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LOGÍSTICA III Gisele Lozada Histórico e conceituação da logística Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer a contribuição da logística para a melhora nas condições de bem-estar das pessoas e o comércio internacional. � Identificar os principais conceitos sobre logística integrada e gestão da cadeia de suprimentos. � Definir as funções do composto de atividades logísticas. Introdução A logística empresarial evoluiu muito nas últimas décadas, desempe- nhando função fundamental nas relações entre parceiros comerciais nacionais e internacionais, o que fez com que alcançasse um papel central na economia moderna. Atualmente, a logística é responsável por levar bens e serviços aos mais diversos lugares do mundo, até mesmo aqueles antes desassistidos. Com isso, vem contribuindo de forma expressiva para ganhos de competitividade empresarial, oportunizando melhores resultados para as organizações e promovendo o bem-estar da sociedade em geral. Neste capítulo, você estudará sobre o histórico da logística e seus principais aspectos , bem como conhecerá as funções dos seus com- postos de atividades. Contribuições da logística Segundo Ballou (2006), a logística surgiu há muito tempo — talvez antes do que você imagine —, quando o homem deu início às operações produtivas organizadas, que iam além da subsistência. Porém, a expansão da logística é um fenômeno relativamente recente na história da humanidade. Por muito tempo, a inexistência de sistemas desenvolvidos de transporte e armazenamento impactou diretamente e significativamente a vida das pessoas. Os povos mais antigos produziam aquilo que precisavam para seu consumo, o transporte de produtos era limitado, e estruturas de armazenagem eram precárias, restrin- gindo as opções de consumo aos produtos produzidos pela comunidade local e seu entorno. Isso fazia com que eles tivessem de ser consumidos com rapidez em seus lugares de origem, já que não havia alternativas de armazenamento para produtos perecíveis por um prazo mais longo. Com o passar do tempo, os produtores começaram a se dar conta da possibilidade de trocas entre produtores próximos, permitindo que aquilo que sobrasse na produção de um pudesse ser trocado por algo que lhe faltasse, mas que sobrava na produção de outro. Iniciaram-se, assim, os movimentos de mercadorias, e os conceitos de logística começaram a tomar forma. O tempo foi passando, e essas operações foram sendo aperfeiçoadas, per- mitindo transações entre localidades cada vez mais distantes e envolvendo diferentes elementos. Diferentes acontecimentos ao longo da história demons- tram tal evolução, como a construção das pirâmides do Egito. A construção das pirâmides do Egito é um exemplo das primeiras utilizações da logística, quando os egípcios trouxeram materiais de locais distintos daquele onde a produção estava acontecendo, havendo pessoas envolvidas cujas atribuições eram focadas em garantir o abastecimento dos produtos para que a produção pudesse acontecer. Porém, o principal personagem na história da logística foi, sem dúvida, a guerra. O cenário militar foi o ambiente no qual a logística teve seu maior desenvolvimento. Podemos vincular a palavra logística ao termo loger — em francês, que significa alojar —, associado ao transporte, abastecimento e alojamento de tropas. Depois, esse conceito foi sendo adaptado a outras rea- lidades, sendo levado ao cenário da indústria, principalmente em função da Revolução Industrial, inicialmente focada no trânsito dos produtos e, depois, na satisfação do cliente. Histórico e conceituação da logística2 Durante a Segunda Guerra Mundial, o conceito de logística foi utilizado pelas forças armadas, consistindo no processo de aquisição e fornecimento de materiais para atender aos objetivos de combate. A importância da logística pode ser percebida até mesmo em episódios ocorridos na época em que ela ainda estava iniciando seu desenvolvimento: a falta de suprimentos ao exército alemão foi um fator muito impactante na derrota sofrida pelo exército alemão. Em colaboração a Ballou (2006), Bowersox et al. (2014) comenta que o processo logístico envolvido na cadeia de suprimentos vem evoluindo muito nos últimos tempos. Até a década de 1990, o processamento de um pedido envolvia, na grande maioria das vezes, tecnologias como telefone e fax e, até mesmo, os correios. Nessa época, o processamento e a entrega de um pedido costumavam levar entre 15 e 30 dias — o que, para os dias atuais, é um prazo impraticável na esmagadora maioria dos casos. Esse prazo longo devia-se às etapas envolvidas no processo e na forma como eram desempenhadas. O pedido era criado pelo cliente e transmitido ao fornecedor, que o processava por meio de sistemas manuais ou computadorizados e o destinava a um depósito para separação e entrega ao cliente. O prazo, que já era longo quando todas essas operações ocorriam como planejadas, ficava ainda maior se algo desse errado, como falta do produto em estoque, pedido de compra extraviado ou processado com erro, entrega no local errado, entre outros. Para tentar contornar esse tipo de problema, muitas empresas mantinham altos níveis de estoques, gerando elevados custos, sem levar a uma solução efetiva para os problemas mencionados. Contudo, essa prática, assim como a estrutura de canais de distribuição utilizados, foi aos poucos mostrando-se ineficaz. Afinal, aquele cenário dos tempos da Revolução Industrial, marcado pela escassez (maior procura da oferta de produtos), há muito deixou de ser uma realidade. Atualmente, os consumidores (sejam eles pessoas ou empresas) demandam uma ampla gama de opções de bens e serviços, cuja variedade é cada vez maior por ser associada a especificações individuais. E isso levou a uma considerável mudança no projeto e na entrega de bens e serviços. 3Histórico e conceituação da logística Hoje, a capacidade de transporte e o desempenho operacional são cada vez mais econômicos e confiáveis, apoiados por sistemas de informação sofisticados que viabilizam entregas previsíveis e precisas. Além disso, é possível acompanhar continuamente as cargas e receber notificações quase instantâneas sobre eventuais atrasos nas entregas. Isso se deve às significativas mudanças promovidas pela tecnologia da informação, iniciadas pelo advento dos computadores, da internet e de uma série de possibilidades acessíveis de transmissão de informações que passaram a ser realidade a partir da década de 1990. Neste novo cenário, a informação passou a ser mais veloz, acessí- vel, acurada e relevante, e a internet se transformou em um modo comum e econômico de realizar transações, tornando os consumidores cada vez mais ligados de forma direta às empresas, o que é ainda mais expressivo no caso das operações entre essas (o chamado B2B — business-to-business). Você pode saber mais sobre a história da logística na obra Gestão logística da cadeia de suprimentos (BOWERSOX et al., 2014). Em continuidade, Ballou (2006) relata que a logística tem, inclusive, a capacidade de promover mudanças estratégicas nas organizações, como a alte- ração na configuração das vendas, passando de lojas físicas para virtuais. Isso garante não somente melhores resultados para as empresas, mas, até mesmo, permite que negócios continuem existindo. Atualmente, a logística facilita a aquisição de bens e serviços, atendendo às necessidades das pessoas, com compras pela internet, cujas entregas são cada vez mais rápidas, com produtos vindos de todas as partes do mundo, e com a possibilidade de monitoramento. O comércio é um cenário que permite demonstrar a adaptação estratégica promovida pela logística: negócios que inicialmente focavam em vendas apenas em lojas físicas passaram por forte estagnação, e muitos conseguiram contornar o problema aderindo às práticas de venda pela internet, em que a logística é fundamental. Histórico e conceituação dalogística4 O fato é que o surgimento e o desenvolvimento da logística trouxeram a possibilidade do consumo de produtos de diferentes localidades, até mesmo de países distantes, como China, Japão e Estados Unidos, promovendo a expansão do comércio internacional, que foi potencializado pela evolução dos canais logísticos. Com isso, a logística no contexto empresarial transformou-se em uma premissa para o comércio internacional, englobando eficiência, planejamento e manutenção de suprimentos. Como reflexo, a partir do surgimento e avanço da logística e da expansão do comércio internacional, as trocas culturais foram ampliadas, possibilitando um conhecimento maior sobre diferentes culturas, comportamentos e tradições. A logística ocupa papel de destaque nas relações de consumo, promovendo a operação das empresas e, até mesmo, a expansão do comércio a níveis internacionais, gerando resultados que muito contribuem para a satisfação e o bem-estar das pessoas. Ballou (2006) ainda chama atenção para a importância e os benefícios da logística, destacando que ela permite operações com estoques reduzidos, uma vez que as empresas não precisam mais adquirir grandes quantidades de produtos de seus fornecedores para garantir seus níveis de operação. Isso resulta na redução dos custos relativos aos estoques, permitindo investimento em outras frentes, como pesquisa e desenvolvimento e novas tecnologias. Além disso, a integração logística permite o monitoramento de pedidos, tanto pelo fornecedor quanto pelo cliente, viabilizando experiências positivas que promovem a atividade econômica, uma vez que todos têm a oportunidade de desfrutar de um sistema de entregas mais rápido e confiável. A logística existe desde o começo da civilização, com desenvolvimento mais marcante no contexto militar, cujos conceitos depois foram levados para indústria, principalmente em função da Revolução Industrial. Inicialmente, estava voltada ao trânsito dos produtos e, depois, passa a ser focada na satis- fação do cliente. Mas esse cenário continua em constante evolução ainda no século XXI, onde a implementação das melhores práticas é o foco de uma das áreas operacionais mais estimulantes e desafiadoras da gestão da cadeia de suprimentos. E tudo isso deu origem ao desenvolvimento de novos conceitos ligados à logística, o que será visto a seguir. 5Histórico e conceituação da logística Logística integrada e gestão da cadeia de suprimentos Como já destacado por Ballou (2006), um dos primeiros conceitos de logís- tica que pode ser mencionado é aquele derivado do contexto militar, em que a logística era compreendida como um ramo da ciência militar responsável por lidar com a obtenção, manutenção e o transporte de material, pessoas e instalações. Adaptado ao contexto empresarial, esse conceito ganha novos elementos, devido à distinção entre objetivos e atividades desses dois con- textos. No cenário empresarial, uma boa definição de logística é dada pelo Council of Logistics Management (CLM — Conselho de Gestão Logística, entidade americana de profissionais de logística), que diz que a logística é o processo de planejamento, implantação e controle do fluxo de mercadorias, serviços e informações, desde o ponto de origem até o consumo, tudo sendo feito de forma eficiente e eficaz, com o propósito de atender às exigências dos clientes. Tal definição engloba a noção de que a logística abrange todas as atividades inerentes ao fluxo de mercadorias, desde a matéria-prima até o ponto de consumo. Ou seja, ela não contempla apenas as atividades de trans- porte, ainda que elas sejam muito importantes no processo, mas, também, as de armazenamento e os processos administrativos de controle. Até os anos de 1960, as atividades administrativas caracterizavam-se por uma grande fragmentação, pois as empresas administravam suas diferentes áreas de forma separada, cada uma lidando com suas metas e seus desafios individuais. Porém, com o passar dos anos, as empresas começaram a per- ceber que isso não era benéfico para a organização como um todo, pois seus objetivos dependiam de esforços oriundos de todas as áreas, sendo que cada uma impactava no desempenho da outra. Então se iniciou um movimento de gestão integrada, em que áreas tradicionais, como finanças, marketing e produção, passaram a ser observadas por uma ótica sistêmica, promovendo um conceito de gestão coordenada de atividades inter-relacionadas. O Quadro 1, a seguir, resume a evolução da logística. Histórico e conceituação da logística6 Fonte: Adaptado de Ballou (2006). Época ou contexto Características e contribuições para a evolução da logística Coleta e caça As atividades logísticas ainda não existiam. Cultivo e pecuária Necessidade de estocar produtos. Contexto militar Idade média, cruzadas, navegações, transporte e manutenção de tropas. Revolução Industrial Aumento do número de produtos, urbanização europeia e novos mercados. Antes de 1950 Atividades logísticas desmembradas. Entre 1950 e 1970 Desenvolvimento da logística, com a mudança de foco do produto para o cliente; surgimento do marketing; e aumento do uso do transporte aéreo. A partir de 1970 Internacionalização da economia, integração da logística, gestão da informação digital. Quadro 1. Surgimento e evolução da logística Tal cenário destaca as interações que ocorrem entre as funções de marketing, logística e produção de uma empresa, sendo que cada área envolve determinadas atividades e responsabilidades para o bom desempenho do conjunto — como a comunicação da empresa com o mercado, que é uma atribuição atrelada majoritariamente ao marketing. A partir disso, surgem novas importantes definições relevantes no contexto da logística, como logística empresarial, logística integrada, cadeia de suprimentos e gerenciamento da cadeia de suprimentos. O surgimento e a evolução da logística levaram à formulação de importantes conceitos, como logística empresarial, logística integrada, cadeia de suprimentos e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 7Histórico e conceituação da logística Nesse contexto, a logística ganha destaque, e surge a concepção de logís- tica empresarial, derivada da percepção de que a logística agrega valor aos produtos e serviços, o que é essencial para a satisfação dos clientes, podendo, assim, promover aumento das vendas e dos lucros da organização. Na sequência evolutiva de percepções, a logística passa a receber mais atenção, e surge o conceito de logística integrada, em que as diferentes faces da logística, como administração de materiais, movimentação de materiais e distribuição física, passam a ser tratadas de forma conjunta. Atividades como previsão de demanda, compras, planejamento de necessidades e da produção são agrupadas em um único setor chamado compras e gestão de materiais, que passa a realizar de forma conjunta essas diversas funções anteriormente depar- tamentalizadas. Em contrapartida, outros setores assumem responsabilidades de forma mais clara, como o setor de distribuição, responsável por atividades de processamento de pedidos, transporte e estocagem de produtos acabados, e setor de estoque, que cuida dos itens disponíveis para comercialização por parte da empresa. Com isso, forma-se a área de logística, que agrupa e coor- dena esses diferentes setores, sendo responsável pela logística como um todo e tendo uma visão macro da mesma e sua importância para a organização. A logística esteve presente em vários modelos de produção, onde de- sempenhava importante papel, como a produção em massa da Ford (peças intercambiáveis, especialização das atividades de produção e montagem) e a produção enxuta da Toyota (estoques mínimos, maior qualidade, redução de desperdícios). Essas preocupações foram sendo adaptadas e consolidadas ao longo do tempo, sendo levadas para a produção em seus diferentes estágios, colaborando para o surgimento do conceito de cadeia de suprimentos (supply chain). Esta consiste emum conjunto de atividades funcionais que se repetem diversas vezes ao longo do processo pelo qual matérias-primas são transfor- madas em produtos acabados, que têm valor agregado para o consumidor, conforme apresentado na Figura 1. Essas atividades são desempenhadas por diferentes agentes integrantes da cadeia de suprimentos, como fornecedores de matérias-primas, fábricas, pontos de distribuição e de vendas, que geralmente estão em localizações distintas, o que é viável graças aos avanços da logística e ao contexto da cadeia de suprimentos. Histórico e conceituação da logística8 Uma empresa destinada à fabricação de um determinado produto pode ter seus projetos desenvolvidos na Europa, peças vindas da África, montagem realizada na Ásia, e produtos vendidos no Brasil, tudo isso contando com apoio da logística e da cadeia de suprimentos. Figura 1. A cadeia de suprimentos. Fonte: Ballou (2006, p. 30). Bowersox et al. (2014) comenta que essa mudança toma mais corpo na última década do século XX, que correspondeu ao início de uma expansão que levou à era da informação (ou era digital), em que a conectividade de ne- gócios deu origem a uma nova ordem de relacionamentos, chamada gestão da cadeia de suprimentos (supply chain management — SCM). Nesse contexto, 9Histórico e conceituação da logística a associação de novas práticas de marketing, manufatura, compras e logística leva a produtos que são fabricados atendendo a especificações e entregues com rapidez em vários pontos do mundo — com casos em que o tempo transcorrido entre o pedido e a entrega pode corresponder a algumas horas. Isso levou a um ganho de desempenho geral, envolvendo os vários aspectos que antes eram considerados problemas (variedade, agilidade, ausência de erros e defeitos), que ainda é alcançado a um custo total mais baixo, ou seja, um conjunto de condições impulsionado principalmente pela tecnologia da informação. Os avanços da tecnologia da informação levaram a significativas mudanças no cenário dos negócios e, como consequência, a uma nova forma de relacionamento: a cadeia de suprimentos, cuja gestão passa a ser fundamental para as organizações. Ballou (2006) ainda relata que, no contexto da gestão da cadeia de supri- mentos, a logística é compreendida como um processo (conjunto de atividades) que faz parte de outro ainda maior, que é a cadeia de suprimentos. Nela, embora compreendida como uma parte do todo, a logística é tida como peça fundamental, que promove importante interação entre os vários agentes da cadeia de suprimentos. Esta passa a ser vista como uma entidade única, que requer uma nova abordagem sistêmica, cuja chave é a integração entre os diversos agentes. Desse modo, assim como a logística integrada é uma evolução da logística em seu conceito inicial, a gestão da cadeia de suprimentos é, de certa forma, uma evolução da logística integrada, porém indo além dos limites das instalações das empresas, integrando fábrica, fornecedores, atacadistas, varejistas e consumidor final. O conjunto das atividades envolvidas com a logística e a evolução de sua organização para o conceito da gestão da cadeia de suprimentos é apresentado na Figura 2, a seguir. Histórico e conceituação da logística10 Figura 2. A evolução da logística para a gestão da cadeia de suprimentos. Fonte: Ballou (2006, p. 30). Nesse cenário, podemos considerar que outras áreas organizacionais também participam da gestão da cadeia de suprimentos, como é o caso dos departamentos financeiro e de planejamento estratégico, que buscam garantir a assertividade das decisões de planejamento e orçamentárias. Além disso, com a popularização da gestão pela qualidade total, outras áreas e funções surgiram e passaram a fazer parte do cenário, como o controle de qualidade, que inicialmente focava em auditoria e controle de processos, e a assessoria de planejamento, que, embora não esteja atrelada diretamente à logística, é demandada pela qualidade total. Para que se possa compreender ainda melhor os conceitos envolvidos no contexto da gestão da cadeia de suprimentos, convém uma verificação detalhada do composto de atividades envolvidas com a logística. 11Histórico e conceituação da logística Funções do composto de atividades logísticas De acordo com Ballou (2006), a gestão da cadeia de suprimentos é um conceito central para a logística moderna, uma vez que essa cadeia abrange todas as atividades relacionadas ao fluxo e à transformação de mercadorias, desde o estágio da matéria-prima até o usuário final, bem como os respectivos fluxos de informação. Dessa forma, podemos dizer que o principal objetivo, ou a missão, da gestão da cadeia de suprimentos é colocar os produtos ou serviços certos no lugar certo, no momento certo e nas condições desejadas, dando, ao mesmo tempo, a melhor contribuição possível para a empresa. Para tanto, a cadeia de suprimentos tem uma visão sistêmica da operação empresarial, buscando otimizar todas as relações entre as partes. Além dessa atribuição principal, a gestão da cadeia de suprimentos também tem outras importantes responsabilidades, como a integração dos processos de marketing e comu- nicação, a escolha das melhores opções de transporte e o cuidado com a estocagem, garantindo a utilização otimizada dos sistemas de armazenagem. Desse modo, segundo o autor, o propósito central da logística é fazer com que os produtos sejam movimentados e cheguem na hora certa, no local certo e nas condições adequadas. Em colaboração, Bowersox et al. (2014) comenta que, para isso, utiliza um conjunto de atividades relacionadas ao transporte e armazenamento de materiais, que vai desde a aquisição das matérias-primas, passa pelas movimentações relacionadas aos diferentes estágios da produção, até a entrega dos produtos para o consumidor final. Assim, ao pensar na logística integrada, podemos considerar que ela agrupa as diferentes faces da logística, compreendendo o importante papel desempenhado por cada uma e tratando-as de forma conjunta. � Administração de materiais: trata das operações relacionadas ao fluxo de insumos, compreendendo o processo que vai da captação de matérias- -primas à fábrica, o que inclui negociar a aquisição, providenciar o transporte, garantir o controle de qualidade, gerir o armazenamento, etc., com o objetivo de reduzir custos, estabelecer bons vínculos com fornecedores e outros parceiros e agilizar a produção. � Movimentação de materiais: trata do transporte dos insumos para garantir o abastecimento eficiente da linha de produção (sem faltas ou excessos), bem como dos materiais em processamento, o que inclui encaixotar, armazenar e administrar o estoque de maneira eficiente (do ponto de vista do tempo e do espaço físico). Histórico e conceituação da logística12 � Distribuição física: trata de levar os produtos aos seus pontos de distri- buição ou de venda ao consumidor final, garantindo qualidade, agilidade e preço baixo. Segundo Ballou (2006), no contexto da gestão da cadeia de suprimentos, a logística existe para transportar e posicionar estoques com o objetivo de conquistar benefícios relacionados ao tempo, ao local e à propriedade desejados pelo menor custo total. Desse modo, olhando para a logística sob a ótica da gestão da cadeia de suprimentos, podemos considerar que a logística empre- sarial é formada por um composto de atividades que variarão entre diferentes tipos de negócio, mas que geralmente compõe dois grandes grupos, que são as atividades-chave e as atividades de suporte, conforme detalhado a seguir. Atividades-chave � Serviços ao cliente em cooperação com o marketing: busca determinar as necessidades e expectativas dos clientes em relação à logística, visando a determinar a reação dos clientes ao serviço e estabelecer os níveis de serviço ao cliente. � Transporte: é uma das principais atribuições da logística, incluindo responsabilidades de seleção dos modais e serviços de transporte, consolidaçãodos fretes, determinação dos roteiros, programação de veículos, seleção de equipamentos, entre outras. � Gerência de estoque: define as políticas de estocagem de matérias- -primas e produtos acabados, bem como a previsão de vendas em curto prazo e variedade de produtos nos pontos de estocagem, determinação dos pontos de estocagem (número, tamanho e localização), e ainda participa da definição de estratégias de produção (como just in time, puxada e empurrada). � Fluxo de informação: cada vez mais relevantes nos sistemas logísticos modernos, inclui o processamento de pedidos, a interface entre pedidos de compras e estoques, a transmissão de pedidos e os métodos como isso será realizado, entre outras regras de comunicação das informações. 13Histórico e conceituação da logística Atividades de suporte � Armazenagem: inclui determinação do espaço e layout do estoque, configuração de armazéns e localização do estoque. � Manuseio dos materiais: inclui a seleção de equipamentos e normas de substituição dos mesmos e, ainda, procedimentos para separação de pedidos, alocação e recuperação de materiais. � Compras: envolve a seleção das fontes de suprimentos, bem como a definição do momento e da quantidade das compras. � Embalagem: tem a função de embalar os materiais de modo a promover o manuseio e a estocagem de maneira protegida, evitando perdas e dados. � Cooperação com produção e operações: visa a especificar as quantidades agregadas, a sequência e os prazos do volume de produção e, ainda, a programação de suprimentos para a produção/operação. � Manutenção e informações: inclui coleta, armazenamento e manipulação de informações, bem como análise de dados e procedimentos de controle. No contexto da gestão da cadeia de suprimentos, a logística é composta por um conjunto de atividades que se dividem em atividades-chave e de suporte. � Atividades-chave: serviços ao cliente, transporte, gerência de estoques e fluxo de informações. � Atividades de suporte: armazenagem, manuseio de materiais, compras, embala- gem e outras. As atividades-chave integram o caminho crítico do canal de distribuição física imediato de uma empresa, que diz respeito à transmissão do pedido pelo cliente, o processamento desse pela empresa e a entrega do pedido ao cliente. São essenciais para a coordenação e conclusão eficiente da logística e geralmente correspondem à maior parte dos custos. Já as atividades de suporte, embora sejam tão importantes quanto as chave, são consideradas coadjuvantes, por contribuírem para a logística em segundo plano, ocupando posição de apoio. Histórico e conceituação da logística14 Cabe ainda comentar que as atividades logísticas (chave e de suporte) podem também ser agrupadas de outra forma, partindo da segmentação de suas responsabilidades em partes menores, que podem ser associadas a duas grandes demandas: o abastecimento físico e a distribuição física, conforme apresentado na Figura 3, a seguir. Figura 3. Atividades logísticas na cadeira de suprimentos. Fonte: Ballou (2006, p. 31). Existem, ainda, outros modelos de gestão integrada que tratam os processos envolvidos na gestão da cadeia de suprimentos de maneira diferenciada da apresentada até aqui. Você pode saber mais sobre um deles na obra Gestão logística da cadeia de suprimentos (BOWERSOX et al., 2014). Em síntese, podemos concluir que a logística evoluiu muito desde seus primórdios. Surgiu como uma mera atividade facilitadora de trocas entre aldeias, depois, passou pelo contexto da estratégia militar e, finalmente, despontou no ambiente organizacional como uma condição essencial ao de- 15Histórico e conceituação da logística senvolvimento competitivo, onde continua evoluindo constantemente. Tendo em vista esse papel de destaque, sua gestão é fundamental, podendo trazer incontáveis benefícios para as empresas, a economia mundial e a sociedade em geral, permitindo cada vez mais a satisfação e melhor qualidade de vida para as pessoas. BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BOWERSOX, D. J. et al. Gestão logística da cadeia de suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. Leituras recomendadas FITZSIMMONS, J. A.; FITZSIMMONS, M. J. Administração de serviços: operações, estratégia e tecnologia da informação. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. IZIDORO, C. Gestão de tecnologia e informação em logística. São Paulo: Pearson, 2016. JACOBS, F. R.; CHASE, R. B. Administração de operações e da cadeia de suprimentos. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. REIS, J. G. M. Gestão estratégica de armazenamento. Curitiba: InterSaberes, 2015. Histórico e conceituação da logística16 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Giancarlo Giacomelli Terminologia logística Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar a nomenclatura das grandes áreas de integração da logística. � Conceituar termos específicos das áreas de estoque, transporte e processamento de pedidos. � Assimilar os conceitos de supply chain management. Introdução Definir a estratégia de produção, armazenamento e distribuição de pro- dutos não é tarefa fácil. Aspectos como características dos produtos, distância entre fornecedores e clientes, tipo de modal de transporte são importantes para definir o modelo mais indicado ao seu tipo de negócio. É importante salientar que a logística atua de forma global. Por isso, entender os termos usados em todo o mundo ajuda o gestor a compre- ender o impacto de cada parte na cadeia de suprimentos global. Os termos têm como objetivo alinhar informações e fazer com que o impacto que a logística representa nas operações organizacionais seja compreendido. Neste capítulo, identificaremos a nomenclatura das grandes áreas de integração da logística, conheceremos termos específicos das áreas de estoque, transporte e processamento de pedidos e aprenderemos sobre o conceito de supply chain management. Nomenclatura das grandes áreas de integração da logística A integração da logística, com suas diversas atividades, tornou-se funda- mental a partir do momento em que as empresas começaram a entender sua importância no contexto de suas operações. De acordo com Ballou (2006), a logística integrada versa sobre as atividades que envolvem movimentação e armazenagem de materiais do ponto de origem ao destino. Seu objetivo é o equilíbrio entre o custo da operação e o nível de serviço oferecido ao cliente. Para que a empresa tenha a logística integrada, é necessário o comparti- lhamento de informações e processos, a fim de garantir segurança nos dados, redução do tempo de resposta e atendimento em tempo real das necessidades dos consumidores (NOVAES, 2015). A Figura 1, a seguir, demonstra a evolução da logística. Podemos observar que as atividades eram fragmentadas até a década de 1960, em diversas para as áreas que envolviam desde a área de compras, armazenagem e transportes. Figura 1. Fragmentação de atividades até 1960. Fonte: Ballou (2006, p. 30). Com a integração, dois grandes grupos são consolidados em logística inbound (logística de suprimento), com atividades de compras e gerenciamento de materiais que envolvem todo o processo de armazenagem, movimentação e uso de sistemas informatizados. Já a logística outbound — ou seja, de distribuição — atua com o escoamento de produtos produzidos pelas empresas (BALLOU, 2006). Terminologia logística2 É importante que notemos a diferença que existe entre os dois termos supply chain management e logística. Para Pires (2009), a logística é uma parte dos procedimentos existentes na cadeia de suprimentos, que atua no planejamento, controle e fluxo de estoque de produtos e serviços e informações que são geradas pelos players desde o ponto de origem até o destino final, ou seja, o ponto de consumo. � Operador logístico — segundo Castiglioni e Minetto Junior (2014), é quem fornece serviçosde logística ligados à área de movimentação e armazenagem, transporte de cargas, dentre outros. � Sistemas de informação logística — para que haja integração entre as áreas da logística, faz-se necessário o uso de sistemas que conectem as diversas áreas. O ERP é um sistema de gerenciamento da organização, que conecta áreas de vendas, compras e produção, a fim de otimizar os processos, reduzindo custos e interligando-os. O WMS sistema de gerenciamento de armazém tem papel importante no controle de dados e tarefas existentes no depósito de uma empresa. Isso porque lá estão contidos os maiores ativos da empresa, como matéria-prima e produto acabado (BALLOU, 2006). Segundo Ballou (2006), já no transporte, um sistema utilizado é o TMS (sistema de gerenciamento de transporte), que ajuda a controlar processos ligados ao deslocamento de carga, à manutenção de veículos e a custos. Como a frente ainda perfaz fatia significante do custo do produto, seu controle é primordial. � Just-in-time — este modelo, que quer dizer “na hora certa”, defende a ideia de se manter um estoque mínimo, estratégia essa baseada em produzir o necessário, quando necessário e na quantidade essencial. De acordo com Castiglioni e Minetto Junior (2014, p. 55): Esse modelo inclui aspectos de administração de materiais, gestão da qua- lidade, arranjo físico, projeto do produto, organização do trabalho e gestão de recursos humanos. Buscando melhorias contínuas do processo produtivo, tem como seu principal foco a redução de estoques. Diferencia-se da filosofia tradicional, que determina não parar a produção, visa à qualidade e flexibili- dade com base em alguns problemas de produção, que são qualidade, quebra de máquina e setup (preparação da máquina). 3Terminologia logística Na Figura 2, podemos perceber o funcionamento do sistema just-in-time: a demanda dispara a operação de fornecimento de insumos e produção interna para atendimento da demanda num ciclo que customiza a operação e reduz custo. Figura 2. Just-in-time. Fonte: Bertaglia (2016, p. 359). Antigamente, as empresas utilizavam o sistema JIC, que significa produção antecipada da demanda segundo o uso da capacidade máxima de produção que a fábrica possa ter. As organizações que utilizam esse modelo buscam otimização de proces- sos e custos, gerenciando de forma satisfatória suas operações de estoque e armazenagem. Cross-docking O objetivo do cross-docking (Figura 3) é reduzir o tempo de permanência dos produtos no centro de distribuição. De acordo com Bertaglia (2016), no cross-docking, os produtos que chegam ao centro de distribuição, em vez de serem armazenados como nos modelos convencionais, são movimentados para caminhões estacionados nas docas e imediatamente distribuídos para os clientes. Terminologia logística4 Segundo o autor, essa prática reduz consideravelmente os custos com armazenagem, manuseio e tempo de entrega dos produtos. Esses benefícios podem diminuir os custos do produto e aumentar as margens de lucro de uma empresa. Figura 3. Cross-docking. Fonte: Adaptada de Cunha (2017, documento on-line). Perceba que, nesse sistema, o produto não é armazenado, e o objetivo é que ele siga direto ao cliente final. Esse sistema exige colaboração e cooperação de todas as partes envolvidas, sendo a informação um ponto-chave para o sucesso do cross-docking, já que os centros de distribuição necessitam saber quais produtos e quando chegam aos centros para a formação da carga. Esse processo se torna mais aplicável em produtos que tenham curtos prazos de entrega e quantidades suficientes para preencher por completo um palete, a fim de que o transporte seja otimizado. Termos específicos das áreas de estoque, transporte e processamento de pedidos A logística atua em grandes áreas ligadas à gestão de estoque, ao processamento de pedidos e à gestão de transporte. Como a atuação se dá em operações que ultrapassam fronteiras, geralmente muitos dos termos usados têm nomenclatura internacional e, pelo constante uso, acabam estando em nosso dia a dia de forma comum. 5Terminologia logística Na gestão de estoque, é muito comum ouvirmos o termo curva ABC ou classificação ABC. Segundo Dias (2015), a curva ABC é uma ferramenta que possibilita entender a classificação de produtos em escala de prioridade, a fim de que os produtos sejam alocados de acordo com sua intensidade de uso, prioridade e custo. Acuracidade — consiste na comparação do estoque real, ou seja, o que está fisica- mente presente no estoque, com as informações que estão registradas no sistema. Em termos gerais, podemos dizer que a acurácia faz alusão à precisão (MARTINS; ALT, 2009). Inventário geral ou rotativo Toda organização deve controlar seu volume de produtos a fim de garantir que tenha o suficiente para atender à sua demanda. Para essa garantia, Dias (2015) e Pozo (2016) apresentam os seguintes dois conceitos, que devem ser levados em consideração. � Inventário geral — é a contagem de todos os insumos e produtos semiacabados e abacados que uma instituição possui. Geralmente, ele é feito uma vez por ano, e todos os produtos passam por uma contagem geral, exigindo a parada de toda a empresa para atuação direta nessa atividade. � Inventário rotativo — tem como premissa a análise de itens selecio- nados de acordo com uma programação da gestão de materiais, sem comprometer as atividades de toda a organização. Ele apresenta como vantagem a economia, uma vez que somente uma área é parada para a conferência de um determinado produto. Essa análise permite o controle e os ajustes na operação, com adequação de processos e monitoramento mais efetivo do estoque. ■ Estoque de segurança: utilizado em casos de rupturas na cadeia de abastecimento. ■ Estoque virtual: a sua vantagem é a redução dos níveis globais de estoque e o aumento no atendimento de pedidos. De acordo com Ballou (2006), quando ocorria a falta de um produto no estoque, a Terminologia logística6 venda era perdida ou o pedido ficava pendente. Graças a sistemas de informação, é possível conhecer os níveis de estoque em todas os pontos de estocagem de uma rede, criando-se, assim, um estoque virtual, permitindo que um pedido seja atendido com itens estocados em outros locais. ■ Estoque em trânsito: segundo Martins e Alt (2009), em cadeias onde a movimentação é lenta ou a distância é grande, os produtos em produção, ou mesmo que estão sendo direcionados para o armazém, levam um tempo para chegar ao local de destino. Sendo assim, este estoque de fato existe, porém ainda não está armazenado. ■ Fifo ( first-in, first-out) ou Peps (primeiro a entrar, primeiro a sair): segundo Pozo (2016), este método é utilizado para controle de esto- ques. Para efeito de controle de armazenagem e contábil, o produto obedece à ordem de entrada — quem entrou no estoque primeiro será o primeiro a sair. ■ Lifo (last-in, first-out) ou Ueps (último a entrar, primeiro a sair): ainda segundo Pozo (2016), essa metodologia é baseada na programação de entrada de produtos em estoque. Ele considera que o último produto a entrar deve ser o primeiro a sair. Em economia inflacionária, este método é utilizado a fim de se manter os preços mais próximos da realidade. ■ Picking: a área de picking refere-se à operação que acontece com as mercadorias logo após sua chegada ao recebimento, sendo separadas para as devidas áreas de estocagem. Processamento de pedidos Segundo Ballou (2006), o processamento de pedidos é composto pelas se- guintes etapas. � Preparação dos pedidos — fase em que o pedido é preparado para a entrega. Consiste em produzir, comprar ou separar produtos acabados em estoque. O pedido é embalado, a entrega é planejada e a documen- tação de embarque é preparada. É definida a prioridade da entrega, levando-se em consideração o destino, o prazo de validade, o menor prazo para entrega conforme informado ao cliente, as características físicas dos produtos e acomplexidade dos itens a serem expedidos. Esta fase requer atenção redobrada, pois é quando costumam ocorrer erros de envio dos pedidos. 7Terminologia logística � Transmissão do pedido — com o uso de tecnologia, as informações sobre o produto podem ser repassadas diretamente para o PCP — Pla- nejamento e Controle de Produção. No caso de produto em estoque, a informação vai direto para o armazém. � Recebimento do pedido — nesta fase, composta por várias tarefas, é feita a conferência das informações, tais como preço da venda e quantidade de itens. Prepara-se a documentação da compra, verifica- -se a situação de crédito do cliente, ou se já efetuou o pagamento e se o pedido não foi cancelado. Estando tudo certo, o faturamento do pedido é realizado. � Relatório da situação do pedido — esta etapa fornece as informações necessárias para o cliente acompanhar o status do seu pedido. Com o código de rastreamento do vendedor ou da transportadora, o cliente consegue informações da localização do pedido e previsão de entrega. Transporte A atividade de transporte e distribuição é também conhecida como logística outbound, que permite que os consumidores finais possam ter acesso a variados tipos de mercadorias vindas de qualquer lugar no mundo. Segundo a Grant (2013), o transporte é realizado por diversos modais: aéreo, ferroviário, rodoviário, dutoviário, marítimo. � Modal rodoviário — é um serviço que tem como objetivo atender a rotas curtas e, como desvantagem, o menor volume de mercadorias em detrimento de outros modais. Ele utiliza as rodovias para os desloca- mentos e é o único modal capaz de movimentar cargas porta a porta (POZO, 2016). � Modal ferroviário — utiliza as ferrovias para os deslocamentos, tem como vantagem o grande volume de mercadorias e o menor custo. No entanto, como desvantagem, o maior tempo de deslocamento e segurança impede que uma maior variedade de mercadorias possa ser movimentada. � Modal aéreo — caracterizado pela alta velocidade no deslocamento de produtos e pelo alto custo. Ele utiliza aviões de passageiros e outros específicos de carga, para movimentar produtos dos mais variados e que exigem menor prazo de entrega. Terminologia logística8 � Transporte por dutos — apresenta-se de forma lenta, no entanto, sua característica de movimentação 24 horas e 7 dias por semana representa sua maior vantagem. � Transporte marítimo — caracterizado pelo alto volume de merca- dorias, baixo preço de frete e maior tempo de deslocamento. É muito utilizado para deslocar mercadorias entre países. Existem diversos tipos de navios para cargas específicas, como o Ro-ro para automóveis, o Porta Contêiner, como o próprio nome diz, que carrega diversos tipos de contêiner, os navios petroleiros e graneleiros, para combustível e granéis, respectivamente (GRANT, 2013). � Navegação de interior —as mercadorias são movidas em rios nave- gáveis, com o desafio, no Brasil, do cruzamento de pontes que nem sempre atendem ao tamanho das barcaças (GRANT, 2013). � Milk Run — segundo Ching (2010), é um sistema que objetiva o trans- porte em menor quantidade de mercadorias, seja de vários fornecedores para um cliente. Seu nome literalmente significa “corrida do leite”. Como exemplo, podemos apresentar o processo de coleta de leite que acontece nas pequenas fazendas para uma cooperativa. Seu uso é muito comum em diversas empresas da cadeia logística e permite adequações quando se refere a volumes diferenciados de mercadorias. � Roteirização de cargas — segundo Pozo (2016), ela busca dar dife- rencial competitivo às organizações por meio de um serviço rápido, constante e que atenda à demanda variada. O planejamento utilizado na formação de rotas permite a redução de custo no melhor uso dos meios de transporte e o aumento do nível de serviço oferecido ao cliente. � OTM (operador de transporte multimodal) — segundo Castiglioni e Minetto Junior (2014), o operador multimodal de cargas tem licença para operar conectando variados tipos de transporte, emitindo somente um contrato de transporte e facilitando o controle do embarcador. � Embalagens no transporte — as embalagens têm um papel impor- tante no processo de deslocamento de mercadorias. Quando pensamos no transporte internacional, algumas mercadorias são exportadas em embalagens de madeira, normalmente caixas e paletes, para facilitar a movimentação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), junto ao governo, instituiu uma instrução normativa n. 32, que institui que todas as mercadorias que estejam sendo transportadas devem passar por procedimento fitossanitário, a fim de garantir segurança no controle de pragas (BRASIL, 2015). 9Terminologia logística � Contêiner — segundo Castiglioni e Minetto Junior (2014), ele permite o transporte de diversos tipos de mercadorias, até as refrigeradas. Em diversos tamanhos, para serem usados em aviões, navios e caminhões, e em metal, ajuda a garantir a segurança das mercadorias. É muito utilizado no transporte de longas distâncias. Uma grande vantagem é poder reutilizá-lo várias vezes. Nas operações de exportação e importação, os países, a fim de proteger suas fronteiras na entrada de pragas, exigem um procedimento chamado de fumigação. As caixas e embalagens de madeira devem passar por um procedimento em que ficam em quarentena e recebem a adição de um composto químico que visa à eliminação de pragas (BRASIL, 2015). Terminologia logística David (2016) cita do Conselho de Profissionais de Gestão da Cadeia de Supri- mentos, o conceito de terminologia logística, ou gestão da cadeia de suprimento, como o planejamento e gerenciamento de todas as atividades envolvidas em compra e aprovisionamento, conversão e de gerenciamento logístico. Igualmente importante, inclui a coordenação e colaboração com parceiros, que podem ser fornecedores, intermediários, prestadores de serviços tercei- rizados e clientes. Essencialmente, a gestão da cadeia de suprimento integra gerenciamento de oferta e demanda nas empresas e entre elas. Para Ching (2010, p. 5): Supply chain é todo esforço envolvido nos diferentes processos e atividades em- presariais que criam valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final. A gestão do supply chain é uma forma integrada de planejar e controlar o fluxo de mercadorias, informações e recursos, desde os fornecedores até o cliente final, procurando administrar as relações na cadeia logística de forma cooperativa e para o benefício de todos os envolvidos. Terminologia logística10 BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. 3. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2016. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa no. 32, de 23 de setembro de 2015. Diário Oficial da União, 24 set. 2015. Disponível em: http://www.in.gov.br/web/guest/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/ content/id/32869033/do1-2015-09-24-instrucao-normativa-n-32-de-23-de-setembro- -de-2015-32868831. Acesso em: 6 set. 2019. CASTIGLIONI, J. A. M.; MINETTO JUNIOR, R. F. Processos logísticos. 1. ed. São Paulo: Érica: Editora Saraiva, 2014. CHING, H. I. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada. 4. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010. CUNHA, F. O que é Cross Docking? Entenda como funciona e como implementar na sua empresa. Datamex, 2017. Disponível em: https://www.datamex.com.br/blog/o-que- -e-cross-docking-entenda-como-funciona-e-como-implementar-na-sua-empresa/. Acesso em: 6 set. 2019. DAVID, P. A. Logística internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2016. DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 6. ed. – São Paulo: Atlas, 2015. GRANT, D. B. Gestão de logística e cadeia de suprimentos. 1. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2013. MARTINS, P. G.; ALT, P. R. C. Administração de materiais e recursospatrimoniais. 3. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2009. NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro: El- sevier, 2015. PIRES, S. R. I. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e casos. 2. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2009. POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais. 7. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2016. Leitura recomendada NOGUEIRA, A. S. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Editora Atlas, 2012. 11Terminologia logística LOGÍSTICA E GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Marcelo Ribas Simões Pires A relação entre a logística e as unidades organizacionais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Observar a importância da qualidade dentro do processo lo- gístico. Verificar a integração da logística com as funções da qualidade nas organizações. Identificar relacionamentos colaborativos tanto internamente quanto com os parceiros da cadeia de suprimentos. Introdução Neste texto, você vai verificar que a logística foi, durante muito tempo, considerada apenas um conjunto de atividades meramente operacionais, responsáveis por tornar viável o fluxo de matérias-pri- mas até seus clientes finais. Com o passar do tempo, fatores como a globalização, o aumento da concorrência e o desenvolvimento da tecnologia da informação fizeram as operações logísticas se tornarem fundamentais para a competitividade das organizações no ambiente empresarial. O foco desta unidade de aprendizagem é especificamente a estrutura organizacional indispensável para a gestão da função logística dos negócios. A discussão é separada em três partes. A primeira é a organização do projeto logístico. A segunda é composta pelas opções à disposição da gerência, que vão de formatos formais à informais de organização, bem como a localização do formato organizacional dentro da estrutura da em- presa. A terceira se refere à gerência da logística ao longo de dife- rentes organizações. Logistica_U3C7.indd 41Logistica_U3C7.indd 41 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 É importante enfatizar que, quando permitida a competição nos mercados globais, é comum que clientes se encontrem geograficamente distantes das unidades produ- toras. Isso demanda, nesses mercados altamente competitivos, produtos de qualidade e baixo custo agregados a operações logísticas eficientes. A chave para alcançar a li- derança logística é conhecer a fundo a arte de combinar a competência operacional e o compromisso com o atendimento às expectativas e solicitações fundamentais dos clientes. Organizando o esforço logístico/CS (cadeia de suprimentos) Para início da compreensão do tema tratado nesta unidade de aprendizagem, é adequado evidenciar alguns conceitos do gerenciamento logístico nas em- presas. A logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do transporte e da armazenagem de matérias-primas, partes e produtos acabados (além dos fluxos de informações relacionados) por parte da organização e de seus canais de marketing, de tal modo que se aumentem a lucratividade atual e a futura pela entrega de encomendas com o menor custo associado. Antes de se tornar um fator de competitividade para as empresas, a logís- tica foi utilizada desde os tempos antigos, assim como nos dias de hoje, para providenciar o fluxo eficiente de materiais e de informação. Relatos mostram que, desde a construção das pirâmides, os princípios dessa atividade pouco mudaram e que guerras têm sido definidas pelas capacidades ou incapaci- dades de providenciar o fluxo de armamentos e outros materiais de forma eficiente. Como exemplo, autores citam a derrota dos britânicos na Guerra de Independência dos Estados Unidos. Segundo eles, em sua maioria, a derrota pode ser atribuída às falhas de logística. A logística trata da criação de valor para todos aqueles que têm interesses diretos nessa atividade. Produtos e serviços não têm valor a menos que es- tejam em poder dos clientes quando e onde eles pretendem consumi-los. É interessante ressaltar que somente se agrega valor quando os clientes estão dispostos a pagar pelo produto ou serviço mais que o custo de colocá-los à dis- posição para o consumo. A logística deve ser administrada como um esforço Logística e gestão da cadeia de suprimentos42 Logistica_U3C7.indd 42Logistica_U3C7.indd 42 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 integrado para atingir a satisfação do cliente pelo menor custo total. As ope- rações, quando geridas dessa forma, iniciam o processo de criação de valor. Colocar as pessoas responsáveis pelas atividades logísticas da empresa em posições que sirvam de incentivo à coordenação plena entre elas é a questão dominante na organização logística/CS. São arranjos organizacionais que promovem a eficiência no suprimento e distribuição de produtos e serviços pela promoção das compensações de custos frequentemente oferecidas no planejamento e operação do sistema logístico. Entende-se como custo a constituição da soma dos insumos (mão-de- -obra, energia, materiais diversos, equipamentos, instalações fixas, etc.) ne- cessários para realizar um determinado serviço ou operação, avaliados mo- netariamente. A busca pela diminuição dos custos não pode afetar o nível de qualidade de serviços exigidos pelos clientes. O objetivo da gestão da cadeia de suprimentos e da logística é oferecer aos clientes o nível de qualidade de serviço que eles exigem – e fazê-lo com menor custo em toda a cadeia. A estratégia logística tem como objetivo alcançar a melhor equação entre os custos e a excelência do serviço prestado. A cadeia de suprimentos (ou supply chain, em inglês) envolve atividades que ultrapassam os limites da logística nas corporações. A logística é caracterizada como a orientação e a estrutura de planejamento que cria, em um plano único, o fluxo de produtos e de infor- mação ao longo de um negócio. O gerenciamento da cadeia de suprimentos, por sua vez, encontra-se apoiado nessa estrutura, criando vínculos e coorde- nação entre os processos de outras organizações existentes no mesmo canal. A evolução da gestão da cadeia de suprimentos sugere que as estruturas organizacionais das empresas devam ultrapassar os limites da própria com- panhia (departamentos, áreas, etc.), ampliando tal estrutura para a cadeia de suprimentos do negócio em que atua. A organização administrativa é a estrutura que cria condições para a criação, a implementação e a avaliação de planos. É o mecanismo formal ou informal para a atribuição dos recursos humanos da empresa à concretização de suas metas. A organização pode parecer um organograma formal de rela- cionamentos funcionais, um conjunto invisível de relacionamentos entendido pelos componentes da firma, mas não projetado em qualquer meio formal, ou uma combinação destes. Seja qual for a situação, buscar estabelecer relacio- namentos humanos em uma maneira ótima é provavelmente a mais difícil das tarefas da empresa. Não existem algoritmos precisos para isso. O máximo que podemos esperar é a existência de algumas diretrizes que venham a ser úteis para o estabelecimento de estruturas organizacionais aceitáveis. 43A relação entre a logística e as unidades organizacionais Logistica_U3C7.indd 43Logistica_U3C7.indd 43 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 Com relação à necessidade de estrutura organizacional, a logística/CS é uma atividade essencial que precisa ser desenvolvida por todos os tipos de empresas ou instituições. Isso significa que alguma espécie de arranjo organi- zacional, seja ele formal ou informal, terá sido feito para cuidar do movimento de produtos e serviços. Qual é, então, a necessidade de qualquer consideração específica em torno da estrutura organizacional? Relacionada à fragmentação organizacional, uma forma tradicional de organização também adotada por muitos é a centralização das atividades emtorno das três funções primárias de finanças, operações e marketing. Do ponto de vista logístico, essa distribuição resultou em uma fragmentação das atividades logísticas entre essas três funções que têm objetivos primários um tanto quanto diferentes daqueles da logística. Isto é, responsabilidade pelo transporte pode ser atribuída às operações; o estoque, dividido entre as três funções; e o processamento de pedidos, colocado sob o auxílio tanto do mar- keting quanto do financeiro. Ainda assim, a principal responsabilidade do marketing pode ser a maximização dos lucros, a responsabilidade maior das operações pode ser produzir ao menor custo unitário e a responsabilidade do financeiro pode ser minimizar os custos de capital ou maximizar o retorno sobre os investimentos para a empresa. Um semelhante conflito de prioridades pode se traduzir em um sistema operacional logístico de tal forma que a eficiência da empresa como um todo venha a ser prejudicada. Por exemplo, o marketing pode pretender uma en- trega mais rápida para dar sustentação às vendas, enquanto a produção, uma vez tendo a responsabilidade pelo tráfego, pode pretender impor o roteiro de menor custo. A menos que decisões sejam adotadas para chegar a compro- missos ao longo das linhas funcionais, o mais vantajoso equilíbrio custo-ser- viço logístico não tende a se concretizar. Alguma estrutura organizacional para a coordenação do processo decisório de atividades logísticas separadas é necessária. Pelo gerenciamento, equipar as atividades logísticas/CS de estrutura orga- nizacional define as linhas de autoridade e responsabilidade necessárias para garantir que os produtos sejam encaminhados de acordo com o planejado e que possa haver replanejamento sempre que necessário. Quando o equilíbrio entre serviço ao cliente e os custos desse serviço é fundamental para a ope- ração de determinada empresa, alguém deve ser encarregado de supervisionar a movimentação dos produtos. Na verdade, alguém precisa gerenciar a logís- tica. Áreas como processamento de pedidos, tráfego e armazenagem podem ser supervisionadas individualmente em busca de um bom controle, mas um Logística e gestão da cadeia de suprimentos44 Logistica_U3C7.indd 44Logistica_U3C7.indd 44 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 bom gerente quase sempre é indispensável para coordenar as suas operações combinadas. Apenas um gerente tem a visão geral indispensável para conse- guir equilibrar essas operações buscando o mais alto nível de eficiência. Associada também com a importância da organização para a logística/ CS, a atenção que pode ser dada à organização logística e ao arranjo organi- zacional depende da natureza da logística/CS em uma determinada empresa. Cada empresa ou instituição realiza sempre algum grau de operações logís- ticas/CS, mas as questões logísticas não têm a mesma importância em todas elas. Uma empresa que gaste uma pequena fração de seus custos operacionais em logísticas, ou onde os níveis logísticos do serviço ao cliente não sejam de grande importância para esses clientes, logicamente não se vai tender a dar à logística uma atenção organizacional especial. No entanto, ocorre o oposto para muitas empresas de produtos de clientes, indústrias de alimentos e em- presas de produtos químicos em que os custos logísticos podem chegar em média a 25% de cada dólar de vendas. Além, disso, a necessidade de um certo tipo de organização depende de como os custos logísticos ocorrem e de onde as necessidades de serviço são maiores. A forma organizacional pode estar centrada em gestão de materiais, distribuição física ou na cadeia de suprimentos. Avalie como a necessidade de organização varia entre os diferentes tipos de indústrias. Para saber mais sobre o tema, leia o trecho selecionado – Organizando o esforço lo- gístico/CS – da obra Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial (BALLOU, 2006, p. 543). Desenvolvimento organizacional A filosofia sobre o que é uma boa administração logística/CS e o projeto organizacional resultante evoluiu de forma acelerada nos últimos anos. Existem três diferentes estágios de desenvolvimento da logística. O Estágio I caracterizou o começo da década de 1970, representando a aglomeração de atividades que eram importantes para a concretização das compensações de custos próprios da gerência logística. As atividades de transporte eram 45A relação entre a logística e as unidades organizacionais Logistica_U3C7.indd 45Logistica_U3C7.indd 45 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 administradas em conjunto com as atividades de estocagem e processamento de pedidos para concretizar metas de custo de distribuição física e de serviço. As compras, o transporte de entrada e os estoques de matérias-primas eram reunidos sob uma única bandeira organizacional de coordenação. O reconhe- cimento das atividades relevantes para a distribuição física e o abastecimento físico e as necessidades de que fossem cuidadosamente coordenadas já es- tavam presentes nesse início dos anos 70, mas as estruturas organizacionais ainda eram insuficientes para a realização daquilo que prometiam. Muitas empresas preferiam confiar em acordos informais como a persuasão e os co- ordenadores de equipes para equilibrar os interesses entre as diferentes áreas de atividades. Como a mudança do projeto organizacional parece mais um processo de evolução do que de revolução, as primeiras tentativas de desen- volver uma organização logística foram acontecendo sem mudanças radicais na estrutura organizacional existente. A organização no Estágio II foi dirigida para estruturas formais em que um executivo todo-poderoso era o responsável por todas as atividades logís- ticas relevantes, normalmente aquelas de suprimento físico ou distribuição física, mas não as duas. Isso dava controle direto sobre a coordenação das atividades logísticas. Foi um passo de evolução, conforme os benefícios do bom gerenciamento logístico se tornaram mais entendidos e apreciados entre as empresas. O Estágio III da estrutura da organização se referia à interação plena das atividades logísticas, envolvendo o abastecimento e a distribuição físicos. A integração plena das atividades logísticas e a estrutura organizacional de um escopo para coordená-las ganharam preferência tanto dos especialistas quanto das empresas. A integração plena foi incentivada pelas filosofias do just-in-time, resposta rápida e compreensão dos prazos, que exigiam coor- denação precisa entre todas as atividades no conjunto das empresas. Além disso, ativos compartilhados de uma frota de caminhões, armazéns que eram usados em atividades tanto de suprimento quanto de distribuição física igual- mente exigiam uma cuidadosa coordenação para que pudessem chegar à uti- lização plena. Agora existe um Estágio IV, chamado de gestão da cadeia de suprimentos, ou logística integrada. Ele envolve a integração total das atividades logísticas do Estágio III, introduzindo as atividades logísticas dentro dos processos de transformação de produtos (produção). Isto é, empresas no Estágio IV do seu desenvolvimento organizacional entendem a logística como algo que envolve todas aquelas atividades registradas entre suas fontes de matérias-primas, Logística e gestão da cadeia de suprimentos46 Logistica_U3C7.indd 46Logistica_U3C7.indd 46 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 ao longo da produção e até chegar ao consumidor final. A diferença mais significativa entre o Estágio III e o Estágio IV é que as atividades do pro- cesso de transformação de produtos como programação de produto, gerência do estoque de produtos em processamento e coordenação da programação just-in-time de entrada e saída estão agora incluídas no escopo da logística integrada. Figura 1. Organização de uma empresa manufatureira padrão com relação às atividades logísticas/CS. Fonte: Ballou (2006, p. 542). Opções organizacionais Quando for estabelecida a necessidade de algumaforma de estrutura orga- nizacional, a empresa tem várias opções disponíveis. Elas podem ser cate- gorizadas como dos tipos informal, semiformal ou formal. Não existe um tipo dominante. A opção organizacional para qualquer empresa é frequen- temente o resultado das forças evolucionárias em ação no seu contexto. Ou seja, a forma logística organizacional é muitas vezes sensível a determinadas personalidades na empresa, às tradições da organização e à importância das atividades logísticas. 47A relação entre a logística e as unidades organizacionais Logistica_U3C7.indd 47Logistica_U3C7.indd 47 21/09/2016 17:26:0021/09/2016 17:26:00 Também a organização informal, na qual o principal objetivo da organi- zação logística/CS é estabelecer a coordenação entre as atividades logísticas para o seu planejamento e controle. Havendo um clima favorável na empresa, essa coordenação pode ser concretizada por um variado número de meios informais. São os que não exigem qualquer mudança na estrutura organiza- cional existente, mas dependem da coerção ou persuasão para conseguir a coordenação entre atividades e da coordenação entre os responsáveis por elas. Nas empresas que definiram áreas separadas de responsabilidade para atividades da importância dos transportes, controle de estoques e proces- samento de pedidos, um sistema de incentivos pode ser, às vezes, criado para coordená-las. O orçamento, que representa um grande instrumento de controle para muitas empresas, é em geral um desincentivo à coordenação, mas pode ser, às vezes, transformado em um mecanismo de efetiva coorde- nação. Ele pode ser um desincentivo porque um gerente de transportes, por exemplo, iria considerar irracional incorrer em custos de transporte maiores do que os necessários para possibilitar uma redução dos custos do estoque. Os custos do estoque não se incluem no âmbito de responsabilidade do ge- rente de transportes com relação ao orçamento. O desempenho do gerente de transportes é avaliado pela maneira como os custos do transporte se ade- quam ao orçamento. Um possível sistema de incentivo à cooperação de interatividades é o es- tabelecimento de um determinado número de taxas cruzadas ou custos trans- feridos entre as várias atividades logísticas. Pense em como uma decisão de escolha de transporte poderia ser feita quando afetasse indiretamente os ní- veis de estoque, mas o responsável pela decisão sobre transportes não tivesse outra motivação a não ser concretizar os menores custos possíveis na sua área de ação. Com uma organização semiformal, essa modalidade reconhece que o planejamento e operação logísticos normalmente encurtam o caminho entre as várias funções da estrutura organizacional da empresa. O profissional de logística, ou coordenador de cadeia de suprimentos, passa a coordenar pro- jetos que envolvem a cadeia de suprimentos e que abrangem diversas áreas funcionais. Trata-se da estrutura conhecida como organização matricial, que vem obtendo grande sucesso em uma área de tamanha importância como a da indústria aeroespacial. Numa organização matriz, o gerente de logística/CS é responsável pelo conjunto do sistema logístico, mas não tem autoridade direta sobre as ativi- Logística e gestão da cadeia de suprimentos48 Logistica_U3C7.indd 48Logistica_U3C7.indd 48 21/09/2016 17:26:0121/09/2016 17:26:01 dades componentes. A estrutura organizacional tradicional da empresa per- manece intacta, mas o gerente de logística/CS compartilha a autoridade e responsabilidade pela decisão com o gerente da área da atividade envolvida. Cada um dos departamentos funcionais precisa justificar as despesas para as atividades juntamente com o respectivo programa logístico, o que forma a base para a cooperação e coordenação. O coordenador de logística/CS pode até mesmo assessorar na coordenação das atividades logísticas entre as em- presas participantes do canal de suprimentos ultrapassando os limites de sua própria empresa. A organização matricial tem condições de ser uma forma organizacional útil, mas é preciso reconhecer que as linhas de autoridade e responsabilidade nessa modalidade ficam um tanto indistintas. Isso acaba provocando eventuais conflitos de difícil resolução. No entanto, para algumas empresas essa opção acaba sendo a melhor adaptação entre o modelo informal e aquele altamente estruturado. Por fim, a organização formal estabelece linhas transparentes e definidas de autoridade e responsabilidade para a logística/CS. Isso normalmente re- quer instalar um gerente em uma posição de comando das atividades logís- ticas e situar a autoridade desse gerente em um nível da estrutura geral da organização que lhe permita trabalhar efetivamente com as outras grandes áreas funcionais da empresa (finanças, operações e marketing). Isso eleva e estrutura o pessoal logístico para promover uma coordenação de atividades. As empresas se voltam para o modelo da organização formal quando arranjos menos formais não têm sucesso ou quando é preciso dar maior atenção às atividades logísticas. Os profissionais não cansam de destacar que não existe o que possa ser considerado como organização típica da logística. A estrutura organizacional é padronizada conforme as circunstâncias individuais em cada empresa. No entanto, é possível desenvolver uma organização formal genérica que faça sentido em termos de princípios de gestão logística e apareça, pelo menos de forma parcial, em um número suficiente de empresas para poder servir como modelo. Para saber mais sobre o tema, leia o trecho selecionado – Opções organizacionais – da obra Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial (BALLOU, 2006, p. 545). 49A relação entre a logística e as unidades organizacionais Logistica_U3C7.indd 49Logistica_U3C7.indd 49 21/09/2016 17:26:0121/09/2016 17:26:01 BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. Logística e gestão da cadeia de suprimentos50 Logistica_U3C7.indd 50Logistica_U3C7.indd 50 21/09/2016 17:26:0121/09/2016 17:26:01