Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

VOLUME II
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Elaboração 
de Projetos 
Inovadores
na Educação 
Profissional
2a Edição revisada e ampliada
Editora 
SENAI/ PR
Departamento Regional
FIEP- Federação das Indústrias do Estado do Paraná
	 Rodrigo	Costa	da	Rocha	Loures
	 Presidente
	 Ovaldir	Nardin
	 Superintendente	Corporativo	do	Sistema	Fiep
	 Diretor	Financeiro
SENAI	–	Departamento	Regional	do	Paraná
	 João	Barreto	Lopes
	 Diretor	Regional
	 Antonio	Bento	Rodrigues	Pontes
	 Diretor	de	Administração	de	Controle
	 José	Antonio	Fares
	 Diretor	de	Recursos	Humanos	
	 Pedro	Carlos	Carmona	Gallego
	 Diretor	de	Tecnologia	de	Gestão	de	Informação
	 Hans	Gerhard	Schörer
	 Diretor	de	Inovação
	 Marcelo	Passi	Mafra
	 Diretor	de	Marketing	
		 Luiz	Virgilio	Zaina	de	Macedo
	 Diretor	de	Captação	e	Fomento
	 Milton	Bueno
	 Diretor	de	Relações	com	os	Sindicatos	e	Coordenadorias	Regionais	
	 Marco	Antônio	Areias	Secco
	 Diretor	de	Operações
	 Gerente	de	Orientação	Profissional	e	Aprendizagem	Industrial
	 Tadeu	Pabis	Junior
	 Gerente	de	Capacitação	Técnica	e	Pós-Graduação	Tecnológica	Industrial
	 José	Ayrton	Vidal	Junior
	 Gerente	de	Qualificação	e	Aperfeiçoamento	Profissional
	 Reinaldo	Victor	Tockus
	 Gerente	de	Serviços	Técnicos	e	Tecnológicos
	 Sonia	Regina	Hierro	Parolin
	 Gerente	do	Programa	Inova	SENAI	/	SESI/	IEL
	 Amilcar	Badotti	Garcia
	 Gerente	de	Alianças	Estratégicas	e	Projetos	Especiais
	 Osvaldo	Pimentel
	 Gerente	de	Planejamento,	Orçamento	e	Gestão
	 Marilia	de	Souza
	 Gerente	do	Observatório	SENAI	de	Prospecção	e	Difusão	de	Tecnologia		
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Curitiba PR
2008
Sonia Regina Hierro Parolin
Organizadora
Deusdedit Carvalho de Moraes
Heloisa Cortiani de Oliveira
Simone Luzia Maluf Zanon
Thaise Nardelli
Elaboração 
de Projetos 
Inovadores
na Educação 
Profissional
2008,	FIEP	–	Federação	das	Indústrias	do	Estado	do	Paraná
Qualquer	parte	desta	obra	poderá	ser	reproduzida,	desde	que	citada	a	fonte.
Os	volumes	da	Coleção	Inova	estão	disponíveis	para	download no	site: www.fiepr.org.br/colecaoinova
Elaboração	 de	 projetos	 inovadores	 na	 educação	 profissional	 /	 Sonia	 Regina	 Hierro	 Parolin	 (org.);	 Deusdedit	
Carvalho	de	Moraes,	Heloisa	Cortiani	de	Oliveira,	Simone	Luzia	Maluf	Zanon;	Thaise	Nardelli.	2a	edição	(revisada	
e	ampliada).	Curitiba:	SESI/SENAI/PR,	2008.
	 144	p.:	il.	;	30	cm.	–	(Coleção	Inova	;	v.	1).
	 1.	Projetos.		2.	Educação	profissional	–	Inovações	tecnológicas.
I.	Parolin,	Sonia	Regina	Hierro	(org.).		II.	Moraes,	Deusdedit	Carvalho	de;	III.	Oliveira,	Heloisa	Cortiani	de.	IV.	Zanon,	
Simone	Luzia	Maluf.		V.	Nardelli,	Thaise.
CDU	331.5
Programa	Inova	SENAI	/	SESI	/	IEL	PR
Av.	Cândido	de	Abreu,	200
Centro	Cívico	–	Curitiba	–	PR
Tel	(41)	3271-	9353	/	3271-	9354
Home page:	www.pr.senai.br/inova
e-mail:	inova@pr.senai.br
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Sobre a Coleção Inova
A inovação é elemento fundamental para o desenvolvimento 
econômico e é no setor produtivo que ela encontra o espaço 
ideal para se manifestar. 
A indústria brasileira aprendeu na prática que precisa enfrentar 
diversos desafios nessa área: aumentar os investimentos no 
desenvolvimento de produtos, renovar processos e ainda 
tornar-se mais ágil para responder com rapidez às novas 
demandas do mercado. 
Remar em outra direção traz como resultado a perda da 
competitividade. Por isso, cada vez mais, as empresas 
buscam profissionais com capacidade de criar, iniciativa para 
formular soluções e facilidade para trabalhar em equipe.
As instituições de educação têm estar preparadas para formar 
profissionais com esse perfil.
Uma forte contribuição nesse sentido está sendo oferecida 
pela Coleção Inova. Editada pelo Sistema Federação 
das Indústrias do Estado do Paraná, pelo Senai, Sesi, 
Iel e Unindus PR, irá tratar de um tema diferente a cada 
volume, apresentando à comunidade acadêmica e científica, 
empresários e ao público em geral informações que ampliem 
a compreensão do papel de cada um no esforço direcionado 
à inovação. 
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Serão discutidos assuntos relacionados à criatividade, 
inovação, empreendedorismo e propriedade intelectual, 
de forma a contribuir para o aprimoramento da educação 
profissional e para a competitividade sustentável da 
indústria.
A Coleção Inova também atende ao objetivo estratégico do 
Sistema Fiep, de desenvolver a cultura empreendedora e 
ambiente propício à inovação.
Rodrigo Costa da Rocha Loures
Presidente do Sistema Federação 
das Indústrias do Estado do Paraná
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Sumário
APReSeNTANDO O VOLuMe I ................................................................................................09
João Barreto Lopes
INTRODuÇÃO .........................................................................................................................11
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. exigências do Mercado de Trabalho ...................................................................................................11
2. Perfil Profissional ................................................................................................................................15
PARTe I – DeFINIÇÃO, eLABORAÇÃO e eTAPAS De uM PROJeTO .........................................19
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Definição, elaboração, tapas de um projeto .......................................................................................19
2. Características ...................................................................................................................................23
2.1 Limites entre rotina e projeto ......................................................................................................24
2.2 Finalidades, utilidades e benefícios .............................................................................................26
2.3 Importância da Gestão ................................................................................................................28
2.4 Papel do Gerente de Projetos ......................................................................................................29
2.5 Benefícios do Gerenciamento de Projetos ...................................................................................30
2.6 Tipos de projeto ..........................................................................................................................31
2.7 Projetos Inovadores ....................................................................................................................34
3. Características da Inovação ...............................................................................................................37
PARTe II - PROJeTOS NA eSCOLA ..........................................................................................43
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. ensino por projetos x aprendizagem por projetos ...............................................................................43
2. Pedagogia de Projetos ........................................................................................................................49
3. Papel do Professor na Pedagogia de Projeto .......................................................................................56
3.1 Questões metodológicas..................................................................................................................57
4. Papel do aluno na Pedagogia de Projetos ...........................................................................................63
5. elaboração de Projetos na educação Profissional ...............................................................................65
5.1 Normas para elaboração de Projetos ..........................................................................................655.2 elementos Básicos de um Projeto ...............................................................................................64
6. Construção do conhecimento mediante situações-problema .............................................................68
7. estruturação do projeto sobre situação-problema ..............................................................................72
PARTe III - PROPRIeDADe INTeLeCTuAL, INFORMAÇÃO TeCNOLÓGICA e TRANSFeRÊNCIA De 
TeCNOLOGIAS ........................................................................................................................75
Heloisa Cortiani de Oliveira
1. Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial ......................................................................................77
2. Registro de Desenho Industrial...........................................................................................................81
3. Proteção da Marca .............................................................................................................................82
4. Indicação Geográfica ..........................................................................................................................83
5. Repressão à Concorrência desleal......................................................................................................83
6. Programas de Computador (software) ................................................................................................84
7. Informação Tecnológica .....................................................................................................................85
8. Transferência de Tecnologia ...............................................................................................................87
PARTe IV - IMPORTÂNCIA DOS PROJeTOS INOVADOReS NA INDÚSTRIA e DOS 
eMPReeNDeDOReS NO MuNDO GLOBALIZADO ....................................................................89
Deusdedit Carvalho de Moraes
1. elevação da Competência do Profissional Brasileiro ...........................................................................89
2. SMO – Serie Metódica de Oficina: um resgate histórico....................................................................93
3. exemplos Práticos da SMAR em espírito empreendedor e Projetos Inovadores .................................97
4. Necessidade de Projetos Inovadores dentro da empresa .................................................................123
5. Descrição e Características Funcionais do Profissional em Instrumentação .....................................126
CONSIDeRAÇÕeS FINAIS .....................................................................................................131
Simone Luzia Maluf Zanon, Sonia Regina Hierro Parolin e Thaise Nardelli
ReFeRÊNCIAS.......................................................................................................................133
DADOS SOBRe OS AuTOReS ...............................................................................................139
CRÉDITOS .............................................................................................................................143
9
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Apresentando o Volume I
A Coleção Inova incentiva as instituições de ensino a 
buscarem novas formas de apoio ao processo de formação, 
instiga a cultura da inovação nas escolas e empresas e amplia 
o escopo de ação do trabalhador. 
Esta publicação sugere a adoção da pedagogia de projetos 
como instrumento para atender à solicitação do mercado por 
profissionais empreendedores, proativos e com capacidade 
para criar e inovar. O texto orienta o professor na estruturação 
da pedagogia no âmbito escolar e analisa as principais 
dificuldades que os alunos, normalmente, apresentam 
durante esse trabalho. 
Na prática, ao desenvolver um projeto, o estudante concentra 
energia e conhecimento na solução de um problema concreto. 
Mediado pelo professor, ele transforma idéias em ação. 
O método também tem o mérito de aproximar a aprendizagem 
do universo empresarial, uma vez que propõe o uso da mesma 
ferramenta utilizada pelas empresas para resolver questões 
de ordem gerencial e produtiva. Ao elaborar um projeto, 
10
os alunos têm de sistematizar ações, definir objetivos, 
dimensionar recursos, condições e equipe e, por fim, avaliar 
os resultados obtidos.
Toda edificação exige planejamento e reflexão, esforço e 
trabalho árduo, mas somente a educação consegue construir 
uma sociedade embasada no conhecimento. A elaboração de 
projetos inovadores configura-se importante ferramenta para 
aumentar a participação do aluno no ambiente empresarial 
e sua visão sobre o sentido do seu trabalho no contexto 
organizacional.
Após sua edição inicial, foram trabalhados alguns pontos 
de melhoria decorrendo necessários aprimoramentos. 
Especialmente, no exemplo de aplicações industriais como 
o caso SMAR, percebem-se, nitidamente, fatores extra-
sensoriais instigados por um comportamento dotado de 
acentuada espiritualidade do narrador, um dos principais atores 
dos processos de inovação implantados. Esse comportamento 
estimulou toda a organização para as práticas apresentadas.
Este documento traz essas reflexões e encaminha o assunto 
para o patamar esperado pela sociedade.
João Barreto Lopes
Diretor Regional SENAI/ PR
11
C
O
L
E
Ç
Ã
O
INtRodução
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Exigências do Mercado de Trabalho
No século passado (XX), as características dos trabalhadores 
foram determinadas pela Revolução Industrial. Durante a 
primeira metade desse século, as idéias tayloristas foram o 
centro das discussões sobre o trabalho e a mecanização do 
homem na esfera industrial.
Atualmente, o profissional, para ser bem-sucedido, precisa 
ter seu lado relacional e comportamental bem trabalhado e 
desenvolvido, de forma que possa trabalhar com facilidade em 
equipe, opinar, sugerir e questionar. Esse profissional deve 
ter como principais qualidades a iniciativa, a proatividade 
e a capacidade de criar e inovar, mesmo em pequenas e 
cotidianas ações. Porém, nem sempre foi assim.
No filme Tempos Modernos, estrelado por Charles Chaplin, 
há clara reprodução, em forma de comédia, de ações que, 
até poucas décadas atrás, eram extremamente comuns: a 
fragmentação do produto final numa linha de montagem, 
determinando àquele que aperta o parafuso do lado esquerdo 
da peça, fazer apenas isso, com tempo e movimentos bem 
definidos.
12
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Esse modelo ainda não é obsoleto, muitas fábricas, como 
na área da confecção, por exemplo, dispõem de linhas de 
produção nesses moldes. A costureira da máquina 1 só faz 
costura reta; da máquina 2 só costura bolso; da máquina 
3 só costura zíper. Essa é uma forma de administração 
denominada científica, baseada no estudo e na padronização 
de tempo e movimentos e na padronização de ferramentas e 
instrumentos, resultando na racionalização do trabalho com 
ênfase na produtividade e, ainda, promovendo minimização 
do esforço muscular (Maximiano, 2000). 
Frederick Winslow Taylor (1856 /1915), com base na 
tecnologia da época, elencava o trabalho a ser desenvolvido 
e suas etapas, separava e criava ou estruturava as formas 
de efetuá-las, distribuindo-as entre as linhas de produção. 
As operações eram basicamente manuais e cartesianas e 
otimizavam o tempo empregado, os materiais utilizados e os 
movimentos necessários para efetuar cada ação, para que 
nada fosse desperdiçado.
Nessa mesma época histórica, a escola ensinava 
fundamentalmente conceitos de obediência, pontualidade e 
submissão, sem questionamentos ou criticidade. A pedagogia 
era centrada no professor e na exposição oral, cujos 
conteúdos e formas de atuação eram por ele determinados. 
Essa pedagogia estevepresente em todo o século XIX e em 
grande parte do século XX, situação que, por mais que a 
educação tenha avançado em seus conceitos, hoje ainda é 
encontrada em muitas escolas.
A partir de 1913, Henry Ford (em sua fábrica Ford Motors 
& Co.) instituiu o denominado fordismo, que, apesar de ter 
muitas semelhanças com o método desenvolvido por Taylor 
(taylorismo), adotava uma estratégia mais abrangente “de 
organização da produção que envolve extensa mecanização, 
com o uso de máquinas-ferramentas especializadas, linha de 
montagem e de estrutura rolante e de crescente divisão do 
trabalho.” (Cattani, 2003).
13
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Esse processo representou uma inovação para a época, 
pois, a implantação de esteiras na linha de produção e 
a automação de algumas etapas instituíram novo ritmo 
ao processo. Neste, o mais importante era seguir o ritmo 
almejado pela empresa e não o que o funcionário podia 
oferecer, pois, a movimentação da esteira era alterada por 
um temporizador e não pelo término da operação por parte 
do funcionário. Com isso, ele tinha de ajustar seu tempo ao 
da esteira para que sua etapa na fabricação do produto fosse 
concluída.
Como princípio, a administração científica de Taylor também 
se debruçou na busca de eficiência na área de planejamento, 
implantando cartões de instruções, sistema de pagamento 
por desempenho e o cálculo de custos. As transformações 
introduzidas por Taylor geraram o movimento da 
administração científica, tendo como principais integrantes o 
próprio Taylor; Gilbreth (estudos de movimentos e de fadiga 
e de psicologia aplicada); Gantt (proposta de um gráfico e 
do treinamento profissionalizante) e Münsterberg (psicologia 
industrial). Esse movimento, ao conjugar as contribuições 
desses diversos estudiosos, propiciou o desencadeamento 
da produção em massa, tendo o sistema Ford de produção 
como ícone do movimento. Com o trabalhador especializado, 
a linha de montagem instalada e o crescimento da atividade 
industrial, as tecnologias expandiram-se na perspectiva da 
sofisticação dos mecanismos de controle e de eficiência, 
mantendo os mesmos princípios da administração científica 
(Maximiano, 2000).
Essa abordagem, porém, com o avanço das tecnologias e com 
a complexidade das relações, mostrou-se rígida e inflexível, 
dando espaço para as teorias focadas no perfil pessoal e 
relacional dos trabalhadores, humanizando e democratizando 
a administração e trazendo à tona novo repertório lingüístico 
voltado para a área administrativa. 
14
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
“Fala-se agora em motivação, liderança, comunicação, 
organização informal, dinâmica de grupo, etc. Os conceitos 
básicos de liderança, hierarquia, racionalização do trabalho e 
departamentalização passam a ser contestados ou criticados 
(Chiavenato, 1983)”.
A escola também precisou se adaptar a essas transformações. 
Assim, a pedagogia adotada passou a ser mais crítica, a se 
preocupar em ensinar a buscar informação, a se atualizar 
constantemente, reciclando-se, formando cidadãos críticos 
e com visão global do trabalho e da sociedade capazes de 
construir conhecimento.
Há necessidade de educar o indivíduo para enxergar os 
problemas da empresa em horizontes geográficos e temporais 
mais amplos que o instantâneo, de produzir com eficiência 
para colocar os produtos no mercado de trabalho (Ferreti, 
1994).
Em paralelo com todas essas mudanças no mundo do trabalho 
e da educação, vem ocorrendo a evolução da tecnologia, 
apontada aqui (numa visão simples), como o conhecimento 
mais a técnica. Ela torna possível transformar o que se tem 
em mente no real. Essa evolução da tecnologia tomou grande 
impulso com a Revolução Industrial, abrangendo não só 
objetos ou técnicas, mas também técnicas que interferem na 
gestão dos processos.
A escola, ao incentivar o aluno a construir conhecimento, 
a aliar o conhecimento à técnica e ao instigar o aluno por 
meio de situações-problema e/ou elaboração de projetos, 
aproxima-o das situações críticas da sociedade e do trabalho, 
enriquecendo e potencializando o desempenho desse futuro 
profissional.
O principal impacto das mudanças tecnológicas acontece na 
composição da força de trabalho. De modo geral, as novas 
tecnologias demandam trabalhadores mais qualificados. Um 
bom nível educacional facilita a readaptação da mão-de-
obra. Uma educação precária dificulta (Pastore, 1998).
15
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Mas, como o profissional poderia saber se apresentava, ou 
não, essas características? Para nortear esse questionamento 
e auxiliar nessa reflexão, será feita uma exposição sobre 
o perfil dos profissionais pesquisadores, inovadores e 
empreendedores.
2. Perfil Profissional
O mundo passou por várias transformações dinâmicas e 
rápidas e o trabalho não parou. O final do século XX traz 
a Revolução do Conhecimento e, com ela, novas exigências 
pessoais e profissionais (Mussak, 2003).
Neste século XXI, o mercado de trabalho busca menos 
produtividade e mais competitividade, menos informação 
e mais conhecimento, menos treinamento e mais educação. 
Assim, surgem novas características do trabalhador para 
este século.
Mussak (2003) apresenta essas características, vistas 
pela UNESCO, como qualidades, resumindo-as em 
oito palavras: flexibilidade, criatividade, informação, 
comunicação, responsabilidade, empreendedorismo, 
sociabilização, tecnologia. De forma resumida, ele assim 
as define:
Flexibilidade: capacidade de agir de acordo com as 
situações apresentadas, ou seja, adaptação após a 
percepção das mudanças ocorridas.
Criatividade: capacidade de processar e utilizar as 
informações de forma original e inovadora, tornando-se 
o diferencial desejável.
Informação: condição necessária para o avanço em todas 
as áreas. A educação continuada é essencial para o 
desenvolvimento humano.



16
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Comunicação: habilidade para o relacionamento 
interpessoal necessária e indispensável para a 
qualidade do atendimento ao cliente e para a integração 
de grupos de trabalho. 
Responsabilidade: exigência do mundo do trabalho em 
relação às pessoas, pois os cargos e funções estanques 
estão desaparecendo e estão surgindo postos de trabalho 
destinados ao cumprimento de tarefas em que a 
responsabilidade de execução é cada vez mais cobrada.
Empreendedorismo: atributo dos empreendedores pelo 
qual demonstram sua capacidade de agregar valor ao 
trabalho mediante ousadia, criatividade e inovação. 
Qualquer pessoa pode empreender uma ação que vise 
otimizar, melhorar, agilizar, favorecer, qualificar, com 
vistas à criação de um mundo melhor.
Sociabilização: capacidade de compreender, respeitar e 
conectar-se com diferenças culturais, para que se possa 
interagir globalmente.
Tecnologia: aptidão de aceitar e conviver com as 
tecnologias emergentes agregando competências pessoal 
e organizacional.
No entanto, para que seja possível apresentar todas essas 
qualidades pessoais, há necessidade de ter desenvolvido 
algumas habilidades básicas como: convivência em 
sociedade, raciocínio lógico, leitura crítica, expressão verbal 
e escrita.





17
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Além, do ambiente social, é a escola que transmite essa 
bagagem comportamental. Local onde se inicia o convívio 
com outras pessoas não escolhidas e até então desconhecidas; 
onde se é obrigado a pensar em coisas abstratas, assimilar 
conhecimentos muitas vezes sem aplicabilidade imediata, 
embora estimule o prazer de conhecer novas idéias, novos 
saberes, formar novo convívio social, repartindo com as 
pessoas um bom pedaço do dia.
O sistema escolar também proporciona sabores e dissabores 
nas atividadesem sala de aula, sistematizadas por parâmetros 
não muito claros, mas que, no final, acabam por desenvolver 
habilidades básicas e cruciais para o futuro.
18
19
C
O
L
E
Ç
Ã
O
dEFINIção, ELABoRAção, 
E ETAPAS DE UM PROJETO
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Definição de projeto
Para se definir projeto, bastaria incluir um dos tantos 
conceitos elaborados por autores tão qualificados, quanto 
Heloísa Lück (2003, p. 27): “Entende-se por projeto, neste 
contexto, como um conjunto organizado e encadeado de ações 
de abrangência e escopo definidos, que focaliza aspectos 
específicos a serem abordados num período de tempo, por 
pessoas associadas e articuladoras das condições promotoras 
de resultados, com um determinado custo”. 
Sua clareza e objetividade bem expressam o cotidiano de 
quem já está disciplinado a pensar de forma empreendedora, 
ou seja, de quem sabe o que quer, estabelece metas para 
consegui-lo, seleciona meios e recursos para serem as 
possibilidades de execução, determina prazos e constitui 
parâmetros de qualidade para avaliar os resultados. Esse é o 
conteúdo básico da elaboração de um projeto.
PARtE I
20
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
À feição dos jornalistas, podem-se estabelecer questões, 
cujas respostas facilitam os alicerces de um projeto, senão, 
observe-se: 
O que se deseja? Definir o objeto almejado.
Por que? Justificar o empreendimento.
Para que? Definir os objetivos a serem atingidos.
Como? Selecionar pessoas capazes de empreender e 
realizar; estabelecer formas de trabalho, das atividades 
necessárias, de escolha e utilização dos recursos. 
Quando? Determinar prazos para cada etapa de 
execução cuja flexibilidade viabilize sua execução sem 
comprometer os resultados.
Onde? Definir locais adequados e necessários.
Valeu a pena? Realizar avaliação criteriosa dos erros e 
acertos para se garantir resultados profícuos e positivos.
Assim descrito pode parecer simples, no entanto, as tarefas 
vão assumindo características cada vez mais complexas e 
amplitudes muitas vezes inesperadas diante do novo, que vai 
se configurando. Podem demandar adaptações e correções de 
rumo, porque podem surgir eventos de maiores proporções e 
esse é o maior desafio das inovações: lidar com o desconhecido 
que vai se apresentando e concretizá-lo com habilidade e 
qualidade nesse processo criativo que produz o novo.
As etapas do ciclo vital de um projeto podem ser representadas 
por suas principais atividades (grupos de processos): 
Iniciação/Concepção: 
a. identificação de necessidades e/ou oportunidades;
b. caracterização e definição da situação-problema; 
c. determinação dos objetivos e metas a serem alcançados;







21
C
O
L
E
Ç
Ã
O
d. análise do ambiente do problema;
e. definição do escopo (produto ou subproduto do projeto);
f. análise dos recursos disponíveis;
g. avaliação da viabilidade dos objetivos;
h. estimativa dos recursos necessários;
i. elaboração da proposta do projeto.
Execução, Controle e Conclusão:
Planejamento: fase de estruturação e viabilização operacional 
do projeto; garantia da consistência entre os objetivos 
estabelecidos e os recursos disponíveis. Destacam-se como 
atividades pertinentes:
a. detalhamento das metas e objetivos a serem 
alcançados;
b. definição do gerente do projeto; 
c. programação das atividades e elaboração de cronograma 
para a execução das atividades previstas;
d. determinação dos resultados tangíveis a serem alcançados 
durante a execução do projeto;
e. programação dos recursos financeiros, humanos e 
materiais; 
f. delineamento dos procedimentos de acompanhamento e 
controle do projeto;
g. estruturação do sistema de comunicação.

22
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Execução: fase de realização de todas as projeções 
contidas no documento denominado projeto, cujas 
principais ações a serem efetivadas se apontam:
a. verificação do escopo;
b. comunicação entre os participantes do projeto;
c. disponibilidade de recursos;
d. mobilização das equipes, materiais e equipamentos;
e. controle da qualidade dos procedimentos;
f. monitoramento do emprego dos recursos;
g. geração e reprogramação de atividades necessárias.
Controle: as ações desta fase devem garantir 
proativamente às ações previstas acontecerem como 
projetado; e às imprevistas serem avaliadas e incluídas, 
ou não, ao projeto permitindo correções e redefinição de 
rotas. (Menezes, 2003, p. 196), por meio de:
a. monitoramento dos processos, ou seja, acompanhamento 
físico de sua execução;
b. análise das distorções, 
c. apresentação de soluções;
d. replanejamento do projeto, se necessário.
Conclusão: fase final do projeto, que consiste na certeza 
de que todas as metas foram atingidas; momento da 
avaliação do desempenho final, com base nos indicadores 
estabelecidos.



23
C
O
L
E
Ç
Ã
O
2. Características
Os projetos podem ser elaborados para se solucionar uma 
situação-problema, consistindo basicamente em transformar 
idéias em ações, de imediato, a curto, médio ou a longo prazo. 
Dessa forma, torna-se um documento em que se descreve 
tudo que é necessário para o desenvolvimento de atividades 
a serem executadas com o fim de se alcançar objetivos num 
determinado tempo.
O conhecimento técnico da elaboração de um projeto tem 
sido exaustivamente estimulado pelas escolas do SENAI, 
refletindo-se em toda atividade empreendedora fomentada 
na atualidade nacional e globalizada, exemplificadas pelos 
hotéis inovadores, pelas incubadoras, pelas redes e parques 
tecnológicos, pelo estímulo ao empreendedorismo.
As principais características de um projeto, segundo Vargas 
(2003, p. 15), são a temporalidade (início, meio e fim), 
individualidade do produto ou serviço a ser desenvolvido 
(garantia de inovação), complexidade (clareza dos objetivos, 
condução das atividades, emprego dos recursos) e 
acrescente-se a mobilidade de certos parâmetros (prazos, 
custos, pessoal, material e equipamento e qualidade), 
constantemente revisados.
Para Lück (2003, p.70/80), projetos que funcionam 
apresentam características importantes para os resultados 
finais, tais como:
Clareza: percepção clara do foco do projeto; linguagem 
simples; não detalhar mais do que o necessário.
Objetividade: percepção e descrição da realidade.
Especificidade: delimitação do foco sem utilizar questões 
genéricas.
Visão estratégica: previsão de fatos; busca de resultados 
positivos e não apenas de possíveis.




24
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Aplicabilidade: condições de viabilidade; projetos 
executáveis.
Criatividade: olhar novo sobre a realidade; atribuição de 
diferencial competitivo. 
Flexibilidade: capacidade de lidar com imprevistos e de 
realizar adaptações e redirecionamentos.
Consistência: boa fundamentação, aprofundamento 
teórico-conceitual dos componentes.
Coerência: estabelecimento de unidade temática em todos 
os segmentos do projeto; objetivos coerentes ao problema, 
à metodologia e às demais etapas. 
Globalidade: relação equilibrada entre o todo e as partes.
Unidade: vínculo entre os elementos conceituais; superação 
de dicotomias, fragmentações; 
Responsabilização: estabelecimento de responsabilidades 
dos participantes, orientando suas ações para o foco 
principal.
2.1 Limites entre rotina e projeto
Segundo Menezes (2003), no caso de uma solução-padrão, 
a empresa utiliza abordagens metodológicas e ferramentas 
específicas para sua implantação e, no caso de uma solução 
inovadora, procede-se a uma análise como se a solução a ser 
implementada fosse por meio de um projeto.
Vargas (2003, p.16), contudo, é incisivoe claro: todo projeto 
tem início, meio e fim; um projeto que não tem término não 
passa de uma rotina. 








25
C
O
L
E
Ç
Ã
O
O ambiente global e competitivo em que as organizações 
se encontram caracteriza-se por forte dinamismo e, 
em decorrência, torna-se necessário que as empresas 
desenvolvam capacidade de mudança para adaptar-se a 
esse cenário, bem como de adotar postura estratégica de 
alteração de seus processos, padrões administrativos, 
habilidades de negociação, entre outros. 
O continuum característico da existência dos homens 
e das empresas (estas, justamente, para atenderem às 
necessidades constantemente emergentes dos homens) 
demanda inovação, e, como os projetos se demonstram 
estratégias vitais para esse processo, requerem, portanto, 
projetos inovadores em todos os setores vivenciais humanos; 
o fulcro da própria educação deveria contemplar também o 
futuro, em vez de privilegiar tanto o passado.
O gerenciamento de projetos se confirma como chave para 
o crescimento e o sucesso organizacional, configurando-
se ferramenta gerencial, por meio da qual a empresa 
desenvolve o conjunto de habilidades destinado ao controle 
de seus projetos, obedecendo aos fatores predeterminados 
como tempo, custo, qualidade e demais inerências.
De acordo com o texto A Guide to the Project Management 
Body of Knowledge (Edition, 2000), o gerenciamento de 
projetos é composto por cinco grupos de processos: iniciação, 
planejamento, execução, controle e encerramento e em nove 
áreas do conhecimento, todas decorrentes do Gerenciamento 
da Integração; do Escopo; do Tempo; dos Custos; da 
Qualidade; dos Recursos Humanos; da Comunicação; dos 
Riscos e dos Fornecimentos de Bens e Serviços do Projeto. 
26
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
2.2 Finalidades, utilidades e benefícios
Os projetos podem ser utilizados em toda e qualquer área 
do conhecimento, bem como no cotidiano pessoal de cada 
indivíduo. Sua utilidade está exatamente no planejamento 
de ações de forma sistemática e útil em busca da excelência 
em um ramo de atividade, em um setor educacional, em um 
evento simples e cotidiano.
Para citar um expoente, eis o que Perrenoud (1994) afirma: 
A competência não pertence ao mundo empresarial, nem 
ao mundo do trabalho, mas se faz presente em toda ação 
humana, seja individual ou coletiva. 
A disciplina de execução de um projeto leva a quem dele se 
serve a racionalizar a própria vida em termos de identificar 
tarefas para a obtenção do objeto almejado; de estabelecer 
limites para as próprias pretensões; de autoconhecimento 
das reais possibilidades e, principalmente, de estímulo para 
buscar soluções viáveis e para a diversidade situacional 
encontrada no âmbito vivencial relativa à conflitante relação 
entre interesses e poder. Portanto, ensinar a empreender é 
ensinar não apenas a viver, mas, principalmente, a conviver.
Na área educacional, os projetos constituem não apenas 
referencial para o desenvolvimento de competências, mas 
um instrumento de trabalho necessário e organizador das 
atividades dos professores, sejam de perspectiva anual, 
mensal ou até mesmo diária.
Nas empresas, os projetos marcam um referencial competitivo, 
uma procura de produtos e serviços marcados pela qualidade 
e eficiência. Para atender às exigências da clientela são 
necessários profissionais com capacidade de prever prazos e 
custos das atividades, bem como os riscos inerentes e, muito 
mais, capazes de tomar decisões de amplitudes ecológicas 
e humanísticas em busca do melhor para o ser humano, do 
justo e do ético.
27
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Nas escolas de objetivos profissionalizantes muito mais se 
faz sentir a premência desses objetivos, pois, ensinam os 
alunos a pensarem, a agirem e decidirem, além de promover 
a mobilização de saberes e conhecimentos adquiridos, 
desenvolver a cooperação, a inteligência coletiva, a 
autonomia, a capacidade de fazer escolhas e de negociá-las. 
Os projetos têm sido utilizados como referencial, tanto nas 
escolas, como nas empresas.
Projetar e realizar (empreender, enfim) constituem-se atividades 
que expressam a razão de ser da vida, porque esta é a obra 
máxima dos homens no âmbito planetário e, quiçá, galáctico.
A segunda parte deste livro é exemplo concreto de que a 
pedagogia de Projeto promove a interação do aluno com o meio, 
possibilitando oportunidades de experiências nas diversas 
áreas do conhecimento e de promover o desenvolvimento 
das múltiplas inteligências. 
A sobrevivência dos profissionais e de uma empresa na 
atualidade está intimamente vinculada à capacidade de 
produzir o novo e de com ele conviver, como na experiência 
dos instantes da vida em constante mutação e infinita 
criação.
Ao organizar idéias, projetando-as num papel e 
transformando-as em um projeto, estar-se-á sistematizando 
todo o trabalho em objetivos a alcançar, em etapas a serem 
cumpridas, em meios a serem utilizados, em recursos 
necessários e, principalmente, em avaliação dos resultados.
Com isso, as pessoas vão desenvolvendo habilidades e 
atributos que igualmente vão transformando-as em seres 
cada vez mais evoluídos e preparados para a grandeza da 
vida. E assim também serão suas criações.
Dessa forma, ensinando a acompanhar os passos principais 
da elaboração e da execução de um projeto, como tantos 
outros próprios da vida comum (projetos de estudo, de uma 
viagem, de trabalho e assim por diante), a educação oferecerá 
à sociedade profissionais de alto gabarito e pessoas de 
magnitude existencial. Essas pessoas, sendo capazes de viver 
28
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
com dignidade situações políticas, culturais, associativas, 
econômicas, profissionais, demonstrarão a formação ética de 
verdadeiros cidadãos, de seres universais e fraternos.
2.3 Importância da Gestão 
Ao se falar sobre gestão de projetos ou gerenciamento 
de projetos, pretende-se enfatizar a importância desses 
instrumentos dentro das organizações, a necessidade deles 
e suas características.
A globalização exige potencial competitivo e para que uma 
organização mantenha sua expressividade no mercado, 
ela necessita de ser vista como detentora dessa vantagem 
competitiva. Isso está em sua capacidade de formular e 
implementar estratégias em concorrências que permitam 
sua atuação e sustentabilidade no mercado (Coutinho, apud 
Gomes; Braga, 2001).
A estratégia empresarial deve ser entendida como um 
conjunto de diretrizes utilizadas para o alcance de seus 
objetivos, o que conseqüentemente gera o planejamento 
estratégico, por antecipar acontecimentos permitindo que 
sejam implementadas ações destinadas a obter os resultados 
almejados em relação aos objetivos organizacionais.
Os projetos, segundo Esteves (2005 , p. 47), são parte 
integrante do processo decisório do planejamento 
organizacional, pois atuam como realimentadores e, assim, 
devem estar vinculados aos objetivos e metas da empresa. Ao 
verificar viabilidades, passa a ser um modelo da realidade.
Como as organizações se encontram cada vez mais 
orientadas ao melhoramento contínuo de seus processos, 
sempre visando ao empreendedorismo e conseqüente 
competitividade, o planejamento estratégico deve ser 
permanentemente acompanhado e revisado. Demanda, 
portanto, sua composição por inúmeros projetos como: 
melhoria de produtos, criação e desenvolvimento de 
produtos, melhorias internas, mudanças organizacionais, 
29
C
O
L
E
Ç
Ã
O
gestão estratégica, entre outros. Ou seja, fica explicitado 
que a utilização de projetos torna-se útil estratégia de 
transformação da realidade. 
As práticas embasadas no habitual, apegadas ao modo 
vigente e costumeiro de fazer as coisas (à semelhança 
do prejudicial comodismo), evidenciam-se extremamentelimitadas, pobres, conservadoras e caracterizadas pelo 
desperdício. A perspectiva da realidade dinâmica, marcada 
pelas constantes transformações das instituições, das 
empresas e das pessoas, em busca do novo e do diferencial 
competitivo gera propulsão e energia. A ótica futurista 
focaliza, portanto, de forma prospectiva e estratégica, a 
possibilidade de criação de uma nova realidade pela realização 
de projetos inovadores e, por isso, empreendedores.
2.4 Papel do Gerente de Projetos
Fundamental em todo o ciclo de vida do projeto, é seu 
acompanhamento pela gerência ativa, cujo objetivo, segundo 
Menezes (2003), é estabelecer o seu controle, assegurando 
o cumprimento dos prazos e orçamento determinados, 
conduzindo à sua conclusão com a qualidade almejada.
A principal responsabilidade do gerente do projeto, segundo 
Esteves (2005), é fazer com que o projeto alcance a meta para a 
qual foi proposto, apresentando as seguintes habilidades de:
boa comunicação: saber ouvir e persuadir;
organização: planejar, estabelecer metas, analisar;
formação de equipes: demonstrar empatia, criar 
motivação;
liderança: estabelecer exemplos positivos, evidenciar 
energia, ser proativo, saber delegar;
convivência: ser flexível, criativo, paciente, persistente;
aptidão técnica: possuir experiência e conhecimento em 
projetos.






30
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Para desempenhar o papel de gerente, ou de integrante de 
equipes de projeto, as pessoas devem assimilar compreensão 
básica dos processos e das áreas de conhecimento comuns a 
todos os tipos de planejamentos.
2.5 Benefícios do Gerenciamento de Projetos
Desde que bem planejados, controlados e geridos de 
forma adequada, os projetos proporcionam às empresas e 
respectivos empreendedores obter os resultados almejados.
Assim, o gerenciamento de projetos não é restrito a projetos 
gigantescos, complexos e de alto custo, ele pode e deve ser 
aplicado em empreendimentos de qualquer complexidade, 
tamanho, orçamento e linha de negócios.
Ao utilizar metodologias estruturadas, permite-se, ainda, 
desenvolver diferenciais competitivos e novas técnicas e 
adaptar os trabalhos ao mercado consumidor e aos clientes. 
A proatividade emerge como fundamental para essa atuação 
do gerente e depende da estruturação do projeto permitir 
ações preventivas e corretivas antes que essas situações se 
tornem um problema. 
Alguns projetos podem não obter sucesso e as principais 
causas, segundo Vargas (2003), podem decorrer do mau 
estabelecimento de metas e objetivos. Podem ser essas 
causas: a inclusão de muitas atividades e pouco tempo para 
sua realização, sistema de controle inadequado, estimativas 
financeiras pobres e incompletas, dados insuficientes e 
inadequados, falta de integração dos agentes do projeto, falta 
de conhecimento necessário para a execução das atividades 
planejadas, gerenciamento inadequado ou inexistente.
Uma das fases cruciais, portanto, de um projeto, além de 
seu planejamento, é o seu controle. Conforme afirmação de 
Verzuh (1998, p. 107.) “o maior desafio da gestão de projeto 
é fazer a coisa certa no tempo certo.” 
31
C
O
L
E
Ç
Ã
O
2.6 Tipos de projeto
Em Esteves (2005, p.17), encontra-se uma lista adaptada de 
projetos, baseada em Casarotto Filho (1999), que classifica 
projetos em três áreas: prestação de serviços, industrial e de 
infra-estrutura, apresentadas a seguir.
a. Projetos da área de prestações de serviços, que são 
associados:
Assistência técnica: à solução de problemas de 
engenharia que compreendem coleta, interpretação e 
análise de dados e informações, seguidos de preparação 
de relatório conclusivo e com recomendações.
Estudos técnicos: ao aperfeiçoamento e/ou 
desenvolvimento de tecnologias ou de outros estudos, 
inclusive os de natureza multidisciplinar, cuja finalidade 
seja definir a viabilidade técnica e/ou econômica de uma 
tecnologia ou de um empreendimento.
Projetos de engenharia: à elaboração de um conjunto 
de documentos, constituído de especificações, 
lista de materiais e desenho de detalhes. Esses 
indicam, esclarecem e justificam todos os critérios de 
dimensionamento, hipóteses de cálculos técnicos, de 
execução e custos de uma utilidade física (unidade ou 
sistema). 
Compras técnicas: ao cadastramento de fabricantes; 
seleção de equipamentos, máquinas, componentes, 
materiais de construção, etc.; preparação de documentos 
de licitação; coleta e avaliação de propostas; contratação 
e efetivação de compras; expedição e armazenamento no 
canteiro; obtenção, registro e recuperação de catálogos, 
desenhos, dados de desempenho e demais.
Construção e montagem: à execução propriamente dita 
de obras civis, instalações e montagem industrial.





32
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Gerência de projetos: ao planejamento e controle 
efetivos, permitindo que todas as fases de execução do 
empreendimento sejam realizadas de modo a se atingir 
os objetivos quanto a qualidade, funcionalidade e 
segurança dos respectivos projetos, dentro do cronograma 
e orçamento previstos.
Serviços especiais: à aerofotogrametria, geomorfologia e 
geodésia, topografia e batimetria, oceanografia, geotecnia, 
hidrotecnia e outros.
Desenvolvimento de software: à análise, projeto (design) 
codificação e teste de programas e tecnologias de 
computador.
Pesquisa e desenvolvimento: à pesquisa e tecnologias 
em instituições públicas ou privadas.
Pesquisas de mercado: à determinação da demanda de 
um produto por segmentos do mercado.
Campanhas publicitárias: à elaboração, desenvolvimento 
e execução de campanhas publicitárias de lançamento 
de um produto ou serviço, em agências de publicidade, 
explorando o segmento de mercado a que se destina.
b. Projetos da área de indústria, referentes a:
Implantação, reforma e ampliação: projetos de 
engenharia, compras técnicas, construção e montagem, 
gerenciamentos de projetos e outros.
Manutenção de máquinas, equipamentos e sistemas: 
manutenção corretiva ou preventiva, efetuadas de 
maneira programada.
Lançamento de novos produtos: pesquisa de mercado, 
estudos de engenharia, projeto de produtos, compras 
técnicas, campanha publicitária, fabricação e montagem 
e demais.









33
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Produção sob encomenda: compras técnicas, fabricação 
e montagem de produtos, conforme especificações, prazo 
e preço previamente determinados.
Desenvolvimento e implantação de sistemas 
computacionais: de análise, design, codificação, testes e 
implantação de sistemas computacionais.
Pesquisa e desenvolvimento: pesquisa e desenvolvimento 
de novos produtos, processos e tecnologias, executadas 
em departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento 
(P&D).
c. Projetos de infra-estrutura, destinados a:
Saneamento: distribuição ou captação, estações de 
tratamento, estações de recalque, emissários oceânicos 
e demais.
Edificações: hospitais, terminais de transporte, silos de 
armazenagem, conjuntos habitacionais e outros. 
Transporte: aeroportos, portos, terminais, rodovias, 
ferrovias, túneis, pontes e outros.
Planejamento urbano e regional: estudos locais, sistemas 
de transporte, recursos naturais, distritos industriais, 
núcleos habitacionais e outros.
Energia: geração convencional (hidro, termo e nuclear); 
geração não convencional (biomassa, solar, eólica), 
subestações, transmissão, distribuição e demais.
Comunicações: sistemas de transmissão (rádio, tv, 
dados), centrais de comutação (telefone, dados), redes 
telefônicas (cabos e dutos), etc.
Encontram-se, na literatura pertinente, outras classificações, 
que incluem, ou excluem, ou ainda complementam os 
anteriormente citados e pode-se afirmar que todos os tipos 








34
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
de projetos são destinados a uma finalidade, ou seja, algum 
tipo de implementação, adaptação, inovação, construção, 
pesquisa, desenvolvimento e assim por diante.
Deve-se ressaltar que um projeto se destina a solucionar algum 
tipo de necessidade, problemática ou não, o que equivale a 
dizer que alguém necessita de algum produto ou serviço e 
que deve e pode ser atendido. Cabe aos especialistas em 
geração, elaboração, execução e gerenciamento de projetos 
buscar esse atendimento obtendo-se, na maioria das vezes, a 
solução ideal decorrente de propostas inovadoras. 
2.7 Projetos Inovadores
Diferente dos tradicionalmente formais, elaborados 
somente para legitimar decisões já tomadas, os projetos 
inovadores estão, no bom sentido, revolucionando a área 
de empreendedorismo, encontrando na inovação o estímulo 
para a criação, desenvolvimento e obtenção dos benefícios 
advindos da inteligência do homem e das suas competências 
na construção de uma humanidade cada vez mais centrada 
no ecológico, no ético e no saudável, em prol do bem comum 
de seus membros.
Heloísa Lück (2003, p. 26.) faz na obra citada uma 
abordagem sobre projetos, como orientação articulada de 
inovação, melhoria e transformação:
“ Considerando que toda situação de trabalho e dinâmica é inter-
relacionada a múltiplos fatores, deve-se entender a elaboração 
de projetos como um processo de resolução de problemas e 
criação de novas e melhores situações, processo esse igualmente 
complexo, dinâmico e interativo e que envolve atores, como 
agentes transformadores.”
Com base nessa abordagem de Lück, obtêm-se algumas 
palavras-chave para caracterizar projetos inovadores: 
criação; nova; dinâmico; interativo; transformadores. 
Portanto, pode-se concluir que projeto inovador é aquele 
35
C
O
L
E
Ç
Ã
O
capaz de transformar, inovar, causar algum tipo de impacto, 
proporcionar soluções ainda não pensadas.
Frente à multiplicidade de fenômenos sociais que vêm 
redefinindo as relações internacionais promovendo 
crescente globalização no âmbito da economia, cultura, 
religião, tecnologia, educação, acaba-se assumindo inovação 
como sinônimo de competitividade. Dessa capacidade de 
lançar novos produtos e serviços com maior velocidade, 
menor custo e com maior segurança no atendimento às 
necessidades do mercado, as empresas são lançadas no rol 
da competitividade e no alcance do mercado externo cada 
vez mais amplo. 
Observa-se que a conceituação dessa competitividade 
desvia-se do embate entre pessoas, empresas, países 
para se localizar no diferencial inovativo da capacidade 
empreendedora do ser humano.
Assim, a aquisição de novos conhecimentos, a busca 
permanente de atualizações, o processo de aprendizagem 
continuada contribuem para o pensar inovativo, para gerar 
idéias, para o ser criativo. Segundo Bastos (1991, p.74.), a 
aprendizagem é “um meio de preparar o indivíduo para enfrentar 
situações novas e é requisito indispensável para a solução de 
problemas globais”.
As instituições de ensino, tanto regulamentares, como 
profissionalizantes, ao compreenderem o processo de 
inovação necessário no contexto globalizado e competitivo, 
estão repensando sua organização curricular. Por possibilitar 
que o processo ensino-aprendizagem se torne mais dinâmico, 
interdisciplinar, flexível, atualizado constantemente e 
apresente concentração de atividades que estimulam a 
criatividade e o empreendedorismo, a aprendizagem por 
projetos tem sido excelente opção para a organização 
curricular. 
As empresas já se conscientizaram de que promover a 
inovação tornou-se imprescindível para aumentarem sua 
competitividade e rentabilidade, mas que ainda precisam 
36
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
ter competência para inovar. Isto exige qualificação 
de seus recursos humanos, planejamento, equipes 
multidisciplinares, ferramentas diferenciadas de gestão, 
entre outros fatores. 
Mochkalev e Pimenta (2001, p. 49.) consideram alguns 
aspectos importantes para criar condições necessárias 
para inovação em uma empresa. O primeiro é o clima 
organizacional, compreendendo o ambiente de trabalho e 
a motivação da equipe. O segundo trata das recompensas 
adequadas, as quais estimulam a criatividade individual 
e coletiva. Por fim, a seleção de pessoal, o treinamento 
do potencial criativo, da iniciativa, da autonomia e da 
capacidade de trabalhar em equipe.
Apresentam-se, também (idem, p.56), alguns fatores 
condicionantes de clima favorável à inovação numa 
empresa, quais sejam: a) tolerância: para as idéias e as 
atitudes novas (mesmo ainda não bem formuladas) e para 
os possíveis erros; b) estímulos: para desenvolvimento 
de flexibilidade intelectual e liberdade na busca de 
soluções novas; para a propagação de idéias novas dentro 
das empresas, mediante vários canais de comunicação, 
voltados para a interação dos funcionários (especialmente, 
pessoas com acentuado potencial criativo); c) incentivos e 
treinamentos para trabalhar eficientemente em equipes. 
Outros autores se pronunciam a respeito, evidenciando as 
vantagens advindas. Para Staub (2001, p.5), “não resta 
dúvida de que a economia contemporânea se move em função 
da geração e incorporação de inovações. Com efeito, inovar 
tornou-se a principal arma de competição entre empresas e 
entre países”.
Logo, ao se ter em mãos todo trabalho que vem sendo 
desenvolvido, pode-se verificar que a formação desses 
profissionais não compete somente às instituições de 
ensino profissionalizante, ou de ensino superior. Trata-
37
C
O
L
E
Ç
Ã
O
se da formação holística do indivíduo nos níveis pessoal, 
social e profissional. Assim, a responsabilidade por sua 
formação é da escola, desde as séries iniciais, priorizando 
o desenvolvimento da criatividade, com vistas a estimular a 
habilidade de inovação.
3. Características da Inovação1 
O conceito de inovação, conforme tratado nesta exposição, 
contempla a introdução no mercado de produtos, processos, 
métodos ou sistemas não existentes anteriormente ou com 
alguma característica nova e diferente da até então em vigor. 
(Guimarães, 2000).
Da mesma forma com que se aceitam as afirmações de 
Longo (1996), quando define que inovação significa a solução 
de um problema tecnológico, utilizada pela primeira vez, 
descrevendo o conjunto de fases que vão desde a pesquisa 
básica até o uso prático, compreendendo a introdução de um 
novo produto no mercado, em escala comercial tendo, em 
geral, fortes repercussões socioeconômicas. 
Lemos (2000) vai mais adiante, ao falar de inovação 
incremental, esclarecendo tratar-se da introdução de qualquer 
tipo de melhoria em um produto, processo ou organização da 
produção dentro de uma empresa, sem alteração na estrutura 
industrial. 
Por outro lado, a FINEP (2000) concebe a inovação para 
o desenvolvimento social definindo-a como a criação 
de tecnologias, processos e metodologias originais, que 
possam vir a se constituir em propostas de novos modelos 
e paradigmas para o enfrentamento de problemas sociais, 
combate à pobreza e promoção da cidadania.
Percebe-se, pelos conceitos acima, que a inovação permeia todos 
os aspectos sociais, econômicos e organizacionais. Assim, visando 
1 Colaboraram, nesta seção, Maricilia Volpato e Gilson B. Fonseca.
2 O Manual de Oslo é a principal fonte internacional de diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras da indústria. 
está disponível para download no site www.pr.senai.br/inova 
38
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
promover um conjunto de definições coerentes e universais 
sobre os distintos tipos de inovação e atividades de inovação, 
o Manual de Oslo (2004)2 apresenta as seguintes definições 
internacionalmenteaceitas e comparáveis e dele extraídas.
Em sua página 54, o Manual de Oslo (2004) define Inovações 
Tecnológicas em Produtos e Processos (TPP), como:
“(...) compreendem as implantações de produtos e processos 
tecnologicamente novos e substanciais melhorias tecnológicas em 
produtos e processos. uma inovação TPP é considerada implantada 
se tiver sido introduzida no mercado (inovação de produto) ou usada 
no processo de produção (inovação de processo). uma inovação 
TPP envolve uma série de atividades científicas, tecnológicas, 
organizacionais, financeiras e comerciais. uma empresa inovadora 
em TPP é uma empresa que tenha implantado produtos ou 
processos tecnologicamente novos ou com substancial melhoria 
tecnológica durante o período em análise”.
Importante salientar que o referido Manual indica como 
exigência mínima que o produto ou processo deve ser novo 
para a empresa, não exigindo ser necessariamente novo para 
o mundo, utilizando o termo produto tanto para bens, como 
para serviços. Dessa forma, os principais componentes das 
Inovações TPP são discriminados nesse documento entre 
produtos e processos e por grau de novidade da mudança 
introduzida em cada caso e inclui inovações relacionadas 
com atividades primárias e secundárias, bem como inovações 
de processos em atividades consideradas ancilares.
Podem-se resumir os preceitos contidos no Manual de Oslo 
(2004), sobre o grau de novidade de uma inovação e sobre 
suas variáveis em termos técnicos ou de mercado (Manual 
de Oslo, p.55/56), da seguinte forma:
a. Produtos novos: características tecnológicas ou usos 
pretendidos que diferem daqueles próprios dos produtos 
já disponíveis. “Podem envolver tecnologias radicalmente 
39
C
O
L
E
Ç
Ã
O
novas (ex: primeiros microprocessadores), podem basear-se 
na combinação de tecnologias existentes em novos usos (ex: 
primeiro toca-fitas portátil), ou podem ser derivadas do uso 
de novo conhecimento”.
b. Produtos aprimorados: desempenho significativamente 
aperfeiçoado ou elevado efetuado em produto existente 
(em termos de melhor desempenho ou menor custo), pela 
introdução de componentes (introdução de freios ABS nos 
carros) ou materiais de desempenho melhor (substituição 
por plástico nos equipamentos de cozinha), ou um produto 
complexo, que consista em vários subsistemas técnicos 
integrados, aprimorado por modificações parciais em um dos 
subsistemas. 
c. Processos inovadores: adoção de métodos de produção 
novos (ex: novo método de p urificação de água para uso 
doméstico, como água potável), ou significativamente 
melhorados (ex: auxílio de softwares integrados para 
planejamento e controle da produção); incluindo métodos 
referentes a mudanças no equipamento (ex: mecânico para 
eletrônico) na organização da produção (ex: de registros 
manuais para computadorizados). 
O resultado da adoção de processo tecnologicamente novo 
ou substancialmente aprimorado deve ser significativo em 
termos do nível e da qualidade do produto ou dos custos de 
produção. 
As inovações tecnológicas em processos são definidas no 
Manual (p.56) como:
 “a adoção de métodos de produção novos ou significativamente 
melhorados, incluindo métodos de entrega dos produtos. 
Tais métodos podem envolver mudanças no equipamento 
ou na organização da produção, ou uma combinação dessas 
mudanças, e podem derivar do uso de novo conhecimento. Os 
40
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
métodos podem ter por objetivo produzir ou entregar produtos 
tecnologicamente novos ou aprimorados, que não possam ser 
produzidos ou entregues com os métodos convencionais de 
produção, ou pretender aumentar a produção ou eficiência na 
entrega de produtos existentes”. 
Outra importante orientação apontada no Manual é a de que, 
em algumas indústrias de serviço, a distinção entre processo 
e produto pode ser nebulosa. O documento apresenta alguns 
exemplos a que o leitor interessado poderá dedicar-se melhor. 
Um deles refere-se à introdução de sistemas de transmissão 
digital em empresas de correio e telecomunicações. Essa 
inovação gerou simplificação nessa rede pela redução de 
níveis, com o uso de menos centrais de comutação, mas em 
nível de automação mais alto.
Podem-se classificar as demais inovações, desde que 
contemplem os requisitos de novidade, diferenciação e 
utilidade ou aplicabilidade, ou seja, desde que o cerne da 
inovação possa ser identificado pela sua utilidade e geração 
de valor. Uma criação sem utilidade não é inovação é 
invenção (Simantob; Lippi, 2003). Podem-se ter inovações 
em design (ex: caixa de sabão em pó com dosador ou estação 
de trabalho ergonômica); inovações em gestão (ex: Embraer, 
com a gestão de projetos articulados por contratos de redes 
de parceiros); ou inovações em negócios (ex: Monsanto, com 
o desenvolvimento da biotecnologia agrícola). 
Observem-se, assim, as seguintes classificações:
a. por tipo de novidade em termos de mercado:
nova apenas para a empresa;
nova para a indústria no país ou para o mercado em que 
a empresa opera;
nova no mundo.



41
C
O
L
E
Ç
Ã
O
b. pela natureza da inovação:
aplicação de descoberta científica revolucionária;
substancial inovação técnica;
melhoria ou mudança técnica;
transferência de técnica para outro setor;
ajuste de um produto para novo mercado.
Essas distinções são úteis na elaboração de projetos e 
auxiliam na sua classificação perante editais de fomento 
(que subsidiarão os projetos aceitos); na apresentação de 
projetos em bancas examinadoras (projetos de conclusão de 
cursos de Aprendizagem Industrial, Técnicos, Tecnólogos, 
Graduação, Mestrados, Doutorados e outros); ou para 
projetos aplicados a situações empresariais. Esses conceitos 
também são exigidos em editais de chamada de projetos em 
pré-incubadoras, hotéis tecnológicos e incubadoras.





42
43
C
O
L
E
Ç
Ã
O
PROJETOS NA ESCOLA
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
A utilidade da aplicação da pedagogia de projetos vem se 
evidenciado por resultados não apenas surpreendentes, 
mas de reais benefícios no processo ensino/aprendizagem, 
mormente nas escolas de ensino profissionalizante.
1. Ensino por projetos versus aprendizagem por projeto
Para se iniciar esta explanação sobre projetos na escola, é 
interessante expor alguns pontos de vista e alinhar alguns 
pensamentos. Parte-se, desse modo, do questionamento sobre 
a possibilidade de haver ensino sem aprendizagem.
Parece claro e lógico que, se há alguém ensinando, há alguém 
aprendendo, ou que, quando se ensina algo a alguém, esse 
indivíduo absorve boa parte do assunto tratado, mas, na 
prática, no dia-a-dia, essa concepção apresenta mudanças.
Se, em sala de aula, o docente projetar o conteúdo no quadro 
branco por intermédio de um aparelho multimídia, um aluno 
PARtE II
44
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
com dificuldades visuais, ainda não identificadas pela família 
ou pelo docente, poderá não conseguir acompanhar o ritmo 
da turma, nem aprender da mesma forma que os demais.
Partindo-se de um exemplo bem simples, todos podem sempre 
relembrar de alguma situação de aprendizagem em sala de 
aula. Duas pessoas nem sempre aprendem exatamente de 
igual maneira, nem apresentam facilidade de aprender os 
mesmos assuntos.
Thomas Armstrong, em seu livro Inteligências Múltiplas 
em Sala de Aula, descreve que, cada indivíduo possui oito 
inteligências, algumas mais desenvolvidas, outras menos, 
que lhes facilitam a aprendizagem mediante situações 
ou estímulos com os quais suas inteligências mais 
desenvolvidas se identificam. As oito inteligências, segundo 
Armstrong (2001), podem ser resumidas, conforme segue: 
Inteligência lingüística: capacidade de utilizar as 
palavras de forma efetiva,quer oralmente (ex. contador 
de histórias, orador ou político), quer escrevendo (ex. 
poeta, dramaturgo, editor ou jornalista). Essa inteligência 
inclui a capacidade de manejar a sintaxe ou a estrutura 
da linguagem, a semântica ou os significados das 
palavras. Alguns desses usos incluem a retórica (usar a 
linguagem para convencer os outros a seguirem um curso 
de ação específica). A mnemônica (usar a linguagem para 
lembrar-se de informações), a explicação (para informar) 
e a metalinguagem (usar a linguagem para falar sobre ela 
mesma).
Inteligência lógico-matemática: capacidade de usar 
os números de forma efetiva (ex. matemático, contador 
ou estatístico) e para raciocinar bem (ex. cientista, 
programador de computador ou lógico). Essa inteligência 
inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos 
lógicos, afirmações e proposições, funções e outras 
abstrações relacionadas aos tipos de processo usados a 
serviço da inteligência lógico-matemática: categorização, 


45
C
O
L
E
Ç
Ã
O
classificação, inferência, generalização, cálculo e 
testagem de hipóteses.
Inteligência espacial: a capacidade de perceber com 
precisão o mundo óptico-espacial (caçador, escoteiro ou 
guia) e de realizar transformações sobre essas percepções 
(decorador de interiores, arquiteto, artista ou inventor). 
Essa inteligência abrange a sensibilidade à cor, linha, 
forma, configuração e espaço e as relações entre esses 
elementos. Ela inclui a capacidade de visualizar, de 
representar graficamente idéias visuais ou espaciais e de 
orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial.
Inteligência corporal-cinestésica: perícia no uso do 
corpo todo para expressar idéias e sentimentos (ator, 
mímico, atleta, dançarino) e facilidade no uso das mãos 
para produzir ou transformar coisas (artesão, escultor, 
mecânico ou cirurgião). Essa inteligência inclui 
habilidades físicas específicas, tais como coordenação, 
equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade, 
assim como capacidades perspectivas e hápticas.
Inteligência musical: capacidade de perceber 
(aficionados por música), distinguir (crítico de música), 
transformar (compositor) e expressar (musicista) formas 
musicais. Essa inteligência inclui sensibilidade ao 
ritmo, tom ou melodia e timbre de uma peça musical, 
apresentando entendimento figural ou geral da música 
(global intuitivo), ou entendimento formal, detalhado 
(analítico técnico), ou ambos.
Inteligência interpessoal: capacidade de perceber e 
fazer distinções no humor, nas intenções, nas motivações 
e nos sentimentos das outras pessoas. Isso pode incluir 
sensibilidade a expressões faciais, voz, gestos, à 
capacidade de discriminar diferentes tipos de sinais 
interpessoais e de responder efetivamente a esses sinais 
de maneira pragmática (influenciar um grupo de pessoas 
a seguir a mesma linha de ação).




46
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Inteligência intrapessoal: autoconhecimento e 
capacidade de agir adaptativamente com base nesse 
conhecimento. Essa inteligência inclui possuir precisa 
imagem de si mesmo (das próprias forças e limitações), 
consciência dos estados de humor, intenções, 
motivações, temperamento e desejos e a capacidade de 
autodisciplina, auto-entendimento e de auto-estima.
Inteligência naturalista: perícia no reconhecimento e 
classificação das numerosas espécies (da flora e da 
fauna) do meio ambiente do indivíduo. Inclui também 
sensibilidade a outros fenômenos naturais (formação 
de nuvens e montanhas) e, no caso das pessoas que 
cresceram num meio ambiente urbano, a capacidade de 
discernir entre seres inanimados como: carros, tênis e 
capa de discos musicais.
Após essas ponderações sobre inteligências múltiplas, 
observe-se que cada integrante de uma turma escolar 
apresenta uma combinação diferente dessas inteligências, 
em diferentes estágios de desenvolvimento, sendo essa 
combinação única, peculiar a cada indivíduo. 
Essa combinação é um dos fatores a possibilitar que, em um 
trabalho em equipe, alguém goste mais de pesquisar, outro de 
apresentar o trabalho para a turma e outro, ainda, de entrevistar 
pessoas na rua. Inclusive, ainda, possibilitar a alguns 
aprenderem melhor, quando o professor coloca uma música, e a 
outros, quando a explanação do tema é oral, ou quando têm de 
pesquisar na biblioteca da escola. Por isso, não se pode afirmar 
que, em uma mesma aula, todos os alunos aprenderam todas 
as partes do assunto tratado, da mesma forma.
O papel do professor, nesse processo, é o de alternar as 
diversas estratégias didáticas, conjugando-as, ou não, 
para garantir que toda a turma aproveite ao máximo seus 
ensinamentos.


47
C
O
L
E
Ç
Ã
O
O aluno, por sua vez, também desenvolve importante papel 
nesse processo, pois, ele deve ser um parceiro do professor 
na escolha do melhor processo e participante ativo na 
aprendizagem. Além de ajudar o professor, por meio do 
diálogo e do interesse, a descobrir as potencialidades de 
cada aluno, deve antes se conhecer, perceber e identificar 
suas facilidades e seus pontos fracos e ainda buscar 
complementar aquilo que aprendeu.
Veja-se um exemplo prático: o docente, todo empolgado e 
enfático, chega à sala de aula dizendo que, a partir daquele 
dia até a semana seguinte nas aulas de ciências, a turma irá 
trabalhar com o projeto solo, ou com o projeto meio ambiente, 
enfim, algum outro tema.
A turma então fica responsável por pesquisar, distribuindo-
se a cada aluno ou grupo uma parte do tema ou um local. 
Depois de mais ou menos uma semana, todos se juntam 
e analisam os resultados da pesquisa. Como num grande 
quebra-cabeça, juntam as partes coordenadamente, 
resumem e transformam em um cartaz colocado no corredor 
da escola.
Ao se questionar se isso seria ensinar por projetos, convém 
relembrar Gardner (1994, p.189), quando esclarece 
que o projeto é capaz de fornecer “uma oportunidade 
para os estudantes disporem de conceitos, habilidades 
previamente dominadas, a serviço de uma nova meta ou 
empreendimento”. 
Assim, evidencia-se que, sendo o aluno o real interessado 
em saber maiores detalhes sobre o tema, ele deve participar 
de forma ativa na seleção do mesmo, optando por aprender 
e aprofundar o que realmente é significativo para ele.
Da mesma forma como serão elaborados, em conjunto, 
os passos do projeto na definição dos objetivos, na 
configuração dos meios, recursos e atividades de execução. 
Principalmente, na determinação do caráter inovativo do 
projeto, que pode se iniciar em simples questões do dia-a-
dia escolar, mas que sejam estimulantes e cativem o aluno, 
48
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
despertando-lhe o interesse pelos estudos, pela pesquisa, 
pela escola, pela aprendizagem, enfim.
Basta, por exemplo, transformar um tópico obrigatório do 
currículo em um projeto. Se o tema for bem trabalhado, antes 
de iniciar a pesquisa em livros, internet, periódicos, museus, 
enfim, em toda e qualquer fonte que se fizer necessária, 
o aluno se interessará pelo assunto e procurará realmente 
saber do que se trata. 
Estabelece-se, então, um diferencial de aprender por 
projetos em referência a aprender por conteúdos ou pela 
seqüência lógica do livro e da apostila. Ressalte-se a 
importância da discussão e da análise dos resultados 
obtidos, do reconhecimento e citação corretos das fontes, 
da priorização dos dados mais significativos e de sua 
divulgação.
Ensinar por projetos exige especial atenção aos alunos, que 
precisam ser orientados a buscar o conhecimento de forma 
adequada; a ler o que encontraram com atenção; a entender 
a sistemática de busca pela informação fidedigna; a compilar 
toda informação pesquisada e recebida. Tudo isso exige 
tempo, dedicação e paciência, pois os alunos apresentamdiferentes ritmos de aprendizagem e o trabalho terá como 
plano de fundo as dificuldades de alguns e o brilhantismo 
de outros em cada um dos aspectos que nortearem esse 
trabalho.
O docente deve, portanto, estar preparado para, mais do que 
acompanhar, usar seu tempo com qualidade, sua paciência, 
seus conhecimentos e pesquisar com os alunos. Precisa 
complementar os conhecimentos encontrados, dominar bem 
o assunto do projeto, para interagir com os alunos, sanando 
suas dificuldades e, até mesmo, interagindo com outros 
docentes, outras turmas ou cursos.
O ensino por projetos deve ser significativo para o aluno, 
para que ele possa sob a orientação do docente, interagir 
com o conhecimento. Porém, se um projeto é realização 
49
C
O
L
E
Ç
Ã
O
de uma proposta inovadora, o desenvolvimento das 
potencialidades das pessoas inevitavelmente levará para 
resultados admiráveis e para a descoberta do novo.
Ensinar por projetos é também e ainda ensinar aos alunos 
(independente de idade, sexo, raça, cor, escola, classe social 
ou curso) a sistematizar os conhecimentos e ações possíveis 
para a realização de seus sonhos e ambições. Ensinar por 
projetos é ensinar que conquistas, mudanças, idéias e 
inovações, para serem efetivas, precisam de um objetivo, de 
uma estrutura e de uma significação.
Por outro lado, aprender por projetos é aproveitar a 
possibilidade que se tem de buscar e analisar conhecimentos, 
das mais diversas fontes, sob os mais diferentes pontos de 
vista, conversar sobre, discutir, repensar, recriar, inovar!
Assim, o ensino e a aprendizagem por essa metodologia 
constituem grande fonte de inovação, quando trabalhados da 
forma correta e direcionados para um novo olhar, um novo 
ponto de vista, uma nova possibilidade, um novo horizonte, 
um novo conhecimento.
2. Pedagogia de projetos
Quando o docente adota por metodologia o ensino por 
projetos, ele congrega ao seu redor fatores que atingem todo 
o ambiente educacional e que devem estar articulados à 
gama de conhecimentos prevista para ser transmitida àquela 
série ou àquele curso. 
Os projetos propiciam realizar a riqueza de articulações e 
detalhes, que são amplamente vistos e desejados no mundo 
do trabalho, pois, de acordo com Lück (2003, p. 16.), 
possibilitam:
sistematizar e integrar (em seu sentido mais elementar) 
conjuntos organizados de ações que, do contrário, 
permaneceriam desarticuladas e até mesmo conflitantes 
entre si; 

50
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
definir, claramente e com visão realista, os resultados 
pretendidos pelas ações, de modo a maximizar os esforços 
para a consecução de resultados mais significativos; 
agir à parte de situações claramente entendidas; 
dimensionar, articular e organizar recursos, condições, 
energia e o talento da equipe para sua efetivação; 
oferecer condições de retroalimentação e melhoria 
contínua das ações; 
compreender, pela reflexão baseada no monitoramento e 
na avaliação, a relação entre processos e resultados. 
Para tanto, os projetos formam excelente ferramenta para 
que os alunos passem a entender os conhecimentos por 
uma perspectiva global, para que saiam para o mercado de 
trabalho com visível articulação entre teoria e prática.
Ao docente, cabe valorizar as experiências anteriores dos 
alunos sob um olhar multidisciplinar e interdisciplinar. A 
utilização de atividades norteadas por situações-problema 
e/ou pela metodologia de projetos de trabalho ressignifica 
os espaços de aprendizagem e valoriza a participação dos 
educandos e do professor no momento de ensino-aprendizagem. 
Pois, segundo Perrenoud (2000, p. 58), “a escolaridade só 
tem sentido se o essencial do que nela se aprende possa ser 
investido fora dela, paralelamente ou mais tarde”.
Para diferenciar essas formas de ressignificar os conteúdos, 
faz-se necessário realizar uma análise aprofundada 
das peculiaridades dessas formas de contextualizar o 
conhecimento, que não são únicas, embora amplamente 
divulgadas e utilizadas nos sistemas educativos. 
Portanto, focar-se-á, principalmente, a Metodologia de 
Projetos de Trabalho, que pode ser descrita inicialmente 
como:





51
C
O
L
E
Ç
Ã
O
“uma proposta de investigação pedagógica que dá à atividade de 
aprender um sentido novo. Permitindo ao aluno viver experiências 
positivas de confrontos, de decidir, de comprometer-se com 
a escolha, de projetar-se no tempo, mediante planejamento de 
suas ações e seus aprendizados como agente na construção do 
próprio conhecimento, quando as necessidades de aprendizagem 
afloram na perspectiva de resolver situações problemáticas e 
diversificadas. (Pegorette; Souza; Chaves, 2003, p.16).
Saliente-se que essas situações problemáticas e 
diversificadas são diferentes das situações do trabalho com 
atividades norteadas por situações-problema. Os projetos 
de trabalho passam por etapas mais complexas, dinâmicas 
e participativas do que as atividades norteadas por 
situações-problema, principalmente, no que diz respeito à 
sua concepção e às fases pelas quais cada um deles deve 
percorrer. 
Essa modalidade de articulação dos conhecimentos é uma 
forma de organizar as atividades de ensino/aprendizagem, 
que implica considerar que tais conhecimentos não se 
ordenam para sua compreensão de forma rígida, nem em 
função de algumas referências disciplinares preestabelecidas 
ou de uma homogeneização de alunos. A função dos projetos 
é favorecer a criação de estratégias de organização de 
conhecimentos escolares em relação a:
“1) tratamento da informação, e 2) a relação entre os diferentes 
conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos 
alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da 
informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em 
conhecimento próprio (Hernández; Ventura, 1996, p. 61).
A metodologia de projetos de trabalho é complementar e de 
significativa importância em metodologias dinâmicas como 
a de formação e certificação por competências, pois estimula 
a aquisição e desenvolvimento de diversas habilidades, em 
52
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
razão de unir aspectos importantíssimos no processo de 
ensino/aprendizagem. 
Outro fator positivo é equilibrar a onipotência do professor 
sobre os conteúdos, pois uma das chaves do sucesso dos 
projetos de trabalho é a participação dos alunos desde o 
início da concepção dele, opinando e atuando de forma ativa 
em todas as etapas.
Assim sendo, tomando as decisões em conjunto (professor e 
aluno) ambos se comprometem com o que foi escolhido para 
trabalhar, propiciando ao aluno tornar-se sujeito da própria 
aprendizagem, que, com certeza, será muito significativa.
Dessa forma o tema pode pertencer ao currículo oficial, 
proceder de uma experiência comum, originar-se de um 
fato da atualidade, surgir de um problema proposto pela 
professora ou emergir de uma questão que ficou pendente 
em outro projeto (Hernández; Ventura, 1996, p. 6).
Na formação profissional, primordialmente, esse processo de 
decisão coletiva é muito importante, pois, quando o aluno 
ingressar no mercado de trabalho, deverá ter noções quanto à 
sua capacidade de participação e de decisão nos projetos de 
que fizer parte, bem como de assumir as responsabilidades 
inerentes à sua função ou cargo.
Elaborar projetos caracteriza-se como processo de 
construção de conhecimentos e compreensão de uma 
realidade, orientado pelo espírito científico sempre 
aberto e questionador das pessoas participantes e não, 
simplesmente, por esquemas formais de sua elaboração. 
(Lück, 2003, p. 28)
Desde a definição do tema ou do problema a ser estudado, do 
planejamento, em todas as suas fases, o grupo poderá opinar com 
relação à forma, etapas, cronogramas e atividades. Faz-seuma 
análise do que se tem disponível para a elaboração do projeto, 
quanto a número de pessoas, equipamentos, livros, fontes de 
pesquisa, orçamento para visitas técnicas e o que mais se julgar 
necessário para embasar o planejamento das ações.
53
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Na fase inicial, não se definem detalhes, apenas faz-se 
necessário o primeiro esboço das atividades. O planejamento 
é aberto, pois, no decorrer da execução podem surgir 
imprevistos que modifiquem sua estrutura, reciclando o que 
foi planejado, inclusive o cronograma estipulado. Não se deve 
prescindir de planejar a etapa de divulgação dos resultados, 
pois, o andamento e a conclusão do projeto devem ser do 
conhecimento de todos.
A questão da abertura e flexibilidade do planejamento 
merece atenção por parte dos participantes do projeto, alerta 
Pegorette et al. (2003), ao relatar que:
 
“O perigo da excessiva interferência do docente, que preocupado 
com o programa previamente estabelecido chega a transformar 
o projeto em uma coordenação de lições em torno de um tema 
determinado, de pouco interesse para os alunos (Pegorette; 
Souza; Chaves, 2003, p. 34). 
Outra questão importante a ser considerada é a de que cada 
grupo tem suas áreas de interesse e suas características 
pessoais, assim, o que deu certo para um grupo pode ser 
extremamente entediante para outro.
No mundo do trabalho, planejar abrange operações mentais 
múltiplas, orientadas pelo espírito científico, dentre as 
quais se destacam as de identificação, análise, comparação, 
extrapolação, classificação, dedução, indução, avaliação, 
síntese, previsão, dentre outras. (Lück, 2003, p. 67). Portanto, 
quando os alunos participam de todas as etapas do projeto, 
aumenta-se o comprometimento de todos e respeitam-se as 
limitações e o ritmo do grupo, vivenciando-se um pouco da 
realidade empresarial.
Na formação profissional, um projeto de trabalho em equipes 
terá como resultado o desenvolvimento e aprimoramento de 
inúmeras habilidades tais como: pessoal, social, técnica, 
cultural e reflexiva, reproduzindo o ambiente de resolução 
de problemas a ser encontrado no mercado de trabalho, 
54
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
facilitando o entendimento das relações interpessoais, 
inteligentes e produtivas.
Esse método de trabalho favorece novas relações na escola, 
na sala de aula e do aluno com o conhecimento dos conteúdos 
e de suas capacidades e potencialidades, gerando alto grau 
de autoconsciência e de significatividade nos alunos com 
respeito à própria aprendizagem (Hernández; Ventura, p. 2, 
1996).
Essa proposta tem a finalidade de organizar os conteúdos a 
fim de se solucionar os problemas inicialmente levantados, 
cuja magia se encontra na possibilidade do trabalho 
contextualizado pela aprendizagem. 
O próximo passo diz respeito à problematização do tema, ao 
levantamento das questões e dúvidas a respeito do tema, momento 
em que o professor pode, inclusive, identificar a profundidade 
do conhecimento que seus alunos têm do assunto.
Trabalhar com algumas questões norteadoras também facilita 
a obtenção de um foco central do projeto, evitando que 
se torne abrangente ou específico demais. Por meio desse 
questionamento, é possível elaborar uma justificativa para o 
projeto, estabelecendo os objetivos a serem atingidos. 
A problematização, os objetivos e a justificativa constituem, 
portanto, o ponto de partida para a pesquisa, sistematização, 
produção e ressignificação dos conhecimentos em torno do 
tema proposto. Nesta fase, o papel do professor torna-se o de 
facilitador do processo de aprendizagem.
O docente nunca deverá oferecer as respostas certas, nem 
tampouco corrigir as erradas, uma vez que seu dever é o de 
incentivar o aluno a ter a própria opinião deixando-o decidir-
se por outra resposta, quando esta lhe parecer mais adequada. 
As idéias erradas não podem ser eliminadas pelo docente, 
mas sim devem ser modificadas pelos alunos, a fim de que 
cheguem à resposta correta, discutindo o suficiente entre 
eles e favorecidos pela intervenção maiêutica e inteligente 
do docente (Pegorette; Souza; Chaves, p. 22, 2003).
55
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Todas as atividades relacionadas ao projeto devem ter: datas, 
registros, descobertas, dúvidas e avanços, para que ao final 
a turma possa ter um dossiê e elabore um relatório que 
sistematize e compile os dados coletados e as conclusões a 
que chegaram. 
Esses dados devem ser divulgados, seja por cópias do relatório 
elaborado ou de uma exposição para a escola, pais e/ou 
comunidade, essa escolha depende muito da característica 
do grupo e da criatividade do professor. Importante é que 
esses resultados sejam divulgados para a valorização do 
trabalho desenvolvido.
Um projeto, em sua real conotação, deve ser criado e gerido 
pelo grupo em que foi pensado e será aplicado, ou seja, por 
seus maiores interessados. Quando a proposta foge dessas 
características, ou seja, quando é uma coisa pronta, ou 
semipronta, que vem de fora do grupo, passa a ter viés de 
atividade e não, de projeto.
Saliente-se a importância do trabalho com projetos na 
educação profissional, pois, a história das organizações 
tem evidenciado que somente a ação inteligente é capaz 
de transformar problemas em soluções e que a falta dela 
transforma soluções em problemas (2003, Lück 2003).
As empresas voltaram seus olhares para o capital humano, 
gerando demanda por um novo tipo de profissional, fazendo 
com que as escolas, tanto de formação para o trabalho, quanto 
de ensino regular, necessitem mudar sua forma de educar e 
procurem se adequar a essa nova tendência do mercado de 
trabalho.
É notório que, hoje, a formação do trabalhador não deve ser 
apenas regulada por tarefas relativas a postos de trabalho. O 
mundo do trabalho exige cada vez mais um profissional que 
domine não apenas um conteúdo técnico específico à sua 
atividade, mas que, igualmente, detenha capacidade crítica, 
autonomia para gerir o próprio trabalho, habilidade para atuar 
em equipe e solucionar criativamente situações desafiadoras 
em sua área profissional (SENAI, 2002, p. 07).
56
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Nesse contexto, um profissional focado apenas no saber fazer 
já não proporciona as contribuições esperadas pelas empresas, 
sendo também facilmente substituído por máquinas. Aí entra 
o papel e a importância da escola na formação e educação 
do ser humano: ela não pode em hipótese alguma estar 
alienada e/ou desvinculada dos avanços tecnológicos e do 
perfil de empregado desejado pelo mercado de trabalho, 
que, segundo Lück (2003, p. 09), “exige de profissionais 
em geral e de gestores em especial, tanto muita agilidade 
e criatividade, quanto elevado espírito de organização e 
planejamento inteligente aplicado a seu trabalho e a projetos 
sob sua responsabilidade”. 
A busca por uma educação capaz de desenvolver a 
“trabalhabilidade” das pessoas, definida como “o conjunto 
de competências e capacidades que são desenvolvidas 
tornando o profissional apto para o desempenho de 
atividades com ou sem vínculo empregatício” (Deffune 
e Depresbiteris), é crescente, tendo a escola a obrigação 
de corresponder a essas expectativas, desenvolvendo nos 
indivíduos as aptidões desejadas pelo mercado de trabalho 
e pela sociedade, não apenas assegurando os anos de 
escolarização ou de formação profissional estritamente 
necessários, mas formando cientistas, inovadores e quadros 
técnicos de alto nível (Dellors, 2001, p. 71).
Na formação para o trabalho, um dos maiores desafios 
encontrados consiste em articular os conteúdos de forma a 
desenvolver no educando as competências necessárias para 
seu ingresso ou permanência no mercado de trabalho de 
forma prática e tecnicamente embasada, ou seja, traduzir 
para o mundoda educação as competências profissionais 
demandadas pelo mundo do trabalho. 
3. Papel do Professor na Pedagogia de Projetos
Na definição desse papel, tem-se que projetos não podem 
ser aplicados de maneira generalizada e seguindo ímpeto 
57
C
O
L
E
Ç
Ã
O
inovador sem desvirtuá-los, porque requerem vontade de 
mudança na maneira de fazer do professorado e de assumir 
o risco que implica adotar uma inovação que traz consigo, 
sobretudo, uma mudança de atitude profissional (Hernández, 
Ventura, 1996, p. 10).
Portanto, fica clara a importância do professor, como 
facilitador da aprendizagem nesse processo de transferência 
de conhecimento. Segundo Perrenoud (2000), é ele quem 
terá o papel de facilitar a transmissão dos conhecimentos 
formais para o mundo real e é ele quem irá fazer com que o 
aluno repasse o que aprendeu para o mundo do trabalho e 
para a vida.
Para exercitar essa transferência, o ideal seria reconstituir, 
durante a escolaridade, situações próximas daquelas do 
mundo do trabalho, da vida fora da escola, quer seja das 
crianças, adolescentes ou dos adultos em que se tornarão. 
Essas situações não são mais reais que as situações escolares 
clássicas, mas não são criadas e controladas pela escola, o 
que faz toda a diferença (Perrenoud, 2000, p. 65).
3.1 Questões metodológicas
Na pedagogia de projetos, e não só nela, o professor 
desempenha papel essencial: o de mediador entre o 
conhecimento e o aluno. No entanto, essa mediação não 
pode ser meramente reprodutivista ou autoritária, deve 
estar cercada de atributos que garantam um processo de 
aprendizagem agradável, assertivo e inovador. A inovação 
intrínseca a esse processo, transmitida pela prática 
pedagógica do professor em sala de aula, garante aos 
alunos segurança e estímulo para se atingir os objetivos de 
aprendizagem. Em vez de fugir das aulas, os alunos passam 
a fugir da rotina, buscando conhecer e aprender de forma 
instigante e nova.
Alguns passos, esclarecidos por meio de perguntas feitas pelo 
professor a si mesmo, auxiliam-nos nessa busca do melhor 
caminho para um ensino/aprendizagem profícuo e realmente 
útil para os alunos.
58
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Primeiro passo: O que eu estou fazendo aqui? Quem sou eu 
neste processo?
A partir do momento em que o docente assume quem 
ele é dentro do contexto, torna-se eficaz ao posicionar-se 
também como aprendiz e alguém passível de errar, mas 
principalmente como alguém que sabe lidar com a enorme 
gama de conhecimentos disponíveis para solucionar seus 
problemas e realizar suas aspirações. Essa busca constante pelo 
autoconhecimento e pelo crescimento como profissional e como 
pessoa configura-se exemplar diante de seus orientandos.
Segundo passo: Quem são meus alunos?
Esta é a chave para o sucesso de um planejamento 
educacional em qualquer local, a qualquer tempo. 
Reconhecer a bagagem experiencial trazida pelos alunos, 
seus conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas 
dentro e fora da escola, na interação constante com o mundo 
e a sociedade, resulta de real importância. Essa avaliação 
diagnóstica alicerça o trabalho docente, construindo um 
ponto de partida seguro e eficiente em suas práticas de 
ensino.
Terceiro passo: O que tenho de ensinar?
Conhecer o programa dos conhecimentos, habilidades e 
atitudes a serem desenvolvidos nos alunos e ter a perspicácia 
de identificar esse desafio e propor a inovação constitui-se 
instrumento vital para a prática docente. Não é necessário 
reinventar a roda para conseguir inovar, mas sim fazer com 
que o aluno encontre sua maneira de fazê-la girar. No entanto, 
planejar para isso é fundamental.
59
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Quarto passo: Quais são meus objetivos? Aonde quero 
chegar com essas atividades?
Os planos de aula são importantíssimos para o professor 
traçar seus objetivos e suas atividades para lograr 
resultados em sessenta ou cento e vinte minutos de sua aula. 
Sobretudo (se o objetivo consiste de apresentar aos alunos 
um marisco) verificar no final da aula que eles sabem do 
que se trata, inclusive, vislumbrando-o como fonte de renda 
ou de alimento. Bastaria incluir nesse plano levar mariscos 
para a sala de aula e ensinar os alunos a manuseá-los para, 
interdisciplinarmente, ensinar a cozinhá-los, ou a criá-los.
Quinto passo: De que preciso para alcançar meu objetivo?
Desdobrar o objetivo geral em objetivos específicos mostra a 
seqüência, o grau de importância de cada uma das etapas a 
serem cumpridas para atingir os objetivos educacionais. 
Por exemplo: Objetivo geral: Organizar o ambiente de 
trabalho de acordo com as normas de segurança vigentes. 
Objetivos específicos:
Reconhecer o ambiente de trabalho, as máquinas, 
equipamentos e ferramentas que o compõem.
Saber as normas de segurança vigentes e onde encontrá-
las.
Aplicar essas normas no ambiente de trabalho, de acordo 
com a realidade da empresa.
Utilizar equipamentos de proteção individual 
adequadamente e sempre que necessário.




60
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Sexto Passo: Como atingir meus objetivos?
Neste passo, a criatividade deve atingir o ponto alto. Cabe ao 
professor, agora mais do que em qualquer etapa do processo, 
definir se isto será uma aventura do conhecimento para o 
aluno ou apenas mais um capítulo do livro ou da apostila a 
ser visto.
As normas de segurança no trabalho correlatas à sua 
profissão podem ser ensinadas por meio de conteúdos, pura 
e simplesmente com a leitura da apostila, ou por uma visita 
técnica em uma empresa, que aplique essas normas em seus 
ambientes de trabalho e utilizem EPIs.
Como tarefa de casa, os alunos serão orientados a pesquisar, em 
qualquer meio de informação, sobre a definição e utilidades 
dessas normas. Na data marcada, abre-se uma mesa redonda, 
os alunos expõem seus resultados, construindo uma teia 
de conhecimentos e fontes de informações. Elabora-se em 
conjunto, sob a orientação do docente, uma lista dos tópicos 
mais importantes e faz-se um registro para consultas futuras. 
Na seqüência, o professor pode distribuir as NRs referentes 
à área de formação dos alunos para que eles analisem e em 
grupos dêem sugestões de aplicabilidade prática. Depois, 
pode ser organizada uma visita técnica a uma empresa, 
quando os alunos tomarão notas das ações aplicadas pela 
empresa, ou não aplicadas, em prol da segurança dos 
funcionários e do atendimento às NRs.
Depois disso, para finalizar, cada equipe deve apontar os 
pontos positivos vistos na empresa, fazendo correlação com 
a parte da norma referente, e os pontos negativos, apontando 
as soluções mais adequadas para o atendimento à norma.
Pode-se, ainda, socializar as informações e analisar a 
viabilidade das soluções apontadas no grande grupo e como 
a montagem da metodologia utilizada auxiliou para alcançar 
o objetivo geral e os específicos rendendo bons resultados.
61
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Sétimo Passo: Do que eu preciso para tornar estas idéias 
realidade? 
É possível listar item por item do que é necessário planejar, 
prover, comprar, a fim de que essa metodologia possa ser 
aplicada, desde um pincel necessário para escrever um 
cartaz até o custo de transporte dos alunos para a visita 
técnica. Em planejamentos escolares, freqüentemente, 
denomina-se esta etapa de recursos necessários, recursos 
físicos, materiais e humanos, ou apenas recursos. Com a 
previsibilidade das ações e dos recursos, torna-se possível 
rever os planos iniciais ou colocá-los em prática com mais 
segurança e propriedade. 
Caso a escola não disponha desses meios, haverá tempo 
de buscá-los com parceiros, solicitar compra por parte dos 
alunos, improvisar ou até mesmo mudar um pouco a rota, 
além de verificar outras questões, comodisponibilidade de 
uma empresa em recebê-los e assim por diante.
Oitavo passo: De quanto tempo necessito?
Normalmente, o planejamento deve ser feito no mínimo 
com duas semanas de antecedência, considerando-se o 
detalhamento exigido para que seja bem preparado com 
vistas à sua execução. 
Deve-se prever também que, a cada semana, o professor 
passa executar um novo projeto, logo após o término do 
outro, e assim, de forma planejada, evitar sobreposições. Isto 
também, porque o tempo de execução deve estar de acordo 
com a complexidade do assunto e com o ritmo da turma.
O ideal é alternar planejamentos, conforme a exigência de 
mais recursos, ou menos, sem atropelar a construção do 
conhecimento e sem deixar tudo para a última hora. 
62
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Nono passo: Como identificar se os alunos aprenderam?
Não apenas interessante, mas necessária, é uma avaliação 
diagnóstica inicial dos alunos, por meio de conversa com a 
turma, um exercício, uma dinâmica, um pequeno trabalho. 
Com isso, o professor identifica os alunos com maior ou 
menor conhecimento do tema, maior ou menor dificuldade 
de expressão, de síntese ou de interesse.
Assim, pode acompanhá-los passo a passo, observando seus 
avanços, seus insights e suas atitudes, avaliando-os no cotidiano 
e, ao final do período ou da atividade, avaliar para revisão e 
fixação dos pontos mais importantes da etapa cumprida.
Essa avaliação final servirá de parâmetro comparativo com o 
diagnóstico feito no início do processo e estará enriquecida 
com todas as análises realizadas no decorrer das atividades, 
contemplando os vários momentos da aprendizagem e sua 
evolução.
Décimo passo: O que devo registrar e como?
O registro é ferramenta vital para o processo educacional 
por permitir a realização segura do planejado e, ainda, uma 
avaliação completa de tudo o que foi desenvolvido até o 
final da atividade, servindo como aprendizado e como fonte 
de pesquisa, de reconstrução, de acompanhamento e de 
socialização.
Os planos de aula, por conterem assunto, carga horária, 
objetivos geral e específicos, metodologia, recursos 
necessários e avaliação, revelam-se excelente forma de 
registro, além de orientação para as ações docentes.
63
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Um relato elaborado pelo professor, avaliando erros e acertos 
nas etapas desenvolvidas, serve de histórico e possibilita 
socialização e reedição mais assertiva da atividade, 
compartilhando não só a idéia, mas também a crítica da 
realidade encontrada na execução. 
4. Papel do Aluno na Pedagogia de Projetos
Quando se realiza um projeto de forma sistematizada, 
buscando também a inovação, fica bastante viável 
proporcionar ao aluno atividades demonstrativas de que ele 
pode construir o caminho do autoconhecimento e alcançar, 
pela experiência escolar, seu crescimento rumo ao trabalho 
e à auto-sobrevivência.
Por onde começar?
Deve-se focalizar esse desafio, refletindo sobre os aspectos 
circundantes e basicamente sobre os conhecimentos 
necessários, anotando em forma de tópicos informações 
primárias sobre locais, pessoas, dados e abordagens a serem 
investigadas. Enfrentar situações inusitadas exige postura 
criativa e inovadora, decisão de fazer o que precisa ser feito 
e fazer bem.
O que e como?
 
Não há como fugir, qualquer projeto escolar ou de vida passa 
pela revisão de conhecimentos e isso implica leitura, muita 
leitura, isso é de fundamental valor para adquirir informações, 
conhecimentos que formam a base para a resolução de 
problemas, para as descobertas, para a inovação, para a vida.
64
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
Deve-se, portanto, saber ler, o que equivale a selecionar 
a literatura de interesse, verificando desde a data da 
publicação, autor, pertinência dos temas mais simples aos 
mais complexos para embasar cientificamente o trabalho. 
É necessário aplicar todo o espírito crítico na seleção das 
referências bibliográficas, para, literalmente, separar o trigo 
do joio, e os professores são fonte segura para tanto, indicando 
os melhores autores, livros, jornais, revistas e periódicos. 
Trabalhar de forma científica é pesquisar em fontes seguras, 
assertivas e fidedignas, elaborando e criando, sem fazer mera 
cópia de trabalhos pela internet.
Há requisitos básicos para uma leitura profícua e útil: 
ambiente calmo e silencioso; boa iluminação; de preferência, 
ler sentado; ter à mão papel e caneta, para anotações; 
manter-se focado na idéia mestra do trabalho; sublinhar 
nos textos o que realmente importa; fazer esquemas de cada 
leitura realizada; anotar páginas interessantes por livro ou 
por assunto e assim por diante.
O que fazer com tudo isso?
Antes de qualquer coisa, lembrar-se da regra básica: escrever 
para que outras pessoas leiam e entendam as idéias e 
pensamentos expostos e isso pressupõe clareza, objetividade 
e síntese, para que a leitura se torne agradável e proveitosa.
Depois, basta começar a escrever, de forma dissertativa, 
relatando as descobertas, as reflexões, as conclusões. 
Lembrar-se sempre de que toda transcrição fiel, ou 
adaptada, de textos publicados deve obedecer aos preceitos 
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), 
citando-se sempre a fonte. 
65
C
O
L
E
Ç
Ã
O
5. Elaboração de Projetos na Educação Profissional
O ambiente escolar é muito fértil para criação e estruturação 
de projetos, uma vez que nele toda sorte de experiências 
são iniciadas, sistematizando pesquisas, planejamentos, 
conhecimentos e vivências.
A introdução nesse mundo de projetos tem base em pesquisas 
bibliográficas. Depois, aos poucos, são realizadas algumas 
pesquisas de campo para se aprofundar na arte de criar 
projetos com mais autonomia e mais complexidades.
Contudo, mesmo os projetos de pesquisa mais simples 
exigem estruturação e organização minuciosa e prática, 
ao mesmo tempo, ou seja, de modo que abranja todos os 
aspectos, porém, de forma clara e objetiva.
Para que o trabalho siga essas orientações, cada passo deve 
ser elaborado com base em alguns elementos fundamentais, 
que serão apresentados a seguir.
5.1 Normas para elaboração de Projetos
No Brasil, atualmente, o órgão que centraliza as normatizações 
técnicas, a fim de padronizar a formatação de documentos, 
criação de produtos, execução de serviços é a Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Por esse motivo, as instituições de ensino, cada vez mais 
cedo, têm solicitado a entrega de trabalhos e pesquisas de 
acordo com essas normas, que são observadas não só no 
meio acadêmico, mas também em relatórios e documentos 
empresariais. Como essas normas são alteradas com 
determinada freqüência, é importante estar atento e ter fonte 
confiável de consulta.
66
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
5.2 elementos Básicos de um Projeto 
Ao se elaborar um projeto, seja de pesquisa ou de planejamento 
de produtos, deve-se ter em mente que a versão escrita e seus 
componentes não pertencerão exclusivamente a seu autor, 
pois, com certeza, o conhecimento e a organização elaboradas 
serão lidas por interessados no assunto abordado. 
Assim, a primeira regra básica para a elaboração de um projeto 
é apresentar clareza na escrita e na montagem das etapas 
para facilitar o entendimento do leitor e dos executores, na 
busca por informações e no registro dos progressos. Outras 
explanações já foram feitas na parte 1 deste volume, no 
momento, propõe-se a seguinte esquematização. 
PROJETO
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
JUSTIFICATIVA
OBJETIVO GERAL
DESTINO/FINALIDADE/PÚBLICO-ALVO
ASPECTOS qUALITATIVOS 
E qUANTITATIVOS
METODOLOGIA/PROCEDIMENTO/
DESCRIÇÃO DE TAREFAS
67
C
O
L
E
Ç
Ã
O
FASES / ETAPAS 
Prévia, preparatória, implementação, 
conclusivaCRONOGRAMA
RECURSOS
humanos, materiais, físicos e 
financeiros)
AVALIAÇÃO
modelos, normas, leis, formulários, etc.
Após uma esquematização prévia, o projeto deverá ser 
formalizado na seguinte estrutura, conforme determinações 
da ABNT.
a. Título
b. Justificativa
c. Objetivos
d. Desenvolvimento/funcionamento
e. Inovação (vide Parte I, item 3)
classificação por tipo de inovação: produtos ou 
processos inovadores;
descrição da inovação principal: breve descrição 
sobre a inovação do produto ou processo, ou do 
produto ou processo modificado, ou a combinação 
de quaisquer das inovações. Esta fase deve ser 
subsidiada com informações sobre propriedade 
intelectual (vide Parte III).


68
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
f. Esquemas e desenhos 
g. Aplicabilidade na indústria, ou na comunidade
h. Tempo estimado de execução/ Apresentação do 
funcionamento 
i. Especificações do material 
j. Recursos humanos e financeiros
k. Bibliografia
6. Construção do conhecimento mediante 
situações-problema 
As situações-problema revelam-se excelentes formas 
de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes 
indispensáveis para a formação profissional dos alunos, 
pois cria a condição ideal para que todo o conhecimento 
adquirido seja colocado em prática, com atitude, iniciativa 
e proatividade.
Na educação profissional, as situações-problema devem 
reproduzir ou representar a realidade em que o aluno está 
inserido, para:
refletir uma situação real que acontece ou pode acontecer 
em uma organização;
prever os tipos de conhecimentos, habilidades e atitudes 
da situação real a serem requeridos do aluno, como input 
ao processo;
serem relacionadas à área de formação; 
considerar o nível de aprendizado técnico em que a turma 
se encontra e suas experiências anteriores;
ajustar a linguagem à realidade da turma e gerando 
empatia, para que os alunos realmente vivenciem a 
situação;





69
C
O
L
E
Ç
Ã
O
serem apresentadas de forma simples, clara, sucinta e 
precisa.
Devem ser considerados os seguintes aspectos dos 
componentes do projeto: 
a. quantidade de alunos, total e por sexo; 
b. faixa etária;
d. quantidade dos que trabalham;
e. tipos de empresa em que trabalham;
f. desempenho da turma, no dia-a-dia;
g. assuntos preferidos;
h. recursos disponíveis e possíveis de utilização;
i. tempo disponível para trabalhar com o projeto;
j. importância do projeto para a formação dos alunos;
k. pontos de maior relevância do projeto;
l. subsídio prestado pelas inteligências múltiplas;
m. auxílio da metodologia de gestão por projetos na 
prática docente;
n. conhecimentos sobre inovação e patentes para 
identificar a situação-problema;
o. ponto relevante no aprendizado dos alunos ao final da 
atividade proposta.
Com base nesses quesitos, deve-se encontrar o ponto 
necessário para contextualizar a situação-problema, tendo 
como intuito:
criar situação motivadora para a aprendizagem e 
relacionar teoria com prática, mostrando a relação 
dos saberes contidos no desafio com a vida (pessoal, 
profissional e social), o motivo de serem importantes e as 
formas de aplicá-los em uma situação real. Para isso, é 


70
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
preciso vincular conhecimentos, habilidades e atitudes 
a serem desenvolvidos aos lugares e momentos em que 
serão aplicados (SENAI, Coordenadoria de Qualificação 
Profissional/ COQUAP, 2005, p. 02).
Essa contextualização deve vir seguida do terceiro passo, o 
questionamento base da situação-problema, a qual deverá 
representar uma situação, uma organização, que exija análise 
e busca de variáveis de solução.
Deve-se lançar a situação-problema como algo instigante 
para a busca de novos conhecimentos que auxiliem na 
resolução da problemática apresentada. Esse desafio deve 
levar à elaboração de um produto, processo, bem ou serviço. 
Para tanto, deverão ser observados os 3C:
Condição: meios disponibilizados para o educando 
resolver a situação-problema.
Comportamento: ação a ser observada com a resolução 
da situação-problema.
Critério: padrão de desempenho esperado, ou indicadores 
utilizados, para aferir o alcance da competência (SENAI/
DN).
O trabalho com situações-problema exige a observância de 
alguns critérios (SENAI/DN) próprios para cada fase, quais 
sejam:
Na proposição do problema:
1. Propor tarefas abertas com vários caminhos e alternativas 
possíveis de resolução, preterindo as tarefas fechadas.
2. Modificar o formato ou a definição dos problemas, evitando 
que o aluno identifique uma forma de apresentação com um 
tipo de problema.



71
C
O
L
E
Ç
Ã
O
3. Diversificar os contextos e respectivas estratégias, 
propiciando ao aluno trabalhar os mesmos problemas em 
diferentes momentos do currículo mediante conteúdos 
conceituais diferentes.
4. Propor tarefas com formato acadêmico, mas também 
relativas a cenários cotidianos e significativos para o aluno, 
para que ele estabeleça conexões entre ambas as situações.
5. Adequar, à definição do problema, perguntas e informação 
proporcionada aos objetivos da tarefa, aplicando em relação 
a eles, em diferentes momentos, formatos mais ou menos 
abertos.
6. Utilizar diversidade de problemas durante o 
desenvolvimento ou seqüência didática de um tema, 
evitando que as tarefas práticas simplesmente pareçam 
ilustração, demonstração ou exemplificação de alguns 
conteúdos previamente apresentados ao aluno.
Durante a solução do problema
1. Habituar o aluno a adotar as próprias propostas sobre 
o processo de resolução, assim como a refletir sobre essa 
análise, oferecendo-lhe crescente autonomia na tomada de 
decisões. 
2. Fomentar a cooperação na realização das tarefas pelos 
alunos, mas também incentivar a discussão e os pontos 
de vista diversos, para explorar o espaço do problema 
a fim de comparar as soluções ou caminhos de resolução 
alternativos.
3. Proporcionar aos alunos informações necessárias durante 
o processo de resolução, realizando um trabalho de apoio, 
dirigido mais a fazer perguntas e a fomentar neles o hábito 
de perguntar a si mesmos do que meramente dar respostas às 
perguntas dos alunos.
72
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
 
7. Estruturação do projeto sobre situação-problema
Após a proposta da situação-problema, inicia-se o trabalho 
referente à elaboração do projeto específico, seguindo estes 
passos.
Análise da situação-problema proposta:
a. Elencar os aspectos relevantes;
b. Analisar o contexto no qual está inserido o problema.
Hipóteses de caminhos para solução:
a. Fundamentação técnica/teórica.
b. Parecer técnico de viabilidade das hipóteses 
levantadas.
c. Resultado escolhido.
d. Etapas de planejamento e implantação da solução.
e. Construção da solução ou da dinâmica do produto e/ou 
simulação do serviço.
f. Implantação ou encaminhamento da solução para a 
empresa.
Avaliação do problema:
 1. Considerar mais os processos de resolução seguidos pelo 
aluno do que a correção final da resposta obtida. Ou seja, 
avaliar mais do que corrigir. 
2. Valorizar especialmente o grau de requisição de 
planejamento prévio para esse processo de resolução, 
mediante ponderação e auto-avaliação do aluno, durante as 
tarefas realizadas.



73
C
O
L
E
Ç
Ã
O
3. Valorizar a reflexão e a profundidade das soluções 
alcançadas pelos alunos e não a rapidez com que são 
obtidas.
Proposta de condução de trabalho com situação-
problema:
a. Eleger um tema para estudo, um objeto ou um processo 
de uma área de conhecimento correlata ao curso, decisão 
tomada em conjunto por professor e alunos.
b. Elencar possíveis pontos de vistasobre o tema gerador 
eleito, tais como curiosidades, formas de elaboração/
fabricação e outros tópicos.
c. Gerar uma equipe para cada tópico, responsável por 
pesquisar, analisar e formular meios interessantes de 
ensinar aos demais o conteúdo do tópico.
d. Preparar um seminário, a fim de que cada equipe 
socialize suas descobertas e planos, após acompanhar 
cada etapa das pesquisas e da elaboração das oficinas/
demonstrações de cada tópico, quando as pesquisas já 
estiverem bem avançadas.
Nesse momento, as equipes poderão se fundir, ou não, 
dependendo das pesquisas e do direcionamento tomado 
por pesquisa de tópicos. A partir de então, o professor 
deve estimular os alunos a refletirem sobre as inovações 
pesquisadas, a importância delas e as sugestões a serem 
feitas para produto/processo/serviço almejado.
Contando sempre com a mediação do professor, essa inovação 
será gerada e gestada pelos alunos e seus resultados poderão 
ser expostos para a comunidade em geral, por intermédio de 
exposição, feira de projetos, entre outros meios de divulgação.

74
75
C
O
L
E
Ç
Ã
O
PRoPRIEdAdE INtELECtuAL, 
INFoRMAÇÃO TECNOLÓGICA E 
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS
Heloisa Cortiani de Oliveira
A propriedade intelectual compreende o conjunto de 
direitos resultantes da atividade intelectual nos âmbitos do 
conhecimento, tais como: industrial, científico e artístico. É 
um instituto jurídico dirigido ao bem comum, pois, ao mesmo 
tempo em que resguarda os direitos do criador, torna público 
o invento ou a obra, contribuindo para o desenvolvimento 
tecnológico, científico e cultural de toda a sociedade.
Pode-se dividi-la em dois campos de proteção: 
Propriedade Industrial: refere-se às patentes de invenção, 
aos modelos de utilidade, aos desenhos industriais, 
às marcas, às indicações geográficas e à repressão à 
concorrência desleal.

PARtE III
76
Heloisa Cortiani de Oliveira
Direitos Autorais: relacionam-se às criações expressas por 
qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível 
ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro (art. 
7.º da Lei 9.610/98, Lei de Direitos Autorais). Abrange 
as obras literárias e artísticas, incluindo os programas de 
computador.
Quando se deseja obter a propriedade intelectual de uma 
criação, é necessário buscar o órgão competente. No caso 
dos direitos de propriedade industrial, assim como os 
programas de computador, esse órgão é o Instituto Nacional 
de Propriedade Industrial (INPI). As obras literárias devem 
ser registradas na Biblioteca Nacional, mas algumas criações 
intelectuais não são protegidas pelas formas tradicionais, a 
exemplo das topografias de circuitos integrados, pois seguem 
o previsto pela Lei 11.484 de 31 de maio de 2007 e das 
cultivares, pela Lei de Proteção de Cultivares, Lei 9.456 de 
25 de abril de 1997. Estas, inclusive, devem ser registradas 
no Ministério da Agricultura e Abastecimento, por meio do 
Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC). 
O esquema abaixo auxilia nessa explicitação.

Propriedade 
Industrial
Direito 
Autoral
Patente
Desenho Industrial
Marca
Cultivares
Topografias de circuitos integrados
Programa de computador
Obras literárias, audiovisuais, 
musicais e estéticas
Propriedade 
Intelectual
77
C
O
L
E
Ç
Ã
O
1. Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial
A propriedade industrial vem assumindo papel fundamental 
no cenário econômico atual, tendo em vista os elevados 
padrões de competitividade do mercado. Obter a propriedade 
industrial de um produto ou processo representa um 
diferencial competitivo, tanto para a empresa, como para 
o inventor independente, ou pertencente a uma instituição 
de pesquisa e/ou ensino, que deseje transferir seus direitos 
de comercialização. O titular de direitos de propriedade 
industrial pode impedir que terceiros reproduzam, usem, 
coloquem à venda ou importem o produto ou processo 
protegido. 
Muitas vezes, a pesquisa e o desenvolvimento para 
elaboração de novos produtos e processos requerem grandes 
investimentos. Logo, proteger esse produto por meio de 
uma patente, por exemplo, significa prevenir-se de que 
competidores copiem e vendam esse produto a um preço 
mais baixo, uma vez que eles não foram onerados com os 
custos da pesquisa e desenvolvimento do produto3. Ou 
ainda, impedir que os falsificadores fabriquem produtos com 
as mesmas características, utilidades e, principalmente, a 
marca original, mas com materiais de pouca qualidade, que 
podem causar danos ao consumidor e prejudicar a imagem 
do produto.
O titular pode, ainda, optar por ceder ou licenciar o direito de 
exploração de sua invenção e lucrar com os royalties obtidos 
em Contratos de Transferência de Tecnologia.
Dessa forma, constata-se a importância do Sistema de 
Propriedade Industrial, cuja principal função é permitir o 
avanço tecnológico da sociedade, sendo justo com aquele 
que propiciou esse desenvolvimento, contribuindo para o 
crescimento econômico do país.
3 Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial, disponível em <http://www.inpi.gov.br>. Acesso em junho 2006.
78
Heloisa Cortiani de Oliveira
O Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial, disciplinado 
pela Lei 9.279/96, Lei de Propriedade Industrial (LPI), 
contempla, em seu artigo 2.º, para as criações no campo 
industrial, as seguintes formas de proteção:
concessão de patentes de invenção e de modelo de 
utilidade;
concessão de registro de desenho industrial;
 concessão de registro de marca;
 repressão às falsas indicações geográficas;
repressão à concorrência desleal.
Em 1970, foi criado o Instituto Nacional da Propriedade 
Industrial (INPI), autarquia federal, cuja finalidade principal 
é executar, no âmbito nacional, as normas que regulam a 
propriedade industrial, tendo em vista a sua função social, 
econômica, jurídica e técnica. É responsável pela concessão 
de patentes e de registro de marcas, averbação dos contratos 
de transferência de tecnologia e, posteriormente, pelo 
registro de programas de computador, contratos de franquia 
empresarial, registro de desenho industrial e de indicações 
geográficas4.
A patente é privilégio legal outorgado pelo Estado aos 
inventores ou autores, ou outras pessoas físicas ou jurídicas 
detentoras de direitos sobre a criação, conferindo-lhes a 
exclusividade de exploração do objeto de uma invenção 
patenteada. Esse privilégio é concedido por determinado 
período, em contrapartida pelo acesso do público ao 
conhecimento detalhado de todo o conteúdo técnico da 
matéria protegida pela patente. Findo o prazo do privilégio 
concedido, a invenção patenteada cai em domínio público.
I.
II.
III.
IV.
V.
4 Op cit.
79
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Há dois tipos de patente: 
1. De invenção (com vigência de 20 anos): considerada uma 
concepção resultante da capacidade de criação do homem, 
que represente uma solução para um problema técnico 
específico, dentro de um determinado campo tecnológico, 
que possa ser fabricada ou utilizada industrialmente. 
Exemplo: aparelho capaz de emitir e reproduzir sons através 
de um cabo elétrico, ou telefone.
2. Modelo de utilidade (com vigência de 15 anos): constitui-
se de nova forma ou disposição introduzida em objeto de uso 
prático, ou em parte dele, suscetível de aplicação industrial 
e que caracteriza ato inventivo, resultando em melhoria 
funcional no seu uso ou em sua fabricação. Exemplo: a 
mudança de forma e estrutura de um aparelho telefônico 
inicialmente utilizado, em que a modificação consistiu em 
integrar o transmissor e o receptor numa só peça, visando 
seu uso prático. 
Há também o certificado de adição, requerido pelo 
depositante ou titular de patente de invenção para proteger 
o aperfeiçoamento ou desenvolvimentointroduzido no objeto 
da invenção. Deve fazer parte do mesmo conceito inventivo 
do pedido original, não sendo necessário conter atividade 
inventiva. Sua vigência acompanha a da patente-mãe (art. 
76, LPI).
Segundo o art.10 da Lei 9.279/06, Lei de Propriedade 
Industrial (LPI), não são consideradas invenções nem 
modelos de utilidade: as descobertas, teorias científicas e 
métodos matemáticos; as concepções puramente abstratas; 
os esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, 
contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e 
de fiscalização; as obras literárias, arquitetônicas, artísticas 
e científicas ou qualquer criação estética; os programas de 
computador em si; a apresentação de informações; regras 
de jogo; técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem 
como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação 
no corpo humano ou animal; o todo ou parte de seres vivos 
80
Heloisa Cortiani de Oliveira
naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou 
ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de 
qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.
As invenções, para serem protegidas por patentes, devem 
atender aos seguintes requisitos: novidade; utilização ou 
aplicação industrial; suficiência descritiva. Além desses 
requisitos, as invenções devem apresentar atividade inventiva 
e os modelos de utilidade, ato inventivo e melhoria funcional.
De acordo com a Lei de Propriedade Industrial (LPI), 
destacam-se os conceitos a seguir:
Novidade: a invenção e o modelo de utilidade são 
considerados novos quando não compreendidos no estado 
da técnica. Este é constituído por tudo aquilo tornado 
acessível ao público antes da data de depósito do pedido de 
patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer 
outro meio, no Brasil ou no exterior (art. 11).
Atividade Inventiva: a invenção é dotada de atividade 
inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não 
decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da 
técnica (art.13).
Ato Inventivo: o modelo de utilidade é dotado de ato 
inventivo sempre que, para um técnico no assunto, 
não decorra de maneira comum ou vulgar do estado da 
técnica (art.14).
Aplicação Industrial: a invenção e o modelo de utilidade 
são considerados suscetíveis de aplicação industrial, 
quando podem ser utilizados ou produzidos em qualquer 
tipo de indústria (art. 15).
O requisito da suficiência descritiva diz respeito à redação 
do pedido de patente em que a criação deve ser descrita de 
forma perfeitamente clara e completa de modo a permitir sua 
reprodução por um técnico no assunto (art. 24, LPI).




81
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Pedido de 
Depósito de 
Patente de 
Invenção
Pedido de 
Depósito de 
Patente de 
Modelo de 
Utilidade
•Novidade
•Atividade Inventiva
•Aplicação Industrial
•Novidade
•Ato Inventivo
•Aplicação Industrial
Suficiência Descritiva
Depósito no INPI
A patente será concedida dentro do período de cinco a 
oito anos, após a data do pedido, mas a criação já estará 
protegida desde a data do depósito no INPI. Isso quer dizer, 
por exemplo, que, se terceiro comercializar um produto sem 
a autorização do depositante ou titular da patente, este terá 
direito à indenização.
2. Registro de Desenho Industrial
O desenho industrial é a forma plástica ornamental de um 
objeto ou do conjunto ornamental de linhas e cores que possa 
ser aplicada a um produto, proporcionando resultado visual 
novo e original na sua configuração externa e que possa 
servir de tipo de fabricação industrial (art. 95, LPI). Além da 
novidade e da aplicação industrial, é necessário o requisito da 
originalidade para o registro, que exige resultar do desenho 
82
Heloisa Cortiani de Oliveira
industrial uma configuração visual distintiva em relação a 
outros objetos anteriores (art. 97, LPI). A vigência do registro 
de desenho industrial é de 10(dez) anos prorrogáveis por três 
períodos sucessivos de 5(cinco) anos cada.
3. Proteção da Marca
Segundo a LPI, marca é todo sinal distintivo, visualmente 
perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços 
de outros análogos, de procedência diversa, bem como 
certifica a conformidade desses com determinadas normas 
ou especificações técnicas5.
Quanto à natureza, as marcas podem ser (art. 123, LPI):
De produto ou serviço: usadas para distinguir produto 
ou serviço de outro igual, semelhante ou afim, de origem 
diversa.
De certificação: usada para atestar a conformidade de 
um produto ou serviço com determinadas normas ou 
especificações técnicas.
Coletiva: usada para identificar produtos ou serviços 
provenientes de entidades filiadas a uma mesma 
coletividade.
O depósito do pedido de registro deve ser feito com base no 
preenchimento de formulário de requerimento do INPI, 
acompanhado dos documentos necessários para cada caso. O 
registro será expedido em aproximadamente um ano e meio, 
após o pedido, mas a marca já estará protegida, desde o depósito, 
contra eventual utilização por terceiros não autorizados.
A concessão do registro será publicada na Revista de 
Propriedade Industrial e, a partir desse momento, após o 
pagamento das retribuições necessárias, vigorará por 10 
anos, podendo ser concedida renovação por iguais períodos 
sucessivos.



5 Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial, disponível em <http://www.inpi.gov.br>. Acesso em junho 2006.
83
C
O
L
E
Ç
Ã
O
O registro da marca assegura, ao seu titular, uso exclusivo 
em todo o território nacional, podendo referido titular ceder 
seu registro ou pedido e licenciar seu uso.
4. Indicação Geográfica
A indicação geográfica visa estabelecer uma ligação entre o 
produto ou serviço e o seu local de origem, conferindo a eles 
uma identidade que os distingue de outros disponíveis no 
mercado. Essa indicação geográfica só poderá ser utilizada 
pelos membros da localidade em referência, que produzem 
ou prestam serviço de maneira homogênea.
5. Repressão à Concorrência desleal
O INPI, assim como outros órgãos do governo (CADE, 
Ministério da Justiça, por meio do Conselho Nacional 
de Combate à Pirataria), tem buscado reprimir os atos de 
concorrência contrários aos usos éticos e honrados em 
matéria de indústria e de comércio. O objetivo é reprimir 
os competidores que se utilizam de artifícios para captar 
a clientela de outras empresas, induzindo o público ao 
erro, quanto às características de um produto e/ou meio 
de produção, prejudicando as indústrias nacionais e os 
consumidores.
O Conselho Nacional de Combate à Pirataria, por exemplo, 
realiza esse trabalho adotando as seguintes medidas:
Educativas: conscientização dos consumidores, quanto 
aos prejuízos causados pelos produtos falsificados.
Repressivas: maior condenação das fraudes.
Econômicas: estudos sobre alternativas para diminuir 
a diferença de preços entre os produtos originais e os 
falsificados.



84
Heloisa Cortiani de Oliveira
6. Programas de Computador (software)
A Lei 9.609/98 (Lei de Programa de Computador) define 
programa de computador como:
 “...a expressão de um conjunto organizado de instruções em 
linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico 
de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas 
automáticas de tratamento da informação, dispositivos, 
instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica 
digital ou análoga, para fazê-los funcionar de modo e para fins 
determinados” (art. 1.º).
O programa de computador tem natureza jurídica de Direito 
Autoral, como já mencionado, mas a competência para o 
registro é do INPI, de acordo com o Decreto n.º 2.556, de 1998. 
É uma forma de assegurar, ao autor, direitos de exclusividade 
na produção, uso e comercialização da criação.Destacam-se, ainda, outras duas características adicionais do 
registro de programa de computador ou software: a proteção 
goza de abrangência internacional e o título do programa é 
protegido concomitantemente com o programa em si.
A validade dos direitos, para quem desenvolve um programa 
de computador e comprova a sua autoria, é de 50 (cinqüenta) 
anos, contados de 1.º de janeiro do ano subseqüente ao da 
sua data de criação, que é aquela em que o programa se torna 
capaz de executar a função para a qual foi projetado.
85
C
O
L
E
Ç
Ã
O
7. Informação tecnológica
Informação tecnológica é todo tipo de conhecimento sobre 
tecnologias de fabricação, de projeto e de gestão que 
favoreça a melhoria contínua da qualidade e a inovação no 
setor produtivo6.
Com a globalização e a disseminação de conhecimentos pela 
internet, possuir e acessar informação tecnológica tornou-se 
necessidade estratégica para obter vantagem competitiva e 
permanecer no mercado.
A informação tecnológica é revelada por meio do Sistema de 
Patentes e por artigos científicos. Ocorre que, a divulgação da 
invenção por meio de artigos científicos, feiras e congressos 
impedem a concessão da patente, a menos que esteja dentro 
do período de graça (12 meses anteriores ao depósito) e, 
por isso, muitos a mantêm em sigilo, pois há países que não 
reconhecem esse período.
O Sistema de Patentes contém milhões de documentos de 
patentes concedidas e depositadas, abrangendo todos os 
campos tecnológicos. Grande parte da tecnologia gerada tem 
divulgação exclusiva por documentos de patentes.
Dessa forma, a busca de informação tecnológica é um 
instrumento que deve ser utilizado, não só no momento do 
depósito da patente, mas também para identificar o estágio 
da evolução tecnológica, suas tendências e mercados 
potenciais. Além disso, contribui também para monitorar 
a concorrência, constituindo importante instrumento de 
marketing e de reserva de mercado.
6 Fonte: Glossário Geral de Ciência da Inovação. Brasília, CID/uNB, 2004.
86
Heloisa Cortiani de Oliveira
O acesso à informação tecnológica possibilita a “imitação 
criativa”, termo usado pelo professor Roberto Nicolsky, 
baseado na obra de Linsu Kim (Da Imitação à Inovação, 
Editora Unicamp, 2005). Nessa obra, Linsu Kim fala sobre a 
rápida industrialização na Coréia ocorrida graças à imitação 
e explica que tal processo não implica necessariamente a 
falsificação ou clonagem de mercadorias importadas.
As imitações criativas visam à geração de cópias de 
produtos, mas com novas características de desempenho. 
Explicita ainda que a cópia pode ser atividade legal, não 
abrangendo, nem a violação de patentes, nem a pirataria. 
São produtos parecidos com os produtos originais não 
protegidos por propriedade intelectual, ou que já estejam em 
domínio público, e que são comercializados com as próprias 
marcas, a preços bem mais baixos. Assim, muitos esforços 
e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento podem ser 
poupados.
Não se pode esquecer, no entanto, que as bases de dados 
observam a limitação do período em que os documentos 
ficam em sigilo, ou seja, a base de dados só recuperará os 
documentos que já tenham sido publicados.
Há diversos tipos de bases de dados para realização de 
buscas de informação tecnológica: arquivos dos bancos de 
patentes dos escritórios nacionais e internacionais, contendo 
documentos em papel ou digitalizados (CD-ROM e DVD) e 
as bases eletrônicas gratuitas e comerciais (pagas).
As bases eletrônicas gratuitas são ferramentas rápidas e 
práticas, de acesso a documentos de patentes do mundo 
inteiro. As mais utilizadas são: 
Base de Patentes do INPI, para documentos nacionais 
(www.inpi.gov.br).
Base do Escritório Europeu de Patentes, para documentos 
do mundo inteiro (http://ep.espacenet.com).
Base do Escritório Americano de Marcas e Patentes 
(http://www.uspto.gov/patft/index.htm).



87
C
O
L
E
Ç
Ã
O
8. Transferência de Tecnologia
A aquisição de tecnologia pelas empresas tornou-se fator 
determinante para o aumento da competitividade e do valor 
da empresa no mercado. A tecnologia pode ser produzida 
pela própria empresa ou adquirida de terceiros. Para se ter 
uma idéia clara do que significa, é importante primeiramente 
definir o termo tecnologia: um conjunto de conhecimentos 
organizados aptos a serem empregados na produção e 
comercialização de bens e serviços.
A transferência de tecnologia, portanto, caracteriza a forma 
pela qual esse conjunto de conhecimentos, técnicas e 
processos é passada de uma organização para outra, por uma 
transação de caráter econômico, que visa proporcionar a quem 
recebe o aumento do valor agregado de seus produtos e/ou 
serviços e, conseqüentemente, o incremento da participação 
da empresa no mercado. 
Ao mesmo tempo, a transferência de tecnologia pode 
proporcionar benefícios também para quem a concede, que 
pode receber royalties oriundos da exploração da tecnologia 
concedida e utilizar o aperfeiçoamento da tecnologia operada 
pelo adquirente.
A comercialização desses bens intangíveis é 
instrumentalizada por meio de um contrato de 
transferência de tecnologia, cuja averbação no INPI 
é importante para obter os seguintes efeitos: legitimar 
pagamentos para o exterior; permitir, quando for o caso, 
a dedutibilidade fiscal para a empresa cessionária dos 
pagamentos contratuais efetuados; gerar efeitos perante 
terceiros.
São averbáveis no INPI, os seguintes contratos:
Exploração de Patentes: objetivam o licenciamento de 
patente concedida, ou pedido de patente depositado no 
INPI.

88
Heloisa Cortiani de Oliveira
Uso de Marcas: objetivam o licenciamento de uso de 
marca registrada, ou pedidos de registros depositados no 
INPI.
Fornecimento de Tecnologia: objetivam a aquisição de 
conhecimentos e de técnicas não amparados por direitos 
de propriedade industrial, destinados à produção de bens 
industriais e serviços. Ex: segredo industrial.
Prestação de Serviços de Assistência Técnica e 
Científica: estipulam as condições de obtenção de 
técnicas, métodos de planejamento e programação, bem 
como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução 
ou prestação de serviços especializados.
Franquia: destinam-se à concessão temporária de 
direitos que incluam uso de marcas, prestação de 
serviços de assistência técnica, combinadamente ou 
não, com qualquer outra modalidade de transferência de 
tecnologia necessária à consecução de seu objetivo7.
Mais informações sobre Propriedade Intelectual estão nos 
sites do Instituto Nacional de Propriedade Industrial/ INPI 
(www.inpi.gov.br) e da Biblioteca Nacional (www.bn.br). 




7 Fonte: Glossário Geral de Ciência da Inovação. Brasília, CID/uNB, 2004.
89
C
O
L
E
Ç
Ã
O
IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS 
INOVADORES NA INDÚSTRIA E DOS 
EMPREENDEDORES NO MUNDO 
GLOBALIZADO
Deusdedit Carvalho de Moraes
1. Elevação da Competência do Profissional Brasileiro
As exigências do mercado de trabalho, o perfil profissional 
e a proposição de projetos inovadores na educação 
profissional e na escola, já tratados anteriormente pelos co-
autores, configuram-se de substancial importância para o 
aprimoramento do profissional brasileiro. 
O estado da arte, neste início do século XXI, apresenta-
se bastante complexo frente às tecnologias de ponta que 
vêm sendo ofertadas em razão da velocidade acelerada da 
evolução técnica.
As divisas geográficas perdem força e o conceito de grandes 
potências oscila com a união efetuada pelos países de cada 
continente, a exemplo do Mercado Comum Europeu e do 
Mercosul, provocando ainda outras mudanças de valores. 
PARTE IV
90
Deusdedit Carvalho de Moraes
O fenômeno da globalização faz com que o planeta se 
transforme em uma ilha, aose considerar que, pela internet, 
as informações vencem distâncias em tempo real, ou seja, 
são imediatas.
O Brasil aumenta a exportação e vai competir com países do 
propalado Primeiro Mundo, lá fora e aqui em seu território. 
Enfrentar essa realidade sem profissionais empreendedores 
e sem domínio em projetos inovadores caracteriza-se tarefa 
impossível de ser realizada.
Muitas e muitas nações fortes economicamente estão correndo 
para investir no Brasil provocando aumento de empregos para 
profissionais empreendedores. Se não encontrarem, poderão 
importar mão-de-obra especializada. Além disso, não há 
como desenvolver o espírito empreendedor sem providenciar 
o ensino da elaboração e da execução de projetos inovadores 
nas habilitações dessa população educacional.
Portanto, a Parte I deste livro entrega à indústria do Paraná e 
do Brasil uma orientação sábia para seguirem, inclusive, no 
caminho das inovações.
Por outro lado, a Parte II oferece às escolas brasileiras 
modalidade ímpar para a Educação Profissional na Elaboração 
de Projetos Inovadores, podendo ser usada na aprendizagem 
de nível técnico, de graduação e pós-graduação.
O presente capítulo caminha no sentido de comprovar o que 
está consagrado na Parte I e II, com farta exemplificação 
prática do que está sendo vivenciado pela indústria.
Os exemplos expostos nesta Parte IV foram vivenciados pela 
Indústria SMAR8, que vem desenvolvendo tecnologia de 
ponta totalmente brasileira, há 34 anos, em Sertãozinho, no 
estado de São Paulo. Além disso, por utilizar profissionais 
empreendedores, habilitados em projetos inovadores, hoje, a 
empresa alcança liderança mundial na área de instrumentação, 
controle de processo e automação empresarial, exportando 
para 77 países.
8 http://www.smar.com/brasil2/
91
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Dos 980 funcionários, 140 trabalham em tempo integral 
em pesquisa e desenvolvimento, sendo a única na América 
Latina com essa criatividade. Possui subsidiárias em Nova 
York e Houston nos Estados Unidos, presididas por ex-
alunos da Politécnica de São Paulo e do ITA. Possui, ainda, 
subsidiárias na Alemanha, França, Cingapura, China, México 
e Argentina.
Essa empresa está terminando a implantação de uma fábrica 
nos Estados Unidos e estudando a fundação de outra na 
China; no exterior, conta com setenta funcionários.
Para nortear suas decisões, a presidência da empresa se 
fundamenta em preceitos simples e diretos:
Opção por Tecnologia de Ponta.
Não Reinventar a Roda.
Pessoal Altamente Qualificado.
Ainda toma por base um princípio geral de ação: “Uma 
empresa só é digna de sobrevivência, quando ela entrega 
mais à sociedade do que dela recebe.”
Atualmente, a SMAR tem 24 patentes concedidas nos 
Estados Unidos e mais seis aprovadas, aguardando a emissão 
dos certificados.



92
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 1 – 24 Patentes
Tudo que há em volta de todos, em termos de objetos/produtos, 
a toalha de mesa, a mesa, a cor da tinta, o lápis, a cadeira, 
o chão de piso frio, o televisor, o computador, a informática 
e as tecnologias de ponta, enfim, tudo um dia foi sonhado, 
pensado, idealizado, projetado e executado por alguém ou 
por um grupo de pessoas.
Se você agradecer continuamente a todos que realizaram 
projetos inovadores, por tudo que já fizeram e continuam 
fazendo para o seu conforto, você estará entrando nessa 
consciência coletiva. Pode, então, até se perguntar: E eu, o 
93
C
O
L
E
Ç
Ã
O
que estou criando? Como resposta, poderá obter a afirmação 
de que todos os seres humanos podem criar sempre e, com 
base nessas constantes realizações, passam a denominá-las 
projetos inovadores.
Na Parte 1, desta obra, as co-autoras oferecem palavras-
chave muito importantes, às quais este autor acresce: não 
desista nunca. Recomenda-se, ainda, a leitura e reflexão da 
mensagem (Mussak, 2003, p. 190), que inclui as palavras 
“com beleza e amor”, julgada o ponto-chave para qualquer 
criação e projeto inovador. Pois, os seres humanos são co-
criadores com Deus, porque Ele cria pela mão dos homens, 
Seus instrumentos na Terra.
Deus pediu aos homens para amarem e não cobrou resultados. 
É óbvio, uma vez que todos sabem que se colhe o que se planta 
e que a toda ação corresponde uma reação inversamente 
contrária (segunda lei de Newton), repete-se, por isso, à 
exaustão: não desista nunca, porque aos pensamentos e 
ações correspondem as reações. Daí vem a responsabilidade 
maior de “o que pensar e como agir” a cada minuto.
Antes de se registrar os exemplos da SMAR, apresenta-se a 
grande experiência do SENAI, no próximo item, em razão de 
seu importante papel na formação de empreendedores por 
intermédio da Série Metódica de Oficina (SMO) incentivando 
e gerando projetos inovadores.
2. SMO – Série Metódica de Oficina: 
um resgate histórico
O fato de se trabalhar em linha de produção, com 
procedimentos determinados pelas tarefas e operações já 
elaboradas por alguém mais experiente, não significa que 
não se possam sugerir melhorias.
Ao se atingir competência e qualidade na rotina da execução 
das tarefas, domínio alcançado pela experiência prática, 
tem-se o pré-requisito para obter ótimas idéias para projetos 
94
Deusdedit Carvalho de Moraes
inovadores, principalmente, se já for vislumbrada a beleza do 
trabalho e sentida a vibração de amor e alegria de executá-lo. 
Inegáveis são as vantagens dos processos produtivos, que 
dependem de procedimentos repetitivos para a execução de 
tarefas com tempos determinados, obtidas pela experiência 
das execuções, pelo sucesso do trabalho do SENAI em 
todo o país, nos últimos 60 anos de dedicação à formação 
industrial. Além dessas vantagens já consagradas, encontra-
se mais outra, a repetitividade das tarefas e de operações que 
proporciona ao profissional vasta amplitude e experiência 
prática vivida, para o seu banco de dados pessoal ao longo 
dos anos, intransferível e inexplicável apenas para quem não 
as viveu.
Experiência não se transfere, somente realizando-a é que se 
alcança a competência de se poder usufruir dela. A melhor 
forma de aprender e saber fazer é fazendo, segundo Piaget 
e Dewey.
O SENAI, até a década de 1950, dispunha de material didático 
prático para a aprendizagem em cada profissão, na sua rede de 
escolas em nível nacional, executada por seus Departamentos 
Regionais (D.R) de cada estado. O aluno aprendia nas folhas 
de tecnologia e folhas de operação com o docente e seguia a 
folha de tarefa com as suas fases de execução. 
O SENAI, percebendo naquela época que o aluno aprendia 
apenas as tarefas que fazia, deixando a desejar nas soluções de 
novas tarefas encontradas nas indústrias, efetuou um trabalho 
de pesquisa, mediante questionário de avaliação, do índice 
de satisfação das empresas, com referência à performance dos 
ex-alunos no posto de trabalho, quanto à criatividade frente às 
novas situações não praticadas na escola.
A resposta foi clara. Os chefes, encarregados e gerentes 
precisavam ensinar com detalhe as novas situações, o que 
tomava tempo dos gestores daquela época, frente às suas 
atividades mais importantes na linha de produção.
Apoiado na Organização Internacional do Trabalho (OIT), o 
SENAI/DN (Departamento Nacional), na década de 1960, 
95
C
O
L
E
Ç
Ã
O
criou a Série Metódica de Oficina (SMO) fundamentada 
na Coleção Básica Ocupacional (CBO), feita por profissão, 
representando enorme sucesso do SENAI para o país. Essa 
obra era dividida em duas partes: a primeira constituía-
se pela Série Metódica e a segunda, pela Fase Industrial, 
destinada a trabalhos reais além da SMO.
As Folhas de Tarefas (FT), Folhas de Operação (FO) e Folhas 
de Informação Tecnológica (FIT) eram estabelecidas e 
montadas por tarefa prática pela SMO.
Nessaelaboração, era respeitada a ordem crescente de 
dificuldade (das tarefas mais fáceis para as mais difíceis), 
sendo as anteriores pré-requisitos para as posteriores. Dessa 
forma, cada FT continha as indicações das operações repetidas 
(rotina) e de novas operações (projetos de inovação). 
O Quadro Analítico da SMO era elaborado com todos os 
nomes das tarefas (FT) e das respectivas operações repetidas 
( ) e operações novas( ), respeitando a ordem crescente de 
dificuldade, conforme citado.
O Estudo Dirigido foi o grande passo na Educação 
Profissional para o aluno aprender a estudar sozinho por 
meio de leitura silenciosa como primeiro passo, depois, 
para desenvolver trabalho em equipe, em segundo passo 
e, finalmente, a elaboração do Roteiro de Trabalho, como 
terceiro passo. O docente era um orientador eliminador de 
dúvidas. O aluno criava o roteiro de trabalho, aprendendo 
em cada tarefa, executando o trabalho em grupo, a pesquisa 
e a elaboração do plano de trabalho, com todos os detalhes 
técnicos, inclusive, prevenção de acidente e pontos-chave 
dos projetos inovadores.
A pedagogia da Educação Profissional deu um salto 
significativo nessa época para os projetos inovadores e 
o aluno ganhou velocidade na sua adaptação no posto de 
trabalho das indústrias.
96
Deusdedit Carvalho de Moraes
Muitos ex-alunos, dos anos 1960, 1970 e 1980, como 
resultado desse passo pedagógico do SENAI, ocupam, na 
atualidade, cargos de gerente, diretores e empresários no 
país. Da mesma forma com que muitos docentes do SENAI, 
que participaram desse trabalho e se aposentaram da década 
de 1980 para cá, têm contribuído muito em novas empresas 
e em consultorias. 
Após o término da Elaboração de uma SMO era feito o Manual 
do Docente, explicando aos novos professores as estruturas 
de funcionamento metodológico, pedagógico e didático 
da Aplicação de Estudo Dirigido em salas ambientais e a 
utilização dos Roteiros de Trabalho nas oficinas e laboratórios 
do SENAI. Em razão de ser usado o mesmo material didático 
em todo o país, os profissionais obtinham a mesma qualidade 
de formação.
A experiência na Escola SENAI Euvaldo Lodi, do Rio de 
Janeiro, nos finais dos anos 1960 e durante os anos de 1970, 
tendo como diretor naquela época o Prof. José Manoel de 
Aguiar Martins, hoje, Diretor Nacional do SENAI, pode ser 
utilizada em cursos técnicos, tecnológicos e em pós-graduação 
e até nos tão notórios cursos de ensino a distância.
Os educadores experientes do SENAI, naquela época, 
discutiam muito sobre o que deveria ser contemplado no 
processo ensino / aprendizagem para propiciar maior ou 
menor facilidade de aprender para os seres humanos.
Por isso, pensava-se bastante em ensino individualizado, 
iniciativa que foi liderada pela Escola SENAI Euvaldo Lodi, 
do Rio de Janeiro. Instituíram-se as Salas de Estudo Dirigido 
ambientadas por profissão, por disciplinas de pré-requisitos, 
como desenho, matemática, português e disciplinas das 
diferentes profissões. Assim, propiciava-se que o ensino 
fosse totalmente individualizado, respeitando as diferenças 
individuais do ser humano para aprender. Com isso, o tempo 
para concluir o curso foi se tornando diferente para cada 
aluno.
97
C
O
L
E
Ç
Ã
O
As matrículas eram feitas diariamente durante todo o ano 
e a entrega do certificado também. Deixava a desejar com 
relação ao trabalho de equipe, mas a respeito da velocidade 
de cada aprendiz demonstrou-se autenticamente eficaz.
No entanto, na atualidade, considerando-se a pós-graduação 
e o ensino a distância, esse método tem-se demonstrado 
válido e propício principalmente para os autodidatas. 
 
3. Exemplos Práticos da SMAR em 
Espírito Empreendedor e Projetos inovadores
Outra experiência interessante de se destacar é a da SMAR, 
que tem a linguagem facilitada com escolas do SENAI, por 
ser o fundador da empresa em 1974 (hoje, Vice-Presidente) 
Mauro Sponchiado, egresso do Curso de Mecânica Geral do 
SENAI (SMO, Mecânica Geral), de Ribeirão Preto, cidade 
do estado de São Paulo. Além dele, Edson Savério Benelli, 
egresso do curso de Eletricidade Geral (SMO, Eletricidade 
Geral), também é sócio da empresa desde 1978, em que 
implantou a Divisão de Produção Eletrônica, ocupando 
o cargo de Diretor de Produção, produzindo tecnologia de 
ponta brasileira para o seu país e mais 77 outros.
Edmundo Rocha Gorini, Presidente da SMAR desde 1978, 
foi professor do SENAI de Belo Horizonte/MG, Escola do 
Horto, enquanto fazia a graduação de Engenharia Elétrica 
na Universidade Federal de Minas Gerais.
A Assessoria da Presidência da SMAR, desde 1985, é 
ocupada por um aposentado do SENAI/SP, nesse mesmo 
ano, que, durante 11 anos, foi professor de Eletricidade 
Geral pelo modelo pedagógico da época (SMO), aplicando 
repetitividade de operações e criatividade nas operações 
novas e elaborando Roteiro de Trabalho em projetos 
inovadores, nas décadas de 1960, 1970 e 1980.
98
Deusdedit Carvalho de Moraes
Em todos os setores da SMAR, há gerentes, engenheiros 
e técnicos egressos do SENAI. Dentro desse espírito de 
comunhão entre SENAI e SMAR, seis vivências foram 
aproveitadas em outras escolas e indústrias, alavancando, 
no Brasil, o empreendedorismo e a habilitação por projetos 
nos locais e nas áreas profissionais indicadas a seguir:
1. Em 1989: Implantação de três Plantas Didáticas 
móveis para o Triângulo Mineiro, em forma de convênio 
do SENAI/DR/MG com a SMAR.
2. Em 2000: Implantação da Primeira Unidade Móvel 
do Mundo com Tecnologia Foundation Fieldbus em 
Instrumentação pelo Convênio SENAI/PR e SMAR.
3. Em 2002: Implantação do Programa de Atualização na 
Tecnologia SMAR (PATS) 
4. Em 2002: Implantação do Primeiro Curso de Engenharia 
de Automação Empresarial do Brasil, Convênio FPTE/ 
Unilins & SMAR.
5. Em 2002: Implantação dos Minicursos para Estudantes 
de Curso Técnico, de Engenharia de Empresa e de Pós-
Graduação.
6. Em 2003: Implantação de Manual de Estágio, em 
2003, FPTE /Unilins & SMAR.
Essas seis vivências estão comentadas e ilustradas a seguir.
Primeira Vivência, em 1989: Implantação de três Plantas 
Didáticas móveis para o Triângulo Mineiro, em forma de 
convênio do SENAI/DR/MG com a SMAR.

99
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Figura n.º 2 – “educação Profissional Brasileira” na Planta 
Didática exportada para Rússia.
- Tecnologia SENAI & SMAR
A Planta Didática engloba as principais tarefas usuais em uma 
indústria na área de automação empresarial, como controles 
automáticos de processos nas variáveis de temperatura, 
nível, pressão, vazão, pH, e outras variáveis inerentes a cada 
processo de produção. 
Esse trabalho foi projetado por coordenadores técnicos 
da área de automação e instrumentação do SENAI/DR/
MG e a SMAR, por meio de um convênio, para implantar 
projetos inovadores em Educação Profissional, na área de 
instrumentação e controle de processo.
Nascida dessa união SENAI e SMAR, a PD é fabricada 
pela SMAR, em Sertãozinho, estado de São Paulo, e, hoje, 
encontram-se Plantas Didáticas instaladas em muitas escolas 
e empresas do país e do exterior. 
De acordo com orientações da Organização Internacional do 
Trabalho (OIT) e da sua extensão Centro Interamericano 
de Investigação e Documentação (CINTERFOR) sobre a 
Formação Profissional, ao se elaborar uma Série Metódica 
de Oficina, é necessário lembrar- se das seguintes ações.:
100
Deusdedit Carvalho de Moraes
Tarefas Reais: aquelas que podem ser levadas realmente 
para as oficinas e laboratórios das escolas, como tornear, 
limar, montar placas de circuitos eletrônicos, pois, podem 
ser executadas em bancadas dentro desses espaços 
físicos. 
Tarefas Típicas: aquelas impossíveis de serem transportadas 
aos ambientes escolares, como alto forno, virador de vagão, 
laminação de uma siderúrgica.Para essas realidades, 
elaboram-se as Folhas de Operação em condições típicas 
para a montagem das Folhas de Tarefas. 
Respeitando essa orientação da OIT e CINTERFOR, o SENAI 
implantou em todos seus cursos técnicos de instrumentação, 
Plantas Pilotos, compostas pelas principais atividades de uma 
planta industrial, com as Malhas de Controle instaladas nas 
empresas que atuam com automação de Processos Contínuos. 
A produção industrial dispõe de três principais tipos de 
processos produtivos: 
a. Contínuos: refinarias, siderúrgicas, usinas, destilarias 
e outras.
b. Produção em Série (manufatura): de automóveis, 
eletrodomésticos e outros. 
c. Batelada: aqueles que são contínuos com interrupções 
periódicas.
Para o controle automático de processos dos tipos Contínuos 
e de Bateladas, são utilizadas as Malhas de Controle das 
diferentes variáveis inerentes a cada um: nível, vazão, 
temperatura, pressão, pH e outras. Para todos os módulos 
de malha de controle, são freqüentes os pequenos, médios 
ou grandes Projetos Inovadores. Essas Malhas de Controle 
são constituídas de oito módulos (Elementos Primários; 
Indicadores; Transmissores e Conversores; Linha de 
Transmissão; Registradores; Controladores; Elemento 
Final de Controle; Anunciadores de Alarme e Segurança) 
demonstrados a seguir.


101
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Módulo 1: elementos Primários
São instrumentos sensores que sentem as oscilações das 
variáveis de pressão, nível, vazão, temperatura, pH e outras 
variáveis de processos industriais.
Figura n.º 3 – Termopar 
Figura n.º 4 – Sensor de Temperatura
Módulo 2: Indicadores
São instrumentos que indicam, em tempo real, cada 
movimento em regime contínuo dos valores mensuráveis de 
cada variável.
102
Deusdedit Carvalho de Moraes
 Figura n.º 5 – Indicador Digital
Módulo 3: Transmissores e Conversores
São instrumentos que efetivam as conversões de sinais, 
compreendendo transmissores, conversores e interfaces.
Figura n.º 6 – Conversor de Pressão 
Foundation Fieldbus FP 302 
103
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Figura n.º 7 – Transmissor de Densidade
Foundation Fieldbus DT 302
Módulo 4: Linha de Transmissão.
São as linhas componentes da rede que efetua toda a transmissão 
dos sinais dentro da Malha de Controle, podendo, para isso, 
valer-se das tecnologias mecânica, pneumática, elétrica, 
eletrônica, de microprocessadores, fibra ótica, rádio freqüência 
e outras tecnologias futuras para transmissões de sinais. 
Figura n.º 8 – Arquitetura da Linha de Transmissão
104
Deusdedit Carvalho de Moraes
Módulo 5: Registradores
São os instrumentos, dentro do sistema, que registram as 
oscilações das variáveis do processo de produção industrial, 
com os tempos pré-definidos em 24 horas, uma semana ou 
um mês, para estudo de melhoria e otimização dos algoritmos 
matemáticos do Controle Automático, buscando sempre a 
melhor relação custo/beneficio da produção.
Figura n.º 9 – Tela de Registro
Módulo 6: Controladores
São os instrumentos, dentro do sistema, que, ao receber 
os sinais do Módulo 1 (Elementos Primários – sensores), 
comparam-nos com o valor desejado (set point) do projeto e 
atuam no Elemento Final, a ser visto no próximo módulo, para 
manter a variável estável dentro de seus valores na Malha de 
Controle. Esse Módulo 6 é considerado o “coração” da Malha 
de Controle, por trabalhar em tempo real, com o feedback 
contínuo das oscilações e respectiva retroalimentação.
105
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Figura n.º 10 – Controlador Microprocessado
Módulo 7: elemento Final de Controle
São os instrumentos, dentro do sistema, que efetuam a ação 
de diminuir ou aumentar o valor de passagem do produto, 
buscando manter o Valor Desejado, de acordo com o projeto 
em cada Malha de Controle. 
Figura n.º 11 – Válvula de Controle 
106
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 12 – Posicionador
Módulo 8: Anunciadores de Alarme e Segurança.
São os instrumentos incumbidos de acompanhar todo o 
andamento contínuo da Malha de Controle Automático. Se, 
em um tanque de petróleo, ou de outro líquido, estiver o Valor 
Desejado de se manter em 80% de capacidade do tanque e 
ele começar a subir para 81%, 82% de nível, esse módulo 
irá anunciar e alarmar essa alteração. Dependendo da 
tecnologia implantada, esse aviso se fará com sinais visíveis 
e sonoros, em painéis, em telas de microcomputadores ou 
em controles remotos, para que os operadores de processo e 
os profissionais da manutenção interajam rapidamente para 
evitar que o tanque transborde. 
Em todos esses eventos, os profissionais das indústrias 
necessitam estar habilitados em projetos inovadores, para 
soluções rápidas e seguras, uma vez que problemas podem 
surgir em qualquer um dos módulos anteriores, necessitando 
de pesquisa rápida e de solução imediata, para evitar grandes 
perdas e acidentes. 
107
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Figura n.º 13 – Sumário de Alarme
Figura n.º 14 – Barreira de Segurança Intrínseca Foundation Fieldbus & 
Profibus PA
108
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 15 – Ações de Segurança
Evolução da Tecnologia para as Malhas de Controles e 
Sistemas de Automação
a- Controle Manual até a década de 1940
Figura n.º 16 – Controle Manual
109
C
O
L
E
Ç
Ã
O
b- Controle Automático no Campo após a década de 1940
Figura n.º 17 – Controle Automático de Campo
c- Controle Automático no Século XXI: Automação 
Empresarial
Figura n.º 18 – Sala de Controle
110
Deusdedit Carvalho de Moraes
A habilitação e competência em projetos inovadores são 
indispensáveis a todos os profissionais da automação 
de Controle de Processo e Instrumentação (Automação 
Empresarial), que militam dentro da força de trabalho e 
compõem o segmento da economia brasileira das indústrias 
petrolíferas, petroquímicas, químicas, papel e celulose, 
siderúrgica, alimentícia, destilaria de álcool, usinas de 
açúcar, têxtil, usinas hidrelétricas, usinas termelétricas, 
usinas termonucleares, embalagens, saneamento, vidro, 
pesca, naval, cimento, mineração e outras que se utilizam 
de Controles Automáticos de Processos Contínuos com seus 
Sistemas e Malhas de Controle, na Manufatura e Gestão.
Para todas as indústrias dos segmentos mencionados 
anteriormente, a Planta Didática SMAR configura-se 
importante material didático, com muitos projetos inovadores, 
desde planos diretores até para o chão de fábrica nas plantas 
industriais.
Uma equipe de Gerentes e Engenheiros da SMAR, dos 
departamentos de Engenharia de Desenvolvimento e 
da Engenharia de Aplicações, aprimora dentro da idéia 
de projetos inovadores, os cálculos e outros recursos 
tecnológicos, assim que a empresa define fabricá-las.
Essa Planta Didática SMAR, usada na Educação Profissional, 
é monitorada e operada de uma estação, constituída de um 
microcomputador do tipo PC (arquitetura desktop) e um 
software de supervisão, que efetua a aquisição de dados 
dos equipamentos e dos instrumentos do chão de fábrica 
e os apresenta por meio de animação nas telas. Permite 
também atuar nos registros, modificando valores desejados 
dos equipamentos e nos modos operacionais das malhas de 
controle, utilizando continuamente projetos inovadores. Essa 
planta é utilizada hoje na Educação Profissional em escolas 
do país e do exterior, em cursos técnicos, de graduação e 
de pós-graduação nas áreas de automação empresarial e sua 
instrumentação. Para tanto, é indispensável que os alunos, 
111
C
O
L
E
Ç
Ã
O
do SENAI e de outras escolas do país, saiam do período 
escolar para as indústrias com bom desempenho em projetos 
inovadores para enfrentar o mercado globalizado.
Segunda Vivência, em 2000: Implantação da Primeira 
UnidadeMóvel do Mundo com Tecnologia Foundation 
Fieldbus em Instrumentação pelo Convênio SENAI/PR 
e SMAR.
Esse convênio foi assinado pelo Presidente da SMAR, Eng. 
Edmundo Rocha Gorini, pelo Diretor Regional do SENAI/ 
Paraná, naquela época, Prof. Ito Vieira e o Vice- Diretor 
Regional do SENAI/Paraná, João Barreto Lopes, atualmente. 
Diretor Regional do SENAI desse estado. 

Figura n.º 19 – unidade Móvel com Tecnologia Foundation 
Fieldbus, Hart e Profibus
112
Deusdedit Carvalho de Moraes
a. Aplicação de Projetos Inovadores nos treinamentos 
dentro da Unidade Móvel de Instrumentação e Controle de 
Processo.
Inaugurada em 2000, no CIETEP do SENAI/DR/PR, em 
Curitiba, essa Unidade Móvel tem o objetivo de levar às 
indústrias conhecimentos e habilitações, pela Educação 
Profissional Móvel, as tecnologias de ponta em instrumentação 
e controle de processo para a Automação Empresarial. Essa 
ação técnico-pedagógica avançada permite ao docente 
habilitar os profissionais em projetos inovadores em seus 
trabalhos diários, em Plantas Industriais, Fabricantes, 
Departamentos de Desenvolvimento de Tecnologia, Produção, 
Engenharia de Aplicação, Assistência Técnica, Marketing 
de Produtos, Sistemas, Treinamentos e Qualidade.
Na inauguração da Unidade Móvel foram entregues à 
primeira turma os Certificados do Curso Como Implantar 
Projetos com Tecnologia Foundation Fieldbus. Os alunos eram 
profissionais das indústrias e do SENAI da Grande Curitiba, 
Araucária e Telêmaco Borba, que atuam em Instrumentação 
e Controle de Processo. 
Figura n.º 20 – Primeira Turma do Curso
113
C
O
L
E
Ç
Ã
O
b. Como Implantar Projetos com Tecnologia Foundation Fieldbus
Essa iniciativa da FIEP/SENAI/PR e SMAR, pelo convênio 
firmado, possibilitou que a Unidade Móvel de Instrumentação 
levasse nos últimos dez anos as tecnologias de ponta 
Foundation Fieldbus, Hart e Profibus, em muitos projetos 
inovadores nessa habilitação, a nove estados brasileiros 
(PR, SP, PA, GO, RJ, SC, MG, BA), a Brasília (DF) e mais 
76 cidades do país. Portanto, a preparação de profissionais 
empreendedores e hábeis em projetos inovadores pela 
Educação Profissional da escola é prioritária. 
c. Aplicação de Projetos Inovadores com os Demokits nas 
Tarefas Práticas
Os Demokits foram projetados para uso dentro da Unidade Móvel 
de Instrumentação para a execução, por parte do aluno, das 
tarefas práticas relacionadas a hardwares e softwares embarcados 
e sistêmicos para atender ao grande leque de configurações 
inerentes às tecnologias de ponta das Plantas Industriais. É 
impossível, em cada tarefa, ou mesmo nas Malhas de Controle 
e nas Plantas Industriais, caminhar sem usar a metodologia de 
projetos a cada passo e em toda jornada do Controle de Processo, 
buscando sempre otimizações para a maior eficiência do processo 
produtivo na relação custo/benefício. 
Figura n.º 21– Demokits com Tecnologia Foundation Fieldbus
114
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 22 – Vista interna da unidade Móvel 
- Bancadas, Painéis e Demokits
d. Aplicações de Projetos Inovadores na Planta Didática da 
Unidade Móvel
Após a execução das tarefas com os Demokits, treinando 
na base da Educação Profissional os Projetos Inovadores 
nas configurações dos Sistemas, o aluno participa dentro da 
Unidade Móvel, na Planta Didática, controlando as variáveis 
nível, pressão, vazão e temperatura, alternando os valores 
desejados e registrando todas as oscilações da retroalimentação 
buscando a otimização do Controle de Processo.
 Figura n.º 23 – Vista interna da unidade Móvel 
- Planta Piloto no Fundo
115
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Terceira Vivência, em 2002: Implantação do Programa 
de Atualização na Tecnologia SMAR (PATS) 

 Figura n.º 24 – Logo do PATS
A SMAR, sentindo as dificuldades que as indústrias usuárias 
e as escolas tinham de acompanhar, em fase de pesquisas 
e desenvolvimento da empresa, o lançamento das novas 
tecnologias, instrumentos e sistemas, criou o Programa de 
Atualização na Tecnologia SMAR (PATS). O objetivo foi 
propiciar que as indústrias e escolas acompanhassem “os 
muitos projetos inovadores” criados pelos 140 profissionais 
que trabalham dentro da Divisão de Engenharia de Pesquisa 
e Desenvolvimento Mecânico, Eletrônico, Digital e Sistemas. 
No final do PATS, o aluno primeiro colocado recebe um 
prêmio da SMAR, entregue por um Diretor.
Quando os clientes da SMAR entram em uma escola para 
participar do PATS, ao encontrarem o clima escolar dos 
alunos, lembram das suas origens nas escolas. Por outro 
lado, os alunos, ao verem grupos adultos de profissionais na 
escola, vislumbram o futuro dos seus caminhos. São exemplos 
gratificantes para uns e motivadores para outros.
116
Deusdedit Carvalho de Moraes
A SMAR, empresa fabricante, acredita que com isso está 
contribuindo fortemente para “quebrar o muro” entre a 
indústria e a escola, na busca da ampliação dos projetos 
inovadores dos dois lados, além de torná-los mais coesos. 
Esse trabalho do PATS é executado para clientes, desde 
2002, portanto, há sete anos, dentro do espírito de Educação 
Profissional nos níveis técnicos, graduação e pós-graduação 
em escolas e indústrias. 
Se todo o país implantasse esse projeto nas escolas 
que atuam em Educação Profissional e nas empresas, a 
elevação da competência e capacitação dos profissionais 
brasileiros alcançaria patamar igual, ou até melhor, ao de 
grandes potências. Com isso, diminuiria o tempo gasto no 
aprendizado das tecnologias de ponta pelos alunos, que hoje 
vão para as empresas usuárias e cinco anos depois para as 
escolas, considerando o atraso na burocracia de atualização 
das grades curriculares e na atualização dos professores. 
A SMAR se obriga a reciclar seus clientes para diminuir a 
distância (gap) da escola com o estado da arte, que vai dos 
fornecedores para os usuários. 
117
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Alguns Resultados do PATS pelo País
Figura n.º 25 – Resultados do PATS
Quarta Vivência, em 2002: Implantação do Primeiro 
Curso de Engenharia de Automação Empresarial do 
Brasil, Convênio F.P.T.E/ Unilins & SMAR.
Esse curso teve a primeira turma formada em 2005 com 
colação de grau em janeiro de 2006. A sua carga horária foi 
de 1/3 para Automação de Controle de Processo, 1/3 para 
Automação da Manufatura e 1/3 para Automação de Gestão, 
tendo, portanto, sido denominado Automação Empresarial, 
por formar profissional mais eclético.

118
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 26 – 1.ª Turma do Curso de engenharia de Automação empresarial
Os projetos inovadores desse curso, além das áreas de Gestão 
de Ciências Humanas, para melhorar mais o entendimento 
do software humano e a habilitação prática em laboratório 
específico de automação, utiliza metodologia de Estudo 
de Tarefa, Elaboração de Roteiro, dentro da filosofia e 
metodologia da SMO de Oficina.
Figura n.º 27 – Laboratório de Automação empresarial
Quinta Vivência, em 2002: Implantação dos Minicursos 
para Estudantes de Curso Técnico, de Engenharia de 
Empresa e de Pós-Graduação.

119
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Os alunos do Curso de Engenharia de Automação Empresarial 
participantes do convênio SMAR com a Fundação Paulista 
de Tecnologia e Educação (FPTE/Unilins) efetuam o estágio 
dentro da empresa, supervisionado e avaliado pelos gerentes 
e encarregados. As orientações seguem o Manual de Estágio, 
modelo SENAI, vivenciando os projetos nos departamentos 
de desenvolvimento, produção e assistência técnica nas áreas 
mecânica, elétrica, eletrônica e painéis. O item 1.4, página 
2, Manual de Estágio da SMAR, refere-se a algumas atitudes 
que serão observadas e qualificam o estagiário, entre elas, a 
iniciativa “demonstrada pelo interesse, na procura de novos 
meios para solucionar problemase cooperação com os que 
o rodeiam”. A iniciativa é uma das atitudes basilares para o 
desenvolvimento de projetos inovadores.
Como contribuição aos leitores, coloca-se como exemplo 
um Programa de Estágio da Divisão Elétrica e Eletrônica, 
página 12, do Manual de Estágio da SMAR. Esse exemplo 
mostra atividades a aprender, que a empresa necessita dos 
profissionais, relacionadas a cada equipamento, por setor 
dessa Divisão.
120
Deusdedit Carvalho de Moraes
a- Programa de Estágio elaborado pela Indústria. 
Figura n.º 28 – exemplo de Programa de estágio
121
C
O
L
E
Ç
Ã
O
b- Ficha de Avaliação de Desempenho
Essa ficha, preenchida pelos gerentes de cada estagiário, 
propicia a “quebra do muro” de forma rápida, avaliando 
e orientando Atividade de Trabalho, Ritmo, Qualidades 
Pessoais, Iniciativas, Segurança e Hábitos. 
Figura n.º 29 – Ficha de Avaliação de Desempenho do estagiário
122
Deusdedit Carvalho de Moraes
Sexta Vivência, em 2003: Implantação de Manual de 
Estágio pela FPTE /Unilins & SMAR
Considerando a carência, nas grades curriculares dos Planos 
de Curso das escolas, de habilitação da vida real no dia-
a-dia das indústrias, mesmo porque é impossível colocar a 
indústria dentro da escola, o aluno não tem a oportunidade, 
durante o curso, de conhecer as Divisões dentro da empresa, 
compostas por seus Departamentos de Desenvolvimento 
Mecânico e Eletrônico, Produção, Assistência Técnica, 
Engenharia de Aplicação, Marketing, Exportação, Recursos 
Humanos, Financeiro, Contabilidade, Treinamento, 
Exportação, Qualidade Assegurada ISO 9000, SA 12000.
Com o fim de aproximar essa realidade para as escolas e seus 
alunos, fazendo da indústria uma extensão da escola, a SMAR 
criou, inicialmente nas seguintes áreas, minicursos de:
Departamento de Desenvolvimento Mecânico
Departamento de Produção Mecânica
Departamento de Desenvolvimento Eletrônica
Departamento de Produção Eletrônica
Departamento Assistência Técnica e Revisões
Departamento de Engenharia de Aplicação
Centro de Treinamento SMAR
ISO/9000 e Qualidade na empresa
A estrutura técnico-pedagógica dos minicursos funciona com 
grupos de vinte a trinta alunos. Após um pré-teste, o Gerente 
faz a apresentação do Organograma do Departamento e sua 
estrutura de funcionamento aos alunos, que passam o dia 
inteiro em um só departamento, acompanhando e fazendo 
algumas tarefas do assunto em questão.

I.
II.
III.
IV.
V.
VI.
VII.
VIII.
123
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Ao final do dia, após uma reunião com a gerência do 
departamento, para eliminação de dúvidas e reforço, é 
aplicado um pós-teste, demonstrando os resultados e, depois, 
é feita a entrega do Certificado.
A implantação desse projeto aconteceu em 2003 para os 
alunos de Engenharia de Automação Empresarial.
4. Necessidade de Projetos 
Inovadores dentro da Empresa
A SMAR foi criada por ex-alunos do SENAI, em 1974, e em 
1978, recebeu no corpo societário mais um ex-aluno e um ex-
professor do SENAI/MG e outros sócios. De origem totalmente 
nacional, vem gerando tecnologias de ponta continuamente, 
levando-as atualmente para 77 países, o que a transformou 
em multinacional brasileira, com 24 patentes nos Estados 
Unidos, por ter maior força no mercado internacional, como 
resultados de empreendedores da empresa.
Para a continuidade e aprimoramento dessa soma de 
talentos brasileiros, no mundo globalizado, a diretoria de 
desenvolvimento mecânico, eletrônico, digital e de sistema; 
as diretorias de produção mecânica e produção elétrica-
eletrônica; as diretorias nacional e internacional; a diretoria 
de açúcar e álcool; as diretorias de qualidade assegurada 
e marketing, com seus equipamentos de alta tecnologia, 
como CNC, células de usinagem, robôs e outros, dependem 
de empreendedores habilitados continuamente em projetos 
inovadores, cujas equipes totalizam hoje 980 funcionários 
no Brasil e 70 no exterior, com prospecção para ampliar.
A Educação Profissional brasileira, na formação de RH 
para a nação, de alunos habilitados em projetos inovadores 
e empreendedores é de substancial importância para 
crescimento contínuo das empresas do Brasil.
124
Deusdedit Carvalho de Moraes
Para tanto, os trabalhos conjuntos da escola e empresa darão 
velocidade e qualidade para o Brasil estar no palco dos 
países de primeiro mundo.
A SMAR, vista de forma holística, depende de profissionais 
empreendedores e habilitados e necessita continuamente 
dos Projetos Inovadores, esperando sempre esse resultado 
da escola para continuar obtendo sucesso.
Como exemplo, um dos últimos projetos inovadores da SMAR 
desenvolvidos por profissionais da empresa, o Transmissor 
de Nível por Ondas Guiadas.
Figura n.º 30 – Transmissor de Nível por Ondas Guiadas
Hoje, mais do que nunca, o mercado passa por demandas 
tecnológicas intensas e das mais variadas. Produtos cada 
vez menores e com maior valor agregado, pessoas mais 
habilitadas para necessidades cada vez mais específicas 
encontram incontável quantidade de opções e soluções 
tecnológicas destinadas ao mesmo fim.
A área de automação industrial não foge dessa regra. Sendo 
por isso que a SMAR, há mais de 30 anos, preocupa-se em 
estar na vanguarda desse mercado, com soluções robustas, 
confiáveis e apresentando tecnologia de ponta. Foi pensando 
assim que a SMAR lançou em 2007 seu transmissor de nível 
por ondas guiadas.
125
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Também conhecido como Radar de Ondas Guiadas, esse 
transmissor se baseia no princípio de Reflectometria pelo 
Domínio do Tempo (TDR, na sigla em inglês). Tal método 
é baseado na reflexão de ondas eletromagnéticas, quando 
elas atingem um meio diferente do caminho em que antes 
se propagavam. No entanto, essas ondas são literalmente 
guiadas por sondas de metal, para que não haja dispersão 
e ruídos externos (algo muito comum nos radares de ondas 
livres e ultra-sons).
Os radares de ondas guiadas são os medidores de nível mais 
novos do mercado mundial, comparados às outras tecnologias 
de ondas livres, pressão hidrostática, células de carga ou 
capacitivas e demais. Eles surgiram no início dos anos 1990 
e atingem hoje uma fase de maturidade em todo o mundo, 
com uma taxa de crescimento de 10,5% ao ano (frente a 
apenas 8% de outras tecnologias também recentes, como os 
transmissores tipo “antena” ou “corneta”).
Assim, focada em um mercado com usuários cada vez mais 
bem preparados técnica e comercialmente, a SMAR tem 
como foco levar a esse mercado soluções de alto padrão e 
qualidade, preocupando-se com o crescimento sustentável 
de plantas de pequeno, médio e grande porte. Uma prova 
disso é que hoje ela atende a aplicações inéditas, para 
medição de nível, preenchendo as demandas tecnológicas 
tão exigidas pelo mercado de automação industrial.
126
Deusdedit Carvalho de Moraes
5. Descrição e Características Funcionais 
do Profissional em Instrumentação
Monografia n.º 23 do SENAI Departamento Nacional – 1977
5.1 Descrição
Pela Classificação Internacional Uniforme de Ocupação 
(CIUO) editada pela Organização Internacional do Trabalho 
(OIT), a ocupação do profissional de Instrumentação é 
codificada em CIUO 8 - 42.32.
Segundo essa classificação, o instrumentista executa as 
seguintes funções:
Mantém, repara, calibra e instala elementos primários, 
indicadores, pneumáticos, eletrônicos e elétricos, 
transmissores pneumáticos, transdutores pneumático-
eletrônicos, registradores pneumáticos e eletrônicos, 
controladores pneumáticos e eletrônicos, elementos 
finais de controle, anunciadores de alarme pneumático, 
eletrônico, elétrico e analisadores de processos industriais 
e cadeias de controle e nível, vazão, temperatura, pressão 
e outras variáveis, acompanhando sempre as inovações 
tecnológicas de cadaépoca.
Desempenha tarefas similares às que realizam o 
eletricista, em geral (8.55.10), e o mecânico de 
máquinas, em geral (8-49.10), porém, é especializado 
em manutenção, reparação, montagem, calibração e 
instalação de instrumentos em cadeias de controle de 
processos industriais dentro das tecnologias inovadoras.
Interpreta fluxogramas de processos industriais e de 
especificação.
Coloca e fixa os instrumentos em painéis de controle, 
consoles, corta, dobra e instala linhas de eletroduto 
e tubulação de cobre, vinil e aço inoxidável; faz a 
fiação elétrica e instalações à vista e aberta; testa a 




127
C
O
L
E
Ç
Ã
O
estanqueidade em linhas pneumáticas; executa provas 
para pesquisar defeitos nas instalações pneumáticas, 
elétricas, eletrônica, digitais e microprocessadas e faz 
as conexões necessárias; substitui ou repara fios de 
instalação, fios de compensação e tubulações. 
No Brasil, o Instrumentista Reparador, além de executar 
a manutenção prevista e corretiva de instrumentos, 
equipamentos e sistemas que formam a cadeia de controle, 
repara seus implementos e acessórios.
5.2 Características Funcionais
É uma ocupação com predomínio nas funções mentais, 
sensoriais e motoras, exigindo atenção e reação a estímulos 
visuais, sinestésicos e adaptação fisiológica à temperatura 
de até 80ºC, variando de acordo com os diferentes tipos de 
processos industriais. Compreende trabalhos que vão, desde 
o reaperto simples de peças, até os que necessitam do uso de 
instrumentos de elevado grau de sofisticação.
Esse trabalho está sujeito a situações variáveis, que requerem 
capacidade de criar, improvisar, adaptar e transferir 
conhecimentos e habilidades, frente às constantes situações 
novas, causadas pela complexidade de manutenção e pela 
constância de mutações técnicas dos fabricantes, em busca 
de aproveitamento na otimização dos controles de processos 
industriais. No Brasil, é indispensável o conhecimento do 
inglês técnico na ocupação, por se tratar de uma tecnologia 
recente no país. 
As tarefas executadas pelo instrumentista abrangem 
um campo muito eclético, adentrando em várias outras 
ocupações, conforme mostrado a seguir.
Instalações Pneumáticas em tubulações de cobre, de 
vinil, de aço carbono e inoxidáveis, cada uma com suas 
características especificadas. 

128
Deusdedit Carvalho de Moraes
Instalações Elétricas e Eletrônicas em linha aberta, linha 
à vista, rede exposta e rede embutida de acordo com a 
ABNT.
Retirada de operação, remoção, reparação e instalação de 
elementos primários, sensores das variáveis, vazão, nível 
e temperatura, assim como: placa de orifício, rotâmetro, 
medidor magnético de vazão, turbina, termopares, pirômetro 
ótico, pirômetro monocromático, pirômetro de radiação, 
bóias, eletrodos, sensores eletromecânicos e demais. 
Reparações e calibrações de instrumentos pneumáticos, 
eletrônicos analógicos, digitais e microprocessados, 
eletropneumáticos, indicadores, transmissores, 
transdutores, registradores e controladores, sistemas e todos 
os instrumentos que compõem as malhas de controle. 
Interpretações de esquemas elétricos, eletrônicos, digitais 
e microprocessadores, pneumáticos e fluxogramas de 
processo.
O instrumentista necessita ainda de conhecer operações de 
processo, para manter diálogo com os operadores na pesquisa 
de defeitos dos instrumentos. 
Normalmente, o Instrumentista Reparador é conhecido no 
mercado por Técnico em Instrumentação ou Supervisor de 
Área e também por Instrumentista Industrial, Instrumentista 
Pneumático e Instrumentista Eletrônico.
Sua ocupação é ativa, sem probabilidades de monotonia em 
seu desempenho, em vista de sua flexibilidade. Geralmente, 
aquele que trabalha no campo enfrenta grandes distâncias 
e, às vezes, grandes alturas entre instrumentos e sensores 
de uma mesma cadeia de controle, além de muitas vezes 
encontrar percursos acidentados. Esses fatos introduzem 
certa morosidade na manutenção. 




129
C
O
L
E
Ç
Ã
O
As grandes indústrias amenizam esses problemas mantendo 
pequenos laboratórios nos vários setores do campo, com 
toda a documentação do processo, do sistema de automação 
do controle e catálogos dos instrumentos de cada Malha 
de Controle com os respectivos Tags (identificação dos 
instrumentos na planta industrial), além do laboratório 
central de manutenção de instrumentação.
130
131
C
O
L
E
Ç
Ã
O
CoNSIdERAçÕES FINAIS
Simone Luzia Maluf Zanon, Sonia Regina Hierro Parolin 
e Thaise Nardelli
Trabalhar com realidades estanques e fragmentadas 
dificultam a apropriação do conhecimento pelos alunos e 
profissionais. A construção de uma visão contextualizada, 
que lhes permita uma percepção sistêmica da realidade, 
configura-se uma abordagem muito mais própria, 
principalmente, na educação profissional.
Nesse sentido, docentes e gestores devem lembrar-se de que 
seu papel é o de mediador entre as idéias e as práticas, além 
de reconstrutor do conhecimento por meio de aprendizagens 
significativas e relevantes. 
O docente, ao planejar o processo de ensino, deve prever, 
antecipar situações específicas e considerar os interesses 
dos alunos. Segundo Weisz (2002), as atividades propostas 
pelo docente devem reunir condições para que: a) os alunos 
utilizem e aprimorem seus conhecimentos; b) os alunos 
resolvam e tomem decisões sobre suas propostas; e c) as 
competências trabalhadas mantenham suas características 
de objeto sociocultural real, incluindo a aprendizagem 
significativa e o contexto em que os alunos estão inseridos. 
132
As dificuldades a serem resolvidas e as decisões a serem 
tomadas baseiam-se no pressuposto de que o aluno só 
consegue avançar na sua aprendizagem quando tem bons 
problemas para solucionar; portanto, aprende resolvendo 
essas situações adversas. (SENAI/DN, 2006).
Dessa forma, trabalhar com situações-problema e com 
projetos é ter consciência da incompletude do ser humano; 
é projetar no mundo as próprias possibilidades; é fazer 
acontecer; é instigar a busca por melhorias, pela inovação, 
pela solução de dificuldades surgidas durante a caminhada 
vivencial.
As experiências da SMAR relatadas nesta obra ilustram 
a amplitude das vivências com situações-problemas 
organizadas no formato de projetos com características 
inovadoras. São vivências como essas, que oferecem 
a dimensão dos rumos da Educação Profissional e seu 
compromisso com o desenvolvimento industrial do país.
Simone Luzia Maluf Zanon | Sonia Regina Hierro Parolin | Thaise Nardelli
133
C
O
L
E
Ç
Ã
O
REFERÊNCIAS
ALENCAR, E. M. L. S. de. A gerência da criatividade. São 
Paulo: Makron Books, 1996.
ANTUNES, C. Aprendendo o que jamais se ensina – o que? 
Como?, Ed. Fortaleza: Edições Livro Técnico, 2004.
ARMSTRONG, T. Inteligências Múltiplas em Sala de Aula. 
Porto Alegre: Artmed, 2001.
ASSAFIM, J. M. de L. A Transferência de Tecnologia no 
Brasil. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
Disponível em: <http://www.abnt.org.br>. Acesso em: 
junho de 2006.
BARBOSA, D. B. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. 
2.ª ed. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2003.
BASTOS, J. A. de S. L. de A. A Educação Técnico-
profissional: Fundamentos, perspectivas e prospectivas. 
Brasília: SENETE, 1991.
BRAGA, F.; GOMES, E. Inteligência competitiva: como 
transformar informação em um negócio lucrativo. 1.ª ed. Rio 
de Janeiro: Campus, 2001.
134
Brasil. Decreto 2.556, de 20 de abril de 1998. Regulamenta 
o registro previsto no art. 3.º da Lei 9.609, de 19 de fevereiro 
de 1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade 
intelectual de programa de computador, sua comercialização 
no país e dá outras providências. Disponível em:<http://
www.presidencia.gov.br/legislacao/>. Acesso em: junho 
2006.
Brasil. Lei 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos 
e obrigações relativos à propriedade industrial. Disponível 
em: <http://www.presidencia.gov.br/legislacao/>. Acesso 
em: junho 2006.
Brasil. Lei 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe 
sobre a proteção da propriedade intelectual de programa 
de computador, sua comercialização no país e dá outras 
providências. Disponível em: <http://www.presidencia.gov.
br/legislacao/>. Acesso em: junho 2006.
Brasil. Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza 
e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras 
providências. Disponível em: <http://www.presidencia.gov.
br/legislacao/>. Acesso em: junho 2006.
BRESCIANI, L.P. Tecnologia, organização do trabalho e 
ação sindical: da resistência à contratação. São Paulo: USP, 
1991.
CATTANI, A. (Org.). A Outra Economia. Porto Alegre: Veraz, 
2003. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 
3.ª ed. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1983.
DEFFUNE, D.; DEPRESBITERIS, L. Competências, 
Habilidades e Currículos de Educação Profissional -Crônicas 
e Reflexões. 1.ª ed. São Paulo: SENAC/SP, 2000. 
DEJOURS, C. A loucura do trabalho. São Paulo: Oboré 
Editorial, 1987.
DELLORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. 6.ª ed. São 
Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.
135
C
O
L
E
Ç
Ã
O
DRUCKER, P. F. O melhor de Peter Drucker: a administração. 
São Paulo: Nobel, 2001.
ESTEVES, P. C. L. Elaboração e análise de projetos. Palhoça: 
UnisulVirtual, 2005.
FERRETTI, C. J. et al. (Org.). Novas tecnologias, trabalho 
e educação: um debate multidisciplinar. 4.ª ed. Petrópolis: 
Vozes, 1994.
FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS. 
Departamento de Estudos e Estratégias Sociais. Rio de 
Janeiro: 2000.
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Disponível em: 
<http://www.bn.br>. Acesso em: junho 2006.
GUIMARÃES, F. C. de M. S. A política de incentivo à 
Inovação no Brasil e na Espanha. Rio de Janeiro: FINEP, 
2000.
HERNÁNDEZ, F.; VENTURA, M. A organização de 
currículos por projetos de trabalho – o conhecimento é um 
caleidoscópio. 5.ª ed. São Paulo: Artmed, 1996.
INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE 
INDUSTRIAL. Disponível em: <http://www.inpi.gov.br>. 
Acesso em: junho 2006.
LONGO, W.P. Conceitos Básicos sobre Ciência e Tecnologia. 
v.1. Rio de Janeiro: FINEP, 1996.
LÜCK, H. Metodologia de Projetos: uma ferramenta de 
planejamento e gestão. Petrópolis: Vozes, 2003.
LITWIN, E. Tecnologia Educacional – Políticas, Histórias e 
Propostas. São Paulo: Artes Médicas, 1995.
MAXIMIANO, C. A. A. Teoria Geral da Administração: da 
escola científica à competitividade na economia globalizada. 
São Paulo: Atlas, 2000. 
MENEZES, L. C de M. Gestão de projetos. 2.ª ed. São Paulo: 
Atlas, 2003.
136
MOCHKALEV, S.; PIMENTA, M. A. de A. Inovação. 
Campinas (SP): Editora Alínea, 2001.
MUSSAK, E. Metacompetência: uma nova visão do trabalho 
e da realização pessoal. São Paulo: Editora Gente, 2003.
NICOLSKY, R. Da imitação (criativa) à inovação (radical). 
In: Congresso Paranaense da Indústria. Curitiba: FIEP, 
2006. 
ORGANISATION MONDIALE DE LA PROPRIÉTÉ 
INTELLECTUELLE. Disponível em: <http://www.wipo.int/
index.html.fr>. Acesso em: junho 2006.
PROENÇA, R. P. C. Ergonomia e Organização do Trabalho em 
Projetos Industriais: uma abordagem no setor de alimentação 
coletiva. Dissertação de Mestrado em Ergonomia, PGEP/
UFSC, 1993.
PASTORE, J. Tecnologia e Emprego. Coleção José Ermírio 
de Moraes. Brasília: CNI, 1998.
PEGORETTE, J. F.; SOUZA, F. A.; CHAVES, R. A. Pedagogia 
de Projetos. Vitória: SENAI/ES, 2003.
PERRENOUD, P. Práticas Pedagógicas, profissão docente e 
formação: perspectivas sociológicas. Lisboa: Dom Quixote, 
1994. 
PERRENOUD, P. Pedagogia Diferenciada: das intenções à 
ação. Porto Alegre: Artmed, 2000.
PMBOK, Guide. A Guide to the Project Management body of 
knowledge. Belo Horizonte: PMI/MG, 1996.
STAUB, E. Parcerias Estratégicas: Desafios estratégicos em 
ciência tecnologia e inovação. N.º 13, dezembro/2001, p. 
5/22.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM 
INDUSTRIAL. Departamento Nacional. Metodologia 
[ para ] elaboração de desenho curricular baseado em 
competências. 2.ª ed. Brasília: SENAI/DN, 2002.
137
C
O
L
E
Ç
Ã
O
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM 
INDUSTRIAL. Departamento Nacional. Norteador da 
prática pedagógica: formação com base em competências. 
Brasília: SENAI/DN, 2006.
SIMANTOB, M.; LIPPI, R. Guia valor econômico de inovação 
nas empresas. SP: Globo, 2003.
VERZUH, E. MBA compacto, gestão de projetos. Rio de 
Janeiro: Campus, 2000.
VARGAS, R. Gerenciamento de projetos: estabelecendo 
diferenciais competitivos. 5.ª ed. Rio de Janeiro: Brasport, 
2003.
VALERIANO, D. L. Gerência em projetos: pesquisa, 
desenvolvimento e engenharia. São Paulo: Makron Books, 
1998.
WEISZ, T. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São 
Paulo: Ática, 2002. 
138
139
C
O
L
E
Ç
Ã
O
dAdoS SoBRE oS AutoRES
Heloisa Cortiani de Oliveira
Advogada formada pela UFPR/ 2000, com estágio baseado 
na Lei de Inovação Francesa na Université de Technologie 
de Compiègne, França/ 2003; Cursando Especialização 
em Planejamento e Gestão de Negócios na UNIFAE/PR; 
Técnico Responsável pelo NOPI/ Núcleo de Orientação de 
Propriedade Intelectual, do Programa INOVA SENAI/SESI/ 
IEL PR. Contato: heloisa.oliveira@pr.senai.br. 
Deusdedit Carvalho de Moraes
Mecânico Eletricista formado pelo SENAI, 1956; Instrutor 
formado pelo CENAFOR/1968; Técnico em Eletrotécnica 
formado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) SP/1968; 
Técnico de Chefia e Dinâmica de Grupo pelo IDORT/1964; 
Pedagogo formado pela SENADOR FLAQUER com 
Habilitação no MEC em Administração Escolar de 1.º e 2.º 
Grau e Professor de Psicologia da Educação e Sociologia 
da Educação/1974; Controle Avançado formado no IRA/ 
Institut de Régulation et Automation, França/1978; Lato 
Censo/ 2006, Teoria de Psicanálise Aplicada pelo Instituto 
140
Saber de Brasília; Técnico em Instrumentação em Energia 
(CPFL), entre 1956 a 1961; Instrutor, Chefe dos Cursos de 
Elétrica Eletrônica; Supervisor de Instrumentação; Assessor 
da Diretoria de Formação Profissional do SENAI/DR/SP, 
1961 a 1985; no SENAI, acumulou a função de Assessor da 
Secretaria Especial de Informática (SEI) da Presidência da 
República, de 1979 a 1985, para projeto e execução da Lei 
de Informática para Reserva de Mercado; Coordenador no 
SENAI da implantação do Curso Técnico de Instrumentação 
de 1974 a 1985, nos Departamentos Regionais de SP em 
Santos e Campinas, no DR/BA, DR/RS, DR/ES; Coordenador 
da Transferência de Tecnologia da França para o SENAI/SP/
Santos e do Japão para o SENAI/ES/ Vitória. Desde 1985, 
é Assessor da Presidência da SMAR, acumulando com 
a Presidência da Instrumentação para Desenvolvimento 
Científico e Tecnológico (INSISTE), Presidência do Grupo 
Nacional de Instrumentação de Açúcar, Álcool e Alimentos 
(GINAAA). Contato: deusdedit@smar.com.br.
 
Simone Luzia Maluf Zanon
Formada em Pedagogia pela UTP/PR/2000; Especialista 
em Psicopedagogia pelo IBPEX/PR/2001 e em Inovação 
de Projetos Educacionais – Âmbito Escolar e não Escolar 
pela PUCPR/2004; Mestranda em Tecnologia/ UTFPR; 
Atuante na Área de Educação Profissional do SENAI/PR, 
desde 2003, especificamente, nos Cursos Técnicos de Nível 
Médio; Participante da elaboração do programa Fundamentos 
Pedagógicos para a Educação Profissional do SENAI/PR; 
Participante na validação da Metodologia para Avaliação de 
Projetos de Cursos, elaborada pelo SENAI/DN, em 2005, na 
Região Centro-Oeste, DR/PR e DR/ES. Contato: simone.
zanon@pr.senai.br 
141
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Sonia Regina Hierro Parolin 
Graduada em Artes pela FAP, 1981; Especialista em 
Fundamentosda Arte-educação pela FAP, 1998, e em 
Administração pelo ISPG, 1997; Mestre em Administração 
pela UFRGS, 2001 e Doutora em Administração pela USP 
(2008); Gerente do Programa Inova SESI/SENAI/IEL-PR, 
desde 2004, na condução de Projetos voltados ao Estímulo 
à Criatividade, Empreendedorismo, Inovação e Propriedade 
Intelectual; à Educação Profissional e ao Meio Empresarial; 
Professora de Criatividade em cursos de Pós-Graduação; 
Autora de vários artigos publicados sobre os temas indicados. 
Contato: sonia.parolin@pr.senai.br
Thaise Nardelli
Graduada em Pedagogia pela UFPR/ 2003; Especialista 
em Pedagogia da Gestão Empresarial pela UTP/ 2004 e em 
Inovação em Projetos Educacionais: âmbito escolar e não 
escolar, pela PUC/PR/ 2005; Mestre em Tecnologia/ UTFPR; 
Atuante em Educação Profissional no SENAI/PR, desde 
2001 e na área de Educação, desde 1998. Contato: thaise.
nardelli@pr.senai.br 
142
143
C
O
L
E
Ç
Ã
O
Créditos
2a Edição revisada e ampliada
 Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP
 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial/Departamento Regional - SENAI
 Diretor Regional 
 João Barreto Lopes
 
 Diretor de Operações
 Marco Antônio Areias Secco
 Gerente Programa INOVA SENAI/SESI
 Sonia Regina Hierro Parolin
 Serviço Social da Indústria - SESI
 Diretor Superintendenete 
 José Antônio Fares 
 
 Diretoria de Tecnologia de Gestão da Informação 
 Diretor de Tecnologia de Gestão da Informação 
 Pedro Carlos Carmona Gallego 
 Coordenadoria de Tecnologia e Mídias Educacionais - CTME
 Coordenação – Lucio Suckow
 Projeto Gráfico – Ana Célia Souza França
 Priscila Bavaresco
 Tratamento de imagens – Priscila Bavaresco
 Editoração – Ana Célia Souza França
 
 Revisão de texto – Bernadete de Lourdes Michelato
Código CTME 012 08

Mais conteúdos dessa disciplina