesse sentido, o contexto desse curso possibilita aos alunos o conhecimento técnico básico necessário para executar auditorias de SGQs, possibilitando acompanhar os procedimentos internos da empresa e verificar se estão sendo realizados adequadamente, bem como se estão alinhados com os objetivos da organização. Além disso, o curso de Auditoria Interna em Qualidade é essencial para o desempenho de funções de acompanhamento do Sistema de Gestão da Qualidade de uma empresa, portanto é um diferencial para os profissionais que desejam atuar nessa área na organização onde trabalham e pode abrir oportunidades de trabalho em outras organizações que necessitem de profissionais com essa formação. No contexto empresarial o curso possibilita que seus profissionais adquiram o conhecimento técnico necessário para facilitar o processo de tomada de decisão, por meio das informações obtidas no processo de auditoria, contribuindo com a melhoria dos resultados da organização. A auditoria da qualidade é uma forma de controle administrativo, que avalia a eficiência e eficácia dos processos da empresa e seu papel é de alta relevância, pois auxilia na redução de desperdícios e correção de falhas dos processos e sua melhoria, resultando em um maior poder de competitividade. As organizações que possuem funcionários preparados para realizar auditorias internas da qualidade têm como benefício adicional a facilitação da liderança nas equipes de trabalho, além de poder contar com mais confiabilidade nas informações internas e relatórios produzidos. Bons estudos! Auditoria Interna em Qualidade 5 1 OBJETIVO E DEFINIÇÕES DA AUDITORIA Uma auditoria da qualidade pode ter diferentes objetivos, de acordo com os interesses da empresa. Para realizar uma auditoria é importante conhecermos as definições e as terminologias utilizadas para que todas as partes envolvidas usem um vocabulário comum. 1.1 OBJETIVO DA AUDITORIA A auditoria interna do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) pode ter diferentes objetivos, tais como, avaliar com que eficácia o sistema de gestão está alcançando os resultados por ele pretendidos, identificar oportunidades de melhoria do sistema de gestão, avaliar qual a capacidade do sistema de gestão no auxílio à organização para o atendimento dos seus requisitos regulamentares e estatutários, determinar quando o sistema de gestão ou suas partes estão em conformidade com os critérios de auditoria, entre outros objetivos (ABNT, 2018). Assim, o cumprimento pela organização dos requisitos da norma ISO 9001:2015 (ABNT, 2015) pode ser verificado pela auditoria interna do SGQ . Essa norma estabelece, no seu capítulo 9, (ABNT, 2015, p. 20) que as empresas devem realizar auditorias do sistema da qualidade para prover informações sobre o sistema, tais como, se o sistema está em conformidade com “os requisitos da própria organização para o seu sistema de gestão da qualidade”, se atende os requisitos da norma ISO 9001:2015, e se está implementado eficazmente. A norma ainda estabelece que as organizações devem: Planejar, estabelecer, implementar e manter um programa de auditoria, incluindo a frequência, métodos, responsabilidades, requisitos para planejar e para relatar, o que deve levar em consideração a importância dos processos concernentes, mudanças que afetam a organização e os resultados de auditorias anteriores (ABNT, 2015, p. 20). Uma organização pode se empenhar por um longo período para implementar um SGQ, mas os resultados em benefício da melhoria dos processos da empresa podem ser muito pequenos, ou até não existirem, caso não se consiga manter o Sistema funcionando. Para o seu funcionamento, os procedimentos da gestão da qualidade devem ser executados e os tipos de registros determinados no planejamento do SGQ devem ser feitos cotidianamente, assim como a informação deve ser documentada e ter acesso disponível, bem como ser armazenada e preservada. A auditoria interna do SGQ é chamada de Auditoria de Primeira Parte, quando é realizada pela própria organização como uma forma de verificar o cumprimento dos seus requisitos ao longo do tempo. Dessa maneira, a norma ISO 19011:2018 (ABNT, 2018) é uma ferramenta adequada para fornecer informações para que organizações de todos os portes e tipos possam realizar auditorias internas do seu sistema de gestão (auditoria de primeira parte), para seu controle interno ou ainda com vistas a uma autodeclaração de conformidade com a norma ISO 9001. Segundo a ABNT (2018) também pode ser útil para orientar a realização de auditorias por uma empresa sobre outra com a qual A ISO 9001:2015 é uma norma internacional que fornece requisitos para o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) das organizações. 1 - Objetivo e definições da auditoria Auditoria Interna em Qualidade 6 mantém ou almeja manter relações comerciais, por exemplo, fornecedores (auditoria de segunda parte). Outra utilidade da norma é para a realização de auditorias externas, desde que não sejam conduzidas para a certificação de terceiraparte de sistemas de gestão. Para esse fim a norma ABNT NBR ISO/IEC 17021-1 (ABNT, 2016) fornece orientações específicas. Mas existem outros tipos básicos de auditoria da qualidade, tais como: Auditoria de Segunda Parte Auditoria de Terceira Parte Quando é realizada por uma empresa sobre outra com a qual mantém ou almeja manter relações comerciais, ou seja, pela parte que tem interesse – a empresa cliente. Quando é realizada por um auditor independente com o objetivo de certificação ou recertificação do sistema, ou seja, por organismos de certificação ou órgãos governamentais. Numa Auditoria de Segunda Parte, por exemplo, uma organização que deseja comprovar se o SGQ de uma empresa que é sua fornecedora atende aos requisitos estabelecidos para o fornecimento dos produtos ou serviços a fim de proteger a sua marca e reputação. Os requisitos a serem analisados para verificar a conformidade podem ser os mesmos da norma ABNT ISO 9001, ou outros requisitos do seu SGQ. Você consegue imaginar alguma empresa que realize auditoria sobre seus fornecedores? Reflita um pouco sobre o assunto e você notará que esse tipo de procedimento é perfeitamente possível e depende do contrato estabelecido entre cliente e fornecedores. 1.2 DEFINIÇÕES DA TERMINOLOGIA USADA EM AUDITORIAS DE SGQ As definições apresentadas a seguir são um glossário dos termos utilizados nas auditorias internas de um sistema de gestão, portanto, aplicáveis a um SGQ, e a sua descrição está de acordo com a constante da norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018). Conheça a seguir. Auditoria É o processo sistemático, documentado e independente realizado para obter evidências objetivas de auditoria e avaliá-las também de maneira objetiva, para estabelecer qual o alcance do atendimento dos critérios da auditoria. Critérios de auditoria É definido como o conjunto de requisitos a serem verificados e comparados pela auditoria. São usados como referência para comparação com as evidências objetivas. Esta Norma “fornece orientação sobre a auditoria de sistemas de gestão, incluindo os princípios de auditoria, a gestão de um programa de auditoria e a condução de auditoria de sistemas de gestão, como também orientação sobre a avaliação de competência de pessoas envolvidas no processo de auditoria. Essas atividades incluem as pessoa(s) que gerencia(m) o programa de auditoria, os auditores e a equipe de auditoria” (ABNT, 2018, p. 1). 1 - Objetivo e definições da auditoria Auditoria Interna em Qualidade 7 Evidência de auditoria São os registros, apresentação de fatos ou outras informações, que sejam verificáveis e estejam relacionadas aos critérios de auditoria. Portanto, comparam-se as evidências de auditoria com os critérios desta para verificar o funcionamento do SGQ. Constatação de auditoria Trata-se do resultado da comparação das evidências de auditoria (os fatos verificados na auditoria) com os critérios desta (o estabelecido para verificação). Como resultado da constatação de auditoria, podemos ter tanto a confirmação da concordância do registro verificado com o critério auditado, o que indica “conformidade”, ou uma situação divergente, ou uma “não conformidade”, o que se configuraria como uma oportunidade para melhoria. Conclusão de auditoria Com base nos objetivos e nas constatações da auditoria, a equipe de auditoria apresenta o resultado desta. Cliente da auditoria É quem solicitou a auditoria, seja uma organização ou uma pessoa. Neste ponto é importante mencionar que a norma ABNT ISO 19011:2018 estabelece que o cliente da auditoria pode ser não apenas a própria organização auditada ou o gestor do programa de auditoria, mas também uma organização externa como clientes existentes ou potencias, reguladores ou partes contratantes. Auditado É a organização objeto da auditoria, podendo ser a organização como um todo ou suas partes. Auditor É a pessoa que realiza uma auditoria. Equipe de auditoria É formada por um ou mais auditores, os quais podem ser apoiados por especialistas para realizar a auditoria. A equipe deve ter um líder da equipe de auditoria, na qual é possível a inclusão de auditores em treinamento. Especialista Trata-se de uma pessoa que auxilia a equipe de auditoria fornecendo conhecimento ou experiência específicos. Tal conhecimento ou experiência pode ser relativo tanto à organi� zação, como ao processo ou atividade objeto da auditoria, ou ainda ao idioma ou cultura. É importante salientar que um especialista não desempenha a função de auditor junta� mente com a equipe de auditoria, apenas a auxilia com o seu conhecimento ou experiência. Programa de auditoria São “arranjos para um conjunto de uma ou mais auditorias, planejado para um período de tempo específico e direcionado a um propósito específico” (ABNT, 2018, p. 2). 1 - Objetivo e definições da auditoria Auditoria Interna em Qualidade 8 Plano de auditoria É o documento que descreve as atividades e arranjos para a realização de uma auditoria. Cabe destacar aqui a diferença entre programa e plano de auditoria. Enquanto o programa se refere a uma programação das auditorias da organização para um determinado período, por exemplo, durante determinado ano, o plano diz respeito ao que será feito durante a auditoria especificamente e como ela será realizada. Escopo de auditoria É o conteúdo da auditoria, ou seja, sua abrangência e seus limites. Na descrição do conteúdo da auditoria, geralmente, as informações acerca do que será auditado incluem descrição sobre as localizações físicas ou virtuais, as unidades organizacionais, as atividades e processos a serem auditados, e sobre o período de tempo coberto pela auditoria. Competência É a “capacidade de aplicar conhecimentos e habilidades para alcançar resultados pretendidos” (ABNT, 2018, p.5). São características do comportamento pessoal exigidas do auditor para a realização da auditoria. Agora é com você! Vimos, até aqui, os objetivos da auditoria interna da qualidade, bem como as definições e terminologias para que as partes envolvidas usem um vocabulário comum. Antes de dar sequência aos seus estudos, acesse a sala virtual deste curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e faça a atividade de Reflita e Responda proposta. Após estudará sobre os princípios da auditoria. Auditoria Interna em Qualidade 9 2 PRINCÍPIOS DE AUDITORIA Imagine se cada auditor tivesse as suas regras para realizar uma auditoria. Poderíamos ter resultados diferentes para uma mesma situação da empresa caso a auditoria fosse realizada por diferentes auditores. Em uma auditoria interna da qualidade, na qual algum membro da equipe de auditoria tivesse que ser substituído por alguma razão, o resultado dessa poderia ser diferente em relação ao auditor titular. Uma vez que, as pessoas possuem características individuais, as quais podem influenciar suas decisões, alguns princípios de auditoria são estabelecidos na norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018) com o intuito de reduzir a possibilidade de parcialidade ou subjetividade no processo de auditoria. Tais princípios serão abordados a seguir, clique nas abas para conhece-los. Integridade Esse princípio está relacionado com o comportamento ético do auditor e da pessoa que gerencia a auditoria. Características profissionais nesse sentido são ética, competência, honestidade, responsabilidade, atendimento de requisitos legais e imparcialidade. Apresentação justa É uma obrigação do auditor o relato objetivo, em tempo hábil, verdadeiro, exato, claro e completo da auditoria. Nem sempre tudo ocorre com tranquilidade em uma auditoria, por vezes ocorrem divergências entre auditor e auditados, ou são encontradosobstáculos para as atividades de auditorias; esses fatos devem ser devidamente registrados pelo auditor no seu relatório. Devido cuidado profissional A atividade de auditoria compreende uma grande responsabilidade, e nos auditores é depositado um amplo grau de confiança. Por isso, as suas decisões devem ser muito bem pensadas e tomadas com profissionalismo, sendo importante que o auditor tenha a devida competência e faça julgamentos ponderados para realizar as atividades exigidas. Confidencialidade Esse princípio aborda a segurança das informações da auditoria. Cada situação de auditoria pode exigir níveis diferentes de confidencialidade, pois conforme o seu escopo e objetivos, as informações apuradas devem ficar restritas a determinadas pessoas ou departamentos da empresa auditada, sendo que o auditor não deve usá�las de maneira inapropriada ou buscando ganhos pessoais para o auditor ou para o cliente da auditoria. Independência As conclusões da auditoria devem ser baseadas exclusivamente nas evidências de auditoria. Portanto, o auditor deve possuir independência em relação às atividades auditadas, de maneira que possa ser imparcial na sua análise e não haja conflito de interesses. Portanto, sempre que possível, é recomendado que os auditores internos tenham independência em relação às atividades alvo da auditoria. Essa recomendação é mais difícil de seguir no caso de organizações de pequeno porte, mas mesmo nessas organizações, deve�se buscar evitar a tendenciosidade e focar na objetividade. 2 - Princípios de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 10 Abordagem baseada em evidência Considerando que a auditoria é um processo sistemático, geralmente baseado em amos� tragem, o auditor deve executar e aplicar um método racional na sua atividade, com uma utilização apropriada das amostras, para que a auditoria possa ser confiável e reproduzível com a utilização de um processo semelhante. Em outras palavras, se determinado auditor constatou uma evidência na sua auditoria, a mesma evidência deve poder ser verificada por outro auditor, que use o mesmo método racional estabelecido pelo primeiro. Abordagem baseada em risco Esse princípio trata da consideração dos riscos e oportunidades para a auditoria. Tal consi� deração deve influenciar tanto o planejamento quanto a condução e o relato das auditorias, assegurando assim que as auditorias foquem assuntos de relevância para o cliente da auditoria e contribuam para o alcance dos objetivos do programa de auditoria. Agora é com você! Vimos, até aqui, os princípios da auditoria interna da qualidade no sentido de reduzir a possibilidade de parcialidade ou subjetividade no processo. Antes de dar sequência aos seus estudos, acesse a sala virtual deste curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e faça a atividade de Reflita e Responda proposta. Após estudará sobre o gerenciamento de um programa de auditoria. Auditoria Interna em Qualidade 11 3 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADES DO PROGRAMA DE AUDITORIA Conforme já mencionado nesse curso, um programa de auditoria pode envolver uma ou mais auditorias. Além disso, dentro de um mesmo programa, a organização pode contemplar tipos diferentes de auditoria, como de sistemas de gestão da qualidade e sistemas de gestão ambiental. Como um programa se configura como “arranjos para um conjunto de uma ou mais auditorias, planejado para um período de tempo específico e direcionado a um propósito específico” (ABNT, 2018, p. 2), é importante um controle sobre tal processo. Nesse sentido, a norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018) estabelece um fluxograma do processo de gestão do programa de auditoria, o qual segue os princípios do ciclo PDCA (do inglês: Plan � Do � Check � Act) ou ciclo da qualidade, como também é conhecido, significa: Planejar - Fazer - Checar - Agir. O ciclo PDCA é uma ferramenta para auxiliar no controle da qualidade da empresa, mantendo ou melhorando o desempenho dos processos, o que significa aprimorar os seus padrões de uma maneira contínua, correspondendo cada ciclo de melhoria a um novo nível de controle, ou seja, estabelecimento de novas metas de qualidade do processo (CAMPOS, 2004). Esse mesmo ciclo é utilizado na gestão de um sistema de gestão da qualidade, o qual é objeto de auditorias que seguem as normas que estamos estudando nesse curso e cujos requisitos são estabelecidos pela Norma ABNT ISO 9001 (ABNT, 2015). A seguir, conheça os princípios do ciclo PDCA (Figura 1). Figura 1 - Ciclo PDCA PLANEJAR PLAN P Define os objetivos de seu sistema de gestão, bem como os processos e recursos que seriam necessários para que os resultados atendam às políticas e aos requisitos estabelecidos pelos clientes. FAZER DO D Executa-se o que foi planejado na fase anterior. CHECAR CHECK C Envolve o monitoramento e medição dos resultados do que foi executado, relacionando-os com os requisitos dos clientes e as políticas estabelecidas pela organização, é neste momento que se reportam tais resultados. AGIR ACT A A organização executa as ações necessárias para a melhoria do sistema de gestão, a partir dos resultados reportados. P DC A Fonte: Senac (2017). 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 12 É importante que a Alta Direção da empresa, ao estabelecer um programa de auditoria, defina autoridade específica para que tal programa possa ser gerenciado e melhorado continuamente. A gestão de um programa de auditoria é realizada com o uso do PDCA, seguindo o fluxograma conforme a Figura 2, com base em estabelecimento (planejar), implementação (fazer), monitoramento (checar), análise crítica e melhoria do programa de auditoria (agir). Figura 2 - Fluxograma do processo de gestão de um programa de auditoria PLANEJAR (PLAN) FAZER (DO) CHECAR (CHECK) AGIR (ACT) PLANEJAR (PLAN) FAZER (DO) CHECAR (CHECK) AGIR (ACT) 5.2 Estabelecendo objetivos do programa de auditoria 5.3 Determinando e avaliando riscos e oportunidades do programa de auditoria 5.4 Estabelecendo o programa de auditoria 5.5 Implementando o programa de auditoria 6.2 Iniciando a auditoria 6.3 Preparando atividades da auditoria 6.4 Conduzindo as atividades da auditoria 6.7 Conduzindo acompanhamento da auditoria 6.5 Preparando e distribuindo o relatório da auditoria 6.6 Concluindo a auditoria 5.6 Monitorando o programa de auditoria 5.7 Analisando criticamente e melhorando o programa de auditoria Seção 5 Seção 6 Fonte: Adaptado de ABNT (2018, p.9). Como você pôde observar na Figura 2, um programa de auditoria pode ser beneficiado pela política de qualidade implementada pela organização, ou seja, a empresa aplica princípios da gestão da qualidade para todos os seus processos, inclusive o processo de gestão do programa de auditoria. O fluxograma apresentado na Figura 2 contempla a numeração das seções e subseções da própria Norma ISO 19011. 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 13 O processo de gestão de um programa de auditoria segue a mesma lógica da gestão da qualidade. A seguir, para um melhor entendimento do gerenciamento dos programas de auditoria, detalharemos as atividades indicadas na Figura 2. Videoaula Clique aqui e assista ao vídeo sobre o PDCA e a sua relação com o fluxograma do processo de gestão do programa de auditoria estabelecido na norma ABNT ISO 19011 DE 2012. 3.1 DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS E DA ABRANGÊNCIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA Um programa de auditoria interna da qualidade pode ser estabelecido em uma organizaçãopor várias razões, portanto, pode ter diferentes objetivos de acordo com o tipo e complexidade da empresa. Exemplo Se a sua empresa, por exemplo, está implementando um SGQ e pretende certificá-lo, o programa de auditoria pode ter como objetivo satisfazer os requisitos da norma ABNT ISO 9001 para a certificação, pois esse tipo de programa é um dos requisitos da referida norma. Imagine outra situação: Exemplo A sua empresa estabeleceu com determinados clientes certos requisitos contratuais sobre qualidade e precisa verificar a conformidade a respeito desses requisitos para comprová-la aos clientes. O estabelecimento de um programa de auditoria pode servir para tal objetivo. Outra situação possível seria o objetivo de contribuir com a melhoria do SGQ da empresa, indepen� dentemente de certificação ou contratos. Lembre-se de que a melhoria contínua deve estar presente o tempo todo nas iniciativas da empresa acerca dos seus processos. Portanto, os objetivos pelos quais está sendo implementado um programa de auditoria direcionarão várias decisões sobre qual perfil terá tal programa, incluindo a sua abrangência, responsabilidades e procedimentos, ou seja, o planejamento e a realização das auditorias. Para o estabelecimento dos objetivos do programa de auditoria, pode�se levar em conta várias questões, como por exemplo (ABNT, 2018, p.10): a) necessidades e expectativas de partes interessadas pertinentes, externas e internas; b) características e requisitos de processos, produtos, serviços e projetos, e quaisquer mudanças neles; 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 14 c) requisitos de sistema de gestão; d) necessidade para avaliação de fornecedores externos; e) nível de desempenho e nível de maturidade do(s) sistema(s) de gestão do auditado, como refletido nos indicadores de desempenho pertinentes (por exemplo, KPI), a ocorrência de não conformidades ou incidentes ou reclamações de partes interessadas; f) riscos e oportunidades identificados para o auditado; g) resultados de auditorias anteriores. A abrangência de um programa de auditoria pode ser estabelecida levando-se em consideração fatores relacionados ao tipo de empresa, como porte, natureza e complexidade da organização. Além disso, questões como escopo, objetivo, duração e frequência de cada auditoria podem também influenciar a abrangência do programa. 3.2 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADES DO PROGRAMA DE AUDITORIA Algumas características ou situações inerentes ao auditado (setor ou a empresa como um todo) podem influenciar positivamente ou negativamente o programa de auditoria, podendo afetar os alcances da auditoria. Portanto, no gerenciamento do programa de auditoria é recomendado que se fique atento a essas questões no desenvolvimento do programa de auditoria. Os riscos estão associados a possíveis influências negativas dessas características do auditado sobre o programa de auditoria, enquanto as oportunidades se associam a possíveis influências positivas. Como exemplo de risco, é possível citar os recursos como o tempo. Caso o auditado não disponha de tempo adequado para desenvolver o programa de auditoria ou para conduzi-la, isso pode influenciar negativamente o programa de auditoria. Outro exemplo de risco seria a falta de competência da equipe selecionada para a auditoria, o que poderia prejudicar a condução eficaz da auditoria. No caso de oportunidades, uma situação poderia ser a possibilidade do auditado de permitir a realização de mais de uma auditoria em uma mesma visita do auditor. Isso facilitaria a execução do programa de auditoria, portanto, poderia ser levado em consideração para a execução do programa da auditoria. Outra oportunidade para melhorar o programa de auditoria seria a possibilidade de programar as datas de auditoria com a disponibilidade do pessoal chave do auditado, contribuindo para a facilitação do alcance dos objetivos da auditoria. KPI ou Key Performace Indicators é um termo em inglês para se referir a indicadores chave de desempenho para um processo, por exemplo. 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 15 3.3 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA Durante o estabelecimento de um programa de auditoria, necessitamos definir quem serão os responsáveis por gerenciar o programa, quais os recursos necessários e os procedimentos de auditoria que serão utilizados. Para gerenciar o programa, é necessário que a(s) pessoa(s) responsável(eis) tenham o devido preparo e conhecimento sobre auditorias, ou seja, que compreenda(m) como se aplicam as técnicas de auditoria, qual a competência necessária aos auditores e que tenha(m) um entendimento sobre os princípios que devem ser obedecidos por uma auditoria (aproveite para revisar o item 2 – princípios de auditoria). É importante que as pessoas cuja responsabilidade é gerenciar o programa de auditoria sejam as mesmas responsáveis pelo estabelecimento dos objetivos e abrangência do programa, bem como das respectivas responsabilidades e procedimentos, garantia de disponibilização dos recursos do programa, sua implementação, manutenção de registros e melhoria do programa de auditoria. Dessa maneira, terão melhores condições de gerenciar o programa em razão do conhecimento de seu planejamento. A extensão de um programa de auditoria pode ser influenciada por diferentes fatores, sendo alguns deles o objetivo, a duração e o escopo da auditoria; resultados de auditorias anteriores; quantidade e complexidade das atividades que serão foco da auditoria. Para o estabelecimento dos recursos necessários para o programa de auditoria, devem ser analisadas algumas questões, como: Recursos financeiros que envolvem o desenvolvimento, implementação, monitoramento e aperfeiçoamento do programa de auditoria; Técnicas de auditoria a serem utilizadas. Processos necessários para obter a competência dos auditores e aperfeiçoar o seu desempenho. Disponibilidade de auditores especialistas, que atendam às especificidades dos objetivos do programa em particular. Abrangência do próprio programa de auditoria. Dependendo do tipo de empresa e da sua complexidade na programação dos recursos, também pode ser preciso considerar necessidades de viagens para realizar auditorias em unidades distanciadas geograficamente. Exemplo Imagine, por exemplo, o estabelecimento de um programa de auditoria da qualidade que abranja várias unidades de uma mesma empresa localizadas em diferentes municípios de um estado. Haverá, neste caso, necessidade de gastos de viagens, alimentação e hospedagem para que possam ser realizadas as auditorias em todas as unidades. Portanto, é preciso programar a necessidade desse tipo de recurso. 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 16 Com relação aos procedimentos que devem fazer parte de um programa de auditoria, a norma ABNT ISO 19011 (ABNT, 2012, p.10-11, adaptado) apresenta como sugestão o texto abaixo, salientando que, para o caso de organizações de pequeno porte, as atividades podem compor um único procedimento: a) Planejamento e programação das auditorias considerando os riscos do programa de auditoria; b) Asseguramento da confidencialidade e segurança da informação; c) Asseguramento da competência de auditores e dos líderes da equipe de auditoria; d) Seleção apropriada das equipes de auditoria, atribuições de seus papéis e responsabilidades; e) Realização de auditorias, incluindo o uso apropriado de métodos de amostragem; f) Realização de auditoria de acompanhamento, se aplicável; g) Relato para a Alta Direçãosobre os resultados globais do programa de auditoria; h) Manutenção dos registros do programa de auditoria; i) Monitoramento e análise crítica do desempenho e riscos e das melhorias da eficácia do programa de auditoria. Definidas, assim, todas essas questões relacionadas ao estabelecimento do programa de auditoria, que em resumo são o próprio planejamento de como deverá funcionar o programa, passa-se para a próxima etapa que é a sua implementação propriamente dita. 3.4 IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA Implementar um programa de auditoria significa “fazê-lo acontecer”. Para a implementação do programa de auditoria, um conjunto de atividades são recomendadas, que devem ficar sob responsabilidade de quem gerencia o programa, para que sua implementação seja realizada adequadamente. Assim, é importante que os responsáveis pelo gerenciamento do programa de auditoria devem (ABNT, 2018, p. 14, modificada): a) comunicar-se com as partes pertinentes do programa de auditoria, incluindo os riscos e oportunidades envolvidos, e com as partes interessadas pertinentes e informar periodicamente de seu progresso, usando canais de comunicação externos e internos estabelecidos; b) especificar objetivos, escopo e critérios para cada auditoria individual; c) selecionar métodos de auditoria; d) coordenar e agendar auditorias e outras atividades pertinentes ao programa de auditoria; e) assegurar que as equipes de auditoria tenham a competência necessária; f) fornecer recursos individuais e globais necessários para as equipes de auditoria; g) assegurar a condução de auditorias de acordo com o programa de auditoria, gerenciando todos os riscos operacionais, oportunidades e questões (isto é, eventos inesperados), conforme eles surjam durante a implantação do programa; 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 17 h) assegurar que a informação documentada pertinente relativa às atividades de auditoria seja gerenciada e mantida apropriadamente; i) definir e implementar os controles operacionais necessários para o monitoramento do programa de auditoria; j) analisar criticamente o programa de auditoria para identificar oportunidades para sua melhoria. Embora o programa de auditoria tenha objetivos globais, previamente estabelecidos, é importante que para cada auditoria individual, em função de suas características específicas, sejam definidos objetivos, escopo e critérios de auditoria específicos. Essas definições, por sua vez, vão influenciar na escolha dos métodos a serem utilizados na auditoria, tais como auditoria no local, remota ou a combinação de ambas, buscando sempre a eficácia e eficiência da auditoria. Ainda na execução do programa de auditoria é preciso fazer com que ocorra a seleção das equipes de auditoria e o alinhamento da execução das auditorias ao que foi estabelecido no programa, assim como garantir a disponibilização dos recursos previstos e necessários para as atividades dos auditores de acordo com o planejado e fazer os registros das atividades de auditorias. Na seleção da equipe de auditoria, é importante que seja definido um líder da equipe. Essa função deve ficar sob responsabilidade de quem gerencia o programa de auditora, sendo que o líder de equipe deve ser definido com tempo suficiente para um adequado planejamento da auditoria a ser realizada (ABNT, 2018). Como estamos em um processo de melhoria contínua, é importante que após a auditoria sejam realizadas avaliações da auditoria, tais como sobre seus alcances em relação ao programa de auditoria, bem como análise crítica a respeito da eficácia das ações tomadas a partir das constatações da auditoria. Recomenda-se também que deva ser assegurado que os relatórios elaborados sejam analisados criticamente e aprovados, e, do mesmo modo, que sejam distribuídos para as partes interessadas, inclusive servindo como feedback para os clientes da auditoria. Se o seu superior hierárquico na empresa lhe solicitasse comprovar que o programa de auditorias está realmente sendo implementado, o que você faria? Reflita um pouco sobre o assunto, antes de ler o parágrafo seguinte. Para comprovarmos alguma realização na empresa, normalmente recorremos a relatórios, números, gráficos, estatísticas. E onde encontramos essas informações relativas às auditorias ou ao programa de auditoria? Nos registros de auditoria. Então, no que concerne às auditorias da qualidade, faz sentido valorizarmos a manutenção de disponibilidade dos registros referentes ao programa de auditorias. 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 18 Conheça no Quadro 1, a relação apresentada pela Norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018, p. 19) sobre o que deve ser incluído nos registros do programa de auditoria. Quadro 1 - Registros do programa de auditoria Registros relacionados ao programa da auditoria • Agenda de auditoria; • Objetivos e extensão do programa de auditoria; • Aqueles que abordam riscos e oportunidades do programa de auditoria e questões externas e internas pertinentes; • Análise crítica da eficácia do programa de auditoria. Registros relativos a cada auditoria individual • Planos de auditoria e relatórios de auditoria; • Evidência objetiva e constatações de auditoria; • Relatórios de não conformidade; • Relatórios de correções e ações corretivas; • Relatórios de acompanhamento de auditoria. Registros relativos à equipe da auditoria • Avaliação de competência e desempenho dos membros da equipe de auditoria; • Critérios para a seleção de equipes de auditoria e membros da equipe, e formação de equipes de auditoria; • Manutenção e melhoria da competência. Fonte: ABNT (2018, p. 19). Com a execução das auditorias programadas, torna-se imprescindível o estabelecimento e a manu� tenção de um processo para avaliação dos auditores e o desenvolvimento profissional das pessoas que atuam nessa atividade. A norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018), na sua seção 7, descreve quais os processos necessários para avaliar os auditores. 3.5 MONITORAMENTO DO PROGRAMA DE AUDITORIA Seguindo o que está demonstrado na Figura 2, (início do tópico 3 desta Unidade), utilizando a abordagem do ciclo PDCA, vemos que os resultados das análises críticas do programa de auditoria podem propiciar a definição de ações com o objetivo de melhorar o programa de auditoria. Para isso, necessitamos monitorar o programa periodicamente, verificando se ele está atendendo aos objetivos para os quais foi estabelecido. Para realizar o monitoramento do programa de auditoria algumas orientações são importantes para o responsável pelo monitoramento, tais como avaliar o seguinte (ABNT, 2018, p. 19): a) se os agendamentos estão sendo cumpridos e se os objetivos do programa de auditoria estão sendo alcançados; b) desempenho dos membros da equipe de auditoria, incluindo o líder da equipe de auditoria e os especialistas; A Norma pode ser adquirida por meio do Catálogo da ABNT: https://www.abntcatalogo.com.br/. 3 - Determinação e avaliação dos riscos e oportunidades do programa de auditoria Auditoria Interna em Qualidade 19 c) capacidade das equipes de auditoria de implementar o plano de auditoria; d) feedback para clientes de auditoria, auditados, auditores, especialistas e outras partes inte- ressadas pertinentes; e) suficiência e adequação de informação documentada em todo o processo de auditoria. 3.6 ANÁLISE CRÍTICA E MELHORIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA Na intenção de aperfeiçoar o programa de auditoria, a sua análise crítica deveria considerar questões relevantes sobre o seu funcionamento, com o objetivo de constatar a alcance dos seus objetivos, como as indicadasa seguir (ABNT, 2018, p. 20): a) resultados e tendências do monitoramento do programa da auditoria; b) conformidade com os processos do programa da auditoria e informação documentada pertinente; c) necessidades e expectativas em evolução de partes interessadas pertinentes; d) registros do programa de auditoria; e) métodos novos ou alternativos de auditoria; f) métodos novos ou alternativos para avaliar auditores; g) eficácia de ações para abordar os riscos e oportunidades e questões internas e externas associadas ao programa de auditoria; h) questões de confidencialidade e segurança da informação relativas ao programa da auditoria. Observe que um programa de auditoria não possui um conteúdo definitivo pois é dinâmico, ou seja, da mesma forma que procuramos melhorar continuamente os processos das empresas por meio da gestão da qualidade, o mesmo foco pode ser dado para o programa de auditoria. Isto é, por melhor que ele seja planejado, durante a sua execução, ao longo do tempo, podemos e devemos monitorá-lo, analisá�lo, para que consigamos agir para a sua melhoria continuamente. Videoaula Clique aqui e assista ao vídeo referente ao detalhamento das atividades constantes no fluxograma do processo de gestão de um programa de auditoria. Agora é com você! Vimos, até aqui, sobre o gerenciamento dos programas de auditoria, bem como o fluxograma do processo de gestão, seguindo os princípios do ciclo PDCA. Antes de dar sequência aos seus estudos, acesse a sala virtual deste curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e faça a atividade de Reflita e Responda proposta. Após você estudará sobre os procedimentos de auditoria interna. Auditoria Interna em Qualidade 20 4 PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA INTERNA A norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018) sistematiza as atividades de auditoria, ilustradas na seção 6 da Figura 2, e repetidas a seguir na Figura 3, sendo as atividades organizadas em uma ordem sequencial, servindo como um guia para os auditores realizarem seu trabalho e permitindo o desenvolvimento de um roteiro a ser seguido durante as auditorias. Figura 3 - Organização e sequenciamento das atividades de auditoria PLANEJAR (PLAN) FAZER (DO) CHECAR (CHECK) AGIR (ACT) 6.2 Iniciando a auditoria 6.3 Preparando atividades da auditoria 6.4 Conduzindo as atividades da auditoria 6.7 Conduzindo acompanhamento da auditoria 6.5 Preparando e distribuindo o relatório da auditoria 6.6 Concluindo a auditoria Seção 6 Fonte: Adaptado de ABNT (2018, p.9). Ao observar a Figura 3, pode-se constatar que há uma série de providências a serem tomadas antes de conduzir as atividades da auditoria. Elas são necessárias para a organização do trabalho de auditoria e para que este possa ser realizado com eficácia e realmente contribua para a melhoria contínua do SGQ. Na sequência das atividades da Figura 3, são estabelecidos vários passos que vão levar à conclusão da auditoria logo após a distribuição do seu relatório. Cabe observar que o item “Conduzindo acompanha� mento da auditoria” não faz mais parte da auditoria propriamente dita, mas consta da figura porque pode ser inserida no plano da auditoria para verificar o encaminhamento das questões apuradas durante o processo de auditoria. Nos próximos tópicos, apresentaremos a descrição de cada uma das etapas de sequenciamento das atividades de auditoria apresentadas na Figura 3, as quais podem ou não seguir a sequência exata do fluxo da referida figura, dependendo de especificidades como o que será o auditado, quais os processos serão auditados e de circunstâncias específicas da auditoria. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 21 4.1 INICIANDO A AUDITORIA Como primeira providência a ser tomada antes do início da auditoria, é recomendável designar um líder da equipe, para que todos os envolvidos possam saber a quem se reportar em relação as suas atividades durante todo o processo. Quando se trata de uma auditoria interna do SGQ de uma empresa de pequeno porte, normalmente a equipe de trabalho não é muito numerosa, mas quando a empresa é maior e necessita-se, por exemplo, auditar várias unidades da empresa, o tamanho da equipe tende a aumentar. Sendo assim, haverá maior necessidade de definir detalhadamente as atribuições de cada um durante o processo e a autoridade do líder da equipe. A seguir, apresentaremos a descrição das atividades da etapa “Iniciando a auditoria”. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Estabelecendo contato com o auditado Antes do início da auditoria convém que o auditor líder da equipe, ou que seja responsável pelo gerenciamento do programa de auditoria, inicie contato com o auditado para facilitar o processo de auditoria a ser realizado. Esse contato inicial entre equipe de auditoria e o auditado pode ter como objetivos: Confirmar que a equipe tem autoridade para realizar a condução do processo de auditoria; Informar ao auditado sobre o objetivo e escopo da auditoria, sobre quem será a equipe auditora e qual a duração de todo o processo; Solicitar acesso a documentos e registros da empresa relacionados ao SGQ e estabelecer arranjos para a realização da auditoria, incluindo o seu agendamento. Mesmo a auditoria estando planejada de acordo com o programa de auditoria da empresa para determinado período, no momento de realizá-la, nem sempre há viabilidade para sua execução. Questões que podem inviabilizá-la podem estar relacionadas com a insuficiência e/ou falta de informações apropriadas para a sua realização, falta de cooperação do auditado, seja de determinado setor da empresa, seja da organização integralmente, e disponibilidade não adequada de tempo e recursos para a realização do processo (ABNT, 2018). 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 22 1ª ETAPA 2ª ETAPA Determinando a viabilidade da auditoria A partir do momento em que se determina a viabilidade da auditoria, passa-se a definir a equipe de auditoria. Para a sua composição, deverá ser levada em conta a competência necessária da equipe para que possam ser alcançados os objetivos propostos. Nesse sentido, a norma ABNT ISO 19011:2018, na sua seção 7, descreve como pode ser determinada a competência dos auditores e quais os processos necessários para avaliá-los. Informação Para conhecer as informações relativas à competência e avaliação dos auditores, componente este não abrangido pelo nosso curso, você pode adquirir a norma ABNT ISO 19011:2018, com algum representante da ABNT próximo à sua cidade ou encomendá-la pelo site http://www.abnt.org.br, ou https://www.abntcatalogo.com.br/. Se a sua empresa pretende implementar um Sistema de Gestão da Qualidade SGQ, provavelmente ela adquirirá ABNT ISO 19011 então, você poderá utilizá-la para conhecer as informações sobre esse assunto. Videoaula Clique aqui e assista ao vídeo sobre a etapa “Iniciando a auditoria”. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 23 4.2 PREPARANDO ATIVIDADES DA AUDITORIA A seguir, apresentaremos a descrição das atividades da etapa “Preparando as atividades da auditoria”. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Realizando análise crítica de informação documentada 3ª ETAPA 4ª ETAPA Antes de se iniciar a auditoria propriamente dita, é importante ter conhecimento da documentação do auditado e analisá-la criticamente. Essa providência é fundamental em auditorias feitas por auditores externos, quando é indispensável verificar a condição de documentação até para confirmar a data da auditoria, pois tal processo envolve remuneração dos auditores externos e, caso a documentação não esteja em ordem, faz�se necessário reprogramar a data da auditoria para evitar que o trabalho seja improdutivoe que acarrete em custos desnecessários para a organização. Como estamos tratando nesse curso de auditoria interna, os custos aqui mencionados não se referem a pagamento de consultores, mas à eventual necessidade de deslocamento dos auditores internos para auditar o SGQ em unidades distantes das suas. Por outro lado, para a otimização do trabalho dos auditores internos, é importante que a documentação do SGQ seja verificada com antecedência para checar se há condições mínimas para realizar a auditoria, pois o processo envolve a disponibilização de tempo dos auditores internos e dos auditados durante a auditoria, e o desperdício de tempo não é desejável por nenhuma das partes. A análise crítica prévia da documentação pode incluir, por exemplo, a verificação dos registros do SGQ e relatórios de auditorias anteriores, considerando os objetivos e o escopo da auditoria que se pretende realizar, bem como “o contexto da organização do auditado, incluindo seu tamanho, natureza e complexidade, e seus riscos e oportunidades relacionados” (ABNT, 2018, p. 22). 1ª ETAPA 2ª ETAPA Planejando a auditoria 3ª ETAPA 4ª ETAPA Um auditor interno da qualidade necessita ser um profissional organizado. Assim sendo, deve planejar adequadamente as suas atividades para a realização da auditoria. Desse modo, para preparar as atividades de auditoria no local a ser auditado, além de realizar a análise crítica de informação documentada, o auditor deve estar atento às seguintes questões: Realizar o planejamento da auditoria; Designar o trabalho para a equipe de auditoria; Preparar os documentos de trabalho para a auditoria. Você deve lembrar que a empresa que quer realizar uma auditoria interna da qualidade já deve possuir um programa de auditoria estabelecido. Portanto, deve seguir o que está estabelecido na sua estrutura. As atividades de cada auditoria deverão ser planejadas especificamente para cada situação. Sendo assim, antes de chegar ao setor auditado e começar a solicitar aos funcionários os registros do SGQ e uma série de informações, é fundamental preparar o seu plano de auditoria e comunicá-lo ao auditado. Em outras palavras, é importante informar a quem será auditado como será realizada a auditoria. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 24 No planejamento da auditoria, devem ser levados em consideração também os riscos eventuais que as atividades de auditoria podem acarretar nos processos do auditado. Lembre�se que a abordagem baseada em risco, discutida no tópico 2 do curso, é um dos princípios de auditoria. O plano deve ser consistente e claro, para facilitar a coordenação das atividades da auditoria. Porém, não deve ser rígido a ponto de não admitir modificações. É possível que seja necessário providenciar algumas adaptações no plano previamente elaborado, em razão de particularidades ou necessidades do auditado. A Norma ABNT ISO 19011:2018 (2018, p. 23) relaciona uma série de itens que devem fazer parte do planejamento da auditoria. Esses itens podem servir como um roteiro para o auditor realizar as suas atividades e também para o auditado se programar devidamente. O plano de auditoria pode conter: a) Os objetivos da auditoria; b) O escopo da auditoria, incluindo identificação das unidades organizacionais e funcionais, bem como os processos a serem auditados; c) Os critérios da auditoria e qualquer informação documentada de referência; d) Os locais (físicos e virtuais), datas, tempo e duração estimados das atividades de auditoria a serem conduzidas, incluindo reuniões com a direção do auditado; e) A necessidade de a equipe de auditoria se familiarizar com as instalações e processos do auditado (por exemplo, conduzindo uma visita ao(s) local(is) físico(s) ou analisando critica- mente tecnologia; de informação e comunicação); f) Os métodos de auditoria a serem usados, incluindo a extensão na qual a amostragem de auditoria seja necessária para obter evidências suficientes de auditoria; g) Os papéis e responsabilidades dos membros da equipe de auditoria, assim como dos guias e observadores ou intérpretes; h) A alocação de recursos apropriados, baseada na consideração dos riscos e oportunidades relacionados às atividades que serão auditadas. Convém que o planejamento da auditoria leve em conta, conforme apropriado: Identificação do(s) representante(s) do auditado na auditoria; Idioma de trabalho e do relatório da auditoria, quando for diferente do idioma do auditor ou do auditado ou ambos; Tópicos do relatório de auditoria; Arranjos de logística e de comunicação, incluindo arranjos específicos para os locais a serem auditados; Quaisquer ações específicas a serem tomadas para abordar riscos para se alcançarem os objetivos de auditoria e oportunidades que surjam; Assuntos relacionados à confidencialidade e segurança da informação; 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 25 Quaisquer ações de acompanhamento de uma auditoria anterior ou outra(s) fonte(s), por exemplo,lições apreendidas, análises críticas de projeto; Quaisquer atividades de acompanhamento para a auditoria planejada; Coordenação com outras atividades da auditoria, no caso de uma auditoria conjunta. Certamente esses itens são uma sugestão da norma mencionada. Você, na condição de auditor interno, deve adaptar o planejamento da auditoria à realidade e às necessidades e particularidades da empresa. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Atribuindo trabalho para a equipe de auditoria 3ª ETAPA 4ª ETAPA No que diz respeito à equipe que realizará a auditoria, é essencial programar o trabalho de cada profissional, para que as atividades sejam otimizadas e todos saibam o que fazer durante a auditoria. Nesse sentido, o auditor líder da equipe, consultando a equipe de auditoria, deve determinar o trabalho e as responsabilidades de cada profissional, levando em consideração as especificidades da auditoria e a formação e experiência de cada participante da equipe. A determinação de responsabilidades pode ser diferente, por exemplo, para auditores em treina� mento e especialistas ou com mais experiência nas atividades de auditoria. Portanto, é recomendável que responsabilidades mais complexas sejam determinadas para auditores especialistas ou mais experientes. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Preparando informação documentada para a auditoria 3ª ETAPA 4ª ETAPA Na preparação das atividades da auditoria, cada membro da equipe deve organizar adequadamente o seu material de trabalho, de acordo com as responsabilidades designadas a cada um. Para o registro das atividades, é importante que o auditor elabore formulários para registros de informações coletadas durante a auditoria. Esse tipo de formulário deve prever campos para o registro de informações já previamente planejadas, mas também deve ter espaço para o registro de outras informações apuradas durante o processo, que sejam importantes, mas que não haviam sido programadas no planejamento. Para o registro das informações da auditoria interna do SGQ, podem ser úteis informações audiovisuais, detalhes de amostragem de auditoria e listas de verificação (checklist), sendo essas últimas especial� mente importantes para facilitar o trabalho e evitar que algum item importante seja esquecido. A seguir, no Quadro 2, apresentamos um modelo de lista de verificação (checklist) para auditoria interna do SGQ. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 26 Quadro 2 - Modelo de lista de verificação (checklist) MARCA DA EMPRESA SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE Lista de Verificação de Auditoria Interna Processo auditado: Departamento/setor/área: Data: Auditor/auditores: Auditado/auditados: RequisitoSituação Comentários/ evidênciasC NC NA 4. Contexto da organização 4.4 Sistema de Gestão da Qualidade e seus processos 4.4.1 A organização estabelece, implementa, mantém e melhora continuamente seu Sistema de Gestão da Qualidade, incluindo os processos necessários e suas interações, de acordo com os requisitos da Norma ABNT ISO 9001:2015? 5 Liderança 5.1 Liderança e comprometimento 5.1.1 Generalidades A organização: Responsabiliza-se por prestar contas pela eficácia do sistema de gestão da qualidade? Assegura que a política da qualidade e os objetivos da qualidade são estabelecidos para o sistema de gestão da qualidade e que são compatíveis com o contexto e a direção estratégica da organização? 5.1.2 Foco no cliente A organização demonstra liderança e comprometimento com relação ao foco no ciente, assegurando que: Os requisitos do cliente e os requisitos estatutários e regulamentares pertinentes são determinados, entendidos e atendidos consistentemente? Os riscos e oportunidades que possam afetar a conformidade de produtos e serviços e a capacidade de aumentar a satisfação do cliente são determinados e abordados? O foco no aumento da satisfação do cliente é mantido? 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades O Sistema de Gestão da Qualidade da empresa inclui: Informação documentada requerida pela norma ABNT ISO 9001: 2015? Informação documentada determinada pela organização como sendo necessária para a eficácia do sistema de gestão da qualidade? 9. Avaliação de desempenho 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação Em relação ao seu Sistema de Gestão da Qualidade, a empresa possui definição sobre: a) o que precisa ser monitorado e medido? b) os métodos para monitoramento, medição, análise e avaliação necessários para assegurar resultados válidos? c) quando o monitoramento e a medição devem ser realizados? d) quando os resultados de monitoramento e medição devem ser analisados e avaliados? 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 27 9.2 Auditoria interna A empresa possui um programa de auditoria interna do Sistema de Gestão da Qualidade planejado, estabelecido, implementado e mantido? O Sistema de Gestão da Qualidade inclui a frequência, métodos, responsabilidades, requisitos para planejar e para relatar, inclui o que deve levar em consideração, a importância dos processos concernentes, mudanças que afetam a organização e os resultados de auditorias anteriores? 10 Melhoria 10.2 Não conformidade e ação corretiva Ao ocorrer uma não conformidade, incluindo as provenientes de reclamações, a organização: Reage a não conformidade e, como aplicável? Toma ação para controlá-la e corrigi-la? Lida com as consequências? Avalia a necessidade de ação para eliminar a(s) causa(s) da não conformidade, a fim de que ela não se repita ou ocorra em outro lugar? Analisa criticamente e analisa a não conformidade? Determina as causas da não conformidade? Assinatura do(s) auditor(es) que verificou(aram) os processos da lista C = Conforme NC = Não-conforme NA = Não se aplica Observação: No modelo constam apenas alguns requisitos da Norma ABNT ISO 9001:2015. As perguntas do checklist foram elaboradas a partir do conteúdo da norma ABNT ISO 9001:2015 (ABNT, 2015, p. 1-22). Fonte: Senac (2017). Como durante a auditoria é necessário reter alguns documentos de trabalho do auditado para verificação, você deve lembrar dos princípios que os auditores devem seguir, os quais já foram apresentados neste curso e são: Integridade; Apresentação justa; Devido cuidado profissional; Confidencialidade; Independência; Abordagem baseada em evidência; Abordagem baseada em risco. Muitas vezes, durante a auditoria, o auditor tem acesso a documentos confidenciais da empresa e deve tomar extremo cuidado tanto no que se refere a não divulgação das informações quanto a um possível extravio desses documentos. Durante a auditoria, o auditor deve ser responsável pela proteção e guarda dos documentos da empresa que estiverem sob seu poder para análise ou conferência. Videoaula Clique aqui para assistir ao vídeo com a explicação da etapa “Preparando as atividades da auditoria”. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 28 4.3 CONDUZINDO AS ATIVIDADES DA AUDITORIA A seguir, apresentaremos a terceira fase do item “Conduzindo as atividades da auditoria”, ou seja, as atividades que compõem a auditoria propriamente dita. Atribuindo papéis e responsabilidades para guias e observadores 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Em uma auditoria é possível que além dos auditores e auditados também participem, eventualmente, guias e observadores, desde que eles não interfiram na condução da auditoria. A autorização dessa participação deve ser solicitada ao líder da equipe da auditoria, ao cliente da auditoria e/ou o auditado. Mas, se os guias e observadores não devem interferir na condução da auditoria, qual a sua função? Segundo a norma ABNT ISO 19011:2018, (2018, p. 25) suas responsabilidades podem incluir: a) auxiliar os auditores na identificação de pessoas para participar de entrevistas e na confir- mação de horários e locais; b) arranjar acesso aos locais específicos do auditado; c) assegurar que as regras relativas aos arranjos para acesso específicos do local, saúde e segurança, meio ambiente, segurança, confidencialidade e outras questões sejam conhecidas e respeitadas pelos membros da equipe de auditoria e observadores, e que quaisquer riscos sejam abordados; d) testemunhar a auditoria em nome do auditado, quando apropriado; e) fornecer esclarecimento ou auxiliar na coleta de informação, quando necessário. Conduzindo a reunião de abertura 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Antes de iniciar a coleta de informações nas instalações da empresa, é importante oficializar a reali� zação da auditoria. Essa oficialização pode ser formal ou informal, dependendo do tipo e estrutura da empresa. Se você está trabalhando em uma empresa com dez funcionários e dois ou três setores, e a gestão da empresa é pouco complexa, possivelmente não será necessária uma reunião formal de abertura. Porém, se você for auditor de uma empresa com cem funcionários, vários departamentos e unidades, muito provavelmente será recomendável e até exigido pela organização que seja realizada uma reunião formal para comunicar o início do trabalho e alinhar algumas questões entre a equipe de auditoria e os setores ou unidades a serem auditadas. Na medida do possível, e dependendo da dinâmica e gestão da empresa, devem participar da reunião de abertura a equipe de auditoria (o líder da equipe deve presidir a reunião), a direção da empresa auditada ou o responsável pelo setor, unidades ou processos a serem auditados. Esse tipo de reunião pode ser bastante útil para o trabalho a ser realizado, pois é uma oportunidade para a confirmação do plano de auditoria, para explicação de como as atividades serão realizadas 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 29 (podendo ser distribuído um resumo aos auditados); para a apresentação da equipe de auditoria, bem como de suas funções; assegurar a possibilidade de realização de todas as atividades planejadas da auditoria (ABNT, 2018). Importante É importante que se registre a reunião de abertura, o que pode ser feito por meio de ata ou relatório, além de registro fotográfico, caso seja conveniente. Desse modo, já se iniciam as atividades de uma forma organizada, auxiliando no seu controle. Comunicação durante a auditoria 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA A comunicaçãoé uma das habilidades mais importantes para os profissionais que trabalham intera� gindo com pessoas. Em uma auditoria do SGQ, quando um profissional ou uma equipe analisa docu� mentos e registros da empresa, falhas de comunicação podem prejudicar a realização do trabalho. Portanto, deve ser considerada a necessidade de alinhamento entre a equipe de auditoria e os auditados sobre como será realizada a comunicação durante a auditoria, especialmente no caso de processos complexos e quando o escopo da auditoria for mais abrangente. A própria equipe de auditoria deve se comunicar periodicamente entre si para a verificação de como está o andamento do trabalho (por exemplo, qual o percentual da auditoria já realizado em dado momento e eventuais dificuldades encontradas para a realização do trabalho), informar eventuais necessidades de mudanças ou de redistribuição das atividades entre os membros da equipe. Esse tipo de informação pode auxiliar na tomada de decisão da própria equipe de auditoria e da empresa auditada. A comunicação periódica do andamento da auditoria também deve ser feita para o auditado e o cliente da auditoria. Qualquer evidência da auditoria coletada durante a realização do trabalho que necessite de uma providência urgente deve ser relatada logo que possível para o auditado e, se for o caso, para o cliente. Durante uma auditoria também podem surgir assuntos fora do escopo planejado originalmente. Nesse caso, igualmente é recomendável a comunicação ao líder da auditoria e ao auditado, podendo, a partir dessa comunicação, ser realizada alguma mudança nos objetivos ou no escopo da auditoria, ou ainda pode ser inclusive encerrada a auditoria. Contudo, qualquer mudança tem que ser analisada e autorizada pelo cliente, ou, se for o caso, pelo auditado (ABNT, 2018). 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 30 Disponibilidade e acesso de informação de auditoria 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA O acesso adequado e em tempo hábil é importante para o alcance dos objetivos da auditoria. Contudo, nem sempre a informação está disponível no local físico onde é realizada a auditoria, podendo difi� cultar o seu acesso. Com a crescente digitalização dos processos no ambiente corporativo, existe uma tendência no aumento do armazenamento das informações de forma digital, o que pode influenciar na facilidade de acesso às informações. Por exemplo, se uma equipe de auditoria está auditando um processo em uma área de produção de uma indústria, é possível que as informações dos processos realizados nesse setor se encontrem em arquivos digitais armazenados em computadores de áreas administrativas da empresa. Assim, atividades de auditoria podem ser presenciais (realizadas no local do auditado) ou remotas (realizadas em local diferente do local do auditado). Esse fato pode influenciar a maneira como a auditoria será executada, portanto, é importante que a equipe de auditoria saiba, antes de iniciar a auditoria, onde se encontram informações da empresa necessárias para a auditoria (ABNT, 2018). Analisando criticamente a informação documentada ao conduzir a auditoria 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Deve ser realizada uma análise crítica da documentação do auditado para verificar se o sistema está em concordância com os critérios de auditoria e se está documentado (ABNT, 2018). Durante a análise crítica deve ser observado se a informação que consta nos documentos está completa, correta, consistente e se os documentos analisados abrangem o escopo definido para a auditoria, bem como se são suficientes para auxiliar no alcance dos objetivos da auditoria. Caso essas condições não estejam sendo alcançadas, é possível que as atividades de auditoria sejam suspensas até que sejam atendidas essas necessidades para a auditoria (ABNT, 2018). Coletando e verificando informação 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Este é o processo de consulta aos documentos e registros referentes ao SGQ da empresa para verificar a sua adequação aos requisitos do sistema. O tipo de informações coletadas e verificadas é direcionado pelos objetivos, escopo e critério da auditoria, definidos na fase de iniciação da auditoria. Para a coleta das informações é importante que seja realizada uma amostragem adequada ao tipo e complexidade do processo ou do setor que está sendo auditado. O que se deseja nessa fase é a geração de evidências da auditoria, que já estudamos neste curso. Ou seja, a intenção é acessar registros, fatos e outras informações e compará-los com os critérios da auditoria, que são as referências para a comparação. São os registros, apresentação de fatos ou outras informações, que sejam verificáveis e estejam relacionadas aos critérios de auditoria. Portanto, comparam-se as evidências de auditoria com os critérios desta para verificar o funcionamento do SGQ (ABNT, 2012). 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 31 Pelo fato de as evidências serem geradas com base em amostragens, é importante que as pessoas que utilizarão as constatações da auditoria tenham em mente a incerteza do processo de amostragem e, por consequência, da auditoria. Para a geração de evidências da auditoria, é possível buscar informações de várias formas dentro da empresa, no setor ou área auditada. Além de documentos que podem ser consultados para a verificação dos registros do SGQ e observação in loco da realização das atividades auditadas, podem ser realizadas entrevistas com pessoas ligadas ao escopo da auditoria. Tais entrevistas precisam ser apropriadas às pessoas entrevistadas, para que as informações coletadas sejam representativas do processo ou das atividades auditadas. A norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2012, p. 29) apresenta uma relação de fontes possíveis de infor� mação para a geração de evidências da auditoria, bem como algumas orientações para a condução de entrevistas para a coleta de informações durante a auditoria. As fontes de informações e orientações podem variar de acordo com o escopo e a complexidade da auditoria. Conheça a seguir quais são essas fontes: Entrevista com os empregados e outras pessoas. Observações de atividades e ambiente de trabalho ao redor, incluindo condições. Documentos, como políticas, objetivos, planos, procedimentos, normas, instruções, licenças e permissões, especificações, desenhos, contratos e ordens de compra. Registros, como registros de inspeção, atas de reuniões, relatórios de auditoria, registros programas de monitoramento e os resultados de medições. Dados sumarizados, análises e indicadores de desempenho. Informações sobre os planos de amostragem do auditado e sobre os procedimentos para controle de amostragem e processos de medição. Relatórios de outras fontes, como, por exemplo, realimentação dos clientes (feedback), medições e pesquisas externas outras informações pertinentes de partes externas e clas� sificação de fornecedores. Base de dados e sites. Simulação e modelagem. Entrevistas representam uma das mais importantes formas de coletar informações, e convém que sejam realizadas de tal maneira a adaptar a situação à pessoa entrevistada, seja pessoalmente ou por outros meios de comunicação. Entretanto, convém que o auditor considere alguns cuidados, tais como: Que entrevistas sejam realizadas com pessoas de funções e níveis apropriados que realizem as atividades ou tarefas dentro do escopo da auditoria. Que entrevistas sejam normalmente conduzidas durante o horário normal de trabalho e, sempre que possível, no local de trabalho da pessoa que está sendo entrevistada.4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 32 Sempre que possível deixar a pessoa que está sendo entrevistada à vontade, antes e durante a entrevista. Que a razão para a entrevista e quaisquer anotações sejam explicadas. Que as entrevistas possam ser iniciadas pedindo às pessoas que descrevam os seus trabalhos. Selecionar cuidadosamente o tipo de questão usada (por exemplo, usar questões abertas, fechadas). Que os resultados das entrevistas sejam sumarizados e analisados criticamente com a pessoa entrevistada. Agradecer às pessoas entrevistadas pela sua participação e cooperação. Gerando constatações de auditoria 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA As constatações da auditoria são geradas com base na comparação das evidências com os critérios da auditoria. Portanto, tal etapa é consequência da coleta e verificação das informações. Estudamos ao longo deste curso, que como resultado da constatação de auditoria podemos encontrar tanto conformidades (confirmação da concordância do registro verificado com o critério auditado), como não conformidades (situação divergente em relação ao critério), o que se configuraria como uma oportunidade para melhoria. Nem sempre há concordância entre auditores e auditados a respeito das não conformidades encon� tradas. Para reduzir essa possibilidade de não concordância e para o aumento do grau de certeza das não conformidades detectadas, é recomendável que a equipe de auditoria se reúna durante a reali� zação desta, quando julgar necessário, com o objetivo de analisar criticamente as não conformidades detectadas. Nessa análise, também se recomenda que sejam checadas e registradas não somente as não conformidades como também as evidências de auditoria que as indicaram como tal (ABNT, 2012). As não conformidades podem ter diferentes graus. Portanto, é importante que elas sejam analisadas também em conjunto com o auditado, para se certificar que sejam necessárias e foram compreendidas. Sempre que houver divergências a esse respeito, deve-se agir no sentido de solucioná-las e, caso algum ponto não fique resolvido, esse fato deve fazer parte do relatório. A seguir, no Quadro 3, apresentamos um modelo de relatório de não-conformidade de auditoria interna do SGQ. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 33 Quadro 3 - Modelo de relatório de não conformidade MARCA DA EMPRESA SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE Relatório de Não Conformidade Nº: Elaborado por (nome): Processo auditado: Departamento/setor/área: Data: Fato detectado (descrição da não conformidade): Requisito (da norma ISO 9001 que não foi atendido) Evidência de auditoria (que demonstra que o requisito não foi atendido): Causa da não conformidade: Ação corretiva/preventiva recomendada: Responsável: Data para a implementação: Análise da ação corretiva/preventiva implementada: Responsável (auditor): Data: Aprovação da análise da ação: Responsável (Representante da Direção): Data: Fonte: Senac (2017). 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 34 As constatações da auditoria também podem indicar situações de conformidade, ou seja, que os requisitos do SGQ estão sendo atendidos. Da mesma forma que para as não conformidades, as evidências que dão suporte às constatações de conformidade devem ser registradas pelo auditor. Determinando conclusões de auditoria 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Antes de realizar a reunião de encerramento da auditoria, a equipe de auditoria deve se reunir ou se comunicar com a finalidade de definir como serão abordados os resultados do processo realizado. A equipe necessita realizar uma análise crítica das constatações da auditoria e outras informações coletadas para examinar a sua relação com os objetivos da auditoria. A equipe deve ainda, levando em consideração a incerteza do processo de auditoria e assumindo que esse processo é baseado em amostragens, decidir sobre as conclusões a serem feitas sobre a auditoria. Considerando ainda os objetivos da auditoria, a equipe pode elaborar recomendações para o auditado e, se constar do plano de auditoria a organização de ações de acompanhamento de auditoria, discutir sobre tais ações a serem planejadas. As conclusões da auditoria podem abranger, entre outros pontos, pareceres da equipe de auditoria a respeito de quão conforme está o SGQ relativamente ao critério de auditoria, a eficácia da implemen� tação do SGQ, sua manutenção e melhoria, além da capacidade atual do processo de análise crítica pela direção da empresa para garantir que o SGQ seja pertinente, adequado e sua melhoria seja eficaz de maneira contínua (ABNT, 2018). Caso os objetivos da auditoria tenham determinado, a equipe de auditoria pode fazer sugestões para a empresa auditada, no sentido de melhorar o seu SGQ. Conduzindo a reunião de encerramento 1ª ETAPA 4ª ETAPA3ª ETAPA2ª ETAPA 5ª ETAPA 6ª ETAPA 7ª ETAPA 8ª ETAPA 9ª ETAPA Após a devida programação, o líder da equipe de auditoria deve conduzir a reunião de encerramento desta, da qual podem participar, além dos demais auditores da equipe, os responsáveis pelas funções e processos auditados, o cliente, o auditado e a direção do auditado (ABNT, 2018). Nessa reunião, devem ser apresentadas as constatações e conclusões da auditoria. No entanto, o auditor deve se empenhar em se certificar que elas sejam compreendidas e reconhecidas pelo auditado, ressal� tando o caráter de amostragem e possíveis incertezas no que se refere às constatações, evidenciando alguma situação ocorrida ou encontrada durante o processo que possa diminuir a confiabilidade das conclusões da auditoria. Outro ponto que pode ser abordado nessa reunião é a determinação de um prazo para apresentação de um plano de ação corretiva e preventiva por parte do auditado, caso isso também esteja alinhado aos objetivos da auditoria. 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 35 A exemplo da reunião de abertura da auditoria, a reunião de encerramento também deve ser regis� trada, por exemplo, por meio de uma ata. Certamente, que, quando auditoria for realizada em uma pequena empresa, esse nível de formalidade pode não ser necessário, bastando apenas comunicar ao auditado e ao cliente as conclusões da auditoria. Eventuais opiniões e divergências sobre a auditoria devem ser discutidas e, sempre que possível resolvidas. Na impossibilidade de serem resolvidas, as divergências devem registradas em ata ou outro documento de registro (ABNT, 2012). Videoaula Clique aqui para assistir ao vídeo com a explicação da etapa “Conduzindo as atividades da auditoria”. 4.4 PREPARANDO E DISTRIBUINDO O RELATÓRIO DA AUDITORIA A seguir, apresentaremos a descrição das etapas do item “Preparando e distribuindo o relatório da auditoria”. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Preparando o relatório de auditoria A elaboração do conteúdo do relatório da auditoria deve ser de responsabilidade do líder da equipe, que tomará como base os seus próprios registros e os registros dos demais auditores da equipe. O relatório deve conter informações a respeito da auditoria de uma forma clara, concisa e completa. A norma ABNT ISO 19011:2018 (ABNT, 2018, p. 32) apresenta uma relação de itens que deve conter um relatório de auditoria. Conheça a seguir sugestões de conteúdo para esses relatórios: a) Objetivos de auditoria; b) Escopo de auditoria, particularmente a identificação da organização (o auditado) e as funções ou processos auditados; c) Identificação do cliente de auditoria; d) Identificação da equipe de auditoria e de participantes do auditadona auditoria; e) Datas e locais onde as atividades de auditoria foram conduzidas; f) Critérios de auditoria; g) Constatações de auditoria e evidências relacionadas; h) Conclusões de auditoria; i) Uma declaração sobre o grau no qual os critérios de auditoria foram atendidos; 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 36 j) Quaisquer opiniões divergentes não resolvidas entre a equipe de auditoria e o auditado; k) Auditorias por natureza são um exercício de amostragem; como tal, há um risco de que a evidência de auditoria examinada não seja representativa. Conheça a seguir, outras informações que podem ser incluídas no relatório da auditoria, ou fazer referência, se apropriado. Plano de auditoria, incluindo agenda; Um resumo do processo de auditoria, incluindo quaisquer obstáculos encontrados que possam reduzir a confiabilidade das conclusões de auditoria; Confirmação de que os objetivos de auditoria foram alcançados no escopo de auditoria de acordo com o plano de auditoria; Quaisquer áreas no escopo da auditoria não cobertas, incluindo quaisquer questões de disponibilidade de evidência, recursos ou confidencialidade, com justificativas relacionadas; Um resumo cobrindo as conclusões de auditoria e as principais constatações de auditoria que a apoiam; Boas práticas identificadas; Acompanhamento de plano de ação acordado, se houver; Uma declaração da natureza confidencial dos conteúdos; Quaisquer implicações para o programa de auditoria ou auditorias subsequentes. Faz parte das responsabilidades do auditor emitir o relatório da auditoria dentro do período estabele� cido com o cliente, documento esse que deve ser datado. O programa de auditoria estabelecido previamente orientará os procedimentos de análise crítica e aprovação do relatório. Cabe, portanto, ao auditor seguir o que foi estabelecido no programa de auditoria. 1ª ETAPA 2ª ETAPA Distribuindo o relatório da auditoria Após a aprovação, o relatório da auditoria deverá ser distribuído às pessoas e setores determinados pelo cliente da auditoria. Lembre-se de que o relatório da auditoria pertence ao cliente, portanto, os membros da equipe da auditoria devem manter a confidencialidade desse documento. Além disso, é importante que o relatório seja datado, tenha sofrido uma análise crítica e tenha sido aprovado, atendendo o programa de auditoria (ABNT, 2018). 4 - Procedimentos de auditoria interna Auditoria Interna em Qualidade 37 4.5 CONCLUINDO A AUDITORIA Terminada a reunião de encerramento, aprovado e distribuído o relatório e concluídas todas as atividades previstas no plano da auditoria em questão, o auditor pode considerar então a auditoria como concluída. A retenção ou destruição dos documentos pertencentes à auditoria dependerá do que for acordado entre auditor, cliente e auditado, bem como deverá seguir os procedimentos do programa da auditoria, além de atender a requisitos definidos em estatutos, regulamentos ou contratos. O princípio da conduta ética, que você estudou no tópico 2 deste curso também deve ser respeitado após a conclusão da auditoria. Assim, a menos que requerido por lei, o auditor não deve revelar para ninguém, conteúdo de documentos ou informações obtidas na auditoria, ou constantes do relatório da auditoria, sem que tal divulgação seja aprovada explicitamente pelo cliente da auditoria ou pelo auditado. Videoaula Clique aqui para assistir ao vídeo com a explicação sobre as últimas etapas da auditoria, que é o relatório e a conclusão do mesmo. 4.6 CONDUZINDO O ACOMPANHAMENTO DA AUDITORIA Caso as conclusões da auditoria indiquem a necessidade de ações corretivas, preventivas ou de melhoria, tais ações devem ser executadas pelo auditado dentro de um prazo consensuado. Contudo, elas não mais fazem parte da auditoria. No entanto, durante o prazo estabelecido para a realização das ações determinadas no relatório da auditoria, ou em uma auditoria subsequente, pode ser verificado, por exemplo, se as ações corretivas estão sendo eficazes, por meio de uma auditoria subsequente. Auditoria Interna em Qualidade 38 CONSIDERAÇÕES Você chegou ao final do curso Auditoria Interna em Qualidade, no qual você teve a oportunidade de conhecer e estudar as principais nomenclaturas utilizadas em auditorias e os importantes princípios que um auditor interno da qualidade deve seguir para realizar uma auditoria confiável. Esses princípios permeiam praticamente todas as atividades do auditor, envolvendo o plane� jamento dos programas de auditoria, a elaboração dos planos dessa, bem como a realização da auditoria propriamente dita e a elaboração do seu relatório. Dentre os pontos estudados, os mais relevantes para a sua atuação como auditor interno da qualidade, além dos princípios da auditoria, conhecimento das etapas do programa de auditoria, são as etapas do processo de gestão de um programa de auditoria e as atividades de auditoria. Essas atividades devem seguir uma sequência lógica estabelecida também em um fluxograma, podendo, essa sequência, ser alterada em função de especificidades da auditoria, sendo que a auditoria deve culminar com um relatório consistente que será distribuído às pessoas e setores determinados pelo cliente da auditoria. Portanto, podemos concluir que o papel do auditor interno da qualidade é de grande impor� tância para a gestão das empresas. A partir do aperfeiçoamento que você obteve por meio deste curso você terá possibilidade de acompanhar os procedimentos internos da empresa e verificar se estão sendo realizados adequadamente, bem como se estão alinhados com os objetivos da organização. Dessa forma, agora você possui um diferencial para atuar na área de gestão da qualidade na empresa onde trabalha, ou ainda, tem possibilidade de melhorar a sua empregabilidade no mercado de trabalho, com a condição de atuar nessa área em outras organizações que necessitem de profissionais com a formação em gestão da qualidade. Atenção Você finalizou seus estudos neste curso. Agora, realize a atividade Avaliativa, que está disponível no menu lateral esquerdo da Sala Virtual deste curso no Ambiente Virtual. Lembre�se que para ser aprovado e receber o certificado, você deverá atingir um aproveitamento superior ou igual a 70%. Auditoria Interna em Qualidade 39 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011:2018 – Diretrizes para auditorias de sistemas de gestão. Rio de Janeiro, ABNT: 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO/IEC 17021-1 – Avaliação da conformidade – Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de sistemas de gestão – Parte 1: Requisitos. Rio de Janeiro, ABNT: 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001: 2015 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, ABNT: 2015. CAMPOS, V. F. TQC – Controle da qualidade total (no estilo japonês). Nova Lima, MG: INDG Tecnologia e Serviços Ltda., 2004. DA SILVA, A. C.; DA COSTA, S. R. R. Efetividade das auditorias da qualidade realizadas por montadoras em indústrias de autopeças. Revista Gestão Industrial, v. 09, n. 01: p.254-285, 2013. Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR, Campus Ponta Grossa – Paraná. PAIM, R.; CARDOSO, V.; CAULHERAUS, H.; CLEMENTE, R. Gestão de Processos: pensar, agir e aprender. Porto Alegre: Bookman, 2009. THINKSTOCK. Banco de Imagens. Disponível em: http://www.thinks� tockphotos.com. Acesso em: 14 de jul. 2017. CONTEXTUALIZANDO 1 OBJETIVO E DEFINIÇÕES DA AUDITORIA 1.1 OBJETIVO DA AUDITORIA 1.2 DEFINIÇÕES DA TERMINOLOGIA USADA EM AUDITORIAS DE SGQ 2 PRINCÍPIOS DE AUDITORIA 3 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADESDO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.1 DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS E DA ABRANGÊNCIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.2 DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS E OPORTUNIDADES DO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.3 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.4 IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.5 MONITORAMENTO DO PROGRAMA DE AUDITORIA 3.6 ANÁLISE CRÍTICA E MELHORIA DO PROGRAMA DE AUDITORIA 4 PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA INTERNA 4.1 INICIANDO A AUDITORIA 4.2 PREPARANDO ATIVIDADES DA AUDITORIA 4.3 CONDUZINDO AS ATIVIDADES DA AUDITORIA 4.4 PREPARANDO E DISTRIBUINDO O RELATÓRIO DA AUDITORIA 4.5 CONCLUINDO A AUDITORIA 4.6 CONDUZINDO O ACOMPANHAMENTO DA AUDITORIA CONSIDERAÇÕES REFERÊNCIAS