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Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisão textual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista .................................................................................... 98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ...................................................111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 77 A Visão sistêmicA dA LogísticA e LogísticA no BrAsiLA Visão sistêmicA dA LogísticA e LogísticA no BrAsiL ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você entenderá que a partir do momento em que o homem começou a caçar e pescar, de certa forma, ele também aplicava intuitivamente alguns conceitos da logística: transportava a caça e o pescado até o local de sua morada para servir de alimento para o seu grupo. É notório que, nos últimos anos, a logística vem apresentando uma evolução constante, sendo hoje uma fonte importante na estratégia competitiva das empresas. Perceberá que, modernamente, a logística é a atividade que coordena a estocagem, o transporte, os inventários, os armazéns e toda a movimentação dos materiais (matérias-primas e produtos acabados) dentro da fábrica até a entrega ao cliente. Dentro dessa conceituação, a logística compreende a coordenação do movimento de materiais desde o instante em que as matérias-primas são estoca- das até o recebimento do produto final pelo cliente. Também identificará que a essa movimentação incessante dá-se o nome de fluxo de materiais. Todo o processo produtivo envolve um fluxo constante de materiais e, quase sempre, o fluxo envolve algumas paradas ou passa por algum lugar durante algum tempo. Notará que a correta gestão desses fluxos contribui para otimizar os processos produtivos, evitando falhas e atrasos na logística, os chama- dos gargalos. Gargalo de produção é o ponto no qual a produção é mais demorada, fazendo com que o material fique parado por maior tempo do que seria necessário. Nesse sentido, a gestão logística torna-se essencial para aperfeiçoar os processos de uma empresa, reduzindo gargalos, otimizando custos e alavan- cando a competitividade de uma empresa. Concluirá, assim, que muitas atividades necessitam da logística, que exerce grande influência em nossas vidas, principalmente no cenário econômico atual, no qual a distribuição de todos os bens de consumo depende de processos logísticos até que estejam disponíveis para consumo no seu cliente final. 01 Uni 88 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Objetivos de aprendizagem • Elucidar sobre a visão sistêmica da logística; • Explicar que ao mesmo tempo em que a função logística é enriquecida em atividades, ela também deixa de ter uma característica meramente técnica e operacional, ganhando conteúdo estratégico; • Identificar que toda vez que houver uma movimentação de produto ou de informação, de um lugar a outro, estará no campo da logística; • Apresentar o perfil dos profissionais de logística e suas alterações no contexto econômico da atualidade. 1. Visão sistêmicA dA LogísticA1. Visão sistêmicA dA LogísticA Neste tópico, você aprenderá sobre os componentes logísticos, as ten- dências e o enfoque funcional, a utilização de trade-offs na logística, os fluxos logísticos, o ambiente e o sistema que compõe as operações logísticas, assuntos importantes para o entendimento desta primeira unidade. 1.1. Componentes logísticos1.1. Componentes logísticos A logística é um verdadeiro paradoxo. Segundo Fleury, Wanque e Figueiredo (2000, p. 27), ela “é ao mesmo tempo, uma das atividades econômicas mais antigas e um dos conceitos gerenciais mais modernos”. Os referidos autores completam afirmando que, desde que o homem abandonou a economia extrativis- ta e deu início às atividades produtivas organizadas, com produção especializada e troca dos excedentes com outros produtores, surgiram três das mais importantes funções logísticas, ou seja, estoque, armazenagem e transporte. Desta forma, aquilo que era produzido além das necessidades do homem, ou seja, a produção em excesso, ainda não consumida, se torna estoque. E, para garantir sua integridade, o estoque necessita ser armazenado de maneira a pre- servar a integridade física do material, e para que a troca entre as partes possa ser efetivada, é necessário transportá-lo do local de produção ao local de consumo. Portanto, a função logística é muito antiga, e o seu surgimento se confunde com a origem da atividade econômica organizada. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 99 Entretanto, nas primeiras atividades econômicas organizadas, todo esse limitado sistema de estoque – transporte – armazenamento normalmente obrigava as pessoas a viver perto das fontes de produção e as limitava ao consumo de uma escassa gama de mercadorias. Ballou (2006, p. 25) afirma que “mesmo hoje, em algumas regiões do mundo, o consumo e a produção ocorrem em âmbitos geográ- ficos extremamente limitados”. O referido autor completa seu pensamento afirmando que à medida que os sistemas logísticos fossem aperfeiçoados, o consumo e a produção experimenta- riam uma separação geográfica, desta forma, as atividades logísticas são um elo entre os locais de produção e os mercados apartados por tempo e distâncias. Nesse contexto, a logística contribui para ampliar mercados, uma vez que suas atividades permitem que produção e consumo ocorram em áreas geografica- mente distantes. Mas afinal o que é logística? Vamos a algumas definições? “Logística deve ser vista como um instrumento de marketing, uma ferramenta gerencial, capaz de agregar valor por meio dos serviços prestados”. (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000, p. 31). “A logística é responsável pelo planejamento, operação e controle de todo o fluxo de mercadorias e informação, desde a fonte fornecedora até o consumidor”. (MARTINS e CAMPOS, 2009, p. 326). “A logística é um conjunto de atividades funcionais (transportes, controle de estoques, etc.) que se repetem inúmeras vezes ao longo do canal pelo qual matérias-primas vão sendo convertidas em produtos acabados, aos quais se agrega valor ao consumidor”. (BALLOU, 2006, p. 29). “A logística engloba o suprimento de materiais e componentes, a movimentação e o controle de produtos e o apoio ao esforço de vendas dos produtos finais, até a colocação do produto acabado para o consumidor”. (DIAS, 2010, p. 01) De acordo com Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 27), “o que vem fazen- do da logística um dos conceitos gerenciais mais modernos são dois conjuntos de mudanças, o primeiro de ordem econômica e o segundo de ordem tecno- lógica”. As mudanças econômicas criam novas exigências competitivas, enquanto as mudanças tecnológicas tornam possível o gerenciamento eficiente e eficaz de operações logísticas cada dia mais complexas e demandantes. 1010 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO As mudanças econômicas criam novas exigências competitivas como, por exemplo, atender as expectativas dos clientes e um ambiente de rápidas trans- formações, com produtos que possuem ciclos de vida cada vez menores e maior complexidade quanto ao tempo de entrega. Já as mudanças tecnológicas tornam possível o gerenciamento mais eficaz de operações logísticas, que, cada dia, se tornam mais complexas e demandantes de sistemas de controle com base tec- nológica. Portanto, a logísticavem se utilizando de inovações tecnológicas e se preocupando em obter melhor visão estratégica e competitiva. Memorize As atividades a serem gerenciadas que compõem a logística empresarial variam de acordo com o tipo de negócio de cada empresa, dependendo, entre outros fatores, da estrutura organizacional, das diferentes conceituações, dos respectivos gerentes, e sobre o que constitui a cadeia de suprimentos nesse negócio e da importância das atividades específicas para as suas operações. Para Ballou (2006), os componentes ou atividades logísticas são dividi- das/organizadas em principais e de suporte, conforme a seguir: Atividades principais: são aquelas que estão presente em todos os subsistemas logísticos, ou seja, sem elas a logística não ocorre. Estas ativida- des detêm a maior parte dos custos com logística, sendo essenciais na coor- denação e conclusão eficientes das operações. Podem-se citar as seguintes atividades-chave: • Transporte: é essencial pelo fato de não haver empresa moderna capaz de operar sem adotar providências para a movimentação de suas matérias-primas ou produtos acabados. Refere-se aos vários métodos para movimentar produ- tos, através das modalidades de transporte, tais como: rodoviário, ferroviário e aeroviário. Essa atividade absorve em média de um a dois terços dos custos logísticos e agrega valor de lugar ao produto. • Manutenção de estoques: é essencial para a gestão logística porque normal- mente é impossível e inexecutável produzir instantaneamente ou garantir prazos LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1111 de entrega aos clientes. Assim, envolve manter níveis de estoques razoavelmente baixos, mas que possam prover a disponibilidade desejada quando solicitados. Essa atividade agrega valor de tempo ao produto. • Processamento de pedidos: corresponde à atividade de atender e processar as solicitações de clientes. Sua importância deriva do fato de ser um elemento crítico em termos do tempo necessário para levar bens e serviços aos clientes, ou seja, trata-se da atividade que desencadeia a movimentação dos produtos e o serviço de entrega. Além disso, segundo Nogueira (2012, p. 47) “estas três atividades logís- ticas podem ser colocadas em perspectiva, notando-se sua importância naquilo que pode ser chamado de ciclo crítico de atividades logísticas”. O referido autor complementa dizendo que o tempo requerido para um cliente receber um pedido depende do tempo necessário para entregá-lo. E para que um pedido seja entregue ao cliente são necessárias, pelo me- nos, as atividades de estocagem, processamento de pedidos e transporte. Como resultado final de qualquer operação logística, espera-se atingir a chamada missão logística que corresponde ao serviço de conseguir mercadorias para os clientes quando e onde eles quiserem, nas quantidades adequadas e a um custo acessível. Por isso as três atividades são chamadas de atividades primárias. Atividades de Apoio: são atividades adicionais que, apesar de não es- tarem presentes em todo o sistema logístico, servem como contribuintes para a realização da missão logística. Podem-se citar as seguintes: • Armazenagem: refere-se ao gerenciamento do ambiente necessário para conservar estoques. Envolve problemas como localização, dimensionamento da área, arranjo físico, recuperação do estoque, projeto de docas ou baias de atracação e configuração do armazém. • Manuseio de materiais: está associado com a atividade de armazenagem e também ampara a manutenção de estoques. É uma atividade que diz respeito à movimentação do produto no ponto de estocagem. São problemas importan- tes: seleção do equipamento de movimentação, procedimentos para formação, pedidos e balanceamento de carga de trabalho. • Embalagem de proteção: um dos objetivos da logística é movimentar bens sem danificá-los, além do economicamente razoável. Para tanto, é fundamental 1212 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO um bom projeto de embalagens do produto, pois auxilia na garantia de movi- mentação sem quebras, além disso, dimensões adequadas de empacotamento proporcionam o e armazenagem efi cientes; • Compras: é a atividade que deixa o produto disponível para o sistema logísti- co, tratando da escolha das fontes de suprimentos, das quantidades a serem adquiridas, da programação das compras e da forma pela qual o produto é com- prado. É importante para a logística, pois decisões de comprar têm dimensões geográfi cas e temporais que afetam os custos logísticos; • Programação de produtos: enquanto a atividade de comprar trata do suprimento (fl uxo de entrada) de empresas de manufatura, esta atividade de programação do produto lida com a distribuição (fl uxo de saída). Refere-se primariamente às quantidades agregadas que devem ser produzidas e quando e onde devem ser fabricadas. Conforme Nogueira (2012, p. 49), “não diz respeito à programação detalhada de produção, executada diariamente pelos programadores de produção”; • Manutenção de informação: nenhuma função logística dentro de uma em- presa poderia atuar efi cazmente sem as necessárias informações de custo e performance, pois tais informações são essenciais para o correto planejamento e controle logístico. Manter clientes, volumes de vendas, padrões de entrega e níveis de estoque apoio a administração efi ciente e efetiva das atividades primárias de apoio. Além das atividades primárias ou de apoio, anteriormente mencionadas, a necessidade de profissionais qualificados para as funções logísticas faz com que se tenha grande atenção no preparo e acompanhamento dos colaboradores. Des- se modo, o gerenciamento de pessoas é fundamental para o êxito das atividades logísticas numa organização. Memorize De acordo com Nogueira (2012, p. 49), “as atividades primárias ou de apoio destacam os principais tópicos da logística com que as empresas deste segmento devem se preocupar em gerenciar”. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1313 Perceba que, se por um lado é importante a visão sistêmica, por outro é necessário o estudo individual de cada um dos elementos da cadeia logística, suas características, inter-relações, custos e a forma como são agrupados. A cadeia logística é, portanto, o canal de movimento do produto ao longo do processo in- dustrial até os clientes, mas pode-se dizer simplesmente que é a sucessão de manuseios, movimentações e armazenagens pelas quais o produto passa desde a matéria-prima, conjuntos semielaborados, até chegar ao cliente final. • Qual o objetivo da logística? • Quais os componentes de um sistema logístico? • Quais são as principais atividades realizadas pela logística? Qual a importância delas para as organizações? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.2. Tendências e enfoque funcional1.2. Tendências e enfoque funcional As modificações no cenário econômico ocorrem do processo de globali- zação. Globalização significa, entre outras coisas, comprar e vender em diversos locais ao redor do mundo. Para Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 28), “as implicações desse fenômeno para a logística são várias e importantes”. Os referi- dos autores afirmam que essas implicações aumentam o número de clientes e os pontos de vendas, crescem o número de fornecedores e os locais defornecimento, aumentam as distâncias a serem percorridas e a complexidade operacional, envol- vendo legislação, cultura e modais de transporte. Tudo isso se reflete em maiores custos e aumento da complexidade logística. 1414 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO No rastro da globalização, surge o aumento da incerteza econômica. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 28), “a crescente troca de bens e serviços entre as nações aumentou substancialmente a interdependência e a volatilidade econômica, pois mudanças ou crises nacionais têm reflexo regional imediato e tendem a espalhar-se numa escala mundial, assim como a mudança de câmbio, recessão, novas regulamentações sobre comércio exterior e o aumento do preço do petróleo, são fatores de incerteza no dia a dia da economia globaliza- da”. Para a logística, que necessita atuar em antecipação à demanda, produzindo e disponibilizando o produto certo, no local correto, no momento adequado e ao preço justo, o aumento da incerteza econômica cria grandes dificuldades para a previsão de vendas e o planejamento das atividades. A tendência geral é de uma economia mundial cada vez mais integrada. Para Ballou (2006), [...] as empresas buscam, ou já desenvolveram, estratégias globais ao projetar seus produtos para um mercado mundial e para produzi-los em qualquer lugar em que estiverem disponíveis as matérias-primas, componentes e mão-de-obra de menor custo [...] ou simplesmente produzem num país e vendem no maior número possível de outros. Mas a logística não é apenas mais uma ferramenta gerencial moderna. Para Fleury, Wanke e Figueiredo (2000), ela é também uma importante atividade econô- mica, contribuindo de forma significativa para a estrutura de custos das empresas, assim, como o Produto Interno Bruto das nações. Completando seu pensamento, os referidos autores afirmam que: [...] levantamentos realizados nos EUA indicam que os gastos com Logística equi- valem a cerca de 10% do PIB americano, o que representa cerca de US$ 700 bilhões, o equivalente ao PIB brasileiro. Embora não existam levantamentos específicos, estima-se que no Brasil os gastos com as atividades logísticas correspondam a cerca de 17% do PIB, com base no fato de que os gastos com transporte correspondem a 10% do PIB, e que na média o transporte corresponde a 60% dos custos logísticos. (FLEURY; WANKE; FIGUEI- REDO, 2000, p. 30) Entenda que a globalização e a internacionalização das indústrias, em todas as partes, ficarão pesadamente dependentes de desempenho e custos lo- gísticos. À medida que as empresas forem intensificando uma visão mais interna- LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1515 cional de suas operações e à medida que isso acontece, a logística assume uma importância maior no âmbito da empresa, uma vez que os custos, especialmente de transporte, vão crescendo de proporção na estrutura total de custos. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.3. Principais 1.3. Principais trade-offtrade-off na logística na logística Para que possa ser gerenciada de forma integrada, a logística deve ser tratada como um sistema, ou seja, um conjunto de componentes interligados, tra- balhando de forma coordenada, com o objetivo de atingir um objetivo comum. Um movimento em qualquer um dos componentes de um sistema tem, em princípio, efeito sobre outros componentes do mesmo sistema. A tentativa de otimização de cada um dos componentes, isoladamente, não leva à melhoria de todo o sistema, ao contrário, leva à subotimização. Por outro lado, é possível modificar algum ele- mento que acarrete em aumento de seu custo, mas que reduza custos em outros elementos, ou seja, dentro da inter-relação de elementos pode haver “compensa- ções logísticas”. Tal princípio é normalmente conhecido como trade-off, ou seja, o princípio das compensações, ou perdas e ganhos. 1616 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fique atento “Trade-off ou Compensação – na sua forma básica, o resultado incorre em um aumento de custos em determinada área com o intuito de obter uma grande vantagem em relação às outras (em termos de aumento de rendimento e lucro)”. (NOGUEIRA, 2012, p. 201). De acordo com Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 35), [...] a logística deve atender aos níveis de serviço ao cliente, estabelecidos pela estratégia de marketing, ao menor custo total de seus componentes, ou seja, o soma- tório dos custos de transporte, armazenagem, processamento de pedidos, estoques, comprar e vendas. Completando, os autores afirmam que tentativas de atuar sobre qualquer um dos componentes isoladamente podem representar um aumento de custos de outros componentes, ou deterioração do nível de serviço. De acordo com Corrêa e Caon (2002, p. 98), “dificilmente uma operação consegue ter excepcional desempenho em todos os aspectos ao mesmo tempo”. Os referidos autores afirmam que isso é conhecido na gestão de operações como o “paradigma dos trade-offs”, o paradigma dos “dilemas”: em determinadas situ- ações, em operações, é necessário escolher poucos aspectos de desempenho a focalizar, pois para melhorar desempenho neles será necessário abrir mão do desempenho em outros critérios. Um exemplo é citado por Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 35): [...] o resultado de uma política cujo objetivo seja minimizar o custo de transporte, independentemente dos outros componentes. Tal objetivo poderia ser alcançado mediante uma política de consolidação de cargas, que teria efeitos negativos sobre a quantidade de estoques e sobre os prazos de entrega, que ficariam dilatados. Uma outra alternativa poderia ser a utilização de um modal mais barato, mas que em compensação seria mais lento e me- nos confiável, resultando portanto num nível de estoque de segurança. Da mesma maneira, uma política voltada para a minimização do custo de comprar pela aquisição de grandes lotes resultaria num aumento dos custos de armazenagem e de estoques. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1717 Portanto, para alcançar a excelência logística, torna-se fundamental con- seguir ao mesmo tempo redução nos custos e melhoramento do nível de serviço ao cliente. A busca desses dois objetivos quebra um antigo paradigma, segundo o qual um trade-off inexorável entre custos e qualidade de serviços, ou seja, a crença de que melhores níveis de serviço implicam necessariamente maiores custos. • O que é trade-off? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema Combase nos tópicos anteriores, vimos que: [...] a cadeia de suprimentos abrange todas as atividades relacionadas com o fluxo e transformação de mercadorias desde o estágio da matéria-prima (extração) até o usuário final, bem como os respectivos fluxos de informação. (BALLOU, 2006, p. 28). Em toda empresa, os materiais não podem ficar estáticos ou parados, pois manter materiais sem uso representaria um custo desnecessário. Os mate- riais seguem um movimento incessante que vai desde o recebimento do fornece- dor, passando pelas diversas etapas do processo produtivo até chegar ao depósito de produtos acabados. Em outros termos, os materiais entram na empresa, fluem e transitam por meio dela e saem pelo depósito com destino aos clientes como produtos acabados. 1818 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Desta forma, Corrêa (2010) diz que, em gestão de fluxos de materiais, uma das classificações importantes que diferencia a natureza dos fluxos é aquela que separa os fluxos empurrados (push) dos fluxos puxados (pull). Na estratégia da rede de suprimento, uma decisão importante a tomar refere-se exatamente à na- tureza dos fluxos, que podem ser empurrados, puxados ou híbridos. Conforme a definição de Corrêa (2010), temos: • Fluxos empurrados: são aqueles em que as atividades de produção e/ou movimentação de materiais ocorre antes da solicitação de um pedido formal de um cliente que se encontre a jusante de suprimento. Um exemplo acontece quando um cliente chega num supermercado e espera encontrar um determinado produto disponível na prateleira. Para que isso aconteça, é necessário que antes exista uma movimentação do fabricante para o supermercado (o que pode ter levado algumas horas ou mesmo dias); • Fluxos puxados: nessa modalidade, as atividades de produção e/ou movi- mentação não são feitas se não houver uma solicitação explícita de um cliente. Um exemplo é a produção de produtos sob encomenda, pois o cliente, quando chega a uma determinada marcenaria para comprar um armário sob medida, não espera encontrar exatamente o móvel que será aquele de sua escolha já pronto nas suas exatas medidas na prateleira do marceneiro; • Fluxos híbridos: nessa modalidade, os sistemas têm parte dos seus fluxos empurrados (em que as atividades são realizadas com base na previsão, antes do pedido - para encurtar tempos de resposta, por exemplo, dos itens cuja obtenção leve mais tempo) e parte dos seus fluxos puxados (com parte das atividades apenas realizadas depois do pedido do cliente, para reduzir assim a incerteza e, por conseguinte, os custos). Estrategicamente, é importante que, na gestão de redes de suprimento, a escolha da natureza dos fluxos na rede seja coerente com a sua forma de compe- tir, ou seja, redes de suprimento com necessidade de maior eficiência tenderão a trabalhar com maior parcela de seus fluxos puxados, enquanto redes de suprimen- to com necessidade de resposta mais rápida tenderão a trabalhar com maiores parcelas de seus fluxos empurrados. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1919 Conforme os fluxos vão acontecendo, as informações também seguem a mesma dinâmica, ou seja, o fluxo de informação necessita acompanhar todo o fluxo de materiais, de modo a identificar necessidades nos elementos do sistema. Desse modo, os fluxos podem ser organizados, conforme Nogueira (2012), em: • Fluxo de coordenação e planejamento: esse fluxo é a base do desenvolvi- mento do sistema logístico, pois determina os objetivos a serem alcançados, as necessidades em cada etapa do processo e as projeções que irão orientar as atividades logísticas; • Fluxo operacional: esse fluxo fornece as informações detalhadas das operações em cada etapa do processo de suprimento, produção e distribuição. Perceba que, nesse fluxo operacional, eles passam a ser materiais em pro- cessamento (em vias ou em trânsito de uma seção para outra), depois materiais semiacabados (estocados após algumas operações para serem transformados em submontagens) e materiais acabados ou componentes (peças isoladas), para en- tão se completarem como produtos acabados. Assim, do almoxarifado de materiais até chegar ao depósito como produtos acabados, os materiais sofrem várias e sucessivas modificações ao longo do processo produtivo. Portanto, desde as compras de insumos dos fornecedores até a distribuição ao cliente, deve haver articulação dos fluxos de materiais e de informações, permitin- do a integração da logística interna da empresa. Desta forma, as empresas precisam estar cada vez mais rápidas em seus processos decisórios para não ficarem atrás de seus concorrentes, pois somente com o conhecimento do ambiente interno e de um eficiente sistema de fluxos logísticos com o gerenciamento do tempo nas diversas operações, é que a organização conseguirá manter-se competitiva no mercado. 2020 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Como a logística pode influenciar no estoque de uma organização? • Como otimizar os fluxos logísticos? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2. LogísticA no BrAsiL2. LogísticA no BrAsiL Neste tópico, você aprofundará seus conhecimentos em relação à logística no Brasil. Assim, conhecerá o nível hierárquico do principal executivo de logística nas organizações, o custo logístico nas empresas e o crescimento da logística na visão dos usuários. 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística Com a globalização, maiores oportunidades surgiram para as empresas. Assim, os processos logísticos passam por mudanças a cada ano para adequa- ção ao mercado globalizado, visando o aumento da competitividade das mesmas. A logística vem ganhando notoriedade e reconhecimento por parte da população, diferentemente da visão de ser somente relacionada a transporte. Prova disso são os investimentos em capacitação e a disponibilidade de cursos voltados para a área de Logística. Conforme assegura Nogueira (2012), isso vem acontecendo desde o primeiro curso de bacharelado em Logística no Brasil, disponibilizado em 2000 pela UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí), em Santa Catarina, o qual ofereceu 50 vagas e formou em 2002 19 bacharéis em logística. Desde então, a logística vem crescendo e buscando profissionalizar mão de obra para o mercado. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2121 Fique atento Além da oportunidade identificada pela grande maioria da população, é conveniente mencionar que não basta apenas conhecer os processos logísticos, mas também é importante especializar-se numa área de atuação, dentro da logística, em que se deseja trabalhar. Isso pode ser realizado através da participação em treinamentos e cursos para aumentar o conhecimento, e almejar melhores oportunidades profissionais; ter uma boa rede de relacionamentos, acompanhar o mercado e sua tendência; bem como pesquisar as inovações decorrentes ou de relevância para a logística. Segundo Nogueira (2012, p. 185), “as empresas estão sempre em busca da melhoria de seus processos e atividades”. Essas mudanças ocasionadas pelas mesmas fazem com que o perfil desses profissionais passe por algumas mudan- ças para se adequar a essas melhorias. Após algumas pesquisas realizadas com gestores da área, o referido autor destaca as seguintes atribuições para o atual profissional de logística: • Formaçãoprofi ssional e cursos de especialização na área em que deseja atuar; • Capacidade de interagir com os mais variados níveis hierárquicos das organizações; • Ser uma pessoa que saiba trabalhar em equipe; • Possuir proatividade, não esperando que seja cobrado pelas suas tarefas, e multifuncionalidade, adaptando-se a outras funções correlatas sempre que necessário; • Vontade de aprender e crescer, responsabilidade e principalmente cumplicidade com o trabalho e com a organização, fi delidade não à chefi a, mas à empresa e seus objetivos; • Conhecimento de tecnologias da informação que proporcione maior performance e rendimento aos profi ssionais logísticos; • Possuir resiliência para ser capaz de vencer as difi culdades e obstáculos, por mais fortes e traumáticos que eles sejam; • Possuir inteligência emocional para ter a capacidade de manipular as emo- ções de forma que elas trabalhem a favor e o conduzam mais próximo de seus objetivos; • Saber onde se deseja chegar, sempre respeitando o próximo e a si mesmo. 2222 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Nesse mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, as empresas de- sejam profissionais com qualificações que lhes possibilitem executar as tarefas para as quais foram contratados com eficiência, rapidez e qualidade. De acordo com Nogueira (2012, p. 186), “as empresas que buscam melhorar sua competi- tividade, reduzindo seu ciclo de pedido à entrega, consideram a administração da cadeia de abastecimento para alcançar essa meta”. E a administração de uma cadeia logística necessita de profissionais qualificados para o alcance dos objetivos da empresa. O quadro mudou e os cursos oferecidos na área de logística aumentaram significativamente, formando um número maior de profissionais. A demanda por profissionais multifuncionais, com capacidade para conversar e interagir com os diversos setores de uma empresa, tais como fiscal, comprar, comercial e vendas, só tendem a aumentar. A empresa terá nesse profissional uma reserva de tecnologia, agregação de novidades no processo e maior lucro nas operações com a diminuição dos gargalos logísticos, gerando melhor performance nos processos. (NOGUEIRA, 2012, p. 187). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2323 • Na sua opinião, qual deve ser o perfil do profissional de logística? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Custo logístico2.2. Custo logístico Ao longo dos anos, realizaram-se inúmeros estudos com o objetivo de de- terminar os custos da logística para o conjunto da economia e para cada empre- sa. Segundo Ballou (2006, p. 33), “daí resultaram estimativas de níveis de custos para todos os gostos e preferências, tamanha a disparidade entre cada uma de- las”. O referido autor, completa seu pensamento ao dizer que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), os custos logísticos representam em média 12% do produto interno bruto mundial. Ballou (2006) cita que Robert Delaney vem acompanhando os custos lo- gísticos ao longo de mais de duas décadas e calcula que os custos logísticos representam, para a economia dos EUA, 9,9% do produto interno bruto (PIB), ou US$ 921 bilhões. Para as empresas, esses custos comprometem de 4 a 30% das receitas. Os resultados de uma pesquisa de custos de empresas individuais são mostrados pelo autor, conforme a tabela a seguir. 2424 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO CATEGORIA % DE VENDAS $/CWT Transporte 3,34% $26,52 Armazenagem 2,02 18,06 Serviço ao cliente/processamento de pedidos 0,43 4,58 Serviço de manutenção de estoques a 18% ao ano 1,72 2,79 Custo total de distribuição 7,65% $67,71 * cwt é a unidade de massa que corresponde a 100 libras-peso (ou 45,3kg). Fonte: adaptado de Ballou (2006). Tabela 01: Média recente dos custos da distribuição física, em percentuais de vendas e $/cwt. Segundo Ballou (2006), embora os resultados situem os custos da distri- buição física em cerca de 8% das vendas, essa pesquisa não inclui os custos do suprimento físico, ou gerenciamento de materiais. Provavelmente cerca de um terço deva ser acrescentado a esse total a fim de situar o custo logístico médio da empresa em cerca de 11% das vendas. Em continuidade, Ballou (2006) cita que esta pesquisa indica que no decor- rer da última década, os custos da distribuição física oscilaram entre 7 e 9% das vendas e os custos logísticos substanciais na maior parte das empresas, ficam em segundo lugar, perdendo apenas para o custo das mercadorias vendidas (custo de compras) que representam cerca de 50 a 60% das vendas para o fabricante médio. Já Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 67) afirmam que: [...] de uns anos para cá aumentou o interesse, dentro das empresas, de se dar atenção diferente aos diversos tipos de custos não relacionados diretamente com as ativi- dades produtivas. Os autores completam dizendo que o crescente aumento dos gastos ad- ministrativos com as vendas e, principalmente, dos custos logísticos deixou claro que o montante desses custos, normalmente chamados de indiretos, tinha forte impacto sobre a rentabilidade do negócio e que a possibilidade de praticar preços competitivos passou a depender da exata compreensão de tais custos; entender onde eles incidam e quem deveria pagar por eles. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2525 Ressalta-se, portanto, a importância do levantamento e da mensuração dos custos logísticos para que uma organização possa estruturar suas operações cor- retamente, sem comprometer sua saúde financeira. • Onde estão localizados os principais custos logísticos em uma organização? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários Os clientes avaliam as ofertas de qualquer empresa em termos de preço, qualidade e serviço, e reagem de acordo com as próprias conveniências, aprovei- tando tais ofertas ou ignorando-as. Portanto, o resultado de todo esforço logístico é realizado com vistas a apri- morar o serviço ao cliente. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2000), as em- presas contratam pessoas, compram equipamentos, selecionam e desenvolvem fornecedores, investem em tecnologia de informação, em capacitação gerencial, tudo com o objetivo de colocar em prática um projeto logístico capaz de diferenciá- -las, de criar valor para seus clientes por meio de um serviço de melhor qualidade. Entregas mais frequentes, cumprimento de prazos, disponibilidade de mer- cadoria, informações sobre pedidos são alguns dos atributos cada vez mais valori- zados pelos clientes que compõem o imenso leque de possibilidades na prestação do serviço logístico. 2626 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO De acordo com Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 57), [...] há vários anos, muito se fala que o serviço proporcionado pela logística é uma das grandes oportunidades para as empresas que desejam diferenciar seus produtos/serviços no mercado. Os autores completam dizendo que o serviço ao cliente é cada vez mais valorizado, tanto pelos consumidores finais quanto pelos clientes institucionais, pois apenas bons produtos e bons preços não são suficientes para atender às exigências de uma transação comercial. Isso porque, embora produto e preço se- jam fatores essenciais, a presteza na entrega, a disponibilidade e variedade de produtos, o bom serviço de atendimento, a ausência de defeitos e quebras, entre vários outros itens de serviço criam valor ao reduzir os custos para o cliente e/ou aumentar sua vantagem competitiva. • Por que a logística é um assunto vital para a competitividade das empresas nos dias atuais? • Como a logística pode influenciar no nível de serviço ao cliente? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique Relembre Nesta unidade, você aprendeu sobre a origem da logística e seu desenvolvimento nas organizações, sendo considerada atualmente uma ferramenta importante nas atividades de suprimentos, estocagem, movimentação e transporte em qualquer empresa, seja produtora de bens ou serviços. Vimos que a globalização trouxe grandes modificações ao mundo empresarial, seja no segmento de serviços ou no de bens de consumo e que essas profundas modi- ficações se refletem no mercado de trabalho, no qual os cargos e as funções devem se adequar para sobreviverem. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2727 Além desses assuntos, estudamos que a logística passou por grande evolução dentro das empresas, sendo uma área muito importante nas organizações, por possibilitar a redução de custos e a geração de vantagem competitiva, uma vez que possibilita aos processos produtivos, a eliminação de tudo o que não agregue valor aos clientes. Vimos também que à medida que caminham pelo processo produtivo, os materiais recebem acréscimos, transformações, adaptações, reduções, alterações etc. que vão mudando progressivamente suas características. Nesse fluxo, as atividades logísticas, agregam valor de lugar ao transportar os produtos de um ponto a outro; agregam valor de tempo ao arma- zenar, estocar e movimentar até os consumidores os produtos solicitados; agregam valor de qualidade ao cumprir os prazos estabelecidos na solicitação de compra; e finalmente agregam valor de informação ao possibilitar aos consumidores, por exemplo, rastrear a localização de uma determinada mercadoria. ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. CORRÊA, Henrique Luiz. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CORRÊA, Henrique Luiz.; CAON, Mauro. Gestão de serviços: lucratividade por meio de operações e de satisfação dos clientes. São Paulo: Atlas, 2002. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. FLEURY, Paulo F.; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística Em- presarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Petrônio G.; CAMPOS, Paulo R. Administração de materiais e recur- sos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. 2828 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisão textual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfaçãoque apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista .................................................................................... 98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ................................................... 111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2929 02 Uni cAdeiA de suprimentos, estrAtégiA LogísticA, pLAnejAmento e cAdeiA de suprimentos, estrAtégiA LogísticA, pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtosoperAcionALizAção do FLuxo de produtos ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você perceberá que para reduzir os tempos de fornecimento de materiais, receber produtos de melhor qualidade, reduzir os estoques tanto na empresa quanto no fornecedor, ter produtos disponíveis sempre quenecessário, planejar de forma precisa a produção, é vital integrar os processos da empresa com os fornecedores e estabelecer relações estreitas e duradouras. Entenderá que, para suprir a necessidade do cliente e otimizar seus pró- prios resultados, têm-se trabalhado com o gerenciamento da cadeia de suprimen- tos (SCM) que envolve o controle dos fluxos entre os estágios da cadeia em todas as funções envolvidas no pedido do cliente. Esse gerenciamento é definido como a gestão da cadeia completa do suprimento de matérias-primas, manufatura, monta- gem e distribuição ao consumidor final para maximizar a lucratividade total. Perceberá que a proposta desse modelo de gestão considera que a SCM trata basicamente da conexão de recursos humanos e físicos intermediários que possibilitam o alcance do objetivo final de satisfação do cliente, com entregas no prazo e com qualidade, além do compartilhamento dos riscos causados pelas in- certezas da demanda, com objetivo de manter a sobrevivência e competitividade, sendo eficiente e eficaz simultaneamente. 3030 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Objetivos de aprendizagem • Identificar que a eficiência na gestão da cadeia de suprimentos é fonte de vantagem competitiva para as organizações; • Elucidar sobre os canais de distribuição, a importância da escolha do local e dimensionamento das instalações para o atendimento de pedidos, armazenagem e gestão de estoques; • Explicar sobre a importância das embalagens na integridade física do produto e do retorno ao ciclo produtivo de produtos, com a logística reversa. 1. cAdeiA de suprimentos e estrAtégiA LogísticA1. cAdeiA de suprimentos e estrAtégiA LogísticA Neste tópico, você aprofundará seus conhecimentos em relação à cadeia de suprimentos e estratégia logística, ao estudar sobre o gerenciamento de ca- deias de suprimento, organização do fluxo de produtos, canais de distribuição, distribuição física, localização e dimensionamento de instalações e benchmarking da cadeia de suprimentos. 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento De acordo com Corrêa (2010, p. 07) [...] argumenta-se que a gestão de redes de suprimento não se iniciou a partir de uma “folha em branco”, nos anos 1980, mas que representa mais uma etapa num processo de evolução que teria se iniciado nos anos 1960 e 1970, com o desenvolvimento do conceito de distribuição física. Este conceito procurava de certa forma integrar alguns aspectos da logísti- ca de saída como: a gestão dos transportes e dos armazéns de produtos acabados e a gestão de embalagens de transporte. A atenção sobre a questão da integração sistêmica dessas atividades, por sua vez, teria resultado do desenvolvimento conceitual da “administração sis- têmica” dos anos 1950 e 1960 (COYLE et al., 2007 apud CORRÊA, 2010). Assim, o foco da distribuição física é o dos custos totais (sistêmicos) de distribuição, ana- lisando opções para se chegar ao menor custo total do sistema em vez de tentar reduzir custos dos elementos logísticos envolvidos isoladamente. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3131 Nos anos 1980, nos Estados Unidos, a desregulamentação dos sistemas de transporte e o desenvolvimento dos sistemas de informação deram aos analis- tas de distribuição física mais ferramentas e opções para a integração. O passo adicional seria, com essas novas opções, procurar integrar também a logística de entrada (insumos) das organizações, já que alguns transportadores poderiam beneficiar-se, por exemplo, de menos fretes vazios de retorno. (CORRÊA, 2010). Além disso, nos anos 1980, a globalização econômica acelerou-se e es- tava em curso a rápida evolução das empresas japonesas. Estas haviam recen- temente sido alçadas à posição de importantes concorrentes globais em merca- dos como o automobilístico, o de produtos eletrônicos e o aço, ganhando fatias importantes de mercados como o americano e o europeu, com líderes até então bem estabelecidos. Corrêa (2010, p. 7) afirma que: [...] empresários, profissionais práticos e acadêmicos ocidentais passaram então a analisar as práticas e técnicas japonesas, responsáveis pelos níveis altíssimos de qualidade e produtividade que seus produtos apresentavam. O ocidente, então, aprendeu que práticas como o Just in Time e a abor- dagem japonesa inovadora para a qualidade eram responsáveis por boa parte do excelente desempenho das fábricas japonesas, mas um aspecto adicional também tinha um papel muito importante, o uso das chamadas redes de com- pradores-vendedores. Portanto, conforme aponta Corrêa (2010, p. 6), [...] usando esse conceito, a Toyota e a Honda terceirizavam a fornecedores algo como 80% do valor dos carros que produziam (valores muito superiores aos 30% de terceirização dos concorrentes ocidentais como general Motors e Ford, que tinham altos níveis de integra- ção vertical, produzindo a grande maioria dos componentes dos seus carros internamente). 3232 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Observa-se a força estratégica da integração de atividades em cadeia, ou seja, considerando os agentes fornecedores, produtores e distribuidores. Segundo Francischini e Gurgel (2002, p. 262) a cadeia de suprimento é um “mecanismo de cooperação entre os fabricantes e distribuidores, para assegurar eficiência geradora de ganhos contínuos no processo de suprimento, desde o primeiro fornecedor até o consumidor final”. Fique atento Desta forma, integrar e inter-relacionar atividades envolvidas com o fluxo de materiais e de produtos para dentro e para fora é o desafio das empresas modernas. O Supply Chain Management (SCM) ou Gestão da Cadeia de Supri- mentos ou ainda Gestão da Cadeia de Abastecimento, é uma filosofia que des- creve como a organização deve gerenciar suas várias cadeias de suprimento para alcançar vantagem estratégica. O objetivo da SCM é sincronizar os requisitos do consumidor final com o fluxo de materiais e de informações ao longo da cadeia de suprimentos para atingir um equilíbrio entre elevada satisfação do consumidor e os custos para gerar essa satisfação. A satisfação do consumidor é a meta do sistema inteiro e os resultados dos esforços combinados de todos os elementos que constituem a cadeia de suprimento. Os grandes objetivos da cadeia de suprimento ou abastecimento são apresentados por Martins e Laugeni (2005): • Reduzir os custos de fornecimento; • Reduzir o tempo total; • Aumentar as margens dos produtos; • Aumentar a produção; • Melhorar o retorno de investimentos. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3333 Memorize “O objetivo clássico da cadeia de abastecimento é possibilitar que os produtos certos, na quantidade certa, estejam nos pontos-de-venda no momento certo, considerando o menor custo possível.” (BERTAGLIA, 2009). Nogueira (2012) apresenta como principais componentes do SCM os tópi- cos a seguir: • Planejamento de demanda (previsão); • Colaboração de demanda (processo de resolução colaborativa para determinar consensos de previsão); • Promessa de pedidos (quando alguém promete um produto para um cliente, levando em conta tempo de duração e restrições); • Otimização de rede estratégica (para quais produtos as plantas e centros de distribuição devem servir ao mercado) – mensal ou anual; • Produção e planejamento de distribuição (coordenar os planos reais de produção e distribuição para todo o empreendimento) - diário; • Calendário de produção – para uma locação única, criar um calendário de produção viável – minuto a minuto; • Planejamento de redução de custos e gerência de desempenho – diag- nóstico do potencial e de indicadores, estratégia e planifi cação da organização, resolução de problemas em tempo real, avaliação e relatórios contábeis, avalia- ção e relatórios de qualidade. Além disso, Nogueira (2012) afirma que o gerenciamento da cadeia de suprimentos é oferecido como uma ponte de controle entre o fabricante e o dis- tribuidor, e essa coordenação possibilita que o fabricante gerencie o reabasteci- mento de materiais ao distribuidorde forma sincronizada, que por sua vez, envia seus dados de demanda e estoque ao fabricante, que então estabelecerá a melhor sincronização de abastecimento e qualificará cada item. 3434 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fique atento Segundo Corrêa (2010, p. 15) “gestão de redes de suprimento é a administração integrada dos processos principais de negócios envolvidos com fluxos físicos, financeiros e de informações, englobando desde os produtores originais de insumos básicos até o consumidor final, no forneci- mento de bens, serviços e informações, de forma a agregar valor para todos os clientes - interme- diários e finais – e para outros grupos de interesse legítimos e relevantes para a rede (acionistas, funcionários, gestores, comunidade, governo)”.. Os objetivos/metas e resultados de um gerenciamento de uma cadeia de suprimento, segundo Francischini e Gurgel (2002), estão representados a seguir: Cadeia de Suprimento Requisitos Efeitos Encorajar a troca de informações sobre as empresas. Atender às necessidades de serviços dos diver-sos clientes da cadeia. Conscientizar sobre a necessidade de uma integração. Manter esse serviço dentro do espírito da responsividade. Construir, em conjunto, um modelo de gestão da cadeia de suprimento. Controlar os custos envolvidos nos diversos elos da cadeia. Estabelecer um clima de confi ança entre os parceiros. Reconhecer a importância da função consumidora. Distribuir de maneira adequada os benefícios auferidos pelo sistema. Reconhecer a importância da função supridora. Estabelecer padrões operacionais e de comporta- mento entre os vários participantes da cadeia de suprimento. Atentar para as interligações entre as funções internas e externas às empresas. Possibilitar ao cliente facilidades para a compra. Ter sempre produtos para atendimento ao cliente. Garantir alta qualidade, baixo preço e serviços de alto padrão perceptíveis como valor pelo cliente. Eliminar o repasse de inefi ciências de um elo da cadeia para o elo subsequente. Fonte: adaptado de Francischini e Gurgel (2002). Quadro 01: Requisitos e Efeitos da Cadeia de Suprimento A elaboração de modelos de cadeias de suprimento exige tempo, atenção, dedicação e muita tecnologia. Entretanto, transformar esses modelos em uma re- alidade que opere bem é uma tarefa maior que a concepção teórica. A estreita colaboração entre pessoas de empresas diferentes é sempre dificultada pela dis- cussão de como deverá ser distribuída a vantagem obtida no custo. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3535 Essa discussão deverá se tornar irrelevante desde que os dirigentes colo- quem à frente a absoluta necessidade de todos de conquistar clientes e, funda- mentalmente, de mantê-los fiéis à empresa. • O que é gerenciamento da cadeia de suprimentos? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.2. Organização do fluxo de produtos 1.2. Organização do fluxo de produtos Em toda empresa, os materiais não podem ficar parados ou inutiliza- dos. Manter materiais sem uso representaria um custo desnecessário. Os mate- riais seguem um movimento incessante que vai desde o recebimento do fornece- dor, passando pelas diversas etapas do processo produtivo até chegar ao depósito de produtos acabados. Em outros termos, os materiais entram na empresa, fluem e transitam por meio dela e saem pelo depósito com destino aos clientes como produtos acabados. Logística e operações nunca antes desempenharam papel tão impor- tante nas organizações. Segundo Dornier et al.(2007, p. 37), “mudanças nas expectativas dos clientes ou na localização geográfica continuamente transfor- mam a natureza dos mercados, que por sua vez, geram restrições que alteram o fluxo de mercadorias dentro das empresas.” Mudanças tecnológicas e mercados emergentes abrem novas formas de reorganizar, adaptar e otimizar o fluxo de matérias-primas, produtos semiacabados, produtos acabados, peças de reposi- ção e materiais reciclados. 3636 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fique atento Segundo Dornier et al.(2007, p. 39) “Logística é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A definição atual de logística engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples entrada de matérias-primas ou o fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística.” As novas definições são significativamente diferentes daquelas que de- terminavam as antigas atividades relacionadas ao fluxo físico. Ferramentas con- ceituais e gerenciais, agora aplicadas à gestão da distribuição física, fornecem interessantes soluções. De acordo com Dornier et al.(2007), essas ferramentas refletem uma nova visão de logística e operações globais. Três principais forças são citadas pelo autor, como raiz dessa evolução: 1. A integração de funções internas – incluindo a gestão da distribuição física, marketing, manufatura etc. – ao longo da cooperação; 2. A cooperação crescente entre as áreas de logística e operações de diferentes elos na cadeia de suprimentos (integração setorial); 3. A busca por melhorias na integração geográfi ca, que vai além das tradicionais áreas de atividade econômica para abranger o mundo inteiro como fonte potencial de clientes, conhecimento, tecnologia, matérias-primas, e assim por diante. O aumento no fornecimento de produtos e a melhoria na gestão do ciclo de vida do produto podem apenas ser realizados mediante a cooperação interfun- cional. Conforme Gonçalves (2013), o fluxo de materiais está voltado para abas- tecimento dos elos da cadeia de forma contínua e deverá ser realizado de forma puxada, ou seja, a demanda do estágio anterior é calculada com base na demanda do estágio que o precede e de forma sintonizada, isto é, toda a cadeia de supri- mentos interligada. Segundo Dornier et al.(2007, p. 51), “o desenvolvimento econômico está mudando as características dos fluxos logísticos globais - sua intensidade, ne- cessidades físicas, e assim por diante”. Completando seu pensamento, o referido autor cita que, em relação aos fluxos, duas tendências destacam-se no contexto LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3737 da globalização. A primeira tendência é a intensificação do tráfego, que está sobre- carregando a capacidade da infraestrutura em muitas áreas. A segunda é o rápido crescimento dos fluxos de retorno causados pela crescente preocupação com os assuntos ecológicos, maior agressividade nas técnicas de vendas e até mesmo pelo desbalanceamento internacional dos fluxos. 1.3. Canais de distribuição1.3. Canais de distribuição A distribuição é, segundo Dias (2010, p. 475), [...] claramente, apenas, mais um aspecto de prestação de serviços à área de marke- ting; é o método pelo qual um produto é distribuído, e o grau de atendimento e confiabilidade apresentado é tão importante no global quanto o preço, a promoção e a qualidade do produto. O referido autor completa afirmando que, devido à natureza geral dos mer- cados, a empresa encontra não apenas um, mas vários tipos de mercado dentro do mercado ou, em outras palavras, vários tipos de clientes dentro de um só mercado e que essas variações muitas vezes constituem agrupamentos e blocos complexos. Assim, para a satisfação de suas necessidades, em alguns casos é ne- cessário utilizar diferentes estratégias de distribuição que atendam às diversas necessidadesde serviço. Desta forma, um mesmo tipo de produto pode atender às necessidades de dois segmentos do mercado, porém com distintos métodos de distribuição. Um exemplo, de acordo com Dias (2010), pode ser sentido exatamente no grau de atendimento, pois para determinados clientes, o produto colocado em 24 horas é o mais importante, já para outro cliente, 72 horas é o suficiente; é óbvio que o atendimento em menos tempo deverá incorrer em maior custo. Portanto o sistema de distribuição deverá estar pre- parado para isso, e ter flexibilidade suficiente para atender a um universo de clientes dentro de alguns parâmetros determinados. A grande variação das necessidades do mercado afeta diretamente os ca- nais de distribuição. Conforme explicita a figura a seguir, o aumento de pontos de venda e clientes contribuem para modificar a estratégia de distribuição. 3838 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Fonte: Adaptado de Dias (2010). PRODUTOR Varejista Varejista Atacadista Atacadista Representante Varejista CONSUMIDOR Figura 01: Canais de distribuição Um dos pontos de maior importância na organização de um sistema de distribuição e para a estratégia de Marketing é a definição do canal de distribui- ção. Segundo Dias (2010, p. 476) “as características do mercado e do produto devem ser os principais fatores para a escolha do canal”, assim, pode-se fazer comparações quanto ao efeito das características do produto e do mercado so- bre o tipo de canal empregado. Os pequenos canais, com um pequeno número de fatores intermediários, têm mais condições de ser encontrados onde o pro- duto tem valor mais elevado, ou suas dimensões ou natureza tornam difícil uma estocagem mais prolongada, ou então nos produtos fabricados sob encomenda (SEVERO FILHO, 2006). • Quais os principais componentes do SCM? • O que considera e qual o objetivo de uma cadeia de abastecimento? • O que é um canal de distribuição? Quais são seus níveis? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3939 Fique atento Atacadistas: De acordo com Bertaglia (2009, p. 139) “os atacadistas são organizações intermediárias que se dedicam às funções de venda a varejistas, usuários comerciais, indústrias e institucionais, agindo também como agentes de compra e venda de grandes volumes para clientes de grande porte em termos de volume físico e financeiro”. Varejistas: De acordo com Bertaglia (2009, p. 143) “o varejo é uma combinação de ativi- dades destinadas a vender produtos e serviços diretamente aos consumidores, para uso pessoal ou doméstico. O papel do varejista consiste em proporcionar contatos com segmentos alvos do mercado consumidor, atuando como intermediário entre a produção e o consumo”. O papel da empresa dentro de um mercado também é importante, pois, de acordo com Dias (2010, p. 477), [...] as pequenas empresas ou as mais novas no mercado têm uma necessidade bem acentuada dos serviços dos atacadistas, distribuidores ou representantes, a fim de assegurar uma distribuição eficiente dos seus produtos, enquanto as empresas maiores ou mais tradicionais podem usar um contato mais direto como consumidor. Desta forma, o referido autor fala que a eficácia e a estrutura da empresa são importantes para determinar até que nível se pode confiar na sua própria ca- pacidade de definir e operar um canal independente de distribuição. Assim, de acordo com Dias (2010), ao escolher o canal de distribuição a ser utilizado, deve-se considerar: • Qual serviço de transporte deve ser utilizado para movimentar os produtos a partir da fábrica? E a partir do armazém? • Quais procedimentos de controles a serem utilizados para os itens de inventário? • Localização dos depósitos, suas dimensões e quantidades. • Quais arranjos para comunicação de pedidos devem existir? E quantos pós-pe- didos são necessários? • Qual nível de serviço deve ser providenciado para cada item de produto? Independente do modelo utilizado, Dornier et al. (2007, p. 305) fala que “os canais de distribuição deveriam ser analisados pela perspectiva do elo mais forte, ou seja, aquele que tem poder de barganha para controlar o canal de distri- buição”. Nesse sentido, o autor comenta que se observa uma concentração cada 4040 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO vez maior dos varejistas que limitam o acesso que os fabricantes podem ter aos clientes finais, pois em qualquer sistema de distribuição, os varejistas representam os fabricantes na frente dos consumidores, o que requer um conjunto complexo de relacionamento entre concorrentes em diferentes níveis, pois o sistema logístico não é propriedade de uma única empresa, mas de muitas organizações diferentes, que podem ter objetivos diferentes. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.4. Distribuição física1.4. Distribuição física No cenário mercadológico atual, comprar bem, avaliando os melhores pre- ços e prazos de pagamento para as matérias primas e estocar de maneira a evitar perdas e no menor custo, além de representarem ações estratégicas para elevar a lucratividade da empresa, constituem um fator de sobrevivência e permanência no mercado. Muitas empresas não hesitam em afirmar que são seus custos que determinam atualmente a sua rentabilidade. De acordo com Dias (2010, p. 461), “a entrega do produto ao cliente fi- nal, seja ele o consumidor, o varejista ou atacadista, já necessita uma atenção especial”. Para o autor, a distribuição a distribuição, até algum tempo atrás, era considerada uma fonte que gerava custos e engolia os lucros. Porém, quando o objetivo é minimizar os custos totais da empresa e ao mesmo tempo maximizar sua renda, a abordagem deverá ser feita de tal maneira que um aumento de custo em determinado setor seja no mínimo equivalente à redução de custo em outro. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4141 Perceba, então, que a última fase da logística, antes do começo da utiliza- ção do produto pelo cliente, é a da distribuição, que, segundo Martins e Campos (2009, p. 410), “é o conjunto de atividades entre o produto pronto para o despacho e sua chegada ao consumidor final”. Portanto, a distribuição começa na fábrica do fornecedor e termina nas mãos do cliente final. Como bens estão em constante movimento nesse ínterim, devemos identificar, em cada estágio, como eles se movimentam (o modal de transporte) e quem faz a movimentação (o operador de transporte). A distribuição física representa um custo significativo para a maioria dos negócios, impactando diretamente na competitividade, de acordo com a sua velocidade, confiabilidade e controlabilidade (capacidade de rastreamento e ação), ao entregar bens aos con- sumidores dentro do prazo. (MARTINS; CAMPOS, 2009). De acordo com Bertaglia (2009, p. 33) [...] a distribuição é um processo que está normalmente associado ao mo- vimento de material de um ponto de produção ou armazenagematé o cliente. As atividades de distribuição necessitam do complemento das funções de gestão e controle de estoque, manuseio de materiais ou produtos acabados, armazenagem, administração de pedidos, análises de locais entre outras. O retorno de produtos em bom ou mau estado também é parte desse processo, embora em alguns segmentos, pouca atenção seja dada a essa função. A distribuição física, segundo Bertaglia (2009), consiste basicamente em três elementos globais: • Recebimento: a função recebimento se inicia quando o veículo é liberado para descarregar um produto ou material que está destinado ao armazém ou centro de distribuição, então esse produto é contado ou pesado, e o resultado é com- parado com o documento de transporte, que dependendo da origem e do tipo de produto, são necessárias análises de qualidade, por meio de amostragens, que eventualmente podem ser feitas antes que o produto seja totalmente des- carregado. Quanto à sua origem, os recebimentos podem ser classifi cados em transferências entre fábricas e armazéns ou centros de distribuição, importação, transferências provenientes de terceiros e devolução de clientes; 4242 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Armazenagem: Após o recebimento, os itens são armazenados em locais específi cos no armazém ou no centro de distribuição, em prateleiras, tanques, estantes, estrados ou até mesmo acondicionados no solo, muitas vezes sobre protetores de umidade. • Expedição: Também conhecida como despacho, esse elemento correspon- de ao processo de separar os itens armazenados em um determinado local, movimentando-os para outro lugar com o objetivo de atender a uma demanda específi ca, que pode ser o envio do produto a um cliente ou a um terceiro com objetivos de agregar valor ao item. Dentro dessa mesma operação, atividades detalhadas, como carregar e pesar veículo, emitir documentação e liberar veículo, são consideradas. Fique atento Desde o instante em que a produção é finalizada até o momento no qual o comprador toma posse dela, as mercadorias são responsabilidade da logística, que deve mantê-las no depósito da fábrica e transportá-las até depósitos locais ou diretamente ao cliente. Ou seja, em todas elas, a logística de distribuição assume parcela considerável do nível de serviço ao cliente. O processo de distribuição tem sido foco permanente das organizações, uma vez que os custos nele existentes são elevados e as oportunidades são muitas. Ber- taglia (2009) diz que modelos de distribuição são discutidos a fim de obter-se a vanta- gem competitiva e colocar os produtos, principalmente bens de consumo, ao alcance dos consumidores. O referido autor classifica os tipos de distribuição em: • Intensiva: é caracterizada pela disponibilidade de bens de conveniência, ou seja, é caracterizada pela facilidade de acesso ao bem através do grande número de pontos de venda. Ex.: Distribuidores, lojas de conveniência, grandes varejistas etc; • Exclusiva: é caracterizada por bens de venda exclusiva através de revendedo- res com direitos a distribuição de produtos/marcas do fabricante. Ex.: Lojas de informática e de confecção; • Seletiva: é caracterizada pela seleção de poucos distribuidores dispostos a trabalhar somente com produtos do fabricante. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4343 Para Dias (2010), dentro do contexto organizacional, um dos conceitos apli- cados à distribuição, que, inclusive se confunde com a chamada missão logística é termos o produto certo, em lugar certo, na quantidade correta, no tempo certo e ao menor custo. Curiosidade O Brasil tem evoluído no aspecto de distribuição com empresas extremamente profissio- nais, tanto na armazenagem como no transporte. No entanto, nossa infraestrutura para transporte e distribuição contínua ainda é extremamente centralizada nas rodovias, apresentando pontos críticos nas vias, aumentando os custos de transporte pela necessidade de manutenção de veículos que transitam por elas. • Qual a preocupação de uma distribuição física? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 11.5. Localização e dimensionamento de instalações.5. Localização e dimensionamento de instalações A definição da localização de instalações em uma rede logística, sejam elas fábricas, depósitos ou terminais de transporte, é um problema comum e dos mais importantes para os profissionais de logística. De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), sua importância decorre dos altos investimentos envolvidos e dos profundos impactos que as decisões de localização têm sobre os custos logísticos. Caracterizados por um alto nível de complexidade e pelo intensivo uso de dados, os estudos de localização atualmente dispõem de novas tecnologias de informação, que permitem tratar os sistemas logísticos de forma efetivamente integrada. 4444 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO De forma geral, os estudos de localização tratam do problema de minimi- zar os gastos entre os elos logísticos, estando esta a mercê das restrições de ca- pacidade das instalações, tendo que atender a determinada demanda e devendo satisfazer a certos limites de nível de serviço. Fleury, Wanque e Figueiredo (2000) afirmam que os dados de entrada para análise são as previsões de demanda para cada produto, as limitações de capacidade e as taxas de produção, as prováveis localizações das instalações, as possíveis ligações entre elas e os respectivos custos de transporte de cada modal. De acordo com Corrêa (2010), quando se analisam, por exemplo, alterna- tivas de localização de uma unidade de operação não se devem levar em con- ta apenas os custos iniciais mais visíveis, como o preço das propriedades ou os benefícios mais imediatos, como os incentivos fiscais, mas todos os aspectos de custo que serão afetados pelas duas localizações: os custos da instalação no local, os custos e disponibilidade de mão de obra local no futuro, os custos logísticos futuros, entre muitos outros. Planejar a escolha da unidade de produção ou distri- buição poderá contribuir com a redução dos custos da empresa. E quais aspectos devem fazer parte do planejamento do local das instalações? De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), para minimizar os problemas de localização é preciso determinar: • Onde as fábricas devem ser localizadas? • Quais fornecedores deverão ser utilizados? • Quantos centros de distribuição a empresa deve operar? • Onde eles devem estar localizados? • Que clientes ou zonas de mercado devem ser supridos de cada centro de distribuição? • Que linhas de produtos devem ser produzidos ou estocados em cada fábrica ou centro de distribuição? • Que modalidades de transporte devem ser usadas para suprimento e para distribuição? Essas questões possuem forte interdependência entre si e não devem, por- tanto, ser analisadas de forma sequencial ou segmentada, pois o que se pretende é obter uma solução ótima, que atenda ao nível de serviço desejado, ao menor custo total da operação. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4545 Fique atento De acordo com Bertaglia (2009) a localização corresponde à característica de transportar algo. O autor cita como exemplo a transmissão de dados, em que ocorre a mudança do local da informação, e, mais categoricamente, as empresas de movimentação de cargas e encomendas, que mudam o local do material. Perceba que as instalações são locais na rede da cadeia de suprimento onde o estoque é armazenado, montado ou fabricado. Os dois tipos de instalações principais são os locais de produção e os locais de armazenamento. Qualquer que seja a função dainstalação, as decisões a respeito da localização, capacida- de e flexibilidade das instalações influenciam significativamente no desempenho da cadeia de suprimento. Por exemplo, um distribuidor de peças automobilísticas, lutando para manter sua responsividade, poderia ter diversas instalações para de- pósitos localizadas próximo aos clientes, mesmo que essa atitude reduzisse sua eficiência. Por outro lado, um distribuidor com alta eficiência manteria menos depó- sitos, apesar de estar, dessa maneira, reduzindo sua responsividade. Memorize Desta forma, perceba que os problemas de localização e dimensionamento de instalações, possuem uma elevada complexidade devido ao fato de a análise desses problemas envolver um conjunto extenso de variáveis de decisão que se influenciam mutuamente. Além disso, de acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000), o nú- mero de possíveis alternativas a serem analisadas e comparadas é muito alto, mesmo para problemas de pequeno porte. É comum ter que trabalhar com centenas de produtos, centenas de potenciais locais para terminais, centros de distribuição ou fábricas, dezenas de fornecedores, múltiplos modais de trans- porte e milhares de clientes. Em síntese, a escolha da localização das instalações físicas envolve o pla- nejamento de várias áreas funcionais da empresa (marketing, financeiro, planeja- mento estratégico) e os agentes da cadeia de suprimentos (fornecedores, distribui- dores, clientes). 4646 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.6. 1.6. BenchmarkingBenchmarking da cadeia de suprimentos da cadeia de suprimentos Benchmarking é uma técnica por meio da qual a organização compara o seu desempenho com o de outra. Por meio do benchmarking, uma organização procura imitar outras organizações, concorrentes ou não, do mesmo ramo de ne- gócios ou de outros, que façam algo de maneira particularmente bem feita. Fique atento Segundo Maximiniano (2004, p. 105) “a idéia central da técnica do benchmarking é a busca das melhores práticas da administração, como forma de identificar e ganhar vantagens competitivas”. As melhores práticas podem ser encontradas nos concorrentes, ou numa organização que esteja num ramo completamente diferente de atuação. Já segundo Corrêa e Corrêa (2011, p. 145), “o benchmarking originalmente era usado no Reino Unido na agrimensura e referia-se a determinados marcos de referência sobre cotas de terreno”. Os referidos autores afirmam que ele passou posteriormente a ser usado no mundo industrial como uma contínua busca por me- lhores práticas, interna e externamente à organização, como objetivo de acelerar a aprendizagem e levar a vantagens competitivas sustentáveis. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4747 O benchmarking pode ser aplicado a qualquer função ou área da empresa de forma isolada ou não, porém os resultados são melhores quando ele é imple- mentado em toda a empresa. Segundo Masiero (2007, p. 68) “o benchmarking permite estabelecer novos objetivos de gerenciamento por meio das comparações com o ambiente externo; ao contrário do estabelecimento convencional de objeti- vos, que considera dados históricos, e está sujeito a se tornar pouco eficaz se o ambiente competitivo mudar rapidamente”. A utilização do benchmarking começa pela definição de como serão pes- quisadas as melhores práticas. Os procedimentos básicos iniciais consistem em selecionar o produto ou processo a ser comparado e o marco de referência (com quem iremos nos comparar?), e escolher um método de obtenção de dados. Não há um método único para a obtenção de dados sobre as empresas que têm as melhores práticas, segundo Maximiniano (2004, p. 65), “alguns dados são públicos, outros podem exigir procedimentos de pesquisa e observação direta, se isso for possível”. Em sequência, são feitas a coleta, estudo e interpretação dos dados sobre a organização escolhida como padrão de referência. Os procedimentos básicos nesta segunda etapa do processo procuram entender em que se fundamenta a superioridade da empresa selecionada para comparação e quais de suas práticas podem ser copiadas e implementadas. O processo completo do benchmarking vai desde essas duas fases iniciais até a implementação e maturação das práticas selecionadas para implementação. De acordo com Christopher (2011), os benefícios que uma empresa obtém com o benchmarking, são: • Permitir que as melhores práticas de qualquer indústria sejam incorporadas de forma criativa aos processos da função aferida; • Fornecer estímulo e motivação aos profissionais cuja criatividade é necessária para executar e implantar resultados de benchmarking; • O benchmarking quebra a relutância enraizada em relação às mudanças em operações. Foi constatado que as pessoas estão mais receptivas a novas idéias e sua adoção criativa quando essas idéias não necessariamente se originam em sua própria indústria; 4848 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • O benchmarking pode também identifi car um avanço tecnológico que não teria sido reconhecido e, portanto, não aplicado na própria indústria de alguém durante algum tempo. Fique atento O benchmarking é um processo gerencial continuado, que visa à melhoria contínua através de informações e inspirações nas melhores práticas. 2. pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtos2. pLAnejAmento e operAcionALizAção do FLuxo de produtos Nesse tópico, você aprofundará seus conhecimentos em relação ao planeja- mento e operacionalização do fluxo de produtos, ao estudar sobre as embalagens, equipamentos e meios de distribuição; sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido; armazenagem e gestão de estoques; e logística reversa. 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição A escolha da embalagem adequada a um produto, leva em consideração, fundamentalmente, o conhecimento do material que a constituirá, as sua caracte- rísticas e propriedades. Deve ser projetada em função da necessidade do produto, da sua distribuição física, da sua fabricação até a distribuição ao cliente final. A composição das embalagens pode ser de diversos materiais, como: madeira, pa- pel, metal, vidro, plásticos. De acordo com Nogueira (2012), uma embalagem pode ser classificada de diversas maneiras: • Embalagem primária: é a embalagem de contenção, aquela que entra em contato direto com a mercadoria ou contém o produto (vidro, lata, plástico, etc.), sendo a medida de produção e de consumo. Também pode ser a unidade de venda no varejo; • Embalagem secundária: é a embalagem de apresentação, é o acondicionamen- to (contenedor) que protege e/ou apresenta a embalagem primária ao usuário no ponto de venda; LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4949 • Embalagem terciária (ou unidade de despacho): é a embalagem de comer- cialização, contém um múltiplo da embalagem secundária ou primária; é o caso das caixas de madeira, papelão, plástico ou outro material. A combinação das embalagens primária e secundária acaba sendo a medida de venda ao atacado; • Embalagem quaternária (ou unidade padrão de carga): é a embalagem de movimentação, múltiplo da embalagem terciária, envolve o contenedor, que facilita a movimentação e a armazenagem; • Embalagem quintenária: é a unidade conteinerizada ou as embalagensespe- ciais para envio a longa distância; • Embalagem autoexpositora: é aquela que, além de transportar a mercadoria, visa expor a mesma. É chamada de embalagem de autovenda; Nogueira (2012) cita que a embalagem se caracteriza por: • Ser usada, sobretudo, para as mercadorias de vendas diárias; • Manter unidas e protegidas as embalagens de vendas diárias; • Ser empilhável; • Estar pronta para a venda, exigindo o menor esforço para abri-la; • Ter um texto e decoração atrativos; • Ser de fácil manuseio, tanto em peso quanto em volume. Além disso, a funcionalidade da embalagem reflete na proteção do produto contra avarias e na identificação do produto (marca, empresa, características etc.). Desse modo, a utilização de embalagens representa uma estratégia que confere maior qualidade ao manuseio e à distribuição de materiais. A distribuição de uma empresa varia de acordo com sua estratégia de van- tagem competitiva, levando em consideração aspectos como: localização e a vida útil dos produtos. A vantagem competitiva de uma empresa pode estar na forma de distribuir, na maneira que faz com que o produto esteja disponível nas gôndolas dos distribuidores, na qualidade do seu transporte e na eficiência de entrega de um mate- rial a um fabricante. Para tanto, as empresas podem concentrar suas cargas em cen- tros alimentadores e gerenciadores de cargas, os chamados centros de distribuição. 5050 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO O Centro de Distribuição (CD) é uma configuração regional de armazém onde são recebidas as cargas consolidadas de diversos fornecedores. Essas cargas são fracionadas a fim de agrupar os produtos em quantidade e sortimento corretos e então, encaminhados para os pontos de venda, mais próximos. (BALLOU, 2006). Importantes agentes facilitadores do transporte, os centros de distribuição (CD) são grandes armazéns administrados por operadores logísticos de transporte ou pelo próprio fabricante ou distribuidor dos produtos. De forma geral, todo CD contempla quatro processos principais: • Recebimento: consiste na recepção veículo de transporte das cargas, na inspeção física dos itens e na atualização do estoque. • Armazenagem: corresponde à utilização das instalações físicas para manter, movimentar e guardar estoques, matérias primas e produtos acabados. Pode ser realizada manualmente, semimanual com auxílio de empilhadeira ou totalmente automático, com a utilização de equipamentos constituídos de estruturas para movimentação de cargas agrupadas, como é o caso do transelevador. • Separação: consiste em uma série de atividades que vão desde a retirada do estoque dos produtos a serem enviados aos clientes até sua colocação em determinado local para que seja efetuado o carregamento do veículo. • Expedição: são zonas que servem, principalmente, para o acondicionamento de mercadorias e a preparação de documentos de expedição, ou seja, para a saída dos produtos. Cross-docking é uma atividade que ocorre quando o item é transferido direto do recebimen- to para a expedição, ou seja, o tempo de permanência das mercadorias em armazéns é reduzido. Picking é uma atividade que envolve o processo de obter o produto certo, na quantidade correta para atender a demanda dos pedidos. Fique atento Uma questão básica do gerenciamento logístico é como estruturar siste- mas de distribuição capazes de atender, da forma mais econômica possível, os mercados geograficamente distantes das fontes de produção, oferecendo níveis LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5151 de serviço cada vez mais altos e competitivos em termos de disponibilidade de estoque e tempo de atendimento. De acordo com Dias (2010), a classificação normalmente adotada para os equipamentos de movimentação e transporte situa-os em grupos bastante amplos, de acordo com uma generalização geométrica e funcional. Nesta classificação são incluídos também os dispositivos de carga, descarga e manuseio que, não sendo máquinas, constituem o meio de apoio à maioria dos sistemas modernos: a) Transportadores – correias, correntes, fitas metálicas, roletes, rodízios, roscas e vibratórios; b) Guindastes, talhas e elevadores – Guindastes fixos e móveis, pontes rolantes, talhas, guinchos, monovias, elevadores etc; c) Veículos industriais – Carrinhos de todos os tipos, tratores, trailers e veículos especiais para transporte a granel; d) Equipamentos de posicionamento, pesagem e controle – Plataformas fixas e móveis, rampas, equipamentos de transferência etc; e) Containers e estruturas de suporte – Vasos, tanques, suportes e plataformas, estrados, pallets, suportes para bobinas e equipamento auxiliar de embalagem. Ainda de acordo com Dias (2010), o problema de movimentação de mate- riais deve ser analisado junto com o layout; para tal, uma série de dados é neces- sária: informações do produto (dimensões, características mecânicas, quantidade a ser transportada), tipo de edificação (espaço entre as colunas, resistência do piso, dimensão de passagens, corredores, portas etc.), método (sequência das operações, método de armazenagem, equipamento de movimentação etc.), levan- tamento de custos com movimentação, definição de área necessária para o funcio- namento do equipamento, fonte de energia necessária, deslocamento, direção do movimento, operador. Neste contexto, a atenção se volta para as instalações de armazenagem e como elas podem colaborar para atender de forma eficiente as metas constituídas de nível de serviço. A funcionalidade destes alojamentos dependerá da estrutura de distribuição escolhida pela empresa. Porém, o centro de distribuição tem um papel fundamental dentro da logística, ao centralizar o estoque de toda a cadeia a fim de obter vantagens de custo e de eficiência. 5252 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Qual a função da embalagem? Como elas se classificam? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido Vimos, nos itens anteriores, que a gestão da cadeia de suprimentos é a integração dos processos-chaves dos negócios desde os fornecedores originais que fornecem produtos, serviços e informações, até o usuário final, adicionando valor para todos os elos da cadeia. Memorize Perceba que são os pedidos dos clientes que orientam a movimentação da cadeia. O atendimento ao cliente, de forma eficiente e eficaz, é o primeiro passo para prover o serviço logístico, que deve contar com um adequado gerenciamento de pedidos. E quais as finalidades do correto gerenciamento de pedidos? De acordo com Bertaglia (2009, p.195) [...] o processo de administração de pedidos e de clientes tem como objetivo o plane- jamento e o gerenciamento de vendas, como também a administração do portfólio de clientes, adicionando-os, mantendo-os ou reduzindo-os em função do desempenho destes mesmos, buscando efetivas parcerias que possam gerar condições propícias para ambas as empresas. Segundo Bertaglia (2009), conceitos mais avançados de relacionamen- to com clientes têm provocado mudanças significativas no fluxo e na adminis- tração de pedidos. Questões como “estamos entregando o produto certo ao cliente certo, no momento certo?” são fundamentais no relacionamento e na lucratividade da organização. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5353 Sabemos que, as características dos pedidos variam de acordo com o tipo de produto ou serviço solicitado. Os pedidos orientados para bens de consumo apresentam variações em relação aos pedidos ou ordens voltados para a indústria de bens de produção. O nível de especificações, temposde negociação e entrega, valores envolvidos e contratos de implementação ou suporte são algumas das ca- racterísticas presentes. É preciso considerar, então, o ciclo dos pedidos. O ciclo de um pedido apresenta muitas possibilidades que podem cul- minar em erros e insatisfação dos clientes. A demanda por redução dos tempos no ciclo de pedidos e reduções de custos tem levado a importantes mudanças no processo de gerenciamento de pedido nos últimos anos. Outro fator que tem contribuído para o processo é a disponibilização de tecnologia mais adequada aos modelos de negócio atuais. A maneira como o processo de gestão de pedidos é conduzido pode de- finir o valor da empresa para o cliente muitas vezes mais do que o próprio produto vendido, uma vez que o pedido, em muitos segmentos de mercado, é o mecanismo físico pelo qual se retrata o resultado de uma negociação. Os pedidos são produtos intermediários das interações entre clientes e fornecedores. Fique atento Os clientes têm levantado a bandeira, exigindo cada vez mais um nível de serviço elevado, visando garantias com relação à entrega dos produtos solicitados, na data e quantidade requeridas, dentro dos padrões e das especificações exigidas, isentos de problemas e com um nível de serviço adequado. Para tanto, as empresas devem estar equipadas para dar conta das demandas, vencendo barreiras de tempo, número elevado de pedidos etc. De acordo com Bertaglia (2009, p. 198), [...] uma das características usadas no processo de administração de pedidos que leva à vantagem competitiva é a oportunidade relacionada à economia de tempo, por meio de redução ou eliminação de funções efetuadas dentro do ciclo. 5454 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Conforme o referido autor, por meio da evolução de tecnologia, é possível aplicar métodos que podem reduzir o tempo de ciclo, como: • Implementação de sistemas computadorizados, com processamento em tempo real, integrando toda a cadeia de abastecimento e de demanda; • Mudanças organizacionais refl etindo responsabilidades genéricas, eliminando os silos departamentais. Adicionalmente, as equipes funcionais com uma visão mais ampla podem resolver as insatisfações dos clientes, produzindo benefícios importantes para a empresa; • Utilização de programas que utilizem ferramentas suportadas por computadores e sistemas, como Eletronic Data Interface – EDI – (troca eletrônica de dados) e Vendor Managed Inventory – VMI –(estoque administrado pelo fornecedor), O EDI é usado para receber, processar e transmitir um pedido do cliente e para o cliente; • Utilização de programas como ECR (Resposta Efi ciente ao Consumidor); • Implantação de conceitos de relacionamento como Customer Relationship Management – CRM – (gestão de relacionamento com o cliente), que traz importantes vantagens também na área de administração de pedidos. A utilização dos mecanismos e programas mencionados por Bertaglia (2009) podem trazer vantagens e benefícios importantes para a organização e para o cliente. A redução de tempo e custos pode ser obtida por meio da rápida resposta ao cliente, amparada por sistemas, da redução no nível de estoques de produtos obsoletos, melhoria nas estimativas de vendas, disponibilidade de infor- mações em tempo real, permitindo, assim, uma melhor gestão logística que oriente a tomada de decisão de uma maneira consistente e ágil. • Qual a importância do ciclo de pedido? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5555 22.3. Armazenagem e gestão de estoques.3. Armazenagem e gestão de estoques A armazenagem dos produtos de forma correta é fator importante para que se tenha facilidade no momento de localizar o material desejado. Segundo No- gueira (2012, p. 67), “as empresas têm este conhecimento e procuram facilitar a disposição de seus produtos no local de armazenagem. Para isso, precisamos gerenciar o fluxo físico e de informações”. O referido autor cita os critérios de armazenamento a seguir: • Cada material deverá ter um local definido e demarcado; • Cada produto deve ser identificado e codificado; • Materiais de maior movimentação ou materiais grandes, pesados, de difícil manuseio, deverão localizar-se próximos da entrada e da saída; • Materiais perigosos, produtos químicos e inflamáveis deverão ficar confinados em locais apropriados; • Materiais perecíveis deverão ser organizados em função do critério “o primeiro que entra é o primeiro que sai” para evitar o envelhecimento e a perda do produto. Ao falarmos de armazenagem, não podemos deixar de falar do almoxari- fado, que responde pelas funções de recebimento, armazenamento e distribuição dos materiais. Nogueira (2012) faz um detalhamento das atividades, a seguir: • Entrada da nota fiscal no sistema para conferência dos dados, geração de saldo do material no sistema; • Estantes utilizadas para armazenamento dos materiais; • Descarregamento dos materiais no recebimento; • Equipamento transportando material para o local de armazenagem; • Emissão de radiofrequência para baixa de código de barras para coletor sem fio; • Após inspeção, retirar material para enviar para o local de armazenagem. Com relação à gestão de estoque, Slack et al. (1997, p. 423 apud CHING, 2001) afirmam que esse conceito originou-se na função de compras em empresas que compreendam à importância de integrar o fluxo de materiais às suas funções de suporte, tanto por meio do negócio, como por meio do fornecimento aos clientes imediatos. Isso inclui a função de compras, de acompanhamento, gestão de ar- mazenagem, planejamento e controle de produção e gestão de distribuição física. 5656 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO No momento de sua criação, a gestão de estoque era vista como meio de reduzir os custos totais associados com a aquisição e a gestão de materiais. Quando a gestão de estoques não é colocada como um conceito integrado, esses diferentes estágios são gerenciados geralmente por departamentos diferentes. Assim, por gestão de estoques, entendemos o planejamento do estoque, seu controle e sua retroalimentação sobre o planejamento. Ching (2001, p. 36) afirma que [...] o planejamento consiste na determinação dos valores que o estoque terá como correr do tempo, bem como na determinação das datas de entrada e saída dos materiais do estoque e na determinação dos pontos de pedido de material [...] o controle consiste no registro dos dados reais, correspondentes aos planejados mencionados [...] a retroalimentação é a comparação dos dados de controle com os dados do planejamento, a fim de constatar seus desvios e determinar suas causas. Quando for o caso, a empresa deve corrigir o plano para torná-lo mais realista, fazendo com que o planejamento e o controle sejam cada vez mais coincidentes. Memorize Armazenagem: guarda de produtos acabados. Estocagem: guarda de matérias-primas. Desta forma, o estoque pode ser entendido como qualquer quantidade de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervado de tempo, e também como a quantidade necessária de produtos para atender à demanda dos clientes. Na maioria das vezes, os estoques em uma empresa tradicional são vistos como algo necessário e indispensável ao bom andamento das suas atividades, porém eles podem vir a onerar a empresa de diversas formas como: no custo de armazenagem, na necessidade de controles diversos, na deteriorização, na obso- lescência etc. A existência do estoque nas empresas acontece devido a uma necessi- dade de alinhar suprimento e demanda. Sua presença pode ser considerada in- tencional, por exemplo, em uma siderúrgica, ondeé mais econômico fabricar em grandes lotes que serão armazenados para vendas futuras ou para um varejista que geralmente prefere manter seu estoque como antecipação a sua demanda. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5757 • Qual a diferença entre armazenagem e estoque? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.4. Logística reversa2.4. Logística reversa Quando falamos em logística, imaginamos um fluxo de produtos, desde o mo- mento em que é gerada a necessidade de atendimento de um produto até sua entre- ga ao cliente, que estará aguardando a sua chegada. Mas é importante ressaltar que existe um fluxo reverso, do ponto de consumo até o ponto onde esse produto teve seu início de produção. Esse fluxo reverso precisa ser gerenciado para a obtenção de ganho sustentável expressivo nos negócios. Esse fluxo contrário reflete os pro- dutos devolvidos, defeito de fabricação, reciclagem de materiais, embalagens, etc. De acordo com Nogueira (2012), o Brasil se destaca como um dos maio- res recicladores de latas de alumínio, sendo notável o grande aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas. “Com o índice de 92,6% na reciclagem de latas de alumínio para bebidas em 2005, o país se manteve pelo quinto ano consecutivo na liderança do ranking mundial dessa atividade”. (NOGUEIRA, 2012) Fique atento De acordo com Leite (2003) apud Nogueira (2012, p.80) “a logística reversa é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspon- dentes, do retorno dos bens de pós-vendas e de pós-consumo ao ciclo de negócio ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuições reversos, agregando valores a natureza: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem cooperativa, entre outros”. 5858 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Por trás do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo, que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não finaliza com sua entrega ao cliente, uma vez que os produtos ao longo de sua utilização se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados. Do ponto de vista financeiro, fica claro que, além dos custos de aquisição de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto compreende também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, trata-se de uma forma de avaliar o impacto de um produto sobre o meio ambiente, durante todo o seu ciclo de vida útil Esta abordagem é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos. Fique atento De acordo com Nogueira (2012), a logística reversa está sendo levada cada vez mais a sério no Brasil. As empresas sabem que para serem competitivas precisam, além de ter um bom produto, disponibilizá-lo no momento certo e conforme a necessidade do cliente. Isso não impede que seus processos possam ser revistos para continuar atendendo as necessidades e obtendo redução de custos, pois quando bem definidos trarão ganhos expressivos para as organizações. A concorrência crescente e o desejo de agradar os clientes geraram signi- ficativos fluxos de produtos retornados, o que faz com que as empresas ofereçam incentivos de vendas que incluam a retirada do estoque que não foi vendido ou excedente de produtos. Essencialmente, o desafio hoje é criar cadeias de supri- mentos do tipo “círculo fechado” que permitirão um nível muito mais elevado de reutilização e reciclagem. A necessidade da empresa ter seu operacional funcio- nando também no fluxo reverso, entendendo o ciclo de vida dos produtos, é de fundamental importância no contexto atual em que o reaproveitamento máximo de resíduos, produtos, embalagens otimiza os gastos com logística. Segundo Christopher (2011, p. 300) “é evidente que os produtos devem ser conce- bidos como fim de sua vida em mente, mas também a rede logística empregada deve reduzir o uso dos recursos” LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 5959 O avanço dos sistemas de produção, de informação e de tecnologia, aliados à escassez de matéria-prima básica, bem como questões de ordem ecológica e ambiental, possibilitou o surgimento de um novo perfil de consumidor, um consu- midor mais consciente e exigente. De acordo com Tadeu (2012), esse novo perfil de consumidor forçou agentes públicos e privados a acompanharem a tendência que, de forma pontual, possibilitou o desenvolvimento dessa nova área da logística empresarial. Assim, agregou-se um novo fluxo de distribuição denominado canal de distribuição reverso. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Tadeu (2012, p. 16) afirma que esse fluxo é a disposição segura de seus componentes e materiais constituintes após o fim de sua vida útil, ou, ainda, após apresentarem não conformidade, defeito, quebra ou inutilização. Com relação ao canal de distribuição reverso, o referido autor, o divide em duas categorias: a) Canais reversos de pós-consumo: trata do fl uxo físico e das informações cor- respondentes aos bens de consumo que perderam suas características básicas de funcionamento e por isso são descartados pela sociedade, em fi m de vida útil ou usados com possibilidade de reciclagem, além dos resíduos industriais, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específi cos. 6060 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Memorize Reciclagem é o processo em que componentes de produtos já usados sofrem trans- formação de forma que a matéria-prima neles contida possa ser reincorporada à fabricação de novos produtos. Tadeu (2012) observa que, dependendo do grau de sua reutilização, o bem poderá retornar ao ciclo produtivo ou até mesmo ao mercado de produtos de se- gunda mão. Os bens duráveis e semiduráveis chegam até a cadeia reversa de pós-consumo de várias formas, entre as quais o autor destaca: • Acidentes no manuseio em virtude de operações de transporte (destinação, redestinação, transbordo etc.); • Fim de vida útil em função de obsolescência, fadiga, performance etc.; • Final de estação ou modernismo de modelos; • Leilões; • Coleta seletiva; • Coleta informal: pessoas físicas (carroceiros, catadores etc.); • Sistema reverso organizado. b) Canais reversos de pós-venda: trata do fl uxo físico e das informações corres- pondentes aos bens de consumo que possuem pouco ou nenhum uso, nesse caso, pode-se incluir o retorno de embalagens e a devolução de produtos ao varejista ou ao fabricante. A logística reversa de pós-venda, segundo Tadeu (2012) estabelece o fluxo de retorno dos bens devolvidos por alguns motivos, tais como: • Prazo de validade expirado; • Erro deprocessamento de pedidos; • Falhas/defeitos; • Avarias no transporte (transbordo, redestinação, baldeação etc.); • Problemas de estoque; • Garantias; • Políticas de marketing; • Outros motivos (extravios, furto, roubo, sinistros etc.). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6161 Em ambos os casos, as empresas precisam estar atentas aos fluxos rever- sos, levando em conta o consumidor consciente, a responsabilidade pelos resí- duos gerados, a possibilidade de reduzir custos e de gerar receita com venda de resíduos e de produtos que possam ser reciclados ou incorporados aos processos produtivos de outras empresas. • O que é logística reversa? Para que ela serve? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique Relembre Nesta unidade, você percebeu que, à semelhança dos seres vivos, pode-se dizer que as empresas são organismos vivos em constante transformação (evolução das espécies), sujeitas às leis do mercado capitalista (da natureza). Quanto mais livre e dinâmico for, mais forte e resistente estas empresas serão, pois terão de conviver diariamente com oportunidades e ameaças ao seu desempenho produtivo. Compreendeu que a fim de sobreviverem nesse ambiente e se manterem com- petitivas, algumas organizações adotam filosofias e tecnologias de gestão que levam a um maior conhecimento, tanto do ambiente interno, quanto do ambiente externo, de modo que qualidade, rapidez, flexibilidade e custo tornam-se objetivos de desempenho importantes na luta pelo crescimento organizacional. Estas tecnologias permitem que a empresa forme uma cadeia integrada com outras empresas (fornecedores, distribuidores). 6262 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abasteci- mento. 2. ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. CORRÊA, Henrique Luiz. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CORRÊA, Henrique Luiz.; CORRÊA, Carlos A. Administração de produção e de operações: manufatura e serviços - uma abordagem estratégica. São Paulo: Atlas, 2011. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Desta forma, uma dos mais importantes resultados da gestão de redes de supri- mento é que ela permite que todos na rede ganhem colaborativamente em vez da tradicional abordagem conflituosa na qual, para alguns membros da rede ganhar, outros necessariamente têm que perder. Para concluir, tratou-se também da logística reversa e da sua gradativa importância econômica, legal, ambiental e de competitividade. Além disso, citamos os fluxos reversos como atividades geradoras de valor para os produtos que antes eram descartados na natureza. Entendeu que esse crescimento se desenvolve através de relacionamentos coo- perativos com os diversos participantes da cadeia de suprimentos, baseados na confiança, capacitação técnica e troca de informações, assim, o gerenciamento da cadeia de suprimentos é a coordenação estratégica e sistêmica das funções de negócio tradicionais bem como as ações táticas que perpassam essas funções numa companhia e através de negócios dentro da cadeia logística com o propósito de aprimorar a performance de longo prazo das companhias individualmente e da cadeia de suprimentos como um todo. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6363 DORNIER, Philippe. et al. Logística e Operações Globais: Texto e Casos. São Paulo: Atlas, 2007. FLEURY, Paulo F.; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística Em- presarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. FRANCISCHINI, Paulino G.; GURGEL, Floriano do Amaral. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. GONÇALVES, Paulo Sérgio. Administração de materiais. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. MARTINS, Petrônio G.; CAMPOS, Paulo R. Administração de materiais e recur- sos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando P. Administração da produção. 2. ed., ver. aum. atual. São Paulo: Saraiva, 2005. MASIERO, Gilmar. Administração de Empresas: teorias e funções com exercí- cios e casos. São Paulo: Saraiva, 2007. MAXIMIANO, Antonio Cesar A. Introdução à administração. 6. ed. ver. ampl. São Paulo, 2004. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. NOVAES, A. G. Gerenciamento da cadeia de distribuição. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. PARENTE, Juracy. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000. SEVERO FILHO, J. Administração de logística integrada: materiais, PCP e marketing. 2 ed. Rio de Janeiro: E-papers, 2006. TADEU, Hugo F. B. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012. 6464 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisãotextual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista .................................................................................... 98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ................................................... 111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO6565 pLAnejAmento, AdministrAção do trAnsporte, terceirizAçãopLAnejAmento, AdministrAção do trAnsporte, terceirizAção e proVedores de serViços Logísticose proVedores de serViços Logísticos ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você entenderá que a gestão de transporte é um elemento primordial nas considerações da cadeia de abastecimento e na movimentação de produtos e materiais de um ponto a outro. Compreenderá que o país dispõe de estruturas de transportes como rodovias, aeroportos, portos, onde a proposta é romper barreiras e fronteiras, pois, cada vez mais é preciso desafiar a capacidade de mover os produtos para mais longe e cada vez mais rapidamente, intensificando as relações comerciais entre mercados. Perceberá que as cadeias de abastecimento competem entre si e precisam ser menos custosas e mais eficientes. Custos elevados internamente provocam desbalanceamentos e prejudicam a exportação, o que proporciona, numa economia globalizada, torna-se, em algumas ocasiões, mais fácil e bara- to importar do que comprar do “vizinho”. Notará que meios logísticos menos importantes tornaram-se, recentemente, elementos de sobrevivência de empresas. Um exemplo disto é o transporte, que deve receber todas as prioridades necessárias, seja para movimentar produtos finais, matérias-primas, componentes ou pessoas, além de tornar-se cada vez mais rápido, eficiente e barato. Por fim, compreenderá que nosso sistema de cobrança de impostos neces- sita de intervenções para que possa desburocratizar as operações de comércio e distribuição; nossos controles são complexos e nossa competitividade ainda é muito baixa. Tudo isso afeta de forma negativa os meios de transporte, sendo necessário e urgente encontrar formas mais adequadas, fáceis e sem burocracia para competir na economia global. 03 Uni 6666 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Objetivos de aprendizagem • Elucidar sobre o relevante papel do transporte no processo de movimentação dos produtos; • Explicar que o custo com o transporte rodoviário está intimamente atrelado à elevada carga de impostos, aos fretes e ao estado de conservação das estradas; • Identificar a importância da terceirização logística para o alcance de vantagem competitiva estratégica; • Descrever sobre a parceria com os provedores logísticos e sua relação de confiança mútua, abertura, riscos e recompensas compartilhadas. 1. pLAnejAmento e AdministrAção do trAnsporte1. pLAnejAmento e AdministrAção do trAnsporte Neste tópico, você aprofundará seus conhecimentos sobre a gestão estra- tégica do transporte; o custeio do transporte rodoviário de cargas; as etapas do custeio; a ferramenta de planejamento e controle; e as oportunidades para redução de custos. 1.1. Gestão estratégica do transporte1.1. Gestão estratégica do transporte O transporte é o principal componente do sistema logístico, pois todos os produtos necessitam ser transportados de um local a outro, até estarem disponí- veis nas mãos de seus clientes. Segundo Nogueira (2012, p.83), “possui significa- do de movimento de estoque de um ponto a outro da cadeia de suprimento”. Assim, o transporte mobiliza o produto entre diferentes estágios na cadeia de suprimentos, podendo ser realizado a partir de várias combinações de meios de rota, cada uma com características particulares de desempenho. As escolhas sobre o transporte exercem um forte impacto na responsabilidade e na eficiência da cadeia de suprimento. O transporte tem um papel preponderante na qualidade dos serviços logís- ticos, pois impacta diretamente no tempo de entrega, na confiabilidade e na segu- rança com que os produtos são entregues. De acordo com Nogueira (2012, p. 84), LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6767 [...] um transporte mais rápido, utilizando diferentes meios ou diferentes quantidades a serem transportadas, contribui para que a cadeia de suprimento seja mais responsiva, mas acaba reduzindo sua eficiência. O tipo de transporte adotado por uma empresa também afeta os estoques e a localização das instalações na cadeia de suprimento. O papel do transporte na estratégia competitiva da empresa é representa- do geralmente quando a empresa está avaliando as necessidades-alvo de seus clientes. Se o público alvo demanda um nível muito alto de responsabilidade com o transporte do produto, os investimentos e custos para ofertar um transporte mais seguro e de maior qualidade devem ser diluídos no preço de venda aos clientes, já que estes estão dispostos a pagar mais pela qualidade desejada. O oposto também procede. Se a estratégia competitiva da empresa tem como alvo clientes que apresentam o preço como principal critério de decisão de compra, a empresa pode então utilizar o transporte para baixar o custo do produto, sacrificando a responsividade. Como a empresa pode utilizar tanto o estoque como o transporte para aumentar a responsividade ou a eficiência, a solução mais favo- rável para a empresa é, muitas vezes, encontrar o equilíbrio entre ambos. O valor que a empresa investe em logística muitas vezes determina a frequ- ência da necessidade de replanejamento de sua estratégia. De acordo com Ballou (2006, p. 576), [...] sendo todos os demais fatores iguais, uma empresa produtora de bens sofisticados (como máquinas de precisão e computadores), com custos totais de distribuição representando 1% ou menos das vendas, pode deixar de dar grande importância a uma estratégia logística. Já as empresas produtoras de produtos químicos ou alimentares embalados podem ver seus custos de distribuição física chegar facilmente ao patamar de 20 ou 30% do valor das vendas. Quando os custos chegam a esse patamar, mesmo mudanças pequenas nos custos de manutenção de estoque e em tarifas de transporte podem tornar válida uma reformulação da estratégia logística. 6868 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Memorize Você sabe a diferença entre Planejamento Estratégico e Gestão Estratégica? Planejamento estratégico: é uma fase do processo de gestão, cujo objetivo é assegu- rar o cumprimento da missão e a continuidade da entidade. Inicia-se com o estabelecimento de cenários futuros visando a busca de vantagem competitiva, tendo como produto final, o conjunto de diretrizes estratégicas. Gestão estratégica: é um processo de gestão, cujo objetivo é assegurar a con- tinuidade da entidade com vantagem em relação ao concorrente. Ocorre sobre o cenário pré-estabelecido e caracteriza-se fortemente pela busca de vantagem competitiva, sendo portanto um processo contínuo. A multimodalidade pode ser definida como a integração entre modais, com o uso de equipamentos, como pallets (estrado de madeira, metal ou plástico) e containers (recipiente de metal ou madeira, geralmente de grandes dimensões, destinado ao acondicionamento e transporte de carga). Já a intermodalidade ca- racteriza-se pela integração da cadeia de transporte, com o uso de um mesmo equipamento, um único prestador de serviço e documento único. No transporte intermodal, utilizam-se veículos e modais diferentes e, para cada serviço é feito um contrato. Ou seja, os transportadores oferecem serviços in- dividualmente, sendo contratados separadamente. No transporte multimodal, tam- bém ocorre a utilização de mais de um modal de transporte, porém existe a emis- são de apenas um documento/contrato, cobrindo o total trajeto da carga, desde o seu ponto inicial até o destino final. O contrato é feito pelo Operador de Transporte Multimodal (OTM). Ballou (2006, p. 151) diz que “a variedade dos serviços de transporte é quase ilimitada”. Os modais podem ser usados em combinação, porém cada um dos tipos de transporte possui custos e características operacionais específicas. Assim, é preciso conhecer as suas vantagens e desvantagens, pois algumas são adequadas para um determinado tipo de mercadorias e outras não, por exemplo, geralmente os custos dos modais ferroviário e aquaviário são fixos, enquanto nos modais aéreo e rodoviário os custos variáveis predominam. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO6969 Portanto, um serviço de transporte é um elenco de características de de- sempenho comprado a um determinado preço. De acordo com Nogueira (2012, p. 85), “os produtos podem ser transportados por diferentes modais, porém são ba- sicamente seis os modais de transporte, considerando a inclusão do novo modal, que é o “infoviário”, que também será explicado a seguir.” Com relação aos diferentes modais de transporte, Nogueira (2012) faz a seguinte distinção: Transporte aeroviário ou aéreo: é o modal com frete mais elevado, porém com grande velocidade, distância alcançada, praticidade e segurança. Desta forma, é o mais indicado para o transporte de produtos de alto valor unitário (eletrônicos, joias, alta moda etc.) ou que tenham exigências de entrega expressa (flores, frutas nobres, medicamentos, etc.), os chamados produtos perecíveis, que podem se deteriorar com o tempo se não forem submetidos a condições específicas (refrige- ração, manuseio etc.). VANTAGENS DESVANTAGENS Transporte de grandes distâncias. Limite de volume e peso. Tempo de trânsito muito curto. Transporte rápido. Custos de frete elevados. Seguro de transporte é muito baixo. Depende de terminais de acesso. Está próximo aos centros urbanos Custo do frete. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 01 – Comparativo Transporte Aquaviário: neste modal de transporte, destacam-se três mo- dalidades: marítima (navegação costeira/cabotagem ou oceânica/longo curso), flu- vial (navegação doméstica de rios e canais de navegação) e lacustre (navegação realizada em lagos). 7070 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Transporte de grandes distâncias. Depende de vias apropriadas. Transporte de grandes volumes e de diversos tipos Burocratização e diversos órgãos de fiscalização/ liberação. Mercadoria de baixo valor agregado. Depende de terminais especializados. Transporte oceânico. Tempo de trânsito longo/baixa velocidade. Frete de custo relativamente baixo. Capacidade e Infraestrutura de portos. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 02 – Comparativo Transporte Dutoviário: esse tipo de transporte oferece uma faixa muito limitada de serviços e capacidades, sendo utilizado para granéis sólidos, produtos líquidos ou gasosos, tais como: gás natural, petróleo cru e refinado. A movimenta- ção é bastante vagarosa, porém abrandada pelo fato de ser contínua (24 horas por dia e sete dias da semana). É o modal mais confiável de todos, porque há poucas interrupções para causar a variabilidade no tempo em trânsito, além de que as perdas e danos em dutos são baixíssimos. VANTAGENS DESVANTAGENS Segurança contra alterações climáticas ou não necessita de embalagens. Exigem mão de obra altamente especializada para operar os sistemas de dutos. Transporte de volumes granéis muito elevados. Investimento inicial elevado. Simplificação de carga e descarga. Custo fixo elevado. Menor possibilidade de perda e roubo. Transporte sem flexibilidade de rotas, operando somente em pontos fixos. Baixo consumo de energia. Baixa velocidade. Baixos custos operacionais. Restrito a poucos produtos. Alta confiabilidade. Inviável para produtos perecíveis. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014 Quadro 03 – Comparativo LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7171 Modo Ferroviário: tem uma grande importância, pois através dele é possí- vel transportar um volume expressivo de cargas por longas distâncias. Seu desem- penho é prejudicado pela enorme quantidade de tempo gasto em cada transição, em decorrência da demora para compor toda a carga dos vagões. Não é rentável que os veículos (locomotivas) saiam do ponto de origem sem estar com todos os vagões abastecidos de carga. É um transportador barato e lento, sendo mais apropriado para matérias-primas de grande peso ou manufaturados de baixo valor agregado, como por exemplo: carvão, cereais, derivados de petróleo, minérios de ferro, etc. VANTAGENS DESVANTAGENS Alta eficiência energética. Tráfego limitado aos trilhos. Grandes quantidades transportadas. Sistemas de bitolas não padronizados. Inexistência de pedágios. Malha ferroviária insuficiente. Baixíssimo nível de acidentes. Tempo de viagem irregular, ou não possui flexibili- dade operacional, dada a ausência de integração entre as malhas. Melhores condições de segurança da carga. Necessita de entrepostos especializados. Menor poluição do meio ambiente. Necessidade de integração com outros modais. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 04 – Comparativo Modo Rodoviário: é o modal mais flexível (serve rotas de curta ou longa distância), por isso é o mais utilizado no Brasil. Sua utilização nos processos logís- ticos se deve ao fato de que todo conjunto de bens e serviços produzidos e consu- midos pela sociedade precisa ser coletado, transferido e entregue, necessitando assim da movimentação física. É utilizado no transporte de produtos manufatura- dos, alimentos, bebidas, móveis e utensílios etc. 7272 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Maior flexibilidade, cobertura de vias e escolha de rotas. Provoca congestionamentos nas estradas. Usado em qualquer tipo de carga. Alto custo de operação. Manuseio simplificado, integração. Alto risco de roubo/acidentes. Não necessita de entrepostos especializados. Má qualidade das vias gerando gastos extras e maior tempo para entrega. Possibilita serviço fracionado e os serviços porta a porta. Elevada emissão de poluentes. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 05 – Comparativo Modo Infoviário: é o mais novo meio de transporte, que movimenta pro- dutos como música eletronicamente, vídeos em tempo real (videoconferência), documentos escaneados enviados por e-mail, e-books (livros eletrônicos), filmes, educação a distância, e-mail e recados que antes eram transportados por cartas ou telegramas, utilizando de benefícios proporcionados pela internet. VANTAGENS DESVANTAGENS Diminui a quantidade de documentos em papéis Facilidade de copiar (músicas, livros, etc). Reduz o deslocamento de pessoas. Risco de espionagem. Possibilita informação em tempo real. Troca de vírus eletrônico. Economiza custos de materiais físicos, como impressão de livros, gravação de músicas etc. Torna os contatos mais impessoais. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 06 – Comparativo Em síntese, cada meio de transporte possui características diferentes no que se refere à velocidade, dimensão das entregas (pacotes individuais e pallets, de caminhões carregados a navios), custo de entrega e flexibilidade. Essas par- ticularidades definem cada meio de transporte de cargas e ajudam a empresa a definir a opção que melhor atende a distribuição de seu produto. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7373 Para Fleury, Wanque e Figueiredo (2000, p.272), [...] apesar de demandar um enorme esforço entre embarcador e transportadores com relação à coordenação diária de sua programação de entregas, com os tempos de carregamen- to, viagem e descarregamento e suas respectivas janelas de tempo, a atividade de transporte pode ser representada de forma simplificada por quatro etapas principais: carregamento na empresa, viagem da empresa ao cliente, descarregamento no cliente e retorno à empresa. O fundamento para um programa conjunto de qualidade e produtividade no transporte reside numa ponderação inicial da estrutura organizacional, dos proce- dimentos e das tecnologias existentes entre os diversos elos da cadeia de supri- mento. Entendendo claramente essas três dimensões, são identificadas facilmente nas etapas críticas da atividade de transporte passíveis de melhoria. • Qual o papel do transporte na qualidade dos serviços logísticos? • Qual a diferença entre planejamento estratégico e gestão estratégica? • O que é multimodalidade? • Aponte os modais estudados nessa unidade, e faça um comparativo entre eles. Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 7474 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas Conforme vimos no item anterior, o transporte rodoviário é o mais indepen- dente dos transportes, uma vez que possibilita movimentar uma grande variedade de materiais para qualquer destino, devido à sua flexibilidade, sendo utilizado para pequenas encomendas, por meio de coletas e entregas ponto a ponto e a conexão entre os diferentes modos de transporte e os seus respectivos pontos de embarque e desembarque. Segundo Nogueira (2012), o transporte rodoviário de carga no Brasil faz o escoamento de praticamente tudo, desde safras agrícolas inteiras até uma sim- ples encomenda. Sua grande desvantagem é o custo do frete, o que faz com que outros meios de transporte comecem a ser mais competitivos. De acordo com o mesmo autor, os principais fatores que influenciam o custo e o preço do transporte rodoviário, são: • Facilidade de manuseio do produto: se relaciona com a pouca dificuldade de se carregar e se descarregar o veículo; • Acomodação: a utilização do espaço do veículo é prejudicada pelas peças com formatos muito irregulares ou com grande extensão, dificultando a consolidação e a total utilização do veículo; • Risco da carga: o valor do frete é influenciado por fatores de risco, ao se trans- portar, por exemplo: produtos inflamáveis, tóxicos ou aqueles visados para roubo; • Sazonalidade: efeitos como a safra de grãos afetam de forma acentuada a procura pelo frete, fazendo com que seus preços sejam maiores nesta época, quando comparados com os da entressafra; • Trânsito: entregas nos centros urbanos com trânsito acentuado e com janelas de horário para carregamento e descarregamento influenciam no preço do frete; • Carga retorno: a não existência de frete retorno faz com que o transportador tenha que considerar o custo do retorno para compor o preço do frete; • Especificidade do veículo de transporte: quanto mais especifico for o veículo menor é a flexibilidade do transportador, desta forma os caminhões refrigerados ou tanques acabam tendo um preço maior de frete do que um veículo de carga a granel. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7575 Curiosidade O custo de transporte representa a maior parcela dos custos logísticos na maioria das empresas. De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000, p.142), “ele pode variar entre 4% e 25% do faturamento bruto, e em muitos casos, supera o lucro operacional”. Complementando o seu raciocínio, os referidos autores citam que, em 1988, o custo total de transporte nos EUA foi de $ 529 bilhões, representando 59% de todos os custos logísticos e 6,2% do PIB e que no Brasil, estima-se que esses custos estão na ordem de R$ 60 bilhões. De acordo com Bertaglia (2009), no Brasil mais de 60% do volume é transpor- tado pelo transporte rodoviário e, atualmente, investimentos em infraestrutura com o objetivo de tornar esse meio de transporte mais competitivo estão sendo feitos a fim de reduzir o consumo de combustível e baixar os gastos com manutenção dos veículos, além de proporcionar uma maior fluidez das cargas. De acordo com o referido autor, os principais itens de custos do transporte rodoviário são listados a seguir: • Depreciação: gerencialmente é o capital que deve ser reservado para a reposi- ção do bem ao fi m de sua vida útil, levando-se em conta que os equipamentos se deterioram com o uso; • Pessoal (motorista): salários, encargos e benefícios; • Diversos: Seguro do veículo, IPVA/ seguro obrigatório, custos administrativos, pneus, combustível, lubrifi cantes, manutenção, pedágio etc. Já de acordo com Dias (2010, p. 334), [...] o sistema rodoviário responde hoje pelo transporte de 70% a 80% das cargas movimentadas no Brasil, e, sem entrar no mérito dos erros e acertos da política brasileira de transportes, essa realidade não se modificará sensivelmente nas próximas décadas, por maiores que sejam os esforços do Governo na modernização da infraestrutura para transportes marítmos e rodovias. No transporte rodoviário de carga geral, a rentabilidade do veículo está con- dicionada a uma programação que lhe permite rodar sempre carregado. Conforme Dias (2010, p. 339), 7676 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO [...] no transporte rodoviário de carga geral são utilizados dois tipos de veículos: o truck, caminhão com dois eixos traseiros e capacidade nominal de 40m³ e 12 t; carreta com semirreboque com três eixos traseiros e capacidade nominal de 75 m³ ou 25 t. As legislações são distribuídas por vários agentes como DNIT, ANTT, DER, por meio de balanças colocadas em pontos estratégicos das rodovias (Lei da Balança). Dessa forma, a programação dos lotes de compra deve respeitar essas limitações em pesos e dimensões, programando-se remessas que possam ocupar totalmente esses tipos de veículos ou seus múltiplos. Para finalizar, deve-se ficar claro que a utilização de uma metodologia adequada para custeio do frete pode contribuir muito para a formação de preços justos, junto com o transportador. Já do ponto de vista do cliente, esse tipo de ferramenta pode ser utilizado tanto no cálculo do preço do frete, como também ajudar nas análises de rentabilidade de clientes e na definição do nível de servi- ço. Além disso, o desenvolvimento de uma simples ferramenta de custeio pode possibilitar uma série de análises e ajudar a identificar oportunidades de redução de custos. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7777 1.3. Etapas do custeio 1.3. Etapas do custeio A natureza da atividade de transporte no processo logístico de distribuição pode ser analisada sob diversas perspectivas. Essa atividade integra o sistema logístico, aproximando fornecedores e clientes geograficamente isolados, e pode ser entendida como uma ferramenta poderosa na redução dos custos totais de uma cadeia de suprimentos. O gerenciamento de custos logísticos pode ser mais ou menos focado de acordo com o objetivo desejado pela empresa. Três pontos são fundamentais no gerenciamento dos custos logísticos: • O suprimento: é importante que a empresa escolha corretamente seus forne- cedores e possa determinar os tamanhos de lote de compra e suas políticas de estoques, de forma a maximizar seus objetivos. A empresa, ao administrar seus produtos de forma mais racional, acaba conseguindo diminuirseus custos; • A produção: se relaciona ao planejamento e controle dos tamanhos de lote e alocação da produção entre as plantas e as linhas de produção, uma vez que a simulação de diferentes políticas de produção permite a compreensão de como se comportam os custos, para que assim, possa ser possível mensurar a rentabilidade dos produtos e dos clientes; • A distribuição física: se relaciona com todas as atividades que ocorrem desde a saída das mercadorias até a entrega no local indicado, possibilitando um melhor rastreamento e consequentemente evitando um rateio equivocado/incorreto dos custos através da estrutura logística. Para Ballou (2006), os preços que um operador logístico precisa pagar pelo transporte estão ligados às particularidades dos custos de cada tipo de serviço. Taxas justas e razoáveis em geral acompanham os custos da produção do serviço. Pelo fato de cada serviço possuir diferentes características de custos, em qualquer tipo de conjunto de circunstâncias, sempre existirão serviços com vantagens tarifá- rias potenciais que outros não conseguirão cobrir com eficiência. Um serviço de transporte incorre em uma série de custos, tais como mão- de-obra, combustível, manutenção, terminais de carga e descarga, rodovias e ad- ministrativos. De acordo com Ballou (2006, p. 163) “essa combinação de custos pode ser dividida arbitrariamente em custos que variam de acordo com serviços ou volume (custos variáveis) e os invariáveis (custos fixos)”. 7878 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Entenda que todos os custos são variáveis quando se trata de período de tempo muito longo e um grande volume. Para fins de precificação do trans- porte, contudo, é aconselhável considerar como fixos aqueles custos que são constantes no volume normal de operações do transportador. Todos os demais custos devem ser considerados variáveis. Existem ainda os custos indiretos, que não se relacionam com transporte, mas no caso de transportadoras, devem ter seus valores estimados. Os custos fixos são os de aquisição e manutenção de direito de tráfego, instalações de terminais, equipamento de transporte e administrativos. Os custos variáveis incluem normalmente os gastos com combustível e salários (muitos auto- res classificam salários no rodoviário como custo fixo), equipamentos de manuten- ção, manuseio, coleta e entrega. Não se trata de uma alocação precisa entre custos fixos e variáveis, dado que são significativas as diferenças de custos entre modais de transporte, e igual- mente diferentes as alocações que dependem da dimensão em exame. Segundo Ballou (2006, p. 164), “todos os custos são parcialmente fixos e parcialmente variá- veis, e a alocação de elementos de custos a uma ou outra dessas classes depende de uma perspectiva individual”. O objeto de custo em questão é uma rota, isto é, o conjunto das etapas de carregamento, viagem de ida e volta e descarregamento para servir um determi- nado cliente em determinado percurso. Para o custeio de cada rota, é necessário definir bases de alocação tanto para os custos fixos de operação quanto para os custos fixos de administração da sede (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000). Os parâmetros a seguir ilustram o pensamento do autor: • Custos fixos de operação: estes custos representam recursos de capacidade e definem uma disponibilidade de tempo de equipamento e pessoas para operação das diversas rotas. Logo, cada rota deve pagar uma parcela destes custos em função do tempo de utilização de tais recursos. É necessário determinar o total de custos fixos que será dividido afim de que se chegue ao custo unitário de uso da capacidade de operação (p. ex.: a medida de capacidade de cada caminhão, o total de horas de trabalho de um motorista em um turno); LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7979 • Custos fi xos de administração da sede: estes custos defi nem uma capacidade de apoio da administração. O fator causal do montante do trabalho de apoio foi avaliado como o número de conhecimento de fretes emitidos. Calcular o custo do frete com base nos tempos de viagem, carregamento e descarregamento é consistente com os princípios do Custeio Baseado em Ativi- dades (ABC) ao transporte. Entre os principais benefícios por Ellram (1994 apud FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000) destaca-se uma melhor compreensão da origem e volume de recursos consumidos por rota e um melhor discernimento quanto ao grau de utilização da frota e suas ineficiências. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 274), [...] contrariamente à prática gerencial brasileira, em que o custo do frete é função da capacidade de transporte, calculada com base na quilometragem das rotas e no número esperado de viagens no mês em cada rota, o sistema ABC considera-o como função da capacidade total, medida em horas, que uma transportadora coloca à disposição de seus parceiros em determinado período. Perceba, portanto, que as informações relativas aos custos de cada uma dessas etapas principais constituem um importante instrumento para monitora- mento de desempenho e uma clara e inequívoca medição das oportunidades de ganhos que podem ser exploradas no elo embarcador-transportadora-cliente, por meio da redução dos desperdícios nas atividades de transporte. • Quais os principais fatores que influenciam o custo e o preço do transporte? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 8080 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1.4. Ferramenta de planejamento e controle 1.4. Ferramenta de planejamento e controle Em toda execução de uma atividade, seja ela qual for, utilizamos um planeja- mento, seja ele através de um simples pensamento ou elaborado em detalhes, des- crevendo cada passo utilizando um cronograma. De acordo com Nogueira (2012, p. 167), “uma das tarefas mais importantes de uma organização é seu planejamento”. “O planejamento pode ser visto como a determinação da direção a ser seguida para se alcançar um resultado ou como a determinação consciente de custos de ação, isto é, dos rumos. Ele engloba decisões, com base em objetivos, em fatos e na estimativa do que ocorreria em cada alternativa” (LACOMBE, 2003, p. 162 apud NOGUEIRA, 2012, p. 167). O planejamento é uma ferramenta administrativa, que possibilita entender a realidade, avaliar os caminhos, construir um referencial futuro, estruturando o trâ- mite adequado, e reavaliar todo o processo a que o planejamento se destina. Para Nogueira (2012) é, portanto, o lado racional da ação. Trata-se de um processo de deliberação abstrato e explícito que escolhe e organiza ações, antecipando os resultados esperados. Esta deliberação busca alcançar, da melhor forma possível, alguns objetivos predefinidos. Para a realização de um bom planejamento, é necessário seguir alguns pas- sos que são de grande importância, Para isso, Nogueira (2012) cita que devemos: • Defi nir metas; • Estruturar a organização da melhor maneira para alcançar as metas e os objetivos; • Atribuir responsabilidades a todos os responsáveis pelo cumprimento das metas; • Alocar recursos necessários; • Conhecer controles organizacionais (cronogramas e parâmetros do desempenho da organização como um todo). Após a conclusão do planejamento, devemos colocar em prática o que foi planejado, a partir deste momento é que vamos nos concentrar na atividade de controlar, assegurando que a meta será alcançada. O controle gerencial tem como finalidade assegurar o uso eficiente e eficaz dos recursos instituídos para acompa- nhamento das metas estabelecidas. Para isso, devemos: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8181 • Desenvolverindicadores individuais, para cada processo, para que as metas sejam cumpridas; • Elaborar controles de projeto (tais como plano de trabalho e datas-marco); • Instituir fatores que motivem os colaboradores ao cumprimento das metas; • Monitorar os processos para que as metas sejam cumpridas, importante para que não haja surpresas no final do período planejado; • Analisar o progresso do desempenho da situação planejada, assim podemos tomar algumas medidas se por acaso ela não estiver ocorrendo conforme planejado; • Solucionar os problemas, evitando o comprometimento do que foi planejado; • Treinar a equipe para que se faça bom trabalho daquilo que foi planejado; • Avaliar o desempenho dos processos. Quando a organização não acredita na importância de saber qual o melhor caminho a seguir ou o que deve fazer, estará à mercê de um mercado cada vez mais consciente e competitivo, e em um curto espaço de tempo pode ser massacra- da pela concorrência, pois novas ideias podem substituir o seu produto e/ou serviço. De acordo com Ballou (2006, p. 567), “a necessidade básica de uma ativida- de de controle no processo de gerenciamento está centrada nas futuras incertezas que alteram o desempenho de um plano”. Completando seu pensamento, o autor fala que desvios no parâmetro certamente ocorrerão, justamente pela impossibili- dade de prever com absoluta certeza muitas das forças que agem sobre as condi- ções de qualquer plano. No sistema logístico, o gerente procura controlar atividades de planeja- mento logístico (transporte, armazenagem, estocagem, manuseio de materiais e processamento de pedidos) em termos de serviço ao cliente e custos da atividade. Para Ballou (2006), o mecanismo de controle inclui as auditorias e relatórios sobre o desempenho do sistema, as metas estabelecidas em termos de desempenho, e alguns meios para desencadear ações corretivas, que são muitas vezes proporcio- nados pelo gerente de logística. 8282 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Qual o papel do planejamento e do controle para a logística? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.5. Oportunidades para redução de custos 1.5. Oportunidades para redução de custos Um objetivo da distribuição consiste em uma série de metas a serem atin- gidas pelo sistema, dentro do contexto produto/mercado. A finalidade inicial do responsável pela distribuição é especificar a natureza exata desses objetivos. De acordo com Dias (2010, p. 495), “esta análise deve ser feita em função da natureza do mercado, dos produtos e do grau de atendimento requerido, bem como dos custos envolvidos”. Segundo Martins e Campos (2009), todos os negócios precisam estabe- lecer, para si mesmos, alvos de melhoria realistas e maneiras de atingi-los. De acordo com o mercado em que a empresa compete, os objetivos podem variar. Para alguns o importante é a confiabilidade, isto é, entregas nas quantidades e datas acertadas, para outros pode ser a velocidade de resposta a um pedido, ou ainda a flexibilidade de mudanças em um produto de linha. Para Dias (2010), o custo com o seguro dos produtos transportados é bas- tante representativo, porém os principais custos em sistemas de distribuição são: • Custos do transporte: trata-se do frete em função da modalidade de transporte escolhida para se efetuar o transporte; é função da tarifa, do peso ou volume transportado e da distância; LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8383 • Custo de recepção e expedição: trata-se dos custos relativos à carga e des- carga dos produtos na saída e na chegada. São evidentemente proporcionais às quantidades em trânsito. É possível após breve exame conhecer os custos por unidade de produto com referência a depósitos já existentes; • Custo de estocagem: são os custos necessários pela própria existência do estoque; são independentes do movimento de produtos, mas função do valor do estoque. Consideramos que estes custos são amortizações, mão de obra, aluguel, seguro do estoque e do prédio, impostos e os custos do capital investido em estoque; • Custos de estrutura: são os custos fixos; independem ao mesmo tempo das quantidades em trânsito e das quantidades estocadas propriamente ditas. São custos incorridos mesmo que o depósito não tenha trabalho nenhum a executar. Alguns destes custos aparecem também nos custos de estocagem. Os custos ligados à segurança podem ser muito altos, a ponto de prejudicar, a curto prazo, os resultados da empresa. De acordo com Martins e Campos (2009, p. 368), “discussões podem surgir, pois são custos de medidas que são eficazes se nunca usadas. Será sempre difícil se manter vigilante e continuar a investir em ativos, pessoas, inventários e processos que não geram valor a curto prazo”. Para se alcançar objetivos identificáveis, Martins e Campos (2009) citam três pontos que devem ser estabelecidos claramente: a) o que os clientes que- rem (pergunte a eles); b) o nível de serviço que os clientes recebem da empresa comparado com o que recebem dos concorrentes; e c) como o serviço da em- presa se compara (benchmarking) com os dos competidores diretos, indiretos e de outros mercados. Em seguida devem ser medidos os custos da cadeia logística. Os custos operacionais devem ser ponderados em relação aos custos e benefícios da em- presa como um todo, antes que informações relevantes para decisão apareçam. Para Martins e Campos (2009, p. 371) “a grande maioria dos custos pode ser medida”. Alguns dos custos que devem ser mensurados são: • Custos de suprimento, como o custo de colocar uma ordem, descontos recebidos em função do tamanho das ordens e sua influência no fluxo de caixa; • Custos de manter estoques, instalações e custos operacionais; 8484 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Custo total de estoques, considerando o custo de manter estoques em excesso (obsolescência, refugos) e o custo de manter inventário insufi ciente (perda de produção, vendas perdidas); • Custos de oportunidade de aplicação de capital não imobilizado; • Custos de transporte, no total e por operação/produto, incluindo a comparação entre transporte próprio e por terceiros; • Custos de produção; • Custos de documentação e das transações ao longo do sistema; • Custos de pessoal, comparando a produtividade deles em relação às medias do setor ou por meio de estudos de tempos e movimentos; • Retorno do investimento gerado por cada um deles. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Medidas confiáveis são necessárias não só para ajudar a atingir o sistema ideal e começar a melhorar a maneira de fazer as coisas, mas darão uma dimen- são da melhoria. Os números irão mudar à medida que a maneira de comprar, fabricar, vender e entregar mude. Segundo Martins e Campos (2009, p. 372) [...] para coletar e analisar esses dados de forma confiável e a baixo custo, é neces-sário o uso de sistemas computadorizados e talvez de um especialista para guiar a empresa na compra e implementação do sistema. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8585 Portanto, para a melhora do desempenho logístico, e consequentemente redução de custos, é necessário o uso de ferramentas que mensurem corretamen- te os gastos e assegurem que os elementos da cadeia logística sejam eficientes. Elas focalizam as áreas que constituem gargalos ou que não contribuem para o nível de serviço almejado. 2. terceirizAção e os proVedores de serViços Logísticos2. terceirizAção e os proVedores de serViços Logísticos Neste tópico, você irá aprofundar seus conhecimentos sobre os provedores de serviços logísticos; os provedores de serviços logísticos no Brasil; as formas de remuneração de provedores de serviços; e a gestão do relacionamento. 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL)2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) O termo “terceirização” está relacionado ao fornecimento de produtos, bens ou serviços, antes produzidos ou executados pela própria empresa, por uma outra empresa ou entidade. De acordo com Bertaglia (2009, p. 137) [...] tanto a terceirização de produtos como a de serviços, hoje uma realidade impul- sionada pela economia globalizada, deixaram de ser apenas uma teoria para transformar-se na prática de muitas empresas, independentemente do seu porte. Memorize Terceirizar faz parte da estratégia das empresas, pois lhes permite focar seus esforços nas suas atividades principais, reduzindo os custos, obtendo maior velocidade e buscando reduzir ou aumentar a distância que as separa das empresas concorrentes. Conforme vimos nos itens anteriores, a área da logística tem sofrido mu- danças bastante radicais ultimamente. Bertaglia (2009) cita que as empresas que possuíam frota própria resolveram terceirizar parcial ou totalmente o trans- porte, visando utilizar os veículos sob demanda e reduzir a estrutura para manter a frota internamente. 8686 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO A existência de uma frota de caminhões implica manter uma estrutura admi- nistrativa complexa com motoristas, ajudantes, mecânicos, supervisores, auxiliares administrativos para cuidar das características legais dos caminhões. Além disso, tam- bém é necessária uma estrutura de manutenção, com peças de reposição, aquelas mais comuns, acabam forçando uma estrutura paralela de gerenciamento de estoque. No entanto, a modernização de processos também tem influenciado as empre- sas a terceirizar a sua distribuição de produtos, como aluguel de centros de distribui- ção, serviços administrativos, sistemas de faturamento e todo o controle de estoques. De acordo com Bertaglia (2009, p. 138), “as organizações estão procurando cada vez mais se concentrarem no que de melhor sabem fazer”. Organizações de vendas vão vender, de produção vão produzir, de distribuição vão distribuir, man- tendo uma estrutura paralela mínima. A verticalização dos negócios somente tem sentido com o conceito de células de negócio nas quais os custos sejam extremamente competitivos. Não faz sentido empresas de alimentos ou automóveis terem o seu próprio contingente de vigilantes, já que terão de se preocupar com treinamento e atualização constante de pessoal, o que não é sua atividade principal de negócio. Fique atento Chamamos de PSL o fornecimento de serviços logísticos, incluindo as formas mais simples e tradicionais, como transporte e armazenagem. De acordo com Nogueira (2012), o abandono do paradigma da verticalização nas modernas cadeias de suprimentos cria demandas que são, em grande parte, supridas por outros agentes econômicos. Parte desses agentes surgiu da definição ou diver- sificação de seus antigos negócios (as empresas transportadoras, por exemplo), dando origem aos prestadores/provedores de serviços logísticos. Os PSL são originários de vários setores, principalmente da distribuição de produtos da indústria propriamente dita, do setor de transportes e de armazenagem. Existem organizações que desempenham papéis relevantes no processo da cadeia de abastecimento e algumas considerações devem ser feitas para que as atividades da cadeia de abastecimento sejam terceirizadas. Segundo Bertaglia (2009), grandes organizações utilizam terceiros devido aos seguintes fatores: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8787 • Fatores estratégicos: têm como objetivos principais aumentar o nível de serviço aos clientes e permitir aos funcionários que mantenham o foco em atividades relevantes aos negócios da organização. Não significa que as operações não sejam importantes para eles, mas sim que existem organizações no mercado mais bem preparadas para executar essas tarefas; • Fatores operacionais e administrativos: existem muitas atividades regulatórias e aquelas relacionadas com manutenção de veículos, aluguéis, gestão de ativos, seguros de carga, relação com sindicatos de transportes ou logísticos que podem ser mais bem administradas por empresas que estejam atuando no segmento; • Fatores financeiros: os ativos necessários para operar a logística são caros e demandam controles adicionais relacionados a custos de aquisição, tempos de manutenção, mão-de-obra para administrar, acidentes com veículos, entre outros. Esse enfoque pode contribuir gradativamente para a redução de custos na cadeia de abastecimento. Bertaglia (2009) aponta outros direcionadores que conduzem as empresas a terceirizar as suas atividades logísticas: focar esforços em seu próprio negócio e na busca de novos mercados; reduzir os custos logísticos, evitando investimentos em ativos não relacionados ao negócio da empresa; ter uma cadeia de suprimento complexa devido a uma base de supridores fragmentada, adicionando valor as operações existentes; flexibilizar e consolidar o processo de expedição; aumento do retorno de produtos; coordenar as atividades logísticas numa visão mais global; Melhorar e controlar os níveis dos serviços e das atividades logísticas; ter maior flexibilidade e eficiência nas operações logísticas; ter acesso a novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e conhecimento logístico; e ter somente um ponto de contato, fortalecendo a relação com o agente logístico. Devido ao aumento do número de transportadoras, houve redução nas taxas de frete e na oferta de serviços mais customizados. As exigências dos embarca- dores, com maior poder de negociação, passaram a ser mais severas, exigindo melhores níveis de serviço, a preços mais baixos. Os transportadores tiveram sua margem de lucro reduzida. Buscando a sobrevivência e melhores oportunidades no mercado, começaram a oferecer uma gama mais ampla de serviços. Consequente- mente, as empresas de transporte rodoviário ampliaram seus negócios, aumentan- do a rentabilidade e dando origem a grande parte dos operadores logísticos de hoje. 8888 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO “Operador logístico é um fornecedor de serviços logísticos, especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas, nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes.” (ABML, 2009 apud NOVAES, 2004, p. 328) Fique atento Perceba, portanto, que os operadores logísticos são originados dos presta- dores de serviços logísticos. De acordo com Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 134), operador logístico é “um fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas de seus clientes, de forma personalizada”. Essa definição reflete uma série de características dos operadores logísticos, características estas que ficam mais evidentes quando com- paradas com as dos prestadores de serviços tradicionais, ou seja, transportado- ras, armazenadores, gerenciadoras de recursos humanos e de informação etc. O quadro a seguirprocura confrontar as principais características de um operador logístico integrado com as de um prestador de serviços tradicional. Prestador de Serviços Tradicional Operador Logístico Integrado Oferece serviços genéricos – commodities. Oferece serviços sob medida – personalizados. Tende a concentrar-se numa única ativi- dade logística: transporte, ou estoque, ou armazenagem. Oferece múltiplas atividades de forma integrada: trans- porte, estoque, armazenagem. O objetivo da empresa contratante do servi- ço é a minimização do custo específi co da atividade contratada. Objetivo da contratante é reduzir os custos totais da logística, melhorar os serviços e aumentar a fl exibilidade. Contratos de serviços tendem a ser de curto a médio prazos (6 meses a 1 ano). Contratos de serviços tendem a ser de longo prazo (5 a 10 anos). Know-how tende a ser limitado e especiali- zado (transporte, armazenagem etc.). Possui ampla capacitação de análise e planejamento logístico, assim como de operação. Negociações para contratos tendem a ser rápidas (semanas) e num nível operacional. Negociações para contrato tendem a ser longas (meses) e num alto nível gerencial. Quadro 07 – Comparação das características dos operado- res logísticos com prestadores de serviços Fonte: adaptado de Fleury, Wanke e Figueiredo (2000). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8989 Assim, mesmo um restrito conjunto de serviços logísticos (de armazenagem e transporte, por exemplo), por mais limitado que seja, deve ser oferecido pelo ope- rador de maneira coordenada e integrada. Este fará as adaptações de ativos, bem como de sistemas de informação e comunicação necessários à execução desses serviços, sempre de acordo com as características e as necessidades do cliente, de forma a permitir maior eficiência da cadeia de suprimentos. O termo “operador logístico integrado”, muito usado no Brasil, subentende que essa organização forneça serviços administrativos e operacionais, ao mesmo tempo. Essa variedade de atividades oferecidas pelos prestadores de serviço tem se ampliado, com um número maior de combinações oferecidas aos clientes. • Qual a diferença entre PSL e Operador Logístico? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil Vimos no item anterior que o provedor de serviço logístico é um fornecedor de serviço integrado, com capacidade de atender a toda ou a grande maioria das necessidades logísticas de seus clientes, fazendo com que os mesmos possam voltar a atenção para a atividade-fim da empresa. De acordo com Novaes (2004, p. 327), “no Brasil, essa ampliação de negócios é mais recente”. Segundo o referido autor, devido a um cenário mais estável e da abertura econômica entre os anos de 1990 e 1993, as empresas de transporte começaram a se modernizar, para melhor se adaptarem às exigências de um mercado globalizado. Passaram, assim, a oferecer serviços logísticos de forma a atender à demanda das grandes firmas industriais e comerciais. 9090 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Essa tendência foi reforçada a partir da metade dos anos 1990, com a che- gada dos grandes operadores logísticos internacionais (Ryder Logistics, Macla- ne Logistics, TNT Logistics, Danzas, Penske Logistics) e de grandes indústrias estrangeiras (montadoras de veículos, como Renault, Audi, Chrysler, e grandes distribuidoras e varejistas, como o Walmart). (NOVAES, 2004). A instalação dessas operadoras estrangeiras no país, com know-how na prestação de serviços logísticos, junto com empresas industriais e varejistas es- trangeiras já acostumadas a se utilizar desses serviços, representam situações desafiadoras e induzem aos operadores nacionais (a maior parte delas formada por transportadoras rodoviárias) se transformarem operadores logísticos. Segundo Novaes (2004), alguns desses operadores estrangeiros encon- tram, no Brasil, empresas globais para as quais já trabalhavam no exterior, como é o caso da Maclane Distribuição Ltda., que trabalha para o grupo Philip Morris, ou da CAT, filial da Renault, que veio ao Brasil para se ocupar de sua logística. O referido autor completa seu pensamento afirmando que outras empresas entraram no país através da formação de alianças com empresas brasileiras pres- tadoras de serviços, como a Ryder Logistics, associada com a Translor, da FedEx trabalhando em conjunto com a Transportadora Rapidão Cometa, e a Penske Lo- gistics, operando com a Cotia trading. Há, nesse processo, uma transferência de competências entre as empresas estrangeiras, detentoras de uma enorme expertise em Logística, e as empresas nacionais. Esse é um importante fator indutor de mudanças e que tem provocado a rápida evolução do setor de serviços logísticos em nosso país. 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços Existem diferentes formas de remuneração na literatura, porém, para essa apostila adotaremos Bonzato (2005), que cita três modalidades: Baseada em taxas unitárias: por ser a mais simples, essa modalidade é a mais utilizada quando se trata de remuneração de PSL, onde o provedor de LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9191 serviço cobra por hora trabalhada, por tonelada movimentada ou qualquer medida unitária do serviço. Algumas desvantagens estão no fato de que as taxas unitárias resultam da divisão dos custos totais de uma operação por um determinado volu- me esperado e que elas não refletem de forma automática os ganhos de eficiência da operação. Pontos Fortes Pontos Fracos Pode ou não incluir garantia de volume. Risco de perdas caso o volume planejado não seja atingido. Os custos do contratante também variam com o volume. Não existem dispositivos para compartilha- mento dos ganhos de produtividade. Incentivo inerente para o fornecedor ser mais produtivo. Preços geralmente inflacionados por garantias e contingências. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 08 – Comparativo Baseada no custo da operação mais uma margem: como o próprio nome já diz, nessa modalidade a empresa que contrata remunera o PSL de forma a co- brir todos os seus custos com a prestação de serviço acrescentando uma margem que é calculada sobre os custos da operação. Como desvantagem, pode-se dizer que pode haver desconfiança por parte de quem contrata, com relação aos custos que incorrem na operação, uma vez que os mesmos podem encobrir ineficiências do PSL, pois o mesmo pode estar encarecendo seus custos para aumentar a sua margem de operação. Pontos Fortes Pontos Fracos A margem do fornecedor é conhecida. Não existem incentivos para redução de custos e ganhos de produtividade. Não existem perdas com a flutuação do volume movimentado. Necessidade de mecanismos para monitora- mento dos níveis de custo e estabelecimento de benchmarks de custos. Sem riscos de taxas adicionais de contingência. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 09 – Comparativo 9292 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Baseada no custo da operação mais uma taxa de gerenciamento fixa: neste caso há uma separação clara entre os custos da operação e os de gerencia- mento, evitando com isso, que as variações no volume ou nos preços dos insumos da operação sejam repassados ao custo de gerenciamento. Pontos Fortes Pontos Fracos O lucro do fornecedor é fi xado e conhecido. Não existem incentivos para ganhos de produtividade. Incentiva o ganho de efi ciência no geren- ciamentoda operação. Não existem incentivos para melhoria de níveis de serviço. Útil quando é difícil defi nir unidades e os volumes são incertos. Não existem incentivos para necessários ajustes no quadro de overhead. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 10 – Comparativo Deve-se ficar claro que como todo relacionamento, a remuneração dos pro- vedores de serviços logísticos deve proporcionar ganhos para ambas as partes, pois as desvantagens acarretam em desmotivação, ineficiência e perda de recur- sos e tempo para ambas as partes. • Quais as formas de remuneração dos PSL? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.4. Gestão do relacionamento 2.4. Gestão do relacionamento Uma vez que as decisões de “comprar ou fazer” foram tomadas, para as atividades que se decidiu terceirizar, é necessário que se decida que tipo de rela- cionamento será estabelecido com os particulares terceirizados. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9393 Segundo Corrêa e Caon (2002), não parece plausível que se deva tratar da mesma forma todas as empresas com as quais se contratou serviços terceirizados. Um banco, por exemplo, que decida terceirizar sua central de atendimento telefô- nico, provavelmente terá com essa empresa um relacionamento diferente daquele que terá, por exemplo, com a empresa a quem o banco terceirizou o serviço de lim- peza predial. Isso porque a atividade de atendimento telefônico pode ter impacto talvez mais relevante na percepção de qualidade de serviço dos clientes do banco que a empresa de limpeza predial. A base de todo sucesso entre as empresas é a cooperação, o que não é muito diferente quando se considera apenas uma empresa, que também é de- pendente da cooperação entre seus funcionários e suas diferentes unidades ou setores. De acordo com Corrêa e Caon (2002, p. 369), [...] a cooperação é criada por meio de ações como desenvolver relações de longo prazo, utilizando-se de recompensas por cooperação, ganhos de oportunidade e punições pela não-cooperação. Os relacionamentos logísticos são frágeis e podem ser de difícil formação e de rompimento extremamente fácil; no entanto, seus benefícios potenciais incen- tivam os administradores a continuar a explorar meios de fazer com que funcionem efetivamente. Portanto, uma gestão eficiente de relacionamento é baseada na confian- ça, num compartilhamento de informação que facilita o desempenho logístico, no alcance de objetivos específicos para atingir um nível de desempenho logístico melhor do que aquele viável de ser alcançado independentemente, com regras operacionais para cada um dos sócios e provisões de saída relativas a um eventual encerramento da aliança. Para finalizar, deve-se levar em consideração que quanto melhor for a ges- tão do relacionamento, maiores serão os benefícios para as empresas, pela troca de competências entre as diversas áreas, como tecnologia, manufatura, desenvol- vimento, marketing e economia. 9494 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Quais os principais fatores que influenciam na utilização de empresas terceirizadas? • Qual a importância da cooperação para a gestão do relacionamento entre as empresas logísticas? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique Relembre Nesta unidade você conheceu os principais componentes dos custos logísticos e percebeu que é cada vez maior a busca pela sua redução e pela confiabilidade no serviço prestado pelos PSL, pois, os relacionamentos de hoje constituem verdadeiras parcerias, onde a confiança mútua e o comportamento cooperativo são fundamentais para o alcance do sucesso pretendido. Além disso, apreendeu que os PSL atualmente oferecem uma larga faixa de serviços logísticos, o que permite as empresas escolher precisamente quais as atividades logísticas que devem ser terceirizadas e quais podem ser mantidas internamente, a partir de análises que envolvem as competências e as transações entre os atores. Entendeu que os transportes representam um componente vital do projeto e geren- ciamento dos sistemas logísticos. Tão vital que em geral constituem entre um e dois terços dos custos logísticos totais. Aprofundou seus conhecimentos sobre o sistema de transportes, em termos de opções ao alcance dos usuários, que são normalmente os seis grandes modais de transporte – aéreo, aquaviário, dutoviário, ferroviário, rodoviário e o infoviário. Sobre estes modais, apontou-se as principais características, vantagens e desvantagens. Estas carac- terísticas serão de fundamental importância na tomada de decisão do meio de transporte a utilizar. Também foram vistos os principais fatores que interferem nos custos e fretes de transportes. Aspectos como sazonalidade, riscos de carga, possibilidade de cargas de retorno, entre outros, devem ser considerados. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9595 ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abasteci- mento. 2. ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. BONZATO, Eduardo. Tecnologia da informação aplicada à logística. São Pau- lo: IMAM, 2005. CORRÊA, Henrique Luiz; CAON, Mauro. Gestão de serviços: lucratividade por meio de operações e de satisfação dos clientes. São Paulo: Atlas, 2002. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. FLEURY, Paulo F.; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística Em- presarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Petrônio G.; CAMPOS, Paulo R. Administração de materiais e recur- sos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. NOVAES, A. G. Gerenciamento da cadeia de distribuição. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. Compreendeu que o uso de mais de um modal no Brasil surge como grande oportunidade para as empresas tornarem-se mais competitivas. Embora o modal rodoviário predomine na matriz de transporte do país, seu uso é demasiadamente realizado até mesmo para produtos/trechos onde não é mais competitivo. Desta forma, notou que os custos, a velocidade, a confiabilidade, as frequências e a qualidade dos meios de transporte utilizados são aspectos essenciais na gestão de redes globais de suprimento. 9696 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisão textual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista ....................................................................................98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ................................................... 111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9797 LogísticA integrAdA no setor AtAcAdistA, distriBuidor LogísticA integrAdA no setor AtAcAdistA, distriBuidor e VArejistA, serViço Ao cLiente no sistemA Logístico e e VArejistA, serViço Ao cLiente no sistemA Logístico e processos eLetrÔnicos de LeiturA de dAdosprocessos eLetrÔnicos de LeiturA de dAdos ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você compreenderá que os clientes, por serem os princi- pais elementos da cadeia, estão estabelecendo maior frequência de entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de produtos. Para satisfazer essa pen- dência as organizações precisam ser mais ágeis e apresentar um elevado grau de qualidade nos seus produtos para evitar devoluções. Perceberá que os atacadistas e os varejistas evoluíram significativamente nos últimos anos e dentre os principais fatores estão as expectativas do consumi- dor e a disponibilidade do produto em um maior número de localidades. Observará que a logística contribui para o sucesso das organizações forne- cendo aos clientes entregas precisas de produtos e dentro de prazos. Independen- te do motivo e da finalidade da entrega, o cliente que está sendo atendido é o foco e a força motriz para o estabelecimento dos requisitos de desempenho logístico. Objetivos de aprendizagem • Elucidar sobre a logística integrada no setor atacadista/distribuidor e varejista; • Descrever o serviço ao cliente no processo logístico; • Apresentar oportunidades no setor supermercadista virtual; • Identificar processos eletrônicos de leitura de dados; • Explicar os sistemas de apoio a logística e cadeia de suprimentos. 04 Uni 9898 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1. LogísticA integrAdA no setor1. LogísticA integrAdA no setor AtAcAdistA/distriBuidor e VArejistA AtAcAdistA/distriBuidor e VArejistA Neste tópico, você vai aprofundar seus conhecimentos sobre logística in- tegrada no setor atacadista/distribuidor e varejista, ao conhecer a caracterização da logística, a competitividade, a reposição contínua de mercadorias e a resposta eficiente ao consumidor (ECR). 1.1. Caracterização da logística 1.1. Caracterização da logística As organizações de distribuição são responsáveis por vendas e trans- ferências de produtos do fabricante para o comércio e o consumidor. A cadeia de abastecimento integrada apresenta diversas organizações que podem desempe- nhar essas corporações. Segundo Bertaglia (2009), o componente organização pode variar radicalmente. Os produtos podem ser distribuídos por atacadistas, varejistas e outros tipos de intermediários. As movimentações são efetuadas por transportadores, agentes fundamentais nesse processo. Memorize Os atacadistas são organizações intermediárias que se dedicam às funções de venda a varejistas, usuários comerciais, industriais e institucionais, agindo também como agentes de compra e venda de grandes volumes para clientes de grande porte em termos de volume físico e financeiro. De acordo com Bertaglia (2009, p. 139), “a maioria das empresas de manu- fatura voltadas à fabricação de bens de consumo utiliza as organizações atacadis- tas para fazer com que seus produtos cheguem ao mercado”. Essas organizações fornecem valor para o perfeito funcionamento do sistema de distribuição nas di- mensões de tempo e lugar. A dimensão “tempo” é proporcionada pelos fatores comercialização e es- tocagem. Os serviços de comercialização efetuados pelos atacadistas permitem aos varejistas efetuar a reposição dos seus estoques de forma rápida e na quan- tidade necessária. Segundo Bertaglia (2009), a estocagem garante aos varejistas o abastecimento dos produtos certos de forma adequada e um sortimento amplo de categorias de produtos, não se limitando a produtos específicos de uma deter- minada empresa. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9999 A dimensão “lugar” está relacionada ao transporte e, uma vez mais, ao esto- que. As organizações varejistas precisam confiar no abastecimento dos estoques e, portanto, a proximidade geográfica é fundamental. Para Bertaglia (2009), as organizações produtivas, exceto algumas mais poderosas, não têm condições de manter níveis elevados de estoques e centros de distribuição dispersos por áre- as geograficamente extensas. Se o fizessem, o produto seria demasiadamente encarecido pela existência de estruturas infladas de vendas e distribuição e, por conseguinte, sua competitividade em preço seria afetada. Os atacadistas evoluíram muito nos últimos anos, e de acordo com Berta- glia (2009) eles se classificam em: • Atacadistas de serviço completo: são organizações cujos serviços trazem benefícios aos fabricantes e aos varejistas, como promoções, compra direta e posse do estoque, redução do capital de giro e armazenagem de estoque em local próximo ao comércio varejista, no caso de benefício aos fabricantes. Aos varejistas, os benefícios podem estar relacionados ao oferecimento de crédito e variedade de produto em estoques, o que reduz o número de visitas de vendedores; • Atacadistas de serviço parcial: desempenham atividades similares às organi- zações de serviço completo, diferenciando-se delas ao oferecer benefícios mais limitados e, portanto, apresentarem custos inferiores. Neste caso, os fabricantes ou varejistas desempenham parte das atividades dos atacadistas. De acordo com Bertaglia (2009), os atacadistas de serviço parcial podem ser divididos em: • Atacadistas de caminhão: combina a venda, o transporte e a cobrança, p. ex.: caminhão que fornece produtos frescos as mercearias, restaurantes, etc.; • Atacadistas pague-e-leve: o varejista vai até o atacadista, efetua os pedidos, paga e transporta as mercadorias compradas, p. ex.: Makro, Assaí, Atacadão etc.; • Atacadistas de entrega ou agenciadores de entrega: são atacadistas que organizam os despachos diretamente dos fornecedores para os compradores, sem a necessidade de manter estoques; 100100 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Agenciadores de display: são atacadistas que comercializam categorias es- pecífi cas de mercadorias, normalmente buscam espaço nos supermercados ou varejistas em que as mercadorias são colocadas paravenda imediata. Esse tipo de organização é especializada em remédios, produtos pessoais e brinquedos; • Cooperativas de produtores: os produtores agrícolas podem manter cooperativas para também realizarem a distribuição e venderem nas casas de varejo locais; • Atacadistas de solicitação pelo correio (catálogos): esses atacadistas enviam catálogos aos varejistas que efetuam os seus requerimentos pelo correio. O varejo é uma combinação de atividades destinadas a vender produtos e serviços dire- tamente aos consumidores, para uso pessoal ou doméstico. De acordo com Bertaglia (2009), o papel do varejista consiste em proporcionar contatos com segmentos alvos do mercado consumidor, atuando como intermediário entre a produção e o consumo. Fique atento Por meio dos varejistas, os fabricantes conseguem deslocar os seus produ- tos de forma eficiente até os consumidores, uma vez que eles apresentam carac- terísticas predominantes de atendimento e objetivos de satisfação do consumidor, enquanto os fabricantes desenvolvem habilidades para atender às expectativas dos clientes intermediários. Conforme Bertaglia (2009, p. 142) [...] atento às exigências do consumidor e ao aumento da concorrência em preço e satisfação do consumidor, o varejo sofre constantes evoluções e, ultimamente, observa-se uma transferência do poder, na cadeia de abastecimento, da indústria para o varejo e deste para o consumidor final. Desta forma, o consumidor detém o poder de ditar as regras de merca- do e compra. Consequentemente, ajudam a definir as prioridades dos canais de distribuição. As organizações que estão em maior contato com os consumidores ganham em importância relativa, aumentando o seu poder. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 101101 • Qual a importância das organizações de distribuição para a logística? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.2. Competitividade1.2. Competitividade Nas últimas décadas, os governos do mundo todo amenizaram as restri- ções comerciais e o resultado disso foi um expressivo aumento do comércio inter- nacional. Esse aumento da globalização desencadeou, na visão de Ballou (2006), dois grandes impactos sobre a cadeia de suprimento. Para o autor, o primeiro é que as cadeias de suprimento estão, mais do que nunca, mais propensas a se tornarem globais. Uma cadeia de suprimento global cria muitos benefícios, tais como a capacidade de receber produtos de for- necedores do mundo todo que podem oferecer produtos melhores e mais baratos que os disponíveis no país de origem da empresa. Porém, a globalização pode tra- zer problemas à cadeia de suprimento uma vez que as instalações que a integram estão separadas, tornando a coordenação muito mais difícil. Complementando seu raciocínio, o autor cita que o segundo impacto da globalização é um aumento da concorrência, pois as empresas nacionais ante- riormente protegidas devem agora competir com as empresas estrangeiras. No passado, caso não existissem muitas empresas capazes de satisfazer às neces- sidades dos clientes, empresas individuais reservariam mais tempo para atender a esses anseios. 102102 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Entretanto, na maioria das indústrias, existem atualmente muitas empresas perseguindo agressivamente os negócios de seus concorrentes. Esse panorama competitivo faz com que o desempenho da cadeia de suprimento seja crucial para manter as vendas e fazê-las crescer, enquanto exige mais esforço das cadeias de suprimento, forçando-as a fazerem suas escolhas com mais precisão. Fique atento O processo de globalização é um dos fatores mais importantes para a competitividade dos transportes, importante elemento da cadeia de suprimento, tanto no nível local como no inter- nacional. De acordo com Ballou (2006, p.189) “a escolha do modal de transporte pode ser usada para criar uma vantagem de serviço competitivo”. Para o referido autor, quando um comprador na cadeia de suprimentos ad- quire de mais de um fornecedor, o serviço logístico oferecido e o preço influenciam na escolha do fornecedor. Inversamente, quando os fornecedores escolhem o modal de transporte a ser usado em suas respectivas cadeias, conseguem controlar esse elemento da oferta de serviço logístico e com isso influir na preferência do cliente. Perceba que sempre que existirem alternativas de fontes de suprimento no canal de distribuição, a escolha do serviço de transporte se transformará numa decisão conjunta do fornecedor e do comprador. O fornecedor compete pela pre- ferência do comprador através da escolha do modal de transporte. Um comprador racional reage a essa escolha oferecendo mais negócios ao fornecedor, e a pro- porção de aumento de negócios é algo que irá depender do diferencial de serviços de transporte criado entre fornecedores concorrentes (BALLOU, 2006). Segundo Ballou (2006), para um fornecedor, é sempre difícil consolidar-se num ambiente dinâmico, competitivo, em que os concorrentes conseguem ofere- cer serviços capazes de compensar as vantagens prometidas pelos demais, e a relação entre a escolha do serviço de transporte e o nível de preferência potencial- mente oferecido pelos compradores é de difícil estimativa. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 103103 @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 1.3. Reposição contínua de mercadorias 1.3. Reposição contínua de mercadorias O sistema de contínua, ou sistema do ponto de pedido ou lote padrão, é o mais popular método utilizado nas fábricas e consiste em disparar o processo de compra quando o estoque de certo item atinge um nível previamente deter- minado como mínimo para cobrir a produção enquanto o novo lote de compras é providenciado. Esse processo de atendimento, denominado em inglês por quick response, é uma estratégia que, usando tecnologia, torna possível um fluxo de produtos na cadeia de suprimentos tão flexível e eficiente que os varejistas podem prever hoje, com um grau razoável de acerto, o que vão vender amanhã e assim ter os produtos na quantidade certa no momento adequado. De acordo com Gonçalves (2013), para que um sistema de reposição con- tínua funcione adequadamente, é necessário: • A existência de uma relação comercial estável entre os parceiros do negócio; • A garantia de um alto nível de serviços prestados pelos fornecedores; • Uma perfeita coordenação nas operações de transporte e distribuição dos produtos; • Confi ança mútua possibilitando a troca de informações entre os parceiros; • Sistema de cálculo para determinar automaticamente a quantidade a ser pedi- da no momento adequado. Como por exemplo, a utilização de um sistema de controle de estoque com base no tempo de reposição. 104104 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Como objetivos, Gonçalves (2013) cita que o sistema de reposição con- tínua procura: • Maior rotação dos estoques,com os consequentes ganhos fi nanceiros; • Redução dos espaços ocupados pelos produtos devido a uma maior rotação do estoque e à resposta rápida do fornecedor (reposição contínua); • Redução dos índices de falta de produtos pela rápida troca de informações entre os parceiros (fornecedores e a pronta resposta deles); • Melhorias consideráveis no nível de serviço prestado ao cliente em face da existência de um produto de acordo com as necessidades. Como o sistema é bastante fl exível, as exigências de consumo passam a ser atendidas rapidamente; • Aumento das vendas, especialmente pela melhoria dos serviços aos clientes, resposta rápida às exigências da demanda e disponibilidade de produtos nas quantidades certas e no momento adequado; • Redução da necessidade de promover “liquidações” para “desovar” estoques encalhados de produtos, em face de uma melhor monitoração das vendas e das exigências dos clientes; • Redução de custos administrativos, de reposição e outros. Memorize “Responsável pelo movimento dos produtos pela cadeia de abastecimento, a reposição contínua tem o objetivo de criar um fluxo contínuo mais freqüente e com lotes de tamanhos me- nores, possibilitando que os auto-serviços tenham níveis de estoques reduzidos” (BERTAGLIA, 2009, p. 276) Para Gonçalves (2013), embora o custo da implantação de um sistema de reposição contínua seja relativamente alto, se fizermos uma comparação en- tre os custos de implantação de melhorias no nível de serviço entre um sistema tradicional, baseado unicamente no controle de estoques com base no histórico da demanda, e de um sistema de reposição contínua, poderemos verificar que, apesar de os custos iniciais do sistema de reposição contínua serem mais altos, o incremento no nível de serviço ao cliente é significativamente mais reduzido do que no sistema tradicional. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 105105 Corroborando com esse pensamento, Bertaglia (2009) afirma que os níveis de serviço melhoram, uma vez que se reduz a falta de produtos. Para o referido autor, os estágios da reposição contínua são: • Determinar o pedido de cada produto, baseado nos dados de vendas obtidos pelo histórico de vendas no sistema; • Processar os pedidos nos centros de distribuição; • Movimentar os produtos do centro de distribuição para o ponto de consumo. Esses passos ou estágios, desde que bem coordenados, podem reduzir erros e criar um processo contínuo. O processo de integração é possível me- diante a utilização de um adequado fluxo de informações sobre o comportamento da demanda que deve percorrer a cadeia de abastecimento e o processo de reposição propriamente dito. Isto pode ser viabilizado pela utilização da troca eletrônica de dados (EDI) (que iremos aprofundar no item 9.2) desde a ponta de consumo no varejista até os centros de distribuição dos fornecedores, de tal forma a permitir um perfeito sincronismo de abastecimento de produtos nas gôndolas do comércio varejista. De acordo com Gonçalves (2013), nessas circunstâncias, as ordens de reposição passam a ser geradas automaticamente com a utilização de modelos matemáticos chamados algoritmos, e as ordens definem as quantidades que deverão ser repostas em cada pedido e no momento adequado de se gerar o pedido de reposição. • Qual o objetivo do processo e reposição contínua? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 106106 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) Em 1993, a indústria alimentícia americana começou a desenvolver um conceito inovador no relacionamento cliente x fornecedor, visando principalmente obter a eficiência na cadeia logística com a redução de tempos e custos envolvidos no processo, de modo a gerar um maior valor agregado ao consumidor. A esse conceito se deu o nome de Efficient Consumer Response - ECR. Atualmente, o conceito está bastante difundido e várias organizações no mundo foram criadas com o intuito de propagar o conceito do ECR e suas me- lhores práticas. No Brasil, de acordo com Bertaglia (2009), “temos o ECR Brasil, composto por grandes empresas da indústria e do comércio”. A definição de ECR é dada por Nogueira (2012, p. 163) “Estratégia na qual o varejista, o distribuidor e o fornecedor trabalham muito próximos para eliminar custos excedentes da cadeia de suprimentos e melhor servir ao consumidor”. Memorize Para Nogueira (2012), trata-se de uma estratégia da indústria supermer- cadista na qual distribuidores e fornecedores trabalham em conjunto para propor- cionar melhores resultados ao consumidor, enfocando a eficiência da cadeia de suprimento como um todo, em vez da eficiência individual das partes, derrubando os custos totais do sistema, dos estoques e bens físicos. O ECR é uma iniciativa conjunta entre o varejo e a produção com a fina- lidade de otimizar e sincronizar a cadeia de valor, entendendo que os varejistas e fornecedores devem se portar como parceiros, ao invés de adversários, como anteriormente se verificava nas relações comerciais. De acordo com Bertaglia (2009), os princípios básicos do ECR são: abas- tecimento contínuo e eficiente, sortimento eficiente nas lojas, promoção eficiente e introdução eficiente de novos produtos. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 107107 Ainda de acordo com o referido autor, o ECR exige uma mudança significa- tiva nos paradigmas de relacionamento entre o fornecedor de produto e o cliente. Essa mudança caracteriza-se pela forma como a cadeia de abastecimento deve trabalhar para responder às necessidades dos consumidores, forçando a existên- cia de melhorias na relação entre o comércio e a manufatura. Essa melhoria pode ser obtida de várias formas, algumas delas definidas pelo ECR como: • Obter informações dos consumidores para efetuar o lançamento de produtos no mercado; • Compartilhar informações do ponto de venda e efetuar estimativas de demanda em conjunto; • Colocar no mercado produtos cuja variedade seja consistente em relação à demanda do consumidor; • Realizar promoções viáveis, visando a redução de custos; • Usar indicadores de desempenho para medir a efi ciência dos processos. A iniciativa é direcionada para a satisfação do consumidor. Trata-se da sin- cronização dos processos de demanda com o abastecimento. Para tanto, o enten- dimento dos hábitos e comportamentos dos consumidores é essencial. Introdução de novos produtos Promoção de produtos Abastecimento de produtos Sortimento de produtos Redução do tempo de lançamento. Melhor defi nição dos alvos. Maior disponibilidade. Redução de redun- dância de produtos. Maior retorno em investi- mento. Maior retorno em investimento. Redução de custos. Melhoria na disponi- bilidade de espaço.Melhoria de qualidade. Colaboração na cadeia de demanda e abastecimento. Redução de capital de giro. Redução de custos. Redução de ciclo de tempos. Fonte: adaptado de Bertaglia (2009). Quadro 01: Principais Benefícios do ECR De acordo com Ching (2001), a relação entre fornecedor e cliente no ECR deve evoluir do tipo parceria para o tipo simbiótico, marcado por relacionamento de confiança e unidade. Já não se discutem preço, volume e descontos; já não se barganham posições de conflito. Todos os integrantes estão conscientes de que devem agregar valor ao consumidor. 108108 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO O consumidor elegerá a cadeia de distribuição mais eficiente. Nesse con- texto, exige-se eficiência produtivapara produzir rapidamente as mercadorias de- mandadas, eficiência na movimentação da mercadoria ao longo da cadeia, eficiên- cia na reposição do estoque nas prateleiras e eficiência dos custos dos produtos. Fique atento A consequência disso é a redução dos níveis de estoques em toda a cadeia de distribuição, a redução dos custos financeiros exigidos para a manutenção dos estoques, produtos mais frescos e de melhor qualidade e repasse dos ganhos nos preços para o consumidor. Portanto, a implementação do ECR comprova bons níveis de serviços com baixos níveis de inventários, com redução das perdas principalmente de produtos pe- recíveis, otimizando transporte de carga, armazenagem e estocagem (CHING, 2011). • Comente a importância do ECR para a logística. Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2. serViço Ao cLiente no sistemA Logístico2. serViço Ao cLiente no sistemA Logístico Neste tópico você vai aprofundar seus conhecimentos sobre a qualidade do serviço de entrega de bens de consumo, a evolução do desempenho logístico físico e virtual, as oportunidades no setor supermercadista virtual, a gestão da capacidade e da demanda e a logística pós-venda. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 109109 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo A logística contribui para o sucesso das organizações fornecendo aos clientes entregas de produtos precisas e dentro de prazos. De acordo com Bower- sox e Closs (2001), do ponto de vista da logística, o cliente é a entidade à porta de qualquer destino de entrega. Destinos típicos vão desde a residência do consumi- dor, as empresas varejistas e atacadistas até os locais de recebimento das fábricas e os depósitos das empresas. Fique atento Em algumas situações, o cliente é outra organização ou um indivíduo que está tomando posse do produto ou serviço que está sendo entregue. Em várias outras situações, o cliente é uma instalação diferente da mesma empresa ou um parceiro comercial situado em alguma outra parte na cadeia de suprimento (BOWERSOX; CLOSS, 2001). Independente do motivo e da finalidade da entrega, o cliente que está sendo atendido é o foco e força motriz para o estabelecimento dos requisitos de desem- penho logístico. Um perfeito entendimento daquilo em que consiste o serviço ao cliente é importante para o estabelecimento de uma estratégia logística (BOWER- SOX; CLOSS, 2001). De acordo com Bertaglia (2009), não há dúvidas de que o processo de administração de pedidos desempenha um papel importante na satisfação e le- aldade do cliente. As medidas de desempenho voltadas para o serviço ao cliente consideram características importantes contidas nos pedidos. Por essa razão é que, quanto mais um pedido a ser atendido estiver em conformidade com os re- querimentos, mais o nível de serviço aumentará. A gestão da qualidade é crítica para a maioria das empresas globais. Uma estratégia de qualidade deve estar apoiada em uma filosofia bem articulada e to- talmente suportada pela alta direção além de baseada em objetivos mensuráveis. Para Corrêa (2010, p. 175) “os clientes frequentemente colocam a qualidade no topo dos seus critérios de avaliação de produtos”. Para o autor, qualidade também tem dimensões e as métricas de avaliação de desempenho devem refletir aquelas dimensões que são mais importantes competitivamente para a rede de suprimentos. 110110 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Segundo Corrêa (2010), a qualidade apresenta oito dimensões: • Desempenho: são características operacionais principais de um produto. Por exemplo, a velocidade de entrega de uma geladeira pelo varejista; • Acessórios: são os aspectos extras que suplementam o desempenho. Por exemplo, além da entrega o varejista ainda faz a instalação da geladeira; • Confiabilidade: indica o quanto frequentemente o produto fica fora de operação. Por exemplo, o quanto frequentemente uma geladeira necessita de assistência técnica; • Conformidade: indica o quanto um produto se aproxima da sua especificação ou da experiência anterior ao cliente. Por exemplo, o quanto o consumo de energia de uma geladeira se aproxima de sua especificação; • Durabilidade: tempo de vida, resistência no uso, frequência de manutenção etc. Por exemplo, quanto tempo a manutenção feita numa geladeira a manterá funcionando; • Manutenção: indica o quanto a manutenção do produto é fácil, de baixo custo ou amigável. Por exemplo, o quanto de dificuldade tem o cliente de operar uma geladeira; • Estética: são as características relativas à aparência e à impressão. Por exemplo, as linhas estéticas de uma geladeira; • Qualidade Percebida: o sentimento e a maneira como o cliente é tratado. Por exemplo, a educação e o polimento no atendimento de venda de uma geladeira. Quando o cliente considera o “pacote” qualidade, raramente considera todas as dimensões e, se as considerasse, por certo não daria a todas o mesmo peso na formação da sua percepção de satisfação. Isso significa que a rede de suprimentos deve entender quais as dimensões que são consideradas na formação da decisão da compra e a importância relativa dada pelo cliente a cada uma delas. Com base nisso deve construir seus sistemas de avaliação de desempenho de forma a refletir os aspectos mais valorizados pelos clientes. O que deve ficar claro é que, além da atividade de transporte e entrega, o cliente levará em conta diversos fatores, acima citados, que refletem no desempenho da empresa que realiza o transporte, como também de quem produz a mercadoria comprada pelo consumidor. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 111111 • Comente as 8 dimensões da qualidade, segundo Corrêa (2010). Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual A natureza da empresa de negócios está mudando. Os negócios de hoje estão cada vez mais “sem fronteiras”, significando que as barreiras funcionais in- ternas estão sendo destruídas em favor da gestão dos processos horizontais e, externamente, a separação entre vendedores, distribuidores, clientes e empresa está gradualmente diminuindo. A evolução do desempenho logístico físico e virtual é sustentada por uma “via” comum de informações. É o uso de informações compartilhadas que permite à gestão multifuncional e horizontal se tornar uma realidade. Ainda mais importante é a informação compartilhada entre os parceiros nacadeia de supri- mentos, que possibilita o fluxo receptivo do produto a partir de uma extremidade da cadeia para outra. O que já chegou a ser chamado empresa virtual ou cadeia de suprimentos é, na verdade, uma série de relações entre parceiros que se baseia na troca de valor agregado de informações. 112112 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Curiosidade De acordo com Bertaglia (2009), a onda do comércio eletrônico está consolidando as empresas de tijolo e concreto, que souberam aproveitar o momento e fizeram da internet um canal a mais de distribuição e comercialização. Por outro lado, muitas empresas virtuais não estão sobrevivendo no mercado por falta de estrutura suficiente para atender às necessidades do cliente. O conceito de que comércio eletrônico é apenas um bem montado (site que oferece produtos) já está ultrapassado. Essa é a parte mais fácil. Estruturar-se pode obter e entregar produtos, conhecendo e preparando os processos logísticos, é onde residem os maiores desafios. Para Nogueira (2012), o comércio eletrônico baseado na world wide web tem chamado a atenção da comunidade de negócios no mundo inteiro. A face mais conhecida do grande público é o B2B (business to business) e o B2C (business to consumer), onde investimentos maciços em publicidade têm sido feitos por sites como submarino.com, amelia.com, arremate.com. O B2B está se mostrando o mo- delo de negócios com maior taxa de crescimento para os próximos anos. Dentre as principais vantagens para a empresa, de se comercializar pela internet, Nogueira (2012), aponta: • Reduz a intermediação; • Alcance global (amplia o mercado); • Reduz custos administrativos e outros correlatos; • Maior segurança, agilidade e comunicação entre os parceiros; • Reduz o ciclo de processos mercantis. Dentre as principais vantagens para o comércio do uso da internet para comercializar, Nogueira (2012) cita: • Melhora o nível de abastecimento da loja; • Reduz o nível de estoques; • Reduz custos operacionais; • Agiliza o processo de vendas; • Nivela as oportunidades no mercado. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 113113 Dentre as principais vantagens para o consumidor, Nogueira (2012), recomenda: • Comodidade e conveniência (comprar sem sair de casa); • Facilidade (acesso à internet); • Variedade (produtos do mundo inteiro); • Preços (tendências de custos baixos e cotações mais ágeis). Dentre os benefícios, Nogueira (2012), indica: • Redução da taxa de erros no atendimento de pedidos; • Melhoria do serviço ao cliente; • Aumento da acuracidade do recebimento e das informações; • Melhor aproveitamento dos recursos, do espaço de armazenamento e da mão de obra. A logística dependerá cada vez mais das ferramentas que a tecnologia da informação disponibiliza para acompanhamento dos diversos processos que en- volvem os processos logísticos. A tecnologia da informação está evoluindo em ritmo acelerado, em velocidade e capacidade de armazenamento das informações, gerando simultaneamente reduções significativas de custos e otimizando proces- sos. (NOGUEIRA, 2012). Portanto, embora tenhamos várias opções de tecnologia da informação para auxiliar a logística, é importante saber quais destas se adéquam à realidade do negócio da empresa, pois, a medida que ocorre sua contínua evolução, vão sur- gindo várias inovações que influenciam nas operações logísticas e que aprimoram os sistemas de TI cada vez mais. 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual Ao longo das últimas décadas, as instituições varejistas vêm atravessando um intenso ritmo de transformação. Segundo Parente (2000) se viajasse de vol- ta, pelo túnel do tempo, e desembarcasse em uma metrópole brasileira no início da década de 1960, se ficaria surpreso ao verificar que a maioria dos atuais formatos de loja não existia naquela época. 114114 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Segundo o autor, não se encontrariam shopping centers, ou hipermerca- dos, ou lojas de conveniência, ou clubes de compra, ou lanchonetes fast food, ou restaurantes por quilo, ou redes de franquias etc. Ao longo desses 40 anos, muitos modelos de lojas foram cedendo lugar aos novos formatos, mais eficientes e mais adequados às novas necessidades do mercado consumidor. Para o varejo alimentício, Parente (2000, p. 30) diz que: [...] as empresas que operam no Brasil têm acompanhado as tendências mundiais, apresentando uma variedade muito completa de modelos e formatos de lojas, que atendem às diversas características e necessidades. Pode-se, então, pressupor que, para os empresários do setor supermerca- dista, um novo cenário se desenhou ao longo dos últimos anos, com novas perspec- tivas, novas tecnologias disponíveis, nova economia e novos perfis de consumidores. Essa evolução possibilitou ao setor supermercadista adentrar no comércio eletrônico, ou seja, com vendas através da internet. Esse setor tem característica peculiar, dado que possui um portfólio de produtos bastante elevado, vendem itens bastante variados numa mesma compra, oferecem produtos frágeis e refrigerados como ovos e sorvete, além de produtos que devem ser criteriosamente seleciona- dos como frutas e legumes. Nos supermercados virtuais os clientes realizam a escolha dos produtos que desejam adquirir e essa transação comercial acontece com a empresa que admi- nistra o site, que por sua vez, compra dos fabricantes os bens selecionados. Como em uma negociação física, as empresas virtuais diferenciam-se através de preço. Segundo Parente (2000), ao desenvolver analogias entre o varejo virtual e o varejo com lojas, verifica-se que muitos aspectos do varejo com lojas encontram sua contrapartida no varejo virtual. A loja é equivalente ao site do varejo virtual na internet. Ao visitar uma loja, vê-se primeiro sua fachada e decoração externa. Já na loja virtual é a home page que primeiro desperta a atenção do consumidor. Complementando sua analogia, o autor diz que da mesma forma que o consumidor percorre os corredores de uma loja para procurar e selecionar os pro- LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 115115 dutos, também, na loja virtual, conecta-se pelos sites com os departamentos, e, por uma busca sucessiva de níveis de informações, descobre detalhes necessários sobre os produtos que lhe interessam, assim como sobre as condições de paga- mento, garantias e entregas. Perceba que para o supermercadista disponibilizar um serviço de vendas pela internet, ele deve assumir várias atividades que muitas vezes não existem no comércio tradicional. Porém, muitas dessas atividades se transformam em vanta- gem competitiva, como por exemplo, a economia de tempo, segurança e disponi- bilidade de produtos. • Qual o papel da globalização para a competitividade logística? • Qual a importância do comércio eletrônico para a logística? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.4. Gestão da capacidade e da demanda2.4. Gestão da capacidade e da demanda O planejamento e o controle das atividades da cadeia de suprimentos/lo- gística dependem de estimativas acuradas dos volumes de produtos e serviços a serem processados pela cadeia de suprimentos. Tais estimativas ocorrem tipica- mente na forma de planejamentos de capacidade e previsões de demanda. Para Martins e Laugeni (2005, p. 31) “a capacidade é a máxima produ- ção (ou saída) de um empreendimento”. Em outras palavras, capacidade pode ser explicada como o nível máximo de atividade de valor adicionado que pode ser conseguido em condições normais de operação e por um determinado períodode tempo. Para os autores, a capacidade pode ser vista como: 116116 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Capacidade do projeto: também denominada capacidade teórica, é aquela que o fornecedor ou fabricante dos equipamentos apresentam para o produto; • Capacidade efetiva ou real: a que o equipamento apresenta após o desconto de todos os tempos de parada tecnicamente necessários para que o equipamento ou o sistema implantado funcione adequadamente. A capacidade pode ser medida como toneladas de alumínio por dia ou ano, número de veículos por dia ou ano, número de clientes atendidos por mês, número de lugares disponíveis por dia (em aviões, por exemplo). Segundo Martins e Lau- geni (2005) a capacidade está relacionada à dimensão tempo e é importante não confundir capacidade com volume, pois, volume de produção é o que se produz atualmente, enquanto a capacidade é o máximo que pode ser produzido. O conhecimento da capacidade de produção de atendimento e de forneci- mento de um serviço é fundamental para não provocar frustrações junto aos clien- tes, não subestimar um atendimento e evitar comprometimentos que a empresa não tenha condições de atender, do ponto de vista logístico, como, por exemplo, grandes quantidades e um curto prazo, entrega sem danos no produto, entre outros. Ainda com relação à capacidade, Ching (2001) cita que muitas pessoas advogam a criação de uma fábrica com capacidade balanceada, em que todos os recursos tenham a mesma medida de produção e estejam sendo utilizados. Con- sideramos que, se um recurso está ocioso, estamos perdendo dinheiro ou, então, investimos mais que o necessário. Por outro lado, acreditamos que ao utilizarmos os recursos ao máximo, estaremos ganhando mais dinheiro. A decisão da implantação de uma empresa repercute na operação da empre- sa durante um longo período de tempo, sendo necessário um estudo adequado da demanda para o futuro. A projeção da demanda fornece estimativas de necessidade ao longo do tempo. Perceba que a capacidade a ser instalada dependerá da precisão da estimativa da demanda e da parcela/fatia de mercado que a empresa detém. No caso de empresas já instaladas, o desenvolvimento de estimativas de demanda é que precisa conhecer a capacidade instalada, ou seja, depende des- sa informação para que a estimativa alcance o resultado mais próximo possível. A empresa deve conhecer sua capacidade e entender/estimar qual demanda de clientes deseja atender. Para tanto, a empresa deve valer-se de um planejamento. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 117117 O planejamento apropriado das demandas externas e internas traz ao ecos- sistema empresarial importantes benefícios. Para Bertaglia (2009), a gestão da demanda abrange: • A estimativa de vendas; • A entrada de pedidos; • O processamento de pedidos; • O serviço ao cliente; • A distribuição física. Analisando os itens anteriores, conclui-se que os limites entre a cadeia de abastecimento e a cadeia de demanda são bastante tênues, e por vezes, as or- ganizações trabalham de forma distinta quando os processos são comparados. O importante, entretanto, é que se dê a devida importância a eles. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 118118 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO O mercado, principalmente de tecnologia da informação, busca apresentar ganhos adicionais em um ou outro processo, cada um “puxando a brasa para a sua sardinha”. Para Bertaglia (2009), essa é uma conduta que deve ser rigorosamente analisada. O importante é identificar as prioridades da empresa. Muitas vezes, o foco pode estar voltado para o relacionamento com o cliente, no caso, a demanda. A gestão da demanda é a ligação entre o mundo interno da organização e os acon- tecimentos e as variáveis do mercado, ou seja, externas à empresa. Para muitas empresas, o planejamento e o controle de prazos e quantidades correspondem a uma interação constante com os clientes. Para outras, correspondem às coordena- ções extremamente críticas, balanceando operações internas e necessidades de componentes para converter produtos. Mas qual a finalidade de se gerenciar a demanda? De acordo com Bertaglia (2009), a administração da demanda possibilita estabelecer um canal de comunicação entre processos internos de planejamento e as suas fontes externas de “demanda”. A função do gerenciamento da demanda é coletar e agregar as demandas das necessidades de produtos. De acordo com Ching (2001), a fonte de tais dados torna-se possível pelos pedidos reais e previstos de clientes, pedidos das filiais, necessidades interfábricas, necessidades de lançamento de produtos, necessida- des promocionais etc. O que devemos esclarecer é que o elemento básico nessa coleta de in- formações sobre clientes é um estudo de mercado, com projeções de demandas efetuadas com rigor e a partir das quais se determina a capacidade instalada do novo negócio. Os dados coletados devem ter uma aproximação máxima da reali- dade, evitando dados muito acima ou muito abaixo do esperado. Se isso ocorre, as projeções otimistas levam a uma capacidade ociosa, com custos que não poderão ser absorvidos pelas unidades produzidas. Por outro lado, projeções pessimistas levam a uma demanda reprimida, que também não é bom para a imagem da em- presa, além de incentivar novos concorrentes a entrarem no mercado. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 119119 • Qual a importância da gestão da demanda para uma organização? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.5. Logística de pós-venda2.5. Logística de pós-venda A administração moderna ensina que um dos critérios-chave para um relacionamento duradouro e a garantia de fidelização de clientes, conquistados por meio da logística empresarial integrada, é a qualidade ou o nível de serviços logísticos que lhes são oferecidos. Para Leite (2009, p. 186), [...] critérios como rapidez, confiabilidade nas entregas, frequência de entregas, disponibilidade de estoques e, mais recentemente, a política de flexibilidade empresarial e a prestaçãode serviços em assistência técnica, se adotados em operações de venda e de pós-venda, agregam valor perceptível aos clientes, contribuindo para sua fidelização. Um consistente processo de diferenciação tem sido obtido, por meio desses preceitos, por empresas líderes no mercado, ao se focalizar um re- lacionamento eficaz entre clientes e fornecedores, adequando produtos e processos às necessidades e valores corporativos de seus clientes, permi- tindo duradoura relação de fidelidade nos negócios. Para Leite (2009), uma verdadeira “corrente virtual” se forma em direção ao mercado, acrescentando “eficazmente” valor de diferentes naturezas a seus produtos ou serviços, per- ceptível ao cliente ou ao consumidor final. Entende-se por flexibilidade operacional a capacidade da empresa de oferecer todos os serviços de maneira flexível, ou seja, passível de mudanças no tempo, tais como flexibilidade de data de entrega, nas quantidades entregues, entre outras possibilidades (LEITE, 2009). 120120 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Com o objetivo de melhorar as condições operacionais dos parceiros e, em consequência dos consumidores finais, Leite (2009) afirma que parcerias se estabelecem nos negócios de todas as naturezas, visando eliminar redundâncias e melhorar a eficácia das ações conjuntas nas diversas fases da cadeia direta e reversa de mercadorias. Os bens de pós-venda caracterizam-se por apresentarem pouco ou ne- nhum uso, distinguindo-se dos produtos de pós-consumo, os quais se caracteri- zam por serem utilizados até o fim da vida ou eventualmente até não apresentarem utilidade ao primeiro possuidor, que os disponibiliza ou comercializa para outras utilizações (LEITE, 2009). Fique atento “O produto logístico de pós-venda, de natureza durável, semidurável ou descartável, constitui-se de bens comercializados por meio dos diversos canais de distribuição mercadológicos e que são devolvidos sem uso ou com pouco uso, por diferentes motivos, pela própria cadeia de distribuição direta ou pelo consumidor final”. (LEITE, 2009, p. 187) Empresas modernas utilizam a logística de pós-venda, diretamente ou por meio de terceirizações com empresas especializadas, por diferentes objetivos es- tratégicos, como, por exemplo, o aumento de competitividade no mercado pela diferenciação de serviços, a recuperação de valor econômico dos produtos, a obe- diência à legislação, garantindo imagem corporativa, entre outros. O tempo de retorno transforma-se em importante fator que merece atenção nas operações logísticas, devido à obsolescência rápida dos diversos modelos lançados no mercado, exigindo ágeis ações empresariais na liberação de espaço e no equacionamento do retorno das quantidades excedentes de estoque, princi- palmente no ramo de varejo. Segundo Leite (2009), as quantidades de produtos que fluem nos canais reversos de pós-venda variam de acordo com o tipo de produto, ou seja, de carac- terísticas como sazonalidade, ciclo de vida comercial, giro de estoques, sistema de comercialização estabelecido, obsolescência, impacto do retorno no resultado ope- racional, condições tecnológicas de remanufatura ou reforma, entre outros motivos. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 121121 Completando o seu pensamento, Leite (2009) diz que os motivos desses movimentos reversos de produtos de pós-venda enquadram-se em pelo menos três categorias: “comerciais”, “qualidade” e “substituição de componentes”. Diver- sos destinos podem ser dados às inúmeras possibilidades de retorno e movimento de estoques nos fluxos reversos de mercadorias: venda no mercado primário, re- parações e consertos, doação, desmanche (canibalização), remanufatura, recicla- gem industrial e disposição final. Memorize Portanto, um dos aspectos de maior interesse para a logística, aliado à estratégia em- presarial, é a flexibilidade de retorno de mercadorias, por meio de contratos específicos ou por iniciativas próprias de bem servir aos clientes e ao consumidor final, agregando-lhes valor financeiro, de prestação de serviços, valor legal e ecológico. • Qual o papel da logística reversa para as organizações? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 3. processos eLetrÔnicos de LeiturA de dAdos 3. processos eLetrÔnicos de LeiturA de dAdos Neste tópico você vai aprofundar seus conhecimentos sobre o código de barras, o intercâmbio eletrônico de dados (EDI) e os sistemas de apoio a logística e cadeia de suprimentos. 122122 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 3.1. Código de barras3.1. Código de barras Um importante ator no processo de automação é o código de barras que tem por finalidade simplificar, consideravelmente, a entrada de dados nos sistemas informatizados, assim como facilitar as operações, tanto nos pontos de venda de materiais quanto nos pontos de despacho e recebimentos das cargas enviadas pelos fornecedores. Os códigos de barras são largamente usados em supermercados, fábri- cas, armazéns e em outras unidades operacionais e logísticas. Inicialmente, os códigos de barras representavam dados com base em linhas verticais de várias larguras e espaços entre elas. De acordo com Corrêa (2010, p.387), “no Brasil a organização a cargo da padronização de códigos usados em códigos de barras é a GS-1 Brasil (<www.ean.org.br>)”. A GS1 padroniza os códigos de barras para que a leitura possa ser reali- zada em qualquer país do mundo. Para Nogueira (2012, p. 157) “é importante res- saltar que possuímos software que geram códigos de barras, sem a necessidade de ser padrão EAN, para que as empresas possam fazer seus controles internos e até mesmo externos”. Porém, a padronização dos códigos para unidades de fluxo (produtos, itens, contêineres, paletes) é muito importante para a gestão de redes de supri- mento como elemento de integração entre parceiros da rede, que, com códigos padronizados, podem rapidamente identificar o item que flui entre suas operações. A representação tradicional, segundo Corrêa (2010), era denominada de código de barras de uma dimensão e em geral representava uma sequência de números. Mais recentemente, foram criados padrões de representação de duas dimensões, em que os dados são representados por pontos, quadrados, hexágo- nos e outras formas, para permitir que mais informações sejam representadas em menor espaço. Fique atento “Código de barras é uma forma de representação gráfica que permite leitura ótica por aparelhos com tecnologia laser chamados scanners (ou leitoras)”. (CORRÊA, 2010, p. 387) LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 123123 Visibilidade completa na rede de suprimentos requer a capacidade de os membros saberem exatamente onde se encontram os itens de fluxo (produtos, embalagens). Com os códigos de barra de uma dimensão, isso já pode ser atingido de forma mais simples e livre de erros. Identifica-se o item através de leitura ótica e, a partir daí, informações mais completas podem ser obtidas em bases de dados. Com os códigos de barra de duas dimensões, pode-se embutir na etique- ta de identificação, além da informação do código do produto, mais informações, como por exemplo, uma descrição simples. Com a evolução tecnológica, entretan- to, surgiu apossibilidade de se embutirem, em etiquetas do tamanho daquelas que trazem os códigos de barras (ou menores, em alguns casos), circuitos eletrônicos (chips) que podem acumular muito mais informações sobre o item, como por exem- plo, a composição de um palete (quais produtos), ou a data da validade de um produto, além de informações sobre instruções de uso. Segundo Gonçalves (2013), mais recentemente, foi introduzida a chamada etiqueta eletrônica (TAG) que também começa a ter seu uso intensificado e resul- tará em benefícios ainda maiores, principalmente se levarmos em conta que não haverá mais a necessidade de utilizar equipamentos de leitura como os scanners para códigos de barras, que necessitam estar bem próximos do produto, visto que, funcionando como um emissor de radiofrequência, será possível sua leitura por varredura eletrônica no local em que se encontra o produto. Uma aplicação prática desse sistema de varredura eletrônica no local em que se encontra o produto é a contagem eletrônica dos produtos existentes em um armazém: com a utilização das etiquetas eletrônicas, ou TAGs, em todos os produtos, basta utilizar um equipamento de leitura de radiofrequência (RFID) para imediatamente saber a quantidade de cada produto existente no armazém, evitan- do, assim, a necessidade de uma contagem física. E porque as empresas devem otimizar sua logística com sistemas como este? Para Nogueira (2012), os benefícios de se implementar tecnologia de códi- go de barras são significativos: • Redução dos ciclos de processamento; • Aumento das taxas de output; • Aumento na precisão das informações; 124124 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Redução das perdas com materiais; • Baixo custo e menor tempo de implantação; • Fácil utilização; • Uso de equipamentos compactos; • Alta velocidade de captura dos dados; • Informações: validade, data de fabricação, local onde foi produzido, dentre outras. Não importa qual o negócio da organização, a tecnologia de captura de da- dos por código de barras poderá auxiliá-la a atender os mais difíceis desafios com que ela se defronta. (NOGUEIRA, 2012). • O que é um sistema de identificação por código de barras? Quais são as vantagens de sua utilização? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 3.2. 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI)Eletronic Data Interchange (EDI) A ideia por trás do EDI (eletronic data interchange - intercâmbio eletrônico de dados) é relativamente simples. Segundo Nogueira (2012), muitas empresas utilizam computadores para organizar os processos comerciais e administrativos ou ainda para editar textos e documentos. A maioria das informações é produzida no computador manualmente, através de digitação. De acordo com o referido autor, quando as empresas se comunicam, por exemplo, para encomendar mercadorias ou cobrar os clientes, ao invés de imprimir relatórios em papel e enviá-los por fax para seu parceiro, elas obtêm uma forma de transferir eletronicamente essas informações diretamente do computador da empresa para os computadores de seus clientes, fornecedores, bancos e outros. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 125125 Fique atento “EDI é a troca automatizada, de um computador para outro, de informação de negócios estruturada, entre uma empresa e seus parceiros comerciais, de acordo com um padrão reconhecido internacionalmente”. (ECR - BRASIL, 1998, p. 23 apud NOGUEIRA, 2012, p. 162). O intercâmbio EDI padroniza a forma como os computadores enviam e re- cebem dados. O EDI acelera o ritmo com que clientes e transportadores trocam informações operacionais como programações de embarque, roteiros de entrega e rastreamento da carga, além de permitir a emissão de faturas e romaneios livre de erros, por eliminar a necessidade de interferência humana no processo (NO- GUEIRA, 2012). Dentre as várias facilidades e benefícios, Nogueira (2012) destaca: • Redução de custos administrativos e operacionais, frente à brusca redução dos trâmites que originam montes de papéis, os quais operam em fl uxos viciosos de vaivém de vias de documentos, protocolos e assinaturas; • Agilidade no processo, porque grandes volumes de dados comerciais podem ser comunicados de um computador a outro em questão de minutos, permitindo, por exemplo, reduzir prazos de entrega e garantindo maior satisfação por parte do cliente; • Eliminação de erros: o EDI elimina os inevitáveis erros resultantes da entrada manual de dados; • Aumento da produtividade, pois o EDI permite que as empresas controlem e manejem melhor as necessidades de produção, compras e entregas. Como era de se esperar, vários esforços foram feitos com relação à redução de papéis por conta de documentos a serem encaminhados entre as empresas. Em algumas ainda existe uma responsável por passar fax de pedidos aos seus fornecedores, apesar de ser coisa do passado. O EDI surgiu principalmente para agilizar esse processo e garantir a precisão e segurança da informação. A cadeia de suprimentos depende cada vez mais da agilidade dos parceiros na troca de dados em busca da eficácia na satisfação do consumidor final, em ter o produto na hora certa, momento certo, com qualidade e ao menor custo. 126126 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Deve-se ficar claro, portanto, que para a gestão dos negócios, a tecnolo- gia da informação através da ferramenta EDI, impacta diretamente os relaciona- mentos da empresa com os seus parceiros e, sua utilização, representa uma ten- dência para as operações logísticas, uma vez que se compete, constantemente, pela melhoria da eficiência operacional, redução de custos e elevação do nível de serviços aos clientes. Portanto, constitui um conjunto de ferramentas favoráveis à melhoria do desempenho da logística nas empresas. • Qual o papel do EDI para a cadeia de suprimentos? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos A utilização das ferramentas de tecnologia aplicada ao gerenciamento da cadeia de suprimentos foi fator primordial para a operacionalização dos proces- sos e seus gerenciamentos, permitindo, assim, um melhor acompanhamento da demanda de produtos, de acordo com as exigências dos consumidores, que se refletiu em melhorias significativas na programação das compras por parte dos pro- dutores e de grandes atacadistas e no abastecimento do mercado varejista. Para tanto, as ferramentas são alimentadas por informações consistentes e corretas. Portanto, é preciso entender que o fluxo de informações é um elemento de grande importância nas operações logísticas. Os conjuntos básicos de informações logísticas incluem pedidos de clientes e de ressuprimento, necessidades de estoque, programação de atividades dos depósitos, documentação de transporte e faturas. Antigamente, o fluxo de informações baseava-se principalmente em papel, resultando em uma transferência de informações lenta, pouco confiável e propensa a erros. O custo decrescente da tecnologia, associado a sua maior facilidade de uso, permitem aos executivos contaremcom meios para coletar, armazenar, trans- ferir e processar dados com maior eficiência, eficácia e rapidez. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 127127 A transferência e o gerenciamento eletrônico desse fluxo de informações proporcionam uma oportunidade de reduzir os custos logísticos mediante sua me- lhor coordenação. Além disso, permite o aperfeiçoamento do serviço baseando-se principalmente na melhoria da oferta de informações aos clientes. É importante ressaltar que, para se fazer uso adequado da tecnologia da informação na logística, é importante que se tenha o conhecimento dos processos logísticos, sabendo quais são as melhores práticas a serem utilizadas para cada momento de seu processo, e que, caso necessário, a empresa conte com sistemas de apoio. De acordo com Nogueira (2012, p. 149), [...] na grande maioria das vezes, ainda, muitas empresas mal conhecem o conceito de logística e menos ainda as ferramentas que podem dar a sustentação para o bom desem- penho de suas atividades. Para implementação de sistemas de apoio à logística e cadeia de suprimen- tos, tomou-se por base as considerações de Nogueira (2012), que destaca: • Conhecimento do processo para escolha do sistema adequado ao negócio da empresa; • Redução dos custos operacionais; • Acuracidade da operação; • Segurança operacional; • Administração de retornos do estoque em vazio; • Velocidade operacional; • Garantia da imagem da empresa; • Acuracidade de localização; • Intensidade de fl uxo; • Administração de horas extras; • Áreas de estocagem; • Administração de fl uxos de retorno em vazio; • Movimentação livre de perdas; • Informação em tempo real; • Qualifi cação de pessoal; • Acuracidade de estoque; • Movimentação livre de perdas; • Investimentos em TI. 128128 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Nogueira (2012), cita que os principais sistemas de informações geren- ciais dão suporte aos processos globais da empresa, abrangendo todas as uni- dades organizacionais e conectando a empresa a seus clientes e fornecedores. Assim, o autor, destaca dentro dos processos logísticos os sistemas: • ERP (enterprise resource planning ou sistema de gestão integrada): são sistemas que integram e coordenam os principais processos da empresa através de um software, organizando e disseminando a informação de forma integrada entre as diferentes áreas da empresa. Essa integração faz uso de uma base de dados comum a toda empresa, consolidando assim toda a operação do negócio em um único ambiente computacional; • WMS (warehouse management system ou sistema de gerenciamento de armazém): trabalha com a integração de hardware, software e equipamentos periféricos para gerenciar espaço físico, estocagem, armazenagem, equipamen- tos e mão de obra em centro de distribuição (armazéns). • TMS (transportation management system ou sistema de gestão de trans- porte): é utilizado pelas empresas de transporte auxiliando no planejamento, execução, monitoramento e controle das atividades relativas à consolidação da carga, expedição, emissão de documentos, entregas e coletas de produtos, rastreabilidade da frota e de produtos, auditoria de fretes, apoio à negociação, planejamento de rotas e modais, monitoramento de custos e nível de serviço e planejamento e execução de manutenção da frota. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 129129 A logística dependerá cada vez mais de ferramentas como estas, que a tecnologia da informação disponibiliza para acompanhamento das diversas ati- vidades que envolvem os processos logísticos. A tecnologia da informação está evoluindo em ritmo acelerado, em velocidade e capacidade de armazenamento das informações, gerando simultaneamente reduções significativas de custos e otimizando processos. Hoje, segundo Nogueira (2012), existem várias opções de tecnologia da informação para auxiliar a logística, porém é importante saber quais destas se adéquam à realidade do negócio da empresa que adquire a mesma. À medida que a tecnologia da informação prossegue sua trajetória de contínua evolução, vão sur- gindo várias inovações que influenciam nas operações logísticas com tendências a se aprimorarem cada vez mais. Nesta unidade você percebeu que com o advento das parcerias, é grande o número de empresas que têm sistemas interligados com os fornecedores, e os pedidos de reabaste- cimento são feitos diretamente pelo computador, através do EDI. Aprendeu que a variação e a diversificação na demanda têm sofrido grandes modificações, obrigando as organizações a fornecerem uma variedade maior de produtos e que os clientes, um dos principais elementos da cadeia, estão exigindo maior frequência de entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de produtos. O atendimento correto dessas novas exigências deve estar apoiado por estudos de previsão de demanda e também pelo autoconhecimento da capacidade da empresa. Compreendeu que o produto logístico de pós-venda constitui-se em bens com pouco ou nenhum uso e que ela ocupa-se do planejamento, operação e controle dos fluxos desses produtos retornados e das informações correspondentes, apresentando impacto diferenciado entre os diversos setores empresariais, em consequência das quantidades dos fluxos reversos, que variam bastante entre os setores empresariais. Relembre Além disso, entendeu que o código de barras é de grande importância para a agi- lidade e bom andamento de um processo logístico informatizado, pois, além da finalidade de identificar um produto, ele contém informações importantes inerentes ao mesmo, como sua validade, origem etc. E que as tecnologias e sistemas de apoio visam dar resolutividade aos problemas de logística e sua aplicação tende a crescer nas operações logísticas. 130130 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abasteci- mento. 2. ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, Henrique Luiz. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada - Su- pply chain. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. GONÇALVES, Paulo Sérgio. Administração de materiais. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando P. Administração da produção. 2. ed., ver. aum. atual. São Paulo: Saraiva, 2005. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. PARENTE, Juracy. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 131131 A importÂnciA dA LogísticA do setor de comprAs em umA A importÂnciA dA LogísticA do setor de comprAs em umA empresA de BLindAgem de VeícuLos AutomotiVosempresA de BLindAgem de VeícuLos AutomotiVos Alexandre Eduardo Oliveira 1 João Batista Ximenes 2 Resumo O processo de globalização enseja um grau de competitividade cada vez mais elevado, entre as indústrias do mundo contemporâneo. A atividade de com- pras é uma área essencial ede alta relevância para as organizações, já que a aquisição de matérias primas, suprimentos e componentes representa um fator decisivo nas operações logísticas. Se bem desenvolvido, esse processo gera redu- ção de custos e melhorias consideráveis nos lucros. No presente artigo, procurou- se identificar as principais dificuldades enfrentadas por uma empresa de blindagem automotiva na cidade de Fortaleza, em seus processos de compras. Trata-se, por- tanto, de um estudo de caso, onde foram analisados todos os processos relaciona- dos à aquisição de materiais e sua logística no abastecimento. Além desse aspec- to, busca-se também apresentar a forma de como os gestores estão trabalhando junto aos colaboradores, o desenvolvimento do processo e a excelência nos seus processos. Nos dias atuais, para uma empresa se tornar competitiva nesse mer- cado, deve realizar investimentos consideráveis em materiais e ferramentas que reforcem e agilizem as ações logísticas de compras, com taxa de retorno a médio ou a longo prazo. A metodologia empregada no presente artigo foi descritiva, de natureza qualitativa de um estudo de caso. Resumindo, no estudo pretende-se mostrar oportunidades em redução de custos através do gerenciamento da cadeia de suprimentos da empresa, com o envolvimento de todos os setores. Palavras-chave: Logística, Compras, Blindagem, Redução de custos. Material complementar 1Aluno do curso de Administração de Empresas da Faculdade Ateneu – FATE. 2Orientador e Professor da Faculdade Ateneu – FATE. 132132 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1. Introdução1. Introdução No mundo atual torna-se cada vez mais necessária a rapidez nos processos logísticos, sendo imprescindível o investimento em ferramentas que dão suporte a redução do tempo de espera no abastecimento. Esta é uma realidade inexorá- vel, considerando a elevada concorrência que existe atualmente a nível global, tornando indispensável à conquista de diferencial competitivo por parte das orga- nizações, como um fator de segurança para garantir sobrevivência dentro de um mercado altamente volátil e exigente. Essa realidade despertou nas empresas a necessidade de buscar a oti- mização dos processos internos, com o objetivo de racionalizar os custos e atin- gir níveis cada vez maiores de desempenho, para a satisfação dos seus clientes. Dentro desse novo contexto, as organizações começaram a utilizar métodos mais eficientes e eficazes de trabalho nas diversas áreas de: marketing, finanças, con- tabilidade e também a logística. No âmbito da logística, pode-se perceber que a partir dos anos 80 essa área iniciou o seu desenvolvimento em termos de novos conceitos, métodos e, principalmente, em relação à importância dada pelas em- presas a essa área. A logística possui uma visão organizacional holística, que agiliza a gestão dos recursos materiais e financeiros, nos fluxos operacionais da empresa, geren- ciando desde a compra e entrada de materiais, o planejamento de produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição dos produtos, monitorando as opera- ções e gerenciando informações. Neste trabalho, procurou-se como objetivo geral analisar a importância da logística de compras como um instrumento relevante de redução de custos e a conquista de um diferencial competitivo em uma organização, tendo como objeti- vos específicos a analise das características do processo de compras da empresa Beta, verificando todas as etapas e processo de compra desta empresa, para reali- zação da prestação de serviço de blindagem de veículos e a identificação de quais os benefícios obtidos no processo de compras adotado pela empresa. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 133133 A atividade de blindagem de veículos automotores é um processo com- plexo, caro e de controle rigoroso, por isso envolve a utilização de mão de obra especial e materiais específicos. Além desses aspectos, toda produção é fiscali- zada pelo exército, envolvendo desde a autorização para o início dos trabalhos até a vistoria final, antes da remessa ao DETRAN para atualização documental do processo de blindagem. Portanto, é possível afirmar que essa análise representa uma experiência ímpar, com importante contribuição profissional e acadêmica, fundamentalmente pelas particularidades envolvendo atividade como um todo. 2. Fundamentação teórica2. Fundamentação teórica 2.1. Logística Integrada (LI) e Gestão da Cadeia de Suprimentos (GCS) Atualmente o gerenciamento logístico busca o foco na integração das ati- vidades da empresa e na intensa troca de informações, pois, considerando que todas elas fazem parte de um processo único, cujo objetivo é satisfazer as necessi- dades do cliente final, não há razões para gerenciá-las separadamente, incorrendo em riscos desnecessários à empresa. O processo logístico inicia com o cliente gerando demanda para a manufa- tura, que realiza os entendimentos necessários de abastecimento junto aos seus fornecedores, para em seguida efetuar a fabricação e, finalmente, disponibilizar o produto acabado para a distribuição ao consumidor final. Após o consumo do pro- duto ele pode ser reintegrado ao processo produtivo ou de negócios por meio da logística reversa através da reciclagem, remanufatura, reuso, entre outros. De acordo com Ching (2001), o alto desempenho na cadeia de logística integrada (LI) requer maior qualidade nos processos, foco nas necessidades do serviço prestado ao cliente, provendo melhoria na estrutura de custos por meio de todo o processo e redução de prazos de entrega. Para Arbache et al. (2004), a LI é uma forma organizada de perceber todos os processos que geram valor para o cliente final de um produto, independentemente de onde ele esteja sendo executado, se na própria empresa ou em alguma outra com a qual há algum tipo de relacionamento. 134134 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Essa mudança conceitual na forma como as empresas gerenciam sua rela- ção com o produto ofertado ao mercado, passando a compartilhar com outros com- ponentes da cadeia os processos-chave do negócio, é justamente o gerenciamen- to da cadeia de suprimentos (ARBACHE et al., 2004). Wanke (2003) ressalta que o gerenciamento da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management – SCM) é uma tarefa mais complexa que a gerência logística dos fluxos de produtos, ser- viços e informações relacionadas do ponto de origem para o ponto de consumo. Essa complexidade deve-se ao fato de que o GCS envolve, além do geren- ciamento logístico de forma integrada, estratégias de relacionamentos com forne- cedores e clie ntes, visando maior durabilidade nos negócios por meio de parcerias baseadas na confiança e na colaboração, que finalmente geram vantagens com- petitivas. Muitas empresas descobriram que por meio dessas parcerias poderiam melhorar o projeto de produto, estratégias de marketing e de serviço ao cliente, além de encontrar formas mais eficientes de trabalharem juntas. Percebe-se que, quanto mais estreito o relacionamento entre fornecedor e comprador, maiores serão as chances de as habilidades de cada parte serem aplicadas para benefício mútuo. De acordo com Christopher (1997), muitas empre- sas descobriram que por meio da forte cooperação com os fornecedores poderiam melhorar o projeto do produto, praticar engenharia de valor dos componentes e geralmente descobrir meios mais eficientes de trabalharem juntos. Igualmente, de acordo com Marini (2003), um dos principais objetivos do GCS é atender o consumidor final com maior eficiência, tanto pela redução de custos quanto pela adição de mais valor aos produtos finais. A queda dos custos tem sido obtida mediante a diminuição do volume de transações de informações e papéis, dos custos de transporte e estocagem, da eliminação dos pontos de controle de qualidade e da redução da variabilidade da previsão de demanda de produtos e serviços. Na indústria automotiva, segundo Christopher (1997), aproximadamente 12% dos custos de materiais para o fabricante de automóveis são incorridos pelos custos logísticosdos fornecedores. No relacionamento tradicional de adversários, o fabricante de automóveis poderia procurar reduzir seus custos de materiais pres- sionando a margem de lucro do fornecedor de componentes, o que no relaciona- mento integrado não ocorre. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 135135 2.2. A necessidade, as vantagens e as capacidades requeridas na integração da cadeia de suprimentos Sob essa nova ótica dos negócios, as empresas devem conhecer as tecno- logias que serão implementadas e a flexibilidade para resolver problemas, inovan- do e permitindo a criação de um canal de comunicação aberto para que possa ha- ver integração entre seus processos. É premente a troca de informações, a gestão das atividades e tecnologias avançadas de logística, o desenvolvimento de novos projetos que incentivem a existência de confiança e de cooperação direta entre parceiros (MARINI, 2003). Christopher (1997) declara que a maior implicação dos desafios para uma organização ágil seja talvez a prioridade que deve ser dada à integração, não so- mente a integração interna da organização, mas também com seus fornecedores, distribuidores e clientes finais, que é buscada pelo conceito de GCS. Pires (2004) salienta que em muitos setores industriais já não é suficiente apenas integrar as operações, estruturas e infra-estruturas internas com a estratégia competitiva: a tendência é a integração dos processos internos da empresa com fornecedores externos e clientes, formando uma CS com propósitos e procedimentos definidos e consistentes. Dessa forma, a vantagem competitiva obtida conjuntamente, ao longo da CS, torna-se sustentável e mais difícil de ser copiada e ultrapassada pelos concorrentes. As novas exigências têm sido seguidas como referência para que as mon- tadoras e seus fornecedores diretos possam manter a eficiência não só nas suas atividades diretas, como também ao longo da cadeia. Destacam-se entre as prin- cipais exigências das montadoras para com os fornecedores: saúde financeira, integração eletrônica, desenvolvimento de novos produtos e processos, padrões internacionais de custo e qualidade, logística confiável, redução de desperdícios, entre outros (PIRES, 2004). A qualidade e a confiabilidade têm se tornado mais importantes com a intro- dução da produção Just-in-Time (JIT) e com o uso dos sistemas ERP, pois dessa forma os componentes e matérias-primas somente são solicitados quando existe a demanda, o que reduz, sensivelmente, os custos com inventário. As parcerias na CS permitem às montadoras gerenciar fornecedores e subfornecedores e cooperar e maximizar a lucratividade para todos os parceiros (KILLEN et al., 2004). 136136 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO De acordo com Scavarda e Hamacher (2004), uma das questões críticas da GCS da indústria automotiva é o desenvolvimento de capacidades que permitem que atividades e processos sejam integrados ao longo da CS. Os mesmos autores afirmam que essas capacidades são conjuntos de ações que possibilitam a cria- ção, produção e comercialização de determinado produto, gerando valor agregado ao consumidor final no término do processo. Estes fatores ou conjunto de ações, de acordo com Ross (1998) apud Sca- varda e Hamacher (2004), apontam que outro fator crítico para o sucesso da GCS é a racionalização e integração dos processos dos negócios da CS, das capa- cidades inovadoras, por parte dos membros da cadeia, antecipando o potencial competitivo e abrindo novas áreas de competição. 2.3. Suprimentos (compras) A atividade de suprimentos em uma empresa fornece apoio fundamental ao sucesso do sistema logístico, é ela que supre o processo produtivo, com todas as necessidades de materiais, além disso, contribui com uma parcela significativa na redução de custos da empresa, por meio de negociações de preços, na busca de materiais alternativos e do desenvolvimento de fornecedores. A aquisição de matérias-primas, suprimentos e componentes representa um fator decisivo na atividade de uma empresa, pois dependendo de como é conduzida podem gerar redução e melhorias consideráveis nos lucros. Além dessas funções básicas, a atividade de suprimentos, segundo a nova configuração da GCS, desempenha algumas ações que apoiam o processo de abastecimento da produção. De acordo com Ching (2001) e Christopher (1997), são o desenvolvimento de relacionamentos estratégicos com fornecedores e de novos materiais; qualificação e redução do número de fornecedores. Segundo Moraes, (2005) A gestão da aquisição – a conhecida função de compras – assume papel verdadeiramente estratégico nos negócios de hoje em face do volume de recursos, principalmente financeiros, envolvidos, deixando cada vez mais para trás a visão preconceituosa de que era uma atividade burocrática e repetitiva, um centro de despesa e não um centro de lucros. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 137137 2.4. Administração de estoques O fato de manter estoques está relacionado com a necessidade de dis- ponibilizar o produto ou material no momento certo, porém há consenso entre as empresas no sentido de eliminar ou reduzi-los ao mínimo possível, tentando ade- quar-se a um dos pressupostos da GCS. O equilíbrio entre custos e objetivos constitui-se verdadeiro desafio para as empresas. É importante ressaltar que nem sempre é possível o atendimento a 100% dos clientes: o enfoque do gerenciamento logístico integrado sugere que as necessidades de serviço dos clientes devem ser satisfeitas dentro dos limites razoáveis de custo. Quanto maior for o nível de serviço da empresa, maiores serão seus custos, pois se a meta da empresa é entregar sempre no menor tempo e com a maior disponibilidade de produtos possível, deve estar ciente de que terá seus custos com transportes e estoques maximizados. Alguns conceitos e técnicas têm sido adotados no intuito de minimizar os custos com estoques, enquanto garantem a disponibilidade dos produtos, dentre eles o Just in Time – JIT, a curva ABC, o Milk Run – MR e diversos sistemas e tecnologias de informações, que serão tratados nas seções seguintes. 2.5. Just-in-time (JIT) Para Christopher (1997), de todos os conceitos e técnicas que surgiram, nas últimas décadas, a filosofia JIT é uma das que vieram para ficar. De acordo com esse conceito, nenhum produto deve ser fabricado, nenhum componente deve ser pedido enquanto não houver necessidade. Essencialmente, o JIT adota o conceito de puxar a produção, na qual a demanda puxa os produtos em direção ao merca- do. O fluxo de componentes pertinentes a esses produtos também é determinado pela mesma demanda. O JIT contrasta com o sistema atual de empurrar, no qual os produtos são fabricados ou montados em lotes, antecipando a demanda, e são posicionados na CS como reguladores entre as várias funções e entidades. 138138 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2.6. Curva ABC Outra técnica utilizada pelas empresas visando redução de custos com ma- nutenção de estoques é a curva ABC, uma das mais antigas e conhecidas, sendo ainda utilizada por muitas empresas. Segundo Ching (2001), baseia-se no raciocí- nio do diagrama de Pareto, em que nem todos os itens têm a mesma importância, e a atenção deve ser dada para os mais significativos. Adotando esse raciocínio na administração de estoques, entende-se que nem todos os itens estocados me- recem a mesma atenção ou precisam manter a mesma disponibilidade para satis- fazer os clientes. 2.7. Modelo Milk Run – MR O modelo MR ou rota do leite surgiu como alternativa para a concentração ou consolidação de um volume adequado de materiais, possibilitando a redução de custos com estoques e transporte que impacta diretamente no custo do produto final. O MR permite às indústrias manter seu nível de estoque muito baixo, ou seja, quase zero. Constitui-se numa estratégia que envolve um transportador que coleta a produção de vários fornecedores e os entrega de uma só vez. Para Pires (2004), o principal objetivo do MR é reduzir custos logísticos de abastecimentopor meio de economias de escala e racionalização das rotas, bem como aumentar a confiabilidade do processo. A lógica desse modelo é ter um siste- ma de suprimento com roteiros e horários predefinidos para as coletas de materiais junto aos fornecedores. 2.8. Importância da administração de compras A administração das compras de uma empresa era visualizada como um fator meramente burocrático. O surgimento da crise do petróleo de 1973-1974 foi marcante para a atuação de Compras, pois a redução de matéria-prima no cenário mundial, decorrente da crise, demandou dessa função uma atitude mais ativa para o ressuprimento das necessidades das empresas. A sua atuação, durante aquele período de escassez, trouxe uma significativa atenção da organização para o setor. Os fatores quando, quanto e como comprar, passaram a ser determinantes para a continuidade das empresas no mercado competitivo (MARTINS & ALT, 2001). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 139139 A aquisição de produtos e serviços representa um fator decisivo na ativida- de de uma empresa, pois dependendo de como é conduzida podem gerar redução nos custos e melhorias consideráveis nos lucros. A Administração de Compras assume papel verdadeiramente estratégico nos negócios de hoje em face do volu- me de recursos, principalmente financeiros, envolvidos, afastando cada vez mais a visão preconceituosa de que era uma atividade burocrática e repetitiva, um centro de despesa e não um centro de lucros (MORAES, 2005). 2.9. A função de compras nas organizações Segundo Arnold (1999) “a função compras é responsável pelo estabeleci- mento do fluxo dos materiais na organização, pelo segmento junto ao fornecedor, e pela agilidade da entrega.” Ao longo do tempo, a função compras passou a ser imprescindível para a administração de recursos materiais de uma empresa. Saber comprar de forma a beneficiar a organização é determinante não somente para a competividade, mas também para a permanência da empresa no mercado. Pequenas reduções no cus- to das aquisições podem refletir positivamente no lucro da empresa. Para isso é fundamental manter um banco de dados de fornecedores atualizado, ter poder de negociação e estabelecer um relacionamento baseado na confiança mútua entre o cliente e o fornecedor. Ballou (2001) comenta que as atividades relacionadas a compras envolvem uma serie de fatores como seleção de fornecedores, qualificação dos serviços, determinação de prazos de vendas, previsão de preços, serviços e mudanças na demanda, entre outros. Conforme afirmam Gaither e Frazier (2001), o departamento de compras desempenha um papel fundamental na realização dos objetivos da empresa. “Sua missão é perceber as necessidades competitivas dos produtos e serviços, tornan- do-se responsável pela entrega no tempo certo, custos, qualidade e outros ele- mentos na estratégia de operações”. Para isso é fundamental manter um banco de dados de fornecedores atu- alizado, ter poder de negociação e estabelecer um relacionamento baseado na confiança mutua com o fornecedor. 140140 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Para Moraes (2005) é necessário também que as pessoas que trabalham nesta área estejam muito bem informadas e atualizadas, além de terem habilida- des interpessoais como poder de negociação, facilidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de gestão de conflitos. Decorrente das mudanças ocorridas nas organizações, a função compras não é mais vista como uma atividade rotineira e sim como parte do processo de logística das empresas. Isso porque mais do que simplesmente adquirir produtos, o setor de compras atualmente se inter-relaciona com todos os outros setores da empresa, influenciando e sendo influenciado. O objetivo das atividades de compras é obter e coordenar o fluxo contínuo de suprimentos de modo a atender aos programas de produção; comprar os mate- riais aos melhores preços, não fugindo aos parâmetros qualitativos e quantitativos; e procurar as melhores condições para a empresa (DIAS, 2005). Martins e Alt (2001) ainda comentam que esses objetivos devem estar ali- nhados aos objetivos estratégicos da empresa como um todo, visando o melhor atendimento ao cliente externo e interno. Essa preocupação tem tornado a função compras extremamente dinâmica, utilizando-se de tecnologias cada vez mais so- fisticadas e atuais como o EDI, a Internet e cartões de crédito. Baily et al. (2000) também concordam que o processo de compras cada vez mais está se envolvendo na tomada de decisões estratégicas das empresas, pois Compras são vistas como uma área de agregação de valor, não simplesmente de redução de custos e também a maior consciência do crescimento do gasto em materiais e do potencial de lucro de compras. Para Arnold (1999) a função compra é um processo muito amplo que acaba por envolver a todos na organização. O setor específico, geralmente, em face da competitividade empresarial, precisa da ajuda de outros setores da organização, como o de desenvolvimento de produtos, área financeira, para que as aquisições realmente tragam benefícios para a organização. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 141141 Martins e Alt (2001) afirmam que: Toda empresa na consecução de seus objetivos necessita de grande interação entre todos os seus departamentos ou processos, no caso de assim estar organizada. A área de compras interage in- tensamente com todas as outras, recebendo e processando informações, como também alimentando outros departamentos de informações úteis às suas toma- das de decisão. Segundo Moraes (2005) o departamento de compras também pode assu- mir vários outros papéis. Um deles está relacionado com a negociação de preços com os fornecedores. Essa negociação determinará o preço final dos produtos e, portanto, a competitividade da empresa. O setor de compras está também inter-relacionado com os níveis de esto- que. A ele compete à tarefa de equilibrar a quantidade de materiais a serem com- prados para que os demais departamentos da empresa encontrem-se satisfeitos continuamente. É importante que se consiga otimizar o investimento, aumentando o uso eficiente dos meios financeiros, minimizando as necessidades de capital investido em estoques (DIAS, 2005). Dias (2005) afirma que esta é uma questão delicada e que está diretamente ligada à administração de compras, pois níveis de estoque, apesar de significarem uma segurança de que a produção não precisará sofrer interrupções, ao mesmo tempo demanda custos na maioria das vezes altos para a empresa, pois tem que ser armazenados e controlados constantemente. Os níveis de estoque da empresa, por exemplo, afetam o custo de produção e podem trazer outros problemas, como a necessidade de um maior controle, de pessoal e despesas com a sua manutenção. Assim, a área de compras tem uma função importante de cuidar para que os níveis de estoque da empresa estejam sempre equilibrados. A evolução da função compras nas organizações mostra que é fundamental a atenção a ser dada a este setor. Atualmente as empresas se preocupam muito com o processo de compras, pois este sendo executado com sucesso pode ser motivo de redução de custos para a empresa. Neste sentido cabe aos responsá- veis por tal processo estarem atentos a preço, prazo, volume e qualidade para se beneficiarem da execução eficaz deste processo (DIAS, 2005). 142142 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 2.10. O perfil do profissional de compras Para Moraes (2005) é necessário também que as pessoas que trabalham nesta área estarem muito bem informadas e atualizadas, além de terem habilida- des interpessoais como poder de negociação, facilidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de gestão de conflitos. Baily et al. (2000) definem o perfil ideal do comprador moderno da seguinte forma: “Vê a função como geradora potencial de lucro: acredita que deve contri- buir para os planos a longo prazo como parceiro em igualdade de condi- ções. Possui MBA; forte base financeira e tecnológica; assume que a área de comprasé vital para o bem-estar da empresa, que necessita de contri- buição criativa para os planos e as políticas corporativas. Aspira assumir uma diretoria; ansioso para eliminar as deficiências da administração de recursos humanos e proporcionar melhores condições de trabalho. Possui metas bem definidas para atingir objetivos, com o uso de melhor planeja- mento, criatividade e colaboração de outros executivos da empresa. 2.11. Evolução do processo de compras e os benefícios obtidos O papel de Compras modificou-se muito. Até a década de 70, as áreas de compras estavam restritas a um papel operacional dentro das organizações. A função básica de compras era: comprar materiais e serviços externos para atender as necessidades dos usuários. Porém, com o passar do tempo e o aumento do volume de transações, o departamento de compras limitou-se a processar pedidos de compras. Grande número de fornecedores, alto número de atividades que não agregavam valor e processos altamente padronizados originaram um grande nú- mero de atividades burocráticas, que impediram a existência de um pensamento estratégico sobre o negócio da empresa (Riggs & Robbins, 2001). A partir da década de 80, sob a influência da filosofia japonesa Just in time, muitas empresas norte-americanas e brasileiras, começaram a adotar a compra em pequenos lotes. A partir da década de 90, a globalização, a reengenharia de atividades, o aumento da competição e a pressão para redução de custos, fizeram com que a atenção das empresas fosse desviada para a área de Compras. “A partir de agora, irá existir um grande benefício das relações entre as empresas e seus fornecedores. Esta oportunidade será fonte de vantagem competitiva e não LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 143143 pode mais ser negligenciada” (Drucker apud Baily, 2000). Dentre os benefícios que contribuíram para o aumento da importância da área de Compras a partir da década de 90, pode-se citar: a) A reengenharia de processos – A reengenharia de processos fez com que as abordagens interfuncionais superassem as antigas visões funcionais dentro da organização. Esta abordagem fez com que a área de Compras tivesse foco no processo interfuncional e não apenas na função isolada de compras (Baily et al. (2000). b) O fracasso das técnicas tradicionais de reduções de custos – As empresas mediante a competição global buscaram meios de reduzir custos de mão de obra, processos e materiais. A área de compras tentou reduzir custos através de árduas negociações com fornecedores e da adoção de práticas de tercei- rização. O fracasso das práticas mais usadas de redução de custos geraram a necessidade de obtenção de outras formas de extração de valor da área de compras (Wright apud Moncza et al.,1998). c) O fracasso das relações adversárias com fornecedores – O exemplo da rela- ção de colaboração com fornecedores das indústrias japonesas mostrou-se mais adequado para o contexto atual, do que a tradicional abordagem de adversários. As áreas de compras começaram a preocupar-se a entregar maior valor para o cliente final (Laserte, 1998). Baily et al. (2000) acrescentam que o grande avanço da tecnologia fez com que o conceito de compras fosse visto como um processo contínuo que visava integrar os fornecedores aos processos da organização. Deste modo, seria possível, adquirir vantagens competitivas oriundas de reduções de custos, desenvolvimento tecnológico, melhoria da qualidade e redução do tempo do ciclo de desenvolvimento dos produtos. Laserte (1998) afirma que apesar da constatação da necessidade de transformação, as mudanças ainda são lentas e o foco da área de compras ainda reside em processos funcionais. Conforme Baily (2000), a percepção de que a função compras não é mais uma atividade rotineira de administração de “pedidos”, está mais reconhecida. Neste novo cenário, a área de Compras passa a ter um papel pró-ativo em con- traste com o antigo papel reativo que desempenhava. Conforme Riggs & Robbins (2001), “É preciso repensar o processo de compras, substituindo o sistema moroso e antiquado por um processo gerencial simples que crie valor em cada compra”. 144144 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO É por este motivo cada vez mais as empresas executam uma maior cola- boração, transparência e profissionalismo na relação com os clientes internos, o desenvolvimento de relacionamentos desenvolve ganho para ambas as partes, com fornecedores, parcerias de longo-prazo e qualificação dos seus profissionais. 3. O processo de compras da empresa beta3. O processo de compras da empresa beta A empresa escolhida para realização desta pesquisa foi a Beta Blindagens, uma organização fundada em 2007, inicialmente composta por dois sócios e atu- almente propriedade exclusiva do sócio mais novo, um empresário bem sucedido e acionista de várias empresas de renome em Fortaleza, com tradição de família de vários anos, acumulando assim experiência na área industrial. A empresa Beta localiza-se na região metropolitana de Fortaleza e hoje atende a uma demanda muito elevada de blindagem para veículos automotores. É possível afirmar que há uma tendência de expansão considerável, primeiro devido à elevação do padrão de vida da população e, segundo, devido os altos índices de violência atualmente registrados em todo o estado do Ceará. A empresa Beta tem a missão de proporcionar a máxima segurança aos seus clientes através da prestação de serviço de elevado padrão na blindagem automotiva, gerando benefício para a sociedade cearense, cuja meta principal é disponibilizar proteção e confiança. Desta forma, está cada vez mais presente na vida das famílias através de uma ferramenta de segurança, obedecendo padrões elevados de valores e conceitos, daí porque lidera de forma absoluta absoluta o segmento de blindagem automotiva regional. A Beta hoje pode ser considerada como a melhor empresa de blindagem automotiva, provendo serviços de qualidade superior com segurança, confiabili- dade e sustentabilidade, no emprego de políticas éticas e transparentes. Assim, a administração ocorre de forma transparente e com respeito às leis, seguindo rigorosamente as normas e os procedimentos de segurança e meio ambiente. Em 1987 começava uma nova alternativa de proteção veicular criada pela empresa Massari – uma das pioneiras na blindagem automobilística e a mais an- tiga no Brasil que, em 1950, atuava no segmento de proteção aos veículos de LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 145145 transporte de valores, os chamados carros fortes – uma divisão de blindagem para automóveis de passeio o que permitiu à empresa se adaptar à demanda de novos modelos e as necessidades e expectativas dos clientes. Atualmente, a frota nacio- nal de carros blindados vem crescendo ano a ano e segundo o Sistema Nacional de Registro do Exército, o total de veículos blindados no país é da ordem de 55.000 automóveis, dos quais, 74% são do Estado de São Paulo. Segundo a Associação do setor, a frota nacional de blindados já ultrapassa 70.000 unidades. Na empresa em estudo, a gestão de compras foi desenvolvida após forte alavancagem na demanda por serviços em que anteriormente não existia um setor especifico para aérea de suprimentos. O processo de compras na empresa Beta ocorre vislumbrando vários fato- res que podem influenciar diretamente no planejamento de aquisição de suprimen- tos, tais como preços, qualidade dos produtos, tempo de entrega, distância dos for- necedores, custos dos fretes, apenas para citar os principais. Considerando que a maior parte dos produtos de utilizados nas blindagens de veículos é produzida em São Paulo, o sistema de reposição contínua exige muita precisão nas realizações dos pedidos, para que o estoque de segurança seja mantido a níveis que impeçam a escassez de produtos na linha de produção. No sistema de planejamento de compras, a empresa adota 03 modalidades distintas, da seguinte forma: nas provisões para 30 dias, as compras são realiza- das por lotes, levando em consideração o númerode contratos fechados com en- trega para o mesmo mês em destaque, sendo que os produtos vêm de outra praça, diminuindo assim o risco com atraso nas entregas pelos fornecedores. Pedidos quinzenais são compras de grande valor financeiro, sendo que os fornecedores ficam localizados em Fortaleza, com garantia de reposição de estoque constante. Esta modalidade de compra proporciona uma vantagem quanto aos pagamentos das faturas, pois além de permitir a extensão dos prazos de pagamentos, possibilita melhor aproveitamento do espaço de armazenamento, em função da utilização do estoque do fornecedor. A terceira modalidade de compra utilizada nesta empresa em estudo é a de aquisição semanal em que os fornecedores em destaque têm estoque constante da mercadoria e rápido atendimento de entrega, nesse caso são produtos de pequeno valor financeiro e uso geral dentro da empre- sa, essa técnica ajuda a diminuir custos desnecessários com estoque. 146146 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO O fechamento de pedidos leva em conta não só o melhor preço mas funda- mentalmente a qualidade das mercadorias ofertadas, o que permite agregar valor ao produto final, que é direcionado a um publico de alto poder aquisitivo e de senso crítico apurado, e por isso deixando a negociação de preço para um segundo plano. Considerando a necessidade de uma gestão muito eficiente nas compras, o uso da logística como ferramenta de minimização de custos se torna imprescindí- vel na empresa Beta, cuja operação de suprimento foi escolhida para a execução desta pesquisa. Desta forma, foi realizada uma entrevista com um roteiro previa- mente estabelecido, para a obtenção de elementos indispensáveis para a realiza- ção da presente pesquisa. O funcionário que participou da entrevista foi o gestor de produção da empresa Beta, que manifestou sua posição quanto à necessidade de criar um setor de compras utilizando o mais elevado padrão de sistema logístico. Na entrevista, o gestor apresentou o seguinte posicionamento: “Diante ao crescimento da empresa, e aos altos índices de violência no país, que vem a influenciar diretamente com a demanda do mercado de segurança é necessário cada vez mais garantias, quanto à capacidade de controlar os estoques e executar o processo de compras de forma padro- nizada atendendo a requisições na hora certa e quantidades corretas sem falar em preço e qualidade, sendo assim necessária a criação de um setor de compras trabalhando junto à logística objetivando criar um sistema que possa atender as demandas e expectativas da organização.” Conforme a resposta do gestor da empresa, percebe-se o interesse da em- presa em atender as exigências do mercado e o pronto atendimento ao seu cliente externo e interno . Segundo Ballou (1993), estabelece uma definição mais genera- lista, para o que chama de “manifesto ou missão da logística”: A logística empre- sarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável. Depois se perguntou quanto tempo a empresa levou para se adaptar a nova realidade. Obteve-se a seguinte declaração: “A empresa levou em torno de 12 me- LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 147147 ses para implantar esse novo sistema de logística integrada ao setor de compras” (Entrevistado). De acordo com a resposta, a empresa teve um processo em um tempo razoável já que a mesma no mesmo período estava passando por uma opera- ção de crescimento produtivo e físico com a mudança para um prédio novo com capacidade física de 4000 m², um aumento significativo baseando pelo tamanho do prédio antigo que ficava em torno de 1500 m². De acordo com Marini (2003), é premente a troca de informações, a gestão das atividades e tecnologias avançadas de logística, o desenvolvimento de novos projetos que incentivem a existência de confiança e cooperação direta entre parceiros. A terceira pergunta foi sobre quais as dificuldades encontradas para implan- tação do setor de compras agregado à logística. Resposta do gestor: “A maior dificuldade é implantar uma nova cultura, já que todas as compras par- tiam do gestor administrativo e não de um profissional de compras (Entrevistado).” Conforme resposta do entrevistado, ainda hoje é difícil as pessoas se adequarem a mudanças. Segundo Chiavenato (2002), a cultura organizacional repousa sobre um sistema de crenças e valores, tradicionais e hábitos, dentro de uma forma aceita e estável de interações e relacionamentos sociais típicos de cada organização. Em seguida, questionou-se como a empresa superou (ou está superando) essas dificuldades. Veja a explicação do gestor: “Através de muito esforço e suporte da gestão de produção, relatórios constantes e verificações periódicas dos indicadores de custos junto ao fi- nanceiro. Com o amadurecimento e incorporação do setor na empresa e de todos os seus benefícios, ficando assim cada dia mais fácil o atendimento ao nosso cliente interno.” Destarte, a organização terá um investimento contínuo em ferramentas e capacitação dos seus colaboradores, o que proporcionará a esta um potencial para alcançar os objetivos que a empresa almeja. Christopher (1997) declara a maior implicação dos desafios para uma organização ágil seja talvez a prioridade que 148148 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO deve ser dada à integração, não somente a integração interna da organização, mas também com seus fornecedores, distribuidores e clientes finais, que é busca- da pelo conceito de gestão de cadeia de suprimentos GCS. 4. Metodologia4. Metodologia Para realização da presente pesquisa foi adotado uma revisão, acerca dos assuntos logísticos e de suprimentos. A pesquisa foi realizada por meio de roteiro de entrevista. A pesquisa tem natureza exploratória e descritiva. Exploratória, pois tem “como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema” (GIL, 1991, p. 45). Descritiva, visto que adota “como objetivo primordial a descrição das caracte- rísticas de determinada população ou fenômeno” (GIL, 1991, p. 46). Além disso, esta descreve quais as dificuldades encontradas na logística de compras de uma empresa de blindagem em Fortaleza. A técnica utilizada para a execução deste trabalho foi o estudo de caso, para tanto, utilizou-se as diretrizes de Estudo de Caso conforme Yin (2005), “es- tudo de caso é uma investigação empírica, um método que abrange tudo plane- jamento, técnicas de coleta de dados e análise dos mesmos”. Gil (2004, p. 54) o define como “estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, permitindo seu amplo e detalhado conhecimento”. O instrumento de coleta de dados utilizado foi um roteiro de entrevista. Para Yin (2010), a entrevista é uma das fontes de informação mais importante para o estudo de caso. Essa técnica é utilizada sempre que os dados não são encontra- dos em registros e fontes documentais, podendo ser facilmente obtidos por meio de contatos pessoais (CERVO; BERVIAN, 1996). A principal vantagem da entrevista aberta e também da semi-estruturada é que essas duas técnicas quase sempre produzem uma melhor amostra da popu- lação de interesse. Ao contrário dos questionários enviados por correio que têm índice de devolução muito baixo, a entrevista tem um índice de respostas bem mais abrangente, uma vez que é mais comum as pessoas aceitarem falar sobre determinados assuntos (SELLTIZ et al, 1987). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 149149 Conforme Bardin (1977, p. 42), as questões abertas representam: “[…] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destasmensagens.” Deste modo, pode-se verificar que os fragmentos das entrevistas foram ve- rificados de acordo com a metodologia e análise de conteúdo, visto que foram veri- ficados os conteúdos das mensagens, os quais permitiram conhecer as condições do setor de compras e a preocupação da empresa com sua logística. 5. Análise dos resultados5. Análise dos resultados A empresa Beta é uma empresa nova, mas com grande potencial e imensas oportunidades, pois possui um produto diferenciado e de alto valor agregado, por se tratar de um item de segurança que oferece proteção e segurança aos seus clientes. Além desses aspectos, a empresa pratica um preço justo, daí porque tem alcançado um crescimento extraordinário, registrando um percentual de 300% no último ano. Em virtude a essa ótica, foi utilizada a analise SWOT para analisar os pon- tos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças do setor de compras da em- presa Beta. Pontos fortes: • Parcerias com transportadoras e diferenciação nas entregas: contrato fechado com transportadoras que tenham comprometimento e planejamento diferenciado, realizando operações logísticas que atendam as particularidades de cada fornecedor com foco em aperfeiçoar todo processo de coleta e entrega. • Grande espaço de armazenagem e recebimento de cargas: estrutura física adequada para agilizar todo processo de carga e descarga, contando com espaço e local adequado para recebimento de vários veículos de diferentes portes, contanto co m espaço suficiente para armazenagem, disposição e organização de material. 150150 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Localização: local em que a empresa Beta está situada fica no corredor de entrada e saída da cidade de Fortaleza e próximo as transportadoras que tem parceria com a mesma, facilitando o acesso dos veículos de carga e descarga, ganhando em rapidez nas entregas e coletas dentro da empresa. • Credibilidade financeira: por se tratar de uma empresa de propriedade de um empresário com renome em Fortaleza, cujo nome passa solidez e confiança ao seu investidor demonstrando que será capaz de realizar os projetos que se propõe sejam eles de expansão, parcerias ou estruturações. • Integração dos setores: setor de logística e suprimentos unificado para concen- trar toda a informação sobre pedidos de compras em um único local no intuito de facilitar o planejamento e acompanhamento da logística da empresa. • Qualidade nos processos e procedimentos: planejamento e execução, com acompanhamento de cada fase do ato de compra de suprimetnos, em busca da excelência nos processos e procedimentos usando como ferramenta principal a logística para redução de custos. Pontos fracos: • Matéria prima principal localizada em praças distantes da fábrica: devido todo desenvolvimento relacionado à blindagem automotiva partir de São Paulo, fica focalizado na cidade todos os fornecedores de matéria prima dificultando assim à logística • Poucos fornecedores: apesar do grande crescimento da procura por blindagem automotiva, ainda são poucos fornecedores de matéria prima. • Matéria prima escassa: em virtude do grande crescimento da violência no Brasil, a procura por blindagens em carros de passeio está maior do que a oferta de material para produção dos mesmos. • Demora na liberação das cargas pelos órgãos fiscalizadores: fiscalização no Estado do Ceára é muito lenta e demora muito na liberação das cargas que entram no Estado. Oportunidades: • Novos produtos ou serviços inovadores: a entrada de novos produtos balís- ticos pode acarretar em uma maior oferta de matéria prima para produção de carrocerias blindadas ou serviços que venham a inovar diminuindo tempo de transporte e de produção da mercadoria junto aos fornecedores. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 151151 • Novas tecnologias: as novas tecnologias como sistemas integrados junto aos órgãos fiscalizadores da Sefaz pode diminuir o tempo que a mercadoria fica parada nos postos fiscais, já que o objetivo do Governo é fazer toda a operação de cobrança de impostos enquanto a mercadoria ainda viaja. • Pré-contratos com as fabricas: algumas fábricas estão firmando pré-contratos, com seus clientes, onde é estipulada uma quantidade mínima de compra por mês, e independente dos pedidos aquela quantidade já fica disponível para o cliente. • Novos fornecedores: a entrada de novos fornecedores de matéria prima cria uma expectativa de garantia no fornecimento de suprimentos e queda de preço motivado pela concorrência. • Vinda de fábricas para o nordeste: mediante ao grande numero de blindagens no nordeste alguns fornecedores de matéria prima do sul do país estão estudando a possibilidade de construção de fábricas de material balístico no nordeste. Ameaças: • Mudança na tributação: aumento de impostos relacionados a suprimentos balísticos. • Falta de matéria prima: existem poucos fornecedores de matéria prima para produção de carrocerias blindadas de veículos automotivos. • Manifestações sócio/políticas: manifestações ocorridas em São Paulo fecham principais corredores de acesso às transportadoras atrasando envio de cargas. • Aumento exagerado da procura: procura por material balístico está maior do que a oferta. Através desses dados, é possível ter uma maior noção dos pontos fracos e fortes da logística de compras da empresa Beta, do cenário em que a empresa está inserida, além de servir como auxílio para que profissional do setor de com- pras e a Direção da empresa fiquem atentos ao movimento do mercado. Nesta fase, a empresa incorpora o conhecimento obtido com a busca de informação, a avaliação dos pontos críticos da sua logística, e elabora seu planeja- mento de compras. Uma decisão final é tomada para satisfazer uma necessidade, e essa decisão inclui a seleção do tipo de modal de transporte, quantidade de compra e parcerias com os fornecedores. 152152 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6. Conclusão6. Conclusão Concluído o presente estudo, pode-se compreender a importância do pro- cesso de compras dentro de uma empresa com atividade muito específica, como é o caso da Beta, que executa a blindagem de veículos automotores. O processo de blindagem de um automóvel é um processo caro e trabalho- so, que exige um cuidado muito grande na escolha da empresa que irá efetuar a transformação do veículo, tendo em vista que a qualidade do produto aplicado é fundamental para a segurança contra possíveis atentados de trânsito. A empresa em estudo é a líder do setor no Ceará e atualmente tem expan- dido sua atuação em toda região Nordeste, o que tem dificultado o cumprimento de alguns prazos de entrega, face ao elevado número de pedidos. Embora tenha assumido recentemente outra planta industrial, o aumento crescente da demanda tem superado todas as expectativas. Esse movimento crescente interfere seriamente no processo de compras, considerando que os principais fornecedores estão localizados no estado de São Paulo . Essa longa distância exige a aplicação de diferentes estratégias na enco- menda de matérias primas, principalmente porque a empresa adota uma política de baixo estoque. Mesmo assim é possível a adoção do processo de Milk Run, uma técnica de reposição programada, tanto para os materiais de longa distância quanto daqueles produzidos por empresas regionais do Ceará. Esse tem sido um desafio perma- nente para a equipe de suprimentos, que adota sistema de logística diferenciado para cada tipo de situação. Quanto à importância da logística no setor de compras da empresa Beta, foi constatada a relevância na redução de custos já que a empresa usa como ins- trumento de diferencial competitivo o planejamento estratégico de suas compras, agregado a logística em um único setor da organização LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 153153 Foram analisadas as características do processo de compra da empresa Beta, no sistema de planejamento de compras, a empresa adota 03 modalidades distintas, provisões para 30 dias, as compras são realizadaspor lotes, levando em consideração o número de contratos fechados com entrega para o mesmo mês em destaque, Pedidos quinzenais, os fornecedores ficam localizados em Fortaleza, com garantia de reposição de estoque constante, a terceira modalidade é a aquisi- ção semanal em que são produtos de pequeno valor financeiro e uso geral dentro da empresa. Verificaram-se as principais dificuldades de logística do setor de compras da empresa Beta, que seriam a distância e a quantidade reduzida de fornecedores, que ficam localizados no sul do país, matéria prima escassa e a demora na libera- ção das cargas pelos órgãos fiscalizadores. Constataram-se os benefícios obtidos no processo de compra adotado pela empresa Beta, que é a redução de custos desnecessários com estoque. Apesar de todos esses desafios, pode-se perceber no presente estudo, que se restringe ao setor de compras e logística da empresa Beta, a adoção de critérios de logística de suprimentos atuais, porém com a necessidade de aprimorar alguns detalhes, especialmente na identificação de maior número de fornecedores para garantia da produção. Por fim, a presente pesquisa representa um caso atípico de atividade em- presarial, com raríssimos temas escritos tanto no meio acadêmico como literário. Contudo, no que diz respeito às técnicas da logística de suprimentos, apresenta um modelo comum a muitas empresas que realizam serviços especiais. Como sugestão para trabalhos futuros, considera-se importante quantificar os níveis de estoques intermediários em relação à velocidade dos processos lo- gísticos. Esse estudo, se realizado com auxílio de métodos de simulação infor- matizada, permitirá a discriminação do nível de estoque ideal para cada tipo de processo de compra, auxiliando, portanto, na escolha da operação logística que melhor atenda às necessidades da empresa Beta. 154154 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReferênciasReferências ARBACHE, F. S. et al. Gestão de logística, distribuição e trade marketing. Rio de Janeiro: FGV, 2004. ARNOLD, J. R. T.. Administração de Materiais. São Paulo, Editora Atlas S. A., 1999. BAILY, P. et al. Compras: Princípios e Administração.São Paulo: Atlas, 2000. BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. 4 ed. Porto Alegre: Bookmann, 2001. 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Porto Alegre: Bookman, 2010 156156 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r