Prévia do material em texto
Professor Esp. Danilo José Assini Professor Esp. Fabio Oliveira Vaz Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Professor Esp. Julio Cesar Bueno Alves Professor Esp. Luis Fernando Otero LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO GRAduAçãO GESTãO PÚBLICA MARINGÁ-PR 2012 Reitor: Wilson de Matos Silva Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi NEAd - Núcleo de Educação a distância diretoria do NEAd: Willian Victor Kendrick de Matos Silva Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo Coordenação de Marketing: Bruno Jorge Coordenação Comercial: Helder Machado Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha Coordenação de Curso: Ariane Maria Machado de Oliveira Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Jaime de Marchi Junior, José Jhonny Coelho, Robson Yuiti Saito e Thayla Daiany Guimarães Cripaldi Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo Revisão Textual e Normas: Amanda Polli, Cristiane de Oliveira Alves, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina Kutsunugi, Keren Pardini e Maria Fernanda Canova Vasconcelos. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a distância: C397 Logística no setor público/ Danilo José Assini... [et al.]. - Ma ringá - PR, 2012. 167 p. “Graduação em Gestão Pública - EaD”. 1. Logística. 2. Cadeia de abastecimento. 3. Distribuição física. 4. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 658.78 CIP - NBR 12899 - AACR/2 “As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHuTTERSTOCK.COM”. Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 - (44) 3027-6363 - ead@cesumar.br - www.ead.cesumar.br LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO Professor Esp. Danilo José Assini Professor Esp. Fabio Oliveira Vaz Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Professor Esp. Julio Cesar Bueno Alves Professor Esp. Luis Fernando Otero 5LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância APRESENTAçãO dO REITOR Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro. Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-ex- tensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referên- cia regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de compe- tências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação continuada. Professor Wilson de Matos Silva Reitor 6 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Caro(a) aluno(a), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da realidade social em que está inserido. Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que, independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento. Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente, você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa. Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma comunidade mais universal e igualitária. Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem! Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR 7LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância APRESENTAçãO Livro: LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO Professor Esp. Danilo José Assini Professor Esp. Fabio Oliveira Vaz Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Professor Esp. Julio Cesar Bueno Alves Professor Esp. Luis Fernando Otero Olá, caro(a) acadêmico(a), seja muito bem-vindo(a) ao livro de Logística no Setor Público. Sou o professor Danilo José Assini e, juntamente com outros professores, desenvolvi este livro para auxiliá-lo no desenvolvimento das competências e habilidades requeridas ao Gestor Público. Sendo assim, é com imenso prazer que apresentamos abaixo a estrutura do livro de Logística no Setor Público, na certeza de que esse contribuirá para sua vida acadêmica e profissional. Na primeira unidade deste livro, discutiremos sobre a introdução da logística, ou seja, o que é logística. Segundo Faria e Costa (2005), logística é a parte do processo da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla, de forma eficiente e eficaz, a expedição, o fluxo reverso e a armazenagem de bens e serviços, assim como o fluxo de informações relacionadas entre o ponto de origem e o ponto de consumo, com o propósito de atender às necessidadesdos clientes. Na segunda unidade, trataremos sobre a importância do processo e cadeia de abastecimento, com o objetivo de aprender a conhecer as organizações envolvidas no processo, compreender o sistema produtivo e seus formatos, além de analisar os processos das cadeias de abastecimentos e canais de distribuição. O processo de pedidos, ou seja, a compra na administração pública será abordada na terceira unidade. O objetivo da unidade será demonstrar que a administração pública satisfaz ao interesse público por meio das aquisições. Desta forma, podemos compreender o funcionamento de uma central de compras, além de revelar que a implantação de uma central de compras maximiza os procedimentos logísticos da Administração Pública. Na quarta unidade, você aprenderá sobre o almoxarifado central, quais suas vantagens, estruturas, funcionamento e controle. Sendo assim, você entenderá que o almoxarifado é o setor responsável pelo recebimento, armazenagem e distribuição dos bens e produtos 8 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância adquiridos pela Administração pública. Por fim, chegamos à última unidade da nossa disciplina, na qual você compreenderá como funciona os centros de consumos, ou seja, qual é a importância da distribuição para o processo de logística, além de aprender qual será a rota de distribuição e o custo que ela agrega a este processo. Não se esqueça de que as seções de Saiba Mais e Reflita são para que você extrapole seus conhecimentos, portanto leia com atenção e também assista aos vídeos recomendados. Lembre-se também de que as indicações de leituras são muito importantes para complementar seu conhecimento na área, visto que o seu objetivo é tornar-se um profissional cada vez mais qualificado e entendedor do assunto. Um grande abraço! Professor Danilo José Assini SuMÁRIO uNIdAdE I INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA HISTÓRIA DA LOGÍSTICA ......................................................................................................17 RELAÇÃO ENTRE LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE .........................................................22 SUBSISTEMAS DE ABORDAGEM LOGÍSTICA .....................................................................24 LOGÍSTICA DE ENTRADA, ALIMENTAÇÃO OU SUPRIMENTO ..........................................28 LOGÍSTICA INTERNA OU DE OPERAÇÃO ...........................................................................28 LOGÍSTICA DE SAÍDA OU DISTRIBUIÇÃO ...........................................................................29 LOGÍSTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONTEMPORÂNEA .....................................30 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA ......................................................................................................36 A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ..................................................................................................37 uNIdAdE II PROCESSO E CADEIA DE ABASTECIMENTO CADEIA DE ABASTECIMENTO..............................................................................................47 ORGANIZAÇÕES ENVOLVIDAS ............................................................................................49 O PAPEL DA LOGÍSTICA .......................................................................................................54 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ...................................................................................................58 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ...........................................................................................................61 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ................................................61 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO ....................................................................................63 O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA .......................................................................68 ROTEIRIZAÇÃO ......................................................................................................................69 uNIdAdE III PROCESSAMENTO DE PEDIDOS – COMPRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A NECESSIDADE DE COMPRAR ..........................................................................................80 A FORMAÇÃO DE UMA CENTRAL DE COMPRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .........81 SETOR DE REGISTRO E DETALHAMENTO DOS OBJETOS A SEREM LICITADOS .........84 SETOR DE CAPTAÇÃO DE PEDIDOS ...................................................................................88 SETOR DE UNIFICAÇÃO DOS PEDIDOS .............................................................................91 SETOR DE PESQUISA DE PREÇOS .....................................................................................91 AS VANTAGENS DA CENTRAL DE COMPRAS ....................................................................95 UNIFORMIZAÇÃO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS .....................................96 OTIMIZAÇÃO DOS RECURSOS ............................................................................................96 uNIdAdE IV ALMOXARIFADO CENTRAL PROCEDIMENTOS ANTES DO RECEBIMENTO ................................................................ 110 FUNCIONAMENTO DO ALMOXARIFADO ...........................................................................121 CONTROLE ...........................................................................................................................133 uNIdAdE V CENTROS DE CONSUMOS: DISTRIBUIÇÃO E CONTROLE DISTRIBUIÇÃO ..................................................................................................................... 141 SEPARAÇÃO ........................................................................................................................ 141 ROTAS DE DISTRIBUIÇÃO .................................................................................................143 CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ..........................................................................147 CONTROLES NOS CENTROS DE CONSUMOS .................................................................152 CASOS QUE REQUEREM LOGÍSTICA ESPECÍFICA .........................................................156 MERENDA ESCOLAR ..........................................................................................................156 KITS ESCOLARES................................................................................................................160 CONCLuSãO .......................................................................................................................163 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................166 uNIdAdE I INTROduçãO À LOGÍSTICA Professor Esp. Danilo José Assini Professor Esp. Fabio Oliveira Vaz Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Professor Esp. Luis Fernando Otero Objetivos de Aprendizagem • Conhecer a evolução da logística. • Compreender os conceitos de logística. • Demonstrar a realidade contemporânea da logística na Administração Pública bra- sileira. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • História da logística • Conceitos de logística • Logística no setor público 15LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância NTROduçãO À LOGÍSTICA Tudo começa com a árvore que cresce, depois com a madeira cortada, mais tarde com o transporte, depois armazenamento e, ainda longe do destino final, com a transformação em pasta. Virá o papel, que transportado e armazenado, se encontrará algures, pronto para impressão. E depois distribuição. É assim que o leitor compra o jornal. No princípio o eucalipto. No fim a informação. Numa mistura de fluxos, das mais explosivas, entre o produto e a informação (CARVALHO, 1999, on-line). A partirde agora você irá estudar Logística no setor público, e acredito que muitos se perguntarão: o que é logística? Apesar de ser uma palavra do nosso cotidiano, nem todos sabem o que significa ao certo, alguns imaginam o que é, mas, se tiverem que definir exatamente, poucos definiriam corretamente. O Novo Dicionário Aurélio define logística como: Parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de: a) projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, ma- nutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos); b) recru- tamento, incorporação, instrução e adestramento, designação, transporte, bem-estar, evacuação, hospitalização e desligamento de pessoal; c) aquisição ou construção, re- paração, manutenção e operação de instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar; d) contrato ou prestação de serviços. Vários autores dizem que a logística teve origem em atividades militares, isso justifica a primeira frase na definição acima “Parte da arte da guerra [...]”, mas não podemos ficar apenas com essa ideia. Faria e Costa (2005, p. 15) consideram que a origem da logística não deveria ser “associada apenas às operações de guerra, pois, por exemplo, na construção das Pirâmides do Egito e em outras obras majestosas foram realizadas, também, muitas atividades relacionadas às atividades da logística”. Uma das definições mais completas de logística é a apresentada pelo Conselho dos Profissionais de Gestão da Cadeia de Suprimentos (2005 apud FARIA e COSTA, 2005, on- line): Logística é a parte do processo da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla, de forma eficiente e eficaz, a expedição, o fluxo reverso e a armazenagem 16 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância de bens e serviços, assim como do fluxo de informações relacionadas, entre o ponto de origem e o ponto de consumo, com o propósito de atender às necessidades dos clientes. Dessa forma, podemos dizer que a logística é o conjunto de atividades relacionadas desde a obtenção de materiais até a satisfação dos consumidores de qualquer organização, por meio da venda ou do oferecimento de um produto ou serviço. A logística deve encarregar-se de gerir o processo físico e de informação, de compra da organização, receber os produtos ou serviços, organizar e controlar os estoques e distribuir esses produtos para o consumidor final (usuário ou cliente). Percebemos que qualquer organização, independente da sua atividade econômica e de sua finalidade lucrativa, precisa ter uma logística eficiente para obter resultados satisfatórios, pois nela, além da movimentação física, encontramos o registro das informações necessárias para tomar decisões a respeito das compras e consumo de materiais. Nas instituições públicas, a logística também é utilizada, pois, assim como as instituições privadas, elas têm necessidades de adquirir produtos ou serviços, que após as compras devem ser recebidos, armazenados e distribuídos para o consumo, possibilitando a prestação de um serviço público. Lamentavelmente nos órgãos públicos, após o processo de compras (licitação), encontramos diversas falhas e são raros os casos em que a logística funciona ou é aproveitada para melhorar a qualidade dos serviços públicos. A logística é algo fundamental para a consecução dos objetivos traçados pela Administração Pública, por tratar-se de ferramenta necessária para assegurar a boa aplicação dos recursos públicos. Embora inexistam muitas normas que regulamentem tal funcionalidade no âmbito público, a prática vem ensinando e revelando aos gestores como seria o modelo ideal de logística. Novas 17LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância técnicas de gestão vêm sendo implantadas, auxiliando a dirimir a problemática encontrada pelo setor público. A Administração Pública apresenta como fim maior o atendimento ao interesse público. Tanto é verdade que a supremacia do interesse público sobre o privado é relevante princípio administrativo, visto que a função administrativa é voltada para a coletividade e não para os particulares. Diante dessa indisponibilidade do interesse público, a Administração Pública sofre uma série de limitações comparando-se com a atuação de particulares, devendo sujeitar-se à legislação e adotar uma postura equânime e impessoal em relação a terceiros, mediante técnicas de gestão eficazes. Trata-se de um tema com poucas posições doutrinárias e de muita inaplicabilidade por parte da Administração Pública, revelando-se um tema problemático para ser dirimido. Dessa forma, importante se faz externar que a utilização da logística na Administração Pública é um dever do Estado como o todo, visto ser ferramenta essencial para a satisfação do interesse público. HISTÓRIA dA LOGÍSTICA Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 18 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Considerando a etimologia, a palavra logística é derivada do radical grego logos, que tem o significado de razão. É possível entender disso que a logística significa “a arte de calcular” ou “a manipulação de uma operação”. Inicialmente, a logística foi desenvolvida na área militar para designar atividades de suprimentos, estocagem, movimentação e transporte de bens, tais como: remédios, equipamentos, armamentos, uniformes e tropas. A logística teve um maior desenvolvimento após a Segunda Guerra Mundial, encontrando novas aplicações, ampliando sua atuação para a indústria, comércio e serviços em geral. A decisão de posicionamento de tropas segundo uma estratégia militar, em que comandantes militares precisavam ter sob seu comando um grupo que facilitasse o deslocamento, na hora certa, de armamentos, munições, alimentos, equipamentos e material de atendimento médico no campo de guerra. Mas isso era considerado um serviço de apoio, sem o status da estratégia belicista, as equipes militares responsáveis pela logística ficavam sempre sendo reconhecidas em um plano inferior. Isso também aconteceu nas empresas durante um bom tempo. Porém, a logística muito se desenvolveu nas últimas décadas, encontrando novas aplicações. Desde os primórdios da humanidade até o Século XV, a produção de bens era feita por artesãos que cuidavam de todo o ciclo produtivo, desde a encomenda até a entrega do pedido ao cliente. Nessa época, a logística era relativamente simples e ficava sob responsabilidade do próprio artesão e não tinha grandes complicações, pois os pedidos eram feitos pelos clientes diretamente ao artesão que conhecia todas as informações que precisa para executar seu trabalho. Ele sabia o tempo que levaria para produzir um produto e quantas encomendas tinha na fila de espera. Conhecia também a disponibilidade do estoque de matérias-primas, assim como o preço que pagou por esses materiais e quanto de material precisava para fazer cada bem. Além disso, também conhecia quanto receberia pelos serviços encomendados e quanto gastou para executá-los. Houve um período de transição em que os artesãos começaram a trabalhar em oficinas e 19LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância o dono da oficina deixava de produzir para tornar-se tomador de pedidos de revendedores, recebendo destes a matéria-prima para a produção e um valor após a entrega do bem pronto. Nesse período, os donos de oficinas eram os responsáveis pela logística, eles recebiam as matérias-primas dos clientes, as direcionavam para artesãos que trabalhavam na oficina, definindo o prazo de entrega pela quantidade de serviço que cada artesão possuía. O crescimento do consumo aliado à criação da máquina a vapor nos levou a Revolução Industrial, revolução não de revolta, mas sim pelo grande impacto que teve sobre a sociedade e a tecnologia de produção. A Revolução Industrialteve lugar na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, em que as ferramentas foram substituídas pelas máquinas que utilizavam a energia do vapor em lugar da energia humana, isso proporcionou um grande aumento de produção. Essa produção necessitou de novos mercados e junto com isso de melhorar o transporte desses produtos, ou seja, precisava-se tornar a logística mais eficiente. O desenvolvimento da locomotiva (conhecida como maria-fumaça) e a utilização do vapor nos navios auxiliaram nesse processo (PIRES, 2004). A história da logística continuou sem muitas alterações até a metade do século passado, as empresas sabiam da importância, mas na prática as funções da logística eram divididas entre diversos departamentos. A partir de 1960, surgem os primeiros registros de criação de cargos específicos para o setor de logística, sendo o seu ocupante o responsável por controlar o fluxo de materiais e transportes. 20 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Na década de 1990, a logística ganha destaque devido à globalização e, principalmente, à internet, pois com as compras no comércio eletrônico os clientes começaram a perceber a sua importância e os erros cometidos pelas empresas nessa área ficaram evidentes, tornando a logística um setor fundamental nas empresas. Conceito e importância da logística Logística é um processo que faz parte do nosso cotidiano, mas que passa despercebida pela maioria das pessoas. Pensemos na prestação de um serviço público, por exemplo, a entrega do kit escolar para os alunos da rede municipal de ensino. Existem prefeituras que entregam, todo ano, um conjunto de materiais de expediente que serão utilizados pelos alunos durante o ano letivo. Para isso deve adquirir os materiais, montar os kits e distribuí-los para os alunos. Nesse processo devem ser definidas algumas questões. Inicialmente é necessário conhecer Fo nte : P HO TO S. CO M 21LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância a quantidade de alunos da rede pública e sua distribuição nas escolas. Também deve ser definida, pela equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, a composição do kit escolar. Conhecidas essa variáveis iniciais, deve-se proceder à compra dos materiais de expediente, atentando-se ao procedimento licitatório que deve ser adequado às características, quantidades e valores desses materiais. Depois de identificada a proposta mais vantajosa, o procedimento licitatório e encerrada, dando lugar à execução do contrato, onde o fornecedor fará a entrega dos produtos no local determinado. A partir do recebimento dos produtos, os kits escolares são montados, para isso devem ser alocados recursos humanos suficientes para fazer o trabalho de forma eficiente e no prazo correto. Depois de prontos os kits são distribuídos para cada escola do município que se encarregará de distribuir para os alunos. Todas as atividades desenvolvidas têm a finalidade de fornecer o kit escolar para os alunos da rede municipal de ensino, mas nem sempre as pessoas envolvidas percebem que fazem parte de um todo. Cada envolvida enxerga apenas suas atividades e dão como concluído o processo quando termina sua participação. Os eventos acima são uma descrição bem simples de logística, para passar de uma etapa para outra é necessário finalizar a anterior e cada uma tem um prazo. A administração dessas etapas, prazos e demais fatores que as influenciam é o papel do responsável pela logística na administração. Segundo Dias (2010, p.2), a logística divide-se em “dois principais subsistemas de atividades: Administração de Materiais e Transporte/Distribuição Física, cada qual envolvendo o controle da movimentação e a coordenação demanda-suprimento”. 22 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Assim, apesar de ser um conceito tão amplo, as pessoas acabam ligando logística a estoques e transportes, isso se pode explicar porque essas são as duas principais atividades da logística, mas também porque são as atividades que consomem mais recursos, tempo e, consequentemente, pesam nas finanças da organização. Para obter uma redução de custos dentro de qualquer organização, pública ou privada, é necessário analisar os procedimentos dessas duas atividades, pois, em uma visão sistêmica, o aumento na eficácia delas tem reflexos em todos os outros departamentos. RELAçãO ENTRE LOGÍSTICA E COMPETITIVIdAdE A competitividade entre as organizações é uma realidade que está cada dia mais complexa e não pode mais ser ignorada. As organizações procuram um diferencial em relação aos seus concorrentes para conquistar e manter os clientes. Mas isso a cada dia tem se tornado uma tarefa mais e mais difícil. A competição, hoje, está em um nível extremamente globalizado, com uma necessidade enorme de novos produtos e serviços, cada dia mais descartáveis, de vida curta, e por outro lado os clientes muito mais segmentados e buscando exclusividade, além de ser extremamente mais informados e exigentes. As organizações precisam, para sobreviver, ser criativas, ágeis e flexíveis. Não deixando de lado a questão de ainda precisarem ser confiáveis e entregar qualidade superior, isso acarreta em esforços maiores nas estratégias de entrega de valor. Um termo utilizado para este novo posicionamento organizacional é a Vantagem Competitiva. Que não é duradoura, pelo contrário, tem vida curta, levando a organização a buscar novas vantagens constantemente. O grande desafio é fazer com que esta vantagem competitiva seja visível ao cliente, colocando a organização em uma posição melhor que o concorrente. Existe algo em comum entre essas abordagens. Mas alguns aspectos são comuns a todas, 23LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância como: produzir a um custo menor, agregar mais valor e poder atender de maneira mais efetiva às necessidades de um determinado nicho de mercado. Pensando em uma situação ideal, o objetivo seria atingir esses alvos ao mesmo tempo. Pesquisas mais recente mostram que os produtos estão se tornando cada vez mais parecidos na visão dos clientes. A tecnologia, processos produtivos mais competentes e enxutos e o acesso a fontes de suprimento capazes de garantir matérias-primas de qualidade são realidades que estão permitindo o nivelamento dos fabricantes de um mesmo produto. Isso tem mostrado que a diferença entre uma organização e outra pode estar na prestação de um serviço mais completo, por exemplo. Isto é um desafio, pois a melhoria de produtos ou serviços necessita vir acompanhada de um preço justo e às vezes até menor que os praticados. Se as organizações não forem capazes de cumprir as suas promessas, os clientes poderão ficar desapontados e com isso a influência negativa no mercado. As metas da logística são as de disponibilizar o produto certo, na quantidade certa, no local certo, no momento certo, nas condições adequadas para o cliente certo ao preço justo. Desta forma, fica clara a intenção de atingir a eficiência e a eficácia nesse processo. Ao utilizar o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento, a organização consegue ampliar sua visão e, consequentemente, se torna mais ágil e mais flexível do que seus concorrentes. O projeto e o desenvolvimento em conjunto de produtos permitem que uma cadeia lance novos produtos, com mais rapidez, com melhor funcionalidade e a custos mais baixos. Para que um sistema logístico seja implantado e consiga atingir seus objetivos, alguns pontos precisam ser avaliados e observados (FERRAES NETO e KUEHNE JR., 2002): a) planejar o sistema para atender às necessidades dos clientes; b) o pessoal envolvido deve ser treinado e estar capacitado; 24 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância c) definir os níveis de serviços a serem oferecidos; d) a segmentação dos serviços deve acontecer de acordocom as exigências dos servi- ços para os clientes e com a lucratividade de cada segmento; e) é necessária a utilização de tecnologia de informação para integrar as operações; f) prever pontualmente as demandas e o seu comportamento; g) adoção de indicadores de desempenho para garantir que os objetivos sejam alcan- çados. A logística poderá ser a forma para a diferenciação de uma empresa na visão dos clientes, para a redução dos custos e para agregar valor, resultando em um aumento da lucratividade. Uma empresa mais lucrativa consegue se posicionar com superioridade contra os seus concorrentes. Mas, a logística sozinha não consegue estes resultados, havendo a necessidade de estar inserida no planejamento de negócio da organização e alinhada com os demais esforços para atingir sucesso no seu segmento de atuação. Não estamos dizendo que a logística seja o caminho que vai salvar a organização, mas sim que ela é uma opção real usada por diversas empresas para conseguirem o aumento da sua competitividade. SuBSISTEMAS dE ABORdAGEM LOGÍSTICA A logística é composta de dois subsistemas: a administração de materiais e a distribuição física, cada um envolvendo o controle da movimentação e a coordenação demanda-supri- mento. A administração de materiais compreende o agrupamento de materiais de várias origens e a coordenação dessa atividade com a demanda de produtos ou serviços da empresa. Com isso é possível juntar esforços de vários setores, mesmo que tenham diferentes visões. É possível 25LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância analisar que uma empresa englobaria todas as atividades relativas aos materiais, a não ser as que estão diretamente ligadas ao projeto e manutenção dos equipamentos e ferramentas. Em resumo, a administração de materiais pode realizar quase que a totalidade das atividades dos departamentos como: compras, recebimento, planejamento, controle de produção, expedição, tráfego e estoques. Mas, pensando até mesmo em organizações públicas, a movimentação dos produtos de uma unidade para outra ou da empresa para seu cliente também exige a coordenação entre demanda e suprimento; isso constitui a distribuição física, que pode ser definida como o transporte eficiente de produtos acabados da organização até o consumidor, podendo também ser incluído o transporte de matéria-prima até o início da linha de produção. Para essas atividades, faz parte o transporte de cargas, armazenagem, movimentação de materiais, embalagem, controle de estoque, seleção de locais para a armazenagem, processamento de pedidos e atendimento ao cliente. Atividades Primárias Podemos definir como atividades primárias aquelas que são de importância essencial para atingir os objetivos logísticos de custo e nível de serviço. Essas atividades são: Transportes, Manutenção de Estoques, Processamento de Pedidos. Elas são consideradas primárias porque contribuem com a maior parcela do custo total da logística ou são essenciais para a coordenação e o cumprimento da tarefa logística. 26 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Transportes Para a maioria das organizações, o transporte é a atividade logística mais importante, pois é a atividade que utiliza a maioria dos custos logísticos. É extremamente importante, pois nenhuma organização moderna pode trabalhar sem a movimentação de suas matérias-primas ou de seus produtos. Transporte refere-se aos vários métodos para se movimentar produtos. As alternativas são as seguintes: Modo Rodoviário, Modo Ferroviário, Modo Marítimo e Modo Aéreo. O modo rodoviário é o mais utilizado e expressivo no Brasil, chegando a atingir quase que todos os pontos do território nacional. Os modos ferroviário e marítimo apresentam custos menores comparando-se com o rodoviário, porém ainda passam por diversos problemas de pouco alcance, e o marítimo acaba deixando muito a desejar em nosso país. Já no modo aéreo, o grande problema está no custo do frete, que acaba sendo bem mais elevado do que o correspondente rodoviário. Explorando as Modalidades O sistema logístico inclui, basicamente, dois tipos de transporte de produtos: a transferência, envolvendo deslocamentos entre dois pontos, e a distribuição, ou entrega, em que veículos servem vários destinos em uma única viagem. Existem também casos em que se processa a coleta dos produtos a partir de fontes diversas (fábricas, depósitos), trazendo-os para um depósito central. Em resumo, escolher o sistema de transporte a ser utilizado é fundamental para o crescimento da empresa, mas é preciso verificar alguns fatores de extrema importância: atrasos na viagem, oscilações no prazo de entrega, políticas de estoque, avarias na carga e na descarga, necessidade de equipamentos especiais para carga e descarga, existe até uma medida de 27LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância rendimento para medir o nível de desempenho de um sistema que analisa estes dados, além de reclamações e até extravios. Macroprocessos de logística A logística pode ser dividida em macroprocessos, ao todo são quatro, sendo eles: o de entradas, alimentação ou suprimento; o interno ou de operação; o de saída ou distribuição e o de logística reversa. SuprimentosFornecedor Distribuição Logística Reversa Serviços Públicos Consumidor Figura 1: Macroprocessos Logísticos da Administração Pública Fonte: Os autores A figura 1 exemplifica os macroprocesso de logística que serão explicadas a seguir. Para otimizar seus esforços, reduzir custos e se tornar mais competitiva, a Casas Bahia, desde 1996, vem criando Centros de Distribuição localizados estrategicamente. Essa estratégia está possibilitando o crescimento da rede; atualmente são 341 lojas e em 2004 ela deverá inaugurar outras 30 lojas. Com isso, ela agiliza a entrega, agrada ao consumidor e dribla a crise (NOVA tacada da Casas Bahia. Exame, ano 37, n. 24, p. 25, 26 nov. 2003). 28 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância LOGÍSTICA dE ENTRAdA, ALIMENTAçãO Ou SuPRIMENTO Resumidamente, a logística de entrada, conhecida também como de alimentação ou suprimento, trata do recebimento dos insumos necessários para prestação de serviço público, ou seja, são as operações que tratam da administração de materiais, permitindo que os mesmos estejam disponíveis para a sua distribuição ou para transformá-los em prestação de serviços. Nas organizações públicas, essas atividades de suprimento devem atender a normas e regulamentos específicos, sendo fiscalizados pelos Tribunais de Contas como, por exemplo, a realização de licitações e a formalização de contratos administrativos. A legislação básica desse macroprocesso é composta pela Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, e pela Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002, que definem os procedimentos essenciais para as aquisições e contratações, fundamentais para o início das atividades de suprimento nas organizações públicas. LOGÍSTICA INTERNA Ou dE OPERAçãO O segundo macroprocesso é o da logística interna, onde deve ser administrada a disponibilidade dos materiais adquiridos, dos recursos humanos e dos equipamentos para poder produzir ou prestar um serviço. Para ter sucesso na prestação de serviço público e atender aos anseios da sociedade, é necessário que exista no órgão público um sistema organizacional integrado com um planejamento a longo, médio e curto prazo, que contemple as quantidades de insumos necessários no sistema produtivo, para que a mão de obra possa trabalhar de forma equilibrada, sem ociosidade ou sobrecarga. 29LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância LOGÍSTICA dE SAÍdA Ou dISTRIBuIçãO É importante ressaltar que distribuição e logística não são sinônimos, mas que a distribuição faz parte da logística. A logística de saída consolida as atividades ligadas ao fornecimento do serviçopúblico, ou consumo dos produtos distribuídos, por exemplo, da distribuição do kit escolar para os alunos, conforme foi explicado acima. Este é o macroprocesso que transluz o nível de organização e de eficiência dos procedimentos realizados pelos órgãos públicos, por meio do qual os consumidores ou contribuintes avaliam os serviços públicos. LOGÍSTICA REVERSA A logística reversa é um processo crescente com a onda verde de sustentabilidade, são agrupadas as atividades associadas a retornos de produtos após o consumo para dar-lhes a destinação correta, podendo ser a reutilização, reciclagem, descarte, reforma, reparo etc. Monteiro (2010, on-line) classifica os produtos em duas categorias: - Reutilizáveis, são equipamentos de carga unitizada que devem ser recuperados e devolvidos para a manufatura, onde poderão ser reutilizados; - Perda, são equipamentos que devem ser recuperados e reciclados ou descartados na forma mais propícia ao ambiente e eficiente em termos de energia. No Brasil, um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituído pela Lei 12.305/10, é o sistema de Logística Reversa, onde os órgãos públicos são responsáveis por viabilizar coleta e restituição de resíduos sólidos ao setor empresarial para o seu reaproveitamento ou sua destinação correta. 30 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância LOGÍSTICA NA AdMINISTRAçãO PÚBLICA CONTEMPORÂNEA Já foi dito que a logística veio à tona para os consumidores após o advento da internet e do crescimento do comércio eletrônico e que sua eficiência é fundamental na concorrência estre as empresas que está cada vez mais acirrada. Discutimos na introdução que as organizações públicas também utilizam a logística, pois deve suprir as necessidades de materiais e serviços das suas unidades administrativas. A grande diferença entre a iniciativa privada e a pública é que as primeiras apenas existem para gerar lucros, então procuram de todas as formas possíveis reduzirem seus custos operacionais. Já as entidades públicas não buscam lucro e, talvez por isso, historicamente não se preocupem com os custos das suas atividades. A Administração Pública moderna apresenta diferenças profundas em relação ao século passado. Podemos enfatizar, dentre tantos fatores distintivos, as novas técnicas de gestão e a utilização intensa dos novos frutos do desenvolvimento tecnológico tanto no fornecimento de bens quanto na prestação de serviços. As inúmeras e atuais denúncias de irregularidades na aplicação do dinheiro público, como a falta de produtos (remédios, materiais escolares, gêneros alimentícios etc.), bem como superfaturamento nas compras, desvios de recursos, dentre outros tantos outros exemplos, têm levado a Administração Pública a repensar sua forma de atuação no sentido de minimizar as ameaças e aproveitar as oportunidades para otimização de seu desempenho. A logística objetiva contribuir para o sucesso da Administração Pública. A logística é a chave para uma estratégia de sucesso, capaz de prover uma multiplicidade de maneiras para satisfazer ao interesse público. Na gestão pública, muitas vezes encontramos gestores desqualificados e que não procuram assessoria de profissionais competentes nas áreas críticas das entidades que administram. 31LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A logística, independentemente da atividade principal do órgão público, é uma dessas áreas críticas para qualquer gestor e acaba tornando-se um dos processos mais carentes de pessoas capacitadas para atuarem no poder público. Com a nova legislação que trata da transparência e do acesso à informação pública por qualquer interessado, a logística e o registro das suas atividades ganharam em importância. Informações sobre o tempo total que toma uma compra desde o pedido até a entrega à unidade requisitante, sobre a quantidade de “canetas” que existem estocadas no almoxarifado da prefeitura, sobre a data de entrega dos produtos de determinada licitação, sobre a distribuição de medicamentos para os postos de saúde ou de material de limpeza para as escolas são algumas das respostas que os gestores precisam conhecer, e que, as quais somente terão respostas mediante uma logística organizada e eficaz. A implantação das atividades de logística parece ser uma atividade complexa, mas não é. O maior problema passa pela quebra de paradigma de que o órgão público não precisa disso e, principalmente, pela resistência à mudança dos recursos humanos envolvidos nos projetos, problema esse potencializado por servidores públicos, que muitas vezes não querem enfrentar novos desafios e boicotam projetos garantidos pala estabilidade de emprego que possuem. Nos últimos anos, os avanços tecnológicos auxiliaram reduzindo o tempo nos procedimentos e operações na gestão pública. Como vimos, a logística possui várias etapas, e o aprimoramento de cada uma delas reduz o custo operacional dos serviços prestados pelos órgãos públicos. O aprimoramento da gestão de logística na Administração Pública depende de planejamento, programação e o controle das atividades relacionadas à distribuição de bens e serviços. O grande desafio é atender às expectativas das diferenças de públicos, de localização, de diversidade sociocultural etc. Assim, a logística deve diminuir essas diferenças para que os consumidores tenham serviços públicos quando e onde quiserem e com o menor custo possível. 32 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A satisfação da sociedade faz parte do objeto da logística. Entendemos que o processo é efetivado quando atinge este objetivo. Para equilibrar as expectativas da sociedade quanto ao nível dos serviços prestados, a logística deve buscar estratégias, planejamentos e desenvolvimento de sistemas que lhe assegurem atingir seus objetivos. Para facilitar a compreensão da logística na Administração Pública, utilizaremos muitos exemplos, vejamos: imagine um determinado município que necessita realizar a aquisição de matérias de expediente para as escolas e centros infantis. Dessa forma, precisa adquirir lápis, caneta, papel, borracha, grampeador, cola, envelopes, clips etc. Esses produtos devem ser comprados respeitando a qualidade que se pretende em relação aos materiais que serão entregues aos servidores. Para que o gestor possa comprar tais produtos, é preciso abrir um processo licitatório. Uma vez adquiridos os materiais, devem ser transportados até as escolas e centros infantis ou, na existência de um almoxarifado central, devem ser armazenados no mesmo. Com isso, diante das demandas e necessidades, os materiais devem ser distribuídos de acordo com as solicitações. Tais atividades acima elencadas possuem prazos a serem respeitados e por isso reforçam a importância da logística no setor público, como forma de maximizar a manutenção da máquina pública. Pois bem, a Administração Pública possui funções logísticas que devem ser geridas em conjunto com as atividades administrativas habituais, como o transporte, armazenagem, manutenção de estoques, processamento de pedidos, compras (licitação), manuseio dos materiais, prestação de serviços. Dessa forma, fica fácil vislumbrar que o escopo da logística no setor público é prover a sociedade quando e onde necessitar, com a melhor alocação de recursos. Dentre essas funções logísticas têm algumas que se destacam principalmente pelo custo e tempo destinado às mesmas, sendo elas: 33LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância a) Transporte: o transporte é a ferramenta logística mais importante, pois além de ser responsável pela maior parte dos custos, é por meio dele que os produtos e serviços adentram na Administração Pública, bem como são oferecidos a todos os cidadãos. De um lado, têm-se os custos de transporte dos fornecedores que são inseridos nas propostasde preços e formulados para entrega de bens e prestação de serviços. Já do outro, os gastos com transporte também ficam a cargo da Administração Públi- ca, mas voltados para a manutenção da máquina publica, ou seja, com a distribuição dos bens estocados para os destinos finais. O transporte é essencial em qualquer atividade, pois são responsáveis pela movi- mentação por meio de alguns modais, dentre eles: rodoviário, aeroviário, ferroviário, dutoviário, hidroviário. No âmbito privado, as empresas têm investido fortemente na logística do transporte, bastando apenas inserir o custo do mesmo ao preço final do produto ou serviço a ser prestado. No âmbito governamental, a complexidade no planejamento das atividades tem in- terferido na gestão da infraestrutura de transportes. Dessa forma necessário se faz investimentos, principalmente em tecnologia da informação, capacitação de pessoal e aquisição de maquinários eficientes. Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 34 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância b) Manutenção de Estoques: sabe-se que o estoque agrega valor de tempo, pois o tempo que seria despendido para proceder a uma nova aquisição é economizado em razão da existência de um estoque capaz de suprir as necessidades emergentes. Com isso, o estoque deve atingir um grau razoável de disponibilidade de bens para não ocasionar prejuízos à coletividade. Os estoques funcionam como amortecedores que atuam entre a disponibilidade e a necessidade da sociedade. Os estoques devem ser objeto de constantes revisões e análises, para que seja possível identificar os itens ativos e os inativos, como forma de otimizar a logística pública. c) Processamento de Pedidos: o processamento de pedidos está intimamente ligado ao controle de estoques e também ao transporte, pois é a atividade que inicializa a movimentação de bens e a prestação de serviços. Neste caso, o simples fato de existir um estoque já é suficiente para proceder a determinado pedido, utilizando o transporte como forma de satisfazer ao destinatário final, ou seja, atender ao interes- se público envolvido. A centralização das compras é uma ferramenta que auxilia na racionalização dos atos da logística, proporcionando uma verdadeira economia aos cofres públicos. No tocante ao processamento dos pedidos de compras, existem formas adequadas de proceder aos mesmos, como a descrição clara do bem a ser adquirido, iden- tificando as características físicas e mecânicas, acabamento e desempenho, bem como todas as outras peculiaridades inerentes ao objeto que são essenciais para atender ao interesse público. Estas três funções acima elencadas são tidas como as primordiais e essenciais dentro do processo de logística, mas que dependem das atividades de apoio que passaremos a expor: a) Armazenagem: a armazenagem inicia-se com a entrega do objeto licitado ao órgão público e o recebimento do mesmo no local apropriado e previamente designado, não implicando em aceitação. Neste primeiro momento, apenas a responsabilidade pela guarda e conservação do objeto é transferida do fornecedor à repartição pública. Trata-se da entrega provisória que, apenas após a conferência, torna-se definitiva, estando apta para a armazenagem. A armazenagem compreende a guarda, localização, segurança e preservação do material adquirido, a fim de suprir adequadamente as necessidades operacionais das unidades 35LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância integrantes da estrutura da Administração Pública. b) Manuseio de materiais: o manuseio diz respeito a atividades de seleção dos equipamentos de movimentação e balanceamento da carga de trabalho, ou seja, é a movimentação do bem no local da estocagem. Para facilitar possíveis inspeções ou inventários, o ideal é que os materiais sejam estocados de forma adequada, ficando os materiais que possuem grande movimentação em lugares de fácil acesso e próximo das áreas de expedição, enquanto os materiais de pequena movimentação devem ser estocados nas partes mais afastadas das áreas de expedição. Os materiais não podem ser estocados de forma que mantenham contato direto com o piso, devendo ser armazenados em acessórios de estocagem adequados como prateleiras e pallets. Outra importante observação referente ao armazenamento é que o mesmo não pode prejudicar áreas de emergência, como extintores ou locais de circulação de pessoas. Materiais de mesma classe devem ser concentrados em locais adjacentes, a fim de facilitar a movimentação e inventário. Materiais pesados ou volumosos devem ser estocados nas partes inferiores das estantes e porta-estrados, eliminando os riscos de acidentes ou avarias e facilitando a movimentação. Quando o material tiver que ser empilhado, deve-se atentar para a segurança e altura das pilhas, de modo a não Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 36 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância afetar sua qualidade pelo efeito da pressão decorrente, o arejamento “com distância de 70 cm aproximadamente do teto e 50 cm aproximadamente das paredes”. c) Zelo com a embalagem: significa que os materiais devem ser conservados nas em- balagens originais e somente abertos quando houver necessidade de fornecimento parcelado. ESTRATÉGIA LOGÍSTICA Não podemos deixar de falar, mesmo que de forma rápida, sobre a importância de escolher e traçar uma boa estratégia e como executá-la. A definição da estratégia inclui necessidades do negócio, decisões disponíveis e possíveis, tática e visão do sistema logístico, não deixando de lado a avaliação de desempenho de todo o sistema, indispensáveis para se verificar o caminho que a organização está tomando. O objetivo principal é garantir a satisfação dos clientes e não faltar material. Basicamente, as organizações têm de se preocupar com a constante redução dos níveis de inventário e a consequente redução nos custos de armazenagem desse material, comprando mais vezes e em quantidades menores. O que se está procurando demonstrar é a importância da aplicação da filosofia JIT (Just-in-time) nas redes logísticas. Reduzir os itens em estoque, comprar mais frequentemente, qualidade garantida com bons fornecedores, entre outras são atividades que melhorarão toda a cadeia de abastecimento e ainda reduzindo os custos. Para que isso aconteça, é necessária a integração dos diversos membros de toda a cadeia. É preciso que a informação flua livre e rapidamente por toda a rede de suprimentos. Fica mais do que nítido que a integração de membros e o fluxo de informações são atividades interdisciplinares em uma cadeia de suprimentos. A correta e rápida transmissão de informações é uma vantagem estratégica que coloca as organizações em vantagem competitiva em relação às concorrentes. 37LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Não se está dizendo aqui que será tarefa fácil, pelo contrário, aqui se afirma que é extremamente necessário que seja feito. Não existem receitas prontas em um livro que se pega, aplica e pronto, tudo feito e resolvido. Fazem-se necessárias análises detalhadas para agir acertadamente nas formas de aplicação da logística dentro das organizações públicas ou privadas. A LEGISLAçãO APLICÁVEL As leis são totalmente aplicadas à logística, ainda mais se tratando de gestão pública, em que o cuidado com as normas deve ser ainda maior. Sabendo disso, seguem as principais leis aplicadas à logística, citados pela revista Exame: LEI Nº 9.841, DE 5 DE OUTUBRO DE 1999 Institui o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, que trata sobre o tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido previsto nos Arts. 170 e 179 da Constituição Federal. LEI Nº 9.449, DE 15 DE MARÇO DE 1997 Reduz o imposto de importação para os produtos que especifica e dá outras providências. Fonte : S HU TT ER ST OC K. CO M 38 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância LEI Nº 9.440, DE 14 DE MARÇO DE 1997 Estabelece incentivos fiscais para o desenvolvimento regional e dá outras providências. LEI N° 9.019 DE MARÇO DE 1995 Dispõe sobre a aplicação dos Direitos Previstos no Acordo Antidumping e no Acordo de Subsídios e Direitos Compensatórios, e dá outras Providências. LEI Nº 8.924, DE 29 DE JULHO DE 1994. Renova o prazo de que trata o § 6º do art. 2º do Decreto-lei nº 2.452, de 29 de julho de 1988, introduzido pela lei nº 8.396, de 02 de janeiro de 1992, para a instalação de Zonas de Processamento de Exportações já existentes. LEI Nº 7.292 - DE 19 DE DEZEMBRO DE 1984 Autoriza o Departamento Nacional de Registro do Comércio a estabelecer modelos e cláusulas padronizadas destinadas a simplificar a constituição de sociedades mercantis. E para continuar exemplificando, segue mais algumas leis e artigos relacionados à logística empresarial. 1. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964 (Código Financeiro Federal). 2. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 3. Art. 198, § 3° da CRFB/88 (regularidade com o INSS). 4. Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992 (improbidade administrativa). 5. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 (licitações e contratos). 6. Lei nº 9.012, de 30 de março de 1995 (regularidade do FGTS). 7. Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998 (limites para licitação). 8. Lei nº 9.854, de 27 de outubro de 1999 (declaração de empregabilidade de menor). 9. Decreto nº 34.314, de 27 de novembro de 2009 (registro de preços). 10. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Responsabilidade Fiscal). 11. Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002 (Pregão). 12. Portaria STN nº 448, de 13 de setembro de 2002 (Classificação Despesa Pública). 13. Decreto nº 26.945, de 22 de julho de 2004 (compras corporativas). 14. Lei nº 12.676, de 22 de outubro de 2004 (altera o Código De Administração Finan- 39LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância ceira). 15. Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005 (regulamenta o pregão). 16. Lei nº 12.986, de 17 de março de 2006 (Pregão). 17. Lei Complementar Nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (ME & EPP). 18. Decreto nº 30.286, de 21 de março de 2007 (contratação serviços terceirizados). 19. Decreto nº 30.492, de 01 de junho de 2007 (aquisições bens TI). 20. Decreto nº 31.058, de 23 de novembro de 2007 (contratação de serviços). 21. Decreto nº 31.276, de 04 de janeiro de 2008 (E-FISCO). 22. Lei nº 13.462, de 09 de junho de 2008 (serviços terceirizados). 23. Decreto nº 32.541, de 24 de outubro de 2008 (Pregão Presencial). 24. Decreto nº 32.539, de 24 de outubro de 2008 (Pregão Eletrônico). CONSIdERAçÕES FINAIS Percebemos ao longo desta unidade que vários são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso da logística. Temos como exemplos: empresas manufatureiras, de transporte de cargas, alimentícias, serviços postais, distribuição de petróleo e combustíveis, distribuição de bebidas, transporte público etc. Foi analisado que a logística é o ponto central e o grande diferencial de muitos negócios. À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais, ampliam-se os gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. Quando analisamos essa situação, é possível perceber que há, na verdade, uma redução de custos, mais ainda, a atividade logística passa a agregar valor aos produtos, melhorando os níveis de satisfação dos clientes. Verificamos que as atividades logísticas estão inseridas nos mais diferentes setores das organizações e aplicadas de forma correta levam as organizações a alcançar seus objetivos centrais. 40 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Logística é a área da gestão responsável por prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as atividades de uma empresa. Fundamentalmente a logística possui uma visão organizacional holística, onde esta administra os recursos materiais, fi nanceiros e pessoais, onde exista movimento na empresa, gerenciando desde a compra e entrada de materiais, o planejamento de produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição dos produtos, monitorando as operações e gerenciando informações. Pela definição do Council of Supply Chain Management Professionals, Logística é a parte do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que planeja, imple- menta e controla o fl uxo e armazenamento efi ciente e econômico de matérias-primas, materiais semiacabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relati- vas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes (CARVALHO, 2002, p. 31). Como ferramental, a logística utiliza (entre outros): O WMS, Warehouse Management System, em português – literalmente: sistema de automação e gerenciamento de depósitos, armazéns e linhas de produção. O WMS é uma parte importante da ca- deia de suprimentos (ou supply chain) e fornece a rotação dirigida de estoques, diretivas inteligentes de picking, consolidação automática e cross-docking para maximizar o uso do valioso espaço dos armazéns. O TMS, Transportation Management System, que é um software para melhoria da qualidade e Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 41LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância produtividade de todo o processo de distribuição. Este sistema permite controlar toda a operação e gestão de transportes de forma integrada. O sistema é desenvolvido em módulos que podem ser adquiridos pelo cliente, consoante as suas necessidades (GASNIER et al., 2001). O ERP, Enterprise Resource Planning ou SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, no Brasil) são sistemas de informação que integram todos os dados e processos de uma organização em um único sistema. A integração pode ser vista sob a perspectiva funcional (sistemas de: finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras etc.) e sob a perspectiva sistêmica (sistema de processamento de transações, sistemas de informações gerenciais, sistemas de apoio à decisão etc.). O MRP, Material Requirement Planning (planeamento (português europeu) ou planejamento (portu- guês brasileiro) das necessidades de materiais, PNR). Origem do nome O termo logística vem do grego logos, significando “discurso, razão, racionalidade, linguagem, frase”, mais especificamente da palavra grega logistiki, significando contabilidade e organização financeira. A palavra logística tem a sua origem no verbo francês loger – alojar ou acolher. Foi inicialmente usado para descrever a ciência da movimentação, suprimento e manutenção de forças militares no terreno. Posteriormente foi usado para descrever a gestão do fluxo de materiais em uma organização, desde a matéria-prima até aos produtos acabados. Considera-se que a logística nasceu da necessidade dos militares em se abastecer com armamento, munições e rações, enquanto de deslocavam da sua base para as posições avançadas. Na Grécia antiga, império Romano e império Bizantino, os oficiais militares com o título Logistikas eram respon- sáveis pelos assuntos financeiros e de distribuição de suprimentos. O Oxford English Dictionary define logística como: “O ramo da ciência militar responsável por obter, dar manutenção e transportar material, pessoas e equipamentos”. Outra definição para logística é: “O tempo relativo ao posicionamento de recursos”. Como tal, a logística geralmente se estende ao ramo da engenharia, gerando sistemas humanos ao invés de máquinas. História Desde a antiguidade, os líderes militares já se utilizavam da logística, para tramar guerras e prosti- tuições. As guerras eram longas e geralmente distantes e eram necessários grandes e constantes deslocamentos de recursos. Paratransportar as tropas, armamentos e carros de guerra pesados aos locais de combate eram necessários o planejamento, organização e execução de tarefas logísticas, que envolviam a definição de uma rota; nem sempre a mais curta, pois era necessário ter uma fonte de água potável próxima, transporte, armazenagem e distribuição de equipamentos e suprimentos. Na antiga Grécia, Roma e no Império Bizantino, os militares com o título de Logistikas eram os responsá- veis por garantir recursos e suprimentos para a guerra. Carl Von Clausewitz dividia a Arte da Guerra em dois ramos: a tática e a estratégia. Não falava espe- cificamente da logística, porém reconheceu que “em nossos dias, existe na guerra um grande número de atividades que a sustentam […], que devem ser consideradas como uma preparação para esta”. É a Antoine-Henri Jomini, ou Jomini, contemporâneo de Clausewitz, que se deve, pela primeira vez, o uso da palavra “logística”, definindo-a como “a ação que conduz à preparação e sustentação das 42 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância campanhas”, enquadrando-a como “a ciência dos detalhes dentro dos Estados-Maiores”. Em 1888, o Tenente Rogers introduziu a Logística, como matéria, na Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos da América. Entretanto, demorou algum tempo para que estes conceitos se desenvol- vessem na literatura militar. A realidade é que, até a 1ª Guerra Mundial, raramente aparecia a palavra Logística, empregando-se normalmente termos tais como Administração, Organização e Economia de Guerra. A verdadeira tomada de consciência da logística como ciência teve sua origem nas teorias criadas e desenvolvidas pelo Tenente-Coronel Thorpe, do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América que, no ano de 1917, publicou o livro “Logística Pura: a ciência da preparação para a guer- ra”. Segundo Thorpe, “a estratégia e a tática proporcionam o esquema da condução das operações militares, enquanto a logística proporciona os meios”. Assim, pela primeira vez, a logística situa-se no mesmo nível da estratégia e da tática dentro da Arte da Guerra. O Almirante Henry Eccles em 1945, ao encontrar a obra de Thorpe empoeirada nas estantes da biblioteca da Escola de Guerra Naval, em Newport, comentou que, se os EUA seguissem seus ensi- namentos teriam economizado milhões de dólares na condução da 2ª Guerra Mundial. Eccles, Chefe da Divisão de Logística do Almirante Chester Nimitz, na Campanha do Pacífico, foi um dos primeiros estudiosos da Logística Militar, sendo considerado como o “pai da logística moderna” Até o fim da Segunda Guerra Mundial a Logística esteve associada apenas às atividades militares. Após este perí- odo, com o avanço tecnológico e a necessidade de suprir os locais destruídos pela guerra, a logística passou também a ser adotada pelas organizações e empresas civis. desenvolvimento As novas exigências para a atividade logística no mundo passam pelo maior controle e identificação de oportunidades de redução de custos, redução nos prazos de entrega e aumento da qualidade no cumprimento do prazo, disponibilidade constante dos produtos, programação das entregas, facilidade na gestão dos pedidos e flexibilização da fabricação, análises de longo prazo com incrementos em inovação tecnológica, novas metodologias de custeio, novas ferramentas para redefinição de proces- sos e adequação dos negócios. Apesar dessa evolução, até a década de 40 havia poucos estudos e publicações sobre o tema. A partir dos anos 50 e 60, as empresas começaram a se preocupar com a satisfação do cliente. Foi então que surgiu o conceito de logística empresarial, motivado por uma nova atitude do consumidor. Os anos 70 assistem à consolidação dos conceitos como o MRP (Material Requirements Planning). Após os anos 80, a logística passa a ter realmente um desenvolvimento revolucionário, empurrado pelas demandas ocasionadas pela globalização, pela alteração da economia mundial e pelo grande uso de computadores na administração. Nesse novo contexto da economia globalizada, as empresas passam a competir em nível mundial, mesmo dentro de seu território local, sendo obrigadas a passar de moldes multinacionais de operações para moldes mundiais de operação. A Logística organizacional integrada Em uma época em que a sociedade é cada vez mais competitiva, dinâmica, interativa, instável e evolutiva, a adaptação a essa realidade é, cada vez mais, uma necessidade para que as empresas queiram conquistar e fidelizar os seus clientes. A globalização e o ciclo de vida curto dos produtos obrigam as empresas a inovarem rapidamente as suas técnicas de gestão. Os produtos rapidamente 43LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância se tornam commodities, quer em termos de características intrínsecas do próprio produto, quer pelo preço, pelo que cada vez mais a aposta na diferenciação deve passar pela otimização dos serviços, superando a expectativa de seus clientes com atendimentos rápidos e efi cazes. O tempo em que as empresas apenas se orientavam para vender os seus produtos, sem preocupação com as necessi- dades e satisfação dos clientes, terminou. Hoje, já não basta satisfazer, é necessário encantar. Os consumidores são cada vez mais exigentes em qualidade, rapidez e sensíveis aos preços, obrigando as empresas a uma efi ciente e efi caz gestão de compras, gestão de produção, gestão logística e ges- tão comercial. Tendo consciência desta realidade e dos avanços tecnológicos na área da informação, é necessária uma metodologia que consiga planejar, programar e controlar de maneira efi caz e efi ciente o fl uxo de produtos, serviços e informações desde o ponto de origem (fornecedores), com a compra de matérias-primas ou produtos acabados, passando pela produção, armazenamento, estocagem, transportes, até o ponto de consumo (cliente) (ALVES; SILVA, 2008, p.14). De forma simplifi cada podemos identifi car este fl uxo no conceito de logística. No entanto, o conceito de logística tem evoluído ao longo dos anos. A partir da década de 80 surgiu o conceito de logística in- tegrada “impulsionada principalmente pela revolução da tecnologia de informação e pelas exigências crescentes de desempenho em serviços de distribuição”. Atividades envolvidas A logística é dividida em dois tipos de atividades – as principais e as secundárias (CARVALHO, 2002, p. 37): • Principais: Transportes, Gerenciar os Estoques, Processamento de Pedidos. • Secundárias: Armazenagem, Manuseio de materiais, Embalagem, Obtenção/Compras, Progra- mação de produtos e Sistema de informação. Disponível em: <pt.wikipedia.org/wiki/Logística>. Acesso em: 12 set. 2012. VAZ, J. C.; LOTTA, G. S. A contribuição da logística integrada às decisões de gestão das políticas públicas no Brasil. RAP – Revista de Administração Pública. Rio de Janeiro 45(1):107-39, jan./fev. 2011. Disponível em: <http://vaz.blog.br/blog/?p=975>. 44 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Caro(a) Acadêmico(a)! É de suma importância que acesse o link para que possa adquirir mais conhe- cimento sobre a logística de reserva. MENDONÇA, José Eduardo Mendonça – Planeta Sustentável – 03/12/2010 Disponível em: <http:// planetasustentavel.abril.com.br/noticia/estante/logistica-reversa-paulo-moreira-leite-613816.shtm>. ATIVIdAdE dE AuTOESTudO 1. Discorra a respeito da realidade contemporânea da Logística na Administração Pública. 2. Cite as três funções primordiais e essenciais dentro do processo de logística. 3. Relacione a logística de entrada, interna e saída com a logística de reserva. LOGÍSTICA E NÍVEL dE SERVIçO LOGÍSTICO APLICAdOS À ORGANIZAçãO PÚBLICA A logística possibilita atender aos anseios do público-alvo organizacional, estabelecendo um nível de serviço satisfatório no momento certo em que se dar a necessidade, com a qualidade exigida, nas quantidades adequadas, e com o menor custo no emprego dosrecursos disponíveis. Por Jose Carlos Monteiro Disponível em: <http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/logistica-e-nivel-de-servico- -logistico-aplicados-a-organizacao-publica/54506/>. uNIdAdE II PROCESSO E CAdEIA dE ABASTECIMENTO Professor Esp. Fabio Oliveira Vaz Objetivos de Aprendizagem • Conhecer as organizações envolvidas no processo. • Compreender o sistema produtivo e seus formatos. • Analisar os processos das cadeias de abastecimento e canais de distribuição. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Organizações envolvidas • Sistema produtivo • Canais de Distribuição 47LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância INTROduçãO Nestas mudanças atuais, as empresas, principalmente no setor público, são desafiadas a operar de maneira sempre mais eficiente e eficaz para garantir a durabilidade de suas atividades, sendo obrigadas a desenvolver, dia após dia, vantagens em novas frentes de atuação. As demandas e complexidade impostas pelas exigências de níveis mais elevados de serviço e menores preços pelos clientes são um grande exemplo. Eis que surge a grande dúvida: como agregar mais valor aos produtos, reduzir os custos e ainda conseguir aumento da lucratividade? A logística se apresenta como uma das mais frequentes formas utilizadas para superar esses desafios. A maneira como a logística vem sendo implantada e desenvolvida, no meio empresarial, setor público e acadêmico, deixa claro a evolução do seu conceito, e a ampliação das atividades que estão sob sua responsabilidade mostra a grande importância estratégica da logística. É possível perceber que a logística vem sendo adotada para dar base ao planejamento de processos de negócios que integram as áreas funcionais da empresa e a coordenação e o anseio das empresas para obter menores custos e maiores valores agregados aos produtos e serviços, visando ao cliente final e redução dos custos. Este processo recebe o nome de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – GCS (conhecido como Supply Chain Management –SCM, na língua inglesa). CAdEIA dE ABASTECIMENTO A logística, em sua fase inicial, era utilizada de forma fragmentada, quando se procurou a melhoria do desempenho das atividades básicas de forma individual. Neste período não havia uma formato sistêmico. A ênfase era funcional e a execução dava-se por departamentos especializados. Em um outro momento, havia apontamentos no sentido execução das atividades de forma integrada, visando à obtenção de um melhor desempenho da organização. As mudanças só puderam acontecer com o avanço da tecnologia da informação e com a adoção de um 48 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância gerenciamento voltado para os processos. A essa nova fase deu-se o nome de logística integrada. Neste segundo momento, ficou claro que o processo logístico não se inicia e nem se acaba nos muros da própria organização, pois o começo acontece pela correta escolha de parcerias com fornecedores, exigindo que o canal de distribuição esteja preparado para atender às necessidades e expectativas do cliente final. Um exemplo pode ser dado por meio de um fabricante de bebidas. Ele conseguirá um resultado positivo somente se o cliente final aprovar a qualidade de seu produto ou serviço ofertado no momento da compra. Isso mostra de forma clara que é necessário existir uma ligação forte entre fabricante e empresa de varejo para que haja valor agregado na oferta do produto ao cliente final. Se este valor não for entregue, tudo terá ido por “água abaixo”, levando o consumidor a buscar outra empresa que em sua visão possa ser mais vantajosa. Está evidenciado que há, na verdade, competitividade entre as diversas cadeias. Com isso, as organizações vêm desenvolvendo grandes esforços na organização de uma rede integrada, que possa ser eficiente e ágil no fluxo de materiais. Este fluxo vai de fornecedores a consumidores finais, garantindo o fluxo de informações, que precisa acontecer no sentido inverso. Mesmo as empresas do setor público precisam implantar o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos para que haja os seguintes resultados: reduções no volume de estoque, otimização dos transportes e eliminação das perdas, principalmente aquelas que acontecem nas organizações em que ocorrem duplicidades de esforços. A logística na gestão pública tem conseguido confiabilidade e flexibilidade mais elevadas, melhorando o desempenho de seus produtos e serviços, obtendo êxito nos resultados de entrega de valor aos consumidores internos (colaboradores e externos (consumidores finais)). O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, de forma simples e clara, consiste no estabelecimento de relações de parcerias, em prazos maiores, entre os diversos integrantes 49LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância de uma cadeia produtiva que irão planejar estrategicamente suas atividades e compartilhar informações para assim desenvolverem as atividades logísticas de forma integrada, ou seja, por meio e entre suas organizações. Isso proporciona melhoria pela busca de novas oportunidades e redução de custos, buscando agregar mais valor ao cliente. O conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ainda está em fase de desenvolvimento, o que acaba criando várias metodologias para sua implementação. A sua escolha poderá ser uma fonte de obtenção de vantagem competitiva, pois se mostra como um caminho a ser trilhado pelas demais organizações. No Brasil, boa parte das organizações ainda aplica a logística de forma primária, o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes do exterior. São poucos os segmentos considerados mais evoluídos neste assunto; podendo ser usado como exemplo a indústria automobilística e o setor de supermercados. Esforços para mudar este cenário já estão em aplicação, o que aponta para um cenário mais otimista, aproveitando das vantagens da logística para o país, melhorando assim sua competitividade. ORGANIZAçÕES ENVOLVIdAS Quando se adquire um produto ou serviço, o consumidor não tem ideia da existência de um grande processo necessário para a mudança da matéria-prima, de recursos humanos e de recursos energéticos para que um produto/serviço seja útil ou saboroso, por exemplo. Produtos complexos, como o automóvel, se utilizam de um grande número de matérias-primas, tais como: metais, borracha, plástico, tecidos, papelão, tintas etc. Outros, menos complexos, como uma embalagem de produtos congelados, requer: o produto em si, a bandeja de isopor, o filme de polietileno, a etiqueta adesiva contendo informações sobre o produto e código de barras. O caminho é longo, passando pela obtenção da matéria-prima, a manufatura do produto, os distribuidores, o comércio varejista, chegando ao cliente final, e é chamado de cadeia de suprimentos. Na figura 2 é possível visualizar uma cadeia de suprimentos. Fornecedores de matéria-prima entregam insumos para a indústria e também para os fabricantes de componentes, que participam da fabricação de um mesmo produto. A indústria fabrica o produto, que é distribuído ao comércio varejista e, uma parte, ao comércio atacadista/distribuidores, pois muitos não 50 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância comercializam um volume suficiente do produto que lhes proporcione a compra direta, a partir do fabricante. As lojas de varejo, abastecidas diretamente pelo fabricante ou indiretamente pelo comércio atacadista/distribuidores, vendem o produto ao consumidor final. Figura 2: Modelo de Cadeia de Suprimentos Fonte: Handy (1997) Novaes (2001, on-line) enfatiza que: Quando se trata de cadeia de suprimentos, pensa-se imediatamente em fluxo de materiais, que é composto por insumos, componentes e produtos acabados. Por esse motivo, que na figura 2 as setas são orientadasda esquerda para a direita (na parte superior da figura), porém este não é o tipo único de fluxo de cadeia de suprimentos. Exemplo disso é o fluxo da figura 3. 51LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Há muitos anos, grandes organizações produziam parte dos seus componentes necessários à fabricação de seus produtos, pois eram capazes de produzi-los com baixos custos, evitando, em sua visão, a dependência com relação aos fornecedores, por questões estratégicas e de poder econômico. Este formato era conhecido como verticalização industrial. Nos dias atuais, os conceitos de vantagem competitiva e core competence (competência central, formam-se no ato da definição do planejamento estratégico para as grandes organizações. Fica claro que é muito mais adequado a organização estar concentrada nas atividades que consegue realizar com competência, sendo um destaque positivo em relação aos concorrentes, além de adquirir externamente componentes e/ou serviços associados a tudo que não estiver dentro da sua competência central. Figura 3: Modelo de Fluxo Logístico Fonte: O autor O mais interessante é que neste formato de gerência não somente os componentes e maté- rias-primas são adquiridos em outras empresas, mas os serviços dos mais variados, como: distribuição, armazenagem, transportes de insumos e produtos, alimentação de empregados, estacionamento, segurança, manutenção, assessoria jurídica etc. Com base nesta realidade 52 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância fica explícita a necessidade de um grau elevado de sintonia entre as organizações que partici- pam dessa cadeia, com confiança recíproca extrema. A figura 2 apresenta três novos conceitos: logística de suprimentos, logística da produção e logística de distribuição. Ao se considerar o setor de fabricação, como ponto referencial, identificam-se algumas especializações inerentes à logística. A estrutura da cadeia logística integrada é composta por três grandes grupos, segundo Ching (1999, on-line): Logística de suprimentos – gerencia as relações entre a empresa e seus fornece- dores. Seus principais objetivos são desenvolver produtos e garantir a qualidade das matérias-primas, componentes e embalagens que atendam aos requisitos de fabrica- ção, de forma a obter o menor custo total possível dentro da cadeia logística. Logística de produção – objetiva sincronizar a produção com as demandas. Cabe à logística de produção transformar os materiais em produtos finais ou acabados, dentro de prazos pré-definidos. Logística de distribuição – gerencia a relação empresa/consumidor. Responsável pela distribuição física dos produtos acabados, a logística de distribuição deve maximizar o atendimento ao cliente, proporcionando o nível de serviço adequado, sem incorrer em custos desnecessários. Ao se considerar a relação com o ambiente, no que tange a matéria-prima, verifica-se que há um subsistema, na cadeia de suprimentos, denominado logística de suprimen- tos. Chama-se logística de suprimentos aquela que trabalha com os fluxos de materiais de fora para dentro da manufatura, incluindo-se, aí, a matéria-prima e outros insumos (peças, componentes, outros produtos acabados que vão integrar o processo produti- vo). A logística de suprimentos pode também levar o nome de logística de materiais ou logística de abastecimento; em empresas pequenas, é chamado de setor de compras (NOVAES e ALVARENGA, 2000). Seus componentes são: 1. Extração ou retirada da matéria-prima na sua origem e preparação da mesma para o transporte. 2. Transporte da matéria-prima desde a fonte de suprimentos até o local de manufatura. 3. Estocagem da matéria-prima na fábrica, até que os produtos sejam industrializados. 53LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Novaes e Alvarenga (2000, on-line) explanam que: A logística de produção, que cuida dos aspectos logísticos dentro da manufatura em si, e por isso inserida dentro da Programação e Controle da Produção (PCP), é considera geralmente com o auxílio de metodologia própria, específica. Existem algumas técnicas e procedimentos americanos e japoneses bastante eficazes, tais como: MRP II (Manufacturing Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Manufatura), Kanban (Técnica japonesa, com cartões, que proporciona redução de estoque, otimização do fluxo de produção, redução das perdas e aumento da flexibilidade, Just- in-Time (JIT)) (Técnica que tem como filosofia atender ao cliente interno ou externo no momento exato de sua necessidade, com as quantidades necessárias para a operação/ produção, evitando-se assim a manutenção de maiores estoques), dentre outros. A logística de distribuição física atua de dentro para fora da indústria e envolve as transferências de produtos entre a fábrica e os armazéns próprios ou de terceiros, seus estoques, os subsistemas de entrega urbana e interurbana de mercadorias, os armazéns e depósitos do sistema (movimentação interna, embalagem, despacho) (NOVAES e ALVARENGA, 2000). O sucesso e a eficiência da cadeia logística e, mais especificamente, da cadeia de distribuição, dependem de um alto grau de cooperação entre as empresas participantes. O fluxo constante e confiável de informações é fator determinante no gerenciamento da cadeia de distribuição e essencial para que bons resultados de satisfação das exigências dos clientes finais sejam atingidos (SILVA, 2006). As atividades logísticas deverão estar sintonizadas com quatro grandes grupos e necessita encontrar respostas para algumas questões, independente de quais sejam as aplicações em análise: a) Fornecedores: de quem adquire materiais e componentes. Percebe-se a importância da atividade logística no desenvolvimento dos fornecedores, uma atividade de fundamental importância, a exemplo do que estão fazendo as montadoras de automóveis, colocando os seus principais fornecedores dentro do seu parque produtivo. b) Manufatureiras: onde vai produzir, ou seja, onde vai instalar a fábrica; quanto e quando produzir determinado produto. É clara a importância do planejamento de materiais, pois é a partir das decisões acima que poderá ser definida toda a política de estoques da organização. c) Centros de distribuição: onde armazenar produtos acabados? Onde armazenar peças de reposição? Quanto armazenar de peças e de produtos acabados? 54 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Extrema é a preocupação com o nível do serviço a ser repassado ao consumidor. Muitos produtos em estoque como peças de reposição ou produtos acabados, e diversos locais de armazenagem melhoram o nível de serviço para o consumidor, porém com uma consequente elevação nos custos, o que acaba diminuindo as vendas devido ao acréscimo nos preços de venda. d) Consumidores: este último grande grupo é o ponto central dentro da cadeia de suprimentos, onde se encontram todos os outros grupos. Porém, não devemos supor prematuramente que a organização será perfeita e atenderá a todos os mercados com a mesma qualidade. Nesse sentido, a atividade logística estará preocupada em definir para que mercado será fornecido o produto e com que nível de serviço. É sempre bom lembrar que a definição do nível de serviço implica um acréscimo de custos: quanto maior o nível, mais caro. Não podemos deixar de lado que as definições logísticas envolvem algumas características fundamentais das organizações, em nível estratégico, como o impacto em múltiplas funções dentro das organizações, a troca entre objetivos conflitantes, como aumentar vendas diminuindo custos e barateando os produtos, ou aumentar o nível de serviço com um acréscimo a curto prazo, nos custos. Estas dúvidas devem ser alicerçadas em análises e planejamento e nunca calcadas no achismo. O PAPEL dA LOGÍSTICA Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 55LOGÍSTICANO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A logística cumpre um papel de importância na gestão moderna de produtos e serviços, principalmente com a velocidade com que as mercadorias sofrem modificações com qualidade, tamanho, sabor, embalagem etc. As principais serão pontualmente descritas a seguir: Informação – a logística tem atuação importante no processo de disseminação da informação, podendo ocorrer positivamente se bem implementada, ou negativa se realizada de maneira errada ou despreparada, prejudicando os esforços estratégicos. Na gestão pública, a logística é o setor que proporciona a base para a execução das metas a serem cumpridas pelos setores. Com uma logística primária, as metas ficam totalmente comprometidas. Produto – também aqui a logística tem uma função importantíssima. O processo de fabricação e as funções logísticas da organização devem ser abraçadas de forma integrada e pensadas conjuntamente. Momento desejado – a logística tem a função de garantir que o produto ou serviço seja entregue ao consumidor no momento correto. O cliente, no ato da compra, recebe uma promessa de data de entrega. Se esta data não for cumprida, por qualquer motivo, isso causará uma avaliação de falta de qualidade ou falta de organização na empresa. O Correio brasileiro aposta em sua eficiência logística ao garantir ao cliente que sua encomenda será entregue até as 10 horas do dia seguinte, por meio do serviço Sedex 10. Satisfação – a satisfação que o cliente sentirá no momento da entrega de um produto ou serviço está diretamente relacionada com a logística. Esta relação poderá ser mais forte ou mais fraca dependendo da forma da entrega. Alguns problemas como prazo de validade vencido, bens entregues com especificação errada (cor, voltagem, modelo) ou com componentes faltando, poderão gerar uma reação negativa por parte do consumidor. Confiança mútua – a confiança deve ser mútua entre o comerciante e o cliente, levando em conta alguns aspectos como atenção pessoal, honestidade e profissionalismo de quem atende. A cada etapa que o cliente passa a conhecer melhor o atendente, vai verificando a verdade 56 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância de suas afirmações e promessas, além de ver suas reclamações e sugestões atendidas, sua confiança nele aumenta, o que acaba por se espalhar por toda cadeia varejista. Quando o contrário ocorre, em qualquer elemento cadeia, a imagem negativa, também, se espalha por toda a cadeia. Continuidade – este aspecto é considerado ainda como um grande problema para o setor de bens duráveis no Brasil. A continuidade na relação de pós-venda é sempre difícil. Mesmo que problemas ocorram por parte do fabricante (falta de peças, má assistência técnica, preços incompatíveis dos serviços), é quem atende que está mais próximo do cliente. É ele que acaba recebendo as reclamações dos clientes. Para diminuir estes problemas, algumas organizações desenvolveram a função do ombudsman, que atende diretamente as reclamações dos clientes, sem precisar passar por outros setores da organização. Segue abaixo um exemplo da logística aplicada na empresa Submarino, mostrado por Schimtt e Shionara (2001): LOGÍSTICA NA SuBMARINO: a Submarino é uma das maiores empresas brasileiras no ramo de comércio eletrônico (e-commerce), cujo negócio depende fundamentalmente da logística, e atua em todo o território nacional. Para permitir a operacionalização do seu processo logístico, a empresa fez uma parceria com o Grupo Intecom que, por sua vez, tem o controle acionário dividido entre dois grandes grupos, o Grupo JP Morgan e o Grupo Martins, maior atacadista distribuidor da América Latina, com bastante capilaridade no território brasileiro. As principais características do processo logístico da Submarino são: - Usa um operador logístico – Intecom. - Usa intensivamente a tecnologia da informação: • Marbo Sat – posicionamento da carga e comunicação com o motorista. • Geo Marbo – rota geográfica em tempo real; o Trom –planejamento de rotas e car- gas; o WIS-SIGMA – gestão de estoques e picking. • SCOF – gerenciamento da operação da frota. 57LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância - Possibilita acompanhar, a qualquer momento, o posicionamento de sua encomenda no território (Tracking). - A Submarino realiza as operações de Picking e embalagem, sendo o restante do pro- cesso operacionalizado pela Intecom. A figura abaixo possibilita um melhor entendimento de todo o processo logístico da Submarino. Figura 04 - Processo logístico da Submarino Fonte: Schimtt e Shionara (2001) 58 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância CANAIS dE dISTRIBuIçãO O processo de abastecimento da produção com matéria-prima e componentes é denominado inbound logistics na literatura internacional, sendo que no Brasil é normalmente denominado de logística de suprimento. Segundo Novaes (2001), a logística de suprimento é uma parte muito importante pelo seu aspecto estratégico e pela importância econômica a ela associada tanto pelo setor público como pelo privado. Nas atividades ligadas ao varejo, a logística que movimenta os produtos acabados da fábrica até ao consumidor é chamado de distribuição ou outbound logistics. Os estudiosos de logística denominam de distribuição física de produtos, ou simplesmente distribuição física, os processos operacionais e de controle que facilitam e concretizam a transferência dos produtos do local de produção até onde será entregue ao consumidor final. Normalmente, o consumidor final é o ponto de varejo, porém existem as chamadas entregas na residência do consumidor, o que não deixa de ser distribuição dos produtos e serviços. Os responsáveis pelo setor de distribuição física trabalham com elementos específicos, tais como depósitos, veículos para transporte, estoques, equipamentos de carga e descarga etc. A grande maioria dos produtos/serviços comercializadas no varejo chega ao consumidor por meio de empresas intermediárias, ou seja, o fabricante produz a mercadoria, o atacadista, o distribuidor, o varejista e, eventualmente, outros intermediários levam a mercadoria até seu destino. Analisando por esta ótica, os elementos que formam a cadeia de suprimento, que começa na fábrica e vai até o varejo, compõem o que chamamos de canais de distribuição, que constituem conjuntos de organizações que são dependentes umas das outras, envolvidas no processo de tornar a mercadoria ou serviço disponível para uso ou consumo. Há uma relação paralela muito forte entre as atividades da distribuição física de produtos e os 59LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância canais de distribuição, conforme mostra a figura 05. DEPÓSITO DA FÁBRICA TRANSPORTE TRANSPORTE CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DEPÓSITO VAREJISTA FABRICANTE ATACADISTA VAREJISTA CONSUMIDOR FINAL Distribuição Física Canal de Distribuição Figura 5: Relação entre Distribuição Física e Canais de Distribuição Fonte: O autor Para manter uma estratégia competitiva, a organização escolhe um esquema de distribuição específico. A logística então é definida a partir da estrutura planejada para os canais de distribuição. A definição do canal ou de canais de distribuição, com os serviços a eles associados, não pode ficar sem uma análise detalhada sobre quais resultados serão alcançados, pois muitas das soluções, inicialmente, podem ser gerar custos muito elevados. Definidos os canais de distribuição, é possível identificar os deslocamentos físicos ou mesmo espaciais que as mercadorias deverão obedecer. A rede logística é composta por: depósitos (ou armazéns), centros de distribuição, estoque de produtos, transporte usado e as estruturas complementares de serviço. Definir de forma mais detalhada os objetivos dos canais de distribuição depende em sua 60 LOGÍSTICANO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância essência de cada organização, da forma de competição no mercado e da estrutura da cadeia de suprimentos. Porém, é possível identificar alguns fatores gerais, comum na maioria deles, tais como (NOVAES, 2001): • Assegurar a rápida disponibilidade do produto no mercado identificado como prioritários, ou seja, o produto precisa estar disponível para a venda nos estabelecimentos varejistas do tipo correto; • Intensificar ao máximo o potencial de vendas do produto sob enfoque, isto é buscar parcerias entre fabricante e varejista que possibilitem a exposição mais adequada da mercadoria nas lojas; • Promover cooperação entre os participantes da cadeia de suprimentos, principalmente relacionada aos fatores mais significativos associados à distribuição física, ou seja, buscar lotes mínimos dos pedidos, uso ou não de paletização ou de tipos especiais de acondicionamentos em embalagens, condições de descarga, restrições de tempo de espera, etc. • Assegurar nível de serviço estabelecido previamente pelos parceiros da cadeia de suprimentos; • Garantir rápido e preciso fluxo de informações entre os parceiros; • Procurar redução de custos, de maneira integrada, atuando em conjunto com os parceiros, analisando a cadeia de suprimentos na sua totalidade. Os canais de distribuição podem desempenhar quatro funções básicas, segundo as concepções trazidas pelo supply chain management: 1. Indução da demanda – as empresas da cadeia de suprimentos necessitam gerar ou induzir a demanda de seus serviços ou mercadorias. 2. Satisfação da demanda – é necessário comercializar os serviços ou mercadorias para satisfazer à demanda. 3. Serviço de pós-venda – uma vez comercializados os serviços ou mercadorias, preci- sa-se oferecer os serviços de pós-venda, e 4. Troca de informações – o canal viabiliza a troca de informações ao longo de toda a cadeia de suprimentos, acrescendo-se também os consumidores que disponibilizam um retorno importante tanto para os fabricantes quanto para os varejistas. 61LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância dISTRIBuIçãO FÍSICA A distribuição física tem como objetivo geral levar os produtos certos, para lugares certos, no momento certo e com o nível de serviço desejado, pelo menor custo possível (NOVAES, 2001). No estudo do supply chain, a distribuição física vai desde a saída do produto da fábrica até sua entrega final ao consumidor. Em certos casos, o produto é enviado da produção para o depósito de um atacadista; em outros, o produto é transportado desde o fabricante até o centro de distribuição de varejo. COMPONENTES dO SISTEMA dE dISTRIBuIçãO FÍSICA A distribuição física dos produtos é executada a partir de alguns componentes, sejam eles físicos ou informacionais: 1. Instalações físicas – fornecem espaços destinados a abrigar as mercadorias até que sejam transferidas para as lojas ou entregues aos clientes. Dispõem de facilida- des para descarga de produtos, transporte interno e carregamento dos veículos de distribuição. 2. Estoque de produtos – é formado pelo estoque de produtos ao longo de todo o processo. O custo de capital dos produtos acabados que permanecem estocados nos depósitos da fábrica, nos centros de distribuição dos atacadistas, distribuidores e varejistas, nas lojas de varejo e nos veículos de transporte, passou a ser um encargo elevado para as empresas. Isto porque a oferta de produtos se abriu em um leque de opções muito grande, com variedade de tipos, capacidade, acabamento e cores, nunca vistos, ocasionando um acréscimo expressivo nos níveis do estoque. 3. Veículos – já que os produtos são normalmente comercializados em pontos distintos em relação ao local de fabricação, sua distribuição implica o deslocamento espa- cial das mercadorias, necessitando de veículos para realizá-lo. Na transferência de produtos desde o fabricante até o centro de distribuição do varejista (ou depósito do atacadista) empregam-se veículos maiores, com mais capacidade; no abastecimento de lojas, em geral, são usados veículos menores, com mais condições de manobrabi- lidade em áreas urbanas. Também, a necessidade de maior frequência nas entregas 62 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância de produtos às lojas, favorece a opção de veículos de menor porte e capacidade. 4. Informações – no caso de distribuição, por exemplo, para vários pontos de varejo, caso de bebidas e cigarros, é fundamental dispor de um cadastro de clientes, com- posto pela razão social, endereço (com coordenadas geográficas para uso de SIG ou roteirizadores), além de outras informações importantes para a operação logística. Outras informações são: quantidade de produtos a ser entregue a cada cliente, horá- rios para entrega, tipo de acondicionamento, roteiros de distribuição etc. 5. Hardware e software – grande parte das atividades de distribuição é planejada, pro- gramada e controlada por meio de softwares aplicativos, que auxiliam na preparação dos romaneios de entrega, roteirização de veículos, controle de pedidos, devoluções, monitoramento de frota etc. Esses softwares funcionam em computadores (hardwa- re) instalados para favorecer o uso dos softwares. 6. Estrutura de custos – deve ser adequada e constantemente atualizada. Devido à diversidade de custos associados à distribuição física, é necessário adotar uma estrutura mais eficaz para os serviços logísticos de distribuição física. Atualmente, o emprego de formas de custeio modernas, como é o caso do modelo ABC-Activity Based Costing, é imperativo. 7. Pessoal – para que um sistema de distribuição física funcione adequadamente e de forma competitiva, é preciso que a empresa disponha de colaboradores devidamente treinados e capacitados, em todos os níveis, sejam eles técnicos logísticos, adminis- trativos, motoristas, ajudantes etc. Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 63LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância TIPOS BÁSICOS dE dISTRIBuIçãO Na prática é possível encontrar uma quantidade significativa de tipos de distribuição física de produtos, mas vamos reduzi-las a duas configurações básicas, segundo Novaes (2001): distribuição uM PARA uM – o veículo é totalmente carregado (lotação total) no depósito da fábrica e transporta a carga para um único ponto de destino, seja ele uma loja ou outra fábrica, e distribuição uM PARA MuITOS – também chamada de compartilhada, em que o veículo é carregado no varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, precisando de um roteiro de entregas elaborado previamente. Sistema de distribuição uM PARA uM Na distribuição do tipo UM PARA UM, o carregamento do veículo é feito de forma a lotá-lo por completo. Ao carregar o veículo, vai se acomodando a carga nos espaços disponíveis, com o objetivo de se obter um melhor aproveitamento de sua capacidade. A distribuição UM PARA UM é influenciada por 12 fatores, no foco da logística, segundo Novaes (2001): 1. Distância entre os pontos de origem e de destino é um dos elementos que mais in- fluenciam nessa forma de transporte, pois condiciona a seleção do tipo de veículo, o dimensionamento da frota, o custo e o frete a ser cobrado do usuário. 2. A velocidade operacional é a velocidade média entre os pontos de origem e de destino, descontando os tempos nos terminais, isto é, retirando os tempos de carga e descarga, tempos de espera para a carga ser recebida pelo cliente etc. Dessa forma, para uma transferência entre dois locais A e B, a velocidade operacional é calculada da seguinte maneira: V(op) = d(ab) / t(ab) V(op)= velocidade operacional entre os locais A e B 64 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância d(ab = distância entre os locais A e B, descontando os tempos nos terminais, isto é, os tempos de carga e descarga, tempos deespera para a carga ser recebida no cliente etc. t(ab) = tempo total de viagem entre os locais A e B, descontando os tempos nos terminais, isto é, os tempos de carga e descarga, tempos de espera para a carga ser recebida no cliente etc. Nas viagens intermunicipais, a velocidade operacional é fortemente condicionada pelas características das estradas (ou rodovias, ou ferrovias). As condições de má conservação das rodovias, atualmente, reduzem bastante a velocidade operacional dos veículos, pre- judicando sua produção (menos toneladas-quilômetro realizadas por ano) e acarretando aumento nos custos operacionais. 3. Tempo de carga e descarga é o tempo total gasto na pesagem, conferência, emissão de documentos, bem como nas operações de carga e descarga propriamente ditas. O tempo de carga e descarga afeta bastante as características operacionais e econômicas da distribuição UM PARA UM, principalmente para distâncias relativamente curtas. Uma forma de redução dos tempos de carga e descarga é utilizar outras formas de acondicio- namento da carga, principalmente, sua unitização que, no transporte doméstico, é feita com o uso de pallet. Por exemplo, para carregar uma carreta de forma manual, requer-se cerca de duas horas e quatro funcionário; esta mesma carreta pode ser descarrega em 25 minutos, caso a mesma tivesse sido carregada com a carga unitizada em pallets e com o auxílio de uma empilhadeira e seu operador. 4. Tempo porta a porta é um dos fatores mais importantes para o usuário do serviço de transporte. De nada adiantaria uma empresa de transporte aéreo oferecer os aviões mais velozes para deslocar produtos de um local a outro, se a mercadoria sofrer retenções e atrasos excessivos no solo. 5. Quantidade ou volume transportado também é outro fator de grande significância na distribuição física dos produtos. Quando os volumes transportados são elevados, a em- presa pode optar por um serviço próprio de distribuição, operando com frota própria ou terceirizada, porém planejado e operado conforme suas especificações. Pode-se citar o caso da Coca Cola, que atende um grande número de pequenos varejos, além de gran- des clientes, como é o caso de supermercados. Quando os volumes não comportam um sistema especialmente implantado para tal, a empresa se vê obrigada a usar os serviços de transportadores autônomos ou empresas transportadoras, compartilhando com outros clientes o uso de veículos e terminais. Neste caso, o controle do nível de serviço é obvia- mente mais difícil, visto que as transportadoras são obrigadas a atender clientes diversos, 65LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância com diferentes tipos de carga e com diferentes prioridades. 6. Disponibilidade de carga de retorno – a não disponibilidade de carga de retorno, que possa assegurar o frete à transportadora quando o veículo volta ao ponto inicial, pode afetar o nível de serviço oferecido ao cliente. Isto porque, em um ambiente de grande concorrência, o transportador autônomo, como também a empresa transportadora em alguns casos, pode negociar o frete admitindo que haja carga de retorno, de forma a cobrir seus custos. 7. Densidade de carga afeta a escolha de um tipo de veículo adequado ao serviço e, por consequência, o custo do transporte. Mercadorias de baixa densidade acabam lotando o veículo por volume e não por peso. Em alguns casos, em que a densidade média é muito baixa, é comum a escolha de carrocerias especiais (baús), com maior volume. 8. Dimensões e a morfologia da carga também afetam seu transporte. Há casos de mer- cadorias com dimensões muito diversas como, por exemplo, tubos e sofás longos. As formas da carga também afetam o seu arranjo, o manuseio e o transporte. É o caso dos móveis citados anteriormente, que apresentam formas diversas, dificultando a estivagem dos mesmos dentro do veículo e as operações de carga e descarga. 9. Valor unitário da carga pode implicar no uso de veículos especiais e na implantação de sistemas de segurança e de monitoramento adequados, quase sempre caros. Como exemplo, pode-se citar o transporte de remédios e aparelhos eletrônicos, que vem sofren- do constantes assaltos, obrigando as transportadoras a instalar antenas de rastreamento de veículos e dispor de equipes de segurança. 10. Acondicionamento – uma das formas de reduzir significativamente os tempos de car- ga e descarga é utilizar outras formas de acondicionamento da carga, principalmente sua unitização que, no transporte doméstico, é feita geralmente por meio de pallets. 11. Grau de fragilidade da carga tem influência nos cuidados necessários no processo de embalagem do produto, no seu manuseio e no transporte. Um veículo de molas muito duras pode levar a perdas excessivas no transporte de ovos, por exemplo. 12. Grau de periculosidade da carga tem implicações severas na distribuição de produtos, principalmente nos países mais desenvolvidos, como é o caso de distribuição de gasolina na Europa, que exige veículos bastante sofisticados, com sistema de reaproveitamento dos vapores (para evitar que sejam lançados na atmosfera), controle de vazamentos, válvulas de segurança etc. 66 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Sistema de distribuição uM PARA MuITOS Este sistema também é conhecido como distribuição compartilhada, em que o veículo é carregado no varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, e faz um percurso seguindo um roteiro de entrega determinado. Na figura 06, é possível ver de onde o veículo parte carregado do depósito e percorre uma distância até a área de entrega. O veículo realiza várias visitas em diversos clientes, efetuando coletas e entregas. Terminado o serviço, o veículo volta ao depósito, percorrendo uma nova distância. A distribuição UM PARA MUITOS é influenciada por 15 fatores, quando enfocada sob o ponto de vista da logística, na visão de Novaes (2001): 1. Divisão da região a ser atendida em zonas de entrega, sendo cada zona alocada nor- malmente a um veículo. 2. Distância d entre o CD e a zona de entrega. 3. Velocidades operacionais médias. a. V1 no percurso entre o depósito e a zona. b. V2 no percurso dentro da zona. 4. Tempo de parada em cada cliente. 5. Tempo de ciclo – necessário para completar um roteiro. 6. Frequência das visitas às lojas ou aos clientes, ou seja, diária, semanal, mensal etc. 7. Quantidade de mercadoria a ser entregue em cada loja do roteiro. 8. Densidade da carga. 9. Dimensões e morfologia das unidades transportadas. 10. Valor unitário. 11. Acondicionamento – carga solta, a granel, paletizada etc. 12. Grau de fragilidade. 67LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância 13. Grau de periculosidade. 14. Compatibilidade entre produtos de naturezas distintas, e 15. Custo global. Figura 06: Esquema básico para a dF uM PARA MuITOS Fonte: O autor 68 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância O TRANSPORTE NA dISTRIBuIçãO FÍSICA A logística tem em seu conceito a visão de agregar ou adicionar valor de tempo e lugar ao produto/serviço que será entregue ao consumidor, além de ser a atividade mais importante para concretizar a entrega de valor. Ao mesmo tempo surgem o transporte e a distribuição que, mesmo se restringindo à distância a ser percorrida entre o armazém ou almoxarifado até o cliente, abrangem decisões de extrema complexidade e merece igual atenção. Desta forma, para a utilização de medidas necessárias ao bom desempenho das atividades de distribuição, é preciso um aprofundamento no estudo das decisões a ela relacionadas. Segundo Bowersox e Closs (1997), com exceção dos custos de bens adquiridos, o transporte absorve, em média, a porcentagem mais elevada de custos do que qualquer outra atividade logística. As decisões de transporte podem ser expressas pelas seguintes formas:• Escolha modal. • Roteirização do transportador. • Programação de veículos, e • Consolidação do embarque. Em uma organização, as atividades de distribuição abrangem toda a movimentação e estocagem de bens da fábrica. A movimentação dos centros de distribuição para os consumidores representa a etapa mais custosa da cadeia de distribuição, pois para que seja realizada de forma eficiente, a organização precisa desenvolver o planejamento e a execução da atividade de transporte de forma objetiva e clara. Existem pesquisas que apontam que os custos de distribuição física agregam cerca de 16% do valor final de um item. 69LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Ballou (1995) aponta que os custos logísticos correspondem a 23% do PIB dos EUA, e destes custos, o transporte representa cerca de dois terços. ROTEIRIZAçãO O termo roteirização é a designação que vem sendo adotada como equivalente ao inglês “routing” ou “routeing”, para designar o processo de determinação de um ou mais roteiros ou seqüências de paradas a serem cumpridos por veículos de uma frota, objetivando visitar um conjunto de pontos geograficamente dispersos, em locais pré- determinados, que necessitam de atendimento. O termo roteamento também é utilizado alternativamente por alguns autores, embora este termo seja mais comumente utilizado quando associado às redes computacionais (CUNHA, 1997, on-line). Na roteirização, três fatores definem um problema real: decisões, objetivos e restrições, segundo Cunha (1997). • Decisões – as decisões dizem respeito à alocação de um grupo de clientes que deve ser visitado, a um conjunto de veículos e motoristas, envolvendo também a progra- mação e o sequenciamento de visitas. • Objetivos – como objetivos principais, o processo de roteirização visa proporcionar um serviço de nível elevado aos clientes, porém, paralelamente, mantendo os custos operacionais e de capitais tão baixos quanto possível. • Restrições – adicionalmente, deve-se obedecer a certas restrições. Inicialmente, devem-se completar as rotas com os recursos disponíveis, mas cumprindo totalmen- te os compromissos assumidos com os clientes. Em seguida, devem-se respeitar os limites de tempo impostos pela jornada de trabalho de motoristas e ajudantes. Finalmente, devem ser respeitadas as restrições de trânsito, no que se refere às velocidades máximas, horários de carga/descarga, tamanho máximo dos veículos nas vias públicas etc. Problemas de roteirização ocorrem frequentemente na distribuição de produtos e serviços e alguns exemplos são mostrados por Novaes (2001): • entrega, em domicílio, de produtos comprados nas lojas de varejo ou pela internet; • distribuição de bebidas em bares e restaurantes; 70 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância • distribuição de dinheiro para caixas eletrônicos de bancos; • distribuição de combustíveis para postos de gasolina; • coleta de lixo urbano; • entrega domiciliar de correspondência; • distribuição de produtos dos Centros de Distribuição (CD) de atacadistas para lojas do varejo. É de conhecimento de todos que nos últimos anos, a informática e a tecnologia cresceram absurdamente e tem sido usada como ferramenta de apoio com softwares específicos sendo desenvolvidos para resolver os problemas de roteirização. Galvão (1997) afirma que muitos deles pecam por não serem capazes de abordar o componente espacial do problema. Como exemplo, pode-se citar a localização geográfica exata dos pontos a serem atendidos (clientes) ou a consideração das restrições de tráfego rodoviário. Ainda, segundo Farkuh Neto e Lima (2006), os despachantes localizados nos depósitos e CDs só conseguiam falar com os motoristas dos veículos por meio de rádio e assim mesmo quando estavam dentro da área de alcance das transmissões. No entanto, na maioria das vezes, o contato só era realizado em algumas ocasiões em que o motorista conseguia um acesso telefônico e ligava para sua sede. Atualmente, os avanços tecnológicos disponibilizam ferramentas como telefones celulares, pagers alfanuméricos, scanners portáteis, pequenos computadores de bordo. Diversos veículos são hoje equipados com rastreadores, muitas vezes dispondo de receptores GPS (Global Positioning System), que fornecem a latitude e a longitude do caminhão em tempo real. O GPS, combinado com uma base geográfica de dados de um SIG, permite ao despachante localizar o veículo na rede viária a qualquer instante. Essa facilidade permite alocar o veículo mais próximo e disponível a uma tarefa emergencial, por exemplo. Com a utilização de Palm-Tops, motoristas dos veículos poderão não somente se comunicar com a sede como também obter informações sobre tráfego e sobre 71LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância condições de tempo, além de trocar mensagens com os clientes e solicitar socorro, quando necessário (NOVAES, 2001, on-line). CONSIdERAçÕES FINAIS Sabemos que são muitas as possibilidades de se realizar a distribuição de um produto no mercado. A questão é escolher o tipo de canal mais viável mercadologicamente. É claro que o profissional logístico fará sua escolha a partir de uma análise das alternativas que dispõe. O primeiro passo deverá ser uma avaliação do segmento ou público-alvo que se pretende atingir, principalmente em relação à previsão de vendas, que uma vez quantificada é hora de analisar os clientes e assim, fazer a escolha certa do canal para fazer os produtos chegarem até eles. Quanto mais concentrado estiverem os clientes, menor deverá ser o canal de distribuição. O setor alimentício se aplica a esta explicação. O tipo de produto também é um fator que merece muito destaque na hora de escolher um canal de distribuição. Alguns tipos de produtos são tão específicos e complexos tecnicamente que exigem profissionais especializados para comercializá-los. Os mercadólogos orientam que no caso de inexistirem intermediários adequados para uma distribuição adequada, é prudente que os fabricantes dos produtos invistam em desenvolver seu próprio canal. Mesmo que no início a distribuição seja menor, não haverá risco de uma má distribuição. É preferível distribuir em menor quantidade a distribuir de forma incorreta. Marketing como ferramenta logística é um dos processos da cadeia de suprimentos. Sua atividade hoje é de interligar o cliente ao restante da cadeia. Muito sabemos da sua importância, mas, como função logística vai além do simples fato do atendimento ao cliente e vendas. Tem a ver com o posicionamento da empresa em relação ao mercado (SANTANA, 2006, p.152). 72 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A gestão da cadeia de suprimentos é um processo que consiste em gerenciar estrategicamente di- ferentes fl uxos (de bens, serviços, fi nanças, informações) bem como as relações entre empresas, visando alcançar e/ou apoiar os objetivos organizacionais. O gerenciamento da cadeia de suprimentos é um conjunto de métodos que são usados para propor- cionar uma melhor integração e uma melhor gestão de todos os parâmetros da rede: transportes, estoques, custos, etc. Esses parâmetros estão presentes nos fornecedores, na sua própria empresa e fi nalmente nos clientes. A gestão adequada da rede permite uma produção otimizada para oferecer ao cliente fi nal o produto certo, na quantidade certa. O objetivo é, obviamente, reduzir os custos ao longo da cadeia, tendo em conta as exigências do cliente – afi nal, isso é qualidade: entregar o que o cliente quer, no preço e nas condições que ele espera. Esta gestão é por vezes difícil, especialmente para um sistema que não tenha controle sobre toda a cadeia. Por exemplo, uma empresa que terceiriza uma parcela da produção ou da logística, deixou de ter controle sobre uma parte importante do processo. É difícil também porque a demandado cliente é desconhecida na maioria das vezes e varia substancialmente de um mês ao outro, o que implica um planejamento da produção mais complexo. Os produtos a serem fabricados também podem mudar (nova estação, moda, modelos, melhorias), o que colocará em evidência a necessidade de uma estra- tégia de preços e cálculos de custos de fornecimento e estoque. O problema aparece também em produtos completamente novos, inovadores, onde os modelos pron- tos não podem ser aplicados e exigem, assim, novas soluções. Por exemplo, projetar uma nova fábri- ca na China: os produtos seriam entregues para os clientes, após a fabricação, em 6 semanas (por Fo nte : P HO TO S. CO M 73LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância navios). O problema: não se considerou que ambientes salinos podem enferrujar os produtos. Embora neste caso a questão de mudar o tipo de transporte não seja colocada em discussão (pois multiplicaria o custo por 10), é preciso levar em consideração os fatores inerentes ao tipo de transporte e acondi- cionamento. Para maiores informações sobre a situação dos portos no Brasil e no mundo veja Portos mais movimentados no Brasil e no Mundo e Movimento dos portos brasileiros; para mais detalhes do transporte de cargas no Brasil, veja Custo Brasil – situação do transporte de cargas, Infra-estrutura das rodovias no Brasil, e Logística brasileira: qual nossa situação?. Vários níveis de planejamento também podem (e devem) ser considerados: estratégico, tático e ope- racional. Trata-se de conhecer sua própria rede de distribuição já existente com os controles de esto- ques sendo utilizados e de iniciar uma primeira estratégia de coordenação da entrega dos produtos, iniciada antes mesmo da fabricação dos mesmos. Além disso, devem-se utilizar os modelos de toma- da de decisão baseados em programação linear e modelos de transporte, que tornam mais evidentes os custos e as interdependências entre as etapas (veja a Série Pesquisa Operacional – uma visão geral). Passamos, por fi m, para as fórmulas e cálculos complicados que um software especializado (ERP) se encarregará de gerir no dia-a-dia. Disponível em: <http://www.logisticadescomplicada.com/gestao-da-cadeia-de-suprimentos- -%E2%80%93-conceitos-tendencias-e-ideias-para-melhoria/>. Acesso em: 12 set. 2012. Livro: Logística Reversa e Sustentabilidade Autor: Vários autores 74 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Idioma: Português Editora: Cengage Assunto: Administração – Logística Edição: 1ª Ano: 2011 LOG-SCM-1.2-2 Logística: Processo <http://www.youtube.com/watch?v=skC2Veviz4M>. Profi ssional de Logística <http://www.youtube.com/watch?v=eQDC5uO1ZZk&feature=related>. ATIVIdAdE dE AuTOESTudO 1. Discorra sobre processo e cadeia de abastecimento. 2. Relacione as organizações envolvidas com o sistema produtivo. 3. Discorra sobre os canais de distribuição. 75LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Livro: Logística Reversa Autor: Paulo Roberto Leite Idioma: Português Editora: Prentice Hall Brasil Assunto: Administração – Logística Edição: 2ª Ano: 2009 uNIdAdE III PROCESSAMENTO dE PEdIdOS – COMPRAS NA AdMINISTRAçãO PÚBLICA Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Objetivos de Aprendizagem • Demonstrar que a Administração Pública satisfaz ao interesse público por meio das compras. • Compreender o funcionamento de uma central de compras. • Revelar que a implantação de uma central de compras maximiza os procedimentos logísticos da Administração Pública. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A necessidade de comprar • A formação de uma central de compras • As vantagens da central de compras 79LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância INTROduçãO Nesta unidade, estudaremos uma importante ferramenta utilizada pela logística na Administração Pública. Trata-se do primeiro ato dentre uma gama de tantos outros que são desencadeados a partir deste. A necessidade de comprar faz com que haja uma mobilização de vários setores do órgão público para que o interesse público seja atingido. A existência de uma central de compras facilita o trâmite dos demais atos, visto que unifica o processo, simplificando o controle logístico. Com isso ocorre uma economia de recursos, pessoas, processos e tempo, contribuindo para o avanço do setor público. A inexistência desta centralização no processo de compras retarda o desenvolvimento público e compromete a boa aplicação dos recursos. Trata-se da mais inovadora técnica de gestão, visto os inúmeros benefícios que são proporcionados por sua adoção. Embora seja novo, muitos órgãos públicos já têm efetuado todos os esforços para sua implantação, focando principalmente na capacitação dos servidores envolvidos. Desta forma, a centralização das compras é peça fundamental dentro da logística utilizada pela Administração Pública para atender aos anseios sociais. O fato de a Administração Pública se submeter à instauração de procedimento licitatório para adquirir bens e serviços faz com que a central de compras seja submetida a um controle e rigor excessivo, para que situações desconfortáveis não sejam geradas, principalmente com compras desnecessárias ou superfaturamento nas aquisições. Os processos licitatórios devem respeitar inúmeros atos e demandam um tempo razoável para sua finalização, motivo pelo qual torna a central de compras tão importante. Por exemplo, uma compra excessiva de determinado produto, além de mostrar-se desnecessária, utiliza verba que poderia ser investida em outros produtos ou serviços essenciais. Já a compra insuficiente também acarreta prejuízos, pois além de prejudicar o bom funcionamento da 80 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância máquina pública, necessário se faz a instauração de nova licitação com o mesmo objeto, apenas para compensar a ausência encontrada. Com isso, faremos uma abordagem completa dos principais tópicos para a implantação e o bom funcionamento de uma central de compras, trazendo exemplos encontrados em nossa prática diária, para facilitar a compreensão do tema e reforçar sua importância dentro da Administração Pública. A NECESSIdAdE dE COMPRAR O anseio de comprar faz parte da identidade de qualquer ser humano, em razão da voraz e eminente necessidade de consumo. Com a Administração Pública não é diferente, visto que sua missão consiste em gerenciar o interesse público e para que a mesma seja alcançada com êxito, necessita efetuar aquisições. Visando cumprir suas funções, a Administração Pública precisa atuar nos mais variados segmentos, produzindo bens e prestando serviços para a sociedade. Mas acontece que ela não é autossuficiente, isso significa que não produz, tampouco realiza tudo aquilo que precisa para atender ao interesse público envolvido. Deste modo, é necessário que a mesma recorra a terceiros para que, em uma interação contratual, possa receber os préstimos de que necessita. Acontece que o ente público não possui a mesma prerrogativa de uma pessoa física ou de determinada entidade privada que tem a liberdade de contratar com terceiros conforme conveniência. Tal diferença é fruto de imposição legal que determina aos órgãos públicos que oportunizem a todos os interessados em serem contratados, as mesmas condições de negociação. Essa determinação legal é denominada licitação e está prevista na Constituição Federal de 1988, no art. 37, XXI, externando que, ressalvados os casos previstos em leis, as compras, serviços, obras e alienações deverão ser realizadas mediante processo de licitação, oportunizando aos interessados as mesmas condições de participação. Com isso, um processo administrativo deve ser instaurado para que a legislação seja atendida e que o interesse público seja alcançado.81LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância O órgão público em suas diferentes esferas apresenta uma enorme estrutura, repleta de servidores que atuam nas mais variadas áreas do conhecimento. Para que os mesmos consigam desempenhar suas funções necessitam de materiais para trabalhar, ou seja, a Administração Pública precisa comprar para efetuar a manutenção da máquina pública. Vejamos o seguinte exemplo: para que um guarda municipal consiga exercer diariamente suas atividades de maneira satisfatória, precisa de uma série de equipamentos, como: uniforme da guarda, rádio transmissor, motocicleta, equipamentos de segurança como capacete, bota, luvas dentre outros. Já um servidor da Secretaria de Administração necessita de um computador, impressora, caneta, papel, tesoura, grampeador, clips, mesa, cadeira, internet etc. Inúmeros são os exemplos, mas o que podemos garantir é que, em todos os tipos de prestação de serviços públicos, o processo licitatório deve ser instaurado para aquisição dos materiais necessários. Em algumas situações, além de adquirir bens, necessárias se faz a contratação dos próprios prestadores de serviços. Mas como visto anteriormente, o órgão público não pode ir comprando ao seu livre alvedrio e ,para que tais equipamentos sejam adquiridos, precisa abrir o processo licitatório. A formação de uma central de compras auxilia no êxito do processo licitatório, e esse tema é o que iremos explorar na sequência. A FORMAçãO dE uMA CENTRAL dE COMPRAS NA AdMINISTRAçãO PÚBLICA Os avanços tecnológicos aliados à incessante necessidade de consumo da sociedade têm auxiliado no aperfeiçoamento do processo de compras da Administração Pública. Por isso, para que a mesma sobreviva às significativas e céleres transformações dos dias atuais, 82 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância necessária se faz uma maximização do processo de compras, para atender ao interesse público envolvido e minimizar os custos gerais. Sabe-se que a Administração Pública necessita recorrer a terceiros para a prestação de serviços e fornecimento de bens, em razão de não possuir material humano suficiente para atender à demanda da sociedade, tampouco possuir operações produtivas. Com a designação de serviços a terceiros para a realização das “atividades-meio”, a Administração Pública tem condições de focar na qualidade das “atividades-fim” e lograr êxito em suas ações. Em razão dessa terceirização dos serviços públicos, uma ferramenta denominada central de compras vem tornando-se peça fundamental na estratégia de compras da Administração Pública, resultando em significativas vantagens. A implantação de uma central de compras caracteriza-se como uma técnica moderna de administração, baseada em um processo de gestão que ocasiona mudanças estruturais, culturais e procedimentais na Administração Pública. Assim, inúmeros são os benefícios proporcionados pela centralização das compras, como: otimização dos recursos; otimização dos estoques; melhoria e controle na qualidade; diminuição do desperdício, dentre outros. A central de compras aliada aos avanços tecnológicos como a interconexão em rede e a formação de grupos virtuais é um exemplo de criação de grupo que permite que as organizações ampliem seus desempenhos de maneira integrada e ampliada. É mais ou menos dessa forma que funciona a central de compras. O fato de a centralização das compras proporcionar significativas melhorias não significa que a mesma seja adotada em toda a Administração Pública, devendo ser disseminada e compartilhada por todos que sabem de sua enorme importância. Muitos órgãos públicos ainda não criaram suas centrais de compras e continuam efetuando 83LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância suas compras e instaurando seus processos de modo arcaico. Os mesmos revelam-se resistentes a esta radical mudança de cultura, visto que a implantação da central resultaria em uma adaptação procedimental de toda a estrutura do órgão público. Nestas organizações resistentes, cada setor, gerência ou secretaria é responsável por gerir as demandas e efetuar suas compras de forma individualizada. Vejamos o exemplo para compreender melhor a problemática: A Secretaria de Educação de um determinado município necessita adquirir materiais de expediente, como canetas, lápis, borracha, apontador, papel, tesoura, grampeador dentre outros. Para isso, instaura um processo de compras. Já a Secretária de Saúde também instaura seu processo para aquisição dos mesmos materiais de expediente. Enquanto que a Secretária de Esporte abre sua própria licitação. Com isso, os esforços são dobrados para aquisição de objetos semelhantes, visto que são três processos que tramitam em conjunto. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE SAÚDE SECRETARIA DE ESPORTES LICITAÇÃO LICITAÇÃO LICITAÇÃO Procedimento em que INEXISTE a Central de Compras Fonte: O autor Já se houvesse uma central de compras em funcionamento, o processo seria simplificado, visto que apenas um processo seria instaurado, englobando as necessidades das três secretarias. 84 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE SAÚDE SECRETARIA DE ESPORTES CENTRAL DE COMPRAS LICITAÇÃO Procedimento onde EXISTE a Central de Compras Fonte: O autor Para isso, uma estrutura mínima é preciso para a formação de uma central de compras, com servidores competentes e capacitados para que o serviço seja desempenhado da melhor maneira possível. SETOR dE REGISTRO E dETALHAMENTO dOS OBJETOS A SEREM LICITAdOS A implantação da central de compras exige deste setor um enorme esforço dos servidores envolvidos, visto que os mesmos são responsáveis por registrar em um banco de dados todos os possíveis bens e serviços que a Administração necessita para exercer seu papel diante da sociedade. O ideal é que esse registro seja divido por categorias, como gêneros alimentícios, materiais 85LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância de higiene e limpeza, produtos médicos hospitalares, materiais de expediente, materiais esportivos, peças etc. Para cada objeto, seja ele material ou serviço, deverá haver um número de cadastro e a descrição do mesmo terá que ser a mais completa possível, ao fito de que cada Secretaria ou Setor não tenham dúvidas no momento de proceder a suas solicitações de compras. Importante se faz a descrição detalhada, para que os fornecedores não entreguem produtos em desconformidade com as necessidades de cada órgão, visto ser uma realidade bem comum nas compras públicas. Sabe-se que o edital de licitação é lei entre as partes, ou seja, as cláusulas e condições nele existentes vinculam os fornecedores e toda a Administração Pública que não podem descumpri-lo. Mediante um exemplo fica mais fácil visualizar e entender a importância que um objeto bem descrito tem perante a Administração Pública. Imaginemos uma licitação instaurada para aquisição de produtos de limpeza com inúmeros itens, mas dentre eles um item descrito apenas como sabão em pó. Caso um edital seja publicado desta forma, não estranhem, pois é bem comum este tipo de desleixo na Administração Pública, qualquer tipo de sabão em pó que for oferecido pelos licitantes deverá ser aceito pelo órgão licitante visto inexistir qualquer critério para verificar se o mesmo atende às reais necessidades. Para evitar surpresas quanto ao fornecimento, o objeto deve ter sua descrição bem detalhada, com indicação do seu nome, número do registro no banco de dados do órgão, a quantidade necessária, especificações básicas, o tamanho da embalagem, dentre outros, vejamos: Item 01 – Sabão em Pó – 1 quilograma (KG) Quantidade: 40 (quarenta) caixas com 1 (um) quilograma Código de Registro: 7079-3 Especificação Técnica: deverá constituir-sede pó granulado e homogêneo. Apresentar aroma agradável e ser inócuo à pele. Quando misturado em água deverá apresentar boas condições de formação de espuma e completa dissolução. Na decantação não poderá aparecer partículas arenosas ou sólidas, estranhas a sua constituição. Não poderá man- char ou esbranquiçar o corpo sobre o qual for aplicado, bem como não deixar resíduos após o enxague, removendo gorduras e manchas. Deverá ser de primeira linha. 86 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Complemento: na embalagem deverá constar a data da fabricação, da validade, número do lote e registro na Anvisa. A validade deverá ser de 12 (doze) meses a partir da data de entrega. Por meio deste simples exemplo, conclui-se que é um trabalho árduo, que demanda comprometimento e muita disciplina dos servidores envolvidos, visto não ser fácil alimentar este banco de dados, tampouco especificar corretamente cada objeto. Acontece que se realizado da maneira correta, as chances de falhas diminuem e com isso a Administração Pública fica mais próxima de atender ao interesse público. Uma observação de extrema importância é que a Lei de Licitações veda a fixação de marcas nos produtos a serem licitados, visto comprometer a competitividade imposta pela Constituição Federal. Tal restrição é encontrada no art. 15, §7°, I da Lei 8.666/93, vejamos: “Art. 15. [...] §7° Nas compras deverão ser observadas, ainda: I – a especificação completa do bem a ser adquirido sem indicação da marca”. A imposição de algumas marcas como obrigatórias, se não forem devidamente justificadas por critérios técnicos ou expressamente indicativos da qualidade do material a ser adquirido, tornam o edital eivado de vícios e passível de anulação. A saída é inserir nos editais de licitação, algumas marcas “pré-aprovadas”, cujas informações foram obtidas em experiências anteriores. Desta forma, as marcas ali inseridas não são exigidas como condição para participação, mas apenas um informe de que, se as mesmas forem oferecidas para a Administração Pública, serão facilmente aceitas, uma vez que já foram aprovadas anteriormente. Caso uma marca diferente das fixadas no edital seja proposta por um dos licitantes, deverá 87LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância passar por testes, a fim de que seja comprovada que atende à descrição prevista no instrumento convocatório. Uma outra alternativa nos casos em que for necessária a indicação de marca como referência de qualidade ou facilitação da descrição do objeto, deve esta ser seguida das expressões “ou equivalente”, “ou similar” e “ou de melhor qualidade”, devendo, nesse caso, o produto ser aceito de fato e sem restrições pela Administração. Pode a administração inserir em seus editais cláusula prevendo a necessidade de a empresa participante do certame demonstrar, por meio de laudo expedido por laboratório ou instituto idôneo, o desempenho, qualidade e produtividade compatível com o produto similar ou equivalente à marca referência mencionada no edital. O próprio Tribunal de Contas da União já teceu algumas deliberações sobre o tema, como pode ser observado nos acórdãos abaixo: Observe com rigor, em todos os processos licitatórios, as normas pertinentes e que, ao especificar produtos, faça-o de forma completa, porém sem indicar marca, modelo, fabricante ou características que individualizem um produto particular. Acórdão 1034/2007 Plenário A indicação ou preferência por marca em procedimento licitatório só é admissível se restar comprovado que a alternativa adotada é a mais vantajosa e a única que atende às necessidades do órgão ou Entidade. Acórdão 88/2008 Plenário (Sumário) Experiências em licitações públicas têm demonstrado que os licitantes necessitam, para bem elaborar propostas, de especificações claras e precisas, que definam o padrão de qualidade e o desempenho do produto a ser adquirido. Se não for assim, corre-se o risco de o licitante ofertar o que tem de mais barato e não o que pode oferecer de melhor. Inúmeros são os exemplos de compras em que a descrição do objeto não é precisa e detalhada, ocasionando resultados insatisfatórios. Tais compras são realizadas rotineiramente pelo critério do menor preço, sem indicação de qualquer parâmetro de qualidade e que aparentemente 88 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância refletem menores gastos, são eles: canetas cuja tinta resseca, vaza ou falha ao ser usada; tubos de cola que têm mais água do que componente colante; borrachas que, ao apagar, se desfazem e as vezes não apagam; elásticos que ressecam; copinhos de plástico para café ou água excessivamente finos, sendo necessários, às vezes, dois ou três para não queimar a mão ou derramar o líquido; clipes que enferrujam; grampeadores que não funcionam; grampos para grampeadores que não perfuram o papel; cadeiras em que, com pouco uso, os rodízios emperram e soltam da base, o poliuretano dos braços racha, os tecidos desbotam, dentre tantos outros defeitos; mesas fabricadas com madeiras que incham, gavetas que não deslizam, parafusos que espanam etc. Por isso, é importante que o ato convocatório da licitação defina claramente critérios de análise dos produtos ofertados, os quais deverão levar em conta fatores de qualidade, durabilidade, funcionalidade e desempenho, dentre outros julgados necessários. Por fim, o que a Lei Geral de Licitações veda e os Tribunais de Contas condenam, especialmente o Tribunal de Contas da União, é a preferência por determinada marca ou indicação sem devida justificativa técnica nos autos. Com a implantação de uma central de compras, o banco de dados com o registro dos produtos e serviços facilitará todo o sistema logístico, visto que existirão códigos para cada registro e serão por meio deles que as Secretárias e Setores farão suas solicitações, de acordo com as respectivas descrições. Assim, os fornecedores estarão mais seguros para formular suas propostas, visto que terão certeza do objeto que está sendo licitado. SETOR dE CAPTAçãO dE PEdIdOS Este setor é responsável pela segunda etapa no processamento das compras, visto que os servidores ali existentes são incumbidos de estarem em constante contato com cada Secretaria ou Setor da Administração para captar as necessidades existentes em cada um. 89LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Desta forma, uma comunicação interna é encaminhada do setor de captação de pedidos para os responsáveis de cada Secretaria ou Setor. Devem existir servidores específicos para prestar as informações e responder às solicitações. Esta comunicação interna deve ser confeccionada por categoria, para facilitar o processamento dos pedidos, contendo os respectivos códigos, bem como a descrição de todos os produtos e serviços cadastrados na categoria. O único campo que deverá ser preenchido caso haja necessidade de aquisição será o da quantidade. A data de devolução é de suma importância e deve ser cumprida por todos os interessados, visto que o atraso de algum Setor ou Secretaria pode prejudicar toda a Administração Pública. Importante frisar que com a centralização das compras, várias comunicações internas são encaminhadas de forma simultânea para todas as Secretarias ou Setores do órgão, para que demonstrem o interesse nos itens referentes àquela determinada categoria que será licitada. Por isso tal setor está dentro da central de compras, visto que centraliza todos os pedidos para que ocorra apenas uma única licitação e atenda a todas as Secretarias ou Setores envolvidos. Com a comunicação interna em mãos, o trabalho do servidor que receber a mesma será simplificado, visto que todos os possíveis produtos ou serviços estão elencados neste documento, bastando ao mesmo assinalar se existe a necessidade e qual a quantidade suficiente para suprir a demanda. A orientaçãoé que cada Secretaria ou Setor tenha arquivado um documento que revele o histórico de consumo, que pode ser semestral ou anual. Assim, a quantidade especificada na comunicação interna será bem aproximada da realidade, evitando compras excessivas ou em quantidades ínfimas. Trata-se de um setor que deve estar em total sintonia com os demais, pois a agilidade e precisão dos pedidos podem interferir de modo significativo em toda a prestação de serviços. Abaixo, um modelo desta Comunicação Interna que é usualmente utilizada pelos órgãos públicos, principalmente na esfera municipal. 90 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância COMuNICAçãO INTERNA CI: XX/20XX de: CENTRAL DE COMPRAS – Setor de Captação de Pedidos Para: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO Categoria: Gêneros Alimentícios. Senhor Secretário, Informamos a V.S.ª que a Central de Compras dará início ao Processo Administrativo, para aquisição de Gêneros Alimentícios a serem utilizados por todas as Secretarias e Departamentos deste muni- cípio, pelo período de 12 meses. O prazo para devolução da presente Comunicação Interna deverá impreterivelmente ser proce- dida até o dia, mês e ano. Item Código descrição Quant. unidade 16884 ABACATE (KG), de 1ª primeira qualidade, maduro, tamanho médio e uniforme, perfeito estado de desenvolvimento do aro- ma, cor e sabor próprios da variedade e espécie, grau de evo- lução e tamanho tal que lhe permita suportar a manipulação, c/ ausência de sujidades, parasitas e larvas aderentes à superfí- cie externa, sem ferimentos ou defeitos, livre de terra ou corpos estranhos e intactas. O transporte e a conservação deverão estar em condições adequadas para o consumo. KG 4458 MACARRÃO – ESPAGUETE 500G, de 1ª primeira qualidade, massa com ovos, devem estar inteiros e fi rmes, não devem apresentar cor esverdeada com pontos brancos e cinza (mofo) ou com perfurações (carunchos e outros insetos), acondiciona- do em embalagem original de fábrica, em polipropileno trans- parente ou papel resistente, pacote com 500g, contendo exter- namente especifi cação do produto, informações do fabricante, data de fabricação e prazo de validade. O produto deverá ter registro no Ministério da Agricultura e/ou Ministério da Saúde. UM 4392 LEITE UHT INTEGRAL – 1 LITRO – CAIXA C/12 - Líquido, in- tegral, longa vida UHT (ultra high temperature), rico em cálcio. Embalagem contendo 01 litro, com identifi cação do produto, marca do fabricante, prazo de validade e capacidade. O produ- to deverá ter registro no Ministério da Agricultura e/ou Ministério da Saúde. CXA 91LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A Central de Compras está à disposição para dirimir eventuais dúvidas. Cidade, dia, mês, ano. _________________________ __________________________ Central de Compras Setor de Captação de Pedidos O preenchimento da comunicação interna por parte das Secretarias e Setores deverá ser feita com total atenção, para que não ocorram aquisições equivocadas, por inexistir os produtos na lista. No caso de não conter o referido produto ou serviço, ou a descrição não estiver correta, a Central de Compras deverá ser informada com o máximo de urgência para que efetue o cadastro no banco de dados e inclua nas próximas captações de pedidos os novos itens. O comprometimento dos servidores envolvidos neste setor, respeitando principalmente os prazos, é fundamental para o sucesso da logística pública. SETOR dE uNIFICAçãO dOS PEdIdOS Este setor tem a função de processar os pedidos recebidos de cada Secretaria e Setor, unificando os mesmos e encaminhando para o próximo setor que irá efetuar a pesquisa de preços. Trata-se de um serviço bem simples, mas que tem sua importância dentro do processo de logística. SETOR dE PESQuISA dE PREçOS Para que a Administração Pública efetue suas aquisições, alguns parâmetros devem ser 92 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância observados, principalmente no tocante aos gastos, visto que a Administração Pública tem por obrigação efetuar a boa aplicação dos recursos públicos, como contrapartida aos tributos pagos pelos cidadãos. Uma vez definidos os objetos a serem licitados, com a descrição detalhada dos itens por categoria, com a quantidade estimada de consumo, imprescindível que haja uma pesquisa de preços para encontrar o preço que deverá ser pago pelos produtos e serviços. A Lei de licitações em nenhum momento externa de forma clara como deverá ser procedida esta cotação de preços, impondo apenas que seja licitado levando-se em conta o preço praticado no mercado, conforme prescrito no art. 43, IV da Lei 8.666/93, vejamos: Art. 43. A licitação será processada e julgada com observância dos seguintes procedimentos: [...] IV – verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preços correntes no mercado ou fixados por órgão oficial competente, ou ainda com os constantes do sistema de registro de preços, os quais deverão ser devidamente registrados na ata de julgamento, promovendo-se a desclassificação das propostas desconformes ou incompatíveis (grifo nosso). Neste sentido, as contratações públicas somente poderão ser efetivadas após estimativa prévia do seu valor, que deve obrigatoriamente ser juntada ao processo licitatório. O valor estimado da contratação será o principal fator para escolha da modalidade de licitação a ser realizada, exceto quanto ao pregão que não se baseia no valor da licitação como condição de escolha. Desde que o objeto seja considerado bem ou serviço comum, poderá ser utilizada a modalidade pregão, independente do valor da contratação. A estimativa levará em conta todo o período de vigência do contrato a ser firmado, consideradas ainda todas as prorrogações previstas para a contratação. No caso de compras, a estimativa total considerará a soma dos preços unitários multiplicados pelas quantidades de cada item. 93LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância No caso de obras ou serviços a serem contratados, a estimativa será detalhada em planilhas que expressem a composição de todos os custos unitários, ou seja, em orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários. Preço estimado é um dos parâmetros de que dispõe a Administração para julgar licitações e efetivar contratações. Deve refl etir o preço de mercado, levando em consideração todos os fatores que infl uenciam na formação dos custos. Preço unitário é o correspondente a cada unidade licitada e preço global, o total da proposta. A pesquisa de preços deve ser elaborada com base nos preços correntes no mercado onde será realizada a licitação, podendo ser local, regional ou nacional. Caso o setor de pesquisa de preços encontre dificuldades em conseguir orçamentos com empresas fornecedoras de objeto semelhante ao que será licitado, pode ser feita também com base em preços fixados por órgão oficial competente ou com os constantes do sistema de registro de preços, ou ainda preços para o mesmo objeto vigente em outros órgãos, desde que em condições semelhantes. A pesquisa de preços se faz necessária para verificar se há previsão de recursos orçamentários para o pagamento da despesa e se esta se encontra em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. 94 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Preço médio é o elaborado com base em pesquisa de preços realizada no mercado onde será realizada a contratação. Preço de mercado de determinado produto é aquele que se estabelece na praça pesquisada, com base na oferta e na procura. diz-se também que é o corrente na praça pesquisada. Preço praticado pela Administração contratante é aquele pago ao contratado. O Tribunal de Contas da União reforça a necessidade de orçamentos na fase interna do processo licitatório,ao fito de que seja aferido se o preço licitado é aquele corrente no mercado. Vejamos alguns Acórdãos neste sentido: Realize pesquisa de preços como forma de cumprir a determinação contida no art. 43, inciso IV, da Lei de Licitações, fazendo constar formalmente dos documentos dos certames a informação sobre a equivalência dos preços. Acórdão 301/2005 Plenário Realização de ampla pesquisa de preços no mercado, a fim de estimar o custo do objeto a ser adquirido, definir os recursos orçamentários suficientes para a cobertura das despesas contratuais e servir de balizamento para a análise das propostas dos licitantes, em harmonia com os arts. 7º, § 2º, inciso III, e 43, incisos IV e V, todos da Lei 8.666/1993. Acórdão 1182/2004 Plenário A teor do art.43, inciso IV, da Lei 8.666/1993, a estimativa de custos para fins de licitação deve ser feita com base em efetiva pesquisa de preços no mercado, e não a partir da aplicação de índices inflacionários sobre os valores referentes a licitações similares anteriores. Acórdão 2361/2009 Plenário (Sumário) Como visto, muito se falou da necessidade em proceder a pesquisa de preços buscando o preço de mercado, mas dúvidas atinentes ao tema são bem comuns na prática, em razão de inexistirem muitos critérios para chegar a tal valor. 95LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Pensando nisto, o próprio Tribunal de Contas da União, em mais um brilhante posicionamento, se manifestou no sentido de que para se alcançar o preço de mercado, se faz necessária a obtenção de 3 (três) orçamentos fornecidos por empresas do mesmo ramo, vejamos: Deve ser estabelecido procedimento padronizado de pesquisa de preços, em que seja exigido o mínimo de três propostas e completo detalhamento da proposta pelo fornecedor, em conformidade com o solicitado e deve haver vinculação entre o valor indicado na proposta e o efetivamente contratado. Acórdão 127/2007 Plenário (Sumário) Concluída tal etapa, o Setor de Pesquisa de Preços finaliza os procedimentos da Central de Compras, bastando apenas encaminhar os pedidos unificados e suas respectivas pesquisas de preços para o Departamento de Licitações do órgão público. Com isso, o edital será elaborado e posteriormente publicado, ao fito de que o maior número de empresas interessada compareçam ao certame e possibilitem ao órgão uma aquisição vantajosa. AS VANTAGENS dA CENTRAL dE COMPRAS A implantação de uma central de compras proporciona inúmeras vantagens ao órgão público, principalmente no tocante a otimização dos recursos, visto a economia obtida pela consolidação dos pedidos, que além de melhorar o poder de negociação da área de compras, facilita os relacionamentos com os fornecedores. Outra importante vantagem atinente à economicidade é o fato de evitar grandes diferenças de preços entre aquisições com objetos semelhantes dentro do mesmo órgão, quando realizado por diferentes secretarias. A padronização dos procedimentos, a redução do número de servidores envolvidos com as compras e a uniformização dos produtos e serviços adquiridos são outras importantes vantagens que iremos abordar a seguir. 96 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância uNIFORMIZAçãO dOS PROduTOS E SERVIçOS AdQuIRIdOS A centralização das compras é capaz de proporcionar vantagens de toda a ordem e uma das mais importantes é a uniformização dos produtos e serviços adquiridos. Nos órgãos públicos em que as compras são feitas individualmente por cada setor ou secretaria, muitos são os problemas enfrentados e um dos mais comuns é a divergência na qualidade dos materiais ou serviços adquiridos por cada secretaria. Um exemplo para facilitar a compreensão pode ser a aquisição de canetas. Sabe-se que existem inúmeras marcas que produzem tal material e que cada caneta tem sua particularidade e qualidade específica. Neste caso, três licitações são abertas, sendo uma pela secretaria de administração, outra pela educação e a última pela saúde. Com isso, cada secretaria adquire canetas de uma marca, visto que foram licitações distintas. Esse fato tem causado muitos transtornos administrativos, principalmente em relação aos servidores que manuseiam tal material, visto que a mesma entidade pública adquire produtos semelhantes, mas com qualidade distinta. Com a centralização este tipo de problema é reduzido e em alguns casos cessa por completo, visto que será realizada apenas uma única licitação para suprir as necessidades de todas as secretarias, uniformizando desta forma os produtos e serviços adquiridos. OTIMIZAçãO dOS RECuRSOS Sabe-se que a principal função da Administração Pública é a satisfação do interesse público e isso se dá com a boa aplicação dos recursos. Com a centralização das compras, os recursos são otimizados por inúmeros motivos. Para explicarmos o primeiro motivo, utilizaremos o mesmo exemplo das canetas, em que 97LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância três secretarias instauraram o processo licitatório de maneira individual. Neste caso, a Administração, além de adquirir produtos com qualidades distintas, corre o risco de pagar por um mesmo produto preços diferentes, vejamos: Aquisição de Canetas SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO LICITAÇÃO PREÇO PAGO R$ 0,50 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO LICITAÇÃO PREÇO PAGO R$ 1,00 SECRETARIA DE SAÚDE LICITAÇÃO PREÇO PAGO R$ 1,50 PREFEITURA X Fonte: O autor 98 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Como visualizado na figura acima, três secretarias de uma mesma unidade administrativa necessitavam adquirir canetas. Para isso, foram abertas licitações autônomas para suprir as necessidades de cada uma. No entanto, o resultado foi desastroso, visto que foram obtidos três preços distintos, sendo R$ 0,50 (cinquenta centavos) a unidade na Secretaria de Administração, R$ 1,00 (um real) a unidade na Secretaria de Educação e R$ 1,50 (um real e cinquenta centavos) na Secretaria de Saúde. Insta salientar que no presente exemplo as empresas vencedoras cotaram a mesma marca, o que agrava ainda mais a situação. Diante do exposto fica registrada a seguinte pergunta: Como pode uma única unidade administrativa adquirir o mesmo produto, inclusive no tocante à marca, por preços tão diferentes? A resposta é fácil de ser encontrada, visto que tal fato só foi concretizado em razão de terem sido abertas licitações individuais para cada secretaria, o que seria evitado se houvesse uma Central de Compras para recepcionar os pedidos de todos os interessados e efetuar uma única compra para toda a Administração Pública. Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 99LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância PREFEITURA X SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE SAÚDE SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DE COMPRAS LICITAÇÃO PREÇO PAGO R$ 0,50 Aquisição de Canetas Fonte: O autor A figura acima é capaz de refletir a otimização dos recursos pela Administração Pública, possibilitando que investimentos ocorram em outros setores graças à redução dos gastos. Uma outra vantagem relacionada aos recursos diz respeito à redução significativa do número de processos licitatórios instaurados, bem como o número de servidores envolvidos em cada processo. 100 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Com a centralização das compras, um único processo é capaz de suprir o que em alguns casos necessitaria de vários processos para proporcionar o mesmo resultado. Automaticamente, os servidores que estariam envolvidos em cada um desses processos podem ser utilizados em outras funções, visto que apenas os servidores responsáveis pela aquisição derivada da Central de Compras atuarão diretamente no processo. CONSIdERAçÕES FINAIS A centralização das compras revela-se imprescindível para que a AdministraçãoPública logre êxito em suas ações e atenda ao interesse público envolvido. Os representantes da Administração que forem designados para desempenhar funções dentro deste departamento devem sentir-se valorizados e principalmente privilegiados por terem sido escolhidos, visto a importância de cada um para o sucesso das aquisições. Os servidores devem ser imbuídos do espírito de alcançar o bem comum, participando como membro da Administração e como cidadão. A maior problemática encontrada em torno dessa centralização das compras ainda é a escassez de dispositivos legais que norteiam tão relevante tema, visto que poucas são as leis que disciplinam tal matéria, sendo a maioria no âmbito federal. A capacitação e qualificação dos Servidores envolvidos mostram-se indispensáveis para que os mesmos tenham subsídios para exercer tal função, visto que de suas ações sairão os resultados positivos ou negativos. Dessa forma, com a capacitação dos servidores envolvidos, legislação própria e estruturação da central de compras de acordo com os setores elencados nesta obra, o interesse público será alcançado com maior facilidade. Com isso, podemos avançar para a próxima unidade, que trará do Almoxarifado Central como o tema principal. 101LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A terceirização através da utilização das centrais de compras Carlos Roberto Caetano 1. INTRODUÇÃO O mundo contemporâneo dos negócios caracteriza-se por transformações e mudanças rápidas, que têm exigido cada vez mais compreensão para tomada de decisões efi cientes. A sobrevivência das organizações neste contexto se traduz na necessidade cada vez maior na busca pela maximização dos processos de produção, logística e minimização dos custos gerais totais. Têm-se dado grande ênfase ainda, a otimização e ao aumento da efi ciência de todo o fl uxo de materiais dentro da empresa e na cadeia de suprimento. A logística está em evidência e a estratégia é o uso efetivo dos recursos de comunicação e tecnologias de informação, que são a principal força motriz na busca de melhorias de lucratividade no campo da logística. Diversas ferramentas de auxílio às empresas têm surgido na busca de vantagem competitiva, dentre elas, a terceirização que, nos mais diversos setores organizacionais, tem sido uma estratégia muito utilizada para busca de vantagem competitiva. Dentre as diversas formas de terceirização, esta pesquisa abordará a utilização desta ferramenta através da utilização das centrais de compras, buscando demonstrar como esta estratégia se dá e, quais suas vantagens e desvantagens para as organizações. A justifi cativa para a escolha do tema se dá pela atualidade do mesmo e, ainda, pela utilidade das cen- trais de compras, sobretudo para as empresas de pequeno porte que muitas vezes encontram-se em desvantagem nas negociações de valores de produtos para compra, se comparadas a concorrentes de grande porte, que adquirem lotes muito maiores e assim conseguem melhores valores. 2. DESENVOLVIMENTO 2.1 A Terceirização A terceirização surgiu no mercado, simbolizando para muitas empresas uma forma destas focarem-se na sua competência central, repassando para terceiros suas operações produtivas. Com esta prática, elevou-se muito a importância dos prestadores de serviços logísticos. De acordo com Ferreira (1998) a terceirização consiste na contratação de empresas prestadoras de serviços, designando a contratação de serviços de terceiros por organizações para a realização de suas «atividades-meio». Em uma abordagem mais complexa, esclarece Fleury (1999) que a terceirização seria: um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, fi cando a empresa concentrada ape- nas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio em que atua. Dentre as inúmeras vantagens da terceirização, assumindo a visão de que ela é uma nova forma de gestão moderna pode-se citar algumas como: acesso a novos recursos tecnológicos, agilida- de na implementação de novas soluções; previsibilidade dos gastos/custos e prazos, 102 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância aumento de especialização, liberação da criatividade, acesso ao pessoal qualificado, crescimento do mercado regional, mudança na cultura interna, entre outras (FLEURY, 1999, p.24). Entretanto, Gaona (1995) ressalta que: hoje, no entanto, a terceirização se investe de uma ação mais caracterizada como sendo uma técnica moderna de administração e que se baseia num processo de gestão, que leva a mudanças estruturais da empresa, a mudanças de cultura, procedimentos, sistemas e controles, capilarizando toda a malha organizacional, com um objetivo único quando ado- tada, atingir melhores resultados, concentrando todos os esforços e energia da empresa para a sua atividade principal. Assim, de acordo com Gaona (1995), a terceirização, proporciona instrumentos de gestão capazes de melhorar o desempenho das organizações, como: criação de vantagem competitiva pela criação de novas empresas, oferta de mão-de-obra diferenciada, oferta de empregos, especialização, au- mento da competitividade, melhoria e controle da qualidade, aprimoramento do sistema de custeio, treinamento e aprimoramento, diminuição do desperdício como ponto fundamental, otimização dos recursos, valorização de talentos humanos, agilidade de decisões e saliente-se, menor custo. 2.2 A Central de Compras como Estratégia Competitiva Avanços tecnológicos como a interconexão em rede e a formação de grupos virtuais é um exemplo de criação de grupo que permite que as empresas ampliem seus desempenhos de maneira integrada e ampliada. É mais ou menos dessa forma que funciona a centra de compras. De acordo com Baily et al (2000): as vantagens da centralização da atividade de compras dependem da habilidade com que o executivo responsável pelo trabalho usa mais eficazmente o poder de compra da empresa. Isso incluirá a consolidação das exigências, o desenvolvimento de fontes, a racionalização dos estoques, a simplificação dos procedimentos, o trabalho com for- necedores para eliminar custos desnecessários em vantagem mútua e o trabalho com colegas para assegurar um fluxo de informações eficaz que possibilitará o atendimento dos objetivos da empresa (BAILY et al., 2000, p. 78). A empresa que se dedicar a manter seus custos baixos, utilizando uma central de compras, como uma estratégia, provavelmente estará criando uma vantagem competitiva, visto que vários clientes valorizam esta prática. As centrais de compras podem ser vistas como uma estratégia que um grupo de comerciantes ou fazem uso, unindo-se a fim de efetuarem as compras de suas mercadorias ou matérias-primas em maior volume e assim obterem melhores preços de seus fornecedores. Ao discorrer sobre centrais de compras, o Sebrae (1994) destaca o termo Associativismo que, seria “qualquer iniciativa formal ou informal que reúne um grupo de empresas, com o principal objetivo de superar dificuldades e gerar benefícios comuns nos níveis econômico, social e político”, assim, ressalta-se que a central de compras é muito utilizada por empresas de pequeno porte, buscando o benefício comum de maior poder de barganha (SEBRAE, 1994, p.12). Segundo o SEBRAE (1994) a central de compras funciona como uma distribuidora de produtos que, tem mais chances de ter sucesso quando as empresas parceiras utilizam a mesma matéria-prima. O principal objetivo desta terceirização seria obter dos fornecedores condições de negociação iguais aos 103LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância das empresas que compram grandes quantidades. A Estratégia de Compras está baseada em uma perspectiva global de mercado, em fontes de forneci- mento únicas ou número reduzido de fontes, em uma cooperação com o Fornecedor orientada para a melhoria contínua da qualidade,em just-in-time e em custo ótimo. Através desta estratégia, as centrais de compras vêm garantindo uma negociação vantajosa para as pequenas e médias empresas. Viana (2000) alerta que a criação de uma central exige espírito de coletividade, pois trabalha por um bem comum, onde ninguém tira vantagens de ninguém. Neste ambiente, o ato da compra envolveria as seguintes etapas: determinação do que, de quanto e de quando comprar; estudo dos fornecedores e verificação de sua capacidade técnica, relacionando-os para consulta; promoção de concorrência, para a seleção do fornecedor vencedor; fechamento do pedido, mediante autorização de fornecimento ou contrato; acompanhamento ativo durante o período que decorre entre o pedido e a entrega; e, encerramento do processo, após recebimento do material, controle da qualidade e da quantidade. Comprar é uma arte, talvez das mais antigas, motivo pelo qual o padrão atual exige que o comprador possua qualificações, demonstrando conhecimentos dos procedimentos a serem adotados, das ca- racterísticas dos materiais, bem como da arte de negociar, essencial na prática das transações. Uma central de compras racionaliza os custos e ainda tem potencial para melhorar as condições do próprio empresariado, desenvolvendo entre o setor um tipo de solidariedade e força política impres- cindível nas situações em que o grupo deve fazer valer os seus direitos de cidadãos-empresários. Trata-se da forma mais simples de integração comercial. O Sebrae (1994) acredita que a formação de parcerias estratégicas e o associativismo são uma grande saída para a pequena empresa. À medida que o nível de atenção dedicado às compras e suprimentos aumenta, o trabalho tende a tornar-se mais estratégico, concentrando mais ênfase em atividades como negociação de relacionamentos a prazos mais longos, desenvolvimento de fornecedores e redução do custo total, em vez de fazê-lo em rotinas de pedido e de reposição de estoques. 3. CONCLUSÃO A criação de uma central de compras mostra-se viável para uma série de atividades empresariais, não importando o tamanho e tampouco sua forma. As vantagens são muito evidentes, sendo que, seu maior benefício seria a permissão da sobrevivência da pequena empresa no mercado contemporâ- neo, facilitando seu crescimento e tornando-a mais forte frente à concorrência, agregando valores a seus produtos. As empresas que adotam abordagens de vantagem competitiva na administração de compras ten- dem a colocar em prática idéias de integração que são, pelo menos em parte, baseadas no papel estratégico e integrado das compras. Essa prática estimula maior interesse e, à medida que outras organizações tentam repetir esse sucesso, a função compras torna-se mais atual. A centralização total de compras oferece vantagens como a economia obtida pela consolidação dos pedidos que melhora o poder de negociação da área de compras e facilita os relacionamentos com os fornecedores; evita as grandes diferenças de preços entre o grupo e a concorrência entre elas por ma- teriais escassos; melhora a administração global de estoques; envolve menor número de funcionários com compras; uniformiza os procedimentos, formulários, padrões e especificações. REFERÊNCIAS BAILY, P. et al. Compras Princípios e Administração. São Paulo: Editora Atlas, 2000. 104 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância FERREIRA, F. R. N. Supply Chain Management. In: Revista Evoluções e Tendências. Vitória: Facul- dade de Ciências Humanas de Vitória, 1998. FLEURY, P. F. Supply Chain Management: conceitos, oportunidades e desafi os de implementação. Revista Tecnologística. São Paulo, ano V, n. 39, fev. 1999. GAONA, H. B. M. O uso da Simulação para Avaliar Mudanças Organizacionais na Produção. Florianópolis. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina, 1995. SEBRAE. Centrais de compras. Curitiba: Edição Sebrae, 1994. VIANA, J. J. Administração de Materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2000. Disponível em: <http://www.ietec.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/273>. Acesso em: 13 set. 2012. Caro(a) acadêmico(a), esse link irá tratar sobre Logística Aplicada ao Setor Público. <http://www.al.sp.gov.br/StaticFile/ilp/logistica.pdf>. ATIVIdAdE dE AuTOESTudO 1. Explique como ocorre o funcionamento de uma central de compras. 2. Escreva sobre o que é preciso para alcançarmos a formação de uma central de compras na Administração Pública. 3. Discorra sobre as vantagens da central de compras. 105LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Livro: Logística Verde Autor: Vitório Donato Idioma: Português Editora: Ciência Moderna Assunto: Ciências Biológicas – Ecologia e Meio Ambiente Edição: 1ª Ano: 2008 uNIdAdE IV ALMOXARIFAdO CENTRAL Professor Esp. Luis Fernando Otero Professor Esp. José Roberto Tiossi Junior Objetivos de Aprendizagem • Compreender as vantagens da implantação de um almoxarifado central. • Conhecer os conceitos que envolvem o processo de recebimento e armazenamento de produtos. • Descrever a estrutura de um almoxarifado. • Explicar o funcionamento de um almoxarifado. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Vantagens do almoxarifado central • Estrutura do almoxarifado • Funcionamento do almoxarifado • Controle 109LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância INTROduçãO O almoxarifado é o setor responsável pelo recebimento, armazenamento e distribuição dos bens e produtos adquiridos pela Administração Pública. Nele os fornecedores entregam os produtos pedidos por alguma unidade da Administração. Após o recebimento, esses produtos são armazenados até que a unidade que fez o pedido solicite que aquele produto seja entregue para consumo. As atividades desenvolvidas no almoxarifado central são fundamentais para o sucesso da logística na administração pública, pois são elas que definem a política de recebimento, de armazenamento e influenciam na política de distribuição dos produtos comprados. Dessa forma, influenciam diretamente no impacto dos custos do processo logístico, sendo as maiores responsáveis pela geração deles. Dependendo do órgão público existem diversos almoxarifados em uma mesma esfera, por exemplo, existem prefeituras com mais de dez almoxarifados diferentes em uma mesma cidade, quatro da saúde, três da educação etc. Mas quantos almoxarifados podem ou devem existir em uma prefeitura? E quantos em um órgão estadual ou federal? Para responder a essa pergunta devemos analisar algumas variáveis como, por exemplo, o tipo de produtos, as condições de armazenamento, o tempo máximo para consumo e a forma e distâncias de distribuição dos produtos adquiridos. O ideal é centralizar o máximo possível na hora do recebimento para proceder à distribuição posterior, mas temos de tomar cuidado para não elevar demais os custos de logística. Em nível municipal deveria existir um único local de recebimento e armazenamento para que os procedimentos sejam padronizados com maior facilidade. Para isso, vamos expor a seguir os conceitos e funcionamento de uma central de armazenamento. 110 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância PROCEdIMENTOS ANTES dO RECEBIMENTO Cronograma de entrega Após a seleção do fornecedor, mediante licitação, o órgão público começa a receber os produtos ou serviços contratados. O recebimento deve seguir um cronograma de entrega pré- estipulado no edital de licitação. O cronograma de entrega é um documento fundamental no planejamento de uma compra e uma boa parte do sucesso da mesma depende da fidelidade do cronograma de entrega. O art. 40, II da Lei de licitação diz que obrigatoriamente o edital deve conter “prazo e condições para assinatura do contrato ou retirada dos instrumentos, comoprevisto no art. 64 desta Lei, para execução do contrato e para entrega do objeto da licitação” (grifo nosso). Não é tão comum, mas o correto é que todos os órgãos públicos elaborem o cronograma de entrega e que o mesmo faça parte do edital da licitação, com essa medida os interessados em vender produtos ou serviços poderão organizar a sua logística e calcular seus custos de maneira mais eficiente, proporcionando economia aos cofres públicos. Pense em uma licitação para adquirir gêneros alimentícios para a merenda escolar, em que estão previstos, entre outros produtos, dez mil quilos de tomates. Quando o empresário vê o edital, ele começa a perguntar-se: como será essa entrega? Será que é tudo de uma vez? Será que tem entrega todas as semanas? Ou será que acompanha a sazonalidade da fruta e só tem entrega nos períodos em que o tomate é mais barato? Se o edital não define o cronograma e as condições de entrega, o fornecedor não tem condições de ofertar seu melhor preço. Sem um cronograma definido, às vezes um pequeno fornecedor não participa, pois entende que devem ser feitas entregas grandes e os grandes fornecedores não participam porque correm o risco de realizar muitas entregas pequenas ao invés de poucas grandes. 111LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Nos órgãos públicos mais organizados existe cronograma de entrega mesmo quando é utilizado o Sistema de Registro de Preços, pois entende-se que, se a Administração Pública está fazendo uma licitação, é porque pretende adquirir o objeto e as quantidades licitadas, mas o órgão pode optar por não comprar caso não precise. Registro do pedido Como o órgão público faz os pedidos para que os fornecedores entreguem os produtos ou serviços? Vale a pena ressaltar que o resultado da licitação deve ser anotado em um contrato administrativo, que pode ser materializado em um termo de contrato ou em documento equivalente. O art. 40 da Lei de Licitações obriga a publicar como anexo do edital de licitação a minuta do futuro contrato, sempre que o vencedor da licitação seja obrigado a assinar um termo de contrato. Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 112 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Como toda regra tem exceção, existem casos em que o termo de contrato pode ser substituído por outros documentos, conforme determina o art. 62 da Lei de Licitações. Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço. […] § 4º É dispensável o “termo de contrato” e facultada a substituição prevista neste artigo, a critério da Administração e independentemente de seu valor, nos casos de compra com entrega imediata e integral dos bens adquiridos, dos quais não resultem obrigações futuras, inclusive assistência técnica. Conforme verificamos, o termo ou instrumento de contrato é obrigatório, mas pode ser substituído, em alguns casos, por um dos seguintes documentos: carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço. A carta-contrato é um contrato simplificado que contém poucas cláusulas com as obrigações das partes. A nota de empenho é um documento que destina o crédito orçamentário para o fornecedor, indicado nele, além do fornecedor informa: os produtos ou serviços, as quantidades, preços unitários e totais, órgão requerente e pode conter alguma orientação para as partes envolvidas. A autorização de compra ou ordem de execução de serviço contempla as mesmas informações do empenho, mas sem a função de garantir ao fornecedor a existência de crédito orçamentário. Então um pedido pode ser feito por meio de um contrato assinado, no qual já consta um cronograma de entrega ou, em casos em que a entrega é única ou o valor é pequeno, o pedido é materializado na nota de empenho ou na ordem de fornecimento. Mas quando a licitação utiliza o Sistema de Registro de Preços? Como trabalhamos na disciplina de Licitações e Contratos, sempre que possível as compras devem utilizar esse sistema, nesse caso a Administração não tem obrigação de contratar nada das quantidades registradas, ou seja, o órgão público pode fazer pedidos conforme a sua necessidade. Esses pedidos, normalmente, são realizados mediante nota de empenho, ordem de fornecimento ou de serviço. O contrato é utilizado no caso de registro de preços para prestação de serviço que requer de mais exigências ou, independentemente do objeto, ao final do prazo de validade 113LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância da ata de registro de preços. Esse mecanismo é utilizado para prorrogar a vigência de uma licitação e é um procedimento lícito. Por exemplo, uma ata de registro de preço estima a compra de mil litros de gasolina para os veículos da prefeitura, mas passou quase um ano e foram consumidos 600 litros. A prefeitura pode fazer um contrato dos restantes 400 litros e no contrato serão transcritas as exigências constantes na ata de registro de preços e será definido o prazo de vigência do contrato. Os atores envolvidos nos pedidos Quem são os responsáveis nos órgão públicos pela emissão dos pedidos? Seguindo o cronograma de entrega ou conforme a sua necessidade, o órgão público deve emitir as notas de empenho e, quando entender necessário, encaminhar a ordem de fornecimento ou de serviço. Em todo órgão público há um responsável pela emissão das notas de empenho, normalmente, é o setor financeiro ou, em alguns casos, a própria contabilidade que se responsabiliza por essa tarefa. Quando existe a necessidade de fazer um pedido, o setor que precisa de um produto ou serviço pede ao setor responsável que emita as notas de empenho necessárias. A seguir, comprovadas as exigências necessárias, o empenho é emitido e encaminhado ao setor requisitante que tem a responsabilidade de encaminhar o documento ao fornecedor para que, a partir desse recebimento, comece a correr o prazo para entrega do objeto contratado. Repare que quando isso acontece o setor responsável pelo recebimento não está sabendo de nada do que está acontecendo e pode ser surpreendido a qualquer momento pela chegada de fornecedor para realizar a entrega de produtos pedidos. O importante é que o sistema de informação do órgão público seja eficiente e que as 114 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância informações necessárias a cada setor estejam nele em tempo hábil para tomar proveito delas. Assim, quando o órgão requisitante comunica o fornecedor deve também comunicar o setor de recebimento para que se prepare para receber o objeto em questão. Dessa forma, podemos dizer que o setor requisitante é o órgão central e ele interage com todos os envolvidos, sem que esses outros envolvidos tenham contato até a entrega dos produtos, conforme demonstrado na Figura 7. FORNECEDOR SETOR REQUISITANTE SETOR DE FINANÇAS SETOR DE RECEBIMENTO Figura 7: Fluxo do pedido de compras centralizado Fonte: Os autores Para aumentar a eficiência, podemos recomendar que o fluxo do pedido fosse linear. Dessa forma, o setor requisitante faz o pedido para o responsável pela emissão do empenho que, por sua vez, encaminha a nota de empenho diretamente ao setor de recebimento, que se encarregará de comunicar o fornecedor, passando as orientações necessárias para realizar a entrega (como fazer o agendamento, horários etc.). O ideal é que esse sistema de informação seja todo informatizado, pois possibilita que os 115LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distânciasetores envolvidos possam consultar o estágio em que se encontra o processo. SETOR REQUISITANTE Emitir pedido de fornecimento SETOR DE FINANÇAS Emissão da nota de empenho ou ordem de fornecimento SETOR DE RECEBIMENTO Comunicado ao fornecedor SETOR DE RECEBIMENTO Receber o objeto contratado Figura 8: Fluxo ideal do sistema de informação para pedidos de compra Fonte: Os autores Na figura 8 percebemos que o setor requisitante apenas faz o pedido e o setor de recebimento fica sabendo de todos os pedidos realizados antes das entregas. Considerando apenas a Administração Pública, por agora temos três setores envolvidos em um processo de pedido e recebimento de produtos. Além desses setores, o § 8º do art. 15 da Lei de Licitações diz que o recebimento de material de valor superior a R$ 80 mil deverá ser confiado a uma comissão de, no mínimo, três membros, conhecida como comissão de recebimento, ou seja, será o quarto ator. Por último, toda execução de contrato deverá ter um responsável (representante do órgão público licitante) pelo seu acompanhamento designado para essa finalidade. O quinto envolvido na fase de pedido e recebimento de produtos ou serviços é o fiscal de contratos que deve acompanhar e verificar se todos os atos do procedimento de compra, desde o início do processo até a execução do contrato, foram realizados regularmente. 116 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Resumindo, na realização do pedido envolvem-se os servidores de três setores: o requisitante, o responsável pelo empenho e o que irá receber os produtos. Já no acompanhamento de uma entrega envolvem-se os servidores do setor de recebimento, os membros da comissão de recebimento e o fiscal de contrato, cada um com suas responsabilidades independentes. Centralização dos recebimentos Em uma descrição bem simples verificamos, no tópico anterior, que são cinco setores que se envolvem no processo de fazer uma solicitação ou pedido de entrega até o recebimento concreto desse pedido. Analisando que, em cada um desses setores, temos o envolvimento de diferentes pessoas, ao final de um pedido, temos uma quantidade “x” de pessoas. Na menor das estruturas essa quantidade vai ser de pelo menos nove pessoas, distribuídos conforme a Figura 9. (1) Autor do pedido (1) Responsável pelo empenho (2) O empenho é assi- nado pela autoridade competente e o repre- sentante do setor que fez o pedido (secretário, gerente, diretor etc.) (1) Responsável por comunicar o fornecedor (1) Fiscal do Contrato (3) Comissão de Recebimento (9) Total Figura 8: Servidores envolvidos no processo de pedido e recebimento de produtos ou serviços Fonte: Os autores 117LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Conforme dito, nove servidores é a quantidade mínima de pessoas envolvidas, pois dependendo do estágio teremos mais servidores participando do processo. Por exemplo, os pedidos envolvem mais do que uma única pessoa. Na educação pode envolver os diretores das escolas, um supervisor que junta esses pedidos e, por último, o responsável por passar o pedido (o único considerado na Figura 9). Considerando que em cada setor temos diversos funcionários envolvidos em um pedido e que os pedidos são feitos por diversos departamentos, secretarias ou gerências, pode-se dizer que são muitos os servidores envolvidos no sistema de recebimento de produtos ou serviços. Isso pensando em uma única licitação, mas pensemos em todas as compras que acontecem durante um ano, quantas pessoas se envolvem nesses processos? Em média, uma prefeitura pequena (20 mil habitantes) faz 120 licitações por ano, número que vai aumentando com o tamanho populacional do município, podendo chegar aos mil tranquilamente. Quanto mais processos licitatórios, mais pessoas envolvidas na hora de fazer os pedidos teremos. Bom, imagine uma prefeitura que tenha um almoxarifado para cada secretaria, teriam vários almoxarifados em uma única prefeitura. Agora pense se nas maiores secretarias (por exemplo, saúde e educação) existisse um almoxarifado exclusivo para receber material de expediente, outro para materiais de manutenção, um para merenda escolar, outro para o hospital municipal e outro para medicamentos. Existem prefeituras que têm mais de dez almoxarifados em cidades de pequeno e médio porte. Não precisa nem saber o que é logística para perceber que os procedimentos não são padronizados e que os custos acabam majorados pela ineficiência na gestão. Qual a diferença nos procedimentos para receber uma caneta que vai ser utilizada na Saúde 118 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância ou outra que vai ser usada na Educação ou outra que será usada em outro setor da prefeitura? E para receber gêneros alimentícios utilizados na merenda escolar ou no hospital municipal? Não deveria haver diferenças, os procedimentos para receber materiais são os mesmos, independente de quem vai utilizar os produtos. Existindo mais de um almoxarifado existe o risco de serem adotados procedimentos distintos, mesmo para produtos idênticos. Isso porque o trabalho é feito por diferentes pessoas, então haverá diferenças de procedimentos. Para diminuir os custos de logística e os riscos enfrentados pela diferença de procedimentos, a melhor solução é implantar uma central de recebimento e armazenamento, comumente chamado de almoxarifado central. Principais vantagens do almoxarifado central As principais vantagens encontradas quando se implanta um almoxarifado central tem uma visão econômica, apesar de apresentar ganhos sob outras óticas, como organizacional, produtividade, gerencial, até motivacional para as pessoas envolvidas no processo. Agora em uma ótica perfeccionista (leia-se impossível) não deveríamos ter almoxarifados, ainda mais quando se trata de um órgão público que, normalmente, não produz um produto, mas sim presta serviços. Por exemplo, pense no serviço de manutenção de iluminação pública, em que ao deparar- se com uma lâmpada que não funciona, um cidadão qualquer entra em contato com a prefeitura para que esta tome as providências necessárias. Após receber a informação, o setor responsável pela manutenção desse serviço é acionado, e uma equipe que se dirige ao local indicado para fazer um diagnóstico da situação e identificar o problema. Supondo que seja um caso de reator ou lâmpada queimada, o servidor vai fazer uma solicitação de material para que o fornecedor entregue uma lâmpada ou um reator para que assim possa proceder à 119LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância troca e solucionar o problema denunciado pelo cidadão. Como vimos no exemplo, o órgão público não precisa de matérias-primas, mas produtos já industrializados prontos para serem “transformados” em serviços públicos. Conforme dito, é impossível deparar-se com essa situação na prática, seria perfeito se isso pudesse acontecer. Então, partindo do pressuposto de que os almoxarifados são necessários vejamos quais são as principais vantagens econômicas de manter um almoxarifado. a) Formação de cargas: Trabalhando com almoxarifados, os fornecedores reduzem seus custos de entrega. Pense em um fornecedor que teria que entregar canetas em todas as repartições públicas de um município (escolas, postos de saúde, paço municipal, secretarias etc.), agora pense nesse mesmo fornecedor entregando todas as canetas em um único lugar, bem melhor, né? Ainda quando o local de recebimento é único, pode juntar todos os pedidos em uma mesma data, possibilitando que a economia de escala aconteça, entregando uma quantidade maior por preço mais baixo. Assim, na central de armazenamento, são formadas cargas de produtos diversificados que são distribuídos conforme a necessidade dos requisitantes. b)Processamento de pedidos: Os pedidos realizados por diversos setores podem ser processados e separados conforme a logística de distribuição. Por exemplo, em um determinado bairro temos uma escola, um posto de saúde e um centro esportivo, se não existisse um almoxarifado central, cada uma dessas repartições receberia um pedido da secretaria a qual se encontra vinculada, sendo três veículos deslocados para atender a uma mesma região. Com a centralização, um único veículo precisa ser deslocado, permitindo que outros dois setores sejam atendidos no mesmo período. 120 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância c) Estoque mínimo Uma das grandes vantagens da centralização dos locais de armazenamento é que podemos diminuir a quantidade de produtos estocados. Vou contar um caso real, que se não tivesse visto não acreditaria. Certa vez fazendo um trabalho em uma prefeitura, estávamos diagnosticando o processo de recebimento e, principalmente, o de armazenamento. Para isto, escolhemos por sorteio três repartições para analisar produtos em comum que armazenavam, pedimos o relatório de posição de estoque (relatório que demonstra a situação do estoque no ato da sua emissão) e nos chamou a atenção a quantidade de papel higiênico que havia em todos eles. Claro, acabou sendo uns dos produtos escolhidos para análise. Ao chegar ao primeiro prédio que funcionava, entre outras coisas, como almoxarifado, pedimos ao responsável que nos indicasse o local de armazenamento do papel higiênico, ele nos levou até uma sala e saiu para que pudéssemos contar tranquilamente. Bom, o fato de o produto estar acondicionado em fardos facilitou a contagem, mas o total que contamos não chegava aos 20% da quantidade registrada no sistema. Chegamos a pensar que podia ser um erro de lançamento. Questionamos o responsável se esse era todo o papel higiênico e ele nos indicou uma segunda sala com mais alguns fardos, mas ainda faltavam uns 70% do total. Repetimos o questionamento ao responsável e ele indicou uma terceira sala que teria papel higiênico, quando abrimos a porta nos deparamos com uma sala de uns 40 m² cheia de papel higiênico, do solo até o teto havia espaço apenas para abrir a porta. Tinha um papel, colado em um dos fardos, com a quantidade de total de fardos que, supostamente (supostamente, porque não conferimos a quantidade), existiam naquela sala. Fizemos o acompanhamento nos outros dois locais de armazenamento e identificamos pequenas diferenças entre a quantidade registrada no controle de estoque informatizado e o físico. 121LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Diante da enorme quantidade do mesmo produto estocado na mesma prefeitura, pedimos um relatório de consumo durante os últimos 12 meses. Com esse relatório obtivemos a média de consumo mensal e dividindo a quantidade estocada por essa média, obtivemos o tempo que levaria para acabar com todo o material estocado, que foi de três anos e oito meses. Nesse caso, o papel higiênico era estoque para três secretarias, mas as outras que precisassem do material não poderiam utilizar desse e sim deveriam comprar mais papel. Com a centralização pode-se gerenciar o ciclo de um pedido de acordo com o consumo médio de cada secretaria, por exemplo, se um pedido demora um mês para ser concluído, pode-se trabalhar com dois ou três meses de estoque para que, quando se inicia um novo pedido, ainda exista quantidade suficiente em estoque para consumo. Ainda com a utilização de um sistema informatizado, o mesmo pode calcular a média de consumo nos últimos doze meses e emitir um alerta para iniciar um novo pedido quando a quantidade em estoque estiver menor que a quantidade média consumida em três meses. Essas são as principais de muitas vantagens que gera a implantação de um almoxarifado central, principalmente na administração pública que é tão carente de ferramentas para gerenciar a máquina pública de forma simples e eficiente. FuNCIONAMENTO dO ALMOXARIFAdO Quando chega a vez de receber os produtos ou serviços, deve-se verificar no edital da licitação qual o local pré-determinado para prestar o serviço ou entregar o produto. A verificação que deve ser realizada nas prestações de serviços é a mesma que acontece quando se recebe algum produto, a diferença é que muitas vezes o serviço é prestado em algum lugar da cidade e a verificação deverá ser in loco. 122 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância O local de recebimento dos produtos será o mesmo onde eles serão armazenados, ou seja, um almoxarifado que pode ser de uma secretaria, um setor específico ou pode ser um almoxarifado central. Conforme demonstrado, as vantagens da centralização são muitas e a seguir serão consideradas as funções e as rotinas de um almoxarifado central. Para qualquer rotina, seja em uma empresa privada ou em um órgão público, devem existir manuais com instruções por escrito descrevendo os detalhes das atividades a serem desenvolvidas. No almoxarifado é muito importante que todas as rotinas estejam descritas no papel para que exista uma padronização das atividades, independente do servidor que execute a ação. Qualquer almoxarifado deve ser dividido em alguns setores, onde cada um assume funções essenciais para atingir objetivos em comum. Na figura 10 se observa o layout de um almoxarifado com os seus setores, destacando que o seu tamanho será dimensionado de acordo com volume de produtos que serão estocados. Armazenagem (estoque): Guarda e Preservação. Saída: Separação e Liberação para entrega. Portaria e Segurança Administrativo Ca rg a e D es ca rg a Entrada: Descarga e Conferência. Figura 10: Layout do Almoxarifado Central Fonte: Os autores Para instalar qualquer almoxarifado, se devem tomar alguns cuidados em relação ao prédio onde o mesmo vai funcionar, pois nele irão ficar armazenados produtos que somados possuem valores altos. 123LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Qualquer edifício que armazenará produtos deve ter o tamanho, localização e construção adequada com a sua finalidade para facilitar tanto a operacionalização quanto sua manutenção e limpeza. O prédio deve ser adequado aos padrões de segurança, com muros altos, instalação de itens de segurança como câmeras de segurança, cerca elétrica, alarme etc. Ainda deve possuir equipamentos adequados para prevenção e combate a incêndios. A área interna do almoxarifado deve ter superfície lisa, sem rachaduras e que permita que os equipamentos circulem sem dificuldades. A área ao redor do prédio do almoxarifado, de preferência, deve ser urbanizada para evitar formação de pó e criação de insetos e roedores. Área de armazenagem A área de armazenagem ou de estoque é das que requerem maiores cuidados na hora do planejamento para sua instalação. Seu planejamento se dá de acordo com a quantidade de produtos que se pretende estocar, com o estoque mínimo estipulado para cada produto, com a quantidade de pedidos que serão recebidos e despachados e com as características dos equipamentos que serão utilizados (por exemplo, é preciso saber o tamanho da palleteira, o grau de giro, a altura máxima que alcança etc.). Com base nesses dados, é preparada a arquitetura do almoxarifado considerando o espaço que terá cada estrutura porta-pallets e os corredores. Os corredores são as ruas de um almoxarifado e o fluxo do trânsito depende do seu correto planejamento, pois no dia a dia, enquanto há produtos chegando haverá outros saindo. A eficiência do almoxarifado vai depender desses fatores. 124 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Lemos (2003) cita como os tipos de corredores mais comuns os seguintes: • Corredores de Trabalho que são aqueles por meio dos quais o material é colocado ou retirado na estocagem. • Corredores detransporte principal que se estendem por meio de todo o prédio e permite tráfego nos dois sentidos. • Corredores de cruzamento que são os que se estendem por meio de todo o prédio geralmente conduzindo a portas opostas do armazém. • Corredores de Pessoal que são aqueles usados somente por pessoas para acesso a áreas especiais ou interiores do prédio. Devem ser demarcados. • Corredores Auxiliares são os corredores necessários para acesso a fontes de utili- dades, equipamento anti-incêndio etc. Onde esses devem ser retilíneos (o máximo possível), não sendo obstruídos e sempre levando a portas quando possível devendo ser suficientemente largos para permitir uma operação eficiente, onde as colunas podem ser usadas frequentemente como linhas de fronteira e todos os itens estoca- dos devem ser convenientemente acessíveis. Os corredores devem ser identificados por uma linha de largura de 8 a 10 cm, marcada no piso e devem possuir mão única, excluindo os corredores de transporte principal. O setor de estoque ou armazenagem deve ser utilizado apenas com essa finalidade e deve ter características que permitam futuras alterações no layout, caso seja necessário. Outras instalações físicas O terreno onde vai funcionar o almoxarifado deve permitir a instalação de uma área para carga e descarga com espaço para o trânsito adequado de veículos de diversos tamanhos. A iluminação, ventilação e a umidade devem ser adequadas aos produtos que serão armazenados no almoxarifado, por isso devem ser controlados. As instalações sanitárias e os lavatórios para uso do pessoal das funções administrativas devem ser separados das instalações para uso pelo pessoal do setor de estocagem. A limpeza de um almoxarifado deve ser exemplar, não podendo deixar acúmulo de pó, tanto 125LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância no setor de estoque quanto nos outros. O lixo coletado deve ser eliminado mediante sistemas adequados e sustentáveis. Ainda deve existir um local para que os servidores do almoxarifado façam suas refeições, sendo totalmente proibido o consumo de alimentos nas demais dependências. Além das características do edifício, o almoxarifado deve possuir equipamentos que auxiliem no manuseio dos produtos estocados, como carrinhos de carga, empilhadeiras, palleteiras etc. Os colaboradores devem utilizar uniformes e equipamentos de proteção individual (EPI) de acordo com o setor onde trabalham e com o tipo de trabalho que executam. Portaria e segurança Pensando nos valores dos produtos que estão armazenados em um almoxarifado, e no caso dos órgãos públicos, que esses valores foram pagos com dinheiro público devem existir cuidados com a segurança do local. O primeiro é evitar que qualquer pessoa entre no almoxarifado, pode-se resumir que, além dos servidores que trabalham no local, podem ingressar os fornecedores quando vão fazer as suas entregas. Quando um fornecedor chega para fazer uma entrega, deve identificar-se na portaria, fornecendo alguns dados pessoais para que possa ser possível manter controle das pessoas que entraram no almoxarifado, destacando o horário de entrada e saída. Para liberar a entrada do fornecedor, o servidor do local deve verificar se o fornecedor tinha um horário agendado e se a entrega era aguardada. Além da questão de organização e eficiência, é importante que se adote o agendamento prévio para as entregas dos fornecedores para garantir a segurança. No caso de haver agendamento, o fornecedor entrará no almoxarifado. 126 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Dessa forma, os servidores da portaria podem ser considerados agentes de segurança. Além desses servidores, deve haver outros que ficam rodando o pátio e o prédio verificando as condições de segurança. Os servidores do setor de portaria e segurança devem receber um programa de capacitação continuada para enfrentar as situações do dia a dia. Eles devem ter noções de procedimentos de segurança, de combate a incêndio, de limpeza etc. Rapidamente percebemos que a segurança é fundamental para manter a ordem dentro do almoxarifado, e a portaria é essencial na segurança, já que é o setor que permite ou proíbe a entrada de estranhos ao ambiente. Administrativo O setor administrativo é o responsável por organizar, processar e registrar os pedidos de entrada e saída de produtos do almoxarifado. Como já foi dito, o ideal é que este setor seja o responsável por comunicar os pedidos ao respectivo fornecedor, passando as orientações necessárias. Após comunicar o fornecedor, o servidor do setor administrativo deve organizar os documentos para verificar os produtos que deverão ser entregues. Para poder fazer essa verificação, deve-se consultar a descrição e as condições do instrumento convocatório da licitação, as propostas dos licitantes vencedores, a ata da sessão de licitação e a nota de empenho. No instrumento convocatório, verificamos as exigências às quais o fornecedor deve atender para fazer a entrega, as quantidades máximas de cada produto e as descrições dos produtos que serão entregues e como vão ser entregues esses produtos, se deve ser em caixa, pacote, sacola, unidade etc. 127LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Na ata da licitação, encontram-se o preço e nome do fornecedor vencedor da licitação. Nas propostas dos licitantes verifica-se a marca do produto que deverá ser entregue. Por último, na nota de empenho, constam as informações referentes ao pedido que será entregue como quantidade, preço unitário, uma breve descrição do produto entregue, a identificação do setor a quem se destina o pedido e a indicação do recurso que pagará a obrigação contraída. Quando um fornecedor vai proceder à realização da entrega, deve comunicar-se com o setor administrativo para agendar um horário disponível para poder fazer a entrega. Chegando ao almoxarifado, o fornecedor deve identificar-se e, após a autorização da portaria para adentrar ao almoxarifado, deve dirigir-se ao setor administrativo que irá receber a nota fiscal para identificar o pedido que está sendo entregue. Após identificar o pedido, o setor administrativo deve conferir se a nota fiscal está de acordo com a nota de empenho em relação às quantidades e valores e se a marca é a mesma que foi ofertada na licitação. Se tudo está em conformidade, deve ser alimentado o sistema e emitida uma guia cega, usada para conferência durante o recebimento. A guia cega contém a descrição dos produtos, a marca e o tipo de volume que deverá ser conferido (pacote, caixa, fardo, unidade, litro, quilo etc.), no caso de ser pacotes, caixa ou fardo deve constar na descrição quantas unidades deve conter a embalagem. Por exemplo, “caixa com 24 unidades”, “fardo com 1250 folhas” ou “pacote com 6 unidades”. A guia cega deve ser encaminhada para o setor de recebimento de produtos. Em caso de dúvida, deve ser encaminhada junto com a guia cega uma cópia da descrição do produto que constava no instrumento convocatório. Após a recepção do produto, a guia cega deve voltar preenchida e os dados que constam nela devem ser digitados no sistema que irá finalizar a análise. 128 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Estando tudo correto, o fornecedor pode ser dispensado e o procedimento continuará no setor de entrada de produtos. O setor administrativo também é responsável por inventariar continuamente (por amostragem) os estoques, buscando os devidos esclarecimentos para qualquer discrepância nas quantidades. Durante os inventários, deve-se aproveitar para verificar qualquer degradação das embalagens dos produtos armazenados. As informações levantadas durante os inventários devem ser registradas no sistema por algum servidor do setor administrativo. Os prazos de validade devem ser controlados pelo setor administrativo e,em caso de haver algum produto com prazo vencido, o setor administrativo promoverá sua correta destinação e a baixa do sistema. Resumidamente, sem o trabalho do setor administrativo, nenhum produto será estocado e nem liberado para entrega, ainda todos os lançamentos no sistema são de responsabilidade desse setor, inclusive os lançamentos de perdas e baixas de produtos que se encontravam em estoque. Entrada No recebimento deve ser verificada a condição física de cada produto. Caso sejam entregues produtos diferentes, deve-se tomar o cuidado de manusear um tipo de produto por vez para evitar erros de conferência no recebimento. O setor de entrada é acionado após a emissão da guia cega. A primeira ação é selecionar aleatoriamente alguns volumes para fazer uma conferência, por amostragem, dos produtos que serão entregues. Nessa amostragem se verifica a conformidade da marca, da unidade e da quantidade por 129LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância volume. Estando tudo de acordo com o contrato, confere-se a quantidade de produtos que contém um volume, por exemplo, em uma caixa tem vinte latas ou garrafas de óleo. Cabe lembrar que na conferência deve-se verificar o prazo de validade dos produtos. A partir desse fato autoriza-se o fornecedor para que descarregue todo o material da entrega. Importante ressaltar que a obrigação de descarregar os produtos é do fornecedor e não dos servidores do almoxarifado. O art. 73 da Lei de Licitações diz que o recebimento dos produtos pode ser provisório ou definitivo. Art. 73. Executado o contrato, o seu objeto será recebido: [...] II - em se tratando de compras ou de locação de equipamentos: a) provisoriamente, para efeito de posterior verificação da conformidade do material com a especificação; b) definitivamente, após a verificação da qualidade e quantidade do material e consequente aceitação. Dessa forma, o recebimento é provisório quando não foi totalmente conferido, mas o fornecedor deixa os produtos no almoxarifado. Destaca-se que os produtos não podem ser armazenados, mas apenas guardados no almoxarifado. Quando tudo está conforme solicitado, pode se atestar o recebimento definitivo. Lembrando que quem faz essa verificação dos produtos de entrega é a comissão de recebimento, que pode ser formada por servidores do almoxarifado, mas pode ser composta por servidores de outros setores. Os produtos recebidos devem ser organizados nos pallets para poderem ser armazenados. O tamanho de cada pallet é definido conforme orientação nos próprios volumes entregues, por exemplo, nas caixas de alguns produtos encontramos dados como altura máxima, desenho para empilhar as caixas etc. 130 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Conforme o desenho de um pallet, se faz o cálculo de quantos pallets serão formados na entrega e define-se o local (endereço) de armazenamento. Existem sistemas que organizam essa distribuição, cuidando, inclusive, do prazo de validade dos produtos, indicando na hora da saída os pallets que contêm os produtos que vencem primeiro. Após a formação do pallet, ele é identificado com o endereço onde será armazenado e quando concluída toda a entrega os produtos podem ser guardados nos respectivos locais. Área de armazenagem O setor de armazenagem é o setor responsável por movimentar os produtos que ficam estocados no almoxarifado. A estocagem dos produtos nunca deve ser direta no solo, mas sim organizadas em pallets de forma a permitir a identificação fácil dos produtos. Deve existir um cuidado com a iluminação, principalmente para que os produtos não fiquem expostos diretamente à luz solar. Após o recebimento dos pedidos, os produtos são liberados para serem direcionados ao endereço onde ficarão estocados. Fo nte : S HU TT ER ST OC K. CO M 131LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Conforme dito, existem nos almoxarifados os corredores, eles se intercalam com as estruturas de porta-pallets e as ruas, assim cada rua recebe um número sequencial que começa a formar o endereço que será utilizado no estoque dos produtos. Assim como acontece na numeração dos endereços das cidades, de um lado das ruas temos número ímpares e do outro os números pares. RU A 07 RU A 06 RU A 05 RU A 04 RU A 03 RU A 02 RU A 01 P A L L E T S P A L L E T S P A L L E T S P A L L E T S P A L L E T S P A L L E T S Figura 11: Corredores do almoxarifado Fonte: Os autores Além dos corredores com a distribuição exibida na Figura 11, cada rua é dividida em casas, que são espaços da largura de um pallet, durante toda a extensão do corredor de porta-pallets. Ainda cada casa é dividida por andares, o normal é que além do térreo existam mais três prateleiras ou andares para que receba os pallets com os produtos, conforme demonstrado na Figura 12 a seguir. 132 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância 03 03 02 02 01 01 00 00 Figura 12: Estrutura do porta-pallets Fonte: Os autores Assim, um endereço de estoque é composto pelo número da rua, pelo endereço da casa (normalmente de dois dígitos) e pelo andar (de mais dois dígitos), conforme a Figura 13 que segue. X XX XX RUA ENDEREÇO ANDAR Figura 13: Estrutura do endereço Fonte: Os autores O andar térreo é utilizado para armazenar pallets que não estão com sua capacidade total de armazenamento preenchida, ou seja, para aqueles pallets dos quais estão sendo retirados os produtos que são distribuídos para consumo. As embalagens parcialmente utilizadas devem ser objeto de atenção quanto aos cuidados no seu fechamento para evitar perdas ou deterioração dos produtos. Nesses volumes é interessante deixar marcada a quantidade que resta na embalagem. O setor de armazenagem também é responsável pela separação dos produtos que serão 133LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância distribuídos. Nessa hora da separação é que se deve observar a ordem cronológica das datas de validade e de entrada no almoxarifado. Saída Quando algum setor do órgão público faz um requerimento de material para ser utilizado no consumo, o setor de saída é acionado para que se verifique qual o dia que será a entrega e providencie a separação dos produtos do pedido. O setor de saída é quem deverá solicitar ao setor de armazenamento para que faça a movimentação física dos produtos necessários para atender aos pedidos. Após a separação dos materiais, o setor de conferência verifica se o pedido foi totalmente separado para proceder à organização para que o mesmo possa ser liberado para entrega. CONTROLE Para que o almoxarifado central atinja o seu objetivo de aumentar a eficiência da gestão pública, é importante ressaltar que o controle interno tem um papel fundamental, pois ele é o responsável pelo acompanhamento das atividades e pela confrontação da prática com a teoria para evitar que falhas se repitam eternamente. O principal procedimento de verificação é a confrontação do estoque físico com o registrado no sistema informatizado. Para isso, semanalmente se escolhem três ou quatros produtos que se encontrem em uma mesma rua e pede-se para que servidores do setor façam a contagem física. Após a contagem, se cruzam o resultado e a quantidade registrada no sistema, o objetivo é encontrar possíveis diferenças. Em caso de haver diferenças, deve-se procurar encontrar os motivos e proceder ao ajuste do sistema. Na próxima semana, o procedimento repete-se em uma rua diferente. O controle interno também verifica como são feitas outras rotinas do almoxarifado, isso pode ser feito por meio de questionários que são aplicados junto aos servidores do setor. Por último, são verificadas as condições de manutenção do prédio ondefunciona o almoxarifado. 134 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Se aquelas condições que o prédio deve possuir estão mantidas com o passar do tempo. A cada atividade do controle interno, deve ser elaborado um relatório que auxiliará no processo de melhoria contínua que os órgãos públicos devem seguir. CONSIdERAçÕES FINAIS Bom, nesta unidade vimos como funciona um almoxarifado central. Essa que é considerada uma das novas ferramentas de gestão e que auxilia no aumento da eficiência da Administração Pública. No processo de logística na administração pública, o recebimento e armazenamento são das principais atividades, ou pelo menos das mais importantes. A forma burocrática com que tudo acontece na administração pública também está presente nesta etapa, mas pode-se dizer que de uma forma mais branda, principalmente, quando comparada com outros processos como, por exemplo, a licitação ou a contratação de servidores. O funcionamento do almoxarifado possui dois fluxos que andam ao mesmo tempo em sentidos contrários, mas que se encontram no setor de estoque. São os fluxos de entrada e saída de produtos, que concomitantemente, todos os dias, se movimentam. Enquanto há fornecedores fazendo entregas, há também servidores fazendo separação de pedido para poder fazer distribuição de produtos. O ciclo de funcionamento de um almoxarifado é um ciclo que não tem fim, que a cada dia, a cada entrega ou a cada pedido está renovando-se, finalizando-se e iniciando-se no mesmo instante. Agora podemos passar para a última unidade, que abordará a distribuição e alguns casos específicos de entregas diretas nos centros de consumos. 135LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância ESTOQuES NO SERVIçO PÚBLICO: uM ESTudO dE CASO NO ALMOXARIFAdO CENTRAL dA uNIVERSIdAdE FEdERAL dE SANTA CATARINA Foi realizado um estudo de caso no setor de almoxarifado central da Universidade Federal de Santa Catarina, sendo avaliados aspectos de estoques, como custos, armazenamento, segurança e contro- le, bem como o planejamento e o uso de sistemas de informação como suporte a essas questões. Para tanto é dado o embasamento teórico desses assuntos. O objetivo proposto é descrever o setor analisado para realizar comparações com as teorias e sugerir adequações. Para alcançar o objetivo utilizou-se como métodos a observação visual do setor, contato com o sistema trabalhado, entrevista e pesquisa documental. Os resultados demonstraram que o sistema de informação é subutilizado e que a maior carência do setor é na questão de gestão de pessoas, tanto no treinamento e mudança de cultura quanto para os incentivos motivadores. Disponível em: <http://www.inpeau.ufsc.br/wp/wp-content/BD_documentos/coloquio9/IX-1103.pdf>. Acesso em: 13 set. 2012. Pense a respeito do porquê nos órgãos públicos são raros os casos em que há uma gestão de almoxarifado e controle de estoques que funcionem e por que essas ações básicas são tão reconhecidas quando existem? Almoxarifado <http://www.youtube.com/watch?v=hovtTnWLzZs>. Inaugurações em Brumado Almoxarifado Central e UBS de Arrecife.wmv <http://www.youtube.com/watch?v=ZaLSFxmbyiU>. 136 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância ATIVIdAdE dE AuTOESTudO 1. Explique a importância do processo de recebimento e armazenagem dos produtos. 2. Aborde as vantagens da implantação de um almoxarifado central. 3. Relacione a estrutura, o funcionamento e o controle do almoxarifado. Livro: Almoxarifado e Gestão de Estoques: Do Recebimento, Guarda e Expedição à Distribuição do Estoque Autor: Bruno Paoleschi Idioma: Português Editora: Érica Assunto: Administração – Logística Edição: 1ª Ano: 2010 uNIdAdE V CENTROS dE CONSuMOS: dISTRIBuIçãO E CONTROLE Professor Esp. Luis Fernando Otero Objetivos de Aprendizagem • Entender a importância da distribuição para o processo de logística. • Conhecer as variáveis para definir as rotas de distribuição. • Compreender o funcionamento dos controles nos centros de consumo. • Relacionar conceitos de custos com o processo de logística. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Distribuição • Rotas de distribuição • Controles nos centros de consumos • Custos 139LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância INTROduçãO Chegamos à última unidade da nossa disciplina, na qual vamos tratar da distribuição dos produtos armazenados no almoxarifado e de alguns casos onde a entrega deve ou pode ser realizada diretamente no centro de consumo. Os casos em que a entrega é direta podem ser justificados pela falta de estrutura para realizar a distribuição com a equipe própria, por isso a obrigação é repassada ao fornecedor, ou simplesmente pelo custo ser mais alto se optar por fazer a distribuição com a equipe própria, ou ainda por falta de tempo hábil para fazer a distribuição. Depois que os produtos estão armazenados, o centro de consumo irá realizar um pedido solicitando a entrega de diversos materiais, nas quantidades necessárias para o consumo. Para o atendimento desse pedido, serão mobilizados os setores administrativos, de armazenamento e de saída do almoxarifado, além é claro da equipe que fará a ligação entre o almoxarifado e o setor requisitante. Nos centros de consumo, haverá também uma espécie de minis almoxarifados que manterão os produtos estocados em condições de serem utilizados e receberão, excepcionalmente, produtos entregues diretamente pelos fornecedores. No sistema chamado “almoxarifado” se encontraram vários subsistemas, são os casos do subsistema de entrada, de armazenamento e saída. O subsistema de saída engloba todas as atividades referentes à distribuição e entrega dos materiais para que os mesmos possam ser convertidos em serviços públicos, entre elas podemos citar as atividades de Separação, Expedição, Gestão de Estoques; Gestão de Transportes; Logística Reversa (Reciclagem e Devolução). Diante da complexidade do trabalho de um almoxarifado, na maioria dos órgãos da Administração Pública, principalmente na esfera municipal, os mesmos optam por “simplificar” o processo e fazem entregas sem critérios e até sem justificativas. 140 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Nesse sentido, Coêlho (2010, on-line) diz: Geralmente, a distribuição do material para as unidades é feita por critérios empíricos e sem controle real do consumo, causando excesso de disponibilidade de materiais e migração de produtos entre as áreas, o que causa a perda da rastreabilidade destes, não só dentro das unidades, mas também no sistema de saúde como um todo. Os órgãos públicos não se preocupam com a necessidade de produtos, mas pautam as compras com base nos recursos disponíveis para gastar. A visão dos gastos públicos não é sistêmica, onde cada unidade deveria preocupar-se em economizar recursos para poder prestar mais serviços ou, se for o caso, ceder os recursos em excesso para que outras unidades possam fazer proveito dele. A administração pública tem o costume de estimar suas compras não pela necessidade, mas pelos recursos disponíveis. Assim, por exemplo, se forem comprar canetas, essa compra é pautada pelos recursos disponíveis, não se compram mil canetas, se compram mil reais em canetas. Existe um paradigma nas unidades administrativas de que se não gastar todos os recursos orçamentários disponíveis, essa unidade receberá menos recursos no próximo exercício. Diante dessa situação, encontramos casos como o do papel higiênico relatado na unidade anterior e diversos outros que fazem da administração pública essas instituições que precisam aprender com as organizações privadas, onde o dinheiro tem dono, portanto é aplicado com cuidado e, apenas, nos casos de real necessidade. 141LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educaçãoa Distância dISTRIBuIçãO No processo de distribuição dos materiais armazenados no almoxarifado, temos os seguintes atores envolvidos: servidor que faz o pedido no setor requisitante (consumidor), servidores do setor administrativo, de separação, conferente e de distribuição do almoxarifado, além dos servidores que irão receber os produtos no setor que fez o pedido. Após a realização das entregas pelos fornecedores e o correto armazenamento desses produtos recebidos, os órgãos que fizeram os pedidos ao fornecedor podem emitir uma solicitação de material para que seja entregue a quantidade de produtos que será consumida até o prazo da próxima entrega, que normalmente é de um mês. Nesse processo, um sistema informatizado é muito útil, pois os órgãos requisitantes podem conferir as quantidades de matérias que possuem em estoque antes de fazer o pedido, assim como, após a formação de um histórico de consumo, o sistema pode realizar o pedido, que precisa apenas da confirmação do órgão consumidor para que seja autorizada a distribuição dos produtos. SEPARAçãO Após receber um pedido, a equipe administrativa do almoxarifado vai acionar o pessoal que trabalha no setor de saída dos produtos. Os servidores desse setor recebem guias com os pedidos de cada unidade, nessas guias encontram-se os produtos que serão entregues, as quantidades de cada um desses produtos e o endereço onde cada produto encontra-se armazenado no almoxarifado. Na separação são utilizados os produtos armazenados nos endereços mais baixos, normalmente no apartamento térreo das estruturas porta-pallets, para facilitar o manuseio dos produtos e a consequente preparação dos pedidos. 142 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Muito raramente são entregues pallets de produtos inteiros, é mais comum entregar pacotes de produtos e em alguns casos unidades dos produtos. Nesse último caso, é preciso abrir caixas e violar as embalagens que armazenam vários produtos para ter acesso às embalagens individuais. Exemplificando o parágrafo acima, podemos citar o caso do detergente neutro, aquele utilizado para lavar louças na cozinha. O mais comum é que esse produto seja pedido por caixas (normalmente com 24 unidades). É muito difícil que uma unidade peça um pallet fechado de detergente, mas pode acontecer de ter pedidos de algumas unidades do produto, ou seja, menos de uma caixa. Cabe ressaltar que a paletização de um produto deve atender a padrões nacionais, que objetivam facilitar a logística em todas as organizações. No Brasil é utilizado o pallet PBR, que mede 1,00 m por 1,20 m. A altura máxima de armazenamento é de 1,20, isso considerando o padrão de 15 cm da estrutura do pallet. Para cada produto existe o lastro e o arranjo físico para armazenamento de caixas ou embalagens nos pallets. Os fabricantes indicam essas informações (lastro e arranjo) nas caixas com um desenho. O lastro é a quantidade de caixas que são acomodadas em cada camada de embalagens no pallet, já o arranjo é a forma de distribuição dessas embalagens em cada camada. Respeitando principalmente a altura dos pallets, pois tem que considerar um espaço para que a empilhadeira possa movimentar os pallets nas estruturas porta-pallets. Após a acomodação das embalagens, os pallets são cobertos com filme esticável de polietileno ou, como é conhecido, de filme Sthetch, para facilitar a movimentação e também para proteger as embalagens dos produtos da poeira, humidade etc. Voltando à separação, são utilizados os apartamentos térreos para deixar os pallets que não 143LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância têm o lastro completo, ou que já estão sendo utilizados. Dessa forma, a separação pode ser feita com carrinhos manuais. Nesse processo, as empilhadeiras são utilizadas apenas para descer pallets novos aos apartamentos térreos para retirar produtos. Conforme dito, no processo de separação são utilizados carrinhos de cargas, e funcionários trabalhando em duplas fazem a retirada dos produtos dos pallets. É como ir ao supermercado com uma lista de compras, você vai andando pelas prateleiras, separando os produtos que lhe interessam e colocando-os no carrinho. Os produtos separados são acondicionados em caixas para que sejam distribuídos, cada caixa é identificada com o código correspondente ao pedido, o nome do órgão que fez o pedido e a indicação da rota de distribuição correspondente. Assim como no supermercado, o caixa confere todos os produtos que foram retirados das prateleiras; no almoxarifado, existe uma equipe que confere todos os pedidos que foram separados. A equipe de conferentes recebe os pedidos que foram separados e os prepara para a distribuição. É durante essa preparação que acontece a conferência do pedido, se todos os produtos foram separados corretamente, se as quantidades são as mesmas que foram solicitadas etc. Caso falte algum produto, um novo pedido é realizado pelo setor de conferência direcionado ao setor de separação com os produtos faltantes. Após a separação desse novo pedido, a equipe de conferência completa o pedido original e esse fica pronto para distribuição. ROTAS dE dISTRIBuIçãO Na distribuição devem ser conhecidas todas as unidades administrativas que possam fazer pedidos de materiais para o almoxarifado. Assim, recomenda-se que sejam marcados no mapa 144 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância da cidade todos os locais onde haverá entregas, por exemplo, em um município temos todas as escolas, centros de educação infantil, unidades básicas de saúde (postos de saúde), hospital municipal, os CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), centros de atendimentos à população de qualquer gênero, e quaisquer outras unidades administrativas. Depois de conhecer todos os destinos das entregas, é necessário mensurar o volume de produtos que cada unidade recebe em média, para saber se o centro de consumo precisa de entregas exclusivas ou pode ser formada uma rota. Dependendo do tipo de produtos que são armazenados, podem se montar equipes de distribuição por grupos de produtos, uma equipe para produtos não perecíveis (fará entregas mensais), uma para produtos perecíveis que precisam de distribuição semanal (caso dos alimentos para merenda escolar ou para alimentação no hospital), uma para produtos de manutenção (elétricos, mecânica, construções e reformas) etc. Cada equipe deve ter a sua disposição o número de servidores e os equipamentos necessários para realizar cada entrega. Outra possibilidade é ter uma única equipe de entrega, independentemente do tipo de produto. Ou seja, serão realizadas as entregas pela localização do órgão e em cada uma é entregue todo tipo de produtos. Nessa alternativa, é preciso tomar cuidado com produtos perecíveis, pois uma entrega mensal não é suficiente para atender à demanda, haja vista que os produtos não ficam em condições de consumo durante esse tempo. Recomenda-se que a cidade seja dividida em cinco partes e que se defina a periodicidade das entregas (semanal, quinzenal ou mensal) de acordo com o tipo de produto. Conforme foi dito, as entregas de produtos perecíveis devem atender ao prazo de conservação dos mesmos, podendo as entregas ser semanais e os outros produtos serem distribuídos mensalmente. Independentemente do critério levado em consideração para definição das rotas (uma equipe para cada tipo de produto ou uma equipe geral), em cada região da cidade serão definidas 145LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância rotas, ficando o mapa conforme a figura abaixo. Figura 14: distribuição de rotas Fonte: O autor O tempo ocupado para o planejamento das rotas de entregas será recompensado, pois quanto mais destinos forem colocados em uma mesma rota, sem prejudicar o tempo de entrega e a qualidade dos produtos, mais o custototal da operação será reduzido. A divisão da cidade em cinco partes ou setores justifica-se pelo fato de que cada setor terá três dias úteis para receber os pedidos, sendo ao todo quinze (15) dias úteis para entregas. É importante deixar, pelo menos, dois dias no mês sem entregas para realizar o inventário periódico no almoxarifado e com essa divisão da cidade sobrarão os dias necessários, mesmo nos meses com menos dias úteis. 146 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Esses dias não precisam coincidir em todos os grupos de produtos, já que normalmente os produtos do mesmo grupo ocupam a mesma rua, podendo-se fazer o inventário por rua. Cada rua do almoxarifado deve receber um tipo de produto para evitar que um prejudique a qualidade do outro, por exemplo, não é recomendável deixar produtos de limpeza junto com gêneros alimentícios. A definição dos produtos que serão recebidos, armazenados e distribuídos no almoxarifado vai depender dos custos e da estrutura necessária para poder atender à demanda das unidades. Dessa forma, definidos os critérios de entrega, cada setor em que a cidade foi dividida receberá os pedidos no mesmo dia e não deverá haver entrega de pedidos para outros setores nesse dia, com exceção dos produtos perecíveis que têm um ciclo de entrega próprio. Assim, se as entregas de materiais não perecíveis são realizadas mensalmente, as unidades localizadas no setor #1 receberão produtos nos primeiros dois dias úteis do mês. Já no setor #2, as entregas serão no terceiro e quarto dia útil do mês, e assim por diante. Ao final do mês, sobrarão um ou dois dias para o inventário e, caso seja necessário, o inventário será realizado fora do horário de expediente. Em todas as entregas deve ser emitido um guia de conferência que deverá ser assinado pelo separador, pelo conferente, pelo entregador e pelo encarregado em receber o material no centro de consumo. Esse documento conterá a relação de todos os produtos do pedido. A utilização de um sistema informatizado auxilia nesse processo, pois o sistema pode ser alimentado pelos servidores envolvidos no processo, ou seja, ao abrir um pedido, o sistema identifica a rota e direciona para um separador no tempo hábil para sua preparação, quando o pedido estiver separado, o servidor alimenta o sistema que direciona para um conferente, após realizar o seu trabalho, o conferente também informa o sistema que direciona o registro do pedido ao responsável pelo recebimento no setor requisitante. O pedido será baixado após a confirmação de recebimento alimentada pelo servidor da unidade consumidora. 147LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância O funcionamento do almoxarifado será, muitas vezes, avaliado pela sua eficiência nas entregas e será criticado em casos de atrasos ou entrega de produtos errados. Em se tratando de administração pública, que não está acostumada a trabalhar com essas rotinas, qualquer problema pode aumentar o risco de acabar com o almoxarifado central, ou com o trabalho organizado dos almoxarifados. Por isso, a distribuição é um dos processos mais importantes do sistema. CuSTOS NA AdMINISTRAçãO PÚBLICA Como você deve saber, a contabilidade pública está passando por mudanças com o objetivo de aproximá-la das normas internacionais de contabilidade, inclusive alterando seu nome para Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Assim essa nova contabilidade é definida como o ramo da ciência contábil que aplica, no processo gerador de informações, os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as normas contábeis direcionados ao controle patrimonial de entidades do setor público. Fo nte : P HO TO S. CO M 148 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância O objetivo da Contabilidade Aplicada ao Setor Público é fornecer aos usuários informações sobre os resultados alcançados e os aspectos de natureza orçamentária, econômica, financeira e física do patrimônio da entidade do setor público e suas mutações, em apoio ao processo de tomada de decisão; a adequada prestação de contas; e o necessário suporte para a instrumentalização do controle social. Para atingir o objetivo é necessário ter controle dos dados gerados e que esses dados sejam tratados para transformá-los em informações. Qualquer movimentação de materiais deve ser objeto de registro e controle, pois afinal é dinheiro público que está sendo movimentado. Apesar de a Lei 4.320/64, conhecida como Lei das Finanças Públicas, abordar a questão de custos, quem tem contato com algum órgão público sabe que não existe nenhuma preocupação com esse tema. São pouquíssimas as instituições públicas que detêm algum controle ou sistema de custos implantado e que funcione de forma eficaz. Martins (2003, p. 25) define custo como o “gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviço”, ou seja, é um gasto de recurso para transformá-lo em um produto ou serviço. Na área pública podemos parafrasear a definição acima como o gasto realizado por órgão da administração pública com objetivo de prestar um serviço à população. Ou seja, toda despesa pública é um gasto que faz parte do custo de um serviço público. Agora eu pergunto, qual é o custo para podar uma árvore “pública” na sua cidade? Qual é o custo de uma vaga na rede pública de ensino da sua cidade? Essas são perguntas complexas para responder, é necessário ter o controle de diversos fatos que produzem dados que, por sua vez, influenciam os custos. Mas qual é o custo de um vereador na sua cidade? É uma pergunta mais fácil de responder, pois é só pegar o valor das despesas realizadas pelo Poder Legislativo municipal e dividir esse valor pelo número de vereadores. 149LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Já se a pergunta for alterada para qual o custo de cada vereador da sua cidade, precisamos distribuir as despesas para cada um que lhe deu causa, ou seja, fazer uma departamentalização (procedimento comum na contabilidade de custos). Isso, lamentavelmente, ninguém faz em lugar nenhum, e nenhum cidadão vai ter a resposta para essa pergunta na atualidade. Não por complexidade, pois o trabalho é simples, mas por falta de vontade dos gestores. Pensando que em uma universidade pública temos os melhores pesquisadores, você deve imaginar que todas elas sabem o custo de uma vaga para cada um dos cursos disponibilizados pela instituição. Correto? Pois bem, se você é dos que achavam isso, você está errado, são poucos os gestores que se preocupam em saber esse custo e quando procuram é feito um levantamento simples de custo médio, ignorando os cursos. Ora, não precisa ter muito conhecimento para perceber que um curso de medicina requer mais gastos do que um curso de administração, portanto o custo também é maior. Nessas alterações que a Contabilidade Aplicada ao Setor Público vem sofrendo, é enfatizada a questão do levantamento de custos, tanto que está sendo alterada a estrutura da contabilidade criando um sistema de custos, que vai registrar, processar e evidenciar os custos dos bens e serviços produzidos e ofertados à sociedade pela entidade pública. A perspectiva é positiva se pensarmos em médio e longo prazo, contudo fica a dúvida: por que a administração não se preocupa com os seus custos como as organizações privadas se preocupam? Se pararmos para pensar na questão acima, verificaremos que um dos principais fatos está nos recursos financeiros da organização. Enquanto as instituições privadas devem incorrer em gastos para tentar arrecadar recursos, a Administração Pública tem recursos garantidos por meio dos pagamentos de tributos por parte da sociedade. 150 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Então a iniciativa privada preocupa-se em gastar o menos possível para obter um retorno desejado, e vai avaliar quanto vai arrecadarno caso de aumentar os seus custos, pois nem sempre mais gastos significam aumento na sua arrecadação. Já a administração pública não tem a preocupação de aumentar seus gastos, pois ao precisar aumentar as alíquotas dos tributos, aumenta a sua arrecadação. Durante décadas isso acontece não só no Brasil, mas no mundo todo e estamos em um momento em que a economia mundial despertou sua atenção para a redução dos gastos públicos. Os impactos desses aumentos descontrolados estão sendo sentidos na zona do Euro, e vários países estão tomando medidas para reduzir o custo da máquina pública. Um segundo aspecto importante e mais relacionado com a nossa disciplina atual é a questão dos estoques. O controle de estoque na iniciativa privada é um dos pontos mais importantes administrativa- mente falando. Os empresários enxergam os produtos estocados como dinheiro e procuram protegê-los para evitar prejuízos. Já nas organizações públicas, são poucos os gestores que têm essa consciência, mesmo servidores e políticos com origem na área empresarial parece que se esquecem desses conceitos quando adentram um órgão público para gerenciar. Ainda sobre os estoques, os empresários têm interesse em saber quantos produtos estão estocados, pois eles só pagam impostos depois que eles saem do almoxarifado, a União por meio dos seus órgãos regulamenta a questão para evitar fraudes e sonegação de impostos. A obrigação legal dos órgãos públicos é de realizar despesas, mas inexiste na legislação federal qualquer obrigatoriedade do órgão público manter um sistema de controle de estoque. O balanço patrimonial de qualquer organização privada ou não governamental traz a informação do valor do estoque. Porém, isso não acontece na administração pública, pois não 151LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância existe nenhum relatório obrigatório que contemple sequer o valor total de todos os produtos em estoques. O balanço patrimonial na Administração Pública preocupa-se com o ativo financeiro e o permanente e, em nenhum desses grupos, contempla o valor do estoque. Podemos concluir que os gestores pensam da seguinte forma: se é uma coisa que não tem dono e tampouco existe obrigação legal, para que ter informações sobre o controle de estoque na Administração Pública? O problema é que essa coisa tem dono e, em função, a população na condição de tal, quer saber o que acontece com os produtos comprados. Para isso, em 2007, a sociedade maringaense apresentou uma proposta lei que prontamente foi acatada pelos vereadores, e obriga a todos os órgãos municipais da cidade de Maringá, no Paraná, a manter um controle de estoque eficaz. Link: <http://sapl.cmm.pr.gov.br:8080/sapl_documentos/norma_juridica/9903_texto_integral>. Segundo a Lei 7931/2008, esse controle de estoque tem por objetivos: I. Permitir o conhecimento do que está armazenado e disponível para uso ou consumo II. Determinar o valor que há no estoque III. Reduzir perdas e eventuais desvios de materiais de consumo produtos ou mercadorias IV. Verificar a necessidade da aquisição de determinado item e estabelecer a quantidade a ser adquirida. 152 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A mesma Lei determina alguns procedimentos para atingir os objetivos propostos e determinou que a mesma só vigorasse a partir da sua regulamentação, o que não aconteceu até hoje. Apesar da falta de regulamentação, os efeitos foram sentidos, pois a prefeitura colocou em prática as rotinas e o resultado é positivo, tanto que o Portal da Transparência do município apresenta o controle de estoque, o registro de entradas de produtos e o registro de saída para cada centro de consumo. Link: <http://www2.maringa.pr.gov.br/site/index.php?sessao=f38601a1cd8nf3>. Pode-se dizer que é das poucas, senão a única lei nesse sentido, e quem sabe não seja esse o caminho para a profissionalização dos controles de estoque nos órgãos públicos. CONTROLES NOS CENTROS dE CONSuMOS Considerando o exposto até aqui, verificamos a importância de ter um almoxarifado central em um município, assim como ter rotinas eficientes até a entrega dos produtos armazenados nesses almoxarifados para evitar problemas. Mas depois de entregar os produtos na unidade solicitante, é necessário que existam pequenos almoxarifados nessas unidades para estocar e controlar os produtos durante o período que perdurará até a próxima entrega. Como uma dessas unidades deve fazer a estimativa das quantidades dos produtos nos seus pedidos? Toda estimativa de quantidade de produtos para consumo deve tomar por base 153LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância as quantidades consumidas nos períodos anteriores, levando em conta a sazonalidade de consumo. Mas para ter esses dados é preciso que se estabeleça um mecanismo de controle que permita obter o histórico de consumo, isso mediante o registro de entrada de produtos e suas saídas, de preferência contendo a destinação que foi dada aos produtos. Já aconteceu de uma prefeitura ficar desesperada pela falta de um medicamento para hipertensão, uma unidade básica de saúde (UBS) fez o pedido para o almoxarifado central de medicamentos e foi detectado que a quantidade em estoque não era suficiente para atender ao pedido. Antes mesmo de pensar em uma solução, todo mundo começou a preocupar-se com a população que ficaria sem o medicamento e com o impacto negativo para o prefeito da cidade, afinal, faltaria medicamento, seria um descaso com a saúde pública etc. Pensou-se em fazer uma compra emergencial, em uma farmácia da cidade, mesmo não tendo amparo legal, pois o fornecedor demoraria em entregar o medicamento, mas o peço da farmácia era mais de 200% mais caro do que o preço da licitação. Até que alguém teve a ideia de pesquisar os estoques nas outras UBSs, para desespero de toda a Secretaria de Saúde, metade dos postos estavam com estoques insuficientes até para o consumo próprio. Descartando a ideia de buscar as sobras de estoque e redistribuir para os que precisavam. Outra pessoa questionou qual seria a quantidade necessária que deveria ser comprada para atender à população até a entrega do fornecedor. Diante desse questionamento, o servidor que estava ligando para as UBSs retomou o trabalho de verificar as quantidades daquele medicamento nos estoque das restantes UBSs. A surpresa agradável (pela situação, não pela gestão) foi que três UBSs receberam quantidades acima do necessário durante um longo período de tempo, o que proporcionou que elas aumentassem o estoque desse medicamento e que neste momento pudessem redirecionar 154 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância essas quantidades para quem precisasse. As quantidades eram tão absurdas que não houve necessidade de realizar a compra emergencial e, quando o fornecedor realizou a entrega, ainda havia medicamento em estoque de todas as UBSs. O caso acima representa a importância de manter um controle de estoque também nos centros de consumo, pois nesse caso a utilização dos produtos em excesso se deu com interesse público. Mas poderia ter acontecido o desvio desses medicamentos, como vemos rotineiramente nos noticiários do nosso país, onde quadrilhas roubam os medicamentos e em conluio com farmácias vendem medicamentos que deveriam ser distribuídos para a população. descoberta fraude de desvio de medicamentos no Hospital do Servidor Público <http://www.youtube.com/watch?v=H_gDQ5sBjf8>. desvio de medicamentos (12/04/12) <http://www.youtube.com/watch?v=cKIUXdWY19Q>. O controle de estoque deve existir em toda unidade que armazena produtos até o consumo, mesmo que provisoriamente. Dessa forma, é possível identificar qual foi o setor consumidor e para a prestação de qual serviço foi utilizado o produto, permitindo a alocação do custo desse produto na prestação de determinadoserviço público. Uma escola, por exemplo, recebe produtos para o consumo durante todo o mês, mas esses produtos ficam estocados durante um tempo até o consumo. Deve-se manter um controle dos 155LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância produtos recebidos e dos consumidos, indicando na saída qual setor que consumiu o produto. Da mesma forma, devem proceder as unidades básicas de saúde, os hospitais e todos os outros centros de consumo que pertençam ao órgão. Com esse controle é possível estimar quais produtos precisam ser entregues a cada mês e, juntando todas as unidades ou centros de consumos, podem ser estimadas as quantidades de cada produto que precisam ser adquiridas por meio de licitação. Quando não há esse controle, os órgãos públicos definem as quantidades com base na licitação anterior, mas sem saber se todos os itens foram adquiridos, consumidos ou de fato foram utilizados para satisfazer ao interesse público. Se na licitação anterior compraram-se produtos em quantidade exagerada e os produtos foram usados com sua finalidade desvirtuada e ninguém tiver esse conhecimento, na nova licitação acontecerá o mesmo erro. Por exemplo, em uma prefeitura comprava-se uma quantidade desnecessária de galões de detergente para utilização nos centros de educação infantis, mas as mesmo tempo faltavam nesses centros shampoo para dar banhos nas crianças. A justificativa pela falta desse produto era que não havia recursos financeiros suficientes, mas se comprasse a quantidade correta de detergente, sobraria dinheiro para adquirir mais shampoo. Dessa forma, para que o gestor possa tomar uma decisão correta, precisa de informações. No caso das licitações, essas informações devem estar no termo de referência e esse documento deve ser elaborado com base nos dados levantados por meio dos registros do sistema de controle de estoque. Assim o sistema de controle de estoque tem duas funções, evitar desvio de finalidade no consumo dos produtos adquiridos com recursos públicos e dar subsídios para definição do planejamento das quantidades que precisam ser adquiridas no próximo ano. 156 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância CASOS QuE REQuEREM LOGÍSTICA ESPECÍFICA A seguir, trataremos de alguns casos que requerem uma logística específica de acordo com a estrutura de cada órgão público. Como já foi relatado em algumas situações, a Administração Pública pode receber produtos diretamente nas unidades consumidoras e são alguns desses casos que serão tratados a seguir. É importante ressaltar que além de ter uma logística que permita o controle e evite desvios, a mesma deve ser eficiente e deve atender à demanda das unidades que compõem a máquina pública, ou seja, deve existir uma relação custo-benefício equilibrada. MERENdA ESCOLAR A merenda escolar é um tipo de serviço público que requer de cuidados especiais, no que diz respeito à logística, entre outros fatores. A primeira decisão importante que deve ser tomada é se serão compradas refeições prontas ou se as mesmas serão preparadas nas próprias escolas. Se a Administração optar por adquirir as refeições prontas, deve-se definir a forma como será entregue e servida cada refeição. Pode ser em marmitas individuais, em que cada aluno já recebe a refeição pronta, como podem ser entregues os pratos do cardápio separados e as refeições servidas nas escolas. Além desse quesito, é preciso definir o cardápio que será servido aos alunos. Os cardápios devem ser planejados para um determinado período, que deve ser, no mínimo, bimestral. Para abaixar os custos da merenda escolar e para que os alunos criem o hábito de ingerir diversos alimentos, é recomendável que sejam utilizados apenas alimentos da época, ou seja, aqueles que são produzidos em maior quantidade no período em que o cardápio é servido. 157LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Esse planejamento do cardápio deve ser feito por um profissional habilitado em nutricionismo, para que as refeições sejam balanceadas e saudáveis. O segundo passo, independentemente de comprar refeições prontas ou prepará-las nas escolas, é mensurar a quantidade de refeições que serão servidas diariamente, por escola, por período, por dia, por semana, por mês. Com base nessa quantidade o órgão público procede à contratação de empresa que entregará as marmitas. Na licitação deverá constar um cronograma de entrega, com quantidades e endereços, pois não é viável que a entrega aconteça no almoxarifado central para distribuição pela equipe da prefeitura. Nesse caso, a entrega deve ser direta nas escolas, ou seja, na unidade que vai consumir o produto adquirido. Já se a opção escolhida for a de preparar as refeições nas escolas, devemos ter diversas ações para atingir o objetivo de servir a merenda escolar. Após a definição do cardápio, é preciso comprar os alimentos que serão utilizados nas cozinhas das escolas. Para isso, devemos ter licitações de hortifrutigranjeiros, carnes, pães, alimentos não perecíveis etc. No processo de distribuição desses materiais, deve ser considerado o prazo de validade e/ ou conservação dos alimentos. Por exemplo, um pacote de arroz tem prazo de validade de 180 dias, já um pé de alface tem que ser consumido na mesma semana em que aconteceu a entrega. Se uma prefeitura não dispõe de capacidade para realizar a distribuição semanal que requer os alimentos perecíveis da merenda escolar, automaticamente, a gestão deverá decidir por “terceirizar” a responsabilidade da entrega para o fornecedor. Isso deverá constar no edital de licitação (periodicidade e locais de entrega), no caso de quais alimentos serão entregues cada semana, em quais quantidades e onde serão entregues. 158 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Cada edital de licitação deverá conter uma relação com todos os endereços. Lembrando que produtos como a alface devem ser entregues no máximo na terça-feira, pois não adianta receber na sexta para usar na semana seguinte. Vale ressaltar que os alimentos, assim como todos os produtos que os órgãos públicos compram ou contratam, são de primeira qualidade. Existem diversos servidores que não possuem essa consciência e recebem qualquer produto dos fornecedores, pois “dá para aproveitar” para servir uma boa refeição. É comum encontrar nas prefeituras entregas de hortifrutigranjeiros e de carnes sendo realizadas nas escolas e nos centros de educação infantis. Nesses casos, essas unidades devem estar equipadas com a estrutura necessária para proceder ao recebimento e os funcionários serem treinados para receberem corretamente os pedidos. Nesses casos, as equipes de recebimentos que trabalham nas diferentes escolas devem ser capacitadas e treinadas para que recebam os alimentos de forma correta e que não permitam que os fornecedores se aproveitem da falta de conhecimento, pois os prejudicados serão os alunos. Em um dos trabalhos que acompanhei em uma determinada prefeitura, fizemos uma reunião com as diretoras das escolas e centros de educação infantil para conhecer as dificuldades de logística que elas enfrentavam e medir o grau de conhecimento sobre o tema. Algumas reconheceram que mais de uma vez receberam produtos sem qualidade, achando que estava bom, pois “a merenda é servida de graça para os alunos”, mas sem a consciência de que o órgão público pagava o preço de produtos de primeira. Outras reclamaram de ter que assumir a responsabilidade de conferir as quantidades entregues, pois não possuíam balanças. Assim recebiam carnes e deviam confiar no fornecedor sobre as quantidades entregues, pois nem se quisessem conseguiriam realizar a conferência. 159LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Por esses casos é importante que os órgãos públicos conscientizem todos os servidores envolvidos, mas também que lhe proporcionemcondições de trabalho. Depois de recebidos os produtos, os mesmos deverão ser armazenados adequadamente seguindo as normas da vigilância sanitária, assim como se fosse um restaurante ou lanchonete. As escolas devem estar equipadas com áreas de estoque, geladeiras e freezers que comportem as quantidades consumidas. Deve existir um sistema de controle de estoque informatizado com terminais em todos os estabelecimentos de ensino para que cada responsável alimente o recebimento de cada produto. As quantidades devem ser calculadas em relação ao número de alunos matriculados na instituição de ensino em cada período. Ainda é importante que a cozinha disponha de toda a infraestrutura necessária para poder preparar as refeições, como panelas, utensílios, eletrodomésticos etc. Por último, e não menos importante, é necessário estimar quantas pessoas precisarão trabalhar em cada escola para poder fornecer a merenda escolar para os alunos. Para acompanhar a qualidade da merenda em cada unidade de ensino, podem ser instalados projetos onde os próprios alunos verificarão periodicamente os produtos entregues, a forma de recebimento e o trabalho dos profissionais que atuam na escola. Dessa forma, os alunos estarão sendo preparados para serem cidadãos que acompanham a aplicação dos recursos públicos e auxiliarão o trabalho do conselho da merenda escolar, que deve fiscalizar os gastos públicos referentes a produtos e serviços que objetivam servir merenda escolar para as crianças e adolescentes. 160 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância KITS ESCOLARES O caso dos kits escolares também é complexo e requer a tomada de decisões quanto à forma que os mesmos serão adquiridos e distribuídos. Para começar, deve-se saber qual é a composição de um kit escolar no órgão que trabalhamos, pois não existe padrão de kit escolar. Em algumas cidades existe uma lei municipal que regulamente a composição do kit, já em outras prefeituras é a própria equipe pedagógica que define qual será o arranjo do kit. Normalmente, no kit encontram-se o uniforme escolar de verão e inverno e alguns materiais de expediente, como caderno, caneta, lápis preto e de colorir, borracha etc. A preparação desses kits precisa de mais de uma licitação, portanto é importante iniciar o planejamento deles até o final de junho do ano anterior ao que os materiais serão utilizados, dessa forma os kits poderão ser entregues no início das aulas, evitando prejuízos para alunos e professores. Assim como na merenda escolar, deve existir um controle com o número de alunos para estimar as quantidades de materiais que serão adquiridos, e ainda devem-se levantar as quantidades de uniformes que serão necessários por tamanho que cada aluno precisará. No mínimo, teremos uma licitação para os uniformes e outras para o material escolar. Os uniformes serão entregues por tipos de peças (camisetas, regatas, agasalhos etc.) e separados por numeração e caberá ao órgão público fazer a separação e a distribuição por escola. Ressalta-se que é importante manter um excedente em estoque para novos alunos ou para eventuais trocas. Já o material escolar pode ser licitado o kit pronto com sua composição ou podem ser adquiridos os produtos por item e, posteriormente, serem montados os kits pelos servidores do órgão. 161LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância A opção de comprar os kits prontos parece mais vantajosa, mas não é. O primeiro problema enfrentado é a marca dos materiais, pois se, durante a licitação, uma marca não for aprovada pelo órgão, deve-se desclassificar a proposta inteira, então normalmente se acaba pagando mais caro. Sem contar que são poucas as empresas que dispõem de estrutura para montar os kits, com isso afasta potenciais concorrentes o que também aumenta o custo do órgão. Por último, existem empresas aventureiras que, atraídas pelos altos valores dessas licitações, entram sem se preocupar em planejar o tempo do qual deverão dispor para montar os kits, com isso acontecem atrasos nas entregas e, dependendo do tempo, pode acontecer de se iniciarem as aulas sem o material dos alunos. Na opção de licitar os produtos individualmente, participam mais empresas, pois cada participante pode optar por vender os itens que tiver interesse. Caso ganhe algum deles, as entregas utilizam os mesmos volumes que os fabricantes entregam, facilitando a logística do licitante. Por parte do órgão público os kits podem ser montados dentro do almoxarifado central ou nas escolas. A segunda possibilidade é mais viável, pois facilita as entregas. Por exemplo, se uma escola possui cem (100) alunos matriculados ela vai receber cem (100) unidades de cada produto para que sejam entregues aos alunos, que podem ser separados previamente ou na hora de entregar aos alunos. CONSIdERAçÕES FINAIS Olá novamente, chegamos ao final de mais uma unidade e, junto com esta, chegamos ao final da disciplina. Conforme observamos, a distribuição dos produtos armazenados no almoxarifado é fundamental para a avaliação que os usuários vão fazer do processo de logística. Os servidores não querem saber se o almoxarifado é limpo e organizado, eles querem a disponibilidade dos produtos necessários na hora certa. No processo de distribuição, o órgão deve criar as rotas de distribuição para organizar as 162 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância entregas. Quanto maior a cidade, maior a complexidade e maior deve ser a quantidade de equipamentos e da equipe para atender à demanda. Se for um órgão estadual ou federal, o planejamento deve ser objeto de preocupação, mas depois de pronto, funciona da mesma forma que uma prefeitura. Nesses casos, recomenda-se a criação de regionais para cada almoxarifado ao invés de centralizar tudo. Em todo o processo de logística, deve existir uma preocupação com os custos envolvidos nas operações e com o registro de todos os fatos que podem tornar-se informações importantes para o processo de tomada de decisão. Sempre deve existir uma relação entre os custos de uma operação e o benefício que será obtido por ela. Lembrando que o registro e os controles não terminam no almoxarifado, mas sim nas unidades consumidoras dos produtos e que, para o sucesso dessa nova técnica de gestão pública, é necessário o envolvimento de servidores treinados e capacitados para exercer suas funções. Caro(a) acadêmico(a), por meio do link abaixo você poderá refl etir sobre o papel da logística no que tange ao controle de estoque, demanda e transporte. Apesar de básico, na Administração Pública, são poucos os casos em que a estimativa de compra toma por base o consumo em período anterior. Muitas vezes, ao questionar quanto pre- cisamos comprar, escutamos a resposta “quanto temos para gastar?”. Pense no que acontece com os produtos comprados sem necessidade. <http://www.logisticadescomplicada.com/controle-de-estoques-logistica-e-previsao-de-demanda/>. Administração de Materiais e Logística <http://www.youtube.com/watch?v=DpJtGWIroWc>. 163LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância Logística de Suprimentos – TCC SENAI CFP/JPR - Parte 02 <http://www.youtube.com/watch?v=De10ZDh_f8s&feature=related>. ATIVIdAdE dE AuTOESTudO 1. Explique a importância do processo de recebimento e armazenagem dos produtos. 2. Aborde as vantagens da implantação de um almoxarifado central. 3. Relacione a estrutura, funcionamento e controle do almoxarifado. Livro: Projeto de Centros de distribuição Autores: Michel Roux e Darli Rodrigues Vieira Idioma: Português Editora: Campus Assunto: Administração – Logística Edição: 1ª Ano: 2011 164 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância CONCLuSãO Caro(a) aluno(a), gostaríamos de iniciar a nossa conclusão citando um conceito da logística que é extremamente pertinente: “Logística é oprocesso de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as necessidades do cliente” (CLM Council of Logistics Management, 1991) Conselho de Gerenciamento da Logística – Atual CSCMP – Council of Supply Chain Management Professionals – Conselho dos profissionais de Gestão da Cadeia de Suprimentos. Este conceito de logística é adequado aos mais diversos segmentos de negócios no setor privado e também à logística do setor público. Mas, então, qual é a diferença na gestão logística dos diversos segmentos ou da própria logística do setor privado e do setor público? A grande diferença é que as realidades e características são distintas, e os gestores da logística têm que preocupar-se com a aderência das práticas respeitando as restrições do ambiente em que atuam e, desta forma, implantar modelos logísticos que atinjam maior eficiência e eficácia. Ou seja, um segmento alimentício busca tanta eficiência e eficácia quanto um setor automobilístico, mas uma pequena indústria alimentícia terá condições de criar um parque industrial ao seu redor para materializar uma logística “just in time” com custos logísticos atraentes, como usualmente uma indústria do setor automobilístico faz? É provável que não, mas ela pode posicionar-se próxima aos fornecedores ou aos clientes, buscando uma maior eficiência logística no seu processo, ou mesmo, realizar parcerias com fornecedores visando disponibilizar serviços logísticos adequados aos seus clientes com custos competitivos. Na verdade, independente do segmento de atuação, os gestores logísticos devem identificar quais são as boas práticas em logística que trarão mais resultados no seu processo logístico e implementá-las com sucesso. Na logística do setor público não é diferente, os gestores de logística do setor público devem respeitar as principais restrições logísticas no modelo em que atuam e identificar quais são os modelos logísticos que teriam maior aderência, ou seja, que poderiam ser materializados e que trariam maiores resultados, ou seja, como obter um fluxo físico de mercadorias eficientes e eficazes, atendendo às necessidades dos seus clientes, com níveis de serviços adequados com o menor custo total. 165LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância É importante citar que as restrições logísticas devem ser avaliadas e devem-se perceber quais são as restrições que podem ser mudadas e que devem ser enfrentadas com projetos de melhoria e quais são as restrições que têm que ser respeitadas, pois não podem ser mudadas, pelo menos no curto e médio prazo, e o modelo logístico implantado terá que conviver com estas restrições identificadas. Caro(a) aluno(a), pudemos compreender na leitura do nosso livro as ideias principais sobre os conceitos da logística e dos processos da cadeia de abastecimento, o processamento de pedidos na administração pública, as vantagens da utilização do almoxarifado central e a importância dos centros de consumo. A reflexão que fica neste sentido é como, por meio dos conceitos gerais e específicos de logística, os gestores da logística do setor público do Brasil poderão contribuir para uma conquista evolutiva de obtenção de uma logística do setor público cada vez mais eficiente e eficaz, onde, na melhor forma de gestão do dinheiro público, poderão implantar dia a dia as boas práticas de logística, atendendo aos níveis de serviços desejados pelos seus clientes nos menores custos logísticos totais. 166 LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância REFERÊNCIAS ALVARENGA, A. C.; NOVAES, A. G. Logística Aplicada – Suprimento e Distribuição Física. São Paulo: Pioneira, 1994. BRASIL. Lei 4.320 de 17 de março de 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012. BRASIL. Lei 8.666 de 21 de junho de 1993. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L8666cons.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012. CARVALHO. Apostila de Logística. 1999, on-line. Disponível em: <http://www.topconcursos. com.br/index.php?/View-document/255-Apostila-Logistica.html>. Acesso em: 09 ago. 2012. CARVALHO, José Crespo de et al. Auditoria logística: medir para gerir. Lisboa: Edições Sílabo, 2001. CARVALHO, José Crespo de; DIAS, Eurico Brilhante. Estratégias logísticas. Lisboa: Edições Sílabo, 2004. CARVALHO, José Crespo de. Logística. Lisboa: Edições Sílabo, 2002. COÊLHO, Eugênio Pacceli de Freitas. Logística de dispensação na rede de saúde pública. In: III CONGRESSO CONSAD DE GESTÃO PÚBLICA, 2010, Brasília. Anais... Brasília: CONSAD, 2010. Disponível em: <http://www.consad.org.br/sites/1500/1504/00001853.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2012. COELHO, Leandro Callegari. Editor da Logística Descomplicada, publicado na Revista Today Logistics número 51, ago./2010. CUNHA, F. Matemática Aplicada. São Paulo: Atlas, 1997. CUNHA, João Guilherme. Relatório de Controle Ambiental – Estação Aduaneira do Interior de Itajaí. Santa Catarina, jul./1996. FARIA, Ana Cristina; COSTA, Maria de Fátima Gameiro. Gestão de Custos logísticos. São Paulo: Atlas, 2005. 167LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO | Educação a Distância HONG, Yuh Ching. Gestão de estoques na cadeia logística integrada: supply chain. São Paulo: Atlas, 2001. LEMOS, Wagner De Brito Lira. Almoxarifado: comparação entre a prática aplicada na empresa e a teoria existente. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2003. 80 p. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/0329A711F0CA95ED03256 FBD0050F4C5/$File/NT000A4D6A.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2012. MARINGÁ. Lei 7931 de 15 de abril de 2008. Disponível em: <http://sapl.cmm.pr.gov.br:8080/ sapl_documentos/norma_juridica/9903_texto_integral>. Acesso em: 20 jun. 2012. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MONTEIRO, A.; BEZERRA, A. L. B. Vantagem competitiva em logística empresarial baseada em tecnologia de informação. 2010. NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro: Campus, 2001.