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🔴 CLÍNICA CIRÚRGICA NUTRIÇÃO PERIOPERATÓRIA refere-se ao manejo nutricional do paciente no período pré, trans e pós- operatório 😷 O período perioperatório é dividido em: Pré-operatório: dias a semanas antes da cirurgia Transoperatório: durante o ato cirúrgico (preparo metabólico e glicêmico) Pós-operatório: fase imediata (até 48h) e tardia OBJETIVO reduzir complicações infecciosas, preservar a massa magra, modular a resposta inflamatória ao trauma cirúrgico e acelerar a recuperação a DESNUTRIÇÃO perioperatória está associada a: aumento da mortalidade e morbidade maior risco de infecção, deiscência de anastomoses e complicações respiratórias maior tempo de internação e custos hospitalares pior cicatrização e recuperação funcional AVALIAÇÃO antes da cirurgia, deve-se avaliar o estado nutricional do paciente por meio de: CLÍNICA CIRÚRGICA 1 Exames clínicos e antropométricos IMC, perda de peso 10% em 6 meses, circunferência braquial Exames laboratoriais: albumina sérica 3,5 g/dL sugere risco), pré- albumina, proteína C reativa PCR Ferramentas específicas NRS2002, MUST, SGA Subjective Global Assessment) OBS pode ser feito imunonutrientes meses antes da cirurgia para aqueles casos de pacientes de risco que irão realizar procedimento de grande porte PROTOCOLO ACERTO criado no Brasil em 2005, inspirado no ERAS Enhanced Recovery After Surgery) europeu, mas adaptado à realidade brasileira ACERTO significa Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória são condutas multiprofissionais (cirurgia, anestesia, enfermagem, nutrição, fisioterapia) que visam reduzir complicações e acelerar a recuperação após cirurgias, por meio da modificação de práticas tradicionais que já se mostraram obsoletas possui diversos objetivos, sendo que um deles é a melhora do estado funcional e nutricional do paciente evita práticas desatualizadas (jejum prolongado, sondas de rotina, reposição hídrica excessiva) MEDIDAS DO PROTOCOLO pré-operatório Jejum abreviado: evitar líquidos claros até 2h antes da cirurgia; sólidos até 6h Carga de carboidrato: realizar maltodextrina até 2h antes da indução anestésica → reduz resistência insulínica, reduz hipoglicemia, melhora conforto do paciente Suspensão de preparo intestinal rotineiro: feito só em casos estritamente necessários → consiste em esvaziar o cólon antes de CLÍNICA CIRÚRGICA 2 cirurgias abdominal com o uso de laxantes e enemas Suspensão da tricotomia rotineira: feito somente quando os pelos atrapalham o campo cirúrgico por meio de uma máquina elétrica e nunca com uma lâmina Profilaxia antibiótica racional feito somente quando indicada, próxima da indução anestésica transoperatório Restrição de reposição hídrica (evitar excesso de soro) → anteriormente era feito muito soro mas acabava causando edema, maior risco de complicação pulmonar e maior tempo de recuperação Controle da temperatura corporal → manter a temperatura entre 3637 °C Analgesia multimodal (uso combinado de diferentes classes) → reduz uso de opioides que possuem efeitos colaterais importantes Controle glicêmico rigoroso (evitar hiperglicemia 180 mg/dL Pacientes críticos podem receber nutrição parenteral intraoperatória em casos selecionados (longas cirurgias, desnutrição grave) pós-operatório Retirada precoce de sondas e drenos (quando não houver contraindicação) → reduz risco de infecções, dores, retardo da mobilização Nutrição precoce: iniciar dieta oral ou enteral em até 24h, sempre que possível Incentivar mobilização precoce (levantar da cama no mesmo dia ou no dia seguinte) → diminui o risco de TVP e TEP Uso racional de antibióticos (evitar esquemas prolongados sem necessidade) RESULTADOS Redução do tempo de internação em até 3040% CLÍNICA CIRÚRGICA 3 Menor taxa de complicações infecciosas Melhora na satisfação do paciente Redução de custos hospitalares AFECÇÕES BENIGNAS DA PELE as lesões benignas da pele podem ser classificadas de acordo com a sua origem (pelo tipo de estrutura cutânea da qual derivam) CERATOSE SEBORREICA APARÊNCIA geralmente são nódulos ou placas hipercrômicas, têm uma aparência "colada" na pele com textura verrucosa, cerosa ou escamosa, raramente pedunculadas LOCALIZAÇÃO qualquer parte do corpo, mas são mais frequentes no rosto, couro cabeludo, peito, costas e ombros SINTOMAS são indolores e assintomáticas (em algumas situações, podem causar coceira ou irritação, principalmente se estiverem em áreas que sofrem atrito com roupas) FATORES DE RISCO envelhecimento, genética, exposição ao sol MÉTODOS DE REMOÇÃO crioterapia, curetagem e eletrocoagulação, ácidos ou laser se origina da epiderme FIBROMA MOLE (ACROCÓRDON) CLÍNICA CIRÚRGICA 4 APARÊNCIA pequena lesão pendurada na pele por um pedículo (uma haste fina), por isso a aparência "mole", a cor geralmente é a mesma da pele ou mais escura, a superfície é lisa e macia ao toque, o tamanho varia de 1 a 5 milímetros (em alguns casos pode ser maior) LOCALIZAÇÃO aparece principalmente em áreas de atrito da pele como pescoço, axilas, virilha e pálpebras SINTOMAS geralmente é assintomático, não causa dor ou coceira (pode se tornar doloroso e inflamado se for torcido, irritado por roupas ou joias, ou arrancado acidentalmente) FATORES DE RISCO atrito, idade, obesidade, gravidez, resistência insulínica MÉTODOS DE REMOÇÃO exérese por tesoura, crioterapia, cauterização, ligadura se origina do tecido conjuntivo da derme LIPOMAS APARÊNCIA são caroços macios, indolores e fáceis de mover quando pressionados com o dedo, possuem uma consistência borrachuda ou pastosa LOCALIZAÇÃO geralmente se formam no pescoço, ombros, costas, abdômen, braços e coxas CRESCIMENTO crescem lentamente e raramente ultrapassam alguns centímetros de diâmetro SINTOMAS raramente causam dor, a menos que comprimam um nervo próximo CLÍNICA CIRÚRGICA 5 FATORES DE RISCO genética, idade, histórico de trauma MÉTODOS DE REMOÇÃO geralmente não é necessário, já que os lipomas são benignos e não causam problemas de saúde, caso precise (por razões estéticas ou dor), excissão cirúrgica, lipoaspiração, injeção de esteroides se origina do tecido adiposo da camada subcutânea NEUROMAS é um tumor cutâneo originado no nervo NEUROMA TRAUMÁTICO Localização: Surge em áreas onde um nervo foi danificado, como após uma cirurgia, amputação ou trauma Aparência: Pode ser um pequeno caroço ou nódulo firme sob a pele Sintomas: frequentemente doloroso, especialmente quando pressionado, a dor pode ser descrita como queimação, choque elétrico ou pontadas, e pode se espalhar para áreas inervadas pelo nervo afetado NEUROMA DE MORTON Localização: Ocorre especificamente no pé, entre os ossos dos dedos (mais comum entre o terceiro e o quarto dedo) Aparência: não é visível por fora, mas pode ser sentido como um espessamento CLÍNICA CIRÚRGICA 6 Sintomas: dor aguda ou queimação no pé, formigamento ou dormência nos dedos, como se estivesse pisando em uma pedra (frequentemente associado ao uso de sapatos apertados) DERMATOFIBROMA também conhecido como histiocitoma fibroso cutâneo se desenvolve na derme APARÊNCIA nódulo firme e bem definido, sua cor varia, podendo ser marrom, avermelhada, rosa ou roxa LOCALIZAÇÃO mais comum nas pernas, especialmente na parte inferior, mas também pode aparecer nos braços e no tronco SINTOMAS geralmente, a lesão é assintomática, mas pode ser sensível ao toque ou causar coceira ocasional (possui o sinal da covinha: ao comprimir a pele ao redor da lesão com os dedos, ela afunda e forma uma pequena depressão no centro) TAMANHO E CRESCIMENTO varia de poucos milímetros a cerca de 1 centímetro, e a lesão tende a crescer lentamente e, em seguida, estabilizar FATOR DE RISCO trauma local MÉTODOS DE REMOÇÃO excisão cirúrgica, crioterapia CLÍNICA CIRÚRGICA 7 HEMANGIOMA DA INFÂNCIA também conhecido como "mancha de morangoˮ é o tumor vascular devido um crescimento rápidoe anormal de vasos sanguíneos não estão presentes no nascimento na maioria dos casos, mas aparecem nas primeiras semanas de vida FASES DE CRESCIMENTO Fase de Proliferação Crescimento): nas primeiras semanas de vida, a lesão cresce rapidamente e pode ficar mais espessa, inchada e com uma cor vermelha viva (geralmente dura cerca de 6 a 9 meses, mas pode se estender até 1 ano de idade) Fase de Estabilização: o tamanho e aparência se mantêm inalterados por um período Fase de Involução Regressão): começa a diminuir de tamanho e a clarear, geralmente a partir do primeiro ano de vida (cor vermelha esmaece para um cinza-arroxeado, e a lesão pode deixar uma pele mais clara e um pouco flácida no local), a regressão completa pode levar de 5 a 10 anos. classificação CLÍNICA CIRÚRGICA 8 Superficial: aparecem na superfície da pele como uma protuberância vermelha e brilhante, com a textura de um morango Profundo: a pele pode parecer azulada ou inchada, e a lesão pode ser macia ao toque Misto: combina características de ambos os tipos TRATAMENTO propranolol é um medicamento betabloqueador que se tornou o tratamento de primeira escolha → age diminuindo o crescimento dos vasos sanguíneos, fazendo com que o hemangioma regrida mais rapidamente Pomadas ou géis com betabloqueadores (como o timolol) tratamento a laser LESÕES PRÉ-CANCEROSAS (DISPLASIA) são condições em que as células de um tecido, como a pele ou a mucosa, começam a mudar de forma e comportamento, mas ainda não se tornaram CLÍNICA CIRÚRGICA 9 câncer Displasia leve: As células têm poucas alterações e o risco de progressão para câncer é baixo Displasia moderada: As alterações são mais visíveis e o risco é intermediário Displasia grave: As células estão muito alteradas, o risco de se tornarem um câncer invasivo é alto displasia grave é muitas vezes chamada de carcinoma in situ → o câncer já se formou, mas ainda está confinado ao local original, sem invadir tecidos vizinhos CERATOSE ACTÍNICA (QUERATOSE SOLAR) lesão pré-cancerosa de pele mais comum é causada pela exposição crônica e cumulativa à radiação ultravioleta UV do sol APARÊNCIA são múltiplas e pequenas 26 mm) manchas ásperas, secas ou escamosas, podem ter a cor da pele, ser avermelhadas ou até acastanhadas LOCALIZAÇÃO áreas do corpo que recebem muita luz solar RISCO pequena porcentagem de ceratoses actínicas pode evoluir para um carcinoma espinocelular Risco de transformação em CEC 1 1000 MANEJO remoção com crioterapia (congelamento com nitrogênio líquido), até o uso de cremes tópicos ou terapia fotodinâmica (proteção solar é a medida mais importante para prevenir novas lesões) CLÍNICA CIRÚRGICA 10 QUEILITE ACTÍNICA é uma forma de ceratose actínica que afeta especificamente o lábio inferior APARÊNCIA lábio inferior fica ressecado, com fissuras, inchaço e pode apresentar manchas esbranquiçadas ou áreas de atrofia (afinamento da pele) RISCO risco maior de se tornar um carcinoma espinocelular de lábio, que pode ser mais agressivo DOENÇA DE BOWER (CARCINOMA ESPINOCELULAR IN SITU) é uma lesão que, na verdade, já é um carcinoma espinocelular, mas que ainda não invadiu as camadas mais profundas da pele CLÍNICA CIRÚRGICA 11 é um tipo de lesão intraepidérmica APARÊNCIA Placa avermelhada, bem delimitada, que pode ser escamosa e apresentar crostas (pode ser confundida com eczema ou psoríase), bordar irregulares e bem delimitadas, LOCALIZAÇÃO qualquer parte do corpo, mas é mais comum em áreas expostas ao sol, como pernas e tronco RISCO se não tratada, pode evoluir para um carcinoma espinocelular invasivo MENEJO remoção cirúrgica AFECÇÕES MALIGNAS DA PELE as principais afecções malignas da pele (câncer de pele) são: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma CLÍNICA CIRÚRGICA 12 NEOPLASIAS DE PELE NÃO MELANOMA são as neoplasias malignas de pele mais frequente no Brasil 30% dos casos de neoplasia maligna é o tipo mais frequente e de menor mortalidade mais frequente a partir dos 40 anos tem relação direta com a exposição solar CARCINOMA BASOCELULAR (CBC) câncer de pele mais frequente 80% dos casos) se desenvolve nas células da camada mais profunda da epiderme, a camada basal APARÊNCIA pode ter várias formas: Lesão Nodular-ulcerativa: Apresenta-se como um nódulo perláceo (translúcido e brilhante), com bordas elevadas e, frequentemente, uma telangiectasia (dilatação de pequenos vasos sanguíneos) visível na superfície → pode evoluir para uma úlcera central que não cicatriza Variante Morfeiforme: Uma placa esclerodermiforme (semelhante a uma cicatriz, dura ao toque), com margens mal definidas Variante Superficial: Uma placa eritematosa (avermelhada) e descamativa, que pode ser confundida com dermatite (inflamação da pele) ou psoríase exibe um crescimento local e insidioso, com invasão tissular (destruição dos tecidos adjacentes), mas raramente apresenta metástase (disseminação para outros órgãos) TRATAMENTO exérese cirúrgica (remoção da lesão com margem de segurança) é o padrão-ouro, eletrodissecação e curetagem, crioterapia, radioterapia CLÍNICA CIRÚRGICA 13 CARCINOMA ESPINOCELULAR (CEC) é a segunda neoplasia cutânea mais comum, com origem nos ceratinócitos (células da epiderme) se desenvolve nas células da camada espinhosa da epiderme (acima da camada basal) geralmente, é precedido por uma ceratose actínica (lesão pré-cancerosa) ou outras lesões pré-malignas APARÊNCIA pode se manifestar como um nódulo firme, hiperceratótico (com excesso de queratina), ou como uma úlcera crônica que não cicatriza RISCO é mais agressivo que o CBC, com potencial de metástase linfonodal (para os gânglios linfáticos) e à distância, especialmente se a lesão for grande, mal diferenciada ou localizada em áreas de alto risco (lábios, orelhas) CLÍNICA CIRÚRGICA 14 TRATAMENTO excisão cirúrgica e radioterapia adjuvante (dependendo do estadiamento) MELANOMA é a neoplasia de pele mais letal, originada nos melanócitos (células produtoras de pigmento) sua capacidade de metástase é alta e precoce APARÊNCIA assimetria, bordar irregulares, cor variável (preto, castanho, vermelho, azul), diâmetro superior a 6 mm CLÍNICA CIRÚRGICA 15 FATORES DE RISCO exposição solar intermitente intensa (queimaduras solares), nevos atípicos (pintas com características incomuns), histórico familiar e fototipo (tipo de pele) baixo TRATAMENTO excisão cirúrgica ampla, dissecção de linfonodos (em casos avançados) e imunoterapia CLÍNICA CIRÚRGICA 16 DERMATOSES DA INFÂNCIA são muito comuns e podem ter causas infecciosas, inflamatórias, genéticas ou ambientais DERMATITE ATÓPICA (ECZEMA) é a doença inflamatória crônica da pele mais comum na infância, com uma prevalência significativa, especialmente em países desenvolvidos APARÊNCIA pele xerótica (seca) e prurido intenso (coceira), lesões eritematosas (avermelhadas) podendo ser papulares (lesões elevadas) ou formar placas liquenificadas (espessadas e com sulcos acentuados) devido ao ato de coçar LOCALIZAÇÃO Lactentes (bebês): Afeta a face (bochechas), couro cabeludo e superfícies extensoras (cotovelos e joelhos) Crianças maiores: Acomete as superfícies flexoras, como as dobras dos cotovelos e joelhos, pescoço e pulsos MANEJO hidratação intensiva com emolientes CLÍNICA CIRÚRGICA 17 uso de corticosteroides tópicos em crises agudas para reduzir a inflamação anti-histamínicos orais para aliviar o prurido o controle de alérgenos e irritantes é crucial DERMATITE SEBORREICA (CROSTA LÁCTEA) condição inflamatória da pele que afeta áreas ricas em glândulas sebáceas acredita-se que esteja relacionada à superprodução de sebo, estimulada por hormônios maternos, e à proliferação do fungo Malassezia furfur APARÊNCIA no couro cabeludo do lactente, manifesta-se como placas oleosas e amareladas, que podem ser espessas e descamativas, raramente causa prurido, pode também acometer a face e a regiãodas fraldas MENEJO condição benigna e autolimitada, remoção suave das crostas com vaselina ou óleos minerais antes do banho, e lavagem com xampus suaves CLÍNICA CIRÚRGICA 18 MILIÁRIA (BROTOEJA) é uma dermatose comum em climas quentes e úmidos ocorre devido à oclusão dos ductos das glândulas sudoríparas, o que impede a saída do suor e resulta na formação de pequenas lesões APARÊNCIA pequenas pápulas ou vesículas (pequenas bolhas) transparentes ou avermelhadas LOCALIZAÇÃO áreas de maior atrito e acúmulo de suor, como pescoço, tórax, axilas e dobras MANEJO manter a criança em local fresco, arejado e com roupas leves de algodão (uso de talco sem perfume pode ajudar a absorver a umidade) DERMATITE DE FRALDAS (ASSADURA) é a inflamação da pele na área coberta pela fralda resulta da combinação de umidade, fricção, e exposição prolongada à urina e fezes (com aumento do pH pode haver infecção secundária por Candida albicans (uma levedura) em casos mais graves APARÊNCIA eritema (vermelhidão) e esfoliação da pele, em casos de candidíase, as lesões são mais intensas, com satélites (pequenas pápulas avermelhadas ao redor da área principal) MANEJO troca frequente de fraldas, limpeza suave com água e sabão neutro, e uso de pomadas barreira contendo óxido de zinco ou petrolato, no caso de candidíase, é necessário o uso de antifúngicos tópicos CLÍNICA CIRÚRGICA 19 IMPETIGO é uma infecção bacteriana da pele, altamente contagiosa causada principalmente por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes → a entrada da bactéria ocorre através de pequenas fissuras ou lesões na pele APARÊNCIA Impetigo não bolhoso: Caracterizado por pápulas que evoluem para vesículas ou pústulas, que se rompem e formam crostas de cor melicérica (semelhante ao mel). Impetigo bolhoso: Forma bolhas flácidas que se rompem, deixando uma área úmida e avermelhada. MANEJO antibióticos tópicos CLÍNICA CIRÚRGICA 20 INCISÕES incisão é um corte cirúrgico planejado na pele e nos tecidos subjacentes → deve permitir um acesso adequado ao local da cirurgia, sem comprometer a visualização ou a manipulação dos órgãos deve ser feita, sempre que possível, paralelo as LINHAS DE LANGER (linhas de tensão da pele) → para minimizar a tensão na ferida, cicatrização mais estética e menor risco de deiscência (abertura da ferida) as incisões devem ser feitas perpendiculares à pele e paralelas as linhas de Langer sem rebarbas e sem irregularidades a incisão deve permitir acesso adequado, sem ser maior que o necessário CLÍNICA CIRÚRGICA 21 SUTURAS é o ato de unir as bordas de uma incisão ou de um tecido lesionado, para promover a cicatrização materiais: fios cirúrgicos com agulha (absorvíveis e não absorvíveis) + porta- agulha + pinça dente de rato + tesoura (metzembaum ou mayo) PADRÕES DE SUTURA Simples interrompida: pontos separados, boa segurança Sutura contínua: rápida, mas se rompe, pode abrir toda a ferida Intradérmica: estética, fio absorvível, sutura corrida na derme Colchoeiro (horizontal/vertical): útil em áreas de tensão Donatti (ponto em U: usado em feridas profundas com tensão Subdérmica/intradérmica estética: oculta, em cirurgias plásticas CLÍNICA CIRÚRGICA 22 DEVE aproximar sem causar tensão, evitar inversão das bordas (exceto em mucosas), realizar a hemostasia adequada antes da sutura a retirada dos pontos varia de acordo com a localização → face: 5 dias; tronco: 710; membros: 1014 SUTURA EM UM PLANO une apenas uma camada de tecido é usada em incisões superficiais, onde não há necessidade de aproximação de tecidos mais profundos deve-se evitar a eversão das bordas ex: sutura simples na pele para fechar uma lesão superficial SUTURA EM MÚLTIPLOS PLANOS consiste em fechar a incisão camada por camada, desde os tecidos mais profundos até a pele objetivo: restaurar a anatomia normal e diminuir a tensão na camada mais externa (a pele), o que melhora a cicatrização e previne complicações é usada em cirurgias mais complexas e profundas ou em feridas que envolvem várias camadas de tecido BORDAS Confrotamento ou aposição: justaposição das bordas da ferida entre si, não deixando desníveis (perfeita integridade anatômica, funcional e estética) Eversão: justaposição das paredes pela face interna (ex: suturas vasculares) CLÍNICA CIRÚRGICA 23 Inversão: justaposição das paredes pela face externa (ex: suturas em vísceras ocas) Sobreposição: uma borda fica sobre a outra para ampliar a superfície de contato (ex: herniações) RETALHOS é uma porção de tecido que é transferida de um local doador para um local receptor para reparar um defeito (por exemplo, uma ferida grande, uma úlcera ou um defeito após a remoção de um tumor) o retalho usa a mesma conexão vascular original Retalho Aleatório: A vascularização não é baseada em um vaso específico, geralmente, é menor e usado para defeitos próximos CLÍNICA CIRÚRGICA 24 Retalho Axial: A vascularização é baseada em um pedículo arterial e venoso bem definidos, o que garante um fluxo sanguíneo robusto, permite a transferência de grandes porções de pele, gordura e até músculo o uso de retalhos é essencial na cirurgia plástica reconstrutiva e na cirurgia oncológica, permitindo a reconstrução de áreas complexas e a cobertura de grandes defeitos CLÍNICA CIRÚRGICA 25 ENXERTOS é um pedaço de tecido que é completamente removido de um local e transplantado para outro, sem manter sua conexão vascular original Enxerto de Pele Parcial: Apenas a camada superior da pele (epiderme e parte da derme) é removida, é mais fácil de "pegar" e a área doadora cicatriza sozinha, é usado para cobrir grandes queimaduras Enxerto de Pele Total: Inclui toda a espessura da derme, a chance de "pegar" é menor, mas o resultado estético é melhor, é usado em áreas visíveis, como a face a área doadora do enxerto é geralmente suturada ou deixada para cicatrizar por segunda intenção o sucesso do enxerto depende de fatores como a preparação do leito receptor, que deve ser bem vascularizado e livre de infecções CLÍNICA CIRÚRGICA 26 ZETAPLASTIA é uma das técnicas de retalho mais clássicas da cirurgia plástica reconstrutiva → é uma técnica de retalho cutâneo em Z, utilizada para alongar cicatrizes retraídas, reposicionar cicatrizes em relação às linhas de tensão da pele (linhas de Langer) e liberar retrações cicatriciais baseia-se em dois retalhos triangulares transpostos entre si, mantendo sua vascularização aleatória TÉCNICA Marca-se a cicatriz principal como linha central do Z. Constrói-se um triângulo em cada extremidade da cicatriz, formando braços laterais com ângulo definido. Faz-se a incisão, descolamento e transposição dos retalhos triangulares (cruzam-se de posição). Suturas são feitas em camadas, com fechamento da pele ao final. INDICAÇÕES Retrações cicatriciais pós queimadura (ex.: pescoço, axila, fossa poplítea, mão) Cicatrizes que cruzam articulações, limitando mobilidade. Cicatrizes lineares muito visíveis (estética) Malformações congênitas como a microstomia (para ampliar comissura oral) CLÍNICA CIRÚRGICA 27 Contraturas digitais (inclusive na síndrome de Dupuytren) LIMITAÇÕES Não indicada em retrações muito extensas (nesse caso, usa-se enxerto ou retalho maior) Pode causar deformidades triangulares ou “dog earsˮ se mal planejada Risco de necrose dos retalhos se ângulos muito agudos ou muito amplos Possível recidiva da retração em cicatrizes de má qualidade CLÍNICA CIRÚRGICA 28