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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS O PAPEL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Acadêmicos¹ Tutor Externo² RESUMO Ao pensarmos na Educação de Jovens e Adultos, inúmeros são os conceitos que surgem em nossa mente, visto que, esta etapa educacional atende um público muito diversificado e o trabalho ali desenvolvido requer uma contextualização maior, implicando em um preparo maior do docente. O papel da Educação de Jovens e Adultos vai além de suprir somente a educação normativa, cumprindo os tópicos pedagógicos abordados nos documentos oficiais da educação brasileira. Ela integra o aluno de maneira que ele possa desenvolver-se socialmente, fazendo uso de suas habilidades pessoais e descobrindo novas formas para o que já conhece do mundo, tendo pensamento crítico e sabendo avaliar os valores da sociedade. A EJA, compreende uma pluralidade cultural ainda maior do que a Educação Básica, uma vez que já temos cidadãos ativos em sociedade, desempenhando seu papel e com grande bagagem de experiência de vida, e estamos formando os futuros cidadãos. Este trabalho, visa compreender a Educação de Jovens e Adultos, o desenvolvimento pessoal do aluno, para além do desenvolvimento pedagógico, englobando a concepção de valores e também olhar crítico para com a sociedade em que se vive,e a experiência de uma professora que trabalhou com o EJA, suas alegrias e dificuldades neste ensino. Palavras-chave: Educação de jovens e adultos. Sociedade. EJA 1. INTRODUÇÃO Acolher os jovens e adultos que procuram uma oportunidade para prosseguir nos estudos já é tradição na EJA. E acolher vai muito além de garantir o acesso, significa assegurar a permanência e o sucesso dos alunos jovens e adultos na escola. Nesse contexto, o professor da EJA desempenha importante papel ao investigar e valorizar os conhecimentos prévios, as experiências de vida do aluno, além de posicionar-se como mediador do processo ensino-aprendizagem, alguém que ensina e também aprende, um professor-aprendiz Pessoas que há anos pararam de estudar por diversos motivos, retornam à sala de aula, sendo por vontade própria, ou por determinação do mercado de trabalho, cada sujeito teve um motivo próprio para parar de estudar, e possui um motivo tão próprio para retornar. Quando retornam, muitos têm muita dificuldade em acompanhar os conteúdos e, em diversos casos, acabam desistindo muito facilmente, sem, ao menos, tentarem entender o que lhes “bloqueia” o aprendizado. Assim, também como prováveis “causas” que os fazem retornar aos estudos, e as diferenças entre o aluno adulto e o jovem, quanto a questões psicológicas, biológicas e culturais. Por fim, segue-se a pesquisa e análise sobre como se dá o tempo de aprendizagem destes alunos, na sala de aula, depois de tempo fora dela. Esse tempo pode ser longo ou curto, assim como a própria idade do sujeito, sua cultura e vida social, sendo assim, em todos os textos foi feita análise segundo uma visão psicopedagógica, para na conclusão fazer uma análise geral da pesquisa descrita e como contribuíram para seu desenvolvimento. A Educação de Jovens e Adultos- EJA tem por finalidade, proporcionar a educação básica aqueles que não tiveram condições de frequentar, por quaisquer motivos, a escola, na idade tida como "correta''. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é um campo de formação pautado na Educação Popular, que traz Paulo Freire como precursor. Sua proposta inovadora diverge de uma simples modalidade de ensino, pois propõe uma educação libertadora onde homens e mulheres são reconhecidos como sujeitos capazes de transformar a realidade social. O objetivo desta pesquisa é compreender os processos de aprendizagem dos alunos adultos da EJA e através desta compreensão apontar caminhos para que ela ocorra. 1Carita Bambila ca_bambi@hotmail.com;Raquel da Silva Sutel raquelsutel23@gmail.com;Valdirene da Silva Paixão valsilvatvbelinha@gmail.com;Terezinha Nadir Cardoso da Silva Comper terezinhanadircardozo@gmail.com 2 Irani Aparecida Seidler Prim, Graduada em Pedagogia pela UDESC;Especialização:Psicopedagogia pela FACVEST DE LAGES, Educação ESPECIAL Inclusiva, Gestão e Tutoria, Gestão, Orientação e Supervisão Escolar, Orientação Educacional e Supervisão Educacional pela UNIASSELVI;Mestranda em Educação UNIVALI Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI -Curso licenciatura Pedagogia (4065) – Prática do Módulo V – 13/07/2022 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 AFINAL,O QUE É O EJA A educação nem sempre acontece de forma regular e igualitária, visto que no contexto social brasileiro, ainda vivenciamos muitas desigualdades. Mesmo que no artigo 205 da Constituição Federal tenhamos a proposta da educação como direito de todos e dever do Estado e da família, nem sempre é dessa forma que se apresenta na prática. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Constituição Federal, 2011). O EJA – Educação de Jovens e Adultos, ou Ensino de Jovens e Adultos vem como um método de correção social, onde possibilita que a criança que não pôde frequentar a escola na devida época, possa retomar os estudos, adquirindo os conhecimentos básicos das disciplinas obrigatórias no ensino básico. Entendemos também que a Educação de Jovens e Adultos trilha a transformação social, visto que educar é um ato em que o indivíduo se insere em sociedade compreendendo o mundo em que vive. A idade mínima para frequentar a EJA é 15 anos para o Ensino Fundamental e 18 anos para o Ensino Médio, isto previsto na LDB. No Art. 22 da LDB nº 9.394/96 nos diz que: Está prevista a Educação de Jovens e Adultos – EJA, classificada como parte integrante da Educação Básica, sendo, portanto, dever do Estado disponibilizar vagas nessa modalidade de ensino aos que não foram escolarizados na idade considerada como correta. Antes, porém, é necessário analisar, mesmo que de forma breve, a história da Educação de Jovens e Adultos (LDB nº 9.394/96). A Educação de jovens e adultos não é apenas um direito para quem não concluiu o ensino básico é mais do que alfabetizar, a EJA é dar às pessoas, independente da idade a oportunidade de desenvolver seu potencial. è tornar mais próximo da realidade da sociedade os valores igualdade e liberdade. 2.2 A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Dados históricos Compreende-se por educação de jovens adultos o processo de alfabetização que inicia-se com alunos maiores de 18 anos, que por algum motivo não tiveram acesso ou não concluíram seus estudos. Uma vez que a educação de jovens e adultos está regulamentada, pela resolução nº01/2000 CNE parecer 11/2000 CNE/MT e pela resolução nº180/2000 CEE/MT onde garante, entre outros, o ensino a todos os cidadãos que não tiveram oportunidade de estudar em idade adequada. [...] A palavra clássica "pedagogia" se aplica à educação de crianças como estabelece a etimologia. De acordo com Jiménez Ortiz, o conceito de Andragogia é um neologismo proposto pela UNESCO em substituição a palavra pedagogia, para designar a ciência da formação dos homens, de maneira que não haja confusão com a educação de crianças, sendo uma educação permanente. (CAZAU, 2001, apud Florentino, 2007, p.06). Porém, para que a Educação de jovens e Adultos que se propõe a preparar o indivíduo para que este possa viver em sociedade, atuando de forma participativa no meio, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho, deve ainda passar por grandes transformações, necessita de mudanças. Sendo assim, a Educação de Jovense Adultos deve, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, buscar a socialização entre práticas pedagógicas e práticas administrativas, a fim de proporcionar de forma satisfatória ao cidadão condições voltadas especificamente para sua alfabetização, buscando não apenas torná-lo letrado, mas contribuindo para que o mesmo, conheça através da alfabetização princípios éticos, morais, deveres e direitos dentro de uma sociedade. O alfabetismo tem o poder de promover o progresso social e individual; seu pressuposto é a crença de que o alfabetismo tem, necessariamente, consequências positivas, e apenas positivas: sendo o uso das habilidades e conhecimentos de leitura e escrita necessária para "funcionar" adequadamente na sociedade, participar ativamente dela e realizar-se pessoalmente, o alfabetismo torna-se responsável pelo desenvolvimento cognitivo e econômico, pela mobilidade social, pelo progresso profissional, pela promoção da cidadania. (SOARES, 2004, p. 35). 2.3 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Já sabemos de alguns motivos comuns que levam as crianças a abandonarem os estudos em idade escolar: dificuldades familiares,mudanças de cidades,baixa autoestima necessidade de ajudar em casa para cuidar dos irmãos ou acompanhar o progenitor na busca do sustento da família e falta de acessibilidade ao ensino, entre tantos outros motivos particulares, somente citando alguns dos principais problemas no sistema brasileiro. Ainda que a criança se desenvolva sem a educação formal, ao conviver com os demais, ela aprende a ser um cidadão ativo na sociedade, compreendendo direitos e deveres, e como se portar perante as diversas situações que a vida nos apresenta, utilizando da criatividade no ato de viver, como cita Parker Enquanto sujeitos, os humanos são definidos como tendo ao menos o potencial de resistirem e manipularem os constrangimentos sociais, e às vezes de utilizar efetivamente forças criativas para inovar e transformar as condições estruturais de sua existência. Em outras palavras, elas são, ao menos potencialmente, agentes, isto é, seres com alguma responsabilidade em moldar as condições sociais de existência (PARKER, 2000). A Educação de Jovens e Adultos, então, permite que o acesso à educação seja realizado mesmo que depois, possibilitando o desenvolvimento intelectual daqueles que não puderam ter acesso na idade escolar certa. A possibilidades e oportunidades de trabalho com melhor renda, o sonho de poder ler uma receita, ou entender o que está no jornal, ler um livro, poder escrever são alguns dos fatores que incentivam àqueles que não frequentaram a escola quando crianças, a buscar a Educação para Jovens e Adultos. Esses jovens e adultos além de se esforçarem para aprender o que não tiveram acesso antes acabam também ensinando uns aos outros , devido a pluralidade cultural presente naquele ambiente escolar, beneficiando a todos ali presente , observando como há diversas possibilidades de se ver algo por um ponto de vista diferente, sempre enriquecendo culturalmente, afinal, conhecer e se reinventar é também aprender, como cita Freire: A educação faz sentido porque as mulheres e homens aprendem que através da aprendizagem podem fazerem-se e refazerem se, porque mulheres e homens são capazes de assumirem a responsabilidade sobre si mesmos como seres capazes de conhecerem (FREIRE, 1981). 2.4 A EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS É importante conhecer o procedimento de evolução da EJA no nosso país, diversas reformulações desta forma de ensino, preliminarmente definida “para o trabalhador”, a qual continua em execução, não diferente como diversas outras modalidades da educação. A partir da colonização portuguesa, foi que teve início a escolarização de pessoas adultas no Brasil. Através de ação dos padres jesuítas com intuito de alfabetizar e catequizar os povos indígenas. Piletti (1988) nos diz que: A realeza e a igreja aliaram-se na conquista do Novo Mundo, para alcançarem de forma mais eficiente seus objetivos: a realeza procurava facilitar o trabalho missionário da igreja, na medida em que esta procurava converter os índios aos costumes da Coroa Portuguesa (PILETTI, 1988, P.165). Os jesuítas usavam a pregação da fé católica e o ofício educativo. Através do trabalho missionário, tentavam “salvar almas”, abrindo acesso à penetração dos colonizadores. No Brasil quando colônia, a educação indígena dos adultos tornou-se insignificante. A dominação das técnicas de escrita e leitura não se fez primordial para os integrantes da sociedade colonial, entretanto, não se preocuparam em ampliar a educação em todos os níveis sociais. Em 1988 quando aconteceu a vinda da família real ao Brasil, houve mudanças referente ao cenário da educação brasileira. Tornou-se precisa a composição de um sistema educacional da aristocracia portuguesa, os quais tinham como objetivo organizar equipes para ocuparem novos cargos técnicos e burocráticos.Diante o exposto surge então à primeira escola noturna em 1854 a partir de 1876 já podemos contar com 117 escolas em todo o território brasileiro, como nas províncias do Pará e do Maranhão, os quais já possuíam escolas de educação formal. Com a Revolução de 1930, ocorreram mudanças políticas e econômicas no país, um grande aumento da urbanização e industrialização, e passou a se exigir uma escolarização maior da população, principalmente em se tratando de adolescentes e adultos, para os trabalhos, precisavam de conhecimentos. A partir dos anos 40 surgiram diversas ações políticas e pedagógicas, a exemplo: o Fundo Nacional de Ensino Primário- FNEP; o INEP- Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, estimulando e realizando estudos na área; como também o surgimento de ações direcionado ao ensino supletivo; aparece também a CEAA – Campanha de Educação de Adolescentes, estudo esse que se preocupou com a preparação do material didático para essa clientela. Tivemos o I Congresso Nacional de Educação de Adultos, e o Seminário Interamericano de Educação de Adultos, ambos na década de 1940, nortearam importantes referências para a EJA. Veio então o II Congresso Nacional de Educação de Adultos que marcou grandes acontecimentos na área, nesse contexto surge a presença de Paulo Freire que, liderou uma pequena classe de educadores do Estado de Pernambuco, onde propunha e defendia a educação para adultos incentivando a decisão, a colaboração, a ação e a política e social. Em 1947 a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), solicitou um Plano de Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos o qual foi aprovado. Paulo Freire começou a ser estruturado em 1960, especificamente em 1962. Esse pensamento parte de uma interpretação crítica do mundo, fornecido através da teórica-metodológica em uma concepção autêntica, onde propõe que a alfabetização de adultos deve surgir com base onde o educando está inserido numa realidade em que vive, e que possa participar de sua transformação segundo Freire (1996) em suas palavras afirma que: Ensinar exige respeito aos “saberes dos educandos” de forma que educadores e escolas devam não somente respeitar os saberes trazidos pelas classes populares, os quais foram construídos socialmente na prática comunitária, mas também buscar o estabelecimento das razões de ser desses saberes com os conteúdos pela escola trabalhados (FREIRE, 1996, p.33) Em 1.967 foi lançado o Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização, que, no início visava atender analfabetos de 15 a 30 anos, objetivando o termo de “alfabetização funcional”, ou seja, tinha como foco ensinar a ler e a escrever. Para Bello: O projeto MOBRAL permite compreender bem essa fase ditatorial por que passou o país. A proposta de educação era toda baseada aos interesses políticos vigentes na época. Por ter de repassar o sentimento de bom comportamento para o povo e justificar os atos da ditadura, esta instituiçãoestendeu sobre seus braços a uma boa parte das populações carentes, através de seus diversos programas. (BELLO, 1993, p.38) Na década de 70 o Mobral se expandiu, e em 1.985 teve seu fim, dando lugar à Fundação Educar, que tinha como objetivo apoiar técnica e financeiramente as iniciativas de alfabetização existentes. Com a promulgação da Constituição de 1.988, o Estado amplia o seu dever com a Educação de Jovens e Adultos. De acordo com o artigo 208 da Constituição de 1.988 “O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de: ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. É então na década de 90 que a Educação de Jovens e Adultos consegue estabelecer uma nova política, onde ganha novos métodos para trabalhar com criatividade, e essas pessoas tenham uma nova oportunidade de inserir-se na educação e, assim permanecendo, venham a ganhar cultura, conhecimento e incluírem-se no mercado de trabalho. Anos após, já nos anos 2000, a federação cria a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, alinhada com o Programa Brasil Alfabetizado, o Projeto Escola de Fábrica, o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio para Jovens Adultos (PROEJA) e o PROJOVEM. É somente no ano de 2007 que o Ministério da Educação cria o FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), de forma a facilitar o acesso à recursos financeiros para a melhoria do ensino brasileiro, tornando- o possivelmente mais igualitário. O programa foi criado por um decreto n. 6093 de 24 de abril de 2007, e seu objetivo era universalização da alfabetização de jovens e adultos , a partir dos 15 anos ou mais. É nítido verificar e perceber que a EJA pretende formar pessoas com conhecimentos igualitários e fazer com que a educação seja valorizada. Mas, no meio de tantas dificuldades, verifica-se que os problemas para efetivar a Educação de Jovens e Adultos com qualidade, estão mais relacionados aos métodos e incluem os problemas de qualificação de professores, a carência de materiais adequados e tantas outras coisas que fazem com que aqueles que realmente necessitam, acabam não conseguindo acompanhar os estudos. 2.5 QUAL O PAPEL DO EDUCADOR DO EJA Por se tratar de um modo de ensino diferente da educação regular básica, a Educação de Jovens e Adultos atende a diversos níveis de alunos, com vivências diferentes. Podemos pensar: “mas no ensino básico regular também não temos alunos com tempos de aprendizagem diferentes?” Ainda que a resposta seja positiva, a concepção de indivíduo, de ser ativo na sociedade entre crianças é similar em certo grau, possibilitando o desenvolvimento pessoal e socioemocional em um ritmo mais brando, diferentemente do que acontece com a Educação de Jovens e Adultos, visto que os alunos já possuem grande bagagem de experiência de vida e também motivações diferentes para buscar a continuação dos seus estudos. Muitos alunos chegam no EJA se sentindo fracassados e incapazes, e os professores precisam trabalhar a autoestima deles também, por isso o projeto EJA é tão importante, afinal é ele que mostrará aos alunos que não é vergonha ter parado de estudar, mas sim, motivo de muito orgulho estar buscando meios de recuperar o tempo perdido. Esse fator, exige do professor certo “jogo de cintura”. O professor, primeiramente, precisa reconhecer o esforço do aluno em continuar a sua jornada em busca da educação, bem como valorizar o tempo disposto pelo aluno para estudar. Muitos alunos da Educação de Jovens e Adultos tomam conta de suas famílias e possuem uma rotina de trabalho, dedicando uma parcela pequena de seu tempo aos estudos, mas ainda assim, dedicando-se de forma singular para tal.Por isso, é muito importante que o educador consiga ajudar os estudantes a identificar a utilidade e o valor dos estudos, usando atividades relacionadas ao cotidiano dessas pessoas, buscando produzir aulas dinâmicas e pensando em maneiras de expandir os horizontes. 3. MATERIAIS E MÉTODOS Desde que começamos a pesquisar sobre esse tema, fomos atrás de fontes confiáveis para contar um pouquinho de sua experiência com a EJA. Conversamos brevemente com a professora Lilian Mafra, que foi professora na EJA, e hoje trabalha ainda na EJA mais em outra função. Ela vai nos contar um pouquinho da sua experiência como professora. Meu primeiro contato com a Educação de Jovens e Adultos foi em 2008, como professora da Rede Pública Municipal de Ensino de Brusque. Embora fosse o meu 9º ano atuando no Magistério, conhecia pouquíssimo sobre esta modalidade da Educação Básica. Durante o dia ocupava o cargo efetivo de Assistente Técnica Pedagógica na rede estadual; e à noite, o cargo de professora admitida em caráter temporário na EJA da rede municipal. Os três anos de trabalho como professora na EJA municipal me possibilitaram conhecer um pouco sobre estes sujeitos. Meus alunos do Ensino Fundamental eram homens e mulheres, jovens (a partir de 15 anos de idade), adultos e até idosos. Alguns nunca tinham frequentado a escola; outros tiveram acesso mas não concluíram. Os motivos de não frequentar ou interromper os estudos eram os mais variados:distância casa-escola, trabalho, gravidez, seguidas reprovações, entre outros. A maioria estava retornando aos bancos escolares por exigência do mercado de trabalho, em busca da tão sonhada certificação. Em 2011, a pedido e por motivos pessoais, fui removida para o CEJA – Centro de Educação de Jovens e Adultos de Brusque, escola da Rede Pública Estadual de Santa Catarina. Ocupando o cargo de Assistente Técnica Pedagógica - ATP, agora na EJA, precisei estudar e aprofundar meus conhecimentos sobre a modalidade. Uma escola “diferente” implica num fazer pedagógico “diferente”. Nesse caminho, vale refletir sobre o ser docente na Educação de Jovens e Adultos: quais conhecimentos são necessários para ser professor nesta modalidade? Em seu artigo “Formar educadoras e educadores de jovens e adultos”, Arroyo (2006) afirma que, por se tratar de uma modalidade reconhecida recentemente, a EJA ainda não dispõe de um perfil docente definido. Porém, mesmo tratando-se de uma identidade em processo de construção, o autor sinaliza uma direção. Primeiramente, é fundamental que este professor busque conhecer a trajetória da Educação de Jovens e Adultos bem como a atual situação dela no Brasil. É preciso compreender que esta modalidade se vincula aos movimentos de emancipação de jovens e adultos trabalhadores, dos excluídos e oprimidos. Arroyo (2006) também destaca a necessidade do professor conhecer quem são os alunos jovens e adultos desta modalidade de ensino, suas especificidades, seus percursos formativos acidentados (por qual motivo não estudou ou parou de estudar?) e seus projetos de vida (qual o motivo o trouxe de volta à escola?). Não podemos perceber o aluno da EJA como o “sujeito da falta”, “o que faltou o aluno aprender?”. O papel da EJA não é somente repor conhecimento, mas sim dialogar com o conhecimento que o sujeito traz consigo. Daí a importância de investigar o que o aluno já sabe, quais são os seus projetos de vida e quais saberes escolares suprirão suas necessidades. Acolher os jovens e adultos que procuram uma oportunidade para prosseguir nos estudos já é tradição na EJA. E acolher vai muito além de garantir o acesso, significa assegurar a permanência e o sucesso dos alunos jovens e adultos na escola. Nesse contexto, o professor da EJA desempenha importante papel ao investigar e valorizar os conhecimentos prévios, as experiências de vida do aluno, além de posicionar-se como mediador do processo ensino-aprendizagem, alguém que ensina e também aprende, um professor-aprendiz. Reconhecer as especificidades da EJA significa afirmar a necessidade de um docente com formação para esta modalidade. Sabemos que a formação inicial não atende as especificidades e a formação continuada pode ser o caminho para suprir as carências. Nesta direção, umasdas minhas funções como ATP é a formação continuada de professores em serviço, pois não basta saber “História”, “Geografia” ou qualquer outro componente curricular para ser docente na EJA. É preciso ser “plural”, “tocar” o outro, deixar-se “tocar”, é preciso viver e aprender na EJA continuamente, um processo que nunca se finda, Liliam Mafra Assistente Técnica Pedagógica CEJA de Brusque. Apesar da motivação inicial para voltar a estudar do aluno, o professor também funciona como peça-chave nesta dinâmica, sendo um agente motivacional na jornada educativa do aluno,na vida adulta, vários contratempos podem surgir, fazendo com que novamente possa surgir o abandono dos estudos pelas necessidades impostas pela sociedade – como enfrentar o mundo de trabalho, cuidar da família ou buscar sustento, e por isso, a ação do professor demanda planejamento e compreensão de quem são seus alunos, fortalecendo vínculo aluno professor, em uma relação de empatia e motivação mútua e diária. Assim o educador do EJA deve vencer o desafio de despertar em seus alunos uma motivação para seguir em frente , assim o EJA se torna um ato político, visto que a vontade de aprender é muitas vezes motivada pela busca por melhores condições de trabalho, para melhorar financeiramente a vida da família .Mais do que apenas conseguir um certificado que lhe permita novas possibilidades e até prestar uma faculdade, a educação por meio do EJA é uma maneira significativa de modificar vidas. Afinal, é por meio dela que as pessoas conseguem ter um olhar mais crítico do mundo e da sociedade, definir o seu papel como cidadão e fazer a sua voz ser ouvida. Sem isso ,dificilmente a educação conseguirá modificar as realidades nas quais esses indivíduos estão inseridos. Figura 1– Primeira escola EJA de Brusque no ano 13-09-2003 Fonte: EJA de Brusque completa 15 anos de ensino de jovens e adultos - Link: omunicipio.com.br Acesso: 15/05/22 Figura 2- Educando Jovens e Adultos Fonte: A EJA não tem lugar no MEC atualmente”, afirma Sonia Couto Link: deolhonosplanos.org.br Acesso: 15/05/22 Figura 3- A primeira escola noturna no Brasil 1854 Fonte: Linha do Tempo da EJA (Educação de Jovens e Adultos) no Brasil. Link: timetoast.com Acesso: 15/05/22 - Surgiu a primeira escola noturna no Brasil cujo intuito era alfabetizar os trabalhadores analfabetos. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES O ensinar e a aprender envolvem um processo coletivo de troca de experiências e ideias. A educação de Jovens e Adultos é um programa que demonstra não só na teoria mas também na prática que é possível mudar os rumos sociais do nosso país através da educação, proporcionando aos jovens e adultos a alfabetização consciente, sendo esta, a formação para transformação do cidadão em seu exercício social. Sabemos que nesta fase em que os alunos frequentam a EJA é um pouco mais difícil pois alguns já possuem família trabalho, e conciliar tudo isso com os estudos nem sempre é fácil, por isso tão importante o papel do professor será neste momento, para ajudar os estudantes a não desistirem e conseguir realizar o tão sonhado diploma. Dentre outras coisas a escola oferece estrutura pedagógica, psicológica bem como apoio emocional, pois o carinho, afeto entre aluno/professor perpassa os portões da escola. Cabe ressaltar que há dificuldades, porém asseguramos que toda equipe escolar trabalha e empenha-se para não sanar, ao menos suavizá-las. Observamos que o aluno da EJA precisa de um planejamento diferenciado e condizente com sua realidade cotidiana, mas, necessitam de incentivo, carinho e respeito, para que possa deixar de ser mero expectador e passe a ser autor de sua própria história. Enfim, consideramos que escola, família, comunidade, sociedade, bem como o Poder Público são co-responsáveis pela formação educacional de jovens e adultos. Acredita-se que a evasão escolar constitui uma negação desta formação. Dessa maneira necessita-se buscar todos os meios e todas as ferramentas possíveis, a fim, de sanar esses problemas e garantir a todos o princípio da igualdade. 5. CONCLUSÃO O presente estudo possibilitou refletir sobre o ensino de EJA, a sua prática educativa, considerando a metodologia do educador Paulo Freire. Cabe ao educador dessa modalidade de ensino refletir sua prática pedagógica, além da compreensão de ser esse um processo de grande responsabilidade social e educacional, onde o docente é o mediador do conhecimento. No sentido de avançar no conhecimento, possibilitando novas aprendizagens. Enfim, consideramos que escola, família, comunidade, sociedade, bem como o Poder Público são co-responsáveis pela formação educacional de jovens e adultos. Acredita-se que a evasão escolar constitui uma negação desta formação. Dessa maneira necessita-se buscar todos os meios e todas as ferramentas possíveis, a fim, de sanar esses problemas e garantir a todos o princípio da igualdade. REFERÊNCIA ARROYO, Miguel Gonzalez. Juventude, produção cultural e Educação de Jovens e Adultos. In: Leôncio (org.) Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. BELLO, J. L. D. P. Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL): História da Educação no Brasil. Período do Regime militar. Vitória: Pedagogia em foco, 1993. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2011. FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa .26 ed. São Paulo: Paz e Terra,1996. PARKER, John. Structuration, Buckingham, Open University Press, 2000. PILETTI, N. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática, 1988. PILETTI. Claudino. Filosofia da Educação. São Paulo. Ática,1997 SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento: 2 ed. São Paulo: Contexto 2004.