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Ciências dos Alimentos Carnes, Aves e Pescados Aula adaptada da Profa Jussele Lourenço Definição Carnes são massas musculares maturadas e demais tecidos que as acompanham, incluindo ou não a massa óssea correspondente, que procede de animais abatidos sob inspeção sanitária; pescado é a denominação genérica que corresponde peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, quelônios e mamíferos de água doce ou salgada utilizados na alimentação humana. (BRASIL, 1952) (Decreto nº 30.691 de 29 de março de 1952) Composição • Proteínas • Sarcoplasmáticas • Enzimas • Mioglobina: oximioglobina e metamioglobina • Miofibrilares: actina e miosina • Capacidade de retenção de água (CRA) nos tecidos • Tecido conectivo • Colágeno e elastina ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Composição • Lipídeos • Alimentação, idade do animal, tipo de corte • Ácidos graxos saturados e monoinsaturados • Vitaminas • Minerais ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Composição ARAUJO et al. (2009) ESPECIES ÁGUA PROTEÍNA LIPÍDIO CINZAS Bovinos 70 – 73 20 – 22 4 – 8 1 Suínos 68 – 70 19 – 20 9 – 11 1,4 Aves 73,7 20 -23 4,7 1 Cordeiro 73 20 5 – 6 1,6 Bacalhau 81,2 17,6 0,3 1,2 Salmão 64 20 - 22 13 - 15 1,3 Tabela 1. Composição do tecido muscular magro o Extrínsecos •Temperatura •Umidade relativa do ar •Luz •Espaço •Nível de ruído •Alimentação •Manejo ou criação Fatores que interferem... NA COMPOSIÇÃO E NA QUALIDADE FINAL DA CARNE. o Intrínsecos • Espécie • Raça • Idade • Sexo • Tipo de Corte • Músculo o Carnes vermelhas (bovina, suína, ovina, bubalina e caprina) o Carnes de aves (frango, pato, peru, ganso, avestruz) o Pescados (peixes, camarão, lagosta e ostras) o Caça (animais não domésticos) Classificação das Carnes FONTE: ARAUJO et al (2009); LIMA (2010) Classificação das Carnes o Carne fresca: pode ter osso ou ser desossada, obtida logo após o abate, ou após simples refrigeração. o Carne congelada: carne conservada em temperaturas de - 180C a -200C e como tal comercializada, em partes ou por carcaças. o Carne salgada: carne conservada pela adição de cloreto de sódio (NaCl), em proporção suficiente para impedir sua deterioração. Em geral, há perda de água e as peças são conservadas com uma camada de sal. o Carne curada: carne que passa pelo processo de cura. o Carne defumada: é a que salgada, curada ou não, é submetida a defumação. o Carne maturada: carne que passa pelo processo de maturação. FONTE: LIMA (2010) Rigor Mortis O rigor mortis ou rigidez cadavérica corresponde ao conjunto de reações bioquímicas e estruturais que ocorrem simultaneamente e depende do tratamento dado ao animal ante-mortem, do processo de abate e das técnicas de armazenamento post- mortem, sendo responsáveis pelas características sensoriais da carne. Tabela 2. Instalação do Rigor mortis em animais As carnes que não cumprem o tempo de rigor mortis apresentarão baixa CRA. Animal Tempo de instalação do rigor mortis Bovino/ Carneiro 12 horas Suíno 6 a 8 horas Aves 1 a 2 horas Peixes 0,5 a 1 hora Conservação das carnes • Sistema de refrigeração rápida (4°C) • Retarda o desenvolvimento de micro-organismos e as reações químicas e enzimáticas • Validade: 1 a 2 semanas • Sistema de congelamento rápido (-18°C) • Congelamento de água intra e extracelular • Pequenos cristais de gelo / lipídeos • Descongelamento ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Conservação das carnes • Calor • Transformações progressivas • 50°C – desnaturação proteínas sarcoplasmáticas • 63°C – solubilização parcial do colágeno – gelatina • Aquecimento prolongado: maior dureza • Pigmento • Globina: mio-hemocromogênio (pardo-clara) • Globina: mio-hemicromogênio (marro-escura) • Caramelização e reação de Maillard (carne de porco) ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) • Carnes que apresentam SIF (Serviço de Inspeção Federal) • Transporte adequado • Sob refrigeração • Peças inteiras e pedaços • Embalagem ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Aquisição e Armazenamento ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Carnes Características Bovina Coloração vermelha, carne moída, gordura creme e macia. Não pegajosa e lisa Aves Coloração homogênea, sem sinais de machucados. Úmida, consistência flexível, pele intacta Suína Coloração rosada, mais escura na perna e no lombo. Gordura firme e branca Peixes Coloração brilhante, carne úmida, firme, lisa e elástica. Olhos inteiros, úmidos, brilhantes e salientes. Guelras limpas, vermelhas e brilhantes Aquisição • Descongelamento adequado • Lavagem das peças - NÃO • Limpeza • Retirada das partes não comestíveis • Cálculo do FC / IPC - rendimento • Cortes • Perdas nutricionais – líquidos / oxidação ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Pré - preparo Formas de preparo Bifes (sentido transversal) – gordura (efeito amaciante) • Cortes • Bifes • Chateaubriand / Tournedos • Medalhões / Escalopes • Bistecas • Iscas • Cubos • Moída ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Pré - preparo • Cortes do filé mignon Pré - preparo 1) Chateaubriand – 350 a 400 g (generosa porção de filé mignon, de mais ou menos 5cm de altura, geralmente retirada do centro do filé, servido bem passado por fora e mal passado por dentro) 2) Tournedos – 200 a 250g(normalmente metade de um chateaubrian) 3) Medalhões –90 a 120g(corte no formato redondo) 4) Escalope/Escalopinho – 60 a 70g(corte em fatias finas, no sentido transversal das fibras) 5) Emincé – pedacinhos • Amaciamento • Mecânico • Rompimento das fibras musculares • Aumento da perda de sucos da carne • Enzimático • Bromelina, papaína e ficina • Químico • Ácidos: vinagre, limão, vinho • Marinada ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Pré - preparo • Amaciamento • Maturação a vácuo Carne desossada, peças ou cortes, embalagem a vácuo em câmaras frigoríficas 0°C por até 60 dias ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Pré - preparo Maturação Compreende: o Relaxamento lento do músculo amolecimento da carne após 8 a 12 dias de armazenamento sob refrigeração (T = 00C) o Enzimas naturais da carne e pH ácido degradação do músculo contraído o Oxidação de gorduras Esse processo é na verdade o início da decomposição da carne. É feito sob controle, favorecendo a ação das enzimas naturais da carne, sem permitir contaminações e putrefação. • Cocção • Calor seco (carnes mais macias e com menos tecido conectivo) • Assar • Grelhar • Refogar • Fritura ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Preparo • Cocção • Calor úmido (carnes com mais tecido conectivo) • Fervura • A vapor • Calor misto • Ensopar ARAUJO et al. (2007); PHILIPPI (2003) Preparo Vísceras Miúdo Utilização e características Fígado Cocção rápida. Deve ser temperado apenas no final da cocção. Bovino: grelhado, fruto, refogado, patês Rim Bovino: cozido, frito e grelhado Língua Bovina: fatiada em molho ou na feijoada (limpeza e fervura) Moela Ave: refogada, ensopada – uso em farofas e recheios Coração Bovino e de aves: churrasco, cocção lenta Tripa ou bucho Estômago bovino: dobradinha Pulmão (bofe) Culinária baiana: cortado, temperadocom vinha d´alho por dois dias e seco ao ar livre Grata pela atenção!