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Tbl 1.2 QUESTION ÁRI O 1 1- Paciente de 65 anos, com histórico de Herpes Zoster há seis meses, queixa- se de que o simples toque da camisa contra o tórax provoca dor aguda e lancinante. Ao exame físico, o médico utiliza um chumaço de algodão para tocar levemente a área, o que reproduz a dor. Qual é o termo clínico correto para esse fenômeno e qual o provável subtipo? A) Hiperalgesia punctata – Falsa. A hiperalgesia punctata é aumento da dor em resposta a estímulos normalmente dolorosos, como uma picada ou pressão intensa. No caso, a dor é provocada por um estímulo não doloroso (toque da roupa ou algodão), portanto não se encaixa nessa definição. B) Alodinia mecânica dinâmica – Verdadeira. Este termo descreve a dor desencadeada por estímulo leve e em movimento, exatamente como o toque da camisa ou do algodão sobre a pele da paciente. É característico de dor neuropática pós-herpética, sendo o diagnóstico correto neste caso. C) Alodinia mecânica estática – Falsa. A alodinia mecânica estática ocorre quando um toque parado ou pressão leve provoca dor. Aqui, o estímulo é dinâmico (movimento do algodão ou roupa), portanto não se aplica. D) Hiperalgesia térmica – Falsa. A hiperalgesia térmica é aumento da dor em resposta a calor ou frio, o que não ocorre no caso, pois a dor é provocada por toque mecânico leve e não por variação de temperatura. 2- Uma paciente com neuralgia do trigêmeo apresenta “zonas de gatilho” próximas ao nariz. O vento batendo no rosto ou o ato de escovar os dentes desencadeia paroxismos de dor. De acordo com as fontes, qual característica diferencia a neuralgia do trigêmeo de outras dores neuropáticas por compressão? A) Presença de perda sensorial grave na área afetada – Falsa. Na neuralgia do trigêmeo clássica, geralmente não há perda sensorial significativa; a função sensitiva da face costuma estar preservada, diferentemente de outras neuropatias por compressão que podem causar déficit sensitivo. B) Ausência de um período refratário após os paroxismos – Falsa. A neuralgia do trigêmeo clássica frequentemente apresenta período refratário curto após cada crise, durante o qual outro paroxismo é menos provável, sendo essa uma característica reconhecida da doença. C) Inexistência de perda sensorial clinicamente demonstrável – Verdadeira. Essa é a característica que diferencia a neuralgia do trigêmeo de outras dores neuropáticas por compressão: a dor intensa e paroxística ocorre sem alterações sensoriais objetivas detectáveis ao exame clínico. D) Resposta exclusiva a opioides de alta potência – Falsa. O tratamento de escolha da neuralgia do trigêmeo é carbamazepina ou oxcarbazepina, e não opioides. A dor não responde exclusivamente a opioides, portanto esta alternativa é incorreta. 3- Um paciente com dor central pós-AVC apresenta sensibilidade aumentada: ao tocar um objeto morno, sente dor intensa de queimação. O médico suspeita de desinibição central. Qual mecanismo fisiopatológico explica a dor evocada pelo frio ou calor em pacientes com lesões no sistema espinotalâmico? A) Ativação de fibras Aβ mecanorreceptoras – Falsa. As fibras Aβ transmitem toque leve e propriocepção, mas sozinhas não provocam dor intensa. A ativação dessas fibras pode contribuir para alodinia em neuropatias periféricas, mas a dor pós-AVC está relacionada a desinibição central, não à ativação direta de Aβ. B) Desinibição de vias nociceptivas polimodais devido à perda de vias térmicas inócuas – Verdadeira. Após lesão do sistema espinotalâmico, as vias que normalmente inibem a transmissão nociceptiva a estímulos térmicos são perdidas, causando desinibição central. Como resultado, estímulos não nocivos de calor ou frio passam a ser percebidos como dor intensa, explicando a hipersensibilidade térmica típica da dor central pós-AVC. C) Regeneração aberrante de fibras motoras no corno dorsal – Falsa. As fibras motoras não conduzem dor; regeneração anormal no corno dorsal de fibras motoras não explica hipersensibilidade térmica. Downregulation total de canais de sódio NaV1.7 – Falsa. A alteração desses canais pode estar relacionada a doenças genéticas de dor congênita, mas não é o mecanismo central da dor pós-AVC evocada por frio ou calor. 4- Em um modelo experimental de sensibilização central, observa-se que estímulos não nocivos passam a ser interpretados como dolorosos. Qual alteração neuroplástica no corno dorsal contribui para esse fenômeno de “troca fenotípica”? A) Fibras C perdem a capacidade de liberar glutamato – Falsa. Fibras C são fibras nociceptivas que liberam glutamato e neuropeptídeos para transmitir dor. A perda dessa função reduziria a transmissão de dor, não causaria alodinia ou troca fenotípica. B) Aumento da inibição mediada por GABA e Glicina – Falsa. O aumento da inibição reduziria a excitabilidade do corno dorsal, protegendo contra dor. Na sensibilização central, ocorre redução da inibição, não aumento. C) Upregulation de exportadores de potássio-cloreto (KCC2) – Falsa. O aumento da expressão de KCC2 reforçaria a hiperpolarização e a inibição das células do corno dorsal, diminuindo dor, não causando alodinia. D) Fibras Aβ passam a expressar neuropeptídeos como Substância P e BDNF – Verdadeira. Esse é o mecanismo da chamada “troca fenotípica”, em que fibras Aβ, normalmente responsáveis por toque leve, passam a liberar neuropeptídeos excitatórios, como Substância P e BDNF, ativando neurônios nociceptivos do corno dorsal e transformando estímulos não nocivos em dor. 5- Durante um exame de beira de leito, o médico utiliza um diapasão sobre o maléolo de um paciente com suspeita de polineuropatia. O paciente relata não sentir a vibração. Este achado indica lesão em quais estruturas? A) Fibras aferentes de pequeno diâmetro ou trato espinotalâmico – Falsa. Fibras de pequeno diâmetro (Aδ e C) transmitem dor e temperatura, não sensação de vibração. O trato espinotalâmico também está envolvido na transmissão de dor e temperatura, não da vibração. B) Fibras aferentes de grande diâmetro ou colunas dorsais – Verdadeira. A sensação de vibração é transmitida por fibras aferentes de grande diâmetro (Aα e Aβ) que se conectam às colunas dorsais da medula espinhal. A ausência de percepção da vibração indica lesão dessas fibras ou dessas vias. C) Nociceptores tipo C – Falsa. Nociceptores tipo C transmitem dor difusa e queimação, mas não estão envolvidos na percepção de vibração. D) Interneurônios GABAérgicos – Falsa. Interneurônios inibitórios modulam a transmissão de sinais dentro da medula, mas não são responsáveis pela condução direta da sensação vibratória. Tbl 1.2 6- Paciente de 70 anos apresenta sintomas atípicos: início rápido de fraqueza motora assimétrica e dor severa na coxa. Qual a conduta recomendada? A) Tratar como NPD distal simétrico padrão – Falsa. A neuropatia periférica diabética (NPD) distal geralmente é simétrica, distal e progressiva, não apresenta início rápido nem fraqueza assimétrica. Tratar como NPD padrão ignoraria sinais de alerta, podendo atrasar o diagnóstico de outra neuropatia. B) Referenciar a um neurologista para investigar outras neuropatias diabéticas, como radiculoplexopatia – Verdadeira. Fraqueza assimétrica de início rápido e dor intensa sugere radiculoplexopatia diabética (neuropatia diabética proximal ou femoral) ou outra neuropatia focal. O encaminhamento a um neurologista é essencial para investigar etiologia, realizar exames complementares e iniciar tratamento precoce. C) Prescrever apenas analgésicos e aguardar 6 meses – Falsa. Apenas controlar dor sem investigar a causa pode atrasar o diagnóstico e permitir progressão da fraqueza, prejudicando funcionalidade e qualidade de vida. D) Diagnosticar como fibromialgia devido à idade avançada – Falsa. Fibromialgia não causa fraqueza assimétrica de início rápido, nem está associada a dor focal intensa em coxa. Esse diagnóstico seria inadequado e perigoso.7- Opioides devem ser usados com cautela no tratamento da dor crônica. Qual é a principal limitação identificada no uso de opioides (incluindo tramadol) para o tratamento da neuropatia periférica diabética dolorosa crônica? A) Eles são muito caros para a maioria dos pacientes – Falsa. Embora o custo possa ser uma barreira em alguns contextos, não é a principal limitação clínica do uso de opioides em neuropatia periférica diabética. B) Falta de evidência de eficácia a longo prazo e alto risco de dependência, overdose e morte – Verdadeira. Opioides, incluindo tramadol, apresentam eficácia limitada a longo prazo no tratamento da neuropatia periférica diabética e estão associados a alto risco de dependência, abuso, overdose e morte, sendo por isso recomendados apenas como última linha ou para casos selecionados sob rigoroso acompanhamento. C) Eles causam hipoglicemia severa como efeito colateral primário – Falsa. Opioides não provocam hipoglicemia como efeito principal; esse não é um fator limitante relevante nesse contexto. D) Eles impedem a regeneração nervosa axoglial – Falsa. Não há evidências de que opioides impeçam regeneração nervosa; seu risco principal está relacionado à dependência e efeitos adversos sistêmicos, não à regeneração nervosa. QUESTION ÁRI O 2 1- Um paciente diabético com polineuropatia dolorosa descreve que a pressão exercida pelos sapatos, mesmo sem movimento, causa dor insuportável na planta dos pés. Qual teste de beira de leito e qual classificação de dor evocada se aplicam a este caso? A) Teste com pincel; alodinia dinâmica – Falsa. Alodinia dinâmica é provocada por toque leve em movimento, como escovar a pele com um pincel. No caso, a dor surge com pressão estática, não em movimento. B) Teste com agulha; hiperalgesia punctata – Falsa. Hiperalgesia punctata é aumento da dor em resposta a estímulo doloroso pontual, como picada de agulha. Aqui, a dor é provocada por pressão não nociva, não por estímulo já doloroso. C) Pressão digital; alodinia mecânica estática – Verdadeira. A dor ocorre com pressão leve ou estática, sem movimento, o que caracteriza alodinia mecânica estática. O teste de pressão digital permite reproduzir esse fenômeno de forma simples à beira do leito. D) Termorolo a 40°C; hiperalgesia térmica – Falsa. Hiperalgesia térmica é dor exagerada em resposta a calor ou frio. No caso, a dor é desencadeada por pressão, não por estímulo térmico. 2- Você realiza o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em um paciente de 55 anos durante a primeira consulta. De acordo com as diretrizes da American Diabetes Association (ADA), qual deve ser a conduta inicial em relação ao rastreamento da neuropatia periférica diabética (NPD)? A) Aguardar 5 anos após o diagnóstico para iniciar o rastreamento anual – Falsa. Esse intervalo é recomendado para Diabetes tipo 1, não para DM2. Pacientes com DM2 podem já ter NPD no momento do diagnóstico, pois a doença frequentemente está presente há anos antes da detecção. B) Iniciar o rastreamento imediatamente no momento do diagnóstico e repetir anualmente – Verdadeira. A ADA recomenda avaliar todos os pacientes com DM2 para neuropatia periférica ao diagnóstico, utilizando testes clínicos simples (monofilamento, sensibilidade vibratória, pin-prick) e repetir anualmente, pois a detecção precoce permite prevenir complicações, como úlceras e amputações. C) Solicitar eletroneuromiografia de rotina para todos os pacientes recém-diagnosticados – Falsa. Eletroneuromiografia não é indicada de rotina; é reservada para casos com dúvidas diagnósticas ou neuropatias atípicas. D) Realizar apenas o teste de monofilamento se o paciente apresentar queixas de dor – Falsa. A NPD pode ser assintomática; limitar o rastreamento a pacientes sintomáticos atrasaria o diagnóstico e a prevenção de complicações. 3- Um homem de 58 anos com diabetes tipo 2 apresenta dor em queimação nos pés. O médico decide utilizar uma ferramenta de triagem baseada em descritores verbais. Qual afirmação sobre essas ferramentas está correta segundo as fontes? A) Ferramentas como DN4 e PainDetect identificam 100% dos casos clínicos – Falsa. Essas ferramentas têm boa sensibilidade e especificidade, mas não identificam todos os casos, portanto não podem garantir 100% de detecção. B) Devem substituir o julgamento clínico devido à sua alta precisão – Falsa. Questionários como DN4 e PainDetect auxiliam o diagnóstico, mas não substituem a avaliação clínica completa, que inclui história, exame físico e investigação de comorbidades. C) Não identificam cerca de 10% a 20% dos pacientes diagnosticados clinicamente – Verdadeira. Estudos mostram que essas ferramentas podem deixar de detectar entre 10% e 20% dos casos, sendo úteis como triagem, mas sempre integradas ao julgamento clínico. D) Focam exclusivamente em sinais negativos, como a dormência – Falsa. Esses questionários avaliam sintomas positivos, como queimação, formigamento e choque, não apenas sinais negativos. 4-Uma paciente de 45 anos apresenta neuralgia do trigêmeo. Qual a recomendação de tratamento farmacológico de primeira linha, citada como distinta de outras dores neuropáticas periféricas? Tbl 1.2 A) Antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina – Falsa. Antidepressivos tricíclicos são usados principalmente em dor neuropática periférica difusa ou dor central, mas não são a primeira escolha específica para neuralgia do trigêmeo. B) Ligantes alfa-2-delta, como a pregabalina – Falsa. Pregabalina e gabapentina são eficazes em muitas dores neuropáticas periféricas, mas não são consideradas primeira linha para neuralgia do trigêmeo clássica. C) Anticonvulsivantes que atuam nos canais de sódio, como a carbamazepina – Verdadeira. A carbamazepina é o tratamento de primeira linha para neuralgia do trigêmeo clássica, atuando nos canais de sódio dependentes de voltagem e reduzindo os paroxismos de dor típicos da doença. Essa recomendação a distingue de outras neuropatias periféricas, em que anticonvulsivantes de ligação alfa-2-delta ou antidepressivos tricíclicos são preferidos. D) Opioides fortes, como a morfina – Falsa. Opioides não são recomendados como primeira linha na neuralgia do trigêmeo, pois têm eficácia limitada e alto risco de efeitos adversos, sendo reservados apenas para casos refratários. 5- A duloxetina e a venlafaxina são eficazes na dor neuropática, mesmo em pacientes sem depressão? Por quê? A) Porque bloqueiam diretamente os receptores de dopamina – Falsa. Esses medicamentos não atuam diretamente nos receptores de dopamina; sua eficácia na dor neuropática não depende do sistema dopaminérgico. B) Porque aumentam a disponibilidade de noradrenalina e serotonina nas vias inibitórias descendentes – Verdadeira. Duloxetina e venlafaxina são inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). Ao aumentar a disponibilidade desses neurotransmissores, potencializam a inibição descendente da dor no sistema nervoso central, reduzindo a percepção dolorosa, independentemente da presença de depressão. C) Porque causam sedação profunda – Falsa. Embora possam causar sonolência como efeito colateral, a sedação não é o mecanismo principal de ação na dor neuropática. D) Porque regeneram os axônios cortados – Falsa. IRSN não promovem regeneração axonal; sua ação é moduladora da dor central, não reparadora de fibras nervosas. 6- Pacientes com dor neuropática frequentemente apresentam comorbidades como ansiedade e depressão. Segundo as fontes, essas alterações afetivas estão ligadas à hiperatividade em qual estrutura cerebral? A) Córtex Motor – Falsa. O córtex motor controla a execução dos movimentos, mas não está diretamente relacionado à regulação de afeto ou às respostas emocionais associadas à dor. B) Cerebelo – Falsa. O cerebelo é responsável pelo equilíbrio, coordenação e ajuste motor, não desempenhando papel central na modulação de emoções ou na dorneuropática afetiva. C) Córtex Cingulado Anterior (ACC) e estruturas límbicas – Verdadeira. Estudos de neuroimagem mostram que a dor crônica e suas comorbidades emocionais estão associadas à hiperatividade do córtex cingulado anterior e de estruturas límbicas, como a amígdala e o hipocampo, que modulam afeto, ansiedade, depressão e percepção da dor. D) Medula Oblonga – Falsa. A medula oblonga controla funções autonômicas vitais (respiração, frequência cardíaca) e reflexos, mas não está ligada à regulação emocional da dor. 7- Um paciente relata que a área onde sofreu uma lesão nervosa está completamente dormente ao toque, porém dói intensamente de forma espontânea. Este quadro é conhecido como: A) Hiperestesia – Falsa. Hiperestesia é aumento da sensibilidade a estímulos, mas a área descrita está dormente, não hipersensível ao toque. B) Anestesia dolorosa – Verdadeira. Anestesia dolorosa ocorre quando há perda completa da sensibilidade ao toque (anestesia), mas o paciente apresenta dor espontânea intensa. Esse quadro é típico de lesões nervosas periféricas com disfunção sensorial. C) Alodinia térmica – Falsa. Alodinia térmica é dor provocada por estímulos térmicos leves, o que não descreve o caso, pois a dor ocorre espontaneamente, sem estímulo térmico. D) Causalgia – Falsa. Causalgia (atualmente chamada de Síndrome da Dor Regional Complexa tipo II) envolve dor intensa, queimação e alterações autonômicas após lesão nervosa, mas geralmente acompanha sinais inflamatórios e alterações de temperatura e cor da pele, não apenas dormência com dor espontânea. 8- Alguns medicamentos agem no controle inibitório descendente da dor. Qual classe de medicamentos tem sua eficácia baseada no aumento do controle inibitório descendente (vias noradrenérgicas e serotonérgicas)? A) Opioides de alta potência – Falsa. Opioides modulam a dor principalmente através de receptores µ nos neurônios aferentes e no córtex, embora possam influenciar vias descendentes, sua eficácia não depende primariamente do aumento do controle inibitório descendente noradrenérgico e serotoninérgico. B) Antidepressivos tricíclicos e inibidores de recaptação de serotonina- noradrenalina (SNRIs) – Verdadeira. Esses medicamentos, como amitriptilina e duloxetina, aumentam a disponibilidade de noradrenalina e serotonina nas vias descendentes inibitórias, reforçando os mecanismos naturais de supressão da dor, o que é fundamental para sua eficácia na dor neuropática. C) Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – Falsa. AINEs atuam principalmente na inibição de prostaglandinas periféricas e centrais, mas não modulam significativamente o controle descendente de dor via serotonina ou noradrenalina. D) Bloqueadores de canais de cálcio locais – Falsa. Bloqueadores de canais de cálcio, como gabapentina e pregabalina, atuam principalmente reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios nos terminais pré-sinápticos, mas sua ação não depende diretamente do aumento do controle descendente. 9-Paciente feminina, 62 anos, com DM2 e Síndrome Metabólica, queixa-se de dormência simétrica nos pés. O exame físico revela perda de sensibilidade vibratória no hálux. Qual fibra nervosa e modalidade de teste estão sendo avaliadas, respectivamente? A) Fibras pequenas; sensação de temperatura – Falsa. Fibras pequenas (Aδ e C) transmitem dor e temperatura, não vibração. Portanto, não se relacionam com o teste de sensibilidade vibratória. B) Fibras grandes; sensibilidade vibratória – Verdadeira. Fibras grandes (Aα e Aβ) são responsáveis por propriocepção, toque fino e vibração. O teste da sensibilidade vibratória com diapasão ou similar avalia essas fibras grandes, sendo adequado para identificar neuropatia periférica diabética. Tbl 1.2 C) Fibras pequenas; monofilamento de 10g – Falsa. O teste com monofilamento avalia perda de sensibilidade tátil e pressão, geralmente mediado por fibras grandes, e não fibras pequenas. D) Fibras grandes; sensação de picada de agulha – Falsa. A sensação de picada envolve fibras pequenas Aδ, não fibras grandes, portanto não corresponde à avaliação de vibração. 10- Um paciente com suspeita de neuropatia e portador de Diabetes Mellitus tipo 2 relata perda de sensibilidade em “bota e luva”. O que esse padrão de distribuição tipicamente indica? A) Uma lesão focal no plexo braquial e lombo-sacro – Falsa. Lesões focais de plexos causam déficits em territórios específicos, não em padrões simétricos em mãos e pés simultaneamente. B) Uma polineuropatia comprimento-dependente, começando nas fibras mais longas – Verdadeira. O padrão “bota e luva” é típico de polineuropatia distal simétrica, como a neuropatia diabética, onde as fibras mais longas (pernas e mãos) são afetadas primeiro. C) Um transtorno psicossomático sem base orgânica – Falsa. Padrão “bota e luva” tem base neurofisiológica comprovada, não é explicável apenas por fatores psicossomáticos. D) Dano exclusivo ao sistema nervoso central – Falsa. O padrão distal simétrico indica lesão periférica, não central, já que danos centrais costumam produzir déficits unilaterais ou hemicorporais, não simétricos em mãos e pés.