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Acadêmicos: Agatha Trindade, Ana Paula Marques, Angela Cavalheiro, Elivelton Elias, Gabriele Trajano. Professor: Arthur Cherem. SÍNDROME DE DOWN Síndrome de Down Condição genética causada pela presença e expressão de três cópias de genes localizados no cromossomo 21, ocorrendo em sua maioria pela Trissomia livre. Ocorre em cerca de 95% dos casos de Síndrome de Down. Figura 1. Comparação de cariótipos . Fonte: : Disponível em: http://downmonterrey.mx/wp-content/uploads/2013/05/15228948-cariotipohumano-normal.jpg. Trissomia do cromossomo 21 Figura 2. Mutação cromossômica que origina a Síndrome de Down. Fonte: José Salsa, 2004. Síndrome de Down Mosaicismo Em menor frequência, temos a presença da Síndrome de Down por Mosaicismo. Geralmente, a perda ou a duplicação de um cromossomo faz com que a pessoa desenvolva o seu organismo com 2 tipos de células e 2 tipos de material genético. Ocorre quando em um mesmo indivíduo há mais de uma linhagem celular geneticamente diferente, porém derivada de um mesmo zigoto. Figura 3. Esquema representativo sobre Mosaicismo. Fonte: Site Tua Saúde. Tipos de Mosaicismo Germinativa: afeta os espermatozóides ou óvulos, com alterações capazes de ser transmitidas para os filhos. Exemplos: Síndrome de Turner, Osteogênese Imperfeita e Distrofia Muscular de Duchenne; Somática: as células de quaisquer outros locais do corpo carregam esta mutação, sendo que a pessoa pode ou não desenvolver alterações físicas causadas por ele. Assim, a expressão física da mutação depende de quais e quantas células do corpo são afetadas. Exemplos: Síndrome de Down e a Neurofibromatose. Translocação e arranjo cromossômico Ainda que raramente, temos a Síndrome de Down por translocações. 3 a 4% dos casos de Síndrome de Down são deste tipo. O cromossomo extra encontra-se ligado a um segmento terminal de outro cromossomo (geralmente o 14). Esse arranjo cromossômico denomina-se translocação. Uma ferramenta de investigação para a triagem de translocações é chamada de Hibridização In Situ de Florescência Multicor, também conhecida como Cariótipo Espectral. Trissomia do 21 Figura 4. Cariótipo de um indivíduo do sexo feminino (XX), portador da trissomia do cromossomo 21 – Síndrome de Down. Fonte: Só Biologia Figura 5. Translocação Fonte: FAMERP, 2006. Figura 6.Mosaicismo Fonte: FAMERP, 2006. Translocação Mosaicismo Fenótipo: Olhos Epicanto; Fenda palpebral oblíqua; Sinófris Mancha de Brushfields Figura 8. Manchas Brancas na íris de um paciente com SD. Fonte: © Springer Science+Business Media Figura 7. Olhos de uma criança com SD Fonte: Site Evento Agenda Fenótipo: Nariz Ponte nasal plana; Nariz pequeno Figura 9. Bebê com SD fenótipo nasal Fonte: Waterloo Regional Down Syndrome Society WRDSS Figura 10. Criança com SD característica nasal Fonte: Site Odontomania Fenótipo: Boca Palato alto, língua com sulcos Hipodontia Protusão lingual Figura 11. Manifestação dermatológica da SD - língua fissurada Fonte: Site Doctor Hoogstra Figura 12. Criança com SD – língua com sulcos Fonte: Site Clínica Fluen Salud Fenótipo: Formato da cabeça Braquicefalia: a largura é maior em relação ao comprimento; A região posterior da cabeça é chata ao invés de arredondada Figura 13. Características da braquicefalia Fonte: PortalPed Fenótipo: Orelha Pequena com lobo delicado; Implantação baixa Figura 14. Orelha com implantação baixa Fonte: PortalPed Figura 15. Criança com SD – característica auricular Fonte: Site Wordpress Fenótipo: Mãos Clinodactilia do 5 dedo da mão; Prega palmar única Figura 17. Detalhe das pregas palmares da criança com SD Fonte: Springer Science+Business Media Figura 16. - Clinodactilia do quinto dedo Fonte: Portal UNISEPE Fenótipo: Pés Distância entre o 1 e o 2 dedo do pé Figura 18. Pés de uma criança com Síndrome de Down, mostrando o longo espaço entre o primeiro e o segundo dedo. Fonte: Loranchet /Wikicommons Fenótipo: Pescoço Excesso de tecido no dorso do pescoço; Pregas nucais redundantes; Instabilidade atlanto-axial: movimento maior do que o usual entre a primeira e a segunda vértebra do pescoço, sendo a mais comum e importante alteração encontrada na coluna cervical de pacientes portadores da SD (8 a 31%). Figura 19. Instabilidade atlanto-axial. Fonte: Canal Age2B - YouTube Figura 20. . Detalhe da prega nucal Fonte: Springer Science+Business Media Fenótipo: Estatura Apresentam baixa estatura Figura 21. Jovem com características típicas da SD Fonte: From Bird T, Sumi S: Atlas of Clinical Neurology. Editado por RN Rosenberg. Philadelphia, Current Medicine, 2002. Gráfico 1. Curvas de crescimento para comprimento/estatura em meninos com síndrome de Down entre 0 e 18 anos Fonte: Growth charts in children with Down syndrome: a systematic review Diagnóstico O diagnóstico da SD é um processo que pode ser iniciado no período gestacional. Através da ultrassonografia morfológico fetal pode-se avaliar a translucência nucal de forma a preconizar a presença da síndrome. Outra forma de diagnóstico no período gestacional é a biopsia de vilo corial, técnica mais invasiva, pois o feto está num período entre 11 e 13 semanas. Em complemento pode ser realizada a amniocentese a partir da 15 semana para obtenção do líquido amniótico. Após o nascimento é feito o exame do cariótipo que confirma o diagnóstico clínico, de forma que são examinados o número e a estrutura dos cromossomos, a partir de exame de sangue. Além disso, outras características físicas são analisadas clinicamente. Ultrassonografia Figura 22. Medida da Translucência Nucal e presença de osso nasal. Fonte: FEBRASGO, 2018 Figura 23. Pré-natal feto com SD Fonte: The Christian Broadcasting Network Vilosidade coriônica A biópsia das vilosidades coriônicas é um exame complementar ao diagnóstico pré-natal. Sua execução se dá pela obtenção de tecido trofoblástico fetal, das células da placenta em desenvolvimento (córion), podendo ser via transabdominal ou transcervical. A realização desse cariótipo fetal permite que se identifiquem alterações cromossômicas de forma precoce, relacionadas às trissomias, monossomias, etc. No entanto, os riscos associados a esse procedimento são bem graves, como: Perda fetal: 1:100; Infecção intra-amniótica: 1:500; Contaminação com o sangue materno: 1:1000. Escala de Hipermobilidade A Escala de Beighton (BS) é um conjunto de manobras num sistema de pontuação de nove pontos. Utilizado como método padrão de avaliação da Hipermobilidade Conjunta Generalizada, originalmente foi desenvolvida como um instrumento epidemiológico usado para investigar grandes populações com essa condição, mas posteriormente foi adotado como um instrumento clínico para fins de diagnóstico. As crianças com SD apresentam hipermobilidade Tabela 1. Escala de Beighton Adaptada Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria Escala de Equilíbrio A Escala de Equilíbrio de Berg (Berg Balance Scale) trata-se de um teste clínico utilizado de forma ampla para verificar habilidades de equilíbrio estático e dinâmico Seu nome é uma homenagem à Katherine Berg, uma das desenvolvedoras desta escala. A pontuação máxima dessa escala é de 56 pontos, e são realizadas 14 perguntas/avaliações. Cada pergunta possui pontuação máxima de 4 e mínima igual a 0. Quanto menor o resultado final, maior o nível de dependência. Os resultados finais podem ser lidos com base na tabela. As crianças com SD podem apresentar dificuldades de equilíbrio. ≤ 20 usuário de cadeira de rodas >20 ≤ 40 pode andar mas com assistência >40 ≤ 56 independente Tabela 2. Interpretação Escala de Berg Adaptada Fonte: Katherine Berg Escala de Hipotonia A escala de Campbell, desenvolvida por Susan Campbell, é muito utilizada para a avaliação da hipotonia muscular. Nessa escala, quanto maior o grau, mais severo é o caso. Assim, podemos dizer que quanto maior o grau, maior será a flacidez muscular É por meio da interpretação dessa escala que o fisioterapeuta dará o direcionamentodo tratamento, considerando as necessidades da criança e seu nível de comprometimento do tônus muscular. As crianças com SD apresentam Hipotonia. Tabela 3. Interpretação Escala de Campbell Adaptada Fonte: Susan Campbell Escala de Berg Pediátrica 1- Posição sentada para posição em pé (sendo 4 para: capaz de levantar-se sem utilizar as mãos e estabilizar-se independentemente e 0 para: necessita de ajuda moderada ou de máxima para levantar-se); 2- Permanecer em pé sem apoio 3- Permanecer sentado sem apoiar as costas, com os pés apoiados no chão 4- Posição em pé para posição sentada 5- Transferências (cadeira com apoio de braço para um cadeira sem apoio) 6- Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados 7- Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos Escala de Berg Pediátrica 8 - Alcançar à frente com o braço estendido, permanecendo em pé (sendo 4 para consegue alcançar 25cm com segurança e 0 para: perde total equilíbrio) 9 - Pegar um objeto do chão a partir de uma posição em pé 10 - Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros direito e esquerdo enquanto permanece em pé 11 - Girar 360 12 - Posicionar os pés alternadamente no degrau enquanto permanece em pé sem apoio 13 - Permanecer em pé sem apoio com um pé à frente 14 – Permanecer em pé sobre uma perna Tratamento e Acompanhamento Quadro 1. Acompanhamento por ciclo de vida Fonte: Diretrizes de Atenção à pessoa com Síndrome de Down. Tratamento Fisioterapêutico A fisioterapia tem como base a avaliação, o planejamento e a execução do programa, com orientações e reavaliações periódicas. Uma intervenção fisioterapeutica precoce pode trazer à criança com SD maiores benefícios devido a plasticidade neural que ocorre de forma mais intensa nos primeiros meses de vida. A abordagem com o profissional de fisioterapia é prioritária desde o nascimento e deve ser reforçada até os 3 anos de idade, e se possível deve-se manter ao longo do desenvolvimento pessoal do paciente. 27 Prática - Fisioterapeuta Figura 24. Intervenção Fisioterapeutica – Exercício com Bosu Fonte: autoria própria Exercícios com o Bosu podem melhorar a condição física, por meio de exercícios cardiovasculares, de flexibilidade e força. Com este material podemos realizar diversas variações de atividades voltadas ao tônus muscular, como equilíbrio, postura, e propriocepção da criança com Síndrome de Down. Prática – Fisio/Fono Exercício com intervenção multidisciplinar utilizando o circuito de cones para trabalhar a concentração, coordenação motora, equilíbrio, propriocepção e tônus muscular. Ao realizar o circuito com a equipe, a Fono pode participar questionando o paciente quanto às cores dos objetos, estimulando a fala. Figura 25. Intervenção Fono/Fisio – Exercício com cones Fonte: autoria própria Questões Éticas Além do cuidado na investigação da síndrome, faz-se necessário que a equipe multidisciplinar seja empática e preste o apoio necessário para maior entendimento da rede familiar da criança que está chegando. Dessa forma, podemos citar algumas resoluções presentes nas Diretrizes de atenção à pessoa com Síndrome de Down: - A comunicação quanto a suspeita diagnóstica ou quanto o diagnostico de SD deve ser feita quando sinais e sintoma característicos sejam identificados por mais de um membro da equipe; - A comunicação à mãe deve ser feita preferencialmente na presença do pai, ou na sua ausência, de outro membro da família que represente um relacionamento significativo; - O local deve ser reservado e protegido de interrupções; Questões Éticas Durante o exame físico, mostrar para os pais quais as características fenotípicas da SD que levaram ao diagnóstico clínico; Durante anos a pessoa com síndrome de Down foi vista como um doente ou, ainda, como se fosse uma eterna criança, desconsiderando sua plena capacidade de criar relações sociais, dificultando assim o desenvolvimento dentro de suas potencialidades. As abordagens terapêuticas devem auxiliar na dimensão ética das relações sociais, envolver as pessoas com deficiência incorporando as ações necessárias para a superação dessas barreiras discriminatórias que as impedem de usufruir dos direitos e deveres de uma vida plena. Incidência A incidência mundial da síndrome de Down é estimada em 1:1000 nascidos vivos. Anualmente nascem, aproximadamente, 3000 a 5000 crianças portadoras da síndrome. Estima-se que, no Brasil, 1:700 (ou 800) nascidos tenha a SD (NETO, Américo, 2021). Gráfico 2. Incidência de Síndrome de Down por número de nascimento relacionada a idade da mãe Fonte:GRIFFITHS, 2005 Gêmeos com Síndrome de Down “Para cada 1000 gestações de gêmeos, cerca de 2 terão pelo menos 1 bebê com Síndrome de Down. No entanto, a chance de que a gravidez seja de gêmeos e de que ambos tenham SD é de cerca de 1 em 1,5 milhões”, segundo Pamela Trapane, diretora médica do Hospital Infantil Wolfson, na Flórida. Figura 26. Gêmeas Blakeley e Brynnlee – Bebês com SD. Fonte: Laura Duggleby Figura 27. Gêmeos Charli e Milo – crianças com SD. Fonte: Instagram - @chucklesandmeatloaf ©. Referências AMORIM, Tatiana R. S. M. Aspectos clínico-demográficos da síndrome de Down em serviço de referência na Bahia. Salvador: UFBA, 2002. 104 f. Dissertação (Mestrado) Pós-Graduação em Medicina e Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2002. BARROS , TARCÍSIO ELOY PESSOA FILHO; OLIVEIRA, REGINALDO PERILO; RODRIGUES, NILSON RODNEI; GALVÃO, PAULO EDUARDO DE CARVALHO; SOUZA4, MÁRCIO PAPALEO. Instabilidade atlanto-axial na síndrome de Down: Relato de dez casos tratados cirurgicamente. Revista Brasileira Ortopedia , Brasil, v. Vol. 33, ed. 2 ed., 1998. Disponível em: https://cdn.publisher.gn1.link/rbo.org.br/pdf/33-2/1998_fev_12.pdf. Acesso em: 14 abr. 2023. BEIGHTON, Peter, et al. Hypermobility of Joints, 2nd ed. London, Springer-Verlag, 1989. BERG, Katherine; Wood-Dauphine, Sharon; Williams, J. 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