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Sistema Auditivo e Psicoacústica Fundamentos físicos, fisiológicos e perceptivos da audição humana Profa. Ms. Patrícia Neves Fonoaudióloga 1 ACÚSTICA é o ramo da Física que estuda o som como fenômeno físico. Foca no som em si, independentemente de quem o ouve. Estuda principalmente: Produção do som Propagação das ondas sonoras Propriedades físicas do som: Frequência (Hz) Intensidade (dB) Duração Forma de onda Timbre Exemplo: Como uma onda sonora de 1000 Hz se propaga no ar e qual sua intensidade em decibéis. 2 PSICOACÚSTICA é a área que estuda como o ser humano percebe o som. É a ponte entre acústica (física) e audição humana. Estuda a relação entre: Estímulo físico do som e Sensação e percepção auditiva. Principais fenômenos psicoacústicos: Pitch (percepção de frequência) Loudness (percepção de intensidade) Timbre Mascaramento Localização sonora Resolução temporal e espectral Exemplo: Por que dois sons com a mesma intensidade física podem ser percebidos como mais ou menos “fortes: 3 AUDIOLOGIA é a área da Fonoaudiologia dedicada ao estudo da audição e dos distúrbios auditivos. Foca no indivíduo, na função auditiva e na prática clínica. Abrange: Avaliação auditiva (audiometria, imitanciometria, EOA, PEATE etc.) Diagnóstico audiológico Reabilitação auditiva Aparelhos auditivos e implante coclear Audiologia infantil, educacional, ocupacional e clínica Exemplo: Avaliar uma perda auditiva, identificar o tipo (condutiva, neurossensorial, mista) e planejar intervenção. 4 MÓDULO I Acústica Física O Domínio do Estímulo 5 Natureza Física do Som Onda Mecânica Vibração que se propaga através de um meio material Compressão e Rarefação Zonas alternadas de alta e baixa pressão Energia Mecânica Essencial para condução aérea e óssea 6 Movimento Harmônico Simples Conceito Partículas oscilam em torno da posição de equilíbrio sem deslocamento permanente Transmissão de energia por longas distâncias Aplicação Clínica Cerume impactado Perfuração timpânica Otite média Disfunção tubária 7 Parâmetros da Onda Sonora Frequência Determina a percepção de pitch (altura tonal) Amplitude Relacionada à intensidade sonora percebida Comprimento de Onda Inversamente proporcional à frequência 8 Comprimento de Onda λ = v / f Sons Graves Maior comprimento de onda, contornam obstáculos facilmente Sons Agudos Menor comprimento de onda, atenuados por barreiras 9 Impedância Acústica Ar Velocidade menor Líquidos Velocidade maior Orelha Média Transformador de impedância Alterações clínicas: otosclerose, efusão na orelha média, timpanosclerose 10 Escala Logarítmica: Decibel Representa a ampla faixa de pressões sonoras que o ouvido humano detecta dB NPS Nível de Pressão Sonora (20 μPa) dB NA Nível de Audição (audiometria) dB NS Nível de Sensação (individual) 11 12 MÓDULO II Anatomofisiologia da Audição A Transdução do Som 13 Orelha Externa Função Captação, direcionamento e modificação do som Ressonância Ganho natural entre 2.000-4.000 Hz Região fundamental para inteligibilidade da fala Alterações Clínicas Cerume impactado Otite externa Estenose do conduto Resultado: perda condutiva leve a moderada 14 Orelha Média Transformador de Impedância 01 Diferença de Área Membrana timpânica vs. janela oval 02 Efeito de Alavanca Cadeia ossicular amplifica a força 03 Propriedades Biomecânicas Membrana timpânica otimiza transmissão 15 Alterações da Orelha Média Otite Média com Efusão Líquido na cavidade timpânica reduz transmissão Disfunção Tubária Pressão inadequada afeta mobilidade Otosclerose Fixação do estribo compromete condução Detecção: imitanciometria 16 Cóclea Transdução Mecanoelétrica Estrutura Espiralada Perilinfa e Endolinfa Órgão de Corti Transdução Sensorial 17 Teoria da Onda Viajante von Békésy A vibração da membrana basilar se propaga ao longo da cóclea, atingindo um ponto de máxima amplitude específico para cada frequência 1 Base Frequências agudas 2 Meio Frequências médias 3 Ápice Frequências graves Resultado: Tonotopia coclear 18 Células Ciliadas Externas Função Amplificação coclear ativa via proteína prestina Eletromotilidade amplifica sons de baixa intensidade Aumenta seletividade de frequência Disfunção das CCE Elevação dos limiares Redução da seletividade Dificuldade no ruído Ausência de EOA 19 Células Ciliadas Internas Transdução Sensorial Convertem vibração mecânica em potenciais elétricos Transmissão Neural Enviam sinais ao nervo auditivo 20 Codificação Neural Frequência Padrões de disparo neural específicos Intensidade Taxa e número de neurônios ativados Tempo Sincronização temporal dos disparos Codificação preservada até o córtex auditivo 21 22 MÓDULO III Psicoacústica Percepção Auditiva A relação entre propriedades físicas do som e experiência perceptiva subjetiva 23 Por Que Psicoacústica? 1 Além da Detecção Audiogramas semelhantes, desempenhos diferentes 2 Fundamento Clínico Interpreta testes supraliminares e percepção da fala 3 Decisão Terapêutica Orienta adaptação de dispositivos auditivos 24 Faixas Críticas Fletcher, Zwicker e Moore A cóclea funciona como banco de filtros sobrepostos. Cada região responde a um intervalo limitado de frequências Mesma Faixa Crítica Sons competem durante processamento Faixas Distintas Sons percebidos independentemente 25 Resolução Espectral Normo-ouvintes Faixas críticas estreitas Boa discriminação de frequências Perda Coclear Alargamento das faixas críticas Menor seletividade Maior confusão perceptiva Disfunção das células ciliadas externas causa alargamento das faixas críticas 26 Mascaramento Psicoacústico Um som dificulta ou impede a percepção de outro som 01 Proximidade Espectral Sons na mesma faixa crítica competem 02 Intensidade Som mais forte mascara o mais fraco 03 Tempo Mascaramento simultâneo e temporal 27 Mascaramento na Perda Auditiva Espalhamento da Excitação Vibração menos localizada na membrana basilar Sobreposição Neural Regiões adjacentes são ativadas Queixa Clínica Dificuldade no ruído, mesmo com limiares preservados 28 Percepção de Intensidade Loudness Resposta não linear do sistema auditivo Curvas de Isofonia Fletcher, Munson e ISO 226 Maior Sensibilidade Frequências médias (3-4 kHz) Menor Sensibilidade Graves e agudos extremos 29 Unidades de Loudness Phon Nível de loudness relativo Sone Crescimento perceptivo da intensidade Duplicação da sensação perceptiva Aplicação clínica: tolerância reduzida, desconforto auditivo, compressão na amplificação 30 Recrutamento Crescimento Anormal de Loudness Característica Sons fracos pouco audíveis Sons moderados rapidamente desconfortáveis Faixa dinâmica reduzida Fisiopatologia Disfunção das células ciliadas externas Perda da amplificação coclear ativa Impacto: exige compressão não linear em aparelhos auditivos 31 Percepção de Frequência Pitch Sensação de Altura Tonal Relacionada à frequência física do estímulo Escala Mel Relação não linear entre frequência e pitch Percepção da Fala Contrastes fonéticos, entonação, prosódia 32 Integração Psicoacústica Audiometria Supraliminar Logoaudiometria Percepção da Fala Reabilitação Transforma dados audiológicos em decisões clínicas fundamentadas 33 MÓDULO IV Avaliação Audiológica Métodos e Integração Do estímulo sonoro ao raciocínio diagnóstico 34 Processo de Avaliação Acústica Anatomofisiologia Psicoacústica Raciocínio Clínico Integração de conhecimentos para compreender detecção, percepção e interpretação dos sons 35 Audiometria Tonal Liminar Avaliação da Detecção Sonora Objetivo Limiar mínimo de audibilidade para tons puros Método Hughson-Westlake (descendente-ascendente) Resultado Diferenciação: condutiva, sensorioneural, mista Avalia capacidade de ouvir sons simples, não reflete funcionalidade comunicativa 36 Logoaudiometria Avaliação da Percepção da Fala Objetivos Limiar de reconhecimento(SRT/LRF) Índice percentual de reconhecimento Diferencial Estímulo complexo, dinâmico e redundante Reflete dificuldades comunicativas reais 37 Fatores Psicoacústicos na Fala Mascaramento Competição entre sons Seletividade de Frequência Discriminação espectral Faixas Críticas Integridade do processamento Limiares tonais semelhantes podem gerar desempenhos logoaudiométricos distintos 38 Imitanciometria Avaliação Objetiva da Orelha Média 01 Timpanometria Complacência do sistema tímpano-ossicular 02 Curvas Timpanométricas Tipos refletem condições específicas 03 Reflexos Acústicos Integridade do arco reflexo estapediano 39 Reflexos Acústicos 1 Orelha Média 2 Nervo Auditivo 3 Tronco Encefálico 4 Nervo Facial Presença ou ausência auxilia na diferenciação entre perdas cocleares, retrococleares e condutivas 40 Integração dos Achados Raciocínio Diagnóstico Tipo de Perda Condutiva, sensorioneural, mista Grau da Perda Leve, moderada, severa, profunda Localização Orelha externa, média, cóclea, retrococlear Impacto Funcional Comunicação e qualidade de vida 41 Nenhum Exame Isolado Audiometria Tonal Logoaudiometria Imitanciometria Emissões Otoacústicas Potenciais Evocados Integração essencial para diagnóstico completo 42 Estratégias de Amplificação Escolha do Tipo Baseada em características audiológicas Programação do Ganho Ajuste individualizado por frequência Compressão Acomoda faixa dinâmica reduzida 43 Reabilitação Auditiva Treinamento Auditivo Explora plasticidade neural do sistema auditivo Discriminação Aprimora distinção entre sons Percepção no Ruído Utilização eficiente de pistas acústicas 44 Exercícios Estruturados 1 Detecção Presença ou ausência de som 2 Discriminação Diferenças entre sons 3 Identificação Reconhecimento de sons específicos 4 Compreensão Significado em contexto 45 Prática Baseada em Evidências 1 Preferências do Paciente 2 Experiência Clínica 3 Conhecimento Teórico 4 Evidências Científicas 46 Papel do Fonoaudiólogo Integração Dados audiológicos e necessidades comunicativas Aspectos Múltiplos Biológicos, psicológicos e sociais Atuação Crítica, ética e eficaz 47 Domínio dos Métodos Avaliação Completa Múltiplos exames integrados Interpretação Correta Fundamentada em conhecimento teórico Intervenção Eficaz Impacto na qualidade de vida 48 Síntese dos Módulos Acústica Física Estímulo sonoro Anatomofisiologia Transdução mecanoelétrica Psicoacústica Percepção subjetiva Avaliação Clínica Diagnóstico e intervenção 49 Audiologia Da Física à Clínica Integrando conhecimento teórico, evidências científicas e prática clínica para promover saúde auditiva e comunicativa 50 51 52 image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.svg image7.png image8.svg image9.png image10.svg image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.svg image18.png image19.svg image20.png image21.svg image22.png image23.png image24.png image25.png image33.png image34.svg image35.png image36.png image37.svg image26.png image27.png image28.svg image29.png image30.png image31.svg image32.png image38.png image39.png image40.png image41.svg image42.png image43.svg image44.png image45.svg image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.svg image55.png image56.svg image57.png image58.svg image59.png image60.svg image61.png image62.svg image63.png image64.png image65.png image66.png image67.png image68.png image76.png image77.svg image78.png image79.png image80.svg image69.png image70.png image71.svg image72.png image73.png image74.svg image75.png image81.png image82.svg image83.png image84.svg image85.png image86.svg image87.png image88.png image96.png image97.svg image98.png image99.png image100.svg image101.png image102.png image103.svg image89.png image90.png image91.svg image92.png image93.png image94.svg image95.png image104.png image105.svg image106.png image107.svg image108.png image109.svg image110.png image111.svg image112.png image113.svg image114.png image115.svg image116.png image117.png image118.png image119.png image120.png image121.png image122.png image123.png image124.png image132.svg image125.png image126.svg image127.png image128.svg image129.png image130.svg image131.png image133.png image134.png image135.png