Prévia do material em texto
2 INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA Figura 1.1 – fonte: www.google.com.br/imagens DEFINIÇÃO A definição da incontinência urinária parece fácil: mulheres com perda de urina devem ser “incontinentes”. Recentemente a International Continence Society (Sociedade Internacional de Continência), uma organização encarregada de definir os vários transtornos de disfunção do assoalho pélvico, definiu incontinência como “a queixa de qualquer perda involuntária de urina”. Infelizmente, essa definição não leva em conta grande variação desse sintoma e a perturbação que causa. Por exemplo, metade das mulheres nulíparas jovens relatam pequena perda de urina ocasional; para a maioria delas, isso não causa incômodo e não é um sintoma que as levaria a procurar um tratamento. No outro extremo, 5 a 10% das mulheres adultas têm grandes perdas diárias. Com frequência, a vida dessas mulheres sofre grandes perturbações em virtude da perda de urina, que impede atividades, passeios e relacionamentos íntimos. Muitas sofrem forte redução da auto-estima. Entre esses dois extremos, está um terço das mulheres adultas que relatam perda de urina pelo menos uma vez por semana, porém sem o mesmo grau de perturbação. Em conjunto, essas mulheres representam um custo substancial. Nos Estados Unidos, o custo anual total do tratamento de pacientes com incontinência nos é estimado em 11,2 bilhões de dólares na comunidade, e 5,2 bilhões de dólares em asilos. Naquele país grande parte desse valor é custeada diretamente pelas mulheres, na forma de absorventes para incontinência e altos gastos com lavanderia. Apesar do ônus causa pela incontinência, muitas mulheres não discutem o sintoma com um profissional de saúde. No caso de algumas, é porque 3 a incontinência não as incomoda, enquanto outras se sentem constrangidas e sofrem em silêncio. Outras ainda não levantam a questão porque acreditam erradamente que a única opção de tratamento é a cirurgia. Assim, é dever do profissional perguntar sobre a incontinência. Estudos mostraram que há pequena relação entre o volume de urina perdido e o sofrimento da paciente. O grau de perturbação de cada mulher pela incontinência urinária é influenciado por diversos fatores, que abrangem valores culturais e expectativas acerca de continência e incontinência. Se a incontinência perturbar a paciente, devem ser oferecidos avaliação e tratamento. A incontinência quase sempre pode ser avaliada e muitas vezes curada, frequentemente com intervenções não-cirúrgicas e relativamente simples. AVALIAÇÃO INICIAL A avaliação inicial na maioria das pacientes com incontinência requer abordagem sistemática para considerar as possíveis causas. A avaliação básica deve constar de: uma anamnese (inclusive avaliação da qualidade de vida e do grau de incômodo pelos sintomas), exame físico e exames simples de atenção primária. Na maioria das mulheres, o tratamento não-cirúrgico pode ser iniciado após essa avaliação básica. EXAMES SIMPLES (ATENÇÃO PRIMÁRIA) É importante perceber que os exames urodinâmicos formais não são únicos, nem os mais importantes exames da função vesical. Outros exames simples e facilmente realizáveis fornecem informações úteis para guiar o tratamento da paciente. Os exames podem ser de Urina, Resíduo Pós-miccional, Teste de Esforço com Tosse, Teste do Absorvente, exames mais avançados como Estudos Urodinâmicos, Urofluxometria, Cistometria de Enchimento e Exames da Função Uretral. DIÁRIO MICCIONAL Um quadro que registre a frequência/volume vesical (muitas vezes chamado de “diário vesical”) tem valor inestimável na avaliação de pacientes com incontinência urinária. Trata-se de atividades específicas associadas à perda de urina. Se desejado, a paciente também pode ser instruída a manter um registro da ingestão de líquido. Embora o tipo de ingestão possa orientar as sugestões sobre tratamento, 4 na maioria dos casos o volume pode ser estimado com alguma precisão a partir da quantidade de urina produzida. Figura 1.2 – Modelo de Diário Miccional. Fonte: www.google.com.br/imagens CLASSIFICAÇÃO E DEFINIÇÃO DOS SINTOMAS URINÁRIOS INFERIORES NAS MULHERES I. ARMAZENAMENTO ANORMAL Incontinência (sintoma) – Queixa de qualquer perda involuntária de urina. Incontinência urinária de esforço (sinal) – Observação de perda involuntária de urina da uretra, que ocorre durante exercício/esforço, ou ao espirrar ou tossir. Incontinência urinária de urgência (sintoma) – Queixa de perda involuntária de urina acompanhada, ou imediatamente precedida por urgência. 5 Incontinência Mista – Queixas de incontinência de esforço e urgência. Incontinência urinária contínua – Queixa de perda contínua de urina. Frequência – Número de micções por dia, desde o despertar, pela manhã, até o adormecer, à noite. Aumento da frequência diurna – Queixa da paciente de que urina muitas vezes. Noctúria – Queixa de acordar uma ou mais vezes à noite para urinar (cada micção é precedida e seguida por sono) Enurese noturna – Queixa de perda de urina durante o sono. Incontinência extra-uretral – Observação de perda de urina através de outros canais além da uretra. Incontinência não classificada – Observação de perda involuntária de urina que não pode ser classificada em uma das categorias acima, de acordo com os sinais e sintomas. Síndrome da bexiga hiperativa (SBH), síndrome de urgência, síndrome de urgência-frequência – Podem ser todos usados para descrever urgência, com ou sem incontinência de urgência, em geral com polaciúria e noctúria. II. ESVAZIAMENTO ANORMAL Hesitação – Dificuldade para iniciar a micção. Esforço para urinar – Micção acompanhada por esforço abdominal. Jato fraco – Diminuição da força do jato urinário. Jato intermitente – Padrão de micção com interrupção e reinício. Esvaziamento incompleto – Sensação persistente de repleção vesical após a micção. Gotejamento pós-miccional – Perda de urina logo após o fim da micção normal. Retenção urinária aguda – Incapacidade súbita de urinar, resultando em hiperdistênsão vesical dolorosa e necessidade de cateterização para obter alívio. 6 TIPOS DE DISTÚRBIOS INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO A incontinência urinária de esforço ocorre durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal (p. ex., em espirros, tosse ou exercício) quando a pressão intravesical supera a pressão que o mecanismo de fechamento uretral pode suportar. É a forma mais habitual de incontinência urinária em mulheres e bastante comum nas jovens. É mais provável que seja notada por mulheres ativas. Em um estudo de 144 atletas universitárias, 27% queixaram-se de incontinência de esforço durante a prática de esportes. As atividades mais associadas à perda de urina eram o salto, a aterrissagem de alto impacto e a corrida. É uma “doença” interessante, pois os mesmos sintomas têm efeitos variados em diferentes mulheres. A melhor forma de avaliar esse distúrbio é por meio de um modelo biocomportamental que examina a interação de três variáveis: (i) a força biológica do mecanismo esfincteriano, (ii) o nível de estresse físico imposto ao mecanismo de fechamento e (iii) as expectativas da mulher em relação ao controle urinário. Esse modelo explica a enorme variação existente entre os sintomas, o grau de perda de urina demonstrável e a resposta da paciente à incontinência de esforço. INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA E BEXIGA HIPERATIVA A incontinência de urgência é a forma mais frequente em idosas. Essa incontinência é a perda de involuntária de urina acompanhada, ou imediatamente precedida, por urgência. Este é um diagnóstico baseado em sintomas e pode ou não ser causado por hiperatividade do detrusor, que é uma observação urodinâmica caracterizada por contrações involuntárias do detrusor durante a fase de enchimento. As mulheres também podem apresentar problemas relacionados, como urgência, noctúria e aumento da frequência diurna. A definição noctúria é quantificável: a mulher desperta uma ou mais vezes durante a noite para urinar.Outros sintomas são mais subjetivos. O aumento da frequência diurna ocorre quando a paciente considera que urina muitas vezes. Urgência é o desejo irresistível e súbito de urinar, cujo controle é difícil. A maioria das mulheres já sentiu esses sintomas em momentos de adiamento voluntário da micção ou aumento do consumo de líquidos. No entanto, a urgência é mais do que a simples sensação que todas sentem quando adiam voluntariamente a micção por um tempo além do razoável. Quando a mulher procura tratamento, 7 costuma descrever uma necessidade impertinente, incômoda e persistente de urinar, que desvia a atenção de outras atividades. Com frequência, a queixa da maior frequência diurna se dá quando a paciente apresenta uma alteração do próprio padrão miccional. Existem pouquíssima informação sobre o que é “normal” em termos de frequência miccional. A bexiga hiperativa (BH) costuma ser definida em estudos de agentes farmacológicos como mais de oito micções em 24 horas, uma definição baseada no 95º percentil de micções em uma pequena amostra de mulheres escandinavas. Dados mais recentes de uma amostra maior, de mulheres norte-americanas, sugerem que o número médio diário de micções é oito, e que 95% das mulheres consideradas normais urinam 12 vezes ou menos por dia. O termo síndrome de bexiga hiperativa também descreve mulheres com sintomas de urgência, polaciúria e incontinência de urgência. É chamada bexiga hiperativa sem incontinência quando as mulheres com esses sintomas não têm perda de urina, e bexiga hiperativa com incontinência quando está associada à perda de urina. É importante notar que uma mulher com urgência grave e sensação de incontinência iminente sem perda de urina pode ter exatamente a mesma doença que uma mulher com urgência grave e incontinência concomitante. Uma mulher com forte esfíncter uretral pode conseguir evitar a perda de urina durante contrações vesicais não inibidas, enquanto outra com esfíncter forte pode não perder urina, mas ser perturbada pela urgência e sensação iminente de incontinência. INCONTINÊNCIA MISTA Como o nome indica, as mulheres com incontinência mista têm sintomas de incontinência urinária de esforço e de urgência. É mais provável que as mulheres jovens tenham apenas incontinência de esforço, enquanto nas idosas predominam a incontinência mista e a de urgência. Em uma revisão de 15 estudos populacionais de mulheres em todas as idades com incontinência urinária, em média 49% (variação de 24-75%) tinham incontinência urinária de esforço: 21% (variação de 7-49%), incontinência urinária de urgência: e 29% (variação de 11-61%), incontinência urinária mista. INCONTINÊNCIA FUNCIONAL E TRANSITÓRIA A incontinência funcional é mais comum em mulheres idosas e refere-se à incontinência que ocorre devido a fatores não relacionados ao mecanismo miccional fisiológico. Uma mulher que não consegue chegar rápido ao banheiro 8 pode muitas vezes torna-se incontinente. A incontinência funcional possivelmente está relacionada a fatores como diminuição da mobilidade, dor musculoesquelética ou visão inadequada. Os fatores que causam incontinência urinária transitória são, como indica o nome, distúrbios clinicamente reversíveis. Um mnemônico útil para ajudar a lembrar deles é DIAPPERS (diaper, fralda). Esses fatores justificam uma avaliação médica completa como parte do exame de qualquer paciente com incontinência urinária. INCONTINÊNCIA EXTRA-URETRAL Embora a maioria dos casos de incontinência urinária represente perda de urina indesejada através da uretra (incontinência transuretral), também pode haver perda de urina por aberturas anormais. Essas aberturas podem ser criadas por causas congênitas ou por alguma forma de traumatismo. As causas congênitas de incontinência de esforço não são comuns e geralmente é fácil diagnosticá-las. Os casos mais extremos são causados por extrofia vesical, nos quais há ausência congênita da parede ântero-inferior do abdome e da porção anterior da bexiga, resultando na abertura de toda bexiga diretamente para p exterior. Esses casos são diagnosticados ao nascimento. Antes do advento da cirurgia de reconstrução moderna, os lactantes com essa condição costumavam morrer muito cedo por sepse. O ureter ectópico, uma anomalia congênita sutil que causa perda urinária extrauretral, geralmente é detectado no início da vida, mas algumas vezes pode escapar à detecção até a adolescência ou no início da vida adulta. Na lactância, deve-se suspeitar de ureter ectópico quando uma mãe busca tratamento para sua filha que, segundo ela, nunca está seca. Normalmente, os lactantes têm períodos secos interpostos com períodos molhados. Na maioria das vezes, o ureter ectópico drena para a vagina, mas em algumas ocasiões, pode drenar para a uretra distal ao ponto de continência. Esse distúrbio é diagnosticado por urografia excretora. Uma abertura traumática entre as vias urinárias e o exterior é denominada fístula. As fístulas vesicovaginais, situadas entre a bexiga e a uretra, são mais comuns, porém também existem fístulas entre a vagina, o útero ou o intestino, e a uretra, ureter ou bexiga. Em todo o mundo, a causa mais comum de fístulas vesicovaginais é a obstrução ao trabalho de parto. Isso também ocorria no mundo ocidental há 150 anos, mas avanços na prestação de serviços obstétricos básicos e a intervenção obstétrica avançada praticamente eliminaram esse problema nos países desenvolvidos. Os restantes não foram felizes. A obstrução ao trabalho de parto é frequente em áreas rurais, onde as meninas se casam jovens (algumas vezes com apenas 9 ou 10 anos de idade) e onde o transporte é precário e o acesso aos serviços médicos, limitados. Nessas circunstâncias, a gravidez costuma ocorrer logo após o início da menstruação e antes de concluído o crescimento ósseo materno. 9 TRATAMENTO NÃO-CIRÚRGICO O tratamento da incontinência urinária pode ser clínico ou cirúrgico. A conduta para o tratamento baseia-se nos achados clínicos e no grau de desconforto da paciente, que deve ser completamente informada sobre os riscos e o resultado esperado. ALTERAÇÕES NO ESTILO DE VIDA As intervenções no estilo de vida propiciam reduzir a incontinência urinária de esforço em muitas pacientes. O emagrecimento em mulheres com obesidade mórbida e moderada diminui a perda de urina, e estão sendo investigadas formas de incorporar essa intervenção a um plano de tratamento. Alterações posturais (como cruzar as pernas durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal) costumam evitar a incontinência urinária de esforço. Há algumas evidências de que a redução do consumo de cafeína melhora a incontinência: no entanto, o consumo de líquidos geralmente parece ter um pequeno papel na patogenia da incontinência. Embora tabagistas corram maior risco de incontinência, não foram descritos dados sobre a resolução da incontinência com o abandono do hábito de fumar. FISIOTERAPIA Evidências médicas de ensaios clínicos randomizados bem delineados mostram que o treinamento supervisionado da musculatura do assoalho pélvico (exercícios de Kegel) é um tratamento eficaz para a incontinência urinária de esforço. O Cochrane Incontinence Group concluiu que o treinamento muscular do assoalho pélvico é muito melhor que a falta de tratamento com placebo para incontinência de esforço e deve ser oferecido como tratamento conservador de primeira linha às mulheres. Sessões de treinamento intensivas, que incluem contato pessoal com um profissional de saúde para ensinar e supervisionar o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, podem ser mais benéficas que o tratamento padrão. O biofeedback não oferece benefício adicional em relação ao treinamento da musculatura do assoalho pélvico em mulheres com incontinência urinária de esforço. Vários fatores aumentam a probabilidade de que o treinamento da musculatura pélvica alivie a incontinência urinária de esforço. A mulher deve realizar os exercícios de forma correta,regular e com duração adequada. Com base nos exercícios dos músculos esqueléticos em outras partes do corpo, muitos fisioterapeutas recomendam sessões de treinamento três a quatro vezes por semana, com três repetições de oito a dez contrações de cada vez. 10 A terapia de estimulação elétrica foi usada no tratamento da incontinência por meio de administração de baixos níveis de correte, através de uma sonda colocada na vagina ou no reto. Quando comparada a dispositivos falsos e a exercícios do assoalho pélvico, a eletroestimulação produziu resultados mistos no tratamento da incontinência urinária de esforço, mas pode ser mais útil em mulheres com bexiga hiperativa. São necessárias outras pesquisas para determinar que lugar tem esse tratamento em paciente com incontinência urinária. TERAPIA COMPORTAMENTAL E TREINAMENTO VESICAL O treinamento vesical baseia-se na modificação da função vesical por meio de alteração dos hábitos miccionais. A terapia comportamental concentra-se em melhorar o controle voluntário, e não a função vesical. O principal componente do treinamento vesical é a micção programada. Após avaliação do diário miccional da paciente, é escolhido um intervalo inicial entre as micções que represente o maior período confortável. Então, ela é instruída a esvaziar a bexiga ao acordar, e depois seguindo os intervalos programados durante o dia (por exemplo, a cada 30 a 60 minutos). Quando as pacientes sentem urgência durante o período, são instruídas a usar estratégias de supressão da urgência, como técnicas de distração ou relaxamento, até o horário programado. As estratégias efetivas de distração abrangem exercícios mentais (como problemas matemáticos), respiração profunda ou “cantar” uma música silenciosamente. O principal objetivo é evitar a corrida para o banheiro no momento da urgência. Outra estratégia é contrair rapidamente a musculatura pélvica várias vezes seguidas (“congelar e contrair”), que costuma reduzir a urgência. Aos poucos, o intervalo é aumentado (em geral semanal), até que a paciente urine a cada duas a três horas. O treinamento vesical é mais eficaz quando as mulheres anotam cada micção e informam (pessoalmente ou por telefone) a um profissional de saúde todas as semanas. Em geral, esse programa dura cerca de seis semanas. O treinamento vesical é eficaz; em um ensaio no qual o treinamento vesical foi comparado ao tratamento com oxibutinina, 73% das mulheres no grupo de treinamento vesical foram curadas clinicamente. 11 REFERÊNCIAS IMAGENS: Figura 1.1 – Data de acesso 15/09/2018. http://blogpilates.com.br/incontinencia-urinaria-feminina/ Figura 1.2 – Data de acesso 15/09/2018. https://blog.floorapp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/DM.png LIVROS: Berek e Novak – Tratado de Ginecologia. Jonathan S. Berek, ano 2008. 14º edição. 2 Fisioterapia – Incontinência fecal INCONTINÊNCIA FECAL A incontinência fecal é uma alteração funcional que leva à perda involuntária das fezes líquidas, pastosas, sólidas ou flatos pelo ânus. Essa incontinência perturba o equilíbrio emocional, social e psicológico do paciente que, frequentemente, esconde esta condição considerada constrangedora e de grande interferência na sua rotina normal. Sua ocorrência predomina entre idosos, mas as mulheres parecem ser mais suscetíveis, devido às lesões traumáticas relacionadas ao parto. ETIOLOGIA A incontinência surge geralmente após uma lesão traumática esfincteriana, sendo raros os casos de etiologia congênita, quer por agenesia anorretal ou por meningomielocelo. Trauma obstétrico Esfincterotomia Fistulotomia Hemorroidectomia Dilatação anal Trauma perineal com fratura de bacia Diabetes/ Esclerose Múltipla ou Demência (há repercussões nas funções neuromusculares) Distrofias musculares Amiloidose ou Miastenia Gravis Ausência de distensibilidade retal Efeito rádico Síndrome do cólon irritável 3 Fisioterapia – Incontinência fecal SINAIS E SINTOMAS • Perda de flatos • Soiling • Perda de fezes • Urgência TIPOS Incontinência passiva: ausência ou diminuição da sensação do desejo de evacuar antes do episódio de incontinência. Incontinência de urgência: sensação do desejo de evacuar, mas não consegue chegar ao banheiro a tempo. Associação entre a incontinência fecal passiva e a incontinência fecal de urgência. O esfíncter anal interno é o músculo responsável pela continência anal passiva DIAGNÓSTICO Além da história clínica e do exame físico, os exames complementares podem ajudar no diagnóstico preciso da causa como a: • Manometria anorretal • Ressonância magnética do canal anal • Ultrassonografia anal. Estes exames podem definir o grau de enfraquecimento ou ruptura muscular, assim como a integridade da inervação e dos músculos do períneo. O exame proctológico e avaliação complementar dos cólons ajudarão a definir outras alterações. 4 Fisioterapia – Incontinência fecal TRATAMENTO Para obter um tratamento adequado é necessário detectar os mecanismos responsáveis pela incontinência fecal. • Tratamento fisioterapêutico: Normalização de tônus • Fortalecimento muscular • Normalização da sensibilidade e complacência (Eletroestimulação e treino com balão retal) • Massagem abdominal (sentido horário e massagem de Vogler) • Ginástica hipopressiva Importante: O diário fecal é o exame fisioterapêutico complementar específico das disfunções anorretais. • Intervenções conservadores: Terapia comportamental que envolve controle da dieta uso de medicamentos, mudanças de estilo de vida (gerenciamento do intestino), e a reabilitação do assoalho pélvico. Na falha das terapias clínicas pode-se indicar correção cirúrgica 5 Fisioterapia – Incontinência fecal REFERÊNCIAS CARRER, V; NASCIMENTO, E. Guia de doenças e sintomas: Incontinência fecal. Disponível em: https://www.einstein.br/Pages/Doenca.aspx?eid=233. Acesso em: 22 de julho de 2019. LEITE, J; POÇAS, F. Tratamento da incontinência fecal. Rev Port Coloproct. 7(2). 2010, 68-72 QUINTÃO, M.G; OLIVEIRA, S. A. S; GUEDES, H. M. Incontinência fecal: perfil dos idosos residentes na cidade de Rio Piracicaba, MG. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 13(2). 2010. 191-201. Folhetos Informativos em Coloproctologia - Sociedade Brasileira de Coloproctologia: Incontinência Anal. 2009. Disponível em: https://www.sbcp.org.br/pdfs/publico/ incontinencia.pdf. Acesso em: 22 de julho de 2019. *Além do material disponibilizado pela SANAR, via Power Point (PDF). 2 BEXIGA NEUROGÊNICA INTRODUÇÃO Bexiga neurogênica (BN) é um termo criado para descrever disfunções vésico- esfincterianas que acometem portadores de doenças do sistema nervoso central ou periférico. Embora muitos acreditem que esse termo não seja apropriado, ele foi consagrado graças a seu uso há vários anos na literatura médica. Portadores de BN podem ter alterações do padrão miccional normal nas fases de enchimento vesical/ reservatório e na de esvaziamento vesical. O termo BN engloba desde alterações mínimas, como alteração da sensibilidade vesical, até situações complexas, como dessinergia vésico-esfincteriana com comprometimento do trato urinário superior. Podem também assumir várias formas, como aumento de pressão intravesical, esvaziamento vesical incompleto, inabilidade de iniciar ou de interromper a micção e incontinência. Portanto, em pacientes portadores de neuropatias e de sintomas do trato urinário inferior (STUI) associados ou não a infecções do trato urinário (ITUs), deve-se aplicar uma abordagem sistemática abrangendo todos os aspectos da disfunção miccional. Normalmente, em portadores de BN essa abordagem inclui avaliação urodinâmica, que se constitui numa valorosa ferramenta de avaliação da disfunção miccional. O termo BN tem sido utilizado para pacientes pediátricos, nos quais a disfunção decorre de patologia neurológica congênita (mielomeningoceles, agenesia sacral, paralisia cerebral etc.), e para adultos com doenças neurológicas que provocam STUI, comotrauma raquimedular, Parkinson, esclerose múltipla, diabetes etc. Para entendermos completamente as disfunções miccionais que acometem portadores de doenças neurológicas é fundamental uma breve revisão de conceitos relacionados à fisiologia da micção. FISIOLOGIA DA MICÇÃO NORMAL Didaticamente, podemos dividir a micção em duas fases: enchimento vesical envolvendo a função de armazenamento de urina e esvaziamento ou micção propriamente dita. Essas duas fases envolvem funções basicamente opostas da bexiga e da uretra. Durante o enchimento a bexiga necessita ter boa capacidade e complacência (capacidade de acumular urina a baixas pressões) e o esfíncter, manter o tônus (Figura 1); durante o esvaziamento a bexiga precisa manter 3 contração apropriada e o esfíncter, relaxar adequadamente (Figura 2), gerando micções com bom fluxo, baixa pressão e resíduo desprezível. Para correta execução dessas funções é necessária a integridade das diversas estruturas envolvidas no controle da micção: musculatura lisa vesical e uretral, musculatura estriada uretral: esfíncter estriado e componente neurológico: inervação autonômica simpática e parassimpática da bexiga e inervação do esfíncter (somática) em nível central e periférico, centro pontino da micção e áreas corticais relacionadas à micção, localizada principalmente no córtex frontal. INERVAÇÃO DO TRATO URINÁRIO INFERIOR O controle e a coordenação do complexo aparelho vésicuretral são realizados por um mecanismo neurológico que incluem fibras aferentes e eferentes periféricas. O centro medular da micção é localizado da S2 a S4 e conectado ao centro pontino da micção responsável pela coordenação entre contração vesical e relaxamento esfincteriano (sinergismo vésicoesfincteriano). A atividade dos centros medulares é controlada por centros superiores por meio de tratos descendentes cefaloespinais. A inervação sensitiva (aferente) traz impulsos do trato urinário à medula pelos mesmos nervos e são enviados aos centros superiores pelos tratos espinocefálicos. A musculatura detrusora por ramos do plexo pélvico é formada por ramificações parassimpáticas oriundas da S2 a S4 e fibras simpáticas oriundas da T10 a L2, que chegam via plexo hipogástrico. O plexo pélvico, portanto, engloba fibras aferentes e eferentes simpáticas e parassimpáticas. Inervação do esfíncter externo é somática e origina-se no núcleo de ONUF (Onufrowicz) localizado no corno anterior de um ou mais segmentos da medula espinal sacral (S2-S4) vias nervos pudendos. 4 FASES DA MICÇÃO ENCHIMENTO VESICAL Durante a fase de enchimento, uma pessoa normal apresenta complacência adequada (pressão deve variar pouco com o aumento do volume de urina), estabilidade (ausência de contrações involuntárias do detrusor), tônus esfincteriano adequado com reforço durante episódios de esforço físico e sensibilidade adequada. A resistência uretral aumenta gradualmente durante enchimento vesical e os esfíncteres estriado e liso contribuem para isso. O aumento constante da atividade do esfíncter estriado, com enchimento vesical, é mediado pelo nervo pudendo e recebe o nome de reflexo da guarda. ESVAZIAMENTO VESICAL Durante a micção ocorre contração coordenada do detrusor e relaxamento do esfíncter urinário externo gerando micção com bom fluxo, baixa pressão e resíduo desprezível. Elevação da pressão intravesical comprime receptores da parede vesical, provocando desejo miccional. Centro pontino da micção é responsável pela organização e pela coordenação dos eventos da micção. A contração detrusora decorre da estimulação parassimpática associada à supressão da atividade simpática sobre a bexiga e o relaxamento do esfíncter estriado. Contração do corpo detrusor puxa a base vesical, afunilando-a e promovendo abertura do colo, iniciando o jato urinário. Em condições normais ocorre constante inibição dos centros corticais sobre o centro pontino da micção e a micção ocorre quando essa inibição é suprimida. Por isso, podemos dizer que controle da micção ocorre por um mecanismo de ligar e de desligar a inibição cortical sobre a ponte. Além disso, esses reflexos somáticos e autonômicos atuam nos centros corticais superiores por meio de impulsos facilitatórios ou inibitórios, garantindo controle total e voluntário da micção. De forma sucinta, poderíamos dizer que o controle neurológico da micção se dá por meio de três alças (Figura 3): primeira, denominada alça I, entre o córtex e a ponte, inibitória na maior parte do tempo, que garante relaxamento vesical durante armazenamento de urina e controle voluntário da micção a segunda, denominada alça II, entre a ponte e o centro sacral da micção, é responsável pelo sinergismo vésico-esfincteriano; e a terceira ou alça III, entre medula e a bexiga, seria a responsável pelo ato reflexo da micção. É importante conhecer essas três alças para entender como o nível de lesão neurológica determina um padrão vésico- esfincteriano mais provável. Entretanto, outros fatores, como lesões associadas, 5 multiplicidade de lesões, doenças preexistentes etc., podem induzir padrões miccionais diferentes do esperado para determinada doença, tornando o exame urodinâmico de suma importância para portadores de disfunções miccionais de origem neurogênica. Urodinâmica permite analisar o armazenamento, o transporte e a eliminação da urina, permitindo documentar a causa dos distúrbios miccionais, estabelecer critérios prognósticos e dirigir a seleção de alternativas terapêuticas de portadores de bexiga neurogênica. É fundamental que o exame reproduza as queixas clínicas dos pacientes sem o que sua utilidade é limitada. Para isso, o examinador deve conhecer a história e o exame físico dos pacientes e dirigir o exame de acordo com ela. Dois parâmetros importantes na avaliação urodinâmica de portadores de BN são as pressões de perda abdominal (por Valsalva ou VLPP) e detrusora de perdas (DLPP). A primeira é usada para medir a integridade do esfíncter uretral e a segunda é um importante parâmetro prognóstico de lesão do trato urinário superior. Diversos estudos mostraram que pressões vesicais de perda superiores a 40 cm H2O associam-se a alto risco de deterioração do trato urinário superior. A pressão abdominal de perdas é a pressão necessária para causar perda de urina pela uretra, permite avaliar o grau de disfunção esfincteriana e pode ajudar na escolha terapêutica na medida em que graus mais severos de lesão esfincteriana requerem tratamento mais agressivo. No estudo pressão-fluxo monitoram-se as pressões vesical, abdominal e a atividade eletromiográfica do esfíncter uretral simultaneamente ao fluxo de urina durante a micção propriamente dita. Avaliam- se eficiência da contração detrusora, coordenação entre ela e o esfíncter urinário estriado, intensidade do fluxo urinário, presença ou não de obstrução infravesical e resíduo miccional. Dessinergismo vésico-esfincteriano caracteriza-se pela manutenção ou pelo aumento da atividade eletromiográfica do esfíncter estriado durante contração detrusora, provocando aumento da pressão vesical. Ocorre em crianças com doenças neurológicas. 6 DISFUNÇÕES MICCIONAIS NEUROGÊNICAS NA INFÂNCIA MENINGOMIELOCELE (MMC) E LIPOMENINGOCELE (LMC) Constituem as causas mais comuns de disfunção neurogênica em crianças e parece relacionada à deficiência de folatos durante a gestação. O termo mielodisplasia inclui várias patologias que cursam com alteração de função da medula espinhal. MMC e LMC são patologias contidas dentro desse conjunto e responsáveis por grande parte dos casos de disfunção vesical de origem neurogênica em crianças, sendo que MMC responde por mais de 90 % dos casos de mielodisplasias. O diagnóstico de MMC e de LMC é feito logo ao nascimento com visualização do defeito da coluna. A lesão neurourológica produzida por essa condição varia de acordo com as estruturas envolvidas pela patologia e o exame físico não fornece informações suficiente para prognósticoou para inferir sobre o grau de disfunção vesical. O exame urodinâmico é importante para definir o comportamento vésico- esfincteriano, dirigindo o tratamento e ajudando a definir o prognóstico. Essas crianças devem ser acompanhadas por equipe multidisciplinar envolvendo neurologista, pediatra, urologista e equipes de fisioterapia. Até 15% das crianças apresentam alterações radiológicas de trato urinário na primeira avaliação, e mais da metade delas apresenta hiperatividade detrusora desde o primeiro exame urodinâmico, além da incapacidade de urinar, propiciando o surgimento de um ambiente vesical de alta pressão. Nos primeiros anos de vida, a preocupação do urologista deve ser a de impedir episódios de infecção urinária e de deterioração da função vesical e do trato urinário superior. Determinação precoce da DLPP permite distinguir entre crianças que não requerem nenhum tratamento inicial daquelas que necessitam intervenções (Figura 4). As intervenções variam desde cateterismo intermitente associado ou não a tratamento farmacológico com anticolinérgicos a derivação urinária externa (vesicostomia). O cateterismo vesical intermitente é introduzido como forma de esvaziamento vesical em muitas dessas crianças, sendo realizado pelos pais nessa fase. A preocupação com controle da continência urinária ocorre a partir da idade escolar. Procedimentos como ampliação vesical podem ser indicados para pacientes que apresentam resposta inadequada ao tratamento conservador, com necessidade de melhora na capacidade ou na complacência vesical. A partir da idade escolar, a normalização da função de reservatório associada a drenagens periódicas com cateterismo permite obtenção de continência na maioria das crianças com MMC. Naquelas com função esfincteriana reduzida podem ser necessários procedimentos para aumentar a resistência uretral, como cirurgia de Sling em meninas ou colocação de esfíncter artificial em meninos (Figura 5). 7 DISFUNÇÃO MICCIONAL NEUROGÊNCIA NO ADULTO TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR O prognóstico e sobrevida de pacientes com lesão raquimedular melhorou dramaticamente após se conhecer melhor a fisiopatologia e os mecanismos de lesão do trato urinário causados por essa patologia. Geralmente, insuficiência renal e outras complicações infecciosas do trato urinário eram as maiores causas de mortalidade de pacientes com lesão raquimedular, resultando em mortalidade de cerca de 50% nos primeiros cinco anos após a lesão. A partir da década de 1950, a disfunção vesical começou a ser aventada como a principal responsável pelo comprometimento renal nos pacientes com lesão raquimedular. O aumento da pressão vesical associado ao esvaziamento ineficaz da bexiga predispõe à dilatação do trato urinário superior, a infecções do trato urinário ou à obstrução funcional dos ureteres, podendo comprometer a função renal. Portanto, preservação da função renal é o principal objetivo do tratamento urológico de pacientes com LRM. O objetivo secundário e temos controle da continência urinária, permitindo melhor readaptação social do paciente. Monitoração periódica e criteriosa desses pacientes permite diagnóstico precoce das complicações urológicas e pode prevenir a instalação de danos irreversíveis às funções renal e vesical. Outros avanços terapêuticos importantes foram progressos no tratamento das infecções urinárias e da litíase renal e vesical, bem como introdução do cateterismo intermitente. Fisiopatologia: no traumatismo raquimedular ocorre interrupção parcial ou total da comunicação entre o centro sacral da micção e os centros pontinos e encefálicos responsáveis pelo sinergismo vésicoesfincteriano e pelo controle voluntário da micção, provocando graus variáveis de disfunção miccional. Imediatamente após a lesão medular, estabelece-se uma condição denominada choque medular. Esse termo refere-se à abolição repentina de diversas influências 8 inibitórias e excitatórias sobre os motoneurônios da medula, resultando em estado de hipoatividade, de flacidez ou de arreflexia, com consequente retenção urinária que geralmente dura de 2 a 6 semanas. Após a fase de choque medular estabelece-se o padrão miccional definitivo, que nem sempre corresponde ao que seria esperado pelo nível da lesão neurológica subjacente. Lesões suprassacrais: ocorre interrupção das vias, comunicando os níveis sacrais da medula com a ponte e, consequentemente, com os centros superiores. Ocorre perda do controle voluntário da micção. Além disso, por causa da interrupção da influência pontina, deixa de ocorrer coordenação entre contrações vesical e esfincteriana, condição chamada de dessinergismo vésico-esfincteriano, gerando elevação da pressão vesical e esvaziamento vesical incompleto. Embora seja teoricamente inesperado, cerca de 15% desses pacientes desenvolvem padrão de arreflexia vesical. Lesões sacrais: lesões que acometem classicamente os níveis sacrais da medula e se apresentam com arreflexia vesical causada pela lesão do centro vesicalparassimpático em nível medular. Pacientes com lesões incompletas podem desenvolver hiperatividade detrusora, como observada nas lesões suprassacrais. O padrão de atividade do esfíncter externo também é variável, podendo ser não funcionante ou hiperativa e dessinérgico. Lesão da inervação periférica do trato urinário inferior: geralmente resulta em perda de sensibilidade e em diminuição da contratilidade vesical. O esfíncter externo também pode ter o tônus e a contratilidade prejudicados. Diversos sistemas foram propostos para classificar as disfunções miccionais associadas ou não a lesões neurológicas. A classificação da Sociedade Internacional de Continência baseia- se em critérios urodinâmicos e é bastante aceita pelos urologistas. Anormalidades detrusoras (contração vesical), uretrais e de sensibilidade são divididas da seguinte maneira: DETRUSOR Função detrusora normal: a bexiga deve acomodar volumes progressivos de urina sem aumento significativo de sua pressão. Não devem ocorrer contrações detrusoras involuntárias. A micção só ocorre espontaneamente se houver contração detrusora mantida e de adequada magnitude que pode ser interrompida voluntariamente. Tais características permitem conferir à bexiga o diagnóstico urodinâmico de uma bexiga estável. Hiperatividade detrusora: durante a fase de enchimento/reservatório, uma bexiga que apresente contrações involuntárias ou que apresente elevação progressiva da pressão é chamada de hiperativa. A bexiga que apresenta relação volume- pressão inadequada, de tal forma que a pressão vesical se eleva rápida e 9 inadequadamente com pequenos volumes de urina (má acomodação), é chamada de pouco complacente. Hipoatividade detrusora: nessa situação, a bexiga não apresenta atividade involuntária durante o enchimento e não consegue contrair com a magnitude e a duração requeridas para esvaziamento normal. O termo arreflexia detrusora é utilizado para bexiga que não consegue contrair por uma causa neurológica FUNÇÃO URETRAL Mecanismo normal de fechamento uretral: normalmente, o mecanismo esfincteriano mantém a uretra fechada durante todas as atividades. Durante a micção voluntária os esfíncteres liso e estriado (proximal e distal) relaxam de forma a permitir livre passagem de urina. Durante contrações involuntárias da bexiga, o esfíncter proximal (liso) relaxa e a continência passa a depender da contração voluntária do esfíncter externo (estriado). Fechamento uretral hiperativo: esse padrão é o de um esfíncter que não relaxa ou contrai involuntariamente durante a micção. Pode ocorrer num dos dois esfíncteres citados. Contração esfincteriana involuntária durante a contração vesical é chamada de dessinergismo vésico-esfincteriano. Fechamento uretral incompetente: incompetência do mecanismo de fechamento uretral pode ocorrer por causas neurogênicas, traumáticas, degenerativas e outras. SENSIBILIDADE VESICURETRAL Sensibilidade vesical, proprioceptiva (tensão e contração)ou exteroceptiva (dor, tato e temperatura) é um fenômeno inteiramente subjetivo. O termo normal, hipersensibilidade é utilizado para descrever a sensibilidade da bexiga. ABORDAGEM INICIAL DO PACIENTE COM LESÃO RAQUIMEDULAR ASPECTOS UROLÓGICOS As principais causas de TRM em nossos pacientes são ferimentos por arma de fogo, acidentes automobilísticos (incluindo atropelamentos), quedas e atividades 10 recreacionais (principalmente mergulho). Até que o paciente esteja estabilizado hemodinamicamente, coloca-se um cateter de Foley na bexiga para garantir seu esvaziamento e monitorar a diurese. É importante a fixação do cateter com fita adesiva em direção ao abdome ou ao trocânter maior sem tensão. Essa medida diminui a pressão exercida pelo cateter sobre a parede uretral em nível do ângulo penoescrotal, que predispõe a isquemia, a estenose e a formação de fístulas uretrocutâneas. Iniciamos o cateterismo intermitente pelo menos quatro vezes ao dia em nossos pacientes, assim que estejam estáveis e não mais necessitem de monitoração constante da diurese. CATETERISMO INTERMITENTE Cateterismo intermitente estéril foi introduzido por Guttman e Frankel em 1966. Lapides introduziu o cateterismo intermitente limpo (CIL), utilizado como forma de esvaziamento vesical por pacientes com diversas condições urológicas. Essa técnica contribuiu muito para diminuir a morbidade associada ao uso crônico de cateteres uretrais, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Utilizamos cateteres uretrais de calibre de 10 a 14F para adultos, de forma a minimizar o traumatismo uretral. Cateterismo é realizado pela enfermagem até que o paciente se familiarize com o método. Inicialmente, é realizado com intervalos de 4 a 6 horas, de forma a não permitir volumes vesicais superiores a 500 ml, podendo ser mudado para intervalos de 6 a 8 horas, conforme a diurese. A ingestão de líquidos deve ser controlada de forma a impedir diurese abundante. Vários estudos mostraram vantagens do CIL no tratamento a longo prazo de pacientes com TRM. Ele permite esvaziamento rítmico da bexiga sob baixa pressão, ao contrário de modalidades como Crede e Valsalva, que atuam pelo aumento da pressão vesical até que ela supere a pressão vesical. Além disso, possibilita esvaziamento vesical completo, evitando urina residual e reduzindo a probabilidade de alcançar o volume limite para deflagrar contrações vesicais reflexas, bem como a exposição da bexiga e do trato urinário superior a pressões elevadas. DESREFLEXIA AUTONÔMICA Desreflexia autonômica (DA) é uma síndrome potencialmente fatal bem conhecida dos médicos envolvidos no tratamento de pacientes com TRM. Representa uma descarga simpática exacerbada deflagrada por estímulos aferentes específicos, que pode acometer pacientes vítimas de lesões medulares acima da T6. Clinicamente, manifesta-se por cefaleia, hipertensão arterial severa, sudorese, vasodilatação cutânea e facial e congestão nasal. Pode ser letal, pois a hipertensão 11 severa pode causar hemorragia intracerebral. A bradicardia é uma alteração comum, mas taquicardia ou arritmia podem ocorrer. Quando cranial ao nível de T6, a lesão neurológica é acima da eferência esplâncnica simpática, causando perda do controle supraespinhal inibitório da inervação tóraco-lombar simpática. Ocorre em 30 a 80% dos pacientes com lesão supra T6, sendo mais frequentes nos pacientes com lesão cervical do que torácica. Geralmente, aparece nos primeiros seis meses após lesão medular, mas pode ocorrer muitos anos depois. A DA é uma complicação séria do TRM e o reconhecimento e tratamento imediatos são fundamentais para diminuir sua morbidade. Remoção do fator desencadeante é a primeira medida a ser tomada. Deve-se colocar o paciente em posição sentada e afrouxar suas roupas e, em seguida, esvaziar a bexiga ou verificar o bom funcionamento de cateteres vesicais. Nifedipina na dose de 10 mg SL é o medicamento de escolha para tratamento da hipertensão associada à crise. Medidas anti-hipertensivas adicionais podem ser necessárias nos casos mais severos. ABORDAGEM UROLÓGICA DO PACIENTE COM LESÃO RAQUIMEDULAR: LONGO PRAZO O tratamento da disfunção vesical em pacientes com TRM não deve se basear somente em dados clínicos, mas também laboratoriais, radiológicos e urodinâmicos. A sintomatologia é muito imprecisa como indicadora do padrão de comportamento vésico-esfincteriano e das complicações urológicas. Exames urodinâmicos constituem a melhor alternativa para estudar funcionalmente o trato urinário inferior. Avaliação radiológica do trato urinário deve ser realizada na fase inicial após choque medular e periodicamente para detectar possíveis complicações urológicas. Através da urodinâmica é possível determinar e classificar o tipo de disfunção miccional e identificar fatores de risco, como dessinergismo vésico-esfincteriano e má complacência vesical. Pacientes com lesão medular podem apresentar algum grau de recuperação neurológica por vários meses após trauma em decorrência de regeneração da lesão, devendo-se evitar qualquer procedimento irreversível antes de um ano do trauma. Durante o período inicial de investigação urológica, procuramos manter nossos pacientes em CIL. Pacientes que não possam realizar autocateterismo por déficit motor ou recusa, geralmente são mantidos com cateter uretral de demora, tomando-se cuidado de completar sua investigação o mais rápido possível. 12 Realizada a avaliação urológica, podemos determinar o tipo de alteração vésico-esfincteriana e elaborar um plano terapêutico. Além da avaliação clínica- urodinâmica, nossa avaliação inicial compreende exames laboratoriais (creatinina sérica e hemograma e urina I e urocultura) e radiológicos (US e uretrocistografia). Esses exames são importantes como referência futura para acompanhamento urológico, possibilitando avaliar o surgimento ou o agravamento de complicações urológicas. No planejamento urológico, um aspecto fundamental é definir se determinado paciente pode ser mantido em regime de CIL. Nos pacientes motivados e habilitados a realizar o CIL é possível oferecer continência urinária com riscos bastante reduzidos de complicações do trato urinário superior. Raciocinando em cima da classificação funcional ou da Sociedade Internacional de Continência, a bexiga de um paciente com TRM (na fase enchimento/reservatório) pode ser arreflexa ou hiper-reflexa. No caso de arreflexia, geralmente a capacidade e a complacência vesicais são grandes, sendo candidatos ideais para CIL. Para pacientes com padrão de hiperatividade detrusora, podemos lançar mão de diferentes alternativas. Por exemplo, se a cistometria nos mostra que determinado paciente passa a apresentar CVI ao atingir o volume aproximado de 300 ml, pode-se restringir a hidratação do paciente e realizar cateterismo antes que ele atinja esse volume; o momento certo para esse cateterismo pode ser determinado com basea na diurese diária desse paciente. Quando se solicita ao paciente a realização de cateterismo vesical por mais de seis vezes, além de se aumentar os riscos de trauma uretral ocorre diminuição da aderência do paciente ao tratamento. Objetivando manter um número de quatro cateterismos ao dia, além da restrição hídrica pode-se adotar o uso de medicações anticolinérgicas, visando elevar o volume necessário para desencadeamento de CVI (p. ex., para 450 ml), dando ao paciente a autonomia desejada. A toxina botulínica também é muito eficaz para esses pacientes, permitindo melhora significativa da capacidade vesical quando ela está limitada por hiperatividade detrusora. A dose habitual é de 300 unidades injetadas via cistoscopia em 30 pontos diferentes da musculatura detrusora. Em casos de hiperatividade detrusora, em que não há resposta adequada à medicação anticolinérgica ou à toxina botulínica, especialmente quando existe também comprometimento da complacência vesical e elevadas pressões vesicais, o risco de complicaçõesvesicais e renais é alto. Nesses casos, a realização de um procedimento cirúrgico de ampliação vesical com alça intestinal deve superar o problema. Assim como em crianças, pode ser necessária a associação de um procedimento para aumento da resistência uretral em pacientes com baixas pressões de perdas por Valsalva. Esse procedimento pode ser um sling obstrutivo em mulheres ou implantação de esfíncter artificial em homens. Para pacientes em que CIL não é uma opção (tetraplégicos, falha do CIL, deficientes mentais etc.), as alternativas são várias e diversos fatores influenciam a escolha terapêutica. 13 Procuramos evitar o uso crônico de cateter vesical (por via uretral ou suprapúbica), que se acompanha de elevada morbidade, incluindo litíase, infecções do trato urinário, transformação neoplásica e complicações uretrais. Assim, em paciente do sexo masculino com padrão arreflexo e baixa resistência esfincteriana, coletor externo de urina (Uropen) associado a manobras de esvaziamento (Credê e Valsalva) pode ser uma boa opção. Se o padrão for de hiperatividade com dissinergismo vésico-esfincteriano e elevadas pressões vesicais, esfincterotomia associada a coletores externos pode ser uma boa alternativa. Pacientes do sexo feminino não candidatas a CIL têm poucas opções de tratamento. Naquelas em que a residência uretral é elevada, interposição de um seguimento ileal entre a bexiga e a pele pode propiciar a saída de urina a baixas pressões em coletor externo (ileovesiscostomia). OUTRAS CAUSAS DE DISFUNÇÕES MICCIONAIS EM ADULTOS Existem diversas doenças neurológicas que se acompanham de disfunção vesical com ou sem incontinência urinária: AVE, Parkinson, esclerose múltipla, diabetes etc. Doenças neurológicas podem afetar as vias de controle miccional no sistema nervoso central, na medula, no sistema nervoso autônomo ou nos nervos periféricos, podendo a queixa urinária ser a primeira manifestação da doença. ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE) O diagnóstico e tratamento corretos da disfunção vesical são importantes para melhorar o bem-estar dos pacientes, aumentar sua sobrevida e diminuir sequelas. O efeito do AVE na micção depende do grau, tamanho e local da lesão; mas cerca de 80% casos podem causar acometimento do trato urinário inferior. Geralmente, após AVE pode ocorrer retenção urinária devido a arreflexia detrusora de etiologia desconhecida, chamada choque cerebral. Após curto período, a maioria dos pacientes volta a urinar com frequência aumentada, urgência e urgiincontinência, geralmente decorrentes de hiperatividade detrusora. Incontinência urinária ocorre em metade dos pacientes após 1 a 2 semanas, mas sua remissão ocorre em cerca de 80% após seis meses. Fisiopatologia da hiperatividade detrusora pós-AVE relaciona-se com reduções da sensibilidade vesical e da capacidade do córtex de suprimir as contrações do detrusor. O que dificulta o diagnóstico clínico das disfunções miccionais em pacientes com AVE é 14 que nessa faixa etária há múltiplos fatores que geram sintomas miccionais como, hiperplasia prostática, incontinência de esforço, demência, diabetes, alterações de mobilidade e obstipação intestinal, tornando a avaliação urodinâmica obrigatória. O exame urodinâmico deve ser repetido quando ocorrer alteração dos sintomas ou falha do tratamento. Arreflexia detrusora pode ser encontrada na fase de retenção urinária inicial pós-AVE. Após essa fase, a maioria dos pacientes sintomáticos apresentará hiperatividade detrusora como causa da disfunção miccional. Alguns pacientes podem perceber contração involuntária como sensação de urgência miccional e contrair voluntariamente o esfíncter externo, impedindo a micção com desaparecimento da contração; outros percebem a contração detrusora, mas perderam a capacidade de contrair voluntariamente o esfíncter externo e apresentam perda se não urinar rapidamente; e alguns não percebem a contração e perdem totalmente a capacidade de centração do esfíncter. Geralmente, hiperatividade detrusora é consequência de lesão cortical, mas não existe correlação definida entre o local da lesão cerebral e o resultado do exame urodinâmico. A dessinergia detrusor-esfincteriana é rara após AVE, mas alguns pacientes apresentam pseudodissinergia com contração voluntária do esfíncter externo no momento da contração detrusora involuntária, na tentativa de evitar perdas, que não deve ser confundida com dessinergia verdadeira. Outros pacientes apresentam condições como HPB, hiperatividade detrusora com alteração da contratilidade ou diabetes com disfunção vesical preexistente. O tratamento da disfunção vesical pós-AVE geralmente é feita por meio de anticolinérgicos e mais recentemente, nos casos mais refratários, de toxina botulínica tipo A. Os pacientes que apresentam retenção urinária pós-AVE podem ser utilizados sonda vesical de demora, que deve ser substituída por CIL assim que possível. Em casos de homens com hiperplasia benigna de próstata obstrutiva e indicação cirúrgica o tratamento deve ser postergado por seis meses a um ano até a estabilização da função vesical. CIL também é indicado nos casos de hipcontratilidade ou obstrução infravesical sem condição cirúrgica. DOENÇA DE PARKINSON Geralmente, atinge homens e mulheres na sexta e sétima décadas de vida, sendo uma das doenças neurológicas que mais causam disfunção miccional. Mais de metade dos portadores de doença de Parkinson apresenta disfunção miccional com sintomas de frequência, urgência e urgi-incontinência ou obstrutivos, como 15 hesitância, sensação de esvaziamento vesical incompleto ou retenção urinária. A correlação entre sintomas urinários e achados urodinâmicos é fraca por causa da natureza crônica progressiva da doença, com adaptação do paciente ao padrão miccional alterado. Entre 25 a 30 % dos pacientes masculinos portadores de Parkinson têm obstrução infravesical pela hiperplasia prostática, sendo difícil determinar qual a contribuição da hiperplasia ou do Parkinson na gênese dos sintomas. A avaliação urodinâmica geralmente mostra hiperatividade detrusora devido à perda de impulsos inibitórios normais da substância negra ao centro pontino da micção. Pode haver bradicinesia do esfíncter externo, dificultando o início da micção, assim como pseudodessinergia, numa tentativa de evitar perdas urinárias. Contudo, ocorrência de dessinergia vésico-esfincteriana é rara. Geralmente, o tratamento da disfunção miccional de pessoas com Parkinson é feita com anticolinérgicos. Em pacientes portadores de obstrução infravesical por hiperplasia prostática, anticolinérgicos podem piorar o quadro obstrutivo por diminuir a força da contração detrusora, chegando até a retenção urinária. Muitas vezes, associam-se alfabloqueadores em doses variáveis e até cateterismo intermitente, visando melhora no esvaziamento vesical. Outro risco considerável em portadores de doença de Parkinson é a ocorrência de incontinência urinária pós-ressecção endoscópica da próstata, que atinge 20% desses pacientes contra 1% da população normal. ESCLEROSE MÚLTIPLA (EM) EM é causada pelo surgimento de áreas de desmielinização disseminadas pelo sistema nervoso central, provavelmente de etiologia autoimune, com períodos de exacerbação e de remissão em 60% dos casos. É mais comum em mulheres e, até 80% dos pacientes apresentam sintomas urinários. Na EM existe pobre correlação entre sintomas e achados urodinâmicos. Até 88% dos pacientes assintomáticos podem apresentar alterações urodinâmicas. Sintomas e achados urodinâmicos podem mudar com a evolução da doença. O exame urodinâmico deve fazer parte da avaliação urológica de todo paciente com EM e sintomas miccionais para diagnosticar e prevenir complicações urológicas, geralmente causadas por dessinergia detrusor-esfincteriana ou baixa complacência vesical. O achado mais comum é de hiperatividade detrusora, que ocorre em 50 a 90% dos pacientes, associada à deissinergia detrusor-esfincterianaem até 50% dos casos. A arreflexia detrusora é encontrada em 20 a 30% dos casos, com esvaziamento vesical incompleto ou retenção urinária na maioria, 16 pois o esfíncter permanece fechado. Achados urodinâmicos de portadores de EM tendem a se modificar com evolução da doença. Por essa razão, deve ser repetido a cada dois anos ou sempre que houver alteração no quadro clínico ou dos sintomas urinários. O tratamento segue o padrão de outras doenças neurológicas com acometimento do trato urinário inferior: anticolinérgicos para a hiperatividade detrusora e toxina botulínica nos casos mais rebeldes. Nos portadores de dessinergia detrusor- esfincteriana com volumes residuais elevados utiliza-se CIL. Essa conduta não é consensual devido a baixa incidência de lesão do trato urinário superior, podendo não utilizar cateterismo se o resíduo pós-miccional for pequeno. DIABETES Disfunção vesical neurogênica ocorre dez anos ou mais após o início da doença decorrente de neuropatia periférica e autonômica por desmielinização segmentar. Cistopatia diabética foi encontrada em 27 a 85% dos pacientes estudados. Classicamente, encontramos diminuição da sensação de enchimento vesical com aumento do intervalo miccional e esforço abdominal para micção com jato urinário fraco, podendo evoluir para retenção urinária. Outro achado comum é hiperatividade detrusora, que provoca sintomas de urgência, polaciúria e urgi- incontinência. O exame urodinâmico é a única maneira de determinar o tipo de alteração do trato urinário inferior. Podemos encontrar diminuição da sensação de enchimento vesical, aumento da capacidade, diminuição da contratilidade, grande volume residual e até arreflexia detrusora. O tratamento é baseado no achado urodinâmico: micção programada nos casos de alteração da sensibilidade, CIL quando houver alteração da contratilidade, grande resíduo ou retenção urinária. Nos casos de hiperatividade indicam-se anticolinérgicos, que podem provocar retenção urinária quando hiperatividade associa-se à hipocontratilidade detrusora, sendo necessário introduzir CIL. Palavras-chave: disfunção miccional, neurogênica, vesicuretral, bexiga, detrusor. REFERÊNCIAS: Urologia fundamental / editor Miguel Zerati Filho, Archimedes Nardozza Júnior, Rodolfo Borges dos Reis. Planmark, 2010. Sociedade Brasileira de Urologia – Secção São Paulo. 2 DISTÚRBIOS MICCIONAIS INFANTIS Fig. 1.1 – Fonte: www.google.com/imagens INTRODUÇÃO A incontinência urinária pode ser conceituada de diversas maneiras. A So-ciedade Internacional de Continência em Crianças (International Children Continence Society - ICCS) define-a como perda involuntária de urina, consti-tuindo um problema social e de higiene. A incontinência urinária incide em 1 a 10% das crianças maiores de 5 anos de idade. Estima-se que 6,5% das cri-anças com incontinência urinária permanecerão com esse problema na idade adulta, o que repercute em sua autoestima e causa constrangimento para to-da a sua família. NEUROFISIOLOGIA DA MICÇÃO A incontinência urinária representa um processo normal de desenvolvimen-to e também um importante marco social. Envolve diversas regiões do cére-bro, vários níveis da medula espinhal, musculatura lisa da bexiga, o colo vesi-cal e os músculos do assoalho pélvico, incluindo a musculatura estriada do esfíncter externo. O TUI é controlado por uma integração entre os sistemas nervoso somático e autônomo (simpático e parassimpático). A integração neurológica e a coor- denação desses eventos ocorrem no tronco encefálico inferior, em uma área conhecida como centro pontino da micção e da incontinência. 3 A micção (fase de esvaziamento) é um fenômeno parassimpático, ao passo que o sistema nervoso simpático facilita o armazenamento de urina durante fase de enchimento. Na fase de armazenamento, o detrusor se mantém relaxado é o esfíncter uretral externo, contraído. Para que a micção ocorra, esse padrão de inverte, ocorrendo relaxamento do esfíncter uretral externo e contração do detrusor, com eliminação completa da urina, sem interrupção. DESENVOLVIMENTO DA CONTINÊNCIA A aquisição da continência urinária é complexa e ainda não totalmente com- preendida. A bexiga nos recém-nascidos esvazia-se quando atinge sua ca- pacidade funcional, secundária a um reflexo medular. Assim, a micção parece ocorrer automaticamente por um simples reflexo espinhal, sem nenhuma ou pouca mediação do sistema nervoso central. Os recém-nascidos urinam em média 20 vezes por dia. A partir dos 6 meses, a frequência das micções dimi-nui e capacidade da bexiga aumenta. Durante o 2° ano de vida, a consciência do desejo de urinar aumenta r a frequência miccional esperada é de 8 a 10 vezes/dia. Nesse período, a crian-ça tem noção da plenitude vesical e da micção eminente, mas ainda não é capaz de controlar a micção. A partir dos 3 anos de idade, a maioria das cri-anças adquire o controle esfincteriano diurno pela contração voluntária da musculatura do assoalho pélvico. Nessa fase, o controle voluntário da micção desenvolve-se progressivamente para atingir continência consciente social, mas ainda podem ocorrer escapes urinários. A frequência miccional, nessa faixa etária é de cerca de 4 a 6 vezes/dia. O controle de evacuação, em geral, precede o controle da micção e é parte do processo paralelo de maturação dessas funções. Todas as etapas do de- senvolvimento podem ser influenciadas pela forma como foi conduzido o trei- namento de controle de esfíncteres. O treinamento de esfíncteres é uma das fases mais difíceis do desenvolvi-mento experimentada pela criança e por seus pais. Ao mesmo tempo em que são grandes as pressões para que a criança esteja à altura da expectativa social e dos pais, ela também necessita de auto-afirmação e independência. Alguns estudos têm sugerido que um treinamento esfíncteriano precoce (an-tes dos 18 meses) pode ser repressivo e causar problemas tardios de consti-pação e encoprese. Entretanto retardar esse treinamento além de uma deter-minada idade também pode ser prejudicial. 4 DEFINIÇÃO A persistência do padrão infantil de micção por atraso na maturação do con-trole urinário ou por distúrbios comportamentais comprometendo o treinamen-to de esfíncteres, pode resultar em um distúrbio funcional de TUI. O distúrbio funcional de TUI é um termo amplo, mas definido por um padrão anormal para a idade da criança na fase de enchimento ou de esvaziamento vesical, na ausência de doença neurológica. Inclui, desde a hiperatividade do detrusor, até casos mais severos com deterioração do trato urinário superior. FISIOPATOLOGIA DO DISTÚRBIO FUNCIONAL DO TUI A literatura disponível ainda não é clara sobre as possíveis causas dos dis- túrbios funcionais do TUI. Durante o desenvolvimento normal, a criança passa a utilizar melhor os mecanismos de controle do sistema nervoso central sobre o TUI. Entretanto, algumas utilizam manobras para evitar as perdas urinárias ou mesmo inibir a urgência miccional (p.ex., sentam em cima do calcanhar para comprimir a uretra); outras contraem o assoalho pélvico para inibir a con-tração do detrusor e adiar a micção. A contração dos músculos do assoalho pélvico utilizada como mecanismo voluntário para regular o ciclo do TUI pode manter a disfunção do TUI e resul- tar em hiperatividade do assoalho pélvico, que induz mudanças periféricas e centrais gerando um novo sistema de controle da micção. Esse sistema, mais vulnerável, caracteriza-se pela perda da coordenação entre músculo detrusor é o assoalho pélvico, com falha na transmissão dos sinais inibitórios e conse-quente hiperatividade do detrusor. Os sintomas dos distúrbios funcionais do TUI incluem urgência miccional, incontinência urinária diurna, incontinência urinária noturna e aumento ou diminuição na frequência das micções. Muitas vezes, o diagnóstico é feito pe-la ocorrência de infecção do trato urinário (TUI), enurese ou pela detecção de refluxo vesicouretral (RVU). Outras manifestações incluem constipação,esca-pes fecais e manobras de contenção utilizadas com o objetivo de adiar a mic-ção ou a evacuação. 5 CLASSIFICAÇÃO Várias classificações têm sido utilizadas para crianças com sintomas de dis-túrbios funcionais do TUI, algumas baseadas em achados urodinâmicos e ou-tras nas alterações clínicas. Os vários tipos das disfunções do TUI diferem na manifestação clínica, no tratamento e no prognóstico. Por tanto, a ICCS reco-menda estudar a criança para avaliar quatro parâmetros: incontinência, fre-quência miccional, volume urinado e ingestão hídrica. A ICCS classifica estes distúrbios da seguinte forma: ENURESE Consiste em incontinência urinária durante o sono. Segundo a ICCS, enure- se é qualquer tipo de perda urinária que ocorre durante o sono, independente de sintomas diurnos. Enurese monossintomática é definida como presença de enurese sem outros sintomas do TUI (excluindo noctúria) e sem história de disfunção vesical. Enurese não-monossintomática é um termo usado para de- finir a enurese que ocorre com outros sintomas do TUI, como frequência diur-na, urgência, hesitação, esforço, jato fraco, jato intermitente, manobras de contenção, sensação de esvaziamento incompleto, gotejamento pós-miccional, disúria e dor genital. Fig. 1.2 - Fonte: www.google.com/imagens 6 SINTOMAS DIURNOS BEXIGA HIPERATIVA E URGE-INCONTINÊNCIA A criança com esta condição apresenta principalmente urgência. Clinica-mente, é caracterizada por episódios frequentes de desejo urgente de urinar, urge- incontinência, maior frequência urinária diurna ou mesmo somente in-continência urinária noturna, embora estes sintomas não sejam pré-requisitos para o uso do termo bexiga hiperativa. São comuns as manobras de conten-ção (cruzar as pernas, apertar a região genitália com a mão), a fim de adiar a micção ou evitar as perdas urinárias. Cerca de 1/3 dos pacientes com bexiga hiperativa são continentes, como resultado da habilidade em sobrepor-se às contrações do detrusor com a con-tração dos músculos do assoalho pélvico, o que acarreta aumento da pressão vesical. Esses pacientes podem apresentar infeções urinárias recorrentes, além das alterações anatômicas vesicais que incluem trabeculações, divertí-culos e anormalidades dos orifícios uretrais. ADIAMENTO DA MICÇÃO Ocorre o adiamento da micção usando manobras de contenção. Geralmen-te, há uma frequência miccional baixa e sensação de urgência pela bexiga cheia. Também a ingestão hídrica é pequena para conseguir manter a conti-nência d baixa frequência miccional. Durante o dia, permanecem 8 a 12 horas sem urinar e não urinam pela manhã ao acordar, nem na escola ou em outras atividades. Essas crianças frequentemente apresentam distúrbios psicológi-cos ou de comportamento. BEXIGA HIPOATIVA Substitui o terno previamente usado de bexiga preguiçosa. Corresponde a uma condição em que a frequência urinária é baixa e há necessidade de au-mentar a pressão intra-abdominal, ou seja, realizar um esforço, para iniciar, manter ou completar a micção. 7 MICÇÃO DISFUNCIONAL A criança contrai o esfíncter urinário durante a micção ocorrendo um distúr-bio na fase miccional. A fase de enchimento pode estar normal. O diagnóstico é feito pela urofluxometria que mostra uma curva do jato miccional no padrão staccato sendo também diagnosticado pelo estudo urodinâmico. OBSTRUÇÃO Durante a micção ocorre um impedimento do fluxo urinário mecânico ou funcional e se caracteriza por aumento da pressão do detrusor e taxa de fluxo urinário reduzido. INCONTINÊNCIA DE ESTRESSE Corresponde à perda urinária associada ao aumento da pressão intra-abdominal por várias razões, sendo rara na criança sem lesão neurológica. REFLUXO VAGINAL Ocorre perda urinária geralmente 10 minutos após uma micção normal em meninas com controle esfincteriano, causada pelo reflexo de urina para a va-gina no momento da micção. A urina é retida na vagina devido ao estreita-mento do orifício vaginal observado no período pré-puberal. Esse problema, geralmente, se resolve com a idade ou pode ser tratado com manobras desti-nadas a abrir o intróito vaginal, durange a micção. INCONTINÊNCIA DO RISO A incontinência ocorre durante ou logo após uma gargalhada. A função ve- sical é normal quando a criança não está rindo. Embora a causa não seja to- talmente conhecida tem sido sugerido que o riso induz a um estado de hipo-tonia generalizada com relaxamento uretral, predispondo à incontinência uri-nária; entretanto, não foi comprovado esse efeito em nenhum dos esfíncteres uretrais seja interno ou externo. Outra hipótese é que o riso induziria contra-ções instáveis do detrusor resultando nas perdas urinárias. 8 DIAGNÓSTICO DOS DISTÚRBIOS FUNCIONAIS DO TUI O diagnóstico dos distúrbios funcionais do TUI consiste de uma anamnese detalhada, exame físico, diário das eliminações e medida de fluxo urinário, além de outros exames como urofluxometria, exames laboratoriais e exames de imagem. O trato urinário superior deve ser avaliado pela US renal. Além do exame pediátrico geral, é importante verificar alguns aspectos clíni-cos que permitam uma diferenciação com a bexiga neurogênica e com pro-blemas estruturais do TUI. TRATAMENTO Os principais objetivos do tratamento são: restabelecer o padrão normal de micção, normalizar a hiperatividade do detrusor e do assoalho pélvico e al-cançar a continência com controle de TUI e da constipação. O processo de reeducação miccional abrange diferentes métodos: cognitivo, que compreende a percepção do que é errado é o aprendizado do padrão normal da micção com orientações específicas; comportamental, que se rela-ciona com mudanças de hábitos e seguimento de uma nova rotina miccional; fisioterapêutico, com exercícios de contração e relaxamento do assoalho pél-vico com ou sem a técnica de biofeedback. As orientações de mudanças comportamentais listadas a seguir é a forma de transmiti-las são essenciais no início do tratamento: • Micção com hora marcada (intervalos de 2 a 3 horas); • Micção em 2 a 3 tempos, correção da postura ao vaso sanitário; • Controle da ingestão hídrica. Palavras-chave: enurese infantil, distúrbios infantis, incontinência do riso, ur-ge- incontinência. 9 GLOSSÁRIO DE TERMINOLOGIAS E Encoprese - Vazamento involuntário das fezes na roupa íntima sem que a criança perceba. M Monossintomático - Que se manifesta por um único sintoma. REFERÊNCIAS: IMAGENS: Figura 1.1 - http://www.silviatarifa.com.br/conteudo/disfuncoes-miccionais-diurnas.html. Data de acesso: 21/09/2018. Figura 1.2 - http://www.silviatarifa.com.br/conteudo/disfuncoes-miccionais-noturnas-enurese- noturna-infantil.html Data de acesso: 21/09/2018. TERMINOLOGIAS: https://tutores.com.br/blog/como-lidar-com-encoprese-infantil/. Data de acesso: 28/09/2018. https://www.infopedia.pt/dicionarios/termos-medicos/monossintomático. Data de acesso: 28/09/2018. LIVROS: Tratado de pediatria de Fabio Ancona Lopez, Dioclécio Campos Júnior. 2° edição, volume 1. Ano 2010, editora Manole. Sociedade Brasileira de Pediatria. 2 Incontinência Urinária Masculina INTRODUÇÃO Incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina e afeta um número significativo de homens. A prevalência estimada em homens de 60 a 64 anos é de 11%, podendo chegar a 31% nas idades mais avançadas. O impacto da incontinência urinária na qualidade de vida pode ser devastador, afetando a autoestima, atividades diárias sociais e laborais, relações sexuais/ intimidade, podendo ser causa de depressão. Além disso, apresenta custos diretos e indiretos vultosos à sociedade e ao sistema de saúde. A origem da IU em homens pode decorrer de causas vesicais, destacando-se a hiperatividade detrusora, insuficiência esfincteriana ou da combinação das duas. O foco deste capítulo está no tratamento dos pacientes com IU por deficiência esfincteriana, principalmente naqueles pacientes com IU pós-prostatectomia (IUPP). ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA A inontinência urinária masculinadepende de vários fatores, entre os quais se destacam: bexiga de boa capacidade e complacência, ausência de hiperatividade detrusora e mecanismo esfincteriano íntegro e competente, incluindo colo vesical, esfíncter liso e esfíncter estriado. Deficiência esfincteriana pode resultar de cirurgias pélvicas, trauma externo, cirurgias endoscópicas (ressecção transuretral ou uretrotomia interna) ou disfunções neurológicas. A causa mais comum de deficiência esfincteriana é a prostatectomia radical. Outras cirurgias pélvicas também podem causar essa disfunção miccional, como exenteração pélvica, proctocolectomia para tumores de reto e outras cirurgias oncológicas pélvicas. A deficiência esfincteriana nesses casos pode resultar da lesão direta do esfíncter estriado ou de sua inervação (primariamente derivada do nervo pudendo). A IUPP pode ser causada por disfunção vesical, disfunção esfincteriana ou pela combinação das duas. Estudos urodinâmicos demonstraram que a insuficiência esfincteriana ocorre como causa única da IU em mais de 2/3 dos casos, enquanto disfunções vesicais isoladas (hiperatividade detrusora, baixa complacência ou hipocontratilidade detrusora) ocorrem em menos de 10% dos casos. A incidência de IUPP na literatura varia entre 2,5-87%, apesar de séries recentes mostrarem uma incidência mais baixa, entre 2-10%. Em pacientes submetidos a cirurgia para tratamento de hiperplasia prostática benigna a incidência é mais baixa, em torno de 1%. A grande variação nas taxas de IU ocorre principalmente 3 pelo uso de diferentes critérios para definir IU após procedimentos cirúrgicos, além de uso de diferentes métodos de coleta de dados nos diferentes estudos. Outro fator importante é a experiência do cirurgião, observando-se índices de IU menores em cirurgiões com alto volume cirúrgico. INCONTINÊNCIA URINÁRIA PÓS-PROSTATECTOMIA EPIDEMIOLOGIA, FATORES DE RISCO E FISIOPATOLOGIA Com o aumento significativo no número de cirurgias para tratamento de câncer de próstata, a IUPP tornou-se um problema de alta prevalência nos últimos anos. Estudos multicêntricos mostram prevalência de IUPP entre 1-40%, com pelo menos 6-9% dos pacientes necessitando de tratamento cirúrgico para correção de incontinência urinária. Os principais mecanismos de lesão esfincteriana durante ou após a realização de prostatectomia radical são: isquemia do esfíncter uretral, fibrose, atrofia muscular, lesão direta do nervo pudendo e/ou seus ramos e encurtamento do segmento uretral esfincteriano. Existem vários fatores associados a maior chance de IUPP, como a idade do paciente na cirurgia, extensão local do tumor prostático (que pode determinar a necessidade de cirurgia mais radical), técnica cirúrgica utilizada, antecedentes de condições com potencial de afetar o mecanismo esfincteriano (como RTU de próstata ou radioterapia pélvica) e a extensão do segmento esfincteriano da uretra (uretra membranosa). Em relação à técnica cirúrgica, a preservação do colo vesical parece favorecer um retorno mais precoce da continência. Entretanto, não há diferença após 6 meses da cirurgia. Esse fenômeno também parece ocorrer quando se compara as taxas de continência após prostatectomia radical utilizando técnicas diferentes. Aparentemente, a prostatectomia radical videolaparoscópica e a auxiliada por robô oferecem melhores taxas de recuperação da continência urinária no período pós-operatório precoce, mas a prevalência de IUPP após 6 meses tende a ser a mesma da observada após cirurgia por via retropúbica convencional. AVALIAÇÃO DO PACIENTE COM IUPP Portadores de IUPP necessitam de avaliação clínica rigorosa. Todos devem ter suas queixas avaliadas por meio de história clínica detalhada e exame físico dirigido, incluindo avaliação neurológica dos segmentos S2-S4 com pesquisa do reflexo bulbocavernoso, sensibilidade perineal e tônus esfincteriano. O diário miccional 4 é uma ferramenta muito útil na avaliação desses pacientes. Embora não existam recomendações específicas para a utilização desse método, a maioria dos autores concorda que um diário miccional de 3 dias fornece informações suficientes na maioria dos casos. A gravidade da incontinência pode ser avaliada inicialmente pelas queixas dos pacientes e pela realização do teste de fraldas/absorventes (pad test), que consiste em pesar as proteções usadas pelo paciente num intervalo de tempo. Apesar de maior acurácia do teste de 24 horas, a praticidade do teste de 1 hora tem levado alguns autores a recomendar a sua utilização. Os exames de sedimento urinário e cultura de urina devem ser sempre realizados. A dosagem de ureia e creatinina não é obrigatória, devendo ser realizada principalmente nos pacientes com suspeita de função renal debilitada ou poliúria. O estudo urodinâmico completo é muito importante nos pacientes que sejam candidatos a tratamento cirúrgico. Permite comprovar a presença e gravidade da deficiência esfincteriana e avaliar a função vesical (complacência, presença de hiperatividade detrusora) e o padrão de esvaziamento. Entretanto, muitos autores não encontraram relação entre os achados no estudo urodinâmico e o resultado final após a cirurgia para correção de IUPP. A realização de uretrocistoscopia ou uretrocistografia miccional é útil principalmente nos pacientes com suspeita de estenose uretral ou de anastomose vesicouretral micro-hematúria ou infecções urinárias recorrentes. Existem questionários de sintomas e de impacto da incontinência na qualidade de vida que podem ser utilizados na avaliação desses pacientes, o que pode ser usado em estudos e também na avaliação clínica dos pacientes. Na prática, a avaliação criteriosa dos sintomas do paciente, os achados do exame físico (perdas urinárias aos esforços), o número de proteções utilizadas e os achados urodinâmicos permitem, em conjunto, determinar a gravidade das perdas urinárias. ALTERNATIVAS TERAPÊUTICAS TRATAMENTO CONSERVADOR O tratamento conservador pode ser indicado em todos os pacientes que apresentem IUPP nos primeiros 12 meses após a cirurgia. Nesse período, a melhora espontânea da IU pode ocorrer, sendo muito rara após esse período. Assim, tratamentos invasivos devem preferencialmente ser reservados aos pacientes que já tenham sido submetidos à prostatectomia radical há mais de um ano. Antes disso, pode- se oferecer tratamentos cirúrgicos a pacientes altamente selecionados que apresentem IU severa, estável há alguns meses apesar de tratamento conservador adequado. A realização de fisioterapia, com treinamento da musculatura do assoalho pélvico parece promover mais rápido retorno da continência urinária após a prostatectomia 5 radical. Porém, a maioria dos estudos demonstra taxas semelhantes de continência após 12 meses da cirurgia. A maioria dos estudos com fisioterapia para o assoalho pélvico baseia-se no tratamento pós-operatório, iniciado logo após a remoção do cateter uretral. A realização pré-operatória da fisioterapia para o assoalho pélvico parece não ter a mesma eficácia.15,16Não há tratamentos medicamentosos comprovadamente eficazes para a IUPP causada por deficiência esfincteriana. Medicamentos como a imipramina e a duloxetina apresentam o potencial de aumentar o tônus esfincteriano, mas não há estudos que tenham demonstrado sua eficácia nesses pacientes. O uso de anticolinérgicos e outras alternativas de tratamento da hiperatividade detrusora pode ser eficaz nos casos (pouco comuns) em que a hiperatividade detrusora contribui de forma significativa para a incontinência urinária. Esses tratamentos são discutidos detalhadamente no capítulo de tratamento da bexiga hiperativa. TRATAMENTO CIRÚRGICO Existem várias alternativas de tratamento cirúrgico da IUPP. Cada uma apresenta taxas de sucesso e complicações diferentes. A seguir, discutimos aspectos relacionados a cada uma das técnicas disponíveis. INJEÇÃO PERIURETRAL A injeção de substância/agentes que promovam efeito de massa/preenchimento no espaço submucosotem sido utilizada há vários anos para o tratamento da IUPP. O tratamento tem o objetivo de promover melhor coaptação das paredes da uretra posterior, no nível do colo vesical e imediatamente distal à anastomose vesicouretral. O colágeno bovino foi o agente mais utilizado, mas as baixas taxas de sucesso determinaram sua retirada do mercado. Vários outros agentes como macropartículas de silicone, polidimetilsiloxane, ácido hialurônico e esferas de hidroxiapatita em carreadores de celulose têm sido utilizados. A maioria dos estudos não demonstrou superioridade de um agente em detrimento de outro. As taxas de sucesso com o tratamento endoscópico são baixas e a maioria dos pacientes necessita reaplicação. Em pacientes com incontinência leve, estima-se em 4-20% a chance de cura da IUPP e em 50% a chance de significativa melhora. Nos casos de incontinência mais severa, as taxas são ainda menores. São utilizados principalmente nos pacientes com incontinência leve a moderada, por ser o tratamento menos invasivo para a IUPP. Sua utilização, entretanto, deve ser criteriosa, pois nos casos mais severos apenas contribuem para aumentar o custo do tratamento e prolongar o sofrimento do paciente até que alternativas mais eficazes sejam realizadas. A seu favor, vale destacar que não parecem afetar os 6 resultados da colocação de slings ou de esfíncter artificial caso estes se tornem necessários. SLINGS MASCULINOS O termo “sling” no tratamento da incontinência urinária refere-se à colocação de uma faixa suburetral disposta na forma de alça (Figura 1.1). A utilização de slings masculinos baseia-se no conceito de compressão uretral externa passiva. Recentemente, os slings têm sido muito utilizados por representarem alternativa mais simples em relação ao esfíncter artificial. Os slings podem ser colocados em posição retropúbica ou por via transobturatória (Figura 1.1). Estes apresentam a vantagem de não requerer a manipulação do espaço retropúbico, o que é desejável após a prostatectomia radical por causa do maior risco de lesão vesical no uso desta via. Além disso, os slings podem ser fixos ou ajustáveis. Oferecem a vantagem teórica de permitir modificar a tensão da faixa sob a uretra (diminuir ou aumentar) nos primeiros dias após a cirurgia. Acredita-se que cada tipo de sling possa promover a continência predominantemente por um determinado mecanismo, incluindo a compressão uretral externa ou o reposicionamento do bulbo uretral para posição mais cranial. Não há evidências, entretanto, da superioridade de um dos slings comercialmente disponíveis sobre os outros. Ao contrário, a maioria dos estudos indica resultados similares, com taxas de cura de aproximadamente 51% e cura/melhora de 70-80%. Não há estudos de boa qualidade comparando os slings ajustáveis a outros procedimentos para correção de IUPP. As taxas de sucesso relatadas em séries de casos para slings ajustáveis variaram de 17-91%. As taxas de complicações são significativas (até 30%), podendo incluir infecção da ferida cirúrgica, infecção da faixa de sling, retenção urinária por obstrução uretral, osteíte púbica, erosão uretral ou vesical, dor crônica e outras. Os pacientes que obtêm os melhores resultados são aqueles não submetidos a radioterapia, que apresentam incontinência leve a moderada. Além disso, o uso de materiais permanentes (faixas de polipropileno ou silicone) parece oferecer taxas mais duradouras de sucesso do que as observadas com o uso de materiais absorvíveis. Alguns autores propõem o uso de slings mesmo em casos mais graves, nos quais o implante de esfíncter artificial é tradicionalmente melhor. A grande vantagem dos slings em relação ao implante do esfíncter urinário artificial é o fato de que os pacientes potencialmente podem urinar sem a necessidade de manipular aparelhos. Além disso, as taxas de complicações como erosões ou infecções são inferiores com o uso de slings, já que o cuff (manguito) uretral usado nos esfíncteres artificiais promovem algum grau de compressão contínua e circunferencial sobre a uretra, com consequente diminuição da perfusão uretral e maior chance de atrofia/ 7 erosão. Concluindo, em homens com IU leve a moderada, ou naqueles pacientes que desejam procedimento que não requeira manipulação pós-operatória, a colocação de sling suburetral é uma alternativa terapêutica a ser considerada. Resultados de longo prazo ainda não são conhecidos. Figura 1.1 - Colocação de sling de faixa de polipropileno no nível da uretra bulbar por meio de técnica transobturatória. ESFÍNCTER URINÁRIO ARTIFICIAL (EUA) O EUA vem sendo utilizado há mais de 30 anos para pacientes com IU moderada a severa, e ainda é considerado o tratamento mais efetivo para homens portadores de deficiência esfincteriana. Entre as alternativas cirúrgicas para tratamento de incontinência urinária por deficiência esfincteriana, é a única que confere compressão uretral intermitente, permitindo que o paciente acione uma válvula posicionada no escroto para abrir o manguito (cuff) periuretral, no momento da micção (Figura 1.2). As taxas de cura (uso de 0-1 forro por dia) variam entre 55 a 90%, com taxas de satisfação dos pacientes entre 87 a 90%. Entretanto, em função do alto custo, relutância ou inabilidade do paciente em acionar o dispositivo e receio das potenciais complicações, o EUA não é o método ideal para todo paciente portador de deficiência esfincteriana. De fato, optar pelo EUA como método de escolha para o tratamento da deficiência esfincteriana depende não só das características clínicas da incontinência, mas também da destreza manual e capacidade cognitiva do paciente para compreensão do método e das expectativas do paciente frente ao tratamento adotado. Apesar das altas taxas de sucesso e satisfação deste método de tratamento, as taxas de revisão cirúrgica e de retirada do EUA são significativas, variando de 8-45% e 7-17% respectivamente, dentro de um período de 5 anos. As principais complicações que levam à necessidade de revisão cirúrgica são falhas mecânicas, atrofia uretral, erosão uretral e infecção.36 Apesar das elevadas taxas de revisão 8 cirúrgica, o grau de satisfação com o método aparentemente não se correlaciona com o número de revisões realizadas. A atrofia uretral decorre da compressão mecânica da uretra na topografia do manguito. Nessas circunstâncias, a continência uretral piora progressivamente, em função da menor compressão uretral pelo manguito. A incidência de atrofia uretral varia de 3 a 10%. O tratamento da atrofia uretral pode ser feito de várias maneiras. A alternativa mais simples é a troca do manguito por um manguito de menor calibre, restabelecendo o poder de compressão uretral. Outra alternativa é a colocação de um segundo manguito numa porção não atrofiada da uretra. As falhas mecânicas podem incluir a perfuração de um dos componentes do EUA e consequente vazamento do líquido do sistema, presença de bolhas de ar ou debris no interior do sistema, acarretando mau funcionamento e desconexão ou dobras no sistema tubular do equipamento. A incidência dessas complicações varia de 0% a 52,5%. O tratamento das falhas mecânicas exige a reposição do segmento danificado e a reconexão do sistema. Muitas vezes o exato local do problema não pode ser determinado e a melhor opção é a troca de todo o sistema. Erosão e infecção são as complicações mais temidas após o implante do EUA, uma vez que, invariavelmente, exigem a remoção da prótese. Cerca de 2/3 dessas complicações acontecem no primeiro ano após o implante. Um novo implante deve ser colocado geralmente após 3 meses da primeira cirurgia, quando houve resolução do processo infeccioso e da inflamação uretral. As taxas de sucesso são semelhantes às de um primeiro implante de EUA. Nos casos de erosão uretral, o manguito do segundo implante deve ser posicionado fora do sítio de erosão prévia. O uso de técnica de dissecção transcorpórea pode facilitar a dissecção uretral além deconferir maior resistência e compressão uretral. A maioria dos autores considera a radioterapia prévia como fator de risco associado a aumento da incidência das complicações após o implante do EUA. Entretanto, esse fator não contraindica o método. De fato, as taxas de sucesso e satisfação com o método em pacientes submetidos a radioterapia é similar aos não irradiados. Apesar das complicações supracitadas, o EUA se mantém como tratamento padrão ouro no tratamento da deficiência esfincteriana pós-prostatectomia radical, principalmente pelas elevadas taxas de sucesso de longo prazo. Mesmo com elevadas taxas de revisões cirúrgicas, a satisfação dos pacientes tratados pelo método não parece ser afetada pela necessidade de revisão. 9 Figura 1.2 - Ilustração demonstrando os componentes do EUA (A); Colocação do manguito no nível da uretra bulbar (B); Implante do balão no espaço extraperitoneal (C); e da válvula de acionamento no escroto (D). BALÕES AJUSTÁVEIS Introduzidos em 2000, consistem em balões de silicone posicionados lateralmente à uretra proximal, de forma a comprimi-la e coaptar suas paredes (Figura 1.3). Cada balão possui um portal que é colocado superficialmente no escroto, permitindo facilmente manipulação para injeção de soro fisiológico, aumentando o volume do balão e a consequente compressão uretral, até obtenção de continência. Séries de casos demonstraram taxas de sucesso variáveis de 35-70%, com a maioria dos pacientes necessitando de 3 ou mais ajustes para obter resultados satisfatórios. Por outro lado, altos índices de complicações foram observados. As complicações perioperatórias mais comuns são perfurações uretrais ou vesicais. Quando necessária, a retirada do dispositivo se deveu principalmente a falhas do balão, infecções ou erosões. Figura 1.3 - Técnica de implante dos balões periuretrais: (A) Introdução percutânea guiada por fluoroscopia; (B) Controle radioscópico mostrando balões periuretrais (setas) em posição adequada; Uretroscopia antes (C) e após (D) Implante dos balões, demonstrando coaptação da parede uretral. 10 OUTROS TIPOS DE IU EM HOMENS RADIOTERAPIA PÉLVICA Pacientes submetidos a radioterapia externa podem desenvolver incontinência em cerca de 0-18% dos casos. Ela é mais comum em pacientes que necessitem de procedimentos endoscópicos, como ressecção endoscópica da próstata ou uretrotomia interna. Quando a radioterapia adjuvante é realizada em paciente previamente submetido a prostatectomia radical, é comum haver piora da continência, o que pode ocorrer após meses ou anos. Conforme discutido previamente, o tratamento radioterápico é um fator de maior risco de complicações e necessidade de revisões cirúrgicas após o implante de EUA (38% x 22%), provavelmente em função da vasculopatia induzida pela radiação. Mesmo assim, os melhores resultados nesses pacientes são obtidos com o EUA, comparados com o uso do balão ajustável e dos slings. NEOBEXIGA Pacientes submetidos a cistectomia radical e que tenham uma neobexiga frequentemente apresentam incontinência urinária. As taxas de longo prazo (após 6 meses da cirurgia) de IU diurna nesses pacientes são de cerca de 10 a 25% e até 45% de IU noturna. A IU pode ser atribuída a deficiência esfincteriana ou problemas com a neobexiga, notadamente o peristaltismo do segmento intestinal usado na confecção da neobexiga. Nos casos de deficiência esfincteriana, o implante de EUA é o mais indicado, apesar de não haver dados para recomendações definitivas. TRAUMATISMO PÉLVICO Até 20% dos pacientes com lesões traumáticas de uretra posterior podem se tornar incontinentes. Há poucas séries sobre tratamento cirúrgico de IU nesses casos. Como na maioria deles ocorre grande processo de fibrose e possível distorção do colo vesical e uretra posterior, cirurgias de sling, injeção endoscópica de agentes ou implante de balões periuretrais não parecem boa opção. Dessa forma, o implante de EUA parece ser a melhor opção, notadamente nos casos de IU mais severa. Em situações em que a uretra seja muito ruim e sua reconstrução inviável, pode haver indicação de fechamento do colo vesical e realização de derivação externa continente. 11 Palavras-chave: bexiga urinária, doenças da bexiga urinária, doenças uretrais, obstrução uretral, doenças urológicas. GLOSSÁRIO DE TERMINOLOGIAS A Acurácia - Exatidão e precisão numa medição ou no resultado apresentado por um instrumento de medição. D Duloxetina - Medicamento antidepressivo E Exenteração - Excisão completa do conteúdo de uma cavidade; retirada de um ou mais órgãos. I Imipramina - Medicamento antidepressivo. V Vasculopatia - designação genérica das doenças dos vasos. REFERÊNCIAS LIVROS: Urologia Brasil, Aguinaldo Cesar Nardi, Archimedes Nardozza Jr, Carlos Alber to Bezerra, Carlos Eduardo Corradi Fonseca, José Carlos Truzzi, Luis Augusto Seabra Rios, Marcus Vinicius Sadi. São Paulo, 2013, Planmark Editora Ltda. 12 TERMINOLOGIAS: https://www.dicio.com.br/acuracia/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Duloxetina https://www.dicio.com.br/exenteracao/ http://www.medicinanet.com.br/bula/2796/imipramina.htm https://www.infopedia.pt/dicionarios/termos-medicos/vasculopatia Data de acesso: 04/10/2018. 2 Fisioterapia – Técnicas de reabilitação em uroginecologia TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO EM UROGINECOLOGIA Existem várias técnicas usadas pelos fisioterapeutas para reestabelecer a função dos músculos do assoalho pélvico (MAP). O ginecologista californiano, Arnold Kegel, em 1948 compreendeu a função destes músculos no mecanismo da continência e prescreveu o exercício diário através de contrações voluntárias dos mesmos para as mulheres incontinentes, os quais ficaram mundialmente conhecidos como exercícios de Kegel. O foco do tratamento fisioterapêutico é o reforço dos músculos que compõem o assoalho pélvico através de exercícios e eletroestimulação e a reeducação miccional. É relevante que o paciente saiba qual o motivo da incontinência e a importância de trabalhar essa musculatura. Além disso, a conscientização do MAP é imprescindível para o tratamento, pois se o paciente não utilizar a contração corretamente, o sucesso não será alcançado. A abordagem é minimamente invasiva e praticamente sem efeitos adversos. O sucesso depende da motivação e empenho tanto da paciente quanto da equipe multidisciplinar envolvida. TREINAMENTO DO MAP Treinamento das fibras do tipo I (lentas) Treinamento das fibras do tipo II (rápidas) 3 Fisioterapia – Técnicas de reabilitação em uroginecologia • Protocolos devem ser individualizados • Exercícios diários com ou sem supervisão BIOFEEDBACK DE EMG E PRESSÃO • Necessita de algum nível de atividade muscular. • Fornece resposta sonora, escala luminosa, traçado e jogos. O Biofeedback é um aparelho que monitora as contrações musculares e oferece durante o treinamento informações (através de sinais sonoros ou visuais) se você está ou não contraindo de forma correta os MAP. Promove um condicionamento muscular através das repetições, mas deve-se salientar que ele não é um método para alcançar força. A contração dos MAP é captada por uma sonda inflável ou um sensor que capta a atividade elétrica dos músculos e é amplificada pelo aparelho resultando no sinal visualizado pelo paciente. 4 Fisioterapia – Técnicas de reabilitação em uroginecologia ELETROESTIMULAÇÃO • Neuromodulação da bexiga e do intestino • Ativação de fibras musculares • Analgesia O uso de correntes elétricas de baixa voltagem produzem estímulos específicos em nervos e músculos produzindo como resultado a contração muscular (eletroestimulação) ou a modificação de uma função coordenada pelo sistema nervoso (neuromodulação). A eletroestimulação promover a conscientização ou o reforço em músculos extremamente fracos. Não deve substituir a contração feita pelo próprio paciente nos exercícios. A neuromodulação pode ser obtida através de método cirúrgico (implantando- se eletrodos nas raízes nervosas namedula espinhal) ou externamente em locais específicos onde passam os nervos que também inervam a bexiga. O objetivo desta técnica é diminuir as contrações involuntárias do músculo da bexiga que comprometem a continência urinária ou controlar a contração do esfincter anal melhorando o controle da continência fecal. 5 Fisioterapia – Técnicas de reabilitação em uroginecologia REFERÊNCIAS FILHO, A. L. S, et al. Análise dos recursos para reabilitação da musculatura do assoalho pélvico em mulheres com prolapso e incontinência urinária. Fisioter Pesq, 20(1). 2013. 90-96. Recursos fisioterapêuticos em uroginecologia. OncoFisio. Disponível em: http:// www.oncofisio.com.br/recursos-fisioterapeuticos-em-uroginecologia. Acesso em: 22 de Julho de 2019. Uroginecologia e obstetrícia. PUCS – Centro de Reabilitação. Disponível em: http:// www.pucrs.br/reabilitacao/servicos/uroginecologia-e-obstetricia/. Acesso em: 22 de Julho de 2019. *Além do material disponibilizado pela SANAR, via Power Point (PDF).