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2 Eduarda Monyk Da Silva Rosana Climaco Julião RESUMO Palavras-chave: 1. INTRODUÇÃO 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3. MATERIAIS E MÉTODOS 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS CURITIBA PR GOV- estratégias criativas ampliam permanência de jovens e adultos em escolas- Curitiba, 19 de 2015. CAMILA CAMILO – Nova escola – 01 de junho de 2012. MARCOS NÓE – Brasil escola THAIS PACIEVITCH – Info escola CONFINTE E A BRASILmec.gov.br – Princípios da educação de jovens e adultos. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6023. Informação e documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro, 2002. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. São Paulo: Ed. Pearson, 2006. FERREIRA, Gonzaga. Redação científica: como entender e escrever com facilidade. São Paulo: Atlas, v. 5, 2011. MÜLLER, Antônio José (Org.). et al. Metodologia científica. Indaial: Uniasselvi, 2013. PEROVANO, Dalton Gean. Manual de metodologia da pesquisa científica. Curitiba: Ed. Intersaberes, 2016. ESTRATÉGIA DE ENSINO NA EJA O presente trabalho trata-se de uma pequena abordagem a cerca das práticas e estratégias de ensino que são utilizadas na Educação de Jovens e Adultos, através das quais é identificado métodos “infantilizados” que interferem no processo de aprendizagem dos educandos. Os educandos por sua vez, apresentam desmotivação por não conseguirem fazer o que lhe é proposto em sala de aula com suas experiências de vida. Não há uma contextualização de forma a proporcionar a esses educandos uma interação entre a sua realidade e o mundo que o cerca. O papel do educador frente à valorização das experiências de vida dos educandos da EJA é de suma importância no processo ensino/aprendizagem. Por tanto o trabalho foi voltado a estratégias para que não fique maçante o ensino desses alunos, estratégias que os motivem a terminar os estudos. EJA, Práticas de ensino, Estratégias de ensino. No Brasil, a educação é um direito constitucional de todos os cidadãos em idade escolar e, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96), mesmo aqueles que não tiveram acesso ou continuidade aos estudos no ensino fundamental e médio, na idade própria, terão esse direito assegurado. Para tanto, os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e adultos as oportunidades educacionais apropriadas considerando as características dos alunos, seus interesses, condições de vida e de trabalho. A educação de jovens e adultos (EJA) se constitui como tema de política educacional pela necessidade de se oferecer educação para jovens e adultos desde a Constituição de 1934. Porém, somente a partir da década de 1950 surgiram iniciativas concretas, juntamente com a preocupação de oferecer os benefícios da escolarização a ampla camada da população, que até então era excluída do convívio escolar (DI PIERRO, 2001). Esta pesquisa tem como objetivo estudar as práticas pedagógicas utilizadas pelos profissionais da EJA tendo como problema: As metodologias de ensino utilizadas pelos professores da EJA tem influenciado de forma positiva ou negativa o processo de ensino aprendizagem? Foram abordadas nessa pesquisa as seguintes questões de estudo: As estratégias e metodologias utilizadas pelos profissionais que atuam na EJA têm influenciado os Jovens e Adultos a permanecerem na escola? Qual a importância de adaptações nas metodologias de ensino para o seguimento de Jovens e Adultos? Providos por tais questionamentos em torno das abordagens utilizadas por profissionais da EJA, podemos refletir sobre a família, os professores e a escola em geral que são a base para que o aprendizado aconteça e precisam ver a importância que eles têm no desenvolvimento desses Jovens e Adultos de perfis diferentes dos alunos do ensino regular. Após algumas leituras de textos e artigos foi possível fazer a seleção de alguns autores que forneceram embasamento teórico a este estudo, a saber: FREIRE (1996), GADOTTI (2005), SOARES (2003), entre outros, dando assim fundamentação teórica que nos serviu de alicerce a para discutir conceitos que envolvam a prática educativa de jovens e adultos. A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino da educação básica nas etapas do ensino fundamental e médio e busca assegurar aos jovens e adultos uma educação que atenda às suas especificidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB de 1996 (Lei nº 9394/96) assinala a Educação de Jovens e Adultos no sistema de ensino nacional organizada da seguinte forma: o primeiro segmento corresponde do 2º ao 5º ano da modalidade regular e o segundo segmento correspondente do 6º ao 9º ano e o ensino médio, abrangendo do 1º ao 3º ano. No artigo 37 dessa Lei nº 9394/96 compreende-se que a educação de jovens e adultos está destinada a atender às pessoas que não tiveram acesso à educação em idade regular, tendo em vista, estimular o jovem ou adulto a prosseguir os estudos e conquistar a profissionalização, possibilitando um resgate de cidadania. Ainda de acordo com o artigo 37, no § 2º, consta que o poder público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares. A Educação de Jovens e Adultos no Brasil teve início com a chegada dos padres Jesuítas, relegando aos indígenas uma prática evangelizadora no período colonial. Os métodos jesuíticos permaneceram até o período pombalino com a expulsão dos jesuítas, neste período, Pombal organizava as escolas de acordo com os interesses do Estado, com a chegada da família Real ao Brasil a educação perdeu o seu foco. No período do Brasil Império (1876) surgem as primeiras preocupações com a questão da escolarização dos adultos, tendo em vista que a lei Saraiva proibia literalmente o voto de analfabetos, e não era para poucas pessoas que o direito a ler e escrever era negado, preocupados com os alarmantes números de analfabetos surgem grupos sociais que se mobilizaram para formar campanhas de alfabetização. Essas mobilizações sociais ganharam mais força nas primeiras décadas do século XX, onde o resultado do censo de 1890 causou vergonha aos intelectuais que constataram que 80% da população brasileira eram analfabetas, era preciso colocar o Brasil entre os países cultos, elevando o nível cultural da nação e isso só seria possível através da educação. Após a proclamação da Independência do Brasil foi outorgada a primeira Constituição brasileira onde no artigo 179 constava que a “instrução primária era gratuita para todos os cidadãos”; ainda assim essa gratuidade não favorecia a classe pobre, pois, tinha dificuldade de acesso à escola, vemos então que a escola era para todos teoricamente, porém, inacessível a quase todos na prática. Segundo Haddad (1997), a Lei nº 9394/96 procura definir a EJA como complementar, pois ainda existe um alto percentual da população que não tem acesso à educação na idade adequada. Por isso, a população precisa recorrer aos programas que diminuem a defasagem por idade ou série. A referida Lei configura a EJA como uma particularidade da educação nas etapas do ensino fundamental e médio, mas sabe-se que, ainda, pode não ser suficiente para assegurar uma educação que atenda às especificidades dos alunos que dela necessitam. Visando ao resgate da cidadania daqueles que pretendem prosseguir nos estudos e conquistar uma profissionalização, a EJA veio para estimular o jovem e/ou adulto trabalhador a encontrar oportunidades de inserção no mercado de trabalho, uma educação construída juntamente com a história da educação no Brasil. O ensino-aprendizagem em EJA está subsidiado por propostas curriculares específicas para esta modalidade que visam oferecer dados para reflexão e contextualização das propostas didático-pedagógicas a serem desenvolvidas por programas e sistemas de ensino (BRASIL, 2000), que atendem a demanda de estudantes com o perfil de EJA (BRASIL, 2006a). Todo processo de ensino-aprendizagem deve ser entendido como uma construçãoque envolve um papel ativo do estudante (BRASIL, 2006b; POZO, 1996), mediado por diferentes aspectos motivacionais e psicossociais e sustentado pelas habilidades cognitivas do aprendiz (SOUZA, 2010). Além disso, para o processo de aprendizagem ser bem sucedido é indispensável que se desenvolva capacidades para estabelecer metas, planejar e monitorar os esforços de aprender, possibilitando ao aluno o próprio direcionamento da aprendizagem escolar (COSTA; BORUCHOVITCH, 2000; VALDÉS, 2003; ZIMMERMAN; BANDURA, 1994). Com isso, especula-se que as ações educativas em EJA devam considerar a realidade dos estudantes, além de promover o desenvolvimento de capacidades ligadas ao planejamento de ações para o estudo e acredita-se que seja possível auxiliar os alunos a refletir sobre seu próprio processo de aprendizagem e desempenhar controle sobre ele. Os educadores da EJA tem o compromisso de ajudar o educando a compreender a complexidade das questões sociais que os cercam. Dessa forma, o profissional da EJA precisa ampliar suas habilidades e competências nos procedimentos, e estratégias para construção dos conhecimentos, bem como ter uma boa relação com os alunos, ampliando as condições favoráveis ao ensino e aprendizagem. Com isso os educadores não podem perder de vista os anseios dos educandos da EJA, que ao buscar uma educação, vê a possibilidade de interagir num mundo capaz de transformar sua vida. Variadas são as expectativas desses educandos da EJA, que ao saírem de suas casas rumo à escola, desejam conhecimentos, mudanças, crescimento e acreditam que o educador tem potencial para ajudá-los a alcançar seus objetivos. Os profissionais da EJA precisam compreender que os alunos da EJA, trazem os saberes da prática, que é a bagagem de conhecimentos que os alunos já trazem da sua convivência social. O aprendizado dos educandos no ambiente escolar, não se restringe aos aspectos formais materializados no currículo institucional ou formal, pois não há neutralidade no processo de ensino e aprendizagem visto que, o processo educacional é complexo e diferente em cada organização de ensino que têm seu próprio currículo oculto a partir de sua contingência (GONÇALVES, 2002). Por mais que não saibam ler e escrever eles tem contatos visuais com revistas, livros, fotos, televisão onde podem também ouvir informações tanto no radio como na televisão, sem contar nas experiências que trazem da família e do trabalho, onde a partir desses conhecimentos eles constroem seus próprios conceitos e ideias sobre algum assunto. A bagagem de conhecimento que os educandos trazem, devem ser considerados pelo professor porque o mesmo trabalhará a partir dessa realidade. Buscam sempre valorizar o conhecimento dos educandos e, isso foi será possível a partir do momento em que darmos liberdade para que os mesmos pudessem se expressar livremente sobre os assuntos em discussão. As estratégias de aprendizagem vêm sendo estudadas como fator determinante para a aprendizagem e prevenção das dificuldades de aprendizagem em diferentes contextos educacionais (BORUCHOVITCH, 1999; COSTA; BORUCHOVITCH, 2000). São concebidas como técnicas ou métodos, procedimentos ou atividades escolhidas e aplicadas pelos estudantes com vistas a adquirir, armazenar e utilizar a informação ou ainda, como procedimentos para realização de atividades escolares que levem a aprendizagem (DA SILVA; DE SÁ, 1997; POZO, 1996). O perfil do professor é muito importante para o progresso e sucesso do educando que tem o educador como um espelho, por isso, o professor precisa ter compromisso com os mesmos e mostrar que uma Educação de Jovens e Adultos significativa e emancipadora é possível sim e é capaz te transformar a vida das pessoas e faze-las serem autoras de sua própria história. Tardif e Lessard (1999), a personalidade do profissional, nas profissões de interação humana, é aderida no processo de trabalho e forma a principal mediação da interação. Soares (2002, p. 8) cita que: No Brasil, o discurso em favor da educação popular é antigo: percebeu mesmo a Proclamação da República. Já em 1882, Rui Barbosa, baseado em exaustivo diagnostico da realidade brasileira da época, denunciava a vergonhosa precariedade do ensino para o povo do Brasil e apresentava propostas de multiplicação de escola de melhoria qualitativa de ensino. Os adolescentes e adultos procuram a escola, inicialmente, motivados pela expectativa de conseguir um emprego melhor, ou então são levados pelo desejo de elevação da autoestima, da independência e da melhoria de sua vida pessoal, como por exemplo, dar bons exemplos aos filhos, ajuda-los em suas tarefas escolares. Em síntese, pode-se inferir que o maior motivo da procura da escola é a necessidade de fixação de sua identidade como ser humano e ser social. (LEMOS, 1999, p. 25). Não é possível respeito aos educandos, à sua dignidade, a seu ser formando-se, a sua identidade fazendo-se, se não se levam-se em consideração às condições em que eles vem existindo, se não se reconhece a importância dos “conhecimentos de experiências feitos” com que chegam a escola. O respeito devido à dignidade do educando não me permite subestimar, pior ainda, zombar do saber que ele traz consigo para a escola (FREIRE, 1996, p. 37). [...] própria realidade dos educandos, o educador conseguirá promover a motivação necessária à aprendizagem, despertando neles interesses e entusiasmos, abrindo-lhes um maior campo para os que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatar sua autoestima, pois a sua ignorância lhes trará ansiedade, angustia e complexo de inferioridade. Esses jovens e adultos são tão capazes como uma criança, exigindo somente mais técnica e metodologia eficientes para esse tipo de modalidade, (GADOTTI, 1996 p.83). Rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, criticidade, ética e estética, corporificar as palavras pelo exemplo, assumir riscos, aceitar o novo, rejeitar qualquer forma de discriminação, reflexão crítica sobre a prática, reconhecimento e assunção da identidade cultural, ter consciência do inacabamento, reconhecer-se como um ser condicionado, respeitar a autonomia do ser educando, bom senso, humildade, tolerância, convicção de que mudar é possível, curiosidade, competência profissional (FREIRE, 1996, p. 14). Perspectiva, Fuck (1994, p. 14-15) diz que: Que a educação seja o processo através do qual o indivíduo toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma. Como? Acreditando no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as consequências de sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizando com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. �De acordo com a visão de Paulo Freire: Em todo homem existe um ímpeto criador. O ímpeto de criar nasce da inconclusão do homem. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de criar. A educação deve ser desinibidora e não restritiva. É necessário darmos oportunidades para que os educadores sejam eles mesmos. (FREIRE 2001, p.32) Foi utilizada a ferramenta de pesquisa pela internet para a realização do trabalho. � INCLUDEPICTURE "https://www.tvriopretoburitis.com.br/wp-content/uploads/2019/07/EJA-905x613.jpg" \* MERGEFORMATINET ��� A imagem escolhida tem o intuito de mostrar que o EJA é para todos a partir dos 18 anos, e que os adultos e idosos podem sim terminar seus estudos. Identifiquei que o papel do professor é muito importante para o ensino do EJA, conhecimento sobre seus alunos e atividades que prendam sua atenção com um “prazer” que eles não pensem em desistir, e como suas vivencias fora da sala pode afetar seus objetivos, cada aluno tem seu modo de aprender, ler e escrever,mas todos com o mesmo objetivo do término daquela etapa, mas tudo com ajuda e conhecimentos do professor para o seu desenvolvimento. No decorrer de toda esta pesquisa, foi possível perceber que, o professor tem um papel muito importante na formação de seus alunos, pois, tem a função de mediador do conhecimento, este precisa utilizar metodologias adequadas à modalidade, possibilitando aos alunos a oportunidade de alcançarem cada vez mais um nível de conhecimento que satisfaçam suas necessidades como indivíduos de uma sociedade marcada pelas desigualdades. Os profissionais da EJA devem aperfeiçoar suas técnicas pedagógicas, utilizar metodologias de ensino que garantam à permanência desses educandos na escola, proporcionando sempre um ensino significativo que os levem a sala de aula até seu meio social. 1 Eduarda Monyk da Silva 2 Rosana Julião Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Pedagogia (1860) – Prática do Módulo II – 19/11/2019