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CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Compreender os conceitos e as características das organizações. Identifi car as peculiaridades e as dimensões do ambiente em que as organizações do agronegócio estão inseridas. Entender a evolução do conceito de agronegócio, buscando correlacionar os desafi os presentes e futuros da produção de alimentos, fi bras e demais produtos. 10 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 11 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A compreensão da organização e de suas características predominantes é fundamental ao gestor para poder fazer uso efi ciente dos recursos de que dispõe e atuar em sinergia com os objetivos organizacionais, principalmente no agronegócio, onde tudo é “muito dinâmico”. O agronegócio é composto por milhares de organizações, que vão desde o pequeno produtor até algumas das maiores corporações de tecnologia do mundo. Ao acordar somos atendidos em inúmeras oportunidades por serviços produzidos e distribuídos por organizações de produção de bens e serviços. Passamos o dia realizando atividades individuais e coletivas em ambientes organizacionais e nem nos damos conta da importância das mesmas para a manutenção da nossa qualidade de vida. Todos os dias somos agraciados por produtos oriundos das organizações pertencentes ao agronegócio. As organizações estão presentes em nossas vidas e por meio delas temos conseguido avançar no conhecimento, no desenvolvimento de métodos e técnicas de produção, tecnologias que permitem difundir o conhecimento, cooperar com os seus parceiros, integrar-se com os seus pares, enfi m, atender às mais distintas necessidades humanas. A compreensão e análise organizacional no campo da administração tem merecido inúmeras, distintas e complementares formas de classifi cações, cada qual retratando um modo de olhar e compreender este ente complexo e muito presente na vida associada. O conhecimento dos diferentes tipos de organização e estrutura organizacional é relevante para o administrador, na medida em que sua atuação profi ssional ocorre predominantemente no ambiente organizacional e de suas interfaces com entes assemelhados (fornecedores, concorrentes, agências de regulação, entes governamentais, entidades do terceiro setor e clientes em geral). Nesse contexto, o capítulo apresentará os conceitos e as características das organizações, os ambientes, as estruturas organizacionais. E, além disso, o capítulo irá fornecer as bases conceituais para avançarmos em direção ao entendimento da dinâmica que envolve as organizações no agronegócio. Um bom estudo a todos e todas! CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DAS ORGANIZAÇÕES Quando pensamos em organizações, de qualquer tipo (veremos na sequência), parece difícil imaginar atividades que não estejam interligadas 12 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I na forma de construir relações sociais e de produção. As organizações estão presentes no nosso dia a dia e nos diferentes setores, uma vez que “afetam fortemente cada aspecto da existência humana – nascimento, crescimento, desenvolvimento, educação, trabalho, relacionamento social, saúde, e até mesmo a morte” (SILVA, 2013, p. 43). Por exemplo, podemos pensar nos irmãos McDonald (Dick e Mac). Eles começaram um negócio simples, empregando princípios comuns da administração, mas com um produto que possui raízes na agropecuária, como o trigo, o suíno e o bovino. Como tal, sua história é, certamente, uma história de negócios. Mas o mais importante, é uma história do agronegócio. Entre a produção da matéria- prima até a empresa dos irmãos Dick e Mac, há inúmeras organizações, algumas pertencentes ao mesmo tipo (veremos os tipos nos quadros 2 e 3). Você pode não ter percebido, mas por trás desse pequeno exemplo há inúmeros elementos que serão vistos ao longo do capítulo e nos demais capítulos. Aqui, porém, focaremos nas organizações. Ao se estudar organizações é necessário fazer delimitações, selecionando e priorizando características e dimensões que determinam a complexidade do contexto organizacional (SCHULTZ, 2016). McDonald’s Corporation é a maior cadeia mundial de restaurantes de fast food de hambúrguer, com sede nos Estados Unidos. Quadro 1 – Defi nições de organizações Autores Defi nição Morgan (1996, p. 24) Organização, organon em grego, quer dizer “ferramenta ou instrumento”. Stoner e Free- man (1985, p. 4) “Duas ou mais pessoas trabalhando juntas e de modo estruturado para alcan- çar um objetivo específi co ou um conjunto de objetivos”. Silva (2013, p. 43) As organizações são identifi cadas como possuindo quatro elementos principais: “pessoas, divisão do trabalho, limites de atuação e objetivos”. Mas, antes disso, você deve estar se perguntando: O que é uma organi- zação? Por possuir dimensões concreta e abstrata (ou tangíveis e intangíveis), as organizações podem ter muitos signifi cados ao mesmo tempo, dependendo da perspectiva de análise. Desta forma, o Quadro 1 apresenta algumas defi nições de organizações. 13 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Jones (2010, p. 7) “[...] é uma ferramenta que as pessoas usam para coordenar suas ações e obter alguma coisa que desejam ou valorizam”. Daft (2014, p. 12) As organizações, de qualquer tipo, grandes ou pequenas, públicas ou priva- das, possuem algumas características em comum: são “entidades sociais”; são “orientadas por metas”; são “projetadas como sistemas de atividade deliberada- mente estruturados e coordenados”; são “ligadas ao ambiente externo”. Simon (1965, p. 17) Organização é muito mais do que somente organogramas e um conjunto de cargos gerenciais, e pode ser pensada como “uma casa a ser habitada por seres humanos” ou um “complexo sistema de comunicações e inter-relações existentes num grupamento humano”. A organização pode ser considerada, portanto, como um “sistema de papéis” que proporciona aos membros deste sistema tomar decisões. Caravantes (1998, p. 26) Uma organização é “um sistema de atividades pessoais ou forças conscien- temente coordenadas”. Caravantes (1998, p. 27) “Uma organização é um grupo humano, composto por especialistas que tra- balham em conjunto em uma atividade comum”. Chanlat (1996, p. 40) Organização é um “subsistema estrutural e material” e um “subsistema simbó- lico”. O primeiro está relacionado à função produção e segundo as represen- tações individuais, sendo o poder a forma utilizada para mediar as relações entre estes dois subsistemas e com isso gerar o que o autor chama de “ordem organizacional”. Parsons (1967, p. 44) A defi nição de organização está condicionada primeiramente à existência de uma “meta específi ca”, o que diferencia este sistema de outros sistemas so- ciais. Entretanto, para ser defi nida como um sistema social, uma organização deve possuir uma “estrutura descritível”, em duas dimensões: a “cultural e institucional” como “padrão de valores” do sistema; e os “papéis” dos grupos e indivíduos no funcionamento da organização. Sandroni (1994, p. 248) “Conjunto de relações de ordem estrutural (direção, planejamento, operação e controle). [...] Consiste num sistema por meio do qual os desempenhos pessoais são operacionalizados e coordenados”. Merton (1967, p. 57) Uma organização é uma “estrutura social racionalmente organizada”, também defi nida como uma organização formal ou burocrática. Pagliuso, Car- doso e Spiegel (2010, p. 27) Organizações são “constructos sociais” em que são importantes as insta- lações físicas, as relações interpessoais, a natureza humana e as relações externas. O autor ressalta a importância da cultura (valores, crenças e regras de conduta) na organização, o que a caracteriza como “organismo vivo”, “con- textualizado”, “sistêmico”, “complexo” e como “seres que aprendem”. Fonte: Adaptado de Schultz (2016). 14GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I É possível perceber que o termo “Organização” tem sido utilizado em uma série de maneiras. Mas, de um modo geral, como descrito por Cunha et al. (2007), é utilizado em quatro sentidos diferentes, como um: i) processo; ii) estrutura de relacionamento; iii) grupo de pessoas; iv) sistema. • Organização como um processo: a organização é tratada como um processo dinâmico (que se modifi ca continuamente). É uma atividade gerencial que é essencial para o planejamento dos recursos da empresa. • Organização como um quadro de relacionamento: refere-se à estrutura de relacionamentos. Essa abordagem focaliza o relacionamento dos grupos entre si e as estruturas nas quais são desempenhados papéis como vendas e produção, ou seja, o grau de centralização ou descentralização e o “clima” dos valores e expectativas e objetivos das organizações, algo a que ocasionalmente nos referimos como o “caráter” das organizações. • Organização como um grupo de pessoas: a organização é, por vezes, vista como um grupo de pessoas que contribuem com os seus esforços para atingir certas metas. Essa abordagem prioriza a análise com grupos de pessoas que exercem suas atividades em conjunto e de organizações com níveis maiores de complexidade. Essa divisão, por vezes, se sobrepõe à abordagem anterior, pois também é analisado o relacionamento entre pessoas. • Organização como um sistema: a organização é vista como um sistema. Esse sistema reconhece que as organizações são compostas por “componentes” e que cada qual tem propriedades únicas, capacidades e relacionamento mútuo. O elemento constituinte de um sistema está ligado entre si de forma tão complexa que as ações tomadas por um, por exemplo, têm grande alcance e efeito sobre os outros. Sistema é um conjunto de elementos interdependentes de modo a formar um todo organizado, ou seja, é um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas (CHIAVENATO, 2002). De forma resumida, podemos considerar que a Organização é a fundação sobre a qual toda a estrutura de gestão é construída. Está relacionada ao desenvolvimento de um quadro de trabalho, onde esse é dividido em componentes gerenciáveis, a fi m de facilitar a realização dos objetivos e metas. Assim, a Organização é a estrutura que permite que A Organização é a fundação sobre a qual toda a estrutura de gestão é construída. 15 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 O agronegócio pode se envolver em uma variedade de atividades relacionadas à produção, processamento, comercialização e distribuição de alimentos. Quadro 2 – Tipos de organizações Tipos de organiza- ções formais Principais benefi ciários Principais problemas a serem enfrentados Exemplos de organizações Associações de benefício mútuo Quadro social Manutenção de pro- cessos democráticos internos. Partidos políticos, sindicatos, associações profi ssionais, clubes e organizações religiosas. Firmas comerciais Proprietários Maximização da efi ciên- cia das operações. Indústrias, lojas e bancos. Organizações de serviços Público que tem contato direto Confl ito entre o forneci- mento de serviços e a carreira profi ssional. Escritórios jurídicos, hospitais e escolas. os indivíduos possam trabalhar juntos. Em um sentido estático, uma organização é uma estrutura formada por um grupo de indivíduos que estão trabalhando em conjunto a fi m de um objetivo comum (VAN FLEET; VAN FLEET; SEPERICH, 2013). a) Tipos de Organizações Faz parte do “agronegócio” uma empresa que fatura bilhões de reais com suas vendas (empresa de sementes, de fertilizantes, processadora, de distribuição), que emprega “muitas” pessoas, como também faz parte um pequeno indivíduo que é vendedor de milho no Sul do país. O agronegócio pode se envolver em uma variedade de atividades relacionadas à produção, processamento, comercialização e distribuição de alimentos. A maior parte do volume real de negócios é conduzida por empresas formais, embora uma pessoa ou uma família também façam “seus negócios”. Assim, os agentes são donos de propriedades, sendo as circunstâncias dessas propriedades que dão à organização sua forma legal específi ca (CLEGG; HARDY, 1998). Vale ressaltar que o agronegócio é composto por organizações. Blau e Scott (1970) dividem as organizações formais em quatro tipos: i) Associações de benefício mútuo; ii) Firmas comerciais; iii) Organizações de serviços; e iv) Organizações de bem-estar público. Os critérios para diferenciar os tipos de organizações, segundo os autores, são: i) as relações entre os membros das organizações e o seu público; ii) o contexto social mais amplo; iii) a estrutura interna (formal e informal); iv) os processos de comunicação, v) a autoridade hierárquica; vi) os confl itos; vii) os mecanismos de controle; viii) as relações interpessoais; e ix) as relações interorganizacionais. O Quadro 2 descreve os tipos de organizações formais descritos pelos autores, sua relação aos benefi ciários e os principais problemas enfrentados, bem como alguns exemplos. 16 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Organizações de bem-estar público Público em geral Desenvolvimento de mecanismos democráti- cos de controle. Exército, corpo de bom- beiros, departamentos de polícia, institutos de pesquisa e presídios. Fonte: Adaptado de Blau e Scott (1970, p. 54-73). Assim, segundo Daft (2014), mesmo com as diferentes tipologias de organizações, as características comuns entre elas incluem a moral, a liderança, o trabalho em equipe, o desempenho e a sua estrutura. Cada característica poderá se apresentar de maneiras diferentes para cada organização. Por exemplo: a estrutura organizacional de uma propriedade agrícola não será a mesma que a estrutura de uma empresa de defensivos agrícolas e/ou de uma empresa de distribuição de alimentos, mas todas elas terão uma estrutura, desde uma simples (exemplo: com poucas divisões de atividades) até uma complexa (exemplo: muitas divisões de atividades). Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações, de Idalberto Chiavenato: CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. b) Teoria Geral da Administração – TGA Você deve estar se perguntando: O que é uma teoria e qual é a importância de se estudá-la? Pois bem, vamos lá. Muita gente, ao ouvir essa palavra (teoria), já a relaciona a algo sem utilidade prática. Conforme Stoner e Freeman (1999, p. 22), “teoria é um conjunto coerente de pressupostos elaborado para explicar as relações entre dois ou mais fatos observáveis e prover uma base sólida para se prever eventos futuros”. Sabe-se que a administração tem por objetivo estudar entidades dinâmicas chamadas organizações. Tais organizações “funcionam” com base em modelos já adotados no passado, práticas já consagradas que trouxeram resultados para as organizações em uma determinada época. Todo o conhecimento prático e técnico, que foi testado e implementado, formou a Teoria Administrativa. Ela é um corpo de informação e conhecimento que contém princípios de ordem metodológica sobre 17 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 as principais teorias administrativas. Assim, as teorias administrativas são práticas de gestão empresarial que foram desenvolvidas segundo a necessidade de cada época, a fi m de solucionar problemas administrativos da organização. Muitas teorias, com o passar dos anos, e com a modernização em todos os campos, acabaram caindo em desuso; mas todas continuam aplicáveis, dependendo da contingência. Assim, a TGA fornece ferramentas aos gestores a fi m de serem adotadas nas organizações. Quando bem aplicadas, podem gerar bons resultados. Por vezes, pode-se pensar que ciência envolve apenas matemática, física e química. Que o mercado não é um local de “ciência”, massim de resultados. Assim, fi ca a ideia de que no mercado não há espaço para falar e/ou fazer ciência. É por isso que há um alto grau de improvisação e, por vezes, baixo profi ssionalismo por parte dos gestores. Como consequência, inúmeras organizações fecharam suas portas. Mas, ao longo da história, os grandes progressos só foram possíveis graças ao desenvolvimento científi co. Nesse sentido, a administração precisa ser entendida como uma ciência, com princípios passíveis de verifi cação, e como tal deve ser valorizada e aplicada. Nesse sentido, destacam-se quatro razões para se estudar as teorias administrativas, conforme Stoner e Freeman (1999, p. 22): • As Teorias guiam as decisões da Administração. O estudo das Teorias nos ajuda a compreender os processos fundamentais. Com isso, permite prever o que irá acontecer em certas situações. • As Teorias dão forma a nossa visão das organizações. Mostram de onde retiramos algumas das nossas ideias sobre as organizações e sobre as pessoas que participam delas. • As Teorias nos conscientizam do ambiente empresarial. Cada teoria é produto do seu ambiente e adequada conforme as circunstâncias vigentes. As Teorias são uma fonte de novas ideias. • As Teorias dão chance de assumir um ponto de vista diferente com relação às situações do cotidiano. Elas podem coexistir conforme a necessidade e, a partir dela, abrirem novos enfoques. É importante que você entenda que as teorias são elaboradas a partir da observação de práticas e realidades existentes, em determinados ambientes. Após isso são formuladas hipóteses, comprovando-as ou negando-as. Assim, prática e teoria estão relacionadas entre si, observando que a prática inspira a construção teórica (NETO; SCHMITT, 2008). Mas não existem verdades absolutas – teorias absolutas. O Quadro 3 apresenta algumas teorias, a ênfase dada e seus principais enfoques. 18 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Quadro 3 – Teoria Geral da Administração Fonte: Adaptado de Chiavenato (2002). Teorias Data Ênfase Principais Enfoques Administração Científi ca 1903 Tarefas Racionalização do trabalho: nível operacional. Teoria Clássica 1911 Estrutura Organização formal. Teoria Neoclássica 1954 Princípios gerais da administração/ funções do administrador. Teoria da Burocracia 1909 Estrutura Organização formal burocrática/ra- cionalidade organizacional. Teoria Estruturalista 1947 Estrutura Múltiplas abordagens: Organização formal e informal/ Análise intraorgani- zacional; Análise interorganizacional. Teoria Estruturalista 1947 Ambiente Análise intraorganizacional e análise ambiental/ abordagem de sistema aberto. Teoria das Relações Hu- manas 1932 Pessoas Organização informal/ Motivação, liderança, comunicação e dinâmica de grupo. Teoria do Comportamento Organizacional 1957 Pessoas Estilos de Administração/ Teoria das Decisões/ Integração dos objetivos organizacionais e individuais. Teoria do Desenvolvimento Organizacional 1962 Pessoas Mudança organizacional planejada/ Abordagem de sistema aberto. Teoria da Contingência 1972 Ambiente Análise ambiental (imperativo ambien- tal)/ Abordagem de sistema aberto. Teoria da Contingência 1972 Tecnologia Administração da tecnologia (impera- tivo tecnológico). Novas abordagens na administração 1990 Competitividade Caos e complexidade/ Aprendizagem organizacional/ Capital intelectual. Assim, ao longo dos anos e da construção das teorias da administração, é possível observar o surgimento de propostas e abordagens que vêm a infl uenciar toda uma corrente teórica. Mas, ao olhar de outra perspectiva, tais surgimentos e constatações infl uenciaram e auxiliaram o modo de atuar das organizações. Nesse sentido, ressalta-se que teoria e prática estão interligadas, por meio da comprovação das realidades sociais, que podem ser modifi cadas (alterando a perspectiva teórica por consequência) e assim é desenvolvido o conhecimento acadêmico da gestão (NETO; SCHMITT, 2008). 19 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Para maior aprofundamento das teorias da administração, sugere-se o livro: Teoria Geral da Administração, de Idalberto Chiavenato: CHIAVENATO, Idalberto. Teoria geral da administração. Elsevier Brasil, 2002. Leitura adicional de artigo – PRIM, Carlos Henrique et al. A Teoria das Organizações e a Evolução do Pensamento Científi co. c) Ambiente Organizacional Finalizando a abordagem geral sobre organizações, trataremos sobre os ambientes das organizações. Entendemos que essa abordagem se torna necessária pela própria característica dos problemas associados ao agronegócio, relacionados com a gestão. Mas por que se torna importante analisarmos as organizações de forma isolada? A abordagem escolhida para analisar as teorias das organizações, e também as teorias que são utilizadas na ciência do agronegócio, levam em consideração a diversidade de formações dos gestores. Aqui, como em qualquer ciência, trabalhamos com modelos. Mas o que são modelos, afi nal? Considere a seguinte afi rmação: [...] Estamos todos acostumados a modelos (mapas), particularmente nas ciências naturais. Nos modelos científi cos, as relações causais hipotéticas são descritas matematicamente, depois testadas e verifi cadas em experimentos [...] Um mapa nunca representa um terreno, ele é uma reconstrução deste terreno de acordo com a fi nalidade e tarefa do mapa. A função fundamental de um mapa é destacar coisas importantes e deixar de lado coisas menos importantes - ou, em outras palavras: reduzir a complexidade (RÜEGG-STÜRM, 2005, p. 2). Assim são os modelos na ciência. Destacar o que é importante analisar. E o que é importante para o campo do agronegócio? A resposta a esta pergunta é dada por Conforte (2011). Ele afi rma que o interesse dos pesquisadores na Ciência do Agronegócio reside na análise de aspectos relacionados às organizações e seus ambientes (indivíduos, grupos e seu comportamento, estrutura organizacional, ambientes, governança, desempenho da empresa e outros). Mas também destaca que os analistas dessa área possuem interesse no desempenho mais abrangente, além dos limites da empresa (cadeia de valor, governança, ambiente institucional - políticas e regulamentos, dentre outros tantos aspectos). Em síntese, o estudo 20 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I do agronegócio pressupõe o uso de diversas disciplinas para que as análises possam construir uma explicação mais completa possível. Cada disciplina contribui com suas teorias e métodos para que seja possível então explicar determinado fenômeno (HOFF et al., 2007). Tanto os interesses diversos, quanto as abordagens diversas advêm das características do agronegócio em todo o mundo. Segundo Boehlje, Roucan-Kane, Bröring (2011), o agronegócio exibe uma série de características desafi adoras. Primeiro, é altamente volátil, tanto na produção quanto nas condições de mercado. Uma combinação de processos de produção biológica que são submetidos a predadores biológicos imprevisíveis (doenças, insetos, agentes patogênicos etc.), combinados com padrões climáticos variáveis, que resultam em variabilidade signifi cativa nas condições de produção e processamento e, portanto, na produtividade das atividades e seus resultados. Esta fl utuação na produção, combinada com a demanda quase constante dos diferentes produtos, resulta em fl utuações de preços, que acabam por impactar todo o sistema de produção. Para fi nalizarmos a análise no nível das organizações, de forma isolada, trataremos sobre os seus ambientes. As atividades comerciais das empresas são determinadas por seus ambientes. As empresas, foco principal das atividades comerciais, dependem das esferas ambientais. Dependendo da indústria ou da área da atividade comercial, essas esferas devem fazer um balanço de tendências que levam à mudança (RÜEGG-STÜRM, 2005). Ao considerarmos as organizações como um sistema aberto, é possível analisar as inter-relações entre asorganizações e o seu ambiente. Na Figura 1 temos a representação esquemática do ambiente externo e interno da empresa. Não estão colocados nessa fi gura elementos referentes à estrutura interna, pois como já assinalamos, se trata de um mapa. O livro de autoria de Chiavenatto (2002) traz explicações detalhadas sobre o tema. Normalmente, para que seja possível dizer o que é um sistema, é preciso delimitar suas fronteiras. No caso das empresas, essa defi nição não é trivial, dentre outras coisas, pela existência de diversas formas de cooperação existentes entre as empresas, ou mesmo com clientes, fornecedores ou parceiros (RÜEGG-STÜRM, 2005). O ambiente externo está representado como o ambiente geral. Já o ambiente das tarefas refere-se aos processos produtivos dentro da empresa e as suas relações. Esse ambiente está relacionado com o ambiente interno. E o ambiente interno está normalmente relacionado com as atividades de gestão, recursos humanos, recursos físicos, recursos fi nanceiros e informação. Cada empresa defi ne como irá utilizar esses recursos de forma efetiva, efi ciente e efi caz (Efi ciência é fazer certo as coisas. Efi cácia é fazer as coisas certas. Efetividade é fazer as coisas certas da maneira certa), atendendo aos objetivos dessa organização (VAN FLEET; VAN FLEET; SEPERICH, 2013). 21 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Figura 1 – Estrutura Analítica para analisar a Organização e seus ambientes Fonte: Van Fleet, Van Fleet e Seperich (2013, p. 69). Ambiente interno da organização Ambiente Sociocultural Ambiente político Ambiente tecnológico Ambiente internacional Ambiente econômico ConcorrentesProprietários Trabalho Clientes Reguladores Fornecedores Aliados Estratégicos Ambiente geral Ambiente de tarefas A organização e o seu ambiente interno ABORDAGENS INTERORGANIZACIONAIS NO AGRONEGÓCIO O que será tratado aqui pode ser lido, com algumas diferenças de ênfase, dependendo do objetivo dos autores, nas teses de Zylbersztajn (1995), Furlanetto (2002), Arbage (2004) e Gonçalves (2008). Existem muitas outras teses relacionadas com a temática do agronegócio, além dos livros indicados. Escolhemos a tese de Begnis (2007) para estruturar essa revisão, pela forma de exposição do conteúdo teórico e pelo estudo de caso (o qual sugerimos como leitura). Para outros materiais relacionados com o agronegócio, sugerimos o site do Centro Interdisciplinar em Agronegócio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O link encaminha direto para a seção de teses e dissertações: <http://www.ufrgs.br/ agronomia/joomla/index.php/ppgagro-teses-dissertacoes>. 22 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I a) Comodity System Approach (CSA) A origem dessa abordagem remonta à década de 1950, na Universidade de Harvard, dentro de uma lógica de cadeias. Davis et. al. (1957) foram os primeiros a utilizar o termo agribusiness, defi nindo-o como o conjunto das operações envolvidas no processo de produção e distribuição dos insumos agropecuários, as operações de produção na fazenda e as operações realizadas fora da unidade de produção agrícola, abarcando o armazenamento, processamento e a distribuição dos produtos agrícolas e seus derivados. Essa defi nição serviu de base para explicar a crescente inter-relação setorial entre agricultura, indústria e serviços. Esse trabalho teve o mérito de deslocar o centro da análise "de dentro para fora da fazenda", procurando tratar o setor agrícola de forma vinculada ao restante das atividades econômicas. Assim, o conceito de agribusiness considera a produção agropecuária como parte de um "sistema de commodities", enfatizando as suas relações com as agroindústrias e demais segmentos dos negócios que envolvem produtos primários. Evoluindo em relação ao seu trabalho pioneiro, em parceria com Davis, Goldberg (1968) desenvolveu uma nova forma de estudar os sistemas agrícolas. Seu campo de estudo foi a produção norte-americana de laranja, trigo e soja. Essa nova abordagem fi cou sendo conhecida como Commodity System Approach - CSA. Sobre a abordagem do CSA, Batalha (1997) afi rma que sua base teórica é diretamente derivada da teoria econômica neoclássica e inicialmente fundamentada no conceito de matriz insumo-produto de Vassily Leontief. Mais tarde, conforme Batalha (1997), ao desenvolver os primeiros estudos do agronegócio, com base no CSA, Goldberg percebeu as difi culdades e limitações da abordagem das relações insumo-produto e passou a utilizar conceitos originados no campo da economia industrial (o clássico paradigma teórico desta corrente, conhecido como Estrutura – Conduta – Desempenho, o qual veremos nos próximos capítulos). Nessa abordagem, as análises obedecem à sequência das transformações que passam os produtos até chegarem ao consumidor fi nal (de montante a jusante). O caráter dinâmico é determinado pela mudança tecnológica. Begnis (2007, p. 44) afi rma: [...] paralelamente aos estudos norte-americanos que obedeciam ao enfoque de sistema de mercadorias, na França uma forma similar de análise estava sendo desenvolvida: a abordagem de fi lière. [...] Entre as diversas abordagens sobre fi lière, se destaca a de Morvan, que defi ne fi lière como: (...) uma sucessão de operações de transformação que conduzem à produção de bens (ou de conjuntos de bens). Como destaca Morvan, a abordagem de fi lière, quando aplicada ao sistema industrial (ou agroindustrial), permite fazer inter-relações, 23 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 articulando todos os elementos (atividades e ações) deste sistema, transcendendo a tradicional divisão dos setores econômicos em primário, secundário e terciário e caminhando na direção de uma proposta de análise “mesoeconômica” capaz de avaliar o desempenho do conjunto e compreender a dinâmica do sistema. b) Cadeias de Produção Conforme Begnis (2007), a cadeia de produção normalmente está relacionada com a noção de fi lière, colocada anteriormente. Alguns pesquisadores entendem que o conceito de fi lière está associado a uma matéria-prima de base. Batalha (1997) diz que uma fi lière está relacionada a um produto fi nal, perfeitamente identifi cado pelo consumidor. Em relação ao conceito de cadeia de produção, Begnis (2007, p. 48) afi rma: Do que pode ser visto sobre as diferentes concepções sobre a lógica de cadeias produtivas, percebe-se que estas, de forma geral, envolvem um conjunto de agentes, atores e organizações (que representam seus elos) e que estão interligados através das diferentes etapas de transformação de um insumo. Mas igualmente é possível observar que não existe uma maior preocupação com o detalhamento destas ligações ou com uma análise mais apurada sobre a origem e a natureza destas relações que se estabelecem entre cada elo da cadeia produtiva. Talvez fosse necessário reconsiderar os modelos tradicionais, procurando aprofundar o nível de conhecimento acerca das formas de relações interorganizacionais, pois estas tendem a ser mais fl exíveis, voltadas ao compartilhamento de informações e tecnologias, focando principalmente nas relações de cooperação. Como também salienta Zylbersztajn (2000), tanto o enfoque de cadeias ou fi lières como o CSA não apresentam uma teoria que possa explicar os determinantes do nível e das formas de coordenação vertical. Os dois enfoques, mesmo concordando que integração vertical e contratos possam ser considerados como substitutos no provimento de mecanismos para a integração, não apontam uma teoria explicativa. No Capítulo 2 trataremos mais detalhes sobre o conceito de cadeia produtiva. Para ilustrar essa abordagem e dar subsídios para futuras análises, sugerimos: SOUZA, J. P. de; PEREIRA, L. B. Elementos básicos para estudo de cadeias produtivas: tratamento teórico-analítico. 24 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I c) Sistema Agroalimentar (SAG) O grupo do PENSA (Programa dos Estudos de Negócios do Sistema Agroalimentarda Universidade de São Paulo) foi o responsável pela ampliação do conceito de cadeias produtivas. Basicamente são inseridos os ambientes institucional e organizacional. Resumindo o conceito de SAG, tem-se: Os SAG’s são compostos por agentes que mantêm relações de cooperação e de competição que se transformam ao longo do tempo em virtude dos aspectos externos ou das mudanças na tecnologia. Para Zylbersztajn (2000), o aperfeiçoamento dessas relações pode tornar a arquitetura do sistema agroalimentar mais ou menos efi ciente, uma vez que esta rede de relações não é linear, mas composta de vários agentes que mantêm contatos entre si. Este autor ainda adverte que existe uma distinção entre cadeias e sistema agroalimentar. O SAG confi gura-se num conceito mais amplo do que a noção de cadeia produtiva, envolvendo o ambiente institucional e as organizações de suporte. Zylbersztajn (2000) revela que o SAG é visto como um conjunto de relações contratuais entre organizações, cujo objetivo é a disputa pelo consumidor. [...] Disto resulta que o SAG confi gura-se numa proposta ampliada do conceito de cadeias produtivas, seguindo a mesma lógica determinada pela sequência das atividades de produção, transformação e comercialização da produção agroalimentar (BEGNIS, 2007, p. 49, grifo nosso). Para mais um material com a representação “gráfi ca” de um SAG, sugerimos: SOUZA, José Paulo de; AVELHAN, Bruna Liria. Aspectos conceituais relacionados à análise de sistemas agroindustriais. Os avanços teóricos realizados por Zylbersztajn e o grupo do PENSA, bem como outros pesquisadores, têm se baseado nas abordagens derivadas da Ciência Econômica, chamada de Nova Economia Institucional, que se dedica ao estudo das transações (Economia dos Custos de Transação - ECT) e do ambiente em que essas se efetivam. Nessa abordagem, a relação entre os agentes se dá a partir de contratos (BEGNIS, 2007). O entendimento sobre os principais aspectos, e sua aplicabilidade, pode capacitá-lo a entender melhor as relações que acontecem em seu ambiente de trabalho, ao perceber como são caracterizadas as transações, e suas 25 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 consequências para a empresa, ou mesmo o sistema agroalimentar do qual fazem parte. Mas é preciso lembrar que isso não se restringe às empresas ligadas à produção de alimentos, todas as empresas ligadas ao agronegócio podem ser analisadas utilizando-se desse ferramental teórico. A origem das abordagens foi em setores fora do agronegócio, sua utilização permitiu um entendimento maior sobre as principais questões ligadas ao agronegócio. E para fi nalizar a síntese sobre esses aspectos teóricos relacionados, tem-se que: Também é possível conjugar a abordagem da Nova Economia Institucional e dos custos de transação com a metodologia da análise sistêmica. Quando se adota este caminho, Zylbersztajn e Neves (2000) advertem sobre a necessidade de se verifi car os padrões de concorrência e crescimento, baseados em condicionantes organizacionais, institucionais, concorrenciais e tecnológicos. Deste modo, conjugando-se os ambientes e as estratégias utilizadas pelos agentes, forma-se a estrutura de governança sobre a qual a cadeia produtiva se apoia. Para Zylbersztajn e Neves (2000), esta estrutura, se vista de forma sistêmica, constitui-se no elemento central na análise que permite determinar a existência de custos de transação e seus refl exos sobre o desempenho das organizações. No entanto, a existência de custos de transação não pode ser tomada de forma isolada como determinante do desempenho das organizações (BEGNIS, 2007, p. 62-63). Uma síntese sobre a abordagem de Nova Economia Institucional, analisando como evoluíram as diferentes abordagens: ZYLBERSZTAJN, Décio. Papel dos contratos na coordenação agroindustrial: um olhar além dos mercados. FARINA, Elizabeth M. M. Q. Competitividade e coordenação de sistemas agroindustriais: um ensaio conceitual. BARRA, G. M. J.; LADEIRA, M. B. Teorias institucionais aplicadas aos estudos de sistemas agroindustriais no contexto do agronegócio café: uma análise conceitual. Indicamos ainda outro estudo que traz elementos que tratam sobre com- petitividade, concorrência, custos de transação, coordenação e agronegócios. 26 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Esse texto faz uma revisão sintética sobre as teorias institucionais relacionadas com SAG, trazendo o debate para o café, bem interessante como revisão e aplicação. Um estudo de caso sobre uma fruta para exportação também nos parece pertinente indicar, pois já fi cou claro que os estudos de caso são formas de contextualizar conteúdo e aplicação prática. CARDOSO, L. V.; MEDEIROS, J. X.; SANTO, E. E. Competitividade e coordenação no sistema agroindustrial exportador de mamão brasileiro - estudo de casos múltiplos. Sugerimos como leitura sobre o assunto: SILVA, G. P.; BALEM, T. A.; SILVEIRA, P. R. C.; BEN, A. E. A Constituição do Sial (Sistema Agroalimentar Localizado) de São Francisco de Assis (RS) a Partir de Estratégias Locais e Políticas Públicas. Organizações Rurais & Agroindustriais, v. 17, n. 3, p. 302-317, 2015. MALAFAIA, Guilherme Cunha; BARCELLOS, Julio Otavio Jardim. Sistemas Agroalimentares Locais e a visão baseada em recursos: construindo vantagens competitivas para a carne bovina gaúcha. Na literatura, sobre sistema agroalimentar existe uma abordagem chamada Sistema Agroalimentar Local. Segundo Silva et al. (2015, p. 305), essa abordagem tem como objetivo: [...] o conceito de SIAL tem conotação multidisciplinar, capaz de integrar processos, pessoas e organizações, fatos históricos, recursos ambientais, especifi cidades, dentre outros, em um espaço físico delimitado, circunscrito pelas atividades agroalimentares. A análise e percepção da realidade por um quadro comum de variáveis permitem que os atores tenham aumento das relações entre os integrantes de um SIAL, bem como a criação de um espaço rico para construções coletivas. Essa discussão pode trazer elementos para debater a região [...]. 27 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 d) Supply Chain Management (SCM) Uma defi nição de Supply Chain Management pode ser resumida da seguinte forma: Para Furlanetto, uma cadeia de suprimentos (supply chain) constitui-se em um conjunto de relações verticais de compra e venda de ativos (de todas as espécies), cujos elos, devidamente conectados (daí a noção de cadeia), produzem pares distintos, mas complementares (noção de interdependência), de um produto ou serviço, que visa suprir as necessidades de um consumidor fi nal (FURLANETTO, 2002, p. 35). Segundo Cooper e Lambert (2000), o termo SCM foi originalmente introduzido por consultores organizacionais no início dos anos oitenta e, desde então, tem recebido crescente atenção (ARBAGE, 2004, p. 18-19). Outra forma de abordar esse conceito é: [...] Já para Ching (1999, p. 67), o SCM “é uma forma integrada de planejar e controlar o fl uxo de mercadorias, informações e recursos, desde os fornecedores até o cliente fi nal, procurando administrar as relações na cadeia logística de forma cooperativa e para o benefício de todos os envolvidos”. [...] Sobre este conceito, acrescenta-se a necessidade de se estender a integração da cadeia logística para fora das fronteiras da empresa. [...] identifi car os diferentes processos e atividades que agregam valores específi cos para o consumidor. [...] Para Lambert (2003), a operação de cadeias de suprimento integradas requer um fl uxo contínuo de informações, sendo que o consumidor se converte no foco primário de todo o processo. Segundo este autor, os processos-chave de uma cadeia de suprimentos para a agregação de valor são: a gestão da relação com o cliente; a gestão da prestação de serviço ao cliente; a gestão da demanda; o atendimento de pedidos; a gestão dos fl uxos de produção; a gestão de suprimentos; o desenvolvimentode produtos; a comercialização; e, por fi m, a retroalimentação do sistema (BEGNIS, 2007, p. 52-53). Segundo Begnis (2007), essa retroalimentação é o maior desafi o do SCM. Isso acarreta uma visão sistêmica, compartilhada por todas as fi rmas envolvidas na cadeia de suprimentos. Uma única empresa buscando a excelência não é sufi ciente para o ganho global da cadeia. Os autores fazem um review sobre o tema. Se trata de um texto bem organizado que apresenta de maneira direta os temas. As explicações são claras e apresentam uma boa progressão na argumentação: AUGUSTO, C. A. et al. Cadeia de Suprimentos: uma análise a partir da Teoria dos Custos de Transação, da Teoria dos Custos de Mensuração e da Visão Baseada em Recursos. 28 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I e) Cadeia de Valor Um ensinamento da Ciência Econômica é que nem todas as coisas são mercadorias, pois é o ato de trocar que cria valor econômico e transforma as coisas em mercadoria. Porém, a capacidade de algo ser negociável depende do contexto social e cultural, então o mercado na visão econômica não é formado apenas de interações com objetivos econômicos, é preciso considerar as interações sociais (BEGNIS, 2007). Adiante no texto, quando tratarmos de valor relacional, essa noção de mercadoria e atribuição de valor será importante. A teoria econômica, em seus primórdios, desconsiderava a infl uência da tecnologia, tamanho das fi rmas ou mesmo o poder de mercado das empresas. Nessa abordagem teórica, todas as empresas possuem as mesmas capacidades e acesso aos recursos necessários para sua atividade. Por isso não faz sentido, para essa abordagem teórica, falar em vantagem competitiva, ou em planejamento estratégico (BEGNIS, 2007). Com o avanço das teorias, surgem questionamentos desse modelo como base teórica da economia das organizações. Surge então a Nova Economia Industrial, abordando pressupostos que eram diferentes. O elemento central dessa nova teoria é o paradigma estrutura, conduta e desempenho (que veremos em detalhes no Capítulo 2). Essa nova abordagem forma uma das bases das análises de Michael Porter. Nesse paradigma, a estrutura de concorrência entre as fi rmas em uma determinada indústria é um elemento externo a essas empresas. Cabe às empresas adotarem sua conduta (estratégias). O desempenho de cada empresa depende então de como ela capta e interpreta as informações sobre a estrutura do mercado em que está inserida (BEGNIS, 2007). A mais conhecida aplicação dessa abordagem são as cinco forças de Michael Porter. Essas cinco forças são: barreiras à entrada e à saída; rivalidade; produtos substitutos; clientes e fornecedores. Em conjunto, essas forças determinam a lucratividade das empresas. Na visão de Porter (1989 apud BEGNIS, 2007), como as cinco forças competitivas e seus determinantes estruturais são características da própria indústria, a estratégia competitiva de cada empresa depende de um melhor entendimento destas forças do que aquele alcançado pelos seus concorrentes. Assim, o conjunto de escolhas realizadas por uma organização constitui a essência da sua estratégia competitiva (conduta) e pode infl uenciar as cinco forças, remodelando a própria estrutura da indústria (BEGNIS, 2007). 29 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Uma aplicação das cinco forças de Porter num setor do agronegócio pode ser lido em: Dércio Bernardes de Souza; Adriana Trindade Morais; José Paulo de Souza. “Estudo da estrutura competitiva da cadeia agroindustrial de leite na Região Noroeste do Paraná”. Sob esse aspecto, a noção de cadeia de valor desenvolvida por Porter (1989 apud BEGNIS, 2007) se coloca como uma ferramenta de análise da conduta das empresas, ou, em outras palavras, de sua estratégia competitiva. Essa cadeia de valor possibilita entender a formação dos custos e identifi car as atividades de importância estratégica para uma organização, as quais apresentam potenciais fontes de diferenciação. A cadeia de valor, de acordo com Porter (1989 apud BEGNIS, 2007), é a representação de todas as atividades que são executadas, desde a projeção até a entrega de um produto, sendo um refl exo do histórico de sua própria conduta estratégica (BEGNIS, 2007). No entendimento de Porter (1989 apud BEGNIS, 2007), o valor é determinado pelo montante que os consumidores estão dispostos a pagar pelo que a empresa lhes oferece, sendo medido pela receita total, o que representa um refl exo do preço que o produto de uma empresa adota e a quantidade vendida. Uma das maiores contribuições de Porter é a proposta de uso do valor para analisar uma posição competitiva e não o custo do produto. Da diferença entre o custo e o valor surge a margem, que refl ete então a posição competitiva da empresa. Isso ocorre porque as empresas podem ganhar um prêmio por meio da diferenciação (margem). A vantagem competitiva decorre então da diferença entre cadeias de valor concorrentes (empresas concorrentes possuem cadeias de valor diferentes) (BEGNIS, 2007). Porter (1989 apud BEGNIS, 2007) ainda divide as atividades de valor em primárias e de apoio. As primárias são as relacionadas com a criação física dos produtos, venda e transferência para o usuário/consumidor fi nal. Essas atividades são sustentadas pelas atividades de apoio, que são responsáveis pelos insumos, tecnologias e recursos humanos necessários para as várias funções dentro da empresa (BEGNIS, 2007, p. 75). Em síntese, essas atividades são: atividades primárias genéricas: (a) logística interna; (b) operações; (c) logística externa; (d) marketing e vendas; e (e) serviço. E as atividades de apoio genéricas: (a) aquisição; (b) desenvolvimento de tecnologia; (c) gerência de recursos humanos; e (d) infraestrutura da empresa. Para fi nalizar este resumo sobre a cadeia de valor, tem-se uma observação feita por Gerbasi (2014, p. 24): 30 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Assim como nos SAGs, o principal objetivo de uma cadeia de valor é o de produzir produtos ou serviços com valor agregado para o mercado por meio da transformação de recursos, dessa maneira, pode-se considerar que um Sistema Agroindustrial possui diversas cadeias de valor em sua estrutura que são diretamente ligadas a algum setor do agronegócio. Embora a indicação abaixo seja uma aplicação em um setor fora do agronegócio, entendemos que sua proposta de análise, faz uma integração entre planejamento estratégico e cadeia de valor. Essa fi gura pode ser utilizada como guia para futuras análises, levando em conta as especifi cidades de cada cadeia produtiva ou empresa que desejem analisar. VANTI, Adolfo Alberto; RAUTER, André; DAL-SOTO, Fábio. Confi guração informacional na gestão da cadeia de valor e utilização de Business Intelligence (BI). f) Relacionamento interorganizacional A inclusão desse tópico nas teorias sobre agronegócio parte de uma avaliação da pertinência da abordagem para o entendimento das relações entre as organizações nos dias de hoje. Embora seja importante a análise (por exemplo) dos contratos realizados entre os agentes, existem outras dimensões das cadeias produtivas que necessitam ser analisadas. Begnis (2007, p. 62) parte da seguinte afi rmação: É necessário ter atenção aos elementos que não são fruto exclusivo das transações e que estão muito mais ligados às atividades e aos processos de criação e transferência de bens e serviços através de cada elo da cadeia produtiva. Neste sentido, a interpretação de Edward e Cyrus (1993) mostra que há pelo menos duas razões principais que explicam por que a perspectiva dos custos de transação, dentro da teoria original de Williamsonn (1985) é limitada em sua habilidade de explicar estratégias interorganizacionais. Primeiro, porque a análise padrão dos custos de transação é essencialmente uma análise sustentada unicamente na questão da minimização de custos, negligenciando a interdependência das trocas entre os parceiros de negócios.Segundo, porque a teoria dos custos de transação enfatiza demasiadamente a análise estrutural das relações de trocas interorganizacionais e negligencia as questões processuais. 31 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 O autor discorre sobre as estratégias interorganizacionais, que têm como objetivo maximizar o valor de forma conjunta ao invés de tentar minimizar os custos. As contribuições de Edward e Cyrus (1993 apud BEGNIS, 2007) enfatizam que o valor não é apenas criado, mas percebido e distribuído por meio de um processo. As trocas nessa abordagem são dinâmicas e imprevisíveis, sendo que o processo de criação, percepção e transferência de valor entre as fi rmas, que aderem a algum tipo de parceria, se converte em vantagem competitiva (BEGNIS, 2007). Embora essa formação de relacionamentos (parcerias, alianças, redes, cadeias, entre outras) permita a melhora na efi ciência das organizações, existem desafi os ao se desenhar estruturas de governança para gerir esses relacionamentos (BEGNIS, 2007). O desafi o para as organizações está na identifi cação do que vem a ser valor para o consumidor, e como isso pode ser transferido, entre os diversos estágios, até o consumidor. A ênfase na criação de valor, a partir das cadeias de suprimentos, introduziu um novo conceito, à gestão das cadeias de valor (Value Chain Management). Essa abordagem surge a partir das defi ciências da abordagem de cadeia de suprimentos (BEGNIS, 2007). Um ponto a destacar sobre como uma cadeia de suprimentos pode alcançar um nível maior de percepção, criação e distribuição de valor: Mudimigha, Zairib e Ahmed (2004) apontam para cinco pilares básicos da gestão das cadeias de valor, os quais enfatizam a importância da agilidade e velocidade: (a) Visão da gestão das cadeias de valor - as organizações que procuram alcançar padrões de excelência e desempenho sustentável utilizando princípios da cadeia de valor e que coloquem a criação de valor como sua missão deverão basear-se sobre um extenso conhecimento do consumidor. (b) Processo de gestão – é muito importante que os processos sejam analisados e que as competências centrais da organização sejam estabelecidas. (c) Abordagem de parceria – a gestão das cadeias de valores é baseada na noção de que as parcerias são possíveis e assim a estratégia para os relacionamentos da empresa deve ser posta em prática. (d) Integração da infraestrutura de tecnologia da informação – é imperativo desenvolver tecnologias de informação que possibilitem a melhoria, otimização e processamento da informação em tempo real sobre as demandas dos clientes e sobre as atividades de vários processos que são essenciais para o princípio da cadeia de valor (BEGNIS, 2007, p. 128). O elemento central aqui é a necessidade do cliente. E isso envolve a habilidade e rapidez na satisfação contínua dessa necessidade. O processo de formação do valor (criação, transferência e percepção) envolve duas etapas. A primeira nas fi rmas produtoras de insumos, O elemento central aqui é a necessidade do cliente. 32 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I matérias-primas e bens – e envolve basicamente os aspectos produtivos. A segunda etapa é relacional e representa a formação do valor por meio do relacionamento interorganizacional. Mas, afi nal, o que vem a ser valor? Uma resposta dada pelo autor afi rma que: Valor é um conceito abstrato e carregado de subjetividade, portanto sua identifi cação depende da forma como os agentes percebem o valor criado, transferido e recebido. [...] é a percepção que afeta o comportamento dos agentes em relação ao valor e não seus atributos em si. Assume-se, desta forma, o conceito de valor enquanto valor percebido, representado pela avaliação global dos consumidores (clientes de negócios ou usuários fi nais) sobre a qualidade de um produto, baseada na percepção do que é recebido e do que é dado (ZEITHAML, 1988). Valor, de forma mais simples, é um balanço entre o que é dado e o que é recebido, segundo a perspectiva de quem o está recebendo (BEGNIS, 2007, p. 133). A argumentação de Begnis (2007) ainda diferencia valor de uso, que está relacionado a atributos intrínsecos do produto (que pode ser mensurado de acordo com um padrão). Normalmente são atributos técnicos relacionados a preços, ou até mesmo qualidade (que pode ser traduzido como desempenho, confi abilidade, conformidade etc.). Esse seria o valor de uso. A partir dele, o autor propõe que se use a mesma construção para cadeias produtivas, isto é, o conceito tradicional de cadeia produtiva parte da sequência de operações físicas. Assim, é possível compreender que os relacionamentos interorganizacionais, que dão formato a uma cadeia produtiva, se efetivam se há pelo menos a percepção de criação e transferência dos atributos intrínsecos, relacionados à qualidade dos bens transacionados (valor transacional ou de mercado), considerando cada elo da cadeia em relação às organizações a jusante e a montante (BEGNIS, 2007). Existe ainda a percepção superior de valor, que vai além dos atributos intrínsecos do produto, que envolve aspectos econômicos, sociais, culturais, políticos e morais. O autor propõe que se considere o processo de formação de valor como tendo duas dimensões: • O valor transacional (ou de mercado) - é formado pela conjunção de atributos intrínsecos de baixo nível de abstração e complexidade, os quais estão relacionados diretamente com as características físicas dos bens vinculados aos critérios objetivos da qualidade. • O valor relacional - é formado pela conjunção de atributos extrínsecos de alto nível de abstração e complexidade, diretamente associados aos valores pessoais e/ou relacionais. 33 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 A partir disso, e relacionado com a análise das relações entre fi rmas, o autor conclui: Tais considerações levam ao entendimento de que um relacionamento mais intenso entre duas organizações, no caso as parcerias de longo prazo, somente se efetiva quando há presença de elementos relacionais de criação, transferência e percepção de valor. Caso contrário, o contato entre estas duas fi rmas seria apenas uma relação de dependência derivada de atributos de baixo nível de valor, sendo perfeitamente explicável pela ótica de mercado. Em complemento, pode-se afi rmar que as parcerias de longo prazo são relações mais intensas, nas quais o processo de formação de valor necessariamente envolve elementos relacionais (BEGNIS, 2007, p. 136-137). O autor cita três tipos de relacionamento: adversário (menor valor), semiadversário e chega à parceria de longo prazo. Essa última forma pressupõe um relacionamento baseado em livre troca de informações, num nível de integração e comprometimento que possibilite esse tipo de parceria. Uma parceria de longo prazo pressupõe um alinhamento entre as organizações, e isso pode ser um desafi o, principalmente pelas diferenças de percepção do valor no relacionamento. A Figura 2 ilustra os critérios para um relacionamento de longo prazo. Figura 2 – Fatores formadores de valor relacional Fonte: Begnis (2007, p. 138). Essa fi gura propõe que os relacionamentos interoganizacionais que compõem uma cadeia produtiva ocorrem a partir da formação de valor. As explicações para cada um dos termos da fi gura encontram-se na página indicada na fonte. Uma cadeia produtiva pode ser vista como sistema voltado para a formação de valor 34 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I transacional e relacional (que se confi guram como dois subprocessos), tendo como referência o consumidor fi nal. O Quadro 4 apresenta os critérios ou elementos de valor. Percebe-se que o valor relacional está associado a categorias complexas de defi nição, isto é, não são meras defi nições de características de produtos. Quadro 4 – Critérios ou elementos de valor Transacionais: Características técnicas dos produtos; Marca; Preço ou custo deaquisição; Confi abilidade no desempenho do produto; Serviços de apoio; Conformidade do produto com os padrões estabelecidos; Tempo de processamento e entrega dos pedidos; O custo decorrente de um eventual rompimento da parceria; Redução dos custos de negociação. Relacionais: Conjunto de valores éticos da empresa; Nível de confi ança - Profi ssionalismo dos gestores; Capacidade tecnológica e inovativa; Compartilhamento de informações estratégi- cas; Possibilidade de acessar novos mercados; Contato frequente com os gestores; Conheci- mento sobre o mercado consumidor fi nal; Objetivos e metas comuns entre as empresas; Política de redução continuada dos custos; Possibilidade de expansão dos lucros da sua empresa; Dis- ponibilidade e empenho em cooperar e desenvolver ações conjuntas; Nível de comprometimen- to com as ações conjuntas; Foco na satisfação e atendimento das necessidades do consumidor fi nal; Quantidade e qualidade dos relacionamentos com outras organizações; Possibilidade de aprendizado conjunto. Fonte: Adaptado de Begnis (2007, p. 148). Atividade de Estudos: 1) Considerando as afi rmativas a seguir, marque V (verdadeiro) ou F (falso): ( ) O conhecimento das organizações é relevante para o gestor, na medida em que sua atuação profi ssional ocorre predominantemente no ambiente organizacional e de suas interfaces com entes assemelhados (fornecedores, concorrentes, agências de regulação, entes governamentais, entidades do terceiro setor e clientes em geral). ( ) Entender a dinâmica dos ambientes organizacionais é importante, pois neles encontram-se as oportunidades e ameaças a serem aproveitadas ou neutralizadas pelos agentes da cadeia produtiva. 35 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 ( ) A cadeia de valor é constituída por um conjunto de atividades criadoras de valor, desde as fontes de matérias-primas básicas, passando por fornecedores de componentes e indo até o produto fi nal entregue nas mãos do consumidor. ( ) Sistema agroindustrial é o conjunto de cadeias de produção agroindustriais, cada uma delas tendo seu conceito associado a um produto fi nal ou família/linha de produtos fi nais. ( ) Agribusiness e commodity system approach (CSA) têm como ponto de partida da análise um produto agroindustrial fi nal. ( ) O processo de coordenação pode ser alcançado pela apli- cação de mecanismos de governança, usados nas interações entre todos os agentes de um Sistema Agroindustrial. ( ) As teorias: clássica, estruturalista e da contingência dão ên- fase à estrutura da organização. ( ) O conceito de agribusiness considera a produção agropecuária como parte de um “sistema de commodities”, enfatizando as suas relações com as agroindústrias e demais segmentos dos negócios que envolvem produtos primários. ( ) Na corrente Analyse de Filière, o ponto de partida para a aná- lise é sempre um produto acabado, ou seja, o mercado fi nal, em direção à matéria-prima de base que lhe deu origem. ( ) A coordenação dos agentes dos Sistemas Agroindustriais está diretamente relacionada à competitividade dos sistemas, pois permite receber, processar, difundir e utilizar informações sobre o sistema e seus agentes, de modo a defi nir e viabilizar estratégias competitivas, reagir a mudanças no meio ambiente e aproveitar oportunidades de mercado. AGRONEGÓCIO – ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS Compreender o que está ou não relacionado à gestão do agronegócio é entender a sua defi nição. Segundo Davis et al. (1957), “agronegócio é a soma de todas as operações envolvidas na produção e distribuição de produtos agrícolas, operações de produção, na exploração agrícola e no armazenamento, processamento e distribuição de mercadorias agrícolas”. Essa defi nição compartilha uma "interdependência" dos vários setores da cadeia de abastecimento “agronegócio é a soma de todas as operações envolvidas na produção e distribuição de produtos agrícolas, operações de produção, na exploração agrícola e no armazenamento, processamento e distribuição de mercadorias agrícolas”. 36 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I agroalimentar, que trabalha para a produção, manufatura, distribuição e comercialização de produtos e serviços alimentares (BOEHLJE, 1999; COOK; CHADDAD, 2000). Para maior aprofundamento da construção do conceito de Agronegócios, sugere-se o livro: ARAÚJO, Massilon J. Fundamentos de agronegócios. Editora Atlas SA, 2000. Assim, o agronegócio, ao longo dos anos, passou a ser um sistema cada vez mais efetivo na produção e comercialização de alimentos. Resultado de um clima favorável; capacidade de produção e logística especializada; uso intenso de tecnologias mecânicas, químicas, biológicas e de informação; pessoas criativas e produtivas que lideram e gerenciam as empresas que compõem as organizações alimentares (QUEIROZ; ZUIN, 2006). O Brasil é um grande produtor de alimentos. Tais produtos alimentam os brasileiros e os não brasileiros, pois são exportados para o mercado internacional para atender às necessidades dos consumidores em todo o mundo. O sistema de produção e comercialização abrange todas as atividades econômicas que apoiam a produção agrícola e a sua conversão para bens de consumo. Essa ampla defi nição inclui um fabricante de máquinas agrícolas, uma mina de fertilizantes, uma fábrica de alimentos para bebês, a empresa de papel que fornece caixas de papelão, ferrovias e caminhões, atacadistas, distribuidores, restauradores e muitas outras organizações. Como você pode imaginar, após entender os ambientes e as estruturas organizacionais, as responsabilidades dos gestores do agronegócio são altamente diversifi cadas – nas diferentes organizações já exemplifi cadas –, podendo variar desde os pedidos de insumos para a safra seguinte, contratação de recursos humanos, análise dos ambientes externo e interno da organização, enfi m, várias “responsabilidades”. O gestor, por exemplo, será o responsável pelas atividades gerais de uma organização, seja pequena, média ou grande, até mesmo de uma pequena propriedade rural. Em um pequeno empreendimento agrícola, um único indivíduo pode assumir todas as funções da organização. Para entender melhor a forma e o processo pelo qual os gerentes executam as tarefas necessárias para criar e manter um negócio viável, a prática do gerenciamento pode ser dividida em quatro funções principais (MINTZBERG, 2001): 37 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 • Gestão de marketing; • Gestão fi nanceira; • Gestão da cadeia de suprimentos; • Gestão de recursos humanos. Em última análise, independentemente do tamanho da organização, os gerentes têm responsabilidades em cada uma dessas áreas. Essas quatro funções de gerenciamento são exploradas em alguns detalhes neste livro e em outros do curso. No entanto, é importante ter uma compreensão básica de cada área à medida que desenvolvemos nossa compreensão da gestão do agronegócio, pois parte delas a aplicação prática. a) Gestão de Marketing O marketing, em sentido amplo, está focado no processo pelo qual os produtos fl uem por meio de um sistema alimentar, do produtor ao consumidor fi nal. O gerenciamento de marketing envolve a compreensão das necessidades dos clientes/consumidores, o posicionamento e venda de produtos e serviços no mercado (KOTLER; KELLER, 2006). No agronegócio, o gerenciamento de marketing é uma função-chave dentro de cada um dos seus elos, formado por organizações: setor alimentar, setor agrícola de produção e setor de insumos (SILVA; BATALHA, 2001). O gerenciamento de marketing representa uma integração de diferentes atividades: venda, publicidade, design de páginas web, promoções, pesquisa de marketing, desenvolvimento de novos produtos, atendimento ao cliente e preços – tudo focado nas necessidades, desejos e, em última análise, na busca pela satisfação do consumidor. Essa função de gerenciamento está intimamente ligadaaos processos de decisão do consumidor. Os compradores diferem amplamente no sistema de comercialização de produtos alimentares. Por exemplo, o adolescente (comprador) consumidor de um determinado produto que está no mercado difere da organização processadora de soja que é “consumidor” da matéria-prima “soja” do produtor rural. A maneira pela qual os compradores do agronegócio – todos os compradores que acabamos de mencionar e muitos mais – realizam uma decisão de compra contínua evoluindo e se modifi cando, a complexidade é imensa. b) Gestão fi nanceira O lucro é um dos objetivos das atividades do agronegócio (HOFER et al., 2006). A realização bem-sucedida desse objetivo signifi ca tomar boas decisões, e isso signifi ca gerenciar cuidadosamente os recursos fi nanceiros da empresa. 38 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Assim, o gerenciamento fi nanceiro está envolvido diretamente nas organizações e inclui gerar os dados necessários para tomar boas decisões (reler o material didático de Gestão Financeira). As informações fi nanceiras permitem que os gerentes compreendam a "saúde" atual da organização, bem como para determinar quais as ações que ela pode tomar para melhorar os seus indicadores. Assim, a análise fi nanceira fornece aos gestores do agronegócio informações úteis para melhor basear as suas decisões. c) Gestão da cadeia de suprimentos Novas tecnologias estão atingindo rapidamente o local de trabalho. Isso, por sua vez, muda a maneira como se “faz” agronegócio. A busca pela qualidade, o impulso para redução de custos, as mudanças na cadeia de suprimentos e as pressões gerais para ser mais efi cientes no atendimento às demandas dos consumidores estão alterando rapidamente as atividades de produção e distribuição de produtos do agronegócio (SCRAMIM; BATALHA, 1999). O gerenciamento da cadeia de suprimentos concentra-se nessas áreas, fornecendo ferramentas de auxílio para que os gerentes atendam aos desafi os logísticos. O gerenciamento de operações concentra-se na direção e no controle dos processos usados para produzir bens e serviços que compramos e utilizamos a cada dia (ARNDT, 2004). Envolve sistemas interligados e interagentes. Por exemplo, uma fábrica de lanches começa seu processo com o milho produzido por um produtor, e termina no produto fi nal, como uma bolacha. Os gerentes devem se preocupar com problemas de agendamento, controle, armazenamento e transporte, à medida que o milho “muda do caminhão do produtor”, passando por alguns elos até chegar ao supermercado. As organizações bem-sucedidas são aquelas que produzem consistentemente mais rápido, melhor e com baixo custo (ARNDT, 2004). A gestão da logística nas cadeias de suprimentos se concentrará cada vez mais na construção da vantagem baseada no tempo (HANDFIELD, 1999). Uma resposta mais rápida às necessidades dos consumidores, menor tempo de entrega, ciclo mais curto de desenvolvimento de um determinado produto e recuperação mais rápida após os problemas de serviços são os componentes da vantagem baseada no tempo do gerenciamento da cadeia de suprimentos. Além disso, há um impulso para a qualidade, segurança e integridade nos processos de produção de sistemas alimentares. O gerenciamento efetivo da cadeia de suprimentos continuará sendo crucial na execução bem-sucedida de qualquer plano estratégico para as organizações do agronegócio. 39 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Material de apoio sobre cadeia de suprimentos no agronegócio. Artigo: “Metodologia para estruturação de cadeias de suprimentos no agronegócio: um estudo exploratório”, de Egidio L. Furlanetto e Gesinaldo A. Cândido. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ rbeaa/v10n3/v10n3a34.pdf>. d) Gestão de recursos humanos No fi nal, a gestão é sobre pessoas. Sem a capacidade de gerenciar o elemento humano – os recursos que cada empresa tem em seus funcionários – as empresas não conseguirão obter êxito em suas atividades. Ao combinar uma gestão efi caz das funções de marketing/fi nanças/cadeia de suprimentos com a gestão cuidadosa do lado humano do negócio, os gerentes estarão no caminho da implementação bem-sucedida de suas estratégias. Gerenciar bem as pessoas pode afetar a produtividade e o sucesso fi nanceiro. A gestão dos recursos humanos engloba o gerenciamento de duas áreas: a mecânica da administração de pessoal e os melhores pontos de motivação das pessoas para oferecer e contribuir com seu potencial máximo (PAGLIUSO; CARDOSO; SPIEGEL, 2010). As decisões aqui incluem a forma de organizar a empresa, onde encontrar pessoas, como contratá-las, como compensá-las e como avaliá-las. Hoje, as organizações exigem mais desempenho de seus gerentes do que era exigido ontem. Amanhã exigirão mais que hoje. Acompanhar em tempo real as mudanças que ocorrem auxiliará os gestores em suas estratégias. Isso demandará recursos humanos com maiores habilidades, bem como com a capacidade de crescer profi ssionalmente ao longo de suas carreiras. PECULIARIDADES DAS ORGANIZAÇÕES DO SETOR DE ALIMENTOS Pode ser fácil argumentar que a teoria e os princípios de gestão são os mesmos para qualquer tipo de organização. As maiores empresas do país e o menor agente envolvido no agronegócio são guiados por muitos dos mesmos princípios gerais. 40 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I No entanto, as principais diferenças entre grandes, médias e pequenas organizações surgem no ambiente em que elas estão inseridas. Nesse sentido, quais as peculiaridades do ambiente onde as organizações do agronegócio estão inseridas? Destacaremos alguns pontos (SILVA; BATALHA, 2001; PAGLIUSO; CARDOSO; SPIEGEL, 2010): • Alimento como produto: a alimentação é vital para a sobrevivência e para a saúde de cada indivíduo. A alimentação é uma das necessidades mais fundamentais dos seres humanos e fornece as bases para o desenvolvimento econômico – as nações se preocupam com a alimentação de suas pessoas antes de dirigir sua atenção para necessidades de ordem superior. Por essas razões, os alimentos são considerados um componente crítico da segurança nacional. • Natureza biológica da produção agrícola: produção vegetal e animal compreende organismos biológicos – seres vivos. A natureza biológica das culturas e dos animais torna-os particularmente suscetíveis a forças que estão além do controle humano. As oscilações do tempo e do clima, ataques de pragas, doenças e ervas daninhas exemplifi cam fatores que impactam a produção. Esses fatores exigem um manejo cuidadoso. No entanto, em muitos casos, pouco pode ser feito para controlá-los. • Natureza sazonal dos negócios: em parte, como resultado da natureza biológica da produção de alimentos, as organizações, nos mercados de alimentos, podem enfrentar situações de negócios altamente sazonais. Às vezes, esta sazonalidade é impulsionada pela época de produção – quantidade imensa de trigo é colhida entre os meses de setembro a novembro. • Incerteza do clima: as organizações de alimentos devem lidar com os “caprichos da natureza”. A seca, os insetos e as doenças são algumas ameaças constantes. Todos os participantes do mercado, do banqueiro para o fabricante de produtos químicos para produção, estão preocupados com o clima. • Tipos de organizações: existe uma variedade de organizações em todos os setores e não poderia ser diferente no setor de alimentos. De produtores rurais para empresas de transporte, corretores, processadores, fabricantes, empresas de armazenamento, empresas de mineração, instituições fi nanceiras, restaurantes – a lista é quase infi nita. Seguindo um pedaço de pão, desde o momento em que o trigo é preparado pelo produtor rural, até a sua colocação na prateleira do supermercado, em todas as etapas estará presente uma organização. 41 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 • Variedade de condições de mercado: os diferentes tipos de organizações e as características de riscodos mercados de alimentos levaram a uma ampla gama de estrutura de mercado. Os agricultores de soja praticamente não infl uenciam o preço da commodity. Ao mesmo tempo, a Monsanto tem, praticamente, um monopólio no mercado de sementes transgênicas. Alguns mercados são globais, outros locais. Alguns mercados são caracterizados pelo poder de barganha quase igual entre comprador e vendedor, enquanto outros podem estar dramaticamente fora de equilíbrio em uma direção ou outra. • Laços rurais: algumas organizações do agronegócio estão localizadas em pequenas cidades e/ou em áreas rurais. Como tal são, provavelmente, a espinha dorsal da economia local e têm importante papel no desenvolvimento econômico daquela localidade. • Envolvimento do governo: devido a quase todos os outros fatores acima mencionados, o governo tem um papel nas questões relacionadas à produção de alimentos. Alguns programas governamentais têm impacto na produção das commodities agrícolas. Outros se destinam a proteger a saúde do consumidor por meio de alimentos seguros e uma melhor informação nutricional. Ainda, outras políticas regulam o uso de produtos químicos de proteção de culturas. As tarifas infl uenciam no comércio internacional. O governo, por meio de políticas e regulamentos, tem um impacto generalizado nas organizações. Cada uma dessas características especiais do sistema de produção e comercialização de alimentos afeta a organização, algumas mais que outras. O agronegócio é único e, portanto, requer habilidades únicas das pessoas envolvidas com esse setor da economia. OS DESAFIOS DAS ORGANIZAÇÕES LIGADAS AO AGRONEGÓCIO NO SÉCULO XXI – ECONOMIA, MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE Nos últimos anos, o agronegócio tem sido desafi ado por um aumento dramático nos riscos e nas incertezas. As razões para isso podem ser encontradas em elevada volatilidade dos preços, reformas políticas, preocupações de segurança alimentar e turbulência social e econômica. Como resposta a esses desafi os, os agentes agroalimentares necessitam reorientar suas atividades e reconceituar seus relacionamentos na cadeia de abastecimento. Assim, um novo 42 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I conjunto de instituições, organizações e estruturas de governança deverá emergir. Mas para isso é importante e essencial que você tenha entendido os ambientes onde as organizações estão inseridas. As organizações trabalham com pessoas, necessitam de consumidores. A trajetória atual indica um aumento populacional nos próximos anos, ou seja, novos consumidores. Esses trarão impactos à economia, ao meio ambiente e à sociedade. Diante desse contexto, qual é o papel das organizações? Quais os seus desafi os e as oportunidades para o século XXI? A população mundial aumentará em mais de três bilhões de habitantes até 2050 e com isso será necessário aumentar em mais de 70% a produção de alimentos (FAO, 2017). Além disso, a sociedade demandará de energia, plantas ornamentais, madeira, matéria-prima para indústria química, entre outras necessidades, ou seja, teremos um mundo de oportunidades para as organizações. A cadeia de valor do agronegócio compreende uma vasta gama de organizações, desde os fornecedores de máquinas agrícolas, sementes, produtos químicos, vacinas, entre outros. Preencher a lacuna global entre oferta e demanda requer mais recursos técnicos, humanos e fi nanceiros. Os investidores, por exemplo, possuem um importante papel para desempenhar, observando tais desafi os e oportunidades, a fi m de se benefi ciar deles. Para identifi car oportunidades atraentes em toda a cadeia de valor, analisamos quatro tendências que provavelmente irão infl uenciar a economia durante os próximos anos (RICKMAN; WANG, 2017; FAO, 2017; SONG et al., 2017). Uma cadeia de valor representa o conjunto de atividades desempenhadas por uma organização desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e de venda até a fase da distribuição fi nal. O conceito foi introduzido por Michael Porter em 1985. PORTER, Michael. Estratégia competitiva. Elsevier Brasil, 2004. 43 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 • O crescimento populacional, a urbanização e o aumento da renda em mercados emergentes: em 2020, espera-se que mais da metade do crescimento do PIB mundial deva vir de países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Mais da metade da população urbana do mundo também estará em economias emergentes. Não é só a demanda por alimentos nos mercados emergentes que deverá aumentar por causa do crescimento populacional e da renda, mas também são essas regiões que tendem a aumentar o consumo de calorias, proteínas e alimentos processados. • As alterações demográfi cas e comportamentais em mercados maduros: além da maior demanda por proteína, há uma tendência para dietas mais saudáveis. Os consumidores estão cada vez mais conscientes da saúde. Além disso, estão dando maior importância para a sustentabilidade ambiental, principalmente em países desenvolvidos e nos mercados emergentes. Em resposta, os governos estão focados nos padrões para a produção de alimentos. Como resultado, a demanda é crescente por alimentos funcionais saudáveis (aqueles que oferecem benefícios além da nutrição básica, como a redução do colesterol) e de alimentos rastreáveis e certifi cados que são garantidos para atender a certo nível de segurança e responsabilidade social ambiental ou corporativa. • O imperativo da produtividade: a pressão sobre a água, terra e energia exigirá a inovação para aumentar a produtividade da agricultura. Para aproveitar a necessidade de maior produtividade, as organizações podem se expandir, bem como fornecer uma gama mais ampla de produtos e serviços (sementes de alto rendimento, fertilizantes e técnicas de otimização de recursos) para auxiliar os produtores rurais a aumentar o rendimento das culturas. • Big data e informações: expandir o acesso mais sofi sticado da informação irá desempenhar um importante papel no agronegócio. Há um progresso a ser feito para descobrir um modelo de negócio que capture o valor a partir de dados em grande escala. Em parte, isso ocorre porque os dados são capturados por diferentes organizações da cadeia de valor (por exemplo, empresas de sementes, fabricantes de equipamentos, comerciantes e desenvolvedores de software). Gerir os dados exigirá parcerias estratégicas entre organizações e uma reformulação da estrutura da indústria. Enquanto isso, os mercados emergentes ainda carecem de dados confi áveis, o que pode oferecer oportunidades de criação de valor adicionais. Em particular, a rápida expansão das tecnologias móveis no âmbito do produtor rural pode permitir que os produtores, nestas áreas, melhorem a produtividade com base no acesso à melhor informação. É importante entender que a economia rural e agrícola e suas cadeias de valor têm um papel fundamental para promover o crescimento econômico, criação de emprego e desenvolvimento dos países, em função das organizações 44 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I que compõem o setor do agronegócio. Os investimentos do setor privado são essenciais para maximizar o potencial. Estruturas de cooperação e de investimento têm existido entre os países. As instituições e organizações têm desenvolvido uma série de políticas e iniciativas para aumentar o apoio ao desenvolvimento do setor privado e para impulsionar a transformação agrícola por meio de modelos de negócios inovadores. Para uma leitura básica sobre instituições, indicamos os artigos: “A economia institucional e as três dimensões das instituições”, de Carolina Miranda Cavalcante; e “Nova Economia Institucional: referencial geral e aplicações para a agricultura”, de Paulo Furquim de Azevedo. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, centramos nossos estudos para compreender os conceitos e características das organizações, suas relações e estrutura, enquanto entes que demandam esforçospermanentes. Além disso, foi possível observar os múltiplos recursos que envolvem o processo produtivo e que apresentam elevada complexidade em seu gerenciamento. Após essa abordagem organizacional, isolada, passamos a analisar as principais teorias em uso na Ciência do Agronegócio. Dada a natureza multidisciplinar dessa ciência, e dados os desafi os produtivos, compreendemos que a apresentação de alguns casos para estudo traria maior entendimento dos aspectos teóricos. Temos entre nossos alunos as mais diversas formações acadêmicas, e também com níveis diferentes de atuação nas empresas. Inicialmente, destacamos que, praticamente, todas as atividades desenvolvidas pelo ser humano acontecem no ambiente organizacional, por meio da aplicação efi ciente, efi caz e de forma efetiva dos recursos produtivos, sejam eles de natureza humana, material, tecnológica ou fi nanceira. Passamos a entender a necessidade de analisar os ambientes onde as organizações estão inseridas, pois a permanência das organizações no mercado parte da necessidade de “lidar” com tais ambientes. 45 INTRODUÇÃO ÀS ORGANIZAÇÕES Capítulo 1 Ao contextualizar as organizações e os relacionamentos interorganizacionais que ocorrem das mais diversas formas, apontamos alguns aspectos que precisam ser monitorados de maneira permanente, por parte dos gestores, a fi m de garantir a competitividade e a longevidade de cada organização e também das organizações com as quais ela se relaciona. Por fi m, foram apontados alguns desafi os e oportunidades para as organizações do agronegócio. Assim, após essa estrutura desenhada, cada um poderá agregar novas informações, buscando-as nos materiais sugeridos e/ou em outros materiais científi cos. REFERÊNCIAS ALVES, Juliano Nunes et al. Confi ança, aprendizagem e conhecimento nos relacionamentos interorganizacionais: diagnóstico e análise dos avanços sobre o tema. REAd. Rev. eletrôn. adm. (Porto Alegre), Porto Alegre, v. 19, n. 3, p. 709- 737, Dec. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/read/v19n3/v19n3a07. pdf>. Acesso em: 10 jul. 2017. ARAÚJO, Massilon J. Fundamentos de agronegócios. Editora Atlas SA, 2000. ARBAGE, Alessandro Porporatti. Custos de transação e seu impacto na formação e gestão da cadeia de suprimentos: estudo de caso em estruturas de governança híbridas do sistema agroalimentar no Rio Grande do Sul. 2004. Tese de Doutorado, 280 fl . Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Administração. Programa de Pós-Graduação em Administração. Porto Alegre. ARNDT, Holger. Supply Chain Management. 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CAPÍTULO 2 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Identifi car as principais estruturas de produção. Conhecer os conceitos relativos à cadeia de suprimentos. Diferenciar os conceitos de cadeia produtiva, em seus aspectos operacionais e teóricos. Identifi car o ambiente interno e externo da organização em que atua, reconhecendo as interdependências entre as áreas da empresa, fornecedores e clientes para uma gestão efi caz e efi ciente. 52 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 53 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 CONTEXTUALIZAÇÃO A gestão das organizações ligadas ao agronegócio exibe características peculiares. Essas peculiaridades exigem dos analistas um conjunto de ferramentas e de conhecimentos multidisciplinar. Estabelecemos no Capítulo 1 as bases conceituais em relação às estruturas organizacionais. E também realizamos a análise dos ambientes em que essas organizações operam e as consequências relativas às várias confi gurações. Aqui iremos “explodir” essas relações. Iremos propor uma análise de algumas teorias sobre gerenciamento da produção. Perguntaremos: qual é a infl uência do cliente nos processos produtivos? Para responder às várias inquietações que tivemos ao pensar sobre o tema proposto neste capítulo, estabelecemos um debate sobre a complexa rede de desdobramentos das diversas informações que chegam até às empresas (todos os dias). Pedidos, devoluções, perdas de produtos. Mudanças de hábitos de consumo, mudanças de legislação local, ou mesmo global, dependendo de em quais mercados as empresas atuam. Incertezas de toda ordem: climática, fi nanceira, operacional, comportamental. Além disso, entendemos que muitas empresas ainda exibem um comportamento resistente à implantação de um planejamento integrado no agronegócio. Mas, afi nal, por que isso é importante? Planejar observando todos os setores da empresa é manter a integridade de suas operações, é manter a empresa em constante movimento, em constante mudança. Acreditamos que para competir as empresas precisam se manter fl exíveis. Mas também entendemos que para estabelecer o adequado grau de inserção nos mercados a operação destas empresas precisa ser conhecida em um detalhamento extremamente exigente do ponto de vista estratégico, operacional e tático. Vamos imaginar o seguinte cenário (que vale para uma indústria, uma fazenda, um prestador de serviço): o pedido do cliente entra, não é processado de forma adequada, se perde. Provavelmente, o cliente não reclame. Entrega-se fora do prazo,ou não se entrega. E nesse círculo descendente, do ponto de vista da organização, muitas acabam por perder mercados. A partir dessa imagem um pouco exagerada (ou será que não?), nós estabelecemos os temas que iremos abordar. Partiremos da análise dos processos de produção dentro das empresas e acabaremos numa análise no conjunto de empresas em uma cadeia de suprimentos. Esperamos que cada um estabeleça um aprendizado contínuo entre os tópicos, guardando o essencial 54 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I para cada atividade que desempenha. Acreditamos que a proposta deste capítulo, de partir da integração das atividades da empresa, passando pela análise das cadeias produtivas e de suprimentos, trará os elementos sufi cientes para que você comece a traçar o seu próprio caminho! SISTEMAS DE PRODUÇÃO E SUAS RELAÇÕES A origem do desenvolvimento dos sistemas de produção ocorreu na transição do sistema artesanal para o sistema de produção em massa. No início do sistema artesanal, o artesão era o responsável pelas cinco funções do ciclo de produção: era responsável por comprar a matéria-prima, contratar ajudantes, utilizar as ferramentas das quais era proprietário, produzir e entregar para o cliente (GUERRINI et al., 2014). No Capítulo 1 analisamos as teorias da administração, que são as mais comuns pela explicação da evolução das empresas em todo o mundo. Isso nos conduz ao objetivo deste capítulo. Analisar como as empresas, de maneira geral, se organizam para atender aos seus objetivos. Quais são as relações entre as áreas da empresa? Que resultados podem ser obtidos? Como é possível desenhar alternativas ao que acontece, seja na produção de bens ou na prestação de serviços, na empresa em que você trabalha? Para um resumo da evolução histórica do planejamento e controle da produção, bem como dos sistemas, sugere-se: SPRAKEL, Eurico B.; SEVERIANO FILHO, Cosmo. A evolução dos sistemas de PCP sob a ótica da engenharia de produção. XIX Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 1999. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep1999_a0654.pdf>. 55 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 DIFERENÇA ENTRE PLANEJAMENTO E CONTROLE Neste texto, escolhemos tratar o planejamento e o controle juntos. Isso ocorre porque a divisão entre planejamento e controle não é clara, tanto na teoria como na prática. No entanto, existem algumas características gerais que ajudam a distinguir entre os dois. O planejamento é uma formalização do que se pretende que aconteça em algum momento no futuro. Mas um plano não garante que um evento realmente aconteça. Em vez disso, é uma declaração de intenção. Embora os planos sejam baseados em expectativas, durante a implementação nem sempre acontecem como esperado. Os clientes mudam de ideia sobre o que eles querem e quando eles querem. Os fornecedores podem nem sempre entregar a tempo, as máquinas podem falhar ou a equipe pode estar ausente por meio de doença. O controle é o processo de lidar com mudanças nessas variáveis. Isso pode signifi car que os planos precisam ser redesenhados no curto prazo. Isso também pode signifi car que uma “intervenção” precisará ser feita na operação para recuperá- la, por exemplo, encontrar um novo fornecedor que possa entregar rapidamente, reparar a máquina que falhou ou mover pessoal de outra parte da operação para cobrir os ausentes. O controle faz os ajustes que permitem que a operação atinja os objetivos que o plano estabeleceu, mesmo quando os pressupostos em que o plano se baseou não são verdadeiros. Fonte: Slack (2009, p. 270) Esses objetivos são analisados especifi camente pelas teorias de planejamento e controle da produção (PCP). Um dos objetivos do PCP é garantir a efi ciência e efi cácia para coordenar recursos e atores. Além disso, embora sua origem seja na manufatura, atualmente seu uso se dissemina para outros segmentos (GUERRINI; AZZOLINI JUNIOR; BELHOT, 2014). Ainda segundo o que debatem Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014), os critérios utilizados para expressar e avaliar o desempenho de um processo são: qualidade, entrega, custo e fl exibilidade. A correta defi nição da complexidade necessária em todas as decisões da empresa é condição essencial e sufi ciente para que as empresas tenham maiores 56 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I condições de competir. Embora seja óbvia a conclusão de que cada empresa busca adaptar suas estruturas, seja a produção, fi nanceiro etc., muitas empresas acabam por desprezar esse passo importante que é a defi nição clara dos desafi os que devem vencer. Originalmente, o gerenciamento de operações foi visto como associado ao setor de manufatura. Na verdade, teria sido chamado de "produção" ou "gerenciamento de fabricação", e estava preocupado exclusivamente com o negócio principal de produzir produtos físicos (GUERINNI, AZZOLINI JUNIOR; BELHOT, 2014). PEREIRA, Rafael Morais et al. Administração de produção e operações: evolução, conceito e interdisciplinaridade com as demais áreas funcionais. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/ artigos15/22822326.pdf>. Nesse texto tem-se um debate sobre como as empresas de pequeno e médio porte podem estabelecer o foco em planejamentos com maior qualidade. Sua abordagem privilegia aspectos anteriores à instalação de qualquer sistema para gerir a produção, ou a empresa como um todo: BARROS FILHO, José Roberto de; ENG, M.; TUBINO, Dalvio Ferrari. Implantação do planejamento e controle da produção em pequenas e médias empresas. 1999. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0228.PDF>. SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de operações e de processos: princípios e práticas de impacto estratégico. Bookman Editora, 2013. Sugerimos que ao analisar os mecanismos da empresa, em sua estrutura, com base no que falamos no Capítulo 1, procure verifi car os resultados dessa estrutura. Procure analisar como é o processo de “produzir” dentro da empresa em que atua. Para isso, neste capítulo vamos fornecer alguns elementos para construir tal análise. 57 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Um dos pontos que precisa fi car bem claro para todos: inexiste uma fórmula única. A partir das décadas de 1970 e 1980, o termo gerenciamento de operações tornou-se mais comum. Foi usado para refl etir duas tendências. Primeiro, e o mais importante, foi usado para sugerir que muitas ideias, abordagens e técnicas, tradicionalmente utilizadas no setor de manufatura, poderiam ser igualmente aplicáveis na produção de serviços. O segundo uso do termo foi expandir o escopo da "produção" nas empresas de fabricação, para incluir, não apenas os processos principais que produzem produtos diretamente, mas também os processos não correlacionados à produção que contribuem para a produção e entrega de produtos. Isso inclui processos como compra, distribuição física, serviço pós-venda, e assim por diante. Mais recentemente, o termo operações e gerenciamento de processos (ou às vezes apenas gerenciamento de processos) passou a ser usado para denotar a mudança do escopo do assunto para incluir toda a organização (SLACK, 2009). Ainda segundo Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014), as operações agregam valor aos clientes e contribuem para a competitividade, ao satisfazerem os requisitos de seus clientes. Existem cinco aspectos do desempenho das operações, que, em maior ou menor grau, afetarão a satisfação do cliente e a competitividade das empresas. • Qualidade: fazendo as coisas corretas, fornecendo bens e serviços sem erros, que sejam "adequados para a fi nalidade". • Velocidade: fazendo as coisas rapidamente, minimizando o tempo entre um cliente pedindo bens e serviços e o cliente recebendo-os na íntegra. • Confi abilidade: fazer as coisas no tempo, mantendo as promessas de entrega que foram feitas aos clientes. • Flexibilidade: mudaro que você faz ou a forma como o faz, a capacidade de variar ou adaptar as atividades da operação para lidar com circunstâncias inesperadas ou para oferecer aos clientes tratamento individual, ou para introduzir novos produtos ou serviços. • Custo: fazendo coisas de forma econômica, produzindo bens e serviços a um custo que lhes permita ter um preço apropriado para o mercado enquanto ainda permite um retorno às organizações (ou em uma organização sem fi ns lucrativos, que dá bom valor aos contribuintes ou a quem estiver fi nanciando a operação). Esses elementos são também encontrados no estudo sobre o planejamento e controle da produção de açúcar e álcool. São explicitamente tratados tanto na revisão teórica, quanto no estudo de caso, quando se analisa o planejamento da produção no agronegócio. Como no exemplo colocado a seguir, sobre a cana-de- açúcar. São elementos necessários para a análise, independentemente do setor escolhido. 58 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I DAL PIVA, Carla et al. Planejamento e controle de produção aplicado ao setor sucroalcooleiro. Revista de Ciências Gerenciais, v. 15, n. 22, 2015. Disponível em: <http://pgsskroton.com.br/seer/index. php/rcger/article/view/2193/2090>. As agroindústrias aproximam-se do sistema de produção contínuo. Indústrias de alimentos em geral são de processamento contínuo. Normalmente, a indústria de alimentos é projetada para a produção contínua de alta efi ciência global de equipamentos, minimizando os custos operacionais e os custos de qualidade. a) Processo de planejar e controlar a produção As atividades de planejamento e controle de produção são agregadas a partir de um fl uxo de informações que considera o horizonte de tempo, a hierarquia de planejamento para desagregar as informações necessárias e as etapas do processo de planejamento e controle de produção. O horizonte de planejamento é estabelecido de forma a identifi car o balanceamento entre as funções de planejamento e controle em um determinado horizonte de tempo. Ele apoia o direcionamento dos objetivos da organização para a produção (GUERRINI; AZZOLINI JUNIOR; BELHOT, 2014). A fi gura a seguir representa a divisão do processo de planejamento da capacidade e gestão de recursos em três níveis hierárquicos: nível macro, nível intermediário e nível micro, com o propósito de demonstrar a importância da integração desses níveis a partir dos processos de negócio envolvidos. 59 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Figura 3 – Elementos do Planejamento das Operações Legenda: Nível macro: Processo de defi nição e ajuste das diretrizes da empresa documentado no Plano de Negócio; Processo de planifi cação das vendas e planejamento das operações – S&OP (Sales and Operations Planning); Processo de planejamento da capacidade de longo prazo; RRP (Resource Requirement Planning). Nível intermediário: Processo de planejamento da capacidade de médio e curto prazo – RCCP – Rough Cut Capacity Planning; Processo de gestão da demanda – MPS (Master Production Scheduling); Processo de gestão de materiais – MRP (Materials Requirement Planning); Processo de planejamento de capacidade de curto prazo – CRP (Capacity Requirements Planning). Nível micro: Processo de sequenciamento e programação da produção – APS (Advanced Planning Scheduling); Processo de deliberação e controle da fábrica – PIMs/MES (Manufacturing Execution Systems); Processo de apontamento das rotinas dos processos de fabricação da fábrica – SFC (Shop Floor Control). Fonte: Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014, p. 27). Antes de passarmos a algumas observações sobre a fi gura anterior, é preciso destacar o conceito de lead time. A variável “tempo” depende, obviamente, de cada tipo de processo e, por isso, compreender sua infl uência pode ajudar no entendimento dos processos de produção. Basicamente, dependendo do sistema, o parâmetro referente ao dimensionamento do tempo envolvido no fl uxo de produção por item é o lead time, o qual compreende alguns componentes. De acordo com Correll e Herbert (2012), o lead time, dependendo do roteiro de fabricação do produto, é composto de unidade de tempo distribuída entre a liberação da ordem para a fabricação, separação da lista de materiais, espera ou permanência em fi la, tempo de setup, operação e movimentação, havendo a repetição do conjunto: tempo de fi la, tempo de setup, tempo de operação e tempo de movimentação por operação do roteiro. É evidente que devem ser consideradas as particularidades do processo de fabricação de cada produto (GUERRINI; AZZOLINI JUNIOR; BELHOT, 2014, p. 26). 60 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I NÍVEIS HIERÁRQUICOS DO PCP Planejamento em nível macro O plano de negócio de qualquer organização é uma importante ferramenta organizacional que tem o propósito de apontar as diretrizes e estratégias da empresa, contendo as informações solicitadas quanto às características, condições e necessidades do negócio com o objetivo de analisar a potencialidade e viabilidade de ajustes necessários diante de novos cenários. O planejamento em nível macro estabelece para a manufatura, a partir do planejamento de vendas e operações (S&OP) e do plano de negócios, uma diretriz a ser seguida na elaboração do Plano de Produção e Estoques em nível agregado, tipicamente por categoria, família e/ou subfamília de produtos. Os resultados apontados pelo planejamento de vendas e operações em um primeiro momento são confrontados com o planejamento de capacidade de longo prazo (RRP) a fi m de delinear um cenário geral de capacidade versus demanda e identifi car também se a estrutura de recursos de manufatura atende ao potencial de vendas esperado, assim como as operações envolvidas. O dimensionamento do planejamento da capacidade de médio prazo (RCCP) é consequência do dimensionamento anterior (RRP), e ambos dependem do apontamento realizado pelo controle do chão de fábrica (SFC), o qual deve contemplar procedimentos automatizados ou não de coleta dos dados da operação, quanto ao tempo de processo de modo preciso. Nesta etapa macro há o cuidado em se estimar as perdas de tempo no fl uxo de produção, envolvendo movimentação de matéria- prima, componentes, estoque em processo, preparação de máquinas operatrizes, retrabalho, inspeções, liberação e separação por ordem de produção, entre outras variáveis que reduzem a produtividade da planta em um determinado período de operação. Planejamento em nível intermediário Neste nível, com o avanço da tecnologia da informação a partir do MRP, passando pelo MRP II e posteriormente pelo ERP, 61 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 o fator integração dos processos de negócio das empresas teve um progresso signifi cativo, mas ainda com restrições quanto ao processo de gestão da produção. É importante ressaltar que o MRP II incorporou o uso de uma lógica estruturada de planejamento que prevê uma sequência hierárquica de cálculos, verifi cações e decisões, visando chegar a um plano de produção viável em termos de disponibilidade de materiais e de capacidade produtiva. No nível intermediário, o horizonte de tempo de planejamento é reduzido para um intervalo de tempo de dois a quatro meses envolvendo o processo de planejamento das necessidades de materiais e do planejamento da capacidade de médio e curto prazo. O plano mestre de produção é constituído pelos pedidos de venda, com suas respectivas quantidades, prazo de entrega, prioridades e observações relevantes ao atendimento da demanda, podendo ser para estoque ou para pedido a partir das informações geradas no nível micro. O primeiro passo subsequente é validar os materiais necessários de acordo com a estrutura do produto e providenciar as solicitações de compra e produção quando necessário, com a defi nição das datas devidas. Nessa fase torna-se necessário que o processo de integração devegarantir que ajustes sejam realizados em uma frequência de atualização compatível com as necessidades do nível macro, o qual representa o cliente e suas necessidades. Além disso, deve estar alinhado às diretrizes defi nidas no nível micro, o qual representa o processo de transformação capaz de validar ou não os planos elaborados a partir das intenções. Planejamento em nível micro O planejamento em nível micro é responsável pela coordenação da “operação” do processo de transformação, ou seja, da “Gestão da Produção”, demandando um enorme esforço na maximização do uso dos recursos nas atividades envolvidas no processo de fabricação dos itens a partir de prioridades preestabelecidas e das intenções defi nidas nos níveis anteriores, com aplicativos computacionais específi cos que devem apoiar todo o processo. O uso de uma ferramenta computacional, no caso de sistemas de produção de alta complexidade, é de fundamental importância. O aplicativo que aparece na fi gura é o APS (Advanced Planning Scheduling), que tem a função de otimizar o uso do recurso de 62 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I manufatura a partir da simulação de cenários. O principal papel do aplicativo é estabelecer, a partir de parâmetros defi nidos pelo programador, possibilidades de programação em que a escolha do plano de produção a ser seguido garanta o atendimento das intenções estabelecidas anteriormente ao menor custo de operação. Após a defi nição do plano de produção, outros dois aplicativos entram em cena: o PIMS e o MES. O primeiro é um sistema capaz de buscar os dados onde estiverem e inseri-los num banco de dados temporal com capacidade para meses ou anos. Já os MES se destinam a ser o elo entre os processos e o sistema de gestão da empresa, com o objetivo de agilizar a tomada de decisão por parte da gestão das empresas. O SFC dá suporte à atualização dos dados dos processos envolvidos na fabricação do banco de dados mencionado, podendo ser atualizado várias vezes ao dia dependendo da necessidade da empresa. Fonte: Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014, p. 26-32). Como aplicação dos conceitos apresentados pela fi gura anterior, sugere-se a leitura da dissertação de mestrado de: MENDANHA, Suzana Alves. Desenvolvimento de um modelo híbrido de planejamento e controle da produção em uma indústria de alimentos. 2015. 133 f.; Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Engenharia de Produção e Sistemas, Goiânia. Disponível em: <http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/handle/tede/3539>. Acesso em: 22 jul. 2017. Segundo os autores, o objetivo da pesquisa foi o de apresentar as características, vantagens e desafi os da implantação de um modelo híbrido de planejamento e controle da produção com integração dos sistemas MRP e Kanban, tendo sua aplicação em uma indústria de alimentos. Como informação adicional/complementar, chamamos a atenção para uma leitura inicial nas páginas 29 a 33. 63 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Atividade de Estudos: 1) Escolha uma padaria, cantina, fast-food, qualquer empresa que sirva alimentos desse tipo. A partir da observação de como as operações acontecem no dia a dia, faça um resumo dos processos envolvidos no atendimento ao cliente. Pode escolher um produto, por exemplo, sanduíche, suco natural. Imagine cada etapa. Sugestão: pense desde a compra dos insumos básicos. Não há necessidade de pensar todas as relações agora. Pense em termos de processos, como os descritos até o momento (estoques, compras etc.). ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ As leituras a seguir possuem explicações sobre essas fases da fi gura apresentadas anteriormente: OLIVEIRA, Maico Jefferson de. Proposta de planejamento e controle da produção na agroindústria de moagem de trigo. 2007. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em 64 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Engenharia de Produção, UTFPR. Ponta Grossa. Disponível em: <http://www.pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/dissertacoes/arquivos/65/ Dissertacao.pdf>. Acesso em 19 de jul. de 2017. DELLE PIAGGE, Ricardo Magnani; BAGNI, Gustavo; MARCOLA, Josadak Astorino. Proposta de um modelo de plano mestre de produção para uma empresa de suplementos alimentares: uma pesquisa-ação. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ TN_STO_206_221_27786.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2017. b) A infl uência do cliente sobre o sistema de produção: tipos e principais características Aqui iremos abordar de forma conjunta a produção em lote, a produção sob encomenda e a produção contínua. Isso se dá por uma maior integração dos tópicos na construção do capítulo. O estoque gera um custo grande para a empresa. Por outro lado, aumenta o critério referente à produtividade dos recursos e diminui o prazo de atendimento dos pedidos. O objetivo dos sistemas de produção é equilibrar ou defi nir prioridades para um ou outro critério (GUERRINI; AZZOLINI JÚNIOR; BELHOT, 2014). O grau de infl uência do cliente pode ser avaliado pelo tipo de sistema de produção ao qual o produto está submetido. O grau de infl uência do cliente na fase de projeto varia de forma inversamente proporcional à sua possibilidade de interferência no projeto. A partir dessa característica, os sistemas são classifi cados como: • Sistema de grande projeto, para sistemas que demandam uma quantidade de recursos muito grande. • Projeto por encomenda (Engineering to order – ETO), cuja especifi cidade do produto necessita de um projeto próprio. • Fabricado por encomenda (Make to order – MTO), parte de um projeto existente, mas necessita ser encomendado. • Montagem por encomenda (Assembly to order – ATO), em que os componentes e as submontagens já preexistem, o produto necessita de uma ordem para ser montado. • Fabricado para estoque (Make to stock – MTS), em que o produto é fabricado em larga escala. 65 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Qual a diferença entre produzir sob encomenda ou para estoque? No link a seguir se tem uma explicação. No YouTube existem diversos vídeos relativos ao Planejamento e Controle da Produção, como este: <https://www.youtube.com/watch?v=hFCfN5yeEvY SITUAÇÕES DE PROCESSOS DE PRODUÇÃO • Produzir tudo (peças e montagem) antes de o cliente pedir. Com isso, pode sofrer infl uência de sazonalidade, ciclo e aleatoriedade sem possibilidade de revisão. Essa seria a situação MTS – produção para estoque. No MTS o produto está pronto para o cliente, mas a personalização (customização) do produto não pode ser feita. • Ter algumas partes já prontas. Nesta situação, o cliente vai esperar menos do que na situação anterior, mas ainda espera. Esta seria a situação MTO. No MTO há um alto grau de personalização. • Ter todas as partes prontas. Com isso, teria o estoque das partes, mas o estoque de produto acabado não teria ATO – montagem sob encomenda. • Em ATO, como a montagem parte de subprodutos que estão sendo entreguesao cliente, existe certo grau de personalização. As empresas de produtos complexos estão caminhando para os sistemas do tipo ATO. Com poucos itens em estoque, é possível produzir um grande número de produtos. • No caso de ETO, tudo é feito sob encomenda, pois os custos de cada item são muito específi cos e altos. No ETO, o projeto do produto será feito para o cliente, pois os custos de cada item são altos em função da especifi cidade do produto. Para cada sistema de produção, o planejamento e o controle de produção são feitos de maneira diferente. O ponto fraco dessa classifi cação é que ela só diz respeito às operações de fabricação, mas de alguma forma podem ser úteis para o debate relativo às empresas do agronegócio, principalmente as empresas de manufatura de máquinas, equipamentos e insumos. Embora os cuidados no planejamento e controle da produção podem ter efeitos positivos sobre a lucratividade das empresas de qualquer porte e cadeia produtiva. 66 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I • O Sistema de Grande Projeto é característico de obras de grande porte da construção civil (pontes, barragens, dentre outras), nas quais o vulto dos recursos necessários é tão grande que é importante que várias empresas de competências complementares participem do empreendimento. Nesse caso, os recursos vão até o produto, diferentemente dos outros casos. Fonte: Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014, p. 40-48). Atualmente é possível comprar um computador no supermercado. Mesmo assim, quem compra um computador verifi ca a especifi cação do processador, de memória, a necessidade de um gravador de DVD, caixa de som etc. O computador já possui placas prontas que são encaixadas e conectadas entre si, dentro de um projeto facilmente exequível. Basta o cliente especifi car o que ele quer. O sistema de produção desse tipo de produto recebe a denominação “Montagem sob encomenda” (assembly to order – ATO). O produto é confi gurado a partir de submontagens já prontas, a partir de um projeto predeterminado (GUERRINI; AZZOLINI JÚNIOR; BELHOT, 2014, p. 46). Para exemplifi car como os diferentes tipos de processos de produção ocorrem em grandes empresas do agronegócio, escolhemos a AGCO. Os produtos AGCO são vendidos através de cinco marcas principais, Challenger®, Fendt®, GSI®, Massey Ferguson® e Valtra®, suportadas por tecnologias de precisão Fuse® e serviços de otimização de fazendas. Os produtos da AGCO são distribuídos globalmente através de uma combinação de aproximadamente 3.000 revendedores e distribuidores independentes em mais de 140 países. A AGCO está sediada em Duluth, na Geórgia, EUA, e teve vendas líquidas de US $ 7,5 bilhões em 2015. Fundada em 1990, conta com mais de 40 unidades de fabricação em todo o mundo (SIEMENS, 2017). Maiores informações podem ser obtidas no site da empresa. No texto a seguir há uma descrição sucinta sobre como a empresa organiza sua produção. DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE MANUFATURA DA AGCO Com sua presença global, a AGCO buscou um projeto que permitisse desenvolver, fabricar e gerenciar de forma mais efi ciente o portfólio de produtos da empresa. Com esse objetivo em mente, a AGCO adotou o software Teamcenter® para o gerenciamento do 67 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 ciclo de vida do produto e o software Tecnomatix® para fabricação digital – que pertencem à plataforma PLM da Siemens. A primeira experiência foi nas instalações da empresa na cidade de Hesston, Kansas. Vários fatores infl uenciaram a decisão da AGCO de implantar o Teamcenter e a Tecnomatix na fabricação: a necessidade de melhorar as instruções de fabricação; a necessidade de gerenciar melhor as mudanças no processo de engenharia de projeto; problemas com o uso da lista EBOM no sistema MRP e no MES da empresa; além disso, o objetivo era atender melhor às necessidades do setor de engenharia no desenvolvimento da MBOM. “Nós construímos o mesmo produto em vários lugares”, explica Susanne Lauda, líder global do projeto de automação de fabricação na AGCO. “Queremos reutilizar o projeto, queremos reutilizar o MBOM, queremos reutilizar a maioria das nossas instruções de trabalho eletrônico, por isso faz muito sentido que nossos engenheiros de fabricação estejam trabalhando em uma plataforma global comum, que para nós é Teamcenter. Com o uso do Teamcenter, podemos ter apenas uma instalação fazendo basicamente 80% do trabalho que é necessário para todas as instalações que estão construindo o mesmo produto, de modo que é uma enorme economia”. “Em nossa engenharia de design, estamos tentando padronizar os números de peças, os projetos de peças para que possamos reutilizá-los de plataforma em plataforma e de módulo para módulo, região a região”, diz D’Souza. “A ideia é que qualquer módulo que usemos deve ser construído da mesma maneira em qualquer fábrica para nos ajudar a garantir a qualidade”. D’Souza acrescenta: “O processo que estamos tentando usar para conseguir isso é ter uma única lista de materiais que usamos como nossos dados mestres e, em seguida, temos várias maneiras de construir esse produto dentro do Teamcenter, que é essencialmente o gêmeo digital do processo de produção do mundo real”. “Trabalhando na EBOM, os engenheiros de fabricação da AGCO usam o Teamcenter e a Tecnomatix para criar um MBOM separado, reorganizando componentes e confi gurando subconjuntos que podem ser obtidos externamente, ou para componentes-chave como cabines ou motores, da cadeia de abastecimento interna da AGCO. Ao desenvolver MBOMs e planos de processo, os engenheiros de fabricação aproveitam a capacidade de visualizar uma estrutura de produtos multinível com links ao modelo de CAD 3D exibido na mesma tela. Usando a interface de usuário intuitiva do Teamcenter, 68 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I criar uma lista de BOM ou plano de processo pode ser tão simples como copiar e colar, e os engenheiros podem validar visualmente a precisão das etapas do processo. Entender de onde se origina cada uma das partes que consta no EBOM, onde eles irão no MBOM, onde serão produzidos globalmente, isso permite acompanhar todo o caminho através das estruturas de produção, que é um requisito fundamental para nós “, diz D’Souza. “Os operadores que atuam hoje podem escolher de maneira mais fácil como montar uma máquina, em comparação ao que tínhamos anteriormente nas instruções de trabalho em papel. Essas instruções de trabalho eletrônico criaram um material melhor de treinamento, não apenas para o chão de fábrica, mas também para a introdução de novos produtos, permitindo analisar e estabelecer um processo melhor”, explica Anvesh Kulkarni, engenheira de fabricação da fábrica Hesston da AGCO. Fonte: Siemens (2017). No texto aparecem alguns termos técnicos que necessitam de maior explicação. Embora se trate de conhecimento específi co para quem atua com manufatura, torna-se necessária sua elucidação para que todos possam acompanhar o desenvolvimento do capítulo. A lista de materiais (Bill of materials – BOM) pode ser entendida como a lista de receitas e compras para criar um produto fi nal. Uma lista de materiais (BOM) explica o que comprar, como comprar e onde comprar e inclui instruções sobre como montar o produto. Todos os fabricantes que criam produtos, independentemente da indústria, começam criando uma lista de materiais (BOM). Cada linha dessa lista BOM incluirá o número de peça do item, descrição, quantidade, unidade de medida e um tipo de aquisição que descreva se a peça é comprada ou fabricada. Uma BOM se divide em lista de materiais de engenharia (Engineering bill of materials – EBOM) e a lista de materiais de fabricação (Manufacturing bill of materials – MBOM). Os diferentes tipos de lista de materiais dependem da necessidade e do uso do negócio para o qual eles se destinam, sendo totalmente fl exíveis quanto ao tipo de produto manufaturado (OLIVEIRA, 1999; ARENA,2017). A EBOM lista os itens, peças, componentes, subconjuntos e montagens no produto projetado pela engenharia. Para um produto acabado pode haver mais de uma EBOM. Por exemplo, a lista de materiais para a montagem de uma televisão projetada por um engenheiro elétrico lista os resistores, capacitores e chips. A EBOM projetada por um engenheiro mecânico inclui peças personalizadas e hardware adquirido, como lcd, botões e parafusos. É importante criar uma lista 69 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 de materiais precisa, especialmente para um novo produto, pois é vital que as peças corretas estejam disponíveis quando o item for fabricado. Para isso, o departamento de compras precisa repassar as informações sobre os prazos de entrega dos fornecedores. Essa precisão evita prejuízos fi nanceiros com compras sem programação e retrabalho na execução do projeto. A MBOM contém todas as peças e montagens necessárias para a construção e expedição de um produto. Incluindo, caso necessário, todos os detalhes do que foi encomendado pelos clientes. Inclui ainda todos os materiais de embalagem necessários para enviar o produto fi nal ao cliente. O diabo está nos detalhes – e os detalhes de um produto estão todos na MBOM. A MBOM conduz a fabricação, operações, compras e logística para um produto. As informações do MBOM alimentam os sistemas de negócios usados para encomendar peças e construir o produto. Estas incluem soluções de planejamento de recursos empresariais (ERP), planejamento de recursos de materiais (MRP) e soluções de sistema de execução de fabricação (MES) (OLIVEIRA, 1999; ARENA, 2017). Qual é a diferença entre EBOM e MBOM? Para um resumo sobre os sistemas de produção, como um esquema rápido de consulta para diferenciar lote, encomenda e grandes volumes: PERALES, Wattson. Classifi cações dos sistemas de produção. Encontro nacional de engenharia de produção. Anais, 2001. Disponível em: <http://abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2001_ TR111_0830.pdf>. As principais diferenças entre a MBOM e a EBOM estão em sua estrutura e profundidade. As listas MBOM devem conter todas as peças e montagens. Se um item precisa ser comprado, processado ou inventariado para fazer o produto, ele precisa ser representado no MBOM, exatamente no modo como é montado. Por exemplo, se um produto tiver dez parafusos do tipo X, cada parafuso está listado na MBOM na submontagem onde é usado. Por outro lado, a EBOM para este produto pode ter apenas um item na linha que lista o parafuso do tipo X com uma quantidade de 10. A EBOM não fornece informações sobre como as peças se relacionam entre si (ARENA, 2017). 70 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Para fi nalizar esta seção, sugerimos ainda dois trabalhos. O primeiro, além de uma boa revisão teórica, tem como ênfase as empresas de manufatura de pequeno porte. E no segundo trabalho tem-se uma proposta de classifi cação e análise de uma agroindústria, considerando suas peculiaridades no desenvolvimento de sistemas de planejamento e controle da produção. 1ª Proposta de leitura – Destacamos o esquema de produção de uma sacola virgem segue a estrutura de símbolos da teoria de Wild, colocada aqui. Além disso, extraímos um trecho para destacar um ponto que diz respeito a muitas empresas, independente do setor ou porte. O autor comenta os problemas sobre os sistemas de PCP nas pequenas manufaturas. Disponível em: <http://www.abepro.org. br/biblioteca/ENEGEP2002_TR12_0551.pdf>. 2ª Proposta de leitura – Uma tese que faz uma revisão extensa sobre a literatura, além de propor uma estrutura que possa classifi car e analisar os processos que ocorrem dentro de uma agroindústria. Segundo o autor, dadas as características das agroindústrias, existem lacunas na classifi cação e, portanto, na forma como são construídas as propostas de gestão. A proposta do autor começa na página 160. As partes anteriores se dedicam à revisão da literatura sobre planejamento e controle da produção, sobre a cadeia produtiva da carne bovina, inclusive com aspectos técnicos. Embora os dados sobre a produção estejam defasados, a análise proposta pelo autor não fi ca invalidada por esse lapso temporal. Essa construção serve como exemplo claro da aplicabilidade dos conceitos apresentados aqui e as atividades no agronegócio. A autoria é de Moacir Scarpelli, orientada por Mario Otávio Batalha. Disponível em: <https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/3295/TeseMS. pdf?sequence=1>. 71 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 A INTEGRAÇÃO DO PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO E AS ÁREAS DA EMPRESA – EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E COMPETITIVIDADE O gerenciamento de operações e processos envolve toda uma série de decisões separadas que determinarão seu propósito geral, estrutura e práticas operacionais. A área de PCP, nas empresas, planeja, controla e coordena os recursos de manufatura necessários à fabricação de produtos e faz a emissão das ordens de fabricação e de compra. Para isso, necessita de informações de diferentes áreas da empresa para elaborar o planejamento e a programação da produção (SLACK, 2009). O objetivo mais importante a curto prazo da estratégia de operações é garantir que os recursos operacionais possam satisfazer os requisitos do mercado. Mas esse não é o único objetivo. A longo prazo, a estratégia de operações deve desenvolver os recursos que permitirão ao negócio fornecer algo ao mercado que seus concorrentes acham difícil de imitar ou combinar. Esses dois objetivos são chamados de perspectiva de requisitos de mercado e a perspectiva de capacidade de recursos de operações. O último é muito infl uenciado pela visão baseada em recursos (RBV) da empresa. O objetivo da estratégia de operações pode ser visto como um “ajuste” entre essas duas perspectivas (SLACK, 2009). Para uma leitura sintética sobre o assunto: <http://editorarevistas. mackenzie.br/index.php/rem/article/view/790/476>. 72 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Figura 4 - Integração das áreas da empresa Fonte: LI, Yu Lin; YI, Shu Ping (2014). Essa fi gura destaca um entendimento geral de operações e processos, e seu propósito estratégico, juntamente com uma apreciação de como o propósito estratégico é traduzido dentro de uma organização. Cada vez mais é reconhecido que as operações e os gerentes de processos não podem simplesmente fornecer produtos e serviços de forma rotineira da mesma forma como eles sempre fi zeram. Eles possuem a responsabilidade de desenvolver as capacidades de seus processos para melhorar o desempenho global da empresa. A estratégia de operações é o padrão de decisões e ações que moldam a visão, os objetivos e as capacidades de longo prazo da operação e de seu contributo para a estratégia geral. É a forma como os recursos operacionais são desenvolvidos a longo prazo para criar uma vantagem competitiva sustentável para o negócio. Informação Extra Estabelecimento dos objetivos de gestão e políticas da empresa Planejamento estratégico Planejamento tático Sistema de Planejamento Administrativo Planejamento Operacional do Produto Planejamento dos Insumos Planejamento do Processo Planejamento de mão de obra Planejamento da Estrutura de máquinas e equipamentos Outros Planejamentos Operacionais Informação Sistema de Planejamento Operacional Sistema de Compras Subsistema de Estoques Subsistema de Operação Sistema Logístico Controle de Qualidade Controle de Custos Controle de Pessoal Controle das Unidades Controle de Estoques Avaliação Geral de Desempenho Sistema de Controle Operacional Subsistema de informação Subsistema Produtivo Subsistema Tecnológico Subsistema de Pessoal Subsistema de Unidades de Produção Subsistema de Finanças Sistema de Suporte Sistema de Gestão da Produção Sistema de Serviços Ambiente Externo 73 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2Artigo PCP e áreas funcionais: PEREIRA, Rafael Morais et al. Administração de produção e operações: evolução, conceito e interdisciplinaridade com as demais áreas funcionais. In: XII Simpósio da Excelência em Gestão e Tecnologia. 2015. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/ arquivos/artigos15/22822326.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2017. Veja as fi guras das páginas 20 e 21deste artigo: COMUNELLO, Ana Carla. Planejamento e controle da produção: um estudo de caso de uma indústria do Oeste do Paraná. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Disponível em: <http://repositorio.roca.utfpr.edu. br/jspui/bitstream/1/2349/1/MD_COENP_2013_2_01.pdf>. Acesso em: 23 jul. 2017. O artigo disponível no link a seguir traz o estudo de casos de três empresas que atuam no segmento de bens de capital – produzem bens para outras indústrias, inclusive as empresas ligadas ao agronegócio. Segundo o relato dos autores, a integração entre as áreas das empresas estudadas revela uma inefi ciência dessa integração, prejudicando o resultado. Os resultados alcançados permitem aos autores afi rmar que a diferença nessa integração diz respeito às pessoas, não sendo possível deixar a cargo dos sistemas de informação tal integração. ANDRADE, José Henrique de; FERNANDES, Flávio Cesar Faria. Barreiras e desafi os para melhoria da integração interfuncional entre Desenvolvimento de Produto e Planejamento e Controle da Produção em ambiente Engineering-to-Order. Gestão & Produção. 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/gp/2015nahead/0104- 530X-gp-0104-530X1087-13.pdf>. Para podermos abordar as atividades específi cas dentro da empresa, que podem ser visualizadas na Figura 2, escolhemos a abordagem colocada no livro de Gerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014). É uma tipologia quase intuitiva que entendemos como útil. 74 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Essa abordagem termina justamente na ligação com o tema de cadeia produtiva e cadeia de suprimentos. Como destacamos no início, aqui estamos tratando de empresas isoladas, no máximo estamos considerando algumas relações com os clientes. Mas a sequência dos temas irá tratar de relações entre empresas, formando uma estrutura analítica diferente e mais complexa ainda da que aqui se apresenta. A maior parte das classifi cações é utilizada para sistemas de produção (manufatura). Wild, utilizado como referência por Guerrini, Azzolini Júnior e Belhot (2014), por sua vez, propõe que se classifi que as operações de fabricação, transporte, suprimentos e serviços. Esses esquemas irão permitir a todos que possam realizar análises, e no nosso entender, para qualquer empresa que atue no agronegócio. Destaque para o fato de que todo o material relativo a essa abordagem pode ser encontrado nos autores citados. Atividades de Estudos: 1) Considere o café numa lanchonete. Normalmente existem dois tipos: o café pronto numa garrafa térmica e o café expresso. Você consegue desenhar o processo (PCP) de ambos os produtos? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 2) Explique em termos da teoria utilizada de Wild a operação de um restaurante “à la carte” e por quilo. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 75 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Sugerimos visitar o canal: Cronos Quality. Os autores não possuem qualquer relação com as indicações de vídeos. Interessa-nos apenas a diversifi cação de fontes de aprendizado. Link: <https://www.youtube. com/playlist?list=PLlj-0s81_ygKLd1OM7UOdOuVlpta8dOXd>. Cadeia produtiva é o conjunto de componentes interativos, incluindo os sistemas produtivos, fornecedores de insumos e serviços, industriais de processamento e transformação, agentes de distribuição e comercialização, além de consumidores fi nais. Objetiva suprir o consumidor fi nal de determinados produtos ou subprodutos (CASTRO; LIMA; CRISTO, 2002). CADEIA PRODUTIVA – ASPECTOS TEÓRICOS E GERENCIAIS Cadeia produtiva é uma forma analítica utilizada para compreender a natureza do processo de produção de um produto e suas transformações. O processo de produção é uma sequência de atividades produtivas. Cada estágio agrega valor na produção. As fases da cadeia são ligadas por meio de um conjunto de “elos”. Esse conceito abrangente possibilita inferir diversas formas de cadeias. Para caracterizá-la é necessário descrevê-la. Para tanto, são apresentados os principais tópicos a serem considerados (MIELE; WAQUIL; SCHULTZ, 2011). • Leque de produtos fi nais (disponibilizados ao consumidor) e de produtos da agropecuária envolvidos. • Segmentos (ou elos) a montante e a jusante da agropecuária, organizados em um fl uxograma. • Transações entre esses diversos segmentos. • Ambiente institucional e organizações de representação e apoio. • Delimitação geográfi ca, buscando identifi car a existência de diferenças regionais ou nacionais. • Delimitação do período de tempo. 76 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Jusante é a parte posterior de um processo, o que antecede é a montante. Por exemplo, podemos dizer que a comercialização de um produto está à jusante da industrialização ou, partindo do produtor rural, a montante é a indústria de insumos e a jusante é a agroindústria. Assim, as cadeias produtivas podem ser entendidas como um conjunto de componentes interativos, que incluem sistema de produção, fornecedores de insumos e serviços, indústrias de processamento e transformação, agentes de distribuição e comercialização. A partir dessa defi nição, pode-se conceituar a cadeia de produção agroindustrial como sendo a soma de todas as operações de produção e de comercialização que foram necessárias para passar de uma ou várias matérias-primas agroindustriais de base a um produto agroindustrial fi nal, conforme fi gura a seguir. Figura 5 – Cadeia de produção agroindustrial genérica Nota: Nas cadeias de produção agroindustriais, os sistemas de produção (ou sistemas produtivos) correspondem a um conjunto de componentes interativos (exemplo: manejo produtivo), que tem por objetivo a produção de alimentos, fi bras, recursos energéticos e outras matérias-primas de origem agroindustrial, sendo um subsistema da cadeia (CASTRO, 2000). Fonte: Adaptado de Batalha (2001). 77 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 No agronegócio, “dentro” de uma cadeia produtiva típica, é possível apontar, no mínimo, quatro diferentes mercados (BATALHA, 2001): a) mercado entre os produtores de insumos e os produtores rurais; b) mercado entre os produtores rurais e a agroindústria; c) mercado entre a agroindústria e distribuidores, e fi nalmente; d) mercado entre distribuidores e consumidores fi nais, conforme fi gura a seguir. Figura 6 - Mercados presentes em uma cadeia produtiva Fonte: Adaptado de Batalha (2001). Perceba que há vários elementos (exemplo: competição, risco climático na produção agrícola, novas políticas públicas, regulamentação) e agentes (exemplo: fornecedores, processadores, distribuidores) impactando sobre o mercado. Por isso, é importante analisar os macrossegmentos. Segundo Batalha et al. (2001), uma cadeia de produção agroindustrial pode ser segmentada a jusante ou a montante, em três macrossegmentos. Em alguns casos práticos, os limites desta divisão não são facilmente identifi cáveis. Além disso, pode variar segundo o tipo de produto.Os três macrossegmentos propostos são: • Comercialização: representa as empresas que estão em contato com o cliente fi nal da cadeia de produção e que viabilizam o consumo e o comércio dos produtos fi nais (supermercados, mercearias, restaurantes, cantinas etc.). Podem ser incluídas nesse macrossegmento as empresas responsáveis somente pela logística de distribuição. • Industrialização: representa as fi rmas responsáveis pela transformação das matérias-primas em produtos fi nais destinados ao consumidor. O consumidor pode ser uma unidade familiar ou outra agroindústria. • Produção de matérias-primas: reúne as fi rmas que fornecem as matérias- primas iniciais para que outras empresas avancem no processo de produção do produto fi nal (agricultura, pecuária, pesca e piscicultura). É importante perceber que a cadeia de produção agroindustrial parte de um produto ou serviço fi nal. Ou seja, do consumidor, onde o produto acabado é destinado, e se encadeia da jusante para a montante, levando em consideração 78 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I todas as operações realizadas durante os “elos”. Entender o conceito de Cadeia de Produção Agroindustrial é extremamente importante, devido às diferentes aplicações desse conceito, o que pode ser visto no quadro a seguir. Quadro 5 – Exemplo de aplicação da análise de cadeias produtivas Aplicação Descrição Metodologia de divisão seto- rial do sistema produtivo Consiste na tentativa de explicar a formação de ramos e setores, dentro do sistema produtivo. Formulação e análise de políticas públicas privadas Consiste na identifi cação dos elos fracos e seu incentivo, por meio de uma política pública adequada. De modo a promover o desenvolvimento de todos os agentes da cadeia. Ferramenta de descrição técnico-econômica A descrição técnica consiste na identifi cação das operações de produção responsáveis pela transformação da matéria-prima em produto acabado ou semiacabado. A descrição econômica per- mite analisar as relações econômicas originadas pela estrutura técnica, identifi cando atores envolvidos e principais mercados. Metodologia de análise das estratégias organizacionais e setoriais Analisar como as organizações (agentes), dentro de uma Cadeia de Produção Agroindustrial, formulam suas estratégias frente à concorrência, buscando defender-se ou colocar-se em uma me- lhor situação. Esta utilização também busca analisar as relações tecnológicas e econômicas entre os agentes de uma cadeia. Ferramenta de análise das inovações tecnológicas e apoio à tomada de decisão tecnológica Com a representação de uma cadeia produtiva pode-se identifi - car, por exemplo, as perturbações criadas a montante e a jusante da inovação original. Podendo avaliar as consequências das inovações, tanto no interior da cadeia como nas demais cadeias com as quais ela se interconecta. Fonte: Malheiros (1991); Batalha (1997); Pires (2001). A análise da cadeia auxilia na compreensão dos complexos processos de produção, além de examinar o desempenho de cada elo, determinar gargalos, oportunidades, processos produtivos, gerenciais e, até mesmo, tecnológicos. Mas sua análise pode ser incorporada com outras metodologias, de diferentes dimensões, para analisar o seu desempenho e/ou dos seus componentes individuais, como a efi ciência, qualidade, sustentabilidade, entre outros. É possível indicar aplicações da gestão das cadeias produtivas, na formulação de políticas públicas, na gestão de tecnologia e no desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento. Alguns exemplos dessas aplicações (CASTRO; LIMA; CRISTO, 2002). 79 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 • Gestão da efi ciência (produtividade e custos). • Gestão tecnológica e de P&D. • Gestão da qualidade (diferenciação). • Gestão da sustentabilidade ambiental. • Gestão dos mercados e oportunidades (foco). • Gestão de contratos. • Gestão da comunicação e da informação. • Conscientização de lideranças. • Melhoria da base de informações (bibliografi a, sites, bases de dados). • Melhora da imagem e sustentabilidade institucional. • Geração de novas políticas públicas (fábrica do agricultor, defesa sanitária, capacitação para o agronegócio, apoio à agroindústria, desenvolvimento regional). Fóruns e câmaras de negociação entre elos das cadeias produtivas. Indicação do artigo “Prospecção de cadeias produtivas e gestão da informação”, de Antônio Maria Gomes de Castro. Acesso ao link: <http://www.scielo.br/pdf/tinf/v13n2/04.pdf>. O artigo aborda análise de cadeia produtiva, desempenho das cadeias produtivas e aplicação da gestão. Além disso, traz alguns conceitos relativos ao tema. Para realizar uma análise de cadeias de produção agroindustriais, deve-se considerar a existência de seus ambientes. Entender a dinâmica entre eles é importante, pois é neles que se encontram as oportunidades e ameaças a serem aproveitadas ou neutralizadas pelos agentes da cadeia produtiva (SOUZA et al., 2003). • O ambiente institucional: compõe-se dos fatores que diferenciam a sociedade, tais como leis federais, estaduais e municipais, políticas setoriais, além dos costumes, cultura, etnia e tradições. O ambiente institucional envolve o ambiente organizacional. • O ambiente organizacional: é constituído das estruturas criadas para dar suporte/apoio às cadeias de produção agroindustriais, tais como universidades, órgãos de pesquisa, de normalização e de fi scalização, associações, cooperativas, sindicatos e as próprias empresas. Estas estruturas atuam de forma coordenada, em grupo e coletiva, discutindo seus interesses no âmbito do ambiente institucional. • O ambiente empresarial: é formado pelos subsistemas internos das empresas, representados pelos recursos humanos, materiais, fi nanceiros e tecnológicos, pela gestão utilizada diariamente, pelos procedimentos operacionais e pelos sistemas de qualidade e rastreabilidade dos produtos. 80 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I A fi gura a seguir representa uma cadeia de produção agroindustrial qualquer, com presença de “elos”. Sobre cada “elo” incidem questões relacionadas aos ambientes. Faça o exercício de imaginar uma cadeia produtiva agroindustrial, de algum produto do seu dia a dia. Agora, o aloque na fi gura a seguir e descreva-o (conforme os tópicos anteriores). Quais são os processos que ocorrem em cada “elo” até chegar ao consumidor fi nal? Os ambientes incidem da mesma forma em cada “elo”? Os “elos” pertencentes à cadeia produtiva da farinha de trigo são semelhantes ao do molho de tomate? Cadeia produtiva da carne bovina, de Antônio Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha. Os autores possuem livros de outros produtos relacionados à cadeia produtiva, todos disponíveis gratuitamente on-line. São estudos aplicados que o auxiliarão na análise de cadeias produtivas. Figura 7 – Cadeia produtiva e os ambientes que incidem sobre cada elo Fonte: Adaptado de Miele, Waquil e Schultz (2011) e Van Fleet, Van Fleet e Seperich (2013). 81 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 De forma geral, o estudo da cadeia produtiva agroindustrial possibilita a compreensão da sua estrutura e do seu funcionamento, além de examinar cada um de seus segmentos – fornecedores de insumos, produtores, indústrias processadoras, distribuidores (atacado e varejo), bem como a forma de interação intra e inter-empresas. As cadeias produtivas têm nos estudos da organização industrial a origem para análise do seu desempenho, de forma a possibilitar a descrição das condições em que a dinâmica do mercado, as regras governamentais e outros fatores infl uenciam o desempenho das empresas (SOUZA et al., 2005). CADEIA DE SUPRIMENTOS – PRINCIPAIS ASPECTOS TEÓRICOS E PRÁTICOS Neste tópico, tudo o que for abordado de “cadeia” leva em consideração a “cadeia de suprimentos”. Uma cadeia de suprimentos do agronegócio inclui uma série de processos, tais como gerenciamentode suprimentos, gerenciamento de produção e gerenciamento da demanda pelos consumidores fi nais, por meio de um canal de distribuição (que seja competitivo) (FURLANETTO; CÂNDIDO, 2006). É importante compreender os problemas da cadeia na perspectiva dos vários atores. A efi cácia dela dependerá de questões intrínsecas, como a perecibilidade, qualidade e risco da matéria-prima. Além disso, o seu “funcionamento” necessitará de um sistema de suporte que inclua a infraestrutura (armazenamento e armazém), adoção de tecnologias de informação e um sistema fi nanceiro bem concebido e implementado, a fi m de superar as “exigências” dos sistemas fi nanceiros informais que afetam os custos e a capacidade de resposta da cadeia. Finalmente, a sua efi ciência dependerá, também, do governo (nos seus níveis federal, estadual e local) para funcionar efetivamente. Há uma série de leis e regulamentos que afetam a sua efi ciência (retorne para a Figura 1 do Capítulo 1 para relembrar os ambientes que afetam a efi ciência de uma organização). O gerenciamento, como mencionado, é muito importante. Ele concentra- se em como uma empresa organiza, por exemplo, recibos dos materiais e componentes, agrega valor e entrega o produto ao cliente fi nal; por meio de processos de planejamento, abastecimento, fabricação e distribuição, envolvendo várias partes interessadas da cadeia (BOWERSOX et al., 2002). Com o aumento da proliferação de produtos e serviços, e os consumidores tornando-se cada vez mais exigentes e esperando diferenciação a baixo custo, os desafi os serão inúmeros para as empresas. Podemos enumerar os seguintes itens como objetivos das empresas que optam pelo modelo integrador proporcionado pelo gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: 82 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I • Reduzir o tempo dos ciclos de pedido. • Assegurar datas de entrega. • Amenizar custos e aumentar lucros. • Diminuir níveis de estoques e tamanho dos lotes. • Fortalecer parcerias com fornecedores e clientes. • Otimizar processo produtivo para garantir a qualidade. O mau gerenciamento da cadeia afeta uma empresa e a inibe em obter vantagem competitiva em qualquer mercado. Gerenciar a produção é um passo importante. Por exemplo, avaliar a estrutura da cadeia de suprimentos na distribuição de fertilizantes, bem como no processamento de commodities como a soja, é necessário. No mundo de hoje (altamente competitivo), as empresas competem nas cadeias de suprimentos. Aquelas que possuem a capacidade de estabelecer uma cadeia distintiva e criá-la como um bem estratégico, são líderes em seus negócios e de fato emergem como as melhores do seu ramo. a) Natureza da cadeia de suprimentos do agronegócio Uma cadeia de suprimentos abrange todas as atividades associadas ao fl uxo e transformação de bens. Passa pela fase de matéria-prima (extração) até o consumo pelos usuários fi nais. A informação associada na cadeia fl ui tanto para cima como para baixo. Portanto, ele compreende um elemento físico (a parceria estratégica de várias organizações voltadas para o mercado envolvido na transformação de bens específi cos) e um elemento de informação (compartilhamento controlado de dados e processos empresariais). Portanto, uma cadeia de suprimentos pode ser vista como uma rede de cadeia de valor, composta por entidades funcionais individuais, comprometidos com o compartilhamento controlado de dados empresariais e coordenação sincronizada de processos para otimizar o lucro da cadeia. Nesse sentido, o termo gestão da cadeia de suprimentos é adotado para descrever a gestão do fl uxo de materiais, informações e fundos em toda a cadeia, desde fornecedores de componentes, montadores fi nais, distribuidores (armazéns e retalhistas) e, fi nalmente, para o consumidor fi nal. Essa descrição refere-se ao gerenciamento de três fl uxos: físico, informativo e fi nanceiro (CHOPRA; MEINDL, 2007). Assim, o objetivo de um gerente da cadeia de suprimentos é gerenciar uma rede de organizações envolvidas, por meio de ligações a montante e a jusante, nos diferentes processos e atividades, que produzam valor sob a forma de produtos e serviços (CHRISTOPHER, 1998). Isso signifi ca que uma cadeia de suprimentos envolve duas ou mais organizações, com fl uxo de materiais, fi nanças 83 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 e informações, com o objetivo de servir o cliente fi nal. Pode valer a pena reiterar aqui que a chave para a existência de uma cadeia de suprimentos é a presença de um cliente fi nal e seu valor para ele. b) Logística e cadeia de suprimentos Houve uma tendência para usar esses dois termos de forma intercambiável, mesmo por profi ssionais de gestão. Pode ser útil compreender as áreas de foco de ambos os termos para que possamos identifi car suas características comuns e distintivas. A evolução de cada um desses termos tem sido uma vantagem sobre a outra; as funções de logística existem desde tempos imemoriais e contribuíram para a vida pública, operações militares e negócios. Toda a cadeia de suprimentos precisa ser administrada com ênfase na alta qualidade, que, por vezes, necessita de um ambiente com higiene e temperatura controlada (principalmente quando se trabalha com produtos alimentares). Assim, as operações logísticas são importantes e críticas. Nesse ponto, devemos entender algumas defi nições sobre o gerenciamento logístico. Em 1991, o Conselho Internacional de Gestão Logística defi niu a logística como "o processo de planejamento, implementação e controle do fl uxo efi ciente e efetivo de bens, serviços e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de se adequar aos requisitos do cliente" (CHRISTOPHER, 1998). Essa defi nição enfoca a logística como gerenciamento de movimentos e armazenamentos de bens e serviços, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com base nas necessidades dos consumidores. A defi nição parece mais operacional, se concentra em uma única entidade e é focada no cliente. Normalmente, em circunstâncias em que a concorrência é restrita, ou as operações são altamente focadas, como operações militares, essas defi nições representam claramente as funções que constituem o gerenciamento logístico. (CHANDRASEKARAN, 2010) Essa defi nição foi posteriormente modifi cada para: "A Logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, o movimento e o armazenamento de materiais, peças e inventário fi nalizado e os fl uxos de informações relacionadas por meio da organização e dos canais de comercialização para o cumprimento econômico das ordens dos clientes”. Isso abrange, além do armazenamento e do movimento, aspectos-chave como o foco estratégico, cobrindo os fl uxos de produtos e informações. Essa defi nição é mais realista para as organizações comerciais. Muitas organizações, ao longo das décadas, se concentraram no aspecto logístico dos negócios (CHANDRASEKARAN, 2010). 84 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Algumas empresas que operam neste setor, especialmente no processamento, perceberam que o seu crescimento dependia de sua capacidade de gerenciar efi cientemente o transporte de material e o estoque de entrada e saída. O que em muitos casos pode ser infl uenciado por características como o volume, a perecibilidade (exigindo, por exemplo, controle de temperatura) e a sazonalidade na demanda e oferta. Essas características requerem controle especializado em temperatura controlada, gerenciamento de compras, contratos e a manutenção de padrões de alta qualidade. Mas perceba que, dependendo do produto, poderão ser exigidos outros controles. Apenas citamos alguns pontos e exemplos, mas dependendo das situações, outros elementos se tornam de maior importância. O importante é conseguir identifi car tais peculiaridades. Você ouvirá termos como logística, logística de entrada, gerenciamento de materiais, distribuição física e gerenciamentoda cadeia de suprimentos. Eles parecem ser usados de forma intercambiável. Muito brevemente, a logística de entrada abrange o movimento de material, componentes e produtos recebidos de fornecedores. O gerenciamento de materiais descreve a parte de movimentação de bens e componentes dentro de uma fábrica ou empresa. A distribuição física refere-se ao movimento dos produtos acabados para “fora da planta”, departamento de expedição (CHANDRASEKARAN, 2010). As facetas da gestão logística incluem: • Gerenciamento de pedidos. • Transporte de saída e gerenciamento de distribuição. • Gestão de inventário. • Logística na planta. • Transporte de entrada; • Aquisição. • Gerenciamento de informações. A partir dos recursos acima mencionados, pode-se dizer que o gerenciamento logístico é orientado para otimização de processos. Isto é, redução de custos para a organização focal. Dá uma sensação de gestão da cadeia de suprimentos interna. Mas o pensamento atual sobre ele e sua experiência evoluiu para uma perspectiva mais ampla, onde é preciso ir além das operações logísticas. Logística e cadeia de suprimentos, autoria de Allan Augusto Platt. O livro está disponível on-line. 85 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 c) Cadeia de suprimentos no agronegócio Além da produção do setor agrícola, um país precisa ter capacidade para processar a produção em nível de propriedade rural ou empresas processadoras, por meio do setor de processamento. O agronegócio tem sido tradicionalmente um dos principais setores que contribuem para a renda nacional, além de ser importante socialmente. O país possui uma enorme população e diferentes estratos de grupos econômicos, que dependem da agricultura para alimentação e dos produtos agrícolas para viver. O agronegócio relaciona-se com a atividade agropecuária. É um sistema complexo, dinâmico, que ultrapassa a propriedade rural. Inclui tudo o que é necessário para a produção de alimentos. Além disso, tem o desafi o de fornecer insumos para as propriedades rurais, a fi m de produzir alimentos. Por exemplo, se considerarmos a produção de trigo como parte da agricultura (e de fato é), o agronegócio se relaciona com todas as atividades associadas. Desde a aquisição de trigo e a conversão em farinha e/ou alimentos processados, até que os produtos fi nais atinjam os consumidores. Da mesma forma, todos os aspectos do lado de “entrada do negócio” - nomeadamente, equipamentos de capital e insumos, como fertilizantes - fazem parte do setor do agronegócio. Vale a pena lembrar: agronegócio é a soma das operações de produção e distribuição de suprimentos, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles. Como na fabricação, a cadeia de suprimentos do agronegócio também depende de vários agentes de função e suas atividades. Se olharmos para o caso da cadeia de suprimentos da farinha de trigo, pode haver uma série de atores, cujos papéis precisam ser claramente compreendidos para as várias atividades realizadas. Que, por vezes, não é o que ocorre. Por exemplo, hipoteticamente, a empresa que possui a marca “A”, que vende em nível nacional, compra trigo no norte do Rio Grande Sul. O produto é sazonal, enquanto o consumo é durante todo o ano. A empresa estará servindo um mercado enorme. Mas a aquisição da matéria-prima é de uma região, portanto, a criação de instalações de processamento em outras regiões não faria sentido. Do mesmo modo, a produção centralizada e a redistribuição em todas as regiões também não serão efi cazes. Assim, a empresa adotou a estratégia de contratação 86 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I de fabricantes, que adquirem o trigo e o convertem de acordo com os padrões estabelecidos pela empresa; vendendo o produto fi nal na forma de farinha de trigo da marca “A”. Neste processo, existe agência de compra que adquire o trigo, distribuidores, processadores, planos de distribuição e marketing controlado. Enfi m, é uma série de intermediários, como operadores regionais de centros de distribuição, operadores de transporte e varejistas. Todos esses agentes estão alinhados com a otimização de recursos e esforços para satisfazer as necessidades dos clientes da marca “A”, na rede da cadeia de suprimentos. Cada agente tem funções e responsabilidades claramente defi nidas, e é remunerado pelos serviços prestados. Em termos de tempo, os produtos agrícolas são agrupados em certas épocas durante o ano, com base na sazonalidade, enquanto o consumo é todo o ano. Isso, novamente, requer um gerenciamento efi caz, por meio de armazenamento, gerenciamento e até processamento. Em um país como o Brasil, que possui uma ampla disseminação geográfi ca, com condições climáticas variáveis e uma grande população (a ser alimentada), o gerenciamento dos recursos é um desafi o. Assim, os agentes e as atividades, na cadeia de suprimentos, devem estar sincronizados para estabelecer cadeias bem-sucedidas. Leia o artigo “Gerenciamento de cadeias de suprimentos: novas formas de organização na cadeia da carne bovina do Rio Grande do Sul”, autoria de Gabriela Cardozo Ferreira e Antônio Domingos Padula. Acesso no link: <http://www.scielo.br/pdf/rac/v6n2/v6n2a10. pdf>. Artigo de gerenciamento de cadeias de suprimentos aplicado no agronegócio. d) Papel da cadeia de suprimentos Como em qualquer rede de suprimentos, a gestão da cadeia envolve o gerenciamento estratégico de uma rede de relacionamentos, que está destinado a satisfazer as demandas de seus clientes fi nais e, no processo, alcançar efi ciência e vantagem competitiva por meio de atividades em conjunto. Mentzer et al. (2001) descrevem os agentes (e suas atividades) envolvidos na cadeia de suprimentos. • Proprietários de recursos: o proprietário de recursos é o ponto inicial em qualquer cadeia de suprimentos. A maioria dos recursos precisa ser submetida a um processo de produção. Em uma economia agrícola, os proprietários 87 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 de recursos não precisam, necessariamente, se envolver na produção, pois podem arrendar os seus recursos para que terceiros produzam. Por exemplo, os proprietários podem alugar suas terras para que outros as cultivem. Uma empresa que produz açúcar pode ter em sua área de comando lotes registrados de fazendeiros, sejam próprios ou arrendados, onde as culturas são cultivadas sob a orientação de um responsável da fábrica. Os produtores colhem e vendem os produtos para a indústria. Assim, o gerenciamento de recursos é um aspecto fundamental da cadeia de suprimentos do agronegócio. • Fornecedores de insumos: a função de produção agrícola requer uma série de insumos, nomeadamente, sementes, fertilizantes, pesticidas, máquinas e implementos agrícolas e assim por diante. Uma desconexão entre fornecedores de insumos e sua criação de valor poderia afetar negativamente a rede da cadeia de suprimentos. Não só em termos de efi ciência de preços, mas também em termos de efi ciência de produção. • Produção: recursos e insumos são utilizados para a colheita de produtos agrícolas, por exemplo, os cereais. Esta é uma importante etapa, já que muitos dos produtos são movidos para os mercados na forma de commodities para consumo direto ou são adquiridos por processadores para agregar valor e convertidos em produtos alimentares. A produção é defi nida pela alocação dos recursos e as condições dos fatores, incluindo questões climáticas. O risco de produção é alto, devido às intempéries da natureza e ataques de pragas e doenças. Como a demanda é mais estável e previsível, exceto em tempos de volatilidade, é o lado da oferta, medido pelo volume de produção, que infl uencia o mercado. • Processadores: os processadores são de suma importância no agronegócio, desempenhando um papel vital na rede da cadeia de suprimentos.Parte do produto agrícola é convertida em alimentos, à medida que atinge os consumidores fi nais. A dinâmica comercial dos processadores é infl uenciada pelas margens entre os preços dos insumos e os preços da produção, os custos de conversão e as margens nas transações. • Varejistas: há milhões de varejistas em todo o país, permitindo o movimento de produtos na cadeia de suprimentos do agronegócio. • Consumidores: o consumidor é o ponto fi nal. Os consumidores, como um grupo, exercem pressão competitiva. Existem certas áreas em que os interesses dos agricultores e os interesses dos consumidores são diretamente lançados um contra o outro, resultando em pressão competitiva. 88 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I É importante notar que é vital a sincronização das cadeias de suprimentos do agronegócio, a fi m de permitir a distribuição dos lucros da cadeia entre os agentes, com base em seu tempo, esforço e risco assumido. Isso exige uma gestão efi caz. e) Drivers da cadeia de suprimentos Os drivers da cadeia de suprimentos são fundamentais para o desempenho deles. Uma cadeia está operacional somente quando os drivers “estão no lugar”. Os drivers são componentes da estrutura da cadeia que levam à efetividade. De certa forma, os drivers devem ser vistos como ferramentas operacionais para implementar estratégias e realizar operações. Eles podem ser logísticos (tais como instalações, inventários e transporte) ou drivers multifuncionais (como preços e informações) (MENTZER et al., 2001). Além desses, certos fatores externos, como sistemas de regulamentação, acordos internacionais, sistemas fi scais e infraestrutura, podem afetar direta e indiretamente o desempenho das cadeias de suprimentos. Os drivers garantem um equilíbrio entre a capacidade de resposta aos clientes e a efi ciência na cadeia, o que permite que uma empresa seja competitiva (CHANDRASEKARAN, 2010). Pode-se notar que existe uma necessidade de sincronização da estratégia da cadeia com estratégias funcionais, tais como: produto, marketing e fi nança. A estrutura da cadeia de suprimentos defi ne o foco estratégico que precisa ser realizado por meio da implantação efetiva dos drivers. Leia o artigo: “Benchmarking da cadeia de suprimentos”, autoria de Aline Ribeiro. Acesso no link: <http://www.tfscomunicacao.com.br/ imgs/sala_estudo/271_arquivo.pdf>. O artigo apresenta a estrutura básica de um processo de benchmarking, chamando atenção para as decisões críticas relacionadas ao seu planejamento. Atividade de Estudos: 1) Após o término do capítulo, pense em um produto do seu dia a dia. Busque analisar a cadeia produtiva a que ele pertence, o processo até chegar à sua mão. Não se esqueça de descrever 89 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 como se “desenvolve” a cadeia de suprimentos para a produção do produto em questão. Quais são as forças do ambiente que inserem sobre cada elo? Como cada elo interage com as demais organizações, a montante e a jusante? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ BOIKO, Me Thays Josyane Perassoli; GEPPGO, G. P. Classifi cação de sistemas de produção: uma abordagem de engenharia de produção. Encontro de Produção Científi ca e Tecnológica, v. 4, 2009. Disponível em: <http://www.fecilcam.br/ nupem/anais_iv_epct/PDF/engenharias/08_BOIKO_TSUJIGUCHI_ VAROLO.pdf>. CARVALHO, Marcelo Dias. Proposta de um modelo de planejamento agregado da produção numa usina de açúcar e álcool vinculado à fl utuação de preços em mercados à vista e no mercado futuro. 2009. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. 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Lembre-se: os processos se diferenciam de alguma forma, portanto, até certo ponto, todos precisam ser gerenciados de forma diferente. Vale a pena lembrar também que o sistema de produção interage com as outras funções da organização. Por isso, não se esqueça de analisar as infl uências do ambiente interno e externo (caso tenha esquecido, retorne ao Capítulo 1). A partir disso, pudemos observar a integração do planejamento da produção e as áreas da empresa, levando em consideração a efi ciência, a efi cácia e a competitividade. Ao término, abordamos a cadeia produtiva e a cadeia de suprimentos. Foi possível entender que a análise de uma cadeia produtiva parte de um produto ou serviço fi nal e, a partir disso, analisa-se o caminho que ele percorreu. Na cadeia de suprimentos, estudamos as características, os benefícios e a implementação da Gestão da Cadeia de Suprimentos. 91 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 Constatamos que é um modelo caracterizado pela formação de parcerias, priorizadas pela clareza de propósitos, conectividade, comunicação e pelo compromisso, entre outros. Entre os benefícios, podemos destacar a redução de custos obtida por uma maior velocidade de atendimento dos pedidos, além da oferta de níveis de serviço mais adequados (customizados) às especifi cações dos clientes. Em relação à implementação, vimos que ela é pautada pela complexidade, combinação de atividades, integração e fl exibilidade, trazendo várias barreiras a serem vencidas para as empresas que optam por esse modelo. Aprendemos, também, que os implementadores da gestão da cadeia de suprimentos precisam conhecer muito bem a estrutura, os processos do negócio e os componentes inerentes a ela. REFERÊNCIAS BATALHA, Mario Otávio. Sistemas agroindustriais: defi nição e correntes metodológicas. Gestão agroindustrial. São Paulo: Atlas, v. 1, 1997, p. 573. BATALHA, Mário Otávio; SILVA, A. L da. Marketing estratégico aplicado ao agronegócio. Gestão agroindustrial, v. 1, 2001, p. 3. BOWERSOX,Donald J. et al. Supply chain logistics management. New York, NY: McGraw-Hill, 2002. CASTRO, Antônio G. de. Análise da competitividade de cadeias produtivas. Palestra apresentada no Workshop Cadeias Produtivas e Extensão Rural na Amazônia. Manaus, 2000. CASTRO, Antônio G. de; LIMA, Suzana M. Valle; CRISTO, Carlos M. Pedroso Neves. Cadeia produtiva: marco conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. Simpósio de gestão da inovação tecnológica (XXII), 22, 2002. Salvador, Ba. Anais…, 2002. CHANDRASEKARAN, Nagarajan. Supply chain management: Process, System, and Practice. Oxford University Press, 2010. CHRISTOPHER, Martin. Logistics and supply chain management: strategies for reducing cost and improving service. London. Financial Times Pitman Publishing, 1998. 92 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I CHOPRA, Sunil; MEINDL, Peter. Supply chain management. Strategy, planning & operation. Das summa summarum des management, 2007, p. 265-275. DE CASTRO, Antônio Maria Gomes; LIMA, Suzana Maria Valle; CRISTO, Carlos Manuel Pedroso Neves. Cadeia produtiva: marco conceitual para apoiar a prospecção tecnológica. XXII Simpósio de Gestão e Inovação Tecnológica. Salvador, 2002. FURLANETTO, Egídio L.; CÂNDIDO, Gesinaldo A. Metodologia para estruturação de cadeias de suprimentos no agronegócio: um estudo exploratório. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 10, n. 3, p. 772-777, 2006. GUERRINI, Fabio Müller; AZZOLINI JUNIOR, Walther; BELHOT, Renato Vairo. Planejamento e controle da produção: projeto e operação de sistemas. Elsevier Brasil, 2014. LI, Yu Lin; YI, Shu Ping. 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Bookman Editora, 2009. 93 AS EMPRESAS, SEUS RECURSOS E SISTEMAS DE PRODUÇÃO Capítulo 2 SOUZA, Mariluce Paes de. et al. Governança em cadeias produtivas agroindustriais. Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (XLIII SOBER), 43, 2005. Ribeirão Preto, SP. Anais, 2003. SOUZA, Mariluce Paes et al. Governança em cadeias produtivas agroindustriais. 2005. VAN FLEET, David; VAN FLEET, Ella; SEPERICH, George J. Agribusiness: Principles of Management. Cengage Learning, 2013. 94 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I CAPÍTULO 3 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃO A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Compreender as características do planejamento estratégico, diferenciando o curto prazo do longo prazo; e sua aplicabilidade às empresas do agronegócio. Entender como aplicar a matriz SWOT e seus limites na identifi cação da melhor estratégia a ser adotada pelas empresas. Compreender os principais aspectos da teoria de estrutura, conduta e desempenho e suas consequências para as empresas do agronegócio. 96 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 97 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 CONTEXTUALIZAÇÃO O desafi o principal de um gestor do agronegócio é o de resolver problemas e buscar bons rendimentos para a organização do agronegócio. Seja qual for a organização em questão, seja ela pequena, média ou de grande porte, instituída para a produção de bens ou de serviços, em todo o alcance dos resultados pretendidos, depende basicamente da realização das funções do gestor, que seja com efi ciência e efi cácia. Isto é, deve-se planejar, organizar, dirigir e controlar as suas operações, dentro de um contexto sistêmico, nos vários níveis hierárquicos que a constituem, sempre com domínio das habilidades exigidas para o cargo. O planejamento é o processo de determinar qual o caminho a seguir, entre as várias possibilidades, na tentativa de atingir um objetivo específi co. Os passos e procedimentos do planejamento formal, e a sua implementação, tornam-se um símbolo da efi cácia da gestão. Quando falamos de gestão de uma empresa, estamos nos referindo a um grupo específi co de pessoas (os gestores) que são responsáveis pela realização dos objetivos da organização. Eles defi nem as metas, fazem os planos, buscam recursos e garantem que os resultados sejam alcançados. A capacidade de fazer e realizar bons planos é um dos ativos mais valiosos que um gestor pode ter. Nesse contexto, o capítulo se propõe a analisar o processo de planejamento estratégico, demonstrando as principais atividades de gestão, a importância do planejamento, da organização, do controle e da direção na gestão do agronegócio, principalmente pelo dinamismo do setor. O agronegócio tem sido desafi ado por um aumento dramático no risco (exemplo: oscilação nos preços de insumos) e na incerteza (exemplo: eventos climáticos). As razões para isso podem ser encontradas na elevada volatilidade dos preços, reforma de políticas públicas, as preocupações de segurança alimentar, e turbulência social e econômica. Como resposta a esses desafi os, os gestores do agronegócio precisam reorientar suas atividades e reconceituar seus relacionamentos. Assim, torna-se necessário que as organizações estejam preparadas para isso, por meio do seu planejamento. O que será abordado ao longo do capítulo. Que todos tenham bons momentos de estudo! PRINCIPAIS ATIVIDADES DE GESTÃO Os mercados internacionais são uma realidade inseparável para os gestores do agronegócio, principalmente pela globalização do comércio. A tecnologia da informação e a internet criaram modelos inteiramente novos para a realização de 98 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I negócios. As relações entre os agentes do agronegócio continuam a evoluir e, como resultado, o sistema de produção e comercialização de alimentos é muito mais complexo e inter-relacionado hoje do que era há uma década. Adicione a isso o desafi o de alimentar cerca de nove bilhões de pessoas até 2050. Este mundo em rápida mudança, altamente volátil, internacional, de alta tecnologia e focado no consumidor, é aquele em que os gestores do agronegócio operam e para isso precisam de “gestão”. As funções de gestão abordam quatro principais áreas das organizações, que são: marketing, fi nanças, gerenciamento da cadeia de suprimentos e recursos humanos. Qualquer organização do agronegócio deve tomar decisões nas quatro áreas. Embora essas funções de gestão sejam importantes, elas não contam toda a “história” sobre o que é gestão. Usamos o termo gestor para descrever uma ampla gama de indivíduos, que vai desde o executivo-chefe de uma multinacional de sementes até o produtor rural de milho no norte do Rio Grande do Sul. O que um gestor que administra uma pequena empresa independente de consultoria de culturas tem em comum com um executivo sênior em uma empresa de alimentos de vários bilhões de reais? A resposta é simples: em cada uma das organizações do agronegócio há algum gestor. Todos eles realizam (ou deveriam realizar) quatro tarefas principais (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013): • Planejamento • Organização • Direção • Controle Cada uma dessastarefas desempenha parte do papel geral do gestor na gestão de pessoas e no seu poder para gerar o melhor resultado possível para a organização. Cada tarefa trata de um aspecto específi co do que os gestores do agronegócio realmente fazem (ou deveriam fazer) e como eles gerenciam. A fi gura a seguir ilustra esse conceito de gerenciamento orientado a tarefas como uma roda. As quatro tarefas de gerenciamento são os raios que conectam o gestor com as metas, objetivos e resultados desejados pela organização. É por meio do planejamento, organização, direção e controle que os objetivos da empresa (e do gestor) são alcançados. 99 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Figura 8 – A Roda da Gestão Fonte: Adaptado de Garvin (1998); Beierlein, Schneeberger e Osburn (2013) e Barnard et al. (2016). Por exemplo, adicione a motivação como torque, velocidade ou efi cácia, com a qual as tarefas são realizadas. Motivação fornece o movimento pelo qual a roda se move para frente ou para trás. A forte motivação resulta em um gerenciamento rápido, efi ciente, bem-sucedido e avançado. Por outro lado, a falta de motivação pode resultar em uma inversão desencorajadora. O eixo sobre o qual gira toda a roda do gerenciamento é a comunicação. Sem uma comunicação efetiva e no momento adequado, a roda do gerenciamento logo começa a balançar. Nesse sentido, é fundamental para o gestor entender o que acontece em cada uma das quatro áreas - planejamento, organização, direção e controle. a) Planejamento O planejamento pode ser defi nido como um pensamento avançado, sobre cursos de ação, com base em uma compreensão completa de todos os fatores envolvidos e direcionados a metas e objetivos específi cos (BARNARD et al., 2016). Examinemos essa defi nição de forma mais detalhada. O primeiro segmento centra-se no pensamento avançado. O que signifi ca “pensamento avançado”? Não é uma previsão, mas uma declaração orientada à ação – pensando no 100 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I futuro. Para olhar à frente, é vital estar bem ciente dos eventos do mundo e das principais tendências. O segundo elemento diz respeito a cursos de ação, o que implica o desenvolvimento de alternativas ou métodos de realização de metas e objetivos específi cos, com base em uma compreensão completa de todos os fatores envolvidos. Aqui é onde os fatos e as consequências dos vários fatores que afetam os cursos de ação alternativos são pensados. Finalmente, há a parte mais importante, bem como a mais negligenciada: direcionada a metas e objetivos específi cos, ou, em outras palavras, focando em algum ponto fi nal, algum alvo. • Tipos de planejamento: A tarefa de planejar representa a preparação da empresa do agronegócio para futuras condições comerciais. Downey e Trocke (1981) e Barnard et al. (2016) citam três tipos de planejamento, os quais são: − Planejamento estratégico: o planejamento estratégico é uma das primeiras etapas e está focado no desenvolvimento de cursos de ação a longo prazo. Longo prazo pode ser dois ou três anos para uma pequena empresa do agronegócio, enquanto uma grande organização corporativa pode olhar para um horizonte temporal de 20 anos (ou mais). Embora os planos estratégicos sejam realizados em todas as grandes organizações do agronegócio, eles também são importantes para o pequeno processador de alimentos ou o gestor de vendas de uma empresa de genética. É o horizonte temporal a longo prazo que caracteriza a atividade de planejamento estratégico. Qualquer atividade está focada em alcançar algum objetivo, em mover a organização em alguma direção. − Planejamento tático: envolve planos de curto prazo consistentes com o plano estratégico. Como tal, os planos táticos são uma parte crucial da implementação do plano estratégico da organização do agronegócio. Enquanto o planejamento estratégico se concentra no que fazemos em três anos (ou cinco anos, ou 20 anos), o planejamento tático está focado no que fazemos amanhã (ou no próximo mês ou no próximo ano). Por exemplo, o plano estratégico de uma empresa de fertilizantes poderia incluir um objetivo de aumentar sua participação de mercado em 20% em três anos, usando uma estratégia de expandir seu mercado geográfi co. O plano tático da empresa pode se concentrar em como aumentar as vendas no próximo trimestre em regiões geográfi cas específi cas, que têm menos concorrência e provavelmente incluirão medidas específi cas para atingir o objetivo. − Planejamento de contingência: é o desenvolvimento de planos alternativos para várias condições comerciais possíveis. Fazem parte do processo de planejamento estratégico e tático para uma organização. Um plano de contingência fornece orientação quando ocorre algo inesperado. Algum 101 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 planejamento de contingência é conduzido para se preparar para possíveis crises que possam ocorrer. Por exemplo, uma empresa de sementes comercializa variedades específi cas para determinadas condições em uma região geográfi ca do país. No entanto, um período úmido prolongado, durante a estação de plantio, faz com que a empresa de sementes implemente um plano de contingência com base em plantio diferenciado, o que pode resultar em fornecer adicionalmente variedades adaptadas àquelas condições. Por outro lado, uma empresa de alimentos pode precisar de um plano de contingência para um melhor cenário que se apresenta. O que eles fazem se a demanda por um produto orgânico aumente em dez vezes em relação à previsão inicial? Como eles vão lidar com a produção extra e distribuição? Assim, tanto os resultados ruins como os bons podem criar a necessidade de um plano de contingência. b) Organização Uma organização pode ser defi nida como pessoas que trabalham efetivamente para alcançar os objetivos da empresa (BARNARD et al., 2016). Esse é o objetivo de cada gestor, independentemente do setor, função ou organização. Deve haver uma estrutura que permita que as pessoas trabalhem efetivamente para alcançar metas. A organização representa a classifi cação sistemática e o agrupamento de recursos humanos de forma consistente com os objetivos da empresa. O processo de organização é importante em cada nível de uma organização. Assim, é o desafi o do gestor projetar uma estrutura organizacional que permita aos funcionários realizar seu próprio trabalho, ao mesmo tempo em que se atinjam as metas e os objetivos da organização. A tarefa de organizar ocorre continuamente na organização. Especialmente no ambiente de negócios, em que muitas empresas reestruturam frequentemente suas operações. Essa reestruturação pode ser o resultado de esforços para melhorar a efi ciência, reduzir custos ou como resultado de uma fusão ou aquisição. O gestor deve desenvolver uma estrutura organizacional efetiva (realista em relação às necessidades da organização) antes de implementar as estratégias necessárias para atingir os objetivos desenvolvidos na tarefa de planejamento (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013). Organizar envolve: • Confi guração da estrutura organizacional. • Determinação dos trabalhos a serem feitos. • Defi nição das linhas de autoridade e responsabilidade. • Estabelecer relacionamentos dentro da organização. É importante que os funcionários compreendam suas relações com outros funcionários. Assim, como parte da tarefa de organização, o gestor do agronegócio 102 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I deve assegurar que cada funcionário tenha um papel claramente defi nido e que, quando o funcionário atingir seu objetivo, os objetivos para a organização são alcançados. Indicação do artigo “Clima organizacional na empresa rural: um estudo de caso”, de Magali Costa Guimarães. Por exemplo, o objetivo geral de vendas para uma empresa pode ser dividido em objetivos de desempenho para regiões ou divisões e, fi nalmente, representantesde vendas individuais. Um exemplo é fornecido no Quadro 6. O processo de planejamento nesta empresa de fertilizantes é estruturado como descrito acima, com todos os níveis da organização envolvidos no planejamento. No entanto, o escopo desse planejamento se tornará mais focado à medida que passamos do CEO para o nível operacional. Da mesma forma, o escopo dos objetivos se tornará mais focado à medida que avançamos na organização. Em termos de resultados, o fl uxo é de baixo para cima – se o Território de Vendas 1 atingir o objetivo de vender 500 sacas de fertilizantes a R$ 100,00 a unidade, isso ajuda o Departamento de Vendas da Divisão de Fertilizantes a alcançar o seu objetivo, o que ajuda a Divisão de Fertilizantes e assim por diante. No fi nal, o cumprimento do objetivo de vendas de cada pessoa contribui diretamente para a realização do objetivo estratégico da empresa. Quadro 6 - Níveis de planejamento e metas para a empresa de fertilizantes Nível 1 Estratégia corporativa Objetivo corporativo Formulado pelo CEO e equipe executiva. Gerar R$ 10 milhões de lucro. Nível 2 Linha de estratégia de negócios Objetivo da divisão de vendas (Fertilizantes) Formulado pela divisão de negócios. Venda de 200.000 sacas de fertilizantes. Valor de R$ 100,00 a saca, mantendo o custo de produção para R$ 60,00 a saca. 103 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Nível 3 Estratégia da área funcional Departamento de vendas da divisão de fertilizantes Formulado pelo chefe de departamento. Venda de 200.000 sacas de fertilizantes a R$ 100,00. Nível 4 Estratégia de nível opera- cional Território de vendas 1 Formulado por chefes de unidades operacionais/instalações de produção. Venda de 500 sacas de fertili- zantes a R$ 100,00. Nota: Exemplo hipotético. Fonte: Adaptado de Barnard et al. (2016). Existe uma estrutura organizacional em todas as empresas. Pode-se argumentar que mesmo em uma empresa de uma pessoa somente há uma estrutura organizacional, com uma pessoa desempenhando várias atividades. Organizar, então, envolve a formalização de um plano para mostrar as inter- relações de cada trabalho e cada indivíduo dentro da organização. Isso ajuda a esclarecer quem tem responsabilidades para tarefas específi cas. Uma estrutura organizacional também ajuda a esclarecer quem tem autoridade para decisões específi cas. Indicação de artigo. A estrutura organizacional pode ser representada na forma de um organograma. Nesse sentido, indicamos o artigo intitulado “Organograma: representação gráfi ca da estrutura”, de Yolanda Ferreira Balcão. c) Direção Direcionar é orientar os esforços para atingir um objetivo comum (BARNARD et al., 2016). Alguns pontos devem ser analisados: • Seleção, alocação e capacitação de pessoal. • Atribuição de funções e responsabilidades. • Estabelecimento dos resultados a serem alcançados. 104 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I • Criando o desejo de sucesso nos funcionários. • Ver que o trabalho está feito, e feito corretamente. Direção envolve liderar, supervisionar, motivar, delegar e avaliar quem você gerencia. Os gestores estão direcionando quando consideram que os esforços de cada indivíduo estão focados na realização dos objetivos comuns da organização (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013). Liderar é o cerne do processo de gestão e é baseado em um bom plano organizacional ou estrutura que fornece responsabilidade, autoridade e avaliação. A tarefa de direção pode ser descrita como aquela em que a organização assume vida, de criar as condições que tornam contínuos o interesse no trabalho, o vigor da ação, o pensamento imaginativo e o trabalho em equipe. Esse objetivo é aquele que não pode ser alcançado por fórmulas mágicas. Sua conquista depende, em grande medida, das qualidades de liderança exibidas pelo gestor. d) Controle A tarefa de controle representa o monitoramento e avaliação de atividades (BARNARD et al., 2016). Para avaliar as atividades, os gestores devem medir o desempenho e compará-lo com os padrões e expectativas estabelecidos. Em essência, a tarefa de controle avalia se os objetivos e as metas desenvolvidos dentro da tarefa de planejamento estão sendo alcançados. O controle é complementar às outras três tarefas de gerenciamento. Ele compensa os erros de julgamento, o inesperado e o impacto da mudança. O controle adequado oferece à organização a informação e o tempo necessário para corrigir programas e planos desviados (GARVIN, 1998). Além disso, indica os meios para corrigir as defi ciências. Todas as atividades comerciais produzem resultados. Esses resultados devem ser acompanhados com cuidado a fi m de avaliar se estão de acordo com os objetivos. Um dos principais objetivos do controle é avaliar o progresso em direção aos objetivos organizacionais. Um bom exemplo desse tipo de controle é encontrado no orçamento ou na comparação de previsão. Estamos com um orçamento ideal? As vendas e despesas estão de acordo com as previsões? A informação ou o controle exigido em todas as áreas devem ser baseados em metas predeterminadas. Só então o gestor do agronegócio pode dizer se a realidade corresponde aos planos, por meio dos quais o sucesso é almejado. 105 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 A gestão é o processo de alcançar os resultados desejados com os recursos disponíveis. A chave para o gerenciamento bem- sucedido é aceitar a responsabilidade pela liderança e tomar decisões empresariais por meio da aplicação habilidosa dos princípios de gestão. A gestão do agronegócio é única, devido à natureza biológica da produção, à importância dos alimentos, à sazonalidade dos mercados alimentares e à perecibilidade dos produtos agrícolas, entre outras razões. O processo de gestão geralmente é dividido em quatro tarefas: planejamento, organização, direção e controle. O planejamento é determinar um curso de ação para atingir metas declaradas; a organização busca integrar pessoas e recursos da maneira mais efi caz; a direção refere-se a supervisionar e motivar as pessoas; e a tarefa de controle monitora o desempenho e faz ajustes para permanecer a propósito dos objetivos. Cada um desses é um ingrediente necessário para atingir os objetivos organizacionais estabelecidos. CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS DE MERCADO NO AGRONEGÓCIO – ESTRUTURA, CONDUTA, DESEMPENHO O modelo “estrutura, conduta e desempenho” (ECD) é utilizado como um quadro analítico, para analisar as relações entre a estrutura de mercado, a sua conduta e o seu desempenho. Ele foi desenvolvido em 1959 por Joe Staten Bain, que o descreveu em seu livro “Organização Industrial”. O paradigma do ECD é considerado uma das bases da teoria da Organização Industrial. Tem sido, desde a sua concepção, um ponto de partida quando se analisam os mercados e as indústrias, não só na economia, mas também na área da gestão empresarial (LOPES, 2016). O pressuposto básico da ECD é que o desempenho das indústrias é determinado, em grande parte, pela sua atuação e pela sua estrutura. O modelo se sustenta em três pilares (CAVES, 1972): 106 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Joe Staten Bain foi um economista norte-americano, associado com a Universidade da Califórnia. Considerado o pai da Organização Industrial. A Organização Industrial é um campo da economia que estuda a estrutura e os limites entre as empresas e os mercados e as interações estratégicas das empresas. Modelo de ECD: Indica a relação de causalidade entre a estrutura de um determinado mercado, a conduta da empresa e o seu desempenho. Tem por ideia básica apontar as relações entre as variáveis estruturais e o desempenho de mercado (CAVES, 1972). • Estrutura: conjunto de variáveis que são relativamente estáveis ao longo do tempo e afetam o comportamento dos vendedores e/ou compradores. Ao passo que os mercadosnão conseguem acompanhar a concorrência perfeita, ela depende, basicamente, do grau de: concentração da oferta, concentração da demanda, diferenciação de produtos e barreiras de entrada do mercado. Além disso, a estrutura será determinada pela natureza do produto e da tecnologia disponível. • Conduta: a maneira pela qual os compradores e vendedores se comportam. Indústrias defi nem o seu próprio comportamento estratégico, investimento em pesquisa, os níveis de publicidade, parcerias, entre outros. • Desempenho: é medido pela comparação dos resultados entre as indústrias, em termos de efi ciência. Diferentes variáveis são usadas para avaliar os diferentes níveis de rentabilidade. As variáveis consideradas neste nível são, por exemplo, a qualidade do produto, a alocação de recursos, a efi ciência da produção, entre outros. De acordo com o paradigma estrutura-conduta-desempenho, o ambiente tem impacto direto e de curto prazo sobre a estrutura de mercado (independentemente do mercado). A estrutura, em seguida, tem infl uência direta sobre a conduta econômica da indústria, o que afeta a sua atuação. Nesse sentido, os efeitos de feedback ocorrem de tal forma que o desempenho pode afetar a conduta e a estrutura. Além disso, fatores externos (como intervenções legais ou políticas) 107 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 também afetam o enquadramento do mercado e, por consequência, a estrutura, a conduta e o desempenho. O gestor deverá avaliar as variáveis pertencentes a cada pilar, levando em consideração as peculiaridades do mercado a ser analisado. Por exemplo, a estrutura é infl uenciada por vários elementos relacionados à oferta e à demanda, as chamadas condições básicas. Além das variáveis apontadas na fi gura a seguir, como determinantes da mudança na oferta e na demanda, outros fatores, como as mudanças na distribuição de renda, condições econômicas e mudanças demográfi cas, também possuem impacto. Figura 9 – Modelo de organização industrial: estrutura, conduta e desempenho Fonte: Adaptado de Scherer e Ross (1990). A conduta das empresas refere-se à sua estratégia competitiva. É infl uenciada, em grande parte, pelas características organizacionais (sua estrutura) (CAVES, 1972). Para entender o desempenho de uma empresa é necessário analisar a sua conduta. O objetivo dos estudos de conduta é entender como as empresas atraem os seus clientes e como eles reagem às ações competitivas. As condições básicas, a estrutura e a conduta são interdependentes (BIAN, 1968), embora as relações diretas entre esses elementos sejam importantes de 108 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I serem analisadas. Além disso, é importante considerar as setas feedback (Figura 9). Por exemplo, o nível de despesas de pesquisa e desenvolvimento infl uencia o desenvolvimento de novas tecnologias. De forma hipotética, nos concentramos em quatro indicadores de desempenho, especialmente importantes ao nível dos subsetores e indústrias individuais, a saber: produtividade, rentabilidade, preços e crescimento. O "bom desempenho" necessitará que os seguintes critérios sejam atendidos: • Uso efi ciente dos fatores de produção, conseguindo, assim, uma boa produtividade. • Boa rentabilidade. Isso é medido pelo fl uxo de caixa, expresso em porcentagem do volume de negócios. A quantifi cação da “boa rentabilidade” dependerá dos objetivos da organização. • Estabilidade de preços. Por exemplo, o impacto infl acionário dos preços dos alimentos é avaliado. • Crescimento. A variável de interesse aqui é o crescimento do volume de negócios. Normalmente, o “bom desempenho” da indústria é uma consequência da sua estrutura e da sua conduta, mas esse desempenho nem sempre é garantido. As autoridades públicas podem intervir para melhorar (ou não) a situação. A Figura 2 nos permite identifi car subsetores de baixo desempenho. Desta forma, as autoridades públicas podem ter acesso à informação necessária para determinar as estratégias relacionadas com o mercado e reverter o baixo desempenho (MARION, 1986). Além disso, a própria indústria pode traçar suas estratégias (reveja a importância do planejamento abordado no tópico anterior). Vale ressaltar que o comportamento dinâmico de compradores e vendedores tem efeito sobre os mercados, tornando-se mais difícil de prever e estabelecer estruturas. As difi culdades surgem quando se tenta explicar o paradigma, e isso é devido, por vezes, pela falta de dados e pela extensão dos mercados. Assim, o principal problema ao utilizar esta metodologia para analisar um mercado ou uma indústria é a difi culdade de defi nir os limites ou fronteiras de um determinado setor. a) Exemplos de ECD aplicados no agronegócio O modelo de ECD pode ser aplicado em várias áreas do agronegócio, tendo como foco o objetivo que o gestor se propõe a analisar. Nesse sentido, citaremos alguns exemplos, veja o quadro a seguir: 109 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Quadro 7 - Exemplos de aplicações do modelo de ECD no agronegócio Exemplo Título Objetivo Autor 1 Estrutura, conduta e desem- penho como determinantes do preço do boi no Estado do Rio Grande do Sul. Compreender a determinação do pre- ço na bovinocultura de corte, a partir do paradigma Estrutura-Conduta-Desem- penho, privilegiando os dados referen- tes ao preço pago ao empresário rural. De Oliveira, Bauaze e Freitas (2014) 2 Análise da estrutura, conduta e desempenho da indústria processadora de soja no Brasil no período de 2003 a 2010. Analisar a estrutura da indústria processadora de soja, bem como a conduta das empresas e o desempenho do setor no Brasil. Sediyama et al. (2013) 3 Estrutura, conduta e gover- nança na cadeia produtiva do leite: Um estudo multica- so no Rio Grande do Sul. Identifi car e analisar, em diferentes regiões do RS, quais são e como têm evoluído as estruturas de merca- do da matéria-prima leite, e quais as implicações sobre o comportamento dos agentes econômicos (produtores e indústrias) e sobre a coordenação da cadeia produtiva leiteira. Breitenbach e Souza (2015) 4 Estrutura e conduta da agroindústria exportadora de carne bovina no Brasil. Analisar as características estrutu- rais do setor, avaliar o seu padrão de crescimento e efi ciência. Caleman e Cunha (2011) 5 Indústria Arrozeira do Rio Grande do Sul: Desempe- nho de Mercado. Analisar aspectos da estrutura e do desempenho da indústria arrozeira no Estado do Rio Grande do Sul, de 2000 a 2006. Stefano (2009) 6 A Indústria de laticínios no Brasil: passado, presente e futuro. Analisar a evolução da indústria de laticínios no Brasil, destacando os principais eventos que ocorreram no passado recente. Além disso, pretende-se delinear algumas ten- dências que devem nortear este importante elo da cadeia produtiva para os próximos anos. Carvalho (2010) 7 Desempenho operacional-fi - nanceiro e concentração de mercado sob o enfoque do paradigma estrutura-condu- ta-desempenho: um estudo exploratório na indústria brasileira de laticínios no período de 1997 a 2006. Identifi car se o desempenho ope- racional e fi nanceiro das empresas de laticínios infl uenciou os níveis de concentração no setor no perío- do de 1997 a 2006. Machado et al. (2010) 110 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 8 Estrutura, conduta e desempenho da indústria de massas alimentícias do Rio Grande do Sul (2001-2007). Avalia a estrutura, conduta e de- sempenho da indústria de massas alimentícias do Rio Grande do Sul no período de 2001 a 2007. Corte e Filho (2010) 9 Análise da estrutura, conduta e desempenho da cadeia produtiva do peixe no município de Dourados/MS. Avaliar o desempenho da cadeia produtiva do peixe de Dourados/ MS com base nas condutas estra- tégicas de cada elo sob as exigên- cias do mercado consumidor. Dutra (2014) 10 A cadeia produtivada celu- lose e do papel no Brasil. Analisar a cadeia produtiva da celulose e do papel no Brasil e sugerir políticas públicas para o desenvolvimento do setor no país. Soares et al. (2010) 11 Desempenho da suinocul- tura do Rio Grande do Sul sob a ótica da organização industrial. Analisar a evolução do desem- penho da produção suinícola do Rio Grande do Sul em função da estrutura de mercado e das condu- tas das fi rmas. Viana, Padula e Waquil (2008) Fonte: Os autores. Percebe-se que o modelo de ECD pode ser aplicado em vários “objetos”, dependendo da necessidade de análise do gestor. A análise de um determinado setor indica que a estrutura de um mercado, mais ou menos concentrado, irá determinar a conduta das organizações e o seu desempenho. A natureza dinâmica fi ca evidenciada na medida em que determinadas organizações podem optar por condutas (estratégias) que lhes garantam um desempenho diferenciado (dependerá do objetivo da organização), o que, por sua vez, poderá alterar a estrutura do mercado a seu favor (DUTRA; MACHADO; RATHMANN, 2008). Nesse sentido, o gestor terá a possibilidade e embasamento para realizar planos de uma maneira estratégica, o que facilitará a gestão da organização. Os planos serão defi nidos no planejamento estratégico, o que veremos na sequência. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Dadas as constantes mudanças ao redor do mundo, por exemplo, as mudanças de hábitos de consumo (aumento do consumo de carne na China e Índia), problemas climáticos (alterações das temperaturas, secas, inundações), problemas sociais (crise migratória, terrorismo, fome generalizada), percebe- se que o agronegócio lida com uma quantidade enorme de incertezas. Além disso, as variações nos preços de compra dos insumos afetam negativamente 111 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 a lucratividade das empresas (produtores de todos os portes). Por exemplo, o aumento de preços dos fertilizantes no ano de 2008 teve impacto no preço de venda de todos os produtos do agronegócio, em especial os produtos alimentares (a variação foi de mais de 1000% para o custo de aquisição da rocha de fosfato e outros insumos para a cadeia de fertilizantes). A observação das estratégias e planejamento das empresas que atuam em escala global, ligadas ao agronegócio, sugere que todas as empresas do setor precisarão estar atentas, e precisarão se antecipar às seguintes situações: 1) as decisões deverão ser tomadas em um ambiente de risco e incerteza cada vez maior; 2) desenvolver e adotar tecnologia e novas inovações é fundamental para o sucesso fi nanceiro a longo prazo e 3) será preciso se antecipar às mudanças na estrutura das cadeias produtivas, pois as grandes empresas têm se associado cada vez mais, alterando a forma como a competição ocorre em todo o mundo (BOEHLJE et al., 2011). Veja as informações do texto a seguir, que refl etem essas considerações. CONCENTRAÇÃO NO MERCADO DE SEMENTES, AGROQUÍMICOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS A análise da atividade de fusões e aquisições da indústria de sementes entre 2000 e 2015 fornece uma boa ideia da magnitude da tendência de consolidação nessa indústria. A alta concentração na indústria de alimentos não é incomum. Este fenômeno tem sido amplamente estudado ao longo dos últimos anos. Hoppe e Banker argumentam que 80 a 90 por cento da produção de alimentos dos EUA é produzida por 10 a 20 por cento dos agricultores. O setor de processamento de alimentos dos EUA também está altamente concentrado: de acordo com o Serviço de Pesquisa Econômica (ERS), 12 por cento das plantas com mais de 100 funcionários produzem 77% de todo o valor dos alimentos fabricados nos Estados Unidos. MacDonald e McBride indicam que a participação de quatro empresas no mercado de abate de carne bovina dos EUA aumentou de 36% para 79% no período 1980-2005. Apesar dessas estatísticas, o nível de concentração da indústria de sementes é notável mesmo considerando esses dados. Howard argumenta que a rápida consolidação do setor de sementes levou ao domínio global de algumas empresas, sendo Monsanto, Syngenta e DuPont as mais poderosas. Como resultado, o controle dessas empresas no setor de sementes atingiu 54%. As pesquisas demonstraram que existem 112 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I poucos líderes nas indústrias ligadas a produtos químicos agrícolas, máquinas agrícolas e criação de animais. As últimas estimativas sugerem que as “Big Six” (Monsanto, Syngenta, DuPont, BASF, Bayer, Dow) controlam coletivamente mais de 75% do mercado global de agroquímicos, 63% do mercado comercial de sementes e quase três quartos das despesas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, no setor de sementes e pesticidas (o orçamento de pesquisa combinado das Big Six aumentou o orçamento de pesquisa de culturas agrícolas do USDA - Departamento de Agricultura Americano - mais de 15 vezes em 2013. O mesmo é verdade para o setor de equipamentos agrícolas, onde as três principais empresas (Deere & Co, CNH, AGCO) controlavam 49% da participação no mercado em 2013. Fonte: Lianos, Katalevsky e Ivanov (2016, p. 19-20). Por outro lado, a natureza dinâmica do setor do agronegócio oferece ao mesmo tempo desafi os e oportunidades comerciais importantes para o futuro. Conforme apontam Neves e Scare (2010, p. 88): As empresas precisarão: concentrar-se mais, retornar ao seu core business, usar o capital e os recursos de forma efi ciente e trabalhar ainda mais no planejamento, ações coletivas e sua estrutura de custos. As empresas também precisam examinar cuidadosamente seus processos de monitoramento de risco. Será uma era de criação de cadeias de abastecimento globais e mais competitivas e o desenvolvimento de propostas de valor forte nas empresas para atrair e manter o capital humano crítico. Finalmente, será uma era de alavancagem e fi nanças mais conservadoras e aproveitando as oportunidades de consolidação, aquisição, fusões e ativos baratos. Core Business – Explorar sua maior vantagem competitiva para traçar estratégias, expandir e manter seu negócio, esse é o principal objetivo do Core Business ou Núcleo do Negócio. O termo designa a ideia básica da empresa defi nida a partir da sua estratégia para o mercado e leva em consideração fatores importantes, como clientes, produtos, tecnologia e mercado. A empresa defi ne um Core Business porque não é possível ter excelência em tudo, então ela precisa saber onde se focar. A organização, então, reconhece onde está sua atividade principal e onde se destaca no mercado (faz melhor 113 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 que seus concorrentes) e prioriza a atuação nessa atividade, por exemplo, na criação do seu produto, terceirizando outras atividades. Ramos da indústria como a automobilística, têxtil, alimentos e de confecções fazem esse tipo de operação, focam em projetos e na comercialização de produtos e serviços e terceirizam parte da produção. Fonte: Disponível em: <http://www.mundocarreira.com.br/administracao/ saiba-o-que-e-core-business/>. Acesso em: 15 jul. 2017. E no Brasil? Será que nossa estrutura produtiva conseguirá responder a esses desafi os? Gelinski Júnior (2014, p. 306) afi rma que nossa estrutura de investimentos em inovação não favorece o aumento da competitividade da produção agroindustrial de forma homogênea. BATALHA, Mário Otávio; CHAVES, Gisele de Lorena Diniz; SOUZA FILHO, Hildo Meirelles de. C&T e I para a produção agropecuária brasileira: mensurando e qualifi cando gastos públicos. Sugerimos esse material para uma análise sobre os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil. A incerteza em relação ao futuro exige que os gerentes desenvolvam capacidades adicionais para monitorar o clima comercial em que operam, para antecipar da melhor maneira possível as mudanças. Essas capacidades incluem pensar de forma sistêmica,pois o administrador deve tomar decisões, não somente sob o aspecto econômico, mas também levando em consideração os aspectos econômicos, tecnológicos, comerciais e sociais. Boehjle et al. (2011) consideram necessário reavaliar regularmente a estratégia da empresa, posicionando-a para capturar oportunidades inesperadas e mitigar potenciais perdas. Isso pode exigir uma estratégia mais fl exível. Além disso, Boehjle et al. (2011) afi rmam que é preciso implantar processos sistemáticos e frequentes para avaliar o potencial de sucesso das inovações à medida que passam de uma nova ideia ou invenção para comercialização. Com esse acompanhamento mais frequente é possível que as chances de sucesso com a inovação aumentem. Escolhemos um material de leitura adicional (Cleunice 114 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Zanella) que traz as principais características relacionadas com a inovação. A leitura desse material é recomendada para você. Muitas vezes, as disciplinas dos diversos cursos abordam de maneira tangencial esse conteúdo, por essa razão insistimos nessa leitura. Para destacar a importância da inovação para as empresas do agronegócio, retiramos de Gonçalves (2016, p. 45) essa citação: Em 1981, Williamson destacou o negligenciamento, por parte de historiadores de negócios e historiadores econômicos, da variável “inovação organizacional”. Entendida como resultado de um processo de uso não tradicional dos recursos produtivos, a inovação representa um dos motores da transformação dos mercados. Em alguns casos, as organizações tradicionais foram impactadas pela ruptura dos paradigmas que levaram ao desaparecimento e criação de mercados. Exemplos nos agronegócios aparecem com a biotecnologia, com a adoção de tecnologias de cultivo mínimo, agricultura de precisão, sensoriamento remoto e, de modo muito especial, a questão socioambiental, que promove incentivos para inovação nos sistemas de base agrícola. Cleunice Zanella e Andre Luís da Silva Leite. A inovação na cadeia produtiva de aves: um estudo de caso em uma agroindústria do Estado de Santa Catarina. Sugerimos para uma revisão dos conceitos de inovação, incluindo os aspectos relacionados às cadeias produtivas agroindustriais. Para abordarmos essas questões dentro do chamado planejamento estratégico, selecionamos os principais conceitos, trazendo para todos alguns exemplos de aplicações no agronegócio, mas procuramos, nessa seleção, trazer artigos, teses e dissertações que tenham uma boa revisão teórica. PRINCIPAIS ASPECTOS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO A literatura consultada sugere que quando se fala em planejamento estratégico, um dos principais nomes é o de Henry Mintzberg. Existem várias escolas de pensamento estratégico que podem ser consultadas em algumas das indicações de leitura adicional. Nosso interesse em apresentar alguns detalhes do trabalho de Mintzberg se dá por seu caráter provocador, com o foco 115 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 na fl exibilidade, abordando de forma sistêmica o planejamento estratégico. Mas não temos aqui a intenção de sugerir que leiam apenas as teorias do autor. Por exemplo, a consulta ao trabalho de Teixeira (2009) irá apresentar a você uma boa síntese das escolas de pensamento estratégico. Vamos defi nir nesta seção três diferentes aspectos relacionados com o posicionamento das empresas em seus mercados e a busca por competitividade. De forma sintética, iremos tratar sobre estratégia, planejamento estratégico e administração estratégica. Relacionado com a estratégia, Wittmann, Lubeck e Nelsis (2013), ao fazerem uma revisão sobre o tema, acabam por concluir que o pensamento estratégico se torna o guia do planejamento estratégico, tornando-se então o determinante do sucesso no ambiente competitivo. Mintzberg (2006 apud TEIXEIRA, 2009, p. 30, grifo nosso) ao defi nir estratégia, se utiliza de cinco defi nições: [...] O autor considera que existem cinco defi nições de estratégia: plano, pretexto, padrão, posição e perspectiva. A estratégia é um plano porque há uma ação ou uma diretriz para lidar com determinada situação, trata da forma como os líderes tentam estabelecer a direção da empresa por ações determinadas antecipadamente. Como pretexto, a estratégia é entendida como uma habilidade específi ca para ultrapassar um concorrente. Essa defi nição está na esfera da competição direta, na qual a habilidade da empresa é utilizada para obter vantagem. A terceira defi nição de estratégia diz que a estratégia é um padrão, pois se pode ter um comportamento duradouro em uma corrente de ações, que pode ser pretendido ou não. A estratégia concentra-se em ação, convergência, obtenção de consistência no comportamento de uma organização. A quarta defi nição, para o autor, é que a estratégia é uma posição, pois identifi ca a localização de uma organização no ambiente competitivo e, além disso, verifi ca como as empresas encontram suas posições e se preservam para enfrentar a concorrência, evitá-la ou subvertê-la. Finalmente, a última defi nição diz que a estratégia é uma perspectiva, pois é o modo da empresa enxergar o mundo, compartilhada pelos membros de uma organização. Como perspectiva, a estratégia indica questionamentos sobre intenção e comportamento em um contexto coletivo. Gerbasi (2014, p. 27) apresenta outras respostas possíveis, dentre essas tem-se: Drucker (2006) afi rma que a estratégia nada mais é do que a conversão de um conjunto de hipóteses (qual é o seu negócio; quais são os objetivos; como são defi nidos os resultados; quem são os clientes e qual valor eles pagam pelo produto ou serviço). Ela guia a organização a atingir seus objetivos em um ambiente incerto. [...] a estratégia lhe permite ser 116 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I intencionalmente oportunista [...] devendo ser redesenhada emergencialmente por organizações que estão incapazes de produzir resultados esperados. [...] a diferença entre o objetivo e a estratégia, afi rmando que o ponto que se quer alcançar é o objetivo, e os meios para se chegar a esse objetivo são as estratégias. É importante destacar que a mensuração dos objetivos estratégicos por meio de metas é fundamental no sucesso de sua execução. Marcos Antonio de Camargos; Alexandre Teixeira Dias. Estratégia, administração estratégica e estratégia corporativa: uma síntese teórica. Nesse trabalho é possível obter uma síntese teórica sobre estratégia, administração estratégica e estratégia corporativa. São abordados os principais aspectos de cada autor da área de estratégia. De forma geral, é possível dizer que todas as empresas possuem estratégia. Gerbasi (2014), a partir da revisão sobre o tema, afi rma que uma estratégia pode ser simples, complexa ou até informal, mas ela existe de alguma forma. Ainda Gerbasi (2014) diz que todas as ações tomadas pelas empresas a partir da defi nição das estratégias devem permitir direcionar a organização para o cumprimento das metas de curto prazo e os objetivos de longo prazo, com vistas à criação de vantagens competitivas para a organização. A relação entre estratégia e sistema agroindustrial é apresentada por Gerbasi (2014) sob três aspectos: estratégias privadas, estratégias coletivas e políticas públicas. As estratégias privadas, com o objetivo de aumentar a competitividade, normalmente são guiadas pelo aumento de margem. Como os produtos normalmente são commodities, as estratégias estão relacionadas com a redução de custo, ou agregação de valor ao produto. As estratégias coletivas compreendem as organizações verticais e horizontais, que agregam os participantes da cadeia em prol de objetivos comuns. Essas estratégias são de longo prazo, pois dependem de movimentação política. A competitividade de um sistema agroindustrial está diretamente ligada a seu grau de coordenação, fato que deriva da própria estrutura do sistema. Segundo Gerbasi (2014,p. 29), “os relacionamentos verticais refl etem o fl uxo de produtos e serviços do elo de produção até o consumidor fi nal e os horizontais englobam os relacionamentos entre os atores de um mesmo elo”. E, fi nalmente, a participação do setor público se dá tanto com a defi nição de políticas públicas (agrícola, ambiental), quanto na defi nição das regras 117 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 do jogo (regulamentos que condicionam a atuação das empresas, tais como regras sanitárias), conforme já estudamos quando falamos sobre sistemas agroindustriais. Além da estratégia, sugerimos diferenciar e entender o que vem a ser planejamento estratégico. Unindo os conceitos de planejamento e estratégia, Drucker (1998, p. 136 apud GERBASI, 2014, p. 35) defi ne o termo ‘Planejamento Estratégico’ da seguinte maneira: É o processo contínuo de, sistematicamente e com maior conhecimento possível do futuro contido, tomar decisões atuais que envolvam riscos; organizar sistematicamente as atividades necessárias à execução dessas decisões; e, por meio de uma retroalimentação organizada e sistemática, medir o resultado dessas decisões em confronto com as expectativas almejadas. O planejamento estratégico, quando bem aplicado, é capaz de propiciar à empresa uma integração plena. A comunicação fl ui de forma efetiva, as decisões são tomadas de forma mais rápida. Todos os processos dentro da empresa acontecem de forma mais integrada. Esse ambiente orientado, que é derivado de um bom planejamento estratégico, é a chave para as melhorias na atuação das empresas (GERBASI, 2014). No texto a seguir tem-se uma proposta de perguntas para elaborar um planejamento estratégico. QUESTÕES PARA UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Jean-Jacques Lambin, em seu livro Market-Driven Management: Estrategic and Operational Marketing, detalha ainda mais as questões que devem ser seguidas para que se tenha um planejamento estratégico satisfatório. Para o autor, devem ser providas respostas para seis questões fundamentais: 1. O que somos (a organização) e qual a nossa missão no mercado em que atuamos? 2. Dentro do mercado de atuação, quais são nossos produtos ou segmentos-alvo e qual deve ser nosso posicionamento estratégico dentro de cada segmento? 3. Quais são os fatores-chave de atratividade do negócio para cada segmento e quais são as ameaças e oportunidades oriundas do ambiente que nos cerca? 4. Dentro de cada segmento, quem são nossas qualidades, forças, fraquezas e vantagens competitivas? 118 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 5. Quais estratégias de desenvolvimento devem ser adotadas por cada setor em um desenvolvimento de portfólio de produtos? 6. Como essas estratégias podem ser traduzidas em programas operacionais de marketing defi nidos em termos de produto, distribuição, preço e decisões de comunicação? Fonte: Gerbasi (2014, p. 37). Alexandre Teixeira – Para aprender é preciso estar com a mente aberta. Entrevista com Henry Mintzberg. Indicamos fortemente que façam download desse material, sem dúvida um achado interessante para ler, principalmente pela entrevista com Henry Mintzberg, mas é preciso atentar para todos os textos, muito interessantes aos tópicos tratados aqui sobre planejamento estratégico. Disponível em: <https://goo.gl/AkS9GN>. A partir da afi rmativa do autor em sua entrevista de “não estratégia” ou talvez de “fl exibilidade”, deixamos aos leitores a refl exão: como obter uma estratégia fl exível no agronegócio? Como buscar integrar o aprendizado ao longo dos anos com a formulação de novos caminhos? Que benefícios podem advir de uma estratégia de “aprendizado contínuo” para os gestores, de todos os portes do agronegócio? E o último ponto a ser considerado é o de administração estratégica. Entendemos que essa diferenciação permitirá a todos vocês uma visão ampla do que vem a ser estratégia, planejamento estratégico e, por fi m, a administração estratégica. Em relação à administração estratégica, a autora diz: [...] o método tradicional de administração estratégica consiste em: [...] análise dos ambientes internos e externos da companhia para descobrir os pontos fortes, os pontos fracos, oportunidades e ameaças da organização, que são base para 119 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 o desenvolvimento de missão, objetivos e estratégias. Dessa maneira, a gestão estratégica pode ser entendida como o processo em que as organizações aprendem a partir da análise de seu ambiente externo e interno, traçam objetivos e metas estratégicas, criam planos estratégicos para atingir seus objetivos e implementam as estratégias, sempre buscando satisfazer as necessidades do seu público interessado [...] (GERBASI, 2014, p. 39). Estabelecer uma administração estratégica independe do setor ou mesmo porte da empresa. O trabalho de Furlan (2014) apresenta uma revisão feita junto a cooperativas sobre a existência ou não de planejamento estratégico, o que traz um debate sobre as razões do porquê de algumas empresas não possuírem uma administração estratégica. No estudo de Machado Filho, Marino e Conejero, ao abordarem sobre administração estratégica para cooperativas agrícolas, são destacados os desafi os de se implementar uma administração estratégica: Desde o início, ressalta-se que a implementação da administração estratégica é fundamental para a identifi cação de ameaças e oportunidades, encaminhamento de soluções por meio de eventuais redirecionamentos estratégicos, redesenho de estruturas organizacionais e processo de tomada de decisões. Vale, como processo, para a melhoria da comunicação interna da organização e o incremento da percepção dos ambientes internos e externos. No entanto, e isto é essencial, não oferece soluções mágicas! É um processo que não sobrevive por inércia, exigindo grande esforço e envolvimento para sua implementação e manutenção (MACHADO FILHO; MARINO; CONEJERO, 2004, p. 65, grifo nosso). Lafl ey, A. G.; Martin, Roger L. Jogar para vencer: como a estratégia realmente funciona. HSM Editora, 2014. Tassia Gerbasi. “Uma proposta de método para gestão estratégica de cadeias produtivas em um recorte estadual”. Essa dissertação traz uma boa revisão da literatura sobre planejamento estratégico, que em parte compilamos aqui. Além disso, a autora apresenta e analisa os casos da carne bovina, carne de frango e de suínos, lácteos, soja e milho, e setor sucroenergético. Na página 56, a autora apresenta o método desenvolvido por Marcos Favas Neves, para planejamento e gestão estratégica de cadeias produtivas. Disponível em: <https://goo.gl/epDo4U>. 120 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Para fi nalizarmos esta seção e trazermos um exemplo específi co de cadeia agroindustrial, escolhemos deixar como material de estudo e complementação/ fechamento das teorias abordadas aqui. Os autores desenvolveram uma proposta metodológica para construir um planejamento estratégico na cadeia de cítricos, mas que segundo os próprios autores, é possível utilizar para qualquer setor ou tamanho de cadeia produtiva. Rafael Bordonal Kalaki e Marcos Fava Neves. “Plano estratégico para o sistema agroindustrial citrícola brasileiro”. Uma aplicação do planejamento estratégico no agronegócio, com uma base conceitual em Sistemas Agroalimentares. Sugerimos fortemente que leiam e procurem aprender cada vez melhor com esse material, e todos os outros que estamos trazendo para todos. A prática levará vocês a entenderem cada vez mais como elaborar planejamentos estratégicos. Apesar de todas as difi culdades que temos apontado. Disponível em: <https://goo.gl/3kgmyU>. Atividade de Estudos: 1) Procure alguém da direção da empresa em que atua, ou com o proprietário, ou se for sócio de alguma empresa (de qualquer porte), busque em seus documentos o planejamento estratégico. Caso consigam ter acesso,façam uma leitura procurando correlacionar os pontos do documento com o que está colocado na bibliografi a indicada. Caso a empresa em que atuam, ou sejam proprietários, não possua um documento em que as questões estratégicas estão Nesta seção expusemos os princípios básicos em relação ao planejamento estratégico e como ele pode afetar o desempenho das empresas. Nos materiais de estudo trouxemos algumas aplicações para setores específi cos, mas que em essência representam uma forma de se analisar qualquer empresa, em especial no agronegócio. Como primeira atividade relacionada com o planejamento estratégico, vocês irão realizar a seguinte tarefa: 121 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 colocadas, sugerimos pensar sobre a seguinte questão: Como a empresa busca seu posicionamento estratégico? Lembre- se de que falamos que existem muitas formas dessas questões serem tratadas dentro das empresas. O objetivo aqui é fazê-lo refl etir sobre a importância de se antecipar aos acontecimentos, dadas as características citadas do agronegócio. Sem críticas desnecessárias, apenas um debate orientado a buscar soluções. Para quem puder analisar esses documentos, sugerimos utilizar as perguntas apresentadas anteriormente, para uma análise entre o que está defi nido aqui na teoria e o que está dito nos documentos da empresa. Lembrando que essa refl exão pode ser feita para qualquer empresa, de qualquer porte do agronegócio. Essa é nossa premissa básica ao elaborar este livro. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ IMPLANTAÇÃO DE UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O processo de implantação de um planejamento estratégico passa por três fases: identidade organizacional, análise do ambiente e delineamento das estratégias. A proposta do autor considera ainda o estudo sobre a avaliação de desempenho dos planejamentos estratégicos. A identidade organizacional permite esclarecer à organização os questionamentos: “quem somos? ” E “para onde vamos?” Já a análise do ambiente torna clara a visão de “onde estamos hoje?” E o delineamento das estratégias ajuda na defi nição de “como chegaremos lá?” Maiores detalhes sobre a primeira fase podem ser encontrados no trabalho do autor. Nosso interesse aqui é o de explorar a análise do ambiente e o delineamento das estratégias, que inclui ferramentas como a análise Swot. Em relação à análise do ambiente, Müller (2003, p. 52) destaca: 122 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I [...] a Análise do Ambiente também é denominada por Diagnóstico Estratégico, o qual determina a natureza do problema estratégico de uma empresa. Segundo Ansoff e McDonnell (1993), o diagnóstico estratégico é o procedimento necessário para responder a duas perguntas: (i) Como diagnosticar os desafi os ambientais futuros com os quais se defrontará a empresa? (ii) Como determinar a reação estratégica da empresa que garantirá o sucesso? Ou seja, trata- se de um enfoque sistemático à determinação das mudanças a serem feitas na estratégia e nas potencialidades internas da empresa (seu comportamento estratégico) para garantir êxito em seu ambiente futuro. SÍNTESE DA ANÁLISE DO AMBIENTE EXTERNO A análise do ambiente externo é um conjunto de técnicas que permite identifi car e monitorar permanentemente as variáveis competitivas que afetam o desempenho da empresa (PAGNONCELLI; VASCONCELLOS, 2001). Na análise ambiental, Yoshihara (1981) distingue entre ambiente direto (mercado de oferta e demanda e meio sociopolítico) e ambiente geral (economia nacional e internacional, situação política, educação, tecnologia, população, etc.). Essa divisão entre o ambiente externo mais próximo e o ambiente externo mais longínquo ou remoto é importante, pois ambos exercem infl uência sobre a empresa, diferenciando-se basicamente quanto ao poder de resposta ou infl uência da empresa frente às variáveis presentes nestes ambientes. Essas variáveis são defi nidas como fatores sistêmicos (ambiente remoto) e estruturais (ambiente próximo). Os fatores sistêmicos representam forças sobre as quais a empresa possui pouca ou nenhuma capacidade de exercer qualquer infl uência. Já sobre os fatores estruturais, a empresa pode exercer algum tipo de infl uência. Fonte: Müller (2003, p. 52-54). Dentre as ferramentas para analisar o ambiente, encontra-se o modelo de cinco forças de Michael Porter. Nas palavras de Müller (2003, p. 56): Na medida em que as cinco forças competitivas determinam a rentabilidade média do negócio, os fatores que alteram a perspectiva dessa rentabilidade podem ser entendidos como oportunidades e ameaças que circundam a empresa. Conforme 123 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Valadares (2002), oportunidades são situações atuais e/ou futuras que possibilitem à empresa melhorar sua rentabilidade, ou forças ambientais incontroláveis pela empresa que, se bem aproveitadas, podem trazer vantagens competitivas perante os concorrentes. Ameaças são situações atuais e/ou futuras que potencialmente podem reduzir a rentabilidade da empresa, ou forças ambientais incontroláveis pela empresa que, se não neutralizadas, podem trazer desvantagens competitivas perante os concorrentes. SÍNTESE DA ANÁLISE DO AMBIENTE INTERNO Voltar-se para dentro da empresa permite a identifi cação das forças e fraquezas da organização, unifi cando perspectivas internas divergentes e, consequentemente, apresentando um quadro mais compreensivo da empresa. Para Valadares (2002), os pontos fortes são características ou forças internas controláveis da empresa, tangíveis ou intangíveis, que, se bem utilizadas, permitem alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes. Já os pontos fracos são características ou forças internas controláveis, tangíveis ou intangíveis, que, se expostas ao ambiente, difi cultam alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes. Na análise do ambiente interno também são importantes a caracterização e o mapeamento dos processos da empresa, a identifi cação de problemas e a análise de relações para futura defi nição dos projetos de melhorias (projetos que conduzirão a efeitos sobre os fatores competitivos externos). Neste ponto são utilizadas técnicas de entrevista e/ou brainstorming para o levantamento dos principais pontos fortes e fracos. Fonte: Müller (2003, p. 63). O delineamento das estratégias é considerado por Müller (2003, p. 64) da seguinte forma: A partir das análises externa e interna, isoladamente, e das relações entre ambientes externo e interno, têm-se elementos mais estruturados para a defi nição dos objetivos e planos estratégicos de melhorias, ou seja, delinear as estratégias. Defi nir as bases de competição para atingir o objetivo de sucesso, contemplando os ambientes externo e interno, é a essência da formulação estratégica. A formulação estratégica 124 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I constitui-se em um processo organizacional, inseparável da estrutura, comportamento e cultura da empresa. Uma das formas de delinear as estratégias é a utilização da abordagem de Michael Porter: “Como explorar os pontos fortes para aproveitar as oportunidades?” E “Como minimizar os pontos fracos para neutralizar as ameaças?” (MÜLLER, 2003, p. 64). E acrescenta que a defi nição de estratégia, para Porter, é a forma como a empresa utiliza seus pontos fortes, para aproveitar melhor as oportunidades e tomar ações que reduzam o impacto das ameaças sobre os pontos fracos (MÜLLER, 2003). Outra ferramenta muitoutilizada para delinear as ações estratégicas é a matriz SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças). Nessa matriz se faz a análise dos ambientes interno e externo das empresas. Desta análise resulta o que a literatura chama de postura (ou posicionamento) estratégica (MÜLLER, 2003). SÍNTESE DA FERRAMENTA SWOT O produto da análise SWOT é uma série de decisões sobre que oportunidades serão aproveitadas, quais ameaças serão enfrentadas e que pontos fracos serão consertados (ANSOFF; MCDONNELL, 1993). Pode-se pensar ainda em quais pontos fortes serão “vendidos” para sua maior valorização por parte dos clientes. Uma incidência de ameaças externas associadas a muitos pontos fracos indica a necessidade de sobrevivência, ou seja, a empresa precisa reduzir custos, desinvestir ou até vender este negócio. Já se a empresa encontrar forte relacionamento de pontos fracos internos com oportunidades externas, deve-se buscar rapidamente o crescimento para solidifi car o posicionamento da empresa no setor. Normalmente, uma empresa começa por aqui, vislumbrando oportunidades, mas como começa pequena, apresenta mais pontos fracos do que fortes em relação à concorrência já instalada. Quando se tem maior incidência de pontos fortes aliados a oportunidades, tem-se, provavelmente, uma posição, mesmo que potencial, de liderança, necessitando a empresa desenvolvê-la. Por fi m, um cruzamento de ameaças e pontos fortes indica uma possível estagnação do negócio onde a empresa tem uma posição de liderança e aponta para a necessidade de manutenção dessa posição, tentando retirar lucros residuais do negócio. Fonte: Müller (2003, p. 71). 125 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Para exemplifi car a aplicabilidade da matriz SWOT em qualquer segmento ou porte, deixamos duas indicações de estudo. Além disso, reforçamos a necessidade de consulta aos materiais da bibliografi a. Na página 72 da Tese de Müller (2003) estão colocadas as principais defi ciências dos planejamentos estratégicos, apontadas por diversos autores. Dentre essas defi ciências está a falta de comunicação efetiva. A lista completa serve também como guia do que evitar ao realizar um planejamento dessa natureza. Gustavo de Souza Matias et al. “Aplicação da Matriz SWOT em uma Empresa do Setor de Serviços Alimentícios”. Disponível em: <http://www.admpg.com.br/2015/down.php?id=1901&q=1>. Luara Mafei et al. “A utilização da Análise Swot como ferramenta de Diagnóstico de uma propriedade rural familiar produtora de caqui (Diospyros kaki)”. Exemplo direto de aplicação da ferramenta. Disponível em: <http://www.sintagro.cps.sp.gov.br/art/download. php?id=28>. Iraci de Souza João e Wagner Luiz Lourenzani. “Análise SWOT do Sistema Agroindustrial do Amendoim na região de Tupã e Marília – SP”. O artigo traz uma síntese das principais ameaças e oportunidades, pontos fortes e fracos da cadeia agroindustrial do amendoim, na região de Tupã e Marília. Disponível em: <http://ageconsearch.umn.edu/ record/134562/fi les/7%20Artigo%2009.458.pdf>. Após todo esse processo de implantação do planejamento estratégico pelas empresas, os autores dessa área propõem que se use alguma métrica de avaliação, para saber se a organização está atingindo suas metas. Lembrando que uma das metas da administração é controlar. Como diz Harrigton (1993 apud MÜLLER, 2003, p. 109): Para que uma organização seja competitiva, não basta um bom planejamento estratégico. É preciso que o plano traçado seja cumprido. Portanto, é de vital importância a medição dos processos e dos resultados, tanto globais quanto pontuais, e sua comparação com os objetivos predeterminados. Se não puder medir, não pode controlar; se não controlar, não pode gerenciar; se não gerenciar, não pode melhorar. 126 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Uma das ferramentas de avaliação do desempenho do planejamento das empresas é o Balanced Socorecard (BSC). No trabalho de Müller (2003, p. 129- 140) encontra-se uma descrição completa sobre essa ferramenta. De forma resumida, o BSC pode ser entendido como: O Balanced Scorecard foi criado com a fi nalidade de desenvolver um novo grupo de medidas de desempenho, a partir da crença de que a gestão baseada somente nas medidas fi nanceiras estava se tornando obsoleta e que a dependência destas medidas estava prejudicando a capacidade da empresa de criar valor econômico futuro (SOARES, 2001). Mais do que um simples conjunto de indicadores, o BSC constitui um sistema gerencial capaz de canalizar as energias, habilidades e os conhecimentos de indivíduos dos mais diversos setores da organização em busca da realização de metas estratégicas. O BSC é um meio de transmitir a visão em objetivos claros, traduzidos no sistema de medição de desempenho. A visão descreve o objetivo (meta); a estratégia é o entendimento comum acerca de como o objetivo (meta) será alcançado. O BSC permite que a organização alinhe todos os seus recursos com as suas estratégias (MÜLLER, 2003, p. 129). Ester Marlene Kurtz de Oliveira. “Balanced scorecard: um estudo empírico sobre as difi culdades de implantação”. Nesta dissertação são levantados os fatores críticos sobre a implantação do BSC. Nas palavras da autora: “Foram levantadas, em bases teóricas, 54 circunstâncias consideradas críticas e que, de alguma forma, expõem o balanced scorecard a riscos de impactos negativos ou até mesmo a frustração do projeto”. Disponível em: <http://www. ppgcontabilidade.ufpr.br/wp-content/uploads/2015/05/D026.pdf>. Tiago André Guimarães; Cassius Tadeu Scarpin; Maria Teresinha Arns Steiner. “Uma proposta para a elaboração do Balanced Scorecard em pequenas empresas baseado em fatores críticos de sucesso”. Os autores fazem uma revisão completa que engloba análise Swot, o BSC e também o planejamento estratégico, completando o ciclo que propomos aqui, que é o de analisar o ambiente interno e externo, realizar o planejamento, implantar o planejamento e avaliar o desempenho desse planejamento. Os autores propõem alguns softwares baseados em código livre. Acreditamos que se trate de uma boa abordagem. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/ biblioteca/enegep2010_tn_sto_130_833_15276.pdf>. 127 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Atividade de Estudos: 1) Considere os elementos teóricos desenvolvidos aqui sobre a análise de ambientes das organizações. A partir dos exemplos práticos que trouxemos, você irá realizar uma análise SWOT de sua empresa. Lembre-se de que é preciso um levantamento criterioso do ambiente interno e externo da empresa, buscando identifi car as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Que alternativas existem para melhorar as fraquezas? As oportunidades estão sendo aproveitadas? Após concluída essa tarefa, você pode debatê-la com seus colegas, ou alguém de sua confi ança. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ A DINÂMICA DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Para fi nalizarmos esse capítulo, iremos abordar a construção de cenários. Chamamos de dinâmica do processo de planejamento, a partir das características principais dessas metodologias. Em função do espaço do livro, iremos deixar vários exemplos para consulta, para que sirvam de base para o desenvolvimento dos seus próprios estudos. Um debate sobre a construçãode cenários pode ser encontrado, por exemplo, nos trabalhos de Pierre Wack. 128 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Os cenários lidam com dois mundos: o mundo dos fatos e o mundo das percepções. Eles exploram os fatos, mas visam percepções dentro dos chefes dos tomadores de decisão. O objetivo deles é reunir e transformar informações de signifi cado estratégico em novas percepções. Esse processo de transformação não é trivial – na maioria das vezes não acontece. Quando funciona, é uma experiência criativa que gera um "Aha!" sincero de seus gerentes e leva a insights estratégicos além do alcance anterior da mente. Descobri que chegar a essa gestão "Aha!" é o verdadeiro desafi o da análise de cenários. Não basta simplesmente você apresentar todas as alternativas possíveis, independentemente da sua expressão ou de seus gráfi cos (WACK, 1985). Moritz (2004) considera o uso de cenários uma ferramenta capaz de criar a base para a defi nição das estratégias futuras. O autor traz ainda a seguinte defi nição: No campo da moderna conceituação, a defi nição mais abrangente sobre cenários, encontrada na literatura contemporânea, é a de Michel Godet (1993), para quem a técnica de cenários é um conjunto formado pela descrição coerente de uma situação futura e pelo encaminhamento imaginado e criado dos acontecimentos que permitem passar da situação de origem à situação futura (MORITZ, 2004, p. 47-48). Como destaca Wack (1985), existem muitas difi culdades em elaborar cenários. Porém, insistimos na recomendação do autor de que é preciso tentar elencar elementos que sejam desafi adores para a organização, algo com que ela nunca tenha lidado, uma incerteza que ainda está fora das preocupações cotidianas. Isso pode acontecer a partir da leitura de alguma notícia, ou um problema novo, totalmente inesperado. Moritz (2004, p. 49), ao defi nir algumas características sobre os cenários, destaca: As histórias são pesquisadas cautelosamente, contendo detalhes relevantes, orientadas para as decisões reais e projetadas com o objetivo de trazer surpresas e inesperados progressos de compreensão. Juntos, histórias e cenários constituem uma ferramenta para ordenar as percepções. O objetivo vai além da escolha do futuro preferido ou de maior probabilidade; concentra-se na tomada de decisões estratégicas que sejam plausíveis para todos os futuros possíveis. É importante salientar que cenários são técnicas que, ao ser introduzidas nas organizações, produzem um efeito multiplicador na gestão estratégica e nos seus desdobramentos futuros [...]. Os estudos prospectivos não têm como objetivo prever o futuro, mas estudar as diversas possibilidades de futuros plausíveis existentes e preparar as organizações para enfrentar qualquer uma delas, ou até mesmo criar condições para que modifi quem suas probabilidades de ocorrência, ou minimizar seus efeitos. Apesar de serem muitas vezes confundidos com predições, previsões ou projeções, trata-se de estudos do futuro com abordagem bastante distinta (grifo nosso). 129 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 Sérgio C. Buarque. “Metodologia e técnicas de construção de cenários globais e regionais”. Este material possui uma abordagem completa sobre como elaborar cenários. Junto com as outras referências, esse material se tornará um bom guia na elaboração de cenários. Disponível em: <http://repositorio.ipea.gov.br/ bitstream/11058/2865/1/TD_939.pdf>. Wack (1985) sugere que não se usem cenários que são apenas uma variação a partir de alguma estimativa prévia. Ao estabelecer uma variação fi xa a partir de uma tendência passada, toda a lógica de criar um cenário se perde. Dentre as diversas formas de se construir cenários, além do que estamos tratando sobre Pierre Wack (1985), Moritz (2004, p. 74-92) apresenta as principais contribuições de: a) Método descrito por Michel Godet; b) Método da General Electric; c) Método descrito por Peter Schwartz; d) Método descrito por Michael Porter; e, e) Método descrito por Raul Grumbach. Segundo Wack (1985), os cenários devem levar à ação da empresa. E não devem paralisar a empresa por conta das incertezas, para isso é preciso analisá- las em profundidade. Para tentar “esquematizar” o pensamento de Pierre Wack e suas ideias sobre como pensar os cenários, como podem ser construídos, transcrevemos a fi gura a seguir. Os insights referem-se basicamente à busca por novos caminhos de análise a partir dos elementos de interesse da empresa. Os cenários focados dizem respeito aos elementos que interessam diretamente à empresa, retirados da primeira parte da análise nos cenários globais. 130 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Figura 10 - Estrutura do processo de desenvolvimento de cenários Fonte: Adaptado de Wack e Pierre (1985). Paulo Eterno Venâncio Assunção. “Prospecção de cenários para a cadeia produtiva do feijão goiano”. Nesse material, o autor percorre as etapas do planejamento estratégico, utilizando a matriz SWOT para avaliar o ambiente da produção de feijão em Goiás. Trata-se de um exemplo completo da integração entre planejamento estratégico e a elaboração de cenários prospectivos. Disponível em: <https:// dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4901391.pdf>. Em relação às técnicas utilizadas para desenvolver os cenários, Moritz (2004) destaca o papel da criatividade e do uso de técnicas que facilitem a busca por alternativas: O autor aponta-nos a existência de técnicas “criativas” para desenvolver ‘futuros originais’, sem relação causal com o presente, como as que se utilizam das técnicas criativas de brainstorming. [...] De uma maneira geral, essas 131 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 técnicas são utilizadas de modo combinado nas organizações. No ambiente moderno da prospecção, porém, as qualitativas, por exprimirem o potencial criativo das pessoas, estão mais em destaque do que as quantitativas (MORITZ, 2004, p. 68-70, grifo nosso). PRINCÍPIOS BÁSICOS DO BRAINSTORMING [...] Marcial e Grumbach (2002, p. 60) defi nem brainstorming como “uma técnica de trabalho em grupo na qual a intenção é produzir o máximo de soluções possíveis para um determinado problema”. O objetivo é estimular a imaginação e fazer surgirem ideias, que podem servir de ponto de partida de um processo ou plano formal, ou para se sair de uma situação de impasse num trabalho formal. Alguns procedimentos devem ser considerados: 1) Disponha o grupo em círculo e selecione uma pessoa para ser líder do grupo; 2) Defi na claramente o problema (tema); 3) Faça com que todas as ideias sobre o tema sejam anotadas; 4) Não permita qualquer crítica ou reação negativa às ideias sugeridas; 5) Mantenha todos os participantes ativamente envolvidos em fazer contribuições; 6) Procure estimular o máximo de ideias possíveis, valorizando inclusive as ideias “loucas” ou “estranhas”; 7) Avaliação das ideias. Use ideias como catalisadores para outras ideias. Combine-as, agrupe por categorias ou afi nidades, procure ideias opostas; 8) E, por último, identifi que as ideias que melhor se enquadram à solução do problema. Fonte: Moritz (2004, p. 69). Para um exemplo de solução criativa para um problema cotidiano: Mariana de Almeida Holanda; Ana Carla Bittencourt Reis Fernandes Pinto. “Utilização do diagrama de Ishikawa e brainstorming para solução do problema de estoque em uma indústria da região metropolitana de Recife”. Um trabalho que apresenta elementos teóricos bem fundamentados. Disponível em: <http://www.abepro. org.br/biblioteca/enegep2009_tn_sto_103_685_13053.pdf>. 132 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Dentre as várias técnicas elencadas por Moritz (2004, p. 71) para elaborar cenários está a análise morfológica. Suas características principais são: Segundo Godet apud Marcial e Grumbach (2002), o objetivo da Análise Morfológica é explorar de forma sistemáticaos futuros possíveis a partir do estudo de todas as combinações resultantes da decomposição de um sistema. A Análise Morfológica consiste, pois, na decomposição da totalidade do sistema em vários elementos e na identifi cação das várias formas de atributos. Posteriormente, todas as soluções alternativas são sintetizadas, combinando-se os atributos de diferentes maneiras, ou seja, cada comportamento possível desse sistema será caracterizado pela escolha de um atributo referente a cada um dos elementos que compõem o sistema. [...] Para simplifi car o processo, os atributos são escritos em forma de matriz. EMBRAPA INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA. “Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o agronegócio brasileiro: cenários 2002-2012”. Estudo de cenários da Embrapa, com análise morfológica. Evidencia de maneira clara como se relaciona a análise morfológica e o desenvolvimento dos cenários. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/92478/1/inst-04.pdf>. Alexandre Silveira Pupo. “Análise de possibilidades para a introdução de veículos elétricos no tráfego urbano da cidade de São Paulo: uma abordagem por meio da análise morfológica”. Embora se trate de uma análise fora do agronegócio, por ser um objeto com menos elementos, escolhemos para demonstrar como é utilizada a análise morfológica. Disponível em: <https://www.revistafuture.org/ FSRJ/article/download/84/175>. Com o material indicado logo no início desta seção, e com os exemplos trazidos, entendemos que vocês podem se aventurar a elaborar os seus cenários. Destacamos que é uma tarefa árdua, que exige o comprometimento de toda a organização. Deve fi car claro para todos que a implementação da construção de cenários, em qualquer empresa, precisa vir acompanhada da percepção da necessidade por todos os envolvidos nas empresas - direção, gerentes e demais colaboradores (WACK, 1985; MORITIZ, 2004). Além disso, o analista que se dispuser a fazer tal projeto precisa conhecer a empresa de forma completa, além 133 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO), ORGANIZAÇÃO, CONTROLE, DIREÇÃOCapítulo 3 de promover um debate intenso dentro da organização capaz de conduzir esse processo com o comprometimento necessário (GRÜNIG; GAGGL, 2005; KRYS, 2013; RÜEGG-STÜRM, 2005). ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Consideramos esse capítulo o mais desafi ador em termos organizacionais. O estabelecimento das estratégias, do planejamento estratégico e fi nalmente da gestão estratégia trazem diversos desafi os para qualquer tipo de empresa. Compreender adequadamente seu ambiente interno e externo, conseguir entender seus desafi os futuros e estabelecer planos capazes de mitigar os principais problemas que poderão surgir é uma tarefa de difícil condução. As características da atividade no agronegócio impõem outros problemas a enfrentar. Mas, de toda forma, cada empresa precisa atuar para conseguir melhorar sua posição competitiva, independentemente do setor, ou mesmo do porte. Em relação à atuação de cada um, e as possibilidades que o conhecimento tratado aqui nesse livro traz, a leitura do material deve estimulá-los a buscarem novos objetivos para as empresas em que atuam. No entanto, é preciso ter muito claro que bons planos podem falhar! Vocês provavelmente irão lidar com resistências de muitas pessoas dentro das empresas. A área da psicologia está repleta de estudos sobre a resistência a mudanças. Mas o desafi o deve ser uma forma de levar cada um de vocês mais longe, pois acreditamos que cada vez mais uma palavra será dita à exaustão, em todos os encontros, debates, quando se tratar de planejamento do futuro das empresas: incerteza! REFERÊNCIAS ASSUNÇÃO, Paulo Eterno Venâncio. Prospecção de cenários para a cadeia produtiva do feijão goiano. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 12, n. 1, p. 282-303, 2014. Disponível em: <http://periodicos.unincor.br/index.php/ revistaunincor/article/view/1370>. Acesso em: 19 jun. 2017. BAIN, Joe Staten. Industrial organization. New York: University of California Wiley, 1968. BALCÃO, Yolanda Ferreira. Organograma: representação gráfi ca da estrutura. Revista de Administração de Empresas, v. 5, n. 17, p. 107-125, 1965. Disponível 134 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v5n17/v5n17a03.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2017. BARNARD, Freddie L. et al. Agribusiness management. Routledge, 2016. 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Compreender as estratégias de planejamento rural. 142 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I 143 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 CONTEXTUALIZAÇÃO Os gestores do agronegócio operam em um mundo em rápida mudança, altamente volátil, com alta tecnologia e focado no consumidor. Para acompanhar essa mudança, torna-se necessário um sistema de gestão efi ciente. O planejamento é parte fundamental da gestão de uma organização, seja em nível de propriedade rural, produtora de trigo, ou em nível de uma multinacional que comercializa sementes e/ou máquinas agrícolas. Para “fazer gestão” é necessário entender o que é “gestão” e qual o seu impacto/consequência. Nesse sentido, buscamos abordar alguns conceitos que consideramos importantes para o gerenciamento efi ciente. Embora existam muitos conceitos que normalmente encontramos aplicados em outras organizações (não as do agronegócio), demonstraremos que os mesmos podem ser aplicados ao agronegócio, respeitando algumas peculiaridades. Não se esqueça: o agronegócio é dinâmico, sendo fundamental acompanhar tal dinamismo. O foco deste capítulo é entender os elementos envolvidos no planejamento; como podem ser aplicados; exemplos de onde foram aplicados, fazendo com que você consiga entender e compreender a sua importância na vida de uma organização. Além disso, busca identifi car, avaliar e gerenciar os riscos das organizações do agronegócio; compreendendo as estratégias do planejamento rural. Ao longo do capítulo, tente visualizar a aplicabilidade dos elementos abordados no seu dia a dia, no seu trabalho, na sua casa, no seu momento de lazer. Busque perceber que certos elementos, considerando as devidas proporções, podem ser aplicados na gestão de uma propriedade rural que produz alho, bem como em uma indústria de defensivos agrícolas. Ambos, sem um planejamento efi ciente, terão prejuízos ou não terão um retorno satisfatório. Bons estudos! DESAFIOS E OPORTUNIDADES DO PLANEJAMENTO RURAL Começamos este capítulo considerando o papel do gestor. Algumas das principais funções dos gestores são: planejar, organizar, motivar e controlar, a fi m de que a organização consiga atingir os seus objetivos. No entanto, se isso parece simples demais, as evidências apontam que a vida dos gestores não é nada simples; principalmente Algumas das principais funções dos gestores são: planejar, organizar, motivar e controlar, a fi m de que a organização consiga atingir os seus objetivos. 144 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I pela sua responsabilidade na tomada de decisão. Nesta fase, assumimos que a gestão, em um contexto de desenvolvimento rural, é similar em muitos aspectos fundamentais para o gerenciamento em qualquer outro lugar. a) Funções do gerenciamento O gerenciamento é descrito em termos das funções básicas que os gestores devem realizar para alcançar os objetivos de sua organização. Alguns teóricos tentaram defi nir quais são essas funções-chave. No entanto, os resultados são, por vezes, uma variante da declaração clássica de Fayol (1916), que defi niu o gerenciamento em termos de: • Planejamento • Organização • Comando • Controle Normalmente, o gestor é remetido como sendo um “líder” ou “motivador”. Essa função é sobre obter o melhor das pessoas que trabalham para a organização. A maneira mais apropriada ou efetiva de fazer isso pode variar de acordo com o contexto e de acordo com as tarefas que a organização se propõe a realizar. b) O signifi cado da gestão Não existe uma defi nição geralmente aceita de “gestão” como uma atividade, embora a defi nição clássica ainda seja considerada a de Henri Fayol. Sua declaração geral sobre a administração em muitos aspectos ainda permanece válida após mais de 80 anos, e só foi adaptada por escritores mais recentes, como descrito no quadro a seguir. Quadro 8 – Defi nição de gestão Fonte: Os autores. Defi nição Autor Gerenciar é prever, planejar, organizar, liderar, coordenar e controlar. Fayol (1916) A gestão é um processo social. O processo consiste em: planejamento, controle, coordenação e motivação. Brech (1957) Gerenciar é um processo operacional, inicialmente melhor compreendido quando analisadas as funções gerenciais. As funções gerenciais essenciais são: planejamento, organização, pessoal, direção e liderança e controle. Koontz, O'Donnell e Weihrich (1984) Cinco áreas de gestão constituem a essência do desempenho proativo em nosso mundo caótico: (1) uma obsessão com a capacidade de resposta aos clientes, (2) inovação constante em todas as áreas da empresa, (3) parceria, (4) liderança e (5) controle, por meio de sistemas de suporte sim- ples que visam medir o "material certo" para o ambiente atual. Peters (1988) 145 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Deve ser reconhecido que as defi nições acima são extremamente amplas. Basicamente, o que elas estão dizendo é que a "gestão" é um processo que permite às organizações estabelecer e atingir seus objetivos, planejando, organizando e controlando seus recursos, inclusive ganhando o compromisso de seus funcionários (motivação). As defi nições assumem que a organização precisa ter objetivos claros (uma suposição crítica que exploraremos mais adiante). Claro, a gerência contribuirá para moldar esses objetivos. Assim, é a responsabilidade dos gestores conceberem estratégias e planos que permitam à organização alcançar seus objetivos, para (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013): • Garantir que a organização tenha recursos adequados (humanos, fi nanceiros etc.) para cumprir o seu planejamento; • Assegurar a existência de sistemas que facilitem o uso efi ciente desses recursos; • Comunicar a visão e, de outras formas, motivar o pessoal a contribuir com seus melhores esforços para o sucesso da organização; • Supervisionar os sistemas que monitoram o progresso; e • Tomar medidas corretivas em que as circunstâncias determinam modifi cações no planejamento. c) Gerenciamento dentro da função de produção As principais funções deplanejamento, organização, liderança e controle refl etem a importância das organizações que utilizam efi cientemente ou efetivamente os recursos (pessoal, capital etc.) que estão disponíveis para eles. Em economia, a efi ciência é sobre como maximizar a saída de um determinado pacote de entradas disponíveis ou, em alternativa, sobre alcançar um nível desejado de saída com a quantidade mínima de entradas (Ex.: aumentar a produtividade. Produzir mais sacas de soja com a mesma quantidade de insumos utilizada em safras passadas). A economia, às vezes, pressupõe que o funcionamento das forças do mercado será sufi ciente para provocar combinações de recursos tão efi cientes. No entanto, a essência da disciplina de gestão é que tais resultados não são alcançados puramente por meio da operação de uma "mão invisível", ou seja, a efi ciência e a efi cácia são o resultado de uma boa gestão. 146 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Mão invisível foi um termo introduzido por Adam Smith em “A Riqueza das Nações” para descrever como, numa economia de mercado, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comunal, a interação dos indivíduos parece resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma “mão invisível” que orientasse a economia. “Sistema de gestão de custos nas pequenas propriedades leiteiras”, autoria de José Carlos Marion e Sonia Segatti. O artigo analisa as ferramentas gerenciais existentes no mercado, apontando os aspectos em que elas são incompatíveis com as necessidades do pequeno produtor rural. Dessa forma, será possível entender que cada elo de uma cadeia produtiva e, até mesmo, os diversos atores dentro do mesmo elo, são diferentes. Assim, a melhor forma de gerenciar tais organizações (neste caso, uma propriedade rural) é entender as suas peculiaridades e traçar formas de gestão que se adaptem à realidade delas. Disponível em: <http://www. custoseagronegocioonline.com.br/numero2v2/Sistema%20de%20 custos.pdf>. A defi nição de gerenciamento de Peters (1988) reconhece o mundo cada vez mais globalizado e competitivo, no qual muitas organizações operam. Assim, os gestores devem estar tão preocupados com o ambiente em que sua organização opera, e com os relacionamentos da organização com esse ambiente, como estão com o que acontece dentro da sua própria organização (recapitule o Capítulo 1 e reveja a importância dos ambientes que afetam uma organização). d) Funções de gestão Henry Mintzberg (1989) propôs uma abordagem alternativa para defi nir o gerenciamento. Em vez de descrever em teoria o que os gestores deveriam fazer, ele estudou o que eles realmente passam o tempo fazendo. Isso o levou a retratar o gerenciamento em termos dos diferentes papéis que os gestores realizam. 147 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Mintzberg mostra uma diferença substancial entre o que os gestores fazem e o que eles dizem fazer. Com base em estudos de atividade de trabalho, ele demonstra que o trabalho de um gestor é caracterizado por ritmo, interrupções, brevidade, variedade e fragmentação de atividades, e uma preferência por contatos verbais. Os gestores gastam uma quantidade considerável de tempo em reuniões e em redes de contatos fora delas. Fatos como esses nos fazem concluir, pela natureza fragmentada da atuação dos gestores, que eles desempenham uma grande variedade de papéis. Mintzberg sugere que há dez funções gerenciais que podem ser agrupadas em três áreas: interpessoais, informativas e decisivas. Os papéis interpessoais consideram os relacionamentos da organização. Os três papéis dessa categoria são: o cabeçalho, o líder e a ligação. Os gestores devem atuar como fi gura central por causa de sua autoridade formal, representando suas organizações. Como líderes, devem reunir as necessidades de uma organização e as pessoas sob o seu comando. O terceiro papel interpessoal, o de ligação, trata das relações horizontais. Um gestor precisa manter uma rede de relacionamentos fora da organização. Os gestores precisam coletar, disseminar e transmitir informações, tendo três papéis informativos correspondentes: monitorador, disseminador e porta-voz. O gestor é uma fi gura importante no monitoramento do que se passa na organização, recebendo informações sobre eventos internos e externos e transmitindo-os para os outros. Esse processo de transmissão é o papel da disseminação, transmitindo informações. Por vezes, é necessário fornecer informações sobre a organização para estrangeiros, assumindo o papel de porta-voz para o público em geral, e aqueles em posição de infl uência. Tal como acontece com tantos autores sobre gestão, Mintzberg (1989) considera a parte mais importante da atividade gerencial como aquela preocupada com a tomada de decisões. Os quatro papéis que ele coloca nesta categoria são baseados em diferentes classes de decisão, nomeadamente, empresários, manipulador de perturbações, alocador de recursos e negociador. Como empresários, os gestores tomam decisões sobre mudar o que está acontecendo em uma organização. Eles podem ter que iniciar a mudança e tornar-se uma parte ativa para decidir exatamente o que deve ser feito. Em princípio, eles estão agindo voluntariamente. Isso é muito diferente do seu papel como manipulador de perturbações, em que os gestores devem tomar decisões que surgem de eventos fora do seu controle (algo imprevisível). A capacidade de reagir a eventos, bem como planejar atividades, é uma importante habilidade gerencial. 148 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I O papel de alocação de recursos é central para muitas análises organizacionais. Claramente, um gestor tem que tomar decisões sobre a alocação de dinheiro, pessoas, equipamentos, tempo e assim por diante. Ao fazê-lo, ele está realmente agendando o tempo, programando o trabalho e autorizando ações. O papel de negociação é colocado na categoria decisiva, pois é “a troca de recursos em tempo real". O gestor tem que negociar com os outros e, no processo, poder tomar decisões sobre o comprometimento dos recursos organizacionais. Esses dez papéis fornecem uma descrição, por vezes, mais clara do que os gestores fazem. Nessas funções há uma informação crucial: o gestor está determinando a prioridade da informação. A gestão é essencialmente uma arte e é necessário que os gestores tentem aprender continuamente sobre suas próprias situações. O “autoestudo” é vital. No momento, não existe uma base sólida para ensinar uma “teoria sobre gestão”. De acordo com Mintzberg (1989), a escola de administração foi mais efi caz no treinamento de tecnocratas para lidar com problemas estruturados do que os gerentes para lidar com os não estruturados. Os papéis de Mintzberg (1989) se destinam a fornecer uma melhor descrição do gerenciamento na prática, do que a lista clássica de funções do gerenciamento. Ao invés de passar seus dias planejando e organizando de forma ordenada, muitos gestores vivem vidas agitadas em contextos em constante mudança. Portanto, eles precisam ser adaptáveis e responsivos, não apenas proativos e controladores. Além disso, não estão apenas envolvidos no gerenciamento dos recursos internos de sua organização, mas também gastam muito tempo na manutenção de contatos com outras pessoas, dentro e fora da organização. Isso é, em parte, porque eles precisam estar cientes de quaisquer mudanças no ambiente que possam afetar sua organização. Assim, os gestores precisam estar conscientes do que os seus concorrentes estão fazendo, das tendências da demanda do consumidor e das mudanças no ambiente econômico. A análise de Mintzberg (1989) também é valiosa para destacar a importância de várias formas de informação para uma organização. A informação pode ser vista como um recurso a ser estabelecido ao lado do “pessoal” e do “capital”. No entanto, o que os gestores realmente fazem não é necessariamente o que eles querem estar fazendo ou deveriam estar fazendo.Mesmo que os entrevistados de Mintzberg (1989) estivessem buscando boas práticas de gestão, o reconhecimento de seus dez papéis não invalida a importância de planejar, organizar, liderar e controlar. Alguns dos papéis de Mintzberg (1989) expressam "como" os gerentes informam seus planos, lideram e motivam seus funcionários O gestor está determinando a prioridade da informação. 149 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 etc. Outros (por exemplo, manipulador de perturbações, negociadores) podem até ser vistos como habilidades que os gerentes precisam desenvolver para não se afastar das prioridades estratégicas de sua posição e de sua organização. PLANEJAMENTO GERENCIAL O planejamento é uma importante função gerencial. A escolha é apenas em relação aos métodos e às técnicas utilizadas para realizá-lo. É de conhecimento de todos que planejamos muitas coisas no nosso dia a dia. Planejamos, por exemplo, fazer uma viagem, planejamos nossas carreiras e os nossos investimentos também. As organizações não são exceções, principalmente as que compõem o agronegócio. O planejamento é feito pelos gestores em todos os níveis. É o processo básico que usamos para selecionar nossos objetivos e determinar os meios para alcançá-los. Muitas informações devem ser reunidas e processadas antes de um plano ser formulado. Em outras palavras, um plano é como um quebra-cabeça. Todas as peças devem estar juntas, adequadamente, para que elas tenham sentido. Todas as decisões que você toma serão afetadas pelos objetivos, os quais são a base da sua missão e sua capacidade de antecipar e infl uenciar os eventos antes que eles ocorram. O objetivo deve ser claro. Os objetivos simples geralmente são os melhores, mas para serem efetivos eles precisam do seguinte (SWAYNE; DUNCAN; GINTER, 2012): • Devem ser mensuráveis em uma escala quantifi cável para que você possa fi nalmente determinar se a missão foi bem-sucedida. • Eles devem ser alcançáveis. Isso não signifi ca que precisam ser fáceis. Se você vai mobilizar recursos, nada degrada suas habilidades, motivações, energia ou entusiasmo mais rápido do que dar-lhes uma tarefa impossível. • Eles devem apoiar os objetivos gerais da organização. Planejar é olhar para frente. Estar preparado para o futuro. Envolve descrever um curso de ação futuro. Envolve, por exemplo, planejar uma safra para daqui dois ou três anos. Planejar a troca de máquinas e implementos agrícolas. Planejar o seu produto levando em consideração a mudança do comportamento do consumidor. O planejamento faz com que as coisas aconteçam. Portanto, é desnecessário dizer que, na ausência de planejamento, as coisas fi cam ao acaso. O planejamento é único, porque precede todas as outras funções gerenciais. Envolve a decisão dos objetivos e a formulação das políticas e procedimentos para alcançá-los. O planejamento efetivo fornece respostas para perguntas como (BARNARD et al., 2016): 150 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I • O que fazer? • Como fazer? • Quem deve fazer? • E quando fazer? “Gestão do agronegócio cooperativo”, autoria de Jarim Marciano Ferreira. O artigo analisa os principais instrumentos de gestão em que os administradores devem se apoiar quando da tomada de decisão. Será possível aplicar os instrumentos em algo do seu dia a dia. Disponível em: <http://perquirere.unipam.edu.br/ documents/23456/35660/gestao_do_agronegocio_cooperativo.pdf>. a) Objetivo do planejamento Não é exagero que, na ausência do planejamento, os eventos sejam deixados ao acaso. Nesse caso, você, como gestor, dependerá da sorte. As organizações, por vezes, falham; não por falta de recursos, mas por falta de planejamento. Independentemente dos recursos que você possui, na ausência do planejamento sistemático, os recursos podem não ajudá-lo na consecução dos objetivos. A falta de planejamento na safra seguinte poderá ocasionar um aumento na aquisição de insumos, tendo em vista que a compra antecipada seria uma opção a fi m de reduzir o custo de produção. Nesse sentido, os seguintes fatores destacam ainda mais a importância do planejamento (BARNARD et al., 2016): • Para atingir os objetivos Ao desenvolver um plano, você precisa se fazer algumas perguntas: − Por que estou fazendo esse plano? − O que eu estou tentando realizar? − Que recursos eu preciso para executá-lo? Os objetivos são os fi ns almejados pelas organizações. As perguntas anteriores, se respondidas corretamente, proporcionam muita clareza aos objetivos. Em outras palavras, eles o obrigam a ser claro, principalmente sobre o prazo e recurso necessário para alcançá-los. Isso te forçará a visualizar o futuro de forma organizada. O planejamento sistemático começa com uma declaração 151 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 clara dos objetivos. Todos os insumos necessários para atingir os objetivos são cuidadosamente pensados. As incertezas do futuro, se houver, também são levadas em consideração. • Os planos ajudam a lidar com a mudança As organizações são produtos do ambiente em que elas estão inseridas (lembre-se da Figura 2, do Capítulo 1). A capacidade de lidar com o ambiente permitiu a sobrevivência de muitas organizações, apesar de outras fraquezas. Aquelas que não conseguem se adaptar ao ambiente acabam perdendo competitividade e, até mesmo, fechando as suas portas. Portanto, a partir do planejamento gerencial, é possível analisar constantemente as mudanças iminentes no ambiente e avaliar o seu impacto. Os mercados estão mudando devido ao aumento da concorrência; a pressão sobre os recursos existentes está aumentando; as expectativas dos funcionários e dos consumidores estão mudando; o ciclo de vida dos produtos está se tornando mais curto devido à rápida mudança tecnológica; a agricultura mudou o seu processo de produção (quando comparado com décadas passadas); máquinas e implementos agrícolas mudaram; mudaram-se as formas de comercialização de produtos agropecuários. Assim, todas essas mudanças exercem uma pressão sobre a gestão. • Planos duplicados como ferramentas para controlar os eventos Planejamento e controle são frequentemente descritos como os gêmeos "siameses" da administração. Quando você planeja os eventos, faz com que eles aconteçam de uma maneira específi ca. Os objetivos específi cos decididos por antecedência tornam-se os padrões. Portanto, é evidente que os planos fornecem mecanismos para saber se os eventos estão acontecendo da maneira esperada. Assim, se você não planeja (sem objetivos claros), não sabe o que controlar. O controle assume signifi cância em um ambiente dinâmico, onde várias forças o impedem de atingir o objetivo. Dispositivos de controle apropriados ajudam os gestores a verifi car o curso de tempos em tempos, para que se possa tomar as medidas corretivas apropriadas. • Princípios de Planejamento O planejamento sistemático é essencial para o sucesso e a sobrevivência de qualquer organização. As organizações falham, não porque não planejam, mas porque não planejam de forma efetiva. Uma compreensão dos princípios a seguir ajuda a alcançar a efi cácia no planejamento, para que você possa se proteger contra os possíveis erros que muitas vezes são cometidos pelos gestores (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013; BARNARD et al., 2016): 152 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I − Tire tempo para planejar: como o plano é uma decisão sobre um curso de ação futuro, ele especifi ca a sequência de eventos a serem realizados. Isso envolve o comprometimento dos recursos organizacionais de uma maneira particular. Portanto, se um plano não está bem concebido, os recursos podem ser usados incorretamente. O planejamento com informações incorretas, pressupostos e análises inadequadas do ambiente deve ser evitado por todos os meios. − O planejamento pode ser de cima para baixo e de baixo para cima: normalmente, em qualquer organização, os principais planos empresariaissão desenvolvidos pela alta administração. Esses planos são mais abrangentes e fornecem a direção para toda a organização. Eles explicam o que a organização quer alcançar ao longo dos anos. O plano geral, assim formulado pela alta administração, é dividido em planos departamentais. Consequentemente, os planos de produção, marketing, fi nanças, pessoal e assim por diante, decorrem do plano básico da organização. Os outros planos operacionais, em vários níveis abaixo da organização, decorrem dos planos departamentais. Esta abordagem é chamada de abordagem descendente para o planejamento. Em contrapartida, a abordagem ascendente envolve informações que emanam dos níveis mais baixos. Com base nessa informação, os planos são formulados. O pressuposto subjacente é que as pessoas no nível operacional estão mais próximas da ação e possuem informações valiosas. Nesta abordagem, a iniciativa de planejamento vem dos níveis mais baixos da organização. Esta abordagem faz uso da experiência rica dos subordinados. Também ajuda a motivar as pessoas e a obter o compromisso delas. No entanto, a escolha do método depende do tamanho da organização, da cultura organizacional, do estilo de liderança preferencial do executivo e da urgência do plano. − Envolver e se comunicar com todos os interessados: as organizações empresariais modernas são tão complexas que várias operações estão altamente inter-relacionadas. Tal inter-relação de atividades requer a participação de todas as pessoas envolvidas com a consecução dos objetivos. Por exemplo, um plano para melhorar a qualidade dos produtos (plano de controle de qualidade) pode exigir a cooperação das pessoas na produção. Essa participação ajuda a introduzir um senso de compromisso entre as pessoas. Tal envolvimento possibilita o processo de compartilhamento de informações. Se as pessoas envolvidas não estiverem “realmente envolvidas”, pode haver lacunas desnecessárias na execução, devido à falta de compreensão dos planos. − Os planos devem ser fl exíveis e dinâmicos: sua carreira gerencial seria, de fato, uma "cama de rosas" se não houver mudanças inesperadas no ambiente. Dia após dia, você é confrontado com muitas mudanças que o forçam a muitos 153 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 dilemas ou problemas. A maioria desses problemas é causada por eventos inesperados no ambiente. Se o plano for rígido, com menos margem para modifi cações conforme exigido pelas mudanças no ambiente, a organização acabaria por “afundar”. Em um ambiente estático, é claro, pode não haver um problema com um plano rígido. Em um ambiente dinâmico, para atender às mudanças inesperadas, é necessário integrar a fl exibilidade adequada no plano, caso contrário, o próprio plano se torna um fator limitante. − Avalie e revise: ao construir nos planos a fl exibilidade necessária, você não deve perder de vista os custos adicionais envolvidos para “comprar essa fl exibilidade”. Você também deve lembrar que a fl exibilidade em planos pode não ser sempre possível. Por exemplo, mudança na data de colheita do trigo por motivo de chuvas. A avaliação do plano em intervalos regulares é necessária para se certifi car de que está contribuindo para os objetivos. Com a mudança, o gerente deve avaliar e rever o plano. • Etapas do planejamento Embora possa haver algumas variações no procedimento adotado por diferentes organizações (propriedade rural, indústria de insumos agrícolas, indústria processadora) no planejamento, citaremos algumas etapas que podem, nas devidas proporções, ser aplicadas a todas (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013; BARNARD et al., 2016): − Defi nição dos objetivos: O planejamento começa com as decisões sobre o que a organização deseja alcançar durante um período específi co. Os objetivos de uma organização e várias subunidades devem ser decididos e defi nidos em termos claros. É sempre desejável expressar os objetivos em termos quantitativos para todas as áreas-chave do negócio, como produção, lucro, produtividade, participação de mercado, relações com funcionários, responsabilidades sociais etc. Por exemplo, em vez de dizer que o objetivo do negócio é alcançar uma taxa de retorno justo no investimento, pode ser dada uma expressão quantitativa; digamos, retorno de 10% ou 15% sobre o investimento. O prazo em que os objetivos devem ser alcançados também deve ser especifi cado. Além disso, deve ser dada atenção adequada aos recursos necessários para atingi-los. − Decida o período do planejamento: Quão longe “no futuro” um plano deve ser feito, é outra questão pertinente no processo de planejamento. As empresas variam em seus períodos de planejamento. Em alguns casos, os planos são feitos por um curto período, variando de alguns meses a um ano, enquanto que em alguns outros casos eles são feitos para cobrir um período mais longo. O período pode prolongar-se de 5-10 anos ou até mais. 154 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I As empresas normalmente planejam um período que pode ser razoavelmente antecipado. O tempo de entrega envolvido no desenvolvimento e comercialização de um produto e o tempo necessário para recuperar o investimento de capital (período de reembolso) infl uenciam na escolha da duração do plano. Novamente, na mesma organização, diferentes períodos de planos podem existir para diferentes fi ns. Isso dá origem a dois conceitos importantes: planejamento operacional e planejamento estratégico. Enquanto os planos operacionais se concentram no curto prazo, os planos estratégicos se concentram no longo prazo (será visto na sequência). − Desenvolva alternativas e selecione o curso de ação: O próximo passo lógico no planejamento envolve o desenvolvimento de vários cursos alternativos de ação, avaliando-os e escolhendo a alternativa mais adequada. Os objetivos podem ser alcançados por diferentes cursos de ação (alternativas). Por exemplo, o know-how técnico pode ser desenvolvido por pesquisa interna, colaboração com uma empresa estrangeira ou vinculando-se a um laboratório de pesquisa. Da mesma forma, uma organização pode crescer expandindo sua escala de operações ou por meio de aquisições e fusões. A viabilidade técnica, a viabilidade econômica e o impacto sobre a sociedade são as regras gerais para escolher o curso de ação. Os cursos alternativos são avaliados à luz das premissas e dos objetivos gerais da organização. Know-how é um termo em inglês que signifi ca literalmente “saber como”. Know-how é o conjunto de conhecimentos práticos adquiridos por uma empresa ou um profi ssional, que traz para si vantagens competitivas. − Planos derivativos: O plano fi nalizado, após uma análise minuciosa de várias alternativas, sugere o curso de ação proposto. Para torná-lo operacional, ele deve ser dividido em planos departamentais. Os planos para as várias unidades operacionais dentro dos departamentos devem ser formulados. Os planos assim desenvolvidos para os vários níveis abaixo da organização são chamados de planos derivados. Por exemplo, a produção e comercialização de 500 tratores anuais e a obtenção de um retorno de 10% no investimento pode ser o plano da empresa. Sua execução efetiva só é possível quando os planos específi cos são fi nalizados para os vários departamentos, como produção, marketing, fi nanças e assim por diante, com objetivos claros a serem seguidos por esses departamentos. 155 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 − Revise periodicamente: O sucesso do plano é medido pelos resultados e pela facilidade com que é implementado. Portanto, a provisão para um acompanhamento adequado, a fi m de determinar a conformidade, deve ser incluída no trabalho de planejamento. Para se certifi car de que o plano está contribuindo para os resultados, sua revisão em intervalos regulares é essencial. Tal revisão ajuda na ação corretiva, quando o plano está em vigor. • Por que os planos falham? Oplanejamento efetivo não é uma tarefa simples. Há uma série de razões para o fracasso dos planos, quando colocados em prática. O planejamento sofre as seguintes limitações (VAN FLEET; VAN FLEET; SEPERICH, 2013; BARNARD et al., 2016): − Custo e tempo: o planejamento é um processo bastante oneroso e demorado. Um tempo ilimitado é gasto na previsão, avaliando alternativas etc. No momento em que um plano é estabelecido, o ambiente pode mudar e isso requer uma revisão completa dele. Além disso, o custo também aumenta. − Validade das previsões: o planejamento é uma atividade orientada para o futuro com base em previsões. À medida que o período de planejamento aumenta, a precisão da previsão diminui. O planejamento perde seu valor se dados confi áveis e adequados não estiverem disponíveis. − Infl exibilidade: o planejamento, às vezes, torna-se rígido devido a infl exibilidades internas. Isso reduz a iniciativa individual e causa atrasos na tomada de decisões. Infl exibilidades internas, como rígidas políticas e procedimentos e recursos limitados, afetam o processo de planejamento. − Infl uência de fatores externos: fatores externos, além do controle de uma organização, afetam a efi cácia do planejamento. Esses são muito difíceis de prever. Fatores externos como controle governamental, mudanças tecnológicas, condições climáticas, entre outros, afetam o processo de planejamento. − Resistência à mudança: outra importante limitação do planejamento é a resistência à mudança. O elemento humano de uma organização sempre resiste à mudança. As pessoas estão mais preocupadas com o presente e não com o futuro, que é incerto. O planejamento deve avançar e pode ser afetado pela resistência à mudança. 156 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I PLANEJAMENTO OPERACIONAL O planejamento estratégico é a prerrogativa da alta gerência, que é o órgão de formulação de políticas mais alto em qualquer organização (BARNARD et al., 2016). Já o planejamento operacional é feito nos níveis “mais baixos”. O planejamento estratégico está principalmente preocupado com o "porquê" das coisas, enquanto o planejamento operacional está preocupado com o "como" das coisas. O foco no planejamento estratégico é a longo prazo, enquanto o planejamento operacional está focado no curto prazo (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013). Além disso, o planejamento é menos detalhado no primeiro, porque não está envolvido com as operações do dia a dia, enquanto que é mais detalhado no último. Considerando sua natureza, o planejamento operacional também é chamado de planejamento tático. “Proposição de etapas para o planejamento e gestão de vendas para o setor de insumos agrícolas”, autoria de Luciano Thomé e Castro. O material aborda o planejamento operacional de vendas. O auxiliará no entendimento do presente tópico. Disponível em: <http:// www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-26012006-155203/ pt-br.php>. No entanto, os planos operacionais se originam de planos estratégicos. Em outras palavras, o planejamento estratégico fornece orientações e limites para o planejamento operacional. A gestão efetiva, portanto, deve ter uma estratégia e deve atuar no nível do dia a dia para alcançá-la. Ambos não devem ser vistos como mutuamente exclusivos, pois o planejamento operacional identifi ca as principais atividades para alcançar os objetivos do planejamento estratégico. Por exemplo, se o plano estratégico for enfrentar a concorrência com produtos novos e inovadores, as principais tarefas para atingir esse objetivo serão esclarecidas pelo planejamento operacional. As possíveis tarefas em nível operacional incluem (BEIERLEIN; SCHNEEBERGER; OSBURN, 2013): • Fortalecendo o departamento de pesquisa e desenvolvimento, caso exista na empresa; • Motivando as pessoas a trabalhar com novos produtos; e • Criando um clima na organização, em que as pessoas estejam dispostas a correr riscos. 157 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 “Indicadores de desempenho operacional e econômico: um estudo exploratório no contexto do agronegócio”, autoria de Antônio André Cunha Callado, Aldo Leonardo Cunha Callado e Márcio André Veras Machado. A leitura auxiliará no entendimento do planejamento operacional aplicado ao agronegócio. Neste caso, o estudo busca elaborar e aplicar indicadores de desempenho para comparar organizações industriais rurais localizadas no Estado do Ceará. Disponível em: <http://proxy.furb.br/ojs/index.php/rn/article/ viewFile/307/294>. DESAFIOS E OPORTUNIDADES NO PLANEJAMENTO RURAL Vimos até agora as defi nições sobre gestão e planejamento. Diferenciamos esses dois conceitos no Capítulo 3 e na seção anterior. As oportunidades e desafi os da gestão rural estão vinculadas ao uso das tecnologias de gestão. Como diz Veloso (1997): As atividades de análise, organização, planejamento, implementação e controle são componentes fundamentais em um processo gerencial de um empreendimento. Procurou-se ilustrar que uma fazenda opera em um ambiente dinâmico e incerto, onde variáveis exógenas estão constantemente mudando, e planos iniciais são raramente implementados sem as necessárias adequações a essas mudanças. Fazendeiros ou produtores bem-sucedidos estão quase sempre envolvidos em um processo de avaliação e ajustes de projetos e planos de seus empreendimentos (VELOSO, 1997, p. 161, grifo nosso). Os desafi os da gestão rural referem-se muito mais sobre a compreensão dos mercados em que atuam, no conhecimento de aspectos ligados à administração estratégica, enfi m, no conhecimento de como é possível se articular dentro de sua cadeia produtiva a partir de seu planejamento estratégico. Normalmente, os conhecimentos técnicos agropecuários são dominados de forma sufi ciente. Existem diversos projetos pelo Brasil que, apesar das condições favoráveis, apresentam um desempenho baixo. A maior causa desse baixo desempenho está nas atividades de gestão. 158 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Inexiste aqui qualquer tentativa de desconsiderar o conhecimento do produtor rural. Trata-se, ao contrário, de apresentar elementos que possam auxiliá-lo em sua atividade. As teorias que tratam sobre decisão consideram que existem diversas barreiras para se tomar uma decisão de forma acertada, uma dessas é a racionalidade limitada dos tomadores de decisão, isto é, os agentes não possuem capacidade de obter e processar todas as informações relevantes para a tomada de decisão, tendo em vista a complexidade do sistema em que estão inseridos. A racionalidade possui ainda um componente estrutural, a chamada incerteza sobre os acontecimentos futuros. Adiante no capítulo temos uma explicação sobre o que vem a ser incerteza. Além disso, Andrade, Gontijo e França (2011) ressaltam que a implantação de um sistema de gestão nas propriedades rurais enfrenta obstáculos culturais para sua adoção. O produtor rural acaba por privilegiar investimentos na produção, ao invés de procurar investir em tecnologias de gestão e tecnologias de informação. Batalha, Buainain e Souza Filho (2005) afi rmam que tanto as ferramentas de gestão, quanto a aplicação da moderna biotecnologia e as tecnologias da informação afetarão a viabilidade e sustentabilidade das atividades agrícolas de pequenas e médias propriedades. Os dados levantados pela pesquisa dos autores indicam que os produtores analisados não utilizam ferramentas adequadas às chamadas práticas gerenciais modernas. Além disso, apesar de 61% dos entrevistados alegarem que realizam coleta e registro dos dados referentes à atividade, em poucos casos esses dados são utilizados para gerenciar melhor a propriedade. Para os outros 39% que não adotam práticas de gerenciamento, as razões apontadas são falta de tempo, falta de hábito e o mais preocupante: para 21,4% desses produtores não é importante para a gestão da atividade (BATALHA; BUAINAIN; SOUZA FILHO, 2005). O trabalho de Lourezani, Souza Filho e Bankuti,intitulado “Gestão da empresa rural: uma abordagem sistêmica”, traz uma análise integrada de todo o processo relacionado com a gestão rural. O Quadro 1 foi retirado desse artigo. Disponível em: <http://www. gepai.dep.ufscar.br/pdfs/1102012100_LourenzaniSouzaBankutipdf>. Observe no box a seguir a descrição feita sobre a gestão de uma empresa rural. Os elementos grifados remetem ao que temos tratado ao longo desse livro. 159 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 PRINCIPAIS ASPECTOS DA GESTÃO RURAL No ambiente externo, fatores como clima, relevo, políticas governamentais, ambiente institucional, tecnologia e mercado fogem ao controle da unidade de produção. Embora infl uenciem signifi cativamente o desempenho do empreendimento rural, esses fatores não são controlados por seus administradores. Nesse sentido, resta ao gerente adotar ações de reação e adaptação frente às condições ambientais impostas [...]. No âmbito da unidade produtiva, o modelo “input – transformação – output” caracteriza o sistema de produção genérico de um empreendimento rural. Esse modelo apresenta os fatores de infl uência do ambiente interno para o desempenho do empreendimento. Tais fatores estão mais diretamente vinculados ao controle do administrador rural. Assim, cabe ao administrador decidir, a partir das informações disponíveis, como os recursos (insumos, capital, tecnologia e humano) serão utilizados para serem transformados em produtos fi nais. Decisões como o quê produzir, quanto produzir, como produzir, quando produzir e para quem produzir devem ser tomadas, considerando fatores restritivos como o tamanho da propriedade, a tecnologia disponível e a saúde fi nanceira do empreendimento. A relação entre as decisões produtivas e os recursos disponíveis é que vai defi nir o custo de produção dos produtos. As relações familiares (organização, delegação de responsabilidades, comando), bem como a maneira como as atividades (operações) são realizadas, também infl uenciam todo o processo produtivo do empreendimento. Por fi m, os resultados (fi nanceiros, informações e satisfação) obtidos ao fi nal de um ciclo produtivo é que vão subsidiar, aperfeiçoar ou, até mesmo, inibir novas atividades. [...] Ou seja, o administrador deve tomar decisões não somente sob o aspecto econômico, mas também através de uma noção estratégica, tecnológica e comercial. [...] Além da identifi cação dos fatores que regem o seu agronegócio, é necessário visualizar a interdependência desses fatores, isto é, como eles se relacionam. Assim, pretende-se consolidar a ideia de se ter uma visão da propriedade como um conjunto de processos de negócio. Como esses processos se inter-relacionam, [...] daí a importância de se ter uma visão sistêmica [...]. Fonte: Lourenzani, Souza Filho, Bankuti (2003, p. 2-4, grifo nosso). 160 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Conclui-se a partir da leitura do box anterior que a gestão rural passa por um entendimento o mais completo possível dos ambientes em que as empresas rurais estão inseridas, como temos destacado ao longo do livro. A partir dessas considerações, entendemos que a todo momento as empresas necessitam avaliar a adequação de suas estratégias, e talvez seja essa a razão porque algumas empresas acabam saindo do mercado: inércia!, ou seja, permanecem na mesma situação sem alterar seu rumo ou velocidade! A partir dessas considerações, entendemos que a todo momento as empresas necessitam avaliar a adequação de suas estratégias, e talvez seja essa a razão porque algumas empresas acabam saindo do mercado: inércia!, ou seja, permanecem na mesma situação sem alterar seu rumo ou velocidade! O artigo “Planejamento e gerência de fazenda: princípios básicos para avaliação de sistemas agrossilvipastoris nos cerrados”, de autoria de Rui Veloso, traz uma revisão teórica, além de uma bem fundamentada análise dos fatores que envolvem o processo de gestão, planejamento e decisão nas propriedades rurais. Com base nesses elementos gerais sobre a gestão em uma propriedade rural, trataremos na próxima seção sobre como é possível construir um desenho organizacional (modelagem conceitual), isto é, ter uma ideia clara sobre como as diferentes áreas da propriedade se relacionam, para que seja possível atuar de forma efetiva na melhoria constante do posicionamento estratégico. E, além disso, apresentaremos uma proposta sobre modelos de negócio, que poderão ser utilizados para compreender as necessidades dos consumidores e como sua empresa pode atendê-los. Finalizando os tópicos sobre gestão rural, teremos uma análise sobre os principais riscos envolvidos na produção agropecuária, e as diferentes formas de procurar resolvê-los. TÉCNICAS DE PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL As técnicas de planejamento organizacional incluem a varredura do ambiente da empresa (trata-se de uma abordagem proativa para monitorar as tendências e antecipar as mudanças que podem afetar uma organização nos níveis estratégicos e táticos). Essa abordagem precisa ter uma estrutura organizacional 161 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 complexa, para que as informações sejam processadas e transmitidas. Outra ferramenta para o planejamento estratégico é a modelagem conceitual, que ajuda um gerente a pensar em sua organização como um todo com muitas partes inter-relacionadas formando padrões e criando modelos. A modelagem conceitual enfoca o processo: como buscamos dados, transformamos dados em informações e usamos dados para ajudar a chegar a conclusões (VAN FLEET; VAN FLEET; SEPERICH, 2013). Nosso destaque aqui será para a modelagem organizacional, trazendo um exemplo de como é possível desenvolver essa análise. Em relação à análise do ambiente, deixamos um exemplo que ilustra os benefícios de utilizar esse procedimento no processo de gestão. O CASO DOS PRODUTORES RURAIS NA NOVA ZELÂNDIA – ANÁLISE DO AMBIENTE Na Nova Zelândia os agricultores descobriram que, mesmo que tivessem que investir mais capital em suas operações e possivelmente reorganizar seus recursos humanos, o uso de escaneamento ambiental lhes proporcionaria uma maior lucratividade para as operações. Os agricultores não usaram ferramentas de varredura formal, no entanto, eles usaram seus parceiros de cadeia de fornecimento a jusante para “escanear” seus ambientes. Eles examinaram suas operações atuais (incluindo a tentativa de novos produtos e mercados) para determinar quais produtos e mercados foram mais ou menos lucrativos e realizaram ajustes de produção adequadamente. Considerar o consumidor fi nal como o principal cliente permitiu-lhes avaliar melhor o seu mix de marketing. Os produtos e os mercados que eram mais lucrativos ou apresentavam potencialidades eram frequentemente expandidos. A varredura ambiental não precisa envolver investimentos de capital caros. Pode ser realizada através de pesquisas enviadas, reuniões, grupos focais, entrevistas presenciais, dados de tendências, dados disponíveis de agências e grupos governamentais e, claro, a internet. Essas fontes podem ajudar a identifi car problemas atuais, ações competitivas e outras forças no meio ambiente que afetam organizações específi cas. Fonte: Adaptado de Van Fleet, Van Fleet e Seperich (2013, p. 203). 162 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I a) Modelagem Organizacional Segundo o que é abordado por Ostanel (2011), a modelagem organizacional é uma atividade que possibilita o entendimento dos aspectos principais relacionados com a organização, por meio de compartilhamento do conhecimento sobre como a organização está estruturada, e como ocorre seu funcionamento (BAJEC; KRISPER, 2005 apud OSTANEL, 2011). Modelos organizacionais como o Enterprise Knowledge Development (EKD) permitem que a organização vincule seus objetivos estratégicos aos processos operacionais, evidenciando os processos que contribuem para os objetivosestabelecidos, analisando ainda quais são inefi cazes, ocasionando perdas para as empresas. Ostanel (2011) ainda cita os benefícios dessa abordagem, com base em sua revisão da literatura, são eles: • Ampliar a compreensão sobre o negócio, melhorando a comunicação e aprendizagem sobre questões-chave; • Ajudar o entendimento dos processos e promover a capacitação organizacional; • Melhorar a comunicação entre desenvolvedores de sistema e a organização, apontando os requisitos e objetivos do sistema; • Desenvolver uma descrição estruturada da organização, possibilitando análises e discussões; • Gerar um repositório do conhecimento que pode ser usado para elucidar o negócio, debater sobre mudanças e desenvolvimento do negócio e identifi car uma cadeia de componentes e informações que leva a várias tomadas de decisões e componentes de sistema de informação. Ostanel (2011) evidencia ainda os seguintes pontos em relação à utilidade da abordagem de EKD: • Como a organização funciona atualmente; • Quais são as necessidades e razões para mudança; • Quais alternativas podem ser aplicadas para suprir tais necessidades; • Quais são os critérios e argumentos para avaliar essas alternativas. Para que este propósito seja alcançado, segundo cita Ostanel (2011), o método é dividido em seis submodelos, que estão resumidos no Quadro 9: Modelo de Objetivos (MO); Modelo de Regras de Negócio (MRN); Modelo de Processo de Negócio (MPN); Modelos de Atores e Recursos (MAR); Modelo de Componentes e Requisitos Técnicos (MCRT) e Modelo de Conceitos (MC). 163 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Quadro 9 – Resumo da abordagem dos submodelos da Modelagem Organizacional Item Focos Resultados Componentes MO Visão e estra- tégia O que a organização deseja alcan- çar ou evitar e por quê? Objetivos, problemas, res- trições externas, causas e oportunidades. MRN Políticas e regras Quais são as regras de negócio e como elas apoiam os objetivos organizacionais? Regras de negócios. MC Compreensão do negócio O que são as coisas e "fenômenos" abordados nos submodelos? Conceitos e atributos. MPS Processo operacional Quais são os processos de negócio? E como eles lidam com a informação e o material? Processos, processos externos, conjunto de materiais e infor- mações. MAR Estrutura organizacional Quem são os responsáveis pelas metas e objetivos? Qual a relação entre os atores? Ator, papel, unidade organi- zacional, unidade individual e recursos não humanos. MCRT Necessidade informacional Quais são os requisitos para o sistema de informação? Como eles estão relacionados com os outros modelos? Objetivos, problemas, requisi- tos e componentes do sistema de informação. Fonte: Compilado por Carlos Eduardo Ostanel (2011, p. 24). Cada um dos submodelos é explicado na dissertação de Carlos Eduardo Ostanel, intitulada “Modelo de orientação aos tilapicultores em tanques-rede: o conhecimento modelado pelo método EKD”. Entendemos que se trata de um exercício de entendimento da estrutura das propriedades estudadas. Não apenas descrevendo funções ou cargos. Numa propriedade rural esse entendimento pode se tornar a base para um novo planejamento estratégico, que poderá sair do convencional, proporcionando um diferencial competitivo. A leitura do material esclarecerá dúvidas de como se articulam a teoria e o estudo da produção de tilápias. O modelo EKD trata-se de um modelo de análise sistêmico, em que cada uma das variáveis é compreendida em seu contexto e em sua infl uência sobre as demais variáveis da empresa. 164 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Conectando essa abordagem ao processo decisório, deixamos uma citação de Roberto Camanho, disponível na revista da ESPM, páginas 48 a 53. “Diante de decisões estratégicas, é saudável defi nir quais são as questões que precisam de respostas. Fazer as perguntas certas já é um bom começo para estruturar uma decisão estratégica. Resolver errado o problema certo é bem melhor que resolver certo o problema errado. A complexidade não está na decisão em si, mas nas consequências das possíveis decisões”. b) Modelo de Negócios Modelo de negócios é um tema já consagrado na literatura e de fundamental importância para empresas de todos os portes, em especial para as nascentes, que através de tal metodologia podem entender quem é o seu cliente, qual a sua proposição de valor e como transformar isso em receita. Os modelos de negócios possibilitam que o empreendedor pense efetivamente sobre o seu negócio (KRAKAUER et al., 2015). A literatura sobre o tema possui atualmente uma ênfase no modelo de negócio Canvas, ou Business Model Canvas (BMC). Uma das primeiras referências a essa abordagem, e que posteriormente infl uenciou a pesquisa de Alexander Osterwalder, pode ser atribuída ao trabalho de Kim e Mauborgne (2005), veja o que eles dizem: [...] nossa pesquisa mostra que poucas empresas realmente têm uma visão estratégica clara. O problema, acreditamos, decorre do próprio processo de planejamento estratégico. O processo geralmente envolve a preparação de um grande documento. O relatório geralmente começa com uma longa descrição da indústria e da situação competitiva. Segue-se uma discussão sobre como aumentar a quota de mercado aqui e ali, capturar novos segmentos ou reduzir custos, o que leva a um esboço de inúmeros objetivos e iniciativas. Um orçamento total é quase sempre anexado. Ninguém se pergunta porque poucos planos estratégicos se transformam em ação; os executivos estão paralisados pela confusão. Mas não precisa ser assim. Sugerimos uma abordagem alternativa ao planejamento estratégico, baseada na não elaboração de um documento, mas na elaboração de uma imagem que chamamos de "tela estratégica". Essa abordagem produz consistentemente estratégias que são fáceis de entender e comunicar, que engajam mais pessoas dentro de uma organização e que desbloqueiam a criatividade dos participantes (KIM; MAUBORGNE, 2005, s.p., grifo nosso). 165 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Essa tela estratégica (strategy canvas) foi a base para Alexander Osterwalder (autor do livro mais lido sobre o BMC) desenvolver em sua tese a abordagem do BMC. Além desse trabalho, o autor realizou uma análise de diversos modelos de negócio para chegar a sua proposição. Ao longo do tempo foi cunhado o termo Business Model Canvas – Tela de modelo de negócio, na forma direta. Embora o conceito de modelo de negócio como uma "teoria de uma empresa" não seja novo, a pesquisa de modelos de negócios tem sido muito estudada nos últimos anos. O modelo de negócios pode ser entendido como o raciocínio de como uma organização cria, entrega e captura valor. Essa análise leva em conta três partes: (1) Como os principais componentes e funções, ou partes, estão integrados para oferecer valor ao cliente; (2) Como essas partes estão interligadas dentro da organização e em toda a cadeia de suprimentos e redes de partes interessadas; e (3) Como a organização gera valor, ou cria lucro, através dessas interconexões. Alexander Osterwalder e Yves Pigneur. Business Model Generation: Inovação em Modelos de Negócios. Alta Books, 2011. Quando claramente entendido, o modelo de negócios de uma organização pode fornecer informações sobre o alinhamento de estratégias de alto nível e ações subjacentes em uma organização, o que, por sua vez, apoia a competitividade estratégica. Dado que tais conexões são muitas vezes apenas tacitamente compreendidas dentro das organizações, os estudiosos e os profi ssionais se voltaram cada vez mais para os modelos de negócios como forma de tornar essas conexões mais explícitas. Explicar estas conexões através do modelo de negócios de uma organização também pode apoiar a inovação do modelo de negócios através da descoberta de oportunidades anteriormente não vistas para a criação de valor através da transformaçãode ações existentes e interconexões de novas formas. Como ferramenta visual, o BMC pode facilitar a discussão, o debate e a exploração de inovações potenciais no modelo de negócios das organizações, permitindo uma visão sistêmica da empresa. Não se trata de uma abordagem difícil, pelo contrário, ela é intuitiva. Os vídeos, leituras e material adicional irão proporcionar uma boa base para o entendimento do processo de construir as análises utilizando o BMC. 166 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Primeiro assista a este vídeo sobre a proposta de valor, e na sequência, o vídeo sobre o modelo de negócio. Esse primeiro vídeo serve para pensar sobre o produto ou serviço. 1) Propor valor para os clientes: <https://www.youtube.com/watch?v= DUdyyk8gPY0> 2) Canvas no modelo de negócio: <https://www.youtube.com/watch ?v=knQfm0fxdGQ> Uma apresentação do modelo, com explicação passo a passo sobre o Canvas. Esse vídeo traz os elementos básicos do método de defi nição do modelo de negócio. Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=wbauB2YbfwQ>. No estudo de Fabio Diniz del Cistia é possível ler também sobre a descrição do modelo Canvas, que começa na página 43. O estudo todo é fonte de material teórico e aplicado. Sugerimos fortemente sua leitura, para que cada um possa entender as possibilidades a partir dessa ferramenta. A descrição de todos os detalhes aqui seria de pouca utilidade, dado que existem bons materiais de consulta, aplicados ao agronegócio, como é o caso desta tese. Disponível em: <https://goo.gl/5RRPii>. O Modelo BMC desenvolvido por Osterwalder e Pigneur (2011) é composto por nove componentes interligados: segmentação de clientes, relacionamentos, canais, proposição de valor, atividades-chave, recursos-chave, parcerias, estrutura de custos e receitas. 167 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Nesta página você encontra uma pequena descrição dos pontos abordados aqui, e no fi nal da página existe um link para baixar um arquivo com um quadro de modelo de negócios, que pode ser preenchido no Microsoft Excel: <http://www.minhasplanilhas.com.br/ planilha-modelo-de-negocios-canvas/>. Um resumo adicional elaborado pelo SEBRAE, com explicações sobre o Canvas: <http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/be606c09f2e9502c51b09634b add2821/$File/4439.pdf>. PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO Ao nos depararmos com situações de decisão no agronegócio em geral, e nas propriedades rurais, em específi co, é preciso ter em mente que é um processo complexo, que envolve aspectos econômicos, tecnológicos, sociais e ambientais. Essa complexidade deve ser motivo para entender suas partes, buscando elaborar uma forma de resolver os problemas que surgem. Esse planejamento envolve os aspectos operacionais e estratégicos que já abordamos. Inclui obviamente toda a estrutura da empresa. Cada decisão irá afetar outras áreas, em maior ou menor grau. Existem vários limites para que os objetivos defi nidos sejam alcançados. Sejam limites de disponibilidade de dados, da capacidade dos decisores, do ambiente em que as empresas estão inseridas. E ainda, existem muitos aspectos que infelizmente estão fora do controle e constituem-se em incertezas (assunto que será objeto da próxima seção). No âmbito gerencial devemos ter o cuidado de estabelecer a melhor decisão, levando em conta todas as limitações citadas. Normalmente, a literatura aponta que os seguintes passos precisam ser observados para se tomar uma decisão: 168 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I ETAPAS DO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO GERENCIAL 1ª ETAPA: RECONHECIMENTO • Reconhecer um problema ou oportunidade; • Essa etapa é crucial, pois se não for bem feita, todo o trabalho de uma equipe será desperdiçado; • É considerada a mais difícil das cinco. 2ª ETAPA: ELABORAÇÃO • Elaboração de alternativas de ação; • É necessário elaborar alternativas, pois se elas não existem, não há decisão a ser tomada; • Para facilitar a segunda etapa foi desenvolvido um instrumento gráfi co, denominado “árvore de decisão”, que avalia as alternativas disponíveis (esse processo é normalmente usado quando há muitas alternativas a serem discutidas). 3ª ETAPA: PLANEJAMENTO • Avaliação das vantagens e desvantagens das alternativas; • É importante destacar que se deve avaliar as vantagens e as desvantagens de cada alternativa; • Nessa etapa é importante ter senso crítico ao avaliar as alternativas. 4ª ETAPA: DECISÃO E IMPLEMENTAÇÃO • Selecionar a alternativa escolhida; • Após a alternativa ser escolhida, deve-se anunciá-la com confi ança e de forma decisiva, caso contrário poderá ser despertado um sentimento de insegurança nos outros; • Implementar a alternativa escolhida; • Um erro comum é implementar a alternativa escolhida na época errada. 5ª ETAPA: CONTROLE • Avaliação dos resultados da decisão; • Nessa etapa é necessário humildade, pois se os resultados não são os esperados, muitas vezes sai mais barato admitir o erro que manter a decisão. Fonte: Disponível em: <http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/negocios/ etapas-para-uma-boa-tomada-de-decisao/20906/>. Acesso em: 15 jul. 2017. 169 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Uma pesquisa na internet traz diversos resumos sobre essas etapas, bem como as teorias sobre processo de decisão, estilos de decisores, ferramentas de decisão e outros pontos interessantes. Para uma revisão sobre a evolução histórica das teorias, sugerimos o trabalho de Helena França Fernandes Ludkiewicz (2008): “Processo para a tomada de decisão estratégica: um estudo de caso na parceria banco e varejista”. A revista Harvard Business Review no Brasil tem disponíveis alguns comentários sobre o processo de decisão. O artigo trata, com alguns casos, do processo de decidir, considerando a visão do decisor. Mais informações em: <http://hbrbr.uol.com.br/decidindo- como-decidir/>. Além desse material, sugerimos uma dissertação de mestrado que trata sobre a infl uência do conhecimento no processo de decisão, de autoria de Quelopana (2003). A autora realiza uma análise detalhada sobre o processo de decisão e dos fatores que infl uenciam a tomada de decisão. Destacamos do trabalho da autora: Num cenário onde se sobressaia uma nova economia, muito mais baseada em valores intangíveis, serão necessárias empresas totalmente diferentes, onde a habilidade mais importante requerida aos empregados é a destreza na tomada das decisões e na solução de problemas. Uma vez que o sucesso de um negócio depende das decisões que são tomadas, da forma como são implementadas e da experiência que se acumula para as futuras tomadas de decisão, administradores e acadêmicos estão interessados em identifi car quais os fatores que conduzem às melhores decisões e à resolução de problemas complexos (QUELOPANA, 2003, p. 3). Toda decisão pode se benefi ciar de uma estrutura capaz de analisar o maior número de elementos relativos ao problema enfrentado. Segundo Borges (2010, p. 20), o processo decisório é caracterizado por: O processo decisório pode ser dividido em três fases e apresenta um recurso contínuo de retroalimentação. A primeira 170 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I denomina-se fase de inteligência, a segunda é conceituada como de concepção ou desenho e a terceira é denominada de fase de escolha ou de implantação. Entre as fases que constituem esse modelo, podem acontecer eventos em que fases já vencidas do processo sejam resgatadas, sendo essa etapa conceituada como retroalimentação ou feedback. As difi culdades na fase de inteligência são: identifi car o problema, defi nir o problema e categorizar o problema. Na fase de concepção: gerar alternativas, quantifi car ou descrever as alternativas, designar critérios para avaliar as alternativas, e na fase de escolha: identifi car o método de seleção, organizar e apresentar a informaçãoe selecionar alternativas. É justamente na fase de concepção que a técnica de brainstorming pode ser usada. Fugir de soluções já testadas pela empresa ou pelos concorrentes pode levar a empresa a novos resultados, com uma melhor solução. Rosalia Maria Passos da Silva (2013). “Análise do processo decisório na administração pública e sistemas de apoio à tomada de decisão: contradições e paradoxos na realidade organizacional pelo não uso de ferramentas disponíveis”. A autora faz um estudo completo sobre as abordagens relativas ao processo de decisão, tratando também dos tipos de decisores, as características principais do processo de decisão. Trata-se também de um material com uma abordagem teórica bem embasada. Os estudos específi cos são secundários nessas indicações, a qualidade das revisões e a disponibilização dessas informações são o nosso maior interesse. Consideramos que muitas vezes podemos negligenciar o entendimento sobre o processo de decisão. Parece-nos algo natural, dado que passamos o dia todo decidindo o que comer, o que vestir, como investir nosso dinheiro. Enfi m, estamos acostumados a decidir, mas uma leitura atenta dos materiais vai revelar que é preciso muito mais para que seja possível entender realmente o que está sendo decidido no âmbito das empresas. É preciso entender qual o nosso perfi l de decisor, entender o perfi l das outras pessoas que estão decidindo conosco, e ainda buscar soluções diferentes, pois todos os dias novos problemas surgem. São tantos os desafi os que consideramos benéfi co para todos buscar aprimorar a forma como tomam as decisões no ambiente organizacional, de qualquer cadeia produtiva, de qualquer porte. 171 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 GESTÃO DO RISCO Normalmente, quando se fala em análise e gestão de riscos, se fala em probabilidade. Vamos considerar plausível afi rmar que a probabilidade de ocorrência de determinado evento de qualquer natureza (econômico, climático ou social) pode ser defi nida pelo número de vezes (frequência) em que ele ocorreu no passado. Por exemplo, se nos últimos dez dias choveu apenas em três desses dias, a probabilidade de chover amanhã é calculada como a razão entre essas informações: Probabilidade de chover = 3/10 = 0,3 ou 30%. Para que as decisões sejam tomadas de maneira adequada, é preciso lembrar que estamos tratando de “provável ocorrência”. Pode acontecer de não chover amanhã. Uma estimativa é apenas uma estimativa. Na presença dessas estimativas, temos então uma aproximação do conceito de risco em relação a determinado resultado. Para ilustrar de outra forma: qual a chance (probabilidade) de retornar a um restaurante em que a comida lhe fez mal? E se duas vezes a comida lhe mandou para o hospital? Isso quer dizer que o comportamento futuro será consistente com sua percepção, ou informação, sobre o ambiente e dos resultados passados. A incerteza pode então ser entendida como a ausência de uma “distribuição de probabilidades”, ou dito de outra forma, ausência de uma informação da frequência de ocorrência de determinado evento. Nesse caso, inexistem informações disponíveis, ou existem em quantidade insufi ciente para que se possa ter alguma ideia sobre o resultado de determinada situação. Considere a título de exemplo o seguinte: imagine uma situação de compra de um trator usado: será que o trator desejado está em boas condições? Quantas vezes algum amigo seu comprou com esse vendedor e não se arrependeu? Qual a probabilidade desse vendedor lhe vender um trator estragado? Se não temos nenhuma informação da reputação do vendedor, e nenhuma experiência com mecânica de tratores, pode-se dizer que estamos numa situação de incerteza em relação ao resultado da compra. A gestão de uma propriedade rural leva em conta esses aspectos, pois é necessário planejar a produção com base em informações sobre o futuro dos preços de venda dos produtos, do custo de aquisição dos insumos, dos custos de 172 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I mão de obra, além da perspectiva climática, entre outras variáveis que afetam a lucratividade do negócio. Geralmente, uma das fontes de informação para os empresários são as políticas públicas setoriais. No caso do agronegócio, o Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA – elabora o plano agrícola e pecuário. Nesse documento estão colocados os planos de incentivo às diversas cadeias produtivas, a destinação de recursos e outras informações de interesse. Esse material é indispensável para que seja possível pensar a gestão em uma propriedade. Plano Agrícola e Pecuário: <http://www.agricultura.gov.br/ assuntos/sustentabilidade/plano-agricola-e-pecuario/>. Zoneamento Agrícola de risco climático, ver em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/riscos-seguro/risco- agropecuario>. Abordaremos os principais riscos a que estão expostos os produtores rurais e os principais mecanismos que existem de mitigação desses riscos (adequação desses riscos a valores aceitáveis), ou seja, medidas que evitam a ocorrência de grandes perdas fi nanceiras por parte dos produtores. Além disso, deixaremos indicados estudos relacionados com cada tipo de risco, para estudos adicionais. Temos então o risco de produção, que está relacionado com a ocorrência de pragas, doenças, desastres naturais, fatores climáticos como chuvas em excesso, estiagem, granizo e variações bruscas de temperatura. As formas de mitigar esse risco estão no emprego de técnicas de plantio adequadas às culturas agrícolas, ao clima e à região, desenvolvimento de novas cultivares, aperfeiçoamento de defensivos agrícolas, manejo nutricional que leve em consideração a fi siologia e o mercado, novos medicamentos e contratação de seguros, sendo este último não muito desenvolvido no Brasil, pois ainda restam muitos entraves a serem superados. Risco de produção, que está relacionado com a ocorrência de pragas, doenças, desastres naturais, fatores climáticos como chuvas em excesso, estiagem, granizo e variações bruscas de temperatura. 173 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Para dados do Programa de Subvenção ao Seguro Rural, acesse: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/riscos-seguro/seguro-rural/ documentos-seguro-rural/ResultadoGeralPSR2016.pdf>. Sugerimos a leitura do artigo de Odilio Sepulcri: “Gestão de Risco na Agricultura”. O objetivo desse artigo foi o de discutir alternativas para diminuir e atenuar os riscos climáticos, especialmente da estiagem, para aumentar a estabilidade da renda das unidades produtivas rurais familiares. Disponível em: <https://goo.gl/pmp43L>. Marcelo Soares Guida e Jefferson Costa de Souza. “Seguro rural como instrumento de proteção à produção e internalização de riscos: pressupostos para sua operacionalização e transparência no Brasil”. Os resultados apontam que se percebe que a cobertura de seguros ao setor agropecuário ainda se encontra bastante incipiente, a despeito de todo o progresso realizado. Muito há que se fazer em prol da proteção à produção rural no país, dado o potencial do agronegócio brasileiro frente ao mercado doméstico e internacional. Disponível em: <http://periodicos.faculdadecathedral.edu.br/revistafa cisa/article/view/49/40>. Além disso, tem-se o risco de mercado, que está intimamente relacionado a fatores da microeconomia, tais como: oferta e demanda, variações de preço no mercado nacional e internacional e custos de produção. Essas variações são de difícil previsão e normalmente ocorrem após a cultura implantada, com investimento já realizado. Os riscos de mercado normalmente causam prejuízos, pois as oscilações nas cotações internacionais de commodities, ou das taxas de juros, ou inclusive das taxas cambiais, irão afetar a lucratividade da maioria dos Risco de mercado, que está intimamente relacionado a fatores da microeconomia, tais como: oferta e demanda, variaçõesde preço no mercado nacional e internacional e custos de produção. 174 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I produtores. As possíveis soluções para essas situações estão no entendimento dos mecanismos de gerenciamento de risco que existem. A literatura aponta que muitos mecanismos podem existir para proteção dos riscos de mercado no agronegócio. Um dos mais citados no caso de commodities agrícolas é o hedge. André Ricardo Reis Costa. “Gestão de risco de preços e desempenho econômico-fi nanceiro das principais empresas da cadeia produtiva sojicultora brasileira”. A pergunta que o autor se faz é: Qual é a efetividade de se fazer hedge utilizando contratos futuros, e qual é o resultado do desempenho econômico-fi nanceiro dos produtores de soja? Disponível em: <http://tede.ufam.edu.br/handle/ tede/4611?mode=full#preview-link0>. Julia de Oliveira. “Gestão fi nanceira no agronegócio: mercados futuros de commodities como fonte de fi nanciamento e atenuação de riscos”. O objetivo da autora nessa dissertação foi o de analisar o papel do sistema fi nanceiro privado, em especial dos mercados futuros de commodities, em relação à gestão fi nanceira dos empreendimentos do agronegócio brasileiro. Além da importância do tema, a autora faz uma revisão dos principais aspectos do mercado de futuros da Bovespa, incluindo a abordagem de seus principais termos técnicos. Disponível em: <https://repositorio.unisc.br/jspui/ bitstream/11624/1329/1/Julia%20de%20Oliveira.pdf>. E também temos os riscos fi nanceiros, que estão associados principalmente à disponibilidade de crédito e liquidez. Flutuações desfavoráveis nas taxas de juros de custeios e fi nanciamentos, como também a baixa liquidez, podem comprometer o fl uxo de caixa da empresa e tornar mais difícil que ela honre seus compromissos. Para minimizar os riscos fi nanceiros, a empresa pode manter reserva fi nanceira, diversifi car seus investimentos, manter ativos para serem usados em garantia de empréstimos e contratar seguro de crédito. Riscos fi nanceiros, que estão associados principalmente à disponibilidade de crédito e liquidez. 175 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Valcilon Gomes da Silva. “Financiamento privado do agronegócio brasileiro: análise dos investimentos dos fundos de pensão das estatais no setor no período 2004 a 2012”. Nessa dissertação o autor analisa a geração de alternativas diferenciadas de fi nanciamento do agronegócio junto a investidores privados. Um dos resultados apontados pelo autor que chama a atenção é: “A análise das percepções dos gestores dos fundos de pensão estudados permite afi rmar que entre ditos investidores institucionais o agronegócio não constitui um setor atrativo”. Disponível em: <http://repositorio.unb.br/ bitstream/10482/16575/1/2014_ValcilonGomesdaSilva.pdf>. Desirée Lopes e Sarah Lowery. “Crédito Rural no Brasil: Desafi os e oportunidades para a promoção da agropecuária sustentável”. As autoras exploraram o papel do crédito rural na promoção da agricultura sustentável no Brasil. Observaram as tendências dos diferentes tipos de crédito voltados à atividade rural na última década, abordando a criação de linhas de crédito relacionadas à sustentabilidade, taxas de juros e fontes de recursos. Disponível em: <https://goo.gl/66hb6i>. Manual do Crédito Rural do Banco Central. Disponível em: <http://www3.bcb.gov.br/mcr>. Pode-se falar também de riscos institucionais, que estão associados aos riscos legais e regulatórios e podem ser infl uenciados por mudanças nas legislações, políticas fi scais, políticas monetárias, restrições ambientais, subsídios governamentais locais ou internacionais. Normalmente, essas ferramentas de mitigação de risco não estão ao alcance do produtor e são mais dependentes das representações de classe, de cadeias produtivas e das políticas governamentais. Riscos institucionais, que estão associados aos riscos legais e regulatórios e podem ser infl uenciados por mudanças nas legislações, políticas fi scais, políticas monetárias, restrições ambientais, subsídios governamentais locais ou internacionais. 176 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Um estudo interessante sobre riscos no Brasil foi realizado pelo Banco Mundial. Foram identifi cadas as oportunidades e os desafi os da atual gestão de riscos agrícolas. O estudo foi conduzido com especialistas (mais de 100), representantes dos setores público e privado, da academia e de produtores. Além de uma enquete eletrônica de abrangência nacional, foram identifi cados os principais riscos agropecuários e sua importância econômica em âmbito nacional. Além disso, o estudo contempla recomendações para uma gestão integrada de riscos agropecuários no Brasil e também uma proposta de um plano estratégico para maior integração das políticas e programas públicos. Além disso, o estudo contempla recomendações para uma gestão integrada de riscos agropecuários no Brasil e também uma proposta de um plano estratégico para maior integração das políticas e programas públicos. Os riscos nas cadeias de suprimentos. Banco Mundial. Revisão rápida e integrada da gestão de riscos agropecuários no Brasil: Caminhos para uma visão integrada. Disponível em: <https://goo.gl/WoaYWf>. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: <http:// www.agricultura.gov.br/assuntos/riscos-seguro/risco-agropecuario>. Maria Isabel Fernandes Finger e Paulo Dabdab Waquil. “Percepção e medidas de gestão de riscos por produtores de arroz irrigado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul”. O objetivo deste trabalho foi analisar como o orizicultor da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul percebe os riscos da sua atividade e quais medidas adota para geri-los. Disponível em: <https://goo.gl/h9a9EH>. E para fi nalizar a apresentação dos diferentes tipos de riscos, temos os riscos nas cadeias de suprimentos. Rosales, Pizol e Batalha (2016) afi rmam que é uma categoria pouco estudada. Nas palavras dos autores: A maioria dos estudos ligados aos riscos em agronegócio foca no impacto dos riscos em apenas uma empresa ou em empresas de um mesmo segmento. Contudo, riscos relativos às cadeias agroindustriais de suprimentos (CAS) apresentam 177 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 efeitos sistêmicos, e analisar apenas uma fi rma ou segmento sem considerar a interdependência existente entre os elos de uma cadeia torna-se inadequado para compreender a dinâmica dos riscos que incorrem nestas cadeias (ROSALES; PIZOL; BATALHA, 2016, p. 2). CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS EM CADEIAS DE SUPRIMENTOS Os principais riscos em cadeias de suprimentos são: (i) interno à fi rma (risco de processo, falhas nas sequências das atividades desenvolvidas pelas empresas, e risco de controle, não aplicação ou aplicação incorreta de pressupostos, regras e procedimentos que governam uma organização); (ii) externo à fi rma, mas interno à CS (riscos de demanda afetam os fl uxos entre empresa e o mercado e emergem de eventos relacionados com os processos e controles das fi rmas a jusante ou do consumidor fi nal, e riscos de suprimento, referente às perturbações relacionadas aos agentes à montante da empresa focal) e externo à cadeia (alusivo às perturbações externas às CS que podem impactar em uma ou mais empresas, além de interferir negativamente no mercado). Fonte: Rosales, Pizol e Batalha (2016, p. 4-5). a) Mecanismos de Gerenciamento de riscos A relação entre gerenciamento do risco e produtividade foi estudada por Cornaggia (2013) para os produtores americanos. Os resultados do autor demonstram que o gerenciamento do risco adequado está associado a uma maior produtividade e os resultados são economicamente melhores para os produtores rurais. Produtores que possuem mecanismos de gerenciamento de riscos conseguem melhores negociações na hora de contratar crédito rural. Os resultados sugeremque os produtores que possuem hedge são mais propensos a receber acesso ao fi nanciamento, o que permite obter recursos de maior valor que irão servir para fi nanciar investimentos que aumentam a produtividade. Essa não é a totalidade da realidade brasileira, como se pode depreender pelas leituras sugeridas nesta seção. 178 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Felipe Prince Silva. Financiamento da cadeia de grãos no Brasil: o papel das tradings e fornecedores de insumos. Uma análise dos principais mecanismos de fi nanciamento privado da produção agrícola. Aqui são tratados mecanismos de fi nanciamento da produção agrícola diferentes dos produtos de crédito rural disponíveis nos bancos privados e públicos. Trata-se de uma parcela importante de linha de fi nanciamento para grandes commodities. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/286009/1/Silva_ FelipePrince_M.pdf>. Uma revisão dos principais aspectos relacionados com o hedge: Andrea Décourt Savelli. “Proteção contra as oscilações de preço das commodities agrícolas – mecanismos de hedge”. Disponível em: <http://www.convibra.com.br/2009/artigos/251_0.pdf>. Existem diversas medidas que podem ser tomadas pelos gestores para atenuar os efeitos dos riscos colocados na seção anterior. Borges (2010) apresenta alguns desses mecanismos de gerenciamento de riscos na propriedade rural. Quadro 10 - Principais Mecanismos de Gerenciamento de Riscos Comunicação com o pessoal contratado Ênfase nas relações pessoais para assegurar uma boa gestão. Utilização de consultores Para aconselhar sobre problemas na produção e novas tecnologias. Gestão de sistema de informação Manter os dados contábeis e os registros de produção precisos para auxiliar na tomada de decisão. Utilização de contratos Uso de acordos contratuais com corretores ou com fornecedores especifi cando preços, qualidade, quantidade de produtos etc. Manutenção de reservas na alimentação dos animais Uso de reservas para atenuar intempéries como seca ou outras. Gerenciamento de dívidas Refi nanciar o endividamento. Disponibilidade de uma reserva de crédito Para eventos inesperados. Obtenção de informações de mercado Atualizadas e que contribuam para conhecer as expectativas de preços futuros. 179 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 Diversifi cação do empreendimento Produzir mais de um produto. Manutenção da fl exibilidade na produção Ter capacidade de mudar os sistemas de produção, planos de investimentos etc. Distribuição das vendas ao longo do ano Para ter uma média de preço mais alta. Participação em organizações Para pressionar o governo em benefício dos produtores. Diversifi cação das práticas de produção Uso de diversas variedades, uso de diferentes herbicidas etc. Uso de mercados futuros Hedging de preços. Diversifi cação espacial Para diminuir os riscos de perdas. Atividades não agrícolas para outros membros da família Para complementar a renda familiar. Fonte: Adaptado de Borges (2010, p. 38-39). João Augusto Rossi Borges. “Riscos e mecanismos para gerenciá-los: uma análise a partir das percepções dos produtores de commodities agrícolas”. Um resultado que nos chamou a atenção foi: “[...] A primeira contribuição reside no fato de que as percepções sobre riscos e mecanismos para gerenciá-los são individuais, variando de produtor para produtor. Logo, os formuladores de políticas públicas que visem melhorar a gestão de riscos nas unidades de produção de commodities agrícolas devem considerar esse fato, sob pena de, ao não fazê-lo, alijar do processo produtores rurais que não percebem determinado risco ou mecanismo de gerenciamento como relevante”. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/28058/000768596.pdf?sequence=1>. Percebe-se que os mecanismos apresentados por Borges (2010) cobrem praticamente todas as situações que os empresários rurais podem enfrentar. A adoção dessas soluções dependerá tanto do perfi l do gestor rural quanto das pressões internas e externas a que a propriedade está submetida. 180 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I SUSEP – SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – Contém toda a legislação que regulamenta o seguro rural: <http:// www.susep.gov.br/menu/informacoes-ao-publico/planos-e-produtos/ seguros/seguro-rural>. Para diversos dados sobre produtos agrícolas e da pecuária, bem como sobre os preços mínimos praticados no Brasil, acesse: <http://www.conab.gov.br/index.php>. Atividade de Estudos: 1) No texto de Moreira (2009), o autor afi rma que nas empresas do agronegócio a eliminação dos riscos não é desejável, nem possível, pois isso eliminaria a possibilidade de ganhos. Uma análise de risco-retorno seria interessante. Faça uma refl exão sobre esse ponto e procure identifi car quais são os principais argumentos e ver que relação eles têm com a literatura analisada e/ou citada. Em especial, com relação ao processo de decisão, tipos de decisores. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Ao longo dos capítulos temos insistido para que cada um busque suas próprias respostas. Adotamos como premissa para a seleção dos materiais que iriam compor nossa revisão aqueles que trouxessem elementos teóricos e práticos de uma forma interdependente, isto é, que tivessem uma boa revisão teórica e um debate dos 181 GESTÃO DA PRODUÇÃO RURAL NO AGRONEGÓCIO Capítulo 4 resultados capaz de elucidar como é possível realizar análises consistentes a partir de inquietações, dúvidas, ou mesmo problemas operacionais do dia a dia. A cada momento tivemos a intenção de mostrar que uma boa análise nasce de uma boa seleção dos materiais. Claro que essa escolha é arbitrária, mas justifi cada ao longo de nosso caminho. Desde o início da montagem do material pensamos num perfi l amplo de alunos. Imaginamos que teremos produtores rurais com várias formações, engenheiros de todas as formações, economistas, administradores, contadores, profi ssionais ligados à área de propaganda e publicidade. O agronegócio chama a atenção de todas as carreiras, todos podem contribuir com seus conhecimentos. Ninguém aqui deve sentir medo de atuar nessa área. Isso também é outra de nossas premissas: busque integrar os conhecimentos de que já dispõe com o que foi apresentado na disciplina. Lembre-se de que o agronegócio é um espaço de conhecimento multidisciplinar. De nada adiantaria trazermos abordagens puramente descritivas, apresentando numa ordem mais ou menos lógica, para que cada um apenas tivesse como solução decorar tudo o que estávamos dizendo e passar a aplicar de forma mecânica em sua rotina de trabalho. De que serviria tal disciplina? Entendemos que para muito pouco. Esperamos que você tenha muitas dúvidas, que o conteúdo não seja tão óbvio, apesar de ser curricular em muitas áreas. Esperamos que cada elemento de perturbação ao longo dos quatro capítulos faça você pensar. Bons profi ssionais têm dúvidas. Quem tem certezas, ou está perdido, ou ainda nem chegou no “cerne” de seus desafi os. A vida é feita de perguntas. O interessante é construir as pontes que levarão cada um as suas respostas. Lembre-se de que a informação é fonte de diferenciação de bons salários. E consideramos que saber encontrar respostas também. Apenas para deixar bem claro: a partir do que estabelecemos no Capítulo 1 sobre ambiente interno e externo das organizações, procuramos abordar de forma integrada uma estrutura analítica para que seja possível entender em variadas situações o essencial, seja nas relações comerciais, nas reuniões da suaempresa, nos contratos fechados com fornecedores e clientes, com as consultorias, enfi m, com toda gama de situações que você enfrentará. Lembre-se da importância dada nas teorias abordadas para o ambiente interno e externo das empresas, bem como dos relacionamentos entre os diversos agentes nos sistemas agroalimentares. Lembre-se dos desafi os de uma boa gestão estratégica. E também se desafi e a pensar o futuro da sua empresa. 182 GESTÃO DO AGRONEGÓCIO I Cada um desses momentos irá, com o tempo e a prática, provocar em você um conjunto de dúvidas sobre como fazer melhor (efi ciente, efi caz e efetivo), ou seja, você se perguntará: como estabelecer melhores relacionamentos com meu ambiente externo e interno? Como produzir melhor? Como entregar melhor meu produto? Como decidir de forma mais clara? Irá encher seus colegas de perguntas, que alguns irão até evitá-lo pelos corredores, mas nesse momento o conhecimento começará a fazer parte de você, por isso a prática constante é condição necessária e sufi ciente para a evolução de cada um. Insistimos para que procure outros livros nas referências de todos os materiais citados, teses, artigos, que irão auxiliá-lo a avançar nessa jornada. Infelizmente é o momento de nos despedirmos. Procuramos oferecer a você uma abordagem coerente, que se está incompleta, poderá se tornar completa a partir do seu próprio trabalho. Ficaremos felizes, como “facilitadores do conhecimento”, se você puder ter sucesso profi ssional a partir do que transmitimos aqui. Desejamos sucesso e bons estudos a todos e a todas! REFERÊNCIAS ANDRADE, Aurea Lucia Silva; GONTIJO, Carla Matias; FRANÇA, Paula de Barcelos. Gestão do Agronegócio Familiar: Estudo de Caso da Fazenda Paraíso. Revista Brasileira de Gestão e Engenharia| RBGE| ISSN 2237-1664, n. 3, p. 01-19, 2011. Disponível em: <http://periodicos.cesg.edu.br/index.php/ gestaoeengenharia/article/view/17/13>. Acesso em: 23 jul. 2017. BARNARD, Freddie L. et al. Agribusiness management. Routledge, 2016. BATALHA, Mario Otávio. O gerenciamento de riscos na cadeia agroindustrial de frango: a perspectiva dos avicultores da cidade de Ubá, Minas Gerais. 2014. 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