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Gestão de processos de qualidade Apresentação Todos os conceitos da qualidade permeiam em atender aos requisitos dos clientes. Consequentemente, a organização deve compreender as suas necessidades. No entanto, as empresas não devem apenas atender a essas necessidades, mas também tentar superar as suas expectativas. A gestão da qualidade e de processos é considerada, hoje, um dos fatores mais importantes para as empresas que querem sobreviver em um cenário de competição agressiva, mercados globalizados e evolução tecnológica contínua. Na situação atual do mercado, as empresas estão cada vez mais competitivas, induzindo a busca por ferramentas de gestão interna, a fim de otimizar os processos, agregar mais valor às organizações e controlar os recursos e os custos. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os conceitos e os programas de gestão da qualidade. Além disso, vai saber quais são as principais ferramentas utilizadas para a gestão da qualidade e de processos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de gestão da qualidade.• Analisar a gestão da qualidade e de processos.• Identificar as principais ferramentas para gestão da qualidade e de processos.• Infográfico O ciclo PDCA (do inglês plan, do, check, act) propicia a melhoria contínua, pois é sistematicamente praticada a revisão do projeto do processo, de forma a melhorá-lo continuamente. Neste Infográfico, você vai visualizar os princípios da ferramenta PDCA. Confira! Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9ee62ada-ce33-43b0-b175-81d8ad5a6bb4/d1749b18-fa32-48d6-9685-64d94fd40852.jpg Conteúdo do livro A busca pela qualidade tem sido uma forma de as empresas se manterem no mercado, aumentando a credibilidade de seus produtos e conquistando os consumidores. Os programas de gestão de qualidade devem estar focados no cliente, nas suas necessidades e nas expectativas em relação a um determinado produto e/ou serviço. Nesse sentido, a gestão de processos, se bem conduzida, pode levar a organização a alcançar elevados patamares de produtividade e eficácia. Para garantir a gestão da qualidade e dos processos, as empresas fazem uso de algumas ferramentas que, de forma objetiva, ajudam a estabelecer melhorias de qualidade. Acompanhe a leitura do capítulo Gestão de processos de qualidade, da obra Controle e qualidade dos alimentos, que serve como base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura! Conteúdo: CONTROLE E QUALIDADE DOS ALIMENTOS Fernanda de Mello Luciana Gibbert Gestão de processos de qualidade Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de gestão da qualidade. Veri� car a gestão da qualidade e dos processos. Identi� car as principais ferramentas para a gestão da qualidade e dos processos. Introdução Todos os conceitos de qualidade permeiam em atender os requisitos dos clientes, consequentemente, a organização deve compreender as suas necessidades. No entanto, as empresas não devem se ater apenas a atender essas necessidades, elas devem tentar superar as suas expectativas quando possível. A gestão da qualidade e dos processos é considerada, hoje, como um dos fatores importantes para as empresas que querem sobreviver em um cenário de competição agressiva, de mercados globalizados e com evolução tecnológica contínua. Na situação atual do mercado, as empresas estão cada vez mais com- petitivas, induzindo a busca por ferramentas de gestão interna, a fim de otimizar os processos, agregar mais valor a organizações e controlar os recursos e custos. Neste capítulo, você vai conhecer o conceito de gestão da qualidade, compreender a gestão da qualidade e dos processos e analisar as princi- pais ferramentas utilizadas para a gestão da qualidade e dos processos. U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 172 10/10/2017 10:15:02 Gestão da qualidade A palavra qualidade vem do latim qualitate. Os principais autores sobre o tema, como Deming, Crosby, Juran e Feigenbaun, procuraram defi ni-la de acordo com uma série de princípios, os quais devem ser adequados para a implantação da qualidade nas organizações. A norma brasileira ABNT NBR ISO 9000 define qualidade como “grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos” (ASSOCIA- ÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000a). A qualidade de um produto ou serviço pode ser mensurada quando esta atende às necessidades de seus clientes de forma agradável. Além disso, as pessoas têm visões diferentes no momento de comprar um produto ou de desfrutar de um serviço, pois se basearão naquilo que aprenderam, nas suas expectativas e também em suas necessidades, que poderão ser distintas. Conforme Falconi (1992), a garantia da qualidade é uma função da empresa que tem como finalidade confirmar que todas as atividades da qualidade estão sendo conduzidas da forma requerida. Portanto, a garantia da qualidade é a embaixatriz do cliente na empresa e é a função que visa a confirmar que todas as ações necessárias para o atendimento das necessidades dos clientes estão sendo conduzidas de forma completa e melhor que o concorrente. Garvin (2002) afirma que a gestão de qualidade surgiu em meados da década de 1950, quando o mundo sentiu a necessidade da melhora de seus elementos em todos os âmbitos. Com o passar dos anos, vieram as produções em massa, e as indústrias cresceram e perceberam que o nível de exigência dos consumidores aumentou. Por isso, houve uma reorientação das organizações com fundamento na resolução dos problemas e na busca pela perfeição. O conceito de gestão da qualidade foi evoluindo com o passar do tempo, conforme as pessoas se tornaram mais exigentes em suas avaliações. A gestão da qualidade é uma gerência focada na qualidade da produção e dos serviços de determinada empresa. 173Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 173 10/10/2017 10:15:02 Gestão da qualidade é uma forma de gestão que começa com o comprometimento da alta direção da organização, atinge e requer a participação de todos os seus com- ponentes, utiliza o conhecimento e o aprimoramento contínuo dos processos de trabalho, incentiva e aplica o trabalho em equipe, de forma a atender cada vez melhor e até exceder aos anseios, às exigências e às expectativas dos clientes, observando sempre as ações da concorrência e do mercado. Segundo Falconi (1992), como é praticamente impossível que cada processo da empresa tenha contato direto com o consumidor final para saber de suas necessidades, as empresas normalmente dispõem de uma organização interna que realiza o planejamento da qualidade. No planejamento da qualidade são definidas as características da qualidade que serão agregadas ao produto ou ao serviço em cada processo interno, de forma a garantir a satisfação das necessidades do consumidor. Em cada processo, as características da qualidade do produto ou do serviço que lhe são designadas são transformadas em itens de controle e gerenciadas. Portanto, Falconi (1992) afirma que o planejamento da qualidade consiste no desenvolvimento de produtos e de processos necessários ao objetivo de se obter a satisfação das necessidades do consumidor. O planejamento da qualidade consta nos seguintes estágios: a) identificação dos clientes; b) determinação das necessidades desses clientes; c) tradução dessas necessidades numa linguagem da empresa; d) desenvolvimento de um produto que satisfaça essas necessidades; e) otimização das características do produto de forma que atenda, simul- taneamente, às necessidades da empresa e do consumidor. A finalidade da gestão de qualidade, inicialmente, é melhorar os resultados das organizações, tornar os processos mais eficientese proporcionar o bem- -estar dos trabalhadores. Ressalta-se que são contínuos os aprimoramentos dos programas de qualidade, pois as novas demandas, não importando as origens, exigem dinâmica na melhoria constante. Gestão de processos de qualidade 174 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 174 10/10/2017 10:15:02 Os oito princípios do sistema de gestão da qualidade, segundo Carpinetti (2012), são: 1. Foco no cliente – As entradas do sistema são os requisitos do cliente, e a saída é sua satisfação. Ou seja, como defende a ABNT NBR ISO 9001, o cliente é a razão de ser de uma organização. Isso evidencia a importância de se antecipar as necessidades do cliente, não apenas a fim de atendê-lo, mas também para encantá-lo. Somente assim será possível sua fidelidade (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000b). 2. Liderança – Para que uma organização atue efetivamente com qualidade, o sistema de gestão da qualidade recomenda uma liderança sólida, capaz de acompanhar o mercado em que atua. É necessário, ainda, que a instituição forneça aos seus liderados, não apenas diretrizes, como também insumos para que sejam capazes de executar os processos nos quais estão envolvidos. 3. Envolvimento das pessoas – De acordo com o sistema de gestão da qualidade, a equipe de colaboradores de uma organização é o seu recurso mais valioso. O envolvimento direto desses colaboradores no sistema de gestão da qualidade é de vital importância. Isso porque seu sucesso dependerá do fato de seus colaboradores estarem conscientes sobre a importância e sobre o objetivo de sua atuação, bem como dos objetivos estratégicos da organização (CARPINETTI, 2012). 4. Abordagem de processo – Esse princípio toma como foco a relação entre os colaboradores e os processos de uma organização. Ele tam- bém aborda as entradas e as saídas de um processo e o fornecimento dos recursos necessários para que apresentem um bom desempenho (CARPINETTI, 2012). 5. Abordagem sistêmica para a gestão – Essa abordagem sugere que os processos de uma organização sejam vistos como um sistema, no qual as partes não apenas irão compor o todo, mas também interagir entre si. A partir dessa visão, seus processos poderão ser alinhados e mensurados. 6. Melhoria contínua – Esse ponto ressalta o conhecimento que a equipe de colaboradores adquire sobre como um processo deve ser feito e quão bem deve ser feito. A partir daí, poderão ser identificadas formas para melhorar, tanto o sistema em si, como cada um dos processos de uma organização. De acordo com a ABNT NBR 9000, a definição de melhoria contínua é “atividade recorrente para aumentar a capacidade de atender requisitos”. Cultura de inovação é a promoção de um ambiente 175Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 175 10/10/2017 10:15:02 favorável à criatividade, à experimentação e à implementação de novas ideias que possam gerar um diferencial competitivo para a organização. 7. Abordagem factual para tomada de decisões – Esse princípio afirma que as informações obtidas a partir dos indicadores, das auditorias internas e das análises críticas que compõem o sistema de gestão da qualidade permitem à liderança da organização mapear as oportunidades e os desafios do negócio, a fim de tomar decisões no sentido de melhorar seu desempenho e a qualidade dos produtos e/ou serviços que oferece (CARPINETTI, 2012). 8. Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores – Por meio desse enfoque, calcado na política do ganha-ganha, os colaboradores e os fornecedores são tratados como parceiros. Apenas assim é possível obter o compromisso da equipe com prazos, preços e com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. Afinal, nessa visão, todos saem beneficiados. Adams (1997) afirma que, com o sistema de gestão da qualidade implan- tado em uma organização, passa a ser demonstrada a capacidade de fornecer produtos que atendam aos requisitos do cliente, aumentando a satisfação deste por meio da melhoria continuada do sistema. Portanto, a gestão da qualidade é um instrumento que auxilia as empresas na adequação de seus processos desde o planejamento até a operação e a análise dos resultados (FALCONI, 1992). Os programas de gestão da quali- dade têm seu fundamento principalmente nas normas ISO 9000. Esta norma promove a adoção de uma abordagem de processo para o desenvolvimento, a implementação e a melhoria da eficácia de um sistema de gestão da qualidade para aumentar a satisfação do cliente pelo atendimento aos requisitos deste. Gestão da qualidade e dos processos Gestão da qualidade e dos processos são considerados hoje como fatores impor- tantes para as empresas que querem sobreviver em um cenário de competição agressiva, de mercados globalizados e de evolução tecnológica contínua. Suas origens remontam ao início do século passado, quando a produção em massa e o Fordismo deram os primeiros passos em direção ao que se chamaria no futuro de gestão da qualidade e, em alguns casos mais específi cos, adminis- tração da qualidade total. Gestão de processos de qualidade 176 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 176 10/10/2017 10:15:03 Inicialmente, surgiu na Segunda Guerra Mundial, para corrigir os erros dos produtos bélicos, mas anteriormente o termo utilizado era controle de proces- sos. Com sua evolução, passou a ser denominado de garantia da qualidade, utilizando normas específicas para cada etapa. Após isso, surgiu o controle da qualidade, no início do século XX, por Frederick Taylor e por Ford. Podemos dizer que a Qualidade Total se constituiu na primeira onda da gestão de processos, tendo seu início na década de 1950, com os professores Deming e Juran, e ganhando maior força a partir das décadas de 1980 e 1990, até se tornar quase uma obrigação das empresas com a divulgação das normas ISO, série 9000, voltadas ao estabelecimento de regras para a adoção pelas empresas de um sistema de gestão da qualidade. O foco da gestão da qualidade era a padronização dos processos de trabalho e sua análise criteriosa, visando à melhoria contínua destes. Dessa forma, as mudanças se concentravam em atividades mais operacionais, com menor impacto na gestão do negócio, mas que geravam mudanças rápidas no dia a dia de algumas áreas. A segunda onda da gestão de processos ocorreu em meados da década de 1990, com os conceitos de reengenharia dos processos, disseminados, prin- cipalmente, por Tom Davemport e por Michael Hammer. Sua base estava no redesenho dos processos, a partir da análise das melhores práticas de mercado, já buscando uma visão multifuncional desses processos, isto é, o processo que passa por diversas áreas da empresa. As mudanças proporcionadas pela reengenharia tinham grande impacto no negócio e, consequentemente, exi- giam um tempo maior de implantação com riscos também maiores. Por essas razões, muitos projetos falharam, levando ao descrédito muitos trabalhos de processos em andamento. Porém, foi se consolidando cada vez mais a importância da gestão de processos como uma atividade de apoio importante para a gestão do negócio. Essa terceira onda da gestão de processos busca integrar tanto os conceitos da melhoria contínua, como os conceitos da reengenharia, fazendo com que os trabalhos de processos não sejam mais vistos como projetos pontuais de análise, mas, sim, como um programa contínuo de gestão. Nessa terceira onda, ganha força também a utilização da tecnologia como ferramenta para auxiliar no mapeamento, bem como também na execução e no monitoramento do desempenho dos processos. Entende-se por processo a sequência de acontecimentos interligados que estão relacionados entre si, que em cada etapa consumem recursos vários para converter uma ou mais matérias-primas em um elemento final, e gestão de processos como uma abordagem disciplinar para identificar, desenhar, executar, 177Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidadedos alimentos.indd 177 10/10/2017 10:15:03 documentar, medir, monitorar, controlar e melhorar processos de negócios, automatizados ou não, para alcançar resultados consistentes e alinhados com os objetivos estratégicos de organização. Mais do que concorrentes, a gestão da qualidade e a gestão de processos são disciplinas complementares que, se bem conduzidas, podem levar a organização a alcançar elevados patamares de produtividade e eficácia. Em alguns casos, as duas disciplinas têm sido gerenciadas como uma atividade única, uma vez que ambas têm o mesmo objetivo: a melhoria da performance empresarial a partir da melhoria de seus processos, tornando a administração dos negócios mais transparente e auxiliando na tomada de decisão e gestão corporativa. Como se vê, tanto os trabalhos de gestão da qualidade como de gestão de processos convergem para uma mesma maneira de se olhar, analisar e controlar os processos da empresa. O que muda são apenas as características do trabalho: escopo do processo, metodologias, ferramentas de análise e mapeamento, tecnologia utilizada, etc. Porém, embora com objetivos semelhantes, os programas de qualidade e de processos ainda são conduzidos separadamente nas empresas, estando a qualidade total, normalmente, sob responsabilidade da área da qualidade ou de recursos humanos e a gestão por processos sob a responsabilidade da manufatura ou mesmo da área de tecnologia da informação. Essa situação nos leva, muitas vezes, a nos depararmos com situações em que o mesmo processo está sendo analisado tanto pela área de qualidade, quanto de processos, envolvendo os mesmos usuários. A tendência é que ambas as iniciativas sejam geridas de forma unificada na empresa. Com isso, é possível fazer uma gestão com a visão de todo o portfólio de processos, o que possibilita a definição de quais processos precisam ser analisados e de que forma, o que pode envolver projetos como, por exemplo: trabalhos de melhoria contínua visando a eliminar retrabalhos e gargalos; redefinição de processos que já não estão aderentes às estratégias do negócio; automação de processos na busca por maior agilidade e produtividade. Implantando os programas de qualidade e de processos com compro- metimento e foco nos resultados desejados, mais do que ter sua operação sob controle, será possível às organizações alcançarem novos patamares de excelência e a tão desejada satisfação de seus clientes. Gestão de processos de qualidade 178 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 178 10/10/2017 10:15:03 Ferramentas para gestão da qualidade e dos processos As ferramentas da qualidade são utilizadas para defi nir, mensurar, analisar e propor soluções aos problemas identifi cados que interferem no desempenho dos processos organizacionais, além de ajudar a estabelecer melhorias de qualidade. Surgiram na década de 1950, com base nos conceitos e nas práticas existentes naquela época e, a partir daí, vêm sendo utilizadas nos sistemas de gestão por meio de modelos estatísticos que auxiliam na melhoria dos serviços e dos processos. Ciclo PDCA Walter Andrew Sherwart, físico, engenheiro e estatístico norte-americano, também conhecido como “pai do controle estatístico de qualidade”, iniciou estudos sobre a qualidade nas indústrias e demais locais de produção e desen- volveu o ciclo PDCA, que signifi ca plan, do, check e action: o ciclo deming da qualidade. Em termos gerais, a técnica em pesquisas significa o manejo de concei- tos relacionados, o meio pelo qual se consegue atingir resultados práticos compatíveis com o problema que se pretende solucionar e que é usado para viabilizar o método científico. No gerenciamento de um processo, não basta apenas reconhecer e identi- ficar todas as fases que o compõem, é preciso administrar os fatores (mão de obra, máquina, método, meio ambiente, medidas, materiais) que interferem nesse processo para que se tenha o controle completo sobre o resultado final. A administração dos fatores requer uma forma planejada e disciplinada que obedeça a uma sequência adequada. Isso é possível com o ciclo PDCA, que é uma metodologia de gerenciamento que pode ser utilizada em qualquer situação e por qualquer pessoa. O uso do PDCA ajuda a executar os serviços estabelecidos no planejamento. O PDCA é constituído por quatro etapas (Figura 1): 1. Planejar (plan): antes de se executar o processo, é preciso planejar as atividades, definir a meta e os métodos. 2. Implementar/executar (do): é a execução das tarefas de acordo com o que for estipulado no plano e inclui também a coleta de dados para o controle do processo. O treinamento é requisito para a execução das tarefas. 179Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 179 10/10/2017 10:15:03 3. Verificar (check): é a fase de monitoramento, medição e avaliação. Os resultados da execução são comparados ao planejamento, e os proble- mas são registrados. Se os resultados forem favoráveis, as tarefas são mantidas, se ocorrer problema, deve-se partir para a etapa 4. 4. Agir (act): fase em que se apontam soluções para os problemas encon- trados. Nessa fase há duas situações: alcance e não alcance do resultado esperado. Se o resultado foi alcançado, pode-se adotar o método de trabalho à rotina do processo. O método servirá como referência para todos da empresa. Caso o resultado não tenha alcançado as expectativas, deve-se verificar se o padrão foi obedecido, as causas do problema e em seguida adotar o ciclo PDCA novamente. Figura 1. Ciclo PDCA. Fonte: Periard (2011). Segundo Kotler (1993), o ciclo PDCA propicia a melhoria contínua. Além disso, é sistematicamente praticada a revisão do projeto do processo, de tal forma a melhorá-lo continuamente (alguns tipos de defeitos em produtos se originam do próprio projeto defeituoso do processo). Gestão de processos de qualidade 180 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 180 10/10/2017 10:15:04 Diagrama de causa e efeito Também chamado de “diagrama de espinha de peixe” ou Diagrama de Ishikawa. Foi desenvolvido em 1943 pelo Dr. Karou Ishikawa, um engenheiro químico da Tokyo Universtiy (Figura 2). O diagrama foi desenvolvido com o objetivo de representar a relação entre um efeito e suas possíveis causas. Essa técnica é utilizada para descobrir, organizar e resumir conhecimento de um grupo a respeito das possíveis causas que contribuem para um determinado efeito. Um dos méritos dessa ferramenta é sua capacidade de trabalhar com diversos pontos de vista, compartilhando o conhecimento comum sobre o problema e incentivando que os membros da equipe visualizem o sintoma e as possíveis causas de um problema como parte de todo um sistema (induz ao pensamento sistêmico). Para elaborar o Diagrama de Ishikawa, definiu-se as chamadas causas principais de qualquer problema, que também são chamadas de 6 Ms: métodos, máquinas, materiais, mão de obra, meio ambiente e medida. Métodos: o primeiro M está relacionado aos métodos utilizados para a realização da atividade. Seriam padrões, procedimentos, instrução, etc., todo documento que norteia a ação do executor. Em alguns casos, não existe um documento formal para a realização de uma determinada atividade, mas, sim, um costume operacional que passa pelas diferentes gerações de colaboradores da empresa, que pode ser considerado como um método de trabalho. Máquinas: estão relacionadas às falhas em equipamentos. Máquinas que realizam a determinada atividade de produzir algo, mas que, por motivos operacionais ou de manutenção, não cumprem parcial ou in- tegralmente sua função, comprometendo a qualidade ou colapsando todo o processo. Materiais: quando existe a interferência dos materiais ou da matéria- -prima utilizada no processo. Normalmente, está ligada aos fornece- dores, por isso, muito cuidado ao associar as possíveis causas a este M, em muitos casos é preciso uma análise bem detalhada e aprofundadapara essa determinação. Mão de obra: está relacionada diretamente à capacitação, à motivação ou até mesmo à pressão exercida sobre o colaborador por resultados. O primeiro quando não existe ou há falha no treinamento realizado para a execução da tarefa, o segundo quando o colaborador se sente desestimulado na empresa e deixa de realizar a tarefa ou a realiza 181Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 181 10/10/2017 10:15:04 com a chamada má vontade e o terceiro quando ele descumpre um padrão ou procedimento para tentar agilizar o processo, pulando etapas que aparentemente, na sua percepção, seriam desnecessárias ou até mesmo quando se propõe a realizar uma atividade que não seria de sua responsabilidade. Meio ambiente: esse M está relacionado a duas condições básicas para a execução de qualquer tarefa: o meio ambiente em si, que seria a situação climática do ambiente (calor, umidade, particulados em suspensão, etc.), e o ambiente de trabalho, a chamada ergonomia (dimensionamento das áreas e postos de trabalho, posicionamento dos equipamentos, etc.). Medida: quando a causa está relacionada aos instrumentos de medição das condições operacionais padrão, à credibilidade de suas informações, à calibração, à confiabilidade e à fidelidade da variação dos indica- dores, ao acompanhamento destes, à periodicidade e à repetibilidade dos resultados, etc. Uma das grandes vantagens do diagrama está no fato de este fornecer uma conexão visual entre o efeito observado (disposto no lado direito do diagrama) e todos os possíveis fatores que contribuem para ele (dispostos à esquerda) (Figura 2). As espinhas principais representam as causas primárias (macrocausas) do problema e as ramificações dessas espinhas representam as causas secundárias ou oriundas de processos anteriores. A ideia é que, no final da espinha, cheguemos às microcausas reais e específicas do que está causando aquele efeito. Figura 2. Diagrama de causa e efeito. Causa Efeito Problema Material Método Máquina Mão de obra Medição Ambiente Gestão de processos de qualidade 182 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 182 10/10/2017 10:15:05 Para a construção do diagrama, são necessárias quatro etapas: 1. definir o problema ou o tema que será abordado no diagrama e o objetivo, mas evitando usar termos muito abstratos ou genéricos; 2. reunir informações sobre o problema ou sobre o tema abordado; 3. selecionar um grupo (de pessoas que estejam relacionadas ao problema/ tema) para ajudar na elaboração do diagrama, apresentando os fatos e discutindo o problema/tema (brainstorming); 4. organizar todas as informações em poucas palavras, estabelecer as cau- sas principais ao eliminar o que for desnecessário e montar o diagrama. O Diagrama de Ishikawa apresenta visual e graficamente as causas po- tenciais dos problemas ocorridos e seus efeitos que impactam diretamente na qualidade do que é produzido. Essa praticidade na leitura facilita o entendi- mento do processo do ponto de vista do trabalhador da empresa. Além disso, o Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta que contribui para o aperfeiçoamento do processo, reunindo a equipe e promovendo uma bateria de discussões em torno dela. O Digrama de Ishikawa é uma ferramenta que pode ser adotada para elevar o nível de compreensão das pessoas que afetarão nas decisões tomadas para as soluções de problemas, visto que, por meio dela, é possível detalhar as causas dos problemas, até chegar numa causa raiz. 5W2H O 5W2H é um documento de forma organizada que identifi ca as ações e as responsabilidades de quem irá executar, por meio de um questionamento capaz de orientar as diversas ações que deverão ser implementadas. Deve ser estruturado para permitir uma rápida identifi cação dos elementos necessários à implantação do projeto. Consiste em mostrar, em formato de tabela, a resposta às perguntas básicas para a implementação de melhorias. Essa tabela é composta de perguntas como: what? (o quê?), em que se faz uma descrição do que está sendo implementado; why? (por quê?), quando se gera a justificativa para a implementação da ação; where? (onde?), em que é descrito o lugar onde a ação será implementada; who? (quem?), quando se especifica os responsáveis pela implementação da ação; when? (quando?), são definidas as datas de início e fim da ação; how? (como?), em que descreve como a ação será implementada; e how much? 183Gestão de processos de qualidade U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 183 10/10/2017 10:15:05 (quanto custa?), quando se os valores envolvidos são indicados (Figura 3) (CARPINETTI, 2010). Figura 3. Diagrama da ferramenta 5W2H. Fonte: Pro Lucro (2013). Essa ferramenta permite uma rápida identificação de elementos, ações, recursos e responsabilidades para a execução de um projeto por meio de res- postas a uma série de perguntas. Assim, de forma ágil e objetiva, um projeto pode ser planejado para ser posto em prática rapidamente. As ferramentas da qualidade são chamadas de básicas, pois são suficientes para pessoas com pouco treinamento formal em estatística e porque podem ser usadas para resolver a maioria dos assuntos relacionados à qualidade. Gestão de processos de qualidade 184 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 184 10/10/2017 10:15:05 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000:2000: Sistema de Gestão da Qualidade: fundamentos e vocabulário. São Paulo: ABNT, 2000a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001:2000: Sistema de Gestão da Qualidade: requisitos. São Paulo: ABNT, 2000b. ADAMS, S. Corra, o controle de qualidade vem aí!. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade conceitos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012. FALCONI, V. TQC: Controle da Qualidade Total (no estilo Japonês). Rio de Janeiro: Bloch, 1992. GARVIN, D. A. 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Modelos de Gestão da Qualidade 2 (slides). Curitiba: SENAI; Universidade Federal do Paraná, 2004. WERKEMA, M. C. C. As ferramentas da qualidade no gerenciamento de processos. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni; Ed. UFMG, 1995. Gestão de processos de qualidade 186 U4_C10_Controle e qualidade dos alimentos.indd 188 10/10/2017 10:15:07 Conteúdo: Dica do professor Neste vídeo, você vai visualizar um exemplo de implantação da ferramenta 5W2H em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN). Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/1d41ac96c9fed08ac06b2d02048c9274 Na prática No gerenciamento de um processo, não basta apenas reconhecer e identificar todas as fases que o compõem; é preciso administrar os fatores (mão de obra, máquina, método, meio ambiente, medidas, materiais) que interferem nesse processo, para que se tenha o controle completo sobre o resultado final. A administração dos fatores requer uma forma planejada, disciplinada, que obedeça a uma sequência adequada. Isso é possível com o ciclo PDCA, que é uma metodologia de gerenciamento que pode ser utilizada em qualquer situação e por qualquer pessoa. A análise microbiológica realizada em um queijo, produzido por um laticínio, identificou uma contagem muito alta de Escherichia coli no produto, com níveis acima dos permitidos pela legislação. Eduardo, nutricionista que trabalha no controle de qualidade do laticínio, aplicou o ciclo PDCA, a fim de identificar a causa da contaminação e levantar possíveis soluções para o controle microbiológico do produto. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!