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PROVA MODULAR 🧠 Exame Neurológico Avalia a integridade funcional do sistema nervoso central e periférico. É composto por várias etapas, que devem ser realizadas de forma sistemática e comparativa (lado direito x esquerdo). 🩺 1. Nível de consciência e estado mental Avalia o funcionamento cortical e do sistema reticular ativador (tronco encefálico). 🔹 Estado de Consciência • Vigil: desperto, responde adequadamente. • Sonolento: desperta com estímulos leves. • Obnubilado: desperta com estímulo vigoroso. • Torporoso: resposta lenta e confusa. • Comatoso: sem resposta a estímulos. 🔹 Orientação • Perguntar nome, local e data → desorientação indica comprometimento cortical difuso. 🔹 Memória • Imediata (repetição de números/palavras). • Recente (lembrar fatos do dia). • Remota (fatos antigos). 🔹 Linguagem • Afasia de Broca: fala difícil, compreensão preservada → lesão frontal inferior. • Afasia de Wernicke: fala fluente, sem sentido → lesão temporal superior. 🔹 Atenção e Cálculo • Testes simples (contar regressivamente, soletrar). Alterações → lesões difusas ou frontais. 👀 2. Pares cranianos (I a XII) Nervo Função Como testar Alterações típicas I – Olfatório Olfato Testar odores familiares Perda: trauma, COVID, tumor de base frontal II – Óptico Visão Acuidade visual, campo visual, fundoscopi a Amaurose, hemianopsias, papiledema III, IV, VI – Oculomoto res Movimentos oculares Seguir o dedo em “H”; reflexo pupilar Diplopia, ptose, midríase V – Trigêmeo Sensibilidade da face e mastigação Toque em 3 regiões; contração masseter Hipoestesia, dor (neuralgia) VII – Facial Expressão facial e gustação Fechar olhos, sorrir, mostrar dentes Paralisia central/perif érica VIII – Vestibuloc oclear Audição e equilíbrio Teste de Weber/Ri nne Surdez, vertigem IX e X – Glossofarí ngeo e Vago Deglutição, reflexo do vômito, voz Dizer “ah”, observar úvula Disfagia, disfonia, desvio da úvula XI – Acessório Movimento do trapézio e esternocleid omastoideo Elevar ombros, girar cabeça contra resistênci a Fraqueza desses músculos XII – Hipoglosso Movimentos da língua Protrair a língua Desvio para o lado da lesão periférica 💪 3. Função motora 🔹 Força Muscular Avaliar comparativamente (escala de 0 a 5): Grau Descrição 0 Nenhuma contração 1 Contração sem movimento 2 Movimento sem vencer a gravidade 3 Movimento contra a gravidade 4 Movimento contra resistência parcial 5 Força normal ➡ Fraqueza (paresia) → lesão do trato corticoespinhal, nervos ou músculos. ➡ Padrão piramidal (motoneurônio superior): espasticidade, hiperreflexia, Babinski positivo. ➡ Padrão periférico (motoneurônio inferior): hipotonia, arreflexia, atrofia, fasciculações. 🔹 Tônus Muscular • Normal – resistência leve. • Hipotonia – flacidez (lesão cerebelar ou LM inferior). • Hipertonia espástica – resistência em “canivete” (lesão piramidal). • Rigidez plástica – resistência constante (parkinsonismo). 🔹 Trofismo • Observar atrofia muscular, especialmente em mãos, pernas e face → lesão periférica. 🧭 4. Coordenação e equilíbrio (Provas Cerebelares) Avaliam o cerebelo e vias proprioceptivas. Teste Achado normal Alteração e significado Dedo-nariz / Calcanhar- joelho Movimento preciso Dismetria → lesão cerebelar Movimentos alternados rápidos Rítmicos Disdiadococinesia → cerebelo Prova de Romberg Equilíbrio mesmo de olhos fechados Instabilidade → via proprioceptiva (cordões posteriores) Marcha em linha reta Estável Marcha atáxica → cerebelo/vermis 🚶 5. Marcha Tipo Características Local da lesão Hemiparética (ceifante) Membro inferior rígido e circundante Trato corticoespinhal Espástica (em tesoura) Membros cruzados, rigidez Paralisia cerebral / medular Atáxica Base alargada, instável Cerebelo Parkinsoniana Passos curtos, lentos, sem balanço Gânglios da base Sensitiva Pés “batendo” no chão Cordões posteriores 🪞 6. Reflexos 🔹 Reflexos Profundos (miotáticos) Reflexo Segmento medular Achado anormal Significado Bicipital C5–C6 Hipo ou hiperreflexia LM inferior / superior Tricipital C7–C8 Hipo ou hiperreflexia 〃 Patelar L3–L4 Hipo ou hiperreflexia 〃 Aquileu S1 Hipo ou hiperreflexia 〃 🔹 Reflexos Superficiais • Cutâneo-abdominal, corneano, cremasteriano → abolidos em LM superior. • Plantar (Babinski): o Flexão normal dos dedos. o Extensão (Babinski +) = lesão piramidal. 🔹 Reflexos Patológicos • Hoffman, Clônus → lesão piramidal. ⚡ 7. Sensibilidade Avalia as vias espinotalâmica (dor, temperatura) e lemnisco medial (tato fino, vibração, propriocepção). Tipo de sensibilidade Como testar Alteração → Local da lesão Tato leve Algodão Hemicorpo contralateral (tálamo, córtex) Dor Agulha Via espinotalâmica Temperatura Tubo com água quente/fria Espinotalâmica Vibração Diapasão (ossos) Cordões posteriores Propriocepção Movimento do dedo Cordões posteriores Discriminação Identificar dois pontos Lobo parietal (área sensitiva primária) 🧩 Distribuições típicas: • Dermatômica: raiz nervosa. • Glove and stocking: neuropatia periférica. • Hemicorpo: lesão cerebral contralateral. • Um membro isolado: lesão periférica. 🧮 8. Funções superiores corticais Função Teste Lesão provável Praxis (execução de gestos) Pedir gestos simples (pentear cabelo) Lobo parietal dominante Gnosia (reconhecimento) Reconhecer objetos pelo tato Lobo parietal Cálculo / escrita / leitura Testes simples Lobo parietal dominante Atenção / julgamento Testes de concentração Lobo frontal 👁🗨 9. Sinais de localização (resumo final) Local anatômico Achados clínicos típicos Córtex motor Hemiparesia contralateral, reflexos ↑, Babinski + Cápsula interna Hemiplegia proporcional contralateral Tronco encefálico Déficit motor + nervo craniano ipsilateral Cerebelo Ataxia, tremor de intenção, dismetria Medula espinhal Paraparesia, nível sensitivo, alterações esfincterianas Gânglios da base Rigidez, bradicinesia, tremor de repouso Nervo periférico Fraqueza localizada, atrofia, arreflexia Córtex parietal Alterações sensitivas complexas (gnosia, propriocepção) 📋 Resumo Express • Exame neurológico o Consciência e funções mentais o Nervos cranianos o Função motora o Coordenação e equilíbrio o Marcha o Reflexos o Sensibilidade o Funções corticais 🧠 Cefaleia Primária – Migrânea (Enxaqueca) 🎯 1. Conceito e Fisiopatologia A migrânea (ou enxaqueca) é uma cefaleia primária — ou seja, não há uma causa estrutural. É uma doença neurovascular crônica e recorrente, caracterizada por crises de dor intensa, pulsátil, geralmente unilateral, associadas a náuseas, fotofobia e fonofobia. 🔬 Fisiopatologia • Envolve disfunção do sistema trigeminovascular → liberação de substâncias vasoativas (como serotonina e CGRP) → vasodilatação e inflamação neurogênica. • Há hiperexcitabilidade cortical, com ativação de áreas específicas do tronco encefálico. • Fatores genéticos, hormonais e ambientais desencadeiam as crises. ⚡ 2. Fatores Desencadeantes (Gatilhos) • Estresse ou relaxamento pós-estresse • Jejum prolongado • Privação ou excesso de sono • Ciclo menstrual • Certos alimentos (chocolate, queijos, vinho, cafeína em excesso) • Mudanças climáticas ou odores fortes 🩺 3. Diagnóstico Clínico (critérios IHS – International Headache Society) Migrânea sem aura ✅ Pelo menos 5 crises com: 1. Duração: 4 a 72 horas (sem tratamento). 2. Características da dor (≥2): o Unilateral o Pulsátil o Intensidade moderada a forte o Piora com atividade física 3. Sintomas associados (≥1): o Náusea e/ou vômito o Fotofobiae fonofobia 4. Exame neurológico normal entre as crises. Migrânea com aura ✅ Pelo menos 2 crises com: 1. Sintomas neurológicos reversíveis (aura) — visuais, sensoriais, motores ou de linguagem. 2. Instalação gradual (em até 5 minutos) e duração 10 dias/mês) Pode causar cefaleia por abuso de analgésicos 🧘 B. Tratamento Preventivo (Profilaxia) Indicado se: • ≥3 crises/mês, • Crises incapacitantes, • Uso frequente de analgésicos, • Aura prolongada ou risco de abuso medicamentoso. Classe Fármacos Observações Betabloqueadores Propranolol, Metoprolol Primeira escolha Antidepressivos tricíclicos Amitriptilina Boa opção se insônia ou ansiedade Anticonvulsivantes Topiramato, Ácido valpróico Úteis em crises intensas e frequentes Bloqueadores de canais de cálcio Flunarizina Boa opção em mulheres com enxaqueca menstrual Toxina botulínica tipo A Em casos crônicos (≥15 dias/mês) Aplicação em pontos específicos da cabeça e pescoço 💡 Medidas gerais: sono regular, hidratação, evitar gatilhos, manter rotina alimentar. 📋 7. Resumo Rápido Característica Migrânea sem Aura Migrânea com Aura Duração 4–72h 4–72h (dor), aura Central Periférica Lado afetado Contralateral Ipsilateral Testa (fronte) Preservada Paralisada Fechamento ocular Normal Impossível Desvio da boca Para o lado oposto à lesão Para o lado oposto à lesão Lesão Trato corticonuclear Nervo facial ou núcleo facial Causas comuns AVC, tumor, esclerose múltipla Paralisia de Bell, Ramsay Hunt, trauma, infecção, tumor, neuropatias 🧠 Acidente Vascular Cerebral (AVC) O AVC é uma síndrome neurológica súbita, decorrente de uma alteração no fluxo sanguíneo cerebral, que leva à lesão isquêmica ou hemorrágica. ⚡ 1. Classificação Tipo Definição AVC Isquêmico (AVCi) Oclusão de um vaso → falta de oxigênio e glicose → morte neuronal. AVC Hemorrágico (AVCh) Ruptura de um vaso → extravasamento de sangue para o parênquima ou espaço subaracnoideo. 🚨 2. Reconhecimento clínico (Apresentação típica) Início súbito dos sintomas — minutos a horas. Sinais de alerta (mnemônico FAST): • F (Face): assimetria facial (desvio da boca). • A (Arm): fraqueza ou parestesia em um braço/perna. • S (Speech): fala arrastada, dificuldade para compreender. • T (Time): tempo é cérebro! → encaminhar imediatamente. Outros achados possíveis: • Hemiparesia ou hemiplegia contralateral à lesão. • Alteração de sensibilidade. • Disartria, afasia, hemianopsia. • Ataxia, vertigem, desequilíbrio. • Déficits súbitos focais. 🧩 3. Exame Neurológico no AVC Domínio Achados no AVC Local provável da lesão Função motora Hemiparesia/plegia contralateral, tônus espástico, reflexos ↑, Babinski + Trato corticoespinhal / cápsula interna / córtex motor Coordenação Dismetria, ataxia, disdiadococinesia (se cerebelar) Cerebelo ou vias cerebelares Marcha Dificuldade de iniciar marcha, arrasto do pé contralateral Lesão motora ou cerebelar Reflexos Hiperreflexia, sinal de Babinski positivo Motoneurônio superior Sensibilidade Hipoestesia, parestesia contralateral Tálamo ou córtex parietal Linguagem (afasia) Dificuldade de expressão (Broca) ou compreensão (Wernicke) Lobo frontal/temporal dominante (geralmente esquerdo) Campos visuais Hemianopsia homônima contralateral Trato óptico ou córtex occipital 🧭 4. Diferenciação Clínica Tipo de AVC Características principais Isquêmico Instalação súbita, déficit focal, sem rebaixamento abrupto de consciência. Hemorrágico Instalação súbita com cefaleia intensa, vômitos, rebaixamento do nível de consciência, sinais de hipertensão intracraniana. 🏥 5. Manejo Inicial – Fluxograma 🕐 A. Fase Pré-hospitalar 1. Reconhecer sinais (FAST). 2. Avaliar tempo de início dos sintomas (hora zero). 3. Encaminhar imediatamente ao hospital com suporte de AVC. 4. Manter vias aéreas, ventilação e circulação. 🏥 B. Chegada ao Pronto-Socorro PASSO 1 – ABCD • A: Vias aéreas e oxigenação (O₂ se SatO₂ 185x110 mmHg não controlada. • Uso de anticoagulante com INR > 1,7. • Plaquetas 400 mg/dL. • Cirurgia intracraniana ou trauma recente ( 94%. Controle de PA 37,5°C). Evitar corticoides! Sem benefício e aumenta complicações. Hidratação adequada Soro fisiológico (nunca glicosado). Avaliar disfagia Teste de deglutição antes de alimentar. Prevenção de trombose venosa Heparina profilática após 24–48h (se sem sangramento). Reabilitação precoce Fisioterapia, fono, terapia ocupacional. ⏳ 9. Pós-AVC – Prevenção Secundária Medida Finalidade AAS 100 mg/dia (após 24h da trombólise) Antiagregação Clopidogrel Alternativa ou associação curta Controle de PA, DM e dislipidemia Reduz recorrência Cessar tabagismo / álcool / sedentarismo Fatores modificáveis Anticoagulação oral (em FA) Prevenção de cardioembolismo 🧩 10. Resumo Visual Etapa Conduta 1. Suspeitou de AVC Avaliar FAST + tempo de início 2. Emergência ABCD, glicemia, TC sem contraste 3. Diferenciar Isquêmico (sem sangramento) x Hemorrágico 4. Janela ≤ 4h30 Trombólise IV (se critérios ok) 5. Se grande vaso ≤ 6h (até 24h selecionados) Trombectomia mecânica 6. Cuidados gerais Oxigênio, PA, glicemia, reabilitação 7. Não usar corticoide! ⚠ Sem benefício comprovado 🧠 Doença de Parkinson e Parkinsonismos 🎯 1. Conceito A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva causada pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra (pars compacta), levando à diminuição de dopamina no corpo estriado. Quando há sintomas semelhantes (rigidez, bradicinesia, tremor, instabilidade postural) mas com outra causa, chamamos de Síndromes Parkinsonianas ou Parkinsonismo secundário. ⚡ 2. Fisiopatologia resumida • Perda de neurônios dopaminérgicos → redução da dopamina → desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina → hiperatividade colinérgica. • Formação de corpúsculos de Lewy (agregados de α-sinucleína) é o marcador histológico clássico. 👁🗨 3. Quadro Clínico Típico Começa assimétrica, progredindo lentamente. 🔹 Tríade Clássica: 1. Bradicinesia (obrigatória para diagnóstico) → Lentidão e pobreza de movimentos (ex: vestir-se, abotoar camisa). 2. Rigidez muscular → Resistência ao movimento passivo, tipo “roda dentada”. 3. Tremor de repouso → Fino, rítmico, 4–6 Hz, “contar moedas”; melhora com movimento voluntário. 🔹 Outros achados: • Face em máscara, voz monótona, salivação excessiva. • Marcha em passos curtos, sem balanço dos braços, dificuldade de iniciar o movimento (marcha “em bloco”). • Instabilidade postural → quedas. • Micrografia (letra pequena). • Sintomas autonômicos (constipação, hipotensão ortostática). • Depressão e demência em estágios avançados. 🧩 4. Diagnóstico ✅ Diagnóstico Clínico (baseado na observação dos sinais): • Presença de bradicinesia + (rigidez ou tremor de repouso). • Exclusão de outras causas secundárias. • Resposta positiva à levodopa confirma o diagnóstico (teste terapêutico). 💊 5. Teste terapêutico • Utilizado quando há dúvida diagnóstica. • Administra-se Levodopa/Carbidopa e observa-se melhora significativa dos sintomas motores. • Melhora → confirma Doença de Parkinson idiopática. • Sem melhora → suspeitar de parkinsonismo secundário ou atípico. 🧠 6. Diagnósticos Diferenciais Causa Características clínicas Resposta à levodopa Doença de Parkinson (idiopática)Assimétrica, início insidioso, tremor de repouso, bradicinesia e rigidez. ✅ Boa Parkinsonismo medicamentoso Início simétrico, sem tremor típico, história de uso de neurolépticos. ❌ Não responde Parkinsonismo vascular História de AVCs, instalação em degraus, sinais piramidais (Babinski +). ❌ Fraca ou nula Atrofia de múltiplos sistemas (AMS) Disautonomia grave, ataxia, sem tremor típico. ❌ Fraca Paralisia supranuclear progressiva (PSP) Quedas precoces, olhar vertical paralisado, rigidez axial. ❌ Fraca Degeneração corticobasal Assimetria marcada, apraxia, fenômeno da mão alienígena. ❌ Fraca Demência com corpúsculos de Lewy Demência + alucinações precoces. Parcial Essencial tremor Tremor postural (não de repouso), bilateral, sem rigidez. ❌ Não responde, melhora com álcool 💊 7. Principais agentes indutores de PARKINSONISMO Medicamentos que bloqueiam dopamina ou depletam dopamina podem causar parkinsonismo secundário: Classe Exemplos Antipsicóticos típicos (bloqueadores D2) Haloperidol, Clorpromazina, Flufenazina Antipsicóticos atípicos (menos comum) Risperidona, Olanzapina Antieméticos / pró- cinéticos Metoclopramida, Domperidona Antidepressivos tricíclicos Amitriptilina (raramente) Bloqueadores de canais de cálcio Flunarizina, Cinarizina Lítio Uso prolongado Reserpina Depleta dopamina nas vesículas sinápticas 🧩 Dica de prova: Parkinsonismo medicamentoso → início simétrico, sem tremor típico de repouso, melhora após suspensão do fármaco. 💉 8. Tratamento da Doença de Parkinson Objetivo: restaurar o equilíbrio dopamina– acetilcolina e melhorar a função motora. Classe / Estratégia Fármacos Indicação / Observações Precursor de dopamina Levodopa + Carbidopa ou Benserazida Mais eficaz; melhor para idosos ou sintomas graves. Agonistas dopaminérgicos Pramipexol, Ropinirol, Rotigotina Usar em pacientes jovens ou em associação. Inibidores da MAO-B Selegilina, Rasagilina Retardam metabolismo da dopamina. Inibidores da COMT Entacapona, Tolcapona Prolongam ação da levodopa. Anticolinérgicos Biperideno, Trihexifenidil Úteis para tremor predominante (jovens). Amantadina Leve efeito dopaminérgico e anti-discinético Casos leves ou discinesia induzida por levodopa. 🧩 9. Cuidados e condutas gerais • Exercícios físicos e fisioterapia. • Terapia ocupacional e fonoaudiologia. • Apoio psicológico e tratamento da depressão. • Monitorar flutuações motoras e discinesias (ajustar dose da levodopa). • Cirurgia (estimulação cerebral profunda) em casos refratários. 📋 10. Resumo rápido de prova Item Doença de Parkinson Parkinsonismo Secundário Início Assimétrico Simétrico Tremor De repouso, 4– 6 Hz Ausente ou atípico Rigidez “Roda dentada” Presente Bradicinesia Presente Presente Resposta à levodopa Boa Ausente Causa Degeneração dopaminérgica Medicamentosa, vascular, tóxica TC/RM Normal Pode mostrar lesões vasculares Teste terapêutico Melhora → confirma Sem melhora 🖐 Tremor Essencial e Movimentos Coreicos 🫨 1. Tremor essencial 🧠 Conceito É um transtorno motor crônico e benigno, caracterizado por tremor postural e cinético (em movimento), bilateral e simétrico, geralmente envolvendo mãos, cabeça e voz. ⚙ Fisiopatologia Causa multifatorial, possivelmente hereditária (autossômica dominante). Envolve disfunção do circuito cerebelo– tálamo–córtex. 🔍 Quadro clínico Característica Tremor Essencial Tremor Parkinsoniano Tipo de tremor De ação (postural ou cinético) De repouso Localização Mãos, cabeça, voz Mãos (unilateral no início) Frequência 6–10 Hz (rápido) 4–6 Hz (lento) Assimetria Simétrico Assimétrico Outros sinais Ausentes (sem rigidez/bradicinesia) Presente rigidez e bradicinesia História familiar Frequente Rara Melhora com álcool ✅ Sim ❌ Não Resposta à levodopa ❌ Não ✅ Sim 💊 Tratamento • Medicação de primeira linha: o Propranolol (20–120 mg/dia) o Primidona (25–250 mg/dia) • Alternativas: Topiramato, Gabapentina. • Casos graves e refratários → estimulação cerebral profunda. 💃 2. Coreia 🧠 Conceito Movimentos involuntários, irregulares, rápidos, abruptos, sem propósito, que “pulam” de um grupo muscular para outro, lembrando uma “dança” (do grego choreia = dança). Causados por lesão dos gânglios da base (principalmente do núcleo caudado e putâmen). ⚡ 3. Quadro clínico geral das Coréias Achado Descrição Movimentos involuntários Curtos, irregulares, sem ritmo, mudando de local constantemente. Diminuição do tônus muscular Hipotonia, podendo causar quedas. Dificuldade motora fina Letra irregular, dificuldade em abotoar roupas. Alterações de fala Fala explosiva, frases entrecortadas. Desaparecem durante o sono Movimentos cessam ao dormir. 🩺 Sinal clássico: 👉 “Milkmaid’s grip” — ao apertar a mão do examinador, a força alterna (como ordenhar vaca). 👉 “Tongue protrusion test” — paciente não consegue manter a língua para fora. 🧩 4. Principais Síndromes Coreicas Síndrome Características principais Observações / Causa Doença de Huntington Início entre 30–50 anos, movimentos coreicos + alterações cognitivas e psiquiátricas + história familiar (autossômica dominante) Gene HTT (expansão CAG); degeneração do núcleo caudado Coreia de Sydenham (reumática) Crianças e adolescentes após faringite estreptocócica; movimentos irregulares, fraqueza e labilidade emocional Complicação da febre reumática; autolimitada Coreia gravídica Coreia durante a gestação, geralmente em mulheres com histórico prévio de coreia de Sydenham Causa hormonal + predisposição Coreia induzida por drogas Secundária a levodopa, anticonvulsivantes, contraceptivos, lítio, neurolépticos Reversível após retirada Lúpus / Antifosfolípide Coreia como manifestação de autoimunidade Pode ser bilateral e flutuante Coreia vascular (hemicoreia) Movimentos unilaterais após AVC (lesão nos gânglios da base) Associada a hemibalismo Coreia metabólica Hiperglicemia não cetótica, tireotoxicose Reversível com tratamento da causa 🔍 5. Diagnósticos Diferenciais Movimento Características Tremor Oscilação rítmica, previsível. Distonia Contração muscular sustentada, com posturas anormais. Mioclonia Abalos súbitos e rápidos, tipo “choque”. Atetose Movimentos lentos, sinuosos (pode coexistir com coreia → coreoatetose). Tique Movimento súbito, repetitivo, parcialmente voluntário. 💊 6. Tratamento das Coréias Depende da causa: Tipo Tratamento Huntington Sintomático: haloperidol, risperidona ou tetrabenazina (reduzem dopamina). Sydenham Tratamento da febre reumática (penicilina benzatina) + haloperidol ou valproato para os movimentos. Gravídica Regressa após o parto; usar haloperidol se necessário. Secundária a drogas Suspender a droga causadora. Lúpus / antifosfolípide Corticoide e imunossupressor (no contexto da doença autoimune). 🧭 7. Diferença entre Tremor e Coreia Característica Tremor Essencial Coreia Tipo de movimento Oscilatório, rítmico Irregular, sem ritmo Fase De ação (postural) Espontâneo, em repouso e movimento Regularidade Constante Variável, imprevisível Frequência Rápida e fina Irregular e dançante Causa Hereditária, benigna Gânglios da base, causas infecciosas /metabólicas/ genéticas Melhora com álcool Sim Não Exame neurológico Normal fora do tremor Pode haver hipotonia e alterações cognitivas (Huntington) 🧩 8. Dica de prova – Como diferenciar Questão Pista chave Tremor que melhora com álcool → Tremor essencial Tremor em repouso, melhora com movimento → Parkinson Movimentos irregulares, imprevisíveis, desaparecemao dormir → Coreia Coreia em criança após infecção de garganta → Sydenham Coreia + psiquismo alterado + história familiar → Huntington Movimentos durante gravidez ou uso de anticoncepcional → Coreia gravídica ou medicamentosa ⚙ Padrões de Fraqueza – Localização da Lesão A fraqueza muscular (paresia) pode ter origem em diferentes níveis do sistema motor. Saber identificar o padrão é essencial para localizar a lesão 👇 🧠 1. Lesão do Motoneurônio Superior (Central) ➡ Córtex motor, trato corticoespinhal, cápsula interna, tronco ou medula acima do corno anterior. Achado Característica Distribuição Hemiparesia (um lado do corpo), paraparesia (MMII) ou tetraparesia (MMSS + MMII) Tônus Aumentado (espasticidade) Reflexos Hiperreflexia, Babinski positivo Trofismo Normal ou leve atrofia por desuso Fasciculações Ausentes Outros Marcha espástica, padrão em tesoura ou ceifante 🧩 Exemplo: AVC, esclerose múltipla, trauma medular alto. 🧩 2. Lesão do Motoneurônio Inferior (Raiz ou Nervo Periférico) ➡ Corno anterior da medula, raiz nervosa ou nervo periférico. Achado Característica Distribuição Focal ou assimétrica (em um grupo muscular) Tônus Diminuído (flacidez) Reflexos Hipo ou arreflexia Trofismo Atrofia acentuada Fasciculações Presentes Sinais piramidais Ausentes Sensibilidade Pode estar alterada (se nervo periférico envolvido) 🧩 Exemplo: Poliomielite, neuropatia periférica, radiculopatia, esclerose lateral amiotrófica (fase avançada). ⚡ 3. Lesão de Condução (Nervo periférico ou raiz nervosa) ➡ Compromete a transmissão do impulso elétrico ao longo do nervo. Achado esperado Explicação Fraqueza distal predominante Afeta mais mãos e pés Diminuição da sensibilidade “Luva e bota” nas polineuropatias Hiporreflexia ou arreflexia Reflexos abolidos nas áreas afetadas Atrofia muscular Progressiva e localizada Tônus Reduzido Sem sinais piramidais Babinski ausente 🧩 Exemplo: Polineuropatia diabética, síndrome de Guillain-Barré, compressão nervosa. ⚙ 4. Lesão de Transmissão Neuromuscular (Junção neuromuscular) ➡ Ocorre na sinapse entre o nervo e o músculo, onde o estímulo elétrico é transformado em contração muscular. Achado esperado Explicação Fraqueza flutuante e fatigável Piora com esforço e melhora com repouso Sem atrofia muscular Músculo estruturalmente preservado Tônus normal A transmissão, não o músculo, está afetada Reflexos normais ou levemente reduzidos Sem alteração sensitiva Melhora com anticolinesterásico (teste de Tensilon) Diagnóstico clássico 🧩 Exemplo: Miastenia gravis, síndrome miastênica de Lambert-Eaton, botulismo. 💪 5. Lesão Muscular (Miopatia) ➡ Compromete diretamente as fibras musculares. Achado Característica Distribuição Fraqueza proximal (cinturas escapular e pélvica) Tônus Normal ou reduzido Reflexos Normais (até avançar muito a doença) Sensibilidade Normal Trofismo Pode haver atrofia discreta Sem fasciculações Dor muscular possível Miosite, distrofia 🧩 Exemplo: Distrofias musculares, polimiosite, dermatomiosite, uso de corticoide. ⚕ 6. Como Raciocinar na Prova 1. Tem Babinski +, espasticidade, hiperreflexia → Motoneurônio Superior. 2. Tem atrofia e fasciculação → Motoneurônio Inferior / Nervo periférico. 3. Fraqueza distal + sensorial → Lesão de condução (neuropatia). 4. Fraqueza fatigável, sem sensorial → Junção neuromuscular (Miastenia). 5. Fraqueza proximal, sem sensorial → Doença muscular (Miopatia). 🧠 Esclerose Múltipla (EM) 🎯 1. Conceito e fisiopatologia A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune, inflamatória e desmielinizante crônica do sistema nervoso central (SNC), caracterizada por lesões disseminadas no tempo e no espaço — ou seja, ocorrem surtos neurológicos distintos em locais diferentes do SNC. • Autoimune: o sistema imune destrói a bainha de mielina (principalmente por linfócitos T e B). • Afeta o SNC, não o SNP. • Ocorrem desmielinização, inflamação e gliose (esclerose), que comprometem a condução do impulso nervoso. 👩🦰 2. Perfil Epidemiológico Característica Esclerose Múltipla Sexo Predomina em mulheres (≈ 3:1) Idade de início 20 a 40 anos Regiões Mais comum em regiões de clima frio / temperado Predisposição genética HLA-DRB1*1501 Associação com doenças autoimunes Tireoidite, lúpus, miastenia gravis, vitiligo, diabetes tipo 1 ⚡ 3. Surtos (ou Recaídas) 🔹 Definição: Um surto é o aparecimento de um novo sintoma neurológico (ou reativação de um anterior) ➡ Duração mínima: 24 horas ➡ Intervalo entre surtos: pelo menos 30 dias ➡ Sem febre ou infecção associada 🩺 Ocorre por nova lesão inflamatória desmielinizante. Após o surto, pode haver remissão completa ou com sequelas. Formas clínicas mais comuns: • Remitente-recorrente (85%) → surtos e remissões. • Secundariamente progressiva → piora gradual após anos. • Primariamente progressiva → progressão lenta desde o início (homens mais velhos). 🧩 4. Sinais e Sintomas – dependem do local das lesões A EM é difusa, e os sintomas variam conforme a região do SNC atingida: Região do SNC afetada Principais sinais e sintomas Nervo óptico (neurite óptica) Perda visual subaguda unilateral, dor ocular, escotomas centrais, visão borrada, reflexo pupilar aferente alterado (sinal de Marcus Gunn). Tronco encefálico Diplopia, vertigem, disfagia, nistagmo, paresia facial alterna. Cerebelo Ataxia, tremor intencional, disartria (fala escandida), dismetria. Medula espinhal (mielite transversa) Paraparesia, parestesias em nível sensitivo, urgência urinária, incontinência. Via piramidal (trato corticoespinhal) Fraqueza, espasticidade, hiperreflexia, Babinski positivo. Via sensitiva (cordões posteriores) Parestesias, hipoestesia, sinal de Lhermitte (choque elétrico ao fletir o pescoço). Corpo caloso Alterações cognitivas, fadiga intensa, sintomas psiquiátricos. 🧠 Tríade clássica de Charcot (descrita historicamente): 1. Nistagmo 2. Tremor de intenção 3. Fala escandida (disartria cerebelar) 🔎 5. Exames diagnósticos O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado na disseminação no tempo e no espaço, confirmada por exames. 🧲 A. Ressonância Magnética (RM) de encéfalo e medula É o exame de escolha! Mostra lesões desmielinizantes hiperintensas em T2 e FLAIR, principalmente em: • Corpo caloso • Periventricular • Infratentorial • Medula espinhal ➡ Critérios de McDonald (2021): • Disseminação no espaço: lesões em pelo menos 2 regiões típicas do SNC. • Disseminação no tempo: lesões com realce por gadolínio (ativas) + lesões sem realce (antigas) ou nova lesão em RM de seguimento. 🩸 Lesão ativa = capta contraste (gadolínio) → indica surto em andamento. 💧 B. Líquor (Líquido Cefalorraquidiano) Útil para confirmação diagnóstica. Achado Significado Bandas oligoclonais de IgG (presentes em >90%) Produção intratecal de imunoglobulinas Aumento discreto de proteínas Inespecífico Pleocitose linfocitária leve (para espasticidade (baclofeno). ⚕ 7. Cuidados e monitoramento • Evitar hipertermia (calor pode piorar sintomas → “fenômeno de Uhthoff”). • Estimular atividade física leve. • Acompanhamento neurológico regular. • Controle de comorbidades autoimunes associadas. 🧭 8. Resumo final de prova Item Esclerose Múltipla Tipo de doença Autoimune, desmielinizante do SNC Perfil típico Mulher, 20–40 anos, associada a doenças autoimunes Forma clínica mais comum Remitente-recorrente Surto Novo sintoma neurológico >24h, sem febre Achados clínicos Neurite óptica, parestesia, fraqueza, ataxia, disartria Sinal de Lhermitte Choque ao fletir o pescoço RM Lesões disseminadas no tempo e espaço Líquor Bandas oligoclonais de IgG Tratamento do surto Corticoide IV (metilprednisolona) Profilaxia de surtos Interferon beta, glatirâmer, imunomoduladores Corticoide ✅ No surto / 🚫 Não em prevenção ⚡ Síndrome de Guillain-Barré (SGB) (Polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda) 🎯 1. Conceito A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença autoimune aguda que causa desmielinização dos nervos periféricos e raízes nervosas, levando a fraqueza flácida e arreflexia. É a principal causa de paralisia flácida aguda no mundo. 🧠 2. Fisiopatologia • Após uma infecção viral ou bacteriana, o sistema imune produz anticorpos que reagem contra componentes da mielina periférica (mimetismo molecular). • Há desmielinização segmentar dos nervos periféricos → condução nervosa lenta ou bloqueada. • Em alguns casos, o ataque é axonal (forma mais grave). ⚙ Agentes desencadeantes mais comuns: Tipo de infecção Agente Gastrointestinal Campylobacter jejuni (principal) Respiratória CMV, EBV, Mycoplasma pneumoniae, Influenza Outros HIV, Zika vírus, COVID-19, vacina (raro) 👩⚕ 3. Perfil epidemiológico Característica Descrição Idade Todas as idades (pico: adultos jovens e meia-idade) Sexo Leve predomínio masculino Início Dias a poucas semanas após infecção respiratória ou diarreia ⚡ 4. Quadro clínico típico 🔹 Fraqueza muscular • Simétrica, ascendente (começa em MMII → MMSS → tronco → nervos cranianos). • Instala-se em horas a dias (até 4 semanas). • Pode causar tetraparesia e falência respiratória (forma grave). 🔹 Reflexos tendíneos • Abolidos ou diminuídos (arreflexia/hiporreflexia). 🔹 Sensibilidade • Parestesias (formigamentos), mas sem déficit sensitivo importante. 🔹 Nervos cranianos • Acometimento comum, especialmente VII par (facial) → paralisia bilateral. • Disfagia, disartria e diparesia facial. 🔹 Autonômico • Instabilidade autonômica: taquicardia, bradicardia, hipertensão, arritmias, íleo paralítico. 🔬 5. Formas clínicas Forma Características principais Polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda (PDIA) Forma mais comum; fraqueza ascendente clássica, arreflexia, leve alteração sensitiva. Axonal motora aguda (AMAN) Mais grave; fraqueza pura, sem sensibilidade alterada. Axonal motora e sensitiva aguda (AMSAN) Fraqueza e déficit sensitivo intenso. Síndrome de Miller-Fisher Tríade: oftalmoplegia + ataxia + arreflexia; anticorpo anti-GQ1b positivo. 🩺 6. Critérios diagnósticos (NINDS / BRIGHTON) ✅ Critérios clínicos principais: • Fraqueza progressiva bilateral e flácida dos membros. • Arreflexia ou hiporreflexia. • Progressão dos sintomas até 4 semanas. • Ausência de febre no início. • Ausência de comprometimento sensitivo marcado. • História recente de infecção. ⚠ Critérios de apoio: • Evolução monofásica (sem recorrência). • Nervos cranianos frequentemente afetados. • Disfunção autonômica. • Ausência de distúrbios esfincterianos marcantes. 🧪 7. Exames complementares A. Líquor (punção lombar) Achado clássico: dissociação albuminocitológica Parâmetro Resultado típico Proteína Aumentada (>45 mg/dL) Células Normais ou 24h. 🧩 2. Classificação das Crises Epilépticas (ILAE 2017) A. Crises Focais (parciais) ➡ Origem em um hemisfério cerebral. Tipo Características Consciência Focal sem comprometimento da consciência (simples) Movimentos clônicos localizados, sintomas sensitivos, psíquicos ou autonômicos. Preservada Focal com comprometimento da consciência (complexa) Olhar fixo, automatismos (mastigação, gestos repetitivos), confusão pós- ictal. Alterada Focal evoluindo para bilateral (secundariamente generalizada) Inicia focal → evolui para tônico-clônica bilateral. Comprometida B. Crises Generalizadas ➡ Descarga elétrica bilateral e difusa desde o início. Tipo Características Tônico-clônica (Grande mal) Perda súbita da consciência, fase tônica (rigidez) + fase clônica (abalo), seguida de sonolência. De ausência (Pequeno mal) Perda breve da consciência (5–10 s), olhar fixo, sem queda. Mais comum em crianças. Mioclônica Abalos rápidos de gruposmusculares (como “soluços musculares”). Tônica Rigidez súbita, sem fase clônica. Clônica Abalos rítmicos repetidos. Atônica Perda súbita do tônus muscular, com quedas bruscas. C. Crises Indeterminadas / Inclassificáveis • Quando não é possível definir origem (focal ou generalizada). 💊 3. Tratamento das epilepsias (monoterapia inicial) A. Crises Focais (simples, complexas ou secundariamente generalizadas) Fármaco 1ª linha Alternativas Observações Carbamazepina Fenitoína, Lamotrigina, Oxcarbazepina, Levetiracetam Evitar em crises generalizadas! Pode piorar ausência e mioclônica. B. Crises Generalizadas Tipo Tratamento de escolha Alternativas / observações Tônico-clônica generalizada Valproato de sódio Lamotrigina, Levetiracetam, Topiramato Mioclônica Valproato Levetiracetam, Clonazepam De ausência (pequeno mal) Etossuximida (1ª escolha) Valproato (se associada a outros tipos de crise) Atônica Valproato, Lamotrigina Difícil controle; avaliar associação ⚠ 4. Tratamento conforme perfil do paciente 👩🍼 A. Gestante • Evitar drogas teratogênicas (principalmente valproato, carbamazepina, fenitoína). • Preferir Lamotrigina ou Levetiracetam (mais seguras). • Usar dose mínima eficaz e suplementar ácido fólico (5 mg/dia) antes e durante a gestação. • Evitar politerapia. Situação Conduta Crise tônico-clônica generalizada Lamotrigina ou Levetiracetam Ausência Etossuximida ou Lamotrigina Mioclônica Evitar valproato se possível; usar Levetiracetam 👴 B. Idoso • Maior sensibilidade e interação medicamentosa. • Preferir drogas com menos efeitos cognitivos e hepáticos. • Levetiracetam, Lamotrigina e Gabapentina são boas opções. • Evitar Fenitoína e Carbamazepina (por efeitos colaterais e interações). 👶 C. Lactante (amamentando) • A maioria dos antiepilépticos é compatível com aleitamento, exceto em altas doses. • Lamotrigina, Carbamazepina e Valproato são seguros (monitorar sedação e ganho de peso do bebê). • Fenobarbital e Benzodiazepínicos → risco de sonolência no lactente. 🧠 5. Estado de mal epiléptico (EME) ⚡ Definição Crise epiléptica com duração ≥ 5 minutos ou duas ou mais crises sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência neurológica → risco de morte e lesão cerebral. 🚑 Conduta – fluxograma do EME 1⃣ Minuto 0–5: • Avaliar via aérea, ventilação, oxigenação (O₂ 10–15 L/min). • Glicemia capilar → seda consciência Tipo Exemplos Estruturais (focais) AVC, TCE, tumor, abscesso, herniação Metabólicas / tóxicas / difusas Hipoglicemia, hiponatremia, uremia, drogas, intoxicação por CO, anóxia 🧩 Dica: → Se pupilas e reflexos troncoencefálicos preservados, pensar em causa metabólica. → Se reflexos ausentes / assimétricos, pensar em causa estrutural. 🫁 5. Indicações de intubação orotraqueal (IOT) no paciente neurológico A IOT é indicada quando há risco de comprometimento das vias aéreas, hipoventilação ou rebaixamento grave da consciência. 🔹 Indicações absolutas: Situação Motivo ECG ≤ 8 Perda do reflexo de proteção de via aérea Perda do reflexo de tosse ou vômito Aspiração Apneia ou hipoventilação Insuficiência respiratória Crise convulsiva prolongada (EME) Proteção de via aérea Trauma cranioencefálico grave Prevenir hipoxemia/hipercapnia Lesão de tronco encefálico com irregularidade respiratória Controle ventilatório 🔹 Indicações relativas: • Hipóxia persistente (SatO₂ 50 mmHg. • Agitação extrema, incapaz de proteger via aérea. • Procedimentos neurocirúrgicos emergenciais. 🩸 Objetivo: manter PaO₂ > 60 mmHg e PaCO₂ normal (35–40 mmHg) para evitar vasodilatação cerebral. ⚕ 6. Conduta inicial (ABC neurológico) Etapa Conduta A – Airway Garantir via aérea pérvia (IOT se ECG ≤ 8) B – Breathing Oxigênio suplementar, gasometria C – Circulation Monitorar PA, pulso e glicemia D – Disability Avaliar Glasgow, pupilas e reflexos de tronco E – Exposure Procurar sinais de trauma, picadas, drogas 🧭 7. Resumo prático de prova Domínio avaliado Achado principal Interpretação Consciência (Glasgow) ≤8 = coma Indica IOT Pupilas Fixa/midriática Lesão mesencefálica / anóxia Reflexos de tronco Ausentes Morte encefálica / lesão grave Motricidade Decorticação / descerebração Nível da lesão Olhar conjugado Para lado da lesão supratentorial Lesão cortical Respiração Cheyne-Stokes, apnêustica, atáxica Localização da lesão no tronco Indicação de IOT ECG ≤ 8, apneia, perda de reflexos protetores Intubação imediata 🧠 Alterações da consciência ⚡ 1. Níveis de alteração da consciência (graus de coma) A consciência depende da formação reticular ativadora ascendente (tronco encefálico) e do córtex cerebral. A alteração pode ser progressiva, indo da sonolência ao coma profundo: Nível Características clínicas Sonolência (obnubilação) Responde a estímulos verbais simples, adormece facilmente. Torpor (sopor) Resposta apenas a estímulos vigorosos (dor). Estupor Reação lenta, breve, incompleta a estímulos dolorosos. Coma superficial Resposta motora sem propósito, reflexos do tronco presentes. Coma profundo Sem resposta motora, reflexos ausentes, pupilas fixas, respiração irregular. 🧩 Escala de Glasgow é usada para graduar a profundidade: • 13–15: leve • 9–12: moderado • ≤8: grave (indicação de IOT) 🌪 2. Delirium (estado confusional agudo) 🔹 Conceito: Síndrome aguda e reversível de comprometimento da atenção, orientação e consciência, geralmente flutuante, causada por condições clínicas ou medicamentos. ⚙ Etiologia: • Infecções (ex: ITU, pneumonia em idosos) • Drogas (benzodiazepínicos, anticolinérgicos) • Abstinência alcoólica (Delirium tremens) • Distúrbios metabólicos (hiponatremia, hipoglicemia) • Pós-operatório / UTI 🧠 Clínica: Achado Descrição Início Súbito (horas a dias) Curso Flutuante, piora à noite Consciência Reduzida Atenção e memória Comprometidas Percepção Alucinações visuais e ilusões Sono Fragmentado / inversão do ciclo 💊 Tratamento: • Tratar causa de base. • Ambiente calmo, luminosidade adequada. • Evitar contenção física. • Haloperidol 0,5–2 mg VO/EV (1ª escolha, exceto em Parkinson). • Quetiapina / Risperidona em casos específicos. • Evitar benzodiazepínicos, exceto em delirium por abstinência alcoólica. 💀 3. Morte Encefálica (ME) 🧩 Conceito: Cessação completa e irreversível de todas as funções do encéfalo, incluindo o tronco encefálico. É critério legal de morte no Brasil (Resolução CFM nº 2.173/2017). ⚙ Etapas obrigatórias para diagnóstico: 1. Pré-requisitos: o Causa do coma conhecida e irreversível. o Tempo de observação ≥ 6h (24h em encefalopatia anóxica). o Excluir fatores confundidores: § Sedação, hipotermia ( 20–25 mmHg 🧠 Causas Traumatismo craniano, AVC extenso, tumor, abscesso, hidrocefalia, hemorragia. ⚠ Clínica Achado Explicação Cefaleia intensa (pior matinal) Aumento da PIC durante o sono Vômitos em jato Estímulo do centro do vômito Papiledema Sinal mais característico Rebaixamento do nível de consciência Compressão do tronco encefálico Tríade de Cushing Hipertensão arterial + bradicardia + bradipneia (sinal de herniação iminente) 💊 Tratamento de urgência 1. Cabeceira elevada a 30º. 2. Manter PaCO₂ ≈ 35 mmHg (hiperventilação leve e temporária). 3. Manitol 20% (0,25–1 g/kg IV) ou salina hipertônica 3%. 4. Sedação e analgesia adequadas. 5. Evitar hipotensão (PAM > 70 mmHg). 6. Tratamento definitivo: neurocirurgia (drenagem, craniectomia, tumor). ⚠ Evitar corticoide em TCE e AVC! (sem benefício, aumenta mortalidade). 🧩 5. Síndrome de Wernicke–Korsakoff 🔹 Causa: Deficiência grave de tiamina (vitamina B1), comum em: • Alcoolismo crônico, • Desnutrição, • Pós-bariátrica, • Jejum prolongado. 🧠 Fisiopatologia: A falta de tiamina leva à disfunção neuronal no diencéfalo, corpo mamilar e mesencéfalo, prejudicando circuitos da memória e coordenação. ⚡ Fases clínicas: A. Encefalopatia de Wernicke (fase aguda – reversível) Tríade clássica: 1. Confusão mental (delírio, desorientação) 2. Ataxia (marcha instável) 3. Oftalmoplegia (paresia ocular / nistagmo) 🩸 Conduta imediata: • Tiamina 100 mg EV antes da glicose! (A glicose consome tiamina e pode piorar a lesão) B. Síndrome de Korsakoff (fase crônica – irreversível) • Amnésia anterógrada e retrógrada, confabulações (preenche lacunas da memória com histórias falsas). • Resulta de necrose dos corpos mamilares. 🧩 Wernicke → reversível / Korsakoff → permanente. 🧠 GUIA DE REVISÃO – NEUROLOGIA CLÍNICA ⚡ 1. CEFALÉIAS (DOR DE CABEÇA) 🔹 Pontos-chave: • Classificação: o Primárias: enxaqueca, tensional, em salvas. o Secundárias: tumor, meningite, HSA, hipertensão intracraniana etc. • Red flags: início súbito, >50 anos, déficit neurológico, febre, progressiva, trauma, imunossuprimido. • Enxaqueca: o Dor pulsátil, unilateral, 4–72h, náusea, fotofobia, piora com esforço. o Pode ter aura (visual, sensitiva, motora). o Crise: AINE, triptano. o Profilaxia: propranolol, amitriptilina, topiramato. • Tensional: dor em “capacete”, bilateral, compressiva. • Salvas: dor orbital intensa, lacrimejamento, congestão nasal → tratar comO₂ e sumatriptano SC. 🧩 2. AVC (ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL) 🔹 Pontos-chave: • AVCi (isquêmico) → 85% dos casos. • AVCh (hemorrágico) → cefaleia súbita, vômitos, coma. • Diagnóstico clínico: início súbito de déficit focal (hemiparesia, disartria, afasia). • TC sem contraste → excluir hemorragia. • Trombólise (alteplase IV): até 4h30 se: o Sem sangramento, PA